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Tribunal da Relação de Coimbra, Acórdão de 3

Out. 2017, Processo 13.9TBCLD/B.


Relator: José Vítor dos Santos Amaral.
Processo: 13.9TBCLD/B.
JusNet 6294/2017

Improcede o incidente de habilitação por falta de prova quando inexiste


documento que demonstre de forma clara e cabal a cessão contratada que
teve por objeto os créditos

INCIDENTE DE HABILITAÇÃO. PROVA. Na


habilitação do adquirente ou cessionário da coisa ou
direito em litígio, a prova da cessão pode ser efetuada
através do respetivo contrato escrito ou de outro
documento idóneo que titule a transmissão/cessão, sempre
havendo de provar-se documentalmente a aquisição ou
cessão. No presente, a cessionária celebrou com a cedente
em 2015 e 2016 contratos ao abrigo dos quais foram
transmitidos créditos e garantias da segunda para a
primeira. Ora, inexistindo documento que demonstre de
forma clara e cabal, que a cessão contratada teve por
objeto os créditos, ficando a dúvida sobre quais os
concretos créditos objeto de cessão, o incidente
improcedeu por falta de prova.
Disposições aplicadas
L n.º 41/2013, de 26 de junho (Código de Processo
Civil) art. 352.3; art. 356; art. 372.2
Jurisprudência relacionada
TRP, Ac. de 27 de Setembro de 2004
Texto
1. - No incidente de habilitação de cessionário (art.º 356.º do NCPCiv.),
cabe ao requerente o ónus da prova dos factos tendentes a demonstrar
a existência do contrato de cessão e seu objeto relevante.2. - Tal prova
é necessariamente documental – um título escrito que prove a cessão
(seja o contrato escrito de cessão, seja outro título/declaração de
aquisição ou cessão, seja termo de cessão lavrado no processo) –, não
tendo de expressar o exato montante da dívida ao tempo da
transmissão, mas devendo identificar o crédito de molde a permitir
saber qual o objeto da cessão.3. - Cabe ao Tribunal, mesmo na falta de
oposição à habilitação, verificar se a transmissão ou cessão é válida,
apreciando, desde logo, se há prova documental, legalmente exigida, do
ato determinante da cessão.4. - O art.º 352.º, n.o 3, do NCPCiv. (como o
anterior art.º 372.º, n.o 3, do CPCiv. revogado) admite que seja
deduzida nova habilitação, relativa ao mesmo facto, com fundamento
em provas documentais diversas, o que pode ocorrer no próprio
processo da primeira, até mediante termo de cessão a lavrar nos autos.

***
Recurso próprio, nada obstando ao seu conhecimento.
***
Ao abrigo do disposto no art.º 656.º do Código de Processo Civil
em vigor (doravante, NCPCiv.), o aprovado pela Lei n.o 41/2013,
de 26-06, e aqui aplicável (1) , segue decisão sumária, face à
simplicidade da questão a decidir.
***

I - Relatório
"B (...) S. A.", com os sinais dos autos, por apenso a autos de
execução,
veio requerer (2) contra os Executados incidente da sua habilitação
de cessionário, de acordo com o disposto no art.º 356.º, n.o 2, do
NCPCiv.,
alegando que:
- a Requerente (cessionária) celebrou com o "B (...), PLC"
(cedente), em 02/09/2015 e 01/04/2016, contratos ao abrigo dos
quais foram transmitidos créditos e garantias da segunda para a
primeira, entre os quais os créditos exequendos nos autos
principais;
- a citação/notificação dos Executados para os presentes autos
permitir-lhes-á tomarem conhecimento da cessão, que lhes será
oponível a partir desse momento;
- devendo, por isso, ser a Requerente admitida a substituir a
Cedente na qualidade de credora sobre os Executados, quanto aos
créditos exequendos, como única titular e beneficiária das
garantias e direitos acessórios dos mesmos.
Pediu, assim, a sua habilitação na qualidade de exequente nos
presentes autos, em substituição do cedente, vindo depois juntar
documento, que intitula "contrato de cessão" (3) .
Efetuadas notificações para contestação e não tendo sido deduzida
oposição, foi proferido despacho a determinar a notificação da
Requerente para juntar "o contrato de cessão de créditos", por se
entender que "o mesmo não foi junto" (cfr. fls. 113 dos autos em
suporte de papel).
Perante o que a Requerente veio defender ter já junto prova
bastante e apenas ser detentora do documento oferecido, assim
requerendo que o documento junto fosse considerado prova
bastante da cedência de créditos invocada.
Tendo o Tribunal a quo insistido na junção do contrato de cessão
de créditos, a Requerente, depois de solicitar prorrogação do
prazo fixado para o efeito, veio invocar que esse contrato está
redigido em língua inglesa, contém cláusulas de confidencialidade
e é demasiado extenso, tendo as partes na cessão emitido
"declaração de cessão de créditos", datada de 26/04/2016, para
efeitos de comprovação da cessão e habilitação processual de
cessionário, e não sendo o crédito cedido objeto dos autos
principais garantido por hipoteca, pelo que apenas se justifica a
junção daquela declaração.
Aquele Tribunal, porém, mantendo o entendimento já sinalizado,
novamente nele insistiu, "sob pena de improcedência do
incidente" (cfr. despacho de fls. 146 dos autos em suporte de
papel), face ao que também a Requerente reiterou as posições
antes assumidas.
Foi, seguidamente, proferida sentença, julgando improcedente o
incidente de habilitação.
Inconformada, recorre a Requerente, apresentando alegação, onde
formula as seguintes
Conclusões:
(...)
Não foi junta contra-alegação de recurso.
***
O recurso foi admitido como de apelação, a subir imediatamente,
nos próprios autos incidentais (de habilitação) e com efeito
meramente devolutivo, após o que foi ordenada a remessa dos
autos a este Tribunal ad quem, com manutenção do regime
recursivo.
Nada obstando, na legal tramitação, ao conhecimento do mérito
do recurso, cumpre apreciar e decidir.
***
II - Âmbito do Recurso
Perante o teor das conclusões formuladas pela parte recorrente - as
quais (excetuando questões de conhecimento oficioso não obviado
por ocorrido trânsito em julgado) definem o objeto e delimitam o
âmbito do recurso, nos termos do disposto nos art.ºs 608.º, n.o 2,
609.º, 620.º, 635.º, n.os 2 a 4, 639.º, n.o 1, todos do NCPCiv. -,
cabe saber, apenas, se:
a) Foi junta prova documental bastante da invocada cessão de
créditos;
b) Devia o incidente ser julgado procedente, por se verificarem os
respetivos pressupostos legais, tendo sido violado o disposto no
art.º 356.º do NCPCiv..
***

III - Fundamentação
A) Matéria de facto
Na 1.ª instância foi proferida a seguinte decisão quanto à matéria
de facto:
«a) FACTOS PROVADOS
Com interesse para a decisão não se provaram quaisquer factos.
b) FACTOS NÃO PROVADOS
1. A B (...), SA celebrou com o B (...), PLC em 2 de Setembro de
2015 e em 1 de Abril de 2016, contratos ao abrigo dos quais
foram transmitidos créditos e garantias da segunda para a
primeira.
2. Entre os quais os créditos detidos sobre os executados
subjacentes aos autos principais.».
***
B) Da junção de prova documental bastante da cessão de
créditos
Desde logo, cabe dizer que, contendo a decisão recorrida - como
era dever do Tribunal recorrido -, expressa decisão da matéria de
facto, não dando qualquer facto como provado e, outrossim,
julgando não provados os factos relevantes - isto é, que tivessem
sido celebrados os invocados contratos de transmissão de créditos
(facto 1.), entre eles os objeto dos autos principais (facto 2.) -,
para o que apresentou também fundamentação da convicção, onde
analisou a prova, cabia à Recorrente, sob pena de inconsequente
inconformismo, impugnar tal decisão de facto, para o que teria de
observar os ónus a cargo da parte impugnante a que alude o art.º
640.º, n.o 1, al.ªs a) a c), do NCPCiv..
O que tal Recorrente visivelmente não fez - não sinalizou
pretender impugnar a decisão de facto, não especificou os
concretos pontos de facto que considerasse erradamente julgados,
nem os concretos meios probatórios que, quanto a cada facto,
impusessem decisão diversa, nem sequer o sentido decisório que
devia ser adotado quanto a cada concreto facto, de molde a
corrigir-se o erro de julgamento de facto (quais, no caso, os factos
que deveriam ser julgados provados).
Tal significa que tem de concluir-se pela inexistência de
impugnação recursória da decisão da matéria de facto (4) e, ainda
que assim não fosse entendido, a impugnação (que se
considerasse deduzida, no plano fáctico) sempre teria de ser
rejeitada por inobservância dos aludidos ónus legais impostos
pelo n.o 1 do art.º 640.º do NCPCiv..
Com a consequência de se tornar definitivo o julgamento da
matéria de facto desenvolvido pela 1.ª instância, perante o que,
resultando não provada toda a factualidade relevante, nenhuma
alteração de direito se poderia realizar na fase recursória, antes se
impondo a manutenção do sentenciado.
Mas mesmo que se considerasse que a Apelante impugnou
adequadamente a decisão de facto, nem por isso, salvo o devido
respeito, seria de alterar tal decisão.
Vejamos.
Invoca a Requerente/Apelante ter junto prova bastante da cessão
de créditos, tratando-se de "declaração de cessão de créditos",
datada de 26/04/2016 - e assinada pelas partes contratantes -, para
efeitos de comprovação da cessão e habilitação processual de
cessionário.
Tal "declaração de cessão de créditos" teria, pois, de estar junta
aos autos, ónus probatório que cabia, obviamente, à
Requerente/Apelante.
Ora, compulsado o processo em suporte de papel recebido nesta
Relação, constata-se que essa "declaração de cessão de créditos"
não se mostra junta a tal processo físico - o que se vê junto é
documento contendo parte de uma lista de nomes, com duas
rúbricas, numerado, ao fundo, desde a pág. 113 à 148 (fls. 12 a 29
v.º dos autos em papel), seguido de intitulado "Anexo II", "Lista
de Créditos Cedidos", com nova lista de nomes ("Client Name") e
números ("Contract ID"), desde a respetiva pág. 1 à 53
(correspondente a fls. 30 a 56 e v.º dos autos em papel), com
semelhantes rúbricas, constando a fls. 41 v.º a menção "H (...),
LDA" e o n.o "255207260629" (5) .
Consultou-se então - à cautela - o processo eletrónico, também
disponível nesta Relação, e verificou-se que efetivamente a
Requerente juntou essa "declaração de cessão de créditos".
Fê-lo em 29/07/2016, data em que juntou eletronicamente duas
peças processuais, uma sob a ref. 23294812 (junta a fls. 11 e segs.
dos autos em suporte de papel e repetida, ao que se crê, por lapso,
a fls. 60 e segs.) e outra sob a ref. 23294925 (esta contendo tal
"declaração", mas que não foi levada aos autos em suporte de
papel).
Assim, temos no processo - na versão eletrónica - elemento de
prova documental só parcialmente vertido no processo físico,
deste não constando a primeira parte do documento junto, isto é,
aquela "declaração" e o "Anexo I" até à pág. 112, inclusive).
Mas a verdade é que o documento foi integralmente junto em
tempo oportuno pela Requerente, podendo ser examinado na dita
versão eletrónica dos autos.
Acontece que a invocada "declaração" remete para os respetivos
"Anexos I e II", aludindo à transmissão de parte do negócio em
Portugal do "B(...)" para o "B (...)", mediante trespasse (trata-se
dos créditos elencados naqueles "Anexos I e II" da "Lista de
Créditos Cedidos").
Assim sendo, está junta aos autos a invocada "declaração de
cessão de créditos", como pretende a Apelante, mas desta
(respetivo "Anexo II", na pág. 24, correspondente a fls. 41 v.º do
processo em suporte de papel) apenas consta a menção "H(...),
LDA" (quanto à identificação do cliente) e o n.o "255207260629"
(quanto à identificação do contrato).
Quer dizer, se não há dúvidas quanto ao "cliente", restam todas as
dúvidas quanto ao contrato de que emerge o crédito objeto de
cessão, mormente, se corresponde, ou não, aos créditos objeto da
execução (aquele n.o"255207260629", sem mais, não permite
saber a que crédito(s) se refere, sendo que o respetivo contrato não
se mostra junto a estes autos).
Assim, se não é preciso/exato dizer-se que não foi junta a aludida
declaração de cessão de créditos, certo é que da sua junção, com
intentada identificação creditória através de um simples número,
não logra alcançar-se a determinação, sem mais, sobre quais os
concretos créditos cedidos, designadamente se estão - ou não -
contemplados os objeto da execução.
Donde que, não tendo sido disponibilizados todos os elementos de
prova documental que permitiriam estabelecer a pretendida
correspondência creditória, em termos de se poder dar como
provado ter sido acordado/declarado transmitir/ceder os ditos
créditos objeto da execução, não fosse possível alterar nesta parte
a decisão de facto.
C) Da verificação dos pressupostos legais de procedência do
incidente processual
Pretende a Recorrente, em matéria de direito, que o incidente de
habilitação de cessionário devia ser julgado procedente, por se
verificarem os respetivos pressupostos legais, a que alude o
disposto no art.º 356.º do NCPCiv..
Porém, como visto já, todos os factos relevantes foram julgados
como não provados, sem que fosse empreendida admissível
impugnação da decisão de facto, pelo que permanece inalterado
aquele juízo probatório, obrigando à improcedência do incidente
de habilitação e, por consequência, do recurso interposto.
É certo, como também visto, que foi junta uma "declaração de
cessão de créditos", aludindo à transmissão de parte do negócio
em Portugal do "B (...)s" para o "B (...)", mediante trespasse,
reportada aos créditos elencados nos respetivos "Anexos I e II" da
"Lista de Créditos Cedidos", onde consta a identificação da
sociedade devedora, mas sem suficiente concretização do(s)
contrato(s) de que emergem os créditos objeto de cessão (e menos
ainda dos correspondentes créditos, em concreto), pelo que não
resulta possível a respetiva correspondência com os créditos
exequendos nos autos principais.
A jurisprudência dos Tribunais superiores vem, ante o disposto no
art.º 356.º, n.o 1, do NCPCiv. (anterior art.º 376.º, n.o 1, do CPCiv.
revogado), entendendo que a prova da cessão pode ser efetuada
através do respetivo contrato escrito ou de outro documento
idóneo que titule a transmissão/cessão, sempre havendo de
provar-se documentalmente a aquisição ou cessão - que também
pode ser efetuada mediante termo de cessão lavrado no processo,
dispensando, nesse caso, a apresentação do contrato (cfr. al.ª a) do
n.o1 daquele art.º 376.º) -, mesmo no caso de falta de
contestação (6) .
Ora, no caso inexiste documento que demonstre, de forma clara e
cabal, que a cessão contratada teve por objeto os créditos em
causa nos autos principais, ficando a dúvida sobre quais os
concretos créditos objeto de cessão, sendo que poderiam as partes
na cessão ter vindo aos autos "lavrar no processo o termo de
cessão", com o que facilmente deixariam resolvido o problema,
pondo-se a coberto de um juízo probatório negativo e afastando
perspetivas de improcedência do incidente (cfr. art.º 356.º, n.o 1,
al.ª b), do NCPCiv.).
Todavia, como também referido no já citado Ac. TRP, de
27/09/2004, Proc. 0453447 (Rel. Cunha Barbosa), o Tribunal tem
"de verificar se houve cessão ou transmissão, isto é, se está feita a
prova legal do acto respectivo", sendo que "a prova da existência
do acto é tanto ou mais fulcral, quanto é certo que ela constitui
uma questão prévia à apreciação da validade do acto - transmissão
ou cessão -, porquanto se não pode apreciar dessa validade se não
existir o acto sobre o qual haverá de incidir tal juízo de valor",
"sem prejuízo de, ao abrigo do disposto no artº 372º, no 3 do
CPCivil, os mesmos [requerentes] virem a deduzir nova
habilitação, se for caso disso" [cfr. atual art.º 352.º, n.o 3, do
NCPCiv., correspondente àquele antigo art.º 372.º,
n.o 3, admitindo que seja deduzida nova habilitação, relativa ao
mesmo facto, com fundamento em provas diversas (referentes à
mesma factualidade), o que pode ocorrer no próprio processo da
primeira, inclusive mediante simples/básico termo de cessão a ser
lavrado no processo, com a vantagem de a Requerente não ter de
exibir, em tal hipótese, os documentos reservados e extensos a
que alude].
Quer dizer, se a prova realizada deve ter-se por insuficiente,
dúvidas não restam de que a lei faculta à Requerente um modo
muito fácil de obter a habilitação, com aproveitamento até dos
autos incidentais já intentados.
Em suma, como logo espelhado na própria decisão de facto do
Tribunal a quo, cujo juízo a Requerente/Apelante não deixou,
nessa parte, impugnado, não estão verificados os requisitos de
procedência da pretendida habilitação, o que obriga à
improcedência do recurso.
***
IV - Concluindo (cfr. art.º 663.º, n.o 7, do NCPCiv.):
1. - No incidente de habilitação de cessionário (art.º 356.º do
NCPCiv.), cabe ao requerente o ónus da prova dos factos
tendentes a demonstrar a existência do contrato de cessão e seu
objeto relevante.
2. - Tal prova é necessariamente documental - um título escrito
que prove a cessão (seja o contrato escrito de cessão, seja outro
título/declaração de aquisição ou cessão, seja termo de cessão
lavrado no processo) -, não tendo de expressar o exato montante
da dívida ao tempo da transmissão, mas devendo identificar o
crédito de molde a permitir saber qual o objeto da cessão.
3. - Cabe ao Tribunal, mesmo na falta de oposição à habilitação,
verificar se a transmissão ou cessão é válida, apreciando, desde
logo, se há prova documental, legalmente exigida, do ato
determinante da cessão.
4. - O art.º 352.º, n.o 3, do NCPCiv. (como o anterior art.º 372.º,
n.o 3, do CPCiv. revogado) admite que seja deduzida nova
habilitação, relativa ao mesmo facto, com fundamento em provas
documentais diversas, o que pode ocorrer no próprio processo da
primeira, até mediante termo de cessão a lavrar nos autos.
***
V - Decisão
Pelo exposto e ao abrigo do disposto no art.º 656.º do NCPCiv.,
julgando-se improcedente a apelação, mantém-se a decisão
recorrida.
Custas da apelação pela requerente/Apelante.
Escrito e revisto pelo relator.
Assinatura eletrónica.
Coimbra, 03/10/2017
O Relator,
Vítor Amaral
(1)
Por força do disposto nos art.ºs 6.º, n.o 4, e 7.º, n.o 1, e 8.º, todos
da Lei n.o 41/2013, de 26-06.
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(2)
Em 30/06/2016.
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(3)
Junção de fls. 11 e segs..
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(4)
Parece que a Recorrente, salvo o devido respeito, se esqueceu de
impugnar a concreta decisão de facto proferida, passando da prova
documental que juntou diretamente para a fundamentação/decisão
de direito, concluindo, assim, por haver prova bastante da cessão e
pela consequente procedência do incidente de habilitação de
cessionário.
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(5)
Documentos estes que a parte voltou a juntar posteriormente.
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(6)
Cfr. Ac. TRP, de 25/01/1983, BMJ, 323.º - 443, cit. por Abílio
Neto, Código de Processo Civil Anotado, 20.ª ed., Ediforum,
Lisboa, 2008, pág. 511 - referindo que requerente deverá "estar
munido de título escrito que prove a cessão" -, Ac. STJ, de
11/02/1999, MBJ, 484.º - 407, e Ac. TRP, de 27/09/2004,
www.dgsi.pt, também referidos por Abílio Neto, op. cit., pág. 512
- quanto aos efeitos da não impugnação/contestação da habilitação
de cessionário e à prova/reconhecimento que sempre tem de ser
efetuado no incidente -, Acs. TRL, de 31/10/2007, Proc.
5923/2007-4 (Rel. Ramalho Pinto), em www.dgsi.pt - aludindo a
que "a habilitação do adquirente ou cessionário terá
obrigatoriamente, e sempre, por base um documento ou título
escrito do qual constem os termos do negócio da cessão do direito
em litígio" -, de 24/04/2008, Proc. 2360/2008-6 (Rel. Fátima
Galante), em www.dgsi.pt - em cujo sumário pode ler-se que o
documento que titula a cessão de créditos, não tendo de mencionar
o montante exato da dívida no momento em que o negócio entre o
cedente e o cessionário é concluído, deve "identificar o crédito em
termos de os interessados saberem qual o objecto da cessão" -, em
sintonia, aliás, com o anterior Ac. TRL de 24/04/1996, Proc.
0102102 (Rel. Silva Pereira), também em www.dgsi.pt, e, bem
assim, Ac. TRP, de 27/09/2004, Proc. 0453447 (Rel. Cunha
Barbosa), também em www.dgsi.pt - salientando que, no incidente
de habilitação de adquirente ou cessionário, "mesmo na falta de
oposição dos requeridos, compete ao juiz verificar se a
transmissão ou cessão é válida, apreciando se foi feita a prova
legalmente exigida do acto fundante da cessão" -, e demais
jurisprudência e doutrina neles citada.