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APOLO, O ELOQUENTE PREGADOR


Atos 18.24-26; 1 Coríntios 3.4-9; Romanos 6.13

É um relatório impressionante o que se encontra no maravilhoso livro dos Atos dos


Apóstolos sobre a gênese, evolução e desdobramento da Igreja Cristã no mundo. Em
poucos anos, pouco mais de trinta, um pequeno grupo de crentes de Jerusalém, por
meios imprevistos e por oportunidades inéditas (até pelo fogo e pela espada!)
espalhou-se pela terra, e a causa sagrada pegou chamas inapagáveis em Jerusalém,
em Samaria, na Ásia toda e na Europa.

E o notável nesse milagre, só próprio da divina Providência, foi como tão natural e
normalmente começaram a surgir os homens apropriados ao êxito da obra.

Paulo é o primeiro dessa estirpe ilustre. Depois, Paulo foi descobrindo os auxiliares
eficientes à obra santa. Descobriu Timóteo. Descobriu Tito. Descobriu Tíquico.
Descobriu Erasto. Descobriu Zenão. Descobriu.... dezenas de almas que,
transfiguradas pela Palavra e pelo Espírito de Jesus, vieram a ser formosos luminares
do cristianismo.

Na lição de hoje temos a história de um desses cooperadores de Paulo, convertido


quase que inesperadamente em Éfeso, na terceira viagem do Apóstolo, e sob a
orientação de um fervoroso casal crente, Priscila e Áquila, que, fugindo de Roma e da
perseguição ali movida contra a Igreja, pelo imperador, veio a ser o instrumento de
Deus para a divulgação do Evangelho.

Este novo cristão e ilustre obreiro chamava-se Apolo. Estudemos a sua vida e carreira
abençoadas.

1 – CONVERSÃO

A primeira informação que a história sagrada registra sobre Apolo (forma reduzida do
nome Apolônio ou Apolodoro) é que "era judeu, natural de Alexandria, eloqüente e
versado no Velho Testamento, instruído no Caminho, embora só conhecesse o
batismo de João".

O Espírito Santo, omitindo detalhes da vida de Apolo — se era casado, se era pobre,
se era rico, que cargos ou profissão ocupava —, frisou, contudo, a sua origem e
evolução religiosa, que nesta parte de sua vida há mais brilho e mais edificação.

Era de Alexandria, a notável metrópole que Alexandre, o Grande, em 337 A.C.,


fundara na costa norte do Egito, ao oeste da foz do rio Nilo, cidade comercial e que
chegou a ter, na época de Apolo, 700.000 habitantes.

Era uma cidade cosmopolita, onde havia colônias de gregos, egípcios, sírios, judeus e
romanos, em bairros próprios. Era um centro de alta cultura. Existiam na cidade vários
liceus e escolas superiores de letras, ciências, artes e religião, bem como uma notável
biblioteca com milhares de volumes, e um museu muito famoso.

Foi nesta cidade que mestres e filósofos gregos — e entre eles se conta o exegeta
judeu Filão (talvez mestre de Apolo) — começaram a explicar as Escrituras sob as
regras da filosofia grega. As doutrinas pregadas por João Batista e por Jesus tiveram
adeptos eminentes nesta metrópole, e isto se explica pelo fato de haver constante
intercâmbio entre as colônias judaicas de Alexandria e as sinagogas de Jerusalém.

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No dia do Pentecoste havia gente dessas colônias presente na "cidade santa" (At
2.10; 6.9). A tradição diz que foi João Marcos o fundador da Igreja Cristã em
Alexandria. Mais tarde, Clemente e Orígenes tiveram neste centro cultural uma famosa
"Escola da Religião". O notável cristão Atanásio era de Alexandria.

Foi decerto como membro de ilustre família judia residente na cidade, e numa de suas
viagens a Jerusalém, que Apolo teve ocasião de ouvir João Batista e aceitar suas
doutrinas a respeito de Cristo, tornando-se discípulo do Precursor.

Apolo, porém, não tinha maiores conhecimentos das verdades cristãs; e tendo
chegado a Éfeso, por uma providência divina, encontrou aí o estudioso e piedoso
casal Priscila e Áquila que, percebendo nele sinceridade e fé, zelo e energia, lhe
expuseram com mais clareza a mensagem do Evangelho.

Apolo não recalcitrou, e, cheio de alegria, abraçou o Cristianismo, rebatizando-se,


provavelmente como aconteceu, pouco depois, com outro grupo de irmãos e
companheiros de fé, aí mesmo em Éfeso (At 19.1-7).

Priscila e seu esposo descobriram em Apolo três coisas:

1 - Ele era sinceramente um discípulo de Cristo;


2 - era culto, eloqüente e tribuno notável, digno de ser aproveitado no serviço do
Senhor;
3 - estava com instrução religiosa deficitária.

Se eles, Priscila e Áquila, não eram pregadores, podiam, todavia, por mercê divina,
achar um pregador eloqüente neste irmão. Apolo se inteirou das doutrinas cristãs
sobre a redenção, a graça e o plano divino de salvação, e abraçou-as sem detença.

As provas de conversão de Apolo vieram logo. A primeira, a sua prontidão em


reconhecer a verdade, embora lhe viesse mediante um casal de "fazedores de
tendas".

A segunda, a sua prudência, retirando-se logo de Éfeso, para evitar, certamente,


comentários e boatos escandalosos sobre a sua atitude atual, batizando-se tão
rapidamente na "nova fé", indo a outro campo mais promissor, Acaia (At 18.27).

A terceira prova, a sua atividade evangelizadora (At 18.28; 19.1).

A quarta, o seu prestígio junto às igrejas e aos crentes, no decorrer de suas viagens
(At 18.27; I Co 3.4-9; 16.12; Tt 3.13).

2. BOAS QUALIDADES
1. Era homem culto e versado nas Escrituras. Tão eloqüente ele era, e falava com
tanta graça que chegou a criar na Igreja de Corinto, onde esteve pregando por algum
tempo, um núcleo de admiradores quase incondicionais. Foi preciso até que Paulo
admoestasse energicamente a esses tais, mas em termos que evidenciam que Apolo
não era o culpado do caso (I Co 1.12; 3.4-7,22; 4.6)

2. Era profundamente espiritual. Declaram os Atos: "era fervoroso de espírito e


falava com precisão sobre Jesus... Auxiliou muito os que pela graça haviam crido...
Com grande poder refutava publicamente os judeus... Mostrava que Jesus era o
Cristo, pelas Escrituras" (At 18.24-28). Apolo não pregava suas doutrinas nem as
idéias filosóficas da Grécia. Sua mensagem era bíblica e cheia do poder do Alto.

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O centro de sua pregação era Jesus. Entre ele e Paulo havia a mais absoluta
identidade de doutrinas. Paulo "plantava" e ele "regava" a planta tenra e boa (I Co
3.6).

A cultura humana não toma o lugar da primazia da cultura divina na obra de


evangelização. E o ministro que inverter esta ordem lógica da verdade, disso não há
dúvida, vai acabar na apostasia e na descrença.

3. Era trabalhador incansável. Logo que se converteu, lá se foi para Acaia; depois
para Corinto; e fez de sua vida toda uma carreira de evangelização itinerante (At
18.27; 19.1; I Co 16.12; Tt 3.13). Apolo não era preguiçoso nem oportunista.

4. Era digno de absoluta confiança. Em I Co 16.12, lê-se: "Quanto ao irmão Apolo,


roguei-lhe muito que fosse com os irmãos ter convosco; mas de modo algum era da
vontade dele ir agora; contudo, irá, quando tiver oportunidade."

Paulo estava enviando a Corinto uma delegação de irmãos para ajudar a Igreja a
resolver vários problemas, da qual Timóteo fazia parte (I Co 16.10,11). Quis que Apolo
também fosse com o grupo. Mas, Apolo recusou-se a isso. Falta de amor ao trabalho
ou irritação contra o seu colega e amigo Paulo? Ou desilusão na obra do ministério?

Não, nada disso. Havia outra razão.

A Igreja de Corinto estava dividida em torno de nomes e pregadores, e ele era um dos
que serviam de bandeira a um grupo. Assim, achava inoportuna a sua ida a Corinto,
para evitar maiores lutas e cismas ali. Era o homem prudente, procurando sanar
aquele erro da Igreja.

Era o colega correto para com o seu colega, o bom Paulo, a quem, destarte,
demonstrava consideração e respeito. Ele era incapaz de uma perfídia. Não sabia ser
indigno com os colegas. Não fazia de sua posição e prestígio escada de ascensão à
custa da paz da Igreja e da boa reputação dos companheiros.

Que duas belas almas! Paulo, o desinteressado Apóstolo, esforçando-se por mostrar a
Apolo que não era invejoso nem temia ficar à sombra dos colegas. Apolo, o nobre
amigo, a alma humilde, recatada e prudente!

5. Edificante exemplo de sinceridade. Sincero na conversão aos ensinos de João


Batista. Sincero na recepção da verdade integral do Evangelho. Sincero na pregação
da Palavra, sincero na sua missão toda — é o que ressalta da biografia de Apolo.

É bem possível que este ilustre orador e tribuno fosse, a principio, de família abastada,
porque só os mais bem privilegiados em bens terrenos é que tinham as melhores
oportunidades, em Alexandria, de freqüentar as escolas superiores.

Se é plausível pensar assim, vê-se que, convertido ao Evangelho, teve de perder


fortuna ou, quem sabe, mesmo um futuro de mestre rico, de tribuno e filósofo, pois a
última notícia que dele temos é de quem precisava de recursos da Igreja para as suas
viagens missionárias.

Lê-se em Tito, 3.13: "Ajuda a Zenão, o doutor da lei, e a Apolo, na sua viagem, para
que nada lhes falte." Este ilustre ministro não era mercenário. Crera por amor.
Trabalhava por amor. Tudo na sua vida era por fé e por amor.

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3 - APOLO E O BRASIL
1. O Brasil precisa de obreiros preparados, cultos, instruídos e eloqüentes como
Apolo.

2. O Brasil precisa de lares crentes, piedosos e interessados na causa do Reino de


Deus, como foi o lar de Priscila e Áquila, que evangelizaram com diligência o grande
tribuno Apolo.

3. O Brasil requer um Evangelho completo e integral, como nos dias de Paulo não
bastava conhecer só parte da santa religião do Filho de Deus.

4. O Brasil pede a seus ministros e obreiros cristãos a mesma diligência,


circunspecção, zelo, sinceridade, fé e ação que tanto exaltaram o caráter de Apolo.

5. O Brasil crente não quer nem deseja que medre nas suas Igrejas o erro que houve
em Corinto - de fazer de seus pastores ilustres centro de dissidências, de cismas, de
partidos e de grupos, com graves conseqüências.

6. O Brasil cristão louva e ama os ministros leais uns aos outros, incapazes de
perfídias para quem quer que seja, e muito menos para com seus colegas.

7. O Brasil evangélico espera que todos os obreiros do Reino Eterno cumpram os seus
deveres no espírito e na fé que Apolo sempre expressou.

AUTOR: REV. GALDINO MOREIRA

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