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1 CORÍNTIOS
A VIDA CRISTÃ ZELOZA

1 Coríntios 4.14-21

Um dos maiores desafios da vida cristã, com certeza, diz respeito à conduta dos
crentes. Uma conduta cristã determinada pelo amor e marcada por simplicidade,
equilíbrio e por uma fidelidade a toda prova, continua sendo para muitos uma grande
desafio.

Entretanto, a vida cristã não se limita ao conhecimento de conceitos teológicos e


doutrinários corretos ou à busca de experiências extraordinárias. A vida cristã é
prática, é testemunho. O evangelho não é uma teoria, é vida.

A primeira carta aos Coríntios é um escrito onde o apóstolo Paulo exorta os cristãos
ao cultivo de uma vida cristã cheia de amor e zelo. Todas as realizações do cristão
tornam-se nulas quando não são a expressão de uma vida cristã zelosa. A
espiritualidade pessoal é determinante para a qualidade da religião que professamos.

A epístola
A igreja de Corinto foi fundada pelo apóstolo Paulo por ocasião de sua segunda
viagem missionária (At 18.1-8; I Co 4.15). A carta que estamos estudando foi escrita
quando Paulo estava em Éfeso (I Co 16.8).

Esta carta conhecida como "I Coríntios" é, na verdade, a segunda carta escrita por
Paulo a esta igreja. Anteriormente ele já havia escrito uma outra carta (5.9). Como não
se tem notícia daquela carta, a segunda, isto é, a que estamos estudando, ficou então
conhecida como sendo a primeira.

O conteúdo desta carta é essencialmente prático. O seu propósito está claramente


definido no capítulo 4.14-21. Paulo a escreveu a fim de restabelecer a unidade da
igreja e corrigir desvios constatados em diversas áreas.

A igreja estava experimentando graves problemas: divisões, imoralidades, demandas,


desajustes familiares, desvios litúrgicos, superficialidade doutrinária etc.

Ao apontar os desvios, exortando a igreja a se corrigir, Paulo deixa bem claro quão
necessário é que os crentes desenvolvam uma vida cristã zelosa. A mensagem dessa
carta indica que esse zelo deve se evidenciar em diversos aspectos da vida cristã,
como veremos a seguir.

Lições principais

1 - RELACIONAMENTOS SAUDÁVEIS
A primeira exortação encontrada na carta diz respeito ao relacionamento entre os
cristãos: "Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos
a mesma cousa, e que não haja entre vós divisões; antes sejais inteiramente unidos,
na mesma disposição mental e no mesmo parecer" (1.10). A vida cristã zelosa tem
como base a unidade cristã.

Em Corinto havia contendas e divisões (1.11-13; 3.1-4; 11.17,18). Havia irmãos


demandando uns contra os outros e recorrendo a tribunais pagãos. Paulo censura
duramente a atitude dessas pessoas (6.1-8).

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Estas questões estavam desestabilizando a igreja.

O bom relacionamento entre os irmãos é essencial para a edificação da igreja (SI


133). Infelizmente é possível verificar também hoje em muitas igrejas, problemas de
relacionamento entre irmãos. A falta de zelo nesse aspecto da vida cristã, além de
inconcebível, produz constrangimento, mal estar, e traz enormes prejuízos para a
causa cristã.

Relacionamentos saudáveis é o que o Senhor requer e espera de todos os seus filhos.


A Bíblia está repleta de exortações nesse sentido (Rm 12.9-21; II Co 13.11; Ef 4.1-5,
31,32; Fp 2.1-4; Cl 3.12-16).

2 - COMPORTAMENTO EXEMPLAR
Os capítulos 5 e 6.12-20 tratam de problemas relacionados à conduta moral dos
crentes: "Geralmente se ouve que há entre vós imoralidade..." (5.1).

A sociedade coríntia era extremamente tolerante e permissiva no que se refere à


moralidade. A licenciosidade era uma característica marcante daquela sociedade. E
pode-se deduzir, a partir do que Paulo escreve, que muitos dos membros da igreja
eram influenciados pelo estilo de vida da cidade.

Ser cristão em uma sociedade não cristã, continua a ser um desafio para todos nós,
pois, há uma enorme propensão para que a conduta pessoal seja determinada pelos
padrões da sociedade.

É por esta razão que Paulo exorta os cristãos, dizendo: "Já em carta vos escrevi que
não vos associásseis com os impuros" (5.9); "Fugi da impureza!" (6.18). Escrevendo a
Timóteo, Paulo o exorta, dizendo: "torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no
procedimento, no amor, na fé, na pureza" (I Tm 4.12).

É oportuna também a exortação de Pedro: "Como filhos da obediência, não vos


amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário,
segundo é santo aquele que vos chamou, tomai-vos santos também vós mesmos em
todo vosso procedimento" (I Pe 1.14,15).

Segundo Leon Morris, "primeiramente e antes de tudo, I Coríntios é uma carta que
visa à reforma do comportamento".

3 - VIDA DEVOCIONAL EQUILIBRADA


Um outro problema que também estava comprometendo a estabilidade da igreja em
Corinto era a falta de equilíbrio e sensatez nas práticas devocionais. A carnalidade
tomara o lugar da espiritualidade.

Alguns não conseguiam separar a devoção a Deus, das práticas idolátricas (8.7;
10.14-22). Outros se julgavam acentuadamente espirituais, contudo pensavam apenas
em si próprios, tornando-se causa de tropeço para os mais fracos (10.32,33).

A celebração da Santa Ceia havia se descaracterizado (11.17-34). Os dons espirituais


estavam trazendo problemas, em vez de promover a edificação da igreja (12.7; 14.12).
O culto estava carecendo de ordem e decência (14.40).

Atualmente é possível constatar em muitas igrejas a falta de equilíbrio nas práticas


devocionais. Os extremismos em nada contribuem para a edificação da igreja; pelo
contrário, podem prejudicar a sua unidade e o seu progresso.

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Paulo procura mostrar também que o zelo devocional só tem valor quando é
determinado pelo amor: "Todos os vossos atos sejam feitos com amor" (16.14). No
capítulo 13 ele trata especificamente desse tema ao discorrer sobre o amor, o dom
supremo. "Se não tiver amor..."

4 - FIRMEZA DOUTRINÁRIA
Outro problema que estava perturbando a igreja era a negação, por parte de alguns,
da ressurreição dos mortos (15.12).

A doutrina da ressurreição é fundamental para o evangelho. É por isso que Paulo


argumenta, dizendo: "E se não há ressurreição de mortos, então Cristo não
ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a vossa fé; e
somos tidos por falsas testemunhas de Deus..." (15.13-15).

Firmeza doutrinária não era o forte dos coríntios. No capítulo 3 desta carta Paulo os
considera crianças em Cristo e afirma: "Leite vos dei a beber, não vos dei alimento
sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem agora podeis, porque ainda sois
carnais" (3.1,2).

O exercício dos dons espirituais ou a liberalidade na contribuição qualidades típicas


dos coríntios - não eram suficientes. Faltava firmeza doutrinária. E esta firmeza é a
base de tudo. Os primeiros cristãos perseveravam na doutrina (At 2.42). E os coríntios
deviam fazer o mesmo. É por isso que Paulo conclui o capítulo 15 - o mais doutrinário
desta carta - recomendando: "Portanto, meus amados irmãos, sede firmes,
inabaláveis..." (15.58).

Várias igrejas hoje têm se mostrado deficientes no que diz respeito à firmeza
doutrinária. Há crentes que já somam muitos anos de caminhada sem, contudo,
demonstrar maturidade, crescimento, convicção e firmeza doutrinária.

É urgente uma autoanálise à luz das advertências de Hebreus 5.11 a 6.3, onde o autor
exorta os cristãos ao progresso na fé.

AUTOR: REV. ENEZIEL PEIXOTO DE ANDRADE

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