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Comentário

Bíblico Diamantes Eternos




Como Peregrinos e Forasteiros





Meditações em Primeira Pedro



Primeira Edição 2017






Diamantes Eternos
________________________________________________________
Copyright © Luiz Miguel de Souza Gianeli



Arte e Diagramação
Luiz Miguel de Souza Gianeli


Capa
Luiz Miguel de Souza Gianeli via Canva – editor de capas online:
www.canva.com


Revisão
Luiz Miguel de Souza Gianeli



www.diamanteseternos.blogspot.com.br/




Primeira edição (ago/2017)



Impressão e publicação:
DIAMANTES ETERNOS: www.diamanteseternos.blogspot.com.br

Dedico este livro aos meus três preciosos filhos; Agnes,
Annelise e Luigi, presentes maravilhosos do Senhor, que
tornam nossa jornada como peregrinos e forasteiros
ainda mais especial, desafiadora e prazerosa. Amo
vocês!


















Índice
Apresentação
Prefácio
Introdução
Graça e Paz num Mundo Mau
Alegria em Meio as Provas
Valorizando Nossa Salvação
Filhos da Obediência
No Temor do Senhor
Crescendo na Salvação
Um Amigo em Meio as Provas
Vivendo Como Peregrinos
Submissão aos Superiores
A Vida Comum do Lar
Desenvolvendo Virtudes Cristãs
Santificando a Cristo em Meio ao Sofrimento
Pensando Como Jesus
Preparados para o Fim
Sob o Fogo da Provação
De Pastor para Pastor
Humildade - O Segredo da Vida Cristã
Conclusão
Referências Bibliográficas



Apresentação


A Série “Comentário Bíblico Diamantes Eternos” é uma coletânea de
meditações em livros bíblicos selecionados, apresentados de forma prática e
devocional, visando o desenvolvimento espiritual do leitor.
Cada volume receberá seu título provindo de algum versículo chave do livro
ou de algo relacionado ao tema principal do mesmo.
Este volume inicial; “Como Peregrinos e Forasteiros”, cobre toda a Primeira
Epístola de Pedro, dividido em dezessete capítulos de conteúdo rico e
profundo, porém apresentados de forma simples e objetiva.
Os próximos, se assim o Soberano Senhor permitir, serão baseados nos
Evangelhos de João, Mateus e Marcos, Miquéias, Salmos (somente parte
deles), Gênesis e Atos dos Apóstolos, não necessariamente nesta ordem.
Que o bondoso Deus ilumine a todos e use esta literatura para a Sua glória e
crescimento de Sua Igreja.








Prefácio

Acho muito interessante e oportuna a ideia de termos um comentário da primeira
carta de Pedro em forma de devocional. Isso mostra os dois principais aspectos
dessa carta: o instrutivo e o prático. Cristologia e soteriologia, bem como
santificação e tantas outras doutrinas fundamentais são tratadas neste livro com o
propósito de nos incentivar a conhecermos mais de CRISTO e sua obra, e
também, como vivermos segundo o seu exemplo de vida.
Nos dias de hoje, quando especialmente em nosso país, não sabemos o que
é de fato "perseguição à fé cristã", tomando como exemplo os sofrimentos dos
cristãos dos primeiros séculos depois de CRISTO, notamos que aqueles que se
denominam "evangélicos" atualmente, não associam o cristianismo com a ideia
de sofrimento, mas somente de "prosperidade" material, chegando ao extremo de
dizerem que "não aceitam enfermidades, pobreza, ou qualquer adversidade, pois
são filhos do Rei. Que diferença com os verdadeiros filhos do Rei que
enfrentaram a fogueira, a crucificação, o espólio e tudo o mais.
A primeira carta de Pedro é dirigida aos cristãos assolados por todo tipo
de sofrimentos, justamente por causa da sua fé em JESUS. Ele mesmo havia dito
que no mundo teremos aflições, mas para termos bom ânimo, pois Ele venceu o
mundo, e essa é a vitória que vence o mundo, a nossa fé nEle.
Muitos dos cristãos de hoje, não estão preparados para enfrentar
sofrimentos, pois querem viver aqui como se já estivessem no céu. Se tivermos
uma forte perseguição, a maioria certamente desfalecerá. Não poucos cristãos se
desanimam e abandonam a igreja quando passam por provações. Isso faz da
carta em questão muito oportuna para o povo de DEUS hoje, pois nos ensina a
enfrentar as lutas da vida sem desfalecermos na fé e a continuarmos firmes com
base nas promessas do porvir.
O Pastor Luiz Miguel foi guiado por DEUS na escolha desta preciosa
carta, pois nos estimula a perseverar em meio às provações inevitáveis e nos
comportarmos como cristãos inabaláveis, não somente conhecendo, mas
especialmente vivendo a Palavra do SENHOR. O autor deste comentário
devocional corrobora suas próprias palavras com seu testemunho e seu serviço
cristão. Eu conheço o Pr. Luiz Miguel há muitos anos, e sei que ele vive o que
prega e agora, o que escreve. Isso faz com que este livro tenha autoridade
espiritual para nos transmitir a Palavra de DEUS.
A leitura deste livro resultará no nosso crescimento espiritual,
contribuindo para que estejamos mais preparados para continuarmos firmes
independentemente das circunstâncias, contemplando o que para nós está
reservado em CRISTO JESUS. O SENHOR abençoe o autor e os leitores deste
precioso comentário devocional.



Cléber Rodarte Neves
Pastor da Igreja Batista Independente Boas Novas em Campo Belo/MG desde
1984

Introdução

Cerca de 1000 anos antes de Cristo o rei Davi havia dito:

“Porque somos estrangeiros diante de ti, e peregrinos como todos os nossos
pais; como a sombra são os nossos dias sobre a terra, e sem ti não há
esperança.” 1Crônicas 29.15

Muito tempo depois, o apóstolo Pedro retoma a este tema em sua primeira
epístola, usando as mesmas palavras de Davi, visando encorajar os cristãos a
suportarem a intensa e crescente perseguição que assolava a Igreja de Jesus
Cristo.
Escrita por volta do ano 60 d.C. esta carta foi dirigida aos crentes que
residiam nas cinco províncias da Ásia Menor (Atual Turquia) ao norte dos
montes Taurus.[1]
Num estilo dinâmico e muito prático, como era próprio ao mais
proeminente apóstolo de Jesus, Pedro nos deixou um pequeno, maravilhoso, útil
e edificante tratado sobre a vida cristã em meio ao sofrimento. Sempre
apontando para o Salvador, ele nos mostra como vivermos em meio às lutas e
tribulações desta vida, deixando claro que o nosso coração não deve estar neste
mundo, ois somos apenas “peregrinos e forasteiros”, caminhando rumo ao
nosso eterno lar.
Que a cada dia de nossa jornada aqui possamos nos voltar à estas
inspiradas palavras de Pedro e, firmados em nosso Senhor e Salvador Jesus
Cristo, superarmos todas as dificuldades para a glória Dele.

Graça e Paz num Mundo Mau
1 Pedro 1.1-2


Muitas vezes pensamos que não temos capacidade de servir a Deus devido aos
nossos pecados e defeitos, sofremos com as tribulações e lutas da vida, achando
que nunca acabarão, sofremos com as coisas ruins deste mundo mal, pensamos
que Deus se esqueceu de nós, enfim, passamos por dias terrivelmente difíceis.
Não somos os únicos, muitos irmãos ao redor do mundo passam por isso e, a
quase dois mil anos atrás, o apóstolo Pedro escreveu uma carta para irmãos em
Cristo que passaram por grandes lutas e sofrimentos nesta vida.

Pedro escreveu esta carta entre os anos 63 e 65 d.C. enquanto estava em Roma
(5.13), cidade que chama de “Babilônia” por causa da perseguição contra os
crentes que ocorria ali e em todo o império, promovida, em especial, pelo
imperador Nero, o qual ateou fogo na cidade e culpou os cristãos. Pedro
escreveu para os crentes que estavam dispersos (espalhados) pela região da Ásia
Menor, atual Turquia e passavam por várias tribulações e dura perseguições,
mesmo assim, tinham o chamado de Deus para fazer a diferença no mundo. E
nesta introdução podemos aprender que:

PODEMOS DESFRUTAR DE MUITA PAZ E GRAÇA EM NOSSAS
VIDAS!

Como vemos no versículo 2, “Graça e Paz” era uma saudação comum entre os
judeus e os primeiros crentes, mas aqui Pedro deseja graça e paz multiplicadas,
ou seja, em grande número, em grande quantidade, muito mesmo. E nos mostra
como desfrutar disso:

LEMBRANDO DELE MESMO (V1): Sim, nos lembrando do próprio apóstolo
Pedro. Ele que, inspirado por Deus, foi o autor desta carta/epístola, mas usou um
“amanuense” (escritor) que foi Silvano (5.12) que muitos crêem ser Silas, aquele
que acompanhou o apóstolo Paulo em boa parte de seu ministério e viagens
missionárias. Pedro se intitula “apóstolo de Jesus Cristo”, e ele o era, escolhido
pelo próprio Senhor para esta missão, um enorme privilégio para o pescador
galileu. Não existem mais apóstolos hoje em dia, mas Pedro se alegrava por ter
sido um escolhido e enviado pelo Mestre.

Aqui, Pedro já era idoso, um apóstolo experiente, amoroso, sábio, fiel a Deus,
dedicado, cheio de autoridade e de lições para dar. Conhecido entre todos os
cristãos do mundo antigo, foi usado por Deus e inspirado pelo Espírito Santo
para escrever dois livros da Bíblia (3 se considerarmos o evangelho de Marcos
que alguns estudiosos atribuem a Pedro). Mas quem era Pedro?

Um pescador, líder por natureza, contudo rude, bruto e impulsivo. Empolgado
demais, falava sem pensar direito e, por isso, agia de forma errada na maioria
das vezes. Foi levado a Jesus por seu irmão André (do qual pouco sabemos,
além de que também era um dos discípulos do Senhor), escolhido por Jesus para
ser seu discípulo, líder natural dos apóstolos e um dos três mais próximos de
Jesus. Fez declarações maravilhosas de fé no Salvador, negou Jesus três vezes e
foi perdoado pelo Senhor – Olhando por este ângulo, não somos muito diferentes
de Pedro, na verdade, muito parecidos, temos fé, boa vontade, mas falhamos,
pecamos, caímos, negamos nosso Salvador, contudo, pela graça de Deus, Pedro
se tornou um novo homem:

Depois de perdoado, liderou os apóstolos após a Ascensão de Jesus, pregou no
dia de Pentecostes e três mil pessoas se converteram, abriu a porta do evangelho
aos gentios, escreveu dois livros da Bíblia e deu sua vida por amor a Cristo. O
rude pescador se tornou um dedicado e fiel pescador de homens – Que mudança,
que transformação, e o mesmo vale para nós, a graça de Deus é o que conta,
Jesus nos transforma, nos usa como somos, nos perdoa e nos faz melhorar com o
tempo.

W. Wilber Welch disse: “Não devemos jamais fazer pouco do poder de Deus de
transformar. Ele não nos escolhe por causa do que somos, mas antes pelo que
Ele pode fazer de nós através de Sua graça.” [2]

Está desapontado consigo mesmo? Lembre-se de Pedro, olhe para Cristo e deixe
que Ele, com Sua infinita graça e misericórdia, transforme a sua vida e use-o em
Sua obra.

LEMBRANDO QUE SOMOS FORASTEIROS NESTE MUNDO (V1): Pedro
escreveu para os crentes que estavam dispersos pela Ásia Menor (atual Turquia).
Ele chama-os de “Forasteiros” (ARA) ou “Estrangeiros” (ACF) na Dispersão.
Eram judeus ou gentios que, devido as perseguições, precisaram deixar suas
cidades, países e culturas, para viver em locais diferentes e recomeçar suas vidas
sem deixar de servir ao Senhor. Contudo, o significado principal disso e o
objetivo de Pedro era o de lembrá-los que eram “forasteiros, estrangeiros e
peregrinos neste mundo”, ou seja, que não eram daqui, que estavam nesta terra
só de passagem, e que seu verdadeiro lar era o céu

“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o
Senhor Jesus Cristo,” Filipenses 3:20

“Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as
de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e
peregrinos na terra.” Hebreus 11:13

Mais do que estrangeiros nesta terra, aqueles crentes precisavam se lembrar de
que eram estrangeiros neste mundo, cidadãos do céu, filhos de Deus e saber que,
por isso, sofreriam perseguições e precisariam viver de modo diferente.

Estrangeiros são diferentes (por mais que tentem ser parecidos...), e nós também
devemos ser, são facilmente identificáveis, e nós também devemos ser. Temos
que viver como Deus quer, como salvos, Filhos de Deus e não como incrédulos,
ímpios, perdidos ou pessoas que amam este mundo. Precisamos saber também
que, por não sermos daqui, o mundo não nos aceitará, seremos perseguidos e
padeceremos tribulações, tudo para não nos apegarmos a este mundo ou ao
pecado e mantermos nossos olhos no céu e na volta de Jesus. Somos forasteiros
aqui amados irmãos, estrangeiros, peregrinos, estamos apenas de passagem.
Vivamos como tais, como cidadãos do céu e não nos apeguemos a este mundo.
LEMBRANDO QUE SOMOS SALVOS POR DEUS (V2): Por fim, Pedro
lembra os seus leitores sobre a maior e melhor bênção que tinham: A Salvação!
A qual inclui grandes e maravilhosas bênçãos:

Eleitos de Deus: Por duas vezes (ARA) chama-os de “eleitos”, ou seja,
escolhidos. Cada crente, cada salvo, é um escolhido de Deus. Ele nos escolheu e
isso antes da fundação do mundo (Ef 1.4 e Jo 15.16). Isso acaba com nosso
orgulho ou presunção, somos salvos pela graça de Deus somente e não por
merecimento. Se Deus fosse nos escolher por nossos méritos, jamais o faria, pois
somos pecadores. Só cremos em Jesus porque Deus nos buscou primeiro. Que
privilégio, que milagre, que presente.

Conhecidos por Deus nosso Pai: Fomos Eleitos pela Presciência de Deus, ou
seja, o seu conhecimento prévio e perfeito de todas as coisas, sua vontade. O
Fato é, Deus nos conhecia antes de nascermos, antes de criar o mundo, nos
conhecia, nos amou e nos escolheu. Ele nos conhece perfeitamente desde nosso
nascimento, bem como cada área de nossa vida (Sl 139).
Podemos ser desconhecidos para muitos ou até desprezados. Autoridades não se
importam em nos conhecer, mas Deus nos conhece e nos ama, se importa
conosco, conhece nossas dificuldades, lutas, tribulações e necessidades, conhece
nosso coração e nossos pensamentos, nos conhece perfeitamente. Enfim, nos
conhece como o Pai Celestial, amoroso e Perfeito que é.

Santificados pelo Espírito Santo: Fomos santificados por Deus, ou seja,
separados de tudo e de todos, agora somos Dele, só Dele. O Espírito Santo
habita em nós e é o selo da nossa salvação e santificação.
Além de sermos separados para Deus, devemos ser separados do pecado e do
sistema pecaminoso e caído deste mundo, temos que ser santos em nosso viver
diário, e o Espírito Santo nos capacita a isso, nos dá as condições e o poder
necessários. Sejamos, portanto, santos neste mundo.

Marcados pelo Sangue de Cristo: Nossa salvação se deu pelo sangue que Jesus,
o Filho de Deus, derramou na cruz em nosso favor. Este sangue nos purifica de
todo pecado e é a marca de nossa redenção – igual aos hebreus quando saíram do
Egito que tiveram suas casas marcadas pelo sangue do cordeiro – somos salvos
por causa do Sangue de Jesus e não por nossos merecimentos ou obras. Além
disso, tudo o que era marcado pelo sangue no Antigo Testamento era purificado,
santificado e separado para Deus – “E quase todas as coisas, segundo a lei, se
purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão.” Hb
9:22 Você já foi marcado pelo sangue de Cristo? Lavado por ele? Se sim, pode
desfrutar da paz e da graça de Cristo em sua vida.

Pessoas Obedientes: Fomos salvos para a obediência, obediência a Deus e a sua
Palavra. Obedecemos ao Evangelho quando cremos em Jesus e agora devemos
obedecer a Deus diariamente. Não somos mais perdidos, desobedientes ou
rebeldes, mas somos Filhos, salvos para a obediência. Esta é a marca do povo de
Deus, dos seus filhos e o que Ele espera de nós. É uma das provas de que somos,
de verdade, salvos por Jesus – “Se me amais, guardai os meus
mandamentos.” João 14:15. Você tem sido obediente? Precisamos ser!

Pedro introduz sua carta com lembranças importantíssimas e essenciais para
fortalecer a fé e o ânimo dos crentes da dispersão e, por meio disso tudo, deseja a
eles a Graça (favor imerecido) e a Paz de Deus multiplicadas. Ele sabe que eles
poderiam desfrutar tudo isso.
Esta graça e esta paz estão disponíveis somente para quem crê em Jesus como
Senhor e Salvador. Você crê? E os que crêem, têm tudo isso disponível sempre e
em grande quantidade, não devido as circunstâncias, não nas coisas deste
mundo, não em si mesmos, mas em Jesus, no Pai Celestial, no Espírito Santo que
em nós habita e em nossa salvação. Enfim, desfrutemos, mesmo nas lutas e
tribulações da vida, da graça e da paz de Jesus multiplicadas sobre nós, basta
confiarmos.



Alegria em Meio as Provas
1 Pedro 1.3-9


Nestes versículos o apóstolo Pedro nos mostra que é possível desfrutar da alegria
da salvação mesmo em meio às provas da vida.

Ainda falando aos irmãos dispersos que sofriam muito por sua fé, Pedro desafia-
os a se alegrarem muito no Senhor e mostra os motivos maravilhosos que tinham
para isso.

DEVEMOS NOS ALEGRAR EM DEUS!

Isto é, exultar, se alegrar grandemente, estar extremamente alegre (v6).
Pedro destaca um princípio fundamental da fé cristã, vivido pelo nosso Senhor
Jesus e também defendido pelo apóstolo Paulo em Filipenses 3.1 e 4.4, a
Alegria. A alegria é marca do cristão, é um fruto do espírito, é uma atitude
importantíssima da nossa fé, e isto mesmo em meio as provações, como era o
caso dos crentes para quem Pedro escreveu. Esta alegria não é medida pelas
circunstâncias, mas por Deus.

BENDIZENDO-O POR CAUSA DE NOSSA SALVAÇÃO (V3-4): Bendizer é
elogiar, falar bem adorar, exaltar, engrandecer, adorar, afinal, Ele é o Pai de
Nosso Senhor Jesus e nosso Pai. E nós o bendizemos por inúmeras razões.
Vejamos algumas:

Ela é fruto de Sua Grande Misericórdia (v3): Não merecemos ser salvos, somos
pecadores, mas Deus é misericordioso, muito misericordioso (Lm 3.22-23 e
Salmo 136). A misericórdia é Deus não nos dando o castigo que merecemos. Tal
salvação é motivo de alegria e louvor a Deus em qualquer situação.

Somos Regenerados (v3): Nascemos de novo, recebemos uma nova vida, fomos
transformados. Para ser salvo é necessário nascer de novo (João 3) e cada pessoa
que crê em Jesus como Salvador nasce de novo e se torna uma nova criatura
(2Co 5.17). Tal salvação é motivo de alegria e louvor a Deus em qualquer
situação.

Temos uma Viva Esperança (v3): Mesmo na tribulação temos esperança, uma
viva esperança. Uma esperança certa, que é a vida eterna e o próprio Senhor
Jesus. Tal certeza é garantida pela ressurreição de Jesus dentre os mortos, Ele
está vivo hoje, e temos a certeza da nossa ressurreição pela fé Nele (Jo 11.25).
Tal salvação é motivo de alegria e louvor a Deus em qualquer situação.

É uma Herança Maravilhosa (v4-5): Nossa salvação é uma herança dada e
garantida pelo nosso Pai Celestial, o próprio Deus, que não pode mentir, que
prometeu aos que crêem em Cristo. Apesar do sofrimento presente, temos uma
herança que nos espera, e isso nos consola em meio a dor. Isso nos faz pensar em
cenas de filmes ou séries de televisão nos quais uma pessoa presa se consolava
com tesouros escondidos que o esperavam do lado de fora, como por exemplo,
“O Conde de Monte Cristo” e “Um Sonho de Liberdade”. No caso dos cristãos,
nosso tesouro é diferente das heranças e tesouros deste mundo, pois é:
Incorruptível: Não se corrompe, não pode estragar, não pode nem ser
destruído por um exército inimigo.
Sem mácula: Sem mancha, sem pecado, sem defeito, sem sujeira. Não
está contaminada pelo mal.
Imarcescível: Não murcha, diferente das coroas de plantas dos antigos
atletas e monarcas. Não seca, não desintegra, não estraga, é perfeita.
Segura e Certa: Ela está RESERVADA no céu para nós. É nossa, está
separada, guardada, é garantida, pois foi dada pelo Deus verdadeiro que não
pode mentir (Tito 1.2). Além disso, somos guardados pelo poder de Deus, e Ele
tem TODO o Poder, nada pode nos tirar de suas mãos (Jo 10.28-30 e 1Jo 5.13).
Tal salvação é motivo de alegria e louvor a Deus em qualquer situação.

ENTENDENDO O VALOR DAS PROVAÇÕES (V6-7): Como nos alegrar
em meio as provações? Como exultar em meio às tribulações? Como?
Entendendo o valor delas:

Fazem parte de nossa vida presente (v6): apesar de salvos, no tempo presente,
ou seja, enquanto estamos neste mundo, iremos passar por provações. Elas
fazem parte de um mundo caído em pecado, são normais. Precisamos
compreender isso o mais rápido possível para não criarmos expectativas irreais
sobre a vida cristã.

Duram pouco Tempo (v6): Breve ou pouco tempo, esta é a duração das
provações, por piores que sejam. Todas passam, acabam e terminam. Podem
parecer não ter fim, mas sempre acabam. O máximo que podem durar é a nossa
vida, que não é nada comparado com a eternidade.

“Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira.
Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã.” Salmos 30.5

Às vezes são necessárias (6): “Se necessário” – Sim! Às vezes as provações são
necessárias e Deus sempre sabe o tempo e os motivos para isso, mesmo que não
entendamos. Pode ser para nos santificar, tirar algum pecado de nós, nos
aproximarmos mais Dele, aumentar nossa fé, nos tornar úteis em Sua obra, nos
preparar para ajudar outros, mostrar que a eternidade é mais importante que este
mundo, nos fazer pregar mais o evangelho, etc. Se estamos passando alguma
provação é porque Deus sabe que é necessário. Contudo, Ele nunca permite algo
que não possamos suportar como Paulo esclareceu em 1Coríntios 10.13: “Não
veio sobre vós tentação, senão humana, mas fiel é Deus, que não vos deixará
tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para
que a possais suportar.”

Trazem tristeza (v6): Sim, nos deixam tristes, pesarosos, causam dor, sofrimento
e tristeza. Muitas provas nos deixam “contristados”, ou seja, tristes, cabisbaixos,
desanimados. Apesar da alegria da Salvação, ficamos tristes pelas dores das
provas, mas não vivemos na tristeza, não nos entregamos a ela, vencemos,
superamos, agüentamos, nos levantamos e nos alegramos no Senhor, por Sua
graça e por Seu amor.

São variadas (v6): Várias e diferentes provações virão sobre o povo de Deus, ou
seja, podem ser muitas e de todos os tipos possíveis, na área familiar, na saúde,
nas finanças, nos relacionamentos, emocionais, espirituais, políticas, sociais, etc.
Precisamos estar preparados.
Confirmam nossa Fé (v7): Um dos objetivos das provações é mostrar que a
nossa fé em Jesus é verdadeira, que somos realmente salvos, que não confiamos
Nele em vão. As tribulações mostram que nossa fé é mais preciosa que o ouro
quando passa pelo fogo. Isso se chama “Perseverança dos Santos”, ou seja, o
salvo permanece firme com Cristo mesmo em meio às provas, não se desvia, não
abandona seu salvador e Senhor, não nega sua fé, mesmo que sofra, mesmo que
seja difícil, mesmo que tenha dúvidas, enfim, permanece firme na fé. As provas
confirmam a veracidade da fé cristã.

Trazem glória a Deus (v7): Quando Jesus voltar, receberemos nossos galardões e
Deus o Pai, será glorificado com isso, pela forma como vivemos, como o
servimos, pela nossa fé provada. Nossas atitudes corretas em meio às lutas
glorificam o nosso grandioso Deus.
Por estas razões, mesmo em meio às provações, devemos nos alegrar em Deus.

AGUARDANDO O RESULTADO DE NOSSA FÉ (v8-9): Mas e aí, vale a pena
ficar firme em meio as provas? Vale a pena se alegrar em Deus mesmo em meio
ao sofrimento? A que isso vai levar? No fim, qual será o resultado disso tudo?

Primeiro, vivemos uma vida de amor e fé verdadeiros em Jesus Cristo nosso
Salvador (v8): mesmo sem ver a Jesus nós o amamos, cremos Nele e nos
alegramos Nele com uma alegria “indizível”, ou seja, que não tem explicação,
que não tem nem como dizer. E lhe damos glória, o adoramos, e isso é a
verdadeira vida cristã, e é disso que vem nossa alegria e felicidade, tal como
Jesus falou (Jo 20.26-29). Somos bem-aventurados, somos muito felizes, somos
abençoados, por isso podemos nos alegrar em Deus mesmo em meio às
provações.

Segundo, no fim, obteremos a consumação da nossa salvação (v9): Já somos
salvos desde o momento em que cremos em Jesus, contudo, só desfrutaremos da
salvação por completo, quando nos encontrarmos com Jesus na eternidade. Lá
não haverá mais pecado algum, seremos glorificados como nosso Senhor,
estaremos em Sua presença e não haverá mais dor, sofrimento, morte ou tristeza
alguma. Isto é o que nos espera, este é o nosso fim, na verdade, será só o
começo. Tal salvação é motivo de alegria e louvor a Deus em qualquer situação.
Por isso, devemos nos alegrar em Deus!

Assim como os crentes do primeiro século, para quem Pedro escreveu sua carta,
passaremos por muitas provas em nossa vida aqui, contudo, por mais difíceis,
duras e longas que sejam, temos motivos de sobra para nos alegramos muito em
nosso Deus. Isso é a vida cristã e, no fim, veremos o quanto valeu a pena. Se, no
momento, estiver passando por provas, fique firme, persevere, se alegre no
Senhor, se alegre em Sua salvação, valerá a pena, é o melhor e o Senhor lhe
capacitará. Deus nos abençoe!


Valorizando Nossa Salvação
1 Pedro 1.10-12


Salvação? A maioria das pessoas não entende ou não se interessa pela salvação
eterna. Inúmeras outras coisas são mais importantes, especialmente os bens
materiais, a prosperidade financeira, os prazeres da carne, as festas e a saúde.
Certeza de salvação? Poucos têm e menos ainda se preocupam com isso, não se
importam, acham que não é possível ter tal certeza, mas sabem tudo e mais um
pouco sobre outras coisas como futebol, política ou entretenimento.
Numa época em que quase ninguém liga ou se importa com a salvação de sua
alma, inclusive as igrejas, onde o foco tem sido apenas no dinheiro, na saúde e
na prosperidade, temos que voltar nossos olhos para o que realmente importa,
para aquilo que realmente tem valor eterno, que faz a diferença, que é de Deus,
ou seja, a salvação de nossas almas. C.S. Lewis disse:

“Tudo o que não é eterno é eternamente inútil”.

Depois de explicar como nossa salvação é importante e maravilhosa, Pedro volta
os olhos dos crentes dispersos para aqueles que, no passado, atentaram para a
salvação de suas almas e a valorizaram acima de tudo, para que, mesmo
passando por grandes e duras provas e, por isso, sendo tentados a olharem para
outras coisas e colocarem nelas o seu foco e atenção, voltassem seus olhos
novamente para a salvação e a valorizassem acima de tudo e de todos. Portanto:

DEVEMOS VALORIZAR NOSSA SALVAÇÃO!

Ou seja, atentar para ela, pois é grande, única e maravilhosa, não existe nada e
nem ninguém que se compare a ela. NADA, NADA é mais importante que a
salvação que Jesus nos deu.
Tal fato se torna tão importante em nossos dias nos quais as pessoas que se
dizem cristã e evangélicas estão fascinadas por tantas coisas, como curas,
milagres, prosperidade, expulsão de demônios, resolução de seus problemas,
casamento, famílias, etc, e são conhecidas por isso, mas nós, os verdadeiros
filhos de Deus, devemos ficar fascinados pela salvação e sermos conhecidos por
isso. “Esta igreja só fala de salvação!”, alguns irão afirmar. Isso mesmo! A
Salvação é o assunto principal da Bíblia, seu tema mais importante, é o foco de
Deus e deve ser o nosso também.
O autor de Hebreus nos diz em 2.3: “Como escaparemos nós, se não atentarmos
para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo senhor,
foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram;”

CONSIDERANDO A ATITUDE DOS PROFETAS PARA COM A SALVAÇÃO
(v10-11): Não há dúvidas de que os profetas de Deus e os escritores do Antigo
Testamento valorizavam a salvação, pois atentaram para ela de forma especial.
Foi sobre elas que eles:

Primeiro: Queriam saber mais sobre a salvação: Pedro diz que eles
indagaram/investigaram/inquiriram, ou seja, perguntaram, estudaram, tentaram
saber; buscaram descobrir; investigaram e averiguaram o máximo que puderam,
e isso atentamente, com cuidado, muita atenção. Queriam saber a OCASIÃO
(quando o salvador viria? Quando a salvação aconteceria?) e as
CIRCUNSTÂNCIAS (como ela ocorreria? O que o salvador faria? Como Deus
salvaria? O que tudo isso envolveria?). Literalmente agiram como detetives,
foram a fundo, como um estudante dedicado buscando descobrir a resposta à um
assunto difícil e importante.
Hoje em dia poucos querem saber sobre a salvação, as pessoas não buscam isso,
não perguntam, não se importam, não se interessam mas, quem o faz, como o
carcereiro de Filipos e o jovem rico fizeram, encontra a resposta: Creia em Jesus
e será salvo! (At 16.31). Você se importa com a salvação de sua alma? Tem
interesse nisso ou está preocupado demais com coisas que não valem nada?

Segundo: Falavam disso, profetizaram: anunciaram: Os profetas falaram da
salvação, mesmo sem entender tudo. Era algo maravilhoso demais para eles,
grandioso, especial, incrível e único. Anunciaram a GRAÇA de Deus (seu favor
e bondade para quem não merece) destinada a todos os povos (algo inimaginável
para os judeus, portanto, especial, diferente), falaram do sofrimento de Cristo, e
até em detalhes, como em Isaías 53, e sobre as glórias que seguiriam a eles (a
salvação conquistada com a morte, sua ressurreição, sua ascensão, seu poder e
glória eternos). Mesmo que, na maioria dos casos, não diferenciassem que
seriam em dois momentos distintos da história.
O fato é que eles queriam falar da salvação de Deus aos pecadores e falavam,
mesmo àqueles não quisessem ouvir e mesmo que fossem mortos por causa
desta mensagem. Viviam para ficar falando dela, e nós também deveríamos fazer
o mesmo. Falar e anunciar a salvação que vem pela fé em Cristo, o evangelho da
graça de Deus, que Jesus morreu pelos nossos pecados, foi sepultado, ressuscitou
ao terceiro dia, voltará em glória, e que, todo o que Nele crer, arrependido dos
pecados, será salvo.

CONSIDERANDO QUE ESTA É A MENSAGEM DADA PELO ESPÍRITO
SANTO DE DEUS (v11-12): Este texto é mais uma prova da inspiração da
Bíblia. Foram os profetas quem escreveram o Antigo Testamento, mas o que
falaram, veio do próprio Deus por meio do Seu Espírito Santo.
Este é o foco do Espírito Santo: levar as pessoas à salvação pela fé em Cristo
Jesus e não deixar as pessoas doidas ou descontroladas. O Espírito Santo trouxe
a mensagem da salvação a nós pelos profetas, pois Deus deseja a nossa salvação
(1Tm 2.3-4), Ele os inspirou, dirigiu e capacitou. Este é o foco de Deus e do
Espírito Santo e, por isso, devemos valorizá-la, ficarmos fascinados por ela,
estudá-la mais a fundo, anunciá-la com afinco e dedicação. E o Espírito nos
capacita. Além disso, é o Espírito quem convence o pecador e o leva a crer em
Jesus (Jo 16.8).
A Salvação é a mensagem de Deus por Seu Espírito Santo, você já a recebeu? Já
crê nela? Já é salvo por Jesus? Ouça a voz do Espírito Santo hoje e seja salvo por
Jesus.

CONSIDERANDO AQUELES QUE NOS PREGARAM O EVANGELHO DA
SALVAÇÃO (v12): Os crentes dispersos, para quem Pedro escreveu, haviam
sido salvos pela pregação dos apóstolos de Jesus, que sucederam os profetas e
também foram inspirados pelo Espírito Santo. Estes, tinham a salvação como o
foco de suas vidas e, por isso, falavam dela aos outros, pregavam e anunciavam,
pois não consideravam nada melhor ou mais importante que a salvação.
Aqueles crentes precisavam, regularmente, se lembrar disso, e voltarem seus
olhos para a salvação, e nós também. Precisamos nos lembrar daqueles que nos
pregaram o evangelho, que nos anunciaram a salvação por meio de Jesus. Sem
isso estaríamos perdidos até hoje, condenados e separados de Deus. Eles
valorizaram a salvação e enfrentaram tudo e todos para nos anunciar o
evangelho, se importaram, se dedicaram, nos amaram, vieram até nós e hoje
somos salvos pela graça de Deus. Temos que nos lembrar disso e fazer o mesmo
pelos outros. Nos lembramos daqueles que nos anunciaram o evangelho? Você
se lembra deles? Pensamos nos apóstolos de Jesus e em como deram suas vidas
pelo evangelho? Pregamos o evangelho aos outros?

CONSIDERANDO A ATENÇÃO DOS ANJOS PARA A QUESTÃO DA
SALVAÇÃO (v12): Os anjos existem, isso é um fato. Pedro cria nisso e
afirmava. Algumas vezes até se encontrou com eles ao longo de sua vida. Eles
são servos do Senhor, mensageiros Dele, protetores dos servos de Deus e
adoradores do Altíssimo por excelência. Eles servem a Deus e adoram-nO
continuamente e o fazem com alegria e perfeição. Aqui, Pedro diz que a questão
da salvação é tão maravilhosa que eles anelam “Perscrutar”, ou seja, estão
profundamente atentos, querem saber mais, querem entender, descobrir, pois
reconhecem que se trata de algo maravilhoso.
Muitas vezes ouvi mensagens e explicações sobre este versículo afirmando que
os anjos desejam pregar o evangelho. Não! Não é isso o que o texto ensina e, se
realmente desejam fazer isso, a Bíblia não nos diz. Porém, é certo que se
interessam pelo assunto, querem entender mais, pois é algo maravilhoso até para
eles. Eles não precisam de salvação, mas se alegram e fazem festa no céu quando
um pecador se arrepende (Lc 15.7,10), pois sabem da importância e da grandeza
disso.
Temos agido como os anjos? Procuramos entender e valorizar mais nossa tão
grande salvação? Nos atentamos para tão maravilhoso assunto?

Como vemos, a salvação é a bênção maior e mais importante que uma pessoa
pode desfrutar. É o desejo de Deus para todo homem e seu plano desde a
eternidade. Tal salvação foi revelada por Seu Espírito aos profetas, que a
estudaram e a anunciaram, foi recebida, amada e pregada pelos apóstolos de
Jesus, os quais, também cheios do Espírito Santo, levaram a mensagem do amor
de Cristo ao mundo, é alvo da investigação dos próprios anjos de Deus, portanto,
ela, a salvação por meio da fé em Cristo Jesus, deve ser o maior foco de nossas
vidas, devemos valorizá-la, amá-la, estudá-la e anunciá-la. Devemos ser
conhecidos pela certeza e ênfase na salvação (1Jo 5.13), isso como pessoas e
como igrejas, e não pelo foco em outras coisas sem sentido ou valor eterno.
Jesus é o mais importante, Sua salvação é o mais importante. Valorizamos isso?
Você valoriza? Recebe, pela fé, esta salvação e pregue-a com amor e dedicação!









Filhos da Obediência
1 Pedro 1.13-16


Conhecemos uma empresa pelos seus produtos e sabemos se é de confiança pela
qualidade dos mesmos. Por isso, algumas empresas têm certo padrão de
qualidade. Aplicando isso a nós, se os incrédulos fossem medir a qualidade do
cristianismo de acordo com a nossa vida, qual seria a conclusão deles?
Como cristãos, seguidores de Jesus e filhos de Deus, devemos viver uma vida de
obediência a Deus, para que, na prática, provemos que somos Seus filhos.

Após falar das bênçãos da salvação, Pedro dirige a atenção dos seus ouvintes
para o resultado desta salvação na vida prática deles: Deveriam viver em
obediência. Isto é muito importante diante do fato de que estavam passando por
tempos difíceis e as tentações para pecar, aceitarem as coisas do mundo e se
amoldarem ao padrão errado de vida era muito grande e constante. Por isso
Pedro lembra-os que eram Filhos da obediência, ou seja, salvos para a
obediência e que assim deveriam viver, portanto:

DEVEMOS VIVER COMO FILHOS OBEDIENTES!

No versículo 14 somos chamados de “filhos obedientes” ou “filhos da
obediência”, portanto, devemos ser obedientes a Deus nosso Pai e a Sua Palavra.
O salvo é assim, tem que ser assim. Não ser obediente a Deus é uma incoerência
diante da salvação que Jesus nos concedeu.
Jesus, nosso salvador sempre foi obediente (Fp 2.8) e quer de nós a obediência.
Em João 14.15 Ele disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos!”

CONTROLANDO NOSSA MENTE (v13): Tudo na vida começa em nossa
mente, por isso Pedro diz para os irmãos “cingirem o entendimento” ou
“cingirem o lombo do vosso entendimento”. A idéia aqui é a de segurar bem a
mente, controlar, manter firme, e vem dos cintos com o qual os antigos
“cingiam” seus lombos, prendendo as grandes e largas roupas para poderem
trabalhar, correr, ou fazer atividades que exigissem maior agilidade e rapidez.
O que Pedro quer dizer é que devemos cuidar bem de nossa mente para que ela
não atrapalhe nossa vida, temos que colocar nossa cabeça no lugar, agir com
razão, não pela emoção ou sem refletir.

Com sobriedade: Isso significa ser controlado, equilibrado, justamente o
contrário de estar embriagado (ou “tonto” como dizem aqui na região da Serra
da Canastra-MG). Devemos ter domínio próprio, auto-controle, estabilidade,
sensatez, clareza e não sermos embriagados pelas coisas deste mundo, seja o
pecado ou as coisas sem valor que, se não cuidarmos, tiram nossa sensatez, nos
afastam de Deus, nos deixam descontrolados e nos levam a pecar.

Oséias 4.11 diz: “a sensualidade, o vinho e o mosto, tiram o entendimento.”

O próprio apóstolo Pedro também diz em 2Pedro 5.8: “sede sóbrios e vigilantes,
o diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge, procurando a
quem possa devorar.”

E o apóstolo Paulo acrescenta em Efésios 5.18: “e não vos embriagueis com
vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do espírito.” – Ef 5.18

Creio que esta verdade lança luz sobre um assunto que vem tomando conta das
redes sociais e da vida dos crentes modernos que é o relacionamento do cristão
com a bebida alcoólica. Muitos têm defendido o uso moderado do álcool para os
cristãos, alguns de forma ferrenha e com toques de espiritualidade e
intelectualismo. Contudo, uma leitura, mesmo que simples, da Palavra de Deus,
nos ensina que devemos nos abster deste tipo de bebida. Não é o meu objetivo
discorrer sobre este tema aqui, contudo, apenas os versículos acima já nos
mostram do que o vinho é capaz e, mesmo em pouca quantidade, é capaz de tirar
o entendimento e a sobriedade de alguém. Em tudo o que fazemos a glória de
Deus está em jogo, bem como o nosso testemunho e o futuro de nossa vida,
família e igreja. Vale a pena nos abstermos do álcool para manter nossa mente e
nossa vida pura e santa diante do Senhor.

Esperando na graça de Jesus: Nas lutas e na vida precisamos saber esperar e
esperar inteiramente na graça de Jesus, pois foi por meio dela que Ele nos salvou
e nela Ele irá voltar e resolver todos os problemas do mundo, acabando com o
pecado e com o mau e nos transformando em glória. Temos que nos lembrar
sempre da nossa salvação em Cristo e da iminente e certa volta de Jesus.
Paciência e fé são fundamentais ao cristão neste mundo, sempre focando em
Cristo.
DIFERENTES DO MUNDO (v14): Pedro diz para não nos “amoldarmos” as
concupiscências/paixões descontroladas que tínhamos anteriormente na nossa
ignorância.

Amoldar: Isto é, tomar forma, ser moldado, portanto, não podemos tomar a
forma do mundo, não podemos ser iguais ao mundo, não podemos ser
semelhantes ao mundo, precisamos ser diferentes, completamente diferentes. A
mesma palavra é usada em Romanos 12.2 onde diz: “E não vos conformeis com
este século (mundo), mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para
que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Não
se amoldar ao mundo é ser diferente e não só isso, é não se conformar com o
mundo, não aceitar, não gostar, e isso em tudo; na maneira de viver, agir, falar,
vestir, tratar os problemas, enfrentar as lutas, estudar, trabalhar, cuidar da
família, pensar, cantar, assistir, acessar, jogar, divertir, etc, afinal, o mundo jaz no
maligno (1Jo 5.9) e não podemos ser cúmplices das obras infrutíferas das trevas,
mas reprová-las (Ef 5.11).

Uma simples e prática ilustração disso veio quando conseguimos um rancho
emprestado para realizar as comemorações pelo aniversário de nossa igreja em
Piumhi-MG: O dono, que costuma cobrar (e caro...) das pessoas que utilizam seu
rancho, ao saber que éramos crentes, decidiu não cobrar nada e ainda destacou a
diferença da limpeza do espaço entre os crentes e os beberrões, enquanto estes
deixam tudo sujo, os crentes sempre limpam e não deixam latas ou garrafas de
cerveja espalhadas. É algo simples, mas já mostra a diferença que podemos e
devemos fazer.
Paixões e concupiscências: desejos malignos e descontrolados que tínhamos
antes da salvação, antes da conversão, uma característica de uma pessoa não
regenerada, que não é novamente nascida. Define-se por um desejo
descontrolado pelo pecado e é marca de um ímpio, de um incrédulo, de quem
não é salvo por Jesus, de quem não é um filho de Deus. O salvo tem o Espírito
Santo e a nova natureza, não é mais escravo do pecado, tem o domínio próprio e
novos desejos pelas coisas de Deus, santas e eternas.

Ignorância: Se trata da incredulidade, da ignorância quanto as coisas de Deus,
ao fato de se estar perdido no pecado, cego espiritualmente, acreditando, vivendo
e seguindo ideias erradas, detestáveis idolatrias, religiosidade falsa, superstições,
enfim, uma vida completamente separada de Deus. Agora, em Cristo,
conhecemos a verdade, conhecemos a Jesus, somos salvos, libertos,
transformados, temos nova vida. Não somos mais ignorantes espiritualmente.
Jesus era diferente das pessoas do mundo e do sistema do mundo, não se
conformava, não se amoldava, não se parecia, por isso fazia a diferença.
Precisamos ser como Ele.

EM SANTIDADE DE VIDA (v15-16): Ao contrário de sermos como o mundo,
devemos ser como Deus, Aquele que nos chamou, nos salvou e nos tornou Seus
filhos.
Deus nos chamou para a salvação, nos chamou para a santificação, para a
obediência, para a nova vida, já atendemos Seu chamado para a salvação, agora
devemos atender Seu chamado para a santificação (1Ts 4.3).
Para fortalecer seu argumento, Pedro afirma que isto está escrito na Bíblia (AT) e
cita a afirmação do próprio Deus: “Sede santos, porque eu sou santo”, repetida
nas seguintes passagens: Levítico 11.44-45, 19.2 e 20.7.
Esta ênfase bíblica dá destaque para algo que o Senhor faz questão, diante do seu
atributo mais enfatizado nas Escrituras; Sua Santidade. Deus quer que sejamos
como Ele, filhos iguais ao Pai, filhos obedientes, filhos santos.
Santo significa ‘Separado’ – Na prática, temos que nos separar do pecado e nos
separar para Deus. E isso em TODO o nosso procedimento (conduta,
comportamento), o que quer dizer em TODA a nossa vida, em todo o tempo, em
todo o lugar, de todos os modos. Isso é santidade, separação e consagração.
Jesus foi santo em todo o Seu proceder e quer o mesmo de nós, nos salvou para
isso e nos capacita a vivermos assim. Santidade é obediência.

Tudo o que Deus nos ordena, bem como cada uma de Suas proibições, são para
nosso próprio bem. Não existe dúvidas quanto a isso, apesar de muitas vezes
duvidarmos, questionarmos ou teimarmos em agir diferente do que a Bíblia diz.
Tudo é para nosso bem, para nossa proteção, para nossa santificação, nossa
alegria e para a glória daquele que, com o precioso sangue do Seu filho Jesus,
nos salvou da morte, do inferno e do pecado. A obediência é a marca do cristão,
do salvo, do filho de Deus e, quando estamos passando por provas, lutas e
tribulações, temos a tendência de esquecer isso e usar muitas desculpas para
pecar e desobedecer mas, assim como Pedro falou para os crentes em sua
primeira carta, nós também somos alertados: Devemos viver como Filhos
Obedientes!



No Temor do Senhor
1 Pedro 1.17-21


“Lembre-se disso...!” Esta é uma frase muito usada pelos pais ou por qualquer
pessoa que deseja que outros façam algo importante que lhes foi pedido. Deus
quer que sejamos santos e que O obedeçamos e, usando o apóstolo Pedro, nos
lembra de algumas verdades fundamentais em relação a isto.

Ainda falando da necessidade de sermos santos como o nosso Deus é Santo, o
apóstolo Pedro acrescenta algumas razões para isso e dá um novo ângulo a
questão. Sendo que a lição principal da passagem é que devemos temer a Deus
enquanto vivemos (v17).

DEVEMOS TEMER A DEUS ENQUANTO VIVEMOS!

Ele nos chama a andar em temor ou nos portarmos com temor durante o tempo
de nossa peregrinação (vida) aqui na terra.
Temor significa respeito, reverência, medo, submissão e implica em obediência,
gratidão e amor. O Antigo Testamento já havia enfatizado que o “temor do
Senhor é o princípio da sabedoria” (Jó 28.28, Sl 111.10, Pv 1.7,9-10 e 15.33),
por isso, precisamos saber de algumas verdades preciosas.

SABENDO QUEM É O NOSSO PAI (v17): “Se invocais como pai...” O que
Pedro está dizendo é que chamamos Deus de nosso Pai, confiamos Nele como
nosso Pai celestial, somos Seus filhos por meio de Sua Graça, enfim, somos
salvos e regenerados (o que ocorre quando cremos em Jesus – Jo 1.12) nossa
vida deve condizer com esta verdade.

Ele é Deus: Nosso Pai não é qualquer um, é o Deus único e verdadeiro, é o
Todo-Poderoso Criador e Senhor do universo. Se este Deus é o nosso Pai,
devemos viver como Seus filhos, ou seja, de forma digna Dele, de forma
parecida com Ele, da forma como Ele quer que vivamos, em obediência, enfim,
devemos ser santos. E isso só vem caso o temamos.

Ele não faz acepção de pessoas: Deus trata todos iguais, ama a todos e não faz
distinção entre cor, classe social ou raça. Para Ele Seus filhos são todos iguais.
Devemos temer um Pai maravilhoso assim.

Ele julga retamente: Deus julga segundo as obras de cada um e conhece os fatos
perfeitamente, bem como as intenções e motivações. É um Pai próximo o
suficiente para nos conhecer e amar. Ele sabe o que faz e julgará nossas vidas
com justiça. Completamente diferente dos seres-humanos que julgam com
injustiça, inclusive os que são pais. Como não temer um Pai assim? Jesus o
temia durante Sua vida aqui.

SABENDO O PREÇO DE NOSSA REDENÇÃO (v18-20): Pedro acrescenta
uma forte razão para vivermos uma vida santa debaixo do temor do Senhor: Os
sofrimentos de Jesus para nos salvar do pecado.
Nós sabemos disso mas temos que lembrar sempre e viver de acordo com esta
verdade tão sublime.
Pedro está usando uma linguagem da época que se trata da
redenção/salvação/libertação de um escravo (ou de uma propriedade) que exigia
o pagamento de um preço. Em relação a nossa salvação, foi Jesus quem pagou
este preço, um preço alto (1Co 6.19-20 e 7.23) seu próprio sangue ) e, por isso
estamos salvos. Precisamos temer a Deus por isso.

Fomos regenerados não por prata ou ouro (v18): Prata, ouro, pedras preciosas e
bens materiais, por mais valiosos que sejam, se corrompem, estragam e acabam,
não podem satisfazer a Deus e, muito menos, pagar o preço pela redenção do
pecador.
Muitas pessoas tentam comprar a Deus, tem sido assim ao longo da história, mas
continuarão perdidos, isso não salva ninguém.
No Salmo 49.7-8 lemos que a redenção do pecador é caríssima: “Nenhum deles
de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate dele (pois a
redenção da sua alma é caríssima, e cessará para sempre),”. Apenas Jesus, o
próprio Deus Santo encarnado, poderia pagar o preço da nossa redenção, e Ele o
fez.

Fomos resgatados da nossa vida antiga de pecado (v18): Uma vida que era vã e
fútil, totalmente entregue ao pecado, sem Deus e sem Jesus, enfim, uma vida
inútil, uma vida desperdiçada, uma vida sem valor.
Era também uma vida presa a tradições e religiões dos nossos pais que não
serviam para nada. O legado religioso que herdamos de nossos país, suas
crenças, superstições e costumes não salvam, não levam à Deus, mas
escravizam, confundem e condenam, precisávamos ser salvos disso e Jesus o fez.
É necessário entendermos que as muitas e variadas tradições religiosas do ser-
humano são perversas e diabólicas, não passam de tentativas humanas inúteis de
se chegar a Deus ou a vida eterna, só servem para condenar e destruir, apenas
Jesus pode libertar e redimir o pecador.

Fomos salvos pelo precioso sangue de Jesus (v19-20): Nossa salvação custou
um alto preço, que foi o sangue de Cristo. Ele, sendo o cordeiro perfeito de Deus
(Jo 1.29) foi o salvador santo, sem defeito, sem mácula, mancha ou
contaminação alguma de pecado pode satisfazer a justiça de Deus e pagar o
preço exigido pelo nosso resgate. Jesus é o único e suficiente salvador que os
pecadores precisam. Ele nos salvou com o Seu precioso sangue e nos lavou
perfeitamente dos pecados (Ef 1.7, Hb 9.12-14 e 22, 10.19-20, 13.20-21 e 1Jo
1.7).
Esta salvação perfeita foi planejada desde a eternidade (v20). A morte de Cristo
não foi um plano de última hora ou uma solução desesperada, mas o plano
eterno e perfeito de um Deus soberano, que sabe, planeja e determina todas as
coisas e as executa no momento exato (Gl 4.7).
Você já é salvo por Jesus Cristo? Já foi resgatado por Ele e lavado por seu
precioso sangue? Creia Nele e seja salvo agora. Nós, que já somos salvos,
devemos ser gratos a Ele por tão grande salvação e viver uma vida em santo
temor.

SABENDO EM QUEM ESTÁ NOSSA FÉ E ESPERANÇA (v21): Por meio de
Jesus é que nós cremos em Deus. Trata-se de uma fé pessoal e uma decisão
individual. O Deus Soberano e Todo-Poderoso, que ressuscitou a Jesus dentre os
mortos e deu toda glória (poder e autoridade) ao Seu amado Filho foi quem nos
salvou e fez isso para que a nossa fé e esperança estivessem somente Nele e em
ninguém mais. Só Ele é Deus.
Nossa fé para a salvação e nossa esperança (certeza) da vida eterna no céu estão
em Jesus e em Deus Pai não na prata, no ouro, na tradição ou religião humana e
não em nós mesmos, em nossas obras ou em outras pessoas, somente em Jesus.
Por isso estamos seguros, firmes, tranquilos, felizes e em paz, não só agora, mas
por toda eternidade.
Isso deve nos levar ao temor de Deus e à uma vida de santidade, pois nossa fé
está Nele, só Nele e é completamente segura.
Já colocamos, de fato, nossa fé em Jesus? Já cremos Nele como nosso Senhor e
Salvador? Estamos seguros em Deus? Tenha certeza de que isto é verdade em
sua vida, basta crer em Jesus.

Devemos temer a Deus enquanto vivermos! Mas isso só é possível com Jesus e
vale a pena. Só é necessário crer Nele e descansar em Seu sacrifício perfeito.
Nele somos salvos do pecado e feitos filhos de Deus, tendo a capacidade e
condição de vivermos debaixo do Seu temor. Esta é a melhor vida possível, o
único caminho de valor. Vivamos assim, no temor do Senhor!














Crescendo na Salvação
1 Pedro 2.1-3


Existem algumas crianças que não crescem direito e pessoas que não se
desenvolvem corretamente, o que indica algum problema; uma doença ou
alguma deficiência e anormalidade, que interfere no processo natural do
desenvolvimento. Na vida cristã também é assim, o novo convertido deve
crescer, o salvo precisa crescer, a pessoa que nasceu de novo precisa se
desenvolver e amadurecer. Quando não há crescimento é porque algo está
errado.

PRECISAMOS CRESCER NA SALVAÇÃO!

Este é o desejo de Pedro no versículo 2, que cresçamos na salvação. Sim, o
crente precisa crescer na salvação, crescer na fé, se desenvolver como filho de
Deus. Quando recebemos a Cristo, nascemos de novo, mas não podemos parar,
não podemos viver como bebês recém nascidos o tempo todo, precisamos
crescer, amadurecer, melhorar. Não podemos ficar parados ou piorar, é errado, é
contra a natureza e, se isso estiver acontecendo, indica algum tipo de problema,
algum pecado.

DEIXANDO OS PECADOS DO NOSSO CORAÇÃO (v1): Deixar é abandonar,
esquecer, parar e despojar é tirar, arrancar, por para fora. E é isso o que
precisamos fazer em relação aos pecados do nosso coração.
Temos que tirar de nossa vida todo pecado, em especial aqueles que são do
coração, ocultos, que ocupam nossos pensamentos e não são tão visíveis (até se
manifestarem, de uma forma ou de outra). Pedro nos dá uma lista clara e forte
destes pecados que destroem muitas vidas, famílias e igrejas, impedindo nosso
crescimento espiritual.

Maldade/Malícia: O desejo para o mal, querer o mal do próximo, buscar o mal.
Pode ser manifestado em rixas e rivalidades, desejo para o mal sem pensar nas
terríveis conseqüências.

Dolo/Engano: Mentira, faltar com a verdade. Se manifesta na pessoa que planeja
a mentira com antecedência, disfarça para enganar os outros e conseguir o que
quer, nos falsos crentes que entram na igreja fingido ser algo, mas só para
alcançar seus objetivos. Como exemplo cito dois casos conhecidos: Um homem
que se declarava pastor pentecostal e enganou um missionário para pegar a igreja
para si e um falso crente que entrava nas igrejas evangélicas, arrumava esposas
(sim, esposas, no plural) e, quando casava, roubava tudo da mulher e sumia, indo
fazer o mesmo em outro lugar. São exemplos exagerados mas refletem o engano
no coração. Nós podemos, por um tempo, até enganar outras pessoas, mas não a
Deus.

Hipocrisia/Fingimento: Se trata da falsidade, de não ser o que somos de verdade,
de ter ‘duas caras’, de ter interesses egoístas e pecaminosos em atos
supostamente bondosos e espirituais. Literalmente é ser um ator, um artista,
alguém que interpreta um papel.É algo muito comum no meio político e
religioso, muito claro em época de eleição. Jesus criticou e condenou tal atitude
em Mateus 23.28. Não podemos fingir que somos crentes, não podemos ser
crentes só de aparência, não podemos querer agradar aos outros, mas sermos
podres por dentro.

Invejas: Querer ter ou ser como os outros, não se contentar com o que tem ou
com o que os outros têm, mas desejar aquilo para si. Na origem da palavra,
inveja significa “destruir a si mesmo”, pois o invejoso, no fim, só destrói a si
mesmo. Não devemos invejar e nem cobiçar as coisas, cargos, ou funções dos
irmãos dentro de nossas igrejas, mas nos contentarmos com o que temos e com o
que somos, sermos satisfeitos com Deus.

Maledicências/Murmurações: Falar mal dos outros ou reclamar. O primeiro é
difamar, criticar, falar mal das pessoas, no original significa “morder por trás”, e
é isso mesmo, machucar os outros pelas costas. Tal pecado é muito manifestado
nas ‘fofocas’ e devem ser abandonados. Já murmurar tem mais a ver com
reclamar da vida, das coisas e das pessoas, é não estar satisfeito, mas infeliz,
ingrato e mau. A pessoa murmuradora acaba sendo uma pessoa amarga,
desagradável e fica soltando sons de murmúrio: rrrrrrrrrrr, parecendo um animal,
o que não dever ser a marca de um filho de Deus.

Se um crente deseja o crescimento espiritual (e deve desejar), precisa lançar fora
estes pecados, tirar completamente de sua vida e de seu coração, só assim poderá
se desenvolver na fé e na salvação. Mas também tem um segundo passo:

ALIMENTANDO-NOS DA PALAVRA DE DEUS (v2): Além de tirar o que não
presta dos nossos corações, precisamos nos alimentar com o leite
espiritual/racional que se trata da Palavra de Deus, de toda a Bíblia. É ela que
nos fortalece, nos dá saúde e o crescimento espiritual que precisamos.
É a Palavra de Deus que nos dá o crescimento e não a música, os shows
evangélicos, o tempo que somos crentes, o muito falar, o conhecimento ou
formação secular ou intelectual, mas a Bíblia, a Palavra viva do Senhor.
Precisamos Desejar Ardentemente e Afetuosamente: O primeiro é querer muito,
até o limite, até arder, até o fim, igual ao bebê recém nascido que quer o leite
mais do que tudo, com força e grita e chora até conseguir. Afetuosamente é
desejar com afeto, com carinho, com amor, com gosto e com vontade, não como
um peso, uma obrigação, um fardo ou algo ruim, mas como o bebê que, além de
querer muito o leite, também gosta dele, tem carinho por ele, se acalma ao
recebê-lo, ama o leite de todo o coração, o tem como algo bom e especial.

Alguns versículos refletem esta atitude para com as Escrituras Sagradas:

Salmos 1.1-2: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos
ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos
escarnecedores; antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de
dia e noite.”

Salmos 42.1: “Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim
suspira a minha alma por ti, ó Deus!”
Salmos 119.174: “Tenho desejado a tua salvação, ó Senhor, a tua lei é todo o
meu prazer.”
Salmos 119.97: “Oh! quanto amo a tua lei! ela é a minha meditação o dia
todo.”
Jeremias 15.16: “Acharam-se as tuas palavras, e eu as comi; e as tuas palavras
eram para mim o gozo e alegria do meu coração; pois levo o teu nome, ó Senhor
Deus dos exércitos.”

Assim deve ser o nosso desejo pela Palavra de Deus que é o nosso alimento
espiritual. Só nos alimentando dela é que cresceremos na vida cristã.
Contudo, este desejo deve ser direcionado ao genuíno leite espiritual, ou seja, a
Palavra de Deus verdadeira e completa, de maneira não falsificada, porém pura e
com todos os seus elementos e nutrientes.
Muitos querem a Bíblia, mas de forma leve, fraca, rala, só o que agrada, ou que é
conveniente, nada de confrontação dos pecados, de chamado ao arrependimento,
nenhuma mensagem sobre condenação, juízo ou inferno, mas apenas discursos
leves que falem do amor, de bênçãos, de curas, de alegria e, de preferência, nesta
vida, não do céu ou da eternidade.

Pensando nisso, tive algumas experiências com pessoas assim e destaco duas
delas, a primeira foi quando ainda era adolescente e uma vizinha de nossa
família nos acompanhou até o culto em nossa igreja. Após ouvir A pregação
sobre Jonas, perguntei a ela o que achou e a resposta veio acompanhada de um
rosto triste: _“Não gostei muito, prefiro mensagens que me façam sentir bem!” e
o outro foi há poucos anos, já como missionário, logo após pregar numa das
igrejas que nos apóiam, um dos membros da igreja veio até mim, elogiou a
mensagem mas logo disse: _” Pastor, precisamos pregar mais sobre amor, falar
mais de amor, um pastor não pode ficar falando de pecado, tem que falar de
amor, senão ofende as pessoas e os visitantes não voltam.”
Estes dois casos retratam a realidade em MUITOS corações dentro das igrejas,
parecem pensamentos bonitos, mas são humanistas, pecaminosos e
completamente errados. Nós precisamos de TODA a Palavra de Deus e os
pregadores devem pregar e anunciar TODO o desígnio do Senhor.
Isso é o que tem levado pessoas a buscarem e encherem os bancos das igrejas
que pregam a Teologia da Prosperidade e das seitas. Querem a Bíblia, mas
adulterada, falsificada.
Mas a verdade é que alimentos assim não sustentam, não fortalecem, não dão
crescimento – vide a criança recém nascida que precisa do leite materno e de
outros que vão mudando aos poucos, se os mesmos forem adulterados ela
enfraquece e morre. Mas nós não somos assim, pregamos a verdade e devemos
fazer isso até o fim, assim como Paulo falou: “Porque nós não somos, como
muitos, falsificadores da palavra de Deus, antes falamos de Cristo com
sinceridade, como de Deus na presença de Deus.” 2Coríntios 2.17

A Bíblia precisa fazer parte do nosso dia, dos nossos pensamentos, da nossa
vida, é ela que nos alimentará, fortalecerá e nos dará o crescimento. Quanto mais
ela entrar, mais o pecado sairá.

TENDO CERTEZA DA NOSSA SALVAÇÃO (v3): O Crescimento espiritual é
importante, mas ele só virá se a pessoa já experimentou a bondade do Senhor, se
já provou a benignidade de Deus, ou seja, se já é salva por Jesus, o que acontece
quando nos arrependemos do pecado e cremos Nele como Senhor e Salvador.
Esta experiência é a conversão, um ato de fé, um momento, uma obra soberana
de Deus. Quem já experimentou isso deve crescer, precisa crescer, vai crescer,
uns mais e outros menos, mas vamos crescer, se seguirmos os passos acima.
Você já é salvo? Já experimentou a bondade de Deus? Seu amor, Sua graça, Sua
misericórdia e a salvação que Ele oferece? Receba a Jesus, creia Nele,
experimente este amor e cresça, cresça como um filho de Deus, um salvo, uma
nova criatura.
Alguém que não é salvo, não compreende a Palavra de Deus – “Ora, o homem
natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e
não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é
espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por ninguém é discernido. Pois, quem
jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a
mente de Cristo.” 1Coríntios 2.14-15:
Se você não tem desejo pela Palavra de Deus ou não tem crescido na salvação,
talvez seja porque ainda não é salvo. Receba a salvação de Jesus, creia Nele.

Você tem crescido? Precisamos crescer na salvação. Esforcemos-nos para isso, é
a vontade de Deus, é nossa necessidade. Não seja um anão na fé, um doente,
alguém que não cresce e não melhora, mas cresça, Deus lhe dará a capacidade e
o crescimento, pelo abandono dos pecados, pela alimentação da Palavra de Deus
e pela certeza de salvação. Jesus nos dará o crescimento.








Um Amigo em Meio as Provas
1 Pedro 2.4-10


Os bombeiros do nosso país têm um slogan bem interessante que é retratado em
comerciais na TV: “Bombeiro, o amigo certo, nas horas incertas!”. Como é
bom ter (e ser) um amigo assim, verdadeiro e presente nas horas incertas,
especialmente quando estamos passando por situações difíceis e temos alguém
para nos ajudar, para conversar ou, simplesmente para nos ouvir e estar ao nosso
lado durante as provas. Melhor ainda quando este amigo é o melhor de todos,
melhor até que os nosso heróis bombeiros; o Senhor Jesus Cristo.

No capítulo 2 Pedro está falando do crescimento espiritual dos salvos e nestes
versículos ele fala da necessidade de ficarmos bem perto de Jesus, de nos
aproximarmos Dele e permanecermos ali, em comunhão íntima com Ele. Tudo
isso por causa das lutas, tribulações e perseguições que passamos neste mundo,
pelas mais variadas razões, especialmente por causa de nossa fé.
Nas lutas e provações, para continuarmos crescendo:

DEVEMOS FICAR PERTO DE JESUS!

No versículo 4 lemos: “chegando-vos para Ele...” – o chegar aqui refere-se a se
aproximar e permanecer perto em comunhão íntima. Então, precisamos ir até
Jesus e ficar ao seu lado de maneira constante e contínua.

POIS ELE É A BASE DE NOSSAS VIDAS (v4,6-7): Jesus é a chave da vida
cristã e da igreja, é Nele que devemos confiar, nos apegar, amar, servir, honrar,
descansar, viver. Amados, Jesus é tudo, é o centro de todas as coisas, nosso
salvador, a base de nossa fé.
Pedro está falando da edificação da igreja, do povo de Deus e afirma que Jesus
Cristo é a Pedra que vive (o Deus vivo, o Salvador vivo, fato confirmado pela
ressurreição), e, por duas vezes, afirma que é eleito pelo Pai (escolhido por Ele
para ser o Salvador) e precioso (o filho amado, no qual o Pai tem prazer – Mt
3.16-17).
Pedro também nos fala que Jesus é a Pedra Angular do povo de Deus, de Sua
Igreja, e isto têm dois aspectos:

Primeiro: Jesus é a pedra fundamental, o próprio fundamento da Igreja (sua
base e alicerce – Mt 16.18), sendo portanto o que sustenta a igreja, a mantém
firme, a mantém de pé, além de ser Sua origem, é Nele que ela começa.

Segundo: Jesus é a Pedra Angular, ou seja, a pedra principal de uma
construção, chamada de esquina, que ficava num ponto determinante da obra,
ditando seu rumo. Aliás, Jesus é chamado de ‘Pedra’ várias vezes na passagem,
enfatizando que é a “Rocha sempre firme” na qual estamos salvos e seguros,
como cantamos no antigo cântico: “Cristo é Rocha”.
Confirmando isso, Pedro cita três textos do Antigo Testamento (Is 28.16, Sl
118.22 e Is 8.14) o que nos mostra a primazia que Jesus tem em sua igreja e deve
ter em nossas vidas, Ele é o mais importante de tudo, o próprio Deus, o Salvador,
o Senhor, o cabeça da Igreja, Seu fundador e fundamento, a pedra angular, a
pedra viva. Por isso devemos nos aproximar Dele e ficar perto Dele. Jesus é
fundamental para nossas vidas, tanto para salvar, quanto para sustentar – Jesus é
a base de sua vida? É o seu melhor amigo? Deve ser!

POIS NELE ESTAMOS SENDO EDIFICADOS (v5-6): Jesus é a Pedra Viva e
Angular da igreja e de nossas vidas e, estando Nele, desfrutamos de Sua vida em
nós, somos parte do seu corpo e pedras em Sua igreja, somos ‘pedras vivas’.
Temos vida porque Jesus morreu e ressuscitou por nós, Nele nascemos de novo,
Nele somos novas criaturas, Nele temos vida eterna, abundante e de valor.
Sendo pedras vivas em seu edifício, Ele, como sábio arquiteto e construtor, vai
edificando sua igreja colocando cada pedra em seu devido lugar, para que O
sirvamos como a casa espiritual (habitação de Deus – Templo do Espírito Santo)
e sacerdotes santos, oferecendo sacrifícios que agradam a Deus, ou seja, nossa
própria vida de dedicação e serviço, um coração humilde, quebrantado e
arrependido e um louvor sincero com nossos lábios (Rm 12.1, Sl 51.17 e Hb
13.15).
Cada um de nós tem sua parte na igreja de Jesus e Ele vai nos usando como quer.
Precisamos estar dispostos a servi-lo e prontos à trabalhar e fazer o que Ele
quiser de nós. Temos que dedicar nossa vida para a edificação da Igreja e para a
pregação do Evangelho no mundo. E fazemos isso por meio Dele, só por meio
Dele. Sozinhos, ou em nossa própria força, somos incapazes (2Co 3.5). Por isso
precisamos estar perto de Jesus, o tempo todo, em comunhão íntima.

Você está sendo edificado como salvo por Jesus? Tem sido edificado como parte
de sua igreja? Tem ajudado na edificação de sua igreja? Fique perto de Jesus e
cresça para a glória Dele!
POIS QUEM O REJEITA, TROPEÇA, CAI E SERÁ CONDENADO (v4, 7, 8):
Mesmo Jesus sendo a pedra viva, angular, eleita e preciosa de Deus, Pedro nos
diz que Ele é “Rejeitado pelos homens” (os judeus, mesmo sabendo que era o
salvador o rejeitaram e hoje a maioria do povo ainda o rejeita), rejeitado pelos
construtores descrentes, é uma pedra de tropeço para os desobedientes que
tropeçam na palavra por rejeitá-lo.
O que resta a estas pessoas é a condenação, que Deus determinou a todos os que
rejeitam o Seu filho. Aqueles que desobedecem ao chamado de Deus,
desobedecem ao evangelho, que decidem agir na incredulidade, que rejeitam o
Salvador, tropeçarão, cairão e se condenarão. Suas vidas não terão fundamento,
desabarão com as tempestades e cairão, cairão no fogo eterno do inferno, longe
de Deus e de Cristo para sempre.
Nós, que conhecemos Jesus, que O temos como rocha e que somos salvos por
sua graça, precisamos nos aproximar Dele com gratidão e ficar perto dele, pois
nos livrou desta condenação. Além disso, orar e testemunhar aos que o rejeitam
para que, enquanto é tempo, se arrependam, creiam Nele e sejam salvos.
Portanto, enquanto os homens se afastam do Salvador, rejeitando o Seu amor,
devemos nos aproximar Dele e ficar bem pertinho.

POIS SOMOS SEU POVO ESPECIAL, SUA IGREJA (v9-10): Pedro conclui o
pensamento mostrando que, ao contrário dos incrédulos e desobedientes que
rejeitam a Cristo, nós, que cremos e somos salvos por Ele, somos Seu povo, Seu
corpo, Sua igreja, Seu edifício. E como tal, temos algumas características
peculiares:
Raça Eleita/geração eleita: O povo escolhido de Deus, sua igreja planejada
antes da fundação do mundo.
Sacerdócio Real: Sacerdotes que podem servir a Deus, oferecer suas vidas como
sacrifícios que o agradam, que podem chegar a sua presença e ter acesso direto a
Ele, sem a necessidade de intercessores, pois Jesus nos abriu o caminho ao Pai.
Cada salvo é um sacerdote.
Nação santa: Povo santo, separado, do pecado e para Deus. Para uma vida
limpa, pura, certa.
Povo de propriedade exclusiva de Deus/povo adquirido: Comprados por Deus
por bom preço, o sangue de Jesus Cristo (1Co 6.20 e 7.23). Pertencemos
exclusivamente a Deus, só a Ele e a ninguém mais. Não somos nosso, de satanás
ou deste mundo, mas de Deus.
Para Proclamar/Anunciar as Virtudes Daquele que nos chamou das Trevas para
Sua Maravilhosa Luz: Nossa missão aqui na terra é falar do nosso Deus, de Seus
atributos, Suas qualidades, Seu amor, santidade, justiça e de Jesus, Seu amor,
Seu sacrifício na cruz, Sua morte e ressurreição. Temos que evangelizar, fazer
missões, pregar o evangelho, fundar igrejas.
Povo de Deus: Antes de conhecer Jesus não éramos povo de Deus, estávamos
perdidos, condenados, separados Dele, mas agora, por meio de Jesus, estamos
perto, reconciliados, somos Dele (Ef 2.1-2). Por isso devemos ficar perto de
Jesus.
Alcançados por Sua misericórdia: Não recebemos o castigo que merecíamos,
mas, por meio de Jesus, fomos salvos, perdoados e abençoados.

Por isso tudo devemos ficar perto de Jesus, chegarmo-nos a Ele e ficar ali, bem
perto, bem próximo, em comunhão íntima e profunda. Somos Dele, somos Seu
povo, Ele nos comprou, nos salvou e nos chamou.

Você tem vivido perto de Jesus? Ele é o único que pode nos consolar e ajudar
nas tribulações da vida. O melhor e maior amigo. Temos vivido perto Dele? Ele
é o único que pode nos fazer crescer espiritualmente. Precisamos ficar perto de
Jesus, portanto, acheguemo-nos a Ele e fiquemos perto, bem perto. Ele já veio
até nós, nos amou, deu Sua vida e ressuscitou para nos salvar. A única maneira
de vivermos bem é ficando perto Dele, bem perto. É isso o que Ele quer, que,
pela fé, nos acheguemos a Ele para sermos salvos, para sermos consolados,
confortados, fortalecidos, recebamos a alegria e tenhamos uma vida útil e boa.


Vivendo Como Peregrinos
1 Pedro 2.11-17


Os dicionários definem um peregrino como um caminhante, um andarilho,
alguém que está viajando, apenas de passagem, percorrendo um caminho em
busca de algo melhor e forasteiro como um estrangeiro, alguém que é de fora,
que não pertence ao lugar onde se encontra. Estas duas palavras são usadas por
Pedro para se referir aos cristãos nestes versículos de sua epístola.

Em nossos dias vivemos diante da realidade dos “refugiados”, inúmeras pessoas
de vários países do mundo, em especial do oriente médio, que fugiram de suas
terras natais tentando preservar suas vidas e a de suas famílias das guerras e
atrocidades pelas quais passavam. Nos dias em que o apóstolo Pedro escreveu
sua primeira carta, esta era a realidade de muitos cristãos, inclusive estes para os
quais dirigiu seu ensino. Irmãos que precisaram fugir de suas terras para evitar o
sofrimento e a morte causados pela perseguição cruel e ferrenha contra os
discípulos de Cristo. Eles foram para outros países, viveram entre povos de
outras terras, mas sem pertencerem àqueles lugares. Pedro aproveita esta
situação e faz uma aplicação pertinente relacionada a vida cristã: Somos
peregrinos e estrangeiros neste mundo. John MacArthur comentou: “Nessa
seção, Pedro conclama seus leitores a uma vida reta num mundo hostil. Os
cristãos são estrangeiros numa sociedade secular porque eles são cidadãos do
céu.”[3]

O CRENTE É UM PEREGRINO NESTE MUNDO!

No versículo 11 Pedro chama os irmãos dispersos de “amados”, e, como filhos
de Deus, é isso o que somos: “Amados”, amados pelo Pai, pelo Filho, Pelo
Espírito Santo.
Mas também enfatiza que somos peregrinos e forasteiros, isto é, estamos aqui de
passagem, não somos daqui, somos estrangeiros, viajantes, nosso lar é o céu e
não temos raízes aqui. Somos cidadãos da cidade celestial vivendo em um
mundo hostil e Pedro nos convoca para viver uma vida reta enquanto estamos
nele, tal como os primeiros leitores, peregrinos também no sentido natural,
precisavam viver retamente no mundo mal no qual viviam. Para isso:

DEVEMOS NOS ABSTER DAS PAIXÕES CARNAIS (v11-12: Isso trata dos
desejos para o pecado da carne, para o mal, para o erro. Desde os desejos sexuais
ilícitos, até os desejos de vingança, ódio, amargura, inveja, ciúme, ganância,
avareza, enfim, quaisquer desejos para o pecado.
Abster é se separar, se afastar, deixar de pecar, manter tais desejos longe de
nossa vida, detê-los, privarmo-nos do que é errado, se conter, enfim, exercer o
domínio próprio que é uma parte do fruto do Espírito (Gl 5.23).
Tais desejos pecaminosos fazem guerra contra nossa alma, ou seja, estão lutando
para que pequemos contra Deus, para que façamos o que é errado, para que
demos mal testemunho aos incrédulos. São inimigos terríveis, fortes e
poderosos, astutos e impiedosos que farão de tudo para nos verem derrubados e
destruídos no pecado. Temos que cuidar, vigiar (como Jesus nos disse em Mt
26.41 e Mc 14.38) e lutar contra, fortalecendo nosso espírito e nossa comunhão
com Deus. Era assim que Jesus vivia, sempre perto do Pai e longe do pecado.

DEVEMOS NOS SUJEITAR AS AUTORIDADES (v13-14): Pode parecer uma
contradição, mas, justamente por não sermos cidadãos daqui é que devemos nos
portar como bons cidadãos, o que inclui a submissão as autoridades.
Pedro fala de toda ordenação/autoridade humana e lista o rei (governo do país) e
os que são enviados por ele (governadores, juízes, policiais, professores, etc).
Devemos obedecê-los por amor ao Senhor, ou seja, por que Deus quer assim,
para que o Nome Dele seja glorificado, para que as autoridades vejam que somos
Dele.
Uma das paixões carnais é a rebelião, o individualismo, a desobediência, mas,
por Cristo, não somos mais assim.
Vale lembrar que Pedro, repetindo o apóstolo Paulo (Rm 13) mostra o que as
autoridades devem fazer: castigar os malfeitores e louvar os que fazem o bem.
Quando não fazem isso estão erradas e Deus tratará com eles e, quando querem
nos forçar a pecar contra Deus, temos o direito, e o dever, de desobedecê-los (At
5.29).
Portanto, por amor ao Senhor, sejamos submissos as autoridades, vivamos como
bons cidadãos, honestos, pagando os impostos, respeitando e não fazendo nada
que traga as autoridades contra nós com razão (quando fazemos algo errado e
merecemos seu castigo). Esta é uma maneira de viver como cidadão do céu e
peregrino aqui neste mundo. Foi assim que Jesus viveu!

DEVEMOS FAZER O BEM (v15-17): É a vontade de Deus que façamos o bem
(e Sua vontade é boa, agradável e perfeita – Rm 12.1-2) e, com isso, “tapemos”
a boca dos insensatos e ignorantes, ou seja, calemos suas falsas e maldosas
acusações contra nós crentes. Mesmo que estejamos apenas de passagem por
este mundo, a marca que devemos deixar é a de uma vida certa, fazendo o bem.
Nos dias de Pedro os cristãos eram acusados de muitas coisas erradas como, por
exemplo: Violência (atear fogo em Roma), ateísmo (não adorar os ídolos e o
imperador, não possuir imagens), canibalismo (a ceia do Senhor), imoralidade
(amor entre os irmãos) e rebelião contra as autoridades – Tudo era mentira e
Pedro estimula aos irmãos para que, com suas vidas, fazendo o bem, calassem a
todos os que, de forma ignorante, acusavam-nos destes crimes absurdos.
O mesmo princípio vale para nós. Ainda hoje, os crentes são, injustamente,
acusados de muitas coisas erradas e ridículas, mas é a nossa vida, nosso amor,
nosso testemunho, e nossa prática da bondade que mostrará a diferença, refletirá
a luz e o perfume de Cristo, glorificará a Deus e tocará no coração dos
incrédulos para que se interessem pelo evangelho.
É muito importante lembrar que somos livres (16), mas não podemos usar nossa
liberdade como pretexto para pecar ou ceder aos desejos maliciosos da carne (Gl
5.13), afinal, somos servos de Deus e mostramos que O servimos quando
fazemos o bem ao próximo.
E conclui com algumas dicas práticas de como fazer o bem (v17):

Honrar a todos: Não buscar honra para si, mas honrar os outros. Valorizar,
reconhecer, amar, tratar bem, respeitar, ser educado, agradável e bondoso. Isso
nos leva para o que Jesus ensinou na conhecida “Lei Áurea” de Mt 7.12 e Lc
6.31 sobre tratar os outros como gostaríamos de ser tratados.
Amar os irmãos: Amar, de verdade, os irmãos em Cristo. Mostrar isso com a
vida, não da boca para fora. Refletir o amor de Cristo. Viver como família e
corpo, unidos, cuidando uns dos outros. Saber que o amor é um dos maiores
testemunhos para os incrédulos (Jo 13.35). Amor sacrificial, como o de Cristo.

Temer a Deus: Respeitá-lo e honrá-lo por quem Ele é. Temor que leva a
santidade, a reverência e ao serviço. Nos humilharmos diante de Deus e viver
para Ele, nos afastarmos de toda forma de mal, como já antes havia dito. O
temor do Senhor é o principio da sabedoria Pv 1.7.

Honrar o rei: Mais uma vez o assunto é repetido, tendo ênfase devido a sua
importância. Honrar o rei é respeitá-lo pela posição que tem, não ser rebelde e
desobediente. Mas submisso as autoridades enquanto elas não forem contra
Deus.
Nossa vida é nossa maior arma, nosso maior testemunho e devemos viver
fazendo o bem. Os incrédulos se calarão e, se falarem de nós, não terão razão.

Rômulo Weden Ribeiro disse: “O peregrino é alguém que vive num outro país
sem o direito de cidadania... Estamos aqui de passagem e não devemos fazer
deste mundo o nosso paraíso.”[4]

Somos cidadãos do céu, nosso lar é a eternidade e aqui estamos apenas como
forasteiros e peregrinos até chegarmos a nosso verdadeiro e eterno lar. Foi assim
que nossos irmãos ao longo da história tem vivido, foi assim que os “heróis da
fé” de Hebreus 11 viveram: “Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as
promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abrançando-as, confessaram
que eram estrangeiros e peregrinos na terra.” Hebreus 11.13
Que tipo de peregrinos e forasteiros somos? Como temos representado o nosso
país celestial? Pedro nos exorta a sermos santos, submissos e bondosos,
refletindo nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Ele é a imagem e exemplo
perfeito do forasteiro que devemos ser. Sejamos como Ele!

Diante destas profundas verdades me vem à mente a saudosa lembrança de um
trecho um antigo hino do Cantor Cristão[5]:

Sou Forasteiro aqui, em terra estranha estou;
Do reino lá do céu embaixador eu sou!
Meu Rei e Salvador vos manda em seu amor
As boas novas de perdão.

Eis a mensagem que me deu
Aquele que por nós morreu:
Reconciliai-vos já, é ordem que Ele dá,
Reconciliai-vos já com Deus!



Submissão aos Superiores
1 Pedro 2.18-25


O Sofrimento é algo que não gostamos, fazemos de tudo para evitá-lo. Contudo,
ele existe e é forte na vida cristã, era assim com os crentes para quem Pedro
escreveu, é para nós hoje e será para todos os crentes até a volta de Jesus. Além
disso, como seres humanos caídos, temos um grande problema com o orgulho e
a submissão as autoridades e o sofrimento é maior quando sofremos por causa de
nossa desobediência e rebeldia. Pedro fala muito disso em sua carta, pois era a
realidade daqueles crentes, uma grande dificuldade para eles. Algo que nos faz
sofrer muito são os maus-tratos por parte daqueles que são superiores a nós,
especialmente no serviço. Como agir quando isso acontece?

Os irmãos para quem Pedro escreveu passavam por grandes lutas e provações.
Não era fácil a vida deles: perseguidos, fugindo de suas terras natais, passando
privações dos mais variados tipos, além do fato de que, muitos deles, eram
escravos. Sim! Naquela época a população do império romano tinha um grande
número de escravos, desde os mais humilhados e sofridos, aos escravos
domésticos (palavra usada nesta passagem) e até aos remunerados. Era algo
comum, rotineiro e a igreja de Cristo era composta por muitos deles. Um
detalhe: Em todas as épocas, podemos ver a graça de Deus se manifestando, de
maneira especial, na vida dos mais pobres e sofredores da sociedade.
Era um sofrimento grande, uma dificuldade real, devido ao fato que muitos
donos de escravos eram maus, perversos e cruéis. Afinal, como o crente deveria
encarar isso, como lidar com esta terrível situação, como agir ou reagir, como
superar tal tribulação e angústia? Como manter o testemunho cristão? Pedro,
inspirado por Deus responde:

DEVEMOS NOS SUBMETER AOS SUPERIORES!

No versículo 18 Pedro pede que sejamos submissos aos nossos senhores, e isso,
com todo o temor, ou seja, todo o respeito.
De modo prático, podemos contextualizar isso ao âmbito profissional (ao patrão,
o supervisor, o encarregado, o chefe, o dono da empresa/fábrica), se aplicando
também ao ambiente escolar (professores, diretores, inspetores) e, de forma mais
ampla, a toda autoridade que o Senhor constituiu em nossas vidas.
Graças a Deus hoje, ao menos em nosso país, não temos mais a escravidão
legalizada e, os princípios aqui não se aplicam diretamente a isso, contudo, todos
somos funcionários e empregados, a ideia é a mesma. Além do fato de que, em
boa parte do mundo, especialmente no oriente, a escravidão ainda é uma
realidade. Por outro lado, porém, todos nós somos servos (escravos) de Cristo e
servos uns dos outros, esta é o nosso chamado, esta é a nossa posição e deve ser
a nossa atitude, nossa vida.
MESMO QUE SOFRAMOS INJUSTAMENTE (v18-20): Pedro mostra que os
escravos deveriam se submeter aos senhores se eles fossem bons (alguns eram
bons, cordatos ‘educados’ e humanos, alguns até eram crentes e irmãos em
Cristo), mas boa parte (talvez a maioria) eram maus e perversos. Mesmo assim o
servo crente deveria se submeter.
Respeitar os superiores bons ou maus agrada a Deus. Se sofrermos algum
prejuízo ou alguma tristeza de forma injusta, mas com a consciência tranqüila
(em obediência a Deus), Ele se agradará de nós.
Não existe benefício algum se sofremos por pecar e agüentarmos isso com
paciência. Mas quando praticamos o bem e sofremos por isso, Deus se agrada de
nós, fica feliz com nossa atitude e nos aprova. Vale lembrar que é Ele quem nos
capacita a isso.
Lembremo-nos: O que agrada a Deus é suportar com paciência o sofrimento
injusto.
Não existe lugar para rebelião na vida cristã. Não temos o direito de nos
rebelarmos contra nossos superiores, por piores que sejam. Como já disse, graças
a Deus não somos escravos, contudo, o princípio vale para os empregados e
também para os estudantes e, caso não estejamos dispostos a suportar isso em
nossos serviços ou escolas, devemos sair e procurar outro emprego/escola, mas
nunca ser rebelde ou vingativo e sem arrumar confusão ou dar testemunho ruim.
Portanto, mesmo que soframos, sejamos pacientes e suportemos isso com a
consciência limpa. Glorifiquemos a Deus sendo submissos aos nossos
superiores.
TENDO CRISTO COMO EXEMPLO (v21-24): Quando fomos chamados por
Cristo para a salvação, fomos também chamados para sofrer com Ele e por Ele.
O Crente é chamado para sofrer, igual nosso Senhor e Salvador Jesus foi.
Cristo sofreu em nosso lugar e nos deu o exemplo para imitá-lo. Portanto, diante
de nossos superiores, precisamos estar prontos a aceitar o sofrimento com
paciência por causa de um bem maior: A glória de Deus, a salvação dos
incrédulos (talvez até dos superiores) e o nosso crescimento espiritual.
Nos versículos 22 e 23 vemos que Jesus, enquanto sofria, não cometeu pecado,
não mentiu, quando foi humilhado e ofendido, não revidou com ofensas e
quando foi maltratado, não maltratou e nem ameaçou. Pelo contrário, entregou
tudo a Deus que é aquele que julga retamente. Isso é o que devemos fazer;
aceitar o sofrimento por parte de nossos superiores, imitando o exemplo de
Cristo e não nos vingarmos, mas orarmos a Deus e entregar tudo a Ele, pedindo
que faça justiça. Lembre-se: Não precisamos concordar, mas orar e pedir que
Deus faça justiça.
No versículo 24 vemos ainda que Jesus é o nosso exemplo por que Ele também é
o nosso Salvador. Ele carregou nossos pecados em Seu corpo, foi pregado na
cruz para que morrêssemos para o pecado (éramos escravos dele) e vivêssemos
para a justiça (uma vida certa, para Deus), por isso não podemos pecar contra os
superiores, pois Cristo morreu por nós para nos salvar disso. Já temos a
liberdade que precisamos: do pecado. Jesus é o nosso exemplo e salvador,
portanto, imitando-o e dependendo Dele, submetamo-nos aos nossos superiores,
por mais difícil que seja.

TENDO EM CRISTO O CONSOLO E A FORÇA QUE PRECISAMOS (v25):
Podemos achar tudo isso muito difícil, especialmente se levarmos em conta a
situação dos cristãos à quem Pedro escreveu, contudo, ele conclui mostrando que
antes éramos como ovelhas desgarradas (perdidas, sem rumo, desesperadas,
condenadas), mas que agora somos convertidos a Jesus, nos voltamos para Ele e
Ele é o nosso pastor e bispo. Isso deve trazer consolo e dar forças para
continuarmos.

Jesus é nosso Pastor: Aquele que cuida de nós, o “Bom Pastor” (Jo 10) que nos
ama, alimenta, guia, protege, dá paz, descanso e consolo – Tudo o que
precisamos enquanto sofremos e Ele faz isso todos os dias (Sl 23).

Jesus é o nosso Bispo: Bispo significa “supervisor”. Jesus é quem está cuidando
de nós, supervisionando nossa vida e nosso coração. Não precisamos nos
preocupar, mas confiar no Seu cuidado amoroso, perfeito e soberano. Ele está ao
nosso lado, vê tudo, sabe o que passamos. Podemos confiar Nele quando
sofremos.

Por tudo isso, sejamos submissos aos nossos superiores, mesmo que soframos.
Aos bons e aos maus e em todo tempo pois, por mais difícil que seja a situação,
Jesus é e sempre será nossa força e consolo. Vale também lembrar o que Paulo
disse em 1Coríntios 10.13: “Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão
humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que
podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a
possais suportar.”

Como podemos ver, o que Deus espera de nós como seus filhos e seus servos é
uma atitude de vida completamente diferente do mundo, inclusive em nossos
relacionamentos com nossos superiores. Mesmo não sofrendo como os primeiros
crentes que, em grande parte eram escravos, ainda somos empregados e devemos
servir com amor e submissão.
Mas além disso, jamais nos esqueçamos que, antes de tudo, somos servos de
Deus e uns dos outros e os princípios ensinados aqui, valem para todos os
relacionamentos em nossas vidas, sendo o Senhor Jesus o melhor exemplo de
todos.
A Vida Comum do Lar
Um Casamento Abençoado por Deus
1 Pedro 3.1-7


O Casamento é algo maravilhoso, único e especial, criado e instituído por Deus
como uma bênção ao ser-humano, porém tem sido destruído e mal falado em
nossos dias por causa do pecado e dos pensamentos errados que têm dominado a
sociedade pós-moderna e a mente das pessoas. Diante disso, precisamos olhar à
Palavra de Deus e ver o que Ele nos fala sobre o casamento e o papel do homem
e da mulher.

Pedro estava escrevendo para irmãos que sofriam muito com as perseguições e
problemas do seu tempo e, muito destes problemas, vinham do casamento. Boa
parte das mulheres convertidas não tinha seus maridos junto com elas servindo
ao Senhor (assim como nos dias de hoje) e, devido a isso, sofriam bastante por
não mais acompanhar seus maridos em atividades erradas e pecaminosas, e
muitas delas não sabiam o que fazer. Pedro, inspirado por Deus, mostra aos
crentes daqueles dias e a nós, como devemos agir dentro do Casamento.

PRECISAMOS OBEDECER A DEUS PARA SERMOS ABENÇOADOS
EM NOSSO CASAMENTO!

MULHERES: DEVEM SE SUBMETER AO MARIDO (v1-6): Sim, devem se
sujeitar, precisam obedecer. Este é o plano de Deus.

Submissão é o Plano de Deus (v1): Da mesma forma que devemos nos submeter
aos governantes e aos superiores (capítulo 2), Pedro afirma que as mulheres
devem se submeter aos seus maridos. Outros textos das Escrituras também
afirmam isso, como Ef 5.22-24 e Cl 3.18.
É óbvio que tal pensamento é totalmente contrário as filosofias que existem hoje
e pela qual, a maioria das mulheres tem vivido. Mas o plano de Deus é a
submissão da esposa à liderança do marido.
Aqui não se trata de inferioridade, pois todos são iguais diante de Deus, ninguém
é melhor do que ninguém, mas apenas em questão de posição, de função, de
papel. Deus criou o homem para ser o líder (o cabeça) do lar e a esposa para ser
sua auxiliadora, apoiadora, companheira. Este é o plano de Deus e é perfeito
para nossa felicidade e satisfação. Para a bênção dentro do casamento, para o
bem de nossos filhos e para a glória de Deus as esposas precisam se submeter
aos seus maridos.

Para ganhar o marido para Cristo (v1-2): Pedro mostra que para as esposas
cujos maridos não são salvos/crentes ganharem seus maridos para Cristo, elas
têm uma arma muito forte; o seu testemunho de vida.
Ela fará isso sem palavra alguma: Mulher gosta de falar e algumas
falam demais (muitos homens também...), mas algumas falam tanto que deixam
o marido irritado. Mesmo falando coisas boas e certas, chega um ponto em que
falar não adianta mais. Deve então permanecer em silêncio e falar apenas com
Deus em oração, pedindo a salvação do marido.
O Marido observará o Testemunho da esposa: Sua vida deve ser
santa, sua maneira de agir deve ser de um procedimento correto, um
comportamento honesto, uma vida cheia de temor e respeito. Uma vida assim
será marcante e fará muito mais pela salvação do marido do que muitas palavras,
especialmente se ele já conhece a verdade. Refletindo sobre esta passagem,
Elizabeth George escreveu: “Pedro não está ensinando que as mulheres devem
manter-se caladas em toda e qualquer circunstância. Ele está se referindo a
pregar, fazer sermão, atormentar, aguilhoar, importunar e retrucar. Ele quer que
a nossa vida seja uma mensagem de Deus para nossos maridos!”[6]

Cuidando mais da beleza interior do que da exterior (v3-4): Mulheres gostam de
se arrumar, querem ficar bonitas e se cuidar. Mas isso tem se tornado algo
exagerado devido ao pecado da vaidade extrema.
Não existe problema algum em se arrumar, mas o exagero nisso é pecado e não
ajuda em nada, não melhora o casamento e não torna a mulher uma esposa
melhor. Aqui não é uma proibição sobre corte de cabelo, uso de jóias ou de
vestidos bonitos, mas um conselho para que a mulher não se foque nisso acima
de tudo.
A beleza física acaba, a aparência é algo momentâneo e a mulher de Deus não
pode se focar só nisso. Tem uma beleza mais importante que deve buscar.
Cuidar da beleza Interior: O Caráter, o coração que deve ser
incorruptível. Imagine se as esposas gastassem buscando a Deus e procurando
ter um coração limpo o mesmo tempo que gastam cuidando do cabelo, das
roupas e das maquiagens? Teriam um coração muito mais limpo e um caráter
santo como Deus quer. Fariam muito mais diferença na vida de seus maridos e
seriam bem mais usadas por Deus.
Mansidão: A mulher deve buscar ser calma, paciente, tranqüila e não uma
mulher briguenta, rabugenta, que só reclama, grita, xinga e faz escândalo.
Provérbios 21.9 diz: “Melhor é morar num canto do eirado, do que com a
mulher rixosa numa casa ampla.”
Tudo isso é precioso para Deus e de grande valor para Ele, mais do que a beleza
física que acaba e passa. Mulheres, busquem tal beleza, isso é o que Deus quer,
isso é o que ganhará o coração do seu marido.

Imitando as Servas de Deus do passado (v5-6): Então Pedro fala para seguirem
o exemplo de mulheres de Deus do passado e, em especial, o de Sara. As
mulheres de Deus do passado eram santas (separadas e consagradas a Deus),
submissas à seus maridos e Sara obedecia a Abraão, chamava-o de Senhor. As
que hoje seguem a Deus são consideradas suas filhas, assim como os que crêem
em Jesus são considerados filhos de Abraão (Gl 3.7) e devem praticar o bem
(boas obras) e não temerem perturbação ou espanto algum, pois confiam no
Senhor e deixam tudo em Suas mãos.
Mulheres, vocês tem vivido assim? Têm sido submissas aos seus maridos e
vivem buscando um bom testemunho?

MARIDOS: DEVEM AMAR SUAS ESPOSAS (v7): Tanto Pedro aqui, quanto
Paulo em Ef 5.25-29 falam aos maridos e aos homens que a responsabilidade é
deles de manterem seus casamentos abençoados por Deus e cheios de felicidade
e paz.

Com discernimento: O Marido precisa conhecer a esposa e a vida de casado.
Apesar das dificuldades (e brincadeiras...) para entendermos as mulheres, como
maridos, precisamos nos esforçar para fazer isso, e bem. Entender nossas
esposas, suas necessidades, suas dificuldades, seus problemas, suas lutas e
alegrias e assim, cuidarmos bem delas.
Homens entendem de tudo o que gostam, como futebol carros, política e
entretenimento, mas não se preocupam em entender suas esposas, mas é isso que
devem fazer. Elas são mais importantes que qualquer uma destas coisas banais.

Com a honra devida a ela: O homem precisa ter respeito por sua esposa, dar
valor a ela, tê-la em alta consideração. Maridos, honrem suas esposas mais do
que seus amigos, seu trabalho, seu time de futebol ou suas diversões.

Com um cuidado todo especial: A esposa é a parte mais frágil e o vaso mais
fraco. Todos somos fracos, mas a mulher é mais, tanto física, quanto
emocionalmente. Ela precisa do nosso cuidado, proteção, amparo, carinho e
amor. Ela é como um vaso precioso, porém frágil, que precisa de todo o cuidado
para não quebrar. Cuidemos de nossas esposas, precisamos protegê-las.

Como Iguais na Salvação e no Casamento: Pedro chama o casamento de
“Graça de Vida”, ou seja, uma grande bênção vinda das mãos de Deus, algo
cheio de graça, cheio de Amro, algo bom e especial. É o pecado e o egoísmo que
têm estragado a grande bênção do casamento. Em Cristo somos todos iguais,
somos co-herdeiros em Cristo desta graça de vida e o marido deve entender isso
e se esforçar para viverem bem e aproveitarem, ao máximo, de algo tão bom que
o Senhor nos concedeu.
Para que nossas Orações não sejam interrompidas: O marido deve amar sua
esposa para que não se afastem de Deus e tenham suas orações impedidas e
interrompidas. Um casamento ruim afasta o casal e eles deixam de orar juntos,
afeta a comunhão com Deus, pois afasta os dois do Senhor e um do outro,
impedindo que as orações que façam sejam respondidas por Deus. Isso não é
nada bom! Deus não nos ouve quando estamos brigados ou sem pedir ou
oferecer perdão. O marido é o responsável por tudo na vida esposa, inclusive sua
vida espiritual. Precisa cuidar dela e manter os dois juntos e perto de Deus.

O Casamento é algo maravilhoso e, com a bênção de Deus e a obediência a Sua
santa e perfeita Palavra, desfrutaremos daquilo que o Senhor planejou para os
casais. Porém, devemos obedecer ao que o Senhor nos ordenou aqui. Jesus nos
capacita. Creiamos Nele, O obedeçamos e sejamos abençoados em nossos
casamentos.
















Desenvolvendo Virtudes Cristãs
1 Pedro 3.8-12


Uma marca comum do ser humano é querer compensar o sofrimento com o
pecado. Mais ou menos assim: “-- Estou sofrendo tanto, portanto vou fazer isso
para descontar/relaxar, aliviar!” ou pensamentos parecidos.
Como crentes num mundo mal, passamos por muitas dificuldades e as tentações
para pecar são grandes, mas, como temos visto, nada justifica o pecado e, como
filhos de Deus, somos chamados a fazer o que é certo mesmo em meio ao
Sofrimento. Pedro destaca isso nestes versos.

Após falar sobre o comportamento dos crentes em várias áreas da vida,
destacando a submissão a Deus, aos superiores e dentro do casamento e do lar,
Pedro fala agora de princípios gerais de vida para todos os crentes em toda e
qualquer área da vida e dos relacionamentos. É como um resumo de tudo o que
já falou, bem como um reforço e a conclusão de seu pensamento. Portanto:

DEVEMOS VIVER PARA O QUE DEUS NOS CHAMOU!

No versículo 9 lemos“...pois para isto fostes chamados...”
Por Jesus somos salvos do pecado, da morte e do inferno, recebemos nova vida e
vida eterna, mas junto com isso recebemos um chamado, um chamado para
sermos como nosso Salvador, um chamado para uma vida diferente, para uma
vida totalmente voltada para Deus. Tal chamado é sublime, divino, maravilhoso
e perfeito, e é atendido quando:

DESENVOLVEMOS VIRTUDES CRISTÃS (v8): Dentre elas:

União (v8): Como crentes e irmãos em Cristo, devemos ter todos o mesmo
animo, ou seja, o mesmo sentimento. Temos que pensar a mesma coisa, ter a
mesma opinião, estarmos unidos de coração, unidos no que é mais importante,
na palavra, no amor, na fé. Evitarmos brigas e divisões desnecessárias.

Compaixão (v8): Ter compaixão uns pelos outros, isto é, cuidar uns dos outros,
sentir a dor do outro, sofrer com o irmão, se importar. Não ser insensível ao
sofrimento do irmão.

Amor Fraternal (v8): Temos que ser amigos verdadeiros uns dos outros, amar
nossos irmãos, praticar o amor e não apenas falar dele ou cantar sobre, ter
comunhão. Vemos que a amizade deve ser com os irmãos em Cristo e não com
os incrédulos e ímpios.

Misericórdia (v8): E esta deve ser íntima, profunda, verdadeira e do coração. Ser
misericordioso e não tratar as pessoas como elas merecem, mas como Deus nos
trata. É não dar o castigo que merecem.

Humildade (v8): Temos que ser pessoas simples, afáveis, carinhosas, mansas,
educadas, agradáveis, ternas, amáveis, enfim, pessoas boas e agradáveis.
Refletindo o espírito de Cristo.

Perdão (v9): Não podemos nos vingar ou revidar, mas fazer o bem aos que nos
fazem o mal. E isso inclui tanto as atitudes, quanto as palavras maldosas
dirigidas contra nós. Como crentes não devemos nos vingar de forma alguma e
por nada, mas imitar a Jesus, seguir Suas palavras (que, com certeza, Pedro está
citando aqui) e refletir Seu perdão aos outros.
Devemos bendizer os que nos maldizem, isto é, tratar com o bem aqueles que
nos fazem o mal. Orar por eles, ajudá-los, demonstrar amor e te falar bem e
desejar o bem. Isso é jogar brasas vivas sobre a cabeça do inimigo (Rm 12.19-
21).

Controle da Língua (v10): Citando as Escrituras (AT) para dar suporte e
confirmação a suas palavras, Pedro repete o Salmo de Davi 34.12-16 e destaca o
controle da língua. Refrear é parar, controlar, segurar e não usá-la para o mal
(qualquer pecado, seja malícia, palavrões, ira, ódio, gritaria, blasfêmia, etc) e
evitar que os lábios falem o engano/dolo, ou seja, mentira.
A boca fala do que o coração está cheio e algumas poucas palavras podem
destruir vidas e relacionamentos. Deus odeia a mentira e nossa boca deve jorrar a
Palavra de Deus e só o que é bom e necessário.

“No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é
prudente.” ou “Na multidão de palavras não falta transgressão; mas o que
refreia os seus lábios é prudente.” Pv 10.19

Santidade/separação (v11): Temos que nos apartar do mal, ou seja, nos
afastarmos do pecado, fugir dele, de qualquer pecado ou de toda forma e
aparência de mal. Não brincar com fogo, não deixar o pecado se aproximar ou
entrar em nossas vidas.

Bondade (v11): O cristão precisa praticar o bem, fazer o bem, ser uma boa
pessoa e fazer o que é certo. Os ímpios vivem para fazer o mal ou são
indiferentes. Nós, como Jesus, temos que ser bondosos.

Paz (v11): Se trata do esforço para alcançá-la e a perseverança para mantê-la.
Temos que buscar uma vida de paz e, quando depender de nós, termos paz com
todos: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens.”
Rm 12.18

Estas virtudes retratam, perfeitamente, o nosso Senhor e Salvador Jesus, que é
nosso exemplo de modelo de vida.

CONSIDERANDO AS BÊNÇÃOS DE DEUS (v12 e 10): Pedro conclui seu
pensamento com o texto dos Salmos que mostra como Deus abençoa os que
vivem como Ele quer.

Longos, Bons e Felizes dias de vida (v10): Quem ama a vida, a valoriza e quer
aproveitá-la bem fará isso, cuidará de sua língua e de sua boca. Isso ajudará a ter
uma vida boa, mais longa, mais feliz e cheia de coisas especiais.
É com nossa boca que mais pecamos e destruímos relacionamentos, amizades e
oportunidades, perdemos bênçãos, alcançamos maldições, brigas e problemas
desnecessários. O silêncio, o controle e a sabedoria no falar nos trarão muitas
coisas boas na vida.

Seus olhos repousam (param) sobre os justos (v12): Isto se refere às bênçãos de
Deus, sobre seu olhar especial de amor, cuidado e atenção sobre Seus filhos
amados, ou seja, aqueles que Ele justificou por meio de Seu filho Jesus. Deus
está presente conosco.
Seus ouvidos atentos as nossas orações e súplicas (v12): Deus ouve e presta
atenção aos nossos pedidos e clamores. Dá valor as nossas orações, súplicas e
intercessões. Ele se importa conosco.

Seu rosto é contra os que praticam o mal (v12): A ideia aqui é a de que Deus
está irado contra os ímpios e perversos, seu rosto está furioso contra eles, virado
contra eles, ao contrário de Sua bondade para com os justos. Não vale a pena
viver no pecado, fora da vontade de Deus e longe do nosso chamado.

Como temos vivido? Temos atendido ao chamado do Senhor para uma vida
santa, reta e justa, mesmo em um mundo mal? Não temos justificativa para pecar
ou sermos iguais ao mundo, somos chamados para ser diferentes, para sermos
iguais a Cristo Jesus.
Lembrando que somente o Senhor pode nos capacitar à uma vida assim. Só
podemos atender ao chamado para uma vida se santa se primeiro atendemos ao
chamado para a salvação, para o arrependimento e para a fé em Cristo Jesus.
Você já atendeu o chamado amoroso e gracioso do Salvador? Faça isso hoje.
Portanto, Vivamos para o que Deus nos chamou e para nada mais. Que Deus nos
abençoe!








Santificando a Cristo em Meio ao Sofrimento
1 Pedro 3.12-17


“Creia em Cristo e seus problemas acabarão!”, “Siga a Jesus e não sofrerá
mais!”, “Venha para esta igreja e seus problemas se findarão!”, “Faça o que é
certo e tudo dará certo!” e frases do tipo dominam nossos dias, em especial, as
igrejas chamadas evangélicas do meio neo-pentecostal, dentre outras. Mas será
esta a verdade? Será isto o que a Bíblia diz? Será este o plano e a vontade de
Deus?

Logo após falar das virtudes cristãs que devemos desenvolver em nossas vidas,
Pedro trata do assunto do sofrimento e do lugar que Jesus deve ocupar em nossos
corações. Sabendo que temos a tendência de achar que, se vivemos certos, nada
de ruim irá nos acontecer ou que não merecemos o sofrimento, o apóstolo nos
mostra que não é bem assim mas que, antes de tudo:

DEVEMOS SANTIFICAR A CRISTO EM NOSSOS CORAÇÕES!

Lemos isso no versículo 15 – Santificar a Cristo é exaltá-lo, consagrá-lo, honrá-
lo, dar a Ele o primeiro lugar. Ele quer e deve reinar em nossos corações, deve
ser o nosso bem mais precioso e nós devemos ser somente Dele, separados e
santos.

PARA SABER LIDAR COM A PERSEGUIÇÃO E O SOFRIMENTO (v13-14):
Uma dificuldade no cristianismo é a questão do sofrimento. Temos muitas
dúvidas, mas a Bíblia nos esclarece várias delas. Aqui Pedro nos dá lições
preciosas quanto a isso. O fato é: Se Cristo é santificado em nossos corações, se
ocupa o primeiro lugar em nossas vidas e se separamos nossa vida para Ele,
saberemos melhor como lidar com o sofrimento.

Podemos tentar evitar o sofrimento vivendo bem e fazendo o certo: Com uma
pergunta retórica, Pedro nos mostra que a tendência é que “ninguém” nos fará
mal se formos zelosos pelo bem, ou seja, se nos esforçarmos para fazer o que é
certo e viver corretamente.
Por exemplo: Não seremos presos por crimes, não entraremos em brigas de bar
ou de gangues, não levaremos facadas por traição, não seremos expulsos do
emprego por “justa causa”, não teremos overdose por droga ou cirrose por
consumo excessivo de álcool, não contrairemos doenças sexualmente
transmissíveis, não temeremos a polícia no trânsito por andarmos ilegalmente,
não seremos reprovados na escola, etc. Enfim, por andar corretamente, evitamos
sim, MUITO sofrimento e tribulação que o pecado e a vida errada trazem para as
pessoas. Santificando a Cristo viveremos assim e evitaremos muitos problemas
desnecessários.
Podemos sofrer mesmo vivendo certo: Entretanto, por causa do pecado e da
maldade do ser-humano, mesmo vivendo certo, sofreremos nas mãos dos ímpios.
Pedro sabia que existem pessoas más, que perseguem os crentes, maltratam,
criticam, zombam, mentem, acusam, tentam prejudicar e fazem de tudo para
trazer sofrimento ao servo de Deus, ainda que injustamente.
Isso faz parte da vida cristã e deste mundo mal, contudo, mesmo sendo esta a
realidade...
Não precisamos temer estas pessoas e nem ficarmos perturbados (Is 8.12-13),
pois Cristo está em primeiro lugar em nossos corações, Ele cuida da nossa vida,
ele está no controle.
Somos bem-aventurados se sofremos por causa da justiça: Se sofremos por viver
certo, por servir a Jesus e por fazer as coisas direito, somos então abençoados
por Deus, muito felizes. Assim como Jesus falou em Mt 5.10-12. Precisamos
esperar por tudo isso e estarmos sempre preparados, é a realidade invertida deste
mundo mal. Se santificarmos a Cristo em nosso coração, estaremos preparados
para lidar melhor com o sofrimento.

PARA SABER RESPONDER AOS QUE PERGUNTAREM SOBRE NOSSA
FÉ (v15): Outra razão para santificarmos a Cristo em nossos corações, mesmo
em meio ao sofrimento, é para sabermos responder aqueles que nos
questionarem sobre nossa fé.
Durante nossa vida, especialmente em meio ao sofrimento, pessoas nos
perguntarão sobre nossa fé, desejarão saber porque cremos em Jesus, porque
temos a esperança (certeza) da salvação, da vida eterna e do céu, porque
vivemos diferentes, porque nos afastamos do pecado e porque nos dedicamos a
Cristo e Sua Palavra. Inclusive aqueles que nos perseguem, zombam ou fazem
mal.
Pedro mostra que precisamos estar SEMPRE preparados para respondê-los.

Quando? Sempre! O tempo todo, em qualquer situação ou ocasião, em qualquer
momento. Quando as coisas estiverem bem e quando a vida correr normalmente,
mas também quando estivermos sofrendo, passando por problemas, lutas,
dificuldades e perseguições. Sempre preparados, em qualquer hora e lugar.

Como? Precisamos saber DEFENDER a nossa fé em Cristo Jesus e isso de
forma clara, simples, bíblica (não emocional, sentimental, forçada ou do nosso
jeito), pensada (de forma racional, não sem sentido como tantas seitas), aceitável
(pois o evangelho é assim e não louco, mesmo que os incrédulos o considerem
como tal) e humilde (sem orgulho, arrogância ou soberba sobre os demais, mas
humildes como Jesus).

Conseguimos defender nossa fé? Você consegue defender sua fé? Pode mostrar a
razão da sua esperança? Santifique a Cristo em sua vida e seja capaz disso,
inclusive em meio ao sofrimento, é muito importante, é nosso evangelismo, é a
forma de levar as pessoas até Jesus, de ajudá-las a conhecerem a verdade.

PARA CONFUNDIR OS QUE NOS ACUSAM FALSAMENTE (v16-17):
Outra razão pela qual Pedro nos mostra a necessidade de santificar a Cristo em
nossos corações é para termos uma consciência limpa diante de Deus e dos
homens. Isso é importante pois, mesmo quando nos tratarem mal e nos acusarem
de erros como se fossemos bandidos, teremos a certeza de que estão errados.
Triste seria caso tivessem razão.
Devemos viver de tal forma que aqueles que blasfemam contra nós (mentem),
fiquem envergonhados e confusos ao verem o nosso bom testemunho de vida
com Cristo. Uma vida certa é nossa arma contra os ímpios: Se vivemos
corretamente, eles não têm do que nos acusar, falarão mal, inventarão mentiras,
mas no fim, eles é que ficarão confusos, não entenderão nada, ficarão
envergonhados, pois nossa vida provará o contrário e Deus será glorificado.
Nossas vidas têm deixado os ímpios confusos? Sua vida faz os deixam confusos
e envergonhados ou dá a eles razão sobre o que falam? Temos a consciência
limpa diante de Deus e dos homens ou ela está suja, corrompida e contaminada?
Santifiquemos a Cristo!

Conclusão: Temos que santificar a Cristo em nossos corações e isso, mesmo em
meio ao sofrimento. Diante disso, temos ainda dois pensamentos no v17:

É melhor sofrer por fazer o certo do que por fazer o mal: Já que o sofrimento é
inevitável, é melhor saber que sofremos com a consciência limpa, sem culpa,
não como castigo ou resultado do pecado, mas por causa dos problemas naturais
da vida, de provações do Senhor ou da maldade de outros.

Às vezes, é a vontade de Deus que soframos: Pedro conclui mostrando que,
mesmo santificando a Cristo em nossos corações e vivendo corretamente, às
vezes é a vontade de Deus que o crente sofra. Não entendemos os motivos mas
Ele, em seus propósitos soberanos e infinita sabedoria e perfeição, sabe os
motivos. Se Deus permite o sofrimento, é porque é bom. Se Cristo está sendo
santificado em nossos corações, aguentaremos o sofrimento vindo do Senhor,
afinal, é melhor sofrer por fazer o bem, do que por fazer o mal.

Temos santificado a Cristo em nossos corações? Você já tem Cristo em sua vida?
Creia Nele e vivamos para Ele!


Pensando Como Jesus
1 Pedro 3.18-4.6


Sofrimento? Vale a pena? Tem propósito? Por que Jesus sofreu tanto? Como
encarar esta triste e difícil realidade?

Continuando sua carta que fala do sofrimento como parte da vida cristã, dirigida
à irmãos que sofriam muito por serem servos fiéis de Deus, Pedro leva nossos
olhos para Jesus, o seu sofrimento em nosso lugar e as mudanças que isso deve
trazer a nossa vida.

DEVEMOS VALORIZAR O SOFRIMENTO DE JESUS POR NÓS!

É o que lemos no capítulo 3, versículos 18 ao 22. Afinal, Jesus padeceu (sofreu)
e morreu por nós na cruz, morreu em nosso lugar, por causa dos nossos pecados,
para a nossa salvação. Era o Justo morrendo pelos injustos, o santo pelos
pecadores, para nos levar até Deus, ou seja, nos salvar dos pecados, nos perdoar,
nos reconciliar com o Pai, nos dar a vida eterna. Tudo por amor, por graça, por
misericórdia. Diante disso, precisamos ter uma consciência limpa, anunciar este
Jesus aos perdidos e aprender com a história dos dias de Noé.

Jean Koechlin diz: “Entretanto, se nos comportarmos indignamente, nosso
evangelismo incitará o desprezo dos homens, o qual nos é devido, contra o
próprio Senhor. Que o Espírito de Cristo nos use para advertir nossos
companheiros da mesma forma que Ele usou Noé, durante o tempo que
construía a arca, para pregar aos descrentes de sua época (vs19,20). O dilúvio é
uma figura do julgamento que está prestes a recair sobre o mundo. Esta figura
nos fala sobre morte e o salário do pecado. De forma figurativa, os crentes
atravessaram o dilúvio por meio do batismo e se refugiam na arca, que é Cristo.
Foi Ele quem padeceu a morte em nosso lugar e com Ele ressuscitamos para
uma nova vida (vs 21,22).”[7]

TENDO O MESMO PENSAMENTO QUE ELE QUANTO AO SOFRIMENTO
(v3.22-4.1): Pedro começa o capítulo 4 afirmando que devemos nos armar com o
mesmo pensamento de Jesus em relação ao sofrimento.
A linguagem aqui é de guerra – se armar para lutar, para se defender e para
atacar. E o inimigo aqui é o pecado.
Jesus entendia que o sofrimento valia a pena por um bem maior; o seu
sofrimento traria a vitória sobre o pecado e a salvação para o pecador. Jesus
tinha convicção de que seu sofrimento e mesmo Sua morte, era algo passageiro,
mas a glória é eterna.
Após seu sofrimento e morte, Jesus ressuscitou e subiu ao céu, onde está
assentado a destra de Deus, ocupando uma posição de suprema e soberana
autoridade, poder e glória, dominando sobre tudo e sobre todos.
Uma importante aplicação aqui é valorizarmos o sofrimento de Jesus tendo o
mesmo pensamento que Ele.

Esperar o sofrimento: Saber que ele faz parte da vida e pode nos alcançar a
qualquer momento. Não tratá-lo como surpresa ao algo inexistente, não criar
expectativas erradas.

Saber que o sofrimento acabará com a morte: O máximo que podemos sofrer é
até a morte e, sendo salvos por Cristo, a morte não nos causa temor, pois é nossa
entrada no céu, é o fim do sofrimento, do pecado, é a entrada à presença de Deus
e ao nosso lar celestial.

Ter a disposição de sofrer por Jesus, como Ele teve de sofrer por nós.
Saber que o sofrimento nos torna melhores: Nos separa do pecado, nos
disciplina, nos santifica, nos purifica, além de nos tornar mais sábios, maduros e
melhores.

Saber que, o sofrimento na carne produz maior triunfo: Podemos ser vitoriosos
no sofrimento, mesmo que seja o sofrimento da morte. Aceitar a possibilidade de
sofrer e até de morrer por Cristo como parte da vida cristã, nos afasta do pecado,
nos dá uma vida de valor e nos garante galardões e recompensas no céu.
Morremos fisicamente, mas viveremos para sempre com Deus, em glória eterna.
Qual tem sido o seu pensamento sobre o sofrimento na vida cristã?

NÃO VOLTANDO JAMAIS PARA A VELHA VIDA DE PECADO (4.2-3):
Pedro deixa claro que existem dois tempos distintos na vida do cristão, o passado
(vida de pecado, antes de conhecer a Cristo) e o presente (a nova vida com
Cristo desde o dia da conversão). Pedro chama a nova vida de “o tempo que nos
resta na carne”, no qual, o pecado não deve mais fazer parte (falaremos disso no
próximo capítulo).
Pedro mostra que a conversão é uma mudança absoluta e total na vida do
pecador, uma mudança de vida, de atitudes e de interesses. Não uma mudança de
religião, mas de coração, de amor e de senhor. Antes servíamos ao pecado e a
nós mesmos, hoje servimos a Jesus.
Vemos que o tempo de vida passado sem Cristo é um tempo perdido, inútil, sem
propósito ou valor algum, apenas de vergonha e tristes conseqüências.
Por isso, não devemos, de forma alguma, voltar para a velha vida e suas antigas
e horríveis práticas de pecado. No versículo 3 Pedro mostra que já basta (já
chega) o tempo que perdemos vivendo em pecado e fazendo a vontade da carne
e dos homens. Chega, basta, não devemos voltar mais.
Ele dá uma descrição da vida de pecado que vivíamos e que os ímpios ainda hoje
vivem, e é muito triste:

Dissolução: pecado desenfreado e incontido na sensualidade.

Concupiscência: desejo descontrolado pelo pecado.
Borracheiras/borrachices: Bebedice sem valor, bagunça inútil, porcaria.
Orgias/glutonarias: Entrega desenfreada e descontrolada aos pecados da carne,
prática de imoralidade sexual e comilança desenfreada.

Bebedices: Pessoas bebendo e bebendo e, depois de beber tanto e fazer muita
besteira, beber mais um pouco para acalmar e se consolar.

Detestáveis ou abomináveis idolatrias: Adoração a ídolos e a prática de pecados
por causa deles. No passado, a idolatria estava ligada ao sexo pecaminoso (que
era parte do culto e da adoração de muitos ídolos), hoje em dia, a idolatria e suas
festas não passam de desculpas para uma vida de imoralidade, bem como uma
justificativa para o erro, o pecado e o mal. Nada mais é do que um alívio de
consciência para quem quer viver pecando. Isso quando o sexo não é a própria
idolatria da pessoa.
Todos estes pecados, os prazeres dos ímpios (um resumo das festas e
comemorações dos incrédulos é: imoralidade, bebedice, bagunça, etc) são
descritos na Bíblia como atos de maldade desprezíveis diante de Deus. Não
devemos apoiar, participar e nem aceitar como bom ou normal.

Uma aplicação pertinente: Para esta vida JAMAIS devemos voltar, nunca e nem
por um pouco de tempo. Já desperdiçamos muito tempo e saúde nisso. Como
salvos não devemos voltar para lá, nem mesmo nas datas religiosas ou
comemorações de fim de ano, que devem ser voltadas para Jesus no natal e para
a gratidão a Deus no ano novo, não para a bebedice e imoralidade. Você tem
voltado para essa vida pecaminosa, errada e horrível? Se arrependa e volte-se
para Cristo. Se continua amando e participando destes fastas carnais, mundanas
e idólatras, talvez não é salvo e precisa nascer de novo. Arrependa-se e creia em
Jesus.

DEIXANDO OS ÍMPIOS DE LADO (v4.4-6): Algo que os crentes para quem
Pedro escreveu e nós hoje também passamos são as dificuldades com os
incrédulos por ocasião de nossa conversão e mudança de vida. Pedro diz que os
ímpios fazem duas coisas das quais não devemos nos importar e, muito menos,
deixar de servir a Deus por causa delas:

Acham estranho nossa nova vida: Eles não entendem a nossa conversão, não
entendem como deixamos o pecado, porque não participamos mais com eles nas
festas pecaminosas e abomináveis. Tudo isso é muito estranho e esquisito para
aqueles que só vivem para pecar.

Blasfemam de nós: Um tempo depois de achar estranho e tentar, sem sucesso,
levar o salvo de volta para o pecado (se voltar não é salvo), eles começam a
blasfemar de nós, ou seja, difamar, criticar, mentir, zombar, ofender e humilhar.
Isto faz com que muitas pessoas deixem a Jesus e voltem para o pecado, mas não
deve ser assim. Não devemos nos importar, nem ligar, não dar ouvidos, deixá-los
falando, não responder e muito menos ficar sofrendo por isso. Se fossem amigos
de verdade não estariam chamando para o pecado e aceitariam nossa decisão de
servir a Cristo, mas não são, são ímpios, maus, que odeiam a Deus, pessoas
perversas e condenadas que querem nos ver longe de Deus e destruídos no
pecado como ele.

Tais pessoas serão julgadas por Deus: Também não devemos nos vingar ou
maltratar tais pessoas, apenas deixar quieto, pois o próprio Deus, que é o justo
Juiz, digno de julgar e com o poder de o fazer, os condenará um dia. Os
zombadores irão prestar contas a Deus e padecerão o castigo eterno e a
condenação no inferno.

O sofrimento fará parte de nossa vida aqui, mesmo servindo ao Senhor podemos
sofrer por Ele ou por outras razões, mas devemos olhar para Jesus que sofreu
muito mais por amor a nós e permanecermos firmes com o mesmo sentimento
dele.
Um dia morreremos, como os irmãos do passado já morreram, mas hoje estão no
céu, na glória, com Deus, onde, um dia, também estaremos, ao passo que os
ímpios, que rejeitam a Cristo e zombam dos crentes, estarão condenados no
inferno para sempre. Valorizamos o sofrimento de Jesus? Você valoriza o
sofrimento Dele por você? Pensemos sempre como o Senhor!






























Preparados para o Fim
1 Pedro 4.7-11


O que fazer quando sabemos que a chegada de alguém que amamos se
aproxima? É emocionante ler ou assistir as histórias das esposas e filhos de
soldados esperando seus maridos e pais. Como temos esperado a chegada de
Jesus e o fim de tudo?

“Ora...” Continuando o assunto dos versículos anteriores, Pedro, que acabara de
dizer que os ímpios que difamam a vida santa do crente, irão prestar contas a
Deus, fortalece ainda mais o seu argumento, afirmando que o fim de todas as
coisas está próximo, ou seja, Jesus está voltando e irá julgar os ímpios e resolver
tudo.
Contudo, a proximidade do fim e o iminente encontro com Cristo, não devem
apenas nos consolar sobre o juízo dos ímpios, mas gerar em nós uma mudança
de vida, de atitude, de pensamento, ou seja, uma vida “segundo a vontade de
Deus”, como Pedro disse no versículo 2.

DEVEMOS VIVER PREPARADOS PARA O FIM!

No versículo 7 lemos que o fim de todas as coisas está próximo, o que remete a
volta de Jesus Cristo, o julgamento, a consumação de todas as coisas, o fim dos
tempos. Diante disso nós precisamos tomar algumas atitudes.

MANTER UMA COMUNHÃO SÓBRIA COM DEUS (v7): Sermos criteriosos
e sóbrios em nossas orações, em outras palavras, vivermos uma vida sóbria e
vigilante na oração.

Sóbrio: Significa um viver controlado, sensato, não dominado pelas emoções,
sentimentos, paixões, desejos ou vontades. É estar em plenas condições mentais
para viver direito e tomar decisões corretas e sábias.
Por isso devemos nos afastar do álcool e das drogas, pois acabam com a
sobriedade, tiram a razão, deixam a pessoa descontrolada e suscetível a suas
paixões e emoções.

Vigilantes na Oração: John Bunyan, autor do livro “O Peregrino” disse: “A
oração é uma das maiores provas da salvação de um homem!” e é isso mesmo.
O Filho de Deus, sabendo que o fim se aproxima e que a volta de Jesus está
próxima, valoriza ainda mais a comunhão com Deus e procura manter-se nela
através da oração.
Devemos orar, orar muito, orar sempre e corretamente, prestando atenção ao
mundo, a nossa vida e ao iminente retorno de Jesus. Orar pelo que realmente
importa, não por coisas matérias, passageiras e egoístas, mas pela salvação de
almas, por santidade na vida, por mais semelhança a Jesus e por poder e
capacidade para servir ao nosso Deus.
Pelo que temos orado? Temos vigiado? Lembremo-nos, mais uma vez, das
palavras de Jesus em Mt 26.41 e Mc 14.38.

2) AMANDO, DE VERDADE, OS IRMÃOS (v8): Acima de tudo, porém,
devemos ter amor intenso e ardente uns pelos outros. O amor é a virtude e
qualidade mais importante de todas (1Co 13.13), é o maior mandamento (Mt
22.36-40) e a marca do verdadeiro cristão (Jo 13.34-35). Jesus teve sua vida
marcada, do início ao fim, pelo amor.

Amor cheio de perdão (v8): O amor deve marcar nossa vida, de verdade, não da
boca para fora. E um amor marcado pelo perdão, que cobre (perdoa, esquece)
uma multidão de pecados. O amor e o perdão verdadeiros caracterizam a vida do
povo de Deus, ainda mais quando pensamos que o fim está próximo, que Jesus
está voltando e que uma das principais marcas dos fins dos tempos é o
esfriamento do amor. Nós devemos ser diferentes e viver cheios do verdadeiro e
profundo amor de Deus, perdoando-nos uns aos outros.

Amor cheio de hospitalidade (v9): Também devemos ser hospitaleiros (marca
importantíssima naquela época cheia de viagens longas e demoradas, grandes
perigos e imensas dificuldades) e devemos fazê-lo sem murmuração.
Receber uns aos outros em nossas casas.
Receber missionários e irmãos das igrejas quando necessitam.
Receber cultos em nosso lar – Antigamente era a forma da igreja se
reunir e, em muitas igrejas nos dias de hoje, ainda o é. Em Piumhi e Vargem
Bonita vivemos esta realidade por anos e um lar receptivo aos irmãos é
fundamental para o nascimento e desenvolvimento de uma igreja local.
Precisamos ser hospitaleiros sem murmuração, ou seja, sem reclamar, mas fazê-
lo com alegria e boa vontade.
A prática da hospitalidade é uma marca do amor verdadeiro, cada vez menor
hoje em dia. Devemos viver assim devido a proximidade do fim e da volta de
nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

SERVINDO UNS AOS OUTROS COM DEDICAÇÃO (v10): Servir é amar,
ajudar, trabalhar, fazer e buscar o bem do próximo. O detalhe aqui é que
devemos servir como bons despenseiros, ou seja, bons administradores e bons
mordomos. Como servos responsáveis, dedicados, esforçados e cuidadosos,
igual a um trabalhador ou estudante dedicado – infelizmente muitos crentes não
são assim para com as coisas de Deus, só para as coisas desta vida. Mas não
deve ser assim. Nós servimos:

De acordo com os dons que recebemos (v10): Cada salvo recebe, ao menos, um
dom do Espírito Santo de Deus, que são capacidades espirituais e especiais para
servir ao Senhor e a Sua igreja. É assim que devemos servir, de acordo com os
dons que recebemos, de acordo com o que temos e somos pela graça de Deus.
Não pelo que não somos, pelo que gostaríamos de ser ou pelo que os outros são,
mas com os dons que Deus nos deu. E nos deu de GRAÇA, por sua graça, são
presentes para a glória Dele.

De acordo com a Palavra de Deus (v11): Uma das partes dos dons espirituais
são relacionados à fala: Pregação, evangelismo, ensino, exortação, etc. E tudo o
que falamos para servir a Deus e aos irmãos dever ser de acordo com a Palavra
de Deus, a Bíblia – Os oráculos de Deus se referem as Sagradas Escrituras. É
dela e só dela que devemos falar, ela é poderosa, viva, eficaz e transforma nossas
vidas. Não devemos falar a nossa própria palavra, nossa própria vontade ou a
palavra de outros, mas somente a Palavra de Deus.

De acordo com o Poder de Deus (v11): Outra parte dos dons são os relacionados
ao serviço (liderar, administrar, servir, contribuir, etc) e devemos fazê-lo na força
que Deus supre, no poder que Ele nos dá, na capacidade que Ele concede aos
que chama para o Seu serviço. Deus supre todo o poder que precisamos para
servir aos irmãos e ao próximo. É na Sua força que devemos servir nestes
últimos dias, até o encontro final com o Salvador Jesus.

Quando vivemos assim Deus é glorificado em todas as coisas que fazemos por
meio de Jesus Cristo, que nos salvou e nos deu os dons, pois é a Ele que pertence
a glória, o domínio e poder por toda eternidade.
Deus e nosso Senhor Jesus Cristo serão glorificados, pois tudo é Dele e para Ele
(Rm 11.36). Vivendo assim, estaremos preparados para o fim e glorificaremos
aquele que, de graça e por amor, nos deu a salvação. Aliás, este deve ser o
objetivo maior de nossas vidas em tudo o que fazemos: A Glória de Deus.

O fim se aproxima, os ímpios serão julgados por Jesus em sua volta. E nós,
como O encontraremos? Devemos viver preparados para nosso encontro com
Ele, preparados para o fim, buscando Sua glória.












Sob o Fogo da Provação
1 Pedro 4.12-19


Provas! Elas nos mostram quem somos e o que sabemos. Acabam com a teoria e
revelam a verdade, muitas vezes triste e vergonhosa. Na vida cristã também é
assim, passamos por provas, duras provas, mas em todas elas Deus tem objetivos
certos, perfeitos e eternos, os quais devemos aceitar e, por meio deles, aprender.

Numa carta quase toda ligada com provações na vida dos crentes, Pedro, agora,
trata diretamente deste assunto tão importante na vida daqueles irmãos que
passavam por duras provas, verdadeiras fornalhas ardentes, nas quais suas vidas
estavam sendo provados por amor a Cristo Jesus. As lições retiradas daqui são
importantíssimas para nós.

PRECISAMOS SABER LIDAR COM AS PROVAÇÕES!

Provações são lutas e dificuldades que enfrentamos na vida. O contexto trata
especialmente de perseguição por causa da fé (o livro foi escrito na época em
que o imperador romano Nero colocou fogo em Roma e culpou os cristãos,
causando a prisão, tortura e morte de muitos de nossos antigos irmãos), mas
pode se referir a todo tipo de provação na vida: Familiar, financeira, nos
relacionamentos, na saúde, etc. Como lidar?

NÃO ESTRANHANDO SUA EXISTÊNCIA (v12): Em dias que a diabólica
“teologia da prosperidade” é tão pregada e ensinada, a maioria das pessoas,
inclusive os crentes, acha muito estranho alguém que crê em Deus passe por
provações.
Alguns não entendem, outros não aceitam ou não se conformam, enfim, todos
acham estranho. Não! Não podemos estranhar a provação que, como fogo, vem
sobre nós. Ela é normal, é algo comum, faz parte da vida, muito mais da vida
cristã.
Todos os fiéis servos de Deus cujas histórias estão registradas na Bíblia
passaram por duras provas. Jesus foi grandemente provado e nós, se realmente
cremos Nele, O amamos e O seguimos, também iremos passar por elas, até o dia
em que estivermos com nosso Salvador no céu.
Enquanto estamos aqui, as provações são reais, comuns, normais e constantes,
não devemos estranhar. Elas vêm para nos provar e mostrar quem somos, se
realmente somos crentes ou não, se amamos a Cristo ou não, se Ele é mais
importante do que tudo ou não, se somos fiéis ao nosso Deus ou não.
Deus sabe de tudo, mas as provas mostram a nós mesmos e aos outros que tipo
de pessoas e de crentes somos e o quanto precisamos melhorar.
Em relação ao povo de Israel lemos em Deuteronômio 8.2 “E te lembrarás de
todo o caminho, pelo qual o SENHOR teu Deus te guiou no deserto estes
quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu
coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não”. O mesmo princípio é
válido para os cristãos, o povo de Deus, hoje.
Jesus não estranhou as provações que vieram sobre Ele, nasceu para elas e as
aceitou com naturalidade, não pecou ou se desviou de sua missão durante as
lutas, muito menos no momento mais difícil de todos, quando foi dar a vida para
nos salvar. Portanto, lidemos corretamente com as provações, não estranhando
quando elas chegarem.

ALEGRANDO-NOS NELAS (v13-14): Ao contrário de estranhar as provações,
devemos nos alegrar nelas, pois quando sofremos por causa de Cristo e da nossa
fé Nele, isso mostra que somos participantes do Seu sofrimento, ou seja, somos
realmente salvos, temos Cristo em nós, somos Dele e estamos ligados a Ele.
Além disso, Pedro nos mostra que quando Jesus voltar e se revelar com todo
poder e glória, nós nos alegraremos e exultaremos com Ele. Não haverá alegria
maior do que ver e estar com nosso Salvador, aquele que sofreu e morreu por nós
na cruz e pelo qual sofremos, mas que ressuscitou e venceu e, por meio Dele,
também somos vencedores.
Pedro também afirma que se sofremos e somos injuriados por causa do nome de
Jesus, nós somos “bem–aventurados”, ou seja, muito felizes, abençoados. Aliás,
o próprio Senhor Jesus nos falou isso, que somos muito felizes e abençoados se
sofremos perseguição por causa de nossa fé – Mt 5.10-12.
Além disso, a provação da nossa fé é prova de que temos o Espírito Santo de
Deus em nós, chamado aqui de “Espírito da Glória de Deus”, que repousa em
nós, ou seja, habita, sela, prova que somos de Deus. Que bênção, que privilégio.
Tudo pela graça!
Pode parecer uma contradição total se alegrar na provação, mas esta é a maneira
correta para lidarmos com o sofrimento na vida cristã, especialmente com a
perseguição por causa de nossa fé em Jesus.
Temos nos alegrado nas provações? Façamos isso e Cristo será glorificado, aliás,
vale a pena sofrer por um Salvador tão maravilhoso que aceitou com alegria
sofrer para nos salvar.

SABENDO QUE ELA É POR CAUSA DE CRISTO (v15-18): Nestes versículos
Pedro nos mostra que precisamos avaliar bem a causa do sofrimento pelo qual
passamos e deixa bem claro que:

Não devemos sofrer como conseqüência dos nossos pecados (v15): Não
devemos sofrer como assassino, ladrão, malfeitor ou intrometido (rebelde,
causador de contendas). Se sofremos por tais atos, ou por outros semelhantes,
não se tratará de provação, mas de conseqüência, do resultado merecido e natural
das nossas escolhas e ações erradas e pecaminosas.

Não ter vergonha de sofrer como Cristão (v16): Se o nosso sofrimento é por
causa de sermos cristãos (o nome “Cristão” significa “pequeno Cristo” ou
“seguidor de Cristo”), não devemos nos envergonhar, pelo contrário, glorificar a
Deus por causa deste nome, ter orgulho por tamanho privilégio.
Sofrer por Cristo não é vergonha, é motivo de orgulho, alegria e glória, como
vemos nas atitudes do próprio apóstolo Pedro, do discípulo amado João, de
Paulo e Silas na prisão em Filipos, etc. Triste é que muitos crentes têm vergonha
não apenas de sofrer por Cristo, mas de serem crentes; vergonha de falar que são
crentes, de ir para a igreja, de carregar a Bíblia, de viver corretamente, de dizer
não ao pecado, de assumir uma posição junto a Cristo e separado do pecado e do
mundo.
Se temos vergonha de Cristo, Ele também terá de nós em sua vinda (Lc 9.26).
Portanto, não tenhamos vergonha de sofrer por nosso Salvador por sermos
cristãos, mas glorifiquemos a Deus por este nome, vivendo como um verdadeiro
salvos.
Tenhamos a certeza de que o sofrimento é uma provação e não conseqüência do
seu pecado. Isso é fundamental.

CONFIANDO EM DEUS (v17-19): Isso é fundamental em qualquer provação e
sofrimento; confiar no Senhor e saber que Ele está no controle de tudo, nos ama
e sempre faz o melhor.

Deus irá julgar o mundo (v17-18): Deus vai julgar o mundo todo e isto começa
com o Seu povo, Sua casa, a igreja, e Ele o faz pelas provações. Toda prova tem
um propósito soberano de Deus, seja para nos corrigir, nos purificar, nos
disciplinar, nos levar para mais perto Dele, nos tornar crentes melhores, nos
afastar do pecado, mostrar o que está em nosso coração, etc. Porém, apesar de
tantas lutas e dificuldades, por mais difícil que seja a vida cristã, nós somos
salvos e estaremos com Jesus no céu e na eternidade.
Mas Ele vai julgar e condenar os ímpios que nos fazem mal, aqueles que
escolhem viver no pecado, rejeitando a Cristo e indo contra Seu amor. Pedro até
pergunta qual será o fim daqueles que desobedecem ao evangelho de Deus (que
não crêem em Cristo) e nós sabemos a resposta: O inferno, a condenação e
separação eterna de Deus. Os ímpios e incrédulos serão condenados por
rejeitarem a Jesus.

Às vezes, o sofrimento é a vontade de Deus (v19): Pelas razões já citadas e por
outras mais, Pedro afirma que, às vezes, sofremos segundo a vontade de Deus.
Sim, isso mesmo! Às vezes é a vontade de Deus que soframos, que sejamos
provados, que passemos por lutas. Ele sabe o quanto podemos suportar e não
permite nada além disso. Como vimos no início, o sofrimento faz parte da vida
cristã e é da vontade de Deus, diferente dos ensinos errados tão pregados por ai
nas igrejas adeptas da teologia da prosperidade.
O que importa aqui, como Pedro nos diz, é que nossa alma está guardada pelo
fiel criador. O Deus que nos criou e nos salvou por meio de Seu filho Jesus,
guarda nossa alma, nossa salvação, até o fim e estaremos com Ele por toda
eternidade e, enquanto vivemos aqui, mesmo que passando por provações,
devemos viver praticando o bem, pois é uma prova de que somos,
verdadeiramente, regenerados.

Como temos encarado as provações? Lembremo-nos sempre: O segredo é Jesus
Cristo. Ninguém foi mais provado que Ele e permaneceu fiel até o fim para a
salvação do Seu povo. Precisamos olhar para Ele, imitar seu exemplo e depender
Dele.
Suportemos as provações com fidelidade, passemos na prova para a glória de
Deus e de nosso Salvador Jesus Cristo.












De Pastor para Pastor
1 Pedro 5.1-4


O que Jesus espera dos pastores? Qual é o papel e a tarefa dos homens
responsáveis por cuidar do rebanho de Cristo? O que um pastor deve fazer?
Como deve viver? Perguntas importantíssimas que Pedro, pastor nós, pastores de
hoje, nos responde de forma clara e direta, tendo aprendido diretamente do
supremo Pastor, o Senhor Jesus Cristo.

Ainda no contexto do sofrimento, das tribulações e das perseguições pelas quais
os crentes passavam, Pedro separa alguns versículos para aconselhar os pastores,
aqueles responsáveis por cuidar das ovelhas de Cristo e mostra o que eles
deveriam fazer e como fazer, em todo o tempo e também nos momentos de
dificuldade nos quais viviam. Lembremos que nas lutas, é nossa tendência
perder o foco, nos desviarmos de nossa missão, esquecer os objetivos de nossa
vida e até deixar de fazer o que devemos. Portanto, alertar os pastores quanto a
isso era fundamental, pois de sua liderança depende muito da vida da igreja.
Pastores não são sobre-humanos, super-heróis ou super crentes, são pessoas
normais como eu e você, pecadores, salvos pela graça de Deus, diferentes apenas
na missão que receberam do Senhor; uma tarefa especial, porém penosa e cheia
de responsabilidades passageiras e eternas.

Enfim, Pedro faz um “pedido de pastor para pastor”, mostra “O que o Pastor
deve Fazer”, “Como o pastor deve fazer” e “Qual deve ser a recompensa que o
Pastor busca”. É impossível ler estas palavras e não lembrar, de imediato, da
conversa do Salvador ressurreto com o quebrantado, envergonhado e humilhado
apóstolo em João 21, quando Jesus, restaurando a vida e a fé de Pedro, ordena
por três vezes seguidas: “Apascenta as minhas ovelhas”. É maravilhoso ver
como a graça e a misericórdia de Jesus transformaram a vida de Pedro que
executou seu ministério pastoral com fidelidade e dedicação, sem se exaltar
sobre ninguém, considerando igual aos demais obreiros e aconselhando-os a
fazerem aquilo que Jesus havia lhe ordenado. Isso torna ainda mais preciosos os
conselhos de Pedro aqui, pois Ele aprendeu diretamente do Senhor Jesus e
colocou em prática tudo o que nos aconselha. Portanto, vejamos:

UM PEDIDO DE PASTOR PARA PASTOR (v1): Pedro ROGA (pede com
intensidade, suplica, implora) aos pastores que pastoreiem o rebanho de Deus. O
fato de rogar mostra a importância do trabalho deles, especialmente naqueles
momentos difíceis, nos quais o rebanho estava aflito, com medo, enfrentando
duras provas, sendo tentado e atacado por lobos. As ovelhas de Cristo
precisavam do cuidado amoroso, fiel e protetor do pastor.

Ele fala com Pastores (v1): Presbíteros é outra palavra bíblica para “pastor”,
usada e intercalada junto com bispo e ancião. Todas se referem ao líder da igreja
de Cristo, o responsável por cuidar do rebanho. Presbítero transmite mais a idéia
de experiência e exemplo, do líder espiritual que já vive com Deus por algum
tempo e tem experiência e qualidade de vida cristã para ser exemplo aos demais.
O plural aqui indica que era comum mais de um pastor na igreja, o que nos dá
um modelo muito positivo para nossas igrejas seguirem na atualidade.
Para fortalecer o argumento de que pastor e presbítero se referem ao mesmo
ofício, vale observar que todos os termos eram usados como sinônimos e
intercalados ao logo do Novo Testamento, muitas vezes na mesma passagem,
como em Atos 20.17-31 quando Paulo chama os “presbíteros” da igreja de Éfeso
(v17) e afirma que Deus os constitui “bispos” para “pastorearem” o rebanho de
Deus (v28).
Não se trata de três ofícios diferentes, mas de três aspectos diferentes do mesmo
ofício, o de PASTOR.

Ele também era um pastor (v1): Pedro sabia do que estava falando e o que
estava pedindo. Ele lembra seus leitores (pastores e ovelhas) que também era um
pastor, na mesma época que eles e também passava pelas mesmas perseguições e
lutas. Além disso, usa dois argumentos para fortalecer o seu pedido e dar crédito
as suas palavras:
Foi testemunha ocular dos sofrimentos de Cristo: Bem como
participante deles. Hoje, nós que cremos em Jesus, quando sofremos por nossa fé
Nele, também participamos dos seus sofrimentos (1Pe 4.13).
Era co-participante da glória que será revelada: Assim com os
demais salvos, Pedro também participará da glória final, do encontro com Cristo,
da glorificação e da vida eterna. Isso é o que nos espera como ovelhas de Jesus
Cristo.
Com tudo isso como base para seu pedido, Pedro então o faz:

O PASTOR DEVE PASTOREAR (v2): Isso é o que o Pastor deve fazer!
Pastorear o Rebanho de Deus.
A igreja é comparada a um rebanho e os crentes a ovelhas, tal rebanho pertence a
Deus, o pastor é só alguém responsável para cuidar do que é do Senhor.
Usando uma figura tão conhecida na época; a de um pastor de ovelhas (a mais
usada para o líder da igreja de Cristo em todo o NT), Pedro mostra qual é o
trabalho, a responsabilidade e a vida de um pastor, inclusive em tempos de
perseguição, luta e sofrimento: Pastorear. Mas o que seria isso?

Alimentar a rebanho: Alimentar espiritualmente, com a Palavra de Deus. Inclui,
em especial, as pregações, o ensino (aulas da EBD, institutos bíblicos, dentre
outros), estudos bíblicos e discipulado pessoal, visitas, aconselhamento,
conversas particulares, etc. Esta é a maior responsabilidade do pastor. Ele deve e
precisa alimentar suas ovelhas com a Palavra de Deus e da melhor maneira
possível. Para isso precisa conhecer e estudar a Bíblia, se preparar muito bem,
orar e gastar tempo. É uma responsabilidade que pesa e é muito séria, muda
vidas, destinos eternos e transforma almas. Não pode ser feito de qualquer modo
ou relaxadamente.

Guiar o rebanho: O pastor deve direcionar o rebanho de Cristo por onde ele
deve andar, orientá-lo, mostrar o caminho, ir a frente. Levá-los pelo caminho
certo. Isto inclui a exortação, a disciplina, a cobrança e o ensino amoroso. É tirá-
los do mau caminho, do erro, do pecado e do mundo, livrá-los das trevas e do
sofrimento. O pastor deve fazer isso com todo o amor possível, mas às vezes
precisa ser duro e cobrar.

Proteger o rebanho: Proteger do pecado, do mundo e de satanás. Proteger dos
lobos que querem devorar e destruir a vida das ovelhas e desviá-los do caminho
e do supremo pastor. Aqui fica implícito o cuidado com os falsos líderes e falsos
crentes, de dentro e de fora da igreja. Precisa proteger as ovelhas das heresias,
das falsas doutrinas, das seitas, dos ensinamentos errados que afastam as pessoas
de Jesus e da salvação e só confundem suas almas, escravizam suas mentes e
levam ao inferno. É um trabalho árduo, uma luta extremamente grande, exige
muita oração, atenção, preocupação, amor, esforço, dedicação e sacrifício.
Mesmo que, muitas vezes, as ovelhas achem que não precisam de proteção, não
queiram ser protegidas, ou se acham suficientes para se proteger sozinhas, é
responsabilidade do pastor protegê-las.
Este é o trabalho do pastor, seu chamado, sua missão, responsabilidade, sua
razão de existir e não ficar famoso, ganhar dinheiro, se promover, aparecer na
TV, ser idolatrado, se envolver com política, ser assistente social, etc. Ele deve
PASTOREAR o rebanho de Deus, esta é sua missão divina e o rebanho deve se
deixar ser pastoreado por ele. Cristo, o supremo pastor, é nosso melhor e maior
exemplo,pois como o “bom pastor” Ele deu a vida por suas ovelhas (Jo 10.11).

COMO O PASTOR DEVE PASTOREAR (v2-4): Pedro mostra como o pastor
deve exercer seu ministério.

Espontaneamente (v2): Ou seja, não por constrangimento, não por força, não por
mera obrigação. Deve fazê-lo por vontade própria, com alegria, disposição, por
que quer fazê-lo.
Alguns homens vão para o ministério sendo obrigados (pelos pais, pastores ou
igrejas) e acabam destruindo a vida da igreja, do rebanho e suas próprias vidas,
bem como de suas famílias. Não deve ser assim, o pastorado não deve ter nada
de forçado, mas ser espontâneo.

De boa vontade (v2): Ou seja, por amor, amor a Deus e pelas pessoas, não por
dinheiro, por interesses egoístas, não para ficar rico ou receber benefícios. Deus
não quer isso, mas, infelizmente, muitos que se dizem pastores hoje, nas mais
variadas igrejas, o fazem apenas para ganhar dinheiro e enriquecer, não
pastoreiam ninguém, não amam ninguém, não amam a Deus, amam apenas o
dinheiro e a si mesmos. São mercenários e Deus cobrará deles o que estão
fazendo.
É obvio que a igreja deve pagar seu pastor pelo trabalho fiel e cuidar dele e de
sua família com amor e atenção, como a Bíblia mesmo diz (1Co 9.13-14 e 1Tm
5.17-18), contudo, o objetivo do pastor não dever ser o de enriquecer através do
ministério, mas servir, pastorear, por amor e de boa vontade.

Como exemplos do rebanho e não como dominadores (v3): O pastor não pode
ser um ditador, um dominador ou alguém autoritário que se acha o dono de tudo
e de todos, não deve usar a força ou se achar superior e mais poderoso, pelo
contrário, deve liderar pelo exemplo e ser um servo como Jesus.
A vida do pastor deve servir de modelo para o rebanho, ou seja, deve ser o
exemplo para que o rebanho imite sua vida. O pastor deve viver de tal modo que
as ovelhas possam e queiram imitar seu proceder. Deve ser o exemplo em tudo,
na vida espiritual, nos relacionamentos, nos negócios, etc. Se o pastor não é
exemplo de vida, não pode pastorear. Sabemos que nenhum pastor é perfeito,
mas deve procurar ser, procurar ser o melhor possível para a glória de Deus.
Pastor ditador é algo totalmente incoerente com as Escrituras, pois o rebanho é
de Deus e não dele, foi apenas confiado ao pastor. Isso pode funcionar no
mundo, no contexto empresarial ou político, mas não na igreja. Além disso, o
povo não deve querer pastor assim, pois alguns querem, acham mais fácil, pois o
pastor faz tudo, manda em tudo e ninguém faz nada. Está errado! Jesus não era
assim.

A RECOMPENSA DO VERDADEIRO PASTOR (v4): Por fim, Pedro fala de
sua grande esperança, que deve ser a de todo pastor fiel e de todo crente em
Jesus Cristo que é:

A volta do Supremo Pastor: Um dia, Jesus, o Sumo Pastor (o maior, o mais
importante, o principal, o supremo) do rebanho de Deus (sua igreja), irá se
manifestar, ou seja, irá voltar, irá se encontrar conosco, o veremos face a face e
nós, pastores, entregaremos em Suas mãos Seu rebanho, para receber a
recompensa por nosso trabalho e teremos a alegria maior e melhor de estar com
Ele (afinal, todo pastor também é uma ovelha). Esta deve ser a bendita esperança
de todo crente (Tt 2.13).

A imarcescível coroa da glória: No tempo de Pedro, os atletas e governantes
recebiam coroas feitas de ramos de folhas como prêmios por suas realizações e
posições. Pedro nos fala que os pastores fiéis receberão a “imarcescível” coroa
da glória, ou seja, uma coroa que não estraga, que não murcha, que não acaba,
não desfalece, mas que é gloriosa e eterna.
Todos os salvos receberão variadas coroas como galardões por suas vidas de
serviço e fidelidade a Deus, uma delas é especial e separada aos pastores fiéis.
Como pastores, a recompensa que devemos buscar é estar com Jesus e receber a
coroa de suas mãos e não reconhecimento ou prêmios aqui, pois as coisas deste
mundo passam, acabam, se perdem, mas as eternas não.

Charles C. Ryrie afirmou: “Os líderes fiéis das igrejas que, com freqüência, são
tratados com desprezo na terra, receberão no céu glória concedida por Cristo, o
Supremo Pastor”.[8]
Uma das maiores coroas de um pastor será ver as almas que ganhou no céu com
ele, ver suas ovelhas bem, servindo a Jesus, ver pessoas com quem trabalhou e
por quem se sacrificou, servindo ao Senhor em Sua obra. Não há alegria maior
para um pastor do que isso, como João falou em 3 João 1.4: “Não tenho maior
gozo do que este, o de ouvir que os meus filhos andam na verdade”.
Que galardões e recompensas estamos buscando? O que mais esperamos e
desejamos? Pelo que nos esforçamos?

O ministério pastoral exige muita responsabilidade e envolve grandes
dificuldades, mas é algo sublime, especial e de resultados eternos. Portanto,
oremos por nossos pastores, valorizemos seu trabalho fiel, ajudemo-nos na obra
do Senhor, sejamos ovelhas obedientes, amemos aos pastores e suas famílias,
cuidemos Deles e, acima de tudo, amemos a Deus e a Jesus, vivendo para a
Glória Dele. Jesus é o nosso bom pastor, que deu a vida por nós, nos salvou,
cuida de nós e nos levará ao eterno lar. Jesus já é o seu perfeito pastor?



Humildade
O Segredo da Vida Cristã
1 Pedro 5.5-14


Hoje em dia, assim como no passado, a humildade não é considerada uma
virtude ou algo bom e desejável, mas um fracasso, uma vergonha e uma derrota.
O mundo exalta os orgulhosos e arrogantes, os prepotentes e poderosos. Se
humilhar é algo inimaginável para muitos. Mas e os crentes, como devem agir?
Deus fala algo sobre isso?

Logo após falar o que Deus espera dos pastores de Suas ovelhas, especialmente
em tempos de perseguição e dificuldade, Pedro agora se dirige a todos os crentes
e termina sua carta com um ensinamento muito importante para a vida cristã
diante da perseguição, do sofrimento e de todas as situações da vida. Seus
conselhos aqui são fundamentais para nossa vida cristã, e precisamos atendê-los.

SEJA HUMILDE!

Sim, devemos ser humildes, viver em constante humildade, nos “vestir” (cingir)
de humildade (v5).
Humildade é nos considerarmos inferiores aos outros, nos colocarmos abaixo
dos outros, é não querermos ser melhores do que ninguém, literalmente é nos
humilharmos, nos rebaixarmos. É Seguir o exemplo de Jesus que, mesmo sendo
Deus, se humilhou, se esvaziou, se fez homem e morreu na cruz em nosso lugar
(Fp 2).
Um perfeito exemplo é quando Ele lavou os pés dos discípulos em João 13. O
segredo para uma vida cristã de sucesso, especialmente nos momentos de
sofrimento e perseguição, é vivermos em completa humildade.

SUBMETENDO-NOS UNS AOS OUTROS: O primeiro âmbito da submissão
descrito por Pedro.

Aos pastores e líderes (v5): Pedro já havia dito como os pastores deveriam
pastorear e agora ele fala como as ovelhas devem tratar seus pastores:
submetendo-se a eles.
Os mais velhos aqui eram os pastores (no início da igreja, de maneira geral, não
única – vide o jovem Timóteo – os pastores eram irmãos mais velhos, anciãos da
igreja) e os mais jovens, mesmo com mais estudo, dinheiro ou de posição mais
elevada na sociedade, deveriam se submeter a liderança deles.
Uma das áreas mais difíceis na vida do ser-humano é a submissão, especialmente
quando se trata de pastores. De modo geral, a sociedade, e até as igrejas, odeiam
os pastores e não aceitam a idéia de se submeterem a eles. Mas Deus os colocou
a frente de sua igreja para o próprio bem dela, portanto, como ovelhas, devemos
nos submeter aos pastores que são fiéis ao Supremos pastor Jesus. Isso é
humildade.

Aos irmãos mais velhos (v5): Muito ligado ao primeiro item, temos nas igrejas
os irmãos mais velhos, os idosos e os mais experientes e devemos ter a
humildade de nos submetermos a eles, tratando-os com respeito, amor e, em
muitas vezes, até com obediência.
Hoje em dia é uma tendência no mundo desprezar os mais velhos e muitas
igrejas têm ido na onda, não ligam para eles, não dão espaço para eles, o foco é
só nos jovens e adolescentes. Isso é completamente errado, é algo pecaminoso.
Devemos respeito e submissão aos mais velhos na idade e na fé. É necessário
humildade para isso.

A todos os irmãos em Cristo (v5): Por fim, Pedro fala da submissão de uns para
com os outros, ou seja, devemos nos submeter a nossos irmãos em Cristo, em
amor e com humildade.
A Bíblia fala da esposa se submeter ao marido, mas, como crentes, todos
devemos nos submeter uns aos outros. Mas o que isso significa? Servir uns aos
outros, consideramo-nos inferiores aos outros a ponto de ajudá-los e colocá-los
acima de nós. Também significa nos submetermos as responsabilidades que
temos com os irmãos em Cristo como, por exemplo: amar, ajudar, servir, cuidar,
orar, congregar. Envolve desprendimento e, automaticamente, humildade. Jesus
viveu assim ao longo de toda a Sua vida, nós também devemos viver.

SUBMETENDO-NOS A DEUS: Na realidade, a nossa submissão aos irmãos só
existirá se a submissão mais importante for real em nossas vidas; a submissão a
Deus. Em primeiro lugar é ao Senhor que devemos nos submeter, é para Ele que
devemos viver. E isso envolve:

Confiança em Seu poder (v6): Temos que nos humilhar diante da mão poderosa
de Deus. Isso é reconhecer que somos fracos, que somos nada e Deus é tudo, Ele
é Todo-Poderoso e está no controle soberano do universo. Confiar é saber que
Deus tem o tempo Dele de nos exaltar, quando for oportuno e a nossa exaltação
será a glória eterna, e não nada neste mundo. Jesus viveu assim, foi exaltado e
está a destra do Pai e, um dia, estaremos com Ele.

Confiança em Seu cuidado (v7): Além disso, a submissão a Deus envolve a
confiança total em seu cuidado e a dependência total dele. Devemos ser
humildes o suficiente para reconhecer que não podemos resolver nossos
problemas e lançar nossas ansiedades (preocupações) sobre o Senhor e confiar e
descansar nisso.
Lançar sobre outro e não fazer mais esforço – este é o significado da frase aqui.
Lançar e confiar, descansar, deixar Deus cuidar e resolver. Sejamos humildes,
humilhemo-nos diante do Senhor e confiemos Nele, com a certeza de que Ele
cuidará de nós, assim como Jesus Cristo fez.

CUIDANDO COM NOSSO INIMIGO: Precisamos ser humildes a ponto de
reconhecer que somos fracos e precisamos ter todo o cuidado para não cair em
pecado e nas armadilhas de satanás. Muitos crentes não cuidam com o diabo por
serem orgulhosos, prepotentes ou descuidados (o que também é orgulho).
Reconhecendo nossas fraquezas, tomaremos mais cuidado com o inimigo.

Com sobriedade e vigilância (v8): Mais uma vez Pedro fala da sobriedade,
mostrando ser uma questão que ele valorizava e de extrema importância para
vida cristã. Somente sendo sóbrios, poderemos vencer o inimigo e não cair em
suas armadilhas. Embriagados, viciados ou descontrolados somos alvos fáceis
dos ataques de satanás.
Vigilância significa estar esperto, atento e cuidadoso. Não podemos dar bobeira
para não cair nas armadilhas espalhadas ao nosso redor. É necessário
permanecermos firmes com Deus, em oração, meditando em Sua Palavra,
pensando no Senhor, etc. Jesus viveu assim e nos ensinou a fazer o mesmo:
vigiar e orar para não cair em tentação.
O inimigo está ao redor como um leão procurando alguém para devorar, tragar e
destruir. A situação é séria, especialmente nas provações. Precisamos ter
humildade suficiente para reconhecer isto e tomar cuidado. Não podemos brincar
com o perigo. Para quem já viu a cena de um leão atacando sua presa (eu sempre
me lembro do desenho animado “O Rei Leão” quando o leão Mufasa está
ensinando seu filho Simba a caçar e de documentários sobre o rei dos animais
que já assisti na TV e na internet), podemos imaginar o estrago que o diabo fará
em nossas vidas se permitirmos que ele nos destrua.

Resistindo firmes na fé (v9): Isto é perseverar, não desistir de servir a Deus,
permanecer firme na fé, se manter nos caminhos do Senhor e em Sua Palavra.
Este é o jeito de vencer o diabo e não com mandingas, palavras mágicas,
exorcismo ou qualquer aberração que vemos por ai (inclusive nas igrejas
evangélicas). Firmeza na fé em Cristo, mesmo na perseguição, mesmo nos
problemas, mesmo nas lutas.

Considerando o sofrimento de outros irmãos pelo mundo (v9): Muitos irmãos
em Cristo estão sofrendo da mesma maneira, e pior, ao redor do mundo.
Precisamos parar e pensar neles, entender que não é somente nós que sofremos,
outros estão conosco nesta luta e sofrendo muito mais. Devemos orar por eles,
nos importarmos com suas aflições e, por causa deles, também permanecermos
firmes na fé, pois muitos deles, mesmo diante da morte, não têm negado o
Salvador. Sejamos humildes para reconhecer isto. Jesus olhou para nós,
precisamos olhar para os outros.

Deus está trabalhando em nossas vidas! O Deus de toda graça (favor e bondade
que não merecemos), que nos salvou e chamou para uma vida santa, está
trabalhando para nos fazer amadurecer. O sofrimento é por pouco tempo, as
bênçãos são eternas.
Em Cristo desfrutamos da eterna glória de Deus (privilégio incomparável) e, no
sofrimento, Ele está nos aperfeiçoando, confirmando e fortalecendo (nos
moldando, nos tornando melhores, maduros e completos, como ele quer).
O sofrimento é um instrumento de Deus para nos moldar, lapidar, purificar,
aperfeiçoar e firmar. Temos que confiar que Ele está no controle, que está
trabalhando em nossas vidas e que iremos nos tornar pessoas melhores para a
Sua glória, pois é digno dela.
Tudo pelo que passamos, mesmo as coisas ruins, cooperam para o bem (Rm
8.28) e estão sendo usadas por Deus para nos tornar melhores e nos firmar ainda
mais em Seus santos caminhos. Ele está sempre trabalhando em nossas vidas,
como Paulo disse em Filipenses 1.6: “Estou plenamente certo que aquele que
começou a boa obra em vós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus.”

Sejamos humildes, reconheçamos isso e vivamos assim, como Pedro viveu e nos
ensinou, como Jesus viveu e nos ensinou.
Caso você ainda não tenha nascido de novo, seja humilde, arrependa-se dos seus
pecados e creia em Jesus como Salvador e Senhor de sua vida.
Enfim, sejamos todos humildes para a honra e glória de Deus. Que Ele abençoe a
todos!


Conclusão

Chegando ao final da primeira epístola de Pedro, não resta dúvida do valor e
importância deste livro para a nossa fé. São palavras inspiradas por Deus que nos
mostram quem somos (peregrinos e forasteiros em um mundo mau), o porquê de
estarmos aqui (como embaixadores de Deus, para proclamarmos as virtudes de
Jesus que nos tirou das trevas e nos trouxe para a luz) e para onde vamos (o
nosso eterno lar na glória).
Precisamos valorizar esta pequena e preciosa porção das Sagradas Escrituras e
colocar em prática os ricos conselhos do apóstolo Pedro para a glória de Deus e
do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e para alcançarmos uma vida de valor
em nossa árdua peregrinação neste mundo mau.
Concluo com um hino[9] que retrata a realidade do cristão apresentada por Pedro,
sendo uma oração que nos leva a refletir sobre a vida como peregrinos e
forasteiros. Que o Supremo Pastor abençoe a todos!

Faze-me um forasteiro, aqui, meu Mestre,


forasteiro igual a Ti;
Faze-me almejar os tesouros celestes,
e não terrestres, vis, daqui.

Guia-me sempre no Teu caminho,
Rumo ao céu, e sem desviar.
Faze-me um forasteiro, aqui meu Mestre,
Até que eu veja meu doce lar.
Me achei amando tesouros terrestres,
vãos prazeres em Teu lugar.
Mas anelo mais os tesouros celestes,
Teu rosto, ver, ouvir Teu falar.





Referências Bibliográficas
Literatura Sugerida sobre Primeira Pedro:

Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. 3.
Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012

Bíblia de Estudo Scofield. São Paulo, SP: Sociedade
Bíblica Trinitariana do Brasil, 2009.

GEORGE, Elizabeth. 1 Pedro – Revestindo-se de Um
Espírito Manso e Tranquilo. São Paulo, SP: United
Press, 2005.

KOECHLIN, Jean. Guia Devocional do Novo
Testamento. Diadema, SP: Depósito de Literatura Cristã,
2001

MACARTHUR, John. Bíblia de Estudo MacArthur.
Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

RIBEIRO, Rômulo Weden. Estudos em Primeira
Pedro. Campo Belo, MG: Editora Maranata, 2006

RYRIE, Charles Cadwell. A Bíblia Anotada Expandida.
São Paulo-SP: Mundo Cristão, 2006.

WELCH, Walter Wilbert. Primeira Epístola de Pedro –
O Valor da Nossa Fé. São Paulo, SP: Editora Batista
Regular, 1981.










Luiz Miguel de Souza Gianeli é casado com Débora
Barbosa da Silva Gianeli e pai de Agnes, Annelise e
Luigi.
Bacharel em Teologia pelo Seminário Batista Regular do
Sul (SBRS), com Convalidação pela Faculdade
Evangélica do Piauí (FAEPI), autor do livro “A Missão
de Neemias – Uma Perspectiva para a Obra
Missionária na Atualidade”, tem trabalhado como
missionário Batista na região da Serra da Canastra,
Centro-Oeste de Minas Gerais desde 2006, onde,
juntamente com sua família, fundou a Igreja Batista de
Vargem Bonita e a Igreja Batista Nova Esperança em
Piumhi, onde servem atualmente.
Escreve o Blog “Diamantes Eternos”
(http://diamanteseternos.blogspot.com.br/) sobre
missões, cristianismo, literatura e cultura.

[1]
Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego – pg.1297
[2]
Primeira Epístola de Pedro - O Valor de nossa Fé –
pg 9
[3]
Bíblia de Estudo MacArthur – pg 1732.
[4]
Estudos em Primeira Pedro – pg 121-122
[5]
Mensagem Real – Hino nº 207 do hinário “Cantor
Cristão”. Composto por Elijah Taylor Cassel (1849-1930)
e traduzido por Ricardo Pitrowsky (1891-1965)
[6]
1 Pedro - Revestindo-se de um Espírito Manso e Tranquilo – pg 96
[7]
Guia Devocional do Novo Testamento – pg 462
[8]
A Bíblia Anotada Expandida – pg 1225
[9]
Faz-me um Forasteiro – nº 337 do hinário “Voz de
Melodia”.