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Saúde Mental Infantil

Isabel Neves-2014
Objetivos Gerais

No final desta ação de formação os formandos são capazes de:

• Identificar os conceitos básicos de saúde mental infantil.

• Desenvolver ações adequadas à promoção da saúde mental


infantil.
Programa

Fundamentos de saúde mental


Definição
Conceitos básicos de saúde mental
Perspetivas preventivas em saúde mental
Normal e patológico
Modelo preventivo - fatores de equilíbrio e de risco
Crises de desenvolvimento e crises acidentais
Saúde mental na família
Criança e família
Importância da abordagem familiar
Objectivos da perspetiva familiar
•Criança vulnerável e em risco

Desenvolvimento e vulnerabilidade

Algumas situações de risco

- Carência afetiva materna


- Criança prematura
- Criança hospitalizada
- Criança de família desmembrada
- Síndroma da criança negligenciada e batida
- Criança psicossomática
• Fundamentos de saúde mental
Definição
A Organização Mundial de Saúde afirma que não existe
definição "oficial" de saúde mental.
Diferenças culturais, julgamentos subjetivos, e teorias
relacionadas concorrentes afetam o modo como a "saúde
mental" é definida.
Saúde mental é um termo usado para descrever o nível de
qualidade de vida cognitiva ou emocional.
Definição

A O.M.S. define os deficientes mentais como «indivíduos com


uma capacidade intelectual sensivelmente inferior à média,
que se manifesta ao longo do desenvolvimento e está
associada a uma clara alteração dos comportamentos
adaptativos(O.M.S, 1968)
Definição

Saúde Mental é estar de bem consigo e com os outros.

Aceitar as exigências da vida.

Saber lidar com as boas emoções e também com as desagradáveis:

alegria/tristeza; coragem/medo; amor/ódio; serenidade/raiva; ciúmes; culpa;

frustrações.

Reconhecer seus limites e buscar ajuda quando necessário.


Definição

Funcionamento intelectual significativamente inferior á


média, com manifestações antes dos 18 anos e
limitações associadas a duas ou mais áreas de
habilidades
Conceitos Básicos de Saúde Mental

A deficiência mental é definida fundamentalmente pelas três correntes seguintes:

- Corrente Psicológica ou psicométrica


Considera deficiente mental todo o indivíduo que apresenta um défice ou
diminuição das suas capacidades intelectuais (medida através de testes e expressa
em termos de QI), (Binet e Simon);
- Corrente sociológica ou social
Utilizada por Doll, Kanner e Tredgold), defende que o deficiente mental é aquele
que apresenta, em maior ou menor medida dificuldade para se adaptar ao meio
social em que vive e para levar a cabo uma vida autónoma.
- Corrente médica ou biológica
A deficiência mental teria um substrato biológico ou fisiológico e manifestar-se-ia
durante o desenvolvimento 8até aos 18 anos). Para Lafon 8citado por
Garrido,1984) «A debilidade mental é a deficiência congénita ou precocemente
adquirida da inteligência»
Perspetivas Preventivas em Saúde Mental
Normal e patológico
O que é normal
Responder a isso significa dizer que determinadas áreas de
conhecimento científico estabelecem padrões de comportamento
ou de funcionamento do organismo sadio ou da personalidade
adaptada.

Esses padrões ou normas referem-se a médias estatísticas do que


se deve esperar do organismo ou da personalidade enquanto
funcionamento e expressão.
Essas ideias ou critérios de avaliação constroem-se a partir do
desenvolvimento científico de uma determinada área do
conhecimento e, também a partir de dados da cultura e do
comportamento do próprio observador ou especialista que nesse
momento avalia este indivíduo e diagnostica que ele é doente.
Normal e patológico

O conceito de normal e patológico é extremamente relativo.


Do ponto de vista cultural, o que numa sociedade é considerado
normal, adequado, aceito ou mesmo valorizado poder ser considerado
anormal, desviante ou patológico.
Os antropólogos têm contribuído enormemente para esclarecer essa
questão de relatividade cultural.
Exemplo: o comportamento homossexual (numa sociedade é
considerado normal, em outra pode ser um comportamento
absolutamente adequado).
A saúde mental da infância e da adolescência é por vezes difícil

traçar uma fronteira entre o normal e o patológico.

Por si só um sintoma não implica necessariamente a existência

de psicopatologia (diversos sintomas podem aparecer ao longo

do desenvolvimento normal de uma criança, sendo geralmente

transitórios e sem evolução patológica).


Os sintomas adquirem significado no contexto sociofamiliar e no
momento evolutivo da criança.
Deste modo, na presença de um ambiente familiar tolerante e
tranquilizador, existe uma maior probabilidade de os sintomas
diminuírem e até desaparecerem
Já num meio intolerante, agressivo ou angustiante, as
perturbações que a criança apresenta podem perdurar e afetar
o seu desenvolvimento.
Leitura análise do texto
“O Nariz”
Através do texto complementar “O Nariz” discuta como
se definem as questões do normal e patológico
Música
Balado do louco (Ney Matogrosso)
A deficiência mental é definida fundamentalmente pelas três
correntes seguintes:

- Corrente pedagógica

O deficiente mental será o indivíduo que tem uma maior ou


menor dificuldade em seguir o processo regular de
aprendizagem e que por isso tem necessidades educativas
especiais, ou seja necessita de apoios e adaptações
curriculares que lhe permitam seguir o processo regular de
ensino.
Graus de deficiência mental e características de cada grupo

Embora existam diferentes correntes para determinar o grau de


deficiência, são as técnicas psicométricas que mais se impõem,
utilizando o QI (Quociente Intelectual).
O conceito de QI foi dado por Stern e é o resultado da
multiplicação por cem do quociente obtido pela divisão da IM
(Idade mental) pela IC (idade Cronológica).
IM
QI=----------- X 100
IC
A deficiência mental é definida fundamentalmente pelas três
correntes seguintes:

- Corrente Comportamentalista

O défice mental é um défice de comportamento que deverá ser


interpretado como produto da interação de quatro fatores
determinantes:

1 – Fatores biológicos passados (genéticos, pré-natais, pós-natais)


2 – Fatores biológicos atuais(drogas ou fármacos, cansaço ou
stress)
3 – história anterior de interação com o meio (Reforço)
4 - Condições ambientais presentes ou outras situações atuais.
Graus de deficiência mental e características de cada grupo

Atendendo ao QI existem cinco níveis ou graus de deficiência


mental propostos pela Associação Americana para a deficiência
mental e pela Organização mundial de Saúde

Deficiência Mental QI

Limite ou bordeline 68-85

Ligeira 52-68

Média 36-51

Severa 20-35

Profunda Inferior a 20
Deficiência limite ou bordeline

Não se pode dizer que sejam deficientes mentais já que são


crianças com muitas possibilidades, manifestando apenas um
atraso nas aprendizagens ou algumas dificuldades concretas.

Muitos indivíduos provenientes de ambientes socioculturais


desfavorecidos poderiam ser aqui incluídos
Deficiência mental ligeira

São pessoas que também não são claramente deficientes


mentais mas pessoas com problemas de origem cultural, familiar
ou ambiental.

Podem desenvolver aprendizagens sociais e de comunicação e


têm capacidade para se adaptar e integrar no mundo laboral.

Apresentam um atraso mínimo nas áreas percetivas e motoras e


ao nível escolar das aprendizagens das técnicas instrumentais.
Deficiência mental moderada ou média

Podem adquirir hábitos de autonomia pessoal e social, tendo


maiores dificuldades para os últimos.
Podem aprendera comunicar pela linguagem verbal, mas
apresentam frequentemente dificuldades na expressão oral e na
compreensão de convencionalismos sociais.
Apresentam um desenvolvimento motor aceitável e têm
possibilidade para adquirir alguns conhecimentos pré
tecnológicos que lhes permitam realizar algum trabalho.
Dificilmente chegam a dominar as técnicas instrumentais de
leitura, escrita e cálculo
Deficiência mental grave
Necessitam geralmente de proteção ou ajuda, pois o seu nível de
autonomia tanto social como pessoal é muito pobre.
Apresentam muitas vezes problemas psicomotores importantes.

Poderão aprender algum sistema de comunicação, mas a sua


linguagem verbal será sempre muito deficitária.

Podem ser treinados em algumas atividades da vida diária


básicas e em aprendizagens pré tecnológicas muito simples.
Deficiência mental profunda
Este grupo apresenta grandes problemas sensório motores e de
comunicação com o meio.

São dependentes dos outros em quase todas as funções e


atividades, pois os seus handicaps físicos e intelectuais são
gravíssimos.

Excecionalmente terão autonomia para se deslocar e responder


a treinos simples de auto ajuda.
Modelo preventivo - fatores de equilíbrio e de risco

Funcionam como inibidores, reduzindo ou atenuando a


probabilidade de ocorrência de perturbações mentais.

São condições que favorecem e estimulam um


desenvolvimento harmonioso.
Fatores de Risco

São todas aquelas atitudes, comportamentos ou influências


que podem conduzir, ou encontram-se associados ao
aparecimento da doença mental.

 São características ou condições de vida de uma pessoa ou


de um grupo que as expõe a uma maior probabilidade de
desenvolver um processo mórbido ou de sofrer os seus efeitos.
Crises de desenvolvimento e crises acidentais

O conceito de crise
 Situação de mudança a nível biológico, psicológico ou social,

que exige da pessoa ou do grupo, um esforço suplementar para


manter o equilíbrio ou estabilidade emocional.

 Corresponde a momentos da vida de uma pessoa ou de um


grupo em que há rutura na sua homeostase (equilíbrio) psíquica
e perda ou mudança dos elementos estabilizadores habituais.
 A evolução da crise pode ser benéfica ou maléfica,
dependendo de fatores que podem ser tanto externos, como
internos.

 Toda a crise conduz necessariamente a um aumento da


vulnerabilidade, mas nem toda a crise é necessariamente um
momento de risco.
Na Teoria Construtivista

 O individuo passa por várias crises desde os seus


primeiros dias de vida até ao final da adolescência.
Nesta perspetiva, a crise é maturativa, proporciona
aprendizagem.

Crise
Na Teoria Sistémica

 A crise não é necessariamente evolutiva.


 Define-se como a perturbação temporária dos mecanismos
de regulação de um sistema, de um indivíduo ou de um grupo.
 Esta perturbação tem origem em causas externas e internas.

Crise acidental
Saúde mental e família

A importância da abordagem familiar

Qual a importância da família na promoção da saúde mental


das crianças?

 A perturbação afetiva parental é considerado um fator de


risco da saúde mental infantil, assim, é importante intervir
junto da família para promover a saúde mental infantil das
crianças.
Classicamente, a psiquiatria preventiva remetia-se a um
conjunto de estratégias que visavam atuar sobre as crianças e os
jovens no sentido de evitar o aparecimento de doenças quando
atingissem a idade adulta.

 Neste sentido, psiquiatria preventiva significava saúde mental


infantil e juvenil.
A promoção da saúde mental infantil é vital para qualquer
sociedade porque:

 São comuns os problemas infantis de origem psiquiátrica

 Muitas perturbações na idade adulta têm as suas raízes em


fatores de risco da infância.
A prevenção de saúde mental na infância pode ter um
importante impacto positivo:

 quer ao nível das crianças e suas famílias,


 quer ao nível das instituições e comunidades
Enquanto que muitas das intervenções de saúde mental para os
adultos têm como alvo o indivíduo…

Na infância, foi demonstrado que o alvo deve ser antes o


meio envolvente da criança:
 Família, Pais
 Escola, Professores
Intervenção centrada na família

Intervenções na família

 As crianças cujos pais sofrem de problemas de saúde física ou


mental têm sido bastante estudadas.

 A perturbação afetiva parental faz parte da constelação de


fatores de risco da saúde mental infantil, assim, é importante
intervir junto da família para promover a saúde mental infantil
das crianças
Intervenções na família

 Uma das estratégias de intervenção preventiva tem como


alvo a deficiente comunicação entre pai e filhos e os equívocos
das relações parentais;

 Visa ajudar os pais a aumentar o bem estar dos filhos antes


destes desenvolverem problemas de saúde mental.
 O objetivo deste tipo de intervenção não é alterar o
comportamento dos pais ou tratar a sua doença,

 O objetivo é proporcionar meios através dos quais todos os


elementos da família possam usar um maior conhecimento da
doença dos pais para promover a saúde dos filhos.
 Outra estratégia de intervenção preventiva tem como alvo
famílias em que a mãe sofre de uma perturbação alimentar.

 Estudos revelam que as crianças cujas mães sofrem de


problemas alimentares são vulneráveis a problemas de saúde
física e mental durante o seu desenvolvimento.
A intervenção pretende fazer a identificação pré-natal das
mães que têm problemas alimentares;

 Oferece uma oportunidade para iniciativas importantes de


saúde mental infantil orientadas num contexto comunitário.
Intervenções na escola

 A introdução de programas preventivos na escola


possibilita o acesso a todas as crianças.

 Constata-se que um número significativo de crianças em


idade escolar e pré-escolar tem dificuldades
comportamentais e emocionais acentuadas.
Intervenções na escola

Melhorar as experiências escolares e as relações com os pares


pode ser tão importante, senão mais, do que intervir ao nível
da família.
Intervenções na escola

 Intervenção orientada com inclusão de pares que não


manifestam problemas;

 Intervenção orientada para realçar as competências sociais


com os pares e proporcionar situações onde o sucessos escolar
é provável
Aumentam a auto - estima e promovem a
saúde mental das crianças vulneráveis
A criança vulnerável e em risco

Ao enfrentar situações de stress no seu dia a dia,


muitas crianças apresentam distúrbios de
desenvolvimento, problemas de comportamento ou
desequilíbrio emocional.
Porém, muitas outras crianças ultrapassam essas
dificuldades impostas por um ambiente hostil e
desenvolvem-se dentro de padrões de normalidade,
permanecem na escola, encontram trabalho e
tornam-se adultos socialmente competentes e
produtivos.
É uma predisposição individual para o
Vulnerabilidade desenvolvimento de psicopatologias
ou de comportamentos ineficazes em
situações de crise.

Refere-se a todos
aqueles elementos que
agravam situações de
risco ou impedem que os Respostas mal adaptadas que
indivíduos respondam de resultam em consequências
forma satisfatório ao negativas para o desenvolvimento
stress. psicológico
Criança em risco

É aquela que pelas suas características biológicas ou


enquadramento sócio - familiar, apresenta maior
probabilidade de ter dificuldades que comprometem a
satisfação das suas necessidades e o seu processo de
desenvolvimento.
Risco

É um défice (uma omissão, uma falta) na satisfação das


necessidades básicas da criança.

É uma ausência de oportunidades

Condiciona o desenvolvimento integral da criança. Dificulta a


sua inserção na sociedade de forma integrada e saudável.
O risco pode estar associado a:

 Itinerários de vida que não permitem a criança adquirir um


desenvolvimento psicológico, uma aprendizagem de
comportamentos e uma aquisição de competências;
 Ausência de experiências positivas;
 Perceção negativa que a criança tem de si.
Crianças em risco:

 Crianças vítimas de maus tratos


 Crianças em absentismo / insucesso escolar
 Crianças pertencentes minorias étnicas
 Crianças de meios desfavorecidos
 Crianças integradas em famílias disfuncionais
 Estas crianças não têm reunidas as condições necessárias para
usufruir dos seus direitos;

 O seu estado de saúde, a sua educação, os seus


relacionamentos,… são dificultados.
Exemplos de situações de risco que podem comprometer a
saúde mental infantil:

Carência afetiva materna


Criança prematura
Criança hospitalizada
Criança de família desmembrada
Síndrome da criança negligenciada (maus tratos)
Carência afetiva materna

A relação de vinculação mãe - bebé

Os primeiros estudos sobre a vinculação estudaram as


consequências da separação de crianças muitos jovens dos seus
pais.

O conceito de vinculação explora a relação afetiva especial,


muito forte, que existe entre o bebé e a criança e os seus pais.
O jogo que se estabelece nos primeiros meses de vida entre o
bebé e as pessoas que cuidam dele constrói um conjunto de
interações que serão tanto mais eficazes quanto mais
ajustadas forem.
 Sabe-se que os bebés alternam estados de alerta com
estados de angústia. Cabe à mãe ou a outros agentes
substitutos corresponderem a estes estados.

 Numa experiência realizada com bebés de três meses,


quando a mãe, face às solicitações do seu filho desperto, se
mantinha em silêncio, fixando-o, o bebé ficava inquieto
podendo até chorar.
 Por volta dos sete meses, o bebé já reconhece a figura de
vinculação estando apto a explorar ambientes novos mas
olhando sempre para a mãe em busca de confirmação.

 Este facto marca um momento importante no


desenvolvimento cognitivo da criança, porque mostra que já
existe uma representação mental: mesmo não vendo a mãe,
procura-a, porque sabe que ela continua a existir, continua lá.
O estabelecimento do vínculo explicará a razão pelo qual os
bebés de oito meses ficam perturbados quando aparecem
estranhos ou choram quando a mãe se afasta.
1. Descreve o comportamento do bebé aos três meses,
quando a mãe não responde aos seus apelos de atenção.

2. Diz em que idade é que o bebé reconhece a figura de


vínculo.

3. Mostra a importância deste facto do ponto de vista


cognitivo.
Há um conjunto de comportamentos emocionais muito
significativos, a partir dos quais se estabelecem relações
mútuas e fortes entre dois indivíduos.

 Estes comportamentos propiciam segurança, reduzem a


ansiedade e promovem o equilíbrio emocional dos indivíduos.

 A estes comportamentos chamamos vinculação ou apego.


Podemos identificar esses comportamentos na relação entre a
criança e a sua mãe como:

 A procura de proximidade;
 O desconforto da separação;
 O prazer da reunião;
 A orientação do comportamento para com o progenitor.
Vinculação

Conjunto de laços emocionais que se estabelecem entre


indivíduos num período especial do desenvolvimento.

Vinculação mãe – bebé: contacto emocional forte entre a


mãe, ou quem a substitua, e o bebé.

Há estudos que demonstram que crianças que possuem


carências afetivas maternas precoces poderão ter problemas
no futuro.
Criança prematura

 A duração de uma gravidez é considerada normal, quando o


parto acontece entre a 38ª e a 42ª semanas de gestação.

Quando os bebés nascem antes das 38 semanas, estamos


perante um bebé prematuro ou também denominado de pré-
termo.
 A gravidez e nascimento de um filho representam transições
significativas na vida dos indivíduos e das famílias.

 A parentalidade configura um projeto a longo prazo, também


ele sujeito a sucessivas mudanças, que envolvem a necessidade
de prestação de cuidados e dádivas de afeto necessárias para
que a criança possa realizar um desenvolvimento ótimo das
suas capacidades.
 Os bebés prematuros continuam ainda hoje a fazer parte dos
índices de natalidade e continua a ser um facto constatável, em
Portugal.

 Em Portugal, os recém-nascidos de com menos de 1,5Kg


constituem cerca de 0,9% do total de nados - vivos o que
equivale a cerca de mil bebés por ano.
O parto prematuro caracteriza-se pela urgência e envolve um
trauma tanto para a mãe como para o bebé.

 O nascimento de um bebé prematuro configura-se em um


evento stressante para a família que se depara com uma
situação imprevisível e angustiante, isto devido às condições de
instabilidade orgânica do bebé e à necessidade de cuidados
médicos especializados.
 Atualmente existem vários tipos de programas de
intervenção visando a prevenção de danos e melhorar o
desenvolvimento neuropsicomotor dos prematuros.

 A importância dos programas de intervenção centrados na


família decorre da possibilidade de melhorar o prognóstico
dessas crianças, mediado pela intervenção da família, que vai
além dos pais e pode incluir outros parentes.
 Há necessidade de cuidados hospitalares humanizados ao
recém-nascido prematuro e familiares, valorizando o bem-
estar biopsicosocial na recuperação e reabilitação da saúde da
criança, a formação e manutenção do vínculo afetivo mãe filho
e uma assistência que tenha continuidade no domicílio.
 Acompanhar os pais no período do internamento,
verificando se os contactos com seus filhos estão mantidos e
como são efetuados é uma forma de colaborar com a
recuperação da criança.

 Esse acompanhamento é importante para que eles


conheçam seu filho, identifiquem suas necessidades e saibam
cuidá-lo na ocorrência da alta hospitalar ou até antes desta,
ainda no hospital.
A alta hospitalar do prematuro implica em cuidados
especiais, devido à sua maior fragilidade orgânica e emocional.

 Tanto os pais quanto a criança têm participação e


responsabilidade neste processo, sendo que cada díade
mãe/filho é singular e única na sua dinâmica e história
A alta hospitalar do prematuro implica em cuidados especiais,
devido à sua maior fragilidade orgânica e emocional.

 Tanto os pais quanto a criança têm participação e


responsabilidade neste processo, sendo que cada díade
mãe/filho é singular e única na sua dinâmica e história
 Outro aspeto relevante é o facto de que seu nascimento

antecipado e internamento na Unidade de Tratamento Intensivo


Neonatal podem trazer aos pais a sensação de incompletude, de
não estarem preparados para exercerem seus papéis, pois
durante a gravidez há uma preparação psicológica, vinculada aos
estágios de mudanças corporais da mulher e que, ao final dos
nove meses, ela experimenta um sentimento de prontidão para
atendimento das necessidades integrais do bebé: alimentação,
higiene, afeto, carinho.
A assistência aos pais e sua participação nos cuidados
prestados ao filho têm sido prioridade nas unidades neonatais.

 O longo período de internamento do bebé e a privação do


carinho e afeto aumentam o stress da mãe e da família, o que
pode prejudicar a continuidade do vínculo e do apego.
Neste sentido, deve-se facilitar o contacto precoce entre pais
e prematuros, visando à continuidade do vínculo e do apego,
considerando que é um processo gradual, que pode levar mais
tempo do que os primeiros dias ou semanas do período pós-
natal da criança nascida a termo.
É importante o contacto pele a pele precoce entre a mãe e o
RNPT, favorecendo o aleitamento materno, o controle térmico, a
estimulação sensorial e o fortalecimento do vínculo afetivo.

 Essa estratégia proporciona a aproximação entre a família e a


criança e a equipe de saúde e o desenvolvimento de uma
assistência centrada na humanização.
Exemplos de situações de risco que podem comprometer a
saúde mental infantil:

 Criança hospitalizada
Criança hospitalizada

 Uma criança pode ter que ser hospitalizada por vários motivos.
 Se a criança necessita de ser hospitalizada é porque tem alguma
doença.
É um direito fundamental para as crianças terem os melhores
cuidados durante o período em que permanecem hospitalizadas.

 A admissão de uma criança no Hospital só deve ter lugar quando


os cuidados necessários à sua doença não possam ser prestados
em casa, em consulta externa ou em hospital de dia.
 Uma criança hospitalizada tem direito a ter os pais ou seus
substitutos junto dela, dia e noite, qualquer que seja a sua
idade ou o seu estado.
 Os pais devem ser encorajados a ficar junto do seu filho
devendo ser-lhes facultadas facilidades materiais sem que isso
implique qualquer encargo financeiro ou perda de salário.
 Os pais devem ser informados sobre as regras e rotinas
próprias do serviço que participem ativamente nos cuidados ao
seu filho.
 As crianças e os pais têm direito de receber uma informação
sobre a doença e os tratamentos, adequada à idade e à
compreensão, a fim de poderem participar nas decisões que
lhes dizem respeito.

 Deve evitar-se qualquer exame ou tratamento que não seja


indispensável.

As agressões físicas ou emocionais e a dor devem ser


reduzidas ao mínimo
 Devem ficar reunidas por grupos etários para beneficiarem

de jogos, recreios e actividades educativas adaptadas à


idade, com toda a segurança.

 As pessoas que as visitam devem ser aceites sem limites de


idade.

 O Hospital deve oferecer às crianças um ambiente que


corresponda às suas necessidades físicas, afetivas e
educativas, quer no aspeto do equipamento, quer do pessoal
e da segurança.
A criança hospitalizada vivencia experiências dolorosas e
desagradáveis, em ambiente estranho e muitas vezes agressivo,
o que geralmente se repercute no seu desenvolvimento
psicossocial e intelectual, caracterizando uma situação de crise.

 O período de tempo em que a criança está hospitalizada é


um momento stressante na sua vida. Devem ser tido
determinados cuidados para que a criança não comprometa a
sua saúde mental.
Neste momento de crise, determinado pela doença e
hospitalização, a criança necessita, basicamente, de apoio e
amor materno.
A ausência da mãe, ou da família, leva a criança a sentir-se
abandonada. Várias são as consequências:
• ansiedade / angústia;
perda de peso;
• insegurança;
• depressão;
• agressividade;
• regressão;
• transtornos emocionais;
• atraso no
• transtornos do sono;
desenvolvimento.
• transtornos da linguagem;
O ambiente hospitalar é sentido pela criança como uma
situação nova e, portanto, desconhecida.

Quando há omissão de verdade, não esclarecendo


determinados procedimentos utilizados, não estamos a
proteger as crianças mas sim, a deixá-las mais ansiosas,
angustiadas e nervosas; dificultando assim, sua recuperação.
Ela sente que há alguma coisa diferente ocorrendo mas nada lhe é
informado. Cabe aos pais informarem-se com o médico e passarem todas as
informações necessárias aos filhos sobre:

• a doença;
• os exames;
• a alimentação que passarão a ter;
• as roupas que deverão usar;
• os horários que deverão seguir;
• as pessoas que cuidarão de sua saúde: médicos, enfermeiras, técnicas
e auxiliares.
Promoção da saúde mental infantil

Exemplos de situações de risco que podem comprometer a


saúde mental infantil:

 Síndrome da criança negligenciada (maus tratos)


Síndrome da criança negligenciada

Se uma criança estiver inserida num ambiente de


violência/abuso, poderá ter o seu desenvolvimento
comprometido.

Sabe-se hoje que a criança pode ser maltratada em diferentes


instituições e lugares, públicos ou privados; mas é dentro de
casa, em cenário familiar, que os maus tratos são mais
frequentes e perigosos.
 Se uma criança estiver inserida num ambiente de
violência/abuso, poderá ter o seu desenvolvimento
comprometido.

 Sabe-se hoje que a criança pode ser maltratada em


diferentes instituições e lugares, públicos ou privados; mas é
dentro de casa, em cenário familiar, que os maus tratos são
mais frequentes e perigosos.
 Em Portugal, foi sobretudo na década de oitenta que o
assunto passou a merecer uma atenção especial, sendo em
1999 decretada na Constituição Portuguesa, a Lei de Proteção
de Crianças e Jovens em perigo, que tem como finalidade
promover os direitos e proteger as crianças e os jovens em
perigo, por forma, a garantir o seu bem estar e
desenvolvimento integral (Diário da República, 1999).
 As CPCJ caracterizam-se como sendo instituições oficiais não
judiciárias com autonomia funcional para promover os
direitos da criança/jovem e prevenir ou resolver situações de
risco.

 Em conformidade com a lei, estas instituições procuram


garantir as Medidas de Promoção dos Direitos e de Proteção
das Crianças/Jovens em perigo.
As CPCJ caracterizam-se como sendo instituições oficiais não
judiciárias com autonomia funcional para promover os
direitos da criança/jovem e prevenir ou resolver situações de
risco.

Em conformidade com a lei, estas instituições procuram


garantir as Medidas de Promoção dos Direitos e de Proteção
das Crianças/Jovens em perigo.
As CPCJ caracterizam-se como sendo instituições oficiais não
judiciárias com autonomia funcional para promover os
direitos da criança/jovem e prevenir ou resolver situações de
risco.

Em conformidade com a lei, estas instituições procuram


garantir as Medidas de Promoção dos Direitos e de Proteção
das Crianças/Jovens em perigo.
Considera-se maltratada «uma criança que é deixada numa
situação ou é sujeita pelos adultos a uma determinada forma de
tratamento, das quais podem resultar para ela riscos graves».

Quando as crianças são vítimas de maus tratos, geralmente,


estão presentes dois tipos de riscos: o Físico e o Psíquico.
É importante perceber que este tipo de comportamento abusivo e violento
exercido por um adulto sobre uma criança pode atingir proporções
gravíssimas, ao provocarem graves lesões ao nível do desenvolvimento.

As principais sequelas, a longo prazo, incluem o atraso de crescimento


ponderal e estatual, o atraso de desenvolvimento, problemas cognitivos,
atraso da linguagem, dificuldades de relacionamento social com crianças e
adultos, insucesso escolar, perturbações da personalidade, comportamentos
sociais de risco, baixa auto-estima, baixa expectativa pessoal e profissional,
aumento da delinquência e da comunidade.
Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem

1- Abandono

Criança abandonada ou entregue a si própria, não tendo


quem lhe assegure a satisfação das suas necessidades físicas
básicas e de segurança.

Indicadores
Fome habitual, falta de proteção do frio, necessidade de
cuidados de higiene e de saúde, feridas, doenças.
Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem

2 – Negligência

Situação em que as necessidades físicas básicas da criança e a


sua segurança não são atendidas por quem cuida dela (pais ou
outros responsáveis), embora não duma forma manifestamente
intencional de causar danos à criança.
Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem
Indicadores

Necessidades médicas não atendidas (controlos médicos,

vacinas, feridas, doenças); repetidos acidentes domésticos por


negligência; períodos prolongados da criança entregue a si
própria (isto depende da idade) sem supervisão de adultos,
fome e falta de proteção do frio.
• Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem
• 3 – Abandono Escolar
• Abandono do ensino básico obrigatório por crianças e/ou
jovens em idade escolar, i.e., entre os 6 e os 15 anos de idade.
• Indicadores
Inexistência de matrícula no ensino básico obrigatório da
criança/jovem em idade escolar.
Cessação da frequência das actividades escolares de
crianças/jovens em idade escolar e que não tenham
concluído o ensino básico obrigatório.
• Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem

• 4- Maus tratos físicos

• Ação não acidental de algum adulto que provocou danos físicos ou


doenças na criança, ou que o coloca em grave risco de os ter como
consequência de alguma negligência..

• Indicadores

• Feridas, queimaduras, fracturas, deslocações, mordeduras, cortes,


asfixia, etc.
Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem

5-Maus tratos psicológicos/Abuso emocional

 Não são tomadas em consideração as necessidades


psicológicas da criança, particularmente as que têm a ver com as
relações interpessoais e com a auto estima

Indicadores

 Rebaixar a criança, aterrorizá-la, privá-la de relações sociais,


insultá-la, ignorar as suas necessidades emocionais e de
estimulação, evidente frieza afetiva.
Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem

6 – Abuso sexual
Utilização por um adulto de um menor para satisfazer os seus
desejos sexuais

Indicadores
• A criança é utilizada para realizar atos sexuais ou como objeto de
estimulação sexual.
• Podem verificar-se dificuldades para andar ou sentar-se,
manchas de sangue na zona genital que não corresponde ao seu
nível de desenvolvimento.
Indicadores

• Tristeza acentuada, dificuldade em lidar com o próprio corpo


(por exemplo em atividades desportivas), isolamento/
evitamento/medo da relação com os pares ou com adultos,
expressão de conhecimentos ou vivências sobre
sexualidade/atos sexuais desadequados para a idade,
insucesso escolar, comportamentos auto ou hetero
destrutivos (mutilações, ideias suicidas, episódios de grande
agressividade/violência).
Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem

7 – Prostituição Infantil

Designa a utilização de uma criança em actividades sexuais


contra remuneração ou qualquer outra retribuição.

Indicadores
Oferta, obtenção, procura ou entrega de uma criança para fins
de prostituição infantil.
• Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem
• 8 – Pornografia Infantil
• Designa qualquer representação, por qualquer meio, de uma
criança no desempenho de actividades sexuais explícitas reais
ou simuladas ou qualquer representação dos órgãos sexuais
de uma criança para fins predominantemente sexuais.

• Indicadores
• A oferta, distribuição, difusão, importação, exportação, oferta,
venda ou posse para os fins de pornografia infantil, segundo a
definição apresentada.
Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem
Indicadores

1. Participação da criança em atividades laborais de forma


continuada ou por períodos de tempo.

1. A criança não pode participar nas atividades sociais e


académicas próprias da sua idade.
Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem

10 – Exercício abusivo de autoridade


1. Uso abusivo do poder paternal que se traduz na prevalência
dos interesses dos detentores do poder paternal em
detrimento dos direitos e proteção da criança/jovem.

Indicadores
1. Privar a criança/jovem das atividades sociais e académicas
próprias da sua idade e nível de desenvolvimento.
2. Invasão da privacidade da criança/jovem.
3. Privar a criança/jovem de expressar as suas ideias e/ou
opiniões.
Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem

11 – Mendicidade

1. A criança/jovem é utilizada habitualmente ou


esporadicamente para mendigar, ou é a criança que exerce a
mendicidade por sua iniciativa

Indicadores

1. Só ou em companhia de outras pessoas a criança pede esmola


Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem

13 – Corrupção de menores
Condutas do adulto não acidentais que promovem na criança
padrões de condutas antissociais ou desviantes –
agressividade, apropriação indevida, sexualidade e tráfico ou
consumo de drogas.
Indicadores
1. Criar dependência de drogas, implicar a criança em contactos
sexuais com outras crianças ou adultos, estimular o roubo ou
agressões, utilizá-la no tráfico de drogas, premiar condutas
delituosas.
Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem

14 – Prática de facto qualificado como crime por criança/jovem


com idade igual ou inferior a 12 anos.

• Comportamento que integra a prática de factos punidos pela


Lei Penal.

Indicadores

• Abertura de Inquérito pelas autoridades policiais e/ou


Ministério Público.
• Instauração do respetivo processo.
Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem

15 – Uso de estupefacientes

1. Consumo abusivo de substâncias químicas psicoativas.

Indicadores

1. Comportamentos de consumo de substâncias químicas


psicoativas.
Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem

16 – Ingestão de bebidas alcoólicas

1. Consumo abusivo de bebidas alcoólicas.

Indicadores

1. Comportamentos de consumo de bebidas alcoólicas.


Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem

17 – Problemas de Saúde

1. Existência de doença física e/ou psiquiátrica.

Indicadores

1. A criança/jovem sofrem de doença física, crónica e/ou


psiquiátrica.
2.Incluem-se as doenças infecto contagiosas, bem como os casos
de deficiência com défice cognitivo e/ou motor.
Tipologia das situações de perigo para a criança / jovem

18 – Outras situações de perigo

1. Condutas/problemáticas da criança/jovem não incluídas nos


pontos anteriores.
Promoção da saúde mental infantil

1. Exemplos de situações de risco que podem comprometer a


saúde mental infantil:

 Criança psicossomática
Criança psicossomática

1. Tradicionalmente entende-se por manifestações


psicossomáticas as alterações com causas de origem
psicológicas.

2. A “mente”, por não conseguir resolver ou conviver com um


determinado conflito emocional, passa a produzir
mecanismos de defesa com o propósito de deslocar a
dificuldade e/ou "ameaça" psíquica para o corpo.
Criança psicossomática Exemplos de doenças
psicossomáticas:

• Gastrite
• Úlcera
• Asma
• Doenças de pele
• Alergias variadas
• Depressão
Criança psicossomática

1. Sintomas depressivos em crianças

2. As crianças tem dificuldades em exprimir o que sentem mas


sintomas psicossomáticos podem ajudar a definir estados de
depressão
Promoção da saúde mental infantil

A. Como colocar a criança numa trajetória de vida positiva?


B. Como maximizar as hipóteses para o seu sucesso futuro?
C. Como promover a saúde mental infantil?
Promoção da saúde mental infantil

Investir em programas de prevenção diferenciados consoante


os grupos e as necessidades que estes revelam;

Fortalecer a criança e a família maximizando oportunidades


de sucesso e prevenindo que os fatores de riso se concretizem
Promoção da saúde mental infantil

1. Desenvolver as potencialidades e capacidades que a criança


possui e que a podem fortalecer

2. Apostar e investir no que existe de positivo

3. Promover a capacidade de resiliência


Promoção da saúde mental infantil

A. Desenvolver programas de educação emocional

B. Envolver a família

C. Envolver a comunidade