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ABBÉ QUINÉT
Inspetor do Ensino Religioso da diocese de Paris

LIÇÕES CATEQUÉTICAS

PARA OS PEQUENINOS
PELO MÉTODO ATIVO

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PREFÁCIO
Apresentamos hoje aos que se ocupam da formação religiosa
das criancinhas estas “Vinte lições” de catecismo evangélico, que
fornecem matéria de instrução para um ano de catecismo.
Estas lições podem ser divididas, servindo para várias preleções.
Além disto, este novo livro é um instrumento de trabalho nas mãos
dos catequistas: aqui pode ele ser seguido literalmente; ali será
adaptado; acolá resumido; mas de qualquer forma e em qualquer
lugar, as suas páginas serão sempre úteis.
O método que adotamos já foi experimentado em nossas
inspeções de Escolas livres e também nos Catecismos paroquiais.
Inspirou-se, pois, nos dados da psicologia infantil e apela para a
colaborado da criança, forçando-a a refletir.
Mais ainda: aproveita tudo o que urna criança conhece e não
vai além dos seus conhecimentos.
É o método ativo, método de formação por excelência.
Como plano seguimos o Evangelho, tomando como centro da
instrução a admirável Pessoa de Jesus.
Com esse método, a criança consegue, sem esforço, quase
brincando, aprender as orações, conhecer as verdades da religião,
compreender, de acordo com a sua idade, os sacramentos do
Batismo, da Penitencia, da Eucaristia, e a ter alguma ideia dos outros
sacramentos.
Isto é o suficiente para a primeira comunhão.
Assim preparada, a criança poderá com mais facilidade
continuar o estudo do Catecismo, tal como o apresentamos nos
“Apontamentos do Catequista”.
C. Q.
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DUAS LIÇÕES PRELIMINARES
I. O CORPO E A ALMA DA CRIANÇA
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
O método que pretendemos seguir é simples e está ao alcance
de nossas criancinhas: vamos do conhecido ao desconhecido,
fazemos a criança verificar as realidades, destacando as ideias, e
depois passamos para o desconhecido.
Construímos assim uma ponte para passar do concreto ao
abstrato.
Antes de falar de Deus, procuro fazer as crianças
compreenderem que têm uma alma e o valor dessa alma. Adquirido
este conhecimento, ou antes, reconhecida esta realidade, aproveito-
me dela para chegar ao conhecimento de Deus.
Certamente não entro em explicações profundas, esforçando-
me apenas por me exprimir com clareza e simplicidade.
Não direi tudo, darei o essencial e, no fim de cada lição farei,
em estilo infantil, o resumo de minhas explicações.
A preleção que se segue é muito importante para a educação
religiosa da criança, por isso deve ser preparada com especial
cuidado.
II. EXPLICAÇÃO
Material: Preparo os objetos que vão servir durante a lição. Não nos
esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
Um quadro com uma imagem representando um menino ou uma

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menina; - uma imagem, representando um cachorro; - uma corda.
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
Era uma vez um menino, que nunca tinha visto um espelho.
Um dia, puseram-no diante de um espelho muito grande. O menino,
vendo a sua imagem, ficou muito admirado, porque nunca se tinha
visto assim; e, no seu contentamento, começou a fazer gestos, que o
espelho reproduzia. - Meus filhos, vou explicar-vos o que tendes em
vós, mas que não podeis ver com os olhos, nem tocar com as mãos,
porque não tem corpo, nem forma. Compreendeis a que me refiro?
É ao vosso espírito, isto é, à vossa alma. Sede bem atentos, e ficareis
contentes como o menino que nunca se tinha mirado num espelho.
Coloco diante do auditório um quadro, que representa um
menino, ou mando uma criança ficar de pé.
1. Olhai bem vosso companheiro. Que vedes nele? Uma
cabeça, com dois olhos, nariz, boca, braços, peito e ombros. Com os
olhos ele vê o que há na sala as janelas, os quadros, as estátuas. Com
os ouvidos ouve o barulho da rua, o que eu digo, a música que toca...
E se vos mostrasse um cachorrinho? ...
Coloco diante das crianças a gravura representando o cachorrinho.
Que vedes nele? Uma cabeça, com dois olhos pequeninos, um
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nariz, uma boca, orelhas, patas. Com os olhos ele vê o que vedes,
com os ouvidos ouve o que ouvis, com as suas patas anda, corre.
O cachorro também tem um corpo, como vós. Todo animal
tem um corpo, como nós.
Repeti comigo: os animais têm corpo, como nós.
2. Mas qual é a diferença entre vós, crianças, e os animais? Os
olhos destes veem, os ouvidos ouvem, mas eles não compreendem o
que veem, nem o que ouvem. Se coloco o cachorro diante de um
relógio, ele o vê as horas, mas não pode saber para que serve. Um
menino vê o relógio e o ouve dar horas, e se eu lhe perguntar: para
que serve o relógio, ele me responde: o relógio marca as horas.
O cachorrinho não pode compreender; o menino compreende.
Um é inteligente, o outro não tem inteligência, isto é, o menino tem
uma alma e o cachorro não tem. Vós sois como o menino, tendes
uma alma.
Repeti comigo: Eu tenho uma alma; cada um de nós tem uma
alma.
Vede, meus filhos, o serviço que vos presta a vossa alma: aqui
compreendeis o que digo e na escola vos esforçais para aprender a
ler, escrever e contar. Na rua, procurais compreender tudo o que
vedes.
Darei alguns exemplos, tirados do meio familiar à criança.
Em casa: se batem à porta, refletis logo que o ruído não se
produziu sozinho. Vosso ouvido percebeu o barulho, vossa
inteligência concluiu que alguém devia estar atrás da porta. Entrais

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em casa: vossa mãe não está, em cima da mesa vedes uma xícara com
chocolate quente e ao lado uma colher. Pensais logo: foi mamãe
quem preparou isso para mim. Vossos olhos viram a xícara, o
guardanapo e a colher. Vossa inteligência concluiu que foi a mãe
quem preparou isso para vós. A proporção que fordes crescendo mais
vos servireis de vossa inteligência para compreenderdes muitas coisas
e para ficardes sábios. Mas notai não é com o corpo que refletis. Se
se pudesse refletir com o corpo, o cachorrinho poderia estudar, ler,
contar, compreender, enfim. Não, vós compreendeis com a vossa
alma.
Repeti comigo: Nós compreendemos com a nossa alma.
3. Que mais fazeis com a vossa alma? Conheci um menino que
não estudava na escola. Todos os colegas já sabiam ler e ele não
conseguia ler nem duas linhas e nem algarismos sabia escrever. O
professor avisou a seus pais, que ficaram desolados com a preguiça
do filho e, chamando-o à ordem, censuraram-no energicamente.
Então o menino resolveu consigo mesmo: eu quero começar a
estudar, quero saber ler, quero saber a tabuada. No dia seguinte,
pegou no seu livro de leitura, mas não conseguiu coisa alguma;
continuou dizendo, baixinho: quero saber ler. Começou a aprender
as letras, e quando se sentia muito cansado, descansava um pouco,
dizendo sempre: eu quero. No fim do trimestre já sabia ler e escrever
os algarismos. Por quê? Porque havia dito: - quero. Com o que disse
ele: - quero? Com o corpo? Não, com a alma. É a alma quem diz:
Quero.
Repeti comigo: É a alma quem diz: Quero.
4. Um dia, um menino da vossa idade entrou em casa muito
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contente, depois de se ter divertido o dia inteiro. De repente viu que
sua mãe estava deitada, doente. Então toda a sua alegria desapareceu
e ele começou a chorar. Por quê? Ele não sentia nada... quando
entrou, estava contente. Por que, então, chorou? Chorou, porque
amava sua mãe de todo o coração, e a mãe agora estava doente.
Com o que amava ele a sua mamãe? Com o corpo? Não, com a
alma. É a alma que tem a faculdade de amar.
Repeti comigo: É com a alma que nós amamos.
5. Compreendestes bem que tendes uma alma, que não podeis
ver nem tocar, porque não tem cor nem forma. É um espírito que
habita em vós e que vos permite compreender, amar. Esta alma não
morrerá nunca. O corpo morre, a alma não pode morrer. Uma vez
que existe, é para sempre.
Repeti comigo: Nossa alma não morre nunca, ela vive.
E agora, eu vou fazer-vos uma pergunta: Que preferis? O corpo,
que não pode compreender, que não pode querer, que não ama e
que deve morrer, ou a alma, que compreende, quer, ama e viverá
eternamente? Vós deis: Preferimos a alma. Sim, tendes razão, a alma
vale mais do que o corpo.
Repeti comigo: A alma vale mais do que o corpo, porque é ela
que nos faz compreender, querer e amar.
III. EXERCÍCIO PRÁTICO
Voltando ao que foi dito por meio de exercícios infantis. Esses
exercícios podem à vontade do catequista, ser incluídos na
explicação.

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1. Olhai para mim, vou dar um nó nesta corda. (Dar um nó
frouxo e simples). Podereis desatá-lo? Quereis experimentar? (Uma
criança se aproxima e desmancha o nó).
Desatastes o nó. Por quê? Porque procurastes, refletistes e
pensastes, que era preciso primeiro puxar uma ponta e depois a
outra. Quem vos permitiu pensar? Vossa alma. Se eu amarrasse um
cão com a mesma corda e desse o mesmo nó e lhe dissesse “Quando
quiseres sair, desata o no”, o cão não compreenderia e ficaria sempre
preso. Desfazeis o no, porque sois inteligentes. E sois inteligentes
porque tendes uma alma.
2. Pensai em papai, em mamãe que fazem eles neste momento?
Ajudar à criança a pensar.
Pensai no que pretendeis fazer quando chegardes à casa (um
jogo, uma visita, um passeio). E, quanto aos estudos, o que ides fazer?
(Exercício de vontade). Respondei à minha pergunta: Amais vosso
papai, vossa mamãe, vossos irmãos, vossos companheiros? Quem
pensa em vossa mamãe? Quem pretende agir? Quem ama? Será vossa
cabeça? Serão vossas mãos? Não, é a vossa alma.
3. Pergunto diante das duas imagens (a do menino e a do
cachorrinho). Que pode um menino fazer com o seu corpo? (Comer,
beber, dormir, correr, cheirar, ver, etc). Que pode fazer o
cachorrinho com o seu corpo? (Comer, beber, dormir, cheirar, ver).
Mas o pode fazer coisas que o cachorrinho não pode? Sim, sabe falar,
contar e ler. Quando alguém lhe fala ou lhe conta uma história o
menino compreende. O cachorro, como todos os animais não pode
falar nem compreender quando lhe contam uma história. Por que o

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menino é inteligente? Porque tem uma alma. E por que o cachorro
não é inteligente? Porque não tem alma. Vedes a alma de um
menino? A alma pode morrer? Que se deve preferir, o corpo ou a
alma?
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
Para dizer lentamente com as crianças.
Tenho em meu corpo um espírito, chamado alma. É com a
alma que eu penso, que aprendo a ler, escrever e contar, e que
compreendo. É por ter uma alma que digo: quero ou não quero fazer
alguma coisa. É com a alma que eu amo meu papai, minha mamãe,
meus irmãos, minhas irmãs. Minha alma vale mais do que meu
corpo.
Lição: Aprender de cor no catecismo:
1. Que é o homem?
2. Que é a alma?
Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
família).
Lembrar muitas vezes às crianças que elas têm uma alma.
2. Mostrar-lhes a diferença que existe entre o homem e o
animal.
Incutir-lhes uma grande estima pela sua alma.

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II. DEUS – A SANTÍSSIMA TRINDADE
Pequeno resumo da lição precedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças.
Tenho uma alma no meu corpo.
Minha alma vale mais do que meu corpo.
Não se pode ver a alma, nem tocá-la com a mão. É um espírito.
Com a alma posso compreender o que me dizem; posso
procurar compreender tudo o que vejo.
Com a alma posso dizer: quero, posso dizer: amo.
A alma não pode morrer, viverá eternamente.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
No capítulo precedente procuramos fazer a criança compreender o que
é a sua alma. Fizemo-lo sem palavras profundas; contentamo-nos com noções
muito elementares, mas suficientes para poder chegar a um conhecimento
mais elevado: - Deus - outra realidade invisível.
Todavia, como trazemos em nossa alma a imagem de Deus,
interpretaremos essa semelhança para destacar a imagem imaterial de Deus.
Depois, chegaremos à conclusão de que Deus é muito maior que nossa
alma, que é incompreensível e que é preciso ouvi-lo a Ele mesmo, para
conhecê-lo.
Passaremos assim a falar sobre a Santíssima Trindade.
No capítulo seguinte podemos começar a grande história das relações
de Deus com o homem, e é principalmente na História Sagrada que as
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criancinhas compreenderão quem é Deus.
II. EXPLICAÇÃO
Material: reparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
Um quadro negro; - um quadro representando uma paisagem
ou o mar; - mapa geográfico; - um globo terrestre; - uma pedra; - um
pouco de terra.
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
Se alguém vos vendasse os olhos e vos levasse para bem longe
de casa, a uma bela planície com bosques, rios, montanhas e de
repente vos destapasse os olhos, certamente perguntaríeis: Onde
estou? A quem pertence este castelo? De quem são estes bosques,
estes campos? Quem é o senhor de todos esses criados que vejo?
Meus filhos, vou mostrar-vos todas as terras que existem e vou
dizer-vos quem as criou e a quem pertencem.
Mostrando o mapa:
1. Olhai este mapa de uma das cinco partes do mundo. Olhai
atentamente todos os países do mundo, com os mares representados
no globo (mostra a esfera terrestre). Neste mundo há mares,
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montanhas e grandes bosques.
Não conheceis alguma praia? Já vistes de perto uma montanha?
Já contemplastes o céu, à noite, antes de deitar? Que vistes? A lua e
inúmeras estrelas que, parecendo pequeninas, são muito maiores do
que a terra. São milhares de sóis, mais do que o rei dos astros que
vedes brilhar durante o dia.
Quem fez tudo isto? o céu, a terra, o sol, a lua, as estrelas?
Quem fez esta pedra que tenho na mão? (mostro a pedra).
Quem fez esta terra? (mostro um pouco de terra). Quem fez a água?
Teria sido um homem como o vosso papai? Vosso papai não poderia
fazer, ao menos, uma pedra? Não, vosso pai pode servir-se das pedras
para construir uma casa e da terra, ele se utiliza para fazer plantações;
mas não pode fazer a pedra, nem a terra, nem o sol, nem as estrelas.
E nenhum outro homem o poderia fazer.
Repeti comigo: Nenhum homem pode criar a terra, o sol, as
estrelas, a lua.
Quem fez a terra com as plantas, os animais e o homem? É
alguém que é mais poderoso do que o homem; vou dizer o seu nome:
prestai bem atenção: É Deus.
Repeti comigo: Deus criou a terra, o sol, a lua e as estrelas.
2. Mas, como é Deus É, como a vossa alma, um espírito.
Para fazer compreender bem quem é Deus faço um paralelo entre a
alma e Deus, vou do conhecido ao desconhecido.

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A alma humana Deus
Não posso ver a vossa alma. Não se pode ver a Deus.
Não posso apalpá-la. Não se pode apalpá-lo
A alma não tem cor nem forma. Deus não tem cor nem forma.
Vossa alma é um espírito Deus é um espírito.
Vossa alma vive em vosso corpo e Deus não tem corpo. É um
o faz agir. espírito sem corpo.
Vossa alma teve princípio (há dez Deus não teve princípio, sempre
anos não estáveis no mundo). existiu.
Vossa alma não pode morrer, Deus não terá fim.
viverá sempre.

Repeti comigo: Deus é um espirito, não tem corpo, como nós,


sempre existiu e sempre existirá.
A alma humana Deus
3. Vossa alma já conhece muitas Deus vê tudo, conhece tudo, sem
coisas, porque estudais na escola estudar, sem esforço.
e em casa. Mais tarde procurareis Ele vê tudo o que existe; conhece
saber ainda mais, mas não tudo o que fizestes, tudo o que os
conhecereis tudo e podereis vos homens fizeram e farão.
enganar. Ele não se pode enganar.
Não podereis saber o que penso
neste momento nem o que fiz há
15 dias.

O catequista poderá desenvolver este ponto.


Repeti comigo: Deus vê tudo, conhece tudo e não se pode
enganar.
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A alma humana Deus
4. Muitas vezes dizeis: quero. É Deus quer e pode tudo o que
vossa alma quem quer, mas nem quer.
sempre podeis fazer. Para Deus nada é impossível.
Quereis, por exemplo, tocar
violino. Mas se não tiverdes
aprendido, mesmo com muita
força de vontade, não o
conseguireis.

Repeti comigo: Deus pode tudo o que quer.


A alma humana Deus
5. Vossa almazinha ama vosso Deus ama vosso papai, vossa
papai, vossa mamãe, vossos mamãe, vossos irmãos, vossos
irmãos, vossos parentes, vossos amigos, todos os homens, sem
amigos. exceção.
Onde tiver vosso corpo estará a Deus está em toda a parte e na
vossa alma (aqui no colégio, em terra toda. Mostro o globo.
casa, na rua). Deus está no sol, na lua, nas
estrelas, em toda a parte do
mundo.

Repeti comigo: Deus está em todo lugar.


6. Vedes, nossa alma é a imagem de Deus. Se eu tomar um lápis
ou um pedaço de giz e desenhar a vossa figura, tenho a vossa imagem.
(Se possível, desenhar rapidamente no quadro negro uma figura).
Esta imagem vos representa, mas é uma imagem imperfeita, porque
não tem nem a cor nem o tamanho que tendes e porque não pode

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falar.
Vossa alma é uma imagem imperfeita de Deus, logo,
contemplando-a, não chegaremos ao conhecimento completo de
Deus.
Deus é tão belo e tão poderoso que, para conhecê-lo, foi preciso
que ele dissesse como é.
Em primeiro lugar ele nos disse só há um Deus.
Repeti comigo: Há um só Deus.
7. Mas ele nos disse uma coisa que não podemos compreender
e, antes de vo-la repetir, vou fazer-vos uma pergunta: Vosso papai é
mais inteligente do que vós? Conhecerá mais coisas que vos? Eu
mesmo sei muitas coisas que vos não conheceis. Acreditais em vosso
papai, quando ele fala? E quando Deus fala, deve-se acreditar? Sim?
então escutai bem o que ele quer que saibamos: Há um só Deus, mas
em Deus há três pessoas o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Estas três
pessoas fazem um só Deus. Se fitardes o sol, vereis o globo solar e os
seus raios e sentireis o calor. O globo, os raios e o calor formam um
só sol. Assim, o Pai, o Filho e o Espírito Santo fazem um só e mesmo
Deus, e, no entanto, o Pai não é o Filho e o Filho não é o Espírito
Santo. O Pai não é mais velho do que o Filho, nem do que o Espírito
Santo. Todas as três pessoas sempre existiram, são igualmente
eternas.
Repeti comigo: Há um só Deus, mas em Deus há três pessoas,
o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
8. O que não se pode compreender, mas que se deve acreditar,
chama-se mistério. O mistério de um só Deus em três pessoas chama-
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se mistério da Santíssima Trindade.
Repeti comigo: o mistério da Santíssima Trindade é mistério
de um só Deus em três pessoas. As três pessoas da Santíssima
Trindade são: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas, por isso
interrogo:
1. Pode um homem fazer alguma coisa do nada?
Quem fez do nada o céu e a terra?
2. Pode-se ver a vossa alma?
Pode-se apalpá-la? Pode-se ver a Deus? Deus tem corpo? Que
idade tendes? Desde quando existe a vossa alma? Quando morrerá
ela? Que idade tem Deus?
3. Pode vossa alma compreender?
Compreende ela tudo? Sabe tudo? Quem compreende tudo?
Quem sabe tudo? Quem conhece os vossos pensamentos? Quem sabe
tudo o que fizestes, fazeis e fareis?
4. Podeis fazer tudo o que quereis? Quem pode fazer tudo o
que quer?
5. Quem vos ama? Quem ama a todos os homens? Onde está
vossa alma? Onde está Deus?
6. É Deus mais belo e mais poderoso do que a vossa alma?
7. Disse-nos Deus como ele é? Deve-se acreditar em Deus?
8. Quantas pessoas há em Deus? Enumerai-as.

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Como se chama o mistério de um só Deus em três pessoas?
III. EXERCÍCIO PRÁTICO
1. Pensai em qualquer coisa, mas não me digais em que
pensais... Procuro conhecer vosso pensamento... Não sei. Olhai para
mim; estou pensando em uma coisa. Sabeis em que penso? Não.
Deus sabe o que pensastes e o que pensei? Sim, Deus conhece o
presente.
2. Sabeis o que fiz o ano passado, durante as férias? Não.
Procuro saber o que fizestes há dois meses. Posso sabê-lo? Não,
porque eu não estava convosco. Quem poderá sabê-lo? Deus. Deus
conhece o passado.
3. Que fareis daqui a dez anos? Não podeis dizer. Não posso
dizer, porque não o sei. Quem já sabe? Deus. Deus conhece o futuro.
4. A noite, antes de deitar, levantando a cortina da janela, vereis
no céu a lua e muitas estrelas. Direis: Deus que fez todas essas
estrelas, que são muito maiores do que aterra.
5. Pensai em tudo o que vistes nas férias, nos passeios: o mar
com os seus rochedos, a areia; as florestas com as suas grandes
árvores... as planícies as montanhas altas... Dizei bem baixinho: Deus
fez tudo isto.
6. Fitai o sol... não podeis... sua luz fere vossos olhos
pequeninos... Pensai: foi Deus quem fez o sol.
Perguntar na próxima lição:
Quem viu o céu, da janela de casa, antes de se deitar? Que
vistes? Em quem pensastes? Quem se lembrou do que viu nos
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passeios, nas férias? Dizei o que vistes. Quem fez o mar, as
montanhas, os campos? Em que pensastes, quando fitastes o sol?
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
O SINAL DA CRUZ
Quando éreis pequeninos, vossa mamãe vos ensinava a jogar
beijos com a mãozinha. Era o vosso modo de cumprimentar, de vos
despedirdes das pessoas.
Eu vou ensinar-vos a saudar a Deus com as vossas mãozinhas.
É uma bela saudação que se dirige ao Pai, ao Filho e ao Espírito
Santo.
Levanta a vossa mão direita, colocai-a na testa e dizei: em nome
do Pai... da testa descei ao peito, e dizei - e do Filho... e do peito ao
ombro esquerdo, do esquerdo ao direito, dizendo - e do Espírito
Santo. Amém.
Saudastes a Deus.
O catequista mandará as crianças repetirem o sinal da cruz, e,
para não as confundir, colocar-se-á diante delas, e fará o sinal da cruz
com a mão esquerda.
Em casa, a mãe, diante de um espelho, fará com p filhinho o
sinal da cruz, para ensinar-lhe o movimento do braço.
Lição: aprender de cor:
1. Quem é Deus?
2. Que é o mistério da Santíssima Trindade?
Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
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família).
1. Para auxiliar a memória da criança, quando se ensina que há
um só Deus em três pessoas, pode-se mandá-la mostrar o dedo índice
e dizer: há um só Deus, depois, mostrando três dedos, acrescentará:
em três pessoas.
2. Quando se fala de Deus, ensinar à criança a inclinar
levemente a cabeça.
3. Quando se fala nas três pessoas da Santíssima Trindade,
deve-se mostrar um dedo, dizendo: O Pai; um segundo dedo - o Filho
- e um terceiro dedo - o Espírito Santo.
É um excelente meio de aliar o músculo ao trabalho de espírito.
4. Na explicação, ter todo o cuidado para não materializar
Deus.
Procurar gravar bem na ideia da criança que Deus não tem
corpo.
Dizer que Deus não é como as imagens e as gravuras o
representam. Ele é como nossa alma, não o podemos ver.
Explicar então por que nos servimos de gravuras e imagens.

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HISTÓRIA SAGRADA
III. DEUS CRIA O MUNDO
Pequeno resumo da lição precedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças.
Deus é um espírito, sem corpo, que sempre existiu e existirá
sempre. Deus vê tudo, conhece tudo, e não se pode enganar. Deus
pode tudo o que quer. Deus ama a todos os homens. Deus está
presente em todo lugar. Há três pessoas em Deus: o Pai, o Filho e o
Espírito Santo.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
Começamos a contar a linda história das relações de Deus com
mundo. As crianças já têm uma ideia suficiente te de Deus, puro
espírito, cuja imagem trazemos em nossa alma, para poderem
compreender as páginas bíblicas que se seguem. O que procuramos
agora é incutir na alma da criança a convicção de que foi Deus quem
criou tudo.
E para impressionar a sua imaginação, ilustraremos esta
narrativa com imagens sucessivas, mostrando ora paisagens, ora
animais e, finalmente, o quadro do conjunto de toda a criação.
O professor que quisesse traçar rapidamente no quadro negro
um esboço dos diversos dias da criação, obteria um grande sucesso.
Não nos preocupemos com o estilo e nem receemos repetir
sempre as mesmas palavras, procuremos a clareza e a simplicidade e,
para isso, coloquemo-nos no lugar da criança que escuta.

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Uma vez que a criança compreendeu a explicação, fácil será agir
sobre a sua alma. E para alcançarmos o nosso fim: “formação cristã”,
apresentaremos as seguintes ideias: poder de Deus, seu soberano
domínio sobre a criação, e dependência absoluta da criatura do seu
Criador.
Mas essas ideias serão expostas em linguagem fácil por meio de
imagens, de tal sorte que a criança, diante de Deus, sinta alguma
coisa semelhante ao que sente na presença de seu pai.
II. EXPLICAÇÃO
Material: reparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
Quadros representando uma paisagem; animais, o conjunto da
criação; mapas do mundo e um globo.
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
Meus filhos, gostais de ouvir histórias, não é? Quereis que eu
vos conte uma? É uma história muito bonita, mas não acabarei hoje,
continuarei cada vez que dermos o catecismo. Escutai, pois, com
atenção. Vou contar-vos como Deus fez tudo o que existe.
1. No princípio não havia céu, nem estrelas, nem terra, nem

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mar, nem sol, nem luz, nem plantas, nem animais e nem homens. Só
havia Deus. Ainda vos lembrais quem é Deus? É puro espírito; não
tem corpo.
Repeti comigo: No princípio não havia céu, nem e estrelas,
nem sol, nem lua, nem terra, nem mar, nem luz, nem plantas, nem
animais e nem homens. Só havia Deus.
Só ele existia; então quis criar o céu. Como faz o vosso papai
quando quer que na sua chácara haja plantas? Tona as sementes,
lança-as na terra e, no fim de algum tempo as sementes germinam,
brotam e crescem. Que faz o pedreiro para construir uma casa? Nivela
o terreno, manda vir pedras, faz o alicerce, depois as paredes,
deixando os vãos para as portas e janelas. É trabalho de muito tempo
e cansa muito. Deus terá feito assim também? Mas ainda não havia
nada; não havia luz, nem água, nem terra, nem pedras, nem plantas.
Pode-se fazer alguma coisa do nada? Não, vos não o podeis, vosso
papai não o pode, ninguém o pode. Mas Deus pode tudo o que quer;
então, quando Ele quis fazer o mundo do nada, bastou que dissesse:
Quero que o céu e a terra existam, e imediatamente o céu e a terra
existiram.
Para dar uma ideia do poder de Deus.
Fechai bem os olhos. Estão bem fechados? Vedes alguma coisa?
Não, não vedes nada. Abri-os depressa... Agora estais vendo tudo o
que vos cerca... Pois bem. Antes de Deus ter dito: quero que o céu e
a terra existam, tudo era como quando tínheis os olhos fechados: não
havia nada. Depois que ele disse apareçam o céu e a terra, o céu e a
terra apareceram, como estas coisas, no momento em que abristes os
olhos. Fazer alguma coisa do nada, com a simples palavra: eu quero,
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chama-se criar.
Repeti comigo: Foi Deus quem criou o céu e a terra.
2. Mas não havia luz. Então disse Deus: Haja luz, e logo a luz
brilhou por toda parte e sobre tudo o que existia, com mais rapidez
do que se ilumina o vosso quarto, quando apertais o interruptor.
Deus criou a luz com um simples ato da sua vontade.
Repeti comigo: Depois, Deus criou a luz. Chamou à luz: dia:
e às trevas: noite.
Quando levantais os olhos, vedes a abóbada azul do céu, que se
estende sobre os campos, bosques, cidades e que, às vezes, fica
encoberta pela nuvens. Essa abóbada que se chama firmamento,
Deus a criou depois de ter feito a luz.
Olhai bem agora para este mapa. As águas estão separadas das
terras. No princípio as águas cobriam as terras, mas Deus separou-as,
reunindo as águas num só lugar. Então apareceu a terra enxuta,
porém era uma terra vazia, sem plantas, sem flores, sem árvores. Disse
Deus: quero que a terra produza ervas, plantas e árvores frutíferas, e
toda a terra se cobriu de lindas plantas e árvores: laranjeiras,
palmeiras, mangueiras; (dizer algumas árvores que as crianças
conheçam).
Depois, Deus fez o sol que ilumina a terra e a lua que brilha
nas noites; fez também as belas estrelas que muitas vezes contemplais,
à noite, antes de vos deitar.
Repeti comigo: Foi Deus que separou as terras das águas; foi
Ele quem criou as plantas, as árvores, o sol, a lua e as estrelas.

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E agora vos faço uma pergunta: Que existe no mar e nos rios?
Peixes, muito grandes e bem pequenos, conchas... E no céu Que
vedes voar? Pássaros de toda espécie, com plumagens de todas as
cores. No princípio não havia peixes no mar, nem no Deus quem
disse: quero que haja peixes no mar e pássaros no ar: E assim se fez.
Repeti comigo: Foi Deus quem criou os peixes que vivem na
água, e os pássaros que voam no ar.
3. Só faltava que Deus povoasse a terra. Já havia ervas, plantas,
árvores frutíferas, o necessário, enfim, para alimentar os animais e o
homem. Foi pelos animais que Deus começou, dizendo: “Produza a
terra toda a espécie de animais quadrúpedes e reptis”. E no mesmo
momento apareceram: gatos, cachorros, cavalos, bois, leões, elefantes
e muitos outros animais que conhecereis mais tarde.
Mostrar às crianças uma gravura representando animais.
Vede, todos os animais representados nesta gravura foram
criados por Deus.
Repeti comigo: Foi Deus quem criou todos os animais.
Depois de ter povoado a terra, disse Deus: “Façamos o homem
à nossa imagem, que ele domine sobre todos os animais e sobre toda
a terra” E Deus criou o homem e a mulher. Mais adiante vos contarei
como ele o criou e o que lhe aconteceu.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas, por isso
interrogo.
Ponho diante dos olhos das crianças o quadro que representa o
conjunto da criação e faço as seguintes perguntas:

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1. Nos vossos passeios, que vedes no campo? Arvores, o céu, o
sol, animais. O céu, o sol, a terra, as árvores e os animais sempre
existiram? Que faz o vosso papai, quando quer plantar no jardim?
Como se faz uma casa? Como faz Deus, quando quer fazer alguma
coisa?Como criou Deus o céu? Como criou Deus a terra?
2. Quem fez a lua? Quem separou as terras das águas? Havia
ervas, árvores e flores na terra? Que disse então Deus?
3. Havia animais na terra? Que disse então Deus? Como
terminou Deus a criação?
III. EXERCÍCIO PRÁTICO
1. Pensai em alguma casa que tendes visto construir numa rua
onde costumais passar, e dizei foi o pedreiro quem colocou as pedras;
foi o carpinteiro quem fez as esquadrias; foi o marceneiro quem pôs
as portas e as janelas e foi o vidraceiro quem colocou os vidros. Mas
foi Deus quem do nada fez as pedras para o pedreiro, as árvores para
o carpinteiro e o marceneiro e a areia para a fabricação do vidro. Foi
ainda Deus quem fez a terra sobre a qual está edificada a casa.
2. Pensai num automóvel que vistes na rua, e dizei: foi um
homem muito inteligente que construiu aquele carro; foi o mecânico
que arrumou as peças, foi o negociante de gasolina que encheu o
tanque.
Mas foi Deus quem deu a inteligência ao homem e ao
mecânico. Foi Deus quem lhes deu o ferro, o aço, e ainda Deus quem
pôs na terra a gasolina que faz andar o automóvel.
3. Mandar rezar: Meu Deus, vos nos destes tudo para o nosso
serviço! Eu vos amo e vos agradeço.
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Na lição seguinte, perguntar:
Quem viu construir uma casa? Quem deu as pedras pedreiro,
etc.? Quem viu rodar um auto? Quem fez o carro? Quem deu o ferro,
o aço e a gasolina?
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
1. Tudo pertence a Deus
Um marceneiro compra a madeira; serra-a em tábuas, corta-as
e as aplaina bem... depois com elas faz uma mesa, com pés, gavetas,
a parte superior, e a enverniza. É uma linda mesa, igual à que tendes
em casa. De quem é esta mesa? Do marceneiro. Por quê? Porque ele
a fez. Um relojoeiro faz um relógio com o ouro, coloca todas as peças,
molas, vidro. O relógio anda, faz tic-tac, os ponteiros giram bem. A
quem pertence este relógio? Ao relojoeiro. Por quê? Porque ele o fez.
Eu vos contei como Deus fez o céu; agora me digam, a quem pertence
o céu? Sabeis como Deus fez a terra, as plantas, os animais e os
homens. A quem pertence tudo isto? A Deus, o Criador
Oração: Repeti comigo: Meu Deus, vós fizestes tudo que vejo;
tudo é vosso; eu mesmo vos pertenço.
2. A casa de Deus.
Chamar a atenção da criança para a igreja, incutindo-lhe na ideia: a
casa de Deus. Mais adiante completaremos a explicação da igreja.
Todos temos uma casa. Deus também terá a sua? Que é esta
casa grande, que não se parece com nenhuma que tem um telhado
muito mais alto e uma torre ainda mais alta? Esta casa, na qual vossos
pais vós entrais todos os domingos e, às vezes, durante a semana -

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é a igreja. A entrada, toma-se água benta, faz-se o sinal da cruz.
Entra-se lentamente, ajoelha-se e reza-se baixinho. Aos domingos
celebram-se nela lindos ofícios, com canto e música. A igreja é a casa
de Deus, que está em toda parte, mas quer a sua casa para nos receber
muitas vezes.
Interrogo as crianças se já estiveram na igreja, como se portaram e o
que fizeram.
Exercícios
1. Mandar repetir o sinal da cruz.
2. Explicar o sentido da genuflexão (sinal de respeito); mandar
as crianças, uma por uma, fazer uma genuflexão.
3. Falar sobre o modo de proceder na igreja. Fazer pequenos
exercícios sobre o modo de ficar de joelhos (corpo teso, mãos postas);
e para conservar-se de pé (corpo teso, braços cruzados, olhos no altar).
4. Falar sobre o modo de se portar durante as orações. Antes
de cada oração lembrar que Deus nos vê, sabe o que pensamos e ouve
o que dizemos.
5. Chamar desde já a atenção da criança para o tabernáculo: é
lá que habita o Filho de Deus.
Lição: Aprender de cor no catecismo:
1. Por que dizeis que Deus é criador?
2. Por que dizeis que Deus é soberano Senhor?
3. Aprender de cor o primeiro artigo do “Credo”: “Creio em
Deus Pai, todo-poderoso, Criador do céu e da terra”.

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Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
família):
1. Não materializar Deus. Nos quadros e gravuras que termos
de mostrar às crianças, segundo a tradição, Deus é representado
sempre sob a forma de um velho. É muito importante explicar à
criança que Deus não é assim, lembrando-lhe que ele é um espírito.
A criança sabe que tem uma alma e que a sua alma é um espírito;
poderá, pois ligar a ideia de Deus à de sua alma.
2. Aproveitar um passeio para lembrar à criança que tudo o que
ela vê foi Deus quem criou (rios, montanhas, mar). Mostrar-lhe que
os homens se têm servido de tudo o que Deus criou casa, pedra,
madeira, ferro).
3. Quando a criança estiver entretida com os seus brinquedos
(mecano, patinete, trenzinho de ferro), chamar-lhe a atenção,
dizendo que foram os homens, sim, que fizeram esses objetos, mas
foi Deus quem pôs o ferro na terra para que os homens fizessem com
ele toda a sorte de objetos.
4. Entrando com uma criança na igreja, que a mãe ou
catequista de o exemplo, com a sua atitude (genuflexão feita
lentamente e com todo o respeito, passo lento, olhos baixos). Esse
exemplo convencerá a criança.

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IV. CRIAÇÃO DOS ANJOS
Pequeno resumo da lição precedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças.
Deus criou (fez do nada) o sol, as estrelas, a lua, tudo o que
existe. Deus é como a minha alma. Não se pode ver a Deus, nem
tocá-lo com as mãos, porque ele é um espírito, não tem corpo. Deus
vê tudo, sabe tudo e não se pode enganar. Deus pode tudo o que
quer. Ele ama a todos os homens, porque é bom. Deus está em todo
lugar. Há um só Deus; mas em Deus há três pessoas, o Pai, o Filho e
o Espírito Santo.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA.
Antes de começar a história de Adão e Eva, é necessário contar
a criação dos anjos, sua provação, a perseverança de uns e a queda de
outros.
As noções que a criança já tem da alma e de Deus, permitir-lhe-
ão compreender as explicações que vamos dar. Aos pequeninos é
inútil mostrar os graus que há na obra de Deus.
Exporemos a doutrina, contaremos a história sagrada, tirando
as conclusões.
Tudo o que dissermos será aceito pela criança que gosta de
histórias maravilhosas, por isso mesmo devemos ter todo cuidado em
dar-lhe noções exatas, sem exagero algum.
Respeitemos a candura e o viço da fé de nossos pequeninos.

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II. EXPLICAÇÃO
Material: reparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
Quadro representando os anjos. Sendo possível, imagens
representando cenas da queda dos anjos, cenas da história de Tobias.
Uma criança trabalhando - uma criança rezando; - pequenas
estampas do anjo da guarda (para distribuir).
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
Já contemplastes algumas vezes o sol, a lua e as estrelas? Sim.
Podeis dizer-me o que existe nas estrelas? Não - Vedes as estrelas, mas
não sabeis o que elas contêm. E no céu? Que há? Eu vou dizer-vos e
até vou contar-vos uma linda história, que gostareis de ouvir.
1. Antes de criar a terra, Deus havia criado o céu e assim como
ele colocou na terra o homem, povoou o céu de entes que não
podemos ver, que não têm corpo (braços, pernas), são espíritos como
Deus.
Se eu pudesse separar vossa alma do vosso corpo, a vossa alma
representaria um desses espíritos. São chamados anjos.
Repeti comigo: Deus criou os anjos.

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Os anjos compreendem, querem e amam como a vossa alma,
mas são muito mais poderosos, muito mais belos e inteligentes. Deus
criou muitos, muitos anjos.
2. Eles deviam amá-lo, servi-lo e ocupar-se com tudo que Deus
havia criado. No céu todos eram muito felizes, mas deviam obedecer
a Deus. E era justo, pois pertenciam a Deus, que os havia criado.
Entretanto, uns, muito orgulhosos, recusaram-se a obedecer,
dizendo: Não obedeceremos a Deus, não precisamos dele, somos
bastante poderosos sem ele! Oh! meus filhos, como é horrível querer
se separar de Deus, querer desobedecer-lhe... (um instante de
silêncio). Deus tinha sido tão bom para eles: Deu-lhes a vida, a
inteligência, a vontade, a liberdade de fazerem o que quisessem, com
a única condição de não praticarem o mal. Eles deviam ter amado
muito a Deus, e obedecido às suas ordens. Não quiseram.
Repeti comigo: os anjos maus não quiseram obedecer a
Deus.
Muitos, porém, cujo chefe era o arcanjo São Miguel, disseram:
nós queremos obedecer a Deus, que é nosso Senhor, nós o amamos,
não podemos passar sem ele, ninguém deve separar-se de Deus.
Houve então um grande combate no céu, entre os bons e os anjos
maus. Estes foram vencidos, expulsos do céu e precipitados no
inferno com o seu chefe, que é Satanás.
Desde então outra coisa não querem senão desobedecer a
Deus. São maus, não amam a Deus, nem aos que amam a Deus, e
quando veem alguém que quer obedecer, procuram arrastá-lo à
desobediência. São chamados demônios.

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Mostrar quadros representando a queda dos anjos.
Repeti comigo: os anjos maus foram expulsos do céu e
procuram levar-nos a desobedecer a Deus.
Felizmente temos ao nosso lado os anjos bons, os que Deus,
que lhe servem e que se ocupam conosco. Protegem-nos e nos
guardam.
Mostrar, por uns momentos, um quadro do anjo guarda, retirá-
lo e depois continuar.
3. Escutai esta linda história:
No correr da história mostrar os quadros que representam as
diferentes cenas.
Era uma vez um homem chamado Tobias, que amava muito
Deus. E para provar seu o amor, procurava prestar serviços aos
homens que viviam com ele. Um dia ficou cego; não via nada, nada.
Ficou muito triste, mas disse a Deus: “Seja feita a vossa vontade”.
Como não podia mais trabalhar, lembrou-se de um seu amigo
que morava num país afastado, em Ragés. Este lhe devia boa soma
de dinheiro. Deu ordem a seu filho que o fosse cobrar.
Antigamente não se viajava como hoje. Não havia belas
estradas, nem caminho de ferro, e nem automóveis. Os negociantes
se serviam de camelos, de cavalos ou de jumentos. Muitos faziam as
viagens a pé levando dias e dias para chegar ao destino.
“Meu filho, disse Tobias, procura um companheiro, para não
ires só”; o jovem Tobias saiu, e, perto de casa encontrou um moço
de bela aparência, preparado para viajar. O jovem Tobias nunca o
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vira, mas pareceu-lhe tão amável, que saudou-o e lhe perguntou se
conhecia o caminho de Ragés.
- Conheço perfeitamente, -respondeu este.
- Então - replicou Tobias - queres ser meu companheiro de
viagem?
O moço aceitou e ambos se dirigiram à presença do pai.
Entrando, o desconhecido disse ao velho cego:
- Sê feliz.
- Como posso ser feliz, se não vejo a luz do dia? -retrucou o
velho.
- Tem coragem, Deus pode te curar. Parto, e trarei teu filho são
e salvo.
Despediram-se dos pais, e partiram. Tobias levou consigo o seu
cão, que alegre corria e latia diante deles.
Andaram muito tempo debaixo de um sol ardente. À tarde do
primeiro dia chegaram a um rio caudaloso. Como tinham andado
muito, o jovem Tobias, fatigado, quis lavar os pés. Entrou na água,
mas de repente, assustado, deu um grito: um grande peixe investiu
para devorá-lo.
- Não te assustes, disse-lhe o guia, segura-o pelas guelras e puxa-
o para fora.
Tobias agarrou e puxou para terra o enorme peixe que se
debatia na areia. Quando o tinha lançado na margem, o anjo
continuou:

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- Estripa-o, mas guarda o fel e o fígado, que se empregam como
remédio.
Tobias obedeceu logo. Depois assaram a carne do peixe para
comer. Na manhã seguinte continuaram a viagem.
Depois de alguns dias, chegaram a uma cidade onde habitava
um homem chamado Raguel. Este uma filha de nome mais ou
menos na idade de Tobias.
Os dois viajantes hospedaram-se em casa de Raguel, que os
recebeu com prazer, e sentiu-se tão feliz em ver Tobias, cujo pai
conhecia, que deu-lhe sua filha em casamento.
Mas era preciso ir a Ragés, cobrar a dívida de Gabelo; era longe,
dois dias de viagem. O guia foi sozinho, e Tobias ficou ao lado da sua
noiva.
Quando voltou à casa de Raguel, celebraram o casamento e
puseram-se a caminho de casa dos pais de Tobias.
Sara levava muito dinheiro, criados, criadas e rebanhos.
Tobias e seu companheiro foram na frente, com o cão que os
acompanhava na viagem. Entretanto, de Tobias começavam a se
entristecer com a demora do filho.
O pai ficava sentado num banquinho, e a mãe subia todos os
dias até o alto de uma colina, para ver se o filho vinha.
Finalmente, um dia, ela olhava, quando, de repente, escutou
latir o cão que chegou primeiro, fazendo festas com a cauda e
saltando de alegria. Logo depois apareceu o filho com o seu
companheiro de viagem. Então velho Tobias, guiado pela mão de um
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menino, seu criado, foi também pressuroso ao encontro do filho;
abraçaram-no chorando de alegria.
Em seguida, a um sinal do seu companheiro, o jovem Tobias
mandou o ancião sentar-se e esfregou seus olhos com o fel do peixe
que haviam apanhado no rio. Depois de alguns minutos,
desprendeu-se-lhe dos olhos uma película branca velho Tobias
recuperou a vista. Estava sarado. Que alegria para todos!
Sete dias depois, foi uma nova alegria, quando Sara chegou.
O velho Tobias e seu filho quiseram recompensar o fiel
companheiro de viagem. Chamando-o à parte, pediram-lhe que
aceitasse a metade de tudo quanto tinham trazido.
Mas prestai bem atenção o companheiro, que eles tomavam por
um homem revelou-se e lhes disse: Eu sou o anjo Rafael, um dos sete
que estão diante do Senhor. Quando oravas, eu apresentava tuas
orações ao Senhor. Foi ele quem me enviou para te curar. Torno a
ele. Dizendo isto, desapareceu.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas, por isso
interrogo:
1. Deus tem corpo? Como se chama o espírito que está dentro
do vosso corpo? Se vossa alma não estivesse unida ao corpo, a quem
seria semelhante? Quem criou os anjos? São eles numerosos?
2. Qual era a obrigação dos anjos? Todos obedeceram a Deus?
Que aconteceu aos anjos maus? Qual é o seu chefe? Como se chama
o chefe dos anjos bons? Como se chamam os anjos maus? Eles gostam
de quem obedecera Deus? Que fazem por nós os anjos bons?

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3. Por que Tobias mandou seu filho a um país distante? Por
que não fez ele mesmo essa viagem? Quem acompanhou seu filho?
Como se viajava antigamente? Sentia-se feliz o filho de Tobias na
companhia do anjo? Sabia que seu companheiro era anjo? Quem
corria e ladrava à frente deles? Que foi fazer o jovem Tobias à margem
do rio? Por que teve medo? Que lhe disse seu companheiro? Que
tirou ele do peixe? Como se chamava a filha de Raguel? Quem foi
buscar o dinheiro em Regés? Que levou Sara consigo, quando deixou
a terra de seu pai para acompanhar Tobias? Quem foi ao encontro
dos viajantes? Os pais do jovem Tobias ficaram contentes de ver o
filho e sua mulher? Como recuperou a vista o velho Tobias? Por que
o anjo se deu a conhecer? Como se chamava este anjo?
III. EXERCÍCIO PRÁTICO
1. Pensai bem no que ides dizer comigo: Eu tenho junto de
mim um anjo que não vejo, mas ele me vê, me ouve e me protege,
como o anjo Rafael protegeu Tobias. É o meu anjo da guarda. Pensai
bem no que dissestes.
Fazer as crianças baixarem os olhos e refletirem um minuto em
silêncio... completo silêncio na sala.
2. Coloco diante da criança uma gravura dum menino ou duma
menina que estuda na classe... Vede este quadro. Este menino não
está distraído, ele estuda ouviu o anjo bom que lhe disse baixinho:
estuda, estuda. Atendereis ao vosso anjo quando ele vos mandar
estudar, ser obediente? Prometei-o ao vosso bom anjo!
Um minuto de silêncio. Pode-se servir de uma outra imagem
representando uma boa ação de criança.

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3. Quem de vós irá esta semana à igreja com mamãe? Quem
pensará em pedir à mamãe que lhe mostre as estátuas e os quadros
que representam os anjos? Na igreja existem lindos! (Indicar os
lugares). Nas doutrinas que se dão na igreja, quando há poucas
crianças, o catequista poderá levar os pequenos diante das diante das
estátuas e dos quadros, dando assim uma excelente lição das coisas
religiosas.
4. Distribuir às crianças uma imagem do anjo da guarda,
recomendando-lhes colocá-la na cabeceira da cama e todas as noites
rezar uma curta oração ao anjo da guarda.
Interrogar na lição seguinte: Quem pensou no seu anjo da
guarda? Quem procurou agradar-lhe? Quem foi igreja já com a
mamãe? Que quadros viram? Quem colocou na cabeceira da cama a
imagem que ganhou na lição passada?
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
1. Uma aplicação: o anjo da guarda.
Ouvistes a linda história de Tobias e talvez muitos de vos
tenhais pensado: ele foi feliz de ter ao seu lado um anjo.
Sim, mas vos também tendes essa felicidade. Deus vos deu um
anjo da guarda, que não vedes, porque não tem corpo, mas que está
sempre ao vosso lado, que vos vê, que ouve vossas orações, que conta
os vossos sacrifícios. Quando estudais e obedeceis, ele se sente feliz,
e se não sois bem comportados, se fazeis mal criação e sois maus, o
vosso anjo se entristece.
Nosso Senhor, que é o Filho de Deus, e que via os anjos, como
Deus seu Pai, disse um dia, quando as crianças o cercavam: “Os anjos
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dessas crianças veem a Deus, meu Pai”.
2. O dia 2 de outubro
No dia 2 desse mês, temos a festa dos anjos da guarda. Quando
vossos pais têm aniversário, vós lhes ofereceis flores, presentes, e
abraçando-os lhes dizeis que os amais de todo o vosso coração. No
dia da festa dos anjos da guarda, devemos pensar neles, agradecer-
lhes a sua proteção, e dar-lhes prazer, obedecendo e estudando bem,
não só colégio como no catecismo. Eles são nossos amigos e não nos
deixam um só instante.
Repitamos juntos: Meu bom anjo da guarda, ajudai-me a ser
sempre bom e a ser aplicado nos estudos.
Lição: No catecismo aprender de cor as respostas à seguintes
perguntas: Que são os anjos? Que é o anjo da guarda?
Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
família).
1. Fazer a criança compreender por que se representa anjos com
um corpo. Mandar uma criança se levantar e perguntar: Se eu
quisesse representar vossa alma que não vejo, que é um espírito,
conseguiria? - Não, não se pode desenhar aquilo que não tem corpo.
É impossível. Então, se eu quiser representar a alma de João, por
exemplo... eu desenharei o próprio João, porque vendo o seu retrato,
a gente pensa na alma dele. Mas se eu quiser representar um anjo,
terei muito mais dificuldade, porque anjo não tem braços, nem
cabeça nem pernas. Que farei? Desenhá-lo-ei com um corpo, embora
saiba que ele não tem corpo. Olhai esta gravura.
Mostrar uma gravura representando um anjo e mandar repetir: Os
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anjos não têm corpo.
2. Quando levar as crianças à igreja, mostrar-lhes os quadros ou
esculturas que representam anjos, explicando-lhes a cena
representada.
3. Se a criança tiver medo do escuro, lembrar-lhe a presença do
anjo da guarda.
4. Quando a criança fizer uma boa ação, dizer-lhe que o anjo
da guarda o viu e ficou contente. E se, pelo contrário, a criança fizer
alguma coisa de mal, explicar-lhe que ela entristeceu o anjo da guarda
e deu prazer ao demônio. A noite perguntar à criança: pensaste
muitas vezes em Deus e em teu anjo da guarda?
5. À noite, antes de dormir, mandar a criança rezar uma curta
invocação ao seu, anjo.
6. Durante a aula, pedir-lhe pequenos sacrifícios (bom
comportamento, silêncio) lembrando-lhe que o seu anjo bom a vê.

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V. CRIAÇÃO DE ADÃO E EVA
Pequeno resumo da lição precedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças.
Deus criou os anjos. Ele criou muito... muitos anjos. Os anjos
compreendem, querem e amam como a nossa alma, mas são muito
mais poderosos. Os anjos não têm corpo. Os anjos deviam obedecer
a Deus. Uma parte obedeceu a Deus, mas a outra recusou-se a
obedecer e foi expulsa do céu. Os anjos bons nos protegem e os anjos
maus querem nos arrastar para o mal.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
A história santa continua. Depois da narrativa da criação dos anjos,
vamos apresentar os quadros, de vivas cores, da criação de Adão e Eva.
Diante deles, explicaremos em fatos e palavras muito simples (abstendo-nos
de todos os termos teológicos), o que é a graça e o que e a beleza de uma alma
em estado de graça.
Mostraremos a ação da Providência de Deus e fareis as crianças
rezarem, dizendo: “Pai Nosso, que estais no céu...”
Completamos assim as noções sobre a divindade, apresentando Deus
nas suas relações com os homens, tornando-o familiar, sempre presente,
agindo em tudo.
Chamamos a atenção dos catequistas sobre o lado prático.
II. EXPLICAÇÃO
Material: reparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.

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Quadro representando as diferentes cenas de Adão e Eva, antes
da tentação; - imagem representando um ninho; - ou desenhar um
ninho no quadro negro.
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
Mando um menino levantar-se um instante.
Tens um corpo: cabeça, braços, peito, pernas. Neste corpo
existe uma alma que eu não vejo. Todo nós temos um corpo e uma
alma e em toda parte na terra existem homens como nós.
Houve um momento em que na terra, que Deus acabava de
criar, não existia nem um homem, ninguém, ninguém...
Com vida só havia animais, que corriam pelos montes e
campinas, animais que não têm inteligência e não podem conhecer
a Deus.
Mostrar o quadro da criação sem o homem.
1. Mas Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e
semelhança, para que ele me conheça e faça tudo o que eu lhe
ordenar; há de me amar, e eu o amarei muito. Viverá algum tempo
nessa terra e eu o levarei então ao céu entre os anjos”.
Primeiro formou o corpo do homem de barro, e do nada criou-
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lhe uma alma (sabeis o que é a alma). Uniu a ama ao corpo.
Repeti comigo: Deus formou o corpo do primeiro homem do
barro, depois deu-lhe uma alma que uniu corpo.
Deus tinha criado para o homem o belo céu azul, a terra com
as árvores, os rios, os animais, e o homem sentia que Deus o amava,
como vos sentis que vosso papai vos ama. Deus deu ao primeiro
homem o nome de Adão e colocou-o num lugar tão bonito que tinha
o nome de paraíso terrestre.
Quadro de Adão no paraíso.
No paraíso, Deus tinha plantado árvores de toda a espécie,
grandes e pequenas, árvores que davam frutos e plantas com flores
de todas as cores. Nos ramos das árvores os pássaros cantavam e
esvoaçavam. As águas claras de um rio corriam nesse jardim. Adão
via passar perto dele todos os animais (leões, tigres, cachorros) e
nenhum lhe fazia mal. Também Adão não tinha medo, pois sabia
que Deus estava com ele e que não devia sofrer nem morrer. Comia
os frutos de todas as árvores que estavam no jardim, exceto os frutos
de uma árvore que se achava no meio do paraíso terrestre: a árvore
da ciência do bem e do mal.
Repeti comigo: Deus deu o nome de Adão ao primeiro
homem e colocou-o no paraíso terrestre.
Deus tinha dito a Adão: “Podes comer os frutos de todas as
árvores do jardim, só não comas os da árvore da ciência do bem e do
mal, porque, no dia em que os comeres, morrerás”. Deus tinha o
direito de dar ordens a Adão, pois Adão lhe pertencia, como vos
pertenceis ao vosso papai e à vossa mamãe. Deus lhe proibiu tocar
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no fruto, como a vossa mamãe vos proíbe tocar no fogo, para não vos
queimardes.
Adão compreendeu e a princípio atendeu a Deus. Quando via
o dizia: não devo tocá-lo, é proibido.
3. Mas ele estava só neste grande paraíso, e Deus profundo dar-
lhe uma companheira. Um dia Adão caiu em uma das sono, e,
enquanto ele dormia, Deus, dou, costelas, formou uma mulher.
Quando acordou, ficou cheio de alegria e agradeceu a Deus. Já não
estava só; a companheira que Deus lhe deu, chamou-a Eva.
Abençoou-os Deus e disse-lhes que tivessem muitos filhos para
povoar a terra.
Quadro de Adão e Eva.
Repeti comigo: Deus deu a Adão uma companheira chamada
Eva, e lhes proibiu comer os frutos de uma árvore.
Como eles eram felizes no jardim de Deus! Tinham tudo o que
queriam não sentiam frio - o sol os aquecia brandamente. Não
ficavam doentes e não deviam morrer.
E em tudo que os cercava, eles viam a bondade de Deus: Os
animais tinham a erva e os frutos para o seu alimentos abrigos para
dormir. Os pássaros tinham os seus ninhos quentinhos.
Mostrar uma imagem representando um ninho ou desenhá-lo
rapidamente no quadro negro.
Adão e Eva não eram como os animais, que veem tudo o que
existe, mas que não compreendem que foi Deus quem fez tudo. Eles
eram inteligentes e tinham o que os animais não têm - uma alma. E

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na sua alma morava Deus e se refletia a sua imagem, como no espelho
se reflete a vossa imagem.
Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) sentia-se feliz de ter essas duas
almas que não conheciam o mal e que só faziam o bem. Deus
considerava Adão e Eva como seus filhos, assim como vosso papai
vos considera a vós, seus filhos. E de fato, Deus tinha adotado a Adão
e Eva como filhos. Queria deixá-los algum tempo na terra, e depois
levá-los para o céu, onde, com os anjos, seriam felizes para sempre.
O catequista pode explicar que este estado se chama estado de graça.
Repeti comigo: Deus considerava Adão e Eva seus filhos.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas, por isso
interrogo:
Foi no começo ou no fim da criação que o homem? Que havia
na terra quando Deus criou o homem? Por que criou Deus o
homem? De que formou o seu corpo? Como se chamou o primeiro
homem? Onde o colocou Deus?
2. Que havia no paraíso? Adão teve medo dos animais? Que
comia? Podia comer os frutos de todas as árvores? Vossa mãe vos
proíbe tocar em alguma coisa? Deus tinha o direito de dar ordens a
Adão? Compreenderia Adão esses direitos?
3. De que modo Deus deu a Adão uma companheira? Como
se chamou? Sabiam os animais que tudo lhes vinha de Deus? E Adão
e Eva o sabiam? Por quê? Eram eles amados por Deus como amigos
ou como filhos?
III. EXERCÍCIO PRÁTICO

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1. Pensai em tudo o que Deus deu a Adão e Eva. Deu-lhes a
vida... o paraíso terrestre... o alimento.... Um minuto de silêncio.
Mostrar o quadro de Adão e Eva no paraíso terrestre. E para vós, que
fez Deus? Deu-vos uma alma, vossos pais que vos amam, e vos dá tudo
que precisais.
2. A quem pertencem os móveis de vossas casas: a mesa, as
cadeiras, o guarda-louça, as camas e os mantimentos que estão na
dispensa? Não a vós, mas aos vossos pais. Vós vos servis de todas essas
coisas mas elas pertencem ao papai e à mamãe. A quem pertencem o
céu as estrelas, o sol e a lua? A quem pertence a terra? Aquele que fez
tudo, a Deus. Deus nos dá a luz, o sol, a lua, os frutos da terra como
um pai da a seus filhos a casa, os móveis, o alimento. Mas tudo
pertence a Deus. Deus nos considera como um pai a seus filhos.
3. Faço a criança refletir sobre o modo pelo qual Deus se ocupa dela.
Partir da providência paterna para chegar à providência de
Deus. Já notastes como o vosso papai e vossa mamãe ocupam
convosco? Vamos pensar juntos para que possais compreender bem
o que eles fazem. De manhã quando despertais, já vossa mamãe vos
preparou um café ou chocolate bem quentinho. Depois, vos manda
fazer a oração da manhã e vos ajuda a vestir. Na hora de ir para a
escola, examina se vossa roupa está limpa, se nada vos falta e vos
manda para a aula. Quando voltais, indaga com interesse o que
fizestes e se inquieta se nota que estais cansados.
Enquanto estais no colégio, ainda se preocupa convosco:
arruma o vosso quarto, cuida da vossa roupa. E à noite, quando
sentis sono, ela vos manda fazer a oração da noite e vos ajuda a despir
para dormir.
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Pequeno exercício de reflexão
Pensai no que vossa mamãe faz por vós... Vossa mamãe cuida
muito de vós? E vosso papai?
- Menos - direis.
Será verdade? Vamos ver. Vosso papai trabalha no comércio ou
no escritório, ou no campo. Por que trabalha? Para ganhar dinheiro:
Para quem? Para vossa mamãe e para vós; para que possais comprar
roupa, pão carne, legumes, frutas, tudo, enfim, que é necessário para
viver. Talvez ainda não tivésseis pensado que vosso papai se ocupa
tanto assim convosco. Ele sai de manhã e só volta à noite para
descansar. Não notais muito porque o papai não fica o dia inteiro
em casa, como a mamãe, mas é certo que ele também pensa em vós,
trabalha para vós e cuida muito da família.
4. Segundo exercício de reflexão
Pensai bem no que faz o vosso papai. Escreve, vende, trabalha
no campo.
O catequista pode se utilizar do que sabe sobre a vida dos pais, e fazer
um quadro que corresponda à realidade.
Mas já pensastes naquele que permite que vosso pai trabalhe,
dando-lhe força, saúde e inteligência? Há alguém que se ocupa mais
ainda de vos do que o vosso pai e a vossa mamãe. E esse alguém que
se ocupa ao mesmo tempo de vós, de vosso papai, de vossa mamãe
de todas as crianças, de todos os pais e de todas as mães, é Deus. É
ele que nos dá o ar que respiramos. Sem este ar não poderíamos
viver. É ele quem faz crescer a erva que sustenta os animais, cuja
carne comemos, quem dá a lã aos carneiros para o nosso agasalho;
50
quem criou a terra que pisamos; quem pôs na terra o que é preciso
para germinar a semente. É Deus quem dá saúde a vossos pais, para
que eles possam trabalhar e vos educar. Deus cuida de vos, de vossos
pais, de todos os homens.
Respirai - este ar que acabais de respirar (e não podeis deixar de
respirar) foi criado por Deus.
É Deus quem dá o ar para os vossos pulmões.
6. Deveis refletir...
a) Quando comerdes um bom pedaço de pão, pensareis: este
pão foi feito com o trigo que Deus mandou que a terra produzisse.
Quando beberdes um pouco de vinho, pensareis: este vinho foi feito
com as lindas uvas que Deus mandou que brotassem e
amadurecessem nas vinhas.
b) Quando virdes cair a chuva, direis que foi Deus quem
mandou a chuva para regar as terras para que produzissem legumes
e frutas. Quando virdes o sol, direis que mandou o sol para
amadurecer as colheitas e as frutas.
c) Quando comerdes legumes, pensareis: foi o hortelão quem
os plantou, mas foi Deus quem os fez nascer e amadurecer. Quando
virdes voar um pássaro, direis: é Deus quem alimenta este
passarinho, que não semeia e que não colhe.
Na lição seguinte perguntar:
Quem dá saúde a vossos pais? Com que se faz o pão? Quem faz
brotar o trigo na terra? Quem faz cair a chuva para regar a terra?
Quem faz brilhar o sol para dourar as colheitas? Quem os faz nascer,

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semeia os legumes que comeis? Quem os faz nascer, crescer e
amadurecer? Quem alimenta os passarinhos?
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
O Pai Nosso dos pequeninos
(Primeira parte)
Sabeis que Deus está em todo o lugar, que vê tudo, que ouve
tudo e que sabe tudo... Enquanto vos falo, ele está no meio de nós,
nos vê, sabe que estamos pensando nele.
Quando eu vos explique a criação de Adão e Eva, Deus ouviu
e ficou contente quando dissestes: Deus é senhor de todos os
homens, pois foi ele quem os criou.
Podeis falar a Deus. E que ides dizer?
Em casa, como vos dirigis ao papai e à mamãe? “Meu pai,
minha mãe”. Mas como todos os homens são filhos de Deus, todos
pertencem à mesma família. Logo, não podeis dizer meu pai, mas:
“Pai nosso”. E como não podeis vos lançar nos seus braços, porque
ele não tem corpo e não podeis vê-lo, dizei: “Pai Nosso, que estais no
céu”.
Ficareis tristes se os vossos companheiros zombassem do nome
do vosso papai e, pelo contrário, vos sentiríeis felizes se eles
respeitassem e gostassem do seu nome. Fazei o mesmo em relação a
Deus e dizei: “Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o vosso
nome”.
Já vos disse que tudo pertence a Deus: o céu, o sol, a lua, as
estrelas, os animais, os homens. Ele é o rei de todo o mundo, de tudo
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que existe. Diz-se que um rei reina em seu país. Dizei, pois, a Deus
que ele é rei: Venha a nós o vosso reino.
Quando Adão e Eva estavam no Paraíso, Deus lhes havia
proibido comer os frutos de certa árvore. E quando eles pensavam
naquela árvore, logo uma voz que dizia: é proibido tocar naqueles
frutos. Deus fala muitas vezes à nossa alma, dizendo: É proibido ser
preguiçoso, ter raiva, fazer mal aos companheiros. Deve-se ouvir a
Deus Sim, deve-se fazer a vontade de Deus.
Repeti comigo: Seja feita a vossa vontade, assim na terra como
no céu.
Sabeis também que Deus havia preparado tudo na terra para o
alimento de Adão e Eva belos frutos, árvores, bons legumes, bom
leite. E por ordem de Deus a terra continua a produzir frutos,
legumes, erva para os animais e trigo que serve para fazer pão. Dizei
que é Deus que dá o alimento ao homem e pedi que lho dê sempre.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Repeti comigo: Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o
vosso nome venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade
assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Lição: aprender de cor:
1. Em que estado criou Deus Adão e Eva?
2. Deus ocupa-se com as suas criaturas?
3. Qual a primeira parte do Pai Nosso?
1. O catequista poderá desenvolver em linguagem muito
simples essa ideia: Deus é um pai razoável.
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a) Um pai - Qual será o pai que, pedindo-lhe seu filho pão, lhe
dará uma pedra, ou se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente?
Se, pois, vós, sendo maus, sabeis obter coisas boas para vossos filhos,
tanto mais vosso Pai celestial dará o espírito bom àqueles que lho
pedirem (Lc 11, 11-13).
b) Um pai razoável - Um pai, muitas vezes, é obrigado a recusar
o que o filho lhe pede. Uma criança pede uma faca para brincar, o
pai recusa, porque ela se cortaria. Outras vezes o pai dá ao filho um
remédio amargo para curar a sua doença.
2. Utilizar todas as ocasiões para mostrar à criança a ação da
Providência as estações que se sucedem e que permitem a produção
da terra, o efeito da chuva e do sol; a germinação das plantas, instinto
que Deus deu aos animais às abelhas para fazerem mel e aos pássaros
para fazerem seus ninhos. Será uma interessante lição de coisas e ao
mesmo tempo uma instrução religiosa que permanecerá sempre na
lembrança.
3. Chamar a atenção das crianças para os quadros, vitrais e
esculturas das igrejas que reproduzem as cenas da criação.
4. Incitar a criança a fazer um ato de agradecimento.

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VI. DESOBEDIÊNCIA DE ADÃO E EVA
Pequeno resumo da lição precedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças.
Deus formou o corpo do primeiro homem de barro; depois
criou uma alma, que uniu ao corpo... Deus deu o nome de Adão ao
primeiro homem e colocou-o no paraíso terrestre. E para
companheira deu-lhe uma mulher, que chamou Eva. Adão e Eva
podiam comer os frutos de todas as árvores do paraíso, menos os da
ciência do bem e do mal. Deus amava-os como filhos e os queria
felizes, sempre perto dele.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
Eis-nos chegados à história da queda dos nossos primeiros pais.
Já mostramos Adão e Eva no paraíso terrestre. A ideia que
pretendemos gravar é a seguinte: Adão e eram considerados por Deus
como seus filhos. Não empregaremos expressões teológicas da graça,
mas pouco importa, apresentamos o objeto. Feito isto, ser-nos-á fácil
mostrar a fealdade do pecado e suas consequências.
Nossa narrativa começa: a ação do demônio - tentação - queda.
Eis todo o enredo do relato!
Mas, quantas coisas se têm que ensinar à criança! Deve-se
instruí-la sobre a natureza do pecado, sobre a tentação, dizendo quem
é o instigador que é a consciência e o seu papel na vida. Fazê-la refletir
por si mesma, indicando-lhe donde pode vir o socorro: “Não nos
deixeis cair em tentação”.
Assim extraímos os pontos de doutrina relativa à graça e ao

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pecado, dos quadros que traçamos sobre o paraíso terrestre e a queda
de nossos primeiros pais, explicando a questão moral da consciência
tanto quanto é possível fazê-lo a crianças.
II. EXPLICAÇÃO
Material: reparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
Quadro representando a tentação de Eva; - o pecado de Eva; -
Deus expulsando Adão e Eva.
Quadro representando uma criança estudando sozinha no seu
quarto; uma criança roubando uma fruta ou outro quadro
representando uma má ação.
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
Durante as férias talvez tenhais visto lindos palacetes cercados
por grandes parques e jardins!
Se o dono de um desses palacetes vos dissesse: Menino, eu te
dou toda essa imensa propriedade, mas com uma condição: deves me
obedecer, dar-te-ei ordens, não para te contrariar, mas para que não
te aconteça nenhum mal e sejas feliz. Vê, há frutas doces,
saborosíssimas, cerejas, maçãs, peras; mas eu te previno, no centro

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do jardim há uma árvore que dá frutos envenenados, se comeres
deles, morrerás; por isso te proíbo tocar na árvore.
Que teríeis feito? Dizeis: Nunca teríamos tocado em
semelhantes frutos.
Escutai agora o que Adão e Eva fizeram no paraíso terrestre.
1. Sabeis que Deus os amava como filhos e que eles deviam ficar
algum tempo no paraíso depois ir para o céu, viver sempre perto de
Deus, como filhos perto de seus pais.
Mostrar o quadro representando Adão e Eva no paraíso terrestre.
Mas, alguém teve inveja da felicidade de Adão: foi o chefe dos
anjos maus - Satanás. Resolveu tentá-los para que desobedecessem a
Deus. Ocultando-se numa árvore, disfarçado em serpente, esperou
que Eva passasse por ali.
Repeti comigo: o demônio, invejoso da felicidade de Adão e
Eva resolveu tentá-los para que desobedecessem a Deus.
No fim de algum tempo Eva passou. Ela viu a serpente, mas
não se deteve, porque tinha o hábito de se encontrar com todos os
animais, e nenhum lhe fazia mal.
Mostrar o quadro da tentação.
Chegou perto da árvore da ciência do bem e do mal. Quando
olhou para cima, pensou logo: “Não me é permitido comer desses
frutos”.
De repente ouviu uma voz que lhe disse: “Eva, por que não
comes esses frutos?” Ela respondeu sem hesitar: “Deus no-lo proibiu
se comermos, morreremos”.
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Naquele momento, certamente, o seu anjo da guarda lhe disse:
“Não dês ouvidos àquele que te manda desobedecer a Deus, teu
criador e teu Pai”.
Uma voz dentro do coração lhe dizia a mesma coisa; e Eva
ouviu a voz de Deus no interior que lhe dizia: Isto é bom, isto é mau...
Mas o demônio, Satanás, que queria que ela desobedecesse,
continuava a tentá-la, isto é, a impeli-la a fazer o mal, e lhe disse:
“Não, não morrereis, se comerdes essa fruta, ficareis como Deus, e
conhecereis o bem e o mal”.
Eva devia ter dito: “Eu não quero te ouvir, não quero me
separar de Deus, a quem amo e de quem tenho necessidade como
um filho tem necessidade de seu pai”.
Infelizmente não fez isso, acreditou mais ao demônio que a
Deus e, levantando a mão, colheu o fruto, comeu-o depois ofereceu-
o Adão, que também comeu.
Repeti comigo: Eva escutou o demônio e comeu o fruto
proibido, depois deu-o a Adão, que também comeu.
2. Mas dizei-me, que fizeram eles? Desobedeceram a Deus.
Como se chama esta ação? Desobedecer a Deus chama-se pecado.
Assim cometeram Adão e Eva o primeiro pecado de sua vida.
Repeti comigo: Adão e Eva, desobedecendo a Deus,
cometeram um pecado.
Pensais que eles foram felizes? Oh! não! Logo que cometeram
o pecado, murmuraram baixinho: “desobedecemos a Deus...
praticamos o mal... Ficaram envergonhados e sentiram remorsos. E
a mesma voz interior, que se chama consciência, lhes dizia sempre:
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fizestes mal, praticastes uma má ação. Bem teriam querido
desaparecer para longe, bem longe de Deus, cuja presença eles
sentiam. Ocultaram-se atrás das árvores, mas Deus está em toda
parte, é um espírito, e não há lugar onde ele não esteja. Então
chamou Deus Adão, onde estás?” Adão respondeu: “Escondi-me,
porque tive medo de aparecer diante de vós”. Deus lhe disse logo a
mesma coisa que a voz interior lhe dissera: “Comeste o fruto da
árvore proibida”.
Repeti comigo: Adão e Eva se esconderam, mas Deus os viu.
3. Adão procurou desculpar-se: “Foi a mulher que me destes
por companheira, que me deu o fruto, e eu comi”. “Eva - disse Deus
- que fizeste?” Eva sabia bem o que tinha feito, pois desde que pecara
a consciência a censurava por ter desobedecido. Respondeu: “O
demônio me enganou e eu comi”. O que não disse foi que comeu,
pensando que ficaria semelhante a Deus, e que poderia passar sem
ele. Isto foi o pior. Pensai, pois é como se uma criança dissesse a seu
pai: Eu não lhe obedeço, sigo aos que me querem fazer mal, não
preciso do senhor.
Deus disse então ao demônio, disfarçado em serpente: “Serás
maldito, isto é, não te acontecerá nada de bom, Haverá guerra
declarada entre ti e a mulher, entre os anjos maus e os filhos da
mulher. Mas um dia, uma mulher serás virtuosa, te esmagará a
cabeça, e tu procurarás morde-la no calcanhar”. Eu vos explicarei o
que isto significa.
Mas antes escutai como Deus castigou Adão e Eva. Cada falta
merece um castigo. Na aula, quando uma criança não é obediente, o
professor a repreende; em casa, quando um menino desobedece,
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mamãe lhe dá castigo.
A Eva, Deus disse: “Sofrerás grandes dores e terás muito
trabalho com teus filhos”.
Depois dirigiu-se a Adão: “Porque atendeste a tua mulher e
com este o fruto proibido a terra será maldita por tua causa, só dará
espinhos e abrolhos, e terás de cultivá-la penosamente, para te
sustentares. E hás de morrer, e teu corpo voltará à terra donde foi
tirado”.
Após esta sentença, vestiu Adão e Eva com túnicas de peles e
os expulsou do paraíso terrestre, e colocou na entrada dois anjos com
espadas flamejantes, impedindo-os de entrar.
Repeti comigo: Como castigo do seu pecado, Adão e Eva foram
expulsos do paraíso terrestre.
4. Oh! Como eles se sentiram tristes e desgostosos; tinham
medo de tudo, dos animais que podiam atacá-los; tinham medo
porque se haviam afastado de Deus, a quem não tinham querido
obedecer. Sentiram cansaço, fome, sede, não compreendiam tão
facilmente e sentiram muita dificuldade em afastar o desejo de fazer
o mal. Não era mais como outrora, quando só amavam a Deus e só
faziam que ele queria. Agora queriam o bem e o mal ao mesmo
tempo, e não se sentiam tranquilos. E depois, tinham medo de
morrer!... Eram tão infelizes porque tinham pecado...Oh! como o
demônio havia enganado! E sabiam também que tinham rompido a
amizade que os ligava a Deus e que seus filhos não seriam
considerados amigos de Deus. Assim como um homem rico que
perde a fortuna deixa os filhos na miséria, Adão, tendo perdido a

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amizade de Deus, deixou seus filhos sem essa amizade.
O pecado de Adão, que passa para todos os filhos é o que se
chama pecado original. Enquanto falta permanece na alma, os filhos
de Adão não são filhos de Deus.
Repeti comigo: Adão e Eva, expulsos do paraíso terrestre,
eram muito infelizes e tinham medo de morrer
5. Adão e Eva eram, pois, muito infelizes... mas, como eu já disse,
Deus prometeu-lhes o perdão. Sabeis que em Deus há três pessoas: o
Pai, o Filho e o Espírito Santo. Deus Filho devia reparar a falta de
Adão e Eva. Devia tomar um corpo e vir à terra, para obedecer
sempre a seu Pai, obedecer até à morte. Esta obediência do Filho de
Deus feito homem apagaria os pecados. Foi a ele que Deus se referiu
quando disse à serpente que alguém lhe esmagaria a cabeça. O Filho
de Deus é Jesus Cristo. Vede, meus filhos, como Deus é sumamente
bom. Adão e Eva se arrependeram e choraram o seu pecado, e logo
Deus lhes prometeu o perdão, porque sabia que o seu Filho viria
apagar o pecado da desobediência. Os filhos de Adão nascem todos
com o pecado original, mas o Filho de Deus instituiu o batismo para
apagar essa mancha. E depois durante a vida, eles cometerão outros
pecados, mas Deus, em vista dos merecimentos de seu Filho lhes
perdoará sempre que, arrependidos, pedirem perdão.
Repeti comigo: Foi o Filho de Deus que veio reparar a falta
de Adão e Eva. Foi ele que instituiu o batismo, para que as
criancinhas que vêm ao mundo se tornem amigas de Deus.
Meus filhos, recebestes o sacramento do batismo, logo sois
amigos de Deus, e não deveis dar ouvidos ao demônio, quando quer

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vos induzir à desobediência, à maldade à preguiça, enfim, quando
ele vos tentar a desobedecer a Deus, que vos quer estudiosos, o
obedientes e virtuosos.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas, por isso
interrogo:
1. Ficaríeis contentes se alguém vos desse um lindo palacete? E
se vos proibissem de tocar nos frutos de determinada árvore? Onde
colocara Deus Adão e Eva? Eles eram felizes? Quem teve inveja deles?
Que fez o demônio? Onde se escondeu? Quem chegou perto da
árvore da ciência do bem e do mal? Eva viu a serpente? Teve medo?
Em que pensava Eva, vendo os frutos da árvore proibida? Que lhe
disse a serpente? Que lhe disse a voz interior (consciência)? Que lhe
dizia seu anjo da guarda? Que fez a serpente para levá-la à
desobediência? Que deveria Eva ter dito ao demônio? Que fez ela?
Que fez Adão?
2. Quando desobedecemos a Deus, que ação praticamos? Adão
e Eva foram felizes depois da desobediência? Quando fazeis alguma
ação má, vos sentis felizes? Que dizia a voz interior de Adão e Eva?
Para onde foram Adão e Eva depois do pecado? Podemos nos
esconder de Deus?
3. Que disse Deus a Adão? Que lhe respondeu este? Que disse
a Eva? Eva, que respondeu? Que disse Deus ao demônio? Devia Deus
castigar Adão e Eva? Como os castigou? Quem guardou a entrada do
paraíso?
4. Depois de expulsos do paraíso, tiveram Adão e Eva medo
dos animais? Tiveram fome, frio, sede? Sentiram cansaço? tiveram

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medo da morte? Naquele momento eram amigos ou inimigos de
Deus? Os filhos de Adão e Eva podiam ser considerados amigos de
Deus?
5. Quem viria reparar a falta de Adão e Eva? Que instituiu Jesus
Cristo para que as crianças se tornassem filhos de Deus? Recebestes
o batismo? Sois amigos de Deus? Que deveis fazer, para
permanecerdes amigos de Deus?
III. EXERCÍCIO PRÁTICO
1. A consciência de uma criança
Ouvistes o que vos contei sobre a queda de Adão e Eva. Dizei-
me, agora, Eva sabia que estava obedecendo a Deus? Não teria a sua
consciência - voz interior lhe avisado: O que queres fazer é mal? Sim,
a consciência advertiu-a que era uma má ação, mas Eva não quis
ouvir essa voz de Deus. Meus filhos, se fordes atentos à voz de vossa
consciência ficareis admirados de ouvir como ela vos fala. Pensai...
Quando estais distraídos, brincando com o vosso automovelzinho,
ou com a boneca, e a mamãe mandar dar um recado ou fazer alguma
coisa, uma voz interior vos diz: obedece logo... esta voz é a vossa
consciência. Se não quereis ouvir a consciência, e desobedeceis à
mamãe, a mesma voz interior vos diz: estás desobedecendo, isto é,
mal feito.
Refleti ainda... Se tendes deveres a cumprir, lições a estudar, e
vos deixais ficar brincando, uma voz vos avisa: faze o teu dever, estuda
a lição, e se continuais perdendo o tempo, a mesma voz diz: não estás
procedendo bem.
Pensai ainda... Quando tendes vontade de brigar com um
63
companheiro, de dar-lhe pancada - uma voz adverte: não façais isto...
e se, desprezando essa voz, brigais com outros meninos,
imediatamente a mesma voz diz: isto é mal feito. Refleti: Já tendes
ouvido essa voz?
Um minuto de silêncio.
Coloco diante dos olhos das crianças um quadro
representando uma criança roubando gulodices e pergunto: Que
representa este quadro? Antes de roubar a gulodice, a criança ouviu
uma voz dizer-lhe alguma coisa? Que dizia a voz? E depois do pequeno
furto?
2. A consciência da criança que pratica o bem
Meus filhos, a voz interior não censura somente do fazemos
mal; se fazemos o bem, ela nos aprova. Pensai... Quando sois
aplicados e estudiosos no colégio, a vossa consciência voz diz: muito
bem. E isto vos satisfaz, não é? Em casa, a mesma coisa voz diz a
consciência se obedecerdes a vossos pais e fordes delicados com
vossos irmãos.
Mostrar o quadro
Vede este quadro, que representa um menino sozinho no seu
quarto, fazendo os seus deveres. Que faz o menino? Alguém o vê?
Que lhe diz a consciência? Ele está contente?
3. Uma resolução
Pelo batismo tornei-me filho de Deus. Faço o firme propósito
de seguir as suas inspirações quando ele me mandar obedecer,
estudar, e nunca fazer mal a nenhum de meus companheiros.

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Um minuto de silêncio.
Interrogar na lição seguinte:
Ouvistes bem a vossa consciência? Ficastes satisfeitos, felizes,
depois de algum ato de obediência? E depois de ter sido maus,
desobedientes, como vos sentistes? Que resolução tomastes?
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
1. Agradeçamos a Deus a graça do batismo. Qual é o vosso
nome? Pedro... Paulo... Jaime... João... Joana... Maria... Este nome,
anteposto ao vosso nome de família, vos foi dado no dia do vosso
batismo, dia em que Deus vos adotou como filho. Sabeis o que é
adotar como filho? É tomar um menino ou uma menina
desconhecida, estranha à família, e dizer-lhe: “A partir de hoje, fazes
parte da minha família, tudo o que tenho em casa é teu e podes fazer
o que um filho faz. Considerar-me-ás teu pai e eu te considerarei meu
filho”. É o que Deus fez convosco. Depois do pecado de Adão, todas
as crianças que vêm ao mundo não são filhos de Deus. Só pelo
batismo se tornam filhos de Deus. Agradecei a Deus e dizei comigo:
“Meu Deus, eu vos agradeço terdes me Deus, o vosso filho no dia do
meu batismo”
Meus eu vos amo como um filho ama a seu pai”.
2. Nós prestaremos contas das nossas ações a Deus que fala à
nossa consciência. Pensai... Em vossa casa, na família, quando
desobedeceis ou praticais uma má ação, quem vos censura ou vos
castiga? O papai ou a mamãe. Igualmente é o papai e a mamãe que
vos recompensam e que quando sois obedientes e fazeis o bem. Logo,
tudo fazeis julgado por eles. Infelizmente não veem tudo o que fazeis,
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nem tudo o que pensais.
Mas há alguém que vê tudo o que fazeis, sabe tudo o que
pensais e que pela vossa consciência vos diz: isto é direito, isto não é
direito. Esse alguém é Deus, vosso criador, vosso Pai. Um dia vos
pedirá contas de todas as vossas ações, pensamentos, palavras e
desejos. E a ele não podereis ocultar coisa alguma, porque ele assiste
a tudo o que fazeis.
Adão e Eva bem tentaram se esconder, mas Deus havia visto a
sua desobediência e sabia que eles queriam ficar independentes.
Deus vê tudo, até os nossos mais ocultos pensamentos. Quando
nossa alma deixar o nosso corpo terá de dar contas a Deus de toda a
sua vida terrestre.
Prometei a Deus ouvi-lo sempre e dizei comigo: Antes de fazer
qualquer coisa, se eu achar que é má ação, não farei. E se pensar que
é boa a ação, fá-la-ei imediatamente.
3. O Pai Nosso dos pequeninos
(Segunda parte)
Muitas vezes já tendes desobedecido a Deus e a vossos
professores, tendes maltratado vossos companheiros. Fizestes o que
é contrário à vontade divina, isto é, pecastes. Quando refletis, a vossa
consciência vos diz que procedestes mal. Que vos resta fazer?
O que fizeram Adão e Eva: pedir perdão a Deus.
Dizei, pois, comigo: “Pai nosso que estais no céu... perdoai-nos as
nossas dividas”
Deus vos perdoará se perdoardes os que vos ofenderam.
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Um colega ou um companheiro vos fez mal, vos deu um ponta-
pé; um outro vos jogou no chão, um outro vos levantou uma a
calúnia - sofrestes com isso.
Talvez tenhais pensado em vos vingar, mas Deus quer que façais
o bem e é com esta condição que ele vos per doa os pecados.
Portanto, deveis dizer: “Perdoai-nos as nossas dividas, assim como
nós perdoamos aos nossos devedores”.
Pedrinho ficou sozinho em casa. Sua mãe saiu e seus
irmãozinhos estão no colégio. Em cima da mesa há um prato com
doces, mas sua mãe lhe proibiu de tocar neles. Que pena, os doces
parecem tão gostosos que ele teve uma vontade forte de tirar um.
A voz interior (consciência ou voz de Deus) lhe murmura: é
proibido.
Ao mesmo tempo uma outra voz (a do demônio) lhe diz: Tua
mamãe não o saberá, ela não contou os doces, podes tirar um.
Então ele pensa: é tão bom comer um... e eu gosto tanto desses
bolos... Pensou também que algumas vezes é difícil ouvir a sua
consciência e obedecer a Deus.
Difícil, quando se está só, mas se Pedrinho tivesse pedido o
auxílio de Deus, não seria vencido pela tentação.
É o que Jesus nos manda rezar:
“Pai nosso, que estais no céu... não nos deixeis cair em
tentação”
Deveis sempre pedir a proteção de Deus. Quando andais no
escuro e tendes medo, procurais logo a mão do papai ou da mamãe.
67
Quando um cachorro se aproxima, correis logo para perto de vossos
pais, e cada vez que vos achais em perigo, chamais logo por papai ou
mamãe. Não vos esqueçais de que vosso Pai que está no céu também
espera que peçais seu auxilio. O demônio é como um grande cão que
quer vos morder e que está sempre em volta de vós. Vedes o mal que
fez aos nossos primeiros pais Adão e Eva. Ele vê que amais a Deus
ficaria contente se pudesse vos levar à desobediência. É ele causador
dos males e sofrimentos do mundo, Pedi a Deus, nosso Pai do céu,
que nos livre do mal.
“Pai nosso que estais no céu... livrai nos do mal”
Repitamos juntos:
“Pai nosso, que estais no céu, perdoai nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos aos nossos devedores, e não nos deixeis
cair em tentação, mas livrai nos do mal. Amém.”
Lição: Aprender de cor:
1. O Pai Nosso inteiro. 2. Adão e Eva desobedeceram a Deus
3. Que é o pecado? 4. Que é o batismo?
Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
família)
1. Ensinar à criança a fazer o seu exame de consciência, ajudá-
la todas as noites a procurar as suas faltas; não se esquecendo também
de, este exame, procurar as boas ações.
2. Habituar a criança a uma grande franqueza, lembrando-lhe
que Deus vê tudo.
3. Fazer a criança compreender a diferença que há entre um
68
defeito e uma falta: Pedro desobedece muitas vezes, tem uma
tendência para a desobediência - é um defeito. Cada vez que ele
desobedece é uma falta.
4. Depois de uma falta, chamar a criança e, com brandura,
perguntar-lhe se antes e depois da falta, ela ouviu a voz da
consciência. Em seguida, fazer com que a criança prometa ouvi-la
para o futuro.
5. Felicitar a criança que fez uma boa ação, faz ela sentir como
a sua consciência a aprova, com é feliz.
6. É de grande importância que a criança proceda com o
sentido na recompensa, nem só para agradar às pessoas que a cercam.
7. Quando visitar uma igreja, mostrar-lhe os quadros que
representam a queda de Adão e Eva.
8. Mostrar-lhe a pia batismal.

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A HISTÓRIA SANTA
VII. JESUS SALVADOR. SUA PÁTRIA. MARIA, MÃE DE
JESUS. JOSE, O CARPINTEIRO
Pequeno resumo da lição precedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças.
Adão e Eva viviam felizes no paraíso terrestre. O demônio,
invejoso da sua felicidade, resolveu arrastá-los à desobediência a
Deus. Induziu Eva a comer o fruto proibido. Eva ouviu o demônio;
apanhou o fruto, comeu-o, depois deu a Adão, que também comeu.
Desobedecendo a Deus, Adão e Eva cometeram um pecado. Para
castigá-los, Deus expulsou-os do paraíso terrestre. Eles foram muito
infelizes. Mas Deus lhes prometeu um Salvador.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
Vamos começar a sublime história da vida de Nosso Senhor.
Apresentaremos às nossas crianças o que é preciso crer, o que é
preciso fazer e os meios estabelecidos por Jesus para nos santificar.
Quebramos o velho tríptico tradicional: dogma, moral e
sacramentos. Mas não o abandonamos, fazemos uma transposição
para facilitar a compreensão destas verdades a inteligências apenas
desabrochadas e que vivem sempre no concreto. As três partes
tradicionais, nós as encontraremos mais tarde, para completa
instrução religiosa das crianças.
É este o método empregado pelos verdadeiros educadores, em
seguimento de Jesus Cristo.
No capítulo que vamos explicar, apresentaremos, no prefácio,
70
a bela figura de Cristo, Salvador prometido depois do pecado de
Adão e Eva, o Salvador Jesus, amigo das crianças.
Para que Jesus não fique abstrato, evocaremos a Palestina, onde
ele viveu; apresentaremos sua Mãe, a boa Virgem Maria, e o
trabalhador José, seu pai adotivo.
Depois dessas apresentações continuaremos a nossa história
santa.
II.EXPLICAÇÃO
Material: reparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
Quadro negro; - mapa da palestina; - imagem representando o
Sagrado Coração; - imagem de Jesus, com as criancinhas; - imagem
do menino Jesus; - imagem da Santíssima Virgem; - imagem de São
José.
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
Vou começar a vos contar a mais bonita de todas as histórias.
Mas é uma história verdadeira, que vos mostrará como Deus nos
ama.
Conheço um menino que um dia desses me disse: “Papai gosta
71
muito de mim, pois deu-me uma bicicleta”.
Um outro que o ouviu disse, por sua vez: “E o meu pai gosta
tanto de mim que me deu um automovelzinho que eu posso guiar
com os pés”.
Quando alguém vos dá alguma coisa, é porque vos ama, pensais
logo, não é? E tendes razão.
1. Que vos deu Deus? Deu-vos os vossos pais, a vida, a alma, o
sol que vos ilumina e aquece. Para o vosso alimento mandou que
terra produzisse frutos, o trigo, com que se faz pão. E depois desta
vida dá vos da o céu.
Sabeis que nossos primeiros pais, Adão e Eva, se separaram de
Deus, desobedecendo-lhe. Separados de Deus, deixaram de ser seus
filhos; logo, não tinham direito céu. Mas Deus amava tanto aos
homens que, para lhes restituir o direito ao céu, deu-lhes seu Filho,
que veio à terra, como criancinha, depois tornou-se rapaz e,
finalmente, um homem como o vosso papai. Este Filho de Deus,
Nosso Senhor Jesus Cristo, amou tanto os homens que morreu por
eles.
Repeti comigo: Deus amou tanto os homens que, para lhes
restituir o direito ao céu, deu-lhes seu Filho.
Fazei o sinal da cruz: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito
Santo. Acabais de dizer o nome das três pessoas que há em Deus. Foi
Deus Filho que veio nos salvar. Olhai esta imagem.
Mostro às crianças a imagem do Sagrado Coração.
Esta imagem representa Jesus, o Filho de Deus, a quem

72
chamamos também o Salvador, Cristo, ou ainda, Nosso Senhor. Por
que representam Jesus mostrando-nos o seu coração? É porque ele
nos ama. Que dizeis à vossa mamãe, quando quereis lhe demonstrar
que a amais muito? Dizeis: “Mamãe, eu te amo com todo o meu
coração”. Ora, quando se ama alguém com todo o coração pode amá-
lo mais. É o que nos diz Nosso Senhor, quando nos mostra o seu
coração.
Repeti comigo: Jesus, o Filho de Deus, nos ama com todo o
seu coração.
Repitamos juntos: Jesus, vós me amais muito, muito, eu
também vos amo com todo o meu coração.
Jesus ama todos os homens, mas sobretudo as criancinhas.
Quando ele chamava as criancinhas. Quando ele esteve na terra,
chamava a si as criancinhas. Abraçava-as, porque suas almas eram
puras. E se alguém mandava as criancinhas se afastarem, Jesus dizia
logo: “Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino do
céu”. As crianças também o amavam muito, e, no fim da sua vida,
quando uma grande multidão de povo seguiu, espalhando flores e
ramos de árvores pelo caminho, as crianças gritavam com todas as
forças: “Hosana ao Filho de David”, o que significa: “Viva nosso rei,
nosso Salvador”. Jesus sentia-se feliz de ouvir tais palavras saídas das
bocas das crianças.
Vede esta imagem de Jesus entre as criancinhas.
Repeti comigo: Jesus gosta muito, muito das criancinhas.
Dizei: Jesus, eu quero vos amar com todo o meu coração.
Agora eu vou contar-vos a história do menino Jesus.
73
Mostro uma gravura representando o menino Jesus. Depois de um
momento de silêncio retiro o quadro e continuo a lição.
Vamos fazer uma viagem ao país onde Jesus morou. Atenção!
estais prontos, para a... Palestina.
Mostrar o mapa da Palestina.
Jesus morava na Palestina.
3. Vede (mostrar no mapa), a Palestina é banhada pelo mar
Mediterrâneo. Ao sul se estendem os desertos que vão até ao Egito.
O rio Jordão atravessa todo o país. Há também colinas, montanhas,
planícies. No verão faz muito calor nas planícies, mas nas montanhas
é mais fresco. Durante seis meses o céu fica sem uma nuvem,
azulzinho. E o sol brilha e faz produzir o trigo, uvas, legumes, frutas,
tais como nozes, figos, romãs. Há também árvores que são sempre
verdes, e palmeiras com folhas compridas, que caem para os lados. É
lindo o país do Menino Jesus! Há flores de todas as cores, pássaros,
melros, andorinhas e cegonhas. Os seus habitantes eram
comerciantes, ou agricultores ou então pescavam no lago Tiberíades
(mostrar o lago no mapa). Nesse lago havia muitos peixes, como os
que comeis em casa. Nas aldeias e nas cidades se viam casinhas
brancas com terraços, armazéns para guardar colheitas, poços para
tirar água, cercas floridas e caminhos margeados de folhagem. E
agora, como já conheceis a pátria do menino Jesus, vou apresentar-
vos sua mãe.
Repeti comigo: A pátria de Jesus é a Palestina.
4. A mãe de Jesus chama-se Maria.
Coloco diante das crianças uma imagem da Santíssima Virgem.
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Eis a imagem de Maria Santíssima. Maria Santíssima também
foi criança como vós. Seu pai se chamava Joaquim e sua mãe, Ana.
Seus pais consagraram-na a Deus com a idade de três anos. E as santas
mulheres que estavam no templo, auxiliando os sacerdotes, tomaram
conta dela. Ela não viveu como vós, com os seus pais. Era muito
ajuizada, e sentia-se feliz de habitar a casa de Deus, que muito a
amava e que a considerava como filha. A pequena Maria não teve o
pecado original. Lembrai-vos dessa mancha que vos veio de Adão e
Eva, e que nos separa de Deus, até que o batismo a apague
completamente. Ela, no templo, obedecia, falava pouco, trabalhava
muito e estudava. Quando trabalhava ou brincava pensava sempre
“Meu Deus, é para vós que eu trabalho, é para vós que eu brinco...”
Depois fazia as suas orações, que sabia de cor, e algumas vezes dizia
jaculatórias bonitas que lhe saíam do coração: “Meu Deus, eu vos
amo muito quero ser boa”.
Um dia, ela teve um grande desgosto; seus pais morreram,
deixando-a com doze anos. Ficou órfã, mas não ela sentiu só, porque
sabia que o Pai do céu a protegia e habitava no seu templo. Quando
completou quinze anos os sacerdotes lhe procuraram um noivo,
Podeis imaginá-la uma linda moça, nem muito alta, nem muito
baixa, olhos azuis, cabelos louros, mãos finas como as de vossa mãe.
O noivo escolhido chama-se José, mais velho que Maria, mas jovem
ainda. Era forte e ativo como o vosso pai. Era muito bom. Tinha uma
oficina de carpinteiro, em Nazaré, e ocupava-se em fazer carros,
arados, vigamentos e móveis. Maria aceitou o noivo que Deus lhe
destinara, dizendo: “Seja feita a vontade de Deus”.
Mostro às crianças uma imagem de São José.

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Repeti comigo: A Mãe de Jesus é a Santíssima Virgem Maria.
Ela desposou o carpinteiro José.
Depois da cerimônia dos esponsais, Maria e José voltaram para
Nazaré. Maria foi morar em casa de seus pais, e José ficou morando
perto.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas, por isso
interrogo:
1. Quando alguém vos dá um bonito presente, prova com isso
que vos estima? Que vos deu Deus? Que nos deu ele para reparar o
mal feito por Adão e Eva? Como se chama o Salvador? Que veio ao
mundo para nos salvar, Deus Pai, Deus Filho, ou Deus Espírito
Santo? Como representam Nosso Senhor para mostrar que ele nos
ama muito?
2. Como sabeis que Jesus amava especialmente as criancinhas?
Que dizia ele para chamar as crianças? As criancinhas gostavam de
estar perto de Jesus? Como se chama o país do Menino Jesus? Faz
calor nesse lugar?
3. Quais são os frutos que se encontram na Palestina? Como se
chamam as árvores verdes desse país que têm folhas compridas?
Conheceis alguns pássaros que vivem ali? Que havia no grande lago?
E ao lado das casas brancas e das aldeias?
4. Como se chama a Mãe do Menino Jesus Onde seus pais a
levaram com a idade de três anos? Com quem vivia? Por que era feliz?
Por que Deus sempre a contemplou como filha querida? Que fazia
ela no templo? Como rezava? Que desgosto teve aos onze anos de
idade? Quem desposou, quando completou quinze anos? Era bonita?
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Como se chamava seu esposo? Que fazia ele? Onde foram morar
depois dos esponsais?
III. EXERCÍCIO PRÁTICO
1. Procuro fazer as crianças formarem um ato de fé. Diante da
imagem do Coração de Jesus, repito que Jesus é o Filho de Deus, e
insisto na palavra - Filho de Deus. Depois, mando as crianças
repetirem: Creio, estou certo que Jesus é o Filho de Deus, isto é, que
o verdadeiro Pai de Jesus é Deus Pai. Fazendo o sinal da cruz, digo o
nome do Pai e do Filho. Mando uma criança levantar-se e peço-lhe
que faça o sinal da cruz muito lentamente pronunciando em voz alta
as palavras: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Depois,
faço-lhe a seguinte pergunta, mostrando-lhe a imagem do Sagrado
Coração: Qual a pessoa divina que está representada aqui e que
disseste fazendo o sinal da cruz? Depois do ato de fé, faço com que
as crianças digam baixinho:
“Jesus, Filho de Deus, Salvador dos homens, eu vos amo de
todo o meu coração”.
2. Coloco diante das crianças uma imagem da Santíssima
Virgem, a mais perfeita e artística que puder, dizendo-lhes: Vede esta
imagem... a Virgem Maria era bonita: rosto jovem, olhos azuis, lindos
cabelos louros. Era amável como a vossa mamãe. Fechai agora os
olhos. Pensai na Santíssima Virgem... e vede-a na vossa imaginação
como ela era... Pensai agora em vossa mamãe... Vossa mãe é boa...
Vossa mãe é trabalhadeira... Maria era muito trabalhadeira. Vossa
mãe reza... Maria pensava sempre em Deus. Abri os olhos...
contemplai a imagem da Virgem Maria e dizei lentamente:

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“Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós”
3. Pensai em vosso pai... Ele trabalha, entra em casa para o
jantar e para descansar, à noite... Muitas vezes sente-se cansado. São
José era operário. Trabalhava como carpinteiro. Quando passais por
alguma carpintaria, pensai: São José, escolhido por Deus Pai para ser
o protetor do Menino Jesus, era carpinteiro. Olhai a imagem de São
José e dizei comigo: “São José, rogai por nós”.
4. Quem costuma ir à igreja com a mamãe? Quando entrardes
numa igreja, pedi a mamãe para vos levar diante do altar de Nossa
Senhora, São José e do Sagrado Coração. Então fareis uma
oraçãozinha diante de cada altar. Que oração fareis diante do
Sagrado Coração? diante da Virgem Santíssima? diante de São José?
5. Dar como recompensa imagens da Santíssima Virgem, de
São José e do Sagrado Coração, recomendando às crianças que as
pendurem no seu quarto ao lado da cama.
Na lição seguinte, interrogar às crianças:
Quem pensou em Maria Santíssima? Quem viu um carpinteiro?
Em quem pensastes quando o vistes? Quem foi à igreja com a
mamãe? Quem viu o altar de Maria Virgem, de São José e a estátua
do Sagrado Coração? Quem pendurou ao lado da sua cama a imagem
que eu dei?
IV. FORMAÇAO DA PIEDADE
1. O' Maria, concebida sem pecado original, rogai por nós que
recorremos a vós.
No ano de 1858, uma menina de 14 anos andava com sua irmã

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e uma companheira, catando gravetos pelo mato. Em casa não havia
provisões para o inverno, seu pai, um pobre moleiro de Lourdes, não
tinha dinheiro para comprar. As três costeavam as margens do Gave
(uma torrente que desce da montanha) e cada uma fazia o seu feixe.
Quando chegaram perto de uma gruta aberta nos rochedos, viram-se
presas entre a torrente e o canal de um moinho que aí desaguava.
Ficaram como numa ilha. As duas meninas que estavam com
Bernadete tiraram os seus tamancos, e como estavam sem meias,
atravessaram logo o canal que tinha pouca água.
Bernadete, porém, como tinha meias, sentou-se para tirá-las.
Enquanto estava sozinha, viu uma roseira agitar-se na entrada da
gruta, ao mesmo tempo que uma senhora apareceu envolvida em
uma nuvem dourada. Bernadete ficou extasiada diante da beleza da
jovem senhora. Sorria a e fez-lhe um sinal para se aproximar. A
menina se aproximou. A dama estava de branco e tinha um cinto
azul. Um véu branco cobria-lhe a cabeça e descia sobre os ombros, e
a seus pés tinha duas rosas de ouro. No braço direito trazia um terço,
cujas contas brilhavam como luzes. Bernadete começou a rezar,
recitando seu terço; quando terminou a dama havia desaparecido.
Bernadete voltou 18 vezes, e 18 vezes viu a mesma senhora. Um
dia perguntou-lhe como se chamava; a senhora sorriu e não
respondeu. Uma segunda vez, a mesma coisa; afinal, na terceira vez,
a senhora juntou as mãos, depois inclinando-se para a menina, lhe
disse: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Isto é, eu sou a Virgem
Maria, que nunca teve o pecado original. Era, portanto, a Santíssima
Virgem que acabava de aparecer em Lourdes. Milhares de pessoas de
todos os países do mundo vão rezar no mesmo lugar onde Bernadete

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viu a Virgem Santíssima, que é invocada em toda a parte sob o nome
de Nossa Senhora de Lourdes. Aí têm se operado curas maravilhosas
de homens, mulheres e crianças, o que prova o poder de Maria junto
a seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando fordes à igreja,
fareis, diante da estátua de Nossa Senhora de Lourdes, esta pequena
oração:
Maria, concebida sem pecado original, rogai por nós que
recorremos a vós.
Repetir com as crianças.
2. As medalhas.
Acho que todos vós tendes ao pescoço uma medalha. Umas são
de ouro, outras são de prata, mas isto não importa, o valor está na
imagem que ela representa.
Olho a medalha de algumas crianças.
Sobre a tua vejo a imagem de Nossa Senhora, nessa a do
Sagrado Coração. Isto significa: Eis uma criança que disse à Virgem
Santíssima: Minha boa Mãe do céu, protegei-me, ou Jesus, amigo das
crianças, vigiai sobre mim. Jesus e a Virgem Santíssima distinguem
os que usam uma medalha e pensam neles, assim como na rua eu
conheço um pequeno escoteiro ou um lobinho por seu lenço e farda
de escoteiro. O lobinho deve comportar-se bem na rua, ser bom e
estudioso. Aquele que leva a imagem de Jesus e de Nossa Senhora
deve imitar a Jesus e Maria.
Distribuir medalhas entre as crianças, recomendando-lhes que em casa
peçam à mamãe para colocá-las em suas roupas.

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Exercício: Dar o sinal para que as crianças se levantem; um
segundo sinal para que se ajoelhem, depois recitar lentamente as
seguintes invocações que devem ser repetidas pelas crianças.
Sagrado Coração de Jesus, tende piedade de nós.
O' Maria, concebida sem pecado original, rogai por nós que
recorremos a vós.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós.
Creio em Deus Pai todo-poderoso; Criador do céu e da terra, e
em Jesus Cristo um só seu Filho, nosso Senhor.
Mando fazer o sinal da cruz.
Lição: Aprender de cor no catecismo as seguintes perguntas:
Quem foi preservada do pecado original? Deus abandonou o homem
depois do pecado? Quem era São José?
Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de família)
1. Levar as crianças a uma igreja e mostrar-lhes:
a) O altar do Sagrado Coração
b) O altar de São José e as estátuas ou quadros representando o
Sagrado Coração, Nossa Senhora e São José.
2. Antes de começar as orações, chamar a atenção da criança quando
ela faz o sinal da cruz, dizendo que o Filho é Jesus, a segunda pessoa
da Santíssima Trindade.
3. Preparar alguns mapas da Palestina e mandar as crianças
colorirem, explicando que a Galiléia ser pintada de cor de rosa, a
Samaria de verde, a Judéia de amarelo e o Mediterrâneo de azul.
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4. Pôr no quarto da criança estatuas ou imagens de Nossa Senhora,
do Sagrado Coração e de São José.
5. Pedir flores às crianças para enfeitar as estátuas do Sagrado
Coração, de Nossa Senhora e de São José.

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VIII. ANUNCIAÇÃO. VISITAÇÃO. JOSÉ E O ANJO
Pequeno resumo da lição precedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças.
Deus amou tanto os homens que, depois do pecado de Adão,
para reconciliá-los com ele, lhes deu seu Filho único. Jesus, Filho de
Deus, nos ama de todo o seu coração. Jesus ama especialmente as
criancinhas. O lindo país do Menino Jesus é a Palestina. A Mãe do
Menino Jesus se chama Maria. Ela desposou o carpinteiro José.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
Apresentaremos três quadros que ficarão gravados na imaginação das
crianças:
A Anunciação com o Anjo, e Maria na sua pobre casa de Nazaré
- a Visitação - e, enfim, o sonho de São José.
As cenas da Anunciação e da Visitação despertarão na criança
a ideia de que Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus, e essa
convicção se apoderará naturalmente do seu espírito.
Depois, com cuidado, explicaremos o papel de São José ele é
pai adotivo.
Aproveitaremos essa lição para incutir uma confiança filial em
Maria, e ensinar o sentido da oração que os pequeninos já devem
saber: “Ave-Maria”.
Falaremos sobre o terço e finalmente completaremos um pouco
o Credo.

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II. EXPLICAÇÃO
Material: reparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
Quadro negro; - mapa da palestina; - imagem representando a
Anunciação; - imagem representando a Visitação; - quadro
representando Adão e Eva expulsos do paraíso terrestre; - um terço.
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
Coloco diante das crianças o mapa da Palestina.
Como se chama o país que este mapa representa?
Reparai bem o lugar que estou apontando: é a cidade de Nazaré
para onde Maria e José se retiraram depois dos seus esponsais.
1. A cidadezinha de Nazaré contava pouco mais de dois mil
habitantes.
Às crianças que conhecem algum lugar de pouca importância, pode-se
dizer: Nazaré é uma cidade como tal... ou tal... que conheceis.
As casas eram construídas sobre os declives de uma colina e as
ruas subiam em ladeiras. Havia um caminho que ia ter uma fonte,
como naquele tempo não se tinha água em casa, as mulheres
passavam muitas vezes por esse caminho.
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Como já vos disse, a Virgem Santíssima morava só, casa que
fora de seus pais, e São José um pouco mais longe, em outra casa,
onde tinha a sua de carpinteiro.
Nossa Senhora, assim como todas mulheres vir pensava: “O
Salvador prometido ao mundo deve vir breve”.
Muitas vezes também ela dirigia súplicas ao céu, repetindo:
“Meu Deus, fazei com que o Salvador venha depressa”.
Já há muito tempo era ele esperado... homens santos, amados
de Deus, haviam predito a época da sua vinda, o país e a cidade onde
ele deveria nascer. Estes homens chamavam-se profetas...
Maria sabia todas essas coisas porque os sacerdotes lhe haviam
ensinado no templo. Como eu seria feliz, pensava ela, se visse o
Salvador! Não sabia que Deus a tinha escolhido para ser a Mãe do
Menino Jesus.
Repeti comigo: Maria morava sozinha numa casa, em Nazaré,
e todos os dias pedia a Deus que enviasse o Salvador.
2. Um dia, depois de ter ido à fonte buscar água, Maria estava
em casa, rezando. Sua casa era pobre, mas asseadíssima; tudo em
ordem: a cama, o baú para guardar a roupa, os utensílios de casa,
como na cozinha de vossa mamãe, pratos, bilhas, cestas e um
moinho. No chão tapetes e almofadas para se assentar. Da porta
aberta viam se as árvores e as flores dos campos que se agitavam ao
sopro da brisa em um céu sempre azul. De vez em quando voavam
pássaros. Tudo era calma e silêncio em Nazaré e, como já vos disse,
Maria estava em oração.
De repente, viu na sua frente uma pessoa que ela não conhecia
85
e que não havia entrado como os visitantes comuns. Ela o viu
subitamente na porta do quarto meio escuro, onde estava rezando.
Não teve medo, mas encarou-o e esperou. Então, aquele que
estava diante dela disse-lhe com todo o respeito:
- Ave, Maria, cheia de graça; o Senhor é convosco; bendita sois
vós entre as mulheres.
Quem falou assim? Prestai bem atenção... Foi o anjo Gabriel,
enviado por Deus a Maria; o anjo Gabriel, que tinha tomado a forma
humana para ser visto, e que falou como falam os homens. Dirigiu a
Maria a bela saudação que vamos repetir juntos:
Repeti comigo: o anjo Gabriel apareceu a Maria e lhe disse:
“Ave, Maria, cheia de graça; o Senhor é convosco; bendita sois vós
entre as mulheres”
Coloco diante das crianças o quadro que representa a Anunciação.
Ouvindo isto, Maria perturbou-se, refletindo consigo mesma:
Que significa semelhante saudação? ... Não compreendo... Será a
mim que ele se dirige?
Disse-lhe, porém, o anjo: “Não temais, Maria; achastes graça
diante de Deus. Sereis a mãe de um filho, que deve nascer breve, e a
quem dareis o nome de Jesus. Ele será grande e chamá-lo-ão Filho do
Altíssimo... o Senhor lhe dará o trono de David, seu pai, e o seu reino
não terá fim”
Não havia dúvida que o anjo Gabriel acabava de anunciar que
Maria devia ser a Mãe do Salvador, daquele Salvador prometido há
milhares de anos, cuja vinda os judeus tanto desejavam. Sabia-se que

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ele devia nascer na família de David, antigo rei dos judeus, cujos
descendentes se tornaram pobres depois da sua morte.
Foi nesta família que o Filho de Deus escolheu a sua mãe, pois
Maria descendia de David.
Repeti comigo: o anjo anunciou a Maria que ela seria a Mãe
de Deus.
Disse então Maria ao anjo: “Como se fará isso?... Vivo só, não
tenho marido”. Respondeu-lhe o anjo: “O Espírito Santo virá sobre
ti e te cobrirá com a sua sombra, e é por isso que vosso Filho será
chamado Filho de Deus”. O anjo acabava de dizer a Maria: O
verdadeiro pai de teu Filho é Deus e tu serás a sua verdadeira mãe.
Então Maria acreditou ao anjo, porque Deus não pode enganar.
3. Entretanto, o anjo Gabriel anunciou mais uma novidade,
dizendo: “Vossa prima Isabel também terá um filho, na sua velhice,
porque a Deus nada é impossível”. Isabel era uma parenta da Santa
Virgem, casada há longos anos com Zacarias. Já estavam em idade
avançada e sentiam muito não terem filhos.
Ouvindo esta novidade, Maria compreendeu que o anjo queria
lhe mostrar o poder de Deus. Então disse ao anjo: “Eis aqui a escrava
do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”
No mesmo instante o Filho de Deus tomou uma alma humana,
semelhante à vossa, porém sem o pecado original, uma alma que não
podia pecar, mas que compreendia, queria e amava.
E preparou-se para aparecer diante dos homens com um corpo
semelhante ao nosso, vindo ao mundo como uma criancinha.

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Como pôde acontecer isto? É o que se chama o mistério da
Encarnação ou o mistério do Filho de Deus feito homem.
Retiro o quadro da Anunciação.
Repeti comigo: Maria disse ao anjo: “Eis aqui a escrava do
Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”.
Ficando só, Maria agradeceu a Deus, mas não disse a ninguém
o que se tinha passado, e resolveu ir visitar sua prima Isabel.
4. Isabel morava longe de Nazaré, nos arredores de Jerusalém.
Mostrar Jerusalém no mapa.
Era uma viagem muito longa então José, esposo de Maria,
arranjou-lhe companhia e Maria partiu, montada num jumento e
envolvida em um grande véu branco. Viajou durante cinco dias. Era
primavera, as chuvas tinham cessado e havia flores por toda a parte.
Chegando à aldeia onde morava Zacarias e Isabel, Maria tomou o
caminho que, através das figueiras e das vinhas conduzia à casa de
sua prima. Esta, que a esperava à porta de sua casa, exclamou:
“Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso
ventre. E donde me vem esta honra, que a Mãe do meu Senhor me
venha visitar?... E bem aventurada sois vós porque crestes. Todas as
coisas que vos foram ditas da parte do Senhor, se cumprirão”. Isabel
fora por Deus que o anjo Gabriel havia visitado Maria. A virgem
então, em voz alta, dirigiu a Deus uma bela oração, que é um hino
de ação de graças: “Minha alma glorifica o Senhor”
Mostro o quadro representando a Visitação.
Repeti comigo: Maria foi visitar sua prima Isabel. Logo que

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Isabel a viu, saudou-a, dizendo: Bendita sois entre as mulheres; e
bendito é o fruto do vosso ventre”.
No fim de três meses, Maria voltou para a sua casa em Nazaré.
Logo depois da sua volta, São José ficou na dúvida se devia ou
não levá-la para viver com ele. Ora, uma noite, quando dormia,
apareceu-lhe em sonho um anjo, que lhe disse: José, filho de David,
não receies receber Maria como tua esposa. Ela terá um filho, a quem
darás o nome de Jesus, porque há de remir os homens do pecado”.
Ditas estas palavras desapareceu. José compreendeu que ele seria o
pai adotivo do Menino Jesus, isto é, que considera o menino como
filho, trabalhando para ele e dele se ocupando, como o vosso papai
o faz convosco. Na manhã seguinte, José foi procurar Maria e levou-
a para a sua casa, com os seus móveis e tudo o que ela tinha. E ficaram
esperando o nascimento de Jesus.
Repeti comigo: Um anjo apareceu em sonho a José, dizendo-
lhe que levasse Maria para sua casa. Ele obedeceu logo.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas, por isso
interrogo:
1. Em que cidade Maria e José foram habitar depois seus
esponsais? Em que país fica situada a cidade de Nazaré? A Virgem
Santíssima e São José moravam na mesma casa? A quem tinha
pertencido a casa da Virgem Maria? Que havia na casa de São José?
A Santa Virgem sabia que o Salvador prometido viria breve? Quem
lho disse, quando vivia no templo? Sabia ela que Deus a havia
escolhido para mãe do Salvador?
2. Era bela a casa da Santa Virgem? Que havia seu quarto? Que
89
se via no campo, quando a porta ficava aberta? Quem apareceu um
dia à Santa Virgem? Que fazia ela naquele momento? Teve medo?
Que lhe disse anjo Gabriel? Compreendeu-o logo a Santa Virgem?
Que acrescentou o anjo? De que família era a Virgem santa? Que
havia sido David? Seus descendentes eram ricos? Que respondeu
Maria ao anjo? Que replicou o anjo? Maria acreditou no que disse o
anjo?
3. Que disse o anjo a respeito de Isabel, prima Maria?
Aceitando ser Mãe de Deus, que palavras disse Maria? Podemos
compreender como o Filho de Deus se fez homem? Como se chama
este mistério? Para onde foi Maria depois da visita do anjo Gabriel?
Isabel morava perto de Maria Santíssima?
4. Onde morava ela? Como viajou a Virgem Maria? Durante
quantos dias? Foi no inverno que fez a viagem? Onde encontrou sua
prima? Que lhe disse Isabel? Que respondeu Maria? Quanto tempo
ficou em casa de Isabel? Para onde foi depois dessa viagem?
5. Quem disse a José que levasse Maria para sua casa? Quando
viu José esse anjo? Que compreendeu José? Que fez ele no dia
seguinte?
III. EXERCÍCIO PRÁTICO
1. Coloco diante das crianças a cena de Adão e Eva expulsos do
paraíso terrestre.
Pensai bem... Este é o paraíso terrestre... Adão e Eva pecaram...
Têm medo e se escondem... Deus é obrigado a expulsá-los e, na
entrada do paraíso, põe um anjo como guarda... Eva está chorando...
Adão também. Mas pensam: Deus nos prometeu um Salvador.
90
Agora olhai esta outra cena:
Mostro o quadro da Anunciação.
A Virgem Maria está em oração... aparece o anjo Gabriel, que
lhe diz: “Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita
sois vós entre as mulheres”. E lhe disse que ela seria a Mãe do
Salvador. Baixai a cabeça e fechai os olhos...do outro lado, Maria
recebendo a visita do anjo.
Um minuto de silêncio.
2. Coloco à vista das crianças o mapa da Palestina, e interrogo:
Mostrai-me neste mapa onde fica a cidade de Nazaré. Contai-
me o que se passou em Nazaré entre o anjo Gabriel e a Santa Virgem.
Mostrai no mapa a cidade de Jerusalém. Como se chama a prima de
Nossa Senhora, que morava nos arredores de Jerusalém? Contai a
visita de Maria à sua prima Isabel.
3. Exercício de observação
Distribuo imagens entre as crianças, uma representando a Anunciação
e outra a Visitação, e lhes digo:
Reparai bem as duas imagens e devolvei-me imediatamente a
que representa a Anunciação.
4. Assinalamos este excelente exercício para fazer a criança
refletir. Pode ser repetido em outros capítulos.
Este exercício pode ser feito tanto em casa como nas aulas.
Corto em diversos pedaços um cartão postal representando a
cena da Anunciação, e depois mando a criança reunir os pedaços

91
para formar a cena representada.
5. As duas cenas da Anunciação e da Visitação podem ser
representadas pelas próprias crianças: uma representa Maria, a outra
o anjo, e depois se estabelece entre as duas o pequeno diálogo
conhecido. Vimos o sucesso obtido com essas cenas em algumas
escolas e catecismos paroquiais.
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE.
1. A Ave-Maria das criancinhas
Quando vedes o Diretor ou a Diretora da escola, pensais:
“Aquele é o dono, ou aquela é a dona de todas as classes”. E com
todo o respeito vos inclinais dizendo amavelmente: “Bom dia, senhor
Diretor, ou bom dia, senhora Diretora”.
Se, visitando um grande palacete, cercado de árvores e de flores
de toda a espécie, com salas lindamente mobiliadas, ricos quadros,
tapetes, automóveis, vos avistais com a senhora a quem pertence tudo
isto, respeitosamente a cumprimentais, e, se houver oportunidade,
lhe direis: “Sois bem feliz, senhora; possuís o mais belo palacete de
todo o país”.
Quando o anjo visitou Maria, antes de tudo saudou-a, dizendo:
“Ave, Maria...” Ave significa: eu vos saúdo. É a mesma saudação que
fazeis a qualquer pessoa conhecida.
Pensai em Maria, e dizei, como o anjo: “Ave, Maria”.
Pode-se mandar as crianças inclinarem a cabeça quando
disserem: “Ave, Maria”.
Depois, o anjo fez um cumprimento a Maria, dizendo que ela
92
era cheia de graça, isto é, que era a criatura preferida de Deus:
“Bendita sois vós entre as mulheres”. E acrescentou que Deus estava
sempre com ela: “O Senhor é convosco”. Se quiserdes, podemos fazer o
mesmo cumprimento a Maria; dizei comigo: “Ave, Maria, cheia de
graça; o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres”. Como a
Virgem fica satisfeita quando ouve tais palavras!
Maria foi visitar sua prima Isabel, e esta, logo que disse as
mesmas palavras do anjo, acrescentando, que ela seria a mãe do
menino Jesus, o Filho de Deus... “Bendita sois vós entre as mulheres e
bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus”.
Sim, a Santa Virgem é mãe de Deus. Dizei comigo: “Santa
Maria, Mãe de Deus...” A mãe pode pedir tudo a seu filho. Se ficardes
ricos e poderosos, certamente não negareis à vossa mãe o que ela vos
pedir, não é? Que seja dinheiro ou qualquer outro favor.
Pois bem, o Filho de Deus também atende sempre à sua mãe,
portanto, peçamos à Virgem Santa que interceda por nós, que nos
proteja... Sentimos dificuldade em obedecer aos mandamentos de
Deus; somos inclinados ao mal, pobres pecadores, que a todo o
momento precisamos da proteção de Nosso Senhor. Mas
principalmente na hora da nossa morte, quando Deus vier julgar a
nossa alma, para ver se está em condições de ir para o céu. Tudo isso
dizemos a Maria, quando rezamos: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai
por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém”
Olhai bem para a estátua de Maria e repeti comigo: “Ave,
Maria...”
2. O terço - Sabeis como se chama este objeto? (mostro o terço)

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- É um terço.
Já ouvistes rezar o terço?
Em cada conta se reza uma oração e na cruz (mostro a cruz)
recita-se o credo, que já começastes a aprender: “Creio em Deus Pai”.
Nas contas grandes (reparai que há contas grandes e pequenas)
se diz: Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo; assim como era
no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos.
Amém”. É uma oração a Deus em três pessoas: o Pai, o Filho e o
Espírito Santo.
Depois se reza o Pai Nosso, - que eu já vos expliquei: Pai nosso,
que estais no céu...
Nas contas pequenas, que se seguem em dezenas, diz-se a oração
à Virgem Santíssima: a “Ave-Maria”. Durante esta oração deve-se
pensar na vida de Maria, em tudo o que lhe causou alegria, e em tudo
o fez sofrer, pedindo em seguida o que se quiser.
Sabeis o que é o telefone. Fala-se ao telefone com pessoas que
não se veem e que estão longe de nós; elas vos ouvem e vos
respondem. Vosso terço é um pequeno telefone, que vos permite
falar à Virgem Santíssima.
Quem tem um terço? Vou ver os que trazem consigo um terço...
Agora vamos rezar uma dezena... Vamos começar; enquanto
rezais as “Ave-Marias” pensai no que o anjo Gabriel disse à Virgem
Santíssima: “Serás a Mãe de Deus”.
Terminada a oração, dizer às crianças: Antes de deixardes
Nossa Senhora, pedi alguma coisa para vos ou para vossos pais.
94
Um minuto de silêncio.
Oração: 1. Creio em Deus Pai, todo-poderoso, criador do céu
e da terra; e em Jesus cristo, um só seu Filho, nosso Senhor, o qual
foi concebido do Espírito Santo...
2. Ave, Maria, cheia de graça; o Senhor é convosco; bendita sois
vós entre as mulheres; e bendito o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e
na hora da nossa morte. Amém
Lição: 1. Qual é o mistério da Encarnação?
2. Que entendeis, dizendo que o Filho de Deus se fez homem?
Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
família):
1. Na ocasião oportuna chamar a atenção das crianças para as
festas da Anunciação
(25 de Março) e da Visitação (2 de Julho), recordando as cenas
do Evangelho. No dia de cada festa, acender uma vela diante da
imagem de Nossa Senhora.
2. Pode-se mandar colorir as cenas da Anunciação e da
Visitação. As crianças gostam muito desses exercícios são de executar,
tanto em casa como nas aulas. Conhecemos catequistas que dão essas
cenas para colorir como deveres.
3. De vez em quando fazer que as crianças mostrem o terço.
4. Nas aulas ou catecismo de meninas, colocar em ordem diante
da escrivaninha ou mesa, as que se chamarem Maria, e manda-las

95
rezar a primeira parte da Ave-Maria, respondendo as outras a
segunda parte.
Fazemos esse exercício para atrair a atenção das crianças para o nome
de Maria.
5. Levar as crianças à igreja e mostrar-lhes os quadros que
representam a Anunciação e Visitação.
6. Se na cidade, ou perto, houver algum santuário de Nossa
Senhora, indicá-lo às crianças, aconselhando-as a visitá-lo com a
mamãe.
7. Lembramos aos catequistas a utilidade e o poder do terço
rezado em comum. Essa oração é uma verdadeira fonte de graças.
A atenção da criança pode ser mantida durante uma dezena.

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IX. O NASCIMENTO DE JESUS
Pequeno resumo da lição precedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças.
Maria morava em Nazaré. Morava sozinha. Um dia, o Anjo
Gabriel lhe apareceu e lhe disse: “Ave, Maria, cheia de graça, o
Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres”. Depois, o
anjo lhe anunciou que ela seria a mãe do Menino Jesus, o Filho de
Deus. Maria foi visitar sua prima Isabel, que lhe disse as mesmas
palavras do anjo: “Bendita sois vos entre as mulheres e bendito é o
fruto do vosso ventre, Jesus”. Em Nazaré, um anjo apareceu a José, e
lhe disse que levasse Maria para sua casa. Então Maria deixou a casa
em que morava e foi morar com São José.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
Vamos contar uma história que deve agradar muito às criancinhas: é
a história da Sagrada Família, a história de um menino pequeno.
As diferentes cenas se sucedem como os episódios de um filme, e
prendem muito a atenção.
Os quadros que vamos apresentar, escolhidos a propósito, despertam e
fortificam as impressões, auxiliando as crianças a se compenetrarem de que
estão com José e Maria a caminho de Belém, na gruta e, finalmente, ao lado
dos pastores, diante do menino Jesus.
Então as crianças farão um ato de fé, um ato de amor, um ato de
oferta.
Fazemos questão que fique bem gravada na alma das crianças a
convicção profunda de que Jesus é o Filho de Deus.
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Atingiremos nosso fim, com os exercícios de formação de piedade. Uma
oração infantil à Virgem resumirá as impressões.
II. EXPLICAÇÃO
Material: reparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
Mapa da palestina; -quadros representando José e Maria a
caminho de Belém; - quadro representando o Nascimento, os
Pastores. Preparar tudo o que é necessário para armar um presépio:
papel grosso de embrulho, para imitar os rochedos, figuras, animais,
o boi e o jumento, um pouco de palha. Os pastores, o menino Jesus,
Maria e José.
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
Que disse o anjo Gabriel à Virgem Santíssima? Ele disse:
“Tereis um filho, que será o Filho de Deus”. O Filho de Deus viria à
terra, mas de que maneira? Escutai bem, vou contar-vos essa história,
a mais bonita que conheço.
1. José e Maria viviam tranquilos em Nazaré. José trabalhava na
sua oficina de carpinteiro, e, de vez em quando, saia para correr os
seus fregueses. Enquanto Maria ocupava-se dos arranjos de casa,
preparava as refeições, lavava... Um dia, José soube que o imperador
98
Augusto mandara contar todos os habitantes do seu império. Para
isso cada um tinha obrigação de se inscrever cidade donde sua família
era originária. José e Maria eram de Belém.
Mostrar no mapa a cidade de Belém.
Tiveram, pois, de ir de Nazaré a Belém (mostrar no mapa). Foi
uma longa e penosa viagem, e em pleno inverno.
Logo que se deixava a cidade de Galiléia (mostrar no mapa), os
caminhos eram horríveis e desertos; uma longa extensão de terra
varrida pelo vento e uma chuva fria como a neve caía
impiedosamente. Naquela época escurecia muito depressa.
Não obstante, José resolveu partir, porque sabia que se deve
obedecer sempre aos que mandam em nome de Deus.
Então foi à estrebaria preparar o pequeno jumento que possuía
e que sempre lhe servia quando ia procurar madeira.
Ajudou à Santa Virgem a montar e puseram-se a caminho.
Mostrar o quadro representando São José e Maria a caminho de
Belém.
Repeti comigo: José partiu com Maria para se inscrever em
Belém, obedecendo ao edito do imperador.
2. No fim de alguns dias, chegaram a Jerusalém, onde
descansaram um pouco. Maria quis, sem dúvida, ver o templo onde
tinha vivido até ao dia em que desposou José. Chegaram a Belém no
dia 24 de Dezembro, à noite. Fazia um luar lindo. Já caminhastes
alguma vez à noite? Veem se as formas das casas, das árvores, mas não
se distinguem muito bem. São José conhecia bem a cidade não
99
precisava indagar, e Maria, que não a conhecia, deixava se guiar. Ela
passava, montada no seu jumentinho, pelas ruas, atravessando as
vinhas, os campos debaixo das figueiras e oliveiras; cujos ramos
brilhavam à luz da lua.
Maria pensava: É em Belém que deve nascer Jesus, Salvador do
mundo; e, rezando com todo o fervor, dizia: Eis aqui a vossa escrava,
eu vos amo, quero fazer a vossa vontade...
Oh! como sou feliz de ter sido escolhida para ser a mãe do Filho
de Deus! José procurava uma casa para passar a noite. Quando viajais
com o papai e a mamãe, se, ao procurardes um hotel, vos disserem:
não podemos hospedar-vos, não ficaríeis tristes? Pois foi o que
sucedeu com São José e a Virgem Maria. Havia em Belém um casarão
e, no meio, um pátio, onde os viajantes se instalavam com os seus
cavalos e bagagens. Mas havia tanta gente que José e Maria não
puderam entrar. Depois andavam pela cidade, procurando um
pequeno quarto. Todos lhes fechavam as portas. Não havia cômodo
que não fosse tomado pelos peregrinos que, como José, tinham vindo
se inscrever. Maria e José tinham chegado muito tarde. E mais, eram
tão pobres que, ao vê-los, os habitantes de Belém pensavam: Não
poderão pagar nada...
Repeti comigo: chegados a Belém, José e Maria não
encontraram lugar nas hospedarias.
3. Que fazer? Eles não podiam ficar na rua... José refletia. Perto
da cidade havia uma gruta, uma espécie de estábulo abandonado,
que servia de abrigo aos animais. José tomou a rédea do jumento e
dirigiu-se para lá. A Virgem Santíssima ficou triste, pensando:
“Quando Jesus vier e ele sentirá ao mundo, não terei berço para
100
deitá-lo... e ele sentirá frio”. Quando entraram no estábulo, ouviram
barulho; era um boi que estava no fundo da gruta. Maria e José
fizeram sua cama com palha, puseram o jumento ao lado do boi, e
depois abandonaram-se a Deus... Só se ouvia o zunido do vento e a
respiração do boi e do jumento.
A meia-noite, quando São José estava em oração, Maria deu um
grito de alegria: Deus acabava de lhe mandar seu divino Filho, o
lindo menino Jesus. E ela abraçava-o e beijava-o, repetindo: “Eis o
Filho de Deus, que o anjo Gabriel me havia prometido em Nazaré”.
A gruta estava iluda por uma luz muito suave. José levantou-se,
contemplou com amor o menino Jesus, e depois deu a Maria uns
panos brancos, que ela tinha trazido de Nazaré, para envolver o
menino Jesus, porque estava nu e batia com os braços e as
perninhas... Ele chorava muito mansinho. De repente, José viu ao
seu lado a manjedoura madeira onde os animais comiam. Tomou-a,
forrou-a com palha e apresentou-a a Maria, que nela deitou o menino
Jesus. Então José e Maria puseram-se de joelhos diante dele e
adoraram-no como a seu Deus.
Mostrar o quadro que representa Maria e José a adorar o menino Jesus,
na gruta.
Repeti comigo: José conduziu Maria a uma gruta, que servia
de estábulo aos animais. Foi aí que Deus deu o seu Filho Jesus a
Maria.
Sabeis como se chama o dia do nascimento de Jesus? É o dia de
Natal - 25 de Dezembro.
A pouca distância de Belém havia uns pastos abrigados contra

101
os ventos, onde os pastores guardavam os seus rebanhos. Ficavam ao
ar livre, também durante a noite quando fazia frio, aqueciam-se em
redor de uma fogueira. De repente foram irradiados de um esplendor
forte e mui claro, e diante de si viram um anjo. Como tivessem medo
e ficassem sem poder falar, o anjo lhes disse: Não temais, venho
anunciar-vos uma boa nova que será, para todo o povo, motivo de
grande alegria. Hoje, em Belém, cidade de David, acaba de nascer o
Salvador, que é o Cristo. Eis o sinal para reconhecê-lo: encontrareis
um menino envolto em panos e deitado num presépio. A luz
permanecia, iluminando a planície, os rebanhos, as árvores, os
pastores. Estes já não sentiam temor. Sentiam-se felizes, e repetiam:
“Em Belém nasceu o Salvador”. Ouviram vozes e, levantando os
olhos, viram que o anjo havia se elevado e tinhas-lhes associado uma
legião de anjos que cantavam: “Glória a Deus nas alturas e paz sobre
a terra aos homens de boa vontade”. Este cântico até hoje é cantado
na missa.
Enquanto os pastores olhavam para o céu, a luz desapareceu e
as vozes se calaram. Ficando sós, os pastores resolveram ir a Belém, a
fim de contemplar a maravilha que lhes fora anunciada. Tomaram
provisões, um pouco de leite e um cordeirinho, para oferecer ao
menino Jesus, e partiram, deixando seus rebanhos sob a guarda dos
cães. Caminharam depressa, desejosos de ver o Salvador. Com efeito,
depressa chegaram à gruta mas, antes de entrar se detiveram. Viram
uma luz suave iluminando o estábulo e o menino Jesus reclinado em
um presépio. Ao seu lado uma mulher muito jovem e muito linda: a
Virgem Santíssima, e um homem como um pobre operário: São José.
No fundo da gruta, um boi e um jumento, com os olhos abertos,
imóveis.
102
A criança, envolta em panos, era o Salvador. Entraram e
prostraram-se ante ele para adorá-lo como o Cristo prometido ao
povo judeu desde longos anos. Oh! como se sentiam felizes, e como
desejariam ficar com Jesus, mas deviam voltar antes de amanhecer,
para cuidarem dos seus rebanhos. Foi então que eles ofereceram-lhe
os humildes presentes. Os pastores foram os primeiros adoradores
de Jesus. Na volta, iam glorificando e louvando a Deus, em voz alta,
e contavam aos amigos tudo o que tinham visto e ouvido. Na gruta,
a Virgem pensava em tudo o que tinha acontecido desde a véspera
sua viagem, sua chegada a Belém, sua entrada na gruta o nascimento
do menino Jesus, a adoração dos pastores, e dizia: “Meu Deus, quero
fazer sempre a vossa vontade”.
Mostrar o quadro representando a adoração dos pastores.
Repeti comigo: Durante a noite, pastores que guardavam seus
rebanhos foram avisados pelos anjos do nascimento de Jesus.
Pressurosos, foram adorá-lo.
O menino é chamado Jesus.
5. Independente do nome de família, tendes um outro nome
que vos foi dado no dia do vosso batismo.
No tempo de Nosso Senhor, havia uma cerimônia, na qual se
impunha um nome à criança que acabava de nascer; é a circuncisão.
José e Maria não tiveram que procurar nome para a criança
nascida no estábulo. O anjo Gabriel já havia dito que seria Jesus, e
foi esse lindo nome que lhe foi dado oito dias depois do seu
nascimento.
Quarenta dias depois de ter nascido Jesus, Maria, segundo o
103
costume judeu, levou ao templo para apresentá-lo a Deus.
José ajudou novamente Maria a montar no jumento, pôs-lhe
nos braços seu divino Filho, que ela envolveu em seu manto, e
tomaram o caminho de Jerusalém.
Chegaram à porta do templo, onde algumas mulheres
esperavam o sacerdote. Compraram um par de rolas para oferecer
em sacrifício e esperaram.
Breve chegou o sacerdote recitou as orações, tomou a oferta e
afastou-se para imolar o par de rolas.
Maria aproximou-se do altar, ajoelhou-se para rezar e agradecer
a Deus.
Na volta, um velho, chamado Simeão, aproximou-se, tomou
nos braços o menino Jesus, levantou-o ao céu e exclamou: “Agora
posso morrer, porque vi o Salvador”.
José e Maria ficaram com medo, vendo o velho tirar-lhes dos
braços o menino. Mas compreenderam logo que Deus lhe havia dito
que ele não morreria sem ter visto o salvador do mundo; e sentiram-
se felizes de ver que Simeão havia reconhecido o Filho de Deus.
Simeão restituiu o filho à sua mãe e lhe disse, com tristeza: “Por
causa dele, tua alma será traspassada por uma espada”.
Maria já sabia disto, e abraçou fortemente o seu Filho. Ia partir,
quando uma mulher muito velha, chamada Ana, saudou por sua vez
o menino Jesus, e proclamou que ele era o Salvador.
Mostrar às crianças o quadro da apresentação de Jesus no templo.
Repeti comigo: oito dias depois do seu nascimento, o menino
104
recebeu o nome de Jesus.
Depois Maria e José foram ao templo agradecer a Deus e
apresentar-lhe Jesus.
Jesus foi reconhecido por Simeão e por Ana como sendo o
Salvador.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas, por isso
interrogo:
1. Onde moravam Maria e José? Qual era o ofício de José? Em
que se ocupava a Virgem Santíssima? Que ordenou o imperador
Augusto? Onde deveria se inscrever José? Por quê? Era verão ou
inverno? Os caminhos eram bons? Fazia frio? Como Nossa Senhora
fez a viagem?
2.Em que cidade pararam Maria e José? Maria conhecia
Jerusalém? Desde quando havia ela deixado Jerusalém? A que horas
chegaram a Belém? A Virgem Santíssima sabia que Deus lhe ia dar,
breve, o menino Jesus? Que procurava São José quando chegaram a
Belém? Havia hospedaria? Encontraram eles lugar?
3. Para onde foram? Para que servia a gruta? Por que Maria
Santíssima estava triste? Em que cama se deitaram São José e Nossa
Senhora? Que havia na gruta? Aonde São José colocou o jumento? O
que aconteceu à meia-noite? Em que foi envolvido o menino Jesus?
Que fazia o menino Jesus? Que lhe serviu de berço? Com que São
José forrou a manjedoura que serviu de berço ao menino Jesus?
Como se chama o dia do nascimento de Jesus?
4. Que é um pastor? Que viram os pastores que guardavam os
rebanhos? Que lhes disse o anjo? Que viram e ouviram eles no céu?
105
Que resolveram quando o anjo desapareceu? Que levaram consigo?
Para onde partiram? Quem guardou os rebanhos durante sua
ausência? Que viram antes de entrar na gruta? Que fizeram ao entrar?
Sentiram-se felizes? Que contavam aos amigos? Em que pensava a
Santíssima Virgem na gruta?
5. Em que dia foi dado o nome de Jesus ao Menino? Quem
tinha indicado esse nome? Por que Nossa Senhora foi ao templo?
Que ofereceu a Deus? Que fez o velho Simeão? Que disse ele à
Virgem Santa? Que disse a santa mulher Ana?
III. EXERCÍCIO PRÁTICO
1. Construo um presépio com as crianças.
Vamos fazer uma gruta. No chão ou no rochedo?
Imito a gruta. Arrumo, com o papel de embrulho, uma espécie de gruta.
Para que serve a gruta? Serve para estrebaria. O que há numa
estrebaria? Palha e feno.
Deito um pouco de palha.
Quando São José e Maria entraram no estábulo, que
encontraram lá? Um boi.
Coloco o boi sobre a palha, no fundo.
Maria fez o caminho a pé? Não, ela o fez num jumento. Onde
São José guardou o jumento? Junto do boi. Onde ficou Maria? Sobre
a palha, bem longe dos animais. E são José? Ao lado de Maria. Que
aconteceu à meia-noite? Nasceu o Filho de Deus, Nosso Senhor
Onde Maria deitou o Menino Jesus? Na manjedoura dos

106
animais.
Ponho a manjedoura entre Maria e José, e nela deito o Menino jesus.
Quem veio primeiro visitar o Menino Jesus? os pastores. Onde
ficaram? Diante de Jesus, Maria e José.
Coloco os pastores.
Depois de ter armado o presépio, mando uma criança contar a
história do nascimento de Jesus.
2. Sugerir às crianças pedirem a seus pais para armarem em casa
um pequeno presépio.
3. Recomendar às crianças irem com a mamãe ver o presépio
na igreja paroquial.
4. Quando, aos domingos, fordes à missa, ouvireis o padre
cantar o Gloria in excelsis.
Cantar as primeiras palavras, para ver se as crianças o reconhecem.
5. À noite, quando vos deitardes na sua caminha bem macia,
quente, pensai no Menino Jesus, que nem cama teve, e deitou-se
sobre a palha. Quem promete pensar nisto?
6. Em muitas escolas, professores ou professoras armam, pelo
Natal, nas aulas, um presépio. E, diante do Menino Jesus, colocam
uma caixa onde as crianças introduzem uns papeizinhos escritos,
contendo os seus sacrifícios. É um excelente meio de animar as
crianças a essas práticas piedosas.
7. Destacamos ainda o que se pratica em alguns catecismos
paroquiais. No tempo de Natal as aulas de catecismos são

107
substituídas por pequenas sessões diante do presépio, na presença
das crianças e de seus pais. Uma criança explica a cena de Natal. Essa
explicação deve ser feita em termos muito simples, e requer uma
preparação muito séria. O catequista, por sua vez, explica-a e, em
seguida reza diante do presépio. Antes e depois das explicações pode-
se cantar alguns cânticos de Natal.
Na lição seguinte perguntar:
Quem armou um presépio em casa? Quem pensou no Menino
Jesus, na hora de ir para a cama? Quem ouviu cantar o Glória? Quem
foi ver um presépio na igreja?
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
1. Faço com as crianças um ato de fé.
Coloco diante das crianças o quadro que representa o nascimento do
Salvador.
Reparai neste quadro: Como se chamam os animais? (Boi,
jumento). De quem é o jumento? Como se chama o lugar onde eles
estão? E as pessoas? Quem é este homem? (Mostro São José). E esta
mulher? (Mostro Nossa Senhora). Quem é essa criança? Por que estas
pessoas estão nesta estrebaria? Quem tinha avisado a Nossa Senhora
que ela seria a Mãe de Deus Filho? Quem avisou a José? Olhando o
Menino Jesus, reconhece-se nele o Filho de Deus? É ele igual às
outras crianças? Olhai o quadro. Agora fechai os olhos e pensai no
quadro que acabastes de ver.
Um minuto de silêncio.
Dizei lentamente comigo: o Menino Jesus, que está deitado

108
sobre a palha, no presépio, é o Filho de Deus... É o mesmo, cujo
nome eu pronuncio quando faço o sinal da cruz... Em nome do Pai,
e do Filho e do Espírito Santo. Agora dizei baixinho: creio que o
Menino Jesus é o Filho de Deus que tomou um corpo como o
meu. Jesus Menino, vós sois o Filho de Deus.
Um minuto de silêncio.
2. Faço com as crianças um ato de caridade.
Coloco bem à vista das crianças o quadro do nascimento do Salvador.
Olhai bem para esse quadro. São José e Nossa Senhora estão
bem acomodados na gruta Sofrem Nossa Senhora está triste por não
ter um berço bonito para deitar o Menino Jesus? Faz frio na gruta?
Reparai agora no Menino Jesus... Onde está ele deitado? E vós, onde
dormis? Sentis frio? E o Menino Jesus, sente frio? Jesus veio ao
mundo para ser feliz?
Por que Jesus sofreu desde o primeiro dia do seu nascimento?
Deveis amar muito o Menino Jesus? O que ele sofreu por vós no
estábulo no dia de Natal? Fechai os olhos e pensai no Menino Jesus...
Agora dizei lentamente comigo: “Menino Jesus, viestes ao mundo
porque me amais muito... Menino Jesus eu vos amo de todo o meu
coração”. Repeti três vezes baixinho: Menino Jesus, eu vos amo de
todo o meu coração.
Um minuto de silêncio.
3. Faço com as crianças um ato de oferecimento.
Mostro o quadro da adoração dos pastores.
Olhai este quadro! Representa os pastores junto do Menino
109
Jesus. Onde estavam os pastores? Que guardavam eles? Com quem
deixaram seus rebanhos? Acreditaram no que lhes disse anjo? Como
sabeis que o Menino Jesus é Filho de Deus? Deveis acreditar como
os pastores? Baixai a cabeça, fechai os olhos e dizei lentamente:
“Menino Jesus, como os pastores eu creio que sois o Filho de Deus”.
Os pastores levaram de presente ao menino Jesus um cordeirinho.
São José e Nossa Senhora ficaram contentes de ver esses homens
trazerem alguma coisa para Jesus. Pensai em Jesus deitado no
presépio e oferecei-lhe alguma coisa que possa causar-lhe prazer:
vosso coraçãozinho. Dizei comigo: “Menino Jesus eu vos dou meu
coração”. E depois ainda: “Jesus, Maria, José eu vos dou meu coração
e minha alma”.
4. Oração de uma criancinha à Mãe de Jesus:
Esta oração, dita pelo catequista, pode ser repetida pelas crianças:
“Santa Maria, eu bem vos conheço, sois a mãe do Menino Jesus.
O Menino Jesus é o Filho de Deus. Vós sois a Mãe de Deus. Santa
Maria, vós cuidastes do Menino Jesus como minha mãe cuida de
mim e de meus irmãozinhos. Santa Maria, tomai conta de mim! A
mãe de meus companheiros quer ocupar-se comigo, porque eu gosto
de seus filhinhos. Santa Maria, eu gosto muito do Menino Jesus e o
Menino Jesus gosta de mim, portanto, eu vos peço, ocupai-vos
comigo, protegei-me. Santa Maria, eu vos amo porque sois a Mãe do
meu grande amigo, Jesus. Santa Maria, prometo amar sempre vosso
Filho Jesus. São José, pai adotivo do Menino Jesus, protegei-me”.
Oração: Creio em Deus Pai, todo-poderoso, criador do céu e
da terra, e em Jesus Cristo, um só seu Filho, Nosso Senhor, o qual
foi concebido do Espírito Santo, nasceu de Maria Virgem.
110
Lição: Aprender de cor:
1. Em que dia nasceu Jesus cristo? 2. Onde nasceu? A
Santíssima Virgem deve ser chamada Mãe de Deus?
Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
família).
1. Quando for à missa com as crianças, chamar a atenção das
mesmas para o “Glória
Então dizer-lhes: “Prestai tenção, o padre vai cantar o que os
anjos cantaram na noite de Natal”. Depois da missa, perguntar:
“Quem ouviu cantar o “Glória” Quem cantou pela primeira vez?
2. Declarar uma imagem representando a cena do presépio, e
distribuir pelas crianças, para colorir.
3. Cortar, em diversos pedaços, cartões postais, representando
a cena de Natal, e mandar as crianças reconstituírem a imagem.
4. Ao rezar a Ave-Maria, parar nas palavras: “Santa Maria, Mãe
de Deus”, e mandar as crianças pensarem na cena do presépio. Fazer
o mesmo no Credo, quando disser: “nasceu de Maria Virgem”.
5. Levar as crianças à igreja e mostrar-lhes os quadros e vitrais
que representam o nascimento de Jesus.
6. Aconselhar às crianças fazerem pequenos sacrifícios,
pensando no menino Jesus; por exemplo: suportar o frio, não chorar
quando cair, estudar...

111
X. OS MAGOS. FUGA PARA O EGITO. VOLTA A
NAZARÉ
Pequeno resumo da lição precedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças.
José e Maria foram obrigados a deixar Nazaré e ir a Belém.
Depois de alguns dias de viagem, chegaram a Belém já noite. Não
encontrando lugar nas hospedarias, refugiaram-se em uma gruta que
servia de estábulo. A meia-noite nasceu o Menino Jesus. Maria e José
deitaram-no em uma manjedoura forrada de palha. Os pastores,
avisados pelos anjos, vieram adorá-lo. Oito dias depois do seu
nascimento, o Menino recebeu o nome de Jesus. Algum tempo
depois, José e Maria levaram-no ao templo de Jerusalém e o
apresentaram ao Senhor. Dois velhos, um homem e uma mulher,
reconheceram-no como o Salvador prometido por Deus.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
Eis agora um capitulo que vamos utilizar para repisar a ideia
apresentada: Jesus é o Filho de Deus.
Na história dos Magos esta verdade se firma sem dificuldade.
Temos ocasião de falar sobre as duas naturezas - divina e humana sem
recorrer à questão árdua do catecismo.
Quando os magos oferecem incenso, frisaremos que é a Deus que eles
oferecem, quando apresentam mirra, diremos que é ao homem, portanto, ao
Menino Jesus que eles dão tudo porque o Menino Jesus é Deus e homem.
Aproveitaremos também esse capitulo para despertar uma grande
devoção a São José, mostrando que ele foi o protetor do Menino Jesus,
112
salvando-o de Herodes, levando-o para o Egito e trazendo-o de novo para
Nazaré.
A proteção de São José não se terá estendido a todas as crianças que
se assemelham a Jesus?
Essa maravilhosa história dos reis Magos será ouvida avidamente pelas
crianças, mas é preciso ter cuidado para não deformar a verdade e só contar
o que é aceito pela tradição.
II. EXPLICAÇÃO
Material: reparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
Mapa da Palestina; - quadro da adoração dos Magos; - quadro
do massacre dos Santos Inocentes; - quadro da fuga para o Egito.
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
Quando deixais a vossa casa para passar algum tempo fora,
sentis falta dos vossos objetos, dos vossos brinquedos, do vosso
quarto, enfim, ficais com saudades, e ansiosos por voltar para
casa...São José também queria voltar logo para Nazaré, para retomar
o seu trabalho, e sempre conversava com a Virgem Santíssima sobre
a sua volta. Agora vou contar-vos o que aconteceu impedindo-os de

113
voltar ao seu país.
1. Aqui está Jerusalém no mapa. (Mostro Jerusalém). É a cidade
santa dos judeus; todos aí se reuniam e era muito visitada pelos
estrangeiros. Um dia, vindos do Oriente, chegaram três viajantes
ricamente trajados, montados em camelos e acompanhados por
criados. Não eram judeus. Que teriam vindo fazer? Descendo dos
camelos, entraram na cidade e iam perguntando aos habitantes que
encontravam: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer?”
Ninguém lhes sabia responder. Ah! se eles tivessem encontrado os
pastores, estes lhes teriam dito: “O Salvador, o Rei dos judeus está
em uma gruta, em Belém”. Mas os habitantes de Jerusalém só
conheciam o malvado rei Herodes, e no seu palácio não havia
nascido nenhuma criança... Então os estrangeiros repetiam: “Dizei-
nos onde nasceu o rei dos judeus”, e contaram por que tinham vindo
a Jerusalém... Moravam longe, muito longe, além do deserto...
(mostrar no mapa), e uma noite, quando estudavam os astros, viram
uma estrela extraordinária, e compreenderam que esse astro vinha
anunciar o nascimento do Salvador. Esses homens, na terra deles,
eram designados pelo nome de Magos. Logo que eles viram a estrela,
puseram-se a caminho, e chegaram a Jerusalém. Sabendo Herodes
que os Magos estavam indagando onde nascera o rei dos judeus,
perturbou-se e toda Jerusalém com ele.
Repeti comigo: os Magos, vindos de muito longe, chegaram a
Jerusalém e perguntaram: “Onde nasceu o rei dos judeus?”
2. Ouvindo isto, o mau Herodes não ficou contente porque
não lhe convinha um outro rei. Antes de mais nada, era necessário
saber se realmente havia nascido algum rei. Mas como sabê-lo? Em
114
Jerusalém (mostrar no mapa), no templo, havia livros nos quais
estava escrito tudo o que Deus havia prometido aos judeus. Nesses
livros lia-se que Deus prometera um Salvador a Adão e Eva, a Abraão,
a seu filho e a outros judeus. Estava escrito também que o Salvador
devia nascer em Belém. Então Herodes convocou todos os sacerdotes
e indagou deles onde devia nascer o Cristo. Responderam os
sacerdotes: em Belém. Logo que Herodes ouviu tal resposta, mandou
chamar os Magos ao palácio e muito bem e lhes perguntou como
tinham sabido do nascimento do Salvador. Eles contaram ao rei o
que já haviam dito: uma estrela maravilhosa lhes aparecera, e,
guiados por ela, vieram até Jerusalém, onde a estrela desaparecera.
Herodes lhes disse: “Ide e informai-vos bem e quando o houverdes
encontrado, vinde mo dizer, para que eu vá também adorá-lo”.
Ouvindo essas palavras do rei, eles partiram com destino a Belém,
acompanhados por seus criados.
Repeti comigo: Herodes, tendo sabido que o Salvador devia
nascer em Belém, mandou chamar os Magos e lhes pediu que
viessem lhe dizer quando o encontrassem.
Levantando os olhos, viram que a estrela que tinham visto no
Oriente seguia diante deles. De repente, parou justamente em cima
da gruta onde estava o menino. Desceram de seus camelos e
entraram na gruta, onde encontraram o menino Jesus nos braços de
Maria, e perto dele São José. Que linda criança!.. E não era uma
criança comum, pois era o Filho de Deus, um Deus que, para ocultar
o seu poder, apresentava-se humildemente como uma criancinha que
precisa dos cuidados de sua mamãe para se alimentar, para se vestir
e até para se deitar na manjedoura que lhe servia de berço. Os Magos

115
não se admiraram da pobreza da Sagrada Família. Estavam certos de
não se terem enganado e de estarem na presença do Salvador do
mundo. Prostrando-se, o adoraram e depois, abrindo os seus cofres,
ofereceram-lhe presentes.
Mostro o quadro que representa a cena da adoração dos Magos.
Que lhe deram eles? Um, o mais velho, ofereceu-lhe ouro,
como se dá aos reis da terra, e pensava: “Menino Jesus, aceitai este
ouro, porque sois o Rei dos reis”. O segundo deu-lhe incenso. Sabeis
o que é incenso? É o que o sacerdote queima diante do altar nas
igrejas. É a Deus que se oferece incenso. Dando-o, o rei pensava:
“Menino Jesus, aceitai este incenso que é oferecido só a Deus”. O
terceiro, por sua vez, ofereceu um produto de seu país que se chama
mirra, e que serve para conservar o corpo. E pensava: “Menino Jesus,
um dia, quando ficardes homem sereis condenado à morte; aceitai,
pois, esta mirra, que servirá para quando fordes sepultado”. Maria e
José sorriam e sentiam-se felizes de receber esses presentes. O Menino
Jesus os contemplava com doçura, e os seus bracinhos pareciam
agradecer-lhes.
Repeti comigo: Tendo os Magos encontrado o menino Jesus,
ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra.
3. Como já era tarde, os Magos foram dormir e tencionavam
voltar logo no dia seguinte de manhã para avisar a Herodes que
tinham encontrado o Menino Jesus. Havendo, porém, recebido, em
sonho, o aviso, por intermédio de um anjo, de não tornarem à
presença de Herodes, voltaram por outro caminho para o seu país.
Herodes, vendo que os Magos não voltavam, encolerizou-se em
extremo e mandou matar todos os meninos que havia em Belém e
116
nos seus arredores, da idade de dois anos para baixo. Assim, pensava
ele, o reizinho que acaba de nascer não me escapa. No dia seguinte
de manhã, os soldados, por ordem do seu cruel rei, entravam em
todas as casas, arrancavam as crianças dos braços de suas mães, e
matavam-nas. As mães choravam, gritavam, queriam fugir mas os
soldados metiam-lhes os pés e iam atravessando as crianças com as
espadas.
Mostrar o quadro do massacre dos inocentes.
No céu, Deus recebia as almas dessas crianças e lhes dava um
bonito lugar junto aos anjos.
Repeti comigo: Um anjo avisou em sonho aos Magos que não
fossem à presença de Herodes, então eles tomaram um outro
caminho para voltarem ao seu pais. Querendo livrar-se do menino
Jesus, Herodes mandou matar todas as crianças de Belém.
Mas o Menino Jesus escapou, e vou contar-vos como:
4. São José viu, em sonho, um anjo, que lhe disse: “Levanta-te,
toma o menino e sua mãe e foge para o Egito, pois Herodes procura
Jesus para mandar matá-lo”. São Jose levantou-se logo, e, de noite
mesmo, acordou Nossa Senhora, que, com o menino nos braços,
montou novamente o jumento, e, devagarzinho, partiram para o
Egito, levando consigo os presentes dos Magos. Olhai mapa. Aí fica
Belém, aqui o Egito (mostrar o mapa). Foi que eles partiram.
Andaram durante algum tempo, e, quando amanheceu, já estavam
longe de Belém. E justamente os soldados chegavam, matando todas
as crianças, mas o Menino Jesus já estava longe.
Repeti comigo: Um anjo disse a José que partisse para o Egito,
117
e José obedeceu logo.
Jesus já estava a caminho do Egito, país que não pertencia ao
cruel Herodes. Chegando lá, José alugou uma casa pequenina, onde
instalou a Santa Virgem e o Menino Jesus. Depois, foi procurar
trabalho. Viveram mais ou menos dois anos no Egito. Um dia, o anjo
do Senhor apareceu de novo, em sonho, a São José, e lhe disse:
“Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e volta para a tua terra,
porque morreram os que queriam tirar a vida do menino”. Sem
hesitar, José levantou-se e partiu com Maria e o menino, com destino
a Nazaré.
Repeti comigo: Depois da morte de Herodes, são José foi
avisado por um anjo, que voltar para a sua terra. E ele partiu com
Maria e Jesus para Nazaré.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas, por isso
interrogo:
1. Onde nasceu Nosso Senhor? São José e Nossa Senhora
desejavam voltar para Nazaré? Quem veio a Jerusalém, depois do
nascimento Nosso Senhor? Eram eles numerosos? Como viajaram
eles? Que perguntaram aos habitantes de Jerusalém? Quem poderia
informá-los? Como souberam que o Salvador havia nascido?
2. Herodes ficou satisfeito quando soube que os Magos tinham
vindo adorar o Salvador? Quem sabia onde o Salvador devia nascer?
Que responderam os sacerdotes a Herodes? Que disse Herodes aos
Magos? Quem mostrou aos Magos a gruta onde estava Jesus? Onde
estava o Menino Jesus quando, os Magos chegaram? Que fizeram os
Magos ao ver Jesus? Que ofereceu a Jesus o primeiro Mago? E o

118
segundo? E o terceiro? Os Magos creram que Jesus era realmente o
Filho de Deus?
3. Os Magos iam voltar à presença de Herodes? Quem lhes disse
que não voltassem? Que fizeram eles? Que fez então Herodes,
quando viu que os Magos não voltavam? Para onde foram as almas
das criancinhas? Os soldados mataram o Menino Jesus?
4. Quem avisou a José que Herodes queria matar o Menino
Jesus? Para onde José levou Jesus e Maria? Quanto tempo ficou a
sagrada Família no Egito? Quem disse a José que ele podia voltar para
a sua terra? O mau Herodes ainda vivia? Onde foi morar a sagrada
Família?
III. EXERCÍCIO PRÁTICO
1. Depois de ter contado o que fizeram os Magos para
encontrar Jesus, pode-se dizer às crianças que vão também procurar
Jesus na casa de Deus, a igreja, e lá adorá-lo. Quando o Menino Jesus
estava no presépio, não se percebia que ele era Deus. Não se vê Jesus
no tabernáculo, mas sabe-se que está presente, como estava outrora
no presépio. Se passardes por uma igreja, deveis entrar para adorar o
Menino Jesus.
2. Quando um Mago viu a estrela que lhe indicava que o
Salvador havia nascido, convidou os outros: “Quereis ir comigo
adorar o Salvador?” Meus filhos, fazei Magos, convidai vossos
companheiros para virem adorar Jesus no tabernáculo.
3. Podeis pedir a mamãe para vos mostrar, na igreja, os quadros
que representam a adoração dos Magos, a para o Egito e o massacre
dos Inocentes.
119
4. A noite, antes de deitar, prometei conservar o Menino Jesus
em vosso coraçãozinho, e, para isso, é preciso ser muito bonzinho.
5. Faço a criança refletir
Gostais de Herodes, o rei malvado, que queria mandar matar o
Menino Jesus? Não. Gostais dos Magos, que vieram adorar o Menino
Jesus? Sim. Se eu vos perguntasse: a quem quereis imitar, ao rei cruel,
Herodes, ou aos Magos? Que responderíeis? Aos Magos, e nunca a
Herodes. Que queria Herodes fazer? Mal ao Menino Jesus. Vos
também podeis fazer mal ao Menino Jesus, desobedecendo-lhe,
sendo maus para os vossos pais, pois é o contrário do que manda
Jesus. Ele vos pede que sejais bons, obedientes, estudiosos, para os
pais e superiores. Sois capazes de prometer isso ao Menino Jesus?
6. Pensai no vosso papai!... Ele trabalha, ou no escritório, na
cidade, ou na fábrica, ou mesmo em casa. Pensai na mamãe!... Ela
cuida do arranjo da casa, prepara as refeições, conserta a roupa, cuida
de seus móveis; também conhece e se dá com as vizinhas, que são
atenciosas e delicadas. São José tinha a sua oficina, a sua ferramenta
e a madeira para o seu trabalho, em Nazaré... Nossa Senhora tinha a
sua casa mobiliada, embora modestamente e se dava com suas
vizinhas... E, no entanto, tiveram de deixar tudo para seguirem para
um lugar desconhecido. Eram pobres, não tinham dinheiro, mas
partiram para obedecer a Deus e salvar o Menino Jesus. Vosso papai
e vossa mamãe não ficariam tristes, se fossem obrigados a deixar a
sua casa e ir para longe? São José e Nossa Senhora ficaram tristes,
mas, para salvar o Menino Jesus, não hesitaram. Quando o demônio
vos induzir a causar desgosto ao Menino Jesus, por exemplo, sendo
gulosos, preguiçosos, geniosos, não lhe deis ouvidos, e refugiai-vos no
120
presépio, junto ao Menino Jesus.
Na lição seguinte perguntar:
Quem foi à igreja para adorar o Menino Jesus, como os Magos?
Alguém convidou um companheiro, para irem juntos? Quem pediu
à mamãe que o levasse à igreja para ver os quadros da Adoração dos
Magos? Quem, à noite prometeu ao Menino Jesus conservá-lo sempre
em seu coração?
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
1. Os Santos Inocentes.
Já vos disse que o mau Herodes havia mandado matar muitas
crianças, certo de que desse modo o Menino Jesus não escaparia.
Deus colheu essas almas, como quem colhe lindas flores em um
jardim para um ramalhete. De pois, colocou-as no céu, onde, com os
anjos adoram a Deus, amam a Virgem Santíssima São José. E gostam
também muito das crianças; podeis, portanto, pedir-lhes que vos
ajudem a ser bem comportados e a amar o Menino Jesus. Pensai as
crianças que morreram em lugar do Menino Jesus. A Igreja
comemora o nascimento de Jesus festa do Natal. Faz-se um presépio,
que de certo vistes. Depois de Natal, festeja-se o dia em que essas
santas crianças foram para o céu. É a festa dos Santos Inocentes.
Repeti comigo: três vezes: Santos Inocentes rogai por nós.
2. Agora ides oferecer ao menino Jesus ouro, incenso e mirra.
Reparai neste quadro... os Magos prostraram-se diante de Jesus
e lhe ofereceram ouro, incenso e mirra. Quereis também oferecer-lhe
alguma coisa? Dizei baixinho: “Menino Jesus no presépio, Filho da

121
Virgem Maria, creio que sois o Filho de Deus, e vos amo de todo o
coração”. Esse ato de amor sobe ao Menino Jesus como incenso.
Dizei, enfim: “Menino Jesus, hoje eu quero fazer muitos sacrifícios:
obedecei, comerei o que não gosto e serei amável com meus
companheiros... esses sacrifícios eu vo-los ofereço”. Esse ato vale mais
do que a mirra. Assim, vos também oferecestes belos presentes ao
Menino Jesus.
3. Oração de uma criança a São José.
Esta oração pode ser rezada lentamente pelas crianças diante da
imagem de São José.
São José, eu sei quem sois. Sois o protetor de Nossa Senhora e
do Filho de Deus. Vós zelastes pelo Menino Jesus, o Filho de Deus,
como se fosse vosso filho. Salvaste-o da morte, conduziste-o ao Egito
e o trouxestes de novo para Nazaré. São José, eu sou uma criança
como novo Menino Jesus, protegei-me! O Menino Jesus é meu
grande amigo, quero imitá-lo. São José, protegei-me, eu vos prometo
seguir o exemplo do Menino Jesus serei bom, obediente,
trabalhador. São José, rogai por nós.
Lição: Quais foram os primeiros adoradores de Jesus? Quem
era São José?
Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
família).
1. Na época de Natal levar as crianças para verem um presépio
e chamar a sua atenção para os Magos.
2. Decalcar imagens da adoração dos Magos ou uma outra cena
da história, e mandar as crianças colorirem.
122
3. Cortar em diversos pedaços cartões postais representando as
três cenas: adoração dos Magos, fuga para o Egito e massacre dos
Inocentes, e mandar as crianças comporem as imagens.
4. Visitar uma igreja e mostrar às crianças os quadros
representando as cenas de que falamos,
5. Incutir a devoção a São José e mandar pôr flores diante da
sua estátua.
6. Dar a cada criança uma imagem de São José.
7. Falar às crianças sobre a Propagação da Fé e sobre a obra da
Santa Infância. Rezar com das crianças pagãs.

123
XI. JESUS EM NAZARÉ MODELO DAS CRIANÇAS
Pequeno resumo da lição precedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças.
Os reis Magos, vindos de muito longe, chegando a Jerusalém,
perguntaram: “Onde nasceu o Rei dos judeus?...” Quando Herodes
soube, pelos sacerdotes, que o Salvador devia nascer em Belém,
contou aos Magos e pediu-lhes que, na volta, viessem dizer-lhe se o
tinham encontrado. Tendo os Magos encontrado Jesus, ofereceram-
lhe ouro, incenso e mirra. Um anjo avisou aos Magos que não fossem
ter com Herodes. Tomaram, pois outro caminho, para voltar ao seu
país. Para que o Menino Jesus não escapasse, Herodes mandou matar
todas as crianças de Belém. Um anjo disse a José, em sonho, que
fugisse com Jesus e Maria para o Egito, e lá ficasse até novo aviso.
José só voltou depois da morte de Herodes.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
Devemos explicar à criança tudo o que ela deve fazer. Mas a criança
com a qual nos ocupamos, que nos escuta, é um entezinho que ignora e
ignorará ainda por muito tempo certas coisas. Vive na despreocupação e na
calma. A moral, para ela, se resume em algumas linhas muito simples,
porque ouve falar o que é permitido, o que é proibido. Age mandada por seus
pais e mestres e reflete ouvindo claramente a voz da sua consciência. Deste
trabalho interior é formada a sua moral de criança; mas fraca como é, sente
necessidade de ser protegida. Procura auxilio instintivamente no meio em que
vive, e o socorro de que se vale em primeiro lugar é - o do exemplo. A criança
é essencialmente imitadora utilizando, pois, esta disposição da sua natureza,
vamos apresentar-lhe o conjunto de seus deveres, mostrando como Jesus

124
menino os cumpriu. Tomaremos, pois, por modelo a vida de Jesus em Nazaré
para estudar com as criancinhas o que elas devem saber de moral cristã,
dividindo do seguinte modo.
1. Deveres das crianças para com Deus;
2. Deveres para com os outros e para consigo mesmo, sendo que estes
dois pontos se confundem.
II. EXPLICAÇÃO
Material: reparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
Mapa da Palestina; - quadro representando Jesus em Nazaré,
com Maria e José; -quadro representando só o menino Jesus; - quadro
representando Jesus no templo.
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
Quando vos ensinei a fazer o sinal da cruz, levei a minha mão
direita à testa, depois ao peito... e disse: “Em nome do Pai...”
Olhando com atenção para mim e me ouvindo, experimentastes
fazer o que eu fazia. Logo, fui um modelo que copiastes e imitastes.
Prestai atenção, hoje vou apresentar-vos o modelo da mais
inteligente, da mais mansa e da melhor de todas as crianças. Vou

125
contar-vos o que ela fazia, para procurardes imitá-la.
1. Que criança será essa, tão boa, tão inteligente e tão mansa?
É o Menino Jesus, que já conheceis, e que morava em Nazaré, com
Maria Virgem, sua mãe, e São José, seu pai adotivo. Jesus pequenino
era como qualquer criancinha, batia com as perninhas e com as
mãozinhas. Acariciava sua mamãe. Depois, aprendeu a andar; foram
José e Maria que lhe ensinaram os primeiros passos. Começou
falando mal, como toda criança e só dizia as palavras pela metade.
Muitas vezes dormia profundamente no colo da Virgem Maria. Logo
que soube falar direito, rezava com a sua Mãe Santíssima as orações
que os judeus recitavam diariamente. Antes mesmo de saber falar, já
o Menino Jesus sabia que era ele o Filho de Deus, pensava
constantemente em seu Pai do céu, e no seu íntimo dizia-lhe que
sentia feliz de ter tomado o corpo de uma criança para lhe fazer a
vontade. Mas só São José e Nossa Senhora sabiam que ele era Deus.
O Menino Jesus cresceu e ficou como qualquer de vós.
Repeti comigo: o menino Jesus morava em Nazaré, era um
menino como os de hoje, e sabia que era o Filho de Deus.
2. Agora vou contar-vos tudo o que ele fazia para Deus, seu Pai.
Mostro a imagem do Menino Jesus.
Vede bem esta imagem do Menino Jesus e dizei comigo:
“Menino Jesus, eu sei que sois o Filho de Deus. Quero saber tudo o
que fizestes para o vosso Pai...” Logo que acordava, o Menino Jesus
fazia uma curta oração e dizia a Deus: “Meu Pai, eu vos ofereço tudo
o que fizer hoje: o meu trabalho, o meu descanso e os meus atos de
obediência à minha Mãe e a São José. Meu Pai, eu vos amo”. Depois,

126
auxiliado por sua Mãe, vestia-se, lavava o rosto n'água, às vezes bem
fria, estendia as mãos à sua mãezinha, e então fazia a sua oração da
manhã.
Oh! como ele gostava dessa oração! Era a sua grande conversa
com Deus, a quem dizia: “Meu Pai, este belo sol que brilha nos
campos, vós o fizestes do nada; as uvas das videiras, o trigo dos
campos, os animais que existem na terra, os passarinhos que cantam
sobre as árvores verdes, tudo foi criado por vós. Também o homem
é criatura vossa, vós o criastes. Meu Deus, como sois bom!... Sois o
melhor dos pais, eu vos amo e desejo que todos os homens vos
amem”.
Muitas vezes, durante o dia, o Menino Jesus, trabalhando ou
estudando, repetia baixinho esta oração. E Deus, no céu, sentia-se
contente, pois quer que todos o reconheçam como criador e senhor
de tudo. É o que nos manda, quando diz: “Adorarás o Senhor teu
Deus”. Na verdade, dizer a Deus: “Tudo o que existe no céu, na terra,
no mar foi criado por vós, eu vos pertenço e quero vos servir” - é
adorar a Deus.
Antes das refeições, o Menino Jesus agradecia ao Pai do céu o
alimento que lhe dava, pois bem sabeis que é Deus que faz crescer o
trigo para fazer o pão, que faz amadurecer as frutas e que manda
produzir as ervas que sustentam os animais que comemos.
A noite, à hora de dormir, o Menino Jesus, antes de se despir,
rezava com São José e Nossa Senhora. Depois de deitado, adormecia
pensando em seu Pai, a quem amava acima de tudo.
Repeti comigo: o menino Jesus rezava de manhã, logo que se

127
levantava; durante o dia, mesmo brincando, ou trabalhando, ou
comendo, e à noite, antes de se deitar. Adormecia pensando em
Deus.
O menino Jesus na casa de Deus.
3. Antigamente a casa de Deus não se chamava igreja, como
hoje, chamava-se sinagoga. Era uma casa grande, situada em cada
cidade ou aldeia, onde os judeus, todos os sábados se reuniam para
rezar e ouvir a palavra de Deus. Em Jerusalém (mostro o mapa), havia
o templo, que era a verdadeira casa de Deus; mas, como era muito
longe, nem todos podiam ir lá todas as semanas. No entanto, na festa
da Páscoa, de Pentecostes e na festa dos Tabernáculos, todos eram
obrigados a ir a Jerusalém. Pois bem agora vou contar-vos o que fazia
o Menino Jesus na casa de Deus.
Repeti comigo: Hoje a casa de Deus se chama igreja.
Antigamente era sinagoga, ou o templo de Jerusalém.
Todos os sábados, os habitantes de Nazaré se reuniam na
sinagoga. As mulheres, separadas dos homens, rezavam em silêncio,
e estes, sentados, recitavam em voz baixa as orações, balançando
lentamente o tronco. O Menino Jesus também ia todas as semanas à
sinagoga. Com Maria e São José ele escutava ao que lia a Bíblia e
ouvia com grande prazer falarem sobre o seu Pai do céu! Como devia
sentir-se feliz ao entrar na casa de Deus! Com que interesse devia
olhar para o armário onde estava guardado o livro da lei de Deus!
Nele estava escrita a palavra de seu Pai! Sentado no banco, o Menino
Jesus rezava durante muito tempo, e achava que, pensando em Deus,
as horas corriam. Muitas vezes, durante a semana, a Virgem
Santíssima ia à sinagoga e lavava consigo o Menino Jesus.
128
Repeti comigo: Todos os sábados o menino Jesus ia à sinagoga
com seus pais. Algumas vezes ia também durante a semana com sua
mãe.
4. Quando Jesus chegou à idade de doze anos, segundo o
costume judeu, teve que ir ao templo de Jerusalém que era a mais
bonita de todas as casas de Deus, onde os sacerdotes ofereciam
sacrifícios a Deus. Sacrifício aqui não quer dizer não comer um doce,
deixar de ir a um passeio, como costumais fazer. Sacrifício eram os
bois, os cordeiros, frutos, vinho, que os sacerdotes ofereciam a Deus
dizendo: “É a vós que tudo pertence, tomai o sangue deste cordeiro,
desta pomba, recebei estes frutos, pois tudo é vosso”. E enquanto
isto, todos os que estavam no templo rezavam, repetindo: “Vós sois
nosso Deus, nosso Senhor; nós todos somos vossos”. Já vos disse que
várias vezes no ano os habitantes de todas as cidades da Palestina
deviam ir a Jerusalém.
O Menino Jesus partiu, pois, com seus pais e muitos outros
habitantes de Nazaré, que iam também cumprir a lei. De Nazaré a
Belém levava-se 4 a 5 dias, porque antigamente não se viajava como
hoje. A sagrada família partiu como muitos outros habitantes de
Nazaré que faziam a mesma viagem. Todos se sentiam felizes, porque
iam à casa de Deus, mas o Menino Jesus mais do que todos se
regozijava por ver que os homens amavam seu Pai do céu e que
deixavam tudo por ele. Depois de alguns dias, chegaram a Jerusalém.
Repeti comigo: Com a idade de doze anos, o menino Jesus foi
ao templo de Jerusalém, na companhia de seus pais.
Quando entraram no templo, o Menino Jesus viu os sacerdotes
e distinguiu o que devia oferecer incenso a Deus. Este sacerdote
129
vestia uma longa túnica branca, com enfeite roxo, guarnecida de
sinetas de ouro, com um cinto de diversas cores. Nos ombros trazia
um outro vermelho e dourado, e no seu peito brilhavam 12 pedras
preciosas, iguais às que vossa mamãe tem nos anéis. Quando o
sacerdote passava, todos inclinavam a cabeça, porque era o
representante de Deus. O sacerdote oferecia a Deus os cordeiros e as
ovelhas, e durante a cerimônia todos rezavam depois saíam do
templo em silêncio.
Passados os dias de festa, todos voltaram para Nazaré em
grupos: as crianças na frente e atrás as mulheres e os homens. Assim
o Menino Jesus fizera o trajeto até Jerusalém. Depois de terem
andado algum tempo, São José e Nossa Senhora quiseram ver Jesus
então deixaram o grupo das mulheres e homens e foram ter com as
crianças. Procuraram Jesus, chamaram-no, mas não o encontraram...
Não estava com as crianças... tinha se perdido... Foram ver entre
todos os viajantes, Jesus não estava... Que fazer? Maria disse logo: “É
preciso voltar a Jerusalém”. Pensai, meus meninos, como devia ter
ficado aflita a Virgem Santíssima! Como a vossa mamãe choraria se
vos perdesse!
Repeti comigo: São José e Nossa Senhora estavam em viagem
para Nazaré, quando, sentindo falta do menino Jesus, perceberam
que ele se tinha perdido. Imediatamente voltaram a Jerusalém.
5. Chegados a Jerusalém, procuraram mais três dias, e,
finalmente, foram descobri-lo no templo. Logo que entraram, viram
uma reunião de homens, mulheres e rapazes, diante dos quais se
achava um sacerdote. Aproximando-se, ouviram uma vozinha muito
conhecida: era a voz do Menino Jesus, que estava entre os doutores
130
da lei, escutando-os, interrogando-os sobre as coisas de Deus. Todos
os que o ouviam ficavam admirados.
Mostro o quadro representando o Menino Jesus entre os doutores.
O Menino Jesus havia ficado no templo para ouvir falar sobre
Deus, seu Pai, porque os sacerdotes daquele tempo explicavam,
como os de hoje, a palavra de Deus e o que é necessário fazer para
cumprir a sua lei. Maria, adiantando-se, disse a Jesus: “Meu Filho,
por que fizestes assim conosco? Há três dias que teu pai e eu te
procurávamos, cheios de aflição”. Mas o Menino Jesus, cujo pai
verdadeiro era Deus, quis lembrar à sua mãe que ele tinha indo ao
mundo para salvar os homens, fazendo assim a vontade de Deus, por
isso respondeu: “Por que procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-
me nas coisas de meu Pai do céu?”
A Virgem Santíssima compreendeu. Sabia que seu Filho era
Deus, e não acrescentou mais nada. O Menino Jesus deu-lhe a mão,
e, com São José, tomaram o caminho de casa.
Repeti comigo: São José e a Virgem Santíssima encontraram
o menino Jesus entre os sacerdotes, no templo de Jerusalém.
O Menino Jesus disse à sua mãe que a sua obrigação era tratar
das coisas de seu Pai do céu.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas, por isso
interrogo:
1. Qual é o mais belo modelo das crianças? Deveis procurar
imitar o Menino Jesus? Onde morava Jesus? Com quem vivia? Com
quem se parecia o Menino Jesus quando era pequenino? Quem lhe
ensinou os primeiros passos? Logo que ele soube falar, que lhe
131
ensinou a Virgem Santíssima? Sabia o Menino Jesus que ele era o
Filho de Deus? E a Virgem Santíssima e São José o sabiam? E os
habitantes de Nazaré?
2. Que fazia o Menino Jesus logo que acordava? E depois de
vestido? Que dizia ele a Deus, seu Pai, na oração da manhã? Em que
outras horas do dia rezava ele ainda? Deus quer que todos os homens
o reconheçam como seu Criador e seu Senhor? É adorar a Deus,
dizer-lhe que ele é Criador e Senhor de tudo? Que fazia o Menino
Jesus antes das refeições? Que fazia ele antes de se deitar? Em quem
pensava, quando adormecia?
3. Como se chamava antigamente a casa de Deus? Em que
cidade se achava a verdadeira casa de Deus? Como se chamava esta
casa? Em que ocasião os judeus iam ao templo de Jerusalém? Como
se chama hoje a casa de Deus? Em que dia os habitantes de Nazaré
se reuniam na sinagoga? Com quem ia o Menino Jesus à sinagoga?
Ouvia o Menino Jesus com atenção o sacerdote que lia a Bíblia? Que
dizia ele em voz baixa? Achava ele longo o tempo na sinagoga?
Durante a semana, ia ele à sinagoga?
4. Aonde foi Jesus, quando tinha doze anos? Que faziam os
sacerdotes no templo? Que diziam os judeus a Deus, enquanto os
sacerdotes ofereciam os sacrifícios? Quantos dias eram necessários
para ir de Nazaré a Jerusalém? Por que o Menino Jesus ficou contente
de ir ao templo? Como estava vestido o sacerdote? Que tinha ele no
peito? Por que os judeus inclinavam a cabeça quando o sacerdote
passava? Onde estavam colocadas as crianças no grupo de pessoas
que voltavam de Jerusalém? Em que ocasião José e Maria deram por
falta do Menino Jesus?
132
5. Que disse a Virgem, quando viu que o Menino Jesus estava
perdido? Voltando a Jerusalém, onde foram procurá-lo? Que fazia o
Menino Jesus no templo? Que disse a Virgem Santíssima, quando o
viu? Que lhe respondeu Jesus? Quantos dias esteve perdido o Menino
Jesus? Para onde voltaram Jesus, São José e Nossa Senhora?
III. EXERCÍCIO PRATICO
1. Pensai no vosso pequeno quarto... Procurai ver, na
imaginação, vossa mesa, vossa cama, as imagens e o crucifixo pregado
na parede... É noite... estudastes e brincastes muito durante o dia. É
natural que estejais fatigados e queirais ir para a cama. Antes, porém,
beijais vossos pais e irmãozinhos... logo depois ides dormir... Pensai
agora que fazia o Menino Jesus? Rezava ao Pai do céu antes de
dormir. E vós, que oração fazeis antes de vos deitar? Já deitados na
vossa caminha fechando quase os olhos... em quem pensareis? Em
quem pensava o Menino Jesus, ao adormecer? Em Deus... Prometei
fazer vossa oração da noite.
Um minuto de silêncio.
2. Ainda estais no vosso quarto. A mamãe acaba de vos
acordar... O dia entra pela janela... Está tão quentinha a vossa cama!
Agora pensai... O Menino Jesus também dormia e acordava como
vós... Em quem pensava ele, logo que despertava? Em quem
pensareis? Depois de vestido, que fazia o Menino Jesus? E vós que
fareis? Que oração direis? Haveis de vos ajoelhar? Prometei fazer
sempre a vossa oração da manhã.
Um minuto de silêncio.
3. Pensai na igreja, onde ides todos os domingos: É a casa de
133
Deus. O Menino Jesus também ia todas as semanas à casa de Deus.
Entrava sem fazer barulho... ia diretamente ao seu lugar, mantinha-
se direito e rezava com todo o fervor. Vos também ides entrar na
igreja de mansinho, e depois de ter tomado água benta, fareis o sinal
da cruz, e uma genuflexão. Então, sem correr, tomareis o vosso lugar
e vos poreis de joelhos. Quando vos sentardes, procurai ter o corpo
bem teso. E, ao levantardes, fá-lo-eis sem barulho. Prometei a Deus
vos comportar bem na igreja.
4. Lembrar à criança para, quando passar por alguma igreja,
com a mamãe, pedir-lhe que entre um instante. Caso não possa, ao
menos pensar: “É esta a casa Deus”.
5. Decalcar imagens de Jesus entre os doutores e mandar
colorir.
6. Mostrar às crianças os quadros da igreja que representam a
cena de Jesus no templo.
Na lição seguinte perguntar:
Quem rezou bem a sua oração da manhã e a da noite? Quem
esteve na missa no domingo? Quem se comportou bem na igreja?
Quem entrou na igreja com mamãe? Quem pensou, ao passar diante
da igreja, que ela é a casa de Deus? Quem viu na igreja o quadro de
Jesus no templo?
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
1. Meus filhos, vós não sois filhos de Deus como o Menino
Jesus, nem podeis ver a Deus. Mas se não o vedes, estais certos de
que ele existe, que está em todo lugar, no céu, na terra, nas florestas,
nesta sala. Estais certos de que ele vos vê, sabe o que estais pensando
134
e ouve o que dizeis. Pensai bem que Deus está nesta sala...
Um minuto de silêncio.
Pensais em Deus? Dizei comigo lentamente, para imitar o
Menino Jesus: “Meu Deus, vós fizestes o céu, a terra, as florestas, os
mares, os animais, os homens. Tudo vos pertence, tudo é vosso, eu
também sou vosso e vos pertenço”.
2. Coloco diante das crianças a imagem do Menino Jesus. Olhai
bem este quadro. Representa o Menino Jesus. Juntai as mãos e dizei:
“Menino Jesus, como vós eu farei sempre as minhas orações da
manhã e da noite. Menino Jesus, eu amo muito... muito a Deus...
Menino Jesus, Filho de Deus, eu vos amo de todo meu coração”.
3. Lembrar às crianças que antes de qualquer trabalho ou
estudo, elas devem oferecer a Deus o que vão fazer, e rezar com elas
esta curta invocação: Meu Deus eu quero trabalhar ou estudar para
vos dar prazer (ou para imitar o Menino Jesus). Antes de brincar,
podem também oferecer o seu recreio ao Menino Jesus.
4. Como exercício: Ensaiar a entrada da igreja, o modo de se
ter nos bancos. Como se ajoelha, como se fica em pé, a saída da
igreja. E durante as orações.
5. Colocar as crianças donde possam ver o altar e as cerimônias.
Lição: Aprender de cor:
1. Quando se deve rezar? 2. Que fez Jesus com a idade de 12
anos? 3. Amar a Deus sobre todas as coisas. Guardar os domingos e
dias santos.
Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
135
família):
1. Habituar as crianças a fazer muitas vezes pequenos atos de fé
e de amor: “Meu Deus, tenho certeza que nos vedes e me ouvis...
Meu Deus, eu vos amo de todo o meu coração”.
2. Lembrar-se que os atos interiores e exteriores fortificam a fé
das crianças. Eis por que as pequenas práticas do culto divino têm
tão grande importância. Estas práticas preparam as crianças para crer
com todas as forças de seu espírito e de seu coração, servindo-se do
seu corpo, auxiliados pela graça. Vigiar, pois as genuflexões, os sinais
da cruz, prestar atenção nas diversas atitudes do corpo, na igreja,
durante as orações, quando passam diante de um altar ou estátua e
ainda na boa dição das orações.
3. Habituar as crianças a agirem por si mesmas, nas orações da
manhã e da noite, sem ser preciso chamar-lhes a atenção cada dia.
Há mães cristãs que usam de um meio muito bom vendo que a
criança esquece facilmente a oração da manhã, elas lhe lembram esse
dever, pondo em cima da roupa, que a criança vai vestir no dia
seguinte, um livro de missa. Esse meio impede a criança de esquecer-
se.
4. Não falar enquanto a criança rezar.
5. Tomar cuidado para que ela reze ajoelhada.

136
XII. JESUS EM NAZARE, MODELO DE TODAS AS
CRIANÇAS
(Continuação)
Pequeno resumo da lição precedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças.
O Menino Jesus pensava sempre em seu Pai do céu. Ele rezava
de manhã, ao despertar, depois de vestido, antes das refeições,
quando trabalhava, quando descansava, à noite, antes de se deitar.
Adormecendo ainda pensava em Deus. Quando chegou à idade de
doze anos foi ao templo de Jerusalém e lá ficou sem que seus pais o
soubessem. A Santa Virgem e São José o encontraram no templo,
sentado entre os sacerdotes, que ouviam as suas belas respostas.
Depois, Jesus voltou para Nazaré com seus pais e lhes era submisso.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
No capítulo precedente explicamos o essencial dos deveres para com
Deus. Agora vamos mostrar os deveres das crianças para com o próximo e
para com elas próprias. Completaremos assim as grandes regras da moral que
propusemos as crianças.
O próximo, para uma criancinha, está dentro de um círculo muito
restrito: seus pais, seus avós, seus irmãos, seus tios, primos... companheiros,
seus professores: os sacerdotes e os instrutores. Ela vê os outros homens, mas
não têm contato com eles. Eis por que, nos conselhos que vamos dar,
apresentamos uma moral muito concreta e muito prática, ilustrada com
exemplos tirados da própria vida.
Compreendamos entretanto, a importância desse ensinamento: nada é
137
pequeno para uma criança. Com esse método a criança se habitua à
fidelidade ao dever. Para permanecer concreto, apresentar-lhe-emos o Menino
Jesus como colegial, nas suas relações com os professores e colegas; e o Menino
Jesus em casa, na convivência com José e Maria.
A criança poderá imitar esse belo modelo.
II. EXPLICAÇÃO
Material: reparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
Imagem ou estátua do Menino Jesus; - imagem representando
a Santa Família de Nazaré; - imagem representando uma sala de aula
com as crianças estudando; - imagens representando crianças no
jogo.
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
Ficareis contentes se eu vos apresentasse um companheiro que
muito vos estima, que pensa sempre em vós e que deseja imenso que
o seu amor seja correspondido? Esse companheiro é um colegial,
como vós, e se chama: “Jesus menino”. Jesus aprendeu a ler, escrever
e contar. Já vos disse que o Menino Jesus era uma criança como vos.
Como vós, ele rezava de manhã, de noite, durante o dia e todas as
semanas ia com seus pais à casa de Deus. Amava o seu Pai do céu de
138
todo o seu coração. Hoje vamos falar do Menino Jesus que aprende
a ler e escrever, assim como vós aprendeis na escola. Quando eu digo:
escola imaginais logo uma sala grande, com paredes brancas, quadro
negro, mapas de geografia, uma escrivaninha para o professor e,
diante de cada carteira, crianças que leem ou ouvem as explicações.
No tempo de Jesus, as crianças iam também à escola, mas não
havia salas de aula como as vossas, nem bonitos livros com imagens,
nem belos cadernos. Não obstante, elas estudavam e aprendiam o
sabiam naquele tempo. Era costume entre os judeus instalarem a
escola na sinagoga e o professor era o leitor da Bíblia. Um dia, a mãe
do Menino Jesus levou-o àquela escola, e ele sentou-se no banco, ao
lado dos outros meninos, que olhavam para ele. O Menino Jesus
gostava daquela escola? É vontade de Deus que todas as crianças
estudem; logo, o Menino Jesus sentia-se feliz, porque estava fazendo
a vontade de seu Pai do céu. Estava satisfeito entre os seus colegas, e
estudava as lições do seu professor. O mestre substitui os pais; o
mestre e os pais estão no lugar de Deus; logo, desobedecer a seu
mestre é desobedecer a Deus; obedecer a seu mestre é obedecer a
Deus.
Repeti comigo: o menino Jesus ia à escola como todas as
crianças. Ele obedecia com prazer a seu mestre, para fazer a vontade
de Deus.
1. Escutai agora como o Menino Jesus procedia na escola. Na
escola do Menino Jesus havia uns vinte alunos. Sabeis que é preciso
chegar sempre cedo à aula, guardar silêncio, escutar o professor, fazer
o que ele mandar, estudar as lições, fazer seus deveres e andar na fila
sem conversar. Na classe do Menino Jesus havia maus alunos,
139
preguiçosos, desobedientes ao professor, que se via forçado muitas
vezes a castigá-los. Mas havia também bons meninos, estudiosos,
obedientes e o mais estudioso, o modelo de todos os colegiais, era o
Menino Jesus. Na vossa classe há um menino que é o mais estudioso
e aplicado de todos os outros: é o primeiro da classe.
Pois bem, o Menino Jesus era muito mais perfeito. Nunca
chegava tarde à escola. Não tagarelava, não era dissipado, não virava
a cabeça para os lados quando o mestre lhe explicava alguma coisa, e
nunca recusava fazer o que lhe mandavam. Lia em voz alta, com seus
colegas, as lições que o mestre lhe dava. Em casa, antes de ir brincar,
repetia à sua mãe o que tinha aprendido. Sabia a história Adão e Eva,
de Noé, de Abraão, de José, de David, de Salomão, e sua mãe lhe
dissera que ele pertencia a família de David... um grande rei, que em
outros tempos havia reinado sobre os judeus. Ele gostava muito
destas histórias, sabia-as todas de cor. Quando estiverdes na escola,
lembrai-vos que o Menino Jesus foi o mais aplicado e o mais
obediente de todos os colegiais.
Repeti comigo: o menino Jesus não chegava atrasado à escola,
não tagarelava, obedecia sempre ao professor, aprendia a história
do povo judeu e fazia tudo o que lhe mandavam.
2. Lembrai-vos de Jesus, principalmente, quando estiverdes
com os vossos colegas. No tempo do Menino Jesus, já existiam
meninos que davam desgosto a Deus, porque eram maus para os seus
colegas. Deus nos manda amar uns aos outros. O Menino Jesus
gostava de todos os seus colegas, sem exceção. Não dizia: Eu gosto
deste, mas daquele eu não gosto. Era amável para com todos
igualmente e emprestava os brinquedos que tinha, mas antigamente
140
não havia mecanôs, bonecas, automóveis e outros lindos brinquedos
como hoje. Jesus brincava com pedaços de madeira que São José lhe
dava, com os quais fazia diversas construções. As crianças brincavam
com areia, com terra, e faziam pequenos animais de barro. Se alguma
criança quebrava algum objeto seu, Jesus não se zangava, mas tomava
todo o cuidado quando lhe emprestavam alguma coisa. O Menino
Jesus não podia ficar com raiva porque era Deus, mas ficava triste
quando via seus companheiros brigarem
É muito feio crianças brigarem, darem pancada umas nas
outras, dizerem palavras grosseiras, etc. Cada vez que os pequenos
judeus faziam isso, Jesus ficava triste, e o seu exemplo mostrava como
deviam proceder para agradar a Deus. Se algum o ofendia, ele
perdoava logo, procurando fazê-lo seu amigo. Não permitia que
maltratassem os animais, porque são também criaturas de Deus e
sentem quando são judiadas. Deus não quer que se maltratem as suas
criaturas.
Repeti comigo: Jesus estimava muito seus colegas.
Emprestava-lhes o que tinha, prestava-lhes serviços e era amável
para todos.
Ficava triste quando via crianças brigarem; quando lhe faziam
mal, perdoava sempre. Não deixava maltratar os animais.
3. O menino Jesus na família.
Ainda vos lembrais como era a casa de São José e da Virgem
Santíssima, em Nazaré? Tinha dois quartos, uma oficina, e em volta
da casa havia árvores e um jardim. Os móveis eram: camas, o grande
baú onde Maria guardava a roupa, esteiras, e almofadas para se

141
sentar. Havia ainda a mó de mão com que se moía o trigo para fazer
o pão, utensílios de cozinha e um grande cântaro, onde se punha
água para o dia todo. Na oficina de São José havia o que todos os
marceneiros mais ou menos têm: um banco de carpinteiro, plainas,
limas, serrotes, martelos, grandes toros de madeira e no chão cavacos,
aparas e serragem. Era nesta casa que Jesus vivia com seus pais. Sabeis
como o Evangelho narra sua vida em Nazaré? É muito curto e muito
simples, podeis aprender até de cor. Diz simplesmente: “Jesus voltou
para Nazaré, com Maria e José, e lhes era submisso: Crescia em
sabedoria e em graça diante de Deus e dos homens”.
Compreendeis bem o que quer dizer isso? Quer dizer que Jesus
obedecia, que era o mais bem comportado de todos os meninos, e
que amava seus pais mais que todas as outras crianças. Não dizia à
sua mãe a todo instante que a amava, mas dava-lhe provas desse
amor. Rezava todos s os dias por sua Mãe e São José. Quando Maria
lhe mandava fazer alguma coisa, ele deixava o que estava fazendo e
obedecia imediatamente, sem murmurar e sem fazer cara feia. Muitas
vezes sua mãe mandava-o à fonte apanhar água. Então Jesus pegava
no cântaro com as duas mãos e lá ia. Não ficava brincando pelo
caminho; ia e voltava depressa, apertando o cântaro com os braços,
porque estava muito pesado. Outras vezes, São José lhe pedia ora
para apanhar cavacos do chão, ora para lhe passar uma ferramenta,
ora para acompanhá-lo à casa de algum freguês. O Menino Jesus
atendia no mesmo instante.
Ele pensava: Obedecendo a São José, faço a vontade de meu
Pai do céu. Na verdade, o Menino Jesus era a mais ajuizada de todas
as crianças.

142
Repeti comigo: O menino Jesus obedecia sempre, depressa e
com alegria.
4. Quando Maria e José perguntavam alguma coisa ao Menino
Jesus, ele lhes respondia com toda a franqueza, isto é, dizia sempre a
verdade. Há tantas crianças que pregam mentiras, causando assim
tanto desgosto a Deus! Quem mentiu pela primeira vez no paraíso
terrestre? O demônio, logo, quem mente dá prazer ao demônio. Sei
que muitas crianças não dizem a verdade com medo de serem
repreendidas ou castigadas. Um menino quebrou um copo; sua mãe
lhe pergunta quem foi. Ele responde: não fui eu - é um mentiroso.
Deve-se ter medo de dizer a verdade? Deve-se agradar ao demônio e
desagradar a Deus? Não tenhais medo nunca de dizer a verdade. Não
deveis mentir, principalmente para fazer mal a um companheiro. É
um pecado muito feio, que só as crianças más cometem por inveja.
Repeti comigo: o menino Jesus manda dizer a verdade, proíbe
a mentira e a inveja.
No tempo do Menino Jesus já havia pequenos mentirosos e até
mesmo pequenos gatunos. Jesus ficava muito triste quando via seus
companheiros tirarem o que não lhes pertencia. Hoje ainda há
crianças que furtam balas, doces e pequenas coisas de seus
camaradas.
Dar alguns exemplos.
Menino Jesus via uma criança que tinha o hábito de furtar,
dizia-lhe: “Não faças isto, restitui o que tiraste a seu dono, não é teu.
Deus proíbe furtar”, Ainda hoje o Menino Jesus diz a mesma coisa
baixinho, na consciência das crianças que querem furtar ou furtaram

143
alguma coisa. Deve-se ouvir o Menino Jesus.
Repeti comigo: o menino Jesus proíbe tirar o que não nos
pertence.
5. Enfim, chegou a ocasião em que o Menino Jesus chegou à
idade de aprender um ofício. Tendes algum irmão aprendiz? ou talvez
já operário? Que ofício aprendeu o Menino Jesus? O ofício de seu
pai adotivo, isto é, foi carpinteiro. Passou a sua vida, até à idade de
30 anos, na oficina de José, trabalhando com ele. Vossas mãos são
claras e macias, as do vosso papai já são mais grossas porque ele
trabalha. As mãos do Menino Jesus ficaram iguais às de todos os
operários. O Menino Jesus se cansava carregando peso, serrando
madeira, fazendo portas, vigamentos, tabiques. Durante o trabalho
pensava em seu Pai do céu e dizia-lhe: “Meu Pai, eu vos ofereço o
meu trabalho”.
Um dia morreu São José e Jesus ficou só com Maria. Depois de
ter feito o enterro do seu pai adotivo, continuou a trabalhar para
ganhar a sua vida e a de sua mãe. A morte de São José foi suave como
um sono. Morreu nos braços de Jesus e de Maria, a sua alma, saindo
do corpo sem esforço, foi para o Limbo esperar até que Jesus, Filho
de Deus, abrisse o céu.
Repeti comigo: o menino Jesus aprendeu o ofício de
carpinteiro, e quando São José morreu ele trabalhou sozinho para
sustentar Maria.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas, por isso
interrogo:
1. Que fazia o Menino Jesus para Deus, seu Pai? Ides à escola?
144
E no tempo do Menino Jesus, as crianças iam à escola? Tinham elas
bonitos livros como vós? Estudavam bem? Onde era a escola dos
judeus? Quem levou o Menino Jesus à escola da sinagoga? Por que
gostava ele de ir à escola? O professor ocupa o lugar de quem?
Quantas crianças havia na classe de Jesus? Que se deve fazer na
escola? Que faziam os maus meninos na classe do Menino Jesus? Que
fazia o Menino Jesus na classe? E quando chegava a casa? Que
histórias sabia ele? Em que deveis pensar durante a aula?
2. Que vos manda Deus em relação aos vossos companheiros?
Que fazia o Menino Jesus por seus colegas? Que brinquedos tendes?
As crianças do tempo de Jesus tinham brinquedos? Jesus gostava de
emprestar o que lhe pertencia? O Menino Jesus podia ter raiva? Por
que ficava triste, às vezes? Se um companheiro o maltratasse, que
fazia ele? No tempo de Jesus, havia crianças que maltratavam os
animais?
3. A casa do Menino Jesus era rica ou pobre? Que fazia São
José? Que havia na oficina de São José? Que diz de Jesus o Evangelho?
A quem obedecia o Menino Jesus? Por quem rezava ele? Como
obedecia o Menino Jesus? Que serviços prestava à sua mãe e a São
José?
4. O Menino Jesus dizia sempre a verdade? No tempo do
Menino Jesus havia crianças mentirosas? Deus gosta dos pequenos
mentirosos? Quem mentiu a Adão e Eva no paraíso terrestre? Pode-
se mentir para não ser castigado? Quem gosta da mentira? É falta
grave mentir para fazer mal a um companheiro? É falta grave tirar o
que não nos pertence? Como se chama aquele que tira alguma coisa?
Que dizia o Menino Jesus aos pequenos gatunos?
145
5. Que fez o Menino Jesus quando deixou de frequentar a
escola? Com quem trabalhava ele? Que fabricava? Que aconteceu a
São José? Para onde foi sua alma?
III. EXERCÍCIO PRATICO
O Menino Jesus gostava de contar à sua mãe o que tinha feito
durante o dia e o que seus companheiros lhe haviam dito. Se
quiserdes agradar ao Menino Jesus, deveis à noite, contar a vossa mãe
tudo o que fizeste, tudo o que disseram os vossos camaradas. Vossa
mãe ficará satisfeita de vos ouvir e vos dará sempre bons conselhos.
Não tenhais medo de dizer tudo, se não tiverdes coragem de falar,
dizei ao menos à vossa mãe: “Sei uma coisa, mas não tenho coragem
de te dizer”. Então a mamãe vos interrogará será mais fácil falar.
Pensai no Menino Jesus, contava tudo sua mãe. Prometei-lhe contar
tudo também à vossa mãe.
Um instante de silêncio.
2. Vede este quadro da Sagrada Família. Já vos disse que Jesus
obedecia prontamente, que gostava de obedecer e que deixava tudo
para fazer o que a Virgem Santíssima lhe pedia. Pensai... Como
obedeceis à vossa mamãe e ao vosso papai? Estais em casa, brincando
com a boneca, armando o mecanô, ou conversando com os vossos
companheiros no jardim. A mamãe chama... Pedro... Joana...
Respondeis logo? E, se respondeis, ides ver o que ela quer? Ficais
contrariado por ter de deixar o brinquedo? Murmurais? Teimais com
a vossa mamãe? Vede como Jesus obedecia. Prometei-lhe obedecer
como ele.
Repeti comigo: Menino Jesus, eu obedecerei prontamente,

146
como vós, e ficarei contente de obedecer.
O catequista pode incluir neste exercício exemplos tirados da vida da
criança; o que se exige de uma criança da sociedade não é o mesmo que se
diz a uma criança do povo.
3. Coloco diante das crianças a imagem do Menino Jesus.
Que fazia o Menino Jesus, quando estava com seus
companheiros? Era sempre bom, manso, paciente e dava bom
exemplo? Pensai. Sois amáveis para com os vossos companheiros?
Brigais com eles? Emprestais vossos brinquedos? Ficais zangados
quando os outros meninos não querem vos emprestar suas coisas?
Gostais dos vossos companheiros? Olhai ainda o Menino Jesus:
Dizei-lhe lentamente: Menino Jesus, eu vos prometo ser bom para
meus companheiros, como vós.
4. Coloco diante das crianças um quadro representando uma classe de
meninos.
Que representa este quadro? O Menino Jesus ia à escola? Que
se deve fazer na escola? Pensai... obedeceis ao professor? Estudais
sempre? Fazeis vossos deveres? Pensais em brincar na hora de estudar?
Que fazia o Menino Jesus na escola? Prometei ao Menino Jesus
estudar bem.
Repeti comigo: Menino Jesus, eu vos prometo ser atento na
aula, fazer meus deveres e estudar minhas lições.
Coloco diante das crianças o quadro do Menino Jesus trabalhando na
oficina de São José.
Que fazia o Menino Jesus depois de seus doze anos? Cansava-

147
se? Vosso irmão trabalha? Pretendeis trabalhar, quando fordes
homens? Jesus gosta dos que trabalham? Olhai Jesus, e dizei consigo:
““Eu vos prometo ser bem aplicado na escola, para mais tarde
trabalhar”.
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
Pensai no Menino Jesus colegial, no Menino Jesus na família,
no Menino Jesus aprendiz. As outras crianças procuravam imitá-lo.
Quereis dar o bom exemplo, como o Menino Jesus? Vede o que vos
falta, fazei um exame de consciência.
O exame de consciência de uma criança
Quando, depois de ter sido maus em casa, de ter desobedecido,
de ter sido gulosos, pensais no que fizestes, ides pedir perdão a vossos
pais. É preciso fazer o mesmo com Deus e, antes de lhe pedir perdão,
pensar no que fizestes. Vamos procurar juntos, e quando eu disser
uma falta que cometeste, direis, baixinho: “eu fiz isso”. Já sabeis tudo
o que o Menino Jesus manda: Deixastes de fazer a oração da manhã
e da noite? Entrastes correndo na igreja? Fizestes dissipação na classe?
Respondestes mal a vossos pais? Desobedecestes? Tivestes raiva?
Maltratastes vossos companheiros? Destes pancadas neles? Tirastes
alguma coisa? Dissestes mentiras? Tivestes inveja de vossos
companheiros, de vossos irmãos, de vossas irmãs? Fostes gulosos?
Tivestes preguiça de estudar vossas lições, de fazer vossos deveres?
Contai baixinho quantos pecados tendes. Breve contareis esses
pecados àquele que substitui o bom Jesus, isto é, ao sacerdote, que
vos perdoará. Podeis, desde já, pedir perdão a Deus.
Ato de contrição de uma criança.

148
Quando desgostais vossos pais, respondendo-lhes mal ou
desobedecendo, ides logo pedir-lhes que vos perdoem. Mas não foi
só a vossos pais que desgostastes. Deus também ficou triste de vos ver
desobedecer, isto é, de vos ver cometer um pecado, porque ele manda
obedecer ao pai e à mãe. Podeis pedir-lhe perdão? Sim, e deveis dizer-
lhe: “Meu Deus, tenho um grande pesar de ter cometido um pecado, porque
vos ofendi e vós sois tão bom. Peço-vos perdão”.
Quando pedis perdão a vosso papai, depois de ter tido um
acesso de raiva muito forte, ele vos perdoa logo? Não, ele não porque
ficou muito sentido. Então, quem intercede por vós, pedindo-lhe que
vos perdoe? É vossa mamãe que pede: “Perdoa ao nosso filhinho”.
Não haverá alguém que peça também por vos a Deus? Sim, é o
Menino Jesus, que diz ao seu Pai do céu para vos perdoar. Assim
como dizeis ao vosso papai: “Papai, perdoai-me, mamãe te pede”,
podeis dizer a Deus: “Meu Deus, perdoai-me, Jesus, vosso Filho, vos
pede perdão por mim”. Que dizeis ainda quando pedis perdão ao
vosso papai? “Eu vos prometo não fazer mais”. É preciso dizer a
mesma coisa a Deus: “Meu Deus, eu vos prometo não tornar a vos
ofender”.
Depois de terdes pedido perdão, vos corrigis? Algumas vezes,
sim; mas, graças ao vosso papai, que volta e meia vos chama atenção,
dizendo: vais fazer uma coisa mal feita...
Escuta-me, não sejas mau. - Então pensais, refletis e ficais
cordatos. Pedi a Deus para vos ajudar a não pecar mais: dizei-lhe que
fale alto o vosso coraçãozinho: “Ajudai-me, meu Deus, a cumprir
minha promessa”.
Enfim, vosso papai perdoa, mas vos dá um castigo, que fazeis
149
sem murmurar. Dizei a Deus que quereis fazer penitência: “Meu
Deus, eu farei penitência”.
Oração: Ato de contrição: Meu Deus, tenho um imenso pesar
de vos ter ofendido, porque sois infinitamente bom e amável, e
porque o pecado vos desagrada. Espero alcançar o perdão dos meus
pecados pelos merecimentos de Jesus Cristo, e faço o firme propósito
de nunca mais pecar e de fazer penitência”.
Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
família)
1. Vigiar que as crianças não façam mexericos, para não
ocasionar rancores.
2. Depois de uma briga, fazer as crianças se reconciliar em
diante de seus camaradas.
3. Prestar atenção para que certas crianças não dominem as
outras nos brinquedos.
As mães de família e os educadores devem meditar as seguintes
linhas sobre a mentira na criança: “A mentira, na sua origem, pode
ser uma imitação. O exemplo do meio é muitas vezes prejudicial,
tanto para isso como para tudo o mais. O homem já não nasce bom
e a sociedade o ajuda a se perverter. Permitem-se diante das crianças
to das as alterações à verdade. Ora, as crianças têm muita facilidade
para deduzir, por alguns fatos particulares, a lei geral. É muito
perigoso quanto à dos alimentos, e quanto à significação de alguns
aparatos exteriores. Se as crianças descobrem uma mentira, julgam
autorizadas a mentir também”. Psicologia da criança, Hénin, Tolra,
editor).
150
5. Não deixar passar sem castigo uma falta de respeito.
6. Quando fizer alguma observação, falar pouco.
7. Não castigar num momento de raiva, esperar que volte a
calma.
8. Evitar o exagero nos castigos, graduando-os conforme as
faltas.
9. Felicitar a criança quando proceder bem.
10. Habituar desde cedo a criança fazer o seu exame de
consciência.

151
XIII. COMEÇO DA VIDA PÚBLICA DE JESUS
O deserto - O batismo de São João Batista
Escolha dos apóstolos
Pequeno resumo da lição precedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças.
O Menino Jesus na escola da sinagoga.
Como todos os meninos, o Menino Jesus aprendeu a ler e
escrever. Obedecia com prazer ao seu professor para fazer a vontade
de Deus, seu Pai. Não tagarelava, estava sempre atento ao que dizia
o professor e fazia tudo o que ele mandava.
O Menino Jesus e seus companheiros.
O Menino Jesus estimava muito seus companheiros, servia-lhes
e lhes emprestava tudo o que tinha. Nunca se encolerizava. Ficava
triste quando via as crianças em briga. Mas quando lhe faziam mal
perdoava sempre. Não permitia que maltratassem os animais.
O Menino Jesus na família.
O Menino Jesus obedecia prontamente e com alegria. O
Menino Jesus manda dizer sempre a verdade. Ele proíbe a mentira.
Proíbe a inveja. O Menino Jesus proíbe tirar o que não nos pertence.
O Menino Jesus aprendeu o oficio de carpinteiro, e quando São José
morreu, ele trabalhou sozinho para sustentar sua mãe.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
Vamos começar a história da vida pública de Jesus. Principia com o
batismo de Nosso Senhor e seu e seu jejum no deserto. Esses dois
152
acontecimentos foram como que um prefácio o cheio de ensinamentos.
Na cena do batismo de Cristo recapitularemos o que dissemos sobre o
mistério da Santíssima Trindade e explicaremos sumariamente, mas de um
modo claro, o sacramento do batismo recebido pela criança.
Pelo jejum rigoroso de Jesus, no deserto, concluiremos a obrigação do
sacrifício quotidiano para todos. Os educadores sabem que, no princípio da
formação da criança, as práticas de mortificação têm muita importância...
Na história da tentação de Adão e Eva, já as crianças tiveram o triste
exemplo da vitória do demônio sobre a alma. Agora vão ter o exemplo frisante
da vitória de Jesus.
Não temos receio de descer às minúcias para fortificar as crianças
contra a tentação e, sem lho dizer, mostraremos a ligação que há entre o
sacrifício e a resistência do demônio.
Depois de tais explicações, que procuraremos tornar claras e simples,
mostraremos o Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Salvador, no meio dos
Apóstolos.
Este capítulo encerra tudo o que pode prender a atenção da criança:
são imagens sucessivas, que passam como filmes coloridos, e que forçam a
refletir.
II. EXPLICAÇÃO
Material: reparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
Mapa da Palestina; - quadro representando o batismo de Nosso
Senhor; - Quadro de Adão e Eva expulsos do paraíso terrestre; -
quadro do batismo de uma criança; - quadro de Jesus tentado pelo
153
demônio; - quadro de Jesus com seus apóstolos.
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
Que pretendeis fazer mais tarde, quando fordes homem?
Que faz o vosso papai?
Onde trabalha? E o vosso irmão mais velho?
Agora vou contar o que fez nosso irmão, Nosso Senhor Jesus
Cristo, quando completou 30 anos.
1. Naquele tempo, vivia nas margens do Jordão (mostro o
Jordão no mapa), um homem muito santo, que pregava a vinda do
Salvador.
Chamava-se João, andava vestido com peles de camelo e trazia
um cinto de couro na cintura. Alimentava-se com o que encontrava
nos campos: mel silvestre, que tirava dos troncos das árvores, e
gafanhotos, que eram o alimento dos pobres. Os habitantes de
Jerusalém e de toda a Judéia iam procurá-lo e lhe perguntavam o que
deviam fazer. Ele lhes dizia: “Fazei penitência, porque o reino de
Deus está próximo”. Muitos, ouvindo a sua palavra, queriam
confessar seus pecados; então desciam ao Jordão e pediam o batismo.
João batizava-os derramando um pouco d'água sobre suas cabeças.

154
Esse batismo era uma cerimônia pela qual prometiam abraçar a
penitência; o verdadeiro batismo é o instituído por Jesus Cristo.
Repeti comigo: João Batista vivia nas margens do Jordão e
batizava os que queriam fazer penitência.
2. Ora, aconteceu que um dia, quando João batizava, viu
aproximar-se alguém que conheceis... que morava em Nazaré... o
próprio Jesus. Agora não dizemos mais Menino Jesus, porque ele já
fez 30 anos, é, portanto um homem, como o vosso papai. Por que
teria ele vindo procurar São João Batista? As pessoas que procuravam
João, confessavam seus pecados. Então Jesus tinha pecado? Não, ele
não podia pecar, porque era Filho de Deus, mas veio ao mundo para
expiar o pecado de todos os homens. Jesus pede a Deus pelos
pecadores, como uma criança pede a seus pais pelo irmãozinho,
comprometendo-se a sofrer o castigo que lhe foi dado. Jesus
aproximou-se com os outros e pediu para ser batizado. João,
reconhecendo Jesus e sabendo que ele não tinha pecados, recusou.
Jesus, porém, insistiu, dizendo: “Homem, por enquanto é assim que
deve ser”. Então João obedeceu e batizou Jesus. Mal vinha ele saindo
das águas, o céu se abre, e o Espírito Santo desce sobre Jesus, em
forma de pomba. No mesmo instante, ouve-se uma voz, que diz: “Este
é o meu Filho bem amado, no qual pus todas as minhas
complacências”.
Coloco diante das crianças o quadro que representa Jesus batizado por
São João.
Este quadro representa Jesus, o Filho de Deus, o Espírito Santo,
em forma de pomba, e foi ouvida a voz do Pai, logo, no batismo de
Nosso Senhor aparece a Santíssima Trindade, porque sabeis, em
155
Deus há três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Repeti comigo: Jesus foi batizado por João. Durante o
batismo o Espírito Santo desceu sobre Jesus e ouviu-se a voz do Pai,
que disse: “Este é meu Filho bem amado”.
3. João ficou sabendo que Jesus era o Salvador prometido,
depois do pecado de Adão. E que o verdadeiro batismo, o que apaga
a mancha do pecado de Adão, seria instituído por ele. Vede como
Jesus é bom! Como fornece os meios para que todos se tornem filhos
de Deus. Quando entrardes numa igreja, reparai na pia batismal,
onde fica depositada a água para o batismo.
Olhai este quadro. Coloco diante dos alunos um quadro representando
o batismo de uma criança.
Aqui está um sacerdote fazendo o que Jesus mandou: ele
derrama água natural (água que bebemos) sobre a cabeça da criança,
e diz ao mesmo tempo: “Eu te batizo, em nome do Pai e do Filho e
do Espírito Santo”. No mesmo instante se apaga a mancha do pecado
original, e Deus Pai, Filho e Espírito Santo penetra na alma da
criança, dando-lhe nova vida restituindo-lhe o direito ao céu. Mas
para isso é preciso que Deus permaneça na alma e não seja expulso
dela por pecados graves. Depois do batismo, a alma da criança possui
a graça divina, isto é, a vida de Deus, e se torna irmão de Jesus,
Salvador dos homens. Quando Deus contempla uma criança depois
de batizada, diz: “Tornou-se irmão de Jesus; portanto, meu filho
adotivo”.
Repeti comigo: Pelo batismo, Jesus nos deu o meio de nos
tornarmos filhos de Deus.

156
4. Que fará Jesus depois do batismo? Voltará para junto de sua
mãe, em Nazaré? Não, sua mãe não o esperava, sabia que ele devia se
ocupar com os negócios de seu Pai do céu e que era preciso percorrer
as cidades, pregando a palavra de Deus. Sabia também muitas coisas
tristes que a faziam chorar: Jesus tinha que sofrer muito para salvar
os homens. E Jesus retirou-se ao deserto. Há lugares em que não se
pode plantar, nem semear, porque a terra é árida, cheia de pedras e
espinhos. Uma grande extensão dessas terras chama-se deserto. Nos
desertos só habitam animais selvagens, não há ruas nem casas. Pois
foi num desses lugares que se refugiou Jesus, porque queria estar só
para rezar. E, havendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, teve
fome. Então o demônio experimentou tentá-lo.
Vistes como o demônio tentou Eva no paraíso terrestre e sabeis
que Eva não resistiu à tentação. Hoje Jesus vai mostrar como se repele
o demônio. Aproximando-se de Jesus, disse-lhe o tentador: “Se és o
Filho de Deus, manda que estas pedras se convertam em pão”. Era o
mesmo que dizer: “Durante quarenta dias teu Pai não te deu
alimento”. Jesus, porém, respondeu-lhe: “O melhor alimento é fazer
a vontade de Deus”.
Então o demônio transportou-o ao alto do templo de
Jerusalém, donde se via a multidão dos judeus, e lhe disse: “Se és o
Filho de Deus, lança-te daqui em baixo, os anjos de Deus te
apanharão nas palmas das mãos, para que não te magoes nas pedras”.
Disse Jesus ao demônio: “Está escrito nos livros santos: “Não tentarás
o Senhor teu Deus”.
Pela terceira vez o demônio levou-o a uma montanha muito
elevada, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória,
157
dizendo: “Eu te darei todas essas coisas se prostrando-te por terra, me
adorares”. Adorar o demônio quer dizer: reconhecer que ele é mais
do que Deus. Então disse-lhe Jesus: “Retira-te, Satanás! porque está
escrito: “Ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele servirás”. Vencido,
o demônio se retirou, e do céu desceram anjos para servir a Jesus.
Jesus nos mostrou duas coisas: primeiro, como se deve sofrer por
amor de Deus; segundo, como se resiste à tentação. Vede o quadro:
Jesus repele o demônio.
Mostro o quadro.
Repeti comigo: Depois de batizado, Jesus retirou-se ao
deserto, onde foi tentado inutilmente pelo demônio.
5. Jesus deixou o deserto, e, quando ia para a Galiléia,
encontrou-se com João Batista. Este, que estava palestrando com dois
discípulos seus, quando Jesus, disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que
tira os pecados do mundo”. Ouvindo alusão tão lisonjeira, os dois
homens seguiram Jesus, que, voltando-se, perguntou-lhes: “Quem
procurais?” Eles responderam: “Mestre, onde moras?” Disse Jesus:
“Vinde e vede”. Seguiram juntos e permaneceram todo aquele dia
com Jesus. Foram os seus primeiros discípulos, e se chamavam André
e João. André tinha um irmão, chamado Simão a quem procurou e
disse: “Meu irmão, encontramos o Messias, Salvador do mundo”. E
levou-o a Jesus, que, olhando para ele, exclamou” Tu és Simão, mas
doravante serás chamado Pedro”. No dia seguinte, mais dois
apóstolos, Filipe e Natanael, se reuniram a João, André e Pedro. No
fim de algum tempo, Jesus tinha reunido doze apóstolos, doze
homens, que deviam viver com ele durante três anos, presenciando
tudo o que Jesus fazia. Todos, exceto Judas o amaram muito... muito.
158
Vou contar-vos a história de Jesus com seus apóstolos. Mostro o quadro
de Jesus e seus apóstolos.
Este quadro representa Jesus escolhendo seus apóstolos. Jesus
vai começar a provar que é realmente o Filho de Deus e dizer que é
necessário para conquistar o céu.
Repeti comigo: Depois que saiu do deserto, Jesus escolheu doze
apóstolos para percorrerem com ele a Palestina.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas, por isso
interrogo:
1. Mostrai no mapa, onde está o Jordão. Como se chamava o
homem que batizava nas margens do Jordão? Como se vestia? De que
se alimentava? Era verdadeiro o batismo de João?
2. Quem foi procurá-lo, um dia? Que idade tinha Jesus? Jesus
podia ter pecados? Que pecados expiava ele? Que pediu Jesus a João?
E João, batizou-o logo? Quem apareceu sobre a cabeça de Jesus,
depois do seu batismo? Que voz se ouviu? Que dizia? Dizei as três
pessoas da Santíssima Trindade.
3. Quem devia instituir o verdadeiro batismo que apaga o
pecado original? Que significa essa palavra: pia batismal? Onde fica?
Que derrama o sacerdote na cabeça da criança, quando diz: “Eu te
batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo?” Quem
penetra na alma da criança depois do batismo?
4. Aonde se retirou Jesus, depois do seu batismo? A Virgem
Santíssima sabia o que ia acontecer a Jesus? Quem habita os desertos?
Por que Jesus retirou-se ao deserto? Quantos dias esteve lá? Comia e
bebia durante esse tempo? Que aconteceu no fim de quarenta dias?
159
Quem tentou Adão e Eva no paraíso? Quem tentou Jesus? Que
queria o demônio que Jesus fizesse? Para onde o demônio
transportou Jesus? Que lhe mandou fazer? O demônio sabia que
Jesus era o Filho de Deus? Que disse o demônio a Jesus, quando lhe
mostrou todos os reinos do mundo? Quando Jesus venceu o
demônio, quem veio servi-lo?
5. Quando Jesus se encontrou novamente com São João
Batista, que lhe disse este? Quantos apóstolos Jesus teve logo? Dizei
o nome de três apóstolos. Qual o apóstolo a quem Jesus mudou o
nome?
III. EXERCÍCIO PRÁTICO
1. Coloco diante das crianças as imagens de Adão e Eva expulsos do
Paraíso terrestre.
Esta imagem representa Adão e Eva expulsos do paraíso
terrestre. Que fizeram eles? Desobedeceram a Deus e assim
cometeram o primeiro pecado. Antes do pecado, eram amigos de
Deus? E agora? Seus filhos serão amigos de Deus? Que mancha têm
na alma os filhos de Adão e Eva? Quem apagará essa mancha? O
Salvador do mundo, Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos dará o meio
para isso: o batismo.
Coloco diante das crianças o quadro representando a cerimônia do
batismo e faço as seguintes perguntas:
Sois batizados? Antes do batismo, que mancha tínheis na alma?
Como se apagou essa mancha? Que derramou o sacerdote na vossa
cabeça? Que disse ele? Quem veio habitar na vossa alma, depois do
batismo? Depois do batismo, de quem vos tornastes irmãos? Reparai
160
bem este quadro... Agora fechai os olhos e pensai... Quando eu era
pequenino, levaram-me à igreja, onde recebi o batismo. Foi nessa
ocasião que me deram meu nome... Tornei-me filho de Deus. e desde
esse dia Deus habita minha alma e Jesus é meu irmão...
2. Recomendar às crianças que não deixem de ir à igreja ver o
lugar onde foram batizadas.
3. Coloco diante das crianças o quadro de Jesus que rechaça o
demônio, e ao lado o quadro do demônio tentando Eva.
Vede bem esses dois quadros. Que representa este?
Mostro a tentação de Eva.
E este, que representa?
Mostro Jesus, que vence o demônio.
Quem venceu o demônio? Agora fechai os olhos, baixai a
cabeça e pensai... Estais no colégio, é preciso ficar atento, estudar,
não conversar na a aula; mas o demônio vos diz que podeis brincar
e não prestar atenção ao professor. Deveis ser amáveis com os
companheiros, não fazer questão de mandar, não brigar. Que vos
insinua o demônio? Que sejais maus para os companheiros, que
brigueis e que digais palavras feias. Em casa deveis obedecer, estudar
as lições, amar vossos irmãozinhos. Pois bem, o demônio vos manda
desobedecer, não estudar as lições e maltratar vossos irmãozinhos. A
quem dareis ouvidos? A Deus ou ao demônio? Abri os olhos e vede
como se vence o demônio e como se é vencido por ele. A quem
imitareis? Dizei comigo: “Bom Jesus, não darei ouvidos ao demônio,
serei bonzinho e estudioso”.

161
4. Coloco diante das crianças o quadro de Jesus com seus discípulos.
Que vedes neste quadro? Jesus e seus apóstolos. Quem é Jesus?
É o Filho de Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Quem
são os apóstolos? Os homens escolhidos por Jesus para ensinar ao
povo a doutrina de Deus. Vou dizer o nome dos apóstolos e aquele
que tiver o nome igual, que se levante e fique de pé. Ei-los: Pedro,
André, Tiago Maior, João, Filipe, Bartolomeu, Tomé, Mateus, Tiago
Menor, Judas Tadeu, Simão, e, enfim, Judas. Quantas crianças estão
de pé? Dizer alto e com as outras crianças o nome das que estão de
pé.
Na lição seguinte, perguntar às crianças: Quem instituiu o
verdadeiro batismo? Que mancha apaga ele? Quem nos mostrou
como se resiste ao demônio? Quem poderá dizer o nome de cinco
apóstolos?
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
1. Ensino às crianças fazer um ato de fé.
Coloco diante das crianças a imagem do batismo de Jesus.
Quem está recebendo o batismo? Quem apareceu sobre a
cabeça de Jesus? Quem disse: “Este é meu Filho bem amado?” Dizei
lentamente comigo: “Creio que há um Deus em três pessoas: o Pai,
o Filho e o Espírito Santo”. Dizei esta outra oração: “Creio em Deus
Pai, todo-poderoso, criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo, um
só seu Filho, Nosso Senhor, o qual foi concebido do Espírito Santo,
nasceu de Maria Virgem... Creio no Espírito Santo...” Fazei agora o
sinal da cruz, olhando para esta imagem: “Em nome do Pai, e do
Filho, e do Espírito Santo”.
162
2. Faço as crianças prometerem de evitar o pecado.
Sabeis que Adão e Eva, antes do pecado, eram amigos de Deus,
que habitava em suas almas. Depois do pecado, Deus continuou
habitando-as? Não, foi expulso pelo pecado. Tendes Deus em vós,
porque sois batizados. Pode Deus ser expulso de vossa alma? Sim, por
um pecado. Prometei a Deus não pecar, dizendo-lhe que sereis bem
comportados, obedientes e estudiosos.
3. Pensai como Jesus sofreu no deserto.
Foi no inverno que Jesus se retirou ao deserto; chovia, ventava,
ele sentiu frio e não tinha cama, nem agasalho. Ficou sozinho.
Durante quarenta dias não comeu, não bebeu, nem viu ninguém.
Por quem quis Jesus sofrer tudo isso?... Por nós... por mim.
Dizei baixinho: “Jesus, eu vos agradeço terdes sofrido por
mim”.
4. Podemos imitar a Jesus?
Sim, podemos imitar um pouco a Jesus, fazendo pequenos
sacrifícios. Deus gosta das crianças que lhe dizem: “Jesus, eu gostaria
de brincar com minha boneca, com meu automovelzinho; mas, em
vez brincar vou estudar minhas lições. Ofereço-vos este sacrifício.
Não gosto de obedecer, mas vos prometo atender meus pais, para
fazer um sacrifício. Tenho um companheiro de quem não gosto, mas
vou ser amável para com ele para vos agradar”.
O catequista pode indicar os sacrifícios que uma criança pode fazer.
5. Coloco diante das crianças a imagem de Jesus com seus apóstolos.
Ficareis contentes se Jesus vos escolhesse para viver com ele?
163
Sim, feliz de quem vive com Jesus, Mas Jesus está convosco: está na
vossa alma, porque fostes batizados; logo, Jesus vos escolheu. Então,
mostrai a todos que Jesus está convosco, mas de que modo? Imitando
o Menino Jesus na escola, em casa, na rua, em toda parte. Sede
estudiosos como ele, obedientes e dóceis para com vossos pais e
mestres. Depois, amais muito o Menino Jesus, como os apóstolos.
Enfim, sede pequenos apóstolos.
Para aprender de cor:
1. Que fez Jesus na idade de trinta anos?
2. Quem eram os apóstolos? 3. Que é o batismo?
Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
família)
1. Lembrar muitas vezes à criança que, pelo batismo, é: filho de
Deus, irmão de Jesus Cristo.
2. Decalcar imagens representando o batismo de Nosso Senhor
e distribuir para as crianças colorirem.
3. Cortar em diversos pedaços cartões postais representando
cenas indicadas neste capítulo, e mandar as crianças reconstituírem
a imagem.
4. Levar as crianças para verem a pia batismal.
5. Mostrar às crianças quadros, vitrais, que representam o
batismo de Jesus, a tentação no deserto e a escolha dos apóstolos.
6. Indicar às crianças práticas de mortificação, sempre em
proporção com a idade, meio social e temperamento.
7. Habituá-las à iniciativa pessoal para as mortificações. Encarar
essas práticas como um meio excelente para a educação da vontade.

164
XIV. OS MILAGRES DE NOSSO SENHOR
Pequeno resumo da lição precedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças.
João Batista, enviado por Deus, vivia nas margens do Jordão e
batizava a todos que queriam fazer penitência.
Jesus pediu a João que o batizasse, e, depois do batismo, o
Espírito Santo desceu sobre ele em forma de pomba e ouviu-se a voz
do Pai eterno dizer: “Este é o meu Filho bem-amado”. A todos nós
Jesus deu, pelo batismo, o meio de nos tornarmos filhos de Deus.
Depois do batismo, Jesus retirou-se ao deserto, onde foi tentado pelo
demônio. - Logo que saiu do deserto, escolheu os apóstolos.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
Nas explicações que se seguem o nosso mundozinho ficará alerta, pois
vamos contar três lindos milagres.
Estas histórias nos permitirão confirmar a divindade de Nosso Senhor,
e as crianças, maravilhadas, formularão um ato de fé e um ato de amor.
Mais adiante, continuaremos a série de milagres, ligando-os a pontos
particulares da doutrina.
Neste capítulo estão como que isolados, e formam três quadros, sendo
que no último daremos algumas noções sobre a morte, sem insistir muito,
porque no capitulo seguinte trataremos desse assunto.
II. EXPLICAÇÃO
Material: reparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.

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Quadro da criação do mundo; - quadro de Jesus nas bodas de
Caná; - a pesca milagrosa; - ressurreição do filho da viúva de Naim.
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
Se eu vos desse para ver um livro cheio de lindas imagens, me
pediríeis logo: “Explicai-nos o que representam estas imagens”.
Pois bem, vou contar-vos histórias cheias de imagens, e depois
vos mostrarei o que elas significam.
Escutai:
1. Já vo-lo disse, Jesus vai começar a ensinar aos homens que
ele é o Filho de Deus, e dizer-lhes tudo que Deus seu Pai lhes
ordenou. Mas os homens lhe podiam dizer: Mostrai-nos que sois
realmente o Filho de Deus, e nós vos creremos. Jesus não espera que
se lhe dissessem estas coisas. Sabe dar provas de que diz a verdade. E
como? Fez o que um homem não pode fazer nem jamais poderá fazer
- o que só é possível a Deus. Escutai bem esta história. Quando Jesus
chegou a Nazaré, com seus discípulos, Maria não estava. Tinha ido a
Caná, na Galiléia (mostro Caná e Galiléia, no mapa da Palestina),
assistir a umas bodas.
Já vistes sair da igreja algum casamento? Atrás dos noivos vêm
logo parentes e amigos, que os acompanham até a casa, onde se
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regozijam comem com eles. Antigamente, no tempo de Jesus, os
convidados ficavam vários dias com os recém-casados, festejando as
bodas. Era necessário, portanto, fazer uma grande provisão
de comida e bebida. Maria Santíssima tinha ido na frente, para
ajudar os parentes dos nubentes.
Jesus foi também convidado para tomar parte no banquete,
com os discípulos, e aceitou o convite.
Ora, aconteceu que, quase no fim da refeição, quando estavam
todos à mesa, faltou vinho. Os recém-casados e seus parentes ficaram
muito envergonhados... que diriam os convidados? Se a vossa mamãe
convidasse alguém, e não tivesse nada em casa para oferecer, ficaria
incomodada, não é? Que fazer? Maria Santíssima percebeu que
faltava o vinho; inclinou-se para Jesus, que estava a seu lado, na mesa,
e disse-lhe, baixinho: “ Não têm mais vinho”.
Jesus bem o sabia e, entretanto respondeu: “Mãe que nos
importa? minha hora ainda não chegou”. Maria Santíssima
compreendeu e disse aos criados: “Fazei tudo o que ele vos disser”.
Ora, havia na sala grandes talhas de pedra, que comportavam muita
água. Disse Jesus aos criados: “Enchei de água essas talhas”. Eles
encheram-nas até em cima. Então lhes disse Jesus: “Agora enchei as
taças e levai ao mordomo, encarregado do festim”. Os criados
obedeceram. O mordomo provou, bebeu um novo gole, examinou o
líquido, e foi logo procurar o dono da casa, a quem disse: “Por que
reservaste o vinho bom para o fim do banquete?”
Vinho?...não era possível... não havia mais...quem teria
trazido?... Vou dizer - vo-lo. Jesus acabava de fazer o que nenhum
homem seria capaz: Mudara a água que estava nas talhas em vinho.
167
Foi este o primeiro milagre que Jesus fez a pedido da Virgem
Santíssima. Contribuiu muito para firmar a fé de seus discípulos.
Reparai este quadro (apresento o quadro de Jesus nas bodas de
Caná). Nele vedes Jesus, Maria, os discípulos, os noivos, os
convidados, os criados...e as grandes talhas que os criados encheram
d'água.
Repeti comigo: Jesus mudou a água em vinho, nas bodas de
Caná, a pedido da Santíssima Virgem. Foi este o seu primeiro
milagre.
2. Agora vou contar-vos um outro milagre: a pesca milagrosa.
Já vistes algum lago? É uma grande quantidade de água, no meio de
terras, campos ou bosques. Na Galiléia havia um lindo lago, de águas
azuis, tão grande que era chamado mar de Tiberíades, ou lago de
Genesaré. Vede-o no mapa (mostro o mapa). Nas margens desse lago
viviam muitos pescadores, entre eles diversos discípulos de Jesus. Um
dia, Pedro, André, Tiago e João, discípulos de Jesus, que já conheceis
de nome, estavam justamente na praia, ocupados em consertar as
suas redes, quando chegou Jesus, seguido de grande multidão. Vendo
ali duas barcas, Jesus entrou na que pertencia a Pedro, e sentando-se
começou a instruir o povo que, apinhado nas margens, escutava
maravilhado.
Quando cessou de falar, disse a Simão: “Faze-te ao largo, e lança
as redes para a pesca”. Mestre, respondeu Pedro, trabalhamos toda a
noite e nada apanhamos; todavia, para vos obedecer, lançarei a rede”.
E assim fez lançou a rede ao fundo, e quando a quis puxar, estava tão
pesada, que, apesar de todos os esforços, ele e seu irmão não
conseguiram tirá-la d'água. Então fizeram sinal aos companheiros
168
que estavam na outra barca, que viessem ajudá-los, pois a rede quase
se rompia. Estes acudiram logo e encheram de tal forma os dois
barcos, que por pouco não iam a pique.
Pedro ficou atemorizado com tamanho prodígio, lançou-se aos
pés de Jesus, dizendo: “Retirai-vos de mim, Senhor, porque sou um
homem pecador!” Disse-lhe, porém Jesus: “Não temas, de hoje em
diante serás pescador de homens”. Desde esse dia, os pescadores
abandonaram suas barcas, seus parentes, deixaram tudo; enfim, e
seguiram Jesus, em quem reconheciam o verdadeiro Filho de Deus.
Coloco à vista das crianças o quadro da pesca milagrosa.
Neste quadro vedes os personagens, as barcas, a rede, os peixes.
Um instante de silêncio.
Repeti comigo: Jesus mandou Pedro lançar a sua rede nas
águas do lago de Genesaré, e ele encheu duas barcas de peixes.
Vou ainda contar-vos um milagre, para vos mostrar como Jesus
é bom e poderoso. Naquele tempo, morava em uma cidade, chamada
Naim, uma pobre viúva, que tinha um filho único. Um dia, o rapaz
adoeceu gravemente, e, apesar de todos os esforços dos médicos, ele
morreu. Ainda não sabeis o que é a morte, mas eu vou explicar-vos.
Já sabeis que tendes uma alma, e que é ela que pensa, que ama. Essa
alma, que não vedes, não permanecerá sempre em vosso corpo. Há
de chegar um momento em que sairá do corpo. Então se dará a
morte, que é a separação da alma do corpo. Este ficará inerte, rígido,
insensível; inerte quer dizer, não se moverá; rígido, quer dizer duro,
gelado, o sangue não circulará mais, e insensível, porque nada
sentirá, nem dores, nem pancadas, nem frio, nem calor.
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A alma, que não morre, irá para junto de Deus, que a julgará.
Breve vos direi o que acontece à alma depois do julgamento.
Voltemos à nossa história. Tendo morrido o filho da viúva, era
preciso enterrá-lo.
Já tendes visto muitos enterros: Acompanhando o corpo vai a
família, chorando, e depois os amigos. Assim estava a viúva, que
chorava tão alto e tão desconsolada, que Jesus compadeceu-se da sua
tristeza, e disse-lhe: “Não chores”. E como os que levavam o esquife
parassem, Jesus aproximando-se, tocou no rapaz e disse: “Moço, eu
te ordeno, levanta-te”. Todos os que estavam presente se
entreolharam, espantados, indagando: “Quem será este homem? Ele
não saberá que um morto não pode se levantar, que não ouve nem
anda? Os homens, por mais sábios e ricos que sejam, não podem
nunca fazer um morto se mover. Mas vos sabeis que, se Jesus é
homem, é também Deus, o Filho de Deus, e, como tal, pode tudo o
que quiser. Logo que Jesus disse: “Levanta-te e anda”, o moço se
levantou e começou a falar, e Jesus o restituiu vivo à sua mãe. Os que
presenciaram o milagre glorificaram a Deus, dizendo: “Como é
poderoso e forte aquele que restitui a vida. Deus visitou o seu povo”
Mostro o quadro que representa a ressurreição do filho da viúva de
Naim, apontando às crianças os personagens: Jesus, os apóstolos, a mãe do
moço, os assistentes.
Um instante de silêncio.
Repeti comigo: Jesus restituiu a vida ao filho da viúva de
Naim. Fez esse milagre no dia do enterro.
Conforme o tempo de que se disponha, pode-se contar outros milagres,

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como por exemplo: a ressurreição de Lázaro e a transfiguração.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas, por isso
interrogo:
1. Que ensinou Jesus aos homens Que disseram os homens a
Jesus? Que fez Jesus para lhes mostrar que ele era o Filho de Deus?
Onde estava a Virgem Santíssima quando Jesus chegou a Nazaré com
seus discípulos? Já vistes algum casamento? As festas de casamento
prolongam-se por vários dias, como antigamente? Por que Jesus
também foi a Caná? Foi sozinho? Que aconteceu durante o
banquete? Que disse Maria a seu Filho? Que lhe respondeu Jesus?
Que disse Maria aos criados? E Jesus, que disse? Que fizeram eles?
Que mais disse Jesus, depois das talhas cheias d'água? Quando o
mordomo provou, ainda era água? Que havia feito Jesus? Um homem
poderia fazer isso? Que pensaram os discípulos de Jesus?
2. Já vistes algum lago muito grande? Mostrai no mapa o lago
de Genesaré. Que havia neste lago? Como se chamam os homens
que pegam peixes? Com que pegam os peixes? Que faziam nas
margens do lago os pescadores, discípulos de Jesus? Para que Jesus
entrou em uma barca? Que fez Jesus, quando acabou de falar? Que
disse ele a Pedro, que era o dono da barca? Que fez Jesus, quando
acabou de falar? Pedro havia pescado muitos peixes durante a noite?
Que fez ele? Teve dificuldade em retirar a rede d'água? Quem o
ajudou? Onde os pescadores puseram os peixes? As barcas ficaram
cheias? Que disse Pedro a disse Jesus a Pedro? Os apóstolos
continuaram a pescar?
3. Como se chama a cidade onde morava uma pobre viúva?
Que aconteceu a seu filho? Que tendes dentro do vosso corpo? A
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alma fica sempre nesse corpo? Em que momento se retira ela? Que é
o corpo sem a alma? Que fazem dele? E a alma, para onde vai? Para
onde levavam o morto, filho da pobre viúva? Que fazia a mãe? Jesus
teve pena dela? Que lhe disse? Que fizeram os que levavam o esquife?
Que disse Jesus ao morto? Que aconteceu? Pode um homem restituir
a vida a um morto? Que disseram os que presenciaram o milagre?
III. EXERCÍCIO PRÁTICO
1. Coloco bem à vista das crianças os quadros que representam os três
milagres que acabo de explicar.
Pergunto: Que representa o primeiro quadro? que representa o
segundo? que representa o terceiro? Pode Jesus fazer tudo o que quer?
Um homem pode fazer o que quer? Jesus será mais que um homem?
Agora apresento às crianças o quadro da criação.
Conheceis este quadro: Quando Deus quis criar o céu, a terra,
as plantas, os animais, o homem, disse: “Quero que apareçam o céu,
a terra, as plantas, os animais, o homem”, e imediatamente tudo
apareceu como Deus queria. Como mudou Jesus a água em vinho?
Ele pensou: “Quero que a água se mude em vinho”. Quando quis
que seus apóstolos fizessem uma pesca milagrosa, disse: “Quero que
as redes se encham de peixes”. E, finalmente, quando quis restituir a
vida ao moço morto, disse: “Quero que a alma desse moço volte ao
seu corpo”. No mesmo instante a água transformou-se em vinho, a
rede encheu-se de peixes e o morto se levantou e andou. Olhai bem
para o quadro da criação e para os quadros dos milagres, dizei
lentamente comigo: “Jesus, creio firmemente que sois o Filho de
Deus”.

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Pensai no milagre da água transformada em vinho... Jesus vê
que os pais dos recém-casados vão passar por uma grande vergonha,
porque não tem mais vinho para oferecer aos convidados.
Compadece-se deles e muda a água em vinho. Jesus é bom. Dizei
comigo: “Jesus, vós sois tão bom, não quereis que os homens tenham
aborrecimentos”.
3. Jesus manda que as redes dos apóstolos se encham de peixes... Os
apóstolos eram pescadores, vendiam peixes, tinham necessidade
disto para viver... Trabalharam a noite toda sem conseguir nada...
estavam cansado... não tinham dinheiro... desanimaram... Jesus não
queria vê-los aflitos, então lhes disse: “Lançai vossa rede, e lhes
mandou uma grande quantidade de peixes. Jesus gosta de dar prazer,
Jesus é bom. Dizei comigo: “Jesus, vos sois bom”.
4. Pensai no milagre de Jesus, restituindo a vida ao filho da
viúva de Naim!... Quando adoeceis, a vossa mamãe fica triste, aflita
e com todo o desvelo vos trata, não abandonando a vossa cabeceira.
A mãe do pequeno morto murmurava: “Nunca mais verei meu filho,
acabou-se - ficarei sozinha!” E sentia tanto que soluçava. Jesus a vê e
tem também vontade de chorar. Não, ele não quer que a pobre
mulher chore assim, então lhe diz: “Não chores” e restitui a vida do
morto. Dizei-me, Jesus não é bom? Repeti comigo: “Jesus, vós sois
bom”. Deve-se, pois, amar a quem é bom? Sim, devemos amá-lo de
todo o nosso coração. Bem baixinho dizei a Jesus: Jesus que sois tão
bom, eu vos amo de todo o meu coração.
Um instante de silêncio.
5. Decalcar imagens representando uma das cenas explicadas
nessa lição e mandar as crianças colorirem. Cortar em diversos
173
pedaços cartões postais representando esses milagres e mandar as
crianças reconstituírem a imagem. Se na igreja paroquial houver
quadros que representam essas cenas do Evangelho, aconselhar às
crianças que procurem vê-los com a mamãe. Na lição seguinte,
perguntar às crianças: Alguém foi à igreja ver o quadro cena...? De
que lado está o quadro?
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
Ato de fé duma criança.
1. Estais bem certos, isto é, credes que Jesus é o Filho de Deus?
Sim, então vamos lhe dizer juntos: “Jesus, creio que sois Filho de
Deus, que veio ao mundo”. Mas na terra Jesus falou e eu vou contar-
vos o que ele disse: Ele nos ensinou quem é Deus; para onde vai
nossa alma ao sair do corpo, o que é necessário fazer para ser feliz, a
quem devemos obedecer... E explicou-nos muita coisa que não
sabíamos. Devemos acreditar todas essas coisas que ele nos revelou,
isto é, que ele nos ensinou? Sim, devemos crer. Então vamos dizer a
Deus que cremos tudo o que ele disse: “Meu Deus, eu creio”.
Quando o papai, a mamãe ou o professor vos ensinam alguma
coisa, duvidais?... Não... dizeis logo, sem hesitar: é verdade, porque
papai, mamãe e o professor mo disseram. Dizei a Deus que credes
nele: “Meu Deus, creio firmemente todas as verdades que vos
revelastes”. Foi o próprio Jesus que veio ao mundo vos ensinar? Não,
Jesus falou a seus apóstolos e estes diziam: “Eis que Jesus manda
ensinar”. E agora, quem vos ensina o que Jesus revelou? Os
sacerdotes, enviados pelos substitutos dos apóstolos para ensinar as
verdades reveladas por Jesus. Acreditando o que diz o padre, é na
Igreja que acreditais. Dizei então a Deus: “Meu Deus, creio
174
firmemente todas as verdades que vos revelastes e que a santa Igreja
nos ensina”.
Tendes razão para crer no que diz Jesus? Sim. Não acreditais ao
vosso pai, à vossa mãe, ao vosso mestre? Sim, porque eles são bons, e
não seriam capazes de me enganar e, depois, não mentem. E o meu
mestre é tão sábio que não se pode enganar. Pois bem, Deus nos ama
tanto e é tão perfeito que não pode mentir, e é tão poderoso e tão
sábio que não se pode enganar. Dizei: “Meu Deus, creio porque não
podeis me enganar”.
Aprender de cor: Ato de fé
“Meu Deus, creio firmemente todas as verdades que revelastes
e que nos ensinais pela Santa Igreja, porque não podeis vos enganar
nem enganar-nos”.
Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
família)
1. O catequista não se esqueça que a fé é um dom de Deus;
portanto, deve pedir ao divino Mestre que faça desabrochar uma fé
profunda na alma das crianças.
2. Que se lembre que a criança está sempre natural e
sobrenaturalmente disposta a crer, não discute e tem confiança nos
que a instruem.
3. Quando falar nos milagres de Nosso Senhor, mandar fazer
exercícios de reflexão, repetindo com as crianças pequenas
invocações, com convicção e com fé.

175
XV. JESUS NOS FALA DO JUÍZO, DO CÉU, DO
INFERNO. O PURGATÓRIO
Pequeno resumo da lição procedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças.
Nas bodas de Caná, a pedido da Virgem Santíssima, Jesus
transformou a água em vinho. No lago de Tiberíades, Jesus mandou
São Pedro lançar a rede, e ele encheu duas barcas de peixes. Em
Naim, Jesus restituiu a vida ao filho de uma pobre viúva. Fez este
milagre na hora do enterro. Jesus provou que era Filho de Deus.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
No capítulo precedente demos a ideia do poder de Nosso Senhor: é
Deus, seus milagres o provam. E nossas crianças chegam naturalmente a esta
conclusão.
Jesus revelou-se Deus, devemos crer na sua palavra.
Ora, vamos ter ocasião de falar da doutrina de Cristo a respeito dos
novíssimos.
O milagre da ressurreição do filho da viúva de Naim apresentou à
ideia da criança a questão da morte. Agora vamos instruí-la, fazendo-a
conhecer o que espera a alma separa o corpo.
No evangelho temos diversas parábolas que poderiam nos servir;
escolheremos duas: a parábola dos talentos, para o julgamento da alma, e a
parábola do mau rico e do pobre Lázaro, para dar noções sobre o céu e o
inferno.
E acrescentaremos algumas palavras sobre o purgatório.

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II. EXPLICAÇÃO
Material: reparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
Quadro da parábola dos talentos; - quadro da parábola do mau
rico e do pobre Lázaro.
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
Quem, entre vós, pensou no jovem de Naim, a quem Jesus
restituiu a vida?
Aquele rapaz estava morto e já ia ser enterrado. Já vos disse que,
depois da morte, o corpo já nada pode fazer. Sem a alma não pode
pensar, não pode querer, não pode agir. Por isso é enterrado e
transforma-se em pó.
Mas a alma, para onde vai?
Prestai atenção... eu vou repetir o que Jesus ensinou.
1. Antes de começar, respondei à minha pergunta: A quem
pertence o céu (o sol, a lua e as estrelas)?
A quem pertence a terra? A quem pertencem todos os homens
A quem pertenceis?

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A Deus. Deus é nosso Senhor, um senhor que nos manda ser
corretos, obedientes, estudiosos e bons para os nossos companheiros.
Nossa alma, que não morre, volta para aquele a quem pertence, isto
é, a Deus.
Repeti comigo: Deus é nosso Senhor.
Havia um rei que, tendo de se ausentar, chamou seus servos e
lhes disse: “Vou partir para uma longa viagem, na minha ausência
administrareis os meus bens”.
Para lhes permitir negociar, deu ao primeiro uma grande
quantia, ao segundo uma menor e ao terceiro pequena. E partiu.
Quando ficaram sós, os dois primeiros servos disseram:
“Vamos trabalhar pois temos dar contas ao nosso amo, quando ele
voltar”.
O terceiro disse: “Meu senhor está ausente, não me preocupa a
sua ordem”, e foi descansar.
Repeti comigo: Um rei, antes de deixar o seu reino, chamou os
seus servos e, dando-lhes dinheiro, mandou que trabalhassem. Os
dois primeiros obedeceram, mas o terceiro não fez coisa alguma.
Passado muito tempo, sem ninguém esperar, voltou o senhor.
Os dois primeiros ficaram muito contentes, porque estimavam
o seu senhor e lhe tinham obedecido. O terceiro, porém, ficou
contrariado.
Chamando os servos a contas, o rei perguntou: “Que fizestes
na minha ausência?” O primeiro lhe respondeu: “Senhor, vos me
destes dinheiro, eis aqui o dobro do que recebi”. Muito bem, servo
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bom e fiel. Porque foste zeloso, recompensar-te-ei, virás comigo e te
darei dez cidades”.
Veio o segundo servo que, apresentando-se, disse: “Senhor,
aqui está o dobro da quantia que me entregastes”.
“Está bem, servo bom e fiel; para te recompensar dar-te-ei cinco
cidades”.
Ouvindo estas palavras, o servo ficou alegre e satisfeito como
nunca tinha estado.
Por fim, chegou o servo que havia recebido a quantia menor.
Envergonhado, disse: “Senhor, eu não fiz nada com o dinheiro
que me destes; eu vo-lo restituo, ei-lo”.
Merecia este servo recompensa? Não, só merecia castigo.
Respondeu-lhe o senhor: “Servo mau e preguiçoso, nada fizeste
do que mandei, e no entanto sabias que devias fazer-me a vontade”.
Dirigindo-se aos outros, disse: “Tirai o dinheiro a esse servo
inútil e lançai-o num lugar onde há choro e ranger de dentes”.
Como o mau servo se terá arrependido! Era tarde, foi
condenado.
Repeti comigo: Quando o rei voltou, perguntou a seus servos
o que tinham feito. Recompensou os dois que haviam trabalhado
e castigou o terceiro que nada fizera.
Meus filhos, sabeis que somos servos de Deus.
Coloco à vista das crianças o quadro representando a parábola dos
talentos.
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Na terra, não vemos Deus, que nos deu a vida, e, mais que isso,
a sua própria vida, que chamamos graça. É uma riqueza que não
devemos perder. Um dia virá em que, depois da morte, nossa alma,
separada do corpo aparecerá diante de Deus, que a julgará, como o
rei julgou seus servos. Então lhe perguntará: “Alma cristã, que fizeste?
observaste meus mandamentos? trabalhaste? Amaste o teu próximo?”
Se a alma puder responder: “Senhor, eu vos amei, fui
obediente, trabalhei, fiz bem aos outros...” Deus lhe dirá: Vem
comigo para o céu, onde serás feliz para sempre”.
Se, desgraçadamente, a alma for obrigada a responder (não se
pode mentir Deus): “Eu nada fiz para vós”, Deus não terá outro
remédio senão dizer-lhe: “Afasta-te de mim, não quero no céu servos
maus”.
Repeti comigo: Somos servos de Deus; depois da nossa morte
Deus nos julgará segundo as nossas obras.
2. Para onde irá a alma? Escutai, é ainda Jesus que vai no-lo
dizer, nessa história que ides ouvir.
Havia um homem rico, que possuía tudo o que desejava. Tinha
um lindo palácio, vestia-se de seda, tinha numerosos criados, não
trabalhava, e todos os dias dava banquetes esplêndidos. Não pensava
em Deus, e não gostava dos pobres, embora soubesse que eles
sofriam. A porta de sua casa jazia um mendigo, coberto de feridas,
tão pobre que não tinha nada para comer, nem mesmo as migalhas
que caíam da mesa do rico. Chamava-se Lázaro, e os seus únicos
amigos eram cães, que vinham lamber-lhe as úlceras.
Mostro o quadro do mau rico e do pobre Lázaro.
180
Ora, aconteceu que na mesma noite morreram o rico e o
mendigo, e Deus chamou as duas almas. Que vai acontecer? Deus vai
julgá-las. O rico apresentou-se diante de Deus, como o servo mau
diante do rei; foi obrigado a dizer: “Fui mau durante toda a minha
vida, só pensei em me divertir e nada dei aos pobres”. Ele mesmo se
acusara, e Deus lhe deu o que merecia: o inferno.
O pobre Lázaro, respondeu a Deus que o julgava: “Amei-vos
durante toda a minha vida; sofri sem me queixar, e procurei fazer o
bem”. Deus levou Lázaro para o céu, isto é, para junto dele, ao lado
dos santos e anjos, num lugar onde o mendigo tinha tudo o que
queria, onde não sofria e era tão feliz, tão feliz como nunca podia ter
imaginado, e sentia que amava à Deus com todas as suas forças, e por
ele era amado como filho, e isto por toda a eternidade.
O mau rico foi para o inferno. No inferno não via Deus, Não
amava a Deus, arrependia-se de ter sido tão mau, pois era castigado,
sofria nas chamas e se dizia: Estou aqui com os anjos maus, com os
demônios, com todos os ruins, sofro e sofrerei sempre. Então viu que
Lázaro, este pobre a quem havia desprezado, era feliz. E procurou
alcançar dele um pouco de alívio: Lázaro, exclamou ele, traze-me um
pouco d'água para refrescar-me”. Ouvi este homem, que não quis
matar a fome de Lázaro, pedir-lhe uma gota d'água. Lázaro lhe
respondeu: “É impossível, nada posso fazer por ti; devias ter amado
e obedecido a Deus durante a tua vida; não quiseste, agora é tarde”.
Então o mau rico acrescentou: Lázaro, tenho cinco irmãos avisa-os
que não façam como eu, para que não venham parar aqui neste lugar
de tormentos”. Lázaro respondeu: “Não é necessário que eu vá; os
sacerdotes lho dizem; eles que os ouçam”.

181
Repeti comigo: Um mau rico morreu na mesma ocasião em
que um pobre mendigo que amava a Deus e ao próximo. Deus
julgou-os e mandou o pobre para o céu e o rico para o inferno.
Acabais de ouvir, meus filhos, que a alma, depois de julgada,
vai ou para a casa de Deus ou para a morada do demônio.
Coloco à vista das crianças o quadro de Lázaro no céu e do mau rico
no inferno.
A casa de Deus é o céu, onde se goza a felicidade eterna junto
de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, de Nossa Senhora, São José, de
todos os anjos e santos e de todos os que amam a Deus. A casa do
demônio é o inferno, lugar de sofrimentos, onde se padece num fogo
eterno, com os maus e os demônios. Os que têm pecados pequenos,
ficam algum tempo num lugar chamado purgatório, e lá sofrem um
castigo. Sofrem, mas sabem que não é para sempre, e que breve irão
para o céu. Essas almas nos pedem auxílio, para irem mais depressa
para o céu, e nós não lhes respondemos que é impossível, porque
podemos rezar para que fiquem livres.
Repeti comigo: Vão para o inferno os que têm grandes
pecados; os que têm pecados pequenos vão para o purgatório por
algum tempo.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas, por isso
interrogo:
1. A quem pertencem todos os homens? A quem pertenceis?
Que nos manda Deus? Perante quem comparecerá vossa alma,
quando sai do corpo? Que disse o rei a seus servos, antes de partir?
Que lhes deu ele? Que disseram os dois primeiros, quando ficaram
182
sós? E o terceiro, o que pensou? Quando voltou o rei? Quem ficou
contente com a volta do rei? Por quê? Quem ficou contrariado? Por
quê? Que disse o rei ao primeiro servo? Como o recompensou? Por
quê? Que disse ao segundo? Como o recompensou? Esses servos
ficaram contentes? E o terceiro? Que disse o rei? Que respondeu o
servo? Este foi recompensado? Como foi castigado? Na terra podeis
ver a Deus?
Que os deu Deus? Quando vossa alma comparecer diante de
Deus, o que lhe perguntará ele? Onde colocará Deus a que tiver sido
boa durante a vida? E a que tiver sido má?
2. Quem nos disse como é o céu e como é o inferno? Onde
morava o mau rico? Tinha vestimentas bonitas? Tinha criados? Que
fazia do seu dinheiro? Amava ele a Deus? E aos pobres? Como se
chamava o pobre que estava à porta do seu palácio? Este pobre podia
trabalhar? Que aconteceu na mesma noite ao pobre e ao rico? Onde
compareceram essas duas almas? Para onde foi Lázaro? Era feliz? Por
quanto tempo? E o mau rico, para onde foi? Via Deus? Com quem
estava? Era feliz? Quanto tempo tinha de ficar no inferno? Que pediu
ele a Lazaro? Quantos irmãos tinha o mau rico? Que queria ele que
Lázaro lhes dissesse? Quem vai para o inferno? Para onde vão os que
têm pecados pequenos? Podeis fazer alguma coisa pelas almas do
Purgatório?
III. EXERCÍCIO PRATICO
1. Quando vossa mãe vos manda fazer alguma coisa e depois
vem verificar se obedecestes, ficais contentes se lhe podeis dizer:
“Mamãe, fiz tudo o que me mandastes”. O mesmo acontece se o
professor vos manda fazer um dever, estudar uma lição e, no dia
183
seguinte, podeis dizer-lhe: “Fiz bem o meu dever e sei a minha lição”.
E que vos manda Deus? Que sejais obedientes, bem comportados,
estudiosos, pacientes. É com alegria que obedeceis? Mais tarde,
quando vossa alma comparecer diante de Deus sentir-vos-eis felizes,
se puderdes dizer-lhe: “Meu Deus, eu vos obedeci sempre”. Dizei,
então: “Meu Deus, eu vos prometo fazer sempre a vossa vontade,
obedecendo a meus pais e mestres”.
2. Coloco à vista da criança o quadro da parábola dos talentos.
Vedes este homem... é o mau servo, que lançaram nas trevas.
Refleti...ele não trabalhou, foi mau, não quis obedecer a seu senhor!
Este lhe perguntou: O que tens feito? Bem quisera ter fugido, mas
reconheceu que merecia castigo. Se não quereis que vos aconteça o
que aconteceu ao servo, prestai bem atenção: obedecei sempre, sede
estudiosos e diligentes. E, quando desobedecerdes a vossos pais e
mestres, reconhecei logo: “Fiz mal em ter desobedecido, de ora em
diante quero obedecer”
O catequista poderá mandar as crianças fazerem um curto exame de
consciência e aconselhar que todas as noites pensem no que fizeram durante
o dia.
3. Como último exercício desta lição, o catequista mandará
tomar resoluções, apresentando novamente às crianças o Menino
Jesus para modelo: Jesus na escola, Jesus em casa, Jesus com seus
companheiros.
Fechai os olhos, pensai nesse belo modelo que tendes adiante
de vos e dizei lentamente: “Menino Jesus, para merecer o céu, eu
quero estudar com aplicação, farei meus deveres com capricho e

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estudarei minhas lições. Menino Jesus, quero ser bem obediente em
casa, não discutirei ordens e não serei genioso. Menino Jesus, quero
ser bom para os meus companheiros, não brigarei com eles e lhes
emprestarei os meus brinquedos”.
4. É um exercício excelente mandar crianças escolham mente o
que querem fazer para Deus: piedade, obediência, sacrifício.
Na lição seguinte perguntar:
Quem, à noite, fez um pequeno exame de consciência? Quem
promete estudar bem para agradar a Deus?
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
1. Ato de esperança de uma criança.
Vossos pais são bons? E vos amam? Sim, amam-vos muito;
sabeis, portanto, que vos darão sempre tudo o que for necessário.
Pensais: meus pais me sustentarão, me vestirão, cuidarão de mim,
isto é, esperais tudo de vossos pais, confiais neles. Tendes razão.
Mas, quem é o pai de todos os homens? A quem chamamos:
“Pai Nosso”? A Deus, nosso criador, nosso Senhor, nosso Pai do céu,
que nos deu a vida, a alma, nossos pais. Quer que sejamos felizes e
nos ama. Podeis confiar nele? Sim, podeis confiar nele. Digamos,
pois, juntos:
“Meu Deus, eu espero”.
Quando vossos pais vos prometem alguma coisa, nunca dizeis:
“Talvez eu ganhe isto...” Não, dizeis com esperança: “Vou ganhar
isto...” Esperais com confiança. Fazei o mesmo com Deus, e dizei-lhe:
“Meu Deus, espero com confiança”
185
Que esperais receber de Deus? De vossos pais recebeis
brinquedos, carrinhos, bonecas que fecham os olhos. Deus vos dará
brinquedos também? Não, recebereis coisa muito melhor: o céu,
onde com a Virgem Santa, os anjos os santos sereis sempre felizes; o
céu, onde se possui a Deus para sempre.
Se alguém vos dissesse: num país onde o sol brilha sempre...
existe um lindo castelo com um grande bosque, rios, árvores cheias
de frutas, flores. Faço-vos presente dele..., diríeis logo: Eu vos
agradeço muito, estou contentíssimo; mas, para chegar até lá,
precisamos que nos indiqueis o caminho, que nos forneçais
condução e, por último, as chaves para penetrarmos no castelo. Deus
nos promete o céu e nos dá os meios necessários para adquiri-lo.
Ajuda-nos a praticar o bem, inspira-nos bons pensamentos, auxilia-
nos nas tentações... (o catequista pode desenvolver). Tudo isto se
chama - graças. E sabeis por que Deus nos dá o céu e os meios de
adquiri-lo? Porque alguém pagou nós... Conheceis aquele que veio
ao mundo restituir-nos o direito ao céu? Sabeis o seu nome? Filho de
Deus, Jesus, que mereceu por nós. Digamos juntos a Deus:
“Meu Deus, espero com firme confiança que me dareis, pelos
merecimentos de Jesus cristo, vossa graça neste mundo”
Às vezes vosso papai vos diz: “Meu filho, se procederes bem, se
estudares, dar-te-ei uma recompensa”. Ganhais a recompensa
prometida? Sim, se procedeis bem, porque o vosso pai não é
mentiroso, dá o que promete. Mas, se não procedeis bem, é claro,
não ganhais a recompensa. O mesmo acontece com Deus: Ele vos
promete o céu se fizerdes o que ele manda: Se fizerdes vossas orações,
se fordes obedientes, se não fordes geniosos, se não fordes maus para
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os vossos companheiros (o catequista pode desenvolver), isto é, se
observardes os mandamentos. E Deus não engana, é fiel às suas
promessas, se promete, dá. Digamos juntos a Deus:
“Meu Deus... se eu observar os vossos mandamentos me dareis
o paraíso, porque vos prometestes e sois fiel às vossas promessas”.
2. Nossos pequenos vão rezar pelas almas do purgatório.
Lembrai-vos como o mau rico sofria tanto que, vendo Lázaro, pediu-
lhe que tivesse piedade dele e que lhe desse água para refrescá-lo.
Infelizmente, nada podemos fazer para os que estão no inferno. Mas
podemos ajudar muito às almas que sofrem no purgatório, à espera
da sua hora de entrar no céu. Deus aceita as orações que fazemos
pelas almas do purgatório, como o negociante aceita o dinheiro que
lhe dão para pagar dívidas de alguém. Sois crianças boas, se os pobres
vos pedirem alguns tostões, certamente não lhes negareis um pouco
do vosso dinheiro. A oração é o dinheiro que se dá a Deus para livrar
as almas do purgatório: Juntai vossas mãozinhas, inclinai as cabeças
e rezemos pelas almas do purgatório:
“Ó Jesus, tende piedade das almas que estão no purgatório”.
Lição a decorar, pelo catecismo:
1. Que é o céu? Que é o inferno? é purgatório?
Ato de esperança
Meu Deus, espero com firme confiança que me dareis, pelos
merecimentos de Jesus Cristo, vossa graça neste mundo, e, se eu
observar vossos mandamentos, vossa glória no outro, porque o
tendes prometido e sois fiel às vossas promessas”.

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Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
família).
1. Recomendar às crianças que façam uma pequena oração,
quando virem um cortejo fúnebre.
2. Mostrar que o inferno é o resultado do pecado mortal.
Procurar instruir, mas não amedrontar a criança quando falar sobre
o inferno e o purgatório. Não dar crédito a histórias de fantasmas e
aparições...
3. Na ocasião oportuna, chamar a atenção das crianças para o
dia de finados, festa dedicada aos mortos. De vez em quando rezar
com as crianças pelas almas do purgatório.
4. Mandar as crianças colorirem imagens representando as
parábolas explicadas nesta lição.
5. Mostrar às crianças, quando forem à igreja, quadros que
representam as parábolas dos talentos e do mau rico.

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XVI. O MEIO DE IR AO CÉU: A ORAÇÃO. JESUS NOS
ENSINA A REZAR
Pequeno resumo da lição precedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças
Deus é nosso Senhor; logo, tem o direito de mandar. Um rei,
antes de deixar seu reino, deu dinheiro a seus servos, ordenando-lhes
que trabalhassem. Dois desses servos foram obedientes; o terceiro,
porém, nada fez. Quando o rei voltou, perguntou aos servos o que
tinham feito. Recompensou generosamente os dois primeiros e
mandou lançar fora o último. Somos servos de Deus. Depois de
nossa morte, ele nos julgara, perguntando-nos o que fizemos por ele.
Aos que tiverem obedecido dará o céu como ao pobre Lázaro e aos
que tiverem pecados graves dará o inferno, como ao mau rico. Os
que tiverem pecados pequenos, irão para o purgatório.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
Depois de termos falado sobre o juízo, céu, inferno e purgatório, e de
termos feito com as crianças atos de fé e de esperança, vamos ensinar-lhes um
meio de estar sempre unidas ao bom Jesus: é a oração. No Evangelho
encontraremos as instruções necessárias, num estilo compreensível, atraente
e próprio para agradar às crianças: contos, composições e imagens.
Já sabem rezar: Sobre os joelhos de suas mães, talvez já tenham feito
lindas orações, e antes e depois de nossas lições já têm rezado muitas vezes.
Agora vamos explicar-lhes o que é a oração e as qualidades de uma boa
oração.
Com os exercícios de reflexão, procuraremos passar da teoria à prática.

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II. EXPLICAÇÃO
Material: reparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
Mapa da Palestina; - quadro representando Jesus no meio dos
apóstolos; - quadro de Jesus curando o cego de Jericó; - quadro
representando a ressurreição da filha de Jairo; - quadro do fariseu e
do publicano; - quadro de Jesus e a Cananéia.
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
Tendes uma boca e uma língua. Que fazeis com a língua? Falais.
A quem falais? A vossos pais, a vossos companheiros, a vossos
mestres. Que falais a vossos pais? As vezes dizeis: “Papai, mamãe, eu
vos amo”. Depois pedis o de que tendes necessidade: que vos ajudem
a fazer um dever, que vos dêem a mão para atravessar a rua. Dizeis
também a eles tudo o que pensais.
1. Mas, dizei-me, quem é Pai de todos nós? É Deus. Onde está
Deus? No céu, na terra, em todo lugar. Está aqui, está na rua, está na
vossa casa, está na cidade, está no campo... Ouve tudo e sabe tudo o
que pensais... antes mesmo de terdes aberto a boca para dizer uma
única palavra. Podemos então dizer a Deus que o amamos e pedir-
lhe o que desejamos Sim, podemos falar a Deus como falamos a
190
nossos pais, com uma diferença: vemos nossos pais e não podemos
ver a Deus. Falar a Deus é rezar.
Repeti comigo: Podemos falar a Deus. Falar a Deus é rezar.
Jesus nos disse que era preciso rezar para ir ao céu. Sabeis rezava
quando era criança, e depois quando estava com seus apóstolos,
retirava-se para rezar, e algumas vezes passava a noite toda em oração.
Um dia, os apóstolos, vendo-o rezar, e disseram: “Mestre, ensina-nos
a rezar”. Então Jesus lhes ensinou a oração que conheceis: Pai nosso
que estais no céu... É esta a mais bela oração. Devemos rezá-la com
muita atenção, não pensando em outra coisa.
Mostro às crianças a imagem de Jesus ensinando o Pai Nosso a seus
apóstolos.
Repeti comigo: Foi Jesus quem nos ensinou o Pai –Nosso.
Devemos falar a Deus como falamos a nossos pais. Nem sempre
falamos a nossos pais para pedir-lhes alguma coisa, às vezes queremos
lhes manifestar o nosso amor, agradecer-lhes o que têm feito por nós,
e dizer-lhes que são muito bons e que faremos o que nos mandarem.
Dizei, pois, a Deus que ele é o Senhor de tudo, que lhe pertencemos
e que o amamos; é uma oração mais bela do que a que fazemos
pedindo-lhe alguma coisa. No Pai Nosso dizemos-lhe que é o Senhor:
“Pai nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome, venha a
nós o vosso reino...” Dizemos-lhe também que queremos fazer a sua
vontade: “Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”.
Muitas vezes desgostamos a Deus, como desgostamos nossos pais, e
então, na oração, lhe pedimos perdão: “Perdoai-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.

191
Repeti comigo: Cada vez que rezarmos devemos dizer a Deus
que ele é o Senhor e que o amamos. É a melhor oração.
2. Depois de terdes dito isso a Deus, podeis pedir-lhe tudo o
que quiserdes, pois Jesus disse que ouviria sempre a nossa oração.
Vou contar-vos um fato que prova como Jesus atende aos que lhe
pedem alguma coisa. Quando Jesus ia chegando a Jerico, com seus
apóstolos e muitas outras pessoas, estava um cego sentado à beira do
caminho, pedindo esmolas. Ouvindo passar muita gente, perguntou
o que era aquilo. Disseram-lhe que era Jesus que passava. Como já
tinha ouvido dizer que Jesus era muito bom, muito poderoso, pôs-se
a clamar: “Jesus, filho de David, tende compaixão de mim”. Os que
estavam ao seu lado, diziam-lhe: “Cala-te”. Mas ele gritava sempre:
“Jesus, filho de David, tende compaixão de mim”. Jesus bem tinha
ouvido, não é preciso gritar para que ele ouça. Parando, então, Jesus
mandou que lhe trouxessem o cego e interrogou-o: “Que queres que
eu te faça”? Jesus sabia o que o cego desejava, mas quis nos mostrar
como devemos pedir o que queremos. “Senhor, que eu veja”, disse-
lhe o pobre cego. Se pedísseis a um homem para restituir a vista a
um cego, dir-vos-ia logo: Não posso fazer isso”. Mas Deus pode tudo,
por isso disse: “Pois vê; a tua fé te salvou”. Imediatamente o cego
ficou vendo tão bem como vós, e seguiu Jesus.
Repeti comigo: Jesus restituiu a vista a um cego que lho havia
pedido. Jesus ouve sempre nossas orações.
Mostro às crianças a imagem de Jesus, curando o cego de Jericó.
Esta história prova que Jesus ouve sempre nossas orações. Mas,
como o papai e a mamãe, ele não vos dá as coisas que vos poderiam
prejudicar. Se vosso irmãozinho, por exemplo, pedir para brincar
192
com o fogo, o vosso papai não lho dará, porque sabe que pode
queimar-se e até botar fogo na casa. Muitas vezes pedimos a Deus
coisas prejudiciais para nós, e Deus só nos dá o que concorre para
nos conduzir ao céu. Se pedísseis uma coisa ao vosso papai e ele não
tivesse dinheiro para comprar, vos diria: “Isto não te posso dar”. Mas
Deus pode tudo o que quer e, desde que não prejudique a nossa
salvação, ele nos dá o que pedimos.
Repeti comigo: Deus nos concede tudo o que pode concorrer
para ganharmos o céu.
3. Deus nos concede também o que pedimos para os outros.
Ouvi esta história: Um dia, em que Jesus ao povo, aproximou-se dele
um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo, que, muito aflito, lhe
disse: “Senhor, minha filha única desenganada; mas vinde à minha
casa, e ela ficará curada”. A filha de Jairo tinha doze anos, era graciosa
e seu pai lhe queria muito. Jesus seguiu o homem, mas andava
devagar, e uma grande multidão o acompanhava. De repente, chega
a correr um criado de Jairo e, dirigindo-se a seu amo, lhe diz: “Não é
mais preciso, tua filha acaba de morrer”. O pobre homem cai em
pranto e olha para Jesus, que lhe diz: “Tem confiança, tua filha será
salva”. Chegando à casa do chefe encontrou no quarto da morta uma
porção de pessoas, gritando e chorando. Então lhes disse: “Retirai-
vos daqui”, e ficou com Pedro, Tiago, João e os pais da criança. “Não
chores, disse Jesus ao pai, a menina não está morta, mas dorme”.
Todos zombaram dele, dizendo: “Está morta”. Jesus, tomando a mão
da menina, lhe ordenou: “Menina, levanta-te”. A menina levantou-
se, cheia de vida.
Mostro o quadro de Jesus ressuscitando a filha de Jairo.
193
Vedes que Jesus pode conceder tudo o que lhe pedimos. Vedes
também que podemos pedir uns pelos outros. Não foi a menina que
pediu, porque estava morta, foi seu pai que pediu e obteve esse
milagre para ela.
Repeti comigo: Jesus ressuscitou a filha de Jairo, que lhe havia
pedido essa graça.
4. Podemos rezar uns pelos outros.
Um dia destes, um menino me veio perguntar: “Queria pedir
uma bicicleta a papai, será que ele ma dá?” Eu lhe respondi: Se és
estudioso, bem comportado, obediente, e se não pedires com
orgulho, dizendo, por exemplo: “Quero uma bicicleta porque acho
que mereço”; mas se, pelo contrário, pedires com humildade: “Papai,
sei que não mereço tão belo presente, mas ouso pedir-te, porque sei
que me armas”, com certeza serás atendido. Ora, com Deus, procede-
se do mesmo modo; escutai esta história, contada por Jesus: Dois
homens entraram no templo para fazer oração. Um adiantou-se até
ao altar e, conservando-se de pé, orava assim: Meu Deus, eu não
tenho pecados, não sou como os outros homens, portanto, deveis
conceder-me tudo o que vos peço. O outro, conservando-se afastado,
nem ousava levantar os olhos, batia no peito, dizendo: Deus, eu sou
um pecador, não mereço ser atendido, mas ouso pedir-vos, porque
sois bom.
Mostro às crianças o quadro do publicano e do fariseu.
Que oração Deus ouviu? A do primeiro ou do segundo? A
oração do segundo. Quando rezardes, não procedais como o
primeiro.

194
Repeti comigo: Deve-se rezar com humildade.
Há ainda outras condições que Deus impõe para nos atender:
quer que não nos zanguemos com nossos companheiros e irmãos,
pois nos diz claramente: “Se te zangaste com alguém, antes de vir
rezar reconcilia-te com ele; depois, então, pede o que quiseres”.
5. Não temais insistir até serdes atendido. Um homem uma vez
recebeu, durante a noite, a visita de um amigo que estava viajando.
Como não tinha nada em casa e o amigo estava com fome, foi bater
à porta do vizinho. Este, de dentro de casa, lhe respondeu: “A porta
já está fechada, meus criados estão dormindo, não posso me levantar
para servir”. Em vez de se ir embora, o homem continuou a te bater
e a pedir: “Dá-me pão”. Por fim, para não ser importunado, o vizinho
levantou-se e deu-lhe o pão. É assim que se deve pedir a Deus: uma,
duas, três vezes, até que sejamos atendidos. Certa vez, uma mulher,
sabendo onde estava Jesus, foi ter com ele, e pediu: “Senhor, minha
filha está atormentada por um espírito mau, curai-a”. Jesus não lhe
respondeu uma só palavra. Os discípulos se aproximaram então dele
e lhe disseram: “É uma pagã, mandai-a embora”. Mas a mulher o
acompanhou e, prostrando-se aos pés de Jesus repetiu: “Senhor,
socorrei-me”. Jesus objetou-lhe: “Não é justo tirar o pão dos filhos
para lançá-lo aos cães”. Era o mesmo que dizer-lhe: Tu és paga, e eu
só faço milagres para os que creem em Deus. A mulher, porém,
replicou: “É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos comem as
migalhas que caem da mesa de seus donos”. Então Jesus disse:
“Mulher, grande é a tua fé! Faça-se como queres”. E a sua filha ficou
curada.
Vede, meus filhos, como é necessário pedir sem desanimar,
195
pedir sem interrupção, até que nos seja concedido o que pedimos.
Repeti comigo: Jesus nos manda rezar com perseverança, isto
é, até sermos atendidos. Ele curou a filha de uma paga, porque esta
pediu com muita insistência.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas, por isso
interrogo:
1. Com quem falais, durante o dia? Quem é o Pai de todos?
Onde está ele? Podemos falar a Deus? O que é falar a Deus? Que
diferença há entre falar a Deus e falar a vossos pais? Por que
necessário rezar? Jesus rezou muitas vezes? Que pediram os apóstolos
a Jesus? Que oração ensinou Jesus aos apóstolos? Quando falamos a
nossos pais, manifestamos-lhes o nosso amor? Que se deve dizer a
Deus na oração?
2. Em que cidade curou Jesus um cego? Este cego era rico?
Como soube que Jesus estava passando? Que fez então? Que lhe
disseram os que estavam a seu lado? Que disse Jesus quando se
aproximou do cego? Que lhe respondeu este? Que fez então Jesus?
Para onde foi o cego da cura?
3. Vosso pai dá ao vosso irmãozinho o que lhe pode prejudicar?
Deus nos daria alguma coisa que nos impedisse de entrar no céu?
Como se chamava o chefe da sinagoga que foi ao encontro de Jesus?
Por que procurou Jesus e o que lhe pediu? Que veio dizer um criado
de Jairo? Que disse Jesus ao ouvir dizer que a filha de Jairo estava
morta? Com quem entrou Jesus no quarto da defunta? Que disse e
que fez Jesus? Que idade tinha a filha de Jairo? Prova esta história
que podemos rezar uns pelos outros?

196
4. Como deveis pedir a vossos pais? Quando sois maus, sereis
atendidos? Que disse a Deus o homem orgulhoso, que entrou no
templo? Onde ficou ele? Que disse o que não era orgulhoso? Onde
se colocou este no templo? Qual dos dois foi atendido? Atende Deus
a oração dos maus?
5. Contai a história do homem que foi, durante a noite, bater
à porta do seu vizinho. Que queria ele? Seu vizinho deu-lhe o que
pedia? Por que lhe deu? Que pediu a mulher paga a Jesus? Jesus
concedeu-lhe logo o que pedia? Que disseram os discípulos de Jesus?
Que disse Jesus à mulher? Que respondeu esta? Que fez Jesus?
III. EXERCÍCIO PRÁTICO
1. Apresento às crianças o quadro de Jesus curando um cego.
Vede este quadro... Como é triste ser cego!... Fechai bem os
vossos olhos... não vedes nada... um cego é assim... nunca vê nada,
nem na rua, nem em casa. Abri agora os olhos... olhai este quadro...
Jesus cura um homem. Por quê? porque ele lhe pedira: “Senhor, fazei
que eu veja”. Dizei agora comigo: “Jesus, vós sois bom, e atende is às
súplicas dos que se dirigem a vós”.
2. Neste exercício, mandarei as crianças acharem o que devem
pedir a Jesus: 1. Para elas; 2. Para seus pais. Que pedireis a Jesus para
vós? Pensai... Na escola é preciso aprender a ler, a escrever e contar.
Para conseguir isto é necessário estudar, isto é, fazer deveres, preparar
lições. Pedi então baixinho a Deus aplicação para estudar bem.
Um instante de silêncio.
É feio ser dissipado, brigar com os companheiros, pregar
mentiras.
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Pedi a Jesus que vos faça atentos, bons para com os colegas, e
verdadeiros.
Um instante de silêncio.
O que pedireis para vossos pais? De que eles precisam? boa
saúde, não estarem doentes. Devem ter emprego para ganhar
dinheiro e pão por vós. Pedi a Jesus que de saúde e trabalho aos
vossos pais.
Um instante de silêncio.
Que mais quereis pedir? Tendes de morrer um dia, e vossos pais
também. Para onde quereis ir? Para o céu, onde sereis felizes para
sempre. Pedi isto a Deus. Sabeis que Jesus nos manda amar a todos
os homens; deveis, pois nas vossas orações, vos lembrar de vossos
companheiros, de todos os que habitam o mesmo país e dos que
moram muito longe, enfim, por todos os homens.
Um instante de silêncio.
3. Faço uma oração pelas missões.
Na aula há grandes mapas, onde podeis ver as cinco partes do
mundo. Vosso professor vos diz que na África há negros, na Oceania
selvagens e na Ásia chineses, que nunca ouviram falar de Deus, e
estes homens têm uma alma para salvar. Todos os anos, muitos
sacerdotes, de todos os países, deixam sua pátria e vão ensinar o
catecismo e batizar esses pobres homens que não conhecem a Deus.
Esses padres passam muitas privações, fazem viagens exaustivas,
portanto, precisam de auxílio. Como podereis auxiliá-los? Rezando
por eles. Conheço crianças que rezam pelos missionários todos os
dias. Digamos juntos: “Jesus, fazei com que os missionários vos
198
ganhem muitas almas”.
Um instante de silêncio.
4. Chamamos a atenção dos catequistas para este excelente
exercício de recolhimento: Quando falamos a Deus só devemos
pensar nele, portanto, é bom baixar os olhos e dizer: “Quero pensar
em Deus, em Jesus e em Maria Santíssima...” Baixai os olhos... Dizei
baixinho...: “Quero pensar em Deus...” Estais pensando? Começai
então a falar com ele... inventai uma oraçãozinha... dizei que o amais
e prometei ser bem comportados...
Um instante de silêncio.
Repetir muitas vezes este exercício de formação. Pode-se dizer
às crianças: “Deus vai ver quem reza melhor... Quem será?”
5. Recomendar às crianças que, mesmo na rua, no recreio, na
fila, rezem baixinho e que, quando puderem, entrem na igreja para
rezar.
Na lição seguinte perguntar:
Quem inventou uma pequena oração? Quem rezou pelos
missionários? Quem rezou pelos companheiros? Quem se lembrou
de rezar na rua? Quem entrou na igreja para rezar?
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
1. Coloco bem à vista das crianças a imagem de Jesus com seus
apóstolos.
Nesta imagem Jesus está com seus apóstolos, que se dirigem a
ele, pedindo: “Mestre, ensina-nos a rezar” e pela primeira vez Jesus
lhes disse o “Pai Nosso”. Fechai os olhos e imaginai que também
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estais com Jesus e seus apóstolos, e que juntos ides rezar a oração:
“Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o vosso nome, venha a
nós o vosso reino”. Dizei agora: “Bom Jesus, eu vos agradeço terdes
nos ensinado a falar a Deus”. Depois, baixinho, prometei a Jesus
rezar o Pai Nosso todos os dias.
Um instante de silêncio
2. Devemos falar a Deus como falamos a nossos pais. De
manhã, que lhes dizeis? Bom dia, papai. E à noite, antes de deitar?
Boa noite, papai. Se, durante o dia, fizestes alguma coisa mal feita,
que fazeis? Procurais o papai ou a mamãe e dizeis: Perdoai-me por
vos ter afligido, não o farei mais. Que dizeis, então a Deus, de manhã?
E à noite? Se não tiverdes procedido bem, como pedireis perdão a
Deus?
Resolução: Farei todos os dias a oração da manhã e da noite,
e, antes de dormir, rezarei o ato de contrição.
3. Oração de uma criança por seus pais.
Meu Deus, agradeço-vos por me terdes dado meus pais que são
tão bons para comigo. Meu Deus, sei que ouvis as crianças que rezam
por seus pais. Esta reza eu faço por papai e mamãe. Eu vos peço que
eles sejam felizes, que não tenham sofrimento ou doenças, que
tenham emprego. Eu vos peço a graça de ser sempre bem
comportado, estudioso e obediente para contentar a meus pais. Meu
Deus, eu vos peço que deis a meus pais longa vida e depois desta os
leveis ao céu, onde serão felizes convosco para sempre.
4. Pequenas invocações.
Os catequistas podem ensinar às crianças algumas invocações
200
ao Sagrado Coração, a Nossa Senhora e a São José, habituando-as a
rezar em sua intenção particular.
Lição:
1: Que é a oração?
2. Quando se deve rezar?
Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
família):
1. Compete à mãe de família despertar na criança os
sentimentos de piedade.
2. Só se consegue incutir a piedade na criança depois de muitos
atos, e, mesmo assim, aos poucos.
3. Que o catequista dê sempre o bom exemplo, quer ao entrar
na igreja, quer durante a oração e até mesmo fazendo o sinal da cruz,
pois a criança tem grande tendência para imitar.
4. Não se deve fazer orações muito longas e incompreensíveis,
para não aborrecer a criança.
5. Desenvolver a sua iniciativa para os atos de piedade pessoal.
6. Antes de começar uma oração em comum, verificar se a
atitude das crianças é correta: olhos baixos, braços cruzados ou mãos
juntas, corpo direito.
7. Prestar atenção para que as orações sejam recitadas
corretamente, com as pausas bem acentuadas, sem cantar.
8. Antes de começar uma oração, lembrar à criança que é a
Deus que vamos falar.
9.Para fixar a atenção, pode-se rezar diante de uma imagem ou
de um crucifixo.
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XVII. MEIO DE RECUPERAR A GRAÇA PERDIDA
PELO PECADO: A PENITENCIA
Pequeno resumo da lição precedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças.
Podemos falar a Deus. Falar a Deus é rezar. Jesus nos ensinou
a oração: “Pai Nosso, que estais no céu”. Cada vez que rezarmos,
devemos dizer a Deus que ele é o Senhor de tudo e que o amamos.
Jesus restituiu a vista a um cego a pedido deste. Jesus nos concede
sempre tudo o que pedimos, desde que não prejudique nossa
salvação. Jesus ressuscitou a filha de Jairo. Deve-se rezar com
humildade. Deus não ouviu a oração do fariseu. Jesus nos manda
pedir até conseguirmos. Ele curou a filha de uma mulher pagã, por
causa da insistência desta.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
Chegamos aos capítulos da penitência, que nos catecismos
ocupam um lugar tão importante. Não nos esqueçamos, porém, que
nos dirigimos a crianças; logo, não temos necessidade de descer a
pormenores mínimos; daremos só o essencial sobre a doutrina do
perdão, servindo-nos da parábola do filho pródigo.
Falaremos sobre o pecado, sobre os atos do penitente e sobre o
perdão divino. Com esse método prepararemos as almazinhas das
crianças para o sacramento da penitência.
II. EXPLICAÇÃO
Material: Preparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
202
Quadro o Bom Pastor com a ovelha no ombro; - quadro do
filho pródigo saindo da casa paterna; - quadro do filho pródigo com
seus amigos; - quadro do filho pródigo guardando os porcos; - quadro
do filho pródigo lançando-se aos pés de seu pai; - quadro do banquete
na casa paterna, para festejar a volta do filho; - quadro de Jesus no
meio dos apóstolos.
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
1. Uma pergunta: Quereis ir para o céu? Sim, naturalmente.
Mas sabeis que para entrar no céu é preciso não ter pecado. Já
aprendemos que aqueles que têm pecados grandes (chamados
mortais, porque dão a morte à alma) e que morrem neste estado, vão
para o inferno. Os que morrem com pecados pequenos (pecado
veniais), vão para o purgatório. Então, que fareis? Direis: Não
cometeremos pecado.
Conheço um menino que disse à sua mãe: “Mamãe serei
sempre bem comportado “. Mas se esqueceu do que havia
prometido, e logo no dia seguinte desobedeceu e foi genioso. Que
fez ele? Reconheceu que tinha sido mau, foi procurar sua mãe, e lhe
disse: “Mamãe, fui mau, causei te desgosto, peço-te que me perdoes”.
A mãe abraçou-o e lhe disse: “Sê bonzinho, eu te perdoo”. Quando
cometemos um pecado, podemos pedir perdão a Deus? Sim, Adão e
203
Eva, depois de pecar, pediram perdão a Deus e Deus lhes perdoou.
Jesus disse: Eu vim ao mundo para que todos os que têm
pecados se convertam, e acrescentou: vossa alma é um tesouro que
pertence a Deus, quando essa alma está perdida pelo pecado, Deus
vai a sua procura como a mulher que havia perdido a moeda.
A mulher perdeu-a no quarto, mas começou logo a procurar
com muito afã, debaixo dos móveis, por todos os cantos, até
encontrar. E, tendo-a achado, foi ter com as suas amigas e vizinhas, e
lhes disse: “Alegrai-vos comigo, porque achei o dinheiro que havia
perdido”.
Jesus é ainda como um pastor que guarda suas ovelhas. Um
pastor vai para o campo com o seu rebanho e seus cães. Conta as
ovelhas uma por uma. Se tem cem e lhe falta uma, deixa as 99 sob a
guarda dos cães e vai procurar a que perdeu. Olha para um lado e
para outro, chama, revista as moitas de mato, finalmente, a encontra.
Então carrega-a no colo e leva-a nos ombros. Ouvistes bem? Não lhe
dá pancadas... nem fica com raiva... está contente por tê-la achado.
Repeti comigo: Deus procura as almas que pecaram como o
pastor procura a ovelha perdida.
Apresento às crianças o quadro de Jesus, o Bom Pastor.
Mas um homem não é uma ovelha é preciso que faça alguma
coisa para ser perdoado: deve arrepender-se de suas faltas, detestá-las,
pedir perdão a Deus e fazer penitencia.
2. Na história do filho pródigo Jesus nos mostra o que é preciso
fazer para ser perdoado. Ei-la: “Um homem rico tinha dois filhos. O
mais moço aborrecia-se em casa de seu pai e pensava: Eu serei muito
204
feliz se fosse para longe; ao menos não teria que obedecer a meu pai
e faria tudo o que me apetecesse”.
Era um mau pensamento, e, embora a voz da consciência lhe
dissesse: “Não abandones teu pai”, não lhe deu ouvidos, e um dia
disse a seu pai: “Pai, dá-me o dinheiro que me cabe por herança,
porque eu vou partir”. O pai ficou muito triste, mas fez-lhe a vontade
e deixou-o partir.
Mostro o quadro do filho pródigo abandonando a casa paterna.
Pensou que ia ser feliz; passava o tempo com companheiros
que, como ele, só pensavam em se divertir, cantar, comer e beber.
Nem pensava se o que estava fazendo era direito, sentia-se feliz
porque estava fazendo a sua vontade e não tinha de dar satisfação a
seu pai, que estava bem longe, longe...
Mostro o quadro do filho pródigo com seus companheiros.
Viveu assim durante algum tempo. Um belo dia, porém, viu
que não tinha mais dinheiro... Meus amigos têm, pensou ele... Mas
os amigos, quando o viram pobre, abandonaram-no. Ficou só e viu-
se obrigado a trabalhar para comer. Sobreveio àquele país uma
grande fome, e ele começou a sofrer privações, por isso foi obrigado
a se em pregar em casa de um habitante do lugar, que o mandou ao
seu campo, para guardar os porcos.
3. Um dia, sentindo-se muito cansado e muito triste começou
a refletir: “Eis-me sozinho, vestido de trapos, sem amigos, sem comer,
sem cama para dormir e obrigado a obedecer a um senhor que não
tem coração!... Oh! em casa de meu pai não era assim; lá eu obedecia,
mas meu pai gostava de mim!... E até os criados eram felizes, tinham
205
pão com fartura e andavam bem vestidos... E eu aqui sou o mais
pobre dos pobres... o mais infeliz de todos... morro de fome... e isto
por minha culpa... Por que abandonei a casa de meu pai?
Apresento o quadro do filho pródigo guardando os porcos;
Repeti comigo: o filho pródigo reconheceu que tinha feito
mal abandonando seu pai.
Enquanto refletia, veio-lhe uma ideia: Se eu voltasse para a casa
de meu pai? Estou arrependido do que fiz; irei procurar meu pai e
lhe direi: “Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno
de ser chamado teu filho... mas recebe-me e trata-me como um de
teus criados”. Que resolução tomou? Compreendendo que tinha
procedido mal, pensou em todas as faltas que havia cometido:
divertiu-se todo o tempo, e ficou na miséria... Fez o seu exame de
consciência.
Feito o exame, que sentiu? Um grande pesar uma grande
tristeza, quando pensou: eu pai era tão bom, e eu fui tão mau; meu
pai gostava de mim e eu fui ingrato; fiz mal e me arrependo. Antes
eu nunca tivesse feito isso... Teve muita contrição.
E depois tomou a resolução de procurar o pai, pedir-lhe perdão
e aceitar uma grande penitencia, isto é, ficar em casa de seu pai, não
mais como filho, mas como empregado.
Repeti comigo: o filho pródigo teve uma grande dor de seus
pecados e resolveu pedir perdão a seu pai.
Levantou-se e partiu... O caminho era mau e a distância era
grande... estava cansado e apreensivo: Que dirá meu pai? nunca lhe
dei noticias minhas...nem me preocupe com as suas...
206
Não tinha dado notícias, mas seu pai sabia o que era feito dele:
sabia que tinha gasto todo o dinheiro, que havia se divertido, e que
o esquecera; não obstante, amava sempre esse filho... esperava a sua
volta... e, de vez em quando, ia até certa distância de casa para ver se
o avistava...
Um dia, ainda o filho vinha longe, e já seu pai o avistara,
vestido como um mendigo e descalço.
Movido de compaixão, correu ao seu encontro, abraçou-o e
beijou-o chorando.
Vede como este pai é bom. Aquele filho fora mau, abandonou-
o, e o pai, que nunca deixou de amá-lo, vai ao seu encontro e abraço-
o.
Repeti comigo: o pai foi ao encontro do filho pródigo e mal
o avistou, correu a abraçá-lo.
O filho ajoelhou-se, chorando, diante do pai e lhe fez a sua
confissão, isto é, contou todos os seus pecados: “Meu pai, pequei
contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho”.
Repeti comigo: o filho pródigo prostrou-se de joelhos diante
de seu pai, confessou suas faltas, pediu perdão, prometeu fazer
penitência e ficar sempre em casa.
Mostro às crianças o quadro do filho pródigo aos pés de seu
pai.
Acabou de confessar seus pecados, pediu uma penitência e
prometeu não se afastar de casa. E o pai, que lhe vai dizer? “Meu filho
uma vez que te arrependeste, eu te perdoo, esquece tuas faltas e serás

207
sempre meu filho”. E, para provar-lhe que tinha perdoado, chamou
logo os criados: “Trazei depressa a mais bela túnica e vesti-o com ela;
metei-lhe um anel no dedo e calçai-lhe sapatos. Ide também buscar
um novilho bem gordo e preparai um banquete... porque este meu
filho estava morto para mime tornou a viver, estava perdido e eu o
encontrei”. Depois da confissão das faltas, eis o perdão... Todos
sentaram-se à mesa, comeram, beberam e cantaram, para festejar a
volta do filho à casa paterna.
Repeti comigo: o pai perdoou ao filho pródigo, deu-lhe uma
bela túnica, um anel de ouro e mandou preparar uma grande festa.
O irmão mais velho, que voltava da lavoura, ouvindo música e
danças, perguntou: Que festa é essa? Disseram-lhe: Foi teu irmão que
voltou. Ele não compreendeu a razão de tanto júbilo, pois sabia da
vida desregrada que levara o irmão, e, sentido com isso, não queria
entrar: O pai veio então buscá-lo e lhe disse: “Meu filho, vem ao
banquete e não te queixes. Tens estado sempre comigo, não sofreste
e todos os meus bens são teus. Teu irmão, coitado, foi um infeliz,
pecando; hoje, arrependido, pede perdão, não é justo que nos
alegremos com a sua conversão?”
Repeti comigo: o pai disse ao filho mais velho que não devia
ser ciumento e regozijar-se, porque o irmão perdido havia sido
encontrado.
E a festa continuou.
Apresento o quadro da festa.
5. Meus filhos, podeis me dizer o nome de um Pai que sempre
perdoa, quando o filho, arrependido, detesta as suas faltas? - Deus. -
208
E o filho, quem é? É o pecador.
Repeti comigo: O nome do pai é Deus, e o filho pródigo é o
pecador.
Esta história, contada por Jesus, mostra o que é necessário para
obter o perdão dos pecados. Primeiro, se deve pensar em seus
pecados: o filho pródigo fez o seu exame de consciência. Depois é
preciso ter o arrependimento: o filho pródigo teve pesar, dor de ter
procedido mal. É o que se chama contrição. É preciso confessar seus
pecados a Deus, sem ocultar coisa alguma: o filho pródigo disse
francamente tudo o que havia feito. E, finalmente aceitar a
penitência, para prometer não tornar a pecar, então receber o
perdão. Depois de perdoados nos tornamos filhos queridos de Deus.
Repeti comigo: Esta história do filho pródigo nos mostra o
que é preciso fazer para obter o perdão dos pecados.
Mas direis: posso ir procurar a Deus? Ele não está mais neste
mundo. Mas há alguém que o substitui. Escutai: Um dia, em que
Jesus estava pregando, chegaram quatro homens e traziam um
paralítico numa cama. Paralítico é um homem doente, cujas pernas
e não podem se mover. Não pode andar. Notando Jesus a fé desses
homens, disse ao doente: Teus pecados te são perdoados”. Jesus
perdoava os pecados. Entre os ouvintes achavam-se alguns fariseus,
que disseram consigo: “Só Deus pode perdoar os pecados”. É
verdade, mas eles não queriam compreender que Jesus é o filho de
Deus e tinha esse poder. Jesus, que conhecia os seus pensamentos,
disse: “Para que saibais que o Filho de Deus tem poder, sobre a terra,
de perdoar os pecados, vou fazer este homem andar”. E, dirigindo-se
ao paralítico, ordenou: “Levanta-te, toma teu leito e vai para casa”. E
209
logo o doente se levantou e foi para casa.
Repeti comigo: Jesus perdoou os pecados a um paralitico, e
curou-o para mostrar que tinha esse poder.
Algum tempo depois, Jesus disse a seus apóstolos que lhes daria
o poder de perdoar os pecados. Cumpriu a sua promessa antes de
subir para o céu, dizendo-lhes: “Recebei o Espírito Santo, tereis
também o poder de perdoar os pecados. A quem vós perdoardes os
pecados, ser-lhes-ão perdoados; a quem vós os retiverdes, ser-lhes-ão
retidos.
Apresento o quadro de Jesus no meio dos apóstolos.
Os apóstolos transmitiram esse poder àqueles que os
substituem, eis por que, hoje, os sacerdotes, em nome de Deus,
perdoam os pecadores que confessam suas culpas.
Repeti comigo: Jesus deu a seus apóstolos e aos sacerdotes o
poder de perdoar os pecados.
Para obedecer a Jesus, os apóstolos ouviam a todos os que
vinham lhes contar as suas faltas; depois de tê-las ouvido, davam-lhes
a absolvição, isto é, perdoavam em nome de Deus.
Agora os sacerdotes fazem o que os apóstolos faziam, porque
também têm o poder de perdoar os pecados. Breve vos ensinarei o
que é necessário fazer, quando se vai pedir perdão dos seus pecados.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas,
por isso interrogo:
1. Para onde quereis ir depois da vossa morte? Que é preciso
para ir para o céu? Como se chamam os pecados grandes? E os
210
pequenos? Esqueceis algumas vezes que prometestes proceder
sempre bem? Que pedis à mamãe, quando obedeceis? Que faz
mamãe, quando lhe pedis perdão? Pode Deus perdoar nossos
pecados? Que fez a mulher que perdeu o dinheiro no seu quarto?
Ficou contente quando o achou? Deus considera nossa alma como
um tesouro? Que faz um pastor que perdeu uma ovelha? Ficou
satisfeito quando a encontrou? Que fez com a ovelha? Deus zela por
nossa alma como um pastor zela por suas ovelhas?
2. Contou Jesus alguma história que indica o que devemos fazer
para ser perdoados? Como se chama essa história? Quantos filhos
tinha o pai de família? Que pensava o mais moço? Por que quis
abandonar a casa de seu pai? Que lhe dizia a voz da consciência? Que
pediu ele a seu pai? Para onde foi? Que fez quando chegou àquele
país distante? Teve sempre dinheiro para se divertir? Seus amigos lhe
deram dinheiro? Que teve ele de fazer? Sabia trabalhar? Para onde o
mandou o homem que o tomou para seu empregado?
3. Em que pensou o moço no dia em que estava guardando os
porcos? Que resolução tomou? Ficou triste? Por quê? Que penitência
queria pedir a seu pai? Em que pensava no caminho, de volta para
casa? Sabia seu pai o que ele andava fazendo? Seu pai o esqueceu?
Onde se encontraram? Como estava vestido o filho pródigo, quando
se apresentou a seu pai?
4. Que fez o pai, quando viu o filho? Que fez o filho pródigo?
Que disse ele? Que prometeu? Que lhe respondeu o pai? Como o
mandou vestir? Que lhe pôs no dedo? E nos pés? Que mandou
preparar para a festa? Quem assistiu ao banquete? Quem não quis
entrar? Por quê? Quem foi buscar de fora o filho mais velho? Que lhe
211
disse o pai?
5. Quem primeiro contou esta história? Que nos mostra? Dizei
o que é preciso fazer para ser perdoado por Deus? Quando se diz que
alguém tem contrição, que quer dizer? Depois de se ter confessado
os pecados? Que se deve prometer a Deus? Jesus perdoava os pecados,
quando andava com os apóstolos? Que é um paralítico? Que
pensou o paralítico, quando viu Jesus? Que lhe disse Jesus? Que
disseram os judeus, quando viram Jesus perdoar os pecados? Que fez
Jesus, para provar que tinha esse poder? Que prometeu Jesus aos seus
apóstolos? Que poder lhes conferiu antes de subir ao céu? A quem
transmitiram os apóstolos esse poder? Quem pode agora perdoar os
pecados?
III. EXERCÍCIO PRATICO
Com alguns exercícios de reflexão, explicaremos às crianças a
necessidade dos atos que constituem o sacramento da penitência.
1. Pensai... Que fez o filho pródigo? Saiu de casa, não quis
obedecer a seu pai, cometeu pecados. Sentiu-se feliz depois que
pecou? Não, porque uma voz lhe dizia que estava procedendo mal.
Acontece-vos que desobedeceis a vossos pais, ao papai, à mamãe, aos
mestres? Compreendeis ser mal o que fazeis? E quando compreendeis
que isto é mal, arrependeis-vos? É preciso lançar fora do coração este
arrependimento, ou deixá-lo estar na vossa alma? É preciso ficar com
ele para poder pedir perdão aos pais. Pode um pai perdoar ao filho
que não está arrependido do que fez?
Dou um exemplo concreto tirado de um meio familiar à
criança.

212
Se desobedecerdes a Deus, sendo gulosos, desobedientes,
preguiçosos, podeis pedir-lhe perdão, mas ele só perdoará com uma
condição. Pensai em vossos pecados... fostes desobedientes?...
Pregastes mentiras?... Destes pancada em algum companheiro?...
Tivestes raiva?... O que fizestes é mal feito? Ofendestes a Deus? Estais
arrependidos? Dizei baixinho: “Meu Deus, pesa-me de vos ter
ofendido...”
Um instante de silêncio.
2. É preciso confessar sinceramente seus pecados.
Um menino desobedeceu a sua mãe, que lhe tinha proibido
tocar vitrola. “Não mexas ela, poderias quebrá-la”. Quando o menino
ficou só, tomou a vitrola e deu-lhe corda. Esta arrebentou e não havia
de andar. E agora? Contaria à mãe a sua desobediência, ou devia
deixar que fosse descoberta? Se estivésseis no lugar do menino, que
faríeis? Pensai... O menino foi procurar sua mãe, para contar-lhe o
que tinha feito. Como iria ele se acusar?... Devia procurar desculpar-
se, dizendo: “Mexi na vitrola, mas a corda já estava arrebentada?”
Respondei: deve contar desse modo? Não, deve dizer: Fui
desobediente, quebrei a vitrola, e peço perdão. Quando fordes
confessar, deveis contar vossos pecados com toda a sinceridade.
Repeti juntos, lentamente, pensando bem no que estais dizendo:
“Meu Deus eu vos prometo confessar com toda a sinceridade meus
pecados ao padre”.
3. É preciso prometer não tornar a pecar.
Um menino vos machuca, dando-vos uma paulada. Logo
depois diz: perdoa-me. Perguntais Prometes não tornar a bater-me?

213
“Isto não prometo”, responde o menino. Podeis perdoar-lhe? Pensa
agora. Depois de terdes confessado vossos pecados, Deus, que
conhece todos os vossos pensamentos, sabe se ides prometer não
tornar a pecar... Se não lhe prometerdes não desobedecer mais, não
ser gulosos, não ser maus, ele não vos pode perdoar. Pensai nos
vossos pecados... Dizei: “Meu Deus, eu vos prometo não ser
desobediente, não ser guloso, não ser invejoso”.
Um instante de silêncio.
4. Aconselhar às crianças fazerem todas as noites o exame de
consciência e o ato de contrição. Recomendar-lhes que vão à igreja e
vejam onde está o confessionário. Dizer-lhes: Quando virdes entrar
os fiéis no confessionário, pensai: Eles vão receber o perdão de seus
pecados.
Na lição seguinte perguntar:
Quem fez, à noite, o seu exame de consciência? Quem foi à
igreja ver o confessionário? Em que pensastes, vendo uma pessoa no
confessionário?
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
1. Ensino às crianças a se confessarem.
Antes da confissão: o exame de consciência. Se Deus tivesse
levado vossa alma logo depois do batismo, iria direitinho para o céu,
porque não tinha nenhum pecado. Mas crescestes e fizestes pecados.
Procuremos juntos os que podeis ter.
Procuro, no capítulo XII, o exame e o percorro novamente com
as crianças.

214
Esses pecados vos impediriam de entrar no céu, se vossa alma
deixasse o corpo. Vamos nos lembrar dessas faltas para apresentá-las
a Deus e dizer-lhes: “Eis o mal que fiz. Peço-vos que me perdoeis”.
2. Excito as crianças à contrição
Ficais tristes quando aborreceis vossos pais e quando vedes
vossa mãe chorar? Imagina o desgosto que causais a Deus, quando
não fazeis o que ele manda, quando sois desobedientes, preguiçosos,
maus com os vossos companheiros. Amais muito o bom Jesus; pois
vou contar-vos como ele morreu, pregado numa cruz, com as mãos e
pés traspassados por pregos enormes. Foi por causa dos nossos
pecados que morreu assim. Digamos a Jesus: “Bom Jesus, tenho
muito pesar de ter cometido pecados”. Pensai também que é
impossível ir ao céu quando se têm pecados na alma; os pecados
graves levam ao inferno e os pecados pequenos ao purgatório.
3. O que se deve fazer durante a confissão.
Sabeis que é ao sacerdote que deveis dizer os vossos pecados.
Assim como o filho pródigo foi procurar seu pai, ireis procurar o
vigário ou um sacerdote. Logo que chegardes ao confessionário,
ajoelhai, fazei o sinal da cruz e dizei: “Meu pai, dai-me a vossa bênção,
porque pequei”. Prestastes atenção? Não se diz senhor Vigário, nem
Reverendo, e sim: “Meu Pai”.
Repeti comigo lentamente: Meu pai, dai-me a vossa bênção,
porque pequei.
Se é a primeira vez que vos confessais, “Eu me confesso pela
primeira vez”. Se já vos confessastes mais vezes, dizei: “Confessei-me
há tantos dias...”
215
Depois podeis rezar: “Eu, pecador, me confesso a Deus todo-
poderoso, à bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-
aventurado São Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado São João
Batista, aos Santos apóstolos Pedro e Paulo, e a todos os santos, e a
vós, meu pai, que pequei muitas vezes, por pensamentos, palavras e
obras”
Isto quer dizer: eu confesso a Deus, que tudo sabe, que vê tudo
e que conhece tudo; eu o digo na presença da Virgem Santíssima, a
Mãe de Jesus, que está no céu, e na presença de todos os santos, que
eu tenho pecados... Pequei por pensamentos, quando pensei em tirar
alguma coisa que não me pertencia, por palavras, quando disse
mentiras; por obras, quando bati em meus companheiros e por
omissão, quando deixei de fazer o meu dever.
Depois que tiverdes acabado de rezar essa oração, dizei os
vossos pecados.
a) Todos os pecados. Não se deve ter medo. O sacerdote está
no lugar de Deus, para perdoar os pecados, não pode ralhar e não
tem o direito de repetir o que ouve.
b) É preciso dizer quantas vezes se cometeu o pecado, por
exemplo: menti cinco vezes.
c) Não se deve esconder nenhum pecado na confissão, seria
mentir a Deus; os pecados confessados não seriam perdoados, e
cometer-se-ia mais um novo e enorme pecado.
Depois da acusação, clara e sincera, acrescentareis: “Acuso-me
ainda de todos os pecados esquecidos e peço a Deus perdão, e a vós,
meu pai, penitencia e absolvição”.
216
Em seguida, o padre vos aconselha a não pecar mais. Ouvi-o
com atenção, e tomai nota da oração que vos mandar rezar como
penitência.
Rezai o ato de contrição, pedindo perdão a Deus e prometendo-
lhe não tornar a pecar.
O catequista poderá repetir as explicações dadas no capitulo
XII, sobre o ato de contrição.
Enquanto rezais o ato de contrição, o confessor levanta a mão
direita, faz sobre a vossa cabeça uma grande cruz e vos perdoa,
dizendo: “Eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai e do Filho
e do Espírito Santo.
No mesmo instante os pecados desaparecerão da vossa alma,
como o giz da lousa quando se passa a esponja. Ficareis perdoados
como o filho pródigo, quando lhe deram uma túnica nova, um anel
e sapatos. Não tereis nenhum pecado. O padre vos dirá: Ide em paz”.
Então fareis o sinal da cruz e deixareis o confessionário.
Depois da confissão.
Logo que sairdes do confessionário, rezareis a penitência.
Agradecereis a Deus o seu perdão, prometendo-lhe não tornar a
pecar. Durante o dia pensareis muitas vezes que Deus vos perdoou,
que a vossa alma está branquinha e que não deveis manchá-la.
Oração de uma criança pelos pecadores.
É bom ensinar às crianças a rezarem pelos pecadores. É um
excelente hábito de caridade fraternal.
O catequista poderá rezar com as crianças a oração seguinte:
217
Bom Jesus, sei que dissestes: “Eu vim ao mundo para salvar as
almas dos pecadores” e que por eles morrestes na cruz. Meu Jesus, há
homens que não vos amam e que não querem vos obedecer. Fazei
com que eles detestem os seus pecados, e, arrependidos, vos peçam
perdão. Bom Jesus, perdoai aos pecadores.
Aprender de cor o “Eu pecador, me confesso a Deus...”
Lição: Que é a contrição?
Que é a confissão?
Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
família):
1. Habituar as crianças a fazerem todas as noites o exame de
consciência, seguido do ato de contrição.
2. Habituar as crianças a fazerem espontaneamente alguns atos
de penitência.
3. Não fazer da confissão um suplício, nada de exageros.
4. Ver que a criança, em cada confissão, tome alguma
resolução, verificando quanto tempo a cumpre. Só chamar-lhe a
atenção para uma falta de cada vez.
5. Procurar todos os meios para inspirar-lhe confiança no
confessor.
6. Habituar as crianças a rezarem pelos pecadores.

218
XVIII. A EUCARISTIA. JESUS ESTÁ CONOSCO
Pequeno resumo da lição precedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças.
Podemos sempre pedir perdão a Deus. O bom Jesus procura as
almas dos pecadores como o pastor uma ovelha perdida. Para nos
mostrar o que devemos fazer para sermos perdoados, Jesus nos
contou a história do filho pródigo. Depois de ter abandonado seu
pai, foi obrigado a guardar porcos. Arrependeu-se de suas faltas, foi
procurar o pai, confessou-lhe os pecados e recebeu o perdão. Deus
nos perdoa como o pai do filho pródigo perdoou ao filho Jesus
concedeu aos apóstolos e aos sacerdotes o poder de perdoar os
pecados.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
Chegamos ao capitulo da Eucaristia, depois de termos tornado
a pessoa de Jesus, não só familiar, como também querida às nossas
crianças.
A sua fé neste Jesus, que faz milagres, é grande. É a fé confiante
de uma criança. Como havemos de falar-lhes sobre a Eucaristia? Não
será, com certeza, explicando de cor as fórmulas do catecismo. Isso
ficará para mais tarde. Vamos continuar simplesmente a nossa
formação, fazendo a criança entrar em conhecimento com Jesus
Eucaristia pelos sentidos e pelo coração.
Que ninguém se admire do laconismo dessas notas mas,
admitindo certa formação religiosa, elas permitem à criança
experimentar pessoalmente a doçura inefável da Eucaristia, antes de

219
conhecer cientificamente a sua definição.
Como dizia o Padre Derely, fundador da Cruzada Eucarística,
a criança chega a ver “na Eucaristia, não alguma coisa, mas alguém!”
Queremos nos inspirar neste ponto de vista, não só na
exposição da doutrina, como na parte ativa na explicação que se
segue.
II. EXPLICAÇÃO
Material: Preparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
Um crucifixo; - quadro representando a multiplicação dos pães;
- mapa da Palestina; - quadro de Jesus lavando os pés dos apóstolos; -
quadro de Jesus na última Ceia; - quadro representando a elevação; -
partes litúrgicas em que sobressaiam objetos que servem na
Eucaristia.
Preparação do auditório: Depois da oração, feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou mesa
e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim. Após
um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei a falar
lentamente.
Desperto a atenção:
l. Sabeis porque veio ao mundo o Filho de Deus, tomando um
corpo semelhante ao nosso? Para sofrer por nós e expiar os nossos
pecados. Vede este crucifixo.
Mostro às crianças um crucifixo.
220
Em breve vou contar-vos a história tristíssima da morte de
Jesus. Morreu pregado numa cruz! Oh! por que não ficou sempre
conosco? Meus filhos, eu vou contar-vos o belo meio que Jesus achou
para ficar sempre conosco, depois da sua morte... Jesus amava
muitíssimo a seus apóstolos e a todos os homens, por isso não queria
deixá-los, e também para poder pedir sempre a seu Pai por eles,
dizendo: “Meu Pai, perdoai-lhes, sou eu, vosso Filho, quem vos
pede”.
Repeti comigo: Jesus queria ficar sempre com os homens.
Querendo ficar com eles, na véspera de sua morte fez o que
havia prometido. Mas o que prometeu? Escutai esta história:
Tendo Jesus se retirado para um lugar muito longe, muito
deserto, os judeus, maravilhados com os seus milagres, deixaram
tudo e o seguiram para ouvir a sua palavra. Entretanto, declinava o
dia, e os apóstolos aproximaram-se de Jesus e disseram: “Mestre, aqui
não há nada para comer, é preciso mandar embora essa gente”. “Não,
retorquiu Jesus, não há necessidade de se irem, podem ficar aqui e
dar-lhes-ei o que comer”. Ouvindo isto, lançando os olhos à imensa
multidão, Filipe disse: “Como havemos de arranjar pão para tanta
gente? só temos 5 pães de cevada e dois peixes, e que é isso para 5.000
pessoas?” Mas Jesus pode tudo o que quer, porque é Deus, e Deus
faz o que os homens não podem fazer. Então disse Jesus: “Mandai
sentar esse povo”, e tomando os cinco pães e os dois peixes, mandou
que os discípulos os distribuíssem pelos grupos de pessoas. Todos
comeram à vontade e quando as 5.000 pessoas se fartaram, ainda
sobraram 12 cestas cheias de pão.
Mostro o quadro da multiplicação dos pães.
221
Repeti comigo: Jesus alimentou 5.000 pessoas com 5 pães.
Vendo isto, os judeus queriam proclamá-lo rei, mas Jesus fugiu
para a montanha.
2. No dia seguinte, o povo que fora alimentado
milagrosamente, vendo que Jesus se havia retirado, foi à sua procura
até que o encontrou na sinagoga. Então Jesus disse: “Vós me
procurais porque comestes o pão no deserto, mas breve vos darei o
verdadeiro pão descido do céu, meu corpo e meu sangue”.
Discutiram os judeus entre si: Que disse ele? Como pode dar-nos a
comer sua carne? é impossível! Se eu vos dissesse que ia vos dar o
meu corpo, poderíeis dizer: é impossível, um homem não pode fazer
isso, mas Deus pode tudo o que quer. Desde esse dia, muitos de seus
discípulos se afastaram, e Jesus ficou só com os doze apóstolos.
Repeti comigo: Jesus disse à multidão que o seguia, que breve
dar-lhes-ia a comer seu corpo e seu sangue.
Os apóstolos também não compreendiam como Jesus poderia
fazer isso, mas diziam consigo: “Jesus pode tudo, cremos e
reconhecemos que ele é o Filho de Deus”.
Às vezes pensavam na promessa de Jesus, sem conseguir
compreendê-la. Mas esperavam...
Repeti comigo: Os apóstolos não compreenderam o que Jesus
havia dito, mas creram que dizia a verdade.
3. Era a quinta-feira santa. No dia seguinte, sexta-feira, Jesus
devia morrer na cruz. Os chefes dos judeus haviam deliberado
mandar matá-lo; reunidos na residência do sumo sacerdote,
combinavam o melhor modo de prendê-lo, sem que o povo soubesse.
222
Nisto, um apóstolo perverso e mau, chamado Judas, compareceu
pessoalmente apresentando-se aos inimigos de Jesus, perguntou:
“Quanto me pagareis, se eu vos entregar Jesus?” Ouvistes? Um
apóstolo, tentado pelo demônio e por amor ao dinheiro, ia vender
seu Mestre! Jesus sabia disto, então resolveu cumprir nesse dia a
promessa que fizera de dar o seu corpo aos homens.
Repeti comigo: Jesus quis cumprir a promessa de dar sempre
o seu corpo aos homens.
E escolheu um meio lindo para ficar sempre conosco...
Mandou adiante Pedro e João, para prepararem a sala onde deveria,
com seus apóstolos, fazer a sua última ceia, dizendo-lhes: “Ide à
cidade, quando encontrardes um homem carregando um moringue
com água, segui-o e entrai onde ele entrar. Então perguntareis ao da
casa em que sala poderei cear com os discípulos. Ele vos mostrará
uma sala toda ornada com tapetes e nela prepareis o necessário para
a cerimônia”. OS apóstolos partiram e fizeram tudo como Jesus lhes
havia ordenado.
Repeti comigo: Jesus mandou Pedro e João a Jerusalém, a fim
de prepararem a sala para a última ceia.
Logo depois, chegou Jesus com os outros apóstolos. Antes de
começar a comer, Jesus despiu a túnica, tomou uma toalha, uma
bacia com água e, aproximando-se de seus apóstolos, entre os quais
estava Judas, começou a lavar-lhes os pés. Quando chegou a vez de
Pedro, este protestou, dizendo: “Senhor, isto não, não admito que
meu bom Mestre me lave os pés”. Mas Jesus disse: “Se eu não te lavar
os pés, não entrarás comigo no céu”. Então Pedro não relutou mais.

223
Mostro o quadro de Jesus lavando os pés dos apóstolos.
Jesus lhes deu esse exemplo, para mostrar que uns devem servir
aos outros e também que, para recebê-lo, devem ter a alma limpa,
isto é, sem pecado.
Repeti comigo: Antes da ceia, Jesus lavou os pés de seus
apóstolos.
4. Sentaram-se todos em redor da mesa. Ao lado de Jesus ficou
o apóstolo João, e do lugar onde estava, o divino Mestre podia
facilmente falar a Judas, que o havia de trair. Durante a ceia ele disse,
com tristeza: “Um de vós me há de trair”. Os apóstolos olharam uns
para os outros e lhe perguntaram: “Sou eu?... Sou eu?...” Judas, para
não dar na vista, também perguntou: “Sou eu? Jesus, baixinho, lhe
respondeu: “Sim”, mas tão baixo que os outros apóstolos o não
ouviram. João, que estava ao lado de Jesus, deitou a cabeça no seu
ombro. Pedro fez-lhe um sinal para que perguntasse quem era o
traidor: “Quem é, Senhor?” “É aquele a quem eu der um pedaço de
pão molhado”, respondeu Jesus. E logo molhou um pedaço de pão
que deu a Judas, dizendo: “Faze depressa o que tens de fazer”.
Como era Judas que guardava o dinheiro, os outros pensaram
que se tratasse de alguma comissão, mas, na realidade, ele saiu para
ir à casa dos chefes dos judeus.
Repeti comigo: Jesus sentou-se à mesa com seus apóstolos.
Durante a ceia, disse que Judas o trairia. Judas correu à casa dos
inimigos de Jesus.
No fim da ceia, Jesus tomou o pão que estava na mesa, ergueu
os olhos ao céu para dar graças. Depois deu-o e partiu-o em diversos
224
pedacinhos, que deu a cada um de seus apóstolos, dizendo: “Tomai
e comei, isto é meu corpo...” Os apóstolos nada disseram, mas
olharam para Jesus... Que estava fazendo?
Mostro o quadro de Jesus na última ceia.
Outrora Jesus havia feito uma promessa, dizendo: “O pão que
eu vos darei será o meu corpo”. Hoje cumpria a promessa, dando a
cada um de seus apóstolos aquele pedacinho de pão: “Tomai e comei,
isto é meu corpo...” acabava de transformar o pão no seu corpo. O
que se via parecia pão, mas já não era mais pão e sim o seu corpo...
o corpo de Jesus. Os apóstolos viam as aparências do pão, mas
pensavam “Jesus pode tudo e não nos engana...” logo, é o seu corpo
que está em lugar do pão”. Tomaram o corpo de Jesus, apresentado
por ele próprio, e pela primeira vez o comeram, fizeram a primeira
comunhão. Em seguida, Jesus tomou o cálice com vinho, benzeu-o e
deu-o a seus apóstolos, dizendo ao mesmo tempo: “Tomai e bebei,
isto é meu sangue, que será derramado para a remissão dos pecados”.
Os apóstolos beberam, mas não mais o vinho e sim o sangue Jesus,
como ele acabara de dizer.
Repeti comigo: No fim da ceia, Jesus mudou o pão em seu
corpo e o vinho em seu sangue e a deu-os a seus apóstolos.
Os apóstolos já não pensavam mais em como Jesus poderia dar
o seu corpo como alimento, pois acabavam de ver o que ele havia
feito e, mais ainda, tinham recebido o corpo de Jesus, que repousava
em seus corações.
Viam-no ao seu lado e sabiam que ao mesmo tempo estava em
seus corações... Oh! como se sentiam felizes... Não diziam nada...

225
rezavam em silêncio...
Ma Jesus não queria dar só aos apóstolos, tinha vindo ao
mundo para todos os homens. Para vos também, meus meninos?
Como havia de ser?
Não podia ficar sempre no mundo e fazer com cada um de nós
o que havia feito com seus apóstolos, porque tinha de morrer,
ressuscitar e depois subir ao céu. Como então se poderia dar a todos
os homens... a vós, por exemplo, que ainda não tínheis nascido?
Jesus viu que seus apóstolos tinham compreendido bem o que
ele havia feito, então acrescentou: “Fazei isto em memória de mim”,
isto é, quando eu não estiver mais convosco, tomareis o pão e direis:
“Isto é meu corpo” e imediatamente o pão será transformado em
meu corpo e eu ficarei presente, como agora. O mesmo fareis com o
vinho. Esse poder transmitireis aos sacerdotes, que depois de dizerem
essas palavras me guardarão nas igrejas e me darão a todos os que me
procurarem.
O meu desejo é ficar sempre com os homens, escondido na
hóstia, esperando os que quiserem me falar; eu os atenderei e lhes
responderei no fundo de seus corações.
Repeti comigo: Jesus deu a seus apóstolos, e aos padres, o
poder de mudar o pão em seu corpo e o vinho em seu sangue.
Os apóstolos compreenderam o que Jesus lhes disse. E quando
o divino Mestre os deixou, eles tomaram o pão, benzeram-no, deram
graças a Deus e, em obediência a Jesus, disseram: “Isto é meu corpo,
isto é meu sangue”.
No mesmo instante Jesus desceu às suas mãos, vivo como está
226
no céu...
O que os apóstolos fizeram, os sacerdotes o fazem todos os dias,
na missa, e quando dizem, inclinados sobre o pão que chamamos
hóstia: “Isto é meu corpo”, é o próprio Jesus que muda esse pão em
seu corpo, como fez na última ceia.
Agora sabeis o que o sacerdote faz na missa.
Reparai na hora em que eleva a hóstia... é no momento em que
o sacristão toca a campainha três vezes. Nessa hora já o pão se
transformou no corpo de Jesus. Esta parte da missa se chama
elevação.
Apresento um quadro representando a elevação.
Repeti comigo: É na missa que o sacerdote muda o pão e o
vinho no corpo e no sangue de Jesus.
6. Quando Jesus está presente no altar, faz o que fazia na cruz,
pede a seu Pai por todos os homens e lhe diz: E quis morrer para
apagar os pecados, perdoai a todos os homens. Eis por que nos altares
há sempre um crucifixo, que lembra a morte de Jesus.
Chega um momento em que o sacerdote toma a hóstia e a
consome. É o momento da comunhão.
Depois que o sacerdote recebeu Jesus, dá-o aos que desejam
recebê-lo e não têm pecado. Já vistes algum padre dar a comunhão
durante a missa?
Os fiéis se levantam de seus lugares e se dirigem lentamente,
com a cabeça baixa e mãos postas, para a mesa da comunhão, diante
da qual fazem uma genuflexão. De pois se ajoelham, levantam a
227
cabeça, abrem a boca e estendem um pouco a língua.
Enquanto isto, já o sacerdote abriu o pequeno armário que está
no altar, e que se chama tabernáculo, tirou de dentro um lindo cálice
de ouro, chamado cibório, tirou-lhe a tampa.
Naquele cálice de ouro está Jesus, naquelas pequenas hóstias.
O sacerdote, que já se aproximou dos que querem comungar, tira do
cibório uma pequena hóstia branca e a deposita na língua dos que
estão na mesa sagrada dizendo: o corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo
guarde a tua alma para a vida eterna. Amém.
Apresento o quadro do sacerdote dando a comunhão.
Todos recebem Jesus. Levantam-se, fazem a genuflexão e voltam
aos seus lugares. Então rezam: “Creio que estais presente em meu
coração, sei que sois o Menino Jesus, que nascestes em Belém, que
vivestes em Nazaré, que ensinastes aos apóstolos e que morrestes na
cruz. Creio que sois Jesus, o Filho da Virgem Maria e Filho de Deus.
Amo-vos de todo o meu coração”. E, realmente, é Nosso Senhor
Jesus Cristo, vivo como outrora, quando acariciava as criancinhas.
Repeti comigo: Jesus, o filho da Virgem Maria, - o Filho de
Deus - está presente na hóstia, vivo como outrora quando acariciava
as criancinhas.
Meus caros filhos, alguns dentre vós já tiveram a felicidade de
receber Jesus na Eucaristia, ele vos chama a todos e deseja vir aos
vossos coraçõezinhos o mais depressa possível.
Dizei comigo: Jesus, desejo receber-vos.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas,

228
por isso interrogo:
1. Para que veio ao mundo o Filho de Deus? Como morreu
Jesus? Jesus quis ficar sempre entre os homens? Quantas pessoas
seguiram Jesus no deserto? Que disseram os apóstolos a Jesus,
quando caiu a noite? Que respondeu Jesus? Quantos pães e quantos
peixes tinham os apóstolos? Um homem teria podido alimentar toda
aquela gente com tão pouca coisa? E Deus o podia? Que distribuíram
os apóstolos, quando todas as pessoas se sentaram? Quantos pedaços
de pão podia comer cada um? Havia bastante pão? Quanto sobrou?
Por que Jesus fugiu para a montanha depois deste milagre?
2. A multidão o encontrou no dia seguinte? Que lhe disse Jesus
Que prometeu? Um homem podia ter prometido o que Jesus
prometeu? Jesus é somente homem? Que pensaram os judeus,
ouvindo Jesus dizer que lhes daria seu corpo? Que pensaram os
apóstolos?
Em que dia Jesus devia morrer? Ele sabia? O povo amava-o?
Havia judeus que não gostavam de Jesus? Como se chama o apóstolo
que traiu Jesus? A quem foi procurar? Que pediu para entregar Jesus?
Sabia Jesus o que Judas queria fazer? Em que dia resolveu Jesus
cumprir a promessa que havia feito de dar o seu corpo? Para onde
mandou ele João e Pedro? A quem deviam seguir? Que deviam
preparar? Onde prepararam a última ceia? Que fez Jesus antes da
ceia? Pedro consentiu que Jesus lhe lavasse os pés? Lavou também os
pés de Judas? Que quis Jesus nos ensinar, lavando os pés dos
apóstolos?
4. Quem ficava ao lado de Jesus na mesa? Podia Jesus do seu
lugar comunicar-se com Judas? Por que se entristeceu Jesus? Que
229
disse? Que disseram os apóstolos? E Judas, disse alguma coisa? Como
lhe respondeu Jesus? Baixinho ou alto? Que apóstolo descansou a
cabeça no coração de Jesus? Que pediu Pedro a João? Que disse João
a Jesus? Que lhe respondeu este? Que deu Jesus a Judas e que lhe
disse? Para onde foi Judas, quando saiu? Que pensaram os apóstolos,
quando viram Judas sair? Que tomou Jesus nas suas mãos? Que fez
com esse pão? Que disse, ao dar um pedaço a cada apóstolo? Que
acabara de fazer? Os apóstolos viam outra coisa além das espécies do
pão? Por que acreditaram que era verdadeiramente o corpo de Jesus?
Que fizeram do pedaço de pão transformado no corpo de Jesus? Que
fez Jesus depois disto? Que disse, quando apresentou o cálice a seus
apóstolos? Que beberam os apóstolos?
5. Por que os apóstolos se sentiram felizes? Queria Jesus se dar
aos apóstolos? A quem mais? Jesus pensava em vós? Que disse Jesus
aos apóstolos para lhes dar o poder de transformar o pão e o vinho
em seu corpo e em seu sangue? A quem conferiu ele este poder?
Quando os sacerdotes dizem as palavras de Jesus, fica ele logo
presente na hóstia? É ele tão vivo como em Belém, em Nazaré, em
Jerusalém? Como se chama o pão transformado no corpo de Nosso
Senhor?
6. Que diz Jesus a seu Pai, quando está presente no altar? Como
se chama a parte da missa em que o sacerdote eleva a hóstia? Que faz
o sacerdote na missa? De pois da mudança da hóstia no corpo de
Senhor, que faz o sacerdote? Em que momento os fiéis recebem
Jesus? Como se apresentam à mesa da comunhão? Onde guarda o
sacerdote o cálice que contém o corpo de Nosso Senhor? Tereis a
felicidade de comungar?

230
III. EXERCÍCIO PRÁTICO
1. Coloco bem à vista das crianças o quadro da última ceia.
Olhai bem este quadro. O que faz Jesus? Que havia prometido
aos apóstolos? Baixai a cabeça e prestai bem atenção ao que ides
repetir comigo: “Jesus toma o pão, parte-o em pequenos pedaços e o
da a seus apóstolos, dizendo: Isto é meu corpo. Depois toma o cálice
com vinho mostra-o a seus apóstolos e diz: Isto é meu sangue”. Os
apóstolos acreditaram logo na transformação do pão e do vinho no
corpo e sangue de Jesus, porque sabiam que ele era o Filho de Deus,
e que podia fazer tudo o que quisesse. Dizei baixinho: “Jesus, creio
que mudastes verdadeiramente o pão no vosso corpo e o vinho no
vosso sangue”.
2. Jesus queria ficar sempre entre os homens, por isso mandou
que seus apóstolos fizessem todos os dias essa mudança do pão no
seu corpo e do vinho no seu sangue, dizendo: “Fazei isto em memória
de mim”. É o mesmo que dizer: eu vos mando tomar o pão e o vinho
e em meu lugar pronunciar as palavras: isto é meu corpo, isto é meu
sangue. E agora, quem tem o poder de dizer essas palavras? Os
sacerdotes. Baixai a cabeça e dizei baixinho: “Jesus, eu vos agradeço
terdes transmitido aos sacerdotes o poder de mudar o pão e o vinho
no vosso corpo e sangue”.
3. Imaginai agora que estais na igreja... ao vosso lado está a
vossa mãe, que vos manda ajoelhar... Ouvis a campainha do
sacristão... olhais para o altar e vedes o sacerdote levantando uma
grande hóstia... depois o cálice... O sacerdote disse, em lugar de Jesus:
Isto é meu corpo, isto é meu sangue, e no mesmo instante operou-se
a mudança do pão no corpo e do vinho no sangue de Jesus. Agora é
231
o próprio Jesus que está no altar. Dizei comigo: “Jesus, creio que
desceis ao altar quando o sacerdote: Isto é meu corpo, isto é meu
sangue”.
4. Imaginai agora o Menino Jesus no presépio... na escola... na
família... estava vivo e rezava sempre... Pensai em Jesus entre as
crianças... restituindo a vida à filha de Jairo e ao jovem de Naim...
curando doentes... falando à multidão... estava vivo e mostrava que
era o Filho de Deus. Agora pensai em Jesus, presente no altar depois
que o sacerdote, inclinando sobre o pão e o vinho, pronunciou as
palavras de Jesus: isto é meu corpo, isto é meu sangue. Este Jesus é o
Filho da Virgem Maria, é o Filho de Deus, está vivo, ouve e pode
fazer tudo o que quiser.
Repeti comigo: “Jesus, que estais presente no altar, creio que
sois o Jesus, Filho de Deus, Filho da Virgem Maria”.
5. Vede este quadro de Jesus com seus apóstolos... Depois de
ter dito: Isto é meu corpo, isto é meu sangue, apresenta-os a seus
apóstolos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo... Tomai e
bebei, isto é meu sangue. Que fizeram os apóstolos? Tomaram o
corpo e o comeram, tomaram o sangue e o beberam... e assim
receberam Jesus em seus corações. Baixai a cabeça, fechai os olhos e
imaginai que estais na igreja: Vede homens, mulheres e crianças
adiantarem-se lentamente para o altar e aí se ajoelharem. O sacerdote
que está no altar abre a porta do tabernáculo, tira de dentro o cálice
de ouro chamado cibório, faz uma genuflexão, e, voltando-se desce
os degraus, aproxima-se da mesa sagrada e deposita na língua das
pessoas que estão de joelhos uma pequena hóstia branca. Que é esta
hostiazinha? É o corpo de Jesus, Filho de Deus, Filho da Virgem
232
Maria. Essas pessoas receberam em seus corações o bom Jesus.
Repeti comigo: “Bom Jesus, desejo receber-vos breve em meu
coração... amo-vos, meu Jesus... vinde depressa em meu coração”.
6. Imaginai que chegou a vossa vez de comungar... Deixais o
vosso lugar... de cabeça baixa e mãos postas vos dirigis para a mesa
da comunhão... faze is a genuflexão... e vos ajoelhais... O sacerdote
desce os degraus do altar... trazendo nas mãos o cibório... Toma uma
hóstia... abris a boca e o sacerdote deposita na vossa língua aquela
hostiazinha. Recebestes em vosso coração Jesus, vosso amigo, o Filho
de Deus.
Dizei a Jesus: “Obrigado, Jesus, eu vos amo de todo o meu
coração e vos guardarei sempre comigo”
Ensino às crianças o nome dos vasos sagrados e dos objetos que
servem na Eucaristia.
Desenho no quadro um cibório, um cálice, uma hóstia grande,
hóstias pequeninas, um ostensório, e mando as crianças
reproduzirem esses desenhos numa lousa. Ou distribuo folhas de
papel com desenhos ponteados e mando as crianças traçar os
contornos com lápis. Ou então mando colorir esses desenhos. Este
exercício deve ser precedido da explicação dos diferentes objetos. Dar
às crianças gravuras onde tenham pintados os diversos objetos que
servem no altar, e, depois de ter explicado um por um, mando as
crianças apontarem o cibório, o cálice. Este exercício agrada muito
às crianças.
Uma lição de coisas religiosas.
Mostrar às crianças os vasos sagrados. Reunir as crianças diante
233
do altar e mostrar-lhes o tabernáculo onde Jesus está presente.
Mostrar a pequena lâmpada que fica sempre acesa, dizendo-lhes que
é ela que mostra onde Jesus está presente. Explicar que se deve fazer
uma genuflexão diante do altar onde está Jesus. Mandar as crianças
e fazerem uma genuflexão. Mostrar o turíbulo, o incenso e dizer para
que servem. Chamar a atenção para a cerimônia do incenso na
bênção do Santíssimo Sacramento. Falar sobre o altar. O altar tem a
forma de uma mesa (representa a mesa da última ceia, antigamente
diziam a missa nos túmulos dos mártires. Na pedra do deve haver
relíquias). Se for possível ir à igreja, pode-se dar esta lição
apresentando imagens. Mandar as crianças irem à igreja para ver o
tabernáculo e a lâmpada do sacrário, recomendando-lhes que façam
de joelhos, diante do altar, uma oração a Jesus. Que não se esqueçam,
na hora da elevação, na missa, que Jesus está realmente presente.
Na lição seguinte perguntar:
Quem foi à igreja ver o tabernáculo e a lâmpada? Quem fez uma
oração a Jesus diante do altar?
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
Ato de fé de uma criança
Bom Jesus, quisestes ficar sempre com os vossos apóstolos.
Quisestes também ficar sempre conosco. Bom Jesus, estais conosco
na hóstia, vivo como outrora, em Belém, em Nazaré e em Jerusalém.
Estais vivo no tabernáculo como no céu. Jesus está no tabernáculo e
ao mesmo tempo no céu. Meu Jesus, posso falar convosco sem ver-
vos. As vezes falo com a minha mamãe sem vê-la. Quando estou no
jardim, e ela em cima, no seu quarto, eu grito o que quero e sou

234
ouvido. Bom Jesus, não vos vejo, mas sei que me ouvis na hóstia onde
estais, e que podeis tudo o que quiserdes.
Ato de amor e de desejo de uma criança.
Meu Jesus, eu vos amo. Meu Jesus, desejo receber-vos. Bom
Jesus, sei que outrora vos aprazíeis entre as crianças. Vós as apertáveis
contra o vosso coração e as abraçáveis. E elas vos amam e procuram
ver-vos. Eu sou pequenino, Jesus, mas já vos conheço, e venho vos
dizer que vos amo. Bom Jesus, desejo ir a vossos braços, bem perto
de vos. Quando vos receber em meu coração, quero sentir vossa
caricia como a de mamãe. Bom Jesus, quisera receber-vos hoje
mesmo. Vou ficar bem bonzinho e obediente para que breve vos
possa receber.
Para comungar
João, Maria e Pedro, três crianças de 6, 7 e 8 anos, vieram me
procurar e me disseram: “Vamos comungar amanhã, falai-nos sobre
Jesus na Eucaristia”.
Ouvi o que lhes disse: Fazeis bem em comungar. Jesus deseja
que todas as crianças capazes de compreender que ele está presente
na Eucaristia, o recebam. Acreditais que Jesus está presente na
hóstia?
João, Maria e Pedro me responderam ao mesmo tempo:
“Sabemos que Jesus está na hóstia, vivo como no céu”.
Deveis receber a Jesus, é o alimento da vossa alma.
Tendes necessidade de comer todos os dias, para que o vosso
corpo tenha forças e não adoeça. Pois bem, a alma tem necessidade

235
de Jesus na Eucaristia, que é o seu alimento.
Pedis para comungar muitas vezes... Outrora havia muitas
crianças que gostavam muito de se aproximar de Jesus... João, Maria
e Pedro me disseram juntos: “Nós também queremos receber Jesus
muitas vezes”.
Mas, para receber Jesus, é preciso preparar a alma. Quando a
mamãe pretende receber alguém, prepara a casa: manda limpar e pôr
tudo em ordem, enfeitar com flores, de modo que fica limpa e
bonita.
Vossa alma é como um pequeno quarto do qual se deve tirar o
pó e as manchas: os pecados. Lava-se uma alma, pedindo perdão ao
padre, na confissão.
Maria, Pedro e João me disseram: “Iremos confessar todos os
nossos pecados ao padre”.
Com que flores enfeitareis vossa alma? As flores prediletas de
Jesus são: rosas e lírios... A flor de vosso amor será como uma bela
rosa. Direis a Jesus: “Eu vos amo de todo o meu coração e vos amarei
sempre”. - Essa oração é a rosa perfumada. Direis ainda a Jesus: “Eu
vos dou minha alma toda branca, sem nenhuma mancha e sem
pecados”. Eis o lírio que ofereceis a Jesus.
Dareis ainda a Jesus as lindas florezinhas vermelhas, flores dos
sacrifícios, sendo obedientes a vossos pais, estudiosos e bons para os
vossos companheiros.
João, Maria e Pedro me disseram, juntos: “Oferecemos a Jesus
o nosso amor, a nossa alma sem mancha e muitos sacrifícios”.

236
Então acrescentei: Para comungar, é preciso ficar em jejum, isto
é, desde a meia-noite não comer mais coisa alguma. E de manhã,
quando vos levantardes, não deveis tomar nem um pouquinho de
café, nem uma balinha, nada, nada... Jesus, alimento de vossa alma,
deve passar antes do alimento do corpo. João, Maria e Pedro me
disseram: “Não tomaremos coisa alguma de manhã, antes de
comungarmos”.
O catequista pode interrogar depois as crianças:
Por que João, Maria e Pedro queriam comungar?
Que iam eles oferecer a Jesus?
As resoluções de uma criança
Jesus está no tabernáculo, na igreja. Está vivo, não dorme, está
sempre acordado e reza por nós.
Espera-nos e fica contente quando entramos na igreja para
saudá-lo e para conversarmos com ele. Sempre nos ouve.
Quando passar por uma igreja, pensarei em Jesus, que está no
tabernáculo.
Entrarei muitas vezes na igreja, para saudar Jesus. Farei bem a
genuflexão.
Pensarei muitas vezes nele durante o dia e à noite, e, antes de
me deitar, oferecer-lhe-ei todos os meus sacrifícios.
Comungarei muitas vezes.
Lição: 1. Que é a Eucaristia?
2. Que é comungar?
237
Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
família):
1. Todos os catequistas devem se lembrar que têm obrigação de
preparar para a comunhão as crianças que já tenham atingido à idade
da razão.
2. Todas as práticas de devoção à Eucaristia, dadas nos grupos
da Cruzada Eucarística, devem ser marcadas e observadas.
3. Aproveitar todas as oportunidades para incutir uma sólida
devoção à Eucaristia; explicar o sentido da festa do Santíssimo
Sacramento, as procissões, as bênçãos do Santíssimo.
4. Colocar as crianças na igreja de modo que possam seguir
todos os movimentos do padre durante a missa. Avisá-las quando
chegar o momento da consagração e da elevação.
5. Observar o modo como procedem na igreja e se fazem a
genuflexão diante do tabernáculo. Dar o exemplo nestes pontos.
6. Quando entrar na igreja, dizer às crianças “Jesus está ali, no
tabernáculo”. E quando o sacerdote estiver dando a comunhão,
mandar as crianças olharem a hóstia.
7. No dia em que a criança tiver comungado, despertar-lhe
muitas vezes a lembrança da comunhão e exigir-lhe mais sacrifícios.

238
XIX. JESUS SOFRE E MORRE POR NÓS
Pequeno resumo da lição precedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as Crianças.
Jesus queria ficar sempre com os homens. Depois do milagre
da multiplicação dos pães, ele anunciou aos homens que lhes daria
como alimento o seu corpo e o seu sangue. Os apóstolos não podiam
compreender como isto seria possível; mas acreditaram que Jesus
dizia a verdade. Na quinta-feira santa quis Jesus cumprir a promessa.
Mandou Pedro e João a Jerusalém prepararem a sala para a sua última
ceia. Antes da ceia, lavou os pés dos apóstolos. Durante a ceia disse
que Judas o trairia este saiu logo à procura dos inimigos de Jesus. No
fim da ceia Jesus mudou o pão em seu corpo e o vinho em seu sangue.
Em seguida, deu aos apóstolos e aos padres esse poder de mudar o
pão e o vinho em seu corpo e sangue. Naquele dia, os apóstolos
fizeram a sua primeira comunhão. É na missa que o sacerdote muda
o pão e o vinho no corpo e no sangue de Jesus. O sacerdote da
também aos fiéis o corpo de Jesus.
I. MEMENTO DO CATEQUISTA
Chegamos ao mistério da redenção, isto é, à história da paixão,
que contaremos por inteiro. E uma lição longa, mas pode ser dividida
em diversas seções. E muito importante, porque mostra
sensivelmente às crianças o amor de Jesus por nós, estimulando-as a
fazer um ato de caridade. Esta história ficará gravada na memória das
criancinhas, mas é preciso prestar atenção para que não ponham em
ação somente a sensibilidade, mas também a vontade: Não pecar, tal
é a resolução que cada criança deve tomar.

239
Há muitas coisas neste capítulo, não podemos indicá-las todas,
destacaremos somente algumas, deixando aos catequistas o cuidado
de ver as que mais convêm à formação cristã de suas crianças.
II. EXPLICAÇÃO
Material: Preparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
Quadro representando a agonia de Jesus no jardim das
Oliveiras; - prisão de Jesus; - Jesus diante do Caifás; - Pedro negando
a Jesus; - morte de Judas; - a flagelação; - Jesus carregando a cruz; -
encontro de Jesus com sua mãe; - Jesus crucificado; - levantamento
da cruz; - Jesus é sepultado.
Preparação do auditório: Depois da oração feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei as minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou a
mesa e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim.
Após um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei
a falar lentamente.
Desperto a atenção:
Sabeis o que é sofrer. Provavelmente, já tivestes dor de cabeça,
dor de dentes ou então já levastes algum tombo ou destes algum
esbarro. Por isso, quando vedes alguém sofrendo uma dor, tendes
pena e procurais aliviar seu sofrimento.
1. Pois bem, com Jesus, coitado, não se deu isso. Seus amigos,
pelo contrário, procuravam prolongar seus sofrimentos, antes de
mandar matá-lo. Por quê? Porque Jesus havia dito que era o Filho de
Deus e porque fazia milagres. Havia muito pouco tempo que Jesus
240
tinha ressuscitado seu amigo Lázaro, enterrado havia quatro dias.
O catequista pode contar brevemente este milagre.
Este milagre despertou grande interesse no povo. Por isso,
quando souberam da vinda de Jesus a Jerusalém, os habitantes da
cidade foram ao seu encontro, e estendiam seus mantos pelo
caminho, cortavam ramos de árvores e palmeiras, com que
atapetavam as estradas. E assim encontrou Jesus na cidade, montado
numa jumenta, ovacionado por uma grande multidão de gente, que
clamava: “Hosana ao filho de David, bendito o que vem em nome
do Senhor”. As crianças gritavam com mais entusiasmo que os
outros. Era o triunfo de Jesus. Mas os maus não estavam contentes,
e diziam consigo: “É preciso que este homem desapareça. Todo o
mundo corre atrás dele. Deve morrer”.
Pobre Jesus, bem sabia que ia morrer!
Repeti comigo: os maus judeus tinham decidido matar Jesus,
porque ele tinha dito que era o Filho de Deus.
Na quinta-feira santa, às nove horas da noite, mais ou menos,
Jesus saiu com seus discípulos da sala onde havia feito a sua última
ceia e onde havia dado o seu corpo e o seu sangue. Já começava a
escurecer quando Jesus dirigiu para um grande jardim, onde ia
sempre rezar - o jardim das Oliveiras. Judas o mau apóstolo conhecia
muito bem aquele lugar, pois tinha ido ali muitas vezes com Jesus.
Oito dos seus discípulos ficaram na entrada do jardim. E foram com
Jesus Pedro, Tiago e João. Os três discípulos deitaram-se para
descansar, e Jesus se afastou para rezar.
Começou então a invadi-lo uma tristeza infinita, uma angústia
241
tão profunda, que não pôde deixar de dizer: “Minha alma está triste
até à morte”. Que tinha, pois, Jesus? Seria medo de morrer? Não, ele
tinha vindo ao mundo para sofrer e morrer por todos os homens; o
que o amedrontava, porém, era ver os pecados de todos os homens
os já cometidos e os que se iam cometer ainda! Era por esses pecados
todos que ia sofrer! Prostrou-se, pois, com a face em terra e suplicou:
“Meu Pai, se é possível, afastai de mim este cálice, todavia, seja feita
a vossa vontade”. Sentiu-se tão triste que foi ter com seus discípulos,
mas encontrou-os a dormir. Despertou-os e lhes disse: “Orai
comigo”. Retirou-se de novo e dirigiu a mesma súplica a seu Pai.
Voltando para junto de seus discípulos encontrou-os outra vez
dormindo. Então deixou-os e foi terceira vez, repetindo as mesmas
palavras. Teve a visão de todos os pecados que iam ser a causa de sua
morte, desde o pecado de Adão até os últimos pecados que seriam
cometidos no mundo... os meus... os vossos... os de todos os homens,
enfim. Sobreveio-lhe então uma angústia de morte, e um suor como
gotas de sangue saia-lhe do corpo, e Jesus caiu por terra. Então
apareceu-lhe um anjo do céu para confortá-lo.
Mostro o quadro da agonia de Jesus no jardim das Oliveiras.
Depois, Jesus levantou-se e, voltando aos discípulos, disse-lhes:
Eis que chegou a hora em que vou ser entregue às mãos dos
pecadores. Levantai-vos; pois aquele que vai trair-me já está perto”.
Repeti comigo: Jesus deixou a sala da última ceia e foi rezar
com seus apóstolos no jardim das Oliveiras. Sentiu tal tristeza,
vendo os pecados dos homens, que suou sangue. Mas um anjo veio
confortá-lo.
Mal acabara de falar, apareceu Judas, o traidor, à frente de um
242
bando de soldados e de servos dos fariseus, inimigos de Jesus. Alguns
traziam archotes, porque estava escuro, outros vinham armados com
espadas e paus. Judas havia dito: Aquele a quem eu beijar, é Jesus;
prendei-o e levai-o com cuidado. Chegado, pois, ao jardim,
aproximou-se logo de Jesus e disse-lhe: “Mestre, eu vos saúdo”, e
beijou-o na face. Jesus respondeu: “Amigo, que vieste fazer aqui?
Judas, com um beijo me trais!...” Judas ficou calado, e Jesus,
dirigindo-se aos soldados, perguntou: “A quem procurais?” Eles
responderam “A Jesus de Nazaré”. “Sou eu”, disse Jesus. A estas
palavras todos recuaram e caíram por terra. Perguntou-lhes Jesus, de
novo: “A quem procurais?” “Jesus de Nazaré”, responderam eles. “Já
vos disse que sou eu, replicou Jesus, e se é a mim que procurais, deixai
partir estes” (designou seus apóstolos). Então os soldados se
adiantaram e lançaram-lhe as mãos.
Mostro o quadro da prisão de Jesus.
Vendo isto, Pedro, indignado, puxou da espada, que naquele
dia trazia consigo, e feriu Malco, criado do pontífice, cortando-lhe a
orelha. Mas Jesus disse a Pedro: “Mete a tua espada na bainha. Não
sabes, que, se eu quisesse, poderia pedir socorro a meu Pai, e que ele
me mandaria muitos anjos no mesmo instante? Mas é preciso que eu
sofra, para cumprir a vontade de meu Pai”. E tocando na orelha de
Malco, o curou.
3. Jesus entregou-se aos soldados, que o amarraram e levaram-
no preso à casa de Anás. Os apóstolos, amedrontados, fugiram,
deixando Jesus entregue a seus inimigos.
Repeti comigo: Judas, com um beijo, traiu Jesus, que se
deixou prender pelos soldados. Os apóstolos fugiram.
243
Anás era sumo sacerdote, e não queria acreditar que Jesus fosse
o Filho de Deus. Interrogou então Jesus sobre a sua doutrina, e este
lhe respondeu: “Falei a todos, em público, interrogai àqueles que me
ouviram, eles poderão responder-vos”. A estas palavras, um dos
soldados uma bofetada em Jesus, dizendo: “Como ousas responder
assim ao sumo sacerdote?” Sem se queixar, Jesus replicou-lhe: “Se
falei mal, mostra-me em que errei, e se disse a verdade por que me
bates?” Então Anás o enviou amarrado a Caifás, um outro sumo
sacerdote judeu, que lhe fez a seguinte pergunta: “Eu te conjuro, pelo
Deus vivo, que me digas se tu és o Cristo, o Filho do Altíssimo”. Jesus
respondeu: “Sim, eu o sou, e em breve me vereis assentado à direita
de Deus, vindo sobre as nuvens do céu”. Caifás que queria um
pretexto para mandar condená-lo à morte exclamou: “Não
precisamos mais de testemunhas, acabais de ouvir a blasfêmia. Que
vos parece?” Todos gritaram, a uma voz: “Merece a morte”.
Mostro o quadro de Jesus diante de Caifás.
Repeti comigo: Jesus, levado à presença de Anás e Caifás, lhes
declarou que era o Filho de Deus. Por isso foi julgado digno de
morte.
Enquanto Jesus estava sendo julgado, Pedro, que a princípio
tinha fugido, voltou atrás e se introduziu no pátio do palácio, e
sentou-se ao lado dos guardas, que estavam se aquecendo ao redor
de uma fogueira.
Devo dizer-vos que, nesse dia, Pedro havia jurado jamais
abandonar seu Mestre, custasse o que custasse. Mas Jesus, que sabia
tudo, lhe disse logo: “Pedro, nesta noite mesmo, antes que o galo
cante duas vezes, tu dirás três vezes que não me conheces”.
244
O que Jesus havia predito aconteceu.
Pedro continuava sentado, e passou por ele uma criada, que lhe
disse: “Tu também estavas com Jesus de Galiléia”. Pedro negou: “Não
sei o que está dizendo”. No mesmo instante o galo cantou.
Um pouco mais tarde, quando Pedro se encaminhava para a
porta, outra criada o viu e disse aos presentes: “Este também estava
com Jesus Nazareno”.
Pedro negou pela segunda vez e jurou: “Não conheço esse
homem”. Após uma hora de intervalo, um criado, vendo Pedro,
exclamou: “Com certeza este homem andava com ele, porque é
Galileu”. Sim, tu também és dessa gente, pois falas como as pessoas
da Galiléia”. Então Pedro protestou e começou a rogar pragas: “Nem
conheço esse homem a quem vos referis”. E logo o galo cantou pela
segunda vez. Nesse momento, Jesus, que saía do tribunal, voltou-se e
olhou para Pedro, que então se lembrou do que Jesus havia dito. Saiu
do pátio e chorou amargamente. Havia sido covarde, e agora estava
arrependido. Como lastimava o seu pecado! Baixinho, pedia perdão
a Jesus, a quem amava de todo o coração.
Mostro o quadro de Pedro negando Jesus.
Repeti comigo: Enquanto Jesus estava sendo julgado, Pedro,
que estava no pátio do tribunal, disse três vezes que não conhecia
Jesus. Mas quando o galo cantou, ele saiu e foi chorar a sua falta.
Jesus foi conduzido à prisão. Durante a noite ficou entregue
aos soldados, que se puseram a maltratá-lo: uns cuspiam-lhe no rosto,
outros davam-lhe bofetadas, e, zombando, vendaram-lhe os olhos,
dizendo: Adivinha, quem te bateu? Logo que amanheceu reuniram-
245
se de novo os príncipes dos sacerdotes e os doutores da lei para
resolver a condenação de Jesus. Mandaram-no vir à sua presença e
intimaram-no: “Se és o Filho de Deus, dize-o”. Jesus respondeu:
“Sim, eu o sou”. Os judeus, que só esperavam esta resposta,
condenaram-no à morte. Quando Judas soube que seu Mestre tinha
sido condenado à morte, sentiu remorsos pelo que fizera. Tornou a
levar as 30 moedas de prata, que havia recebido para entregar Jesus
aos príncipes dos sacerdotes, dizendo: “Pequei, vendendo um
inocente, não quero esse dinheiro”. “Que nos importa?” retrucaram
eles. E não quiseram receber o dinheiro. Então lançou as moedas no
templo e saiu. Que devia ele fazer? Podia dizer bem baixinho: Meu
Jesus, fiz um grande pecado, eu vos peço perdão. Perdoai-me, quero
fazer penitência. Mas para dizer isto, é preciso amar um pouco a
Jesus, e Judas não o amava. É preciso compreender que Jesus é a
própria bondade, e Judas não o queria compreender. Envergonhava-
se e dizia: Dirão de mim: Eis aquele que vendeu o Mestre. Que farei?
Não se conteve mais e, impelido pelo demônio, foi enforcar-se,
cometendo novo pecado, pois Deus proíbe suicidar-se.
Mostro o quadro da morte de Judas.
Repeti comigo: Quando Judas soube que Jesus havia sido
condenado à morte, teve vergonha do seu pecado. Em vez de pedir
perdão, esqueceu-se da misericórdia de Deus e enforcou-se.
Como os judeus não podiam dar a sentença de morte, levaram
Jesus ao pretório de Pilatos, governador da Judéia, e lhe disseram:
“Este homem proíbe que se pague o tributo que exiges, em nome de
César, e diz que é o Cristo, rei dos judeus”. Pilatos viu que Jesus
estava inocente, mandou-o vir à sua presença, e lhe disse: “És tu o rei
246
dos judeus?” “Meu reino não é deste mundo, é do céu”, respondeu
Jesus. “Logo, tu és rei?” “Sim, eu o sou”. Vós sabeis meus filhos, que
Jesus é o rei do céu, da terra, dos anjos, dos homens; portanto, teve
razão, quando disse: “Sou rei”. Pilatos, que não queria condenar
Jesus, pensou em mandá-lo a Herodes, filho daquele rei Herodes que
tinha mandado matar todas as crianças de Belém, quando nasceu
Jesus. Herodes, que tinha ouvido falar muita coisa de Jesus, esperava
presenciar algum milagre seu. Mas Jesus não respondeu nem uma
palavra. Herodes, por escárnio, mandou vestir-lhe uma túnica branca
e devolveu-o a Pilatos.
Repeti comigo: Jesus foi conduzido a Pilatos, que o mandou
a Herodes. Herodes zombou de Jesus.
Agora competia a Pilatos decidir a sorte de Jesus. Pilatos refletiu
e disse aos judeus Sabeis que, na festa da páscoa, devo dar liberdade
a um preso. Há na prisão um malfeitor incorrigível, chamado
Barrabás. Eu vos dou a escolher: Qual dos dois quereis que vos solte?
Jesus ou Barrabás?” O povo gritou ao mesmo tempo: “Solta-nos
Barrabás!” Pilatos perguntou de novo: “Mas, que farei de Jesus, que
é inocente?” “Crucifica-o! Crucifica-o!” gritaram todos. Crucificá-lo é
pregá-lo, nu, numa cruz de madeira, até que morra. É um suplicio
horrível! Pilatos, com medo do povo, soltou Barrabás e mandou
flagelar Jesus. Então os soldados se apoderaram de Jesus, despiram-
no, amarraram-no a uma coluna, e deram-lhe chicotadas, até o
sangue jorrar de todo o seu corpo. Davam-lhe pancadas nos ombros,
nas pernas, no peito, até Jesus cair, quase sem forças. Levantavam-no
e continuavam o suplicio. Cansados de tanto bater, e como Jesus não
aguentava mais, levaram-no ao pátio.

247
Mostro o quadro da flagelação.
Repeti comigo: Pilatos mandou açoitar Jesus até que todo o
seu corpo saísse sangue.
No pátio, os soldados puseram nos ombros de Jesus um manto
vermelho, para zombar dele (os reis usavam manto vermelho).
Depois fizeram uma coroa de espinhos agudíssimos e puseram-na a
pancadas na cabeça de Jesus; na mão direita, enfiaram-lhe um caniço
em vez de cetro real; e, para escarnecer, diziam-lhe, dobrando os
joelhos: “Salve, rei dos judeus”. Cuspiam-lhe no rosto e davam-lhe
bofetadas. O pobre Jesus sofria sozinho, sem se queixar; e,
entretanto, essas pancadas, esses espinhos lhe causavam uma dor
terrível. Mas ele dizia: “É para expiar os pecados dos homens que eu
estou sofrendo”.
Repeti comigo: Para zombar de Jesus, os soldados puseram
nos seus ombros um manto vermelho, na sua cabeça uma coroa de
espinhos e na sua mão um caniço.
Pilatos, vendo que não podia salvar Jesus, mesmo sabendo que
ele estava inocente, condenou-o à morte.
Repeti comigo: Pilatos condenou Jesus à morte.
5. Os soldados se apoderaram de Jesus, tiraram-lhe o manto
vermelho e vestiram-no com suas próprias vestes. Sobre os ombros
puseram-lhe uma pesada cruz de madeira, que Jesus mesmo devia
levar para o lugar do suplicio, o monte Calvário, a alguma distância
de Jerusalém. Com ele iam dois ladrões para serem crucificados na
mesma ocasião.
Repeti comigo: Jesus, com a cruz às costas, subiu o Calvário
248
para ser crucificado.
Mostro o quadro de Jesus carregando a cruz.
Jesus levava na cabeça a coroa de espinhos. Grande multidão
de Judeus o acompanhava, rindo-se dele. Já sem forças, acabrunhado
de cansaço e de dor, Jesus caiu três vezes por terra sob o peso da cruz.
Os soldados levantavam-no a poder de pancadas. Quando caminhava
para calvário, encontrou-se com sua boa Mãe, a Santíssima Virgem,
que estava com as santas mulheres, e que chorava amargamente.
Jesus parou e fitou-a tristemente.
Mostro o quadro de Jesus ao encontrar sua mãe.
Um pouco mais adiante, como Jesus estava num grande estado
de fraqueza, os soldados obrigaram um homem que ia passando a
ajudá-lo a carregar a cruz. Vendo-o naquele estado, algumas mulheres
piedosas choravam e lamentavam Jesus, mas ele, voltando-se, lhes
disse: “Não choreis sobre mim, chorai sobre vós e sobre vossos
filhos”. Isto é, pelos pecadores. Vede como Jesus só pensava em sofrer
pelos pecadores. Era o Salvador prometido depois do pecado de
Adão.
Repeti comigo: Jesus caiu três vezes por terra. No caminho
encontrou Maria, sua Mãe.
6. Quando chegaram ao alto do Calvário, os soldados
arrancaram violentamente as vestimentas de Jesus, que estavam
coladas às feridas. Depois de completamente despido, mandaram-no
estender-se sobre a cruz, que estava no chão. Então os soldados
cravaram-lhe a mão direita com um prego enorme... O mesmo
fizeram com a esquerda... O corpo de Jesus tremia de dor, e o sangue
249
corria-lhe das mãos... Depois pregaram-lhe os dois pés. Em seguida
levantaram a cruz, e Jesus ficou suspenso, preso pelas mãos e pelos
pés. Na cabeça conservava ainda a coroa de espinhos.
Mostro o quadro de Jesus na cruz.
Repeti comigo: Jesus, despojado de seus vestidos, foi pregado
na cruz com pregos que traspassaram seus pés e suas mãos.
No alto da cruz, puseram um letreiro: “Jesus Nazareno, rei dos
judeus”.
O resto da lição deve ser dado diante do quadro de Jesus agonizando
no Calvário.
Pensais talvez que Jesus devia gritar, lastimar-se. Quando sentis
alguma dor, chorais, gemeis, até gritais. O bom Jesus, coitado, sofria
tudo em silêncio. Via os judeus zombarem dele; contemplava seus
algozes, que dividiam entre os seus vestidos, e dizia: ““Meu Pai,
perdoai-lhes, eles não sabem o que fazem”.
Repeti comigo: Jesus, morrendo na cruz para expiar os
pecados dos homens, pediu perdão a seu Pai para os seus algozes.
Ao lado de Jesus amarraram dois criminosos na cruz; um deles
o insultava, mas o outro, arrependido de suas culpas, disse a Jesus:
“Senhor, quando estiverdes no vosso reino, lembrai-vos de mim”.
Jesus lhe respondeu “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”
Repeti comigo: Jesus prometeu o céu ao bom ladrão.
Junto da cruz estava Maria, de pé, sofrendo muito, por ver seu
filho morrer. De seus olhos corriam lágrimas e seu coração
transbordava de dor. Junto dela, São João, o discípulo predileto.
250
Jesus tinha pena de deixar Maria sozinha; então pediu a São João
para ampará-la. Olhando para Maria, disse: “Mãe, eis aí teu filho”. E,
dirigindo-se a João: “Filho, eis ai tua Mãe”. Desde aquela hora o
discípulo tomou Maria em sua casa e a tratou sempre com o respeito
e dedicação do melhor dos filhos.
Repeti comigo: Jesus entregou sua Mãe a São João.
Era meio-dia, espessas trevas cobriam toda a terra. Jesus morria
na cruz, e como estava no lugar dos pecadores, sentiu-se abandonado
por seu Pai. Por isso exclamou: “Meu Deus, meu Deus, por que me
abandonastes?” Sentiu a garganta queimar, e disse: “Tenho sede”.
Um soldado estendeu-lhe, na ponta de um caniço, uma esponja
molhada em vinagre, e aproximou-a dos lábios de Jesus. Quando
provou, disse: “Tudo está consumado”. E, levantando a voz, disse
com firmeza: “Meu Pai, em vossas mãos, entrego o meu espírito”.
Depois destas palavras, inclinou a cabeça e expirou.
Repeti comigo: Depois de muitos sofrimentos, Jesus deu um
grito e entregou sua alma a seu Pai.
No mesmo instante a terra tremeu, os rochedo se fenderam, as
sepulturas se abriram e muitos mortos ressuscitaram, saindo de seus
túmulos. O chefe dos soldados estava guardando Jesus, ficou
apavorado e exclamou “Na verdade, este era o Filho de Deus”. Era
na sexta-feira santa, às três horas depois do meio-dia. Jesus acabara
de morrer para nos remir, eis o mistério da redenção. Um dos
soldados, para verificar se Jesus estava morto, traspassou-lhe o lado
com a lança, e da ferida escorreu sangue e água. Só ficaram junto à
cruz, diante do corpo de Jesus, sua santa Mãe, João e algumas
piedosas mulheres. Era tempo de cuidar da sua sepultura. São João,
251
José de Arimatéia, outro amigo de Jesus, chamado Nicodemos,
despregaram da cruz o corpo, colocando-o nos braços da Santíssima
Virgem, durante alguns minutos. Depois, o envolveram em alvos
lençóis de linho, embalsamaram-no com perfumes e depositaram-no
num sepulcro novo, cavado num rochedo. Encostaram uma grande
pedra, para fechar a entrada, e foram-se embora.
Mostro o quadro de Jesus no sepulcro.
Logo depois, chegaram os soldados para guardar o sepulcro de
Jesus, para que os discípulos não furtassem o seu corpo.
Repeti comigo: o corpo de Jesus, traspassado pela lança do
soldado, foi descido da cruz e depositado no sepulcro, que ficou
guardado por soldados.
Verifico se as minhas explicações foram bem compreendidas,
por isso interrogo:
1. Por que os judeus queriam matar Jesus? Como se chama o
amigo que Jesus ressuscitou? Quantos dias esteve morto? De que
maneira entrou Jesus em Jerusalém? Que jogaram pelo caminho?
Que diziam as crianças e a multidão? Que pensavam os judeus?
2. Já era noite quando Jesus saiu do cenáculo? Para se dirigiu?
Que foi fazer? Quais os apóstolos que encontraram com ele no
jardim? Que disse Jesus para manifestar sua tristeza? Teve medo de
morrer? Para que veio ao mundo? Que disse ele a seu Pai? Que faziam
os seus apóstolos durante a agonia de Jesus? Via ele os vossos
pecados? Quem veio consolá-lo? Quem chegou ao jardim prender
Jesus? Que traziam os soldados que acompanhavam Judas? Que fez
Judas a Jesus? Que disse Jesus quando Judas o beijou? Que perguntou
252
aos soldados? Que fizeram os soldados quando disse: Sou eu? Que
fez Pedro quando os soldados se apoderaram de Jesus? A quem
cortou a orelha? Que fez Jesus ao soldado que ficou sem orelha?
3. Para onde levaram Jesus preso? Para que casa o conduziram
em primeiro lugar? Quem lhe deu uma bofetada? Que perguntou
Caifás a Jesus? Que respondeu este? Que apóstolo disse três vezes que
não conhecia Jesus? Que havia dito Jesus a este apóstolo? O galo
cantou, quando Pedro disse que não conhecia Jesus? Por que Pedro
saiu chorando? Que pediu ele intimamente a Jesus? Que fizeram os
soldados, quando levaram Jesus para a prisão? Para onde foi levado
Jesus ao amanhecer? Que lhe perguntaram? Que decidiram os
judeus? Que fez Judas quando soube que Jesus havia sido condenado
à morte? Onde jogou as moedas de prata que tinha recebido? Que
fez ele em vez de pedir perdão? É grande pecado o suicídio?
4. Como se chamava o governador da Judéia? Pilatos sabia que
Jesus era inocente? A quem mandou ele Jesus? Queria Herodes ver
algum milagre de Jesus? Jesus respondeu a Herodes? Que vestimenta
mandou que pusessem em Jesus? Que preso foi solto no lugar de
Jesus? Que significa a palavra “crucificar”? De que modo os soldados
batiam em Jesus? Que lhe puseram nos ombros? Que lhe puseram na
cabeça? Jesus se queixava? Quem condenou Jesus à morte?
5. Como se chama a montanha onde Jesus ia ser crucificado?
Que carregava Jesus no caminho do Calvário? Quem ia morrer
também com Jesus? Quem acompanhava Jesus? Por que andava
devagar? Quantas vezes caiu? Quem encontrou no caminho? Quem
ajudou Jesus a carregar a cruz? Que disse Jesus às piedosas mulheres
que estavam chorando?
253
6. Como os judeus pregaram Jesus na cruz? Jesus gritava? Pediu
a seu Pai para vingá-lo? Que disse ladrões que estava ao seu lado na
cruz? A quem entregou sua Mãe? Onde estavam Maria Santíssima e
São João? Para que um deu a Jesus uma esponja molhada no vinagre?
Que disse Jesus na hora da morte?
7. Que aconteceu logo depois da morte de Jesus? Que fez um
soldado com a lança? Quem despregou Jesus da cruz? Quem recebeu
nos braços o corpo de Jesus? Para onde o levaram? Quem o depositou
no túmulo? Como fecharam a entrada do sepulcro? Quem o
guardou?
III. EXERCÍCIO PRÁTICO
Muitas cenas da Paixão podem servir nesta lição.
1. Apresento a cena da agonia de Jesus e digo às crianças: Por
que Jesus sentiu uma tristeza infinita no jardim das Oliveiras?...
Porque viu todos os pecados dos homens... Pensai nos pecados que
podeis ter feito: desobediência... preguiça... mentiras...
O catequista poderá fazer um curto exame de consciência com as
crianças, parando um instante depois de cada falta, para que a criança possa
pensar.
Agora já conheceis vossos pecados. Dizei: “Jesus, tenho grande
pesar de vos ter feito sofrer; Jesus, não serei mais desobediente, nem
invejoso...”
2. Apresento as cenas da flagelação, da coroação de espinhos e da
crucificação.
Meus filhos, olhando para estes quadros, podereis

254
compreender quanto sofreu Jesus. Se vos feris no joelho, quando
levais um tombo, a mamãe lava logo a ferida... e amarra um pano
bem para não vos magoar. Pobre Jesus... com o corpo todo cheio de
chagas, feitas pelas chicotadas... e lhe vestem sua túnica de lã que
roçava nas suas feridas. Já espetas-te alguma vez um espinho no dedo?
Que dor! Mas a mamãe, com todo o cuidado, para não vos fazer
sofrer, o retira... Passai agora a mão na vossa cabeça, e pensai... os
judeus puseram na cabeça de Jesus uma coroa de espinhos que
entravam na sua fronte em toda a cabeça... Pegai vossa mão
esquerda... sentis todos os ossinhos e nervos que estão sob a pele...
Um grande prego atravessou as mãos de Jesus, deslocando todos os
ossos.
Repeti comigo: Foi para expiar meus pecados que Jesus sofreu
tanto!
3. Exercício de observação.
Desenhar no quadro negro os instrumentos da paixão: a coroa
de espinhos, os pregos, o martelo, a lança, a cruz..., os chicotes, a
coluna da flagelação. Perguntar às crianças: Que fizeram os algozes
com estes pregos, este martelo? Pode-se dar às crianças diferentes
imagens representando cenas da Paixão e mandar separar as que
representam a traição de Judas, a flagelação, a morte de Jesus.
4. Exercício de reflexão.
Vamos procurar juntos todos os lugares onde há cruzes.
Vejamos na igreja: sobre o tabernáculo, nos confessionários, nos
paramentos do sacerdote, no púlpito, na torre, nas escolas
paroquiais, nos cemitérios. No vosso terço tendes um pequeno

255
crucifixo. Guiar as crianças neste exercício, fazendo-lhes perguntas.
5. O que se deve aconselhar às crianças.
1. Deveis pedir à mamãe que leve à igreja para verdes a Via-
Sacra. Via-Sacra é a história da paixão de Jesus, em quadros que ficam
expostos nas igrejas.
2. Deveis pensar na morte de Jesus, olhando para o crucifixo
pendurado na vossa cama.
3. Inclinais sempre a cabeça, quando passardes por alguma
cruz.
Perguntar na lição seguinte:
Quem foi à igreja ver a Via-Sacra?
Quem pensou na morte de Jesus, à noite, antes de dormir?
Quem saudou um crucifixo?
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
l. Depois de ter contado a Paixão, se o catequista estiver numa
igreja onde haja o Santíssimo Sacramento, pode levar as crianças
diante do tabernáculo, para manifestar a Jesus os seus sentimentos
de amor.
Nos catecismos onde as crianças são muito numerosas, pode-se
dividi-las em grupos, sob a vigilância de moças catequistas.
Eis como se pode preparar este exercício: Se tivésseis podido
consolar o bom Jesus, quando Judas o traiu... quando os judeus o
condenaram à morte e o pregaram na cruz, serieis muito felizes, não
é?
256
Quando vedes a mamãe chorar, ficais tristes e lhe dizeis: “Não
chore, mamãezinha”
Jesus sofreu muito, muito mesmo... mas está presente no
tabernáculo e vos espera.
Vinde dizer-lhe que ficais muito tristes, quando pensais em
tudo o que ele sofreu.
2. A missa
Meus filhos, vou indicar-vos um meio de ficardes pertinho de
Jesus, quando ele se oferece pelos homens. Sabeis que é na missa que
o padre muda o pão no corpo e o vinho no sangue de Jesus. Quando
o sacerdote diz: “Isto é meu corpo, isto é meu sangue”, o corpo e o
sangue de Jesus ficam presentes no altar. Quando seu corpo estava
pregado na cruz, o seu sangue corria das feridas. E na cruz Jesus dizia:
“Meu Pai, eu vos ofereço a minha vida pelos pecados dos homens.
Sou vítima”. A mesma coisa diz todos os dias quando está presente
no altar: o corpo debaixo da espécie do pão, e sangue debaixo da
espécie do vinho. “Meu Pai, ofereço-me a vós pelos pecados dos
homens”. Não vos esqueçais disto, quando assistir a missa.
3. Explicar às crianças que Jesus, aos pés da cruz, deu Maria
como Mãe.
Ato de caridade de uma criança.
Coloco bem à vista das crianças um crucifixo grande ou um quadro de
Jesus na cruz.
Meus filhos, olhai para este crucifixo. Quem está pregado na
cruz? Jesus é homem? Sim. É o Filho de Deus? Sim. Dizei comigo:

257
“Meu Deus”.
Por quem sofreu Jesus tantas dores? Por mim, por vós, por
vossos pais, por todos os homens. Com os seus sofrimentos abriu-
nos o céu. Jesus nos amava muito? Que fez ainda para provar que nos
amava? Pensai no tabernáculo e respondei: Quis ficar sempre
conosco. Dizei comigo: “Meu Deus, eu vos amo”.
Mas como devemos amar a Deus? Amais muito a vossos irmãos
e irmãs? Sim, vós os amais muito; amais ainda mais a vosso papai e
mamãe, não é? Não é a mesma coisa, amais vosso pai e mãe acima de
vossos irmãos e irmãs. Mas quem é vosso Pai do céu? O Pai de vosso
pai, de vossa mamãe, de vossos irmãos e irmãs, de vós mesmos? É
Deus a quem dizeis todos os dias: Pai nosso que estais no céu. A ele
deveis amar sobre todas as coisas
Dizei-lhe, pois: Meu Deus, eu vos amo de todo o meu coração,
sobre todas as coisas.
E podeis dizer por que o preferis.
Se vossa irmãzinha vos perguntasse: “Por que gosta mais da
mamãe do que de mim?” “Porque é minha mãe, diríeis, uma boa
mamãe que se dedica muito a mim”
Dizei a Deus por que o amais sobre todas as coisas:
“Meu Deus, eu vos amo de todo meu coração e sobre todas as
coisas, porque sois infinitamente bom e infinitamente amável!”
Depois, para provarmos a Deus que o amamos, devemos fazer
o que ele pediu como a maior prova do nosso amor: amar todos os
homens: “Amai-vos uns aos outros”.

258
Digamos-lhe: Amo meu próximo por amor de vós.
Lição: 1. Qual é o mistério da redenção?
2. Que sofreu Jesus Cristo para nos remir?
3. Ato de caridade.
Completar o Credo. Creio em Deus Pai todo-poderoso... e em
Jesus Cristo, um só seu Filho... que padeceu sob o poder de Pôncio
Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado.
Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
família).
1. Recomendar às crianças que ponham um crucifixo à
cabeceira de suas camas. Pode-se dar um pequenino, como
recompensa.
2. Lembrar que, sendo a sexta-feira o dia da semana em que
Jesus morreu, pode-se não comer carne, ou fazer uma
penitenciazinha.
3. Obter pequenos sacrifícios, lembrando-lhes os sofrimentos
de Jesus.
4. Mostrar, na igreja, os quadros que lembram as cenas da
paixão.
5. Mandar colorir cenas da paixão.
5. Mandar desenhar, numa lousa, os instrumentos da paixão,
para as classes dos menores.

259
XX. RESSURREIÇÃO. ASCENSÃO. PENTENCOSTES. A
IGREJA DE JESUS
Pequeno resumo da lição procedente
Este resumo será repetido lentamente por todas as crianças.
Os judeus decidiram mandar matar Jesus, porque ele havia dito e
provado que era o filho de Deus. Na quinta-feira santa, à noite, Jesus
saiu do cenáculo e foi rezar no jardim das Oliveiras, onde suou
sangue. Veio um anjo confortá-lo. Judas chegou logo e traiu seu
Mestre com um beijo. Jesus deixou-se prender. Os apóstolos fugiram.
Jesus foi julgado, coroado de espinhos, flagelado e condenado à
morte. Os judeus puseram-lhe nos ombros uma pesada cruz, e no
Calvário, o crucificaram. Jesus morreu na sexta-feira santa, às 3 horas
da tarde. Seus amigos despregaram seu corpo da cruz e o depositaram
no sepulcro, que ficou guardado pelos judeus.
I. Memento Catequista
Vamos terminar, nesta lição, a história de Jesus, apresentando os
quadros da ressurreição, ascensão e pentencostes.
Deixamos as crianças debaixo da impressão dolorosa da morte de
Jesus Cristo, mas essa impressão vai se transformar em alegria.
Jesus sai do sepulcro, sobe ao céu, onde está sentado a direita de
Deus, seu Pai.
Que lindos quadros, e como, contando estas cenas, podemos explicar
as noções elementares do dogma, noções que, nos catecismos, são
explicados mui longamente, pelos últimos artigos do Credo.
Desse modo, a nossa instrução, cujo o centro é a pessoa adorável de
260
Jesus, nos permitirá ensinar as criancinhas todas as grandes regras da
doutrina.
II. Explicação
Material: Preparo os objetos que vão servir durante a lição. Não
nos esqueçamos de que um nada desperta a atenção da criança.
Quadro representando os soldados guardando o sepulcro; -
Jesus aparecido a Maria Madalena; - Jesus e os dois discípulos em
Emaús; - Jesus aparecendo a São Tomé; - Jesus subindo ao céu; -
quadro de pentecostes.
Preparação do auditório: Depois da oração feita com
recolhimento, e antes de começar a lição, calado, fitarei as minhas
criancinhas que estão sentadas, com as mãos sobre a carteira ou a
mesa e a cabeça levantada; todos os olhares estão voltados para mim.
Após um momento de silêncio, fixando o meu auditório, começarei
a falar lentamente.
Desperto a atenção:
Já saístes alguma vez a passeio com vossos pais, antes de o sol se
levantar? Já não é noite; é o dia que nasce. Não de ouve barulho
algum; parece que tudo dorme ainda.
1. Era um domingo. Os soldados haviam velado toda a noite,
guardando o sepulcro de Jesus.
Mostro o quadro dos soldados guardando o sepulcro.
Estavam contentes de ver amanhecer o dia, pois a noite lhes
parecera bem comprida. Era o terceiro dia que o corpo de Jesus
repousava no sepulcro. Para onde teria ido a alma de Jesus, quando
261
saiu de seu corpo? Para um lugar chamado “Limbo”. Não é o céu,
nem o inferno, nem o purgatório; é um lugar onde estavam todas as
Almas dos justos. Essas Almas não tinham podido entrar o céu,
porque estava fechado desde o pecado de Adão e Eva; então
esperavam que Jesus viesse buscá-las, para entrarem com ele no céu.
Entre essas almas, estavam as de Adão, Eva, Abel, Abraão, Moisés, a
alma de São José, de São João Batista e muitas outras, muitas outras.
A alma de Jesus visitou-as, confortou-as, dizendo-lhes que acabava de
remir o mundo e que breve estariam no céu. Houve grande alegria
neste lugar. É preciso compreender bem, o corpo que estava no
sepulcro, era sempre o corpo do Filho de Deus.
Repeti comigo: A alma de Jesus, separada de seu corpo,
desceu ao Limbo para visitar as almas dos justos e anunciar-lhes que
tinha realizado a Redenção.
2. Voltemos ao sepulcro de Jesus!
Já vos disse que os guardas não tinham dormido toda a noite.
De repente, Jesus, unindo sua alma ao corpo, saiu do sepulcro cheio
de vida. No mesmo instante a terra tremeu e, para mostrar que o
túmulo estava vazio, um anjo desceu do céu e rolou para um lado a
pedra que fechava o sepulcro. As vestimentas do anjo eram brancas
como a neve e seu corpo brilhava de luz. Os guardas trêmulos de
medo, caíram por terra. Quando se levantaram e viram que o
sepulcro estava vazio, fugiram e foram dizer aos judeus: “Jesus saiu
do sepulcro”. O dia em que Jesus ressuscitou chama-se dia da páscoa.
Repeti comigo: No terceiro dia depois de sua morte, Jesus,
unindo sua alma ao corpo, saiu vivo do sepulcro.

262
Mostro o quadro de Jesus saindo do túmulo.
Um anjo assentou-se sobre o túmulo vazio. Mas onde estava
Jesus? Escutai. Já ides saber:
3. As piedosas mulheres que tinham acompanhado Jesus e que
o tinham visto morrer, foram comprar aromas para derramarem
sobre seu corpo. E naquele domingo, de manhã, chegando ao
sepulcro ao nascer do sol, diziam entre si: Quem nos tirará a pedra
que fecha a entrada do sepulcro? Não sabiam o que acontecerá. Por
isso ficaram surpreendidas quando, em lugar dos guardas, viram um
jovem vestido de branco e que, vendo que estavam com medo lhes
disse: não temais; procurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado?
Ressuscitou; não está aqui. Ide dizer a seus discípulos e a Pedro, que
ele irá adiante de vós para a Galiléia; lá o vereis, como ele mesmo vos
disse.
Repeti comigo: O anjo avisou às piedosas mulheres que Jesus
havia ressuscitado.
As mulheres foram depressa prevenir a Pedro e a João. Ambos
partiram correndo para o sepulcro; mas João, mais ágil que Pedro,
chegou primeiro, mas não entrou. Pedro, vindo depois, entrou sem
hesitar, e vou os panos que envolviam o corpo de Jesus no chão, e o
sudário, com que tinham coberto a divina cabeça, estava de parte,
bem dobrado. João, por sua vez entrou, viu o mesmo e acreditou que
Jesus tinha ressuscitado. Voltaram ambos, felizes, para casa.
Entretanto, ainda não tinha visto Jesus.
Repeti comigo: Pedro e João correram ao túmulo, mas
encontraram-no vazio.

263
4. Maria Madalena voltou ao sepulcro, ficando em pé, da parte
de fora, a chorar. Quando olhou para dentro, viu dois anjos de
branco, assentados no lugar onde repousara o corpo de Jesus: um à
cabeceira, outro os pés. Perguntaram-lhe: Mulher, porque choras? -
Ela respondeu-lhes: É porque roubaram meu Senhor e não sei onde
o puseram. Dizendo isto, virou-se para trás, e viu Jesus, em pé, diante
dela, mas não o conheceu. Julgou que fosse o jardineiro, e pediu-lhe:
“Se tu o tiraste, dize-me onde o puseste e irei buscá-lo”. “Maria”,
exclamou Jesus. E ela logo o reconheceu e, caindo-lhe aos pés, disse:
“Mestre”. Jesus advertiu-a: “Não me toques, porque ainda não subi
para meu Pai. Vai, procura meus discípulos e dize-lhes: “Eu subo para
meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus”.
Jesus desapareceu, e Maria Madalena foi procurar os apóstolos.
Apresento o quadro de Jesus e Maria Madalena.
No mesmo dia, Jesus apareceu também às outras mulheres que
haviam estado no sepulcro, e falou-lhes: “eu vos saúdo”. Elas
aproximaram-se para adorá-lo. Jesus recomendou-lhes: “ Ide avisar a
meus discípulos para irem a Galiléia. Lá me verão.
Repeti comigo: Jesus apareceu a Maria Madalena.
Os soldados que guardavam o sepulcro fugiram para a cidade e
contaram aos judeus tudo que tinha acontecido. Estes ficaram muito
desapontados e reuniram os príncipes dos sacerdotes e deliberaram
dar uma grande soma de dinheiro aos guardas, intimando-os a dizer
ao povo: “Enquanto dormimos, vieram os discípulos e roubaram o
corpo de Jesus”. Os soldados aceitaram o dinheiro e fizeram o que
lhes foi mandando. Mas Jesus ia mostrar que estava bem vivo e que

264
nada mais tinha que temer aos judeus.
5. Jesus vai aparecer primeiro a dois discípulos, depois aos
apóstolos reunidos. Dois discípulos de Jesus iam no mesmo dia para
uma aldeia chamada Emaús, nos arredores de Jerusalém. Iam tristes
e conversavam sobre a morte de Jesus. No caminho aproximou-se
deles um homem e ia com ele. Perguntou-lhes de quem falavam e
porque estavam tão tristes.
Eles lhe responderam: “És o único estrangeiro que não sabe o
que de passou estes três dias em Jerusalém: Acaba de morrer na cruz
Jesus de Nazaré... Esperávamos nele, pensávamos que fosse o
Salvador, mas já há três dias que morreu... É verdade que algumas
mulheres nos disseram que ele tinha ressuscitado, que tinha visto
anjos e estes afirmaram que havia saído do sepulcro. Alguns amigos
nossos foram ao sepulcro e viram que estava realmente vazio, mas
não viram Jesus”.
Então o homem lhes disse: “ Mas nos vossos livros santos está
escrito que tudo o que aconteceu a Jesus devia de passar assim. Era
necessário que Jesus sofresse tais coisas para remir os homens”, e lhes
explicou tão bem tudo que os dois viajantes compreenderam e
disseram consigo: “Sim Jesus devia sofrer tudo o que sofreu, mas nos
havia dito que ressuscitaria no terceiro dia”.
Aproximando-se da cidade para onde se destinavam os
viajantes, Jesus quis se despedir deles. Mas os discípulos insistiram:
“Fica conosco, porque já é tarde e o dia declina”. Jesus ficou e,
assentando-se com eles à mesa, tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e lho
deu. Então abriram-se-lhes os olhos e reconheceram Jesus, mas
quando iam falar, Jesus desapareceu. Disseram um para o outro:
265
“Não é verdade que sentíamos o coração abrasar-se de amor, quando
ele nos falava, pelo caminho?
Mostro o quadro de Jesus no meio dos discípulos de Emaús.
Levantando-se na mesma hora, voltarem para Jerusalém. E
encontraram juntos os onze apóstolos. Estes lhe disseram: “O Senhor
ressuscitou e apareceu a Pedro”. Eles, por sua vez, contaram o que
lhe havia acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus.
Repeti comigo: Jesus apareceu a dois discípulos de Emaús.
6. Direis: Porque Jesus não apareceu a seus apóstolos? Jesus
apareceu sim, a seus apóstolos reunidos. Naquela noite, os apóstolos
estavam reunidos numa sala, com as portas fechadas, por medo dos
judeus. De repente, Jesus apresentou-se no meio deles e disse: “A paz
seja convosco”.
Eles se assustaram, julgando ver um fantasma; mas Jesus lhes
disse: “Sou eu, vede minhas mãos, meus pés e o lado”, onde se viam
os sinais dos pregos e da lança. E continuou falando: “A paz seja
convosco; assim como o Pai me enviou , eu vos envio”. O que quer
dizer: Breve ideia pregar por toda a parte o que eu preguei na
Palestina, e me substituireis na terra. E, soprando sobre eles, lhes deu
o poder de perdoar os pecados. Já vos contei que Jesus prometera
esse poder a seus apóstolos, e que, antes de subir ao céu, cumpriu sua
promessa. Pois nesse mesmo dia disse aos apóstolos: “A quem vós
perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e a quem os retiverdes,
serão retidos.
Repeti comigo: Jesus apareceu a seus apóstolos e lhes deu o
poder de perdoar os pecados.
266
Um apóstolo chamado Tomé, não estava com os outros
quando Jesus apareceu. Quando voltou, lhe disseram: “Vimos o
Senhor”. Tomé, porém lhes respondeu: “Se eu não puser os dedos
nos furos dos pregos, nas suas mãos e não introduzir minha mão na
chaga do seu lado, não acreditarei”.
Oito dias depois, estando todos os discípulos reunidos na
mesma casa, e Tomé com eles, entrou Jesus de novo e, aproximou-se
de Tomé, disse-lhe: “Põe aqui o dedo e vê minhas mãos; estende a
tia mão e mate-a em meu lado, e não sejas descrente, mas crente”.
Tomé, que tinha reconhecido Jesus, exclamou: “Meu Senhor e
meu Deus”. Jesus continuou: “Tu creste, Tomé, porque viste. Bem-
aventurados os que não viram e creram”.
Havia muitos homens que amavam Jesus e que, embora não o
tivessem visto ressuscitado, acreditaram no que os apóstolos diziam.
Mostro o quadro de Jesus aparecendo a São Tomé.
Repeti comigo: Jesus apareceu a seus apóstolos e a São Tomé,
que não tinha acreditado na sua ressurreição.
O evangelho não diz que Jesus apareceu a Santíssima Virgem,
mas sabe-se que ela viu Jesus e falou com ele muitas vezes. Oh! que
felicidade para a Santíssima Virgem, depois de tanto sofrimento.
7. Jesus ficou ainda quarenta dias na terra, depois da sua
ressurreição. Durante esse tempo, explicou aos apóstolos o que
deviam fazer para salvar os homens. Quis também mostrar aos
apóstolos que Pedro seria o seu substituto. Durante a sua vida já
havia dito, e os apóstolos sabiam que Pedro era seu chefe. Mas fez
questão de o mostrar mais uma vez, e eis como o fez: Estavam os
267
apóstolos no lago de Genesaré, e Pedro lhes disse: “Vou pescar”. Eles
responderam: “Nós vamos contigo”. Subiram na barca, mas naquela
noite nada pescaram. De manhã apareceu Jesus, na praia, mas os
discípulos não o reconheceram. Perguntou-lhes Jesus: “Amigos,
tendes alguma coisa para comer?” “Não”, responderam eles. “Então
lançai a rede para a direita e achareis”, disse Jesus. Eles lançaram a
rede, e tal era a quantidade de peixe que só a custo puderam
suspender a rede. Vendo esse milagre, João disse a Pedro: “É o
Senhor”. Imediatamente Pedro atirou-se ao mar e nadou até à praia,
para chegar mais depressa perto de Jesus. Os outros vieram com a
barca e arrastaram a rede cheia de peixes. Logo que saltaram a terra,
viram um fogo de brasas, sobre elas um peixe e ao lado, um pão. Jesus
lhes disse: “Trazei do peixe que apanhaste”. Pedro saltou na barca e
puxou a rede para a terra. Continha 153 peixes grandes. Todos
comeram com Jesus.
Depois de terem comido, perguntou Jesus a Pedro: “Pedro, tu
me amas mais do que estes?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, vós
sabeis que vós amo”. Disse-lhe Jesus a Pedro se o amava, e três vezes
Pedro respondeu que “sim”, e cada vez Jesus dizia: “Apascenta
minhas ovelhas”.
Que queria dizer Jesus? Queria dizer isto: “Todos aqueles que
forem batizados, que crerem em mim, serão como cordeiros e
ovelhas, e lhes é necessário um pastor, isto é, um chefe, e este chefe
és tu, Pedro. Serás o chefe de todos os apóstolos e de todos os que
crerem em mim”
Jesus acabava de nomear o primeiro papa, e os apóstolos o
compreenderam tão bem, que consideravam Pedro substituto de
268
Jesus.
Ainda hoje, consideramos o papa, que é o sucessor de São
Pedro, como o chefe de todos os que creem em Jesus e lhe obedecem.
Os bispos, que substituem os apóstolos, também consideram o
papa como seu chefe.
Repeti comigo: Jesus, que apareceu aos apóstolos no lago de
Genesaré, mandou que fizessem uma pesca milagrosa e constituiu
São Pedro chefe dos apóstolos e de todos os cristãos.
8. Chegou o tempo que Jesus devia voltar para seu Pai.
Apareceu ainda a mais de 500 pessoas, e mandou que seus apóstolos
fossem ensinar o Evangelho em toda a parte, e que batizassem todos
os homens.
Eis o que lhe disse: “Ide, pois, instruir todos os povos,
batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,
ensinando-os a observar todas as coisas que vos tenho dito. E estarei
convosco até à consumação dos séculos”.
Como Jesus é bom! Não quer nos deixar sós, e nos da chefes
que devem cuidar de nós.
Estes chefes são o papa, os bispos, os sacerdotes, que nos
ensinam a doutrina de Cristo.
Depois de quarenta dias, acabadas as instruções, Jesus foi com
seus apóstolos para o monte das Oliveiras.
Contemplou-os longamente, com amor, depois levantou as
mãos, abençoou-os e, enquanto abençoava, foi se elevando,
devagarzinho e subiu ao céu.
269
Maravilhados e saudosos, os apóstolos o foram seguindo com
os olhos, até que uma nuvem o encobriu. Continuaram a olhar; nisto
dois anjos, vestidos de branco, vieram lhes dizer: “Homens da
Galiléia, que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que acaba de
elevar-se ao céu, voltará do mesmo modo, como o viste subir”.
O dia em que Jesus subiu ao céu chama-se “Ascensão”.
Sim, Jesus está agora sentado à direita de seu Pai, donde há de
vir julgar todos os homens, no fim do mundo. É o que dizeis quando
rezais o Credo: “Creio em Deus... que subiu ao céu, está sentado à
mão direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os
vivos e os mortos...”
Apresento o quadro de Jesus subindo ao céu.
Repeti comigo: Quarenta dias depois de sua ressurreição,
Jesus reuniu seus apóstolos no monte das Oliveiras e subiu ao céu.
Jesus foi, pois, para o céu, onde está ao lado de seu Pai, e depois
dele entraram todas as almas que estavam no Limbo.
Abrira-se o céu para todos os homens que, com muito mais
facilidade, podiam entrar, pois os apóstolos iam conduzi-los sem se
enganar, porque Jesus havia de enviar-lhes o Espírito Santo,
conforme dissera: “Quando eu vos deixar, enviarei o Espírito Santo”.
Sabeis que o Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima
Trindade.
Quando fazeis o sinal da cruz, dizeis: Em nome do Pai e do
Filho e do Espírito Santo.
O Filho é Nosso Senhor Jesus Cristo.
270
O Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima trindade, que
apareceu em forma de pomba no batismo de Nosso Senhor.
É a ele que os apóstolos iam receber e dar também aos outros,
porque Jesus lhes havia mandado dá-lo a todos os que fossem
batizados.
9. Eis como receberam eles o Espírito Santo. Depois que Jesus
subiu ao céu, os apóstolos se reuniram numa grande sala, chamada
cenáculo, onde ficaram dez dias em oração. A Virgem Santíssima
estava também com eles. No fim de dez dias, O Espírito Santo desceu
sobre eles em forma de línguas de fogo, que se separaram e pararam
sobre a cabeça de cada um. Sentiram-se fortes, corajosos e começaram
a falar diversas línguas.
Mostro o quadro da descida do Espírito Santo.
No mesmo dia, São Pedro, chefe dos apóstolos, falou aos
judeus sobre Jesus. Disse-lhes que Jesus era o filho de Deus, em quem
deviam acreditar, porque ele havia ressuscitado e que eles, os
apóstolos, tinham recebido ordem de batizá-los, de dar-lhes Jesus e o
Espírito Santo. Cinco mil judeus se converteram, acreditaram em
Jesus e receberam o batismo. Foram os primeiros cristãos.
Repeti comigo: Jesus enviou o Espírito Santo aos apóstolos,
dez dias depois de ter subido ao céu.
Estes néo-batizados formaram, com os apóstolos, a Igreja de
Jesus Cristo, isto é, a sociedade de todos aqueles que, sendo
batizados, creem em Jesus Cristo e obedecem aos que Jesus designou
como chefes.
Hoje, esta sociedade ou esta Igreja, está espalhada em todo o
271
mundo, e o seu chefe, ou sucessor de São Pedro, é o papa, que mora
sempre em Roma.
Vós, meus filhinhos, sois batizados, credes em Jesus, pertencei
a Igreja de Cristo; portanto, podeis, se quiserdes, ir para o céu.
Um dia haveis de morrer, como todos os homens, e, como
todos os homens, vosso corpo tornará a viver, Deus o ressuscitará
para lhe dar o céu para sempre.
Verifico se minhas explicações foram bem compreendidas, por
isso interrogo:
1. Quem guardava o túmulo de Jesus, domingo de madrugada?
Para onde foi a alma de Jesus, enquanto seu corpo esteve no
sepulcro? Quantos dias o corpo de Jesus esteve sepultado? Quem
estava no Limbo? Porque essas almas não podiam entrar no céu?
Quem devia entrar primeiro no céu? Onde estava a alma de São José?
Que disse Jesus às almas do Limbo?
2. Que aconteceu quando Jesus uniu sua alma ao corpo? Como
se chama o dia em que Jesus ressuscitou? Quem retirou a grande
pedra que fechava a entrada do sepulcro? Como estava vestido o
anjo? Que fizeram os guardas? Que disseram eles aos judeus?
3. Porque as piedosas mulheres foram na manhã do domingo
ao túmulo de Jesus? Sabiam que Jesus tinha ressuscitado? Que diziam
entre si? Que viram? Que lhes disse o anjo? A quem foram logo
prevenir Pedro e João iam devagar para o sepulcro? Quem chegou
primeiro? Que viram no chão? Que compreenderam?
4. Que viu Maria Madalena, chegando ao túmulo? Que lhe
disseram os dois anjos? Que disse Madalena àquele que ela pensava
272
ser o jardineiro? Que lhe respondeu ele? Madalena viu logo que era
Jesus? Que lhe disse Jesus? Jesus apareceu também às piedosas
mulheres? Os judeus ficaram aborrecidos, quando os guardas lhes
disseram que Jesus tinha ressuscitado? Que lhes deram, para dizerem
que os apóstolos haviam roubado o corpo de Jesus?
5. Quem ia para Emaús? Por que esses homens estavam tristes?
Que lhes perguntou o homem que encontraram? Que lhe
responderam? Que lhes explicou então esse homem? Quando
chegaram a Emaús, o desconhecido continuou viagem? Que fez ele
durante a refeição? Que compreenderam os viajantes naquela
ocasião? Para onde voltaram logo Que disseram aos apóstolos?
6. Por que os apóstolos se tinham reunido numa sala toda
fechada? Que disse Jesus, quando se apresentou? Que lhes mostrou?
Que se via nas suas mãos, pés e no seu lado? Que poder lhes deu
Jesus? Tomé estava com os apóstolos, quando Jesus apareceu?
Acreditou logo quando os apóstolos disseram que tinham visto Jesus?
Que respondeu ele Que aconteceu oito dias mais tarde? Que disse
Jesus a Tomé? Que respondeu Tomé Jesus apareceu a Nossa Senhora
Sentiu-se ela feliz de ver seu Filho?
7. Quantos dias esteve Jesus na terra, depois da sua
ressurreição? Em que lago Pedro e os outros apóstolos foram pescar?
Tinham apanhado peixes durante a noite? Quem viram, de manhã,
na praia? Que lhes mandou Jesus? Apanharam muitos peixes? Quem
o reconheceu primeiro? Que fez Pedro para ir ter com Jesus? Quantos
peixes grades havia na rede? Jesus comeu com seus apóstolos na
praia? Que perguntou Jesus três vezes a Pedro? Que quis dizer,
repetindo-lhe: “Apascenta meus cordeiros?” Quem é o chefe, hoje de
273
todos os que creem em Jesus?
8. A que montanha Jesus levou seus apóstolos, quarenta dias
depois da ressurreição? Que fez, abençoando-os? Quem veio dizer aos
apóstolos que Jesus só voltaria no fim do mundo? Como se chama o
dia em que Jesus subiu ao céu? Em que oração dizeis que Jesus
ressuscitou e subiu ao céu? Quais as almas que entraram no céu com
Jesus? Quem devia ser enviado por Jesus a seus apóstolos? O Espírito
Santo é a primeira pessoa da Santíssima Trindade? Em que ocasião
o Espírito Santo aparecera?
9. Quantos dias depois da Assunção desceu o Espírito Santo
sobre os apóstolos? Onde estavam os apóstolos? A Santíssima Virgem
estava com eles? Com que forma desceu o Espírito Santo? Que fez
São Pedro, quando recebeu o Espírito Santo? Depois da morte, vosso
corpo ressuscitará?
III. EXERCÍCIO PRÁTICO
1. Onde está Jesus ressuscitado?
Pensai nas piedosas mulheres que foram ao túmulo para ver o
corpo de Jesus... Pensai em Pedro, em João que correram para ir ao
seu encontro... Se tivésseis vivido naquele tempo, teríeis gostado de
ir com eles. Onde podeis agora encontrar Jesus? Onde vos espera Ele?
Na igreja, no tabernáculo. É lá que vos espera e onde está com seu
corpo ressuscitado... como estava outrora com seus apóstolos.
Repeti comigo: Jesus ressuscitado, estais presente no
tabernáculo.
Prometei ir ver Jesus na igreja.

274
Um minuto de silêncio.
2. Para entrar no céu com Jesus.
Mostro o quadro de Jesus subindo ao céu.
Vede este quadro. Que representa? Par aonde está subindo
Jesus?... Sabeis o que é o céu?... Para onde vai a alma depois da
morte?... Para onde quereis ir mais tarde? Para o céu, com Jesus...
Que é preciso fazer para ir ao céu? Que deveis fazer me casa? Que
deveis fazer no colégio? Que deveis fazer com vossos companheiros?
Que deveis, principalmente, fazer por Deus?
O catequista ajudará a criança a encontrar tudo o que deve fazer.
Olhai bem este quadro de Jesus subindo ao céu, e dizei: Um
dia minha alma também subirá ao céu, como Jesus. Fechai os olhos...
prometei ser obediente, estudioso e mamar muito a Deus.
3. As orações ao espírito Santo.
Procuremos juntos as orações em que se pronuncia o nome do
Espírito Santo: Fazei o sinal da cruz... Acabais de pronunciar o nome
do Espírito Santo. Rezai o Credo: Creio em Deus Pai... creio no
Espírito Santo... Quando crescerdes, ainda o vereis em muitas
orações.
4. Quando o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos,
inspirou-lhes o pensamento de falarem aos judeus, dizendo-lhes que
Jesus era o Filho de Deus, que deviam acreditar na sua ressurreição.
Não tinham medo de dizer isso aos que tinham crucificado Jesus.
Possuís O Espírito Santo em vossa alma desde o batismo... e
muitas vezes ele vos inspira o que deveis fazer.
275
Conheço um menino que, passando por uma igreja, teve
vontade de entrar para visitar Jesus. Entrou, ajoelhou-se diante do
tabernáculo e rezou com todo o seu coração. Quem lhe inspirou a
ideia de entrar na igreja? O Espírito Santo.
Repeti comigo: O Espírito Santo habita em nossas alma e nos
aconselha, devemos atendê-lo.
5. Pensai no Sacramento da Confirmação.
Já assististe muitas vezes a cerimônia da primeira comunhão.
As meninas estão todas de branco, com véu e os meninos com um
laço branco no braço. À tarde, ou alguns dias depois da comunhão
solene, o senhor bispo, todo vestido de roxo, vem lhes conferir o
sacramento da confirmação. Dizei baixinho: o bispo é aquele que
está no lugar dos apóstolos... e a quem Jesus disse: “Dareis o Espírito
Santo”. O bispo deu, pois, o Espírito Santo aquelas crianças... e, a
partir daquele instante suas almas ficaram pertencendo inteiramente
ao Espírito Santo... como um soldado pertence ao seu chefe...
Pensai... eu também hei de receber o Espírito Santo.
6. Onde acha a criança o substituto de Jesus?
Jesus dizia o que era preciso fazer para agradar a Deus. Quem
vos fala de Deus? Quem vos ensina o catecismo? Quem vos diz o que
deveis fazer? Respondei comigo: É o sacerdote. Jesus perdoava os
pecados, e dizia aos seus apóstolos que era preciso perdoar aqueles
que se arrependessem de suas faltas. Quem perdoa vossos pecados
em nome de Deus... Quem vos ouve no confessionário? Respondei
comigo: O sacerdote. Antes de morrer na cruz, Jesus deu a seus
apóstolos seu corpo... seu sangue... Quem vos dá o corpo e o sangue

276
de Jesus? Respondei comigo? O sacerdote. Dizei lentamente: O
sacerdote substitui Jesus. Quando assistirdes a missa, quando
ouvirdes um sermão, quando vides o sacerdote, dando a comunhão,
pensai que ele está em lugar de Jesus.
Na lição seguinte perguntar:
Em quem pensastes quando vistes o sacerdote celebrar a missa?
Indo vos confessar? Vendo o sacerdote dar a santa comunhão?
IV. FORMAÇÃO DA PIEDADE
1. O Credo de uma criança
Meu Deus, assisti as lições do catecismo e sei que fizestes do
nada o céu, a terra e que criaste o homem. Creio em Deus Pai, todo-
poderoso, Criador do céu e da terra.
Conheço a história de Nosso Senhor Jesus Cristo: Ele nasceu
em Belém. Sua mãe é a Virgem Maria. Foi criança como eu. Pregou
durante três anos e mostrou que era o filho de Deus. Em Deus há
três pessoas. Foi traído por Judas, foi condenado à morte e pregado
na cruz, com pregos grandes, que atravessaram suas mãos e pés.
Morreu; depois os amigos puseram no sepulcro. Sua alma, depois da
morte, foi visitar as almas dos justos, no limbo. Na manhã do terceiro
dia, Jesus ressuscitou, saindo vivo do túmulo. Depois de quarenta
dias, subiu ao céu, onde está sentado à direita de seu Pai. Voltará no
fim do mundo para julgar todos os homens.
Creio no Espírito Santo, terceira pessoa da Santíssima
Trindade. Creio que Jesus deu, aos que creem nele, chefes para guiá-
los: o papa e os bispos. Todos os que creem em Jesus formam uma
grande família, que se chama Igreja.
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Os membros dessa família estão ou no céu, ou no purgatório,
ou na terra. Creio que Jesus nos perdoa os pecados. Hei de morrer
um dia, mas ressuscitarei e terei uma vida eterna.
2. Oração de uma criança pelo Papa
Na aula, o professor já vos mostrou um globo, que representa
todo o mundo, todos os países. A quem pertencem todas essas terras?
Aquele que as criou: a Deus, a Jesus.
A quem disse Jesus: “Ide por toda a parte e ensinai a todos que
sou o Filho de Deus?” A seus apóstolos, antes da ascensão. Qual foi
o apóstolo escolhido para, como chefe, governar todo o mundo? São
Pedro.
Há agora um homem que se ocupa em mandar instruir a todo
o mundo que Jesus é o Filho de Deus, que ele nos remiu, que ele nos
ama e que é preciso obedecer-lhe. Este homem é aquele que substitui
São Pedro: é o Papa.
Oração: Fim do Credo.
“Desceu aos infernos, e ao terceiro dia ressurgiu dos mortos...”
Lição: Aprender de cor:
1. Em que dia se celebra a ressurreição de Jesus Cristo? 2. Em
que dia se celebra a entrada de Jesus no céu? 3. Que é a confirmação?
Conselhos aos catequistas (sacerdotes, professores, mães de
família):
1. Mostrar as crianças os quadros que representam as diferentes
cenas estudadas nesta lição.

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2. Mandar colorir imagens representando estas cenas.
3. Insistir na ideia de que a Igreja é a continuação de Nosso
Senhor.
4. Explicar que o Credo é o resumo da história de Jesus.
Mandar rezar o Credo diante do tabernáculo.

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SUMÁRIO

DUAS LIÇÕES PRELIMINARES .................................................. 7


I. O corpo e a alma da criança ...................................................... 7

II. Deus – A Santíssima Trindade .............................................. 14

HISTÓRIA SAGRADA................................................................. 24
III. Deus cria o mundo ............................................................... 24

IV. Criação dos anjos ................................................................. 33

V. Criação de Adão e Eva ........................................................... 44

VI. Desobediência de Adão e Eva .............................................. 55

A HISTÓRIA SANTA ................................................................... 70


VII. Jesus Salvador. Sua Pátria. Maria, Mãe de Jesus. Jose, o
Carpinteiro ................................................................................. 70

VIII. Anunciação. Visitação. José e o Anjo ................................ 83

IX. O Nascimento de Jesus ......................................................... 97

X. Os Magos. Fuga para o Egito. Volta a Nazaré ...................... 112

XI. Jesus Em Nazaré, modelo das Crianças .............................. 124

XII. Jesus em Nazare, modelo de todas as crianças................... 137

XIII. Começo da Vida Pública de Jesus .................................... 152

XIV. Os milagres de Nosso Senhor .......................................... 165


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XV. O Juízo, o Céu, o Inferno e o Purgatório .......................... 176

XVI. O poder da Oração .......................................................... 189

XVII. O meio de recuperar a graça perdida pelo pecado: A


penitencia ................................................................................. 202

XVIII. A Eucaristia. Jesus está conosco .................................... 219

XIX. Jesus sofre e morre por nós .............................................. 239

XX. Ressurreição. Ascensão. Pentencostes. A Igreja de Jesus ... 260

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