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CONFIRMADO: A MATÉRIA É RESULTADO DE FLUTUAÇÕES DO VÁCUO QUÂNTICO

Redação do Site Inovação Tecnológica - 25/11/2008


A teoria de que a matéria não tem fundações tão firmes quanto sugerem termos como "concreto"
e "sólido" não é tão nova. Mas esta é a primeira vez que os cientistas conseguiram demonstrar
que a matéria se origina de meras flutuações do vácuo quântico.
Modelo Padrão da Física
Uma equipe internacional de físicos demonstrou de forma conclusiva que o Modelo Padrão da
física das partículas - a teoria que descreve as interações fundamentais das partículas
elementares para formar toda a matéria visível no universo - explica com precisão a massa dos
prótons e dos nêutrons. "Mais de 99% da massa do universo visível é formado por prótons e
nêutrons," afirma o estudo, publicado na revista Science. "Esses dois tipos de partículas são muito
mais pesados do que os quarks e glúons que as constituem, e o Modelo Padrão da física deve
explicar essa diferença."
O que faz com que a matéria seja matéria?
Cada próton e cada nêutron é formado por três quarks. Ocorre que esses três quarks juntos
respondem apenas por 1% da massa de todo os prótons ou nêutrons. A explicação conclusiva que
faltava era: Então, o que responde pelo restante da massa dessas partículas? E m outras palavras,
"O que faz com que a matéria seja matéria?" O Dr. Andreas S. Kronfeld explica que, como os
núcleos atômicos formam quase todo o peso do mundo, e como esses núcleos são compostos de
partículas chamadas quarks e glúons, "os físicos acreditam há muito tempo que a massa do núcleo
atômico tem sua origem na complicada forma com que os glúons se ligam aos quarks, conforme
as leis da cromodinâmica quântica (QCD - Quantum ChromoDynamics)."
Partículas virtuais
Os glúons são uma espécie de "partículas virtuais," que surgem e desaparecem de forma aleatória.
O campo formado por essas partículas virtuais seria responsável pela força que une os quarks - a
chamada força nuclear forte.
Ocorre que, como o número de interações reais e virtuais entre quarks e glúons é estimada na
casa dos trilhões, é incrivelmente difícil, ou até mesmo impossível, usar as equações da QCD
(cromodinâmica quântica) para calcular a força nuclear forte.
Os pesquisadores então criaram uma nova técnica, batizada por eles de Rede QCD, na qual o
espaço é representado na forma de uma rede discreta de pontos, como os pixels de uma tela de
computador. Este modelo permitiu que os cientistas incorporassem toda a física necessária e deu
a eles o controle das aproximações numéricas e da taxa de erros nos cálculos da massa dos
hádrons - prótons, nêutrons e píons.
A rede QCD reduz toda a complexidade das equações virtualmente insolúveis em um conjunto de
integrais, que puderam ser programadas para solução em um programa de computador.
Isto permitiu que, pela primeira vez, os físicos incluíssem em seus cálculos as interações quark -
antiquark, uma das maiores complexidades da força nuclear forte. Agora, além dos glúons, eles
sabem que a massa dos quarks-antiquarks se origina da flutuação do vácuo quântico.
Diferença entre acreditar e saber
Conforme os pesquisadores, agora é possível eliminar a expressão "os físicos acreditam",
substituindo-a por "os físicos sabem", quando o assunto é a QCD. Segundo o Dr. Kronfeld, os
cálculos revelaram que, "mesmo se a massa dos quarks for eliminada, o massa do núcleo não varia
muito, um fenômeno algumas vezes chamado de 'massa sem massa'."
Toda a matéria do universo é virtual
A forma como a natureza cria a massa dos quarks é um dos assuntos de maior interesse dos físi cos
que irão trabalhar no Grande Colisor de Hádrons, o LHC,, que deverá começar a funcionar em
2009.
O LHC vai tentar confirmar experimentalmente a existência do chamado campo de Higgs, que
explica a massa dos quarks individuais, dos elétrons e de algumas outras partículas. Ocorre que o
campo de Higgs também cria a massa a partir das flutuações do vácuo quântico.
Ou seja, com a atual confirmação de que a massa dos glúons e quarks-antiquarks tem sua origem
na flutuação do vácuo quântico, se o LHC confirmar a existência do campo de Higgs, então a
conclusão inevitável será de que toda a matéria do universo é virtual, originando-se de meras
flutuações de energia.
Bibliografia:
The Weight of the World Is Quantum Chromodynamics
Andreas S. Kronfeld
Science
21 November 2008
Vol.: 322, Issue 5905 - pp. 1198-1199

Mecânica quântica é filmada em tempo real


Você certamente já ouviu falar que as partículas em dimensões atômicas são governadas pelas
leis da mecânica quântica, e que isso significa que elas podem se comportar tanto como
partículas quanto como ondas. Um elétron ou um fóton, por exemplo, são partíc ulas e são
ondas, dependendo da forma como você os encara. Isso é contraditório com as noções que
temos sobre o que é real ou local: um elétron poderia assim não ser "real" no sentido de ser
uma partícula, porque seria uma onda.
Mas, quando visto como uma partícula, poderia não estar em um lugar determinado, porque,
como onda, espalha-se por um espaço finito, não sendo nada além de uma probabilidade de
estar em algum ponto desse espaço.
Experimento da dupla fenda
O experimento clássico para demonstrar isso é a chamada dupla fenda, uma chapa com duas
fendas verticais, contra a qual são disparados fótons, ou partículas de luz.
Do outro lado emergirá um padrão de interferência, similar ao formado por múltiplas pedras
caindo sobre a superfície de um lago, mostrando que os fótons-onda interferem uns com os
outros - essencialmente, eles estão passando pelas duas fendas ao mesmo tempo.
Contudo, sobre a chapa, os fótons sempre são coletados e medidos comportando -se
exatamente como partículas. Essa é a demonstração clássica da chamada dualidade partícula-
onda, e até hoje vem sendo repetida à exaustão em laboratórios de física, mas sempre na
forma de uma "fotografia": a chapa onde os fótons colidiram e formaram o padrão de
interferência.
Dualidade partícula-onda ao vivo
Agora, cientistas da Universidade de Viena, na Áustria, conseguiram pela primeira vez filmar
o experimento da dupla fenda, mostrando a dualidade partícula-onda desenrolando-se ao
vivo. Em vez de fótons, Thomas Juffmann e seus colegas usaram moléculas de ftalocianina, um
corante altamente fluorescente, e fizeram-nas atravessar uma grade em nanoescala, com uma
espessura suficiente para reduzir os efeitos da força de van der Walls. Assim que as moléculas
chegavam na tela, do outro lado da nanograde, os cientistas capturavam imagens ao vivo
usando um microscópio de fluorescência com uma sensibilidade inédita, capaz de fotografar
cada molécula com uma precisão de 10 nanômetros.
Mecânica quântica visível a olho nu
O experimento tem um componente fortemente didático: ele revela a característica de
partícula única dos complexos padrões de difração quânticos em escala macroscópica, visível
a olho nu. É possível ver o padrão de interferência surgindo em tempo real, e lá permanecendo
durante horas.
Assim, o "Dualidade Partícula-Onda - O Filme", torna essa propriedade contra-intuitiva da
mecânica quântica algo particularmente tangível e visível. As experiências têm também um
ponto de vista prático.
Elas permitem acessar as propriedades moleculares na proximidade das inte rfaces entre
sólidos, e mostram um caminho para futuros estudos de difração em membranas com
espessuras de nível atômico.
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=mecanica -quantica-filmada-
tempo-real&id=010165120403#.Wi0vVhNzLIU