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JACÓ E SUAS PEREGRINAÇÕES


Gênesis 28.10-22

O ponto central da presente lição nos diz de como Deus age, no preparo daqueles que
ele escolhe para determinada missão, e do quanto ele pode fazer com tais pessoas,
desde que haja nestas a necessária ressonância para com os apelos divinos.

O filho mais moço de Isaque chamava-se Jacó, nome que significa suplantador. Tal
nome ele o teve até ao dia em que lutou com Deus, no vau de Jaboque, quando,
então.

Deus o troca pelo de Israel, que significa: Que luta com Deus. Pelo nome de Israel
ficou sempre chamado o povo escolhido, notadamente quando esse nome queria
lembrar a "herança de Deus" e não simplesmente os descendentes carnais do
patriarca, quando então, se dizia: "os filhos de Jacó."

No trato do tema da lição, consideramos a pessoa de Jacó e os trâmites por que Deus
o fez passar, para que, não só fosse ele legítimo herdeiro das promessas divinas feitas
a Abraão e a Isaque, mas se tornasse uma benção para toda a descendência
abraâmica. Vejamos, pois, o homem e as suas peregrinações.

1 - JACÓ NA CASA PARTERNA


Naquela tenda em que Isaque recebeu Rebeca e ali passam a residir, nasceram Esaú
e Jacó. Por haverem os pais consultado ao Senhor, este lhes disse que o filho mais
velho serviria ao mais moço (Gn 25.27).

Diferentes eram os pendores dos moços; também divididas as predileções dos pais.
Isaque amava a Esaú e Rebeca, a Jacó. Tal atitude nos pais é condenável e perigosa.

Jacó, pacato, achegado, naturalmente, à sua mãe, teria sido informado, por ela, da
profecia a seu respeito, e de seu irmão, embora a promessa pudesse referir-se aos
dois povos deles decorrentes e não aos dois indivíduos propriamente.

Logo ele se põe a meditar na possibilidade de suplantar a seu irmão e, com verdadeiro
golpe oportunista, arrebata-lhe o direito de primogenitura (Gn 25.29-34). Rebeca, por
sua vez, entendendo que a promessa era de cumprimento imediato e nos próprios
indivíduos.

Põe-se, também de prontidão, para, na primeira oportunidade, conseguir oficializar a


transação, isto é, obter de Isaque a bênção principal para Jacó. Guando ouviu a
incumbência que Isaque deu a Esaú, com a promessa de bênção, logo arquiteta o seu
plano. Chama a Jacó, convence-o a mentir e a, destarte, tomar a bênção que
pertencia a seu irmão.

2 - AS PEREGRINAÇÕES EM HARÃ
O desfecho das "negociações" na casa paterna obrigam, agora, o jovem Jacó a deixar
sua terra e buscar refúgio em lugar distante. Para isto é aconselhado por sua mãe.

Abençoado pelo pai e por este despedido, sai ele - Jacó - em demanda da terra de Ha-
rã, onde seu tio Labão, irmão de Rebeca, residia. Com referência a este transe da vida
de Jacó, vejamos os fatos decorridos:

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A) A VIAGEM
Depois de haver estado em alguns pontos da terra de Gerar, Isaque se estabeleceu
em Berseba (Gn 26.23). De lá parte Jacó, com destino a Harã. Alcançado pela noite,
sozinho na estrada, cheio de canseira, deita-se à beira do caminho, tendo por
travesseiro uma pedra.

Eis, então, o sonho, como Deus se manifesta a ele. Pela manhã, Jacó, que nunca
experimentara tal contato com Deus, acorda sob a emoção e sensação daquela visão.
E que transformação se opera nele, quanto à presença de Deus!

O seu Deus, era o Deus presente em todo lugar! Ali ele lhe faz votos. Erige-lhe um
altar, e, ainda, muda o nome da localidade, trocando-o de Luz para Betel - que
significa casa de Deus.

B) A ESTADA EM HARÃ - O primeiro encontro de Jacó em Harã foi com Raquel, sua
prima. Logo depois é procurado por Labão, seu tio, que o leva para sua casa. Jacó
relata-lhe "os acontecimentos de sua viagem" (v.13).

E, depois de estar um mês ali, combina com o tio, que o serviria durante sete anos por
amor de Raquel, para obtê-la em casamento. Deu- se, então, findos os sete anos, o
fato conhecido, do casamento com Lia.

Outros sete anos lhe dão também a Raquel. Lá ele viveu cerca de 20 anos. Muito
prosperou, porque o Senhor era com ele. Próspero, e com grande família, põe-se a
caminho de Canaã, de volta à sua terra.

3 - AS PEREGRINAÇÕES EM CANAÃ
Sua ida a Harã era temporária. Interesses diversos, porém, o detiveram lá até que lhe
nascessem onze filhos homens. Agora, de regresso, ei-lo a caminho de Canaã.
Consideremos os importantíssimos fatos que se deram:

A) A LUTA NO VAU DE JABOQUE


Depois de tomar todas as providências para a reconciliação com o seu irmão Esaú, eis
que Jacó enfrenta uma luta tremenda, durante a noite. Era a luta com Deus, que lhe
apareceu, como outrora aparecera a Abraão.

E Jacó precisava dessa luta com Deus. Ele, que, maneirosamente, por duas vezes
prejudicara ao irmão; que, lhe indicava o nome - Jacó: suplantador - seria altivo, meio
vaidoso, meio confiante em que, pela promessa divina, era superior ao irmão, enfim,
que ele era "o Homem" (com H maiúsculo), sim, ele precisava lutar com Deus, até que
o seu eu se quebrasse, até que se tornasse humilde.

B) A RECONCILIAÇÃO COM ESAÚ


Tendo lutado com Deus e sido por este abençoado, fácil lhe seria a reconciliação com
o irmão a quem prejudicara.

Até ali, existia nele o medo de seu irmão (Gn 32.6-8). Depois das novas experiências
com Deus, tendo agora um nome novo, que não mais significa su- plantador, mas sim,
"que luta com Deus", seguia confiante no bom êxito, numa feliz reconciliação.

Assim é que, ao ver Esaú, que vinha com quatrocentos homens, ele toma a dianteira
de sua comitiva e vai prostrar-se diante do irmão. E tudo se acerta em paz. Ele não
poderia habitar em Canaã, estando de mal com o seu irmão.

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Sirva-nos bem a lição, a nós que nos assentamos à mesma mesa - a mesa do Senhor,
a mesa da comunhão! "Eu seguirei junto de ti" - disse-lhe Esaú (Gn 33.12).

C) A NOVA RESIDÊNCIA
Sua primeira residência foi em Siquém, onde ele comprou uma propriedade e ali erigiu
um altar a Deus (33.18-20). Entretanto, acontecimentos desastrosos na família o
fizeram mudar-se dali.

A vida do filho de Deus neste mundo não está livre das amarguras que a todos
atingem. Por ordem de Deus ele vai a Betel, edifica-lhe um altar e lá recebe novas
bênçãos divinas (Gn 35.1-15).

Continua sua caminhada. Perto de Efrata, em Belém, morre sua esposa Raquel, sobre
cujo túmulo ele edifica uma coluna. E vai, então, residir para além da torre de Eder.

Lá o esperavam os amargos dias da perda do querido filho Jo-sé, que por muitos anos
foi tido como morto. Felizmente, Jacó, bem velho já, ainda teve a grande alegria de
abraçar o filho, no Egito, onde a mão de Deus o colocara como príncipe e governador.
No Egito, cercado pelo carinho de José, termina Jacó os seus dias.

E, cumprindo o seu pedido, José leva o seu corpo, embalsamado, e o sepulta na terra
de Canaã, na caverna do campo de Macpela, no túmulo da família, onde Sara, Abraão
e Isaque foram sepultados.

CONCLUSÃO
Bastante acidentada foi a vida do patriarca Jacó, adornada por lindas virtudes e
também assinalada por tristes falhas. E a Bíblia, que lhe ressalta as virtudes, não lhe
esconde as falhas.

Isto nos mostra que entre os homens o único perfeito é Cristo. A nós o que nos vale é
a graça de Deus. Entretanto, fatos há, na vida de Jacó, como o seu primeiro encontro
com Deus, em sonho, quando a caminho de Ha- rã; a intrépida luta com Deus, no vau
de Jaboque; a felicíssima reconciliação com Esaú; os altares que ele sempre erigia ao
Senhor, que nos dizem, de perto, dos seus sentimentos mais íntimos, do profundo de
seu coração, e que se referem à sua posição perante Deus. Isto nos serve de
exemplos à vida cristã.

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