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ESCOLA INÍCIO DO SABER

PROFESSOR: JUNIOR

ALUNO:_____________________________________________________________

8º ANO

O MARXISMO É ANTICRISTÃO, ABSURDO E INCOERENTE.


pe. Fernando Bastos de Ávila, SJ

A filosofia marxista é omaterialismo dialético. Segundo Marx, a matéria evolui


dialeticamente, isto é, pela superação de sucessivas contradições ou tensões, passando
de uma tese para uma antítese e desta para a síntese. (...) Este processo evolutivo é uma
lei imanente do cosmos, que preside suas transformações desde a matéria primitiva,
origem de tudo que existe, até a sociedade comunista perfeita, que é o vértice para o
qual caminha toda a história e que dá sentido a toda a evolução cósmica. A filosofia
marxista é assim uma cosmovisão (Weltanschuung).

O comunismo é, portanto, uma filosofia do cosmos, uma filosofia do homem e


uma filosofia da história. Para ele, a origem do cosmos é a matéria. Qualquer indagação
sobre a origem desta matéria não tem, para ele, valor científico, porque procuraria algo
além do cosmos. A origem do homem é a própria evolução da matéria, passando
dialeticamente de formas imperfeitas a formas sempre mais perfeitas. Este homem,
mero resultado da evolução da matéria, não tem nenhuma razão de ser, nenhum destino
além do cosmos material. Emergindo da matéria, ele volta à matéria, e, quando seu
corpo se desintegra, nada mais resta da pessoa humana. O único sentido de sua vida é
inserir-se na evolução, na história, e preparar o advento da sociedade futura. Como
filosofia da história, enfim, o marxismo a explica como uma marcha segundo uma lei
imanente, intrínseca ao próximo processo histórico, pela qual a humanidade se
encaminha, determinadamente, para a sociedade comunista. Esta marcha haverá de se
realizar através das três etapas da tese, antítese e síntese.

(...)
Por várias razões, um cristão não pode aceitar a filosofia comunista. Primeiro,
porque o marxismo é ateu: nega a existência de Deus. Para o comunismo, a origem de
tudo é a matéria e tudo se explica pela evolução dialética da matéria. Para ele, Deus é
uma criação da alienação religiosa. O homem miserável pela alienação econômica cria a
idéia de um ser bom e poderoso a quem possa implorar socorro para a sua miséria.
Depois projeta esta idéia fora de si, a objetiva, a personifica e assim cria-se um Deus.
Enquanto o homem continuar persuadido da existência de Deus, enquanto não se der
conta de que Deus é uma criação de sua miséria, não se decidirá à luta, porque
continuará a esperar o auxílio do alto. A religião é o ópio do povo, porque o mantém
entorpecido com essas falsas idéias e o impede de descobrir a causa real de sua miséria,
e o sentido da história.

(...)

A segunda razão da incompatibilidade do cristianismo com o marxismo reside


no fato de que o materialismo comunista é um relativismo moral.

Não existe para ele uma moral absoluta, isto é, princípios morais válidos para
todos os tempos. Para o comunismo, só existem princípios relativos a certa fase do
processo evolutivo. O que era verdade na fase capitalista não será mais na fase
comunista. Um conjunto de idéias e de princípios não tem valor em si, mas enquanto
servem de clima, de superestrutura, para permitir que determinada fase histórica
desempenhe sua função histórica. Assim, durante o capitalismo, cria-se um direito
natural de propriedade. Essas idéias, porém, não tinham valor em si. Eramválidas para a
fase capitalista, porque sem elas o capitalismo não poderia funcionar.

O único princípio válido para o comunista é que o fim justifica os meios. Ele
considera moralmente bom tudo aquilo que favorece a vitória do partido. (...)

O materialismo dialético não é apenas inaceitável para um cristão. É inaceitável


por qualquer pessoa que repudia uma interpretação absurda e incoerente do mundo e da
história.
O materialismo dialético é absurdo. Segundo ele, o fenômeno pensamento,
consciência, só aparece para o homem, e o homem é um fruto tardio do processo
evolutivo. Antes do homem aparecer, e com ele o pensamento, a matéria evoluiu
dialeticamente, desde sua forma primitiva até suas formas mais perfeitas. Seguiu assim
um roteiro admiravelmente convergente, admiravelmente ordenado, superando
dialeticamente formas menos perfeitas até chegar ao homem. É este o sentido do
princípio marxista de que a existência é anterior à consciência. (...)

Assim, o materialismo dialético nos obriga a aceitar o absurdo de um movimento


evolutivo admiravelmente bem pensado, anterior a todo o pensamento.

O materialismo dialético é incoerente. Se a história também evolui


dialeticamente, passando de uma tese para uma antítese, e para uma síntese, por que a
sociedade comunista será a síntese final da história humana? Por que, por sua vez,
aplicando o próprio princípio dialético, ela não será tese para uma nova antítese e uma
nova síntese? Ou o comunismo admite que a história humana terá fim, ou não admite.
Se a história terá um fim, por que todas as gerações deverão sacrificar-se em favor
daqueles que terão a felicidade de vir no fim? Não existe nenhuma proporção entre o
imenso esforço cósmico e o imenso esforço evolutivo de toda a humanidade, de todos
os tempos, e a felicidade de uma privilegiada geração final. Se a história não terá um
fim, por que a síntese comunista não será por sua vez superada pelo processo dialético?

A esta última objeção, os comunistas respondem dizendo que a sociedade


comunista, como sociedade perfeita, não terá tensões internas, e assim não sofrerá a
ruptura de suas estruturas, que permitiria a emergência de uma nova forma de
sociedade. Tal resposta desconhece a totalmente a psicologia humana, que desejará
sempre formas mais perfeitas. Em todo o caso, para não raciocinar sobre um futuro vago
e ignoto, a experiência comunista mais longa, a da URSS, não parece confirmar a
previsão de que a sociedade comunista absorverá todas as divisões e todas as tensões. A
crer em autores comunistas, na própria URSS, tendem a aparecer novas classes entre as
quais se esboçam novas tensões.

Ávila, Fernado Bastos de. Solidarismo, Rio de Janeiro, Agir, 1965, p. 100 e 108-112.
Acesso em: http://adjutoriumnostruminnominedomini.blogspot.com.br/2009/11/o-
marxismo-e-anticristao-absurdo-e.html, dia 21/03/2016

O SOCIALISMO MARXISTA
Para Marx, o socialismo (ou comunismo) não é uma fuga, abstração ou perda do
mundo objetivo que os homens criaram pela objetividade de suas faculdades. Não é um
regresso empobrecido à simplicidade antinatural e primitiva. É, antes, o primeiro real
aparecimento, a genuína efetivação da natureza do homem como algo real. O
socialismo, para Marx, é uma sociedade que permite a efetivação da essencia do homem
superanso sua alienação. É nada mais nada menos que a criação das condições para o
homem verdadeiramente livre, racional, ativo e independente; é a consencução do
objetivo profético: a destruição dos ídolos.

Ter podido Marx ser encarado como um inimigo da liberdade só foi possibilitado
pela fantástica fraude de Stalin ao presumir falar em nome de Marx, associado à
fantástica ignorância existente no mundo ocidental a respeito de Marx. Para ele, o alvo
do socialismo era a liberdade, mas liberdade em um sentido muito mais radical que o
concebido pela democracia existente – liberdade no sentido de independência, apoiada
no fato de o homem valer-se a si próprio, utilizando suas própias forças e relacionando-
se produtivamente com o mundo. “A liberdade”, disse Marx, “é em tão alto grau a
essência do homem que até seus inimigos percebem isso… Nenhum homem combateu a
liberdade: no máximo, combate a liberdade dos outros. Toda espécie de liberdade,
portanto, sempre existiu, as vezes como um privilégio especial, outras vezes como um
direito universal.

O socialismo, para Marx, é uma sociedade que atende às necessidades do homem.


Muitos, porém, indagarão: não é isso exatamente o que faz o moderno capitalismo? Não estão
as nossas grandes empresas mais do que ansiosas por atender às necessidades do homem? E
as grandes campanhas de publicidade não são as patrulhas de reconhecimento que, por meio
de enormes esforços, desde o levantamento até “análises de motivações”, procuram descobrir
quais são as necessidades do homem? Em verdade, só se pode entender o conceito e
socialismo uma vez entendida a distinção feita por Marx entre as necessidades verdadeiras do
homem e as suas sintéticas, artificialmente produzidas.

(...)

As verdadeiras necessidades homem são aquelas cuja satisfação é indispensável à


efetivação de sua essência como ser humano. Conforme Marx diz: “A existência daquilo que eu
verdadeiramente amo é sentida por mim como uma necessidade, como uma exigência, sem
qual minha essência não pode ser realizada, satisfeita, completa”.

(...)
A missão do analista da sociedade é exatamente despertar o homem para tornar
conhecimento das ilusórias necessidades falsas e da realidades de suas necessidades
verdadeiras. O principal objetivo do socialismo, para Marx, é a identificação de efetivação das
necessidades verdadeiras do homem que só serão possíveis quando a produção servir ao
homem e o capital cessar de criar e explorar as falsas necessidades do homem.

O conceito que Marx fazia do socialismo era de um protesto, como ocorre com toda a
filosofia existencialista, contra a alienação do homem. Se, conforme assevera Aldous Huxleu,
“nossas medidas econômicas, sociais e internacionais do presente são baseadas, em grande
proporção, no desamor organizado”, então o socialismo de Marx é um protesto contra
exatamente esse desamor, contra exploração do homem pelo homem, e contra sua atitude
exploradora em face da natureza, o esbanjamento de nossos recursos naturais a expensas da
maioria dos homens de hoje, e mais ainda das gerações vindouras. O homem não-alienado,
que é o objetivo do socialismo, (...) é o homem que não “domina” a natureza, porém se une a
ela, que é sensível aos objetos, de modo que estes se tornam vivos para ele.

(...)

Marx combateu a religião exatamente por ela estar alienada e não atender às
necessidades verdadeiras do homem. A luta de Marx contra Deus é, na realidade, uma luta
contra o ídolo a que chamam de Deus. Já na juventude ele escreveu , como lema de sua
dissertação: “Não são ateus oss que desprezam os deuses as massas, porém aqueles que
atribuem as opiniões as massas aos deuses.”O ateísmo de Marx é a forma mais adiantada de
misticismo racional, mas próximo de Mestre Eckhart ou do budismo Zen do que são muitos
defensores de Deus e da religião que o acusam de impiedade.

(...)

Para Marx, o socialismo significa a ordem social que permite o regresso do homem a si
mesmo, a identidade entre existência e essência, a superação do isolamento e antagonismo
entre o sujeito e o objeto, humanização da natureza: significa um mundo onde o homem não é
mais um estranho entre estranhos, mas está no mundo dele, onde se sente em casa.

ERICH FROMM
Conceito marxista do homem , p.64-66 e 70