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A aliança de amizade entre Deus e o Homem – Laurentino Lucio Filho

Parte da estrutura semiótica do texto percepção da realidade disponível em


<http://liturgiadigital.blogspot.com.br/2016/02/percepcao-da-realidade.html>.

Na caminhada do amor que se volta para o Amor em uma perfeita harmonia de


comunicação recíproca como um anel reluzente do fogo que arde mas não queima, que
na teologia e chamada de comunhão, configura o aspecto mais sublime da dignidade
humana (CAT, 27, p. 21), pois, se o homem existe, precisa do amor como um alimento
para viver: para o que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna (Jo
3,16b), não sendo possível imaginar a vida humana sem ele.
Para entendermos a aliança de amizade entre Deus e o homem, neste mundo,
separamos essa relação formada por três fenômenos: a) o da criação do ser irracional, b)
O ser que se torna homem pelo dom da humanidade e c) a amizade entre Deus e o
homem selada por uma aliança.
No primeiro, ocorre a geração da criatura, ser irracional, vinda do solo que forma a
palavra adam (Bíblia de Jerusalém, nota f de Gn 2,7, p. 35) criada pelo fenômeno
resultante da Energia do Amor: Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em
suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente (Gn 2,7), assumindo
o papel de Deus-Mãe, que pari e alimenta o seu próprio filho, cheio de afeto e carinho,
que ainda não possui nele a humanidade.
Adam ou Adão, ainda é um ser vivente da espécie animal igual a todos os outros
demais seres da mesma espécie, no entanto, tem em seu DNA (ácido
desoxirribonucléico) o afeto herdado do Deus-Mãe, que para se manter como célula viva,
precisa de outras células, com isso, o leva a vida em grupos, formando a palavra adamah
(Bíblia de Jerusalém, nota f de Gn 2,7, p. 35), nome coletivo para vindos do solo, que
deriva a palavra adam.
No segundo momento, a terra tem adamah, que são os diversos grupos constituídos
de população formada por seres vindo do solo, ou adams, isto é, não formam uma única
população, mas diversos grupos espalhados pela terra, que se tornavam entre si
estrangeiros, representado pela palavra Agar.
E a população de estrangeiros sobre a terra, os Agar, dotada de afeto, produzem a
energia da inocência que afeta o Deus-Mãe: Deus ouviu os gritos da criança (Gn 21,17),
que cheio de comoção causada pelo elo da semelhança que liga a Mãe e filho no mesmo
DNA do afeto, o puxa ou, o traz para si, tornando-o a "única criatura sobre a terra a ser
querida por Deus por si mesma (G.S., 24,3), e lhe dando a partir daí a percepção capaz
de recolhecê-lo como seu Criador: Deus abriu os olhos de Agar (Gn 21,19), ou seja,
adquirindo a partir daí a humanidade.
Esta característica insculpiu nos adamah agora com a humanidade portanto, formado
por homens, o desejo de voltar a Deus: Deus não cessa de atrair o homem a si (CAT, 27,
p. 21), com isso, os adamah com a humanidade e inocência, passaram a viver buscando
o mesmo Deus nas mais diversas formas de expressão, com cultos e sacrifícios, sendo as
igrejas representadas pela imagem da mulher pois, gera em seu seio uma relação mãe-
filho como mãe solícita, ele nos prodigaliza também em sua Liturgia, dia após dia, o
alimento da Palavra e da Eucaristia do Senhor (CAT, 2040, p. 536), fazendo Deus se
comover novamente pelo afeto.
Diante das diversas igrejas dos adamah, cuja inocência não lhes permitia seguir o
curso da comunicação entre Deus e o homem, acabaram por confiar no parecer do
mundo: a serpente me seduziu e eu comi (Gn 3,13b), em algo como adotar a lei das
selvas, no sentido de dominar pela força bruta, através de atitudes violentas (Dicionário
de Expressões, s/d), que vai contra a humanidade: fere a natureza do homem e ofende a
solidariedade humana. Foi definido como 'uma palavra, um ato ou um desejo contrários à
lei eterna' (CAT, 1849, p. 495) pois, apresenta o mesmo comportamento predatório do
réptil: A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos (Gn 3,1).
Mas ao lado disso, a igreja de um adamah, buscava Deus produzindo uma energia
com intensidade de afeto, por conter submissão de lealdade ao Amor de Deus, não vindo
da ciência com interesse próprio, mas da fé neste Deus: foi pela fé que Abrahão,
respondendo ao chamado obedeceu (Rm 11,5d), retroagindo a Deus como um vínculo,
gerando uma relação de amizade entre Deus e o homem, selado a partir daí pela aliança
de fidelidade recíproca que é representada pela palavra Amém (CAT, 1062, p.298).
O adamah amigo de Deus, era estrangeiro para os outros adamah, da mesma forma
que estes eram estrangeiro para si, no entanto, a fidelidade selada na amizade com o
adamah amigo de Deus não o fez perder seu afeto aos demais, mas sim, fez o seu amigo
adamah se tornar uma fonte dessa energia: amareis o estrangeiro, porque fostes
estrangeiros (Dt 10,19), como uma chama ou faísca, capaz de espalhar a energia dessa
aliança a todos os outros adamah: eis que uma fogueira fumegante e uma tocha de fogo
passaram entre os animais divididos (Gn, 15,17b), para formar um único anel, como na
circunferência do sol, radiante de luz: Ergue os olhos para o céu e conta as estrelas, se
as pode contar (Gn 15,5), e o amigo adamah se tornou conhecido por isso, como o pai de
muitos povos e é identificado pelo nome Abrahão, da variante hebraica avraham, cuja
herança está na fidelidade recíproca de seus descendentes que encandece eternamente
a aliança que mantém a amizade entre o homem e Deus: Eu instituo minha aliança entre
mim e ti, e te multiplicarei extremamente (Gn 17,2) que havia sido prometida a Noé: mas,
estabelecerei minha aliança contigo ( Gn 6,18) e ao ser instituída com Abrahão, Deus lhe
propõe que ela seja eterna, agora encandecida não mais segundo a regra de prescrição
carnal, mas de acordo com o poder de vida imperecível (Hb 7,16), selada por um
sacerdote eterno: segundo a ordem de Melquisedec (Hb 7, 17b) trazendo a alegria para
Abrahão: Abrahão, vosso pai, exultou por ver o meu Dia. Ele o viu e encheu-se de alegria
(Jo, 8,56), e entregou o dízimo da melhor parte dos despojos (Hb 6,4c) que recebido pelo
sacerdote, abençoou o portador das promessas (Hb 7,6c)!
E nesta amizade que tem como ponto inicial o ser querido por Deus por si mesmo
(G.S., 24,3), o Deus-Mãe se fez para ele, o próprio alimento: nele estabeleceremos nossa
morada (Jo 14,23e), porque por amor, não cessa de dar-lhe o ser (GS 19,1), e o homem
mantém a energia da vida em si: terá a vida eterna (Jo 3,15b), ao livremente se deixar ser
amado pelo Amor: e meu Pai o amará e a ele viremos (Jo 14,23,d), que ao dele se
alimentar, volta ao seu Criador (Cf. GS 19,1; CAT 27, p. 21), no amor que volta para o
Amor, por isso, o desejo de Deus está inscrito no coração do homem (CAT, 27, p. 21).

REFERÊNCIAS.

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Siglas:
Ap = Livro do Apocalipse
1Cor = Primeira Carta aos Coríntios.
1Jo = Primeira Carta de São João.
1Pd = Primeira Carta de São Pedro.
2Rs = Segundo Livro dos Reis.
Ct = Livro dos Cânticos.
Ex = Livro do Êxodo.
Hb = Epístola de São Paulo aos Hebreus.
Gn = Livro do Gênesis.
Is = Livro do Profeta Isaías.
Jo = Evangelho de São João.
Jó = Livro de Jó.
Lc = Evangelho de São Lucas.
Mc = Evangelho de São Marcos.
Mt = Evangelho de São Mateus.
Tg = Epístola de São Tiago.

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