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Gestão do Conhecimento: conceitos e aplicação

O termo Gestão do Conhecimento (GC) vem sendo cada vez mais empregado,
principalmente em ambientes coorporativos, no entanto, está área do conhecimento
traz consigo vários outros termos que muitas das vezes causam confusão, além disso
ainda estão sendo feitas várias pesquisas sobre como efetivamente aplicar a GC nas
empresas. Diante disso, para a compreensão da relação entre GC com outros conceitos
foram escolhidos para esta resenha os seguintes artigos sobre o tema: “O Papel da
tecnologia da informação na gestão do conhecimento”, “Gestão do conhecimento e a
visão cognitiva dos repositórios institucionais”, “Competência informacional e gestão
do conhecimento: uma relação necessária no contexto da sociedade da informação” e
o artigo “Gestão do conhecimento e redesenho de processos negócio: proposta de
uma metodologia integrada” por trazer uma proposta de metodologia para integrar a
GC aos processos de produção.
O primeiro artigo, foi escrito por Rossetti e Molares da Universidade Federal de
Santa Catarina (UFSC) e apresenta uma discussão sobre a interação entre a Tecnologia
da Informação (TI) e Gestão do Conhecimento (GC) como instrumento de gestão
estratégica nas organizações. Inicialmente, o artigo descreve de forma breve a evolução
da TI nas organizações de 1950 a 1990, mostrando que TI evoluiu do processamento de
dados, registros e aplicações contábeis para um ambiente de conexão global e de
suporte para as tomadas de decisões. Em seguida é apresentada uma revisão
bibliográfica sobre a GC nas empresas, qual a sua importância, de que forma ela é
entendida e quais os agentes responsáveis pela promoção. O artigo destaca os
trabalhos de Maeier e Remus (2002), McKeen (2006) e Leite (2004). Maier e Remus
estudaram o estado da arte da GC nas 500 maiores firmas da Alemanha e nas 50 mais
importantes companhias dos setores bancários e de seguros, McKeen e colaboradores
estudaram a relação entre GC e o desempenho de 90 empresas do Canadá e dos Estados
Unidos e Leite analisou a relação entre GC e estratégia em 90 empresas brasileiras. No
artigo de Rossetti e Molares, eles apontam que houve um aumento nas pesquisas sobre
GC, mas que ainda é escassa na literatura abordagens especificas sobre a relação entre
TI e GC, e atribuem a isso, o fato de não ser totalmente clara a distinção entre ambas,
ao ponto de algumas corporações ainda confundirem a tecnologia da informação com
estratégias de gestão de conhecimento. Os autores defendem que a TI desempenha um
papel de infraestrutura na GC não devendo ser confundida com a gestão do
conhecimento em sí.
O segundo artigo foi escrito por Fachin e colaboradores (2009) da UFSC e aborda
a relação entre os repositórios institucionais e a GC. Inicialmente o artigo apresenta um
breve histórico sobre as origens e a evolução dos repositórios institucionais, neste
momento, há um destaque sobre a relação entre gestão da informação (GI) e a gestão
do conhecimento, apontando uma possível confusão entre os termos, mas deixando
claro com base nos trabalhos de Davenport e Marchand (2004) que as informações são
os dados interpretados, contextualizados e assimilados por alguém; e o conhecimento
é a informação que está dentro da mente da pessoa, não podendo portanto serem
confundidos, uma vez que este último possui valor agregado pois possibilita criar novas
ideias, percepções e desenvolver inovações. Por fim o artigo descreve como a gestão da
informação viabiliza a construção dos repositórios institucionais, e mostra como utilizar
a visão cognitiva na estruturação dos repositórios. Os autores defendem esta
metodologia na construção dos repositórios e a importância dos repositórios na
implementação da gestão do conhecimento.
O terceiro artigo foi escrito por Melo e Araújo (2007) da Universidade Federal da
Paraíba (UFPB) e aborda o conceito de competência informacional e sua relação com a
GC. Inicialmente o artigo faz um breve histórico do termo competência informacional,
destacando a dinâmica social em torno do conceito, o desenvolvimento na década de
80, a influência da tecnologia da informação em 1990, o papel dos programas nacionais
no século 21, o movimento em torno do tema no Brasil e pôr fim a relação do tema com
a GC. Os autores destacam que a competência informacional está diretamente ligada
às atitudes que facilitam compartilhar o conhecimento, característica necessária para a
GC, de modo que, uma alicerça a outra. A relação entre a competência informacional é
GC é pouco explorada na conclusão dos autores, trazendo ao invés disso uma crítica
sobre o papel do Brasil nas discussões sobre o tema.
O último artigo foi escrito por Moreno e Santos (2012) da Faculdade IBMEC-RJ e
diferentemente dos outros artigos propõe uma abordagem metodológica de
implementação da GC integrada ao redesenho de processos de negócio (Business
Process Redesign (BPR)), trata-se de uma proposta baseada nos referenciais teóricos
sobre os temas. Inicialmente é apresentado os princípios e metodologias da gestão do
conhecimento e em seguida para o redesenho de processos de negócios. Por fim,
destaca-se as tarefas essenciais da gestão do conhecimento associadas ao conjunto de
capitais do conhecimento (capital humano, capital estrutural e capital de
relacionamento) e verifica-se a compatibilidade destas tarefas com o redesenho de
processos. Os autores verificaram que é possível integrar as abordagens da GC e BPR
apesar das metodologias empregadas em ambas terem poucos pontos em comum e
apontam a necessidade de mais pesquisas sobra a aproximação da GC à visão de
processos, com suporte em dados empíricos.
Os quatro artigos são unanimes sobre a importância da gestão do conhecimento
uma vez que o conhecimento passou a fazer parte dos ativos intangível das
organizações, principalmente em modelo de mercado competitivo em que a inovação
se faz cada vez mais necessária. Os três primeiros possuem uma abordagem teórica, mas
não tão pesada, ao ponto de servir como primeiras leituras sobre o tema. O último por
se tratar de uma aplicação da GC a área de processos faz uma abordagem mais especifica
que dificulta um pouco mais a leitura, no entanto, esse artigo é o que deixa mais claro
como aplicar a GC em um ambiente organizacional.

Referências
ROSSETTI, A. G.; MORALES, A. B. T. O papel da tecnologia da informação na gestão do
conhecimento. Ciência da Informação, v. 36, n. 1, p. 124-135, 2007.
FACHIN, G. R. B. et al. Gestão do conhecimento e a visão cognitiva dos repositórios
institucionais. Perspectivas em ciência da informação, v. 14, n. 2, p. 220-236, 2009.
MELO, A. V.; DE ARAÚJO, E. A.. Competência informacional e gestão do conhecimento:
uma relação necessária no contexto da sociedade da informação. Perspectivas em
Ciência da Informação, v. 12, n. 2, 2007.
MORENO, V.; SANTOS, L.. Gestão do conhecimento e redesenho de processos de
negócio: proposta de uma metodologia integrada. Perspectivas em Ciência da
Informação, v. 17, n. 1, p. 203-230, 2012.

Francisco Felipe Gomes de Sousa


Acadêmico do Curso de Engenharia da Computação da
Universidade Virtual de São Paulo (UNIVESP)