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10 DICAS DE DIREITO CONSTITUCIONAL

1 - Os legitimados para propor no STF as 4 ações do controle concentrado (ADI, ADC, ADO e
ADPF) são os MESMOS! São legitimados para propor ADI, ADC, ADO e ADPF no STF: 4
autoridades (Presidente da República, Governadores de Estado, Governador do DF e PGR), 4
Mesas (Mesa do Senado Federal, Mesa da Câmara dos Deputados, Mesas das Assembleias
Legislativas e Mesa da Câmara Legislativa do DF), 4 entidades (Conselho Federal da OAB, Partido
Político com representação no Congresso Nacional, confederação sindical e entidade de classe
de âmbito nacional).Os legitimados que estão grifados são os especiais, isto é, os que precisam
demonstrar pertinência temática; os que não estão grifados são os universais, que não precisam
demonstrar a pertinência temática, pois o interesse é presumido. A legitimidade ativa do Partido
Político é aferida no momento da propositura da ação. Se houver perda superveniente de
representação parlamentar no Congresso Nacional, isso não desqualificará o Partido a
permanecer no polo ativo da relação processual.

2 - A decisão de mérito em ADI tem efeito vinculante, erga omnes e, em regra, efeitos ex tunc –
mas havendo razões de segurança jurídica ou excepcional interesse social, o STF, por 2/3 de seus
membros, poderá modular os efeitos temporais da decisão para que esta produza os seus efeitos
em outro momento (por ex.: efeitos ex nunc ou pro futuro). Segundo entendimento do STF,
poderá haver a modulação dos efeitos temporais também em suas decisões de
inconstitucionalidade proferidas no controle difuso.

3 - Devido ao caráter objetivo do controle concentrado/abstrato, não se admite desistência em


suas ações – ADI, ADC, ADPF, ADO. Em ADI, ADC, ADO e ADPF a decisão de mérito é irrecorrível,
salvo quanto à oposição de embargos declaratórios. Não cabe ação rescisória em ADI, ADC, ADO
e ADPF.

4 - O STF poderá conceder medida cautelar em ADI desde que aprovada pela maioria de seus
membros, salvo no caso do período de recesso em que esta poderá ser concedida pelo
Presidente do Tribunal e referendada pelo Pleno. A medida cautelar concedida suspenderá a
norma impugnada e terá efeitos vinculantes, erga omnes e, em regra, ex nunc. A concessão da
cautelar em ADI torna aplicável a legislação anterior acaso existente (efeito repristinatório, que é
automático; art. 11, §2°, Lei 9.868/99), salvo se houver expressa manifestação do STF em sentido
contrário.

5 - Só há 3 requisitos p/ a criação de uma CPI: 1) requerimento de constituição de CPI por, no


mínimo, 1/3 dos deputados federais ou dos senadores da República – se as Casas Legislativas
estiverem atuando em separado –, ou 1/3 dos membros do Congresso Nacional – quando as
casas atuarem conjuntamente, formando uma comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI);
2) indicação de um fato determinado a ser investigado; 3) delimitação de prazo certo para a
apuração de tal fato. A estrutura prevista no §3º do art. 58 da CF é norma de observância
obrigatória para os Estados, DF e Municípios, em respeito ao princípio da simetria. CPI não
decreta a busca/apreensão domiciliar, a interceptação telefônica e a prisão, salvo aquela
determinada em razão de flagrante. CPI também não pode decretar medidas cautelares. CPI não
pode investigar fatos que digam respeito exclusivamente à outra esfera federativa. CPI não pode
anular ato do executivo, tampouco pode convocar magistrado para depor sobre questão
exclusivamente jurisdicional. Testemunhas, investigados e indiciados quando prestam
depoimento perante a CPI têm direito ao silêncio. Os atos das CPIs poderão ser objeto de
controle judicial no STF a fim de coibir qualquer exercício abusivo, qualquer afronta a direito
subjetivo.

6 - O STF está obrigado (art. 178, RISTF) a comunicar ao Senado Federal a decisão que declarou,
no controle difuso (em decisão definitiva), a inconstitucionalidade de uma norma. O SF não está,
todavia, obrigado a atuar, a suspender a execução da lei e, com isso, transformar o efeito em
erga omnes (art. 52, X, CF). Se o STF, em decisão definitiva no controle difuso, houver declarado
a constitucionalidade da norma ou mesmo sua não recepção (quando o objeto avaliado é
anterior ao parâmetro constitucional), não há que se falar em comunicação ao SF.

7 - São entes da Federação: União, Estados, DF e Municípios, todos dotados de autonomia.


Soberania é atributo exclusivo da República Federativa do Brasil. Território Federal não é ente da
Federação, logo não possui autonomia, integra a União. Atualmente não existem TFs, mas estes
podem ser criados por Lei Complementar. Os Territórios Federais podem, ou não, ser divididos
em Municípios.
8 - Preponderância dos Interesses é o princípio que norteia a repartição constitucional de
competência. São indelegáveis: as atribuições materiais exclusivas da União (do art. 21, CF). São
delegáveis: as atribuições legislativas privativas da União (do art. 22, CF), por meio de lei
complementar, mas somente questões específicas relacionadas à matéria que estiver sendo
delegada (art. 22, p. único, CF).

9 - É de competência privativa da União legislar sobre: civil, agrário, penal, aeronáutico,


comercial, eleitoral, trabalho, espacial, processual e marítimo – CAPACETE PM.) É de
competência legislativa concorrente entre a União, os Estados e o DF legislar sobre:
penitenciário, urbanístico, financeiro, econômico, tributário e orçamentário – PUFETO. No
âmbito da competência concorrente, a União edita as normas gerais, os Estados e o DF
suplementam. Não havendo lei federal sobre normas gerais, poderão os Estados exercer a
competência legislativa plena (editando a norma geral e a específica). A edição superveniente da
lei federal sobre normas gerais irá suspender a eficácia da lei estadual no que lhe for contrário.

10- O Presidente da República não será responsabilizado, na vigência do mandato, por atos
estranhos à função presidencial, mas responderá por estes atos após o término do mandato. O
Presidente só pode ser preso por sentença penal condenatória prolatada pelo STF. O Presidente
somente será processado por crime comum no STF e por crime de responsabilidade no Senado
Federal, se antes a Câmara dos Deputados autorizar, por 2/3 de seus membros, o
processamento. A autorização da CD não vincula o STF (que fará novo juízo de admissibilidade),
mas vincula o Senado (que deverá instaurar o processo). A suspensão do Presidente de suas
funções se inicia com a instauração do processo pelo Senado, ou quando o STF recebe a
denúncia ou queixa crime, isto é, não se inicia com a autorização dada pela CD (art. 86, CF/88).