Você está na página 1de 87

te

Pág. 1
Pág. 2
Taxa de variação: podem ser apresentadas sob a forma de uma percentagem ou de um
coeficiente.
Nota: é fundamental na Economia o estudo da população porque o conhecimento do número de habitantes do
pais, a sua distribuição no espaço, a sua composição por sexo e idades é indispensável:
 Para as decisões relacionadas com a capacidade de produção das diferentes unidades de produção
 Para o abastecimento dos diversos mercados consumidores.

Crescimento natural da população: é obtida pela diferença entre a natalidade e a


mortalidade.

Taxa de crescimento natural (TCN): dá-nos o número de pessoa a mais ou a menos por cada
1000 habitantes em determinado lugar e num dado período.

Crescimento efetivo da população: é o número de pessoa que há a mais ou menos, em


média, por mil indivíduos residentes num determinado país.

Para calcular a taxa de crescimento efetivo temos de introduzir as decolações da população,


ou seja, os movimentos migratórios. Que pode ocorrer de duas formas:
 Migrações internas (no interior do país): a população desloca se de uma zona para
outra zona no mesmo país (interior para litoral). E não têm qualquer efeito sobre o
crescimento da população do país.
 Migrações externas (de um país para outro): estas deslocações da população entre
país fazem com que a população residente do cada momento seja inferior ou superior
à população nacional.
 Emigração: corresponde à saída de população do nosso país para o Resto do
Mundo
 Imigração: corresponde à entrada da população proveniente do Resto do
Mundo no nosso país.

SN Saldo Natural( natalidade- mortalidade)


SM Saldo Migratório( imigração- emigração
Nota: valores relativos (%) são utilizados em aspetos como as taxas de natalidade e de mortalidade da
população, a taxa de atividade da população, a taxa de desemprego, etc.

Pág. 3
Mortalidade e Natalidade

Mortalidade: representa o número total de óbitos ocorridos num determinado período de


tempo para uma população.
A taxa de mortalidade: permite-nos conhecer o número médio de óbitos por mil habitantes
num determinado período de tempo para dado país ou região.

A taxa de mortalidade infantil: é o número de óbitos com menos de um ano de idade por
mil nados-vivos num determinado lugar e período de tempo. (utilizado na medição do IDH do
país)

Natalidade: representa o número total de nascimento ocorrido num determinado período de


tempo para uma população.

A taxa de natalidade: é o número de nados-vivos por cada mil habitantes num determinado
lugar e referente a um período de tempo para dado país ou região.

População ativa
São todos os indivíduos que exercem ou podem exercer uma atividade remunerada. As donas
de casa, os estudantes ou os reformados não fazem parte da população ativa.

Através da população ativa podemos calcular:

Sectores da atividade económica

Atividade económica é o conjunto das atividades desenvolvidas pelo Homem, como a


produção, consumo e a distribuição.

Pág. 4
É possível dividirmos/ distribuirmos as atividades pelos sectores da atividade económica.
 Primária (sector da agricultura, pesca> matérias- primas)
 Secundária (indústrias> transformação das matérias primas)
 Terciário (médico, professor> serviços prestados)

Importações/ Exportações

Exportações de mercadorias representam as vendas efetuadas ao exterior, por um país,


bens do curso de fabrico e de matérias-primas e subsidiarias.

Importações de mercadorias traduzem o movimento contrário, as comprar efetuadas ao


exterior, por um país, de mercadorias.

Estrutura da população
É a expressão utilizada para caracterizarmos a população residente num país, ou mesmo
numa região, por idades e por sexo.
É realizada através da construção de pirâmides etárias.

Pág. 5
Pág. 6
Realidade social e Ciências Sociais

A realidade social é um todo que não é possível compartimentar, é apenas uma, é única.

Dada a complexidade da realidade social, esta tem de ser abordada por uma multiplicidade de
ciências- as ciências sociais- estudando cada uma apenas um aspeto do todo que é a realidade
social.
As ciências são independentes e complementares, todas são necessárias à compreensão da
realidade social.

Fenómenos sociais e fenómenos económicos.

A realidade social é apenas uma, ou seja, é uma totalidade plurifacetada e pluridimensional.


Os fenómenos sociais são totais, podendo, no entanto, ser estudados sob perspetivas
específicas, daí podemos falar em fenómenos económicos.

A escassez constitui o principal problema económico e resulta do facto das


necessidades serem ilimitadas perante os recursos disponíveis, que são escassos.

Economia como ciência

Torna-se necessário realizar escolhas e fazer opções de como utilizar os recursos escassos,
para satisfazer as necessidades humanas, que são múltiplas e ilimitadas.

A aplicação de recursos escassos envolve, no entanto, vários tipos de decisões a tomar:


 O que produzir;
 Em que quantidades produzir;
 Quando produzir;
 Quais os meios utilizados para produzir;
 Para quem produzir.

A Economia é o estudo de como as pessoas e a sociedade escolhem o emprego de


recursos escassos, que podem ter usos alternativos, de forma a produzir vários bens e
distribui-los para consumo, agora e no futuro entre as várias pessoas e grupos na
sociedade.

O custo de oportunidade expressa todas as opções que sacrificamos para


obter algo.

Pág. 7
A escolha é o problema central da economia, mas para que ela exista são necessários alguns
fatores:
 A existência de alternativas, pois se não há alternativas, a escolha é impossível e feita
de forma forçada.
 Liberdade de escolha, isto é, que seja possível, humana e fisicamente, fazer opção.
 Situação de escassez, sem escassez não há problema económico.

Benefício é a utilidade que um agente económico retira da alternativa que escolheu.

A atividade económica e os agentes económicos.

A atividade económica é o conjunto de procedimentos ou atuações tendo por finalidade a


obtenção de bens e serviços necessários à satisfação das necessidades dos indivíduos.

Para assegurar a sua sobrevivência, o Homem atua sobre a natureza transformando-a e


extraindo dela aquilo que necessita, esse ato designa-se por produção que é contínua.
De facto, a finalidade última da produção é a satisfação das necessidades dos indivíduos, ou
seja, o consumo.
Mas é necessário que os bens produzidos cheguem junto das pessoas e que estejam
disponíveis de forma acessível. Esta atividade, de transporte e comércio, designa-nos por
distribuição.

A venda de produção tem como resultado a criação de receitas ou rendimentos que terão de
ser repartidos por todos aqueles que intervieram no processo produtivo. Trata-se então da
Repartição dos Rendimentos.
 Aos trabalhadores cabem os salários.
 Aos proprietários das empresas cabem os lucros.
 Aos proprietários dos imóveis cabem as rendas.
 Aos indivíduos que emprestaram dinheiro cabem os juros.
Notas: cabendo ainda uma parte ao Estado, sob a forma de impostos.
Mas nem sempre todo o rendimento é gasto do consumo, podendo uma parte ser destinado à
poupança.

A atividade económica é o conjunto das atividades de produção, distribuição,


repartição dos rendimentos e sua utilização em consumo e poupança.

Agente económico é qualquer indivíduo ou entidade que intervém na atividade


económica exercendo pelo menos uma função económica.

Pág. 8
Apesar da diversidade de funções que podemos encontrar, é possível distinguir quatros tipos
de agentes económicos, atendendo à função principal que desempenham. Assim, é habitual
referirmos:
o As Famílias, cuja principal função é consumirem;
o As Empresas, cuja função é a produção de bens e serviços;
o O Estado, sendo a sua principal função a satisfação das necessidades coletividade;
o O Resto do Mundo, que engloba o conjunto de operações económicas entre os
residentes de um país e os restantes noutro país.

Todavia, quando observamos o comportamento dos agentes económicos, podemos faze-lo de


acordo com duas perspetivas:
 Microeconómica, que estuda o comportamento dos agentes económicos como
unidades individuais, micro sujeitos, e as suas interações no mercado.
 Macroeconómica, que estuda o comportamento dos agentes económicos do grandes
agregados, macro sujeitos, tipificando o seu comportamento como grandes unidades.

Pág. 9
Pág. 10
Necessidade
Necessidade é o desejo de acabar ou prevenir uma insatisfação ou aumentar uma satisfação.

São satisfeitas através da utilização de bens e serviços.


O ato de utilizar um bem com vista à satisfação de uma necessidade designa-se por consumo.

Utilidade é a aptidão de que os bens se revestem para satisfazer as nossas


necessidades.
A existência de necessidades é um fator comum a todos nós. No entanto, estas variam de
pessoa para pessoa, quer seja pela intensidade com que a necessidade se apresenta, quer
mesmo, em certos casos, pela existência de determinada necessidade.

Características das necessidades


 Multiplicidade: as necessidades são múltiplas, variadas, e ilimitadas.
 Saciabilidade: à medida que a satisfazemos, a necessidade vai desaparecendo.
 Substituibilidade: uma necessidade pode dar lugar a outra.
Nota: As necessidades variam no tempo e no espaço.

Classificação das necessidades.


 Importância

 Primárias: são as necessidades fundamentais, ou seja, indispensável à vida e


que satisfazemos prioritariamente, pois, se não o fizermos, podemos pôr em
risco a nossa sobrevivência.
 Secundárias: são as necessidades que satisfazemos depois de satisfeitos as
primárias. Se as satisfazermos, aumentamos a nossa qualidade de vida.
 Terciárias: corresponde a tudo aquilo que numa determinada sociedade e
num determinado momento, se considera como um luxo.

 Custo
 Não económicas: se não temos de despender moeda ou trabalho para as
satisfazer. Ex: apanhar sol.
 Económicas: se temos de dispensar moeda ou trabalho para as satisfazer.

 Vida em coletividade:
 Coletivas: as que derivam do facto do homem viver do grupo, atingindo todos
os elementos da comunidade.
 Individuais: as que dizem respeito a cada um de nos, em função das
características de cada pessoa.

Pág. 11
Consumo

Consumo é o ato de utilizar um bem ou serviço com vista à satisfação de necessidades.

O consumo é também um ato económico, pois é através dele que satisfazemos as


necessidades. E também é um ato social, pois constitui um indicador do nível bem-estar de
uma população.
Nota: ao nível mundial, o acesso ao consumo é muito desigual de algumas partes do mundo vive-se na
abundância, enquanto noutras se vive na miséria.

Tipos de consumo:

 Final: quando a utilização de um bem permite a satisfação direta e imediata da


necessidade.
 Intermédio/Produtivo: quando se utiliza um bem na produção de outro bem.
 Individual: quando o uso de um bem ou um serviço por uma pessoa impede que outras
a utilizam.
 Coletiva: quando o consumo de um bem ou serviço é efetuado para satisfazer uma
necessidade coletiva.
 Essencial: quando o consumo efetuado corresponde à satisfação de uma necessidade
primária.
 Supérfluo: quando o consumo efetuado corresponde à satisfação de uma necessidade
terciária.

Fatores económicos que influenciam o consumo.


Rendimento:
O consumo é uma função do rendimento, alteração no rendimento (mantendo-se tudo o
resto constante) traduzem-se em alterações na estrutura do consumo.

Estrutura do consumo é a forma como os consumidores repartem o seu rendimento


pelos diversos consumos.

Para conhecer a estrutura de consumo de uma população ou de uma família, calculam-se os


coeficientes orçamentais.

Lei de Engel:
A medida que o rendimento das famílias aumenta, o peso das despesas em
alimentação vai baixando, aumentando por sua vez o peso das despesas destinadas à
cultura, lazer, e distrações.

Pág. 12
Bens e variação do Rendimento

Bens inferiores: aqueles cujo consumo diminui com o aumento do rendimento. Exemplo: pão,
margarina, óleo, batata.
Bens superiores: os bens para as quais um aumento do rendimento determina um aumento
mais do que proporcional do consumo. Exemplo: lazer e saúde.
Bens normais: aqueles cujo consumo aumenta quando o rendimento aumenta.

Preços dos bens


O preço dos bens influencia as decisões de consumo. Mantendo-se tudo o resto constante, se
o preço de um bem aumentar, na generalidade, prevê-se que o consumidor ira consumir
menos desse bem.

Efeitos dos preços sobre o consumo:

 Efeito substituição: resulta da deslocação do consumo de um bem para o outro que


lhe seja substituível, em virtude do aumento do seu preço.
 Efeito rendimento: resulta do aumento do preço de um bem, que, atuando como uma
caixa do poder de compra do consumidor, provoca uma redução do consumo de todos
os outros bens.
 Efeito de demonstração ou Veblen: consta que alguns consumidores, pretendendo
exteriorizar o seu poder de compra, aumentando o consumo de um bem quando o seu
preço subia.

A inovação tecnológica
A inovação tecnológica ao lançar no mercado novos produtos/ serviços faz surgir novas
necessidades.
As novas necessidades traduzem-se em novos consumos

Fatores extraeconómicos que influenciam o consumo

A moda e a publicidade
A sociedade atual os bens tem um ciclo de vida cada vez mais curto.
São lançados no mercado novos produtos e produtos renovados.
Através da publicidade os consumidores são estimulados a adquirir esses bens, como o
objetivo de acompanhar a moda ou de seguir as tendências.

A tradição
O consumo é influenciado pela tradição e pelos hábitos culturais.
Essas tradições podem incidir sobre o consumo dos mais diversos bens.

Pág. 13
Modos de vida
O consumo reflete determinados estilo de vida, podendo constituir uma forma de expressão
do estatuto social a que se pertence.

Estrutura etária dos agregados familiares


A idade dos membros que compõem uma família constitui um dos fatores que influenciam o
consumo.
Nota: Agregados familiares com crianças apresentarão uma estrutura de consumo diferente dos
agregados familiares compostos apenas por idosos.

A sociedade de consumo
A expressão sociedade de consumo simboliza o caracter essencial e omnipresente do consumo
nas nossas vidas.
Neste tipo de sociedade, o consumo tornou-se a finalidade última da vida do ser humano,
valorizando-se as pessoas pelo ter e não pelo ser.

Subprodução <200 <sobreprodução


Produzir Vender

Nota: para evitar situações de consumo indiscriminado ou no limite, de consumo compulsivo, é


necessário seguir algumas regras de educação de consumidor nomeadamente:
 A realização de uma lista de compras;
 A realização de um orçamento familiar;
 Fazer um registo diário de todas as despesas;
 Ponderar bem sobre todas as compras que se fazem;
 Refletir antes da utilização de cartão de crédito.

Consumerismo e responsabilidade social do consumidor

Consumo sustentável é o comportamento responsável e preventivo que o consumidor


adota quando usa ou elimina um bem ou serviço, de forma a preservar o ambiente.

O consumerismo designa a organização dos consumidores, a formação de


associações e o desenvolvimento dos respetivos meios de informação e de ação
com a finalidade de verem reconhecidos os seus direitos.
Nota: o consumerismo é um movimento que procura também formar consumidores mais conscientes,
mais racionais, mais informados e mais capazes de intervir numa sociedade de consumo.

Pág. 14
A defesa dos consumidores em Portugal e na EU
A defesa dos consumidores é hoje uma necessidade para o avanço da democracia, numa
sociedade aberta e participada
Neste sentido, existem em Portugal vários associações e organizações que há várias décadas
têm vindo a trabalhar na defesa dos consumidores, das quais destacam:
 O INOC (Instituto Nacional de Defesa do Consumidor)
 A DECO (Associação Portuguesa de Defesa do Consumidor)
 A UGC (União Geral dos Consumidores)

Direitos dos Consumidores:


 Direito à qualidade dos bens e dos serviços
 Direito à proteção da saúde e da segurança física
 Direito à formação e à educação para o consumo
 Direito à informação para o consumo
 Direito à proteção dos interesses económicos
 Direito à prevenção e reparação dos danos
 Direito à proteção jurídica e a uma justiça acessível e pronta
 Direito à participação, por via representativa, na definição lgalov administrativa dos
seus direitos e interesses.

Deveres dos Consumidores:


 Ter consciência dos impactos provocados pelo seu consumo
 Saber exigir aos seus direitos
 Proteger o ambiente
 Preferir produtos reciclados e recicláveis
 Não consumir produtos agressivos ao ambiente
 Proceder à seleção das lixas
 Defender o ecossistema

Pág. 15
Pág. 16
Bem

Bem é tudo o que é utilizado para a satisfação direta ou indireta de uma


necessidade humana.

Há dois tipos de bens:


 Bens Livres: bens que existem em quantidade ilimitada e não são económicos. Ex: ar,
sol
 Bens económicas: bens que satisfazem necessidades económicas e são escassos.

Os bens económicos podem ser classificadas quanto.


 À sua natureza:
o Bens materiais (bem): são objetos físicos e assumem forma material.
o Bem imateriais (serviços): bens que se limitam os seus atos (Transporte).

 À função que desempenham:


o Bens de produção: quando os bens permitem a produção de outros bens
(eletricidade, maquinaria)
o Bens de consumo: quando os bens satisfazem de imediato as necessidades
dos consumidores (vestuário, alimentação)

 A duração:
o Bens duradores: quando o uso dos bens se prolonga para um período de
tempo considerável. (carros, casaco)
o Bens não duradores: quando uso dos bens implica de sua destruição imediata
(comida, bebida)

 A relação com os outros bens:


o Bens substituíveis: bens que satisfazem a mesma necessidade.
o Bens complementares: bens que apenas satisfazem uma necessidade
juntamente com outras (cd com leitor)

Produção e processo produtivo. Setores de atividade económica

Produção é a atividade de combinação dos fatores de produção, desempenhada


pelo homem, que permite obter bens para a satisfação das suas necessidades.

Nota: fatores de produção são os componentes utilizados na produção de bens e na prestação de


serviços, os fatores de produção.

Processo produtivo: é a forma com se organiza a produção dentro de uma


variedade produtiva.

Pág. 17
Setores da atividade económica
Podemos definir um setor de atividade económica como um conjunto de atividade que
apresentam características comuns.

 Setor primário: agrupa as atividades relacionadas com o aproveitamento dos recursos


naturais. (pesca, agricultura)
 Setor secundário: agrupa os industriais transformadoras ligeiras e pesadas.
 Setor terciário: inclui todas as atividades prestadoras de serviços comercializados ou
não comercializados. (bancos, comercio)
 Setor quarternário: esta ligada a informática e internet

Fatores de Produção
Conjunto de elementos necessários para produzir bens e serviços.

Os fatores de produção são:


 Recursos naturais: é o fator de produção constituído pelos elementos da natureza
disponíveis em cada sociedade.
o Renováveis: correspondem à utilização de recursos não esgotáveis.
o Não renováveis: correspondem à utilização de recursos que se esgotarão num
dia.
 Fator trabalho: representa a capacidade humana para trabalhar que corresponde todo
o esforço humano, físico e intelectual.
 Fator capital: é constituído por tudo o que participa no processo produtivo, com
exceção dos fatores recursos naturais e trabalho.

O trabalho. A situação em Portugal e na EU.

O trabalho compreende todo o esforço humano, físico e intelectual despendido no processo


produtivo.

População ativa: população em idade de trabalho entre os 15 e os 65 anos.


 Empregados
 Desempregados
 Indivíduos que cumpram o serviço militar obrigatório

População inativa: todos os indivíduos sem capacidade para o exercício de uma atividade
renumerada.
 Crianças
 Reformados e pensionistas
 Indivíduos que trabalham mas não recebem- donas de casa, voluntariado.

Pág. 18
Há três tipos de desemprego:
 Desemprego tecnológico: é o desemprego resultante da evolução tecnológica.
 Desemprego repetitivo: resulta das alterações na procura de bens e serviços na
sociedade, que conduzem à redução da produção.
 Desemprego de longa duração: resulta da estagnação da atividade económica, que
provoca o encerramento de algumas empresas. (no caso português são os
desempregados que procuram emprego há mais de um ano).

Podemos enumerar algumas das formas de combate ao desemprego na União Europeia:


 A formação profissional dos jovens e dos desempregados de longa duração
 A redução dos horários de trabalho e a existência de diferentes salários mínimos.
 A redução dos encargos com a criação de novos empregos.

Formação ao longo da vida


É através da formação ao longo da vida que podemos combater o desemprego.
Para compreendermos esta necessidade vamos começar por distinguir os dois tipos de
qualificação:
 O indivíduo ocupa um emprego de acordo com a sua qualificação individual,
preparação prévia ao desempenho de um conjunto de tarefas.
 O indivíduo, já no local de trabalho, recebe formação que o torna mais apto às
exigências do processo produtivo desenvolvido na empresa, qualificação profissional.

Terciarização

A terciarização da economia designa a importância crescente das atividades do setor


terciário (serviços comercializáveis e não comercializáveis) no conjunto das atividades
económicas.
A tendência atual é pra o setor terciário representar dois terços da capacidade de emprego e
de produção nos países desenvolvidos. Tais mudanças resultam:
 Do incremento das subcontratações de serviço nas indústrias devido à necessidade de
organizar os processos de produção.
 Do incremento dos serviços relacionados com a comercialização dos bens: que
obrigam ao desenvolvimento de funções como planear, conhecer e antecipar as
reações dos consumidores aos novos bens ou de fidelizar os clientes.
 Do incremento da subcontratrações de serviços
 Do incremento dos serviços de trabalhos domésticos.

Pág. 19
O capital
Capital Riqueza

Capital corresponde à aplicação dos meios de produção no processo produtivo.

Riqueza traduz a pose de um bem e a sua utilização para uso privado do


proprietário.
Existe quatro tipos de capital:
 O capital financeiro
 O capital técnico
 O capital natural
 O capital humano

 Capital financeiro:
As empresas dispõem de recursos financeiros como a moeda, os depósitos, os juros, as ações,
os empréstimos para desenvolverem a sua atividade, a aquisição de matérias-primas e o
pagamento a fornecedores.

 Capital técnico:
O conforto de bens de produção, as matérias-primas, as máquinas, as ferramentas e os
edifícios utilizados no processo produtivo.

Há dois tipos de capital técnico:


o Capital circulante: são todos os bens incorporados nos novos bens. Ex: farinha-
pão.
o Capital fixo: são todos os bens utilizados ao longo de vários processos de
produção. Ex: carrinha.

 Capital natural:
Representa o conjunto de recursos naturais existentes na sociedade e utilizados nos diversos
processos produtivos com a finalidade de proporcionar a satisfação das necessidades.

 Capital humano:
É o conjunto das capacidades produtivas do individuo. O capital humano inclui os
conhecimentos, a experiência e o saber fazer adquiridos ao longo dos tempos pelo
trabalhador.

O investimento em capital humano: corresponde à aplicação de recurso que contribuam para


a melhoria dos sistemas de ensino e de qualificação profissional, bases indispensáveis à
melhoria da qualificação do trabalho.

Pág. 20
A combinação dos fatores de produção

Função deT)produção: é a relação técnica representativa da cominação entre fatores de produção


F= f (L, K,
F= nível de produção(recursos
(quantidadenaturais,
produzida trabalho
de um bem)e capital) e o nível de produção.
L= quantidade de trabalho utilizado no processo produtivo.
K= quantidade de capital utilizado no processo produtivo.
T= quantidade de recurso materiais utilizados no processo produtivo.

Há dois tipos de análises:


 Curto prazo (só um fator de produção é variável). É quando fazemos apenas variar um
dos fatores de produção, mantendo os restantes fixos.
 Longo prazo (todos os fatores de produção são variáveis): é quando alteramos a
quantidade utilizada de todos os fatores de produção numa empresa, para responder
às necessidades do mercado.

Isocusto: é a curva constituída por todos os pontos representativos de igual custo de produção para
diferentes combinações dos fatores de produção.

Isoquanta: é a curva representativa do mesmo nível de produção a partir de diferentes combinações dos
fatores de produção.

Produtividade

A produtividade é a relação estabelecida entre a produção obtida e os fatores de


produção utilizados, nesse processo num determinado período de tempo.

Nota: o trabalho é a componente mais importante da produtividade

Aumentar a produtividade consiste em:


 Produzir mais com a mesma quantidade de fatores de produção:
 Produzir o mesmo com uma menor quantidade de fatores de produção.
Nota: a produtividade alcançada por uma empresa depende da organização do trabalho, do progresso
técnico, da qualificação profissional dos trabalhadores e das motivações dos mesmos.

A produtividade pode ser avaliada de diferentes maneiras:


 Por capital
 Por trabalhador
 Por recurso natural
Produtividade média

Pág. 21
O cálculo da produtividade media em termos físicos apresenta algumas limitações, como:
 A dificuldade em comparar bens expressos em unidades físicas diferentes;
 A dificuldade em comparar fatores de +produção com características diferentes:
 A dificuldade de comparar bens do mesmo tipo com qualidades diferentes.

Produtividade total

A produtividade total representa a produção média por fatores de produção (trabalho e capital) utilizado no
processo produtivo.

A produtividade total dá-nos a conhecer, para cada combinação dos fatores de produção, os
resultados médios da produção, ou seja, mede a eficácia de cada combinação dos fatores de
produção.

Produtividade marginal

A produtividade margina de um fator é o acréscimo na produção resultante da utilização de mais uma


unidade do fator de produção, mantendo-se constantes as quantidades utilizadas nos outros fatores.

Lei dos rendimentos decrescentes


A lei dos rendimentos decrescentes estabelece que, se adicionarmos unidades sucessivas d um
fator variável a um fator fixo, os aumentos na produção a partir de certo ponto são cada vez
menores.

Pág. 22
Custos de produção

As empresas, ao produzirem bens ou prestarem serviços, incorrem em custos correspondentes


ao pagamento dos salários, da energia elétrica, etc. estes encargos constituem os custos totais
das empresas e podem ser agrupados em:

 Custos fixos: representam todos os encargos como os recursos que as empresas não
podem alterar no curto prazo.
 Custos variáveis: são os encargos que as empresas podem alterar no curto prazo e que
dependem na quantidade produzida.

CT= CF+CV
CT= custos fixos
CF=custos fixos
CV=custos variáveis

O custo médio total é o custo por unidade de produção e resulta da divisão entre o custo total e a
quantidade produzida.

Nota: - quando a quantidade produzida é reduzida, aumento na produção proporciona a redução do


custo médio.
- a partir de determinada quantidade o aumento na produção provoca o agravamento do custo
médio devido à saturação.
- o número ótimo d unidade a produzir corresponde ao ponto de inversão no comportamento do
custo médio total.

Economias e Deseconomias de escala

A expressão economia de escala traduz a diminuição do custo de produção unitário em resultado do aumento da
quantidade produzida pela empresa.

As economias de escala estão associadas a um único ou a um conjunto dos seguintes


progressos técnicos que proporcionam a redução dos custos médios de produção:
 A especialização e a divisão do trabalho;
 A utilização da automação e de tecnologia mais avançada;
 A utilização de processos normalizados;
 A produção em serie;
 A maior capacidade de negociar os preços de venda do bem;
 A maior capacidade de negociar os financiamentos da empresa.

As deseconomias de escala ocorrem quando os custos médios de produção aumentam em


resultado do aumento da dimensão das unidades de produção.

Pág. 23
O aparecimento das deseconomias de escala está associado a vários fatores como:

 A dificuldade em gerir os recursos da empresa;


 A dificuldade de escoamento das produções;
 O aumento do desperdício de recursos.

Economias Gama: há economias gama quando o custo de produzir 2 produtos em conjunto é


inferior ao custo de as produzir em separado.

Pág. 24
Pág. 25
Para que os bens produzidos cheguem junto dos consumidores é necessário a intervenção de
um conjunto de atividades que designamos por distribuição.

A distribuição é a atividade que estabelece a ligação entre a produção e o consumo.

A distribuição é fundamental na atividade económica, pois permite ao consumidor adquirir os


bens:

 Na quantidade desejada
 De forma cômoda e prática
 No local que lhe é mais conveniente.

Atividade que compõem a distribuição

 Comércio:
o Grossista: que contata diretamente o produtor e reúne, por vezes, produção
que se encontram dispersas.
o Retalhista: que adquire os produtos junto do grossista, oferecendo-os ao
consumidor nos locais e quantidades de que lhes necessitam.
 Logística:
o Armazenagem
o Transporte

Circuitos de distribuição

São etapas percorridas pelos bens ou serviços, através de diversos agentes económicos com
diferentes funções, desde o seu lugar de produção até serem colocados à disposição do consumidor.

Tipos de circuitos de distribuição:

 Ultracurto: quando intervém apenas o produtor e o consumidor (P-C)


 Curtos: quando entre o produtor e o consumidor intervém apenas o retalhista. (P-R-C)
 Longo: quando entre o produtor e o consumidor intervém o grossista e o retalhista. (P-
G-R-P)

Tipos ou formas de comércio:

 O comércio independente;
 O comércio integrado;
 O comércio associado.

Pág. 26
Comércio independente

 Empresas familiares;
 Empresas de pequena dimensão;
 Um ponto de venda;
 Um número reduzido de trabalhadores ou mesmo nenhum;
 Empresas exploradas apenas pelo proprietário.

Comércio integrado

 Reuni as funções de grosseiro e retalhista;


 Explora cadeias compostas por vários pontos de venda;
 Todos os pontos de venda são identificados pela mesma insígnia;
 Aplica políticas de gestão comuns.

Dentro desta forma de comércio encontra-se:

 Os grandes armazéns: que oferecem num mesmo locar diversas categorias de


produtos arrumados em secções com uma gama variada, funcionando cada secção
quase como uma loja especializada. (El corte Inglês
 Os armazéns populares: constituem uma versão menos sofisticada dos grandes
armazéns, já que se dirigem a clientes com menor poder de compra ou que pretendem
gastar menos. (Minipreço)
 As grandes superfícies generalistas: são lojas de grande dimensão, oferecendo uma
grande variedade e diversidade de bens, sobretudo alimentares e de higiene.
(continente)
 As grandes superfícies especializadas: são lojas de grande dimensão, tal como as
anteriores, mas dirigidas para uma mesma gama de produtos, bastante especializada.
(IKEA)
 O franchising: reunindo empresas que, embora se mantenham jurídica e
financeiramente independente uma das outras, estão ligadas por contrato à empresa -
mãe- o franqueador- aplicando políticas de gestão comuns. (McDonald’s)

Comércio associado

 Compreender um conjunto de empresas que a associam;


 As empresas associadas mantêm a sua independência jurídica;
 Estas empresas podem associar uma ou mais atividade.

Pág. 27
Métodos de venda

 Venda a distância: é uma técnica de venda em que os produtos são apresentados aos
consumidores através de vários meios de comunicação, como a televisão ou por
catálogo.
 Venda automática (vending): este tipo de venda utiliza equipamentos automáticos
instalados em locais públicos e de grande circulação, como estacão de comboio,
metro, hospitais ou fabricas.
 Venda direta ou ao domicílio: exige contato direto entre o vendedor ao consumidor,
no entanto, este contato não é feito no ponto de venda, mas na casa do cliente ou no
emprego sendo por esta razão é também habitualmente designado por venda porta-a-
porta.
 Cibervenda (venda através da internet): esta modalidade corresponde à forma mais
recente de venda e que tem vindo a crescer nos últimos tempos, facilitada pelo
aumento do uso do computador, consistindo na venda/aquisição de bens ou serviços
através da internet.

Moeda
A moeda é um bem de aceitação generalizada que expressa o valor dos bens e serviços, funcionando como
um intermediário das trocas.

Funções da moeda

 Unidade de conta ou medida de valor: a moeda expressa o valor dos bens e serviços
 Meio de pagamento: amoeda é aceite por todos, permitindo adquirir os bens e
serviços.
 Reserva de valor: é possível guardar moeda com vista adquirir bens e serviços no
futuro.

Evolução da moeda

Inicialmente, as trocas eram feitas de forma direta, sem a intervenção de qualquer


intermediário: Troca direta.

Bem→Bem

Inconvenientes da troca direta:

 Dupla coincidência de desejos;


 Atribuição de valor aos bens;
 Divisibilidade ou fracionamento dos bens;
 Transporte dos bens;

Pág. 28
 Elevado número de transações.
Nota: a troca direta constituía um entrave ao desenvolvimento das trocas e da economia.

Introdução de um intermediário na troca: Troca indireta.

Bem →Moeda→ Bem

 As 1ªs moedas assumiram a forma de moeda mercadoria.


 A moeda consistia na utilização de um bem como intermediário na troca.

Inconvenientes:

 Podia ser para fim não monetário;


 Difícil de conservá-lo ao longo no tempo;
 Por vezes era difícil o seu fracionamento e o transporte.

Assim generalizar-se o uso de moeda metálica (ouro e prata), ultrapassando os inconvenientes


apresentados pela moeda mercadoria.

Moeda metálica: ‒ pesada


‒ contada
‒ cunhada
Vantagens do uso da moeda em suporte metálico:
 Fácil divisibilidade;
 Fácil de transporte;
 Difícil de falsificar;
 Aceite por todos;
 Baixa procura não monetária;
 Dado ser metal precioso, era raro e escasso.

Tipos de moeda
 Moeda mercadoria
 Moeda metálica
 Moeda papel
 Papel moeda
 Moeda escritural

A moeda papel é representativa e convertível em ouro ou prata.


O papel moeda é inconvertível, de curso forçado e fiduciária.
A moeda escritural traduz-se em inscrições contabilísticas feitas pelos bancos nas contas dos
seus clientes que previamente constituíram depósitos.
Nota: com a evolução da moeda veio a verificar-se uma desnaturalização da moeda.

Formas atuais de moeda: • divisionária ou de troca


• papel moeda

Pág. 29
• moeda escritural

O Euro

O euro entrou definitivamente em circulação no dia 1 de janeiro de 2002, retirando as moedas


nacionais de 12 países. Eslovénia entrou no euro em 2007.

Países da zona Euro (2007)

 Finlândia  Grécia  Alemanha


 Holanda  Portugal  Áustria
 Bélgica  Espanha  Itália
 Luxemburgo  França  Eslovénia
 Irlanda

Para fazer parte da zona euro os países tiveram de cumprir os critérios de convergência
nominais ou Mastricht.

Critério a convergência nominais

 Estabilidade do preço
 Situação das finanças pública
 Observância das margens
 Durabilidade de convergência

Nota: 1/1/1999 → 31/12/2001 aparecimento do euro com moeda escritural.


1/1/2002 → 28/2/2002 Início da circulação das notas e moedas em euro.

Vantagens e desafios da adoção do euro

 Vantagens para os cidadãos:


o Permite aos cidadãos da zona euro compararem mais facilmente os preços;
o Reduz os custos nas deslocações a países da zona euro, pois foram eliminadas
as comissões e as taxas de câmbio;
o Ao criar uma economia mais estável e não inflacionista, garantirá uma maior
estabilidade do poder de compra dos europeus.
o O euro, sendo uma moeda estável, permite taxas de juras mais baixas e o
recurso mais barato ao crédito;
o Estimula o crescimento económico, sendo um fator positivo para a criação de
emprego.

 Vantagens para as empresas:


o O euro elimina os custos das transações dentro da zona euros;

Pág. 30
o A redução dos riscos cambiais e os custos das operações financeiras tende
fazer baixar os preços;
o O euro, permitindo a manutenção de taxas de juros baixas, constitui um
incentivo ao investimento, estimulando o crescimento das empresas e do
emprego;
o O euro permite diminuir os riscos de negócios com empresas fora da união
europeia, pois é uma moeda com visibilidade internacional;
o É mais fácil a comparação dos resultados obtidos pelas empresas da zona
euro, pois é feita na mesma moeda;
o O euro cria uma zona de comércio mais alargada e mais homogénea.

 Vantagens para a economia europeia:


o O euro torna mais visível a moeda de pequenos países;
o O euro torna a economia de cada país da zona euro mais estável, facilitando o
crescimento económico;
o O euro permite uma estabilidade monetária duradoura;
o O euro reduz as taxas de juro, estimulando o investimento e o emprego;
o O euro reforça o peso político e económico da Europa, face aos seus parceiros
internacionais;
o O euro aprofunda o processo de integração europeu criando um espaço
económico mais coesa.

 Desafios que se colocam:


o A adaptação dos seus produtos ou serviços a um perfil de consumir diferente;
o A capacidade da sua empresa em responder a este crescimento;
o Ponderar os canais de distribuição e toda a estratégia de marketing;
o Ponderar os novos sistemas de encomendas e de pagamentos.

O preço de um bem ou de um serviço é a quantidade de moeda que é necessário


despender para o obter.

O valor de uso de um bem corresponde ao conjunto de características próprias desse bem


e que conduz à sua escolha, dependendo de outros fatores subjetivos, que variam de
acordo com o contexto social em que a escolha se efetua.

Nota: o valor de uso é uma avaliação subjetiva que direta ou indiretamente, a posse e a utilização de um
bem proporciona, num determinado momento e contexto social.

O valor de troca exprime-se por uma relação de troca que, relativamente a cada bem,
expressa a quantidade de outros bens que lhe são equivalentes.

Pág. 31
Nota: o valor de troca compara um bem em termo de outro ou de outros bens que podem ser
adquiridos.

Segundo os modernos economistas a formação de preço de um bem (pricing) é o processo no


qual intervém um conjunto de fatores simultaneamente, dos quais se destacam:

 Os custos de produção envolvidos na produção do bem, quer sejam os custos fixos


quer os custos variáveis;
 O custo de fator trabalho, que consequentemente se reflete nos custos de produção
do bem;
 O preço dos outros bens que possam ser substituíveis;
 A imagem de marca do bem, pois a empresa poderá pretender afirmar-se no mercado
através de uma estratégica de preços mais elevados, de forma a criar uma imagem de
prestígio.
 A intervenção do Estado, nomeadamente através da aplicação de impostos indiretos,
fazendo aumentar o preço do bem ou através da concessão de subsídios, o que
provoca uma redução do seu preço.
 O número de compradores e de vendedores existentes. Se uma empresa opera
sozinha no mercado, naturalmente terá maior possibilidade de fixar o preço do que
aquela que opera num mercado em que existem muitos mais, podendo o comprador
escolher aquela que oferece um preço mais baixo.

A Inflação

Inflação é a subida generalizada e sustentada do nível médio do preço dos bens e dos
serviços.

Tipos de inflação

 Moderada: quando os preços sabem lentamente, apresentado taxas anuais de um só


dígito (inferior a 10%)
 Galopante: quando os preços começam a subir de forma mais acelerada, a taxa de dois
ou três dígitos. Uma taxa de 11% e de 300%
 Hiperinflação: quando os preços sobem descontroladamente, atingido valores muitos
elevados, da ordem dos quatros ou mais dígitos.

Situações possíveis da variação dos preços

 Inflação: corresponde a uma subida da generalizada e sustentada do preço dos bens e


serviços.
 Deflação: que se traduz pela queda generalizada dos preços para níveis inferiores aos
que vinham a ser praticados.

Pág. 32
 Reflação: é a situação de retoma dos preços após um período de deflação. Os preços
sobem, bem como o consumo e o investimento, voltando a atividade económica ao
seu nível anterior.
 Desinflação: traduz-se numa desaceleração do ritmo de crescimento dos preços. É
uma situação em que, embora verificando-se inflação, a sua taxa de crescimento é
gradualmente menor.
 Estagflação: corresponde ao período em que se verifica simultaneamente uma elevada
taxa de inflação a par de uma elevada taxa de desemprego.

O Índice de Preço no Consumidor (IPC)

Para se medir a evolução dos preços no tempo, é habitual utilizar-se o índice de preços.

Índice Harmonização de Preços no Consumidor

Para melhor se comparar a evolução dos preços nos diferentes países na União Europeia, tem-
se vindo a uniformizar a fórmula de cálculo do IPC, de forma a torna-lo numa base comparável.

Designa-se este índice por IHPC, Índice Harmonizado de Preço no Consumidor. (medicamentos
não comparticipados, seguros ligados à habitação e serviços de educação integralmente
suportados pelos consumidores)

Taxa de inflação média anual e homóloga

Taxa de inflação média anual, que expressa a média de variação dos preços dos bens
considerados no “cabaz” ao longo do ano (últimos dozes meses).

Taxa de inflação homóloga, que compara a variação do preço do “cabaz” num determinado
mês, relativamente ao preço do “cabaz” no mesmo mês do ano anterior.

Pág. 33
Pág. 34
Mercado

Mercado é qualquer situação em que os vendedores e os compradores ajustam o preço e


a quantidade do bem a transacionar.

Nota: é através do mecanismo do mercado que os produtos adaptam os níveis de produção às


necessidades da sociedade. E é no mercado que a oferta enfrenta a procura com objetivo de definir o
preço e estabelecer a quantidade a transacionar do bem.
O mecanismo de mercado exemplifica o funcionamento do mercado de concorrência perfeita.

A procura e a lei da procura

A procura individual

A quantidade procurada designa as unidades dos bens e dos serviços que os compradores
desejam adquirir num determinado momento.

A quantidade procurada depende de vários fatores:

 Rendimento
 Preço → próprio bem (bens substitutos / bens complementares) ou de outros bens
 Preferências do consumidor

A curva da procura traduz a relação existente entre nos preços e as quantidades procuradas
de um bem, serviço ou capital.

A lei da procura diz-nos que a quantidade procurada de um bem aumente quando o


preço do bem diminui, “ceteris paribue” (outras coisas sendo iguais).

A procura agregada representa a soma das quantidades procuradas individualmente para cada
nível de preços. A procura de mercado corresponde à soma das procuras individuais.

Nota: uma deslocação da curva da procura ocorre sempre que um dos fatores determinantes da procura
regista uma alteração, com exceção do preço do próprio bem.

A oferta individual

A quantidade oferecida de um bem corresponde ao número de unidades que os vendedores,


em determinado momento, estão dispostos a colocar no mercado.

A quantidade oferecida depende de vários fatores:

 Custo dos fatores de produção


 Tecnologia
 Preço dos outros bens (substitutos, complementares)

Pág. 35
 Preço do bem

Curva da oferta representa a relação existente entre a quantidade oferecida e o preço do


próprio bem, mantendo constante todos os outros fatores.

A lei da oferta diz-nos que, quando o preço do bem aumenta, a quantidade oferecida
aumenta.

A oferta agregada representa a soma das quantidades oferecidas individualmente para cada
nível de preços.

Nota: uma deslocação da curva de oferta ocorre sempre que qualquer dos fatores
determinantes da quantidade oferecida sofra alteração, isto é, sempre que os custos de
produção, a tecnologia e os preços dos outros bens registem alterações.

Preço de equilíbrio

Ao preço de equilíbrio (E), toda a procura é satisfeita, não ficando nenhuma unidade oferecida
por vender, o mercado encontra-se em equilíbrio.

Quando, para um determinado nível de preços, a quantidade procurada pelos compradores é


diferente da quantidade oferecida pelos vendedores, diz-se que há um excesso, podendo este
ser de dois tipos:

 Excesso de procura
 Excesso de oferta

Estrutura dos mercados

Mercado Concorrência perfeita


Concorrência imperfeita

Mercado de concorrência perfeita


Características:
 Transferências: todos os intervenientes no mercado dispõem de total informação
sobre processos, custos, margens de comercialização, etc.
 Atomicidade: muitos vendedores e compradores. Nenhum isolamento consegue
controlar o preço.
 Livre acesso ao mercado: não existem barreiras que impeçam a entrada ou saída do
mercado.

Pág. 36
 Homogeneidade: todos os produtores e/ou vendedores produzem ou prestam um
serviço exatamente com as mesmas características.
 Mobilidade: qualquer produtor pode passar da produção de produtos informáticos
para o cultivo de flores sem custos associado à mudança.

Mercados de concorrência imperfeita

Monopólio (um só produtor e/ou vendedor e muitos consumidores)

Os monopólios sobrevivem, apesar de lucros elevados que podem obter e que podiam
funcionar como estímulo à entrada de novos concorrentes. Os monopólios existem há
barreiras que impedem a entrada no mercado.

Barreiras dos tipos de monopólio:

A dimensão do mercado consumidor, que não comporta mais do que uma empresa produtora.
Este tipo de monopólio é designado por monopólio natural.

A intervenção do Estado, este pode, por via legislativa, impedir a entrada de novos
concorrentes no mercado. Este tipo de monopólio é designado por monopólio legal.

Necessidade de elevados investimentos iniciais. A produção de bens resulta de processos de


investigação complexas e por vezes longos tipo de monopólio é designado por monopólio
tecnológico.

Poder de mercado no monopolista: é uma expressão utilizada para representar a capacidade


do monopolista estipular o preço de venda do bem ou da prestação de serviço. Este poder é
quase absoluto.

Oligopólio: poucas empresas produtoras e/ou vendedores do bem e muitos compradores de


um bem diferenciado ou homogéneo.
Nota: para evitar a concorrência desenfreada entre 2 empresas, os oligopolistas decidem estabelecer
acordo entre si, desta forma reduzem a concorrência.

Concorrência monopolística: muitas empresas vendedoras e muitos consumidores à procura


do bem.
Bens diferenciados. Cada empresa produz um bem que apresenta ligeiras diferenças
dos restantes.

Fusões e aquisições

As fusões consistem em submeter a um único centro de decisão unidades empresariais


que ate então eram autónomas.

Pág. 37
As fusões podem contribuir de 2 formas:
 Criação do poder de mercado (alteram a estrutura de mercado, passamos para
mercados como o oligopólio e, em casos extremos, o monopólio. O que na prática
pode significar preços mais elevados e, consequentemente, a venda de quantidades
reduzidas).
 Reforço do poder de mercado (reduz o numero de concorrentes no mercado. Ora,
quanto menor o numero destes, maior a viabilidade de pratica de conclui).

Pág. 38
Pág. 39
É na realização do processo produtivo que se geram rendimentos.

É na atividade produtiva que se geram os rendimentos que irão ser repartidos por todos os
que intervieram nesse processo. Há 2 tipos de rendimentos:

 Rendimento primário: é o rendimento que não repartidos por os intervenientes que


estão ligados diretamente ao ato produtivo.
 Rendimento secundário: designa as transferências que o estado efetua pra os agentes
económicos como e o caso dos subsídios.
Repatição funcional dos rendimentos

A repartição funcional dos rendimentos é a análise da forma como o rendimento se


reparte pelos fatores intervenientes no processo produtivo, de acordo com a função por
eles desempenhadas.

Ora, cada um destes intervenientes deverá ser remunerado cabendo-lhe uma parte do
rendimento gerado.

Repartição funcional dos rendimentos


Fator trabalho Trabalhador Salário
Empresário Lucro
Fator capital Proprietário de imoveis Rendas
Detentor de capital Juros
Fator trabalho

Salário: traduz a parte do rendimento recebido pelos trabalhadores


 Diretos: quantidade de moeda que o empresário paga aos trabalhadores.
 Indiretos: quantidade de moeda transferida pelo estado de sob forma de subsídios.
Nota: Salário Nominal: os trabalhadores recebem uma quantidade de moeda.
Salário Real: é a quantidade de bens e serviços que é possível adquirir com o salário nominal.

Fator Capital:
Renda: é a parte do rendimento recebida pelos proprietários de imóveis.
Lucros: é a parte do rendimento que cabe ao empresário
 Renumeração pela iniciativa, pela inovação e pelo risco que o empresário assumiu no
processo produtivo.
Juros: é a parte da renda que cabe ao proprietário de capitais monetários)
 Fatores dependentes: J= t.j x t x m.c
o Taxa de juro fixada
o O tempo de duração do empresário
o O montante do capital emprestado.
 Os juros podem ser:
o Ativa (a que o banco recebe por conceder empréstimos)
o Passiva (a que o banco paga aos depositantes)

Pág. 40
Curva de Lorenz
A curva de Lorenz relaciona:
 A percentagem da população de um país
 Ordenada por ordem crescente dos seus rendimentos, a percentagens do Rendimento
Nacional que em população recebe.
Nota: quanto mais afastada a curva estiver da reta equidistribuição maior e a desigualdade verificada na
repartição do Rendimento.

Rendimento Nacional per capita

O rendimento nacional per capita representa:

 A parcela do rendimento que, em média, cada habitante receberia se houvesse uma


repartição equitativa;
 Uma média.

Nota: é utilizado para efetuar comparações internacionais ou entre regiões de um mesmo país. A sua
utilização apresenta algumas limitações, pois sendo uma média, esconde ou esbate as desigualdades.

Repartição pessoal dos rendimentos

A repartição pessoal dos rendimentos: é a forma como os rendimentos se repartem pelos


agregados familiares, independentemente da função que desempenham no processo
produtivo.

Fatores da desigualdade pessoal:

 Diferentes distribuições da propriedade


 Desigualdades salariais
Leque salarial

Leque Salarial é uma das formas utilizadas pra medir as desigualdades salariais,
evidenciando a relação existente entre o salario máximo e o salario mínimo praticado
num determinado pais.

Pág. 41
Redistribuição dos rendimentos

Redistribuição dos rendimentos é o processo, através do qual o estado e outras


instituições procedem à recolha de rendimentos e à sua respetiva transferência, de forma
a garantir um melhor nível de vida a todos os cidadãos, corrigindo assim as desigualdades
provocadas pela repartição primária dos rendimentos.

Atua em 2 formas:
 Verticalmente: reduzindo as desigualdades provocadas pela repartição primária dos
rendimentos, através dos impostos diretos
 Horizontalmente: ao efetuar transferências para as famílias mais carenciadas, através,
de subsídios.

Objetivos:
 Corrigir as desigualdades provocadas pela repartição dos rendimentos:
 Cobrir coletivamente os riscos individuais
 Pôr à disposição de toda a população um conjunto de bens e serviços sociais.

Políticas de redistribuição:
 De preço: que consiste, por um lado, na aplicação de impostos indiretos sobre o
consumo de bens ou serviços consumidos sobretudo pelas classes de rendimentos
mais elevados e, por outro lado, na atribuição de subsídios aos bens ou serviços de
primeira necessidade, de forma a torna-los mais acessíveis à população em menores
recursos, caso da saúde ou da educação.

 Social: através da criação de sistemas de segurança social, o Estado garante a proteção


dos cidadãos em situações de invalidez, desemprego ou velhice.

 Fiscal: que consiste na aplicação de impostos diretamente sobre os rendimentos das


pessoas ou de impostos indiretos que incidem sobre os bens e serviços.

Rendimento Pessoal Disponível = renumerações do trabalho+ rendimentos de empresas e


propriedade+ transferência internas+ transferência externas; (é igual ao rendimento
pessoal ao que se subtraíram os impostos direto e as contribuições sociais)

+ Remuneração do trabalho – Salário


+ Rendimentos de empresas e propriedades – Lucros
– Juros
– Rendas
+ Transferências internas – Subsídios de desemprego, abano de família, etc.
+ Transferências externas – Remessas de emigrantes.

= Rendimento Pessoal
- Impostos diretos – IRS, IRC
- Contribuições Sociais – Quotização para a segurança social

= Rendimento Disponível dos Particulares

Pág. 42
Pág. 43
Poupança

Poupança: é a parte do rendimento não gasta, no imediato, no consumo.

Poupança proporciona: consumo no futuro das famílias;


Recursos necessários ao investimento na atividade produtiva.

Destino na poupança:
 Entesourado: o aforrador guarda a poupança, não há qualquer renumeração;
 Depositada: o aforrador constitui um depósito junto de uma instituição bancaria, à
poupança é renumerada através de juros.
 Investido: o aforrador aplica a poupança na aquisição de bens de produção, neste caso
a renumeração é variável consoante o desempenho da empresa e designa-se por
lucro.

Investimento

Investimento: representa a aplicação da poupança na aquisição de bens destinados ao


processo produtivo.

Funções do investimento:
 Investimento de substituição: destinado à aquisição de equipamentos para repor os
que ficam obsoletos, garante a continuidade do processo produtivo.
 Investimento de inovação: destinado à modernização do processo produtivo,
indispensável para a melhoria da qualidade dos bens e serviços predados.
 Investimento de aumento da capacidade de produção: destinado à aplicação da
capacidade produtiva da empresa, por forma de responder à maior procura no
mercado.

Tipos de investimento:

 Investimento material: representa a aplicação da poupança na aquisição de bens de


produção e na aquisição de matérias-primas e subsidiarias.
 Investimento imaterial: representa a aplicação de poupança na pesquisa e na
descoberta de novas formas de fabrico, novas matérias-primas.
 Investimento financeiro: corresponde ao aumento do capital social das empresas.

A formação de capital designa o montante dos bens de produção utilizados no processo


produtivo

A Formação bruta de capital fixo representa o valor dos bens duradouros utilizados no
processo produtivo durante um ano, sem ter conta o desgaste sofrido pelos mesmos.

Pág. 44
Inovação tecnológica. Investigação e Desenvolvimento

 Proporciona o aparecimento de novas matérias- primas, o aperfeiçoamento de bens já


existentes e a descoberta de novas tecnologias geradoras de novos bens.
 Coloca no mercado novos bens e/ou bens de melhor qualidade. Estas mudanças por
vezes, são acompanhadas, a médio prazo, do embaratecimento dos bens e da
generalização do seu consumo.

Provocando:

 A dinamização de atividades relacionadas com a produção dos novos bens e/ou dos
bens com maior qualidade (ao criar emprego, aumentar a riqueza criada no país
acentuado o crescimento económico).
 A retração das atividades com o desaparecimento de outros bens que caíram em
desuso (ao aumentar o desemprego, extinguindo certas profissões e ao contribuir para
reduzir a criação de riqueza).
 A Investigação e Desenvolvimento vai criar novos empregos mais qualificados.

Capacidade e necessidade de financiamento

Capacidade de financiamento: ocorre sempre que o agente económico apresenta uma


poupança superior ao valor do investimento a realizar.

Necessidade de financiamento: ocorre sempre que o agente económico apresenta uma


poupança inferior ao valor de investimento a realizar.

Há 2 tipos de financiamento:

 Financiamento interno: utilização do próprio recurso e representa a aplicação da


poupança realizada pelo próprio agente económico na formação de capital –
autofinanciamento.
 Financiamento externo: corresponde ao investimento a partir de fundos alheios e
pode assumir diferentes modalidades: recurso ao crédito e ao aumento do capital.
o Financiamento direto: quando os recursos são obtidos através do mercado
primário de títulos.
o Financiamento indireto: quando os recursos são obtidos junto de
intermediários financeiros.

Funcionamento e Financiamento

Funcionamento: destina-se a suprir momentaneamente a falta de recursos financeiros na empresa.

Financiamento: destina-se à modernização, substituição e/ou aplicação da capacidade produtiva da empresa.

Pág. 45
Crédito e taxa de juro

O crédito representa a utilização de recursos de terceiros, por parte de quem deles


necessita, mediante o pagamento de juros e o compromisso do reembolso futuro.

O juro representa o custo da utilização de recursos monetários alheios.

Os serviços prestados pelas instituições bancárias podem ser classificados em:

 Operações ativas (Taxa de juro ativa): cedência de recursos por parte dos bancos aos
restantes agentes económicos.
 Operações passivas (Taxa de juro passiva): bancos recebem as poupanças das famílias,
das empresas e do estado.

Os créditos podem assumir diferentes formas de acordo com os seguintes créditos:

 Aplicação
o Crédito à produção: é quando as empresas contraem créditos para manter,
ampliar ou modernizar a capacidade de produção. (garante o financiamento e
o funcionamento)
o Crédito ao consumo: é quando as famílias recorrem ao crédito para aquisição
de bens de consumo.
 Duração
o Crédito de curto prazo: inferior a 1 ano
o Crédito de médio prazo: entre 1 e 5 anos
o Crédito a longo prazo: habitação

Nota: O crédito disponibilizado pelas instituições bancárias tem por objetivo proporcionar o aumento
imediato do consumo e de proporcionar os recursos necessários ao investimento.

Criação de moeda

Multiplicador do crédito = 1/ taxa de reserva obrigatória

Criação máxima de moeda = valor inicial do depósito x multiplicador do crédito

Instituições financeiras

Instituições financeiras: são empresas que prestam serviços de natureza financeira. Exercem a função de
intermediária financeira.

Pág. 46
As instituições financeiras podem classificar-se em:

 Instituições financeiras monetárias: estas instituições podem receber depósitos e criar


moeda através da concessão de crédito.
Exemplos: Banco de Portugal, Bancos de Poupança e Bancos Universais.

 Instituições financeiras não monetárias: estas instituições não podem receber


depósitos, mas concedem crédito financiado através da emissão de obrigações, de
suprimentos e da contração de credito junto de outras instituições de crédito.
Exemplos:
o As sociedade de locação financeira (leasing): são sociedades que
colocam à disposição de outras instituições bens móveis ou imóveis
mediante o pagamento de uma importância.

o As sociedades de factoring (sociedade de cessão financeira): adquirem


a outras instituições os seus créditos a curto prazo e dispõem-se a
converter esses créditos em moeda, mediante o pagamento de uma
comissão pelo serviço prestado e de um juro no caso de pagamento
antecipado.

o As sociedade de capital de risco: são sociedades anónimas que


participam temporariamente no capital social de outras empresas ou
no financiamento de projetos.

Mercado de títulos
O Mercado de Títulos é o mercado onde se transacionam valores mobiliários.

Ações

As ações correspondem a títulos de propriedade representativos do capital social das


sociedade anónimas (SA), podendo ser emitidos aquando da sua constituição ou
posteriormente, para realizar um aumento do seu capital social.

Obrigações

Uma obrigação representa um título de crédito a longo prazo representativo de um


empréstimo a uma empresa.

O Mercado de Títulos subdivide-se em dois outros mercados:


 o mercado primário, constituído pelos títulos que iniciam a sua circulação e
são representativos do financiamento externo direto.

Pág. 47
 o mercado secundário, constituído pelos títulos após o momento da sua
emissão. Em Portugal, este mercado é constituído pela bolsa de Derivado do
Porto.

As Bolsas de Valores

A Bolsa de Valores Mobiliário é o lugar de encontro dos proprietários de títulos já emitidos e


dos investidores que desejam adquirir esses títulos.

O investimento em Portugal e o investimento português no estrangeiro

Investimento Público: é realizado pela administração pública e destina-se à criação de


infraestruturas como estradas, hospitais, etc.

Investimento Privado: é realizado pelas famílias e pelas empresas e tem como objetivo a
compra de habitação, e de bens de produção.

Investimento direto estrangeiro: representa a compra ou a construção de raiz de uma


empresa num país, por parte de um não residente, com objetivo de participar nas decisões da
empresa.

Investimento em carteira: representa a aquisição de ativos financeiros sem o objetivo de


desenvolver uma atividade empresarial.

Pág. 48
Pág. 49
Atividade Económica

Atividade económica é o esforço desenvolvido pelos indivíduos com objetivo de satisfazer as suas necessidades.

A atividade económica consiste na:

 Produção;
 Distribuição;
 Repartição dos Rendimentos;
 Utilização dos Rendimentos.
Agentes Económicos
Agentes económicos são o conjunto de indivíduos e de entidades que, de alguma forma, participam na
atividade económica de um país ou de uma região.

Os agentes económicos são:

 Famílias (consumo de bens e serviços não financeiras);


 Empresas não financeiras (produção e distribuição de bens e serviços);
 Instituições Financeiras (prestação de serviços financeiras);
 Administração Pública/Estado (satisfação das necessidades coletivas);
 Resto do Mundo (troca de bens, serviços e capitais).

Fluxos
O fluxo é o movimento correspondente ao que cada agente económico entrega ou recebe de outro.

Há três tipos de fluxos:

Fluxos reais traduzem as entregas e os recebimentos que se processam efetivamente entre os


agentes económicos.

Fluxos monetários: traduzem as relações económicas estabelecidas entre os diversos agentes


económicos.

Fluxo de compensação: traduz uma entrada ou uma saída, constante o saldo seja positivo (as dividas
que entram são superiores às que saem) ou negativo (as dividas que entram são inferiores ás que
saem), pelo que o fluxo de compensação tem um único sentido.

Circuito Económico

Circuito económico é uma representação gráfica dos fluxos reais e monetárias que se estabelecem entre
os diferentes agente económicos, num determinado momento.

Pág. 50
No entanto apresenta duas limitações:

 é impossível representar todas as relações económicas que se estabelecem entre os


diversos agentes económicos.
 o circuito económico, revela-se incapaz de traduzir o equilíbrio económico, sobretudo
se o numero de fluxos nele representado for muito elevado.

Equilíbrio económico é o equilíbrio que se deve verificar na economia de uma região/ pais, num dado
período, resultante da igualdade entre a soma de todos os recursos dos diversos agentes económicos e da
soma de todos os empregos desses mesmos agentes.

Sistema de contas é um sistema que apresenta contas dos diversos agentes económicos, de modo a
possibilitar a verificação do equilíbrio económico.

Através de um sistema de contas é possível constatar que:


 os Empregos de um agente são os Recursos de outros;
 o total de Recursos de um agente deve ser igual ao total dos Empregos desse mesmo
agente.

Nota: a produção, a distribuição, a repartição dos rendimentos e a utilização dos rendimentos são funções
interligadas. Pois são elas, que em conjunto satisfazem as necessidades humanas.
O equilíbrio económico implica que se verifique a seguinte igualdade: Produto= Rendimento=Despesa

Pág. 51
Pág. 52
Contabilidade Nacional

Contabilidade Nacional é uma metodologia para registar e quantificar os agregados macroeconómicos de uma
forma sistemática, com a finalidade de apresentar as grandezas mais características de uma economia no seu
território nacional e a atividade económica dos seus residentes.

As suas funções são:


 descrever os principais agentes económicos;
 verificar e validar a teoria económica;
 classificar e medir de forma sistemática as transações comerciais;
 definir politicas económicas e avaliar a sua eficácia;
 estabelecer comparações entre diferentes economias.

Sistema de contabilidade nacional

Sistema de contabilidade nacional descreve a economia de um pais através do circuito económico, que resulta
num conjunto logico de contas macroeconómicas e quadros concebidos com variados fins específicos e
políticos.

Conjunto de operações da contabilidade nacional:


o as operações sobre bens e serviços
o as operações de distribuição
o as operações financeiras

Intuições responsáveis pelas contas:


 O Instituto Nacional de Estatísticas (INE)
 O Banco de Portugal (BP)

Produto Interno Bruto

Produto Interno Bruto (PIB) é a desagregação do valor de mercado dos bens e serviços finais criados num
território durante um determinado período de tempo.

Procura medir:
 o rendimento total de todas as pessoas de uma economia;
 a despesa total de uma economia na produção de bens e serviços.

Território económico e geográfico


Território económico inclui as atividades produtivas que criam riqueza para o país mas que se encontram
fora dos limites fronteiriços.

Pág. 53
Território geográfico limita a criação de riqueza que é gerado dentro do espaço geográfico delimitado em
termos de fronteira

Poder-se-á entender a delimitação da atividade económica dos seguintes modos:


Interno - produto gerado dentro de fronteiras geográficas;
Nacional - produto gerado pelos residente do pais;
Residente - é o indivíduo que habita no país há mais de um ano.

Unidade institucional

Unidade
Ramoinstitucional
de Atividadeé um agente económico
é conjunto das unidadecom capacidade
de produção para realizar
homogénea, queatividades
exercemeconómicas e operações
a sua atividade sobre umcom
outros agentes, um verdadeiro centro de decisão
mesmoeconómica,
produto. que dispõe de contabilidade completa.

Existe três sectores:


- Sector I ( sector primário)
- Sector II (sector secundário)
- Sector III (sector terciário)

Óticas do cálculo do valor da produção


Conceitos associados ao produto
Produto Bruto / Produto Líquido

Produto Bruto = Produto Líquido + Amortizações (ou consumo de capital fixo)


Produto Líquido = Produto Bruto - Amortizações (ou consumo de capital fixo)

Produto Interno / Produto Nacional

O Produto Interno (PI) é o produto realizado no território económico nacional independentemente da


nacionalidade dos fatores produtivos que contribuíram para a produção.

O Produto Nacional (PN) é o produto atribuível aos agentes económicos nacionais independentemente do
espaço económico em que se encontrem.

Pág. 54
PN = PI + SRRM
PI = PN - SRRM

Nota: SRRM é o saldo dos rendimentos com o resto do mundo = rendimentos dos fatores produtivos recebidos do
resto do mundo - rendimentos dos fatores produtivos pagos ao resto do mundo.
Produtos a Custo de Fatores / Produto a Preços de Mercado

Produto a custos de fatores (Pcf) refere-se aos preços dos bens e serviços que resultam apenas dos custos dos
fatores produtivos utilizados.

Produto a preços de mercado (Ppm) refere -se aos preços dos bens e serviços depois de considerados os
impostos indiretos e os subsídios à produção.

Ppm = Pcf + (Impostos indiretos - subsídios à produção) Impostos líquidos de subvenção


Pcf = Ppm - impostos indiretos + subsídios à produção

A valorização diz-se a preços corrente quando tomam por referência os preços desse mesmo
ano, mas, se essa valorização for efetuada com base em preços de um outro ano, diz-se a
preços constantes desse outro ano.

Deflator do PIB

O deflator do PIB é um índice agregado de preços que permite obter a variação do nível de preços entre o ano-base
e o ano corrente, obtido pelo rácio do PIB nominal sobre o PIB real, expresso sob a forma de um índice. O deflator
do PIB permite valorizar os preços de um ano relativamente ao ano-base, isto é, calcular os valores a preços
constantes.

Índice de Preços no consumidor (IPC), quantifica o preço médio dos bens e serviços
comprados pelos consumidores.

Taxa de crescimento do produto

Taxa de crescimento do PIB em termos nominais:

Para obter o crescimento em termos monetários:

PIB a preços correntes ano (n) - PIB a preços correntes ano (n-1)

Pág. 55
Para obter a taxa de crescimento em termos monetários:

Taxa de crescimento do PIB em termos reais.

Para obter o crescimento em termos reais:

PIB a preços constantes ano (n) - PIB a preços constantes ano (n-1)

Para obter a taxa de crescimento em termos reais:

Óticas do cálculo do valor do produto de um país

 Ótica do Produto
O produto é obtido da soma de todo o valor acrescentado da economia, quer
de empresas produtoras de bens finais quer de bens intermédios, analisando o valor
do produto através da participação de cada ramo de atividade.

 Ótica do Rendimento
O produto é calculado como sendo o total do rendimento gerado pela
produção de bens e serviços, analisando o valor do produto através da repartição dos
rendimentos resultantes da produção pelos diversos intervenientes no processo
produtivo.

 Ótica da Despesa
O produto é determinado pela despesa necessária na compra de todos os bens
finais e serviços produzidos durante o período, dando relevo ao destino dado à
produção global.

Ótica do Produto
Problema da Múltipla Contagem consiste na múltipla contabilização do valor de bens (designados por
intermédios) que foram incorporados na produção de outros bens.

Valor Acrescentado (VA) é a diferença entre o valor dos bens e serviços produzidos num dado período e o valor
dos consumos intermédios realizados no mesmo período.

Pág. 56
Método dos Valores Acrescentado considera que o valor acrescentado do produto em cada setor de
atividade é igual ao valor do produto do setor menos os consumos intermédios.

Método dos Produtos Finais considera apenas para o cálculo do produto os bens que não sofrerão
mais transformações no processo produtivo e, como tal, se destinam ao consumo final.

PIBpm= ∑ VAB + Impostos indiretos líquidos de subsídios

Ótica do Rendimento

PIBpm = Remunerações do Trabalho + Ex. Bruto de Exportação (EBE) + Impostos indiretos líquidos de subsídios.
Nota: EBE = rendas, juros e lucros

PNLcf = RN
RI = PILcf
RDBN = PNBpm + Transferências Correntes Líquidas do Exterior (RDBN - Rendimento
Disponível Bruto)

Ótica da Despesa

A Despesa Nacional dá-nos o conjunto das despesas realizadas pelos agentes económicos em território nacional,
incluindo o saldo dos rendimentos do e para o Resto do Mundo. O seu cálculo é dado pelo somatório do
conjunto das despesas em bens e serviços de uso final, valorizados a preços de mercado

PIBpm =DI = C + G + I + X -M

Nota: DI =Despesa interna


C = Consumo
G = Consumo coletivo
I = Investimento bruto
X = Exportações
M = Importações

DN = PNBpm
Consumo Total = consumo privado + consumo
público
Procura Interna = consumo total + investimento
Procura Global = procura interna + exportações

Pág. 57
Limitações da Contabilidade Nacional
 Agregação do valor de mercado e do produto não contabilizado;
 Necessidade de evitar a dupla contabilização;
 Delimitação espacial e temporal;
 Não considerar as externalidades.

Pág. 58
Pág. 59
A necessidade e a diversidade de relações internacionais

Em economias abertas, podemos falar de comércio a dois níveis distintos:

 Comércios internos: quando as transações são efetuadas entre agentes económicos


residentes no mesmo país.
 Comércio externo: é quando pretendemos aludir ao comércio entre um país específico
e os restantes países.

Diferença entre comércio externo e comércio internacional

Comércio internacional é quando queremos referir ao comércio que, de uma forma geral, é
efetuado entre
Comércio externo é quando pretendemos países
aludir aodiferentes.
comércio entre um país específico e os
restantes países.

Divisão internacional do trabalho

A divisão internacional do trabalho (DT) diz respeito à especialização e cada país na produção de bens ou em
fases específicas de processo produtivo, para os quais apresente capacidades ou aptidões relativamente
superiores aos demais países.

São várias as razões que justificam a especialização, todas elas conduzindo ao


reconhecimento de que países dispõem de diferentes capacidades de produção:

 Desigualdade distribuição de reservas de recursos naturais;


 Diferença na localização geográfica, no clima, no relevo e na fertilidade dos
solos;
 Diferenças ao nível da formação dos recursos humanos e disponibilidade de
capital;
 Diferentes estágios de desenvolvimento enológico;

Teoria das vantagens comparativas: Cada país beneficiará com a especialização na produção e exportação dos
bens que pode produzir com um custo relativamente menor; inversamente; cada país beneficiará se importar
os bens que, internamente, produz com um custo relativamente superior.

Economias de escala é quando há uma diminuição do custo médio de produção à medida que aumenta o
volume de produção.
A internacionalização da economia abrange quartos grandes tipos de transações entre
agentes económicos de países diferentes:

Pág. 60
 movimentos internacionais de bens e serviços (comercio interno);
 movimentos internacionais de fatores de produção (investimento direto
estrangeiro, migrações internacionais)
 movimentos de ativos financeiros que suportam os movimentos de bens,
serviços e fatores de produção (balança de pagamento);
 transferências internacionais de rendimento (remessas de emigrantes,
repartimentos de lucros, ajuda externa).

O registo das relações com Resto Mundo - Balança de Pagamentos

Balança de Pagamentos de um país é uma demonstração sistemática, através de um conjunto de contas, de


todas as transações económicas entre esse país e o Resto do Mundo.

Componentes da Balança de Pagamentos

 Balança Corrente
o Balança de Mercadorias
o Balança de Serviços
o Balança de Rendimentos
o Balança de Transferências Corrente
 Balança de Capital
 Balança Financeira
 Erros e Omissões

Balança Corrente

A Balança Corrente corresponde, essencialmente, as transações entre residentes e não residentes associadas ao
comércio internacional de mercadorias e serviços e aos rendimentos do trabalho e de investimento.

Balança de Mercadorias

- a débito é o valor das importações


- a crédito é o valor das exportações

Saldo da Balança de Mercadorias = Exportações - Importações


Nota: deficitária - Importações > Exportações
Equilibrada - Importações = Exportações
Superavitária - Importações < Exportações

Indicadores Importantes de comércio externo:

- Taxa de Cobertura

Pág. 61
- Grau de cobertura ao exterior
- Estrutura das exportações e das importações

Taxa de cobertura é um indicador de comércio externo que nos mostra em que medida o valor das
importações foi pago (coberto) pelo valor das exportações, sendo, normalmente, expresso em termos
percentuais.

Grau de cobertura ao exterior (GAE) é um indicador que mede a importância global dos fluxos de
importação relativamente à dimensão da economia (PIB) e é normalmente expresso em termos
percentuais.

Estrutura das exportações e das importações

Estrutura sectorial é um indicador que mede a importância relativa (ou peso) dos fluxos comerciais
(exportações ou importações) de cada sector (o que poderá ser lido também como subsectores, tipo de bens
ou produtos) no total dos fluxos comerciais de todos os sectores.

Nota: a partir das estrutura sectorial é possível tirar conclusões quanto ao grau de desenvolvimento de um país.
Assim, no caso dos países desenvolvidos, as exportações respeitam a produtos de elevado valor acrescentados e as
importações a produtos de reduzido valor acrescentado com os países menos desenvolvidos, acontece
precisamente o contrário.

Pág. 62
Estrutura geográfica é um indicador que mede a importância relativa (ou peso) de cada país (o que poderá ser
lido como continentes ou outros agrupamentos de países) no total das trocas mundiais (com todos os países).

Balança de Serviços

Na balança de serviços são registados os fluxos financeiros relacionados com a prestação de serviços entre
países, sendo um dos mais importantes erviços, em especial no caso português, as receitas com a atividade
turística.

Divisas são moedas que, tendo aceitação internacional, são utilizadas como meio de pagamento nas transações
internacionais, ou seja, no comércio internacional.

Taxa de câmbio é o montante de moeda estrangeira que pode ser comprado com uma unidade de moeda do
país.

Mercado cambial é o mercado em que as moedas dos diferentes países são transacionadas e no qual são
definidos os seus preços, isto é, onde são definidas as taxas de câmbio entre as diferentes moedas.

Os sistemas de câmbio normalmente utilizados são:


- o sistema de taxas de câmbio fixas
- o sistema de taxas de câmbio flutuantes

O sistema de taxas de câmbio fixas é aquele em que as autoridades monetárias de um país


fixam a taxa à qual a sua moeda será convertida noutras moedas.

O sistema de taxas de câmbio flutuantes (ou flexíveis) é aquele em que as taxas de câmbio são
definidas através dos mecanismos de mercado, sem a intervenção da autoridade monetária.

Valorização / Desvalorização

Valorização ocorre quando a taxa de câmbio da moeda de um país aumenta em valor relativamente às de
outros países.

Desvalorização ocorre quando a taxa de câmbio da moeda de um país diminui em valor relativamente às de
outros países.

Pág. 63
Nota: a desvalorização da moeda de um país significa que com a mesma quantidade de moeda desse pais passa a
ser possível adquirir uma quantidade menor de outras moedas. Por sua vez, uma valorização tem obviamente o
efeito contrário.

Balança de Rendimento

Na Balança de Rendimentos são registado os movimentos de capitais relacionados com os


pagamentos e recebimentos de juros resultantes de empréstimos concedidos e obtidos e de
lucros (dividendo) resultantes de capitais investidos.

Esta balança inclui as seguintes rubricas:


- Rendimentos de trabalho
- Rendimentos de investimento
 Rendimentos de investimento direto
o De ações e outras participações
o De empréstimos e títulos de dívida
 Rendimentos de investimento de carteira
o De ações e outras participações
o De títulos de dívida
 Rendimento de outro investimento

Balança de Transferências Correntes

Na balança de transferências correntes são registadas as entradas e saídas de valores sem


contrapartidas reais associados, tais como:
- Os subsídios comunitários recebidos
- As doações obtidas e concedidas
- As remessas dos emigrantes e dos imigrantes

Saldo da Balança Corrente é obtido através da soma algébrica dos saldos das balanças de
mercadorias, de serviços, de rendimento e de transferências correntes.

Balança de Capital

A balança de capital compreende as transferências de capital e a aquisição/ cedência de ativos


não produzidos não financeiros. As transferências de capital correspondem a mudança de
propriedade sem contrapartida, que se traduzem no aumento dos ativos do país recetor ou na
diminuição do seus passivos.

Na balança de capital incluem-se as transferências de capital e a aquisição e cedência de


ativos não produzidos não financeiros. Esta rubrica abrange:
- a compra e venda de ativos intangíveis (patentes, licenças, copy - rights, marcas,
franchises)
- as transações sobre ativos tangíveis (aquisição de terrenos por embaixadas).

Pág. 64
Balança corrente e capital
O saldo conjunto das duas balanças indica se uma economia está numa situação credora ou
vedora face ao Resto do Mundo.
- se apresenta valores positivos, significa que a economia tem capacidade de
financiamento.
- se apresenta valores negativos, significa que a economia tem necessidade de
financiamento.

Balança Financeira

A balança financeira compreende as transações que envolvam a mudança de titularidade entre residente e não
residentes de ativos e passivos financeiros e outras variações nos ativos e passivos financeiros de economia, como a
criação ou a extinção de ativos ou passivos financeiros sobre e/ou do Resto do Mundo.
A balança financeira apresenta o seguinte desagregação por categorias funcionais:
- investimento direto
- investimento de carteira
- outro investimento
- derivados financeiros
- ativos de reserva

Saldo da Balança Financeira

Balança financeira

Saldo > 0 Saldo < 0

Necessidade Líquida de Financiamento Capacidade Líquida de Financiamento


(entrada de financiamento do Resto do Mundo) (saída de financiamento para o Resto do Mundo)

Saldo < 0 Saldo > 0


Balança Corrente
+
Balança de Capital

Nota: a balança de pagamento apresenta sempre um saldo nulo.

Balança corrente + Balança de Capital + Balança Financeira + "Erros e omissões" = 0

As políticas do comércio externo

Pág. 65
Existem duas políticas do comércio externo:
- o protecionismo
- o livre - cambismo

Protecionismo

O protecionismo é uma prática económica de intervenção do Estado no comércio internacional,


caraterizando-se pelo favorecimento das indústrias nacionais relativamente às indústrias externas.
(preconiza restrições à livre troca entre os países)
Instrumentos de política externa de protecionismos:
- Barreiras Alfandegárias
 Barreiras tarifárias (direitos aduaneiros): são impostos que incidem
sobre as importações efetuadas por um país. Podem ser um valor
previamente fixado (tarifa específica), um valor percentual do valor
importado (tarifa ad valorem) ou uma tarifa mista (incidência
simultânea de ambas).

 Barreiras não tarifárias: conjunto de restrições de importações que não


passam pela incidência de taxas ou impostos. Destaca-se:

o Contingentação: trata-se de estabelecer limites


(quotas) à quantidade importada ou ao valor das
importações. Objetivo de proteger às indústrias
nacionais.
o Barreiras técnicas: carateriza-se pelo estabelecimento
de normas visando a harmonização de regulações
técnicas, padrões e normas de inspeção. Também as
normas industriais, de segurança, embalagens e as
normas sanitárias

- Subsídios à exportação: o objetivo não é desincentivar as importações, mas sim


encorajar a venda de produtos nacionais a países terceiros.

- Dumping: é uma prática que consiste na venda dos produtos nacionais a países
terceiros a preços inferiores aos praticados internamente.
- Desvalorização da moeda

Vantagens e inconvenientes desta política


Vantagens Inconvenientes
 Proteção das indústrias  É sempre uma situação
nacionais por ausência temporária
de concorrência externa.  Reproduz a ausência de
 Manutenção do concorrência e não
emprego estimula a inovação e a
mudança indispensáveis
ao crescimento
económico

Pág. 66
Livre - Cambismo

O livre - cambismo é um movimento que defende a inexistência de quaisquer tipo de barreiras ao comércio
internacional. Pelo contrário, defende a sua completa liberalização.

Vantagens e inconvenientes desta política

Vantagens Inconvenientes
 Mais concorrência  Alguns países poderão não
 Especialização com base na ser capazes de competir com
teoria das vantagens os baixos preços de outros
absolutas e comparativas  Alguns países poderão não
 Mais produção ter uma indústria sólida e
 Mais emprego desenvolvida que possa
 Mais rendimento competir com a dos outros
 Mais crescimento económico países mais avançados
 Mais bem - estar.

As relações de Portugal com a UE e com o Resto do Mundo

A criação de comércio:

Surge pela abolição de tarifas aduaneiras em espaços comunitários como a UE.


Desta forma, substituem-se bens com preços mais elevados pelo novo comércio com preços
mais baixos.

O desvio do comércio:

Acontece quando, pelo facto de se abolirem as fronteiras, há uma reorientação do


comércio devido à substituição dos bens com preços mais elevados.

Pág. 67
Pág. 68
Funções e organização do Estado

Estado é uma coletividade organizada em termos políticos, sociais e jurídicos, dirigida por um governo, que
possui soberania reconhecida tanto interna como externamente e que ocupa um território definido, onde a lei
máxima é uma constituição escrita.

Funções jurídicas do Estado

- Funções legislativa: tem por objetivo legislar de acordo com as políticas delineadas.
- Funções executivas ou administrativa: tem por objetivo a execução das leis e
satisfação de necessidades da coletividade.
- Funções judicial ou jurisdicional: carateriza-se pela resolução de casos concretos
através da aplicação da lei e da penalização daqueles que a violam.

Os órgãos de soberania estão definidos na constituição da Republica Portuguesa:

 O Presidente da Republica
 A Assembleia da Republica
 O Governo
 Os Tribunais.

Funções não jurídicas do Estado

- Funções políticas: incluem-se aquelas que pretendem satisfazer os interesses da


comunidade como um todo, tais como, a justiça, a defesa, a segurança, a educação,
entre outros.
- Funções sociais: reduzir as desigualdades sociais, adotando medidas adequadas, como
a atribuição de um subsidio aqueles que são vitimas do desemprego, a fixação de um
salário mínimo, entre outras.
- Funções económicas: preocupa-se com o desenvolvimento económico, que se
concretiza, por exemplo, com o incentivo à investigação científica, com o
desenvolvimento da educação pública, da saúde pública e das infraestruturas, como o
saneamento básico e a construção de vias de comunicação, que possibilitem a
circulação de pessoas e bens.

Pág. 69
Sector Público

Sector público é o conjunto das atividades económicas de qualquer natureza exercidas pelas entidades
públicas (Estado, associações e instituições publicas).

- Sector público administrativo


- Sector empresarial do Estado
Sector Público Administrativo

É formado pelos serviços típicos do Estado, ou seja, aqueles que devem satisfazer as necessidades da coletividade,
tais como a saúde, a educação, a segurança, entre outros, tendo por base critérios não empresariais, ou seja, sem
visar o lucro. Incluem-se aqui os ministério, as autarquias locais e outros organismos que sustentam à gestão
administrativa do Estado.

- Administração central
- Segurança Social
- Administração Territorial ou Local

Sector Empresarial do Estado

Produz bens e serviços, numa base empresarial, ou seja, tendo o lucro como finalidade, em sectores
considerados fundamentais para a economia e que, pela sua fraca rendibilidade e/ou pelos elevados custos
de implantação, não causam interesse aos particulares. No entanto, por vezes, concorre mesmo com os
particulares.

- Empresas públicas
- Empresas mistas
- Empresas intervencionadas

A intervenção do Estado na atividade económica

Estado Liberal

- Define o quadro jurídica da economia

Pág. 70
- Não interfere diretamente na economia
- Garante o funcionamento do mercado

Estado intervencionista

- Condução de políticas anticrise


- Planeamento da economia
- Constituição de um sector público empresarial
- Regulação da atividade económica
- Fiscalização dos agentes económicos
- Dinamização da economia (promoção do crescimento económico)

O Estado deve garantir:

Eficiência: utilização dos recursos devera procurar a máxima satisfação com o mínimo de
custo.

Equidade: repartição mais equilibrada da riqueza

Estabilidade: diminuir a amplitude das flutuações da atividade económica, evitando as crises.

Razões que justificam a intervenção do Estado numa economia de mercado

o definir regras de regulação dos mercados


o prevenir crises económicas
o estimular o crescimento sustentado da economia
o proporcionar o acesso a bens e serviços essenciais
o combater a exclusão social.
Nota: o estado deve assumir-se como agente dinamizador, regulador, planificador e fiscalizador.

Bens públicos

Bens coletivos ou puramente públicos são aqueles cuja utilização por uma pessoa, para um determinado
nível de existência do bem, não prejudica minimamente a utilização por qualquer outra.

Exemplo: farol, defesa nacional

Função de planeamento
A função de planeamento inclui as atividades que determinam os objetos para o futuro e os meios
adequados para os atingir.

Pág. 71
Planeamento
- indicativo
- imperativo
Intervenção económica e social do Estado
 Instrumentos

Políticas económicas e sociais

Plano

O resultado da função de planeamento é um plano, um documento escrito que específica o rumo de


ação a tomar. O plano apresenta as grandes orientações económicas e sociais para o futuro. É
realizado pelo Estado, em concentração com os parceiros sociais.

 O plano é imperativo para o setor público


 O plano é indicativo para o setor privado

O Estado pode recorrer:

 à intervenção direta: satisfazendo necessidades da coletividade através da produção


de bens e serviços para tal.
 a políticas económicas: política orçamental, política monetária, empresas públicas,
regulamentações.
Nota:

 A política orçamental diz respeito às receitas, às despesas do Estado e o seu saldo.


 Política monetárias tem por objetivo controlar a oferta de moeda, as taxas de juro e as condições de
crédito.
 As empresas públicas podem ser usadas como instrumentos de controlo.

Orçamento do Estado
Orçamento do Estado é a previsão das despesas a realizar pelo Estado e dos processos de as cobrir,
incorporando a autorização concedida à Administração Financeira para cobrir receitas e realizar despesas e
limitando os poderes financeiros da Administração em cada período anual.

Funções do Orçamento:

 Funções económicas:
- racionalidade económica
- eficácia, como quadro de elaboração de políticas financeiras
 Funções políticas
- garantia dos direitos fundamentais
- garantia de equilíbrio e separação dos poderes

Pág. 72
 Funções jurídicas
- limitação jurídicas da Administração, diversa e mais forte que a do Direito
Administrativo.

A elaboração do Orçamento tem de submeter-se às seguintes regras:

 anualidade
 plenitude
 discriminação orçamental
 publicidade
 equilíbrio

Despesa pública

Despesa pública consiste no gasto de dinheiro ou no dispêndio de bens por parte de entes públicos para criar ou
adquirir bens susceptíveis de satisfazer necessidades públicas.

Tipologia das despesas públicas:

 Despesas correntes: são utilizadas durante um ano.


Exemplos: salários, pensões subsídios, pagamento de juros, etc.

 Despesas de capital: são utilizadas durante um ano, mas os seus efeitos continuam a
fazer-se sentir nos anos seguintes.
Exemplo: investimentos, aquisição de equipamentos, etc.

Receitas públicas

Receitas públicas são os recursos do Estado para enfrentar as despesas públicas durante um
determinado período financeiro, normalmente o ano civil.
Tipologia das receitas públicas

 Patrimoniais: receitas que resultam da administração do património do Estado ou da


disposição de elementos do seu ativo que não tenham caracter tributário.
Ex: rendimento de propriedade, venda de bens duradouros, etc.

 Tributárias: constituem o grosso das receitas correntes e a parcela mais importante do


total.
Ex: impostos diretos e indiretos, taxas expressamente qualificadas no Orçamento, etc.

 Creditícias: receitas que resultam da contração de empréstimos.

Pág. 73
As receitas tributárias são as maiores contribuintes para o total das receitas públicas.

- Taxas
- Impostos

Taxa
Taxa é uma prestação tributária que origina uma contraprestação especifica resultante de uma relação
concreta (que pode ser ou não de beneficio) entre o contribuinte e um bem ou serviço público ( a taxa
paga por passar na ponte 25 de Abril, as portagens, etc.)

Imposto

- características do imposto
- é uma obrigação legal
- é uma obrigação definitiva
- é uma receita com função não sancionatória nem compensatória
- é uma receita unilateral
-
Tipos de impostos:

o diretos: incidem diretamente sobre o rendimento ou sobre o património.


Ex: IRS; IRC; IMI; IMT; IS

o indiretos: incidindo diretamente sobre o consumo.


Ex: IVA; ISP

impostos
Receitas corrente taxas
multas

 venda de património
 venda de bens de
Receitas de capital investimento
 obtenção de
empréstimo.

Dívida Pública

Dívida pública é o conjunto das situações passivas que resultam para o Estado do recurso ao
crédito público.

Pág. 74
A dívida pública pode ser dividida em:

 dívida pública flutuante( ou a curto prazo): corresponde às obrigações que podem ser
liquidadas dentro do mesmo período orçamental (ou no período seguinte, mas dentro
do prazo de um ano);

 dívida pública fundada (ou a longo prazo): corresponde às obrigações assumidas num
determinado período orçamental e que devem ser liquidadas em período posterior,
superior a um ano.

Políticas económicas e sociais

A política económica designa um conjunto de decisões tomadas pelos poderes público a fim de atingir, graças
à utilização de diversas instrumentos, certos objetivos respeitantes à situação económica.

As políticas económicas dividem-se em:

 Políticas sectoriais: incidem sobre um sector (agricultura, indústria)

 Políticas especificas: política fiscal, política orçamental, política monetária, política de


preços, política de combate ao desemprego, política de redistribuição dos
rendimentos, política do ambiente.

Estas políticas podem ter objetivos:

 estruturais (de longo prazo): se o objetivo for a modificação das estruturas de base do
funcionamento da economia;
 conjunturais (de curto prazo): se o objetivo é fazer correções pontuais aos objetivos
delineados.

As políticas sociais visam:

- a satisfação de necessidades coletivas


- a proteção individual dos cidadãos
- a promoção da justiça social

Principais políticas económicas e sociais ao dispor do Estado

Política fiscal
É um programa relativo à aquisição de bens e serviços e despesas com transferências
e ao montante e tipologia das taxas de impostos.

Pág. 75
Há 2 tipos de política fiscais: Política fiscal Expansionista e a Política fiscal Retracionista

Política Fiscal Expansionista


Retraccionista

Diminuição dos impostos Aumento das despesas públicas


Aumento Diminuição

Aumento Crescimento
Diminuição Decréscimo
no consumo dos do investimento
privados / público

Aumento da procura
Diminuição

Aumento da produção
Diminuição

Aumento do emprego
Diminuição

Aumento dos preços


Diminuição

Política orçamental
Consiste num conjunto de decisões sobre as receitas e despesas públicas com o
intuito de alcançar objetivos específicos (controlo da inflação, redistribuição dos
rendimentos, combate ao desemprego, entre outras).

A política orçamental tem como principais objetivos:

- satisfação de necessidades sociais (educação, saúde, segurança, etc.)


- eficiência na utilização dos recursos (ou seja, o preço dos bens e serviços vendidos no
mercado deve ser encontrado pela avaliação social dos respetivos benefícios)

Pág. 76
- correção na distribuição do rendimento (redistribuir de forma a diminuir ou eliminar
desigualdades entre os indivíduos)
- crescimento económico (o crescimento económico permite um aumento do nível de
vida dos indivíduos e das comunidades)

Política monetária
Visa o controlo da oferta de moeda, das taxas de juro e das condições de crédito.

Objetivos e instrumentos da política monetária:

Objetivos:

 objetivos quantitativos (taxa de crescimento da massa monetária)


 objetivos de taxas de juro (escolha de um nível)
 objetivos de câmbio

Instrumentos:

 enquadramento do crédito
 custo de refinanciamento dos bancos
 reservas obrigatórias dos bancos
 intervenção do banco central no mercado monetária.

Política de preços
Visa combater a inflação e originar uma maior justiça social através do controlo dos
bens essenciais.
Consequências desta política:
 congelamento dos preços
 fixação de preços máximos
 lançamento de impostos indiretos

Política de combate ao desemprego


Varia conforme as causas do desemprego

As medidas preventivas devem basear-se em:

- empregabilidade dos indivíduos


- adequação ao emprego e espirito empresarial
- flexibilidade e adaptabilidade face às mutações tecnológicas

Pág. 77
- igualdade de tratamento entre homens e mulheres e para com os deficientes.

Políticas de redistribuição de rendimento


Visa atenuar as desigualdades sociais

Pode ter influencia na repartição dos rendimentos primários (congelamento dos salários) ou
na redistribuição dos mesmos (criação ou eliminação de prestações sociais, entre outras).

Políticas sectoriais (agrícola e industrial)


Pretendem atuar sobre as estruturas produtivas de um sector, com o objetivo de obter o seu
desenvolvimento a longo prazo:

 Política agrícola: visa aumentar a produtividade da agricultura, mas, acima de tudo,


visa o apoio aos preços e aos rendimentos dos agricultores.
 Politica industrial: visa agir sobre o sector secundário da economia, para melhorar a
competitividade.

Políticas do ambiente

Exigem políticas especificas que podem ser passadas à prática através de duas formas:

 ativação direta ( controlando produtos, processos e recursos)


 através da persuasão sobre os poluidores, incentivando a redução ou extinção do foco
poluidor.

Meios que o Estado usa para alcançar tal fim são:

- poder legislativo: criando leis proibitivas de certas atividades poluentes, impondo


quotas de poluição ou ainda exigindo a utilização de processos antipoluentes;
- meios económicos: taxas, subsídios ao uso de "tecnologias limpas", isto é, não
poluidoras.

Pág. 78
Pág. 79
Integração económica

Integração económica é o processo de incorporação de economias independentes em regiões


económicas onde existe uma eliminação de constrangimentos à troca entre os intervenientes e um
clima que favorece a cooperação entre as economias participantes a vários níveis.

Formas de integração económica

Sistema de preferência aduaneira

É um tipo de integração muito simples, utilizado nomeadamente pelos países


Commonwealth e que visa o estimular de vantagens aduaneiras mútuas aos intervenientes.

Zona de comércio livre

Consiste na livre circulação de mercadorias entre países pertencentes a essa


organização, sendo suas características a livre circulação apenas dos produtos originários dos
países pertencentes à zona de comercio livre.

Cada país mantém a sua pauta aduaneira e o seu regime de comércio com outros
países.

Exemplo: EFTA

União aduaneira

Comporta a livre circulação de todos os produtos que se encontrem no


território dos membros, ou seja, a livre circulação das mercadorias em geral.

Eliminam-se todos os direitos aduaneiros das trocas comerciais e é aplicada


uma pauta aduaneira comum.

Mercado comum

A circulação de capital, trabalho, bens e serviços entre os membros deve ser


tao livre como dentro do território de cada um dos membros.

A ideia de mercado comum pressupõe uma coordenação / harmonização das diversas


políticas nacionais, o que implica desde logo a adoção de políticas comuns aos diversos
Estados-membros.

Pág. 80
União económica

Procura-se harmonizar ou uniformizar as diversas legislação nacionais segundo


o sistema comunitários, as quais devem estar sob o controlo de uma autoridade comum, pelo
que as politicas nacionais acabam por ser substituídas por políticas comuns a todos os Estados.

Vantagens de integração económica

- economias de escala
- criação ou desenvolvimento de atividades dificilmente compatíveis com a dimensão
nacional
- formulação mais coerente e rigorosa das politicas económicas
- transformação das estruturas económicas e sociais
- reforço da capacidade de negociação
- intensificação da concorrência e consequentes vantagens para os consumidores

Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA)

A CECA foi criada no dia 18 de Abril de 1951, pela antiga República Federal da Alemanha, Bélgica, França,
Itália, Luxemburgo e Holanda. O objetivo da criação desta comunidade era coordenar a produção do
carvão e do aço ao nível super - regional.

Nota: o tratado CECA é o mais antigo dos três tratados. Atingiu o seu termo de vigência em 23 de Julho de 2002.

Comunidade Europeia de Energia Atómica (Euratom)


Nota: o tratado foi anunciado em Roma, em 25 de Março de 1957, e entrou em vigor em 1 de Janeiro de 1958.

A comunidade europeia de energia atómica foi criada com o objectivo de proporcionar as


condições de desenvolvimento de uma capacidade industrial nuclear, a fim de aumentar a produção
energética europeia a partir da utilização pacífica da energia nuclear. Preconizava-se a livre
circulação das matérias fósseis, dos equipamentos técnicos e da mão-de-obra e o desenvolvimento
comum da investigação.

Comunidade Económica Europeia (CEE)

O Tratado de Roma, que instituía CEE, foi assinado em Roma, a 25 de Março de 1957, e entrou em vigor em 1 de
Janeiro de 1958. Junta a França, a Alemanha, a Itália, a Bélgica, a Holanda e o Luxemburgo nunca comunidade
que tem por objectivo a integração através das trocas comerciais, tendo em vista a expansão económica. Após o
Tratado de Mastrieht, a CEE passa a constituir a comunidade Europeia (CE), exprimindo a vontade dos Estados –
membros de alargar as competência comunitárias a domínios não económicos.

Pág. 81
Os objetivos da CEE foram:

 Criação de uma união aduaneira;


 Criação de um mercado comum baseado nos quatros liberdades de circulação (de
mercadorias, de pessoas, de capitais e de serviços) e na aproximação gradual das
politicas económicas nacionais.

As consequências da união aduaneira nos países – membro foram:

 Multiplicação dos investimentos;


 Aumento das trocas comerciais;
 Acesso, por parte dos consumidores, a uma diversidade de produtos a preços mais
baixos.

Mercado Único Europeu

Foi em 1987 que o Ato Único Europeu entrou em vigor, com o objetivo de permitir a realização do mercado
interno europeu (espaço de livre circulação de pessoas, capitais, mercadorias e serviços) até 31 de Dezembro
de 1992

Objetivos do Tratado da UE

Com a assinatura do Tratado da União Europeia (normalmente conhecido como


Tratado de Maastricht), procura -se reforçar a cooperação política europeia, desenvolver a
vertente social da Comunidade e melhorar a eficácia e a legitimidade democrática das
instituições.

O Tratado da União Europeia (UE) foi assinado em Maastricht, em 7 de Fevereiro de


1992 e entrou em vigor em 1 de Novembro de 1993.

A União Europeia assenta em três pilares:

 Comunidade Europeia (somatório das anteriores CEE, CECA e EURATOM), recetora das
competências nacionais transferidas e na qual domina o "método comunitário".
 Política Externa e de Justiça e Assuntos Internos (JAI)
 Segurança Comum (PESC)

As instituições comunitárias são:

 O Conselho da União Europeia, que representa os Governos dos Estados - membros


que procuram definir a política global;
 A Comissão Europeia, um órgão politicamente independente que representa o
denominado interesse comunitário;

Pág. 82
 O Parlamento Europeu, que representa os cidadãos de todos os Estados - membros;
 O Tribunal de Justiça, que é responsável por fazer cumprir os Tratados;
 O Banco Central Europeu tem por função garantir a estabilidade dos preços;
 Tribunal de Contas, verifica se os fundos da UE são utilizados de uma forma legal;
 Banco Europeu de Investimento, empresta dinheiro para projetos de interesse
europeu;
 Comité Económico e Social Europeu é um organismo consultivo, chamado a
pronunciar-se sobre propostas de decisão da UE relativas a emprego, despesas sociais,
formação profissional, etc.
 Comité das Regiões é consultado antes da tomada de decisões da UE, que tenham um
impacto direto a nível local ou regional.

Podemos distinguir quatro tipos de atos jurídicos comunitários:

- regulamentos: tem origem na Comissão ou no conselho europeu e é o ato mais


importante, pois impõe - se, direta e imediatamente, a casa país-membro
- diretiva: geralmente emitida pelo conselho de Ministros, impõe-se aos Estados, os
quais a devem integrar na sua legislação nacional;
- decisão: é um ato individual obrigatório que respeita a um Estado, empresa ou
particular;
- recomendação: é um ato que não cria obrigações jurídicas para o seu destinatário.

União Económica e Monetária

Uma união económica e monetária carateriza-se pela existência, entre vários Estados, de
políticas económicas concertadas, de uma política monetária única e de um balanço central
comum emitido numa só moeda. circula livremente uma moeda única e casa país abandona o
poder de emitir a sua própria moeda.

A União Económica e Monetária europeia (UEM) foi conseguida através de um


processo delineado em etapas de integração económica que se caracterizou pela adoção de
uma moeda única (euro) para os Estados-membros e a elaboração e execução de uma política
monetária definida pelo BCE (Banco Central Europeu).

Critério de Convergência

Pág. 83
 Défice e Dívida Pública - défice orçamental ≤ 3% do PIB; Dívida Pública ≤60% do PIB

 Estabilidade dos preços - inflação não deve ultrapassar em mais de 1,5 pontos a média
dos três melhores países nessa matéria.

 Taxas de juro - taxa de juro a longo prazo não pode exceder em mais de 2 pontos as
taxas médias dos três melhores países e manutenção de uma margem de flutuação de
2,25%

 Estabilidade monetária - as taxas de câmbio das moedas europeias devem permanecer


num intervalo muito estreito durante os dois anos anteriores.

Os benefícios do euro são:

- poupança devido ao uso de apenas uma moeda;


- facilidade em comparar preços, resultando em preços mais baixos;
- pressão sobre as empresas para serem mais eficientes e cortarem nos custos.

Politicas económicas na UEM

Política monetária: definida pelo Banco Central europeu (BCE) e cujo objetivo é a estabilidade
dos preços;

Política orçamental: está sob a tutela dos vários Estados-membros da UEM e condicionada
pelo PEC (Pacto de Estabilidade e Crescimento).

Alargamento da União Europeia

Vantagens do alargamento da UE:

- Crescimento da dimensão do mercado interno (mercado único), aumentado as


possibilidades de troca entre particulares e empresas;
- aumento das possibilidades de escolha para particulares e empresas;
- aumento das possibilidades de emprego geradas pela liberdade de circulação de
pessoas ao possibilitar que trabalhem e residem no Estado-membro onde trabalham;
- redução das possibilidades de conflito entre os Estados-membros devido à condição
de pertença a um mesmo mercado gerador de benefícios mútuos;
- benefício da cidadania da União para os cidadãos, no que toca a certos direitos, como
o direito de voto nas eleições europeias, o direito de livremente circular e permanecer
nos países aderentes, o direito a ser protegido relativamente a países terceiros, entre
outros.

Pág. 84
Orçamento comunitário

Todas as receitas e despesas da UE são objeto de previsões anuais e inscritas no orçamento comunitário.

O orçamento comunitário obedece a diversos princípios, de entre os quais se destacam os


seguintes:

- a unidade (o conjunto das receitas e das despesas é reunido num documento único);
- a anualidade (as operações orçamentais referem-se a um exercício anual);
- o equilíbrio (as despesas não devem exceder as receitas).

Nesta matéria, o poder de decisão é partilhado por:

- Conselho
- Parlamento

A Comissão tem a função de:

- elaboração da proposta de Orçamento;


- execução do Orçamento (cuja função de verificação cabe ao Tribunal de Contas)
Receitas e Despesas Orçamentais

Receitas Orçamentais Despesas Orçamentais

- contribuições provenientes do - despesas relacionadas com o financiamento


Imposto sobre o Valor da PAC
Acrescentado - despesas com os fundos estruturais
- contribuições baseadas no PNB destinados à modernização das estruturas
de cada interveniente económicas e sociais
- imposto e multas aplicadas pela - ações humanitárias e de ajuda ao
comissão desenvolvimento
- direitos aduaneiros derivados - investigação e desenvolvimento das redes
das trocas com países terceiros transeuropeias de transportes, entre outras.
- contribuições sobre as - despesas inerentes ao funcionamento das
importações de produtos instituições europeias
Fundos Estruturais
agrícolas oriundos de países - Despesas com o alargamento da UE
terceiros
Os fundos estruturais são instrumentos de cofinanciamento a que os Estados-membros podem candidatar-se
para, conjuntamente com os recurso nacionais públicos e privados, apoiar, ao longo de períodos plurianuais
definidos, os esforços nacionais de desenvolvimento, com vista à realização plena da coesão.

Pág. 85
Exemplos de fundos estruturais:

 FEDER - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional


 FSE - Fundo social Europeu
 FEOGA - Fundo Europeu de Orientação e Garantia Agrícola
 IFOP - Instrumento Financeiro de Orientação da Pesca

Fundo de Coesão

O Fundo de Coesão, previsto no Tratado de Maastricht, é um instrumento financeiro criado com o objetivo
de reforçar a coesão económica e social dos Estados-membros da União com produto nacional bruto por
habitante inferior a 90% da média comunitária.

Políticas Comunitárias

As políticas comunitárias constituem um conjunto de objetivos e de meios de ação postos ao serviço da União
Europeia
As principais políticas comunitárias são:

- políticas agrícolas comum (PAC)


- política regional
- política social

Política Agrícola Comum (PAC)

A política agrícola comum (PAC) é da competência da União Europeia (UE) e dos


Estados -membros.

A comunidade europeia, tem por finalidade assegurar preços razoáveis aos


consumidores europeus e uma remuneração equitativa aos agricultores, nomeadamente
mediante a organização comum dos mercados agrícolas e o respeito pelos princípios. Tais
como: a unicidade dos preços, solidariedade financeira e preferência comunitária.

Política Regional

A política regional é financiada pelos fundos estruturais e pelo fundo de coesão,


que se destinam a modernizar as estruturas económicas e sociais das regiões menos
desenvolvidas.

Pág. 86
Política Social

Os objetivos da política social são:

- promoção do emprego
- melhoria das condições de trabalho
- proteção social adequada
- diálogo social
- formação dos recursos humanos que permita um nível de emprego
elevado e sustentável
- luta contra a exclusão

Pág. 87