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15.9.

2017 PT Jornal Oficial da União Europeia C 306/57

Parecer do Comité das Regiões Europeu — Uma nova etapa para a política europeia de crescimento
azul

(2017/C 306/11)

Relator: Christophe Clergeau (FR-PSE), membro do Conselho Regional do País do Loire

RECOMENDAÇÕES POLÍTICAS
O COMITÉ DAS REGIÕES EUROPEU (CR)

1. exorta a União Europeia a tornar o mar num novo objetivo comum, conferindo-lhe um lugar central no relançamento
da construção europeia;

2. insta a União Europeia a fazer do mar uma política de pleno direito e não apenas um simples projeto. É no âmbito
desta política marítima que cabe apoiar a economia azul, segundo uma abordagem ampla e incisiva para todos os setores de
atividade, que vá para além dos cinco temas inicialmente identificados na estratégia para o crescimento azul;

3. convida a União Europeia a tomar rapidamente a iniciativa de criar novas políticas e lançar as bases de uma nova
ambição marítima para o pós-2020. A declaração ministerial relativa às políticas marítimas europeias, que será adotada em
20 de abril de 2017, em Malta, pode, e deve, ser a ocasião para dar início a este processo;

I) O MAR NO CENTRO DAS POLÍTICAS EUROPEIAS

4. solicita à União Europeia que elabore uma nova política marítima europeia:

— partilhada pelos cidadãos, poderes locais, Estados e instituições europeias;

— transversal, de modo a mobilizar todas as competências da União;

— baseada num conhecimento mais aprofundado do mar, a fim de assegurar o desenvolvimento sustentável e valorizar o
seu potencial;

— apta a apoiar toda a cadeia de valor dos setores da economia azul, incluindo as pescas, tanto nas zonas costeiras como
nas zonas interiores;

— que procure uma simbiose entre as diferentes atividades marítimas e vele pela coerência do ordenamento, desde as
zonas costeiras às águas internacionais;

O mar é um assunto de todos nós, representa um novo desafio e, ao mesmo tempo, o novo sonho europeu
5. sublinha que os mares e os oceanos são fundamentais para a vida na Terra, produzindo 50 % do oxigénio.
Desempenham um papel fundamental na regulação do clima e constituem uma reserva importante de biodiversidade e de
recursos para a nossa alimentação e saúde;

6. lamenta que o funcionamento dos ecossistemas marinhos se encontre atualmente fragilizado pelas alterações
climáticas, a poluição e a exploração excessiva dos recursos;

7. recorda o potencial de crescimento e emprego sem paralelo da economia azul. Segundo a Comissão Europeia, a
economia marítima é responsável por um número crescente de postos de trabalho, atualmente estimado em 5 milhões na
Europa. Segundo o relatório The Ocean Economy in 2030 [A economia dos oceanos em 2030], publicado pela OCDE em
2016, o contributo estimado da economia marítima para a riqueza mundial em 2010 foi de 1,3 biliões de euros, podendo
este valor duplicar até 2030;

8. observa que as questões marítimas são objeto de uma atenção crescente a nível internacional. Os oceanos são também
explicitamente abordados no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, de setembro de 2015. Em
maio de 2016, os líderes do G7 acordaram em reforçar a cooperação internacional em matéria de investigação marinha. O
tema dos oceanos consta das conclusões das COP 21 e 22;
C 306/58 PT Jornal Oficial da União Europeia 15.9.2017

9. sublinha que a Europa é a primeira potência marítima mundial e que assim continuará após o Brexit. Em conjunto, os
Estados-Membros da UE dispõem da zona económica exclusiva mais vasta do mundo. A União Europeia dispõe da
economia mais sólida e completa do mundo em setores como a energia marinha e conta ainda com as normas mais
exigentes em matéria de proteção do ambiente;

10. considera que a Europa deve afirmar-se na cena internacional e fazer da política marítima um instrumento de
projeção;

11. é de opinião que a nova ambição marítima europeia pode suscitar a adesão dos cidadãos, considerando que:

— o mar é um tema novo, fascinante e presente na vida de muitas pessoas;

— no domínio marítimo, a noção de fronteira é pouco pertinente e o valor acrescentado da União Europeia evidente;

— o mar é um domínio em que se fazem escolhas cruciais para a sociedade, em torno da luta contra as alterações
climáticas, da preservação da biodiversidade, do bem-estar e da saúde, ou da alimentação;

— o potencial de crescimento e de emprego associado à economia azul é relevante para as regiões costeiras mas também
para todos os territórios da União, porquanto a sua cadeia de valor abarca e se estende a todo o nosso continente;

Em 2017, a União Europeia deve confirmar a importância do mar no seu projeto de futuro
12. recorda que a política marítima integrada e a política de crescimento azul lançaram as bases para uma política
marítima europeia;

13. considera que a Presidência maltesa representa uma oportunidade para dar um novo impulso à política marítima
europeia com a declaração ministerial de 20 de abril de 2017;

O mar no centro das políticas europeias: uma ambição e um roteiro


14. solicita a elaboração de um Livro Branco sobre «O mar no centro das políticas europeias», que integre um roteiro
marítimo para cada uma das políticas da União Europeia;

15. considera que a nova fase da política marítima europeia integrada deverá contribuir para uma resposta da Europa
aos seguintes desafios:

— segurança das fronteiras da Europa;

— gestão da migração;

— desenvolvimento de uma política marítima de vizinhança, de regulação do comércio marítimo e de governação dos
oceanos;

— proteção da biodiversidade, luta contra as alterações climáticas e transição energética bem-sucedida, incluindo a
transição para combustíveis de fontes renováveis nos diferentes tipos de navios;

— desenvolvimento da economia azul nos respetivos setores tradicionais, como as pescas, a aquicultura, o turismo e as
indústrias marítimas, bem como nos setores emergentes, como as energias marinhas e as biotecnologias marinhas;

— conciliação entre as várias atividades e utilizações;

— uma política costeira e marítima baseada nos territórios e nos poderes locais;

— resposta aos desafios específicos das ilhas e territórios ultramarinos da Europa;


15.9.2017 PT Jornal Oficial da União Europeia C 306/59

II) AS REGIÕES COMO PARCEIRAS DA ECONOMIA AZUL

16. destaca que a economia azul se materializa nos territórios. A política marítima deve, portanto, apoiar a mobilização
das regiões e dos municípios;

Um espaço marítimo organizado e coerente é o alicerce da economia azul


17. entende que o ordenamento do território é indispensável; este deve integrar as interações entre a terra e o mar,
associar os municípios e as regiões, bem como todas as partes interessadas, e ter como objetivo o desenvolvimento
sustentável de todas as atividades marítimas;

18. estima que o desenvolvimento das infraestruturas nas zonas costeiras, por definição periféricas, deve constituir uma
prioridade da Europa. Para tal deve ser possível mobilizar, em prol das zonas costeiras de todas as regiões, fundos da política
de coesão e do plano Juncker, a fim de investir, nomeadamente, nos portos e na banda larga ultrarrápida;

19. solicita a realização de um debate sobre o reconhecimento de um espaço marítimo europeu que permita reforçar a
coesão social, ambiental e em matéria de segurança;

As regiões, parceiras da União Europeia para o investimento na economia azul


20. considera que as estratégias para as bacias marítimas são quadros de referência indispensáveis. Constituem um dos
elementos a ter em conta na elaboração das estratégias de especialização inteligente e na programação dos fundos europeus.
Neste sentido, cumpre saudar a iniciativa WestMed, atualmente em fase de desenvolvimento;

21. entende que as estratégias de especialização inteligente devem permitir que várias regiões de uma mesma bacia
elaborem, por sua própria iniciativa, S3 comuns;

22. frisa que as regiões e os municípios desempenham um papel chave no desenvolvimento da economia azul. Várias
regiões incluíram temáticas ligadas ao crescimento azul nas suas estratégias de especialização inteligente. A mobilização do
Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas (FEAMP) e dos fundos da política de coesão permitiu financiar muitos
projetos de criação de emprego;

23. propõe que, para dar um novo impulso ao investimento na economia azul, se apense às estratégias de especialização
inteligente e aos programas operacionais um documento dedicado à economia azul que apresente o impacto das
orientações definidas nas questões marítimas e permita acompanhar os respetivos projetos;

24. deseja que as comunidades locais insulares e das zonas costeiras possam mobilizar todos os fundos europeus, entre
os quais o FEAMP, para financiar num quadro único as suas estratégias de desenvolvimento marítimo, inspirando-se no
programa Leader;

25. considera que as escolhas refletidas nas estratégias de especialização inteligente, que constituem a realidade da
economia marítima baseada nas sinergias entre intervenientes e setores, devem poder ser acompanhadas ao longo do tempo
e constituir o ponto de partida da União Europeia para orientar os seus investimentos em prol do crescimento azul. Em
particular, a política europeia de investigação deve ter mais em conta estes esforços regionais para estimular a economia
azul;

26. solicita que os projetos inter-regionais, nacionais e transnacionais que são coerentes com as estratégias para as bacias
e as S3 possam ser financiados pela congregação de fundos regionais, nacionais e europeus num quadro simplificado e
beneficiar de um apoio extra da UE sem passar por novos convites à apresentação de projetos;

27. considera que as regiões ultraperiféricas devem continuar a beneficiar de um quadro específico de apoio ao seu
desenvolvimento. Estes territórios constituem um excelente ponto de apoio para afirmar a presença marítima da Europa e
forjar iniciativas de colaboração em torno do mar a nível mundial;
C 306/60 PT Jornal Oficial da União Europeia 15.9.2017

III) INICIATIVAS CONCRETAS PARA ACELERAR O DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA AZUL

Reforçar o apoio à investigação e desenvolvimento e à inovação


28. sublinha que o mar foi progressivamente encontrando um novo lugar no âmbito do programa Horizonte 2020.
Ações como a iniciativa de programação conjunta sobre os oceanos também contribuíram para a investigação europeia no
domínio marinho. Importa alargar este método a todos os setores da economia azul mediante um roteiro global de
investigação e desenvolvimento; salienta a importância de conceder apoio específico às PME que pretendam desenvolver e
aplicar soluções inovadoras em diferentes setores, entre os quais o do turismo costeiro e marítimo;

29. solicita que no próximo programa-quadro se estabeleça como meta que 10 % dos projetos contribuam
significativamente para os objetivos em matéria de investigação marinha e marítima. Com o avançar da execução do
programa Horizonte 2020, deverá já ser possível aproximar-se desta meta;

Um roteiro marítimo no âmbito da Nova Agenda de Competências para a Europa


30. solicita a criação de uma vertente marítima da Nova Agenda de Competências para a Europa;

31. propõe o lançamento de um debate a nível europeu sobre os benefícios de financiar um projeto-piloto consagrado à
exploração e valorização dos grandes fundos marinhos;

32. sublinha que, nas indústrias marítimas, muitas vezes as inovações só podem ser testadas quando o primeiro produto
é comercializado. As políticas europeias em matéria de inovação devem permitir o financiamento desses projetos de
demonstração. Importa também relançar as parcerias público-privadas no domínio das tecnologias transversais para as
indústrias marítimas;

33. reputa necessário dar maior alcance a iniciativas como a «Carreiras azuis», lançadas no âmbito do FEAMP, e ao futuro
roteiro marítimo, a fim de:

— sensibilizar para as profissões marítimas e torná-las mais atrativas;

— melhorar as condições de trabalho e de carreira;

— desenvolver a mobilidade europeia dos jovens em formação;

— propor percursos de formação complementar ao longo da vida para reforçar a componente marítima das profissões
existentes e mobilizar as profissões marítimas tradicionais para novas oportunidades;

34. espera que se reforce o sistema europeu de reconhecimento das qualificações profissionais para facilitar a livre
circulação e enquadrar o destacamento de trabalhadores. Importa completar este sistema com um dispositivo análogo de
reconhecimento das competências e profissões que não tenham sido objeto de uma certificação (1);

Acompanhar os setores-chave da economia azul


35. considera que a Europa também deve investir fortemente em setores como as indústrias do mar e as biotecnologias
marinhas, para os quais a fasquia é chegar à liderança mundial;

36. é de opinião que a Europa deve igualmente acompanhar a economia azul na transição digital, ecológica e energética
e apoiar a modernização dos setores tradicionais, como as pescas e o turismo náutico e costeiro (2);

37. sublinha a importância de a União Europeia apoiar o desenvolvimento das biotecnologias marinhas resultantes da
valorização das algas e microalgas, peixes, moluscos e bactérias marinhas. As biotecnologias marinhas representam um
potencial económico emergente muito importante em muitas regiões da Europa. O apoio da União Europeia deve abranger
a investigação, as infraestruturas de investigação e a criação de redes entre estes projetos e com as empresas, bem como o
acesso a capital, ao desenvolvimento e à comercialização de produtos inovadores;

(1) Ver o parecer da Comissão SEDEC sobre o destacamento de trabalhadores (CDR 2881/2016).
(2) Ver os pareceres anteriores CDR 2645/2014, CDR 5241/2015 e CDR 2898/2016.
15.9.2017 PT Jornal Oficial da União Europeia C 306/61

38. sublinha a importância das pescas e da aquicultura, bem como das atividades de captura, cultura, transformação e
comercialização dos seus produtos, para a economia das regiões e a alimentação das populações da Europa. As pescas e a
aquicultura são igualmente setores do futuro, e o apoio da União Europeia aos mesmos deve fundar-se numa visão positiva
e ambiciosa em termos de emprego e formação, nomeadamente dos jovens. No quadro da aplicação da nova política
comum das pescas, a União Europeia deve colaborar com os intervenientes económicos e os poderes públicos,
nomeadamente as regiões, a fim de acelerar e facilitar a execução do FEAMP, que regista atrasos importantes;

39. insiste na necessidade de perseguir uma abordagem integrada do desenvolvimento dos produtos do mar mediante a
criação de cadeias de abastecimento curtas, com a participação dos produtores, e o reforço de atividades industriais de
transformação nas zonas costeiras. Esta estratégia de criação de valor e de emprego em torno dos produtos do mar nas
zonas costeiras deve tornar-se um objetivo prioritário e receber mais financiamento do FEAMP e da política de coesão;

40. propõe a criação de um mecanismo europeu dedicado a empresas marítimas em fase de arranque para apoiar
projetos de inovação económica, social e territorial;

41. salienta que muitas atividades do futuro exigirão o desenvolvimento de novas infraestruturas marítimas longe das
costas. Um programa específico poderia analisar os benefícios dos novos projetos de infraestruturas reversíveis e estudar o
seu impacto ambiental e as questões relacionadas com a sua autonomia energética;

42. entende que os portos constituem uma base essencial para o desenvolvimento da economia azul, devendo ser
acompanhados para responder — sempre que possível em rede — às necessidades das novas atividades. O equilíbrio
depende também da dinâmica do comércio marítimo de pequeno e longo curso com o desenvolvimento das autoestradas
marítimas;

43. sublinha o notável impacto positivo que o crescimento azul tem no turismo marítimo e costeiro das regiões; apoia,
em particular, as iniciativas que promovam com êxito formas de turismo responsáveis e sustentáveis do ponto de vista
económico, social e ambiental;

44. sublinha a importância de aplicar o conceito da economia circular no contexto da economia azul, nomeadamente a
fim de reduzir os resíduos e os poluentes dos mares e de os transformar em recursos úteis;

Apostar de forma decisiva numa liderança europeia no domínio das energias ligadas ao mar (energia eólica
marítima e energia oceânica)
45. considera que a UE deve dar prioridade ao desenvolvimento industrial das energias renováveis. Para tal, os objetivos
de produção de energia renovável na Europa devem ir além dos 27 % propostos pela Comissão para 2030. O princípio da
neutralidade tecnológica deve ser flexibilizado para dar prioridade ao desenvolvimento industrial do único setor das
energias renováveis em que a Europa pode assumir uma liderança mundial geradora de inúmeros postos de trabalho;

46. preconiza a prossecução das iniciativas de financiamento da investigação e do desenvolvimento, bem como de
projetos de demonstração através de programas como o NER 300, e solicita um reforço do financiamento das primeiras
fases de comercialização;

47. sublinha que o desenvolvimento das energias do mar tem por base um conjunto de competências e tecnologias
transversais herdadas dos grandes setores históricos, como o petróleo e o gás e a construção naval. Há que reforçar o apoio
à inovação e à diversificação nesses setores. Nessa perspetiva, o documento de estratégia «Leadership 2020» [Liderança
2020] para a construção naval e as indústrias marítimas deve traduzir-se num roteiro europeu transversal às diferentes
políticas da UE;

48. gostaria que, nos próximos cinco anos, a União Europeia concentrasse as suas ações nos seguintes objetivos:

— competitividade do setor de energia eólica marítima e a sua evolução para uma rentabilidade sem subvenções;

— desenvolvimento do mercado das turbinas eólicas flutuantes, mercado de massas a nível mundial, e do mercado da
energia das marés, setor de nicho em que os europeus se encontram muito bem posicionados;

— tecnologias que permitem desenvolver a autonomia energética das ilhas e das regiões remotas, nomeadamente nas
zonas tropicais e territórios ultramarinos;
C 306/62 PT Jornal Oficial da União Europeia 15.9.2017

Plataformas marítimas de acompanhamento e de financiamento dos projetos e um fundo europeu de investimento


para a economia azul
49. congratula-se com o facto de o plano Juncker já ter permitido financiar muitos projetos no domínio da economia
azul;

50. reputa necessário incrementar este apoio para colmatar o défice de investimento a favor dos inúmeros projetos que
poderão ser desenvolvidos nos territórios e melhorar os mecanismos de intervenção para melhor financiar o risco, que é
um elemento relevante num setor inovador como a economia azul, dando prioridade às PME e às empresas em fase de
arranque;

51. propõe a criação de plataformas regionais ou inter-regionais para a economia azul. Estas plataformas constituiriam
um dispositivo de identificação de projetos, de apoio à sua concretização e de mobilização dos instrumentos financeiros
disponíveis a nível local, nacional e europeu. Seriam geridas pelas regiões, associando os setores da economia marítima, os
Estados e a União Europeia, e o seu funcionamento poderia ser financiado por estes três intervenientes, bem como por
parceiros privados. Estas plataformas poderiam ser interlocutores privilegiados na implantação do plano Juncker 2;

52. propõe a criação de um «mecanismo/fundo» de investimento europeu para a economia azul. Este fundo, que
constituiria a vertente marítima do plano Juncker 2, poderia prever duas modalidades de intervenção complementares:

— o financiamento direto a nível europeu de projetos estruturantes e de projetos arriscados, que abrangeria, por exemplo,
as primeiras fases da comercialização de projetos no domínio das energias ligadas ao mar;

— a constituição de fundos de investimento regionais, a nível das plataformas regionais ou inter-regionais para a economia
azul, alimentados pelos fundos europeus e por parceiros locais, nomeadamente bancários e financeiros. No âmbito
destes fundos, o Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (FEIE) deve contribuir de forma significativa para o
financiamento do risco, não transferindo esse ónus para os parceiros locais;

IV) UMA EUROPA POLÍTICA DE OLHOS POSTOS NO MAR E AO SERVIÇO DOS CIDADÃOS

Um programa europeu de mobilização dedicado ao mar e aos cidadãos


53. considera que a Europa deve debater as questões ligadas ao mar mais diretamente com os cidadãos. Os debates em
torno do mar serão organizados no âmbito da iniciativa «diálogo com os cidadãos» do Comité das Regiões Europeu;

54. propõe a criação de um programa de investigação sobre o património cultural e marítimo da Europa e das zonas
costeiras e de sensibilização para o mesmo;

55. propõe a criação de um programa da UE sob o lema «As crianças e o mar» com o fito de desenvolver uma
consciência comum dos desafios marítimos, organizando intercâmbios entre crianças de comunidades costeiras e não
costeiras;

56. reputa necessário encetar um novo debate sobre a pertinência de financiar uma ou várias estações marítimas
europeias de exploração dos grandes oceanos, que constituiriam missões científicas e um símbolo para mobilizar os
cidadãos em torno de um sonho marítimo;

Aprofundar os conhecimentos sobre o mar e a economia azul


57. sublinha que há uma grande carência de conhecimentos sobre o litoral e os mares. Estes conhecimentos são
indispensáveis para prosseguir um desenvolvimento marítimo sustentável que vise simultaneamente um aumento do capital
económico e tecnológico, ambiental, humano e social;

58. recorda à Comissão Europeia o seu apelo para que se crie uma comunidade de conhecimento e inovação centrada na
economia azul, que encorajaria a transferência de ideias da investigação marinha para o setor privado (3);

59. propõe que a União Europeia patrocine uma «exposição marítima europeia» que cruze cultura, ciências, ambiente e
economia, inspirando-se, por exemplo, na exposição «O Mar XXL» a organizar em Nantes, em 2018;

(3) CDR 4835/2014.


15.9.2017 PT Jornal Oficial da União Europeia C 306/63

60. reputa necessário integrar no programa Horizonte 2020 e no futuro programa-quadro uma estratégia europeia para
o conhecimento da biodiversidade marinha e dos fundos oceânicos, bem como para a recolha de dados, por exemplo
batimétricos, no domínio marítimo e dos litorais;
61. frisa que, concluídos os estudos realizados pela Comissão Europeia e o Comité das Regiões Europeu sobre o défice
de conhecimentos no domínio da economia azul, é agora necessário constituir um centro europeu de recursos sobre a
economia azul, em parceria com os Estados-Membros, as regiões, o Eurostat e o Centro Comum de Investigação;
Uma nova governação da política marítima europeia
62. propõe que os assuntos marítimos passem a estar sob a alçada de um vice-presidente da Comissão Europeia, que
seria assistido por um grupo de missão e responsável pela elaboração e aplicação transversal do Livro Branco sobre «O mar
no centro das políticas europeias»;
63. entende que os assuntos marítimos devem ser objeto de reuniões semestrais de uma formação do Conselho
consagrada ao mar. Do mesmo modo, o Parlamento Europeu e o Comité das Regiões Europeu deveriam considerar uma
alteração do seu modo de governação das questões marítimas;
64. considera que a prioridade política conferida ao mar deve traduzir-se no quadro financeiro plurianual, tanto ao nível
do FEAMP, nas suas vertentes dedicadas às pescas, à política marítima e à abordagem territorial, como, de forma mais
abrangente, das diferentes políticas e programas europeus;
65. considera que a asserção de uma nova política marítima da União exige um melhor reconhecimento dos
intervenientes do setor marítimo, bem como a sua maior participação nos debates e decisões e, quando necessário, um
apoio à sua estruturação ao nível europeu. Importa apoiar a abordagem transversal especificamente adotada por
agrupamentos regionais, nacionais e europeus;
66. convida as regiões e os municípios a mobilizar-se para demonstrar o potencial da economia azul e a existência de
um número assinalável de projetos realistas e criadores de valor a financiar nos próximos anos;
A saída do Reino Unido da UE exigirá um reforço das ambições da União Europeia no domínio marítimo
67. salienta que a saída do Reino Unido da UE afetaria diretamente as políticas marítimas europeias. Importa avaliar com
precisão as repercussões nos municípios e regiões mais afetados e nas políticas públicas da União, e conceber as medidas de
adaptação necessárias. Cumpre, nomeadamente, adaptar os dispositivos de soberania e de segurança nacionais e europeus
às novas fronteiras marítimas da UE;
68. solicita que, no âmbito das negociações, a União Europeia proteja os interesses da sua economia e dos seus
territórios marítimos, evitando que, às suas portas, surja uma plataforma de dumping social e fiscal e de desregulamentação
que afetaria a economia e os recursos marinhos. Por fim, deve ainda velar pela salvaguarda dos interesses dos seus
pescadores no quadro do direito internacional;
69. considera, com base nestes princípios, que se o quadro geral da saída do Reino Unido da UE o permitir e no respeito
da sua coerência global, seria particularmente útil para os intervenientes do setor marítimo europeu continuar a cooperar
estreitamente, tendo em conta o espaço marítimo partilhado e o interesse comum na proteção e conservação dos
ecossistemas marinhos, bem como envidar esforços em prol de uma economia de mercado mundial justa e acessível a
todos.

Bruxelas, 12 de maio de 2017.

O Presidente
do Comité das Regiões Europeu
Markku MARKKULA