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UTILIZANDO A

PROPORÇÃO ÁUREA
NA CONSTRUÇÃO
DOS SORRISOS
Weider Silva
Pollyanna Santana
Gil Montenegro
Tarcisio Pinto

INTRODUÇÃO
A valorização social que se dá à beleza não é um fenômeno exclusivo dos tempos
moder­nos. A percepção já era vivenciada nas formas primitivas da evolução humana.1,2 Não
é possível definir o belo de forma taxativa. A mitologia grega tratava desse assunto como
algo sublime e sobrenatural, advindo de uma dádiva divina distribuída pela deusa da beleza,
Afrodite, tanto aos humanos quanto à natureza.3

O conceito de beleza não é imutável e pode variar de acordo com a época, a locali-
dade, a cultura e o grupo social em que o indivíduo vive.4 Ainda assim, a busca por
essa virtude é uma máxima no cotidiano humano.

O retorno da impressão que as pessoas têm de alguém, principalmente durante a infância e a


adolescência, afeta a própria percepção que a pessoa tem de si mesma, causando alterações
psicossociais positivas e/ou negativas, que podem acompanhá-la pelo resto de sua vida.5

O sorriso é um importante atributo de beleza e forma de expressão, pois um sorriso harmo-


nioso valoriza a beleza e o desenvolvimento da autoestima. Além de trazer consigo um sinal
de saúde e zelo, o rosto expressa muitos sentimentos e emoções do ser humano, sendo o
sorriso o mais cheio de informações.4,6,7

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OBJETIVOS
Ao final da leitura deste artigo, o leitor poderá:
§ utilizar a proporção áurea para detectar o que pode estar esteticamente imperfeito
na relação proporcional do segmento anterior;
§ auxiliar durante as fases de planejamento, restauração, acabamento e apreciação
visual do resultado final;
§ reconhecer os princípios áureos nas reabilitações orais, por meio de restaurações
adesivas diretas e/ou indiretas, para correção de dentes com alterações de cor, forma
ou posição e modificar um sorriso em poucas sessões clínicas.

ESQUEMA CONCEITUAL
Origens históricas

A beleza matematicamente explicada

Retângulo áureo em Odontologia

Fundamentos da proporção áurea

Proporção áurea aplicada à Odontologia estética

Determinação do seguimento dentário e corredor


bucal por Mondelli
Grades em proporção áurea
Método sugerido por Mondelli

Caso clínico 1
Casos clínicos
Caso clínico 2

Conclusão

10 UTILIZANDO A PROPORÇÃO ÁUREA NA CONSTRUÇÃO DOS SORRISOS


ORIGENS HISTÓRICAS
Os filósofos e estudiosos gregos como Aristóteles buscavam explicar as proporções que
causavam a percepção de beleza na natureza. Pitágoras, ao observar que certas pro-
porções ligadas a padrões harmônicos poderiam ser matematicamente descritas, baseou-se
nos estudos de Euclides, que denominou essa teoria de média e extrema razão, na qual,
ao se dividir uma reta de maneira assimétrica em duas porções desiguais, mantém-se uma
proporção tal que o segmento maior está para o menor, assim como a soma de ambos está
para o maior.

A proporcionalidade descrita é expressa pelo número 1,618, conhecida como proporção


áurea ou divina.1-4 Ela representa a porção mais agradável entre duas medidas, e foi defini-
do que deveria ser identificada pela letra grega phi (φ).6,8 A proporção áurea também é
utilizada nas formas de reabilitações orais pela Odontologia estética.

Para saber mais:


A introdução de trabalhos utilizando a proporção divina na Odontologia estética foi
citada inicialmente por Lombardi, em 1973, logo depois, Levin, em 1978, sugeriu o
método unilateral.2,3,7,9-11 Mondelli, em 2003, apresentou sua metodologia bilateral
para relatar a largura do sorriso e a proporção que há nos dentes anteriores, visuali-
zando o arco do corredor bucal frontalmente.7,12-14

A implantação da teoria da proporção áurea na Odontologia obteve-se pelo anseio de que


houvesse um instrumento teórico em comum que auxiliasse no reconhecimento e na ava­
liação prática dos requisitos morfológicos que interferem e influenciam na estética dentária
e facial, de forma qualitativa e padronizada, dentro dos limites de cada especialidade.2,7,9

A BELEZA MATEMATICAMENTE EXPLICADA


A ideologia de beleza acompanha a percepção humana desde os primeiros registros de
sua existência. Os homens da Idade da Pedra já tinham um apurado senso estético, que ex-
pressavam por meio de pinturas nas cavernas pré-históricas. Já os gregos antigos tratavam
a beleza como sobrenatural, uma confirmação da existência e da presença divina na Terra.3
Com a evolução da história, durante a Idade Média, os religiosos católicos tratavam a beleza
de uma forma ambígua, pois eles a evitavam por acreditarem se tratar de um caminho que
conduzia à tentação demoníaca e à vaidade carnal.7 Ao mesmo tempo, reverenciavam-na
como sinal da perfeição de Deus.13,14

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Os matemáticos gregos passaram, então, a observar partes, elementos, formas, estruturas
ou conjuntos organizados em proporção áurea, objetivando o desenvolvimento de estudos
que desvendassem numericamente os elementos naturais coexistentes encontrados naquilo
que, por si só, causava a sensação de beleza. Essa relação proporcional constitui uma lei
natural de crescimento para os reinos animal e vegetal. Assim, tudo que cresce no Uni-
verso, à exceção do mundo mineral, cresce segundo a secção áurea (Figuras 1A-C).

A B C

Figura 1 – Exemplos de proporção áurea na natureza demostrado nas asas da borboleta (A); no crescimento
do natillus (B) em espiral logarítmica, conforme a concha cresce, o tamanho das câmaras aumenta, mas seu
formato permanece inalterado; girassol (C), no qual se pode notar o cruzamento das espirais logarítmicas.
Fonte: Carvalho (2014).15

Os arquitetos antigos utilizavam da matemática e da ideia de proporcionalidade em suas


criações, a exemplo disso, pode-se citar a perfeição que há em monumentos gregos e nas
pirâmides egípcias que, mesmo estando em ruínas atualmente, mantêm notáveis conheci-
mentos sobre proporcionalidade em suas formas (Figuras 2A e B).

A B

Figura 2 – A) As colunas do Partenon não são idênticas, porém mantêm uma relação constante entre si,
formando o retângulo áureo. B) A pirâmide de Quéops é exemplo de aplicação da proporção áurea na ar-
quitetura egípcia.
Fonte: Steiner (2012).16

12 UTILIZANDO A PROPORÇÃO ÁUREA NA CONSTRUÇÃO DOS SORRISOS


Graças à sua multidisciplinaridade, a secção áurea também se tornou instrumento relevante
a vários artistas plásticos que retratavam em suas obras os conhecimentos que possuíam a
respeito dessa proporção significativa, na qual a beleza simétrica se alicerça (Figuras 3A e B).

Figura 3 – A) Monalisa, a mais


célebre pintura de Leonardo da
Vinci, respeita as proporções
morfológicas. B) O Homem Vitru-
viano foi criado por Da Vinci para
ilustrar as proporções do corpo
humano.
A B Fonte: Steiner (2012).16

Evidências da real existência dos números de ouro no ciclo de desenvolvimento da


natureza são tamanhas que os próprios seres humanos carregam essa proporção
em seu ácido desoxirribonucleico (DNA), desde a sua formação dentro do ventre
materno, inerentemente à sua espécie.

Existem proporções entre os dedos e as mãos porque as falanges de cada dedo estão
relacionadas em uma proporção perfeita (Figura 4).

Figura 4 – Relações proporcionais perfeitas manifestas no corpo huma-


no – medida áurea sobre as falanges.
Fonte: Duprat (2014).17

A altura total do corpo é relacionada ao rebordo do ílio e, inversamente, desde a ponta dos
dedos até o chão. O umbigo, ao nascer, divide o corpo humano em duas partes iguais, e à
medida que o ser cresce, a tendência para a seção áurea vai se manifestando. No adulto, o
umbigo está localizado em uma proporção de 5 para 8 em relação à altura total e marca um
ponto áureo no comprimento do corpo.

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Na cabeça, observa-se como a linha dos olhos marca uma divisão áurea no comprimento
total da face e também a linha da boca é uma proporção áurea da distância entre a base
do nariz e a extremidade do queixo, comprovando que um corpo esteticamente harmo­
nioso traz relações áureas18 (Figura 5).

Figura 5 – Relações proporcionais perfeitas manifestas no corpo huma-


no – compasso sobreposto aos olhos indicando que a largura da arcada
do nariz está dentro da proporção áurea, em relação ao branco dos
olhos. Essa medida entre a arcada do nariz e os olhos equivale à medida
da largura do sorriso.
Fonte: Canha (2008).19

A percepção da beleza como uma expressão corporal pode variar de um indivíduo para
outro, de uma civilização para outra e de um grupo étnico para outro.8 As proporções
julgadas bonitas mudam de acordo com a época, porém algumas se tornam doutrinas
ou padrões de beleza, como é o caso da divina proporção.7

Dentre as teorias criadas com o intuito de explicar o belo e suas ramificações, a proporção
áurea desenvolvida por Pitágoras é um guia numérico prático que está em consonância
com o desenvolvimento progressivo natural que norteia o Universo, podendo ser aplicada
em diversas áreas de conhecimento, como na Arquitetura, na Arte, na Biologia, na Medicina
e na Odontologia estética.20

RETÂNGULO ÁUREO EM ODONTOLOGIA


O Dr. Stephen Marquardt, cirurgião oral muito conceituado na Califórnia, descobriu “que
a altura do incisivo central está dentro da proporção áurea em relação à largura dos dois
incisivos centrais”.21 Tal revelação ofereceu soluções para uma série de problemas estéticos
na Odontologia.

Conhecendo a largura, pode-se determinar a altura. Do mesmo modo, tendo a


altura, pode-se calcular a largura. Quando se tem a largura ideal, não se deve me-
nosprezá-la visando fechar os espaços.

Os blocos da proporção áurea podem demostrar a relação entre 6 ou 8 dentes do seg-


mento estético anterior, dependendo da largura do sorriso e do corredor bucal. Esses blocos
são complementares ao compasso da proporção áurea. A combinação de ambos oferece

14 UTILIZANDO A PROPORÇÃO ÁUREA NA CONSTRUÇÃO DOS SORRISOS


uma ferramenta poderosa para a determinação de uma boa estética. Se ambos os métodos
fornecerem a mesma indicação, poderá o resultado ser altamente satisfatório. Em qualquer
planejamento de tratamento em que a largura dos incisivos necessite de ajuste, os dois
métodos devem ser usados para decidir qual é a melhor forma de preencher os espaços.

Se a largura do sorriso for satisfatória, pode haver um problema apenas com a


altura de um incisivo. Se ele é muito longo, uma pequena incisão semilunar na
altura do osso da crista permitirá rebaixar a margem gengival. A melhora estética
é espetacular. Caso o sorriso fosse curto, poderia ser realizada uma gengivectomia
para alinhar a gengiva de acordo com o retângulo de proporção áurea (ver Figuras
1A-C a Figura 5). Em contrapartida, quando os incisivos centrais são curtos com a
gengiva na posição correta, faz-se necessário o aumento incisal.

Para se ter certeza do correto diagnóstico, é necessário obter mais informações para um
planejamento preciso da posição correta do bordo incisal, por meio dos seguintes assis­
tentes de diagnóstico:
§ a posição fonética “S”;
§ a desoclusão incisal;
§ o compasso da seção áurea mostrará o nível da posição ideal do incisal entre a parte
inferior do queixo e o osso nasal;
§ a ameia entre os lábios em descanso geralmente coincide com a posição do incisal;
§ os bordos incisais superiores normalmente descansam sobre o lábio inferior;
§ os incisivos centrais são normalmente um pouco mais longos do que os incisivos
laterais.

Para auxiliar a prática desses princípios, apresentam-se as Figuras 6A-E.

A B C D E

Figura 6 – A) Altura desigual das margens gengivais. O retângulo da proporção áurea evidencia que a mar-
gem gengival deve ser movimentada em direção à incisal. B) Os dois incisivos centrais no retângulo de pro-
porção áurea, e, simultaneamente, no bloco auxiliar. C) Como se deve preencher os espaços entre os dentes?
O bloco e o retângulo dão a resposta. D) Altura desigual das margens gengivais. O retângulo da proporção
áurea mostra que, neste caso, a melhor abordagem deve ser a gengivectomia. E) O retângulo mostra que os
dentes são curtos. Os blocos mostram que todas as larguras estão em posições corretas.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

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ATIVIDADE

1. Quem introduziu a proporção áurea na Odontologia estética em 1973?


A) Mondelli.
B) Levin.
C) Lombard.
D) Leonardo da Vinci.
Resposta no final do artigo

2. Qual fator impulsionou a implantação da proporção áurea na Odontologia?


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Resposta no final do artigo

3. Qual letra grega representa o número da proporção áurea?


A) a.
B) b.
C) Ω.
D) φ.
Resposta no final do artigo

4. Assinale a alternativa INCORRETA sobre a proporção áurea.


A) A secção áurea permite a execução de tratamentos rápidos e previsíveis.
B) A proporção áurea é considerada absoluta para alcançar um belo sorriso.
C) A proporção áurea é um exemplo de harmonia na qual as forças coesivas e segre-
gativas estão igualmente integradas.
D) A proporção áurea é descrita como a proporção entre o maior e o menor compri-
mento.
Resposta no final do artigo

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5. Com relação à proporção áurea, marque V (verdadeiro) ou F (falso).
( ) Os religiosos católicos sempre viram na beleza um sinal da perfeição de Deus.
( ) Um exemplo de proporção áurea é o crescimento do natillus em espiral logarítmica:
conforme a concha cresce, o tamanho das câmaras aumenta, alterando seu for-
mato.
( ) Monumentos gregos, como o Partenon, e as pirâmides egípcias de Quéops são
exemplos de perfeição.
Qual a sequência correta?
A) V – F – V.
B) F – V – F.
C) V – V – F.
D) F – F – V.
Resposta no final do artigo

6. Quais são os principais problemas estéticos em que o retângulo áureo pode ser útil?
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Resposta no final do artigo

FUNDAMENTOS DA PROPORÇÃO ÁUREA

Embora o conceito de proporção áurea seja simples e de fácil compreensão, os


esforços para sua aplicação se mostram complexos e difíceis de serem explicados.

A teoria da proporção áurea foi desenvolvida por Pitágoras em 500 a.C., utilizando os
elementos matemáticos já antes aplicados com compasso e régua de Euclides em 300 a.C.,
chamados de “divisão de uma linha em extrema e média razão”. Por se tratar da razão
entre duas medidas, sendo uma maior e a outra menor, foi por meio desse estudo que se
descobriu o número áureo.7

Para encontrar a proporção áurea, é necessário dividir o comprimento de qualquer seg-


mento de reta pelo número 1,618 ou multiplicar pelo número 0,618. O padrão básico da
proporção áurea pode ser ilustrado conforme a Figura 7. Deve-se traçar uma linha e dividi-

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la de modo que a razão do seguimento maior (b) em relação à linha inteira (a) seja igual
à razão do segmento menor (c) em relação ao seguimento maior (b). Resultando em (a)
161,8% de (b) e (b) 161,8% de (c).

Figura 7 – Ilustração de um segmento dividido por


um ponto áureo.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

PROPORÇÃO ÁUREA APLICADA À ODONTOLOGIA


ESTÉTICA

Conhecer os cálculos e as propriedades que envolvem a proporção áurea é essencial


para embasar sua técnica e aplicação em casos clínicos nos quais a estética deva ser
efetivamente considerada. Os tratamentos estéticos, de forma geral, requerem um
cuidadoso manejo desses fatores, levando a resultados que realcem a autoestima do
indivíduo e reforcem as suas características individuais e positivas no ambiente social,
cultural e profissional em que estão inseridos.

Os conceitos de beleza vão além do que se considera somente como algo que é agradável
ou que impressiona os sentidos. Na verdade, quando se conceitua algo como sendo belo,
uma série de outros fatores devem ser considerados, como: os fatores psicológicos, sociais,
culturais, étnicos, etários, bem como os aspectos individuais.12 Na Odontologia estética, três
elementos de composição são requeridos simultaneamente para obter unidade estética
ideal em um sorriso:1-14,18,20,22
§ a simetria por meio da linha média;
§ a dominância anterior ou central;
§ a proporção regressiva criada pela curvatura dentoalveolar do arco dentário.

A simetria ocorre quando se encontra correspondência de forma, cor, textura e posicio-


namento entre os elementos dentários dos hemiarcos superiores. Pequenas variações são
aceitáveis e podem até mesmo contribuir com a composição dentofacial.7 A dominância
refere-se ao fato de que os incisivos centrais devem ser os dentes dominantes e mais obser-
vados. A curvatura do arco dentário mostra cada vez menos os dentes na direção distal.
Quanto menos um dente é visível, menos importância tem no sorriso.

18 UTILIZANDO A PROPORÇÃO ÁUREA NA CONSTRUÇÃO DOS SORRISOS


Os incisivos centrais superiores, em virtude da sua posição no centro do arco, de-
vem aparecer 100% como os mais largos e com maior reflexão de luz e, assim,
são os dentes mais predominantes vistos no aspecto frontal.1,7,11,23

A partir do conhecimento do conceito de dominância dos incisivos centrais, reconhece-


se que os incisivos laterais devem parecer proporcionalmente menores (62%) em relação aos
centrais. Da mesma forma, a proporção de aparecimento do canino em relação aos incisivos
laterais deve ser 62% menor e coincide com a proporção de aparecimento do primeiro
pré-molar em relação ao canino 62%, e assim sucessivamente, conforme se desloca para a
distal – a qual segue o princípio de que se deve existir uma relação de 1,618 para o incisivo
central, de 1,0 para o incisivo lateral e de 0,618 para o canino, sendo um fator responsável
para atingir um padrão de beleza, buscando sempre a perfeição do sorriso.

Atualmente, há um reconhecimento definido intuitivo ou uma tendência de restaurar os


dentes, restabelecendo relações geométricas na composição dentária e dentofacial, em con-
formidade com uma determinada proporção, para alcançar um resultado estético favorável
e eliminar os elementos que transmitem monotonia sem simetria dinâmica ou campos de
força que produzem tensões visuais antiestéticas.

A beleza e a harmonia da composição dentofacial dependem em grande parte da


presença de um número de relações proporcionais entre a composição dentária e
os elementos que estejam ligados à beleza morfológica, estrutural e biológica da
face.7

Muitas das proporções conhecidas, nas quais se associa a simetria, como definida
por razões ou relações repetidas, podem proporcionar uma aparência harmônica
aos dentes humanos e podem ser empregadas nos tratamentos estéticos restaura-
dores.

A proporção de Platão possibilitava uma ótima aparência das edificações e obras de arte.
Na sua fórmula, a altura ou o comprimento do retângulo possuem 1,732 vezes a largura,
ou seja, a relação 1:1,250 = 58%; Lysippus empregou a relação 1:1,333 = 75% em suas
esculturas; na diagonal do quadrado, a relação correspondente a 1:1,414=71%; a relação
de Pitágoras equivale a 1:1,618 = 61,8%. Recentemente, o grupo de estudos de Albers
sugeriu a relação 1:1,408 = 71% como uma das opções para Odontologia.

Cada uma das proporções apresentadas possui seu senso de beleza e estética, tendo em
comum a simetria e a harmonia. Dependendo das dimensões faciais, das composições den-
tárias e dentofacial e da largura do sorriso, cada uma dessas proporções pode ser aceitável
para um determinado indivíduo.7 No entanto, a proporção áurea é a mais abrangente
porque proporciona melhor qualidade atrativa para a maioria dos pacientes devido à maior

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dominância dos incisivos centrais, características coesivas e segregativas que expressam na­
turalidade e vivacidade à composição dentária.

GRADES EM PROPORÇÃO ÁUREA


Os valores lineares da proporção áurea podem ser aplicados nas formas unilateral e bilate­
ral. Inicialmente, a análise da proporção áurea foi aplicada de forma unilateral, por meio das
grades de Levin, correlacionando a largura do canino e do incisivo lateral com a largura do
incisivo central do mesmo lado. A análise unilateral apresenta uma limitação óbvia: permite
a avaliação da dominância e da proporção entre os dentes de apenas um segmento den-
tário anterior, mas não da simetria de ambos os segmentos. Diante dessa limitação, a grade
bilateral foi sugerida por Mondelli.

DETERMINAÇÃO DO SEGUIMENTO DENTÁRIO E


CORREDOR BUCAL POR MONDELLI
Para a determinação do seguimento dentário e corredor bucal por Mondelli,7 deve-se seguir
o passo a passo:
§ medir a largura do sorriso (com compasso de pontas secas, régua milimetrada ou
compasso áureo) e dividir por dois;
§ multiplicar a metade da largura do sorriso obtida por 0,618 para determinar a me-
tade da dimensão do segmento dentário anterossuperior (incisivo central, incisivo
lateral e canino);
§ calcular o valor correspondente do corredor bucal usando o valor encontrado, tam-
bém multiplicado por 0,618.

MÉTODO SUGERIDO POR MONDELLI


Mondelli desenvolveu a fórmula:7 largura do central (LC) = 0,155 x largura do sorriso (LS),
para encontrar a largura ideal do incisivo central superior. Passo a passo:
§ medir a largura do sorriso (com compasso de pontas secas, régua milimetrada ou
compasso áureo);
§ multiplicar a largura do sorriso encontrada por 0,155, encontrando a LC;
§ multiplicar LC por 0,618, encontrando a largura do incisivo lateral;
§ multiplicar a largura do incisivo lateral por 0,618, encontrando a largura do canino
(Figura 8).

20 UTILIZANDO A PROPORÇÃO ÁUREA NA CONSTRUÇÃO DOS SORRISOS


Figura 8 – Grade bilateral da proporção áurea em-
pregando a fórmula sugerida por Mondelli, em que:
LC = 0,155 x 54,8. Portanto LC = 8,494, logo se
descobre a largura do incisivo central de 8,5cm, que,
quando multiplicado por 0,618, equivale à largura
aparente do incisivo lateral = 5,2cm, o qual, mul-
tiplicado por 0,618, equivale à largura do canino =
3,2cm.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

ATIVIDADE

7. Para encontrar a proporção áurea, o que é necessário?


A) Multiplicar o comprimento de qualquer segmento de reta pelo número 1,618 ou
dividir pelo número 0,618.
B) Dividir o comprimento de qualquer segmento de reta pelo número 1,618 ou multi-
plicar pelo número 0,618.
C) Dividir o comprimento de qualquer segmento de reta pelo número 1,618 e somar
pelo número 0,618.
D) Multiplicar o comprimento de qualquer segmento de reta pelo número 1,618 e
subtrair pelo número 0,618.
Resposta no final do artigo

8. Os três elementos da composição dentária na Odontologia estética são:


A) cor, textura e posicionamento.
B) simetria, dominância e proporção regressiva.
C) lábio, gengiva e dentes.
D) esmalte, dentina e cemento.
Resposta no final do artigo

9. Com relação à proporção áurea, os incisivos centrais superiores, em virtude da sua posição
no centro do arco, devem aparecer ...... como os mais largos e com maior reflexão de luz.
A) 70%.
B) 80%.
C) 90%.
D) 100%.
Resposta no final do artigo

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10. Na proporção de Platão, a altura ou o comprimento do retângulo possuem 1,732 vezes
a largura, ou seja, a relação
A) 1:1,250.
B) 1:1,335.
C) 1:1,414.
D) 1:1,618.
Resposta no final do artigo

11. A relação da proporção áurea citada por Pitágoras é de


A) 1:1,250.
B) 1:1,335.
C) 1:1,414.
D) 1:1,618.
Resposta no final do artigo

12. Na fórmula desenvolvida por Mondelli (LC = 0,155 x LS), marque a alternativa que des-
creve o item corretamente.
A) LC = largura do incisivo central inferior.
B) LC = largura do Incisivo central superior.
C) LS = largura do central.
D) 0,155 = proporção áurea.
Resposta no final do artigo

CASOS CLÍNICOS
A seguir, serão apresentados dois casos clínicos.

22 UTILIZANDO A PROPORÇÃO ÁUREA NA CONSTRUÇÃO DOS SORRISOS


CASO CLÍNICO 1

Paciente de 29 anos, leucoderma, com boas condições de saúde, compareceu à Clí-


nica de Especialização em Dentística da Associação Brasileira de Odontologia (ABO)
de Taguatinga com a queixa principal de descontentamento com o sorriso (Figura 9).

Figura 9 – Sorriso inicial.


Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Ao exame clínico, foram observados diastemas e proporção insatisfatória dos dentes


em relação à largura de sua face (Figuras 10A e B).

A B

Figura 10 – Vistas laterais – direita e esquerda.


Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

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Após análise e planejamento do caso, em que foram discutidas todas as possibilida-
des de tratamento, optou-se, com o aval da paciente, pela reabilitação por meio do
tratamento restaurador estético, por ser imediato e de custo menor, pois a paciente
não possui hábitos bucais deletérios, tais como hipertrofia massetérica ou bruxismo. O
clareamento prévio e a cirurgia periodontal seriam empregados.

Inicialmente, foram confeccionados modelos de gesso para verificar o espaço disponí-


vel para a realização da reconstrução anatômica, utilizando compasso de ponta seca
para as medições (Figuras 11A e B).

A B

Figura 11 – A e B) Medindo a largura do sorri-


so com compasso de ponta seca. C) Modelo de
gesso inicial.
C Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Em seguida, realizou-se enceramento e foi criada uma matriz de silicone, recortada na


vestibular, como guia para reconstrução clínica (Figuras 12 e 13).

24 UTILIZANDO A PROPORÇÃO ÁUREA NA CONSTRUÇÃO DOS SORRISOS


Figura 12 – Enceramento com a grade de pro- Figura 13 – Guia de silicone sobre o modelo en-
porção. cerado.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores. Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Os dentes não sofreram nenhum desgaste para a colocação da resina. Após a escolha
da cor (OA2 e A1) e isolamento absoluto, os dentes foram condicionados com ácido
fosfórico a 37%, por 30 segundos, lavados, secos, aplicado o adesivo e fotopolime-
rizado. Foi realizada a reconstrução dos dentes com resina composta, pela técnica
incremental (Figuras 14 e 15).

Figura 14 – Guia de silicone posicionado, forne- Figura 15 – Polimerização pela técnica incre-
cendo as referências de tamanho e forma. mental, utilizando o guia de silicone.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores. Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

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Após o término das restaurações, foram realizados movimentos de protrusão e late-
ralidade para desgaste de qualquer interferência oclusal. As guias caninas foram res-
tabelecidas, de forma a proteger a articulação temporomandibular e as restaurações,
evitando fraturas futuras.

O acabamento foi realizado com lâmina de bisturi número 12, pontas diamantadas da
série dourada F e FF, tiras de lixa de poliéster e pontas multilaminadas e polimento com
discos Soflex®, da maior para a menor granulação, e escova Astrobrush®.

Após 30 dias, foi realizada a cirurgia periodontal para aumento de coroa clínica. Passa-
dos 60 dias, reparo, acabamento, polimento foram realizados, além de posicionamen-
to da grade áurea para comparação das medidas (Figuras de 16 a 21).

Figura 16 – Vista frontal após o término da pri- Figura 17 – Posicionamento do guia cirúrgico.
meira sessão. Fonte: Arquivo de imagens dos autores.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Figura 18 – Cirurgia periodontal realizada. Figura 19 – Posicionamento da grade de propor-


Fonte: Arquivo de imagens dos autores. ção áurea para comparação das medidas.
Fonte: Arquivos de imagens dos autores.

26 UTILIZANDO A PROPORÇÃO ÁUREA NA CONSTRUÇÃO DOS SORRISOS


A B

Figura 20 – A e B) Vistas laterais – direita e esquerda após o acabamento e polimento.


Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Figura 21 – Caso finalizado.


Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

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CASO CLÍNICO 2

Paciente do sexo masculino, 53 anos, chegou à clínica da ABO/Taguatinga insatis-


feito com a estética do seu sorriso devido a dentes desgastados, curtos, diastemas,
alterações de cor, próteses fixas mal-adaptadas, incisivo lateral fraturado e ausências
dentárias (Figura 22).

Figura 22 – Sorriso inicial.


Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Após anamnese, exame clínico, radiográfico, tomográfico e modelo de estudo, trata-


mento ortodôntico e posterior tratamento reabilitador com instalação de implantes
foram sugeridos ao paciente, porém ele recusou se submeter ao procedimento orto-
dôntico (Figuras 23-28).

Figura 23 – Fotografia intraoral frente. Figura 24 – Fotografia intraoral direita.


Fonte: Arquivo de imagens dos autores. Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

28 UTILIZANDO A PROPORÇÃO ÁUREA NA CONSTRUÇÃO DOS SORRISOS


Figura 25 – Fotografia intraoral esquerda. Figura 26 – Fotografia oclusal superior.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores. Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Figura 27 – Fotografia oclusal inferior. Figura 28 – Radiografia panorâmica inicial.


Fonte: Arquivo de imagens dos autores. Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Considerando a opção do paciente, o tratamento proposto foi reabilitar a área edên-


tula com implantes osseointegrados, a região anterior superior e inferior com facetas
cerâmicas e nas regiões posteriores reabilitação com coroas metal-free, utilizando a
técnica de injeção de pastilhas de cerâmica de dissilicato de lítio.

Na primeira sessão clínica, foi realizada a montagem em ASA com o restabelecimento


da dimensão vertical da oclusão (DVO), aumentada em 45mm, com o auxílio do com-
passo Willis (Figura 29).

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 1 | 29


Figura 29 – Registro de mordida na DVO.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Posteriormente, fez-se encerramento diagnóstico na proporção áurea utilizando a gra-


de de Levin (Figuras 30 e 31).

Figura 30 – Enceramento diagnóstico. Figura 31 – Grade da proporção no e­ nceramento.


Fonte: Arquivo de imagens dos autores. Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

30 UTILIZANDO A PROPORÇÃO ÁUREA NA CONSTRUÇÃO DOS SORRISOS


Os modelos encerados foram duplicados e placas cristal 1,5mm (Bio Art®) foram uti-
lizadas para confecção de guias provisórios sobre esses modelos. Na segunda sessão,
foram realizados três implantes tipo hexágono interno (BIOMET® 3i), na região do 22,
por fratura dentária, e nas regiões do 36 e 46, dentes ausentes. Na mesma sessão, o
provisório com dente de estoque na cor A1 do 22 foi colado com resina.

Na terceira sessão clínica, os preparos conservadores foram realizados com as brocas


4138 e 4139F (KG Soresen®) por meio da técnica de desgaste seletivo. Os provisórios
foram confeccionados pela técnica da placa de cristal, previamente confeccionada.
Resina bisacrílica Structur (VOCO®) na cor A1 foi injetada na placa cristal e posiciona-
da na arcada já preparada. Após ajustes oclusais das peças provisórias, o paciente foi
liberado (Figuras 32 a 34).

Figura 32 – Provisório em resina bisacrílica.


Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Figura 33 – Vista oclusal superior com provisó- Figura 34 – Vista oclusal inferior com provisó-
rios. rios.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores. Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 1 | 31


Durante um mês, o paciente retornou semanalmente à clínica para ajustes nos provi-
sórios. Após o completo restabelecimento da fonética, da mastigação, da oclusão, da
estética e da ausência na sintomatologia na articulação temporomandibular (ATM),
moldagens foram programadas. Nas consultas seguintes, três meses após a instalação
dos implantes, os provisórios de todos os dentes foram removidos e inseridos os fios
retratores Ultrapack 00 e 000 (Ultradent®) para o afastamento gengival (Figuras 35A-C).
Nos implantes, optou-se pelos transferentes de moldeira fechada para facilitar o tra-
balho devido ao grande número de elementos a serem moldados.

A B

Figura 35 – A) Fio retrator 000 e 00 no arco su-


perior. B) Fio retrator 000 e 00 no arco inferior. C)
Fio retrator 000 e 00 anteroinferior.
C Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

A moldagem foi realizada com silicone de adição (3M®), utilizando a técnica de passo
único, ou seja, material pesado e leve foram levados simultaneamente logo após a
remoção do fio retrator superficial (Figuras 36A-C).

32 UTILIZANDO A PROPORÇÃO ÁUREA NA CONSTRUÇÃO DOS SORRISOS


A B

Figura 36 – A) Moldagem em silicone. B) Molda-


gem em silicone de adição inferior. C) Moldagem
em silicone de adição anteroanterior.
C Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Na sétima consulta clínica, as restaurações provisórias foram removidas e feita a


profilaxia dos dentes e isolamento relativo. Após o uso do cimento de prova (try-in)
translúcido e aprovação dos profissionais e do paciente, as peças cerâmicas foram
devidamente cimentadas. Para tal, as faces internas das facetas e as coroas foram
condicionadas com ácido fluorídrico por 60 segundos (Figuras 37A-C).

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 1 | 33


A B

Figura 37 – A) Condicionamento com ácido


fluorídrico. B) Aspecto das peças pós-condicio-
namento. C) Ácido fosfórico.
C Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Na sequência, foram lavadas com água por 1 minuto e novamente secas (Figuras 38A-C).

A B

Figura 38 – A) Aplicação do agente silano. B)


Aplicação do sistema adesivo. C) Condiciona-
mento do preparo com ácido fosfórico 35%.
C Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

34 UTILIZANDO A PROPORÇÃO ÁUREA NA CONSTRUÇÃO DOS SORRISOS


Foram condicionadas com ácido fosfórico por 1 minuto para remoção de possíveis
resíduos (Figuras 39A-C).

A B

Figura 39 – A) Aplicação do sistema adesivo nos


preparos intraorais. B) Facetas anteroinferiores
em cerâmica. C) Condicionamento com ácido
fluorídrico por 20 segundos.
C Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Foram lavadas com água por 1 minuto e aplicação, por 60 segundos, do agente silano
quimicamente ativado (Figuras 40A-C).

A B

Figura 40 – A) Aspecto após condicionamento


das peças. B) Aplicação com ácido fosfórico por
1 minuto. C) Aplicação do sistema silano nas pe-
ças.
C Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 1 | 35


O sistema adesivo fotopolimerizável foi aplicado nas cerâmicas (Figuras 41A-C).

A B

Figura 41 – A) Aplicação do sistema adesivo nas


peças. B) Condicionamento dentário, ácido fos-
fórico 35% por 15 segundos. C) Aplicação do
sistema adesivo no segmento anteroanterior.
C Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

O condicionamento dentário com ácido fosfórico 35% (Figuras 42A-C) foi realizado
por 15 segundos e as peças foram lavadas com água por 30 segundos.

A B

Figura 42 – A) Inserção do cimento resinoso. B)


Vista ápos cimentação das peças superiores. C)
Grade da proporção com as peças já cimentadas.
C Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

36 UTILIZANDO A PROPORÇÃO ÁUREA NA CONSTRUÇÃO DOS SORRISOS


Após a secagem das peças, o sistema adesivo foi aplicado (Figuras 43A-C) e fotopoli-
merizado.

A B

Figura 43 – A) Vista após cimentação das peças


inferiores. B) Vista lateral direita. C) Vista lateral
esquerda.
C Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

O agente cimentante utilizado foi cimento resinoso Variolink® Veneer – Light-cure (Ivo-
clar Vivadent). Com a ponta dosadora, pequenas porções do cimento sobre as peças
de cerâmica foram iseridas (Figura 44) e posicionadas sobre os dentes. O excesso de
cimento foi removido com sonda exploradora e fio dental e, em seguida, houve a
fotopolimerização por 60 segundos sobre cada face. As coroas metalocerâmicas dos
implantes foram instaladas com torque de 32N.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 1 | 37


Figura 44 – Vista intraoral frontal.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

Foram realizados ajustes oclusais e soliciado RX final (Figuras 45A e B).

A B

Figura 45 – A) Sorriso final. B) Radiografia panorâmica final.


Fonte: Arquivo de imagens dos autores.

38 UTILIZANDO A PROPORÇÃO ÁUREA NA CONSTRUÇÃO DOS SORRISOS


CONCLUSÃO
O princípio da proporção áurea, matematicamente descrito como a proporção entre o maior
e o menor comprimento, tem sido utilizado, ao longo de alguns séculos, por vários artistas,
estudiosos matemáticos, arquitetos, biólogos, engenheiros, médicos e dentistas, com a fi-
nalidade de desenhar a proporcionalidade que há na beleza da natureza e no corpo
humano. Tratando-se da Odontologia, o uso dessa secção na avaliação e no plano de trata-
mento é significativamente benéfico no planejamento estético do sorriso.

A proporção áurea não é considerada absoluta para alcançar um belo sorriso, mas
é um exemplo de harmonia na qual as forças coesivas e segregativas estão igual-
mente integradas, com uma qualidade que não é conseguida utilizando outra me-
todologia de proporcionalidade. A secção áurea é um guia de orientação muito im-
portante durante as reabilitações, uma vez que permite a execução de tratamentos
rápidos e previsíveis.

Conforme um dos casos clínicos apresentados, a partir da utilização de procedimentos ade-


sivos indiretos, coroas e facetas em cerâmica pura, foi possível desenvolver um sorriso equili-
brado e harmônico, satisfazendo as expectativas do paciente quanto ao resultado esperado
e elevando sua autoestima, que era anteriormente abalada por não possuir um sorriso que
se nivelasse ao conceito de beleza e simetria. As anomalias dentais mais comuns que podem
interferir na harmonia do sorriso estão relacionadas com alterações na forma, tamanho,
posição, cor e textura em dentes anterossuperiores.

Para que se obtenha êxito no tratamento, são necessários: correto diagnóstico, pla-
nejamento ordenado, racional e uma tática operatória precisa, obtendo um sorriso
esteticamente agradável ao final do tratamento.

RESPOSTAS ÀS ATIVIDADES E COMENTÁRIOS


Atividade 1
Resposta: C
Comentário: A introdução de trabalhos utilizando a proporção divina na Odontologia esté-
tica foi citada inicialmente por Lombardi em 1973.

Atividade 2
Resposta: A implantação da teoria da proporção áurea na Odontologia obteve-se pelo an-
seio de que houvesse um instrumento teórico em comum que auxiliasse no reconhecimento
e na avaliação prática dos requisitos morfológicos que interferem e influenciam na estética

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 1 | 39


dentária e facial, de forma qualitativa e padronizada, dentro dos limites de cada especiali-
dade.

Atividade 3
Resposta: D
Comentário: Definiu-se que a proporção áurea deveria ser identificada pela letra grega φ.

Atividade 4
Resposta: B
Comentário: O princípio da proporção áurea, matematicamente descrito como a proporção
entre o maior e o menor comprimento, tem sido utilizado, ao longo de alguns séculos, por
vários artistas, estudiosos matemáticos, arquitetos, biólogos, engenheiros, médicos e den-
tistas, com a finalidade de desenhar a proporcionalidade que há na beleza da natureza e no
corpo humano. Entretanto, a proporção áurea não é considerada absoluta para alcançar um
belo sorriso, mas é um exemplo de harmonia na qual as forças coesivas e segregativas estão
igualmente integradas, com uma qualidade que não é conseguida utilizando outra metodo-
logia de proporcionalidade. A secção áurea é um guia de orientação muito importante du-
rante as reabilitações, uma vez que permite a execução de tratamentos rápidos e previsíveis.

Atividade 5
Resposta: D
Comentário: Os homens da Idade da Pedra já tinham um apurado senso estético, que ex-
pressavam por meio de pinturas nas cavernas pré-históricas. Já os gregos antigos tratavam
a beleza como sobrenatural, uma confirmação da existência e da presença divina na Terra.
Com a evolução da história, durante a Idade Média, os religiosos católicos tratavam-na de
uma forma ambígua, pois eles a evitavam por acreditarem se tratar de um caminho que
conduzia à tentação demoníaca e à vaidade carnal. Ao mesmo tempo, reverenciavam-na
como sinal da perfeição de Deus. São exemplos de proporção áurea na natureza: asas da
borboleta; o crescimento do natillus em espiral logarítmica, conforme a concha cresce, o
tamanho das câmaras aumenta, mas seu formato permanece inalterado; o girassol, no qual
se pode notar o cruzamento das espirais logarítmicas. Essa relação proporcional constitui
uma lei natural de crescimento para os reinos animal e vegetal. Assim, tudo que cresce no
Universo, à exceção do mundo mineral, cresce segundo a secção áurea.

Atividade 6
Resposta: O retângulo áureo pode ser útil nas alturas desiguais das margens gengivais. O
retângulo da proporção áurea evidencia que a margem gengival deve ser movimentada em
direção à incisal ou cervical para solucionar o problema estético. Se a largura for satisfatória,
pode haver um problema apenas com a altura de um incisivo. Se ele for muito longo, uma
pequena incisão semilunar na altura do osso da crista permitirá que se rebaixe a margem
gengival. Quando os incisivos centrais são curtos com a gengiva na posição correta, o au-

40 UTILIZANDO A PROPORÇÃO ÁUREA NA CONSTRUÇÃO DOS SORRISOS


mento incisal é necessário. Na presença de diastemas, o retângulo áureo e a grade apontam
de que maneira os espaços entre os dentes podem ser preenchidos.

Atividade 7
Resposta: B
Comentário: Para encontrar a proporção áurea, é necessário dividir o comprimento de qual-
quer segmento de reta pelo número 1,618 ou multiplicar pelo número 0,618. O padrão
básico da proporção áurea foi ilustrado na Figura 7. Deve-se traçar uma linha e dividi-la de
modo que a razão do seguimento maior (b) em relação à linha inteira (a) seja igual à razão
do segmento menor (c) em relação ao seguimento maior (b). Resultando em: (a) 161,8% de
(b) e (b) 161,8% de (c).

Atividade 8
Resposta: B
Comentário: Na Odontologia estética, três elementos de composição são requeridos simul-
taneamente para obter unidade estética ideal em um sorriso: a simetria, por meio da linha
média; a dominância anterior ou central; a proporção regressiva criada pela curvatura den-
toalveolar do arco dentário.

Atividade 9
Resposta: D
Comentário: Os incisivos centrais superiores, em virtude da sua posição no centro do arco,
devem aparecer 100% como os mais largos e com maior reflexão de luz, sendo os dentes
mais predominantes vistos no aspecto frontal.

Atividade 10
Resposta: A
Comentário: A proporção de Platão possibilitava uma ótima aparência das edificações e das
obras de arte. Na sua fórmula, a altura ou comprimento do retângulo possuem 1,732 vezes
a largura, ou seja, a relação 1:1,250.

Atividade 11
Resposta: D
Comentário: A proporção de Platão possibilitava uma ótima aparência das edificações e das
obras de arte. Na sua fórmula, a altura ou o comprimento do retângulo possuem 1,732
vezes a largura, ou seja, a relação 1:1,250 = 58%; Lysippus empregou a relação 1:1,333 =
75% em suas esculturas; na diagonal do quadrado, a relação correspondente a 1:1,414 =
71%; a relação de Pitágoras equivale a 1:1,618 = 61,8%; recentemente, o grupo de estudos
de Albers sugeriu a relação 1:1,408 = 71% como uma das opções para a Odontologia.

| PRO-ODONTO PRÓTESE E DENTÍSTICA | CICLO 7 | VOLUME 1 | 41


Atividade 12
Resposta: B
Comentário: Mondelli desenvolveu a fórmula LC = 0,155 x LS para encontrar a largura ideal
do incisivo central superior, na qual LC = largura do central e LS = largura do sorriso.

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Como citar este documento

Silva W, Santana P, Montenegro G, Pinto T. Utilizando a proporção áurea na construção


dos sorrisos. In: Associação Brasileira de Odontologia; Pinto T, Verri FR, Carvalho Junior OB,
organizadores. PRO-ODONTO PROTÉSE E DENTÍSTICA Programa de Atualização em Prótese
Odontológica e Dentística: Ciclo 7. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2016. p. 9-43.
(Sistema de Educação Continuada a Distância; v. 1).

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