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7.

OS VALORES

a) O que são?

A ciência que vai estudar a ética dos valores é a axiologia. Os valores são objetos
formais da ética e não objetos em si. Sua propriedade é adquirida graças à sua relação
com o homem. Uma diferença importante na definição de valor deve ser feita entre os
objetos naturais e os objetos h umanos ou humanizados.

Objetos naturais: São analisados em suas estruturas e propriedades essenciais pelo homem da
ciência e sobre eles não se pode fazer uma apreciação ou formulação de juízos de valor. Suas
propriedades são naturais e existem independentemente das propriedades valiosas.

Objetos humanos: Possuem novas propriedades, as quais chamamos propriedades valiosas


porque derivam da relação com o homem.

Assim, os objetos naturais estão na natureza em sua forma primeira e pura, enquanto
os objetos humanos são assim chamados por conta de suas relações com o homem. Somente
os objetos humanos possuem valor na ética. Por exemplo: a prata é um mineral em seu estado
puro, mas, em contato com o homem, pode se tornar um cinzeiro (valor de utilidade) ou uma
moeda (valor econômico).

b) Valor moral

Segundo Ives Gandra, o “valor moral é aquele atribuído aos atos e produtos humanos
e pode ser classificado em bom ou mal. Somente aos atos livres (conscientes e
voluntários) se pode atribuir uma responsabilidade moral”. C o m o p o r e x e m p l o
ajudar alguém a atravessar a rua.
Deste modo, podem ser avaliados indivíduos e grupos sociais em suas intenções,
resultados e consequência de seus atos, na q u a l b o m p o d e s e r : f e l i c i d a d e
(eudemonismo), prazer (hedonismo), boa vontade (formalismo
K a n t i a n o ) e ú t i l ( u t i l i t a r i s m o ) . Deve-se diferenciar o bem moral do bem em geral
(demais valores), por exemplo, um relógio é “ bom” devido à sua utilidade já que nele não
há moralidade como nos atos humanos.

c) Ética Deontológica e Ética Teleológica

São dois modos diferentes de fundamentar a moral porque situa o valor moral dos atos
em momentos diferentes.
A Deontológica (teoria do dever) entende que os critérios da ação são definidos a
priori e que os atos são bons ou maus em si, ou seja, a intenção é o qualifica o valor moral
daquela ação. ação que obedece ao dever, apenas. A obediência ao dever faz o homem livre.
Seu grande representante é Kant, com o imperativo categórico de Kant: agir de modo
universal com o fim em si mesmo e não nas consequências.
A Teleológica (estudo do fim), por sua vez, acredita que o correto só pode ser definido a
partir das consequências que uma determinada ação pode produzir, ou seja, o fim da ação é o
qualifica o valor moral. Tem como base a utilidade das ações para o bem-estar e para aliviar o
sofrimento. Sua moral vai ser o que produz mais bem-estar ao maior número. Seu grande
representante é Stuart Mill (utilitarismo). Cabe aqui a declaração de que os fins justificam os
meios.

REFERÊNCIAS
VÁSQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro 1990.

8. O COMPORTAMENTO VOLUNTÁRIO
a) Condições do comportamento voluntário

Atos do homem = Não é objeto da ética, pois falta liberdade e consciência, e isenção da
vontade. EX: Batimento cardíaco
Atos humanos = É objeto da ética, pois os atos ou omissões são feitas livremente, de modo
deliberado (decisão). Necessita da razão e vontade (intencionalidade), são elegidos (eleito,
nomeado). EX: Roubar

b) A vontade no ato humano

Voluntário = São atos humanos que dependem das nossas vontades. Seu grau de valor
moral, dependerá do grau de liberdade com que forem realizados. EX: Falar, andar.
Involuntário = São atos humanos que não dependem das nossas vontades. EX: A reação
instintiva ao retirar a mão quando toma-se um choque.

Não voluntário = São atos humanos providos da ignorância, se diferem dos atos
voluntários, pois não depende totalmente da vontade e se diferem dos atos
involuntários, pois não são acompanhadas de um possível arrependimento. Ex. Agir
viciado.

c) Emoções e sentimentos no agir humano


As emoções e sentimentos podem qualificar a ação, já que o valor moral dependerá do
grau de liberdade. O grau das emoções e dos sentimentos influenciam o valor moral, por
exemplo o fato de estudar estressado.
Ives Gandra define o sentimento c o m o um aspecto puramente subjetivo da vida
psíquica, que consiste na impressão agradável ou desagradável que produz no sujeito, ou
seja, é um efeito do sujeito sobre o objeto sem que por si mesmo tenha relações com o
objeto. A emoção é um sentimento interior que traz consigo um aspecto interior (sentimental)
e exterior (comoção somática).

d) Hábitos (definição)

Definição moderna de hábito não vai ter como vista os elementos espirituais, mas vai
estar ligado ao auto-motismo invariável e inerte. Logo o hábito está ligado a uma repetição de
atos condicionando a participação do sistema nervoso). Por isso que se pode classificar entre
hábitos bons e ruins, pois o hábito é deliberado.
Para São Tomás de Aquino o hábito além de ser uma força para agir bem ou agir mal, é
uma qualificação do ser, podendo ser aperfeiçoada a ação do ser, sendo bom; ou prejudicada,
sendo mau. Para Ives Gandra, hábito é modo de agir adquirido pela repetição dos atos,
criando-se uma pré-disposição a agir de uma maneira própria.

REFERÊNCIAS
MARTINS FILHO, Ives Gandra da Silva. Manual esquemático de filosofia. 4.ed. São
Paulo: LTr, 2010.