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24/12/2017 A produção do espaço: entre dominação e apropriação.

Um olhar sobre os movimentos sociais

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Scripta Nova
REVISTA ELECTRÓNICA DE GEOGRAFÍA Y CIENCIAS SOCIALES
Universidad de Barcelona.
ISSN: 1138-9788.
Depósito Legal: B. 21.741-98
Vol. XI, núm. 245 (15), 1 de agosto de 2007
[Nueva serie de Geo Crítica. Cuadernos Críticos de Geografía Humana]

Número extraordinario dedicado al IX Coloquio de Geocritica

A PRODUÇÃO DO ESPAÇO: ENTRE DOMINAÇÃO E APROPRIAÇÃO. UM OLHAR SOBRE OS


MOVIMENTOS SOCIAIS

Alvaro Ferreira
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
alvaro.ferreira@thema.trix.net

A produção do espaço: entre dominação e apropriação. Um olhar sobre os movimentos sociais


(Resumo)

Partimos do pressuposto de que o capitalismo tem escapado de suas crises de sobreacumulação através da
produção do espaço. Para tanto, percebemos a utilização de uma série de estratégias que se realizam no
âmbito do lugar, contudo, na maioria das vezes, são gestadas em cidades bem distantes – mais
especificamente nos escritórios das grandes empresas. Se a produção do espaço se realiza através da tensão
entre os diferentes agentes sociais, faz-se necessário que os movimentos sociais tornem-se instrumentos de
transformação. É nesse sentido que caminha nosso trabalho; acreditamos que as mudanças na apropriação do
espaço dar-se-ão através da transformação dos ativismos em movimentos sociais de caráter mais amplo, que
agrupem lutas mais específicas – das ditas minorias – associando-as a uma luta de âmbito global.

Palavras-chave: produção do espaço; espaço social; ativismos; movimentos sociais; utopia

The production of the space: between domination and appropriation. An overview about the social
movements (Abstract)

We argue that capitalism has escaped its overaccumulation crisis via the creation of space. We perceive the
use of a series of strategies that come about in a particular place but are created most of the times in very
distant locations – more specifically in the offices of large corporations. If the production of space takes
place through the tension between the different social agents, social movements should become means of
transformation. This is the direction we take in our work. We believe that the changes in the appropriation of
space will materialize through the transformation of collective action into social movements with broader
scope that bring together more specific and independent fights - of the so called minorities - into a broader
and global struggle .

Key words: production of space; social space; collective action; social movement; utopia.

Negar la sucesión temporal, negar el yo,


negar el universo astronómico, son
desesperaciones aparentes y consuelos secretos.
El tiempo es la substancia de que estoy hecho.
El tiempo es un río que mearrebata, pero yo soy el río;
es un tigre que me destroza, pero yosoy el tigre;
es un fuego que me consume, pero yo soy el fuego.
El mundo, desgraciadamente, es real;
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yo, desgraciadamente, soy Borges.


Jorge Luis Borges.

Inicialmente é preciso esclarecer que estaremos trabalhando, no que concerne ao método, a partir daquilo que
denominamos materialismo histórico geográfico. Procuramos deixar isso bem claro, pois grande parte dos
artigos científicos produzidos sobre as cidades e o urbano (como realidades socioespaciais), influenciados
pelo denominado discurso pós-moderno, tem fugido do, dito ultrapassado, debate marxista e de sua
associação com o reconhecimento dos interesses de classe. Se o resultado disso foram trabalhos focados
apenas no favorecimento do objeto local – sem qualquer preocupação com a totalidade – e no abandono das
metanarrativas, por outro lado, a anterior perspectiva da economia política da urbanização havia tornado a
análise demasiadamente simples ao basear-se, apenas, no ambiente construído em vez de ocupar-se do
espaço social.

Acreditamos que relações sociais são sempre espaciais e existem a partir da construção de certas
espacialidades. Aqui, trataremos de considerar, para este trabalho, a espacialidade efetivamente vivida e
socialmente criada; ao mesmo tempo concreta e abstrata, sendo, inclusive, o rebatimento das práticas sociais.
Assim, a espacialidade dá conta do espaço socialmente construído. Nesse contexto, ao debruçar-nos sobre as
diferentes frações do espaço urbano, estamos observando um espaço social associado a uma prática espacial
que se expressa através de sua forma de uso. Contudo, não nos podemos equivocar acreditando que as
formas espaciais expressam apenas transformações econômicas, sociais, políticas e culturais, temos de ter em
conta que uma forma espacial contribui, também, para a redefinição dos processos sociais, políticos e
culturais. É na espacialidade que o percebido, o concebido e o vivido se reencontram e deixam transparecer
sua total imbricação. Dessa maneira, corroboramos com Lefébvre (1994) quando de sua afirmação quanto a
(re)produção do espaço, pois os fenômenos socioespaciais são simultaneamente produtos e produtores.

Entre a ocultação e a revelação a partir do espaço

Convém afirmarmos que o espaço como constructo social, ou seja, socialmente produzido, refere-se à
estrutura, que define as determinações do modo de produção, mas refere-se também, simultaneamente, à
ação dos agentes locais em associação com grupos de ação, muitas vezes de âmbito global. Nesse sentido, o
espaço produzido pode contribuir mais para ocultar do que revelar. Isso porque, em geral, não desvela
imediatamente o processo de sua produção (tal qual a mercadoria). É necessário que investiguemos as
inúmeras codificações sobre as quais se assenta o espaço produzido e como os agentes produtores
colaboram, simultaneamente, para ocultar sua decodificação. A afirmação de que o espaço é socialmente
construído não significa a negação de que ele esteja centrado na materialidade do mundo, ou seja, isto afasta-
nos da dicotomia objetividade-subjetividade. Importa perceber que o pensamento dialético enfatiza a
compreensão dos processos e das relações, para a partir de então entender os elementos, a estrutura e os
sistemas organizados. Por isso, argumenta Harvey (1996, p.50), a dialética nos força sempre a questionar –
seja em relação a uma coisa ou a um evento – qual processo constitui o objeto a analisar e como ele é
sustentado. Apenas através da compreensão dos processos e relações que o objeto internaliza é possível
entender os seus atributos qualitativos e quantitativos.

A constatação de que toda realidade se reveste de forma e conteúdo leva Lefebvre a acreditar que o espaço
social apresenta, também, metodologicamente e teoricamente, as três categorias gerais: forma, função e
estrutura. Ademais, a articulação metodológica das três noções permite desvelar um conteúdo socioespacial
que se encontra oculto, posto que dissimulado nas formas, funções e estruturas analisadas.

Argumenta Lefébvre (1994, p. 32) que com o capitalismo, a relação entre a reprodução das relações sociais
de produção – aquelas constitutivas do capitalismo – e a própria reprodução da família se complexificam.
Assim, introduz um terceiro termo aos dois anteriores – a reprodução da força de trabalho – e passa a pensá-
los como inter-relacionados. Acreditam Limonad e Lima (2003, p. 17) que "para Lefebvre, é justamente a
partir do reconhecimento de que o espaço social contém uma multitude de representações específicas desta
tripla interação das relações sociais de reprodução social que emerge a tríade conceitual das práticas
espaciais, das representações do espaço e dos espaços de representação".

A cidade deveria ser percebida como uma relação superadora dessa tríade à qual se referiu Lefébvre (1994,
p. 42-45) ao refletir sobre a noção de espaço e, ao longo da exposição, introduz ainda os termos percebido,

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concebido e vivido. Adverte-nos Lefébvre (1994, p. 32) que ao mesmo tempo em que o espaço carrega
consigo simbolismos explícitos ou clandestinos – representações das relações de produção – próprios do
cotidiano, do particular, do vivido, transmite, também, as mensagens hegemônicas do poder e da dominação
– representações das relações sociais de produção –, expressões do geral, do concebido.

Alguns autores têm procurado trabalhar com a tríade espacial de Lefebvre através de uma transposição
direta, o que tem trazido alguns problemas já que aquele autor, habituado à utilização do método dialético,
separava os três termos apenas no momento da análise. Práticas espaciais, representações do espaço e espaço
de representações (acompanhados dos termos referentes: percebido, concebido e vivido) realizam-se
simultaneamente, confundindo-se, sobrepondo-se. Limonad e Lima (2003, p. 19), acreditando que estavam
unindo os três termos, afirmam que

o lugar se configura como a expressão mais nítida de uma ordem local, encarada como aquela que se define
sobretudo pelas relações de proximidade, pela co-presença, por um cotidiano compartilhado, enfim, por um
feixe de relações que se organiza no espaço vivido (...) e corresponderia à escala da habitação, do abrigo, do
lar. Já a reprodução da força de trabalho e dos meios de produção seriam mediados pelo espaço percebido
das práticas espaciais e regidas pelo espaço concebido das representações do espaço, que corresponderiam,
por sua vez, respectivamente à escala do lugar, do território e do global. Entrelaçam-se, assim, em sua
abordagem [de Lefebvre] os três momentos da reprodução social, muitas vezes abordados de modo
fragmentado por outros autores – permitindo que a ordem próxima e a ordem distante emerjam
simultaneamente.

Acreditamos que não seja possível definir os tais três momentos, pois de fato ocorrem simultaneamente.
Naquilo que Limonad e Lima (2003) identificam como lugar, por exemplo, encontramos diversas
territorialidades, configurando-se em um jogo de forças em que é possível identificar o percebido, o
concebido e o vivido. No intuito de esclarecer um pouco mais nossa argumentação, procuramos caminhar em
direção da noção de espaço social.

Seria seguro afirmar que o espaço contém as relações sociais, mas, além disso, segundo Lefébvre (1994, p.
41), contém também certas representações dessas relações sociais de (re)produção. Estaria o autor
enaltecendo o fato de tais relações poderem ser públicas, ou seja, declaradas ou, por outro lado, ocultas,
clandestinas, reprimidas e, por isso, capazes de conduzir a transgressões. Posto dessa forma, é possível
compreender o motivo pelo qual Lefèbvre (1994) afirma que as representações do espaço têm considerável
peso e influência na produção do espaço, principalmente levando em conta corresponderem a um sistema de
signos, símbolos e códigos de representação dominantes em uma sociedade e que estão relacionados ao
exercício do poder e à conformação do espaço abstrato.

Trataremos, agora, de enunciar nosso objeto: as possibilidades de mudanças na apropriação do espaço


através da transformação dos ativismos em movimentos sociais de caráter mais amplo.Ao pensarmos nosso
objeto, dirigimo-nos para a relação entre espaço abstrato e espaço social como forma de elucidação das
transformações da metrópole carioca. Estamos entendendo espaço abstrato, como a exteriorização de práticas
econômicas e políticas que se originam com a classe capitalista e com o Estado. É fragmentado, homogêneo
e hierárquico. No que concerne ao espaço social[1], trata-se do espaço dos valores-de-uso produzidos pela
complexa interação de todas as classes no cotidiano. Nesse sentido, podemos afirmar que é a tensão entre
valor-de-uso e valor-de-troca que produz o espaço social de usos, produzindo também, simultaneamente, um
espaço abstrato de expropriação. Ou seja, “o espaço social incorpora as ações sociais, as ações dos sujeitos
tanto individuais como coletivos...” (Lefébvre, 1994, p. 33). Objetivamos enfocar apenas ligeiramente como
os agentes[2] que produzem o espaço urbano da cidade do Rio de Janeiro o fazem a partir de deslocações,
desativações e redistribuições de firmas e residências no interior da cidade, quase sempre desconsiderando os
anseios dos cidadãos envolvidos. Contudo, tais processos encontram-se ligados à atuação dos agentes a partir
de relações construídas em escalas local-local e local-global[3].

O que estamos tentando deixar claro é que vivenciamos um conflito entre interesses engendrados em torno
do espaço social – local dos valores sociais de uso e do desdobramento de relações sociais no espaço – e em
torno do espaço abstrato – enquanto espaço de desenvolvimento imobiliário e administração governamental,
por exemplo. A tensão entre espaço abstrato e espaço social tem produzido efeitos de fragmentação, criando
guetos hierarquizados representando com sua espacialidade a hierarquia econômica e social, setores
dominantes e subordinados. Nesse sentido, concordando com Gottdiener (1997, p. 131), a hegemonia da

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classe capitalista é renovada através da segregação espacial e através dos efeitos da força normatizadora da
intervenção estatal no espaço.

O espaço além de ser um produto social, e como tal, criado para ser usado, para ser consumido, é também
um meio de produção; e como meio de produção não pode ser separado das forças produtivas ou da divisão
social do trabalho que lhe dá forma, ou do Estado e das superestruturas da sociedade. Contudo, Lefébvre
(1979, p. 52) avança ao afirmar que mais que isso, o espaço deve ser considerado como uma das forças
produtivas. O domínio do espaço confere uma posição na estrutura econômica, por isso afirma que "mesmo
quando uma parte do espaço não tem conteúdo, seu controle pode gerar poder econômico, porque pode ser
preenchido com algo produtivo, ou porque pode precisar ser atravessado por produtores".

Assim, afirmar que o espaço é uma força produtiva implica dizer que é parte essencial do processo.

O capitalismo, como modo de produção, sobreviveu pela utilização do espaço como reforçador das relações
sociais necessárias a essa sobrevivência. Harvey (2003; 2002; 2000; 1981), influenciado por Lefébvre
(1994), afirma que o capitalismo conseguiu escapar das crises de sobreacumulação através da produção do
espaço. Obviamente não se referia apenas a “novos espaços”, já que a refuncionalização também tem que ser
considerada. E a produção do espaço se realiza também nessa relação dialética entre valor-de-uso e valor-de-
troca. Ou seja, caminhamos para além da percepção de, apenas, espaço de consumo para a de consumo do
espaço (Carlos, 2005; 2001; 1999; 1994); dito de outra maneira, além de considerarmos apenas o espaço de
consumo, devemos considerar também o próprio espaço como objeto de consumo.

Entre a apropriação e a dominação do espaço

Ao analisar o espaço urbano devemos considerá-lo como produto, condição e meio do processo de
reprodução das relações sociais. Portanto, conforme Carlos (1994, p. 24), "se de um lado o espaço é condição
tanto da reprodução do capital quanto da vida humana, de outro ele é produto e nesse sentido trabalho
materializado. Ao produzir suas condições de vida, a partir das relações capital-trabalho, a sociedade como
um todo, produz o espaço e com ele um modo de vida, de pensar, de sentir".

Sendo assim, a produção espacial mostra-se desigual, posto que o espaço urbano encontra-se associado à
produção social capitalista que se (re)produz desigualmente. O Rio de Janeiro é um exemplo claro dessa
reprodução desigual, pois temos condomínios de luxo em contraposição às favelas e às periferias, que
contam com infra-estrutura urbana bastante inferior em relação aos bairros nobres da cidade.

É levando esse debate em conta que perceberemos o espaço, também, como a história de como os homens,
ao produzirem sua existência, o fazem como espaço da produção, da circulação, da troca, do consumo, da
vida (Carlos, 1999, p. 64, 1994, p. 36). Logo, convém-nos admitir que cada vez mais o espaço urbano, a
partir da subordinação acelerada da apropriação e das maneiras de uso ao mercado, é destinado à troca.
Percebemos, então, o predomínio do valor de troca sobre o valor de uso, contudo, não podemos deixar de
afirmar que valor de uso e valor de troca ganham significado através da relação entre si. Lefébvre (1983)
enfatiza tal afirmação ao indicar que um só e mesmo objeto apresenta dois aspectos, onde um exclui o outro
e, não obstante, um implica o outro. Na qualidade de valor de uso, deseja-se, prefere-se, utiliza-se e
consome-se o objeto. Na qualidade de valor de troca, o artigo é desejado apenas pelo dinheiro nele
virtualmente contido. Essa certeza leva Carlos (2001, p. 38) a afirmar que "o comprador de um terreno ou de
uma casa na cidade continua comprando um valor de uso; apesar de a casa ser mercantilizada, o valor de uso
e o valor de troca se encontram em uma relação dialética em que nenhum dos pólos desaparece".

Pormenorizando, Marx (1996, p. 44) enaltece o fato de que cada mercadoria tem duplo aspecto de expressão
na sociedade capitalista, ou seja, valor de uso e valor de troca. Assim sendo, um valor de uso tem valor
somente em uso, realizando-se no processo de consumo e serve diretamente como meio de existência.
Quando Marx volta-se para o valor de troca, afirma que, inicialmente, aparece como a proporção pela qual
valores de uso são trocados por outros. Contudo, acredita que a criação de valor de troca encontra-se no
próprio processo social de aplicação de trabalho socialmente necessário para gerar mercadorias utilizadas
pelo ser humano. Enaltece, então, que a mercadoria é um valor de uso, mas como mercadoria, ela em si
simultaneamente não é valor de uso; ou seja, não seria mercadoria se fosse valor de uso para aquele que a
possuísse. Isto é, para quem a possui é “não valor de uso”, porém a mercadoria tem que se tornar valor de
uso para os outros. Posto isso, é possível concluir com Marx (1996, p. 48) que " para tornarem-se
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mercadorias com valores de uso elas devem ser inteiramente alienadas; devem entrar no processo de troca; a
troca, contudo, é relacionada meramente com seu aspecto, como valores de troca. Daqui que, somente se
realizando como valores de troca podem elas realizar-se como valores de uso".

Dessa forma, segundo Harvey (1980, p. 133), Marx coloca “o valor de uso e o valor de troca em relação
dialética entre si através da forma que eles assumem na mercadoria”. Nesse sentido, percebemos
simultaneamente aproximação e afastamento, já que em qualquer sociedade fundada na troca, o produtor
encontra-se isolado e, no entanto, ligado aos outros por intermédio do mercado(Lefébvre, 1983).

É justamente a sobredeterminação do valor de uso em relação ao valor de troca, no que concerne à cidade
(vista cada vez mais claramente como mercadoria), que torna ainda mais evidente este momento em que o
capitalismo tem sobrevivido a suas crises de sobreacumulação através da produção do espaço. Por isso, uma
série de transformações são impostas à cidade, submetendo-a a uma funcionalização que sirva à reprodução
do capital. Nesse sentido, o citadino encontra-se cada vez mais vivenciando um espaço de dominação.
Dominação que, em geral, acaba não sendo percebida enquanto tal, passando a ser vista como algo natural.
Esse obscurecimento é que dá sustentação ao não questionamento da propriedade privada; aliás a produção
capitalista não pode permitir a destruição da instituição da propriedade privada, pois sua própria existência
está fundamentada na propriedade privada dos meios de produção.

A apropriação da cidade pelo cidadão está ligada ao valor de uso e àquilo que Lefébvre (1991) denominou
“ordem próxima”; a dominação encontra-se ligada ao valor de troca e, também, à “ordem distante”. É na
ordem próxima – e através dela – que a ordem distante persuade e completa seu poder coator. Nesse sentido,
argumenta Lefébvre (1991, p. 46) que "a cidade é uma mediação entre as mediações. Contendo a ordem
próxima, ela a mantém; sustenta relações de produção e de propriedade; é o local de sua reprodução. Contida
na ordem distante, ela se sustenta; encarna-a; projeta-a sobre um terreno (o lugar)[4] e sobre um plano, o
plano da vida imediata”.

É exatamente a partir dessa tensão entre ordem próxima e ordem distante que ganham importância os
movimentos sociais.

Entre ativismos e movimentos sociais: ações para transformação do espaço?

O Congresso Nacional, após muitas negociações e adiamentos, aprovou o Estatuto da Cidade, lei que
regulamenta o capítulo de política urbana (em seus míseros dois capítulos) da Constituição Federal de 1988.
Consta nas diretrizes do Estatuto que os planos diretores devem contar com a participação da população e de
associações representativas dos vários segmentos econômicos.

Em um momento em que boa parte dos pesquisadores (principalmente os ligados às ciências sociais) aplaude
a aprovação do Estatuto da Cidade no Brasil, importa fazermos algumas observações. Raquel Rolnik, ao
pronunciar-se sobre a importância do Estatuto, afirmou que boa parte dos instrumentos – sobretudo os
urbanísticos – depende dos Planos Diretores e outros de legislação municipal específica que aplique o
dispositivo na cidade; afirmou ainda que os cidadãos têm o direito e o dever de exigir que seus governantes
encarem o desafio de intervir concretamente sobre o território, na perspectiva de construir cidades mais
justas e belas. A esperança de transformação, para Rolnik, estava baseada na implementação do Estatuto da
Cidade que, por sua vez, baseia-se no preceito da garantia da função social da propriedade.

Importa refletirmos até que ponto o “direito e o dever” do cidadão não estaria correndo o risco de ser,
utilizando a expressão cunhada por Souza (2006, p. 282), “domesticado”; ou seja, até que ponto o discurso
em defesa dos orçamentos participativos, a participação no âmbito de institucionalidades como conselhos
gestores não acabaria por “desarmar” os ativismos? Anteriormente, Souza (2005, p. 288) já se mostrava
preocupado com o descolamento dos objetivos originais que o dito planejamento alternativo poderia causar
às mobilizações. Contudo, muito antes da aprovação do Estatuto da Cidade, RIBEIRO (1990, p. 14)
levantava a importância de percebermos a reforma urbana para muito além dos planos diretores; visão
premonitora, já que presenciamos uma homogeneização dos planos diretores, indicando a sua própria
mercadificação. Afirma Souza (2005), ainda, que algumas lideranças de movimentos populares em crise
estavam "querendo compensar a desmobilização da base social com avanços no plano técnico e político-
burocrático: qualificação de lideranças associativas para discutir políticas públicas, crença nos poderes
redentores de um plano diretor progressista".

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Em tempos de ativismos isolados[5], que procuram reinvindicar questões extremamente particulares sem
nenhum outro desdobramento, temos por exemplo o sindicalismo de resultados e as associações de
moradores extremamente paroquiais e, muitas vezes, refens do clientelismo. Ao analisarmos a atuação dos
agentes que (re)produzem o espaço urbano do Rio de Janeiro, é possível perceber que os usuários
proprietários de moradia estão relacionados com os valores de uso da casa, mas não devemos esquecer que o
valor de troca está colocado quando nela realizamos modificações com a intenção de valorizá-la ou, ainda,
quando ocorrem manifestações dos moradores contra o tombamento de imóveis em bairros nobres da cidade
(Leblon, Ipanema, Jardim Botânico, por exemplo), que acabam por desvalorizar o patrimônio daqueles que
tiveram seus imóveis tombados; ao mesmo tempo, os proprietários vizinhos tiveram seus imóveis
valorizados. Mais uma vez temos aqui um exemplo de ativismo ligado a um particularismo.Estamos falando
da incapacidade de passar da luta de bairro para a luta a partir do bairro; ou, por exemplo, de uma luta de um
sindicato que não tem como referência uma crítica social mais ampla. Aliás, ainda hoje há aqueles que
acreditam que a “revolução” se fará através do proletariado; ora a classe trabalhadora não luta porque existe,
ao contrário, ela existe porque luta e, nesse sentido luta justamente para negar-se enquanto classe explorada.
Importa pensar em novas formas de associação entre os vários ativismos na busca de uma transformação
mais abrangente. Nesse sentido estamos nos remetendo àquilo que HARVEY (1996; 2000) apresentou como
o “embate” entre particularismos militantes e lutas de ambição global.

Portanto, é preciso escapar das armadilhas que propostas, inicialmente vistas como grande avanço, podem
representar. A associação capital-Estado usa o espaço de forma a assegurar o controle dos lugares através da
homogeneização do todo e a segregação das partes. Assim, a “organização espacial” representa a hierarquia
do poder. Acreditamos, iluminados por Lefebvre (1955, 1976, 1979, 1981, 1991, 1994, 1999), que o conceito
de espaço social sintetizaria o natural, ou seja, o quadro físico, mas também o mental (as representações do
espaço e os espaços de representação) e o social com sua prática espacial. Seria correto afirmar que as
representações do espaço tratar-se-iam de abstrações, mas, simultaneamente, tomam parte nas práticas
sociais ao estabelecer relações entre formas e pessoas através da lógica capitalista de produção do espaço.
Aqui, a incorporação dessa lógica, pelas práticas espaciais, ao cotidiano, à realidade urbana, dentro do
espaço percebido, faz com que vivenciemos um espaço de sobredeterminação do valor de troca em relação a
valor de uso. Por isso, é possível compreendermos porque Seabra (1995) acredita que "compreender a
problemática do espaço implica compreendê-lo criticamente. Isto implica em relacionar o vivido, o percebido e o
concebido. Uma crítica do espaço deveria modificar muito o espaço de representação dos habitantes, poderia fazer
parte integrante da prática social. Mas como não existe tal crítica, o usador do espaço, o habitante ou morador tende a
fazer abstração de sua própria prática com e no espaço. Vive e convive com a fetichização do espaço".

Contudo há de ficar claro que o espaço é a forma socialmente construída; no vivido, extremamente ligado às funções e
estruturas, estão as formas[6]. Assim, se as práticas espaciais forem concebidas pelos moradores do lugar, são postos
abaixo os fetiches, pois o espaço carrega em si a dominação por meio das formas. Isto exige que a luta tome outra
dimensão, porque o ato de habitar não se restrige ao espaço privado; envolve, como argumenta Carlos (2005), uma
relação com os espaços públicos, como lugares do encontro, reunião, reivindicação e sociabilidade. Estamos fazendo
menção, exatamente, à tensão entre apropriação e dominação, pois a propriedade privada é fundante da segregação ao
determinar as possibilidades de uso dos lugares da cidade. Assim, corroboramos com Carlos (2005) ao afirmarmos que
a cidade revela os conflitos da produção do espaço.

Retomando o debate acerca do Estatuto da Cidade, convém afirmar que mesmo tendo na proposta (e na
aposta) da participação popular sua força, mantém-se preso às racionalidades técnicas e às associações entre
o Estado e os proprietários e investidores, já que o “direito à cidade” aparece – como bem argumenta Carlos
(2005) – através da realização da função social da propriedade e não na sua negação como fundamento da
segregação na cidade.

Além disso, até mesmo um exemplo enaltecido por todos como o orçamento participativo (em Porto Alegre),
que tem dinamizado a sociedade civil, de alguma forma contribui simultaneamente para a manter presa a
uma agenda que é determinada pelo Estado; e isso é grave, pois faz a sociedade acreditar que as
determinações tem partido dela, quando de fato não tem.

Talvez o mais importante caminho – para buscar a transformação, o verdadeiro direito à cidade e a justiça
social – tenha de ser percorrido guardando múltiplas escalas espaciais e temporais de ação. No que tange às
escalas espaciais, é preciso “costurar” os particularismos militantes, ativismos sem pretenções mais amplas
(mas de grande importância para aqueles que àquilo reivindicam) com ações de âmbito global; ou seja, que
levem em conta não apenas os problemas conjunturais, mas também os problemas ligados à estrutura.
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Embora os movimentos sociais tenham seu nascedouro a partir de problemas que acontecem no lugar, é
necessário buscar as conexões com escalas espaciais mais amplas, em um movimento do lugar ao mundial e
de volta ao lugar. Esse movimento obriga-nos a, também, pensarmos em escalas temporais de ação
diferenciadas; ou seja, estaremos trabalhando com ações de curto e longo prazo. Souza (2005, p. 330),
remetendo-se a Certeau, fala-nos em utilização de táticas e estatégias, em que as táticas estariam ligadas ao
curto prazo, ao cotidiano e aos oprimidos, ao passo que as estratégias estariam ligadas ao longo prazo, ao
âmbito global e àqueles que exercem o controle e a dominação.

Acreditamos que táticas e estratégias devem ser usadas simultaneamente por aqueles que buscam a
“verdadeira revolução”, a justiça social. É necessário que passemos a pensar simultaneamente, e de forma
interligada, em ações de curto prazo (táticas) e de longo prazo (estratégias).

Temos, desde há muito – lá se vão dez anos – falado da importância de resgatar a utopia. O que importa na
utopia é justamente o que não é utópico, é o processo de sua busca. Esta mesma certeza levou Souza (2005,
p. 331) a resgatá-la, afirmando ser a utopia “aquilo que ainda não existe em lugar algum, mas que pode vir a
existir. (...) Sem um horizonte radical-utópico, sem fantasia emancipatória, as melhorias possíveis ‘aqui e
agora’ não passam de uma reprodução do presente, em vez de serem uma ajuda para construção do novo”.

É verdade que, muitas vezes, por mais que nos empenhemos nunca teremos absoluta certeza a que resultado
chegaremos, e isso acaba sendo um enorme fator de imobilização. Resgatando Harvey (2000, p. 254), a fuga
da incerteza acaba fazendo com freqüência que demos preferência aos males conhecidos em vez de
buscarmos refúgio noutros males ignorados. Ora, é preciso resgatar o pensamento utópico para transformar,
afinal, aquilo a que Marx deu o nome de ‘o movimento real’ que vai abolir ‘o estado de coisas atual’ está
sempre por ser feito e por ser apropriado.

A solução não está no curto prazo – e nele é mesmo inalcançável – mas começa nele. É preciso compreender
que nós não veremos a “revolução”, mas que isso não é motivo para não iniciá-la. Além do mais,
parafraseando Marx, afirmou Lefébvre (1991, p. 145) que "a humanidade só levanta problemas que ela
mesma pode resolver, escreveu Marx. Atualmente, alguns acreditam que os homens só levantam problemas
insolúveis. Esses desmentem a razão. Todavia, talvez existam problemas fáceis de serem resolvidos, cuja
solução está aí bem perto, e as pessoas não levantam".

Nossa concordância não poderia ser maior.

Notas

[1] Estamos trabalhando, atualmente, em um artigo que procura desenvolver com mais profundidade a noção de espaço social a
partir da tríade espacial de Henri Lefebvre – práticas espaciais, representações espaciais e espaços de representação (com as
relações entre percebido, concebido e vivido) – associada às noções de espaço abstrato e espaço relacional, em que, de certa forma,
procuramos desmistificar o tal erro de interpretação que alguns pesquisadores inferem a Harvey (1994, 1987) quando de sua leitura
da obra de Lefébvre (1994).

[2] Ampla discussão acerca dos agentes que produzem o espaço foi travada na Geografia e nas Ciências sociais de forma geral,
dando origem a um grande número de publicações; dentre elas importa mencionar Capel (1974), Harvey (1980; 1982) e Corrêa
(1995).

[3] Em Santos (1996) é possível apreciar importante debate acerca dessa relação a partir daquele que esse autor denominou “A
força do lugar”.

[4] Grifo nosso.

[5] No que tange ao debate acerca dos ativismos, Souza (2006) proporciona-nos aprofundamento importante da temática.
Apresenta uma “tipificação” entre ativismos (em sentido fraco e em sentido forte) e movimentos sociais (em sentido fraco e em
sentido forte).

[6] Em uma proposta como essa – de um artigo curto – não aprofundamos a discussão acerca das categorias forma, função e
estrutura, contudo vale indicar a leitura de Lefébvre (1971), Santos (1985) e Ferreira (2003).

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24/12/2017 A produção do espaço: entre dominação e apropriação. Um olhar sobre os movimentos sociais

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Endereços eletrônicos
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© Copyright Alvaro Ferreira, 2007


© Copyright Scripta Nova , 2007

Ficha bibliográfica:
FERREIRA, Alvaro. A produção do espaço: entre dominação e apropiação. Um olhar sobre os movimentos sociais. Scripta Nova.
Revista Electrónica de Geografía y Ciencias Sociales. Barcelona: Universidad de Barcelona, 1 de agosto de 2007, vol. XI, núm.
245 (15). <http://www.ub.es/geocrit/sn/sn-24515.htm> [ISSN: 1138-9788]

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