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Exigências de desempenho energético segundo

critérios de rentabilidade económica


Dissertação apresentada para a obtenção do grau de Mestre em Engenharia Civil
na Especialidade de construções

Autor
Ana Rute Oliveira Gonçalves
Orientador
Professor Doutor Nuno Albino Vieira Simões
Professor Doutor António José Barreto Tadeu

Esta dissertação é da exclusiva responsabilidade do seu


autor, não tendo sofrido correcções após a defesa em
provas públicas. O Departamento de Engenharia Civil da
FCTUC declina qualquer responsabilidade pelo uso da
informação apresentada

Coimbra, Julho, 2012


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica AGRADECIMENTOS

AGRADECIMENTOS

Pela essência e finalidade académica deste trabalho subsistem contributos que não
podem, nem devem deixar de ser mencionados. Por esta razão expresso os meus verdadeiros
agradecimentos:

Aos meus orientadores, pela disponibilidade que manifestaram desde o contacto inicial. Por
terem sido sempre receptivos, pacientes e por toda a contribuição e apoio que deram ao longo
da realização deste trabalho.

Aos colegas de Mestrado pelo apoio nos bons e maus momentos e pela sua amizade. Por toda
a trajectória que seguimos e o objectivo que atingimos.

Agradeço aos meus amigos e família pela companhia, apoio, amizade e acima de tudo pela
preocupação e interesse que preencheu tantos momentos de desânimo que fui tendo por força
das circunstâncias. Gostaria de citar algumas pessoas que foram presença marcante neste
período: Avó Alice, Cristiano, Joana e Diogo Corrente.

Ao meu namorado e colega de todos os momentos Diogo Portela pela compreensão e ternura
sempre manifestadas apesar da dívida de atenção.

Por último aos meus pais e mana pela paciência e grande amizade com que sempre me
ouviram e sensatez com que sempre me ajudaram. Por me terem proporcionado a
possibilidade de alcançar a meta que sempre desejei sem qualquer dúvida ou arrependimento.

A todos um muito obrigado.

Ana Rute Oliveira Gonçalves ii


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica RESUMO

RESUMO

O impacto no equilíbrio ambiental enfrentado pelo planeta é uma das consequências


mais gravosas do desperdício energético. Quer devido ao carente desempenho energéticos dos
edifícios quer devido ao uso inconsciente de energia por parte dos consumidores, as emissões
de gases com efeito de estufa e o uso indevido de fontes não renováveis sofrem um aumento
exponencial com consequências gravosas para a atmosfera. Actualmente, em Portugal o sector
dos edifícios consome aproximadamente 31% da energia final utilizada no país, sendo muitas
as variáveis pelas quais o consumo de energia depende. No entanto, o uso de instalações
(aquecimento e arrefecimento, iluminação, etc.) e um comportamento dissipativo do edifício
(edifícios sem isolamento térmico e/ou sem inércia térmica) assumem o papel principal nesta
lacuna de eficiência energética.

A conscientização da relevância da eficiência energética nos edifícios vem traduzir-se na


necessidade de criação de metas ambiciosas, UE 20 – 20 – 20, com vista à redução das
emissões de CO2, ao incentivo de utilização de energia oriunda de fontes renováveis e,
consequentemente, o aumento do desempenho energético dos edifícios. Seguindo esta
metodologia, surge a Directiva 2010/31/EU que clarifica e reforça alguns requisitos da actual
EPBD e cria novas ambições, nomeadamente a de que todos os edifícios novos devem ser de
Energia Quase Zero a partir de 2020, propondo uma metodologia de cálculo que permite
comparar os requisitos mínimos de desempenho energético com os seus respectivos níveis
óptimos.

Seguindo esta metodologia apresentada pela Comissão Europeia no Regulamento nº


244/2012, este estudo procura elucidar as actuais exigências de desempenho energético
segundo critérios de rentabilidade. Assim, de forma a alcançar um equilíbrio óptimo em
termos de rentabilidade entre os investimentos efectuados e os custos de energia
economizados ao longo do ciclo de vida do edifício, estudar-se-á a metodologia subjacente e
avaliada em detalhe o efeito que esta exigência poderá ter considerando a realidade
construtiva em Portugal. Tendo consciência do grande número de variáveis que influenciam
esta análise, apenas se avaliará o impacto da variação das características do isolamento
térmico na envolvente exterior de um edifico de referência. Finalmente, é desenvolvido o
modelo financeiro e macroeconómico que possibilita a previsão do tempo de retorno do
investimento. Em simultâneo com a análise do rácio Benefício – Custo, permitirá perceber a
rentabilidade do investimento face à poupança total do consumo de energia e, naturalmente,
avaliar a necessidade de alteração dos requisitos mínimos de desempenho energético
actualmente em vigor.

Ana Rute Oliveira Gonçalves iii


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica ABSTRACT

ABSTRACT

The impact on environmental balance faced by the planet is one of the worst
consequences of energy waste. Either due to lacking energy performance of buildings either
due to unconscious use of consumer’s energy, emissions of greenhouse gases and the
improper use of non-renewable sources suffers an exponential increase with overwhelming
consequences on the atmosphere. Currently, in Portugal the buildings sector consumes
approximately 31% of final energy use in the country, being many variables by which energy
consumption depends. However, the use of installations (heating and cooling, lighting, etc.)
and a dissipative behavior of building (buildings without thermal insulation and/or without
thermal inertia) assume the leading role in this energy-efficiency gap.

The awareness of the importance of energy efficiency in buildings is reflected in the


ambitious goals of EU 20-20-20, in order to reducing CO2 emissions, the encouragement of
the use of energy from renewable sources and, consequently, the increase of the energy
performance of buildings. Following this methodology, appears the Directive 2010/31/EU
that clarifies and reinforces some requirements of the EPBD and creates new ambitions,
namely that all new buildings must be almost Nearly Zero Energy from 2020, proposing
methodology to compare the minimum energy performance requirements with their optimal
levels.

Following this methodology presented by the Commission in Regulation nº 244/2012,


this study seeks to elucidate the current energy performance requirements according to cost
optimum criteria. So, in order to achieve an optimal balance in terms of return between
investments and energy costs saved throughout the life cycle of the building, will be studied
the underlying methodology and assessed in detail the effect that this requirement may have
considering the constructive reality in Portugal. Being aware of the large number of variables
that influence this analysis, it will be assessed only the impact of changes in the
characteristics of the thermal insulation on the exterior of the building envelope. Finally, the
macroeconomic and financial model allows the prediction of the time of return on investment.
In simultaneous with the Benefit-Cost ratio analysis, will allow to realize the return on
investment in the face of savings energy total consumption and, naturally, to assess the need
for amendment of the minimum energy performance requirements currently in force.

Ana Rute Oliveira Gonçalves iv


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica ÍNDICE

ÍNDICE

AGRADECIMENTOS……….………………………….…………………………………….ii
RESUMO……………………………………………………………………………………...iii
ABSTRACT……………………………………………………….……………………….….iv
ÍNDICE…………………………………………………………….……………………….….v
ÍNDICE DE FIGURAS……………………….……………………………………………...vii
ÍNDICE DE QUADROS…………………………………………………………………….viii
1 INTRODUÇÃO……………………………………………………………………………...1
1.1 Enquadramento…………………………………………………………………………….1
1.2 Motivação e objectivos………….………………….……………………………………...3
1.3 Estrutura do texto….……………………………………………………………….………5
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA…….…………………………...……………………………7
3 METODOLOGIA DE DETERMINAÇÃO DE RENTABILIDADE ECONÓMICA……..20
3.1 Definição do quadro de referência…………...…………………………………………...20
3.2 Definição do edifício de referência………………………………………….….………...21
3.3 Definição do modelo de cálculo económico….………………………………...………...22
3.3.1 Cálculo financeiro dos custos globais…………….….……………….…….………...23
3.3.2 Cálculo macroeconómico dos custos globais…...…………………….…….………...24
4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA....…….…………………….……………….………26
4.1 Caso de estudo……………………………..….…………………………….….………...26
4.2 Resultados………………………………….….…………………………….….………...33
4.3 Análise dos Resultados…………………………………………………………………..37
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS……………………………………………………………….42
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.….….……………………….……………...………44
ANEXO……..…………………………………………………………………………………A

Ana Rute Oliveira Gonçalves v


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica ÍNDICE DE FIGURAS

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1.1 – Definição do custo óptimo e identificação dos edifícios NZEB..………………..5


Figura 2.1 – Exemplo de edifício de referência unifamiliar em Espanha [10]………...…….10
Figura 2.2 – Exemplo de edifício de referência multifamiliar em Espanha [10]…………….10
Figura 2.3 – Exemplo dos resultados da aplicação da metodologia de cálculo em Madrid
[10]……………………………………………………………………………………………11
Figura 2.4 – Limite energético do fornecimento de energia líquida e representação
esquemática das suas componentes [9-13]……………………………………………………12
Figura 2.5 – Plantas representativas do edifício de referência da Estónia, planta de rés-do-chão
à esquerda e 1º andar á direita [11-12]…………………………………….………………….13
Figura 2.6 – Modelo de simulação do edifício IDA-ICE do edifício de referência
seleccionado. Perspectiva de Sul-Este à esquerda e Norte-Oeste à direita [11-12].....……...13
Figura 2.7 – Plantas da Ermita del Santo Sepulcro [16] …...………...………...……………17
Figura 2.8 – Plantas de Aljibes de Hurchillo [16]…………………………………………….18
Figura 4.1 – Perspectivas do edifício em estudo, vista SW e SE respectivamente [20]……..27
Figura 4.2 – Alçados do edifício em estudo [20]……………………………………………..28
Figura 4.3 – Planta do rés-do-chão e 1º andar do edifício em estudo [20]…………………...28
Figura 4.4 – Planta da cobertura do edifício em estudo [20]…………………………………29
Figura 4.5 – Análise Custo – Benefício das medidas aplicadas no concelho de Bragança…..39
Figura 4.6 – Análise Custo – Benefício das medidas aplicadas no concelho do Porto…..…..39
Figura 4.7 – Análise Custo – Benefício das medidas aplicadas no concelho de Évora.....…..40

Ana Rute Oliveira Gonçalves vi


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica ÍNDICE DE QUADROS

ÍNDICE DE QUADROS

Quadro 2.1 – Poupança de energia para cada zona climática de Espanha [10]..…………......11
Quadro 2.2 – Conceitos construtivos e simulação da necessidade energética [11-12]…….…14
Quadro 2.3 – Custo global incremental para cada conceito construtivo do edifício de
referência [11-12]……………………………………………………………………………..15
Quadro 4.1 – Descrição da solução inicial adoptada [20 – 21]……………...………………..30
Quadro 4.2 – Preços de isolamento térmico sem IVA adoptados [22-23]……………………32
Quadro 4.3 – Coeficientes de transmissão térmica adoptados em cada medida [21]….........33
Quadro 4.4 – Necessidades nominais de energia e poupança energética em Bragança……...34
Quadro 4.5 – Necessidades nominais de energia e poupança energética no Porto……….….34
Quadro 4.6 – Necessidades nominais de energia e poupança energética em Évora…………35
Quadro 4.7 – Resultados do custo global no concelho de Bragança.……...…………………35
Quadro 4.8 – Resultados do custo global no concelho do Porto…………………………......36
Quadro 4.9 – Resultados do custo global no concelho de Évora……………………………..36
Quadro 4.10 – Período de retorno associado a cada medida de eficiência energética nas zonas
climáticas tidas em consideração……………………………………………………………..38
Quadro 4.11 – Nível óptimo do limite máximo das necessidades anuais de energia primária da
medida 3………………………………………………………………………………………41
Quadro A.1: Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração da solução de referência....A
Quadro A.2: Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração da medida 1………………B
Quadro A.3: Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração da medida 2……………...C
Quadro A.4: Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração da medida 3……………...D
Quadro A.5: Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração da medida 4………………E
Quadro A.6 Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração da medida 5…………........F
Quadro A.7 Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração da medida 6……………….G
Quadro A.8 Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração da medida 7……………….H
Quadro A.9 Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração da medida 8………………..I
Quadro A.10 Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração da medida 9………….......J
Quadro A.11 Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração da medida 10………........K

Ana Rute Oliveira Gonçalves vii


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 1 INTRODUÇÃO

1 INTRODUÇÃO

1.1 Enquadramento

Após a primeira crise internacional de petróleo, em 1973, surgiu a necessidade de expôr o


tema “uso racional de energia”. Acompanhando o elevado desenvolvimento económico e a
crescente necessidade de bem-estar da população dos últimos anos, o aumento do consumo de
energia tornou-se inevitável, sendo a gestão de recursos de energia um dos principais desafios
que, a nível mundial, a sociedade moderna enfrenta nos dias de hoje.

O aumento significativo do custo de energia, acrescido da dependência dos combustíveis


fósseis bem como o seu impacto ambiental, resultante na emissão de gases com efeitos de
estufa (GEE), criou uma progressiva conscientalização do problema, fometando medidas que
estimulam a eficiência energética.
Por outro lado, Portugal, sendo um país com poucos recursos fósseis endógenos, torna-se
dependente dos combustiveis fósseis do exterior e susceptível às crescentes pressões do
mercado internacional sempre que existam flutuações na sua produção ou consumo.
Demonstrando esta preocupação inicial que o desempenho energético provoca no meio
ambiente, em 1991 a primeira regulamentação, RCCTE – Regulamento das Características de
Comportamento Témico de Edifícios [1], com a finalidade de melhorar as condições de
conforto no interior dos edifícios sem gasto excessivo de energia.

No contexto dos efeitos nefastos que iriam resultar no futuro das novas gerações, surge o
acordo europeu designado Protocolo de Quioto [2], em 1997, obrigando os Estados-Membro a
definirem medidas de acção que incentivassem a utilização racional dos recursos energéticos
e, consequentemente, a reduzir a emissão de gases de dióxido de carbono para a atmosfera.

Embora a utilização de fontes de energias renováveis internas contribua para reduzir as


emissões e as importações de energia, é igualmente importante criar incentivos no sentido de
reduzir o consumo energético por parte dos consumidores.
O sector residêncial é responsável por cerca de 40% do consumo energético final e 36% de
emissões de CO2 na União Europeia (UE). Para responder a esta crescente necessidade de
energia, surge a Directiva Europeia sobre o Desempenho Energético dos Edifícios [3],
aprovada a 16 de Dezembro de 2002, estabelecendo requisítos com vista a promover a
melhoria do desempenho energético e responder aos compromissos assumidos no Protocolo
de Quioto.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 1


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 1 INTRODUÇÃO

Nesta directiva, também intitulada EPBD (Energy Performance of Building Directive),


adopta-se uma metodologia de cálculo de desempenho energético de edifícios, estabelecendo
requisitos mínimos para o projecto, tanto de novos edifícios, como também de edifícios
existentes sujeitos a grandes obras de renovação, e ainda a obrigatoriedade da implementação
de certificação energética.

A EPBD exige que todos os Estados-Membro devem implementar estas medidas, nas suas
regulamentações nacionais, até Janeiro de 2006. Neste contexto surge a revisão do RCCTE
(Decreto-Lei nº 80/2006) [4], definindo exigências de conforto térmico e de higiéne, através
da compatibilização mais realista de consumos, e condições que minimizem situações
patológicas nos elementos de constução. Conforme o estabelecido na EPBD, foi legalmente
definida a certificação energética dos edifícios através do Decreto-Lei 78/2006 (SCE).

A consciência da importância da eficiência energética nos edifícios é agora muito


superior em toda a UE, no entanto, está ainda por explorar um grande potencial de economia
de energia em condições de rentabilidade económica. Ou seja, devido às limitações inerentes
à actual EPBD, à complexidade do sector e ao fraco nível de ambição dos alguns Estados-
Membro muitos potenciais benefícios económicos, sociais e ambientais não são plenamente
usufruidos.

Como consequência, surge, a 19 de Maio de 2010, a Directiva 2010/31/UE relativa à


reformulação da EPBD [5], com o objectivo de introduzir novas medidas que resultem na
melhoria do desempenho energético dos edifícios da UE, tendo em conta não só condições
climáticas externas e condições locais, como também exigências de clima interior e
rentabilidade. A introdução desta reformulação que clarifica, reforça e alarga o âmbito das
disposições da anterior EPBD procura criar uma abordagem comum que permita nivelar as
condições no que respeita a esforços desenvolvidos nos Estados-Membro, criando um quadro
geral comum para uma metodologia de cálculo do desempenho energético de edifícios. Surge
então o objectivo europeu “UE 20-20-20” através da redução de 20% das emissões de GEE,
20% de energia proveniente de fontes renováveis e aumento de 20% na eficiência energética
até 2020 [6].

Assim, de forma a atingir o objectivo geral de reduzir a dependência energética e as emissões


de CO2, através de medidas mais ambiciosas, a Directiva indica que os Estados-Membro
deverão garantir que, a partir de Dezembro de 2020, todos os edifícios sejam edifícios com
necessidades de quase nulas de energia (nZEB) [5]. No entanto, reconhecendo a diversidade
na construção e no clima de toda a UE, a reformulação da EPBD não descreve uma
abordagem uniforme nem uma metodologia de cálculo para aplicar aos edifícios nZEB.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 2


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 1 INTRODUÇÃO

Exige apenas aos Estados-Membro a criação de planos nacionais, desenvolvendo políticas e


medidas para incentivar o crescente aumento dos edifícios nZEB. Ou seja, em menos de uma
década, todos os edíficios deverão demonstrar um elevado desempenho energético e as suas
necessidades muito reduzidas de energia serão provenientes de energias renováveis [7].

Respondendo às exigências estabelecidas na reformulação da EPBD, a comissão


comprometeu-se em estabelecer um quadro de metodologia comparativa para o cálculo dos
níveis ótimos de rentabilidade dos requisitos mínimos de desempenho energético dos edifícios
e das componentes dos edifícios. Desta forma, em 16 de janeiro de 2012, é publicado o
regulamento 244/2012 [8] que contempla a directiva 2010/31/UE permitindo aos Estados-
Membro uma ferramenta de cálculo dos requisitos minímos de desempenho energético de
forma a atingirem níveis óptimos de rentabilidade, ou seja, considerando o ciclo de vida do
edifício ao nível dos custos associados não só ao investimento inicial como também de
energia.

É neste contexto que surge esta dissertação, em que se prevê a análise desta metodologia
de optimização da rentabilidade, salientando e apresentando as medidas que os Estados-
Membro e, especificamente, Portugal deverá realizar de forma a responder às exigências
definidas na reformulação da EPBD, sendo esta análise apresentada no Capítulo 3 e
demonstrada no Capítulo 4.

1.2 Motivação e Objectivos

Sendo o sector dos edifícios responsável por grande parte do consumo de energia, torna-
se cada vez mais pertinente a necessidade de actuação neste sector. Este aumento do consumo
de energia prende-se não só por razões directamente relacionadas com o comportamento dos
cidadãos como também à falta de políticas coerentes e consensuais sobre a energia e
metodologia de cálculo, em especial no que respeita às medidas de controlo de custos, de
eficiência energética e sustentabilidade a nível ambiental.

Desta forma, no seguimento da evolução legislativa, em que a pressão da UE em obter


edifícios mais eficientes se intensifica, surge o regulamento nº 244/2012 no âmbito da
Directiva 2010/31/UE, respondendo de forma mais criteriosa e eficiente às lacunas salientadas
anteriormente. Procura resolver a grande variação na regulamentação técnica dos diferentes
países e, consequentemente, o seu significativo efeito na indústria da construção, que até
então provocava complicações na fabricação, vendas, construção, instalação e desempenho na
área do mercado comum [9].

Ana Rute Oliveira Gonçalves 3


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 1 INTRODUÇÃO

Por outro lado, ao exigir a formulação de modelos de cálculo nacionais com base em normas
europeias aplicáveis, permite comparações mais coerentes dos níveis de exigência nos vários
Estados-Membro, eliminado a diferença da definição dos diferentes fluxos de energia e a
forma de estabelecimento dos limites de energia do edifício proporcionada pela anterior
EPBD.

Este quadro de metodologia comparativa é proporcionado através do estabelecimento de


edifícios de referência nas categorias de edifícios unifamiliares, blocos de apartamentos e
edifícios multifamiliares e ainda edifícios para escritórios [5], no entanto, a última categoria
está fora do âmbito desta dissertação destacando-se apenas as primeiras categorias,
implementadas em Portugal. Estes serão caracterizados pela sua funcionalidade e localização
geográfica, incluíndo condições climáticas interiores e exteriores. Posteirormente, de forma
racional e congruente, selecciona-se um conjunto de medidas de eficiência energética, neste
caso maioritariamente ao nível da envolvente do edíficio, necessárias ao cálculo dos requisitos
óptimos de rentabilidade.

Finalmente, seguindo a metodologia apresentada pela comissão no regulamento nº 244/2012


efectuar-se-á uma análise sensibilizada das soluções apresentadas através da avaliação da
relação entre as necessidades energéticas o custo global associado a cada medida aplicada.
Como se demonstra posteriormente, o objectivo fulcral deste documento é, através da
aplicação directa da legislação enunciada em epígrafe, enfatizar as necessidades de eficiência
energética dos edifícios ao determinar um nível optimo de rentabilidade dos custos de
desempenho energético para um edifício de referência – Figura 1.1. Como conclusão avaliar-
se-á o impacto de medidas de eficiência energética na envolvente do edifício e de que forma
se repercute na legislação actual.

Futuramente, respondendo ao nível de exigência crescente delegado pela UE aos Estados-


Membro, procurar-se-á o conjunto de medidas eficientes que resultarão numa relação entre as
necessidades energéticas e custo óptimo mais ambicioso, proporcionando edifícios com
necessidades de energia baixas ou quase nulas asseguradas por fontes renovávies, nZEB, até
2020 como incentiva o presente regulamento.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 4


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 1 INTRODUÇÃO

Custos Globais (€/m2)

1 5

2 4

3
EDIFÍCIOS nZEB

CUSTO ÓPTIMO

Consumo de energia primária (kWh/m2)

Figura 1.1 – Definição do custo óptimo e identificação dos edifícios nZEB.

1.3 Estruturação do documento

A dissertação estrutura-se então em cinco capítulos dispostos de forma a maximizar a


análise e compreensão da metodologia aplicada.

No primeiro capítulo expôs-se o enquadramento, apresentado de uma forma breve a evolução


do paradigma energético e o papel que desempenha no sector da construção, bem como a
referência à motivação e objectivos deste trabalho, apresentando de uma forma geral a
justificação da necessidade deste estudo.

No capítulo 2 procede-se à revisão bibliográfica cujo objectivo recai no levantamento dos


documentos nacionais e europeus relevantes ao nível da eficiência energética no sector da
constução. Destaca-se a reformulação da EPBD e, na sequência, a regulamentação efectuada
pela comissão, regulamento nº 244/2012, indicando o seu âmbito e importância para o
desenvolver deste documento.

Pormenorizando o capítulo anterior no âmbito de tema de dissertação, no Capítulo 3


apresenta-se de forma eficiente o conteúdo geral do regulamento nº 244/2012 no contexto da

Ana Rute Oliveira Gonçalves 5


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 1 INTRODUÇÃO

Directiva 2010/31/UE. Sucintamente, exibe-se a metodologia de cálculo dos níveis óptimos


de desempenho energético, salientando a importância do quadro de metodologia comparativa.
Para que tal seja possível, define-se o edifício de referência seleccionado como caso de estudo
neste trabalho. Finalmente, no sub-capítulo final procede-se à apresentação e definição do
modelo de cálculo económico que permitirá uma análise da relação entre os custos globais
associados ao edifício alvo de estudo e as suas necessidades energéticas.

Detalhada toda a metodologia de cálculo e caracterizada a tipologia dos edifícios


seleccionados como edifícios de referência, no Capítulo 4 procede-se à aplicação prática desta
metodologia, detalhando as medidas energéticas aplicadas e respectivos resultados de forma
crítica e explícita.

Por fim, as considerações finais serão apresentadas no Capítulo 5, resultado da análise e


discussão dos resultados decorrentes dos casos de estudo após aplicação de medidas de
eficiência energéticas e respectivo cálculo da metodologia apresentada. Além disso, procura-
se indicar as limitações do trabalho e ainda apresentar sugestões para trabalhos futuros.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 6


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Como já destacado no ínicio do trabalho, está em vigor um quadro de directivas e


regulamentos com o objectivo de melhorar a eficiência energética de produtos, edifícios,
transportes e serviços consumidores de energia. Neste capítulo apresenta-se a bibliografia
para o sector dos edifícios, salientando as mudanças inseridas nesta legislação que
acompanham as crescentes exigências da UE na obtenção de edíficios com elevado
desempenho energético. Por outro lado, salienta-se o trabalho efectuado por outras entidades
com o intuito de aplicar a metodologia apresentada e encontrar o nível óptimo de desempenho
energético através da análise de sensibilidade dos resultados obtidos.

No seguimento das ambições comprometidas pelos Estados-Membro na formulação do


documento Protocolo de Quioto, surge a Directiva 2002/91/CE - relativa ao desempenho
energético dos edifícios.
Esta directiva, também intitulada EPBD, foi aprovada em 16 de Dezembro de 2002 e entrou
em vigor a 4 de Janeiro de 2003, sendo considerada uma importante componente legislativa
que impulsiona a necessidade emergente de melhorar o desempenho energético dos edifícios.
A EPBD é a ferramenta principal para a utilização eficiente da energia no sector da
construção, tendo como principal objectivo a melhoria do desempenho energético geral dos
edifícios em condições de rentabilidade económica. No entanto, a directiva não define nivéis à
escala da UE, apenas exige aos Estados-Membro que estabeleçam requisitos mínimos e
mecanismos para sua aplicação, garantindo o seu cumprimento.
Sucintamente, uma das principais contribuições da EPBD foi inserir a temática de
desempenho energético nas agendas políticas, através da sua integração nas normas de
construção e salientando a sua importância aos cidadãos.

Salienta-se que, com a reformulação e evolução das exigências de desempenho


energético impostas na actual EPBD, prevê-se para breve a revisão não só dos requisitos
mínimos em vigor em Portugal como das suas disposições e, consequentemente, a alteração
dos Decretos-Lei que contemplam esta informação. No entanto, considera-se em vigor a
regulamentação formulada no seguimento da Directiva 2002/91/CE relativa ao desempenho
energético de edifícios, ou seja, o Decreto-Lei 80/2006 – Regulamento das Características de
Comportamento Térmico dos Edifícios (RCCTE), Decreto-Lei 78/2006 – Sistema de
Certificação Energética (SCE) e da Qualidade do Ar interior dos Edifícios bem como o
Decreto-Lei 79/2006 – Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização em Edifícios
(RSECE).

O Decreto-Lei 80/2006, que iniciou a tentativa de melhorar o desempenho energético em


edifícios, estabelece requísitos de qualidade para os novos edifícios de habitação e de

Ana Rute Oliveira Gonçalves 7


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

pequenos edifícios de serviços com sistemas de climatização com potência inferior a 25 kW,
nomeadamente ao nível das caracteristícas da envolvente, limitando as perdas térmicas e
controlo dos ganhos solares excessivos.
Com a crescente utilização de equipamentos de aquecimento e arrefecimento, não revogando
os compromissos comunitários assumidos, foi necessária a actualização do RCCTE através da
introdução de maiores exigências de qualidade térmica ao nível da envolvente dos edifícios.
Assim, impõe limites aos consumos energéticos para a climatização e produção de águas
quentes, num claro incentivo à utilização de sistemas eficientes e de fontes energéticas com
menor impacto em termos de energia primária.

Por outro lado, o Decreto-Lei 78/2006, integrando o pacote legislativo que transpôs a
directiva 2002/92/CE, estabelece que os Estados-Membro da UE devem implementar um
sistema de certificação energética de forma a informar o cidadão sobre a qualidade térmica
dos edifícios, aquando da sua construção, da venda ou do arrendamento dos mesmos,
exigindo também que o sistema de certificação abranja igualmente todos os edifícios públicos
e edifícios frequentemente visitados pelo público.

Por último, o Decreto-Lei 79/2006, revogando o Decreto-Lei nº 118/98 de 7 de Maio que


aprovou o RSECE, veio definir um conjunto de requisitos aplicáveis a edifícios de serviços e
de habitação dotados de sistemas de climatização com potência superior a 25 kW, os quais,
para além dos aspectos relacionados com a envolvente e a limitação dos consumos
energéticos, abrangem também a eficiência e manutenção dos sistemas de climatização dos
edifícios, impondo a realização de auditorias energéticas periódicas aos edifícios de serviços.
A necessidade deste diploma surge devido à intensificação da procura de sistemas de
climatização ao longo das últimas décadas, principalmente no sector dos edifícios, prevendo o
aumento exponencial do consumo energético neste sector.

Verificando-se a complexidade em alcançar os objectivos na qual se compromete, a UE


aumenta o nível de exigência do desempenho energético de edifícios. Como forma de
clarificar e especificar convenientemente algumas lacunas e falta de coerência na EPBD, até
então em vigor, surge a necessidade de se proceder à sua reformulação.
Neste contexto é publicada a Directiva 2010/31/UE – relativa à reformulação do desempenho
energético dos edifícios.

Desta forma, os princípios da Directiva 2002/91/CE são mantidos, bem como o papel
estabelecido aos Estados-Membro na definição dos requisitos mínimos de desempenho
energético. A reformulação da EPBD vem apenas clarificar e alargar o âmbito das disposições
da directiva antecedente e criar objectivos mais ambiciosos.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 8


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

De uma forma sucinta, procura fornecer aos Estados-Membro um guia de apoio ao cálculo
que permite comparar os actuais requisitos mínimos com os níveis óptimos de rentabilidade
determinados a nível nacional/regional. Para tal, este instrumento de cálculo deverá ser
estabelecido pela Comissão fornecendo um quadro de metodologia comparativa que exigirá
aos Estados-Membro a determinação dos níveis óptimos de rentabilidade dos requisitos
mínimos de desempenho energético.
Assim, a actual EPBD vem estabelecer requisitos no que se refere ao estabelecimento do
quadro geral comum para uma metodologia de cálculo do desempenho energético e à
aplicação dos requisitos mínimos de desempenho energético de edifícios novos e existentes.
Alarga ainda o âmbito da disposição segundo a qual os Estados-Membro devem estabelecer
requisitos mínimos de desempenho energético quando são realizadas grandes obras de
reabilitação e reforça as disposições relativas a certificados de desempenho energético,
inspecção dos sistemas de aquecimento e ar condicionado, requisitos de desempenho
energético, informação e recurso a peritos independentes.
Finalmente, vem ainda salientar aos Estados-Membro a necessidade de cumprir o exposto e
incentivar à criação de planos nacionais de forma a aumentar a existência de edifícios nZEB
até 2020, caracterizados pela necessidade quase nula de energia.

Neste contexto, a comissão vem responder às exigências expostas na actual EPBD,


através da criação do quadro de metodologia comparativa, publicando o Regulamento
Delegado nº 244/2012.
Como indicado anteriormente, a comissão estabelece o quadro metodológico comparativo
para o cálculo dos níveis óptimos de rentabilidade dos requisitos mínimos de desempenho
energético dos edifícios e componentes de edifícios, especificando as regras de comparação
das medidas de eficiência energética aplicadas e sua forma de aplicação para obtenção dos
níveis referidos.
Desta forma, os Estados-Membro possuem uma ferramenta de cálculo que permitirá não só
definir os níveis óptimos de rentabilidade através da análise de um edíficio de referência,
como também efectuar uma comparação crítica destes níveis com os requisitos mínimos de
desempenho energético actualmente em vigor.
Finalmente, ao obrigar os modelos de cálculo nacionais a basearem-se nas normas europeias
em vigor, permitirá uma comparação mais fácil e coerente a evolução do desempenho
energético dos vários Estados-Membro.

Impostas as medidas necessárias por parte do Parlamento Euporeu, através da


reformulação da EPBD, e pela Comissão Europeia, indicando a metodologia comparativa de
cálculo, os Estados-Membro deve agora assumir a necessidade de reformulação da legislação
em vigor através da análise de medidas de eficiência energética com vista à obtenção de um
nível óptimo de requisitos mínimos de desempenho energético.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 9


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Neste contexto, S. Álvarez em conjunto com outras entidades [10] analisam o Código
Técnico de Edificação, procurando actualizar os requisitos mínimos de desempenho
energético actualmente em vigor em Espanha. Para tal, seguindo a metodologia indicada pela
Comissão europeia, identificam 23 edifícios de referência (9 edifícios unifamiliares e 14
blocos de apartamentos) aplicados em 12 localizações diferentes.

Figura 2.1 – Exemplo de edifício de referência unifamiliar em Espanha [10].

Figura 2.2 – Exemplo de edifício de referência multifamiliar em Espanha [10].

Tendo como base os requisitos impostos em 2006, efectuaram o estudo da aplicação


do conjunto medidas de eficiência energética, de acordo com o anexo III da actual EPBD,
nomeadamente, melhoria do isolamento de paredes opacas e da qualidade dos vãos
envidraçados, melhoria de pontes térmicas, excepto contorno de janelas e, finalmente, além
das pontes térmicas nos contornos de janelas, melhoria da qualidade de ar interior e variação
da renovação de ar.
A partir dos dados padrão actualmente em vigor, obtiveram a solução que fornece o custo do
ciclo de vida mínimo que servirá de base para comparação das necessidades energéticas e
obter assim as poupanças para a solução de custo optimizado.

Inicialmente, verificaram que não existem discrepâncias significativas nos resultados


aquando da alteração ligeira dos parâmetros médios a considerar, nomeadamente, 30 anos

Ana Rute Oliveira Gonçalves 10


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

como ciclo de vida, 2,5% como taxa de desconto e 3,5% de incremento no preço de energia e
desprezando os custos de CO2.
Definidos os parâmetros iniciais para aplicação da metodologia de cálculo, alcançou-se a
relação entre as necessidades de energia e o custo associado ao ciclo de vida e,
consequentemente, a definição dos novos requisitos mínimos aplicáveis em cada localização –
Figura 2.3. Identifica-se ainda as poupanças de energia agregadas ao conjunto de medidas
aplicadas quando comparadas com a solução base já referida, salientando-se a grande
discrepância obtida entre o desempenho do edifício padrão e o seu nível óptimo de
desempenho – Quadro 2.1.

Quadro 2.1 – Poupança de energia para cada zona climática de Espanha [10].

A B C D E
Poupança de energia em 32 32 32 27 22
relação ao edifício base (%)

Figura 2.3 – Exemplo dos resultados da aplicação da metodologia de cálculo em


Madrid [10].

Analogamente, Jarek Kurnitski [11-12] procura determinar o custo óptimo dos níveis
de desempenho energético através da aplicação da metodologia apresentada na reformulação
da EPBD a um edifício de referência. Com base na definição de conceitos de construção que

Ana Rute Oliveira Gonçalves 11


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

levam a limitados cálculos de energia, combinados com sistemas e cálculos económicos,


resulta no custo óptimo de energia primária.
Seguindo as exigências da Directiva 2010/31/EU, em que a influência positiva da produção de
energia renovável deve ser tida em conta, o quadro definido pela REHVA foi utilizado para
cálculo do custo óptimo e desempenho energético de edifícios nZEB [9-13]. Este utiliza o
limite do sistema detalhado modificado a partir da EN 15603:2008 [14], figura 2.4.

Figura 2.4 – Limite energético do fornecimento de energia líquida e representação


esquemática das suas componentes [9-13].

Define-se um edifício de referência implantado na Estónia com área útil de 171 m2,
três quartos situados no 1º andar e garagem adjacente não aquecida, não sendo por isso
compatibilizada na área de pavimento a ter em conta nos cálculos posteriores.
A envolvente do edifício foi optimizada para cada perda de calor específica para que a
combinação mais eficaz dos níveis de isolamento para janelas, paredes exteriores, pavimento
e cobertura seja usada para atingir o valor dado da perda de calor específica ao mais baixo
possível custo de construção.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 12


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Figura 2.5 – Plantas representativas do edifício de referência na Estónia, planta de rés-


do-chão à esquerda e 1º andar á direita [11-12].

Figura 2.6 – Modelo de simulação do edifício IDA-ICE do edifício de referência


seleccionado. Perspectiva de Sul-Este à esquerda e Norte-Oeste à direita [11-12].

Este é caracterizado de acordo com diferentes conceitos construtivos, ou seja,


designadamente DH 0,42 representa a melhor prática construtiva com envolvente bastante
isolada, associada a edifício nZEB e, no extremo, DH 0,96 corresponde à construção padrão.
Neste documento os cálculos energéticos foram determinados a partir da ferramenta de
cálculo IDA-ICE – quadro 2.2. Posteriormente, a avaliação dos custos associados à aplicação
das medidas seleccionadas são efectuados com base na metodologia apresentada na
reformulação da EPBD [5] – quadro 2.3.
Posteriormente, incluindo o custo de investimento e custo actualizado de energia para um
ciclo de vida de 30 anos, foi determinado o custo global associado a cada conjunto de
medidas, correspondente a cada conceito construtivo do edifício de referência. Apresenta-se
então no quadro 2.3 o resultado do custo global para o edifício de referência salientando que
quando este custo é negativo significa que o edifício padronizado não representa o custo
óptimo e positivo se o caso em estudo origina custos globais superiores à situação padrão. Os
valores negativos correspondentes ao custo de energia para o gás natural e electricidade
apresentados no quadro 2.3 mostram que a melhor construção padronizada pode levar à
diminuição do custo global.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 13


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Quadro 2.2 – Conceitos construtivos e simulação da necessidade energética [11-12].

Medidas de concepção adoptadas


DH 0.42 “Nearly DH 0.58 DH 0.76 DH 0.96 “BAU”
zero”
Coeficiente de perda de calor
específico H/A, 0.42 0.58 0.76 0.96
W/(K m2)
Paredes Exteriores 20cm de LECA, 20cm de LECA, 20cm de LECA, 20cm de LECA,
A = 170 m2 gesso + 35 cm gesso + 25 cm gesso + 20 cm gesso + 15 cm
isolamento EPS isolamento EPS isolamento EPS isolamento EPS
U = 0.1 W/m2 K U = 0.14 W/m2 K U = 0.17 W/m2 K U = 0.23 W/m2 K
Telhado Vigas de madeira, Vigas de madeira, Vigas de madeira, Vigas de madeira,
A = 93 m2 chapa metálica, chapa metálica, chapa metálica, chapa metálica,
lã de rocha com lã de rocha com lã de rocha com lã de rocha com
mínimo de 80cm, mínimo de 50cm, mínimo de 32cm, minimo de 25cm,
laje em betão laje em betão laje em betão laje em betão
armado armado armado armado
U = 0.06 W/m2 K U = 0.09 W/m2 K U = 0.14 W/m2 K U = 0.18 W/m2 K
Piso Térreo Laje piso térreo em Laje piso térreo em Laje piso térreo em Laje piso térreo em
A = 93 m2 betão armado, betão armado, betão armado, betão armado,
70cm de 45cm de 25cm de 18cm de
isolamento EPS isolamento EPS isolamento EPS isolamento EPS
U = 0.06 W/m2 K U = 0.09 W/m2 K U = 0.14 W/m2 K U = 0.18 W/m2 K
Leakage rate q50, m3/(h m2) 0.6 1.0 1.5 3.0
Janelas 4 mm – 16 mmAr 4 mm – 16 mmAr 4 mm – 16 mm – 4 mm – 16 mmAR
A = 48 m2 – SN4 mm – – 4 mm – 4 mm – 16mmAr - – SN4mm,
U - Valor 16mmAr - 16mmAr -SN4mm, SN4mm, caixilharia comum
Vidro/caixilharia/total SN4mm, caixilharia isolada 1.0/1.3 W/m2 K 1.1/1.4 W/m2 K
caixilharia isolada 0.8/0.8 W/m2 K 1.1 W/m2 K 1.2 W/m2 K
0.6/0.7 W/m2 K 0.8 W/m2 K
0.7 W/m2 K
g - Valor 0.46 0.50 0.55 0.63
Porta exterior U = 0.7 W/m2 K U = 0.7 W/m2 K U = 0.7 W/m2 K U = 0.7 W/m2 K
Taxa de ventilação l/s, 80 l/s, SFP 80 l/s, SFP 80 l/s, SFP 80 l/s, SFP
alimentação do ventilador 1.5 kW/(m3/s), 1.7 kW/(m3/s), 2.0 kW/(m3/s), 2.0 kW/(m3/s),
SFP, eficiência temperatura AHU HR 85% AHU HR 80% AHU HR 80% AHU HR 80%
Capacidade aquecimento,
5 6 8 9
KW
Capacidade arrefecimento, 5 5 5 8
KW
2
Energia útil kW h/(m a)
Aquecimento interior 22.2 36.8 55.1 71.5
Supply air heating in AHU 4.1 5.7 5.7 5.7
AQS 29.3 29.3 29.3 29.3
Ar condicionado 13.6 11.1 9.2 15.0
Ventoinhas e bombas 7.9 8.8 10.0 10.0
Luz 7.3 7.3 7.3 7.3
Aparelhos 18.8 18.8 18.8 18.8
Energia total necessária 103.2 117.8 135.5 157.7

Ana Rute Oliveira Gonçalves 14


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Quadro 2.3 – Custo global incremental para cada conceito construtivo do edifício de
referência [11-12]

DH 0.42 DH 0.58 DH 0.76 DH 0.96 (ref.)


Custo do desempenho energético global, Valor actual líquido, €
Componentes do edifício (isolamento térmico e vão
30602 26245 21167 17611
envidraçados, estrutura não incluída)
Unidades de ventilação (ductos não incluído) 5474 3445 3445 3445
Caldeira condensação a gás (sistema de distribuição não
6917 6917 6917 6917
incluído)
Colectores solares 6 m2 4479 4479 0 0
Preço de ligação: gás 2455 2455 2455 2455
Custo de energia, gás natural 10100 14063 22208 26196
Custo de energia, electricidade 20081 20081 20407 21422

Custos globais, € 80108 77685 76599 78047

Custo adicional de desempenho energético, em relação ao edifício de referência, valor liquido actual, €/m2
Componentes do edifício (isolamento térmico e vão
75.9 50.5 20.8 0.0
envidraçados, estrutura não incluída)
Unidades de ventilação (ductos não incluído) 11.9 0.0 0.0 0.0
Caldeira condensação a gás (sistema de distribuição não
0.0 0.0 0.0 0.0
incluído)
Colectores solares 6 m2 26.2 26.2 0.0 0.0
Preço de ligação: gás 0.0 0.0 0.0 0.0
Custo de energia, gás natural -94,1 -79,9 -23,3 0.0
Custo de energia, electricidade -7,8 -7,8 -5,9 0.0

Custos adicionais globais, €/m2 12.0 -2,1 -8,5 0.0

Sinteticamente, o cálculo do custo global de um conceito construtivo do edifício altamente


isolado revelou que o custo óptimo de energia primária no edifício de referência implantado
na Estónia corresponde a uma necessidade de energia primária de 110 ou 140 kWh/m2a, já o
edifício padrão aproxima-se dos requisitos mínimos da Estónia de 180 kWh/m2a de energia
primária. De forma conclusiva, a diferença destes valores apresentados representa a poupança
energética da solução óptima comparativamente com a solução de referência.

Por outro lado, na tabela anterior verifica-se que o custo do investimento da solução
DH 0,76 para DH 0,42 corresponde a 9435€ para melhorar o isolamento, 2029€ para a
unidade de tratamento de ar e 4479€ para colectores solares resultando numa diminuição de
energia primaria de 80 kWh/m2a no caso de bomba geotérmica e, consequentemente, a um
aumento de 6757€ no custo global. No caso de edifícios nZEB, este aumento deve ser

Ana Rute Oliveira Gonçalves 15


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

suportado através da instalação de painéis fotovoltaicos (5 kW) que, apesar do grande


investimento, correspondem a uma produção elevada de energia que conduz à diminuição da
necessidade de energia primária. Desta forma, o edifício nZEB tem um nível de melhoria de
desempenho de 40 kWh/m2a de energia primária e custo de investimento extra de cerca de
20% (239€/m2).

G. Verbeeck e H. Hens [15], através da aplicação da metodologia de cálculo


apresentada na reformulação da EPBD, avaliam meios economicamente viáveis para escolher
entre medidas aplicáveis ao nível do isolamento, melhoria nos envidraçados, equipamentos e
sistemas de energia renováveis, hierarquizando-as em função de poupança energética.
Numa tentativa de avaliar o impacto económico de poupanças de energia em novos edifícios
residenciais na Bélgica consideram-se dois níveis de medidas de desempenho, fixando-se o
primeiro em medidas para diminuição da necessidade de energia, por exemplo, melhoria do
isolamento da envolvente e vãos envidraçados. E, no segundo nível, estas medidas foram
combinadas com melhores sistemas de aquecimento e sistemas de energia renováveis para
reduzir o consumo geral de energia.
Foram seleccionados cinco edifícios de referência já existentes com aquecimento
central, três moradias e duas habitações geminadas, sendo apenas um edifício construído após
a primeira crise de óleo em 1973, ou seja, edifício com isolamento térmico na sua
constituição. Sucintamente, determinado o custo de investimento das medidas de eficiência
energética e o custo anual de energia, determinou-se o valor líquido actual para um ciclo de
vida de 30 anos e o respectivo tempo de retorno. Finalmente, foi ainda efectuada uma
avaliação económica do impacto ecológico representado através pelo investimento e valor
líquido actual por tonelada anual de CO2 evitado.

Assim, concluíram que o isolamento da cobertura parece ser a medida mais eficiente,
uma vez que representa uma grande parte da envolvente do edifício com grande impacto na
procura de aquecimento mas com baixo investimento quando comparado com restantes
medidas. No entanto, combinando o melhor sistema de aquecimento com isolamento de
reduzida espessura resulta numa solução com valor líquido actual semelhante a uma solução
em que se considera uma espessura óptima de isolamento. Ou seja, no caso de estudo de
edifícios unifamiliares na Bélgica as medidas de eficiência energética mais rentáveis são:

1. Isolamento na cobertura;
2. Isolamento no pavimento, quando facilmente acessível;
3. Envidraçados com melhor desempenho térmico;
4. Sistemas de aquecimento energeticamente eficientes;
5. Sistemas de energias renováveis.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 16


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Uma vez que a nova regulamentação se aplica não só a novos edifícios como também
a edifícios a reabilitar, a Universidade de Alicante e a Universidade Politécnica de Madrid,
avaliam a aplicação de novas medidas construtivas com vista a melhorar o desempenho
energético dos edifícios existentes bem como a sua viabilidade económica [16].
Para que a acção de reabilitação seja economicamente viável deverão ser tidos os conta não só
os custos associados construção como também os respectivos custos de manutenção. Assim, o
custo de adaptação em edifícios existentes para responder às novas regulamentações será
avaliado e a eficiência energética será analisada em função do período de retorno do
investimento. A avaliação dos edifícios existentes será efectuada no método de referência
variável usado para regulamentação e certificação energética. Este método baseia-se na
comparação entre o edifício alvo de estudo e um edifício de referência geometricamente
idêntico mas totalmente eficiente [17].

Desta forma, foram avaliados dois edifícios históricos com diferentes níveis de
protecção localizados a sul de Alicante, Espanha, sendo em ambos casos reabilitações com
modificação da sua funcionalidade de forma a justificar o custo associado.
O primeiro edifício, Ermita del Santo Sepulcro, de geometria irregular e envolvente sólida e
bastante espessa (Figura 2.7), sofreu um processo de colapso de parte da estrutura, baseando-
se a reabilitação na recuperação de dois edifícios anexos e as partes danificadas da abobada.

Figura 2.7 – Plantas da Ermita del Santo Sepulcro [16].

As medidas tomadas para garantir o seu desempenho energético baseiam-se na criação de um


sistema de isolamento externo com geração de sistemas de ar condicionado para garantir o
conforto dos usuários.

Por outro lado, no segundo edifício, Los Aljibes de Hurchillo – Figura 2.8, com as mesmas
características que o anterior, a necessidade de reabilitação prende-se no colapso de antigos
depósitos de água subterrâneos como consequência das mudanças de ambiente. Analogamente

Ana Rute Oliveira Gonçalves 17


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

ao caso anterior, proceder-se-á à aplicação de argamassa de cimento com aditivos sobre 5 cm


de isolamento de lã de rocha.

Figura 2.8 – Plantas de Aljibes de Hurchillo [16].

Em ambos os casos a modelação dos edifícios foi efectuada recorrendo uma ferramenta de
cálculo, programa LIDER, e a certificação energética a partir do programa CALENER.
Executados todos os cálculos e definidos todos os parâmetros necessários verifica-se que,
apesar de após a aplicação de isolamento exterior a transmissão global em ambos os edifício
diminuir cerca de 15% no inverno e 28% no verão, o período de retorno do investimento fixa-
se em 30 anos quando comparado com o ciclo de vida dos equipamentos de aquecimento
instalados (15 anos) [16].
Sucintamente, são escassas as medidas de melhoria de desempenho energético de edifícios
que se enquadram nesta categoria que permitam a recuperação do investimento efectuado.
Nesta situação, a questão principal centra-se em decidir se a melhoria do desempenho
energético em edifícios antigos é uma prioridade e se esse investimento se torna rentável no
futuro.

Assim, os Estados-Membro devem comparar os seus requisitos mínimos com os níveis


óptimos de rentabilidade e proceder à justificação dos resultados através de um relatório à
Comissão Europeia. Caso se verifique uma grande lacuna entre os valores que não possam ser
justificados, estes deverão tomar medidas que aproximem os requisitos nacionais aos níveis
óptimos de desempenho energético. Por outro lado, a justificação de níveis de exigência à
Comissão, por meio de edifícios de referência e listas de medidas de eficiência energética,
podem aumentar o risco de que a realidade é facilmente confundida com edifícios de
referência e os níveis aparentemente óptimos de rentabilidade baseados nesses edifícios
passam a ser na realidade níveis sub-optimos. Assim, salienta-se a importância que os

Ana Rute Oliveira Gonçalves 18


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

edifícios de referência desenvolvidos pelos Estados-Membro sejam o mais representativos


possíveis da tipologia de construção nacional e de alterações nos edifícios tradicionais.

A partir da experiência de vários países, parece ser uma aproximação satisfatória ter
especialistas em consulta constante com o mercado para definir um número não muito
complicado de edifícios de referência para diferentes usos de tipologia. Com base nestes
edifícios, uma análise de sensibilidade pode mais facilmente levar a obtenção mais eficaz dos
níveis óptimos de desempenho energético [18].

Por último, salienta-se a existência de uma ferramenta de cálculo vigente nos E.U.A, o
software BEopt TM, de optimização de energia que gera um caminho óptimo de rentabilidade
dos projectos de construção de um edifícios de referência até obter uma tipologia nZEB. Este
emprega uma metodologia de pesquisa sequencial considerando iterações complexas entre
medidas de eficiência energética de edifícios.
Assim, um conjunto de testes de optimização é efectuado de forma a identificar a eficácia de
cada estratégia. Finalmente, combinações de estratégias são efectuadas em conjunto, que vão
desde conservador a mais bruscas, levando a uma diminuição até 71% das simulações
necessárias [19].

Ana Rute Oliveira Gonçalves 19


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 3 METODOLOGIA DEDETERMINAÇÃO DE RENTABILIDADE
ECONÓMICA

3 METODOLOGIA DE DETERMINAÇÃO DE RENTABILIDADE


ECONÓMICA

Procurando alcançar o novo objectivo de reduzir os níveis de emissão de gases de


efeito de estufa em 80-95% até 2050, a necessidade de melhorar a eficiência energética
tornou-se pertinente, definindo-se novos requisitos mínimos de desempenho energético de
edifícios novos e existentes.

A comissão, através do Regulamento nº 244/2012, responde então às medidas exigidas pelo


parlamento através da Directiva 2010/31/UE, estabelecendo um quadro de metodologia
comparativa para cálculo dos níveis óptimos de rentabilidade dos requisitos mínimos de
desempenho energético de edíficios e componentes de edifícios. Desta forma, inclui uma
disposição que define que os requisitos de desempenho energético deverão ser definidos com
vista a alcançar os níveis óptimos de rentabilidade.

3.1 Definição do quadro de referência

Para a determinação dos níveis óptimos de rentabilidade referenciados, os Estados-


Membro possuem agora um quadro metodológico de optimização de rentabilidade, indicado
no anexo I do regulamento nº 244/2012. A aplicação desta metodologia permitirá aos
Estados-Membro avaliar dados iniciais, como as condições climáticas e os custos de
investimentos, e efectuar o cálculo dos níveis indicados para posterior comparação com os
níveis de exigência actualmente em vigor.

A metodologia combina regras de cálculo regulares com dados nacionais, garantindo um


tratamento equitativo das condições nacionais dos Estados-Membro. Para além de fornecer
uma metodologia geral, a Comissão define um conjunto de parâmetros que, até então,
induziam a discrepâncias nos resultados em cada Estado-Membro, como por exemplo,
período de cálculo, previsão de evolução de preços a longo prazo e categorias de preços.

Desta forma, os Estados-Membro devem completar o quadro metodológico


comparativo através do estabelecimento dos seguintes parâmetros, para efeitos de cálculo:

 Ciclo de vida económico estimado de um edifício e/ou componente de edifício;


 Taxa de desconto;
 Custos relativos aos vectores de energia, aos produtos, aos sistemas, à manutenção,
aos custos de exploração e aos custos de mão-de-obra;

Ana Rute Oliveira Gonçalves 20


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 3 METODOLOGIA DEDETERMINAÇÃO DE RENTABILIDADE
ECONÓMICA

 Factores de energia primária;


 Evolução do preço de energia prevista para os vectores de energia, tendo em conta as
informações do anexo II do Regulamento nº 244/2012.

O quadro prevê o cálculo de níveis óptimos de rentabilidade nas perspectivas


macroeconómica e financeira, deixando aos Estados-Membro a incumbência de determinar
qual destes modos de cálculo conduzirá ao padrão de referência nacional relativamente ao
qual serão avaliados os requisitos mínimos de desempenho energético nacionais.

Sucintamente, o anexo I do Regulamento nº 244/2012 remete para o quadro metodológico de


optimização da rentabilidade, definindo uma metodologia de cálculo clara e precisa, uniforme
para todos os Estados-Membro, ou seja:

1. Definição dos edifícios de referência;


2. Identificação de medidas de eficiência energética;
3. Cálculo das necessidades de energia primária decorrentes da aplicação das medidas
aos edifícios de referência;
4. Cálculo do custo global, expresso em valor líquido actual, para cada edifício de
referência;
5. Análise de sensibilidade dos parâmetros utilizados, incluindo os preços de energia;
6. Obtenção de um nível óptimo de rentabilidade dos custos de desempenho energético
para cada edifício de referência.

Onde se específica, em cada ponto, medidas direcionais com o objectivo fulcral de obter um
método de cáculo análogo a todos os Estados-Membro, permitindo alcançar as metas mais
ambiciosas que se imcubiram de atingir. Assim, a partir da variação dos resultados obtidos,
uma curva de custos pode ser definida (Figura 1.1), identificando a medida ou conjunto de
medidas correspondentes ao nível económico óptimo e os requisitos minímos de desempenho
energético associados.

3.2 Definição do edifício de referência

Devido ao seu impacto na avaliação e na possibilidade de encontrar soluções


rentáveis, a definição dos edifícios de referência é uma parte crucial na aplicação da
metodologia comparativa, permitindo a obtenção de níveis padrão apropriados para
comparação com os requisitos mínimos de desempenho energético existentes ou planeados a
nível nacional.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 21


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 3 METODOLOGIA DEDETERMINAÇÃO DE RENTABILIDADE
ECONÓMICA

No ponto 1 do anexo do regulamento nº 244/2012, a comissão indica aos Estados-Membro


que deverão definir edifícios de referência para as seguintes categorias de edifícios:

I. Edifícios unifamiliares;
II. Blocos de apartamentos e edifícios multifamiliares;
III. Edifícios para escritórios e outras categorias não residenciais.

No entanto, nesta análise apenas se definirão edifícios de referência para as categorias


residenciais, apresentando um edifício de referência multifamiliar com a consciencialização
da grande variedade de parâmetros que geram diferentes níveis de resultados.

Definidos os edifícios de referência procede-se à identificação de medidas ou conjunto


de medidas com vista a obtenção de soluções distintas de desempenho energético rentável.
Estas medidas de eficiência energética para os edifícios novos ou existentes são definidas em
relação a todos os parâmetros utilizados para o cálculo que têm um impacto directo ou
indirecto no desempenho energético do edifício.
Apesar da regulamentação em análise exigir a identificação de medidas que utilizem energias
renováveis, neste documento considerar-se-ão medidas de eficiência de componentes de
edifícios, como a variação das características de isolamento térmico.
No entanto, as medidas definidas para o cálculo dos requisitos de optimização da
rentabilidade incluirão medidas necessárias ao cumprimento dos requisitos mínimos de
desempenho energético actualmente aplicáveis.

Definidas as medidas de eficiência energética a aplicar aos edifícios de referência


selecionados, procede-se ao cálculo das necessidades de energia primária decorrentes da sua
aplicação. Para tal, os Estados-Membro deverão utilizar as normas CEN pertinentes para o
cálculo do desempenho energético ou através de um método nacional de cálculo equivalente
como previsto na Directiva 2010/31/UE.
Finalmente, o cálculo do custo global das medidas aplicáveis deve ser efectuado relativamente
à área útil de pavimento definia a nível nacional de forma a obter um resultado uniforme
(€/m2), às necessidades de energia final e emissões de CO2.

3.3 Definição do modelo de cálculo económico

Definidos os edíficios de referência alvo de estudo, identificadas as medidas ou


conjunto de medidas de eficiência energética e respectivas necessidades de energia primária,
procede-se ao cálculo do custo global, expresso em valor líquido actualizado, para cada
edifíco de referência.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 22


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 3 METODOLOGIA DEDETERMINAÇÃO DE RENTABILIDADE
ECONÓMICA

Como referenciado anteriormente, os Estados-Membro deverão efectuar o cálculo dos níveis


ótimos de rentabilidade nas perspectivas macroeconómica e financeira, incumbindo-lhes a
determinação de qual destes modos de cálculo será pertinente.
Para tal, os Estados-Membro devem definir e descrever as seguintes categorias de custos
específicas a utilizar:

i. Custos iniciais de investimento;


ii. Custos de utilização, onde se inclui os custos decorrentes da substituição de
componentes dos edifícios e, se pertinente, as receitas decorrentes da energia
produzida;
iii. Custos de energia, reflectindo o custo global de energia, incluindo preço, tarifas de
capacidade e tarifas de rede;
iv. Custos de eliminação, se pertinente;
v. Custos das emissões de gases com efeito de estufa, pertinente para o cálculo
macroeconómico;

Facilitando este cálculo, o regulamento nº 244/2012, fornece informação sobre parâmetros


indispensáveis como a previsão do custo de energia (anexo II da legislação referida), valor
residual e período de cálculo, 20 anos para edifícios não residenciais e comerciais e 30 anos
para edíficios residenciais e públicos.

3.3.1 Cálculo financeiro dos custos globais

Na determinação do custo global de uma medida de eficiência energética no contexto


financeiro, os preços a ter em conta são os preços pagos pelo cliente, incluíndo os impostos
aplicáveis, nomeadamente IVA e encargos.
Desta forma, os custos globais respeitantes aos edifícios e suas componentes são calculados
pela soma dos vários tipos de custos, aos quais se deve aplicar a taxa de desconto através de
um factor de desconto, para que sejam expressos em termos de valor no ano inicial, acrescidos
do valor residual descontado, recorrendo à expressão:

∑ [∑( ) ]

Em que:
Período de cálculo;
Custo glogal (relativo ao ano inicial τ0) no período de cálculo;
Custos de investimento inicial para a medida ou conjunto de medidas j;
Custo anual no ano i para a medida ou conjunto de medidas j;

Ana Rute Oliveira Gonçalves 23


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 3 METODOLOGIA DEDETERMINAÇÃO DE RENTABILIDADE
ECONÓMICA

Valor residual da medida ou conjunto de medidas j no final do período de


cálculo (em relação ao ano inicial τ0);
Factor de desconto no ano i, com base na taxa de desconto r a calcular a partir
da seguinte fórmula:

( )

Sendo p o número de anos a partir do período inicial e r a taxa de desconto real que os
Estados-Membro deverão determinar após terem realizado uma análise de sensibilidade com,
pelo menos, duas taxas diferentes da sua escolha.

Finalmene, a evolução prevista dos preços de energia a longo prazo a ter em conta,
nomeadamente as tendências estimadas de evolução do custo dos combustivéis e da
electricidade, são fornecidos pela Comissão Europeia e actualizados duas vezes por ano. Estas
actualizações estão disponíveis no endereço:
http://ec.europa.eu/energy/observatory/trends_2030/index_en.htm
Ate existirem projeções a mais longo prazo, as referidas tendências podem ser extrapoladas
para além de 2030.

3.3.2 Cálculo macroeconómico dos custos globais

No cálculo macroeconómico do custo global de uma medida de eficiência energética,


os preços a ter em conta são os preços pagos pelo cliente, excluíndo todos os impostos
aplicáveis, IVA, encargos e subvenções.
Na determinação do custo global de uma medida ou conjunto de medidas ao nível
macroeconómico, além dos parametros apresentados no modo financeiro, deve inclui-se o
custo das emissões de gases com efeito de estufa, sendo a metodologia de cálculo dos custos
ajustada expressa, em termos globais, pela fórmula:

∑ [∑( ) ]

Em que:
Custo do carbono para a medida ou conjunto de medidas j durante o ano i;

Desta forma, os Estados-Membro devem calcular o custo acumulado do carbono das medidas
ou conjunto de medidas no período de cálculo, multiplicando a soma das emissões de gases
com efeito de estufa pelos preços previstos, por tonelada equivalente de CO2, das licenças de
emissões de GEE emitidas cada ano.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 24


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 3 METODOLOGIA DEDETERMINAÇÃO DE RENTABILIDADE
ECONÓMICA

Assim, de acordo com os cenários de preços do carbono no RCLE (Regime de Comércio de


Licenças de Emissões) actualmente previstos pela Comissão Europeia, serão utilizados
valores mínimos vinculativos, por tonelada de CO2, de 20 EUR até 2025, 35 EUR até 2035 e
50 EUR depois de 2035.

Por último, à semelhança do cálculo financeiro do custo global, neste modo de cálculo, os
Estados-Membro devem determinar a taxa de desconto após terem realizado uma análise de
sensibilidade com, pelo menos, duas taxas diferentes; neste caso, uma dessas taxas, expressa
em termos reais, deve ser 3%.

Determinado o custo global para cada modo de cálculo, os Estados-Membro deverão


determinar qual produzirá o padrão de referência nacional relativamente ao qual serão
avaliados os requisitos mínimos de desempenho energético, permitindo uma comparação do
custo associado às várias medidas de eficiência energética.
Para tal, após essa decisão, devem determinar-se as médias dos níveis de optimização da
rentabilidade da eficiência para todos os edifícios de referência utilizados, para comparação
com as médias dos requisitos de eficiência energética em vigor para os edifícios de referência
em causa. Pode assim determinar-se a diferença entre os requisitos de eficiência energética
em vigor e os níveis de otimização da rentabilidade calculados.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 25


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

Apresentada a legislação e dados imprescindíveis à aplicação da metodologia de


cálculo comparativa para obtenção dos níveis óptimos dos requisitos mínimos de desempenho
energético, procede-se à sua aplicação a nível nacional em edifícios multifamiliares
destinados a habitação.
À semelhança de outras entidades de vários países procurar-se-á avaliar a aplicação das
exigências emitidas no regulamento nº 244/2012 através da sua aplicação em edifícios de
referência com tipologia nacional padronizada, em três zonas climáticas distintas. Será
efectuada uma avaliação de em conjunto de medidas de eficiência energética ao nível da
envolvente (variação do isolamento térmico nas componentes do edifício) com objectivo de
estimar quais os requisitos mínimos de desempenho energético mais adequados ao clima
nacional.
Assim, avaliar-se-á o desempenho energético dos edifícios de habitação segundo critérios de
rentabilidade económica com base na necessidade para aquecimento, arrefecimento,
aquecimento das águas quentes sanitárias e ainda a necessidade de energia primária que
permitirá uma avaliação do custo global associado a cada medida de eficiência energética
aplicada.

4.1 Caso de estudo

Salientando o elevado número de variáveis inerentes à tomada de decisão que resultará


na alteração do método de cálculo das necessidades inerentes na edificação e,
consequentemente, às exigências estabelecidas até então, proceder-se-á à aplicação da
metodologia comparativa apresentada a edifícios habitacionais como forma de aproximação
das novas exigências a impor no futuro.
Assim, tendo em atenção a grande variedade de parâmetros que influenciam esta tomada de
decisão, ou seja, vasta tipologia e características de edifícios e diferentes zonas climáticas,
avaliar-se-á o impacto energético e económico das medidas de eficiência energética
seleccionadas num edifício de referência em 3 zonas climáticas.

Procurando um estudo abrangente a todo o território nacional e, consequentemente, a todas as


exigências climáticas, implantar-se-á os edifícios em Bragança, Porto e Évora. O primeiro
concelho, com uma altitude média de 700 m, pertence à zona climática I3 V2, Porto pertence
à zona I2 V1 e localiza-se a uma cota de 75 m e por último Évora com uma altitude média de
240 m pertence à zona I1 V3 [4].

Ana Rute Oliveira Gonçalves 26


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

Para caracterização dos elementos pertencentes à envolvente exterior e interior considerou-se


20°C para a estação de aquecimento, 25°C e 50% de humidade relativa para a estação de
arrefecimento.

Salienta-se que, para avaliação das necessidades energéticas associadas à aplicação das
medidas de desempenho energético nos edifícios de referência, recorrer-se-á à legislação
nacional actualmente em vigor, DL 80/2006 – Regulamento das Características de
Comportamento Térmico dos Edifícios. Posteriormente, a avaliação da respectiva
rentabilidade económica associada terá como base as indicações expostas pelo Parlamento e,
consequentemente, pela Comissão Europeia na reformulação da EPBD.

 EDIFICIO DE REFERÊNCIA MULTIFAMILIAR

O caso estudo deste exemplo prático é um edifício composto por dois pisos, onde o
rés-do-chão apresenta espaço fechado destinado a comércio e uma galeria exterior e,
finalmente, o 1º andar destina-se a habitação, possuindo dois apartamentos (fracções
autónoma A e B).

O edifício possui inércia forte, frequente na construção corrente em Portugal, e


apresenta uma área útil de pavimento de 74,26 m2 (fracção A) e pé-direito de 2,7 m no espaço
útil. Tem um arrumo sobre laje de cobertura com 2,7 m de pé-direito e 3,1 m nos espaços
comerciais. A fracção em estudo encontra-se em contacto com espaços não úteis e,
consequentemente, não aquecidos, nomeadamente, caixa de escadas e ainda pavimento em
contacto com espaço comercial.

Apresenta-se então as peças desenhadas que representam, esquematicamente o edifício:


perspectivas, plantas, alçados e cortes.

Figura 4.1 – Perspectivas do edifício em estudo, vista SW e SE respectivamente [20].

Ana Rute Oliveira Gonçalves 27


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

Figura 4.2 – Alçados do edifício em estudo [20].

Figura 4.3 – Planta do rés-do-chão e 1º andar do edifício em estudo e identificação da fracção


alvo de estudo (Fracção A) [20].

Ana Rute Oliveira Gonçalves 28


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

Figura 4.4 – Planta da cobertura do edifício em estudo [20].

Prevê-se que a estrutura do edifício seja em betão armado com sistema porticado de pilar viga
e com lajes maciças onde a envolvente vertical se caracteriza por parede dupla de alvenaria de
tijolo furado. A solução inicial será ainda constituída por pavimento revestido e laje maciça de
betão armado, isolamento térmico leve (XPS) em tecto falso.
Por outro lado, a fracção envidraçada será constituída por janelas de caixilho em alumínio de
classe 3 sem quadrícula e vidros duplos, munidos de dispositivos de protecção solar com
cortina interior e estore veneziano.

A solução a aplicar na cobertura do edifício consiste num sistema de cobertura invertida, com
o isolamento térmico aplicado sobre as telas de impermeabilização e sob uma protecção
pesada [20]. Assim, tendo em conta que a cobertura é em terraço e que o edifício irá dispor de
uma exposição solar adequada, esta será munida de sistemas e colectores solares orientados a
sul e com um depósito de 200 litros de capacidade. O sistema de aquecimento é obtido por
bomba de calor com eficiência de 4, o sistema de arrefecimento por máquina frigorífica com
eficiência de 3 e o sistema de produção de AQS é um termoacumulador com rendimento de
0,9.

De seguida, listam-se um conjunto de medidas de eficiência energética que abrangem


a variação do isolamento térmico na cobertura, pavimento e envolvente vertical, de forma a
avaliar o seu impacto nas necessidades energéticas do edifício e, posteriormente, no custo
global associado.

Para iniciar a avaliação desta componente define-se a solução de base de referência que
servirá de ponto de partida para alcançar o objectivo deste trabalho. Assim, de acordo com as

Ana Rute Oliveira Gonçalves 29


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

informações apresentadas posteriormente na tabela 4.2, e adoptando as soluções construtivas


das componentes apresentadas anteriormente, a solução de referência representativa de cada
zona climática corresponde a:

Quadro 4.1 – Descrição da solução inicial adoptada [20 – 21].

Descrição da envolvente exterior de referência U (W/m2°C)

Parede dupla de alvenaria de tijolo (15 + 11 cm), 4 cm de


PAREDES
isolamento térmico XPS sem caixa-de-ar, rebocada pelo 0,50
EXTERIORES
interior e exterior
Revestimento, betonilha de regularização, 35 cm de laje
PAVIMENTO
aligeirada com blocos cerâmicos, 4 cm de isolamento 0,53
EXTERIOR
térmico XPS em tecto falso com espaço não ventilado
Cobertura invertida: protecção exterior pesada, 4 cm de
COBERTURA isolamento térmico EPS, sistema de impermeabilização,
0,56
EXTERIOR camada de forma, laje maciça em betão armado (15 cm),
revestimento interior em estuque

Sucintamente, as medidas de eficiência energética consistem na variação de espessuras do


isolamento térmico traduzido pela alteração do seu coeficiente de transmissão térmica (quadro
4.3):

 Medida 1: Introdução de caixa-de-ar da parede exterior na solução de referência,


mantendo as restantes soluções construtivas;

 Medida 2: Aumento do isolamento térmico XPS nas paredes exteriores para 6 cm com
caixa-de-ar não alterando restante referência;

 Medida 3: Alteração da solução de pavimento exterior passando a ser constituída por


6 cm de isolamento, mantendo constante restantes disposições;

 Medida 4: Aplicação de 6 cm de isolamento na cobertura exterior, não efectuando


qualquer alteração na restante envolvente adoptada inicialmente;

 Medida 5: Inserção de 8 cm de isolamento térmico na caixa-de-ar das paredes


exteriores sem alteração de restantes disposições construtivas;

 Medida 6: Alteração da solução inicial de pavimento exterior inserindo 8 cm de


isolamento térmico, mantendo restante solução de referência;

Ana Rute Oliveira Gonçalves 30


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

 Medida 7: Aplicação de 8 cm de isolamento térmico na cobertura exterior, sem alterar


disposições adoptadas inicialmente;

 Medida 8: Reforço do isolamento térmico nas paredes exteriores para 10 cm com


caixa-de-ar não modificando restante envolvente;

 Medida 9: Introdução de 10 cm de isolamento na disposição construtiva adoptada no


pavimento exterior sem alteração de restante solução inicial;

 Medida 10: Aplicação de 10 cm de isolamento na cobertura em terraço sem


modificação das restantes condições de referência.

Para uma apreciação abrangente, de forma a determinar o ponto óptimo da solução em


análise, considera-se a situação inicial com disposições construtivas que garantem as
exigências actualmente em vigor. Para tal, a aproximação de uma solução inicial aos
coeficientes de transmissão térmica de referência actuais permitirá uma variação do reforço
térmico da envolvente e, consequentemente, uma avaliação mais perceptível do nível óptimo
correspondente.

Após avaliação do impacto de cada medida de eficiência energética nas necessidades


energéticas do edifício de referência avaliar-se-á qual o impacte no custo global associado a
cada uma medida. Para tal, recorrer-se-á à metodologia de cálculo apresentada no
regulamento nº 244/2012 e indicada no capítulo 3.3. Seguindo as indicações exigidas no
mesmo regulamento, artigo 3, os Estados-Membro deverão seleccionar qual o método de
cálculo mais adequado de forma a responder eficazmente às metas propostas. Desta forma,
neste capítulo proceder-se-á à aplicação de ambas as metodologias de forma a enfatizar as
suas diferenças e impactos na rentabilidade económica.

Aplicando a metodologia apresentada nos subcapítulos 3.3.1 e 3.3.2 é necessário ter


em conta um custo de investimento inicial (CI) bem como o custo anual (Ca,i), correspondente
à manutenção e exploração, associado a cada medida de eficiência energética aplicada ao
edifício de referência. Para tal, considerou-se o preço por m2 do isolamento térmico do tipo
XPS ou EPS, no caso da cobertura, variável com a correspondente espessura indicada por
uma fonte nacional credível e realista [22-23] – quadro 4.2. Considera-se ainda o valor de
0,14 €/kWh como o valor indicativo a pagar pelo cliente por energia final consumida.

Por outro lado, sendo a base deste estudo a alteração das características do isolamento térmico
das componentes da envolvente do edifício considera-se desprezável a necessidade de
manutenção contígua a cada medida.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 31


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

Quadro 4.2 – Preços de isolamento térmico sem IVA adoptados [22-23].

Preço isolamento térmico (€/m2)


XPS EPS
40 mm 8,32 4,33
60 mm 12,48 6,49
80mm 16,64 8,65
100 mm 20,8 10,82

Seguindo as indicações vinculadas na reformulação da EPBD considerar-se-á um período de


cálculo de 30 anos para um edifício residencial e um valor residual desprezável pelas
características da componente da envolvente em análise, ou seja, isolamento térmico.

Finalmente, respeitando as disposições apresentadas no regulamento nº 244/2012


deverá ser considerada uma taxa de desconto e, posteriormente, um factor de desconto
resultante de uma análise de sensibilidade considerando pelo menos duas taxas.
No caso do cálculo macroeconómico do custo global, uma dessas taxas deverá ser de 3%.
Kurnitski [11] efectua uma análise sensitiva considerando a taxa referida e ainda uma taxa
superior e inferior. Boermans e outras entidades vigentes na European Coucil for na Energy
Efficient Economy (eceee) [23] vêm confirmar os mesmos resultados concluindo que uma
menor taxa de desconto favorecerá um nível óptimo dos requisitos mínimos com um
investimento superior em confronto com uma diminuição do consumo de energia primária.
Ou seja, a comparação dos casos avaliados mostra claramente que no caso de aplicação de
uma taxa de desconto baixa, os investimentos em eficiência energética, traduzido no aumento
dos níveis de isolamento, conduz a um benefício financeiro directo em comparação com a
opção de uma taxa superior que deixa um maior consumo de energia.

Seguindo a metodologia apresentada na reformulação da EPBD deverá ser utilizado diferentes


taxas de desconto no cálculo do custo global dependendo do método financeiro e
macroeconómico. Assim, reconhecendo que a incerteza inerente à escolha destes parâmetros é
elevada, o principal objectivo do estudo é comparar e optimizar medidas rentáveis de
eficiência energética pelo que se adopta uma taxa de desconto de 2,5% no cálculo
macroeconómico e de 3% no cálculo financeiro e um incremento do preço de energia de 3,5%
[10].

Determinado o custo global associado à situação de referência, que representa a solução


padrão nacional, a expressão já enunciada no subcapítulo 3.3 permitirá a determinação do
custo associado a cada medida de eficiência energética.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 32


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

A determinação da necessidade de energia primária ou ainda a energia final necessária ao


consumidor em simultâneo com o cálculo do respectivo custo global permitirá efectuar uma
análise criteriosa do nível na qual se depara a regulamentação Portuguesa relativamente ao
desempenho energético rentável, através dos requisitos de desempenho energético
estabelecidos. Avaliar-se-á a poupança de energia associada a cada medida de eficiência
energética que, em paralelo com o custo global associado, permitirá obter uma relação custo –
benefício onde se privilegiará a solução óptima correspondente ao investimento superior em
medidas de poupança de energia.

4.2 Resultados

Caracterizados todos os elementos constituintes da envolvente do edifício em estudo


procedeu-se à determinação das necessidades para aquecimento, arrefecimento, água quentes
e sanitárias e ainda da necessidade de energia primária de acordo com as folhas de cálculo
apresentadas no RCCTE, desenvolvidas no IteCons [20]. Para uma avaliação perceptiva dos
resultados garantiu-se o cumprimento dos requisitos mínimos regulamentares, apresentando
no seguimento os resultados obtidos para os edifícios em análise implantados nos conselhos
de Bragança, Porto e Évora.

Salienta-se que o aumento do isolamento térmico dos elementos da envolvente traduz-se na


alteração do coeficiente de transmissão térmica que por sua vez conduzirá a resultados
bastante distintos na aplicação individual de cada medida – Quadro 4.3.

Quadro 4.3 – Coeficientes de transmissão térmica adoptados em cada medida [21].

Coeficiente de Transmissão Térmica - U (W/m2°C)


Parede exterior Pavimento Cobertura exterior
Referência 0,50 0,53 0,56
Medida 1 0,47 0,53 0,56
Medida 2 0,37 0,53 0,56
Medida 3 0,50 0,42 0,56
Medida 4 0,50 0,53 0,43
Medida 5 0,30 0,53 0,56
Medida 6 0,50 0,35 0,56
Medida 7 0,50 0,53 0,35
Medida 8 0,28 0,53 0,56
Medida 9 0,50 0,30 0,56
Medida 10 0,50 0,53 0,29

Ana Rute Oliveira Gonçalves 33


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

A determinação deste parâmetro, inerente a cada envolvente alvo de estudo, permitirá o


cálculo das necessidades nominais de energia:

Quadro 4.4 – Necessidades nominais de energia e poupança energética em Bragança.

Nic Nvc Nac Ntc Energia Final Poupança


BRAGANÇA
kWh/m2a kgep/m2a kWh/m2a %
Situação inicial 195,77 1,10 15,15 6,30 80,773 -
Medida 1 192,17 1,15 15,15 6,26 79,590 1,5
Medida 2 179,03 1,27 15,15 6,14 75,250 6,8
Medida 3 191,20 1,19 15,15 6,25 79,280 1,8
Medida 4 188,21 1,26 15,15 6,23 78,307 3,1
Medida 5 170,63 1,38 15,15 6,05 72,487 10,3
Medida 6 188,30 1,25 15,15 6,23 78,333 3,0
Medida 7 183,56 1,37 15,15 6,18 76,793 4,9
Medida 8 167,14 1,42 15,15 6,02 71,337 11,7
Medida 9 186,22 1,30 15,15 6,21 77,657 3,9
Medida 10 180,07 1,46 15,15 6,15 75,660 6,3

Quadro 4.5 – Necessidades nominais de energia e poupança energética no Porto.

Nic Nvc Nac Ntc Energia Final Poupança


PORTO
kWh/m2a kgep/m2a kWh/m2a %
Situação inicial 100,43 0,95 15,15 5,37 48,943 -
Medida 1 98,40 0,98 15,15 5,35 48,277 1,4
Medida 2 90,99 1,09 15,15 5,28 45,843 6,3
Medida 3 97,85 1,03 15,15 5,94 48,110 1,7
Medida 4 96,17 1,08 15,15 5,91 47,567 2,8
Medida 5 85,91 1,19 15,15 5,24 44,183 9,7
Medida 6 96,21 1,08 15,15 5,91 47,580 2,8
Medida 7 93,54 1,18 15,15 5,87 46,723 4,5
Medida 8 84,29 1,22 15,15 5,22 43,653 10,8
Medida 9 95,04 1,13 15,15 5,9 47,207 3,5
Medida 10 91,58 1,26 15,15 5,85 46,097 5,8

Ana Rute Oliveira Gonçalves 34


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

Quadro 4.6 – Necessidades nominais de energia e poupança energética em Évora.

Nic Nvc Nac Ntc Energia Final Poupança


ÉVORA
kWh/m2a kgep/m2a kWh/m2a %
Situação inicial 85,55 6,44 15,15 5,28 45,813 -
Medida 1 83,8 6,53 15,15 5,27 45,260 1,2
Medida 2 77,4 6,86 15,15 5,21 43,237 5,6
Medida 3 83,33 6,74 15,15 5,26 45,173 1,4
Medida 4 81,87 6,95 15,15 5,25 44,757 2,3
Medida 5 73,02 7,12 15,15 5,17 41,863 8,6
Medida 6 81,91 6,95 15,15 5,25 44,770 2,3
Medida 7 79,61 7,28 15,15 5,23 44,113 3,7
Medida 8 71,62 7,2 15,15 5,16 41,423 9,6
Medida 9 80,9 7,09 15,15 5,24 44,480 2,9
Medida 10 77,91 7,54 15,15 5,22 43,633 4,8

Seguindo as indicações impostas na reformulação da EPBD, o cálculo financeiro deverá


incluir impostos, nomeadamente IVA e encargos, enquanto que o custo global associado ao
cálculo macroeconómico representa o preço pago pelo cliente, excluindo tais impostos.
Assim, considerando as taxas já expostas e a noção do aumento incremental do preço de
energia ao longo do tempo obteve-se os seguintes resultados:

Quadro 4.7 – Resultados do custo global no concelho de Bragança.

CI (€) S/ ΣCa,i x Rd (€) Cc,i (€) Cg (τ) _ €/m2


BRAGANÇA
IVA S/ IVA
Financeiro Macroec. Financeiro Macroeconómico
Situação inicial 986,88 353,64 382,35 675,4 22,20 27,53
Medida 1 462,26 348,46 376,75 671,1 13,43 20,34
Medida 2 693,39 329,45 356,21 658,2 16,94 23,00
Medida 3 376,90 347,10 375,28 670,0 11,99 19,15
Medida 4 409,71 342,84 370,68 667,9 12,46 19,50
Medida 5 924,52 317,36 343,13 648,6 20,57 25,80
Medida 6 502,53 342,95 370,80 667,9 14,00 20,75
Medida 7 546,07 336,21 363,51 662,5 14,61 21,17
Medida 8 1155,65 312,32 337,68 645,3 24,31 28,80
Medida 9 628,16 339,99 367,60 665,7 16,04 22,37
Medida 10 683,07 331,25 358,15 659,3 16,80 22,90

Ana Rute Oliveira Gonçalves 35


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

Quadro 4.8 – Resultados do custo global no concelho do Porto.

CI (€) S/ ΣCa,i x Rd (€) Cc,i (€) Cg (τ) _ €/ano


PORTO
IVA Financeiro Macroec. S/ IVA Financeiro Macroeconómico
Situação inicial 986,88 214,28 231,68 575,7 19,90 24,16
Medida 1 462,26 211,36 228,53 573,5 11,16 17,03
Medida 2 693,39 200,71 217,01 566,0 14,81 19,88
Medida 3 376,90 210,63 227,74 636,8 9,73 16,72
Medida 4 409,71 208,25 225,16 633,6 10,24 17,08
Medida 5 924,52 193,44 209,15 561,7 18,52 22,83
Medida 6 502,53 208,31 225,23 633,6 11,77 18,33
Medida 7 546,07 204,56 221,17 629,3 12,43 18,81
Medida 8 1155,65 191,12 206,64 559,6 22,31 25,88
Medida 9 628,16 206,68 223,46 632,5 13,83 19,99
Medida 10 683,07 201,82 218,21 627,1 14,66 20,58

Quadro 4.9 – Resultados do custo global no concelho de Évora.

CI (€) S/ ΣCa,i x Rd (€) Cc,i (€) Cg (τ) _ €/ano


ÉVORA
IVA Financeiro Macroec. S/ IVA
Financeiro Macroeconómico
Situação inicial 986,88 200,58 216,86 566,0 19,67 23,83
Medida 1 462,26 198,15 214,25 564,9 10,94 16,72
Medida 2 693,39 189,30 204,67 558,5 14,62 19,61
Medida 3 376,90 197,77 213,84 563,9 9,52 15,55
Medida 4 409,71 195,95 211,86 562,8 10,03 15,95
Medida 5 924,52 183,28 198,17 554,2 18,35 22,58
Medida 6 502,53 196,01 211,93 562,8 11,57 17,20
Medida 7 546,07 193,13 208,82 560,7 12,24 17,72
Medida 8 1155,65 181,36 196,08 553,2 22,15 25,65
Medida 9 628,16 194,74 210,55 561,7 13,63 18,86
Medida 10 683,07 191,03 206,55 559,6 14,48 19,52

Ana Rute Oliveira Gonçalves 36


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

Nos quadros apresentados os valores associados ao custo de investimento, exploração e


emissões de CO2 acrescem do valor de IVA actualmente em vigor. Assim, determina-se o
valor adicional de custo global associado a cada medida através do método financeiro
(incluindo impostos) e método macroeconómico. Para que tal fosse possível em anexo
determina-se a evolução do custo de exploração para uma vida útil de 30 anos influenciados
pelo crescente aumento do preço de energia e da taxa de desconto.

4.3 Análise dos resultados

Efectuados todos os cálculos associados à obtenção do nível óptimo de desempenho


energético do edifício de referência, proceder-se-á neste subcapítulo à análise dos respectivos
resultados. Fazendo uma análise individual das necessidades nominais de energia para
aquecimento, arrefecimento e águas quentes e sanitárias verifica-se uma poupança de energia
mais intensificada no concelho de Bragança comparativamente com as restantes. Tal deve-se
ao facto dos requisitos mínimos nesta localidade serem mais exigentes comparativamente com
as restantes. Aplicando as mesmas medidas de eficiência energéticas às diferentes zonas
climáticas, a melhoria de necessidades nominais de energia terá um impacto mais acentuado
nesta localidade. Por outro lado, analisando apenas o reforço térmico da envolvente exterior
na minimização das necessidades energéticas, verifica-se que a medida 5 e medida 8
correspondentes à aplicação de 8 cm e 10 cm na envolvente vertical opaca exterior obtém
maior poupança de energia – Quadro 4.4 a 4.6.
Constata-se que os benefícios da espessura do isolamento são evidentes na estação
fria, e que esta implementação impede a dissipação do calor para o exterior, mantendo a
temperatura interior a níveis aceitáveis para a estação quente. Os resultados mostraram que,
quando o isolamento da envolvente aumenta as necessidades de energia para arrefecimento
aumentam, contudo o balanço anual é favorável ao aumento do isolamento.

Por outro lado, após aplicação da metodologia comparativa de cálculo do nível óptimo
dos requisitos mínimos de desempenho energético determina-se o valor adicional de custo
associado ao cálculo macroeconómico e financeiro de cada medida aplicada.
Nos quadros 4.7, 4.8 e 4.9 salientam-se o incremento de custo inerente à aplicação das novas
soluções construtivas associadas ao reforço do isolamento térmico nas várias componentes da
envolvente térmica. Deste cálculo confirma-se que as medidas que optimizam a poupança de
energia estão associadas a maior incremento de custo relativamente à solução inicial de
referência. Em todos os concelhos considerados as soluções correspondentes à aplicação de
isolamento térmico de 6 cm no pavimento e 6 cm na cobertura correspondem às medidas com
menor custo global acrescido relativamente à solução inicial, incluindo o custo associado à

Ana Rute Oliveira Gonçalves 37


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

exploração e às emissões de CO2 no caso do cálculo macroeconómico. Conclui-se então que


as soluções associadas a melhor desempenho energético não correspondem à solução óptima
segundo os critérios de rentabilidade económica. A partir não só do custo global como
também da poupança de energia associada a cada medida de eficiência energética procedeu-se
à determinação do período de retorno das mesmas.

Quadro 4.10 – Período de retorno associado a cada medida de eficiência energética nas
zonas climáticas tidas em consideração.

PERÍODO DE RETORNO
Cálculo Financeiro Cálculo Macroeconómico
Bragança Porto Évora Bragança Porto Évora
Medida 1 4 4 4 47 87 125
Medida 2 7 8 9 16 29 35
Medida 3 3 3 3 30 7 73
Medida 4 3 3 3 21 8 50
Medida 5 16 23 26 14 25 30
Medida 6 4 4 4 26 10 62
Medida 7 4 5 5 17 13 41
Medida 8 96 112 76 15 28 34
Medida 9 6 7 7 26 13 59
Medida 10 7 8 8 17 18 41

Desta tabela facilmente se confirma que a solução relativa à aplicação de 6 cm de


isolamento no pavimento corresponderá à solução óptima dos requisitos mínimos de
desempenho energético, a que corresponde um período de retorno do investimento inferior
relativamente às restantes soluções. Contrariamente, as soluções com consumos de energia
muito inferiores correspondem a soluções com tempos de retorno inviáveis de acordo com o
tempo de vida útil da componente em análise. Ou seja, no cálculo financeiro, a medida 8,
correspondente à aplicação de 10 cm de isolamento da envolvente opaca vertical exterior,
destaca-se pelo elevado investimento adicional que não se torna rentável relativamente à
solução de referência por apresentar um período de retorno excessivo.

No entanto, para que o objectivo deste trabalho seja atingido, seguindo a metodologia
de cálculo definida no regulamento nº 244/2012, é imprescindível efectuar uma análise Custo
– Benefício de forma a obter uma solução com desempenho energético rentável. Como tal
representa-se uma curva aproximada da relação existente entre o custo global associado a
cada da medida e a respectiva necessidade final de energia – Figura 4.5, 4.6 e 4.7.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 38


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

35,0
Custo Global (€/m2)

30,0
Cálculo Macroeconómico
25,0 REF.

20,0

15,0

parede
10,0
Pavimento Cálculo Financeiro
5,0
Cobertura
Cálculo Financeiro
0,0
70,0 72,0 74,0 76,0 78,0 80,0 82,0
Necessidade de energia final (kWh/m2)

Figura 4.5 – Análise Custo – Benefício das medidas aplicadas no concelho de


Bragança.

30,0
(€/m2)

25,0
Custo Global

Cálculo Macroeconómico REF.


20,0

15,0

10,0
Paredes

5,0 Pavimentos
Cobertura
0,0
43,0 44,0 45,0 46,0 47,0 48,0 49,0 50,0
Necessidade de energia Primária (kWh/m2a)

Figura 4.6 – Análise Custo – Benefício das medidas aplicadas no concelho do Porto

Ana Rute Oliveira Gonçalves 39


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

30,0
Custo Global (€/m2)

25,0

Cálculo Macroeconómico REF.


20,0

15,0

10,0
Paredes

Coberturas Cálculo Financeiro


5,0
Pavimento
0,0
41,0 42,0 43,0 44,0 45,0 46,0 47,0

Necessidades de energia final (kWh/m2a)

Figura 4.7 – Análise Custo – Benefício das medidas aplicadas no concelho de Évora.

Desta análise apresentada, a medida 3, referente à aplicação de 6 cm de isolamento


térmico XPS na envolvente vertical opaca exterior, corresponde o nível óptimo de
desempenho energético. Quer devido à sua elevada área de intervenção quer devido aos níveis
inferiores do coeficiente de transmissão térmica obtidos, comparativamente às restantes
medidas, esta solução construtiva permitirá tecer conclusões relativamente à necessidade de
definição de novos requisitos mínimos de desempenho energético para que Portugal consiga
cumprir as novas exigências estabelecidas na reformulação da EPBD transversalmente ao
objectivo EU 20 – 20 – 20 já destacado no capítulo 1.

Mais detalhadamente, na análise da curva custo – necessidade de energia, a componente da


envolvente exterior do edifício de referência que condiciona a rentabilidade do seu
desempenho energético é igualmente a parede exterior. Nesta componente a variação da
necessidade de energia toma valores mais abrangentes e conclusivos. Contrariamente, a
variação que se verifica na necessidade de energia final do edifício de referência em relação à
solução inicial nas restantes componentes toma valores menos variáveis comparativamente
com o investimento necessário.

De acordo com a análise efectuada ao longo do trabalho, o limite das necessidades


anuais de energia actualmente em vigor deverá sofrer ajustes para garantir a melhoria do
desempenho energético dos edifícios implantados nas diferentes zonas climáticas:

Ana Rute Oliveira Gonçalves 40


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 4 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

Quadro 4.11 – Nível óptimo do limite máximo das necessidades anuais de energia
primária da medida 3.

Nt actual Nt óptimo
2
Kgep/m a
BRAGANÇA 8,40 6,25
PORTO 7,62 5,94
ÉVORA 7,58 5,26

Finalmente, a partir da avaliação da relação benefício/custo bem como do período de


retorno associado a cada medida de eficiência energética aplicada ao edifício de referência,
obtém-se critério de desempenho energético dos edifícios a nível nacional e das exigências
destacadas na regulamentação presente.
Assim, apesar da avaliação do nível óptimo dos requisitos mínimos de desempenho
energético apenas ter sido efectuada com base na alteração das características térmicas da
envolvente exterior de apenas um edifício de referência, torna-se evidente a necessidade de
revisão destes parâmetros e, consequentemente, dos limites máximos de energia exigidos na
regulamentação actualmente em vigor em Portugal.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 41


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A consciência europeia de que o desempenho energético dos edifícios deverá sofrer


alterações ambiciosas é agora muito superior. Desta forma, uma análise de um conjunto de
parâmetros relativos à legislação existente, as soluções construtivas adoptadas deve ser
efectuada. Com este intuito surge a Directiva 2010/31/EU e, na sua sequência, o regulamento
nº 244/2012 apresentando uma metodologia comparativa dos níveis óptimos dos requisitos
mínimos de desempenho energético dos edifícios.

Assim, o presente trabalho consistiu na aplicação das disposições impostas no


regulamento referido no parágrafo anterior com vista à obtenção dos níveis óptimos de
desempenho energético e, consequentemente, numa análise muito generalizada da situação
das exigências e disposições impostas na regulamentação nacional actualmente em vigor.
Como tal, seleccionou-se um edifício de referência multifamiliar e, através da aplicação de
medidas de eficiência energéticas, que se baseiam no reforço térmico da envolvente exterior,
efectuou-se uma análise criteriosa dos resultados obtidos.
Para que tal fosse possível procedeu-se à determinação da poupança energética e respectivo
custo global adicional variável com a modificação do isolamento térmico na envolvente
exterior.

A metodologia de cálculo desenvolvida para atender à caracterização do edifício, avaliação e


propostas de intervenção energética na envolvente do edifício permite concluir que o aumento
relativo do isolamento térmico na envolvente vertical opaca exterior é vantajoso quando
comparado com as restantes soluções. Por outro lado, o aumento excessivo desta componente
leva a soluções com elevado desempenho energético mas com rentabilidade reduzida.
Desta análise é discutida a situação energética nacional segundo critérios de rentabilidade
económica avaliando os limites máximos anuais de necessidade de energia primária,
clarificando a necessidade crescente de diminuição deste parâmetros de forma a atingir as
metas a que os Estados-Membro se propuseram.

Finalmente, a variabilidade dos resultados obtidos é demasiado elevada. Tal deve-se à


vasta diversidade de parâmetros que influenciam o desempenho energético dos edifícios, ou
seja, a tipologia e características dos edifícios nacionais, diferentes zonas climáticas,
diferentes taxas de desconto e taxa de evolução do preço de energia e principalmente a grande
variedade de medidas de eficiência energética aplicáveis a cada caso estudo. Assim, a
avaliação do desempenho energético de edifícios novos ou existentes deve ser realizada caso a
caso, através de um levantamento rigoroso dos consumos energéticos, considerando que o

Ana Rute Oliveira Gonçalves 42


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

sistema construtivo, a forma e a distribuição dos diversos tipos de utilização interferem no


desempenho térmico do edifício.

Neste contexto, pretende-se que este trabalho constitua o reequacionar dos diversos factores
que concorrem na definição de uma estratégia de melhoria do desempenho energético dos
edifícios. Esta pesquisa apenas equaciona a alteração da espessura do isolamento térmico na
envolvente exterior de um edifício de referência multifamiliar. No entanto, como já referido,
para uma avaliação correcta do nível de eficiência energética dos edifícios nacionais é
necessário uma avaliação profunda de todos os parâmetros que condicionam esta lacuna.

Como tal são apresentadas algumas propostas de trabalhos futuros no contexto deste trabalho,
nomeadamente:

 Avaliação do desempenho energético dos edifícios aquando a inserção de alterações


em vãos envidraçados e relação desta medida com a aplicada neste documento;
 Inclusão de diferentes sistemas de energias renováveis no edifício;
 Avaliação da alteração das soluções construtivas da envolvente interior;
 Desempenho energético do edifício aquando da correlação de todas as medidas
possíveis de eficiência energética;
 Análise detalhada das taxas de desconto e, naturalmente, do factor de desconto
correcto a utilizar no método financeiro e macroeconómico apresentado na
metodologia;
 Aplicação da metodologia de cálculo de uma forma mais abrangente, nomeadamente,
às diferentes tipologias de edifícios, função e zonas climáticas;
 Avaliação da viabilidade da metodologia de cálculo a edifícios já existentes sujeitos a
reabilitação.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 43


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] Decreto-Lei nº 40/90 de 6 de Abril – “Regulamento das Características de


Comportamento Térmico dos Edifícios”. In Diário da República, I Série, nº31, 6 de
Fevereiro de 1990, Lisboa, 1990;

[2] Protocolo de Quioto à Convenção – Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do
Clima, 11 de Dezembro de 1997. Disponível em:
http://www.diramb.gov.pt/data/basedoc/TXT_LI_22177_1_0001.htm

[3] Directiva 2002/91/CE do Parlamento Europeu e do Concelho de 16 de Dezembro de


2002 relativa ao Desempenho energético dos edifícios. In Jornal Oficial das Comunidades
Europeias, nº L1, 4 de Janeiro de 2003, pp. 65-71;

[4] Decreto-Lei nº 80/2006 de 4 de Abril – “Regulamento das Características de


Comportamento Térmico dos Edifícios (RCCTE)”. In Diário da República, I Série – A, nº 67,
4 de Abril de 2006, Lisboa, 2006;

[5] Directiva 2010/31/EU do Parlamento Europeu e do Concelho de 19 de Maio de 2010


relativa ao desempenho energético dos edifícios (reformulação). In Jornal Oficial da União
Europeia, nº L153, 16 de Junho de 2010, pp. 13-35;

[6] Comunicação da comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comité


económico e social Europeu e ao Comité das regiões – “Duas vezes 20 até 2020, as alterações
climáticas, uma oportunidade para a Europa”, 31 de Janeiro de 2008, Bruxelas.

[7] Atanasiu, Bogdan (2011, Novembro). Principles for nearly zero-energy buildings –
Paving the way for effective implementation of policy requirements. Buildings Performance
Institute Europe (BPIE), Belgium, 2011.

[8] Regulamento Delegado (EU) Nº 244/2012 da Comissão de 16 de Janeiro que


contempla a directiva 2010/31/UE do Parlamento Europeu e do Conselho relativa ao
desempenho energético dos edifícios, através do estabelecimento de um quadro metodológico
comparativo para o cálculo dos níveis óptimos de rentabilidade dos requisitos mínimos de
desempenho energético dos edifícios e componentes de edifícios. – In Jornal Oficial da
União Europeia, L81/18-36, 21 de Março de 2012, Lisboa.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 44


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[9] Jarek Kurnitski, Francis Allard, Derrick Braham, Guillaume Goeders, Per
Heiselberg, Lennart Jagemar, Risto Kosonen, Jean Lebrun, Livio Mazzarella, Jorma
Railio, Olli Seppänen, Michael Schmidt, Maija Virta (2011, Maio). How to define nearly
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[10] Álvarez, S.; Salmerón, M.; Sánchez, F.; Molina, J . - «Application of Cost Optimal
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[11] Jarek Kurnitski, Arto Saari, Targo Kalamees, Mika Vuolle, Jouko Niemela, Teet
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[12] Jarek Kurnitski (2011, Outubro). How to calculate cost optimal nZEB energy
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[13] Railio, Jorma (2012). REHVA Task Force report on a technical definition for nearly
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[14] EN 15603: 2008 de 30 de Setembro de 2008 – Energy performance of buildings –


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[15] G. Verbeeck, H. Hens (2004, 10 Outubro). Energy savings in retrofitted dwellings:


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[16] Galiano Garrigós, A., Echarri Iribarren, V., García Erviti, F., Ramírez Pacheco, G.
(2012). “New Constructive solutions to improve energy efficiency in existing buildings and their
economic viability”. Spain, 2012.

[17] Garcia Casals, X. - Problemática de las referencias variables en la certificación y


regulación energética de edificios, Proceedings of Congreso Nacional de Medio Ambiente
2008,- Lisboa, Junho-Julho 1998.

[18] Kim B. Wittechen, Kirsten Engelund Thomsen (2012, Março). Introducing cost-
optimal levels for energy requirements. REHVA Journal, p. 25-29.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 45


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[19] Horowitz, S., Christensen, C. - « Enhanced Sequential Search Methodology for


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Future. Calfornia, 30 de Agosto de 2008.». National Renewable Energy Laboratory,
University of Colorado, Boulder, 2008.

[20] Tadeu, António (2012). Aplicação do novo RCCTE (DL nº 80/2006) – Curso de
Formação para Projectistas - “Exemplo de aplicação do RCCTE (Decreto-Lei nº80/2006)”.
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[21] Santos, C.A. Pina dos; Matias, Luis – Coeficientes de transmissão térmica de
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[22] Siper – Sociedade de isolamentos – “Tabela de preços de isolamentos térmicos


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[23] Sotecnisol – Materiais. “Placa Cobertura EPS”. Acedido em 15 de Julho de 2012 em:
http://www.sotecnisol.pt/resources/Materiais/Poliestireno_Expandido__Placas_de_Cobertura
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[24] Thomas Boermans, Kjell Bettgenhäuser, Andreas Hermelink, Sven Schimschar


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2011.

[25] Boermans, Thomas; Petersdorff, Carstes (2007, Outubro). U-values For Better
Energy Performance Of Buildings. Eurima, Germany, 2007.

Ana Rute Oliveira Gonçalves 46


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica ANEXO

ANEXO

Preço Custo de exploração x factor de desconto (€)


de Factor de desconto
Bragança Porto Évora
energia
Ano (€/kWh) Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec.
1 0,140 0,971 0,976 10,98 11,03 6,65 6,68 6,23 6,26
2 0,145 0,943 0,952 11,03 11,14 6,68 6,75 6,26 6,32
3 0,150 0,915 0,929 11,09 11,25 6,72 6,82 6,29 6,38
4 0,155 0,888 0,906 11,14 11,36 6,75 6,88 6,32 6,44
5 0,161 0,863 0,884 11,19 11,47 6,78 6,95 6,35 6,51
6 0,166 0,837 0,862 11,25 11,58 6,82 7,02 6,38 6,57
7 0,172 0,813 0,841 11,30 11,69 6,85 7,09 6,41 6,63
8 0,178 0,789 0,821 11,36 11,81 6,88 7,16 6,44 6,70
9 0,184 0,766 0,801 11,41 11,92 6,92 7,22 6,47 6,76
10 0,191 0,744 0,781 11,47 12,04 6,95 7,30 6,50 6,83
11 0,197 0,722 0,762 11,52 12,16 6,98 7,37 6,54 6,90
12 0,204 0,701 0,744 11,58 12,28 7,02 7,44 6,57 6,96
13 0,212 0,681 0,725 11,64 12,40 7,05 7,51 6,60 7,03
14 0,219 0,661 0,708 11,69 12,52 7,08 7,58 6,63 7,10
15 0,227 0,642 0,690 11,75 12,64 7,12 7,66 6,66 7,17
16 0,235 0,623 0,674 11,81 12,76 7,15 7,73 6,70 7,24
17 0,243 0,605 0,657 11,86 12,89 7,19 7,81 6,73 7,31
18 0,251 0,587 0,641 11,92 13,01 7,22 7,88 6,76 7,38
19 0,260 0,570 0,626 11,98 13,14 7,26 7,96 6,79 7,45
20 0,269 0,554 0,610 12,04 13,27 7,29 8,04 6,83 7,53
21 0,279 0,538 0,595 12,10 13,40 7,33 8,12 6,86 7,60
22 0,288 0,522 0,581 12,15 13,53 7,36 8,20 6,89 7,67
23 0,298 0,507 0,567 12,21 13,66 7,40 8,28 6,93 7,75
24 0,309 0,492 0,553 12,27 13,79 7,44 8,36 6,96 7,82
25 0,320 0,478 0,539 12,33 13,93 7,47 8,44 6,99 7,90
26 0,331 0,464 0,526 12,39 14,06 7,51 8,52 7,03 7,98
27 0,342 0,450 0,513 12,45 14,20 7,55 8,60 7,06 8,05
28 0,354 0,437 0,501 12,51 14,34 7,58 8,69 7,10 8,13
29 0,367 0,424 0,489 12,57 14,48 7,62 8,77 7,13 8,21
30 0,380 0,412 0,477 12,63 14,62 7,66 8,86 7,17 8,29
Σ 353,64 382,35 214,28 231,68 200,58 216,86

Quadro A.1: Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração em cada conselho para a
solução de referência.

Ana Rute Oliveira Gonçalves A


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica ANEXO

Preço de Factor de desconto Custo de exploração x factor de desconto (€)


energia Bragança Porto Évora
(€/kWh)
Ano Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec.
1 0,140 0,971 0,976 10,82 10,87 6,56 6,59 6,15 6,18
2 0,145 0,943 0,952 10,87 10,98 6,59 6,66 6,18 6,24
3 0,150 0,915 0,929 10,92 11,08 6,63 6,72 6,21 6,30
4 0,155 0,888 0,906 10,98 11,19 6,66 6,79 6,24 6,36
5 0,161 0,863 0,884 11,03 11,30 6,69 6,85 6,27 6,43
6 0,166 0,837 0,862 11,08 11,41 6,72 6,92 6,30 6,49
7 0,172 0,813 0,841 11,14 11,52 6,76 6,99 6,33 6,55
8 0,178 0,789 0,821 11,19 11,64 6,79 7,06 6,36 6,62
9 0,184 0,766 0,801 11,25 11,75 6,82 7,13 6,39 6,68
10 0,191 0,744 0,781 11,30 11,86 6,85 7,20 6,43 6,75
11 0,197 0,722 0,762 11,35 11,98 6,89 7,27 6,46 6,81
12 0,204 0,701 0,744 11,41 12,10 6,92 7,34 6,49 6,88
13 0,212 0,681 0,725 11,47 12,21 6,95 7,41 6,52 6,95
14 0,219 0,661 0,708 11,52 12,33 6,99 7,48 6,55 7,01
15 0,227 0,642 0,690 11,58 12,45 7,02 7,55 6,58 7,08
16 0,235 0,623 0,674 11,63 12,58 7,06 7,63 6,62 7,15
17 0,243 0,605 0,657 11,69 12,70 7,09 7,70 6,65 7,22
18 0,251 0,587 0,641 11,75 12,82 7,12 7,78 6,68 7,29
19 0,260 0,570 0,626 11,80 12,95 7,16 7,85 6,71 7,36
20 0,269 0,554 0,610 11,86 13,07 7,19 7,93 6,74 7,43
21 0,279 0,538 0,595 11,92 13,20 7,23 8,01 6,78 7,51
22 0,288 0,522 0,581 11,98 13,33 7,26 8,09 6,81 7,58
23 0,298 0,507 0,567 12,03 13,46 7,30 8,16 6,84 7,65
24 0,309 0,492 0,553 12,09 13,59 7,33 8,24 6,88 7,73
25 0,320 0,478 0,539 12,15 13,72 7,37 8,32 6,91 7,80
26 0,331 0,464 0,526 12,21 13,86 7,41 8,41 6,94 7,88
27 0,342 0,450 0,513 12,27 13,99 7,44 8,49 6,98 7,96
28 0,354 0,437 0,501 12,33 14,13 7,48 8,57 7,01 8,03
29 0,367 0,424 0,489 12,39 14,27 7,51 8,65 7,05 8,11
30 0,380 0,412 0,477 12,45 14,41 7,55 8,74 7,08 8,19
Σ 348,46 376,75 211,36 228,53 198,15 214,25

Quadro A.2: Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração em cada conselho


para a medida 1.

Ana Rute Oliveira Gonçalves B


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica ANEXO

Custo de exploração x factor de desconto (€)


Preço de Factor de desconto
energia Bragança Porto Évora
(€/kWh)
Ano Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec.
1 0,140 0,971 0,976 10,23 10,28 6,23 6,26 5,88 5,91
2 0,145 0,943 0,952 10,28 10,38 6,26 6,32 5,91 5,96
3 0,150 0,915 0,929 10,33 10,48 6,29 6,38 5,93 6,02
4 0,155 0,888 0,906 10,38 10,58 6,32 6,45 5,96 6,08
5 0,161 0,863 0,884 10,43 10,69 6,35 6,51 5,99 6,14
6 0,166 0,837 0,862 10,48 10,79 6,38 6,57 6,02 6,20
7 0,172 0,813 0,841 10,53 10,89 6,41 6,64 6,05 6,26
8 0,178 0,789 0,821 10,58 11,00 6,45 6,70 6,08 6,32
9 0,184 0,766 0,801 10,63 11,11 6,48 6,77 6,11 6,38
10 0,191 0,744 0,781 10,68 11,22 6,51 6,83 6,14 6,44
11 0,197 0,722 0,762 10,74 11,33 6,54 6,90 6,17 6,51
12 0,204 0,701 0,744 10,79 11,44 6,57 6,97 6,20 6,57
13 0,212 0,681 0,725 10,84 11,55 6,60 7,04 6,23 6,64
14 0,219 0,661 0,708 10,89 11,66 6,64 7,10 6,26 6,70
15 0,227 0,642 0,690 10,95 11,77 6,67 7,17 6,29 6,77
16 0,235 0,623 0,674 11,00 11,89 6,70 7,24 6,32 6,83
17 0,243 0,605 0,657 11,05 12,01 6,73 7,31 6,35 6,90
18 0,251 0,587 0,641 11,11 12,12 6,77 7,39 6,38 6,97
19 0,260 0,570 0,626 11,16 12,24 6,80 7,46 6,41 7,03
20 0,269 0,554 0,610 11,21 12,36 6,83 7,53 6,44 7,10
21 0,279 0,538 0,595 11,27 12,48 6,86 7,60 6,47 7,17
22 0,288 0,522 0,581 11,32 12,60 6,90 7,68 6,51 7,24
23 0,298 0,507 0,567 11,38 12,73 6,93 7,75 6,54 7,31
24 0,309 0,492 0,553 11,43 12,85 6,97 7,83 6,57 7,38
25 0,320 0,478 0,539 11,49 12,97 7,00 7,90 6,60 7,46
26 0,331 0,464 0,526 11,54 13,10 7,03 7,98 6,63 7,53
27 0,342 0,450 0,513 11,60 13,23 7,07 8,06 6,67 7,60
28 0,354 0,437 0,501 11,66 13,36 7,10 8,14 6,70 7,68
29 0,367 0,424 0,489 11,71 13,49 7,14 8,22 6,73 7,75
30 0,380 0,412 0,477 11,77 13,62 7,17 8,30 6,76 7,83
Σ 329,45 356,21 200,71 217,01 189,30 204,67

Quadro A.3: Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração em cada conselho


para a medida 2.

Ana Rute Oliveira Gonçalves C


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica ANEXO

Preço de Factor de desconto Custo de exploração x factor de desconto (€)


energia Bragança Porto Évora
(€/kWh)
Ano Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec.
1 0,140 0,971 0,976 10,78 10,83 6,54 6,57 6,14 6,17
2 0,145 0,943 0,952 10,83 10,93 6,57 6,64 6,17 6,23
3 0,150 0,915 0,929 10,88 11,04 6,60 6,70 6,20 6,29
4 0,155 0,888 0,906 10,93 11,15 6,63 6,77 6,23 6,35
5 0,161 0,863 0,884 10,99 11,26 6,67 6,83 6,26 6,41
6 0,166 0,837 0,862 11,04 11,37 6,70 6,90 6,29 6,48
7 0,172 0,813 0,841 11,09 11,48 6,73 6,97 6,32 6,54
8 0,178 0,789 0,821 11,15 11,59 6,76 7,03 6,35 6,60
9 0,184 0,766 0,801 11,20 11,70 6,80 7,10 6,38 6,67
10 0,191 0,744 0,781 11,26 11,82 6,83 7,17 6,41 6,73
11 0,197 0,722 0,762 11,31 11,93 6,86 7,24 6,44 6,80
12 0,204 0,701 0,744 11,37 12,05 6,90 7,31 6,48 6,87
13 0,212 0,681 0,725 11,42 12,17 6,93 7,38 6,51 6,93
14 0,219 0,661 0,708 11,48 12,29 6,96 7,46 6,54 7,00
15 0,227 0,642 0,690 11,53 12,41 7,00 7,53 6,57 7,07
16 0,235 0,623 0,674 11,59 12,53 7,03 7,60 6,60 7,14
17 0,243 0,605 0,657 11,64 12,65 7,07 7,68 6,63 7,21
18 0,251 0,587 0,641 11,70 12,77 7,10 7,75 6,67 7,28
19 0,260 0,570 0,626 11,76 12,90 7,13 7,83 6,70 7,35
20 0,269 0,554 0,610 11,81 13,02 7,17 7,90 6,73 7,42
21 0,279 0,538 0,595 11,87 13,15 7,20 7,98 6,76 7,49
22 0,288 0,522 0,581 11,93 13,28 7,24 8,06 6,80 7,57
23 0,298 0,507 0,567 11,99 13,41 7,27 8,14 6,83 7,64
24 0,309 0,492 0,553 12,05 13,54 7,31 8,22 6,86 7,71
25 0,320 0,478 0,539 12,10 13,67 7,35 8,30 6,90 7,79
26 0,331 0,464 0,526 12,16 13,80 7,38 8,38 6,93 7,86
27 0,342 0,450 0,513 12,22 13,94 7,42 8,46 6,96 7,94
28 0,354 0,437 0,501 12,28 14,07 7,45 8,54 7,00 8,02
29 0,367 0,424 0,489 12,34 14,21 7,49 8,62 7,03 8,10
30 0,380 0,412 0,477 12,40 14,35 7,53 8,71 7,07 8,18
Σ 347,10 375,28 210,63 227,74 197,77 213,84

Quadro A.4: Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração em cada conselho


para a medida 3.

Ana Rute Oliveira Gonçalves D


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica ANEXO

Custo de exploração x factor de desconto (€)


Preço de Factor de desconto
energia Bragança Porto Évora
(€/kWh)
Ano Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec.
1 0,140 0,971 0,976 10,64 10,70 6,47 6,50 6,08 6,11
2 0,145 0,943 0,952 10,70 10,80 6,50 6,56 6,11 6,17
3 0,150 0,915 0,929 10,75 10,91 6,53 6,62 6,14 6,23
4 0,155 0,888 0,906 10,80 11,01 6,56 6,69 6,17 6,29
5 0,161 0,863 0,884 10,85 11,12 6,59 6,75 6,20 6,36
6 0,166 0,837 0,862 10,90 11,23 6,62 6,82 6,23 6,42
7 0,172 0,813 0,841 10,96 11,34 6,66 6,89 6,26 6,48
8 0,178 0,789 0,821 11,01 11,45 6,69 6,95 6,29 6,54
9 0,184 0,766 0,801 11,06 11,56 6,72 7,02 6,32 6,61
10 0,191 0,744 0,781 11,12 11,67 6,75 7,09 6,35 6,67
11 0,197 0,722 0,762 11,17 11,79 6,79 7,16 6,39 6,74
12 0,204 0,701 0,744 11,23 11,90 6,82 7,23 6,42 6,80
13 0,212 0,681 0,725 11,28 12,02 6,85 7,30 6,45 6,87
14 0,219 0,661 0,708 11,34 12,13 6,89 7,37 6,48 6,94
15 0,227 0,642 0,690 11,39 12,25 6,92 7,44 6,51 7,00
16 0,235 0,623 0,674 11,45 12,37 6,95 7,52 6,54 7,07
17 0,243 0,605 0,657 11,50 12,49 6,99 7,59 6,57 7,14
18 0,251 0,587 0,641 11,56 12,61 7,02 7,66 6,61 7,21
19 0,260 0,570 0,626 11,61 12,74 7,05 7,74 6,64 7,28
20 0,269 0,554 0,610 11,67 12,86 7,09 7,81 6,67 7,35
21 0,279 0,538 0,595 11,73 12,99 7,12 7,89 6,70 7,42
22 0,288 0,522 0,581 11,78 13,11 7,16 7,97 6,73 7,50
23 0,298 0,507 0,567 11,84 13,24 7,19 8,04 6,77 7,57
24 0,309 0,492 0,553 11,90 13,37 7,23 8,12 6,80 7,64
25 0,320 0,478 0,539 11,96 13,50 7,26 8,20 6,83 7,72
26 0,331 0,464 0,526 12,01 13,63 7,30 8,28 6,87 7,79
27 0,342 0,450 0,513 12,07 13,77 7,33 8,36 6,90 7,87
28 0,354 0,437 0,501 12,13 13,90 7,37 8,44 6,93 7,95
29 0,367 0,424 0,489 12,19 14,04 7,40 8,53 6,97 8,02
30 0,380 0,412 0,477 12,25 14,17 7,44 8,61 7,00 8,10
Σ 342,84 370,68 208,25 225,16 195,95 211,86

Quadro A.5: Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração em cada conselho


para a medida 4.

Ana Rute Oliveira Gonçalves E


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica ANEXO

Preço de Factor de desconto Custo de exploração x factor de desconto (€)


energia Bragança Porto Évora
(€/kWh)
Ano Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec.
1 0,140 0,971 0,976 9,85 9,90 6,01 6,03 5,69 5,72
2 0,145 0,943 0,952 9,90 10,00 6,03 6,09 5,72 5,77
3 0,150 0,915 0,929 9,95 10,09 6,06 6,15 5,75 5,83
4 0,155 0,888 0,906 10,00 10,19 6,09 6,21 5,77 5,89
5 0,161 0,863 0,884 10,05 10,29 6,12 6,27 5,80 5,94
6 0,166 0,837 0,862 10,09 10,39 6,15 6,33 5,83 6,00
7 0,172 0,813 0,841 10,14 10,49 6,18 6,40 5,86 6,06
8 0,178 0,789 0,821 10,19 10,60 6,21 6,46 5,89 6,12
9 0,184 0,766 0,801 10,24 10,70 6,24 6,52 5,91 6,18
10 0,191 0,744 0,781 10,29 10,80 6,27 6,59 5,94 6,24
11 0,197 0,722 0,762 10,34 10,91 6,30 6,65 5,97 6,30
12 0,204 0,701 0,744 10,39 11,02 6,33 6,71 6,00 6,36
13 0,212 0,681 0,725 10,44 11,12 6,36 6,78 6,03 6,42
14 0,219 0,661 0,708 10,49 11,23 6,40 6,85 6,06 6,49
15 0,227 0,642 0,690 10,54 11,34 6,43 6,91 6,09 6,55
16 0,235 0,623 0,674 10,59 11,45 6,46 6,98 6,12 6,61
17 0,243 0,605 0,657 10,65 11,56 6,49 7,05 6,15 6,68
18 0,251 0,587 0,641 10,70 11,68 6,52 7,12 6,18 6,74
19 0,260 0,570 0,626 10,75 11,79 6,55 7,19 6,21 6,81
20 0,269 0,554 0,610 10,80 11,91 6,58 7,26 6,24 6,88
21 0,279 0,538 0,595 10,85 12,02 6,62 7,33 6,27 6,94
22 0,288 0,522 0,581 10,91 12,14 6,65 7,40 6,30 7,01
23 0,298 0,507 0,567 10,96 12,26 6,68 7,47 6,33 7,08
24 0,309 0,492 0,553 11,01 12,38 6,71 7,54 6,36 7,15
25 0,320 0,478 0,539 11,07 12,50 6,75 7,62 6,39 7,22
26 0,331 0,464 0,526 11,12 12,62 6,78 7,69 6,42 7,29
27 0,342 0,450 0,513 11,17 12,74 6,81 7,77 6,45 7,36
28 0,354 0,437 0,501 11,23 12,87 6,84 7,84 6,48 7,43
29 0,367 0,424 0,489 11,28 12,99 6,88 7,92 6,52 7,50
30 0,380 0,412 0,477 11,34 13,12 6,91 8,00 6,55 7,58
Σ 317,36 343,13 193,44 209,15 183,28 198,17

Quadro A.6: Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração em cada conselho


para a medida 5.

Ana Rute Oliveira Gonçalves F


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica ANEXO

Custo de exploração x factor de desconto (€)


Preço de Factor de desconto
energia Bragança Porto Évora
(€/kWh)
Ano Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec.
1 0,140 0,971 0,976 10,65 10,70 6,47 6,50 6,09 6,11
2 0,145 0,943 0,952 10,70 10,80 6,50 6,56 6,11 6,17
3 0,150 0,915 0,929 10,75 10,91 6,53 6,63 6,14 6,23
4 0,155 0,888 0,906 10,80 11,02 6,56 6,69 6,17 6,30
5 0,161 0,863 0,884 10,86 11,12 6,59 6,76 6,20 6,36
6 0,166 0,837 0,862 10,91 11,23 6,63 6,82 6,23 6,42
7 0,172 0,813 0,841 10,96 11,34 6,66 6,89 6,26 6,48
8 0,178 0,789 0,821 11,01 11,45 6,69 6,96 6,30 6,54
9 0,184 0,766 0,801 11,07 11,56 6,72 7,02 6,33 6,61
10 0,191 0,744 0,781 11,12 11,68 6,76 7,09 6,36 6,67
11 0,197 0,722 0,762 11,18 11,79 6,79 7,16 6,39 6,74
12 0,204 0,701 0,744 11,23 11,91 6,82 7,23 6,42 6,80
13 0,212 0,681 0,725 11,28 12,02 6,85 7,30 6,45 6,87
14 0,219 0,661 0,708 11,34 12,14 6,89 7,37 6,48 6,94
15 0,227 0,642 0,690 11,39 12,26 6,92 7,44 6,51 7,01
16 0,235 0,623 0,674 11,45 12,38 6,95 7,52 6,54 7,07
17 0,243 0,605 0,657 11,51 12,50 6,99 7,59 6,58 7,14
18 0,251 0,587 0,641 11,56 12,62 7,02 7,66 6,61 7,21
19 0,260 0,570 0,626 11,62 12,74 7,06 7,74 6,64 7,28
20 0,269 0,554 0,610 11,67 12,87 7,09 7,82 6,67 7,35
21 0,279 0,538 0,595 11,73 12,99 7,12 7,89 6,70 7,43
22 0,288 0,522 0,581 11,79 13,12 7,16 7,97 6,74 7,50
23 0,298 0,507 0,567 11,84 13,25 7,19 8,05 6,77 7,57
24 0,309 0,492 0,553 11,90 13,38 7,23 8,12 6,80 7,64
25 0,320 0,478 0,539 11,96 13,51 7,26 8,20 6,84 7,72
26 0,331 0,464 0,526 12,02 13,64 7,30 8,28 6,87 7,79
27 0,342 0,450 0,513 12,08 13,77 7,33 8,36 6,90 7,87
28 0,354 0,437 0,501 12,13 13,91 7,37 8,45 6,94 7,95
29 0,367 0,424 0,489 12,19 14,04 7,41 8,53 6,97 8,03
30 0,380 0,412 0,477 12,25 14,18 7,44 8,61 7,00 8,10
Σ 342,95 370,80 208,31 225,23 196,01 211,93

Quadro A.7: Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração em cada conselho


para a medida 6.

Ana Rute Oliveira Gonçalves G


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica ANEXO

Preço de Factor de desconto Custo de exploração x factor de desconto (€)


energia Bragança Porto Évora
(€/kWh)
Ano Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec.
1 0,140 0,971 0,976 10,44 10,49 6,35 6,38 6,00 6,03
2 0,145 0,943 0,952 10,49 10,59 6,38 6,44 6,03 6,08
3 0,150 0,915 0,929 10,54 10,69 6,41 6,51 6,05 6,14
4 0,155 0,888 0,906 10,59 10,80 6,44 6,57 6,08 6,20
5 0,161 0,863 0,884 10,64 10,90 6,47 6,63 6,11 6,26
6 0,166 0,837 0,862 10,69 11,01 6,51 6,70 6,14 6,32
7 0,172 0,813 0,841 10,75 11,12 6,54 6,76 6,17 6,39
8 0,178 0,789 0,821 10,80 11,23 6,57 6,83 6,20 6,45
9 0,184 0,766 0,801 10,85 11,34 6,60 6,90 6,23 6,51
10 0,191 0,744 0,781 10,90 11,45 6,63 6,96 6,26 6,58
11 0,197 0,722 0,762 10,96 11,56 6,67 7,03 6,29 6,64
12 0,204 0,701 0,744 11,01 11,67 6,70 7,10 6,32 6,70
13 0,212 0,681 0,725 11,06 11,78 6,73 7,17 6,35 6,77
14 0,219 0,661 0,708 11,12 11,90 6,76 7,24 6,39 6,84
15 0,227 0,642 0,690 11,17 12,02 6,80 7,31 6,42 6,90
16 0,235 0,623 0,674 11,22 12,13 6,83 7,38 6,45 6,97
17 0,243 0,605 0,657 11,28 12,25 6,86 7,45 6,48 7,04
18 0,251 0,587 0,641 11,33 12,37 6,90 7,53 6,51 7,11
19 0,260 0,570 0,626 11,39 12,49 6,93 7,60 6,54 7,18
20 0,269 0,554 0,610 11,44 12,61 6,96 7,67 6,57 7,25
21 0,279 0,538 0,595 11,50 12,74 7,00 7,75 6,61 7,32
22 0,288 0,522 0,581 11,56 12,86 7,03 7,82 6,64 7,39
23 0,298 0,507 0,567 11,61 12,99 7,06 7,90 6,67 7,46
24 0,309 0,492 0,553 11,67 13,11 7,10 7,98 6,70 7,53
25 0,320 0,478 0,539 11,72 13,24 7,13 8,06 6,73 7,61
26 0,331 0,464 0,526 11,78 13,37 7,17 8,13 6,77 7,68
27 0,342 0,450 0,513 11,84 13,50 7,20 8,21 6,80 7,76
28 0,354 0,437 0,501 11,90 13,63 7,24 8,29 6,83 7,83
29 0,367 0,424 0,489 11,95 13,77 7,27 8,38 6,87 7,91
30 0,380 0,412 0,477 12,01 13,90 7,31 8,46 6,90 7,98
Σ 336,21 363,51 204,56 221,17 193,13 208,82

Quadro A.8: Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração em cada conselho


para a medida 7.

Ana Rute Oliveira Gonçalves H


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica ANEXO

Custo de exploração x factor de desconto (€)


Preço de Factor de desconto
energia Bragança Porto Évora
(€/kWh)
Ano Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec.
1 0,140 0,971 0,976 9,70 9,74 5,93 5,96 5,63 5,66
2 0,145 0,943 0,952 9,74 9,84 5,96 6,02 5,66 5,71
3 0,150 0,915 0,929 9,79 9,93 5,99 6,08 5,69 5,77
4 0,155 0,888 0,906 9,84 10,03 6,02 6,14 5,71 5,83
5 0,161 0,863 0,884 9,89 10,13 6,05 6,20 5,74 5,88
6 0,166 0,837 0,862 9,93 10,23 6,08 6,26 5,77 5,94
7 0,172 0,813 0,841 9,98 10,33 6,11 6,32 5,80 6,00
8 0,178 0,789 0,821 10,03 10,43 6,14 6,38 5,82 6,06
9 0,184 0,766 0,801 10,08 10,53 6,17 6,44 5,85 6,11
10 0,191 0,744 0,781 10,13 10,63 6,20 6,51 5,88 6,17
11 0,197 0,722 0,762 10,18 10,74 6,23 6,57 5,91 6,23
12 0,204 0,701 0,744 10,23 10,84 6,26 6,63 5,94 6,30
13 0,212 0,681 0,725 10,28 10,95 6,29 6,70 5,97 6,36
14 0,219 0,661 0,708 10,33 11,05 6,32 6,76 6,00 6,42
15 0,227 0,642 0,690 10,38 11,16 6,35 6,83 6,03 6,48
16 0,235 0,623 0,674 10,43 11,27 6,38 6,90 6,05 6,54
17 0,243 0,605 0,657 10,48 11,38 6,41 6,96 6,08 6,61
18 0,251 0,587 0,641 10,53 11,49 6,44 7,03 6,11 6,67
19 0,260 0,570 0,626 10,58 11,60 6,47 7,10 6,14 6,74
20 0,269 0,554 0,610 10,63 11,72 6,51 7,17 6,17 6,80
21 0,279 0,538 0,595 10,68 11,83 6,54 7,24 6,20 6,87
22 0,288 0,522 0,581 10,73 11,95 6,57 7,31 6,23 6,94
23 0,298 0,507 0,567 10,79 12,06 6,60 7,38 6,26 7,01
24 0,309 0,492 0,553 10,84 12,18 6,63 7,45 6,29 7,07
25 0,320 0,478 0,539 10,89 12,30 6,66 7,53 6,32 7,14
26 0,331 0,464 0,526 10,94 12,42 6,70 7,60 6,35 7,21
27 0,342 0,450 0,513 11,00 12,54 6,73 7,67 6,39 7,28
28 0,354 0,437 0,501 11,05 12,66 6,76 7,75 6,42 7,35
29 0,367 0,424 0,489 11,10 12,79 6,80 7,82 6,45 7,43
30 0,380 0,412 0,477 11,16 12,91 6,83 7,90 6,48 7,50
Σ 312,32 337,68 191,12 206,64 181,36 196,08

Quadro A.9: Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração em cada conselho


para a medida 8.

Ana Rute Oliveira Gonçalves I


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica ANEXO

Preço de Factor de desconto Custo de exploração x factor de desconto (€)


energia Bragança Porto Évora
(€/kWh)
Ano Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec.
1 0,140 0,971 0,976 10,56 10,61 6,42 6,45 6,05 6,08
2 0,145 0,943 0,952 10,61 10,71 6,45 6,51 6,08 6,13
3 0,150 0,915 0,929 10,66 10,81 6,48 6,57 6,10 6,19
4 0,155 0,888 0,906 10,71 10,92 6,51 6,64 6,13 6,25
5 0,161 0,863 0,884 10,76 11,03 6,54 6,70 6,16 6,32
6 0,166 0,837 0,862 10,81 11,13 6,57 6,77 6,19 6,38
7 0,172 0,813 0,841 10,87 11,24 6,61 6,83 6,22 6,44
8 0,178 0,789 0,821 10,92 11,35 6,64 6,90 6,25 6,50
9 0,184 0,766 0,801 10,97 11,46 6,67 6,97 6,28 6,57
10 0,191 0,744 0,781 11,03 11,58 6,70 7,04 6,32 6,63
11 0,197 0,722 0,762 11,08 11,69 6,73 7,11 6,35 6,69
12 0,204 0,701 0,744 11,13 11,80 6,77 7,17 6,38 6,76
13 0,212 0,681 0,725 11,19 11,92 6,80 7,24 6,41 6,83
14 0,219 0,661 0,708 11,24 12,03 6,83 7,32 6,44 6,89
15 0,227 0,642 0,690 11,30 12,15 6,87 7,39 6,47 6,96
16 0,235 0,623 0,674 11,35 12,27 6,90 7,46 6,50 7,03
17 0,243 0,605 0,657 11,41 12,39 6,93 7,53 6,53 7,10
18 0,251 0,587 0,641 11,46 12,51 6,97 7,60 6,56 7,17
19 0,260 0,570 0,626 11,52 12,63 7,00 7,68 6,60 7,24
20 0,269 0,554 0,610 11,57 12,76 7,03 7,75 6,63 7,31
21 0,279 0,538 0,595 11,63 12,88 7,07 7,83 6,66 7,38
22 0,288 0,522 0,581 11,69 13,01 7,10 7,91 6,69 7,45
23 0,298 0,507 0,567 11,74 13,13 7,14 7,98 6,73 7,52
24 0,309 0,492 0,553 11,80 13,26 7,17 8,06 6,76 7,60
25 0,320 0,478 0,539 11,86 13,39 7,21 8,14 6,79 7,67
26 0,331 0,464 0,526 11,91 13,52 7,24 8,22 6,82 7,74
27 0,342 0,450 0,513 11,97 13,65 7,28 8,30 6,86 7,82
28 0,354 0,437 0,501 12,03 13,79 7,31 8,38 6,89 7,90
29 0,367 0,424 0,489 12,09 13,92 7,35 8,46 6,92 7,97
30 0,380 0,412 0,477 12,15 14,06 7,38 8,54 6,96 8,05
Σ 339,99 367,60 206,68 223,46 194,74 210,55

Quadro A.10: Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração em cada conselho


para a medida 9.

Ana Rute Oliveira Gonçalves J


Exigências de desempenho energético segundo
critérios de rentabilidade económica ANEXO

Custo de exploração x factor de desconto (€)


Preço de Factor de desconto
energia Bragança Porto Évora
(€/kWh)
Ano Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec. Financeiro Macroec.
1 0,140 0,971 0,976 10,28 10,33 6,27 6,30 5,93 5,96
2 0,145 0,943 0,952 10,33 10,43 6,30 6,36 5,96 6,02
3 0,150 0,915 0,929 10,38 10,54 6,33 6,42 5,99 6,08
4 0,155 0,888 0,906 10,43 10,64 6,36 6,48 6,02 6,14
5 0,161 0,863 0,884 10,49 10,74 6,39 6,55 6,05 6,20
6 0,166 0,837 0,862 10,54 10,85 6,42 6,61 6,08 6,26
7 0,172 0,813 0,841 10,59 10,95 6,45 6,67 6,11 6,32
8 0,178 0,789 0,821 10,64 11,06 6,48 6,74 6,14 6,38
9 0,184 0,766 0,801 10,69 11,17 6,51 6,80 6,17 6,44
10 0,191 0,744 0,781 10,74 11,28 6,54 6,87 6,19 6,50
11 0,197 0,722 0,762 10,79 11,39 6,58 6,94 6,23 6,57
12 0,204 0,701 0,744 10,85 11,50 6,61 7,01 6,26 6,63
13 0,212 0,681 0,725 10,90 11,61 6,64 7,07 6,29 6,70
14 0,219 0,661 0,708 10,95 11,72 6,67 7,14 6,32 6,76
15 0,227 0,642 0,690 11,01 11,84 6,71 7,21 6,35 6,83
16 0,235 0,623 0,674 11,06 11,95 6,74 7,28 6,38 6,89
17 0,243 0,605 0,657 11,11 12,07 6,77 7,35 6,41 6,96
18 0,251 0,587 0,641 11,17 12,19 6,80 7,43 6,44 7,03
19 0,260 0,570 0,626 11,22 12,31 6,84 7,50 6,47 7,10
20 0,269 0,554 0,610 11,27 12,43 6,87 7,57 6,50 7,17
21 0,279 0,538 0,595 11,33 12,55 6,90 7,65 6,53 7,24
22 0,288 0,522 0,581 11,38 12,67 6,94 7,72 6,57 7,31
23 0,298 0,507 0,567 11,44 12,79 6,97 7,80 6,60 7,38
24 0,309 0,492 0,553 11,50 12,92 7,00 7,87 6,63 7,45
25 0,320 0,478 0,539 11,55 13,05 7,04 7,95 6,66 7,52
26 0,331 0,464 0,526 11,61 13,17 7,07 8,03 6,69 7,60
27 0,342 0,450 0,513 11,66 13,30 7,11 8,10 6,73 7,67
28 0,354 0,437 0,501 11,72 13,43 7,14 8,18 6,76 7,75
29 0,367 0,424 0,489 11,78 13,56 7,18 8,26 6,79 7,82
30 0,380 0,412 0,477 11,83 13,69 7,21 8,34 6,82 7,90
Σ 331,25 358,15 201,82 218,21 191,03 206,55

Quadro A.11: Cálculo auxiliar do custo acumulado de exploração em cada conselho


para a medida 10.

Ana Rute Oliveira Gonçalves K