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SOBRE A NOÇÃO DE MEMÓRIA

METÁLICA EM ANÁLISE DE
DISCURSO E SUA RELAÇÃO COM A
TÉCNICA INFORMÁTICA

AGUINALDO GOMES DE SOUZA1

RESUMO
O presente estudo parte da pressuposição de que a técnica informática, no curso de
seu desenvolvimento histórico, tenha possibilitado o aparecimento da memória
metálica a qual é responsável pelas atualizações das memórias discursivas e das
memórias institucionais (os arquivos) no ambiente digital. Sustentamos que o tempo
histórico, no qual se inscrevem os discursos da técnica informática, tenha um caráter
ôntico, visto estar relacionado ao fenômeno do histórico, ou seja, daquilo que já está
dado e cronologicamente datado; mas que também seja ontológico, se considerarmos
que tais discursos circulam necessariamente na facticidade da vida, estando, portanto,
sujeitos ao processo de mudanças e de transformações temporais inerentes à
historicidade.

Palavras-chave: memória metálica; software; análise de discurso.

1- INTRODUÇÃO
Como é sabido, o problema da memória metálica foi proposto pela
primeira vez nos estudos da análise de discurso, no Brasil, por Eni Orlandi
(2001; 2010) dentro da perspectiva da análise de discurso projetada pelo
filósofo francês Michel Pêcheux (1938-1983). Para Orlandi (2010) a memória
metálica possibilita outra materialidade formal bem distinta da histórica, pois a

1
www.aguinaldogomes.com
memória metálica "lineariza, por assim dizer, o interdiscurso, reduzindo o saber
discursivo a um pacote de informações, ideologicamente equivalentes, sem
distinguir posições" (p.16). Tal proposição foi retomada pela teórica (Op. cit.) no
texto: "A contrapelo: incursão teórica na tecnologia - discurso eletrônico,
escola, cidade", nele a autora defende que a memória metálica, memória da
máquina, não se produz pela historicidade mas por um constructo técnico,
sendo marcada pela quantidade e não historicidade, pela produtividade na
repetição e variedade sem ruptura.
Dessa perspectiva a memória metálica seria então um simulacro em que
tudo se passa no nível do dizer acumulado em que a constituição dos sentidos
se perde. Nessa direção, Schimitt (2003, p.18) retoma Orlandi (2001, p.181)
quando afirma que "a memória metálica trabalharia para que nossa memória
discursiva não trabalhasse, para que, quando titubeamos, à beira do sem-
sentido, discursos disponíveis com seus 'conteúdos' já lá, nos estejam à mão".
A noção esboçada até aqui está na confluência dos estudos da Análise
de Discurso em que a memória discursiva (ou interdiscurso) e a memória
institucional são pensadas. O conceito de memória discursiva foi formulado por
Pêcheux (1975; 1980) e pode ser encontrado em estado mais apurado nos
textos: "Por uma Análise Automática do Discurso”, “Semântica e Discurso" e o
texto "Papel da Memória e Discurso – estrutura ou acontecimento" sendo
integralizado na terceira fase dos estudos pecheutianos. Diferente de uma
memória pessoal, a memória discursiva pertence a uma esfera coletiva e
social, assim “a memória seria aquilo que, face a um texto que surge como
acontecimento a ler, vem restabelecer os implícitos". (PÊCHEUX, 2010, p.52).
Outra noção que foi trabalhada por Pêcheux (1994) diz respeito ao
conceito de arquivo, o qual se relaciona diretamente com o conceito de
memória discursiva, para o teórico (Op. cit. p.56) o arquivo "é entendido em
sentido amplo como campo de documentos pertinentes e disponíveis sobre
uma questão”, trata-se, pois, de uma memória institucional e sobre isso Orlandi
(2010, p. 09) vai ponderar que a memória institucional é aquela que não
esquece, ou seja, a que as “instituições praticam, alimentam, normatizando o
processo de significação, sustentando-o em uma textualidade documental,
contribuindo na individualização dos sujeitos pelo Estado, através dos
discursos disponíveis, à mão, e que mantêm os sujeitos em certa
circularidade”. É dentro desta episteme que o conceito de memória metálica
emerge e se desvincula do conceito de memória discursiva e memória
institucional. Nessa direção, Orlandi (2010) argumenta que a memória da
máquina (memória metálica) não se produz pela historicidade, mas antes é
produzida por um constructo técnico (televisão, computador, etc.). Além disso,
essa memória possui a especificidade de ser horizontal (e não vertical), não
havendo assim estratificação em seu processo, mas distribuição em série.
Trata-se, conforme Orlandi (2012, p.15), de uma memória formada por adição e
acúmulo "que ‘lineariza’, por assim dizer, o interdiscurso, reduzindo o saber
discursivo a um pacote de informações, ideologicamente equivalentes, sem
distinguir posições".
2. A QUESTÃO DO ÔNTICO E DO ONTOLÓGICO NA CRIAÇÃO DA
MEMÓRIA METÁLICA
A noção de memória metálica surge, como evidenciamos, com as
reflexões que se iniciaram no âmago da Análise de Discurso francesa
encabeçada no Brasil por Orlandi (2001; 2010). Trata-se de um conceito em
elaboração e que vem sendo trabalhado por alguns pesquisadores dentro do
que chamam de análise de discurso digital. Entre os que pensam a memória
metálica (técnica), estão: Dias (2004) para quem a memória metálica é uma
memória já-dada; Schmidt (2005) que considera o ciberespaço como um
contexto de produção da linguagem em que a memória metálica surge como
oposição à memória discursiva e Mendonça (2004) que estabelece uma
diferenciação entre memória metálica (a que produz sempre o mesmo) e a
memória histórica (a que é sujeita a falha). Entretanto, é sintomático o fato de
que a realidade primária (o desconsiderar o histórico) da construção inicial do
conceito permanece em todas as formulações. Tal realidade gnoseológica
parece ser decisiva para um embasamento do conceito inicial. O que não é de
surpreender quando da desfiguração da proposição expressa para uma análise
de discurso na esfera digital, o que inevitavelmente vai reverberar no ontológico
e no fazer da técnica que deu origem ao que hoje chamam de memória
metálica.
Assim, é fácil perceber que a problemática da memória metálica
(técnica) foi pensada dentro de uma perspectiva discursiva em que o ôntico2, o
ontológico, o fazer da técnica e o fenômeno histórico foram desconsiderados.
Ainda assim é imperioso reconhecer que a proposição inicial formulada por
Orlandi (op.cit) constitui-se como um estímulo considerável para o trabalho que
nos propomos a realizar. Entretanto, os pressupostos, o modo de considerar o
fenômeno, o modo de vislumbrar a realização do evento e a meta assinalada
na conjectura inicial são radicalmente diferentes das que nos guiamos.
Consideramos que a redução proposta no bojo da formulação primária, ao
modo de conceber o objeto histórico, é também uma redução fenomenal da
ideia expressa. Parece evidente para nós que essa redução faz parte de um
ideal de ciência que embora tente construir proposições válidas peca no julgo
da elucubração quando desconsidera o fenômeno do histórico e sua correlação
com a técnica e sua construção.
Desse modo, embora tenhamos compreensão de que as conjecturas
desenvolvidas até aqui pelos cientistas da linguagem tenham nos levado ao
desvelar de algo a respeito da essência da técnica, isto ainda não nos conduz
para a natureza dessa manifestação nem tão pouco nos leva para o discurso,

2 Na filosofia, a partir de Heidegger, ôntico diz respeito ao ente.


para o sujeito e para o sentido3. Além disso, desconsiderar o histórico parece
levar o conceito de memória metálica para um esvaziamento formal de sentidos
uma vez que ao desconsiderar o fenômeno histórico, o sujeito também é
excluído. Assim, ao invés de esvaziarmos esse conceito com a formulação da
a-historicidade, sustentamos que o tempo histórico, no qual se inscrevem os
discursos da/sobre a técnica informática, tenha um caráter ôntico, visto estar
relacionado ao fenômeno do histórico, ou seja, daquilo que já está dado e
cronologicamente datado; mas que também seja ontológico, se considerarmos
que tais discursos circulam necessariamente na facticidade da vida, estando,
portanto, sujeitos ao processo de mudanças e de transformações temporais
inerentes também à historicidade.
Tal perspectiva permite-nos perceber que a constituição da memória
metálica seja anterior mesmo à sua criação, isto é, tenha sido constituída no
próprio curso de produção da técnica informática. Fato que já foi evidenciado
por Souza (2010) em dissertação intitulada de “Software: esboço de um estudo
para as ciências da linguagem” quando analisou e descreveu a natureza do
software e constatou que ele é um produto elaborado pela técnica, sendo
complexamente hierarquizado, possuindo uma natureza histórica e linguística
que interage com uma estrutura mecânica4. São através de softwares que na
contemporaneidade os sujeitos mantêm relação com a escrita e é devido à
natureza mecânica dos softwares que os sujeitos podem acessar e realizar
atividades discursivas, um exemplo é o You Tube que é um software online que
possui a capacidade de guardar e processar vídeos dos mais variados
(reportagens, documentários, filmes, debates, discursos científico, discursos
políticos etc).

Ainda assim, o predicado ‘histórico’ não pode ser pensado aqui como
redução temporal do fenômeno histórico, mas como vigor que evoca para si um
conceito prévio, a saber, a objetualidade. É o fenômeno histórico que nos
permitirá pensar o tempo presente e a propriedade fenomenal da técnica
informática. Afirmar isto é deixar de assumir muitas determinações objetuais

3
Claro que aqui estamos nos afastando do materialismo histórico e dialético por entendermos
que o modo que esta filosofia concebe o fenômeno do histórico não permite avançar com
precisão na problemática esboçada
4 Essa é uma questão interessante que foi detalhadamente mostrada por Souza(2010), para o

autor, o software possui duas naturezas que se entrecruzam e que juntas formam o todo
perceptível: uma natureza arquitetônica que poderia ser evidenciada como a parte mais visível
como o é a interface com os ícones, menus, enunciados etc na qual o sujeito interage e
mantém relações com outros sujeitos discursivos e com uma infinidades de gêneros de
discurso e outra pouco perceptível pelo sujeito que é a natureza mecânica que permite ao
software processar funções como enviar e-mail, rodar um vídeo, fazer login em algum site etc.
Forçando uma metáfora com a biologia seria o mesmo que dizer que a parte arquitetônica é o
corpo humano visto de fora (cor da pele, olhos, cor do cabelo, traços corporais etc) e a parte
mecânica seria aquilo que não vemos, mas que permite o funcionamento desse corpo, como:
os órgãos internos, a circulação sanguínea, as células, o processamento do sistema digestivo
etc.
inerentes ao fazer científico. É dar um passo a trás para entender como um
dado momento no histórico produziu algo que no tempo presente é tão caro
para a Análise de Discurso como é o conceito de memória metálica. Não
considerar tal importância do objeto histórico é desconsiderar de maneira
radical o caráter interdisciplinar da própria Análise de Discurso.
Mas é importante aclarar os termos nomeados: quando falamos em
história, em tempo histórico, em fenômeno histórico e objeto histórico não
estamos dizendo a mesma coisa. Essa quadratura invoca para si significações
outras, e ao mesmo tempo clama para si uma unidade imediata que se anuncia
em algumas determinações. Entendemos por história a "realidade histórica"
como a sua possível ciência, desse modo para uma sustentação do fenômeno
histórico deve-se afastar, provisoriamente, o sentido de "história" como ciência
histórica (historiografia), como bem já mostrou Heidegger (2005).
De igual modo o tempo histórico é para nós aquilo que é dado e
cronologicamente datado o que difere radicalmente do fenômeno histórico cuja
característica primeira é um se mostrar em si mesmo ou o que se deixa mostrar
na temporalidade, tal temporalidade abre a possibilidade própria do acontecer
originário que se desdobra em um dado instante, o que para nós é
compreendido como o objeto histórico. É somente a partir da compreensão
dessa quadratura, desse modo de ser da história, que podemos fazer um
retorno ao ôntico e ao ontológico. Ora, fazer um retorno ao ôntico e ao
ontológico, em sua natureza, significa buscar as marcas da presença de um
Outro. O problema primeiro nasce na medida em que pensamos essa
presença, não podemos atribuir a este ou aquele tempo histórico um dado
próprio da presença. A presença que procuramos desvelar aqui não percorre
um trajeto singular nem se constitui simplesmente no dado e no mostrado da
técnica.
É preciso percorrer mais detalhadamente esse contexto característico da
causa da presença e suas determinações ontológicas e factuais na vida e nas
vivências, a presença desse ponto de vista atravessa o espaço e o tempo. Mas
para entendermos a presença na técnica que deu origem à memória metálica,
é preciso pensá-la em um dado fragmento de tempo, isto é, se for possível
circunscrever a presença em dado espaço temporal. Isto nos força mais uma
vez a dar um passo à trás, nos força a circunscrever o fenômeno histórico
dentro da temporalidade. É nessa circunscrição temporal que o objeto histórico
se deixa desvelar, essa circunscrição é abertura para a interpretação.
Analisar a origem desse tempo histórico só pode ser feito a partir da
temporalidade, assim a primeira meta é encontrar o ponto originário da questão
da técnica e reconstituir a partir das determinações originárias seu lugar na
história como um lugar do fenômeno histórico. Nessa direção é possível dizer
que “o problema do histórico não corresponde a uma aporia conceptual ou a
uma indeterminação teórica. Se assim fosse, a sua resolução dependeria
exclusivamente de um levantamento sucessivo de incógnitas, alimentado pela
miragem científica de um significado total”, como já mostrou Dias (2011, p.40).
A título de adiantamento, é possível dizer que o objeto histórico carece de uma
explicação hermenêutica, nas palavras de Heidegger (2012, p.47) "a única
coisa que importa é fazer aqui esta indagação hermenêutica. Não se trata,
entretanto, de discutir tal filosofia nem tampouco de fundá-la novamente". Se
fizemos a opção por considerar a hermenêutica fazemos isto com um propósito
ímpar: investigar o objeto histórico e sua objetualidade. Heidegger (op.cit) vai
mostrar que a hermenêutica indica um ser capacitado para interpretação e
necessitado dela. A hermenêutica não pode ser tomada nesse estudo no seu
sentido limitado e restrito, ao contrário, ela é a chave para que possamos nos
aproximar da faticidade do Ser-aí e o caráter ontológico da presença.
Contudo, é preciso tomar o objeto histórico em sua objetualidade e isto
só pode ser na medida em que nos demoramos no caráter histórico da técnica.
A abordagem interpretativa do que seria a memória metálica é desse modo
conduzido pelo próprio objeto temático (o nascimento do primeiro software) e o
histórico, e é ao tomar o histórico como domínio fenomenal que podemos
caminhar para o caráter ontológico da técnica. Essa questão é óbvia mais por
muito foi desconsiderada. No que segue, é preciso dizer que neste trabalho
não temos por missão oferecer uma historiografia do objeto, mas de pensar o
histórico como marca da vida fática que possibilitou a abertura necessária para
o surgimento da chamada memória metálica. Assim, embora demasiadamente
longa mas a fim de elucidarmos essa questão do histórico, trazemos as
palavras de Heidegger (2010, p.33) a respeito desse tema:

nós não partimos da história da filosofia usual, a qual tem a


tarefa ex professo de tratar do histórico. Nós pensamos o
histórico como o encontramos na vida; não na ciência histórica.
"Histórico" não diz apenas a ocorrer no tempo, isto é, não é
apenas uma caracterização que provém de uma relação
objetiva. Nessa concepção do histórico, conserva-se, então, o
caráter de aplicação dessa concepção de histórico enquanto
propriedade de um objeto sujeito à mudança temporal, na
experiência fática da vida e no aperfeiçoamento linear e
ordenado da filosofia. O histórico é vitalidade imediata num
sentido muito mais amplo do que apenas fato histórico
subsistente no cérebro de um lógico, que resulta apenas do
esvaziamento teórico-científico do fenômeno da vida.

Uma interpretação hermenêutica do fenômeno histórico não pode deixar de


considerar esse processo, não pode deixar de considerar que não é o histórico
no sentido de um historicismo ou de uma historiografia das coisas que deve
guiar nosso olhar e facilitar nosso acesso a compreensão própria do fenômeno
estudado5, mas sim a consciência histórica ou o que estamos nomeando de
fenômeno histórico.

3- O SOFTWARE COMO LUGAR DA MEMÓRIA METÁLICA

Aqui é preciso delimitar algo que desde o início das nossas


considerações apenas entrevíamos, quando falamos em memória metálica não
estamos nos referindo a um dado dentro de certas possibilidades, mas
estamos nos voltando para um objeto histórico, para o software. É nele que o
sujeito se volta para atualizar seus discursos6 ou mesmo para relembrar algum
acontecimento: a memória metálica é o lócus de atualização da memória
discursiva, ela é aquilo que permite, ao sujeito, em meio a algum
acontecimento no histórico, restabelecer os discursos-transversos que
emergem em dado acontecimento na ou fora da hipertextualidade, do digital.
Trata-se, pois, de uma volta ao ontológico, por meio da linguagem, em que o
sujeito se vale de redes de retomadas de discursos já-ditos os quais são
atualizados em dado acontecimento através da técnica informática7.
Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo geral analisar o objeto
histórico, a saber, o software, como lócus da memória metálica,8 para tanto
vamos erguer a uma categoria de postulado isso que acabamos de evidenciar
(vamos enunciar assim esse postulado: todos os textos e discursos em
ambiente digital estão alocados em softwares e possuem o software como
suporte, conforme Souza (2010)) e, além disso, vamos evidenciar outro
postulado que, ao que parece, é consenso entre os analistas da linguagem: o
de que o texto necessita de um suporte para que se firme e fixe e de que o
texto em sua materialidade histórica permite o acesso ao discurso, sendo o
lugar de funcionamento da discursividade. Esses dois postulados são

5 O fenômeno estudado: a memória metálica


6 Veja por exemplo os discursos que são retomados no You tube ou no Facebook
7 A memória metálica não se trata de uma nova memória, não é possível analisá-la de forma

isolada. A memória metálica é dependente da memória discursiva para existir.


8
Aqui precisamos retomar um pouco do nosso trabalho anterior "Software: esboço de um
estudo para as ciências da linguagem" defendido em 2010 na UFPE, nele verificou-se que o
software além de ser o suporte da escrita e dos gêneros na esfera digital, é também um objeto
que possui uma base hipertextual, uma realidade histórica, uma natureza arquitetônica e outra
mecânica que é complexamente hierarquizada sendo pensado por esforços coletivos durante
um considerável período de tempo. Ainda neste trabalho verificou-se que o software possui
duas naturezas: mecânica e arquitetônica. É na natureza arquitetônica que reside a interface
homem-máquina e nessa interface o sujeito mantém contato direto com os textos e discursos.
É nessa interface que interagimos com a mecânica do software, é a mecânica do software que
permite o acúmulo e o acesso aos discursos que ali ficam guardados para serem capturados e
atualizados pelo sujeito.
suficientes para que possamos desviar o olhar do dado para o fato9.
Assumindo esses postulados percebe-se que a introdução de uma análise que
tome a memória metálica como a-histórica parece assim equivocada visto que
o objeto histórico (o software) é carregado de historicidade temporal e, por
conseguinte, presença, como já foi mostrada por Souza (2010; 2009; 2009a).
Poderíamos fazer esse pensamento que acabamos de evidenciar
seguindo uma ordem inversa, poderíamos tomar a memória metálica como a-
histórica. Mas se isso fosse possível seria necessário apagar a ideia de que os
textos necessitam de um suporte para existir, essa premissa inicial culminaria
com outra: a de que neste caso possuímos um dado e não um fato, o que por
sua vez apagaria com a noção de sujeito. Se o que temos na memória metálica
é acúmulo, é um dado, não há possibilidade de existir o discurso, uma vez que
para esse, a existência anterior do texto e do elemento histórico10 é necessário.
Parece-nos que as dificuldades em relação ao conceito de memória metálica
poderiam ser eliminadas se, em vez de chamar a memória metálica de a-
histórica, atribuíssem a sua existência a uma existência anterior, a saber, o
desdobrar da técnica que deu origem aos softwares. São esses os indícios
formais que nos faz pensar que a premissa da a-historicidade é equivocada,
assim vamos agora trazer para esses indícios formais outros elementos.
Claro que, a posição prévia que assumimos aqui possui em si mesma
certa possibilidade que perpassa o tempo histórico e isto só pode ser verificado
se caminharmos pelos entremeios de outros pensamentos filosóficos. Trata-
se, pois, de aclarar um caminho que nos conduzirá ao sujeito e ao discurso, o
que nos forçará de imediato a dar um passo à trás. Então, para tratar da
questão da técnica informática que deu origem aos softwares e por
consequência origem à memória metálica, iremos nos voltar por uns instantes
ao que chamamos de essência da técnica: o Ser-aí11 próprio e toda a
cotidianidade presente no seu ser histórico e factual ou dito de outro modo: os
modos de acontecer da presença do outro na técnica.
Mas, para evidenciar esse sujeito histórico como um ser que, a título do que
pensamos é o responsável pelo que entendemos por era da técnica
informática, faz-se necessário pensar a ciência que deu origem para a técnica;
Heidegger (2010, p.32) vai nos lembrar de que ciência “é uma relação de
proposições válidas atemporalmente”. E isto nos leva aos nossos objetivos
específicos, que é pensar o histórico na perspectiva do tempo. Pensar o
histórico na perspectiva do tempo é compreender que o tempo possui várias
dimensões e que se altera, ou como acentuou Eckhart: “tempo é o que se

9 Para Orlandi (1996) o dado não tem memória, enquanto o fato possui a característica de ser
carregado de memória linguística.
10 Nessa conjectura está imbuída a ideia de discurso em uma perspectiva francesa, embora

não estejamos filiados a essa corrente teórica, formulamos assim o raciocínio, pois, a noção
primeira sobre a memória metálica nasce no seio dessa teoria.
11 Termo cunhado por Heidegger: o Dasein ou o ser existente.
altera e diversifica, a eternidade se mantém simples12”. O histórico, ou melhor,
os desdobramentos desse dado evento no histórico, é o fenômeno que nos
permitirá vislumbrar e ter acesso a uma compreensão da época atual. É desta
compreensão própria pensada fenomenologicamente que parece ser possível
verificar as presenças na técnica informática.
A presença que evocamos aqui é uma proposição geral que está
arraigada no sujeito-histórico e é também uma de suas propriedades. Como
enunciou Heidegger (2005), a presença se determina como ente sempre a
partir de uma possibilidade que ela é e, de algum modo, isso também significa
que ela se compreende em seu ser. A indicação formal aqui é de que não há a
possibilidade de desvelar a constituição existencial da presença13 nos usos.
Isto é, revelar a presença dos sujeitos que desenvolveram o software na
cotidianidade do uso dessas máquinas digitais14.
Esse aceno é importante e nos remete de imediato ao tempo histórico
da origem da técnica que permitiu o limiar da memória metálica, se hoje os
estudos de discursos encontram-se diante da dificuldade de um novo conceito,
esse desabrochou em uma etapa da história da humanidade anterior ao tempo
presente, com um jovem cientista, Alan Mathison Turing, na II Grande Guerra.
Foi ele que desenvolveu o conceito da primeira máquina capaz de fazer
operações computacionais, mais precisamente quando da publicação em 1937
do artigo “On Computable Numbers” no qual descrevia um computador
universal. A máquina que Turing descrevia era capaz de manipular símbolos,
isto é, através de um sistema formal essa máquina poderia fazer operações
computacionais.
Com essa finalidade a máquina abriu possibilidades para que no curso
da história outros cientistas desenvolvessem o que hoje chamamos de
computadores, desenvolvessem inteligências artificiais como os sistemas de
autoatendimento bancário e telefônico ou os assistentes pessoais como a Siri
(Apple) ou Cortana (Microsoft) ou mesmo softwares complexos de
processamento de voz baseados na interação homem-máquina. Todas essas
questões que nos movem para o desvelar da presença nas máquinas toma
forma quando da estruturação do objeto que permitiu a uma grande parte da
população mundial manusear tais máquinas, tais computadores. Trata-se de
outro acontecimento no histórico que, como veremos, irá mudar a relação dos
homens com as máquinas. Estamos nos referindo ao fenômeno histórico do
desenvolvimento da técnica que gerou as interfaces das máquinas, o desvelar

12 “Zeit ist das, was sich wandelt und mannigfaltigt, Ewigkeit hält sich einfach”. In. Heidegger
(Fenomenologia da vida religiosa) cf. O conceito de tempo na ciência histórica (Der Zeitbegriff
in der Geschichtswissenschaft), aula de habilitação proferida por Heidegger no dia 27 de julho
de 1915, em Friburgo.
13 O outro.
14 Dito de outra forma: não é possível verificar a historicidade da memória metálica do ponto de

vista do usuário do software, é preciso que o analista se desloque e reconstrua o percurso do


desenvolvimento desses objetos no evento temporal para verificar sua historicidade
desse acontecimento possui uma enorme repercussão que adquire significado
real e que é experimentado por todos e que afeta a todos.
E isto aconteceu a partir de 1970 quando Engelbart15 lê um artigo
científico de Vannevar Bush intitulado de: "As we may think" (Como podemos
pensar). A partir desta leitura, Engelbart ficou crente que poderia existir uma
máquina que ajudaria os modos de conhecer do ser humano, ou para usar o
termo utilizado por ele: a cognição humana. Nasce nesse período o que hoje
chamamos de interface de computador. As interfaces, como sabemos, são as
responsáveis pela popularização da era da informática na contemporaneidade,
são através das interfaces que interagimos com outros sujeitos e com
discursos de outrem. SOUZA, (2010).
A primeira interface gráfica foi desenvolvida para o computador
nomeado de “Alto da Xerox”, em 1973. É dado a Engelbart também o crédito
de ter desenvolvido o mouse, de ter introduzido os ícones das primeiras
interfaces. No curso da história, é creditado a ele e seus colegas (William K.
English e John F. Rulifson) o desenvolvimento do oN-Line System (NLS), a
primeira implementação mundial do que seria mais tarde chamado de
hipertexto. A partir dos estudos de Engelbart, Steven Paul Jobs incorpora a
interface gráfica nos primeiros equipamentos Apple. Depois deste ponto o que
temos é uma atualização das interfaces que estão alocadas nas máquinas.
A técnica avança a ponto de nos anos 90 do século passado haver uma
popularização dos computadores com ambiente gráficos. Essa determinação
nos modos de conceber o computador toma forma graças a uma determinação
histórica estrutural que permitiu o nascimento de uma máquina de calcular. No
que segue, percebemos que o caminho iniciado por Turing foi o fator temporal
ímpar para o desenvolvimento da era moderna. Esse desenvolvimento começa
com uma objetualidade fundada em princípios matemáticos e perpassa para
além de um indício formal o qual possibilita outras possibilidades de abertura e
que vai permitir o encontro com outras formas de fazer e dizer. Desse modo, é
urgente voltamos para essa temporalidade em que o fenômeno histórico da
técnica se situa, pois é nesse fazer que as possibilidades de análise linguística
deixam-se revelar.

4- A GUISA DE CONCLUSÃO: PENSAR A MEMÓRIA METÁLICA É


PENSAR A TÉCNICA INFORMÁTICA

Se o software é o local de existência da memória metálica; se a memória


metálica é o lugar de atualização da memória discursiva; se a memória
metálica só se estabelece na relação com um objeto que possui uma
propriedade fenomenal e se nele os sujeitos de linguagem estabelecem

15 O homem que projetou a primeira interface gráfica, o mouse e o teclado.


relações com os textos e discursos, somos forçados a reconhecer que seu
aparecimento não é obra do acaso, mas, de um constructo técnico. A técnica,
já dizia Heidegger na conferência “A questão da técnica” datada de 1953, não é
a mesma coisa que a essência da técnica. Assim também, a essência da
técnica não é algo técnico e é para a essência que se deve direcionar para
compreender a técnica que deu origem ao que estamos nomeando de memória
metálica. Experimentar a relação com a essência da técnica é fundamental
para que uma análise linguística aconteça. Parafraseando Heidegger, alguns
dizem que a técnica é um meio para fins. Outros dizem que a técnica é um
fazer do homem. Essas duas determinações da técnica estão correlacionadas.
Diríamos mais: nisto reside o ser da técnica. Para que possamos chegar ao
ser da técnica, ou a sua proximidade, devemos procurar o que é verdadeiro.
Procurar o que é verdadeiro passa por questionar o que é correto, assim
devemos antes questionar: o que é um instrumento? O que é um software? O
software é um instrumento? Ou ele é um meio? Ou ele é um efeito? Se for um
instrumento, quem o fabricou? Se é um meio para que serve? Se for um efeito
quais as suas causas? Ora, essas perguntas nos movem para a essência da
técnica. Faz-nos refletir, o refletir repousa no levar a luz.
Até que ponto a caracterização das interações nos sistemas
informatizados se prestam para uma análise linguística ou discursiva? Já nessa
pergunta nos deparemos com o delimitar dos campos e dos domínios de
atuação da ciência linguística. Já falamos da essência da técnica e como ela
modificou o modo como lidamos com os discursos em ambiente digital, como
ela inaugura um novo campo de reflexão que é a questão da memória metálica;
no contexto próprio de um desvelar de um objeto de análise linguística, nos
encontramos em um limite que é circundado pela extensão de um ente e de
uma objetualidade que são dados em um dado espaço ôntico. Quem pretende
se mover por esse caminho não pode negar que a essência da técnica se
relaciona com o fazer, com os modos de produção da técnica.
O fazer da técnica, aqui, não é o mesmo fazer utilizado pelo instrumental
da técnica em outras áreas da atividade humana, diríamos mais, o fazer, a
determinação instrumental da técnica não serve para validar a técnica na era
da informática. Assim, embora seja válida a proposição que diz que a "técnica
moderna é um meio para fins", ela em si mesma guarda muito pouco sobre a
técnica na era da informática. A técnica moderna é um meio para fins que só
toma forma quando outros se apropriam dela produzindo outros fins16.
Apropriação vem da palavra latina 'proprius', que significa 'privado de si
mesmo', que teve antes sua origem em 'pro privo', que significa 'para o
individuo'. Ora, isto ocasiona em nós outra compreensão da técnica na era da
informática.
Como já disse Heidegger (2007): o ocasionar leva a luz o que se
esconde, a partir dessa perspectiva somos levados a pensar que o pensar o

16O princípio fundante da memória metálica: a apropriação pelo sujeito de uma memória que
está alocada na máquina para uma atualização discursiva
produzir da técnica na era da informática tem que ser vivenciado como os
gregos compreendiam esta palavra, ou seja, como levar à frente. Todo levar à
frente leva algo do ocultamento ao descobrimento. Mas o que se oculta no
produzir das interfaces de software? Não precisamos fazer muito esforço para
responder isto. Assim, é possível dizer que para uma compreensão da
constituição da memória metálica, devemos ter em mente que o ponto central
reside não em Turing, mas em Engelbart que é considerado o pai da interface
gráfica. Foi somente a partir da introdução da interface (GUI) no computador
moderno que os primeiros linguistas começaram a olhar para este como um
elemento transformador das relações que as pessoas mantinham com a língua
e com os discursos.
Entretanto as primeiras formulações desenvolvidas a respeito disso, em
sua maioria, assumem um modo de vivenciar esse fenômeno desvinculado da
questão técnica e dos desdobramentos que isto acarretou no modo como as
pessoas passaram a se apropriar da técnica. As formulações dos primeiros
linguísticas, portanto, não conseguiram sair da manifestação ôntica do ente.
Ainda assim, ninguém ousaria considerar erronias as análises que foram
inicialmente formuladas. Entretanto, é justo dizer que colocar as questões
ônticas como objeto de análise e esquecer-se que em sua maioria essas
questões dizem respeito apenas aos entes e suas objetualidades, é
compreender apenas metade do problema que se investiga.
O traço distintivo desse carácter, desse modo de compreender é
justamente desconsiderar o sujeito, desconsiderar a essência da técnica. Tratá-
lo como mero objeto. A abertura que gostaríamos de introduzir aqui diz
respeito ao ocasionar. A interface ocasiona, ou seja, é o que deixa vir à
presença o que ainda não é presente. Mas o que se oculta quando olhamos
para uma interface gráfica de software? Essa pergunta é perigosa e não
devemos deixar os pensamentos se apressarem.
De fato, os primeiros analistas estavam mais preocupados com as
linguagens que eram produzidas nos ambientes de interação digital (chat, e-
mail, fórum etc) que com a linguagem que essas interfaces carregam. É preciso
fazer um retorno para a questão primária do produzir. É o produzir que
ocasiona no software uma não-presença que se antecipa em uma presença.
Tudo reside na questão não verificada do pensar o produzir. Produzir como os
gregos entendiam: levar à frente.
Todo produzir ocasiona algo, todo produzir leva algo do ocultamento ao
descobrimento. Este surgir, diria Heidegger (2007), repousa e vibra naquilo que
denominamos desabrigar. Quando voltamos para a questão da técnica
observamos que ela não é apenas e meramente um meio de fazer, é antes um
modo de desabrigar. Um modo de levar a presença àquilo que se oculta. Essa
formulação que esboçamos aqui assume um caráter paradigmático,
paradigmático é aquilo que de alguma forma influência o modo como vemos
algo ou como algo se manifesta. Mas o caminho do pensamento que
começamos a trilhar é inverso. No primeiro plano, quando dizemos que a
interface ocasiona estamos dizendo como dissemos que ela deixa vir uma
presença. Essa presença se apresenta por meios das inúmeras formas de
linguagens que se deixam mostrar em uma interface de software (ícones,
menus, cores, formas, enunciados, isto é, linguagem), Heidegger (2003, p.
127) vai dizer que "a linguagem é a casa do ser".
O questionamento que estamos nos propondo nesse trabalho, porém,
necessita ser encaminhado para uma tarefa primeira. Uma tarefa que desvie o
‘pensar a linguagem’ nesses ambientes como um pensar ôntico17 e se volte
para a questão primeira de investigação. Por muito tempo o fazer científico,
desde Saussure, esteve arraigado em uma forma positivista de ciência. Seria
ingênuo permanecer neste fazer ou ter por base apenas esse fazer
principalmente quando questões ontológicas que são questões fundamentais
para determinar o estágio tecnológico em que nos encontramos se fazem tão
gritantes e clamam para si um fio condutor. E é nessa volta ao ontológico que a
categoria do histórico emerge como possibilidade de interpretação fenomenal.
Na medida em que avançamos e passamos a compreender a existência destas
tecnologias que são criadas e movimentadas por linguagem, como
possibilidades de uma presença e não apenas como um ente, nos movemos
em direção aos discursos. A má observância por parte dos analistas, neste
fato, os levou para uma análise em que se primava apenas os objetos e suas
objetualidades, os entes. Aquilo que denominamos de memória metálica só se
revela quando experiênciamos a técnica.

4. REFERÊNCIAS

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17 Pensar a linguagem, pensar a memória metálica como um dado.


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