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Aula 1 | Teoria dos acidentes

de trabalho

Meta da aula

• Apresentar os tipos de acidentes de trabalho na atividade


industrial.

Objetivos da aula
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
1. definir acidente de trabalho;
2. identificar os custos relacionados aos acidentes de trabalho.

Segurança em 1º lugar

Esta é a nossa primeira


aula de Segurança na Área
Industrial. E o que será es-
tudado nesta disciplina?

Segurança é um termo que


possui amplo significado.
No nosso cotidiano é as-
sociado geralmente com a
não violação física ou mo-
ral de uma pessoa. É direi-
to de todo cidadão gozar
de tranquilidade em sua moradia, tendo a certeza de que ninguém ou nada
ameaçará a segurança de sua casa, de tudo e todos que estão dentro dela.
Também é um direito de todo indivíduo circular livremente em sua cidade,
sentindo-se não ameaçado em sua segurança física.

Como você pode perceber, não é exatamente desse tipo de segurança que
trataremos aqui. O foco da nossa disciplina será voltado para a segurança
no exercício de um trabalho, de uma tarefa ocupacional. E o que há de

Aula 1 | Teoria dos acidentes de trabalho 5 e-Tec Brasil


específico no desenvolvimento desse trabalho é que envolve o uso de equi-
pamentos ou ferramentas elétricas em escala industrial.

A segurança em qualquer ambiente de trabalho é fundamental, tanto nas


fábricas quanto nas empresas. E esse conhecimento será a sua mais impor-
tante ferramenta de trabalho para o seu desempenho como Técnico em
Segurança do Trabalho.

Acidentes acontecem!

Vamos iniciar imaginando a seguinte situação:

Glossário Um trabalhador sempre fazia a mesma coisa todos os dias quando chegava
à empresa: ia direto à sua estação de trabalho, ligava a sua máquina e come-
Automática/automático çava a trabalhar. Sua atuação estava mais do que automática.
Adjetivo, que caracteriza
algo que atua com
automatismo; estado Um dia, sem que ele percebesse, a máquina estava em manutenção, embora
de autômato; uma ação
automática é uma ação não tivesse nenhuma indicação desse fato. Como a máquina era muito gran-
feita sem consciência,
sem ser necessário
de, ele não se preocupou em verificá-la internamente, ligando a chave geral
pensar a respeito; alguns e colocando-a para trabalhar. Infelizmente, com o movimento das partes
movimentos do nosso
organismo, como as móveis da máquina, uma pessoa que estava fazendo manutenção veio a se
batidas do coração, são ferir seriamente.
automáticos.

Rawku5

Fonte: www.sxc.hu/photo/1003409

Figura 1.1: O relógio é um autômato: trabalha sem pensar.

e-Tec Brasil 6 Segurança do Trabalho


Sister72
Fonte: http://www.flickr.com/photos/sis/196863853

Figura 1.2: Um títere não trabalha se não houver a mão do artista manipulando-o.

Para quem não trabalha numa fábrica, um acidente como o narrado ante-
riormente pode parecer absurdo e improvável, mas, como diz o título da
nossa seção, acidentes acontecem, infelizmente.

Analisando a situação que gerou o acidente, quais falhas podemos apontar?


O que causou o grave ferimento da pessoa que fazia a manutenção do ma-
quinário? Você diria que foi apenas uma causa? Provavelmente não, não é
mesmo?

De cara, a gente pode apontar que não havia nenhuma sinalização, nenhum
aviso sobre o fato de a máquina estar em manutenção. Então como o tra-
balhador poderia imaginar que a máquina não estava em boas condições de
trabalho? Mas se ele não tivesse ligado o “piloto automático” não poderia
ter evitado o acidente? Acho que podemos concordar que sim, né? Todas
essas perguntas serão respondidas ao longo do nosso curso.

Para evitar todo e qualquer acidente, ou melhor, para diminuir ao máximo a


probabilidade de sua ocorrência, o Técnico em Segurança deve:

• conhecer os processos de produção, que pode ser obtido entrevistando


os empregados.

• conhecer o funcionamento da empresa;

• verificar o atendimento às normas de segurança.

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Quando se fala em acidente de trabalho muitas pessoas podem ficar pensan-
do: “Isto nunca irá acontecer comigo!”. Mas não é bem assim. Aquela fala de
que acidentes acontecem por acaso nem sempre é verdade. Existem aciden-
tes, principalmente nos locais de trabalho, que não acontecem por acaso, e
vários fatores influenciam sua ocorrência, como você pode ver a seguir:

• falta de Equipamento de Proteção Individual (EPI);

• negligência às regras e à política de segurança;

• falta de treinamento e capacitação;

• irresponsabilidade;

• falta de organização no local de trabalho;

• uso inadequado de certas ferramentas;

• exercício ilegal da profissão.

Aumenta muito a probabilidade de acontecer um acidente de trabalho caso al-


guns desses itens estejam presentes em um ambiente de trabalho. E o Técnico
em Segurança deve dar atenção a cada um desses tópicos, de forma detalhada.

É claro que a ocorrência de acidentes pode trazer como consequência uma


série de outros fatores, que, com certeza, alterarão a rotina de uma empre-
sa. Observe a seguir:

• investigações quanto à ocorrência do acidente;

• limpeza do local;

• despesas com serviços médicos e legais;

• custos de hospitalização;

• necessidade de realização de viagens;

• elaboração de relatórios;

• reabilitação e recuperação da imagem da empresa perante os consumidores.

e-Tec Brasil 8 Segurança do Trabalho


Profissão perigo

Existem profissões em que o perigo está sempre presente e muitas vezes


invisível. Como visto em outras disciplinas, um risco ambiental pode ser con-
trolado ou até eliminado por meio do uso de equipamentos de proteção
coletiva e/ou individual.

Exemplo: Ruído, risco físico. Pode ser controlado ou eliminado com medidas
administrativas ou com uso de EPC ou EPI.

De acordo com a Norma Regulamentar 16, as atividades e operações com


líquidos inflamáveis e explosivos, além das atividades com radiações ioni-
zantes e serviços com eletricidades, são consideradas atividades perigosas.
A NR 19 traz a classificação dos explosivos e a NR 20 traz a classificação dos
líquidos inflamáveis.

Fazendo uma comparação com o sistema viário, a relação entre risco e peri-
go é exemplificada do seguinte modo:

Como se pode ver, o perigo de atravessar a via está presente e o pedestre


corre um sério risco de ser atropelado ao atravessar a via.

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Com a faixa de pedestre e o sinal luminoso de trânsito (semáforo) o risco é
controlado, porém ainda existe a possibilidade de algum veículo avançar o
sinal vermelho; o risco é controlado, mas ainda existe. Os carros continuam
lá, portanto o perigo ainda existe.

Como se pode ver no desenho, o risco foi eliminado, pois os pedestres utili-
zarão a passarela para atravessar a via, só que os carros ainda estão lá, então
o perigo ainda existe.

Glossário Portanto, onde existe o perigo existe a possibilidade de ocorrer o acidente


de trabalho, que é definido como: a ocorrência imprevista ou indesejável,
Lesão instantânea ou não, relacionada ao exercício do trabalho, que provoca lesão
Machucado ou ferimento.
pessoal ou da qual decorre risco próximo ou remoto dessa lesão.

e-Tec Brasil 10 Segurança do Trabalho


Os acidentes podem ser de vários tipos:

1. Acidente sem lesão: é o acidente que não causa lesão pessoal. Glossário

2. Acidente de trajeto: é o acidente sofrido pelo empregado da residência Trajeto


A menor distância
para o trabalho e do trabalho para a residência. percorrida pelo empregado
entre a sua residência e a
empresa onde trabalha.
3. Acidente impessoal: é aquele que independe de existir acidentado. O aci-
dente impessoal ainda pode ser inicial, que é aquele acidente impessoal
que pode desencadear outros acidentes.

Exemplo: engavetamento de carros.

4. Acidente pessoal: é aquele em que existe um acidentado.

É importante, na caracterização do acidente do trabalho, identificar o agen-


te da lesão, que é a coisa, substância ou ambiente que tenha provocado o
acidente (prensa, serra, torno mecânico) e a fonte da lesão, que é a coisa,
substância ou movimento que diretamente causou a lesão (disco da serra,
pó de sílica).

5. Doenças profissionais: são moléstias que atingem o trabalhador duran-


te o exercício da sua atividade profissional e causam lesão. Essas lesões
podem ser mediatas, quando ocorrem em curto período de tempo, e
imediatas, quando afetam o trabalhador por um período longo.

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Igor Bernardes Grillo
Fonte: www.sxc.hu/697868

Figura 1.3: As pessoas que trabalham no setor de telemarketing, isto é, aquelas que rea-
lizam vendas, oferecem serviços ou suporte técnico por telefone, estão sujeitas a lesões
de esforço repetitivo (LER), também denominadas Distúrbios Osteomusculares Relacio-
nados ao Trabalho (DORT). Essas lesões, como o próprio nome diz, são provocadas por
tarefas constantes que envolvem um movimento repetitivo (a digitação, por exemplo).
Para evitar esse tipo de dano é preciso haver um material de trabalho adequado às
características dos funcionários, como cadeiras e mesas confortáveis e compatíveis com
sua altura; além disso, na hora de usar o computador deve haver apoio para os punhos
e o monitor, tela de computador, deve estar alinhado à visão do funcionário.

Henning Buchholz

Fonte: www.sxc.hu/photo/186793

Figura 1.4: Em diversas profissões, os trabalhadores estão sujeitos a ruídos excessi-


vos, como é o caso das pessoas que trabalham em aeroportos, na pista dos aviões,
seja no abastecimento ou na sinalização, para o estacionamento da aeronave. Nes-
ses casos, os trabalhadores devem utilizar protetores de ouvido para evitar danos
auditivos a longo prazo.

e-Tec Brasil 12 Segurança do Trabalho


É importante saber também as causas do acidente, que podem ser devido a:

1. Fator pessoal de insegurança: que se refere a um comportamento do


empregado que leva ao ato inseguro.

2. Ato inseguro: é o ato que, contrariando as normas de segurança, pode


favorecer ou causar a ocorrência do acidente.

3. Condição ou ambiente inseguro: é a condição do meio que contribuiu e/


ou causou o acidente.

Às vezes, o barato sai caro!


Por que se preocupar com a prevenção de acidentes? Qualquer empresa que
pretenda ter sucesso no seu empreendimento deve respeitar a vida daqueles
que nela trabalham para merecer o respeito tanto de seus clientes internos
(seus funcionários) quanto dos clientes externos (consumidores). Para isso,
deve zelar pela segurança de todos os envolvidos na produção de bens e
prestação de serviços.

Uma empresa não pode apenas pensar em lucros e resultados, pois quando
um acidente ocorre, existem consequências desses acidentes, ao que chama-
mos de custos dos acidentes. Esses custos podem ser diretos ou indiretos.

Os custos relativos a um acidente podem ser agrupados em:

a) Custos diretos

Aula 1 | Teoria dos acidentes de trabalho 13 e-Tec Brasil


Os custos diretos estão constituídos pelas despesas devidas a um acidente e a
ele atribuídas. Estes normalmente incluem despesas médicas, pagamento de
compensações ao trabalhador, gastos durante sua recuperação, assim como
os devidos reparos e a substituição dos materiais ou máquinas danificados.

b) Custos indiretos

Os custos indiretos são aqueles que não são contabilizados no ato do aci-
dente de trabalho.

Esses custos podem ser contabilizados em dias, meses ou anos após o fato
ocorrido.

Alguns exemplos de custos indiretos:

• perda de horas de trabalho do acidentado;

• tempo gasto por outros empregados para socorro do acidentado;

• tempo gasto pelos operários para discutir o evento;

• tempo gasto para proporcionar assistência ao acidentado;

• tempo gasto para investigar as causas do acidente;

• tempo gasto na realização de relatórios;

• tempo gasto em primeiros socorros, serviços médicos e pessoal da


segurança;

• danos ocorridos com as ferramentas, equipamentos, materiais e pro-


priedade;

e-Tec Brasil 14 Segurança do Trabalho


• prejuízo econômico devido à demora na entrega de materiais ao consu-
midor e eventual pagamento de multas;

• perda de produtividade total até o retorno do operário às condições nor-


mais de serviço;

• perdas devidas à diminuição da produção.

Na maioria das vezes, é difícil diferenciar o que é custo direto ou indireto.

Quando um acidente ocorre, ao se contabilizarem os custos, não se podem


considerar apenas os custos diretos, devendo-se também atentar aos custos in-
diretos, que, em alguns casos, podem ser até maiores do que os custos diretos.

Por exemplo: logo após o acidente, são contabilizados os custos diretos,


mas, e se houve a perda de um funcionário no momento do acidente, como
contabilizar o tempo necessário para treinar um novo funcionário? Esse tem-
po faz parte dos custos indiretos, que devem ser considerados, já que en-
quanto o novo funcionário é treinado pode haver perda da produção ou a
necessidade de adaptar o posto de trabalho a esse novo funcionário.

Você, como um futuro Técnico em Segurança do Trabalho, vai atuar no Glossário


sentido de eliminar atos e condições inseguras no trabalho, através de um
efetivo treinamento dos trabalhadores, buscando sempre a sua conscienti- Efetivo
Que produz efeito, eficaz.
zação sobre o atendimento às normas de segurança.

É claro que o ideal é que não ocorra nenhum tipo de acidente no seu local de
trabalho. Mas, como é muito difícil garantir um ambiente de trabalho isento
de acidentes, devemos buscar sempre diminuí-los.

Felizmente, o que se pode observar com maior frequência nas estatísticas é


que os acidentes de maior gravidade ocorrem menos frequentemente que
os acidentes de menor gravidade. Além disso, e para melhorar ainda mais o
cenário, observa-se que os acidentes com poucos danos, ou seja, aqueles de
menor gravidade, ocorrem com menor frequência que aqueles em que não
se registram nenhum tipo de ferimento.

A todo momento, um trabalhador se fere no ambiente de trabalho. Estes


ferimentos podem ser: pequenos cortes nos membros, martelada nos de-
dos, quebra de unhas, furo nos pés com pregos, arranhões, café quente

Aula 1 | Teoria dos acidentes de trabalho 15 e-Tec Brasil


derramado nas mãos, entre outros pequenos acidentes que normalmente
não são levados em conta. Mas quando há, por exemplo, uma amputação
de algum membro, isso é contabilizado.

De qualquer forma, é conveniente e extremamente necessária a realização


de um programa consciente de prevenção de acidentes. Esse assunto será
visto nas próximas aulas.

Na próxima seção, você verá alguns conceitos muito importantes na sua área
de atuação.

Qualquer semelhança é mera coincidência!


Um livro de referência na nossa área de trabalho é o Manual de Segurança
Industrial, de Raul Pergallo Torreira, de onde extraímos os conceitos-chave da
nossa disciplina. Veja a seguir:

Define-se segurança como sendo:

“O estado no qual pessoas, materiais, edifícios e outros elementos encon-


tram-se livres de dano, perigo, ou moléstia.”

Define-se risco como sendo:

“A medida das probabilidades e consequências de todos os perigos de uma


atividade ou condição ou a possibilidade de dano, prejuízo ou perda.”

Risco pode ser entendido como uma medida da perda econômica e/ou de
danos para a vida humana, resultante da combinação entre a frequência da
ocorrência e a magnitude das perdas ou danos, que podem ser gerados por
meio da relação entre o perigo e as medidas de segurança existentes.

Define-se perigo como sendo:

“A probabilidade de uma determinada atividade, condição, circunstância ou


mudança de condições produzir efeitos danosos.”

Ou seja, perigo pode ser entendido como uma ou mais condições físicas ou
químicas com possibilidade de causar danos às pessoas, à propriedade, ao
ambiente ou uma combinação de todos.

e-Tec Brasil 16 Segurança do Trabalho


E você, como técnico, deve aplicar sempre os princípios de segurança que
você vai conhecer nas nossas futuras aulas para ajudar no reconhecimento e
controle de tais riscos e perigos.

Atividade 1

Atende ao Objetivo 1

Vamos ver se você entendeu essas primeiras ideias sobre o assunto:

1. Agora que você chegou ao final da aula, vamos verificar o que aprendeu?
Então, responda às perguntas a seguir, se possível sem consultar o texto:

a) Quais indivíduos estão sujeitos aos acidentes de trabalho?

b) Quais são os fatores que favorecem o acidente?

Aula 1 | Teoria dos acidentes de trabalho 17 e-Tec Brasil


c) Quais são os custos relativos a um acidente?

d) O que é segurança do trabalho?

e) O que é risco?

f) O que é perigo?

g) Qual é a diferença entre risco e perigo?

e-Tec Brasil 18 Segurança do Trabalho


Atividade 2

Atende ao Objetivo 2

Para entender melhor como ocorre um acidente de trabalho e os custos


envolvidos, faça uma pesquisa sobre o tema na internet, com exemplos de
situações em que o acidente poderia ter sido evitado se as regras de segu-
rança fossem seguidas. Liste algumas das situações para serem debatidas
nos fóruns presenciais.

Atividade 3

Complete as lacunas dizendo se os acidentes de trabalho a seguir acarretam


custos diretos ou indiretos:

a) Martelar o dedo:

b) Sofrer queimaduras leves:

c) Quebrar a perna:

d) Sofrer quedas:

e) Sofrer amputação de membros:

Aula 1 | Teoria dos acidentes de trabalho 19 e-Tec Brasil


f) Pagamento de indenização:

g) Treinamento de um novo funcionário:

h) Insatisfação do cliente pela demora na entrega da mercadoria:

Resumo

• Para se evitar e diminuir ao máximo a probabilidade de ocorrência de um


acidente de trabalho, o Técnico em Segurança deve conhecer os proces-
sos de produção, conhecer o funcionamento da empresa e verificar o
atendimento às normas de segurança.

• Na caracterização do acidente de trabalho duas coisas são essenciais:


identificar o acidente de trabalho e a fonte da lesão.

• Os custos de um acidente de trabalho podem ser diretos (despesas com o


acidentado) ou indiretos (treinamento de um profissional para substituir
o acidentado).

• Segurança, risco e perigo são conceitos essenciais para um Técnico em


Segurança:

–– Segurança: “O estado no qual pessoas, materiais, edifícios e outros


elementos encontram-se livres de dano, perigo, ou moléstia.”
–– Risco: “A medida das probabilidades e consequências de todos os
perigos de uma atividade ou condição ou a possibilidade de dano,
prejuízo ou perda.”
–– Perigo: “A probabilidade de uma determinada atividade, condição,
circunstância ou mudança de condições produzir efeitos danosos.”

e-Tec Brasil 20 Segurança do Trabalho


Informação sobre a próxima aula

Na próxima aula, você vai conhecer os principais aspectos das lesões mais
comuns.

Respostas das atividades

Atividade 1

a) Todos os trabalhadores no exercício do trabalho estão sujeitos aos aci-


dentes de trabalho.

b) Os fatores que favorecem o acidente são os seguintes: fator pessoal de


insegurança, ato inseguro e condição insegura.

c) Os custos relativos a um acidente podem ser diretos ou indiretos. Os cus-


tos diretos estão constituídos pelas despesas devidas a um acidente e a
ele atribuídas. Os custos indiretos são aqueles que não são contabilizados
no momento do acidente.

d) Segurança do trabalho é a preservação da integridade física e fisiológica dos


trabalhadores, por meio do cumprimento de normas e procedimentos.

e) Risco pode ser entendido como uma medida da perda econômica e/ou de
danos para a vida humana, resultante da combinação entre a frequência
da ocorrência e a magnitude das perdas ou danos, que podem ser gerados
por meio da relação entre o perigo e as medidas de segurança existentes.

f) Perigo pode ser entendido como uma ou mais condições físicas ou quí-
micas com possibilidade de causar danos às pessoas, à propriedade, ao
ambiente ou uma combinação de todos.

g) O perigo é algo que faz parte do sistema, enquanto o risco pode ser
eliminado do sistema ou então controlado dentro do sistema.

Atividade 2

Essa atividade é de pesquisa. Portanto, não tem uma resposta fechada. Leve
o que você pesquisou para o encontro presencial.

Aula 1 | Teoria dos acidentes de trabalho 21 e-Tec Brasil


Atividade 3

a) Martelar o dedo:

Custo direto, podendo ocasionar custos indiretos.

b) Sofrer queimaduras leves:

Custo direto, podendo ocasionar custos indiretos.

c) Quebrar a perna:

Custo direto, podendo ocasionar custos indiretos.

d) Sofrer quedas:

Custo direto, podendo ocasionar custos indiretos.

e) Sofrer amputação de membros:

Custo indireto.

f) Pagamento de indenização:

Custo indireto.

g) Treinamento de um novo funcionário:

Custo indireto.

h) Insatisfação do cliente pela demora na entrega da mercadoria:

Custo indireto.

Referência bibliográfica
TORREIRA, Raul Pergallo. Manual de segurança industrial. São Paulo: Margus, 1999.

e-Tec Brasil 22 Segurança do Trabalho


Aula 2 | Lesões causadas pela má
utilização de máquinas
e equipamentos

Meta da aula

• Apresentar os principais aspectos das lesões mais comuns rela-


cionadas ao trabalho.

Objetivos da aula

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:


1. associar lesões por esforço repetitivo aos diferentes tipos de ativi-
dades profissionais, identificando suas principais características;
2. identificar os sinais e sintomas dos diferentes graus das LER.
Glossário

Tempos modernos Insumos


Elementos que entram no
A construção de ferramentas e máquinas tem acompanhado as novas tec- processo de produção de
mercadorias ou serviços,
nologias, tornando-se, portanto, mais sofisticada. A complexidade no ma- como: máquinas e
equipamentos, trabalho
nuseio desses insumos tem como consequência direta o aumento dos riscos humano, fatores de
de sua utilização no ambiente de trabalho. produção e outros.
Damijan Movrin

Randy Oostdyk

Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Vorf%C3%BChrung_ Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Loomwork.jpg


im_Museum.JPG
GNU: http://commons.wikimedia.org/wiki/Commons:GNU_
Creative commons: http://creativecommons.org/licenses/ Free_Documentation_License
by-sa/3.0/deed.en
Creative commons: http://creativecommons.org/licenses/
by-sa/3.0/

Figura 2.1: O tear mecânico (à esquerda) é um equipamento mais complexo do que


o tear manual (à direita).

Aula 2 | Lesões causadas pela má utilização de máquinas e equipamentos 23 e-Tec Brasil


Outro detalhe é que as ferramentas e máquinas podem ser acionadas por
diferentes fontes de energia, cada uma delas apresentando seus riscos espe-
cíficos de utilização. No entanto, os principais acidentes com ferramentas e
máquinas estão relacionados a causas como:

• o tipo de máquina;

• os materiais que são trabalhados; e

• a experiência do trabalhador.

E as partes do corpo mais vulneráveis a acidentes são:

• a visão,

• a pele; e

• as articulações.

Nesta aula, você vai aprender quais são as principais lesões ocasionadas por
esforços repetitivos no trabalho e as regiões mais afetadas. Vamos começar?

Lesões devido a esforços repetitivos

Você já se pegou reclamando de algum mal-estar físico causado por um


movimento repetitivo que faz no trabalho? Se ainda não aconteceu, prova-
velmente você já viu alguém reclamando disso.

Os trabalhadores estão sujeitos a lesões que podem ocorrer por causa dos
diferentes aspectos físicos das suas condições de trabalho. As lesões podem
afetar, principalmente, as articulações, quando o trabalhador efetua movi-
mentos repetitivos que podem gerar os chamados Distúrbios Osteomuscula-
res Relacionados ao Trabalho (DORT), também conhecidos como Lesões por
Esforços Repetitivos (LER).

Os DORT (ou LER) são muito comuns em diversos ambientes de trabalho. O prin-
cipal sintoma são dores que ocorrem, principalmente, nos punhos, dedos das
mãos e região da omoplata (parte superior das costas).

e-Tec Brasil 24 Segurança do Trabalho


Figura 2.2: O esforço repetitivo no trabalho pode ocasionar lesões (LER) em várias
partes do corpo. O pescoço, a lombar e o punho são regiões comumente afetadas.

Dependendo do tipo de energia empregada em determinado trabalho pode-


mos identificar diferentes situações que podem ou não ameaçar nossa condi-
ção física. Um bom exemplo é a máquina de escrever. Há um bom tempo não
existiam máquinas de escrever elétricas, muito menos computadores. O tecla-
do dessas máquinas possuía uma engrenagem bem pesada, que exigia do da-
tilógrafo uma força muito maior do que as máquinas élétricas e o teclado do
computador. Por esse motivo, quem trabalhava com máquinas manuais estava
muito mais sujeito a lesões em suas articulações, devido à força que era em-
pregada, do que os trabalhadores que passaram a usar os modelos elétricos.
Ou seja, as máquinas que funcionam movidas a energia elétrica necessitam de
um menor esforço físico para serem operacionalizadas.

Aula 2 | Lesões causadas pela má utilização de máquinas e equipamentos 25 e-Tec Brasil


Elias minasi

Etan J. Tal
Fonte: www.sxc.hu/photo/80515 Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Selectric_II.jpg

Creative commons: http://creativecommons.org/licenses/


by/3.0/deed.en

Manu Mohan
Fonte: www.sxc.hu/photo/1030744

Figura 2.3: O esforço para digitar na máquina de datilografia manual era maior que o
esforço utilizado na máquina elétrica, que, por sua vez, é maior que no computador.

Os sintomas dos traumas causados pelo esforço repetitivo variam entre as


pessoas. Essa variação depende de fatores como:

• a frequência dos movimentos que se repetem;

• a força empregada na realização dos trabalhos;

• as exigências das tarefas, já que algumas exigem um esforço maior para


serem realizadas, como, por exemplo, a necessidade de manter a postura
por um longo período de tempo;

• o ambiente de trabalho;

• o treinamento e a conscientização do trabalhador em relação aos cuida-


dos que ele deve tomar para evitar que as lesões aconteçam.

As lesões causadas pelo esforço repetido podem levar à perda da capacida-


de parcial ou total de exercer movimentos, porque elas afetam diretamente
os músculos.

e-Tec Brasil 26 Segurança do Trabalho


Os músculos são tecidos com poder de contração e relaxamento, destinados
a realizar diversos movimentos. Os movimentos realizados pelos músculos
do organismo humano podem ser dependentes (voluntários) ou não (invo-
luntários) da nossa vontade. Por exemplo, quando você está andando, os
músculos da sua perna se movimentam porque você tomou a decisão de
se deslocar, e, quando você resolve parar, seus músculos atendem e cessam
o movimento. No entanto, você não é capaz de fazer o mesmo com o seu
coração que bate independentemente da sua vontade, porque esse é um
músculo involuntário.

Há dois tipos de músculos:

• os estriados, que se subdividem em:

–– esqueléticos (de ação voluntária); e


–– cardíaco (de ação involuntária).

• os lisos, de ação involuntária e que fazem parte de diversos órgãos,


como, por exemplo, intestinos, estômago, bexiga e vasos sanguíneos. O
músculo liso é responsável pelo movimento nesses órgãos. Glossário

Quando os músculos se contraem, eles estrangulam as paredes dos capilares, Capilares


Vasos sanguíneos de
diminuindo, desta forma, a circulação do sangue. Uma das possíveis conse- diâmetro muito reduzido.
quências da redução da circulação sanguínea é a ocorrência de fadiga muscu- São nos capilares que
ocorrem as trocas de
lar. A fadiga muscular é uma redução na capacidade do músculo e do sistema oxigênio e gás carbônico.
Os capilares interligam
nervoso de gerarem força. Para evitar esse efeito, o músculo deve contrair e as arteríolas (artérias de
relaxar com uma relação frequência-tempo adequada. Ou seja, o músculo pequeno calibre) e as
vênulas (veias de pequeno
deve contrair e relaxar com uma determinada frequência ao longo de deter- calibre).
minado período de tempo; se o músculo contrair com maior frequência dentro
desse tempo, ocorre fadiga do músculo, o que, por sua vez, pode levar a uma
lesão muscular.

Como você já deve ter percebido, o tema desta aula exige um


certo conhecimento sobre o sistema muscular. Se você quiser re-
lembrar esse assunto ou saber um pouco mais a respeito, entre no
endereço http://saude.hsw.uol.com.br/musculos.htm. Nesse site
você vai encontrar bastante informações sobre esse sistema: como
ele se divide, de que forma os músculos se contraem, de onde vem
a energia para a contração e uma lista de links com curiosidades
que envolvem o funcionamento muscular. Vale a pena conferir!

Aula 2 | Lesões causadas pela má utilização de máquinas e equipamentos 27 e-Tec Brasil


Fonte: http://commons.wikime-
dia.org/wiki/File:Genga_39.jpg

As principais doenças

Existem várias doenças que podem ser causadas pelo esforço repetitivo.
A seguir você aprenderá as principais características de algumas delas:

• Dedo indicador

A lesão do dedo indicador carateriza-se por irritação e dor na mão, decor-


rente do uso contínuo deste dedo para acionar interruptores (liga e desliga)
de alguns equipamentos.
Ariel da Silva Parreira

Fonte: www.sxc.hu/photo/1208425

Figura 2.4: O dedo indicador é bastante solicitado também por quem usa computa-
dor como ferramenta de trabalho.

e-Tec Brasil 28 Segurança do Trabalho


• Síndrome do túnel do carpo

O carpo é uma porção do esqueleto localizada entre o antebraço e a mão.


Ele é constituído de oito ossos dispostos em duas fileiras de quatro ossos
cada uma (veja a Figura 2.5).

LadyofHats
1. Trapézio
2. Trapezoide
3. Grande
4. Ganhoso
5. Pisiforme
6. Piramidal
7. Semilunar
8. Escafoides

Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Scheme_human_hand_bones-es-Com.svg – Traduzido por:


Ascánder – Modificado por: Mario Modesto

Figura 2.5: Os ossos do carpo ficam localizados entre a mão e o antebraço. Na imagem
acima eles estão numerados, e você poderá aprender o nome de cada um deles.

A síndrome do túnel do carpo é uma inflamação causada pela compressão do


nervo mediano e dos tendões que o atravessam (Figura 2.6). O estreitamen-
to da passagem dessas estruturas pelo carpo produz inflamação e irritação
no local. Como resultado pode haver inchaço da região, formigamento e dor.
Essa doença é consequência de movimentos repetidos por períodos prolon-
gados e sem intervalos para descanso. É muito comum, por exemplo, em pro-
fissionais que realizam atividades baseadas no uso contínuo do computador.

Aula 2 | Lesões causadas pela má utilização de máquinas e equipamentos 29 e-Tec Brasil


Figura 2.6: Região afetada pela síndrome do túnel do carpo. A compressão, principal-
mente, do nervo mediano é responsável pela doença.

• Síndrome de Raynaud

Essa síndrome é causada pela contração dos vasos venosos (veias) das mãos,
como consequência, por exemplo, da diminuição de temperatura ou ativi-
dades que causam vibração. Isso significa que pessoas que trabalham em
frigoríficos (baixíssimas temperaturas) e aquelas que fazem uso de equipa-
mentos como britadeiras (vibração intensa) estão sujeitas a desenvolver essa
doença.

Os sintomas manifestam-se em ambas as mãos, que ficam:

• frias;

• azuis ou brancas;

• avermelhadas;

• com sensação de queimadura; às vezes, acompanhada por um acentuado


entorpecimento no manuseio de objetos (Figura 2.7).

e-Tec Brasil 30 Segurança do Trabalho


Jamclaassen
Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Raynaud-hand2.jpg
GNU - http://en.wikipedia.org/wiki/GNU_Free_Documentation_License
Creative commons - http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/

Figura 2.7: Na síndrome de Raynaud os dedos ficam com uma coloração diferente,
podendo ficar roxos, brancos e/ou avermelhados.

• Síndrome do desfiladeiro torácico Glossário

Esta síndrome ocorre devido à compressão dos nervos e vasos do plexo bran- Plexo
Denominação genérica para
quial, no sistema nervoso autônomo (Figura 2.8). uma rede de vasos ou uma
rede de nervos ou uma
rede de nervos e gânglios
Ela é caracterizada por uma dor, em geral intermitente. Essa dor está relacio- (aglomerado de neurônios).
nada com os movimentos, principalmente, dos braços elevados. Pode, ainda,
ocorrer sensação de formigamento, diminuição da força, dos dedos anular e
mínimo e alterações na cor dos membros afetados, de forma intermitente.

Esses sintomas podem, ainda, resultar de edema nos membros superiores.


Quando ocorre compressão venosa (nas veias) pode acarretar trombose da
veia subclávia.

Aula 2 | Lesões causadas pela má utilização de máquinas e equipamentos 31 e-Tec Brasil


Figura 2.8: A maioria dos sintomas da síndrome do desfiladeiro torácico é causada
pela compressão da área delimitada pelo círculo preto na imagem.

Glossário • Síndrome cervicobraquial

Coluna cevical Esta doença é devida à compressão dos nervos na coluna cervical. Essa
Região da coluna vertebral
localizada no pescoço entre compressão pode ocorrer por fatores ligados a hereditariedade ou a fato-
a parte inferior do crânio e res ambientais, como aqueles ligados a posturas e movimentos que certas
a parte superior do tronco,
mais ou menos ao nível dos atividades profissionais exigem. Profissões que envolvem carregamento de
ombros. peso excessivo e posturas inadequadas podem levar ao desenvolvimento da
Fonte: http://www.institutocoluna.
com.br/1acolunacervical.htm síndrome cervicobraquial.

Os principais sinais e sintomas são:

–– hipoestesia;
–– fraqueza muscular (atrofia);
–– limitação à movimentação;
–– dor ao se movimentar; e
–– dor à compressão.

• Síndrome do ombro doloroso

É uma doença que ocorre quando os nervos e vasos na região do ombro são
comprimidos. O desenvolvimento dessa síndrome pode ser caracterizado por:

• dor intensa no ombro, e

e-Tec Brasil 32 Segurança do Trabalho


• impotência funcional (perda da função) de níveis variáveis que podem
chegar a impedir a movimentação das estruturas do ombro.

Algumas das principais causas dessa síndrome são:

• atividades que exigem muita movimentação da região do ombro; Glossário

• atividades que levam à hiperabdução do ombro por longos períodos Hiperabdução


Movimento de afastamento
como no caso de pintores, mecânicos, carregadores e datilógrafos. máximo de um membro em
relação ao corpo humano.
No caso do ombro, seria
• compressão dos nervos e vasos do ombro devido a má postura durante o movimento no qual
levantamos os braços até
o sono. ficarem esticados na vertical
acima dos ombros.

Xiaphias

Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Teaching.png

Figura 2.9: Professores que usam com frequência o quadro-negro estão sujeitos a
desenvolverem a síndrome do ombro doloroso.

• Bursite

É um processo inflamatório que ocorre nas bolsas sinoviais (Figura 2.10). As


bolsas sinoviais também são chamadas de bursas e, por esse motivo, a sua
inflamação recebe o nome de bursite. As bolsas sinoviais contêm um líquido
viscoso chamado de sinóvia. A função das bursas é diminuir o atrito entre os
ossos, tendões e músculos e, assim, facilitar os movimentos da articulação.
O ombro é a região com o maior números de bursas, por isso sua articulação
costuma ser a mais afetada pela bursite. Mas a bursite pode afetar outras
articulações, como o joelho, por exemplo.

Aula 2 | Lesões causadas pela má utilização de máquinas e equipamentos 33 e-Tec Brasil


Um exemplo de profissional sujeito ao desenvolvimento desse processo in-
flamatório é o pintor, que repete várias vezes o movimento de subir e descer
rolos e pincéis sobre paredes.

Figura 2.10: As bolsas sinoviais (ou bursas) estão localizadas em articulações como as
do ombro (esquerda) e do joelho (direita).

Glossário • Tenossinovite

Tendão Os tendões são envolvidos por uma bainha que fica preenchida por um lí-
Cordão fibroso formado por
tecido conjuntivo. É através quido chamado de sinóvia. O atrito excessivo do tendão sobre os ossos pode
dele que os músculos se levar ao surgimento de uma inflamação nessa bainha. Essa inflamação é
prendem aos ossos ou a
outros órgãos. chamada de tenossinovite. Essa doença costuma atingir pessoas que exe-
cutam atividades repetitivas com as mãos, como, por exemplo, pianistas e
caixas de banco, mas também pode atingir outras regiões.

Figura 2.11: Tenossinovite é a inflamação da membrana que recobre os tendões. Nes-


sa foto vemos a bainha de um tendão da mão.

e-Tec Brasil 34 Segurança do Trabalho


• Tendinite

É a inflamação dos tendões. A diferença da tendinite para a tenossinovite é


sutil. Veja que na tenossinovite a inflamação ocorre na membrana que envol-
ve o tendão, enquanto a tendinite é uma inflamação do tendão. Os mesmos
movimentos que podem produzir a tenossinovite podem levar à tendinite.

• Epicondilite

É uma inflamação que ocorre nas estruturas do cotovelo. Veja a região afe-
tada na Figura 2.12.

Você já deve ter ouvido falar do úmero. O úmero é aquele osso grande que
temos no braço. Na parte inferior do úmero (região próxima ao cotovelo) exis-
tem duas formações (uma de cada lado do osso) chamada de epicôndilos.

Quando um indivíduo sofre de epicondilite ele sente uma dor exatamente


onde se localiza um dos epicôndilos do úmero. Por esse motivo a doença é
chamada de epicondilite.

É uma doença comum em atletas praticantes de tênis, basquete, esgrima, já


que esses indivíduos usam com muita frequência e intensidade a articulação
do cotovelo.

Figura 2.12: A epicondilite é caracterizada por uma dor no cotovelo na região onde
fica o epicôndilo do úmero. O círculo preto delimita a área onde a dor se localiza.

Aula 2 | Lesões causadas pela má utilização de máquinas e equipamentos 35 e-Tec Brasil


Em 2001, o Ministério da Saúde (MS) lançou uma publicação
chamada Doenças Relacionadas ao Trabalho – Manual de Proce-
dimentos para os Serviços de Saúde. Esse manual caracteriza as
relações existentes entre diversas doenças e as diferentes ativida-
des profissionais.

A obra se baseia na lista de doenças relacionadas ao trabalho defi-


nida pelo MS em 1999, que organiza as doenças a partir dos agen-
tes etiológicos, dos fatores de risco de natureza ocupacional e das
doenças. Várias doenças são analisadas, mas existe um capítulo só
sobre as doenças do sistema osteomuscular.

Se você quiser se aprofundar a respeito, entre na internet e pro-


cure pelo endereço http://dtr2001.saude.gov.br/editora/produtos/
livros/popup/02_0388.htm. Lá existe um link para visualização de
todo o manual.

As LER podem ser facilmente controladas se forem diagnosticadas logo no


início, assim que aparecerem os primeiros sinais, e se forem tratadas de for-
ma adequada.

Você percebeu, na lista de doenças citadas anteriormente, que existem al-


gumas regiões do corpo que apresentam uma maior incidência de lesões? É
disso que trata nosso próximo tópico.

Atividade 1

Atende ao Objetivo 1

Observe atentamente as cenas a seguir. Em cada uma delas você poderá ob-
servar um indivíduo realizando sua atividade profissional em seu respectivo
ambiente de trabalho.

a) A partir da atividade que cada um desses trabalhadores realiza, identifi-


que quais tipos de LER/DORT eles podem desenvolver. Cite pelo menos
dois para cada um.

e-Tec Brasil 36 Segurança do Trabalho


b) Indique qual a região do corpo afetada por cada lesão e descreva os prin-
cipais sinais e/ou sintomas.

Aula 2 | Lesões causadas pela má utilização de máquinas e equipamentos 37 e-Tec Brasil


Onde dói mais
Ai que dor! Essa é uma reclamação bastante comum entre os trabalhado-
res de diversos setores e que pode resultar em prejuízos tanto financeiros
quanto materias. A dor, dependendo de sua intensidade, pode acabar inca-
pacitando o trabalhador e/ou reduzindo o seu desempenho, o que acarreta
perda de produtividade.

Será que é possível evitar que essas reclamações apareçam? É claro que sim!
Basta que algumas medidas sejam tomadas, com o objetivo de evitar que as
lesões aconteçam. Essas lesões podem ter causas diferentes dependendo da
atividade profissional exercida.

Como Técnico de Segurança do Trabalho caberá a você adaptar os postos de


trabalho para evitar essas lesões. Sempre que possível, você poderá contar, ain-
da, com o auxílio de um profissional de educação física e/ou de fisioterapia.

Mas antes de saber o que fazer para evitar as lesões é preciso saber quais
os locais do corpo humano que são mais atingidos. As regiões com maiores
incidências de lesões são:

e-Tec Brasil 38 Segurança do Trabalho


• região cervical;

• ombros;

• mão e punho;

• cotovelo; e

• região lombar.

Na Figura 2.13, a seguir, é possível identificar cada uma dessas regiões do


corpo. Nessa imagem também estão listadas as principais LER/DORT que
afetam cada uma dessas áreas.

1. Região cervical – síndrome


2. Ombros – síndrome do desfila-
cervicobraquial.
deiro torácico, síndrome do om-
bro doloroso, bursite.

5. Região lombar - bursite. 4. Cotovelos – epicondilite, bursite,


tenossinovite, tendinite.

3. Mãos e punhos – dedo indicador,


síndrome do túnel do carpo, sín-
drome de Raynaud, tenossinovite,
tendinite.

Figura 2.13: Mapa das regiões do corpo humano com maior incidência de lesões.
Glossário

Esses traumas que afetam o sistema osteomuscular humano não surgem de Sistema osteomuscular
É o conjunto de ossos e
repente. Ao longo de muito tempo de movimentos repetidos de forma ex- músculos que compõem o
cessiva e inadequada, pequenas lesões vão sendo formadas e evoluem para corpo humano.

os sinais e sintomas característicos das LER/DORT. Na próxima seção, vamos


entender de que forma a doença evolui.

Aula 2 | Lesões causadas pela má utilização de máquinas e equipamentos 39 e-Tec Brasil


Devagar se vai ao longe: os graus de evo-
lução da LER

Para que as LER/DORT possam ser controladas e não evoluam para casos
graves, em que os indivíduos se tornem improdutivos, é preciso detectá-las
em seus estágios (fases) iniciais.

Glossário Quando identificadas logo no início, essas lesões podem receber o tratamen-
to adequado e ser curadas ou, pelo menos, ter sua evolução impedida. Por
Sinais e sintomas isso, é importante saber identificar os sinais e sintomas da doença nas suas
Em medicina, sinais e
sintomas representam as diferentes fases de desenvolvimento.
alterações ocorridas no
organismo que caracterizam
uma doença. Os sinais Com o aumento da incidência de LER/DORT no mundo moderno nasceu a
são aquelas alterações
que podem ser percebidas
necessidade da normatização dessa doença. Assim, os trabalhadores pas-
por outra pessoa além saram a ter direito, junto ao Ministério do Trabalho, à licenças médicas em
do paciente, como, por
exemplo, febre. Já os casos de lesões consequentes do exercício profissional.
sintomas só podem ser
relatados pela pessoa que
está sentindo (o paciente); Ao regulamentar a doença, o INSS dividiu sua evolução em graus (fases ou
um bom exemplo é a
sensação de dor.
estágios). Veja, na Tabela 2.1 a seguir, a descrição de cada uma das fases
em ordem de desenvolvimento, ou seja, dos estágios iniciais mais leves até
Prognóstico o mais grave.
É a previsão, com base nos
sinais e sintomas, sobre o
provável desenvolvimento Descrição da doença nessa fase
futuro ou o resultado
de um processo. No Sensação de peso e desconforto do membro afetado. Dor que se ma-
caso de doenças, é a nifesta durante o trabalho e pode ser detectada durante um exame
Grau I
previsão do resultado médico ao se apertar os músculos da região afetada. Nesta fase é
do desenvolvimento da possível realizar um prognóstico favorável.
enfermidade a partir
dos sinais e sintomas Sensação de dor de maior intensidade que a do Grau I, que se mani-
apresentados pelo paciente. festa intermitentemente (de forma não contínua) durante a jornada
de trabalho. Embora seja possível continuar trabalhando, a produti-
Grau II vidade do trabalhador é prejudicada durante os períodos de maior
incidência da dor. Os sintomas que aparecem na região da dor são:
formigamento, calor e distúrbios de sensibilidade. Nessa fase não
existem sinais clínicos e o prognóstico é favorável.
Neste grau a dor é persistente, sendo irradiada (espalhada) para ou-
tras regiões. O repouso pode diminuir a dor, mas ela não desapare-
ce. Essa sensação de dor não aparece somente durante a jornada
de trabalho, mas também à noite. Ocorre uma perda importante da
Grau III função muscular, interferindo ou, em alguns casos, paralisando a ati-
vidade do trabalhador. Existem sinais clínicos. Podem acontecer: in-
chaço, transpiração e alteração da sensibilidade. Ao apalpar a região
afetada durante um exame é sentida uma dor aguda. Nesta fase o
prognóstico é indefinido.

e-Tec Brasil 40 Segurança do Trabalho


Descrição da doença nessa fase
Neste estágio a dor é forte, contínua e, às vezes, insuportável. A sensação
de dor aumenta quando se realizam movimentos que envolvem a área
afetada e se estende a todo o membro afetado, mesmo que ele se encon-
tre imobilizado. Ocorre perda do controle e da força dos movimentos de
forma acentuada e constante. O inchaço que ocorre devido à dilatação
Grau IV dos vasos da região afetada é persistente e, em alguns casos, podem
ocorrer modificações anatômicas da parte afetada, como, por exemplo,
atrofia (particularmente dos dedos). Haverá anulação total da capacida-
de de trabalho. Neste grau podem ainda se manifestar: alterações psi-
cológicas, sensações de ansiedade, angústia e depressão. O prognóstico
neste grau é ruim.

Tabela 2.1: Sinais e sintomas apresentados por pacientes com LER/DORT de acordo
com cada grau de evolução da doença. Quanto maior o grau, mais difícil será a cura.

Ao ler a tabela, você deve ter percebido que essas lesões vão evoluindo com
o tempo. Ao identificar os primeiros sinais é preciso tratá-los logo. No entan-
to, melhor do que tratar a doença é evitar que ela se instale. Ficar atento aos
hábitos que adquirimos na realização das atividades profissionais é um passo
importante para a prevenção. É preciso evitar:

• os problemas de postura ao utilizarmos máquinas e equipamentos;

• excesso de trabalho sem tempo para pausa;

• não realização de exercícios para fortalecimento das partes do corpo so-


licitadas com frequência.

Esses e outros vícios precisam ser combatidos e as soluções são bastante


simples.

Agora vamos ver o que você entendeu sobre este assunto? Então, faça a
atividade a seguir.

Atividade 2
Atende ao Objetivo 2

Correlacione as colunas a seguir identificando os sinais e sintomas da LER em


seus diferentes graus (estágios) de evolução.

Aula 2 | Lesões causadas pela má utilização de máquinas e equipamentos 41 e-Tec Brasil


a) Grau I (  ) Dor persistente que diminui, mas não cessa,
durante o período de descanso. O indivíduo,
b) Grau II muitas vezes, precisa parar de trabalhar. Os
sinais clínicos são evidentes e é difícil prever
c) Grau III como a doença irá se desenvolver.

d) Grau IV (  ) O indivíduo sente um incômodo na região


afetada que vem acompanhado de dor du-
e) Não é LER/DORT rante o exercício da atividade profissional ou
quando é pressionada.

(  ) A dor pode ser latejante e sua localização


pode variar de crise para crise; raramente
dói sempre no mesmo lugar. Outros prová-
veis sintomas são náuseas, vômitos, aversão
à claridade e ao barulho, ansiedade e até
depressão.

(  ) A dor é contínua mesmo quando a região afe-


tada está em repouso. O indivíduo perde os
movimentos do membro, tornando-se inapto
para o trabalho. Neste grau, podem surgir
sintomas que não sejam apenas físicos.

(  ) Sensação de dor quando a área afetada está


sendo utilizada, o que causa redução da
produtividade do indivíduo. Nesta fase não
existem sinais clínicos, apenas sintomas, e o
prognóstico é bom.

Resumo

• Nesta aula vimos que as partes corpóreas mais vulneráveis às lesões cor-
porais são: a visão, a pele e as articulações. Isso porque os trabalhadores
estão expostos a diferentes tipos de perigos relativos às lesões que podem
ocorrer por diferentes aspectos físicos das suas condições de trabalho.

• Os sintomas desses traumas variam conforme a pessoa, dependendo de


fatores como: a frequência dos movimentos; a força empregada na reali-
zação dos trabalhos; as exigências das tarefas; o ambiente de trabalho e
o treinamento e a conscientização do trabalhador.

e-Tec Brasil 42 Segurança do Trabalho


• As lesões decorrentes dos fatores enunciados podem levar à perda da ca-
pacidade parcial ou total de exercer movimentos, principalmente quando
se consideram as funções dos músculos para o bom funcionamento do
corpo humano.

• As principais doenças que podem surgir em relação aos movimentos re-


petitivos no trabalho são: dedo indicador, síndrome do túnel do carpo,
síndrome de Raynaud, síndrome do desfiladeiro torácico, síndrome cer-
vicobraquial, síndrome do ombro doloroso, bursite, tenossinovite, tendi-
nite e epicondelite.

• Regiões com maiores incidências de lesões são: a região cervical, os om-


bros, a mão e punho, o cotovelo e a região lombar.

• As LER podem ser divididas em quatro graus:

–– grau I, que apresenta uma sensação de peso e desconforto do mem-


bro afetado;
–– grau II, que tem como característica principal uma sensação de dor
com maior intensidade que a do Grau I, manifestando-se durante a
jornada de trabalho;
–– grau III, em que a dor é persistente, com irradiação definida, e o re-
pouso pode atenuar, mas não diminuir a dor; e
–– grau IV, em que será experimentada uma dor forte, contínua, às vezes
insuportável.

Informações sobre a próxima aula


Na próxima aula você aprenderá sobre proteções de máquinas e equipamen-
tos. Também verá alguns dos aspectos das regulamentações de segurança
no trabalho referentes a este tema.

Aula 2 | Lesões causadas pela má utilização de máquinas e equipamentos 43 e-Tec Brasil


Respostas das atividades

Atividade 1

• Trabalhador com britadeira:

–– Síndrome de Raynaud, que afeta as mãos. Elas ficam frias, azuis ou


brancas, avermelhadas e com sensação de queimadura.
–– Síndrome do ombro doloroso. Dor nos ombros que pode levar à im-
potência funcional.
–– Bursite. Inflamação (dor e inchaço) que pode afetar, neste caso, os
ombros, cotovelos e mãos.
–– Tenossinovite e tendinite. Inflamação que pode afetar os tendões;
neste caso, das mãos e ombros.

• Ascensorista:

–– Síndrome cervicobraquial. Dor na nuca que pode se irradiar para os


ombros.

Observação: Você poderia pensar que no caso do ascensorista ocorreria a


lesão no dedo indicador, não é mesmo? Mas ela não acontece, pois os inter-
valos com que o ascensorista aperta os botões são grandes.

• Usuário de computador:

–– Síndrome do túnel do carpo. Afeta os punhos, causando inchaço,


formigamento e dor.
–– Síndrome cervicobraquial. Dor na nuca que pode se irradiar para os
ombros.
–– Bursite. Inflamação (dor e inchaço) que pode afetar, neste caso, os
ombros, cotovelos e mãos.
–– Tenossinovite e tendinite. Inflamação que pode afetar os tendões;
neste caso, das mãos e ombros.

Atividade 2

(c) Dor persistente que diminui, mas não cessa, durante o período de descan-
so. O indivíduo, muitas vezes, precisa parar de trabalhar. Os sinais clínicos
são evidentes e é difícil prever como a doença irá se desenvolver.

e-Tec Brasil 44 Segurança do Trabalho


(a) O indivíduo sente um incômodo na região afetada que vem acompa-
nhado de dor durante o exercício da atividade profissional ou quando é
pressionada.

(e) A dor pode ser latejante e sua localização pode variar de crise para crise;
raramente dói sempre no mesmo lugar. Outros prováveis sintomas são
náuseas, vômitos, aversão à claridade e ao barulho, ansiedade e até
depressão.

(d) A dor é contínua mesmo quando a região afetada está em repouso. O in-
divíduo perde os movimentos do membro, tornando-se inapto para o tra-
balho. Neste grau, podem sugir sintomas que não sejam apenas físicos.

(b) Sensação de dor quando a área afetada está sendo utilizada, o que causa
redução da produtividade do indivíduo. Nesta fase não existem sinais
clínicos, apenas sintomas, e o prognóstico é bom.

Referências bibliográficas
BRASIL. Ministério da Saúde. Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos
para os serviços de saúde. Brasília, 2001. Disponível em: <http://dtr2001.saude.gov.br/
editora/produtos/livros/popup/02_0388.htm>. Acesso em 26 mar. 2010.
______. Segurança e medicina do trabalho: Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977.
65. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 760 p. (Manuais de legislação Atlas, 16).
CAMPOS, Armando Augusto Martins. Segurança do trabalho com máquinas e equipa-
mentos. São Paulo: Centro de Educação em Saúde, SENAC, 1998.
FREUDENRICH, Craig C. Como funcionam os músculos. Howstuffworks: como tudo funciona.
Disponível em: <http://saude.hsw.uol.com.br/musculos.htm>. Acesso em 26 mar. 2010.
RODRIGUES, Flavio Rivero. Treinamento em saúde e segurança do trabalho. São Paulo:
LTR, 2009.

Aula 2 | Lesões causadas pela má utilização de máquinas e equipamentos 45 e-Tec Brasil


Aula 3 | Proteção no uso
de máquinas e
equipamentos

Meta da aula

Apresentar os aspectos mais relevantes das proteções e das regula-


mentações relacionadas ao uso de máquinas e equipamentos.

Objetivos da aula

Ao final dessa aula, você deverá ser capaz de:

1. identificar as principais características das proteções no uso de


máquinas e equipamentos;
2. listar tópicos obrigatórios nos treinamentos de usuários de má-
quinas e equipamentos;
3. identificar alguns tipos de sistemas de proteções e suas princi-
pais características;
4. reconhecer algumas das normas regulamentadoras sobre prote-
ção de máquinas e equipamentos.

Pela segurança de quem trabalha

Se você entrar na internet e procurar pelo assunto “acidente com máquina”,


é provável que fique assustado com a quantidade de relatos que irá encon-
trar, desde acidentes que envolvem a perda de algum membro do corpo até
mortes extremamente dolorosas.

As máquinas são ferramentas poderosas, que facilitam em muito o trabalho hu-


mano, mas elas também podem ser um perigo para o trabalhador desprepara-
do. É preciso que haja uma preocupação constante com a manutenção do ma-
quinário, com a formação do usuário e com a utilização de itens de segurança.

Aula 3 | Proteção no uso de máquinas e equipamentos 47 e-Tec Brasil


Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:US_
Navy_080809-N-7730P-060_Hull_Maintenance_
Technician_(HT)_3rd_class_Joe_Vanhorn_brazes_a_
shelf_to_go_in_a_supply_storeroom_aboard_the_
Nimitz-class_aircraft_carrier_USS_Ronald_Reagan_
(CVN_76).jpg

A grande maioria dos acidentes envolvendo máquinas e equipamentos pode


ser evitada. Como futuro Técnico em Segurança no Trabalho você precisa sa-
ber mais a fundo sobre esses itens assinalados, afinal eles podem salvar vidas.
Portanto, preste bastante atenção nesta aula, porque é disso que ela trata.

Os requisitos básicos para uma proteção


eficiente
Você já sabe que para a realização das atividades profissionais existem prote-
ções individuais e as que são coletivas. Esta aula trata de um tipo de proteção
coletiva que protege o trabalhador das partes perigosas de diversas máqui-
nas ou equipamentos.

Essas proteções, utilizadas da forma correta, são essenciais para preservar o


trabalhador de danos.

e-Tec Brasil 48 Segurança do Trabalho


É preciso ter em mente que essas proteções deverão obedecer a uma série
de requisitos básicos para que sejam consideradas adequadas e para que seu
uso realmente ofereça proteção. Alguns desses requisitos são:

• A proteção deverá impossibilitar que qualquer parte do corpo fique em


contato com partes móveis ou perigosas das máquinas.

• As proteções, sob nenhum pretexto, devem ser retiradas.

• Devem ser construídas com materiais duráveis que possam suportar as


condições de uso mais exigentes.

• Deverão ser firmemente fixas à máquina.

• Deverão fornecer proteção contra a penetração de objetos.

• Qualquer defeito na confecção ou instalação da proteção poderá ocasio-


nar novas fontes de risco. Por isso, é preciso muito cuidado na produção
das proteções; elas devem ter, por exemplo, cantos arredondados, já que
pontas e quinas podem causar ferimentos.

• A proteção não deverá interferir no trabalho do operário, ou seja, ela não


deve criar problemas de adaptação ou interferência com o trabalho que
deva ser executado. Sempre que quebrar ou apresentar um defeito, ela
deve ser retirada e imediatamente substituída.

• A lubrificação da máquina deverá ser realizada sem que seja necessário


retirar o equipamento protetor. Isso pode ser solucionado colocando-se
lubrificadores que sejam externos à proteção.

Aula 3 | Proteção no uso de máquinas e equipamentos 49 e-Tec Brasil


Craig Jewell
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/771617

Figura 3.1: As proteções existentes em máquinas e equipamentos não dispensam o


uso, também, de proteções individuais, como capacete, óculos e luvas.

Fundamentalmente, existem três áreas básicas que necessitam de proteção:

• A área (ou ponto) de operação que apresenta risco para o trabalhador.


A área de operação é o lugar onde o trabalho é realizado. Quando ela
apresenta risco para o trabalhador, podemos chamá-la também de zona
de perigo.

• Os componentes mecânicos de máquinas e equipamentos.

• Os componentes elétricos ou eletrônicos que transmitem energia para


máquinas, equipamentos ou parte deles.

Mesmo atendendo a todos os requisitos que foram listados anteriormente,


as máquinas e ferramentas utilizadas na atividade profissional podem ofere-
cer perigo. É preciso também saber utilizá-las de forma adequada para que o
trabalho seja seguro. A seguir, você vai entender como isso é importante.

e-Tec Brasil 50 Segurança do Trabalho


Atividade 1

Atende ao Objetivo 1

Você já jogou caça-palavra? Que tal fazer isso agora? Então, leia com aten-
ção as afirmativas a seguir e complete o espaço em branco com a palavra
correta que pode ser encontrada no diagrama de palavras que vem logo em
seguida. Boa sorte!

a) Um dos requisitos básicos das proteções é que elas permaneçam


________________ na máquina ou equipamento durante a sua operação.

b) É necessário que os componentes _______________ de máquinas e equi-


pamentos apresentem sistemas de proteção.

c) A zona de _____________ onde o trabalho é realizado precisa de proteção.

d) As _______________ devem impossibilitar que partes perigosas das má-


quinas fiquem expostas.

e) Sempre que uma proteção apresentar defeito ela deve ser _____________
imediatamente e substituída.

Aula 3 | Proteção no uso de máquinas e equipamentos 51 e-Tec Brasil


É preciso saber mexer!

Em qualquer tipo de empresa é imprescindível a existência de treinamento


adequado para que os trabalhadores realizem suas atividades, principalmen-
te em relação ao uso das máquinas e dos equipamentos. Sem a existência
de um treinamento adequado, as proteções, sejam elas quais forem, nunca
poderão oferecer a devida segurança.

Dora Mitsonia
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/394990

Figura 3.2: As empresas devem sempre oferecer um treinamento adequado para o


uso das máquinas, sejam elas simples ou complexas.

Para que os sistemas de proteção sejam eficientes é preciso saber quais são
suas funções. Essa informação essencial deve ser dada durante o treinamen-
to para utilização do maquinário. Além disso, o treinamento deverá incluir:

• A descrição e identificação dos perigos relativos às máquinas que serão


utilizadas.

• Os motivos pelos quais as proteções de segurança devem ser instaladas


e/ou utilizadas.

• A forma de utilização das proteções.

• Um trabalho de conscientização do trabalhador, para que ele nunca retire


ou modifique as proteções durante o uso das máquinas e ferramentas.

e-Tec Brasil 52 Segurança do Trabalho


• A informação de que o trabalhador deverá sempre comunicar ao encar-
regado ou supervisor imediato quando ocorrer falha, quebra ou desar-
ranjo do equipamento de proteção.
Glossário
Deve ser explicado ao trabalhador que existem alguns agentes que podem
causar danos aos equipamentos de proteção. Por esse motivo, na produção
de uma proteção mecânica devem ser consideradas algumas ações externas. Proteção mecânica
Essas ações são causadas por corpos que, devido ao seu movimento, podem Parte da máquina utilizada
para prover proteção por
afetar essa proteção, causando destruição ou deformação. Como exemplos meio de uma barreira física.
dessas ações temos: Fonte: http://www.saude.
pr.gov.br/arquivos/File/cest/
arq/PRINCIPIOS_BASICOS_
DE_PROTECAO_MECANICA_
• O choque de veículos contra a proteção. FUNDACENTRO.ppt

• A queda acidental de outros trabalhadores sobre a proteção.

• A incidência de objetos que possam danificar a proteção.

Quando se fala em proteção existe uma grande variedade de mecanismos


de proteção e novas tecnologias que são disponibilizadas no mercado com
frequência. Como Técnico de Segurança do Trabalho você irá se deparar com
vários mecanismos de proteção e cabe-lhe conhecer um pouco da rotina de
trabalho dos diversos ambientes, bem como das diferentes formas de prote-
ção aos trabalhadores.

Você precisa saber que é possível encontrar na indústria certos tipos de mo-
vimentos e operações que são característicos de determinadas máquinas e
equipamentos. Por exemplo, uma serra elétrica apresenta um movimento
de rotação (a lâmina gira) para realizar uma operação de corte (ela corta
materiais).

Sendo assim, para que as proteções destinadas às partes perigosas de qual-


quer máquina ou equipamento seja adequada, ela precisará acompanhar os
seus movimentos, sem atrapalhar sua operação.

Os tipos de movimentos que podem ser realizados pelas máquinas e equi-


pamentos são:

• rotação;

• reciprocante (movimento alternativo – fazer ir e vir);

Aula 3 | Proteção no uso de máquinas e equipamentos 53 e-Tec Brasil


• pendular (que lembra o movimento do pêndulo);

• translação (movimento semelhante ao da Terra em torno do Sol).

E os tipos de operações mais perigosas que podem ser realizadas por máqui-
nas e equipamentos são:
Glossário
• corte.

Puncionamento • puncionamento ou estampagem.


Ato de aplicar uma punção,
ou seja, ação de furar um
local com equipamento ou • curvamento.
máquina própria para isso.

O Técnico de Segurança no Trabalho deve identificar a necessidade de prote-


ção para cada caso, tendo a assessoria de um técnico ou engenheiro mecâ-
nico para a escolha e instalação da melhor proteção.

O que é curvamento?

Curvamento é um tipo de operação que tem como objetivo gerar


uma curva no material que está sendo produzido. Essa operação
pode ser feita manualmente ou através de uma máquina.

O curvamento manual é feito com o auxílio de martelo, grifa e


gabaritos e é usada para fazer cilindros de pequenas dimensões,
suportes, flanges para tubulações e outros.

Fonte imagem: http://commons.wikimedia.org/wiki/


File:Calender_machine.jpg- Cjp24

e-Tec Brasil 54 Segurança do Trabalho


Já a máquina utilizada para realizar curvamentos é chamada de ca-
landra. Nela são curvadas chapas, perfis e tubos. Os curvamentos
da calandra são feitos por rolos (de 3 a 4) que podem ser fixos ou
móveis. O acionamento da máquina pode ser manual, por meio de
manivelas, ou mecânico com o uso de motor (veja a foto).

Fonte: http://www.essel.com.br/cursos/material/01/ProcessosFabricacao/75proc.pdf
GNU: http://en.wikipedia.org/wiki/GNU_Free_Documentation_License
Creative commons: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/1.0/deed.en
http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/deed.en
http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.5/deed.en
http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/deed.en

É imprescindível que o operador de uma máquina conheça os detalhes sobre


o seu funcionamento. Mas para que os riscos sejam os mínimos possíveis, ele
também precisa saber quais são as proteções oferecidas para cada tipo de equi-
pamento. Esse é o próximo assunto, mas, antes, que tal fazer uma atividade?

Atividade 2

Atende ao Objetivo 2

Você já sabe que fornecer treinamento para operacionalizar uma máquina


ou equipamento é de grande importância. Então:

a) Liste, a seguir, três tópicos que devem constar no treinamento de um


usuário/operador de máquinas e equipamentos.

b) Agora, faça uma pesquise e liste pelo menos mais dois tópicos que tam-
bém devem constar no treinamento de um usuário/operador de máqui-
nas e equipamentos. Mas esses tópicos devem ser diferentes dos que
foram apresentados nesta aula.

Aula 3 | Proteção no uso de máquinas e equipamentos 55 e-Tec Brasil


Proteções para máquinas. E usuários tam-
bém!

Para um planejamento eficiente das proteções é importante ter informações


sobre os pontos de operação das máquinas e equipamentos.

Denomina-se ponto de operação o lugar no qual uma máquina desenvolve


um trabalho.

Entre os vários fatores que contribuem para a determinação do ponto de


operação encontram-se:

• Tipo de operação realizada pela máquina.

• Medida, tipo e forma do material a ser trabalhado.

• Método de movimentação do material, ou seja, o sentido e a direção de


Glossário
movimentação do material que será trabalhado naquele local.

Layout • Layout da área de trabalho.


Palavra da língua inglesa
que pode significar, entre
outras coisas, arrumação de • Necessidades da produção.
máquinas e equipamentos
com o objetivo de alcançar
uma disposição mais • Limitações várias. Por exemplo, a limitação de espaço para a movimentação.
funcional e agradável.

Existem diversas maneiras de se proteger as máquinas e seus usuários dos


riscos mecânicos que cercam sua utilização. Os projetistas desse tipo de equi-
pamento devem sempre se preocupar em escolher a proteção mais eficaz.
Os sistemas de proteção adotados podem incluir:

• barreiras de proteção;

• dispositivos;

• proteção mediante manutenção de distância;

• posicionamento do equipamento;

• avisos indicadores.

e-Tec Brasil 56 Segurança do Trabalho


Você vai aprender um pouco mais sobre cada um desses sistemas de prote-
ção em seguida.

Barreiras de proteção
Essas barreiras servem para evitar acidentes com pessoas ou danos ao equi-
pamento. Por isso, elas são projetadas para não permitirem a entrada de
objetos e partes do corpo, assim como a atração de roupas e objetos, para
os pontos de riscos da máquina.

As barreiras podem ser de vários tipos:

• fixas;

• móveis;

• ajustáveis;

• autoajustáveis.

Veja as características de cada uma delas.

Barreiras fixas
Estas barreiras deverão ser fixadas na estrutura da máquina e só podem ser
removidas com o uso de ferramentas. O supervisor ou encarregado somente
deverá permitir a retirada da proteção após a parada da máquina nos casos de:

• quebra,

• manutenção, ou

• para a colocação em condições normais de operação.

Veja um exemplo desse tipo de barreira na Figura 3.3.

Aula 3 | Proteção no uso de máquinas e equipamentos 57 e-Tec Brasil


Linda Spashett
Barreiras
fixas

Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bradford_Industrial_Museum
_075.jpg
Creative commons: http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/deed.en

Figura 3.3: Veja as barreiras físicas nessa máquina da indústria têxtil. São coberturas
que evitam o contato com as partes que fazem movimento de rotação.

As vantagens desse tipo de proteção são:

• em alguns casos, elas podem ser construídas na oficina da empresa;

• necessitam de pouca manutenção;

• podem ser utilizadas em outras atividades;

• em relação a essas vantagens, o usuário ganha autonomia com o uso


desse tipo de barreira.

As desvantagens estão relacionadas com o fato de:

• no caso de manutenção, ser imprescindível efetuar sua remoção, com


os consequentes problemas na produção, pois a máquina terá que ser
desligada para isso;

• no caso dessa desvantagem, o usuário perde autonomia.

Barreiras móveis
As barreiras móveis são aquelas que ficam ligadas à máquina, mas podem
ser abertas sem o uso de ferramentas. Essas barreiras, geralmente, estão li-
gadas ao equipamento por um sistema de dobradiças ou são movimentadas

e-Tec Brasil 58 Segurança do Trabalho


por deslizamento. No entanto, esse tipo de proteção não sai da máquina,
ele apenas facilita a manutenção das partes protegidas sem que se precise
perder tempo para retirar a barreira.

Barreiras ajustáveis e autoajustáveis


Temos também as proteções denominadas de ajustáveis e autoajustáveis.
Estas barreiras podem ser colocadas no equipamento para a realização de
determinadas tarefas, ou seja, elas permitem a colocação e a retirada de
uma peça que vai proteger o usuário durante um determinado trabalho.

Um bom exemplo de barreira ajustável é aquela usada em serras de fita. Nes-


se tipo de equipamento, um dos principais problemas de segurança é a zona
de corte, local onde o material entra em contato com a serra. Os protetores
ajustáveis se elevam automaticamente conforme a peça vai passando, ou no
caso de protetores manuais. Veja, na Figura 3.4, o esquema de uma serra
de fita e sua proteção ajustável.

Proteção Ajustável

Zona de corte
Mesa

Figura 3.4: A proteção ajustável da serra de fita é do tipo telescópica e serve para
proteção na zona de corte.

Dispositivos
Existem diversos dispositivos que podem ser usados como proteção. Mas
existem apenas cinco mecanismos básicos de ação desses dispositivos, ou
seja, eles podem funcionar como:

Aula 3 | Proteção no uso de máquinas e equipamentos 59 e-Tec Brasil


• sensores de presença;

• radiofrequência ou de capacitância;

Mídias • eletromecânicos;
integradas

Você está curioso sobre


• limitadores.
como os dispositivos e
seus diferentes modos
de ação funcionam Um exemplo de dispositivo que funciona como um limitador é o tipo deno-
realmente? Então entre minado chave fim de curso, também conhecido pelo seu nome em inglês,
no seguinte endereço da
internet: micro switch. Ele funciona parando a máquina quando, por qualquer moti-
http://www.mahle.com/ vo, o trabalhador ou parte de seu corpo entra na zona de perigo, ou seja, na
C1256F7900537A47/
vwContentByKey/27P área onde há risco de ser atingido.
DQAG229STULEN/$FIL
E/Sistemas%20de%20
Seguran%C3%A7a%20 O travamento do equipamento realizado por esse tipo de dispositivo pode
para%20%C3%A1quinas%
20e%20Equipamentos.pdf ser elétrico, eletrônico ou mecânico. Uma desvantagem desse dispositivo é
Nessa página, você irá que ele necessita de uma ajustagem bem precisa e a manutenção tem que
encontrar um documento
com os procedimentos
ser eficiente.
de segurança de uma
empresa que trabalha na

Sonett72
fabricação de peças para
motor de automóveis. Ele
é interessante, pois explica
vários tipos de dispositivos
de segurança, sua forma
de ação e a indicação
dos tipos de máquinas e
equipamentos em que são
utilizados.
Ilker

Fonte: www.sxc.hu/
photo/1105359
Outra boa dica é visitar
o site do Ministério do
Trabalho e Emprego e ler
a norma regulamentadora Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Microswitches.jpg
nº 12 (NR-12). Ela trata
da regulamentação Figura 3.5: Três modelos diferentes de chaves fim de curso (micro switches). Observe
da segurança no como são pequenos (compare com a escala da régua). Esse é um dispositivo de segu-
uso de máquinas e rança barato e com alta durabilidade.
equipamentos.
http://www.mte.gov.
br/legislacao/normas_
regulamentadoras/nr_ 12.pdf

e-Tec Brasil 60 Segurança do Trabalho


Existem dispositivos que ajudam na proteção de máquinas e equipamentos,
oferecendo uma segurança adicional. Esses dispositivos são chamados de
controles de segurança.

Os controles de segurança estão divididos em:

• barra sensível;

• tripé de segurança;

• cabo de segurança.

Um outro tipo de dispositivo são os chamados sistemas redundantes. São


sistemas de segurança que entram em ação quando os outros sistemas de
segurança falham.

Os sistemas redundantes estão divididos em:

Glossário
• controle bimanual;

• relés de controle de emergências; Relés


Os relés são chaves
eletromagnéticas usadas
• tapetes de segurança; para o acionamento de
cargas de alta tensão e/ou
alta corrente a partir de um
• relés de controle de portas e grades; circuito de baixa tensão.
Com o uso de um relé é
possível ligar ou desligar
• controles programáveis de segurança. dispositivos.
Fonte: http://www.maxwellbohr.
com.br/downloads/Tutorial%20
Os sistemas de proteção apresentados aqui são os mais comuns, mas lembre- Eletronica%20-%20Rele.pdf

se de que existem outros que podem ser empregados dependendo do equi-


pamento e do objetivo. Como futuro Técnico de Segurança no Trabalho você
deve ficar sempre atento às novas tecnologias que entram no mercado.

Proteção mediante manutenção de distância


A distância entre o trabalhador e a zona de perigo tem como finalidade
afastar qualquer parte perigosa da máquina de eventual contato premedi-
tado ou inadvertido, ou seja, afastar o usuário da área de acesso a qualquer
parte do equipamento que possa oferecer perigo em potencial. Conforme
a norma, a distância mínima a ser mantida entre o piso e os aparelhos de
transmissão de potência deverá encontrar-se entre 0,20 e 0,25 m.

Aula 3 | Proteção no uso de máquinas e equipamentos 61 e-Tec Brasil


Posicionamento do equipamento
Uma boa estratégia de proteção é colocar o equipamento que apresente algum
tipo de risco em um lugar onde as pessoas não transitem com frequência.

Avisos indicadores
Os avisos têm como finalidade específica evitar o acesso aos pontos conside-
rados de risco, prevenindo os trabalhadores e todos aqueles que transitarem
pela área dos riscos referentes ao local.

Para a melhoria das condições de trabalho é preciso que os fabricantes produ-


zam máquinas e equipamentos com todos os itens de segurança e que os do-
nos de empresas sigam à risca as determinações para instalação desses itens.

Mas não basta criar sistemas de segurança e ensinar o trabalhador a usar os


equipamentos. É preciso também que exista uma legislação que assegure o
cumprimento das regras existentes em Segurança no Trabalho. Vamos ver, a
seguir, que normas são essas. Mas, antes, que tal fazer mais uma atividade?

Atividade 3

Atende ao Objetivo 3

Correlacione a coluna da direita com a da esquerda.

(a) Tipo de sistema de proteção (  ) Controle bimanual

(b) Mecanismo de ação de dispositi- (  ) Aviso indicador


vo usado como proteção
(  ) Sensor de presença
(c) Usado como controle de segu-
rança adicional (  ) Barreiras de proteção

(d) Sistema de proteção redundante (  ) Tripé de segurança

(e) Tipo de barreira de proteção (  ) Relés de controle de portas e


grades

e-Tec Brasil 62 Segurança do Trabalho


(  ) Autoajustável

(  ) Limitador

(  ) Barra sensível

(  ) Móvel

As regras que não devem ter exceções

Existem regulamentações para máquinas novas que são colocadas no mer-


cado. Essas regras visam controlar a saúde e a segurança no trabalho, garan-
tindo a integridade física do trabalhador.

Ilker

Fonte: http://www.sxc.hu/photo/977823

Figura 3.6: Todos os equipamentos devem cumprir os objetivos dos regulamentos de


segurança.

No Brasil, as principais regras que regulamentam os procedimentos obri-


gatórios relativos à proteção para uso de máquinas e equipamentos são
chamadas de normas regulamentadoras (NRs). As NRs são determinadas
pelo Ministério do Trabalho e do Emprego. Porém, quando as máquinas
são produzidas para o mercado exterior, devem ser observadas as normas
em vigência de cada país.

Aula 3 | Proteção no uso de máquinas e equipamentos 63 e-Tec Brasil


Ao produzir máquinas e equipamentos o fabricante é obrigado a observar
certas normas presentes nas regulamentações sobre segurança em vigência.
Três dos principais tópicos regulamentados são:

• condições gerais;

• proteção contra perigos provenientes do equipamento;

• proteção contra influências externas.

Veja, a seguir, cada um deles.

Condições gerais
As condições gerais compreendem:

• as características de fabricação do equipamento;

• a aplicação para a qual o equipamento foi construído;

• as observações relativas ao uso e manuseio do equipamento;

• a especificação das normas que devem ser seguidas para garantir o uso
seguro do equipamento.

As normas de segurança deverão estar indicadas diretamente no equipa-


mento. Se isso não for possível, é imprescindível que estejam descritas no
manual de instruções ou na embalagem.

Proteção contra perigos provenientes do equipa-


mento
Pessoas e animais deverão ser protegidos contra perigo ou danos causados
Glossário
por contato elétrico, seja direta ou indiretamente. Essa mesma disposição se
aplica aos perigos que não tenham origem elétrica, como no caso das tem-
Radiação peraturas elevadas, arcos elétricos (você aprenderá isso em uma aula sobre
Propagação da energia por segurança em eletricidade) ou radiações que se puderem causar perigo não
meio de partículas ou ondas.
Como exemplo temos a poderão ser produzidas. A instalação deverá ser apropriada para atender às
radiação eletromagnética
que emite calor e luz. Todos
condições normais de utilização.
os corpos emitem radiação,
basta estarem a uma
determinada temperatura.

e-Tec Brasil 64 Segurança do Trabalho


Proteção contra influências externas Mídias
O item anterior (proteção contra perigos provenientes do equipamento) integradas
tratava de problemas relativos à fabricação do equipamento e que podem
trazer risco ao usuário. Quando falamos de proteção contra influências ex-

Ivan Petrov
ternas estamos nos referindo a questões relativas ao uso do equipamento,
como local de instalação, operação correta do equipamento, uso de prote-
ções e outros.
Fonte: www.sxc.hu/
photo/1142175
Todo equipamento deve informar, em seu manual de instruções, as exigên- Você sabia que, no
cias mecânicas (carga suportada, torque máximo etc.) relativas ao seu bom mundo, os acidentes ou
doenças relacionadas ao
funcionamento. Essas exigências devem ser respeitadas pelo operador para trabalho matam mais
que a violência e que os
que não exponha as pessoas a danos ou perigos como radiações, efeitos acidentes de trânsito?
químicos, calor e outras radiações. Respeitando as recomendações do fabri- Vinte e cinco por cento
dos acidentes de trabalho
cante é possível evitar acidentes, como, por exemplo, o usuário ser afetado graves envolvem o uso
por uma sobrecarga do equipamento. inadequado de máquinas
e equipamentos. Por
isso é tão importante
que você, como futuro
Técnico de Segurança no
Atividade 4 Trabalho, entenda muito
bem os problemas que
cercam esse assunto.
Atende ao Objetivo 4 Para você que quer
saber mais, aqui vai
uma dica. Entre no
Leia com atenção as frases a seguir e coloque (V) para aquelas que forem seguinte endereço da
internet: http://www.
verdadeiras e (F) para as que forem falsas. Para aquelas que você colocar (F) segurancaetrabalho.com.
br/download/maquinas-
explique o que está errado. rene_mendes.pdf. Lá
você encontrará um
estudo sobre a utilização
a) ( ) Se as normas de segurança constarem no manual elas não precisam segura de máquinas
ser descritas no equipamento. e equipamentos,
apontando, inclusive, as
melhores estratégias para
um uso seguro.
b) ( ) Uma das formas de proteção contra influências externas é a determi-
nação do local adequado para a instalação da máquina ou equipa-
mento.

c) ( ) O fabricante de máquinas e equipamentos é obrigado a fornecer in-


formações sobre o uso e manuseio de seu produto.

d) ( ) As exigências mecânicas só devem ser especificadas quando oferecem


risco às pessoas.

e) ( ) O fabricante não precisa, obrigatoriamente, informar as normas que


garantem o uso seguro do equipamento.

Aula 3 | Proteção no uso de máquinas e equipamentos 65 e-Tec Brasil


Resumo

• As proteções que acompanham máquinas e equipamentos são essenciais


para preservar o trabalhador de danos.

• Essas proteções obedecem a uma série de requisitos, entre eles:

–– evitar contato entre o usuário e/ou objetos e os locais que oferecem


perigo no equipamento;
–– ser fixas;
–– ser feitas com materiais duráveis;
–– não criar novos perigos;
–– adaptar-se à sua finalidade; e
–– não ser necessária sua retirada para a lubrificação do equipamento.

• As empresas devem prever um treinamento adequado para que os traba-


lhadores realizem as operações necessárias de suas atribuições, principal-
mente em relação às máquinas.

• O treinamento a ser ministrado aos operadores deverá incluir:

–– descrição e identificação dos perigos relativos às máquinas que operarem;


–– os motivos pelos quais devem ser instaladas as proteções de segurança;
–– como usar as proteções;
–– conscientização de que as proteções nunca devem ser retiradas ou
modificadas;
–– sempre comunicar ao encarregado ou supervisor imediato sobre fa-
lha, quebra ou desarranjo do equipamento de proteção.

• Os sistemas de proteção podem ser:

–– barreiras de proteção;
–– dispositivos;
–– proteção mediante manutenção de distância;
–– posicionamento do equipamento; e
–– avisos indicadores.

e-Tec Brasil 66 Segurança do Trabalho


• Os sistemas do tipo barreira de proteção podem ser:

–– fixos;
–– móveis;
–– ajustáveis;
–– autoajustáveis.

• As vantagens da proteção do tipo barreira são:

–– a possibilidade de serem construídas em oficina;


–– o fato de necessitarem de um mínimo de manutenção;
–– ganha-se em autonomia.

• A desvantagem de proteção do tipo barreira é a necessidade de sua re-


moção, com os consequentes problemas na produção. Assim, perde-se
autonomia.

• Os dispositivos usados como proteção podem ter como mecanismo de ação:

–– sensores de presença;
–– radiofrequência (ou de capacitância);
–– eletromecânicos; e
–– limitadores.

• Os controles de segurança são dispositivos que oferecem uma segurança


adicional no uso de máquinas e equipamentos. Eles podem ser de três
tipos:

–– barras sensíveis;
–– tripés de segurança; e
–– cabos de segurança.

• Os sistemas redundantes são proteções projetadas para funcionarem


quando as outras não funcionam. Esses tipos de sistemas podem ser:

–– bimanuais;
–– relés de controle de emergências;
–– tapetes de segurança;
–– relés de controle de portas e grades;
–– controles programáveis de segurança.

Aula 3 | Proteção no uso de máquinas e equipamentos 67 e-Tec Brasil


• O MTE regulamenta o uso de sistemas de proteção relativos ao uso de
máquinas e equipamentos.

• As NRs determinam os itens que devem ser atendidos pelos fabricantes


de máquinas e equipamentos, como, por exemplo:

–– descrição das características;


–– indicação da aplicação;
–– descrição da forma de operacionalização;
–– descrição dos perigos relativos ao uso e indicação das normas de se-
gurança;
–– descrição dos perigos relativos à fabricação.

Informações sobre a próxima aula

Na próxima aula você aprenderá sobre os métodos de determinação de ris-


cos. Veremos como identificar, analisar e avaliar os riscos no trabalho.

Respostas das atividades

Atividade 1

a) fixas

b) mecânicos

c) perigo

d) proteções10

e) retirada

e-Tec Brasil 68 Segurança do Trabalho


Atividade 2

a) A seguir você encontrará três possibilidades de respostas, mas existem


outras.

• Descrição dos perigos inerentes ao maquinário que será utilizado.

• Como utilizar os equipamentos de proteção relativos a cada equipamento.

• Como operar as máquinas e equipamentos e as normas de segurança.

b) A seguir você encontrará duas possibilidades de respostas, mas existem


outras.

• Obrigatoriedade de treinamento específico para a operação de cada má-


quina e equipamento que serão utilizados.

• Necessidade de inspeção em todos os componentes principais da máqui-


na antes de iniciar a atividade, com o objetivo de identificar irregularida-
des em seu funcionamento.

Aula 3 | Proteção no uso de máquinas e equipamentos 69 e-Tec Brasil


Atividade 3

(d) Controle bimanual

(a) Aviso indicador

(b) Sensor de presença

(a) Barreiras de proteção

(c) Tripé de segurança

(d) Relés de controle de portas e grades

(e) Autoajustável

(b) Limitador

(c) Barra sensível

(e) Móvel

Atividade 4

a) (F) É obrigatório que as normas de segurança que o equipamento segue


sejam indicadas no mesmo.

b) (V)

c) (V)

d) (F) As exigências mecânicas são itens obrigatórios do manual de instru-


ções de máquinas e equipamentos.

e) (F) A indicação das normas de segurança que o equipamento segue é um


item obrigatório do manual de instruções e no equipamento.

e-Tec Brasil 70 Segurança do Trabalho


Referências bibliográficas
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PR. Disponível em: <http://www.saude.pr.gov.br/arquivos/File/cest/arq/PRINCIPIOS_
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de 1996. Portaria SSST n.º 04, de 28 de janeiro de 1997. Diário Oficial [da] República
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CAMPOS, Armando Augusto Martins. Segurança do trabalho com máquinas e
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PATSKO, Luís Fernando. Tutorial de controle de relés. Londrina: Maxwell Bohr
Instrumentação Eletrônica, 2006. Disponível em: <http://www.maxwellbohr.com.br/
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Acesso em: 22 mar. 2010.
RODRIGUES, Flavio Rivero. Treinamento em saúde segurança do trabalho. São Paulo:
LTR, 2009. 269 p.

Aula 3 | Proteção no uso de máquinas e equipamentos 71 e-Tec Brasil


Aula 4 | Determinação dos
riscos industriais

Meta da aula

• Apresentar os riscos que as máquinas e os equipamentos po-


dem oferecer ao trabalhador no desempenho da sua tarefa e/
ou a pessoas desavisadas que possam chegar perto das máqui-
nas ou dos equipamentos.

Objetivos da aula

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:


1. identificar riscos em máquinas ou equipamentos;
2. classificar situações de acordo com o critério de criticidade;
3. reconhecer as normas que garantem a segurança na atividade
industrial;
4. identificar as diferentes técnicas de análise de riscos;
5. estabelecer as precauções que devem ser tomadas para evitar
situações de risco.

Risco
O risco acompanha o homem desde o início dos tempos e em todas as ativi-
dades, seja na pesca, na agricultura, na pecuária...

Com o advento e a fabricação das primeiras ferramentas surgiram os pri- Glossário


meiros acidentes. Com a Revolução Industrial ocorreram várias mudanças no
ambiente laboral, como a incorporação de máquinas hidraúlicas, a vapor e Ambiente laboral
Ambiente de trabalho.
elétricas. Com isso, novos e maiores riscos surgiram. O número de acidentes
aumentou e eles passaram a ser mais graves. As mutilações e os acidentes
fatais se tornaram mais frequentes.

Aula 4 | Determinação dos riscos industriais 73 e-Tec Brasil


Kenn Kiser
Fonte: www.sxc.hu/photo/117455

Figura 4.1: Com a Revolução Industrial, novas máquinas passaram a ser utilizadas e
os riscos de acidentes aumentaram.

Com o aumento do número de acidentes e de sua gravidade, a preocupação


em evitá-los aumentou e técnicas foram desenvolvidas para esse fim. É fun-
damental identificar os riscos e analisá-los para que medidas de prevenção
possam ser tomadas.

Como o acidente é uma ocorrência não prevista e não programada, devemos


nos antecipar a esse acidentes. Nesta aula aprenderemos sobre essas técnicas.

Máquinas e riscos
Dependendo do tipo de máquina e das tarefas a serem realizadas, existem
diferentes níveis de risco. Esses riscos devem ser determinados ainda na fase
de projeto da máquina e também na hora de formar a disposição das má-
quinas e equipamentos, para atender às normas de segurança, seja no setor
elétrico ou no setor mecânico.

Máquinas são um conjunto de peças ou partes que são ligadas entre si, sendo
que pelo menos uma delas é móvel. Ainda na fase de projeto é interessante
que se tome algumas medidas de segurança para evitar ou reduzir ao máximo
o risco e evitar a exposição através de meios de proteção adequados.

e-Tec Brasil 74 Segurança do Trabalho


Os perigos mecânicos podem ser dos mais variados, podendo ser gerados
por componentes da máquina que podem estar ligados às suas formas,
como arestas, rebarbas e partes pontiagudas.

A posição relativa de trabalho e as zonas de contato também podem trazer


riscos eminentes ao trabalhador. A posição relativa de trabalho é a posição
que o trabalhador assume para realizar o trabalho que irá desenvolver. Já a
zona de contato é o local em que o trabalhador terá contato com a máquina
ou equipamento.

A estabilidade das máquinas depende:

–– do projeto que originou a máquina;


–– do ponto em que ela se encontra – se a máquina se encontra em uma
superficie dura, em declive, na mesa, se a fundação onde a máquina
será apoiada suportará seu peso etc.
–– da velocidade da máquina – se a máquina funcionar fora dos padrões
de velocidade especificada pela fabricante;
–– da sua resistência mecânica à deformação – quando a máquina vibra,
se a resistência à deformação dela for muito grande, a máquina pode
quebrar. Isso já vem especificado pelo fabricante da máquina;
–– etc.

Figura 4.2: Furadeira realizando movimento de rotação.

Aula 4 | Determinação dos riscos industriais 75 e-Tec Brasil


No uso de uma furadeira é possivel identificar dois riscos:

1. o de arrastamento, que pode ocorrer ao encostar em uma parte girante


da máquina. Quando o trabalhador encosta uma parte girante da máqui-
na em uma parte do corpo, o seu corpo tende a seguir o movimento de
rotação, o que pode causar um acidente;

2. o de impacto, que é gerado quando a ferramenta entra em contato com


a superfície a ser furada, gerando um impacto na ferramenta e, conse-
quentemente, no operador da máquina.

Ao analisar os riscos em máquinas e equipamentos devemos considerar:

–– as conexões – se estão firmes, pois caso elas se soltem quando a má-


quina vibrar isso pode causar um acidente;
–– a inércia do movimento – é preciso saber o tipo de movimento que a
máquina realiza (rotação, translação etc.). Desta forma sabemos se as
proteções são adequadas e se podem trazer riscos a outras pessoas;
–– o diâmetro da máquina – para sabre o seu tamanho e raio de alcance;
–– a forma – para saber o seu tamanho e raio de alcance;
–– o estado da superfície – se estiver trincada pode indicar que o equi-
pamento não está em uma superfície segura e se estiver suja também
pode trazer riscos para os operários;
–– acessibilidade à ferramenta – se qualquer pessoa pode ter aceso à
máquina ou se só pessoas autorizadas.

As ocorrências de acidentes aparecem principalmente em mandril, retíficas,


furadeiras verticais e horizontais.

A saber:

Mandril é a parte móvel em que se encaixa a broca. Ele é composto por um


corpo que contém uma porca girável e várias mandíbulas deslizáveis. As
mandíbulas deslizáveis são acionadas pela porca girável. É onde se encaixa a
broca de uma furadeira, por exemplo. Veja a figura a seguir:

e-Tec Brasil 76 Segurança do Trabalho


Mandril

Figura 4.3: O mandril é uma das partes de uma furadeira, mas ele também é um ele- Glossário
mento que pode ser usado como acessório no torno, fresadora, retífica etc.

Retíficas são máquinas operatrizes especializadas na arte de retificar, ou seja, Máquinas operatrizes
Máquinas ferramentas que
tornar reto, exato. Veja a imagem a seguir: fabricam outras máquinas e
ferramentas.

Figura 4.4: Retífica plana.

Cabe salientar que não basta identificar os elementos perigosos para identi-
ficar os riscos. Existem outros elementos que devem ser levados em conta na
hora de identificar os riscos:

1. A gravidade do dano possível, que pode ser estimada pela:

–– Natureza do que se quer proteger (pessoas, bens etc.).


–– Gravidade das lesões (no caso de pessoas, vão das mais leves até o
óbito).
–– Importância do dano (por cada máquina). No caso das pessoas: uma
pessoa ou várias pessoas.

Aula 4 | Determinação dos riscos industriais 77 e-Tec Brasil


2. A probabilidade de o dano ocorrer:

–– A frequência e a duração da exposição das pessoas ao fenômeno


perigoso.
–– A probabilidade da ocorrência de evento perigoso.
–– A possibilidade de evitar o dano, com a intervenção técnica ou
humana.

Konrad Mostert
Fonte: www.sxc.hu/photo/1134631

Figura 4.5: Em determinados casos extremos, os acidentes de trabalho podem ofe-


recer risco de morte. Por isso devemos redobrar o cuidado na hora de desempenhar
atividades perigosas.

Você Sabia?

Você sabia que o atual presidente do


Brasil, Luiz Inácio “Lula” da Silva, so-
freu um grave acidente de trabalho?

Antes de entrar para a política, Lula


era metalúrgico e trabalhava em uma
usina. Ele acidentou-se em uma prensa
hidráulica e acabou tendo o dedo mí-
Fonte: http://portaldoprofessor.mec.gov.
br:8080/discovirtual/22005769860/img/ nimo da sua mão esquerda decepado.
Lulua.jpg

e-Tec Brasil 78 Segurança do Trabalho


Ao operar uma máquina, o trabalhador deve estar atento às suas partes mó-
veis, pois se entrar em contato com alguma dessas partes, seu corpo pode
ficar preso. Ele deve ter muito cuidado ao manusear uma máquina e utilizar
sempre os equipamentos de segurança necessários. Além disso, as fontes
de risco devem ser neutralizadas para tentar impedir que o trabalhador ex-
ponha o seu corpo ou parte dele aos perigos. Os acidentes podem variar de
gravidade, podendo ir de um simples corte até a morte. Sempre que possí-
vel, devemos cuidar dos ferimentos para tentar diminuir as sequelas.

Observação: Vale resaltar que quando um tarbalhador está segurando uma


ferramenta, esta funciona como um prolongamento do corpo, e o que acon-
tecer a essa ferramenta será transmitido ao corpo do trabalhador.

Atividade 1
Atende ao Objetivo 1

Marque as alternativas falsas e explique qual é o erro.

(  ) As primeiras medidas de prevenção de acidentes devem ser tomadas


quando a máquina estiver pronta.

(  ) A máquina não apresentará problemas de estabilidade se funcionar


com uma carga acima da especificada pelo fabricante.

(  ) A posição relativa de trabalho é onde o operário realiza o seu trabalho.

(  ) Existe risco de impacto ou arrastamento quando o trabalhador utiliza


uma furadeira.

Aula 4 | Determinação dos riscos industriais 79 e-Tec Brasil


(  ) Conexões malfeitas ou frouxas podem trazer riscos aos trabalhadores.

É melhor prevenir que remediar...

Para garantir que os equipamentos e máquinas ofereçam segurança para


o usuário ou trabalhador existem algumas normas (regras) que devem ser
seguidas. Vamos conhecê-las?

Glossário EN 292

EN – European Norms A norma EN 292 enumera as diversas formas de perigos procedentes de


(Normas Europeias)
uma máquina, exigindo que elas sejam devidamente protegidas. Esta norma
recomenda duas ações ao projetista e que podem ser utilizadas de forma
individual ou conjunta:

• Verificar, no projeto original de uma máquina ou equipamento, a possibi-


lidade de evitar ou diminuir os perigos ao máximo possível para que o seu
manuseio possa ocorrer de forma segura. Exemplo: ao desenvolver uma má-
quina, o projetista deve prever a instalação de barreiras nas partes móveis
das máquinas.

• Verificar a possibilidade de limitar a exposição do trabalhador ao perigo,


reduzindo a necessidade de o operador entrar em zonas denominadas
perigosas. Isso poderia ser realizado mediante a utilização de robôs.

Para exemplificar sobre o uso dos robôs tem-se a seguinte definição:

Robôs são dispositivos mecânicos versáteis (por exemplo,


braços mecânicos articulados, veículos terrestres, aéreos
ou submarinos, etc.) equipados com sensores e atuadores
sob o controle de um sistema computacional. Eles reali-
zam tarefas executando movimentos num espaço físico.
Este espaço é povoado por vários objetos e está sujeito às
leis da natureza (SALANT, 1990).

Os robôs são utilizados, por exemplo, na limpeza e na inspeção dos dutos de


gás, pois o espaço é confinado e os gases acumulados podem trazer perigo
para o trabalhador. Outro exemplo são os robôs utilizados para desarmar
bombas a distância.

e-Tec Brasil 80 Segurança do Trabalho


Sasan Saidi
Fonte: www.sxc.hu/photo/1171276

Figura 4.6: Devido ao avanço da tecnologia, agora contamos com a ajuda de robôs
para nos auxiliar em situações de risco, evitando que o trabalhador fique exposto a
situações mais perigosas.

EN 1050

A nova Norma EN 1050, denominada “Segurança de Máquinas – Determi-


nação e riscos”, estabelece o índice de risco como um processo destinado
a ajudar os projetistas, engenheiros e técnicos de segurança do trabalho.
Essa norma define as medidas mais apropriadas para que se tenha mais
segurança na atividade industrial.

Determinando os riscos
Existem duas técnicas para a identificação dos riscos:

–– Técnica de incidentes críticos (T.I.C.)


–– Método what if (e se...)

Vamos entender cada uma delas?

1. Técnica de incidentes críticos (T.I.C.)

Tem como objetivo a detecção de incidentes críticos e o tratamento dos ris-


cos que os mesmos representam. Mas o que são incidentes críticos? São o
que chamamos de “quase” acidentes, ou seja, um evento que não provocou
o acidente, porém causou algum transtorno.

Aula 4 | Determinação dos riscos industriais 81 e-Tec Brasil


Exemplo: João trabalha como montador de tubulações industriais. Semana
passada, ele foi executar uma junta flangeada para conexão de duas tubula-
ções efetuando o seguinte procedimento: as tubulações a serem conectadas
estavam a um metro de desnível do piso. João colocou os parafusos e porcas
nos flanges das tubulações, procedendo o primeiro aperto dos mesmos com
uma chave de grifa. Ao apertar uma das porcas, com o esforço empregado,
João escorregou. Com isso, largou a chave com a qual fazia o aperto dos
parafusos e se projetou para trás, caindo no piso agachado. Apesar do susto
não houve lesão alguma.

Neste caso houve um “quase” acidente, já que João não sofreu nenhuma lesão.

Essa técnica é uma análise qualitativa, aplicada na fase operacional de um


sistema, cujos procedimentos envolvem o fator humano.

As ações ou condições inseguras são as mesmas que podem provocar tanto


Glossário um acidente como um incidente.

Criticidade Os incidentes podem ser classificados de acordo com um critério de criticidade:


Termo usado para
determinar quão crítica
(grave) é uma determinada • Criticidade 1 – Podem afetar a integridade física dos recursos humanos
situação.
do sistema de produção, ou seja, o trabalhador pode ou não se ferir.

• Criticidade 2 – Podem ocasionar o fracasso da missão ou objetivo do


sistema ou empresa. Por exemplo: uma fábrica de ovos de chocolate tem
como missão fabricar uma quantidade específica deste produto. Se esse
objetivo não for cumprido, significa que houve fracasso.

• Criticidade 3 – Podem impedir o cumprimento da missão em termos de


entregar em condições de preço e qualidade o que o mercado espera.
Usando o mesmo exemplo da fábrica de ovos de chocolate: o chocola-
te não teria a qualidade esperada pelo mercado, poderia estar com o
formato errado.

• Criticidade 4 – Significa alterar a programação de recursos e esforços


na produção de bens e serviços. Por exemplo: uma fábrica de carros
depende da produção de para-choques para poder realizar seu tra-
balho. Quando para-choques não são entregues, a fábrica não pode
entregar carros.

e-Tec Brasil 82 Segurança do Trabalho


O nivel de criticidade é uma avaliação que serve apenas como parâmetro
para se criar uma hierarquia para se tomar alguma providência. Por exemplo,
se muitos trabalhadores se ferirem não será possível cumprir a missão, ou se
a máquina estiver malregulada isso também não será possível. Já na critici-
dade nível 1, mesmo com o ferimento de algum operário é possível cumprir
a missão.

Muitas vezes, as questões econômicas se misturam com a segurança no


trabalho. Veja o exemplo dos ovos de chocolate na criticidade 3: é possível
que haja uma falha na manutenção das máquinas e equipamento porque o
chocolate não era de boa qualidade. De forma geral, as empresas só tomam
medidas de segurança para os trabalhadores quando é provado que elas
terão lucro com isso. Por este motivo, a qualidade da produção está direta-
mente relacionada à segurança no trabalho.

Acidente ou incidente?

Não confunda!! Quando ocorre uma acidente significa que houve


lesão, que alguém saiu ferido. Já o incidente é um “quase” acidente,
pois ninguém se machuca.

Atividade 2

Atende ao Objetivo 2

1. Tendo como base o que você aprendeu sobre a classificação de inciden-


tes, correlacione:

Aula 4 | Determinação dos riscos industriais 83 e-Tec Brasil


(  ) Uma gráfica precisa entregar uma grande
a) Criticidade 1
quantidade de livros, porém uma das máqui-
nas de impressão se quebra.
b) Criticidade 2

(  ) Um trabalhador sofre um escorregão, mas não


c) Criticidade 3
se machuca.

d) Criticidade 4
(  ) Uma leiteria precisa embalar o leite para a ven-
da, porém não há caixas para embalar o leite.

(  ) Um temporal atinge uma plantação de verduras


que é a única fornecedora de um mercado.

5. Método what if (e se...), no sentido de esgotar as possibilidades da exis-


tência de outros perigos.

Consiste na formulação de questionamentos que devem ser efetuados por


uma equipe que possui pleno conhecimento do projeto ou processo. Essa
equipe deve definir os riscos possíveis que possam existir em determinadas
atividades.

Para a execução deste método deve ser formada uma comissão de estudo.
Cada membro dessa comissão formula questões que devem ser respondidas
em relação à segurança até que não haja dúvidas em relação às respostas.

Veja o seguinte exemplo: uma empresa precisa descarregar tolueno de cami-


nhões-tanque para um tanque fixo não enterrado, que fica próximo de um
tanque de ácido nítrico.

A comissão de estudo deve levar em consideração que o tolueno pode reagir


com o ácido nítrico formando TNT (trinitro tolueno), composto altamente
explosivo.

As questões que a comissão de estudo poderia elaborar são:

• Por que instalar um tanque de tolueno próximo a um tanque de ácido


nítrico?

• Qual a distância segura entre os dois tanques e o caminhão?

e-Tec Brasil 84 Segurança do Trabalho


Vários riscos!

Série de riscos é o conjunto de riscos que, agindo sobre um siste-


ma, leva à ocorrência do acidente (evento indesejável ou catastrófi-
co). Esse sistema pode ser um sistema qualquer, como um sistema
de produção ou um sistema administrativo, por exemplo.

Imagine que uma fábrica de carros produziu uma porta com de-
feito no mecanismo de abrir e fechar o vidro. O carro passa para
outro setor onde o vidro é colocado, mas se quebra lá dentro.
Quando o funcionário tenta abrir o vidro, um estilhaço o atinge e
o fere. Isso seria um exemplo de série de riscos.

Atividade 3

Atende ao Objetivo 2

Preencha as lacunas de acordo com o que você aprendeu nesta aula:

a) A norma _________ enumera as diversas formas de perigos proceden-


tes de uma máquina, exigindo que elas sejam devidamente protegidas.
Recomenda duas ações, que podem ser utilizadas separadas ou conjun-
tamente.

b) A norma _________, denominada “Segurança de Máquinas – Determina-


ção e riscos”, estabelece o índice de risco como um processo destinado
a ajudar os projetistas, engenheiros e técnicos de segurança do trabalho
a definir as medidas mais apropriadas para serem atingidos os maiores
níveis de segurança.

Aula 4 | Determinação dos riscos industriais 85 e-Tec Brasil


Técnicas para analisar os riscos

Para a análise dos riscos podem ser utilizadas as seguintes técnicas:

• Análise Preliminar de Riscos (APR), em que os riscos podem ser classifi-


cados em:

–– categoria I – desprezível;
–– categoria II – marginal ou limítrofe;
–– categoria III – crítica;
–– categoria IV – catastrófica.

• Análise de Modos de Falhas e Efeito (AMFE);

• Análise de Árvore de Falhas:

–– falha primária;
–– falha secundária;
–– falha ou defeito de comando.

John Nyberg

Fonte: www.sxc.hu/photo/1172548

Figura 4.7: Todo cuidado é pouco quando o assunto é a sua segurança!

Análise preliminar de riscos (APR)

É uma análise detalhada do projeto ou da atividade, analisando, em cada etapa,


a ocorrência de um possível risco e indicando as medidas de controle.

e-Tec Brasil 86 Segurança do Trabalho


Para determinar os riscos por meio deste tipo de análise é preciso:

–– utilizar as experiências passadas;


–– saber quais são os objetivos e exigências do trabalho;
–– conhecer os procedimentos que serão usados;
–– avaliar as atividade e tarefas que têm potencial para causar lesões;
–– avaliar possíveis danos a equipamentos e máquinas.

Para cada risco que for detectado deve-se elaborar os meios para o controle
e/ou eliminação dos riscos. Os meios para controlar e/ou eliminar os riscos
podem ser medidas admistrativas, adoção de proteções etc.

Os riscos podem ser divididos em 4 categorias:

• Categoria I – Desprezível
Não degrada o sistema nem o funcionamento do equipamento, assim
como não ameaça os recursos humanos. Não ocorre o ferimento nem a
morte de algum funcionário, terceiro ou de outras pessoas.

Exemplo: a queima de uma das várias lâmpadas presentes no escritório.

• Categoria II – Marginal ou limítrofe


Uma degradação moderada com danos menores, não causando lesão e
podendo ser controlada ou compensável.

Exemplo: na instalação de uma máquina eram previstos cinco dias, mas


foram necessários sete dias. Esse atraso é um risco marginal, já que o
atraso causado foi um dano menor.

• Categoria III – Crítica


Causa uma degradação crítica, causando lesões e danos substanciais,
colocando os sistemas em risco e necessitando de ações corretivas ime-
diatas. Envolve recursos humanos.

Exemplo: um funcionário de uma telefônica mexendo em sua rede, no


poste, próximo à rede elétrica. Ele pode ser eletrocutado.

Aula 4 | Determinação dos riscos industriais 87 e-Tec Brasil


• Categoria IV – Catastrófica
Causa uma séria degradação do sistema, ocasionando a sua perda e,
ainda, lesões.

Exemplo: um vazamento radioativo na usina de Angra dos Reis poderia


ocasionar diversos problemas: perda da usina, perda das terras em torno
da usina (podendo atingir municípios próximos), morte da população
e desenvolvimento de doenças nos sobreviventes (como câncer) e nas
próximas gerações.

Análise de Modos de Falhas e Efeito (AMFE)

É uma técnica cuja análise deve ser detalhada, indicando os procedimentos


utilizados na determinação de problemas provenientes dos equipamentos e
sistemas, sendo uma análise quantitativa e qualitativa.

Tem por objetivo a determinação de falhas de efeito crítico e componentes críti-


cos. Isso significa que irá apontar quais são as falhas que podem comprometer o
sistema de produção. Além disso, esta técnica também determina as análises de
confiabilidade de conjuntos, equipamentos e sistemas, ou seja, mostra o quanto
os sistemas de segurança são confiáveis e se realmente são livres de falhas.

Esse método é de grande utilidade na associação das ações de manutenção


e prevenção de perdas. Ele pode ser diretamente relacionado com a neces-
sidade de manutenção de equipamentos. Por exemplo: um carro mau regu-
lado vai gastar mais combustível do que o necessário e uma máquina sem
manutenção pode ser razão de um acidente de trabalho.

Análise de Árvore de Falhas

Este método consiste no estudo de fatores que podem causar um evento


indesejável (falha, risco principal, catástrofe). Neste modelo os dados proba-
bilísticos podem ser aplicados a sequências lógicas, sendo feita uma análise
quantitativa e/ou qualitativa.

O método consiste em estudar a sequência de eventos que ocorreram desde o


evento inicial até o evento final (topo). O evento topo consiste no acidente pro-
priamente dito e a análise de árvore de falhas permite identificar a causa desse
problema. Essa investigação é feita desde o evento inicial até o acidente.

e-Tec Brasil 88 Segurança do Trabalho


As falhas podem ser classificadas como:

• Falha primária: ocorre no ambiente de trabalho e sob condições para a


qual a peça, máquina ou equipamento foram projetados. É também cha-
mada de falha básica e é causada por erros de projeto.

Exemplo: o rompimento de um vaso de pressão a uma pressão inferior à


pressão de serviço.

• Falha secundária: ocorre sob condições em que o local não foi projetado
para a instalação da máquina ou equipamento. A falha está na solicita-
ção excessiva do sistema.

Por exemplo: uma máquina é feita para operar em uma determinada


pressão e opera em uma pressão superior.

• Falha ou defeito de comando: ocorre devido a sinais de controle incorre-


tos ou impróprios. Na maioria das vezes não necessita de ações de reparo
para que o componente volte a funcionar.

Exemplo: a abertura de uma válvula de segurança sem existir pressão


excessiva.

Atividade 4

Atende ao Objetivo 4

Identifique os métodos de análise de risco correlacionando as colunas a


seguir:

Aula 4 | Determinação dos riscos industriais 89 e-Tec Brasil


(  ) É uma análise que mostra o quanto os
a) Análise preliminar de
sistemas de segurança são confiáveis
riscos (APR)
e se realmente são livres de falhas. Ela
aponta quais são as falhas que podem
b) Análise de modos de
comprometer o sistema de produção.
falhas e efeitos (AMFE)

(  ) É uma análise detalhada do projeto,


c) Análise de árvore de
em que é verificada, em cada etapa,
falhas
a possibilidade de ocorrência de um
risco. Os riscos podem ser divididos
em quatro categorias.

(  ) Consiste no estudo da sequência


de eventos que ocorreram desde o
evento inicial até o final (topo). As
falhas podem ser classificadas como
primárias, secundárias ou defeito de
comando.

Estatísticas e probabilidades dos riscos


E como avaliar os riscos? Os riscos podem ser avaliados por meio de estatís-
ticas e probabilidades.

A Estatística é a parte da matématica em que tratamos da organização,


descrição, análise e interpretação dos dados. Probabilisticamente, o risco é
a incerteza da ocorrência de um determinado evento. Se o risco fosse um
evento certo sempre teríamos como evitar o acidente, que é o evento ines-
perado; por isso trabalhamos com prevenção.
Glossário
O risco pode ser medido por um número através do uso da estatística ou da
Probabilidade objetiva probabilidade objetiva. O risco subjetivo é a incerteza de ocorrência de um
A proporção de ocorrência
de um evento. evento percebido por um indivíduo. Qualquer indivíduo pode ter uma visão
otimista ou pessimista acerca do risco.
Mensuração
Determinação da medida,
medição.
A probabilidade de um risco ocorrer pode ser estimada através de uma visão
pessimista ou otimista. A visão otimista ocorre quando o indivíduo percebe
pouca incerteza nas ocorrências, ou seja, opta por situações de grande grau
de incerteza, pois não possui percepção do perigo. A visão pessimista vai exi-
gir alta possibilidade de sucesso nas suas ações, sendo de difícil mensuração.

e-Tec Brasil 90 Segurança do Trabalho


Ou seja, o otimista não acredita que o acidente irá ocorrer, mesmo existindo
muita chance de que ocorra. Exemplo: uma pessoa que dirige alcoolizada
sempre fala que nunca acontecerá um acidente com ela, mas existe uma
grande possibilidade de esse acidente acontecer. O pessimista sempre vai
fazer o trabalho da forma mais segura possível, pois ele acredita que o aci-
dente pode ocorrer a qualquer momento.

Todo risco é de dificil mensuração porque o risco só é medido quando ocorre


o acidente, e a prevenção vem justamente para evitá-lo. Como eu sempre
digo, quando o técnico de segurança fala que existe o risco de acidente as
pessoas reclamam de ter que tomar as medidas de segurança. E se ele não
toma essas medidas, duas coisas podem acontecer: se o acidente ocorrer, ele
fala “eu deveria ter te escutado”, e se o acidente não ocorrer, ele fala “viu
só, você se preocupou à toa”.

Precauções que o projetista deve tomar

Você, técnico de segurança do trabalho, ao selecionar medidas de segu-


rança, deve traçar estratégias basendo-se nas técnicas descritas nesta aula.
Estas medidas de segurança determinam que o projetista deverá, em toda e
qualquer circunstância:

1. Determinar o uso específico da máquina, limites de espaço, espaço ne-


cessário para sua instalação, tempo de vida útil da máquina ou, se ne-
cessário, de seus componentes. Nesse caso não basta levar em conta as
dimensões da máquina, mas também seu raio de ação.

Segundo a NR 12 (Máquinas e equipamentos), deve existir uma distância


entre máquinas e equipamentos de 0,60m a 0,80m, a critério da autorida-
de competente em medicina e segurança do trabalho. Entre partes móveis
de máquinas e/ou equipamentos, deve haver uma faixa livre de 0,70m a
1,30m.

Além disso, deve haver áreas reservadas para armazenamento de materiais,


devidamente demarcadas de acordo com a NR-26, lembrando que a autori-
dade competente em medicina e segurança do trabalho deve garantir a ade-
quação da área do trabalho situada em torno da máquina ou do equipamen-
to, além do tipo de operação e da classe da máquina ou do equipamento.

Aula 4 | Determinação dos riscos industriais 91 e-Tec Brasil


É importante, também, verificar se as manutenções da máquina estão em dia.

2. Identificar os perigos e determinar os riscos.

Nesta fase, devem ser considerados todos os problemas que poderão ocorrer
durante a vida da máquina, como: transporte, instalação, uso normal até seu
desmanche e eventuais problemas de segurança que estes processos possam
apresentar.

Por exemplo, a máquina está com todas as partes móveis protegidas? O local
de instalação é próprio para a máquina? A máquina ou o equipamento estão
bem refrigerados? O piso do local de trabalho é regular ou irregular?

Essas perguntas devem ser feitas e respondidas durante toda a fase de pro-
jeto e operação.

3. Remover os perigos ou limitar os riscos ao máximo possível, seja reduzin-


do a velocidade, introduzindo práticas corretas ergonômicas, princípios
“à prova de falhas” etc.

Por exemplo, pode haver um excesso de trepidação da máquina por ela estar
trabalhando com excesso de carga, como mostra a Figura 4.8.

a b
Figura 4.8: a) Transportador, o primeiro cilindro inativo diminui a trepidação dos sis-
temas, realizando a prevenção de danos. b) Remoção dos elementos cortantes, para
evitar cortes quando for manusear os equipamentos.

4. Quando os perigos não podem ser evitados, devem ser introduzidas pro-
teções para evitá-los. Estas incluem travamentos de proteção, cortinas
de luz, tapetes de pressão, controle bimanual e outros dispositivos. As
cortinas de luz são sensores que, se encontrarem algum obstáculo, não
deixarão a máquina operar. E tapetes de pressão são mecanismos de se-
gurança que só deixam a máquina operar se uma determinada pressão
for aplicada em cima deles. Os comandos bimanuais são dois comandos
manuais que devem ser acionados simultaneamente.

e-Tec Brasil 92 Segurança do Trabalho


Um exemplo é o trabalho com uma prensa, em que a mão do trabalhador
está livre e pode ficar no raio de ação da prensa por descuido ou pressa do
trabalhador em terminar a tarefa.

Com um controle bimanual, a prensa só funcionará quando o trabalhador


ativar os dois comandos, neste caso forçando que o trabalhador tire as mãos
da zona de perigo. Outros dispositivos podem ser usados em conjunto com
o dispositivo bimanual, como foi citado. Glossário

5. Informar ao usuário sobre eventuais riscos remanescentes. Para isso o usuá- Remanescente
Sobra, resto.
rio deve conhecer o uso de sinais, símbolos visuais ou audíveis que devem ser
vistos e/ou ouvidos por todo o pessoal, incluindo-se o operador.

Atividade 5
Atende ao Objetivo 5

Marque com um X os itens que devem ser considerados em um projeto, ins-


talação e manuseio de máquinas para evitar riscos na atividade industrial.

(  ) local de instalação da máquina;

(  ) carga a ser suportada pela máquina;

(  ) estética da máquina;

(  ) mecanismos de operação das máquinas.

Aplicação de um método sistemático para


identificar e eliminar riscos

Atenção especial deve ser proporcionada aos casos considerados como os


mais críticos e graves, que são:

a) os que afastam o operário do trabalho por longos períodos, devido a


sérias doenças causadas pelo próprio trabalho como DORT e LER;

b) os que afastam o operário definitivamente, por morte.

Aula 4 | Determinação dos riscos industriais 93 e-Tec Brasil


As estatísticas a respeito desse assunto determinam que os fatores mais im-
portantes e que afetam com maior frequência a indústria e o próprio traba-
lhador se encontram: na construção civil, nas atividades não produtivas e nos
trabalhos que apresentam elevados riscos para a saúde.

Sendo assim, um maior e mais consciente controle nestas áreas deverá con-
duzir a uma redução de danos ou enfermidades.

Por exemplo: um trabalhador com pressão alta não pode sofrer mudança de
pressão externa (como trabalhar em profundidades ou em alguns casos em
que é preciso aumentar a pressão externa através de algum equipamento).
Isso não pode ser ignorado.

Não podemos esquecer os itens a seguir, descritos na prevenção de acidentes:

1. Substituir determinados materiais por outros que possam apresentar me-


nor perigo.

Por exemplo: trocar o benzeno por solventes naturais.

2. Treinar efetivamente o trabalhador em relação aos procedimentos e prá-


ticas da segurança. Não basta entregar um EPI (Equipamento de Proteção
Individual), é preciso treinar o funcionário para usá-lo corretamente. Trei-
namentos para trabalho em espaço confinado etc.

3. Ensinar e insistir na melhor forma de efetuar o trabalho com a devida


segurança.

4. Estabelecer normas de uso e cuidados que devam ser obedecidos na uti-


lização de um determinado produto com a correspondente segurança.

5. Educar as pessoas sobre os perigos que podem existir no uso inadequado


de um produto, processo ou tarefa e sobre como adotar as devidas ações
de proteção. Essa educação pode ser através de semanas educativas e
encontros educativos. Os mais comuns são o DDS (Diálogo Diário de Se-
gurança), SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes).

6. Treinar os operários no que diz respeito ao reconhecimento, à avaliação


dos perigos e ao cumprimento das leis relativas à segurança e responsa-
bilidades legais (civis e criminais).

e-Tec Brasil 94 Segurança do Trabalho


7. Motivar as pessoas a cooperar com os programas de segurança estabe-
lecidos para garantir a qualidade e segurança da sua vida, por meio de
uma participação efetiva. Essa motivação dos trabalhadores pode ser fei-
ta atráves de campanhas educativas. Essas campanhas podem ser através
de prêmios em dinheiro, viagens, reconhecimento profissional etc.

Conclusão

Para se analisar os riscos de acidentes existem algumas etapas a serem segui-


das, como primeiro identificar os riscos e depois analisá-los e avaliá-los por
meio de estatística.

E mais importante do que apenas nos atentarmos aos riscos é treinar o tra-
balhador para o desempenho correto das atividades, assim como ao uso das
máquinas e equipamentos. Tomando-se as precauções necessárias, os riscos
de acidentes na atividade industrial diminuem muito e o trabalhador se sen-
te mais seguro ao realizar o seu trabalho.

Resumo

• Existem diferentes tipos de risco que variam de acordo com o tipo de


máquina e as tarefas a serem realizadas.

• Os riscos devem ser determinados no momento de projetar a máquina e


quando elas forem dispostas no ambiente de trabalho.

• Os perigos das máquinas podem ser gerados por componentes das má-
quinas, como rebarbas, arestas e partes pontiagudas, além da posição
relativa de trabalho e pelas zonas de contato.

• A estabilidade da máquina depende do projeto que a originou, do ponto


onde ela se encontra, da sua velocidade, da sua resistência mecânica à
deformação etc.

• No uso de uma furadeira podemos identificar pelo menos dois tipos de


risco: arrastamento e impacto.

Aula 4 | Determinação dos riscos industriais 95 e-Tec Brasil


• Ao analisar os riscos em máquinas e equipamentos devemos considerar:
as conexões, a inércia do movimento, o diâmetro, a forma, o estado da
superfície e a acessibilidade à ferramenta.

• Para identificar o risco é preciso observar a gravidade do dano possível e


a probabilidade de ele ocorrer.

• O trabalhador deve estar sempre atento às partes moveis da máquina,


pois seu corpo pode ficar preso. Além disso, ele deve usar os equipamen-
tos de segurança necessários para evitar acidentes.

• A norma EN 292 enumera as diversas formas de perigos procedentes de


uma máquina.

• De acordo com a EN 1050, existem duas técnicas para a identificação de


riscos:

–– Técnica de incidentes críticos: é uma análise qualitativa, aplicada na


fase operacional de um sistema, cujos procedimentos envolvem o fa-
tor humano. Os incidentes podem ser classificados de acordo com o
critério de criticidadde.
–– Método what if: consiste na formulação de questionamentos que de-
vem ser efetuados por uma equipe que possui pleno conhecimento
do projeto ou processo.

• Para a análise preliminar de riscos podem ser utilizadas as seguintes técnicas:

–– análise preliminar de riscos (APR) – é uma análise detalhada do pro-


jeto ou da atividade, analisando em cada etapa a ocorrência de um
possível risco e indicando as medidas de controle.
–– análise de modos de falhas e efeitos (AMFE) – indica os procedimen-
tos utilizados na determinação de problemas provenientes dos equi-
pamentos e sistemas, sendo uma análise quantitativa e qualitativa.
–– Análise de árvore de falhas – consiste no estudo de fatores que po-
dem causar um evento indesejável (falha, risco principal, catástrofe).

• Os riscos podem ser avaliados por meio de estatísticas e probabilidades.

• O projetista deve tomar diversas precauções, como determinar o uso es-


pecífico da máquina, identificar os perigos e determinar os riscos, remo-
ver ou limitar os riscos o máximo possível, dentre outros.

e-Tec Brasil 96 Segurança do Trabalho


• Deve-se dar especial atenção aos casos considerados como os mais críti-
cos e graves: os que afastam o operário do trabalho por longos períodos,
devido a sérias doenças causadas pelo próprio trabalho, como DORT e
LER, e aqueles que o afastam definitivamente, por morte.

Informação sobre a próxima aula

Na próxima aula você vai aprender o princípio de funcionamento de alguns


sistemas mecânicos e eletromecânicos, estabelecendo os critérios de segu-
rança para os mesmos.

Respostas das atividades

Atividade 1

(F) As primeiras medidas de prevenção de acidentes devem ser tomadas


quando a máquina estiver pronta.

R: As primeiras medidas de segurança devem ser tomadas ainda na fase


de projeto da máquina e depois na fase de instalação da mesma.

(F) A máquina não apresentará problemas de estabilidade se funcionar


com uma carga acima da especificada pelo fabricante.

R: A máquina deve funcionar dentro dos limites de carga especifica-


dos pelo fabricante. Assim, evitamos que acidentes ocorram.

(V) A posição relativa de trabalho é onde o operário realiza o seu trabalho.

(V) Existe risco de impacto ou arrastamento quando o trabalhador utiliza


uma furadeira.

(V) Conexões malfeitas ou frouxas podem trazer riscos aos trabalhadores.

Aula 4 | Determinação dos riscos industriais 97 e-Tec Brasil


Atividade 2

(b) Uma gráfica precisa entregar uma grande quantidade de livros, po-
rém uma das máquinas de impressão se quebra.

(a) Um trabalhador sofre um escorregão, mas não se machuca.

(d) Uma leiteria precisa embalar o leite para a venda, porém não há cai-
xas para embalar o leite.

(c) Um temporal atinge uma plantação de verduras que é a única forne-


cedora de um mercado.

Atividade 3

a) A norma EN 292 enumera as diversas formas de perigos procedentes


de uma máquina, exigindo que elas sejam devidamente protegidas. Re-
comenda duas ações, que podem ser utilizadas separadas ou conjunta-
mente.

b) A norma EN 1050, denominada “Segurança de Máquinas – Determina-


ção e riscos”, estabelece o índice de risco como um processo destinado
a ajudar os projetistas, engenheiros e técnicos de segurança do trabalho
a definir as medidas mais apropriadas para serem atingidos os maiores
níveis de segurança.

Atividade 4

(b) É uma análise que mostra o quanto os sistemas de segurança são confiá-
veis e se realmente são livres de falhas. Ela aponta quais são as falhas que
podem comprometer o sistema de produção.

(a) É uma análise detalhada do projeto em que é verificada, em cada


etapa, a possibilidade de ocorrência de um risco. Os riscos podem ser
divididos em quatro categorias.

(c) Consiste no estudo da sequência de eventos que ocorreram desde


o evento inicial até o final (topo). As falhas podem ser classificadas
como primárias, secundárias ou defeito de comando.

e-Tec Brasil 98 Segurança do Trabalho


Atividade 5

( x ) local de instalação da máquina;

( x ) carga a ser suportada pela máquina;

(  ) estética da máquina

( x ) mecanismos de operação das máquinas.

Referências bibliográficas
BRASIL. Ministério do Trabalho e Trabalho. NR 12: máquinas e equipamentos. Portaria GM
n.º 3.214, de 08 de junho de 1978. Portaria SSST n.º 12, de 06 de junho de 1983. Portaria
SSST n.º 13, de 24 de outubro de 1994. Portaria SSST n.º 25, de 28 de janeiro de 1996.
Portaria SSST n.º 04, de 28 de janeiro de 1997. Diário Oficial [da] República Federativa do
Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Disponível em: <http://www.mte.gov.br/
legislacao/normas_regulamentadoras/nr_12.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2010.
______. Segurança e medicina do trabalho: Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977.
65. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 760 p. (Manuais de legislação Atlas, 16).
BRITISH STANDARDS INSTITUTION. BS EN 1050: safety of machinery: principles for risk
assessment. London,1997.
______. BS EN 950: door leaves: determination of the resistance to hard body impact.
London, 1999.
CAMPOS, Armando Augusto Martins. Segurança do trabalho com máquinas e equipa-
mentos. São Paulo: Centro de Educação em Saúde, SENAC, 1998.
BEUTH VERLAG GMBH. EN 292: Safety of machinery: basic concepts, general principles for
design. Berlin, 82p.
MARTIN, Christine. Avaliação do risco em segurança, higiene e saúde no trabalho. São
Paulo: Monitor, 2007.
SALAROLI, Carlos Alberto. LER/DORT. São PAULO: FUNDACENTRO, 2000.
SIGNORINI, Mario. Qualidade de vida no trabalho. Rio de Janeiro: Taba Cultural, 1999.

Aula 4 | Determinação dos riscos industriais 99 e-Tec Brasil


Aula 5 | Sistemas de proteção
mecânicos e
eletromecânicos

Meta da aula

Apresentar alguns sistemas de proteção mecânicos e eletromecâ-


nicos industriais.

Objetivos da aula

Ao final desta aula você deverá ser capaz de:


1. definir o princípio de funcionamento de alguns sistemas de
proteção mecânicos e eletromecânicos;
2. aplicar critérios de segurança para estes sistemas.

Pré-requisitos

Para melhor acompanhar a aula é necessário que você relembre os


problemas causados nos pulsos por mau uso de equipamentos na
disciplina Ergonomia e na Aula 2 desta disciplina.

Para começar...

Ao se falar em segurança é preciso que se conheça o princípio de funciona-


mento de alguns sistemas de proteção mecânicos e eletromecânicos, além
de falar sobre a manutenção de equipamentos. A seguir, iremos ver um
pouco de cada um deles.

Aula 5 | Sistemas de proteção mecânicos e eletromecânicos 101 e-Tec Brasil


Exigências para todos os tipos de proteção

Sistemas mecânicos de proteção


Um sistema mecânico é composto por massas, molas e amortecedores que
são interligados entre si para realizar diversos movimentos.

Você sabe o que são esses componentes?

Quando falamos de massa, pode ser uma matéria sólida, líquida ou gasosa.
A mola é uma peça elástica, geralmente metálica, espiralada ou helicoidal,
que reage quando vergada, distendida ou comprimida. E os amortecedores
são peças que se adaptam ao sistema de suspensão para amortecer as osci-
lações das molas.

Os movimentos desses componentes podem ser por meio de engrenagens


e/ou polias que podem ser ligados diretamente ou por meio de correias, ca-
bos e correntes. Se você ainda não teve oportunidade de ver engrenagens de
uma máquina industrial funcionando, pode dar uma olhada no interior de
um relógio analógico. O funcionamento dele segue o mesmo princípio.

Você, como técnico em segurança do trabalho, deverá consultar manuais


dessas máquinas e profisisonais que trabalham com elas, já que o funciona-
mento da máquina é genérico e varia de um tipo para outro.

Engrenagens de proporções gigantes

Se você quer ter uma visão ainda melhor sobre como funcionam as
engrenagens, procure pelo filme Tempos modernos. Nele, Chaplin
mostra como tudo ficou mecânico no nosso tempo.

Existem também os mecanismos de retração que utilizam cabos ou molas.


Os mecanismos de retração são mecanismos utilizados para recolher a massa
a uma posição inicial. Um exemplo é o cinto de segurança de um carro que
utiliza esse mecanismo de retração. Quando o cinto está frouxo ele recolhe o
cinto à sua posição inicial. Neste caso, a massa é a correia do cinto.

e-Tec Brasil 102 Segurança do Trabalho


Figura 5.1: Mecanismo de retração utilizando mola.

Os mecanismos de retração podem ser ativados pelas mãos ou pés do ope-


rador, bastante utilizados em máquinas que operam batida (prensas, guilho-
tinas, dobradeiras etc.).

As máquinas que operam em batida são as que batem em algum material


para assim poderem fazer a conformação (forma). Por exemplo, a panela é
conformada no seu formato final desse jeito.

Figura 5.2: Exemplo de uma dobradeira e de uma guilhotina. Ambas são operadas
utilizando os pés.

Essas máquinas que operam em batida têm diferentes funções. Veja algu-
mas delas a seguir. A guilhotina, ao bater no papel, corta-o; as dobradeiras
podem ser usadas para dobrar os perfis de alumínio etc.

Aula 5 | Sistemas de proteção mecânicos e eletromecânicos 103 e-Tec Brasil


Quando o material for colocado na máquina para ser preparado (o que cha-
mamos de alimentação da máquina), o operador deve vencer a resistência
das bandas retratoras. Ao vencer a resistência, a banda retratora desce, daí
o material é cortado, dobrado, prensado, de acordo com a finalidade da
máquina.

Enquanto ocorre a alimentação, as bandas obrigarão o operador a voltar à


posição inicial de segurança. Portanto, em máquinas que operam em batida,
dispositivos de segurança devem ser previstos para que a retração não ocor-
ra enquanto o operador ainda estiver alimentando a máquina e suas mãos
ainda estiverem na zona de perigo.

Figura 5.3: Homem operando uma guilhotina.

Para tornar máquinas como guilhotinas e prensas mais seguras, podem ser
utilizados sistemas bimanuais. Você sabe o que é um sistema bimanual?

Nele o operador precisa acionar dois comandos simultaneamente para ativar


a máquina. Dessa forma, ele precisará das duas mãos. O comando bimanual
existe para manter as mãos do operador em um lugar seguro, evitando assim
Glossário
a exposição a quaisquer riscos, como, por exemplo, por um descuido do
operador, a sua outra mão ainda pode estar na zona de perigo, podendo ser
Carenagem decepada.
Revestimento protetor de
certas peças da máquina.
Serve como proteção A barreira de proteção é uma proteção mecânica. Ela promove a proteção
para a máquina. Exemplo:
carenagem do cubo
do operador, por meio de uma barreira física, que pode ser através de:
da hélice do avião, da carenagem, cobertura, tela, porta, enclausuramento etc.
fuselagem, das rodas do
trem de aterrissagem etc.

e-Tec Brasil 104 Segurança do Trabalho


Estas proteções podem ser móveis, fixas ou ajustáveis:

c) as proteções móveis são geralmente vinculadas à estrutura das máqui-


nas ou presas a elas através de elementos adjacentes por meios me-
cânicos, como basculantes ou deslizantes que podem ser abertos. Os
basculantes e deslizantes podem ser abertos com as mãos, sem a ajuda
de ferramentas;

d) as proteções fixas são sempre mantidas na mesma posição, fechadas per-


manentemente por meio de solda ou fixadores (porcas, parafusos etc.),
podendo ser abertos somente com o auxílio de ferramentas;

e) as proteções ajustáveis podem ser fixas ou móveis e possuem partes que


podem ser ajustáveis pelo trabalhador para cada operação a ser realizada
na máquina.

Além dessas proteções, outras também podem ser incorporadas às máqui-


nas, como as proteções por intertravamento. Você sabe o que é esse dispo-
sitivo? Esse dispositivo aciona um comando para travar o comando que está
sendo executado na máquina.

Essas proteções são utilizadas e escolhidas de acordo com o equipamento e,


normalmente, já vêm de fábrica.

Vale ressaltar que alguns critérios devem ser utilizados ao se projetar uma
proteção. Assim devemos dar especial atenção:

–– a todas as operações que serão realizadas pela máquina e


–– à forma como essas proteções devem atuar para evitar o acidente e
os pontos de perigo. Para tanto, as proteções devem contemplar os
seguintes itens:

• distâncias de segurança;

• controle de acesso a uma zona de perigo;

• visibilidade;

• ergonomia;

Aula 5 | Sistemas de proteção mecânicos e eletromecânicos 105 e-Tec Brasil


• eficácia;

• durabilidade;

• higiene;

• limpeza.

Para verificar se a implantação dos dispositivos de proteção está satisfatória,


fazemos um check-list (lista) que varia de acordo com a tarefa que você irá
realizar.

A seguir, você encontra um exemplo de check-list, com perguntas que de-


vem ser respondidas para fazer a verificação.

a) Exigências para todos os tipos de proteção

Sim Não

Todos os elementos de proteção estão de acordo


com as normas?

Os protetores proporcionam segurança para mãos,


braços e outras partes do corpo do operário para
este não entrar na zona de perigo?

Os protetores encontram-se corretamente firmes e


difíceis de remover?

Os protetores eliminam a possibilidade de que ob-


jetos possam penetrar nas partes em movimento?

Os protetores permitem fácil, segura e confortável


utilização da máquina?

Pode a máquina ser lubrificada sem necessidade


de retirar a proteção?

e-Tec Brasil 106 Segurança do Trabalho


A máquina possui algum elemento de segurança
que atue antes de a proteção ser retirada?

É adequada a proteção empregada?

b) Perigos mecânicos do ponto de vista operacional:

Sim Não

O corpo e as extremidades do operador encon-


tram-se protegidos?

Existe alguma evidência de que o(s) protetor(es)


foi(ram) removido(s)?

Podem ser feitas melhoras?

Que mudanças podem ser efetuadas na máquina


para melhor proteger o operador?

c) Aparelhos de transmissão de potência (aparelhos que transmitem o tor-


que de um ponto ao outro):

Sim Não

Existe alguma engrenagem, polia, corrente, para-


fuso, chaveta exposta?

Existe algum controle de parada-partida (liga-desli-


ga) que seja de fácil acesso ao operador?

Se houver mais de um operador, estão previstos


controles separados?

Aula 5 | Sistemas de proteção mecânicos e eletromecânicos 107 e-Tec Brasil


Existem controles de emergência elétricos, mecâni-
cos, pneumáticos e/ou outros para deter a máqui-
na no caso de algum operador ficar preso?

Atividade 1

Atende ao Objetivo 1

Defina sistemas mecânicos.

Proteções eletroeletrônicas
Essas proteções são muito importantes e podem atuar sozinhas ou em con-
junto com outros dispositivos mecânicos para garantir uma maior eficiência
dos dispositivos de proteção. São exemplos:

–– Botoeiras eletrônicas – substituem as mecânicas utilizadas para acio-


namento de máquinas. Por serem ergonômicas, reduzem a ocorrên-
cia de doenças profissionais.

Figura 5.4: Exemplo de botoeira. Se for ligada a um circuito eletrônico ela vira uma
botoeira eletrônica.

e-Tec Brasil 108 Segurança do Trabalho


–– Cortina ou feixe de luz – pode ser instalada na zona de perigo para evi-
tar que o operador esteja com uma parte do seu corpo nesta zona.

Além disso, existem os comandos bimanuais eletrônicos, relés de segurança


etc.

Figura 5.5: Exemplo de utilização da cortina de luz.

Outras formas de proteção

Outras providências para se evitar os acidentes podem englobar:

–– evitar perigos não mecânicos;


–– evitar perigos elétricos;
–– treinamento;
–– equipamento de proteção;
–– roupa adequada;
–– manutenção e reparos corretos das instalações industriais, do local de
trabalho, das máquinas e equipamentos.

Para realizar a manutenção de uma máquina deverão ser colocados blocos de


sustentação, e não detê-la em qualquer posição, expondo os trabalhadores
à queda de algum de seus elementos, como, por exemplo, no caso de ma-
nutençao de máquinas de estampagem, prensas etc. A manutenção dessas
máquinas deverá ser efetuada regularmente. O assunto manutenção será visto
em mais detalhes no próximo tópico ainda nesta aula.

Aula 5 | Sistemas de proteção mecânicos e eletromecânicos 109 e-Tec Brasil


Os robôs, se utilizados, deverão possuir os elementos protetores adequados,
que praticamente incluem todos até agora mencionados.

O treinamento do operador para operar as máquinas de acordo com as nor-


mas de segurança é fundamental para se obter um bom desempenho no
trabalho, como atender às instruções de segurança pertinentes.

Os operadores não deverão utilizar objetos de uso pessoal, como anéis, pier-
cings, correntes, pulseiras ou qualquer objeto que possa ser motivo de peri-
go, pois esses adornos podem agarrar em alguma parte da máquina.

Figura 5.6: Pele arrancada junto com o anel que estava no dedo do funcionário.

Atividade 2

Atende ao Objetivo 2

Marque verdadeiro (V) ou falso (F) nas afirmações que se seguem em relação
às formas de proteção e justifique o motivo de ter marcado alguma sentença
como falsa:

(  ) O operador, ao utilizar prensas e guilhotinas, pode usar anéis e pulseiras.

(  ) O operador deve usar roupas adequadas ao utilizar máquinas industriais


que vimos nesta aula.

(  ) Realizar o trabalho da forma mais rápida é o modo mais seguro de utili-


zação das máquinas industriais.

e-Tec Brasil 110 Segurança do Trabalho


(  ) A realização de treinamento do pessoal que operará as máquinas indus-
triais é uma forma de diminuir os acidentes de trabalho.

Manutenção

É um conjunto de procedimentos necessários para assegurar um mínimo


de paradas em máquinas e equipamentos, garantindo um máximo tempo
efetivo de trabalho e eficiência nas atividades de produção. As manutenções
são uma forma de proteção das máquinas e equipamentos, assim como dos
trabalhadores, pois uma máquina sem manutenção pode gerar, por exem-
plo, ruidos excessivos, vibrações desnecessárias etc.

As manutenções podem ser de quatro tipos:

a) Manutenção corretiva: é a manutenção executada para reparar defeitos


somente em caso de pane nos equipamentos, ou seja, tem o objetivo
de corrigir defeitos quando estes aparecem.

b) Manutenção preventiva: é feita seguindo um cronograma prévio e com


paradas programadas onde se realizam as trocas de peças desgastadas
por novas. Isso garante um perfeito funcionamento das máquinas.

c) Manutenção preditiva: consiste no planejamento antecipado das in-


tervenções corretivas a partir da adoção de técnicas de monitoramen-
to das máquinas, como análise de vibrações, análise dos resíduos lu-
brificantes.

d) Manutenção proativa: é a combinação da manutenção preventiva com a


preditiva e permite identificar os problemas antes de eles acontecerem.

Ferramentas manuais

Vamos pensar na seguinte situação: a fechadura da porta da nossa residên-


cia quebrou; precisamos retirá-la para substituição. Qual ferramenta vamos
utilizar?

Aula 5 | Sistemas de proteção mecânicos e eletromecânicos 111 e-Tec Brasil


Krista Davis
Primeiro somos leigos e não conhecemos de mar-
cenaria; muito menos somos chaveiros. Lembre-se
de que todo tipo de trabalho só pode ser realizado
por pessoa qualificada. Além de saber fazer o tra-
balho, devemos estar com as ferramentas corretas
e nunca improvisar.

Cada ferramenta apresenta seu problema de segu-


Fonte: http://www.sxc.hu/photo rança particular. Na maioria das vezes, o problema
/455423
está no uso incorreto do usuário, seja por desco-
nhecimento do uso correto ou por desrespeito às normas de segurança.

A verificação das ferramentas é uma responsabilidade do profissional que


faz o reparo. O papel do técnico de segurança do trabalho é garantir que
essa inspeção foi feita.

As ferramentas manuais podem ser divididas em dois grupos:

• simples (comuns) ou

• acionadas por fontes de energia.

Ferramentas simples
As ferramentas simples são as que não são acionadas por energia, ou seja,
não estão ligadas à rede elétrica.

Veja alguns exemplos a seguir.


Rodolfo Clix

Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1025623

Figura 5.7: Chave de fenda: deve ser utilizada apenas para os serviços em que seja
necessário apertar e desapertar parafusos de fenda.

e-Tec Brasil 112 Segurança do Trabalho


Jean Scheijen
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/850375

Figura 5.8: Alicate universal: função de corte, apertar e segurar peças ou parafusos.
owais khan

Fonte: http://www.sxc.hu/photo/839738

Figura 5.9: Alicate de bico: função de segurar e apertar peças, cabos, parafusos etc.
Jean Scheijen

Fonte: http://www.sxc.hu/photo/850374

Figura 5.10: Alicate de corte: função de corte de cabos, fios etc.


Sanja Gjenero

Fonte: http://www.sxc.hu/photo/628314

Figura 5.11: Martelo de cunha: função de martelar peças, pregos etc.

Aula 5 | Sistemas de proteção mecânicos e eletromecânicos 113 e-Tec Brasil


Rafael Crovador
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/706963

Figura 5.12: Martelo tipo unha: função de martelar, peças, pregos etc.

Carlos Paes
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/89568

Figura 5.13: Alicate de pressão: função de apertar com pressão peças, parafusos etc.
Ove Tøpfer

Fonte: http://www.sxc.hu/photo/871518

Figura 5.14: Serrote: função de serrar madeira.


Jean Scheijen
tasos antoniou

Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1073289
http://www.sxc.hu/photo/463842

Figura 5.15: Chave philips: função de apertar e desapertar parafusos tipo philips.

e-Tec Brasil 114 Segurança do Trabalho


Agora que você já leu um pouco mais sobre as ferramentas é importante
saber dos perigos que algumas dessas ferramentas podem oferecer se forem
usadas de maneira errada. Vamos lá?

O uso inadequado de uma chave de fenda pode levar a problemas de dife-


rentes tipos, como machucar a mão do operário que a está utilizando, levan-
tar fragmentos que podem acabar atingindo os olhos dos operários etc.

O martelo é composto de duas partes: cabo de madeira (ou plástico) e uma


ponta de ferro, que chamamos de cabeça.

O martelo, se utilizado de forma incorreta, pode machucar os dedos ou a


mão de quem o está manejando. Também pode acontecer de a ferramenta
atingir outras pessoas (que muitas vezes nem estão envolvidas com o serviço
em questão), como quando a cabeça do martelo se desprende de seu cabo
ou quando o cabo do martelo se solta das mãos do operário.

Aula 5 | Sistemas de proteção mecânicos e eletromecânicos 115 e-Tec Brasil


Se o trabalhador estiver com as mão sujas de graxa, a ferramenta pode
acabar escorregando da sua mão, podendo atingir pessoas ou causar danos
que podem inutilizá-las ou mesmo impedir que o trabalho seja feito correta-
mente, visto que há uma perda na sensibilidade das mãos, assim como uma
diminuição do atrito da mão com a ferramenta.

Embora não seja possível enumerar todas as situações passíveis de


acidente no que diz respeito à má utilização das ferramentas, é
importante que as utilizemos sempre da maneira correta... Prevenir
é melhor que remediar!

Quanto à manutenção das ferramentas manuais deve-se observar as mes-


mas regras de utilização que para qualquer outro equipamento. Ou seja,
são utilizadas para o fim que elas foram concebidas, são mantidas em bom
Glossário
estado de limpeza e conservação.

Acondicionamento Quanto ao acondicionamento das máquinas e dos equipamentos, devem


Pôr condições a; regular, ser respeitadas as normas de segurança, para não cortar, machucar ou ferir
condicionar.
qualquer parte do corpo.

As proteções que as ferramentas comuns devem possuir vêm de fábrica e


devem ser apropriadas, para não causar danos ao usuário. Mas como as
proteções das ferramentas podem se tornar não apropriadas?

e-Tec Brasil 116 Segurança do Trabalho


Quedas, arranhões profundos e o uso de ferramentas para atividades dife-
rentes das recomendadas para o trabalho podem danificar a isolação e a
própria ferramenta.

As ferramentas devem ter proteções de acordo com o tipo de utilização que,


além dos dispositivos mecânicos, podem exigir outros tipos de proteções,
como, por exemplo, as ferramentas para o uso em eletricidades que, além
dessas proteções, devem possuir isolação à eletricidade, conforme as normas
próprias do país onde são utilizadas.

No Brasil, seguimos as normas que estão na NR-10, além de outras normas


que devem ser seguidas para atender aos requisitos da NR-10, como a NBR
9.699 (Isolação – Ferramentas manuais até 1.000 V) e a NBR 5.410 (Instala-
ções elétricas de baixa tensão), entre outras.

A ferramenta manual deverá ser projetada para:

• minimizar os problemas de danos;

• ser adaptável ao serviço;

• ser ergonomicamente perfeita e, consequentemente, seu uso não produ-


zir cansaço ou desconforto ao trabalhador.

Um projeto mal-executado poderá trazer como consequência problemas nos


pulsos, como vimos na disciplina Ergonomia e na Aula 2 desta disciplina.

Ferramentas acionadas por fontes de energia (ou


de potência)
As ferramentas que utilizam fontes de energia (ou de potência) são aquelas
que usam eletricidade.

Fonte: www.cedasc.ba.gov.br

Aula 5 | Sistemas de proteção mecânicos e eletromecânicos 117 e-Tec Brasil


Este tipo de ferramenta necessita que o operador seja bem-treinado quanto:

• ao seu uso,

• a como se proteger de eventuais perigos da ferramenta ou dos que po-


dem advir do seu uso incorreto.

O uso incorreto pode envolver situações como o curto-circuito na ferramen-


ta, caso ela seja exposta à água, por exemplo.

As ferramentas devem ser de boa qualidade e possuir proteções que garan-


tam segurança ao trabalhador.

Neste grupo de ferramentas encontram-se:

–– lixadeiras orbitais, rotativas e não rotativas, angulares e verticais;


–– esmerilhadeiras do tipo angular ou retas (de chicote);
–– apertadeiras;
–– vibradores de concreto (usualmente pneumáticos);
–– marteletes quebradores, rompedores e quebra-crostas, rebarbadores
(usualmente pneumáticos);
–– furadeiras leves e pesadas (retas ou angulares);
–– chaves de impacto.

Figura 5.16: Lixadeira: função de lixar objetos de madeira.

e-Tec Brasil 118 Segurança do Trabalho


Figura 5.17: Vibradores de concreto: função de compactar o concreto.

Jason conlon

Fonte: http://www.sxc.hu/photo/630607

Figura 5.18: Esmerilhadeira: função de polir a peça, retirando o excesso de material.


Ove Tøpfer

Fonte: http://www.sxc.hu/photo/869164

Figura 5.19: Furadeira: função de ferramenta ou máquina com broca para furar.

Figura 5.20: Esmerilhadeira: função de polir a peça, retirando o excesso de material.

Aula 5 | Sistemas de proteção mecânicos e eletromecânicos 119 e-Tec Brasil


O operador não deve colocar as ferramentas em operação até ele estar se-
guro de como elas devem operar. Algumas máquinas possuem um botão
para que permaneçam em trabalho contínuo enquanto são utilizadas. Um
exemplo de máquina com esse botão é a furadeira; ao pressionar-se esse
botão uma vez, a furadeira fica em trabalho contínuo até que o mesmo seja
pressionado novamente.

A Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho e Emprego (NR12) –


“Máquinas e Equipamentos” – estabelece uma série de normas que dizem
respeito a máquinas e ferramentas, sendo importante salientar as motosser-
ras (em seu Anexo 1). Este equipamento é responsável pela perda de mais de
quinhentos mil (500.000) dedos de trabalhadores no ano de 2008.

A NR12 determina:

• proibições e dispositivos de segurança que estas máquinas devem possuir;

• ruídos e vibrações permitidos;

• como deve ser o treinamento para os operadores.

Atividade 3

Atende ao Objetivo 1

Agora que você chegou ao final desta aula, vamos rever o que aprendemos?
Pense e responda:

1. As ferramentas manuais podem ser divididas em dois grupos. Quais são eles?

2. Comente sobre as práticas de segurança:

e-Tec Brasil 120 Segurança do Trabalho


Atividade 4

Atende ao Objetivo 2

Em uma construção civil, Jorge, o engenheiro responsável pelo empreendi-


mento, notou que havia uma árvore no lugar onde deveria ser cavada uma
fundação para a construção de um edifício. Após consultar os responsáveis
pelas questões ambientais do empreendimento, Jorge pediu que João, um
operário da obra, cortasse a tal árvore.

Infelizmente, João não tinha muita experiência com motosserras e acabou


causando um acidente horrível, envolvendo duas pessoas: ele mesmo e seu
colega de trabalho, José.

Agora, João e José estão no hospital e não sabem quando poderão voltar às
suas atividades normais e seu Jorge, o engenheiro, perdeu o seu emprego e
está respondendo um processo trabalhista.

Depois de ler essa história, marque, no texto, os possíveis erros cometidos


nessa construção e responda:

a) Que norma de segurança está reservada para o equipamento em questão?

Aula 5 | Sistemas de proteção mecânicos e eletromecânicos 121 e-Tec Brasil


b) De que maneiras essa norma foi desrespeitada?

c) Qual é a distância mínima que deve haver entre máquinas e equipamen-


tos? E entre suas partes móveis?

Conclusão
Nesta aula, você viu como os sistemas de proteção em máquinas e equipa-
mentos são importantes, e, principalmente, que devemos ter cuidado com
esses equipamentos. Além disso, viu que uma manutenção eficaz poder ser
extremamente útil, além de ser um sistema de proteção das máquinas e
equipamentos.

Resumo

• Nesta aula podemos ver como é o funcionamento dos sistemas elétricos


e mecânicos, como, por exemplo, o sistema de retração, que é o princípio
de funcionamento do cinto de segurança do carro, e como a proteção
pode impedir que o trabalhador se acidente, correndo o risco de perder
um braço ou um dedo.

• Foi falado sobre o check-list, que é uma ferramenta de trabalho impor-


tante. Ela pode auxiliar na detecção dos riscos.

• As manutenções podem auxiliar na proteção dos trabalhadores no seu


ambiente de trabalho. Elas podem ser corretivas, preventivas, preditivas
ou proativas.

• As ferramentas manuais podem ser acionadas por fontes de energia ou


simples. Elas também fazem parte do ambiente laboral e devem ter os
mesmos requisitos de proteção e cuidados para o seu uso.

e-Tec Brasil 122 Segurança do Trabalho


Informação sobre a próxima aula

Na próxima aula, veremos os procedimentos corretos para armazenamento,


manuseio e transporte de materiais.

Respostas das atividades

Atividade 1

Um sistema mecânico em geral é composto por massas, molas e amortece-


dores que são interligados entre si para realizar diversos movimentos.

Atividade 2

(F) não deve ser usado nenhum tipo de adorno.

(V)

(F) nem sempre a forma de realizar o trabalho mais rápido é a forma mais
segura.

(V)

Atividade 3

1. Podem ser simples, ou seja, que não são acionadas por nenhuma fonte
elétrica, ou acionadas por fontes elétricas.

2. As práticas de segurança devem envolver todos os funcionários em trei-


namentos sobre as normas de conhecimento, um bom conhecimento do
local de trabalho e das máquinas de trabalho e, principalmente, seguir as
normas de higiene e segurança do trabalho.

Atividade 4

a) NR12

b) Falta de treinamento do funcionário para manuseio da motosserra, falta


de equipamento de proteção individual para João e a ausência de medi-
das de segurança quanto aos demais trabalhadores da obra.

Aula 5 | Sistemas de proteção mecânicos e eletromecânicos 123 e-Tec Brasil


c) A distância entre as máquinas deve estar compreendida entre 0,60m a
0,80m e a distância entre as partes móveis das máquinas devem estar
entre 0,70m a 1,30m, a critério da autoridade em medicina e segurança
do trabalho.

Referências bibliográficas
BRASIL. Segurança e medicina do trabalho: Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977.
65. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 760 p. (Manuais de legislação Atlas, 16).
______. Ministério do Trabalho e Trabalho. NR 10: segurança em instalações e serviços
em eletricidade. Portaria GM n.º 3.214, de 08 de junho de 1978. Diário Oficial [da]
República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 06 jul. 1978.
______. Ministério do Trabalho e Trabalho. NR 12: máquinas e equipamentos. Portaria
GM n.º 3.214, de 08 de junho de 1978. Portaria SSST n.º 12, de 06 de junho de 1983.
Portaria SSST n.º 13, de 24 de outubro de 1994. Portaria SSST n.º 25, de 28 de janeiro
de 1996. Portaria SSST n.º 04, de 28 de janeiro de 1997. Diário Oficial [da] República
Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 06 jul. 1978. Disponível em: <http://
www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/nr_12.pdf>. Acesso em: 22
mar. 2010.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410: instalações elétricas de
baixa tensão. Rio de Janeiro, 2004.
______. NBR 9699: isolação: ferramentas manuais até 1000 V. Rio de Janeiro, 1987.
CAMPOS, Armando Augusto Martins. Segurança do trabalho com máquinas e
equipamentos. São Paulo: Centro de Educação em Saúde, SENAC, 1998.
DINIS, Ana P. S. Machado. Saúde no trabalho: prevenção, dano, reparação. São Paulo:
LTR, 2003.
SALAROLI, Carlos Alberto. LER/DORT. São PAULO: FUNDACENTRO, 2000

e-Tec Brasil 124 Segurança do Trabalho


Aula 6 | Elevação e transporte
de materiais

Meta da aula

• Apresentar os procedimentos corretos para armazenamento,


manuseio e transporte de materiais.

Objetivos da aula
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
1. identificar os procedimentos corretos para armazenamento,
manuseio e transporte de cargas;
2. avaliar as formas de transporte e o manuseio de cargas;
3. relacionar os tipos de EPI e suas funções;
4. identificar os pictogramas.

Manuseando materiais e cargas

Em muitos ambientes laborais é comum o transporte de materiais, que é o


assunto desta aula. Este assunto é tão importante que é tratado através da Nor-
ma Regulamentadora n° 11 do Ministério do Trabalho e Emprego, que prevê
alguns critérios para armazenagem, transporte e manuseio de cargas/materiais.
Esses critérios são essenciais para evitar riscos no ambiente de trabalho, assim
como lesões futuras nos trabalhadores, devido a problemas ergonômicos.

Figura 6.1: Movimentando cargas com segurança.

Aula 6 | Elevação e transporte de materiais 125 e-Tec Brasil


Movimentando materiais...

A movimentação de materiais é uma operação ou conjunto de operações


que envolvem mudança na posição de objetos ou cargas para efetuar qual-
quer processamento ou serviço. Esses movimentos são efetuados mediante
a utilização de equipamentos que poderão exigir esforços do trabalhador,
deixando-o exposto a determinados riscos provenientes dessa atividade.

Esses riscos aos quais o trabalhador está exposto na movimentação e mani-


pulação de materiais devem-se a situações desfavoráveis ou agressivas. Essas
situações podem interferir com maior ou menor intensidade no rendimento
do trabalhador, devido a diversas situações, tais como:

• trabalho físico exigido;

• posturas incorretas ou incômodas;

• armazenamento inadequado da carga;

• condições ambientais insatisfatórias, como, por exemplo, baixa ventila-


ção, iluminação inadequada etc.;

• arranjos físicos deficientes;

• edificações não compatíveis com a atividade desenvolvida.

Procedimentos para levantamento de pesos


Como visto na disciplina Ergonomia, o corpo humano possui uma limitação
para o levantamento de pesos e cargas e existem alguns detalhes que devem
ser seguidos no levantamento de peso:

1. Esteja bem apoiado nos seus pés durante o procedimento.

2. Verifique se o piso não está úmido, a fim de evitar acidentes, como es-
corregões, por exemplo.

e-Tec Brasil 126 Segurança do Trabalho


3. Verifique o tamanho e peso da carga.

4. Verifique se a carga está bem condicionada,


ou seja, se está guardada e empilhada cor-
retamente, se não existem vazamentos ou
se ela se encontra fixada no piso.

5. Posicione seus pés de forma a obter uma


posição estável.

6. Segure firmemente a carga, usando elementos apropriados que o aju-


dem no levantamento, como pinças, luvas aderentes ou algum tipo de
ferramenta.

7. Dobre os joelhos para segurar a carga.

8. Mantenha a coluna reta e o rosto virado para a fren-


te, como se estivesse olhando em linha reta.

9. Eleve-se utilizando os joelhos e mantenha a coluna ereta.

10. Contraia os músculos do abdômen.

11. Levante rapidamente a carga.

12. Mantenha a carga perto do seu corpo. Essa forma mi-


nimiza seu esforço.

13. Tenha cuidado com seus dedos, para não baterem contra paredes ou ou-
tros objetos, pois estarão na frente da carga que está sendo transportada.

14. Não gire o corpo durante o levantamento do peso, pois isso pode causar
algum dano na coluna.

15. Desça suavemente a carga, flexionando os joelhos, mas


mantendo a coluna reta.

Aula 6 | Elevação e transporte de materiais 127 e-Tec Brasil


Armazenamento e transporte de cargas

Deve-se dar especial atenção à operação de equipamentos para transporte


de cargas, tais como elevadores, guindastes e máquinas transportadoras.

Os poços de elevadores deverão ser cercados com materiais sólidos, sendo


as portas ou cancelas protegidas por corrimão ou portas, para que nenhuma
pessoa caia no poço.

É importante que os equipamentos utilizados no transporte de cargas este-


jam em perfeito estado de conservação e tenham resistência às cargas que
ele irá transportar. A carga de trabalho não deve ultrapassar a carga máxima
de trabalho permitida.

Em caso de transporte com equipamento que utilize motor a combustão, o


trabalhador deve receber treinamento específico, a ser ministrado por profis-
sional habilitado. E se o equipamento a combustão for utilizado em ambien-
te fechado, medidas que propiciem a exaustão dos gases produzidos pelos
equipamentos devem ser tomadas.

Atividade 1

Atende aos Objetivos 1 e 2

a) O que é movimentação de cargas?

b) O que pode atrapalhar na movimentação de cargas?

e-Tec Brasil 128 Segurança do Trabalho


c) Quais os requisitos mínimos para a utilização de um equipamento no
transporte de cargas?

NR-6. Equipamento de Proteção Individual


– EPI

Em todo o tipo de trabalho, quando não for possível garantir a segurança


e saúde do trabalhador através de medidas administrativas ou por meio de
EPC (Equipamento de Proteção Coletiva), os Equipamentos de Proteção In-
dividual deverão ser utilizados. Estes equipamentos são normatizados pelo
Ministério do Trabalho e Emprego através da NR-6. Mas o que é um EPI?

Equipamento de Proteção Individual – EPI “é todo dispositivo de uso indivi-


dual, de fabricação nacional ou estrangeira, destinado a proteger a saúde e
a integridade física do trabalhador”.

O EPI, por si só, não é capaz de evitar acidentes. Sua utilização tem como
finalidade minimizar os efeitos de um possível acidente de trabalho.

A Norma Regulamentadora 6 (NR-6) estabelece as obrigações e responsabi-


lidades do empregado e empregador quanto ao tipo e ao uso dos equipa-
mentos de proteção individual. Esta norma estabelece também as respon-
sabilidades relativas às empresas que vendem e/ou fabricam estes tipos de
materiais.

O empregador é obrigado a fornecer gratuitamente o equipamento de pro-


teção adequado à função exercida pelos seus empregados, bem como exigir
o seu uso. É importante que os EPI sejam mantidos em perfeitas condições
para que, de fato, possam garantir a segurança do trabalhador.

Os EPIs devem atender às peculiaridades de cada atividade profissional. Cada


EPI é específico para proteger determinada parte do corpo do trabalhador.
Veja os tipos de proteção listados a seguir:

Aula 6 | Elevação e transporte de materiais 129 e-Tec Brasil


Ove Tøpfer
1. proteção da cabeça;

Dennis Taufenbach
pipp
Fonte: www.sxc.hu/
photo/871458

2. proteção dos membros superiores (bra-


ços, antebraços e mãos); Fonte: www.sxc.hu/ Fonte: www.sxc.hu/
photo/75708 photo/102659

Carlos Paes

Brenton Nicholls
3. proteção para os membros
inferiores (pernas);

Fonte: www.sxc.hu/ Fonte: www.sxc.hu/


photo/226598 photo/36297

4. proteção contra quedas com diferença de nível;

Gfree
5. proteção auditiva;

Jean Scheijen
6. proteção respiratória;
Fonte: www.sxc.hu/ Fonte: www.sxc.
photo/607043
7. proteção do tronco; hu/photo/8023

Kriss Szkurlatowski
8. proteção do corpo inteiro;

9. proteção da pele.

Fonte: www.sxc.hu/
photo/1102835

Essa classificação dos tipos de EPI segue a classificação do Ministério do Tra-


balho e Emprego e é dada através da NR-6, em seu Anexo I.

e-Tec Brasil 130 Segurança do Trabalho


Fonte: http://www.sanesul.ms.gov.br/Portals/0/imprensa/2008/ago/Epi002.jpg

Figura 6.2: Existem diversos tipos de EPIs e cada um deles protege determinada parte
do corpo. Por exemplo, os capacetes são utilizados para a proteção da cabeça, as luvas
protegem as mãos e as máscaras servem como proteção do aparelho respiratório.

Atividade 2

Atende ao Objetivo 3

Relacione a segunda coluna de acordo com a primeira.

a) Proteção para o tronco (  ) capacete

b) Proteção para os pés e membros inferiores (  ) colete à prova de balas

c) Proteção para o ouvido (  ) botas e perneiras

d) Proteção para as mãos (  ) protetor auricular

e) Proteção para a cabeça (  ) luvas

Pictogramas

Para facilitar a comunicação no ambiente de trabalho, ou seja, quando se pre-


cisa transmitir alguma mensagem aos trabalhadores, são utilizados símbolos
gráficos, conhecidos como pictogramas, cujo objetivo é sempre transmitir
alguma informação. É importante que a informação que se deseja transmitir
seja de fácil conhecimento e possa ser entendida por qualquer pessoa.

Aula 6 | Elevação e transporte de materiais 131 e-Tec Brasil


Figura 6.3: Os pictogramas são um meio muito importante de comunicação dentro
do ambiente de trabalho.

Seguem alguns exemplos de pictogramas:

Figura 6.4: Indicação de advertência.

e-Tec Brasil 132 Segurança do Trabalho


Figura 6.5: Advertência para a presença de veneno.

Figura 6.6: Advertência para risco de choque elétrico.

Figura 6.7: Esta placa indica a necessidade de atender ao uso obrigatório de EPI.

Aula 6 | Elevação e transporte de materiais 133 e-Tec Brasil


Atividade 3

Atende aos Objetivos 3 e 4

a) Como os EPIs são classificados segundo a NR-6?

b) O que são os pictogramas?

Conclusão

Em todo o trabalho com transporte, manuseio e armazenagem com cargas,


as limitações do trabalhador devem ser respeitadas, tendo como referências
a NR-11.

Resumo

• O transporte e o manuseio de cargas merecem atenção especial, sendo


tratados inclusive pela NR-11.

• O uso correto dos EPIs pode contribuir para a eliminação ou o controle


dos riscos ocupacionais.

• Deve-se conhecer bem os pictogramas, que são utilizados para a comu-


nicação no ambiente de trabalho.

e-Tec Brasil 134 Segurança do Trabalho


Respostas das atividades

Atividade 1

a) A movimentação de materiais é uma operação ou um conjunto de ope-


rações que envolvem mudança na posição de objetos ou cargas para
efetuar qualquer processamento ou serviço.

b)

• exigência de trabalho físico intenso;

• armazenamento inadequado da carga;

• condições ambientais insatisfatórias, como, por exemplo, baixa ventila-


ção, iluminação inadequada etc.

• arranjos físicos deficientes;

• edificações não compatíveis com a atividade desenvolvida.

c) É importante que os equipamentos utilizados no transporte de cargas es-


tejam em perfeito estado de conservação e tenham resistência às cargas
que ele irá transportar. A carga de trabalho não deve ultrapassar a carga
máxima de trabalho permitida.

Se o equipamento for a combustão e for utilizado em ambiente fechado,


medidas que propiciem a exaustão dos gases produzidos pelos equipa-
mentos devem ser tomadas.

Atividade 2

(e) capacete

(a) colete à prova de balas

(b) botas e perneiras

(c) protetor auricular

(d) luvas

Aula 6 | Elevação e transporte de materiais 135 e-Tec Brasil


Atividade 3

a)

1. proteção da cabeça;

2. proteção dos membros superiores (braços, antebraços e mãos);

3. proteção para os membros inferiores (pernas);

4. proteção contra quedas com diferença de nível;

5. proteção auditiva;

6. proteção respiratória;

7. proteção do tronco;

8. proteção do corpo inteiro;

9. proteção da pele.

b) São simbolos gráficos que são utilizados para transmitir algum tipo de
informação.

Referências bibliográficas
BRASIL. Ministério do Trabalho e Trabalho. NR 06: equipamento de proteção individual –
EPI. Portaria GM n.º 3.214, de 08 de junho de 1978.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Trabalho. NR 11: transporte, movimentação, armazenagem
e manuseio de materiais. Portaria GM n.° 3.214, de 08 de junho de 1978. Portaria SIT n.°
56, de 17 de julho de 2003. Portaria SIT n.° 82, de 01 de junho de 2004.

e-Tec Brasil 136 Segurança do Trabalho

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