Você está na página 1de 38

UNIVERSIDADE PAULISTA

TATIANA QUELY LARRAGUIBEL RODRÍGUEZ

TRÂNSITO E O COMPORTAMENTO HUMANO:


a psicologia no trânsito

SÃO PAULO

2017
TATIANA QUELY LARRAGUIBEL RODRÍGUEZ

TRÂNSITO E O COMPORTAMENTO HUMANO:


a psicologia no trânsito

Trabalho de conclusão de curso para


obtenção do título de especialista em
Psicologia do Trânsito apresentado à
Universidade Paulista - UNIP.

Orientadores:

Profa. Ana Carolina S. de Oliveira

Prof. Hewdy L. Ribeiro

SÃO PAULO

2017
TATIANA QUELY LARRAGUIBEL RODRÍGUEZ

TRÂNSITO E O COMPORTAMENTO HUMANO:


a psicologia no trânsito

Trabalho de conclusão de curso para


obtenção do título de especialista em
Psicologia do Trânsito apresentado à
Universidade Paulista - UNIP.

Orientadores:

Profa. Ana Carolina S. de Oliveira

Prof. Hewdy L. Ribeiro

Aprovado em:

BANCA EXAMINADORA

_______________________/__/___

Prof. Hewdy Lobo Ribeiro

Universidade Paulista – UNIP

_______________________/__/___

Profa. Ana Carolina S. Oliveira

Universidade Paulista – UNIP


AGRADECIMENTOS

Aos Professores do curso de Pós-Graduação em Psicologia do Trânsito, pela


orientação, pelos ensinamentos e pela confiança na realização deste trabalho. Aos
amigos e colegas de turma que contribuíram com conhecimentos.

Às minhas filhas Giulia e Fernanda que sem vocês nada disso teria tanto
sentido, na luta diária e na busca incansável de ser uma pessoa, mãe, filha e
profissional melhor.

Ao meu companheiro Marcelo pelo apoio e incentivos de estar sempre em


busca do melhor para minha carreira e minha vida. Meu amigo, meu companheiro.

À minha amiga Marli, que conheci no curso de Pós-Graduação em Psicologia


do Trânsito, agradeço por todo o carinho e apoio em todos os momentos, alguns
muito difíceis. Uma amizade que levaremos para a vida toda.

E em especial aos meus pais Adolfo e Gloria pelo apoio, pela educação e
incentivo aos estudos durante toda minha vida. Sem vocês nada disso seria
possível. Gratidão!
“No trânsito o motorista expressa suas
características pessoais”

(Porker)
RESUMO

“A avaliação psicológica de condutores é caracterizada por dificuldades e limitações


na atuação do psicólogo, necessitando estudos que priorizem pesquisas e
qualificação nesta intervenção. O presente trabalho tem como objetivo conhecer a
realidade e o desenvolvimento da psicologia do trânsito. Pretende-se destacar a
cientificidade deste campo de saber e a importância da avaliação psicológica para a
habilitação de condutores, contribuindo com as reais necessidades da sociedade.
Neste sentido, foi feito um levantamento bibliográfico nas bases de dados
eletrônicos: Lilacs, no Google Acadêmico, Scielo nos sites do Ministério da Saúde e
da Organização Mundial da Saúde, leis, decretos, resoluções. Conclui-se, como
relevante, a atuação do psicólogo com equipes multiprofissionais, envolvido com as
políticas de trânsito embasados por uma adequada formação profissional, pois o
comportamento humano é complexo e sua avaliação também”.

Palavras- chave: Comportamento humano, Trânsito, Psicologia do trânsito, Testes


psicológicos, Condutores.
ABSTRACT

“The psychological evaluation of drivers is characterized by difficulties and limitations


in the performance of the psychologist, requiring studies that prioritize research and
qualification in this intervention. The present work aims to know the reality and the
development of traffic psychology. It is intended to emphasize the scientificity of this
field of knowledge and the importance of psychological assessment for the
qualification of drivers, contributing to the real needs of society. In this sense, a
bibliographic survey was made in the electronic databases: Lilacs, in Google Scholar,
Scielo on the websites of the Ministry of Health and the World Health Organization,
laws, decrees, resolutions. It is concluded, as relevant, the performance of the
psychologist with multiprofessional teams, involved with traffic policies based on an
adequate professional training, because the human behavior is complex and its
evaluation as well”.

Key- words: Human behavior, Traffic, Traffic psychology, Psychological tests,


Drivers.
Sumário

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................. 10

2. OBJETIVO ........................................................................................................ 12

3. METODOLOGIA ............................................................................................... 13

4. RESULTADO .................................................................................................... 14

4.1 O QUE É TRÂNSITO ...................................................................................... 14

4.1.2 ACIDENTES DE TRÂNSITO, COMO OCORREM ....................................... 15

4.1.3 MATRIZ DE HADDON ................................................................................. 18

4.1.4 NASCIMENTO DA PSICOLOGIA DO TRÂNSITO ....................................... 18

4.1.5 COMPORTAMENTOS NO TRÂNSITO E OS PROCESSOS


PSICOLÓGICOS ENVOLVIDOS .......................................................................... 19

4.1.6 ÁREAS DA PSICOLOGIA DO TRÂNSITO................................................... 20

4.1.7 MARCOS LEGAIS DA PSICOLOGIA DO TRÂNSITO NO BRASIL ............. 21

4.1.8 AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA NO CONTEXTO DO TRÂNSITO................... 23

4.2 A IMPORTÂNCIA DA OBRIGATORIEDADE DA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA


PARA OBTENÇÃO DE CNH................................................................................. 24

4.2.1 FATORES HUMANOS RELACIONADOS AOS ACIDENTES DE TRÂNSITO


.............................................................................................................................. 26

4.2.2. COMPORTAMENTOS DE RISCO .............................................................. 28


4.2.3 INTERFACES DA PSICOLOGIA DO TRÂNSITO COM OUTROS RAMOS
DA PSICOLOGIA .................................................................................................. 29

4.2.4 DISCIPLINAS PSICOLÓGICAS BÁSICAS .................................................. 29

4.2.5 DISCIPLINAS PSICOLÓGICAS ESPECIALIZADAS ................................... 30

4.2.6 DISCIPLINAS PROFISSIONALIZANTES .................................................... 31

4.2.7 INTERFACES DA PSICOLOGIA DO TRÂNSITO COM A ENGENHARIA,


DIREITO E MEDICINA .......................................................................................... 32

4.2.8 INTERFACES DA PSICOLOGIA DO TRÂNSITO COM A FISIOLOGIA,


FARMACOLOGIA E ESTATÍSTICA ...................................................................... 32

5. CONCLUSÃO ................................................................................................... 32

REFERÊNCIAS .................................................................................................... 37
10

1. INTRODUÇÃO

A Psicologia do Trânsito estuda os comportamentos no trânsito. É um dos


ramos da Psicologia que também abrange: Psicologia do Trabalho, Psicologia
Clínica, Psicologia Escolar, Psicologia Social Aplicada, Psicologia Evolutiva,
Psicopedagogia, Psicometria e testes, Psicologia Sensorial, Psicologia Cognitiva
entre outros. Em síntese, “é o estudo dos comportamentos-deslocamentos no
trânsito e de suas causas” (ROZESTRAN, 1988, p.29).
Os fatores humanos presentes em um acidente dizem respeito às causas
vinculadas aos comportamentos das pessoas, entre eles estresse, alcoolemia,
desconhecimento do trajeto, distração ao volante, entre outros. (GOLD, 1998, p.27).
Rozestraten (1981, p.141) destaca, ainda, que a Psicologia do Trânsito
nasceu como consequência de numerosas pesquisas em dezenas de institutos,
laboratórios e centros de pesquisa, e Hoffmann (2005, p.17) a conceitua como “o
estudo do comportamento do usuário das vias e dos fenômenos/processos
psicossociais subjacentes ao comportamento”.
Rozestraten (1981, p.141) aborda que um levantamento de dados das
atividades de um motorista revela fatores que contribuem para uma melhor
investigação deste para evitar um acidente de trânsito.
O trabalho do psicólogo no estudo e análise dos comportamentos no contexto
do trânsito se deu inicialmente na modalidade de aplicação de testes psicológicos
destinados à obtenção da habilitação. Os testes eram realizados sem a precedência
de estudos científicos acerca dos processos psicológicos inerentes ao ato de dirigir.
Eram apreciadas capacidades pontuais sem a observação detalhada do
desempenho geral da ação (ROZESTRATEN, 1988, p.29).
Para Rozestraten, (1996, p.64):
“Trabalho para especialista e necessita de preparação especial e
um grande autodomínio. Isto porque não existe trabalho humano que exige
mais atenção, habilidade, talento, dedicação e concentração do que o ato
de dirigir um veículo. Requer espírito de equipe e respeito pelas leis de
trânsito”.
11

Entre as causas humanas indiretas para a ocorrência de um acidente


destacam-se (TREAT et al., 1977; ROZESTRATEN, 1988): físico-fisiológica; mental
e/ou emocional; experiência e/ou exposição.
Há uma estreita relação entre as causas humanas diretas e as causas
humanas indiretas. Por exemplo: um condutor alcoolizado tem uma forte pré-
disposição à distração e a não ver direito. O mesmo autor ainda destaca outros
fatores: a ausência ou precariedade da educação para o trânsito, a precariedade da
formação do motorista, exames teóricos e práticos fracos para a obtenção da
Carteira Nacional de Habilitação (CNH); CNHs compradas ou obtidas por influência
política etc. (ROZESTRATEN, 1988, p.28).
No que diz respeito às avaliações das condições psíquicas dos candidatos à
habilitação, o Brasil seguiu os parâmetros estrangeiros a partir de trabalhos
científicos oriundos da Alemanha, França, Estados Unidos e Espanha, uma vez que
o Brasil, à época, não contava com trabalhos originais, ou, quando existentes,
estavam ainda em situação inicial. As produções de referência tinham como objeto
de investigação o fator humano, estabelecendo relação estreita na
avaliação/motorista profissional. Buscava-se identificar os indivíduos aptos ao ofício
(SILVA; GÜNTHER, 2009, p.168).
A profissão de psicólogo foi oficializada por meio da Lei 4.119/1964. Em 1968,
foram regulamentados os serviços psicotécnicos nos Departamentos de Trânsito,
novo espaço de inserção dos psicólogos (SILVA; GÜNTHER, 2009, p.168).
Muitos problemas de trânsito de natureza comportamental foram resolvidos
mediante intervenções advindas das bases teóricas de outras áreas do
conhecimento, além da Psicologia. Para entender o que desencadeiam os
comportamentos é necessário resgatar conceitos pertinentes ao contexto em que
estes se manifestam no trânsito, assim como quais estratégias podem ser
planejadas com a finalidade de influenciá-los.
12

2. OBJETIVO

Se elaborou a presente pesquisa com objetivo de conhecer a realidade e o


desenvolvimento da psicologia do trânsito a partir da necessidade de expandir e
conferir maior robustez aos estudos pertinentes à Psicologia do Trânsito. Foi dada
especial atenção àqueles estudos que abordem a investigação de como dirigem os
condutores, assim como a capacidade de aferição dos exames psicológicos, que
atendem princípios éticos, teóricos e práticos específicos, e a normatização da
avaliação psicológica no contexto do trânsito.
Também se teve como objetivo aprofundar os fatores humanos, estes que
contribuem para a ocorrência dos acidentes. As ações da Psicologia do Trânsito
incidem justamente sobre as subjetividades inerentes ao homem, e entre outras
aplicações, busca entender o porquê da manifestação de certos comportamentos,
entre os quais aqueles considerados de risco à segurança no trânsito.
13

3. METODOLOGIA

O presente estudo foi realizado a partir de ampla busca nas bases de dados
eletrônicos: Lilacs, maior base de dado latino americana, no Google Acadêmico,
Scielo nos sites do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde, leis,
decretos, resoluções sendo selecionados artigos científicos no idioma da língua
portuguesa. Como descritores foram aplicados os termos: “comportamento”,
“trânsito”; “psicologia e trânsito”; “comportamento no trânsito”; “psicologia do trânsito;
“avaliações psicológicas para condutores”. Bem como foram analisados dados
qualitativos e quantitativos de Agências Nacionais relacionadas ao trânsito.
Pautando também publicações do Conselho Federal de Psicologia sobre o tema do
trânsito.
14

4. RESULTADO

4.1 O QUE É TRÂNSITO

Embora o trânsito remeta à invenção e popularização do automóvel, a partir


do final do Século XIX, a preocupação com a organização do trânsito é bem mais
antiga. Ainda no Império Romano já se proibia o tráfego de veículos em Roma
durante o dia, assim como havia a limitação na circulação de carroças na urbis.

O vocábulo latino urbis significa cidade e tem como gênese a cidade por
excelência: Roma (FERREIRA, 1995, p.16). Dele são derivados o vocábulo urbano e
urbanidade.

Segundo Rozestraten (1988, p.28). “O conjunto de deslocamentos de


pessoas e veículos nas vias públicas, dentro de um sistema convencional de
normas, que tem por fim assegurar a integridade de seus participantes”.

De acordo com Vasconcellos (1998, p.48) “O conjunto de todos os


deslocamentos diários, feitos pelas calçadas e vias da cidade, e que aparece na rua
na forma da movimentação geral de pedestres e veículos”.

O visionário Leonardo da Vinci, na Idade Média, buscava resolver os


problemas de trânsito propondo a distribuição de passeios e leitos carroçáveis em
níveis diferentes. No século XVII, em algumas cidades, já era proibido o
estacionamento em algumas ruas, assim como já havia a determinação de mão
única em outras. No entanto, só a partir do século XX, com a expansão da frota e do
número de usuários de veículos motorizados é que se observou a necessidade da
criação de normas mais rígidas para atender um sistema de trânsito complexo com a
finalidade de reduzir o número de acidentes (ROZESTRATEN, 1988, p.28).

O sistema de trânsito é composto por vários subsistemas, dentre os quais


temos a via, as pessoas e o veículo. Eles estabelecem uma relação de
estímulo/reação. Estratégias de Engenharia também podem repercutir junto ao
condutor fomentando um trânsito mais seguro e fluido.
15

Conforme destacado por Rozestraten (1988, p.28), o comportamento pode


ser resumido pelo seguinte esquema: S-R, em que S é o estímulo e R a resposta, a
sensação ou a manifestação de um comportamento.
No que diz respeito ao comportamento no contexto do trânsito, Campos
(1978, p.3) pondera: “A formação de atitudes, e, portanto, de comportamentos
habituais, depende da personalidade de cada motorista dentro, porém, de um
contexto ou clima a que, consciente ou inconsciente, deverá se adaptar”.

4.1.2 ACIDENTES DE TRÂNSITO, COMO OCORREM

Para entender como ocorrem os acidentes é necessário definir o que seja um,
assim como quais sejam as variáveis concorrentes para o referido desfecho. Beux
(1986, p.22) define:
“[...] um somatório de falhas que um ou mais dos três
elementos que o integram – pista, veículo e homem – não foram capazes de
superar; [...] é a resultante final da interação de eventos que têm sua origem
em condições ou circunstâncias psicológicas, físicas, fisiológicas etc., do
agressor ou da própria vítima; [...] é um fato técnico-humano que tem como
protagonistas o elemento humano, o veículo, a via pública e o ambiente, o
qual é antecedido e provocado ou relacionado, sobretudo, a conotações
humanas – físicas, fisiológicas, orgânicas, psíquicas, psicofisiológicas,
mentais, socioeconômicas ou morais. Trata-se de um evento onde, via de
regra, há interação do condutor (com os componentes e fatores da sua
personalidade), do veículo, da via e do ambiente”.

Ferraz, Raia Júnior e Bezerra (2008, p.49) já oferecem a seguinte definição:


“[...] um evento envolvendo um ou mais veículos, motorizados ou
não, em movimento por uma via, que provoca ferimentos em pessoas e/ou
danos físicos em veículos e/ou objetos de outra natureza (poste, muro,
edificação, sinal de trânsito, propaganda comercial entre outros.)”.

Shinar (1978, p.166) ainda define: “Uma desavença não intencionada no


trânsito, que implica algum dano e é noticiada à polícia”.
16

Ferraz et al. (2012, p.45) salientam que “também deveria ser considerado um
acidente de trânsito a queda de um pedestre, pois a definição de trânsito engloba a
movimentação de veículos e pessoas”. Os autores destacam que, via de regra,
episódios dessa natureza são considerados acidentes comuns e não
necessariamente acidentes de trânsito.

Para a análise de um acidente, há que se considerar algumas variáveis que


contribuem isoladamente ou ao mesmo tempo para sua ocorrência: fatores
humanos, fatores relativos ao veículo, fatores relativos à via e ambiente construído,
e fatores institucionais.

De um modo geral, os acidentes classificam-se em: acidente sem vítima;


acidente com vítima; e atropelamento. O acidente fatal é aquele em que há pelo
menos um caso de óbito entre os vitimados (GOLD, 1998, p.27).

Ferraz et al. (2012, p.45) ainda listam os seguintes tipos de acidente:

Colisão Traseira: acidente envolvendo dois veículos que se movimentam


numa mesma direção e no mesmo sentido. Ocorre, em geral, quando o veículo da
frente freia bruscamente e não há tempo para o veículo de trás frear, pela
proximidade ou alta velocidade.

Colisão Frontal: acidente envolvendo dois veículos que se movimentam


numa mesma direção e em sentidos contrários. Ocorre, em geral, quando um
veículo invade o sentido contrário por ultrapassagem inadequada ou perda de
controle da direção.

Colisão Transversal ou Abalroamento transversal: acidente envolvendo


veículos que se movimentam em direções aproximadamente perpendiculares.
Ocorre geralmente em cruzamentos, quando um dos veículos avança
inadvertidamente um sinal de Pare ou Dê Preferência.
17

Colisão Lateral: acidente envolvendo veículos que se movimentam em uma


mesma direção, no mesmo sentido ou em sentidos contrários, quando um deles
afasta-se da sua trajetória e colide lateralmente com outro que está ao lado.

Choque: colisão de veículo em movimento com um obstáculo fixo.

Atropelamento: colisão de um veículo em movimento com um ou mais


pedestres (ou animais) podendo ocorrer dentro ou fora da pista.

Tombamento: acidente no qual o veículo tomba sobre uma de suas partes


laterais, a qual fica em contato com o chão.

Capotagem: acidente no qual o veículo gira em torno de si mesmo com o teto


tomando contato com o chão pelo menos uma vez.

Engavetamento: acidente envolvendo três ou mais veículos movimentando-


se em uma direção, em um mesmo sentido ou sentidos contrários.

Outros: acidentes de trânsito que não se enquadram em nenhum dos tipos


anteriores.

Destaca-se que, em alguns contextos, o acidente pode ser enquadrado em


mais de um tipo. Alguns tipos de acidentes podem ter relação direta com o
comportamento do condutor: por imprudência, por falta de atenção, por
comportamento agressivo, por inabilidade, por erro de julgamento, por consumo de
álcool e substâncias psicoativas entre outros.
Os fatores humanos presentes num acidente dizem respeito às causas
vinculadas aos comportamentos das pessoas, entre eles estresse, alcoolemia,
desconhecimento do trajeto, distração ao volante etc. (GOLD, 1998, p.27).
18

4.1.3 MATRIZ DE HADDON

Destaca-se a prevalência de fatores humanos nos desfechos de acidente.


Para a interpretação ou prevenção de acidentes de trânsito, especialistas em
Segurança Viária e/ou órgãos de fiscalização utilizam a chamada Matriz de Haddon,
apresentada a seguir (OMS, 2011):

Tabela 1: Matriz de Haddon.

FATORES FATORES FATORES

FASE HUMANOS VEÍCULOS E AMBIENTE


EQUIPAMENTOS
Prevenção do
PRÉ – acidente
ACIDENTE
Prevenção de
ferimentos
ACIDENTE durante o
acidente
Preservação da
PÓS- ACIDENTE vida
Fonte: Organização Mundial de Saúde, OMS 2011 – Manual de treinamento.

4.1.4 NASCIMENTO DA PSICOLOGIA DO TRÂNSITO

A Psicologia voltada ao trânsito está inserida no campo da ciência da


Psicologia. Seus conceitos e o desenvolvimento das teorias surgiram inicialmente
com vistas à realização de testes psicotécnicos. Em meados do século XX, a
abrangência ampliou-se em atenção à necessidade de se compreenderem os
comportamentos dos condutores. Seus conceitos e estudos podem subsidiar e
influenciar nas tomadas de decisão por parte das autoridades, assim como os
19

modelos de formação, capacitação e reciclagem de condutores. (ROZESTRATEN,


1988, p. 28).
Rozestraten (1981, p.142) destaca, ainda, que a Psicologia do Trânsito
nasceu como consequência de numerosas pesquisas em dezenas de institutos,
laboratórios e centros de pesquisa, e Hoffmann (2005, p.17) a conceitua como “o
estudo do comportamento do usuário das vias e dos fenômenos/processos
psicossociais subjacentes ao comportamento”.
Os comportamentos podem ser observados por dois prismas: aqueles diretos
como, por exemplo, o comportamento do pedestre que coincide com o movimento
corporal, e os indiretos, como, por exemplo, o comportamento do veículo orientado
por uma ação do condutor.
O trabalho do psicólogo no estudo e análise dos comportamentos no contexto
do trânsito se deu inicialmente na modalidade de aplicação de testes psicológicos
destinados à obtenção da habilitação. Os testes eram realizados sem a precedência
de estudos científicos acerca dos processos psicológicos inerentes ao ato de dirigir.
Eram apreciadas capacidades pontuais sem a observação detalhada do
desempenho geral da ação (ROZESTRATEN, 1988, p.29).
Algumas variáveis influenciam na forma de se relacionar no trânsito e a
manifestação de comportamentos, entre as quais se destacam: faixa etária; tipo de
interação com o veículo (condutor comum, condutor profissional); tempo de
habilitação; personalidade do condutor; papel ocupado no contexto do trânsito
(pedestre, motorista, usuário de transporte coletivo, ciclista, motociclista).

4.1.5 COMPORTAMENTOS NO TRÂNSITO E OS PROCESSOS PSICOLÓGICOS


ENVOLVIDOS

Os processos psicológicos inerentes aos comportamentos no trânsito podem


ser analisados a partir de algumas teorias: behaviorismo restrito; behaviorismo
mitigado; e cognitivismo. O vocábulo behavior é de origem inglesa e quer dizer na
língua portuguesa, comportamento.
20

Em síntese, as abordagens oferecem as seguintes considerações conforme


destacado por Rozestraten (1988, p.29):
Behaviorismo restrito: considera o estímulo ou a situação como fator
determinante capaz de provocar determinado comportamento, ou seja, o
comportamento é a resposta ao estímulo;
Behaviorismo mitigado: a resposta (comportamento) não é determinada
e/ou causada apenas pelos estímulos, mas também influenciada por experiências e
aprendizagens anteriores;
Cognitivismo: o intervalo entre um estímulo e a resposta é constituído por
algumas etapas: tomada de informações (indícios); processamento de informações
(compreensão, seleção funcional e previsão); tomada de decisão (compreensão da
situação e a ação); resposta (comportamento observável); e feedback (observação
do comportamento indireto e seu ajustamento, quando necessário, ao desejado).

4.1.6 ÁREAS DA PSICOLOGIA DO TRÂNSITO

Conforme destacado anteriormente, o espaço de atuação da Psicologia do


Trânsito vai para além dos testes psicotécnicos. A seguir, serão apresentados
alguns espaços em que se recrutam os fundamentos teóricos deste ramo do
conhecimento, assim como as habilidades dos profissionais que são especialistas na
área (ROZESTRATEN, 1988, p.29): Estudos observacionais do comportamento
diferencial no contexto do trânsito; pesquisas acerca dos meios psicológicos de
controle do comportamento dos participantes no trânsito; estudo dos acidentes de
trânsito investigando as causas psicológicas; pesquisa e elaboração de métodos
psicológicos mais efetivos para preparar a população para novas leis e normas de
trânsito, através dos diversos meios de comunicação de massa; pesquisa sobre
meios psicológicos capazes de prevenir acidentes de trânsito entre outros.
Tendo em vista a grande abrangência da Psicologia do Trânsito, identificam-
se oportunidades de contribuições (ROZESTRATEN, 1981; FERRAZ et al., 2012),
além dos conhecimentos dos comportamentos e aplicação de testes.
21

As raízes da Psicologia do Trânsito no Brasil coincidem com a expansão do


modal rodoviário. Em meados do século XX, a locomoção por meio de trens e
bondes deu lugar aos automóveis. A indústria automobilística representava o ideal
desenvolvimentista da época (FERREIRA; BASSI, 2011, p.44).

Tal panorama demandou às autoridades a necessidade de confecção e


desenvolvimento de ações preventivas aos conflitos e acidentes no trânsito e a
aferição da aptidão para a direção, entre as quais se elencam a avaliação médica e
os testes psicotécnicos.

No que diz respeito às avaliações das condições psíquicas dos candidatos à


habilitação, o Brasil seguiu os parâmetros estrangeiros a partir de trabalhos
científicos oriundos da Alemanha, França, Estados Unidos e Espanha, uma vez que
o Brasil, à época, não contava com trabalhos originais, ou, quando existentes,
estavam ainda em situação inicial. As produções de referência tinham como objeto
de investigação o fator humano, estabelecendo relação estreita na
avaliação/motorista profissional. Buscava-se identificar os indivíduos aptos ao ofício
(SILVA; GÜNTHER, 2009, p.175).

4.1.7 MARCOS LEGAIS DA PSICOLOGIA DO TRÂNSITO NO BRASIL

A partir da observação da necessidade do estabelecimento de regras para a


realização da avaliação junto aos motoristas, foram criados os marcos legais.
Destaca-se que, inicialmente, eram os engenheiros os responsáveis por essas
aferições.

O Decreto-Lei nº 9.545/1945 torna obrigatória a realização de testes


psicotécnicos como pré-requisito à obtenção da habilitação. O histórico dos Códigos
de Trânsito Brasileiros traz a seguinte sequência: 1941, 1966 e a Lei 9.503/1997 que
institui o novo Código. Com a Lei 9.602/1998 resgata-se a obrigatoriedade dos
exames psicológicos. A Lei 10.350/2001 traz a obrigatoriedade dos exames
periódicos.
22

A profissão de psicólogo é oficializada por meio da Lei 4.119/1964. Em 1968,


são regulamentados os serviços psicotécnicos nos Departamentos de Trânsito, novo
espaço de inserção dos psicólogos (SILVA; GÜNTHER, 2009, p.175).
A seguir serão apresentadas as Resoluções do CONTRAN e CFP que
incidem no trabalho do psicólogo (SILVA, 2012, p.193): nº 51/1998, nº 80/1998, nº
168/2004, nº 267/2008, nº 283/2008 e nº 300/2008.
Por se tratar de interface entre dois órgãos, o Conselho Federal de Psicologia
(CFP) também trouxe suas diretrizes (SILVA, 2012, p.193): nº 012/2000, nº
007/2009, nº 009/2011e nº 425/2012.
Conforme destaca Silva (2012, p.193), a Psicologia do Trânsito e a atuação
do psicólogo nessa área têm sido orientadas por decretos-lei, leis e resoluções. No
âmbito dos DETRANs e clínicas, a Psicologia tem consolidado espaço de atuação
para o psicólogo, tentando superar o foco de sua atuação para além do motorista –
postulando contribuições à construção e ao aprimoramento de políticas públicas.
No desenvolvimento da Psicologia do Trânsito no Brasil, tem-se como um de
seus precursores o autor Rozestraten. Suas pesquisas e contribuições lançaram as
bases para a estruturação da Psicologia do Trânsito no Brasil.
A Psicologia do Trânsito passa a tomar fôlego no Brasil a partir da criação do
primeiro grupo de pesquisa em Psicologia do Trânsito em 1983, na Universidade de
Uberlândia – criação da Revista Psicologia: Pesquisa e Trânsito e a oferta das
primeiras disciplinas na graduação voltadas para o tema.
As perspectivas de atuação do psicólogo e contribuições da Psicologia do
Trânsito vão desde as avaliações psicológicas utilizadas nos processos de
habilitação à investigação de comportamentos no contexto do trânsito, perscrutando
quais são os fatores internos e externos que os acionam, pesquisas e intervenções
junto a acidentados voltadas à reabilitação e caráter clínico, e até as contribuições
na elaboração e aprimoramento de políticas públicas.
23

4.1.8 AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA NO CONTEXTO DO TRÂNSITO

A Avaliação Psicológica no contexto do Trânsito é uma exigência do Código


de Trânsito Brasileiro e do Conselho Nacional de Trânsito. Foi regulamentada pelo
Conselho Federal de Psicologia e é fiscalizada pelos Conselhos Regionais de
Psicologia, pois se trata de uma atividade exclusiva dos psicólogos.
A Avaliação Psicológica no contexto do Trânsito é um processo técnico-
científico de coleta de dados, estudos e interpretação de informações a respeito dos
fenômenos psicológicos dos indivíduos. É um processo de conhecimento do outro
de forma científica e especializada. Dentre os instrumentos psicológicos utilizados
para a avaliação psicológica encontram-se os testes, entrevistas, questionários e
observações. Para os candidatos a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) a
entrevista individual e os testes psicológicos são obrigatórios para a realização da
avaliação psicológica.
Os testes psicológicos são instrumentos técnicos, de uso do psicólogo, que
através de testes específicos e padronizados, coleta de dados do sujeito sob
avaliação, no caso, o candidato à motorista. Dados estes que podem abranger
diversas áreas do funcionamento psíquico do indivíduo.
Rozestraten (1981, p.144) aborda que um levantamento de dados das
atividades de um motorista revela fatores que contribuem para uma melhor
investigação deste para evitar um acidente de trânsito.
A etapa de aplicação de Testes Psicológicos pode ser realizada coletivamente
e possui uma duração média de 02 (duas) horas. A etapa de Entrevista deve ser
individual e a duração média sugerida pelo Departamento Médico e Psicológico do
DETRAN é de 30 (trinta) minutos. Cabe ao profissional psicólogo avaliar se o
candidato necessita realizar mais etapas de avaliação, como reaplicação de testes,
por exemplo, o que deve ser sempre explicado ao avaliado o porquê desse
procedimento.
Após a finalização da avaliação o psicólogo elabora um laudo, com resultado
final conclusivo. Atualmente existem três tipos de resultados possíveis:
24

I- apto: quando o desempenho apresentado é condizente para a condução de


veículo automotor.
II- inapto temporário: quando não é apresentado desempenho condizente
para a condução de veículo automotor, porém o avaliado possui um tempo para se
adequar e voltar a fazer o processo para a obtenção da CNH.
III- inapto: quando o desempenho apresentado não é condizente para a
condução de veículo automotor.

4.2 A IMPORTÂNCIA DA OBRIGATORIEDADE DA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA


PARA OBTENÇÃO DE CNH

Os especialistas da área de Psicologia de Trânsito, sempre enfatizam que a


avaliação psicológica de trânsito tem como função principal averiguar se o candidato
a Carteira Nacional de habilitação, bem como o motorista ou condutor habilitado
possui condições psicológicas para dirigir um veículo sem representar perigo para si
mesmo ou terceiros. Afinal, compreende-se cada vez mais que um veículo pode
tornar-se facilmente uma “arma” dependendo de como o condutor o dirige. Sabe-se
que os acidentes de trânsito é uma das grandes causas de morte por dia em todo o
mundo.
O ato de dirigir é complexo, envolve diversas competências, habilidades e
atitudes e requer do motorista um bom nível de maturidade emocional e capacidade
intelectual, as quais lhe permitem interpretar estímulos e reagir estrategicamente no
trânsito. Sendo assim, a CNH não pode ser considerada como um direito de todos,
mas sim como uma permissão, um privilégio que o Estado concede àquelas pessoas
que se mostram capazes e aptas para obtê-la. Portanto, a avaliação psicológica tem
por finalidade contribuir para promover a segurança dos motoristas, já que o
psicólogo é um dos responsáveis pela liberação do candidato para a direção de
veículos automotores.
Para Rozestraten, (1996, p.57): “Trabalho para especialista e necessita de
preparação especial e um grande autodomínio. Isto porque não existe trabalho
humano que exige mais atenção, habilidade, talento, dedicação e concentração do
25

que o ato de dirigir um veículo. Requer espírito de equipe e respeito pelas leis de
trânsito”.
É importante ressaltar que antes da publicação do Novo Código de Trânsito
Brasileiro (1998), a Avaliação Psicológica para o Trânsito era denominada Exame
Psicotécnico. Mas, em virtude das novas exigências da Resolução 80/98 do CON-
TRAN, o termo foi substituído por “Avaliação Psicológica Pericial”. Conforme La-
mounier e Rueda (2005b), tal alteração baseou-se no fato de que a Avaliação para o
trânsito deveria ser realizada por peritos de trânsito que tivessem o respectivo curso,
sendo que o objetivo do exame era investigar condições psicológicas mínimas no
indivíduo para conduzir veículos de forma correta e segura. Assim, a razão maior
desse processo voltar-se-ia à necessidade de tentar garantir a segurança do
condutor e dos demais envolvidos no trânsito.
E essa avaliação é segundo Amendola (2004, p.26):
“uma função privativa do psicólogo, assegurada pela Lei N.º 4.119
de 27/08/62, que pretende investigar aspectos da personalidade de
determinado sujeito no seu respectivo contexto de vida, segundo a queixa
apresentada e suas específicas características. Entendida como um
processo no qual o psicólogo utiliza procedimento científico
necessariamente com testes psicológicos. Esta técnica visa abarcar os
aspectos passados, presentes (psicodiagnóstico) e futuros (prognóstico) da
personalidade avaliada, por meio de métodos e técnicas psicológicas
reconhecidas.”

Para Silva (2010, p.47), o psicólogo deve enfocar nas análises da avaliação
psicológica em geral, os aspectos relevantes ao cargo ou função que o avaliando
está se submetendo. Já na Avaliação Psicológica para candidatos a CNH e
motoristas habilitados que deseja renovar a carteira, mudar ou adicionar uma
categoria, o psicólogo deve levar em consideração os aspectos pertinentes ao
trânsito, como memória, tempo de reação, capacidade de aprendizagem,
capacidade de atenção, previsão e de decisão.
Além disso, é importante observar se o avaliando demonstra capacidade de
aprender as normas regulamentadoras e tem condições emocionais de segui-las; se
capacidade de distinguir entre os símbolos; se tem destreza para frear rapidamente
26

mediante o surgimento de um estímulo inusitado e se apresenta capacidade para


prever atitudes de condutores e pedestres a fim de prevenir acidentes.

4.2.1 FATORES HUMANOS RELACIONADOS AOS ACIDENTES DE TRÂNSITO

Quais são as possíveis causas envolvidas num acidente. O que são fatores
humanos e qual sua repercussão para um acidente de trânsito. Qual fator está mais
presente nos acidentes de trânsito.
Todo acidente de trânsito tem uma causa ou um combinado de causas e,
dessa forma, um desfecho de acidente não pode ser atribuído ao mero acaso. As
causas de um acidente podem estar relacionadas às condições da via, do veículo ou
a características e comportamentos do condutor e dos usuários da via. Essas
causas podem manifestar-se de forma isolada ou concomitantemente a outras. As
contribuições da Psicologia do Trânsito vêm no sentido de identificar quais são os
fatores que concorrem ou definem um desfecho de acidente no que diz respeito às
variáveis subjetivas, ou seja, aquelas pertinentes ao homem.
Na ocorrência de um acidente de trânsito, o fator humano está presente na
grande maioria dos casos. No contexto do trânsito, o condutor pode cometer erros –
alguns podem passar imperceptíveis mesmo para o próprio condutor, sem causar
maiores prejuízos à fluidez e segurança viária, outros podem ser potencialmente
perigosos, corroborando a ocorrência de um acidente.
Alguns condutores podem assumir condutas transgressoras desrespeitando a
legislação de trânsito de forma deliberada, colocando em risco a sua segurança e a
segurança dos demais usuários da via. A Psicologia do Trânsito tem como um dos
seus objetivos investigar e entender o que faz com que o condutor e demais
partícipes do trânsito assumam esse tipo de comportamento.
Rozestraten (1988, p.29) destaca que um acidente pode ser considerado
como:
“[...] uma disfunção do sistema homem-via-veículo que, em
circunstâncias normais, funciona muito bem. Porém, uma vez que o sistema
consiste em uma enorme quantidade de fatores, é possível que um fator o
27

desvie tanto do normal que o sistema já não consiga mais adaptá-lo ou


colocar outros mecanismos ou fatores em seu lugar”.
Considerando que um acidente de trânsito pode ser determinado por múltiplos
fatores, é possível estratificá-los em três grandes grupos tendo em vista suas
naturezas (ROZESTRATEN, 1998, p.134): cadeia causal humana, cadeia causal do
veículo e cadeia causal do ambiente.
Os fatores humanos relacionados à ocorrência de um acidente podem ser
constituídos por comportamentos inapropriados ou falhas, assim como por
comportamentos de agressividade deliberada ou irresponsabilidade, consumo de
álcool, fadiga, presença de drogas, distúrbios emocionais, limitações em decorrência
de uma doença. Outras variáveis também podem concorrer para um acidente: falta
de atenção; erro de julgamento; decisão errada; inexperiência; falta de habilidade;
posição errada para manobra; manobra difícil; avaliação errada de velocidade e
distância; ultrapassagem sem condições; distração.
As causas humanas envolvidas na ocorrência de um acidente podem ser
classificadas em dois grupos: causas humanas diretas e indiretas, conceituadas a
seguir (Rozestraten, 1988, p.29).
• Causas humanas diretas: são comportamentos que precedem
imediatamente ao acidente e que são diretamente responsáveis por ele.
• Causas humanas indiretas: são condições e estados que deteriora o nível
dos diversos processos básicos, como fadiga, sono, embriaguez etc.
Entre as causas humanas diretas para a ocorrência de um acidente,
destacam-se (TREAT et al., 1977 apud ROZESTRATEN, 1988): exploração visual
falha; suposição falsa; manobra inadequada; técnica inadequada de dirigir;
velocidade excessiva; ação evasiva inadequada; supercompensação; técnica
inadequada de dirigir defensivamente.
Entre as causas humanas indiretas para a ocorrência de um acidente
destacam-se (TREAT et al., 1977; ROZESTRATEN, 1988): físico-fisiológica; mental
e/ou emocional; experiência e/ou exposição.
Há uma estreita relação entre as causas humanas diretas e as causas
humanas indiretas. Por exemplo: um condutor alcoolizado tem uma forte pré-
28

disposição à distração e a não ver direito. O mesmo autor ainda destaca outros
fatores: a ausência ou precariedade da educação para o trânsito, a precariedade da
formação do motorista, exames teóricos e práticos fracos para a obtenção da
Carteira Nacional de Habilitação (CNH); CNHs compradas ou obtidas por influência
política etc. (ROZESTRATEN, 1988, p.29).

4.2.2. COMPORTAMENTOS DE RISCO

Alguns fatores relacionados à personalidade podem confirmar a possibilidade


da ocorrência de um acidente. Parte deles se refere à tendência ao acidente e
desajuste social. Por exemplo: aquele motorista que utiliza o veículo como válvula
de escape ou mesmo aquele que não se importa para as normas de trânsito,
conforme salienta Rozestraten (1988, p. 29).
Outros fatores caracterizados como acidentológicos passageiros merecem
destaque: a fadiga; o uso de drogas; o consumo de álcool.
Quanto a esse último comportamento, destacam-se os efeitos considerando a
quantidade de álcool por decigramas por litro de sangue (FOX apud FERRAZ,
2012):
• 2-3 dm: cerca de um copo de cerveja, um cálice pequeno de vinho ou uma
dose de bebida destilada: as funções mentais começam a ficar comprometidas e a
percepção da distância e da velocidade é prejudicada;
• 3-5 dm: cerca de dois copos de cerveja, um cálice grande de vinho ou duas
doses de bebida destilada: o grau de vigilância e o campo visual diminuem e o
controle cerebral relaxa, dando sensação de calma e satisfação;
• 5-8 dm: cerca de três ou quatro copos de cerveja, três copos de vinho ou
três doses de uísque: os reflexos ficam retardados, há dificuldade de adaptação da
visão à diferença de luminosidade, a capacidade pessoal é superestimada, os riscos
são subestimados e há tendência à agressividade;55
• 8-15 dm: a partir dessa taxa, as quantidades são muito grandes e variam de
acordo com o metabolismo da pessoa: há dificuldade em controlar o veículo,
incapacidade de concentração e falhas na coordenação neuromuscular.
29

• 15-20 dm: ocorre dupla visão e desconexão com a realidade;


• 20-50 dm: a embriaguez é total e a pessoa, em geral, não consegue sequer
ficar de pé;
• 50 dm: a pessoa entra em coma alcoólico, havendo risco de morte.

4.2.3 INTERFACES DA PSICOLOGIA DO TRÂNSITO COM OUTROS RAMOS DA


PSICOLOGIA

Há relação entre a Psicologia do Trânsito e outras áreas do conhecimento. As


relações amistosas no trânsito dependem de ações multidisciplinares. Os
comportamentos no trânsito são impactados pela respectiva legislação.
A dinâmica e relações no contexto do trânsito são de natureza complexa, pois
envolvem diversas variáveis. Para alcançar a paz no trânsito e relações mais
amistosas entre os usuários da via, três elementos são decisivos: a educação, o
policiamento e o esforço legal. A Psicologia do Trânsito tem como um de seus
objetos de investigação os comportamentos no trânsito, desde os usuários da via até
os fiscais de trânsito, que têm como missão fiscalizar e estabelecer as regras de
circulação. Dessa forma, a psicologia do trânsito acaba por estabelecer interfaces
entre outros ramos da psicologia, assim como com outras áreas do conhecimento.
A Psicologia do Trânsito apresenta interfaces com outros ramos da
Psicologia. Para fins didáticos, essas inter-relações serão apresentadas de forma
dividida em três grandes grupos: Disciplinas Psicológicas Básicas; Disciplinas
Psicológicas Especializadas; e Disciplinas Profissionalizantes.

4.2.4 DISCIPLINAS PSICOLÓGICAS BÁSICAS

As Disciplinas Psicológicas Básicas contempladas pela Psicologia são: a


Psicologia Experimental, Psicofísica, Psicologia Sensorial e Psicofisiologia,
Psicologia da Percepção e da Cognição, Psicologia da Motivação e da Emoção,
Psicologia da Aprendizagem e da Memória.
30

Entre as principais inter-relações com a Psicologia do Trânsito, e tendo como


referência os apontamentos sinalizados por Rozestraten (1988, p.28), destacam-se:
A Psicologia Experimental não tem um objeto próprio, sendo melhor definida como
um método. Todos os métodos desenvolvidos pela Psicologia podem ser utilizados
quando se trata de Psicologia do Trânsito. Os elementos da Psicofísica tratam da
relação entre o estímulo como existe no mundo exterior e o estímulo como é
percebido por nós. Os estudos oriundos da Psicofísica trouxeram muitas
contribuições à Psicologia do Trânsito, em que se destacam aqueles que têm como
objeto de investigação a adaptação do olho ao escuro e à luz.
Já a Psicologia Sensorial se debruça sobre cada um dos órgãos dos sentidos
e a Psicofisiologia investiga os processos fisiológicos ligados à recepção e
interpretação de estímulos de diversos tipos.
Ainda segundo Rozestraten (1988, p.28), a Psicologia da Percepção e da
Cognição oferece grandes contribuições à Psicologia do Trânsito visto que “perceber
é ver conscientemente, com atenção.”

4.2.5 DISCIPLINAS PSICOLÓGICAS ESPECIALIZADAS

As Disciplinas Psicológicas Especializadas são constituídas por objetos de


pesquisa mais restritos, no entanto, requerem as contribuições das disciplinas
básicas.
No que diz respeito ao contexto do trânsito, Rozestraten (1988, p.28) destaca
a contribuição e a abordagem da Psicologia do Desenvolvimento, que estuda o
homem levando em consideração toda sua história de vida, sua adaptação ao
mundo, seu desenvolvimento sensorial, perceptivo e motor, sua evolução afetiva,
emocional e personalidade, sua integração social e a debilitação dos idosos.
Nesse sentido, conclui-se:
“o ser humano participa do trânsito em todas as fases de sua vida, e
logicamente esta participação está sendo influenciada por sua maturação,
por seu grau de desenvolvimento ou pelo grau de desgaste e decadência de
suas capacidades psíquicas” (ROZESTRATEN, 1988, p. 28).
31

A Psicopedagogia também traz grandes contribuições à Psicologia do


Trânsito no que se refere aos processos de aprendizagem e reciclagem.
A Psicologia da Personalidade constitui-se como um dos ramos mais
complexos da Psicologia. Ela estuda os traços de personalidade, assim como quais
estratégias uma pessoa utiliza para resolver seus problemas pessoais e sociais.
Undeutsch (1962) apud Rozestraten (1988) destaca: “a capacidade de dirigir
sem acidentes, de maneira geral, ou também a tendência de o motorista causar ou
ser implicado em acidentes depende, em grande parte, da integridade do que se
chama personalidade sociocultural”. Segundo esse autor, a personalidade
sociocultural é definida como “o conjunto de todas as normas integradas no
indivíduo através dos processos de educação ou de formação”.
A Psicologia Social aborda os comportamentos dos diversos grupos, a
influência deste comportamento grupal sobre os indivíduos e vice-versa.
A Psicometria e os testes abordam os diversos métodos para aferir as
capacidades e habilidades do indivíduo. No que se refere aos testes voltados ao
condutor, há grandes críticas quanto às metodologias aplicadas.
Já a Psicopatologia aborda os resultados reveladores de desvios em exames
psicológicos, contexto em que o profissional deve avaliar os níveis de
comprometimento.

4.2.6 DISCIPLINAS PROFISSIONALIZANTES

A Psicologia do Trabalho aborda as temáticas relacionadas ao labor, suas


condições e comportamentos. Trata-se de ramo profícuo à realização de estudos.
Ressalta-se que as exigências impostas ao trabalhador dos transportes são
avolumadas, tendo em vista pressões do cotidiano e o tempo de exposição ao
trânsito.
Outras áreas da Psicologia contribuem à Psicologia do Trânsito, no entanto,
optou-se por apresentar um breve resumo dessas contribuições.
32

4.2.7 INTERFACES DA PSICOLOGIA DO TRÂNSITO COM A ENGENHARIA,


DIREITO E MEDICINA

Conforme já mencionado, a Engenharia apresenta interface com a Psicologia


do Trânsito a partir das abordagens e metodologias inerentes à Engenharia de
Tráfego e Segurança Viária. Alguns subterfúgios podem ser utilizados como
recursos da via de forma a impactar no comportamento do condutor. Nesse sentido
destacam-se, por exemplo, as placas informativas.
O Direito traz contribuições no que se refere às tomadas de decisão do
condutor e sua interpretação, resgatando o que seja doloso e o que seja culposo. Já
a Medicina traz grandes contribuições tanto na perspectiva da promoção da saúde
como da prevenção dela.

4.2.8 INTERFACES DA PSICOLOGIA DO TRÂNSITO COM A FISIOLOGIA,


FARMACOLOGIA E ESTATÍSTICA

A Fisiologia traz em suas bases teóricas explicações de como se dá o


funcionamento do corpo humano em perspectiva sistêmica, assim como em partes,
e desse modo oferta a possibilidade de compreensão às respostas do organismo a
determinados estímulos ou condições. Já a Farmacologia busca entender o efeito de
certas substâncias no organismo, como bebidas alcoólicas, drogas e medicamentos.
Por fim, a Estatística oferece a possibilidade de quantificar e proceder a
análises relacionadas ao trânsito. Por exemplo, sobre a faixa etária que mais se
envolve em acidentes de trânsito.

5. CONCLUSÃO

A Psicologia de trânsito estuda todos os comportamentos humanos no


contexto do trânsito. A Psicologia voltada ao trânsito oferta contribuições por
dimensionar e interpretar os fatores e processos internos e externos, conscientes e
33

inconscientes que determinam os comportamentos no trânsito. Para a avaliação da


ocorrência de um acidente, há que se considerarem os fatores pertinentes à via, ao
veículo e ao homem, sendo que se observa a prevalência do fator humano. Os
acidentes podem ser considerados uma doença social (NEVES, 2002, p.121),
recrutando a colaboração de várias áreas do conhecimento.
A Psicologia do Trânsito é um dos ramos da Psicologia. Por estudar um
sistema complexo, a Psicologia do Trânsito requer o estabelecimento de interfaces
com outras áreas do conhecimento. As contribuições da Psicologia do Trânsito
transcendem a aplicação de testes psicotécnicos com vistas à habilitação.
A Psicologia do Trânsito constitui-se como um ramo do conhecimento
fundamentado em preceitos legais e teóricos. A Psicologia do Trânsito oferece uma
grande gama de possibilidades de contribuições e espaços de atuação para o
psicólogo. O Desenvolvimento da Psicologia do Trânsito tem espaço de grande
proveito nas universidades.
Há a necessidade de expandir e conferir maior robustez aos estudos
pertinentes à Psicologia do Trânsito, com especial atenção àqueles que abordem a
investigação de como dirigem os condutores, assim como a capacidade de aferição
dos exames psicológicos. A normatização da avaliação psicológica no contexto do
trânsito atende ao cruzamento das diretrizes de duas entidades: uma de fiscalização
e outra que regulamenta a profissão. Os exames psicológicos atendem princípios
éticos, teóricos e práticos específicos.
Na ocorrência de um acidente, há prevalência do fator humano. As ações da
Psicologia do Trânsito incidem justamente sobre as subjetividades inerentes ao
homem. As causas humanas envolvidas na ocorrência de um acidente podem ser
classificadas em causas humanas diretas e causas humanas indiretas. A Psicologia
do Trânsito, entre outras aplicações, busca entender o porquê da manifestação de
certos comportamentos, entre os quais aqueles considerados de risco à segurança
viária.
O trânsito é um sistema complexo constituído por vários sujeitos, ocupando
vários papéis. Para entender os comportamentos nesse contexto, a Psicologia do
Trânsito estabelece interfaces com outros ramos da Psicologia, assim como com
34

outras áreas do conhecimento. Para uma interpretação mais apurada acerca das
dinâmicas do trânsito, por vezes é necessário recorrer a outras teorias que
transcendem o universo da Psicologia do Trânsito, ou seja, uma abordagem
sistêmica. As estatísticas de acidentes de trânsito ainda são um grande desafio para
as autoridades.
Nas últimas décadas a Psicologia do Trânsito tem-se consolidado como área
de pesquisa na compreensão dos comportamentos, propiciando a oferta de estudos
e trabalhos com vias a subsidiar estratégias que tenham como meta a redução dos
acidentes de trânsito.
Conforme destaca Silva (2012, p.176), a Psicologia do Trânsito e a atuação
do psicólogo nessa área têm sido orientadas por decretos-lei, leis e resoluções. No
âmbito dos DETRANs e clínicas, a Psicologia tem consolidado espaço de atuação
para o psicólogo, tentando superar o foco de sua atuação para além do motorista –
postulando contribuições à construção e ao aprimoramento de políticas públicas.
No desenvolvimento da Psicologia do Trânsito no Brasil, tem-se como um de
seus precursores o autor Rozestraten. Suas pesquisas e contribuições lançaram as
bases para a estruturação da Psicologia do Trânsito no Brasil.
As perspectivas de atuação do psicólogo e contribuições da Psicologia do
Trânsito vão desde as avaliações psicológicas utilizadas nos processos de
habilitação à investigação de comportamentos no contexto do trânsito, perscrutando
quais são os fatores internos e externos que os acionam, pesquisas e intervenções
junto a acidentados voltadas à reabilitação e caráter clínico, e até as contribuições
na elaboração e aprimoramento de políticas públicas.
A literatura revela que as pesquisas voltadas para a Psicologia do Trânsito
ainda são incipientes, estão no seu início no contexto brasileiro. Sampaio e Nakano
(2011) destacam a predominância de estudos que avaliam determinadas
características como inteligência, personalidade e atenção, havendo um número
reduzido de estudos interessados na investigação de como dirigem os condutores
ou a capacidade de aferição dos exames psicológicos.
No que tange à legislação brasileira, destaca-se que o Código de Trânsito
Brasileiro (1997) e as resoluções do CONTRAN, números 51 e 80 de 1998, e 267 de
35

2008, prevêem a obrigatoriedade da avaliação psicológica preliminar para o


candidato à primeira habilitação. Corroborando essas determinações, o CFP ratifica
os preceitos, inicialmente a partir da Resolução CFP 012/2000. Posteriormente, a
referida Resolução foi revogada, sendo substituída pela Resolução CFP 007/2009
(instituindo normas e procedimentos para avaliação psicológica no contexto do
trânsito) e pela Resolução CFP 009/2011.
A Resolução 267/2008 do CONTRAN estabelece a natureza das técnicas e
instrumentos que devem ser utilizados e, explicitamente, quais construtos
psicológicos e atributos relacionados devem ser considerados na avaliação
(Carvalho).
A Resolução 267/2008 dispõe sobre o exame de aptidão física e mental, a
avaliação psicológica e o credenciamento das entidades públicas e privadas de que
tratam o art. 147, I e §§ 1º a 4º e o art. 148 do Código de Trânsito Brasileiro, nos
quais se destacam:
Art. 5º – Processos psíquicos aferidos: tomada de informação, processamento
de informação, tomada de decisão, comportamento, auto-avaliação do
comportamento e traços de personalidade.
Art. 6º – Tipos de técnicas adotadas: entrevistas diretas e individuais, testes
psicológicos, que deverão estar de acordo com Resoluções vigentes do CFP,
dinâmicas de grupo e escuta e intervenções verbais.
Parágrafo único. A avaliação psicológica deverá atender as diretrizes do
Manual de Elaboração de Documentos Escritos instituído pelo CFP.
Para fins de classificação, o candidato poderá ser considerado: apto – quando
apresentar desempenho condizente para a condução de veículo automotor; inapto
temporário – quando não apresentar desempenho condizente para a condução de
veículo automotor, porém passível de adequação; ou inapto – quando não
apresentar desempenho condizente para a condução de veículo automotor.
Ressalta-se que o candidato inapto temporário deverá ser submetido a uma
nova avaliação, em prazo estabelecido. Quando o candidato apresentar distúrbios
ou comprometimentos psicológicos que estejam temporariamente sob controle, o
candidato será considerado apto, com diminuição do prazo de validade da avaliação.
36

A Resolução 007/2009 do CFP define as normas e procedimentos para a


avaliação psicológica: conceito de avaliação psicológica, habilidades mínimas do
candidato à CNH e dos condutores de veículos automotores, instrumentos de
avaliação psicológica, condições da aplicação dos testes psicológicos, mensuração
e avaliação do resultado da avaliação psicológica.

São de responsabilidade dos Conselhos Regionais de Psicologia o


monitoramento do aspecto ético relacionado ao ofício, e o cumprimento das
legislações.
37

REFERÊNCIAS

BEUX, A. O homem e o massacre motorizado: delitos de trânsito. Porto Alegre:


Arlindo Beux, 1986, p.22.

CAMPOS, F. O fator humano e os acidentes de trânsito. Arq. Bras. Psi. Apl., v. 30,
n. 3, p. 3-24, 1978.

CARVALHO, L. F. Justificam-se os construtos psicológicos avaliados no


contexto do trânsito? Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica. Disponível em:
<http://www. ibapnet.org.br/?cd=65>. Acesso em: 10 nov. 2017.

CF

P. CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Seminário Psicologia do Trânsito


em Trânsito pelo Brasil, 2012. Disponível em: <http://transito.cfp.org.br/>. Acesso
em: 10 nov. 2017.

CONTRAN. CONSELHO NACIONAL DE TRÂNSITO. Resolução nº 267 de 15 de


fevereiro de 2008. Dispõe sobre o exame de aptidão física e mental, a avaliação
psicológica e o credenciamento das entidades públicas e privadas de que tratam o
art. 147, I e §§ 1º a 4º e o art. 148 do Código de Trânsito Brasileiro. Disponível em:
<http://www.denatran. gov.br/download/resolucoes/resolucao_contran_267.pdf>.
Acesso em: 10 nov. 2017.

FERRAZ, C. et al. Segurança Viária. São Carlos – SP: Suprema Gráfica e Editora,
2012, p.45.

FERRAZ, A. C. P. C.; Raia Júnior, A. A.; Bezerra, B.S. Segurança no Trânsito. São
Carlos: NEST, 2008.

FIORI, L. G.; CANEDA, C. R. G. Avaliação psicológica no trânsito: produção


científica dos últimos dez anos. V. 6, n. 1, p. 10-17, 2014.

GOLD, P. A. Segurança de Trânsito: aplicação de Engenharia para reduzir


acidentes. Banco Interamericano de Desenvolvimento, 1998, p.27.

HOFFAMANN, M. H. Comportamento do condutor e fenômenos psicológicos.


Psicologia: Pesquisa e Trânsito, v. 1, n. 1, p. 17-24, 2005.

OMS. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Manual de Treinamento: prevenção


de lesões causadas pelo trânsito. 2011. Disponível em:
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/
publicacoes/prevencao_lesao_causadas_transito.pdf>. Acesso em: 10 nov. 2017.
38

NUNES, J. L. R. Síndrome de Ícaro: a educação infantil e a Segurança no


Trânsito Brasileiro. Rio de Janeiro: FUNENSEG, 2002.

ROZESTRATEN, R. J. A. Psicologia do Trânsito; o que é e para que serve.


Psicologia: Ciência e Profissão, v. 1, n. 1, p. 141-143, 1981.

ROZESTRATEN, R. J. A. Psicologia do Trânsito: conceitos e processos básicos.


São Paulo: EPU – Editora da Universidade de São Paulo, 1988, p.28, 29.

SAMPAIO, M. H. L.; NAKANO, T. C. Avaliação psicológica no contexto do trânsito:


revisão de pesquisas brasileiras. Psicologia: Teoria e Prática, v. 13, n. 1, p. 15-33,
2011.

SHINAR, D. Psychology on the road, the human fator in traffic safety. Nova
York: J. Wiley&Songs, 1978, p.166.

SILVA, F. H. V. C. A Psicologia do Trânsito e os 50 anos de profissão no Brasil.


Psicologia: Ciência e Profissão, v. 32, (n especial), p. 176-193, 2012.

SILVA, F. H. V. C.; GÜNTHER, H. Psicologia do Trânsito no Brasil: de onde veio e


para onde caminha? Temas em Psicologia, v. 17, n. 1, p. 163-175, 2009.

TEBALDI, E.; FERREIRA, V. R. T. Comportamentos no trânsito e causas de


agressividade. Revista de Psicologia da UnC, v. 2, n. 1, p.15-22, 2004.

VASCONCELLOS, E. A. O que é trânsito. São Paulo: Brasiliense, 1998, p.48.