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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE ALAGOAS - UNEAL

DEYVISSON VÍCTOR NUNES FERREIRA

Resenha Crítica – A Onda (2008)

Arapiraca – AL

2017
DEYVISSON VÍCTOR NUNES FERREIRA

Resenha Crítica – A Onda (2008)

Trabalho solicitado pelo professor Edson


Bezerra para fins avaliativos da disciplina de
Antropologia Jurídica do 2º semestre do
curso de Direito da Universidade Estadual
de Alagoas – UNEAL.

Arapiraca – AL

2017
Resenha Crítica – A Onda (2008)

O filme “A Onda” (Die Welle, em seu título original) foi dirigido por Dennis
Gansel, foi inspirado no livro de mesmo nome do autor norte-americano Tod
Strasser. O filme traz a ideia de como o fascismo pode ainda ser introduzido na
sociedade, mesmo em uma nação democrática. E que suas raízes estão
adormecidas, mas não apagadas.

O enredo irá se basear no curso de Autocracia de uma semana que o


professor Rainer Wenger irá ministrar na escola que ele leciona. E o professor, tem a
ideia de fazer um experimento com seus alunos dentro dessa semana para ensinar
a turma como o fascismo pode ser renascido até de maneira fácil, principalmente em
um país que passou por uma das maiores e cruéis ditadura que o mundo já viu, o
Terceiro Reich, período na Alemanha que o governo era controlado por Adolf Hitler.

Aos poucos Rainer vai reunindo o que é preciso para fazer esse experimento,
juntando todo o arcabouço necessário de uma ditadura, como a insatisfação popular
pelo sistema (que neste caso seria a falta de interesse dos alunos), o protagonista
do movimento, a uniformização como meio de acabar com o sentimento expressão
individual (que nesse caso seria usar a roupa que quiser) e a definição de um
inimigo (a sala do curso de Anarquismo), e dentre outros meios de controle de
massa que faz com que os indivíduos desconstruam seus valores para se tornar em
uma unidade governada e instruída por um, com base em uma disciplina fixa e
determinada por um líder (como o levantar para falar e as saudações). E também é
definido um nome para o movimento, que é chamado de “A Onda”, que já de cara é
uma palavra forte para um movimento, e acima de tudo, traz um sentimento de
unidade e força.

E em poucos dias, as diferenças já são nítidas. Os alunos passam a andar


sempre com suas roupas brancas, estarem sempre juntos e defendendo uns aos
outros. E claro, espalhando os ideias de seu movimento (pichando seu símbolos
pela cidade e excluindo pessoas que não simpatizam com eles), cada vez mais
passando a responder não mais por si mesmos, mas sim por sua unidade, pel’A
Onda. E a representação mais exata disto, é o personagem Tim. Este personagem
tem a personalidade de alguém excluído, que não era aceito em grupos sociais, mas
no momento em que A Onda é formada, ele se sente importante para algo, e tudo o
que ele era antes ou era agora é desconstruído (ou deixado para trás) para se tornar
um integrante do movimento. Como na cena em que o mesmo queima todas as suas
roupas e passa somente a usar a camisa branca.

Karo e Mona são os personagens que representam a oposição. As duas,


desde o início são contra a ideia do professor Rainer. Elas percebem algo que o
professor não via, pois o movimento continuava mais forte ainda fora da sala de
aula. Além de que, no início elas já mostram desaprovação quando a Mona fala que
a uniformização iria acabar com a individualidade, e quando Mona começa a ser
excluída por seus colegas de classe (como na peça). E somente em uma semana,
esse processo consegue desencadear uma série de eventos que faz com que cada
personagem, cada aluno, tenham uma transformação enorme. Como o Marco,
namorado de Mona, que comece a se virar contra ela e chega até a agredi-la
fisicamente. E claro, o Tim, que é totalmente desconstruído, e criado no lugar da sua
personalidade uma alma puramente militante de um movimento.

O desfecho do filme é com certeza a parte mais profunda dele. Rainer, o


professor, começa a fazer um discurso perfeitamente populista e manipulador. E o
mais interessante é que a maioria (exceto por poucos) se sentem bastante
confortáveis com tudo isto. Lá estão eles, todos de brancos, fazendo suas
saudações e ouvindo fielmente seu líder. Enquanto ele fala como a economia do
país está horrível e como A Onda irá transformar toda a realidade e também como
ela irá crescer e se espalhar por toda a Alemanha. Então é nesse momento que
pode ser observado o poder do fascismo. Mesmo os que antes tivessem suas
próprias ideologias e valores, agora são uma unidade, e respondem fielmente a seu
movimento, clamando e aplaudindo ao discurso, seja ele cruel ou bom, de direita ou
de esquerda, a ou b, agora a unidade está subordinada ao movimento.

No instante em que Rainer começa a falar que o movimento acabou, a


insatisfação é espalhada no auditório, e é nesse momento que Tim, em ato de
frustração ao fim do movimento, atira em seu colega e depois se suicida. E esse
suicídio é a representação de desencantamento. Tim, desconstrói todos os seus
valores para pertencer A Onda, e no momento em que o fim é definido, o seu próprio
eu, que agora está subordinado ao movimento, vai embora junto. Que acredito que
seja uma representação dos suicídios que aconteceram no fim Terceiro Reich, que
simbolizam toda a frustração e o desencantamento dos indivíduos que faziam parte
do movimento.

Sem dúvidas, este filme é importantíssimo de ser assistido. Ele faz com que
percebamos tanto como o fascismo funciona, como ele ainda existe ainda após
muitas décadas depois do fim de várias ditaduras que percorreram o século 20. Seu
enredo e desenvolvimento dos personagens são brilhantes, e a maneira como os
fatos são procedidos e os personagens vão se modificando, faz com que o
telespectador se questione cada vez mais sobre toda a questão estrutural por trás
do poder, e como podemos ser manipulados com coisas pequenas, como uma
simples camisa branca e algumas palavras de ordem.