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Entre Amigas por bee

Capítulo 1

Por que será que todo começo de ano a gente acha que aquele vai ser “O SEU
ANO”?!?! Não sei. Mas realmente estava pressentindo que esse ano seria
realmente muito diferente. Acho que é porque passei no vestibular e vou
começar a cursar a faculdade, o que é uma coisa novíssima pra mim. Melhor,
talvez esse ano eu ganhe na mega-sena... AHHH... Mas eu nem jogo...! Bom, o
que vai ser só o “ano” pode me dizer.

A verdade é que aqui em casa tá uma confusão nos últimos meses e não sei
se é isso que está me deixando com essa ansiedade ultimamente...!

Bom, nem tenho uma casa propriamente dita. Minha mãe é governanta de uma
família há muito tempo, antes mesmo de eu nascer, então, sempre morei com
ela na casa dos Legrand, que adotei como minha família. Ou será que eles me
adotaram? Que seja! Na realidade não conheço meu pai e minha mãe herdou o
posto de governanta da minha avó, que já trabalhava e morava com a família.
Então, desde que eu me conheço por gente, vivo dentro desse apartamento,
imenso, diga-se de passagem. Gosto muito de viver aqui com os Legrand,
espaço é o que não falta nesse triplex. Apesar de serem de uma família da alta
sociedade paulistana são pessoas de coração muito bom.

Bom, mas como ia dizendo, aqui tá uma confusão. O dono da casa, chefe da
minha mãe, o seu Henrique Legrand, está trazendo de volta da Europa a Alice,
sua filha que tem a minha idade, 18 anos.

Quando tínhamos mais ou menos 7, eu e a Alice éramos melhores amigas... O


seu Henrique sempre foi um cara bacana e nunca proibiu a filha dele de brincar
com a filha da governanta. Mas quando a Alice fez 8 anos ele a mandou pra
Europa morar com a mãe dela, que é francesa, convencido de que o velho
mundo lhe daria um suporte melhor no seu crescimento.

Alice sempre passou épocas diferentes em vários países fazendo cursos de


dança, seguindo o caminho da mãe que é bailarina. Minha mãe sempre disse...
“a Europa é pouco demais para Alice. O Brasil sim é o país de todos os
ritmos!”. Na época fiquei super borocoxô, afinal, Alice era minha melhor amiga
e a gente se divertia demais, mas no fim as amiguinhas do colégio me
distraíram bastante. A gente também tinha o mesmo círculo de amizade porque
o seu Henrique sempre fez questão de eu estudar no mesmo colégio da filha
dele. Acho que pela consideração à minha mãe, e mesmo depois que a Alice
foi pra Europa, continuei estudando no mesmo colégio.

Acontece que depois dos nossos 8 anos perdi totalmente o contato com Alice,
naquela idade a gente nem se “ligava” em falar por telefone e fofocar, a gente
queria bagunçar, e já que não dava mais, pra que conversar?! Hoje já não
penso mais assim, claro, e confesso que sempre senti saudades da Alice. A
gente sempre se deu muito bem e pra falar a verdade é bem isso que me deixa
cada dia mais ansiosa... Será que ela vai se lembrar de mim e de tudo que a
gente, com poucos anos de vida, já viveu?!?!

Na verdade eu nem sei como a Alice está hoje, não sei se vamos voltar a ser
amigas por causa dos muitos anos que se passaram, não sei quais são seus
costumes e gostos. Será que ela ainda se enche de sorvete de pistache e
balas de goma com açúcar?! Sei lá! Que pensamento mais infantil!

Bom, agora o seu Henrique decidiu trazer a filha de volta pra ver se ela tem
vocação para cuidar dos negócios da família, já que a garota é a única
herdeira. Ele tá super animado e empolgado. O apartamento todo foi reformado
pra chegada da Alice e ela ganhou o terceiro piso, a cobertura do prédio,
somente para ela.

O seu Henrique acha que a Alice já é uma garota super independente e precisa
do espaço dela para se sentir mais à vontade e livre, como ela foi acostumada
na Europa. Ele vivia me pedindo dicas de decoração e de como deveria ficar o
“espaço” por eu ter a mesma idade dela... Até dei uns toques de como acho
que ficaria legal, mas o meu mundo realmente é bem diferente do dela e pode
ser que os meus gostos, também, afinal, durmo no primeiro andar, num quarto
onde eu mesma decorei, mas que por sorte é só meu.

O vôo dela chegaria somente na próxima semana.

Então, uma semana antes fui pro cinema, com a Dani e a Mari. Elas são
minhas amigas desde a época que eu e a Alice entramos no colégio, e
realmente são minhas melhores amigas. Sou uma pessoa de poucos amigos e
bem tímida, o que dificulta um pouco a minha aproximação para com as
pessoas, mas amo incondicionalmente as poucas que tenho perto de mim. A
Dani é morena, baixinha de cabelos lisos. É a palhaça, desbocada e
debochada, cara de pau ao extremo, é o tipo de pessoa que faz a gente
queimar o filme e mesmo assim conseguimos rir da situação. Já a Mari é
totalmente o contrário. É completamente meiga, mas ao mesmo tempo forte e
determinada. O que eu acho mais bonitinho nela são as sardinhas sob o nariz e
a bochecha... Uma típica ruivinha que arrasa o coração dos moçoilos!

Foi quando, no meio do filme, meu celular começa a vibrar na bolsa, olhei no
visor e era a minha mãe, achei melhor sair da sala e atender porque ela só me
ligava nessas ocasiões em caso de extrema urgência.

Laura: oi, dona Lúcia! -- ela odiava quando a chamava assim, HÁ.

Mãe: Laura, filha, assim que acabar o filme vem pra casa que a Alice chegou
de surpresa! -- ela nem ligou pro “dona Lúcia”.

Laura: Como assim?! Ela não vinha só semana que vem?! -- eu comecei a suar
frio, aquilo realmente me pegou de surpresa e de repente eu tava com medo de
voltar pra casa.
Mãe: É, mas a garota chegou de surpresa até mesmo para o seu Henrique... E
ela perguntou de você! -- eu só consegui ficar muda. -- Laura?! Alô?!

Laura: tá bom mãe, logo tô em casa.

Nem quis mais saber de assistir nada, passei o resto do tempo só pensando,
pensando e pensando. Até que o filme acabou. E decidimos tomar um milk-
shake. Sim, eu estava embaçando o meio de campo para ir pra casa.

Dani: Laura, que foi?! Você, sei lá, tá toda estranha.

Laura: minha mãe ligou -- depois de um tempo eu consegui concluir a frase -- e


disse que a Alice chegou de surpresa uma semana antes!!!

Mari: não creiooooooooooo, que máximo, você não tem noção da curiosidade
que eu tô de ver ela.

Dani: Nóóóóóóóóóóó Lauraaaaaaaa, o que você tá esperando?!?! Vai pra casa


e depois liga pra gente pra combinarmos de sair pra reencontrar a Alice! -- já
indo em direção à porta do shopping pra eu pegar um táxi.

Minhas amigas estavam praticamente me expulsando! Mas seria ridículo se eu


dissesse que eu tava com medo de ver a Alice enquanto elas estavam mega
animadas.

Sem opção, peguei um táxi e fui pra casa, quando cheguei minha mãe mais do
que rápido me chamou lá pra cozinha:

Mãe: Laura do céu, a Alice quer te ver, fala um oi rápido e vai se arrumar
porque o seu Henrique inventou um jantar de boas vindas pra hoje à noite!

Laura: Mããããeeeee, mas que jantar? Você sabe que eu odeio as cerimônias
do seu Henrique.

Mãe: Eu sei, mas ele faz questão que a gente participe!

Laura: Tá, então eu vejo a Alice no jantar, certo? -- tentando dar uma de
desentendida pra adiar um pouco mais o tal encontro.

Mãe: Claro que não, ela pediu para que assim que você chegasse, subisse pra
cobertura para vê-la! -- não sei por que, mas eu tava tão incomodada e tão
insegura -- e vaaaiii, que ela tá esperando, menina.

Laura: Tá tá, to indoooooo!!! -- e saí batendo o pé.

Preferi ir de escadas pra atrasar um pouco mais... No caminho tentei descobrir


o porquê desse negócio estranho dentro de mim, uma mistura de felicidade e
medo, não sei, eu queria vê-la, mas não sabia se ia superar as expectativas...
A Alice pra mim era um enigma agora!!!
Parei num banheiro no segundo andar e lavei o rosto, eu tava suando frio. Dei
uma ajeitada com a mão no cabelo... Gosto quando ele fica com aquele ar de
“bagunçado arrumado”.

“Ainda bem que aquelas franjas já cresceram, não sei por que eu tive a maldita
ideia de cortá-las tão curtas da última vez, já dá pra disfarçar jogando-as pra
trás”.

Sempre quis mudar a cor dos meus cabelos, mas eles são pretos demais,
minhas amigas acham lindo e dizem que ondulado com cachos na ponta voltou
na moda. Revi o visual e percebi que até gostava de como aquela calça jeans e
a regata branca vestiam no meu corpo.

“Ainda bem que fiz a sobrancelha, tava uma taturana. Ai, acho que preciso de
um bronze, tô mais branca que uma vela”.

Minha mãe tinha mania de me chamar de branca de neve por causa da pele
branquinha, dos cabelos e olhos bem negros e da boca bem vermelha. Esse
apelido realmente me irritava...

“Ei, peraí, se concentra, Laura! Não pode ver um espelho que já fica enroscada
na frente?!”

Respirei fundo e depois daquela auto meditação, senti uma pontinha de


confiança... Deixo bem claro que foi só uma pontinha... E sai caminhando em
direção ao terceiro andar.

Quando já estava subindo as escadas ouvi uma música gostosa, que me


lembrava à sexta sinfonia de Beethoven... Imaginei que, de certo, ela estava
treinando balé no estúdio de dança que o seu Henrique fez pra ela. Porém,
quando coloquei os pés no terceiro andar, a música mudou totalmente e achei
estranho... Talvez ela tivesse feito uma pausa... Eu ADORO “Radar” da
Britney... Foi quando cheguei na porta do estúdio, um lugar todo cercado de
espelhos que pareciam multiplicar a dançarina. Era a primeira sala do andar.

A garota não se parecia muito com a Alice de 9 anos atrás.... Mas os olhos cor
de mel e o sorriso não se deixavam enganar... Ela realmente estava dançando
aquela música... Com um top branco que deixava à mostra a sua barriga
delicada e definida, e um short curtíssimo preto colado que denunciava a forma
perfeita das suas pernas.

Ela não é sarada, é simplesmente IDEAL. Afinal, que corpo de dar inveja era
esse que a Alice havia conquistado?! E ainda era moldurado pelos cabeços
lisos meio dourados meio castanhos. OPA! Mas e o balé?!?!?! Leve,
encantadora, totalmente sensual... OOOOOOOOOOOOoooooooooo, mas
calma aí... Sensual?!?! Que isso, Laura?!?! Não! Tenho que admitir, ela está
LINDA!!! Só conseguia olhar e olhar...

“Hey baby whether it’s now or later (I’ve got you), you cant shake me (no),
cause I got you on my radar, Whether you like it or not, it ain’t gonna stop,
cause I got you on my radar (I’ve got you), cause I got you on my radar”.

O que foi isso?!?! Essa parte eu vou deixar pra vocês imaginarem, porque
realmente não daria pra descrever. Enfim, não sabia que eu gostava tanto de
ver pessoas dançarem! Fiquei ali, com a maior cara de pateta do universo e
nem que eu quisesse poderia tirar os olhos daquilo... E, ao mesmo tempo em
que não queria, uma força maior não me deixava tirar os olhos dela mesmo...
Foi quando a música terminou e ela se virou pra desligar o rádio... E eu
estática, ali na porta do estúdio... Os olhos cor de mel me entrelaçaram... O
sorriso largo que eu tava com tanta saudade se abriu mais ainda (sim, naquele
momento eu tive mais certeza ainda da saudade) e ela veio correndo, como se
não nos víssemos há apenas alguns dias...

Alice: Lauraaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! -- eu também sorri... Abri os braços e


recebi o abraço mais gostoso que eu já havia ganhado na minha vida.

Não conseguia falar, e mesmo ela estando toda suada, a abracei com a
mesma intensidade, fechei os olhos e senti um cheiro que me deixou
completamente abobalhada.

Alice: eu tava morrendo de saudades de você!!!! -- disse ainda nos meus


braços.

Foi aí que ela me largou... A gente ficou se olhando e rindo por um bom tempo.

Alice: Laura, você não mudou nada... Continua com essa carinha de criança
feliz e tímida!!! Me dá outro abraço, vai!!! -- e já foi se jogando em cima de mim
de novo.

Dessa vez eu não aguentei, a gente caiu no chão e ela gritou:

Alice: e continua fracote também... Apanhando nas brincadeiras!!!! -- e rindo


como quem fosse a pessoa mais feliz do mundo.

Laura: e você sempre achando que é a campeã nas brincadeiras, né?! -- sim,
agora saiu alguma coisa.

Comecei a fazer cócegas e ela rapidamente saiu de cima de mim, correndo e


rindo pelo estúdio. De repente todo aquele medo sumiu e eu estava me
sentindo super à vontade com aquela garota que parecia que havia passado a
vida toda comigo.

Laura: agora você vai ver quem é fracote aqui! -- corri e a abracei de novo -- eu
também tava morrendo de saudades de você, Alice!!!

Ela parou e me olhou intensamente, como se quisesse ler minha mente, e eu


tonta, não conseguia desviar meu olhar... Não sei o por que... “Timidez volta,
por favooooooooorrr!!!!”

Alice: você vai ficar comigo nesse jantar louco que meu pai inventou, né?!?!
Laura: claro que vou!!!

“Claro que vou?! Mas odiava essas cerimônias do seu Henrique!!!”

Alice: que bom... A gente tem muito que contar uma pra outra, você podia
dormir aqui comigo, esse andar é grande o suficiente para duas pessoas -- riu,
debochando do exagero do pai dela.

Laura: táááá... Ahhhh! A Dani e a Mari estão morrendo de saudades também,


elas querem te ver!

Alice: clarooooooooooooooooo, a gente pode combinar algo pra amanhã,


porque hoje vai ser um jantar mais formal, você conhece meu pai! -- balançou a
cabeça negativamente.

Laura: você quem manda! Depois eu ligo pra elas -- parei, olhei-a como se não
quisesse sair dali -- preciso descer, tenho que me arrumar, então!

Alice: tá, vai lá, a gente se vê daqui a pouquinho, Laurinha -- deu um beijo na
minha bochecha e saiu em direção ao closet.

Nunca desci aquelas escadas tão rápido... Entrei no meu quarto, sentei na
cama... “o que tá acontecendo aqui?!”

Capítulo 2

Não sabia o que realmente tava sentindo... Só sabia que TAVA FELIZ!!! Todo
aquele medo e aquela angústia tinham passado. Até me senti uma boba por ter
sofrido antecipadamente. Acho que, na real, tava com medo da Alice estar
diferente daquela moleca que eu conhecia. Agora que senti que ela continuava
a mesma pessoa eu tava mais tranquila. Claro que tínhamos muita conversa
pra colocar em dia, mas nada que esses últimos dias de férias não nos
deixassem fazer!

Desencanei desses pensamentos insanos que estavam tomando a mente e fui


logo pro chuveiro.

Foi um banho demorado, sempre que tenho ocasiões especiais eu trato do


cabelo e do corpo com mais cuidado. Afinal, aquele dia marcava a volta da
minha melhor amiga!

O duro foi escolher uma roupa legal. No fim escolhi uma calça preta bem justa
e uma blusinha preta também, afinal, preto é básico e cai bem em qualquer
ocasião. Coloquei uma sandália de salto dourada, brincos e pulseiras. Sabia
que as festas do seu Henrique não eram modestas. Caprichei no perfume e na
maquiagem, nada muito carregado, mas marcante. E finalmente fui pra sala
principal do apartamento.
Alice ainda não tinha descido. Fiquei por ali, perambulando e cumprimentando
alguns amigos mais íntimos da família que eu conhecia.

Minha mãe também estava como convidada e coordenava de longe as suas


assistentes.

A sala principal do apartamento dos Legrand é enorme, nesses dias é que eu


percebo. Desta vez ela estava com uma decoração mais despojada. Luzes
amareladas mais fracas davam um clima totalmente envolvente, pufes brancos
foram espalhados pelo ambiente, substituindo as tradicionais cadeiras e sofás.
Um bar com coquetéis havia sido montado e em um dos cantos da sala, um DJ
tocava um house mais calmo, fazendo a ambientação musical. O seu Henrique
tinha muito bom gosto para festas. Na verdade não era um jantar tão formal
quanto eu imaginava que seria. Os garçons serviam petiscos dos mais variados
tipos. Na verdade, era uma oportunidade dos convidados darem boas-vindas à
Alice e ficarem mais próximos dela.

Depois de já ter bebido uns dois coquetéis, eis quem avisto no topo da escada:
ela! Alice deu uma olhada no ambiente lá de cima e foi descendo cada degrau
com calma, como se saboreasse aquele caminho. Ela estava exageradamente
linda. Um vestido, frente única, vermelho escuro, envolvia o seu corpo. Seus
cabelos pareciam brilhar. A leveza com que andava denunciava a dançarina
que estava ali.

O pessoal foi cumprimentando-a aos poucos e eu a observando de longe.


Sabia que seria duro ter a atenção dela no meio de toda aquela gente. Então
relaxei, fiquei zanzando pela festa e ora papeava ali, ora aqui.

De repente alguém, vindo por traz, me puxa pelo braço e sussurra no meu
ouvido:

......: só você não vai querer me cumprimentar?!

Virei rapidamente e quase o meu rosto esbarra no dela.

Laura: tava achando que não ia conseguir mesmo! -- falei rindo e olhando nos
seus olhos.

Alice: vem aqui! -- e foi me puxando pelo braço em direção a uma das sacadas
-- você deve lembrar que eu odeio essas frescuras, né?! Não sei pra que tanta
formalidade!

Laura: relaxa! Aproveita pra ver o pessoal.

Alice: já vi todo mundo, mas na verdade me lembro vagamente de só alguns.


Quando a gente é criança não quer saber de muito assunto com os amigos dos
pais, né?!?! -- ela riu.

Laura: é verdade. Mas e de mim, você também só lembra vagamente?! --


perguntei dando um riso de canto e me encostando na sacada.

Alice: você é quem eu nunca consegui esquecer! -- aquele olhar penetrante de


novo e eu me perdendo naqueles olhos cor de mel novamente.

A gente ficou se olhando e ela parecendo que tentava ler minha mente como
algumas horas atrás. E eu nem sabia o que realmente tava pensando. “O que
era aquilo, meu Deus, que me envolvia completamente e nem me deixava
enxergar o que estava à minha volta?!”

Laura: eu não esqueci que você amava sorvete de pistache!

Alice: eu AINDA amo! -- arregalando os olhos, parecendo surpresa por eu ter


lembrado.

Ri e dei uma deixa:

Laura: vai lá aproveitar a sua festa, a gente conversa mais depois!

Alice: a festa tá legal. Mas eu quero ficar com quem eu to com saudade de
verdade! -- disse, abriu outro daquele sorriso lindo e apertou a minha
bochecha.

Laura: ta, então, você gosta mesmo de sorvete de pistache?!

Alice: mas o assunto vai ser só esse?! -- ela riu -- já disse que AMO!

Laura: tá! Quer fazer uma loucura?! -- ela me olhou com um ponto de
interrogação na cara.

Alice: se for pra gente se divertir, sim!

Laura: vem! Vamos então! -- saí puxando ela pelo braço.

Passamos sorrateiramente pelos cantos da sala e entramos na cozinha, pela


porta dos funcionários, levando-a em direção à porta de saída dos fundos.

Laura: me espera aqui. Volto em um minuto.

Ela só movimentou a cabeça positivamente, segurando um riso no rosto.

Fui correndo até o meu quarto e peguei a minha bolsa. Quando voltei, Alice
estava me esperando no mesmo lugar.

Laura: vamos! -- ela nem perguntou pra onde.

Enquanto descíamos de elevador, apenas nos olhávamos. Ainda não entendia


o porquê ficávamos tentando descobrir o que a outra estava pensando.

Saímos do elevador, e eu a puxando pelo braço, levei-a até a calçada, onde


chamei o primeiro táxi que estava passando. Não é coisa de filme, mas ali, no
Jardins, o que não falta é táxi. Quando entramos falei a rua para o motorista.

Quando o cara já estava concentrado, procurando chegar ao nosso destino, ela


se vira, bem perto de mim e diz:

Alice: eu topei ir com você, mas agora posso saber onde tá me levando?!

Laura: eu sei que tá um pouco tarde, mas nós vamos tomar o sorvete de
pistache mais gostoso de São Paulo.

Ela me olhou como se fosse uma criança que iria ganhar um brinquedo.

Alice: eu não acredito! Você é louca! -- riu me dando tapinhas no braço.

Laura: ué! A gente conversa, mata um pouco a saudade e ainda tomamos o


seu sorvete preferido!

Alice: Laura, você realmente me conhece! -- disse e encostou cabeça no meu


ombro.

A sorveteria era numa das alamedas ali mesmo do Jardins , parecida com um
pub, super aconchegante e familiar, propícia para ficar horas e horas matando
o tempo. Pedimos o nosso sorvete e sentamos em um dos sofazinhos.

Nem lembro como surgiram tantos assuntos. A gente não parava de conversar
e rir. Alice me contou tudo sobre a Europa, as escolas que ela estudou; as
cidades que morou, as apresentações de dança que fez e eu finalmente
descobri que ela não dançava somente balé, mas praticamente todos os tipos
de dança.

Também contei tudo daqui, das nossas amigas, do colégio, das festas e das
coisas de São Paulo que ela praticamente não conhecia.

Alice contou de um namoradinho que teve na França, mas disse que não era a
mesma coisa, os costumes eram diferentes, mesmo ela morando lá. Contou
que foi um namoro rápido, pois logo se mudou para a Rússia.

Também contei dos meus poucos rolinhos e do Vinícius, um carinha quem tive
um casinho um pouco mais sério há dois meses.

O engraçado é que esse assunto foi muito rápido, parece que só falamos pra
constar, mesmo.

Depois de muito conversar ela me pergunta:

Alice: Laura, se você pudesse conhecer um lugar no mundo, qual você


escolheria?!

Laura: Nova Iorque, com certeza! Adoro metrópoles. Não vivo sem essa
correria. Amo tudo que me transmite modernidade.

Alice: já estive em praticamente todos os países da Europa, mas INCRÍVEL, o


meu sonho também é Nova Iorque!

Laura: achava que você já tinha ido pra lá em alguma de suas viagens!

Alice: que nada, minha mãe só quer saber de Europa!

Laura: vamos combinar uma coisa?! -- cheguei mais perto dela.

Alice: VAMOS!

Laura: nossa, você topa tudo mesmo, hein?! E se eu disser que é pra gente se
jogar no rio Tietê juntas?!

Alice: BOBA! -- bateu no meu braço. -- É que eu sei que você não vai me
decepcionar no que me fizer prometer; afinal, não me decepcionou quando eu
confiei na sua loucura de sair escondida no meio da minha festa!

Laura: tá. Vamos pra Nova Iorque juntas, então!

Alice: se eu pudesse, ia agora com você! -- riu apertando o olhinho --


COMBINADO!

Nesse momento um atendente da sorveteria apareceu:

Atendente: meninas, infelizmente, estamos encerrando as atividades por hoje,


vocês gostariam de mais alguma coisa?!

Olhei a hora no meu celular.

Laura: pelo amor de Deus, Alice, olha a hora, vamos embora. Não vamos
querer mais nada, moço, obrigada!

Alice: culpa sua! -- ela ria.

Pegamos um táxi na frente da sorveteria e voltamos pro apartamento.

A gente não conseguia se conter de felicidade.

Já na porta, antes de entrar, tiramos as sandálias para não fazer barulho. A


festa já havia acabado parecia fazer um bom tempo.

Alice: não esqueci que você disse que vai dormir comigo lá em cima!

Laura: nem eu! Vou colocar meu pijama, escovar meus dentes e pegar meu
travesseiro, tá?!

Alice: ta, te espero lá em cima, então!


Novamente entrei em quatro e sentei na cama tentando processar tudo aquilo
que havia acontecido.

“Que loucura tá sendo essa?! Por que eu to tão boba?! Essa garota realmente
fez falta na minha vida!”

Capítulo 3

Novamente tentei tirar aquelas coisas da cabeça, afinal, aquilo não fazia
sentido nenhum. Só estava empolgada porque a Alice tinha voltado e a gente
tava se dando super bem. Que mal tem nisso?!

Levantei, busquei meu pijama no armário e me troquei. Fui pro banheiro, tirei a
maquiagem e escovei meus dentes. Voltei pro quarto e peguei meu travesseiro.
Passando pela cozinha deixei um recado pra minha mãe avisando que estava
na cobertura com a Alice. Peguei o caminho em direção até o terceiro andar.

Na cobertura, passei pelo estúdio de dança e por uma saleta que antecedia o
quarto dela. Ainda não tinha visto depois de terminada a reforma e realmente o
lugar havia ficado encantador. O ambiente tinha um cheiro gostoso e leve de
perfume, bem parecido com o que ela usava.

Quando entrei no quarto, não a avistei. Fiquei parada na porta, vendo como o
lugar tinha ficado. Realmente o seu Henrique havia usado todas as minhas
dicas, como a cama king size, a cor branca na parede e a roupa de cama bem
colorida. Além dos outros detalhes que o quarto tinha, como um jukebox que
emitia um som ambiente, a TV que mais parecia uma tela de cinema,
eletrônicos de tudo quanto é tipo e uma penteadeira enorme branca, com luzes
ao redor para se maquiar... O sonho de qualquer menina.

Não percebi a presença dela encostada na porta do closet me olhando com um


sorrisinho e os braços pra trás, estava distraída com os detalhes daquele
quarto maravilhoso. Foi quando a vi. Virei uma estátua. Minha calça xadrez e
minha regatinha branca não eram nem um pouco curtos quanto aquele
pijaminha de cetim roxo!

Alice: ficou lindo, não?!

Laura: sim, maravilhoso, eu não tinha visto pronto ainda! -- sentindo minha
bochecha queimar de vergonha.

Alice: meu pai me disse que você o ajudou bastante!

Laura: ah! Só dei algumas dicas, tipo, a parede e as roupas de cama.

Alice: eu sei que os exageros são do meu pai mesmo! -- e riu.


Laura: mas aquela penteadeira é linda! ADOREI!

Alice: realmente! -- veio se aproximando de mim com as mãos pra trás -- tenho
uma coisa pra você! -- esticou os braços me dando um embrulho.

Laura: UM PRESENTE?! -- fiquei espantada.

Alice: é... Esse presente tá guardado pra te dar desde quando eu cheguei na
França. Comprei com a ideia de te entregar na primeira visita que fizesse ao
Brasil, mas isso nunca aconteceu e eu guardei para a primeira ocasião que te
visse -- disse sorrindo, meio sem jeito.

Laura: Ah! Brigada, Alice! -- dei um beijo no rosto dela e um abraço bem forte. -
- Vou abrir!

Desembrulhei-o com bastante cuidado. Dentro de uma caixa havia uma


caixinha de música, que quando aberta, uma bailarina começava a dançar.
Simplesmente linda! Não era como aquelas que a gente vê por aí. A caixinha
era de madeira, toda entalhada e a bailarininha de porcelana, loirinha, até
parecida a Alice quando pequena.

Laura: Que LINDA, Alice! ADOREI! Parece você quando era pequenininha! --
disse apertando a bochecha dela.

Alice: era essa a ideia... Você se lembrar de mim sempre que a visse!

Laura: Own.... Vem aqui vai! -- e sai fazendo cócegas nela de novo, sabia que
desde pequena adorava essa brincadeira.

Ela saiu correndo, tentando fugir do ataque dos meus dedos e pulou na cama.
Ainda rindo, disse:

-- Você vai ter que dormir aqui comigo, se importa?!

Laura: claro que não! Essa cama ainda caberia a gorda da Dani e a chata da
Mari! -- caímos na gargalhada.

Depois de algum tempo rindo, ela disse:

-- Realmente tô sem sono! Minha adrenalina, acho que ta há mil por ter
chegado no Brasil. E também tem o fuso horário que é diferente. Mas se quiser
deitar, fica à vontade, tá?!

Laura: você acha que eu vim aqui pra dormir?! Vim pra te pentelhar, mesmo!

Alice: tá calor, quer dar um pulo na piscina?!

Laura: louca! Meu biquíni ta lá embaixo, deixa pra outro dia. Cadê as suas
fotos? Me mostra!
Ela correu super animada pro closet e voltou com uma caixa cheinha de
álbuns. Passou pelo jukebox e a ligou, parecia um jazz ou blues que tocava.
Deitou-se na cama ao meu lado e começamos a ver.

Vi tanta foto que parecia que tinha até viajado com ela pra todos aqueles
países. Estava compenetrada nos álbuns quando me dei conta que ela havia
ficado quieta fazia um bom tempo. Olhei e a Alice havia pegado no sono.

“Fuso horário, sei, sei, safada!”.

Organizei a caixa, coloquei-a ao lado da cama, cobri a Alice, apaguei a luz e


deitei.

De frente pra mim tinha uma porta de vidro enorme que dava para uma área
externa com uma piscina, sauna e uma mini academia. A vista de São Paulo de
lá de cima era simplesmente LINDA! Fiquei contemplando a cidade da cama
mesmo e imaginando que não conhecia nem metade do mundo lá fora.

Olhei pra Alice e ela parecia dormir gostoso. Foi quando pensei o quanto
aquela amiga tinha feito falta na minha vida, e o mais incrível: como ainda
éramos tão ligadas, mesmo ficando distantes por tantos anos e vivendo entre
culturas totalmente diferentes.

Tava FELIZ da Alice ainda ser aquela pessoa que cresci junto. Como ia ser dali
pra frente?!

“Que cheiro bom é esse, afinal?! Desde que entrei nesse quarto ta me
embriagando!”

Cheguei mais próxima dela e respirei fundo. Sim, era ela mesma que emanava
aquele cheiro.

“Ahhhh, que isso, Laura?! Cheirando mulher agora?! Pare de coisa, vai!”.

Dormi olhando pra ela. O sol já estava querendo sair.

*******

Acordei naquele sábado de sol com alguém passando as mãos pelos meus
cabelos.

...: ei, seu cabelo é tão lindo! Adorei a franja! -- falou baixinho.

Ela tinha percebido que eu tinha cortado a franja, bosta!

Laura: bom diaaaa! -- falei baixinho também, e sorri pra ela.

Alice: bom diaaaa, descabeladinhaaaa! -- e riu.

Laura: estranho seria se eu acordasse penteada, não?!?! -- rimos.


Alice: vem, vamos levantar, tenho planos pra gente hoje! Quem vai sair sem
destino com você hoje, sou eu!

Laura: que horas são?

Alice: umas 9 horas.

Laura: caramba, você não dorme?! -- fiz cara de indignação.

Alice: quando tô ansiosa, não! -- ela riu.

Laura: ansiosa pra quê?! -- levantei num pulo.

Alice: nada não... Vem, já que você levantou, vamos descer pra tomar café.

Laura: tá, tá, tá, dona “fogo no rabo”-- ela ria da minha indignação por já ter que
levantar.

Fui até o banheiro, dei uma ajeitada em mim mesma, lavei o rosto e descemos.

O seu Henrique estava tomando café na mesa da sala principal.

Henrique: bom dia, lindas! Percebi que vocês fugiram ontem, viu?!

Alice: bom dia, pai.

Laura: bom dia, seu Henrique.

Henrique: onde foram, hein mocinhas?!

Alice: fomos tomar um ar lá na piscina, pai, colocar a conversa um pouco em


dia e acabamos ficando por lá mesmo.

Henrique: ok, ok querida! -- não acreditando muito -- tomem café. Tenho que ir
pra minha aula de tênis. Voltarei pro almoço.

Alice: não precisa se preocupar, pai. Fica à vontade pra ficar no clube. Eu e a
Laura vamos passar o dia fora! -- eu nem tava sabendo desse pequeno
detalhe.

Henrique: aonde vocês vão, hein?!

Alice: nenhum lugar em especial, só bater perna mesmo.

Henrique: tá bom! Peça ao Lopes para levar vocês onde quiserem, ok?! --
Lopes é o motorista do seu Henrique -- vou de carro, o Fausto vai comigo --
Fausto é um amigo/irmão do seu Henrique.

Alice: ok, pai, fique tranquilo. Tenha um bom dia.


Laura: Ham, ham! Alice, eu vou ali tomar café com minha mãe, tá?! -- eu tava
meio sem jeito pra sentar naquela mesona da sala de jantar.

Alice: ah! Então, eu vou com você, não quero tomar sozinha!

Fomos pra cozinha e tomamos café com a minha mãe. Elas conversaram
bastante e eu fiquei mais olhando o quanto aquela menina se sentia bem em
qualquer lugar.

Alice: bom, Dona Lúcia, o papo tá bom, mas agora vou roubar sua filha de
você, o Lopes vai levar a gente pra passear!

Lúcia: ok, querida, podem ir. Vocês vêm pro almoço?!

Alice: provavelmente não. E meu pai também não, pode ficar sossegada.

Lúcia: é, ele me avisou agora há pouco. Então vou passar o dia na tia Cláudia
hoje -- a Cláudia é irmã da minha mãe.

Alice: Laura, se troque pra gente ir, então.

Laura: ok, te encontro daqui uns 20 minutos na sala.

Fui pro meu quarto, peguei minhas roupas e tomei um banho rápido. Coloquei
uma calça pantalona colorida, que era fresquinha, tava calor e realçava o meu
bumbum como eu gostava, e uma regata verde. No pé uma sandália rasteira.
Fiz um rabo no cabelo, mas aquela franja insistia em não ficar presa, decidi
assumi-la de uma vez por todas e deixá-la mais solta mesmo, por fim achei que
ficou até charmosinha caída no olho. Passei um perfume e um gloss. Tava
pronta! O dia estava definitivamente quente em São Paulo.

A Alice ainda não tava na sala. Sentei no sofá e fiquei folheando uma revista.
Foi quando meu celular tocou, era a Dani:

Dani: Ô, traíra, beleza?!?!

Laura: olha o respeito, filha! Eu ia te ligar hoje, garota folgada.

Dani: eu sei, resolvi me adiantar, mesmo. O que tá fazendo?!

Laura: vou dar uma saída com a Alice. Uma volta de carro, provavelmente, pra
ela rever São Paulo.

Dani: e o que temos pra noite?!

Laura: por enquanto, nada.

Dani: que tal um barzinho na Vila Mariana?!


Laura: por mim beleza... Vou falar com a Alice e mais tarde te ligo, ok?!

Dani: tá bom, gata. Me diz uma coisa.... Ela tá, digamos, legal?!

Laura: para de ser folgada, garota. Ela tá legal, sim. Mais tarde te ligo. Beijo na
bunda.

Dani: bléééé! -- e desligou.

Quando desliguei vi a Alice descendo a escada.

“Que saco, ela não cansa de surpreender?”.

Tava com uma saia jeans bem curta e uma legging branca por baixo. A regata
era um vermelho bem queimado (ela ficava demais de vermelho), no pé um
tênis bem baixinho, e o cabelo também estava preso. Aquele perfume, de novo,
tomou conta do ambiente.

Alice: vamos?! -- deu um sorriso e pegou na minha mão.

Laura: vamos! Mas onde?!

Alice: passar o dia juntas! -- riu.

O Lopes já estava nos esperando.

Ela pediu pra que primeiro ele seguisse pro Ibirapuera. Fiquei quieta,
esperando o que o sábado e a Alice me reservavam.

Chegando, ela disse:

Alice: tá, Lopes, fique à vontade, logo a gente volta.

Laura: e aí?! O Ibirapuera?!

Alice: é, tava com saudade de quando a gente vinha andar de bicicleta aqui!
Vamos sentar um pouco na beira do lago?!

Laura: tá bom!

Andamos até um local legal pra gente poder sentar e ficamos ali, admirando a
pouca natureza que ainda existe em São Paulo.

Laura: e aí?! O que mais você sentiu falta daqui?!

Alice: fora você?! -- eu fiquei totalmente sem graça.

Laura: para de ser boba. Tô perguntando de São Paulo.

Alice: Ah! Sim! Senti falta disso, dessa mistura de tudo um pouco.
Laura: hum! Você pensa em voltar pra Europa?!

Alice: ontem tive certeza, que por enquanto, não!

Laura: por quê?!

Alice: porque quero recuperar todo o tempo que a gente perdeu, e o tempo que
perdi só fazendo as coisas que a minha mãe queria. Dançando ali e aqui.

Laura: mas você não gosta de dançar?!

Alice: sim, mas vivia pra isso. Nem amigas eu tinha, a não serem algumas das
escolas de dança.

Laura: e você já sabe o que quer fazer além da dança?!

Alice: preciso ver ainda. Minha cabeça sempre foi só dança. Meu pai me
apoiou quando eu disse que queria fazer algo diferente.

Laura: pensei que ele havia te trazido pra começar a aprender os negócios da
família!

Alice: também. Mas pedi pra vir porque queria ter uma vida normal, e não ficar
morando de país em país, pelo motivo de minha mãe ser dançarina.

Laura: hum, entendo.

Alice: precisava disso. Ficar perto de pessoas que eu gosto, e que gostam de
mim. Tava com medo de te encontrar e ver que você não era quem eu
imaginava mais.

Laura: e?!

Alice: e tô FELIZ de você ainda ser a pessoa com quem eu cresci.

Laura: engraçado, pensei isso ontem mesmo, enquanto você dormia.

A gente riu e ficamos ali paradas, sem ter mais o que dizer. Até que eu quebrei
o gelo.

Laura: a Dani me ligou, perguntou se a gente tá a fim de um barzinho hoje à


noite.

Alice: por mim tá beleza. Sua agenda tá livre hoje?!

Laura: que eu saiba minha agenda hoje é de sua posse.

Alice: que bom que sabe! -- deu um beijo na minha bochecha e se levantou --
vamos aproveitar o dia.
Era tão bom ficar ao lado dela. Me deixava extremamente animada.

Passeamos o dia todo. Almoçamos em uma cantina italiana deliciosa e fomos


pro Shopping Higienópolis dar um role. Decidimos ver um filme no cinema. Era
uma comédia romântica.

Alice: agora eu sei com quem você se parece! -- no meio do filme.

Laura: como assim? -- não entendi o que ela falou.

Alice: você é parecida com a atriz, a Anne Hathaway.

Laura: páááára! Se fosse, tava ótimo! -- não consegui segurar o riso, todo
mundo do cinema me olhou.

Alice: viu, todo mundo olhou porque é verdade! -- sussurrou no meu ouvido e
riu.

Ela segurou minha mão e ficou assim, até o fim do filme.

Alice: gostou do filme?!

Laura: sim, bem legal, e você?!

Alice: também! Liga pra Dani, combina de hoje à noite.

Laura: vou ligar, já!

Laura: ô, folgada!

Dani: fala, encosto!

Laura: nossa, delicada, você!

Dani: tava esperando você me ligar. Vamos ou não?!

Laura: vamos! Mas vamos ali na Bela Cintra mesmo, pode ser?! Às 21h?!

Dani: claro, ADORO!

Laura: Beijos!

Dani: beijos.

Laura: combinado, Alice.

Alice: beleza, vamos pra casa, então. A gente continua nosso passeio outro
dia.
Fomos direto pra casa nos arrumar e combinamos que eu iria encontrá-la na
cobertura, assim que estivesse pronta.

Antes de subir, me deu um beijinho no rosto. Aquele dia havia sido realmente
muito agradável. Agora ia ver o que a noite me reservava!

Capítulo 4

Quase não tinha dormido aquela noite. Tava um pouco acabada. Decidi
cochilar dez minutinhos na minha cama antes de entrar no banho.

Deitei e peguei no sono. Não sei ao certo quanto tempo dormi. Minha cama
tava uma delicinha!

........: ei, safada! Você nem se arrumou ainda! -- ouvi uma voz gostosa falando
bem perto do meu ouvido.

........: não vai acordar mesmo?! -- quando disse isso senti o tal perfume que me
embriagava.

Dei um pulo da cama.

Laura: que susto, Alice! Que horas são?!?!

Alice: são 21h15. Tava te esperando no meu quarto. Vi que deu 21h e você
não apareceu, então decidi ver o que tava acontecendo!

Laura: putz! Queria descansar por 10 minutos e acabei pegando no sono.


Desculpaaaaaa! -- fiquei muito sem graça.

Alice: não esquenta! Se quiser a gente pode ficar!

Laura: não, claro que não! Se você não se incomodar em me esperar, tomo um
banho rápido e me troco. Ligo pra Dani avisando que vamos atrasar um pouco
também!

Alice: Laurinha, de boa, se quiser a gente deixa pra outro dia!

Laura: não, não. Vamos sim. Eu já volto, pode me esperar aqui!

Corri pro chuveiro e tomei um banho rápido. Me enrolei numa toalha e fui pro
quarto escolher uma roupa. A Alice tava sentada na minha cama. Ela não tinha
me visto na porta, mas eu vi que ela tava olhando umas fotos que tinham num
mural. E também reparei o quanto ela tava linda! Com uma calça jeans bem
escura e uma blusinha bem decotada, estampada. A sandália era de salto e o
cabelo ainda estava molhado. Ai, ai, comecei a perceber o quanto eu andava
reparando nela desde quando chegou.
Entrei no quarto, escolhi uma roupa rápido, e voltei pro banheiro pra me trocar.
Nem vi direito que roupa peguei. Só sei que sai do banheiro com uma calça
jeans clara, uma blusinha de alça, meio bata, listradinha de rosa e bege, e uma
sandália de salto marrom. Penteei o cabelo de qualquer jeito, ele ia se
desarrumar mesmo. Passei um blush, um lápis no olho e um gloss rapidinho. O
perfuminho deu o toque final e voltei pro quarto. A Alice ainda tava sentada na
minha cama. Foi quando meu celular tocou.

Laura: Dani, eu sei que estamos atrasadas, foi culpa minha, mas já estamos
saindo.

Dani: ô, noiva. Ou caga ou sai da moita, meu bem!

Laura: ultimamente você anda uma dama, não, Daniela?! Já disse que estamos
indo!

Dani: ok, peste, estamos esperando! -- e desligou!

Me voltei pra Alice e ela estava em pé, atrás de mim, me olhando, dos pés à
cabeça.

Alice: não tenho problema nenhum em dizer que nunca vi uma garota ficar
linda tão rápido! -- e riu.

Laura: você tem o dom de me deixar sem graça! -- novamente sentia meu rosto
queimando -- vamos que a Dani já ta dando piti!

Peguei a bolsa correndo e descemos pra pegar um táxi. Depois de 5


minutinhos já estávamos em frente ao bar. Entramos e já avistei as meninas. A
Alice, como sempre, simpática ao extremo, abraçou-as escandalosamente e as
encheu de beijos. Elas a paparicavam. Sentamos numa mesa e pedimos
alguns drinks. O meu favorito, lógico, é o Martini. Conversa vai, conversa vem,
tava tudo bem divertido, um house tocando gostoso. A gente tava se divertindo
demais.

Depois de muitos drinks eu percebi um cara sentando ao meu lado.

.........: Oi, meu amor!

Laura: Vini?! -- olhei pra ele, espantada.

Vinicius: por que o espanto?! -- perguntou desconfiado.

Percebi que as meninas pararam de conversar pra tentar ouvir a minha


conversa, mas tentavam disfarçar.

Laura: nada! Só não esperava te encontrar aqui. Só isso!

Vinicius: quer tomar um drink comigo no bar?!


Laura: Vini, to com as meninas. A Alice, uma amiga de muitos anos, acabou de
chegar da Europa. É uma “boas vindas” pra ela!

Vinicius: mas é só um drink, já te devolvo pra elas.

Laura: ta, rapidinho então, ta?!

Laura: Dani, vou até o barzinho com o Vini, já volto! -- falei no ouvido dela.

Dani: gostou da surpresa, safada?! -- me olhou com uma cara maligna.

Laura: como assim?!

Dani: ele me ligou perguntando se íamos sair hoje porque ele queria te ver!

Laura: não acredito que você falou, Daniela! Poxa, legal você, hein?!

Dani: calma, amiga, ele quer se acertar com você, faz o que seu coração
manda!

Sai sem nem olhar mais pra cara dela. Definitivamente meu coração não me
mandava ficar com o Vini. A gente havia terminado um namorico há uns 2
meses porque ele dizia que não lhe dava muita atenção. O Vini é um cara
legal, bonito e gente boa, mas eu não era apaixonada.

Sentei num banco no bar e vi que a Alice me fitava de longe, ela devia estar
sem entender muita coisa.

Vini: Laurinha, queria falar com você. Eu acho que a gente meio que ficou no
ar.

Laura: Vini, não tem o que ficar se explicando, a gente entrou num consenso.
Nossas vidas estão bem corridas. Não fica se culpando.

Vini: eu só penso em você, Laurinha! -- chegou mais perto de mim.

O DJ começou a tocar “Me against the music” remixada. Era uma das minhas
preferidas. Vi as meninas levantando da mesa. “não, a Alice não vai fazer isso!”

O Vini virou meu rosto fazendo-o olhar pra ele. Eu queria que ele evaporasse!

“Não acredito!”

Sim, ela começou a dançar e eu, como sempre queria olhar, ainda mais aquela
música.

“Que é isso?!?!”

Ela dançava bem junto das meninas que pareciam estar curtindo demais. Ela
olhava pro alto, pra baixo e rebolava como nunca vi. Os caras, claro, foram se
aproximando, como corvos, e dançando com ela, que virou o centro das
atenções do bar. O DJ fez a musica se transformar em “I Love Rock N’Roll” e
as meninas estavam cada vez mais animadas, principalmente a Alice que
dançava mais solta e sensual (de novo!). Os caras falavam no ouvido dela e a
pegavam pela cintura.

Eu não sabia o que fazer pra escapar do Vini. Ele insistia em me beijar.
Quando consegui me esquivar de um beijo dele, o meu olhar cruzou com o da
Alice. Ela me encarou com um risinho safado, quando de repente um cara
roubou um beijo dela. Eu me virei mais do que rápido pro balcão e bebi meu
Martini num gole só. Nem falei com o Vini e fui pro banheiro. Tava tonta. Não
sei se era por causa dos muitos drinks que eu bebi.

Estava apoiada na pia do banheiro, sentindo não sei bem o que, quando a Mari
entrou.

Mari: Laurinha, você ta bem?! O que aconteceu?!

Laura: to bem, Mari, só acho que bebi muitos drinks. Essas bostas sobem
demais!

Mari: é, amiga, eu percebi que você tava tomando num gole só enquanto falava
com o Vini. Aconteceu algo entre vocês?!

Laura: não e nem vai acontecer, Mari. Não gosto do Vini e a Dani não entende
isso, to puta porque ela avisou a ele que vínhamos pra cá! Poxa!

Mari: também achei meio que mancada, mas acho que ela não fez por mal.
Fica de boa.

Laura: Mari, eu acho que vou embora, vocês cuidam da Alice?!

Mari: não vai, Laura, não é pra tanto!

Laura: não to me sentindo muito bem e ter que ficar ouvindo o pela saco do
Vini no meu ouvido a noite toda não dá! A gente se fala amanhã. Avisa a Alice
daqui uns 15 minutos só, pra ela não querer vir atrás de mim, e poder
aproveitar a noite.

Mari: tá, você quem sabe, te ligo amanha.

Laura: beijos, amore! -- dei um beijinho no rosto dela e saí.

Passei pelo bar sem o Vini e nem a Alice me verem. Peguei o primeiro táxi que
passou e fui pra casa. Minha cabeça latejava demais.

No meu quarto, coloquei pijamas e deitei. A única cena que me vinha à cabeça
era a Alice dançando e o cara a beijando. Naquele momento admiti pra mim
mesma, numa auto-conversa, que eu realmente estava com ciúme. Pensei em
como aqueles dois dias haviam sido apaixonantes, mas que ao mesmo tempo
eu havia sentido algumas coisas estranhas.

“Será que a palavra seria realmente apaixonante?!” -- me perguntei.

Eu acho que eu tava somente animada com o fato de estar bem próxima da
Alice.
“Não é só isso, Laura!”

Apaixonante, ou melhor, apaixonada seria uma palavra que explicava a minha


crise de ciúmes.

“Claro que não, palhaça! Você só bebeu um pouco demais e ficou mal!”

Tentei cessar esses pensamentos que estavam me deixando ainda mais


confusa, mas não conseguia.

“Mas e o jeito que eu reparo nela?! E eu sei que ela repara em mim também!
Que nada, Laura, para de loucura, faz dois dias que você reviu a garota!
Desencana!”

Depois de muito brigar com meus próprios pensamentos, caí no sono. E por
incrível que pareça, dormi MUITO BEM!

Capítulo 5

Já era dia quando eu sonhava que alguém me enchia de beijos no rosto. Me


lembro que eu até ria. No meu sonho eu me virava e abraçava o tal “alguém”.
Foi quando uma voz entrou no meu sonho.

.......: não vai acordar safada?!

O cheiro embriagante tomou conta do meu nariz. Eu abri os olhos assustada e


ela me deu um beijinho no rosto. Eu tava abraçando a Alice, que tava meio que
deitada ao meu lado. “Páááraaaa!”. Soltei-a mais que rápido e me encolhi no
canto da cama.

Alice: te assustei?!

Laura: não, não, de boa! – ela percebeu que eu fiquei super sem graça.

Alice: bom dia Laurinha! – e sorriu.

Laura: bom dia! Você não cansa de me acordar?! – disse meio revoltada.

Alice: desculpa! depois a gente se fala então! – ia se levantando como se fosse


a decepção em pessoa.

Laura: calma! – segurei o braço dela – eu tava brincando! – ri meio sem jeito –
que horas são?

Alice: quase meio dia!

Laura: nossa, perdi a noção! E a noite?! Como foi hein?! – tentei desviar o
assunto
daquele mal-estar que ficou.

Alice: eu que lhe pergunto! Você foi embora com o Vini?!

Laura: claro que não! Ele foi pra lá porque a Dani chamou! Aliás, eu achei
super chato da parte dela querer se meter tanto no meu namoro que já
terminou há 2 meses.

Alice: é, a Mari comentou comigo, mas não me disse o porque você foi embora!

Laura: eu fui porque bebi demais e tava passando mal! Não queria que você
fosse por minha causa... e vi você se divertindo com o bonitão lá!

Alice: que nada, cara escroto! Me beijou à força! E o pior, deu confusão, os
caras que tavam perto fizeram um empurra-empurra quando viram que eu não
gostei! Eu e as meninas saímos de fininho e voltamos pra mesa! Depois de 1
hora mais ou menos eu já havia voltado, mas achei que você tava com o Vini,
não queria incomodar!

Laura: nada! Eu nem avisei ele também que viria embora!

Alice: hummm, mas olha só, o dia tá lindo! Eu liguei pras meninas virem tomar
um sol aqui com a gente. Vamos?!?!

Laura: eu não to muito a fim de papo com a Dani!

Alice: deixa de coisa Laurinha, ela percebeu que você não curtiu!

Laura: tá.... vou comer alguma coisinha, me trocar e já subo, ok?!

Alice: blz, te espero então! – dessa vez ela saiu sem me dar um beijinho... e eu
senti falta!

Levantei e fui pra cozinha tomar um café. Fiquei pensando nessa coisa chata
com a Dani e decidi deixar pra lá, já que ela havia se tocado. Voltei pro me
quarto, coloquei o biquíni, um shortinho branco, uma regata cinza e um
chinelinho no pé. Peguei minha toalha de subi.

Quando cheguei as meninas já estavam lá. Cumprimentei-as e a Dani já foi me


puxando de canto.

Dani: Laurinha, me desculpa, eu não sabia que você ia ficar tão chateada!

Laura: Dani, tá de boa. Eu só não gosto que fiquem se intrometendo nos meus
relacionamentos. Você é minha amiga, me dá conselhos, mas não tem o direito
de fazer “planinhos” com meu ex pra gente reatar. Achei meio sem noção,
ainda mais numa noite
que seria pra gente se divertir!

Dani: eu sei, dei mancada! Pensei errado, me desculpa mesmo! Não vai mais
acontecer.

Laura: beleza! Chega desse assunto! Agora vamos aproveitar o dia, porque a
noite foi uma bunda!

A gente se juntou às meninas, tomamos um suco e decidimos entrar na


piscina. Realmente estava muito calor aquele domingo!

A Alice foi lá pra dentro ligar o som e voltou só de biquíni. Ela percebeu que eu
quase morri ao vê-la praticamente sem nada. Sim, aquele biquíni pink era
praticamente “NADA”.

“Como que pode?! Eu de novo reparando?!”

Ela pulou na piscina e logo depois foram a Dani e a Mari.

Detalhe: eu virei uma estátua, ainda olhando na porta que ela tinha surgido.

Alice: vem Laurinha. Tá muito boa a água.

Laura: tá! Já vou!

Me virei pra mesa, enchi meu copo de suco e virei num gole só. Eu tava
nervosa, sentindo um frio na barriga!!!

“Aaaaaiii, eu tô ficando louca com isso já!”

Tomei ar e fui pra água! Mergulhei fundo na intenção de esfriar a cabeça.


Fiquei um bom tempo embaixo da água, quando alguém me puxa.

Mari: quer morrer, querida?!?!

Laura: credo Mari! Eu não posso nem mergulhar?! Vê se me erra!

Mari: ô Laura! Não pode mais brincar com você não?!

Laura: desculpa! Tô de mal humor hoje!

Mari: vem cá! – ela se virou pra que as meninas não pudessem ouvi-la – esse
mal humor diz respeito ao Vini..... ou à Alice?!?! – eu me espantei.

Laura: que isso Mari? Você tá louca?

Mari: acho que quem ta ficando louca é você Laura! Pensa um pouco! -
dizendo isso nadou pra perto das meninas.

Fiquei muito assustada com aquelas palavras. Decidi me aproximar delas e


entrar no assunto. Logo a Lourdes, ajudante da minha mãe, trouxe o nosso
almoço! Almoçamos e eu tentei melhorar meu humor! Mas aquilo que a Mari
havia dito não saía da minha mente e ela percebeu que havia me incomodado
demais.

Mais tarde eu decidi deitar numa cadeira de sol pra tentar pegar um bronze.
Depois de uns 10 minutos eu percebi que a Mari deitou ao meu lado. A Alice e
a Dani ainda se divertiam como peixinhos na piscina. Eu me virei, apoiando nos
meus cotovelos como se fosse tomar sol nas costas e puxei o assunto mais
que rápido.

Laura: ô Mariana, o que foi aquilo que você quis dizer, hein?!

Mari: se você tá encanada até agora é porque você levou em consideração,


querida! – disse num tom de cinismo.

Laura: ô garota, chega de meias palavras e fala de uma vez!

Mari: você acha que eu fui ao banheiro atrás de você por que ontem, Laura?!

Laura: porque você viu que eu tava passando mal!

Mari: passando mal o caramba! Você saiu porque o cara beijou a Alice. Você
acha que eu não percebi o jeito que vocês se olham?! – ela falava baixo.

Laura: você só pode tá ficando retardada! Que é isso, Mari?!

Mari: Laurinha, não vamos brigar por causa disso! Daqui uns dias a gente
conversa sobre esse assunto de novo, ok?! Agora, desencana! – e voltou pra
piscina como se não quisesse mais tocar nesse assunto.

“Desencana?! Ela me deixou mais encanada ainda, essa louca!”

A Mari é do tipo de pessoa que nunca fala, mas quando fala a bomba é quente!
Parece mãe, que avisa que vai chover, chove mesmo! Por isso eu fiquei mais
encucada! A Mari tem um sexto sentido muito bom, eu conheço muito bem ela!

Voltei pra piscina também e passamos o resto do dia como se fossemos


crianças novamente!

Quando o sol já estava caindo, as meninas decidiram ir embora! Saíram da


água, tomaram uma ducha e arrumaram as suas coisas. A Alice foi
acompanhá-las até a porta.

Eu fiquei lá na piscina, apoiada na beirada, vendo a vista de São Paulo. Aquele


pôr do sol estava delirante. Depois de um bom tempo, quando eu tava
compenetrada nos meus pensamentos, eu vi dois braços me cercarem e
apoiarem na borda da piscina. Me virei e a Alice estava me olhando, com um
sorriso safado no rosto.

Alice: Laurinha! – e aproximou o seu rosto do meu.

Eu podia sentir aquele perfume vindo do corpo dela e a sua respiração. Eu não
sabia o que ela estava fazendo, mas as minhas mãos, automaticamente sem
que eu as deixasse, cercaram a cintura dela. Sentindo-as ela sorriu e olhou
minha boca. Naquele momento eu já sabia o que ia acontecer e estava
totalmente entregue.

..........: Desculpa, gatas! Eu esqueci meu celular em cima da mesa!

“Eu não acredito!”. Era a voz da Mari. Eu não sabia o que fazer. Mergulhei e
escapei dos braços da Alice, que mais do que rápido se apoiou na borda da
piscina. Nem eu, nem ela, conseguimos responder o que a Mari tinha falado!

Mari: Tchau meninas! Até mais! – saiu com um sorriso de canto.

Demos tchau e a Alice mergulhou. Eu fiquei fitando a Mari até a porta. Ela se
virou e piscou pra mim. “Vaca, ela deixou o celular de propósito!”

Aí eu caí em mim e no que eu ia fazer! Foi tudo muito rápido. Saí da água, me
sequei e percebi que a Alice agora era quem tava de costas olhando a vista de
São Paulo. O pôr do sol tava realmente lindo! Não tive coragem de sair sem
falar com ela. Dei a volta na piscina e me abaixei.

Laura: eu tenho que descer! – e dessa vez foi eu quem dei um beijo na
bochecha dela, que só sorriu.

Eu estava saindo pela porta quando eu a vi abaixando a cabeça.

Desci as escadas lentamente e quando estava no segundo lance me sentei


num degrau pensando no que teria sido aquilo. Não tava certo isso! Agora eu já
tinha certeza do desejo que queimava dentro de mim por ela. “Eu sei o que tô
sentindo, eu ia permitir! Eu preciso fazer alguma coisa! BOSTA! Eu quero a
minha mãe!”. E desci correndo pro meu quarto!

Capítulo 6

Aqueles pensamentos insanos de novo tomavam conta da minha cabeça.


Agora eu estava entendendo o porquê de eu não ter reagido à nada. E pior, por
ainda ter dado esperanças, quando a puxei pela cintura.

“Não é possível, mas eu acho que eu tô completamente apaixonada por essa


garota!”. Amenizou um pouco a situação quando eu pensei: “e tô sendo
correspondida!”.
Mas nada daquilo era certo. Alice e eu éramos melhores amigas. Dizem que
toda menina já se apaixonou pela melhor amiga, então devia ser isso!

“Mas por que queima a minha pele e me toma tanto a mente?!”

Eram infinitas perguntas sem respostas. “E se a Mari estiver certa?! Agora ela
tá mais do que certa, ela previu e viu o que ia acontecer! Será que eu ligo pra
ela?! Não, melhor fingir que nada aconteceu! Eu preciso de um tempo pra
minha cabeça. Eu preciso ficar um tempo longe da Alice!”

Olhei pro meu celular em cima da escrivaninha e tinha uma ligação perdida.
Era o Vini.

“Ah! O que eu faço? Eu tô totalmente perdida!”

Decidi tomar um banho e colocar a cabeça no lugar. Enquanto estava no


chuveiro, meu celular tocou de novo. Era o Vini novamente.

Laura: Oi Vini!

Vini: Laurinha, o que aconteceu com você ontem?! Você sumiu! Tá tudo bem?

Laura: Tá sim Vini, eu só passei mal e tive que ir embora correndo, desculpa
por não te avisar, eu ia te ligar.

Vini: Laurinha, não precisa ser gentil, meu amor! Eu já entendi o recado e só tô
ligando mesmo pra saber se tá tudo bem!

Laura: Vini, para de drama!

Vini: Laura, se cuida! Você sabe onde me encontrar e sabe também que eu te
adoro! Beijos gatinha! -- e desligou.

Laura: Alô?! Vini?! CARALEO!

“Por que eu simplesmente não podia gostar do Vini que é um cara legal, que
gosta de mim e se preocupa comigo?! Por que tudo tem que ser tão
complicado?!”

Voltei pro banho pensando seriamente na possibilidade de dar mais uma


chance ao nosso namoro e tentar tirar essa loucura da cabeça. Foi quando
meu celular tocou de novo. “Caramba, não acabo esse banho hoje!”

Olhei no visor, era a Mari. “Atendo ou não? Essa garota quer me sacanear!”

Laura: Fala!

Mari: ô Laurinha, tá bravinha?! Liguei pra te encher mesmo!

Laura: e eu não sei?


Mari: calma Laura! Você quer conversar?!

Laura: conversar o quê, Mariana?

Mari: sobre o que tá se passando.

Laura: como assim?

Mari: eu vi que eu interrompi algo entre vocês hoje. Eu fiquei totalmente


chateada porque, imagino eu, que não rolou nada depois.

Laura: Você tá enganada, garota!

Mari: ah, então rolou Laurinha? – com um tom de cinismo.

Laura: não, aconteceu nada. Você tá enganada porque não interrompeu nada,
não tava acontecendo nada, Mariana!

Mari: ahhhhhhhhhh Lauraaaa! Você quer enganar quem?

Quando ela disse isso eu não aguentei e desabafei chorando.

Mari: Laura? Que foi? Você tá bem?

Laura: Mariana, me deixa em paz, porra! -- eu disse.

Mari: Laura, eu tô indo praí agora!

Laura: de boa, fica onde você está e me esquece! -- eu estava visivelmente


alterada!

Mari: Laura, me escuta, eu quero conversar com você!

Não deixei a Mari terminar de falar e desliguei. Ela me pegou numa hora de
extremo nervosismo e não me deixou raciocinar direito.

Saí do banho, me acalmei e me troquei o mais rápido que pude. Saí sem nem
ao menos me pentear, o cabelo tava molhado e logo se ajeitaria. Eu sabia que
a Mari ia aparecer e eu não queria vê-la. Peguei o primeiro táxi que encontrei
na rua e pedi pra ele me deixar na Avenida Paulista. Eu adorava caminhar na
Paulista, entrar nas livrarias e tomar café. Foi isso que eu fiz, caminhei de uma
ponta à outra, sem destino, só pensando.

A Mari me ligou mais duas vezes e eu não atendi. Não queria falar com
ninguém! Decidi entrar na Fnac, folhear algumas revistas e ver as novidades.
Estava tão concentrada na leitura que nem percebi uma pessoa se aproximar
de mim. Ela veio por trás e tapou os meus olhos com as mãos.

...........: Adivinha quem é?!?!


Laura: eu não acredito!

..........: ACREDITE!

Eu me virei e ganhei um abraço de urso da Paula. Como eu adoro aquela


garota! Conheci a Paula no curso de inglês, há muitos anos. Desde o primeiro
dia a gente se identificou demais. Temos os mesmos gostos, as mesmas
manias... A gente adorava conversar e andar por aí depois das aulas. Mas ela
precisou sair do inglês e passamos a conversar mais por telefone.

Paula: Own, que saudades de você Laurinha! -- e não me soltava.

Laura: eu também, amore! Que delícia te encontrar! -- a minha felicidade era,


agora, visível -- Ainda mais num dia como hoje!

Paula: como assim, amor?

Laura: ahhh! Deixa pra lá Paulinha, tô MUITO FELIZ em te ver!

Paula: eu também, fofa! -- me enchia de beijinhos e apertões -- Vamos tomar


um capuccino?

Laura: você sabe mesmo como me chamar pra conversar, né gata? -- a gente
riu.

A Paula era um amor, atenciosa ao extremo, amiga mesmo! Era uma graça,
cabelos negros, lisos e longos, olhos verdes como esmeraldas escuras e um
sorriso largo, branquinho! Mais alta que eu e muito, muito fofa. Eu sempre dizia
que ela tinha um cheirinho de bebê!

Sentamos numa mesinha do café.

Paula: eu quero me sentar pertinho de você, tô com saudades! -- ela sorriu


bem grande.

Laura: vem cá meu cheirinho de bebê! -- e puxei ela pelo braço. A gente riu.

Fizemos o pedido e ela já foi logo puxando assunto.

Paula: como você tá, Laurinha?!

Laura: eu tô bem, logo tá começando a faculdade e eu tô bem animada. E


você?

Paula: eu tô bem também. Tô me mudando pra um apartamento só meu. Na


verdade, por enquanto é um “apertamento”, aqui na Paulista mesmo. Mas pelo
menos eu tô saindo da casa dos meus pais!

Laura: hum, tá criando juízo, Paulinha?


Paula: um dia tem que criar, né? -- e riu -- Mas me fala uma coisa, o que te
aconteceu? Por que tá agoniada?

Laura: Ah, Paulinha, é uma longa história!

Paula: é uma longa história ou você não quer me contar?

Laura: acho que os dois!

Paula: Laurinha, você sabe que com a gente não tem essa de chateação,
vergonha e coisas do tipo.

Laura: eu sei! Mas é que eu não consigo nem contar, nem mesmo tocar no
assunto!

Paula: Laurinha, se você tá assim é porque precisa de alguém pra desabafar.


Pode confiar em mim. Usa e abusa! -- e riu.

Laura: ai Paulinha, então eu vou ser direta.

Paula: fala, sou toda ouvidos!

Laura: eu acho que tô apaixonada por uma garota!

Ela parou, me olhou fundo e ficou meio sem palavras.

Laura: eu disse que não era tão simples!

Paula: Laurinha, eu tô saindo da casa dos meus pais por causa disso!

Laura: como assim? -- fiquei espantada.

Paula: eu me assumi e eles não aceitaram. Eu sou homossexual -- eu fiquei


pasma -- Mas olha gata, calma! Eu sou a mesma Paula de antes, não fica me
olhando como se fosse um ET! -- eu peguei na mão dela e ela entendeu que eu
não tava sentindo preconceito -- Me conta tudo, quem sabe não posso te
ajudar?

Naquele instante, decidi que a Paula seria uma pessoa de confiança, afinal, ela
já tinha passado por isso. Descrevi toda a história nos mínimos detalhes e
depois de algum tempo ela chegou numa conclusão.

Paula: Laurinha, não tem jeito! Você realmente está apaixonada por essa
garota. E acho que é coisa desde a infância. Acho também que ela tá a fim, te
provocando. Mas o que você tá sentindo que deve fazer?

Laura: eu não sei! Eu só sei que quero dar um tempo da Alice. Ficar um pouco
longe, pra colocar minha cabeça em ordem. Ver se é isso mesmo que tô
sentindo. Depois eu vejo o que eu faço.
Paula: Laurinha, meu apê é novo, não tem praticamente nada, mas se você
quiser passar uns dias comigo, fique à vontade. Eu peguei férias do serviço pra
poder organizar a minha vida, então a gente pode se fazer companhia.

Laura: que isso Paula, não quero te incomodar não.

Nesse instante, o meu celular tocou. Era de casa! Vendo minha aflição, ela
perguntou:

Paula: quer que eu atenda e diga que você foi ao banheiro?!

Laura: ai, por favor, não dá pra saber se é ela, ou minha mãe!

Paula: Alô?

........: ééé, por favor, é do celular da Laura?!

Paula: sim, quem é?!

........: é a Alice, eu queria falar com ela, por favor?

Paula: oi Alice, aqui quem fala é a Paula, amiga da Laura. Ela tá no toalete.

Alice: Ah! Eu falo com ela depois então. Obrigada Paula, Tchau!

Paula: tchau querida!

Laura: Ai Paula, eu não sei o que eu faço. Mas acho que vou aceitar ficar uns
diazinhos com você.

Paula: que bom, amore! Fique à vontade pra ir quando quiser.

Laura: eu vou pra casa agora, descansar. Amanhã eu te ligo, pode ser?!

Paula: claro! -- me abraçou bem forte, me deu um beijo gostoso no rosto e eu


fui embora.

Peguei um táxi de volta pra casa. Entrei de fininho no meu quarto. Coloquei
meu pijama comportado. Minha mãe foi me dar um beijo e disse que a Alice
tava me procurando e que a Mari tinha ido até lá também. Respondi a ela que
conversaria com as duas no dia seguinte. Fui deitar.

A luz do meu quarto já tava apagada, eu já estava deitada fazia um bom


tempo, pegando no sono, quando eu escutei a porta abrir. Levantei num pulo.
Mas não consegui enxergar, estava tudo escuro. Percebi que a pessoa sentou
na minha cama e chegou bem perto.

.........: Eu preciso falar com você! -- sussurrou quase que como um gemido no
meu ouvido.
Aquele cheiro tomou conta do ambiente e quando ela tocou o meu braço eu
senti como se uma fogueira queimasse dentro de mim. Eu sabia que era a
Alice.

Laura: que foi? -- perguntei baixinho.

Alice: eu preciso te tocar, sentir o seu cheiro, Laura! E eu sei que você quer! --
quando ela disse isso próximo ao meu ouvido, eu me derreti toda, mas tirei
forças não sei de onde pra responder.

Laura: Alice, calma! Eu preciso de um tempo, você tá confundindo a minha


cabeça! Eu preciso respirar! Eu tô pirando desde o dia que eu te vi! -- e fui me
afastando.

Alice: eu já pirei, Laura! Eu tô completamente louca! -- e tentava chegar mais


perto de novo.

Laura: Alice, por favor! Me dá um tempo!

Ela segurou a minha nuca e beijou o meu pescoço. Eu senti a mão e a boca
dela ardendo de calor. Quando me soltou, cai com a cabeça no travesseiro e
ela saiu. Depois de um tempo, eu não tinha certeza se aquilo foi um sonho,
enganação da minha mente ou se realmente tinha acontecido.

“Sim, eu tô LOUCA!”

Capítulo 7

Eu não tive uma noite boa. Acordei bem cedo na segunda-feira e fui falar com a
minha mãe, que estava tomando café na cozinha.

Laura: Bom dia, mãe!

Mãe: Bom dia, filhota!

Laura: Mãe, é o seguinte, eu vou precisar passar uns diazinhos na casa da


Paula, aquela minha amiga do inglês, de muitos anos atrás.

Mãe: Como assim, Laura?

Laura: é que ela tá se mudando pra um apartamento sozinha e como eu tô de


férias, ela me pediu pra ajudá-la com a mudança, arrumação, etc etc etc,
entendeu? -- eu tive que dar um “perdido”.

Mãe: Mas Laura, a Alice acabou de chegar e você vai largar a menina sozinha?

Laura: Mãe.... são só uns diazinhos, assim a Alice também organiza as coisas
dela e tal. No máximo sexta-feira estou de volta!

Mãe: Dorme em casa e vai de dia ajudar a Paulinha, filha, não tem
necessidade de dormir na casa dela!

Laura: É que vão ser os primeiros dias dela sozinha, ela queria minha
companhia. E a Alice tem a Dani e a Mari mãe!

Mãe: Ok Laura, ok.... mas só dessa vez e atenda a minhas ligações, ok?! E me
deixa o endereço da Paulinha, se eu precisar de algo urgente!

Laura: Obrigada mãe! -- beijei o rosto dela.

Quando me levantei, vi que Alice estava escutando nossa conversa, encostada


na porta da cozinha. Ela ficou me olhando como se não estivesse acreditando
que eu tava fugindo dela. Sim, “FUGIR” era o verbo correto a ser utilizado. Eu
estava fugindo mesmo.

Saí o mais rápido que pude da cozinha e fui arrumar as minhas coisas. Ela só
ficou me fitando. Peguei o celular e liguei pra Paulinha dizendo que eu tava
indo pro apê dela. Ela se animou e disse que estava preparando um café da
manhã especial pra gente.

Arrumei minha mochila, vesti uma calça de moletom larga e uma blusinha,
amarrei o cabelo e saí sem me despedir da minha mãe, para evitar de
encontrar com a Alice de novo. Quando desci do elevador, não acreditei no que
eu vi. Alice estava me esperando no hall do prédio.

Alice: Oi! -- ela olhou séria pra mim.

Laura: Oi! -- eu respondi sem jeito.

Alice: Por que você tá saindo com tanta pressa?

Laura: Por que você sempre me surpreende?

Alice: É impressão minha ou você tá me evitando?

Laura: Não, Alice, eu só preciso ir pra casa da Paula. Ela tá precisando de uma
ajuda minha.

Alice: E se eu não tivesse ouvido sua conversa na cozinha, eu não ia ficar


sabendo? E quem sabe, talvez, você também iria me evitar no telefone a
semana toda, como ontem?

Laura: Para de fazer tantas perguntas, Alice! -- foi quase um grito -- O que foi
aquilo no meu quarto ontem?

Alice: Do que você tá falando? Eu tava com a Mari ontem à noite! -- eu não
acreditei, eu realmente tinha sonhado!
Laura: Fazendo o quê com a Mari? -- senti ciúme.

Alice: Ué, ela é minha amiga também, não?

Laura: Então pronto, Alice, fica de boa -- falei isso e fui saindo, estava
visivelmente alterada... e ela também.

Alice: Laura! -- ela segurou meu braço -- Pra que isso?

Laura: Outra hora a gente conversa, por favor! -- eu voltei e dei um abraço
nela, que correspondeu prontamente... tão gostoso.

Logo me desvencilhei e sem olhar naqueles lindos olhos cor de mel, saí
correndo para pegar um táxi. Não sei o que ela fez, não olhei pra trás pra ver.
Cheguei no apartamento da Paulinha e ela estava à minha espera. Contei tudo
o que tinha acontecido durante aquela manhã e ela logo disse:

Paula: Laurinha, você precisa ouvir o que ela tem a dizer. Pelo que você conta,
ela está desesperada pra falar com você.

Laura: Mas eu não me sinto preparada pra falar com ela!

Paula: Laura, falar não é tão difícil quanto beijar... Não precisa acontecer se
você não quiser!

Laura: O problema é esse, Paulinha!

Paula: Então se você quer, pega essa mulher logo de jeito -- a gente riu -- Ela
tá te dando muito mole.

Laura: Quero tentar esquecer um pouco esse assunto.

Paula: Ok, não vamos falar mais nisso.

Terminamos o café da manhã e fui com a Paula resolver uns últimos detalhes
do apartamento dela. A gente se divertia demais juntas.

Ao longo do dia, ela me contou da namorada. Uma garota chamada Fabiana,


Fabi, que mora no Rio de Janeiro. Ela me contou que a intenção das duas era
da Fabi vir morar com ela em São Paulo. Me contou toda a história delas, que
por sinal é linda.

Com Paulinha, a semana passou rápido. A gente tava cada dia mais próxima.
Sem que eu nem percebesse, a quinta-feira já tinha chegado. Eram umas 6h
da tarde quando Paulinha decidiu ir comprar algumas coisas pra fazermos um
lanche. Ela saiu e eu fiquei sozinha no apê, vendo televisão. Pensei que por
mais que minha semana tivesse sido muito legal, eu não conseguia parar de
pensar na Alice, em como ela estava, o que ela tava fazendo e coisas desse
tipo.
De repente, meu celular tocou e no visor mostrava o numero de casa. “QUE
BOSTA! A Paulinha não tá aqui pra atender e ver se é minha mãe!”. Decidi
atender porque se fosse a dona Lúcia, ia ficar muito brava, e tínhamos
combinado que atenderia suas ligações!

Laura: Alô?

.........: Pensei que não ia me atender! – ela riu.

Laura: Alice? -- mesmo sabendo da possibilidade de ser ela, fiquei surpresa.

Alice: Acertou! Tudo bem?

Laura: Tudo e você? -- “por que ela tá fazendo que nada aconteceu?”

Alice: Tô com saudades! Vem pra casa? -- meu coração começou a bater forte.

Laura: Amanhã eu vou, Alice.

Alice: Vem hoje! -- falando manhosa.

Laura: Amanhã!

Alice: Tá, promete?

Laura: Prometo!

Alice: Tá bom então! Beijo...

Laura: Beijo -- e desligou.

Eu não entendi aquela ligação, mas uma coisa ela tinha conseguido... Me
deixar ainda mais, digamos, apaixonada, “ai ai”! Aquela garota tava me
deixando cada segundo mais louca. Paulinha chegou da padaria e eu contei da
ligação. Comemos e fomos ver novela. Naquele dia, a gente tinha decidido ficar
quietas dentro de casa e aproveitar pra papear, pois eu iria embora no dia
seguinte.

Conversamos sobre tudo. TUDO MESMO! E quando duas babacas estão sem
uma ocupação, arranjam alguma coisa pra fazer. Ligamos o rádio e
começamos a brincar de guerra de almofadas. Ríamos demais. Corríamos pelo
apartamento, fazendo a maior bagunça. Paulinha teve a excelente ideia de se
esconder. Fiquei um tempão procurando aquela safada. Entrei no quarto dela e
aquela ogra saiu de dentro do guarda-roupa se jogando em cima de mim.
Caímos no colchão que tava no chão, rindo.

Paulinha era maior que eu e, sem sombra de dúvidas, bem mais forte. Ela me
virou de frente pra ela e segurou as minhas mãos acima da minha cabeça, me
deixando totalmente desprotegida naquele momento. Parou de rir e me olhou
dos pés à cabeça. Eu senti um arrepio subindo na minha espinha e fechei os
olhos. Aproximou-se do meu pescoço, cheirando-o e tocando com sua boca.
Aquilo estava me deixando totalmente entregue. Entrelacei as minhas pernas
nas dela, dando a entender que eu também estava a fim daquilo. Eu só
consegui pensar “A Paulinha NÃO! Ah! A Paulinha SIM!”.

Ainda passeando pelo meu pescoço, ela soltou as minhas mãos. Uma delas
agarrou o meu cabelo e a outra apertava a minha cintura. Naquele momento,
eu não pensava em mais nada. Estava louca já! Apertei forte sua bunda e fui
arranhando suas costas. Ela foi com a boca até o meu ouvido e gemeu:
“Gostosa!”. Eu praticamente gozei só de ouvir a maneira como ela falou. Vendo
que eu já estava completamente alterada ela parou, me olhou e disse:

Paula: Laurinha. Você já é mais que uma sapatão! -- rindo horrores -- Some
daqui e vai atrás da SUA mulher. Não sou eu por quem você está apaixonada!
-- eu a olhei querendo matá-la -- Outro dia eu deixo você passar a mão na
minha bunda -- ria mais ainda.

Laura: Paula, sua descarada, filha da puta! -- eu ri.

Paula: Vai Laura, o quê você tá esperando?

Levantei rápido, ajeitei minha roupa, dei um beijo demorado no rosto dela e saí
correndo. Quando eu estava na porta e ela ainda deitada no colchão do quarto,
gritei:

Laura: Obrigada gata! EU TE AMO! -- fechei a porta e corri pegar um táxi.

Somente quando eu tava a caminho de casa percebi que já estava com minha
calça xadrez e minha regata branca, prontinha pra dormir. Ainda bem que
coloquei, pelo menos, um chinelo no pé e peguei minha mochila. Subi correndo
pro apartamento. Entrei devagar pra minha mãe não reparar. Eu tava doida pra
pegar aquela garota! Corri em direção às escadas.

“Porque será que eu nunca pego o elevador? Se concentra, Laura!”

Chegando ao terceiro andar, novamente ouvi a música que eu a vi dançando


pela primeira vez... “RADAR”. Se eu pensasse muito pra tomar alguma atitude,
desistiria de novo. Então nem pensei.

Entrei no estúdio de sopetão e ela estava dançando, como da outra vez. “QUE
LINDA! Não quero morrer do coração antes de chegar até ela!” Joguei minha
mochila no chão e fui em direção à Alice. Ela me viu e não parou de dançar. Eu
caminhava com passos firmes e sem nem pensar ou planejar o que ia fazer.
Ela sorriu já prevendo o que aconteceria.

Eu tentei segurá-la pela cintura, mas ela se esquivava, indo pra trás e
dançando. Estava brincando comigo. Eu já estava completamente fora de mim,
só de vê-la dançando tão perto, com aquele shortinho curto preto e o top
branco.
Consegui prendê-la entre o meu corpo e a parede. Não cansando de me ver
sofrer, me empurrou numa poltrona que havia ao lado e dançava bem na minha
frente, rindo da minha situação.

“Hey baby whether it’s now or later (I’ve got you), you cant shake me (no),
cause I got you on my radar, Whether you like it or not, it ain’t gonna stop,
cause I got you on my radar (I’ve got you), cause I got you on my radar”.

Foi quando eu, não aguentando vê-la rebolar tanto, puxei-a pela cintura
fazendo-a sentar no meu colo. Ainda de costas para mim, ela insistia em
dançar e eu já beijava loucamente o seu pescoço e os seus cabelos.

“AH, AQUELE CHEIRO!” Sentindo a minha boca arder de desejo em sua nuca,
ela se virou e entrelaçou suas pernas na minha cintura. Me olhava com fogo
nos olhos e eu apertava com toda força as suas costas e a sua cintura.

Alice: Lau... -- coloquei o meu dedo indicador em sua boca, como se


necessitasse daquele silêncio.

Respirando fundo, segurei sua nuca e a beijei. Senti Alice amolecendo nos
meus braços, ficando totalmente entregue a mim. Eu tinha conseguido me
domar!

“QUE BEIJO É ESSE?” Suas mãos passeavam pelos meus cabelos, sua língua
procurava a minha com pressa e desejo. Eu estava explodindo por dentro. Eu
queria mais! Foi o sentimento mais delirante que já havia vivido. SURREAL!
Finalmente eu estava sentindo o gosto daquela boca perfeitamente desenhada.

Depois de um longo tempo, nossos lábios se separaram e minha língua


percorreu todo seu pescoço, colo e ombros. Ela gemia baixo em meu ouvido,
algumas coisas que eu não conseguia entender.

“Eu preciso da boca dela!”. Voltei a beijá-la. Dessa vez o beijo foi doce, meigo e
apaixonado. Abraçava-a forte e ela retribuía os meus carinhos. Estava em
transe total e precisava de ar.

“Isso foi INCRÍVEL!” As nossas bocas se separaram e eu não conseguia parar


de olhar aqueles olhos cor de mel. Ela sorria e passava as mãos nos meus
cabelos. A gente ainda estava na mesma posição na poltrona.

Alice: Ficou com saudades de mim? -- riu.

Laura: Você sabe como me deixar doida! -- também ri.

Alice: Eu endoidei desde o primeiro minuto que olhei pra você!

Laura: Quando a gente era pequena?

Alice: BOBA! -- aquele cheiro era realmente maravilhoso.


Laura: Eu tentei fugir, me afastar desse desejo -- disse tentando me explicar.

Alice: Eu não queria que você fugisse, eu queria você pra mim -- me deu um
selinho demorado.

Laura: Eu quero que esse momento seja pra sempre! -- olhava-a hipnotizada.

Alice: Vou trancar a porta -- se levantou e foi até a porta.

Eu fiquei ali, parada, na mesma posição. Se aproximou de mim, estendeu o


braço pegando na minha mão.

Alice: Vem comigo! -- convidou.

Sem nem pensar, FUI!

Capítulo 8

Alice me levou até o quarto em meio a beijos, me jogou na cama e, com as


pernas abertas, sentou-se sobre mim, me fazendo acreditar que, naquele
momento, ela era a dona da situação. Aproximou sua boca da minha.

Alice: Você tem noção do quanto eu tava esperando por isso? -- falou baixinho.

Laura: Aham! -- eu estava hipnotizada.

Alice: Tem? -- ela riu do meu jeito, mas insistia para que eu voltasse à
realidade.

Laura: Não, não sei! Me mostra! -- minhas mãos já tomavam conta de todo o
seu corpo.

Ela beijou minha boca como eu nunca vi, me deitando na cama. O nosso
desejo era mais do que visível. Aquele perfume penetrava não só o meu nariz,
como também a minha pele.

“QUE MULHER, MEU DEUS!”

Eu não conseguia pensar em nada. Fechava os olhos e tentava respirar o


mesmo ar que ela. Não poderia descrever. A música continuava tocando e eu
nem sei mais qual era. Ela parecia dançar sobre mim. Eu sentia cada parte
dela.

“Ah, Alice!”

Ela parou tudo, olhou fundo nos meu olhos e sorriu.


Alice: Eu quero terminar uma coisa!

Me puxou novamente pela mão e me levou até a área da piscina. Eu não


estava entendendo nada. Parou na minha frente e começou a tirar o shorts,
ficando só de calcinha, que era de renda branca e larguinha na lateral, LINDA!

“AH! Eu não vou aguentar!”

De repente, ela pulou na piscina.

Alice: VEM! -- e sorriu gostoso -- Não tá gelada!

Laura: Você tá louca?!

Alice: Tô, por você! Vem, Laura.

Eu queria mesmo era ficar junto dela, então valia tudo. Tirei minha calça e
minha regata e pulei na piscina. Percebi que minha lingerie preta a deixou de
queixo caído. Quando coloquei a cabeça pra fora da água, ela já estava me
empurrando pra borda, me cercando com os dois braços.

Laura: É um deja vù?

Alice: Era isso que eu precisava terminar.

Sem que eu pudesse responder, me beijou com a boca molhada. Eu a puxei


forte pela cintura pra que ficasse colada em mim, lembrando aquele momento
que não havia sido finalizado.

A gente só queria matar aquele desejo que ardia em nossos corpos, que nem a
água da piscina conseguia apagar. Alice estava quente, como se ao invés da
lua, no céu, estivesse o sol. Ela beijava o meu pescoço e mordia a minha
orelha. Eu precisava virar o jogo. Eu a queria como minha refém.

Num movimento rápido, me virei e quem ficou sobre a parede foi ela. Mergulhei
e lambi desde a sua barriga até o seu pescoço. Ela se contorcia nas minhas
mãos. Suas bochechas estavam totalmente rosadas. Levou a boca até a minha
orelha.

-- “Eu QUERO você!” – disse baixinho.

Não aguentei e puxei a sua boca na minha novamente. Nos beijamos


apaixonadamente, sem pressa nenhuma. Uma mistura de bocas, mãos e
gemidos. Até que, depois de um longo tempo, eu consegui respirar.

Laura: Se eu soubesse que seria tão bom, não teria saído dessa piscina
naquele dia! -- sorri.

Alice: E eu não teria deixado você longe de mim todos esses dias!
Laura: Eu sei que não é hora, mas... desculpa! -- a gente não conseguia parar
de se olhar.

Alice: Agora você entende que eu quero você? -- me olhava fixamente.

Laura: Agora eu entendi que EU quero você!

Ela me beijou como se não acreditasse no que tinha ouvido.

Alice: Vem, vamos entrar, tá ficando frio – disse depois de alguns minutos.

Saímos da piscina. Ela interfonou na cozinha e pediu dois chocolates quentes


pra Lourdes. Tomamos um banho quente rápido, sem muita gracinha, pois
sabíamos que logo a Lourdes bateria na porta.

Não teve jeito, eu não pude colocar nem calcinha e nem sutiã, ia dormir só de
calça e regata. Depois de uns 15 minutos, Alice foi pegar os chocolates.

Alice: Obrigada, Lourdes. Avise à dona Lúcia que a Laura tá aqui comigo e vai
dormir por aqui, ok?

Veio com a bandeja e os dois chocolates quentes, acompanhados de uma


tigelinha com bolachas. Não deu 5 minutos e minha mãe interfonou no quarto
da Alice.

Mãe: Laura? Filha, você não tava na Paulinha?

Laura: Sim, mãe, quando eu cheguei não te encontrei, então subi aqui com a
Alice! Desculpa não te avisar! -- nossa, que “perdido”.

Mãe: Tá bom, filha. Boa noite, querida!

Laura: Boa noite, mãe!

Desliguei e me sentei na cama. Alice estava mais LINDA ainda, com uma
camisetinha cinza que marcava os seus seios sem sutiã e um shortinho largo
azul. Seus cabelos molhados a deixavam ainda mais sensual. Ela me puxou
para encostar no seu colo enquanto bebíamos o chocolate.

Laura: Bem que a Mari me falou...

Alice: O quê?

Laura: Que a gente... sei lá... ia rolar!

Alice: Dizem que quem tá de fora percebe!

Laura: Eu fiquei até com raiva porque ela não parava de me falar que eu tava a
fim de você!
Alice: E você tava? -- disse rindo

Laura: Eu não queria admitir, mas estava. Quem me ajudou a enxergar isso foi
a Paulinha, minha amiga. Eu contei tudo pra ela. Precisava de alguém pra
desabafar.

Alice: E essa Paulinha, hein? -- disse torcendo o nariz.

Laura: Ela é minha amiga do inglês, de muitos anos atrás. Ela se assumiu
homossexual e os pais não gostaram. Então ela saiu de casa. Me deu muitos
conselhos.

Alice: Só isso? -- ainda curiosa e mostrando o ciúme.

Laura: Só isso dona Alice!

Eu terminei o chocolate, coloquei a xícara na bandeja e me virei a deixando


coladinha em mim.

Laura: Você é a minha primeira garota -- disse sussurrando no ouvido dela.

Alice: Você também é a minha primeira -- eu me espantei.

Laura: Mas eu achava que você já tinha ficado com alguma garota, pelas
atitudes que tomou -- realmente tinha ficado perplexa, mas ao mesmo tempo
FELIZ!

Alice: Eu acho que tive mais facilidade por ter convivido com muitas meninas e
meninos homossexuais na dança. Mas você é minha primeira. Eu soube
escolher -- sorriu apaixonadamente.

Nos beijamos devagar, sentindo o gosto uma da outra. Eu não conseguia ficar
muito tempo sem beijá-la.

Alice: Eu preciso te contar um segredo...

Laura: O QUÊ? -- pensando que estava bom demais pra ser verdade.

Alice: Calma! Eu só queria contar que você não tava louca...

Laura: Como assim? -- não entendi mesmo.

Alice: Eu fui ao seu quarto sim aquele dia de madrugada. Beijei seu pescoço e
me segurei demais pra não fazer outras coisinhas! -- ela riu.

Laura: Sua BOBA! E eu achando que tava biruteando!

Alice: Eu não estava mais aguentando ficar na minha cama sem você. Não
conseguia parar de pensar em te beijar. Aquele dia eu nem dormi! Por isso
apareci tão cedo na cozinha...
Laura: Hum... agora aproveita e mata o seu desejo... e o MEU!

Soltei Alice, deixando-a livre para fazer o que bem entendesse de mim.

Capítulo 9

Naquele momento, Alice me olhou com uma cara de safada, do tipo “OBA!”.
Ela se esticou até o criado mudo ao lado na cama, pegou um controle remoto e
ligou a jukebox. “Don't cha – Pussycat Dolls” começou a tocar. Ela fez sinal
com a cabeça para que eu me deitasse, como se fosse minha dona. Eu, sem
nem pensar, atendi prontamente. Ela se sentou sobre mim e disse baixinho
roçando a sua boca na minha:

Alice: Posso fazer o que eu quiser?

Eu nem respondi, só a fitei e levei as minhas mãos até o seu corpo.

Alice: Ainda não! -- tirando as minhas mãos dela e ainda falando junto da
minha boca.

No ritmo da música, ela foi se levantando e dançando sobre mim. Eu não


conseguia desviar os olhos. Amava vê-la dançando, ainda mais daquele
ângulo.

“Por favor, eu não quero que os minutos passem!”

Aquele corpo era perfeito, suas formas, sua pele. O jeito como ela me olhava e
me provocava era demais. Os cabelos molhados caiam sobre o seu rosto e eu
ficava louca com aquilo. Não consegui agüentar, eu tava morrendo de vontade
de experimentar aquele corpo. Puxei-a pela cintura, jogando-a sobre mim.

Alice: Tá com pressa? -- sorriu com safadeza -- Calma, Laurinha!

Ela se levantou novamente e continuou a dançar. Linda! Sensual! Enigmática!


Não tirava os olhos dos meus, como se me desafiasse a aguentar aquela
tortura. Naquele momento, descobri o poder de sedução que a Alice tinha
sobre mim.

“Ah! Essa mulher quer me torturar!”

Fazia que ia tirar o short, mas não tirava. Se virava de costas, jogando os
cabelos e sorria. Rebolava até se encostar em mim e voltava, não me deixando
tocá-la. Sentia um turbilhão de chamas dentro percorrendo minhas veias.
Rebolava, requebrava e se contorcia toda sobre mim.

“Em que parte das aulas de dança ela aprendeu aquilo?”


Divertia-se ao ver minha cara de desejo.

“Ah, Chega!”. Puxei-a pela cintura novamente.

Laura: Você quer me matar? -- disse no seu ouvido.

Alice: Só se for de prazer! -- ela respondeu, gemendo no meu.

Agarrei-a pela nuca, dando um beijo que tirou-lhe o ar. Enfim, ela decidiu se
entregar. Agora eram minhas mãos que dançavam sobre o seu corpo. Mesmo
estando em cima de mim, sabia que estava entregue. Devagar, troquei de lugar
e a deitei.

Olhei-a panoramicamente, reparando em cada parte que ia tomar. Seu corpo


se arrepiava implorando o meu, suas mãos arranhavam as minhas costas
suplicando para que a levasse às nuvens. Sem pressa, fui tirando o seu short.
Beijei suas coxas levemente definidas e subi até a virilha, sentindo o seu corpo
amolecer novamente. Minhas mãos percorriam áreas antes desconhecidas.

Mordendo a barriga, tirei a sua blusa. Seus seios, lindos, estavam livres para
que eu os explorasse com gosto. Quando minha língua tocou-os, ela suspirou
baixo e fechou os olhos. Alternava entre eles e seu pescoço, enquanto
apertava aquela bunda maravilhosa.

Alice não se aguentava. Suas mãos abusavam do meu corpo com desejo. Me
pegou forte e me jogou para o outro lado da cama. Numa rapidez quase que
inacreditável, tirou minha regata e sem muita frescura puxou a minha calça. Eu
a agarrei trazendo-a pra mim.

Laura: Nossa, que violenta! -- eu ri.

Beijou-me fundo, com vontade. Seu corpo colado ao meu. Mais do que rápido a
despi totalmente, tirando-lhe a calcinha. Sua pele macia estava fervendo. “Não
sabia que eu era tão ágil!”

Aquele corpo realmente era maravilhoso! Ela me lambia, me mordia, me


chupava. Minhas mãos, insaciáveis, queriam mais. Seu ritmo era guiado pelas
músicas que tocavam na jukebox. “E QUE RITMO!”

Senti seus dedos me tocando, me tirando os sentidos, me deixando sem ar. Foi
quando, enfim, minhas mãos alcançaram o seu sexo, arrancando-lhe gemidos
mais altos. Sentei-me para que nossos corpos voltassem a ficar mais próximos.

Enquanto abusava de mim, rebolava loucamente. Foi naquele ritmo intenso


que ela me levou ao ápice. Ao mesmo tempo, fechou os olhos e jogou a
cabeça pra trás, soltando gemidos descontrolados, que mais pareciam músicas
aos meus ouvidos. Percebi, então, que também a fiz sentir o que nunca havia
sentido.
Quando estávamos mais calmas, nos beijamos apaixonadamente. Um beijo
longo, gostoso, que selava aquele momento.

Alice: Uau! -- deitando-se ao meu lado.

Laura: Uau! -- eu repeti.

Alice: Laurinha... eu tenho que te dizer... a minha primeira vez não seria melhor
se não fosse com você! -- aquela hora eu praticamente morri.

Laura: Primeira vez? -- ela percebeu que eu me espantei.

Alice: Por que o espanto?

Laura: Ah! Sei lá.... você parecia tão...!

Alice: Tão? -- curiosa.

Laura: Tão experiente! -- ela caiu no riso.

Alice: Laurinha, eu praticamente nunca namorei. Namorei pouquíssimo tempo.


Só vivia pra dança e mais nada. Por que o espanto?

Laura: Porque, sei lá! Ah, não sei explicar.

Alice: Eu sei... isso é o que chamamos de paixão.

Ela desligou a jukebox, se encostou no meu colo e ficou ali. Eu fiquei um bom
tempo em estado de choque. Até que, mais unidas do que nunca, pegamos no
sono.

Capítulo 10

No dia seguinte, acordei com a claridade que entrava pela porta de vidro na
frente da cama. Notei que Alice ainda dormia gostoso.

-- Que milagre, deve tá cansada.

Coloquei meu pijama que estava no chão, cobri-a com o edredom e desci para
ver minha mãe. Encontrei-a na cozinha.

Laura: Bom dia minha coisa linda! -- falei sorrindo.

Mãe: Bom dia, filha! Quanto tempo, hein? -- ela sorriu.

Eu cheguei bem juntinho dela, dei um beijo bem gostoso em sua bochecha e
um abraço apertado.
Mãe: E a Paulinha? Conseguiu se organizar, filha?

Laura: Ainda não totalmente. Eu disse que às vezes vou lá ajudá-la e tal!

Mãe: Hum! E a Alice, tá dormindo?

Laura: Tá sim. Falando nisso, pede pra Lourdes preparar um café pra ela. Acho
que tá ficando gripada! -- eu precisava de uma desculpa pra levar o café.

Mãe: Gripada? Será que eu chamo um médico? Ligo pro seu Henrique?

Laura: Que nada mãe, pode ser que ela acorde melhor, vamos esperar ela pra
ver o que ela quer fazer.

Mãe: É verdade! Vou pedir à Lourdes então.

Laura: Eu vou tomar um banho rapidinho pra despertar e deixa que eu levo a
bandeja, tá?

Mãe: Tá bom, filha! – dei mais um beijinho nela e saí.

Por mais que eu não quisesse tirar o cheiro dela de mim, tomei um banho bem
gelado. Coloquei uma calça de moletom cinza que amarra na cintura e uma
camisetinha rosa. Passei um pós-banho bem gostoso e um perfuminho cítrico
suave. Enquanto me trocava, fiquei olhando pra caixinha de música. Abri e
fiquei reparando a bailarininha dançando.

“Que bonitinha! Realmente parece a Alice!”

Fechei a caixinha e saí do quarto com pressa. Eu definitivamente estava


revigorada! Passei pela cozinha, peguei a bandeja e avisei à minha mãe que
estaria lá na cobertura. Dessa vez, fui de elevador.

Quando cheguei ao quarto, notei que a Alice ainda dormia. Coloquei a bandeja
sobre o criado mudo e me deitei devagarzinho ao lado dela novamente, como
se nem tivesse saído dali. Mexi em seus cabelos e enchi seu rosto de
beijinhos. Aos poucos ela foi esboçando um sorriso. Abriu bem pouquinho os
olhos.

Alice: Então não foi um sonho?

Laura: Não... não foi um sonho, meu amor! -- encostando o meu nariz no dela.

Alice: Acho que foi sim... você está com outra roupa... e acordou antes de mim!
-- sorriu largo.

Laura: É... eu desci pra tomar um banho. Mas o porquê eu acordei antes, já
não sei explicar! -- sorri perto do rosto dela.

Alice: Me dá um abraço gostoso? Me belisca? Me morde? Preciso saber se é


verdade!

Abracei-a bem forte puxando-a para mim. Belisquei sua bunda e mordi seu
pescoço.

Alice: Hum... vai ter que continuar, heim? -- falou em tom de safadeza.

Laura: Não vejo problema nenhum nisso -- e sorri.

Alice: Você é tão cheirosa! -- fungando no meu cangote.

Laura: Essa frase era minha -- falei brava.

Alice: LINDA!

Laura: Ah, olha! Trouxe pra você -- estiquei os braços pegando a bandeja com
o café.

Alice: Own... Cheirosa, linda, E FOFA! -- sorriu e me tascou um beijo na boca.

Alice se sentou na cama com o cabelo ainda desarrumado e foi tomando


devagarzinho o capuccino. Eu passava manteiga nas bolachinhas e ela ficava
só me olhando, com um ar feliz.

Alice: Assim eu vou querer casar, hein.

Eu apenas ri, ela continuava comendo.

Laura: Tá com fome, hein?!

Alice: Sim... minha noite foi bem agitada.

Eu queria que aquele momento nunca terminasse. Olhei no relógio, eram


aproximadamente 10 horas. Ela acabou de comer e disse:

Alice: Vou tomar um banho, me espera?

Laura: Claro!

Levantou-se e foi para o banheiro. Eu dei uma arrumada nas coisas e juntei
suas roupas que estavam no chão.

Laura: Ah, esqueci de falar! Você tá gripada, viu?! -- falei, indo até o banheiro.

Alice: Ahm? Como assim? -- eu ri da expressão de dúvida dela.

Laura: Tive que inventar alguma coisa pra minha mãe pra poder trazer o café
pra você. Disse que você tá meio gripada, que não tava muito disposta pra
descer. Ela até me perguntou se eu achava que ela deveria chamar um médico
ou ligar pro seu pai. Disse que você decidiria quando acordasse.
Alice: Boba!

Ela riu alto e entrou no chuveiro. Eu voltei pro quarto e liguei a tv. Dei play no
dvd. Começaram a passar vídeo clipes.

“Nossa, é muito parecida!”

Laura: Agora eu sei também com quem você é parecida! -- correndo em


direção ao banheiro novamente.

Alice: Quê? -- ela ensaboava o corpo.

Laura: Aquele dia, no cinema, você me disse que eu era parecida com a tal
atriz. Agora eu encontrei uma pessoa que você é parecida também.

Alice: Você não é parecida, é praticamente a Anne Hathaway!

Laura: E você é muito igual à loirinha, que canta e dança naquele grupo.

Alice: Quem?!

Laura: Aquele grupo que canta as músicas que você dançou ontem pra mim.

Alice: Ashley? The Pussycat Dolls?

Laura: Ééé!

Corri novamente pro quarto para terminar de ver o clip. Eu realmente não
acreditava naquela semelhança, só o cabelo da Alice que era um pouco mais
escuro.

“Agora eu sei onde ela anda aprendendo essas danças. SENHOR!”

Alice saiu do banheiro e me viu de queixo caído olhando pra tv.

Alice: Para de coisa, sua boba! -- riu.

Foi quando o telefone do quarto dela tocou.

Alice: Atende pra mim, Laurinha?

Corri pra atender.

Laura: Alô?

.........: Hum, dormiu aí, Laurinha? -- eu identifiquei a voz.

Passei o telefone pra Alice sem nem responder.


Laura: Pra você -- ela pegou o telefone sem entender.

Alice: Alô? Oi Mariii, tudo bem? Eu tô bem! Hum, então, não sei, vou falar com
a Laurinha, ok?! Depois a gente se fala. Beijos -- desligou -- O que deu em
você? Era a Mari!

Laura: Eu sei! -- fechei a cara.

Alice: Aconteceu algo entre vocês que eu não tô sabendo?

Laura: A Mari anda muito estranha, diferente. Ao invés de ela me ajudar, ela
ficava me provocando quando tocava no seu nome. Fazia piadas. Pô, ela é
minha amiga ou o Bozo? Eu não entendi a dela.

Alice: Calma, Laurinha -- disse se aproximando de mim -- agora deu tudo certo,
não deu?

Laura: Mas tenho a impressão de que se dependesse da Mari, eu estaria


confusa até agora! Afinal, pra que ela ligou?

Alice: Hoje é sexta e ela e a Dani querem sair, dançar, sabe?

Laura: Não sei se vou, mas pode ir se quiser.

Alice: Não fala assim, Laurinha. É claro que se você não for não tem graça, né?

Laura: Vou pensar – fiz bico ao qual prontamente ela deu um selinho.

Já trocada e mais cheirosa, ela agarrou no meu pescoço e me beijou. Toquei a


cintura dela e percebi que já estava com saudades. Contive-me pra não
começar tudo de novo.

De repente, meu celular tocou no bolso da minha calça. Separei as nossas


bocas, olhei no visor, era a Paula. Ela viu e fez cara de cocô. Eu resolvi
atender.

Laura: Oi Paulinhaaa!

Paula: Laurinha, já acordou? -- percebi que sua voz estava estranha.

Laura: Sim querida, pode falar. Tá tudo bem?!

Paula: Laurinha, vem pra cááá... eu preciso de vocêêê! -- dizendo isso


começou a chorar.

Laura: Paula, que foi? O que aconteceu? Calma! -- eu caí em desespero. A


Alice me lançou um olhar de medo.

Paula: Ahhh! -- ela chorava.


Laura: Aguenta aí Paulinha, tô indo -- desliguei o celular.

Alice: Que foi, Laura?

Laura: Eu não sei, a Paula tava chorando. Preciso ir até lá -- fui colocando o
tênis que tinha tirado quando entrei no quarto.

Alice: Quer que eu vá com você?

Laura: Não, não... deixa pra conhecê-la outra hora. Eu te ligo dando notícias --
indo em direção à porta.

Alice: Mas e hoje à noite? -- correndo atrás de mim.

Laura: A gente se fala mais tarde.

Alice: Laura, fala direito comigo! -- segurando meu braço.

Laura: Ciúmes agora não! Entenda que se não fosse pela Paulinha a gente não
estaria aqui agora. Eu devo muito a ela -- Alice me deu um beijo e saí correndo.

Peguei um dinheiro na minha bolsa para pagar o táxi e corri pra rua. Quando
cheguei em frente ao prédio da Paula, a vi na janela. Subi correndo, toquei a
campainha e ela abriu mais do que rápido.

Laura: Que foi, meu amor?! -- eu a abracei forte.

Paula: Laurinha, ela não me quer mais! -- chorava como uma criança.

Laura: Como assim, Paulinha?! -- ainda abraçadas.

Paula: A Fabi terminou tudo comigo.

Eu não acreditava. A Paulinha tinha mudado toda a vida dela por causa
daquela garota e agora ela deu um passa fora. Devagar, levei-a até o sofá.

Laura: Espera um pouco -- fui até a cozinha e peguei um copo com água e
açúcar -- me conta direito.

Paula: Ela me ligou agora de manhã dizendo que precisava falar comigo, mas
que não tinha como vir até aqui. Disse que sentia muito, mas que não estava
disposta a deixar a vida dela. Deu até a entender que tá com outra pessoa --
ela se debulhava em lágrimas.

Laura: Paulinha, calma, meu amor. Eu só tenho uma coisa a lhe dizer: há
males que vem para bem. Eu tô aqui para o que você precisar, tá?! Eu sei que
é foda esquecer, tentar superar e passar por cima de tudo que você enfrentou
por ela. Mas agora você está de vida nova, totalmente independente pra ir em
busca da sua felicidade. O que não é pra ser, não é.
Paula: Ahhh Laurinha... que BOSTA!

Laura: Quer ir lá pra casa comigo? Você conhece a Alice! Só que agora que tá
solteira não pode me roubar, tá?! -- ela me olhou com uma cara do tipo “Não
acredito”.

Paula: Laura, sua safada! Cara de pau! Me conta tudo... preciso me distrair.

Contei tudo, nos mínimos detalhes, até da dança! Por alguns momentos ela se
esquecia do dia terrível que estava tendo e ria.

Laura: Vamos sair comigo hoje? A gente se distrai, ri um pouco e você pode
dormir em lá casa.

Paula: Ah não sei, Laurinha.

Laura: Vamos! Você conhece a Alice e as doidas das minhas amigas.

Paula: Tá bom, vamos tentar, mas qualquer coisa eu volto pra casa, ok?!

Quando olhei no relógio vi que já eram quase 4 horas da tarde. “Nossa, a gente
passou quase o dia todo conversando!”. Peguei meu celular.

Laura: Oi, Alice.

Alice: Pensei que tinha me esquecido!

Laura: Olha, coisa feia!

Alice: Tô com saudades, cadê você Laura?

Laura: Logo tô chegando. Avisa às meninas que nós vamos hoje sim. A
Paulinha vai com a gente.

Alice: Tá bom, vem logo.

Laura: Beijo!... combinado, Paulinha. Aparece lá em casa umas 22 horas, ok?


Agora eu preciso ir, descansar um pouquinho e me arrumar, tá?

Paula: Tá bom, vai lá! Obrigada, viu?! Eu te amo! -- e deu um beijo bem
gostoso na minha bochecha.

Antes de sair, corri e apertei a bunda dela. Ela me olhou com um ponto de
interrogação no rosto.

Alice: Você disse que outro dia eu podia passar a mão na sua bunda. Gostosa!
-- e saí batendo a porta.

Chegando em casa, fui até o terceiro andar e contei tudo pra Alice, que até
ficou meio chateada com a situação. Deitamos um pouco na cama dela e,
olhando uma pra outra, pegamos no sono.

Já eram quase 22 horas e eu estava praticamente pronta. Naquela noite, havia


colocado um vestidinho verde todo pregueado, na altura do meio da coxa, uma
sandália de salto marrom com pedras, brincos e pulseiras. Não podia esquecer
o perfume e o cabelo bagunçado. Fiz um make de leve, nada vulgar. Dei uma
última olhada no espelho e subi encontrar a Alice. Ela me fez esperar na ante-
sala no quarto. Quando a vi, não acreditei.

“SIMPLESMENTE MARAVILHOSA!”

O vestido preto decotado era demais pra mim. Os detalhes das lantejoulas
pretas no busto realçavam ainda mais os seios divinos, e a sandália de salto
preta a deixava ainda mais charmosa. Aquele cheiro me embriagava. Ela me
olhou vidrada. Eu levantei e fui ao encontro dela.

Alice: Hum... você tá LINDA! -- disse baixinho se aproximando do meu ouvido e


me pegando em seus braços.

Laura: E você... tá 3 vezes mais! -- puxei seu rosto e a beijei.

Alice: Quero você pra sempre! -- eu me espantei, mas fiquei FELIZ.

Laura: Eu tô começando a achar que eu SEMPRE fui sua.

Nesse momento o interfone do quarto da Alice tocou e ela foi atender.

Alice: A Paula chegou.

Capítulo 11

Segurei na mão da Alice e descemos de elevador. A Paulinha estava


esperando na sala principal do apartamento e quando nos viu se levantou.

“Nossa!” Eu juro que me espantei. Ela tava deslumbrante, com um shortinho


estilo social grafite que deixava à mostra suas pernas totalmente torneadas e
marombadas, uma batinha de alcinha branca com alguns brilhos que
ressaltava seus lindos ombros, sandália preta de salto, cheia de acessórios e o
cabelo amarrado com alguns fios soltos no rosto. A maquiagem realçava ainda
mais os olhos verdes e o sorriso branquinho.

Laura: Oi Paulinha! -- dei um abraço nela.

Paula: Oi! -- ela também me abraçou -- Você tá linda! -- disse baixinho no meu
ouvido.

Laura: Paulinha, essa é a Alice. Alice, essa é a Paulinha.


Alice: Até que enfim te conheci! -- sorriu.

Paula: Eu quem diga, prazer! -- sorriu largo, cumprimentando a Alice com um


beijo no rosto.

Laura: E aí, vamos?! As meninas devem estar nos esperando por lá já.

Descemos e pegamos um táxi. Não havia muito assunto entre a gente. Sempre
que podia, Alice encostava ou pegava em mim, pra mostrar que tava ali. No
caminho ela tentou puxar assunto.

Alice: E aí Paulinha, você gosta de dançar? Vai dançar hoje, né?

Paula: Não me dou muito bem com dança, mas tento.

Alice: Hum... hoje eu vou me arrebentar de dançar, perder o pé!

A Paulinha só sorriu, ela ainda estava meio jururu. A Alice tava com fogo,
ficava me dando beijinho no rosto e me beliscando. Percebi que a Paulinha
chegou a se incomodar com aquelas estripulias.

Enfim, chegamos. Era uma danceteria ali no Jardins mesmo. De longe, já


avistei a Dani e a Mari que conversavam com um pessoalzinho conhecido. Elas
vieram ao nosso encontro e a Alice sempre muito entusiasmada correu para
abraçá-las. Eu fui mais devagar. A Paulinha vendo-a se afastar disse:

Paula: Laurinha, acho que não tô de bom humor hoje, não sei se seria bom eu
ficar.

Laura: Relaxa Paulinha. Eu não vou te deixar sozinha. Tô aqui com você! -- ela
sorriu e apertou a minha bochecha. Cheguei mais perto do ouvido dela -- A
propósito... você também tá linda, viu?!

Paula: Quem sabe não encontro o amor da minha vida hoje, né?

Laura: Pois é. Vamos agitar e não se desgruda de mim, ok?

Paula: Um comentário a parte... sua Alice é o que há, hein?! Porém...

Laura: Porém?

Paula: Não ganha de você -- eu fiquei sem jeito!

Nesse momento, as meninas se aproximaram.

Dani: Oi minha coisa linda! -- me cumprimentando com um beijinho.

Laura: Oi lindeza! -- retribuí -- Dani, essa é a Paulinha, minha amiga.

Dani: Prazer Paulinha -- dando um beijinho nela também.


Paula: Prazer Dani.

Aí veio a Mari.

Mari: Oi Laurinha -- me cumprimentou meio seca.

Laura: Oi -- no mesmo tom -- essa é a Paula.

Mari: Prazer Paula.

Paula: Prazer.

Alice: Vamos causar?

Dani: Bora!

As três foram na frente e eu e a Paula atrás.

Paula: Essa é a tal Mari?

Laura: Essa mesmo.

Paula: Linda ela!

Laura: Para Paula! Você tá aí toda carente que nem percebe a cobrinha criada.

Paula: Quem disse que eu não percebi? E lhe digo mais Laurinha... essa
garota vai te dar problema.

Laura: Como assim?

Paula: Laurinha, basta você olhar nos olhos dela. Ela tem alguma coisa que me
intriga.

Laura: Ai credo, Paulinha, Não roga praga!

Paula: Não é praga, amiga. Ela não para de te fitar. Você não percebe porque
nem se dá ao trabalho de olhar pra ela.

Laura: Chega Paulinha. Vamos nos divertir.

Entramos atrás das meninas que foram direto pra pista. Eu fiquei um pouco
distante com a Paulinha. Não podia deixar de ficar olhando a minha Alice. Ela
sempre era muito linda dançando. Nossos olhares se cruzaram e vi que ela se
aproximava de mim. Quando notei, já estava dançando colada em mim e eu
ainda parada. Começou a tocar “Stereo Love”.

Alice: Dança comigo, Laura! -- ela disse no meu ouvido enquanto dançava por
atrás.
Eu virei, a olhei e decidi dançar. No começo fiquei meio receosa porque onde a
Alice estava, o povo todo olhava. Ela dançava me cercando e eu fui me
soltando, tentando me acostumar com o seu jeito. A música parecia dominar
aquela garota e ela, consequentemente, me dominava. A gente dançava tão
perto que eu conseguia sentir o cheiro pelo qual eu era totalmente encantada.
Ela me encarava como se nem ligasse pras pessoas. Juro que queria pegá-la
ali mesmo, mas tive que fazer uma forcinha. Logo a Dani e a Mari se
aproximaram.

Laura: Vou ao bar pegar uma bebida, quer?

Alice: Ainda não. Pode ir, vou ficar aqui mesmo.

Peguei na mão da Paula e a levei comigo. No bar pedi uma vodka com
energético e a Paula um wisky.

Laura: Que isso, amiga? Vai com calma!

Paula: Calma, Laurinha. Preciso arejar a cabeça. Agora me diz uma coisa, todo
mundo fitou vocês dançando, essa mulher te pegou de jeito, hein?

Laura: Aff, Paula, nem me fale – eu ri.

Ficamos sentadas numas banquetas no balcão do bar. Hora ou outra uns cara
chegavam fervendo na Paulinha e ela falava na cara que gostava de mulher. A
gente acabava rindo da cara deles. Um cara até a desafiou a me beijar e ela
ameaçou.

Laura: Paula, você tá louca, cara?

Paula: Relaxa Paulinha, olha a cara de mané dele -- ela ria.

Foi quando, de longe, eu vi a Alice dançando com dois caras. Um na frente e


outro atrás. Aquela cena me deu um ciúme imenso e uma ânsia fortíssima.
Nem dei satisfação pra Paula e corri pro banheiro. Eu tava atordoada, o lugar
rodava e eu praticamente não enxergava mais nada na minha frente.

“Isso já é demais! Ela tá querendo chamar atenção?”

Depois de muito lutar contra aquela multidão consegui chegar ao banheiro. Não
tinha muita gente. Me apoiei na pia e fiquei ali, esperando a minha cabeça
parar de me enganar.

...........: Que foi, hein Laurinha? -- uma voz sussurrou no meu ouvido, tocando
os lábios sobre ele.

Eu me virei e me deparei com a Mari. O cinismo estava mais que estampado


em seu rosto. No ápice da minha loucura não aguentei. Peguei-a pelos ombros
e a empurrei contra a parede.
Laura: Qual é a sua, Mariana? -- eu realmente estava furiosa. Ela só me olhava
com um sorriso de canto -- FALA GAROTA!

Mari: Assim eu me apaixono, Laurinha -- fiquei pasma.

Laura: Você tá louca, Mariana? Eu não te reconheço mais -- olhava fixo nos
seus olhos pretos e continuava empurrando, mesmo sabendo que não tinha
mais pra onde ir.

As meninas que estavam no banheiro nem se ligavam, estavam totalmente


bêbadas. Um silêncio permaneceu e ela nem sequer mudou a feição.

Laura: Por que você não me erra, garota?! Eu não to te entendendo.

Mari: Você tá com ciuminho da SUA ALICE, Laura?! -- ela insistia em me


desafiar.

Laura: E se eu tiver? Qual o problema? O que você tem a ver com isso? Até
onde eu sei, não lhe devo satisfações, gata. Para de querer fazer cena!

Quando eu já tinha decidido soltá-la, ela me puxou pela cintura, me fazendo


ficar a centímetros do rosto dela.

Mari: Então você gosta de menininhas, Laurinha? -- me puxando mais próxima,


fazendo meu nariz tocar no dela. Estava totalmente sem reação -- É esse seu
segredo? -- ela insistia, rindo de canto.

Nesse momento entrei em transe, não estava entendendo aquela situação,


fiquei totalmente surpresa. Juro que pude sentir sua boca indo ao encontro da
minha.

Não sei o que me aconteceu, eu simplesmente não conseguia reagir àquele


turbilhão de sentimentos... ódio e carinho ao mesmo tempo. A Mariana estava
mais próxima de mim como nunca. Eu podia ver através dos seus olhos e
como eles eram lindos de perto. Os cabelos ruivos tocavam o meu rosto. Tudo
isso em milésimos de segundos. Lembrei do quanto ela costumava ser gentil
comigo nesses anos de amizade... e havia mudado nos últimos tempos.

“Por que eu não consigo sair dos seus braços?”

Ela estava ali, me olhando, quase fechando os olhos. Rindo com o canto da
boca, se aproximava ainda mais da minha. Eu, curiosamente, estava entregue.
De repente, senti uma mão macia e forte me tirando dos braços dela. Quando
me virei vi que era a Paula.

Paula: Fica na sua, garota. Se eu ver você de gracinha com a Laura de novo,
eu lhe prego a cara – apontando o dedo pra Mari.

Fiquei muda. Não sabia o que fazer. A Mari ficou lá, estática, mas com um
meio sorriso no rosto. A Paula me guiou pela cintura através da multidão. Eu
não sabia o que estava acontecendo, a Alice se esfregando com os caras,
aquilo que aconteceu com a Mariana no banheiro.

“QUE LOUCURA!”

Até que chegamos onde a Alice ainda continuava dançando.

Laura: Vamos embora -- cheguei com ódio pra ela.

Alice: Que é isso Laura? -- ela se assustou.

Laura: Que isso nada, vamos embora agora! Senão, eu vou com a Paula e
você fica aí.

Alice: Então vai! Não sei o que deu em você pra estar me tratando assim.

Laura: Ah! Não sabe? Então se esfrega ainda mais com o pessoal da balada.
Aproveita e organiza uma fila pra você ir se esfregando em cada um.

Alice: LAURA, QUE RIDÍCULO!

Laura: Eu tenho cara de palhaça, Alice?

Alice: E eu tenho cara de saco de pancada, Laura?

Vi a Mari se aproximando. Aquela garota tava me dando raiva, ela só sabia me


confundir.

Laura: Então aproveita sua balada -- disse olhando fixamente nos olhos dela.

Peguei a Paula pelo braço e saí batendo o pé em direção à porta. Pagamos a


comanda e saímos procurar um táxi.

Paula: Laurinha, amor, você foi um pouco grossa com a Alice. Tudo bem que
ela tava dançando meio estranho, mas é o jeito dela. E ela não sabe o que
aconteceu no banheiro.

Laura: Que se foda, Paulinha! Eu não sou obrigada a ficar olhando aquela
esfregação. Que é isso?

Paula: Laurinha, calma! Não faz nem um dia que vocês ficaram e você já está
estressando. Vai com calma, você poderia ter falado com paciência com ela.

Laura: Talvez você tenha razão... Pô, eu que devia estar te consolando e no
fim só te trago mais problemas.

Paula: A gente é amiga, não é? -- segurando a minha mão -- Então fica de boa.

Laura: Você vai dormir lá em casa, né?


Paula: Eu não quero atrapalhar, Laurinha.

Laura: E quem disse que você atrapalha? Para de coisa, Paulinha. Minhas
roupas devem ficar pequenas em você, mas te empresto uma camiseta e uma
calça de moletom que é grande pra mim.

Paula: Tá bom. Mas me diz uma coisa, é impressão minha ou a Mari ia te beijar
no banheiro?

Laura: eu NÃO SEI! Essa garota realmente tá louca, Paula. Ela não é mais a
amiga que eu conheci. Nossa, tô confusa com as atitudes dela.

Enquanto não passava um táxi, contei todo o bafo do banheiro pra Paula.

Paula: Laurinha, não sei. Realmente não sei.

Passou um tempo e nada de táxi. Os que passavam já estavam ocupados.


Senti meu celular vibrar dentro da bolsa. Era a Alice.

Laura: Alô?

Alice: Onde você está, Laura?

Laura: Tentando pegar um táxi aqui na frente.

Alice: Você tá mesmo indo embora?

Laura: Claro, já paguei a comanda e tudo.

Alice: Por que você tá fazendo isso?

Laura: Vamos embora comigo, por favor -- falei manhosa.

Alice: Eu não ia porque você foi grossa e estúpida, mas agora, você pedindo
assim, eu vou. Me espera aí na frente.

Laura: Tá bom!

Desliguei o celular e contei pra Paula.

Laura: Mas Paulinha, não comenta nada com a Alice sobre o que aconteceu no
banheiro. Ainda quero descobrir o que a Mari quer com tudo isso.

Paula: Pode deixar.

Logo vi Alice saindo. Ela nos viu e sorriu. A gente tava do outro lado da rua.
Quando ela ia atravessar, um cara a segurou pelo braço e tentou agarrá-la a
força. Saímos correndo. A Paulinha já chegou empurrando o ogro que estava
totalmente bêbado. Peguei Alice pela mão e fomos nos afastando. A Paula
vinha logo atrás. Conseguimos um táxi no outro quarteirão e fomos pra casa.

Laura: Viu o que a sua dancinha provoca? Aprenda que aqui não é Europa,
Alice.

Alice: É, eu tô começando a perceber.

Laura: Então se liga. Eu não gostei nada de ver você dançando com dois
caras, se esfregando -- a Paula só ouvia.

Ela ficou muda e percebeu que tinha feito besteira.

Chegamos em casa e subimos, as três, sem nos falar.

Capítulo 12

Entramos no apartamento e Alice puxou assunto.

Alice: Vocês vão dormir comigo na cobertura? -- ela pegou na minha mão.

Laura: Tá, mas só tem sua cama lá.

Alice: Vou pedir pro Freitas subir um dos colchões de casal dos quartos de
hóspedes.

Laura: Beleza... vou colocar pijamas e já subo. Vem Paulinha.

Interfonou para o Freitas pedindo para que fizesse o combinado e eu fui pro
meu quarto com a Paulinha. Procurei uma camiseta e uma calça de moletom
que dessem naquele mulherão.

Laura: Own, até que deu, gata!

Paula: Só minhas canelas que ficaram um pouco de fora, mas tá beleza! – ria.

Percebi que ela me fitava enquanto eu me trocava. Fomos até o banheiro e


tiramos a maquiagem.

Paula: Laurinha, eu não faço conta de dormir aqui no seu quarto. Não quero
dar trabalho.

Laura: Que nada! O Freitas já foi pegar o colchão. Fica tranquila!

Paula: Eu te amo, sabia? – me deu um beijinho no rosto.

Laura: Eu também!

Acabamos de nos arrumar e fomos pro terceiro andar. Notei que a Alice vestia
um pijama mais adequado. “Até que enfim ela decidiu se comportar!”

O colchão já estava arrumado e havia três xícaras com chocolate quente e


bolachinhas. Alice tinha essa mania herdada dos países frios onde morou.

Paula: Adoro chocolate quente!

Alice: Fique à vontade.

Laura: Só não vira de uma vez que dá dor de barriga – rimos.

Sentamos num tapete peludo branco que havia no quarto e começamos um


projeto de pic-nic. O clima chato já estava passando. Conversamos sobre
coisas variadas. Logo decidimos dormir. Paulinha deitou no colchão de casal
que estava devidamente preparado no chão, e eu e a Alice na cama. Depois de
cinco minutos, minha amiga já dormia de roncar alto. “Tadinha, acho que o dia
dela foi bem estressante!”

Alice: Sua amiga já dormiu. Você poderia chegar mais pertinho de mim! – disse
bem baixinho.

Laura: Eu acho que hoje você não merece – sorri.

Na mesma hora ela agarrou a gola da minha camisetinha e me puxou para


cima dela. Olhou-me como só ela sabe e me beijou. “Que beijo!”

Alice: Quero você!

Laura: Apaga o facho que hoje sem chances! – eu ri.

Alice: Vem!

Ela se levantou e me puxou pela mão. “Aonde essa louca vai me levar agora?!”
Alice foi me puxando até a área da piscina. Me guiou até a sauna, entramos e
ela trancou a porta.

Se não fosse uma claridade que entrava por debaixo da porta, o escuro seria
total. Sem dizer nada, me empurrou violentamente contra o degrau, me
fazendo sentar. Colocou-se entre as minhas pernas e começou a me beijar
ferozmente, mordendo meus lábios, meu pescoço e minhas orelhas.

O meu corpo começou a ser tomado por um calor incontrolável. Minhas mãos
já tomavam conta dos seus cabelos e passeavam delicadamente sobre a sua
bunda.

Ela estava louca, me pegava com força e se jogava contra mim. Estava
adorando senti-la tão perto. Mexia nos meus cabelos, pegava nos meus
ombros e descia até minha cintura. Depois voltava passando as mãos sobre
meus seios.
Como se não quisesse mais esperar por nada, tirou a minha blusa. Eu, não
querendo que ela parasse com aquilo, tirei a dela também. Arranhava suas
costas com força, o que resultava em gemidos baixos no meu ouvido.

Fui descendo as mãos na sua cintura, até que tirei sua calça juntamente com a
calcinha. Ela não perdeu tempo, fez o mesmo. Mesmo no escuro, as minhas
mãos me diziam que aquele corpo era perfeito. Mais uma vez, fui embriagada
por seu cheiro. Estava ficando viciada naquilo.

Meus dedos sentiram que ela estava totalmente molhada... entregue! Foi
quando meus lábios buscaram os seus seios. Ela ainda estava em cima de
mim, mas eu a domava. Seus cabelos caiam sobre o meu rosto e ela ficava
cada segundo mais louca.

Alice: Faz o que quiser de mim! – ouvi-a gemendo no meu ouvido.

Mas eu a queria ali, daquele jeito mesmo e dominada. Alice estava doida e
mesmo sem música, rebolava como nunca! Continuava me apertando, me
lambendo, me sugando.

Não conseguia mais abafar seus gemidos. Foi quando, no ápice da loucura,
gozamos juntas. Eu adorava senti-la sobre mim, entregue para eu fazer o que
quisesse. Beijamo-nos com força e ela me abraçou.

Laura: Safada!

Alice: Você é muita tentação para mim! – me dando uma lambida no rosto.

Laura: Hum... bom saber.

Alice: Vou te morder!

Laura: Mais?

Alice: Muito mais – sorriu com safadeza.

Laura: A gente precisa voltar.

Alice: Ah não, fica aqui comigo.

Laura: Mas que garotinha insaciável!

Alice: Eu não sei o que você faz comigo -- já começando a me beijar de novo.

Não me contive. “ELA É MUITO GOSTOSA! PQP!” Enquanto a beijava, puxei-a


pelos cabelos e a fiz deitar.

Laura: Gostosa! -- disse no ouvido dela.

Joguei meu corpo sobre o dela, queria senti-la por inteiro. Ela puxava meus
cabelos, suplicando para que não desgrudasse a minha boca da dela. Suas
pernas me entrelaçaram, me sufocando ainda mais.

Beijei seu pescoço, seu colo, até que alcancei novamente seus seios. Desci
para a barriga gostosinha que ela tinha e parei um pouco ali, cheirando aquela
pele fascinante.

Alice jogava sua cabeça para trás, de olhos fechados, e me descabelava ainda
mais. Desci mais um pouco, a torturando, fazendo-a suplicar através dos
gemidos baixinhos.

Enfim, suguei seu sexo com delicadeza. Ela não aguentou e logo gozou,
tentando, em vão, ficar calada. Parecendo querer que eu sentisse o mesmo
prazer que ela sentiu, se levantou rapidamente, me tirando de cima dela e me
fez sentar novamente. Sem frescuras se colocou entre as minhas pernas e me
lambia com pressa, força e tesão. Era impossível tentar prolongar a onda de
calor que corria no meu corpo, então cheguei rápido onde ela queria.

Laura: Ah! Você me deixa louca! -- disse baixinho.

Alice: Já disse que comigo você pode fazer o que quiser.

Laura: Quero fugir com você então!

Alice: Só se for agora, e peladas, do jeito que estamos – rimos.

Laura: Olha que eu vou, hein? – ela riu.

Fui levantando e a vestindo, brigando com o meu desejo para não possuí-la
mais, mais, mais e mais. Saímos da sauna e ficamos ali, sentadas na área da
piscina, olhando aquela vista maravilhosa. A lua estava demais de linda! Eu a
abracei e ela se encostou no meu ombro, cheirando o meu pescoço. Depois de
algum tempo, fomos pra cama. Notei que Paulinha sequer tinha mudado de
posição no colchão e roncava que parecia um jumento.

Cheguei juntinho, abraçando a Alice de frente pra mim. As suas mãos se


enroscavam nos meus cabelos e acarinhavam o meu rosto. Beijamo-nos
longamente. Eu já começava a abusar dela novamente.

Alice: Não me provoca que você sabe que eu não tenho limites – riu com o
canto da boca.

Laura: Eu é que não estou conseguindo me controlar – cheguei mais perto,


cheirando o rosto dela.

Alice: Não precisa tentar se controlar – conseguiu se aproximar mais ainda,


como se quisesse entrar dentro de mim.

Minhas mãos já estavam entre suas pernas quando decidi que não queria
correr o risco da Paulinha ouvir aqueles gemidos, que eram só MEUS! Ela me
fitou brava por eu ter parado e eu sorri.

Laura: Prometo que outro dia eu termino, e muito bem terminado!

Alice: Sua tratante!

Laura: Sua LINDA!

Abraçamo-nos e dormimos daquele jeito mesmo.

Capítulo 13

No dia seguinte, abri os olhos e vi Alice. Ela ainda dormia. Olhei pro colchão e
notei que a Paulinha não estava mais lá. Sentei-me na cama e a vi na beira da
piscina, olhando a vista da cidade. Levantei e fui até o banheiro. Quando voltei,
Paulinha ainda estava lá, na mesma posição. Sentei-me ao lado dela.

Laura: Bom dia! – sorri.

Paula: Bom dia! – encostou-se em meu ombro.

Foi quando senti uma lágrima escorrendo pelo meu braço.

Laura: Ei, ei, ei! -- levantei o rosto dela pelo queixo -- Que foi?

Paula: Ah, só tava pensando em como a vida é louca.

Laura: Isso eu tenho que concordar com você.

Paula: Eu sinceramente não sei como vai ser minha vida daqui pra frente,
Laurinha.

Laura: Vai ser como sempre foi, Paulinha. Você nunca teve realmente a Fabi
perto de você.

Paula: É, isso você tem razão!

Laura: Então! E agora você mora aqui perto, cinco minutos de táxi estamos
uma na casa da outra. Não tema em me ligar, viu?!

Paula: É que, na verdade, eu nunca pensei que iria morar sozinha. Sempre
achei que a Fabi viria. Agora estou sem meus pais e sem ela.

Laura: Tudo na vida da gente tem um propósito. TUDO! Pense comigo. Se não
tivéssemos nos encontrado na livraria outro dia, não estaríamos aqui agora.

Paula: E consequentemente eu estaria mais sozinha ainda.


Laura: Tá vendo? Pelo menos uma coisa boa! -- rimos.

.........: E aí?! Quem quer tomar café?

Virei-me e vi a Alice em pé, encostada na porta e sorrindo. Ela ainda estava


descabelada. Veio caminhando ao nosso encontro, se abaixou, me deu um
selinho e um afago no meu cabelo.

Alice: Bom dia, Paulinha!

Paula: Bom dia!

Alice: Vamos tomar café ou as mocinhas estão com preguiça?

Laura: Por mim, tudo bem!

Paula: Por mim também!

Alice: Vou pedir pra Lourdes preparar uma mesa de café aqui em cima pra
gente, tá?

Laura: Tá bom!

Alice: Já volto então, vou ao banheiro.

Paula: Laurinha, acho que depois do café vou pra casa, tá?

Laura: Queria que você ficasse!

Ela ficou quieta e continuou olhando pro “nada”. Logo a Alice chegou com a
Lourdes. Paulinha foi pro banheiro e eu aproveitei pra falar com minha
namorada.

Laura: Alice, a Paulinha não tá bem, queria fazer alguma coisa pra animar ela,
o que você acha?

Alice: Hum... acho que já sei o que podemos fazer!

Laura: O quê?

Alice: Já ouviu falar que a música espanta os males? Que tal vocês terem uma
aula de dança comigo hoje?

Laura: Será?

Alice: Sim! É gostoso, você vai ver, ela nem vai ver o dia passar.

Laura: Tá bom, não custa tentar, né?

Paulinha voltou e tomamos café. Alice tem o dom e animar o ambiente, contou
sobre as gafes que cometia quando chegou na Europa, sobre os micos que já
pagou com a dança e também sobre os concursos que já havia ganhado, e eu
nem sabia. Como se não tivéssemos combinado nada, ela disse que iríamos
aprender a dançar. Depois que tomamos o café, de pijamas mesmo ela foi até
o estúdio de dança, colocou uma música agitada e nos chamou.

Alice: Vem gente! Já separei as músicas. Essa é pro nosso alongamento, pra
entrarmos no clima.

No começo, Paulinha não gostou muito da ideia.

Laura: Paulinha, pede pra Alice dançar uma música, a que você quiser, e se
ela souber você entra na nossa brincadeira.

Alice: Isso!

Paulinha: Hum... tá bom! Essa eu quero ver se ela dança -- fez cara de
maligna.

Alice: Fala! -- ao lado do rádio, pronta a procurar um CD.

Paulinha: Eu quero Irene Cara, What a Feeling, do filme Flash Dance.

Alice nem respondeu, apenas sorriu. Paulinha e eu nos sentamos no chão.


Logo achou um CD e colocou no rádio. Ficou descalça e deu play. Quando ela
começou a dançar, nem eu acreditei.

“(…) What a feeling.


Bein’s believin’.
I can have it all, now I’m dancing for my life.
Take your passion
and make it happen.
Pictures come alive, you can dance right through your life. (…)”

Linda, suave, encantadora, mas ao mesmo tempo parecia uma fera destemida.
Vi que a Paulinha estava de queixo caído. Eu sorria viajando nos seus
movimentos. A Alice parecia dançar com a alma, parecia que deixava a música
levá-la. Encarava-nos, remexia, rebolava, saltava e se jogava no chão.
Sensual, quente e MARAVILHOSA! Foi simplesmente, absolutamente, demais.

Alice: E aí? Acho que agora você vai ter que brincar com a gente.

Paula: Nossa! Parabéns, você realmente dança muito bem. Eu adoro esse
filme e posso dizer, foi perfeito.

E eu parecendo um pateta, aplaudia.

Alice: Bom, mas eu acho que você escolheu a música errada. Eu ganhei um
prêmio com essa dança.
Paula: Ah, mas então não vale!

Alice: Vale sim, você mesma escolheu -- ria alto.

Laura: Eu queria ver você dançar dirty dancing um dia, mas precisa de um
parceiro, né?

Alice: Sim! Essa eu nunca dancei justamente por causa disso. Ah! Esqueci de
te contar. Um dançarino brasileiro que conheci em Moscou, ficou sabendo que
eu tava no Brasil e entrou em contato comigo, me convidando pra ser parceira
dele em um concurso.

Laura: E aí? Aceitou?

Alice: SIM! Ele dança muito bem. Vamos nos inscrever na semana que vem,
mas nem sabemos o que vamos dançar ainda.

Laura: Nossa, que legal -- fiquei com um pouco de ciúme, mas sabia que era
besteira eu estar sentindo aquilo.

Alice: E aí, vamos começar?

Laura: Vamos!

Levantamos a Paula na marra e a Alice começou pelo alongamento. Depois


aquecemos e ela já colocou uma musiquinha legal pra nos ensinar a ter
postura e equilíbrio. Foi muito cômico, afinal, minha amiga é uma ogrona e eu
super dura.

Rimos muito, foi divertidíssimo. Realmente a música leva todos os males


embora. Alice nos deu muitas dicas de vários tipos de dança. Até tango a louca
tentou, mas aí foi demais. O dia passou super rápido e como tomamos café
tarde, até nos esquecemos de almoçar. Eu já estava sem pernas quando
deitamos estiradas no chão do estúdio.

Alice: Estão cansadas?

Laura: Não, imagina, as minhas pernas somente não respondem mais aos
meus comandos! -- rimos.

Alice: E aí? O que temos pra essa noite? Vamos sair dançar?

Laura: Tá louca?

Paula: olha que eu te amarro, hein garota? -- falou bufando.

Alice: Tô brincando! -- ria alto.

Laura: Sair dançar pra não, mas o que acham de jogarmos um jogo e pedirmos
uma pizza?
Paula: Por mim fechado!

Alice: ADOREI!

Paulinha e eu descemos e tomamos banho. Emprestei outro pijama pra ela,


afinal, aquele tava todo suado. Minha amiga já parecia estar bem melhor, com
o humor quase que renovado. Separei o banco imobiliário, o jogo da vida, o
detetive e o war, e voltamos pro terceiro andar. Simplesmente adoro jogos de
tabuleiro.
Chegamos ao quarto da Alice e pedimos uma pizza de cheddar com pepperoni.
Escolhemos o banco imobiliário e arrumamos o tabuleiro. Logo a pizza chegou.
Começamos o jogo enquanto comíamos sentadas no chão no quarto.

A noite foi longa, nos divertimos demais. Aquela praga da Paulinha queria nos
roubar.

Alice: Ei, sua cara de pau! Eu vi que você se aproveitou que eu olhei pra Laura
e roubou uma nota de 100 minha.

Paula: Que é isso, filha? Tá me chamando de ladra? -- e ria.

Alice: Pode me devolver! -- metendo a mão no dinheiro da Paula.

Eu ria demais com aquela cena.

Laura: Paula, sua BANDIDA!

Foi quando a Alice me deu um beijinho e todas as notas de 500 do banco


apareceram no “bolinho” de notas da Paula. E a cara de pau insistia que tinha
ganhado todas.

Alice: Ah, agora quero ver, paga aluguel aí ó! Parou no Morumbi que é meu! --
e ria.

Paula: Aqui dinheiro não é problema! -- e ria mais ainda.

Laura: Sua descarada. A Paula rouba na cara dura Aliceee!

É claro que terminou que a Paulinha ganhou. Alice e eu só ríamos, minha


amiga tava precisando daquilo. Já eram altas horas da madrugada quando
decidimos dormir. Naquela noite, tanto eu quanto a Alice estávamos moídas e
sem forças pra mais nada. Afinal o nosso dia havia sido bem agitado tentando
animar a Paula. O bom é que eu acho que deu certo.

No dia seguinte, decidimos dar uma volta pela cidade. Passamos na casa da
Paulinha, ela se trocou e andamos o dia todo. Shopping, parque, museu. O
nosso final de semana terminou com um passeio a pé na Avenida Paulista. Já
era começo de noite quando chegamos em frente ao apartamento da minha
amiga.
Paula: Ei, meninas, vamos subir um pouco, a gente toma alguma coisa, bate
papo e tal.

Laura: Ai, amiga, deixa pra outro dia, estamos bem cansadas e acho que você
também. Vamos descansar um pouco e amanhã a gente se fala, tá bom?

Paula: Mas quero que vocês venham mesmo outro dia, prometem?

Alice: Sim, claro, a gente vem sim.

Paula: Então tá, a gente se fala amanhã -- se aproximou de mim me dando um


abraço -- Obrigada por tudo, Laurinha? Não sabia o que seria sem você! --
disse ainda abraçada em mim.

Laura: Que nada, Paulinha! Nós somos amigas, não? -- repeti o que ela me
disse na frente da danceteria -- E fique tranquila, tudo vai dar certo.

Paula: Obrigada, Alice. Adorei, viu? -- deu um abraço nela também.

Alice: Você é sempre bem vinda em casa, Paulinha.

Minha amiga subiu e nós pegamos um táxi. Aquele final de semana realmente
havia sido muito divertido, apesar dos pesares.

Alice: Dorme comigo?

Laura: Acho melhor eu dormir no meu quarto hoje, senão logo minha mãe dá
piti!

Alice: Durmo contigo então?

Laura: Claro!

Fiquei bem feliz da Alice dormir comigo, na minha cama. Esperamos minha
mãe ir se deitar e ela veio até o meu quarto. Aquela noite minha cama
realmente ia ser pequena.

Capítulo 14

Nós já estávamos deitadas na minha cama.

Laura: Er, minha cama não é tão grande quanto a sua -- fiquei meio sem jeito.

Alice: É bom, assim eu fico bem pertinho de você! -- ela sorriu.

Laura: Então vem mais pertinho, vem -- puxei ela pra mim.
Alice: Faz três dias que a gente ficou pela primeira vez e pra mim já parece
uma eternidade.

Laura: É verdade!

Alice: Às vezes você sente que tudo isso é surreal?

Laura: Ah, as minhas últimas noites pareceram bem reais! -- ela riu e me deu
um tabefe.

Alice: Não isso, Lauraaaa! Tô dizendo que às vezes essas coisas parecem
sonhos, não sei.

Laura: Sim, acho que é porque nunca passamos por isso. É tudo novo, sabe?

Alice: É, pode ser.

Laura: Eu já disse que eu amo seu cheiro?

Alice: Hum! Não sabia -- ela riu e funguei fundo no seu cangote.

Laura: Como você acha que vai ser daqui pra frente?

Alice: Não sei, só sei que quero aproveitar o meu presente e pensar no futuro
depois.

Laura: Então vem cá!

Abracei-a devagarzinho pegando de leve em seu corpo. Ela fazia carinho no


meu rosto enquanto me beijava lentamente. Eu só queria tocá-la e sentir
aquele cheiro maravilhoso. Não queria que aquele momento terminasse nunca.
Parecia um sonho, daqueles que a gente não quer acordar. Ela era meiga,
doce e encantadora, ou seria eu que estava completamente apaixonada? Acho
que os dois! A gente tava curtindo demais aquele momento. Foi quando o
celular dela tocou.

Laura: Não atende! -- falei baixinho.

Alice: Mas pode ser alguma coisa -- ela respondeu baixinho também -- É
rapidinho!

Pegou o celular em cima da minha escrivaninha e atendeu.

Alice: Alô? -- com uma voz meio sonolenta -- Mari?

“EU NÃO ACREDITO!”

Alice: Tudo bem sim e por aí? Não, não! Meu final de semana foi ótimo. Sim,
sim, ela está comigo, quer falar com ela? Ah, tudo bem! Olha a gente se fala
depois, pode ser? Beijo! Tchau!

Eu fiquei olhando-a sem entender nada. Aquilo me fuzilou por dentro.

Laura: Que horas são?

Alice: 20 pra meia-noite.

Laura: E o que fez a Mariana te ligar numa hora dessas?

Alice: Eu juro que também não entendi. Ela queria saber se o meu final de
semana foi bom e se você estava comigo...

Eu fechei a cara e cruzei os braços. Ela percebeu.

Alice: Ei, o que foi? -- chegando perto de mim novamente.

Laura: Alice, sinceramente, eu não entendo mais essa garota. Desde que você
chegou, ela anda muito estranha, diferente. Ela não me trata mais do mesmo
jeito. E eu não consigo achar um porquê.

Alice: Relaxa, Laurinha. Deve ser encanação.

Laura: Encanação? Olha a hora que a garota ligou no seu celular! Mariana
nunca foi de fazer essas coisas, eu a conheço.

Alice: Então por que você não conversa com ela?

Laura: Porque quando eu tento conversar, ela parte pra ignorância.

Alice: Hum, esquece ela um pouco, vem aqui vem! -- nesse momento eu tive
uma ideia.

Laura: Alice, deixa eu te perguntar uma cois! -- afastando-a de mim.

Alice: Sim, só não precisa me empurrar ou eu durmo no chão desse jeito! -- ela
riu.

Laura: É sério! Você contou pra Mari sobre nós?

Alice: Comentei por alto -- eu fiquei muda -- Mas ela é minha amiga, acho que
não tem problema. Ela disse que com ela não precisava encanar.

Laura: E por que você contou sem me falar nada?

Alice: Nossa, mas do mesmo jeito que você precisava de alguém pra desabafar
e contou pra Paula, eu também precisava e contei pra Mari.

Laura: E quando foi isso?


Alice: Depois do dia da piscina, que você foi passar uns dias com a Paula.

Laura: Hum. Ela te apoiou?

Alice: Sim, ela disse que eu tinha que fazer o que sentia que deveria. E foi o
que fiz!

Laura: Tá, esquece! Vem cá.

Eu estava realmente encabulada com a Mari. Mas não podia deixar ela se
apoderar da minha mente. Deixei as mãos da Alice tomarem conta de mim. A
sua boca estava leve, carinhosa. Ela tocava o meu rosto com seu próprio rosto
e, mais do que rápido, eu esqueci daquele telefonema.

Sua pele macia ouriçava os meus pelos e ela havia percebido. De leve, me
virou de barriga pra cima e se colocou sobre mim. Eu senti seus seios tocando
os meus. Com a maior calma do mundo, me beijava e se esfregava no meu
corpo. Minhas mãos pressionavam a sua cabeça contra a minha e eu sentia
sua língua cada vez mais dentro de mim.

Aos poucos, fui descendo até a sua bunda e tirando a sua calça. Eu já podia
ouvir os seus gemidos baixinho. “AH! QUE BUNDA!”

Ela foi descendo o beijo até a minha barriga e tirou minha blusa com os dentes.
Senti sua língua sobre os meus seios e fui às estrelas. Enquanto os lambia,
passava as mãos sobre minha cintura, conseguindo tirar a minha calça. Seus
movimentos eram lentos, como se quisesse me degustar vagarosamente. Com
cuidado para que não perdesse o ritmo, tirei sua blusa e finalmente ela estava
nua sobre mim.

O rebolado foi ficando cada vez mais intenso e rápido. Foi quando eu decidi
senti-la por completo. Sentei-me na cama e a fiz sentar-se de frente sobre mim,
no meu colo, entrelaçando suas pernas sobre a minha cintura. Agora era eu
quem experimentava seus seios. Ela parecia delirar.

Alide: DELÍCIA! -- sussurrou em meu ouvido.

Tive que me segurar porque eu queria mais. Lambia seu pescoço e sua orelha.

Laura: VEM! -- sussurrei.

Foi quando o ritmo de seu rebolado aumentou e era eu quem gemia agora.
Meus dedos não aguentaram e foram ao encontro do seu sexo a fazendo gozar
rápido. Não segurei mais e deixei o prazer tomar conta do meu corpo.

Deitei-a na cama e a lambi dos pés à cabeça, ainda com os dedos dentro dela.
Vi-a se contorcendo toda e quando alcancei o seu pescoço, ela me puxou pela
cintura com força, fazendo com que nossos sexos se encontrassem. Percebi
que ao se tocarem ela ficou louca, o que me encorajou a iniciar os movimentos
frenéticos sobre ela. Mordia-me, puxava os meus cabelos, me lambia. Em
instantes gozamos novamente.

Alice: Ah, você me deixa louca, Laura! -- sussurrando e lambendo a minha


orelha.

Laura: Você faz muito gostoso!

Puxou-me e me beijou. Eu me ajeitava em seus braços para sentir o seu corpo


colado no meu.

Laura: Pena que não posso dormir assim com você...

Alice: Não seja por isso, vamos pro meu quarto.

Laura: Não sei.

Alice: Vem, gostosa! -- sussurrou gemendo no meu ouvido.

Eu não pude negar. Colocamos os pijamas de qualquer jeito e subimos


correndo como loucas. O tempo que eu passava com ela era repleto de
aventuras e ação e as horas, ao invés de cooperarem, pareciam correr.

Logo que entramos no estúdio, Alice foi trocando todas as portas até
chegarmos ao quarto.

Alice: Se sente mais segura agora?

Laura: Com você, em qualquer lugar.

Sem nem pestanejar ela já foi tirando o pijama e se deitando na cama. Eu


fiquei só olhando.

Alice: Tá esperando o quê?

Eu fiz o mesmo e me enfiei debaixo do edredom.

Laura: Agora sim eu vou dormir gostoso.

Alice: E quem disse que vamos dormir? Nossa noite está só começando.

Dizendo isso, agarrou-se aos meus cabelos e me deu um cheiro, como se


quisesse sugar a minha alma.

Alice: Aproveita, eu sou toda sua!

“Ah, eu não aguento essa mulher! Ela definitivamente é DEMAIS!”

Naquele noite, fomos dormir quando o sol já estava nascendo. E eu só queria


mais e mais. Alice me deixava cada vez mais louca por ela. Quando a luz do
sol já estava surgindo, dormi com ela sobre mim. “Como é gostoso senti-la!”
Capítulo 15

A semana seguinte passou voando, era a última antes das minhas aulas na
faculdade começarem. Alice e eu passamos praticamente cada segundo
juntas. Fizemos mil e uma coisas, fomos ao cinema, a parques, andamos pelas
ruas sem destino. E quando não tínhamos nada pra fazer, simplesmente
inventávamos.

Na semana seguinte, Alice começaria um árduo treino com o companheiro de


dança para participarem do tal concurso e começaria a se interar sobre os
assuntos do pai. Por isso nosso tempo iria ficar meio escasso.

Naquela semana falei praticamente todos os dias com a Paulinha, que já


estava bem melhor do tombo. Ela já havia voltado a trabalhar no escritório de
contabilidade. Alice e eu fomos umas três vezes no apartamento dela durante a
semana à noite, tomarmos um drink. Enfim, ela já estava quase que
recuperada.

Alice continuou recebendo os telefonemas da Mari e insistia para que eu


falasse com ela. Eu nem quis assunto, preferi colocar a cabeça no lugar e dar
um tempo daquela garota pela qual peguei implicância tão rápido. Não sei, mas
acho que logo eu vou saber o que ela realmente quer. A Dani foi viajar com a
família e aproveitar a última semana de férias.

O final de semana chegou. Alice e eu resolvemos que teríamos aquele tempo


só para nós duas, sem amigas de coração partido e nem telefonemas
indesejáveis. Na sexta-feira, fomos ao teatro ver uma comédia e logo depois
tomamos um café num Fran’s ali próximo à Paulista. O sábado amanheceu
super agradável, um dia típico de verão, então resolvemos aproveitar a piscina.
Logo após o almoço, aconteceu algo que eu realmente não acreditei.

Minha mãe, sem saber o que estava acontecendo, autorizou que a Mari
subisse até a piscina. Sim, ela foi nos procurar. Eu a vi na porta, com um
sorrizinho de lado no rosto. Eu queria sair dali, fugir dela.

Mari: Oi Aliceee! -- indo em direção à mesa onde Alice estava sentada para
cumprimentar.

Alice: E aí Mari, tudo bem?

Mari: Tudo bem sim. E aí, Laurinha, tudo bem?

Laura: Beleza Mari, e aí? -- juro que queria responde “Ah! Me erra!”. Mergulhei
na piscina.

Ela ficou lá, conversando besteiras com a Alice. Só não saía dali porque queria
tentar “pescar” alguma coisa que ela falava. Depois de eu estar quase
dormindo encostada na borda da piscina, ouvi Alice comentar que ia ao
banheiro. Mari aproveitou que ela não estava mais ali e se aproximou de mim.

Mari: Laura, qual é que é?

Laura: Eu que lhe pergunto, Mariana.

Mari: Você não conversa mais comigo, não atende meus telefonemas!

Laura: Eu ainda tô tentando descobrir o que foi aquilo no banheiro da


danceteria.

Mari: Laura, para!

Laura: Para? Mari, não sabia que você fazia coisas sem pensar, pelo contrário,
eu achava que você era uma pessoa totalmente inteligente.

Mari: Não duvide da minha inteligência, Laura. A Mari que você não conhecia
era a audaciosa!

Laura: Essa eu não conheço até agora.

Mari: Não?

Dizendo isso, com rapidez, se aproximou dos meus lábios e me roubou um


selinho. Fiquei perplexa.

Mari: Eu queria mais que isso na danceteria. Pena não ter dado!

Fiquei ali, olhando a cara dela, não acreditando que tinha feito aquilo. Alice
voltou e se sentou numa cadeira de sol. Eu, mais do que rápido, saí da piscina.
Mari voltou ao lado da Alice. Fui até a mesa e virei um copo de suco num gole
só. Aquela garota tava me tirando do sério e percebeu que eu tava tremendo
de raiva. Precisava sair dali.

Laura: Alice, eu vou descer, me deitar um pouco que tô morrendo de dor de


cabeça. Depois você me chama, pode ser?! -- fui me sentando ao seu lado e
encostando em seu ombro.

Alice: Não quer deitar ali na minha cama, amor?

Laura: Não, não. Vou tomar um remédio e dormir um pouco, tá? Me chama
depois!

Alice: Tá bom então!

Antes de sair, pra dar um basta naquela situação, puxei a Alice pelo pescoço e
lhe dei um beijaço na boca. Ela ficou meio sem entender, mas gostou da ideia.
Eu vi que a Mari ficou sem graça.

Alice: Fica aqui, vai!


Laura: Amor, depois a gente se vê, tá?

Alice: Tá bom, logo te chamo -- me dando mais um beijinho.

Mari nem se ofereceu pra ir embora. Eu peguei minha roupa e desci. Joguei-
me na minha cama e dormi profundamente. Não tinha dormido muito aquela
última semana.

Capítulo 16

Senti um beijo gostoso no meu pescoço. Meu quarto estava bem escuro
quando abri os olhos, não conseguia ver nada.

.........: Se eu deixasse, você ia dormir até amanhã! -- disse no meu ouvido.

Laura: Hum, não, não, já ia acordar -- mentira -- Que horas são?

Alice: Quase nove da noite.

Laura: NOSSA! -- dei um pulo.

Alice: Calma. Eu deixei você descansar um pouco.

Laura: E você ficou fazendo o quê? -- me levantei pra acender a luz.

Alice: Fiquei conversando com a Mari e quando deu umas oito eu disse que
tinha um compromisso.

Laura: E tem?

Alice: Sim, tenho!

Laura: Qual?

Alice: Nós duas vamos jantar. Vim te chamar pra você tomar um banho e se
trocar.

Laura: Ah, é? Onde vamos?!

Alice: Não é nada chique, pode ficar sossegada. Vamos num lugar legal, mais
cool, que acho que você vai gostar. Nada de gala, super tranquilo, fica a
vontade com roupas.

Laura: Hummm, tá bom. Eu subo pra te chamar?

Alice: Não, eu desço daqui 1 hora, pode ser?


Laura: Si si, bonita!

Ela me deu um selinho melado e saiu fechando a porta. Eu entrei


imediatamente no chuveiro. Tomei um banho demorado. Depois hidratei todas
as partes do meu corpo. Resolvi deixar o cabelo molhado e só pentear com a
mão.

Pela janela notei que o dia de sol havia se transformado numa noite de garoa.
Escolhi um jeans skinny escuro e uma regata branca básica decotada. Aquele
tempo de chuva me despertou uma vontade imensa de usar tênis, que eu havia
deixado de lado nos dias de calor. Coloquei um com cano médio, por cima da
calça, branco com detalhes pink. Um relógio amarelo deu o toque ao visual.
Acho que eu estava feliz, as cores me entregavam.

Fiz uma maquiagem leve e finalizei com o perfume. Olhei-me no espelho e


pensei “ela não vai poder me levar num lugar chique com essa roupa!”. Peguei
uma jaqueta leve no guarda-roupa, afinal, São Paulo quando garoa pode
acontecer qualquer coisa. Ajeitei minhas coisas na bolsa. Quando estava
dando uma última ajeitada no meu cabelo ouço baterem na porta.

Alice estava simplesmente LINDA! Ela também estava com um visual mais
despojado. Uma calça jeans clara colada, uma regata roxa com uma lavagem
desgastada e um sapatinho sem salto, marrom com detalhes dourado. O
cabelo lisinho e os olhos delineados. Uma bonequinha!

Alice: NOOOSSA! Vem cá -- foi entrando, fechando a porta e me jogando


contra a parede.

Laura: Impressionei? Achei que você não ia gostar!

Alice: Adorei seu cabelo e sua bunda nessa calça! -- ela ria com safadeza e
apertava a minha bunda.

Laura: Você tá linda! -- eu a olhava encantada.

Alice: Deixa eu me controlar senão a gente não sai daqui. Vamos? -- pegando
na minha mão.

Antes de sairmos, ela me deu um beijo gostoso, tirando todo o meu batom.

Laura: Agora espera, vou ter que retocar.

Alice: Eee, vai então!

Retoquei rapidinho. Avisei minha mãe e descemos. Ela estava tão LINDA! Não
conseguia parar de olhá-la. Pegamos um táxi e ela deu as coordenadas para o
motorista. Parecia que eu conhecia aquele endereço. Depois de quase dez
minutos, chegamos ao destino. Estava começando a achar que aquela garota
já sabia como me agradar.
Era uma lanchonete ali no Jardins mesmo, mas eu nunca havia notado.
Totalmente ambientada estilo anos 50 e 60, do jeito que eu adoro! Ela notou
que eu havia ficado radiante. Entramos e já na porta ela pediu ao garçom a
mesa que havia reservado. Que lugar mágico, parecia que havia entrado no
túnel do tempo. Ele nos conduziu até uma mesa com poltronas revestidas de
couro vermelho, bem aconchegante.

Nada daquelas frescuras que a gente costumava frequentar. Em cima de todas


as mesinhas havia uma mini jukebox na qual as pessoas escolhiam as
músicas. No cardápio, somente lanches típicos americanos, fritas, onion rings,
milk shakes, e alguns sabores de coca-cola que eu desconhecia, como de
baunilha. “DEMAIS!” Fizemos o nosso pedido e ela ficou observando minha
cara de abobada.

Alice: Gostou do lugar? -- sorrindo pra mim.

Laura: AMEI, de verdade!

Alice: Hum, que bom, Laurinha! -- a gente não conseguia parar de se olhar.

Aquele lugar, que nos tirava da nossa realidade, me deu vontade de levá-la
onde nossos sonhos queriam. Deu vontade de ficar ao lado dela pra sempre!
Notei que ela olhava pra jukebox.

Alice: Vou colocar uma música pra você.

Laura: Olha lá, hein?

Alice: Presta atenção na letra, porque eu não posso cantá-la aqui, tá?

Eu somente fiz que sim com a cabeça. Em seguida, ela escolheu a música e
deu play.

The moment I wake up


Before I put on my makeup
I say a little prayer for you
While combing my hair, now
And wondering what dress to wear now
I say a little prayer for you

Forever, and ever, you’ll stay in my heart


And I will love you
Forever, and ever, I’ll never apart
and how I love you
Together, forever, that’s how it must be
To live without you
But only Be heart break for me

I run for the bus, dear


While riding I think of us, dear
I say a little prayer for you
At work I just take time
And all through my coffee break time
I say a little prayer for you

My darling, believe me
For me there is no one but you
Please love me too
I’m in love with you
Answer my prayer
Say you love me too
Why don’t you answer my prayer, yeah
You know every day I say a little prayer
I say, I say I say a little prayer

AH, que delícia de música. Que delícia de sorriso que eu via naquele rosto.
Que delícia esse sentimento que fazia meu coração bater cada vez mais forte.
“Por que ela sempre conseguia me surpreender?”

Alice: Gostou?

Eu não conseguia responder, somente sorria com o maior sorriso do mundo.


Eu nunca havia sentido aquilo antes. Nem sabia que existia tal sentimento.
Com a mão fiz um coração no ar e soprei pra ela, que caiu na gargalhada. O
garçom chegou com o nosso pedido.

Alice: Nossa, vou querer experimentar esse milk-shake, deve ser maravilhoso! -
- já pegando o canudo.

Aquela noite foi muito gostosa. A gente ria, se divertia e era totalmente
recíproco, eu sentia isso! Alice sempre contava histórias que eu amava ouvir e
colocou outras músicas, que a gente cantava junto, na jukebox.

Laura: Como você descobriu esse lugar?

Alice: A Mari me deu a dica.

Laura: Hum, não sabia que ela conhecia também.

Alice: Ela disse que veio com uma amiga e eu liguei fazendo a reserva.

Laura: Amiga?

Alice: Sim, qual o problema?

Laura: Nenhum, mas nós conhecemos todas as amigas da Mari.

Alice: Vai saber, amor!

Laura: Adorei o lugar, viu? Principalmente porque estou com você!


Alice: Hum... linda! Olha como a Marilyn era uma diva! -- apontando para um
quadro na parede.

Laura: E o Elvis era mesmo um rei, amo ele!

Alice: Sabia que já dancei uma música dele? Jailhouse Rock.

Laura: NÃO ACREDITO! A minha música preferida dele. Dança pra mim um
dia?

Alice: Não sei. Foi cômico porque as garotas tinham que se caracterizar de um
astro e dançar e eu fui o Elvis. É muito difícil imitá-lo porque o Elvis era muito
autêntico.

Laura: É verdade. Ele era demais mesmo!

Alice: Mas agora o que você acha de irmos? Tenho mais uma surpresa pra
você!

Laura: Mais?

Alice: SIM!

Pagamos a conta e ainda pegamos chicletes daquelas máquinas redondas,


vermelhas, que se colocam uma moeda. Chamamos um táxi e fomos direto
para o apartamento.

Capítulo 17

Alice: Agora a gente vai subir direto pro meu quarto, tá?

Laura: Sim, senhora! Só me deixa escrever um bilhetinho pra minha mãe


dizendo que vou dormir lá.

Depois que escrevi, Alice me deu a mão e subimos de elevador. Para


entrarmos no estúdio, percebi que ela destrancou a porta com a chave. Ali já
senti que o clima estava diferente.

A saleta que antecedia o seu quarto estava à meia-luz. Olhou-me sorrindo e


mordendo o lábio inferior. Eu sei que ela queria ver a minha reação àquele
ambiente tão intimista.

Então abriu as duas portas vitorianas que davam para o seu quarto e notei que
estava iluminado somente à luz de velas, com castiçais de prata. Olhei para a
cama e não acreditei.
Estava coberta com um lençol de cetim branco e pétalas de rosas vermelhas.
Na altura do travesseiro observei uma caixa de veludo preto. Eu estava
absolutamente surpresa, parada na porta do quarto feito estátua. Ela sorria pra
mim.

Alice: Gostou?

Eu virei pra ela, segurei seu rosto com as mãos e a beijei apaixonadamente.
Queria congelar aquele momento. Ela mexia em meus cabelos com carinho.

Alice: Já disse que adorei o seu cabelo hoje? -- eu sorri – Vem, quero te dar
uma coisa!

Fez-me sentar na cama, pegou a caixa de veludo preto e a colocou em minhas


mãos.

Alice: É pra você!

Estava sem palavras e ela sabia disso. Sorri de orelha a orelha e beijei-lhe a
boca novamente. Abri a caixa devagar... no centro havia um colar. Quando abri
por inteiro, vi o quão maravilhoso era o pingente. Um coração pequenininho
repleto de brilhantes brancos encravados. A corrente, delicada, de ouro branco.
Quando peguei o colar entre os meus dedos a Alice levantou meu rosto pelo
queixo.

Alice: Hoje eu estou te dando o meu coração! Hoje, mais do que nunca, eu
quero que sejamos uma só, que você seja minha.

Ela virou o pingente de coração para que eu visse atrás. Quando notei, o meu
sorriso não tinha mais pra onde ir de tanta felicidade. A inicial do seu nome, a
letra “A”, estava gravada com uma fonte manuscrita. Ela me olhou
profundamente, como se esperasse algo de mim.

Laura: EU AMO VOCÊ! -- falei sem medo, sem receio, olhando fundo em seus
olhos.

Alice: Então você quer ficar comigo? -- ela sorria fazendo carinho em minha
mão.

Laura: Já disse que eu te amo, Alice!

Alice: Então eu também tenho o seu coração?

Laura: Eu estou começando a achar que ele sempre foi seu!

Alice: Então coloca no meu pescoço também.

Dizendo isso, abriu a palma da minha outra mão e colocou outro pingente de
coração. Quando olhei vi que era idêntico o que tinha me dado, porém com a
letra “L”. Eu não sabia o que dizer. Queria congelar aquele momento. Puxei-a
mais perto de mim e beijei aquela boca que agora era oficialmente minha.

Alice: Eu também amo você! -- disse sussurrando no meu ouvido.

“Que momento é esse?!”

Colocamos os colares uma na outra e ficamos nos olhando por um bom tempo.

Laura: Eu não quero mais pensar em nada, só quero ter você comigo. Quero
gritar pro mundo o quanto eu sou apaixonada por você!

Alice: Sua louca! -- ela riu.

Laura: Não querendo ser possessiva, mas já que você é minha namorada,
quero você nua nessa cama AGORA!

Alice: Uiii! E o que você me pede que eu não faço?

Ela se levantou, me empurrou com uma das mãos, fazendo com que eu me
deitasse na cama e sentou-se sobre mim. Alcançou o controle remoto no criado
mudo e deu play num jazz totalmente sensual. Coloquei minhas mãos atrás da
minha cabeça esperando o que estava por vir.

Rebolando devagar ela começou a tirar a blusa, como se quisesse me


provocar. Levantou-se, ficou de costas e abaixou o zíper. Devagarzinho foi
tirando a calça.

Alice estava deslumbrante com um lingerie vinho bem escura, quase preta.
Aproximou-se e tirou a minha calça sem pressa. Beijou todo o meu corpo até a
barriga. Encarando-me sensualmente, tirou a minha regata.

Alice: Vira de costas! -- sussurrou no meu ouvido.

Laura: Ahn?! -- não entendi.

Alice: VIRA! -- disse imponente.

Prontamente atendi. Suas mãos bailavam sobre minhas costas massageando-


me e me deixando cada segundo mais arrepiada. Ela lambia minha nuca e
gemia no meu ouvido. Enquanto isso, desabotoou meu sutiã. Eu sentia o corpo
dela todo colado no meu. Seus cabelos tocavam meus ombros me provocando
suspiros intensos. Depois de um tempo, não aguentei tanta tortura e me virei
rapidamente.

Ela sorria com sarcasmo. Ainda em cima de mim, tirei o seu sutiã para matar a
sede de seus seios. Suas mãos percorriam todo o meu corpo. Não consegui
esperar muito e a despi de vez, deixando somente o colar brilhante em seu
pescoço.

Alice então beijou minha orelha, meu pescoço e foi descendo, até alcançar a
minha calcinha e puxá-la com os dentes. Eu já estava totalmente louca.
Levantei-me e joguei-a na cama, violentamente, deixando-a ainda mais
excitada. Agora era a minha vez de senti-la por completo.

Minha língua desbravava todo seu corpo e ela respondia com gemidos já altos.
Seus seios pediam a minha boca e eu os obedeci prontamente. Seu cheiro era
como uma droga que quanto mais inalava mais queria.

Ela puxava meu cabelo e pressionava cada vez mais a minha cabeça contra o
seu sexo. Devagar passei pela barriga, mordendo e beijando. Foi quando
cheguei onde ela queria. Senti seu gosto na minha boca e degustava com
calma e delicadeza. Ela queria mais. Aumentei a intensidade, mas logo parei.
Eu ainda não a queria no auge.

Fui subindo mais um pouco, alcançando novamente os seus seios. Ela


arranhava as minhas costas. “Que dor gostosa!”

Naquele instante eu queria conferir tudo que era MEU! Ela me puxou e me
beijou com força, mordia meus lábios e se contorceu toda quando a toquei. Ela
também queria me ter por completo e também levou os seus dedos até o meu
sexo. Com os corpos completamente colados, embalados por movimentos
prazerosos, alcançamos o ápice juntas. Ela me beijou como se quisesse me
tirar o ar. E conseguiu.

Suas mãos voltaram a passear sobre as minhas costas e não me deixavam


sair de cima dela, como se quisesse mais.

Laura: Adorei a sua lingerie.

Alice: Trouxe de Paris, ainda não tinha usado. Acho que estava esperando por
você! -- ela sorriu.

Laura: Hum! -- beijei-a novamente.

Deitei-me ao lado dela, apoiando a cabeça nas minhas mãos para olhá-la de
frente.

Alice: Agora você é uma garota compromissada, viu?

Laura: E você também, madame sensual! -- rimos.

Alice: Quer tomar um banho de banheira comigo?

Laura: Claro!

Alice, safada como sempre, já havia pensado em tudo. A banheira estava


pronta, com sais de banho e uma espuma deliciosamente cheirosa. A claridade
também era feita somente com velas. Quando ela ia entrar, abracei-a por trás,
beijei a sua nuca e disse:
Laura: Promete que vai ser sempre assim?

Alice: Prometo que vai ser sempre assim! – virou-se olhando em meus olhos.

Pegou na minha mão e me puxou pra dentro da banheira.

Alice: Laura, agora que estamos juntas, eu quero contar pro meu pai.

Laura: Alice, você acha que ele aceitaria?

Alice: Não sei, mas eu não quero viver escondida!

Laura: Acho que devemos ser sensatas e pensar sobre os pontos positivos e
negativos.

Alice: Você ainda tem dúvidas do que quer?

Laura: Claro que não, meu amor! Eu só não quero que prejudiquemos nossas
vidas com o preconceito alheio. Você acabou de voltar da Europa, está
reconstruindo a sua vida. Eu vou começar a faculdade e de imediato não posso
sair de casa se minha mãe não aceitar, entendeu?

Alice: É, você tem razão.

Laura: Acho que podemos estabilizar nossas vidas e então, depois que eu tiver
como me manter, a gente vê como faz pra contar.

Alice: Mas se manter não é problema, Laura.

Laura: Pra você não, mas acho que minha mãe não aceitará. Ela, com certeza,
vai achar que eu desrespeitei o seu Henrique.

Alice: Vamos parar com essa tensão, agora não é hora de pensar nisso tudo. A
água tá tão gostosa e você tá mais ainda! -- vindo pra cima de mim.

Eu imediatamente apertei a bunda dela.

Laura: Como você consegue me deixar louca tão rápido?

Alice: Este é um segredo que eu não conto nem sob tortura! -- ela sorriu de
canto.

Sentou-se em meu colo e ficou ali beijando meu pescoço bem devagarzinho.
Eu, com os olhos fechados e a cabeça encostada na borda da banheira, fazia
carinho em suas costas. A gente ficou ali, deliciando uma à outra. Até que Alice
se levantou e pegou uma garrafa de champanhe e duas taças. Era um legítimo
francês.

Entre carícias, umas mais comportadas, outras bem safadas, bebemos a


garrafa toda. Esse é o motivo pelo qual não me recordo detalhadamente do
que ocorreu depois. Mas uma certeza eu tinha, o que lembrava já era o
suficiente para tornar aquela noite inesquecível e a mais PERFEITA de toda
minha vida.

Capítulo 18

No domingo de manhã acordei com uma musiquinha leve e baixa que vinha do
jukebox. Abri os olhos e vi Alice na minha frente com uma bandeja de café da
manhã.

Laura: Bom dia, meu amor! -- abri um sorriso e me sentei na cama.

Alice: Bom dia, linda! -- me deu um beijinho na boca.

Laura: Desculpe a pergunta, mas como eu vim parar na cama, sequinha e com
um pijama seu?

Alice: Olha, não me pergunta porque eu também não lembro de nada -- ela riu -
- A gente pode ter corrido peladas na Paulista, de madrugada, que eu não
lembro!

Laura: Mas até sem memória você cuida de mim! Olha como eu estou
comportada -- mostrando o pijama.

Alice: Pois é, acho que já posso casar! -- piscou e sorriu -- Pedi pra Lourdes
trazer o café pra gente.

Estava com muita fome. Aquela noite havia me tomado muita energia.
REALMENTE! Tomamos o café conversando sobre besteiras.

Alice: O que você quer fazer hoje?

Laura: Não sei, só sei que quero passar o dia com você!

Alice: E quem disse que eu vou deixar você sozinha, hein?

Laura: Se a Mari não fizer outra surpresazinha, né?

Alice: Desencana, Laurinha, que coisa! Tudo você lembra da Mari! -- aquilo que
ela falou havia me incomodado. Por que será que eu ainda tava encanada com
a Mariana?

Laura: Eu tava só brincando, Alice -- mentira.

Alice: O que você acha da gente ir ao cinema? Tá passando uma animação


que acho que você vai adorar!
Laura: Legal, gostei!

Naquele dia, nem vi a minha mãe. Ela me deixou um recado dizendo que ia
passar o dia na casa da minha tia. Minha mãe sabia que eu me divertia muito
com Alice, por isso nem encanava quando eu estava com ela.

Nos arrumamos e saímos. Passamos o dia passeando e só não notava que


estávamos apaixonadas quem era realmente muito tolo. Almoçamos no mesmo
shopping onde um pouco depois veríamos o filme. Voltamos cedo pra casa,
pois no dia seguinte seria meu primeiro dia de aula na faculdade. E, por sorte,
encontrei minha mãe na cozinha, indo se deitar.

Mãe: Oi minhas meninas lindas!

Laura: Oi minha vida!

Alice: Oi dona Lúcia, como vai?

Mãe: Bem e vocês?

Alice: Bem também. Só vou tomar um golinho de água e subir. Boa noite,
querida! -- deu um beijo no rosto da minha mãe -- Laurinha, você sobe lá
depois?

Laura: Aham, subo sim -- e seguiu em direção ao terceiro andar.

Minha mãe, vendo que a Alice havia se distanciado disse:

Mãe: Filha, amanhã você já tem aula, não vá se atrasar!

Laura: Sim mãe, eu sei, pode deixar!

Mãe: E não fique incomodando muito a Alice, filha! Às vezes ela quer um pouco
de privacidade -- pensei besteira e ri por dentro.

Laura: Calma, mãe. Só subo quando a Alice me chama, você sabe que não
sou entrona! -- e nem que eu invadiria o quarto dela e a beijaria como fiz
naquele primeiro dia. Ri mais ainda por dentro.

Mãe: Tá bom, meu amorzinho! Então vai dormir que amanhã você tem que
acordar cedo. Mas, nossa! QUE COLAR LINDO! De onde veio?

Laura: Ganhei da Alice! Não pedi, viu? Ela comprou sem eu saber, por nossa
amizade mesmo – minha mãe ficou meio atônita, mas acreditou -- Boa noite!
Eu te amo, viu? -- beijei o rosto dela apertado e fui andando.

Mãe: Também te amo, minha vida!

Saí da cozinha e fui para o meu quarto. Separei uma roupa pra colocar no dia
seguinte e meu material do primeiro dia de aula. Aproveitei para colocar o meu
pijama. Subi ao terceiro andar. Quando entrei no quarto da Alice, vi-a
deitadinha na cama, de pijama, vendo TV.

Laura: Nossa, não te reconheço. Que comportada! -- disse com sarcasmo.

Alice: Ave, quem ouve pensa que eu sou a pessoa mais pervertida desse
mundo!

Laura: Brincadeira, amor! -- colocando as coisas sobre o sofazinho que ficava


no canto.

Alice: Deita aqui. Amanhã você tem que levantar cedo. Vou fazer você nanar! --
com uma carinha de anjo.

Laura: Jura?

Alice: Olha, menina. Presta atenção! -- e riu -- Já pedi chocolate quente pra
você dormir gostoso.

Laura: Hum, minha delícia! -- me deitando ao lado dela.

Devagarzinho fui me enroscando ao seu corpo. Logo a Lourdes bateu na porta.


Alice se levantou e foi pegar a bandeja, como sempre, com os chocolates
quentes e alguns cookies. Tomamos meio deitadas e conversando sobre o
filme que assistimos naquele dia. Logo depois escovamos os dentes e nos
deitamos.

“Que gostoso!”

Ficamos abraçadas. Eu sentia a respiração dela. Ela fazia carinho no meu


rosto e no meu cabelo, dava beijinhos na minha bochecha e na boca.

Alice: Boa noite, linda! Dorme com os anjos, mas sonhe comigo -- ela sorriu.

Laura: Melhor do que sonhar é ter você aqui!

Depois de um beijo demorado, eu me virei e ela fez conchinha, acariciando


minha nuca. Assim, eu dormi e, tenho certeza, com um sorriso estampado no
rosto!

Capítulo 19

Acordei com o despertador do celular e confesso que havia perdido o costume


de levantar cedo. Alice só se incomodou um pouco com o barulho, mas se
virou e dormiu novamente. Arrumei-me e tomei um suco que havia no frigobar
do quarto. Vi que ainda faltava tempo, então sentei no sofazinho e fiquei
observando-a dormir. Comecei a mexer no meu caderno, que foi herdado do
meu último ano de colégio e encontrei um poema que copiei de algum lugar
que não me lembro. Retirei a página, assinei e deixei em cima do meu
travesseiro, pra ela.

“Quero apenas cinco coisas...


Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos
Não quero ser... Sem que me olhes
Abro mão da primavera para que
Continues me olhando.”
(Pablo Neruda)

Dei um beijo de leve e ela sussurrou:

Alice: Tenha um bom dia, amor!

Eu saí com um sorriso enorme no rosto. “Se todos os dias eu dormir e acordar
ao lado dela, não preciso de mais nada!”

Depois de 10 minutinhos de metrô, estava na faculdade. Era o primeiro dia,


mas eu conhecia várias pessoas que já estudaram comigo. A Dani também
escolheu o mesmo curso que eu e, por sorte, caímos na mesma sala. Pelo
menos eu não ia ficar tão desnorteada, e nem ela. Situei-me pelos corredores e
segui até onde estariam as salas de Arquitetura e Urbanismo.

Sempre fui apaixonada por cidades grandes, artes e sempre tive uma quedinha
por design e decoração, por isso já pensava há tempos em seguir a profissão.
Logo que cheguei ao corredor, avistei a Dani com algumas meninas, já se
enturmando. Ela me cumprimentou e me apresentou às garotas que havia
acabado de conhecer, Clara, Juliana e Roberta.

A manhã até que passou rápido, somente apresentações sobre o curso e


essas frescuras. Eu não conseguia pensar em outra coisa a não ser na pessoa
que deixei dormindo em casa. Nunca havia ficado daquele jeito por alguém.
Mas eu estava amando aquela sensação de estar perdidamente apaixonada e
ser correspondida.

Dani: Ei, garota, acorda! Já estamos dispensadas.

Laura: Ai, calma meu! Tava só aqui pensando...

Dani: Em quem, hein? Acho que fiquei fora muito tempo nessas férias.

Laura: Se toca, entrona. Fica na sua! -- sorrindo e dando um empurrão nela.

Dani: Olha a grosseria, Laura De Biasi! -- rimos -- As meninas querem almoçar


num restaurantezinho aqui perto, vamos?
Laura: Vamos!

Mandei uma mensagem no celular da Alice e fomos. Quem quisesse iria


participar dos trotes e festas, mas ninguém era obrigado. Eu particularmente
não queria fazer baderna, então aceitei ir com as meninas. As garotas eram
bem legais. Na faculdade a gente encontra pessoas que têm gostos mais
parecidos com o nosso.

A semana passou rápido e eu me dividia entre a faculdade e Alice. De manhã


era faculdade e à tarde eu aproveitava para dormir porque Alice já havia
começado o ensaio com o parceiro de dança e me proibia de assistir, já que a
coreografia ainda não estava pronta.

À noite ficávamos juntas, conversando, vendo TV ou saíamos comer alguma


coisa, pegar um cinema ou um teatro. A gente tava se curtindo demais, além
de termos um relacionamento, éramos amigas ao extremo. Quinze dias depois
de começarem as minhas aulas, seu Henrique me chamou na biblioteca depois
do jantar. Entrei e ele fechou a porta.

Henrique: Pode se sentar, Laurinha! -- mostrando a cadeira.

Laura: Com licença.

Henrique: Eu sei que é meio sem nexo lhe perguntar isso em tão pouco tempo,
mas você está gostando da faculdade?

Laura: Claro, seu Henrique! Apesar de ser somente 15 dias, acho que vou me
dar muito bem.

Henrique: Que bom, porque eu a chamei aqui para lhe fazer um convite.

Laura: Um convite?

Henrique: Sim. Gostaria de tê-la como estagiária na minha construtora, na


equipe de arquitetos.

Laura: Não acredito! -- eu havia ficado extremamente surpresa e feliz com


aquele convite.

Henrique: Pode acreditar! Eu sei que você é uma menina estudiosa, sempre
provou isso e acho que dará uma ótima profissional. Quero que vá se
habituando à profissão, aprendendo no dia-a-dia.

Laura: Nossa, que oportunidade! Não sei nem como lhe agradecer, seu
Henrique.

Henrique: Agradeça-me sendo uma grande arquiteta. Você pode começar


amanhã! Seu cargo é de assistente de uma das minhas arquitetas, trabalhará
no período da tarde e ganhará uma remuneração. O que acha?
Laura: Seu Henrique, eu adorei! Vou agarrar essa oportunidade com unhas e
dentes e o senhor não vai se arrepender de ter me feito o convite.

Henrique: Tenho certeza que não, Laurinha.

Laura: Pode contar comigo, estarei lá amanhã! -- estendendo a mão para


agradecê-lo.

Henrique: Ok. Espero você às 13 horas para lhe apresentar a sua chefe.

Laura: Obrigada, seu Henrique. De coração!

Saí da biblioteca saltitante e fui correndo pra cozinha contar a minha mãe. Ela
ficou muito feliz, estava sem palavras. Eu sei que havia conseguido o estágio
por mérito meu de ter provado ao seu Henrique que sempre fui uma pessoa
disciplinada. Depois que contei a minha mãe subi correndo contar à Alice.

Alice: Nossa, amor, que orgulho! -- ela me beijava.

Depois daquilo tudo, eu só queria ficar ali, nos braços dela. No dia seguinte,
depois da aula, fui conhecer meu novo trabalho. Eu nunca tinha entrado na
construtora do seu Henrique. Ela fica num prédio gigantesco, de vidro, na
Avenida Paulista.

Na recepção, dei o meu nome e a recepcionista me indicou o caminho para a


sala do seu Henrique. Bati na porta, entrando no recinto. Ele, todo
engravatado, estava sentado numa poltrona preta, de couro, atrás de uma
enorme mesa de vidro.

Em frente, estava sentada em outra cadeira, uma mulher, nova por sinal, com
uma roupa social, porém com cortes modernos. Morena de pele, cabelos lisos
e compridos, com luzes carameladas. Seu rosto era bonito e ela aparentava ter
em torno de 27 ou 28 anos.

Henrique: Entre, Laurinha. Sente-se aqui!

Laura: Com licença – sentei-me na cadeira ao lado daquela mulher charmosa.

Henrique: Laura, esta é Luíza, sua chefe. Você será assistente direta dela.
Tenho certeza que irá aprender muito.

Luíza: Prazer, Laura. Espero que goste! -- disse com uma voz que parecia
música.

Laura: Prazer! Pode ter certeza que vou gostar sim -- já havia começado a
gostar ali mesmo.

“Credo! Para de pensar besteira Laura!”


Luíza: Se o senhor me der licença, seu Henrique, quero apresentar a empresa
à Laura.

Henrique: Fique à vontade, Luíza. E seja bem-vinda, Laurinha!

Laura: Obrigada, seu Henrique!

Luíza foi me conduzindo pelos corredores da construtora, me mostrando cada


canto e me apresentando a todos. Até que chegamos à sala dela.

Luíza: E aqui é a minha sala, Laura. A sua mesa é aquela ali fora, mas sempre
que precisar pode entrar sem receio. Somos uma equipe aqui e não temos
frescuras. Vou lhe passar os serviços gradualmente. O importante é você se
acostumar com o ambiente e qualquer dúvida perguntar mesmo, ok?

Laura: Ok. Obrigada, Luíza!

Luíza: De nada! Se quiser já pode acomodar-se na sua mesa. Hoje não te


passarei nenhum trabalho em especial, gostaria que interagisse com o pessoal
e matasse suas curiosidades -- ela falava e gesticulava bastante, como se
tivesse ansiosa -- E se quiser uma parceira para um café, pode me chamar.
Adoro bater papo! -- sorriu largo.

“Que sorriso!”

Laura: Tudo bem! -- sorri de volta.

Passei o resto da tarde me enturmando com o pessoal e observando como era


o esquema de trabalho na empresa. Havia gostado desde o primeiro dia. Era
tudo muito dinâmico e interativo. Eu fiquei impressionada como uma mulher
relativamente nova, como a Luíza, já havia se tornado arquiteta chefe da
construtora. Talvez eu pudesse me espelhar nela.

Capítulo 20

Com o passar da semana, fui me acostumando com a rotina de faculdade e


trabalho. Estava adorando essa nova vida. E à noite, ninguém melhor que a
Alice para me fazer companhia. Pena que quando eu estava com ela, o tempo
parecia passar tão rápido.

Num dia, no intervalo da faculdade, a Dani puxou o assunto:

Dani: Laura, quero te fazer uma pergunta. Mas não me leve à mal, ok?

Laura: Claro, Dani. Fala!

Dani: Eu percebi que você e a Mari estão distantes.


Laura: NÃO! -- eu não sabia o que responder. Eu havia conseguido esquecer
um pouco aquela garota nos últimos dias.

Dani: Não mente, Laura.

Laura: Ultimamente ela tava meio estranha e a gente acabou se distanciando.

Dani: Ela me disse que você não conversa mais com ela, não atende no
celular.

Laura: Mas que drama, Dani! A gente só se estranhou por causa de algumas
coisas que eu nem lembro e não nos falamos mais. Só isso!

Quando eu olhei ao fundo, vi a Mari encostada num pilar. “Não acredito!” Meu
coração disparou. “O que essa garota vai querer aprontar agora?”

Dani: Desculpa, eu acho que sempre te faço surpresas desagradáveis! -- ela


percebeu meu semblante de decepção.

Laura: Por que você sempre faz as coisas que dizem respeito a mim sem me
consultar, Daniela?

Dani: Desculpa, Laura. Mas acho que dessa vez vocês têm que conversar.
Somos amigas desde pequenas e não dá pra ficar assim! -- ela se levantou, me
deu um beijo no rosto e saiu.

Eu sabia que a Dani tinha razão quando disse “somos amigas desde pequenas
e não dá pra ficar assim!”. Quando ela saiu, a Mari se aproximou com as mãos
no bolso do casaco de veludo vinho que usava.

Mari: A gente pode conversar num lugar mais reservado? -- ela estava com um
ar calmo e sereno, parecia a Mari de antigamente.

Laura: Vamos.

Levantei-me e saí andando. Ela vinha atrás, com a cabeça baixa. Eu tinha
saudade daquela Mari que eu conhecia. Sempre me dei bem melhor com ela
do que com a Dani. Era ela quem sabia dos meus maiores segredos e
compartilhava comigo os dela. “O que aconteceu com a Mariana?”.

Estava um dia de chuva e frio. Um vento bateu no corredor e eu vi seus


cabelos ruivos e lisos indo para trás. Foi quando me lembrei dos momentos
que a gente tinha passado desde criança. Nossas brincadeiras, nossos
aniversários. Tive vontade de abraçá-la, como fazia todos os dias até pouco
tempo atrás. Mantive-me forte, queria ver o que ela falaria sobre suas últimas
atitudes.

Laura: Aqui tá tranquilo, pode falar -- me sentei num banco que era mais
afastado da muvuca do intervalo.
Ela se sentou, ainda com as mãos no bolso do casaco e me olhou. Eu achava
tão lindo aqueles olhinhos pequenos, que quando ela ria se fechavam. “Porque
eu to com o coração tão mole?”

Mari: Eu quero te pedir desculpas!

Laura: Então você sabe o que você me fez?

Mari: Eu não sou babaca, Laura!

Laura: Isso eu sei! Mas por que essa tortura comigo, Mariana?

Mari: Não quero entrar em detalhes do porquê, Laura. Só tô aqui porque quero
que me desculpe e quero que a gente volte a ser como éramos antes.

Laura: Eu não entendo.

Mari: Não precisa! Só me desculpa e aceita a minha amizade de novo.

Laura: E como eu vou saber que você não tá me sacaneando?

Mari: Eu nunca te sacaneei, Laura! Eu ME sacaneei! E pode ter certeza que


quem mais saiu perdendo com as minhas atitudes fui eu mesma.

Laura: Como você explica o que você fez na piscina comigo?

Mari: Já disse que não quero te explicar nada.

Laura: Mas então assim é muito fácil, Mariana! Fazer a coisas que fez, vir pedir
desculpas e ficar na boa, como se nada tivesse acontecido! E aquilo no
banheiro da danceteria?

Mari: Laura, por favor! Eu não tenho como te explicar -- ela abaixou a cabeça.

Laura: Ei, eu preciso entender! Acho que ainda somos amigas -- levantei a
cabeça dela com carinho.

Mari: Ai, Laura, por favor! Eu só quero que me desculpe, prometo que vamos
ser como antes.

Laura: Preciso que você seja sincera comigo.

Mari: É tão difícil você entender?

A gente ficou se encarando. Ela foi se aproximando de mim lentamente e, NÃO


SEI O PORQUÊ, eu não fugi, como das outras vezes.

Capítulo 21
A Mari tocou meu rosto com sua mão quente e não tirava os olhos de mim. O
vento ainda batia nos seus cabelos. Eu queria ver até onde ela iria. Fui fraca.
Não consegui manter os olhos abertos, fechei-os e senti seus lábios tocando os
meus.

“O QUE TÁ ACONTECENDO?”

Ela se aproximou mais e eu, curiosamente, correspondi. Segurou a minha nuca


e enroscou seus dedos nos meus cabelos. Sua boca era macia e o beijo doce.
Respirava como se quisesse me sugar. Levei minha mão ao seu rosto,
sentindo o quanto era delicada.

Foi rápido, mas intenso. Quando parou, me olhou e se afastou. Eu só pensava:


“ALICE!”. Olhei nos olhos da Mari, que disse:

Mari: Entende agora?

Eu estava em transe. Muda. Agarrei o colar no meu pescoço e fechei os olhos,


trazendo pra mim a imagem da pessoa pela qual eu era totalmente
apaixonada. “O que você fez, Laura?”

Mari: Desculpa pelo beijo, eu sei que você gosta dela!

Laura: Você não sabe de nada! -- por que eu estava querendo dar de
ofendida? Eu tinha correspondido aquele beijo.

Mari: Eu sei de tudo! Eu ajudei a escolher esse colar. Mas desencana, Laura.
Já disse, não quero te atormentar, quero a gente como antes de novo.

Laura: Ai, Mari, me dá um tempo, por favor!

Mari: Já te dei um tempo. Eu precisava falar com você.

Laura: Mari, processa meu! Você não percebeu o que acabamos de fazer?

Mari: Tudo bem, Laurinha! Eu cansei de te procurar, de te ligar, de tentar


conversar com você -- ela se levantou e ia saindo.

Laura: ESPERA! -- segurei o braço dela -- Eu tô encanada!

Mari: E você acha que eu tô me sentindo como? A correspondida, com certeza,


não sou eu! -- saiu e foi embora.

Eu fiquei ali. Parada. Não sabia o que fazer. Não sabia se corria atrás dela, se
a deixava ir. “E a Alice?” Eu estava me torturando por dentro. “Poxa, eu
correspondi ao beijo da Mari, o que isso quer dizer?”.

Não entrei na aula. Fui até a lanchonete e pedi um suco de laranja. Fiquei ali
até dar o horário de almoço. Foi quando meu celular tocou.

Dani: Ô folgada, cadê você?

Laura: Tô na lanchonete! Fiquei conversando com a Mari e no fim nem entrei


mais na aula.

Dani: Ela tá aí ainda?

Laura: Não, já foi faz tempo.

Dani: Hum... Beleza, a gente se vê amanhã então, Laurinha. Beijitchos!

Laura: Beijo!

Quando Desliguei, tocou novamente. “AI!”

Laura: Alô?!

Alice: Oi meu amor!

Laura: Oi linda!

Alice: Tá tudo bem, Laurinha?

Laura: Tá sim e você?

Alice: Sim! Mas não parece que você tá bem.

Laura: Eu tô sim, adorei que você ligou.

Alice: Então, liguei pra saber se você que ir a uma apresentação de dança
comigo e com o Alessandro essa noite. Nós vamos assistir aos nossos
concorrentes!

Laura: Vou sim, amor. Claro!

Alice: Ai, que bom! Te espero então, tá? Bom trabalho!

Laura: Obrigada, linda. Beijos! Amo você, viu?

Alice: Hum... Também te amo! -- dengosa.

“Desencana Laura, você é louca pela Alice. Aquilo foi só um beijo. Esquece!
Foi de momento e pronto!” Eu estava certa. Era perdidamente apaixonada pela
Alice.

Capítulo 22
O tempo parecia não passar no meu trabalho. Eu estava aprendendo bastante
coisa e a Luíza já tinha me passado um monte de serviço.

Eu não conseguia parar de pensar na Mari, no que aconteceu, ou melhor, no


que eu deixei acontecer. Ao mesmo tempo, pensava na Alice, no quanto eu
gostava dela e como ela se tornou essencial pra mim em tão pouco tempo.

Precisava conversar com alguém, desabafar. Então, quando finalmente meu


expediente acabou, peguei o celular na bolsa e liguei pra Paulinha.

Paula: Alô?

Laura: Oi, Paulinha!

Paula: Oi, Laurinha! Tudo bom?

Laura: Ai amiga, mais ou menos! Queria conversar com você, marcar um


lanche, sei lá!

Paula: Aconteceu alguma coisa com a Alice?

Laura: Não! O problema tem outro nome: Mariana.

Paula: Fala logo, Laurinha. Eu acabo com o rostinho lindo daquela garota num
soco só!

Laura: NÃO, calma! Só queria te contar umas coisas e tal. Mas e você? Como
tá?

Paula: Ai amiga, também quero te contar umas novidades. Acho que to


apaixonada! Quero te contar tudo também.

Laura: Aiii, não acreditooo! Então fechado, vamos combinar.

Paula: Hoje à noite?

Laura: Hoje não dá, vou numa apresentação de dança com a Alice.

Paula: Ih! Casou já, Laurinha?

Laura: Para, boba! É que eu tô com saudade de ficar com ela, então decidi ir.
Você pode amanhã?

Paula: Claro. Amanhã à noite, lá em casa, tá? Beijos!

Laura: Ok, beijos!

“Mas e a Mari?! Como ela está?! Não posso fazer pouco caso, tenho que
admitir que ela falou comigo decentemente hoje. E outra... somos amigas há 10
anos praticamente, não posso deixar as coisas assim!”
Pensando muito, decidi ligar pra ela. Porém não me atendeu. Liguei 3 vezes
seguidas e nada. “Ela sempre me atendeu de primeira!”

Fui pra casa. Chegando, tomei um banho demorado, coloquei uma calça preta,
uma blusinha colada também preta e um casaco chumbo. No pé bota de cano
longo por cima da calça e dei um jeito no cabelo. Fiz um make e passei um
perfume. PRONTO!

Subi de elevador até o quarto da Alice. Do estúdio já sentia seu cheiro


maravilhoso. Vi-a no quarto. Fui devagarzinho por trás e abracei-a, beijando-lhe
a nuca.

Alice: Ai, linda, me dá um beijo vai!

Ela passou os braços sobre o meu pescoço e me beijou ferozmente. Eu a puxei


pela cintura e já via estrelas. “Sim, ela tem um poder enorme sobre mim!”

Alice: Nossa, você tá linda!

Laura: Você também, meu amor!

E estava mesmo! Uma calça cinza, blusa de manga longa verde musgo e um
sapato de salto marrom. A Alice tinha um bom gosto extremo para se vestir.

Laura: Na verdade eu queria ficar aqui com você, sentindo seu cheiro. Tô com
tanta vontade de você! -- disse manhosa.

Alice: Hum, a apresentação não vai demorar. E eu não vou negar as suas
vontades quando voltarmos -- ela sussurrou no meu ouvido.

Laura: Delícia! -- beijei-lhe a boca.

Alice: Mas olha, aquele ali é o Alessandro, vocês ainda não se conhecem.

Fiquei pálida! Entrei tão empolgada que nem vi o garoto sentado no sofazinho
de canto no quarto. “Que vergonha, Deus!”

Laura: Nossa, me desculpe. Prazer, Laura. -- meio sem graça.

Alessandro: Prazer Laura. Eu sou o Alessandro. Até que enfim te conheci!

Laura: Como assim? -- eu ri sem jeito.

Alessandro: A Alice só fala em você! -- disse sorrindo -- E olha, Alice,


realmente ela é muito linda, viu?! -- disse olhando pra ela.

Laura: Que isso, obrigada!

Alice: E então, vamos?


Quando saímos do quarto, eu ainda estava totalmente sem graça. O
Alessandro é um cara extremamente educado e fino. Percebe-se que é gay. É
muito bonito, moreno, de cabelos negros, jogados pra trás, olhos azuis como
água e um corpo bem trabalhado, não musculoso, mas totalmente em forma.
Ele é um pouco mais alto que Alice e eu e tem uma postura muito elegante.

Pegamos um táxi e seguimos para o teatro onde seria a apresentação. A Alice


segurou a minha mão e conversava sobre a apresentação com o Alessandro.
Chegamos ao local e ao descermos eles já foram espalhando cumprimentos
por onde passavam. A Alice sempre me apresentava para quem estava
conversando. Eu não conhecia ninguém, mas ela não largava de mim.

Depois de muito tempo, entramos e sentamos nas primeiras fileiras. A


apresentação começou e a Alice e o Alessandro estavam compenetrados,
concentrados, observando. Às vezes trocavam um comentário.

De mãos dadas com Alice, o meu pensamento me levou pra longe dali. Voltei a
pensar na Mari e no que havia acontecido. “Caramba, ela não viu minhas
ligações?”.

Disse à Alice que iria ao banheiro e fui até o saguão do teatro. Peguei meu
celular na bolsa e disquei novamente para a Mari. Desta vez foram 4 chamadas
sem êxito. Decidi então mandar uma mensagem: “Quero falar com você, Mari!
Me liga quando puder. Beijos”.

Nas mensagens eu sempre dizia que a amava, mas naquela ocasião não
estava me sentindo confortável pra escrever aquilo. Esperei um pouco para ver
se ela retornava e nada. Voltei a minha poltrona e Alice se encostou no meu
ombro.

Assim que acabou a apresentação, pegamos um táxi e fomos direto para casa.
Alessandro foi para a casa dele, que não ficava longe. Ainda não estava tarde.
Decidi nem passar no meu quarto e nem ver minha mãe. Eu queria ficar com
Alice e subi junto com ela. Já no elevador me enchia de beijos.

Laura: Alguém pode nos ver pela câmera, Alice!

Alice: Não ligo, quero você! Tô com saudade... Vem cá! -- colocando as mãos
na minha cintura.

Laura: Calma! Aí ó, chegamos.

Assim que entramos no estúdio, ela trancou a porta e jogou a chave longe. Eu
vi seus olhos cor de mel ardendo. Estava morrendo de vontade daquele corpo.
Empurrei-a contra a parede de espelhos e chupei seu pescoço com força.

Alice: Laurinha, vai ficar marca! -- disse baixinho.

Eu nem liguei. Apertei-a novamente e levei minhas mãos até sua bunda.
Laura: Delícia!

À medida que beijava seu pescoço e sua boca, desabotoei a calça. Coloquei a
mão por dentro e senti uma calcinha de renda, do jeito que eu gostava. Aquilo
me deixou mais louca ainda. Ela me puxava com força contra ela, me deixando
praticamente sem ar. Levantei sua blusa e tirei.

Enquanto desci beijando seu colo, tirei minha própria blusa e minha calça.
Seus dedos se embaraçavam em meus cabelos e eu procurava tirar a calça
dela o mais rápido possível. Notei a lingerie branca que usava. Totalmente
sensual!

Entrelaçou as duas pernas na minha cintura enquanto eu me deliciava em seus


seios. Minhas mãos a seguravam pela bunda. Ela gemia baixinho, no meu
ouvido, só pra eu escutar.

Alice: Você me deixa louca, Laura!

Eu estava perdida em seus seios quando tirei o sutiã. Fui levando-a para o
sofá, onde nos beijamos pela primeira vez. Fiz ela se sentar e tirei sua
calcinha. Eu só queria sentir o gosto dela. Fui com vontade ao seu sexo,
tentando desfrutar cada pedacinho dele. Seus gemidos ficaram mais altos e eu
a sentia estremecer em minhas mãos.

Ela me puxou pelos cabelos e me fez sentar no lugar dela. Subiu em cima de
mim e foi me beijando desde a orelha, pescoço, seios e barriga, até tirar a
minha calcinha e também chegar ao meu sexo. Eu alcancei as estrelas. Ela me
lambia, me sugava, enquanto eu suspirava alto.

Foi subindo novamente e agora era sua mão que me deixava louca. Beijava-
me a boca violentamente e rebolava no meu colo. Minhas mãos já estavam
perdidas no seu seio e no seu sexo novamente. Dessa vez fomos às estrelas
juntas.

Eu agarrei seu rosto e não queria parar de beijá-la nunca mais. Eu precisava
daquela boca, daquelas mãos, daquele cheiro, daquela mulher. Eu era doida,
louca e perdidamente apaixonada por ela.

Alice: O que você faz comigo, Laura?

Laura: Esse é um segredo que não conto nem sob tortura! -- ela riu quando
notou que repeti uma frase que ela já havia dito.

Roçava o nariz em meu rosto, como se tivesse me cheirando. De olhos


fechados, beijava-me e eu correspondia. Quando estava com ela, não queria
saber de mais nada!

Alice: Tá com sono?


Laura: Você me tira todo e qualquer sentimento de monotonia.

Alice: Vamos pra minha cama!

Laura: Quer dormir?

Alice: Não, eu quero mais!

Levantei-a sobre a minha cintura e fomos para a cama. Joguei-a deitada e


beijei-lhe a boca loucamente. Aquele cheiro me embriagava, me deixava
totalmente entregue. Naquela noite eu não dormi. Aproveitei ao máximo minha
namorada e matei toda a vontade que estava naqueles últimos dias. Alice era
sempre uma caixinha de surpresas.

Eu sabia que no dia seguinte ia ficar exausta. Mas que se danasse, eu queria
mesmo ELA!

Capítulo 23

Na faculdade eu estava como um zumbi. Não assisti a aula nenhuma, só dormi,


o que deixou a Dani indignada. Num dos meus cochilos, sonhei com a Mari.
Acordei assustada e já era quase hora do almoço.

Enquanto almoçava na lanchonete em frente à faculdade, tentei novamente,


em vão, ligar para Mariana. Eu não tinha como ir atrás dela, não podia sair da
aula e nem do trabalho. “Saco de garota!”

A tarde passou lentamente e eu estava morrendo de ansiedade de ir pro


apartamento da Paulinha. Alice iria ensaiar até tarde, então daria certo.
Quando deu o horário, saí rápido em direção ao prédio da minha amiga, que
também é na Av. Paulista.

No caminho, novamente tentei ligar para Mari, e nada! Até que cheguei ao
apartamento da Paulinha. Toquei a campainha e rapidinho ela me atendeu.
Depois de nos cumprimentarmos, começamos os assuntos.

Laura: Mas me conta, Paulinha, e essa história de apaixonada, hein?

Paula: Aiii, Laurinha! Acho que estou apaixonada mesmo. Tô saindo com uma
garota que conheci por acaso num restaurante no meu horário de almoço.

Laura: Sério? Me conta tudo!

Paula: Ah, um dia eu estava almoçando e o restaurante estava super lotado.


Ela pediu pra se sentar na minha mesa, já que só um lugar estava ocupado.
Achei-a maravilhosa e puxei assunto. No fim, ela anotou o telefone num
guardanapo e pediu que eu ligasse pra gente conversar mais e combinar de
almoçarmos juntas. Depois de uns dois dias, criei coragem e liguei. Almoçamos
mais umas duas vezes e eu a chamei pra vir aqui em casa, tomar um drink. E
rolou!

Laura: Ai, Paulinhaaa! Que legal, meu! Tô feliz por você!

Paula: Faz uns 15 dias que estamos saindo e eu to pensando em pedir ela em
namoro. A gente combina muito! Ela tem 29 anos, um pouco mais velha, mas é
independente e livre.

Laura: Tá apaixonadaaa!

Paula: Acho que tô mesmo, Laurinha. Ela é linda! Falei de você e da Alice e
disse que vamos combinar de sairmos nós quatro juntas.

Laura: Isso, vamos sim!

Paula: Mas agora me conta, o que tá acontecendo com a Mariana?

Laura: Ai, Paulinha, eu sei que você vai querer me matar...

Paula: Ai, Jesus! Fala logo, Laura! -- já emburrando e cruzando os braços.

Laura: Ontem a Dani armou da Mari ir conversar comigo no intervalo da


faculdade. Eu não estava atendendo os telefonemas dela e estava evitando
encontrá-la. Então a Dani resolveu dar um empurrãozinho.

Paula: Sempre, né?

Laura: SEMPRE! Aí a Mari apareceu no intervalo dizendo que queria um lugar


mais reservado pra conversar.

Paula: Pra que reservado, Laura? Você aceitou?!

Laura: Sim, eu queria ouvir o que ela tinha pra me dizer.

Paula: E?

Laura: E ela me pediu desculpas das coisas que fez, disse que queria voltar a
ser minha amiga como antes. Eu senti que era sincero.

Paula: E ela te explicou o porquê fez tudo aquilo com você?

Laura: É aí que está o problema. Eu insisti pra que ela me contasse o porquê
de tudo e ela pediu pra eu não forçar a barra com ela, que ela não queria
explicar nada.

Paula: Mas e aí? Para de suspense! -- ela estava inquieta.


Laura: Ela me disse que não tinha como explicar. Me perguntou se era tão
difícil de eu entender.

Paula: Entender o que, Cristo Rei? -- os olhos verdes me fuzilavam, já


imaginando o que havia acontecido.

Laura: Foi aí que ela me respondeu com um beijo.

Paula: Não acredito! Aquela safada! -- Paula levantou do sofá, visivelmente


alterada.

Laura: Paulinha! -- segurei no braço dela.

Paula: Tem mais?

Laura: Não sei, não sei!

Paula: Desembucha, garota!

Laura: Eu correspondi! -- disse baixinho, olhando pro chão.

Paula: O quê? Não ouvi.

Laura: Eu correspondi! -- ainda baixo.

Paula: Fala que nem mulher, meu! -- disse brava.

Laura: EU CORRESPONDI! BEIJEI TAMBÉM! E FOI BOM! -- o “foi bom” nem


eu esperava dizer, escapou. A Paulinha caiu sentada no sofá.

Paula: NÃO! Você só pode tá me tirando!

Laura: Pior que eu não tô -- abaixei a cabeça.

Paula: Laura, olha pra mim. Eu não acredito! Depois de tudo com a Alice, você
tá se engraçando com a Mariana?!

Laura: Não tô me engraçando com ninguém! Foi só um beijo e eu fiquei sem


reação.

Paula: E o que aconteceu depois?

Laura: Ela foi embora dizendo que sabia que eu gostava da Alice e que não ia
me atormentar mais. Pediu desculpas pelo beijo e foi. Eu tentei impedir, mas
não sabia o que fazer.

Paula: Você ficou perplexa do beijo?

Laura: Eu acho que sim.


Paula: VOCÊ GOSTOU DO BEIJO!

Laura: Acabei de admitir que sim. Ainda não tinha admitido nem pra mim
mesma.

Paula: Ai, Laurinha!

Laura: Mas não confunda as coisas, Paulinha! Eu amo a Alice, sou apaixonada
por ela. TOTALMENTE! Mas quero falar com a Mari, esclarecer tudo de uma
vez por todas, pois sempre fomos amigas. Mas agora é ela que não me atende!

Paula: Dá um tempo, Laurinha! E não fique encanada. Foi uma coisa que
aconteceu. Acho que você queria ver a reação dela e acabou se entregando.
Mas calma, você ama a Alice -- minha impressão era de que ela estava
pedindo calma pra ela mesma, que estava nervosa -- Mas acho que vocês têm
que conversar, sim.

Laura: Também acho! Não vou desistir de falar com ela.

Paula: Mas fale com cuidado! Ela gosta de você, e pelo que se percebe, gosta
muito.

Laura: Eu fui muito tonta!

Paula: Relaxa, Laurinha! Nem eu percebi qual era a dela.

Fiquei um tempinho ainda na casa da Paulinha, jantei com ela e fui embora.
Cheguei em casa, dei um beijinho na Alice que ainda ensaiaria mais com o
Alessandro e fui dormir. Estava muito cansada, sem dormir na noite anterior.

A semana passou normalmente e eu não conseguia de jeito nenhum falar com


a Mari. Na sexta-feira, a Dani me fez um convite.

Dani: Hoje a Mari e eu vamos naquele barzinho ali no Jardins. Você e a Alice
não querem ir também?

Laura: Claro! Vou falar com a Alice, mas acho que ela vai sim -- era a minha
oportunidade de tentar falar com a Mari.

Dani: Então tá! Umas 21 horas estaremos lá, quem chegar primeiro guarda a
mesa, beleza?

Laura: Combinado!

Eu sabia que meu dia passaria rastejando e estava quase para morrer de
ansiedade. “Antes eu não queria ver a Mari nem pintada de ouro. Agora, estou
contando as horas para encontrá-la. QUE COISA!”
Capítulo 24
E realmente o dia passou devagar. Assim que saí do serviço fui para um salão,
havia marcado horário de manicure e cabeleireiro.

Laura: Pelo amor de Deus, não toque nessa franja! -- disse ao cabeleireiro que
iria cortar.

Saí de lá me sentindo renovada. Eu adorava quando minhas unhas ficavam


com cores berrantes e meu cabelo cortado, nem que fossem somente 4
míseros dedinhos. Fui pra casa. Deixei minhas coisas no quarto, dei um beijo
em minha mãe, que estava organizando um jantar de negócios de seu
Henrique, e subi pro estúdio.

Alice ainda estava ensaiando e quando estava concentrada não gostava de ser
interrompida. Peguei o celular no bolso e disquei para o dela. De imediato ela
abriu a porta.

Alice: Boba! Era só bater -- suada, se jogou nos meus braços me dando um
beijo -- Hum! Que linda, fez a unha e cortou o cabelinho!

Laura: É! -- eu sorri.

Alice: Vem cá! -- pegou minha mão e me levou pra dentro do estúdio -- Quer
água? -- ofereceu a garrafinha que estava na mão dela.

Laura: Não amor, obrigada! -- vi Alessandro estirado no chão -- Oi Ale! Tudo


bom? Essa mulher não lhe dá sossego, hein? -- eu ri.

Alessandro: Menina, você não toma energia dela, não? -- totalmente exausto.

Alice: Você quem pensa que não, meu querido! -- ela respondeu por mim.

Eu sempre achava LINDO quando ela estava com short curtinho, top e sapato
de salto, ensaiando. O cabelo preso, desarrumado e o rosto suado a deixavam
ainda mais sensual.

Laura: Alice, a Dani nos convidou pra um barzinho hoje. Vamos?

Alice: Que horas?

Laura: Às 21, mas quem chegar antes guarda a mesa.

Alice: Vamos sim! Vamos Ale? -- se virando pro Alessandro.

Alessandro: Ai gata, tô morto de canseira. Fica pra outro dia. Vou arrumar as
minhas coisas e cair na cama!

Alice: DÚVIDO que você vai dormir, bicha fogueteira! Tá só fazendo charme
pra Laurinha -- a gente ria.
Alessandro: Ô garota maldosa! Hoje não quero causar, tô cansado! E você,
com esses ensaios, ainda vai me deixar sem nenhum bofe, de tanta dor no
corpo que eu fico! -- riu.

Alice: Frouxinho!

Alessandro: O quê? Coitada de você, se fosse homem eu não deixava sobrar


nem o pó, gata!

Laura: Ih, sem detalhes! -- ele riu.

Alessandro: Sério, Alice! Outro dia a gente combina, hoje tô acabado!

Alice: Tá bom, né?! Fazer o quê?

Laura: Tá, vou descer me arrumar. Assim que ficar pronta vai me chamar, ok?

Alice: Tá bom, linda! -- me deu um beijinho e eu sai.

Estava ansiosa. Nem sabia o que ia falar com a Mari, mas estava ansiosa, fato!
Tomei um banho gelado, apesar de o dia não estar quente. Passei um body
splash e depois de um tempo consegui escolher uma roupa. Um jeans claro
quase branco, desbotado e colado na bunda, e uma blusinha de malha vinho
manga longa, a qual abri alguns botões, na altura do colo, para o decote ficar
mais evidente.

O colar de coração realçou. Eu gostava daquela blusa, tinha uns detalhes


bordados nos braços, no mesmo tom de vinho, e um bolsinho na altura do seio
esquerdo, era bem descontraída. Decidi por uma sandália marrom escuro, bem
alta e uma bolsa combinando.

Brincos, blush, uma sombra de leve, lápis no olho, rímel e batom. Ótimo.
Passei um perfume que havia comprado há alguns dias e arrumei o cabelo,
daquele jeito jogado. Depois de um tempo dando uma olhada no espelho, fui
pra sala. Sentei-me no sofá olhando a hora no celular. Nenhuma ligação da
Mari. Foi quando vi Alice descendo a escada.

Alice: Vamos?

“MARAVILHOSA!”

Uma calça jeans de cor tradicional, uma regata cinza, que também deixava à
mostra o colar, e uma jaqueta branca por cima. A sandália preta tinha alguns
detalhes prata. O cabelo molhado e aquele perfume delirante me deixavam
louca. A boca dela ficava linda com aquele gloss avermelhado. Eu estava
enfeitiçada!

Alice: Vamos ou não, Laurinha?


Laura: Sim, vamos.

Peguei minhas coisas no sofá e fomos pro elevador.

Laura: Eu não podia falar na sala, mas você está LINDA!

Alice: Ah, é? -- me encurralando no canto.

Laura: É!

Alice: Quer voltar?

Laura: Vou ter tempo de sobra depois! -- ri e apertei a bunda dela.

Alice: Que cheiro gostoso é esse? -- cheirando o meu pescoço.

Laura: Um perfume novo que comprei essa semana.

Alice: AMEI!

Pegamos um táxi em frente ao prédio e seguimos para o bar. Minhas mãos


começaram a ficar geladas e eu inquieta. Chegamos e já entramos. Se elas
não estivessem lá, teríamos que guardar mesa, pois o local era bem disputado.

Ainda não tinham chegado. Escolhemos uma mesa das poucas que ainda
estavam livres, e nos sentamos. Eu estava impaciente. Pedi um Martini, como
sempre, e a Alice uma batida de frutas.

Fiquei reparando no lugar, era bem intimista, luz baixa e amareladas, uma
decoração atraente e garçons bem atenciosos. Enfim, bem gostoso.

Alice: Que foi, linda? Você tá calada -- ela reparou.

Laura: Não, tô só reparando no bar, é bem legal aqui, nunca tinha vindo.

Alice: Hum! -- ela pegou na minha mão que estava apoiada na minha perna --
Sua mão tá gelada, Laurinha! -- percebeu de novo.

Laura: Acho que é por causa do ar condicionado.

Ela não comentou mais nada. Ficamos vendo o cardápio e as pessoas que
passavam. Às vezes trocávamos algumas palavras. Ela percebeu que eu
estava incomodada com alguma coisa.

Depois de uns 15 minutos, vi a Alice sorrindo em direção à porta. Olhei e vi a


Dani e a Mari entrando. Meu coração começou a bater acelerado e eu nem
sabia o porquê. Aliás, o que eu não sabia era o que dizer pra Mari. A Dani,
boba alegre já deu um tchauzinho de longe e a Alice respondeu com outro. Eu
sorri. A Mari vinha atrás, meio sem jeito.
Dani: Oi gente! – cumprimentando-nos com um beijo no rosto.

Alice: Oiii!

Laura: E aí, Dani?

Dani: Que bom que vocês vieram. Vamos fofocar!

A Mari se aproximou meio acuada. Eu reparei o quanto ela estava linda aquela
noite. Ela sempre foi, mas aquela calça preta colada tinha a deixado muito...
muito... sei lá, nunca havia reparado nela, muito menos na sua bunda! E eu
não queria reparar, não podia dar bandeira para Alice do que tinha acontecido.

Mari: Oi Alice! -- cumprimentou a Alice também com um beijo no rosto.

Alice: Oi querida! Tudo bom?

Mari: Uhum! -- sorriu.

Quando se aproximou de mim, jogou a franja que estava caída sobre o olho
direito, num movimento que libertou o perfume dos cabelos. Eu gelei mais
ainda. Delicadamente ela segurou o meu rosto e encostou os lábios do outro
lado, me dando um beijo. As mãos e a boca quentes.

Mari: Oi, Laurinha!

Laura: Oi, Mari!

E foi isso! Ela se sentou ao meu lado e a Dani na minha frente. “To parecendo
uma idiota, com medo da Mariana!” A Dani e a Alice desembestaram nos
assuntos. Como falavam! Eu tinha que retirar senha pra poder dar algum
palpite sobre as conversas. Às vezes eu fitava a Mari de canto de olho e
percebi que ela parecia estar num mundo paralelo, quieta, pensando, olhando
pro infinito.

A Alice pegava na minha mão e fazia um carinho rápido. A noite foi passando e
comemos alguns petiscos. Eu já tinha perdido a conta de quantos drinks havia
tomado. Marguerita, Cosmopolitan, Alexander, Martini, Martini, Martini.

A Dani e a Alice não cansavam de falar. Foi quando o meu olhar cruzou com o
da Mari. Os olhos pequenos que eu achava lindos finalmente sorriram pra mim.
Ela sabia que eu os adorava, eu sempre brincava dizendo que queria que
meus filhos tivessem os olhos como os dela. A gente ficou alguns segundos se
olhando, até que ela desviou quando um cara bateu na cadeira da Dani, sem
querer.

Eu já estava desistindo de falar com ela, quando a Alice me avisou.

Alice: Vou ao banheiro com a Dani, tá amor? -- disse no meu ouvido, a música
estava um pouco alta.
Laura: Tá bom! -- eu sorri pra ela.

As duas se levantaram e foram ao banheiro. Era a minha chance de fazer


alguma coisa.

Capítulo 25

Laura: Mari -- toquei seu braço. Ela me olhou assustada -- Quero falar com
você!

Mari: Fala, Laura -- ela respondeu com calma.

Laura: Você não atendeu minhas ligações e nem respondeu minhas


mensagens.

Mari: Desculpa, Laura. Não estava me sentindo muito confortável com a


situação que ficou entre a gente.

Laura: Eu queria resolver esse impasse com você.

Mari: Esse “impasse”, como você diz, eu não consigo resolver de uma hora pra
outra! -- ela olhou pro outro lado, mostrando que não tinha gostado da palavra
que eu havia usado.

Laura: Desculpa! -- cheguei mais perto dela -- Desculpa por eu insistir aquele
dia. Você tem o direito de não querer me falar nada.

Ela me encarou e ficou calada. Nossos rostos estavam próximos e, mesmo


com a luz baixa, eu podia ver as suas sardinhas sobre o nariz. Senti um arrepio
forte subindo a minha espinha. “O que é isso?! Eu bebi demais!”

Ficamos ali, em outro mundo. A Mari estava apoiada na mesa e eu não sabia o
que falar para estender o assunto.

Mari: Para de me olhar, Laura! -- ela quebrou o gelo e eu, assustada, olhei pro
outro lado.

Vi a Alice e a Dani voltando do banheiro. “Merda!” Elas se sentaram à mesa e a


Alice sorriu pra mim. Depois de uns 5 minutos, vi a Mari dizendo alguma coisa
no ouvido da Dani, em seguida me olhou e se levantou. Eu percebi que ela
queria que eu a seguisse, pelo tanto de tempo que somos amigas, a gente
conseguia se comunicar através de olhares. Reparei que ela subiu as escadas
que davam no mezanino.

Laura: Amor, vou tomar um ar com a Mari lá em cima, tá?

Alice: Tá bom. Vou ficar com a Dani. Ela está me contanto os casinhos dela!
Laura: Tá. Logo eu volto.

Levantei-me e fui em direção à escada. O mezanino era um lugar bem mais


calmo, com as luzes ainda mais baixas e o público era 90% casais. Havia
algumas sacadas bonitas. O lugar era um charme. Procurei e encontrei a Mari
sentada numa mesa que ficava num canto mais vazio. Fui ao seu encontro,
puxei a cadeira e me sentei. O frio na espinha subiu de novo.

Laura: Mari, eu vou falar a verdade, não sei o que te dizer! Eu forcei com você
naquele dia, por isso aconteceu.

Mari: Fica de boa Laura!

Laura: Por que a gente não conversa e você me fala tudo que quer e eu te falo
o que acho também?

Mari: O que você quer ouvir de mim, Laura? Você quer ouvir com todas as
palavras que eu gosto de você, que sou apaixonada por você e que sempre
fui? Que eu guardo isso comigo há anos e que quando a Alice voltou, eu
percebi que você NUNCA seria minha? Ou você quer que eu me humilhe pra
você dizendo que o dia que você quiser, eu vou te querer? -- eu fiquei
totalmente estatelada com aquele turbilhão de palavras.

Laura: NÃO! -- foi a única coisa que eu consegui falar.

Mari: Não o quê? Não é o suficiente pra você?

Laura: Calma, Mariana! Eu tô processando ainda. Eu não sabia de tudo isso!

Mari: Agora que eu disse, vou ser sincera e abrir o jogo! -- ela parecia nervosa -
- Já faz mais ou menos 3 anos que eu comecei a sentir alguma coisa diferente
por você, Laura. Achei que ia endoidar sozinha, com aquilo guardado dentro de
mim. Achava que ia explodir a qualquer momento de tanta coisa que eu
escondia. Só eu sei o que eu passei nesse tempo todo tendo que guardar tudo
comigo. O medo! Eu sempre pensava em te contar, mas depois que refletia um
pouco, achava melhor deixar de lado, pois eu não queria nem imaginar em
perder a sua amizade. Saquei desde o primeiro dia que a Alice voltou que você
se apaixonou por ela e eu enlouqueci e me culpei por nunca ter te contado e
por pensar que você poderia me dar uma chance! Eu fiz tudo sem nem pensar,
nem planejar, agi por impulso e acabei com a nossa amizade!

Depois de tudo aquilo eu não sabia o que dizer. Abaixei a cabeça e algumas
coisas começaram a se encaixar na minha mente. Como ela não saia de perto
de mim quando eu estava doente. O carinho excessivo quando eu precisava de
colo. Apoiava minhas babaquices e não brigava comigo, por mais que eu fosse
grossa algumas vezes. Fiquei quieta por um bom tempo. Senti a mão dela
sobre a minha perna.

Mari: Não se culpe, Laurinha. Se eu mandasse no meu coração, já teria me


libertado desse sentimento! -- e ela ainda queria me consolar.

Laura: Eu não sei o que te dizer!

Mari: Então acho que a nossa conversa termina aqui.

Laura: NÃO!

Mari: Eu também não tenho mais o que dizer. Então não me tortura mais,
Laurinha!

Laura: Me dá um abraço!

Mari: Não! Isso não!

Laura: Por quê? -- arregalei os olhos.

Mari: Laura, só de sentir o seu corpo, o meu já pega fogo. Entenda!

Laura: Eu não quero perder você, Mari! Você é minha melhor amiga.

Mari: Acontece Laura, que não dá mais pra sermos como éramos antes. Eu
não consigo ouvir suas histórias com a Alice. Me mata por dentro. Não tem
como sermos amigas tão próximas mais!

Laura: Por que você não me falou antes, Mari? Por quê? -- eu me sentia
culpada.

Mari: Você nunca vai entender, Laura! -- ela foi se levantando.

Eu peguei na mão dela. E ela ficou ali, em pé.

Mari: Preciso tomar um ar! -- soltou a minha mão e foi até a sacada mais
próxima.

Dei um tempo pra ela. Eu sentia meu rosto queimando e minhas mãos, que
antes estavam geladas, agora suavam. “O que eu faço, Meu Deus?!” Meu
coração estava apertado. Levantei-me e fui até a sacada. Estava deserto
aquele espaço. Cheguei devagar e a abracei por trás dizendo:

Laura: Eu PRECISO desse abraço!

Ela se virou e me abraçou com carinho, acariciando meus cabelos. Num ato
instintivo eu levei o meu nariz até o seu pescoço. Senti ela se arrepiar em meus
braços.

“Agora eu entendi tudo!”.

Capítulo 26
A gente ficou ali um tempo. Eu sempre gostei do abraço de urso que ela me
dava. Um batalhão de pensamentos correu na minha mente em questão de
segundos. Nós crescemos juntas. Eu sabia que o sentimento da Mari era
sincero, ela refletia aquilo nos olhos enquanto falava. Despertou-me dos meus
sonhos quando tocou os lábios no meu ouvido.

Mari: Laura... eu a...

Laura: Shhh! Não fala nada! -- eu não podia ouvir aquilo, seria demais.

Os nossos rostos se colaram e ela foi roçando a boca na minha bochecha. Eu


fechei os olhos e senti novamente um calafrio imenso subindo, mas agora era
dos pés à cabeça. Podia sentir a sua respiração e estava totalmente entregue.
A sua boca tocou o canto da minha. Eu abri os olhos e me lembrei da Alice.

Laura: Mari, nós somos amigas! -- dei um pulo pra trás quando me dei conta do
que faria.

Mari: Você tem razão, Laura. E eu te prometo que vou fazer de tudo pra tirar
esse sentimento de mim -- eu notei seus olhos cheios de lágrima.

“NÃO!”. Um sentimento egoísta tomou conta do meu peito. “Por que eu não
quero que ela deixe de gostar de mim?” Agora quem estava ficando louca era
eu.

Laura: Vamos descer -- peguei na mão dela.

Mari: Pode ir, vou dar um tempo aqui -- ela soltou bruscamente da minha mão.

“Eu quero me jogar dessa sacada!” Eu tinha a Alice, mas não entendia o
porquê desse sentimento de vazio que havia tomado conta do meu coração.
Foi com a Mariana que eu passei toda minha vida. Compartilhei com ela todas
as minhas descobertas, meus medos e meus anseios. Agora eu senti que
havia perdido a sua amizade. De agora em diante, seria somente aparência,
para alimentar os olhos dos outros.

Desci as escadas. Eu não estava bem, minha cabeça girava. Cheguei à mesa
e me sentei novamente ao lado da Alice.

Alice: Oi, Laurinha. Cadê a Mari? -- ela notou o meu semblante um tanto
quanto estranho.

Laura: O celular dela tocou e eu desci pra deixá-la mais a vontade.

A Dani olhou me fuzilando.

Dani: Dá licença meninas, preciso falar com a Mari.


Eu não entendi a atitude dela, mas fiquei quieta. Eu queria me acabar.

Laura: Garçom, por favor! -- ele se aproximou -- Me traz um scotch... cowboy! --


o garçom arregalou os olhos, assim como a Alice.

Alice: LAURA! -- ela estava visivelmente indignada.

Laura: Eu tô acostumada, calma! -- mentira.

Ela cruzou os braços e ficou muda. Eu também não queria conversa com
ninguém. Depois de algum tempo o garçom voltou com o meu pedido.

Alice: Eu vou ao banheiro!

Olhei para a escada e vi a Dani e a Mari descendo. Mais do que rápido, mandei
o wisky pra baixo e botei o copo sobre a mesa. Parecia que eu havia tomado
um chacoalhão, um sossega leão. Elas se aproximaram e se sentaram.

Dani: LAURA! Você tomou isso? -- vendo o copo de wisky sem gelo.

Laura: Qual o problema? -- eu estava visivelmente tonta.

Dani: Você é muito imbecil mesmo!

Laura: Não enche!

A Mari balançava a cabeça negativamente.

Dani: Cadê a Alice?

Laura: Foi ao banheiro.

Mari: Vou te acompanhar, Laurinha -- eu não entendi – Ei, garçom!

Dani: Você não vai fazer isso, Mariana!

Mari: Deixa a gente quieta, Daniela! -- o garçom se aproximou -- Me traz outro


desse! -- mostrando o meu copo. O cara ficou com uma cara de “credo, que
meninas bêbadas!”

Eu sorri para ela e ela me devolveu o sorriso. O garçom voltou com o copo e
botou na mesa. A Alice chegou e vendo mais um copo disse:

Alice: Mais um, Laura? -- ameaçando nem se sentar.

Mari: Não, esse é meu!

Alice: Você também, Mariana?

Mari: Por que você não toma um também? -- Alice arregalou os olhos -- Você
virou de uma vez, Laurinha? -- me perguntou rindo.

Laura: Sim.

Mari: Então tá!

Dizendo isso, virou o wisky num gole só. Fechou os olhos com força enquanto
ele descia garganta abaixo e eu ri. Bateu o copo na mesa como se fosse um
bebum de quinta categoria. A Dani e a Alice estavam perplexas.

Laura: Aeee! Agora faz assim! -- segurei nos braços dela e a chacoalhei com
força. Ela ria incessantemente.

Alice: Tá louca, Laura?

Laura: A gente tá só brincando! -- aquilo me lembrou as babaquices que a


gente fazia e só nós conseguíamos rir.

Mari: Relaxa gente, vocês falaram a noite toda, a gente tá se divertindo! -- as


duas olharam com repúdio.

Dani: Alice, não liga, às vezes essas duas dão dessas, mesmo! E me dá um
ódio quando elas fazem essas tchonguices!

Mari: E agora, Laurinha, qual vai ser?

Laura: O que você acha de algo bem vagabundo?

Alice: Laura, se você pedir mais uma bebida, eu juro que vou embora! Já perdi
a conta dos seus drinks e agora você partiu pros wiskies?

Laura: Por que você tá tão brava, Alice?

Alice: E por que você tá tão idiota, Laura? Aconteceu alguma coisa que eu não
sei?

Depois dessa, eu fiquei quieta e a Mari encostou na cadeira, cruzando os


braços emburrada. Ela parecia criança quando ficava brava. Eu não aguentei e
gargalhei. A Alice ficou puta da vida.

Alice: Acho que tá na hora da gente ir embora!

Laura: Mas já?

Dani: É, já!

Mari: Tá cedo, gente!

Alice: Então vocês fiquem que eu vou!


Dani: Eu também!

Laura: Ô Alice, para! -- disse no ouvido dela.

Alice: Vem cá, Laura -- pegou na minha mão e me levou até o banheiro.

Eu estava cruzando as pernas, literalmente. Me jogou contra a parede e disse:

Alice: O que está acontecendo?

Laura: NADA! Eu e a Mari só ficamos entediadas porque você e a Dani não


paravam de falar e aqueles assuntos da Daniela dão no saco!

Alice: O que é isso, Laura? A gente tava só conversando!

Laura: Tudo bem, mas que tava um tédio tava!

Alice: Você agora tá cheirando à bebida!

Laura: Eu não posso nem tomar um wisky? -- disse perto da boca dela.

Alice: Você pode tomar um wisky sim, mas não depois de tudo que já tinha
bebido e ficar dando showzinho na mesa junto com a Mariana.

Laura: Para de coisa, amor! Vou tomar só mais um e vamos embora.

Alice: Já disse, se você pedir mais um eu vou sozinha, sem você!

Laura: Então só um Martini!

Alice: Vamos embora já!

Laura: Espera, quero fazer xixi! -- eu não conseguia parar de rir, estava
totalmente retardada.

Quando saí da cabine, Alice estava encostada na parede de braços cruzados,


como se quisesse me matar. Lavei as mãos e ela foi me empurrando.
Chegamos à mesa e foi logo dizendo:

Alice: Meninas, nós vamos embora, a Laura não tá bem.

Laura: Quem falou que eu não to bem? -- ela me deu um beliscão no braço e
me olhou queimando de raiva! -- É gente, eu não to bem mesmo!

Mari: Aham! -- gargalhando.

Dani: A gente já vai também!

Mari: Eu não vou, vai você!


Alice: Dani, cuida dessa bêbada aí, que eu cuido dessa. Vamos, Laura!

Ela foi me empurrando até pagarmos a comanda e sairmos do bar. No táxi, eu


deitei no ombro da Alice, enquanto ela ficava de braços cruzados. Chegamos
em casa e ela me levou para o meu quarto.

Alice: Você fica aí que eu não sou babá de bêbada! -- me jogando dentro do
quarto.

Laura: Ow, calma. Dorme aqui comigo!

Alice: Fica na sua, Laura! Amanhã é outro dia -- e bateu a porta.

“Burra! Burra! Burra! Eu só faço bosta!”

Joguei-me na cama e desmaiei daquele jeito mesmo.

Capítulo 27

No dia seguinte acordei com uma pontada na cabeça. “AI! O que eu fiz?” Minha
cabeça pesava, parecia que uma bigorna havia caído sobre ela. Eu tava tonta e
mal conseguia me levantar. Olhei e percebi que ainda estava com a roupa que
fui pro bar, até mesmo de sandálias. Alcancei meus pés e as tirei. Peguei meu
celular na bolsa e olhei a hora, já passava da 1 da tarde.

“ALICE!” Disquei pra ela. Depois de muito tocar, ela atendeu.

Alice: Oi, Laura!

Laura: Bom dia, amor!

Alice: Tô ensaiando!

Laura: Você já me castigou me deixando aqui, agora pode falar comigo


educadamente?

Alice: Sim, posso, mas mais tarde. Você sabe que não gosto que me
interrompam!

Laura: Tá bom! Olha, desculpa. Eu amo você!

Alice: Também te amo, Laurinha! -- mudando o tom de voz para algo mais
delicado.

Desliguei o telefone e fiquei ali, deitada, pensando. “Que noite louca!”

Me levantei, ajeitei o cabelo com as mãos e fui pra cozinha. Minha mãe estava
por ali, organizando os serviços dos empregados.

Mãe: Oi filha! Nossa! Você chegou agora?

Laura: Não mãe, eu dormi assim mesmo!

Mãe: Assim?

Laura: É, fiquei com preguiça de tirar a roupa e dormi assim!

Mãe: Laura, você tá cheirando a bebida, filha. Que coisa feia!

Laura: Foram uns drinks que eu tomei ontem, só mãe!

Mãe: Olha o juízo, Laura!

Fiz um café bem forte e passei manteiga em algumas torradas. Mandei o café
pra baixo.

Mãe: LAURA!

Laura: Ai, mãe, que foi?

Mãe: Calma filha, aconteceu alguma coisa? -- ela viu que eu tava comendo
desesperadamente.

Laura: Não mãe, só tô com pressa de tomar um banho.

Mãe: Se cuida filha! Hoje eu tenho que organizar uma reunião com o seu
Henrique aqui em casa. Os chefes da construtora vêm!

Laura: Será que a minha chefe vem, mãe? -- aquela tal de Luíza era um
pedaço de mau caminho.

Mãe: Se ela é chefe, ela vem sim.

Laura: Tá, vou tomar um banho.

Fui para o banheiro, escovei os dentes e liguei o chuveiro em água fria. A


minha cabeça latejava enquanto a água caía. Ainda não tinha conseguido
processar tudo que havia acontecido ontem. As declarações da Mari, a minha
primeira briga com a Alice. Era muito pra uma noite só!

Realmente eu estava cheirando a bebida. Esfreguei o corpo umas 3 vezes com


sabonete. Joguei sais de banho para dar uma relaxada. Depois de uns 20
minutos ali, embaixo da água, saí do banho e me sequei. Passei um hidratante
no corpo. Coloquei uma calça de moletom branca, daquelas de ginástica, uma
regata cinza e chinelos no pé. Bem confortável. Deixei o cabelo molhado dando
uma penteada com os dedos. Minha cabeça tava doendo demais para passar
escova. Um perfuminho pós-banho e um creme nas mãos. Fui pra cozinha e
tomei um comprimido para dor. Voltei para o quarto e me deitei de bruços na
cama. Já estava me sentindo melhor depois do banho frio.

Só conseguia pensar numa coisa, ou melhor, pessoa: “Mariana!”. Decidi pegar


o telefone e ligar pra ela. Achei que ela não iria me atender.

Mari: Alô?

Laura: Oi!

Mari: Oi! -- ficou surpresa.

Laura: Tudo bem?

Mari: Tudo e você?

Laura: Tudo também! E sua cabeça? Tá doendo? -- ela riu.

Mari: Demais, você não tem noção!

Laura: É a minha também! Hum, eu te acordei?

Mari: Não, eu já estava acordada.

Laura: O que você vai fazer hoje?

Mari: Uma amiga me ligou, me convidando pra um cinema -- um ciuminho


bateu.

Laura: Hum, então tá! Só liguei pra saber se você tava de ressaca também.

Mari: Com certeza, mas quando quiser encher a cara me chama! -- a gente riu.

Laura: Tá bom, Mari!.Beijo!

Mari: Tchau!

Desligou! “Ei, e o meu beijo?!” Voltei a ficar de bruços com a cabeça apoiada
nos braços. “Preciso contar pra Paulinha”. Liguei pra ela. Prontamente me
convidou a passar a tarde na casa dela. Já que a Alice iria ensaiar, decidi ir.
Estava colocando um tênis, quando alguém bateu na minha porta.

Laura: Pode entrar! -- era minha mãe.

Mãe: Filha, o seu Henrique está te chamando. Um pessoal chegou e quer te


cumprimentar.

Laura: Mas mãe, vou ter que me trocar?

Mãe: Não filha, é só dar um oi, informal!


Me levantei, penteei o cabelo, ainda com a mão e fui. Chegando na sala
principal vi a Luíza, que prontamente veio me cumprimentar.

Luíza: Oi Laura!

Laura: Oi Luíza, como vai?

Luíza: Bem e você?

Laura: Bem também! Vão trabalhar de sábado à tarde?

Luíza: Não é bem um trabalho, é informal mesmo, mais uma conversa


descontraída.

Henrique: Luíza, deixa eu te apresentar a Alice, minha filha.

A Luíza se virou e nós visualizamos a deusa da Alice em uma calça bailarina


preta colada e uma regata branca.

Alice: Prazer, Luíza! Não vou chegar muito perto porque eu estou um pouco
suada, estava ensaiando.

Luíza: Prazer, Alice!

Henrique: É! A Alice é dançarina e vai participar de um concurso de dança.

Luíza: Boa sorte, Alice! -- ela sorriu -- Bom meninas, eu vou cumprimentar os
outros colegas, ok?

Laura: Fique à vontade.

Luíza e seu Henrique saíram e eu puxei a Alice pra um canto.

Laura: Tá louca de descer aqui assim? -- mostrando a roupa dela.

Alice: Não tô mais louca que você, ontem!

Laura: Vamos conversar!

Alice: O Ale tá me esperando. Vamos ensaiar até o fim do dia, depois a gente
conversa!

Laura: Tá! Eu vou na Paula, passar a tarde com ela, então. Tomar um café ou
coisa assim. Qualquer coisa me liga no celular.

Alice: Olha, Laurinha, juízo!

Laura: Ai Alice, até parece que eu sou descabeçada, só porque bebi um wisky
ontem!
Alice: Tá! -- me deu um beijo no rosto e saiu.

Eu desci e fui pegar um táxi. Rapidinho cheguei ao apartamento da Paulinha.


Ela foi logo fazendo um café pra gente.

Paula: Laurinha, vai, fala logo! Tô percebendo que você quer desabafar.

Laura: Ai amiga!

Contei TUDO sobre a noite anterior. Nos mínimos detalhes.

Paula: Laurinha, Laurinha! Cuidado pra Alice não te sacar!

Laura: Não sacar o que, Paula?

Paula: Você ainda pergunta? Tá mais do que estampado que você tá


balançada pela Mariana!

Laura: Não, mas eu gosto da Alice, amo ela, você sabe disso! Eu, mais do que
ninguém, sei disso.

Paula: Mas você tem vontade da Mariana. Não quer dizer que você ama ela.
Eu sei que você é louca pela Alice. Mas tá com vontade da Mari!

Laura: Será?

Paula: Amiga, vai por mim. Se distancia dela. É melhor pra vocês duas! Você
não alimenta a paixão dela e nem a sua vontade.

Laura: Acho que você tem razão. Eu quero que a Alice me desculpe.

Paula: Ela te deu um presente. Dá um pra ela agora!

Laura: Verdade!

A Paula colocou uma roupa qualquer e fomos até o Shopping Paulista. Eu


queria comprar um presente para Alice. No caminho, ela foi me contando mais
sobre a garota misteriosa que estava saindo e disse que naquela semana
iríamos marcar algo para Alice e eu conhecermos ela.

Tava difícil escolher alguma coisa para uma garota que tem tudo na vida. Até
que eu entrei numa joalheria. Eu sabia que ela gostava de joias. Logo que vi
aquele anel eu me apaixonei. Era grosso, de ouro branco. O que mais
chamava atenção era o símbolo do infinito vazado (um 8 deitado).

Laura: É esse! Adorei! Simboliza perfeitamente o que sinto por ela.

Paula: Nossa, lindo mesmo! Boa escolha!


Escolhi uma caixinha de cetim preta e paguei. Um pouco caro, mas valeria a
pena. Eu faria tudo por ela. Íamos tomar um lanche quando meu celular tocou.

Laura: Alô?

Alice: Laura, você tá na Paulinha ainda?

Laura: Tô tomando um lanche com ela no Shopping Paulista.

Alice: Que horas você vem?

Laura: Você já terminou o ensaio?

Alice: Terminei!

Laura: Então tô indo nesse minuto. Vai tomando um banho.

Alice: Tá bom! Beijo.

Laura: Beijo.

Laura: Paulinha, tô indo então!

Paula: Vai lá! A gente se fala depois! E olha, corta ligações com a Mariana, se
você quiser preservar seu relacionamento.

Despedi-me da Paula e peguei um táxi. No caminho fui pensando no que a


Paulinha havia me dito: esquecer a Mariana. Por um lado ela estava certa, mas
eu não podia ignorar o que ela sentia, seria muito egoísta da minha parte,
depois de tantos anos de amizade. Decidi que manteria a amizade, porém um
pouco mais distante. Não seria arrancando a Mariana de uma vez da minha
vida que eu resolveria todos os problemas do universo.

Cheguei em casa e subi direto para o quarto da Alice. Bati na porta e ela abriu,
de cabelo molhado e um shortinho bem, mas bem curto, e um top.

Laura: Nossa, que calor, hein? -- disse sorrindo.

Alice: Entra! -- ela estava séria.

Sentei no sofazinho de canto e ela ficou mexendo numas coisas na


penteadeira.

Alice: Laura, fala a verdade, o que aconteceu ontem pra você tomar aquele tipo
de atitude?

Laura: Que atitude, Alice? Só porque eu pedi um wisky pra beber? Não vejo
nada de anormal nisso! É uma bebida alcoólica como qualquer outra do
cardápio. Você deve tá assustada porque nunca me viu tomando.
Alice: Laura, eu sei do que eu to falando. Você desceu aquela escada estranha
e depois começou a beber e dar showzinho com a Mariana.

Laura: Não, a gente só ficou falando o quanto eram chatos os assuntos da


Dani. Sempre o mesmo blá blá blá! Resolvemos beber e só!

Alice: Tudo bem!

Laura: Eu acho melhor você se acostumar, porque eu sou uma boa


apreciadora de bebidas. Cerveja você nunca vai me ver tomar, mas drinks,
wiskies e vinhos sim.

Alice: Só não quero que você fique dando showzinho por aí, com as pernas
bambas e bêbada de cair. Odeio isso!

Laura: Tudo bem, isso você tem razão, eu me excedi um pouco. Mas eu queria
beber e pronto. Minha semana foi cansativa, só isso!

Alice: Eu prefiro outra coisa para desestressar ao invés de beber! -- foi se


sentando no meu colo -- E eu garanto que você iria ficar bem relaxada.

Laura: Você que não quis ontem!

Me beijou e tirou o meu ar. “Ela tem o dom de me domar!”.

Laura: Vem cá!

Levantei-me com ela agarrada na minha cintura e fui pra área externa. Ela
beijava meu pescoço e minha orelha.

Laura: A porta tá trancada?

Alice: Sempre!

O dia já tinha caído e a lua cheia já iluminava o céu. Somente com a claridade
dela, me aproximei da borda da piscina e pulei com a Alice na minha cintura.
Estava uma noite um pouco fria, mas eu sentia o corpo dela totalmente quente.
Ela sorriu e nem ligou de estar toda molhada. Encurralei-a no canto da piscina.
Ela me olhava com desejo em seus olhos. Minha boca procurou urgentemente
a dela. Foi quando, no meio do beijo, eu tirei a caixinha do bolso da calça, toda
molhada.

Laura: Me desculpa! -- mostrei a caixinha.

Capítulo 28

Alice: O que é isso?


Laura: Pra você!

Ela pegou e abriu. Seus olhos brilharam quando viu o anel.

Laura: Pra você nunca esquecer que o que eu sinto não tem fim!

Ela sorriu de orelha a orelha. Aquele sorriso maravilhoso que eu tanto amava!
Tirou o anel da caixa e colocou-o imediatamente no dedo anelar da mão direita.

Alice: Que lindo! O infinito! -- ela não parava de olhá-lo -- AMEI!

Laura: Que bom que gostou! -- ela me encarou.

Alice: Sua boca tá ficando roxa.

Laura: É, eu tô com frio.

Alice: Te esquento em segundos!

Ela me puxou bem próxima e começou a passar a mão por todo meu corpo.
Sua boca colou na minha e mordia os meus lábios. “Ah! Aquele cheiro da
Alice!”.

Laura: Vamos sair dessa piscina! -- disse no ouvido dela.

Ela prontamente atendeu. Eu fui atrás. Segui-a até o quarto e fui fechando a
porta de vidro. Fiquei ali em pé, parada, ensopada. Ela foi até a jukebox e ligou.
Era uma música suave, lenta. Aproximou-se do meu corpo e começou a dançar
devagar, se enroscando no meu pescoço. Coloquei minhas mãos na sua
cintura e senti o seu corpo requebrando. Ela se virava e esfregava a bunda em
mim. Com calma, querendo me torturar, foi tirando a minha calça. Laçando-me
pela cintura, foi tirando minha blusa. Não aguentando vê-la se insinuar pra mim
tão sensual, a puxei com força. Ela mordia os próprios lábios e não me deixava
beijá-la.

Alice: Você tá tão gostosa nessa lingerie! -- disse no meu ouvido.

Eu não estava me aguentando de vontade. Ela não me deixava fazer


absolutamente nada. Ainda dançando à minha volta, foi tirando o próprio short.
Ela estava com uma calcinha preta de renda, box. “Ah! O que é isso? É TUDO
meu!”

Não suportando mais aquela tortura, joguei-a contra a parede e coloquei minha
coxa no meio das suas pernas, fazendo-a gemer baixinho. Colei nossos corpos
molhados e lhe beijei o pescoço. Tirei o top que me impedia de me perder nos
seios. Violentamente eu os sugava. Coloquei minha mão dentro da sua
calcinha, que delirava me olhando fixamente. Ela tirou meu sutiã e suas mãos
passeavam sobre meus mamilos.

Empurrou-me contra a cama, fazendo com que eu me deitasse. Rebolando em


minha frente, virou de costas e tirou a própria calcinha. Eu estava hipnotizada
com aquela cena. Aproximou-se e puxou devagarzinho a única peça que ainda
me restava, procurando lentamente o meu sexo com a língua. Deixou-me
louca.

Não satisfeita, se sentou sobre mim e rebolava conforme o ritmo da música. Eu


apertava com força sua bunda, me levantando e sugando seus seios
novamente. Meus dedos só queriam penetrá-la e meus ouvidos só queriam
seus sussurros. Ao ouvir a Alice gemer, alcancei o mais alto prazer, enquanto
seus cabelos molhados batiam no meu rosto e suas unhas arranhavam as
minhas costas. Ela ficou ali mais algum tempo, sentada sobre mim e eu me
deliciando do seu colo.

Alice: Eu amo você!

Laura: Eu também te amo!

Deitamo-nos na cama e ficamos nos olhando. Perdi-me pensando o quanto ela


tinha poder sobre mim. O quanto eu era submissa a ela. Deu-me uma pontinha
de medo de ser tão apaixonada por aquela garota! Mas admitia a mim mesma
que tudo seria bem mais simples se uma pessoa não tivesse entrado na
história.

Alice: Tá com fome?

Laura: Tô sim, nem cheguei a tomar meu lanche no Shopping. E você?

Alice: Também, ainda não jantei! O que você quer comer?

Laura: O que você acha de um yakisoba? Tô com uma vontade!

Alice: Eu topo. Vou pedir pra Lúcia providenciar pra gente!

Pegou o interfone e fez o pedido para Lúcia. No mundo da Alice tudo era
simples, rápido e acessível. Depois que ela desligou, puxei o lençol da cama e
nos cobri. Ela se aninhou nos meus braços e ficou ali quietinha. Eu fui pra cima
dela, beijando, tentando matar aquela vontade que nunca era saciada.

Laura: Você arranhou as minhas costas!

Alice: Ah, é? -- sorriu com sarcasmo.

Laura: É! -- apertei-a contra a cama.

Alice: Ainda bem que só EU vejo você nua! -- e riu.

Laura: Engraçadinha!

Cheirava sua pele e lambia seu pescoço. Senti que ela já estava ficando louca
novamente, se contorcendo embaixo de mim. Resolvi fazer um joguinho.
Segurei suas mãos e ela nem ao menos tentou impedir, estava entregue.
Comecei a me esfregar sobre ela. Minha boca proibia o toque da dela e se
perdia no pescoço, na nuca. Ela gemia baixinho desesperadamente.

Não suportando mais, tentava se soltar e eu aumentei meus movimentos. Pude


senti-la totalmente molhada. Com o ritmo cada vez mais intenso e violento, ela
se rendeu e, gemendo totalmente alto, gozou demoradamente. Eu, vendo-a
naquele prazer intenso, também alcancei o ápice. Só então a beijei. Com uma
força tremenda ela conseguiu se soltar e puxar os meus cabelos, mordendo o
meu queixo. Tirou-me de cima dela e deitou sobre mim.

Alice: UAU!

Eu gargalhei e ela ficou sem graça.

Laura: Quando eu quero, também tomo conta da situação, meu bem!

Alice: E diga-se de passagem, como toma conta, hein? Pode fazer sempre o
que quiser de mim! -- ela riu.

Retomávamos o ar, quando ela disse:

Alice: Vamos tomar um banho, logo nossa comida chega.

Levantamos e fomos ao banheiro.

Laura: Vai primeiro você. Depois eu vou, senão eu não respondo por mim
mesma -- rimos.

Depois do banho, a Alice havia me emprestado um moletom. O yakisoba


chegou. A Lúcia preparou a mesa na área da piscina e saiu. Jantamos sobre as
estrelas e aquela lua cheia maravilhosa. Conversamos sobre besteiras e
decidimos que naquela noite não sairíamos do terceiro andar. O papo fluía
gostoso, quando a Alice me acerta em cheio:

Alice: Queria te perguntar uma coisa, mas não em tom de fofoca.

Laura: Fala, amor!

Alice: Você sabia que a Mariana é lésbica?

Laura: NÃO! -- e realmente não sabia, a não ser do sentimento dela por mim.

Alice: Ela me contou quando eu contei da gente pra ela. Eu fiquei espantada,
assim como você agora.

Laura: Eu não sabia disso e olha que somos amigas há muitos anos!

Alice: Ela me disse que é apaixonada por uma garota, mas que sabe que não
tem futuro, então está se envolvendo com outra.
Laura: OUTRA? -- fiquei pasma. Mariana sem vergonha.

Alice: Diz ela que é pra esquecer a garota que gosta.

Laura: Ela não pode fazer isso! -- escapou.

Alice: Como assim?

Laura: Tipo, se enganar -- tive que pensar rápido.

Alice: Ela não tá se enganando, só está tentando se livrar do sentimento.

Laura: Ela disse sobre essa menina que ela gosta e sobre a talzinha que ela
sai?

Alice: Sobre a menina que ela gosta não entrou em detalhes. Sobre a menina
que ela sai, disse que conheceu por acaso numa boate, que é bonita, mas que
nunca passou dos beijos com ela. -- “Menos mal!” pensei.

Laura: E você não contou detalhes da gente, né?

Alice: Contei sobre a nossa primeira vez, como você entrou no quarto me
agarrando e me deixando louca, completamente rendida. Depois sobre a
piscina e finalmente que acabamos na cama!

“Nossa, que BOSTA!”

Laura: Ei, são minhas intimidades também!

Alice: Ela queria que eu contasse detalhes e eu, como sei que ela é minha
amiga, contei. Até parece que você não contou pra Paulinha também!

Laura: Não, não contei não!

“A Mariana também gosta de se torturar!”, pensei.

Alice: Relaxa, ela só queria saber como é transar com mulher, já que ela nunca
fez e tal.

A noite pra mim acabou ali. Eu não queria que a Mariana sofresse, não mesmo.
Ela sempre foi uma ótima pessoa comigo. Acabamos de comer e a Alice foi ao
banheiro. Eu fui até o parapeito e fiquei observando a vista. Aqueles
pensamentos voltaram e eu me peguei novamente lembrando o beijo, na
faculdade.

Sempre que eu me lembrava daquele beijo me dava um aperto no coração e


um frio na barriga. O ar gelado batia no meu rosto e eu me lembrei dos cabelos
ruivos contra o vento naquela mesma manhã do beijo. Os olhos me olhando e
o rosto dela tocando o meu. Alice chegou e me abraçou por traz, me dando um
beijo na nuca.

Alice: Ei, vamos entrar, tá frio aqui.

Laura: Só se você prometer que vai me esquentar!

Alice: AGORA!

Entramos e nos enfiamos debaixo do edredom. Passamos a noite toda


namorando, curtindo. Quando eu estava com a Alice, a Mari desaparecia pra
mim. Mas quando eu estava sozinha, era uma tortura.

O final de semana passou tranquilamente. Alice e eu estávamos melhor do que


nunca. A semana começou e na segunda-feira, na faculdade, a Dani veio
conversar comigo:

Dani: Ei, Laura! Você e a Mari só me dão trabalho, hein?!

Laura: Por quê?

Dani: Precisavam beber tanto? -- me olhou com uma cara indignada.

Laura: Eu nem bebi. E olha, Dani, sermão essas horas ninguém merece!

Dani: Beleza, mas deixa eu te falar uma coisa, tá lembrada que sábado já é
carnaval, né?

Laura: Uhum!

Dani: E você tem alguma coisa programada?

Laura: Não, por quê? Vai rolar fazenda?

Dani: Exatamente!

Todo carnaval, Mari e eu íamos para a fazenda da família da Dani, numa


cidadezinha do interior. O lugar é cinematográfico, simplesmente lindo! Tinha
cachoeira, cavalos, trilhas e um super café da manhã todos os dias. No
domingo de carnaval, era típico eles prepararem uma noite à fantasia. Os
vizinhos, amigos e familiares iam em peso e até que era bem divertido.

Dani: E aí? O que acha?

Laura: Ahhh, você sabe que eu gosto! Quem você vai chamar?

Dani: Já convidei a Mari...

Laura: E ela vai? -- cortei antes de ela terminar de falar.

Dani: Vai sim, ela e uma amiga que ela perguntou se podia ir. Eu disse que sim
já que quartos é o que não faltam na fazenda.

Laura: AMIGA? E a gente, não serve mais pra ela? -- fiquei puta da vida, não
sei o porquê.

Dani: Sim, mas parece que essa amiga vai ficar sozinha no carnaval,
entendeu? -- ela piscou pra mim.

Laura: Tá e quem mais?

Dani: Então! Você, a Mari, a amiga dela e a Alice! Minhas primas também vão
e tal. Você acha que a Alice vai?

Laura: VAI SIM! -- já dando a resposta por ela.

Dani: Então preparem suas fantasias, meu bem!

Laura: Pode deixar!

Liguei para Alice e ela disse que tudo bem, já que o Alessandro iria viajar e não
daria para eles ensaiar. “Que droga de amiga da Mariana é essa? Será que é a
garota com quem ela sai? COM CERTEZA! Eu que não sou babaca!”

Capítulo 29

O meu serviço na construtora estava cada dia mais pesado e eu estava


entrando num ritmo frenético de trabalho. Realmente havia escolhido a
profissão certa para mim. A Luíza já me deixava com responsabilidades
significantes e já me confiava muita coisa. Apesar de ser minha chefe, a gente
se dava muito bem e ela era muito paciente comigo.

Então a semana foi correndo normalmente. Na quinta-feira, no meu intervalo da


faculdade recebi uma ligação da Paulinha no meu celular.

Laura: Alô?

Paula: Oi Laurinha!

Laura: Oi Paulinha! Tudo bem?

Paula: Tudo ótimo! Laurinha, tô ligando pra te contar que tô namorando. E mais
do que isso, quero que conheçam minha namorada!

Laura: Ai Paulinhaaa, que máximo! Vamos sim, quando?

Paula: Hoje à noite, pode ser?


Laura: Tudo bem! Preciso falar com a Alice, mas acho que não tem problema.
Ela não ensaia muito à noite. Vamos deixar combinado e se houver algum
problema, eu te ligo desmarcando.

Paula: Tudo bem! Nós estaremos num barzinho ali na Alameda Lorena, pode
ser?

Laura: Claro! Combinado então amiga. Ah! E parabéééns, viu?

Paula: Obrigada, Laurinha! Beijos.

Laura: Beijos...

Eu realmente estava bem feliz pela Paulinha. Ela merecia alguém legal ao lado
dela. Afinal, sempre foi uma pessoa magnífica. Liguei pra Alice e ela aceitou na
hora, estávamos curiosíssimas para conhecer a namorada da minha amiga.

Depois do expediente, fui pra casa e tomei um banho. Coloquei uma roupa
mais descontraída. Uma calça jeans num tom de azul bem escuro, uma
blusinha branca de manga curta decotada e uma sandália preta. Somente um
lápis no olho e um gloss na boca. Dei um jeito no cabelo, coloquei um brinco
maior prata e o perfume para finalizar. Peguei minha bolsa, uma jaqueta e o
celular. Subi ao quarto da Alice para chamá-la.

Alice: Oi cheirosa!

Laura: Eu quem o diga!

Alice: Dá um beijinho!

Laura: Não, vai sair o gloss.

Alice: Para de ser frescurenta! -- grudou os lábios na minha boca num daqueles
beijos que fazia estremecer minhas pernas -- Lembre-se de passar o batom ou
o gloss no carro, porque eu vou SEMPRE te beijar!

Laura: Ah tá, obrigada pelo aviso! -- rimos.

Alice, linda como sempre, estava com uma calça jeans preta, uma blusinha
vermelha e uma sandália preta também. Os cabelos castanhos claros bem
lisos e os olhos cor de mel delineados delicadamente. O perfume eu nem
preciso comentar.

Pegamos um táxi e fomos ao barzinho. Quando chegamos, avistei a Paulinha


de longe, com uma morena ao lado. A tal mulher vestia uma roupa toda preta
colada no corpo. Elas não nos viram. A moça parecia ser bem bonita, mesmo
de longe. Foi quando notei o sorriso da garota.

“PUTAQUEOPARIU!”
A minha primeira reação foi pegar na mão da Alice e fazer um giro de 180
graus numa mesa. A Alice ficou com uma cara de tonta, parecendo não
entender nada!

Alice: Laura! Laurinha, a Paulinha tá ali, ó! -- apontando para a mesa dela.

Laura: Eu sei -- nem olhei pra trás.

Alice: Então vem!

Num tranco, voltei a andar em direção à mesa da Paulinha, com a Alice me


puxando. Parei e puxei a mão dela novamente para o outro lado. Ficamos no
meio do bar, naquele estica e puxa. A Alice começou a rir e eu também.

Alice: Sua louca, não tá enxergando a Paulinha?

Laura: Tô! Mas fica quieta e vem comigo! -- eu disse rindo e ela sem entender.

Mas não deu tempo. A Paulinha nos viu.

Paula: Ei! -- se levantou da cadeira e nos chamou -- AQUI!

A moça que estava sentada de costas, nos olhou. Imediatamente a Alice se


virou e olhou para mim.

Alice: Não acredito! Sai correndo, Laura! -- eu comecei a gargalhar da reação


dela.

Laura: Tá louca? Vou sair correndo do bar feito uma doida varrida? -- a gente
fingia que não havia visto a Paulinha.

Alice: É, sai correndo, filha! -- ela estava visivelmente desesperada e eu


também.

Ficamos enroscadas no meio das mesas e cadeiras. Uma situação um tanto


quanto constrangedora. Parecíamos duas baratas tontas no meio do bar.

Alice: Sai, sai, sai! Vai pra lá, Laura! -- me empurrando em direção à saída.

Laura: Calma, Alice! Vai ser feio se a gente fugir feito duas bandidas. Faz de
conta que você não tá vendo a Paulinha -- segurando no braço dela.

Nesse mesmo segundo a Paula chegou e nos segurou.

Paula: Ei, não me viram chamando vocês?

Laura: NÃO! E aí, Paulinha, tudo bom? -- tentando disfarçar.

Alice: Oi, Paulinha! Então, querida, você não acredita que eu esqueci a carteira
em casa. Vamos comigo pegar, Laurinha. A gente já volta!
Paula: Não, não precisa! Hoje é por minha conta.

A Alice me deu um chute na canela, como quem diz “inventa alguma coisa
logo!”. Mas eu não consegui. A Paulinha foi nos arrastando até a mesa.

Capítulo 30

Até que ficamos de frente com ninguém mais, ninguém menos que Luíza,
minha chefe! Eu olhei para ela totalmente sem graça. Alice tava escondida
atrás de mim. “Covarde!”

Luíza: Laura? -- totalmente pálida.

Paula: Ué! Vocês já se conhecem? -- com o maior ponto de interrogação na


cara.

Laura: É!

Paula: É?!?!?!

Luíza: A Laura é minha assistente, Paula -- ela soltou um sorrisinho amarelo.

Paula: Nossa, que mundo pequeno! E essa aqui é a Alice -- puxou a Alice pelo
braço, tirando-a de trás de mim.

A Luíza arregalou os olhos, como quem tivesse pensando “Mais essa ainda?!”.

Alice: Oiii, Luíza, como vai, querida? -- cínica.

Luíza: Oi, Alice, como vai? -- perplexa.

Alice: Bem e você? -- tentando sorrir.

Luíza: Bem também.

Paula: Ué, mas vocês já se conhecem também?

Luíza: Sim, Paulinha. Alice é filha do meu patrão!

A Paulinha ficou sem palavras e sentou-se na cadeira.

Luíza: Sentem-se, fiquem à vontade!

Alice: Obrigada!

Nos sentamos em meio a um clima constrangedor. Pedimos algumas bebidas e


tentamos conversar sobre alguns assuntos. Depois de um tempo, a Paulinha
desembuchou.

Paula: Meninas, eu sei que é meio chato pra vocês. Mas eu queria apresentar
formalmente a Luíza como minha namorada, afinal, vocês são minhas amigas!
-- Alice e eu sorrimos, achando legal a atitude dela.

Luíza: Eu não sei o que vocês pensam sobre isso, mas eu gosto da Paulinha,
sou uma pessoa totalmente independente.

Alice: Luíza, não precisa ficar tentando se explicar! Com a gente não tem
problema, quem somos nós pra falar alguma coisa? -- ela pegou na minha
mão.

Laura: É, Luíza, fora do nosso trabalho somos pessoas como todo mundo!

A Luíza sorriu aliviada. E a partir dali a conversa fluiu normalmente, como se


tivéssemos conquistado a confiança, uma da outra. Nem vimos a hora passar.
Quando percebemos já era bem tarde. Nos despedimos da Luíza e da
Paulinha, e fomos pra casa. Quando já estávamos deitadas na cama da Alice,
eu disse para provocar:

Laura: Uma coisa eu tenho que dizer, a Paulinha tem um ótimo gosto!

A Alice me deu uns tapas rindo e depois me abraçou. Ela dormiu e eu me perdi
em meus pensamentos. “Não quero nem ver esse carnaval!”

A sexta-feira foi um dia bem cansativo. A faculdade já estava começando a


ficar casca grossa e na construtora o trabalho já estava a mil! No meio do
expediente, Luíza me chamou até a sala dela.

Luíza: Laurinha, entra e fecha a porta. Sente-se aqui na cadeira -- fiz o que ela
pediu -- Queria conversar sobre ontem, pois somos bem próximas aqui.

Laura: Luíza, me desculpe mas você não me deve explicações!

Luíza: Não são explicações. Eu só quero que a nossa relação aqui dentro
continue a mesma, que você não me estranhe.

Laura: Quanto a isso você pode ficar sossegada. Mesmo que você tenha um
relacionamento com uma das minhas melhores amigas, aqui dentro somos
profissionais.

Luíza: Fico mais tranquila assim, então!

Laura: Quem sou eu pra te julgar? Isso é um segredo que vai permanecer entre
nós. Pode confiar.

Luíza: Melhor assim!

Laura: Tô liberada?
Luíza: Claro, fique à vontade -- encostou na cadeira e cruzou as pernas, me
olhando fixamente.

“A Paulinha que me desculpe, mas Nossa Senhora, que mulher é essa?


MAMÃE!” Saí e fechei a porta da sala. Depois do expediente, cheguei em casa
e me joguei na minha cama, completamente exausta. Depois de 5 minutos
tentando relaxar meu celular toca: Dani.

Laura: Oi Dani!

Dani: Oi Laurinha, beleza?

Laura: Tudo bem sim, e você?

Dani: Tudo também! Vocês vem pra fazenda amanhã, né? -- ela já estava lá.

Laura: Sim, vamos sim!

Dani: Eu iria perguntar se vocês não poderiam dar uma carona pra Mari e pra
amiga dela.

“PUTA QUE O PARIU!”

Laura: Eu só preciso ver com a Alice como vamos, se o Freitas vai nos levar.

Dani: Ok, depois liga direto pra Mariana e combina, pode ser?

“Mais essa?”

Laura: Tá, pode.

Dani: Valeu! Beijos, amore.

Laura: Beijos.

Desliguei o celular e alguém bateu na porta.

Laura: Pode entrar!

Alice entrou. Toda suada e LINDA!

Alice: Ei sua preguiçosa!

Laura: Oi, meu amor!

Alice: Não ia me ver não? -- me dando um beijo.

Laura: Eu ia! É que tô morta de cansaço, tava criando coragem pra tomar um
banho.
Alice: Hum! Já arrumou suas coisas pra viagem?

Laura: Ainda não!

Alice: E sua fantasia?

Laura: Tá pronta! E a sua?

Alice: Tá pronta também. Mas você só vai ver no dia!

Laura: Chata! Então você também só vai ver a minha no dia.

Alice: Eu prefiro surpresas! -- me fez cócegas.

Laura: Vou tomar um banho então.

Alice: Eu também vou. Vê-se que estou precisando de um urgente! Ah! A Mari
passou aqui hoje à tarde. Veio perguntar como iríamos amanhã, se poderíamos
dar uma carona para ela e a amiguinha -- riu com malícia.

Laura: A Dani também me ligou e eu disse que ainda não havíamos decidido.

“Que raiva!”

Alice: Eu já decidi! -- sorrindo.

Laura: E como vamos?

Alice: Pedi o carro pro meu pai.

Laura: ALICE! Você nem tem carteira de motorista ainda!

Alice: Mas você tem!

Laura: Mas de jeito nenhum eu vou dirigir um dos carros do seu Henrique.
Deus o livre!

Alice: Para de coisa, eu vou estar junto! E ele disse que já que seria você que
iria dirigir, ele deixava -- fiquei pasma.

Laura: Ai, Alice, não sei! Acho que o Freitas nos levaria de boa.

Alice: Não! Eu quero ficar um pouco livre. De carro a gente faz o que quiser!
POR FAVOR!

Laura: Então que fique bem claro que só aceitei porque você insistiu muito.

Alice: Relaxa, Laurinha! -- me enchendo de beijinhos.


Laura: E o que você disse pra Mariana?

Alice: Que passaríamos na casa dela às 9 horas.

Laura: Alice, a gente nem conhece a garota que ela vai levar -- tentando me
livrar da situação.

Alice: Eu conheço sim!

Laura: Conhece?

Alice: Sim, ela veio com a Mari hoje aqui.

“AH! Se eu pego essa Mariana!”

Laura: Hum! -- nem queria saber detalhes.

Alice: E posso dizer que ela é gente boa... e bem bonita!

Laura: Ah, Alice, me poupe dos detalhes!

“Que raiva! Que raiva! Que raiva!”

Alice: Qual é, Laurinha?

Laura: Nada, só tô meio mordida porque a Mariana nem me contou desse


casinho com essa garota.

Alice: Talvez porque vocês não estavam se falando direito!

Laura: Talvez!

Levantei-me e fui pegando minha roupa pra entrar no banho. Eu não estava
gostando do rumo daquela conversa.

Alice: Ei! Tá com pressa?

Laura: Preciso arrumar as minhas coisas ainda.

Alice: Vou subir então, tomar banho também e arrumar a minha mala.

Laura: Tá, depois a gente se fala.

Alice: Sobe pronta pra dormir comigo, bebê?

Laura: Aham!

Ela me deu um selinho e saiu saltitando. Eu estava queimando de ódio! Eu


tinha que admitir que o ciúme estava correndo nas minhas veias. “Mariana do
céu!”
Eu não queria nem olhar pra cara da garota que beijava aquela boca tão doce
e macia! “Ei, Laura De Biasi, para de pensar besteira! A Mariana é sua amiga,
ela tem todo direito!”

Mas eu não conseguia me controlar, estava inquieta e nervosa. “Por que eu tô


me sentindo assim? Por que esse sentimento de posse?”

Saí do banho e arrumei minhas coisas com esses pensamentos que estavam
me matando por dentro. Quando fechei o zíper da minha mala o meu celular
apitou, anunciando que eu havia recebido uma nova mensagem. “Saudades de
você!”

Eu não acreditei que a Mariana me mandou essa mensagem! “Por que ela não
fica com a talzinha dela e me tira da cabeça? E por que eu não tiro ela da
minha?” Deletei a mensagem e não respondi. Me joguei de bruços na cama,
querendo que o mundo acabasse em barrancos. Aquele beijo não saía da
minha cabeça.

“Por quê? Por quê? Por quê? Mariana!” Decidi rezar pra ver se tirava aquela
cena da minha cabeça. Mas não adiantou. Ela insistia em me torturar.

Depois de deixar tudo organizado para o dia seguinte, coloquei meu pijama e
fui me despedir da minha mãe. Não sabia se a encontraria na manhã seguinte.
Depois de muitos conselhos e pedidos de juízo, subi até o quarto da Alice. Ela
ainda arrumava algumas coisas.

Laura: Colocou roupas de calor? Lá é muito quente! Diferente de São Paulo,


que qualquer chuvinha já gela um pouco.

Alice: Sim, coloquei, amor.

Joguei-me na cama dela e logo peguei no sono. Senti-a se aninhando em mim


e voltei a dormir. Assim foi até a manhã seguinte.
Capítulo 31

Acordamos, tomamos um café bem reforçado e levamos as malas até a


garagem. O seu Henrique nos emprestou um de seus carros esportivos. Preto,
grande, lindo! Dava até medo de dirigir. A Alice foi logo me tranquilizando.

Seguimos em direção à casa da Mari, ali mesmo, no Jardins. Depois de cinco


minutos já estávamos em frente ao prédio dela. Alice deu um toque no celular
para que ela descesse. Comecei a sentir um frio na barriga. Fechei os vidros
do carro e liguei o ar condicionado. A Alice me olhava e fazia carinho na minha
mão! Foi quando eu vi a Mari descendo as escadas da portaria com uma mala
na mão. E logo atrás uma garota, um pouco mais baixa que ela. Desviei o
olhar, não queria ver a menina detalhadamente.
Alice: Vem, vamos descer, colocar as malas no porta-malas.

Respirei fundo e desci.

Alice: Oi Mari!

Mari: Oi Alice, tudo bom? Lembra da Bruna?

Alice: Sim, claro! E aí Bruna, tudo bom?

Bruna: Tudo e você?

Eu ouvi a voz da garota que ainda nem sabia como era. Encostei no carro e
cruzei os braços, olhando o movimento da rua. Senti alguém pegando no meu
braço. Arrepiei-me toda.

Mari: Oi Laurinha! -- ela me deu um beijo demorado no rosto, como se


precisasse daquilo.

Laura: Oi Mari! -- por impulso, peguei na cintura dela.

Ela se afastou, me olhou e disse:

Mari: Essa é a Bruna.

Laura: Prazer, Laura. -- tive que olhar.

Bruna: Oi Laura, prazer -- tentando ser simpática.

A garota até que era bonitinha. Não linda. Bonitinha só! Morena, com traços
fortes, cabelos lisos até a cintura castanhos e olhos bem pretos, daqueles que
não dá pra ver a pupila. O corpo era normal, magra. Devia ter a nossa idade.
Não fiquei reparando muito. Aquela garota não me agradava nem um pouco.
Colocamos as malas no porta-malas e seguimos viagem.

O tempo estimado era de mais ou menos 2 horas de estrada. Alice, sem se


importar com as meninas, pegou na minha mão e ficou conversando com as
duas. Às vezes ela me botava no assunto, mas eu não estava nem um pouco
interessada. Olhava pra frente com os olhos faiscando.

“Por que eu to com tanta raiva assim?” Pelo espelho eu as vi brincando e a


Bruna dando um beijo no rosto da Mari. “Ah! Essa garota tá se aproveitando da
minha amiga!” Continuei dirigindo. Não suportando mais a curiosidade, olhei
pelo espelho novamente e os meus olhos cruzaram com o da Mari, que me
fitava.

Alice: Laurinha, vamos parar no próximo posto pra irmos ao banheiro? Tô


apertada!

Laura: Tá bom.
Avistei o posto e fui em direção ao mesmo. Decidi ficar no carro. Ali já estava
bem calor e eu precisava do gelado do ar condicionado.

Alice: Tem certeza que não quer ir, amor?

Laura: Uhum, traz só uma água pra mim, por favor?

Alice: Pode deixar!

Elas saíram do carro e eu encostei a cabeça no banco, fechando os olhos.


Depois de uns 5 minutos, ouvi a porta de trás se abrindo. Continuei de olhos
fechados, não queria ver a tal Bruna.

.......: Sua água, Laurinha! -- disse colando os lábios no meu ouvido.

Eu abri os olhos rapidamente e olhei pra trás. A Mari sorria com o canto da
boca. Eu estava trêmula.

Laura: Cadê as meninas?

Mari: Decidiram fazer um lanchinho básico.

Laura: Hum -- peguei a água da mão dela e bebi quase metade da garrafinha
sem parar. De tão gelada, quase trincou minha cabeça.

Mari: Calma!

Fechei a garrafa e voltei na posição que estava, de olhos fechados, tentando


ignorar a presença dela. Mas novamente ela chegou perto do meu ouvido,
dessa vez sem nenhum contato.

Mari: O que achou da minha menina?

Laura: Não achei nada, ué? A garota é sua, quem sou eu pra achar alguma
coisa?

Mari: Hum -- ela ficou chateada.

Laura: Mas ela é bonitinha, se é isso que quer saber -- consegui tirar um
sorriso dela.

Eu não podia desanimá-la, afinal eu queria que ela me tirasse da cabeça dela.
“Queria?”

Vi as meninas se aproximando de novo. A Alice e a Bruna já estavam


praticamente amigas. Seguimos viagem e finalmente chegamos à fazenda da
Dani. Descemos cumprimentando o pessoal. Eu já conhecia praticamente toda
a família. Não sei como a Alice conseguia ser simpática com todo mundo. A
Dani nos levou pra um dos quartos. Era enorme, com 4 camas de solteiro.
“Não acredito que vou dormir com a Mariana e a Bruna aqui!”

Não adiantava eu querer contestar. Sentei-me na cama que escolhi e respirei


fundo. O ar era totalmente diferente de São Paulo. E só de ouvir aquele bando
de pássaros cantando já me tranqüilizava totalmente.

Descemos almoçar e a família da Dani estava toda reunida. Tinha muita gente
e a fazenda conseguia comportar todo mundo. A família dela sempre teve
muito dinheiro. Herança dos avós que tinham uma usina metalúrgica. O quadro
de funcionários da fazenda triplicava no carnaval, pois era um feriado
comemorado na família desde antes da Dani nascer.

Alice parecia estar adorando o ambiente. Eu nunca vi uma pessoa tão animada
quanto ela, isso me encantava. Com tanta gente pra conversar, consegui tirar a
Mari da minha cabeça.

Algumas primas da Dani convidaram Alice e eu para andarmos a cavalo até


uma cachoeira e depois aproveitarmos para nos refrescar. Aceitamos de
imediato e, por sorte, a Mariana e a Bruna iam ficar na piscina com a Dani e
outras primas dela.

O passeio foi delicioso, a cachoeira era deslumbrante e a Alice era a minha


companhia perfeita. A gente não se desgrudava e eu me sentia a cada minuto
mais apegada a ela. As primas da Dani eram super engraçadas e bagunceiras,
o que deixou a nossa tarde longe da monotonia.

Quando voltamos para casa principal da fazenda já estava escurecendo. A


Alice havia ficado linda com o rostinho avermelhado do sol. Subimos correndo
tomar um banho, por sorte nosso quarto tinha um banheiro e não
precisaríamos dividir com outras pessoas. Quando entramos no quarto, eu me
deparei com uma cena que eu preferiria não ter visto. A Bruna estava beijando
a Mari. Com o susto, num ato instintivo, tapei meus olhos com as mãos.

Capítulo 32

Mari: Ei, vocês não sabem bater antes de entrar? -- ficou vermelha.

Alice: Desculpa, não sabíamos que vocês estavam aqui.

Bruna: Tudo bem, não tenho nada pra esconder de vocês mesmo.

Alice: Que bom então! -- sorriu e piscou para Bruna.

Entrei sem falar nada. Peguei uma roupa da minha mala e fui para o banheiro.
A Alice fez o mesmo e foi atrás de mim. Alternadamente, tomamos banho.
Passamos creme no corpo e colocamos um shortinho e uma regata. Saí do
banheiro com os cabelos ainda desarrumados. Percebi que a Mari e a Bruna
estavam cada uma deitada em sua cama, meio sem graça. Notei os olhos da
Mari me seguindo por onde eu ia. Em seguida, Alice saiu do banheiro.

Alice: Não penteia!

Laura: Ahn?

Alice: Eu gosto dos seus cabelos bagunçados. Não penteia com a escova.

Escutei uma bufada vinda da cama da Mari e a vi se virando pro outro lado. Fiz
o que a Alice pediu. Penteei com os dedos, passando somente um silicone
para amaciá-lo. A Mari se levantou, mexeu nas suas coisas e foi ao banheiro.
Bateu a porta com força.

Alice: O que deu nela? -- perguntando pra Bruna.

Bruna: Não sei, ela fica assim às vezes. A Mariana é um mistério!

Só eu sabia como desvendar esse mistério, como domar a ruivinha invocada!


Porém, senti um pouco de pena da garota que estava deitada na cama e por
um instante pensei: “Ela realmente gosta da Mariana. Pra estar aqui com ela,
só pode!”.

A minha vontade foi de entrar naquele banheiro e pedir pra Mariana valorizar
só um pouquinho a garota que estava tentando conquistá-la. Mas, infelizmente,
em briga de marida e mulher, ninguém mete a colher.

Terminei de me arrumar e guardei todas as minhas coisas, para manter a


ordem no quarto.

Alice: Você tá tão linda, Laurinha! -- me abraçando por trás.

Olhei para Bruna e ela nos observava com uma cara do tipo “como o amor é
lindo!”. A Alice já beijava a minha nuca quando a porta do banheiro se abriu... e
fechou. A Mari também viu uma cena que não lhe agradara.

Laura: Não faz isso aqui! -- eu tava arrepiada -- Tem gente olhando.

Alice: Bruna? Quem vê pensa até que não era ela que estava de safadeza até
meia hora atrás! -- olhou pra Bruna rindo.

Bruna: Meninas, não se incomodem comigo. Fiquem à vontade. Faz de conta


que não tô aqui! -- ria.

Alice: Viu?

Laura: Vi nada! Vamos, as meninas estão nos esperando.

A Bruna se levantou e disse:


Bruna: Vocês vão sair?

Alice: Sim, vamos até a cidade com algumas primas da Dani.

Bruna: Não vão participar do luau?

Alice: Não, não. Vamos conhecer a cidade, talvez um barzinho. A minha mulher
é pinguça! -- ela ria. Eu dei um pedala nela -- Ô delicadeza! -- ria mais ainda.

Bruna: Hum, então tá bom. Bom passeio pra vocês!

Alice: Obrigada, bom luau pra vocês!

Alice, as primas da Dani que foram conosco na cachoeira e eu decidimos fugir


do meio da família, já que na noite seguinte seríamos praticamente obrigadas a
participar do carnaval à fantasia. Fomos a um barzinho bem gostoso, com
comidas típicas da cidade. Estava super legal. Já de madrugada resolvemos
voltar. O luau ainda rolava em volta da piscina, na fazenda.

Alice: Vamos pro quarto? Tô com uma vontade louca de te beijar! -- bem
animadinha.

Laura: Olha, assanhada! Tem mais gente no nosso quarto!

Alice: E daí? Acho que elas ainda estão na festinha.

Seguimos para o quarto. Dessa vez a Alice bateu na porta e como não
obtivemos resposta, ela abriu. Estava escuro, mas as grandes janelas abertas
deixavam entrar a luz da lua. Eu tentava não fazer barulho e nem olhar as
camas do outro lado. Alice segurou a gargalhada com a mão na boca e me
cutucou. Eu, curiosa ao extremo, olhei pra cama ao lado da minha. A Bruna
abraçava a Mariana por trás, que parecia estar completamente nua, enrolada
no lençol!

Alice: Ela finalmente deu pra Bruna! -- ria baixinho no meu ouvido.

Laura: O que é isso Alice? Olha o palavreado! -- ela ria mais ainda.

Virei-me de costas não querendo ver a cena. “Que constrangedor!” Peguei


minha nécessaire e corri pro banheiro. Sentei no vaso sanitário e disse a mim
mesma: “Ela merece ser feliz!”.

Quando, de repente, eu ouço a Alice rindo bem alto. Saí do banheiro correndo.

Bruna: PUTA QUE O PARIU! Que vergonha! -- tentando colocar a roupa


embaixo do lençol.

Alice: Ae Bruninhaaa! -- como se tivesse a parabenizando.

Com certeza a Bruna acordou e se assustou com a Alice no quarto. Ela tentava
acordar a Mari, mas não conseguia.

Bruna: Gente me ajuda! Acho que vamos ter que colocá-la embaixo do
chuveiro. A Mari bebeu demais! -- tava explicado o porquê daquela cena. A
Mariana nunca foi mulher de se prestar àquilo.

Capítulo 33

Eu saí da porta do banheiro, como se quisesse tomar conta da situação.

Laura: Para de rir, Alice! E você, Bruna, vai buscar um café bem forte, sem
açúcar! Deixa que eu cuido da Mariana -- ela era minha amiga, não podia
deixá-la naquela situação. Sempre cuidou de mim.

Alice ficou muda, meio envergonhada, e a Bruna saiu correndo pra cozinha. Eu
me aproximei da cama, me abaixei e tirei os cabelos ruivos do rosto da Mari.
Ela era tão linda! Fiz um carinho com os dedos em seu rosto para ver se ela
acordava, mas nada.

Sem querer deixá-la nua, peguei-a nos meus braços com o lençol enrolado
sobre ela. Não sei de onde havia tirado tanta força, afinal, tínhamos a mesma
altura. Levei-a até o box do banheiro, sentei e liguei o chuveiro. A água foi
caindo sobre os seus cabelos. Eu os jogava pra trás. Estava abaixada ao seu
lado, olhando suas sardinhas lindas e a boca bem desenhada, quando ela
finalmente acordou. Olhou-me e foi esboçando um sorriso tímido entre os
lábios.

Laura: Ei, bebum! Não faz mais isso comigo, não -- disse baixinho, bem
pertinho dela.

A essa altura, eu também já estava toda molhada. Ela foi se recompondo e se


levantou devagar.

Mari: Eu não acredito que tô pelada nesse lençol! Como assim, Laura? -- me
olhando como se fizesse força para se lembrar de alguma coisa.

Laura: Isso eu não sei! Mas acho que você teve uma badalada noite de amor
com a sua menina -- sorri pra ela, passando os dedos na sua bochecha.

Mari: Mas eu não me lembro de nada!

Laura: Eu sei muito menos que você! Só sei que você estava nua nesse lençol,
desmaiada na cama e eu tentei te reanimar.

Ela sorriu pra mim quando entendeu que eu a estava ajudando a se recompor,
sem pudor. Parecíamos as amigas de antigamente. Sem receios e sem
segundas intenções. Ela ainda estava tonta. Pedi pra Alice trazer o pijama dela,
que devia estar jogado em algum lugar do chão. Ajudei-a se vestir e a sentei na
cama. A Bruna voltou com o café.

Bruna: Ai Mari, ainda bem que você acordou!

A Mari olhou pra Bruna com a cara fechada, pegou a xícara e bebeu o café. Eu
ainda estava ali, ao lado dela na cama, bem pertinho, sempre soube que eu lhe
transmitia segurança. Quando terminou de beber, se deitou.

Mari: Bruna, vai pra sua cama, preciso de ar! -- quando viu a Bruna se
aproximando dela.

Alice assistia a tudo quieta. Eu cheguei bem pertinho dela, ainda molhada e
disse baixinho no seu ouvido:

Laura: Ei, não trate ela assim! Do mesmo jeito que você gosta de mim, ela
gosta de você.

Olhou-me profundamente, me deu um beijo gostoso e demorado no rosto e


fechou os olhos, desmaiando novamente, mas dessa vez, para sonhar.

Voltei para o banheiro, me sequei e coloquei meu pijama. Alice fez o mesmo e
nos deitamos. Ela até tentou se deitar comigo, mas eu não queria intimidade na
frente dos outros. Depois de um tempinho sentindo o ventinho que entrava pela
janela, caí no sono.

No dia seguinte, acordei com a claridade. Levantei, fechei a janela e liguei o ar


condicionado. Foi quando percebi que Alice não estava na cama dela, nem
Bruna. Mas, na cama ao lado da minha, estava a Mari.

Deitei-me novamente e fiquei ali, observando ela dormir. Tão lindinha! Lembrei
quando éramos criança e eu ia dormir na casa dela. Sempre me acordava
fazendo cócegas e rindo. Na época ela não tinha um dos dentes superiores da
frente e eu tirava muito sarro por isso. Ela achava graça quando eu dizia que ia
pedir pra minha mãe fazer canjica pra ela colocar no lugar do dente. “Que
besteira!”

Peguei-me rindo sozinha. Foi aí que percebi que ela também estava me
olhando. Quando ela acordava, os olhinhos ficavam ainda menores e eu
achava uma gracinha. Sorri e ela de bruços, abraçando o travesseiro, sorriu pra
mim também.

Laura: Bom dia!

Mari: Bom dia! Tô com vergonha de você -- se escondendo embaixo de


travesseiro.

Laura: Vergonha de quê? Boba! -- joguei o meu travesseiro nela.

Mari: Ah, de ontem! Eu não me lembro de nada, só de você me acordando


debaixo do chuveiro. Então alguma coisa eu aprontei!

Laura: Isso a Bruna pode responder melhor, porque a única coisa que eu fiz foi
te dar banho e te colocar pra dormir.

Mari: Que vergonha, Senhor! -- se escondendo de novo.

Laura: Bêbada! -- eu ri.

Mari: Obrigada por me ajudar, Laurinha!

Laura: Você sabe que eu tô sempre com você, Mari!

Mari: Cadê a Bruna?

Laura: Não sei, a Alice também não estava aqui quando acordei.

Mari: Hum. Nossa, tô com uma tremenda dor de cabeça!

Laura: Eu imagino!

Ficamos nos olhando, tentando decifrar o que cada uma estava pensando. A
Mari respirou fundo e fechou os olhos.

Laura: Ei! Vai dormir de novo?

Mari: Vou! Ver se passa a dor. Na verdade, acho que nem acordei ainda. Tô
em meio a um sonho -- respondeu sem nem ao menos abrir os olhos.

Laura: Não é sonho não, garota!

Pulei na cama dela e fiz cócegas. Ela ria incessantemente. Passei as mãos nos
seus cabelos, tirando-os do rosto. Ela me olhou e disse:

Mari: Tô dizendo que é um sonho! Você está na minha cama!

Laura: Para boba! -- dando uns pedalas na cabeça dela, que ria.

Num movimento rápido ela me puxou para um abraço. Um fogo subiu desde o
meu pé até a minha espinha. Fechei os olhos e curti o momento. Eu amava
tanto a Mari, mas como amiga!

Mari: Tenho tanta saudade de você! -- me disse baixinho.

Laura: Eu também... Amo você, sua garota boba!

Capítulo 34
Ficamos ali mais um tempo e ela me soltou, sem tentar nada mais íntimo. Eu
me senti bem com aquele ato! Olhei pra ela e disse:

Laura: Preciso fazer xixi! -- ela riu.

Saí correndo e fiz o que tinha que fazer no banheiro. Quando voltei, a Alice
estava sentada na cama dela.

Alice: Bom dia, Laurinha!

Laura: Bom dia! Onde você estava?

Alice: A Bruna e eu fomos fazer uma caminhada. Agora ela passou na cozinha
beber um suco.

Laura: Hum!

Ela se aproximou de mim e me deu um selinho. A Mari se escondeu embaixo


do travesseiro.

Alice: Vamos tomar um café meninas?

Mari: Podem ir, vou ficar por aqui, to morrendo de dor de cabeça. Quero
descansar pra hoje à noite!

Alice: Tudo bem. A Bruna já tá voltando, viu Mari?

Ela nem respondeu. Virou-se, insinuando que voltaria a dormir. Eu separei uma
roupa, fui ao banheiro e me troquei. Desci com a Alice pra tomar café. Na
verdade já era hora do almoço, mas mesmo assim preferi algo mais leve.
Depois fomos dar uma volta pela fazenda, que era enorme. Mostrei várias
coisas pra Alice, contei histórias que as meninas e eu já vivemos ali.

Depois de algum tempo andando, a gente parou num lugar deserto, atrás dos
estábulos dos cavalos. A Alice, mais do que rápido me puxou pela cintura e
cortou o que eu tava falando, calando a minha boca com um beijo quente,
fervente.

Alice: Eu tava com vontade disso fazia tempo já! -- ela falava perto da minha
boca.

Puxei-a pela nuca e a beijei novamente. Era só eu sentir a Alice nos meus
braços, falando daquele jeito, que eu me entregava totalmente. Não tinha
dúvidas do quanto eu amava aquela garota. Eu me arrepiava toda somente
com um único toque dela. E definitivamente não podia querer mais nada. Sua
boca, sua pele, seu cheiro me fascinavam. Eu me perdia nos seus beijos.

Ficamos um tempo namorando naquele lugar. Mas, por mim, a gente ficava ali
o dia todo. Só não fomos além dos beijos por medo, pois ânimo não faltou! A
Alice quis mergulhar num lago ali perto, pra refrescar um pouco. Passamos
praticamente a tarde toda sozinhas.

Quando a noite já estava chegando, decidimos voltar e descansar um pouco


pra festa à fantasia. A Mari e a Bruna não estavam no quarto. Então ficamos
mais à vontade. Entre beijos e amassos a Alice me deixava completamente
louca. “Eu não aguento essa mulher!”

Ouvimos alguém bater na porta. A Alice pulou para a cama dela.

Bruna: E aí, meninas? Não vão se arrumar?

Alice: Uhum, vamos sim!

Minha namorada foi se levantando e pegando algumas coisas na mala. Eu


fiquei deitada na cama, sentindo minha boca queimar dos beijos quentes dela.
A Mari entrou logo atrás da Bruna e ficou olhando pra minha cara. Sim! Minha
boca devia estar mais vermelha do que já é. Levantei e também fui separar as
minhas coisas. Logo ia começar a noite de carnaval.

Tomei um banho e comecei a me trocar. A Alice entrou logo atrás.

Laura: Você ainda não me contou qual é a sua fantasia.

Alice: Nem você!

Laura: Ah! A minha não é lá aquelas coisas.

Alice: Ah! Nem a minha!

Paramos o assunto e começamos a nos arrumar. Ela não deixava eu olhar


direito pra ela, me fazendo ficar de costas. Comecei a me vestir. A Paulinha
havia me ajudado a preparar minha fantasia. Eu queria uma coisa mais
descontraída. Um shortinho jeans desfiado, bem curtinho, uma blusinha bem
decotada, com listras horizontais, azuis marinho e brancas, e um suspensório
vermelho. No pé coloquei uma bota surrada marrom, a qual deixei solta na
parte da perna. Dessa vez dei um jeito no cabelo e amarrei uma bandana
vermelha com detalhes brancos. Passei um lápis no olho, delineador, rímel e
uma sombra com brilho, na boca um gloss avermelhado. Um perfume cítrico
que eu gosto. E pra terminar o visual, um bracelete e um cintão de couro
marrons e um chapéu de capitão por cima da bandana. Pronto, eu era uma
legítima pirata.

Laura: Terminei, posso olhar?

Alice: NÃO! Falta pouquinho, linda. Não vi o seu também, mas senti que tá
cheirosa!

Laura: Ué, pode olhar, eu to pronta!

Alice: Então me espera ali no quarto.


Laura: Tá bom, mas não demora.

Quando saí do banheiro me deparei com a Mari sentada na cama dela. Olhou-
me e se levantou rapidamente. Eu fiquei pasma de como ela estava linda. Um
shortinho curto branco com duas listras na lateral azul, uma blusinha também
branca com um decote v um tanto quanto exagerado, um lenço azul alargado
no pescoço, bota branca e por cima dos cabelos lisos ruivos, um chapéu de
marujo branco. A franja caía sobre o olho esquerdo.

A gente ficou se olhando e ela sorriu. Sentei na minha cama, de frente pra ela.
A Bruna não estava no quarto.

Laura: Adorei sua fantasia. Combinou com você! -- eu sentia o cheiro do seu
perfume.

Mari: Você tá linda! -- sorrindo.

Fiquei meio sem jeito, mas não conseguia parar de olhá-la. Cheguei a pensar
se uma marinheira não seria minha fantasia sexual. A gente não encontrava
um assunto pra sair daquela situação. Foram segundos passados lentamente.
Até que a Bruna entrou no quarto.

Bruna: Mari, vamos? Nossa, Laura, que legal sua fantasia!

Laura: Obrigada, adorei a sua também!

A Bruna vestia uma fantasia de fada, com um vestidinho de lantejoulas verde e


duas asinhas nas costas. A Mari se levantou, foi até a porta e deu a mão pra
Bruna. Se virou, me olhando e disse:

Mari: Depois a gente se fala!

Laura: Tudo bem!

Elas saíram. Depois de mais um tempinho esperando, vi a Alice abrindo a porta


do banheiro. “MEU DEUS! O QUE É ISSO?!?! LINDA... SENSUAL!”

Estava fardada. Uma blusinha azul-marinho com botões e nas mangas


escudos bordados em dourado. Uma saia também azul-marinho, bem curtinha
e pregueada. Um cinto bem grosso preto, com um cassetete e um
compartimento com um revólver. Um quepe também azul-marinho envolvia os
lindos cabelos castanhos-claros. E dois acessórios que a deixaram totalmente
sensual: a sandália preta de salto agulha, em estilo vinil, que subia em tiras
pela perna e um corpete preto, também em vinil, que vinha de dentro da saia e
por cima da blusinha, denunciando a sua cintura totalmente delineada. Com os
óculos aviador no rosto me disse:

Alice: E aí? Gostou?


Eu estava de boca aberta. Levantei e fiquei ali, estática, muda, mas com um
sorriso enorme estampado no rosto. “SENHOR!”

Alice: Eu, sendo uma autoridade, vou ter que dar um jeito nessa pirata! -- veio
em minha direção segurando o cassetete. Puxou-me pela cintura e ficou bem
próxima de mim. Eu tirei seus óculos e vi aqueles olhos cor de mel, lindos, me
olhando.

Laura: NOSSA! -- foi o que eu consegui dizer.

Alice: Laura, você tá muito linda e cheirosa! -- aproximando a sua boca da


minha.

Laura: E você tá muito gostosa, pelo amor de Deus, Alice! -- enroscando meus
dedos em seus cabelos.

Beijei-a forte, esquecendo totalmente o meu gloss. Um tesão me consumia por


inteiro e a minha vontade era de jogá-la naquela cama e fazer miséria. Aquele
cheiro invadia meu nariz e meus pelos se arrepiavam. Minha pele parecia estar
em chamas. Levantei a sua saia e apertei a sua bunda.

Alice: Isso é desacato à autoridade! -- sorriu com safadeza.

Laura: Você tá uma delícia!

Dizendo isso, empurrei-a até a parede querendo consumir aquele corpo


perfeito, que me tirava a razão! Ela sorria e me puxava contra ela, como se
permitisse aquele meu atrevimento. Levantei por completo a sua saia e a sua
perna direita, porém o corpete dificultava todo o meu acesso. Contentei-me em
apertar a sua bunda e as suas coxas que eram simplesmente perfeitas. Beijava
o seu pescoço e lambia a sua orelha.

Alice: Hum, que gostoso! -- ela gemia baixinho no meu ouvido.

Tirou o meu suspensório e alcançou as minhas costas, as quais arranhava


incansavelmente. Que dor deliciosa! Eu sugava aquela boca violentamente.
Estávamos perdidas naquele momento e nossas mãos passeavam pelos
nossos corpos. Quando, de repente, a porta se abriu.

Bruna: OPA! Desculpa aí, meninas. Não sabia que vocês ainda estavam aqui!

Alice: Não sabe bater na porta não? -- ria tentando de recompor.

Bruna: Desculpa, só viemos buscar a minha varinha, da fantasia, que eu


esqueci!

“Viemos?!”

A Mari entrou logo atrás. Eu tentava rapidamente recolocar o meu suspensório


e arrumar o chapéu. Ela ficou parada na porta, nos olhando, parecendo
adivinhar o que estávamos fazendo. Fui até a meu nécessaire e retoquei o
gloss. A Alice correu pro banheiro para refazer a maquiagem. Elas saíram e
logo saímos também.

Capítulo 35

No térreo da fazenda, havia uma ampla sala onde eram realizadas as festas.
Era enorme, com janelas imensas que iam até o teto. O lugar estava todo
decorado, confetes e serpentinas eram distribuídos e as luzes eram bem
coloridas. Logo encontramos a Dani, que estava fantasiada de mulher
maravilha e suas primas. A Bruna e a Mari se juntaram a nós. Parecíamos
crianças brincando e pulando. Estava lotado de gente. A novidade daquele ano
era um DJ, que tocaria depois das marchinhas e das músicas tradicionais no
carnaval.

O clima estava super alto astral. A Alice às vezes me provocava, sabendo que
ali eu não podia fazer nada!

Laura: Eu preciso tirar essa roupa de você depois, quero você só de quepe! --
disse no seu ouvido, enquanto ela dançava na minha frente.

Alice: Isso só depende de você, meu amor, por mim eu já estava na sua cama!
-- lambeu meu ouvido sem ninguém ver.

Aquilo me deixou completamente louca. Queria deixá-la nua ali mesmo. Mas
não iria permitir que ninguém desfrutasse de uma visão exclusivamente minha.
Afinal, muita gente morre sem nem ao menos ver uma mulher como a Alice!

A noite foi passando e a festa estava muito animada. Todo mundo dançando e
se divertindo, inclusive a Mari e a sua Bruninha. Fiquei feliz por ela. Porém,
logo as perdi de vista.

No meio da madrugada, o DJ começou a tocar e a Alice ficava dez vezes mais


animada quando ouvia um house. Prometi a mim mesma que não ia beber,
queria ficar de olhos bem abertos com a Alice, que estava deslumbrante.

Quando ela começou a dançar pra valer, todas as atenções da festa se


voltaram pra ela. Como sempre, todo mundo queria dançar um pouco com a
Alice. Eu decidi não ficar encanada, afinal, ela era dançarina e eu jamais teria o
direito de proibi-la. Deixei que ela curtisse.

Laura: Vou pegar uma água e tomar um ar fresco lá fora, tudo bem?

Alice: Beleza! Vou ficar aqui com a Dani.

Fui até o barzinho e pedi uma água. Segui até a área externa da festa, abri a
garrafinha e bebi. Fiquei ali observando o pessoal. Cada figura. Umas garotas
puxaram assunto comigo, sabendo que eu era amiga da Dani. Ficamos um
tempo conversando, até que avistei uma menina sentada num banco, bem
distante da festa, quase imperceptível. Notei o chapéu de marinheiro e percebi
que era a Mari. Pedi licença às garotas e fui em direção a ela.

Enquanto caminhava pensei: “Será que aconteceu alguma coisa?”

Laura: Oi! -- sentando-me ao lado dela.

Mari: Oi, Laurinha! -- olhando pra trás, a fim de ver se tinha mais alguém.

Laura: Quer dar uma volta?

Mari: Pode ser! -- ela sempre aceitava tudo que eu pedia.

Levantamos e começamos a caminhar para o lado oposto da festa. A gente já


enxergava a casa da fazenda bem pequenina ao fundo. Quando ela pediu:

Mari: Posso segurar a sua mão?

Sem responder, eu segurei a dela e sorri.

Mari: Como antigamente!

A gente costumava andar de mãos dadas quando voltávamos do colégio


caminhando.

Laura: Cadê a Bruna?

Mari: Tá curtindo a festa!

Laura: E por que você não está com ela?

Mari: Eu não gosto dela, Laurinha! Eu fico por ficar, pra ter uma pessoa.
Entendeu?

Laura: Mas então por que você a trouxe, Mari?

Mari: Porque eu fiquei com dó que ela ia ficar sozinha no carnaval, os pais
foram fazer um cruzeiro. E eu gosto dela como pessoa, ela é muito legal.

Laura: Acho que você teria que ser um pouco mais aberta aos sentimentos
dela. Tentar aceitá-la um pouco mais!

Mari: Eu não consigo! Não dá! Não vem de dentro, entende? E pra falar a
verdade, essas horas ela deve estar nos amassos com a Rafaela.

Laura: A Rafa? Prima da Dani?

Mari: É!
Laura: Como assim?

Mari: Abri o jogo pra ela, disse que gostava de outra pessoa e que não ia dar
em nada as nossas ficadas. Liberei a Bruna! Então ela começou a paquerar a
Rafa e eu apoiei. Mas somos amigas ainda.

Laura! Hum! -- eu não sabia o que falar.

Continuávamos andando. O campo era aberto e batia um ventinho gostoso.

Mari: Você gosta mesmo da Alice, né?

Laura: A gente não precisa falar sobre isso, Mari!

Ela ficou quieta, como se tivesse perdido o rumo da conversa.

Laura: Tá enchendo de pernilongo aqui, vamos voltar?

Mari: Uhum, vamos!

Querendo melhorar o clima, peguei o chapéu de marinheiro da cabeça dela e


saí correndo.

Mari: Eiii! Volta aqui! -- disparou atrás de mim.

Não aguentando correr muito, ela me alcançou e me jogou na grama, fazendo


com que meu chapéu voasse longe.

Capítulo 36

Laura: Tá bom, eu devolvo! -- me virando de frente pra ela e rindo.

A Mariana estava sobre mim. Eu podia sentir sua respiração ofegante. Nossos
olhares se encontraram. Notei seu corpo ficando quente. Os cabelos ruivos
caíam sobre o meu rosto.

Mari: Você fica linda sorrindo! – dizia parecendo encantada.

Eu continuei quieta. Totalmente sem imunidade. Ouvia sua respiração ficando


cada vez mais forte. Num ato de puro impulso, coloquei as mãos em sua
cintura, o que a fez tremer por inteira. Ela fechou os olhos e aproximou o rosto
do meu. Lentamente foi tocando sua boca no meu pescoço.

“AH!” Minhas mãos subiam pelas suas costas. Uma chegou em seus cabelos
enquanto a outra voltou para a sua cintura. Ela levou uma das mãos até minha
coxa e a massageava sem vergonha. Novamente eu estava rendida àquela
mulher. Seus beijos subiram até a minha orelha. Fechei os olhos e me arrepiei
toda. Ela vinha bem devagar com os lábios na minha bochecha.
Laura: Não faz isso, pelo amor de Deus! -- eu disse baixinho.

Mari: Por que não? – sussurrou no meu ouvido.

Laura: Porque é covardia!

Percebi que ela sorriu. Continuou fazendo esse caminho, entre o meu pescoço
e a minha bochecha. Eu apertei com força a sua cintura e puxei os seus
cabelos.

Laura: Ah! Mariana!

Mari: Eu quero você, Laura!

Laura: Não me enlouquece, garota!

Mari: Isso é uma ordem ou uma rendição?

Laura: Ah!

Ela passava a língua por todo o meu pescoço, se esfregando inteira em mim.
Eu realmente estava ficando LOUCA. Com as duas mãos peguei na bunda
dela que gemeu baixo. Eu jogava a cabeça para trás, suplicando para que ela
me tomasse toda. Dessa vez eu segurava a cabeça dela, guiando-a sobre o
meu colo, próxima dos meus seios.

Subitamente me lembrei da Alice. “O que eu tô fazendo?! Mas essa garota é


tão gostosa! Não, Laura! Para!”

Sem querer assustá-la, puxei-a para cima e segurei seu rosto. Ela me olhava
fixamente com os olhos queimando de desejo. Mesmo eu estando com um
tesão absoluto, não podia alimentar aquele amor da Mari, que para mim não
passaria de sexo. Aproximou a sua boca da minha.

Laura: A gente não pode fazer isso, Mari!

Mari: Fica comigo hoje, Laura!

Laura: Por favor!

Mari: Eu sei que você também quer!

Laura: Mas as coisas não devem ser assim!

Mari: Deixa eu te mostrar como devem ser! -- se aproximou ainda mais,


roçando a sua boca na minha -- Deixa eu sentir de novo o gosto do seu beijo,
Laura!

Laura: Mari, eu não posso!


Mari: Só hoje!

Laura: Eu sei que não será só hoje!

Mari: Esquece amanhã e depois e deixa eu te beijar!

Tocou a sua boca na minha, mas eu a afastei. Se eu sentisse aquela boca


gostosa novamente, com certeza ia querer mais e mais.

Laura: Deixa eu raciocinar, Mari!

Mari: Mais? Fala o que eu tenho que fazer pra ter você que eu faço!

Laura: Não dá, Mari! Vamos tentar seguir como estávamos -- tirando-a de cima
de mim.

Ela se levantou e eu percebi que não ficou nem um pouco brava. Pelo
contrário, parecia sorrir. Eu corri pegar o meu chapéu e ajeitei a minha roupa.
Ela se aproximou e me deu a mão de novo, sorrindo. Não recuei,
demonstrando um ato de amizade e sorri também. Seguimos retornando à
casa, em silêncio. Entramos na sala e eu logo avistei Alice, dançando feito
louca. Vi de longe a Bruna, que me fuzilava com o olhar, não sei o porquê.
Olhei pra Mari e ela ainda parecia feliz. Com o som muito alto, cheguei perto do
ouvido dela e perguntei:

Laura: Tá feliz é? Você não para de sorrir!

Mari: Tô!

Laura: Posso saber o por quê?

Mari: Porque eu sei que você ainda vai ser minha, Laurinha! -- disse com
segurança.

Laura: Garota convencida! Vai aproveitar a festa, vai! -- disse rindo.

Ela soltou a minha mão e sumiu no meio do pessoal. Eu me aproximei da Alice,


que de imediato disse:

Alice: Tomou quantas garrafas de água, hein?

Laura: Não, eu tava lá fora batendo um papo com a Mari, só!

Alice: Hum, entendi!

Ela continuou dançando e eu fiquei observando. Olhava-me se insinuando e


me enlouquecendo. O pessoal já tinha bebido e nem reparava no nosso flerte.

Laura: Quero você agora! -- disse no ouvido dela, que tremeu toda.
Alice: Vem comigo então!

Pegou na minha mão e saímos da enorme sala onde estava acontecendo a


festa. Foi me conduzindo pela fazenda até chegarmos a uma enorme garagem,
onde o carro estava estacionado em meio a tantos outros. Ela tirou a chave do
bolso e abriu uma das portas de trás.

Alice: Entra!

Eu não acreditava. “Essa mulher é louca!”.

Alice: Vai, entra! -- com um ar absoluto.

Obedeci e me sentei no meio do banco. O carro era bem espaçoso atrás e os


vidros eram totalmente escuros, por uma questão de segurança em São Paulo.

Ela entrou, trancou as portas e se posicionou na minha frente. Virou o seu


corpo todo de costas para ligar o ar condicionado e o rádio, bem baixo. Nessa
posição, a saia subiu e eu pude apreciar aquela bunda maravilhosa na minha
frente. Sem pensar duas vezes, colei a minha língua sobre ela, enquanto
minhas mãos se dividiam entre suas coxas e sua barriga. Ela olhou pra trás
como se aprovasse a minha atitude e ficou ali mais um pouco. Até que se virou,
me encostou no banco e sentou-se de pernas abertas sobre mim.

Apertei sua bunda e ela me beijou com força sugando a minha língua. Jogou
meu chapéu no banco da frente, mas deixou a bandana. Arrancou com força
meu suspensório e só não rasgou minha blusa porque o tecido era bem
resistente, me deixando somente com o lingerie branca que eu havia escolhido.
Entre os beijos que me deixavam insana, eu mesma tirei meu short. De
repente, ela cessou os amassos e colocou as minhas mãos sobre o banco.

Laura: EI! – olhei-a indignada.

Alice: A autoridade aqui sou eu! Fica como você está! -- ordenou com
grosseria.

Estava amando aquilo. Alice tirou os óculos do rosto e abaixou a aba do quepe,
escondendo os seus olhos. Em seguida, molhou os lábios com a própria língua!
Eu, já morrendo de vontade de me deliciar naquele corpo, levei as mãos à sua
cintura.

Alice: NÃO! -- disse ríspida.

Novamente obedeci e coloquei as mãos sobre o banco. Ainda sobre mim, ela
começou a rebolar bem devagarzinho, no ritmo da música que tocava. Num
movimento sensual passou os dedos na aba do quepe e o entortou um
pouquinho, me deixando ver somente um dos seus olhos. Começou lentamente
a puxar a blusa azul-marinho que estava por dentro do corpete. Desabotoando-
a tirou por completo. Ela dançava de joelhos sobre mim, rebolava e se roçava
contra o meu sexo. Levou as mãos para trás e abaixou o zíper da saia, tirando-
a totalmente e a jogando sobre o meu rosto. Eu pirei, endoidei.

Ela sorria com sarcasmo e me olhava sensualmente. Agora só restava o


corpete. Notei que ela estava somente com ele e a sandália, sem calcinha e
sutiã! Porém era a peça mais difícil de ser tirada. Ela continuava dançando
sensualmente sobre mim, dessa vez levando os seus seios até a minha boca.
Aproximou-se do meu ouvido e lambendo minha orelha sussurrou:

Alice: SAFADA!

Começou a desatar o nó que havia na frente no corpete. Depois de algum


tempo me torturando, ele se soltou na parte de cima. Sem nem pensar, as
minhas mãos invadiram os seus seios.

Alice: Já disse que NÃO!

Pegou uma das minhas mãos e colocou novamente no banco, a outra levou até
a boca e lambeu dedo por dedo. “AFF!”

Com o corpete solto na parte de cima, levou os seus seios até a minha boca,
me deixando lambê-los, enquanto dançava e se esfregava no meu corpo.
Gemia gostoso no meu ouvido, mas não me deixava fazer nada que ela não
ordenasse. Depois de deixar eu me perder seus seios, afastou-se e
desabotoou a parte de baixo do corpete. Colocou o cap no banco, para poder
tirar o acessório complicado. Quando se livrou dele, colocou o cap novamente,
escondendo quase todo o seu rosto.

FINALMENTE colou o seu corpo no meu. Ainda recusando o meu toque, foi
tirando o meu sutiã lentamente, lambendo os meus seios. Enquanto os
degustava, suas mãos, agilmente, tiraram a minha calcinha. Ela se afastou e,
me vendo totalmente nua, dançava e se roçava loucamente sobre mim. Jogava
a cabeça de um lado para o outro, batendo os cabelos no meu rosto.

Colou a sua boca na minha num beijo quente, fogoso, necessitado e puxava o
meu cabelo. Eu podia ver o sorriso safado no seu rosto, adorando me torturar.
Depois de muito me beijar, me lamber e de quase me fazer gozar, parou tudo e
se restabeleceu. Eu não entendi. Ela ficou ali, em cima de mim por alguns
segundo, me observando. Até que, de repente, ela levou seus lábios até o meu
ouvido e disse sem nenhum pudor, nem vergonha:

Alice: ME COME, LAURA! -- eu a olhei -- AGORA!

Puxei-a com força e a beijei. Minhas mãos, sedentas do seu corpo, a


apertavam violentamente. Arranhava suas costas, puxava o seu cabelo.
Lambia desde o seu pescoço até os seus seios durinhos. Ela se esfregava
mais rápido e com mais força. Peguei-a pela cintura e a joguei no banco, me
deitando sobre ela. Alcancei rapidamente o seu sexo, chupando, lambendo,
sugando. Alternava meus dedos com minha língua e ela já gemia alto.
Contorcia-se, levando a cabeça para trás e a cintura para cima. Depois de
muito sentir o seu gosto, subi até a sua barriga, que era uma delícia. Mordia
seu abdômen, até alcançar novamente seus seios. Ela tirou o cap e colocou-o
na minha cabeça.

Alice: Agora você quem manda!

Fiquei louca, chupava e mordia com força o seu pescoço e seu colo. Meus
dedos voltaram até o seu sexo. Uma de suas mãos alcançou o meu, enquanto
a outra me apertava e me arranhava. Mesmo embaixo de mim, ela insistia em
rebolar. Não demorou muito até gozarmos.

Ela me empurrou e trocou de posição comigo. Levou a sua língua até meu
sexo e lambia com força. Suas mãos percorriam os meus seios. Eu empurrava
sua cabeça. Até que, num movimento rápido da sua língua, alcancei o prazer
novamente, na sua boca. Sorrindo, ela novamente colocou o cap e, me
fazendo ficar ainda deitada, sentou-se sobre mim, colocando nossos sexos em
extremo contato.

Alice se movimentava loucamente enquanto eu percorria o seu corpo com as


minhas mãos. Dessa vez, gemia baixinho, me olhando fixamente, me deixando
totalmente doida. Até que novamente gozamos, juntas. Ela se deitou sobre
mim, me beijando como se o mundo fosse acabar naquele minuto. Eu apertava
a sua bunda, ainda com muito tesão.

Laura: Acho que eu vou querer ser presa sempre!

Alice: Comigo isso não será problemas.

Laura: Eu nunca vi uma policial tão linda e tão safada!

Alice: Essa é exclusividade sua, meu bem! -- disse gemendo no meu ouvido.

Laura: Você é deliciosa, sabia?

Ela sorriu e eu a beijei novamente, apertando o seu corpo contra o meu.

Alice: Eu ficaria com você nesse carro a vida toda!

Laura: Acho que a minha próxima fantasia vai ser de chofer, aí a gente fica
aqui o tempo que a madame quiser!

Alice: Hum, acho que seria bom! Mas a sua fantasia ideal seria de astronauta.
Você sempre me faz alcançar as estrelas!

Laura: Alice, faz o que você quiser de mim! Hoje eu deixo você mandar e
desmandar!

Alice: Sério?

Laura: VAI LOGO!


Ela novamente abaixou o quepe, se preparando para tomar conta do meu
corpo novamente. Fez loucuras comigo e eu não me cansava nunca daquela
mulher. Depois de muito prazer, resolvemos colocar a roupa e subir para o
quarto. A sorte já havia nos privilegiado demais, pois até o momento ninguém
havia aparecido na garagem.

Colocamos as roupas de qualquer jeito. Para não dificultar, a Alice botou o


corpete por baixo da farda. Saímos do carro e seguimos para o quarto. Sem
nem perceber, esqueci meu chapéu no banco da frente e botei o quepe da
Alice. Chegamos ao quarto, batemos na porta e ninguém respondeu. Entramos
e vimos a Mari e a Bruna dormindo. Cada uma na sua cama.

Fomos ao banheiro e tomamos um banho rápido. Colocamos o pijama e


voltamos para o quarto. A boba da Alice não tirava o quepe, querendo fazer
graça. Percebendo que as duas dormiam, permiti que ela me desse um beijo
de boa noite. Não se contentando, pulou na minha cama, em cima de mim, e
colocou o quepe na minha cabeça, me beijando loucamente.

Alice: Eu sou completamente apaixonada por você, Laura! -- disse baixinho no


meu ouvido, me olhando nos olhos.

Laura: Então somos duas loucas apaixonadas! -- sussurrei no seu ouvido e a


abracei.

Alice: Eu amo você!

Laura: Eu também amo você!

Deu-me um beijo gostoso e foi para a cama dela. Olhei para o lado, notei que a
Mari nos observava disfarçadamente. Cobri o meu rosto com o quepe e dormi
gostoso.

Capítulo 37

Os dias na fazenda estavam sendo bem legais. As horas passavam rápido,


pois sempre tínhamos alguma coisa pra fazer. O carro ficou pequeno pra mim e
pra Alice, já que perdemos as contas de quantas vezes tivemos que buscar
refúgio dentro nele. A Mari parecia estar de boa e mantinha uma amizade
colorida com a Bruna. Ora elas se pegavam, ora eram amigas. Tudo muito
liberal. E ela pareceu me esquecer um pouco. Depois da noite a fantasia,
trocamos poucas palavras.

Na quarta-feira de cinzas, pegamos o caminho de volta pra São Paulo logo


cedinho, pois à tarde eu teria que trabalhar normalmente. Voltamos brincando e
cantando feito doidas no carro. Foi bem divertido. Deixei a Mari e a Bruna na
casa da Mariana e fomos pra casa. Arrumamos nossas coisas e logo eu estava
pronta para ir trabalhar.
A semana foi tranquila, volta à faculdade e trabalho intenso. Na sexta à noite,
Alice e eu fomos comer pizza na casa da Paulinha com a Luíza. Fora da
construtora ela deixava de ser minha chefe e já éramos praticamente amigas.
Foi um programa bem light, de casais. Comemos, tomamos vinho e assistimos
a um filme. Perto delas, Alice e eu não tínhamos pudores e poderíamos ser o
que éramos: namoradas.

No sábado, decidi fazer uma surpresinha pra Alice. Por mais que nós sempre
ficássemos sozinhas no terceiro andar, queria dar uma animadinha com algo
diferente.

Sem economias, reservei um quarto totalmente luxuoso num dos motéis mais
requintados de São Paulo. Preparei um figurino especial e pedi para que a
Alice pedisse novamente o carro pro seu Henrique (sem contar pra que
usaríamos). Ele, sem muito questionar, autorizou, pedindo somente que
escolhêssemos um de seus blindados, já que sairíamos à noite.

Preparei-me toda pra ela. Durante o dia fui ao salão e me cuidei geral. Logo
depois tomei um banho e fiz o meu ritual de hidratantes e perfumes corporais.
Prendi o meu cabelo num rabo alto e deixei alguns fios soltos. Fiz um make
marcante. Havia comprado um vestido especialmente para aquele dia, preto,
justo, que acabava no meio da coxa, com a gola em babados, num tecido que
parecia cintilar. A meia-calça escura escondia a surpresa por baixo do vestido.
Um sapato alto no pé, também preto, e perfume, muito perfume.

Arrumei a bolsa e subi ao terceiro andar. Entrei sem bater. A Alice estava
terminando de colocar os sapatos, sentada na cama. Quando me viu, percebi
que ela ficou sem reação. Sim, eu fiz questão de estar um pouco mais sensual
e feminina do que de costume.

Completamente elegante, Alice estava num vestido frente única bordô todo
trabalhado, que terminava no meio das coxas. Olhou-me dos pés à cabeça,
como se eu fosse o prato principal do jantar. Já maquiada e pronta, parecia ter
saído de alguma revista, com certeza aquele vestido era de algum estilista
famoso. Perfeito para ser tirado devagarzinho. Com os cabelos soltos, jogados
para o lado ela se aproximou do meu pescoço e disse:

Alice: Tem certeza que quer sair hoje? -- já me lambendo.

Laura: Sim, quero te levar pra jantar! -- toda arrepiada -- Tenho certeza que
não vai se arrepender!

Alice: Ah é? Pois saiba que não me arrependo de nada quando estou com
você!

Laura: Então guarda seus ânimos pra mais tarde!

Ela sorriu com o canto da boca prevendo que alguma coisa iria acontecer.
Seguimos até a garagem e pegamos um dos carros blindados, como o seu
Henrique havia ordenado. Não era o mesmo que fomos pra fazenda. Este era
um sedan, preto, com o interior todo em couro cinza. O vidro com insulfilm não
permitia que alguém de fora nos visse, o que animou a Alice a me provocar
com beijos e mordidas o caminho todo.

Levei-a jantar no Terraço Itália. Desde criança ela não subia mais naquele
edifício maravilhoso, onde se via toda a cidade. São Paulo linda, toda
iluminada, era o cenário perfeito para o nosso jantar. Eu queria que ela se
sentisse bem, como nos lugares que ela sempre foi acostumada a frequentar.
Eu teria que me acostumar àquilo, ao mundo dela. A Alice estava radiante, ela
amava todo aquele requinte que a cercava.

Alice: Não seria perfeito se não fosse com você, Laurinha!

Laura: E eu não queria outra pessoa para estar aqui comigo!

Eu sempre soube regras de etiqueta. O seu Henrique me fazia ter aulas desde
pequena, como a Alice. Eu sabia me comportar em qualquer ocasião. Depois
de jantarmos, saímos na parte externa a apreciar um pouco mais a vista
maravilhosa que nos cercava. Uma sensação de liberdade tomou-nos.

Alice: A minha vontade é de te abraçar e ficar olhando esta paisagem. Quando


será que eu vou poder fazer isso? -- disse se apoiando na mureta.

Laura: Ninguém pode nos proibir de fazer o que queremos. Vai da gente se
ofender ou não com os olhares tortos lançados sobre nós!

Dizendo isso a abracei por trás e apoiei o meu queixo sobre o seu ombro.

Laura: Esqueça todos que devem estar nos olhando nesse momento e olhe pra
frente, pro mundo que a gente ainda vai conquistar!

Alice: Com você, eu conquisto até a galáxia, Laura!

A gente ficou mais um tempo naquela posição, recebendo o vento delicioso


que lambia os nossos cabelos e a energia positiva que aquela cidade nos
transmitia.

Laura: Agora a gente vai sair daqui, com a cabeça erguida, sem olhar pra
ninguém. Somos superiores a todos esses preconceitos mesquinhos. Somos
mulheres lindas e charmosas, qualquer um faria de tudo pra estar conosco
agora! -- eu a encorajava.

Ela sorriu pra mim, pegou na minha mão e saímos, sem nem ao menos dar
atenção às pessoas que estavam ao nosso redor. Entramos no carro e ela me
beijou, com carinho e amor puro que brotavam em seus lábios. Era um beijo
lento, como se degustasse o vinho mais caro do mundo. Eu sentia sua boca de
leve na minha e seu cheiro tomando o meu corpo.

Alice: Com você eu não tenho medo de nada!


Dei-lhe mais um beijo, sorri e liguei o carro, com pressa de chegar ao lugar que
eu havia reservado. Ela não sabia que iríamos para um motel e ficou surpresa
quando eu contei que não passaríamos a noite em casa.

Laura: Hoje a surpresa é por minha conta!

Ela estava ansiosa. Até que chegamos ao motel. Ela se mostrou bem animada,
dizendo que nunca havia frequentado um. Estacionei na garagem privativa e
entramos no quarto. Ela ficou encantada. Era um loft, estilo europeu, todo
branco e com detalhes em vidro. No térreo havia piscina, sauna, uma mesa,
uma cama com tv de LCD e frigobar.

No piso superior, uma hidro bem grande, um sofá enorme, um mini palco para
pole-dance e uma cama que pareciam três juntas. A luz era baixa, deixando o
ambiente num tom mais sensual. Alice observava detalhadamente o local. Em
cima da mesa havia um balde de gelo com uma garrafa de champanhe,
legítimo francês, como ela gostava. Sentei-me numa poltrona e cruzei as
pernas.

Laura: E aí?

Alice: ADOREI!

Caminhou até o balcão e colocou champanhe em duas taças. Levou uma delas
pra mim e ficou em pé na minha frente, bebendo o seu. Eu sabia que ela já
estava louca pela forma que me fitava.

Foi até o rádio e ambientou o lugar com uma música. Quando ela ligava o som
eu sabia que estava mais que empolgada. Deu uma volta pelo quarto,
enquanto eu a observava ainda na poltrona, tomando meu champanhe.

Foi subindo lentamente a escada com a taça na mão, sem se preocupar com o
seu vestido ficando cada vez mais curto pelos movimentos das pernas. Eu
estava achando aquilo tudo muito envolvente. Eu sabia que a Alice pensava
em cada atitude para me provocar. Seu esporte preferido era me deixar louca e
brincar com a minha libido.

Quando chegou no topo da escada me chamou com o dedo indicador e o olhar


pegando fogo. Ela achava que ia me dominar mais uma noite. Estava muito
enganada! Fui subindo as escadas lentamente com a taça na mão. Quando a
alcancei ela me puxou pela nuca para um beijo fervente. Invadia a minha boca
com tesão e me agarrava pela cintura. Fui conduzindo-a até a cama. Ela se
sentou na minha frente e, devagarzinho, virou a taça de champanhe no seu
colo, fazendo a bebida descer sobre seus seios.

Laura: Louca!

Alice: Tá esperando o que?


Levei os meus lábios lentamente até seu colo e fui lambendo toda aquela pele
cheirosa. Joguei-a deitada na cama, de frente pra mim.

Laura: Fica aí!

Virei-me de costas e abaixei o zíper do meu vestido, deixando-o cair sobre


meus pés. Olhei para ela de canto de olho e dei um gole no champanhe. Ela
sorriu com a maior cara de safada do mundo quando viu minha cinta-liga preta.

Alice: O que é isso, SENHOR? -- jogando a cabeça para trás, parecendo não
acreditar.

Coloquei a taça no chão e me aproximei devagarzinho dela. Subi no seu colo e


beijei-lhe a boca calmamente, passando a língua sobre os seus lábios. Ela
apertava a minha bunda com vontade. Alcancei suas costas e abaixei o zíper
do seu vestido. Passando as mãos sobre o seu corpo fui tirando-o e cheirando
a sua pele. Ela vestia um lingerie branco.

Alice: Eu sei que você é louca por lingerie branca!

Laura: ACERTOU!

Parei e a observei, linda, jogada naquela cama de lingerie. Peguei a taça de


champanhe que ainda estava na sua mão e joguei a bebida desde os seus
seios até a sua barriga. Lambia com força aquele corpo maravilhoso. Com as
mãos ela me guiava. Levantei com rapidez e a puxei, deixando-a em pé na
minha frente.

Laura: VEM CÁ!

Apertei sua bunda e colei o seu corpo no meu, o que a fez soltar um gemido
baixinho. Beijando a sua boca a conduzi até o palco com o mastro de pole-
dance.

Laura: DANÇA PRA MIM!

Ela amou a ideia. Sentei-me numa poltrona enorme que ficava em frente ao
palco. Ela começou a dançar, me seduzindo, se insinuando toda naquele
mastro. “QUE MULHER É ESSA?”

Ela rebolava, se contorcia e me olhava fulminando de desejo! Veio até a


poltrona e se esfregava em mim. Fazia que ia se sentar, mas não sentava. Até
que a puxei no meu colo, de costas. Com a boca, tirei o seu sutiã e com as
mãos massageava os seus seios. Ela jogava a cabeça pra trás a fim de
encontrar a minha. O cheiro dos seus cabelos me entorpecia. Ela dançava
sobre mim e eu beijava a sua nuca.

Depois de um tempo me seduzindo, ela se levantou. Eu fui atrás, mas antes


peguei duas tiras de couro que havia deixado sobre a mesa. A joguei contra o
mastro e segurei suas duas mãos, beijando o seu pescoço.
Laura: Prefere em cima ou embaixo? -- disse no ouvido dela.

Alice: Não entendi! -- disse como se tivesse em outro mundo.

Então eu mesma decidi. Levei suas mãos até acima da sua cabeça e sem que
ela percebesse amarrei-as com as tiras de couro, no mastro. Empolgada com o
beijo, não percebeu. Quando minhas mãos foram descendo sobre o seu corpo
ela tentou acompanhar e só então notou as mãos atadas. Sorriu pra mim, me
autorizando a tomar conta do seu corpo.

Soltei meus cabelos e dançava na sua frente, me esfregando sobre ela. O


tesão estava estampado no seu rosto. Virei-me de costas e roçava a minha
bunda sobre o seu sexo, fazendo-a delirar. De frente, novamente, comecei a
lamber todo seu corpo, descendo desde o seu pescoço, parando
demoradamente sobre os seus seios e partindo para a sua barriga.

Com as mãos tirei a sua calcinha e ela já tentava se soltar. Lambi as suas
coxas e subi para a virilha. Não aguentando mais a demora, invadi o seu sexo,
enquanto ela rebolava sobre a minha boca. A Alice estava louca para me tocar,
enquanto eu a chupava com vontade. Não demorou muito para ela delirar
sobre mim.

Subi e a soltei. Com rapidez e violência, me empurrou até a cama. Subiu sobre
mim, como uma leoa faminta, e se perdeu no meu pescoço. Com uma vontade
absoluta em me tomar, arrebentou com as mãos os acessórios da minha
perna. Me virou de costas tirando o que restava em mim, com rapidez e
desespero. Começou a passar uma mão sobre o meu seio, enquanto a outra
invadia o meu sexo. Lambia a minha espinha e minha nuca, me fazendo
arrepiar inteira. Se esfregava em mim e puxava o meu cabelo. Rapidamente eu
gozei! Vendo o meu corpo ser tomado por uma onda de calor e tremor, me
jogou na cama novamente.

Alice: GOSTOSA! Você ainda me mata!

Mordeu minha orelha e deixou a minha mão assediar o seu corpo maravilhoso.
Sentei e ela entrelaçou as suas pernas na minha cintura, proporcionando um
encaixe perfeito. Perdi-me novamente em seus seios, enquanto a puxava num
movimento frenético pela bunda. Ela gemia alto e dizia sacanagens. Arranhava
as minhas costas e chupava o meu pescoço com força. Logo gozamos juntas.

Beijávamo-nos com força, com tesão e com a certeza de que a noite estava só
começando. Eu necessitava daquela pele, daquele corpo, daquela mulher. E
cada segundo dentro daquele quarto, naquela noite, valeu a pena. O nosso
envolvimento, a nossa paixão, o nosso amor era mais do que óbvio aos olhos
do mundo. A Alice era minha e eu dela. Simples assim!

A noite foi longa e aproveitamos cada segundo e cada canto daquele quarto!
Quando o sol já tinha nascido, tomamos um banho gelado e pedimos um café
da manhã. Antes de irmos embora, nos amamos mais uma vez, com tanta
vontade que parecia a primeira... ou a ÚLTIMA!

Capítulo 38

O resto do final de semana foi em clima de paixão. Estávamos entregues uma


à outra. Passamos o domingo assistindo filmes e comendo pipoca. Logo minha
semana começou novamente. Faculdade, trabalho e finalmente casa.

Mas foi naquela segunda-feira que tudo começou a sair do meu controle.
Cheguei em casa no mesmo horário de sempre. Deixei minhas coisas no meu
quarto e fui ver minha mãe. Encontrei-a na sala de jantar, com as duas mãos
apoiadas sobre a mesa e a cabeça baixa.

Laura: Oi mãezinha! -- a olhei.

Mãe: Oi filha! Como foi o dia? -- continuava de cabeça baixa.

Laura: Tudo bem. Mas quem não está bem aqui é você! O que aconteceu?

Mãe: Nada filha! Meu dia só foi um pouco cansativo. Sua tia está um pouco
ruim e eu estou preocupada.

Laura: Mas o que ela tem mãe?

Mãe: Ainda não sabemos, mas possivelmente alguma virose.

Laura: Não se preocupa, mãe. Ela vai ficar boa, é forte! -- levantei sua cabeça
lhe dando um beijo e a abraçando.

Foi quando escutei uma gritaria vindo da biblioteca e num susto a porta bateu
com força. Era a voz da Alice! Olhei pra minha mãe e saí correndo até a sala
principal. Vi Alice subindo as escadas correndo.

Laura: Ei! Ei Alice! -- tentei chamá-la sem resposta.

Corri atrás o mais rápido que eu podia e quando estava quase chegando ao
terceiro andar ela bateu a porta do estúdio com a mesma força anterior.
Cheguei exausta e bati para que abrisse.

Laura: Alice? Abre aqui!

Alice: Agora não, Laura! -- respondeu ríspida, com uma voz abafada.

Laura: O que aconteceu, Alice?

Alice: Já disse que agora não, Laura!


Laura: Tudo bem! Vou tomar um banho e subo pra te ver. Quer jantar comigo
depois?

Alice: Não!

Laura: Tá bom, tá bom. Eu já volto!

Desci as escadas, pensativa. Eu nunca tinha visto a Alice tendo uma reação
como aquela. Pensei que algo podia ter acontecido com os ensaios, a
apresentação ou o Alê! Ela estava se dedicando muito àquilo ultimamente e
seria o fim do mundo pra ela se algo não desse certo.

Tomei meu banho, com uma certa ansiedade e coloquei uma roupa mais à
vontade. Passei na cozinha, comi uma maçã e subi novamente à cobertura.
Bati na porta e ela não abriu. Bati novamente, sem respostas. Comecei a ficar
preocupada. Bati e a chamei:

Laura: Alice!

Depois de um tempo ela respondeu:

Alice: Laura, não quero ver ninguém hoje!

Laura: Como assim?

Alice: Simplesmente não quero ver ninguém hoje!

Laura: Alice, o que aconteceu? Por que você tá assim? Você sabe que pode
confiar em mim! -- me sentei em frente à porta.

Alice: Laura, não quero ser estúpida, nem grosseira. Então, por favor, a gente
se fala depois!

Laura: Por que isso? Por que você nem ao menos abre a porta pra eu poder te
ver, te dar um abraço? Te confortar, como sempre fiz?

Alice: Porque não!

Laura: Suas respostas estão totalmente sem fundamentos. Eu te fiz alguma


coisa? Porque se eu te fiz, me fala que a gente conversa, a gente resolve, pois
com certeza não fiz por mal!

Alice: Não sei! Você fez? -- na hora me veio à cabeça o beijo na Mariana.

Laura: Por que você tá tentando me confundir? Não tô achando graça nisso!

Alice: A única coisa que tô te pedindo é pra me dar um tempo para respirar, me
deixar quieta hoje!

Eu não tava entendendo o que a gritaria na biblioteca tinha a ver com o beijo
da Mari, que foi a única coisa errada que eu havia feito, e mesmo assim, só nós
duas e a Paulinha sabíamos. “Será que alguém deu com a língua nos dentes?”

Laura: Você sabe que eu me preocupo com você, Alice! Abre a porta e me
deixa pelo menos te dar boa noite.

Alice: Boa noite, Laura!

Laura: Se é assim que você quer, assim vai ser! Boa noite, Alice.

“O que está acontecendo?!”

Eu não saí dali como ela imaginava, fiquei sentada no mesmo lugar. Depois de
uns 10 minutos ouvi coisas batendo e a Alice berrando, chorando feito um
bebê! Entrei em pânico. Peguei meu celular no bolso do moletom e disquei o
número dela. Ouvi o celular tocando dentro do estúdio e sem saber que eu
ainda estava ali ela gritou:

Alice: EU NÃO QUERO FALAR COM VOCÊ, LAURA! EU NÃO QUERO! EU


NÃO QUEROOO!

Desci correndo pro meu quarto. Milhões de coisas passavam pela minha
cabeça. Até hoje de manhã estava tudo otimamente bem. Será que ela estava
gritando com alguém no telefone?

Fui até a biblioteca ver se encontrava algum vestígio do que tinha acontecido
ali um tempo atrás. Entrei naquela sala cercada de livros, iluminada somente
pelo abajur sobre a escrivaninha. Caminhei pelo lugar tentando observar tudo.
A biblioteca era um dos lugares mais fabulosos do apartamento, toda revestida
em madeira trabalhada e entalhada, com prateleiras que iam até o teto. O piso
era todo atapetado de vermelho escuro e a escrivaninha gigantesca ao fundo
com uma poltrona colonial, era o lugar preferido no seu Henrique quando
estava em casa.

Fui até a mesa e observei um cachimbo apagado do seu Henrique, que


cheirava chocolate, papéis como se fossem anotações e alguns livros
empilhados. Foi quando notei, embaixo do telefone, um papel com números de
telefones bem extensos. Busquei por uma lista telefônica e em seguida
procurei de onde eram os códigos da região. Todos eram de uma cidade só:
Paris!

Capítulo 39

“A mãe da Alice! Será que aconteceu alguma coisa?”

Notei outro papel, embaixo deste primeiro, escrito com letras tremidas “Air
France – 4003-9955”. Fiquei tonta só de pensar que a Alice pudesse estar
planejando ir embora novamente. Abaixei a cabeça sobre a mesa e tentei
pensar nas possibilidades do que estaria acontecendo.

“Com certeza é a mãe dela!” Peguei um papel de um bloquinho e uma caneta e


escrevi um bilhete: “Quando quiser conversar, pode me chamar, a hora que for.
Eu acordo e venho, ou saio da aula, do serviço e de qualquer lugar só pra te
encontrar. Eu te amo muito, muito, muito, Alice! E vou estar sempre com
você!”.

Saí da biblioteca levando comigo o bilhete e os números de telefones que


anotei em outro papel, caso precisasse. Subi ao terceiro andar e notei que
havia um silêncio um tanto quanto estranho. Coloquei o bilhete embaixo da
porta e me sentei ali na frente novamente, sem saber o que pensar. Disquei no
celular dela, que tocava sem resposta. Ouvi passos e vi a sombra dela por
debaixo da porta, que pareceu se sentar no chão também. Um choro baixinho
vinha do estúdio e então, desesperada, colei meus ouvidos na porta.

Laura: Ei, Alice, eu tô aqui! Deixa eu entrar, vamos conversar, por favor! --
disse baixo, calmamente.

Ela não me respondeu, só chorava.

Laura: Então vamos dar uma volta, sair um pouco.

Alice: Laurinha, hoje não! -- chorava ainda mais.

Laura: Acho que foi um dia ruim pra você, mas eu estou aqui.

Alice: Desculpa Laurinha!

Eu percebi que ela se levantou e saiu do estúdio. Eu estava desconsolada.


“Que bosta de companheira sou eu, que não consigo nem consolar minha
namorada?” As lágrimas começaram a escorrer e o meu coração começou a
ficar apertado. Desci as escadas e fui pro meu quarto. Precisava falar com a
Paulinha, ver o que ela achava da situação. Liguei pra ela e contei tudo. Ao fim
da conversa me disse:

Paula: Calma, Laurinha! Pode ser que ela tenha brigado com a mãe! Se fosse
doença ou alguma coisa séria você já estaria sabendo através de terceiros. Às
vezes a gente quer se isolar um pouco do mundo mesmo. Ela não tem motivos
de estar brava com você, mas tem o direito de querer ficar um pouco sozinha!

Laura: Será, Paulinha?

Paula: Vai por mim, amiga. Sem encanações! Todo namoro é assim.

Conversei com ela sobre mais alguns assuntos sem importância pra tentar me
distrair um pouco. Não quis jantar. Fui até a cozinha e encontrei a Lúcia por lá.

Laura: Lúcia, a Alice jantou?


Lúcia: Ela não quis jantar, Laurinha.

Laura: Faz ela comer, por favor! Leva o chocolate quente e os biscoitos dela e
mais alguma fruta, tá bom?

Lúcia: Tudo bem.

Laura: Você sabe o por que de ela estar assim hoje? Aconteceu algo aqui esta
tarde?

Lúcia: Desculpa, Laurinha, mas eu não saio dessa cozinha.

Laura: Tudo bem. Boa noite, Lúcia!

Fui pro meu quarto, liguei a tv e não conseguia dormir de jeito nenhum. Mandei
uma mensagem no celular dela: “Eu te amo muito! Não se esquece! Boa noite,
meu amor”. Já era madrugada quando eu consegui pegar no sono.

No dia seguinte, notei que não havia vestígio algum da Alice, nem no meu
celular, nem um bilhete como eu havia feito e o andar de cima permanecia todo
trancado. Tomei meu café da manhã e resolvi não ligar pra ela logo cedo,
imaginei que ela também deve ter ido dormir tarde.

Na faculdade, eu não consegui me concentrar em absolutamente nada, foi um


dia completamente perdido. Na hora do almoço, tentei ligar para o celular dela.
Ela não me atendeu de jeito nenhum. Fiquei uma hora ligando direto e nada,
nenhuma resposta, nenhuma mensagem, nenhum sinal. No serviço eu já
estava completamente abalada e a Luíza percebeu.

Luíza: Laurinha, aconteceu alguma coisa? Tá com alguma dúvida?

Laura: Não Luíza, fica tranquila. Tá tudo bem!

Luíza: Qualquer coisa tô na minha sala, é só entrar.

Laura: Tudo bem!

Mandei inúmeras mensagens durante o meu expediente e todas sem


respostas. No fim do dia, fui pra casa e mais do que rápido subi à cobertura.

Laura: Alice, abre aqui! -- bati na porta.

Tudo quieto. Um silêncio absoluto.

Laura: Alice, eu sei que você tá aí!

Nada!

Laura: Por favor!


Sem respostas. Nenhum ruído!

Laura: Eu não vou sair daqui até que você abra a porta!

Sentei-me no chão e fiquei encostada na parede. Liguei pro celular dela que
tocava incessantemente dentro do quarto. Ela não atendia de jeito nenhum.
Mandei mais uma mensagem: “Não faz isso comigo!”. Em vão.

As horas foram se passando. Deitei com a cabeça sobre a minha bolsa e fiquei
ali. Eu não conseguia ouvir nada, nada mesmo! Depois de muito, mas muito
tempo, sem nem ao menos comer ou tomar banho, acabei dormindo. Acordei
com o meu celular tocando. Eu ainda estava em frente à porta da Alice.

Laura: Alô?

Dani: Cadê você?

Laura: Tô em casa, ué!

Dani: Você não vai vir pra aula? Temos que finalizar aquele trabalho!

Laura: Aula?

Dani: Laura, acorda! Já são 8 e meia!

Laura: O quê? Tô indo, Dani, logo chego aí!

Levantei rapidamente, mas caí no chão de novo. Meu corpo estava todo
doendo, cada músculo.

“Eu não acredito que a Alice me deixou aqui a noite toda!”

Capítulo 40

Desci, tomei um banho rápido e fui correndo pra faculdade. Consegui chegar
antes do intervalo, mas a Dani não me perdoou.

Dani: O que deu em você, Laurinha? Pô, nosso trabalho!

Laura: Desculpa, Dani! Eu não passei bem à noite e meu celular acabou não
despertando!

Dani: Parece que você passou a noite no Talibã! Deus o livre, sua aparência
está péssima!

Eu só pude rir do que ela tinha dito. Ri de mim também, do nariz de palhaço
que a Alice estava me botando! No horário do meu almoço, tentei novamente
falar com ela, mas não me atendia. Liguei pra Paulinha e pedi pra ela tentar,
ver se ela atendia. Nada feito, ela não estava atendendo ninguém. Decidi então
ligar em casa e falar com a minha mãe.

Laura: Mãe, cadê a Alice? Eu queria falar com ela!

Mãe: Filha, a Alice tá ensaiando e pediu pra não ser interrompida.

Laura: O Alê tá aí com ela?

Mãe: Tá sim, filha.

Laura: Tudo bem, mãe. Eu falo com ela depois então.

“O que tá acontecendo? CARALEO!” Tomei um remédio para dores


musculares e fui trabalhar. Não fiz absolutamente nada! Não porque não
queria, mas sim porque não conseguia! A Luiza me deu um desconto, a Paula
deve ter comentado algo com ela.

Naquele dia, não consegui contato com ela novamente. Nem por celular, nem
por mensagens, nem pela porta. Ela simplesmente estava me ignorando e eu
ao menos sabia o porquê de tudo aquilo. Até no final de semana estava tudo
bem. Nosso namoro estava evoluindo cada dia mais e de repente surge um
buraco enorme nos separando e eu nem sabia o motivo. A Alice se fechou em
sua fortaleza e negou o meu acesso, como se estivesse me descartando. Não
sabia mais o que imaginar.

A semana foi passando e eu não tive mais notícias da garota pela qual eu era
totalmente apaixonada. A gente vivia na mesma casa, mas desde aquela
segunda-feira eu não consegui mais olhar pra ela. Uma bailarina trancada em
sua caixinha de música. Minha mãe também não tinha notícias. Sempre que eu
chegava do serviço, Alê já tinha ido embora e a cobertura já havia sido tomada
por um silêncio perturbador.

Era sexta-feira e eu estava disposta a falar com a Alice naquele dia. Mesmo
que tivesse que derrubar a porta daquele estúdio. Mas tive uma ideia melhor.
Depois da faculdade, conversei com Luiza e disse que não poderia ir ao serviço
naquele dia por problemas particulares. Ela não negou, já imaginando o que
era.

Fui pra casa e entrei na surdina, sem que ninguém me visse. Subi ao terceiro
andar e pude ouvir os ruídos vindo do estúdio. Não conseguia ouvir a música,
pois o lugar era dotado de uma acústica especial. Me sentei no chão e fiquei
ali, esperando o momento certo.

Antes do relógio marcar 5 e meia da tarde, ouvi barulhos perto da porta e me


levantei. Encostei na parede e fiquei ali, quieta, esperando. De repente ela se
abriu para o Alê sair. Num movimento rápido, empurrei o garoto e a porta,
entrando no estúdio. Bati com força e a tranquei. Quando me virei, a Alice
estava ali, estática, me olhando. Com uma aparência abatida e olheiras
debaixo dos olhos, tentava manter a compostura.
Alice: O que você tá fazendo aqui, Laura?

Laura: Eu é que pergunto, Alice! O que você está fazendo comigo? Fazem
cinco dias que você não fala e se eu não invadisse o seu estúdio você iria
continuar sem falar. Até quando?

Alice: Eu não quero conversar, Laura! -- abaixando a cabeça.

Fui em sua direção, parei bem na sua frente e disse firme:

Laura: Agora você vai conversar SIM! Eu tenho o direito de saber o porquê de
você estar me ignorando, Alice! O que eu te fiz?

Alice: Você não me fez nada, pelo contrário! Você me fez a pessoa mais feliz
desse mundo e eu não poderei retribuir!

Laura: Do que você está falando? Já que eu estou aqui seja sincera! -- olhava
fixamente para ela.

Alice: Eu ia falar com você, só estava criando coragem!

Laura: Fala de uma vez, pelo amor de Deus, Alice!

Alice: Eu vou voltar pra Paris, Laura!

BANG BANG, MY BABY SHOT ME DOWN! Aquilo caiu como uma pedra na
minha cabeça! “E TODAS AS PROMESSAS QUE FIZEMOS UMA PRA
OUTRA? FOI MENTIRA?”

Laura: COMO ASSIM?

Alice: Minha mãe conseguiu uma bolsa pra mim numa escola de dança
conceituada.

Laura: O QUÊ? Você disse que não voltaria mais, que queria ficar aqui e de
repente, de uma hora pra outra decide ir? Eu não entendo! -- tremia.

Alice: Ela praticamente me obrigou, Laura!

Laura: E por que me fazer sofrer mais ainda? Já não basta o fato de você ir
embora, teve também que me ignorar?

Alice: Laura, eu estou desnorteada com a notícia, não sei o que fazer! Pelo
amor de Deus, me entenda. Quanto mais cedo a gente se distanciar e acabar
com tudo, menos sofrimento depois!

Laura: Menos sofrimento? Você está me torturando desde segunda-feira! Eu


dormi na porta do estúdio te esperando, perdi a conta de quantas vezes te
liguei e de quantas mensagens te enviei!
Alice: Desculpa, Laura. Espero que um dia você me entenda!

Laura: Um dia? Quer dizer que você está terminando comigo?

Alice: Eu não posso mais ficar com você!

Laura: Vamos aproveitar o tempo que nos resta! Eu estou trabalhando agora,
posso ir te visitar nas férias, não há necessidade disso tudo!

Abracei-a com força. Ela se aninhou nos meus braços. Beijei o seu pescoço e
quando fui beijar a sua boca ela se afastou.

Alice: Laura, minha vida nunca foi normal. Eu vivi de cidade em cidade com a
minha mãe. A única certeza que eu levo comigo é a dança. Não posso deixar
você mudar a sua por mim. Não posso estragar a sua vida!

Laura: Estragar? Eu faço de tudo por você, vou pra onde você quiser! Eu só
quero ficar com você, como fazíamos até uns dias atrás.

Alice: O que a gente viveu eu nunca vou esquecer! E eu jamais vou encontrar
uma pessoa no mundo que eu ame tanto como eu te amo! -- as lágrimas
começaram a cair dos seus olhos.

Laura: Não faz isso comigo, Alice. Pelo amor de Deus!

Alice: Não é pra ser, Laurinha!

Laura: Eu não entendo! Até o final de semana éramos o casal mais feliz do
mundo, eu tive a melhor noite da minha vida com você no sábado. Eu carrego
o seu coração comigo pra onde quer que eu vá e eu amo você do fundo do
meu coração, da minha alma! Por que tudo isso agora?

Eu estava completamente sem chão. Não sabia o que fazer, se corria, se me


jogava do prédio ou se a pegava nos meus braços e a fazia esquecer toda
aquela loucura!

Laura: Alice, o que tá acontecendo? É impossível você jogar todo o nosso amor
pro alto e fugir assim de mim!

Alice: Laurinha, as nossas vidas têm destinos diferentes. Eu nem tenho uma
casa fixa. Eu amo tanto você que quero que você fique com uma pessoa que te
faça feliz!

Laura: Você me faz a pessoa mais feliz do mundo!

Alice: E eu também sou a pessoa mais feliz do mundo com você, mas isso vai
acabar, Laurinha! Eu tô abrindo o meu coração. Eu vou te amar pra sempre.
Mas quero que você siga sua vida que eu vou tentar seguir a minha!
Eu chorava em litros e não acreditava no que estava acontecendo. Ela estava
despedaçando o sentimento maravilhoso que existia entre a gente, acabando
com todas as minhas expectativas de vida e esmagando o meu coração!

Alice: Dá uma chance pra Mari...

EU CHOQUEI! Aquilo passou dos limites!

Laura: Você tá louca? Só pode ser brincadeira! -- coloquei a mão na cabeça,


sem saber o que fazer.

Alice: Eu já sei que ela te ama, Laurinha, ela é completamente louca por você!

Laura: Espera aí! Tudo isso é por causa da Mariana? Eu vou acabar com
aquela garota! -- eu andava de um lado para o outro com o ódio estampado
nos olhos -- Eu vou acabar agora com a raça dela! -- ia saindo do quarto
quando ela me segurou pelo braço.

Alice: Ela não é o motivo disso tudo! Só disse isso porque sei que ela gosta de
você e que é uma boa pessoa. Vocês se dão bem e ela saberia cuidar de você.
Quero, mais que tudo, que você seja feliz, Laura! -- chorava loucamente.

Laura: Quem falou que ela gosta de mim, Alice?

Alice: A Bruna! -- disse soluçando.

Laura: A Bruna?

Alice: É, na fazenda. Naquele dia que a gente pegou as duas nuas na cama.
Ela me contou depois, enquanto caminhávamos, que a Mariana chamava o seu
nome a noite inteira. Estava bêbada e ficou com ela, chamando por você.

Laura: Alice, isso é loucura! Eu amo você, eu quero você, não a Mari! É um
absurdo tudo isso. Toda essa situação. Você não está me dando motivos
concretos para terminarmos. Eu vou pra Europa com você! A gente se assume
e eu vou!

Alice: Como se fosse muito simples, Laura! Entenda de uma vez por todas: eu
não posso mais!

Laura: Você tá com outra pessoa e eu vou descobrir quem é, só pode ser isso!

Alice: Para, Laura, não me ofende! Eu sempre fui leal a você.

Laura: Você deve ter se arrependido de ter deixado alguém na Europa. Por
isso a pressa de ir embora!

Alice: Eu não deixei ninguém na Europa, você sabe disso! A maneira como eu
me entreguei a você foi mais que corpo e alma, foi mais que amor, foi coisa
além desse mundo!
Laura: É exatamente por isso que não estou te entendendo!

Alice: Laura, por favor, não vamos ficar discutindo! Vamos encerrar essa
conversa aqui, eu preciso ficar sozinha.

Laura: Já te deixei sozinha muito tempo, Alice -- me aproximei dela novamente


e a abracei. Ela ficou de braços cruzados, mas encostou sua cabeça no meu
ombro, se reconfortando.

Laura: Eu não entendo o porquê da sua frieza, minha cabeça está a mil!

Alice: A minha também!

Chegou perto do meu rosto e o beijou.

Alice: Você tem que ir!

Eu chorava sem nenhuma vergonha. Olhava nos seus olhos cor de mel, que
estavam vermelhos, e não conseguia enxergar o que realmente estava
acontecendo. Eu sabia que ela ainda me amava, como sempre amou! Segurei
o seu rosto com as duas mãos e disse:

Laura: Eu sempre fui sua! Desde criança, eu sempre soube que te amava.
Quando você chegou eu fiquei nervosa, ansiosa, desesperada! Quando eu te
vi, meu coração acelerou e a paixão que sempre esteve dormindo, despertou.
Eu quase morri escondendo esse sentimento. Mas criei coragem e te encarei.
E você me levou às alturas quando soube que era recíproco, me proporcionou
os melhores dias da minha vida e as melhores noites, com certeza! Me ensinou
que amor e amizade andam juntos e pela primeira vez, num relacionamento, eu
disse que amo alguém, com a maior certeza do mundo, com a mais pura
sinceridade! Eu sonhei, me entreguei... amei e fui amada! -- ela me olhava com
as lágrimas escorrendo pelo seu rosto e soluçando -- Você chegou, mudou a
minha vida completamente, me fez a pessoa mais feliz do mundo e me ganhou
pra vida toda! Agora, de repente, está me tirando tudo isso. Tentando arrancar
do meu peito tudo o que eu sinto e querendo que eu a esqueça, a deixe ir,
como se fosse algo simples. Eu não entendo como a sua paixão por mim está
aceitando tudo isso. Vou acatar, por enquanto, o que você está me pedindo
porque eu jamais pensei em faltar o respeito com você. Mas uma coisa eu te
falo, Alice: pode demorar o resto da minha vida, mas e vou ter você
novamente! Eu vou até o inferno se for preciso, mas você vai ser minha de
novo!

Ela não cabia dentro de si de tanto desespero. Era visível. Eu desabava em


lágrimas. Dei-lhe um beijo na testa e soltei o seu rosto. Virei as costas e saí,
batendo a porta! Era muita coisa pra minha cabeça. “O QUE FOI ISSO???” No
hall da cobertura eu estava tonta. “VOLTA LAURA, MOSTRA PRA ELA!!!”.

Num ato mais que impulsivo, voltei pro estúdio. Abri a porta com violência e a
Alice ainda estava parada no mesmo lugar que eu a havia deixado. Com
passos firmes fui até ela e sem a deixar reagir, puxei-a pela nuca e dei-lhe um
beijo apaixonado, quente e ofegante. Ela se agarrou no meu pescoço. Minha
boca queria a dela com pressa, meu corpo suplicava o contato do seu. Durante
o beijo cheirava a sua pele, fazendo com que aquele cheiro, que sempre me
deixava louca, entrasse dentro de mim. Foi intenso, longo e esboçava todo o
amor que sentíamos uma pela outra, que era mais que evidente! Quando já
estávamos sem ar, ela se afastou, dando alguns passos para trás.

Alice: Vai, Laura, procura a sua felicidade!

Eu não podia estar ouvindo aquilo. Ela sabia, mais do que qualquer pessoa,
que a minha felicidade estava com ela.

Capítulo 41

Naquele momento, eu percebi que ela realmente estava decidida. Minhas mãos
pareciam estar atadas e não adiantava o que eu falasse ou fizesse, ela parecia
não mudar de opinião. Por isso pensei também que algo mais pudesse estar
acontecendo. “A Alice acha que não sou capaz de ir com ela, de fazê-la feliz
mais do que a dança!”.

Esse sentimento de incapacidade fez meu mundo cair sobre a minha cabeça!
Sem nenhuma reação plausível, me virei e saí definitivamente do estúdio e
talvez, da vida da pessoa que eu amava.

Fiquei vagando pelo segundo andar sem reação, sem nem saber o que pensar.
Aquilo parecia ser um pesadelo. Eu nunca imaginaria que a Alice faria uma
coisa dessas comigo. Foi quando meu celular começou a tocar. Olhei e notei
que era a Paulinha, a única pessoa no mundo que me entendia!

Laura: Paulinha! -- atendi chorando.

Paula: Laura! Que foi? Aconteceu alguma coisa? Liguei pra saber se você
conseguiu se resolver com a Alice.

Laura: Acabou, Paulinha! -- disse gaguejando.

Paula: Acabou o quê, Laurinha? Calma, fala devagar!

Laura: A Alice terminou comigo! -- o final da frase saiu mais alto.

Paula: Laura, tô indo até aí, me espera!

Desci para o meu quarto e entrei no chuveiro gelado, de roupa e tudo! Não
conseguia pensar em nada. Não conseguia raciocinar sobre o que a Alice tinha
me dito. “Voltar pra Paris??? Procurar a minha felicidade??? Como pode uma
pessoa mudar de ideia tão rápido???”
Fiquei um tempo sentada no chão, deixando a água cair! Finalmente tirei a
roupa e tomei um banho. Quando voltei pro quarto, a Paulinha estava sentada
na minha cama. Minha mãe sempre permitia a entrada dela, da Mari ou da
Dani.

Paula: Ô meu amor! -- mesmo estando enrolada na toalha, ela me deu um


abraço carinhoso -- Vai! Se troca, vamos sair um pouco.

Laura: Ai, de boa, Paulinha, eu não quero sair. Quero morrer nessa cama hoje!

Paula: Deus o livre, Laura! Vira essa boca pra lá! -- batendo três vezes na
madeira.

Troquei-me e coloquei um moletom bem largo. Ela ficou, pacientemente, me


esperando. Depois me sentei ao seu lado e contei tudo, nos mínimos detalhes,
como ela sempre gostava.

Paula: Pô, Laurinha, não fica assim... Não quero te ver sofrendo!

Laura: Eu só queria ela, Paulinha! Só isso! -- realmente não conseguia parar de


chorar.

Paula: Não chora, meu amor!

A Paulinha me abraçou forte, enxugou minhas lágrimas e fez um carinho nos


meus cabelos.

Paula: Eu sei o quanto é difícil perder a pessoa que a gente ama! Mas dá um
tempo pra ela se acalmar também. E se você achar que vale a pena, lute pelo
seu amor! O que não é pra ser, não é, Laurinha! Lembra?

Laura: É verdade! Mas eu tô me sentindo como se tivessem arrancado um


pedaço de mim, me jogado na sarjeta sem o mínimo de proteção. Juro que se
eu soubesse que ia terminar assim, eu nunca teria alimentado essa paixão!

Paula: Se a gente pudesse prever o futuro, que graça teria nossas vidas? E
outra coisa, quem disse que terminou?

Laura: Paulinha, ela vai embora e não me quer junto!

Paula: E quando ela vai?

Laura: Acho que depois do concurso, porque ela não parou de ensaiar, então
quer dizer que ainda vai competir.

Paula: Você tem um tempo até lá! Nunca se arrependa pelo que fez, o
importante é tentar! Seja firme, amiga.

Laura: Fica aqui comigo hoje?


Paula: Claro, não vou desgrudar de você -- ela sorriu e me deu um beijinho na
bochecha -- Só vou ligar pra Luiza para avisar, ok?

Laura: Tudo bem.

Seria melhor passar a noite com a Paulinha. Eu já estava tão sozinha esta
última semana! Ela ligou pra Luiza, só avisando.

Paula: Vamos comer alguma coisinha?

Laura: Não quero comer, Paulinha. Fico com você lá na cozinha só fazendo
companhia.

Paula: Não não, você vai comer sim! Vou pedir um big mac pra você que eu sei
que ama!

Eu sorri e me deitei na cama, vendo ela passar a mão no telefone e ligar pro
delivery. Fez o pedido exatamente como eu gosto: sem cebolas. A Paulinha me
conhecia muito bem! Depois de desligar o telefone, deitou na cama, de frente
pra mim e disse:

Paula: Quero dormir aqui, com você, tá?

Laura: Tá!

Ela ficou tentando procurar um assunto me vendo tão chateada daquele jeito.
Ligou a TV e ficamos vendo a novela, comentando sobre as atrizes que
achávamos bonitas, coisas de amigas babacas. A Paulinha me distraía por um
tempo, mas logo eu me lembrava de tudo e voltava ao choro silencioso.

O lanche chegou e ela arrumou tudo certinho para comermos. Eu não queria,
mas a Paulinha insistindo era muito chata e acabei cedendo. Quando
acabamos de comer, escovamos os dentes e deitamos na cama novamente,
tentando encontrar um filme legal nos canais da tv.

Laura: Eu tô preocupada, Paulinha. A Alice tá lá sozinha, tô com medo que


aconteça algo, ela não tem com quem conversar!

Paula: Eu posso ir lá, ver se tá tudo bem. Quer?

Laura: Claro, você faria esse favor?

Paula: Sim, vou e já volto!

Ela saiu do quarto e foi ao terceiro andar. Fiquei ansiosa esperando. Aqueles
10 minutos que se passaram pareciam uma eternidade. Foi o tempo que ela
demorou pra voltar.

Paula: Ela tá com o Alessandro.


Laura: O Alê?

Paula: Sim! Estava bem abatida, mas o Alê estava lá e me disse, quando eu
estava saindo, que ia cuidar dela.

Laura: Fico mais despreocupada. Ela não perguntou de mim?

Paula: Sim, perguntou. Eu disse que você tava bem mal, mas que eu iria
passar a noite com você.

Laura: E ela?

Paula: Não disse nada, só abaixou a cabeça!

Laura: Ela sempre faz isso quando está sem resposta!

Paula: Chega desse assunto, Laurinha. Deita aqui comigo.

Deitei-me ao lado dela na cama e ficamos assistindo TV. De repente, meu


celular apitou. Uma mensagem. Corri, com a esperança de ser da Alice.
“Saudades demais de você! Posso te ver? Ainda somos amigas, não? TE
AMO!”

Paula: É dela?

Laura: Não, da Mari!

Paula: Sou brasileira e não desisto nunca, hein?

Laura: Pior que eu gosto dessa garota! Mas como amiga, claro.

Paula: Eu sei! Sempre notei seu carinho por ela.

Laura: Eu te contei o que aconteceu na fazenda?

Paula: Que ela dormiu pelada, bêbada?

Laura: Não, entre nós duas, na noite da festa à fantasia!

Paula: NÃO! Pode contando JÁ!

Contei tudo sobre o nosso envolvimento. Sobre minha vontade. Mas que tudo
não passava de tesão, porque a Mariana é uma garota muito bonita e
interessante.

Paula: Você quase comeu a garota, mas não beijou! -- ela ria incessantemente.

Capítulo 42
Laura: Credo, que palavreado, dona Paula!

Paula: Mas é, ué! Eu não sei se seria tão forte quanto você!

Laura: Você foi no dia que eu estava quase DANDO pra você!

Paula: Se liga, Laurinha! Aquilo foi pra você cair na real. Se fosse pra eu te
comer seria bem diferente! -- ela ria porque eu fazia cara feia quando ela dizia
“comer”.

Laura: Você não faria nada, porque nunca vou DAR pra você, sua convencida!

Paula: Olha! Não cuspa pro alto, queridinha! -- me fazendo cócegas --


Nenhuma menininha resiste ao meu charme -- ria feito boba.

Laura: Sai fora! Você se acha, garota, me larga, você está me assediando -- ria
mais ainda, ela estava me distraindo.

Paula: E ó, não vem não que eu não quero te comer, viu?

Laura: Não cuspa pro alto, amor! Cai na testa!

Paula: Fica na sua, garota chata!

Laura: Aliás, você já conseguiu levar a Luiza pra cama ou tá difícil? Por que
você é meio lentinha, que eu sei!

Paula: Para o seu governo, não só levei pra cama, como pra mesa, pro chão e
pra onde você olhar do meu apartamento! -- eu abri a boca como se tivesse
espantada.

Laura: Eu é que não vou mais no seu apartamento, deve tá cheirando xana! --
ria da cara dela.

Paula: Olha o respeito, garota!

Laura: Como a Luiza quis um trastezinho desse, hein? Fala a verdade!

Paula: Coitada de você, garanto que mais 2 dias dormindo nessa cama você
me agarraria!

Laura: Você poderia dormir um mês nessa cama, pelada, que eu não ia nem
ligar...

Paula: HA HA HA!

Laura: Você se acha a rainha da bala chita, Paula! -- disse rindo da cara dela.

Paula: Ninguém resiste, filha! -- se achando, deitada na cama.


Laura: Eu resisto, garanto!

Paula: Ah, Laurinha, fala a verdade! Não era eu que quase DEI pra mim, uns
tempos atrás...

Laura: HA HA HA!

Paula: Mas posso confessar uma coisa pra você?

Laura: Fala, mané! -- eu ria.

Paula: Aquele dia foi você quem me deixou na vontade! Tô te contando porque
somos amigas e tô super segura com a Luiza.

Laura: Hum! Ficou na mão então?

Paula: LITERALMENTE! -- fiz cara de espanto.

Laura: TONTA! -- ela gargalhava.

Paula: Posso te confessar outra coisa, então?

Laura: Fala que eu te escuto, Paula! -- disse irônica.

Paula: Eu sempre tive curiosidade de saber como você beija!

Laura: Agora fala assim: posso te confessar uma terceira coisa? Sou caidinha
por você, Laurinha! -- fazendo voz de baitolinha, rindo da cara dela.

Paula: TONTA! -- me deu um tapa -- Você sabe que gosto da Luiza. Você é
minha melhor amiga!

Laura: Já que você está segura com a Luiza e eu sou apaixonada pela Alice,
posso matar a sua curiosidade tranquilamente.

Dizendo isso me aproximei dela e toquei bem de leve os seus lábios. Fiz que
não ia adiante e sorri com o canto da boca. Ela então me puxou pela nuca e
me deu um beijo pra valer. Não senti nada demais, afinal, a Paulinha era minha
amiga. Mas confesso que aquele beijo foi demais! Superou minhas
expectativas. Ela beijava bem gostoso! No fim, nos olhamos e rimos sem parar.

Paula: Desculpa Laura, mas você pediu e eu não costumo perdoar!

Laura: Desencana, Paulinha! A gente sabe que não tem nada a ver, é frescura
mesmo. Matou a curiosidade?

Paula: Claro, você beija mal pra burro! -- eu ria e batia nela -- Brincadeira,
Laurinha! Olha, eu quero, do fundo do meu coração que você lute pela Alice!

Laura: Prometo que vou lutar, Paulinha!


Deitei-me de costas pra ela, como se tivesse pedindo uma conchinha. Ela me
abraçou por trás e afagou os meus cabelos. Deu-me beijinhos acompanhados
de um “boa noite”.

Eu tava me sentindo protegida por aquele mulherão, mas como se ela fosse
uma irmã pra mim, me consolando e me apoiando. O meu verdadeiro amor
estava no terceiro andar, fazendo sei lá o que, ignorando o meu amor!

Acordei no sábado e a Paulinha ainda estava na minha cama. Uma baita dor
latejava na minha cabeça. Levantei, fui ao banheiro e dei um jeito no rosto.
Voltei ao quarto e me troquei. Com o barulho que fiz sem querer ao mexer no
guarda-roupa, a Paulinha acordou.

Paula: Bom dia, Laurinha!

Laura: Bom dia! -- sorri pra ela.

Paula: E aí? O que temos pra hoje? -- se espreguiçando, animada.

Laura: Meu quarto, tá bom?

Paula: Olha, mal criada! Vamos dar uma volta comigo?

Laura: Acho que não, Paulinha! -- fiz cara de desanimo.

Paula: Diz que simmm!!!

Laura: Quero conversar com a Alice de novo!

Paula: Laura, dá um tempo pra ela, não vá se machucar mais ainda. É muito
recente, espera ela pensar um pouco, refletir. Espera até semana que vem, vai
por mim!

Laura: Eu não posso perder tempo, Paulinha. Logo ela vai embora!

Paula: Ela não vai embora assim, sem falar com você, sem vocês se
resolverem! Tenho certeza! Mas foi tudo muito rápido pra ela!

Laura: Paulinha, até agora eu não consigo colocar na minha cabeça toda essa
explicação que ela me deu, sabe?

Paula: Calma! Eu sei que é meio sem fundamento esse negócio de ela não
aceitar você ir junto e tal. Mas acho que ela não quer que você se desfaça da
sua vida por ela, porque se você for pensar um pouco, ela tem razão. É meio
sem cabimento você largar tudo pra ir atrás dela!

Laura: Você tá do meu lado ou do dela?

Paula: Não é questão de lado, Laurinha, é questão de coerência! Sou sua


amiga e estou aqui pra colocar a sua cabeça no lugar e não pra te confundir.

Laura: Eu acho que tô ficando louca, Paulinha -- me jogando na cama.

Paula: Laura, acho que você tem que pensar um pouco em você também!
Concordo que há muita coisa sem explicação nesse assunto, que com o tempo
você vai descobrindo, mas e você? Sua faculdade, seu trabalho, sua mãe? Não
merecem um pouco mais de esforço seu também?

Laura: Mas minha vida não tem sentido sem ela, Paulinha!

Paula: Claro que tem, Laura! Até tempos atrás você nem tinha a Alice pra viver!
Eu não tô dizendo pra desistir do amor dela, não é isso! Só tô dizendo pra você
se valorizar um pouco também nesse relacionamento, entendeu? Nada de
desistir da vida por alguém e sim progredir por esse alguém!

Laura: É, você tem razão!

Paula: Agora, que tal um café na Bela Paulista?

Laura: Hum... aguçou o meu estômago. Eu aceito!

A Paulinha também se arrumou e descemos. Assim era melhor, eu evitava


encontrar a Alice pelo apartamento. Fomos até a padaria e sentamos numa
mesinha. Tava lotada como sempre. A garoa fina que caía sobre São Paulo me
deu vontade de tomar um capuccino. Pedi um com pão de queijo.
Conversamos sobre besteiras e ficávamos reparando no pessoal que passava
por nós. Muita gente nem tinha dormido ainda. Depois de passar um tempo ali,
resolvemos dar uma andada de guarda-chuva pela Paulista. Pagamos a conta
e quando estávamos saindo, o meu olhar cruzou com ninguém mais, ninguém
menos que a Mariana.

Capítulo 43

Deu um friozinho na barriga ao ver a Mari. No mesmo minuto, ela veio na


minha direção. Tava com a Bruna. Cumprimentaram-nos e ela me deu um
abraço bem apertado, que de certo modo me confortou. Senti seu cheirinho
gostoso enquanto ela estava agarrada em mim.

Mari: Vieram tomar café também? -- se soltando de mim.

Laura: Uhum, mas já estamos indo embora.

Mari: Hum! E a Alice? Cadê? -- disse olhando ao redor.

Laura: Não sei -- respondi sem jeito, olhando pro lado.

Mari: Hum! -- ela percebeu que havia acontecido alguma coisa -- O que vocês
vão fazer agora?

Laura: Não sabemos ainda, estamos passeando por aqui.

Mari: Ah, então tá, a gente se fala depois.

Laura: Beleza!

Mari: Eu posso te ligar, Laurinha?

Laura: Sim, claro, por que não?

Mari: Sei lá. Você não me respondeu a mensagem de ontem.

Laura: Mensagem? -- tive que dar um perdido.

Mari: É, te mandei uma ontem à noite.

Laura: Acho que não recebi não! -- era a única coisa que eu podia falar.

Mari: Nem esquente! Era só perguntando se eu podia te ligar, ou coisa


parecida.

Laura: Agora você já sabe que pode! Bom, mas a gente já vai e depois você
me liga.

Mari: Tá bom, tchau então.

Despediram-se da gente. Eu cheguei a sentir um arrepio quando ela me deu


um beijo no rosto. Elas entraram na padaria e a Paulinha e eu fomos em
direção à Paulista.

Paula: Você percebeu uma coisa?

Laura: Depende. O que você quer dizer?

Paula: Você ficou o tempo todo segurando a mão da Mari enquanto conversava
com ela!

Laura: Não, claro que não!

Paula: Claro que sim!

Laura: Claro que não! -- a gente riu.

Paula: Sério, ficou sim!

Laura: Acho que é porque eu sempre fui acostumada a ser assim com ela.

Paula: Tenho certeza que, ainda hoje, ela te liga! Já disse que essa garota é
brasileira -- e riu.

Laura: Será?

Paula: Tô te falando, Laurinha. A Bruna fez cara de bosta quando te viu!

Laura: Eu não faço a mínima questão de agradá-la. Se ela não é capaz de


conquistar a garota que ela fica, o problema é exclusivamente dela!

Paula: Depois de tudo que você me contou, agora eu noto o quanto a Mari é
apaixonada por você!

Laura: Eu gosto dela, mas já disse que como amiga! Eu confesso que passei a
sentir uma atração muito forte por ela depois que ela me contou o que sentia
por mim, acho que porque ela é fofa, bonita, charmosa, mas é só coisa de pele,
entende?

Paula: UH se entendo! Dá pra dar uma distraída! -- e riu

Laura: O problema é que eu não tô a fim de me distrair!

Paula: Uns beijinhos não matam ninguém, Laurinha. A Alice tá perdendo


porque ela é boba.

Laura: Larga de ser insensível, Paulinha! Foram muito fortes as coisas que eu
ouvi ontem.

Paula: Eu sei, tô só brincando, relaxa!

O celular da Paulinha tocou e eu notei que era a Luiza. Enquanto elas


conversavam, eu fiquei pensando na vida, no rumo que a minha tinha tomado.
Totalmente fora dos meus planos. Mas eu tinha somente uma certeza: “Eu
ainda vou ficar com a Alice!”.

Paula: Laurinha, nós vamos ao cinema hoje à tarde.

Laura: Tudo bem, depois você me liga quando acabar o filme.

Paula: Não, você também vai.

Laura: Ah não, não tô nem um pouco a fim, Paulinha!

Paula: Ah, você vai sim! E depois vai dormir lá em casa. Não vou te deixar
sozinha. Você não me deixou quando eu precisei de você! Vamos passar na
sua casa e você pega uma mochila com suas coisas.

Fui sem contestar. Eu sabia que precisava de companhia e que a Paulinha e a


Luiza seriam perfeitas pra me distrair. Eu tinha que dar um tempo pra Alice e
eu também precisava esfriar a cabeça.
Passamos em casa e separei umas roupas. Avisei minha mãe e saí o quanto
antes para não encontrar com a Alice. No caminho, decidi parar numa loja de
chocolates. Comprei uma caixa de bombons que tinham o formato de
estrelinhas e pedi para entregarem a Alice, juntamente com um bilhete:

“If I could reach the stars


I’d give them all to you
And you’d love me, like you used to do.”

“Se eu pudesse alcançar as estrelas


Eu daria todas a você
E você me amaria, como costumava fazer.”

Eu não podia deixar ela me esquecer. Uma lágrima caiu dos meus olhos e a
Paulinha foi logo me dando a mão.

Paula: Vamos, eles entregam!

A chuva começou a apertar e ela me abraçou embaixo do guarda-chuva


querendo me proteger e ao mesmo tempo me consolar. Quando chegamos, a
Luiza já estava nos esperando no apartamento. Ela não quis saber detalhes do
que tinha acontecido para não me entristecer mais. Ficamos conversando, a
Paulinha fez um macarrão bem gostoso com molho branco e almoçamos.

À tarde, fomos ao cinema e eu até que me diverti com as duas. Quando o filme
acabou demos uma olhada nas vitrines e fomos embora. A noite já estava
começando e até o momento eu não tinha mais nenhum sinal de vida da Alice,
NADA! Nem uma mensagem de agradecimento pela caixa de bombons.

Estava perdida nos pensamentos que me levavam a ela, quando meu celular
tocou na bolsa.

Paula: Sou brasileira e não desisto nunca! -- gritou da cozinha, eu ri.

Era a Mari mesmo!

Laura: Alô?

Mari: Oi Laurinha!

Laura: Oi Mari, tudo bom?

Mari: Tudo e você?

Laura: Tudo também!

Mari: E aí? O que vão fazer hoje? Vão pra algum lugar?

Laura: Não, não. Tô aqui na Paulinha e vou dormir aqui.


Mari: Hum. Por que a gente não faz alguma coisa?

Laura: Ah, hoje não Mari, a gente pode combinar outro dia? -- a Paula veio pra
sala e parou bem na minha frente pra ouvir a conversa.

Mari: Ah, tudo bem. Eu te ligo outra hora então.

Laura: A gente se fala depois, Mari.

Ouvindo isso, a Paulinha arrancou o celular da minha mão e colocou no ouvido!

Paula: Mariana? É a Paula, tudo bom? (...) Você vai fazer alguma coisa hoje?
(...) Então vem pra cá, a gente inventa alguma besteira pra fazer! (...) Ah, legal!
Vem daqui a pouco então. Beijos.

Desligou e eu fiquei olhando-a pasma!

Paula: Me agradeça depois por arranjar uma companhia legal pra você! -- eu
sorri pra ela e dei um abraço -- Lu, hoje você vai conhecer a amiguinha da
Laurinha! -- disse piscando pra ela.

Capítulo 44

Laura: Larga de ser tonta, Paulinha! -- a Luiza ria.

A gente ficou por lá conversando e a Paulinha contando os meus babados com


a Mari. A Luiza se divertia. Tomei um banho e coloquei uma roupa mais
sossegada, calça de malha preta e uma camisetinha branca. Eu sabia que a
gente não ia sair, esse foi o combinado com a Paulinha se eu fosse pra casa
dela.

Depois de um tempo o interfone tocou. Minha amiga atendeu e soltou um


risinho na minha direção. Eu já sabia que era a Mari. Logo a campainha apitou,
eu tentei manter a calma e continuei sentada no sofá. A Paulinha foi abrir e a
Mariana entrou. Cumprimentou a Paulinha, que apresentou a Luiza. Ela estava
tão lindinha numa calça de brim listrada de cinza claro e escuro e uma
jaquetinha de moletom branca, com capuz vermelho e tênis no pé. Veio em
minha direção, se sentou no sofá e me deu um abraço gostoso e um beijo no
rosto. Ela estava bem cheirosa, eu sempre percebia. Ficou meio tímida, mas a
Paulinha tratou de deixá-la mais à vontade, oferecendo uma cerveja.

Mari: Não, obrigada. Eu não tomo cerveja, valeu!

Paula: Tenho Smirnoff também. Pode ser?

Mari: Tá, pode ser então.

Eu não estava a fim de beber nada, só queria ficar ouvindo a conversa delas.
Às vezes o meu pensamento me levava pra junto da Alice. “O que será que ela
está fazendo agora? Será que recebeu a caixa de bombons? Nem uma
mensagem de agradecimento! Não parece a Alice extremamente educada que
eu conhecia”.

Paula: O que você acha, Laurinha? -- me trazendo de volta pra terra.

Laura: Oi? Não tava prestando atenção, Paulinha, desculpa!

Paula: O que você acha de pedirmos alguma coisa pra comer?

Laura: Pode ser, o que vocês escolherem eu topo.

Paula: O que vocês acham de umas esfirras abertas? Aqui perto tem umas
deliciosas! -- todo mundo topou. Eu particularmente sempre amei esfirras
abertas.

A Paulinha pediu pra Luiza ir com ela até a cozinha pra elas fazerem o pedido.
Fiquei na sala com a Mari vendo TV. Eu estava bem desanimada.

Mari: Ei, que foi? Não gostou que eu vim?

Laura: Claro que gostei, Mari, não fala assim! -- olhei pra ela e tirei a franja que
estava no seu olho -- Você sabe que adoro sua companhia! -- os olhos
pequenos sorriram infantilmente pra mim.

Mari: Você tá tensa! Aconteceu alguma coisa?

Laura: Algumas coisas, mas é melhor nem tocar no assunto!

Mari: Com a Alice? Não a vi com vocês hoje e ela não está por aqui também.

Laura: Sim! Mas não quero estragar a noite, tá? Depois a gente conversa com
calma.

Mari: Tudo bem!

Ela pegou na minha mão e ficou me olhando, com a cabeça encostada no sofá.

Laura: E você? Voltou com a Bruninha?

Mari: Não, só fomos tomar um café hoje e nada de mais.

Laura: Hum, entendi -- abaixei a cabeça.

Mari: Ei, vem cá! -- colocou minha cabeça nos ombros dela -- Eu não sei o que
aconteceu, mas não fica triste. Eu já disse que você fica tão linda sorrindo! --
ela conseguiu tirar um riso tímido de mim.

Laura: Não precisa saber. Só me dá colo, como sempre me deu!


Ela ficou afagando meus cabelos. Até que eu cochilei nos seus braços. Depois
de um tempo:

Mari: Ei dorminhoca! Vamos comer, a esfirra chegou.

Laura: Nossa! Eu dormi? -- acordei assustada.

Mari: Uhum, mas não tem problema.

A Paulinha colocou as esfirras na mesinha de centro da sala e pegou algumas


coisas pra gente beber. Eu só queria coca-cola, não tava a fim de álcool
naquele dia. Comemos conversando sobre besteiras. A Paulinha palhaça
contava piadas e as histórias dos foras que ela já tinha dado por aí! A gente ria
demais.

A Mari não saía do meu lado, ela sempre me transmitiu segurança, sempre
esteve comigo. A Paulinha tinha tantas histórias que, com certeza, daria pra
escrever um livro. Fomos até altas horas no embalo dos seus casos. Às vezes
eu olhava pra Mari e lembrava a menina doce que ela sempre foi e perguntava
a mim mesma: “A Mari sempre foi uma garota de muita atitude e personalidade,
por que não me contou antes? Eu podia ter me apaixonado e não estaria
sofrendo agora!”

Ela sempre foi a garota mais cobiçada entre Dani e eu. Aqueles cabelos ruivos
lisos que às vezes caíam nos olhos, o sorriso branco e alinhado, com a boca
rosada, as sardinhas tão bonitinhas e os olhos pretos pequenos que matavam
qualquer um, sem contar o corpo, nem gostosona e nem magrela, na medida.
“Se não existisse a Alice, eu podia perfeitamente ter me apaixonado por ela!”

Paula: Laurinha, eu vou ali com a Luiza dar uma ajeitada na cozinha.

Laura: Ah tá, tudo bem.

Mari: Eu já vou embora então, gente.

Laura: Ah, fica mais um pouco.

Paula: É, fica! A gente não vai dormir já.

Mari: Tá, eu fico mais um pouco!

Elas foram pra cozinha e Mari e eu fomos pra sacada, dar uma olhada na
Paulista.

Mari: Bonito o apartamento, né?

Laura: É, eu ajudei a escolher os móveis -- sorri.

Mari: Eu sei que você tem bom gosto!


Não aguentei e a puxei para um abraço. Naquele dia eu queria sentir o corpo
dela no meu, o calor que sempre me confortou. E eu não precisava mais me
sentir culpada por isso. Ela correspondeu. Fechei os olhos e senti novamente o
seu cheiro. Os cabelos ruivos estavam contra o vento, de um jeito que eu
achava lindo!

Mari: O cara da sacada do outro prédio tá olhando pra gente! -- rindo, ainda
abraçada comigo.

Laura: Você se importa?

Mari: Não, mas acho que ele tá esperando o que vai acontecer. Homem é um
bicho besta mesmo!

Laura: O que vai acontecer é que eu não vou te soltar tão cedo!

Mari: Então vem cá! -- me encostou contra a parede da sacada -- Aqui é melhor
pra gente dormir abraçadas -- eu ri -- Mas se você quiser dormir abraçada
comigo na cama eu não ligo também! -- fazendo cara de safada.

Laura: É sério, não quero te largar! -- me aninhava mais ainda.

Mari: Você sabe que eu deixo você usar e abusar de mim!

Laura: Não quero usar e nem abusar, só quero você!

Mari: Não me dá esperanças se você não pode cumpri-las, Laurinha!

Laura: Cumpri-las eu posso, só não sei se devo! Você sente uma coisa e eu
outra

Capítulo 45

Estava gostoso o ventinho gelado batendo e os braços dela me esquentando.


O rosto colado no meu e as mãos envolvendo a minha cintura. Transmitia tanta
calma que eu jurava poder sentir o planeta girar no seu compasso lento. Eu
ficaria ali a vida inteira. A tranquilidade, a paciência e a segurança que ela me
passava era algo surreal. Eu me senti protegida nos braços de uma pessoa
que eu sabia que me amava. E por um momento pude esquecer tudo de ruim
que havia me acontecido nos últimos dias.

O meu momento de transe foi por água abaixo quando abri os olhos e vi a
Paulinha na sala fazendo sinal de positivo com as duas mãos. Eu me segurava
pra não rir, ainda abraçada com a Mari. Não aguentei quando ela começou a
fazer bico e, através de umas mímicas muito cômicas, pedindo pra eu beijar.
Ela percebeu que eu ia rir e saiu correndo. “Praga!”
Consegui me conter e abaixei o rosto, cheirando os ombros dela.

Mari: Tá com frio? -- disse baixinho.

Laura: Um pouco, tô sem moletom.

Mari: O cara ainda tá lá! -- ela riu.

Laura: Não desiste, né?

Mari: Por que a gente não mostra logo o que ele quer ver?

Afastei-me e a olhei com cara de brava.

Mari: Calma! Tava só brincando, não fica brava!

Laura: Eu também, boba! -- apertando a bochecha dela.

Sorriu parecendo aliviada. Eu fiquei olhando, hipnotizada nos seus olhos. Eles
definitivamente ficavam lindos quando ela sorria.

Mari: Tá pensando em que? -- curiosa.

Laura: Em como eu gosto dos seus olhos, você sabe disso -- ri de volta.

Mari: Culpa dos meus pais! -- se achando.

Laura: Convencida!

Cruzei os braços, ainda encostada na parede e fiquei olhando pra ela, que
estava nitidamente sem jeito, com as mãos nos bolsos da calça. Era claro que
ela não queria tentar nada naquela noite, ela sabia o quanto eu estava abalada.

Fechei os olhos e encostei a cabeça na parede. Ela começou a mexer nos


meus cabelos e no meu rosto. Abri os olhos e ela estava me olhando
fixamente. Puxei-a pela cintura, trazendo seu corpo junto do meu novamente.
Ela continuou me fazendo carinho.

Mari: Como você nunca notou? -- disse baixo.

Laura: O quê? -- vi que ela ficou vermelha.

Mari: Que eu sempre fui apaixonada por você.

Laura: Eu sei que sempre fui muito egoísta!

Mari: Eu pisei na bola com você. Mas prometo que vamos ser sempre amigas,
tá?

Laura: Eu acredito em você, sempre acreditei! Eu tava ficando louca quando a


gente tava se estranhando.

Mari: Eu sei que fui bem chata! Mas é que eu nunca quero sair de perto de
você, não quero te forçar a nada, nem pressionar. Eu me contento em ser sua
amiga e só olhar pra você, te ver feliz!

Abracei-a de novo e uma, duas, três lágrimas começaram a cair, molhando o


moletom branco que ela vestia. Apertei-a forte em meus braços. Minha vontade
era dizer: “Me leva embora e faz eu me apaixonar por você!”. Mas o nosso
coração é sempre muito burro. Eu estava odiando o meu ultimamente por amar
tanto a Alice.

Mari: Não chora, Laurinha! Eu fico me sentindo impotente, sem saber o que
fazer.

Laura: Só me abraça. Só isso!

Ela me abraçou forte e me tirou do chão. Fechei os olhos e o vento me dava a


sensação de que estávamos voando. Ela me encheu de beijos no rosto e eu
sorri das cócegas que faziam.

Mari: Vamos descer um pouco? Dar uma volta nesse quarteirão? Te pago um
sorvete do mc. Qual você escolher!

Laura: Fechado!

Vesti uma blusa de frio e botei o tênis. Convidei a Paulinha e ela disse que iam
ficar por lá mesmo. Descemos e fomos andando em direção ao mc.

Laura: Quero o meu sorvete logo! -- eu ri.

Mari: Então vamos! -- ela pegou na minha mão e saiu correndo, me levando
junto.

Laura: Louca! Para!

Mari: LOUCA? Só se for por você! -- ela gritava no meio das pessoas que nos
olhavam.

Fomos correndo até chegar no mc. Entramos e eu fui logo procurando uma
cadeira pra sentar.

Laura: Puta merda, tô sem ar!

Mari: Bobona! Você é mole, Laurinha.

Laura: Mole é você! -- a olhei com malícia.

Mari: Ah é? Então tá bom! Vou lembrar isso um dia!


Eu ria da cara dela. Escolhi um sundae e ficamos jogando conversa fora. Criei
coragem e contei tudo sobre Alice e eu. A Mari ouvia atentamente, cada
detalhe.

Mari: Laurinha, você sabe que eu não sou a melhor pessoa pra te dar
conselhos nessa hora. Mas você sabe que pode contar com a minha
companhia como sempre contou. Sou meio tonta, nem um pouco engraçada e
até um pouco chata. Mas fico do seu lado quando você precisar!

E era verdade tudo aquilo que ela tinha dito. Eu sabia que podia contar com ela
pra sempre! O caminho de volta pro apartamento da Paulinha foi tranquilo. Ela
tentou arranjar outros assuntos pra me distrair.

Mari: Agora que eu já gritei pra Paulista inteira ouvir que sou louca por você,
posso segurar sua mão?

Como das outras vezes, não respondi, apenas cedi. O engraçado é que ela
sempre me pedia quando queria fazer alguma coisa. Fomos caminhando
devagarzinho até chegarmos em frente ao prédio.

Mari: Vou te levar lá pra cima e vou embora, tudo bem?

Laura: Por mim você ficava, mas tudo bem!

Subimos, ela entrou, deu tchau pra Paulinha e pra Luiza.

Paula: Aparece mais vezes, Mari!

Mari: Pode deixar! Agora que não corro mais risco de apanhar de você, eu
apareço -- elas riram lembrando do episódio da boate.

Acompanhei-a até o elevador. Enquanto esperávamos perguntou:

Mari: Posso te ligar mais vezes?

Laura: Mariana, para de perguntar essas coisas. Você nunca foi disso!

Mari: Tá, desculpa! -- abaixando a cabeça.

Laura: Você sabe que pode me ligar quando quiser! -- disse levantando o
queixo dela, que sorriu.

O elevador chegou. Ela segurou a porta e me deu um beijo demorado no rosto


que me fez arrepiar toda.

Mari: Tchau, então. Se cuida, Laurinha. Pode me ligar também.

Laura: Tá bom! Beijo e juízo pela rua -- sorri.

Ela foi e eu voltei pro apartamento. A Paula e a Luiza pareciam tontas sentadas
no sofá me esperando entrar.

Paula: E aí? Conta!

Laura: Conta o que, filha?

Paula: Rolou?

Laura: Rolou o quê?

Paula: Ahhh, Laurinha! Para de coisa... rolou beijo?

Laura: Claro que não! Eu só sei pensar em Alice, Alice, Alice! A Mari foi uma
ótima companhia. Só isso!

Elas ficaram me zoando e eu fui me arrumar pra deitar. Assim que encostei a
cabeça no travesseiro os pensamentos voltaram: Alice! “Será que acabou tudo
mesmo?” Infelizmente eu estava sentindo que ela não ia me procurar. “Por que
ela quer tanto me tirar da cabeça? Ou será que já me tirou?”

Eu pensava coisas incoerentes. A história dela poder ter outra pessoa me


corroia por dentro. “Só pode, não é possível essa mudança repentina de
comportamento! Eu queria ter o poder de ler os pensamentos dela!”

Passei o resto do domingo com a Paulinha e a Luiza que só me deixaram ir


embora à noite, depois do Fantástico, que é quando a gente sabe que é hora
de dormir pra começar a semana.

Cheguei em casa e dei um jeito nas minhas coisas. Conversei um pouco com a
minha mãe que estava no quarto dela e dei uma olhada pelo apartamento. Não
notei nenhum vestígio da Alice. Tentei manter a calma conforme a Paulinha me
pediu. Passei na cozinha, peguei um copo de água e voltei pro meu quarto.

Sentei na cama, apoiei os cotovelos na perna e a cabeça sobre as mãos. “Eu


podia estar com ela!” Bateu uma angústia muito forte, uma dor no peito. “Por
que o amor tem que ser assim? A gente tá tão perto e ao mesmo tempo tão
longe!” Levantei num salto e saí correndo pelo apartamento em direção ao
terceiro andar.

Quando cheguei à porta, como sempre estava fechada. Eu estava bufando,


cansada, não de correr, mas de lutar contra mim mesma! A fraqueza foi
grande, as lágrimas traiçoeiras começaram novamente a rolar.

“PUTA QUE O PARIU!”

Eu não ouvia absolutamente nada. Apoiei minhas duas mãos sobre a porta e
em seguida minha testa, como se quisesse poder passar por aquela barreira
que nos separava.

Laura: Ai, Alice! Por quê? -- chorava baixo.


Num momento de profundo sofrimento, me virei e me encostei na porta,
escorregando até me sentar no chão! Há uma semana atrás estávamos em
plena sintonia. Agora eu nem sei mais que rumo tomar na vida!

“Como uma pessoa pode ter tanto poder sobre a gente? Como eu pude me
apaixonar só de olhar pra ela? Tenho certeza que foi o cheiro maravilhoso! O
jeito como aqueles olhos cor de mel me olhavam não era de mentira, não era
falsidade! Eu sei que era real e forte, como o que eu sentia!”

Lembrei dos conselhos que a Paula me deu e me levantei. Olhei mais uma vez
pra porta e desci as escadas enxugando as lágrimas. Já no meu quarto, vi a
caixinha de música e a abri. A bailarininha começou a rodopiar e as
lembranças de como a Alice dançava pra mim vieram à tona. O jeito como ela
se entregava nos meus braços, como ela me deixava levá-la pra onde eu
queria, eu sentia amor naquilo tudo!

“Não é possível ser tudo encenação!” Peguei o celular e escrevi uma


mensagem pra ela: “Sinto muito a sua falta! Vem ser minha de novo! Eu te amo
muito!” Deitei na cama com ele ao lado e tentei espantar o sono para ver se ela
me respondia. No dia seguinte acordei com o despertador. A primeira coisa que
fiz foi olhar o celular. Nada de mensagens. NADA!

Fui pra faculdade morrendo de sono e ainda zonza com toda essa situação. Na
hora do meu almoço mandei outra mensagem: “Vamos conversar?” O tempo
passou e ela não me respondeu novamente. Decidi ligar. E obviamente que ela
não atendeu! Minhas esperanças estavam zeradas. Mas eu não podia desistir!

A semana foi passando e eu, a cada dia, mais desanimada de tudo. Aquela
situação estava me matando. Bem que eu sempre ouvi: “a pior coisa do mundo
é ser ignorado”! Qualquer coisa que eu fizesse seria em vão, ela não falaria
mesmo comigo.

Era quarta-feira, horário do meu almoço, quando meu celular tocou. Mais do
que rápido olhei, pensando ser a Alice. Era a Mari! Eu estava tão desanimada
que não me deu vontade de atender. Mas pensei melhor e lembrei o quanto eu
estava sofrendo por ser ignorada. Atendi!

Laura: Oi Mari!

Mari: Oi Laurinha, tudo bom?

Laura: Aham, na medida do possível, você sabe!

Mari: Tô te ligando pra te falar que tô com dois ingressos pra aquele stand up
que você tanto queria ver. Quer ir comigo? -- disse meio tímida -- É amanhã à
noite!

Eu sabia que precisava me distrair, sair um pouco. Afinal, faziam quase duas
semanas que a Alice estava me ignorando. Decidi abrir meu coração e deixar
as coisas rolarem.

Laura: Ah, legal! Quero sim!

Mari: Sério? -- disse animada.

Laura: Simmm, tapada! -- rindo.

Mari: Eu passo te pegar então! A peça começa às 21h30, me espera às 21,


pode ser?

Laura: Tudo bem, quando chegar, me dá um toque no celular que eu desço.

Mari: Tá bom! Beijo Laurinha.

Laura: Beijo!

Eu senti a empolgação da Mari só pela voz. Eu também me animei, afinal, ela


sempre foi uma ótima companhia pra mim. Quando cheguei à construtora e me
sentei na minha mesa, recebi uma mensagem no celular: “Fiquei muito feliz por
você aceitar! Te vejo amanhã! Beijos”. Respondi a mensagem: “E eu fiquei feliz
em você me convidar! Não vejo a hora que chegue amanhã!”. E eu não estava
mentindo somente para agradá-la. ERA VERDADE QUE EU HAVIA FICADO
FELIZ!
Capítulo 46

Passei a quarta e a quinta-feira um pouco ansiosa, até que o meu expediente


de quinta chegou ao fim. Fui fazer a unha. Gostava de estar sempre com a
manicure em dia. Depois fui pra casa e, pela primeira vez, não fiquei rodando o
apartamento em busca de uma sombra da Alice. Entrei no chuveiro e tomei um
banho demorado, dessa vez quente, já que estava uma garoa fria em São
Paulo. Escolhi uma roupa mais básica. Calça jeans justa, uma blusinha roxa
coladinha, com um decote mais ou menos, e uma jaquetinha branca. Sandália
preta de salto, um pouco mais discreta. Make bem feitinho pra marcar presença
e um perfume pra acabar. Penteei o cabelo com os dedos como gostava de
fazer.

Fiquei de frente ao espelho e gostei do resultado. Foi quando notei que eu


ainda estava com o colar de coração, que selava o meu namoro com a Alice.
Até o momento eu havia esquecido que ele ainda estava no meu pescoço.
Levei minhas mãos até o fecho a fim de tirá-lo. Porém uma dor profunda no
meu peito não deixou. Lembrei-me que, no dia da discussão, a Alice ainda
usava o dela. “Ainda não quero tirar! O meu sentimento não mudou nada e o
meu coração ainda é totalmente dela”. O celular tocou e me tirou dos meus
pensamentos. Era a Mari. Dei uma geral no espelho, peguei a bolsa e dei tchau
pra minha mãe.

Quando cheguei ao portão do prédio eu vi, de longe, a Mari encostada no carro


do pai dela, um crossover preto, de braços cruzados e olhando pro lado. A
chuva tinha dado uma trégua. Quando ela me viu, descruzou os braços e
colocou as mãos nos bolsos da calça, um pouco sem jeito. Eu me espantei
totalmente de como ela estava LINDA! Uma calça jeans clarinha colada no
corpo, deixando evidente as pernas bonitas, nem saradas e nem torneadas,
mas qualquer um olharia, com certeza. Uma bota preta de couro, com alguns
detalhes em tachinhas, que ia por cima da calça. Um cinto largo, jogado pro
lado, que estava por baixo de uma regata soltinha de cor salmão.

Mas o que me causou um calor foi a jaqueta de couro preta, estilo Halley,
daquelas com uma fivela na gola, que contrastava com os cabelos ruivos. A
franja querendo cair em cima do olho direito, que estava muito bem delineado.
Um estilo totalmente diferente da Alice. Nada de menininha delicada. Eu sabia
que a Mari tinha atitude e isso estava mais que evidente na roupa que ela
vestia. Fiquei encantada com o figurino, que junto com o seu jeito, era perfeito!

Fui em sua direção. Ela me abraçou forte e me deu um beijo gostoso no rosto.
Estava cheirosa, quente e ofegante.

Mari: Vamos?!

Laura: Sim! -- sorri.

Entramos no carro e ela ficou um pouco parada, olhando pra frente e rindo pro
nada.

Laura: Ei, adorei sua jaqueta! Tá linda em você -- disse olhando pra ela.

Ela me olhou e, mesmo eu sabendo que ela estava morrendo de vergonha,


disse:

Mari: E você está maravilhosa! -- eu sorri.

Depois disso mexeu no cabelo e ligou o carro. No caminho ela não conseguia
disfarçar o nervosismo. Eu entendia porque sempre me sentia assim com a
Alice.

Laura: Tá tensa, Mari?!--– olhei pra ela que parecia fugir do meu olhar.

Mari: Não, não tô não! Impressão...

Laura: Para de coisa! -- ri e peguei na mão dela.

Mari: É que sei lá!

Laura: Tá, então me conta sobre sua faculdade, como está e tal -- tentando
descontrair.

A partir disso ela foi se soltando, contando sobre o dia-a-dia. A Mari estava
cursando Fisioterapia em outra universidade. Ela sempre gostou dessas coisas
de saúde e biologia, mas nunca teve coragem de prestar medicina, sempre
dizia que ia ficar abalada a vida toda se um paciente viesse a falecer por culpa
dela.

Chegamos ao teatro e já entramos. A peça foi muito engraçada e eu amava


aquele tipo de humor. Divertimo-nos muito, fazia tempo que isso não acontecia.
Eu estava me sentindo totalmente à vontade ao lado da Mari. O jeito como ela
cuidava de mim, de como me olhava e sorria. Era visível a felicidade em seus
olhos. E posso dizer que nos meus também era possível enxergá-la, nem que
fosse bem pouco.

Mari: Vamos comer alguma coisa agora? Tô com fome, você não está?

Laura: Vamos sim! Tô morrendo de fome também!

Mari: Vamos pro Chico Hamburguer?

Laura: DEMORÔ!

A gente amava o Chico Hamburguer. Sempre íamos juntas. Quando entramos


no carro, liguei o rádio. O meu CD preferido estava no som. Colbie Caillat. Ela
me olhou e sorriu. A Mari sabia do que eu gostava e das coisas que me faziam
bem. Ela dirigia e ficava me observando cantar baixinho. Quando paramos num
semáforo, ela pegou minha mão e deu um beijo carinhoso. Abracei o pescoço
dela e dei um beijinho no rosto.

Laura: Obrigada! -- disse no seu ouvido.

Mari: Por quê? -- ela riu.

Laura: Por ser quem você é!

Ela me olhou nos olhos e eu fui atacada por uma sensação de entrega.
Naqueles poucos segundos, meu corpo foi tomado por uma avalanche de
arrepios. Com os dedos, acarinhou o meu rosto. O semáforo abriu e só
percebemos com o nervosinho do carro de trás buzinando. Votei ao meu
banco, encostando minha cabeça e fechando os olhos. Tentando acalmar os
ânimos. A Mari olhava pra frente, compenetrada.

Chegamos ao Chico Hamburguer e logo o nosso pedido estava na mesa. Eu


amava comer com a Mari, ela me deixava brincar com a comida e ainda
achava graça das minhas babaquices. A gente nem ligava pra quem estava ao
nosso redor, apenas nos divertíamos sem vergonha.

Mari: Depois que a gente sair daqui, posso te levar num lugar?

Laura: Pode me levar pra onde você quiser!

Pagamos a conta e fui com ela pra onde eu nem mesma sabia. Chegamos à
Paulista e entramos na garagem de um prédio. A Mari abaixou o vidro do carro
e disse ao porteiro:

Mari: E aí Doug! Deixa eu só levar a minha amiga ver a cobertura? Juro que
não demoro!

Doug: E aí Marizinha! Beleza? Ó, vou deixar, mas tem que ser rapidinho, ok?

Mari: Prometo que vai ser, Doug!

Ela estacionou o carro e minha curiosidade foi maior.

Laura: Doug?!

Mari: O Douglas é amigo do meu primo há anos. Ele nos trouxe aqui um dia e
eu curti!

Pegamos um elevador e subimos até o último andar. Ela abriu uma porta de
ferro e eu pude, enfim, ter uma vista magnífica da cidade. De um lado a
Paulista e de outro o resto de São Paulo. Apoiei-me no parapeito e fiquei
olhando o horizonte, deslumbrada.

Mari: Bonito, né?

Laura: Nossa! Demais! Não sabia que daqui a gente enxergava praticamente o
mundo! -- ela riu.

Ficamos lado a lado recebendo aquele vento quase congelante. Dessa vez ela
não pediu permissão, me abraçou, como quem quisesse me aquecer. Eu
deixei, eu queria, eu precisava. Era tão bom senti-la! Virei-me, ficando de frente
pra ela, a encarando com um sorriso nos olhos! Aquele olhar me derretia toda,
me deixava entregue!
Capítulo 47

Estávamos compenetradas uma na outra. Eu não queria pensar em nada que


não fosse aquele momento. As suas mãos que estavam sobre a minha cintura,
foram subindo até as minhas costas, por baixo da minha jaqueta. Sentia seus
dedos me apertando lentamente. Ela aproximou seu rosto ainda mais do meu.
Senti seu corpo tremer.

Inconsequente, louca e totalmente seduzida. Minhas mãos que antes estavam


apoiadas no parapeito, agarraram com força a fivela da jaqueta, fazendo com
que grudasse seu corpo do meu.

Mari: Se for só pra me enlouquecer mais uma vez, você pode parando por aqui!
-- se afastou um pouco.

Com as mãos no seu pescoço a puxei com força de volta, fazendo com que
nossos narizes se tocassem. Senti as mãos me apertarem mais ainda.
Mari: Eu sou completamente doida por vo...

Calei a boca dela num beijo que nem eu mesma esperava. Minhas mãos se
enroscavam nos seus cabelos. Eu queria sentir o gosto daquele beijo de novo!
Aquela boca gostosa e macia. Sua língua me invadia com desejo, ódio e
paixão. Eu definitivamente adorava me perder nos cabelos ruivos. Da boca,
passei pro pescoço. Minhas mãos desceram até sua bunda e minha boca foi
até sua orelha.

Laura: Você que me deixa doida, Mariana!

Ela sorriu e continuou de olhos fechados. Era ótimo poder beijá-la sem culpa e
sem medo. “QUE PEGADA!” Tocava-me de um jeito que eu me entregava
toda. Dessa vez eu pude sentir melhor o seu corpo, seus toques e sua boca.
Seu corpo se arrepiando me deixava louca. Foi um beijo longo, gostoso e
louco. Suas mãos se esfregavam em mim com desespero e sua boca
procurava a minha com vontade. A gente nem sentia mais o frio. Nossos
corpos eram praticamente um só. Eu me enfiei dentro da jaqueta dela e a
abracei carinhosamente.

Mari: Laura, não precisa falar nada! Eu tenho que te dizer uma coisa, que eu
guardo há muito tempo -- sua boca roçava na minha e suas mãos seguravam
meu rosto -- EU AMO VOCÊ!

Beijei-a novamente. Dessa vez calmamente. Ela mordeu meus lábios e sorriu,
voltando a me beijar. Um beijo que não dava vontade de parar. Perdi-me
naquela boca e eu só conseguia pensar: “Ah, Mariana!”

Eu não queria abrir os olhos, não queria soltá-la. Há tempos eu me segurava


pra não perder o juízo, mas naquela noite eu queria. O beijo foi parando
lentamente. Ela olhou nos meus olhos e eu sorri. Não a larguei!

Laura: Por que você não me contou antes? -- perguntei parecendo não
acreditar no tempo que havia perdido em não ficar com ela.

A Mari abriu um sorriso tímido, me abraçou e aproximou a boca no meu ouvido.


Respirou fundo e começou a cantarolar bem baixinho:

“I miss those blue eyes


How you kiss me at night
I miss the way we sleep

Like there’s no sunrise


Like the taste of your smile
I miss the way we breathe

But I never told you


What I should have said
No, I never told you
I just held it in

And now,
I miss everything about you
Can’t believe that I still want you
and after all the things we’ve been through
I miss everything about you
Without you

I see your blue eyes


Everytime I close mine
You make it hard to see
Where I belong to
When I’m not around you
It’s like I’m alone with me

But I never told you


What I should have said
No, I never told you
I just held it in

And now,
I miss everything about you
Can’t believe that I still want you
and after all the things we’ve been through
I miss everything about you
Without you

But I never told you


What I should have said
No, I never told you
I just held it in

And now,
I miss everything about you
Can’t believe that I still want you
and after all the things we’ve been through
I miss everything about you
Without you”

Fechei os olhos, apoiei meu queixo no seu ombro e fiquei ouvindo. Senti o seu
coração bater acelerado, como se fosse sair pela boca. Comecei a me lembrar
de coisas que vivemos juntas, como quando matávamos aula e íamos ao
metrô. Entrávamos num vagão vazio e quando ele começava andar corríamos
e pulávamos, nos pendurando nas barras de apoio. Ficávamos balançando até
a estação seguinte, quando começava tudo de novo. Só a gente achava graça
nisso, só a gente ria. Lembrei as vezes que dividíamos um pirulito e as outras
meninas achavam o cúmulo da nojentisse. Fazíamos questão de lamber e
passar uma pra outra na frente de todo mundo só pra rir da cara do pessoal.
Foi quando, com um beijo no rosto, ela me acordou da viagem.

Laura: Amei a música! -- ela me viu com os olhos cheios de lágrimas causadas
pelas lembranças de nós mesmas.

Mari: O que foi?

Laura: Enquanto você cantava, eu lembrava as coisas que a gente sempre


fazia juntas! Do metrô e das nossas frescuras! Só me emocionei!

Mari: Ei! A gente vai continuar fazendo tudo que a gente sempre fez! -- me
apertando forte nos braços dela.

Beijei sua boca de olhos abertos, pra reparar como aquela garota era linda! Eu
estava ficando viciada naquele beijo, em como encostava o seu rosto no meu,
parecendo querer me ter por inteira. Ela abriu um pouquinho os olhos e se
assustou.

Mari: Por que você tava me olhando? -- perguntou desconfiada.

Laura: Porque você é LINDA!

Vi seu rosto ficar completamente vermelho. Ri da cara dela e apertei sua


bochecha. Encheu-me de beijos na boca e no rosto. Era tão gostoso ficar nos
seus braços.

Mari: Acho que temos que descer, senão o Doug vai ficar puto comigo!

Laura: Vamos então!

Ela segurou na minha mão e a outra colocou no bolso da jaqueta. Eu a olhava,


encantada com o jeito autoritário que ela tinha, andando com o nariz empinado
e os cabelos contra o vento. Abriu a porta e deixou que eu entrasse primeiro.
Chamamos o elevador e logo estávamos na garagem novamente. Durante o
trajeto não trocamos nenhuma palavra, somente olhares e risos. Entramos no
carro e ficamos sentadas, mudas. A gente não acreditava nos minutos
maravilhosos que havíamos passado juntas. Eu precisava ser sincera com ela
do mesmo jeito que estava sendo comigo.

Laura: Mari, eu preciso te falar uma coisa.

Mari: Pode falar, Laurinha -- me olhando meio apreensiva.

Laura: Você sabe que eu amo a Alice -- abaixei a cabeça.

Mari: Eu sei, eu sei! Eu não devia ter feito nada -- desapontada.

Laura: NÃO! Não é isso! Eu queria dizer que apesar de eu amá-la, eu adoro
estar com você, ficar com você!
Ela ficou me olhando, com aqueles olhos maravilhosos, como se me pedisse
para continuar.

Laura: Eu só preciso que você tenha um pouco de paciência comigo. Essa


minha história é muito recente, preciso que você seja um pouco tolerante em
alguns momentos...

Mari: E? -- já se mostrando ansiosa.

Laura: Porque eu não quero que isso que aconteceu termine essa noite!

Ela estava imóvel, não acreditando no que eu dizia. Aproximei-me de seu rosto,
fiz um carinho com os dedos e lentamente beijei a boca que me fascinava. Ela
correspondeu passando a mão sobre os meus cabelos.

Eu não tinha planejado dizer nada daquilo. Eu apenas precisava falar a


verdade. E a verdade era que eu não estava mais conseguindo me segurar
perto dela. Fui sincera quando falei sobre a Alice, mas eu sentia uma coisa
muito forte pela Mariana que eu não conseguia explicar naquele momento.

Laura: Depois daquele dia na faculdade, do primeiro beijo, eu tinha que ficar
me segurando ao seu lado. Eu sinto uma atração muito forte que admito que
não sei o que é, Mari!

Mari: Não precisa ficar explicando nada! Eu só peço que seja sempre sincera
comigo. Você sabe o que eu sinto por você, que eu quero ficar com você! Eu
sei que não foi pelo que aconteceu que estamos namorando. Mas pelos meus
sentimentos, seja sincera quando não quiser mais me ver, só peço isso! -- dizia
me olhando firme nos olhos.

Laura: Eu nunca seria capaz de te enganar ou de brincar com você! Se estou


falando isso agora é porque é o que eu tô sentindo! Você me faz bem. O que
vai acontecer amanhã ou depois eu não sei, mas eu adoro ficar com você!

Mari: Então chega de papo, vamos aproveitar enquanto estamos juntas HOJE!

Ela me puxou novamente e me deu um selinho. Ligou o carro e saímos.

Mari: Valeu Doug!

Doug: Sempre às ordens, Marizinha. Manda um salve pro seu irmão!

Mari: Pode deixar. Essa noite você fica comigo!

Laura: Eu não tinha cogitado outra possibilidade, senão isso!

Capítulo 48
Ela acelerou o carro fazendo uma cara de má. Como ela estava linda com
aquela jaqueta de couro, toda invocada! Liguei o som e sintonizei numa rádio
mais animada. A gente cantava alto, dançávamos e andávamos sem destino
pela cidade. Agarrava-me ao seu pescoço e mordia sua bochecha.

Paramos num semáforo e um cara do carro ao lado abaixou o vidro e foi logo
dizendo pra Mari: “NOSSA! QUE GOSTOSA!”. Ela riu e eu, num ato totalmente
insano, abri o vidro dela e gritei pro cara: “TAMBÉM ACHO!”. Puxei-a pra mim
e lhe beijei a boca, mordendo seus lábios e em seguida fechando o vidro! Ela
riu e arrancou com o carro, a gente só ouviu o babaca gritando:
“UHUUUUUUUUU!”. A gente gargalhava.

A Mari nem sabia onde me levar. Só ficávamos rodando de carro, olhando as


pessoas na rua e dando uns beijos. Quando de repente eu ouvi o meu celular
apitar. MENSAGEM! Ela me olhou, mostrando apreensão.

Laura: Peraí, deixa eu ver quem é!

Eu também fiquei meio nervosa. Peguei o celular na bolsa e abri a mensagem!


UFA! Era da Paulinha: “ei Laurinha, eu sei que tá tarde, mas queria saber se
você está bem. Beijinhos amore!”.

Laura: É da Paulinha! -- sorri aliviada. Ela também -- Vou ligar zoando com a
cara dela!

Disquei...

Paula: Tá acordada ainda, Laurinha?

Laura: Tô, e você me atrapalhou com essa mensagem!

Paula: Como assim? Não entendi!

Laura: Interrompeu o meu primeiro encontro, digamos, romântico com uma


pessoa! -- a Mari ficou totalmente sem graça.

Paula: Tá louca, filha?

Laura: É sério, fala com ela!

Mari: Não! Não quero falar com a Paula, pelo amor de Deus -- falando baixinho.

Laura: Vai, larga de frescura! Não percebeu que eu te assumi pra minha
amiga? -- fazendo cara de dengo.

Mari: Oi Paulinha, tudo bem? (...) Beleza também! (...) Pois é! (...) Valeu, beijos!

Passou o celular pra mim de novo.

Laura: Oi chulé, agora sai do meu pé!


Paula: Aeeeeeeeeeeeee, Laurinha! Beija muito essa ruiva gostosa!

Laura: Olha o respeito, Paulinha! Tá no viva voz, viu?

Paula: Ai, desculpa, era só brincadeira! -- eu ri demais do jeito dela.

Laura: É mentira, babaca! E deixa pra mim que você sabe que não deixo a
desejar, meu bem! Beijos...

Paula: Beijos! -- desligou rindo.

Mari: Não quero te levar pra casa, Laurinha!

Laura: Então não me leva!

Mari: Vamos pra minha casa?

Laura: Hoje eu vou pra onde você for!

Ela dirigiu até o prédio que morava e subimos para o apartamento. Entramos
de mansinho. Estava um silêncio total, todos deviam estar dormindo, afinal, já
era tarde.

Fazia um bom tempo que eu não ia à casa da Mari. Quando entrei no quarto,
muitas lembranças vieram à tona, nossas tardes estudando, nossas bagunças,
as vezes que assistimos a filmes e mais filmes. Fiquei ali, próxima à porta, em
pé, observando cada detalhe daquele lugar que eu conhecia bem.

Mari: Oi? -- acenando na minha frente e sorrindo -- Que foi?

Laura: Nada, tava só olhando, me lembrando de muita coisa!

Mari: Hum! Senta aqui! -- se sentando na cama e batendo com a mão no


colchão.

Sentei-me ao lado dela, que pegou devagarzinho a minha mão. Ficamos nos
olhando, compenetradas em nossos pensamentos. A Mari sempre foi minha
amiga, desde pequenininhas mesmo, eu sabia todos os seus sonhos, seus
medos, suas vontades. Mas agora ela parecia um grande mistério pra mim. Era
surreal tudo aquilo, eu ficando com uma das minhas melhores amigas.

Ao mesmo tempo, me sentia extremamente bem e confortável ao seu lado,


protegida e amparada. Ela sabe que sempre teve um lugar muito grande no
meu coração, mas ali eu não sabia qual o tipo da grandeza desse sentimento.

Mari: Já disse que acho seu cabelo lindo? -- passando os dedos sobre ele, me
tirando do transe.

Laura: E eu acho você inteira linda! -- ela ficou sem graça, com as bochechas
rosadas.

Mari: Ei! Tem uma coisa aqui que eu acho que você vai adorar!

Laura: O quê?

Mari: Peraí, vou pegar!

Deu um selinho, se levantou e foi em direção à porta.

Mari: Já volto!

Depois de uns cinco minutos, voltou com uma taça de sorvete na mão!

Mari: Aquele de cereja que você gosta! E ainda coloquei cobertura de


chocolate e mais algumas cerejas extras! -- disse sorrindo.

Laura: Uaaauuu! ADORO! Vem comer comigo, vem!

Ela trancou a porta novamente e se sentou na cama. Eu me encostei nela e


comecei a tomar o sorvete. Ela comia junto.

Laura: Nossa, amo esse sorvete! Tá muito bom!

Mari: Eu sei que você gosta!

Peguei a colher com um pouco de sorvete e melequei a boca dela, que sorriu.
Devagarzinho me aproximei e lambi cada cantinho que estava sujo. Percebi ela
se arrepiar inteira e apertar a minha cintura.

Mari: NOSSA!

Laura: MUITO BOM esse sorvete nessa boca!

Peguei uma cereja e coloquei na sua boca. Assim que a mordeu aproximei
meus lábios do seu e beijei-a calmamente sentindo aquele gosto maravilhoso
na sua língua. Calmamente coloquei a taça no criado mudo e a continuei
beijando. Sua boca me deixava louca. “QUE BEIJO É ESSE??? ALGUÉM
PODE ME RESPONDER???”

Com uma força sem igual me pegou pela bunda e me colocou no seu colo,
ajoelhada, de pernas abertas.

Mari: Você é muito GOSTOSA, Laura!

Laura: E você é uma DELÍCIA, Mari!

Segurei com força a gola da sua jaqueta, devorando a sua boca. Suas mãos
alcançaram as minhas costas, debaixo da minha blusa. Quando seus dedos
tocaram a minha pele de leve senti aquele forte arrepio subindo a minha
espinha, um efeito típico que ela proporcionava em mim. Desarrumava seus
cabelos tirando-os dos olhos e jogando-os para trás. Seu cheiro, seu toque, a
pegada que me deixava louca e rendida.

Suas mãos abertas e firmes pareciam me tomar por inteira, resultando em


gemidos baixinhos, meus mesmo! Ela realmente me conhecia, realmente sabia
como me pegar, me apertar e morder o meu pescoço.

Percebi o amasso ficando cada vez mais quente... e gostoso! Eu não queria
parar com aquilo, mas uma sensação de perigo maravilhosa tomava conta da
minha cabeça.

Laura: Mari -- disse baixinho no seu ouvido.

Mari: Ai Laura! -- praticamente gemendo no meu.

Laura: Seus pais!

Mari: Desencana! Vem aqui, vai!

Dizendo isso me jogou na cama e subiu sobre mim, com o tesão estampado
nos olhos. Eu não pude resistir, amoleci inteira nos seus braços que
seguravam com força o meu pulso. Vendo-me totalmente rendida, soltou as
minhas mãos e começou a passear sobre a minha barriga e a minha bunda
enquanto cheirava, lambia e chupava o meu pescoço. Fechei os olhos
permitindo seus toques ousados. Levei a cabeça para trás e puxei seus
cabelos, dando mais espaço para fazer o que ela bem entendesse.

Não conseguindo mais conter a minha vontade e o meu tesão, tirei sua jaqueta,
deixando a mostra os ombros largos e macios. Mordi de leve um deles e
apertei as suas costas, ganhando um gemido gostoso no meu ouvido.
Calmamente fui descendo minhas mãos, até que alcancei seu cinto. Tirei-o
com a maior tranquilidade do mundo.

Ela cessou o amasso, me olhou e sorriu, prevendo o que iria acontecer. Sorri
de volta e, pegando o cinto com as duas mãos, passei-o entre suas costas e a
puxei com força, fazendo com que caísse inteira sobre mim.

Laura: Quero ser sua, Mari! -- disse no seu ouvido.

Com uma pressa mais do que evidente, tirou a minha jaqueta com violência,
enquanto mordia meus lábios com força, fazendo com que minha calcinha
ficasse extremamente molhada!

Laura: Hum, que delícia! -- disse gemendo, apertando sua bunda por dentro da
calça.

Ela ficou louca. Rapidamente tirou a minha blusa e desabotoou a minha calça.
Fiz o mesmo deixando somente de sutiã. Abaixei de leve a sua calça e pude
ver a pontinha da sua calcinha. “AFF! O QUE É ISSO? UMA LINGERIE
PRETA! SENHOR!!!’’

Não me contive somente com a pontinha, eu queria vê-la por completo naquela
lingerie. Tirei sua calça, ao mesmo tempo que ela tirava a minha. Um
desespero, uma vontade imensa de possuir aquele corpo inteiro. Ainda em
cima de mim ela parou e me olhou dos pés à cabeça. Segurei sua cintura de
leve e fiz o mesmo. “GENTE, QUE LINGERIE É ESSA, POR FAVOR? OU
MELHOR, QUE MULHER É ESSA?”

A pele branca contrastava perfeitamente com a roupa íntima totalmente


sensual. Olhava-a fixamente enquanto minhas mãos subiam até suas costas e
lentamente desciam até a sua bunda, a apertando com tesão.

A Mari estranhamente se levantou um pouquinho, ficando de joelhos, com as


pernas abertas sobre mim, e pegou a taça de sorvete no criado mudo.
Calmamente, mas para mim, totalmente sensual, colocou a colher na boca e
lambeu com vontade. Louca em ver aquela cena, mordi os lábios, me
arrepiando inteira.

Ela, então, encheu a colher novamente e, devagarzinho, colocou o sorvete


sobre a minha barriga. Sentindo o gelo tomando conta da minha pele, me
contorci toda. Ela sorriu com malícia e aproximou sua boca, lambendo e
chupando todo o sorvete. O contraste do frio com sua língua fervendo fez com
que uma sensação totalmente nova percorresse meu corpo... MARAVILHOSA!
Segurei sua cabeça, fazendo-a lamber com força.

Novamente ela se levantou, sorriu e encheu a correr de sorvete.

Laura: AH! MARI! -- disse baixinho, mordendo novamente os lábios.

Dessa vez ela jogou o sorvete sobre o meu colo, próximo dos meus seios.
Deixando-o escorrer um pouco sobre a minha barriga, veio de baixo para cima,
lambendo, sugando, chupando toda a minha pele. Eu não me aguentava de
tanto tesão, meu corpo estava todo arrepiado e meu sexo suplicando pelo seu
toque. Mas naquele momento ela mantinha a calma e degustava o quanto
podia de mim. Chegou com a língua bem próxima dos meus mamilos, por
debaixo do sutiã, me fazendo sofrer MARAVILHOSAMENTE de vontade.

Laura: Você quer me deixar louca, Mariana!

Ela sorriu e se aproximou dos meus lábios, me beijando loucamente com a


boca gelada. “AH! QUE DELÍCIA!” Não aguentando mais de tanto tesão e
vontade de lhe tomar em minha língua, a virei rapidamente, trocando de
posição comigo. Ela sorriu com safadeza e eu dei mais uma olhada naquela
lingerie preta, maravilhosa!

Peguei a taça novamente, enquanto ela enroscava seus dedos em meus


cabelos. Despejei todo o sorvete desde o seus seios até a sua barriga, bem
pertinho do seu sexo. Com vontade levei a boca até seus seios, enquanto
minhas mãos tiravam seu sutiã. Sugava seus mamilos, mordia, lambia,
enquanto ela gemia baixo no meu ouvido. Depois de tomá-los por muito tempo,
fui descendo por toda sua barriga, seguindo o caminho do líquido gelado.

A Mari curvava todo seu corpo para trás, deixando evidente a vontade que
estava de eu possuí-la. Foi quando, finalmente, cheguei à calcinha. Ela não se
aguentava mais. Pulei a peça íntima propositalmente, levando minha boca até
suas coxas. Ela puxava meus cabelos e gemia baixo quando toquei meus
lábios em sua virilha. Apertava sua bunda com vontade e passava minha boca
em seu sexo por cima da calcinha.

Mari: Vai, Laura! -- ela finalmente disse alguma coisa -- VAI!

Com os dentes, puxei sua calcinha, tirando-a de uma vez. Minha língua invadiu
seu sexo com força, tesão, violência, fazendo com que ela se contorcesse
inteira. Chupava, lambia e alternava com os meus dedos. Quando a penetrei,
senti o seu corpo se enrijecendo ao mesmo tempo que soltou um gemido mais
alto. Logo relaxou e eu continuei com os movimentos. Ela estava totalmente
molhada e seu gosto era inexplicavelmente DELICIOSO!

Ela mesma começou com os movimentos sobre a cintura, rebolando


timidamente. Aumentei a intensidade dos chupões e ela gozou
demoradamente. Fui subindo devagar, lambendo todo o seu corpo amolecido.
Quando estava degustando mais um pouco dos seus seios, ela me puxou com
força para cima, tirando rapidamente meu sutiã e minha calcinha. Em seguida,
me apertou, fazendo com que nossos sexos se tocassem. Senti meu corpo
tremer, juntamente com o dela, que me olhou nos olhos fixamente.

Laura: GOSTOSA! -- apertando o meu sexo contra o dela.

Sentindo aquele contato perfeito, fechou os olhos, jogou a cabeça para trás e
me puxou ainda mais contra ela. Notando que havia gostado, comecei a
rebolar e ela já gemia novamente. Passava as mãos por todo o meu corpo, o
que me deixava louca. Apertava a minha bunda e também já se movimentava
embaixo de mim. Sem muita demora, gozamos juntas. Sussurrava no seu
ouvido e lambia sua orelha.

Mari: Quero fazer você sentir o mesmo!

Virou-me fazendo com que eu ficasse deitada na cama. Olhando-me nos olhos,
penetrou seus dedos no meu sexo, fazendo com que eu arranhasse toda sua
costa. Eu estava mais do que molhada, encharcada. Lambia meus seios com
vontade, tesão, demoradamente, enquanto de olhos fechados eu delirava com
seus movimentos. “AH! MARIANA! GOSTOSA!”

Descendo devagarzinho, alcançou meu sexo com sua língua, o qual tomava
com vontade. Mordia de levinho, me deixando louca. Não demorou muito e eu
gozei para ela, que não se cansava e continuava se aproveitando de mim. Foi
subindo calmamente, até que alcançou novamente a minha boca, num beijo
quente, desejado, forte e gostoso! “DELIRANTE! QUE TRANSA FOI ESSA???”
Mari: Laura! -- sussurrou, segurando o meu rosto -- VOCÊ DEFINITIAMENTE É
UMA DELÍCIA! -- eu ri.

Laura: Juro que não fazia ideia dessas suas habilidades! -- brinquei com ela.

Mari: Nem eu sabia! Já estava desacreditava que iria perder a virgindade com
você!

Laura: PUTA MERDA! Você ainda é virgem?

Mari: Até o presente momento eu ERA! -- ela sorriu.

Laura: Mas e a Bruna?

Mari: Que Bruna que nada!

Laura: Eu vi você nua com ela, ué! Eu mesma dei banho em você!

Mari: Eu tava completamente bêbada, não conseguia nem me mexer, ela até
tentou, mas eu sou chata, o máximo que ela fez foi tirar minha roupa!

Laura: Hum! Sei, sei!

“COMO EU NUNCA PERCEBI ESSA GAROTA?!”.

Capítulo 49

A noite voou e a gente aproveitou cada minuto dela. Acabamos não dormindo.
Quando o dia estava clareando, tomamos um banho e ficamos mais um pouco
deitadas na cama da Mari, fazendo carinho uma na outra.

Mari: Agora que o sol vai nascer, não me diz que tudo foi um sonho!

Laura: Boba, para de coisa! -- fiquei sem graça.

Mari: Vou te acompanhar até a faculdade, pode?

Laura: Claro!

Mari: Eu sei que a noite ainda nem acabou direito, mas você quer fazer alguma
coisa comigo esta noite também?

Laura: Será que a gente aguenta? Não dormimos nada! -- provoquei.

Mari: Então se você quer dormir, dorme comigo essa noite? -- ela riu.

Laura: Se eu tiver com você, não vou querer dormir!


Mari: Então você topa fazer alguma coisa hoje?

Laura: Vou precisar consultar minha secretária e depois te ligo, pode ser? -- ela
riu olhando pro teto.

Mari: Larga de ser convencida, garota. Fala logo que você não vê a hora de me
ver de novo!

Laura: Depois eu quem sou convencida! -- ela ria.

Mari: Última vez que vou perguntar e vou ser direta: quer ficar comigo essa
noite?

Laura: CLARO QUE QUERO!

Eu não hesitei em responder. Era verdade mesmo, eu não precisava ficar


fazendo charminho! Feliz com a resposta, me deu um beijo gostoso na boca e
ficamos grudadas, até dar a hora de tomar café. Fomos pra cozinha e os pais
dela já estavam sentados à mesa tomando o café.

Andréia (mãe da Mari): LAURINHA, que surpresa! Não sabia que você estava
aí com a Mari.

Laura: Bom dia, dona Andréia! Como vai? -- a cumprimentei com um beijo no
rosto -- Bom dia seu Bernardo! -- cumprimentei o pai dela também.

Bernardo: Bom dia, Laurinha! Que gostoso ter você aqui com a gente já cedo! -
- ele sempre foi muito agradável.

Andréia: É, querida, você deu uma sumida! Tô feliz em te ver aqui.

Laura: É, Dona Andréia, muita coisa pra fazer! Ontem eu e a Mari saímos um
pouco e como estendemos a conversa ela me convidou pra dormir aqui.

Andréia: Sinta-se em casa, você sabe que pode vir quando quiser!

Laura: Obrigada.

Tomamos café num clima bem descontraído. Minha mãe me ligou me


escalando por eu não ter avisado que ia dormir na Mari e eu admiti que me
esqueci. Em seguida, fomos pro metrô.

Laura: Só não brinco de pular com você porque tô de salto! -- nós ríamos.

Naquele horário também nem dava pra brincar, era lotado de gente. Chegamos
à faculdade e ela foi comigo até a minha sala.

Dani: E aííí Mariana, beleza? -- gritando de longe.

Mari: TUDO ÓTIMO! -- olhando pra mim.


Dani: O que você tá fazendo aqui?

Mari: Vim acompanhar a Laurinha, ela dormiu em casa ontem!

Dani: Ahhh legal!

Mari: Bom, gente, eu preciso ir. Também vou pra aula. Te vejo mais tarde,
Laurinha!

Laura: Tááá! -- respondi a olhando encantada.

Dani: Ahhh e eu? Você não vê mais tarde?

Mari: NÃO! -- riu da cara dela -- Tô brincando! É que a Laura vai me ajudar em
algumas coisas, que depois te conto.

Deu tchau pra Dani e um abraço bem apertado em mim. Vi-a se distanciando
no corredor até que a perdi de vista. Fui pro meu lugar pra assistir a aula. Pra
falar a verdade, eu não prestei atenção em bulhufas, estava sem material
mesmo. Fiquei pensando no quanto aquela noite tinha sido especial e no
quanto eu tinha gostado de ficar com a Mari.

Peguei-me pensando algumas vezes na Alice, em como o nosso


relacionamento havia ficado mal resolvido. “Será que eu estou dividida?”

Uma coisa eu sabia: agora o sentimento bom era bem superior ao mal estar
que eu ainda sentia. É claro que eu não iria esquecer a Alice da noite para o
dia, afinal, o tempo que passamos juntas foi arrebatador. E eu tentei voltar pra
ela, juro que tentei, mas ela só me ignorava. A Alice fez com que eu deixasse a
Mariana se aproximar.

Na verdade eu não sabia o que queria. “E se a Alice me ligasse querendo


voltar?” Eu realmente não saberia o que fazer. Tinha deixado bem claro pra
Mari que eu ainda amava a Alice, mas ela estava me machucando muito me
ignorando.

“E ela vai voltar pra Europa e, pior, é fora de cogitação ela aceitar que eu vá
junto!” Peguei-me pensando novamente em como ela havia mudado de
comportamento em tão pouco tempo. A Alice havia se tornado uma dúvida pra
mim, enquanto a Mari se transformou numa certeza!

Dani: Ei! Não vai embora não?

Laura: Por que ir embora?

Dani: Querida, bom dia! Telesp informa: são 12 horas!

Laura: Nossa, você desenterrou essa, fala a verdade!


Levantei e fui saindo com a Dani.

Dani: Você tá com uma cara de pateta hoje! Que foi?

Laura: Nada, só não dormi direito.

Dani: A Mari ficou te enchendo durante a noite?

Laura: Não, não! É que fomos dormir tarde mesmo -- mal sabe ela que eu nem
dormi ainda.

Despedi-me da Dani e fui almoçar para, depois, ir trabalhar. Durante o almoço


meu celular tocou.

Mari: Oi Laurinha!

Laura: Oi linda! -- sim, eu fiquei feliz!

Mari: Tava pensando, o que você acha de eu alugar alguns filmes e assistirmos
aqui em casa? Eu posso fazer aquela pipoca com queijo que você adora! -- que
fofa!

Laura: Jura que faz a pipoca com queijo?

Mari: JURO!

Laura: Então tá, eu vou sim!

Mari: Então eu te espero! Vem logo, tá?

Laura: Tá bom, garota ansiosa!

Mari: Posso te falar uma coisa?

Laura: Fala linda!

Mari: Não vejo a hora de beijar a sua boca de novo!

Laura: E como você sabe que eu vou deixar?

Mari: Eu tenho certeza que vai... senão não faço pipoca!

Laura: ENTÃO EU DEIXO! -- ela riu.

Mari: Beijos... bom trabalho!

Laura: Brigada, beijos!

Meu almoço não rendeu, pois logo que a Mari desligou, o celular tocou
novamente.
Laura: Fala, Paula fofoqueira!

Paula: Por que fofoqueira?

Laura: Tenho certeza que você ligou pra saber de ontem à noite!

Paula: Claro, bem! Sou sua melhor amiga e, além disso, uma pessoa
curiosíssima!

Laura: Paula! Meu! Foi MARAVILHOSO! -- disse rindo.

Paula: Você tá zuando?

Laura: Claro que não! Eu tô curtindo ficar com a Mari!

Paula: Como foi? Contaaa!

Laura: Ah! Vou tentar resumir! Nós fomos assistir a uma peça de teatro e
depois comer no Chico Hamburguer. Aí ela me levou num lugar sensacional,
era uma cobertura de um prédio da Paulista. Eu não aguentei e a beijei! A partir
daí a gente ficou a noite toda juntas, e eu fui dormir na casa dela!

Paula: Dormir só de dormir, ou dormir de safadeza?

Laura: Na verdade eu tô sem dormir até agora... enfim, ela perdeu a virgindade!

Paula: NÃO ACREDITOOOO! Você é foda mesmo, Laurinha!

Laura: Ai Paulinha! Eu acho que tem mais que tesão nessa história!

Paula: La la la la la.... tem gente que tá apaixonada?

Laura: Não, isso não! Eu ainda amo a Alice! Mas a Mari tá sendo a companhia
perfeita. Bom, amore, eu tenho que acabar de almoçar senão não chego na
construtora hoje!

Paula: Tudo bem, o que vai fazer à noite?

Laura: Hum! Nem te conto! -- ria com safadeza.

Paula: Eu tô começando a achar que a foda da história é a Mariana! -- riu alto.

Laura: Ela é foda mesmo, você não tem noção! Mas sério, vou ficar na casa
dela hoje, vamos ver filme!

Paula: Força então, Laurinha, qualquer coisa você me liga!

Laura: Beleza! O que você acha de fazermos alguma coisa amanhã? Tipo um
barzinho ou algo do gênero? Eu e a Mari e você e a Luíza?
Paula: Demorô, me liga pra gente combinar! Beijos!

Laura: Beijos!

Trabalhei a tarde toda sem parar, pra ver se o tempo passava rápido. Depois
do expediente fui pra casa e tomei mais uma gelada da minha mãe. Dessa vez
avisei que iria dormir na Mari. Na verdade, eu nem sabia se ia, mas já deixei
avisado. Tomei um banho demorado e coloquei uma roupa mais à vontade.
Uma calça jeans escura, mas larguinha, um moletom listrado de vermelho claro
e escuro e um tênis branco. Passei um perfume que eu sabia que a Mari
gostava e penteei os cabelos com a mão, do jeito que a deixava louquinha.

Arrumei uma mochila com algumas roupas (suficiente para o final de semana
todo, sempre fui exagerada) e minha nécessaire. Dei um beijo na minha mãe e
pedi para qualquer coisa ela me ligar no celular. Peguei um táxi em fui pra casa
da Mari, pois mesmo sendo pertinho, eu tava morrendo de preguiça.

O porteiro já me deixou subir. Quando cheguei ao hall ela estava me


esperando na porta do apartamento. Deu-me um abraço e um selinho na boca.

Laura: Louca! Alguém pode ver!

Mari: Que nada, meus pais estão entretidos com os amigos, jogando poker, e
meu irmão saiu com a namorada.

Ela estava tão linda com uma calça de moletom preta e uma camisetinha cinza.

Laura: Trouxe minha mochila, o que quer dizer que tô preparada pra qualquer
coisa hoje! -- eu não tinha vergonha da Mari. Sempre frequentei a casa dela.

Mari: Então você vai dormir comigo?

Laura: Se você quiser, SIM!

Mari: Eu não ia deixar você ir embora mesmo... Ainda bem que você é realista!
-- sorriu.

Pegou minha mão e entramos. Ela me apresentou aos amigos dos pais e eu
cumprimentei todos. Avisou a mãe que íamos ver filme no quarto e fomos pra
lá. Nem sequer entramos e ela já foi me agarrando.

Mari: Que saudade do seu cheiro, do seu cabelo, de você toda! Meu dia foi um
martírio, esperando pra te ver -- ela me pegava forte, gostoso, em seus braços.

Laura: Mata a vontade então!

Beijou-me com um desejo que parecia guardado há milênios! E quase me


matou com aquela boca maravilhosa.
Laura: Cadê a minha pipoca?

Mari: Mas já tá cobrando o pagamento?

Laura: Claro!

Mari: Tá, vou lá fazer!

Laura: Para boba, é mentira! -- a puxei de volta -- Eu aceito beijos em troca!

Ela me levou pra cama e deitou ao meu lado. A gente nem queria assistir a
filme. Só de estarmos juntas bastava. É difícil explicar o que eu sentia quando
estava com ela. É como diria Lulu: “Eu experimentei uma sensação que até
então não conhecia, de se querer bem, de se querer quem se tem! Ela me faz
tão bem, ela me faz tão bem, que eu também quero fazer isso por ela!”

Capítulo 50

Naquele instante eu reconheci novamente a Mari de tempos atrás, carinhosa e


companheira. Enquanto ela me olhava, pensei em como eu devia ter sido
egoísta esse tempo todo com ela! Deitamos uma de frente pra outra. Ela mexia
no meu cabelo de um jeito que as pontas dos dedos massageavam a minha
cabeça. Eu fechava os olhos e esboçava um riso. Era muito bom estar junto e
me sentir amada do jeito que ela me fazia sentir.

Laura: Posso te perguntar uma coisa?

Mari: Claro! -- me olhou nos olhos.

Laura: Com quantas meninas você já ficou?

Mari: Só com a Bruna!

Laura: Só? Achei que já tivesse ficado com alguma outra.

Mari: Não, foi só com ela e se eu pudesse voltar atrás nem tinha ficado.

Laura: Por quê?

Mari: A gente não tem nada a ver! A Bruna é legal, mas foi num momento de
desespero que fiquei com ela.

Laura: Desespero?

Mari: Eu não gosto muito de falar sobre essas coisas que já passaram. Mas
aquele dia que a gente passou a tarde na piscina da cobertura e eu voltei pra
pegar o celular, vi vocês quase se beijando. Então à noite eu fui sozinha pra
uma boate LGBT e conheci a Bruna e várias outras meninas. Decidi que eu
precisava fazer alguma coisa pra tentar sair da fossa, então fiquei com ela. Mas
não foi legal, porque não era a pessoa que eu queria.

Laura: Hum... É só curiosidade mesmo!

Mari: E você? Com quantas já ficou?

Laura: Só a Alice e você! Ah! E eu dei um beijo de brincadeira na Paula um dia,


mas foi um beijo bobo, de zoeira mesmo.

Mari: Olha essa Paula, que safada! -- ela riu.

Laura: Mas nada a ver, a gente é amiga!

Mari: Eu sei, eu sei!

Laura: Posso só te perguntar mais uma coisa?

Mari: Pergunta o que você quiser!

Laura: Aquele dia da piscina que você esqueceu o celular foi de propósito?

Mari: Foi! Mas eu jurava que não ia ver nada de mais, me ferrei!

Dei um beijo na boca dela e ficamos ali, grudadas por um bom tempo. Eu não
cansava de olhar naqueles olhos maravilhosos. Ela passou o dedo sobre a
minha boca dizendo:

Mari: Você não tem noção do quanto eu tinha vontade de beijar a sua boca!

Eu lambi o seu dedo e a senti arrepiar-se toda. Apertei sua cintura e a beijei
ficando em cima dela, que pegava forte na minha bunda. Suas mãos eram
muito boas e me deixavam louca rapidinho. Eu beijava com vontade, invadindo
e explorando sua boca inteira. A respiração dela começou a ficar mais ofegante
e as bochechas avermelhadas. O jeito como ela me pegava era inexplicável, eu
parecia caber inteira em suas duas mãos. Percebi que o amasso estava
ficando mais quente e ousado.

Laura: Calma, seus pais estão acordados ainda! -- disse tentando me segurar.

Mari: E daí?

Laura: Louca, alguém pode bater aqui!

Mari: Eu não ligo, podem derrubar a porta que eu não deixo você sair daqui!

Laura: Se você não cooperar, eu vou acabar perdendo a cabeça! -- disse


sorrindo.

Mari: É exatamente isso que eu quero!


Retornei ao beijo. Eu realmente não ia conseguir parar tão facilmente. Minhas
mãos percorriam o seu corpo de cima a baixo. Dentro da camisetinha, senti sua
cintura desnuda, quente. Ela alcançou minhas costas e apertava com a ponta
dos dedos com força. Com a mão aberta me massageava contra ela. Minha
boca desceu até seu pescoço. Cheirava seu cabelo e lambia sua orelha.

Mari: Eu sou louca por você! -- gemeu no meu ouvido.

Desabotoou a minha calça e apertou minha bunda com as duas mãos. Subindo
a sua blusa, alcancei seus seios, que mesmo com o sutiã, eu podia sentir que
estavam esperando pela minha boca. Tirei sua camiseta e o sutiã, jogando-os
para o lado. Perdi-me beijando aquele colo maravilhoso. Com os dedos
alcançou o meu sexo e o tocou com vontade, não me deixando outra escolha a
não ser gemer baixo. Tirou a minha calça e minha calcinha com pressa. Eu fiz
o mesmo.

Mari: Quero você todinha pra mim!

Tirou o meu moletom e meu sutiã tocando os meus seios. Ela foi se
levantando, até que se sentou, e eu fiquei de joelhos com ela entre as minhas
pernas. Novamente, com os dedos, invadia o meu sexo e a boca encontrou o
meu seio. Ela sabia como me pegar de jeito. Eu tentava gemer baixinho, no
ouvido dela. Arranhava suas costas e me enroscava nos seus cabelos.

Laura: Você é uma delícia!

Ela tremeu toda. Meu corpo era todo dela, que fazia questão de se aproveitar
de cada partezinha. Invadindo-me com os dedos safados, gozei, suspirando no
seu ouvido, o que a deixou louca. Empurrei-a para que deitasse novamente,
ela riu com malícia e me puxou junto. Com rapidez, agora eram meus dedos
que procuravam seu sexo. Ela me beijava violentamente e puxava os meus
cabelos.

Laura: Eu adoro seu gosto!

Dizendo isso, fui descendo sem pressa por todo seu corpo. Seus seios
imploravam a minha boca e eu os tomava por inteiro. Ela guiava a minha
cabeça e se contorcia toda. Minhas mãos trocavam seu sexo pela sua coxa,
quando eu sentia que o gozo estava se aproximando, fazendo com que o tesão
fosse prolongado. Degustei a sua barriga com calma e fui descendo
lentamente. Mordia de leve as suas pernas.

Laura: Vem!

Minha boca estava com sede do seu sexo e o encontrou com vontade, desejo,
tesão. Ela gemia gostoso e rebolava pra mim. Não demorou muito para gozar,
já que eu estava a torturando há um bom tempo. Puxou-me pra cima e passou
a mão por todo meu corpo.
Mari: Eu sempre te quis na parede! -- disse no meu ouvido ainda ofegante.

Fui me levantando devagar e ela me acompanhava, não desgrudando da


minha boca. Percebendo que eu iria realizar o seu desejo, me jogou mais do
que rápido contra a parede ao lado da cama. Colou seu corpo contra o meu,
nos deixando ainda mais íntimas. Levantou uma das minhas pernas e tocou o
seu sexo no meu. Ela apertava a minha bunda com tesão e beijava o meu
pescoço. Nossos seios se encostavam, proporcionando uma sensação
maravilhosa. Ela me segurava firme e me encorajou a entrelaçar sua cintura
com as minhas pernas. Enquanto me lambia e me chupava, começou com os
movimentos que me levavam à loucura. Sussurrava no seu ouvido enquanto
minhas mãos se perdiam em seus cabelos e suas costas.

Laura: VAI!

Com seus movimentos loucos, gozamos juntas. Ficamos um tempo ainda na


mesma posição, tentando recuperar o ar. Dava beijinhos e mordidinhas no seu
pescoço. Ela me segurou na mesma posição e me levou pra cama, deitando-se
sobre mim e me beijando na boca. Seu corpo estava fervendo, borbulhando, de
tão quente. Eu não queria que ela saísse dali.

Laura: Louca! E se alguém nos ouviu?

Mari: Eu não fiz sozinha, amor! -- irônica -- Aliás, acho que você também não
estava nem um pouco preocupada!

Laura: Eu disse que ia perder a cabeça! -- sorri bem perto da boca dela.

Mari: Tô pouco ligando se alguém ouviu. O que importa é que você é muito
gostosa, principalmente nua pra mim!

Eu adorava esse jeito de “TÔ ME FUDENDO PRO MUNDO!” que a Mari tinha.
Ela era singular, do jeito que ela queria. Os incomodados que se retirassem.
Sabia se impor e ser autêntica. Isso me encantava. Ela levantou minha cabeça
com violência e mordeu meu queixo.

Laura: Assim eu gamo!

Mari: essa é a intenção!

Laura: A sorte está a nosso favor, mas é melhor não abusar!

Mari: Vou tomar um banho rápido! Você vem?

Laura: Pode ir, depois eu vou! Senão vou te tirar a paz!

Mari: Paz não é o que eu quero de você, Laurinha!

Eu a empurrei e nos levantamos nos beijando. Olhei rápido pra porta e conferi
que ainda estava trancada. “POR QUE EU NÃO CONSIGO DIZER NÃO PRA
ESSA GAROTA?”

Entre empurrões e amassos, fomos em direção ao banheiro. Ela me jogou pra


dentro do box e ligou o chuveiro. A água quente caía sobre nós. Prensou-me
contra a parede e colocou uma de suas pernas entre as minhas. Segurava meu
rosto com as duas mãos como se quisesse controlar a situação. Eu era refém
naquele momento. Não queria mais nada além de suas mãos sobre mim e seu
corpo colado no meu. Apertava-me forte, lambia e chupava meu pescoço e
meus seios desesperadamente. Dessa vez eu gemia alto, já que era pra foder
eu queria que fodesse mesmo. Ela sorria vendo como estava me satisfazendo.

A água fazia com que as suas mãos se deslizassem com mais facilidade. Eu
puxava sua cintura contra mim e sentia sua perna pressionar contra o meu
sexo, e a minha no dela. Com os dedos mais maliciosos que já senti, me fez
gozar loucamente. Depois de gemer mordendo a sua orelha, virei-a de costas
pra mim e comecei a chupar sua nuca, o que a arrepiou toda. Com uma mão
abusava dos seus seios, enquanto a outra já lhe penetrava. Ela se esfregava
contra mim e rebolava contra o meu sexo. Gozou rápido, sem espera e sem
frescura. Virou-se e me puxou pela nuca me dando um beijo louco embaixo da
água que caía.

Mari: Você não me deixa tomar banho!

Laura: Ah é? -- invadi novamente seu sexo com os dedos -- Não deixo mesmo!
-- ela gemeu.

Entregou-se novamente a mim. Eu não me cansava de possuí-la. Abafou o


gozo beijando a minha boca enquanto eu ria.

Mari: Você gosta de me torturar!

Laura: ACERTOU! -- sorri maliciosamente.

Decidimos tomar banho antes que alguém resolvesse bater na porta.


Colocamos os pijamas e nos sentamos na cama.

Laura: O interessante vai ser se a sua mãe perceber que estamos de cabelo
molhado!

Mari: Já disse pra você não esquentar.

Laura: Você é confiante ao extremo. O tiro pode sair pela culatra!

Mari: Não é questão de confiança. Se eu fosse confiante já poderia estar com


você há muito tempo! A questão é que minha mãe não é problema pra gente.

Laura: Como não? Ela é mãe, Mari! Não ia gostar nem um pouco se soubesse
o que estamos fazendo.

Mari: Pelo contrário. Minha mãe está super feliz!


Capítulo 51

Laura: COMO ASSIM?

Mari: Ela sempre soube que eu gosto de você!

Laura: Pelo amor de Deus, Mariana, para de brincadeira! -- me levantei


andando de um lado para o outro.

Mari: Por que tanto nervosismo?

Laura: Você ainda me pergunta? É sua mãe! A Dona Andréia, porra! -- eu


estava visivelmente alterada.

Mari: PARA! Senta aqui.

Laura: Você só pode estar brincando, Mariana Andrade!

Mari: Eu não brincaria com uma coisas dessa, Laura De Biasi!

Laura: Você contou de ontem pra sua mãe?

Mari: Claro!

Laura: VOCÊ FALA ISSO COMO SE FOSSE A COISA MAIS NORMAL DO


MUNDO!

Mari: Eu sou uma pessoa normal, assim como você. Não tem nada de anormal
aqui, Laura. Larga de ser preconceituosa contra você mesma!

Laura: EU NÃO TÔ ACREDITANDO! -- estava pasma.

Mari: Não é de hoje que ela sabe! Ela sabe desde o início!

Laura: COMO ASSIM?

Mari: Laura, a gente ACHA que esconde as coisas dos nossos pais, mas é o
contrário! Quando a gente tinha 15 anos e eu comecei a pirar o cabeção
porque percebi que estava gostando de você, minha mãe percebeu. Achei
melhor ser franca, afinal, seria a única pessoa em quem confiar!

Laura: E ela aceitou de boa?

Mari: no começo não, mas ficou do meu lado! Ela me levou pra igrejas tentando
espantar um demônio que não existia, a um psiquiatra achando que eu estava
louca. Até que começou a frequentar, comigo, consultas num psicólogo que é
perito no assunto -- eu ouvia atentamente -- Depois de algum tempo ele
clareou a cabeça dela, explicou que não era doença, que eu era normal e
trabalhou para que ela me aceitasse. Eu disse que não sabia se queria ficar
com meninas, que a minha única certeza era você. De uns tempos pra cá,
vendo que nada iria mudar, ela aceitou de vez e passou a me dar conselhos,
ser minha melhor amiga.

Laura: EU NÃO ACREDITO!

Mari: Foi difícil, mas graças a Deus, hoje está tudo bem!

Laura: E quais conselhos ela te dava?

Mari: Ela dizia que achava que você também sentia algo por mim, que não era
pra eu desanimar! Quando eu contei que você estava namorando a Alice ela
me disse pra eu ver pelo lado bom: que você também gostava de meninas, o
que facilitaria minha situação. E quando eu fiquei com a Bruna ela tacou o pau,
dizendo que a Bruna não prestava, pra eu ter calma, que eu ia conseguir ficar
com você um dia.

Laura: Juro que nunca vi uma mãe assim!

Mari: Nós sempre fomos muito amigas! Ela sempre me ajudou!

Laura: Fico feliz por você! Não posso dizer o mesmo da minha mãe, acho que
ela me mandaria pra fora de casa...

Mari: Será?

Laura: Acho que sim. Agora me diz uma coisa, o que ela disse de ontem?

Mari: Nossa, ela ficou radiante! Disse que sabia que eu iria conseguir e disse
que você seria a nora ideal! -- eu fiquei sem graça e ela ria.

Laura: Vamos com calma! -- ela ria mais ainda.

Mari: Eu sei, arisca!

Laura: Eu não vou nem ter coragem de olhar pra cara da sua mãe agora!

Mari: Deixa de besteira, ela adora você!

Laura: Tô tensa! Vamos fazer pipoca?

Mari: VAMOS!

Fomos pra cozinha e o pessoal ainda jogava pôquer na sala.

Mari: Senta aí que eu vou fazer!

Laura: Eu vou te ajudar!


Mari: Não! Eu disse que eu ia fazer, você só me faz companhia.

Ficamos conversando besteiras e ela preparando a pipoca. A Mari sempre foi


muito independente, daquelas que se vira sozinha em qualquer situação. Sabe
cozinhar muito bem e eu adorava comer seus pratos. Ela terminou a pipoca,
botou numa tigelona e encheu um copão enorme de coca!

Mari: Do jeito que você gosta!

Laura: Nham nham nham! Que delíciaaaa! -- eu olhava a pipoca querendo


enfiar tudo na boca, como aquelas crianças desesperadas.

Mari: Calma! Vamos pro quarto.

A gente se sentou na cama e escolhemos um filme. Suspense! Encostamo-nos


na cabeceira e ela me abraçou. Comemos a pipoca vendo o filme. “COMO EU
AMO ESSA PIPOCA COM QUEIJO QUE ELA FAZ!”

Eu me escondia no seu pescoço quando a cena era muito forte e ela, toda
corajosa, ria da minha cara! Depois que o filme acabou, escovamos os dentes
e nos deitamos. Eu queria dormir na mesma cama que ela. A Mari se levantou
e foi avisar à mãe que iríamos dormir. O povo estava animado no pôquer.

Mari: Quando eles se encontram pra jogar, passam a noite toda! -- se deitando
ao meu lado, esticando o edredom.

Laura: Que ânimo! Eu prefiro fazer outras coisas -- disse maliciosa.

Mari: Tipo o quê? -- nos cobrindo e me puxando pra bem perto dela.

Laura: Tipo isso!

Beijei a sua boca de leve, com carinho, enquanto a abraçava gostoso. Ela
passava as mãos nos meus cabelos e no meu rosto.

Mari: Você já percebeu que tudo isso aconteceu sem a gente dormir, num dia
só?

Laura: É verdade, que loucura!

Juntou o seu nariz no meu rosto e ficou me cheirando, de olhos fechados.

Mari: Não queria sair daqui nunca mais!

Laura: Vem mais pertinho, vem! -- a puxei mais perto ainda, entrelaçando
nossas pernas.

Quando ela dizia essas coisas profundas, eu procurava não responder algo tão
forte. Afinal, eu tinha dito que não sabia como seria o dia de amanhã, uma vez
que eu ainda amava a Alice. “Mas até que ponto eu amo a Alice?”

Abri os olhos e ela estava me olhando.

Mari: Linda!

Laura: Linda! -- imitei a cara dela, o que me rendeu um tabefe.

Sorri e a beijei. Não conseguia ficar muito tempo longe daquela boca. O sono
foi tomando conta de nós. O cansaço foi chegando ao nosso corpo, resultado
de não dormir na noite anterior e por enfrentar uma maratona de sexo. Eu não
queria cair no sono. Queria ficar ali com ela, mas depois de um tempo não
consegui mais suportar a leseira. Dormi gostoso cheirando seu rosto, sentindo
seus dedos fazerem carinho nos meus cabelos.

No dia seguinte abri os olhos e notei que ela me olhava. Os olhos da Mari
ficavam ainda mais fechadinhos quando acordava.

Mari: Oi! -- disse baixinho.

Laura: Oi, linda!

Deu-me um beijinho.

Laura: Pelo amor de Deus, eu devo tá com bafo!

Ela riu e eu sai correndo escovar os dentes.

Mari: Calma!

Laura: Você já escovou?

Mari: Já, acordei faz um tempinho.

Laura: Que horas são? -- com a boca cheia de espuma.

Mari: Quase 2 da tarde.

Laura: NÃO ACREDITO!

Mari: Ué, a gente foi dormir tarde e não tínhamos dormido a noite anterior!

Laura: Vergonha de acordar tarde assim na casa das pessoas!

Quando enxuguei minha boca e me virei, ela já estava atrás de mim.

Mari: Posso te dar um beijo agora? -- pegando na minha cintura.

Respondi colando a sua boca na minha. O pijama dela era tão quentinho que
dava vontade de voltar pra cama e ficar abraçada.
Mari: Quer tomar café ou prefere almoçar?

Laura: Acho que almoçar vai matar mais a minha fome!

Mari: Então vamos que deve estar pronto! É só esquentar.

Fomos pra cozinha, onde encontramos o Marquinhos, irmão da Mari.

Marcos: E aí Laurinha? Tudo bom? -- ele se achava o galã de novela.

Laura: Fala Marquinhos! Bom?

Marcos: Melhor agora que você está aqui! -- cantada mais sem graça.

Mari: Olha o respeito, Marcos! -- já ficando incomodada.

O Marquinhos era 3 anos mais velho que a gente. Ele e a Mari eram super
parecidos. Mas pensem num cara que se acha o rei do pedaço, é o
Marquinhos. Mulherengo ao extremo, pega geral. Sempre me jogava altos
xavecos, mas nunca me interessei por esse tipo de garoto. E agora menos
ainda, né?

Mari: Cadê o papai e a mamãe?

Marcos: Foram ao mercado. Acabaram de sair. O almoço tá na geladeira!

Mari: Você já comeu?

Marcos: Já, almocei com eles.

Mari: Tá, vou esquentar pra mim e pra Laura.

Marcos: Fica à vontade Laurinha, se precisar de alguma coisinha eu estou no


meu quarto, tá? -- dando uma piscadinha.

Laura: Ah, sai pra lá Marquinhos! -- a gente riu.

A Mari esquentou a comida e almoçamos. MACARRONADA! ADORO! Ajudei a


dar um jeito na cozinha e voltamos pro quarto.

Laura: Esqueci de te falar, eu combinei de sairmos com a Paula hoje. Eu, você,
ela e a Luíza!

Mari: Ah, legal! Onde vamos? -- enquanto dava uma arrumada no quarto.

Laura: Pensei num barzinho, o que acha?

Mari: Por mim tudo bem! Tem um bem legal aqui perto, que é pro nosso
público. Só vai gente bonita e tal. E se não me engano hoje tem DJ.
Laura: Ahhh, então tá! Vou ligar pra Paulinha confirmando!

Peguei o telefone e liguei pra Paulinha. Combinamos tudo certinho e à noite


nos encontraríamos em frente ao bar.

Capítulo 52

Mari: O que você tá fim de fazer agora?

Laura: Qualquer coisa, você quem manda!

O dia estava bem nublado e frio. Eu particularmente amo dias assim. Não que
eu seja nostálgica, mas quando se está acompanhada, é o melhor clima.

Mari: Faz tempo que não fazemos uma coisa!

Laura: O quêee?

Eu simplesmente adorava as ideias da Mari!

Mari: GUITAR HERO!

Laura: NÃO CREIOOO!

Ela foi logo ligando o Wii e dando uma das guitarras pra mim. Nós sempre
fomos criançonas. A Mariana amava jogos, brinquedos e afins. Passávamos
tardes jogando vídeo game e às vezes deixávamos de sair pra ficar
competindo, o que nos rendia boas risadas e momentos divertidíssimos. A Dani
dizia que éramos babacas e que nunca um cara ia querer uma namorada
assim. Agora eu podia claramente responder: “E quem disse que nós
queremos um cara?”

Passamos o resto da tarde jogando e rindo. Às vezes ela parava a brincadeira


e me jogava na cama, me arrancando suspiros intensos. Com a Mari eu podia
ser quem eu queria e como eu sempre fui. Depois de jogarmos bastante, ela
desligou o vídeo game e me chamou pra deitar ao lado dela na cama. Alguém
bateu na porta, eu dei um pulo e me sentei. Ela foi abrir.

Andréia: Meninas, vim dar um oizinho! -- sorrindo meio sem graça.

Laura: Oi Dona Andréia.

Andréia: Que bom que você está aqui novamente com a gente, Laurinha. Fico
muito feliz!

Laura: Obrigada! -- agora era eu quem estava sem graça.


Mari: E aí mãe! O que manda? -- se sentando ao meu lado.

Andréia: Nada filha. Eu trouxe algumas coisas pra fazermos um lanchinho,


vamos?

Mari: Vamos sim, a Laurinha deve estar com fome!

Laura: Não, que isso, Mari!

Andréia: Vou fazer uns mistos prensados, o que vocês acham?

Laura: Eu adoro!

Andréia: Então vamos!

Eu tava com muita vergonha da mãe dela. Mas a dona Andréia parecia bem
confortável com a minha presença, o que me acalmou um pouco. Sentamo-nos
à mesa junto com o seu Bernardo e a dona Andréia foi logo fazendo os
lanches. Estavam realmente muito bons e a conversa super agradável.

Mari: Bom gente, tava ótimo o lanche, mas agora a gente tem que se arrumar!
Eu e a Laurinha vamos sair com duas amigas.

Andréia: Tudo bem filha, podem ir! Juízo, hein? -- deu uma piscadinha.

Laura: Tava muito gostoso o lanche, dona Andréia, obrigada!

Tomamos um banho e nos trocamos. A Mari estava tão linda! Uma calça jeans
preta, bem justa, uma jaqueta branca cheia de bolsos, com o zíper fechado até
a gola alta, e um tênis xadrez no pé. Os cabelos ruivos do jeito que me
deixavam babando, caindo no olho direito. Fez uma maquiagem leve, passou
perfume e colocou um relógio pink. Eu tava vidrada vendo como ela se
arrumava rápido.

Laura: Nossa, que ligeira!

Mari: Não tenho essas frescuras.

Laura: Mas eu adorei o resultado!

Ela me abraçou e me deu um beijo de leve.

Mari: Vai, acaba de se arrumar, senão a gente não sai hoje! -- ria.

Coloquei uma calça jeans colada bem clara, uma jaqueta grafite e o meu tênis
botinha branco e pink. Maquiei-me o mais rápido que pude e penteei o cabelo
com os dedos, passando um silicone de leve, e me perfumei. A Mari estava
compenetrada me olhando, sentada na cama.

Laura: Eu tô pronta!
Mari: Você tá linda! -- se levantando e vindo ao meu encontro -- Agora eu sei o
segredo do seu cabelo ficar tão bonito!

Laura: Então não conta pra ninguém! -- disse baixinho no ouvido dela.

Deu um beijo gostoso e saímos. Decidimos ir a pé, já que o frio estava gostoso
e o bar era perto. Peguei a mão dela e seguimos. A gente andava sorrindo,
conversando, bem perto uma da outra.

A Paula e a Luíza já estavam nos esperando lá na frente. Cumprimentamo-las


e entramos no bar. Não havia mais mesas disponíveis, estava lotado.

Paula: Eu e a Luíza vamos pegar uma bebida no bar!

Mari: Nós vamos ficar por aqui mesmo.

Estávamos num canto, apoiadas num pilar. A Mari segurava a minha cintura e
olhávamos o ambiente. Umas meninas a cumprimentaram de longe.

Laura: Quem são?

Mari: Conheci naquele outro bar que fui da outra vez!

Laura: Hum! Sei!

Mari: A música que eu adoro tá tocando, vamos dançar?

Laura: Vaaamos!

O DJ tocava Paparazzi. Fomos pro meio da pista e começamos a dançar, uma


de frente pra outra. Ela me olhava bem fundo e eu sorria. Às vezes cantava o
refrão rindo pra mim. Os cabelos ruivos batiam no meu rosto e eu estava
adorando aquela sensação. O ambiente estava meio escuro e eu, totalmente
entregue àquele seu jogo de sedução, nem reparava ao meu redor.

“PROMISE I’LL BE KIND, BUT I WON’T STOP UNTIL THAT GIRL IS MINE”

Puxou-me pela nuca e cantou no meu ouvido. Eu me derreti toda. Segurava-a


pela cintura e sentia seus movimentos enquanto dançava. Os cabelos nos
olhos e um sorriso enorme na boca. Virou-me de costas e me abraçou por trás,
beijando o meu pescoço. O DJ continuou com Lady Gaga, emendando Bad
Romance.

A gente dançava uma pra outra, parecia que o mundo havia parado para nós.
Eu pude sentir o meu coração bater mais forte. Sabia que alguma coisa estava
mudando dentro de mim, pra melhor. Sentia-me protegida nos seus braços e
guiada pelo seu olhar. Eu sabia que nunca conseguiria viver sem o seu sorriso,
a Mariana era uma pessoa essencial pra mim, FATO!
De repente o DJ mudou o som para Radar, a música que me trazia
lembranças!

Laura: Vamos tomar alguma coisa? Não quero dançar essa música! -- disse no
ouvido dela.

Mari: Tudo bem, vamos! -- ela sabia o porquê.

Chegamos ao bar e ela pediu dois Martinis. Sentamo-nos em duas banquetas


que estavam vazias e me encostei aos ombros dela, de costas pra pista de
dança. De repente a Paula chegou bufando, puxando a Luíza e dizendo
alguma coisa no ouvido da Mari.

Mari: Laurinha, temos que ir embora, a Luíza não tá passando bem! -- disse no
meu ouvido.

Laura: Como assim? Acabamos de chegar praticamente, e ela tava normal até
agora!

Nisso ouvi gritos e assovios vindos da pista de dança. Virei-me e notei que
havia uma roda animada. A Paula parou na minha frente dizendo:

Paula: Vamos?

Laura: O que está acontecendo ali?

Paula: Uma galera está dançando, nada de mais!

Foi quando, no meio da multidão, eu consegui ver os cabelos castanhos claros


se jogando de um lado para o outro, de um jeito que eu conhecia muito bem.
Levantei-me e fiquei na ponta dos pés para conferir se era quem eu estava
imaginando. Quando, finalmente, enxerguei a Alice se requebrando nos braços
do Alessandro.

Capítulo 53

Eu não acreditei. Fiquei estática a vendo dançar. Senti a mão da Mari


segurando a minha cintura.

Mari: Senta, Laurinha!

Laura: Seja sincera! É por causa dela que vocês queriam ir embora?

Mari: Sim -- ela abaixou a cabeça.

Dançando Radar! Linda! Maravilhosa! Como quando eu me apaixonei por ela!


Uma sensação estranha foi subindo no meu peito. Alguma coisa estava me
sufocando. Um filme passou pela minha cabeça, me lembrando das vezes que
ela dançou pra mim, parecendo tão entregue. Agora estava ali, se exibindo pra
quem quisesse ver.

E todos queriam, ela conseguia a atenção até do papa quando dançava,


sorrindo, com os cabelos molhados. O Alê a jogava de um lado para o outro, a
cercando, não deixando que ninguém a tocasse. As meninas a comiam com os
olhos e aquilo estava me deixando louca por dentro. Em meu olhar estava
estampada a minha decepção!

“Hey baby whether it’s now or later (I’ve got you), you cant shake me (no),
cause I got you on my radar, Whether you like it or not, it ain’t gonna stop,
cause I got you on my radar (I’ve got you), cause I got you on my radar”

Quando essa parte da música começou a tocar, me sentei na banqueta e me


virei pro bar, não querendo ver a cena. Apoiei minha cabeça sobre as mãos,
tapando meus olhos. Ouvia a multidão gritar desesperada, desconcertada. “Ela
está dando o showzinho!” Deu-me ânsia e comecei a suar frio.

Mari: Vamos embora! -- me abraçando.

Laura: NÃO!

Paula: Vamos, Laura. A gente não precisa disso!

Laura: Eu preciso! Tenho que parar de ser tonta! -- a raiva me tomava por
dentro.

Luíza: Laurinha, querida, vamos pra outro lugar, vamos nos divertir de verdade.
São Paulo é enorme!

Laura: Exatamente. São Paulo é enorme e eu encontro justo a Alice!

Mari: Linda, vamos pra casa então. Vem!

Laura: NÃO! Me deixem pensar um pouco!

Elas não me deixavam raciocinar. Eu continuava de cabeça baixa, não


querendo olhar pra ninguém. A música mudou e eu percebi que a galera se
espalhou. Olhei de volta e não vi mais a Alice.

Laura: Vamos, Mari. Me leva embora.

Mari: Tudo bem, vamos. A gente faz o que você quiser.

Estávamos atravessando a pista para pagar as comandas. A Mari puxava a


minha mão. Por instinto olhei pro lado, em algumas mesas e, sem que eu
quisesse, meu olhar cruzou com o da Alice. PAREI!

Ela me olhou meio assustada. A Mari tentou me puxar, quando viu que eu
havia parado. Foram segundos intensos olhando naqueles olhos cor de mel
que me matavam. A Paula se aproximou dizendo no meu ouvido:

Paula: Pelo amor de Deus, Laura!

Num tranco soltei a mão da Mariana e caminhei na direção da mulher pela qual
eu era perdidamente apaixonada.

A Mari me segurou forte pelo braço e me puxou ao encontro dela.

Mari: Fica comigo! -- disse olhando nos meus olhos.

Puxei-a pela nunca e dei-lhe um beijo na boca. Peguei sua mão e a puxei junto
comigo. Enquanto andava, me esbarrando nas pessoas, não conseguia
planejar o que ia fazer. Eu estava hipnotizada pelos seus olhos que me
encaravam. Eu sentia as meninas tentando me puxar pelo braço, mas uma
força sobrenatural tomou conta de mim.

Cada vez que chegava mais perto da mesa, minha visão ia ficando cada vez
mais nítida. Percebi que havia mais uma pessoa além da Alice e do
Alessandro... a Bruna! Enchi-me de raiva!

Finalmente parei na frente dela, que parecia estática me olhando.

Laura: Era só me dizer que você tava a fim de outra pessoa, Alice! -- olhei a
Bruna de cima pra baixo.

Alice: Laura, eu não lhe devo mais satisfações. Você deve estar bem feliz com
“essazinha” aí! -- olhando pra Mari atrás de mim.

Num impulso, segurei a Alice pela gola da jaqueta que ela usava e a levantei
da cadeira.

Laura: Presta atenção como você fala da Mariana! -- a fulminava com o olhar.

Paula: Larga ela, Laura! -- puxando o meu braço -- Você não precisa ficar
fazendo esse tipo de cena, cara!

Soltei-a e ela continuou em pé, na minha frente, me encarando firme. O


Alessandro e a Bruna se levantaram, ficando atrás dela.

Alice: Segue a sua vida Laura e me deixa em paz! Olha que ridículo o que você
tá fazendo.

Nisso a Mariana me empurrou e pegou a Alice pelo braço.

Mari: Ridícula é você garota! Por que você não volta pro seu mundinho
encantado?

Alice: É o que eu tô tentando fazer e a sua namoradinha não me deixa!


A Paula separou a Mari da Alice e ficou de frente a ela.

Paula: Você tá é muito arrogante, Alice! Nunca imaginei isso de você.

Alice: Todas vocês ficam me sacrificando, mas ninguém tem ideia do que se
passa!

Laura: Então por que você não fala logo? Porque ninguém aqui está entendo
você!

Paula: Chega, Laura, vamos embora! Eu não vou admitir você se rebaixando a
esse nível pra Alice.

Alice: NÃO! Agora eu quero falar, agora eu vou falar pra todo mundo ouvir!
Quem quiser escutar pode vir!

Eu não tava acreditando naquilo. Ela iria expor pra todo mundo uma coisa que
nem eu sabia ainda.

Laura: Isso é coisa nossa, vamos conversar eu e você, Alice.

Alice: Vai por mim, Laura. Você não vai querer ouvir isso sozinha!

Saiu andando com um ar de superioridade, indo em direção à saída.

Paula: Laura, vamos embora. Não vá deixar a Alice te humilhar, já não chega o
que ela te fez!

Laura: Eu preciso ouvir, Paula. Preciso tirar de vez essa garota da minha
cabeça!

Mari: Laura, para de coisa, olha o que ela tá te fazendo!

Laura: Eu preciso entender. VAMOS!

Peguei na mão dela e a puxei, indo atrás da Alice.

Capítulo 54

Saímos do bar e atravessamos a rua, parando numa esquina mais calma. A


Mari, a Paula e a Luíza ainda estavam comigo e o Alessandro e a Bruna com a
Alice.

Alice: Olha, eu não vou ficar dando voltas, porque eu também já me machuquei
muito com esse assunto!

Laura: Fala logo então, Alice!


A gente estava frente a frente. Eu percebi que ela começou a suar. Tentava
sustentar o olhar nos meus olhos. Então, notei seus olhos se enchendo de
lágrimas.

Laura: Alice, fala!

Alice: Laura, quero que você me perdoe do fundo do meu coração por tudo.
Quero que você seja extremamente feliz!

Laura: Você sabe que é recíproco! Mas agora fala, por favor!

Ela olhou pra baixo e respirou fundo. O Alessandro segurou seu ombro, como
se tivesse a encorajando. Ela passou os dedos nos olhos, querendo evitar que
as lágrimas rolassem e me olhou novamente.

Alice: A gente não pode ficar juntas, Laura!

Eu a olhava esperando que terminasse o que começou.

Alice: NÓS SOMOS IRMÃS!

Laura: O QUÊ?

Minhas pernas ficaram bambas. A Mari segurou minha cintura e a Paula o meu
braço. Minha visão ficou escura e senti meu corpo mole. APAGUEI! Acordei
com uns tabefes que a Paula me dava no rosto.

Paula: Você tá bem, Laurinha?

Laura: Tô! Cadê aquela descarada? -- levantando rápido.

A Alice ainda tava ali, com lágrimas no rosto.

Laura: Você tá louca, garota? -- disse apontando o dedo pra ela.

Alice: Louca tá você que não quer enxergar a verdade!

Laura: Você não tinha uma mentira melhorzinha pra inventar?

Alice: Você acha que é mentira? Fala com sua mãe então! Aproveita e
pergunta pro seu pai, que é meu também!

Laura: O QUÊ?

Alice: Naquele dia que você ouviu a discussão na biblioteca era porque eu fui
contar pra ele que estávamos namorando. Eu queria assumir que eu te amava
e que queria ficar com você pra sempre! Foi um tapa na cara quando ele me
disse que não podíamos ficar juntas porque somos irmãs! A gente brigou,
discutiu e ele ligou pra minha mãe dizendo que eu ia voltar pra casa dela.
Marcou meu voo pra depois do concurso, pra nos separar de vez. Somos
irmãs, não podemos ficar juntas!

Laura: Eu não quero ouvir mais nada! NADA! -- tampei os ouvidos com as
mãos.

A Alice virou as costas e saiu, atravessando a rua e pegando um táxi. Olhei


pras meninas que estavam perplexas. Eu não conseguia raciocinar. A Mari
ainda me segurava. Fui me sentando no chão e não aguentei, comecei a
chorar feito uma criança.

A Mari se sentou ao meu lado e me abraçou.

Mari: Calma, Laurinha! Calma!

Eu só conseguia chorar, chorar e chorar! Era mais forte que eu. Meu peito
estava apertado com a ideia de JAMAIS poder ter a Alice novamente. Minhas
mãos formigavam. Eu chorava alto, sem vergonha. Não conseguia tirar a dor
que eu tava sentindo.

Paula: Vamos embora, pra minha casa! -- foi me puxando, a fim de me


levantar.

Laura: Eu quero morrer!

A Mari se levantou e saiu andando, sem rumo. Se encostou num carro


estacionado e cruzou os braços.

Paula: Não faz isso com ela, Laurinha -- dizendo baixinho -- Ela te ama!

“A ALICE? MINHA IRMÃ? NÃO PODE SER!” Não queria sair dali. Queria que o
mundo acabasse em barrancos. Eu sei que estava me comportando mal por
causa da Mari. Eu tinha que ter mais consideração por ela, afinal, tinha me
proporcionado dias de extrema alegria. Mas naquele momento eu só conseguia
pensar no caos que estava acontecendo na minha vida.

Eu nunca tive uma referência de pai. E agora descubro que o seu Henrique,
uma pessoa exemplar na sua postura como homem, seria essa pessoa a quem
eu devesse me espelhar. E minha mãe? Sempre cuidou muito bem de mim, me
educou e me deu carinho. Mas o que adianta tudo isso se me enganou? Nunca
me faltou nada, mas ela escondeu uma coisa valiosa sentimentalmente pra
mim!

Ambos fizeram o que queriam. Por isso eu frequentava os mesmos colégios da


Alice, tinha algumas regalias. Certeza que a mesada relativamente alta, pra
uma adolescente, que minha mãe me dava vinha do seu Henrique.

Sei que não posso reclamar pelas pessoas que eles são. Nunca me faltou nada
na vida. Mas eles acabaram arruinando com a única coisa que eu tinha certeza
até então... meu amor pela Alice!
“Eu perdi as contas de quantas vezes fui pra cama com a minha irmã? Eu fiz
juras de amor com a minha irmã? Eu acho a minha irmã a mulher mais
sensacional desse mundo? E quando a vejo meu corpo se arrepia todo? NÃO
PODE SER! E meu sexto sentido feminino? Não presta pra nada?!”

Minha cabeça rodava. Parecia que eu havia tomado dez litros de whisky. Tava
me sentindo suja, um lixo. Uma sensação horrível de impotência. Uma dor
cruel no meu peito, parecendo me sufocar, me tirando o ar.

Paula: LAURA, chega! Vamos embora daqui! -- me fuzilando com o olhar --


Não tem cabimento você ficar feito uma mendiga nessa calçada!

Me levantou com a ajuda da Luíza.

Paula: Mari, faz um favor, chama um táxi!

Imediatamente a Mari chamou um dos táxis que ficavam estacionados em


frente ao bar, à espera de clientes. Entramos no carro e eu não conseguia
cessar o choro. A Mari ficou do lado de fora.

Mari: Paulinha, cuida dela tá?!

Paula: Como assim?

Mari: Vou pra casa, a Laura precisa de um tempo!

Paula: Não! Claro que não! Você vem com a gente, vamos pro meu
apartamento. Vai, entra aí!

Mari: É melhor não -- ela cruzou os braços.

Paula: Vamos Mari, se você quiser ir embora depois você vai, mas vamos até
lá!

A Mari entrou no carro e seguimos para o apartamento da Paulinha. Subimos e


ela foi logo pegando um copo de água com açúcar. Na verdade parecia açúcar
com água. Me sentei no sofá e a Mari se encostou na parede de braços
cruzados, me olhando.

Luíza: Paulinha, vou preparar um chazinho de camomila pra gente, tá todo


mundo nervoso!

Paula: Tudo bem amor! Os pacotinhos estão ali no armário. Obrigada, viu?!

Peguei uma almofada e coloquei no rosto. Não queria ver nada. Tava até com
vergonha daquela situação, de ter tido um relacionamento com minha própria
irmã! Encostei a cabeça no sofá. Eu queria parar de chorar, mas a decepção
era tanta que não conseguia.

O silêncio pairava no ar. Logo a Luíza apareceu com as xícaras de chá. A


Paulinha tirou a almofada do meu rosto e foi logo dizendo:

Paula: Bebe, Laurinha! Toma Mari, bebe uma xícara também.

Mari: Obrigada!

Bebi o chá num gole só.

Paula: Laura, se acalma, poxa! Depois a gente apura os fatos, mas se acalma,
cara!

Laura: Eu quero ir pra casa! Preciso falar com a minha mãe, preciso saber
dessa história!

Paula: Não, agora não! Amanhã você vai e eu vou com você, mas agora não.
Você está nervosa e vai acabar perdendo a razão.

Laura: Ai Paulinha, o que eu vou fazer agora?

A Mari colocou a xícara na mesa dizendo:

Mari: Paulinha, vou embora. A gente se fala depois.

A Paula se levantou e foi até ela.

Paula: Calma Mari! A Laura tá com os nervos à flor da pele. Dá um desconto!

Mari: Eu não vou ser uma boa companhia pra ela agora. Não é comigo que ela
gostaria de estar, Paulinha!

Paula: Ela está nervosa, calma!

Mari: Qualquer coisa vocês me ligam. Vou pedir pro meu irmão trazer as coisas
dela pra cá.
Paula: Tudo bem, faz o que você quiser. Mas eu sei que ela gosta muito de
você!

A Mari se aproximou de mim e me deu um beijo no rosto, passando a mão de


leve sobre os meus cabelos.

Mari: Qualquer coisa me liga, Laurinha!

Deu tchau pra Luíza e saiu, fechando a porta.

Paula: Laurinha, eu sei o quanto você está triste com tudo isso, mas posso ser
sincera? Você vai acabar perdendo a única mulher que realmente sempre te
amou!

Quando a Paulinha disse aquilo eu a olhei e tentei raciocinar. Num ato


totalmente impulsivo, me levantei e fui correndo pra porta. A Mari ainda
esperava o elevador.

Laura: Não vai, por favor! Me desculpa! -- a abracei chorando.

Mari: Laurinha, calma! Eu só acho que não vou ser uma companhia legal pra
você.

Laura: Você sabe que sempre foi a companhia perfeita pra mim!

Mari: É diferente hoje, Laurinha! Melhor você ficar com a Paulinha e depois a
gente se fala.

Abracei-a mais forte ainda. Naquele momento senti que não queria mesmo que
ela fosse embora. O elevador chegou. Ela puxou a porta para entrar, mas eu a
segurei.

Laura: Tô te pedindo, por favor!

Mari: Laurinha, eu sei que você tá triste e magoada, mas tenta entender um
pouquinho o meu lado. Vou ter que ver você chorar a noite toda pela Alice!

Laura: Se você ficar, EU JURO, tentar parar de chorar!

Mari: Não é tanto pelo choro, mas seu pensamento não vai estar comigo. Eu
sei que seu pensamento é todo e exclusivamente dela!

Eu abaixei a cabeça e a soltei, consentindo com o que ela tinha dito. Entrou no
elevador parecendo decepcionada por eu não negar aquilo. Eu não podia
mentir, não conseguia mentir. Estava estampado na minha cara o desespero
de não poder ter a Alice novamente.

Capítulo 55

Voltei pra sala e as meninas estavam sentadas no sofá. Sentei ao lado da


Paula.

Laura: Paulinha, por que eu não consigo acreditar nisso?

Paula: Talvez porque é uma coisa realmente bem difícil de se crer. Posso dizer
que até nós estamos chocadas.

Laura: Vou ser sincera com você! Eu estava com a Mari e nem conseguia
pensar na Alice. Mas agora parece que meu sofrimento triplicou, não sei! E
tudo voltou!

Paula: Com certeza. Triplicou mesmo, agora são três pessoas: Alice, seu
Henrique e dona Lúcia! Mas fica calma, não adianta ficar sofrendo
antecipadamente. Você nem falou com a sua mãe ainda. E se a Alice estiver
blefando?

Laura: Ela não teria coragem de brincar com uma coisa dessas, Paulinha!

Paula: Eu sei, mas tudo pode acontecer, amor!

Laura: Que droga! Eu queria a Mari aqui, a gente tava se dando tão bem.

Paula: Entenda o lado dela, Laurinha! Ela deve tá se sentindo super mal te
amando e você apaixonada pela Alice.

Laura: É, eu sei! Posso pedir uma coisa?

Paula: Fala!

Laura: Bebem um copinho de Martini comigo? Só pra eu me distrair um pouco.

Paula: Tenho vodka também!

Laura: Traz o que você tiver e a gente escolhe, preciso me distrair um pouco.

A Paulinha foi até a cozinha e voltou com algumas garrafas. A primeira que eu
avistei foi uma enorme de whisky.

Laura: A gente vai tomar essa! -- pegando-a nas mãos.

Paula: Laurinha, vai com calma!

Laura: Que nada, tô acostumada! -- tive a impressão de que já tinha dito isso
algum dia.

Ela abriu a garrafa e colocou uma dose nos três copos.

Laura: Amanhã você vai comigo falar com a minha mãe, né, Paulinha? -- já
dando umas bicadas no copo.

Paula: Vou sim. Vai devagar, Laurinha!

Laura: Vai, vamos virar as três de uma vez só! -- a Luíza se divertia -- Vou
contar até 3!

Paula: Não, Laura!

Luíza: Para Paulinha! Nada de mais! -- disse rindo.

Laura: 1, 2, 3, JÁ!

Viramos o copo, rindo logo depois. Comecei a perder as contas de quantas


vezes havíamos feito essa brincadeira. E quando o whisky terminou, partimos
pra vodka. Logo após o primeiro copo, eu apaguei.

Todos nós, seres humanos, sabemos o quanto a bebida alcoólica é perigosa.


No meu caso não poderia ser diferente. Aliás, eu já estava toda cagada
mesmo, o que seria mais um punzinho, não é?

No dia seguinte. Antes mesmo de abrir os olhos, senti como se minha cabeça
tivesse sendo pressionada por uma bigorna. Levei as mãos ao rosto, como se
quisesse arrancar aquela dor. Depois de alguns minutos tentando abrir os
olhos, finalmente consegui, de leve.

Minha vista estava embaçada e meio escura, parecia que havia acabado de
sair de um carrossel em alta velocidade. Quando passei a mão pelo meu corpo
percebi. “MEU DEUS, EU TÔ PELADA!”

Levantei num salto, fazendo minha visão ficar ainda mais atrapalhada. Aí então
concluí, “SIM, EU TÔ PELADA!”. Fui até o banheiro correndo, lavei o rosto e
coloquei uma camiseta comprida da Paula, que achei por lá. Quando voltei pro
quarto reparei na zona que estava o ambiente. Tudo jogado, coisas quebradas
e roupas por tudo. “O QUE É ISSO? UM TORNADO PASSOU POR AQUI?”

Foi quando olhei pra cama e não acreditei. “A PAULA E A LUÍZA TAMBÉM
ESTÃO NUAS!”. Notei que o espaço em que eu estava deitada era justamente
“NO MEIO DAS DUAS?”.

Fiquei ali, pasma, parada, perplexa. “NÃO PODE SER!”. Corri para o banheiro
novamente e olhando detalhadamente no espelho, reparei um canto da minha
boca inchado, como um chupão! Parei um pouco, tentei lembrar alguma coisa,
mas era totalmente impossível. Minha cabeça ainda doía demais! “LAURA DO
CÉU! VOCÊ FEZ UM MÉNAGE À TROIS!”

PUTAQUEOPARIU! Andei pelo quarto e peguei a minha roupa. Fui pro


banheiro e vesti mais do que rápido. “PORRA, EU TRANSEI COM A MINHA
MELHOR AMIGA E A MINHA CHEFE? É DEMAIS PRA UMA NOITE SÓ!”. Ri
depois que pensei. Decidi que aquele seria um segredo só meu, caso as duas
não lembrassem! “QUE VERGONHA!”

Voltei pro quarto batendo palma e falando alto.

Laura: MUITO BONITO A BAGUNÇA QUE VOCÊS DUAS FIZERAM NO


APARTAMENTO, HEIN?

Capítulo 56

Paula: Ahn? -- se levantando assustada com a mão na cabeça e os olhos


verdes entreabertos.

Luíza: Onde? -- totalmente desnorteada!


Eu ri por dentro e pensei: “GRAÇAS À DEUS ELAS NÃO LEMBRAM!”

Laura: Vamos levantando, olha a zona meninas!

Paula: Que porra é essa? Eu tô pelada?

Laura: Não sei, filha. Não me interessa o que tem aí embaixo desse edredom! -
- eu ri -- Vou esperar vocês lá na sala.

Fui pra sala e dei uma ajeitada. O apartamento tava um lixo. Joguei as garrafas
vazias e comi uma maçã pra tomar um remédio. Fiz um café bem forte e puro
pra podermos tomar. Depois de um tempo, o ap já estava arrumado e já
havíamos tomado o café.

Laura: Vamos então, Paulinha?

Paula: Tem certeza que precisa ser já, Laurinha? Não quer esperar mais um
pouco?

Laura: Pelo amor de Deus! Quero resolver logo isso.

Paula: Esfria mais um pouco a cabeça. Vamos depois do almoço.

Laura: NÃO! VAMOS JÁ!

A Paulinha se levantou e foi pra cozinha e a Luíza ao banheiro. Eu queria ligar


pra Mari, queria falar com ela. Só de ouvir a sua voz, meu coração já ficava
mais calmo. Vi meu celular em cima da mesinha da sala e peguei para ligar.
Foi quando notei o aparelho todo melado.

“O que é isso?!” Percebi que a pasta de vídeos estava aberta. “Eu nem mexi
nisso aqui hoje!”. Abri o primeiro vídeo que apareceu. “NÃO ACREDITO!”

Sim! A gente tinha se filmado! Num vídeo a Luíza e a Paula se pegavam no


sofá. Em outro eu ganhava um sexo oral da minha chefe e noutro a Paula me
jogava na mesa e fazia tudo que se pode imaginar. “SENHOR!”

Mais do que rápido, peguei o celular da Paula e da Luíza que estavam junto
com o meu, na mesa, tentando procurar alguma pista da noite anterior. Olhei
entre fotos, vídeos e gravação de voz. NADA! “UFA! MENOS MAL!” Coloquei-
os de volta na mesinha e liguei pro celular da Mari.

Mari: Alô?

Laura: Mari?

Mari: Oi. Tá melhor?

Laura: Por enquanto sim, tô morrendo de dor de cabeça e no corpo. Tomei um


porre ontem aqui na Paulinha.

Mari: Coisa feia, não? -- querendo descontrair.

Laura: Pois é! Acordou faz tempo?

Mari: Faz um tempinho sim.

Laura: Hum. Eu vou falar com a minha mãe agora sobre o assunto.

Mari: Vai com calma e me liga qualquer coisa!

Laura: Tudo bem, obrigada por tudo!

Ela ficou muda e eu ouvindo sua respiração. Fechei os olhos e pude sentir
como se ela tivesse ali! Até que quebrei o gelo.

Laura: Senti sua falta!

Mari: Eu também! Mas vai lá, depois a gente se fala.

Senti que ela me cortou geral, como se não quisesse mais ouvir. Me despedi
rápido e desliguei. Nisso a Paulinha apareceu.

Paula: Vamos então e seja o que Deus quiser!

Pegamos um táxi e fomos pra casa. A Luíza ficou no ap da Paula, o seu


Henrique não poderia vê-la conosco e ainda mais do meu lado. Chegamos em
frente ao prédio e um frio na minha barriga apareceu. Fiquei um tempo parada
na calçada, tentando me preparar para aquele momento.

Paula: Laurinha? Você tá bem?

Laura: Tô sim, só tô com... MEDO!

Paula: Você quer deixar pra outro dia?

Laura: Eu preciso tirar isso de dentro de mim, Paulinha!

Ela me abraçou apertado. Aquele abraço de urso gostoso que só ela me dava.

Paula: Eu tô com você, linda!

Olhei pra ela e sorri. Era bom saber que eu podia contar com uma amiga tão
especial nesse meu momento de desespero. Tenho que admitir, no mundo de
hoje, os amigos não são mais os mesmos.

Laura: Obrigada por estar aqui comigo! Vamos?

Subimos de elevador e logo estávamos na cozinha do apartamento. Minha mãe


me viu e olhou assustada para a minha expressão de decepção.

Mãe: Filha! Que foi? -- disse preocupada.

Laura: O seu Henrique está em casa?

Mãe: Sim, na biblioteca.

Laura: Então vem comigo, precisamos conversar.

Ela ficou pálida, mas foi atrás de mim sem questionar. Entrei na biblioteca sem
bater, estava tremendo de nervoso. A Paula e minha mãe vieram atrás. O seu
Henrique estava sentado na sua cadeira predileta com um livro aberto e uma
xícara de café sobre a mesa. Olhou-me como se não entendesse o porque de
eu estar parada na frente dele de nariz empinado.

Laura: Senta mãe! -- puxei a cadeira em frente à mesa para que ela se
sentasse.

Ela obedeceu prontamente, como se soubesse que aquilo iria acontecer um


dia. Eu fiquei em pé, de braços cruzados e os olhos queimando em ódio. A
Paula estava atrás de mim, parecia não estar presente, mas eu sabia que se
precisasse de algo poderia contar com ela.

Respirei fundo, olhei pro alto pedindo forças a Deus para ir em frente com
aquela situação e, depois de longos segundos, disparei:

Laura: Então quer dizer que eu sou filha do senhor, seu Henrique? É isso mãe?

Capítulo 57

No mesmo instante ele se levantou, como se quisesse me duelar com o olhar.


Já podia ver o rosto da minha mãe ser encharcado por lágrimas. Segurei as
minhas que teimavam em cair e tentei me manter firme, naquela pose de dona
da situação.

Nenhum dos dois conseguiu me responder nada, apenas continuavam ali. Ele
em pé, me olhando e ela sentada, chorando de cabeça baixa.

Laura: Já ouviram dizer que quem cala consente? Pois bem, quero ouvir da
boca de vocês!

O seu Henrique deu a volta na mesa e se aproximou de mim. Eu continuava ali,


parada.

Henrique: É verdade, Laura! -- disse baixo.


Senti meus olhos queimarem com as lágrimas que se acumulavam. Sem que
eu as deixasse, começaram a cair. Tentava secá-las com as mãos, mas eram
centenas delas. Senti meu peito apertando e minhas esperanças sumindo.

Virei as costas e fui em direção à porta. Queria sair daquele lugar que havia se
tornado sufocante pra mim. Mas senti as mãos do homem me puxarem pelo
braço.

Henrique: Laura, foi pelo seu bem!

Virei-me não acreditando naquela palhaçada que eu tinha ouvido.

Laura: Meu bem? Você realmente disse isso?

Henrique: Sua mãe não podia ir embora daqui, ela precisava te sustentar e
meus pais com certeza a mandariam. Eu prometi que cuidaria de você, caso
ela ficasse e guardasse o segredo.

Laura: Vocês só pensaram em vocês, nos seus interesses e na vida que já


tinham! Você ia casar com a mãe da Alice, tinha que pegar sua herança que só
conseguiria depois do casamento. E você, mãe, não queria perder as
mordomias dos Legrand! Acham que sou estúpida a ponto de não saber da sua
história e seu casamento arranjado, seu Henrique?

Sim, eu sabia disso há muito tempo, quando certa vez procurei saber sobre a
família pela qual minha mãe sempre trabalhou.

Mãe: Filha, nunca te faltou nada!

Laura: Em termos materiais não! Mas eu podia ser outra pessoa! Eu podia
AMAR OUTRA PESSOA AGORA E NÃO A MINHA IRMÃ!

Mãe: O QUÊ?

Laura: É isso mesmo! Eu e a Alice estávamos NAMORANDO! Quando ela


contou pro seu Henrique, ele despejou toda a verdade!

Mãe: O QUE É ISSO, LAURA? VOCÊ ESTÁ LOUCA? -- se levantou da cadeira


e me pegou pelo braço.

Laura: LOUCA É VOCÊ DE NUNCA TER AMADO ALGUÉM! EU AMO! MEU


CORAÇÃO SABE O QUE É ISSO! E VOCÊ QUE É AMARGURADA POR
NUNCA TER SE APAIXONADO?

O seu Henrique soltou as mãos da minha mãe do meu braço e se virou pra ela
dizendo:

Henrique: Lúcia, esse assunto já está encerrado. Já conversei com a Alice e


ela vai voltar pra Europa. E você, Laura, tem a vida pela frente. Sempre me
senti seu pai, mesmo você não sabendo. Sempre me preocupei com você.
Tenho certeza que logo esquecerá essa maluquice de adolescentes com a
Alice e vai se tornar a arquiteta da família, a herdeira da construtora! -- pegou
no meu ombro querendo demonstrar o carinho que nunca me deu
explicitamente.

Laura: Você é louco? Sua vida é feita de mentiras. Você é uma FRAUDE, seu
Henrique!

Ele me olhava fundo nos olhos e minha mãe continuava ao lado dele,
chorando.

Laura: Não ache que vou te chamar de papai! Vocês arruinaram meus sonhos!

Mãe: Chega disso, Laura! Você não é assim!

Laura: Assim o quê? Você quer dizer LÉSBICA? -- olhei fixamente nos seus
olhos.

Ela soltou um choro alto, sofrido, como se não acreditasse no que estava
ouvindo.

Laura: Não adianta chorar o leite derramado! E vocês, querendo ou não,


saibam que sou LÉSBICA SIM!

Eu nunca assumi nem pra mim mesma. Mas aquela era a hora de quebrar
todas as barreiras, de fazer escolhas e lutar pelo que eu queria! Minha mãe
caiu chorando nos braços do seu Henrique, que a segurou firme.

Laura: Eu NUNCA vou poder ter a pessoa que mais amo nesse mundo!
BOSTA! Vocês entendem que estou falando da minha irmã?

Sentia meu corpo queimando de raiva. Achei melhor acabar com aquilo tudo,
antes que me esgotasse ainda mais. Virei-me pra Paula e disse:

Laura: Vamos, Paula!

Fui em direção à porta. Antes de abri-la, me virei e soltei minhas últimas


palavras em direção a eles:

Laura: Eu não sou mais estagiária da sua construtora e nem quero ela pra mim!
Sou capaz de lutar com as próprias mãos para conseguir o que quero! Mas a
minha faculdade você vai continuar pagando, porque eu não tenho culpa pelas
besteiras que vocês fizeram na vida!

Saímos e bati a porta. Quando me virei, vi a Alice, chorando no sofá! Corri em


direção a ela e a abracei forte, não querendo soltá-la nunca mais. Ela
correspondeu, me abraçando também. O corpo quente com o qual eu passei
infinitas noites agarrada, tremia. O cheiro que me deixava louca entrava no
meu nariz, tirando a minha razão!
Não queria ficar sem ela, mas entendia que isso era claramente proibido
naquele momento. Meu coração não me deixava acreditar naquilo tudo, ele
insistia em possuí-la, em não deixá-la partir. Ficamos um tempo abraçadas,
sentindo nossos corpos, nossas almas!

Laura: EU VOU TE AMAR PRA SEMPRE!

Ela não respondeu. Aquilo me desapontou, me tirou o chão, me matou por


dentro. Soltei-a e fui em direção ao meu quarto.

Laura: Paulinha, posso ficar na sua casa até saber o que vou fazer da vida?

Paula: Claro! Não precisava nem pedir, né?

Laura: A gente divide as contas e tal, pode ficar tranquila! -- disse ainda com
lágrimas nos olhos.

Paula: Não se preocupa com isso agora!

Peguei duas malas e comecei a juntar minhas roupas e minhas coisas íntimas.
De repente minha mãe entrou no quarto.

Mãe: Onde você vai, filha?

Laura: Mãe, preciso sair daqui! Por favor, entenda, esse lugar está acabando
comigo!

Mãe: Você vai pra casa da Paulinha?

Laura: Vou!

Mãe: Filha, EU TE AMO TANTO! -- me abraçou forte, me fazendo chorar ainda


mais.

Laura: Também TE AMO MUITO, mãe! Você é a pessoa mais importante da


minha vida!

Mãe: Posso te ligar e ir te ver?

Laura: Sempre que você quiser!

Minha raiva era do seu Henrique, pois eu sabia que ele nunca havia me
assumido por causa do status e da herança. Tinha certeza que minha mãe
havia se calado por todos esses anos para me dar uma educação de qualidade
e coisas boas.

Acabei de arrumar minhas coisas e fui saindo, quando avistei a caixinha de


música em cima da escrivaninha. Voltei, a abri e fiquei ali observando a
bailarinazinha dançando. Antes que as lembranças voltassem à tona, a fechei e
a coloquei dentro de uma das malas.
Despedi-me da minha mãe e saí pela porta dos fundos, evitando encontrar o
seu Henrique ou a Alice. Quando chegamos ao hall do prédio, não aguentei,
soltei as minhas coisas e me joguei no colo da Paulinha, para um abraço forte.

Laura: Ai, Paulinha! Tô perdida, tô sem chão!

Paula: Calma, meu amor! Já disse que estou com você!

Laura: O QUE EU FAÇO AGORA? EU NÃO CONSIGO ACREDITAR NESSA


HISTÓRIA!

Capítulo 58

A Paulinha passou os dedos suavemente no meu rosto, limpando as lágrimas


que caiam. Pegou na minha mão e disse:

Paula: Vamos, vamos pra casa!

Ela me confortava, me dava colo e sabia exatamente como cuidar de mim. Às


vezes eu me surpreendia da forma como a Paulinha me conhecia. Fomos de
táxi pro apartamento dela. Quando chegamos a Luíza estava acabando de tirar
o almoço do forno. Ela veio ao meu encontro e vendo minhas malas me
abraçou forte.

Luíza: Conta comigo, querida!

Laura: Pena que agora não sou mais sua estagiária!

Luíza: Como assim? -- me olhou espantada.

Laura: Não tem mais clima de eu ficar na construtora. A história foi confirmada
e não dá mais pra ficar lá!

Luíza: Você é boa no que faz, Laurinha. Vou te ajudar no que for preciso!

Laura: Obrigada, Lu!

Coloquei as malas num canto e me sentei no sofá. As meninas respeitaram


meu silêncio e foram pra cozinha. Eu fiquei ali, pensando como minha vida
havia mudado em tão pouco tempo.

“Até que ponto a Alice foi boa pra mim? Até o último dia em que estávamos
juntas? Por que eu tenho que amá-la?” As dúvidas pairavam na minha cabeça.
Eu não conseguia pensar em outra coisa sequer! “Eu vi que ela estava
abalada, mas ela não me disse que me ama!”

Paula: Laurinha, vem comer! -- gritando da cozinha, me arrancando dos


pensamentos loucos.
Laura: Desculpa, Paulinha, mas não vou comer.

Ela veio até a sala, parou na minha frente e cruzou os braços.

Paula: Laura, se comporte como uma mulher! Vai comer sim! Ou prefere que
eu te pegue no colo e dê na sua boquinha? -- me fazendo cócegas no final.

Laura: Tá bom, eu vou! Mas só porque foi a Luíza que fez! -- chegando na
cozinha e rindo pra Luíza.

Paula: Boba! -- ria.

As duas tentavam me distrair de todas as formas possíveis. Contavam piadas,


casinhos, tiravam sarro uma da outra.

Laura: Lu, a comida estava divina!

Luíza: E você não queria comer! -- sorriu.

Laura: Ia me arrepender depois, tenho certeza!

Paula: Laurinha, vamos dar uma volta agora?

Laura: Ah Paulinha, de boa, quero ficar quietinha, só isso.

Paula: Tudo bem, linda. Mas olha, vamos ficar com você!

Laura: Obrigada por tudo, gente. Se não fosse vocês, não sei como seria!

Levantei-me e dei um beijo em cada uma. Lavei os pratos enquanto as duas


continuavam tagarelando. Depois, tomei um banho quente. O dia estava frio e
bem nublado em São Paulo, tinha certeza que logo cairia um chuvão! Coloquei
meu pijama e me deitei no quarto de hóspedes, embaixo do edredom, me
cobrindo até a cabeça.

Logo a Paulinha entrou no quarto e se enfiou debaixo da coberta comigo.

Paula: Ei minha coisa linda! A Luíza foi pra casa dela, dar uma arrumada lá.
Posso ficar aqui com você?

Laura: Claro! -- sorri pra ela.

Paula: Tá tão frio e você tá tão quentinha e cheirosa! -- apertou minha


bochecha.

Laura: Posso chegar mais pertinho de você?

Paula: Por que não poderia?

Dizendo isso me abraçou gostoso pela cintura e se aproximou de mim. Eu me


sentia tão bem perto daquela garota. Tão protegida! A Paulinha sabia como me
tratar. Ela ficou ali, me olhando, tentando adivinhar o que eu pensava.

Laura: Alguém já te disse que seus olhos seus lindos?

Paula: Alguém já te disse que você é linda inteira?

Pronto, quebrou minhas pernas! Eu sabia que tudo aquilo não passava de
carinho entre amigas, quase irmãs. Não era malicioso. Não tinha nada de
sensual, era simplesmente admiração!

Ela mexia nos meus cabelos e sorria com os dentes branquinhos.

Paula: Vou amar ter você comigo todos os dias!

Laura: Eu também!

Paula: Não quero te ver triste, Laurinha!

Laura: Vai passar, Paulinha! Eu posso tá sendo burra, mas eu não acredito
totalmente nessa história. Não posso ser tão inocente!

Paula: Calma! Tudo vai se encaixar, Laurinha! Mas me diz uma coisa... e a
Mari?

Laura: Ela me cortou hoje no telefone, deve tá chateada comigo.

Paula: Ela gosta muito de você! É mais do que visível e ela não faz mais
questão de esconder de ninguém.

Laura: Eu sinto uma coisa muito forte por ela. Eu gosto de estar perto dela, dos
carinhos. Seus beijos me deixam completamente louca! O jeito como ela me
pega, me domina... É tudo muito bom!

Paula: Então não deixa uma pessoa assim escapar, amiga!

Laura: Ela precisa do tempo dela e eu do meu.

Paula: Engraçado você nunca ter percebido nada vindo dela.

Laura: Depois, pensando, as coisas começaram a se encaixar! Eu sempre me


dei muito bem com ela, sempre me senti à vontade na sua presença. Nunca
havia pensado em ficar com a Mariana, mas depois daquele dia na boate, que
ela me provocou, eu comecei a olhá-la com outros olhos. Depois do primeiro
beijo, na faculdade, eu me pegava pensando nela e tal. Agora não sei mais de
nada. Essa história com a Alice tá me deixando louca! E eu gosto da Mari! --
comecei a me desesperar.

Paula: Calma, Laurinha! Esquece um pouco tudo isso.. Vem cá!


Abraçou-me e enroscou meu rosto no seu pescoço. Ficamos naquela posição
um bom tempo.

Paula: Te amo, linda! -- disse no meu ouvido.

Laura: Eu também te amo, MUITO! -- dei-lhe um beijinho.

Logo peguei no sono, aninhada nos seus braços. Acordei um tempo depois
com a Paulinha me dando um beijo no rosto.

Paula: Laurinha, vamos comer um lanchinho? Você dormiu a tarde toda!

Laura: Tô sem fome, Paulinha! -- me virei pro outro lado para voltar a dormir.

Ela me abraçou, ficando de conchinha e cochichou no meu ouvido.

Paula: Pensei em pedir um Mc pra gente! O que acha?

Laura: Jura? -- disse manhosa.

Paula: Sabia que você ia querer! Vem comer que ele já tá na mesa te
esperando! -- me deu um tapa na bunda e riu.

Laura: Sua tratante! Vem cá! -- agarrei-a pelo pescoço e a enchi de beijos --
Cadê a Lu?

Paula: Tá na casa dela. Disse que vai ter que terminar uns serviços pra levar
amanhã.

Laura: Hum, entendi. Então quer dizer que você é só minha hoje?

Paula: Inteiramente sua! -- ela riu.

Capítulo 59

Pegando a minha mão, me levou até a sala e trouxe o meu Big Mc. Ficamos
vendo tv, conversando besteiras e rindo do Silvio Santos. Gente, vocês têm
que admitir, o cara é bizarro!

Paula: Agora que você acabou o lanche, tem uma sobremesa!

Laura: O quêee?

Paula: Tortinha de banana!

Laura: Não creiooo! Que delíciaaa!


Falem a verdade, a Paulinha não é uma fofa? Ela se preocupava comigo e eu a
amava muito. Depois que comemos e conversamos mais um pouco, meu
celular tocou.

Laura: Alô?

Mari: Oi Laurinha! Tudo bom?

Laura: Tá indo, Mari. E você?

Mari: Também. Você me desculpa por hoje?

Laura: Para de coisa! Não tem que pedir desculpas de nada, eu que lhe peço
desculpas.

Mari: Eu sei que fui impaciente.

Laura: A gente tava nervosa! Deixa eu te falar uma coisa?

Mari: Fala.

Laura: Tô com saudades de você... Me abandonou! -- disse manhosa.

Mari: Eu também tô com saudades! Não abandonei, só acho que você precisa
de um tempo pra colocar a cabeça no lugar e depois conversar comigo, só
isso.

Laura: Eu te entendo. E fico feliz que me entenda.

Mari: Você tá aonde?

Laura: Tô na Paulinha. Saí de casa, não quero mais ficar lá.

Mari: Se você precisar de mim, vou estar aqui, linda.

Laura: Eu sei. E eu preciso de você, do seu colo, do seu cheirinho, de você


toda! -- disse fazendo drama.

Mari: É sério! Mas olha, a gente se fala depois, tá bom?

Laura: É impressão minha ou você está me cortando de novo?

Mari: Impressão, Laurinha! Eu também não tô muito bem. Depois a gente se


fala, é melhor.

Laura: Tá. Olha, eu gosto tanto de você!

Mari: E eu não tenho problemas em te falar... TE AMO!


Laura: Linda! Beijos.

Mari: Beijos!

Olhei pra Paulinha que me fitava apreensiva.

Laura: Era a Mari.

Paula: E aí?!

Laura: Não sei, Paulinha! Ela tá meio distante de mim. Eu gosto dela, sei que
gosto; Eu sou apaixonada pela Alice, amo a Alice, mas se essa história for
realmente verdadeira em todos os pontos, não quero mais vê-la, não quero
sofrer!

Paula: Isso quer dizer o quê?

Laura: Eu acho que quero tentar com a Mari, ela me faz tão bem!

Paula: Laurinha, vou dar uma de advogado do diabo agora. Dá um tempo antes
de começar um relacionamento com a Mari! Não a machuque tentando
esquecer a Alice!

Laura: Você tem razão, amiga. Mas tô sentindo tanta falta dela!

Paula: Calma, dá um tempinho pra ela. Não é de hoje pra amanhã que ela vai
deixar de gostar de você!

Fiquei ali no sofá, pensando em como eu queria que a Mari estivesse ali.
Enquanto isso a Paulinha se matava de rir vendo tv.

Tudo era muito recente ainda. Eu estava um pouco decepcionada com a Alice,
da forma que ela fez. Não deveria ter escondido isso o tempo todo de mim, me
fazendo pensar milhões de coisas. Não deveria ter me ignorado e me tratado
mal do jeito que me tratou. E acima de tudo, ela não deveria ter me contado a
história no meio da rua, na frente de todo mundo!

Mas apesar de tudo que sofri, ainda amava aquela garota e ainda a desejava
como nunca. O que mais me deixava louca era que eu sabia que irmãs não
podiam se desejar tanto assim, é diferente, por isso eu ainda desconfiava de
tudo aquilo. Mesmo sabendo de toda a história, eu queria a Alice pra mim.

Mas e a Mari? Eu não sabia... só queria estar com ela. Com a Mari era outra
coisa. Eu adorava o jeito que ela me pegava, como me usava e como fazia eu
me sentir desejada. A maneira como ela me valorizava, como me olhava e
como me beijava. Era mágico. E o que me deixava mais encantada é que
nunca imaginei que a minha amiga de infância, de todos os dias de colégio, me
despertaria sensações tão... tão... prazerosas!

Sempre fui uma pessoa ausente de preconceitos. Nunca havia ficado com uma
menina. Nunca havia pensado em ficar com uma. Mas também nunca torci o
nariz pra quem tinha atração pelo mesmo sexo.

De repente minha vida se transformou. Estava entre duas mulheres


completamente maravilhosas: a que era apaixonada não quer nem me ver
pintada de ouro. A que me amava, não conseguia retribuir! Complicado isso!

SMACK! Um beijo estralado no meu rosto me tirou dos meus pensamentos.


Olhei pro lado e vi a Paulinha me fitando e sorrindo.

Laura: Que foi, amor? -- sorri também.

Paula: Tava tão linda pensativa! Não aguentei! -- riu.

Laura: Boba! -- dei um tabefe nela.

Paula: Eu gamo em quem me bate! -- fez cara de safada.

Laura: Tá, eu retiro o tapa!

Paula: Acho bom! -- sorriu de canto.

Ela chegou bem pertinho de mim e passou os dedos sobre meus cabelos.
Olhou-me bem no fundo dos meus olhos e disse:

Paula: Se você beijasse bem, te beijaria agora mesmo! Mas lembrei de como é
um fiasco! -- ela riu.

Laura: O QUÊ? -- fiquei indignada!

Paula: É, beija mal pra burro! Tadinha!

Laura: Se liga, querida! Fica de boa aí! -- disse brincando.

Paula: Não costumo perder uma mulher que entra em casa. Mas no seu caso
prefiro passar a vez! -- ria alto.

Laura: Ih! Vai começar... a rainha das mulheres! -- eu ri também -- Quem disse
que se você quisesse me beijar eu ia querer também, ô folgada?

Paula: DÚVIDO que não!

Laura: NÃO MESMO! Aliás, acho que quem tá com vontade de beijar é você!

Paula: Se eu quisesse, você já estava na minha faz tempo!

Laura: E se eu quisesse você já tinha perdido a cabeça, meu bem!

Paula: Coitada, com esse beijinho mequetrefe?


Não aguentei aquela provocação! Num movimento rápido me sentei no seu
colo, de frente pra ela, encaixando-a entre as minhas pernas. Aproximei a
minha boca da dela, que me olhava espantada, com os olhos arregalados.

Laura: Duvido que agora você quer que eu saia daqui! -- disse roçando meus
lábios no dela.

Paula: Se começar vai ter que continuar, Laura! -- ela estava um pouco
trêmula.

Laura: Tá tremendo por que, rainha das mulheres?

Paula: Você me pegou de surpresa!

Laura: ADORO surpresas! -- ainda naquela posição.

Foram segundos intensos olhando naqueles olhos verdes penetrantes. Nossas


bocas já se tocavam, mas nenhuma de nós queria dar o braço a torcer. Aquilo
era simplesmente uma diversão recíproca!

Laura: Manda eu sair daqui! -- segurei sua nuca.

Paula: Já disse, você escolhe, se começar vai ter que continuar! -- pegou firme
na minha cintura.

Laura: Hum! Tá querendo agora?

Paula: E se estiver?

Laura: Então quer dizer que não beijo tão mal!

Paula: Na verdade, nem lembro direito -- sorriu lindamente.

Laura: Você tá querendo que eu sei, Paula!

Paula: Você quem veio pra cima de mim, lembra?

Laura: PEDE!

Paula: Nem em sonho!

Laura: PEDE e larga de orgulho!

Paula: Você só pode estar louca!

Laura: PEDE E EU TE DOU O QUE VOCÊ QUISER!

Paula: ME DÁ UM BEIJO, PORRA! -- fiquei totalmente surpresa e esbocei um


risinho no rosto.
Sem deixá-la pensar muito, colei os meus lábios nos dela e minha língua
invadiu a sua boca. Com violência mordi seus lábios e suguei sua língua. Ela
me puxou mais perto dela e levou as mãos grandes até minha bunda. Beijava-a
com força e bagunçava seus cabelos.

Não estava nem aí pra nada, afinal, estava solteira e começando a ser
ignorada pela segunda mulher que eu havia ficado. Um beijo gostoso, violento,
quente e envolvente. Suas mãos me tomavam por inteira e tenho que dizer, a
Paulinha era muito boa! Em todos os sentidos! Mulher grande, forte, durinha,
gostosa! Tinha onde pegar, apertar e morder. Era firme, pegava gostoso e
sabia onde tocar!

Quando percebi que o amasso ia passar daquilo, parei.

Laura: Retira o que disse ou ainda acha que beijo mal?

Paula: Ainda estou fazendo testes!

Puxou-me novamente e voltou a me beijar. Segurou-me forte, nem que eu


quisesse eu sairia dali. Mas estava gostoso!

De repente pensei: “Mais uma amiga?”

Laura: Calma, Paulinha!

Paula: Que foi?

Laura: A gente endoidou, cara!

Paula: Porra! O que a gente fez? -- percebi que a ficha dela também caiu.

Laura: Foi brincadeira, só isso! -- sorri.

Paula: É, tem razão! -- ela riu passando a mão sobre a boca, limpando-a.

Sentei novamente no sofá, mas percebi que ela não conseguiu se restabelecer.

Paula: Quer água?

Laura: Não, obrigada!

Foi até a cozinha e bebeu um copo cheio de água. Voltou dizendo:

Paula: Tenho seu filme preferido aqui, quer assistir comigo?

Laura: NÃO CREIO que você tem!

A Paulinha pegou o DVD e deu play. Sim, “Mamma Mia!” realmente era meu
filme favorito!
Eu cantava as músicas enquanto assistia, a Paulinha achava graça naquilo.
Filme alegre, feliz e contagiante, era o que eu estava precisando pra me sentir
renovada! Depois que o filme acabou ainda ficamos vendo um pouco de tv.
Olhei no meu celular e nada da Mari dar um sinal. Muito menos a Alice, claro!

Laura: Linda, vou deitar! Boa noite!

Paula: Boa noite, Laurinha! Até amanhã. Dorme com os anjos!

Laura: Você também!

Fui pro quarto dei uma arrumadinha nas minhas coisas, apaguei a luz,
deixando um abajur aceso e me deitei. De novo os pensamentos voltaram. Eu
tentava dormir, parar de pensar um pouco na Alice, mas era praticamente
impossível. Aquela garota me tomava completamente a cabeça.

Foi quando vi a porta do quarto abrir e a Paulinha entrar.

Paula: Posso me deitar com você?

Laura: Claro!

Dei espaço e ela se deitou. Estava frio e nos cobrimos com o edredom. O
abajur era fraco então não a enxergava direito. Ela tocou a minha cintura e se
aproximou do meu rosto.

Paula: Posso te falar uma coisa?

Laura: Fala linda!

Paula: Você beija muito bem!

Laura: Que bom que admitiu! -- eu ri.

Paula: E eu quero te beijar de novo!

Capítulo 60

Não pensei duas vezes. Um mulherão daqueles me pedindo um beijo, não era
de se negar. Segurei seu rosto, dessa vez com delicadeza e a beijei de leve.
Suas mãos me tocavam com carinho, devagar, me provocando arrepios. Meus
lábios se encaixavam nos seus e minha língua tocava a sua. Era um beijo
calmo, parecia tímido. Parei por um momento dizendo:

Laura: Isso não é legal com a Luíza!


Paula: Shhh!

Ela calou a minha boca com mais um beijo. Decidi deixar rolar, afinal, acho que
sempre tivemos uma queda uma pela outra. Então que ficássemos de uma vez
por todas.

A Paulinha foi aproximando mais ainda seu corpo do meu, até que nos
grudamos totalmente, durante um beijo afobado, sussurrado, melado! Suas
mãos foram pra debaixo da minha blusa e tocavam as minhas costas. As
minhas puxavam seu pescoço e apertavam sua nuca.

Paula: O que você quer, Laurinha? -- disse baixinho no meu ouvido.

Laura: Como assim? -- eu estava ofegante

Paula: Parar ou continuar?

Laura: Você quer que eu responda o quê?

Ela parou, parecendo pensar um pouco.

Laura: Perdeu, gata! Pensou demais!

Soltei-a e me distanciei.

Paula: Eu adoro ver você bravinha!

Laura: Tá na dúvida?

Paula: Não! Só tava pensando em que posição vou querer te comer! -- ela riu.

Laura: Quem disse que vou dar pra você?

Paula: Seus arrepios te entregaram!

Laura: Já passou!

Paula: Isso é fácil de conseguir de novo!

Laura: Fala a verdade, você sempre me quis na sua cama! -- ri.

Paula: de quatro ainda! -- ela riu mais.

*******

A Paulinha acendeu a luz, no interruptor que ficava em cima da cama e me


olhou.

Laura: Que foi?


Paula: Queria ver se tinha ficado vermelha!

Laura: E?

Paula: Não ficou, quer dizer que você é bem safadinha!

Eu apaguei novamente.

Paula: Me cortou?

Laura: Gosto de pouca luz!

Paula: Por quê?

Laura: Me dá mais tesão!

Paula: Tá querendo o quê? -- pegou de leve na minha bunda.

Laura: O mesmo que você!

Paula: Você sabe o que eu quero? -- me provocando.

Laura: Posso ser direta?

Paula: Claro!

Beijei-a novamente, dessa vez com vontade, força. Peguei-a pela cintura e ela
rapidamente veio pra cima de mim. Apertava-me, chupava meu pescoço e
lambia minha orelha.

Laura: Você quer SEXO! -- disse baixinho no ouvido dela.

Paula: E você? quer? -- sussurrou lambendo a minha orelha.

Laura: Quero!

Paula: Quer o quê? -- não se contentando com a minha resposta.

Laura: Quero que você me coma!

Ela riu e não esperou, puxou minha blusa e tirou meu sutiã. Beijava-me e
passava as mãos nos meus seios, massageando-os. Abriu as minhas pernas e
se colocou entre elas. Mordia minha boca e sorria com safadeza.

Tirei seu moletom e arranhando suas costas grandes, desabotoei o sutiã. “Que
costas GOSTOSA, PORRA!” Desci com as mãos até a sua barriga durinha,
coloquei-as dentro da sua calça e apertei sua bunda, puxando para que nossos
corpos ficassem ainda mais próximos.

Com aquele mulherão sobre mim, estava sem ar. Ela não me deixava respirar.
Mas eu não queria que ela saísse dali. Desceu as mãos até a minha calça e a
tirou. Passou os dedos sobre o meu sexo rapidamente, me fazendo gemer alto,
fechando os olhos com força.

Paula: Do jeito que eu gosto!

Ela mesma tirou sua calça e se colocou novamente entre as minhas pernas.
Puxei-a contra mim, fazendo nossos sexos se tocarem.

Paula: Você é mais gostosa do que eu imaginava, Laura! -- disse gemendo no


meu ouvido.

Eu mordia seu pescoço, enquanto pegava em seus mamilos. Ela me segurava


forte, descendo sua boca até meus seios. Chupava, lambia, sugava,
mordiscava. DEMAIS! Eu só consegui arranhar suas costas.

Foi lambendo minha barriga bem devagarzinho, enquanto apertava minha


bunda. Beijou minhas coxas e abriu mais ainda minhas pernas. Alcançou
minha virilha, mas não tocou meu sexo.

Laura: VAI, PORRA!

Ela riu. Primeiro colocou a língua de leve, fazendo meu corpo todo se arrepiar.
Depois invadiu com violência, sugando. Um calor inexplicável me atingiu.
Arranquei o edredom de cima de nós e pressionava sua cabeça contra meu
sexo. Vi estrelas, constelações, planetas! Gemia alto e sem querer, rebolava
pra ela!

A Paula sabia onde pegar, onde tocar, o que fazer! Dava para perceber sua
experiência no corpo feminino. Não deixava a desejar. Realmente era uma
deusa na cama!

A sua língua me fez gozar repetidas vezes. Enquanto eu praticamente gritava


de tanto tesão. Ela veio ao encontro da minha boca, passou a língua nos meus
lábios e disse baixinho:

Paula: Quer mais?

Laura: QUERO! -- respondi sem frescura.

Sorriu, me pegou forte pela cintura e disse:

Paula: VIRA!

Laura: Vou realizar seu sonho!

Já sabia o quanto ela sabia dar prazer à outra mulher, então me virei sem
receio nenhum! Ela me fez ficar de quatro, enquanto beijava minha nuca,
descendo sobre as minhas costas. Suas mãos massageavam meus seios.
Alcançou minha bunda e mordia feito louca. Voltou, e aproximou seu corpo do
meu. Estava queimando! Enquanto lambia minhas costas, uma das mãos
desceu lentamente até o meu sexo. Seus dedos me penetraram com
delicadeza. Eu jogava minha cabeça para trás e gemia alto. Agora ela já me
mordia e me penetrava cada vez mais rápido!

Paula: Você é uma delícia, Laura!

Quando ouvi isso, sentindo seu corpo suado sobre o meu e seus dedos dentro
de mim, gozei com vontade, longamente! Rapidamente me virei, empurrei-a
com força, fazendo-a deitar e me joguei sobre seu corpo.

Paula: Hum! Que gostoso! -- puxando meu cabelo.

Fui direto aos seus seios, passando de leve a língua nos mamilos. Ela me
apertava toda e suspirava feito doida. Enquanto isso, penetrei meus dedos em
seu sexo. Explorava cada canto. Ela estava totalmente, absolutamente,
molhada! Percebi que ela tentava se conter, prolongar, mas diante dos meus
dedos desesperados, gozou rápido. Com pressa para sentir seu gosto, levei
minha boca até seu sexo, lambendo-a por completo. A Paulinha gemia alto,
desesperadamente.

Paula: Mais, Laura! MAIS!

Apertava suas coxas gostosas e colocava minha língua dentro dela. Até que
meus dedos também a penetraram novamente. Ela se contorcia, tremia. Estava
totalmente entregue, rendida! Quando chupei com força, senti-a amolecendo
nos meus braços e suspirando alto... gozou novamente!

Subi até sua boca e a beijei, alternando entre violência e delicadeza. Ela
passava as mãos sobre meu corpo, tocando cada parte!

Paula: Você é inteira boa, Laura!

Laura: O que foi isso, hein?

Paula: O quê?

Laura: Que acabamos de fazer!

Paula: SEXO, ué!

Laura: Eu sei, boba!

Paula: Matamos nosso desejo contido!

Laura: Adorei você abusando de mim! GOSTOSA!

Ela me beijou novamente e nos cobriu.

Paula: Eu morria de vontade disso!


Laura: Sabe que eu também?

Paula: Você é sempre amarrada em alguém. Eu tinha que aproveitar essa


oportunidade!

Laura: Fez bem. Adorei SEXO com você! -- dando um selinho nela.

Paula: Sempre à disposição. SEXO é sempre muito bom!

Laura: Só que você namora! -- eu sorri.

Paula: SEXO sem compromisso é mais gostoso ainda!

Laura: Isso eu tenho que concordar!

Paula: Posso dormir aqui com você?

Laura: CLARO!

Eu me virei a convidando para que fizesse uma conchinha. Ela rapidamente


veio e me abraçou por trás, entrelaçando suas pernas nas minhas.

Ficou ali, passando a mão sobre a minha barriga e dando beijinhos de leve no
meu pescoço. Tava uma delícia! Ela grudou mais ainda o corpo no meu, se
esfregando de leve. Eu já estava ficando louquinha de novo. Percebendo
minha respiração ofegante, começou a passar a mão de leve nos meus seios.

Laura: Incrível como você me deixa louca rapidinho!

Paula: Você gosta? -- dizendo no meu ouvido.

Laura: ADORO!

Paula: E se eu colocar os dedos aqui?

Rapidamente colocou uma das mãos sobre o meu sexo, enquanto a outra
ainda estava nos meus seios.

Laura: Aí eu vou gozar rapidinho!

Eu já estava toda arrepiada de novo, quando ela me penetrou, bem


devagarzinho. Se esfregava em mim e lambia meu pescoço. Coloquei a mão
pra trás e alcancei seu sexo. No meu ouvido dizia sacanagens, enquanto eu
gemia. Não demorou muito e gozamos juntas.

Paula: GOSTOSA!

Ela continuou ali, de conchinha, fazendo carinho no meu cabelo. Depois de um


tempinho, pegamos no sono.
Capítulo 61

No dia seguinte, acordei e notei que estava sozinha na cama. Virei-me e vi uma
bandeja no criado mudo, com café da manhã e um bilhetinho que dizia:

“Bom dia, Laurinha! Fui trabalhar, quando acordar me liga no celular. ADOREI
A NOITE!
Beijos”

A Paula era fofa, mas nem um pouco boba! Aquele bilhetinho não a incriminava
nem um pouco, afinal, podia ter sido escrito por qualquer pessoa. E era isso
que eu amava nela: a cordialidade e a esperteza. Ri por dentro e me sentei na
cama dando uma mordida na maçã.

Eu não tinha ido à aula e nem sabia se queria ir tão cedo. Minha vida estava de
cabeça pra baixo. E se não tivesse sido a noite regada a sexo com a minha
melhor amiga, com certeza eu iria acordar toda borocoxô!

Peguei o celular e olhei a hora. Já passavam das 10 da manhã! Notei que


havia uma mensagem de texto. “Laurinha, bom dia, aconteceu alguma coisa?
Você não avisou que ia faltar. Qualquer coisa me liga, zé roela! Beijos! Dani.”

Como sempre, bem delicada essa minha amiga. Disquei pro celular da
Paulinha.

Paula: Alô?

Laura: Oi Paulinha!

Paula: Oi linda, tudo bom? Tomou café?

Laura: Já tomei sim, obrigada. E você? Trabalhando muito?

Paula: Demais! Arranja alguma coisa pra fazer, tá? Não quero você trancafiada
em casa.

Laura: Pode deixar! Beijo, bom trabalho!

Paula: Obrigada, beijo!

Desliguei e notei que havia nenhum sinal da Mari. “Será que eu tô perdendo a
Mariana também? Será que não seria o caso de eu ligar pra ela?”

Decidi dar mais um tempinho, esperar até o dia seguinte, talvez. Levantei-me e
tomei um banho demorado. Logo depois, dei uma geral no quarto e no
apartamento. Quando terminei, notei que não tinha absolutamente nada pra
fazer. Não tava a fim de almoçar sozinha e eu sabia que a Paulinha almoçava
na rua em dia de trabalho. Foi quando escutei meu celular tocando.

Laura: Alô?

Dani: Laurinha! Tudo bom? Não recebeu minha mensagem?

Laura: Tudo Dani! Recebi sim, mas ainda não tinha dado pra responder.

Dani: E por que não foi pra aula?

Laura: Não tô passando muito bem, amiga! Se melhorar amanhã eu vou, tá?

Dani: Laura, eu te conheço... você não tá doente!

Laura: É, não tô! Só não estou disposta, só isso.

Dani: Quer conversar?

Laura: Não é nada Dani, pode ficar tranquila!

Dani: Promete que vai amanhã? Se quiser a gente mata aula e vai dar um role!

Laura: Aluna aplicada você! -- eu ri.

Dani: Tudo pelas amigas, meu amor!

Laura: Tudo bem, eu vou.

Dani: Vou te esperar, ok? Beijo!

Laura: Beijo!

Desliguei e me sentei no sofá. Eu odiava ficar sem fazer nada. Pior que vegetar
é ficar fazendo fotossíntese, olhando pro nada! Eu não queria de jeito nenhum
ficar pensando na Alice, coisa que já estava começando a acontecer.

Ainda era hora do almoço e a Paulinha ia demorar pra chegar pra me distrair.
Eu tinha que fazer alguma coisa.

Mari. Mari. Mari. Decidi enviar uma mensagem no celular dela: “Saudades,
linda! Beijos!” Esperei um pouco e não obtive resposta. “Porra, já passei por
isso antes!”

Fiquei rodando feito uma barata tonta no apartamento. Olhei na janela e São
Paulo estava totalmente nublada, com um vento bem forte. Logo ia chegar o
outono e isso era de se esperar! Foi quando, olhando aquele clima nostálgico
que eu amava, decidi fazer um bolo. Eu não cozinhava muito bem, mas lembro
perfeitamente de quando a Mari me ensinou a fazer um bolo de cenoura, há
muito tempo.
Não sei o porquê, mas esse dia do bolo, que aconteceu há anos, eu nunca
esqueci. Nem havia anotado a receita, mas a decorei. Lembro que era um dia
de inverno, um frio bem intenso e eu e a Mari estávamos estudando para uma
prova de química. Ela estava com a calça vinho do colégio e um moletom cinza
quando decidiu que faria um bolo especial pra mim. Fomos até a cozinha e
fiquei reparando em como ela preparava. Ia me ensinando, fingindo ser a Ana
Maria Braga e eu ria demais dela. Por fim, fez uma calda de chocolate durinha
que dizia ser um segredo dela, mas que mesmo assim me ensinou.
Simultaneamente ela preparou um capuccino.

Senti uma lágrima escorrendo no meu rosto pelas lembranças. Uma culpa
bateu no meu peito por eu ter me esquecido, por um tempo, esses momentos
que já vivi com pessoas especiais. Por que será que quando a gente se
apaixona por alguém parece que nada mais importa? Mas a gente sabe que
importa e que fez diferença na nossa vida.

Fui até minha bolsa pegar o dinheiro pra comprar os ingredientes. Eu queria a
todo custo fazer esse bolo. Quando abri minha carteira, me deparei com uma
foto minha com a Mari e a Dani. Aí sim as lágrimas saltaram de vez. Como
fazia falta o tempo que passávamos juntas, que ríamos e nos divertíamos. A
última vez foi aquele dia do cinema, quando a Alice chegou!

Eu olhava a foto me lembrando das coisas bobas que já passamos e que elas
podiam estar ali comigo. Mas a Dani nem sabia de toda a situação e a Mari,
mais do que envolvida, não tava a fim de me ver.

Veio-me à cabeça o dia em que tiramos a foto, no último aniversário da Mari, o


de 18 anos. Saímos só nós três para comer pizza. O quanto a gente riu, como
nos abraçávamos e o quanto a gente enchia a Mari de beijos por ela ter
atingido a maioridade. Lembrei-me de que não importava a ocasião e nem o
lugar, a Mari sempre fazia questão de se sentar ao meu lado e pegar na minha
mão. Era comum isso pra gente!

Notei que eu não tinha nenhuma foto da Alice. As únicas lembranças de tudo
que vivemos era a caixinha de músicas e o colar que ainda estava no meu
pescoço.

Enxuguei as lágrimas, fechei a carteira rapidamente e desci a caminho do


supermercado para comprar os ingredientes. Andei calmamente pela rua,
observando aquele mundaréu de gente correndo, trabalhando, se chocando
uns nos outros. Eu definitivamente amava São Paulo! Povo louco! Olhar o
modo como as pessoas se comportavam me distraiu um pouco.

Depois de tudo devidamente comprado, voltei pro apartamento e comecei a


preparar o bolo. Liguei o rádio e fiquei ouvindo uns CDs que a Paulinha tinha.
Coloquei a misturada no forno e esperei assar enquanto fazia a cobertura.
Logo que assou joguei a cobertura e esperei um pouco. Como de esperado ela
ficou durinha, como a Mari havia me ensinado!
Sem pensar peguei meu celular e liguei pra ela. Chamou, chamou, chamou, até
que ela atendeu!

Mari: Alô?

Laura: Oi!

Mari: Oi Laurinha!

Laura: Tudo bom?

Mari: Aham, e você?

Laura: Sim! Não recebeu minha mensagem?

Mari: Recebi, Laurinha. Mas ainda não havia dado tempo de responder. Tô
com aula hoje à tarde. Tô na faculdade ainda!

Laura: Desculpa interromper então! Beijo! -- desliguei sem ouvir o que ela
respondeu.

“Poxa, mas não podia me responder rapidinho?”

Por que eu tava querendo cobrar alguma coisa da Mari se ela nunca me cobrou
nada? Por que essa falta imensa dela? Não deu 5 minutos e eu ouvi o celular
apitando, uma mensagem!

“Entenda que EU TE AMO, Laura!”

Capítulo 62

Era da Mari. Subiu-me um calor tão forte no meu coração que eu não sabia o
porquê! Apertei o celular na minha mão e o joguei longe, contra a parede! Caiu,
se partindo em alguns pedaços. Larguei-o lá e voltei pra cozinha.

Preparei um capuccino e arrumei a mesa para um café. Logo a Paulinha ia


chegar. Tomei um copo de água pra tentar me acalmar e colocar os
pensamentos no lugar. “Porra, agora nem celular eu tenho! Só faço bosta!”

Sentei-me numa cadeira na cozinha e apoiei minha cabeça sobre os braços, na


mesa.

.........: Oi linda!

Dei um pulo da cadeira e vi a Paulinha atrás de mim. Eu havia cochilado por


um momento. Ela estava com um terninho cinza, toda social.

Paula: Que cheiro bom! O que você aprontou aí? -- disse olhando pra mesa.

Laura: Eu fiz um lanche pra quando você chegasse. Um bolo de cenoura e um


capuccino. Nada de mais!

Paula: Hum, QUE DELÍCIA! Vamos comer? -- ela ainda segurava a pasta do
trabalho na mão.

Laura: Pode tomar um banho, eu te espero! -- sorri.

Ela esticou a mão e me deu o celular arrumado.

Paula: Só saiu a bateria.

Laura: Obrigada, foi um momento de loucura!

Paula: Tudo bem! Daqui a pouco a gente conversa, já volto -- e saiu pro
banheiro.

Mesmo meu celular estando ligado, eu mesma o desliguei. Chega dessas


palhaçadas!

Logo a Paulinha apareceu, de banho tomado e moletom.

Paula: Quero experimentar logo esse bolo! -- sorriu.

Eu cortei um pedaço, coloquei num pratinho e enchi a xícara de capuccino.

Paula: Tá uma delícia, muito prendada você!

Laura: A Mari que me ensinou -- sorri.

Paula: E ela? Deu sinal?

Contei pra Paulinha todo o ocorrido e ela novamente me pediu paciência com a
Mari, por ela estar com a cabeça confusa. Comemos até a barriga estufar e
ficamos vendo TV. Novelas e mais novelas. Até que decidi ir dormir, queria ir
pra faculdade no dia seguinte.

Deitei na cama e liguei novamente meu celular. Nada de ninguém! Tava me


sentindo a última pessoa no planeta. A verdadeira Brigitte Jones! Eu não sabia
o que ia fazer em relação aos acontecimentos.

A Alice!

A Mari!

Será que deveria realmente esquecer a Alice? Mas eu a amava! O que devo
fazer com a Mari? O tempo que a gente ficou juntas foi tão curto, mas tão
intenso! O carinho que eu sinto por ela é tão forte, praticamente inexplicável!

Coloquei meu celular pra despertar pro dia seguinte e me virei pra tentar
dormir. Já estava cochilando quando acordei assustada.

Paula: Você tá bem, amiga?

Laura: Ahn? -- sonolenta -- Tô sim, Paulinha!

Paula: Achei que você veio dormir tão cedo.

Laura: É porque quero ir pra aula amanhã!

Paula: Então tá, boa noite meu amor!

Aproximou-se e deu um beijinho na bochecha e um abraço apertado.

Laura: Te amo, viu? Não sei nem como lhe agradecer por tudo!

Paula: Também te amo, Laurinha! Não tem do que agradecer, somos amigas e
pra sempre! -- me deu um cheiro no rosto -- Se precisar pode me chamar, tá?

Laura: Tá bom, linda!

Deu-me mais um beijinho e saiu fechando a porta. Eu me virei novamente e


fiquei ali tentando pegar no sono de novo. Encostei o nariz no travesseiro e
senti o cheiro da Paula. Imediatamente me lembrei da noite anterior. “QUE
LOUCURA!”

A Paula era madura o suficiente pra saber que aquela noite foi somente sexo e
nada mais. Era minha melhor amiga e quem nunca teve fetiche com a melhor
amiga? Falem a verdade, vá! Por um momento me senti uma pervertida. Até
um tempo atrás eu só ficava com caras, poucos por sinal. Daí veio a Alice, a
Mari e agora a Paula. “SENHOR! ILUMINA!”

São coisas da vida... gosto de sexo e de mulher (essa segunda opção soube a
pouco tempo). Não poderia perder a oportunidade daquele mulherão na minha
cama, querendo passar a noite comigo! Logo consegui pegar no sono e dormi.

No dia seguinte acordei com o despertador. Levantei, me troquei e me ajeitei


pra aula. Peguei a minha mochila e fui pra cozinha. Quando entrei pela porta, vi
a Paulinha encostada na pia tomando uma xícara de café.

“NOSSA!” Espantei-me da forma como ela estava linda! Toda de preto, de salto
e uma maquiagem leve. Sensualíssima. Eu nada a ver, com minha calça e
jaqueta jeans, ainda vestia um moletom com capuz embaixo da jaqueta por
causa do frio.

Paula: Bom dia! -- me tirou do transe.


Laura: Bom dia! -- sorri.

Paula: Vai pra aula?

Laura: Aham! -- fui entrando e pegando o suco na mesa.

Paula: É bom, assim você se distrai!

Laura: É, vamos ver -- tentava não olhar pra ela.

Paula: Que foi? -- colocou a xícara na pia e se aproximou de mim.

Laura: Nada ué! -- me arrepiei inteira.

Paula: Você tá estranha.

Laura: Só tô com um pouco de sono ainda! -- eu tentava me fixar no bolo que


havia sobrado do dia anterior. Não queria dar mole pra ela. Não queria que ela
notasse o quanto a achei linda naquela roupa.

Paula: Olha pra mim! -- segurando meu braço.

“Não faz isso pelo amor de Deus! Porra! Por que quando uma pessoa faz sexo
extremamente bem, a gente quer sempre mais?”

Laura: Fala! -- olhei nos olhos dela.

Paula: Te fiz alguma coisa?

Laura: Claro que não, Paulinha! Tá louca, cara? Só tô com sono mesmo! -- me
desvencilhando da sua mão.

Paula: Tudo bem então! Diz aí, gostou do figurino? Tenho uma reunião hoje!

Laura: Nossa, se gostei! -- esbocei um sorriso de canto.

Paula: Safada! -- me virou, jogando-me contra a mesa.

Laura: Opa, opa, opa! -- tentei sair daquela situação.

Paula: Qual o problema? -- disse me olhando fixamente.

Laura: O problema é que eu não quero mais problemas! -- sorri sem graça e
coloquei o copo na pia.

Paula: Comigo você não terá problemas, Laurinha, pode ficar tranquila! -- disse
se virando pra mim novamente.

Laura: Acho que a Luíza não tá dando conta, hein? -- brinquei.


Paula: Não mesmo! -- não acreditei!

Laura: Ih! Duro! -- eu tentava sair logo dali.

Paula: Pois é! -- ela se encostou na porta que eu ia sair.

Laura: De boa, amiga, qual é?

Paula: Nada, você tá tão lindinha, pronta pra aula!

Laura: Ih, Paula, vira o disco, vai! Para de ser safada e deixa eu ir pra
faculdade!

Ela riu e eu fui saindo em direção à porta. Ainda consegui ouvi-la gritando:

Paula: Boa aula, Laurinha!

Fechei a porta e saí! Não queria nem pensar em me envolver sentimentalmente


com a Paulinha. Ela era uma amiga muito fofa, mas já percebi o tipo dela: fazia
a gente se apaixonar e depois corria atrás de outro rabo de saia. Já estava com
dilemas e problemas demais!

Peguei o caminho pra faculdade e chegando lá, logo encontrei a Dani. Ela veio
correndo e me deu abraço apertado, como se quisesse me dizer algo!

Laura: Oi minha ogrinha!

Dani: Oi bebê!

Laura: Nossa, Dani, você realmente é de lua!

Dani: Vamos dar um role por aí?

Laura: Role aonde filha de Deus?

Dani: Sei lá!

Laura: Vai chover, não quero ficar debaixo de água fria!

Dani: Vamos ali na lanchonete que eu quero um café com pão de queijo, não
comi direito ainda!

Laura: Mas e a aula?

Dani: Depois as meninas passam a matéria. Não tem nada de mais hoje!

Laura: Tá bom, vai! Também tô com um pouco de fome ainda -- claro, tive que
sair fugida da Paula, né?
Fomos até a lanchonete e nos sentamos numa mesinha. A Dani pegou um pão
de queijo pra cada uma e uma xícara de café pra ela e capuccino pra mim.
Voltou e se sentou. Começou a comer e num susto disse:

Dani: Vai amiga, FALA!

Capítulo 63

Laura: Fala o quê? -- eu não entendi.

Dani: Fala o porquê você tá assim! E o porquê você tá morando com a Paula!

Laura: Como você sabe?

Dani: Ué, eu liguei na sua casa e sua mãe me contou. Mas não entrou muito
em detalhes.

Laura: É uma história muito longa, amiga. Acho que você não está preparada
pra ouvir.

Dani: Laurinha, não fala assim! Sempre fomos amigas e sempre estive disposta
a te ouvir. Sei que não estamos mais tão próximas porque agora você tem sua
vida, seu estágio e tal, mas sempre vou ser a sua Danizinha!

Laura: Dani, não tenho mais estágio, não tenho mais vida praticamente!

Dani: Como assim? Fala de uma vez, cara!

Laura: Tudo por causa do meu coração, que é um idiota!

Dani: Se você não falar logo, juro que te esgano! -- eu ri.

Laura: Tá, mas se prepara, acho que você nunca esperou isso de mim!

Dani: Matou alguém, foi?

Laura: Credo! Claro que não!

Dani: Só isso que eu não queria ouvir! Do resto, sou sua amiga e vou estar do
seu lado.

Laura: Eu e a Alice.

Dani: Aham, o que tem?

Laura: Estávamos namorando!


Dani: Aham, sei! E aí?

Laura: Como assim? Que naturalidade é essa?

Dani: Eu já sabia!

Laura: Como assim já sabia?

Dani: Qualquer um notava, Laurinha! Esse seu colar aí te entregou de vez!

Laura: E por que nunca me falou? -- eu estava espantada.

Dani: Tava esperando você vir me contar. Aliás, obrigada! Se dependesse de


você eu seria a retardatária da história, até sua mãe soube antes de mim!

Laura: OW, peraí! Você tá sabendo demais já!

Dani: Sério? Eu não podia estar sabendo?

Laura: Não é isso! Você é mais esperta do que eu imaginava! -- ri.

Dani: A questão é que eu tenho uma amiga que confia em mim!

Laura: Como assim?

Dani: Esqueceu a Mari?

Eu arregalei os olhos e virei a xícara de capuccino de uma vez só. Sempre


fazia isso quando estava nervosa. Senti minha língua pegando fogo, devido à
quentura do líquido. Abri a boca tentando buscar ar e coloquei as mãos nos
olhos. Estava queimando demais! A Dani se levantou correndo, pedindo um
copo de água pro garçom. Tenho que admitir, a cena foi cômica.

Dani: Você tá louca, Laura?

Laura: Putz! Desculpa, fiquei nervosa! É uma história muito complicada!

Dani: Eu sei!

Laura: Quando você falou da Mari eu me lembrei que a envolve também!

Dani: Tá, Laurinha. Vou adiantar seu lado. Eu sei de tudo já, beleza? Queria
que você me contasse, mas fica aí dando faniquito!

Laura: A Mari te contou?

Dani: A Mari SEMPRE me contou TUDO! Desde há muito tempo!

Laura: Como assim?


Dani: Laurinha, a Mariana sempre gostou de você! Ela é doida, completamente
apaixonada por você! Eu nunca vi um amor tão louco quanto o dela! Você que
nunca percebeu!

Laura: Poxa! -- abaixei a cabeça.

Dani: Quando a Alice voltou e todo mundo reparou o quanto você estava
apaixonada por ela, eu pensei comigo mesma “Isso vai dar merda!”.

Laura: Como você pode ver, já deu né?

Dani: Pois é! Vocês são irmãs mesmo?

Laura: Ao que tudo indica, sim!

Dani: Não sei nem o que te falar, Laurinha, porque eu sei o quanto gosta dela!
Mas posso mandar a real?

Laura: Fala!

Dani: Minha torcida é pela Mariana!

Laura: Isso já era de se imaginar, né?

Dani: Cara, não quero que você fique comovida com nada disso! Mas só eu sei
o quanto essa garota sofreu por você todos esses anos e como ela ficou
completamente feliz quando vocês ficaram! Ela não conseguia se conter de
felicidade!

Laura: Dani, é foda! Eu sempre deixei claro pra ela que amo a Alice! Gosto de
ficar com a Mari e tal, mas acontece que eu acho que ela tá começando a
sofrer mais ainda.

Dani: Ela tá triste com a situação. Mas fazer o que, né? A gente não manda no
nosso coração!

Laura: Pois é! Gosto tanto da Mari! Mas amo tanto a Alice!

Fui fraca! Abaixei minha cabeça na mesa e comecei a chorar. Estava tudo
muito péssimo. A Dani se aproximou e me abraçou.

Dani: Calma, amor! Não fica assim!

Laura: Ah Dani, eu não quero a Mari triste! Tô começando a achar que eu não
deveria ter ficado com ela. Hoje só eu estaria sofrendo!

Dani: Para, boba! Não tem nada a ver! Você ficou porque sente alguma coisa
por ela. Eu sei que você sente! Tá guardadinho ainda aí no seu coração que a
Alice devastou. Mas logo você vai perceber!
Laura: Eu queria tanto ela aqui comigo, gosto tanto dela, Dani!

Dani: Eu sei, eu sei! Ela só quer dar um tempinho pra você, deixa a Mariana
um pouco quieta.

Laura: Acho que ela quer me castigar, pelo tanto que já fiz ela sofrer!

Dani: Não fala assim, Laurinha! Ela te ama tanto, não seja injusta!

Nesse momento eu levantei o meu rosto, passei as mãos limpando minhas


lágrimas e olhei fundo nos olhos da Dani.

Laura: E por que ela não me deixa mais ficar com ela? Eu só queria estar com
ela, PORRA!

Dani: Boca suja, coisa feia! Não é assim que uma dama se comporta. Vai me
bater também é?

Não aguentei e ri diante do que ela tinha dito. A Daniela tinha o dom de
infernizar as pessoas.

Dani: A Mari não tá aqui, mas eu tô! -- eu a olhei com uma cara de dúvida --
Não querida, eu não quero te agarrar e muito menos ficar com você, não é
minha praia. Mas tive uma ideia!

Capítulo 64

Laura: Fala, meu trastezinho!

Dani: Vou te levar num lugar SUPER legal pra você se sentir melhor!

Laura: Posso saber onde?

Dani: Vamos fazer as unhas, cabelo e cuidar da cútis!

Laura: ADOREI!

Pegamos um táxi e a Dani deu as coordenadas para o motorista. Era longe


daquela região. Fomos parar numa das ruas que corta a Berrini, próximo à
marginal Pinheiros.

Laura: Nossa, não podia ser mais perto? -- eu ri.

Dani: sempre faço questão de vir até aqui. O salão é ótimo e o pessoal muito
legal!
Passei o dia com a Dani no salão. Tinha um espaço de café, com lanches para
almoço e tal, por isso comemos por lá mesmo. Realmente o lugar era muito
legal. Na verdade era um espaço onde só iam altas executivas, mas percebi
que era como se fosse um refúgio delas, onde podiam fofocar, desabafar e rir.

Foi bom para a minha vista. Afinal, uma mulher mais linda que a outra! Fiz
unha, limpeza de pele, massagens e cabelo. Decidi fazer um corte diferente e
repicar geral. Achei que ficou diferente, legal até! Como não tenho os cabelos
totalmente lisos, ficou charmoso, atual.

Já era final de tarde quando voltamos para casa. Eu fiquei na Av. Paulista e a
Dani seguiu para a casa dela.

Olhei pro relógio e imaginei que a Paulinha já tinha chegado. Subi para o
apartamento, abri a porta e lá estava ela, esparramada no sofá. Quando me
viu, deu um pulo, se sentando.

Laura: Oooi! -- fechando a porta.

Paula: NOSSA! -- sorriu de canto.

Laura: O quê?

Paula: Como você tá LINDA, Laura!

Laura: Obrigada! Fui num salão com a Dani. Tô me sentindo renovada --


andando em direção ao quarto.

Percebi que a Paulinha veio atrás, feito um cachorro sem dono. Joguei minha
mochila na cama e fui pegar uma roupa na mala pra tomar banho. Quando me
virei, a vi encostada na porta, com os braços cruzados.

Laura: Ihhh! Me erra, Paulinha!

Paula: Você esnoba demais, Laurinha! -- sorrindo com safadeza.

Laura: Linda, não é por nada, mas não tô a fim de mais problemas!

Paula: Mas que problemas?

Laura: Deixa eu ir tomar um banho, vai!

Quando fui sair do quarto, a Paulinha me puxou pela cintura, me fazendo ficar
de frente pra ela.

Laura: Paula, para!

Paula: Agora você tá negando?

Laura: Não fala comigo como se eu fosse qualquer uma das suas! -- olhei
brava pra ela.

Paula: É pecado querer um corpo tão perfeito quanto o seu?

Laura: Se liga, Paula! A Luíza é linda e tem o corpo mil vezes melhor que o
meu! Você tá é com safadeza. Como você mesma disse, todas que entram na
sua casa não escapam!

Paula: Deixa eu te dar um beijo! -- sorriu perto da minha boca.

Laura: NÃO! Deixa eu tomar um banho!

Paula: Tá bom! Sem brincadeiras mais, desculpa!

Eu saí em direção ao banheiro e fechei a porta. A Paula era linda, gostosa, um


tesão de mulher, mas não dava! Não era a boca dela que eu queria. SACO!

Tomei um banho rápido, me troquei e saí do banheiro. Ouvi a Paulinha gritando


da cozinha.

Paula: Laurinha, vem comer! Fiz macarrão pra gente.

Fui até a cozinha e já tinha um prato cheio me esperando na mesa.

Laura: Obrigada, Paulinha! -- sorri pra ela.

Comemos em silêncio. Eu sentia seus olhos me perseguindo, mesmo eu


olhando pro meu prato. Acabei, me levantei e peguei nossos pratos pra lavar.

Laura: Tava uma delícia!

Paula: Obrigada! -- sorriu.

Laura: E a Luíza?

Paula: Tá bem. Tá bastante ocupada já que agora não tem mais uma
estagiária!

Laura: Hum, entendi. Logo ela arranja outra! -- sorri pra ela.

Terminei de lavar os pratos e dar uma geral na cozinha. A Paula já estava na


sala, vendo TV. Sentei-me e ficamos vendo novelas, conversando besteiras.
Contei sobre a conversa com a Dani e que até então a Mari não tinha me dado
sinal de vida, que estava meio chateada. Mas logo ela mudou de assunto, acho
que pra não me deixar mais pra baixo.

Quando deu certa hora, decidi ir me deitar, afinal, queria ir pra faculdade.
Levantei-me, fui até a cozinha pegar um copo de água. Alcancei o armário e
quando fui me virar pra pegar a água levei um susto com a Paulinha atrás de
mim.
Laura: Aiii! Encosto! O que foi?

Paula: Calma, queria água também!

Laura: Ah tá! Desculpa, eu me assustei.

Paula: Percebi!

Virei-me de frente pra ela, que obstruía a minha passagem. Peguei na cintura
dela como se pedisse licença. Foi quando ela segurou meus braços e com
rapidez me virou, me jogando contra a mesa.

Laura: OPA!

Rapidamente levou seu nariz até o meu pescoço e me cheirou como se me


sugasse.

Laura: Calma, Paulinha!

Ela me olhou e eu percebi que a força que ela fazia diminuiu. Então, mais do
que rápido, eu me soltei e saí correndo pro quarto rindo, deixando o copo em
cima da mesa. Ela veio atrás. Entrei pulando na cama, me encolhendo no
canto. A Paulinha, forte como só ela, me pegou e me virou, ficando por cima de
mim.

Laura: Você anda muito violenta comigo!

Paula: DÚVIDO que você não gosta!

Laura: Não gosto de mulher bruta, gosto de mulher delicada!

Paula: Ainda bem que você não gosta de mulher como eu, então. Assim não
precisamos nos relacionar, além de sexo.

Laura: Aliás, você anda muito cara de pau! -- olhando nos seus olhos.

Paula: E você anda muito gostosa! PORRA!

Dizendo isso levou sua boca até a minha, me dando um beijo forte, violento,
agressivo. Sua língua invadia minha boca como se estivesse me beijando à
força. Suas mãos apertavam minha cintura.

Laura: Para, Paula!

Paula: O que foi?

Laura: Pô, meu! Você só pensa nisso agora?

Paula: Não aguento, Laura!


Laura: Pois aguente! Somos amigas e pra mim aquela noite não passou de
sexo. Não quer dizer que temos que fazer isso todos os dias. Não força,
Paulinha!

Paula: Você tem razão, me desculpa, Laurinha! -- se levantando sem graça.

Laura: Parece cadela no cio! Sai fora, cara! -- eu ria dela.

Paula: Ah, vai se fuder!

Laura: Vou ligar pra Luíza, dizendo que você tá na falta, Deus o livre!

Paula: Engraçadinha! Posso só dormir com você então?

Laura: Só se você pegar o meu copo de água que ficou na cozinha!

Ela foi correndo na cozinha e logo voltou com o copo. Deitou-se ao meu lado e
a abracei de frente. Era muito bom dormir com ela, parecia um ursão gostoso!

No dia seguinte acordei e fui pra faculdade. Durante a aula, uma das
professoras comentou sobre um intercâmbio de um semestre que a faculdade
proporcionaria a alguns estudantes, numa escola de arquitetura em Nova
Iorque. Meus olhos brilharam e imaginei como aquilo seria perfeito!

“Será que não é isso que eu preciso pra esquecer um pouco as coisas que
estão acontecendo?”

No intervalo conversei sobre o assunto com a professora que me deu o site da


escola e algumas coisas pra eu pesquisar, ver se era mesmo o que eu queria.

Saí da faculdade e pensei que tinha que fazer alguma coisa naquela tarde. Não
queria ficar a toda novamente! Me deu uma vontade imensa de andar de roller,
porém o meu havia ficado no meu quarto, em casa.

O dia estava frio e eu queria sentir o vento no meu rosto. Decidi ir buscar!
Entraria pela porta dos fundos e pegaria rapidinho, sem ninguém me ver.

Foi o que eu fiz! Fui até o apartamento e entrei pelo acesso dos funcionários.
Cheguei no meu quarto, peguei o roller e o coloquei na mochila. Quando ia
saindo, me lembrei do intercâmbio na faculdade em Nova Iorque.

“O seu Henrique não deve estar em casa, acho que vou pegar uns livros na
biblioteca pra fazer a pesquisa que a professora me pediu!”

Devagar fui em direção à biblioteca. Eu sabia que a Alice estava ensaiando e o


apartamento estaria deserto naquele horário.
Entrei e comecei a procurar entre as estantes e prateleiras. Era tudo
organizado por área e ordem alfabética de títulos. Foi quando encontrei uma
caixa revestida de couro. Levei-a até a mesa e a abri.

Estava repleta de fotos. Meus olhos se encheram de lágrimas quando vi uma


da Alice pequenininha.

“PORRA! Como eu amo essa garota!”

Via as fotos, me lembrando de algumas. Eu já não conseguia me conter. Me


sentei na cadeira e abracei uma da Alice, pequenina, sem os dentinhos da
frente. Depois de um tempo tentando me recompor, continuei mexendo na
caixa.

Até que encontrei uma em que estávamos eu, a Alice e o seu Henrique. Eu e a
Alice devíamos ter uns 6 aninhos. Na foto, o seu Henrique estava abaixado,
com os joelhos dobrados e eu e a Alice em pé, uma de cada lado dele.
Comecei a reparar nos nossos traços. Realmente eu era parecida com ele.
Meus cabelos negros, minha pele branca, minha boca avermelhada!

“Mas peraí!”

Comecei a notar a Alice. Ela não era absolutamente nada parecida com o seu
Henrique. Quando era pequena os cabelos eram loiros, porém a pele era mais
moreninha que a nossa. A boca, o sorriso, nada dele! Muito menos os olhos cor
de mel. Nossos olhos eram completamente negros!

“Será?”

Eu não me lembrava muito bem da mãe da Alice. Ela podia ser parecida com a
mãe. Comecei a remexer compulsivamente naquela caixa. Depois de um
tempo revirando, encontrei uma foto da mulher. SIM! Boca, rosto, cabelos,
mãos! Tudo parecido! A não ser o que eu mais amava nela: seus olhos!

Os olhos da mãe da Alice eram azul água, praticamente transparentes, e


tinham um formato grande. Os olhos da menina pela qual eu era perdidamente
apaixonada eram bem delineados, num formato diferente, lindo e cor de mel...
nada parecido com o daquela mulher e muito menos com o do seu Henrique!

“Deve ser parecido com o da avó ou avô! Mas eu nem os conheço! SACO!”

Novamente me afundei naquela caixa. Revirei, revirei, revirei! Quando já estava


desistindo, achei uma foto com a mãe da Alice, seu Henrique e um povão! Mas
não conhecia ninguém. Virei a foto e notei uma legenda escrita à mão:

“Paris, sogros e cunhados.”

BINGO!
Reparei, reparei, reparei! Nada! Ninguém com olhos fascinantes como aqueles!

De repente meu coração se encheu de alegria!

“Eu não posso estar enganada! NÃO POSSO! A Alice não é minha irmã!”

Mais do que rápido, coloquei as 3 fotos na mochila e guardei o resto na caixa, a


devolvendo na prateleira. Saí correndo da biblioteca, não querendo nem mais
ver os livros que eu precisava.

Quando estava passando pela sala, ouvi o elevador apitar, anunciando que a
porta iria se abrir. Me encolhi num canto, atrás de uma cortina e esperei. Pude
ver a Alice e o Alessandro saindo.

Minhas pernas ficaram bambas, eu não sabia o que fazer! Me arrepiei toda e
suspirei fundo pra não chorar! Notei que ela estava com o shortinho curto e o
top, que usava para ensaiar, ou seja, ela só estava acompanhando-o até a
porta!

Quando os perdi de vista, subi correndo as escadas. Eu precisava vê-la.


Precisava olhar nos seus olhos novamente. Só eu e ela!

Capítulo 66

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Cheguei ao terceiro andar e reparei na porta aberta do estúdio.

“Com certeza ela está voltando, nunca deixa a porta aberta!”

Entrei e coloquei minha mochila no chão. Fiquei ali, encostada numa barra de
apoio da parede, de braços cruzados. Escutei novamente o apito do elevador!

“É ELA!”

Vi a Alice entrando rápido no estúdio e fechando a porta, não notando a minha


presença.

Laura: Oi!

Ela me olhou pálida, muda, estática, parando onde estava!

Laura: Tudo bom? – fui me aproximando dela.

Alice:Tu... tudo! – parecia nervosa.

Laura: Ensaiando bastante? – ainda caminhando.


Alice: Nem tanto! – estava imóvel.

Laura: Hum! – parei a poucos centímetros dela.

Nesse momento, senti aquele cheiro maravilhoso. Fixei meu olhar nos olhos
cor de mel e sorri. Ela abaixou a cabeça, não querendo me ver.

Eu estava agindo por impulso, sem planejar, sem nem pensar! Puro instinto!

Num movimento rápido a abracei com força. Seu corpo quente colado no meu
era tudo que eu mais queria. Senti suas mãos envolverem meu pescoço e seus
dedos se enroscarem nos meus cabelos, do jeito que eu amava! Juntei minha
boca no seu pescoço e o beijei demoradamente, ao mesmo tempo que uma
lágrima caía dos meus olhos.

Alice: Ai Laura! – percebi sua voz trêmula.

Laura: Não fala nada! Só me abraça!

Continuamos um bom tempo daquele jeito, sentindo a paixão uma pela outra.

Separei nossos corpos e segurei seu rosto com as duas mãos. Limpei suas
lágrimas que caíam e acariciei sua bochecha. Ela ainda me segurava pelo
pescoço.

Devagar fui chegando mais perto. Eu precisava tanto dela!

Quando me dei conta, nossos lábios se colaram. Sua língua invadiu a minha
boca com timidez. A minha respondeu se enroscando ainda mais na dela. Foi
quando nos grudamos totalmente, naquele encaixe perfeito, profundo, quente!
A Abracei com força, queria levá-la embora comigo! A Alice também me
colocou em seus braços, tão fortemente que parecia não querer me soltar
nunca mais!

“Ah! Que saudade dessa boca, desses braços, desse cheiro, dessa mulher!”

A gente se beijava com paixão, carinho e devagarzinho, como se


precisássemos sentir cada gostinho daquilo. Minha respiração estava no
mesmo ritmo da dela e eu podia sentir sua pele nas pontas dos meus dedos.
Quando nossas bocas se separaram rapidamente para continuar aquele beijo,
sussurrei entre seus lábios:

Laura: EU AMO VOCÊ!

Foi quando, mais do que rápido, num susto, a Alice se separou de mim, dando
um salto para trás.

Laura: Que foi? – fui chegando perto dela de novo.

Alice: Laura, somos irmãs, lembra?


Laura: Pára Alice, olha pra mim e pra você! Consegue enxergar alguma
semelhança entre nós?

Alice: Essa não é a questão Laura! O que é igual na gente, corre entre nossas
veias!

Laura: Pára de não querer enxergar a verdade! Irmãs não sentem tanta paixão,
tanto tesão assim uma pela outra!

Alice: Chega, Laura! Chega! Você quer enganar a quem?

Laura: Ninguém! Pelo contrário, quero esclarecer TUDO!

Alice: Então facilita as nossas vidas e sai daqui!

Eu fiquei perplexa, ela tava me expulsando na cara dura!

Laura: O que? Como você disse?

Alice: SAI DAQUI!

Laura: Você deve estar louca, cega, totalmente insana!

Alice: Eu ou VOCÊ? Pára de coisa! Todo mundo já confirmou e você insiste em


não enxergar!

Laura: Tudo bem, Alice! Tudo bem!

Peguei minha mochila do chão e a coloquei nas costas. Saí do estúdio batendo
a porta com força, sem nem olhar pra ela.

Não consegui derramar uma lágrima sequer depois disso. Eu estava


começando a ficar com raiva daquela situação! Eu tinha certeza que não
éramos irmãs! A Alice nunca se importou em ver se era verdade ou não!

“Coração BURRO!”

Quando cheguei no hall do prédio me sentei num banco e coloquei o roller no


pé. Liguei meu Ipod e fui em direção à rua.

Patinando cheguei à Paulista rapidinho. As calçadas foram refeitas e dá pra


andar bem por lá. Eu corria aceleradamente, acho que a 1.000 por hora. Não
conseguia nem ver os rostos das pessoas que passavam por mim, estava
concentrada na música e nos meus pensamentos.

“EU NÃO SOU IRMÃ DA ALICE!”

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Estava revoltada com toda aquela situação. Sentia uma angústia no peito, um
vazio!

Atravessei a Paulista em menos de 20 minutos! Sentia o vento cortar o meu


rosto, realmente estava bem gelado! Decidi, então, tomar um café no Fran’s.

Cheguei ao local e escolhi uma mesinha, na área externa mesmo, pra não ter
que tirar o roller dos pés. Logo fiz o pedido: capuccino e pão de queijo.
ADORO! Coloquei a mochila na cadeira ao lado e fiquei ouvindo as músicas do
ipod.

Quando, de repente, sinto o meu celular vibrar no bolso. Olhei no visor: 1


mensagem!

“I still hear your voice, when you sleep next to me


I still feel your touch in my dream
Forgive me my weakness, but I don’t know why
Without you it’s hard to survive.”

MARI!

“NÃO ACREDITO!”

Ela sabia o quanto eu amava aquela música.

“Everytime We Touch” – Cascada.

Aquele trecho era o início da música. Me lembrei das inúmeras vezes que
dançamos ao som daquela batida e o quanto a gente amava cantá-la alto,
olhando uma pra outra!

“Ai que saudade de tudo!”

Decidi responder com a sequência da letra:

“Cause everytime we touch, I get this feeling.


And everytime we kiss I swear I can fly.
Can’t you feel my heart beat fast, I want this to last.
Need you by my side.”

Não deu 2 minutos e ela me respondeu a mensagem com a sequência do


refrão:

“Cause everytime we touch, I feel this static.


And everytime we kiss, I reach for the sky.
Can’t you hear my heart beat slow
I can’t let you go.
Want you in my life.”
“Ai, meu Deus, que menina MARAVILHOSA! Que vontade imensa da Mari
estar aqui comigo!”

Eu fiquei feliz pelo simples fato de ela dar um sinal de vida. Estava começando
a perceber o quanto aquela menina fazia falta pra mim!

Eu estava lá, toda boba olhando as mensagens, e nem reparei que uma
pessoa se sentou na minha frente.

..........: Oi Laurinha!

Laura: VINI???

Vini: Quanto tempo, hein?

Só essa que me faltava. O mala do Vinícius!

Laura: É, pois é! – voltei a olhar no meu celular.

Vini: Não te vi mais por aí, gata!

Laura: Então! Verdade! – concentrada na tela do aparelho.

Minha vontade era de falar: “Ai, sai daqui garoto! Me erra!”

Ele ficava lá, falando igual uma maritaca e não se tocava que eu não queria a
presença dele ali. Me concentrei e escrevi a seqüência da música pra Mari:

“Your arms are my castle, your heart is my sky.


They wipe away tears that I cry.
The good and the bad times, we’ve been trough them all.
You make me rise when I fall.”

Esperei a resposta com os olhos grudados na tela do celular. Nem ligava mais
pro Vinícius ali. Pela saco!

“Aiii, cadê?”

.............: Cause everytime we touch, I get this feeling. And everytime we kiss I
swear I can fly! – senti alguém sussurrando no meu ouvido.

Dei um pulo da cadeira e quase caí por conta do roller no pé! Porém, a mesma
pessoa me segurou por trás, me colocando em pé novamente. Me virei
rapidamente e meu rosto ficou a apenas alguns centímetros do dela!

“Ah! Mari!”

Ela sorriu e eu sorri!


“LINDA!”

A abracei com toda força que eu tinha!

Laura: Não foge de mim!

Mari: Eu vim por você!

Beijei seu pescoço e senti seu cheirinho gostoso. Nos separamos e ficamos
bem próximas, cara a cara, olho no olho. Sem aguentar a vontade, roubei-lhe
um selinho.

Mari: Louca!

Laura: Estava com tanta saudade de você!

Mari: Eu também! - sorriu

Ela ainda me segurava pela cintura. Eu estava completamente feliz com ela ali!
Estávamos em outro mundo, somente eu e ela!

Foi quando me lembrei do Vinícius. Me virei e ele ainda estava sentado,


estático.

Vini: Você e a Mari? Se pegando? Eu não acredito! – com cara de paspalho.

Laura: Porque não acredita? E olha o respeito, aqui ninguém se pega não!

Vini: Não esperava isso de vocês, jamais!

Laura: Mari, vamos sentar em outra mesa, vem! – peguei na mão dela.

Vini: Não precisa, eu já estava indo embora!

Ele se levantou e foi. Sorri pra Mari e nos sentamos.

Laura: Como você sabia que eu estava aqui?

Mari: Laura, eu te conheço! Liguei pra Dani e ela me disse que você comentou
que tava a fim de andar de roller. Lembra quem sempre andava com você? E
quem sempre parava no Fran’s contigo pra tomar capuccino depois das voltas?

Era verdade! A Mari sempre me fazia companhia em tudo! Olhei pra ela e não
aguentei!

Laura: Você tá tão linda hoje!

Mari: Só hoje?

Laura: Você sabe que sempre foi! – apertei a sua bochecha.


Mari: Vou ali lavar as mãos, já volto!

Laura: Tá!

Fiquei reparando nela, no seu jeito, no seu cabelo. Como eu amava ver sua
franja de lado, caindo no olho. Ela estava com um jeans básico e um casaco de
moletom cinza, com o zíper fechado até o pescoço. Básica e linda! Voltou
dizendo:

Mari: Pedi um capuccino pra mim também! Tá frio, né?

Laura: Bastante! Ô Mari?

Mari: Fala Laurinha! – se ajeitando na cadeira.

Laura: Senta mais pertinho de mim!

Ela sorriu e arrastou a cadeira bem próxima a mim. Enrosquei meu braço no
dela e tive a impressão de que todos à nossa volta nos olhavam.

Laura: Não me abandona mais! Por favor!

Mari: Desculpa Laurinha! Eu só precisava de um tempo!

Tenho que admitir que um alívio muito grande surgiu no meu coração. Fazia
tempo que eu não sentia uma coisa boa, como estava sentindo naquele
momento. A tensão que eu havia passado minutos atrás com a Alice, havia
ficado pequena perto da felicidade em rever a Mari!

O jeito como ela me olhava, com carinho, diferente da Alice, que me via como
algo que repugnava!

Nosso pedido chegou e comemos devagar. Eu sempre amei tardes frias e


nubladas e a Mari sempre esteve comigo em dias assim, seja estudando para
alguma prova, assistindo um filme, ou rindo pela rua, somente para sentir o
vento gelado.

Mari: Tá bem frio, né?

Laura: Adoro quando suas bochechas ficam vermelhas por conta do vento! –
olhei-a sorrindo com os olhos.

Mari: Sua boca também fica! – colocando os dedos nos meus lábios.

“Ai ai, Mari!”

Os olhos pequenos me olhavam profundamente enquanto a boca rosada


armava um sorriso largo, maravilhoso.
Acabamos de comer e eu tirei o roller do pé. Queria ir caminhando com a Mari!

Nos levantamos, coloquei a mochila nas costas e pagamos a conta. Saímos do


Fran’s e eu peguei a sua mão.

Mari: Onde vamos?

Laura: Sinceramente? Não sei! Só quero ficar perto de você!

Mari: Linda! – sorriu pra mim!

Laura: Você quem manda!

Mari: Já sei! Tô com vontade de fazer uma coisa com você!

Ela foi me guiando e chegamos à estação Consolação. A Mari pegou dois


tickets e entramos num vagão.

Mari: Esse está perfeito!

Era meio de tarde e o metrô estava um tanto quanto vazio.

Quando o metrô começou a andar ela disse:

Mari: Me dá sua mochila, Laurinha!

Dei à ela que colocou nas costas. Imediatamente saiu correndo e saltou, se
pendurando num dos ferros de apoio.

Mari: VEM!

Eu não pensei duas vezes. Peguei impulso e pulei também! Ficamos rindo e se
balançando enquanto o metrô praticamente voava. As poucas pessoas que
haviam no vagão, pareciam se divertir com aquela cena.

Laura: É tão bom saber que temos uma pessoa que gosta das mesmas coisas
bobas que a gente!

Mari: Mais que das coisas bobas... eu gosto é de VOCÊ!

Capítulo 68

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Nos soltamos e, na estação seguinte, pegamos o metrô de volta.

Descemos na Paulista novamente e ficamos caminhando. O tempo parecia


voar e logo o fim da tarde chegou. A gente conversou bastante, rimos e
caminhamos.

Mari: Posso te levar pra casa?

Laura: Claro! Toma um lanche comigo e com a Paulinha também!

Mari: Tudo bem! – ela sorriu.

Fomos pro apartamento da Paulinha e ela já estava lá.

Laura: Oiii Paulinha! – dei um beijo no rosto dela. – A Mari veio tomar um
lanchinho com a gente!

Paula: Oi Laurinha. Oi Mari, tudo bem? – sorriu pra Mari.

Mari: Tudo bem, Paulinha!

Laura: Ahhh, Paulinha, sobrou o bolo que eu fiz ontem?

Paula: Sobrou sim! Vou fazer um café pra tomarmos junto!

Mari: Você fazendo bolo, Laurinha? – riu não acreditando no que tinha ouvido.

Laura: É, você vai ver!

Fomos pra cozinha e a Paulinha foi logo fazendo um café. A Mari se sentou e
eu fui logo sentando no colo dela, pegando a assadeira com o bolo.

Laura: Olha! – tirei o pano de prato que estava sobre ele.

A Mari ficou parada, olhando, parecendo não acreditar no que estava vendo!

Laura: O bolo que você me ensinou! Eu nunca esqueci!

Mari: Nossa! – sorriu.

A Paulinha olhava pra gente, com um semblante do tipo “ai que bonitinhas,
gente!”

Laura: Experimenta e vê se você aprova! – cortando um pedaço e colocando


em um pratinho pra ela.

Paula: Ó o cafézinhooo! – servindo as nossas xícaras.

A Mari pegou um pedaço do bolo com o garfinho e colocou na boca. Me olhou


e sorriu com a boca fechada.

Laura: E aííí???

Mari: Tá DELICIOSO, Laurinha! Nossa, você nunca esqueceu!


Laura: NUNCA ESQUECI! É a única coisa que eu sei fazer pra comer e foi
você quem me ensinou! – segurei seu rosto e dei um selinho na sua boca.

Tomamos o café em clima descontraído. Demos uma arrumadinha na cozinha


e fomos pra sala.

Paula: Meninas, fiquem à vontade! Eu trouxe serviço pra casa e vou pro meu
quarto dar uma organizada, qualquer coisa é só me chamarem, ok?

Laura: Tudo bem, Paulinha!

A Paulinha saiu e a Mari se sentou no sofá de frente pra mim, com a cabeça
relaxada no encosto. Fiz o mesmo e ficamos nos olhando. Ela passava os
dedos sobre os meus cabelos e o meu rosto, enquanto em segurava a sua
cintura.

Laura: Linda! – ela ficou sem graça.

Mari: Boba! – e riu.

Laura: Tô feliz de você estar aqui comigo!

Mari: Queria te fazer um convite!

Laura: QUAL?

Mari: Quer jantar comigo amanhã à noite?

Laura: CLARO! – levantei a cabeça, animada.

Mari: Mas em casa! Vou fazer um prato especial pra você!

Laura: MELHOR AINDA! – sorri e lhe beijei o rosto.

Mari: Que bom que gostou da ideia! – disse mordendo o lábio inferior.

Laura: Tô curiosa pra saber qual é o prato!

Mari: Só vai ver amanhã! Mas é nada de mais! Só quero fazer alguma coisa pra
você!

Laura: Você sabe que eu adoro sua comida!

Mari: Comida de quem você não gosta? – disse rindo.

Laura: Aiii! Insensível! – fechei a cara.

Rapidamente ela me puxou e desmanchou a minha cara feia com um beijo


delicioso na boca. Me acalmei rapidinho. Aquele beijo era como se fosse uma
anestesia, uma droga, me dopava por inteira e eu ficava sob seu controle.

Passou a língua sobre os meus lábios e eu, mais do que rápido, invadi a sua
boca. Estava com saudade daquele beijo gostoso, quente, envolvente e
apaixonado que ela sempre me dava. A Mari sempre me beijava como se fosse
a última vez, como se quisesse levar aquele gosto pra vida inteira.

Eu adorava quando ela aproximava tanto o seu rosto do meu, como seu
quisesse entrar dentro de mim.

“Ah, meu Deus!”

Aquela pegada gostosa que eu não sentia havia um bom tempo. O frio na
espinha novamente.

“O que é isso que ela me faz sentir?”

Esse tal arrepio que só ela fazia eu sentir. E ela sabia, porque sempre que eu
me tremia inteira, ela sorria com safadeza.

Era impossível parar de beijar aquela boca. A abracei forte e ela retribuiu.

“Língua, língua, língua... ôôô DELÍCIA!”

Ficamos o resto do tempo só se curtindo, trocando carinhos e beijos, às vezes


mais quentes, outras mais doces e encantadoras, mas sempre MUITO BONS!

Mari: Laurinha, preciso ir, tá tarde já! – disse olhando pro celular, vendo a hora.

Laura: Tem certeza? Fica aqui comigo?

Mari: Não dá, preciso dar uma organizada nas minhas coisas da faculdade.
Amanhã tenho algumas aulas importantes.

Laura: Tudo bem! – dei um selinho. – Não vejo a hora que chegue o jantar
amanhã!

Ela sorriu, me deu um beijo que me tirou o fôlego e se levantou. Se despediu


da Paulinha, que ainda trabalhava feito doida no quarto e foi até a porta.

Mari: Te vejo amanhã então, tá?

Laura: Tá! Me dá mais um beijo vai!

Ela sorriu com safadeza e novamente me pegou forte, me prensando contra a


porta.

“Ai, Mari!”

Pegou o elevador e desceu. Eu fiquei ali, estática, encantada com aquela


menina.

“Gostosa demais, pelo amor de Deus!”

CAPÍTULO 69: Capítulo 69


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Depois que a Mari foi embora, me despedi da Paulinha e fui me deitar. Ela
ainda estava atolada nos serviços.

No dia seguinte eu estava mais animada. Fui pra faculdade como de costume e
no intervalo, uma professora me interviu.

Professora: Laura? Posso falar com você?

Laura: Claro!

Professora: No dia que eu falei sobre o intercâmbio na faculdade em Nova


Iorque, percebi o seu interesse, até porque você me procurou no intervalo
naquele dia. Ainda está em pé essa sua vontade?

Laura: Eu adoraria ir pra Nova Iorque, ainda mais estudar, professora! Mas
acho que não estou num bom momento da minha vida! Acho que irei deixar
para outra ocasião.

Professora: Laura, você é uma ótima aluna e seria uma ótima representante da
nossa faculdade. Consegui com a coordenação do curso para que você passe
15 dias conhecendo as dependências do campus e experimentando assistir
algumas aulas. Se gostar e for do seu interesse, você é a nossa primeira opção
para o intercâmbio, a nossa pioneira!

Laura: Nossa, que honra professora! Mas não sei se posso aceitar, não sei se
estou num momento bom da minha vida! E eu sei que isso requer dedicação!

Professora: Olha, aqui estão os papéis necessários para você preencher para
participar desses 15 dias experimentais. Irão mais 3 alunos, porém de outros
cursos. Fique com os papéis e pense até semana que vem! Pense bem, ok?

Laura: Tudo bem, professora. Muito obrigada! – pegando os papéis e


guardando na minha mochila. – Vou pensar com carinho!

Professora: Me procura quando estiver totalmente decidida, tudo bem?

Laura: Pode deixar e mais uma vez obrigada!

A professora saiu e eu me sentei na minha cadeira pensando o quanto aquela


oportunidade era boa. Mas eu não podia aceitar, não estava bem comigo
mesma. E ainda tinha a história da Alice, da Mari e da minha mãe! Não podia
deixar tudo aqui e simplesmente fugir, como uma covarde. Na verdade eu
peguei o papel só para não decepcionar a professora, afinal, ela estava sendo
super atenciosa me dando essa chance de alcançar um sonho!

Mexendo na minha mochila, encontrei as fotos que havia pegado na biblioteca,


no dia anterior. Me perdi olhando-as.

“Ah! Alice! Você é louca!”

Dani: Ei, Laurinha, o que é isso? – me assustei, tentando guardar as fotos.

Laura: Não é nada!

Dani: Como nada? E eu sou tonta então?

Laura: Já disse que não é nada garota enxerida!

Dani: Valeu, hein? Vê-se mesmo que não somos mais amigas!

Laura: Ai Dani, sem dramas por favor!

Dani: Drama, Laura?

Laura: Dani, vai brigar comigo por causa da sua curiosidade?

Dani: Ãhn? Você tá louca, Laura? Olha só! – percebi que ela havia ficado
chateada.

Laura: Vem cá, me dá um abraço, vai? – me levantei indo na sua direção.

Dani: Não vem, Laura! – desviou, pegou o material da carteira, saindo.

Laura: Ei, você tá brincando, né? – fui atrás dela segurando seu braço. –
DANIELA!

Dani: Tá louca de me segurar assim? Solta! – puxou o braço.

Laura: Tudo isso só porque eu não te mostrei as coisas que estava mexendo?

Dani: Não, Laura! Simplesmente porque você não me conta mais nada, não
confia mais em mim!

Laura: Quem disse isso?

Dani: Laura, faz quanto tempo que você não me conta suas coisas? A última
vez quem me contou foi a Mari, eu já tava sabendo de tudo e se dependesse
de você até hoje eu estava sem saber!

Laura: Pára de coisa, Dani!


Dani: O dia que você decidir que ainda somos amigas, a gente conversa Laura!
– ameaçando ir embora.

Laura: Não faz isso, Daniela, vem cá!

Dani: Que foi?

Laura: Meu, eu te amo, você sabe amiga!

Dani: Então deixa eu ser sua amiga de novo, Laura, poxa!

Laura:Ttudo bem, é besteira minha! Vem cá, pra te provar, vou te mostrar o
que eu estava olhando! – peguei na mão dela e a puxei de volta pra minha
carteira. – Eram essas fotos!

Dani: você e a Alice pequenas? E o pai de vocês? E esse povo, quem é?

Laura: Dani, não é nosso pai! Me responde, quem se parece com ele nessa
foto?

Dani: Você!

Laura: Exatamente! A Alice não tem nenhum sinal do seu Henrique!

Dani: Isso eu tenho que concordar com você!

Laura: Esse povo é toda a família dela, da França! Ela se parece com a mãe,
mas alguém tem os olhos dela?

Dani: NÃO! – ela me olhou completamente assustada. – Onde você está


querendo chegar, Laura?

Laura: Eu não sei! Não estou convencida com toda essa história Dani!

Dani: Mas você quer alguma coisa com isso tudo, não? – já supondo que eu
queria a Alice de volta.

Laura: Eu só não acredito nisso tudo, porque o que aconteceu entre a gente foi
MUITO forte! Mas não sei se quero ir adiante ou enterro esse assunto!

Dani: Laurinha, ela vai voltar pra Europa, custe o que custar! E a Mari?

Laura: Eu sei! E eu acho que tô gostando da Mari! Não digo que estou amando
ou completamente apaixonada, porque a Alice ainda toma 50% da minha
cabeça, mas tô curtindo demais a Mari!

Dani: Então esquece amiga, não se machuque mais e mais!

Laura: Talvez você tenha razão, Dani!


Dani: Me dá um abraço, vai!

Laura: Ah! Agora você quer um abraço?

Dani: Boba, vem cá! – ela me puxou e me apertou nos seus braços. – Tá chega
senão você vai querer me agarrar também! – rimos alto.

Laura: Você é muito chata, Daniela!

CAPÍTULO 70: Capítulo 70


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Depois de conversar mais um tempo sobre as coisas do dia-a-dia com a Dani,


fomos almoçar num McDonald’s perto da faculdade mesmo. Contei que jantaria
com a Mari naquela noite e ela me convenceu a irmos comprar uma roupa legal
para a ocasião. A Dani sempre foi a companhia perfeita para passear em
shoppings e fazer compras.

Depois de entrarmos em umas 500 lojas (exagero, claro!), a Dani visualizou


uma roupa muito linda.

Dani: Laurinha, sua cara! Vamos entrar pra ver! Preto combina demais com
você, com seus olhos!

Laura: nossa, que profundo! Você serve pra ser personal stylist assim! – ria da
cara dela.

Realmente a roupa ficou muito bonita. Uma calça preta bem justa, sem bolsos,
o que ajudava a marcar ainda mais o corpo, e uma blusa de linho preta
também bem justa, principalmente nos braços, onde no pescoço se formava
um recorte na diagonal, com botões... o frio finalmente havia chegado em São
Paulo!

Paguei pela roupa e saímos. Já era final de tarde e eu precisava ir pra casa,
dar uma geral no visual. Me despedi da Dani e fui direto pro apartamento da
Paulinha.

Quando entrei encontrei um bilhetinho da minha amiga: “Laurinha, fui ao


mercado. Beijos!”.

Fui logo pro chuveiro, tomar um banho demorado. Eu tentava fazer as coisas
calmamente, mas a ansiedade estava me tomando a cada minuto que
passava. Eu nunca fiquei tão ansiosa assim em pensar que iria ver a Mari.
Tudo bem que os pais dela estariam em casa, mas só em imaginar que eu iria
estar perto dela novamente, aquele frio curioso na espinha já subia.

Terminei o banho e me arrumei calmamente. Coloquei uma lingerie preta que


já havia separado, afinal, ninguém sabe o que pode acontecer. Vesti a roupa,
fiz um make legal e passei um perfume marcante, daqueles que a gente usa no
primeiro encontro. Arrumei o cabelo e peguei minha bolsa. Quando fiquei
pronta o relógio já marcava o horário combinado.

Fui apressada em direção à porta e nem me dei conta que a Paulinha já estava
em casa.

Paula: NOSSA! – sentada no sofá.

Laura: Ai que sustooo amigaaa!

Paula: Vai sair, Laurinha? – disse se levantando.

Laura: Sim, vou jantar na casa da Mari! – sorri.

Paula: Nossa, você tá linda... cheirosa...! – sorriu com safadeza.

Laura: Ih, deixa eu ir embora senão a rainha da mulherada vai me agarrar! –


fingi sair correndo.

Paula: Boba, eu só tava indo beber água, viu? – disse rindo.

Laura: Eu tô brincando com você, tontona mais linda do mundo! – corri e


abracei-a.

Paula: Boa sorte, viu? Você sabe que torço por você! – me deu um beijo no
rosto.

Desci correndo e peguei o táxi. Logo já estava em frente à porta do


apartamento da Mari. Antes de tocar a campainha percebi que uma musiquinha
bem legal vinha de dentro do apartamento. Dei uma arrumada com as mãos no
cabelo e apertei a campainha.

“NOSSA!”

A Mari abriu a porta, simplesmente LINDA!

“PAPAI, ME SEGURA!”

Os cabelos ruivos ainda estavam de lado, mas de um jeito diferente, que eu


nunca vi. Os olhos delineados de preto fortemente, deixando-os ainda mais
fechados e charmosos. A boca, com um gloss totalmente chamativo, parecia
clamar por um beijo quente. As sardinhas evidentes, ela sabia que eu adorava.

A Mari estava somente com uma calça jeans, bem justinha e clara e uma
regata cinza bem decotada. Um perfume delicioso veio em minha direção.

Laura: NOSSA! Que calor, hein? – debochando da roupa tão calorenta.

Mari: É que aqui dentro tá quente, eu liguei a lareira! – ela sorriu.


Na sala principal do apartamento da Mari tinha uma lareira elétrica, muito boa
de se ligar nos dias frios de São Paulo. Ela pegou na minha mão e me puxou
pra dentro. Reparei que o ambiente estava diferente, aquele perfume dela
estava em todos os cantos. As luzes estavam em meio tom e uma música
baixa tocava.

Ela foi me levando para a sala de jantar, onde eu vi a mesa lindamente


arrumada com uma toalha vermelha e talheres de prata. Somente algumas
luzes amareladas iluminavam o ambiente.

Fiquei parada, olhando todo aquele clima.

Mari: Gostou? – me olhava curiosa.

Laura: Onde estão seus pais? – a olhei nos olhos.

Mari: Não importa! – pareceu decepcionada por eu não ter respondido sua
pergunta.

Imediatamente, antes que ela pensasse em algo, a peguei pelos braços e a


joguei contra a parede, selando a sua boca na minha com um beijo quente,
precisado... apaixonado! Prensei seu corpo contra o meu, encaixando suas
pernas nas minhas. Minha língua queria a sua urgentemente, enquanto suas
mãos apertava a minha nuca, puxando meus cabelos. Apertei sua cintura e ela
se entregou inteira.

Laura: Eu ADOREI! – disse com a boca ainda colada na dela.

Esboçou um sorriso e voltou a invadir a minha boca, num beijo melado,


gostoso, saboroso, fazendo com que minhas pernas ficassem trêmulas.

“NOSSA! QUE BEIJO!”

Ela quase me fazia gozar com o simples toque da sua língua na minha e das
suas mãos no meu corpo.

Cessou o beijo e me olhou nos olhos.

Mari: Calma, nossa noite está só começando, amor! – sorrindo.

Abri um sorriso tímido e passei os dedos sobre seu rosto.

Laura: Você tá linda!

Mari: Você também!

A Mari foi até uma cadeira e a puxou para que eu me sentasse.


Mari: Fiz um prato especialmente para você! Espero que goste! Mas não é
nada demais, tá?

Laura: Ai linda, claro que é! Você fazendo um prato pra mim já é TUDO!

Primeiro ela me serviu uma taça de vinho tinto Romanée. Maravilhoso! E em


seguida trouxe o prato, já pronto, com uma massa que parecia deliciosa.
Sentou-se na minha frente e me olhou. Senti como se aquele olhar invadisse a
minha alma e desvendasse todos os meus segredos mais íntimos. Me derreti!

Mari: Prova! – sorriu.

Experimentei a massa. Simplesmente perfeita! Era recheada e coberta com um


molho branco, porém com um gosto exótico, que eu nunca havia degustado.

Laura: Nossa! MARAVILHOSO! Aprendeu onde? – arregalando os olhos e


lambendo os lábios.

Mari: Eu não aprendi! Eu criei, especialmente para você! – sorriu tímida.

“AI MEU DEUS! QUE MULHER É ESSA? ME DIZ, POR FAVOR!”

Abri um sorriso de orelha a orelha e não me contive. Me levantei, dei a volta na


mesa e me abaixei ao seu lado.

Laura: Obrigada! Eu adorei!

Lhe dei um abraço gostoso acompanhado de um beijo carinhoso na boca.

Mari: Vamos comer, linda! A gente ainda vai ter tempo pra ficarmos juntas! –
ela sorriu perto no meu rosto.

Realmente estava uma delícia aquele jantar que ela havia preparado. O
ambiente aconchegante e a música faziam com que tudo ficasse ainda mais
perfeito.

Conversamos e rimos num clima de descontração e, ao mesmo tempo, de


sensualidade. A Mari estava deslumbrante naquela noite, linda, maravilhosa,
totalmente à vontade!

Sem nem perceber, bebemos quase toda a garrafa de vinho e depois da


massa, veio a sobremesa. Um pudim de leite espetacular que ela sabia que eu
adorava, aliás, o pudim da Mari sempre foi o mais gostoso do mundo!

Eu queria que o tempo parasse naquele instante, que o mundo todo


congelasse pra que a gente pudesse viver aquele momento, aproveitar ao
máximo. Eu estava me entregando, eu queria me entregar. Queria me sentir
amada e desejada e a Mari conseguia fazer isso, ela tinha o poder de fazer
com que eu me sentisse a mulher mais deslumbrante do universo sem muito
esforço, somente com um olhar, um gesto ou um beijo. Queria me sentir
renovada, pronta para uma nova pessoa, que me desse valor e me desejasse
acima de tudo.

Já havíamos terminado o jantar e a sobremesa, o vinho já estava praticamente


no fim, quando a Mari, de repente, se levantou e veio caminhando na minha
direção com o sorriso mais malicioso que eu já vi. Por trás de mim, aproximou
sua boca na minha orelha e disse num sussurro:

Mari: Quero fazer uma coisa com você!

Eu sorri e a olhei com o canto do olho.

Mari: Topa?

Laura: Sou sua!

Lambeu a minha orelha, fazendo com que o arrepio na espinha subisse mais
acelerado quanto de costume, e foi em direção à outra cadeira. Puxou-a,
distanciando-a um pouco da mesa, e fez sinal com a cabeça para que eu me
sentasse ali. Curiosa com o que estava para acontecer fui sem nem pensar.

Me sentei e a Mari ficou em pé, na minha frente. Não aguentei e peguei na sua
cintura, subindo um pouco a blusa e dando um beijo na sua barriga, perto do
botão na calça. Imediatamente ela enroscou os dedos em meus cabelos e o
puxou com força, fazendo com que eu a olhasse nos olhos.

Mari: Adoro você abusadinha... mas CALMA!

Eu sorri. De repente ela tirou do bolso de trás da calça uma tira de cetim preta.

Mari: Combina perfeitamente com a sua roupa! – sorriu maliciosamente linda.

Tirou as minhas mãos da sua cintura e foi para trás de mim. Devagarzinho
passou o tecido sobre os meus olhos e deu um nó atrás da minha cabeça, me
vendando. Esbocei um sorriso nos lábios e mexendo nos meus cabelos disse
praticamente gemendo:

Mari: Não vale tentar espiar!

Tremi dos pés à cabeça. Aquele clima de mistério e aquele tecido encharcado
com o seu perfume me deixaram em pleno êxtase! De repente ela colocou uma
música que eu adorava: Touch My Body – Mariah Carey.

“QUE TESÃO!”

Mordi os lábios só por imaginar o que ela fazia enquanto eu estava com os
olhos tapados. Quando, de leve, senti suas mãos quentes já passeando pelo
meu rosto. Foram descendo cada uma em um lado no meu pescoço, ombro,
braços, até que encontraram ass minha mãos. A Mari as pegou e as colocou
na sua cintura!
“ELA ESTÁ SEM A BLUSA!”

Afastou minhas duas pernas e se colocou no meio delas. Se abaixou um pouco


e começou a beijar a minha boca. Minhas mãos, safadas, desceram até a sua
bunda!

“AF! ELA ESTÁ SÓ DE CALCINHA!”

Eu não conseguia ver nada, mas as minhas mãos agora eram meus olhos e
isso estava me deixando totalmente enlouquecida. Seus beijos foram descendo
para o meu pescoço.

Mari: Touch my body, know you like my curves, c’mon and give me what I
deserve! – sussurrou no meu ouvido junto com a música.

Apertei sua bunda com força, fazendo com que ela chegasse mais perto de
mim.

Laura: Vem cá! – mordi os lábios.

Ela passou as pernas sobre a minha cintura e se sentou no meu colo. Minhas
mãos queriam cada canto daquele corpo. Apertava suas coxas enquanto ela
beijava meu colo. Suas mãos foram subindo a minha blusa, me despindo. Eu
estava completamente entregue ao momento!

Joguei a cabeça para trás, suplicando para que seus beijos continuassem.
Massageou com as duas mãos os meus seios e lambeu os meus ombros. Eu
arranhava suas costas devagarzinho, fazendo com que gemesse baixinho, só
pra mim.

“QUE VONTADE DE VER A LINGERIE QUE ELA ESTÁ USANDO!”

Fiz que ia tirar o tecido dos olhos, mas ela interviu, afastando a minha mão e
me dando um beijo fogoso na boca.

Mari: SAFADA!

Sorri e ela continuou. Foi descendo com a boca até que finalmente alcançou
meus seios. Não tirou meu sutiã, passava os lábios sobre ele, me fazendo
querer mais, mais e mais! Suas mãos chegaram no zíper da minha calça e
enquanto minhas mãos estavam sobre sua cintura, sentia que ela dançava
sobre mim, bem devagarzinho, gostoso!

Abriu o zíper e calmamente foi tirando a minha calça. Ajoelhada entre as


minhas pernas começou a beijar e a lamber minha barriga. Eu remexia seus
cabelos, não conseguindo mais conter o tesão que já sentia com toda aquela
situação.

Ela foi subindo os beijos, me pagou pela mão e me levantou da cadeira,


passando uma mão sobre a minha cintura e a outra na minha nuca, me dando
um beijo de perder o fôlego.

Mari: GOSTOSA!

A música mudou: Brake The Ice – Britney Spears. Com o corpo totalmente
colado ao meu, foi tirando devagarzinho o tecidos dos meus olhos, enquanto
me beijava. Abri os olhos, enquanto ela jogava o tecido no chão e pude ver
aquele corpo perfeito numa lingerie maravilhosa vinho escuro.

“MAMÃE!”

Minhas mãos a queriam inteira. Num fogo intenso, ela me levou em direção à
mesa. Me beijando desesperadamente, passou o braço sobre as coisas,
jogando tudo que havia sobre o móvel no chão, me empurrando, fazendo com
que eu me deitasse. Veio pra cima de mim, como uma leoa contra uma presa!

“NOOOSSA! ONDE ELA APRENDEU ISSO?”

Mari: Eu adoro o seu gosto!

Dizendo isso foi descendo devagar por todo o meu corpo. Finalmente tirou o
meu sutiã, tomando meus seios em sua boca. Meu corpo suplicava por aquilo.
Joguei a cabeça pra trás permitindo-a fazer o que quisesse de mim. Suas mãos
na minha barriga, devagar, me deixavam doida. Foi descendo a boca mais um
pouco até encontrá-las. Eu já me contorcia por inteira. Apertava minhas coxas,
enquanto esfregava o rosto sobre meu sexo, ainda coberto pela lingerie. De
repente, com violência, tirou minha calcinha com força e me invadiu com a
língua, me fazendo gemer ofegantemente repetidas vezes. Ao mesmo tempo
me penetrava. Com sua língua safada e sua boca esperta, gozei
demoradamente.

“O QUE FOI ISSO?”

A puxei para cima de mim de novo, beijando a sua boca violentamente. Mordi
com força seu lábio inferior enquanto tirava seu sutiã. Me levantei rapidamente
e fui guiando-a até o sofá. Empurrei-a com força, fazendo com que se
sentasse. Fiquei de joelhos sobre ela, que rapidamente quis beijar minha
barriga. Agora era minha vez. Tirei sua calcinha enquanto beijava, sugava e
lambia seus seios maravilhosos. Meus dedos sentiram seu sexo totalmente
molhado. Penetrei-a ao que ela fechou os olhos e mordeu o próprio lábio.
Afastei suas pernas e fui descendo devagar por toda a extensão da sua
barriga, até, finalmente chegar ao seu sexo. Chupei com vontade, força e
tesão. Ela rebolava pra mim, pedindo mais. Senti seu corpo tremer e seus
gemidos ficaram mais altos. Ela gozou e eu pude sentir o seu gosto na minha
boca. Fiquei ali mais um tempo acariciando aquele corpo maravilhoso. Depois,
fui subindo devagar, indo ao encontro da sua boca, que sorria, esperando a
minha.

Sentei no seu colo, de frente pra ela e nos beijamos como se o mundo fosse
acabar naquele mesmo minuto. Nossos corpos quentes e unidos como nunca.
Era muito bom sentí-la comigo.

Laura: Nossa! – sorri olhando-a nos olhos.

Mari: Nossa! – parecia pasma.

Laura: ADOREI! – segurando seu rosto.

Mari: Não imaginava que ia ser tão bom assim! – ria.

Laura: É porque você é boa demais!

Mari: Aó para você! – me olhou dentro dos olhos.

Sempre que ela me olhava daquele jeito eu sentia como se quisesse invadir
minha alma, me desvendar por inteira!

Laura: Olha o que você faz ali! – rindo e mostrando a bagunça sobre a mesa.

Mari: Não tem problema... valeu a pena! – olhando a minha boca.

A beijei novamente. Aquele beijo que me fazia ver estrelas, flutuar. Aquela
boca que parecia se encaixar perfeitamente à minha. E aquela pegada que me
fazia arrepiar toda.

A Mari foi se levantando comigo enroscada na sua cintura.

Laura: Ei... nossas roupas e essa bagunça?

Mari: Fique tranqüila, ninguém vai aparecer tão cedo! Hoje é tudo nosso!

Entre beijos e amassos me levou até o seu quarto e meu jogou na cama. O
ambiente estava com o seu cheiro e com uma luz bem fraca, como na sala de
jantar. Veio para cima de mim, devagarzinho, sorrindo de canto, até que
alcançou minha boca novamente.

“AI QUE DELÍCIA!”

Suas mãos passeavam de leve sobre mim e seus lábios calmamente selavam
os meus. O modo como ela me tocava era diferente de tudo que eu já havia
sentido. Envolvia muita vontade e carinho ao mesmo tempo. Os cabelos ruivos
sobre o meu rosto, fazendo cócegas, me deixavam ainda mais relaxada e
entregue a ela.

Era como apreciar o pôr do sol numa praia paradisíaca. O alaranjado brilhante
dos seus cabelos me deixavam cada vez mais envolvida e o calor do seu corpo
me satisfazia de uma maneira inacreditável. Sua respiração era como as ondas
do mar, gostosa de ouvir!
Eu podia passar a noite toda com ela sobre mim, me beijando! Estar ali,
deitada, sentindo todo seu amor, era a coisa mais gostosa do mundo. Minhas
mãos, sem malícia, passavam de leve sobre as suas costas e iam até seus
cabelos. Seus dedos acariciavam meu rosto de uma forma tão pura que me fez
acreditar que aquilo era um sonho!

Parou de me beijar, abriu os olhos de leve e olhou nos meus, profundamente.


Nos lábios esboçou um sorriso inocente. Roçou seu nariz no meu e passou a
mão nos meus cabelos. Eu estava encantada!

Laura: Você é tão linda! – disse sussurrando.

Fechou os olhos novamente e somente encostou os lábios nos meus, fazendo


com que eu também fechasse meus olhos.

Mari: TE AMO! – disse quase sem voz, roçando sua boca na minha.

Puxei-a pela nuca para um beijo intenso, profundo, que no meu íntimo, parecia
querer dizer o mesmo para ela. Percebi que, involuntariamente, senti vontade
de dizer, mas me contive, não podia!

Aquele momento era tão intenso quanto a primeira vez que havia ficado com
ela. Nossas línguas, calmamente dançavam e em alguns momentos eu
ganhava uma mordiscada.

Ela fez que ia se levantar, mas eu fui junto. A segurei-a pela nuca e a puxei
novamente para minha boca.

Laura: Eu quero você!

Ela sorriu, me olhou e voltou a me beijar, dessa vez jogando ainda mais o peso
sobre mim.

Laura: Fica comigo, Mari! – disse baixinho.

Mari: Se você quiser, eu fico para sempre!

Não sabia o que estava acontecendo, mas eu não queria sair dali, não queria
deixar o corpo dela se afastar do meu. Naquele momento eu só queria ter o
poder de parar o tempo e estagnar o universo, pra podermos viver todas
aquelas sensações que estávamos sentindo.

Nada daquilo era novo, mas meu coração estava transbordando de alegria em
poder ter a Mari comigo novamente. Ela fazia eu me sentir extremamente
amada!

Querendo senti-la ainda mais próxima de mim, troquei de posição, ficando por
cima. Minhas mãos agora passeavam sobre sua barriga e suas coxas. Eu
brincava de morder de leve seu rosto, causando cócegas e sorrisos. Era tão
lindo vê-la sorrindo, mais ainda quando eu estava tão próxima da sua boca.
Laura: Eu estou completamente viciada em você, sabia?

Mari: Ponto pra mim! – riu.

Laura: Tão linda você!

Ela beijou a minha boca apaixonadamente e sussurrou:

Mari: E você é maravilhosa!

O beijo foi ficando mais intenso e precisado. Suas mãos começaram a me


acariciar com mais força. Sua respiração já estava mais rápida e a minha
seguia o mesmo ritmo.

Aos poucos, ela abriu as pernas, fazendo com que eu ficasse entre elas.
Apertava minhas costas e me puxava mais perto dela. Minha língua estava
ainda mais em contato com a dela. Suas mãos desceram lentamente até minha
bunda e enquanto sentia seus dedos deslizarem bem devagar, aquele arrepio
foi tomando conta de todo meu corpo.

Laura: Ahhhhh! – sussurrei.

De repente, com força, apertou a minha bunda, fazendo com que nossos sexos
se tocassem. Ela me olhou e mordeu o lábio inferior.

Mari: Gostosa!

Não tive dúvidas. Lentamente comecei a rebolar sobre ela. O contato ainda não
era total. Ela fechou os olhos e se arrepiou toda. Ao mesmo tempo comecei a
beijar o seu pescoço. Ela apertava ainda mais a minha bunda, para que eu
intensificasse o toque.

Laura: Calma, linda!

Ela sorriu e jogou a cabeça para trás, suplicando para que a minha língua
viajasse pelo seu corpo. Mas eu queria brincar um pouco mais com seu tesão.
Enquanto beijava seu colo, rebolei com rapidez, pressionando ainda mais o
meu sexo no dela, que gemeu abafado. De repente parei. Ela me olhou com
uma cara do tipo “como assim?”. Eu sorri e calmamente comecei a beijar seus
seios. Dessa vez ela enroscou os dedos nos meus cabelos e acariciava a
minha nuca. Minhas mãos foram descendo através do seu corpo e apertaram
suas coxas e sua bunda. De leve passei os dedos sobre sua virilha. Seu corpo
amoleceu. Foi quando a penetrei com os dedos.

Mari: Ahhh Laura! – gemendo baixinho, gostoso.

Arqueou o corpo para frente e me puxou ainda mais contra seus seios. Eu
sabia que ela estava extremamente excitada. Meus dedos não se mexiam, era
ela quem rebolava para eles.
Mari: Vai... delícia!

Quando eu percebi que seu corpo iria alcançar o auge, tirei os dedos e afastei
meus lábios dos seus seios. Ela me olhou, sorriu de canto, com safadeza e
puxou os meus cabelos.

Mari: Gostosa!

Fui subindo novamente, bem devagar, beijando cada partezinha. Ela se


contorcia e se esfregava toda em mim. Quando alcancei sua orelha, a lambi
com um chupão.

Laura: Você é um tesão! – disse respirando no seu ouvido.

Novamente senti seus pelos se ouriçarem. Foi quando toquei seu sexo
novamente com o meu. Ela abriu ainda mais as pernas para facilitar o contato e
arranhou as minhas costas com vontade. Comecei a rebolar novamente, bem
devagar, enquanto mordia e chupava seu queixo e seus lábios. Com uma mão
ela puxou minha cabeça para um beijo quente. Sua língua entrou na minha
boca com tesão, se enroscando na minha sem pudor. Enquanto a outra mão
apertou a minha bunda novamente, querendo o contato mais profundo. Eu
queria fazê-la sofrer mais, porém naquela pegada me rendi totalmente,
soltando gemidos altos entre beijos. Minhas mãos a apertavam contra o meu
corpo e eu rebolava cada vez mais rápido. Ela se esfregava e também tentava
rebolar embaixo de mim. Eu sentia seu corpo todo colado ao meu. Aquele calor
gostoso. Aquele cheiro maravilhoso. Aquela mulher deliciosa. Gozamos juntas,
gemendo alto, chamando uma pela outra. Aquela mulher ainda me matava de
tanto tesão.

Laura: Nossa! – disse no seu ouvido, ainda em pleno êxtase.

Mari: Eu quero mais! Não me canso de te sentir, Laura!

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Passamos a noite toda juntas... muito amor e muito carinho. A Mari era perfeita,
um encanto de mulher, a pessoa que qualquer um gostaria de ter ao lado.

No dia seguinte, cedinho, ela me acordou com beijos.

Mari: Bom dia linda! – sorrindo lindamente.

Laura: Bom dia!

Mari: Você precisa ir pra aula hoje?


Laura: Que horas são?

Mari: Tá quase na hora, por isso estou te perguntando! Se quiser, pode ficar
aqui!

Laura: Eu vou sim, não posso ficar faltando tanto! Posso tomar um banho? –
me espreguiçando.

Mari: Que boba! Você acha que precisa perguntar isso, Laura? – riu da minha
cara.

Laura: Só não peço pra você me dar um banho porque não chegaria hoje na
faculdade! – dando um cheiro no seu pescoço.

Mari: Ooolha, eu sou uma menina muito comportada, viu? – fingindo estar
brava.

Laura: Eu sei que é! Coisa linda! – apertei a sua bochecha.

Sem mais delongas me levantei e fui ao banheiro. A Mari já havia levado a


minha roupa pra lá. Tomei um banho, lavando até os cabelos. Coloquei a roupa
e logo que saí, vi a Mari também de banho tomado.

Mari: Tomei no banheiro do quarto dos meus pais! – sorriu.

Laura: Ligeira você!

Mari: Toma um café comigo?

Laura: Claro!

Fomos até a cozinha e a sala de jantar já estava toda arrumadinha.

Laura: Tipo... a noite passada foi um sonho?

Mari: Não meu amor! Eu sou bem esperta mesmo!

Pegou na minha mão e continuamos caminhando em direção à cozinha. Nos


sentamos e ela me serviu uma xícara de capuccino. Como eu amo capuccino!
Fiz um pão com manteiga e ela esquentou no forninho. Estava um clima
gostoso, de romance! Conversamos sobre coisas variadas, rimos e demos
mais uns beijinhos!

Laura: Eu tenho que passar na casa da Paulinha colocar uma roupa mais
adequada pra aula e pegar meus materiais. Vamos comigo?

Mari: Vou sim linda!

Peguei minha bolsa e ela a mochila para depois também ir à aula e seguimos
em direção à Paulista. O dia tava bonito, céu bem azul, limpinho e um vento
gelado, bem frio. Fazia tempo que eu não via um céu tão bonito em São Paulo.
Fomos caminhando até a casa da Paulinha, ainda tínhamos um tempinho, mas
se chegássemos atrasadas não estávamos nem aí!

Subimos pro apartamento e encontramos a Paulinha no hall do elevador.

Laura: Oiii Paulinha!

Paula:Ooiii gente! Bom dia!

Mari: Bom dia Paulinha! Indo trabalhar?

Paula: Pois é! E vocês? Não vão estudar não?

Mari: A gente vai! A Laura veio buscar os materiais dela e trocar de roupa!

Laura: Falando nisso, deixa eu ir!

Dei um beijo na Paulinha e fomos. Troquei a roupa por uma mais confortável e
coloquei um tênis no pé. Peguei minha mochila e fomos. Antes de sairmos, de
frente pra porta, a Mari me segurou pelo braço, me olhando nos olhos.

Mari: Me dá um beijo! – sorriu.

Puxei-a para junto de mim e me coloquei contra a parede, dando-lhe um beijo.


Aquela boca gostosa me fazia entrar em transe já cedo. Ela me abraçou com
carinho e juntou o corpo no meu. Me senti aquecida pelo seu moletom e pelos
seus cabelos que se misturavam nos meus.

Laura: Obrigada pela noite! Eu AMEI, viu? Foi muito especial!

Mari: Eu faria quantas vezes fosse preciso! Inventaria um prato por dia pra ter
você comigo!

Laura: Eu não posso dizer muita coisa, Mari! Mas gostaria que soubesse que
você é extremamente importante pra mim e que está me fazendo muito feliz!

Mari: Eu quero você pra mim, Laura!

Voltei a beijá-la calmamente, gostoso!

Mari: Vamos? Senão vamos chegar muito atrasadas.

Peguei na sua mão e descemos até o metrô. Eu iria para um lado e ela para o
outro. Nos despedimos e fomos para direções diferentes. De longe fiquei
fitando o quanto a Mari era linda e pensando no quanto ela estava me fazendo
bem. Então corri em sua direção. Ouvindo meus passos acelerados ela se
virou assustada.
Mari: Que foi Laurinha? – cheguei abraçando-a.

Laura: Queria te falar uma coisa! – eu estava bufando.

Mari: Ooo linda, pode falar! – sorriu pra mim.

Laura: Almoça comigo hoje?

Ela me olhou e me deu um beijo no rosto. Eu percebi todos na estação nos


olhando.

Laura: Por favor!

Mari: Claro que eu almoço!

A abracei mais forte ainda e a enchi de beijos no rosto. Todos olhavam, alguns
explicitamente, outros tentavam disfarçar.

Laura: Tenha um bom dia!

Mari: Você também!

Soltei-a e fui pra plataforma do metrô que eu teria que pegar. Parei e fiquei lá,
pensando, em tudo aquilo, na noite anterior.

“Acho que estou começando a me envolver com a Mari. Ela está me fazendo
tão bem, tão feliz! Eu quero faze-la feliz também! Tenho vontade de fazer com
que ela se sinta realizada! Acho que finalmente a Alice está saindo da cabeça,
como ela queria! Eu sei não somos irmãs, mas a Alice não me deixa escolhas,
não me quer por perto, eu gostaria de provar a ela que não sou louca, nem
doente por gostar dela. Mas ela não quer saber disso, não quer saber de nada
que venha de mim! Já a Mari, ahhh a Mari! Ela é perfeita, carinhosa, atenciosa,
amorosa e uma pessoa extremamente sensata e companheira! EU QUERO
ELA SÓ PRA MIM!”

Nesse momento uma voz me tirou dos meus pensamentos.

..........: Nossa... tão linda e gosta de mulher! Que desperdício!

Olhei pro lado e vi um moço, bem vestido, de paletó e gravata me olhando e


rindo.

.........: Acho que nenhum homem nunca te pegou de jeito, isso sim!

“Que abusado!”

.........: Não tem vergonha, menina?

Laura: Olha só, cara! Eu ia te ignorar! Mas não preciso esconder de ninguém,
eu gosto sim de mulher. A minha é maravilhosa, você viu? E você? Deve ser
um mal amado que nem namorada tem!

Todos já olhavam em nossa direção. O homem esboçou a raiva nos olhos e


gritou:

.........: SAPATÃO DOS INFERNOS! DEVIAM EXTINGUIR TODAS VOCÊS!

Não acreditei naquilo. Em pleno século 21 e o preconceito ainda é evidente nas


pessoas.

Laura: Sou lésbica com muito orgulho! Você deve ser um frouxo que as
mulheres não querem! Sai de perto de mim que tenho nojo de você! – eu dizia
sem nem pensar, com o tom de voz alterado.

A estação de metrô lotada, parou para ver a discussão. Alguns se aproximaram


ainda mais. Ali, na região da Av. Paulista, sempre foi um lugar onde os
homossexuais tem mais liberdade de andar em São Paulo, acho que pelas
várias culturas que rondam a região fazem nos sentir num mundo mais
democrático. E no meio de toda aquela modernidade, um cara tão retrógrado.

..........: Ei! Deixa a garota em paz, cara! – disse outra menina atrás de mim.

Olhei-a sem entender, mas no braço vi uma pulseirinha do movimento gay e


sorri. Era uma menina muito bonita, morena, de cabelos castanhos e as pontas
mais claras, no estilo californiano, e com cachos muito bem definidos. Olhos
bem pretos e expressivos. Um corpo magro, porém com curvas, que vestia
uma calça jeans bem colada, uma jaqueta preta justa e segurava um caderno,
além de estar com uma mochila nas costas. Era um pouco mais alta que eu,
mas devia ter, mais ou menos, a minha idade. Se não fosse pela pulseirinha,
eu não iria entender o porquê daquela menina estar me defendendo.

.........: Ah! Mais uma pra se juntar à laia dessa aí! – o cara ainda insistia.

Laura: Se liga meu, você não percebe o quanto é chato e inconveniente?

..........: É... seu hipócrita, vai procurar o que fazer! – a menina se intrometeu de
novo.

..........: O seu problema é que nunca teve um homem de verdade! – ele se


aproximou mais ainda de mim.

Laura: Se você tocar um dedo sujo em mim você não perde por esperar! Olha o
tanto de gente que é testemunha, seu imundo! – encarei-o.

O metrô estava se aproximando e o povo começou a se dispersar.


.........: Ignorante, circula, mew! Sai daqui! – a menina insistia.

Dei as costas para ele e saí andando. A menina veio atrás.

.........: Desculpa me intrometer, é que não consigo ver esse tipo de coisa e ficar
quieta.

Laura: Tudo bem! – sorri. – Que cara ridículo!

..........: Pois é! Mas tá cheio disso por aí! Eu mesma já vivi coisas piores!

Laura: Hipocrisia é uma coisa que não existe no meu vocabulário!

..........: Temos um ponto em comum! Prazer, meu nome é Carolina e o seu? –


estendendo a mão e sorrindo.

Laura: O meu é Laura! Prazer!

Entramos no metrô e nos sentamos. Ela se sentou ao meu lado.

Carol: E aquela menina, a ruivinha, é sua namorada?

Laura: A Mariana, por enquanto, é uma pessoa muito especial! Somos amigas
desde os 7 anos de idade e a pouco tempo estamos “ficando”! – sorri sem jeito.

Carol: Nossa, que história bacana! Parabéns! Vocês combinam... digo... fazem
um casal bonito! – ela sorriu também. – Tomara que ela consiga uma chance a
mais com você!

Laura: Obrigada! Eu gosto bastante dela!

Carol: Percebi que esse “gosto” tem algum bloqueio, algum impedimento. Mas
tudo bem!

Laura: É uma longa história!

O metrô chegou na minha estação e quando eu ia me despedir da menina


percebi que ela também ia descer.

Laura: Vai descer também?

Carol: Sim, tô indo pra faculdade!

Laura: Sério? Eu também!

Carol: Nossa! Que coincidência! – ela sorriu.

Descemos do metrô e fomos caminhando. Conversando sobre besteiras.


Aquela região é cheia de faculdades, então pensei que seria em alguma perto
da minha pois estávamos indo na mesma direção! Foi quando chegamos na
frente da minha faculdade.

Laura: Eu fico aqui!

Carol: Eu também! – rimos da coincidência.

Laura: Nossa! Nunca te vi por aqui! Que curso você faz?

Carol: Jornalismo e você?

Laura: Arquitetura!

Carol: Legal! A gente pode combinar de se encontrar no intervalo qualquer dia


desses pra batermos um papo, conversarmos melhor!

Laura: Claro! Vamos sim, eu tô sempre perto da lanchonete!

Carol: Legal, Laura! Até mais então!

Laura: Até mais Carolina! Obrigada viu? Por me dar uma força no metrô! –
sorri.

Carol: Relaxa! Eu sei como o preconceito é horrível! – deu um tchauzinho com


a mão e saiu andando.

Fui pra minha sala pensando em toda aquela situação.

“Que loucura! Mas que menina bacana essa Carolina!”

A manhã na faculdade passou lentamente. As aulas até que estavam bem


bacanas! No intervalo eu fui tomar um suco na lanchonete, como de costume, e
me sentei numa mesinha com a Dani.

Laura: Quer um suquinho, Dani? – me sentando ao seu lado.

Dani: Não não, obrigada! Mas me conta, como foi o jantar ontem? Tô super
curiosa!

Laura: Ai Daaani! Foi mais que maravilhoso! Você acredita que a Mari fez, ou
melhor, criou um prato pra mim?

Dani: Ai que linda essa minha amiga! Que orgulho! – e riu.

Laura: Pára de zoar com a cara dela! Ela é linda mesmo e eu tô encantada!
Acho que tô começando a me envolver mesmo com a Mari! – com cara de
pateta.

Dani: Ai Laurinha, fico tão feliz! Você não tem noção!

Laura: Depois eu dormi na casa dela e vamos almoçar juntas hoje. Eu que
convidei!

Dani: Aaai... não acredito! Tô torcendo muito por vocês, viu? – abrindo um
sorriso enorme e pegando na minha mão.

Laura: Eu preciso tirar a Alice da minha cabeça, Dani! Não consegui ainda
100%, mas sei que estou evoluindo e a Mari está sendo essencial pra mim!

Dani: Você vai conseguir! A Mari te ama, Laurinha! Eu não tenho dúvidas disso!

Laura: Sabe... eu ainda não consegui dizer “eu te amo” pra ela! Acho que
porque ainda não esqueci totalmente da Alice. Ontem me deu muita vontade de
dizer, quando ela disse que me amava, mas me segurei!

Dani: Mas você tá certa, Laurinha! Só diga isso a ela quando tiver certeza que
a ama e que esqueceu de vez a Alice!

Laura: É, você tem razão, Dani!

Dani: Olha, eu vou lá na biblioteca pegar aquele livro sobre arquitetura


contemporânea, quer ir junto? – já se levantando.

Laura: Tô morrendo de preguiça! Vai lá que te espero aqui, tudo bem?

Dani: Beleza. Eu já volto! Cuida do meu material então. – e saiu.

Fiquei ali, sentada, viajando nas pessoas que passavam e tomando o meu
suco. Foi quando, de longe, avistei a Carol. Ela vinha em minha direção com
um sorriso estampado no rosto.

“Nossa! Ela realmente é bem bonita!”

Carol: Oi Laura! – se aproximou da mesa sorrindo. – Posso me sentar com


você?

Laura: Claro! Fica a vontade! – sorri também.

Carol: Já está mais calma? – se sentando na minha frente.

Laura: Ah! Nem vale a pena ficar esquentando a cabeça com gente ignorante!

Carol: Com certeza!

Laura: Desculpa, nem te ofereci! Quer um suco?

Carol: Não, valeu! Mas me fala, e o curso? Tá em que ano?

Laura: Tô no primeiro semestre ainda! Entrei há pouco tempo! Sou caloura e


você?
Carol: Estou no terceiro ano de jornalismo! Não vejo a hora de terminar! – riu.

Laura: E você já trabalha na área?

Carol: Eu estava estagiando, mas estou me dedicando a outras coisas


ultimamente!

Laura: Ah! Entendi! E você mora ali perto da Paulista?

Carol: Não, não! Eu moro na Vila Mariana! Na verdade eu dormi na casa de


uma amiga ontem! – sorriu, parecendo sem graça.

Laura: Ah! Amiga, sei! – brinquei com ela.

Carol: É, tipo você e a ruivinha! – riu.

Laura: Hum! Você namora?

Carol: Não, por enquanto! Mas eu estou completamente apaixonada por essa
“amiga”!

Laura: Mas vocês estão ficando, então?

Carol: Sim! Eu conheço ela há muitos anos também! Já havia ficado com ela
há algum tempo atrás, agora por acaso a reencontrei e estamos ficando
novamente!

Laura: Hum... apaixonadinhaaa! – brinquei.

Carol: Nossa! Eu tô mesmo! Mas e você? Tá ou não?

Laura: Ainda não sei, porque até a algumas semanas eu namorava outra
menina e é muito recente toda a história. Foi um baque muito grande pra mim a
gente terminar e mais ainda por alguns motivos graves! – fechei a cara.

Carol: Mas o jeito como a ruivinha te olhava na estação entregou o quanto ela
gosta de você!

Laura: Eu sei que a Mariana me ama e eu tô tentando fazê-la feliz. Na verdade


eu tô começando a me entregar a ela! Acho que o meu coração realmente está
começando a dar sinais de paixão! Ela é uma pessoa maravilhosa!

Carol: Vou torcer por vocês! – sorriu.

Nesse mesmo instante a Dani chegou.

Dani: Achei o livro, Laurinha!

Laura: Dani, deixa eu te apresentar! Essa é a Carolina, a conheci hoje depois


de um acontecimento muito louco!
Dani: Nossa, desculpa! Cheguei tão distraída! Prazer, Daniela! – dando um
beijo no rosto da Carol.

Carol: Prazer, Carolina!

Dani: Mas como assim um acontecimento muito louco? – curiosa, olhando de


um lado e de outro, sem entender.

A Dani se sentou ao meu lado e eu contei todo o ocorrido no metrô.

Dani: Nossa, tô passada! Que ridículo! – ela estava perplexa.

Laura: Eu nem ligo. Vou ficar esquentando a cabeça com isso, Dani?

Dani: Você podia denunciar esse cara, isso sim! Processá-lo!

Laura: Ahh! Eu queria mais era sair de perto daquele nojento, isso sim!

Carol: É verdade! Bom, meninas, eu tenho que ir, depois a gente se fala mais!
– deu um beijo na nossa bochecha e saiu. – Tchau!

Dani: Bem legal essa menina, né Laurinha?

Laura: É verdade, muito gente boa!

O intervalo terminou e voltamos pra sala de aula. Eu estava completamente


ansiosa pela hora do almoço. Meus pensamentos eram todos da Mariana. Eu
não conseguia parar de lembrar da noite anterior, do quanto a gente se amou e
das coisas que ela estava me fazendo sentir. Há algum tempo eu não sentia o
meu coração alegre como eu estava sentindo naquele momento. Eu queria me
entregar de vez a ela, fazer com que ela também se sentisse amada, desejada
e feliz!

CAPÍTULO 74: Capítulo 74

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Eu não conseguia mais prestar atenção em nada do que acontecia ao meu


redor, queria acelerar o tempo, fazer com que ele corresse. Abri o caderno e
comecei a rabiscá-lo conforme os meus pensamentos. Depois de muito tempo
ali, a aula finalmente acabou e quando reparei havia enchido uma folha inteira
de, nada mais nada menos que, corações, de todos os tamanhos, formas e
cores.

“Será paixão? Eu tô me entregando de vez?”

Dani: Ah, que lindo Laurinha! – me tirando do meu transe.


Fechei o caderno rápido e a olhei espantada.

Dani: Calma, que foi?

Laura: Nada ué!

Dani: Eu vi a folha cheia de corações e imagino pra quem seja! – sorriu com
malícia.

Eu sorri um pouco sem graça, tímida e fui guardando minhas coisas na


mochila.

Dani: Ai Laurinha! Tô tão feliz! Você está apaixonada pela Mari! – disse no meu
ouvido.

Laura: Ai Dani, será?

Dani: Eu acho!

Pegamos nossas coisas e fomos saindo da sala de aula. No corredor


andávamos conversando. Eu olhava pro nada quando a Dani me cutucou no
braço. Olhei pra frente e vi ela, linda e maravilhosa, encostada num pilar no
final do corredor, com as mãos no bolso na calça!

“Ah, minha Mari!”

Ela sorriu pra mim com aquela boca maravilhosa. Um sorriso que me tirou o
chão e me levou às nuvens. Acelerei os passos e quando a alcancei a apertei
num abraço forte, demorado, gostoso.

Mari: Oi linda!

Laura: Oi! Tava com saudade já! – dei-lhe um beijo no rosto.

Dani: E aí Zé? Bom? – a cumprimentando com um beijinho também.

Mari: Fala filha! Bom e você? – ela segurava minha cintura.

Dani: Onde vocês vão, hein? – sorria mais que eu.

Laura: Almoçar! Acho que numa cantina italiana. Eu sei que a Mari adora! –
olhei pra ela, que sorriu. – Vamos também?

Dani: Tô fora, ser vela. Vou comer arroz e feijão em casa mesmo, fiquem
tranquilas! – rimos.

Laura: Então... vamos, Mari?

Mari: Vamos!
Nos despedimos da Dani e fomos caminhando. Pegamos o metrô e voltamos
pra região da Av. Paulista. Levei a Mari numa cantina italiana perto da
Brigadeiro. Era um lugar bem aconchegante, familiar e que eu sabia que
serviam as melhores massas da região. As mesas eram separadas
intimamente, sendo que quem sentasse ao lado não conseguiria ouvir o que
conversávamos. Nos sentamos e logo o garçom se aproximou com os
cardápios.

Laura: O que você vai querer linda?

Mari: Hum, não sei, o que você acha deste? – apontando para um prato
gratinado.

Laura: Hum! Deve ser maravilhoso! Vamos pedir esse então.

Chamei o garçom que prontamente veio.

Laura: Por favor, queríamos este e um vinho tinto da casa.

Garçom: Pois não!

Laura: Você vai gostar desse vinho, é muito bom! – aproximei a minha cadeira
da dela e peguei na sua mão que estava apoiada na sua perna.

A Mari sorriu e abaixou a cabeça, tímida. Eu fiquei ali, olhando-a, não


conseguia desviar os olhos dela.

“Será? Paixão? Amor? O que é isso que sobe fazendo cócegas na minha
barriga e aflora como um sorriso imenso no meu rosto?”

Eu realmente estava confusa com aqueles sentimentos. Mas uma coisa eu


tinha certeza: era MUITO BOM!

A Mari me olhou, me fazendo voltar à terra e passou os dedos no meu rosto.

Mari: Não consegui parar de pensar em você hoje na aula! – sorriu de canto.

Laura: Eu também! Você bem que podia gostar de arquitetura pra estar na
minha sala! – brinquei.

Mari: Ao menos para isso temos gostos diferentes!

Laura: É verdade! Você não sabe o que me aconteceu hoje no metrô, depois
que me despedi de você!

Mari: O que? – me olhou com ar de espanto.

Contei todo o episódio do moço que me agrediu verbalmente. A Mari ouvia


atentamente cada palavra. Contei também sobre a Carolina e como ela me
ajudou.

Mari: Nossa, linda! Devia ter me dado um toque no celular que eu voltava!

Laura: Mas eu saí e ignorei o cara! Não vale a pena, Mari! E também a
Carolina foi comigo e por acaso a gente estuda na mesma faculdade, mas ela
faz jornalismo!

Mari: Hum! Entendi! – ficou estranha.

Laura: Ih! Não precisa ficar de ciuminho, boba! – dei-lhe um beijinho no rosto –
Tem nada a ver, ela só foi legal comigo, em ter me dado uma força. Até me
contou que está apaixonada por uma amiga e que tá ficando com ela! – eu
conhecia a expressão de ciúmes da Mari, ela franzia a testa e apertava os
olhinhos, parecendo emburrada, desde criança ela fazia assim... LINDA!

Mari: Não tô com ciúmes, Laurinha! – levantou as sobrancelhas tentando


disfarçar.

Laura: Linda! – belisquei sua bochecha.

Nesse momento o garçom chegou com o nosso pedido. A massa estava bem
apresentável num prato de barro, o que encheu de água a boca. Serviu-nos o
vinho em duas taças e colocou a garrafa sobre a mesa. Em seguida serviu-nos
com a massa e saiu, pedindo licença.

Estava tudo muito gostoso. Almoçamos num clima descontraído, conversando


sobre coisas aleatórias. Hora falávamos sobre o meu curso, hora sobre a
faculdade da Mari. Conversamos sobre a Dani e mais algumas amigas. Mas
em nenhum momento tocamos no assunto “nós”. Na verdade eu estava com
medo de atropelar as coisas, fazer algo e dar errado e, acima de tudo,
machucar a Mari que estava sendo a pessoa mais maravilhosa comigo!

Muitas vezes ali, olhando pra ela, naquela mesa, eu me dispersava dos
assuntos e meus pensamentos me desafiavam a pedi-la pra ficar comigo, não
só naquele momento, mas sempre, todos os dias. Um namoro? Sim! Mas o
medo, sempre o medo, me fazia recuar. Eu sabia que precisava de mais um
tempo e fazer tudo de uma forma mais que especial, afinal, a Mari não é uma
garota qualquer. Às vezes eu pensava até que eu não a merecia, ela era tão
perfeita no seu jeito de ser!

Mari: Nossa, tá uma delícia, né Laurinha?

Laura: Muito boa a massa daqui! É tudo feito pela casa! – sorri pra ela, que
correspondeu.

Eu observava a maneira como ela gesticulava, sorria e me olhava. Era tudo tão
natural e tão lindo! A Mari não queria ser outra pessoa, era ela mesma, na sua
singularidade. Quando queria explicar alguma coisa, fazia uns movimentos
engraçados com a mão, como se estivesse desenhando no ar, dando uma aula
a uma criança, ao mesmo tempo tentava arregalar os olhos, o que era
praticamente impossível, definitivamente eram tão pequenos. Mas quando me
olhavam... ah! Quando me olhavam... eu me derretia! E quando sorria? Eles
fechavam e eu não entendia como ela ainda conseguia enxergar! Eram coisas
assim que eu reparava quando estava com ela.

Enfim, terminamos de almoçar. Pedi a conta ao garçom e paguei. Não deixei


que ela fizesse isso, afinal, o convite era meu!

Laura: Linda, eu vou ao banheiro, rapidinho! – ainda estávamos na mesa.

Mari: Tudo bem! Eu espero aqui. – sorriu.

Abri a mochila e peguei um estojinho que sempre levava com uma escova de
dentes e um creme dental. Me levantei e fui em direção ao banheiro. Eu
definitivamente estava nas nuvens. Foi maravilhoso esse tempo que
almoçamos juntas, conversando, rindo, nos divertindo. Pensei que poderíamos
estender a tarde num shopping pra pegarmos um cinema ou coisa parecida.

“É! Quando eu voltar, vou chamá-la para irmos ao cinema! Podemos ir


caminhando pela Paulista, sem pressa! ADORO!”

Fiz o que tinha que fazer e voltei pra mesa, decidida em passar a tarde com a
Mari.

De longe a avistei com a cabeça baixa e as mãos no rosto, apoiada sobre a


mesa.

“Tadinha, deve estar cansada da noite passada! Um cinema vai ser bom
mesmo pra ela relaxar.”

Foi quando me sentei na mesa novamente, ao se lado, a vi soluçando. Parecia


um choro calado.

Laura: Mari! – me espantei, afinal, eu tinha deixado ela ali feliz e não chorando.
– O QUE ACONTECEU?

la levantou os olhos para mim, encharcados de lágrimas e vermelhos.


Soluçando, parecia não conseguir falar absolutamente nada!

Laura: Ei! Calma! Me fala o que aconteceu, Mari!

Aproximei minhas mãos das dela, que rapidamente as tirou de perto de mim.
Não entendi! Aquilo me apertou o coração e eu nem sabia o porquê! Ela estava
estranha, parecia extremamente nervosa e fora de si.

Laura: Mari! Calma! O que foi? Por que você está chorando tanto?

Quando fui limpar as lágrimas que caiam dos seus olhos ela virou o rosto.
“Ai meu Deus! O problema é comigo mesmo!” pensei, já aflita.

Laura: Mariana! Vamos conversar! Fala comigo pelo amor de Deus! – meus
olhos também já se enchiam de lágrimas.

Ela não disse uma palavra sequer, apenas colocou em cima da mesa alguns
papéis, que as lágrimas que queriam cair, não me deixaram ver direito.

Mari: Eu não mexi na sua mochila. Quando você pegou o estojinho, eles
caíram e você não percebeu. Eu só os peguei do chão. – abaixando a cabeça e
chorando ainda mais.

Tentei limpar os olhos com as mãos, para tentar identificar do que se tratava.
Foi aí que notei!

“AH! NÃO!”

Fiquei atordoada. Não sabia o que a Mari podia estar pensando ao ver aquilo
tudo. SIM! Eram as fotos que peguei na biblioteca e o papel de preenchimento
para o intercâmbio em Nova Iorque.

Laura: Calma, Mari!

Ela me olhou com uma dor profunda. Aquilo partiu o meu coração em pedaços,
até que não aguentei e uma lágrima saltou dos meus olhos.

Laura: Vamos conversar, linda!

Mari: Laurinha! Eu só queria que você me contasse.

Laura: Eu ia te contar, calma! Não vai acontecer nada! Por favor!

Mari: Sabe! Eu não estou brava com você, não é isso! Eu só estou triste
comigo mesma, só.

Laura: Não, Mari! Não tem motivo pra você estar triste. – eu definitivamente
não sabia o que dizer.

Mari: Laurinha, agora eu sei... eu nunca vou ter você! NUNCA! – passando as
mãos nos olhos.

Laura: Não fala isso, Mari!

Mari: Essas fotos! Você não se conforma de serem irmãs! Você não se
conforma de ter perdido a Alice, Laura! – ela começou a ficar mais
desesperada ainda.

Laura: Mari! Pelo amor de Deus, calma!

Mari: Calma, Laura? Como eu posso ter calma se a pessoa que eu amo não
me ama? Está comigo pensando em outra.

Laura: Não fala isso Mari! – eu já chorava desesperadamente também.

Mari: Como eu pude imaginar que conseguiria fazer você me amar? Como
pude me enganar a tal ponto? Desde o início você é dela. – abaixou a cabeça
na mesa.

Laura: Mariana, pára de se precipitar!

Mari: Além de tudo, você vai embora, Laura! E não me falou!

Laura: Eu não vou pra Nova Iorque, Mari!

Mari: Você quer enganar a quem, Laurinha? Olha aí, é só você preencher.

Laura: Mas eu não vou preencher! A professora insistiu para que eu pegasse e
eu só peguei pra não ficar chato, só isso.

Mari: Laura é seu sonho, você tem que ir! Eu só queria que você tivesse me
contando. Eu queria me preparar pra isso, pra ficar longe de você!

Laura: Mariana, eu não vou! Já está decidido.

Mari: Você não vai por causa dela? – mostrando a foto da Alice.

Laura: Eu não vou porque não é o momento certo! Ainda tenho quatro anos de
faculdade pela frente, não vai ser minha única oportunidade!

Mari: Você tem que ir, Laurinha. Você tem que ser feliz! – chorava sem parar.

Eu não sabia mais o que pensar. Tudo foi como um tiro no peito. Desmanchou
todo aquele clima que havíamos construído.

“Por que eu tive que deixar essas besteiras na minha mochila? Sou muito burra
mesmo! Não quero fazer a Mari sofrer, NÃO MESMO!”

Mari: Eu preciso ir. – se levantando rapidamente e pegando a sua mochila.

Laura: Calma! – segurei o seu braço.

Mari: Olha o papel que eu estou fazendo no meio do restaurante, Laurinha.


Ridículo isso!

Laura: Ninguém tem nada a ver com a gente. Vamos conversar, Mari!

Mari: Eu realmente preciso ir, Laurinha. – puxando o seu braço e saindo com
pressa.

Eu sabia que não era teimosia da Mari. Estava mais que estampado no seu
olhar que ela realmente estava envergonhada com toda aquela situação. A
Mari nunca foi possessiva, nem teimosa, mas sim muito tímida.

Guardei as coisas na minha mochila e não pensei duas vezes, fui atrás dela.
Quando cheguei na calçada a vi de longe, andando rápido, de cabeça baixa.
Corri o mais rápido que pude e consegui alcançá-la, antes que atravessasse
uma avenida. A abracei por trás, chorando desesperada.

Laura: Por favor, não faz isso comigo!

Ela se virou, ficando frente a frente comigo. Levantou o meu rosto pelo queijo e
olhou nos meus olhos.

Mari: O meu problema, Laurinha, é que eu te amo demais, mais do que eu


gostaria!

A abracei com toda força que Deus me deu e, naquele mesmo minuto, um
trovão iniciou uma tempestade fortíssima. A água gelada começou a nos
encharcar e eu não queria soltá-la. Eu não podia perder a Mari, aquilo tudo
estava doendo demais!

CAPÍTULO 76: Capítulo 76


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Mari: Vamos sair daqui. Já estamos molhadas.

Laura: Eu não quero ficar longe de você, por favor! – chorava ainda mais.

Mari: Eu não vou te deixar sozinha. Vamos, o apartamento da Paulinha não


está longe.

Ela limpou o rosto e segurou a minha mão. Saímos correndo em direção ao


prédio da Paulinha. Aquelas ruas haviam se transformado num caos. As
pessoas corriam desesperadamente tentando fugir da tempestade, carros
buzinavam, faróis paravam de funcionar. E, viajando novamente entre os meus
pensamentos, notei o quanto aquela tempestade se parecia com a minha vida,
que estava toda devastada. Eu não enxergava nada, a Mari corria na frente me
guiando, era muita gente!

Corremos tanto que quando chegamos no prédio da Paulinha, ainda na portaria


eu caí sentada, sem forças pra levantar.

Mari: Vamos, Laura. Vamos subir.

Me encolhi, abraçando minhas duas pernas e abaixei a cabeça. Não tinha


forças pra sair dali, não tinha forças pra nada! Eu só queria chorar, chorar e
chorar.

Mari: Venha, Laurinha. Eu vou com você. – me levantou pelo braço e me guiou
até o elevador.

Enquanto subíamos eu me agarrei no seu pescoço. Estávamos completamente


molhadas. A Mari estava gelada e seus cabelos caíam no rosto. Os tirei para
que pudesse enxergar seus olhos.

Laura: Me desculpa, Mari! Me desculpa, por favor.

Mari: Você não tem que me pedir desculpas de nada, Laurinha. – me deu um
beijo no rosto.

O elevador parou no andar da Paulinha e descemos.

Mari: Você precisa de um banho.

Laura: Você também. Não pode ficar toda molhada.

Mari: Eu não ligo. Comigo não tem problema.

Laura: Tá louca? Você tá toda gelada. Olha, eu só tomo se você tomar


também.

Mari: Tudo bem.

Fomos pro meu quarto e eu separei uma roupa minha pra Mari colocar.

Laura: Pode ir primeiro. Eu te espero. – disse meio sem jeito.

Mari: Pode esperar no banheiro se quiser.

Fomos pro banheiro e eu liguei o chuveiro pra ela, que sem esperar muito
entrou debaixo da água. Me sentei no vaso sanitário para esperá-la. O clima
estava tenso. Estávamos em meio a um silêncio cortante, que machucava. Eu
não podia perder a Mariana. Naquele momento eu passaria por tudo, menos
por isso!

Abaixei a cabeça e o choro voltou!

“Será que estou apaixonada por ela? O que está acontecendo comigo? Por
que esse medo imenso de perder a Mari?”

Ela continuava ali, tomando banho. A olhei, ela estava de costas, linda!
Observei todo seu corpo e seus cabelos lisos molhados.

“FAZ ALGUMA COISA, LAURA!”

Não suportei! Me levantei com pressa e entrei no box com roupa e tudo. A Mari
se assustou e me olhou. A segurei pelos braços e a puxei pra junto de mim,
envolvendo-a num abraço apertado. Apertei sua nuca com força e suguei sua
boca num beijo precisado, desejado... apaixonado! Ela puxou os meus cabelos
e me levou pra baixo da água.

Laura: Ah, Mariana!

Beijava a sua boca desesperadamente, suplicando para que fosse minha.


Cada vez mais o seu corpo junto do meu. Ela parecia se render às minhas
mãos. Mas de repente ela se afastou.

Mari: Eu não posso, Laurinha! – abaixando a cabeça e pegando a toalha.

Laura: Como não pode?

Mari: Laura! Você não me ama como eu te amo. Não sou eu quem você quer e
hoje eu tive mais que provas disso. – se enrolando na toalha.

Laura: Eu quero você, Mariana!

Mari: Mas você não é só minha, Laura!

Eu abaixei a cabeça consentindo com o que ela disse.

“Por que eu ainda tenho que amar a Alice? Por que essa garota não sai da
minha cabeça? Por que eu não posso fazer a Mariana feliz?”

Ela saiu do box e foi logo se enxugando e colocando a roupa que eu emprestei.

Mari: Tome banho logo, antes que você se resfrie! Vou te esperar lá fora! – e
foi saindo, ainda colocando a roupa aos tropeços.

Tirei a minha roupa e fiquei ali, recebendo a água quente no meu corpo.

“BURRA! BURRA! BURRA! Como você pode ser tão idiota, Laura? Como seu
coração pode se enganar tanto?”

Eu não sabia mais o que fazer. Estava sentindo que naquele momento eu
também estava perdendo a Mariana. Eu entendi perfeitamente a sua reação às
coisas que ela viu. As fotos que peguei na biblioteca não deveriam ter ficado na
minha mochila e eu deveria ter esquecido essa história, da mesma maneira
que a Alice também esqueceu. Mas eu não conseguia me desprender daquilo
tudo, de todo aquele drama e daquela confusão. Eu sentia que ainda tinha
coisas a fazer, mas sentia também que eu não podia magoar a Mari, eu não
tinha o direito disso. Ela que sempre quis meu bem, sempre me tratou como
um tesouro, uma jóia, não podia fazer com que ela se sentisse um nada. Ao
mesmo tempo que a minha vida precisava ser esclarecida, eu também tinha
sede de dar a Mariana tudo que ele me dava, me proporcionava, me fazia
sentir. Eu precisava fazer com que ela se sentisse viva. Mas e todas as dúvidas
e mal entendidos que ainda rondavam a minha história com a Alice? Seria
melhor deixar o vespeiro de lado e seguir em frente? Eu ainda não tinha
respostas para todas as perguntas que assombravam a minha mente, mas eu
as queria!

Terminei o banho e me troquei rápido. Não queria deixar a Mari sozinha me


esperando.

Quando saí do banheiro lá estava ela, sentada no sofá. Senti um cheiro


delicioso de capuccino, do jeito que eu amava.

Mari: Eu encontrei o capuccino e esquentei a água, tudo bem?

Laura: Claro!

Mari: Vai nos esquentar um pouco.

Laura: Vou pegar duas aspirinas também.

Fui até o quarto e revirei minha nécessaire. Eu sempre levava comigo uma
bolsinha com remédios. Olhei através do vidro da janela e a tempestade ainda
estava forte. Me aproximei ainda mais da janela e pude ver com maior clareza
o caos que São Paulo havia se tornado. Semáforos desligados, carros
buzinando, pessoas correndo e o céu, que na mesma manhã estava um azul
limpinho, agora era acinzentado, quase negro!

Voltei pra sala e me sentei no sofá, ao lado da Mari. Na mesinha de centro


estavam as duas xícaras com nosso capuccino. Abri as aspirinas e coloquei
uma em sua mão. Peguei a xícara, cruzei as pernas e as coloquei pra cima do
sofá, ficando de frente pra Mariana. Ela fez o mesmo, tomando a aspirina num
gole de capuccino. Ficamos ali, bebendo e nos olhando, como se o mundo
fosse somente eu e ela.

Mari: Laurinha, quero te falar uma coisa.

Laura: Pode falar, Mari.

Mari: Olha, não quero te pressionar, nem nada. Mas quero que você resolva a
sua vida.

Eu a olhei apertando os olhos, não entendo direito o propósito daquela


conversa.

Mari: Quero que você vá pra Nova Iorque porque eu sei que é o maior sonho
da sua vida. Ainda mais para estudar arquitetura numa escola super
renomada. Você não pode perder essa oportunidade.

Laura: Mas a minha vida está muito turbulenta, Mari! Não é a hora!

Mari: É a hora sim, Laurinha! Você tem que recomeçar. E eu vou estar aqui
sempre que você precisar, porque eu nunca vou deixar de te amar.
Laura: Não é justo isso. Não quero ficar sem você.

Mari: Você não vai ficar sem mim. Nós sempre fomos amigas e sempre
seremos. – seus olhos se encheram de lágrimas e ela parecia fazer força para
não deixá-las cair.

Laura: Mas eu quero você sempre comigo, Mari! Você não entende? – peguei
na sua perna.

Mari: Laurinha! Eu acho que você tem que resolver todo esse sentimento que
tem pela Alice. Não posso fingir que não sei que a ama. Não dá pra ficar com
alguém que, mesmo eu sendo louca e apaixonada, não me ama e ainda por
cima sofra por outra pessoa.

Abaixei a cabeça e comecei a chorar baixinho. Eu não queria amar a Alice, não
mesmo! Eu queria amar a Mari, que eu tinha certeza que me amava também.
Que sentimento terrível era o de não poder corresponder às expectativas de
uma pessoa que faz de tudo por você!

A Mari tirou a xícara da minha mão e a colocou na mesa. Se aproximou e me


deu um beijo no rosto. A olhei e reparei que ela também chorava. Ficamos com
os rostos bem próximos uma da outra. Passei os dedos nos seus olhos,
tentando conter suas lágrimas. Eu não gostava de vê-la chorando.

Mari: Vem cá!

Foi me deitando no sofá e se deitando junto comigo. Até que ficamos


relaxadas, de frente uma pra outra!

Mari: Vou só ligar pra minha mãe! Ela deve estar preocupada comigo com toda
essa tempestade, tá bom?

Fiz que sim com a cabeça e ela pegou o celular, discando pra mãe. Logo que
falou com ela voltou, ficando de frente comigo e passando os dedos sobre os
meus cabelos.

Dei um espirro e comecei a bocejar. A abracei pela cintura e a puxei pra bem
pertinho de mim, ficando aconchegada no seu pescoço. Ela me fazia carinhos
e dava beijinhos na minha cabeça. Depois de um tempinho, mesmo não
querendo, peguei no sono.
Não tive sonhos e nem senti frio, acho que o calor do seu corpo me esquentou.

Já era noite quando eu acordei com alguém passando a mão sobre o meu
rosto. Certa que era a Mari, abri um sorriso largo e continuei de olhos fechados.

..........: Ah! Que linda, sorrindo pra mim!

Abri os olhos, espantada, e me deparei com a Paulinha me olhando.


Laura: Ah! Garota! Que susto!

Paula: Achou que fosse a Mari?

Laura: Claro! Quando eu me deitei aqui, era com ela que eu estava abraçada! –
ainda meio zonza de sono.

Paula: Ela foi embora quando cheguei do trabalho! E, como eu vi que você não
ia acordar tão cedo, achei melhor pedir para que você fosse dormir na cama,
senão amanhã você não se mexe de tanta dor no corpo. – riu.

Laura: Que horas são? – ainda lesada no sofá.

Paula: Quase 8 horas da noite!

Percebi que não tinha dito tudo que gostaria pra Mari e que ela havia ido
embora sem que eu pudesse dizer tchau. As lágrimas voltaram a tentar cair
dos meus olhos.

Paula: Calma, linda. Eu já sei o que houve. Ela me contou. A sua Paulinha tá
aqui com você, tá? – percebendo que eu ia me desabar em chorar, se
aproximou de mim e me abraçou forte.

CAPÍTULO 77: Capítulo 77

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Laura: Ai Paulinha, o que eu faço? Não era pra ter acontecido isso! Eu fui muito
burra mesmo!

Paula: Calma, Laurinha! Não foi culpa sua! As coisas estavam ali na mochila
porque você até se esqueceu delas! Mas a Mari foi franca comigo!

Laura: O que ela disse? – me afastando dela e a olhando com apreensão.

Paula: Ela disse que sabe, mais do que ninguém, que você ama a Alice! Que
nem ela, que te ama além de tudo, vai conseguir fazer com que você a
esqueça. Isso tem que ser uma coisa vinda de você, só de você, entendeu?

Laura: Mas eu tava conseguindo, Paulinha!

Paula: Laura! Presta atenção! Você estava esquecendo a Alice porque estava
com a Mari, mas quando você vai pra sua casa, pensa em quem? Antes de
dormir, pensa em quem? Seja sincera.

Abaixei a cabeça e inconscientemente afirmei que a Paulinha estava certa.

Paula: Você precisa resolver tudo que tem pra resolver, Laurinha! E só depois
vai realmente conseguir ver se ama a Alice ou a Mariana!

Laura: Eu estou tão dividida, Paulinha! Mesmo a Alice me fazendo tudo que
fez, a vontade de vê-la não passa, sabe? E quando eu a vejo, tudo volta. Mas
com a Mari é tudo tão perfeito, ela é a garota perfeita.

Paula: Você tem que se decidir, Laurinha! Não importa de que forma. Tem que
se decidir!

Laura: Será que indo pra Nova Iorque, dando um tempo pra isso tudo, eu
consigo colocar a cabeça no lugar?

Paula: Não é fugindo que se resolve um problema, Laura. Você ir ou não pra
Nova Iorque é uma decisão que você deve tomar separadamente. Isso é outro
assunto. Tente não misturar as coisas.

Laura: Você tem razão, Paulinha... como sempre, né? Só você mesmo pra me
salvar.

Ela fez cócegas na minha barriga e deu beijinhos no meu rosto.

Paula: É porque eu amo você, sua cabeça dura! – sorriu com os dentes
branquinhos.

Laura: Mas, Paulinha, eu não sei o que eu faço.

Paula: Vamos por partes. Você realmente quer descobrir se é irmã da Alice?

Laura: EU QUERO! Porque eu não acredito nessa história, não existe


sentimento tão forte assim entre irmãs, Paulinha. Eu não me conformo!

Paula: Então você tem que resolver isso. Não sei como ainda, mas vamos
bolar um plano. Estou com você!

Laura: Obrigada amiga! – sorri e lhe dei um beijo amassado no rosto.

Paula: Tá, calma! E essa vontade de ver a Alice? É só vontade de vê-la ou de


beijar, pegar, jogar na parede e fazer um sexo selvagem? – riu.

Laura: Boba! – ri também. – Mas é a segunda opção. Ela mexe muito com os
meus sentidos, o meu tesão. Essa garota tira a minha razão, Paulinha!

Paula: Bom, mas e a Mari? É vontade de estar junto e ser paparicada ou


vontade de beijar, pegar, jogar de quatro e comer? – riu novamente.

Laura: Você adora, né? – ri horrores. – Mas eu adoro ser paparicada pela Mari.
E a pegada dela, meu Deus, é demais! O beijo, o sexo, o amor que ela me dá,
é tudo muito bom.

Paula: Amiga! Desculpe te falar! Mas realmente você está dividida, você quer
as duas! Mas assim, se fosse pra você escolher agora com quem gostaria de
ficar, quem você escolheria?

Laura: Aaai, Paulinha. Não faz pergunta difícil, pô! – coloquei as mãos no rosto.

Paula: Calma! Sem stress.

Laura: Eu queria estar com a Mariana porque ela faz eu me sentir


extremamente bem. Mas também queria a Alice porque estou morrendo de
saudade dela. Demais até!

Paula: Eu acho o seguinte, Laurinha: vamos colher provas de que vocês não
são irmãs. E desde que você começou a se envolver emocionalmente com a
Mari, não ficou mais com a Alice. Só ficando vai saber se ainda a ama ou não.
Caso contrário, a dúvida vai continuar martelando na sua cabeça. Dê um
tempinho pra Mari pensar, se acalmar, mas não se afaste dela, ela precisa
muito de você.

Laura: Isso, Paulinha. E como você acha que conseguiremos as provas?

Paula: Essas fotos já irão nos servir. Guarde-as muito bem! Teremos que
conseguir alguma coisa pra um exame de DNA, tanto da Alice, quanto do seu
Henrique.

Laura: E como vamos conseguir uma amostra de sangue deles?

Paula: Não precisa necessariamente ser o sangue. Podem ser cabelos. Eu


imagino que a Alice tenha uma escova de cabelos e sempre ficam alguns por
lá.

Laura: Ééé... eu sei onde fica a escova de cabelos dela. Mas aquele estúdio é
uma fortaleza, ninguém entra sem ela.

Paula: Isso a gente ainda vai pensar melhor. E do seu Henrique pode ser a
saliva. Eu notei que ele fumava um cachimbo quando fomos à biblioteca
conversar com ele.

Laura: Isso. Esse é mais fácil, porque o cachimbo fica sempre em cima da
mesa. Eu mesma consigo pegar.

Paula: E quando conseguirmos tudo, levamos para um laboratório!

Laura: Muito bom! – eu já conseguia estampar um sorriso tímido no rosto.

Paula: E Nova Iorque, Laura?

Laura: Independente se eu ficar com a Alice, com a Mari ou sozinha, eu já


deicidi que não vou.

Paula: Mas é sua oportunidade. E se ficar com alguma das duas, elas terão
que entender que é pelo seu bem. Amiga, nunca deixe uma oportunidade ótima
como esta escapar.

Laura: Eu sei, mas é um momento tão conturbado da minha vida!

Paula: Já disse Laurinha! Separar as coisas é o segredo!

Laura: É verdade! Eu vou pensar com mais cuidado e carinho. Eu gostaria


muito de ir, só não sei se agora, entende?

Paula: Eu entendo amiga! Mas pensa, tá? É um grande passo para a sua
independência também.

Laura: Tá aí! Isso realmente é ótimo.

Paula: Agora vamos jantar? Tá na hora.

Laura: Ai amiga, desculpa, mas toda essa confusão me tirou o apetite.

Paula: Come só alguma coisinha, Laurinha. Vamos pedir um Mc? Do jeito que
você gosta? – me fazendo cócegas novamente.

Laura: ah! Então tá! – ri.

Paula: safada. Vou ligar pra fazer o pedido.

A Paulinha pegou o telefone e fez o pedido. Não demorou muito e os lanches


chegaram. Comemos enquanto ela tentava me distrair, falar de outras coisas e
me fazer rir. Definitivamente, a Paulinha é a melhor amigas que alguém pode
ter. Companheira, carinhosa, atenciosa e todas as qualidades imagináveis para
uma amiga.

Depois ainda assistimos um pouco de tv e fomos deitar. Cada uma no seu


quarto.

Mas naquela noite eu queria os braços da minha amiga. Senti falta dela ali na
minha cama, me dando uma força. Acho que ela tinha criado juízo e decidido
me dar um tempo dos seus ataques de segundas intenções. Mas era tão bom
dormir com ela. Então peguei meu travesseiro e meu edredom e fui correndo
pro quarto da Paulinha. Entrei devagarzinho e dei uma espiadinha, ela já
estava deitada. Mas quando me ouviu caminhando, se virou e me olhou.

Laura: Posso dormir com você hoje?

Paula: Claro, linda. Deita aqui. – se encolhendo num canto e batendo com a
palma da mão no colchão.

Corri pra cama, deitei e me cobri. O frio naquela noite era intenso e a Paulinha,
meu ursão, iria me esquentar muito bem.
Paula: Gostoso você vir dormir comigo. – disse baixinho, me abraçando.

Laura: Eu adoro dormir com você. – sorri pra ela.

Paula: Então se enrosca mais em mim, vem!

Fiz o que ela pediu e nossos corpos agora já pareciam um só. Me aninhei no
seu pescoço e ela ficou afagando os meus cabelos e acarinhando as minhas
costas.

Laura: Muito cheirosa essa minha amiga! – dei uma fungada no seu cangote.

Ela riu e me deu vários beijinhos no meu rosto. Até que, depois de um tempo
ganhando dengos, peguei no sono.

No dia seguinte o despertador da Paulinha tocou. Ela se virou assustada dando um


tapa no relógio. Eu achei graça e caí na risada.

Paula: Bom dia, linda. – sorriu.

Laura: Bom dia! – sorri também.

Paula: Vai pra aula?

Laura: Vou sim. É um jeito de eu distrair um pouco a cabeça.

Ela me deu um beijinho no rosto e foi se levantando. Me espreguicei mais um pouco


na cama e me levantei também. Me troquei e me arrumei. Encontrei a Paulinha
novamente na cozinha, preparando o café da manhã.

Laura: Vai querer pãozinho com manteiga?

Paula: Vou! – virou-se pra mim e sorriu.

Laura: Vou preparar um pra você!

Fiz os pães para nós e os coloquei no forninho, para derreter a manteiga, enquanto
preparava um café pra ela e um capuccino pra mim.

Laura: Nossa, Paulinha. No fim das contas nem te contei o que aconteceu ontem.

Paula: Algum bafo? Me conta! – já ansiosa.

Narrei pra Paulinha todo o acontecimento do metrô, do cara preconceituoso e da


minha nova colega Carolina. Ao que no final de toda a história ela só conseguiu dizer:

Paula: E essa Carolina, é bonita? – com cara de safada.

Laura: Não mais que a Luíza! – olhando brava nos seus olhos, lembrando-a que já tem
namorada.

Paula: Relaxa, Laurinha! Eu estava só brincando.


Laura: Aham! Sei! Mas me fala uma coisa: e a Lu, está tudo bem com ela? Não a vi
mais.

Paula: Tá sim. Ela só está muito ocupada, disse que você está fazendo muita falta e
quase dobrou o serviço pra ela. Acho que hoje ela vem pra cá.

Laura: Ah! Sim! Tô com saudades dela. – sorri.

Terminamos de tomar o café da manhã e fomos pra rua. A Paulinha seguiu para o
serviço e eu fui pro metrô, rumo à faculdade. Enquanto esperava na plataforma, no
meio de tanta gente, avistei de longe a Carolina descendo as escadas rolantes. Ela
não me viu, então decidi ir cumprimentá-la.

Laura: Oi, Carol! – me aproximei dela.

Carol: Oi, Laura! Que bom te encontrar aqui. Tudo bom? – me cumprimentando com
um beijinho no rosto.

Laura: Tudo sim e você? Na casa da “amiga”? – fiz o aspas com os dedos.

Carol: Tudo bem também. E sim, na casa da “amiga”! – ela riu e repetiu o gesto.

O trem chegou e entramos num vagão. Tivemos que seguir em pé, pois o mesmo
estava lotado!

Carol: Ah, Laura! Queria o número do seu celular. A gente pode combinar de sair
qualquer dia desses, você com sua ruivinha e eu com minha “amiga”. – ela riu.

Laura: Não tenho mais ruivinha, Carol. – abaixei o rosto.

Carol: Mas como assim? Até ontem vocês estavam lindas juntas. – se espantou.

Laura: É uma longa história, mas enfim, ela terminou comigo porque tem certeza que
eu ainda amo minha ex namorada.

Carol: E isso é verdade?

Laura: De certo modo sim, porque tudo aconteceu de repente, tão rápido, sabe? Mas
acontece que eu tô gostando mesmo da Mariana agora. Porém, eu acho que ela está
certa quando disse que eu tenho que resolver meus problemas com a ex namorada.

Carol: Nossa, Laura. Desculpa!

Laura: Não, Carol, tudo bem. Eu vou resolver toda essa história, eu preciso que tudo
esteja em ordem para ficar bem comigo mesma, sabe?

Carol: E o que você vai fazer em relação à ruivinha?

Laura: Por enquanto quero ser amiga dela como sempre fomos, ver como tudo vai se
proceder, entendeu?

Carol: É verdade. Tem que ir com calma, pra não se machucar e não machucar
ninguém.

Laura: Mas pode me ligar sim, mesmo que você vá com a sua “amiga”, eu posso
convidar algumas amigas também, que são super legais!

Carol: Então fechou! Me passa o número.

A Carol tirou o celular do bolso da calça e gravou o meu número de celular. Fiz o
mesmo com o dela. Depois de um tempinho descemos na estação perto da faculdade.
E nos despedimos.

Enquanto eu caminhava pelos corredores, decidi ligar pra Mari, ver como ela estava.
Não queria me distanciar dela, afinal de contas, eu amava a Mari, como amiga.

Mari: Alô?

Laura: Mari?

Mari: Oi Laurinha!

Laura: Tudo bom?

Mari: Tudo e você?

Laura: Tudo bom também. Você foi embora ontem sem me falar tchau.

Mari: É que você estava dormindo tão gostoso, que não quis acordá-la.

Laura: Eu queria ter te dado tchau. Mas tudo bem.

Mari: Não fica brava, Laurinha. A gente combina de se ver, tá bom? Olha, não quero
fugir de você não, mas minha professora chegou aqui na sala, preciso desligar, tá?

Laura: Tá bom, Mari. Eu te ligo depois de novo, posso?

Mari: Pode sim, linda. – riu no telefone.

Laura: Então tá! Beijos, boa aula e já estou com saudades, viu?

Mari: Beijo Laurinha. Também já estou com saudades. Tchau linda.

Desligamos e eu fiquei até feliz da Mari não estar diferente comigo ou tentando fugir.
Quer dizer que podemos nos acertar mais pra frente, se for isso mesmo que tiver que
ser.

A aula foi super tranquila, tudo bem que mais conversei com a Dani que estudei.
Contei tudo o que aconteceu com a Mari e ela me deu os mesmos conselhos da
Paulinha, apesar de ficar sempre do lado da Mari e nunca da Alice.

Dani: Mas olha, Laurinha. Se for pra você ficar com a Alice, vamos continuar sendo
amigas como sempre fomos. Mas não deixa a Mari sofrer não, por favor.

Laura: Eu nunca faria a Mari sofrer, Dani. NUNCA! Eu acho que eu gosto mais dela do
que eu mesma imagino.

A Dani esboçou um risinho de contentamento, quando o sinal do intervalo soou.

Ficamos ali sentadas, como sempre, perto da lanchonete. Logo meu celular tocou.
Laura: Alô?

Carol: Queria ver se passou o número certo mesmo.

Laura: Bobaaa! – eu ri.

Carol: E aí, Laura? Tudo bom?

Laura: Tudo e você, Carol?

Carol: Tudo também. Olha, nem eu imaginava que ia te ligar tão rápido, mas surgiu
uma balada bacana pra hoje e eu e minha “amiga” vamos. Topa? Garanto que o lugar
é bem legal!

Laura: Vou ligar pra minha amiga, ver se ela topa, e te retorno, pode ser?

Carol: Claro! Vou ficar esperando. Beijos.

Laura: Beijos.

Dani: Era a Carolina, aquela do curso de jornalismo?

Laura: É, ela mesma, me convidando pra sair hoje.

Dani: Laura De Biasi. Outra menina NÃO!

Laura: Calma, Dani! Ela é só uma colega. E fique tranquila que a garota que ela está
saindo também vai.

Dani: Ah! Então tudo bem. – se mostrando mais aliviada.

Laura: Você acha que convido a Mari?

Dani: Convida sim. – ela sorriu.

Peguei o telefone e disquei pra Mari. Eu só precisava de alguém pra me apoiar a


convidá-la e a Dani foi essa pessoa.

Mari: Laurinha?

Laura: Oi Mari! Eu de novo. – ri.

Mari: Pode falar, linda.

Laura: Então, sabe a Carol? Aquela menina que te falei daqui da faculdade?

Mari: Sei sim.

Laura: Então, ela me convidou pra uma baladinha hoje que vai com a garota que tá
saindo. Você não tá a fim de ir comigo?

Mari: Ah Laurinha, me desculpe, mas hoje não vai dar não.

Laura: Mas por quê?


Mari: Hoje tem um encontro das meninas da minha sala num barzinho. E eu já tinha
combinado, a gente deixa pra outro dia, tudo bem?

Laura: Tudo bem então, Mari. – mostrando desânimo. – Beijos.

Mari: Desculpa mesmo, Laurinha. Beijos.

Eu não acreditei quando a Mari disse que não poderia. Ela sempre desmarcava o que
tinha pra ir comigo nos lugares que a gente curtia. Até a Dani achou um pouco
estranho.

Laura: Será que ela está fazendo isso pra ver se eu sinto falta dela, Dani?

Dani: Não sei, Laurinha! Mas a Mari deve ter os motivos dela. Deixa ela pensar um
pouco também. Talvez ela só não queira cair na tentação de ficar com você enquanto
você não resolve seus problemas.

Laura: É verdade, você tem razão! Eu vou chamar a Paulinha e a Luíza então. Acho
que vai ser bom pra me distrair.

Dani: Isso! Tá certo!

Liguei pra Paulinha, que no mesmo minuto topou, pois disse que já havia combinado
com a Luíza de fazer alguma coisa naquela noite e achava que a balada seria legal.
Retornei para a Carol e confirmei que iríamos. Combinamos o local e a hora: numa
danceteria nova do Jardins, às onze e meia da noite.

Depois da aula fui pro apartamento da Paulinha, almocei qualquer coisinha e


me deitei. Pretendia tirar um cochilo à tarde para aguentar a balada à noite. E
assim foi.

Quando a Paulinha chegou do trabalho foi logo me acordando, me


pentelhando. Ela era mestre nisso.

Paula: Acooorda menina. Vamos pra balada. – gritando horrores.

Laura: Ah, Paulinha. Dá um tempo, né? Vai demorar ainda. – não querendo
nem abrir os olhos.

Paula: Nããão! Vai, acorda aí. – pulando na minha cama.

Laura: Nossa Senhora, viu? Tá com fogo no rabo garota? – empurrando-a.

Paula: Não. Só tô a fim de pegar uma balada muito boa e dançar pouco. – ria
incessantemente.

Laura: E a Lu? Cadê? – já conseguindo olhar pra ela.

Paula: Vem depois. E aí? Que roupa você vai? – tirando o edredom de cima de
mim.
Laura: Pára de me pentelhar, Paula! Nem sei que roupa eu vou, na hora eu
vejo. – puxando o edredom de volta.

Paula: Que coisa, Laurinha. Se anima! – me enchendo de beijinhos no rosto.

Laura: Você me conhece mesmo, né Paula? – agora eu ria das cócegas que
seus lábios faziam quando estralavam na minha bochecha.

Paula: Vamos comer alguma coisinha comigo?

Laura: Vamos, né? Senão você não pára de me encher. – ri.

A Paulinha foi se levantando e me puxando até a cozinha. Sentei numa


cadeira, com o cabelo ainda todo despenteado e a cara amassa. Ela se
aproximou com uma caixa e uma pizza de frango e cheddar quentinha.

Laura: Nooossa, Paulinha. Que delícia! – arregalei os olhos.

Paula: Ah! Agora se animou, é? E ainda tem borda recheada.

Laura: Boba! Você sabe que eu ADORO pizza de frango e cheddar, ainda mais
com borda recheada.

Em meio a um clima super descontraído, comemos a pizza, claro que não


inteira. Depois vimos novela, esparramadas no sofá. Hora ou outra a Paulinha
brincava comigo, pulava pra lá e pra cá e fazia palhaçada. Acho que ela queria
me animar pra balada. Na verdade eu nem estava muito animada, já que a
Mari tinha se recusado a ir. Mas eu ia do mesmo jeito, me distrair um pouco!

Até que chegou a hora de nos arrumar. Tomei um banho, nem tão demorado,
mas também nem tão rápido. Não podia deixar de lado meus cremes corporais.
Escolhi uma roupa, nada de exagerado, mas quente, pois o frio de São Paulo
estava demais! Uma calça preta skinny, uma bota marrom com alguns detalhes
em dourado, uma camisetinha branca básica e por cima um casaco xadrez
vermelho cereja, todo fechado com botões dourados também. Passei um
silicone com os dedos no cabelo e fiz um make leve, nada muito chamativo,
apenas um pó, um gloss avermelhadinho e nos olhos lápis e delineador.
Perfume é a parte que eu mais gosto, então caprichei em um meio termo, nem
tão doce e nem tão cítrico. Logo eu estava pronta.

A Paulinha já estava na sala, acompanhada da Luíza.

Laura: Luuu! – dei um abraço apertado nela.

Luíza: Tudo bom, Laurinha? – abriu um sorriso.

Laura: Tudo. Saudades que eu tava de você. Como está?

Luiza: Está tudo bem, fora a correria do trabalho. Você tá fazendo muita falta,
viu?

Laura: Então pelo menos eu sei que fazia meu trabalho certinho. – sorri.

Luíza: Claro que sim. Você tem futuro. – sorriu também.

Paula: Então vamos, gente? Já são onze e meia. – interrompendo o assunto.

Laura: Vamos sim! Senão a gente não chega hoje. – rimos.

Descemos e já pegamos um táxi na frente do prédio. Os táxis parecem brotar


do asfalto na Avenida Paulista!

Depois de uns 10 minutinhos, estávamos em frente à danceteria que havíamos


marcado com a Carol. Fomos pra fila. Só gente bonita. O lugar, mesmo de fora,
parecia ser bem bacana, uma fachada bem discreta de madeira com algumas
luzes fracas que davam um clima meio de mistério e ao mesmo tempo fino e
sofisticado. Acho que a Carol também tinha bom gosto.

Ficamos conversando enquanto esperávamos na fila e logo entramos no lugar.


Eu havia combinado de encontrar a Carol no bar, assim que chegássemos.
Mas logo nos meus primeiros passos dentro da danceteria, senti alguém
puxando meu braço por trás. Olhei rápido e era a Carol, bufando, meio
apressada.

Laura: Oiii Carol! Estávamos indo pro bar. – olhei pra ela e sorri. – Deixa eu te
apresentar minhas amigas, Paula e Luíza.

Carol: Oiii! – me cumprimentou com um beijinho no rosto. – Prazer, Carolina. –


fez o mesmo com a Paulinha e com a Luíza, que também responderam.

Laura: Faz tempo que você chegou? – percebi que ela estava meio eufórica.

Carol: Laurinha, deixa eu te falar uma coisinha, vem aqui!

Pedi para a Paulinha e a Luíza me esperarem um segundo e me distanciei um


pouco com a Carol para poder ouvir melhor o que ela ia dizer.

Laura: Aconteceu alguma coisa, Carol?

Carol: Laurinha, me desculpe, mas não vou poder ficar! Deu uns problemas
com o carro da minha irmã, ela me ligou agora pedindo uma ajuda, talvez eu
volte depois, tem problema?

Laura: Claro que não, Carol! Quer uma ajuda? Precisa de uma mão pra alguma
coisa?

Carol: Não não, obrigada! Tá tudo bem.

Laura: Eu estou com meu celular, qualquer coisa me liga, tá?


Carol: Valeu, Laurinha. E desculpa mesmo!

Laura: Vai lá, Carol. Qualquer coisa você já sabe.

Ela me deu um beijo no rosto e saiu apressada. Voltei junto da Paulinha e da


Luíza e contei o ocorrido. Realmente uma pena, a Carol era muito gente boa.

Decidimos ficar por lá mesmo e aproveitar a balada, afinal o lugar parecia bem
legal e a música estava muito boa. Fomos pro bar e pegamos uma bebida.
Ficamos um tempo ali, observando o ambiente e as pessoas. Uma mulher mais
linda que a outra. Realmente aquele lugar era a mina do tesouro.

Luíza: ei, Laurinha, vamos dançar? – colocando o copo vazio sobre o balcão.

Laura: vamos sim. – sorri pra elas.

Também coloquei o copo no balcão e fomos. A pista estava fervendo e uma


vibe muito boa pairava no ar. A Paulinha e a Luíza dançavam juntas e eu
reparei o quanto elas se completavam. A Luíza era uma autêntica mulher, de
salto, brincões, maquiagem forte e totalmente sensual. A Paulinha era moleca,
de tênis, sorriso do rosto e cara de safada. Elas formavam um casal tão lindo!

Com a música boa nos ouvidos e vendo as minhas duas amigas, comecei a
pensar como é bom encontrar alguém que nos complete e que seja parte
daquilo que não temos, alguém que precisamos. Naquele momento eu estava
na dúvida total. Não conseguia colocar uma resposta ou um ponto final na
minha cabeça. Muitas coisas mal resolvidas e deixadas ao vento.

Eu não podia começar a filosofar sobre a minha vida amorosa no meio da


danceteria. Decidi por um momento tentar esquecer toda aquela confusão.
Fechei os olhos e levantei os braços, dançando e recebendo toda a
positividade daquele lugar. Viajei no som e nas batidas e uma sensação
gostosa começou a tomar conta de mim.

Quando o dj emendou uma música na outra, abri os olhos de leve e vi a


Paulinha e a Luíza me olhando e sorrindo. Mostrei a língua e ganhei um
apertão na bochecha da Luíza. Continuamos ali, dançando, agora as três
juntas.

De repente, ao longe, atrás da Luíza, eu notei alguém familiar. Eu conhecia


aqueles cabelos, o jeito e a forma de dançar, claro!

PAREI!

Sempre com dezenas de pessoas ao redor, lá estava ela, dançando


maravilhosamente. A Paulinha reparou na minha feição e também parou, se
virando na direção para onde eu olhava. Olhou pra Luíza com uma expressão
“e agora?”.
Paula: Laura! – segurando o meu braço.

Laura: calma, Paulinha, eu estou bem.

Não sabia ao certo o que estava sentindo. Estava surpresa, com certeza! Eu
não conseguia vê-la nitidamente, por causa da multidão na pista de dança.
Tentei ficar tranquila. Não queria fugir. Eu tinha que fazer alguma coisa.
Esperei um pouco, pelo menos até as minhas pernas pararem de tremer.

EU TINHA QUE FALAR COM A ALICE!

CAPÍTULO 80: Capítulo 80


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Laura: Eu tenho que ir lá, Paulinha.

Paula: Show de novo não, Laurinha. Vamos embora!

Laura: Calma! Sem show. Vou na boa mesmo. Só conversar.

Paula: Por favor, Laurinha! Não vamos gerar mais uma confusão.

Laura: Tudo bem, eu sei o que fazer. Só peço que fique me olhando de longe,
caso eu precise.

Paula: Olha lá, hein Laura?

“Será que eu sei mesmo o que fazer? Meu Deus, Laura! Muita calma, por
favor!”

Comecei a ir em sua direção, devagar e dançando ao mesmo tempo. A cada


passo eu a via mais nítida. Não queria encará-la de frente, então me
aproximava das suas costas. Tentava observar se ela estava acompanhada,
mas além das meninas que babavam por ela, parecia estar sozinha.

“Calma, Laura! Procura a Bruna.”

Tentei focar na Bruna, mas ela definitivamente não estava por perto. Nem o
Alessandro.

“Que estranho!”

Aos poucos chegava mais e mais próximo. Já estava a mais ou menos um


metro de distância e pude notar o quanto ela estava linda. Cabelos jogados,
calça jeans colada, salto alto e uma blusa de linho verde. Não conseguia mais
dançar, só a olhava. Ela se requebrava, rebolava e enlouquecia a mulherada
que estava ao redor. Olhava pro alto, pra baixo e parecia se sentir livre.

Foi quando senti o cheiro entorpecedor no meu nariz. Fechei os olhos e um


filme passou na minha cabeça. Os abri rapidamente e reparei uma menina
chegando muito perto dela.

“Faz alguma coisa, Laura. FAZ!”

Eu só podia estar endoidando. A Alice estava ali, na minha frente, e eu feito


uma estátua!

“VAI!”

Senti medo, receio, dúvida e mais um turbilhão de sensações que só a Alice


conseguia me fazer sentir.

Porém, nesse mesmo instante, o dj começou a tocar “Your Love Is My Drug”,


da Kesha, e eu simplesmente amava aquela música. Finalmente criei coragem
de me aproximar ainda mais!

Como quem não quisesse nada, comecei a dançar atrás dela, que não me
notou.

“Maybe I need some rehab, or maybe just need some sleep


I got a sick obsession, I’m seeing it in my dreams
I’m looking down every alley, I’m making us desperate ‘cause
I’m staying up all night hoping and hitting my head against the wall”

Sentindo seu corpo tão próximo do meu, não consegui me conter, coloquei
uma mão sobre a sua barriga, a cercando, e aproximei o meu nariz da sua
nuca. Me encaixando a ela, seguindo o seu rebolado.

“What you got it’s hard to find


I think about it all the time
I’m all strung out, my heart is fried
I just can’t get you off my mind”

Pude senti-la se arrepiando toda. A Alice levantou os dois braços e os colocou


para trás, enroscando os dedos em meus cabelos. Alguma coisa me dizia que
ela já sabia que era eu quem estava ali. Puxei-a ainda mais próxima de mim,
aumentando o contato e o calor dos nossos corpos.

“Because your love, your love, your love is my drug


Your love, your love, your love
I said your love, your love, your love is my drug
Your love your love your love”

Continuamos ali, no mesmo ritmo, porém ela já jogava o seu corpo contra o
meu e a cabeça para trás, com os olhos fechados. Todas as meninas agora
reparavam naquele jogo de sensualidade. Comecei a cheirar o seu pescoço.
QUE CHEIRO MARAVILHOSO! Ela se amoleceu ainda mais em meus braços
e seu corpo todo roçava no meu, enquanto dançava.

“Won’t listen to any advice


Momma’s telling me I should think twice
But love to my own devices
I’m addicted, it’s a crisis

My friends think I’ve gone crazy


My judgments getting kinda hazy
My esteem is gonna be affected
If I keep it up like a lovesick cracker”

Uma sensação deliciosa tomava conta de mim. Tê-la em meus braços era
inexplicável! Não hesitei, coloquei a outra mão sobre a sua barriga e a cerquei
de uma vez por todas. Agora éramos praticamente uma só, levadas pela batida
daquela música. Tudo em volta pareceu sumir e parar, era um momento nosso.

“Because your love, your love, your love is my drug


Your love, your love, your love
I said your love, your love, your love is my drug
Your love, your love, your love”

Com os lábios tocando o seu ouvido, cantei para ela:

“I don’t care what people say


The rush is worth the price I pay
I get so high when you’re with me
But crash and crave you when you leave”

De repente ela se virou, ficando a poucos centímetros de mim, seu nariz quase
tocando o meu. Olhou fundo nos meus olhos e eu pude sentir que eles sorriam,
que eles haviam ficado contentes por eu estar ali.

Laura: Oi irmãzinha! – abri um sorriso largo, enquanto ela continuava muda,


parada, me encarando.

“Hey, so I gotta question


Do you wanna have a slumber party in my basement?
Do you wanna make it hot, beat like an 808 drum?
Is my love with your drug?

Your drug, uh your drug


Uh your drug is my love, your drug
Because your love, your love, your love is my drug
Your love, your love, your love”

Quando a música parou, todas as luzes se apagaram. Eu agarrei a sua cintura,


para me certificar que ela não fugiria de mim. Aqueles segundos pareceram
uma eternidade. Foi quando se ascenderam novamente e pude ver um sorriso
maravilhoso estampado em seus lábios.

De repente a música voltou e, se agarrando o mais forte que pode ao meu


pescoço, me beijou como se eu fosse a única pessoa do mundo!

“Because your love, your love, your love is my drug


Your love, your love, your love
I said your love, your love, your love is my drug
Your love, your love, your love”

Que saudade daquela boca, daquele cheiro, daquela pele e de tudo que vinha
dela. A abracei forte e senti a sua língua na minha. Era um encaixe perfeito, um
beijo violento e desejado. Ela bagunçava os meus cabelos, enquanto eu
apertava a sua cintura.

Parou, me olhou, sorriu novamente e voltou a me beijar. Eu não estava


acreditando naquilo. A Alice nos meus braços novamente pra quem quisesse
ver. Aquele beijo durou uma eternidade e eu realmente não queria que ele
terminasse tão cedo!

CAPÍTULO 81: Capítulo 81


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Era uma mistura de tudo o que eu sentia quando ela me beijava! Eu parecia
flutuar no meio de toda aquela multidão! A Alice tinha o poder de fazer com que
eu me sentisse viva novamente. A forma como ela me beijava era como se
nossas bocas tivessem sido feitas uma para a outra. Por incrível que pareça,
ela parou de dançar e se concentrou no beijo, como se fosse a coisa mais
importante do mundo naquele momento. Era impossível não me sentir feliz
naqueles minutos que passamos nos beijando. A gente se apertava forte, com
vontade. Eu só não entendia como ela pode se render assim tão rápido!

A música mudou e Rihana – Rude Boy, tomou conta das caixas de som.
Ouvindo-a, a Alice começou a se empolgar.

Parou o beijo, encostou de leve o seu rosto no meu e começou a rebolar pra
mim. Minhas mãos seguravam a sua cintura e a sentiam requebrar. Entrei no
seu jogo e comecei a dançar também. Estava morrendo de saudade das suas
provocações.

A Alice enroscava as pernas entre as minhas e se mantinha ali, bem próxima


de mim. Sorria lindamente e jogava os cabelos no meu rosto, enquanto minha
mão começou a passear pelo seu corpo. Fiquei tempos com elas na sua
barriga. Mas quando a senti se esfregar mais ainda em mim, não aguentei e a
puxei pela bunda, ao que ela se enroscou no meu pescoço e lambeu o meu
ouvido.
Alice: Que vontade de você, Laura! – foi a primeira coisa que me disse.

Pegou na minha mão e começou a caminhar, querendo me tirar do meio de


toda aquela gente. Lembrei da Paulinha. Olhei em sua direção e a minhas
amigas me olhavam com uma cara do tipo “não acredito nisso!”. Sorri com o
canto da boca e segui a Alice. Na verdade, nem eu estava acreditando.

Ela me levou até um canto na boate e me jogou contra a parede. Fiquei sem
reação. Com o sorriso mais sem vergonha do mundo, me olhou e começou a
dançar novamente, só pra mim. Virava de costas e esfregava sua bunda em
mim. O canto era meio escuro, mas algumas pessoas ainda podiam nos ver.
Nem imaginava que naquele dia eu iria ganhar uma dança totalmente sensual
da Alice. Não mesmo! Eu estava totalmente sem reação, mas tentava entrar no
clima.

Ao mesmo tempo que dançava, me beijava, chupava o meu pescoço e mordia


os meus lábios e a minha orelha. A Segurei firme e troquei de lugar, jogando-a
na parede. Ela mordeu os lábios e eu os suguei o mais forte que pude. Ouvi um
gemido de dor, mas vi um sorriso safado no seu rosto. A apertei e minhas
mãos tomaram conta dela. Puxava meus cabelos enquanto me beijava e
tentava rebolar, mesmo com todo o meu peso sobre ela.

O tesão começou a tomar conta de todo meu corpo e pelo modo como ela
estava entregue, percebi que também me queria mais do que podia. Minhas
mãos alcançaram sua cintura nua e eu me arrepiei toda. Ela fechou os olhos e
jogou a cabeça para trás suplicando para que eu não parasse. Coloquei os
dedos dentro da calça, na altura do cós e apertei. Ela gemeu baixinho no meu
ouvido, só para eu ouvir. Praticamente gozei. O gemido da Alice era único,
afrodisíaco, poderoso!

Laura: Você quer? – sussurrei no seu ouvido, enquanto aproximei uma mão do
seu sexo, dentro da calça.

Alice: Eu quero você dentro de mim, Laura! – respondeu no mesmo tom de


voz.

Beijei sua boca violentamente e mordi seus lábios de leve, enquanto meus
dedos se aproximavam ainda mais do seu ponto. Agarrada ao meu pescoço,
puxava meu cabelo cada vez mais forte, deixando evidente o tesão guardado.

Alice: Eu não quero aqui. Eu quero ser só sua! – disse mordendo a minha
orelha.

Olhei pra ela e afastei meus dedos. Seus olhos queimavam de tanta vontade,
eu podia ver aquilo. Pegou novamente na minha mão e me puxou.

Alice: cadê a sua comanda? Me dá. – tentando andar rápido entre as pessoas.

Tirei a comanda do bolso da calça e dei a ela. Não pegamos fila para pagá-las.
Chegamos à porta e a Alice simplesmente as entregou ao segurança
acompanhadas de 3 notas de 100 reais. Me olhou e piscou, como se fosse a
dona do mundo. Eu adorava a autoridade que ela transmitia quando queria
alguma coisa. Pegamos um dos táxis que estavam em frente à danceteria. Já
que entramos no carro a Alice tirou mais uma nota de 100 reais e a deu ao
motorista, pedindo para que o mesmo nos levasse à nossa casa. Achei
estranho, pois geralmente aquele caminho daria menos que 15 reais.

“Ai, Alice! Como assim?” pensei comigo mesma, mas decidi deixar rolar do jeito
que ela quisesse.

De repente, logo que o taxista arrancou, a Alice me puxou para um beijo. Ela
subiu em cima de mim e começou a se esfregar, de leve.

“LOUCA!”

O motorista, entendendo o porquê de tanto dinheiro, fez de conta que não viu.
Ela me tirou o fôlego. Lambia meu pescoço e se roçava inteira em mim. Soltava
seus gemidos baixos enquanto eu apertava a sua bunda gostosa. Ela,
definitivamente, queria me deixar louca!

Logo chegamos em frente ao prédio. Saímos apressadas do táxi e ela


continuava segurando a minha mão, como se não quisesse esconder nada de
ninguém. Aliás, meu cabelo desarrumado e minhas bochechas rosadas
denunciavam que estávamos em meio a um amasso, ao que os porteiros nos
olharam com uma cara do tipo “safadinhas!”.

Pegamos o elevador e ali foi eu quem a prensei contra um dos cantos.

Laura: Estava morrendo de saudades de você!

Alice: Eu também! Quero você toda pra mim. – já apertando a minha bunda,
me puxando ainda mais perto dela.

Laura: Tem certeza? – beijando o seu pescoço.

Alice: ABSOLUTA! – gemendo logo depois.

O elevador parou no nosso andar e já que entramos, pela porta principal,


seguimos para o terceiro andar. Ela sorria, eu sorria.

Abriu o estúdio e entramos. Estava a meia luz, do jeito que ela sempre deixava
à noite. Não aguentei, ela fechou a porta e eu a joguei contra a mesma, de
costas para mim. Comecei a beijar a sua nuca e a cheirar os seus cabelos,
enquanto minhas mãos já abusavam do seu seio e do seu sexo, mesmo por
cima da roupa. Ela se rendeu. Colocou as mãos sobre a porta e empinou a
bunda, rebolando-a contra o meu sexo! Gemíamos juntas. O tesão era
totalmente recíproco e a vontade era enorme. Minhas mãos queriam mais e
seu corpo suplicava por isso. Por baixo da roupa uma delas invadiu seus seios,
enquanto a outra começou a abusar do seu sexo. A penetrei com gosto, ela
estava totalmente encharcada e seu sexo pulsava para mim. O seu rebolado se
intensificou, enquanto eu a tomava por inteira. Em pouco tempo gozou,
gemendo alto, chamando pelo meu nome. A vendo sentir aquele prazer
incontrolável e me chamar, gozei também.

Ela se virou e me beijou, posso dizer que, apaixonadamente. E entre beijos e


provocações foi me levando até seu quarto e me jogando na cama, fazendo
com que eu me deitasse. Se aproximou devagarzinho por cima de mim, me
olhando fixamente e sorrindo com o canto da boca. Grudou seus lábios nos
meus ouvidos e sussurrou:

Alice: Tava com saudades de você na minha cama.

A puxei e senti todo seu peso sobre o meu corpo. Com o controle remoto que
já estava em cima da cama, ligou a jukebox num house gostoso, hipnotizante.
Me encaixou entre suas duas pernas e voltou a me beijar. Lentamente
começou a roçar seu sexo contra o meu, no ritmo na música.

Laura: Delícia! – gemi pra ela.

CAPÍTULO 82: Capítulo 82

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Com beijos, lambidas e mordidas foi descendo pelo meu corpo. Dançando
devagarzinho, tirou as minhas duas blusas, me deixando somente de sutiã. Fiz
o mesmo com ela, tirando também a sua calça. Delirei na sua lingerie preta.

Chegou no meu colo e roçou o nariz nos meus seios, sobre o sutiã. Pressionei
sua cabeça e ela entendeu. O tirou devagar e mergulhou, lambendo, sugando
e beijando de leve cada um deles. Ela fazia de um jeito que me deixava
completamente louca! Gemia baixinho pra ela, enquanto suas mãos brincavam
na minha virilha.

Desceu até a minha barriga e passou um tempo ali. Suas mãos agora
massageavam os meus seios. Ela continuava dançando sobre mim e aquilo era
uma delícia! Chegou na minha calcinha e lambeu um pouquinho por dentro
dela, me enlouquecendo!

Alice: Gostosa!

Apertando a minha bunda, tirou minha calcinha com pressa e invadiu o meu
sexo com a língua quente. Joguei meu corpo para trás e abri um pouco mais as
pernas. Me chupava com vontade enquanto suas mãos abusavam das minhas
coxas. Não se contentando, me penetrou e continuou com a língua ali. Quando
sentia que eu ia gozar, parava e se afastava um pouco, sorrindo para mim, até
que, não agüentando mais tanto sofrimento, segurei sua cabeça contra o meu
sexo e ela chupou o quanto pode. Ela sabia me levar às estrelas! Gozei
demoradamente! Ela não parou, continuou ali... foram múltiplos!

Laura: Ah! Alice!

Devagarzinho ela começou a subir. Nenhuma parte do meu corpo ficou livre
dos seus beijos. Eu estava em transe. Beijou minha boca demoradamente
enquanto eu me recompunha.

Foi ficando de quatro na cama e em cima de mim, com os seios na altura da


minha boca. Tirou o sutiã com a minha ajuda e fez com que tocassem os meus
lábios. Ela mesma se mexia, dançava e os provocava para mim. Segurou meus
pulsos, enquanto minha língua tentava toma-los o quanto ela mesma deixava.
Gemia baixinho enquanto não tirava os olhos de mim. Eu já estava ficando
louca novamente! Dançava, dançava e dançava. Ora os colocava por inteiro na
minha boca, ora eu tinha que sofrer para alcança-los. Percebi que aquela
brincadeira estava deixando-a louca de tesão!

De repente me soltou e subiu mais um pouco, agora com o sexo na altura do


meu rosto. De joelhos e com as mãos pra cima, continuava a dançar, quase
encostando seu sexo sobre a minha boca. A segurei pela cintura e comecei a
mordei e lamber as suas coxas. Ela fechava os olhos e gemia baixo, gostoso!
Depois de um tempo ali, comecei a tentar abaixar a sua calcinha. O tesão era
tanto que acabei rasgando-a e tirando-a com facilidade. Ela adorou e levou
seus dedos até a minha boca, fazendo com que eu os lambesse.

Alice: Me come Laura! Do jeito que só você sabe fazer.

Dizendo isso, finalmente aproximou seu sexo da minha boca, deixando com
que eu tomasse conta dele. Chupei com toda vontade que eu estava daquele
corpo enquanto a puxava ainda mais para cima de mim. Porém, era ela quem
dominava todo aquele contato. Continuava dançando e jogando os cabelos. Eu
arranhava desde as suas costas até a sua bunda. Aos poucos ela foi se
rendendo e amolecendo o seu corpo sobre mim.

Ficou de quatro novamente e me deixou chupá-la o quanto eu quisesse! Não


perdi tempo. Lambia todo o seu sexo e lhe penetrava o mais forte que podia.
Ela já gemia alto!

Alice: Vai, Laura! VAI!

Aumentei a intensidade e a violência e logo ela gozou gostoso na minha boca,


inteira pra mim! A deitei na cama e a penetrei com os dedos novamente. Lambi
seus seios com tesão e desci novamente ao seu sexo. Não queria parar de
sentir o seu gosto delicioso. Ela gozou incontáveis vezes.

Deitamos de lado, uma de frente para outra, bem próximas e ficamos nos
olhando. Eu passava a mão no seu rosto, enquanto ela fazia carinho nos meus
cabelos. Eu não acreditava que estava ali com a Alice. Aquele momento
dispensava qualquer palavra. Nossos olhos já diziam tudo!
Ficamos um bom tempo daquele jeito, nos apreciando. Naquele momento eu
lembrei de todas as coisas que vivemos desde que a Alice voltou! Ficamos
juntas pouco tempo, mas foi tudo muito intenso, como aquilo que estávamos
vivendo!
Laura: estava morrendo de saudades de você! – cheguei mais perto dela.

Alice: Eu também! Sempre te quis! – me deu um selinho. – Maaasss...

Laura: Shhhh! – toquei a sua boca com meu dedo indicador. – Vamos
aproveitar que estamos juntas agora. Sou só sua hoje e você só minha!

Ela me puxou violentamente e me beijou a boca com a língua fogosa como só


ela tinha! Minhas mãos desceram desde a sua nuca até a sua bunda, o que
provocou um arrepio em todos os seus pelos. Ela sorriu entre o beijo e retornou
ao que estava fazendo.

Laura: Eu amo o seu cheiro. – respirando fundo durante o beijo.

Alice: Eu amo o jeito como você me pega. – lambendo ao redor dos meus
lábios.

Aquilo tudo foi ficando cada vez mais intenso, formando um tesão inevitável.
Sentia seus seios tocando os meus e aos poucos me deixando louca.
Lentamente a Alice foi se levantando, me puxando junto. Me fez sentar na
beirada da cama e ficou em pé na minha frente. Beijou a minha boca mais uma
vez, abriu as minhas pernas e se sentou no meio, de costas pra mim.

Levei minha boca até o seu ombro e comecei a beija-lo lentamente. Minhas
mãos foram até as suas coxas e começaram a massageá-las. Ela, com os
braços pra trás, segurava a minha cabeça e jogando a sua de lado, chupava e
lambia a minha orelha. Vê-la encaixada em mim estava me deixando
totalmente insana. Ainda beijando seus ombros alternadamente, fui subindo as
mãos por toda extensão do seu corpo, até alcançar seus seios.

Gemeu gostoso quando os toquei de leve, fazendo movimentos circulares.


Pegou uma das minhas mãos e levou meus dedos até sua boca, chupando-os
de leve, ao mesmo tempo que começava a rebolar devagar, conforme a
música, se roçando no meu sexo. Fechei os olhos e gemi no seu ouvido.

Laura: Delícia, Alice. Vem!

No mesmo momento ela lambeu minhas duas mãos juntas e as pressionou


contra o seu próprio seio, fazendo movimentos no mesmo ritmo da música. Se
levantou um pouco e começou a dançar totalmente sensual, com a bunda
empinada, no meu colo! Minhas mãos passeavam por todo o seu corpo
gostoso, acompanhando seu requebrado. Às vezes passava os dedos de leve
sobre o seu sexo, o que lhe arrancava gemidos altos!

Alice: Ah! Gostosa!


Continuou ali, dançando sobre mim, se esfregando no meu sexo totalmente
molhado. Se virou de frente e ficou em pé, entre as minhas pernas, rebolando.
A puxei pra mim e comecei a lamber seus seios, enquanto ela desarrumava os
meus cabelos. Minhas mãos, na sua bunda, ainda a sentia rebolando.

Depois de um tempo, abriu as pernas e se sentou no meu colo, me encaixando


entre elas! Com as duas mãos, começou a massagear os meus seios. Puxei-a
para um beijo e apertei ainda mais a sua bunda o que fez nossos sexos se
tocarem!

Laura: Hum! Gostoso!

Alice: Assim? – começou a esfregar bem devagar o seu sexo no meu, me


arrepiando toda.

Laura: Isso! Bem gostoso! – fechei os olhos para curtir o tesão.

Alice: E se eu fizer desse jeito? – afastou ainda mais as minhas pernas e abriu
mais ainda as delas. Encaixou meu sexo no dela, fazendo com que nossos
clitóris se tocassem perfeitamente.

Laura: Desse jeito logo eu gozo! – disse gemendo, mordendo seu lábio inferior.

Alice: Então goza pra mim, bem alto!

Me beijou fundo, invadindo minha boca com a sua língua sedenta de desejo e
começou a rebolar num ritmo gostoso, movimentando nossos clitóris. Minhas
mãos apertavam ainda mais sua bunda, pedindo para que praticamente
entrasse em mim.

Laura: VAI ALICE! VAI DELICIA! – gemi alto, do jeito que ela queria.

Ficou ainda mais louca, rebolando mais rápido e arranhando as minhas costas.

Alice: Adoro sentir você, Laura. – sussurrou no meu ouvido.

Que delicia aquilo. Eu não queria gozar tão cedo, pra poder sentir mais
demoradamente todo aquele tesão!

Laura: Não goza já! Eu quero mais! – disse baixinho no seu ouvido.

Alice: Quer mais? – desacelerando o ritmo.

Laura: Auero! Assim! Isso!

Comecei a beijar o seu colo. Ela parou um pouco o rebolado, ficou de joelhos e
suplicou para que eu sugasse seus seios. Enquanto fazia os movimentos com
a língua que lhe davam tesão, sentia o seu cheiro maravilhoso!

Alice: Ah! Laura!


Enquanto os chupava, levei meus dedos até seu sexo e a penetrei, fazendo um
vai e vem somente três vezes e depois os tirando. Ela pirou, pressionou ainda
mais minha boca nos seus seios e rapidamente os tirou, encaixando
novamente nossos clitóris.

Voltou aos movimentos lentos, beijando loucamente a minha boca. Aos poucos
foi acelerando novamente.

Alice: Vou gozar!

Laura: Ainda não! Mais um pouquinho. Vai.

Ela sorriu de canto e obedeceu. Agora ia e vinha lentamente, causando um


atrito entre eles.

Laura: Ah! Que delícia! Quero mais.

Sua cintura requebrava suavemente linda, e eu estava adorando aquilo. Era


muito tesão! Chupava seu pescoço e lambia sua orelha.

Alice: Goza comigo! Vai!

Laura: Vem!

Eu também não estava mais agüentando segurar! Ela voltou ao rebolado e


pressionou ainda mais nossos clitóris. Minhas mãos a apertavam. Foi
acelerando, acelerando, acelerando!

Até que finalmente gozamos demoradamente, gemendo alto! Nossos corpos


tremeram por inteiro e um calor fulminante subiu pelas nossas espinhas!
Terminamos com um beijo molhado, lento, grudado e demorado!

Aquela noite foi repleta de sexo, amor, paixão, carinho, tesão! Era uma mistura
de tudo o que era bom! A gente não se cansava de gozar uma para outra,
como se quiséssemos provar que ninguém era melhor pra gente que nós
mesmas!

Até que, com o dia já claro e as buzinas de carros já soando, pegamos no


sono. Eu fazendo conchinha nela, como a gente sempre adorava dormir.

Acordei com o meu celular vibrando em cima do criado mudo. A Alice estava
agarrada em mim, ainda dormindo. Devagar, para não acordá-la, peguei o
celular e atendi.

CAPÍTULO 83: Capítulo 83


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Laura: Alô? – bêbada de sono.

Paula: Laura, pô, onde você está?

Laura: Oi Paulinha! Calma, estou na minha casa!

Paula: Calma? Já são quase 4 horas da tarde e você sumiu! Tava em estado
de nervos já aqui!

Laura: Desculpa amiga! É que não deu pra te avisar! Foi mal!

Paula: Olha, eu vou até o mercado, mas é rápido. Deixo a chave na portaria
caso você volte logo, tá?

Laura: Obrigada Paulinha!

Paula: E depois eu quero saber de tudo, viu?

Laura: Tudo bem, tudo bem! Beijos!

Paula: Beijos!

Desliguei o celular e o coloquei novamente onde ele estava. Olhei pra Alice e
ela dormia feito um anjo, linda, serena e parecia sorrir! Fiquei um bom tempo
ali, vendo-a bem de pertinho! Dei um cheiro nos seus cabelos e levantei bem
devagar. Eu definitivamente precisava de um banho.

Vesti minha roupa de qualquer jeito e desci. No meu quarto ainda havia
sobrado algumas mudas de roupas. Tomei um banho demorado. Coloquei uma
calça e um casaquinho de moletom cinza e um tênis velho no pé e fui pra
cozinha.

Encontrei minha mãe. Logo que me viu, ficou completamente emocionada. Me


abraçou forte e chorou nos meus ombros. Eu fiz o mesmo.

Mãe: Que saudade, filha! Ai! Que saudade, minha Laurinha.

Laura: Também estou com muitas saudades de você mãe. Muita mesmo, sinto
tanto a sua falta!

Mãe: volta pra casa filha. – ainda agarrada em mim.

Laura: não consigo mãe. Não dá!

Mãe: eu te amo tanto, Laurinha!

Laura: eu te amo mais ainda, dona Lúcia. – fazendo cócegas.

A enchi de beijos e nos sentamos ao redor da mesa da cozinha para


conversarmos um pouco. Contei tudo o que aconteceu e eu não precisava
esconder mais nada dela. Contei sobre a Mari, a Paulinha e tudo, até mesmo
que passei a noite com a Alice. Claro que nada de detalhes. Falei que não
acredito na história de sermos irmãs e minha mãe simplesmente não esboçou
nenhuma reação, o que eu achei estranho. E, finalmente, contei também sobre
a oportunidade de Nova Iorque.

Mãe: Filha, você tem que aproveitar, é o seu sonho.

Laura: Eu sei mãe, mas estou com tantos problemas, que não sei se é a hora
certa.

Mãe: Filha, você precisa sair um pouco daqui, do meio de todo esse turbilhão
de coisas e informações. Você precisa conhecer lugares novos, pessoas novas
e aprender a viver de outras formas também.

Laura: Você tem razão mãe! Mas eu estou pensando com carinho, pode ter
certeza. – sorri pra ela. – Agora eu vou subir um pouco e depois a gente se vê
mãezinha.

Mãe: Tudo bem meu amor.

Laura: E a senhora precisa conhecer o apartamento da Paulinha, é super


bonitinho.

Mãe: Eu vou sim filha. Assim que der uma acalmada em toda essa correria eu
vou.

Laura: Mãe, você não precisa mais trabalhar. – disse a abraçando novamente.

Mãe: Filha, se eu não trabalhar, eu fico louca, isso sim.

Laura: Tudo bem, mas você sabe que não precisa e que não precisa se matar
por isso aqui. – olhei em volta.

Mãe: Eu sei filha, eu sei!

Laura: Eu ainda vou te dar a vida que você merece mãe. Pode deixar comigo!

Mãe: Eu te amo filha. E minha vida é você, viu? – me deu um beijo gostoso e
me soltou.

Me despedi da minha mãe e subi. Já tinha passado um bom tempo depois que
saí do quarto da Alice.

Entrei no estúdio novamente e fui pro quarto. Quando passei pela porta, vi a
Alice sentada na cama, com o cabelo todo despenteado e os olhos apertados,
meio fechados. Ela ainda estava nua. PAREI.

Laura: Bom dia! Ou melhor, boa tarde. – disse baixo, em meio a um sorriso.
Alice: Boa tarde. – com cara de poucos amigos.

Laura: está tudo bem?

Alice: Sim, tudo bem. – mexia nos cabelos, tentando ajeitá-los.

Me aproximei da cama e me sentei com a cabeça meio baixa.

Laura: Tá tudo bem mesmo? – insisti.

Alice: Aham. Eu só acabei de acordar.

Laura: Você sempre acordou de bom humor.

Alice: Eu estou de bom humor.

Senti um clima tenso começando a se formar. De repente o celular dela tocou.


Pegou-o e atendeu rapidamente.

Alice: Alô? ... Oi, Carol! ... Tá tudo bem sim. ... Não, hoje não vai dar. ... Porque
eu quero ficar em casa. ... Já disse, não vou. ... A gente pode se falar depois?
... Que saco! Eu quero ficar em casa, você pode entender? ... Tudo bem, faça
como quiser. ... Não precisa vir aqui também não. ... Porque não! Hoje eu
quero ficar quieta, dá pra ser? ... Carol, desencana, pára de coisa. Vai você e
depois a gente conversa. ... Ai, tá bom, se não quiser não me ligue, pronto! ...
Nossa, quanto drama! ... tá, tá, tá, tchau Carolina!

Eu nunca tinha visto a Alice ser tão grossa com alguém.

“Quem será essa Carolina? Será que a Alice está namorando com ela? Pelo
tipo da conversa, parece que tem um “algo” a mais entre elas! Será? AI MEU
DEUS!”

A Alice desligou o celular e foi se levantando. Praticamente nem me olhava


direito.

“Calma, Laura! Tenha paciência!”

Ela foi direto pro banheiro e ouvi o chuveiro sendo ligado.

“Pensa, pensa, pensa, Laura! Será que tudo pra ela não passou de uma noite
de sexo? Pensa, Laura!”

Comecei a ficar nervosa com aquela situação! Tentava entender o que estava
acontecendo! Até que avistei, na penteadeira de luzes, uma escova de cabelo
da Alice.

“A Paulinha me pediu para que colhesse provas. Vai ser útil caso venha a
acontecer alguma coisa!”
Levantei rápido e peguei a escova. Tirei todos os fios de cabelo que podia e
embrulhei num lenço de papel, daqueles de remover maquiagem, e coloquei no
bolso do meu moletom! Sentei novamente na cama e logo a Alice apareceu, já
de banho tomado e de pijamas.

Laura: Aconteceu alguma coisa Alice? Precisa de alguma coisa?

Alice: Não, Laurinha, está tudo bem. – se sentando ao meu lado e pegando na
minha mão.

Laura: Não sei se tenho o direito de lhe perguntar e você também só responde
se quiser, mas quem é Carolina? Você está namorando?

Alice: É uma amiga da dança. E não estou namorando não. Apenas ficamos
algumas vezes e foi só! – ela me olhava.

Laura: Hum! Entendi.

Alice: E a Mariana?

Laura: Está bem.

Alice: Estão namorando?

Laura: Não! Não estamos nem ficando.

Alice: Ah! Entendi. Olha, Laurinha, a noite passada foi extremamente especial
pra mim, mas você sabe que não podemos.

Laura: Alice, não me venha com essa história novamente. – me levantei e


comecei a andar de um lado para o outro.

Alice: Laura, você sabe! – se levantou também.

Laura: Sei o que? Que somos irmãs? – parei e a segurei pelos dois braços.

Alice: É! – me olhando firme.

Laura: Irmãs sentem tanto tesão assim uma pela outra? – a puxei bem perto da
minha boca. – Que só de você me sentir já se arrepia inteira?

Alice: Isso é resultado de tudo que a gente já viveu, da intensidade como tudo
aconteceu quando ainda não sabíamos!

Laura: Você só pode ser cega, Alice! – eu estava começando a ficar com raiva.

Alice: Laura, não há o que a gente faça que mude isso. Não tem como.

Laura: Pára de coisa, Alice! Seja sincera, você acredita mesmo nessa besteira?
Alice: Não tenho o porquê não acreditar, Laura!

Laura: Eu te amo tanto, Alice! – a puxei pela cintura.

Alice: Ah! Laura! Se eu pudesse, você seria só minha e eu só sua.

Laura: VAMOS! – peguei na sua mão.

Alice: Onde?

Laura: VAMOS FAZER UM EXAME DE DNA!

Alice: Claro que NÃO! – ela arregalou os olhos e se afastou.

Laura: Qual o problema? Vamos tirar essa dúvida de uma vez por todas da
nossa cabeça. – eu insistia.

Alice: Deixa de ser RIDÍCULA, Laura!

Laura: RIDÍCULA?

Alice: Olha o papel baixo! Exame de DNA! Não precisamos disso. Se toca de
uma vez por todas. A noite passada foi a última pra nós!

O ódio subiu na minha cabeça, sentia o sangue borbulhar nos meus olhos! A
agarrei pelo braço e disse baixo.

Laura: Você ainda vai se arrepender, Alice! Lembre-se MUITO BEM disso! E
lembre-se também que EU TE AMO!

A soltei com força, virei as costas e sai dali com pressa. Não queria mais ver
seu rosto naquele momento. Não podia! A raiva tinha tomado conta de mim e
seus olhos doces não me deixariam pensar com a razão, somente com a
emoção!

Saí batendo a porta do estúdio com força! Estava transtornada! Eu não podia
acreditar que depois de uma noite de amor como essa a Alice ainda
acreditasse que somos irmãs!.

“Como pode?”

Desci as escadas correndo, pulando os degraus! Cheguei na porta da


biblioteca a abri. Entrei rápido, peguei o cachimbo do seu Henrique e o
coloquei dentro de um dos envelopes que estavam por cima da escrivaninha.
Guardei no bolso da jaqueta de moletom e saí, batendo também aquela porta.

Agora eu ia atrás do que eu realmente queria e precisava saber!


Passei na cozinha e me despedi da minha mães, pedindo para que a mesma
me visitasse na casa da Paulinha.

Desci de elevador e logo eu estava na calçada do prédio. Não queria pegar


táxi, queria ir embora pensando em tudo que havia acontecido e em que eu iria
fazer depois disso tudo.

“Como uma pessoa consegue transar a noite toda com a outra sem culpa
nenhuma e falar aquilas coisas quando acorda? Não pode ser!”

Eu andava rapidamente pelas ruas. Meu celular tocou. Eu olhei no visor:


Mariana!

“Não posso atender! Não consigo falar com ela depois de tudo isso, depois
dessa noite. Eu preciso tirar toda essa história a limpo, sem prejudicar a
Mariana, ela não merece.”

Deixei tocar e ela não tentou mais.

.........: LAURA! – alguém gritou meu nome.

Me virei e vi a Paulinha, saindo do Pão de Açúcar e acenando pra mim. Corri


ao seu encontro para ajudar com as sacolas, que não eram muitas. A
cumprimentei com um beijo no rosto.

Paula: Que foi Laura? Que cara de enterro é essa?

Laura: Ah! Paulinha. Eu não aguento mais tudo isso! Eu preciso resolver de
uma vez por todas.

Paula: Calma! Respira. Vamos parar ali no Fran’s tomar um café e você me
conta tudo.

Eu realmente estava precisando de um capuccino para me acalmar. Andamos


alguns quarteirões curtos e logo estávamos sentadas numa mesinha do Fran’s.
Fizemos o pedido e ela foi logo me cobrando:

Paula: Laurinha, fala! Mas fala com calma. – segurou a minha mão.

Laura: Paulinha, você viu ontem, não viu?

Paula: Você ficou com a Alice na boate, não é?

Laura: Isso! Ficamos e eu adorei, ela também, eu sei.

Paula: Eu vi que vocês estavam felizes, sorrindo.

Laura: Pois é. E ela me levou pra casa. Deu uma grana alta pro taxista e quase
fizemos sexo no carro.
Paula: Sério? Não acredito! Mas e aí?

Laura: Chegamos no prédio e não estávamos aguentando de tanta saudade,


de tanto tesão. Subimos pro quarto dela e assim que fechamos a porta tudo
começou. E foi a noite inteira, INTEIRA! Foi a melhor noite que já tivemos,
maravilhoso, muito bom.

Paula: Mas e a cara de enterro Laura? Não estou entendendo. – me olhava


com espanto.

Laura: Acontece que quando eu acordei, desci, tomei um banho, falei um


pouco com a minha mãe e subi de novo. Encontrei ela sentada na cama, já
acordada, mas ainda nua. Quase não trocamos uma palavra. E olha que
estranho, ela recebeu uma ligação no celular de uma menina chamada
Carolina e foi super grossa com a menina. Levantou, tomou banho e voltou.

Paula: Mas e aí?

Laura: Perguntei quem era a menina e ela disse que ficou algumas vezes com
ela. Então ela perguntou da Mari, eu disse que não estávamos nem ficando.
Ela disse que a noite foi especial, mas que foi a última porque a gente não
podia e eu sabia o porquê, claro! Aí fiquei nervosa e disse que ela iria se
arrepender, mas que eu a amava. Ela até disse que se pudesse, ela seria só
minha. Aí saí batendo tudo e estou morrendo de raiva até agora.

Paula: Ai meu Deus, Laurinha! Eu não entendo mais a Alice. Ela se entrega
inteira pra você e depois vem com essa conversa?

Laura: E o pior, Paulinha, eu pedi para que ela fosse agora comigo fazer um
exame de DNA e ela disse que isso era ridículo.

Paula: Ela está cega com essa história, Laura. Só pode!

Laura: Mas eu consegui. Peguei os cabelos de uma escova dela e o cachimbo


do seu Henrique. – mostrando as coisas pra ela.

Paula: Ótimo então! Se ela não quer colaborar, vamos fazer do nosso jeito.

Laura: Eu não vou mais atrás da Alice, Paulinha. Não mesmo. Eu já me


humilhei demais pra ela e ela nunca moveu uma palha pra resolver toda essa
situação, sabe? Não vou ficar me rastejando eternamente a ela.

Paula: Você está certa, Laurinha. Está na hora de se dar ao valor.

Laura: A Mari me ligou agora mesmo, antes de eu te encontrar.

Paula: E aííí? – curiosa.

Laura: Eu não atendi. Ela não merece, Paulinha. Me ver assim e com certeza
ela iria saber que eu passei a noite com a Alice. A Mari não pode mais sofrer e
eu tenho que tirar ela dessa confusão que está a minha vida.

O pedido chegou e comemos caladas. Eu estava pensativa e a Paulinha


também parecia estar. Às vezes ela segurava a minha mão como se dissesse
“calma, eu estou aqui!”.

Ali naquele vento gelado, com a minha melhor amiga ao lado, tomei a decisão
que precisava para a minha vida.

Laura: Já decidi! – quebrando o silêncio.

Paula: Ai que susto! O que você decidiu?

Laura: Eu preciso de mim, Paulinha. Vou pra Nova Iorque.

Paula: Calma, Laura. Não é rápido assim que se resolvem as coisas.

Laura: Já decidi, Paulinha. Eu vou. E lhe digo mais. Você acha que a clínica
apronta esses exames para essa semana?

Paula: A gente pode tentar. Quanto você pretende pagar?

Laura: O quanto for preciso pra ter esses exames até sexta-feira, tudo bem?

Paula: Tudo bem. Hoje mesmo vou ligar para a minha amiga que trabalha lá e
vamos ver o que é possível.

Laura: Preciso disso na sexta-feira! Sábado, depois da apresentação da Alice,


vou para Nova Iorque.

Paula: Como assim, Laura? Calma.

Laura: Já esperei demais que as coisas caíssem no meu colo, Paulinha. Está
na hora de eu agir!

Paula: Tá, mas e a Alice? E a Mariana?

Laura: Já disse. Eu preciso de mim. Eu vou mostrar para a Alice a verdade. E a


Mari vai me entender quando eu falar com ela, Paulinha.

Paula: Você nem tem passaporte, muito menos visto e NADA para ir para Nova
Iorque, Laura. Coloca a cabeça no lugar, menina. – fazendo gestos curiosos.

Laura: Isso tudo quem vai resolver é o meu papai Henrique! – disse com raiva
no olhar.

Paula: Calma, Laura De Biasi! Vamos para casa.

Chegamos no apartamento da Paulinha e minha cabeça estava fervendo.


Ajudei a guardar as compras e me joguei no sofá. Ela pulou em cima de mim e
me deu beijinhos no rosto, sempre me fazendo rir. A abracei gostoso e desde
já sentia saudades da amiga que iria deixar pra trás.

Paula: Fica comigo. Não vai embora, não! – disse manhosa e se escondendo
no meu pescoço.

Laura: Vamos embora comigo. Não vou saber viver sem você, Paulinha! – a
apertei mais forte ainda.

Dessa vez uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Desde a discussão com a
Alice, eu ainda não tinha derramado nenhuma sequer. Mas aquela lágrima era
pela Paulinha, pela falta que aquela amiga iria me fazer.

Paula: Ei! Psiu, linda. Não chora, tá? – quando ela disse isso, aí sim comecei a
me debulhar em lágrimas.

Laura: Ah! Paulinha! Eu amo tanto você. – dizia entre soluços.

Paula: Eu também te amo, meu amor. – ela também deixava algumas lágrimas
caírem. – Te amo tanto, que só quero o seu bem. – tentou sorrir.

Laura: Nós sim deveríamos ser irmãs.

Paula: Nós somos. Somos irmãs que nós mesmas escolhemos!

A abracei de novo e ficamos um bom tempo ali, ela deitada por cima de mim,
no sofá da sala. Era ótimo me sentir protegida e a Paulinha fazia isso muito
bem. Depois de um tempo ela deitou de lado e ficamos de frente uma para a
outra. Já era noite e a única luz que mantinha o apartamento um pouco claro
era a da própria Avenida Paulista. E a gente continuava ali, se olhando, às
vezes conversando sobre alguma besteira e às vezes só fazendo carinho uma
na outra. A Paulinha sempre foi a minha companhia perfeita, acho que já disse
isso.

Paula: Linda!

Laura: Linda! – sorri pra ela.

Paula: Vamos pra minha cama? Dormir juntinhas do jeito que a gente gosta?

Laura: Vamos!

Ainda nem estava na hora de dormir, era cedo, mas eu não estava com
vontade de fazer nada mesmo. Com certeza a melhor pessoa pra mim agora
era a Paulinha.

Paula: Só vou dar uma ligadinha pra Lu, tá?

Laura: Tudo bem.


Ela pegou o celular e falou um pouco com a Luíza. Não prestei muita atenção
na conversa. Fui em direção ao quarto e comecei a arrumar a cama para
deitarmos.

Paula: Deitaaa logooo! – me abraçou por trás, me jogando na cama e caindo


comigo.

Laura: Sua louca. Que susto. – eu ria.

Paula: Vem cá! Bem pertinho, vem. – me puxava, como sempre fazia.

Laura: Eu vou! Estou precisando de você. – dei um cheiro no seu cangote.

Paula: Não vai ligar pra Mari?

Laura: Você acha que eu ligo?

Paula: Sim, claro. Ela não merece nem um pouco ser ignorada, Laurinha.

Não pensei duas vezes. Peguei o celular e disquei pra Mariana.

Mari: Alô?

Laura: Oi Mari.

Mari: Oi Laurinha. Tudo bem?

Laura: Tudo e você?

Mari: Tudo também. Eu liguei pra saber como foi a balada ontem.

Laura: Ah! Foi legal. E o encontro com as suas amigas?

Mari: Foi bacana também. Ei. Conheci sua colega Carolina.

Laura: A Carol, do curso de jornalismo? Como assim? Ela que me convidou pra
ir na boate ontem e teve que sair às pressas porque o carro da irmã tinha
quebrado na rua.

Mari: Pois é. Eu não sabia, mas a irmã mais nova dela, a Camila, está na
minha sala. E ela veio sim socorrê-la e levou um tempão pra chegar o guincho
e tal. Ela me contou que me viu com você no metrô, se lembrou de mim!. Disse
até que estava com você na boate na hora que a Camila ligou e teve que te
deixar lá com suas amigas. Aí como todo esse trâmite foi lento, ela acabou
ficando e bebendo algumas coisas com a gente.

Laura: Nossa Mari. Que mundo pequeno. É praticamente impossível acontecer


essas coisas em São Paulo, né?

Mari: É verdade. Mas nossa, ela é muito legal. Muito gente fina. Adorei. Disse
que vamos combinar de sairmos juntas.

Laura: Se ela não tiver que socorrer a Camila de novo, né? – rimos.

Mari: Pois é! Conversamos bastante. Todos foram embora, a Camila estava


ficando com um carinha e só ficamos eu e a Carol lá bebendo no barzinho.

Laura: Ah tá! Legal! – bateu um ciúme.

Mari: E hoje? Vai fazer alguma coisa?

Laura: Não não, vou ficar aqui com a Paulinha só.

Mari: Entendi. Então tá bom, Laurinha. Eu vou dar uma saída agora e qualquer
coisa pode me ligar, tudo bem?

Laura: Tudo bem, Mari! Beijos!

Mari: Beijos.

Desliguei. PAREI! FIQUEI MUDA!

“Como assim, Carolina? Ficou conversando com a MINHA Mariana e me


deixou na boate? Espera Laura! A Mariana não é sua e você estava com a
Alice! AI MEU DEUS! Por que minha cabeça gira tanto?”

Paula: EI! O que foi?

Laura: Não sei, Paulinha! – eu olhava pro nada.

Paula: Laura! FALA! OLHA PRA MIM!

Olhei para a Paulinha que parecia assustada. Eu estava passada.

Paula: LAURA!

Laura: calma, Paulinha!

Me recuperei e contei toda a conversa pra Paulinha, que me olhava


atentamente.

Paula: Você está saturada de Carolina por hoje, Laurinha. Alice e Carolina,
Mariana e Carolina. Deus o livre! Seu mal são as “Carolinas”.

Laura: Tonta!

Paula: Laura. Deixa a Mariana. Ela não merece sofrer! Ela tem que se
acostumar a ter outras amigas, ou você não se lembra que decidiu ir pra Nova
Iorque?
Laura: Eu sei. Mas senti ciúmes.

Paula: Claro. Até antes de ontem você estava com ela. É normal sentir ciúmes,
até porque a Mariana não é uma mulher de se jogar fora e com certeza
qualquer menina gostaria de uma namorada como ela.

Laura: Valeu! Só faltou você dizer: “Laura, sua BURRA!”

Paula: Laurinha, desculpa. Mas ela não merece toda essa dúvida que você
tem. Resolva tudo e veja se é ela ou não quem você realmente ama. Simples!

Laura: Super simples!

Paula: Cem cá vem, sua ciumentinha! – me puxou, nos deitando novamente.

Me escondi no seu pescoço e me aconcheguei!

Paula: Aiii!

Laura: Que foi? – dei um pulo assustada.

Paula: A ponta do seu nariz tá gelada! – sorriu.

Laura: Boba! Que susto! – ri e despejei uma seqüência de tabefes.

A Paulinha ria incontrolavelmente. Fui de novo pro seu pescoço, mas dessa
vez dei uma mordida.

Paula: Uiii! – não demonstrando dor e sim safadeza.

Laura: Ahh, chata! – eu ria.

Paula: Bobinha! – me deu um tapa na bunda.

Laura: Eiii! Doeu!

Paula: Essa era a intenção. Agora fica quieta muié. – ria.

Laura: Garota debochada.

Paula: Não! O certo é: garota debochada e gostosa que eu amo.

Laura: Ah! Chata! – a apertei. – Amo mesmo, tá?

Ficamos deitadas na cama, debaixo do edredom. Passava meu nariz e a boca


no pescoço da Paulinha, enquanto ela enroscava os dedos nos meus cabelos,
massageando a minha nuca.

Aquilo foi me deixando em transe totalmente. O carinho e o dengo que a


Paulinha me dava era bom demais! Fui ficando cada vez mais mole, mole,
mole... fechando os olhos... sentindo o calor do seu corpo grande colado no
meu... seu cheiro gostoso... até que não aguentei... DORMI!

CAPÍTULO 85: Capítulo 85


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Acordei cedo no dia seguinte, resultado de também dormir cedo na noite


anterior. Era domingo. A Paulinha ainda dormia e fazia conchinha em mim.
Fiquei um bom tempo ainda deitada, pensando por onde começar a resolver
tudo aquilo. Senti os braços da Paulinha me apertarem e me puxarem ainda
mais perto, como se eu fosse seu travesseiro vivo.

“Ai, Laura. Que confusão, viu? Por que a Alice teve que voltar da Europa? Por
que esse coração burro teve que se apaixonar por ela? Por que agora toda
essa dúvida com relação à Mariana? São tantas perguntas e nenhuma
resposta!”

Olhei no relógio que ficava sob o criado-mudo da Paulinha e o mesmo marcava


8h10min. Tentei me espreguiçar, mas os braços fortes da minha amiga não
deixavam. Então mudei de tática, fui me virando devagarzinho, até ficar de
frente a ela. Nossos rostos estavam bem próximos e nossos narizes
praticamente se tocavam. O seu braço estava realmente pesado!

“Que mulher forte! Deus me livre levar uma porrada do Paulão... OPA! Da
Paulinha!”.

Ri comigo mesma, baixinho. Mas o braço realmente parecia cada vez mais
pesado. A segurei pela cintura e parei quando olhei seu rosto. Sua pele tão
lisinha, seus cílios grandes, a bochecha rosada e os cabelos lindamente
desarrumados. Sorri com o canto da boca e dei um beijinho de leve na ponta
do seu nariz. Com os dedos comecei a fazer carinho do seu rosto e às vezes
ela apertava os olhinhos, como se estivesse fazendo cócegas. De repente ela
sorriu.

Paula: Bom dia, linda! – ainda de olhos fechados.

Laura: Você estava fingindo. – fiz cara de espanto.

Paula: Não, só estava aproveitando seus carinhos que, aliás, me levam às


alturas. – me livrando dos seus braços pesados.

Laura: Ah é? – aproximei mais uma vez minha boca do seu nariz.

Paula: É! – agora já me olhava com safadeza.

Laura: Então tá! – dessa vez não dei um beijo, mas sim uma mordida.

Paula: Aiii!
Laura: Essa foi pelo tapa na bunda de ontem.

Paula: Tratante! – de repente se levantou e começou a me fazer cócegas.

Agarrei no seu pescoço e disse no seu ouvido:

Laura: Bom dia, amor da minha vida. – ria.

A Paulinha me abraçou forte e me deu um beijo apertado no rosto.

Paula: Acordamos cedo, né?

Laura: Pois é! Acho que dormimos muito cedo também.

Paula: Mas tudo bem. Estou com a minha melhor amiga, então tá tudo bem. –
sorriu.

Laura: Quer um capuccino?

Paula: Quero! E tem pão de forma e frios que comprei ontem no mercado.

Nos levantamos e fomos para a cozinha. O dia estava totalmente nublado e o


frio cada vez mais intenso. Preparei o capuccino enquanto a Paulinha
arrumava a mesa. Nos sentamos e começamos a tomar o café.

Laura: Hoje vou falar com o seu Henrique.

Paula: Sobre o que, Laurinha?

Laura: Sobre as coisas de Nova Iorque.

Paula: Ah sim! Mas e sua faculdade? Não vai perder esse semestre?

Laura: Então, vou conversar com a professora amanhã e dizer que decidi
aceitar a proposta de Nova Iorque, mas que já vou sábado. Se perder o
semestre não ligo, Faço-o quando voltar.

Paula: Tudo bem, amiga. Mas vai com calma, ok?

Laura: Paulinha, eu já tive paciência demais nessa história.

Paula: Relaxa. Vamos tomar nosso café, linda. – sorriu pra mim. – Adoro ter
você aqui comigo, viu?

Laura: Eu adoro ficar aqui com você também. Quando eu voltar de Nova Iorque
posso morar com você definitivamente?

Paula: CLARO! Eu vou AMAR! – sorriu largo.


Laura: Então tá bom. – sorri pra ela também e pisquei.

Tomamos nosso café calmamente. A Paulinha me distraía com outros


assuntos. Depois que terminamos, demos uma arrumada na cozinha e a
Paulinha foi tomar um banho. Fiz o mesmo no outro banheiro e troquei de
roupa. Eu estava pronta. Peguei minha bolsa e os documentos do intercâmbio
e fui pra sala. A Paulinha via uns programas de culinária na TV.

Laura: Paulinha, eu vou lá, tá bom?

Paula: Quer que eu vá com você?

Laura: Pode ficar tranquila. Vai ser uma conversa calma. Eu espero!

Paula: Tudo bem. Qualquer coisa me liga, vou ficar aqui. Fazer um almoço pra
gente, a Lu vem almoçar também.

Laura: Ah, legal! Faz bem gostoso, hein? – sorri.

Paula: aham. Pode deixar. Gostoso do mesmo jeito que eu te co... deixa pra lá.

Laura: Vou fingir que nem ouvi. – ria alto. – Tchau, menina mais safada desse
mundo.

Paula: Tchau, menina mais gostosa desse mundo. – ria ainda mais alto.

Peguei um táxi e fui pra minha casa. Eu sabia que iria encontrar o seu
Henrique por lá. Ele sempre passava as manhãs de domingo lendo jornais,
revistas e livros na biblioteca.

Cheguei em frente ao prédio e logo peguei o elevador. Entrei de mansinho pela


entrada de serviço. Não queria encontrar minha mãe antes de falar com ele.
Passei pela cozinha, depois pela sala principal e fui em direção à biblioteca.

Quando cheguei em frente a porta, respirei fundo e bati.

Henrique: Pode entrar. – respondeu.

Abri devagar e coloquei a cabeça pra dentro da biblioteca.

Laura: Com licença, seu Henrique. – disse baixo.

Henrique: LAURA? – se espantou, levantando-se rapidamente da sua grande


poltrona. – Por favor, entre e sente-se. – mostrando a cadeira a sua frente.

Entrei e me sentei na cadeira, como ele havia pedido.

Henrique: Fico feliz em vê-la aqui novamente, filha. – fez que viria até mim.
Laura: Nao se dê ao trabalho, seu Henrique! Pode ficar onde está.

Henrique: Me desculpe. – se sentando novamente e respirando fundo. – Pois


então, Laurinha, vai voltar para casa e para a construtora? – me olhando com
ternura.

Laura: Não, seu Henrique! Vim lhe pedir um favor, uma ajuda, como preferir.

Henrique: Estou à sua disposição, filha.

Laura: Eu recebi uma proposta da faculdade. Uma professora me indicou para


um intercâmbio numa universidade em Nova Iorque. Ela acha que eu tenho
futuro e gostaria que eu fosse a pioneira do meu curso. Pensei muito, primeiro
decidi não ir, por todos os problemas pelos quais estou passando. Mas agora
resolvi que é o melhor a fazer para o meu futuro e para a minha vida.

Henrique: Que ÓTIMO. Fico muito FELIZ por você. Estou ORGULHOSO. –
abrindo um sorriso enorme. – E em que posso lhe ajudar?

Laura: O intercâmbio começa só no próximo semestre, mas eu quero ir JÁ.


Quero conhecer a faculdade, o lugar, me habituar, conhecer pessoas novas e
me preparar para quando as aulas começarem. Quero ir este próximo sábado e
preciso que você agilize algumas coisas para mim.

Henrique: Mas já neste sábado, Laura? Está muito em cima da hora.

Laura: Eu tenho certeza que com a influência que o senhor tem em São Paulo,
não será difícil conseguir um passaporte e um visto americano para mim nesta
semana, seu Henrique.

Henrique: Laura, as coisas não se procedem dessa forma.

Laura: Você não está entendendo que eu vou deixar a Alice livre? Que eu não
vou mais atormentar a sua filhinha? Pois então, por favor, faça o que estou lhe
pedindo, seu Henrique. Preciso desse passaporte e desse visto para esta
sexta-feira! – disse firme.

Henrique: Vou ver o que posso fazer, Laura.

Laura: E tem mais algumas coisas que eu preciso que providencie.

Henrique: Tudo que estiver ao meu alcance, filha.

Laura: Quero que alugue um apartamento em Manhattan, próximo à faculdade.


– mostrei os documentos do intercâmbio para que ele ficasse ciente de tudo. –
Nada luxuoso. Só preciso de um espaço meu, não quero dividir nada com
outros estudantes, entende?

Henrique: Tudo bem. Isso é mais fácil. Conheço vários arquitetos que moram
em Nova Iorque e eles podem me ajudar.
Laura: Tá. E a última coisa. Gostaria de 10 mil dólares para poder me manter
por lá, por enquanto, pois sei que o custo de vida é meio alto. Depois vou tentar
arrumar um estágio na própria faculdade.

Henrique: Sem problemas, Laura. O Apartamento e o dinheiro tudo bem. Só


preciso resolver o seu passaporte e o visto.

Laura: Olha, aqui nesta pasta estão todos os meus documentos. Posso deixá-
los com você esta semana, até que você consiga. Só vou ficar com minha
carteira de habilitação, pois já estou deixando o CPF e o RG. – coloquei a
pastinha pequena sobre a mesa e a empurrei para perto dele.

Henrique: Tudo bem, Laura. Farei

CAPÍTULO 86: Capítulo 86


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Assim que saí da biblioteca fui procurar pela minha mãe. A encontrei numa das
salas reservadas no primeiro andar do apartamento. Estava preparando uma
reunião que o seu Henrique teria naquela tarde, em pleno domingo.

Já que me viu, me deu um beijo e um abraço.

Laura: Mãe, preciso conversar com a senhora.

Mãe: Sente-se filha. Pode falar.

Nos sentamos num pequeno sofá que havia na sala.

Laura: Vãe, eu decidi... vou pra Nova Iorque!

Mãe: Que ótimo filha! Estou muito FELIZ por você! Nem imagina o quanto! –
me abraçando.

Laura: Eu vou este sábado, mãe.

Mãe: Como assim, Laura? Este sábado? – me soltando e me olhando com


espanto. – Eu pensei que fosse somente no próximo semestre da faculdade,
filha.

Laura: Eu quero ir já mãe! Preciso de um tempo pra mim, sabe? Aproveito e


conheço a universidade lá e tudo mais. Falei agora com o seu Henrique e ele
está providenciando tudo que eu preciso. E se eu perder esse semestre da
faculdade, faço quando voltar do intercâmbio, não vejo problemas.

Mãe: Você tem certeza disso, Laura? – me olhando com apreensão.


Laura: Tenho, mãe. Eu preciso.

Ficamos muito tempo conversando. Esclareci como havia combinado tudo com
o seu Henrique e o que havia acontecido na manhã passada com a Alice.

Mãe: Filha, você pode contar comigo para o que precisar, viu?

Laura: Mãe, só tem uma coisa que eu REALMENTE preciso saber.

Mãe: E que, Laurinha?

Laura: Eu não sou irmã da Alice, não é mesmo?

Mãe: Filha, isso infelizmente eu não poderei responder. Eu sei que você é filha
do seu Henrique, mas sobre a Alice e a família dela eu não sei praticamente
nada. Eles raramente vêem ao Brasil e o seu Henrique dificilmente fala sobre a
família da esposa. Desculpa, Laurinha.

Laura: Tudo bem, mãe. Mas eu vou descobrir. Vou fazer um teste de DNA.

Mãe: A Alice aceitou?

Laura: Não, mas eu consegui fios de cabelo dela e vou levar para uma análise.
Vou provar, mãe. Vou mostrar que o seu Henrique pensa somente no seu
status e em como as pessoas irão vê-lo.

Mãe: Laurinha, eu sempre quis o seu bem e a sua felicidade. Ainda não aceito
totalmente como você leva a vida, ou melhor, a forma como o seu coração
ama. Mas vou estar do seu lado, filha!

Laura: Obrigada mãe. Você é demais! É TUDO que eu tenho.

A abracei forte, a enchi de beijos e me despedi!

Já era quase hora do almoço e eu queria voltar pro apartamento da Paulinha e


almoçar com ela e a Luíza.

Quando saí da sala onde estava conversando com a minha mãe, esbarrei com,
ninguém mais, ninguém menos que, a Alice. Eu tinha certeza que ela ouviu
alguma coisa da nossa conversa. Ficamos nos olhando, frente a frente, seus
olhos pareciam marejados. Eu era completamente apaixonada por eles. Eu não
conseguia ver maldade, nem raiva, muito menos ódio ou rancor dentro deles.
Depois de alguns segundos, que pareciam não passar, esboçamos nenhuma
palavra. Senti as lágrimas se aproximarem, então, para que ela não as visse,
abaixei o rosto, desviei meu corpo do dela e saí dali apressadamente.

Cheguei ao elevador e as lágrimas já molhavam o meu rosto. Mas eu não


podia deixar a Alice tomar conta de mim novamente. Eu sei que a amo e esse
amor não é pouco, mas não queria que ela soubesse que faria o que quisesse
de mim. Tinha que me dar, pelo menos, um pingo de valor.
Peguei um táxi e voltei pro apartamento da Paulinha. Já estava um pouco mais
calma. A Luíza já estava lá e o almoço já estava pronto. Elas foram logo me
perguntando o porquê da cara de choro.

Paula: Laurinha, o seu Henrique não quis conversar com você?

Laura: Não, Paulinha, não é isso. Pelo contrário, ele vai fazer tudo para que eu
embarque na madrugada de sábado para domingo.

Paula: Tá, mas e por que a cara de choro então, amiga?

Laura: Eu a encontrei, Paulinha. Tenho certeza que ela ouviu a minha conversa
com a minha mãe.

Paula: Mas estranho. A Alice não é de ficar andando pelo apartamento. Ela fica
no estúdio, no quarto. Eu mesma notei quando passei aqueles dias com vocês
lá. Ela parecia fazer de tudo para não descer. Até mesmo almoçar e jantar, era
sempre no andar dela.

Laura: Não sei, Paulinha! Eu acho que nem conheço mais a Alice.

Paula: Tá! Mas vamos almoçar e você nos conta como foi a conversa com o
seu Henrique.

A Paulinha havia feito uma feijoada maravilhosa. Almoçamos eu, ela e a Luíza.
Contei a conversa com o seu Henrique na íntegra e conversamos sobre mais
algumas coisas.

Logo depois do almoço a Paulinha pegou o telefone e ligou para a amiga dela
do laboratório.

Paula: Boas notícias, Laurinha!

Me levantei do sofá e coloquei a mão no bolso da calça, esperando o que


estava por vir.

Paula: Ela consegue o exame pra sexta-feira.

Laura: Ah! Não acredito, Paulinha. – corri e dei um abraço nela.

Paula: Mas tem um porém. – me soltando.

Laura: Fala logo! – eu estava ansiosa.

Paula: Você terá que dar uma grana a mais pra que ela pague as horas extras
que irá precisar para o pessoal fazer as análises.

Laura: Sem problemas, Paulinha. Eu vou pegar aquela grana com o seu
Henrique na sexta também.
Luíza: Olha, se você quiser, Laurinha, eu pago pra podermos retirar os exames
e depois, quando você pegar a grana, você me devolve. Assim dá tudo no
tempo certinho.

Laura: Ai, Lu. Obrigada! Não sei nem como agradecer a ajuda que vocês estão
me dando, gente.

Paula: Eu sei como você pode nos agradecer. – sorrindo.

Laura: Como? – sorri mais contente.

Paula: Nos hospede no seu apartamento em Nova Iorque, alguns dias de


nossas férias.

Laura: MAS CLARO! Isso nem precisava falar, né Paulinha?

Enchi minhas amigas de beijos e passamos o resto do domingo juntas. Meus


planos pareciam estar dando certo.

Eu só estava apreensiva para falar sobre a minha decisão com a Mari. Eu


sabia que ela me apoiava e tudo mais, mas mesmo assim, não sabia como ia
ser. Ela não me ligou no domingo e eu fiz o mesmo. Eu precisava começar a
me distanciar um pouco. Ela precisava se acostumar com a minha ausência e
eu com a dela.

A segunda-feira chegou e eu estava sentindo que aquela semana seria


decisiva para mim.

Fui para a faculdade e já que cheguei fui à sala dos professores, conversar
com a professora coordenadora do intercâmbio. A encontrei tomando um café
e lendo o jornal do dia.

Laura: Bom dia, professora.

Professora: Bom dia, Laura. Que surpresa boa! – sorrindo. – Sente-se, por
favor. Posso lhe ajudar?

Laura: Professora, eu vou. Decidi. Vou pra Nova Iorque! – me sentando ao seu
lado.

Professora: Que ÓTIMO, Laura. Fico muito FELIZ. Você sabe que eu gostaria
muito que você decidisse por ir.

Laura: Mas eu vou para Nova Iorque já neste final de semana, na madrugada
de sábado para domingo, professora. Quero conhecer as dependências da
universidade, as redondezas e tudo. Estou passando por alguns problemas e
acho que será bom eu ir já, nem que eu perca todo o semestre.

Professora: Confesso que fiquei um pouco espantada com toda essa pressa,
Laura. Mas tudo bem. Só teremos que ver o problema do dormitório, se já está
disponível.

Laura: Não se preocupe, professora. Vou ficar num apartamento que o seu
Henrique, chefe da minha mãe, está arrumando para mim.

Professora: Tudo bem então, Laura. Quando te convidei, o conselho do curso


já havia aprovado a sua ida, só precisamos aprontar os papéis até as aulas do
próximo semestre começar. E eu acho que você não vai perder esse semestre.
Vou falar com os outros professores e provavelmente lhe daremos um trabalho
ligando todas as matérias que você poderá fazer de lá mesmo e nos mandar
por e-mail para a nossa supervisão. Mas você terá que entregar tudo nas
devidas datas, tudo bem?

Laura: Tudo bem, professora. Estou muito agradecida e tenho certeza que a
senhora não vai se arrepender de ter me escolhido. Obrigada mesmo!

Professora: Tenho certeza que não vou me arrepender, Laura. E durante a


semana vamos nos falando para acertar os detalhes do intercâmbio, apesar da
sua pressa.

Laura: Obrigada, professora. – a agradeci com um abraço e saí.

Assim que entrei no bloco do meu curso, encontrei a Dani, que logo veio me
cumprimentar. Eu sabia que precisava contá-la sobre a minha decisão naquele
mesmo dia, senão ela não iria me perdoar. Então a chamei para uma conversa
particular na lanchonete.

Conversamos horas sobre o que eu havia decidido e ela me apoiou.

Dani: Laurinha, você sabe que lhe dou total apoio e sei que você precisa do
seu tempo, mas acho que você precisa conversar com a Mari e contar tudo.

Laura: Eu sei, Dani. Vou fazer isso sim. Só preciso criar coragem.

Dani: Faça isso o mais rápido possível, para ela se acostumar com a idéia,
Laurinha.

Laura: Vou ligar pra ela, ver se podemos nos ver hoje.

Peguei o celular e disquei, já estávamos em horário de intervalo e eu sabia que


ela podia me atender.

Mari: Alô?

Laura: Oi Mari, tudo bom?

Mari: Oi Laurinha. Tudo sim e você?

Laura: Também. Olha só, a gente pode se encontrar hoje a noite?


Mari: Laurinha, não sei. Preciso fazer um trabalho em grupo com as meninas
da minha sala.

Laura: Mari, eu preciso falar com você e não posso adiar.

Mari: Aconteceu alguma coisa?

Laura: Não. Mas a gente precisa conversar Mari.

Mari: Tudo bem. Que horas e onde? – percebi que o papo de trabalho era
mentira, ela não queria me ver mesmo.

Laura: Pode ser no apartamento da Paulinha mesmo, umas 7 da noite.

Mari: Vou estar lá. Beijos.

Laura: Beijos!

Desliguei e entristeci!

Laura: Ela está me ignorando, Dani.

Dani: Ela está apreensiva, Laurinha. Ela sabe que você ama a Alice. Poxa,
entende a Mari.

Laura: Eu amo a Mari.

Dani: Você ama, mas não como ama a Alice, Laurinha.

Laura: Ai que aperto no meu coração, Dani. A coisa que eu menos quero nesse
mundo, EU JURO, é fazer a Mari sofrer. Você promete que cuida dela, Dani?
Por favor.

Dani: Eu NUNCA vou deixar a nossa ruivinha sozinha, Laurinha, EU


PROMETO.

Abracei a Dani e chorei, desabafei tudo que queria. Aquela semana seria de
despedidas.

CAPÍTULO 87: Capítulo 87


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A segunda passou mais rápido do que eu imaginava. E logo era a hora da Mari
chegar. Ouvi a campainha tocando e a Paulinha foi pro quarto dela, dizendo
que ia trabalhar, mas eu sabia que era pra nos deixar mais a vontade. Fui abrir
a porta pra Mari.

Laura: Oi! – sorri meio sem graça.

Mari: Oi, Laurinha! – me deu um beijo no rosto e um abraço.

A Mari estava linda como sempre. Aquele abraço me deu uma angústia tão
grande. Eu gostava tanto da Mariana, tanto, que nem eu sabia o quanto.

Laura: Vem, vamos nos sentar. – a puxei pela mão.

Sentamos no sofá e ficamos nos olhando. Eu me perdia naqueles olhos


pequenos tão lindos e nas sardinhas que eu tanto adorava. A Mariana,
definitivamente, era uma menina linda, em todos os sentidos, por dentro e por
fora e eu poderia estar sendo a pessoa mais imbecil desse mundo, mas não
queria enganá-la e muito menos gostaria que ela sofresse.

Laura: Eu queria conversar com você sobre uma coisa que eu decidi, Mari.
Gostaria desde já que me compreendesse, por favor. – segurei a sua mão.

Mari: Tudo bem, Laurinha. Só fala de uma vez, não me deixa mais apreensiva
do que já estou.

Laura: Eu vou pra Nova Iorque, Mari. Vou fazer o tal intercâmbio. Mas olha, eu
sei que posso parecer louca, ansiosa e tudo mais... mas eu vou este final de
semana, na madrugada de sábado para domingo.

Mari: Laura. – os olhos dela se encheram de lágrimas. – Como assim?

Laura: Calma, Mari. Sabe, eu entendi tudo que você me falou aquele dia. Eu
entendi que preciso de um tempo só pra mim. A última coisa que eu quero
nesse mundo é te ver triste e sofrendo. Eu acho também, que estando longe de
todo esse turbilhão, você vai ficar mais tranquila. Poxa, Mari, eu quero que
você viva feliz também, sabe? Você não tem culpa de nada, NADA! E tenha
certeza que você foi a única pessoa que só me deu alegrias, a ÚNICA! EU TE
AMO TANTO! – a puxei e a abracei forte.

Mari: Eu também AMO MUITO VOCÊ, Laurinha.

Ficamos um tempão abraçadas. Era ótimo sentir a Mari novamente comigo.


Choramos juntas, trocamos beijos no rosto, fizemos carinho, mas nada de
coisas mais íntimas.

Mari: Posso te fazer uma pergunta? – ainda enxugando as lágrimas. – Mas


prometa que vai ser sincera.

Laura: Claro, Mari. Não minto pra você. NUNCA!

Mari: Você ficou com ela esse final de semana, não foi?
Laura: Mari. De onde você tirou isso?

Mari: Só responde, Laurinha.

Laura: Fiquei. – respondi num sussurro e abaixei a cabeça.

Mari: Tudo bem, eu só queria saber.

Laura: Ah, Mari! – voltei a chorar. – Me promete uma coisa? Por favor?

Mari: Prometo. Por você eu prometo.

Laura: Quero que você fique feliz enquanto eu estiver em Nova Iorque e que
vai se divertir, sair, passear, fazer novas amizades, beijar na boca e quem
sabe, arranjar uma pessoa bem legal pra você? – disse fazendo carinho nela.

Mari: Vou ficar feliz porque sei que você está realizando um sonho. E prometo
que vou tentar me divertir, sair e tudo mais. Só não sei a parte sobre arranjar
uma pessoa. Poxa, EU TE AMO, Laurinha!

Laura: Eu também TE AMO, Mari. Mas vou estar em Nova Iorque e, como você
disse, realizando meu sonho. Não quero ser egoísta. Abra o seu coração.
Sempre seremos especiais uma pra outra e, acima de tudo, AMIGAS
ETERNAMENTE. Mas seria injusta se pedisse para me esperar. Vou tentar ser
feliz e quero que você também seja.

Mari: Então ee PROMETO que vou ser FELIZ, Laurinha.

Tentamos espantar a tristeza e conversar sobre outras coisas. A conversa até


rendeu, ela contou do final de semana com as amigas da faculdade e eu a
incentivei a sair mais com elas, já que a Dani estava começando um rolinho
com um cara.

Quando nos demos conta já era tarde. A noite tinha sido legal, apesar de
estarmos tristes porque íamos nos separar, eu tinha ficado contente, pois há
muito tempo não passávamos horas de conversa como amigas de muitos anos.

Mari: Preciso ir, Laurinha. Amanhã tenho que acordar cedinho.

Laura: Não quer ficar, Mari? Você dorme comigo lá no meu quarto. E a gente
pode ficar conversando mais um pouco. Liga pro seu irmão e pede pra ele
deixar seu material aqui amanhã de manhãzinha, quando ele for trabalhar. Fica
vai. – eu queria mesmo que a Mari ficasse, estava com saudades dela e iria
ficar mais ainda.

Mari: Tá bom, Laurinha. Aproveitar que você ainda tá aqui, né? Vou ligar pra
ele então.

Ela pegou o telefone e falou com o irmão. Logo depois fui até o quarto da
Paulinha e a chamei para um lanche comigo e a Mari. Fiz um capuccino e assei
uns pães de queijo. Comemos num clima descontraído e logo a Paulinha nos
deu boa noite, pois acordaria cedo no dia seguinte. Eu e a Mari também fomos
pro quarto. Emprestei um moletom mais aconchegante pra ela e deitamos na
minha cama.

Conversamos mais algum tempo, mas logo o sono começou a bater. Ficamos
de frente uma pra outra, mas de braços cruzados.

Laura: Posso chegar mais perto de você? Te abraçar?

Ela não respondeu, somente me puxou e me abraçou primeiro.

Mari: Vou sentir tanta saudade de você, Laura. TANTA! Promete que vai me
ligar, mandar e-mails, fotos e tudo que puder?

Laura: Claro, Mari. Vamos conversar pela internet, skype, msn e tudo. Vou
mandar fotos e muitos presentes pra você, viu? – a apertava com força.

Mari: Saiba que não vou te esquecer um diazinho sequer, viu? Porque acima
de tudo, somos amigas, tá?

Laura: Eu também não vou te esquecer. Poxa, você é uma das pessoas mais
importantes da minha vida Mari... você é A MINHA VIDA!

Ela me deu um beijo no rosto e ficou fazendo carinho. Eu estava morrendo de


vontade de lhe dar um beijo na boca, fazer amor e ficar com ela a noite toda,
mas não podia. Eu não podia ser egoísta a tal ponto de fazer a Mari se apegar
a mim antes de eu viajar.

“O que tem que ser será!”

Já era tarde! Entre carinhos, mesmo tentando lutar contra o sono, acabamos
dormindo, com os rostos colados, sentindo o cheiro uma da outra.

CAPÍTULO 88: Capítulo 88


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No dia seguinte acordamos um pouco atrasadas e fomos correndo pra


faculdade. O Marquinho havia deixado o material da Mari na portaria do prédio.
Nos despedimos com pressa e fomos pra faculdade. Prometemos nos ver
todos os dias antes de eu ir para Nova Iorque. Por mais que eu tentasse evitar,
não conseguia ficar longe da Mari e disse a mim mesma que eu tinha que
aproveitá-la antes de viajar.

Naquele mesmo dia uma coisa estranha aconteceu. Logo depois que saí da
aula meu celular tocou. Era o número da minha casa. Quando eu atendi,
desligou. Retornei e a Lourdes atendeu. Chamou a minha mãe e a mesma me
disse que não havia sido ela e que o seu Henrique não estava em casa,
somente a Alice e os outros funcionários. Desliguei.

“A ALICE!”

Era ela, eu tinha certeza.

“Mas por quê?”

Pensei a tarde toda enquanto já fazia os trabalhos para a faculdade. Até que,
no começo da noite, decidi ligar pro celular dela. Tocou, tocou, tocou e ela não
atendeu.

“Como sempre. Já nem sei mais há quanto tempo a Alice não me atende. Mas
ela me ligou, poxa. Garota complicada!”

Tive uma conversa comigo mesma.

“Laura, você já decidiu, vai para Nova Iorque e o seu Henrique já disse, a Alice
vai voltar pra Europa.”

Decidi deixar pra lá e continuar nos meus trabalhos.

Mais tarde a Mari chegou na casa da Paulinha. Ela e a Dani iriam dormir lá
todos os dias, pra eu passar a úlima semana com as minhas amigas.

Com elas por perto a semana passou voando e quando percebi, a sexta-feira
havia chegado.

Quando cheguei na casa da Paulinha, depois da faculdade, ela e a Luíza


estavam lá.

Laura: Oi lindas. Que surpresa vocês aqui.

Paula: Temos uma coisa pra você.

Luíza: Olha. – esticou a mão e me de um envelope.

Eu as olhei e meus olhos se encheram de lágrimas.

Laura: É O EXAME!

Paula: SIM!

Luíza: Queríamos estar com você quando abrisse.

As abracei forte, dei um beijo no rosto de cada uma e respirei fundo. Eu tremia
tanto que não acertava abrir o envelope.

Paula: Calma, amiga. Fique calma.


A Luíza correu para a cozinha e pegou um copo de água para mim. Bebi tudo
num gole só.

Luíza: Só abra quando estiver pronta, meu amor.

Me sentei no sofá, fechei os olhos e muita coisa passou pela minha cabeça
naquele instante... a Alice... a Mariana.

“Será que eu estou fazendo besteira? Por favor, Deus, não me deixe proceder
da forma incorreta.”

Depois de um tempo ali e com minhas duas amigas do meu lado, criei coragem
e abri o envelope.

Primeiro exame: Laura De Biasi e Henrique Legrand.

Li todas as linhas sem entender muita coisa, ao que no final continha a


seguinte conclusão:

“De acordo com a análise dos genéticos presentes nos integrantes do estudo,
declaramos a paternidade POSITIVA de Henrique Legrand sobre Laura De
Biasi.”

Respirei fundo.

Laura: Eu já sabia. Minha mãe havia confirmado. – as lágrimas escorriam pelo


meu rosto.

Paula: Tem o outro agora, Laurinha.

Aquele segundo exame era o que mais me deixava apreensiva. Agora eu


realmente iria saber se a Alice era, de fato, minha irmã.

Luíza: Laurinha, saiba que independentemente do resultado do próximo


exame, nós vamos te apoiar em TUDO e SEMPRE, viu?

Paula: É amiga. Você sabe que estaremos com você para o que der e vier. Nós
TE AMAMOS!

Eu chorei ainda mais. Era ótimo poder contar com pessoas tão queridas quanto
elas.

Depois de um tempo abraçadas, eu não consegui mais adiar. O documento


estava ali nas minhas mãos, era só abrir. E dali pra frente, encarar o que havia
por vir.

Tirei os papéis do envelope e li a primeira página, como fiz no anterior. Virei a


folha e ali estava a conclusão da análise.

Me levantei de sopetão do sofá, ao que a Paulinha e a Luíza fizeram o mesmo.


Meus olhos encharcados não me deixavam ler direito. E num suspiro, para que
não me faltasse ar, li a última linha.

CAPÍTULO 89: Capítulo 89

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“De acordo com a análise dos genéticos presentes nos integrantes do estudo,
declaramos a paternidade NEGATIVA de Henrique Legrand sobre Alice
Legrand.”

Laura: AAAHHH! – gritei o mais alto que podia. – EU SAAABIAAAAAAA!

A Paulinha e a Luíza me abraçaram e eu me acabei de tanto chorar. Elas não


aguentaram e choraram comigo.

Paula: Ai Laurinha. A gente tinha certeza, amiga. O amor de vocês é REAL!

Laura: Gente, vocês não imaginam o peso que eu tirei das minhas costas. –
chorava feito criança, bem mais que no dia que aconteceu toda a confusão.

Luíza: Linda, agora você pode lutar pelo seu amor.

Laura: Eu vou pra Nova Iorque, Lu. Mas antes vou mostrar tudo isso à ela. A
Alice precisa saber. Eu só precisava tirar essa culpa, esse sentimento ruim de
mim. A gente não tem mais chances. Nosso amor se despedaçou com toda
essa mentira.

Luíza: Laura, Você confirmou! Não são irmãs. Ainda dá tempo!

Laura: Lu, não dá. Isso foi pra mim, sabe? Eu vou mostrar à Alice, antes de ir
embora, mas eu tenho certeza que ela não irá aceitar. Acabou gente. Amanhã
é a apresentação dela e logo depois eu vou embarcar.

Nesse mesmo minuto meu celular tocou.

Laura: Alô?

Henrique: Filha?

Laura: Oi, seu Henrique.

Henrique: Tudo certo. Seu passaporte está pronto e já ganhou um visto


americano. – ele parecia feliz.

Laura: Que horas posso buscá-lo?

Henrique: Pode vir esta noite. Sua passagem já está aqui e mais algumas
coisinhas. Venha hoje para conversarmos com calma.

Laura: Tudo bem, seu Henrique. Muito obrigada, eu sabia que o senhor iria
conseguir. Até mais. – desliguei.

Elas me olhavam curiosas.

Laura: Ele conseguiu! Está tudo pronto para eu viajar amanhã. Ai gente, que
saudades já de vocês. Mas olha, vou voltar, tá? – eu me sentia um pouco mais
tranquila.

Logo elas saíram para voltar ao trabalho e eu passei a tarde arrumando minhas
coisas, minhas malas. Decidi não levar muita tralha, somente coisas pessoais e
algumas roupas, pois compraria novas por lá.

No fim da tarde liguei pra Mari e contei tudo.

Laura: Tirei um peso das minhas costas Mari. Você nem imagina. A culpa que
eu sentia pela possibilidade de um dia ter ficado com uma irmã.

Mari: Eu entendo Laurinha. – estava um pouco triste com a minha partida.

Laura: Agora eu vou lá buscar todas as minhas coisas, com o seu Henrique.
Você vem pra cá mais tarde?

Mari: Laurinha, você sabe que eu odeio despedidas. Não quero me despedir de
você.

Laura: Mari, por favor. Só vou amanhã, vem ficar aqui comigo hoje.

Mari: Não consigo, Laurinha. Não vou conseguir ficar aí com você sabendo que
amanhã você não estará mais aqui.

Laura: Por favor, Mari.

Mari: Desculpa, Laurinha. Não dá! Boa sorte. Me liga depois. EU TE AMO
MUITO! Beijos.

Laura: EU TAMBÉM TE AMO, Mari! Beijos.

Desligamos.

“Ai, que dor no coração. Ah, Mariana. Como eu queria que nada disso tivesse
acontecido. Como eu queria ser só sua.”

Terminei de arrumar tudo que precisava, tomei um banho, me troquei e fui pra
minha casa, encontrar o seu Henrique.

Cheguei e fui direto para a biblioteca, rápido o suficiente para não olhar para os
lados e ver a Alice.
Bati na porta e entrei. Ele já me esperava e minha mãe estava sentada numa
das cadeiras à sua frente.

Henrique: Olá, Laurinha. – abriu um sorriso.

Laura: Oi. – cumprimentei sem o mesmo ânimo.

Me aproximei da minha mãe e dei um beijo no seu rosto. Me sentei na cadeira


ao seu lado e me virei de frente ao seu Henrique.

Henrique: Bom, Laura, antes de tudo eu quero que saiba que estou
imensamente FELIZ por conseguir sozinha essa oportunidade e quero que
saiba que o que precisar irei lhe apoiar. Peço-lhe que nos mantenha sempre
informados sobre você e seus estudos e lhe desejo sorte e sucesso nesse seu
novo caminho.

Laura: Obrigada seu Henrique. – minha mãe soltava algumas lágrimas.

Henrique: Bom, aqui está o seu passaporte. – esticou o documento para que
eu o visse. – E como você pode notar, aqui está o seu visto.

Laura: Aham. – afirmando com a cabeça.

Henrique: Aqui está sua passagem. Seu vôo é com a Tam, saindo do aeroporto
de Congonhas às 00:45 de sábado para domingo.

Quando vi a passagem, com tudo marcadinho, me deu um aperto no peito,


uma sensação de estar deixando toda a minha vida para trás. Mas eu não
podia mais desistir.

Henrique: Fiz questão da primeira classe. É seu primeiro vôo. – ele sorriu
novamente.

Laura: Obrigada, seu Henrique. – minha mãe acompanhava tudo atentamente,


com lágrimas nos olhos.

Henrique: Neste envelope está uma quantia em dinheiro, como você me pediu.
Por favor, tome cuidado. E aqui, neste outro, estão os documentos de um
banco próximo à sua faculdade. Assim que chegar, vá até a agência e fale com
o gerente Watson e o mesmo irá lhe disponibilizar todos os cartões da sua
conta e suas senhas. Através dela irei enviar sua mesada.

Laura: Pode deixar. – estava atenta a todos os detalhes.

Henrique: Laurinha, estas são as chaves do apartamento em Manhattan. Nesta


etiqueta está o endereço certinho. É uma área conhecida, próxima à faculdade.
Meu amigo Louis estará lhe esperando no aeroporto e irá lhe acompanhar até
sua nova casa. – esticou as mãos e esperou que eu abrisse a minha. Assim
que fiz o gesto por ele esperado, colocou o molho de chaves na palma da
minha mão e a fechou, apertando com carinho. – Cuide bem do apartamento.

Laura: Pode ter certeza que sim, seu Henrique.

Henrique: E por último, Laurinha, aqui está um celular Nextel para você e um
para sua mãe. – ele deu um a cada uma de nós – Vocês poderão se falar todos
os dias e a qualquer hora, sem problemas ou preocupação.

Laura: Poxa! Obrigada mesmo, seu Henrique. – sorri pela primeira vez.

Por incrível que pareça, os celulares foram o que eu mais gostei. Falar com a
minha mãe a qualquer hora ou lugar seria maravilhoso e eu poderia pedir às
minhas amigas para comprarem um daqueles também.

Minha mãe chorava emocionada.

Henrique: O numero da sua mãe já está salvo na memória do seu e vice-versa.


O meu e dos meus amigos que moram lá, inclusive do Louis, também já estão
aí, caso precise de alguma coisa. Não se separe dele, tudo bem, Laurinha?
Lembre-se que você vai estar sozinha numa das maiores cidades do mundo.

Laura: Obrigada de coração, seu Henrique. Por tudo! – meus olhos o


agradeciam de verdade e ele havia percebido.

Me deu mais algumas instruções e se retirou para que eu conversasse com a


minha mãe.

Mãe: Filha, quero que seja MUITO FELIZ. Agora tenho certeza absoluta que
você fez a escolha certa.

Laura: Obrigada mãe. Vou sentir saudades. Mas vamos estar próximas através
do celular, me ligue a hora que quiser.

Mãe:Ttudo bem filha. Eu te amo mais que tudo nesse mundo. Você sabe.

Laura: Também te amo, mãe. Mais que tudo!

Mãe: uero que tenha muito juízo, filha, por favor.

Laura: Quanto a isso a senhora sabe que pode ficar tranquila, dona Lúcia. –
nós rimos – Agora eu preciso ir, tenho mais alguns detalhes a acertar, mais
algumas coisas pra arrumar.

Mãe: Tudo bem filha, amanhã vou te ver no aeroporto.

Dei um beijo nela e ficamos abraçadas por um longo tempo. Porém, antes de ir,
pedi para ficar sozinha na biblioteca por um instante.

Juntei todas as coisas que o seu Henrique havia me dado e coloquei na pasta,
onde já estavam guardadas. Me sentei novamente na cadeira e bebi um copo
de água, que estava sobre a mesa.

Passei um bom tempo ali, naquele lugar maravilhoso pensando sobre como iria
ser minha vida dali pra frente, torcendo para que tudo desse certo.

Meu coração estava partido pela Mari não querer ficar comigo naquela noite,
mas eu entendia o seu lado. Pensei bastante nela, no quanto eu só era grata
ao seu amor por mim e no quanto eu também a amava. A Mariana
definitivamente era um sonho real.

Pensei também na Alice. Na verdade, tentei desvendar um pouco da sua


cabeça e decidi que no dia seguinte entregaria o exame a ela. Ela também
tinha o direito de tirar a culpa das suas costas e, acima de tudo, saber a
verdade sobre a sua vida, apesar do seu Henrique ser um pai mais real para
ela do que para mim.

Quando olhei no relógio, notei que uma hora havia se passado, então decidi ir
embora, terminar de ajeitar minhas coisas e ficar mais um tempinho com
minhas amigas.

Peguei as coisas e saí da biblioteca. Foi quando encontrei a Alice, na sala


principal, andando de um lado para o outro. Ela era um imã para os meus olhos
e eu não conseguia simplesmente ignorá-la.

Quando me viu, parou e me olhou. Eu continuei caminhando devagar, em


direção à porta. De repente ela sorriu e eu não entendi o porquê. As lágrimas
traiçoeiras teimavam em cair novamente. Era sempre assim quando eu a
encontrava de surpresa. Eu brigava com elas para que não saltassem.

Alice: Laura! – segurou meu braço quando eu passava ao seu lado.

Parei e a encarei. Não respondi. Ela me olhava diferente, com uma doçura nos
olhos que eu não conseguia entender.

“Parem quietas, lágrimas, por favor!”

Não aguentei, uma delas caiu e num impulso, me soltei da sua mão e corri dali.
Alcancei a porta e saí do apartamento. Desci dois andares correndo pela
escada de incêndio e peguei o elevador. Alcancei um táxi ali no quarteirão.
Tentava conter minhas lágrimas. Nem havia conseguido me despedir da minha
mãe, mas tudo bem, ela entenderia.

Quando cheguei no prédio da Paulinha, já estava mais calma. Sabia que foi um
absurdo fugir da Alice, mas ela me pegou totalmente desprevenida e se ela
quisesse realmente falar comigo, podia me ligar depois e sabia exatamente
onde me encontrar. Tentei desencanar, afinal, quantas vezes ela já havia feito
isso comigo? Aliás, fez coisas até piore.

CAPÍTULO 90: Capítulo 90


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Subi para o apartamento, abri a porta e estava tudo apagado! Acendi a luz e...

.............: SURPRESAAA!!!

Laura: Ai gente, que LINDAAAS!

Corri e as abracei. As meninas haviam feito uma festinha surpresa de


despedida pra mim. Estavam todas lá... a Paulinha, a Luíza, a Dani, as
meninas da minha sala da faculdade e... a Mari!

“A Mari?”

Quando a vi, não acreditei, corri e lhe dei o abraço mais apertado que uma
pessoa pode oferecer.

Laura: Você tá aqui, Mari. Eu nem acredito! – ainda abraçada com ela.

Mari: Depois que você me ligou, eu percebi que não podia deixar de vir.

Laura: Eu TE AMO TANTO, meu foguinho. – rindo dos cabelos ruivos, era
assim que eu a chamava, brincando, quando éramos pequenas.

Mari: Eu também te amo, minha branquinha de neve! – ela também riu.

Curtimos a festa. A Paulinha colocou umas músicas bacanas e teve um monte


de guloseimas que eu adoro. Todas conversavam animadamente e eu não
desgrudava um minuto sequer da Mari, minha mão ficava agarrada na dela o
tempo todo.

Laura: Você vai dormir aqui comigo, né?

Mari: Vou. Porque depois você já vai dormir em Nova Iorque. Posso ir te visitar
nas férias?

Laura: CLARO que pode! Passa suas férias inteira comigo. Combinado?

Mari: COMBINADO! – disse animada.

Ficamos a festa toda juntas. As meninas estavam bem animadas e a Paulinha


tratava de se enturmar com garotas da minha sala. Até que logo, já estavam
todas numa rodinha, rindo e se divertindo.

A noite foi passando e no meio da madrugada as meninas se despediram. A


Dani decidiu ir embora porque no dia seguinte tinha prova na aula de inglês.

Paula: Laurinha relaxa, não vamos limpar o apartamento agora não.

Laura: Tudo bem, Paulinha. Amanhã eu te ajudo, tá bom?


A Paulinha e a Luíza foram pro quarto e eu e a Mari também. Arrumamos tudo
e logo nos deitamos. Confesso que estava morrendo de vontade de ficar com a
Mariana naquela noite. Mas eu não podia, ela parecia já estar conformada com
a nossa situação e eu tinha que controlar aquilo. Eu a amava, mas ainda
estava totalmente confusa e isso seria pior pra nós duas.

Então, apenas nos abraçamos e trocamos carinhos, muitos. E, pra falar a


verdade, só faltou o tão desejado beijo na boca. Ficamos assim quase a
madrugada inteira, até que pegamos no sono com o sol nascendo.

Acordei um pouco tarde, já passavam das 14 horas. Curiosamente a Mari não


estava mais ali. Me levantei, foi quando vi, no criado mudo, um bilhete
acompanhado de um bombom de cereja:

“Laurinha, meu amor, eu não conseguiria me despedir de você. Sentirei


saudades, demais. Saiba que vou estar sempre aqui, para o que precisar.
Amigas acima de tudo! Boa viagem, vai com Deus. Sinta-se abraçada e
beijada.”
Eu Te Amo Mais Que TUDO. Sua Mari.”

Chorei, chorei, chorei e choreeeeeeei horrores. A Mari era tudo que eu poderia
querer. A gente ainda ia se ver e resolver. A minha ruivinha precisava ser
FELIZ.

Comi o bombom lembrando de todas as vezes que ganhei um dela. A Mari


sabia que o bombom de cereja era o meu favorito e por isso sempre me dava
um de presente.

Foi quando ouvi alguém batendo na porta do quarto.

Laura: Pode entrar. – disse de boca cheia.

A Paulinha entrou e me encontrou chorando litros.

Paula: Ela não iria suportar, Laurinha.

Laura: Eu sei. E acho que nem eu, Paulinha.

Paula: Não pense que ela saiu daqui sorrindo. Estava assim, como você.

Laura: Eu sou muito idiota, Paulinha. – chorava mais ainda.

Paula: Aprenda, Laurinha, que no coração a gente não manda. Ele é quem
manda na gente.

Me abraçou forte e me deu um beijo no rosto.

A dor que eu sentia por saber que não veria mais a Mari, por muito tempo,
estava me matando por dentro. Me tirava o ar, o chão e os sentidos.
A Paulinha ficou ali comigo, não dizia mais nada, apenas segurava a minha
mão. E para mim isso bastava, ela estar ao meu lado.

Paula: Vem, Laurinha, vamos pra lá um pouco. – disse depois de muito tempo.

Guardei o bilhete na minha carteira e fomos para a sala. A Luíza veio ao meu
encontro e me abraçou apertado.

Realmente não sabia o que fazer, por onde começar. Minha cabeça estava a
mil. E, só de lembrar que no dia seguinte, neste mesmo horário eu estaria em
Nova Iorque, entrei em parafusos. Chorava alto e me descabelava.

Paula: Calma, amor. Você escolheu isso. Vai ser o melhor pra você. Vai ver.

Laura: Ahhh! Paulinhaaa. Não quero mais ficar longe de vocês.

Paula: Vai passar tão rápido. Sem contar que nós vamos te visitar, lembra?

Laura: Lembrooo! Vocês vão mesmooo, né?

Paula: CLARO QUE VAMOS, Laurinha.

Laura: Vocês vão comprar um nextel pra falar comigo?

Nesse mesmo minuto a Luíza correu até a mesa e trouxe o celular.

Luíza: JÁ COMPRAMOS!

Laura: Ahhh! Vocês são as melhores amigas que alguém pode querer.

As abracei de uma vez só. Ficamos ali na sala, conversando. Na verdade, elas
ficaram me acalmando.

A tarde foi passando e quando notamos já passava das 6 horas da tarde.


Decidi tomar um banho e esperar. Eu precisava ver a Alice se apresentar, não
podia viajar sem vê-la.

Dei uma última ajeitada nas minhas malas e nas minhas coisas. TUDO
PRONTO!

CAPÍTULO 91: Capítulo 91

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Assistimos um pouco de tv e fizemos um lanche. O clima estava meio tenso e


meio triste.
Olhei no relógio e já eram quase 20 horas. Então eu, a Paulinha e a Luíza
descemos, levando todas as minhas coisas. A Luíza estava de carro e depois
da apresentação, ela me levaria direto para o aeroporto.

Chegamos ao Teatro Municipal e nos sentamos na segunda fileira, o seu


Henrique as havia reservado. Logo as apresentações começaram.

Dupla por dupla iam se apresentando. Uma coreografia mais linda que a outra
e uma dançarina mais talentosa que a outra. Seria difícil para a Alice. Ao final
de cada apresentação, os jurados faziam comentários às duplas e algumas
perguntas.

Foi quando a próxima dupla foi anunciada: Carolina Alencar e Pedro Salles.

Arregalei os olhos e não acreditei. Era a Carol, do curso de jornalismo, que me


ajudou no metrô, que disse que estava saindo com uma menina que morava
próximo da Avenida Paulista, que me convidou pra ir na boate onde encontrei a
Alice, que encontrou a Mariana no barzinho, e a Mariana perguntou se eu havia
ficado com a Alice.

Minha cabeça girava. Fiquei tonta e encostei a cabeça na poltrona.

“Meu Deus! Era ela no telefone com a Alice. Era a Carolina. NÃO PODE SER!”

Fechei os olhos e não a vi dançar. Eu estava fervendo com essas dúvidas que
pairavam na minha cabeça.

Quando a sua apresentação terminou, a última dupla foi anunciada: Alice


Legrand e Alessandro Monteiro.

Me ajeitei na cadeira, esticando o pescoço. A cortina se levantou e a Alice


estava sozinha, no meio do palco, de costas, com a luz focada somente nela.

SIMPLESMENTE LINDA. Um vestido branco, com as costas a mostra, os


cabelos soltos e lindamente penteados e os braços nus.

A música começou a tocar lentamente...

“Now I’ve had the time of my life


No I never felt like this before
Yes I swear it’s the truth
and I own it all to you
‘Cause I’ve had the time of my life
and I owe it all to you”

EU CONHECIA AQUELA MÚSICA!

O Alessandro foi entrando e pegou a Alice delicadamente e, como se


estivessem nas nuvens, começaram a dançar.
“I’ve been waiting for so long
Now I’ve finally found someone
To stand by me
We saw the writing on the wall
As we felt this magical
Fantasy

Now with passion in our eyes


There’s no way we could disguise it
Secretly
So we take each other’s hand
‘Cause we seem to understand
The urgency just remember

You’re the one thing


I can’t get enough of
So I’ll tell you something
This could be love because”

EU TINHA PEDIDO PARA QUE ELA DANÇASSE AQUELA MÚSICA!

Linda, encantadora... MARAVILHOSA! A Alice sorria enquanto o Alessandro a


conduzia perfeitamente, como um anjo a ser guiado. Seus olhos pareciam mais
lindos do que nunca. Ela se remexia e se contorcia nos braços do parceiro.
Girava e parecia estar se divertindo com aquilo tudo.

“I’ve been waiting for so long


Now I’ve finally found someone
To stand by me
We saw the writing on the wall
As we felt this magical
Fantasy

No primeiro refrão da música surgiram os primeiros aplausos, mas a maioria


ainda queria saber o que estaria por vir. Era simplesmente LINDO vê-los
dançando aquela coreografia que encantou milhares de pessoas no mundo
todo. Claro que havia suas peculiaridades e singularidades, não era uma cópia,
era uma adaptação, muito mais envolvente, muito mais sensual. Eles não
perdiam o ritmo e muito menos o sorriso nos lábios.

”Now with passion in our eyes


There’s no way we could disguise it
Secretly
So we take each other’s hand
‘Cause we seem to understand
The urgency just remember

You’re the one thing


I can’t get enough of
So I’ll tell you something
This could be love because”

De repente a música mudou do seu ritmo original para uma versão mais rápida
e dançante. A Alice saltou e o Alessandro a pegou no ar, iniciando uma etapa
totalmente emocionante da coreografia. Todos no teatro se levantaram e
aplaudiram alto, antes mesmo da música terminar. Eles eram um espetáculo a
parte, COM CERTEZA!

“‘Cause I had the time of my life


And I’ve searched through every open door
Till I’ve found the truth
and I owe it all to you

I’ve had the time of my life


No I never felt this way before
Yes I swear it’s the truth
And I owe it all to you”

Foi simplesmente MÁGICO, SENSACIONAL! Todos sentiam a energia que a


Alice e o Alessandro transmitiam. Eles estavam demais.

A Música acabou com a Alice nos braços do Alê e o teatro inteiro não parava
de aplaudi-los. Fizeram a reverência sorrindo e se abraçaram. Foram até os
jurados e esperaram até que todos cessassem as palmas.

Os jurados os parabenizaram, e um deles fez uma pergunta:

Jurado: Realmente incrível a coreografia. Os passos e suas dificuldades, a


forma como tomaram conta do palco e do teatro, foi fenomenal. Parabéns! Só
gostaria de saber de onde surgiu a idéia de remoldarem uma coreografia tão
conhecida e, além de tudo, a deixar ainda mais dinâmica e sofisticada?

O Alessandro passou o microfone para a Alice que respondeu:

Alice: Uma pessoa muito especial disse que um dia gostaria de me ver
dançando essa coreografia. Então resolvemos apresentá-la e dar uma
atualizada nos passos. Espero, do fundo do meu coração, que essa pessoa
esteja me assistindo agora. Foi pra ela.

Todos aplaudiram e eles se retiraram, acenando. Aquilo foi demais pra mim. As
lágrimas começaram a cair e eu sabia que era especial pra ela também.

A Paulinha me olhou, sorriu e disse:

Paula: Eu não acredito que foi para você, Laura. – apertou a minha bochecha.

Laura: Essa garota ainda me mata, Paulinha.

Nesse momento, o apresentador do concurso surgiu no palco com um


envelope nas mãos.
Apresentador: Já temos os vencedores!

Todos na platéia ficaram apreensivos e em silêncio.

Apresentador: ALICE LEGRAND E ALESSANDRO MONTEIRO.

A platéia aplaudia sem parar. Todos se levantaram e a dupla entrou no palco


para receber o prêmio: um troféu dourado com um casal dançando no topo, e
um buquê de flores para a Alice. Agradeceram diversas vezes, esbanjando
simpatia e saíram.

Laura: DEMAIS, Paulinha. – sorrindo.

Paula: Se concentra, Laura, tá na hora do exame.

A Paulinha me lembrou o que eu tinha que fazer: mostrar os exames para a


Alice, afinal, já eram 22 horas e logo eu devia estar no aeroporto.

Pedi licença a todos, separei os envelopes e disse a Paulinha:

Laura: Me esperem na saída da lateral. Logo estarei lá.

Paula: Pode deixar, amiga. SORTE, MUITA SORTE!

Luíza: É Laurinha. VAI FUNDO.

Me deram um beijo no rosto e saíram. Eu fui em busca dos camarins. Ela devia
estar por lá e eu a chamaria para uma conversa particular.

Entre tanta gente eu andava pelos corredores dos bastidores do Teatro


Municipal. Depois de passar por um tumulto, consegui chegar a uma sequência
de portas, com os nomes dos dançarinos. Comecei a procurar, uma por uma,
até que finalmente encontrei: Alice e Alessandro.

A ansiedade não me deixou bater na porta. A Abri devagar e coloquei a cabeça


dentro do camarim.

PAREI! Assisti a cena...

Carol: Eu quero te ver FELIZ, Alice. – elas estavam abraçadas.

Alice: Você sabe que é ESPECIAL, Carol! – agarrada ao pescoço da menina.

Carol: Você sabe o quanto TE AMO! – a apertando ainda mais contra o seu
corpo.

Alice: Carol...

“AI MEU DEUS! NÃO PODE SER!”


Minha vista ficou escura. Me desequilibrei e bati com o braço na porta. Elas
rapidamente se soltaram e me olharam. Levei as mãos à cabeça.

Laura: NÃO! – gritei.

Eu queria sair dali. Eu não acreditava no que estava vendo. Saí correndo pelos
corredores cheios de gente, trombando e atropelando todos que atravessavam
meu caminho.

Alice: LAURAAA! – eu a ouvia gritar atrás de mim. Ela me seguia correndo


também.

Corria, corria, corria. Não via nada com exatidão. Só queria sair dali.

Alice: LAURAAA! – ela não desistia.

Até que esbarrei num homem alto, que me parou. A Alice me alcançou e me
segurou pelo braço.

Alice: LAURA. Pelo amor de Deus, calma. – a Carolina chegou logo atrás.

Eu tentava enxugar as lágrimas do meu rosto!

Carol: Laura? É ela Alice? Ela é a Laura, sua irmã? – a raiva subiu por todo o
meu corpo.

Laura: NÃO SOMOS IRMÃS! – joguei o envelope que segurava no peito da


Alice, que caiu no chão, espalhando todos os documentos.

Todos nos olhavam, curiosos.

Alice: O que é isso, Laura? Esses papéis? Vocês já se conhecem?

Laura: Pergunta pra sua namoradinha quem eu sou. E os papéis? São as


provas que eu tanto queria te mostrar. NÃO SOMOS IRMÃS, pela ÚLTIMA
VEZ, Alice! – dizia alto, chorando.

Virei as costas e saí.

Alice: Laura! – segurou meu braço.

Laura: me solta, Alice! – tentei puxar, em vão.

Alice: Laura, NÃO! – ela insistia.

Laura: DEIXE EU SAIR DA SUA VIDA, ALICE, DE UMA VEZ POR TODAS! –
puxei com mais força e finalmente saí correndo novamente.

Alice: LAURAAAA...
Foi a última coisa que a ouvi dizendo.

Corri até encontrar a saída. Minhas amigas estavam a minha espera. A


Paulinha me segurou e me abraçou.

Paula: O que foi, Laura? CALMA! O que aconteceu?

Laura: Ela e a Carolina. Ela mentiu pra mim, Paulinha. A Carolina me disse que
a menina que ela saia já conhecia há muito tempo e já havia ficado a alguns
anos atrás. A Alice mentiu, ela disse que eu fui a primeira. – chorava sem
parar.

Paula: Calma, Laurinha, calma! Agora ela já sabe que não são irmãs?

Laura: Eu joguei os papéis nela, não vi se ela leu. Saí correndo de lá. Vamos
embora daqui, não quero encontrá-las.

Elas me levaram até o carro e saímos.

Laura: Antes de irmos até o aeroporto, podem me levar num lugar? Prometo
ser rápida. – ainda chorando.

Luíza: Claro, Laurinha!

Mostrei o caminho e logo chegamos ao prédio na Paulista que a Mari havia me


levado. O porteiro nos deixou entrar, quando dissemos ser amigos da Mari e do
Marquinhos.

Laura: Vocês podem me esperar aqui? Só quero me despedir da minha cidade.


– disse a elas, dentro do carro.

Paula: Claro, linda! Só não demore.

Laura: Tudo bem.

Subi o elevador e cheguei à cobertura. Quando abri a porta, não acreditei.

Laura: MARI?

Ela se virou e me olhou, parecendo estar vendo uma miragem. Estava linda,
toda de preto e uma boina xadrez por cima dos cabelos ruivos sobre o olho
direito.

Corri para os seus braços e pulei, a abraçando. Ela me apertou forte e cheirou
o meu pescoço.

Mari: O que você tá fazendo aqui, Laurinha? E o seu vôo?

Laura: Eu queria me despedir da cidade. Não acredito que você está aqui! –
segurava seu rosto e olhava nos seus olhos.

Mari: Você vai se atrasar. – seus olhos se encheram de lágrimas.

Laura: Não importa! Agora eu estou com você. EU AMO VOCÊ, MARI! –
encostei minha testa na dela.

Mari: EU TAMBÉM TE AMO, LAURINHA! – me olhando fixamente.

Laura: TE AMO DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO. – chorando novamente.

Mari: Mas a gente combinou. Você precisa ir! – se afastando.

Laura: Eu quero ficar com você! – a puxando novamente.

Mari: Você sabe que não dá, Laura. Nascemos para ser amigas. E assim vai
ser.

Laura: POR FAVOR, Mari!

Mari: A gente prometeu, lembra? Vamos ser FELIZES! – ela tentava sorrir, mas
chorava.

A Puxei para um beijo! Um beijo que eu desejava desde o dia que ela se
distanciou de mim. Ela segurou minha nuca, puxou meus cabelos e
correspondeu como nunca. Sentia o seu corpo totalmente colado no meu. Eu
precisava tanto da Mari. Nossas línguas se desejavam. Nossas mãos
suplicavam pelo abraço. Foi um beijo longo, apertado, molhado e perfeito.

CAPÍTULO 92: Capítulo 92 - FIM


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Mari: Vai, Laurinha! Você tem que ir. Quero que seja feliz, assim como vou
tentar ser.

Laura: É isso que você quer, Mari?

Mari: Somos amigas, Laurinha, desde sempre. E eu vou TE AMAR PRA


SEMPRE.

Laura: Não esquece que você é a pessoa mais especial pra mim e que não
importa o que aconteça, seremos eternamente ligadas. – ela afirmava com a
cabeça.

Mari: EU TE AMO! Agora, vai.


Laura: EU TE AMO MARI! – virei as costas chorando e saí.

Eu não acreditava no que havia acontecido.

A Mari tinha razão. Estava na hora de consertar todos os meus erros e deixá-la
ser FELIZ. O que eu mais queria era a Mariana feliz, realizada e amada por
alguém só dela. ELA MERECIA.

Voltei pro carro e contei o que havia acabado de acontecer. A Paulinha e a


Luíza não acreditavam.

Laura: Eu estou mais tranquila porque vi a Mari. – enxugando as lágrimas.

Seguimos pro aeroporto, sem muito assunto. A gente tava triste com a
despedida. Já estava na hora de eu fazer o check in e ir pra sala de embarque,
pois todos esses acontecimentos haviam me atrasado um pouco.

Fiz todo o procedimento, juntamente com a minha mãe que já me esperava no


aeroporto. Eu estava na frente da portão que me levava à sala de embarque.

Paula: Amiga, MUITA SORTE! Seja FELIZ. E nos ligue todo santo dia, hein? –
soltava algumas lágrimas e me abraçava.

Laura: Pode deixar. Obrigada por tudo, Paulinha. TUDO MESMO! Sem você eu
nem sei como seria. EU TE AMO MUITO, viu?

Paula: Também TE AMO DEMAIS, Laurinha. Nos espera nas suas férias. –
sorriu pra mim.

Laura: CLARO! É pra irem MESMO, viu? – olhei pra Luíza que também me
abraçou. – OBRIGADA por tudo Lu. E desculpa qualquer coisa. E eu já te amo
também, viu?

Luíza: Ai que saudade de você já, Laurinha. Também te amo, viu? Sorte. Vai
com Deus.

Laura: Obrigada, Lu.

Nesse momento minha mãe me agarrou.

Mãe: Ai, filha. Por favor, se cuida e juízo, tá? VOCÊ É MINHA VIDA,
LAURINHA. – chorando.

Laura: Fique tranqüila mãe. Vou voltar pra você, tá? Se cuida também, VOCÊ
É TUDO PRA MIM! TE AMO MAIS QUE TUDO, MÃE.

Mãe: Também TE AMO MAIS QUE TUDO, FILHA. – me apertou mais ainda e
me deu muitos beijos no rosto.

Laura: Preciso ir gente. Já foi a última chamada do vôo.


Me despedi de todas mais uma vez e quando ia passar pelo portão, ouvi:

.........: LAURAAAAAAAA!

Me virei e vi a louca da Dani correndo.

Laura: Daaaaaniii!

Corri e a abracei.

Dani: Te amo, te amo, te amo. Boa viagem e vai com Deus, meu amor. Me liga,
tá? – me abraçou e me beijou.

Laura: Te amooo minha louquinha. Ligo sim. Se cuida e cuida da Mari, por
favor, Dani.

Dani: Pode deixar. – sorriu.

Laura: Preciso ir gente.

Finalmente consegui passar pelo portão e ir à sala de embarque. Porém os


passageiros do meu vôo já estavam embarcando e fui direto pra fila.

Dei minha passagem, entrei no avião e procurei minha poltrona. Era primeira
classe. Super aconchegante e espaçosa. Ajeitei minhas coisas e me sentei.
Abri a janelinha e fiquei olhando as luzes de longe da minha cidade. Como eu
amava São Paulo.

As lágrimas voltaram quando eu lembrei que estava deixando tudo para trás:
minha mãe, minhas amigas, um amor.

Liguei o ipod. “Thousand Miles” – Vanessa Carlton. Ouvindo aquela música


refleti sobre tudo e como aquela viagem me tornaria uma pessoa melhor,
apesar da distância de todos. Definitivamente seria melhor.

Me lembrei da Alice e do quanto eu havia me decepcionado com ela.

“Agora já era!”

Fechei os olhos e fiquei escutando a música. O piano e a letra eram perfeitos.


Meu coração apertado. Mas a certeza de que tudo iria se resolver. Relaxei o
corpo na poltrona e ouvi o avião ligando. Um frio subiu pela minha barriga. Era
minha primeira vez e eu estava com um medinho.

“Laura, sua boba.”

Ri comigo mesma. Fui recuperando minha respiração normal, enquanto as


lágrimas secavam.
“Amanhã estarei em Nova Iorque.”

De novo o frio na barriga.

Ainda de olhos fechados, senti alguém se sentando ao meu lado. Não estava a
fim de conversar, pelo menos não naquele momento. Continuei ali, ouvindo a
música. Com a mão sobre o apoio, senti a pessoa se encostando nela. Afastei
minha mão, pensando que fosse sem querer.

Nesse momento a pessoa segurou firme a minha mão. Apertei os olhos, não
querendo abrir. Tirou o fone do meu ouvido e aproximando a boca da minha
orelha, dizendo num sussurro:

...........: nós prometemos que iríamos juntas para Noa Iorque.

Abri os olhos rápido e me virei. Fiquei a centímetros dela, que sorria.

Laura: ALICE!

Alice: LAURA!

Laura: O que você está fazendo aqui? - eu gaguejava.

Nesse mesmo minuto, ela se ajoelhou entre as poltronas e ainda segurando a


minha mão, disse:

Alice: ME PERDOA, LAURA! POR FAVOR! - começou a chorar.

Laura: Alice, pelo amor de Deus, levanta!

Alice: Diz que me perdoa, Laura. - ainda ajoelhada.

Laura: Eu te aperdoo. Por favor, levanta daí.

Algumas pessoas já nos olhavam disfarçadamente.

Alice: Eu fui a pessoa mais idiota desse mundo, mas eu TE AMO, Laura! Tive
medo, muito medo. Por favor entenda. - ela chorava ainda mais.

No outro fone, que ficou no meu ouvido, começou a tocar “Pretty Baby”, ainda
da Vanessa Carlton. Vendo a garota que eu amava ali, naquela situação, nao
pensei duas vezes, a puxei pela nunca e a beijei. Ela se agarrou no meu
pescoço e correspondeu. Nossos corpos se suplicavam num beijo desejado,
com saudade e vontade. Suas lágrimas se misturavam às minhas e
continuamos por algum tempo. Eu não ligava para o que as pessoas iriam
pensar.

Laura: Você precisa ir, o avião já vai decolar.

Alice: Eu estou PRONTA! - enxugando as lágrimas e se ajeitando na poltrona.


Laura: Como assim?

Alice: Eu também vou para Nova Iorque. - sorriu grande, me olhando fixamente
nos olhos. - A gente prometeu, lembra?

Laura: E a Europa?

Alice: Laura, eu já estava sabendo que não éramos irmãs. Depois que você
falou ao meu pai que iria viajar, ele me chamou e contou a verdade. Disse tudo,
pois a consciência dele pesou. E eu pedi para vir com você. Tentei te falar
várias vezes essa semana, mas nunca dava certo.

Laura: Alice, você mentiu pra mim. - meus olhos se encheram de lágrimas.

Alice: Eu sei, Laurinha. Me desculpe. Eu já havia ficado com a Carol. Eu fui


idiota. Ela morou em Paris há alguns anos e dançamos juntas. Não sinto nada
por ela e ela sabe disso, mas sei que não precisava ter mentido. Me perdoa, do
mesmo jeito que eu te perdoei.

Laura: Me perdoou por o quê?

Alice: Por me trair com a Mariana. Eu já sabia desde quando namorávamos. A


Bruna me contou tudo.

Lembrei de todas as besteiras que fiz com a Mari enquanto ainda estava com a
Alice. E ela tinha razão, eu também errei.

A abracei forte e chorei. Não adiantava eu negar ou tentar fugir, era ela quem
eu realmente amava

Laura: Não acredito que você está aqui comigo, Alice!

Alice: Agora é pra sempre, Laurinha!

A aeromoça apareceu e deu as instruções de vôo.

A Alice, percebendo que eu estava com um pouco de medo, pegou na minha


mão.

Alice: Relaxa, linda. É tranquilo. Estou aqui com você. - sorriu pra mim, com os
olhos ainda molhados.

Logo o avião decolou e o frio na barriga passou. Conversamos sobre tudo que
ainda não sabíamos naqueles últimos tempos. A Alice contou detalhes da Carol
e eu da Mari, tudo abertamente.

As horas iam se passando e os assuntos nunca acabavam. Definitivamente eu


nunca deixei de ser apaixonada pela Alice. Me perdia nos seus olhos cor de
mel facilmente.
Alice: Laura, vem aqui, quero uma coisa. - sorrindo estranhamente, parecendo
pensar em algo.

Pegou na minha mão e se levantou, me puxando. Fomos em direção a um


corredor do avião, até que chegamos no banheiro.

Laura: Nossa, que pequeno. - eu nunca havia visto um banheiro de avião.

Alice: Realiza meu sonho. - se enroscou no meu pescoço com força e mordeu
meu lábio inferior, me deixando doida.

Laura: Qual é o seu sonho? - segurei na sua cintura e lambi sua boca.

Alice: Fazer amor no banheiro de um avião. - sorriu com safadeza.

Eu não acreditei. Mas só de ouvi-la dizendo aquilo, fiquei totalmente excitada.


A Alice não precisava fazer muita coisa para me deixar com muito tesão.

A empurrei contra a porta e me encaixei entre as suas pernas. Juntei seus


lábios violentamente nos meus e lhe dei um beijo de tirar o fôlego. Ela subiu as
pernas e se enroscou na minha cintura.

Alice: Que saudade de você, meu amor! - disse baixinho no meu ouvido.

Laura: Eu também. Saudade de você inteira. - apertei sua bunda com força.

Ela gemeu baixo e aquilo me deixou completamente desconcertada. A gente


não podia falar alto e muito menos fazer barulho.

Rapidamente abri o botão da sua calça e coloquei o dedo no seu sexo. Já


estava molhada. Subi a blusa e lambia seus seios, enquanto ela tentava
rebolar pra mim.

Alice: Vai gostosa! - sussurrou.

Enquanto brincava com seus seios, penetrei um dedo, devagar. Fazia


movimentos, enquanto ela gemia baixinho no meu ouvido. Desabotoou a minha
calça também e logo ancançou meu sexo, que também já suplicava pelo seu
toque.

Rebolávamos uma para a outra. A tensão e o risco de alguém nos encontrar


ali, deixava o momento ainda mais excitante e gostoso.

Não conseguimos aguentar muito tempo, pois o desejo contido uma pela outra
era muito grande, e logo gozamos juntas, demoradamente.

Alice: Eu te amo, Laurinha. - disse baixinho, beijando a minha boca.

Laura: Também te amo, Alice.


Foi rápido, mas extremamente gostoso. Uma experiência nova e regeneradora
para nós.

Saímos do banheiro com a maior cara de pau e os sorriso mais cínico no rosto.
A gente não ligava pra mais nada.

Voltamos para nossa poltrona e passamos o resto da viagem conversando,


trocando carinhos e brincando. O vôo demorado serviu para que nos
acertássemos de vez. Dormimos quando o dia já estava amanhecendo e
quando nos demos conta, o avião havia dado sinal para que apertássemos o
cinto, pois iríamos aterrisar.

O avião desceu, pegamos as malas e como combinado, o Louis, amigo do seu


Henrique, nos esperava no saguão do aeroporto. Nos levou até o seu carro e
disse que nos acompanharia até o apartamento.

No caminho, de mãos dadas, fomos contemplando aquela cidade maravilhosa.


Nova Iorque era linda demais. A estátua da liberdade. TUDO! Era um sonho
estar ali, principalmente com a Alice.

O Louis nos aprensetou as redondezas, minha faculdade e todas os locais


úteis que haviam próximos ao nosso apartamento e, finalmente, nos levou até
ele. O prédio era lindo e o apartamento no alto.

Subimos e quando abrimos a porta nos deparamos com um loft maravilhoso.


Pequenininho, mas totalmente charmoso. Paredes brancas e móveis coloridos,
a maioria de acrílico. O Sonho de qualquer garota.

O Louis se despediu e nos entregou um envelope.

Ajeitamos as malas e a Alice me abraçou por trás.

Alice: Você não tem idéia de como eu estou feliz de estar aqui com você,
Laurinha.

Laura: Eu também, meu amor. - virei o rosto e lhe dei um beijo. - Só pode ser
um sonho, me belisca? - ela mordeu minha bochecha. - É, acho que não é um
sonho. - rimos.

Alice: Ei, Abre o envelope que o Louis te deu. O que será que é?

Abri o envelope devagar e dentro havia um bilhete dobrado ao meio.

Laura: calma! Antes vamos ligar para minha mãe e para o seu Henrique
avisando que chegamos.

Alice: É verdade.

Ligamos para a minha mãe e contamos. Ela já sabia que a Alice viria e estava
feliz em ver a minha felicidade. Disse que o seu Henrique não poderia atender,
pois estava numa reunião com as arquitetos chefes, então desencanamos e
dissemos que ligaríamos depois.

Alice: E agora? Abre o envelope? - sorriu curiosa.

Laura: Tá bom. - fiz charminho.

“Minhas filhas, espero que tenham feito uma ótima viagem. Quero que sejam
extremamente felizes e me perdoem por toda a confusão que provoquei na
vida de vocês. Agora quero que aproveitem todo o tempo que perderam,
principalmente vivendo em harmonia no apartamento que É DE VOCÊS. Um
beijo do pai que lhes ama! Henrique Legrand.”

A Alice me olhou com os olhos marejados e eu fiz o mesmo. Nos abraçamos


forte e ficamos ali um bom, tempo chorando.

Alice: É o nosso lar, meu amor.

Laura: É, eu nem acredito, Alice.

Alice: EU TE AMO, LAURA! MUITO MAIS DO QUE ALGUÉM POSSA AMAR


OUTRA PESSOA!

Laura: TAMBÉM TE AMO, MINHA ALICE, MAIS DO QUE O UNIVERSO!

Nos beijamos e curtimos cada cantinho do nosso apartamento. Era muito bom
saber que eu tinha um lar com o amor da minha vida.

Ligamos para o seu Henrique agradecendo e logo depois pra Paulinha e pra
Luíza, contando TUDO. Elas não se aguentavam de tanta felicidade em saber
as novidades.

Paula: Gente, eu também tenho uma novidade pra vocês.

Laura: O que? - curiosa.

Paula: A Mari e a Carol! - disse rindo.

Laura: O que? Fala logooo! - eu estava curiosa.

Paula: Elas ficaram. Liguei pra ela ontem, depois que deixamos você no
aeroporto. A convidamos pra sair e ela aceitou. Fomos num barzinho e a Carol
estava lá. E quando vimos, elas estavam ficando. A Mari acabou contando que
já havia ficado com a Carol, no dia que você ficou com a Alice na boate. E elas
vão continuar ficando, deu química amigaaa!

Laura: AH, EU NÃO ACREDITOOO! - eu não conseguia me conter de tanta


felicidade em ver a Mari tentando ser feliz.
Paula: Ela disse que a Carol viu você ficando com a Alice, voltou no barzinho
onde ela estava com as amigas e contou a ela. Depois de muita conversa, se
acharam interessantes e ficaram. Elas combinam, Laurinha! E a Mari deu ares
de estar gostando de ficar com a Carol.

Laura: Ai meu Deus! Estou muito feliz, Paulinha!

E estava mesmo, a Mari merecia, mais do que ninguém, ser MUITO FELIZ. Eu
a amava, mas como amiga e ela estava entendendo que o amor dela por mim
também não passava de admiração, amizade e ternura.

Ali eu tive a certeza de que TUDO iria se acertar.

Quando desliguei o telefone, olhei para o lado e vi a Alice abrindo uma cortina
enorme. A Janela era toda de vidro e a vista era simplesmente maravilhosa:
uma mistura do Central Park com as avenidas movimentadas.

Ela me olhou e sorriu lindamente.

Alice: Olha. - apontou para um canto. - Uma jukebox. - ela amava jukebox.

Correu e a ligou. Veio em minha direção, agarrou o meu pescoço, me beijando


a boca delicadamente. Parou, me olhou e cantou para mim junto com a música,
ao mesmo tempo que rebolava devagarzinho:

“Guess this means you're sorry


You're standing at my door
Guess this means you take back
All you said before
Like how much you wanted
Anyone but me
Said you'd never come back
But here you are again

'Cuz we belong together now, yeah


Forever united here somehow, yeah
You got a piece of me
And honestly
My life would suck without you

Maybe I was stupid for telling you goodbye


Maybe I was wrong for tryin' to pick a fight
I know that I've got issues
But you're pretty messed up too
Either way I found out I'm nothing without you

'Cuz we belong together now, yeah


Forever united here somehow, yeah
You got a piece of me
And honestly
My life would suck without you

Being with you is so dysfunctional


I really shouldn't miss you, but I can't let you go
Oh yeah

'Cuz we belong together now, yeah


Forever united here somehow, yeah
You got a piece of me
And honestly
My life would suck without you

'Cuz we belong together now, yeah


Forever united here somehow, yeah
You got a piece of me
And honestly
My life would suck without you”

FIM!