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Tema 10.

Situação de evasão escolar em virtude do distanciamento do discurso do


professor.

Dilema: Distanciamento do discurso do professor no processo de compreensão do


aluno: - Ausência de orientação didática para a realização de atividade.

Criar e preservar relações e mediações sociais tornou-se fundamental para o


desempenho de múltiplas atividades no cotidiano humano que segundo Arendt
(2007): “[...]todas as atividades humanas são condicionadas pelo fato de que os
homens vivem juntos; mas a ação é a única que não se pode sequer ser imaginada
fora da sociedade dos homens”(ARENDT, 2007, p. 31). Diante deste contexto, pode-
se afirmar que no sistema educacional não é diferente. Principalmente quando as
atenções voltam-se para a (s) relação (ões) entre professor (es) e aluno (s), já que
um não pode (ou não poderia) existir sem o outro dentro do ambiente escolar. Isto
é, a iteração entre professor e aluno torna-se imprescindível para que as instituições
escolares tenham sucesso não apenas no processo ensino-aprendizagem, mas
também na manutenção da permanência do aluno no ambiente escolar, contribuindo
desta maneira, para a diminuição e quiçá, a extinção da evasão escolar. Devido a
isso, é necessário que o aluno sinta-se cada vez mais próximo do seu ambiente
escolar. Visto que:

[...] podemos observar dois aspectos da interação professor-aluno: O


aspecto da transmissão de conhecimento e a própria relação pessoal
entre professor e aluno e as normas disciplinares impostas. Essa
relação deve ser baseada na confiança, afetividade e respeito,
cabendo ao professor orientar o aluno para seu crescimento interno,
isto é, fortalecer-lhe as bases morais e críticas, não deixando sua
atenção voltada apenas para o conteúdo a ser dado. (MÜLLER, 2002,
p. 276),

Assim, tornar-se-á possível se o mesmo sentir-se confiante não apenas


diante da estrutura física ofertada pela a escolar, mas também pela conduta,
praticas e interação do professor com o alunado. Pois, será a partir daí que segundo
Solé (1993) apud Zabala (1998), os alunos perceberão não apenas a si mesmos,
mas, também as situações de ensino e aprendizagem de forma determinada e que
possivelmente os afastarão dos questionamentos do tipo: “ conseguirei, me
ajudarão é divertido, é chatice, não farei direito, é interessante, me castigarão, me
darão boa nota...” (SOLÉ, 1993 apud ZABALA, 1998, p.39).

[...] ao professor não cabe dizer “faça como eu”, mas “faça comigo”.
O professor de natação não pode ensinar o aluno a nadar na areia
fazendo-o imitar seus gestos, mas leva-o a lançar-se n’água em sua
companhia para que aprenda a nadar lutando contra as ondas,
fazendo seu corpo coexistir com o corpo ondulante que o acolhe e
repele, revelando que o diálogo do aluno não se trave com o seu
professor de natação, mas com a água (CHAUÍ, 1980 apud
MÜLLER, 2002, p. 279)

Logo, é necessário que o docente mostre-se presente perante as


necessidades e exigências de seus alunos. E para que isso possa acontecer, faz-se
necessário o uso do que Zabala (1998) identifica como “aprendizagem dos
conteúdos atitudinais”. Isto é, o educador deve executar suas funções dentro dos
que o autor entende por “valores, normas e atitudes.”(ZABALA, 1998, p. 46;47).
Ainda dentro deste contexto, Libâneo (1994) discorre que:

[...] uma atividade sistemática de interação entre seres sociais tanto


no nível do interpessoal como no nível de influência do meio,
interação esta que se configura numa ação exercida sobre os
sujeitos ou grupos de sujeitos visando promover neles mudanças tão
eficazes que os tornem elementos ativos desta própria ação
exercida. Presume-se aí a interligação de três elementos: um agente
(alguém, um grupo etc.), uma mensagem transmitida (conteúdos,
métodos, habilidades) e um educando (aluno, grupo de alunos, uma
geração). (Libâneo, 1994, p. 56)

Diante do que fora exposto, é possível trazer para tal discussão os estudo de
Libâneo (2005), Já que para este pesquisador, o educador deve provocar-se sempre
a fim de resolver e compreender possíveis problemas não apenas dentro de sua
sala de aula, mas dentro de todo âmbito escolar mesmo sabendo que: “[...] a
reflexão sobre a prática não resolve tudo [...]” (LIBÂNEO, 1994, p. 76). E acrescenta:
“[...] a experiência refletida não resolve tudo. São necessárias estratégias,
procedimentos, modos de fazer, além de uma sólida cultura geral, que ajudam a
melhor realizar o trabalho e melhorar a capacidade reflexiva sobre o que e como
mudar.” (LIBÂNEO, 1994, p. 76).
Assim, pode-se afirmar que é papel do educador mostrar-se atuante e
disposto a contribuir para extinguir a evasão escolar a partir de uma mediação
básica e eficiente que colabore uma educação inclusiva e de geração valores do
aluno para com a escola. Ou seja, no que se refere aos desafios encontrados na
relação professor e aluno, no âmbito do ensino e aprendizagem faz-se necessário
estudos e debates mais aprofundados dentro da realidade de cada escola. Para que
desta maneira, seja possível chegar a um denominador comum a fim de se
consegui os melhores métodos e práticas nesta importante relação dentro do
ambiente escolar.
Porém, também há outro possível problema que também contribui para o
aumento do número da evasão escolar e que está diretamente ligada as praticas
das atividades avaliativas. Segundo Santana e Santos (2013): “[...] nos últimos
anos, muita importância tem sido conferida a avaliação, porém, vários trabalhos que
versam sobre esta temática apontam sérias inadequações no processo de ensino e
aprendizagem.” (SANTANA e SANTOS, 2013, p. 349).
Vale destacar que, muitas vezes, o conhecimento originado do cotidiano do
educando não é levado em consideração pelo professor. O que na maioria das
vezes, o impossibilita não apenas de participar das atividades avaliativas tanto
individuais quanto coletivas. Isto é, as praticas cotidianas destes alunos são
excluídas como possíveis exemplos de determinados assuntos encontrados nos
livros de didáticos mas que em sua essência, possui importantes vínculos como
discorre Certeau (1998), Chartier (2011) e Bakhtin (2012) e Benjamim (1996) ao
discorrer sobre a importância do conhecimento encontrado em nosso cotidiano e da
experiências bárbaras (positiva) que possui tais vivências.
Desta forma, pode-se afirmar que tal aprendizagem não é vista com bons
olhos ou não é valorizada pelos educadores como deveria de fato acontecer. Logo,
é preciso que tais aprendizados sejam colocados nos caminhos da educação do
século XXI para que possa participar e colaborar para a re-elaboração do seu
próprio saber na mediação dos conhecimentos que a escola precisam ensinar como
destaca Santana e Santos (2013) ao afirmar que: “[...] desta maneira, permite-se que
os estudantes se constituam cidadãos munidos de conhecimentos necessários e
úteis às soluções de problemas gerados pela sociedade em constantes
mudanças.”(SANTANA e SANTOS, 92013, p. 349).
Hoffmann (2013) aponta que:

[...] avaliar não é observar se o aluno aprende. Essa resposta já se


tem: todos aprendem sempre senão não estariam sequer vivos pois,
enquanto se respira, se aprende. Entretanto, ninguém aprende
sozinho, aprendese muito melhor com o outro, com o diferente ou na
interação com os pares, e sobretudo com o apoio, com desafios
intelectuais significativos.” (HOFFMANN, 2013, p. 148)

Assim, talvez, seja este o segundo motivo da constante evasão escolar no


Brasil. Pois, não sendo sendo reconhecido este conhecimento, o aluno não se ver
apto a continuar no ambiente escolar pois possivelmente (ele) acreditará que não
será capaz de responder as atividades avaliativas e por medo de ser de possuir a
menor nota da classe opta em desistir do aprendizado escolar.

Considerações:

Considera-se que o ambiente escolar, ao mesmo tempo que aproxima os


indivíduos, também tem a capacidade de distanciá-los tanto do ambiente de ensino
e aprendizado, quanto da própria valorização. Para que isso não venha a tornar uma
rotina, é necessário que o professor se mostre cada dia mais capaz de enfrentar os
possíveis problemas de relações interpessoais dentro do ambiente escolar. Junta-se
a isso, a necessidade do educador reconhecer as diversas formas de conhecimento
que o aluno está exposto em seu cotidiano. E que, estes não devem ser
desprezados quando aplicados os métodos avaliativos para que daí, o profissional
possa contribuir como mediador de trocas de experiência, diminuindo e até mesmo
evitando desta maneira, a evasão escolar.
Referências:

ARENDT, Hannah. A condição humana. Ed. 10. Rio de Janeiro, Forense


Universitária, 2007.

BAKHTIN, Mikhail. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento. O


contexto de François Rebelais. São Paulo: Hucitec/ Annablume, 2002.

BENJAMIN, Walter. Experiência e pobreza. In: Obras escolhidas. Trad. Sergio


Paulo Rouanet. 10. reimpr. São Paulo: Brasiliense. Volume 1: magia e técnica, arte e
política.1996.

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. 3. ed. Vol. 1, Artes de Fazer,


Petrópolis: Vozes, 1998.

CHARTIER, Roger. (Org.) Práticas da leitura. Trad. Cristiane Nascimento. São


Paulo: Estação Liberdade, 2011.

HOFFMANN, J. Avaliar: respeitar primeiro, educar depois. Porto alegre: Mediação,


2013. 184 p. 21 cm.

LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.

MÜLLER, Luiza de Souza. A Interação Professor Aluno no Processo Educativo.


2002. Disponível em: http://www.usjt.br/proex/produtos_academicos/276_31.pdf.
Acesso em: 11 de setembro de 2017.

ZABALA. Antoni. A pratica educativa: como ensinar. Trad. Ernani. F. da F. Rosa.


Porto Alegre: ArtMed. 1998.