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Exame de Ordem

Direito Constitucional
Profª. Carolinne Brasil

Sumário
TEORIA GERAL ..................................................................................................................... 3
CONSTITUIÇÃO .................................................................................................................... 3
CONSTITUCIONALISMO ....................................................................................................... 7
TEORIA GERAL DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ................................................. 10
PODER CONSTITUINTE ....................................................................................................... 29
NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO ............................................................................ 32
DIREITOS FUNDAMENTAIS ................................................................................................. 35
ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E DA FEDERAÇÃO.................................................................... 62
SEPARAÇÃO DOS PODERES ................................................................................................ 67

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TEORIA GERAL

NATUREZA: Ramo do Direito Público.

CONCEITO: Direito Público fundamental que se diferencia dos demais ramos do direito pela
natureza do seu objeto e pelos princípios peculiares que o informam. Destaca-se como ramo do
direito público por ser fundamental à organização e funcionamento do Estado, à articulação dos
elementos básicos do mesmo e ao estabelecimento das bases da estrutura política. Sendo assim,
aponta, interpreta e sistematiza os princípios e normas fundamentais do Estado.
SENTIDOS:
1º) Sentido Sociológico: Ferdinand Lassale. A Constituição deve refletir os fatores reais de poder
de uma determinada sociedade (em toda a sociedade há um conflito de interesses, de forças e a
Constituição deve refletir quem comanda, o que o povo é, o que é a sociedade – se a Constituição
refletir os fatores reais de poder, aí nós poderemos dar a ela o verdadeiro status de Constituição).
2º) Sentido Político: Carl Schmitt. A Constituição é a decisão política fundamental de um povo.
Constituição é a norma que estrutura o Estado e garante o rol de direitos fundamentais.
Constituição é diferente de lei constitucional. Constituição são normas que envolvem a decisão
política fundamental de um povo. As outras normas que estão na Constituição, mas não são
essencialmente leis constitucionais, não são Constituição.
3º) Sentido Jurídico: Hans Kelsen. Direito está contido dentro de uma pirâmide: quanto mais em
cima a norma estiver, mais ela vale. Constituição é a norma jurídica do mais alto grau hierárquico.
Temos a CF, as leis (LO, LC, LD, MP, Res., Decreto Legislativo), Regulamentos (valem menos que a
lei – Decreto, Portaria, Circular, Instrução Normativa, Ordem de Serviço, etc.).

CONSTITUIÇÃO
CONCEITO: Constituição, juridicamente, significa a Lei Suprema e Fundamental do Estado,
responsável por estabelecer o conteúdo das normas sobre a estruturação do Estado, a formação
dos poderes políticos, a forma de governo e aquisição do poder de governar, a distribuição de
competências, os direitos, deveres e garantias dos cidadãos.

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OBJETO: estabelecer a estrutura do Estado, a organização de seus órgãos, modo de aquisição e


exercício do poder, limites da sua atuação, assegurar direitos e garantias individuais, fixar o regime
político, disciplinar os fins sócio-econômicos do Estado.
CLASSIFICAÇÃO:
1- Quanto à origem
a) Outorgadas: é uma Constituição imposta. Não é discutida, não é debatida. Exemplos:
Constituição da China, de Cuba, da República Islâmica do Irã.
b) Promulgadas: é uma Constituição fruto de debate de discussão. Exemplo: CF/88 (teve dois
anos de debates).
c) Cesaristas ou Plebiscitárias: é uma Constituição aprovada diretamente pelo povo por meio
de um referendo.
2- Quanto à mutabilidade/alterabilidade/estabilidade/flexibilidade (grau de dificuldade para
mudar o texto constitucional)
a) Rígidas: a mudança do texto constitucional exige procedimento mais rigoroso que o das leis.
b) Flexíveis: o procedimento para mudança da Constituição é igual ao das leis.
c) Semirrígidas/Semiflexíveis: há uma parte rígida e uma parte flexível.
d) Imutáveis
e) Superrígida: há uma parte que não pode ser alterada e uma parte que necessita de
procedimento mais rigoroso para mudança do texto.
Constituição Plástica: há duas definições.
Para o professor Pinto Ferreira, constituição plástica é a Constituição flexível.
Para o professor Raul Machado Horta, Constituição plástica é aquela que tem capacidade de se
adaptar ao futuro sem necessidade de emenda constitucional. É uma Constituição Principiológica.
Esse conceito é o preferido pelas Bancas Examinadoras. Exemplo: Constituição norte-americana.
3- Quanto à forma (escrita/não escrita)
a) Escritas: é um pacote fechado, editada em um determinado momento.
b) Não-escritas: é formada pelos costumes, pela história do país. Tudo começou com a Magna
Carta, de 1.215, feita pelo Rei João Sem Terra. Até hoje os direitos previstos nesse documento são

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reconhecidos como constitucionais pela Inglaterra. Também é conhecida como Constituição


histórica, costumeira ou consuetudinária.
3- Quanto ao modo de elaboração (dogmática/histórica)
a) Constituição dogmática: são escritas, elaboradas por um órgão constituinte em um dado
momento segundo ideias fundamentais da teoria política reinantes nesse momento. São
momentâneas e, portanto, mais instáveis.
b) Constituição histórica (costumeira ou consuetudinária): surge da lenta e contínua produção
histórica. Resulta do amadurecimento e consolidação de valores da sociedade e, portanto, são
mais estáveis.
4- Quanto ao conteúdo: material e formal
a) Constituição material (substancial): são constitucionais as normas essencialmente
constitucionais, não importa se integram ou não o texto da Constituição escrita.
b) Constituição formal: leva em conta o processo de elaboração da norma, ou seja, são
constitucionais todas as normas que estejam na Constituição escrita e que tenham sido elaboradas
por um processo legislativo especial, independente do assunto tratado.

5- Quanto à extensão: analíticas e sintéticas


a) Constituição analítica: regulamentam todos os assuntos relevantes à formação, funcionamento
e destinação do Estado. (Ex: Constituição de 1988).
b) Constituição sintética: estabelecem apenas os princípios e normas gerais de regência do Estado.
(Ex: Constituição Americana).

6- Quanto à finalidade: constituição-dirigente e constituição-garantia


a) Constituição-dirigente: é analítica, regulamenta em seu texto programas, planos e diretrizes
para a atuação futura dos órgãos estatais. Sendo assim, o legislador dirige a atuação futura dos
órgãos estatais através de normas programáticas.
OBS.: A norma programática, mesmo quando não complementada por legislação
infraconstitucional para que tenha eficácia plena, possui eficácia negativa, pois:
a) revoga as normas anteriores em sentido contrário.
b) veda a edição de leis posteriores em sentido contrário.

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c) fonte de interpretação.

b) Constituição-garantia (negativa): é sintética, construtora de liberdade-negativa ou liberdade-


impedimento imposta ao Estado. Preocupação com a limitação dos poderes estatais por meio da
fixação de garantias individuais perante o Estado.

8- Quanto à correspondência com a realidade: normativas, nominativas e semânticas (elaborada


por Karl Loewenstein)
a) Constituições normativas: estão em consonância com a vida do Estado. Conseguem
efetivamente regular a vida política do Estado.
b) Constituições nominativas: não conseguem efetivamente cumprir o papel de regular a vida
política do Estado, apesar de elaboradas com este intuito.
c) Constituições semânticas: desde a sua elaboração não têm o objetivo de regular a vida política
do Estado. Limitam-se a dar legitimidade formal aos atuais detentores do poder.

CLASSIFICAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988:


A Constituição Federal de 1988 é classificada como: escrita, promulgada, dogmática, rígida (ou
superrígida), formal, analítica, dirigente e nominativa.
EFICÁCIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS

CLASSIFICAÇÃO QUANTO À EFICÁCIA E APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS


(Professor José Afonso da Silva)

a) NORMAS DE EFICÁCIA PLENA: Desde a sua entrada em vigor, a CF produz ou tem possibilidade
de produzir todos os seus efeitos essenciais. São autoaplicáveis e de incidência imediata e direta.
Ex: Art. 1º e 2º, Remédios Constitucionais.

b) NORMAS DE EFICÁCIA CONTIDA: A CF regulou suficientemente a matéria, mas deixou margem


à atuação restritiva por parte da competência discricionária do poder público, nos termos em que
a lei estabelecer. Ex: Art. 5º, XIII, Art. 93, IX.

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c) NORMAS DE EFICÁCIA LIMITADA: Carecem de regulamentação para efetivamente tornarem-se


aplicáveis. Somente incidem totalmente sobre os interesses regulados após a normatividade
posterior que lhes dê aplicabilidade. Dividem-se em:
- Programáticas: traçam preceitos a serem cumpridos pelo Poder Público, como programa de
atividades a serem por ele desenvolvidas. Ex: Art. 21, IX, 23, 205, 211, 215.
- Institutivas ou Organizatórias: normas que visam organizar determinadas funções, estabelecidas
pelo Poder Público. Ex: Art. 134, § 1°.

CONSTITUCIONALISMO
CONCEITO:
1º Sentido (sentido amplo): está associado à existência de uma Constituição em um Estado.
Segundo este conceito, não existe Estado sem Constituição.
Este conceito não é o mais utilizado.
2º Sentido (sentido estrito): está relacionado a duas ideias básicas:
• Garantia dos direitos
• Limitação do poder
Neste sentido o constitucionalismo se contrapõe ao absolutismo.

FASES DE EVOLUÇÃO:
1º Fase - CONSTITUCIONALISMO ANTIGO
Começa na antiguidade e vai até aproximadamente ao final do século XVIII.
Característica: Constituições consuetudinárias (baseadas essencialmente nos costumes, não eram
escritas). Existiam documentos escritos, mas não formalizados como conhecemos hoje.
Segundo a doutrina, a 1ª experiência constitucional foi o Estado dos hebreus. Embora não
tivessem uma constituição escrita, seus dogmas religiosos limitavam não apenas os súditos, mas
também os soberanos (limitação do poder).
Grécia, Roma e Inglaterra foram os seguintes Estados a terem experiências constitucionais.

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2ª Fase – CONSTITUCIONALISMO MODERNO


Começa no século XVII e vai até o fim da 2ª Guerra Mundial.
Característica: surgem as Constituições escritas e formais.
As revoluções liberais foram as responsáveis por essa mudança de paradigma (Revolução
Francesca, Revolução Inglesa).
Constitucionalismo Clássico ou Liberal: começa com as revoluções liberais e vai até o fim da 1ª
Guerra Mundial.
Foi marcado pela experiência norte-americana (EUA), que trouxe grandes contribuições para o
Direito Constitucional, dentre elas:
- Criação da 1ª Constituição escrita, formal, rígida, e dotada de supremacia formal (ano de 1787);
- Surge também o controle judicial de constitucionalidade (ano de 1803), tendo como parâmetro
uma Constituição escrita;
- Consagração da separação de poderes, do federalismo e criação do sistema presidencialista.
Foi marcada também pela experiência francesa (1789), como:
- 1ª Constituição escrita da Europa;
- Constituição prolixa.

- 1ª dimensão dos direitos fundamentais (liberdade) Direitos Civis


Direitos Políticos

Constitucionalismo Social: fim da 1ª Guerra Mundial até o fim da 2ª (período entre guerras).
Marcado pela Constituição mexicana (1917) e pela Constituição de Weimar (Alemanha - 1919).
Além dos direitos de dimensão ligados à liberdade, passaram a incorporar também direitos ligados
à igualdade material.
Igualdade Material: voltados à redução das desigualdades fáticas existentes.
- 2ª dimensão dos direitos fundamentais (igualdade) Direito Sociais
D. Econômicos
D. Culturais
São direitos prestacionais, que exigem do Estado prestações positivas (status positivo).

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3ª fase – CONSTITUCIONALISMO CONTEMPORÂNEO


Começa a partir da 2ª Guerra Mundial e dura até os dias de hoje.
Esta fase também é denominada de Neoconstitucionalismo.
Características:
- Reconhecimento definitivo da força normativa da Constituição (influência da experiência
inglesa);
- Rematerialização das Constituições (influência da experiência francesa);
- Centralidade das Constituições e dos direitos fundamentais, está relacionado ao fenômeno da
“Constitucionalização do Direito”, que pode ser especificado em 3 aspectos: consagração de
normas de outros ramos na Constituição, eficácia horizontal dos direitos fundamentais e
interpretação conforme a Constituição (filtragem constitucional);
- Fortalecimento da jurisdição constitucional e do Poder Judiciário (judicialização da política e das
relações sociais).

3ª dimensão: (fraternidade ou solidariedade)


ao meio ambiente;
de autodeterminação dos povos;
de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade;
de comunicação.

Outros autores elencam também outros direitos, como por exemplo, direito do consumidor,
direito de idosos e direito de crianças.

4ª dimensão Direito à Democracia (direta)


Direito à Informação
Pluralismo

Democracia Direta é caracterizada pelo plebiscito, referendo e iniciativa popular. O sufrágio


universal também passa a ser contemplado pelas Constituições de uma forma mais ampla.

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Direito à informação: engloba o direito a informar (art. 200 a 224), direito a SE informar (art. 5º,
inciso XIV), e direito a ser informado (art. 5º, inciso XXXIII e Lei 12.527/11).
Pluralismo: Art. 1º, inciso V, é um dos fundamentos do Estado brasileiro. Não é só pluralismo
político partidário, mas também as concepções religiosas, a pluralidade artística, cultural, de
orientação sexual e todas as demais.
Alguns autores incluem nos Direitos de 4ª dimensão os direitos relacionados à Biotecnologia, a
Bioengenharia, e o direito à identificação genética do indivíduo.
- 5ª dimensão direito à paz
A paz é um axioma da democracia participativa, o supremo direito da humanidade.
Era considerado de 3ª dimensão, porém, alguns doutrinadores o colocam como 5ª dimensão por
ser um objetivo ainda não alcançado, e assim incentivar sua busca.

TEORIA GERAL DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

1- SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO Material


Formal

Supremacia MATERIAL: Consiste em uma superioridade inerente aos conteúdos tradicionalmente


consagrados nos textos constitucionais.

Temas típicos de uma CF - Direitos fundamentais


- Estrutura do Estado
- Organização dos Poderes

É um atributo presente em todas as Constituições. Qualquer Constituição, para assim o ser,


precisa ter esses temas. Por isso ela tem supremacia material, pois estes assuntos a fazem
superior às demais leis.

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Supremacia FORMAL: É a supremacia mais importante para o Controle de Constitucionalidade.


Não está presente em todas as Constituições. A supremacia formal é um atributo exclusivo das
Constituições rígidas.
O que caracteriza uma Constituição rígida é o processo mais solene para alteração de suas
normas.

2- PARÂMETRO PARA O CONTROLE (Normas de Referência)

A CF/88 é dividida em 3 partes Preâmbulo


Parte permanente
ADCT

Das 3 partes, a única que não tem caráter normativo é o Preâmbulo.


Também servem como parâmetro os Princípios implícitos.
Após a EC nº45/04, passou-se a admitir os Tratados e Convenções Internacionais de Direitos
Humanos como parâmetro também, desde que seja aprovado por 3/5 e em dois turnos de
votação.
BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE: expressão cunhada por Louis Favoreu para fazer referência às
normas com status constitucional.

3- FORMAS DE INSCONSTITUCIONALIDADE
3.1 - Quanto ao tipo de conduta praticada pelo Poder Público:
-Ação
-Omissão

Inconstitucionalidade POR AÇÃO: ocorre quando são praticadas condutas incompatíveis com o
parâmetro constitucional.

Inconstitucionalidade POR OMISSÃO: ocorre quando os poderes públicos deixam de praticar uma
conduta exigida pela CF.

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3.2- Quanto à norma constitucional ofendida:

- Inconstitucionalidade Formal Propriamente Dita (subj. e obj.)


(ou Nomodinâmica) Orgânica
Violação a pressupostos objetivos

- Inconstitucionalidade Material
(ou Nomoestática)

Inconstitucionalidade FORMAL PROPRIAMENTE DITA: ocorre quando há violação de norma


constitucional referente ao processo legislativo.
Pode ser subjetiva ou objetiva.
A inconstitucionalidade formal propriamente dita SUBJETIVA é relacionada ao sujeito competente
para iniciar o processo legislativo.
A inconstitucionalidade formal propriamente dita OBJETIVA se refere às demais fases do processo
legislativo.

Inconstitucionalidade FORMAL ORGÂNICA: Relacionada ao órgão competente. É aquela que


ocorre quando há violação de norma que estabelece o órgão com competência para legislar sobre
a matéria.

Inconstitucionalidade FORMAL POR VIOLAÇÃO A PRESSUPOSTOS OBJETIVOS: é quando há violação


a pressuposto objetivo descrito na Constituição.
Inconstitucionalidade MATERIAL: é aquela que ocorre quando há violação de uma norma
constitucional de fundo (norma que estabelece direitos e deveres).

3.3- Quanto à extensão:


- Total
- Parcial

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Inconstitucionalidade TOTAL: é aquela que ocorre quando o vício atinge toda a lei ou todo o
dispositivo.
Inconstitucionalidade PARCIAL: é aquela que atinge apenas uma parte de determinada lei ou
dispositivo.

Veto Parcial ≠ Declaração de inconstitucionalidade parcial

Veto Parcial: só pode incidir sobre texto integral de artigo, parágrafo, inciso ou alínea, não pode
vetar apenas uma palavra ou expressão.

Declaração de Inconstitucionalidade Parcial: pode atingir uma palavra ou expressão. Porém, a


palavra ou expressão atingida deve ser autônoma, para que não se altere o sentido da norma.

4- FORMAS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE


4.1 – Quanto à natureza do órgão:
- Jurisdicional
- Político
Controle JURISDICIONAL: É o controle feito por órgãos do Poder Judiciário.
Controle POLÍTICO: É aquele feito por órgãos sem poder jurisdicional.
Jurisdicional
Sistemas Político
Misto

Sistema Jurisdicional: aquele em que o controle de constitucionalidade é feito precipuamente pelo


Poder Judiciário.
Sistema Político: é aquele em que o controle de constitucionalidade não é feito pelo Poder
Judiciário.
Sistema Misto: tem tanto o controle jurisdicional quanto o controle político; os dois tipos de
controle são conjugados.

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4.2- Quanto ao momento em que ocorre o controle


- Preventivo
- Repressivo
Controle PREVENTIVO: é feito durante o processo legislativo (antes da promulgação de uma lei ou
emenda) com a função de evitar uma lesão à CF.
Controle REPRESSIVO: é aquele que acontece depois que o projeto de lei se transformou em lei.

4.3 – Quanto à competência jurisdicional


- Difuso
- Concentrado
Controle DIFUSO (sistema norte-americano de controle): é aquele que pode ser exercido por
qualquer juiz ou tribunal.
Controle CONCENTRADO (controle reservado ou sistema austríaco ou sistema europeu): é aquele
cuja competência para o seu exercício é atribuída apenas a um órgão do Poder Judiciário.

4.4 – Quanto à finalidade do controle jurisdicional


- Concreto / Incidental / Por via de defesa/ Por via de exceção
-Abstrato / Em tese / Principal / Por via de ação / Por via direta

Controle CONCRETO: Aquele que tem por objetivo principal a proteção de direitos subjetivos. A
inconstitucionalidade é uma questão discutida apenas de forma incidental. O juiz afasta
incidentalmente a lei.
Controle ABSTRATO: é aquele que tem por objetivo principal assegurar a supremacia da CF e
proteger a ordem constitucional objetiva. É abstrato porque a análise que é feita pelo tribunal
nesses casos, é uma análise “em tese”, e não no caso concreto. O Tribunal vai analisar se a lei ou
ato normativo é compatível ou não com a CF, não vai analisar o caso concreto.
Ações de controle abstrato (no Brasil): ADI, ADC, ADPF, ADO.

Aqui, a pretensão é deduzida em juízo da seguinte forma:


Controle Concreto: Processo Constitucional Subjetivo (protege os direitos subjetivos);

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Controle Abstrato: Processo Constitucional Objetivo (protege a ordem constitucional objetiva).

5- CONTROLE CONCENTRADO
O controle concentrado é assim denominado pelo fato de a sua legitimidade se concentrar no STF.

5.1 – INTRODUÇÃO
ADI/ADC
Tanto a ADI quanto a ADC estão previstas no art. 102, I, a.

Estas ações têm caráter dúplice ou ambivalente (art. 24, Lei 9868/99).

Pressuposto da ADC: existência de controvérsia judicial relevante (art. 14, III).

ADPF
É regulamentada pela Lei 9882/99.
Pressuposto da ADPF: é de caráter subsidiário (art. 4, §1º, Lei 9882/99).

5.2 - FUNGIBILIDADE
ADI x ADO
ADPF x ADI

5.3 – ASPECTOS COMUNS

• Não admitem desistência (Lei 9868/99, art. 5º), assistência (regimento interno do STF) e nem
intervenção de terceiros (Lei 9868/99, art. 7º).
Não se admite desistência e assistência porque a ação se refere à proteção da supremacia da CF, e
não de direito particular.
No caso da intervenção de terceiros, alguns autores entendem que a figura do “amicus curia” seria
uma exceção à inadmissibilidade de intervenção de terceiros (Lei 9868/99, art. 7º, §2º).

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• A causa de pedir é aberta, ou seja, abrange qualquer norma formalmente constitucional,


independentemente da que tenha sido invocada como parâmetro pelo legitimado que propôs a
ação.

EXCEÇÃO: quando o pedido versa apenas sobre a inconstitucionalidade formal, o STF fica
impossibilitado de analisar a inconstitucionalidade material. Ou seja, não pode dizer que o
conteúdo da lei é incompatível com o conteúdo da CF. Este caso é uma exceção à “causa de pedir
aberta” (este entendimento do STF está na ADI 2182).

Só haverá conexão entre as ações quando o objeto for o mesmo.

• É necessário que ocorra provocação em relação ao objeto, salvo nos casos de


inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. Pois na ADI e ADC aplica-se o Princípio da
adstrição ao pedido – constitucionalidade/inconstitucionalidade. Já na ADPF será diferente, pois
nela se requer a arguição de descumprimento de preceito fundamental, e não da CF.
PRECEITO FUNDAMENTAL: (José Afonso da Silva) são aquelas normas imprescindíveis à identidade
e ao regime adotada pela Constituição.

OBS.: a inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração é uma técnica de decisão judicial
que pode ser utilizada quando há uma relação de interdependência entre o dispositivo impugnado
e um outro dispositivo do mesmo diploma legal (ADI 4451-MC-Ref.).

OBS.: a inconstitucionalidade por arrastamento pode ser utilizada também entre diplomas
normativos diversos, desde que haja uma interdependência entre eles (Ex.: uma lei e o decreto
que regulamente essa lei). ( 1-F - ADIN declara incons § 12 art. 100 precatórios)

• A decisão de mérito é irrecorrível, salvo Embargos de Declaração. Não cabe, também, Ação
Rescisória (Lei 9868/99, art. 26 e Lei 9882/99, art. 12).

5.4 – LEGITIMIDADE ATIVA

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A legitimidade é a mesma para ADI/ADC/ADPF (art. 103 CF)


Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação
declaratória de constitucionalidade:
I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV - a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito
Federal;
V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal;
VI - o Procurador-Geral da República;
VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;
IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.

Legitimados ATIVOS UNIVERSAIS


ESPECIAIS (são aqueles que precisam demonstrar a existência
de pertinência temática entre o objeto impugnado e o interesse
que eles representam)

Numerus clausus (rol fechado).

Poder
Poder Legislativo MP OUTROS
Executivo

Legitimados OAB (Conselho


ATIVOS Presidente da Federal)
Mesa da CD e SF PGR
UNIVERSAIS República Partido político
(União) (CN)

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Legitimados Governador
ATIVOS ESPECIAIS (estadual e DF)
Mesa da AL e CL E.C. (a. n.) e CS.
(Estado)

Governador: vice-governador não pode.

Partido Político: A representação no CN deve ser no momento da propositura da ação.

Entidade de Classe: a entidade de classe deve ser representativa de apenas uma determinada
atividade ou categoria social, profissional ou econômica.

ÂMBITO NACIONAL: as entidades de classe devem estar presentes em pelo menos 1/3 dos
Estados brasileiros (9 Estados ).
Exceção: quando houver uma relevância nacional na atividade exercida pelos associados.
STF: admite a legitimidade de associações formadas por pessoas jurídicas (“associação de
associações”).

Não tem capacidade postulatória: Partido Político, Entidades de Classe de âmbito nacional e
Confederações Sindicais.
São os únicos legitimados que precisam de advogado para propor a ação.

5.5 – PARÂMETRO (ou norma de referência)


ADI e ADC: qualquer norma formalmente constitucional, inclusive os atos decorrentes do art. 5º, §
3º, CF (preâmbulo não conta, pois não tem caráter normativo).
ADPF: Só preceitos fundamentais da CF servem como parâmetro.
PRECEITO FUNDAMENTAL: são aquelas normas imprescindíveis à identidade e ao regime adotado
pela CF.

5.6 – OBJETO

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NATUREZA DO OBJETO
Natureza do objeto da ADI/ADC:
Lei ou ato normativo (Art. 102, I, a CF).
Qualquer lei, inclusive de efeito concreto.
O ato normativo tem que ser geral e abstrato (se ele não for geral e abstrato, ele não teria a
natureza de ato normativo, mas sim de ato administrativo, que tem destinatário certo e objeto
determinado).
OBS.: a violação da CF tem que ser direta.
Não se admite como objeto de ADI/ADC:
1 - Atos tipicamente regulamentares;
2 – Normas constitucionais originárias (pois é afastada pelo Princípio da Unidade da CF);
3 – Lei ou norma de efeitos concretos já exauridos;
4 – Lei com eficácia suspensa pelo Senado;
5 – Leis ou atos normativos já revogados;
Exceção: quando houver fraude processual.
6 – Leis temporárias após o exaurimento de seus efeitos.

Natureza do objeto da ADPF:


Qualquer ato do Poder Público (art. 1 Lei 8982/99)

Não podem ser objeto de ADPF:


1 - Atos tipicamente regulamentares: não está violando diretamente a CF, mas sim uma lei. Isso
seria uma violação indireta da CF, e, portanto, não é objeto admitido em ADI/ADC/ADPF.
2 – Súmulas comuns: a súmula não vinculante é apenas um entendimento sintetizado do que vem
sendo adotado por um Tribunal. Então, se o Tribunal passa a modificar seu entendimento, ele não
precisa de uma ADPF para derrubá-la, basta simplesmente revogar a súmula.
3 – Súmulas vinculantes: existe na Lei um procedimento especifico para cancelamento ou revisão
de sumula vinculante, com isso o caráter subsidiário da ADP (outro meio igualmente eficaz) não é
atendido.

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4 – PEC: não é admitida a PROPOSTA de emenda constitucional como objeto de ADPF, pois a
proposta não é um ato pronto e acabado, é um ato em formação. É um ato que só irá se
completar se, e, quando aprovado. Então não é considerado ato público.

Leis já revogadas:
ADPF 33 – Gilmar Mendes admitiu como objeto de ADPF leis já revogadas.
ADPF 49 – Menezes Direito não admitiu.
O CESPE considerou que leis revogadas podem ser objeto de ADPF.

5.7 ASPECTO TEMPORAL DO OBJETO


ADC/ADI: o objeto sempre tem que ter sido produzido após o parâmetro constitucional. Não são
admitidos atos normativos ou leis anteriores à CF/88.
ADPF: a lei admite ato do poder público, inclusive leis e atos normativos, anteriores ou posteriores
ao parâmetro.
O descumprimento é mais amplo que a inconstitucionalidade.

5.8 ASPECTO ESPACIAL DO OBJETO


Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da
Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou
estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo
federal;
(...).

Art. 1º. Parágrafo único. Caberá também arguição de descumprimento de


preceito fundamental:

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I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei


ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à
Constituição;
(...).

LEIS E ATOS NORMATIVOS DO DF: Nem a lei e nem a CF tratam do tema. As leis e atos
normativos do DF têm dupla competência, pois o DF exerce competência de Estado e de
Município. No caso da ADC, não pode. No caso da ADPF, pode, já que trata de atos de
competência estadual e municipal. A grande questão é em relação a ADI. Lei ou ato normativo do
Distrito Federal só pode ser impugnado através de ADI se tratarem de matéria de competência dos
Estados.

Súmula 642 do STF: Não cabe ação direta de inconstitucionalidade de lei do


distrito federal derivada da sua competência legislativa municipal.

5.9 - DECISÃO DE MÉRITO


QUÓRUM
A Lei prevê 2 quóruns diferentes:
PRESENÇA: pelo menos 8 ministros (2/3 dos membros do tribunal);
DECLARAÇÃO: Para ocorrer a declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade precisa
do voto de pelo menos 6 ministros (ADI ou ADC).

EFEITOS DA DECLARAÇÃO:
Os efeitos da declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade em ADI, ADC ou ADPF
encontram-se previstos em: Lei 9868, art. 28, § único; Lei 9882, art. 10, § 3º e art. 102, §2º, CF.
Diferenças entre os efeitos ERGA OMNES e VINCULANTE:
1ª – aspecto subjetivo: o efeito erga omnes atinge a todos (poderes públicos e particulares); já o
efeito vinculante atinge apenas determinados órgãos do Poder Público. O chefe do Poder

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Executivo só não fica vinculado à decisão do STF em suas atribuições relacionadas ao processo
legislativo. O Legislativo não fica vinculado apenas na sua função típica de legislar.

2ª – aspecto objetivo:
A declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade é formada sempre por 3 partes:
relatório, fundamentos e dispositivo.
Teoria Extensiva: Existe uma corrente doutrinária, chamada de Teoria Extensiva, defendida por
Gilmar Mendes, que diz que o efeito vinculante atinge não só o dispositivo da decisão, mas
também os motivos determinantes contidos na fundamentação.
Os motivos determinantes formam a “ratio decidendi” (decisões determinantes para aquele
julgamento). Para quem adota a Teoria Extensiva, diz que esses motivos também são vinculantes.
O que não seria vinculante seriam apenas as questões “obter dicta” (ditas de passagem, questões
acessórias do julgado).
Esta Teoria foi adotada no STF com o nome de “Transcendências dos Motivos” ou “efeito
transcendente dos motivos determinantes” durante algum tempo. Mas passou a não mais adotar
este entendimento: Rec. 30.14, Rec. 2990-AgR.

EFICÁCIA TEMPORAL:
OBS.: No controle abstrato, as decisões só se tornam obrigatórias a partir de sua publicação (parte
dispositiva no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União). Não é do trânsito em julgado!

Uma lei inconstitucional, se for um ato nulo, será ex tunc; mas se for um ato anulável, ela só terá o
vício reconhecido a partir da publicação, será então ex nunc.
O STF vem adotando entendimento da doutrina norte-americana, de que a lei inconstitucional é
um ato NULO. Então, em regra, terá efeito retroativo, efeito “ex tunc”. A decisão valerá desde o
momento em que a lei foi criada.

Modulação Temporal: existe no Direito brasileiro a possibilidade do STF modular os efeitos da


decisão, fixando um momento diferente para sua eficácia. Podendo, além de ser ex tunc, ser
também ex nunc (ou para o futuro). Artigo 27 da Lei 9868/99 e artigo 11 da Lei 9882/99.

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5.10 – TUTELA DE URGÊNCIA


QUÓRUM
PRESENÇA: 8 ministros;
DECISÃO: em regra, por pelo menos 6 ministros.
Lei 9868 art. 10, 21 e 22.
Lei 9882 art. 5º, §1º.
Exceções: na ADI e na ADPF, como a situação pode ser de maior urgência, existe a possibilidade de
concessão monocrática pelo relator ou pelo presidente do Tribunal. A ADI pode ocorrer no
período de recesso. ADI 4638. E na ADPF existem 3 exceções previstas: extrema urgência, perigo
de lesão grave ou durante o recesso. A ADC não há exceção, pois aqui a lei já tem presunção de
legitimidade, ou seja, não pode ser algo tão urgente a ponto de não puder esperar 6 ministros
para decidir.

EFEITOS SUBJETIVOS/OBJETIVOS DA LIMINAR


Erga omnes;
Vinculante;
ADC: o efeito da liminar em ADC é suspender o julgamento de processos, por no máximo 180 dias
para que haja decisão definitiva de mérito do STF.
ADI: não existe a previsão na lei de suspensão dos processos em liminar na ADI, todavia o STF
entende que por analogia aplica-se o artigo 21 da Lei 9868/99.
ADPF:
Lei 9882/99. Art. 5o. § 3o A liminar poderá consistir na determinação de
que juízes e tribunais suspendam o andamento de processo ou os efeitos
de decisões judiciais, ou de qualquer outra medida que apresente relação
com a matéria objeto da arguição de descumprimento de preceito
fundamental, salvo se decorrentes da coisa julgada.

EFEITOS TEMPORAIS

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Na liminar, por ser uma decisão precária (apenas suspende a eficácia/vigência da lei
temporariamente, não a declara inconstitucional), o efeito temporal será:
ADI: em regra, é ex nunc.
Exceção: o STF, se quiser, pode expressamente modular também os efeitos da liminar.

Efeito Repristinatório Tácito: o STF ao suspender a lei B, faz automaticamente a lei A voltar a
produzir efeitos. O STF não precisa dizer. É um efeito automático.

ADPF: não tem previsão na lei, mas por analogia se entende que o efeito seria ex nunc.
ADC não tem efeito temporal porque a lei não é suspensa, apenas os processos.

6. CONTROLE DIFUSO
6.1 - ASPECTOS GERAIS

COMPETÊNCIA
Qualquer juiz ou Tribunal.
OBS.: No âmbito dos Tribunais, no exercício do controle difuso, tem que se observar a cláusula da
reserva de plenário (art. 97 da CF).

FINALIDADE
A finalidade principal é a proteção de direitos subjetivos.
A pretensão é deduzida em juízo através de um Processo Constitucional Subjetivo.
A inconstitucionalidade também pode ser reconhecida de ofício pelo juiz.

LEGITIMIDADE ATIVA
Qualquer pessoa que tenha o seu direito supostamente violado por uma norma inconstitucional.

PARÂMETRO

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Qualquer norma formalmente constitucional, mesmo que revogada, desde que estivesse vigente
na época da ocorrência do fato.
Aqui vale o Princípio “tempus regit actum”.

OBJETO
Qualquer ato do Poder Público que viole diretamente a CF.

EFEITOS DA DECISÃO
A decisão reconhece o vício e afasta a aplicação da lei naquele caso específico.
ASPECTO SUBJETIVO
O efeito da decisão será apenas “inter partes”.
Mesmo se esta decisão for proferida pelo STF (Recl. 10.403/10).
ASPECTO OBJETIVO
É na fundamentação de uma decisão que o juiz vai analisar a inconstitucionalidade da lei.
ASPECTO TEMPORAL
Com relação à eficácia temporal, a regra será o efeito ex tunc.
O STF admite a modulação temporal dos efeitos da decisão (RE 586.453).
Ex.: RE 556.664/RS – efeito ex nunc; RE 197.917 - efeitos prospectivos ou para o futuro.

6.2- CLÁUSULA DA RESERVA DE PLENÁRIO


Conhecida também como regra da “full bench” (tribunal cheio, completo).

1º aspecto: esta cláusula se aplica tanto ao controle difuso quanto ao controle concentrado.
2º aspecto: esta clausula só se aplica no âmbito dos tribunais. Não se aplica ao juiz singular.
3º aspecto: só se aplica quando se tratar de inconstitucionalidade. Se o entendimento for pela
constitucionalidade, não precisa respeitar a clausula de plenário.

Súmula Vinculante nº 10 – Viola a clausula de reserva de plenário (CF, artigo 97)


a decisão de órgão fracionário de Tribunal que, embora não declare

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expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público,


afasta sua incidência, no todo ou em parte.

Como o Pleno não analisa o caso concreto (quem faz isso é o órgão fracionário), analisa apenas
a constitucionalidade da lei “em tese” (faz uma análise em abstrato). Se futuramente outros casos
chegarem no tribunal e tiverem a mesma lei questionada, os órgãos fracionários não precisam
mandar todos esses processos para o Pleno analisar novamente. Então, a partir do momento em
que o Pleno analisou uma vez, todos os demais processos podem se basear naquele
entendimento. Isto está previsto no art. 949, § único do CPC:
O STF é guardião da CF, já adotou entendimento sobre o assunto, então o órgão fracionário pode
se basear nesse entendimento.

6.3 - SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DE LEI PELO SENADO


Previsto no artigo 52, X, CF:
Esta suspensão da execução só pode ocorrer no controle difuso (art. 178 Regimento Interno
STF). Ela não existe no controle concentrado porque nesta a decisão do STF já tem efeito erga
omnes e vinculante (é como se fosse uma “revogação” da lei).

6.4 – CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA


A polêmica da Ação Civil Pública é que, como ela tem efeito erga omnes, então, se ela for utilizada
como instrumento de controle, ela estaria substituindo a ADI?
A jurisprudência é pacifica no sentido de que a Ação Civil Pública pode ser utilizada como
instrumento, desde que utilizada em controle incidental.
Só se admite se a inconstitucionalidade for a causa de pedir, e não o pedido em si.
Porque ela vai ser analisada como uma questão incidental, na fundamentação. Ela não será
analisada no pedido.
Portanto é admitido controle de constitucionalidade em Ação Civil Pública. Mas ela não pode ser o
objeto do pedido, o pedido tem que ser algo concreto. Tem que ser apenas a causa de pedir. Ela
será analisada como questão prejudicial do mérito.

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CONTROLE DE OMISSÕES INCONSTITUCIONAIS


No ordenamento jurídico brasileiro existem dois instrumentos para controle de omissão de
inconstitucionalidade:
Mandado de Injunção (invenção do legislador brasileiro)
Ação Direta por Omissão

CRITÉRIOS ADO M.I.

PREVISÃO LEGAL Art. 103, §2, CF e Lei Art. 5, LVVI, CF e lei nº 13.330/16
12.073/09

Instrumento de controle Instrumento de controle concreto ou


FINALIDADE abstrato (processo incidental (processo constitucional
constitucional objetivo) subjetivo)

Controle concentrado, pois a Controle difuso limitado, só tem


COMPETÊNCIA competência para exercê-la competência para julgá-lo quem estiver
é exclusiva do STF previsto na CF: STF, STJ, TSE e TRE. Ou
em lei federal: que não foi criada ainda.
E por Constituição Estadual.

MI Individual: qualquer pessoa que


Art. 103 CF + art. 12 da Lei tenha o seu direito constitucional
LEGITIMIDADE 9868 (os mesmos da ADC e inviabilizado pela ausência de norma
ATIVA da ADI). regulamentadora.

MI Coletivo: os legitimados têm que


estar previstos na lei.

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Autoridades ou órgãos
LEGITIMIDADE responsáveis pela
PASSIVA elaboração da medida ou da IDEM
norma regulamentadora.

PARÂMETRO

(Na classificação do Normas formalmente


Normas formalmente constitucionais
professor José constitucionais não auto-
não auto-aplicáveis.
Afonso da Silva, o aplicáveis
parâmetro seria
apenas as normas
constitucionais de
eficácia limitada)

A legitimidade ativa da ADO é a mesmo da ADC e da ADI. Porém, não terá legitimidade a
autoridade com competência para iniciar o processo legislativo, salvo quando se tratar de
iniciativa privativa ou exclusiva.

Em se tratando de iniciativa privativa, deve figurar no polo passivo a autoridade ou órgão com
legitimidade para iniciar o processo legislativo.

Para parte da doutrina, o MI só seria cabível para assegurar o exercício de direitos


fundamentais (direitos e garantias individuais, sociais, de nacionalidade e políticos).

O STF, no entanto, não tem feito restrições em relação à matéria protegida por esta garantia.

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PODER CONSTITUINTE

1 – PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO


1.1 - NATUREZA:
PODER POLÍTICO, pois está acima do ordenamento jurídico.

PODER CONSTITUINTE

Existe uma corrente minoritária, de viés jus naturalista, para a qual o poder constituinte
originário é um Poder Jurídico (ou de Direito), por estar subordinado aos princípios do direito
natural.

1.2 – CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS:


PODER INICIAL: não existe nenhum outro poder antes ou acima dele.
PODER AUTÔNOMO: cabe apenas a ele definir a ideia de direito que irá prevalecer dentro do
Estado.
PODER INCONDICIONADO: por não estar submetido à observância de qualquer forma ou conteúdo
preexistente.

Poder Autônomo + Poder Incondicionado = Poder ilimitado / soberano/ independente

Características do Poder Constituinte Originário segundo o doutrinador SIeyés:


INCONDICIONADO JURIDICAMENTE: incondicionado pelo poder positivo, estando subordinado aos
princípios do Direito Natural;
PERMANENTE: é um poder que não se esgota com seu exercício. O poder constituinte não deixa
existir, apenas fica em estado latente;

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INALIENÁVEL: não pode ser transferido e nem usurpado de seu verdadeiro titular (povo ou nação).

1.3 - LIMITAÇÕES MATERIAIS OU EXTRAJURÍDICAS:


Imperativos do Direito Natural: impedimentos naturais do ser humano;
Valores Éticos e Sociais: ao estabelecer uma CF o PCO deve observar valores éticos e sociais. Os
valores de uma sociedade (ético e morais) não podem ser ignorados.
Direitos fundamentais conquistados por uma sociedade e sob os quais haja um consenso
profundo: está relacionado à “Proibição do Retrocesso” ou “Efeito Cliquet” (termo usado no
alpinismo e trazido para o Direito, no sentido de impedir o retrocesso de valores já consagrados
pelo PCO).
Limitações estabelecidas por normas de Direito Internacional, sobretudo aquelas relacionadas aos
Direitos Humanos: o PCO deve observar os tratados internacionais dos quais o Estado é signatário,
sobretudo os de D. Humanos. O PCO deveria e poderia respeitá-lo, porém não está obrigado.
Assim, vai depender da tese adotada. Se adotar a tese de que o Direito Internacional tem
prevalência sobre o Direito Interno, então o PCO deve respeitá-lo; se não, o PCO pode contrariá-lo.

1.4 – LEGITIMIDADE:
Legitimidade SUBJETIVA: ocorre quando há uma correspondência entre a titularidade (povo ou
nação) e o exercício.
Legitimidade OBJETIVA: o PCO deve consagrar um conteúdo normativo em conformidade com a
ideia de justiça e com os valores radicados na comunidade.
2 – PODER CONSTITUINTE DECORRENTE
É aquele responsável por elaborar e modificar as Constituições dos estados membros (só existe
em estados federativos e não em estados unitários).
É um poder secundário, é um poder limitado juridicamente pela CF. Ou seja, quem o cria é a CF,
então ele deve observar o que a CF impõe a ele.

Princípio de Simetria: o modelo estabelecido na CF deve ser observado pelas Constituições


Estaduais e Leis Orgânicas Municipais (artigos 11 ADCT, 25 e 29 CF).

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3 – PODER CONSTITUINTE DERIVADO


Poder Revisor
Poder Reformador

Poder REVISOR: a revisão é uma via extraordinária de alteração da CF (art. 3º, ADCT).
Poder REFORMADOR: a reforma é a via ordinária (art. 60, CF).

De acordo com o entendimento amplamente majoritário, a CF/88 não estabeleceu limitação


material para o Poder Reformador. Há, no entanto, quem considere a limitação do artigo 60, § 5º,
como limitação temporal.
§ 5º - A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por
prejudicada não por ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.

Limitações Circunstanciais: são aquelas que impedem a alteração da CF durante períodos


excepcionais dos quais a livre manifestação do Poder Derivado esteja ameaçada.
Estado de Legalidade Extraordinária Intervenção federal
Estado de Defesa
Estado de Sítio

Limitações Formais: estabelecem determinados procedimentos a serem observados no caso de


alteração da CF.

Subjetiva (art. 60, I a III)


Objetiva (art. 60 §§ 2º, 3 º e 5º)

Limitações Formais SUBJETIVAS: estão relacionadas aos sujeitos competentes para iniciar o
processo legislativo de reforma.

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Limitações Formais OBJETIVAS: são aquelas relacionadas ao processo de discussão e votação das
emendas.

Atenção! A ADI 4357/DF discutiu a constitucionalidade formal da emenda 62/09. Segundo o STF,
a expressão “dois turnos” não exige que seja observado um período mínimo de tempo entre eles.

§ 3º - A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos


Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem.
Atenção! A única participação que o Presidente pode ter no processo de elaboração de emenda é
a iniciativa. Não há sanção ou veto em proposta de emenda.

§ 5º - A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por


prejudicada não por ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.

O §5º também é de limitação temporal objetiva.

Limitações Materiais: são aquelas que impedem a modificação de determinados conteúdos


consagrados na CF. São as denominadas Cláusulas Pétreas. Podem ser:
Expressas
Implícitas

Limitações Materiais EXPRESSAS: art. 60, §4º, CF.

§ 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:

“TENDENTE A ABOLIR”: deve ser compreendida no sentido de proteger o núcleo essencial de


princípios e institutos elencados no dispositivo, e não como uma intangibilidade literal.

NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO

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1 - DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO
Quando do surgimento de uma nova Constituição ocorrem dois fenômenos distintos com as
normas constitucionais anteriores:
1 - a “constituição propriamente dita” (normas constitucionais materiais) fica inteiramente
revogada;
2 – as “leis constitucionais” (normas constitucionais formais) cujo conteúdo seja compatível com o
da nova Constituição são recepcionadas como normas infraconstitucionais.

CONSTITUIÇÃO PROPRIAMENTE DITA: Esmein e Carl Schimitt entendem que Constituição


propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental, o que
corresponde às denominadas normas materialmente constitucionais.

Direitos fundamentais
Matérias Constitucionais Estrutura do Estado
Organização dos poderes

LEIS CONSTITUCIONAIS: são aquelas outras normas consagradas no texto da Constituição que não
decorrem de uma decisão política fundamental.
Ex.: disposição sobre o Colégio Pedro II (art. 242, §2º).

Atenção! O fenômeno da desconstitucionalização só é admitido pela maioria da doutrina se


houver previsão expressa. Do contrário, ocorre uma revogação por normação geral.
Pontes de Miranda e Manuel Gonçalves Ferreira Filho não concordam com esse posicionamento.

2 - RECEPÇÃO
Quando do surgimento de uma nova Constituição ocorrem dois fenômenos em relação às normas
infraconstitucionais anteriores:
1 – as que forem materialmente compatíveis são recepcionadas;
2 – as demais, não são recepcionadas.

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Ex.: a Lei de Imprensa não foi recepcionada pela CF/88.

INCOMPATIBILIDADE FORMAL SUPERVENIENTE: é o que ocorre no caso de uma lei


originariamente feita de acordo com a Constituição da época. Mas, que, com o advento de uma
nova Constituição, passa a ser incompatível.

RECEPÇÃO MATERIAL DE NORMAS CONSTITUCIONAIS: embora uma nova Constituição geralmente


revogue as normas da Constituição anterior (revogação por normação geral), nada impede que a
nova Constituição expressamente recepcione normas da Constituição anterior.
Ex.: art. 34, caput e §1º, ADCT.

3 - CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE
Ocorre quando uma norma originariamente Inconstitucional é constitucionalizada em razão do
surgimento de uma nova Constituição ou de uma nova emenda.

Atenção! Segundo o STF, o nosso ordenamento não admite a figura da constitucionalidade


superveniente (ADI 2158 e ADI 2189).
Isso se deve ao fato de o STF adotar o entendimento norte-americano, que considera a lei
inconstitucional um ato nulo e não anulável. Então seria como se a lei sequer existisse. Portanto,
não há que se falar em constitucionalidade superveniente.
Diferentemente do entendimento de Kelsen, que considera anulável, ou seja, precisaria de decisão
judicial.

4 - REPRISTINAÇÃO
Ocorre quando uma lei revogada volta a ter vigência em virtude da revogação da norma que a
revogou.

A repristinação expressa é admitida. A tácita não.

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DIREITOS FUNDAMENTAIS

TEORIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS


1 – INTRODUÇÃO

Artigo 5º, § 1º: As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais


têm aplicação imediata. SALVO SE O PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO
TROUXER UMA PREVISÃO EXPRESSA EM OUTRO SENTIDO.

O § 1º, apesar de estar no artigo 5º (que trata de direitos individuais), se refere a TODOS os
direitos e garantias fundamentais.
Porém, normas sem uma lei regulamentadora dificilmente conseguem ter uma aplicação imediata.
O artigo 5º, §1º, deve, então, ser aplicado como REGRA GERAL. SALVO, se o próprio dispositivo
constitucional estabelecer expressamente a necessidade de lei regulamentadora.

Ex.: inciso I, artigo 7º, CF.


Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem
à melhoria de sua condição social:
I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa,
nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória,
dentre outros direitos;
(...).

Art. 5º, §2º: Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem
outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados
internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.

Art. 5º, §3º: Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos


(Requisito MATERIAL) que forem aprovados, em cada Casa do Congresso

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Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos (Requisito FORMAL) dos
respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.

Surgiu por causa da controvérsia sobre a hierarquia dos Tratados e Convenções de Direitos
Humanos.
Estabeleceu-se, então, 2 requisitos para serem equivalentes às EC’s.

Histórico da hierarquia dos Tratados no STF:


1977-2008: qualquer Tratado Internacional tinha status de Lei Ordinária.
2000: o ex-ministro Sepúlveda Pertence sustentou a tese de que os Tratados de Direitos Humanos
deveriam ter status supralegal.
2008: no RE 464.343, o relator Gilmar Mendes ressuscitou a tese de Sepúlveda Pertence, e hoje é
a tese que prevalece.

Direitos humanos e direitos fundamentais possuem basicamente o mesmo conteúdo, ou seja,


direitos relacionados à vida, liberdade, igualdade, voltados à proteção e promoção da dignidade
humana. A diferença é o plano no qual estão consagrados:
Direitos Humanos – plano internacional;
Direitos Fundamentais – plano interno.

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2 – CLASSIFICAÇÕES
Classificação da CF/88:
Direitos Individuais
DGF Direitos Coletivos
(gênero) Direitos Sociais (espécies)
Direitos de Nacionalidade
Direitos Políticos (com um capítulo só para Partidos Políticos)

3 – CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS


3.1 – UNIVERSALIDADE
A vinculação desses direitos à liberdade e à dignidade conduz à sua universalidade. Nesse sentido,
deve haver um núcleo mínimo de proteção à dignidade da pessoa humana, presente em qualquer
época e em qualquer sociedade.
3.2 - HISTORICIDADE
Os Direitos Fundamentais são históricos por terem surgido em épocas distintas por se
modificarem com o passar do tempo. Ou seja, são conquistados, com o passar do tempo, pela
sociedade.
3.3 – INALIENABILIDADE
4 – IMPRESCRITIBILIDADE
5 – IRRENUNCIABILIDADE
Por não possuírem conteúdo patrimonial, os Direitos Fundamentais são intransferíveis,
inegociáveis e indisponíveis.

Essas características se referem à titularidade, e não ao exercício.


Essas características são apenas “prima facie” (José Afonso), ou seja, em um primeiro momento
elas não podem ser alienados/prescrever/renunciar. Mas, se a pessoa quiser, ela pode.

6 – RELATIVIDADE ou Limitabilidade
Não existem direitos absolutos, pois todos encontram limites em outros direitos e em interesses
coletivos também consagrados na Constituição.

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Só existe liberdade onde há restrição da liberdade. Se ninguém tiver que respeitar limite, a lei do
mais forte sempre vai prevalecer.

4 – EFICÁCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS


Eficácia VERTICAL: Consiste na aplicação dos direitos fundamentais às relações entre Estado e
particulares. Relação de subordinação que o particular tem com o Estado. Quando os direitos
fundamentais foram criados, eles eram aplicados somente a essa relação, para proteger os
particulares do arbítrio do Estado.
Eficácia HORIZONTAL: Posteriormente, surgiu a eficácia horizontal, também denominada de
“Eficácia Externa” ou “Eficácia em Relação a Terceiros”, ou “Eficácia Privada”. Consiste na
aplicação dos direitos fundamentais às relações entre os próprios particulares.
Eficácia DIAGONAL: uma eficácia que é um meio termo. É uma relação entre particulares, mas
onde não há uma igualdade fática. Consiste na aplicação dos direitos fundamentais às relações
entre particulares, nas quais há uma situação de flagrante desigualdade fática. Ex.: relações
trabalhistas.

5 – PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE
É um postulado normativo ou meta-norma ou máxima.
O STF trata razoabilidade e proporcionalidade como expressões sinônimas, embora sejam
diferentes para alguns autores.
O STF, à luz da doutrina norte-americana, trata a proporcionalidade como Cláusula do Devido
Processo Legal, em seu caráter substantivo (artigo 5º, incisos LIV e LV, CF).
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo
legal;
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em
geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a
ela inerentes;

Porém, para os alemães, a proporcionalidade decorreria do Princípio do Estado de Direito.

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Máximas Parciais ou Sub-princípios ou Regras:

1 – Adequação;
2 - Necessidade ou Exigibilidade ou P. da menor ingerência possível;
3 - Proporcionalidade em sentindo estrito.

OBS.: o princípio da proporcionalidade deve ser utilizado para análise de medidas estatais que
restrinjam direitos fundamentais.
ADEQUAÇÃO: as medidas adotadas devem ser aptas para fomentar o fim desejado.
Uma lei pode restringir um princípio constitucional e, ainda assim, não ter caráter inconstitucional,
desde que seja para fomentar outro princípio mais importante.

NECESSIDADE: havendo dois ou mais meios similarmente eficazes, deve-se optar por aquele que
seja o menos oneroso possível.
Às vezes, existe mais de uma medida para promover o princípio B. Porém, uma delas restringe
menos o princípio A. Portanto, esta que deve ser a escolhida.

PROPORCIONALIDADE EM SENTINDO ESTRITO: consiste na utilização da técnica da ponderação


com o objetivo de analisar se o grau de realização do princípio constitucional promovido
(fomentado) é suficiente para justificar a restrição ao princípio constitucional afetado.

PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DE PROTEÇÃO DEFICIENTE (ou insuficiente)


Exige dos órgãos estatais o dever de tutelar e promover de forma adequada e suficiente
determinados direitos fundamentais consagrados na CF.
Em relação aos direitos prestacionais: quando um Direito Fundamental impõe ao Estado o dever
de fornecer prestações materiais ou jurídicas, o Estado deve tutelar esse direito de uma forma

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proporcional, suficiente, adequada. O Estado não pode proteger esse direito fundamental de
forma insuficiente.

6 - DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E DIREITOS FUNDAMENTAIS


A dignidade não deve ser considerada um direito uma vez que ela não é atribuída pelo
ordenamento jurídico, mas apenas protegida e promovida por ele. A rigor, trata-se de uma
qualidade intrínseca a todo e qualquer ser humano, independentemente de qualquer condição.
Para alguns doutrinadores a dignidade é considerada o valor constitucional supremo.
Para outros, a dignidade é algo absoluto, ou seja, não comporta gradações (não se trata de direito
absoluto, pois todo direito encontra limites em outros direitos). Não existe pessoas com mais
dignidade do que outras.

DIREITOS INDIVIDUAIS
DESTINATÁRIOS:
As pessoas que podem invocar os direitos individuais estão expressamente previstas no artigo 5º,
caput, CF:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança (ESTA
SEGURANÇA AQUI PREVISTA É A SEGURANÇA JURÍDICA – A SEGURANÇA PÚBLICA
ESTÁ NO ARTIGO 6º) e à propriedade, nos termos seguintes:
(...).

• BRASILEIROS (pessoas físicas e jurídicas)


• ESTRANGEIROS residentes no país
não-residentes no país (turistas em territ. brasil.)

No caso dos estrangeiros não residentes, para o professor José Afonso da Silva, eles só podem ser
amparados pela lei caso estejam amparados por Tratados Internacionais (Corrente MINORITÁRIA)

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Interpretação EXTENSIVA: a interpretação extensiva dos destinatários dos direitos individuais é


feita com base na DPH e na primazia dos Direitos Humanos nas relações internacionais (art. 4º, II,
CF).
Fundamentos para inclusão das Pessoas Jurídicas: em um Estado de Direito não podem ser
admitidos atos arbitrários ou abusivos de qualquer natureza, sendo certo que os DF são
instrumentos de contenção do arbítrio.
As pessoas jurídicas internacionais, mas com sede no país, também podem invocar os direitos
individuais.

1 – DIREITO À VIDA
PROTEÇÃO:
O âmbito de proteção do direito à vida, ou seja, o bem jurídico aqui protegido é a vida humana em
seu sentido biológico.

RESTRIÇÕES:
As restrições que podem ser impostas ao direito à vida são intervenções constitucionalmente
fundamentadas.
1ª RESTRIÇÃO: Pena de morte no caso de guerra declarada.
Art. 5º, XLVII, “a”, CF, e art. 56, CPM.
2ª RESTRIÇÃO: Aborto
Artigo 128 CP – aborto necessário;
Artigo 128 CP – aborto sentimental (gravidez resultante de estupro);
ADPF 54 – aborto de anencéfalos.
3ª RESTRIÇÃO: permissão de pesquisa com células-tronco embrionárias.
Lei 11.105/05 (Lei de Biossegurança)
4ª RESTRIÇÃO: permissão de abatimento de aeronaves que desobedeçam a normas impostas.
Lei 9614/98 (Lei do Tiro de Destruição – Lei do Abate).

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2 – DIREITO À IGUALDADE
Formal, ou Jurídica, ou Civil ou perante a lei
Igualdade
Material, ou Fática, ou Real, ou perante os bens da vida.
2.1 -
Igualdade perante a lei ≠ Igualdade na lei

PERANTE A LEI: é aquela dirigida aos responsáveis pela aplicação da lei (Poder Judiciário e Poder
Executivo).
NA LEI: dirige-se não apenas aos aplicadores da lei, mas também ao legislador, no momento de
sua elaboração.
AI 360.461-AgR: apesar desta distinção é feita, a igualdade se dirige a todos poderes.

2.2 -
Paradoxo da Igualdade: quem quer promover a igualdade fática, tem que estar disposta a aceitar
a desigualdade jurídica. Ou seja, para que seja promovida a igualdade no plano fático, as pessoas
deverão ser tratadas de forma diferente.

2.2.1 – P. DA IGUALDADE JURÍDICA: visa a impedir que sejam adotados tratamentos diferenciados
para situações essencialmente iguais ou tratamentos iguais para situações essencialmente
diferentes, sem que haja uma justificativa legítima para tal.
O P. da Igualdade Jurídica atua como uma espécie de regulador das diferenças. Ele não impede
que a lei estabeleça diferenças, mas sim diferenças arbitrárias, injustas, preconceituosas etc.

2.2.2 - PRINCÍPIO DA IGUALDADE FÁTICA (ou material): impõe aos poderes públicos a adoção de
medidas redutoras ou compensatórias de desigualdades de recursos ou que promovam o acesso a
bens e utilidades.

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Ação Afirmativa: consistem em políticas públicas ou programas privados, geralmente de caráter


temporário, desenvolvidas com a finalidade de reduzir as desigualdades fáticas decorrentes de
discriminações ou hipossuficiência por meio da concessão de algum tipo de vantagem
compensatória de tais condições.
Ex.: ADC 19 e ADI 4424 - Lei Maria da Penha; ADPF 186 DF – Sistema de Cotas na UNB; ADI 3330 -
PROUNI; RE 597.285 - Sistema de Cotas na UFRS.

3 – DIREITO À PRIVACIDADE
3.1 – DISTINÇÕES CONCEITUAIS
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,
assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de
sua violação;

Se houver violação de um desses 4 direitos, em princípio, será devido uma indenização.

PRIMA FACE: Esta inviolabilidade é apenas “prima face”, pois é apenas provisório, não é definitiva.
Ou seja, não significa que esses direitos não podem ser afetados. Eles podem sofrer intervenção
do Estado, desde que tenham uma justificação legítima.

INTERVENÇÃO: Existem dois tipos de intervenção no âmbito de proteção de um direito:


Violação
Restrição

VIOLAÇÃO: a violação a um direito fundamental ocorre quando há uma intervenção do Estado ou


de um particular no âmbito de proteção de um direito fundamental, sem que haja uma
fundamentação constitucional.
RESTRIÇÃO: ocorre quando há uma intervenção do Estado ou de um particular no âmbito de
proteção de um direito fundamental com base em uma fundamentação constitucional.
Ex.: violação do direito à privacidade na divulgação das imagens de uma pessoa procurada pela
polícia. Essa medida passa pelo teste da proporcionalidade (adequação, necessidade e

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proporcionalidade em sentido estrito). A justificação para esta medida é a de promover o Princípio


da Segurança Pública.

A legitimidade da intervenção (restrição) depende da existência de uma justificativa


constitucional para que os dados sejam obtidos e da competência da autoridade para adotar a
medida restritiva.

a) INTERCEPTAÇÃO AMBIENTAL: consiste na captação ambiental de uma conversa ou de uma


imagem, feita por uma terceira pessoa sem o conhecimento de pelo menos um dos envolvidos.
Haverá ilicitude na utilização dessas gravações quando houver violação:
- da expectativa de privacidade;
- e/ou de confiança decorrente de relações interpessoais ou profissionais.

b) GRAVAÇÃO CLANDESTINA: consiste na captação de uma conversa pessoal ou telefônica sem


que haja o conhecimento de um dos interlocutores. Esta gravação é feita por um dos
interlocutores, e não por um terceiro.
Haverá ilicitude quando:
- for utilizada sem justa causa; ou
- houver violação de causa legal específica de sigilo ou de reserva de conversação (STF AI 560.223 -
AgR).

c) QUEBRA DE SIGILO (bancário, fiscal, telefônico ou informático): consiste no acesso a


informações particulares relativas a movimentações bancárias, ou referentes a declarações feitas
à receita federal, ou constantes dos registros das operadoras de telefonia ou ainda contidas em
arquivos eletrônicos. As autoridades competentes são: juízes e CPI’s (federais – art. 53, §3º, CF - e
estaduais).

§ 3º - As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de


investigação próprios das autoridades judiciais, (...).

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Interceptação telefônica ≠ Quebra de sigilo telefônico


Interceptação é a escuta da conversa, enquanto que a quebra do sigilo telefônico é o
rastreamento da localização do aparelho celular.
d) INTERCEPTAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES: consiste na intromissão ou interrupção de uma
comunicação epistolar, telegráfica, de dados ou telefônica feita por uma terceira pessoa sem o
conhecimento de pelo menos um dos interlocutores.

XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de


dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial,
nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação
criminal ou instrução processual penal;

O artigo 5º, inciso XII, segundo o STF, não diz respeito ao direito à privacidade, mas sim à liberdade
de comunicação.

SIGILO DE CORRESPONDÊNCIA: pode ser suspensa durante o Estado de Defesa (art. 136, §1º, I,
“b”) e Estado de Sítio (art. 139, III).
SIGILO DE DADOS: muitos autores interpretam como sendo apenas dados informáticos. O STF
quando interpreta esses dados, interpreta de uma forma restritiva. No MS 21.729, o Sepúlveda
Pertence disse que o que o art. 5º, XII, protege não são os dados em si, mas apenas a sua
comunicação.
COMUNICAÇÃO TELEFÔNICA: ocorre por meio do grampo telefônico.
Requisitos:
1 – ordem judicial;
2 – Somente poderá ser feito com base na Lei 9296/96 (matéria de processo penal).
3 – Fins de investigação criminal ou instrução processual penal (HC 203.405 STJ).

3.2 - INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO


ÂMBITO DE PROTEÇÃO: CASA

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XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem


consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou
para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;

Flagrante delito
Situações emergenciais Desastre
Prestar socorro

Situação não-emergencial: durante o dia, por determinação judicial


A palavra “casa” deve ser interpretada no sentido mais amplo possível a fim de compreender
inclusive os espaços privados, não abertos ao público, onde alguém exerce determinada atividade
profissional (HC 93.050). Inclusive, a definição de casa dada pelo Código Penal, é também utilizada
para fins constitucionais:
RESTRIÇÕES: no caso de determinação judicial (clausula da reserva de jurisdição), por não se
caracterizar uma situação emergencial, só poderá ocorrer durante o dia.
Definição de “dia”:
Critério CRONOLÓGICO: dia é o período entre 06h00min e 18h00min.
Critério FÍSICO-ASTRONÔMICO: dia é o período entre a aurora e o crepúsculo.

4 – DIREITOS DE LIBERDADE

Liberdade Negativa ≠ Liberdade Positiva

Classificação segundo Norberto Bobbio:


Liberdade NEGATIVA: também chamada de “Liberdade Civil”, “Liberdade de Agir” ou “Liberdade
dos Modernos”. É a situação na qual um sujeito tem a possibilidade de agir, sem ser impedido,
ou, de não agir, sem ser obrigado por outros.

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Liberdade POSITIVA: também chamada de “Liberdade Política”, “Liberdade de querer” ou


“Liberdade dos Antigos”. É a situação na qual um sujeito tem a possibilidade de orientar o seu
próprio querer no sentido de uma finalidade sem ser determinado pelo querer dos outros.
Consiste em uma autonomia pública ou autodeterminação (liberdade de fazer escolhas em
matéria pública – liberdade política).

4.1 – LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO


Art. 5º - IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

4.1.1 – ÂMBITO DE PROTEÇÃO


Liberdade prima face (é provisória).

LIBERDADE DE EXPRESSÃO: é como se fosse um gênero, um “direito mãe,” de onde derivam


outros direitos, tais como:
- Liberdade de Manifestação do Pensamento (art. 5, IV);
- Liberdade de Comunicação (art. 5º, XII);
- Liberdade de Imprensa (art. 220)
etc.
STF ADPF 130: disse que a liberdade de expressão tem uma posição preferencial em relação às
outras liberdades.

4.1.2 – RESTRIÇÕES AO DIREITO DE LIBERDADE


- Racismo
- Vedação do anonimato;
- Direito à privacidade (especialmente quando for ofensiva à honra de alguém, podendo gerar
direito de resposta e direito de indenização);
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da
indenização por dano material, moral ou à imagem;

4.2 – LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA, CRENÇA E DE CULTO

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VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre


exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais
de culto e a suas liturgias;

4.2.1 – ÂMBITO DE PROTEÇÃO


A liberdade de consciência é a mais ampla e consiste na adesão a certos valores morais ou
espirituais, independentemente de qualquer aspecto religioso.
O culto é uma exteriorização da crença.
Atenção:
“Objeção de consciência”: (também conhecida como escusa de consciência ou imperativo de
consciência) prevista no artigo 5º, VII, CF.

Tem que fazer parte de um pensamento estruturado, ser coerente e sincero.

Ex. de objeção de consciência na CF:


Art. 143. O serviço militar é obrigatório nos termos da lei.
§ 1º - às Forças Armadas compete, na forma da lei, atribuir serviço alternativo
aos que, em tempo de paz, após alistados, alegarem imperativo de consciência,
entendendo-se como tal o decorrente de crença religiosa e de convicção
filosófica ou política, para se eximirem de atividades de caráter essencialmente
militar.

TRF 1 – AC 16.203: a obrigação de votar é meramente formal, então o indivíduo não pode invocar
a objeção de consciência. A pessoa tem a liberdade de não votar em ninguém (de votar em branco
ou nulo). A obrigação de votar é meramente formal. A pessoa tem apenas a obrigação de
comparecer as votações, o que não violaria o direito à liberdade.
STF - STA 389: alguns alunos judeus entraram com uma ação pedindo para a prova do ENEM ser
feita em uma data alternativa (pois estava marcada no período do shabbat). No momento da
inscrição foi assegurado às pessoas marcarem uma opção caso tivessem impossibilitados de
fazerem a prova. Como eles não marcaram, seu pedido foi julgado improcedente.

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DEVER DE NEUTRALIDADE
O Estado brasileiro é laico, portanto ele tem que garantir uma liberdade simétrica às religiões.

Laicidade ≠ Laicismo ≠ Ateísmo

LAICIDADE: neutralidade em relação ao fenômeno religioso.


LAICISMO: uma espécie de anti-religião.
ATEÍSMO: negação da existência de Deus.
Os crucifixos não violam o dever de neutralidade do Estado, pois fazem parte da cultura brasileira.
Porém, o Conselho da magistratura do TJ do RS retirou todos os crucifixos.
5 – DIREITO DE PROPRIEDADE
Art. 5º - XXII - é garantido o direito de propriedade;

5.1 – ÂMBITO DE PROTEÇÃO


Esta garantia é apenas prima face.
O que o Código Civil disciplina são as relações civis decorrentes do direito de propriedade, ou seja,
os interesses individuais são tratados no Direito Privado. Porém, a estrutura do Direito está na CF,
portanto é de Direito Público.

5.2 – RESTRIÇÕES
a) FUNÇÃO SOCIAL: O professor José Afonso da Silva entende que a função social integra a própria
estrutura do Direito de Propriedade. O qual só é garantido quando ela é atendida
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;

Ou seja, o direito de propriedade só será garantido quando cumprir sua função social.
Art. 182. § 2º - A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende
às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor.

Função social do imóvel rural:

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Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende,


simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei,
aos seguintes requisitos:
I - aproveitamento racional e adequado;
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio
ambiente;
III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho;
IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.

Consequência jurídica: desapropriação-sanção (tanto para o imóvel urbano quanto para o rural)
Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público
municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o
pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem- estar de
seus habitantes.
§ 4º - É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área
incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do
solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu
adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:
(...)
III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de
emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de
até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da
indenização e os juros legais.

Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de
reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social,
mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de
preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do
segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei.
§ 1º - As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro.

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b) DESAPROPRIAÇÃO x REQUISIÇÃO

Desapropriação Requisição

Art. 5º. XXIV - a lei estabelecerá o procedimento Art. 5º. XXV - no caso de iminente perigo
para desapropriação por necessidade ou utilidade público, a autoridade competente
pública, ou por interesse social, mediante justa e poderá usar de propriedade particular,
prévia indenização em dinheiro, ressalvados os assegurada ao proprietário indenização
casos previstos nesta Constituição; ulterior, se houver dano;

Bens Bens e serviços

Aquisição da propriedade Uso da propriedade

Necessidades permanentes Necessidades transitórias

É sempre indenizada. E deve ser justa, prévia, e, em A indenização é sempre posterior e em


regra, paga em dinheiro (salvo desapropriação dinheiro, mas só é devida se houver
sanção). dano.

Art. 184. § 5º - São isentas de impostos federais,


estaduais e municipais as operações de
transferência de imóveis desapropriados para fins
de reforma agrária.

Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para


fins de reforma agrária:
I - a pequena e média propriedade rural, assim
definida em lei, desde que seu proprietário não
possua outra;
II - a propriedade produtiva.

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STF - MS 26192

c) CONFISCO: confisco e desapropriação não são a mesma coisa. A diferença básica é que no
confisco NÃO há indenização. Tem que haver o devido processo legal, mas não haverá
indenização.
Art. 243. As glebas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas
ilegais de plantas psicotrópicas serão imediatamente expropriadas e
especificamente destinadas ao assentamento de colonos, para o cultivo de
produtos alimentícios e medicamentosos, sem qualquer indenização ao
proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.

A desapropriação não será feita apenas onde se encontrava a cultura ilegal, mas sim em toda a
propriedade. RE 543.974

Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em


decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins será confiscado e
reverterá em benefício de instituições e pessoal especializados no tratamento e
recuperação de viciados e no aparelhamento e custeio de atividades de
fiscalização, controle, prevenção e repressão do crime de tráfico dessas
substâncias.

A PEC DO TRABALHO escravo pretende adicionar mais uma hipótese de confisco, que seria
daquelas glebas onde for encontradas trabalho escravo

d) USUCAPIÃO: de uso urbano (art. 183) ou rural (art. 191).


Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta
metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição,
utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde
que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
§ 3º - Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.

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Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua
como seu, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona
rural, não superior a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho
ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade.
Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.

DIREITO DE NACIONALIDADE
1 – ESPÉCIES
Nacionalidade Originária ou Primária (Art. 12, I – natos + Adoção)
Adquirida ou Secundária (Art. 12, II - naturalizados)

NACIONALIDADE ORIGINÁRIA: geralmente é atribuída em razão do nascimento, ou seja, é um ato


natural, não decorre de um ato de vontade. Cada ordenamento jurídico tem soberania para definir
quais serão os critérios consagrados para atribuir a nacionalidade originária ao cidadão. No Direito
comparado, basicamente, existem 2 critérios:
• “Jus soli” (critério territorial);
• “Jus sanguinis” (critério sanguíneo – leva em conta os ascendentes do indivíduo).

Art. 12. São brasileiros:


I - natos:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros,
desde que estes não estejam a serviço de seu país;

b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que


qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil;

Critério sanguíneo + Critério funcional.


c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que
sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na

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República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida


a maioridade, pela nacionalidade brasileira;

Critério sanguíneo + Registro (EC 54/07).


Critério sanguíneo + Critério residencial + Opção pela nacionalidade.
+ ADOÇÃO
Art. 227. § 6º - Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por
adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer
designações discriminatórias relativas à filiação.

NACIONALIDADE ADQUIRIDA: esta espécie de nacionalidade é adquirida, independentemente do


local de nascimento ou da ascendência, por um ato de vontade. Ou seja, ela ocorre por um ato de
vontade do indivíduo, independente do local de nascimento.
Atualmente, existe apenas naturalização expressa. Uma ordinária e outra extraordinária.

II - naturalizados:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos
originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano
ininterrupto e idoneidade moral; NATURALIZAÇÃO EXPRESSA ORDINÁRIA.

A lei que regulamenta este dispositivo é o Estatuto do Estrangeiro (Lei 6815/80).


b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa
do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde
que requeiram a nacionalidade brasileira. NATURALIZAÇÃO EXPRESSA
EXTRAORDINÁRIA ou QUINZENÁRIA.

No caso da Naturalização Ordinária, não há direito público subjetivo. Trata-se de um ato de


soberania estatal, datado de discricionariedade. No caso da Naturalização Extraordinária, o
entendimento adotado pelo STF é no sentido de que preenchidos os requisitos, a pessoa adquire
um direito público subjetivo, desde que faça o requerimento.

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2 – “QUASE NACIONALIDADE”
Art. 12 § 1º. Aos portugueses com residência permanente no País, se houver
reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao
brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição.

Atenção! Portugueses ≠ Países de língua portuguesa


Os direitos podem ser apenas os atribuídos aos brasileiros naturalizados.

3 – DIFERENÇAS DE TRATAMENTO
A lei não pode estabelecer diferenças entre brasileiro nato e naturalizado, apenas a CF pode.
§ 2º - A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e
naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição.

1ª diferença de tratamento: CARGOS PRIVATIVOS (art. 12, §3º) – linha sucessória do Presidente
da República.
§ 3º - São privativos de brasileiro nato os cargos:
I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas.
VII - de Ministro de Estado da Defesa

2ª diferença de tratamento: 6 assentos no CONSELHO DA REPÚBLICA (art. 89, VII)


Art. 89. O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da
República, e dele participam:
(...)

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VII - seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade,
sendo dois nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado
Federal e dois eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três
anos, vedada a recondução.

3ª diferença de tratamento: PROPRIEDADE DE EMPRESA JORNALÍSTICA E DE RÁDIO-DIFUSÃO (art.


222)
Art. 222. A propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de
sons e imagens é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez
anos, ou de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham
sede no País.
4ª diferença de tratamento: EXTRADIÇÃO (art. 5º, LI).
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime
comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei;

O tráfico pode ser crime praticado antes ou depois. Os demais crimes comuns, só se forem
praticados antes da naturalização.

4 – PERDA DA NACIONALIDADE
1ª HIPÓTESE: Ação de Cancelamento da Naturalização
Só vale para brasileiro naturalizado.
§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de
atividade nociva ao interesse nacional;

2ª HIPÓTESE: Naturalização voluntária


Caso o brasileiro, nato ou naturalizado, optar por se naturalizar em outro país, em regra, ele
perderá a nacionalidade brasileira. Porém, existem dois casos em que ele não a perderá:
II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos:

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a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira; SÓ SE


APLICA A BRASILEIROS NATOS

b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro


residente em estado estrangeiro, como condição para permanência em seu
território ou para o exercício de direitos civis;

DIREITOS POLÍTICOS
1 – DIREITOS POLÍTICOS POSITIVOS: é o conjunto de normas que confere aos cidadãos o direito
de participar da vida política do Estado.

1.1 – DIREITO DE SUFRÁGIO: é a própria essência do direito político.


UNIVERSAL: assegurado a todos.
RESTRITO: tem algum tipo de restrição.
Ex.: restrição por capacidade intelectual, condição econômica, gênero.
A CF/88 adotou o sufrágio universal:

1.2 – ALISTABILIDADE (ou Capacidade Eleitoral Ativa):


Inalistáveis Estrangeiros
Conscritos

§ 2º - Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período


do serviço militar obrigatório, os conscritos.

OBS.: O conceito de conscrito se estende aos médicos, dentistas, farmacêuticos e veterinários que
estejam prestando serviço militar obrigatório (Lei 5292/67).

Facultativo entre 16 a 18 anos


Alistáveis/voto + de 70 anos

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Analfabetos
Obrigatório: entre 18 e 70 anos

Características do voto:
1 – DIRETO
EXCEÇÕES: art. 81, §1º e art. 84, §14 CF.
2 – IGUAL PARA TODOS.
3 - PERIÓDICO
4 – LIVRE:
Escrutínio secreto: modo como se realiza o direito de voto.
5 – PERSONALÍSSIMO.

1.3 - ELEGIBILIDADE
Capacidade eleitoral passiva (direito de ser votado)

Plena cidadania 35 anos (PR/vice/Senador)


30 anos (Governados/vice)
21 anos (Prefeito/vice/deputado/juiz de paz)
18 anos (Vereador)

§ 3º - São condições de elegibilidade, na forma da lei:


I - a nacionalidade brasileira; Exceto portugueses, se houver reciprocidade.
II - o pleno exercício dos direitos políticos;
III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
V - a filiação partidária;
VI - a idade mínima de:
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito
Federal;

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c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital,


Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz;
d) dezoito anos para Vereador.
OBS.: As condições de elegibilidade (art. 14, §3º) e as hipóteses de inelegibilidade são exigidas no
momento do registro da candidatura, EXCETO A IDADE MÍNIMA, que só é exigida na data da
posse, com exceção da comprovação da idade para vereador, que também se dá no momento do
registro da candidatura.

2 – DIREITOS POLÍTICOS NEGATIVOS: É o conjunto de normas que impõe determinadas restrições


à participação do indivíduo na vida política do Estado.
2.1 – INELEGIBILIDADES
ABSOLUTA: só pode ser estabelecida pela própria CF.
Art. 14. § 4º - São inelegíveis os inalistáveis (estrangeiros - exceto Portugueses se
houver reciprocidade – e os conscritos) e os analfabetos.

RELATIVA:
- CARGOS ELETIVOS (mesmo cargo ou outros cargos)
Só se aplica aos chefes do Poder Executivo.
§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal,
os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos
poderão ser reeleitos para um único período subsequente.

§ 6º - Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os


Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos
respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.
- CARGOS NÃO ELETIVOS
Militares;
Juízes;
Membros do MP.
+ inelegibilidade reflexa.

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Art. 14. § 8º - O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:


I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior
e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.

Art. 95. Parágrafo único. Aos juízes é vedado:


(...)
III - dedicar-se à atividade político-partidária.

Art. 128. § 5º - Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é


facultada aos respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as
atribuições e o estatuto de cada Ministério Público, observadas, relativamente a
seus membros:
II - as seguintes vedações:
(...)
e) exercer atividade político-partidária;

INELEGIBILIDADE REFLEXA (ou em razão do parentesco):


§ 7º - São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os
parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do
Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito
Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses
anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à
reeleição.

STF Súmula Vinculante nº 18 - A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal,


no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade prevista no § 7º do artigo 14
da Constituição Federal. NÃO SE APLICA EM CASO DE ÓBITO.

- LEI COMPLEMENTAR (art. 14, §9º) – LC 64/90

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Ex.: Lei da Ficha Limpa


§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos
de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade
para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a
normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico
ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou
indireta.

2.2 – PERDA E SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS


A cassação – retirada arbitrária dos direitos políticos – não é permitida no Brasil.

Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se


dará nos casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; (PERDA)

II - incapacidade civil absoluta; (SUSPENSÃO)

III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;


(SUSPENSÃO)

IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos


termos do art. 5º, VIII; (a maioria no Direito Constitucional entende que esta
hipótese é de PERDA; já no Direito Eleitoral entende-se que é caso de
SUSPENSÃO)

V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º. (SUSPENSÃO)

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ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E DA FEDERAÇÃO


1-CONCEITOS RELACIONADOS
ESTADO: Nação politicamente organizada, com povo, território, governo soberano e finalidade.
POVO: conjunto de pessoas que fazem parte de um Estado, é o seu elemento humano.O povo está
unido ao Estado pelo vínculo da nacionalidade.
POPULAÇÃO: conceito mais amplo que o de povo, pois inclui-se também os estrangeiros, desde
que residentes no país.
NAÇÃO: agrupamento humano, numeroso, cujos membros são ligados por laços históricos,
culturais, econômicos e linguísticos.
CIDADÃO: É o nacional (brasileiro nato ou naturalizado) no gozo de seus direitos políticos e
participantes da vida do Estado.

2- DIFERENÇAS ENTRE FEDERAÇÃO E CONFEDERAÇÃO


Na Confederação, os Estados preservam a sua soberania e se unem apenas para estabelecer
determinadas tarefas comuns, tais como defender o território confederativo e assegurar a
segurança interna.
Na Federação, as unidades ou entes federativos detêm apenas autonomia. O Estado Federal é
soberano para o Direito Internacional, ao passo que os Estados-membros são autônomos para o
Direito Interno.

3-DIREITO DE SECESSÃO
É o direito existente no sistema confederativo que possibilita o rompimento do pacto. Na
Federação, em face do princípio da indissolubilidade do pacto federativo, não é possível o seu
rompimento.

4-SURGIMENTO DA FEDERAÇÃO BRASILEIRA:


No Brasil, a Federação nasceu por meio de “segregação” porque na época, o Estado Unitário
(Império) descentralizou-se em unidades federativas autônomas.

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5-FEDERALISMO BRASILEIRO ATUAL:


Tricotômico, artigos 1º e 18 da CF, pois engloba:
-União - Poder Central;
-Estados - Poder Regional;
-Distrito Federal;
-Municípios - Poder Local.
Obs.: os Territórios não são entidades federativas.

6- DA UNIÃO
A União é pessoa jurídica de direito público com capacidade política, que ora se manifesta em
nome próprio, ora se manifesta em nome da Federação. Possui uma visão interna (relativa aos
demais entes federados) e uma visão externa (relativa aos demais Estados estrangeiros).
Os demais países não reconhecem nos Estados-membros e nos Municípios personalidades de
Direito Internacional, pois eles são apenas pessoas jurídicas de direito público do Brasil (internas).
No âmbito interno, a União atua como uma das pessoas jurídicas de direito público que compõem
a Federação, ou seja, exerce, em nome próprio, a parcela de competência que lhe é atribuída pela
Constituição.

6.1- BENS DA UNIÃO


a)De uso comum do povo - Ex: rios, mar, praças, ruas;
b)De uso especial - Ex: prédios destinados às repartições públicas;
c)Dominicais: constituem o patrimônio da União, Estados, Municípios, Distrito Federal e entidades
da Administração Direta e Indireta como objeto de direito real ou pessoal. Ex: terreno sem
qualquer utilização.
Obs.: Os bens públicos são impenhoráveis, inalienáveis (exceto previsão legal) e imprescritíveis.

7- DOS ESTADOS FEDERADOS

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Os Estados-membros são as organizações jurídicas das coletividades regionais para o exercício, em


caráter autônomo, das competências que lhes são deferidas pela Constituição Federal. Não são
soberanos e sim autônomos. Entre Estados e União não há hierarquia, convivendo todos em um
mesmo nível jurídico, razão pela qual a União não pode interferir nos assuntos que a Constituição
reserva aos Estados.

7.1- CARACTERÍSTICAS DA AUTONOMIA ESTADUAL:


a)Autogoverno - Os Estados possuem os poderes legislativo (art.27, CF), executivo (art.28, CF) e
judiciário (art.125, CF);
b)Auto-organização - Por meio de seu poder constituinte decorrente elaboram as suas
constituições (art.25, CF);
c)Autolegislação - Capacidade de elaborar leis próprias (art.25, CF);
d)Autoadministração - É a existência de órgãos e servidores próprios, formadores da
administração pública estadual;
e)Autonomia tributária, financeira e orçamentária - Há atividade financeira, tributos (art.155,CF)
e orçamento próprios dos Estados-membros.
Obs.: Os bens que se incluem no patrimônio do Estado estão previstos no art.26, CF.

8- DOS MUNICÍPIOS
A Constituição Federal de 1988 inovou ao considerar os municípios como componentes da
estrutura federativa, ratificando esta inovação em dois momentos: artigos 1º e 18, CF. Segundo o
Professor Robério Nunes dos Anjos Filhos, diante desta inclusão, a federação brasileira adquiriu
uma peculiaridade, fugindo do dualismo clássico, configurando realmente três esferas
governamentais: a União (governo federal), os Estados-membros (e o Distrito Federal, governos
estaduais e distritais) e os municípios (governos municipais).

8.1- CAPACIDADES DOS MUNICÍPIOS:


a)Capacidade de autogoverno - elegem os seus prefeitos e os seus vereadores, não havendo, no
entanto, Poder Judiciário próprio;

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b)Capacidade de auto-organização - Lei orgânica própria (art.29, CF);


c)Capacidade de auto-legislação - elaboração de leis municipais sobre áreas que são reservadas à
sua competência exclusiva e suplementar;
d)Capacidade de auto-administração - existência de uma Administração Pública municipal
própria, para manter e prestar os serviços de interesse local;
e)Capacidade de autonomia tributária e financeira - instituição de tributos próprios para
aplicação de suas rendas.

9- DO DISTRITO FEDERAL
A Constituição de 1988 atribuiu ao Distrito Federal o status de pessoa política, integrante da
Federação, possuindo competências próprias, que serão desempenhadas pela Câmara Legislativa,
a quem caberá votar, inclusive, a própria Lei Orgânica do Distrito Federal (art. 32, CF).
O Poder Judiciário do DF, bem como os órgãos essenciais à Administração da Justiça, deverão ser
organizados através de lei de competência do Congresso Nacional (art.48, IX,CF).
A sua autonomia sofre algumas restrições, tais como as que estão previstas no art. 21, XIII e XIV,
CF. A competência legislativa do DF compreende as que são atribuídas aos Estados e aos
Municípios. O Poder Executivo é exercido pelo Governador e o Poder Judiciário, na verdade não é
dele, e sim da União (art.21, XIII, 98, CF).

10- DOS TERRITÓRIOS


Os territórios não são pessoas políticas e possuem mera capacidade administrativa. Isso significa
que não legislam. Não são entes federativos e por isso não integram a Federação. A criação, a
transformação em Estado ou a reintegração a este dependerão de lei complementar. O
Governador é escolhido pelo Presidente da República.
Alguns doutrinadores entendem que os territórios são descentralizações políticas da própria União
Federal.

11- REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS


O Professor José Afonso da Silva define competência como “a faculdade juridicamente atribuída a
uma entidade ou a um órgão ou agente do Poder Público para tomar decisões”. Segundo ele, o

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princípio geral que norteia a repartição de competência entre as entidades federativas é o da


predominância de interesses, pelo qual cabe à União as matérias e questões de predominante
interesse geral, nacional; aos Estados cabem as matérias e assuntos de predominante interesse
regional; e aos municípios concernem os assuntos de interesse local.

11.1- CLASSIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA (Segundo o Professor José Afonso da Silva)


a) Quanto ao objeto:
Competência material:
- Exclusiva - art.21, CF;
- Comum - Cumulativa ou paralela - art. 23, CF.

Competência legislativa:
- Exclusiva - art.25, § 1º e § 2º, CF;
- Privativa - art. 22, CF.

Competência concorrente: art. 24, CF.


- Normas gerais da União;
- Normas suplementares dos Estados (art. 24, § 2º, CF).

b) Quanto à forma - Processo de distribuição de competências:


Enumerada- Expressa (arts. 21 e 22, CF);
Reservada- Remanescente (art. 25, § 1º, CF);
Residual- art.154, I- após enumerar todas;
Implícita (resultante)- Não escrita. Ex: no silêncio da carta de 1891, o STF decidiu que a expulsão
de estrangeiro era da competência da União.

c) Quanto à extensão – Diz respeito à participação de uma ou mais entidades:


Exclusiva - atribuída a uma entidade com exclusão das demais- art. 21, CF;
Privativa- admite delegação - art. 22 e parágrafo único, CF;

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Comum, cumulativa ou paralela - atribuída juntamente e em pé de igualdade a vários entes


federativos (art.23, CF);
Concorrente - art. 24 e § 1º, CF;
Suplementar - art. 24, § § 2º, 3º e 4º, CF.

d) Quanto à origem:
Originária - desde o início é estabelecida em favor de uma entidade federativa;
Delegada - a competência é repassada de uma entidade federativa para outra.

SEPARAÇÃO DOS PODERES

DO PODER LEGISLATIVO
1. CONCEITO
A sua função típica é a de elaborar normas genéricas e abstratas dotadas de força proeminente
dentro do ordenamento jurídico, as quais se denominam leis e também a de fiscalizar (ex.: art. 70,
CF). Mas também exerce subsidiariamente as funções executiva e judicial, por exemplo, quando
faz concurso para seus cargos e quando julga o impeachment presidencial.

2. EXERCÍCIO DA FUNÇÃO LEGISLATIVA


A função legislativa federal é exercida pelo Congresso Nacional, que é um órgão bicameral, ou
seja, formado de duas Casas, o Senado Federal (representação dos Estados e do Distrito Federal,
art. 46, CF) e a Câmara dos Deputados (representação do povo, art. 45, CF). Entre as duas Casas
não há qualquer relação de hierarquia ou predominância. No entanto, no processo legislativo, os
projetos de iniciativa do Presidente da República, STF, STJ e dos cidadãos começam a sua
tramitação na Câmara dos Deputados.
Diferentemente do Poder Legislativo Federal, no Poder legislativo estadual, distrital e municipal o
sistema é unicameral (arts. 27, 29 e 32, CF).

3. ÓRGÃOS INTERNOS DAS CASAS DO CONGRESSO NACIONAL

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a) Mesas:
- Da Câmara - art. 57, § 4º; 58, § 1º, CF;
- Do Senado - art. 57, § 4º; 58, § 1º, CF;
- Do Congresso - art. 57, § 5º; 58, § 1º, CF.
b) Comissões Parlamentares (art. 58, CF)
- Permanentes - Subsistem por todas as legislaturas;
- Temporárias - Constituídas apenas para opinar sobre determinada matéria;
- De Inquérito (CPI) - art. 58, § 3º;
- Representativa - Durante o recesso- art. 58, § 4º.
c) Serviços administrativos - as atividades do Congresso Nacional são exercidas nos seguintes
períodos:
- Legislatura: É o período do mandato dos membros da Câmara dos Deputados, e é de 4 (quatro)
anos.
- Sessão Legislativa - é o período anual em que dever estar reunido o Congresso para os trabalhos
legislativos. Art. 57, da CF.

4. DA CÂMARA DOS DEPUTADOS


É composta por representantes do povo, eleitos pelo sistema proporcional, em cada Estado,
Território e no Distrito Federal, sendo que o número de deputados será estabelecido por lei
complementar, proporcionalmente à população, nos termos do art. 45, § 1 º, CF. A duração do
mandato dos Deputados será de 04 (quatro) anos. Segundo o art. 45, § 2º, CF, cada Território
elegerá 4 (quatro) Deputados.

5. DO SENADO FEDERAL
Compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio
majoritário, sendo que cada um terá o número fixo de 3 (três) senadores, com mandato de oito
anos. A sua renovação acontecerá, parcialmente, de quatro em quatro anos, alternadamente, por
um ou dois terços do Senado Federal (art. 46, § 2º, CF). A representação é uniforme em nome do
chamado “equilíbrio federativo”.
OBS.: Território não elege Senador.

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6. ESTATUTO DOS CONGRESSISTAS


É o regime jurídico dos membros do Congresso Nacional, disciplinando direitos, deveres,
impedimentos, incompatibilidades, imunidades, prerrogativas (arts. 53 a 56, CF). As imunidades
parlamentares não existem para proteger o parlamentar em suas relações de cunho particular, são
prerrogativas decorrentes de sua função e são estabelecidas muito mais em favor do Poder
Legislativo do que do Deputado ou Senador individualmente considerados. Dividem-se em:
a) Imunidade material: art. 53, caput;
b) Imunidade formal: (§2º a §5º do art. 53);
c) Prerrogativa de foro: art. 53, § 1º - STF;
d) Isenção do dever de testemunhar: art. 53, § 6º;
e) Serviço militar: art. 53, § 7º, c/c 143;
f) Imunidades durante o estado de sítio;
g) Incompatibilidades (art. 54).
OBS.: os suplentes não gozam das imunidades materiais e formais porque não desempenham as
funções do mandato.

6.1. IMUNIDADE MATERIAL


A imunidade material implica subtração da responsabilidade penal, civil, disciplinar ou política do
parlamentar, por suas opiniões, palavras e votos. Trata-se de cláusula de irresponsabilidade geral
de Direito Constitucional material e garante que o congressista exerça a sua atividade com a mais
ampla liberdade de manifestação. A isenção de responsabilidade é total, não podendo o
parlamentar responder por qualquer dos chamados delitos de opinião (calúnia, injúria, difamação,
desacato...). Refere-se somente a atos funcionais, ainda que não exercidos exclusivamente no
âmbito do Congresso Nacional. Os pronunciamentos feitos à rede televisiva, aos jornais e revistas
estão protegidos por esta imunidade, desde que relacionados à função parlamentar.

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6.2. IMUNIDADE FORMAL


A imunidade formal se refere à impossibilidade de prisão do parlamentar e também sobre as
regras especiais relativas ao processo.
Com relação à prisão, o parlamentar só poderá ser preso no caso de flagrante de crime
inafiançável e, ainda assim, a manutenção da sua prisão ainda será resolvida pela casa
parlamentar respectiva. A palavra “prisão” deve ser entendida em sentido amplo: o parlamentar
não pode sofrer qualquer tipo de prisão: temporária, prisão de natureza civil, prisão em flagrante
por crime afiançável, prisão preventiva etc.
Sobre as regras relativas ao processo, a Emenda Constitucional nº 35, de 20 de dezembro de 2001,
alterou substancialmente o instituto da imunidade formal. O novo texto constitucional passou a
contemplar a imunidade formal nos parágrafos 3º, 4º e 5º do artigo 53, que estabelecem:

§3º Recebida a denúncia contra Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o
Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político
nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o
andamento da ação.
§4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de
quarenta e cinco dias do seu recebimento pela Mesa Diretora.
§5º A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o mandato.

Não há mais necessidade de licença da Casa do parlamentar para que tenha início um processo
criminal contra o mesmo ou para que o processo tramite normalmente, na hipótese de a denúncia
ter sido oferecida após a diplomação ou antes desta, respectivamente. Com a alteração, a
imunidade formal deixou de contemplar os crimes praticados antes da diplomação. Quanto a
esses, o Poder Legislativo não exerce mais nenhum tipo de controle ou influência, seja autorizando
a instauração do processo criminal, a sua tramitação ou, ainda, determinando a suspensão do
feito e, por conseguinte, da prescrição.
Com a Emenda Constitucional nº 35, oferecida a denúncia, o processo contra parlamentares
tramita normalmente, podendo a casa a que pertence o denunciado deliberar sobre a sua
sustação. De acordo com o texto constitucional, a deliberação pode ser feita até a decisão final do

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processo (trânsito em julgado) e deve, obrigatoriamente, ser apreciada no prazo de 45 (quarenta e


cinco) dias a contar do recebimento do pedido pela Mesa Diretora. Os legitimados para formular
pedido de sustação de ações criminais contra parlamentares são os partidos políticos com
representação na Casa do denunciado

7. DIVISÃO DE COMPETÊNCIAS
a) Exclusiva do Congresso Nacional - art. 49, CF;
b) Privativa da Câmara dos Deputados - art. 51 - a mais destacada é a de autorizar, por dois terços
de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República
e os Ministros de Estado (51, I);
c)Privativa do Senado Federal – art. 52 - a mais destacada é processar e julgar o Presidente e o
Vice - Presidente da República nos crimes de responsabilidade (52, II)- é a função de Tribunal
Político.

8. COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO (CPI)


No exercício de uma de suas funções principais, a de fiscalizar, a CPI é uma comissão temporária,
com atribuição de fiscalização político-administrativa. Seu escopo não é apurar crimes, nem,
tampouco puni-los, competência esta do Poder Judiciário. Se, no curso de uma investigação, vier a
se deparar com fato criminoso, dele dará ciência ao Ministério Público, para os fins de direito.

8.1. PODERES DAS CPI


Têm poderes imanentes ao natural exercício de suas competências, como colher depoimentos,
ouvir indiciados, inquirir testemunhas (inclusive sob condução coercitiva), notificando-as a
comparecer perante ela e a depor. Não tem o poder de ordenar a prisão de investigado, porque
não possui competência para tanto.
Além das competências acima citadas, a CPI pode, por ato próprio:
a) autorizar quebra de sigilo de dados bancário, telefônico e fiscal dos indiciados, desde que haja
fundamentação, comprovando a existência de causa provável que indique a necessidade da
quebra do sigilo;
b) requisitar aos órgãos públicos documentos e informações necessárias para a investigação.

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c) promover a pertinente investigação, ainda que os atos investigatórios possam incidir,


eventualmente, sobre aspectos referentes a acontecimentos sujeitos a inquéritos policiais ou a
processos judiciais que guardem conexão com o evento principal objeto da apuração congressual.

8.2- LIMITES DA CPI


Por uma necessidade funcional, a comissão parlamentar de inquérito não detém poderes
universais de investigação. Suas atribuições são limitadas, porque se restringem a fatos
determinados. No entanto, podem existir tantas comissões quantas forem necessárias para se
realizar investigações recomendáveis. Os eventuais excessos da CPI serão controlados pelo STF.
A CPI não pode:
a) proibir alguém de se ausentar de determinada localidade ou de sair do país;
b) expedir decreto de indisponibilidade de bens de particular;
c) determinar a interceptação telefônica;
d) determinar busca e apreensão domiciliar de documentos e demais objetos de interesses da
investigação.

9. APURAÇÃO DE FATO DETERMINADO


Conforme entendimento do STF, a expressão “apuração de fato determinado” não deve ser
compreendido de forma reduzida. Tal competência engloba também os fatos surgidos no decorrer
das investigações que tenham pertinência com o fato principal.

10. PRAZO CERTO


Segundo orientação do STF são admissíveis prorrogações sucessivas do prazo inicialmente fixado
para uma CPI, desde que dentro do período correspondente à legislatura em que se iniciou.

11. POSIÇÃO DO STF SOBRE O DIREITO AO SILÊNCIO


"O privilégio contra a autoincriminação — que é plenamente invocável perante as Comissões
Parlamentares de Inquérito — traduz direito público subjetivo assegurado a qualquer pessoa, que,
na condição de testemunha, de indiciado ou de réu, deva prestar depoimento perante órgãos do

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Poder Legislativo, do Poder Executivo ou do Poder Judiciário. O exercício do direito de permanecer


em silêncio não autoriza os órgãos estatais a dispensarem qualquer tratamento que implique
restrição à esfera jurídica daquele que regularmente invocou essa prerrogativa fundamental.
Precedentes. O direito ao silêncio — enquanto poder jurídico reconhecido a qualquer pessoa
relativamente a perguntas cujas respostas possam incriminá-la (nemo tenetur se detegere) —
impede, quando concretamente exercido, que aquele que o invocou venha, por tal específica
razão, a ser preso, ou ameaçado de prisão, pelos agentes ou pelas autoridades do Estado.
Ninguém pode ser tratado como culpado, qualquer que seja a natureza do ilícito penal cuja prática
lhe tenha sido atribuída, sem que exista, a esse respeito, decisão judicial condenatória transitada
em julgado. O princípio constitucional da não-culpabilidade, em nosso sistema jurídico, consagra
uma regra de tratamento que impede o Poder Público de agir e de se comportar, em relação ao
suspeito, ao indiciado, ao denunciado ou ao réu, como se estes já houvessem sido condenados
definitivamente por sentença do Poder Judiciário." (HC 79.812, Rel. Min. Celso de Mello, DJ
16/02/01)

12. DO PROCESSO LEGISLATIVO


1. CONCEITO
É o conjunto de atos realizados pelos órgãos legislativos visando à formação das espécies
normativas, previstas no art. 59, CF. A rigor, segundo alguns autores, as medidas provisórias não
deveriam incluir-se dentre as espécies normativas arroladas no artigo citado, porque o ritual para
sua formação não ocorre por meio de processo legislativo, e sim por intermédio de um ato
monocrático do Poder Executivo.
OBS.: Ressalte-se que o desrespeito às normas do processo legislativo previstas na CF terá por
consequência a declaração de sua inconstitucionalidade formal, apreciada tanto no controle
difuso quanto pelo método reservado.

2- ATOS DO PROCESSO LEGISLATIVO

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a) Iniciativa legislativa - É a faculdade que se atribui a alguém ou a algum órgão para apresentar
projetos de lei ao legislativo. A iniciativa poderá ser: concorrente (art. 60, I, II, III; 61, caput),
privativa (61, § 1º; 93), popular (61, § 2 º) e conjunta (48, XV);
OBS.: o projeto de lei que trate sobre o regime jurídico, a aposentadoria, provimento de cargos e
estabilidade dos policiais federais é de iniciativa privativa do Presidente da República (art. 61, § 1º,
c).
b) Discussão – Qualquer projeto de lei apresentado à Casa Legislativa será discutido nas comissões
permanentes que irão examinar seus aspectos formais (a constitucionalidade) e materiais
(conteúdo);
c) Emendas - O direito de propor emendas é uma faculdade dos membros ou órgãos das Casas do
Congresso de sugerirem modificações na matéria contida no projeto de lei.
OBS.: Os projetos de lei de iniciativa exclusiva do Presidente da República poderão ser emendados
pelos congressistas, desde que tais emendas: tenham pertinência temática com a matéria prevista
no projeto de lei e desde que não acarretem aumento da despesa prevista no projeto apresentado
pelo Presidente (art. 63, I, CF).
d) Votação – É ato coletivo das Casas do Congresso e é geralmente precedida de estudos e
pareceres de comissões técnicas e de debates em plenário. É ato de decisão que se toma:
- por maioria simples ou relativa, isto é maioria dos membros presentes na votação, respeitada a
maioria absoluta, nos casos de projetos de lei ordinária (art. 47, CF);
- por maioria absoluta dos membros das Casas Legislativas, no caso de aprovação de lei
complementar (art. 69, CF);
- por maioria qualificada de 3/5 dos membros das Casas do Congresso, no caso de aprovação de
emendas constitucionais (art. 60, CF).

OBS.: A matéria constante de projeto de lei rejeitado poderá ser objeto de novo projeto na mesma
legislatura, desde que em outra sessão legislativa; ou ainda na mesma sessão legislativa, por meio
de proposta de maioria absoluta dos membros da Câmara ou do Senado (art. 67, CF).
e) Sanção e Veto – são atos legislativos de competência exclusiva do Presidente da República.
Recaem sobre projeto de lei, e não sobre lei. A sanção pode ser expressa (com a assinatura do
projeto) e tácita (não assina e nem veta durante 15 dias úteis). O veto deve ser expresso e

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manifestado no prazo de 15 (quinze) dias úteis. Pode ser total, se recair sobre todo o projeto, ou
parcial, se atingir apenas parte do projeto. O veto parcial somente pode abranger o texto total de
artigo ou alínea (66, § 2º), não havendo mais veto de palavra. Se o veto acontecer em razão de
inconstitucionalidade, é chamado de veto formal (veto jurídico), se o veto for motivado por ser
contrário ao interesse público, é chamado de veto material (veto político). O veto é irretratável.
OBS.: Ainda que o Presidente da República vete o projeto de lei, o veto pode ser rejeitado pelo
voto da maioria absoluta dos deputados e senadores, em escrutínio secreto.
f) Promulgação e publicação de lei – não configuram, na realidade, atos de natureza legislativa, já
que se promulga e se publica a lei, que já existe desde a sanção ou a rejeição do veto. A
promulgação é mera comunicação, aos destinatários da lei, de que esta foi criada com
determinado conteúdo e pelo procedimento constitucionalmente previsto, sendo, portanto,
válida. Não é ato exclusivo do Poder Executivo. A publicação da lei constitui instrumento pelo qual
se transmite a promulgação aos destinatários. É condição para a lei entrar em vigor e tornar-se
eficaz. Realiza-se pela inserção no D.O.

3- ESPÉCIES NORMATIVAS
a) Emenda Constitucional – É uma manifestação do Poder Constituinte derivado reformador e não
se submete à sanção presidencial (art. 60, CF);
b) Leis Complementares (art. 69, CF) – Só podem tratar das matérias expressamente
determinadas pela CF e obedecem a um quorum mais elevado para a sua aprovação (maioria
absoluta);
c) Lei Ordinária – Podem tratar de todas as matérias, menos as reservadas à lei complementar;
d) Medidas Provisórias (art. 62, CF);
e) Leis Delegadas – São exceção ao princípio da indelegabilidade de atribuições. É delegação
“externa corporis”, para fora do Poder Legislativo;
f) Decretos Legislativos – Seu conteúdo é basicamente a matéria do art. 49; não há sanção;

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g) Resoluções – Seu conteúdo abrange matérias como delegação (art. 68), suspensão de lei
declarada inconstitucional (52, X), fixação de alíquota (155, § 2º, IV). Também não se submetem à
sanção.

13. DO PODER EXECUTIVO


1. CONCEITO
Poder Executivo é o órgão constitucional cuja função típica é a prática de atos relacionados à
função executiva, ou seja, a tarefa de realizar, dentro da lei, as atividades materiais atinentes à
chefia de Estado, de Governo e da Administração Pública. No exercício das suas funções atípicas,
também legisla (art. 62- Medidas Provisórias) e julga (contencioso administrativo).

2. SISTEMAS DE GOVERNO
a) Parlamentarismo: o Poder Executivo se divide em duas partes: um Chefe de Estado (monarca
ou Presidente da República) e um Chefe de Governo (primeiro – ministro ou Presidente do
Conselho). O Governo é exercido pelo Conselho de Ministros;
b) Presidencialismo: é o sistema típico das repúblicas e o Presidente exerce o Poder Executivo em
sua inteireza, acumulando as funções de Chefe de Estado, Chefe de Governo e Chefe da
Administração Pública. Cumpre um mandato por tempo fixo, não dependendo da confiança do
órgão do Poder Legislativo nem para sua investidura nem para o exercício de Governo.

3. FORMAS DE GOVERNO
a) República: a República é uma forma de governo em que os exercentes das funções Executiva e
Legislativa representam o povo, decidindo em seu nome, à luz dos princípios da responsabilidade,
eletividade e temporariedade. A periodicidade também garante a fidelidade do mandato,
permitindo a alternância no poder num lapso temporal rigorosamente estabelecido;
b) Monarquia: é caracterizada por ser o governo de um só, baseado no poder divino, sem a
participação popular e vitalício.

4. REQUISITOS PARA PRESIDENTE E VICE (art. 14, § 3º)


- nacionalidade brasileira (brasileiro nato);

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- pleno exercício dos direitos políticos;


- alistamento eleitoral;
- domicílio eleitoral na circunscrição;
- filiação partidária;
- idade mínima de 35 anos.

5. MANDATO PRESIDENCIAL (art. 77)


O Presidente e o vice são eleitos conjuntamente, em chapa, através do sufrágio universal e pelo
voto direto e secreto. A eleição, de acordo com o art. 77, obedece ao princípio da maioria absoluta
dos votos, não se computando os votos em branco e os nulos, em razão do que há possibilidade
de realização de dois turnos de votação, se nenhum candidato alcançar a maioria absoluta no
primeiro turno.
OBS.: O sistema constitucional brasileiro não admite nem a candidatura autônoma (sem registro
em partido político), nem a candidatura avulsa (é preciso que esteja na mesma chapa eleitoral o
Presidente e o Vice).

6. ATRIBUIÇÕES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA (art. 84)


O Presidente exerce, ao mesmo tempo, a chefia de Estado e a chefia de Governo. Como chefe de
Estado ele representa a República como um todo, tanto na órbita interna, como na órbita
internacional. No último caso, age em nome da soberania nacional. Já como chefe de governo, o
Presidente almeja realizar os fins do Estado, comandando a máquina administrativa e as Forças
Armadas, com vistas à eliminação dos problemas permanentes e conjunturais.
- Chefia de Estado: art. 84, VII, VIII, XIV, XV, XVI, primeira parte, XVIII, segunda parte, XIX, XX, XXI,
XXII;
- Chefia de Governo: art. 84, I, III, IV, V, IX, X, XI, XII, XIII, XVIII, primeira parte, XXIII, XXIV e XXVII;
- Chefia da Administração Federal: art. 84, II, VI, XVI, segunda parte, XXIV e XXV;
- Exercício de outras atribuições constitucionais: art. 84, XVII;
- Delegação de atribuições constitucionais: parágrafo único do art. 84.

7. HIPÓTESES DE PERDA DO MANDATO

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- Cassação - Na hipótese dos arts. 52, § único e 86, da CF. Só se aplica ao vice quando em exercício
da Presidência;
- Extinção - Nos casos de morte, renúncia, perda ou suspensão dos direitos políticos e perda da
nacionalidade brasileira;
- Declaração de vacância do cargo pelo Congresso Nacional - Quando não comparecerem para
tomar posse dentro do prazo de 10 dias a partir da designação (art. 78);
- Ausência do país, por mais de 15 dias, sem licença do Congresso Nacional (83, CF) - Quem aplica
a sanção é o próprio Congresso, pois é ele quem pode dar a licença. A ausência sem licença e sem
motivo de força maior (ex: doença súbita no exterior) leva à perda do mandato.

8. VACÂNCIA E SUBSTITUIÇÃO
No caso de vacância do cargo de Presidente da República, caberá ao vice suceder-lhe, assumindo o
mandato no restante do tempo para o seu término. Na falta do vice-presidente, serão
sucessivamente chamados para ocupar, temporariamente, o exercício da Presidência da
República: Presidente da Câmara dos Deputados, o Presidente do Senado Federal e o Presidente
do Supremo Tribunal Federal.
De acordo com o artigo 81, CF, vagando os cargos de Presidente e de Vice, deverá ser feita nova
eleição, obedecidos os prazos e requisitos abaixo elencados:
a) ELEIÇÃO DIRETA, no prazo de noventa dias de aberta a última vaga, quando a vacância se der
nos dois primeiros anos do mandato presidencial;
b) ELEIÇÃO INDIRETA, pelo Congresso Nacional, no prazo de trinta dias de aberta a última vaga,
quando a vacância se der nos dois últimos anos do mandato presidencial.

9. CRIMES DE RESPONSABILIDADE
São infrações político-administrativas definidas na Constituição e na legislação federal, cometidas
no desempenho da função, que atentam contra a existência da União, o livre exercício dos
Poderes do Estado, a segurança interna do país, a probidade da Administração, a lei orçamentária,
o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais e o cumprimento das leis e das decisões
judiciais. O rol do artigo 85, CF é meramente exemplificativo dos crimes de responsabilidade, pois

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o Presidente pode ser responsabilizado por todos os atos atentatórios à Constituição Federal,
desde que haja previsão legal (Lei nº1079/50).

10- IMPEACHMENT
Configura sanção de índole político - administrativa, destinada a operar, de modo legítimo, a
destituição constitucional do Presidente da República, além de inabilitá-lo, temporariamente, pelo
período de 08 anos, para o exercício de qualquer cargo, emprego ou função pública, seja de
natureza eletiva ou de nomeação.

10.1- FASES
a) Denúncia formalizada para apresentação dos fatos, permitida a qualquer cidadão brasileiro (no
gozo de seus direitos políticos), oferecida na Câmara dos Deputados;
b) Recebimento formal da denúncia pela Câmara;
c) Exame pela Câmara, cujo critério é meramente político: a) aprecia a gravidade dos fatos
alegados e o valor das provas oferecidas, b) declara a acusação procedente ou improcedente;
d) Parecer da Câmara dos Deputados;
e) Discussão e votação, art. 51, I, CF;
f) Deslocamento da peça para o Senado Federal, que se transforma em um Tribunal Político,
momento em que o Presidente da República é suspenso de suas funções, só retornando a elas se
for absolvido, ou ocorrido o prazo de 180 dias e o julgamento não for concluído.

DO PODER JUDICIÁRIO
1. CONCEITO
Ao lado das funções de administrar e legislar, ao Estado também compete a função judicial, ou
jurisdicional, dirimindo as controvérsias que surgem quando da aplicação das leis. O Judiciário,
porém, como as demais funções do Estado, possui outras atribuições, denominadas atípicas, de
natureza administrativa e legislativa. Ex: concessão de férias de seus membros e elaboração de
seus regimentos internos.
A função típica do Poder Judiciário é exercer a atividade jurisdicional, pela qual o Judiciário
substitui a vontade das partes solucionando os conflitos ao declarar o Direito e julgar.

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2. ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO


A estrutura do Estado é organizada com base na forma federativa, que admite duas ordens de
organização: Federal e Estadual. Portanto, coexistem a Justiça Federal, que tem as competências
previstas expressamente, e a Justiça Estadual, cabendo-lhe a competência residual.
Quanto a competência, prevista na Constituição Federal, o Judiciário estrutura-se em 2 (dois)
âmbitos: comum e especializado. A Justiça Federal pode ser: comum ou especializada (Justiça do
Trabalho, Eleitoral e Militar). Já na Justiça Estadual há somente a Justiça Militar especializada.
Não existe previsão de contencioso administrativo. Exceção: “Justiça” desportiva, que na realidade
foi instituída no âmbito administrativo.

a) Supremo Tribunal Federal (art. 101 e ss)


Órgão de cúpula do Poder Judiciário, guardião da Constituição, decide em última instância os
litígios intersubjetivos.
O Supremo Tribunal Federal compõe-se de 11 (onze) membros, divididos em duas Turmas, que se
encontram no mesmo plano hierárquico. O Presidente da República escolhe livremente o
candidato, que será sabatinado pelo Senado Federal, devendo ser aprovado pela maioria absoluta
de seus membros (art. 52, III, “a”, e art. 101, parágrafo único, CF).
São requisitos para a escolha dos 11 (onze) ministros do STF:
- idade: 35 a 65 anos;
- ser brasileiro nato (CF, art. 12, § 3º, IV);
- ser cidadão (no gozo dos direitos políticos);
- notável saber jurídico e reputação ilibada.
Suas competências são definidas nos arts. 102 a 103 da Constituição Federal.
b) Superior Tribunal de Justiça (art. 104 e ss)
É a última instância do Judiciário em matéria de leis federais.
O Superior Tribunal de Justiça compõe-se de, no mínimo, 33 (trinta e três) ministros escolhidos
pelo Chefe do Poder Executivo, porém não livremente, pois obrigatoriamente, deverão ser:

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- 1/3 de Juízes dos TRF´s (Tribunais Regionais Federais);


- 1/3 de desembargadores dos Tribunais de Justiça Estaduais;
- 1/3 divididos da seguinte maneira: 1/6 de advogados; 1/6 de membros do Ministério Público
Federal, Estaduais e Distrital.
São requisitos para o cargo de Ministro do STJ:
- idade: 35 a 65 anos:
- ser brasileiro nato ou naturalizado;
- notável saber jurídico e reputação ilibada.
Competência: possui competências originárias, descritas no art.105, I da CF, e recursais que
abrangem o recurso ordinário (art.105, I da CF) e o recurso especial (art.105, II da CF).
OBS.: Não existe hierarquia recursal entre o STJ e os Tribunais nacionais especializados (Tribunal
Superior do Trabalho, Tribunal Superior Eleitoral e Superior Tribunal Militar).

c) Justiça Federal Comum (art. 106 e ss)


Órgãos: Tribunais Regionais Federais e juízes federais. A Justiça Federal se divide em seções
judiciárias, uma em cada Estado (art.110 da CF).
Composição: art. 107 da CF
Competência:
1) Tribunais Regionais Federais (art. 108)
2) Juízes federais (art. 109)

d) Justiça Federal do Trabalho (art. 111 e ss)


São órgãos da Justiça do Trabalho:
a) Tribunal Superior do Trabalho
b) Tribunais Regionais do Trabalho
c) Juízes do trabalho
Composição: art. 111-A da CF
Competência: foi ampliada pela EC 45/2004 para julgar todas as causas que envolvam relação de
trabalho, independentemente de lei. A expressão “relação de trabalho” deve ser entendida em

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sentido amplo, abrangendo todo trabalhador prestador de serviços, independentemente de


subordinação.
Anteriormente competia à Justiça do Trabalho, processar e julgar ações oriundas apenas da
relação de emprego, que é espécie de relação de trabalho, e controvérsias da relação de trabalho
dispostas em lei.
A EC 45/2004 determinou uma mudança de competência, mas não alterou as leis de regência dos
contratos. Com isso, a Justiça do Trabalho não se limita à aplicação da CLT, devendo aplicar as
regras de Direito Civil quando for cabível.
A Justiça do Trabalho continua não tendo competência para julgar: crimes do trabalho e
funcionários públicos (estatutários).

e) Justiça Federal Eleitoral (art. 118 e ss)


A Justiça Eleitoral possui os seguintes órgãos (art. 118 da CF):
a) Tribunal Superior Eleitoral
b) Tribunais Regionais Eleitorais
c) juízes eleitorais
d) Juntas Eleitorais
Composição: art.119 e 120 da CF.
Competência: estabelecida no Código Eleitoral (Lei n°. 4737/65 c/c art 121 da CF)

f) Justiça Federal Militar (art. 122 e ss)


A Justiça Militar se compõe dos seguintes órgãos (art. 122 da CF):
a) Superior Tribunal Militar
b) Tribunais Militares, instituídos por lei
c) juízes militares, instituídos por lei

Composição: art.123 CF.

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Competência: processar e julgar os crimes militares definidos em lei (art. 124, caput da CF) e
demais competências que deverão ser disciplinadas em lei (art. 124, parágrafo único da CF c/c Lei
n° 8236/91).

g) Justiça Estadual (art. 125 e 126)


Órgãos: Tribunais de Justiça nos Estados.
Competência: será definida pelas Constituições Estaduais (art.125, § 1º da CF).
OBS.: A Justiça Estadual Militar está regulada nos art. 125, §s 3º, 4º e 5º da CF).

Conselho Nacional de Justiça


Acrescentado ao rol de órgãos do Poder Judiciário pela EC 45/2004.
Atribuições:
a) Primárias (art.103-B, § 4º, caput): controlar a atuação administrativa e financeira do Poder
Judiciário e o cumprimento dos deveres funcionais, por parte dos magistrados.
b) Secundárias: desdobramentos complementares das atribuições primárias, por exemplo: zelar
pela autonomia do Judiciário e pela observância do art.37(art.103-B, § 4º, I e II). Além dos
procedimentos instrumentais para efetivar as atribuições primárias como rever processos de
juízes e de membros de tribunais julgados a menos de um ano (art. 103-B, § 4º, V).
Objetivo: remediar os problemas do Judiciário como a ausência de transparência na sua atuação e
a delonga no seu exercício. Visa atingir a eficiência por meio da fiscalização
Composição de seus membros: está especificada no art. 103-A da CF. O CNJ terá um Ministro-
Corregedor que será o ministro do STJ que ficará excluído da distribuição de processos deste órgão
(art. 103-B, § 5º da CF).

3. GARANTIAS CONSTITUCIONAIS DO PODER JUDICIÁRIO E DE SEUS INTEGRANTES


3.1. GARANTIAS ORGÂNICAS OU INSTITUCIONAIS

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a) Capacidade de autogoverno – possibilidade de eleger seus próprios órgãos, organizar sua


estrutura administrativa interna e deliberar sobre assuntos próprios (art. 96, I).
b) Autonomia financeira – possibilidade de elaborar sua própria proposta financeira, dentro dos
limites da lei de diretrizes orçamentárias (art. 99 c/c art.168 da CF).
c) Capacidade normativa – cada Tribunal deve elaborar seu Regimento Interno (art. 96, II da CF).
d) Inalterabilidade de sua organização – a composição dos quadros dos Tribunais só pode ser
alterada mediante proposta dos próprios tribunais (art. 96, II).
e) Escolha dos dirigentes – garantia prevista no art. 96, I, a da CF.

3. 2. GARANTIAS DA MAGISTRATURA (art. 95)


a)Vitaliciedade - o Juiz, após dois anos de exercício, só pode perder o cargo em virtude de
sentença judicial transitada em julgado. Antes dos dois anos, estando o magistrado no período de
estágio probatório, a perda do cargo pode operar-se por deliberação do Tribunal a que o Juiz
estiver vinculado;
b)Inamovibilidade – esta garantia proíbe que os juízes sejam removidos do local em que se
encontram, mesmo sob a forma de promoção, sem o seu consentimento, salvo motivo de
interesse público (art. 93, VIII, e 95, II, CF).
A EC 45/2004 fez a seguinte alteração: o motivo de interesse público que era decidido pelo voto
de 2/3 do respectivo Tribunal, passou a ser decidido pelo voto da maioria absoluta do mesmo
Tribunal ou pelo CNJ.
c) Irredutibilidade de subsídio – almeja garantir aos magistrados a necessária tranquilidade para o
exercício do cargo, protegendo-os de perseguições governamentais de natureza econômica
(art.95, III c/c art. 37, XV).

4. VEDAÇÕES – Garantias de imparcialidade (art. 95, parágrafo único, I, II, III, IV e V, alterado
pela EC 45/2004)
a) exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério;
b) receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo;
c) dedicar-se à atividade político-partidária;

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d) receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades


públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei;
e) exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do
afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração.

5. PRINCÍPIO DA RESERVA DE PLENÁRIO (art. 97)


Os Princípios da Reserva de Plenário e da maioria absoluta são aplicáveis aos controles difuso e
concentrado de constitucionalidade. A sua finalidade é evitar que órgãos fracionários apreciem
pela primeira vez a pecha de inconstitucionalidade arguida em relação a um certo ato normativo.
É condição de eficácia jurídica da própria declaração jurisdicional de inconstitucionalidade dos
atos do Poder Público. A lei não é feita por um só homem, por isso não é cabível que apenas um
declare a sua inconstitucionalidade.

6. PRECATÓRIO (art. 100)


O precatório é uma carta expedida pelos juízes da execução de sentença ao Presidente do Tribunal
em virtude de a Fazenda Pública ter sido condenada ao pagamento de certa quantia. É uma
atividade de cunho administrativo. A partir daí essas quantias serão incluídas no orçamento do
exercício seguinte. A regra de parcelamento no pagamento de precatórios somente não se aplica,
por expressa determinação constitucional, aos créditos definidos em lei como de pequeno valor,
os de natureza alimentícia, os de que trata o art. 33 do ADCT e suas complementações e os que já
tiverem seus recursos liberados ou depositados em Juízo.

7. JUSTIÇA ITINERANTE
A EC 45/2004 consagrou a prática da Justiça Itinerante, que já era realizada em alguns Estados,
para os Tribunais de Justiça (art. 125, § 7º), Tribunais Regionais Federais (art.107, § 2º) e Tribunais
Regionais do Trabalho (art. 115, § 1º).

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A Justiça Itinerante deve ser instalada pelo próprio Tribunal e ser exercida dentro dos limites
territoriais da respectiva jurisdição, realizando audiências e demais funções da atividade judiciária,
servindo-se de equipamentos públicos e comunitários.
OBS.: O art. 112 da CF determinou que nas comarcas em que não exista Justiça do Trabalho, se
transfira as respectivas atribuições aos juízes de direito, para que o Poder Judiciário atenda todas
as localidades do país.
Com o mesmo objetivo, o art. 125, § 6º da CF prevê que o Tribunal de Justiça poderá funcionar de
forma descentralizada, constituindo Câmaras Regionais. Esta hipótese também está prevista para
os Tribunais Regionais Federais (art.107, §3º) e para os Tribunais Regionais do Trabalho (115, §
2º).

8- REFORMA DO PODER JUDICIÁRIO – ALGUMAS ALTERAÇÕES DA EMENDA CONSTITUCIONAL


45/2004
A) a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração processo e os
meios que garantam a celeridade de sua tramitação (art. 5º, LXXVIII);
B) a possibilidade de se criarem varas especializadas para a solução das questões agrárias. (art.
126);
C) a “constitucionalização” dos tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos
desde que aprovados pelo quórum qualificado das emendas constitucionais (art. 5º, § 3º);
D) a submissão do Brasil à jurisdição do Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha
manifestado adesão (art. 5º, § 4º);
E) a federalização de crimes contra direitos humanos, objetivando o deslocamento de
competência para a Justiça Federal (art. 109, V-A e § 5º);
F) previsão do controle externo da Magistratura por meio do Conselho Nacional de Justiça (art. 92
, I-A § 1º);
G) previsão do controle externo do Ministério Público por meio do Conselho Nacional do
Ministério Público (art. 130 –A);
H) ampliação de algumas regras mínimas a serem observadas na Elaboração do Estatuto da
Magistratura, todas no sentido de se dar maior produtividade e transparência à prestação
jurisdicional, na busca da efetividade do processo (art. 93);

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I) ampliação da garantia de imparcialidade dos órgãos jurisdicionais (art. 95, § parágrafo único, IV
e V);
J) a extinção dos Tribunais de Alçada, passando os seus membros a integrar os TJ´s dos respectivos
Estados e uniformizando assim a nossa Justiça (art. 4º da EC 45/2004);
K) transferência de competência do STF para o STJ no tocante à homologação de sentenças
estrangeiras e a concessão do exequator às cartas rogatórias (art. 102, I, “h” (revogada); 105, I,
“i”);
L) criação da Súmula Vinculante do STF (art. 103-A);
M) a aprovação da nomeação de Ministro do STJ pelo quórum de maioria absoluta dos membros
do Senado Federal (art. 104, parágrafo único);
N) ampliação da garantia de imparcialidade dos membros do MP (art. 128)

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