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Aula 4: Introdução às Sequências Reais.

Definição 1: Uma sequência de números reais é uma função x : N → R


para a qual denotamos o valor de x em n por an . Notação: (an )n∈N =
(an ) = (a1 , a2 , · · · , an , · · · ) ou {an }. Em outras palavras, uma sequência pode
ser pensada como uma lista ordenada de números reais (a1 , a2 , · · · , an , · · · )
onde a1 é o primeiro termo, a2 é o segundo termo e, de um modo geral, an é
o n-ésimo termo.
Podemos definir uma sequência apresentando uma fórmula para o termo
n
geral, por emxemplo { n+1 }∞
n=1 . Em algumas situações, porém, não é fácil
ou possível determinar uma fórmula para o termo geral. Por exemplo, a
sequência cujos termos são os algarismos decimais do número e é {7, 1, 8, 2, 8}
está bem definida, mas não temos uma fórmula para o termo geral dessa
sequência.
Exemplo 1: A sequência de Fibonacci é definida recursivamente pelas
equações: f1 = 1, f2 = 1 e fn = fn−1 + fn−2 , n ≥ 3.
Observação 1: Como sequências são funções, as definições de função
limitada, crescente, decrescente, monótona não-crescente, monótona não-
decrescente, entre outras também valem para sequências.
Exemplo 2: A sequência dada por an = a, para todo n ∈ N, onde a é
uma constante real é limitada.
Exemplo 3: A sequência (1, 0, 1, 0, · · · ) é limitada mas não é monótona.
Exemplo 4: A sequência (1, 2, 2, 3, 3, 3, 4, · · · ) é limitada inferiormente
e monótona não-decrescente.
Podemos realizar com sequências várias das operações que realizamos com
números reais, como por exemplo somar, subtrair, etc. Sejam por exemplo
(ak ) e (bk ) duas sequências em R, e c ∈ R. Então definimos:

(ak ) + (bk ) = (ak + ak ) , (ak ) − (bk ) = (ak − ak ) , c · (ak ) =


(c · ak ) , (ak ) · (ak ) = (ak · ak ).

Definição 2: Dada uma sequência (an ), uma subsequência de x é a


restrição da função x a um subconjunto infinito N′ = {n1 < n2 < · · · < nk >
· · · } de N.
Exemplo 4: Considere a sequência (an ) = (1, 0, 1, 0, 1, 0, · · · ). Temos
que (an )npar = (0, 0, 0, 0, · · · ) é uma subsequência de (an ).
Definição 3: Dizemos que a ∈ R é limite de uma sequência an , se:

∀ǫ > 0 existe n0 ∈ N tal que |a − an | < ǫ para todo n > n0 .

Usaremos a notação: lim an = a ou an → a. Se uma sequência não tem


limite, dizemos que ela é divergente.
A definição de limite de uma sequência é semelhante ao conceito de limite
para funbções. Com efeito, temos que se lim f (x) = L e f (n) = an , então
x→∞
lim an = L.
n→∞

Exemplo 6: A sequência an = x, para todo n ∈ N, onde x ∈ R é


convergente e an → x.
1
Exemplo 7: Considere a sequência an = n
para todo n ∈ N. Temos que
an → 0.
Exemplo 8: (0, 2, 0, 2, 0, · · · ) não converge para 0. De fato, tome ǫ = 1.
Então para todo k ∈ N temos 2k > k e a2k = 2, portanto |a2k − 0| = 2 > ǫ.
Teorema 1: O limite de uma sequência é único.

Teorema 2 (Teorema do Confronto:) Se an ≤ bn ≤ cn para n ≥ n0 e


lim an = lim cn = L, então lim bn = L.
n→∞ n→∞ n→∞

Teorema 3 (Teorema da Sequência Monótona): Toda sequência


monótona limitada é convergente.
Teorema 4 : Seja (an ) uma sequência convergente. Temos que (an ) é
limitada.
Atenção: A recíproca do teorema 3 é falsa.
Exemplo 8: A sequência (1, 0, 1, 0, 1, 0, · · · ) é divergente.
Exercício 1: Prove que se lim |an | = 0, então lim an = 0.
n→∞ n→∞

Exercício 2: Determine se a sequência an = (−1)n converge ou diverge.


Exercício 3: Investigue se a sequência definida pela relação de recorrên-
1
cia a1 = 2, an+1 = (an + 6), para n = 1, 2, · · · converge.
2
Exercício 4: Prove que (1, 2, 3, 4, 5, · · · ) é divergente.