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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA

PROFESSOR: JUAN ADOLFO BONACCINI

ALUNO: ANDERSON FRANCISCO DOS SANTOS

Trabalho de Teoria do Conhecimento II: estética e lógica transcendental

Estética Transcendental:

Na estética transcendental, Kant nos apresenta as duas principais fontes de


conhecimento no sujeito que são:

Primeiro, a sensibilidade, por meio da qual os objetos são dados na intuição; e,


segundo, o entendimento, por meio do qual os objetos são pensados nos conceitos.
O termo Estética não diz respeito a uma teoria do gosto ou do belo como comumente é
visto e estudado em filosofia. Estética neste sentido pra Kant tem a ver com uma teoria
da sensibilidade em que Kant define sensibilidade como o modo receptivo, isto é,
passivo, pelo qual os objetos nos afetam. E por intuição Kant quer dizer a maneira direta
de nos referirmos aos objetos. Podemos ilustrar da seguinte maneira: no mundo que nos
cerca temos uma gama de sensações que os objetos nos oferecem tais como percepções
diversas de calor, cores, odores, textura etc. Tais sensações Kant chama de conteúdo da
experiência ou matéria do fenômeno. Contudo para que tais sensações ou impressões
signifiquem algo, isto é, façam parte do âmbito daquilo que podemos conhecer, do
cognoscível, elas precisam, antes de mais nada, serem postas em formas a priori da
intuição, que Kant chamou de espaço e tempo. Tais formas puras da intuição são
anteriores a qualquer tipo de representação mental que possamos ter de um dado objeto.
Em outras palavras se eu tenho um dado objeto, seja ele qual for, só posso pensá-lo se
ele apresentar-se na forma a priori do espaço e do tempo. Por exemplo, antes que eu
possa pensar a palavra “livro”, o livro propriamente dito deve ser apresentado, recebido
em sua forma a priori do espaço e tempo, sendo isto, por sua vez, o primeiro passo dado
em direção a se conhecer algo nos moldes kantianos. Portanto, disto extraímos duas
consequências onde a primeira temos o conhecimento só sendo possível se os objetos da
experiência estiverem dados no espaço e no tempo; e em segundo, que o espaço e o
tempo são propriedades subjetivas, sendo por seu turno, atributos do sujeito mediante a
sensibilidade e o entendimento, e não do mundo, ou da coisa-em-si.

Vejamos agora a questão do espaço e tempo. O espaço está relacionado com a


forma do sentido externo, enquanto que o tempo está relacionado com a forma do
sentido interno, sendo que os objetos externos apresentam-se em sua forma espacial, em
contrapartida, os objetos internos se apresentam em sua forma temporal. Kant
demonstraria isso da seguinte maneira: Imaginemos um livro em um espaço qualquer,
por exemplo em um quarto vazio, agora nos moldes de uma experiência de pensamento
retiremos esse livro do quarto. O que nos resta? Logicamente o espaço vazio. Agora
seguindo o mesmo raciocínio vamos fazer o contrário, retirando neste caso retirando o
espaço vazio do quarto deixando apenas o livro. O que aconteceu? Temos um
contrassenso lógico, não dá para fazê-lo ao menos que possamos pensar em objetos que
não ocupam espaço, o que por si só já é um absurdo, uma vez que na definição de
corpo, de objeto carregamos o conceito de extensão. E no que diz respeito ao tempo? O
mesmo raciocínio pode ser aplicado, porém do seguinte modo: posso pensar uma
situação na qual elimino o livro do tempo, e consequentemente do espaço, sendo este
destruído, queimado, portanto, não existindo mais. Todavia, não posso destruir, eliminar
o tempo do livro, uma vez que sempre penso este em duração, isto é, numa sucessão de
antes e depois. Disto concluímos que é impossível termos conhecimento dos objetos
externos fora de uma ordenação espacial, e no que concerne ao tempo, é impossível que
nossa percepção interna dos objetos existam sem uma forma temporal. Portanto, espaço
e tempo são faculdades do sujeito, sendo estas a priori e universais, por isso neste
sentido, segundo Kant, espaço e tempo são atributos do sujeito e condições de
possibilidade para qualquer experiência.

Lógica transcendental:

Nosso conhecimento provém de duas fontes fundamentais do intelecto, a saber, a


primeira recebe as representações, isto é, as impressões; a segunda tem a capacidade de
conhecer um objeto mediante as representações o que Kant chama de espontaneidade
dos conceitos. Na receptividade é onde nos é dado um objeto, em contrapartida, na
espontaneidade dos conceitos é onde pensamos a relação com a representação, ou seja,
como simples determinação do espírito. Temos como elementos constitutivos do nosso
conhecimento a intuição e os conceitos que são puros e empíricos. Sendo empíricos
quando a sensação que pressupõe a presença real do objeto está nele contida; e puro
quando nenhuma sensação se mistura à representação. A sensação chama-se matéria do
conhecimento sensível. As intuições e os conceitos puros são possíveis a priori, os
empíricos só a posteriori.

Temos na sensibilidade a receptividade de nosso espírito em receber


representações por meio de afecções, modo de ser afetado. Temos no entendimento a
capacidade de produzir representações ou a espontaneidade do conhecimento. De
acordo com a condição da nossa natureza a intuição nunca pode ser de outro modo
senão sensível, contendo apenas a maneira pela qual somos afetados pelos objetos. Já o
entendimento caracteriza-se pela capacidade de pensar o objeto da intuição sensível;
não existe ai uma primazia de uma capacidade deste sobre a outra uma vez que sem a
sensibilidade, nenhuma objeto nos seria dado, e sem o entendimento, nenhum objeto
poderia ser pensado. Por isso a famosa frase de Kant que diz: “Pensamentos sem
intuições são vazios; intuições sem conceitos são cegas.” (B75, A51). Tal relação para
Kant é indispensável, devemos tornar sensíveis os conceitos acrescentando-lhes o objeto
na intuição, ao passo que, devemos tornar compreensíveis as intuições pensando estas
com conceitos. O conhecimento só é obtido pela união dessa relação entre conceitos e
intuições ou entendimento e sensibilidade uma vez que, “o entendimento nada pode
intuir e os sentidos nada podem pensar” (B75, A51). Kant observa depois que, mesmo
só sendo possível obter conhecimento por esta condição, não implica em dizer que não
podemos pensar sensibilidade e entendimento de modo separado que para ele
caracteriza por um lado a ciência das regras da sensibilidade em geral que é a estética, e
das regras do entendimento em geral que é a lógica.