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TÍTULOS

DE

CRÉDITO
SUMÁRIO

1 – TEORIA GERAL DOS TÍTULOS DE CRÉDITO.........................................................................

1.1. Títulos de crédito frente ao Novel Código Civil...........................................

2 – CONCEITO.................................................................................................................................

3 – PRINCÍPIOS...............................................................................................................................

3.1. Literalidade
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3.2. Cartularidade
..........................................................................................................................................................

3.3. Autonomia
..........................................................................................................................................................

3.3.1. Inoponibilidade das Exceções


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3.4. Abstração
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3.5. Independência
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4 – NATUREZA JURÍDICA...............................................................................................................

4.1. Juristas Franceses (Teoria Contratual)......................................................................................

4.2. Juristas Alemães (Teoria da Abstração).....................................................................................

4.3. Juristas Italianos (Teoria dos Direitos )......................................................................................

5 – CLASSIFICAÇÃO......................................................................................................................

5.1. Quanto à natureza ou conteúdo


..........................................................................................................................................................

5.1.1. Propriamente ditos


..........................................................................................................................................................

5.1.2. Destinados à aquisição de direitos reais


..........................................................................................................................................................

5.1.3. Atribuem a qualidade de sócio


..........................................................................................................................................................

5.1.4. Impropriamente ditos


..........................................................................................................................................................

5.2. Quanto à pessoa do emitente


..........................................................................................................................................................

2
5.2.1. Públicos
..........................................................................................................................................................

5.2.2. Privadas
..........................................................................................................................................................

5.3. Quanto a Circulação


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5.3.1. Nominativos
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5.3.2. à Ordem
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5.3.3. Ao Portador
..........................................................................................................................................................

5.3.4. Não à ordem


..........................................................................................................................................................

6 – CRIAÇÃO E EMISSÃO..............................................................................................................

7 – ATRIBUTOS...............................................................................................................................

7.1. Aceite
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7.1.1. Conceito
..........................................................................................................................................................

7.2. Endosso
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7.2.1. Conceito
..........................................................................................................................................................

7.2.2. Figuras
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7.2.3. Classificação
..........................................................................................................................................................

7.2.3.1. Endosso próprio


..........................................................................................................................................................

7.2.3.1.1. Endosso em Branco


..........................................................................................................................................................

7.2.3.1.2. Endosso em Preto


..........................................................................................................................................................

7.2.3.2. Endosso Impróprio


..........................................................................................................................................................

3
7.2.3.2.1. Endosso-mandato ou endosso-procuração
..........................................................................................................................................................

7.2.3.2.2. Endosso caução ou pignoratício


..........................................................................................................................................................

7.2.3.2.3. Endosso Fiduciário


..........................................................................................................................................................

7.2.3.2.4. Endosso Póstumo ou Tardio


..........................................................................................................................................................

7.2.3.2.5. Endosso sem Data


..........................................................................................................................................................

7.3. Aval
..........................................................................................................................................................

7.3.1. Conceito
..........................................................................................................................................................

7.3.2. Figuras
..........................................................................................................................................................

7.3.3. Diferenças entre Aval e Fiança


..........................................................................................................................................................

7.3.4. Avais Simultâneos e Sucessivos


..........................................................................................................................................................

8 – PROTESTO................................................................................................................................

8.1. Conceito
..........................................................................................................................................................

8.2. Interrupção da Prescrição


..........................................................................................................................................................

8.3. Protesto Facultativo


..........................................................................................................................................................

8.4. Protesto Obrigatório


..........................................................................................................................................................

8.5. Legislação: Lei nº 9492/97 (Lei do Protesto – LP)


..........................................................................................................................................................

9 – LETRA DE CÂMBIO...................................................................................................................

10 – NOTA PROMISSÓRIA..............................................................................................................

11 – CHEQUE...................................................................................................................................

4
12 – DUPLICATA DE VENDA MERCANTIL E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.................................

13 –WARRANT – CONHECIMENTO DE DEPÓSITO – CONHECIMENTO DE


TRANSPORTE – CÉDULA DE CRÉDITO RURAL – CÉDULA DE CRÉDITO
COMERCIAL – CÉDULA DE CRÉDITO INDUSTRIAL – CÉDULA DE
CRÉDITO BANCÁRIO – BILHETE AÉREO – BILL OF CHANGE –
TRAVELLER’S CHECKS
............................................................................................................................

14 – LEGISLÇÃO.........................................................................................

14.1. Legislação remanescente

15 – SÚMULAS DO S.T.F. ..........................................................................

16 – SÚMULAS DO S.T.J. .........................................................................

17 – BIBLI

OGRAFIA ...................................................................................

1. TEORIA GERAL DOS TÍTULOS DE CRÉDITO

1.1. O crédito é, economicamente, a negociação de uma obrigação futura, sendo a


utilização dessa obrigação futura para a realização de negócios atuais, ou seja, o crédito se
verifica na troca de um valor presente e atual, por um valor futuro. 1

O crédito apresenta dois elementos implícitos: a confiança e o tempo.

“O crédito importa um ato de fé, de confiança, do credor”. Daí a origem etimológica


da palavra – creditum, credere.2 Tal confiança, no pagamento futuro, pode não derivar,
exclusivamente, do devedor, mas de garantias pessoais (verbi gratia aval, fiança), ou reais
(verbi gratia penhor, hipoteca), que o mesmo ofereça ao credor pelo referido pagamento. 3

O tempo é o prazo concedido pelo credor ao devedor para saldar o seu débito.

1
BORGES, João Eunápio. Títulos de Crédito. 2. ed., 9. tiragem. Rio de Janeiro: Forense, 1983, p. 7.
2
REQUIÃO, Ruben. Curso de Direito Comercial. 18. ed., São Paulo: Saraiva, v.2, 1992, p. 290.
3
Cf. BORGES, João Eunápio, Op. cit., p. 7.

5
Ao direcionar a economia monetária a creditória, ampliou-se, decididamente, o
conceito de troca.4 Mas, assim como a troca não gera mercadorias, o crédito não cria capitais,
já sustentava Stuart Mill, pois o crédito redunda na permissão para se usar do capital alheio, o
que, naturalmente, permite um melhor aproveitamento e disseminação deste capital.

Com o desenvolvimento, na Idade Média, do tráfico mercantil, viabilizou-se a


simplificação do meio circulante de capitais. Houve a separação do capital e pessoas. Gerou-se
um aperfeiçoamento dos títulos de crédito, que, até aí, eram transmitidos por via de cessão,
notificando-se o devedor, com o tratamento totalmente formal (Lei Paetelia Papiria).

1.1 – O que mudou frente ao Novel Código Civil.

Praticamente nada, mas duas mudanças foram significativas.

Permita-se transcrever o preceito do art. 903 do Código Civil:

“Art. 903. Salvo disposição diversa em lei especial, regem-


se os títulos de crédito pelo disposto neste código.”

Acontece que os títulos de crédito, quase que em sua totalidade, são


regidos por lei especial, o que leva ao entendimento que as Leis Adjetivas inerentes aos títulos
não sofreram nenhuma alteração.

As modificações introduzidas pelo Novo Código são apenas duas. A


primeira, a disposição do art. 1647, III, que exige a vênia conjugal ao aval, exceto se o regime
de bens for o da separação absoluta. E a segunda, a do art. 202, tendo em vista que a
prescrição da pretensão, que ocorrerá agora uma única vez, se dará tanto pelo protesto
judicial, quanto pelo protesto cambial.

De resto, nada mudou.

2. CONCEITO

4
ALMEIDA, Amador Paes de. Teoria e Prática dos Títulos de Crédito. 12. ed., São Paulo: Saraiva, 1989,
p. 2.

6
O conceito mais difundido e mais aceito, considerados por alguns perfeito 5 é o de
César Vivante, segundo o qual:

“ Tít u lo d e cré d it o é o d o cu me nt o n ece ssá rio p a ra o


e xe rcí cio do d ire ito , lit e ra l e a ut ô no mo , n ele me n cion ad o . ”
6

A conceituação de Vivante para títulos de créditos é tão boa que vários países a
incorporaram em suas legislações, positivando-a, o próprio Brasil, em seu Projeto de Código de
Obrigações, a perfilha no art. 899.7

3. PRINCÍPIOS

Com a definição de Vivante, conclui-se quais são os elementos caracterizadores


dos títulos de crédito: a LITERALIDADE, a CARTULARIDADE (chamada pelo Prof. João E.
Borges de INCORPORAÇÃO) e a AUTONOMIA. Estes são os característicos comuns aos
títulos de crédito, entretanto, há algumas outras que são particulares a determinados títulos,
por assim dizer lhes são acidentais (ABSTRAÇÃO E INDEPENDÊNCIA).

3.1. A LI TE RALI DADE . Vale no título apenas o que nele está escrito. É o
conteúdo, a extensão e a modalidade do direito nele consubstanciado. É decisivo
exclusivamente o teor do título.

João Eunápio Borges, vislumbra na literalidade um duplo aspecto, a atuar contra e


a favor das partes, que é positivo e negativo. Esclarece ele, in verbis: “Se, sob o aspecto
positivo, somente do conteúdo ou teor do título é que resulta a individuação e a delimitação do
direito cartular, sob o seu aspecto negativo, nem o subscritor, nem o portador poderá invocar
contra o título, fato ou elemento não emergente do mesmo título.” 8

3.2. A CARTULARI D ADE . Para a existência do título, há a necessidade de


haver uma cártula, que é materialização do direito por intermédio do documento. Duas

5
REQUIÃO, Rubens, Op. cit., p. 291.
6
VIVANTE, César. Tratt. Di Dir. Comm., 5. ed., v. 3, p. 123, Apud MARTINS, Fran, Títulos de Crédito.
3. ed., Rio de Janeiro: Forense, v. 2, 1992, p. 6.
7
BORGES, João Eunápio, Op. cit., p. 11.
8
BORGES, João Eunápio, Op. cit., p. 13.

7
posições se apresentam, uma que entendem que o documento (título) incorpora o direito. 9,
entretanto, a tal entendimento se contrapõe Vivante 10, segundo o qual o título de crédito se
assenta, se materializa em um documento (cártula), sendo que para o exercício do direito
resultante do crédito impõe-se a apresentação do documento. Destarte, para se exigir ou
exercitar qualquer direito oriundo do título de crédito, faz-se mister a apresentação do
documento.

3.3. A AUTO NO MI A . As obrigações contraídas no título são autônomas e não se


ligam. Ressalte-se que a mesma não guarda ligação à causa, ao nexo causal do título, como
ás vezes se expõe. A autonomia dos títulos de crédito deriva de fato de que as co-obrigações
(endosso, aval, etc.) que se estabelecem são autônomas, ou seja, não se ligam, nem vinculam,
não há dependência, com relação às demais obrigações. 11

3.3.1. Decorrente do princípio da autonomia das obrigações cambiárias, surgiu a


regra da INOPONIBILIDADE DAS EXCEÇÕES12, onde o devedor do título não pode opor ao
portador as suas exceções pessoais que tinha com o seu antigo credor, salvo se o portador, ao
adquirir o título, agiu conscientemente em detrimento do devedor (má-fé).

Há a inoponibilidade da exceções do titular e do título.

A inoponibilidade das exceções do titular está disposta no art. 104 do C.C., eis
que, a validade do negócio jurídico requer agente capaz, objeto lícito, possível, determinado ou
determinável e forma prescrita e não defesa em lei.

A inoponibilidade das exceções do título está relacionada aos seus requisitos


essenciais, já que a falta dos mesmos o invalida.

Desta feita, é que, por via da inoponibilidade das exceções, a autonomia pode ser
estudada sob dois aspectos.13

Num primeiro aspecto, é o que trata da oponibilidade pessoal que PODE ocorrer
entre o portador do título e o devedor. Parece razoável a posição de João Eunápio Borges,

9
Idem, p. 12. ALMEIDA, Amador Paes, Op. cit., p. 10.
10
Também endossado por Rubens Requião.
11
Cf. ALMEIDA, Amador Paes, Op. cit., p. 10. REQUIÃO, Rubens, Op. cit., p. 291. BORGES, João
Eunápio, Op. cit., p. 16. MARTINS, Fran, Op. cit., p. 13.
12
Cf. MARTINS, Fran, Op. cit., p. 17 e REQUIÃO, Rubens, Op. cit., p. 296.
13
BORGES, João Eunápio, Op. cit., p. 14-6.

8
segundo a qual nenhum título é criado despropositadamente, sem nenhum nexo causal.14.
Assim sendo, o devedor do título poderá opor-se ao pagamento por exceções pessoais.
Também poderá, em qualquer caso, opor-se por defeito de forma do título ou por má-fé do seu
adquirente, visando prejudicar o devedor, devidamente comprovado, na última hipótese.

E no segundo aspecto, é nas relações entre o devedor e terceiros que se revela a


autonomia do direito cartular. O fundamento da inoponibilidade, neste caso, é que, “num título
de crédito, as obrigações são autônomas umas das outras." Por tal razão, o devedor não se
pode escusar de cumprir a obrigação assumida alegando ao portador suas relações com
qualquer obrigado anterior.15 Neste caso, o devedor não poderá opor suas exceções ao
portador, que teria com outros co-obrigados, sendo que, em relação a ele, são res inter alios.

Outros princípios dos títulos de crédito, mas não de todos, é a INDEPENDÊNCIA e


ABSTRAÇÃO.

3.4. A ABS TRAÇÃO . O título não se liga á causa que lhe deu origem. Decorre
do fato que gerou o título estar desvinculado dele, cumpri-nos ressaltar que “a obrigação
abstrata ocorre apenas quando o título está em circulação, isto é, quando põe em relação duas
pessoas que não contrataram entre si, encontrando-se uma em frente da outra, em virtude
apenas do título.”16Exemplo de títulos não abstratos são a duplicata antes de aceita, pois se
liga a venda mercantil ou a prestação de serviço que lhe deu origem, e a nota promissória
vinculada a contrato.

3.5. A I NDEP E NDÊ NCI A . O título basta em si mesmo, ou seja, é per se stante,
sem necessidade de outro documento para completá-lo (compiutezza)17-A. São exemplos a letra
de câmbio e nota promissória. Ao contrário, dependentes, são a ação de uma S. A., que se liga
ao seu estatuto e a cédula de crédito rural, ligada à Lei Orçamentária.

Fran Martins evoca como elemento preponderante para a existência do título de


crédito o formalismo,17 segundo ele, para que o papel de caracterize como título de crédito é
indispensável que o documento se revista das exigências legais, pois em caso contrário o
mesmo não terá eficácia para incorporar os princípios dos títulos de crédito.

14
A hipótese levantada pelo Prof. Fran Martins, (Op. cit., p. 14), segundo a qual se emite uma lera de
câmbio em seu próprio favor e, com o seu aceite, a faz circular, recebendo de um terceiro a quantia nela
expressa, naturalmente por via de endosso, parece-nos que nada mais é do que um mútuo garantido pelo
título. Sendo assim, o nexo causal é um contrato de mútuo, que nos termos do art. 1.262, do Código Civil,
é um contrato gratuito, salvo expressa disposição contratual em contrário.
15
MARTINS, Fran, Op. cit., p. 18.
16
REQUIÃO, Rubens, Op. cit., p. 292.
17-A
BULGARELLI, Waldirio, Op. cit. p. 56
17
MARTINS, Fran, Op. cit, p. 15-7.

9
Atualmente, inclinam-se a doutrina e a jurisprudência no sentido de não haver
novação do crédito anterior por via cambial. (Carvalho de Mendonça, Rubens Requião, Paulo
Lacerda, Saraiva e Arruda, bem como o STF.)

Calha anotar uma analogia entre a abstração e a dependência. Enquanto que a


abstração está voltada para dar mais segurança à circulação, a dependência pode decorrer: a)
da vontade das partes; b) por imposição legal (ex: cédula de crédito rural e Lei do Orçamento);
e c) da própria substância do negócio e do título (ações da S.A. e o seu Estatuto). Destarte, são
títulos de crédito que não seguem o princípio da independência: a ação de uma S.A., pois
depende de seu Estatuto, e a cédula de crédito rural, já que é dependente da Lei Orçamentária.

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