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As minorias políticas da Angola

Introdução
No jogo político, democrático ou não, existem diferentes forças políticas e
constante conflito. Estas forças são encarnadas em grupos políticos que
levantam suas bandeiras ideológicas a fim de lutar por direitos e participação
política. E entre esses grupos sociais existem as minorias políticas que vivem à
margem da sociedade devido suas condições, sejam financeiras, ideológicas,
culturais, sociais e/ou físicas que acabam por perderem voz na democracia. Esta
análise se dá de maneira qualitativa e não quantitativa, já que quando se fala de
minorias políticas nos referimos a capacidade limitada que esses grupos tem na
luta de direitos e ascensão social e não da quantidade que esses grupos sociais
expressam na sociedade, até porque geralmente nas sociedades capitalistas
contemporâneas os grupos minoritários representam grande parcela da
população. Sendo assim, este trabalho visa fazer uma análise das minorias
políticas da Angola, país que passou por uma intensa guerra civil após sua
descolonização e passa por um recém formado processo democrático.

Maiorias e minorias
A Angola, assim como muitos outros países africanos, tem em suas
fronteiras uma gama de diferentes grupos linguísticos, étnicos e religiosos e
muito desses grupos não tem tido seus interesses representados.
Tendo 95% de sua população de origem Bantu, geralmente na Angola
distingue-se 4 grandes grupos etnolinguísticos: Ovibumdos (37%) é a população
mais bem representada e que falam o Umbundo, Ambundos (25%) que falam
Kimbundo, Bacongos (13%) que falam o Kikongo e Tchokwes (8%) que falam o
Tchokwe. Vale ressaltar que essas
classificações possuem, antes de
tudo, uma base nos estudos
etnográficos realizado por
colonizadores portugueses e que por
isso não representam em plenitude as
verdadeiras identidades culturais de
determinadas etnias. Isso acaba por
provocar a exclusão e descriminação
de determinados grupos étnicos como,
por exemplo, os Sans: grupo de
caçadores-coletores, distinto do tronco
bantu. Uma etnia milenar que
atualmente luta pela sobrevivência de
sua cultura e língua devido ao fato de
morarem em condições precárias no
Sul da Angola e não possuírem um
estatuto e reconhecimento político.
No que diz respeito
a sexualidade a
Angola, que em
relação a esse
assunto ainda se
baseia na antiga
constituição
portuguesa, considera
ilegal relações homo
afetivas passíveis a
penalizações como
multas, restrições ou
trabalho obrigatório. E
hoje em dia o debate
sobre os direitos dos LGBTs é pouco recorrente na sociedade angolana e na
política também.
Em relação a religião,
existem cerca de 1000
religiões, sendo metade da
população católica e um quarto
pertence às igrejas
protestantes. Esse fato deve-se
ao passado de colonização que
a Angola sofreu enquanto
colônia. Também há os
Kimbanguistas com origem no
Congo-Kinshasa, e os
Tocoistas oriundos do próprio
território da Angola, ambas com comunidades de dimensão bastante limitada. A
quantidade de pessoas sem religião anuncia também um quantitativo
expressivo. O quantitativo de pessoas que expressa as religiões africanas é
considerável e até mesmo muito do que não contém essas religiões, traz consigo
práticas culturais oriundas dessas religiões.
As religiões e seitas de matrizes africanas, os islã e até mesmo as
religiões sincréticas são as que constituem minoria política no país e sofrem
alguns casos de intolerância como por exemplo a acusação de feitiçaria e
limitação de culto. No que diz respeito ao Islã, há um tentativa do Estado por
criar uma imagem negativa da religião através da associação ao terrorismo, que
acaba infundido uma maior intolerância religiosa.
Em suma desde a história de independência da Angola o Estado
influenciado pelo marxismo tenta se manter como contrário a qualquer religião e
tem promovido através de leis mecanismos que dificultam práticas da fé em seu
país. Isso não significa que para isso o Estado não tenha tido feito alianças
conturbadas com instituições religiosas, como por exemplo a Igreja, para
promover um sufocamento das minorias religiosas e mesmo assim esse
empenho não teve êxito total já que agora cada vez mais a o governo tem se
mostrado mais tolerante e busca agora estabelecer sua laicidade.

Conclusão
O Semanário Angolense publicou um artigo falando que cada vez mais
minorias estão se juntando para combater seus verdadeiros inimigos. Este fato
tem assustado a minoria (não política, mas demográfica) de brancos e mulatos
angolanos que se sentem ameaçados politicamente, economicamente e
socialmente. Essa foi a avaliação feita pela revista: “O poder escureceu”.
Jacques dos Santos, escritor e intelectual angolano critica essa postura ao
afirmar que uma pessoa deve ser julgada pela sua competência e não pela sua
cor de pele e que esse deve ser o caminho para construir se uma sociedade
mais justa e sem revanchismo. Mas o enfoque é que Jacques acredita que a
Angola realmente o poder angolano se tornou mais negro, fato verídico, mas que
ainda é muito cedo para suscitar a existência de minorias e maiorias políticas.
Embora seja uma opinião polemica, o que Jacques dos Santos diz deve
ser pensando pela sociedade angolana: Com a ascensão do negro angolense
poderia a Angola, que passa por um processo de formação democrática, se
tornar uma sociedade mais igualitária e que dê acesso a todos no país?

http://cafecomsociologia.com/2016/08/o-que-sao-minorias.html
https://www.educabras.com/vestibular/materia/sociologia/aulas/as_minorias
http://www.infoescola.com/sociedade/minorias/
http://www.embangola.at/dados.php?ref=dados-demograficos
http://opais.co.ao/o-contexto-atual-da-mulher-angolana-e-a-sua-participacao-
politica/
http://www.redeangola.info/homossexualidade/
http://angola1b.blogspot.com.br/p/demografia.html
http://www.embangola.at/dados.php?ref=religiao
https://www.makaangola.org/2014/04/o-estado-e-a-religiao-em-angola/