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A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

Morte

• Aspectos psicológicos – como encaramos a morte


• Aspectos socioeconómicos – evolução das condições de vida,
aspectos demográficos
• Aspectos técnico-científicos – evolução da medicina,
aparecimento de novos medicamentos, bioengenharia, etc
• Aspectos antropológicos – a morte nas várias culturas
• Aspectos religiosos e espirituais – a morte nas várias religiões

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A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

Morte: Inexorável

Nascemos acidentalmente, mas morremos inevitavelmente.

Viver é desde logo morrer um pouco.

Apesar de todos sabermos que um dia morreremos, agimos como


se fossemos imortais ou pelos menos olhamos
para a morte como uma realidade longínqua.

Realidade aterradora, não desejada.

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A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

Investigação com 600 estudantes universitários, dos quais 96,5%


tinham menos de 25 anos:

• 63,5% consideravam a morte como algo muito afastado


• 71 % consideravam mesmo como algo irreal
• Apenas 1 em cada 5 tinha já presenciado a morte real de outra
pessoa

A sociedade actual desenvolveu uma cultura de negação da


morte.
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A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

Morte

O Homem sempre teve o desejo da imortalidade, e sempre a


procurou.
Sabendo dessa impossibilidade na vida terrena, procura essa vida
eterna noutro lugar, e daí a ligação do homem à religião, que
sempre o ajudou a conviver com a sua finitude.

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A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

A MORTE AO LONGO DOS TEMPOS

Até meados do século passado, as pessoas morriam nas suas


casas, junto das suas famílias, crianças incluídas, fazendo do acto
de morrer, um acto solene da sua existência.
A morte era encarada como um processo natural, fazendo parte
da vida e era uma morte familiar. Considerava-se essencial que o
doente conhecesse o seu destino e se preparasse espiritualmente
e tomasse as suas ultimas disposições.
Desta forma era mais fácil viver toda uma vida até aos últimos
dias, com dignidade e sentido para a própria vida, rodeado de
todos os entes queridos.

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A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

Antes
• acontecia em casa
• sabia-se quando se ia morrer
• morria-se no próprio leito
• junto dos entes queridos
• crianças presentes
• rituais muito presentes

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A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

A MORTE AO LONGO DOS TEMPOS

Antes as pessoas queriam ter tempo para se prepararem para


morrer, temendo as mortes súbitas – “a morte maldita”.

Na Ladainha dos Santos, rezava-se assim.


“De uma morte repentina e imprevista, livrai-nos Senhor!”

Hoje, as pessoas preferem morrer subitamente, de preferência


durante o sono, para serem poupadas ao sofrimento e ao medo
que a morte eventualmente implica.

“O homem não é destruído pelo sofrimento, mas pelo sofrimento


sem sentido”
Viktor Frankl
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A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

A MORTE AO LONGO DOS TEMPOS

Mudanças profundas ocorreram quer na forma de encarar a morte


e na forma de morrer. Nos dias de hoje a morte já não tem o
mesmo carácter público, procura-se que passe o mais
despercebida possível.
Hoje sobretudo na sociedade ocidental. a morte acontece
predominantemente no Hospital, onde é mais difícil viver a
própria morte como um facto consciente e digno.
Reduzida a ocorrência associado a doenças, é frequentemente
medicalizada.

Intervenções e explorações fúteis, escondem a frustração dos


médicos. 8
A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

Hoje
• acontece sobretudo no hospital
• escondida e vergonhosa
• prolongada de forma exagerada
• longe dos familiares
• muito tecnológica
• rituais menos presentes
• pouco espaço para preparar a
própria morte
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• sentes
A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

SINAIS DE NEGAÇÃO SOCIAL DA MORTE

PROFISSIONAIS SOCIEDADE
Encarniçamento terapêutico/Obstinação curativa
• Dificuldade em parar : Exploração e • Insistência com os Médicos em métodos
intervenções até aos últimos dias - cura invasivos
• Morte como um fracasso • Culpabilização pelo insucesso (Não fizeram
• Falta de formação/recursos em C. Paliativos tudo)
Conspiração do silêncio
• Dificuldade na informação da verdade • Ocultar ao doente a sua situação (Não lhe digam
• Dificuldade em falar com o doente sobre a morte a verdade para não sofrer mais)
• Familiar-doente ou vice -versa
Negação da morte
• Triunfalismo da Medicina • Afastamento dos mais jovens da morte
• Medo de evidenciar as angústias
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EFEITOS DA NEGAÇÃO SOCIAL DA MORTE

• Dificuldade em falar da morte


• Separação da morte como fazendo parte da vida
• Negação da morte ( diminui importância dos cuidados em fim de vida)
• Dificuldade em lidar com a morte e o sofrimento

• Solidão (Não partilha medos , angústias, sofrimento)


• Perda de autonomia (organização e controlo da sua vida)
• Perda de sentido da vida

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A BOA MORTE

Tem prevalecido a ideologia de boa morte, que sustenta as


ideias de:
• morrer com dignidade
• em paz
• bem preparado
• com conhecimento e aceitação

Estes aspectos entroncam nos princípios éticos que deve ser


respeitados.
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A BOA MORTE

CUIDADOS PALIATIVOS:

• sustentam a afirmação da vida e da morte como processos


naturais
• oferecem a paliação com ênfase na qualidade de vida
• procuram dar resposta às necessidades físicas, emocionais,
sociais e espirituais dos doentes , numa base holistica

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A BOA MORTE

CUIDADOS PALIATIVOS:
• modelo alternativo de prestação de cuidados às pessoas
em fim de vida
• corresponde a uma morte ideal
• respeitar um conjunto de comportamentos socialmente
sancionados
• morte com sentido para os que estão envolvidos

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A BOA MORTE

CUIDADOS PALIATIVOS

• Diminuição do sofrimento físico


• Apoio psicossocial e espiritual
• Aceitação
• Maior disponibilidade para si próprio
• Sentido para a vida
• Tempo para reconciliação
• Preparação da sua morte
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A BOA MORTE

ACEITAÇÃO:
“Posso agora morrer em paz, pois sinto que vivi uma vida plena.
Deixo uma família que amo e que sei que me ama e que nunca
me esquecerá.
Lembrar-me-ei sempre deles, onde quer que esteja. Adeus ”

RECONCILIAÇÃO
“Gosto muito de ti,
Perdoa-me
Eu perdoo-te,
Obrigado, Adeus.”
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A BOA MORTE

Direito á dignidade, ou no caso, a uma morte digna

A dignidade é um conceito utilizado para descrever uma forma


idealizada de boa morte.

Encontrar um sentido para a ideia da morte com dignidade, tem


mais a ver com a forma de tratar os doentes em fim de vida que
com a forma de morrer.

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A BOA MORTE

As pessoas que estão a morrer merecem ser tratadas com


dignidade de forma a preservar a dignidade que tinham, e
sobretudo ajudá-las a recuperar o sentido de dignidade que
julgam ter perdido

Importante determinar o que é que envolve tratar alguém com


dignidade.
Respeito individual (forma de tratamento, cordialidade,
Respeito pelo pudor
Respeito pela autonomia
Dar atenção
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A BOA MORTE

MORTE DIGNA
A morte natural, com todos os auxílios médicos adequados,
através de uma intervenção global sobre o sofrimento humano.

Muitas vezes identificada com a morte a pedido, provocada pelo


médico, quando a vida já não pode oferecer o conforto
considerado imprescindível pelo doente.

Isto é EUTANÁSIA

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EUTANÁSIA

Etimologicamente, Eutanásia significa boa morte:

Eu = Boa ; thanatos = morte

Complicada questão bioética e de direito, pois enquanto o Estado


tem como princípio a protecção da vida dos seus cidadãos,
existem aqueles que, devido ao seu estado precário de saúde,
desejam dar um fim ao seu sofrimento antecipando a morte.
.

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EUTANÁSIA

Constituição da República Portuguesa

Artº 1º - Portugal é uma República soberana baseada na


dignidade da pessoa humana.

Artº 24º - O direito à vida é inviolável


- Não haverá pena de morte

A prática da Eutanásia e ilegal e Portugal, e é considerada em


termos éticos uma prática reprovável.

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EUTANÁSIA

Conceitos

“Eutanásia é a prática pela qual se abrevia a vida de um enfermo


incurável de maneira controlada e assistida por um especialista”
(www.wikipedia.org)

“Acção ou omissão por parte do médico com intenção de, por


compaixão, abreviar a morte do paciente em sofrimento e a
pedido deste.
Associação Portuguesa dos Cuidados Paliativos

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EUTANÁSIA

Eutanásia activa – a eutanásia que, através de uma acção


concreta, provoca a morte do paciente .

Eutanásia passiva - a eutanásia que, por omissão de cuidados


ou tratamentos que são necessários, proporcionados e razoáveis,
deixa morrer intencionalmente o doente.

Muitas vezes esta expressão é utilizada, indevidamente, para


referir, naquilo que é uma boa prática médica, a omissão de
tratamentos que são desproporcionados e indesejáveis, fúteis, e
que agravam o sofrimento.
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EUTANÁSIA

Encarniçamento terapêutico (obstinação terapêutica) – a


aplicação de tratamentos que, sobretudo num contexto de
doença avançada e irreversível, se podem considerar inúteis, ou
que sendo úteis, são demasiadamente incómodos para o
resultado que deles se espera, ou até caros.

Distanásia – a morte em más condições, com dor, desconforto,


sofrimento. Seria uma morte com mau tratamento de dor e outros
sintomas ou associada a encarniçamento terapêutico.
Má prática média e éticamente reprovável.

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EUTANÁSIA

Não é:
• Permitir que a natureza siga o seu curso
• Suspender um tratamento fútil/inútil
• Suspender o tratamento quando os malefícios ultrapassam os
respectivos benefícios
• Utilizar a morfina e outras substâncias para aliviar a dor
• Utilizar sedativos para aliviar o sofrimento mental intratável de
um doente moribundo
In Twycross,R.-Cuidados Paliativos 25
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EUTANÁSIA vs CUIDADOS PALIATIVOS

Muitos pedidos de Eutanásia acontecem por sofrimento intenso


O adequado alívio dos sintomas, evita os pedidos de Eutanásia

Muitos pedidos de Eutanásia estão relacionados com a sensação


de inutilidade “ser um fardo
Os Cuidados Paliativos envolvendo a família, mantém a auto-
estima e o sentimento de pertença

A Eutanásia não responde a nenhum problema de saúde


Os Cuidados Paliativos respondem de forma integral ao
sofrimento humano
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O LUTO

O Luto é uma reacção natural e esperada de adaptação, inerente


a uma perda significativa (pessoa, objecto, evento).
Ou também, como a reacção emocional e de comportamento em
forma de sofrimento e aflição, quando um vínculo afectivo se
rompe.

Inclui componentes físicos, psicológicos e sociais, com uma


intensidade e duração proporcionais à dimensão e significado da
perda.

“A dor do luto é o preço que se paga pelo amor e pelo compromisso”


Parkes, 1998
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O LUTO

É um processo normal, que normalmente não necessita de


psicofármacos nem de intervenções psicológicas para a sua
resolução.

Pode contudo em muitas situações tonar-se complicado ou


psicopatológico em qualquer momento.

Dos numerosos processos de luto que enfrentamos, o mais


doloroso refere-se à finitude da nossa vida ou das os nossos
entes queridos.

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O LUTO

À medida que transcorre a vida, vamos tendo um contacto mais


directo e mais frequente coma morte.

Morrem familiares e amigos, e sobretudo a morte de amigos


quando são de idade próxima da nossa, vai-nos abrindo os olhos
para a nossa própria realidade.

Toda a perda significativa entranha na necessidade de um luto.


A morte, imprime ao luto um carácter particular em razão da sua
radicalidade e irreversibilidade.
Uma perda não mortal deixa ainda a esperança do reencontro.
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A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

O LUTO

O luto é universal, como o é a morte.

O luto é necessário para poder continuarmos vivendo, para nos


separarmos da pessoa perdida e conservando laços diferentes
com ela, e para reencontrar a liberdade de funcionamento
psíquico.

O luto é sempre penoso e doloroso.


É um processo a longo prazo e o seu final não será um estado
como o que tínhamos antes do luto.

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A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

O LUTO

Não há resposta à pergunta “Quando termina um luto?”

A intensidade do luto é proporcional à força do apego, pelo que


não é prudente estabelecer prazos, predizer ou determinar a
duração normal.

Parece que a fase mais intensa, a fase aguda pode ir de 2 a 6


meses até 1 ano ou mais, dependendo dos factores que o
possam condicionar.

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O LUTO

O luto normal, também chamado por luto não complicado,


compreende um conjunto amplo de sentimentos e condutas, que
são normais após uma perda , por muito anormais que sejam as
manifestações evidenciadas, sobretudo nos momentos mais
próximos à perda.

A derivação para luto patológico, ou luto complicado, verifica-se


quando essas manifestações se estendem no tempo, se tornam
crónicas ou derivam para outros tipos de patologia, do foro
psiquiátrico, que ultrapassam o luto em si mesmo.

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A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

O LUTO

TAREFAS DO PROCESSO DE LUTO (Worden, 1991)

O processo de adaptação à perda envolve a tarefas básicas:

• Aceitar a realidade da perda

• Trabalhar a dor advinda da perda

• Ajustar a um ambiente em que o falecido está ausente

• Transferir emocionalmente falecido e prosseguir a vida

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A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

FASES DO LUTO

Alguns autores descrevem 3 fases no processo de luto

• Os primeiros momentos: Choque inicial, Incredulidade,


Negação

• Etapa central: fase depressiva do luto

• Etapa final: restabelecimento

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FASES DO LUTO

• Os primeiros momentos:

Choque inicial, Incredulidade, Negação – choro, grito


“Não é verdade” “Não é possível” “Ainda ontem estava bem”

Fase de curta duração, vai do início do anúncio da morte até ao


final dos rituais fúnebres.

Rituais fúnebres – ritual de despedida, consolidar realidade da


perda, apoio e solidariedade da comunidade, constatar
separação dos mortos dos vivos
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FASES DO LUTO

• Etapa central: estado depressivo (fase ou período depressivo)

Fase de maior duração.


Início rápido , pode durar alguns meses, por vezes anos.

• Imagem do falecido ocupa a mente


• Alternância de momentos de recordações dolorosas com a
reorganização da vida
• Aparecimento de sintomas depressivos
• Sentimento de grande solidão
• Sonhos coma pessoa falecida, com despertares tormentosos
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A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

FASES DO LUTO

Comportamentos usuais da fase depressiva

• Distúrbios do sono (insónias)


• Distúrbios do apetite (diminuição ou aumento)
• Procurar e chamar pelo ente querido
• Abstração (andar aéreo)
• Isolamento social
• Hiperactividade, agitação
• Choro
• Visitar sítios ou transportar ou guardar objectos identificados
com a pessoa falecida 37
A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

FASES DO LUTO

• Etapa final: período de restabelecimento

Começa quando a pessoa olha para o futuro, se interessa por


novas coisas, consegue expressar os seus sentimentos e
desejos.

• Separação das coisas pessoais do falecido (excepto os


muitos significativos)
• Dissipação dos sintomas depressivos
• Diminuição da dor e da pena
• Desenvolvimento de novas relações sociais e de amizade (sai
de casa)
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A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

FASES DO LUTO

• Etapa final: período de restabelecimento

• Evidência de experiência de alívio (pode ver-se pela forma


como se veste e pela cor da roupa

• O final do luto manifesta-se essencialmente pela capacidade


de voltar a amar

Os filhos podem ter dificuldade em aceitar esta situação, se


prevêm que possa haver uma substituição da mãe ou do pai
desaparecido.
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A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

FASES DO LUTO

Processo de elaboração de luto e perdas de


ELIZABETH KÜBLER-ROSS
(Livro “Sobre a morte e o morrer)
Categoriza-o em cinco fases/estádios:
• NEGAÇÃO
• RAIVA
• NEGOCIAÇÃO
• DEPRESSÃO
• ACEITAÇÃO
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A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

FASES DO LUTO

• NEGAÇÃO – a pessoa nega a morte, amortecendo o efeito da


notícia
• RAIVA – quando já não é possível negar, aparecem
sentimentos de raiva , ira, revolta e ressentimento;
• NEGOCIAÇÃO – como a revolta não resolve o problema, tenta
a negociação e as promessas a Deus
• DEPRESSÃO (interiorização da perda) – lamentações,
queixas, desinteresse, isolamento
• ACEITAÇÃO – expressão de emoções e sentimentos, com
tranquilidade, reorganização da vida 41
A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

FASES DO LUTO

Kübler-Ross originalmente aplicou estes estádios a qualquer


forma de perda pessoal catastrófica (morte da própria pessoa,
morte de ente querido, divórcios)

• Nem todas as pessoas passam sequencialmente por estas


fases
• Nem todas as fases ocorrem por esta ordem
• Nem todas as fases são experimentadas por todas as
pessoas
• Todas as pessoas passam pelo menos por duas destas fases
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A MORTE NA SOCIEDADE OCIDENTAL

FASES DO LUTO

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DIRECTIVAS ANTECIPADAS DE VONTADE

Aquilo que eu quero ou determino para o futuro, em termos de


intervenções médicas, quando estiver em situação de não estar
competente para tomar essas decisões.

Em Portugal, esta directiva tomou forma legal com a publicação


da
Lei 25/2012, de 16 de Julho
Que regula as directivas antecipadas de vontade sob a forma de

TESTAMENTO VITAL

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DIRECTIVAS ANTECIPADAS DE VONTADE

Directivas antecipadas de vontade

Documento unilateral e livremente revogável a qualquer


momento pelo próprio, no qual uma pessoa maior de idade e
capaz, que não se encontre interdita ou inabilitada por
anomalia psíquica, manifesta antecipadamente a sua vontade
consciente, livre e esclarecida, no que concerne aos cuidados
de saúde que deseja receber, no caso de , por qualquer razão,
se encontrar incapaz de expressar a sua vontade pessoal e
autonomamente.
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DIRECTIVAS ANTECIPADAS DE VONTADE

Disposições que podem constar:

• Não ser submetido tratamento de suporte artificial das


funções vitais;
• Não ser submetido a tratamento fútil, inútil ou
desproporcionado no seu quadro clínico, sobretudo no que
concerne às medidas de suporte básico de vida e às
medidas de hidratação e alimentação que apenas visem
retardar o processo natural de morte;

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DIRECTIVAS ANTECIPADAS DE VONTADE

Disposições que podem constar:

• Receber os cuidados paliativos adequados ao respeito pelo


seu direito a uma intervenção global no sofrimento
determinado por doença grave ou irreversível , em fase
avançada
• Não ser submetido a tratamentos que se encontrem em fase
experimental;
• Autorizar ou recusar a participação em programas de
investigação científica ou ensaios clínicos.

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DIRECTIVAS ANTECIPADAS DE VONTADE

Procurador de cuidados de saúde

Qualquer pessoa pode nomear um procurador de cuidados de


saúde, atribuindo-lhe poderes representativos para decidir
sobre os cuidados de saúde a receber, ou a não receber,
quando este se encontre incapaz de expressar a sua vontade
pessoal e autonomamente.

Só pessoas de maior idade, não interditas ou inabilitadas


psiquicamente e se encontrem capazes de dar o seu
consentimento livre e esclarecido, podem nomear e serem
nomeados 48
DIRECTIVAS ANTECIPADAS DE VONTADE

Procuração de cuidados de saúde

A procuração de cuidados de saúde é o documento pelo qual


se atribui a uma pessoa, voluntariamente e de forma gratuita,
poderes representativos em matéria de cuidados de saúde,
para que aquela os exerça no caso de o outorgante se
encontrar incapaz de expressar de forma pessoal e autónoma
a sua vontade.

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DIRECTIVAS ANTECIPADAS DE VONTADE

Eficácia e efeitos de representação

As equipas de prestação de cuidados, são obrigadas a


respeitar o conteúdo do documento de DAV, bem como as
decisões tomadas pelo procurador de cuidados de saúde.

Em caso de conflito entre as disposições formuladas no DAV


e a vontade do procurador de cuidados de saúde, prevalece a
vontade expressa na DAV.

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