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UNIVERSIDADE PAULISTA

THIZZA RHUAMA MÜLLER SILVA

REDUÇÃO DE DANOS:

Análise da eficácia

SÃO PAULO

2017
THIZZA RHUAMA MÜLLER SILVA

REDUÇÃO DE DANOS:

Análise da eficácia

Trabalho de conclusão de curso para


obtenção do título de especialista em Saúde
Mental para Equipes Multiprofissionais
apresentado à Universidade Paulista - UNIP.
Orientadores:
Profa. Ana Carolina S. de Oliveira
Prof. Hewdy L. Ribeiro

SÃO PAULO

2017
THIZZA RHUAMA MÜLLER SILVA

REDUÇÃO DE DANOS:

Análise da eficácia

Trabalho de conclusão de curso para


obtenção do título de especialista em Saúde
Mental para Equipes Multiprofissionais
apresentado à Universidade Paulista - UNIP.
Orientadores:
Profa. Ana Carolina S. de Oliveira
Prof. Hewdy L. Ribeiro

Aprovado em:

BANCA EXAMINADORA

_______________________/__/___

Prof. Hewdy Lobo Ribeiro

Universidade Paulista – UNIP

_______________________/__/___

Profa. Ana Carolina S. Oliveira

Universidade Paulista – UNIP


DEDICATÓRIA

A quem demonstrou sanidade genuína em meio à loucura, à Susanne Mac e


tantas outras dela.
AGRADECIMENTOS

À minha amiga Graziela Gimenez, que cada dia mais me mostra o que é esforço,
foco e dedicação e que me colaborou ativamente em cada passo para eu chegar até
aqui!

Ao meu filho que me motiva em minha busca diária por conhecimento e crescimento
pessoal e profissional.

Ao meu pai por sempre me aguçar curiosidade, busca por conhecimento, senso de
justiça e igualdade.

À minha mãe suficientemente boa, que me deu holding sempre que necessário para
que eu pudesse construir minha história. Que me inspira e ainda me ensina ver o
mundo com grande humanidade, que me ensinou a acreditar nas pessoas, nas
transformações e entender que não existem limites nem limitações.

Ao Pablito (Mário Montano) por ter proporcionado condições para que eu


trabalhasse na minha área, por ter demonstrado grande humanidade em situações
adversas e por sempre mostrar que acreditar nas pessoas vale a pena.

Às titias, Alice e Tatiane que incansavelmente cuidaram do meu filho aos finais de
semana para que eu pudesse cursar a pós- graduação.

Aos professores Marília Vellano e Ricardo Santoro que me inspiraram a busca de


conhecimento na área de Saúde Mental e que me ensinaram a não esquecer em
meio à “loucura” o verdadeiro do objeto de nosso estudo - o humano.

Aos usuário de drogas, que nos mobilizaram para a compreensão do universo da


discriminação social e subjetiva, na esperança de que o futuro lhes seja mais
generoso, promissor e inclusivo.
“Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade, tudo está
perdido, mas existem possibilidades”.

Renato Russo
RESUMO

O uso de drogas faz parte da história da humanidade e sua utilização é feita para
diversas finalidades. Foi observado que muitas drogas trazem prejuízos à saúde das
pessoas por isso seu uso foi proibido. A partir do momento em que se percebeu que
determinadas drogas psicoativas provocavam dependência, e entendeu-se como um
problema de saúde, foram desenvolvidos tratamentos voltados à abstinência. Esses
tratamentos mostraram-se ineficazes num grande número de casos além de
marginalizar e tirar a autonomia do sujeito. Foram desenvolvidas estratégias de
tratamento chamadas de Redução de Danos, em que o objetivo é minimizar os
danos que o uso de drogas causa na vida do sujeito. Os danos causados pelas
drogas são diversos, tanto físico, psicológicos e sociais, por isso as políticas
voltadas para redução de danos também precisam englobar várias estratégias
voltadas não somente para a saúde física, mas também para o desenvolvimento
pessoal, fortalecimento de vínculos sociais e familiares. A pesquisa foi realizada com
o intuito de apreender os resultados dessas estratégias no Brasil. Foram utilizadas
bases de dados como o Lilacs e Portal Capes, dos 62 resultados encontrados em
ambas as bases, apenas dois apresentaram resultados dos trabalhos de RD. O que
se percebeu é que há muita dificuldade na implantação de RD no Brasil, pois essas
políticas vão de encontro principalmente com as políticas de segurança pública, o
que configuram um problema grave para os usuários de drogas. Nos poucos
resultados encontrados percebe-se que são estratégias que podem melhorar muito a
qualidade de vida dos usuários de drogas e também da própria sociedade que pode
ser favorecida com a diminuição da marginalização dessa população.

Palavras- chave: Redução de danos, Dependência química, políticas públicas.


ABSTRACT

The drugs usage is part of history of our mankind and its utilization is made for
various purposes. It has been observed that many drugs bring damage to people's
health so its use has banned. From the moment it was noticed that certain
psychoactive drugs caused addiction, and it was understood as a health problem,
treatments were developed aimed at abstinence. These treatments proved to be
ineffective in many cases and besides marginalizing and taking away the autonomy
of the subject.

The strategies of treatments developed have been called “Harm Reduction”, where
the goal is to minimize the damages that drug usage causes in the life of the subject.
The damage caused by drugs is diverse, physical, psychological and social, that is
why the policies aimed at harm reduction must also encompass various strategies
geared not only to physical health, but also to personal development, strengthening
of social and family ties.

The research was carried with the intention of apprehending the results of these
strategies in Brazil. Databases such as Lilacs and Portal Capes were used, of the 62
results found in both databases, only two presented results of RD work. What has
been perceived is that there is a lot of difficulty in implementing RD in Brazil, because
these policies are mainly related to public security policies, which constitute a serious
problem for drug users.

In the few results found, these are strategies that can improve the quality of life of
drug users and also of society itself which can be favored by reducing the
marginalization of this population.

Keywords: Harm reduction, Chemical dependency, Public policy.


Sumário

1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 1
1.1 Redução de danos ............................................................................................................... 2
1.2 Posicionamento da OMS ..................................................................................................... 3
1.3 Redução de danos no Brasil ............................................................................................... 4
2. OBJETIVOS .................................................................................................................................. 5
2.1 Objetivos específicos ........................................................................................................... 5
3. MÉTODO ....................................................................................................................................... 6
4. RESULTADOS ............................................................................................................................. 6
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................................... 8
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 9
1

1. INTRODUÇÃO

O interesse por esse assunto surgiu em observar nos noticiários a estratégia


empregada pela prefeitura de São Paulo no início de 2012, chamada “Operação
Sufoco”, para tratar do problema do uso abusivo de drogas, principalmente o crack,
por usuários que se concentram na região central da cidade que ficou conhecida
como cracolândia. A prefeitura passou a empregar a internação compulsória usando
força policial para encaminhar os ditos dependentes químicos para instituições para
tratamento.
Dado o crescente aumento dos problemas relacionados ao uso de drogas
que se veem noticiados em jornais, revistas e outros meios de comunicação,
percebemos que as estratégias tanto governamentais quanto não governamentais
têm se mostrado insuficientes, pois os problemas relacionados às drogas só vêm
aumentando (DUARTE, STEMPLIUK, BARROSO, 2009)
Muitos casos de violência relatados em noticiários fazem relação direta entre
os efeitos das drogas, sua condição de usuário, e a violência apresentada. A droga,
nesse caso, torna-se a única responsável pelas mazelas da sociedade, sendo
sinônimo de pobreza e bandidagem. É importante lembrar que em todos os níveis
socioeconômicos são encontrados usuários de drogas, mas somente a camada mais
pobre da população é marginalizada quando nessa condição. Pode-se perceber a
partir dessa reflexão que o problema, que de fato existe, produzido a partir do uso da
droga, não é o único responsável pela violência praticada pelo usuário de drogas
(VARGAS, 2011).
O uso de drogas é uma prática que faz parte da história da humanidade,
elas sempre fizeram parte do cotidiano das pessoas sendo usadas com diversas
finalidades, e nos dias de hoje não é diferente, ainda se fazem presentes, seja no
uso recreativo de substâncias consideradas ilegais ou não, como álcool e tabaco,
seja no uso de drogas receitadas visando auxiliar em tratamentos médicos, como é
o caso de medicamentos psicotrópicos, que tem venda controlada, ou ainda hoje em
cultos religiosos (ESCOHOTADO apud VARGAS, 2011).
Como lidar com o uso nocivo de drogas tem sido um grande desafio em
nossa sociedade já que, independente da finalidade, frequentemente é feito uso de
drogas. O comercio de algumas drogas são regulamentadas pelo Estado por se
tratarem de medicamentos que, com uso controlado, podem ajudar a corrigir ou
2

controlar alguma disfunção do sujeito. Já outras são usadas recreativamente e


podem comprometer seriamente a saúde das pessoas, e sua vida em sociedade.
Ambas agem no SNC (Sistema Nervoso Central) alterando diversas funções que
comprometem sua saúde e interação social (DALGALARRONDO, 2008 apud
SADOCK; SADOCK, 2007).
Um problema que pode ser observado se analisado com mais cuidado, são
os critérios para se determinar a legalidade ou não da droga, pois o que se diz em
geral é que é levado em consideração os prejuízos à saúde do usuário (VARGAS,
2011). Entretanto, drogas como o álcool, são um exemplo de drogas legalizadas que
trazem prejuízos enormes tanto para o sujeito quanto para a sociedade, tanto em
termos de saúde e segurança, quanto em financeiros, ainda assim, é legalizada.
Tendo isso em vista, percebe-se que o critério para se determinar a legalidade ou
não de uma droga é demasiadamente arbitrário. Por isso a Redução de danos
configura-se como uma alternativa para o atendimento aos diversos grupos de
usuários, visando melhoria da qualidade de vida do sujeito.

1.1 Redução de danos

A redução de danos surgiu como um esforço em diminuir os riscos á saúde


dos usuários de drogas e construir possibilidades, que não seja necessariamente a
abstinência, pois as estratégias que buscam abstinência mostraram-se ineficazes ao
desconsiderar as particularidades dessa relação (QUEIROZ, 2001). É uma política
de atenção ao dependente químico que considera, entre outras coisas,
primeiramente suas necessidades, e isso só pode ser obtido através da escuta do
próprio indivíduo, e de observar suas demandas (CARLINI-MARLATT, REQUIÃO,
STACHON, 2003).
As estratégias de redução de danos envolvem atividades no ambiente onde
o usuário faz uso das drogas, priorizando os grupos mais marginalizados para
garantir-lhes o acesso a esses recursos; troca ou doação de seringas; escolha de
motorista sóbrio; servir bebidas em copos e recipientes que não sejam de vidro;
adesivos de nicotina para fumantes, instituir tratamentos de manutenção ou
substituição entre outras estratégias que possam minimizar os danos ao usuário de
drogas (CARLINI, 2003).
3

Seu objetivo é diminuir os danos causados á saúde do usuário de drogas e á


sociedade em geral, e os danos por ela causado em sua vida social, como o estigma
de marginal que carrega por fazer uso de drogas ilegais, chegando até mesmo a
atrapalhá-lo a conseguir emprego e de fazer uso de direitos como atendimento
especializado disponibilizado pelo SUS. A RD não se ocupa de temas como a
moralidade do uso de drogas ou descriminalização (CARLINI-MARLATT, REQUIÃO,
STACHON, 2003).
Para isso é necessário que diversos setores da sociedade, e grupos
governamentais ou não governamentais coordenem ações que ao integrarem-se
possibilitem a abertura para discussão e desmistificação do assunto, para que a
sociedade de forma geral possa ser melhor informada e possa lidar com os usuários
de drogas sem marginalizá-los (SILVEIRA et. al., 2003).
Em princípio a RD não visa a abstinência, embora seja considerada um ideal
(CARLINI-MARLATT, REQUIÃO, STACHON, 2003). Alguns grupos que trabalham
com essa abordagem divergem quanto a isso, enquanto uns a veem como uma
forma de se atingir a abstinência outros a veem como uma forma de o usuário de
drogas poder manter o uso da droga sem prejudicar a si e a outros (CAMPOS,
SIQUEIRA, 2003).
Foi observado em São Paulo entre as décadas de 80 e 90 uma epidemia de
AIDS. As formas de transmissões via sanguínea o contágio por meio de
compartilhamento de seringas de drogas injetáveis ficava em primeiro lugar. Isso
representava um terço dos casos nos anos 90 (SANTOS et. al., 2002). Porém entre
os anos de 2001 e 2007 percebe-se a diminuição do número de casos de AIDS
relacionados ao uso de drogas injetáveis (DUARTE, STEMPLIUK, BARROSO,
2009). Isso pode sugerir que houve resultados ao se instituir em São Paulo a política
de RD em 1996, com o objetivo de diminuir a propagação de doenças como a
hepatite B e C e o HIV, contemplando tanto o âmbito individual quanto o coletivo, de
prevenção (DIAS et. al., 2003).

1.2 Posicionamento da OMS

A OMS (Organização Mundial da Saúde) entende que a questão das drogas


podem ser tratadas em três níveis: O primeiro é a prevenção, para que através de
informações obtidas previamente as pessoas sejam desencorajadas a consumir
4

drogas. O segundo nível é interrupção do uso, considerando que o sujeito já está


fazendo uso de drogas. O terceiro nível é a Redução de Danos, que pode não visar
necessariamente a abstinência, mas, é vista mais como uma estratégia para diminuir
os agravantes a saúde do usuário de drogas (CARLINI, 2003).
Nas três convenções internacionais da Organização das Nações Unidas
realizadas com o objetivo de regulamentar a produção, distribuição, uso,
armazenamento e os estoques de drogas narcóticas e psicotrópicas, das quais o
Brasil é signatário foi reconhecida a redução de danos como estratégia viável de
prevenção, porém, não nega a importância de programas de redução de demanda.
Na Convenção de 1988 foi entendido que a prioridade é reduzir o sofrimento
humano, daí a necessidade de diminuir a demanda ilícita (CARLINI, 2003).
A OMS entende que a terapia de substituição pode contribuir para a melhora
da qualidade de vida do indivíduo, se a droga prescrita for farmacologicamente
compatível com a que provocou dependência. O INCB entende que isso pode ser
positivo pois pode diminuir os riscos, tanto físicos, emocionais, ambientais e
comportamentais, relacionados ao uso ilícito de drogas, porém defende a
abstinência como meta ideal. Também é a favor da troca de seringas, mas considera
que as salas de injeção encorajam o tráfico e o controle de qualidade incentivam o
consumo de drogas (CARLINI, 2003).

1.3 Redução de danos no Brasil

A Lei 11.343 de 2006, que institui o SISNAD (Sistema Nacional de Políticas


Públicas Sobre Drogas) garante o atendimento a todos os usuários de drogas, e
prevê atenção integrada entre diversos poderes e setores para acolher o sujeito. A
lei menciona a redução de danos, visando minimizar os danos causados a ele, e à
sociedade, mas não descreve objetivamente as práticas no texto.
No Brasil as primeiras práticas orientadas pela redução de danos ocorreram
em Santos, litoral paulista, no final da década de 80, por conta dos crescentes casos
de Aids em decorrência de uso inadequado de drogas injetáveis (MESQUITA, 1991,
apud PASSOS E SOUZA, 2011). E a partir de 2003 passou a ser estratégia de
referência do Ministério da Saúde, para atendimento integral aos usuários de
drogas, atendendo ás necessidades individuais, levando em conta as demandas do
sujeito e priorizando a defesa da vida (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2003). A redução
5

de danos apresentou-se como uma alternativa aos tratamentos de dependência


química que visam abstinência. As ações previstas visam prevenir, tratar, reabilitar, e
a abstinência não é vista como único caminho possível para ser conquistado
(PASSOS, SOUZA, 2011).
O grande aumento do consumo de drogas no estado de São Paulo e a
crescente marginalização dos usuários de drogas, observável nas ruas, jornais e em
dados de pesquisas. Percebe-se que as técnicas mais tradicionais usadas para
tratar o dependente químico não tem sido eficazes em seu objetivo, que é promover
a abstinência. Em conjunto com esse fracasso, os dependentes químicos são
tratados como marginais, e “perderem” sua cidadania, sendo vistos e tratados como
bandidos. Esse trabalho visa investigar se a terapia de substituição configura uma
melhor possibilidade para os usuários de drogas poderem cuidar de sua saúde,
manter seus laços e relações interpessoais, e se possível, também manter seu
direito de usar a droga ou se abster, com o tempo. E para a sociedade de forma
geral, o estudo é importante, porque as drogas representam riscos tanto para saúde
pública, quanto para segurança pública, por isso o assunto é relevante tanto no
âmbito individual quanto no coletivo, pois a terapia de substituição limita o uso da
droga, diminuindo também os agravos à sociedade.

2. OBJETIVOS

O objetivo da pesquisa é investigar a eficácia das estratégias de redução de


danos no atendimento ao dependente químico.

2.1 Objetivos específicos

• Pesquisar se a redução de danos realmente representa melhoria na


qualidade de vida dos usuários de drogas nos aspectos
biopsicossociais.
• Investigar se a redução de danos apresenta resultados eficazes a
longo prazo.
• Averiguar se a redução de danos configura novo risco para o sujeito.
6

3. MÉTODO

Trata-se de uma ampla revisão bibliográfica sobre a eficácia das estratégias


de redução de danos junto aos usuários de drogas.
O levantamento bibliográfico foi realizado entre Agosto e Outubro de 2017 e
foram utilizadas bases de dados virtuais para a pesquisa, sendo elas: Lilacs e Portal
CAPES. A pesquisa foi realizada a partir da expressão “redução de danos” em
ambas as bases de dados informadas.
No Lilacs foram utilizados os filtros “texto completo disponível”, “país Brasil”,
“idioma português” e “pais de afiliação Brasil” e selecionados artigos a
partir de 2007.
No Periódico Capes foram utilizados os filtros “idioma português”, “ano 2007-
2017”, “tipo de arquivo artigos”, “personalize seus resultados: saúde pública,
sociologia e psicologia”, “refinar meus resultados Brasil”, “revistas: ciencia & Saude
Coletiva , ciência et saúde coletiva, ciência et amp; saúde coletiva, ciência e saúde
coletiva.”

4. RESULTADOS

No Lilacs foram encontrados 40 resultados, dentre esses vários artigos foram


descartados por se tratarem de temas diferentes do pesquisado, que é uso de
drogas, alguns artigos repetidos, e outros que abordavam a redução de danos sob
aspectos políticos. Apenas 7 desses artigos tratavam do tema redução de danos
relacionados com o uso de drogas, porém apenas 2 apresentavam resultados
relacionados à estratégia de redução de danos.

No Periódico Capes foram encontrados 22 artigos e nenhum apresentava


resultados relacionados à implantação de estratégias de redução de danos.
7

Tabela de resultados

AUTOR ANDRADE, Tarcísio Matos de


TITULO Reflexões sobre Políticas de Drogas no Brasil
ANO 2011
RESULTADOS: FISICO Diminuição dos casos de HIV
PSICOLÓGICOS
SOCIAIS
LONGO PRAZO
PREJUIZO Visto como incentivo ao uso de drogas

AUTOR Teixeira, Artur Alves de; Kantorski, Luciane Prado;


Corrêa, Ana Cândida Lopes; Ferreira, Roberta
Zaffalon; Ferreira, Gabriella Bastos; Espírito Santo,
Milena Oliveira do
TITULO Usuários de crack – desenvolvendo estratégias
para enfrentar os riscos do uso.
ANO 2015
RESULTADOS: FISICO Diminuição dos riscos de ser contaminado ou
contaminar outras pessoas com DSTs e outras
doenças, devido ao uso de preservativos e
utensílios próprios para o consumo da droga, como
cachimbos, por exemplo. Melhoria das condições
globais de saúde devido ao aumento com os
cuidados relacionados ao sono, alimentação e
hidratação.
PSICOLÓGICO Diminuição da fissura, com o uso da maconha
após o uso do crack. Diminuição da depressão
devido aos cuidados adotados com a saúde física.
Controle da quantidade, oferece aumento da
percepção de autonomia, autocontrole.
SOCIAIS Algum senso de cidadania aprendido com os
redutores de danos, o contato com informações
sobre a lei sobre drogas “favorece” uma interação
com a polícia mais adequada.
LONGO PRAZO
PREJUIZO Desenvolvimento de dependência de múltiplas
drogas, devido à associação do crack com a
maconha por exemplo, usada para diminuir a
fissura.

Nos dois artigos encontrados em que se apresentam algum resultado


relacionado com as atividades dos redutores de danos, eles fazem referência ao uso
de cocaína e crack. Percebe-se que há melhoria nos cuidados com a saúde física,
no que diz respeito à infecção e transmissão de doenças (ANDRADE, 2011). Há
também aumento no autocuidado, referente a alimentação, hidratação e sono.
Alguns desses cuidados se tornam possíveis graças à associação do uso do crack
com a maconha, pois ela diminui a fissura após passar o efeito do crack, e devido às
características dessa droga de desencadear a “larica” e possibilitar o relaxamento do
usuário, ele consegue comer e descansar, o que não ocorre se o sujeito consumir
apenas o crack. Percebe-se então agregados aos benefícios físicos os benefícios
8

psicológicos das práticas de RD. O uso da maconha, como estratégia de redução de


danos ajuda a diminuir a fissura pela droga, auxiliando o usuário a diminuir a
quantidade de droga consumida, possibilitando que o sujeito tenha maior
autocontrole e melhor qualidade de vida, onde ele pode se dedicar a outras
atividades além do uso da droga (TEIXEIRA et al., 2015). A convivência com os
redutores de danos favorece troca de informações e facilitação no acesso aos
serviços de saúde, o que minimamente diminui sua marginalização.
Não foram encontrados resultados dessas estratégias a longo prazo, pois
apesar de serem conhecidas no país desde a década de 80, com o “advento” do
crack, cocaína e as doenças transmitidas pelo compartilhamento de seringas, a RD
começou a ser de fato implantada há poucos anos, e ainda é precária (ANDRADE,
2011).
Percebeu-se que apesar do benefício de diminuir a fissura, o uso de maconha
pode representar uma maior dificuldade em promover o tratamento, tornando o
sujeito dependente de mais uma droga (TEIXEIRA et al., 2015).

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa foi pensada a partir do pressuposto de que há no Brasil essa


política pública implantada e em funcionamento, porém não foi percebido isso.
Há uma imensa dificuldade em mensurar os resultados das estratégias
aplicadas de RD. Além e pior que isso, a implantação desses programas é
extremamente difícil. Nos artigos analisados, pode-se perceber que ainda é um tabu
o trabalho com RD para a sociedade em geral, pois é discutido o investimento na
saúde dos usuários de drogas, sendo que existe um déficit tão grande de
investimento nessa área de forma geral no país. Além de entenderem o investimento
de troca de seringas, por exemplo, como um incentivo ao uso de drogas. Também
existe dissonância entre as políticas de saúde e assistência social voltada para os
dependentes químicos e as políticas de segurança pública. (TEIXEITA et al, 2015).
Portanto, há muito ainda que se pensar com seriedade em termos de
implantação da RD, pois apesar do tempo em que o Brasil vem flertando com essa
política pública o fato é que ainda pouco se faz efetivamente, por isso não temos
resultados suficientes para analisar sua eficácia em nossa realidade.
9

REFERÊNCIAS

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