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* /*gunda, de Decretos » e C ##Primeira, de Leys Extravagantes;


***e Relaçaõ
da Cafa da Supplicaçaõ, #, e a terceira, de A/entos
do Porto,

} L 1s R O A- } M DCCXLVII |

NGMGFESV: de Fóra, Camara Real


de Sua Magefiade.
Com as lice##as necefarias, e Privilegio Real.
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D O S

TITUL O S
Do Livro quarto das Or
ITULO I. Das com
denaçoés.
Corregedores das Comar
pras, e vendas, que fe de Tit.XV. Que os Of
vem fazer por preço cer cas, e outros iciaes temporaes, naõ
to. Pag.1. comprem bens de raiz, nem façaõ outros
Tit. II. Das compras, e contratos nos Lugares, onde faó Qüi
CI(7&8 • I3 -
vendas, feitas por fignal
dado ao vendedor Jim Tit. XVI. Que os Clerigos, e Fidalgos
_ plezmente, ou em começo da paga. 2. naõ comprem para regate
ar. 14=
Tit. III. Que, qu an do fe ve nd e co
a ufa, qu e XV
Tit. II. Qu an do os qu e co mpraó efera
… he obrigada, fempre paya com feu encar vos, ou befas, os poderaó enjeitar por
0. @
doenças, ou manqueiras. ibid.
Tit. IV. Da venda de bens de raiz ## Tit. XVIII. Quando os Carniceiros, Pa
com condiçaõ, que, tornando-fe até certo deiras, ou Taverneiros, feraó cridos por
__ dia o preço, feja a venda desfeita, ibid. feujuramento, no que venderem fiado de
Tit.V. Do comprador,que naõ pagou o pre feus me/teres. I 5.
- go ao tempo,que devia, por a coufanaófer Tít. XIX. Do que prometteo fazer eferi
do vendedor. ptura de venda, ou de outro contrato, e

Tit.VI.Do que compra alguma coufa obri depois a naõ quer fazer. I6.
gada a outrem, e configna o preço em Tit.XX. Como fepagará o paó, que feven
Juizo, por naõ ficar obrigado aos crédo deo fiado, ou fè empre/tou. 17.
/"&S• 5. Tit. XXI. Em que moédas fefaraó os pa
Tit. VII. Do que vende huma coufa duas ve amentos do que fe compra,ou deve ibid.
zes a diverfas pe/joas. 6. Tit. XXII. Quefe naõ enjeite moéda d'El
Tit.VIII. Do perigo, ou perda,que aconte Rey. 18.
ceo na coufa vendida, antes de fer entre Tit.XXIII. s Do al ug ue da
res s cafas, ibid.
gue ao comprador. ibid. Tit. XXIV. Em que cafos poderá enhor
of
Tit. IX. Da venda de coufa de raiz feita da cafà lançar fora o alugador. 19.
a tempo, que já era arrendada, ou alu Tit. XXV. Dos Oficiaes, que naõ podem
gada a outrem por tempo certo. èr Rendeiros. ibid.
7.
Tit. X. Das vendas, e alheaçoês, que fe Of Fa
Tít. XXVI. Que os iciaes da zenda
fazem de coufas litigiofas. 8. naõ arrendem coufa alguma acs Rendei
ni
Tit. XI. Que nguem feja co nf ir an gido a ros d'El-Rey, nem os Senhores de Ter
venderfeu herdamento, e coufas, que ti ras a feus Ouvidores. 2O.

ver contra fita vontade. 9. Tít. XXVII. Das efierilidades. ibid.


Tit. XII. Das vendas, e trocas, que alguns Tit. XXVIII. Que todo o homempo/avi
fazem com feus filhos, ou netos. 1º. ver com quem lhe aprouver. ibid.
Tít. XIII. Do que quer desfazer a venda, Ti t.XXIX. D o cr iado, qu e vi ve co m ofe
porfer enganado em mais da amétade do nhor a bem fazer; e como Je lhe pagará o
jufo preço. II. ferviço. 2 I.

Tit.XIV. Que ninguem compre, nem ven Tít. XXX. Do criado, que vivendo a bem
da defembargos. I2• fazer, fè põem com outrem ; e do que o
recolh e. ibid

Tit.
T N D- E X.
Tit.XXXI. Como fepagaráó os ferviços, e Tit. LI. Do que confeja ter recebido al.
Joldadas dos criados, que naõ entráraó guma coufa, e depois o nega. 39
apartido certo. Tit, LII. Do que confefia o que lhe he dei
22.
Tit. XXXII. Que fe naõ po/a pedir fo/ xado em feu juramento com alguma qua
lidade. 40º
"dada, ou ferviço , payados tres an *-

*Jos. ~~~~ } 23. Tit.LIII. Do contrato de empreßimo, que


Tit. XXXIII. Por que maneira fè prova fè chama Commodato. 4. I •

ráó os pagamentos dos ferviços, efolda - Tít. LIV. Do que naõ entrega a coufa em
das. - ^ -- # 2.4. prefada, ou alugada ao tempo, que he
Tit. XXXIV. Do que lança de cafa o cria obrigado, e do terceiro, que a embar
do, que tem porfoldada. ibid. (7. . " + 42.
Tit. XXXV. Do que demanda ao criado Tit. LV. Que as Terras da Corôa, e os af
- o damno, que lhe fez. 25. fentamentos d'El-Reynańpo/añfer ape
Tit. XXXVI. Do que toma alguma pro - nhados, nem obrigados." 43°
priedade de foro para fi, e certas pe/bas, Tit. LVI. Dos que apenhaófeus bens com
e naõ nomeou algum a ella antes da condiçaõ, que naõ pagando a certo dia,
7710rte. | ibid. fique o penhor arrematado. | ibid.
Tit.XXXVII. Das nomeaçoês, que fefa Tit. LVII. Que ninguem tome pole de fita
, , zem dos práfos, em que cafos fepódem re coufa, nem penhore fêm auëtoridade
Juftiça. de
ibid. |- • •

vogar. 26.
TixxxvIII. Do foreiro, genheio
Tit. LVIII. Dos que tomaõ forço/amente
foro com auctoridade do fenhorio , ou fèm a polfe da coufa, que outrem po/fue. 44.
ella. |- 27. Tit. LIX. Dos Fiadores. 45º
Tít. XXXIX. Do foreiro, que naõ pagou Tit. LX. Do homem cafado,que fia alguem
apenfaó em tempo devido. E como pur fem confentimento de fita mulher. 46.
gará a mora. 28. Tit. LXI. Do beneficio do Senatus conful
Tit. XL. Que fê naõ aforem cafas, fendá to Velleano, introduzido em favor das
a dinheiro. 29. mulheres, que ficaõ por fiadoras de ou
Tit. XLI. Que os foreiros dos bens da Co - tréf]]. ibid.
rôa, Morgados, Capellas, ou Commen Tit. LXII. Das Doaçoês, que haë de fer
das , naõ dem dinheiro, nem outra coufa infinuadas. 47º
aos fenhorios, por lhes aforarem , ou in Tit. LXIII. Das Doaçoés, e alforria, que
71077/1/6/77, ibid.
• |-

. Je pódem revogar por caufa de ingrati


daó. • 43.
Tit. XLII. Que naõ fejaõ confirangidas
pe/oas algumas ape/oalmente morarem Tit. LXIV. Da Doaçaõ de bens moveis,
em algumas Terras, ou Cafaes. ibid. - feita
lher. pelo marido fêm outorga da mu
49. •

Tit. XLIII. Das Sefinarias. 3o.


Tit. XLIV. Do contrato da fociedade, e Tit. LXV. Da Doaçaõ feita pelo marido
companhia. á mulher,ou pela mulher ao marido.ibid.
33.
Tít. XLV. Do que dá herdade a parceiro Tit. LXVI. Da Doaçaõ, ou venda feita
de meyas, ou terço, ou quarto, ou arrenda por homem cafado a fita barragão. 5o.
- por certa quantidade. 35. Tit. LXVII. Dos contratos ufurarios, 51.
Tit. XLVI. Como o marido, e mulherfäö Tít. LXVIII. Que fe naõ façaõ contratos
meeiros em feus bens. ibid. de paó, vinho, azeite, e outros manti
Tit.XLVII. Das Arrhas, e Camara cer mentos, fenaõ a dinheiro. 53.
rada. 36. Tít. LXIX. Que fenaõ façaõ arrendamen
Tit. XLVIII. Que o marido naópo/aven tos de gados, ou colmeyas. 54
der, nem alhearbens fem outorga da mu Tit. LXX. Das penas convencionaes, e
lher. ibid. judiciaes, e intereyes, em que cafos fepô
Tit. XLIX. Que nenhum Oficial da Julti dem levar. ibid.
ca,ou Fazendareceba depofito algum.38. Tit. LXXI. Dos contratos/imulados. 55.
Tit. L. Do empre/timo, que fe chama mu Tít. LXXII. Dos contratos defäfora
|- Íllo. |- ibid. dos. |- 56.
Tit.

+
INDEX.
Tit. LXXIII. Quefe naofaçao contratos, Tit. XC. Em que cafos poderá o irmão1 que*
nem dijlratos com juramento promifforio, relar o tejlamento do irmai. 71*
ou boa fé. 56. Tit.XCI. Como o pay , e múyfuccedem na
Tit. LXXIV. Dos que Jazem cejfad de herança doJilho , e nai o irmão. 72.
bens. 57. Tit. XCII. Como o filho do peaifuccede a
Tit. LXXV. Quando valerá a obrigaçai feupay. 73.
feita pelo que ejláprefo. 58. Tit. XCIII. Como os irmãos de damnado
Tit. LXXVI. Dos que podem fer ptefos coito fuccedem huns a outros. ibid.
por dividas eiveis , ou crimes. ibid. Tit.XCIV. Como o marido , e mulher jiic-
Tit. LXXVII. Dos que podemfer recom- cedem hum a outro. 74.
mendados na cadèa. 59. Tit. XC V. Como a mulherJica em pôjfe, e
Tit. LXXVIII. Das compenfaçoês. 60. cabeça de cafal por morte defeu mari-
Tit. LXXIX. Das prefcripçots. 61. do. ibid.
Tit. LXXX. Dos te/lamentos , e em que Tit. XCVI. Como fe ha$ defazer as par-
forma fe faraó. ibid. tilhas entre os herdeiros. j<j*
Tit. LXXXI. Das pejfoas , a que nai he Tit. XCVII. Das Collaçots. 79.
permittido fazer tejlamento. 63. Tit. XCVIII. Em que c ajas nai poderá o
Tit. LXXXII. Quando no tejlamento o pay haver o ujufruão dos bens doJHho.%^.
pay nao faz mençai do flho , ou o f- Tit.XCIX. Em que cafos a mtiy repitirá as
lho do pay , e difpòem fomente da ter- defpefas , quefez com ojilho. 84.
ça. 64. Tit. C. Por que ordem fe fuccederá nos
Tit. LXXXIIL Dos tejlamentos dos Sol- Morgados, e bens vinculados. ibid.
dados, e pejfoas, que morrem na guer- Tit. Cl. Em que cafos os fucceffores das
ra. ibid. Terras da Coroa , ferai obrigados ás di-
Tit. LXXXIV. Dos que prohibem a ai- vidas defeus antecejfores. 87;
gumas pejfoas fazeremjeus tejlamentos, Tit. CII. Dos Tutores , e Curadores , que
ou os conjlrangem a ijfo. 66. fe dai aos orfais. ibid.
Tit. LXXXV. Dos que nao podem fer te- Tit. CHI. Dos Curadores , que fe dai aos
Jtemunhas em tejlamentos. 6j. pródigos, e mentecaptos. 89.
Tit. LXXXVI. Dos Codicillos. ibid. Tit. C1V. Dos quefe efeufai de fer Tuto-
Tit. LXXXVII. Das fubjlituiçoês dos res. 91.
herdeiros. ibid. Tit.CV. Das mulheres viuvas, que cafai de
Tit. LXXXVIII. Das caufas , por que o cincoenta annos , tendoJilhos. 92.
pay , ou múy podem desherdar feus ji- Tit. CVI. Das viuvas^ que cafao antes do
lhos. 69. anno,edia. ibid.
|Tit.LX.XXIX. Das caufas,por que poderá Tit. CVII. Das viuvas , que alheai , como
ofilho desherdar feu pay , ou mãy. 71. nao devem , e desbaratai feus bens . ibid.

LIVRO
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NAÇOES.
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S compras, e ven- naõ efteja prefente diante o comprador,
# ^ -- 1 das fe pódem fa- e vendedor, confentindo ambos na venda. (2. A
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zer, naõ fómente 1 E para a venda fer valiofa, ferá o 242-4 * * ************-*
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quando o vende-, preço certo,em que fe o comprador,e ven-******************
. 3. ex: ~~~ - c < > e < <--< *** | "--~~~~--~~~~ -

1 dor, e comprador dedor acordarem. E por tanto, fe o ven- … # * ~~~~ |

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jñtos prefentes,
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comprador:
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=gar, mas ainda que quanto eu quizer, elta venda naõ valerá. «………………………………………… É? ||
li########==–1 o vendedor efteja é Porêm, fe o comprador, e o vendedor feió... , , ..... ………… ………… |
em hum Lugar, e o comprador em outro, * louvarem em algum homem, deixando em, é: ~~~~ --> <? ** ***"|
confentindo ambos na venda, e acor- feu arbitrio que lhe affigne o preço, por- <s>… e. # --~~~~ |
dando-fe por cartas, ou men{ageiros, con- que a coufa feja vendida, declarando ele # 2.2.5. e., s.»:33 vs. {{ || ||
} • / |- • . A4

tentando-fe o comprador da confi, e o e o preço valerá a venda. Mas feefe, que … … … 3 ……………………… # | | |
vendedor do preço. E póde-fe affi me{mo houvefe de pôr o preço, morrefe, antes 2 e 2. --Z% 2 ……………” * [[]]
fazer Liv.
a venda,pofio
•IV.
que

a coufa comprada que o declarafe,
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naõ valerá a venda... E **** *
arbi- …………… 2. **** …… §3º, n.3:
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2. Livro quarto das Ordenaçõês, Tit. I., e 2.


arbitrando efe terceiro o preço da coufa bitradores, ito fique firme, e valiofo, por
affi vendida defarrazoadamente,em manei- firmeza do dito contrato.
ra que alguma das partes naõ feja con- 2 E poíto que o preço da coufa com- (3x^{}}
tente de feu arbitramento, deve-fe a parte prada fe naõ pofa commetter ao compra- ?> {x}} }}
, defcontente foccorrer aoJuiz,a que o co- dor, ou vendedor, póde-fe porêm cómet
<><><>*******nhecimento pertencer, que mande fazer ter a coufa comprada,ou vendida a aprazi
……………………ás 2: #* outro arbitramento por homens bons. E o mento do comprador: afi como, fe o ven-ce
* * * ** dito Juiz contrangerá o vendedor,e com-dedor vendefe hum tonel de vinho, ou
###7 ………………………… prador, que felouvem em homens bons de azeite,ou hum efcravo, ou huma befta,
#####*#*#### |“ dignos de fé, que tenhaõ conhecimento, e o comprador compraffe effa coufa, con
………… ~~ ~~ Z e fabedoria da tal coufa; os quaes por ju tentando-fe della a tempo certo,em tal ca
* # -->• ###:
# ………………
(…)" < 2. ramento
tro novo dos Santos Euangelhos
arbitramento.E façaõ
fe ambos ou
fe acor fo, fe,durando o dito tempo, o comprador
for della contente, valerá a venda, e ferá
y * *· #"""""" darem em huma tençaõ, etejaõ as partes firme; e naõ fe contentando della, naõ va
— por feu arbitramento; e naõ fe acordando, lerá o contrato.E naõ declarando exprefa
entaõ arbitre efe Juiz com elles. E acor mente no dito tempo ao vendedor como
dando-fe ele com cada hum dos ditos ar naõ he contente, ficará a venda firme. és……………
}
%~~~~ ……………………………” - -

T I T U LO II.
Das compras, e vendas feitas por fignal, dado ao vendedorfimplezmente,
* * ou em começo da paga. ca%2- <~~ <p> a < <
………… ******* |- |- f: |

Azendo-fe-compra, e venda de dor todo o dinheiro, que delle recebeo em


…………… ****? <
alguma certa coufa por certo fignal com outro tanto. E eta pena he
5. => * ## > preço, depois que o contrato he dada ao comprador, e vendedor; porque
acordado, e firmado pelas partes, naõ fe naõ quizeraõ confiar da perfeiçaõ do con
* ~~~~ # <><><>>{e póde mais alguma delas arrepender fem trato, e quizeraõ ufar d'outra nova provi
*

}^^^^^...^{ confentimento da outra; porque, tanto


**://* <a> > * * que o comprador, e vendedor faõ acor
faõ; convêm a faber, de dar, e receber
o fignal. •

|- { 22 *****J. dados na compra, e venda d'alguma certa … 2 E i{to fe naõ entenderá nas com
" *, 22 z. coufa por certo preço, logo efe contrato pras, e vendas,que fe fazem por Correcto
–4
……………2 & . 2. 27 · 2 Z. he perfeito, e acabado…em tantO que res entre alguns Mercadores eftrangeiros,
&& =>**** 274 & < < &</ * Aky Ly» ~~~~7"s • • A

?- - ~7. * . 2 #r; 22. *8. dando, ou oferecendo o comprador ao 7 ou vizinhos fobre algumas mercadorias;
@ # {………2, a vendedor o dito preço, que feja feu, ferá porque em tal cafo, ainda que o compra
a # é. elle obrigado de lhe entregar a coufa ven dor dê algum dinheiro em fignal ao ven
#«..., p. 2..., x >> 6 dida, fe for em feu poder; e fe em feu po dedor, naõ deixará por tanto a venda fer
</* # 2.2.2%2,3. & der naõ for, pagar-lhe-ha todo o interefe, 7 em todo firme, fêm alguma das partes fe
<e v , ………… *** que lhe pertencer, afi por repeito do poder mais arrepender della fem confen
{'r *~~~~ • n
-2. c3 * 2 ** : 2… <7 ganho, como por
…………………………………/*
ref; + .*. da
>/********1eito perda………………
• & Y. *- 1 x*~~~~ ~ 7*.* timento da outra parte; porque affi foi
* •*****/ * * * * * /* • •

~~~ ~ ~). a és?". " E no cafo, onde o comprador, efempre ufado entre os Mercadores.
# <<></. *ç* << */? * •

*/ * # 2 – 2% vendedor tivefem acordada,e firmada fua. 3 E fe depois da compra, e venda


…………………………………………… compra, e venda de certa coufa por certo acabada,por confentimento, e firmeza das
--………………………………….5. preço, e o comprador défe logo ao ven partes,o comprad|or dér ao vendedor certo
>> dedor certo dinheiro em fignal por fegu dinheiro em parte de paga, ou em fignal,
(………………………………"
| |< /
à rança da compra, fe o comprador fe arre e paga, como alguns cofumaõ fazer, naõ
*
-
………………………………… … pender, e fe quizer afaftar do contrato, fe poderá já mais alguma das partes arre
……………………………………………… pode-lo-ha fazer, mas perderá o dinheiro, pender, e fahir do contrato fem confenti
……………………………………" que affi deu em fignal. E bem affi,fe o ven mento da outra parte, ainda que queira
* * * * . . . dedor,que o fignal recebeo do comprador, perder o dinheiro,q deu em parte de paga,
*** . ********fe quizer arrepender, e afafar da venda, ou em fignal,e paga,ou outro tanto,como
************
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Pode-lo-ha fazer, mas tornará ao compra o que recebeo; porque pelo dinheiro, que
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foi dado em fignal,e em paga,ou em parte e venda mais perfeitos, que onde fómente
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* * * |- ncargo. /** > > >> >,´< *?
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|- z:* #~~~~ E o devedor, que obrigou alguma demanda até vinte annos acabados: os …………………………………………
# ^^ } # ^^* ( fua coufa ao feu crédor, a vender a 5 quaes dez annos, e vinte fe contaráó do "...________*__*
0! { · outrem, ou a alhear por qualquer - primeiro dia, que a coufa foi a poder do } ^ ~ ~ ~ ~ ~ #:::
} }. }; 3 outra maneira, e a paffar a feu poder,paf- pofuidor com titulo, e boa fé. E vindo a " . ###### •• •

} ~~~~ --… fará a coufa com feu encargo da obriga-coufa obrigada a poder do pofuidor fem /** 2 … ……………… { ·
} …… , , : . çaõ; e poderá o crédor demandar o po? título algum, poder-lhe-ha a demanda fer *: ~~~~ { : |

| | | ' ~~' + fuidor della, que ou lhe pague a divida, feita pelo crédor até trinta annos cumpri-****** ***/... (…
* #.*** porque lhe foi obrigada, ou lhe dê, e en- } dos, contados pelo modo fobredito. E fe /***** É......... <<< *\

"………………………tregue a dita coufa, para haver por ella * a coufa obrigada empre for em poder do #### #... " ..." ** 32.
___* Pagamento
#-
de fila divida,demandando po- devedor, ou de feu herdeiro, ou de algum ::.*…………… *: ~~~~
rêm o crédor primeiro o feu devedor,e fa- outro crédor , a que depois foffe apenha- * * * * * * * * * * *
5 - ......... zendo em feus bens, e de feu fiador (feo da, pofuindo-a por virtude do dito ape- /** 2. ^ ***@***.*;;
/****** ... tiver dado) execuçaõ, como por Direito nhamento, neftes cafos poderá fer feita a .--~~~~ : ~~~~".
(, : ~~~~ ” fe deve fazer. demanda até vinte annos entre os prefen- 3. ^ ^ # ^^ --
: ~~~~ …… 1 E efia demandalhe poderá fazer até tes,e quarenta entre os aufentes, contados":
{ { Z…………………………
#"""""" dez annos cumpridos, fe ambos, crédor, e do dia,que a obrigaçaõ for feita em diante; //. . (………………………
1 } - …… |- pofuidor, eraõ moradores em huma Co- falvo, fe contar da má fé dos fobreditos, ... => > >> << *- - -
} }· A marca. E fendo moradores em defvairadas porque entaõ em nenhum tempo poderáõ · · · · * * * * *~~</
}• #" “…………
| • |-
Comarcas, entaõ lhe poderá fer feita a prefcrever. * ……………………
* # : É; aa−< _ **
/> * * *:* *
<~~~ ~~* |

C__ …………… · ---- > > 7, 4+, |


/****** ? ……………………” |
T | T U L O IV. ^ 0.5** ######.
> >> 5.
<><><>< *?5. 3 e
|
«r
Da venda de bens de raiz feita com condiçaõ, que tornando-fe até certo <e 2.………………………………
*/ ~~~~ <7; %:

~~~~dia o preço, Jeja… …a………………………&###2.


43º 3.
venda desfeita. ***********************
*# .

/>********* Icita coufa he que o comprador, 1 Elifto ha lugar, quando a coufa he…"
………………………… e vendedor ponhaõ na compra, e vendida por juíto preço, como diremos A 62 %
< ***** ~~~~ /* ~ venda,que fizerem,qualquer cau- no Titulo : Dos contratos ufurarios; por- &#. |- } -- @
4°… … … tela, pacto, com
# ……………………………acordarem, e condiçaõ,
tanto queemfeja
quehoneta,
ambos quarta
que fe aparte
coufadofoffe
jutovendida
preço,por
e namenos
vendaa =* ####
* * * " * * ..."?…
** * Z

# ~~~~ ~ ~ 3 e confórme a Direito; e por tanto, fe o foffe poto o dito pacto, nefte cafo con-" + … … … … … …
********** comprador, e vendedor na compra, e correndo juntamente o grande desfaleci---> ? : ~~~~ ~~~~
*** - - |- venda fe acordafem que tornando o ven-mento do preço juto com a dita con-3 * . * * * * * *
y … … … …… <-**

………… ………………… …, dedor ao comprador o preço,que houvefle vença, e pacto fazem o contrato fer · 2 a . ~~
- 3 ~~~~ … pela coufa vendida até tempo certo, ou ufurario. *

**********
}, w/**
quando quizeffe, a venda foffe desfeita, e
> . 2: ***
~~ 2 E bem afi, fe o contrato de com
4
### //* * ***** a coufa vendida tornada ao vendedor, tal
+ •
pra, e venda fofe feito com o dito pacto
a r & : &# 2 . * #~~~~ avença,e condiçaõ affi acordada pelas par
" (…
{
por homem,que tivefe em cotume onze
, e a rac{2**
|-

tes val; e o comprador havendo a coufa nar, ainda que fofe a venda feita por ju
~~~~ -

4
} |

* …… "… ……………………… comprada a feu poder, ganhará, e fará fio preço, ferá o contrato julgado por
# --…………… /* cumpridamente feus todos os frutos, e ufurario; porque o dito pacto afi poto
</
** ******** novos, e rendas,que houver da coufa com no contrato da compra, e venda por ho
^

? ---- …… '''Prada , até que lhe o dito preço feja re-mem cofumado onzenar, faz o contrato
"………… { % "tituido. -, -, ferufurario, quer fofe culpado em o dito

# # } · ~ /* Liv. IV. ………… ………………29. - { * * * ** * * 2 -- …………cotu- * ** >>


** *
> > <<<<< *?= * * * ~~~~ ……………………… ****** …………………………………………………………” < *. *~~~~
………………………………********** - - - - - - 3: ~~~~ ~ ~~~~
……………………………………………………………………………………………………… * * *… … …
· ** * * · <~~~~ * * * * * ---- Z, +, * *"L"
2. ^.^ * * * * *~~~~
4 | Livro quarto das Ordenaçoes, Tit. 4., e 5.
cotume o comprador, quer o vendedor. a coufa, que affi vendeo; e tudo para
E neftes dous cafos haverá o comprador. a Corôa de nofos Reynos. E quanto
a pena, que no Titulo : Dos contratos aos frutos, que o comprador tiver rece
firarios: poremos ao que dá dinheiro á bidos, ferá obrigado de os tornar ao ven
onzena, affi do perdimento do principal dedor , ou fua verdadeira efimaçaõ, fe
em dobro, como do degredo, afi pela gundo o que valêraõ commummente ao
Primeira vez, como pela fegunda , e tempo, que os colheo; e naõ fe perderáõ
terceira ; e o vendedor perderá fómente para Nós.

T I TU
Do comprador, que naõ Pagou o preço ao tempo, que devia, por a coifa
L O V.
naõ fêr do vendedor.
* * ** * E o comprador for entregue da cou coufa, quando quizer, como fua; falvo, fe
·
e 4.
fa, queaocomprou,
Preço e antes
vendedor, lhe foidedito
pagar
queo ao tempo do contrato entre elles feitô,
ou ao tempo da entrega da coufa vendida,
a couta naõ he do vendedor, naõ fêrá o vendedor e houve por pago do preço;
ºbrigado a lhe pagar o preço; e felhe Porque entaõ ferá o comprador feito re
já tiver pago parte dele, naõ ferá obri nhor della, como fe o tiveffe Pago , ou
gado alho acabar de pagar,até que o ven oferecido ao vendedor.
dedor lhe dê bons fiadores leigos, e abo
************_nados, que fendo-lhe a cou, vendida }
* Efe o vendedor ao tempo do con
´´´´´´´´´´´´´´´´´´´lhe componhaõ o vencimento deliapo trato deu efpaço ao comprador para lhe
* * *** rem, fe o vendedor tiver tantos bens de Pagar o Preço, felho ele naõ pagar ao
tempo, que lhe foi outorgado, poderá o 7"
raiz defembargados,que batem para intei. Vendedor logo cobrar a couf do com--> +/;
*amente cumprir o vencimento da coufa, Prador, fe a tiver em feu poder, ou de } * # #
fendo vencida, naõ ferá obrigado dar qualquer outra pefoa, em cujo poder a : ……
fiança; pois tem bens, porque componha achar. E naõ fe poderá efeu(ardelha tor- * ##
O Vencimento della.
nar, Porto que lhe ofereça o Preço , pois a#7 2- ×
)
** Por quanto, tanto que a com lho naõ Pagou, nem ofereceo ao tempo,
{ "# 2
Pº , e venda for acabada por confenti que fe obrigou. Porêm, fe o vendedor…………………
* * * * * *~~~~ o* mento das partes, deve o vendedor Cl) tre
*
* &<<<<<< c >>
quizer antes haver o preço, que a coufa *******
• • •

……………………………#* Primeiro a coufa vendida ao compra Vendida, pode-lo-ha demandar ?


— 2: ~~~~ __do: e depois o comprador lhe deve logo
* ** * e haver, ~~~~}
X----- . **

* * * * * * · Pº8ºr o Preço: fe o vendedor recufar en


quando lhe aprouver. : ~~~~+ ………………–4

---~~~~<tregar primeiro a couf vendida ao COIII coufa 3- E vendendo algum homem alguma *** } *
* * ***.*…………– Prador,receando de naõ poder delle haver movel, ou de raiz, fob condiçaõ, /.......
} &
~~~~
<
que felhe o comprador naõ Pagar o preço
º Preço , e o comprador naõ confiar do della
|-

Vendedor, duvidando haver delle a coufa ao dia por elle affignado, a venda
comprada,fem lhe primeiro Pagar o preço, feja nenhuma, fe o comprador até o dito
mandamos que a coufa vendida, e o dia naõ pagar, a venda ferá nenhuma,
Preço fejaõ entregues em maõ de homem 9º"fórme a condiçaõ della. Mas fe pa{- {……………… fado o dia da Paga, O Vendedor requerer " * * **
fiel 5º qual, tanto que de tudo for CI1tre *****Prador, que pague o preço da. ### • ***

8º: #ça as partes contentes, dando ao couf *9mprada,que lhe houvéra de pagar |
........... Vendedor o preço, e ao comprador a cou
|- fa: e tanto que o comprador for entregue no dia já pafado, naõ Poderá já desfazer
da coufa comprada, e Pagar o preço ao * Venda contra vontade do comprador;
Vendedor, ou o oferecer , logo he feito Porque deixou o direito, que tinha; pois
della fenhor; e naõ Pagando, nem ofere pudéra desfazer a venda Por bem da cor
* • • cendo logo o comprador o preço ao ven digaõ por lhe naõ ferfeita a Paga,e pedio,
* "***** dedor, poderá o Vendedor cobrar delle a oe dito
**

****************, e ... "……………… e *z, *.*… . <a


demandou o Pagamento, fendo pafado
*

dia.
* * - - •

……………………* * * *< ***. * .


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CCC- } *~~ ~~~~ Y7º r + '


VCIl- [ U O VI.
, fê- } * * *

30 Do que compra alguma coufa obrigada a outrem, e configna o preço em


Táõ uízo, por naõ ficar obrigado aos crédores.
Omprando alguem alguma coufa lhe for affignado, que mofre fua divida, •
movel, ou de raiz, fe quizer fer claramente, e lhe naõ for embargada pelo
relevado de o poderem mais de vendedor, faça-lhe o Juiz pagar pelo pre
mandar por razaõ da coufa fer a outrem ço, e quantidade, que affi for confignada.
obrigada, tanto que a comprar, leve logo, Efe ficar alguma coufa do preço, faça-a,
e ofereça o preço, porque a comprar, per entregar ao vendedor. E fe em cada hum
ante o Juiz Ordinario do Lugar, onde a dos ditos termos vierem, e concorrerem
Venda foi feita; e requeira-lhe, que o man muitos crédores,ouça-os, e faça-lhes juíti
e ***********/de pôr em fequefiro em maõ de algum ça, entregando o preço, ou quantidade
* * . * . 4,
homem fiel, e abonado, por tempo con áquelle, que melhor direito tiver, porque
veniente,a que pofaõ vir alguns crédores, deva preceder aos outros. E naõ vindo ao
a que o vendedor feja obrigado, ou tenha dito termo algum crédor, faça o Juiz en
apenhada a coufa vendida. E tanto que tregar o preço, e quantidade ao vendedor,
ifto affi for feito, e o preço oferecido, e pois naõ vem quem lho embargue.
confignado, o comprador haverá fegura
2 E quanto ás arremataçõês, que fe
mente a coufa comprada, e nunca lhe fazem por mandado, e auctoridade de
* mais poderá fer demandada por algum cré juítiça com Taballiaõ, ou Efcrivaõ, em ,...}};">………………………………
*/ …………r dor, a que pelo devedor foffe obrigada. E Lugar cofumado, mandamos que, fe du- - - - - #42, a * * * * *
> > >………….5 mandamos a todos os Julgadores, a que rando a demanda entre o crédor, e o . "." -->* ~~~~<* * * " <
, , , , e " tal requerimento for feito pelos compra devedor, cujos bens foraõ arrematados, ………………………………………………………
* *
- * *
……………………………… dores, que façaõ pôr, e confignar o preço, ou depois antes da arremataçaõ naõ veyor" =>~~ ~ ~ ~ • (*****
· } |
2º 73 e # ou quantidade,porque a coufa for vendida, outro crédor, que lhe embargaffe fua di-
}
* *

J em maõ de hum homem bom, fiel, leigo, e vida, e pagamento della, nefte cafo, tanto
|

abonado, morador no Lugar; e façaõ vir que a arremataçaõ for feita, feja logo
perante fios crédores, a que a coufa for pago de fua divida o crédor, a cujo reque
} obrigada, para litigarem, qual delles he rimento a execuçaõ, e arremataçaõ foi
primeiro, e tem mais direito, para lhe de feita;e fe depois vier algum crédor outro,
ver fer entregue o preço, ou quantidade. que fe diga fer primeiro que elle, fejaõ.
1 Efe os crédores forem todos mo ambos ouvidos com feu direito fobre o
radores nefe Lugar, ou ahi prefentes, fa preço, e dinheiro, porque a arremataçaõ
ga-os o Juiz citar,que a fêis dias perempto foi feita; e a coufa afi arrematada fique
riamente venhaõ perante elle; e fe naõ falva ao comprador, pois que a comprou
forem prefentes nefe Lugar, nem mora em publico por mandado , e auctoridade
dores nelle, faça o Juiz dar pregoês, e de juftiça.
pôr Edictos no Pelourinho, e lugares aco 3 E no cafo, onde pendendo entre o
fumados, que todos os crédores, a que o crédor, e devedor demanda, de que de
vendedor for obrigado, ou a coufa ape ois defcendeo a execuçaõ, ou depois
nhada, venhaõ perante ele allegar feu della em qualquer tempo antes da arre
~~ direito fobre o preço, e apenhamento a mataçaõ veyo algum outro crédor, que
+

. * * * ** **
- * 2;', '
termo conveniente, que lhe affignará fê pertende haver direito na coufa apenhada,
gundo a difancia dos Lugares, onde tiver fazendo fobre ella demanda, ou prote
Por informaçaõ que os crédores faõ mora ftando por feu direito, por dizer que
dores; com tanto que naõ paffe de trinta fua divida era primeira que a do outro, - c = - |

dias ao mais,por grande diflancia que haja mandamos que fe faça arremataçaõ, e /******** …………………
do Lugar, onde a coufa foi vendida, aos fequeftrada,
feja logo o preço, ou quantidade
e confignada dellae …………………………………………"
em Juízo; : ~~~~ ~ ~~~~ •

Lugares,onde os crédores forem morado


res. E vindo algum crédor ao tempo, que fèjaõ ouvidos effes crédores com feureito

di- …………… ** * * *
• * Livro quarto das Ordenaçoës, Tit. 7, e 8. •

reito fobre o preço, ou quantidade; e comprador, que a comprou Public"


a coufa arrematada fique fempre falva ao por auétoridade de Juítiça.

T I T U L O VII.
Do que vende huma coufa duas vezes a diverfas pelfoas. }
),
(*
#

E o que for fenhor d'alguma coufa, 2 E fe o fenhor da coufa a vendefe 24


a vender duas vezes a defvairadas
a alguem, e recebeffe o preço, fem lha en // /*
---- **** * * ……---- pefoas, o que primeiro houver en tregar, e depois a vendefe a outrem, e
(~~~~
* * * * * * * ...; 2º trega della, ferá della feito verdadeiro | lha entregaffe recebendo delle o preço,ou
* *
/*
** *
-* -> <> >> > >> fenhor, fedella pagou o preço, porque havendo-fe delle por pago, efe fegundo
- *: ~~~~ ~ ~ lhe foi vendida, ou fefe houve o ven comprador ferá feito verdadeiro fenhor ***
__*___*.*… … … dedor por pago della; porque concor della; e o primeiro comprador poderá
…………………………………………<rendo afina dita venda entrega da coufa, demandar ao vendedor o dinheiro,que lhe
…………………………………… e paga do preço, o fazem fer fenhor della. pagou por a compra da dita coufa, com ...».
|- * * * #****** 1. Efe o fenhor da coufa a vendefe a feuinterefepois lhe naõ entregou a coufa, /**/, "……………"
* ** * **
• |- * * *

# -* * * * * *.*… alguem por preço certo, e lha entregafe que lhe vendeo,de que recebeo o dinheiro,
_> *

_> logo, fem delle receber preço algum, e e a vendeo a outrem, e o fez della fenhor, ………………" |
depois o vendedor recobrafe a poffe della, pela entrega, que lhe della fez. E por afi"." } 4.
e a vendefe a outro, e lha entregafe vender huma coufa a dous em tempos def: ~~~~ ###
recebendo delle o preço, efte fegundo vairados, haverá a pena, que diremos no ......... } ##"
comprador ferá feito cumpridamente fe quinto Livro, Titulo : Dos burões, e #2. ****/
nhor della. inliçadores. … … … … = |
"ac {v^*/

! ###" |
}
T I T U L O VIII. 7
Do perigo, ou perda, que aconteceo na coufa vendida, antes deJer entregue |
*** > -- >>> >>*.
ao comprador. -- ……………… * * * * * * * * *.*
*
|

*
** * -~~~~ , é . ~~ Z2. ……………… · 7 ***

Anto que a venda de qualquer vendida de todo, e depois fofe a condi


coufa he de todo perfeita,toda çaõ cumprida, a perda da coufa pertencia
a perda, e perigo, que dahi em de todo ao vendedor; porque, tanto que
* * * diante ácerca della aconteça,fempre a con a coufa perecer, pendendo a condiçaõ,
~ ~ ~ ~ ~~~~" - tece ao comprador, ainda que a perda, e logo a venda de todo he desfeita, como
………………………… … damno aconteça, antes que a coufa feja fe nunca foffe feita; e por confeguinte,
……………………………… entregue. E porque fe poderáõ fazer al tudo o que ácerca della acontecer per
< * * * * * * * #.*…
*
* *
**
- -
gumas duvidas ácerca do modo, em que tence ao vendedor. }

fe a venda ha por perfeita quanto ao pe 2 E fe, pendendo a condiçaõ, a coufa


rigo, que fe depois fegue, as determinamos vendida foffe peyorada, ou damnificada
na maneira feguinte. em alguma parte, e depois fofe a condi
1. Primeiramente, para a venda fer çaõ cumprida, todo o damnificamento, e
perfeita, requer-fe que feja feita pura peyoria pertenceria ao comprador; falvo,
mente fem condiçaõ alguma; porque fe fe o vendedor foffe em mora, e tardança
ella foffe feita condicionalmente, falle de entregar a coufa ao comprador, por
cendo a condiçaõ, faleceria em todo a que em tal cafo pela culpa da tardança,
venda, como fe nunca fofe feita. E por em que o vendedor foi, carrega-fe a elle
confeguinte, todo o damno, e perda, que o damnificamento, que depois aconteceº
aconteceffe na coufa vendida em qualquer á coufa vendida, antes da condiçaõ cum"
tempo, pertenceria ao vendedor. E fe, prida.
Pendendo a condiçaõ, perecefe a coutá · 3 Efe as partes acordafem entre fi,
~~~ ,
* -- - - - - - < *> * . * .
__* . . . ' ' + ' </*.*** 2 |- que
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Do perigo, ou perda, que aconteceo na coifa vendida, &7'c. … 7


*# **
………………
Ilte ue da venda foffe feita efcriptura pu- azeite, ou efpecieria, ou outras feme
blica, e antes que foffe feita, e acabada lhantes, todo o perigo, que ácerca da dita
a nota do inftrumento da venda, pereceffe coufa affi vendida aconteceffe,antes que o @... /*...Z. c3 * ###" |
• • /* **>~~~~

comprador mediffe, e goftafe, ou pefaffe -> :~~~ #######


• • |-

a coufa vendida, pertenceria a perda della


ao vendedor. E depois da carta feita, • •
e goftafe, pertencia ao vendedor. Porêm, /*A 24,2% *É a*
| | < •
……
rú. . 2-(4. • •

todo o cafo, que fobreviefe á coufa, per- tanto que for medida, e gotada, ou pe- (……………………………… ### *>> >

&# 2.33.2,tenceria ao comprador, ainda que lhe a fada e gotada pertencerá o perigo ao "*****< * / …",
*
<r &,…
2,2 */> naõ fofe entregue fem culpa do comprador.
& coufa ==
Z" /22' +=# |- |-

/* • •
*3.3
/****
• •
->*****
>>…</*
- 4 . -;; é... ~~~~ ~~~~'
| ; |- <
'/ <></*****.

C

e%# , /7,# 53. vendedor. E o me{mo fe póde dizer em • •
6 E fendo vendida a dita quantida
• de,

. * * <><> . - (………… … ……… ---- < • -->* *

e…………………….. quaefquer contratos, que fegundo Direito naõ por medidas , mas juntamente em s...::.::.***. >…………
|- Z}%; x && requerem neceffariamente efcriptura pu- e pecie, pertencerá o perigo, que aconte-->…………………”: ~~~~****
I e><><><><blica. \ cer antes da entrega, ao comprador, ora --: # ^^ ……………………
} z<g?. --> , 4 E fe a venda foffe feita fem ne- o goftafe, ora naõ. Porêm nefte cafo: “………………………………………% ………… exce
• •

* **>
• < >> <''" <--*** *

(*
>

e ><><><> nhuma condiçaõ, e acabada de todo, e quando afi he vendida quantidade em ef: "… · · <>>…
|-

#
>^. is a ida
depo a couf vend fofe confi fcada e
peci fimp lezm ente fem term o algu m, a . ~~~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~
m
por algu male fici o,qu e o vend edor hou- que fe haja de receber, fe o vendedor ……………… }~~~ …………
veffe commettido,ou a mandaffemos Nós tomaffe o perigo em fi, ferá o perigo do ~.~ *; >######
tomar por alguma necefidade, antes que vendedor; falvo, fe o comprador, depois ~~~~ *** #2……
** * ** * foffe entregue ao comprador, em cada de o vendedor ter tomado o perigo em fi, , ###### ……………………">
•+ hum defes cafos pertence a perda, e goftafe a quantidade vendida; porque em 3 … . --> > >>
…… ^~ ### ## coufa ao vendedor. E fe já o efte cafo logo cefa todo o perigo, que o
• • • • ######### edor houveffe recebido o preço da vendedor tinha em fi tomado, e carregará
…………… ^ coufa vendida, deve-o tornar ao compra fobre o comprador. |

*# %"|"", dor. E em todo o cafo, onde o perigo, e


fr/? 7 E fè foffe entre o comprador, e o
· ...?). perda da coufi vendida pertence ao ven- vendedor pofio termo, a que o compra- |

a o ca->>> dedor, fe ele já houveffe recebido o pre-dor houveffe de receber a coufa, pafado
# <t>7. #…… ço, deve-o tornar ao comprador. E onde o dito termo, ferá o perigo do comprador. :
«… ……………………………………< > * *
* * * *
*&
e ~~ " " o perigo pertence ao comprador, fe ainda 8 E em todo o cafo, que as partes >/
*- -- - (…"

ele naõ tivefè pago o preço ao vendedor, convieffem, e acordafem que o perigo, e e2 = """""""""""
deve-lho pagar.
perda da coufa vendida pertença a cada >>>>> ………. …}
…………<< ~~~”.~ …………
2: …………… . Z^* */

5 E fe for vendida alguma quanti-hum delles em outra maneira do que aqui # ~~~~ . & 2 & 3, *, *, * * * * *

|-
-~~~ " -

+
|

• ~~ |

dade, que fe haja de medir, e goftar, ou declaramos, deve-fe cumprir o que entre ---->>> …………
* #<< < <><><><><>
…………………………………
<<

pefar e goftar, afi como vinho, mel, elles for firmado, e acordado. - ………… | |

• *** <" ##### |-


{{~~~~ • -
|
<"< * >,´< * <<<". *<>> > {'><>{{=} |
:* -> > >> > >>". • |-
|
|

#
T I T U L O IX. ~~

Da venda de coufa de raiz feita a tempo, que já era arrendada, ou algada


• a outrem por tempo certo. …………………………………………………………
|-

|

~~
……………………………….”*** «2. >"</c^* 7
• *

E algum homem vender huma cafà, dado entre o comprador, e vendedor que (………………………………………?
ou herdade,ou qualquer outra coufa o comprador cumpra ao Alugador, ou 2 * # : ; |- #### {
de raiz, a qual ao tempo da venda Rendeiro o contrato de arrendamento, 3% ………………… ...}}
tinha já arrendada, ou alugada a outrem, ou aluguer, que lhe foi feito pelo dito ven-> + …… "…………………………
e entregue a poffe della por tempo, que dedor,ou fe o comprador depois da venda 4, …………………………………………… ||
foffe menos de dez annos, naõ he o com- em algum tempo outorgou, ou por al- - --~~~~ . (-3-> ***** | ||
prador obrigado manter o contrato de gu ma maneira confentio que foffe cum-* * | |

aluguer, ou arrendamento ao dito Ren-prido ao Rendeiro, ou Alugador feu con- | |

deiro, ou Alugador; mas pode-lo-ha de-trato, que lhe foi feito pelo vendedor,
mandar, e contranger, que lhe deixe a ou fe o vendedor no contrato de arrenda-,..., 2. => "*** >/a. |
dita coufa fêm embargo do aluguer, ou mento, ou de aluguer obrigou geral, ou … Z... + I *- -

arrendamento, que lhe foi feito; falvo, fè efpecialmente a coufa arrendada, ou alu- ………… </ }, {*** |
no contrato de compra, e venda foi acor-gada ao Rendeiro,ouAlugador para cum-1}...}}~~~~</ |

<%-74. /*>{ -4 *.*… •


|-
/*_*_>>>. f".
|-

z</* . . (+2 - X
*
*
- primento
* |- •

z< 2 | : ~~~~ |- -- //&# ~~~~^~~~~ o……………… •

# -*1.
_* * &
* * --* *:*~~~~* #, . . ** - c * ----
O- *:→ ~~~~ …,
→ , + >> ><r … &<</ •

2. 2º - 7º : ~~~:*, *~~~ >>>>> --> . ~~~~... ?? - ?. ** Ze:


* = ** * |- …… + '~~~~
- c. …, … -- /** 6***/ >>> |

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-** ----6º. -**** -->>> << 2 +? " …
>". ...* é
3: ~~~~ < * *> :
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C ~~~~ 2,74 >

… … = 6; ><> < <> / < |

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__*_*_*_>
$ Livro quarto das Ordenaç65, Tit. 9., e Io. Ren
primento do contrato; porque em cada he, dando-lhe o Alugador # ou # {
deiro, e pagando-lhe todo feu 1m o de
hum defes cafos ferá o comprador obri
gado cumprir ao Rendeiro, ou Alugador fe, afi por repeito do C11º ####"
perda, queficar
o contrato do aluguer, ou arrendamento, damento recebeffe
em fila por cauf
força, fer"do? Com
ar
que lhe foi feito pelo vendedor, fem con
tradiçaõ alguma. prador obrigado a lhe cump" e guar

#******* exters =
7º I dar eu arrendamento, ou aluguer, ""
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/2 · 2º e Porêm em todo o cafo, em que


v…………… ~~~~} 4 outro algum embargo, nem contra
é?, aº }, o Comprador pofa desfazer o contrato
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}^^^^^ <e 2.2. ***** Das vendas, e alheaçoés, que fe fazem de coifas litigiofas.
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|5 c /. Ouía litígiofa he aquella, fobre meramente pefoal, afi como, fe hum ho


/
que he movido litígio em Juizo mem demandar a outro certo dinheiro,ou
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entre as partes. E ifto fe faz outra quantidade,em que lhe foffe obriga
| /***** * #4, "-63. * 3; algumas vezes,tanto que a parte he citada do, efa quantidade nunca em algú tempo
é para refponder em Juizo fobre alguma ferá feita litígiofa; mas a auçaõ fobre ella
coufa, ou fè nos dá informaçaõ, e Nós movida ferá feita litígiofa, tanto que a lide
commettemos o feito a algum certo Juiz. for conteftada, e naõ d'outra maneira.
E fendo a tal commifaõ moftrada a efe 3 Depois que a coufa for litígiofa por
Juiz, e notificado á parte contraria, logo cada hum dos fobreditos modos, pen
por cada huma deflas maneiras he a coufa dendo o litígio, antes que feja findo por
feita litígiofa. Eito fe fobre ella he mo Sentença definitiva, paffada em coufa jul
vida alguma auçaõ real, afi como,fe hum gada, naõ a deve o Reo vender, nem
homem demandaffe a outro alguma coufa, efcambar, nem dar a outrem. E bem afli
dizendo fer fua. |- - -
o Auctor naõ deve vender, nem paffar a
{ 4ºria 1 E fendo movida demanda fobre fer outrem a auçaõ movida fobre effa coufa;
***/ 4. * >>** 3 •

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vidaó de alguma coufa, e naõ fobre o fe e fazendo-o, a venda, ou efcambo da
2º - - -
<< * * * *- </'< **** .
### nhorio della, ferá a auçaõ feita litígiofa
coufa litígiofa, ferá nenhuma, e de ne
por conteftaçaõ da lide; mas a coufa naõ nhum vigor; e o que a comprar, ou ef>
ferá feita litígiofa em tempo algum; por cambar, fabendo que he litígiofa, torna
que naõ he movida queftaõ fobre o fe la-ha áquelle, de quem a houver, fem por a, ... << */?

nhorio della : e bem affi, fe for contenda ella receber o preço, ou outra coufa, que 3...? : ~~
fobre a poffe d'alguma coufa por auçaõ por ela tiver dado ao tempo, que a com- a * ***
real, que em Direito fe chama hypo prou, ou efcambou; mas todo efe preço,"""
thecaria, afi como, fe o crédor demandar oufa, que por ella deu, ferá applicado
ao devedor, ou a algum outro pofuidor a Nós. E outro tanto pagará para Nós o
a coufa,que lhe foi empenhada para haver vendedor, que a vendeo, ou efcambou,
por ella fua divida, em tal cafo efa auçaõ fabendo que era fobre ella movido litígio,
affi movida ferá feita litígiofa, tanto que antes que foffe findo por Sentença final
a lide for contefiada, e naõ d'outra ma paffada em coufa julgada:
neira; mas a coufa demandada naõ ferá 4 E no cafo, onde o comprador naõ
feita litígiofa, porque naõ he movida que foube que a coufa comprada era litígiofa,
- ftaõ fobre o fenhorio della. . { a venda ferá em todo cafo nenhuma; e o
2. Efe for em Juizo movida alguma comprador cobrará do vendedor o preço,
auçaõ pefoal fobre coufa certa, que foffe que lhe deu por ella, e mais a terça Partº
empretada, ou empenhada, ou poíta em delle, pelo engano, que lhe fez. E o ver:
dedor pagará a Nós outro tanto quanº
guarda, e depofito, ou devida por alguma
outra femelhante maneira, naõ ferá efa foi o preço principal,
Porêm, fendo aPorque a vendeo.
coufa litígiofa Ve11
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auçaõ, nem a coufa, feita litígiofa, fenaõ
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Por conteflaçaõ da lide. E fendo auçaõ didá, efcambada, ou doada Pelo alguma
3ººº
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u Rei Das vendas, e alheaçoês, queJëfazem de confis litigiofas. 9.
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alguma pefoa poderofa, por razaõ de fua Jëfazem geralmente: no Paragrafo: Efê _> e « * *
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Dignidade,ou de algum Oficio,que tenha, e/è condemnado. E naõ fendo delle fabe
pagará o Reo ao Auctor, feu contendor, dor, nem tendo razaõ de o faber, ferá
Com
com quem fobre ella litigava, o dobro do citado para a execuçaõ , e ouvido com:
e guar Preço, ou da coufa, que houve pela coufa feu direito fummariamente, fabida fó
} fem
litígiofa, que vendeo, efcambou, ou mente a verdade fem outro procefo.
Oltrl
doou. E ifto, álem da pena, que a Nós 1o Efe o que comprar a coufa lití
ha de pagar a qual he outro tanto,quanto giofa, ou trocar outra por ella, ou lhe for
pela coufa litígiofa houve da pefoa,a que della feita doaçaõ,antes que lhe feja entre
a trafpafou. gue, a demandar ao vendedor, ou ao que |

6 E efta me{ma pena haverá o Au lha trocou, ou doou, naõ ferá obrigado a
étor, que vendeo, efcambou, ou doou a entregar-lha, mas pode-lo-ha excluir da
auçaõ litígiofa em algum poderofo por demanda,dizendo que a coufa eralitigiofa
ho
razaõ da Dignidade,Oficio,ou Privilegio, ao tempo do contrato.
,Oll que tenha. 11 E pofio que a coufa litígiofa, ou • *

73
7. E fendo a coufa litigiofa dada gra a auçaõ geralmente naõ pofa fer vendida,
po ciofamente, fem o doador receber por efcambada, nem doada, ifto naõ haverá
lla ella alguma coufa, fe o donatario for fa lugar na doaçaõ feita por caufa de dote,
le bedor do litígio, álem da tal doaçaõ fer ou por razaõ de cafamento; nem em con
nenhuma, pagará a Nós a verdadeira efí trato feito entre litigantes fobre coufa de
maçaõ della; e o doador pagará a Nós que entre fi litígaffem; nem em partiçaõ
outro tanto preço,quanto for a eftimaçaõ feita entre herdeiros da herança fobre a
da coufa. E naõ fendo o donatario fabe qual litigavaõ, afi elles, como alguns ou
dor do litígio, tornará a coufa ao doador; tros herdeiros, pela qual razaõ toda a he
e o doador lhe pagará a terça parte da rança era litígiofa. Nem haverá lugar na
verdadeira eftimaçaõ della, e a Nós outro coufa litígiofa, em que for feita nomeaçaõ
tanto, quanto for a verdadeira eftimaçaõ. d'alguma coufa, que houver de andar por
8 E em todas eftas penas pofias ao
nomeaçaõ; porque em efte cafo fe poderá
Reo, que vende, efcamba, ou dôa a coufa fazer nomeaçaõ confórme aos contratos,
litígiofa, incorrerá o Auétor, que vende, e inftituiçoês,que fobre a dita coufa forem
efcamba, ou dôa a auçaõ movida em Jui feitas. Nem haverá lugar na coufa litígiofa,
zo, e feita litígiofa, como acima difemos. ue for deixada em te{tamento por via de
/ …."
* 9 E fe, depois de feita a venda, ef> legado; ferá porêm nefte cafo o herdeiro
...? { cambo, ou doaçaõ, o Auctor houver Sen obrigado a fèguir até o fim a demanda já
(mal
*
tença contra o Reo, que em-alheou a começada com o defunto: e vencendo a
coufa litígiofa, por effa me{ma Sentença demanda, entregará a coufa vencida ao
feja feita execuçaõ contra a pefoa, a que legatario. E fe o herdeiro for vencido, naõ
for vendida, efcambada, ou doada, em ferá obrigado a lhe pagar coufa alguma. E
cujo poder a coufa for achada, fem fer fe o legatario quizer oppor-fe á demanda,
mais chamado, nem citado, fe foi fabedor por fè naõ fazer nella algum conluyo em
do litígio ao tempo, que a houve, ou teve feu prejuízo, pode-lo-ha fazer em todo o
razaõ de o faber, como fe diffe no Livro tempo, que lhe aprover em quaefquer ter
terceiro, no Titulo : Das execuçoës, que mos, que a demanda eftiver.

T I T U L O XI.
Que ninguem feja confirangido a venderfeu herdamento, e coufas, que tiver,
contra fita vontade.
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co). --~a^c="' Ada hum poderá vender a fua outro parente; nem poderáõ dizer que
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coufa a quem quizer, e pelo - a querem tanto portanto. Nem poderáó ………………………………………………………
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melhor preço, que puder; e naõ os filhos, nem outros defcendentes def> ……………………………… ---- * * ~~~~

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• # * **

| 1o - Livro quarto das Ordenaçõês, Tit. **** Igum fu*


tanto, por dizerem q foi de feu ##### dores fem futpeita, e fendo a CIT1
2: ~~~~ ~~~~<? I Porêm, fe o Tefiador em feu teta peito, fe metterá outro em feu lugar, em
|| 94 /*2 - 2/* mento deixar fua herança, ou legado a al". maneira que fejaõ tres, avaliem o Mouro,
guma pefoa, mandando que o naõ pofa. informando-fe bem do que póde valer f:
vender, nem em alhear, fenaõ a algum feu gundo commum valia, e efimaçaõ, e ""?
irmaõ, ou parente mais chegado, cum fegundo afeiçaõ particular, havendo ref>.
prir-fê-ha o que pelo Tetador for man peito a fua idade, faude, faber, cotumes, o , a "
dado.
ferviço,dipofiçaõ,arte, e oficio ou outra… >~~
| 2 E bem affi, fe algum deu, ou ven qualidade, por bem da qual deva valer #####
} | |- deo alguma coufa fua a outrem com con mais, ou menos. E bem affi, fe he de ";" | *)
|| * • diçaõ, que naõ a pofa vender, nem alhear refgate, e fe tem delle tratado, e certifi-~~~ …… \
|

fenaõ a feu irmaõ, ou a outra certa pef


cado delle feu Senhor por Alfaqueque, de, "#
| foa, fazendo-fe a em-lheaçaõ em outra maneira que pareça que aquillo podera <<7/,
| maneira, ferá nenhuma, e de nenhum haver de feu refgate. E em aquillo, que,
| efeito. •

* *
acharem que na verdade poderá em falvo
{ * #%2, ………………………………? E o Emphyteuta, que traz a coufa haver, tirados todos os cuítos do regate,
####<--~~~ aforada de algum Senhorio, a naõ poderá afi de defpefas, como de dizima, fretes»
| ………… > > // vender a outrem, fe o Senhorio a quizer e quaefquer outros, avaliem tal Mouro
|| 4 ~~~~ # --> >> > tanto por tanto, como mais cumprida E o que naõ for de refgate, por-lhe-haõ
| #2, # ~~~~, , , , mente diremos no Titulo: Do Foreiro que fua valia, como dito he, ouvindo fempre
<
*** #~~~~ >$ 222 •

|| 2: ~~~~ ~ ~~~~ ~ vendeo oforo, &c. primeiro as partes fobre as ditas qualida
|- __><><><><><>~~~~* 4 E porque em favor da liberdade faõ des, para fua informaçaõ. E o em que for
| << > e <<<<< ***** muitas coufas outorgadas contra as regras avaliado, com mais a quinta parte da ava
| | <<< ************* geraes : fe alguma pefoa tiver algum liaçaõ, que he a razaõ de vinte por cento,
Mouro captivo, o qual feja pedido para façaõ dar, e pagar ao Senhor do Mouro;
* . 27. &#.
|| 2-3 * * * * * * * * * na verdade fe haver de dar, e refgatar al e naõ feja defäpofado dele, até fer pri
|| 23, 2-": Z #. ## }, } gum Chritaõ captivo em Terra de Mou meiro Pago de tudo o que houver de ha
### ……
# -->>> "> *|-* # • mandamo
que por
2 eros,remir; s quefeahaja
tal Mouro de cobrar,
pefoa, que tal ver,dando appellaçaõ,e aggravo ás partes
v = <.
| E em Liboa teráó o dito conhecimento
|~~~~ Mouro tiver, feja obrigado de o vender; ambos os Juizes do civel,fe naõ forem fuf,
{ e feja para ifo pela Juftiça contrangido. peitos, com hum Corregedor dos da Cida
# E fe o comprador, e o Senhor do Mouro, de Efeguindo-fecafo,por que tal regate
fe naõ concertarem no preço, no Lugar,
fe naõ faça, pelo Chriftaõ captivo morrer,
onde houver dous Juizes, e elles ambos
ou fetornar elche,fique efcolha ao Senhor,
| com hum dos Vereadores mais antiguo, que foi do Mouro, para o tornar a haver,
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naõ fendo fufpeito, e onde naõ houver tornando o que por elle recebeo, ou te
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mais,que hum Juiz, ele com dous Verea antes o preço, que tiver recebido. |

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Das vendas, e trocas, que alguns fazem com feus filhos, ou netos. J

},*/ Or evitarmos muitos enganos, e defcendentes, que houverem de fer her


demandas, que fe caufaó, e pó deiros do dito vendedor. E naõ lhe que
| dem caufar das vendas, que al rendo dar o confentimento, o que quizer
gumas pefoas fazem a feus filhos, ou ne fazer a venda, ou troca no-lo fará faber ;
tos, ou outros defcendentes, determina e fendo Nós informado da caufa,porque a
mos que ninguem faça venda alguma a quer fazer, e da caufa porque os filhos,
feu filho, ou neto, nem a outro defcen ou defcendentes lhe naõ querem dar con
dente. Nem outro-fi faça com os fobre fentimento, Nós lhe daremos licença, que
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** *::.ditos troca, que defigual feja, fem con a pofa fazer, parecendo-nos juíto, e fa
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* * * * fêntimento dos outros filhos, netos, ou zendo a tal venda, ou troca fem ###
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* - * * * * Do que quer desfazer a venda , porfer enganado, em mais exc, rr


+
………………………… /*

m fuf, fentimento dos filhos, ou fem nofa ex-fcendentes, que feus herdeiros forem, ~~~~ ~ ~ ~ ~
# em
|ouro,
prefa licença, ferá nenhuma, e de me como que etivéra em poder do vendedor = ; … + 2 + … =
nhum efeito. E por morte do vende- e fora fua ao tempo de fua morte, fem ^~~~~
er, fê-.. dor, a confi, que afi for vendida '+ por ifo pagarem preço algum ao que a Z… ==* * * & e 7">z-- _>
em? */

trocada, ferá partida entre os feus de- comprou. >…<<<<---- : : : • • |-


|

o ref. |- %22 |- 22° ----~~~ |


mes, … ~~~~ }__- = = =" --…………………… …… >->-.->
'utra……………
Valer &#77;" /**
T I T U L O |-
|-


|-

XIII. =>
* #~~~~*

|- ^ --

de "fr", Do que quer desfazer a venda, por fêr enganado em mais da amétade ………………………………………
tiň---- do jufo preço. ~~~~ ~ ~ ~ ~~~~ …………………………………
, de “” } • - * - - - • • • |- • |- • * # -- >> > > >> > >
era e Oto que o contrato da compra, e comprou, a vendeo depois por vinte: por- /*/. * *
ue venda de qualquer coufi movel, que poderia o vendedor fer por fua fim- """""""
vo - *: ou de raiz feja de todo perfeito, pleza enganado na compra, que fez , ou 62%..." * * *
é,
*S* *
………………… e a coufi entregue ao comprador, e o poderia o comprador fazer bemfeitorias */ {{# --~~~~
* * * * preço pago ao vendedor, fe for achado na dita coufa, porque feria muito me- <~~~~
0- vendedor foi enganado álem da lhorada. UIC #****** * * * *
O • • • •

ó 2 - amétade do juto preço, póde desfazer 3. Depois que a venda for de todo --~~~~
("... a venda por bem do dito engano, ainda perfeita, e acabada, naõ fè poderá desfa-1-.-><><> - - -
}
• # %^ ~~~~
}}, prador,
que o engano, naõ procedefe
mas fómente fe caufaffedodacom-zer, por o vendedor
fim- ao comprador tododizer que quer
o preço, que tornar ***************
delle " ----
/ *>

………………………? pleza do vendedor. E poderá affi me{mo houve,e mais outro tanto, mas requere-fé, ..." --- -
_><
… <rry. # 2, o comprador desfazer a compra, fe foi que feja enganado na dita venda álem da <<<<<><><><><>>>> > **** *
2 >> >> <<
/* >~~~~ ~ ~ ~ ~
• • / /**

/…………………………………pela
</*********, tà dita maneira enganado álem da amé amétade do juíto preço,que valia ao tem -- >>> >> > >> > * * • • || || |____*

###### ###de, do juíto preço. E entende-fe o o, que foi feita. "23.7.2 - 2 · 2º e 2 < | |

*-

######2 vendedor fer enganado álem da amétade 4 E fe depois que a venda for de – → → → →
………………………" do juíto preço, fe a coufa vendida valia - todo acabada, o comprador vender, dér,
</
J. e 7 < * * * * *
• • |
Z", •

• *
*<no **** ** ** por verdadeira, e commum efimaçaõ ao / ou efcambar a coufa comprada a algum …………………… 4º 98/
L/*****>tempo do contrato dez cruzados, e foi outro, naõ deixará por tanto o vendedor . JAE - Z^2 - - - ~~
#- |- *

*~ ~~~~**/vendida por menos de cinco; e da parte de poder demandar o comprador pelo be- _><><><> >> > <o
/** } * do comprador fè entende fer enganado, neficio defta Ley; porque, poíto que naõ ~~~~ ~ ~ ~ ~ ~ ~
<//* ***
_>

o 2º??? ' >> > > {"", fe a coufa comprada ao tempo do con
* offa tornar ao vendedor a coufa ? pois < >> >> > > >> >> > **
<*
>>>>> -5. <>> > * * * * * * ***

__****** trato valia por verdadeira, e geral etima naõ eflá em feu poder,poder-lhe-ha fupprir; */ |- • , |- , /> i-- { --* * * * *
_><><><>
. * >… –/

//. . # - } 27 - çaõ dez cruzados, e deu por ella mais de e refazer o juíto preço,e fupprindo-o, fica É…
----* > |-. --~~~~
*_> --*
~~~~
… -->
quinze. * –
de todo livre. •


|-

1 E querendo o vendedor desfazer o


E o remedio, e beneficio para fè –
contrato por a dita razaõ, ficará a efcolha taes contratos poderem desfazer por cau
e…
*

** *

……

no comprador, ou tornar-lhe a coufa, e fa do dito engano, havemos por bem, * >"

* * * * ** * receber o preço, que por ella deu, ou refa


/ *
que dure até quinze annos cumpridos, e # ~~~~ ~ ~ ~ ~
# --~ zer-lhe o juto preço, que fe provar que contados
contade do tempo,que os contratos foraõ a "(……………………………………………… - - • • * *

_> . -- valia ao tempo do contrato. E querendo feitos, até que os enganados citem aquela. …… * ~~~~ * * 2; • • • •• • , |- *~ . ***

* - - - 2 o comprador desfazer o contrato por bem


|- • les, com que os fizeraó, ou feus herdeiros, 2. * * * *>> > >> > ,
• •• • • • • • • : <~~ * - * <_*-- |

# --~~~~ do dito engano, ficará a efcolha ao ven- para desfazerem os ditos contratos. E """" /** } ~~~~
*
* * * * *dedor, ou tornar-lhe o preço, que houve, pafado o dito tempo ficaõ firmes, e naõ "">* * * * * *
** |- |- • • • • |- • • <~~~~ |- • ** * ~~

* *-*-* * *
***: ~~~~ }
" "), e cobrar a coufa vendida, ou tornar-lhe fe poderáõ mais desfazer por razã5 do ~~~ …………………………………… • |- |- /* * ~~~ |

/***** a mayoria, que delle recebeo álem do que dito engano. - *: ~~~~
< > >> * *
_>.

</~~~~, a coufa juítamente valia ao tempo do 4. 6 E todo o que dito he, ha lugar naõ *…………………
* * * >> > >> > >>>
* * •

> "",
• •

*** e ** 2 * contrato. ~ • …* * * fómente nos contratos das compras,e ven


# / i ^ . • |
|-

* * * * *.*……………
>~~

^ ~~~~ ~~~~
·
// <re 2+2+. e_*
© <<> >>> **
2 •
E naõ baftará para desfazer a venda, % das, mas ainda nos contratos dos arrenda
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#######| depois que for perfeita, dizer o vendedor mentos,aforamentos,efcambos, e tranfâu \ ,
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que a coufa, que vendeo por dez, lhe cu-goês, e quaefquer outras avenças,em que
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fiára vinte; ou que o comprador, que lha fe dá, ou deixa huma coufa por outra. ……………………………………… a |
- Liv. IV.

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· 12.

** Livro quarto das Ordenaçoës. Tit. 13., e 14.


|- P~~} • – * |

| 7 E ainda que alguma coufa feja venaria, Carpinteria, nem outros quaef
||
- |

| ………………………………vendida quer Oficiaes nas obras de feus Officios, por mandado de Juliça em pre
|
|
*****************gaõ, e em Praça cotumada, fe depois for que daqui em diante tomarem, nem das
……………………………… achado que alguma das partes foi enga que tiverem tomadas de quatorze dias de
nada na venda, ou compra, álem da amé Janeiro do anno de mil quinhentos oiten
tade do juíto preço, pode-lo-ha desfazer ta, e oito em diante, por fi, ou por inter
pelo beneficio defla Ley até quinze an poftas pefoas a concerto de partes, ou
nos. Porêm, fe ao tempo, que a tal arre fendo-lhes arrematadas em pregaõ; nem
mataçaõ fe houver de fazer, o Porteiro fejaõ ácerca do remedio defla Ley ouvi
notificar ao Juiz,que a manda fazer,como dos em tempo algum. Porque, profefando
trouxe a tal coufa em pregaõ todo o tem fer Meftres daquella Arte, fabem, e tem
po da Ordenaçaõ, e naõ acha por ella razaõ de faber o verdadeiro preço das
mais, que o preço, que nella he lançado, o taes obras.
Juiz póde mandar novamente requerer o 9 E pofio que as partes renunciem o
devedor, que pague a divida, fe naõ que beneficio defla Ley, ou digaõ nos contra
a coufa, ou penhor ferá arrematado pelo tos que fazem doaçaõ da mayoria, que a
preço,que nele he lançado, porto que feja coufa mais valer; e poíto que fe diga,ou fe
pequeno, pois fe naõ pode por elle mais pofa provar, que fabiaõ o verdadeiro
achar. E fendo feito efte novo requeri Preço da coufa, todavia as partes poderáõ
/* # : ~~~~ ~~~~ mento,fe até oito dias primeiros feguintes, ufar do beneficio defta Ley, naõ fendo os
* * *****: *" * …………………- 4: o devedor naõ pagar a divida , e o Juiz Oficiaes, de que acima fazemos mençaõ.
| || {': 2 :: .9e É"> * #">>> mandar fazer a arremataçaõ,e for feita em E a tal renunciaçaõ, doaçaõ, ou certeza

{ |- •

}
/*
* **
-" **," .* *~~ <><><>
7 c >>/*~ pupublico
1CO 1 ugar ? <! C coflumado fem alguma
g { {
havemos por nenhuma, poíto que neftes
- ***.*… … … … … … … arte, ou engano, tal arremataçaõ afi feita cafos outra coufa feja determinada por
· ::::::::::::::: por auctoridade, e efpecial mandado de
* 4. • - - - • • • •
Direito Commum. |

{ # * # :; Juftiça,naõ poderá fer retratada,e desfeita


<' ...}) . "X . . * >> • • 1º - E no cafo, em o qual alguma pef.
………………5 * * * *
---2--|#
>>
* * * *- c >>* * * * em tempo algum por razaó da falta do foa desfizer qualquer venda, ou compra,
4. *
<< <<<<<</** juíto preço, nem por o comprador dizer
<
{ /* ora feja feita em pregaõ por auctoridade
• ue foi enganado em dar por a coufa mais de Juftiça, quer acordada entre os con
. ****************
^ <//> da amétade do juíto preço. Porque, pois
*** • • • • • • V • • trahentes, por allegar, e provar que foi
< 2 ? c. ………………”
*** 7.2. •
"… “o comprador quiz fazer a dita diligencia
<e<< z^r++ • • enganado álem da amétade do juflo pre
"""""###"……………… dos oito dias, para o fenhor da coura, em
* ** |- * ** * * * • *~~
ço, e efcolher tornar a propria coufa,
| …………… que he feita penhora, naõ poder ufar do fempre com ella reflituirá os frutos do
|- beneficio defla Ley, havemos por bem tempo da lide conteftada em diante. E
*/ |

* •

que affi mefimo naõ pofa delle ufar o fe o engano, que fe alegar, e provar, for
< * * 2, 3.3 - -> x********
* * * comprador. enormifino, reflituir-fê-ha a coufa pre
…………………………"
* * * * * * . * > /> / ( ** * * <~~
|-

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Z
………………………………. # 8 E do beneficio defla Ley naõ po cifamente com os frutos do tempo da
, -/ / – • •

/* * # : ~~~~ deráõ gozar os Oficiaes de Canteria, Al venda em diante.


| # …? * * * * * ……………a
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< 6. *** * * *
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XIV.
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Que ninguem venda, nem compre Defèmbargos.


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• •

* / 3.2. *.2 %
# **

* ** (2…………………………
* 2.23. Efoa alguma de qualquer fórte, outro tanto; amétade para nofa Camara, {}
| | < c < >,´< * 2 * * * * * * naõ compre Defembargos nofos, e a outra para quem o accufar. E fe o que
3.4 - «» ~~~~####""" da Rainha, e do Princepe a comprar os ditos Defembargos, ou tomar
em pagamento de qualquer coufa , que fe
…………………………………………… dinheiro, nem a mercadorias, nem a ou
• < /* ******* |- • • •

{"",,,,22% ~ tros alguns partidos, ainda que fe poffa pofa dizer que fe lhe deve,for nofo Con
• <! /* * * * •

... . 2: ***@._*. *** . * dizer que deu por elles outro tanto como tador, Eferivaõ dos Contos, Thefoureiro,
# …………………
</
-->.*: */{
|
## // valiaõ. E o comprador, que o contrario Almoxarife, Recebedor , Eferivaã do
… 3 …>"</** •

, -- fizer, perderá em dobro a quantia do Def Thefouro, e Almoxarifado, ou outro <

• …… >" * * * >> <</ «…………? embargo, que affi comprar ;


<' . G O vendedor algum Oficial de nofa Fazenda, ou Pe?
* * * * * * */ > >,´< y/? * «…………………………
* - - foa
- •

- * * * 7" *** “… %, # . *.*/>.


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• • - *: * - "2 + .
3s quaef Que ninguem venda, nem compre Defembargos. 13
Oficios, foa das que andaó,e fervem nella na Corte, naõ por ferem já os Defembargos com
nem das ou Corregedor, ou outro algum Oficial prados; porque naõ o fendo, a procuraçaõ
dias de de Juítiça, ou outro Oficial nofo, de fómente fe faz que os recebaõ pela parte,
* Oiten qualquer qualidade que feja, perca pelo para lhe trazerem feu dinheiro, e darem
|r inter. me{mo feito toda fua fazenda movel, e de delle conta. • •

CS , OU raiz,amétade para o Hofpital de Todos os 2 E fe algum dos fobreditos, que affi


; Ilêm Santos da Cidade de Lifboa,e a outra para comprar, ou vender os Defembargos, o
Ouvi quem o accufar;e haverá a pena crime,que defcobrir ás noffas,Juftiças,antes que cada
lando houvermos por bem. hum delles por ifo feja accufado, ou
C têm 1 E porq, depois de os Defembargos antes de fer por Nós feita mercê a alguma
das ferem comprados, os vendedores fazem pefoa, Nós lhe perdoaremos todas as
procuraçoés fimuladas aos compradores, penas defla Ordenaçaõ; e naõ haverá
'm O dizendo que lhes daó poder, que por elles, pena alguma, com tanto que próve a com
|[Tí!
e em feus nomes, poífaõ receber os taes pra do Defembargo ao tempo, que pelas
C 3
Defembargos por outro tanto dinheiro, Juítiças para ifo lhe for aflignado; e mais
ufe que delles tem havido, mandamos que os haverá o que o defcobrir, e provar, amé
iro taes Defembargos com as ditas procura tade de tudo o que a outra parte por efia
áó
çoés fêm mais outra nenhuma prova fejaõ Ordenaçaõ he obrigado pagar. E porto
OS
havidos por comprados, para incorrerem que o naõ próve, naõ lhe prejudicará a
nas fobreditas penas. Porque, quando em confiffa5,que fez, da compra, ou venda do
elles fe mette a dita condiçaõ, naõ he, fe Defembargo.

T I T U L o
Que os Corregedores das Comarcas, e outros Oficiaes temporaes naã comprem
XV.
bens de raiz, nem façaõ outros contratos nos Lugares, onde faó Qíficiaes.
1
/* */
|- * ___* ~~~ * -> <> << #*
<" ***
À S Corregedores das Comarcas, Efcrivaés, que forem póftos por tempo …… ( << < <> *-
< >>> / '>> > >> > >> " * * *
Y
} e Ouvidores dos Infantes, Me certo. E qualquer, que o contrario fizer, *-- --><-.**
***
<* *
*
* * *
* *
**
\_A7 fires, Prelados, Condes, Ca haja por pena, que o contrato feja nenhum; 2 --.-<-< <~~ ~ ~ ~ ~ >". **
*
~~~~
pitaés,e de quaefquer Senhores de Terras, e tudo aquillo, que por bem delle receber, <~ <!
***
|

que forem pólos em alguma Comarca, fizer,ou houver, feja perdido,e confifcado ~~~~ 2º - ? •* ~~~~ * (e ~~

* *
• ~~~~ } *

Cidade, Villa, ou em algum outro Lugar, para nofa Corôa. E ifto naõ haverá lugar *
* * * * * * << < < < < << < *

<" <> - - **** * *** . ** *


e os Juízes temporaes; e aquelles, que nas cafas, que alugarem para morar no *

* * * ** * 22.
pomos em algumas Cidades, ou Villas, tempo,que durarem em feus Oficios; por - --
* =´
* *
=
** *

** *
*

*
}
*
|- |

~~~~

fem limitaçaõ de tempo certo, durando o que taes alugueres,e arrendamentos pode _* * * * * *
tempo de feus Oficios, naõ poderáõ fazer ráõ licitamente fazer; nem haverá lugar, < > (~~~~
|- }
** * * ** * * --*. --
cafas de novo, nem comprar, nem afo quando repairarem as cafas, que tinhaõ, * ** <<
|-
* **
*
* *
*
|

_*
rar, nem efcambar, nem arrendar bens antes que fofem Oficiaes. - - - - - _> - |-
*>
*•
|

« ** * * *** * ** ** *
***

* ** * • • •

alguns de raiz, nem rendas algumas; nem 1 Outro-fi, naõ poderáõ ufar de mer é <<<<><> --> . …………………… >"
***

-* *** **

poderáõ receber doaçaõ de nenhuns bens cadorias, nem compra-las, para revender, *
- 3^- «……………………..4 = < * * * * *
** * -
}
moveis, ou de raiz, que lhe feja feita nem comprar fiado; nem receber empre > - /** , , ~~ . *******
*-*

* * . * . * * * & = < < *** ~~~~

por alguma pefoa de fua jurifdiçaõ;{alvo, fiado de pefoa alguma,que feja de fua ju +

< > ><><><><><>< * * * * */. * >> *


|- >

fè for de feus afcendentes, ou defcenden rifdiçaõ, na terra, ou Lugar, onde tiverem - ** 2. |-


* • |

«« ** * …- , « * ** *********
tes, ou tranfverfāes dentro no fegundo os Oficios. E o que o contrario fizer,perca} < **
|- A 2º: *4* * *
|- * ** * * <<<<
A A4

~~~~ • • •
**

gráo inclufive, contado fegundo Direito toda a mercadoria, que contra efia defefa … "Y,é <r.--• : ~~~~ 3.4. *>>>•
|
• *

Canonico. E efia me{ma defefa fè enten comprar; e o que receberem emprefiado, ~~~~ *<<<< * .
~~

* * -> ~~~~ . ~~~~


*

>> > |

derá nos Oficiaes, que com elles anda paguem a quem lho emprefiou, e outro * * * ** *----* *cae * * >*>> *~~~~
• #~~~~ >> > >> > |

rem, afi como, Meirinhos, Chancereis, tanto para a Corôa de nofos Reynos. :)* * >>* ~~~~
* *
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* ***> --

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…………. o__ *<<<><><><>…


………………… …
{< * * …
* * * *…
* … … … … … …":
~~~ ••
Í4 Livro quarto das Ordenaçoês.

T I T U L O XVI.
Que os Clerigos, e Fidalgos naõ comprem para regatear.
S Clerigos de Ordens Sacras, lhes he por Direito defefo. E por tanto
ou Beneficiados, e os Fidalgos, mandamos ás nofas Juftiças que lhes
e os Cavaleiros, que eftiverem naõ confintaõ negocear em femelhantes
em acto militar, naõ compraráõcoufa negocios. E aos ditos Clerigos, e Benefi
alguma para revender, nem ufaráõ publi ciados fequeftraráõ as me{mas mercado
camente de regatia; porque naõ convêm rias, e faráõ actos, que remetteráõ com as
a fuas dignidades, e efiado militar entre mercadorias aos Juizes Ecclefiafticos feus
metterem-fe em acto de mercadejar, antes Ordinarios.

T I{''...'T+ U L O
(*<<<>* ' >>>>… … … <'+ … Z"J" <* * *
XVII.
(~ >
Quando os que compraó eferavos, ou belas os ;****
ou manqueiras. poderáó enjeitar por doenças, ,
c >> > >> > t' ->> > >"

*
--***
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a nº 3.2/***
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Ualquer pefoa, que comprar al quer vicio do animo (que naõ feja de fu
• •

/* <<< 2 z_2 * * gum efcravo doente de tal en gitivo) e o vendedor o calar, naõ pofa o
/ Z
fermidade, que lhe tolha fer comprador enjeita-lo; poderá todavia pe
vir-fe dele, o poderá enjeitar dir o que menos val por caufa do tal vicio,
: ~~~~ , ,#
, -, "o r"
/ …
/* * * * * * a quem lho vendeo, provando que já era pedindo o dentro de hum anno, contado
doente em feu poder da tal enfermidade, no modo acima dito.
………… 4,2% ra …………… ----
com tanto que cite ao vendedor dentro 3 Se o efcravo tiver commettido al- c * * *
// *-* ********* entregue.
de feis mezes do dia,que o efcravo lhe for gum delicto, pelo qual fendo-lhe provado "###" -

mereça pena de morte, e ainda naõ for


1 E fendo a doença de qualidade, ou livre por fentença,e o vendedor ao tempo …………
* * *

em parte, que facilmente fe deixe conhe da venda o naõ declarar, poderá o com<<< < < < <
... e or """
____ : ~~~~..., cer, ou fè o vendedor a manifeftar ao prador enjeita-lo dentro de feis mezes …": " ***
> > <<< *** e *** a tempo da venda, e o comprador com
<}, : *** * 2 Cziz A**
*> Z contados da maneira,que acima difemos. "; """" •

*', # ~~~~
Z~~~~ . </ …3
5º. prar o efcravo fem embargo diffo; em E o me{mo ferá, fe o efcravo tiveffe ten- {^^^^^
/ – P • •

<<<>.
*** 6. taes cafos naõ o poderá enjeitar, nem tado matar-fe por fimefino, com aborre-
21 - 2 x . •
→ - •

|- pedir o que menos valia do preço,que por cimento da vida, e fabendo-o o vendedor /*
*******
. * * * */ A *

ele deu por caufa da tal doença. Porêm, o naõ declarafe. >

fe a doença, que o efcravo tiver, for taõ 4 Se o vendedor afirmar que o ef> /*
leve, que lhe naõ impida o ferviço, e o cravo, que vende fabe alguma arte, ou
vendedor a calar ao tempo da venda, naõ tem alguma habilidade boa, afi como
poderá o comprador enjeitar o efcravo, pintar, e{grimir, ou que he cozinheiro,
nem pedir o que menos val por caufa da e ito naõ fómente pelo louvar, mas pelo
tal doença. ******~~~~ **>> > 5. vender por tal, e depois fe achar que
…………………………………………………………"2. Se o efcravo tiver algum vicio do naõ fabia a tal arte, ou naõ tinha a tal
* 4-C-* * *C */ Z^>>## animo, naõ o poderá por ifo o comprador
<< y . . • . * * ** * • • • •
habilidade, poderá o comprador enjei • •

{} * #;">.*?, 73 enjeitar; falvo, fe for fugitivo; ou fè o ta-lo. Porêm, para que o naõ pofa enjei
, , , > 3...^<>………… vendedor ao tempo da venda afirmafetar, batará que o efcravo faiba da dita
#:: ~~~~ ~~~~ . * #2, que o efcravonaõ tinha vício algum certo: arte, ou tenha a tal habilidade meya
#T ^= ~\ ~~~~
^ —zz.
or=# #::: afi como, fe difeffe que naõ era bebado, mente. E naõ fe requerer fer confum
• * ( e ***" < •

- *: ###### ***** # nem ladraõ, nem jogador; porque achan-mado nella.


* * * * *< ^ ~ ~ • { • • / • @

· U | | < do-fe que ele tinha tal vicio ao tempo da 5 Se o efcravo, que fe póde enjeitar
………………………………………………2° venda, o poderá enjeitar o comprador, por doente, falecer em poder do compra
#::::4 -~~~~.
*. Z 4.
Py-3 * ###"
---- |-
* * Porêm, ainda que por o efcravo ter qual- dor, e ele provar que faleceo da doença,
}~ { que
* * *1-\ … …, a 3...?, e r=, >". > >>~~ - • * • *-- *> • X •

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* #- • 2%
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2 … … …………………………
Quando os que compraõ efêravos, ou befas, os poderáõ27'c. I5
que tinha em poder do vendedor, poderá que lhe foi entregue, poderá citar, e de"
pedir, que lhe torne o preço, que por elle mandar ao vendedor dentro d'outro mez:
deu. E quando fe o efcravo enjeitar por e affi dentro de dous mezes contados do
fugitivo (como acima difemos), poderá dia da entrega. E ifto etando o vendedor
tälltO o comprador pedir o preço, que por elle no Reyno; porque eftando fóra dele,
lhes deu, poíto que ande fugido, com tanto poderá o comprador protetando, e fa
3llte3 que poffa provar que em poder do ven zendo a diligencia acima dita, cita-lo
inefi dedor tinha o vício de fugitivo : e dará dentro de hum mez do dia, que chegar ao
ado fiança ao bufcar, pondo nifo toda a dili Reyno.
encia de fua parte, e ao entregar ao ven 8 E o que dito he nos efcravos de
Tl dS
feus dedor, vindo a feu poder. Guiné, haverá lugar nas compras, e ven
6 E enjeitando o comprador o ef> das de todas as betas, que por quaefquer
cravo ao vendedor, tornar-lho-ha; e o pe{Ioas forem compradas, que fe quize
vendedor tornará o preço, e a fifa, que o rem enjeitar por manqueira, ou doença.
comprador pagou, e affi o que tiver dado E ainda que os efcravos fe naõ pódem
ao Corrector, naõ fèndo mais, que o que enjeitar por qualquer vicio, e falta do
por Direito, ou Regimento lhe for de animo como atraz he declarado, as be
^
vido. E afi mais pagará o vendedor ao {tas fe pódem enjeitar por os taes vicios,
comprador as depefas, que tiver feitas na ou faltas do animo : affi como fe fem

#
cura do efcravo, quando por caufa da caufa, e naõ lhe fendo feito mal algum
doença o enjeitar. fè e/pantarem, ou impinarem, ou rebel
7. Se o efcravo,que o comprador quí larem.
zer enjeitar for de Guiné, que elle hou 9 E todas as coufas acima ditas fe ,
veíTe comprado a pefoa, que de lá o trou poderáõ enjeitar, naõ fómente quando &<<
Xeffe, ou ao tratador do dito trato, ou ao faõ havidas por título, de compra, mas | • <?
mercador, que compra os taes efcravos ainda fé forem havidas por troca, ou ef> "",>>>>> >> >> >/<
} * 323 · ………………… "> : • > 2.º
|| 22
*
para revender, naõ poderá fer enjeitado cambo, ou dadas em pagamento, ou por… " **
> 3. (2~~~ ---*-
-" <
* *

fenaõ dentro de hum mez, que lhe correrá qualquer outro titulo, em que fe trapaffè ";"> … __*

<><><><><>
- -

* *
………………
{ do dia, que lhe for entregue para dentro o fenhorio; mas naõ fe poderáõ enjei-Y~~~~***** >> > ** * •

-\"."
*** * delle citar, e demandar ao vendedor, que tar, quando forem havidas por titulo de- **-*.
doaçaõ. •
~~~~
: ~~~~
…”
(**/.*
|-

{ /* }
lhe torne o que por elle lhe deu, provando
*>/7" que ao tempo da entrega já era doente da Io Eas couf.s,quenaófaganimadas, …2**?…………

_*_* * doença, ou manqueira, porque lho enjeita: quer feiaõ moveis, quer de raiz, fe pode-_44^{X_2 <~~~~
/*}
, 4
o que haverá lugar, quando ambos efti ráõ enjeitar por vicios, ou faltas, que 2?"#x2 *****>>>>>>>>
72"/
veífem em hum me{mo Lugar; porque tenhaõ, afi como hum Livro comprado, e 2.2. * #%3. *. (…
naõ etando ambos nelle, proteftando o no qual falta hum quaderno, ou folha em
comprador ao Juiz do Lugar,a onde eflá, parte notavel, ou que etá de maneira,que
v4.7%, Z. e moftrando o efcravo a dous Fificos, fe fè naõ pofa ler; ou hum Pumar, ou
63. 53.3%). os houver,ou ao menos a hum examinado, Horta,que naturalmente fêm induítria dos
que digaõ que he manco, ou doente da homens produz plantas, ou hervas peço
doença,ou manqueira, que tinha ao tempo, nhentas.

T I T U L O* - |- |
XVIII. • |

Quando os Carniceiros, Padeiras, ou Taverneiros, fèráó cridos porfeu jura


mento, no que venderem fiado de feus me/teres." Coll. I.
"Ilum. I.

Carniceiro, que dér carne fiada tenhaõ teftemunhas,porque pofaõ provar


a alguma pefoa, ou Padeira as dividas, havemos por bem que fejaõ
aõ, ou Tavermeiro vinho, e cridos por feu juramento; com tanto que
demandarem em Juízo feus devedores, a a divida naõ paffe de mil reis. Porêm,
que as ditas coufas fiáraõ, porto que naõ fè o Carniceiro, Padeira, ou Taverneiro,
fe calar
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>>………………………</*** - - - -
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// ->…………

I6 Livro quarto das Ordenaçoês, Tit. 18., e 19.


fe calar por hum anno, contado do derra- em quantidade alguma, mas poderáõ de
deiro dia,que deixou de dar carne, paõ,ou mandar o que fómente provarem. E nefte
vinho fiado a feu devedor, fem nunca mais cafo valerá a prova de huma teftemunha,
requerer a paga a quem o fiou, fendo eles ou a confifaõ da parte, poíto que feja
ambos no Lugar, e naõ tendo legitimo fóra do Juizo, e em aufencia da outra
impedimento,porque o naõ pudefe reque parte, ou outra qualquer femelhante pro
rer, naõ fejaõ cridos por feu juramento va, em a quantia dos ditos mil reis. __><
>> > vs ~~~~ ~ ~~~~ ~ ~~~~ : ~~~~

- - • • • • •
T I T U L O
Do que prometteo fazer efcriptura de venda, ou de outro contrato, e
*
XIX.
S@* ……………………………… depois a naõ quer fazer.
………………………………………… E algumas pefoas fizerem contrato apraz fazer-fe em efcripto, pofio que ex
~~~~ ~~ \\ de venda, ou doutra qualquer con prefamente naõ digaõ que d'outra ma
|- --7 *** vença, e ficarem para fazer efcri neira naõ valha, affi fe deve entender;
| −.
* ", -* * * * *** |-

* * * * * --… ; ptura defe contrato, antes que fe a tal porque em efcripto fe chama, quando
• P

*,<}*, * * * * * * *: ********** ………………………… efcriptura faça, fe póde arrepender, e a efcriptura he de fubfancia do contrato,

# , , • * , • , , , , # 2. arredar da convença o que havia de fazer ou convença. Por tanto neftes cafos, e
• • •

>> > >………………………………a efcriptura. E ido haverá lugar, quando em outros femelhantes a convença naõ
"…………………………………………ó contrato for tal, que fegundo Direito tem firmeza alguma, nem póde valer •
…………………………………………… - naõ pofa valer fem efcriptura, e que a nem obrigar as partes, fenaõ depois que
«……………………………………………… ecriptura feja de fubftancia do contrato;a efcriptura he feita, e lida, e affignada "Ä/****** * * **

... .. */<><>, …………… afi como nos contratos, que fe devem fa pelas partes. Pelo qual por Direito cada *** *--* -
……………………………………………………zer, e infinuar; e em contrato emphyteu huma das partes fe póde apartar do con--25 ·
***: ~~~~ ~ ~ ~ ~~~~, tico de coufa Ecclefiaftica; e em outros, trato, antes que por feu affignado firme a…………………
*>.*?<' .
*********** que fegundo Direito faõ de femelhante convença. ……………… }
………………
. => >> > -
}


{// <> - 3.. ;}, }}, . qualidade, e condiçaõ. 2 E quando as partes afirmafem en- 2. |- ***
/

.............?) . . . 1 Outro-fi haverá lugar, quando as tre-fi alguma convença, de que a eferi
// -> -

, + : , , ..., . 2: , c=2,..}, partes, ou cada huma dellas differ expref ptura naõ foffe de fubtancia de contrato,
• --* |- |

. * . 27. ^2 > < Z ………… famente, que fua vontade he que o con poíto que depois de a terem fimplezmente
trato fe faça por efcriptura, e que d'outra afirmada, diffeffem que fofem fazer ef
………………………………………………… maneira naõ valha. Ou poto que o ex criptura, fendo a coufa fobre que fe fez
* 2.2. ***.*… … … … prefamente naõ diga, fe por algum modo a convença, ou a quantia tal, que fegundo
……………………………… …………… "fe pudefe entender que fua vontade era nofas Ordenaçoês naõ fe pofa provar
……………… …… * '''...] que fem efcripto naõ valefe, afi como, fenaõ por efcriptura publica, fe a parte
| "............... … quando algumas pefoas de efiado, ou de confeffar que a convença foi entre elles
........... .::.::.: ~~~~ grande qualidade querem entre fi tratar afirmada, ferá contrangida a fazer della
* # : ~~~~ 2.7 %" alguma convença, e de huma parte a efcriptura. E fe a parte negar que entre
: : : : ~~~~* * * outra declaraó por efcripto fuas vonta eles foi feita a tal convença, e por con
#***************
…………………." -->A <> ****
des,antese que
tençaõ, fejaõqueconcertados
depois em huma
por feus efcriptos feguinte que naõ ficou com elle de lhe
fe fazer
concordaó, confirmaõ fuas convenças
S_
efcriptura, e a outra parte difer que
quer provar por teítemunhas, como ficou
por efcriptura. E em tal cafo fe deve por de lha fazer, naõ ferá ouvido em Juizo
Direito entender que, pois por efcripto fobre tal razaõ, falvo, fe quizer deixar em
tratáraó fempre fua convença, e naõ por juramento da outra parte a coufa fobre
palavra, fua vontade era fer o contrato que for a demanda ; , porque em outra
celebrado por efcripto. E póde-fe pôr maneira facilmente fe faria engano á Or
outro exemplo: Quando as partes querem denaçaõ: Das provas, que fe devem fazer
fazer alguma convença, e dizem que lhe por efcriptura publica. |

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T I T Uque/ L O XX.
Como fè pagará o paõ, vendeo-fiado, ou fè empre/tou. . 3 …": { ce_> >> << * * * * * # --~~~~ • </ <
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Ofio que algumas pefoas vendaõ vendedores naõ peçaõ o pagamento ao >{……” 2% <" <<

C/ 2. ~~
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paõ fiado por quaefquer preços dito termo, ainda que lho peçaõ depois 2:--- ** *****
declarados nos contratos,ou paraem qualquer outro tempo. E os que rece {''</ * * * *** >> . -> <> -

lhe pagarem a mór valia, que valer no Lu berem empreftado pela dita maneira, naõ - - - -4 * * * <><></

…………………………………………"
gar, ou Comarca, onde o venderem, fem feráõ obrigados a pagar em paõ, fenaõ “3. * . * > . * * * *
lhe pôrem tempo certo, ou para lho paga até o dia de Nofa Senhora de Agofto, /******** - 3 ……………
rem em termo de hum anno, ou mais; pofio que d'outra maneira fe obrigafem. • 2 ---- •

>>>>>*.* < " ex- e^.+2 <<< **


ou fe empreftarem paõ fem lhe pôrem E naõ pagando no dito tempo, por os
tempo certo, ou termo de certos annos; crédores o naõ demandarem, feráõ obri _>~~~~ <~~~~ –~~~~ • • |- ~~~~

< > >> >> << --***** __>


mandamos que, fêm embargo dos preços gados a pagar o dito paõ a dinheiro á mór , =
- , --*
3 = #e7e92. ******** -> ~~~~
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* *

declarados nos contratos, os compradores valia, que valer defdo tempo, que o rece
naõ fejaõ obrigados pagar o preço do berem, até o dito dia de Nofa Senhora, e < > >> >> >/** > +
*
*
|-
*
*

>A dito paõ, fenaõ á mór valia, que o tal paõ mais naõ;ou a paõ, qual os devedores mais /*=>~~ ………………………… --) = +'~~ ----

| valer commummente, a dinheiro de con quizerem ao tempo da paga. O que ha |

tado defdo dia,que o comprador o receber, verá lugar em quaefquer pefoas, poto ––…………………… _>>> > >* * *
'> . –4 Z^2 --………………

até dia de Nofa Senhora de Agofto, o que fejaõ nofos Rendeiros. E queremos >> > --> 3. * >* '
>

primeiro que vier depois do tal contrato; que nenhuma pefoa poffa renunciar efia
com tanto que naõ exceda o preço decla Ley; e que renunciando-a, naõ valha a >> -
{ */ #
rado no contrato. E ifto, poíto que os renunciaçaõ, <"2°.| <><><>> > >> > 7 <>. *<> r -
* * *>"
*****
|- •

***
14 , ‘’ .
T I T U L O XXI.
Col!. f.
Em que moedas fè faráó os pagamentos do que fè compra, ou deve.” IlLIII). I •

Ofio que alguns compradores, e tomar em cobre mais que mil reis; e de
vendedores, e outros contrahen vinte mil reis até cem mil reis, a vintena
tes fe concertem que fe haja de parte fómente. E fendo o pagamento de
pagar certa moéda de ouro, ou de prata, mayor quantia que cem mil reis, fe po
ferá o vendedor obrigado receber qual derá pagar a razaõ de mil reis em cada
quer moéda corrente lavrada de nofo cem mil reis, dos primeiros cem mil reis
Cunho, ou dos Reys,que ante Nós foraõ, por diante. E as partes feráõ obrigadas ao
na valia, que lhe por Nós for pofia. E receber pela dita maneira fob as penas
por quanto alguns maliciofamente bufcaõ conteúdas no Título feguinte. |

moedas de cobre, para pagar fuas dividas, 1 E os pagamentos,que fè fizerem de


havemos por bem que em todo o paga compras de trigo de fóra do Reyno, ven
mento, que fe fizer, fereceba a moéda de dendo-fe pelas proprias pefoas, que o
cobre por efia maneira. Sendo o paga trouxerem, e os pagamentos das efpe
mento de quantia de cincoenta reis, fe po ciarias,que fè comprarem na cafã da India,
derá fazer todo em cobre; e de cincoenta e os que fe fizerem por letras de cambios,
reis até duzentos, fe pagará cincoenta fe faráõ como fempre fe fizéraõ, fem em
reis em cobre; e de duzentos até mil, fe bargo defla Ordenaçaõ,
poderá pagar a quarta parte em cobre; e 2 E os nofos Thefoureiros, Almoxa
de mil até dous mil e quinhentos, po rifes, e Recebedores, e quaefquer outros
derá pagar em cobre duzentos e cincoenta Oficiaes, que receberem nofos Direitos,
reis; e de dous mil e quinhentos até dez e rendas, naõ receberáõ os pagamentos,
mil reis, a decima; e de dez mil até que as partes lhes houverem de fazer, fê
vinte mil, naõ fèráõ as partes obrigadas naõ pela dita maneira. E afi me{mo em
Lív. IV. C quaef>

|
|44||
18

Livro quarto das Ordenaçoês. Tit, 21., 22., e 23.931 em • F A. OUltr3
uaefquer entregas de dinheiro de feus cios, até nofa ### e de #### achar
######## , ou pagamentos, que hou- tanta quantia em } TO# *** de cobre
verem de fazer ás partes, oos faráó pela que pagáraõ nas ditas
fórma defta Ordenaçaõ, amétade *** /

dita maneira,fem pagarem mais em moeda contra fórma


• • le os accufar, e a outra
IX -

| de cobre, que o declarado em efia Orde- para a pefoa, qu }

naçaõ, fob pena de futpenfab de feus Offi- para nofa Camara.

T I T U L O XXII.
* Que
- Z
fe naõ enjeite moeda d'El-Rey.
Valquerrefoaque ejeitar not aí denomos Reynos, como de fóra del
#moeda yerdadeira lavrada de les, e bem alfi, a nófa moeda dos to
*o*o cunho, fe for Peaõ feja fioés, forem de menos pefo, do que de
- Prefo, e açoutado publicamen- vem fer, fegundo fua Ley, e pefo, poder
tes efendo homem, em que naõ caibaõ fê-haõ enjeitar fem Pena alguma; falvo,
açoutes, feja prefo, e degradado para fe a parte, que a dér, quizer refazer aju
Africa Por dous annos; e ela mefina da valia do que menos pefis Porque em
Pena haverá o que enjeitarmoeda de Ouro, tal cafo a nao poderáó enjeitar; e en
que a etes nofos Reynos vier de fórá jeitando-a, incorreráõ nas Penas fobre
deles. Porêm, e as ditas moedas de Ouro, ditas.

Coll.1"
Illl Iml. I"
* ' T U L o xxIII. Dos alugueres das cafas."
C 2.

Inguem póde reter a caía alheya, naõ. Em aõ dando repofia nos ditos tres
* #/~~ • •

, , , , // "em morar nella, fem confenti- dias dahi em diante feráó obrigados ter ?

·* * *~~~~ ***
**** *
mento da pefoa, cuja for; e as cafas » e Pagar o aluguer dellas o anno,
……………………………………………. Poito que o que nela mora diga que a que vier do que naõ feráó efeufos, potó
} ~~~~ ~ ~ 2, e quer tanto por tanto, "e Pagar de alu- que digaó que tem outras caras aluga
*****@***.*……………………guer quanto outrem Por ella dér, naõ o das, pois naõ déraó repofta no tempo,que
póde azer fem confentimento do Senhor deviag.
/3 > » : ~Z < * <>>>>>>>>>.
|| %3.242. /* *< * *~~~~ , , , della.
É" ("2"………………………" Porém as pefoas , que tiverem ca
**** *
*
> > > >> >
* * naõ fendo cada hum dos ditos
|- #******** -> fas, e as alugarem a outrem Por tempo requerimentos feito aos alugadores, ficará
~~~~ 2- <r * *. Certo, afi como até SaõJoaõ , Saõ Mi- em fila efcolha
o tempo, porquedeixarem as cafas,acabado
as tinhaõ alugadas; ou
- ****** re" v.2 A & guel, Natal, ºº outro tempo declarado ficarem nellas, e Pºgarem o aluguer a

………………… <~~~ *** Pelas partes, devem trinta dias, antes que feus donos, 8
* #", 2, 3:2-, (C-
* * * * * *>,
|| € *4^^ Z%3-2 a-z? > >> >
#### fe ### tempo do aluguer, requerer *•

3. * * o alugador da cara naõ pagar


* * * *_*_*___>{{*****gadores, que lhas deixem, e defpe- o aluguer ao tempo , que prometteo, o
| ,_ '' : ~~~~ ~ ~ #"? quando fe acabar o *Pº3 e feito Senhor della o naõ poderá por fi
*** ~~~~ ~~~~ ~ ~ ~ o dito **erimento, poderáó fazer das Por fe efeufarem diferenças; mas poderá
Poderá por fi penhorar,
---- { X. /* ... #
cafas o que **erem. E querendo os mandar fazer ifo ao Alcaide da Villa, ou
* * * * 2. * *. } ~~ ##### cafas que os alugadores fi- Lugar, onde ºººntecer; ao qual manda
~~~~ ~ ~ + …, …,
^~^~~~~ ~~~~ ”, bado fe que 3S
* *** tempo, devem-os *ºº ###·#
, que por feu mandado faça efa pe
nhora, fem outra auétoridade de Juftiça,
*~~~~ ~ ~ ~ ~ tempo } #### fic
{} • *fe o Senhor da ca? naõ achar a pefoa, /*

***: ~~~~ />


** ****>>>>{z, 3ºdore | de… #########
g ar tua rep
- -
9º alu-a
** Poderá alugou, e achar outrem nella, #######
que arequerer o ººº achar na cafà, ou #33%"|
# ^^^^^^^^^^^^, dias, e dizer, fe ºººrem ficar * nella
Hellas, ou nella tiver alon, - *** * ****

~~~~ 0,1,. ex: */
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Em que cafos poderá o fenhor da cafa --l--an-22.ç-2a- -rJ2f<-ó<2:r<~~a<~é<22'c2***. <><. <1>9<>* é~#~~#~,#<<4.#<<
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pague o aluguer; e naõ erendo pagar, <= 4.2.2-4 *=--> 2 a
• • (~~~ •~~~~

pode-o por ifo mandar penhorar. E achã naõ era devido. E o alugador poderá ... :::, ::: .::.::.::.::.::. ::
do-fe depois que o fenhor da cafa man morar nas cafas; e naõ feja dellas tirado, ~~ ~ ~ ~ # >>………
dou fazer a penh c ora omo naõ devia, quanto mo
até que acabe tanto te
……………… --- (… #-
fendo já pago do aluguer todo, ou de tar no dito trefdobr mhpaov,endo refpeinto- === = >>>> <> <.
parte delle, pague ao alugador em tref> ao alugue porque o,
a cafa fe alugou de -><-.-<-< ~~~~
r,
dobro tudo o que for achado que lhe principio ; e mais feja-lhe entregue feu >.” ### >'''+
P enhor. Ó2 «»7; = #2, #4 #~~~~ •

/3, y_> ' / /> * * * * */ >> . <">

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*-- */ * - Z, . ZP . 2- -
Pefoa, que dér de aluguer7 al • •
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*/ >.)<<<< •
• . <--> <<<<>
* guma cafa a outrem por certo filha, irmaõ, ou irmãa; porque neftes cafos. _>"###"
pr o, e a certo tempo, naõ o poderá lançar o alugador fóra, durando o , , , Jr., >>L#;X : ~~~~
poderá lançareçfó ra della, durando o dito tempo do aluguer, pois lhe he taõ necef- /** · ": ~~~~
- ###
***
tempo, fenaõ em quatro cafos. O pri faria pelo cafo, que de novo lhe fobre- #2 <<<<<<
meiro he, fe o alugador naõ pagar a pen veyo, de que naõ tinha razaõ de cuidar ´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´
faõ ao tempo,que prometteo,ou no tempo, ao tempo, que a alugou. <
Z <><> #+<2.
><>>><>>>> 4: #;"
<<r>"<>~~ <-*-* *
|-

que for cotume da terra pagarem-fe as 1 E em cada hum dos ditos cafos o
fe he
taes penfoés.O gundo cafo ,quando o fenhor da cafa naõ poderá por fi lançar %z~~~~<= …………………
alugador ufa mal da cafa, afi como dam fóra della o alugad
&# -*-2 nifica or, mas requererá o #: 4.--
º 2<>47<>2<>:>>"*~Q
**).******* &• > --

o Za
????? rs r?" n nd o- a, o u uf an do ne ll a de al gu ns Al ca id e d a Vi ll a, qu e lh e di ga qu e f e : 2 …… ……

……………………………

%i/? actos ilicitos, e deshonetos, ou dam faya della, declarando a ra za p o


õ, r--~~~##### ” => >==>< <
-lhe
te q
nofos á cafa. O rceiro he, uando o fe que naõ deve morar mais nella ; e naõ #;">'''+
nhor a quer renovar, ou repairar de adu '~~##
fe querendo ele fahir, entaõ o lance o *****.***, ve…##…##…##
bios nece ios, que fe naõ poderáõ fazer Alcaide fóra della. Ao qual Alcaide man-
convenieffntarem ente morando o alugador
,, , ~~~~
damos que nito faça o que lhe for reque- x^2_4####$.#v#~#~~~
nella; e acabado o repairo, e adubio, lhe

rido pelo fenhor da cafa. E achando-fez… … ## • *****.*. * >, ~~~~ • •

tornará a cafa até fe acabar o tempo do depois que o mandou lançar maliciofa {
aluguer,e defcontar-fe-ha da penfaõ foldo mente, e fem juíta caufa, o alugador *: (%%> > -7: ~~~~
á livra o tempo, que naõ morou nella por feja logo tornado a ella, e poderá nella (~~~~ < ><> =>~~~ <?
caufa do repairo. O quarto he, quando morar em trefdobro o tempo, que lhe ain- ''; ###### ###::: ~~
o fenhor da cafa por algum cafo, que de da ficava por morar, quando della foi lan- ??…………
novo lhe fobreveyo, a ha mifter para çado pelo Alcaide; e naõ pagará della = ** ……………………
morar nella, ou para algum feu filho, penfaõ alguma pelo tempo, que afi nella
II1OT31",

T I T U L O XXV.
Dos Qfficiaes, que naõ podem fer Rendeiros.
Efendemos que Provedor al
gum, nem Contador de Co tem Re Feitorias, nem Procuraçoés d'algum
ndeiros das ditas rendas, nem
|- marca, Juiz dos Orfaõs, Ta dos
balliaõ do Judicial, E{crivaó dos Orfaõs, dos Senhores dellas, para lhes feitoriza
ou das Camaras, nem outros Efcrivaés rem, procurarem, requererem, ou folli
de qualquer qualidade,e de quaefquer Of citarem coufa alguma das ditas rendas,
ficios que fejaõ, nem Meirinhos, ou Al na Comarca, ou Lugar, onde forem Of.
caides pofaõ arrendar alguma renda nofa, ficiaes; e poderem ufar de feus Ofi
1º:
nem de Fidalgo algum, ou de Senhor de cios, fob pena de os perderem; e pa
Terras,que as de Nós tenha,nem de Com gar cada hum vinte cruzados, amétade
mendador, nem de Prelado. Nem acei para quem os accufar, e a outra para os
Liv. IV. Capt ivos, •

<>

C 2 TITU
2O | Livro quarto das Ordenaçoës, 26, 27, e 28. : @

T I T U L O XXVI.
Que 0$ Oficiaes da Fazenda naõ arrendem coufa alguma aos Rendeiros
d'El-Rey; nem os Senhores de Terras afeus Ouvidores.
Efendemos ao Védor de noffa Senhores de Terras, nem de Capitaés,
Fazenda,e Efcrivaés della,e aos arrendem renda fua, de qualquer quali
• nofos Contadores das Comar
dade, ou quantidade que feja, fob pena
cas, e aos dos Contos, Efcrivaés d'ante de o Senhor da Terra, ou Capitaõ, que
elles,e a todos os outros Oficiaes da noffa tal renda ao feu Ouvidor arrendar, fer
Fazenda, que naõ arrendem renda fua, fufpenfo por hum anno da jurifdiçaõ, que
ou outra coufa fua a nenhum Rendeiro no tal Lugar tiver, e perder o dito anno
de nofas rendas. E qualquer dos fobre toda a renda, que affi arrendar, amé
ditos,que o contrario fizer, perderá o Offi. tade para quem o accufar, e á outra
cio, que de Nós tiver, e tudo o que pela para o Hofpital de Todos os Santos da
dita renda lhe derem, ou prometterem, Cidade de Lifboa. E o Ouvidor, que a
amétade para o accufador, e a outra para dita renda arrendar, perderá em dobro
os Captivos. tudo o que dava por ella, pela fobredita
1 E bem afi nenhuns Ouvidores de II.181.16.113 •

T I T U L O XXVII.
|- Z: #. c : &#2.243. ~4, Das</*Eterilidades,
=>******. 24-*-*
* e ** <". P~~~ * * *: (%s %2, 22 /2 é -2-
== >> - 2º. {< 6, Até+ 7. /*<-< *~ ~ 732,2 9º
|}

**** 97. &#~~~~ ~~~~ A Efruindo-fe, ou perdendo-fe os dita herdade. Efe for Eterilidade em ter-->'###
<////> Gaer - …………………
X? u <n
A
. </* 2 =>+- 2.º- <%y frutos d'alguma herdade, ou ra de paõ, poderá tirar para fi a femente, ca%,wzz//
r??v4. L… &
3 −7% # e a *** 7"
*/**
>>* ~~~~ vinha, ou outra femelhante pro e os que mais fobejarem dará ao fenhori #222; 3;
* #f. 2-7-9-/>;
/**

####, por cafo, que naõ foffe muito da herdade, que traz arrendada. Porêm, fe*
// T3-2- acotumado de vir, affi como, por cheyas

- nos outros annos do me{mo arrendamen
–––––~~~~
<w_><><><' 5
/ 3^3^_^ , ..., de Rios, chuvas, pedra, fogo, que as to, afi antes, como depois houver tanta
6%. "queimalfe, fecca, exercito de inimigos, abaftança, e uberdade naõ coftumada,
afuáda de homens, que os defruifem, guardar-fe-ha a difpofiçaõ do Direito.
aves, gafanhotos, bichos, que os come{ Commum. |- |

fem, ou pôr outro femelhante cafo, que 2 E fe os frutos fe perdefem por cul
lhe tolhefe todos os frutos, naõ ferá obri pa do Lavrador, affi como, por lavrar mal
gado aquelle, que à tiver arrendado, dar a herdade, ou por ervas, ou efpinhos, que
coufa alguma da renda,que fe obrigou dar. em ella nafcem, em tal maneira que con
v = &y; / <> 9. Zez I Porêm, fe os frutos naõ fe perdef fumifem, ou afogafem os frutos por fi
772 · 6º
* * ***/>
/*
#### <>~~ ? 22 fem todos, e colhefe o Lavrador alguma
******* parte delles, em fua efcolha ficará pagar
me{mos,ou por má guarda do dito Lavra
dor, em taes cafos ferá obrigado dar o
o Promettido, ou dar todos os frutos da prometido. ~~~. 9°2-2 * 2;
/v. }^ -3.7% /* CA
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[ T U L O XXVIII.
<!-- C…" > "$". . + 3*: * *** Que todo o homem polfa viver com quem lhe aprouver.
ce…» * * *
C/ 2%"
Odo homem livre poderá vi- ou requeridos para viverem por foldada
ver com quem quizer. E ifto com outrem, fegundo fórma de nofas
naõ haverá lugar naquelles,que Ordenaçoés,porque eftes,depois que pelas
por noías Juítiças forem contrangidos, Juítiças forem requeridos, naõ poderáó.
viver |-

, , , = .. 3 (2 **3* * * * 37' 5
<%22i. _%_>………? 2: *t"
Do criado, que vive com o fenhor a bem fazer, e como 27'c. 21
viver com outrem,fenaõ acabado o tempo, ele, ou com outro algum, feja punido fe
ue houverem de viver com efes, com gundo a qualidade do feito, e da culpa,em
que lhes foi mandado. E quem contra ito que for achado; de modo que os forçadores • J/8%
for, e contranger outrem que viva com da liberdade naõ fiquem fem pena.
S • •
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2%
…ce=~ ~ 34"…………………………é c. " */**
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|- T I T U L O
• •
XXIX. •
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2.………"3.2.
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, r, y +"-"

JC Do criado, que vive com o fenhor a bem fazer, e como fe lhe pagará o ferviço. ########~~~~
• Z3,2 . <>7#. é………………
Ofto que algum homem, ou mu feentre elescumprir-e-ha
houver contrato
lher, viva com fenhor, ou amo,de o ferviço, o quefeito
entrefobre + ………………………
elles e_a_2 ->-- --->"""##
qualquer qualidade q feja, a bem for tratado, como for Direito. …………………………2% <<
|- fazer fem avença de certo preço, ou quan-
• • • 1 Elifto mefmo haverá lugar no fer- 2=~~~~ •
………… ***

tidade, ou outra coufa, que haja de haver viço,que commummente fe cotuma fazer é< 2 ? ";" -> " - 23.
por feu ferviço, contentando-fe do que o por foldada, ou jornal; porque poderá o 4,2,…<-e- 72. 2. 2) . .
fenhor,ou amo lhe quizer dar,ferá o amo,e amo fer demandado em Juizo para pagar Á3%: ~~~~ -> <-<
fenhor obrigado a lhe pagar o ferviço,que o ferviço, como fempre fe coítumou ge >> > 3. * . e > >> > 7.
|- * |-

- ** ~~~~

fez,havendo refpeito ao tempo,que fervio, ralmente pagar femelhante ferviço nefa ……………………………………………
Comarca. c cz~~~ a −22= <</* *
e qualidade do criado,e do ferviço.Porém, *}
}>
é a 3. Á'</>
-
S-52, •

-4, + "/3… A32-- P}^2 +-

* 37. É. 2, 3:2 a.<--- é???

T I T U L O XXX.
* ** * 7,2 ,
Do criado, que vivendo a bem fazer, fè poem com outrem, e do que o recolhe.
} </g,"%
Odo homem, que com outro to depois for achado, que effes criados
viver a bem fazer, ora feja eraõ obrigados entregar aos amos, com
homem de pé, ora de cavallo, quem antes viviaõ. E os nofos Almoxa
e delle receber pellote, e capa, ou coufa, rifes em feus Almoxarifados, e qualquer
que tanto valha, naõ fe pofa delle partir outra pefoa os poderáõ accufar, e levar,
fem fua licença, até que o firva hum anno amétade para fi, e a outra feja para Nós.
cumprido; e fe lhe dér pelote fómente,ou 2 E o que viver com algum Cortefaõ
capa, ou outro qualquer veftido, naõ fe a bem fazer, naõ poderá viver mais com
pofa delle partir até que o firva meyo outro Cortefaõ, que ande em nofa Corte,
anno. E o que o contrario fizer,feja prefo, fem licença daquelle, de quem fe fahio. E
onde quer que for achado, e naõ feja folto o Cortefaó, que fem fua licença o tomar,
até que pague em dobro o que levar, e as e o naõ largar, como lhe for requerido,
cuítas, que fobre ifo fe fizerem. E fe as pague dez cruzados,amétade para aquelle,
Pefoas,a que affi feus criados fugirem, vi de que o moço fe fahio, e a outra para
verem com nofco, ou com a Rainha, ou nofa Camara.E todavia ferá contrangido
Princepe, ou Infantes, fejaõ trazidos á ca que o lance fóra, por fe evitarem efcam
dêa de nofa Corte, e ahi paguem o que dalos, e competencias.
dito he. |

3 Outro-fi, pefoa alguma, de qual


1 E fe eftes, que fe affi falhirem, fe quer eftado, e condiçaõ que feja, naõ
acolherem a outros, que naõ fejaõ Corte tome, nem fe encarregue de criado dal
faõs, para com elles viverem, e for reque gum outro,que delle tenha recebido cafa
rido aos que os recolherem,por as pefoas, mento, ou galardaõ de feu ferviço; nem
com que antes viviaõ, ou por outros por tome, nem fe encarregue d'algum acofta
feu mandado, que os naõ tragaõ mais do d'outrem, de que recebeo Cavallo,
comfigo; porque fe fahiraõ delles, e lhes Armas, dinheiro, ou outra qualquer coufa
leváraõ o feu, fe o affi naõ fizerem, fejaõ para com elle fervir no que ele mandar,
obrigados pagar a Nós outro tanto, quan fem licença daquelle a que acoftado for.E
O 3CO=
*

22
Livro quarto das Ordenaçõ5, Tit. 3o., e 31.
o acoftado, que o contrario fizer, feja requerer ás Juítiças, que do fobredito fa- .
prefo; e da cadêa pague em dobro o que çaõ hum acto, para fua fegurança. E o
tiver recebido áquelle, de que fe affi criado,de que acima fallamos, ferá fempre ·
fahio. E aquelle, para quem fe o acoftado obrigado fervir feu fenhor, quando lhe for
for,fe o tomar por feu,ou para feu ferviço, neceffario, e o chamar; e fem fua licença
fabendo logo,quando para elle veyo,como naõ poderá fervir a outrem.
fe partio daquelle, cujo acoftado era, ou a 4 E ifto, que dito he, naõ haverá
que havia de fervir, por ter delle recebido lugar, fe as pefoas, a que faõ acoftados,
cada huma das coufas fobreditas, ou o ou os fenhores, que déraõ os cafamentos,
foube depois pelo tempo,e logo o naõ def; fe efpedirem de Nós, ou fè forem fóra
pedir de fi, pague cincoenta cruzados de nofos Reynos; porque em cada hum
áquelle,de que fe partio. E fe algum pedir detes cafos os criados, e acoftados fe
licença á pefoa, a que he acoftado, e lha pódem delles partir fem fua licença, e
naõ dér, e ele todavia fe quizer defpedir, fazer de fi o que quizerem; ou ifo mef>
tornar-lhe-ha em dobro tudo o que tiver modando-lhe Nós licença efpecial, mo
fecebido;ou fervirá tres annos da maneira, {trando-nos tal razaõ, porque o devamos
em que d'antes com elle etava; e póde fazer. |

T I T U L o XXXI.
%Z 77
|-

,7%
Como fepagaráó os ferviços, e foldadas dos criados, que naõ entráraõ a partido certo.
?..... .??????
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3. *3** à >>> e <><>
2%. ver {…
> e é "…e- o--->"
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Or as muitas demandas,que conti
nuamente fe movem fobre fatif>
4 As mulheres, que fervirem de Do
nas, daráõ quatro mil reis; E ás Amas,
façoés de ferviços, e as diferentes que criarem filhos das taes pefoas, fejul
2. * #32.22.2.5fentenças, que fenifo daó, por os Julga gará por anno oito mil reis.O que outro-fi
………………… ………………………………dores naõ terem huma certa regra, que fe entende, dando-fe ás ditas mulheres de
<<<<<r: #4 %%2% 2° feguir,querendo Nós atalhara taes incôn
comer, beber, veftir, e calçar. |

*_> ##7". _ venientes , ordenamo s, e mandamo s que 5 Aos Pagens de Fidalgos, Defem=
####- a + …………… daqui em diante na paga dos ferviços dos bargadores, e de outras pefoas nobres;
2 …………………………………… #### criados,affi de homens,como de mulheres, ou que fe trataõ como nobres, fe daráó
*** ** ********fe guarde a maneira feguinte. cada hum anno dous mil reis. Aos moços
2,…, … -22° 22/#_>> *. Aos Védores, Camaritas, Secre de efporas outro tanto. As moças don
. (/= 3;}"> }*/******tarios, Etribeiros, e Thefoureiros dos zellas encerradas, e ás mulheres,que fervi
(2:42, 22.2.2- 2 - Bipos, Condes, e Fidalgos de grande rem de Donas; e ás Defpenfeiras, tres mil
********* #%*2*Qualidade, e cafa, fejulgará por cada hum reis; e ás Cozinheiras o me{moie ás Amas, ,
#### ……………………… " oito mil reis, e naõ fe lhe arbitrará que lhes criarem feus filhos, feis mil reis
######2 - ...; mais, por fervirem mais, que hum dos por anno.
< * *</2. ditos cargos. 6 E ás moças, que fervirem de fóra a
2. Aos Efcudeiros dos me{mos, e Ca qualquer pefoa que feja, mil,e quinhentos
pelaés, quatro mil reis; aos pagens tres reis.O que outro-fi, fe entenderá, álem do
####*********
&&
reis; aos moços de efporas dous mil,
####*## emilquinhent
/>>> >r… + r -- 22 a 1º~~ comer, beber, veftir, e calçar.
*** Z: ~~~~ os reis. A qual fatisfaçaõ, e
*>"
/*
7. Aos moços, que com pefoas de
#:<<<> -- …………………………………… etipendio fe entende, dando os ditos menos qualidade morarem, julgar-fe-ha a
**
{
(……………………
27 - A2 . "
taes criados de comer, beber, foldada da dita quantia para baixo, fê
amos aose calçar.
=> $.2. c < vetir, •
>

2/7">>>>>>>> #72-4 ### *** e


* <<
gundo a qualidade do ferviço, e fegundo. 3 … << *
• >> > & - - 4x? ../~~^~~ 3. As donzellas,que fervirem as Con a habilidade, e idade, que tiverem.
5.3%"|w.g. 2 defas, e mulheres dos fobreditos Fidalgos
{', y, z
8 E as ditas foldadas venceráó os Q-3 * * *
S =>
<7</ <
#2
de Eftado por tempo de dez, doze annos machos, fendo de quatorze annos perfei
julgaráõ feffenta mil reis para feu cafa tos, e as femeas de doze. E naõ chegando
mento; e naõ fervindo tanto tempo, lhes á dita idade venceráó o que parecer ao
arbitrará cinco mil
ó por cada hü anno.
reis,
Julgador,naõ pafandó das ditas quantias,
{ II.138 -
\,
| Como fe pagaráõ os ferviços, e foldadas dos criados,87c, 23
mas diminuindo-lhes dellas o que for ju 11 Item, fe algum Defunto em feu
pre fto. E aos moços, ou moças pequenos, Teflamento deixar a criado, ou criada,
menores de fete annos; naõ fe julgará que o ferviffe, algum Legado, naõ decla
#4 foldada alguma; porque a criaçaõ, que fe rando nelle que lho deixa liberalmente _>

neles faz,lhes deve ficar por fatisfaçaõ de álem de fua fatisfaçaõ, mandamos que o
qualquer ferviço, que façaõ, dito Legado fe defconte da foldada, e fa
2/3...43.79 . Declaramos que a táxaçaõ das di lario,que o tal criado havia de haver,como
Q. Z…………………tas foldadas, que acima temos dito, fe fe o Teftador affi o declarára; porqnefte
* * */ # entenderá naquelles, que viverem a bem cafo queremos que fe prefuma que quiz
* #### fazer fem alguma maneira de partido; antes livrar-fe da divida,que era obrigado,
** - 2º. porque nos outros, que com partido fe que fazer doaçaõ, que naõ devia. . .
puferem, fe guardará o que com feus Se 12 E porque fervindo de Efcudeiros,
nhores, ou Amos contratarem. ou Pagens, allegaõ alguns, quando vem
1º E porque muitos, que vivêraó a pedir fatisfaçaõ de ferviços, que ferviraõ
bem fazer, ou com certo partido, tendo de Feitores, Mordomos,ou de Solicitado
recebidos por contemplaçaõ dos ditos Se res a feus Ámos,para lhes accrefcentarem
nhores, Oficios, e rendas, lhes pedem falario, mandamos que, fe os taes naõ fo
fobre ifo fatisfaçoês de ferviços, princi raõ tomados em nome de Feitores, ou
palmente quando faõ já mórtos, manda Negociadores de demandas, para naõ fer
mos que,fe a alguns criados das fobreditas virem em outra coufa, ou depois os naõ
pegoas,por fazermos mercê a feus Amos, viéraó deputar para os ditos cargos, que
e por feu refpeito lhes dermos alguns Offi por os ditos feus Amos os occuparem al
cios, ou rendas, ou alguma coufa outra, gumas vezes em os mandar arrecadar fuas
ou os tomarmos por nofos criados em tenças, juros, moyos, ou falar em alguma
algum Foro,ou lhes houvéraõ mercês, ou demanda, naõ fe lhes accrefcente falario. ",

Oficios de qualquer outra pefoa, a valia Porque o Efcudeiro, Pagem,e outro cria
das ditas mercês fedefconte na fatisfaçaõ do deve fervir a feu Amo em todo o mini
dos ditos ferviços. fterio, que lhe mandar.

T I T U L O •
XXXII. _7%,#<<
2

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c., Que É aí pela pedir filiada</a/a> > >> >>Palados
>> >> >% X três
Z > CA */>/< /* *-* C * . * anos.
& Y2---- e 2 << "……………………………………………………
>~~ ?
> a <> " " +
|- •

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Z^><' + '"
Shomens, e mulheres, que mo berem filas foldadas, ou falarios, pafados"……………………………
rarem com Senhores, ou Amos alguns annos, pedem fatisfaçaõ de feus ce... (…………………………………
a bem fazer, ou por foldada, ferviços, quejá recebêraó, e perando que --~~~~ :
ou jornal, ou por qualquer convença, fe, os que fabiaõ ferem elles fatisfeitos, ou
v_{zz-- Ldepois que fe delles fahirem,paffarem tres morraó, ou fe aufentem, ou lhes naõ lem-->…………………? =~~~~
/*, #~~~~, annos, e feus Senhores, e Amos eftiverem .bre a verdade do que pafou, o qual atre- _> --><-.-<-<><><><
337, 2………fempre nefes Lugares,onde fe delles ferví vimento tomaõ mayor, quando os Senho-***************** * * * * * * •

Jan><><'$ge 3 raõ,fem delles fe partirem, e os taes fervi res)? faõ defuntos , que naõ pódem dar ´p~~~~ …………………………
}~~~ }}} dores, e criados os naõ demandarem os razaõ do que pagáraó,nem perante quem; ">>>…………………………
&# 2.4.3. ditos tres annos por feu ferviço, naõ os e porque no dito cafo o engano etá mais >> ><><><>………………
ve, # ~~ &<, poderáõ mais demandar, nem feráõ a ifo facil, porque poucas vezes os Senhores # ~~~~.~ ~~~~
###### recebidos, nem feus Amos mais obrigados pedem aos criados, que com elles vivem, ~~~~23 & ~~~~ ~~~~
* . S... a lhes pagar. Porêm aos menores de vinte conhecimentos, e quitaçoes do que lhes e^**************
/******* cinco annos começaráó de correr os ditos daõ; por evitarmos as ditas fraudes, orde->"==="<><><><~~~~
tres annos, tanto que chegarem á idade de namos que todo o lacayo, ou criado, que …??
-> 2-. -S-* - 3#;">… :… …, …
~~~~

2%"
&
#*****vinte cinco.
%- =A_> &_ & • •• •
etiver com Amo aos mezes comlhe dar de .....

_> < < < < . : : ~~~~
| •
~~~~ 3 7 7 32 •

no wry:"*" + Mas, porque muitas vezes fe vio comer, e beber, e no cabo do mez certa e , .* >
######" por experiencia que muitos, que vivêraó coufa, nerHi
que os taes criados naõ pofaó {<<<<~~~…… -
<><> > >> "A R_> } } • |- * *< *** >>r

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****** Senhores, ou Amos,


_* * *< #---- _>~~~~ depoisJede rece Pedir foldada d'algum mez ,que hajaõ ter- &## ^*
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2° 53 · < x > 3.
24 - Livro quarto das Ordenaçoês, Tit. 32., 33, e 34. :
vido, pafados tres mezes, depois que fa pois de falhidos dos ditos feus Amos; por
hirem da cafa de feus Amos. E fe a raçaõ que fe prefume que eftaõ pagos, e fatif>
de comer lhe derem a dinheiro fecco, naõ feitos, pois naõ pedíraõ o falario no dito
o poderáõ pedir, fenaõ até dez dias, de tempo.

1 T U L O XXXIII.
*
Porque maneira fè provaráó os pagamentos dos ferviços, e foldadas.
{

Orque ordinariamente os homens, 1 E fendo a quantia de dez mil reis


que tem criados lhes pagaõ pelo para cima, qualquer que feja, havendo
meúdo o que lhes os criados pe conhecimento do tal criado, efcripto,
dem á boa conta de fua foldada, e fem e affignado por elle, e naõ fabendo elle
bufcarem teftemunhas, que lhes vejaõ pa efcrever, afignando por elle outra ter
gar, nem cobrarem efcriptos dos criados, ceira pefoa, e outra te{temunha mais,
e depois dahi a tempo lhes vaõ pedir a porque confeffe receber em todo, ou
foldada, e falario de feu ferviço, que em parte fua foldada, dar-fe-ha credi
todo, ou em parte lhes pagáraõ, e por os to ao affignado, como fe foffe efcriptura
publica. •

Senhores, ou Amos naõ terem prova, faõ


condemnados, efguardando Nós as ditas 2 E fendo os Amos já falecidos, ba
fraudes, e confiderando outro-fi que mui fará para prova da paga dos ferviços, que
tas vezes os criados paffariaõ mal, fe os os criados pedirem, a declaraçaõ, que os
Amos lhes naõ houveffem de foccorrer as ditos feus Amos fizerem em feus te{tamen
fuas prefentes necefidades, fem os ditos tos, ou outras quaefquer ultimas vonta
criados fazerem conhecimento de qual des, ou a relaçaõ,que nellas fizerem a feus
quer meúda coufa, que pedifem; ordena Livros de razaõ, onde efteja affentado,
mos que, dando algum Senhor dinheiro a fendo os defuntos Arcebifpos, Bifros,
criado feu perante outros feus criados, ou Abbades Bentos, ou Fidalgos, ou Caval
familiares, e dando alguns delles por tefte leiros Fidalgos, ou por Nós confirmados,
munhas, que jurem que lho víraõ dar, ou Doutores em Theologia, Canones,
ainda que naõ digaõ a quantia, e jurando Leys, e Medicina, feitos em eftado-uni
o dito Senhor, como lhes pagou tudo, ou verfal por exame, ou Oficiaes de Juftiça,
certa parte, fe haja por prova baftante até que fejaõ de nofo Defembargo; porque
quantia de dez mil reis, fendo os ditos por a qualidade de fuas pefoas, e o tempo.
feus Amos pefoas de qualidade,como Ef da morte, com cuja lembrança diff'oem
cudeiros, ou dahi para cima, ou Merca das coufas de fua alma,queremos que lhes
dores acreditados. feja dado efte credito. |

TITUL O XXXIV.
Do que lança de cafa o criado, que tem por foldada.
}}> Z( zx ………/ • Homem,que deitar fóra de cafa fervir de graça todo o tempo, que lhe fal
2}<//gen%é _em=} o mancebo, que tomou por fol tava por fervir: efe lhe ainda naõ tinha
# (2,72 % a/ ,r.& dada, antes de acabar o tempo paga a foldada, naõ ferá obrigado a lha
<><><> porque o tomou, pagar-lhe-ha toda a fol pagar; e ferá contrangido pelas Juítiças,
Z?; - //<//
dada, pois o deitou fóra, e naõ quer que o onde quer que eftiver, que venha acabar
firva. E fe o que etá por foldada deixar o de fervir. E fe for Orfao, guardar-fê-ha o
Senhor antes que acabe o tempo do fervi que temos dito no Livro primeiro,Titulo:
*ço fem culpa do Senhor, deve-lhe tornar O
Dofaós
Juizfugirem.
dos Orfaós ; Paragrafo. E Je os
& 57.3.47. •

a foldada fe já a tiver recebida; e mais • TITU


#

T I T U L o XXXV.
Do que demanda ao criado o damno, que lhe fez.
YE o mancebo, vivendo com outrem, cebo acabou de fervir o tempo, que era
lhe fez perda alguma,deve-lha emen obrigado; porque partindo-fe, antes do
dar, e pagar, ou defcontar de fua tempo acabado, naõ poderá demandar a
foldada; e ito haverá lugar, fe ao tempo, foldada, como difemos no Titulo pre
que o mancebo fedelle partir, lhe reque cedente.
rer perante o Juiz a perda, que lhe tem 1 E no cafo, onde o Amo póde
feita, ou perante homens bons. E fe ao demandar o damno ao mancebo, terá
dito tempo lhe naõ requerer, naõ lha po quatro dias para o provar, e mais naõ:
derá demandar depois ao tempo, que o Porêm, querendo pagar logo a foldada, e
mancebo vier demandar a foldada; por que lhe feja dado mais tempo para provar
que parece que o faz por lhe pagar mal o damno, felhe dará, fegundo for razaõ,
fua foldada. E ifto fe entenderá, fe o man e parecer jufto ao Juiz.

T I T U L o XXXVI.
Do que toma alguma propriedade de foro para fi, e certas pefoas; e naõ
-, *) *= (Y = e nomeou algum a ella antes da morte. 22- 2º. 272234% (………….4% 9º-6º
* * * #####2. * /6Y_>> > >>* ## 74%29 > >… -*********** - 22= e_><->>>><>? z^****-* ..

Omãdo alguma pefoapofefaõ do-fetodos,ou a mayor parte delles nifo.


alguma de foro para fi, e certas E naõ fe acordando nifto todos, ou a
pefoas depois elle, convêm a mayor parte delles, fejaõ obrigados a ven
faber, huma qual ele nomear, e aquella der, ou efcambar o foro, do dia que fe o
por elle nomeada,que pofa nomear outra, Foreiro finar até feis mezes, requerendo
e afi dahi em diante; fe o que affi tomar a primeiro o fenhorio, fe o quer tanto por
pofefaõ de foro, antes de fua morte fizer tanto; e os herdeiros partaõ entre-fi o que
te{tamento, em que faça, e deixe certo houverem pela dita venda, ou efcambo,
herdeiro em feus bens in folidum, naõ no affi como forem herdeiros. E naõ venden
meando certa pefoa ao foro, o que ficar do, ou efcambando os herdeiros o foro,ou
herdeiro na herança do defunto, fica no naõ o tomando algum delles em fi no ef
meado ao foro, poíto que lhe outra no paço de feis mezes, ficará o foro devoluto
meaçaõ naõ feja delle feita. ao fenhorio, fe o elle quizer haver, e faça
1 E ficando no te{tamento do Foreiro delle o que tiver por bem.
muitos herdeiros eftranhos, que naõ fejaõ 2 E finando-fe o Foreiro abinteftado
afcendentes, ou defcendentes, todos fe naõ nomeando alguma pefoa ao foro, e
entendem fer nomeados ao foro. E por fem herdeiro defcendente, ou afcendente,
quanto o foro naõ ha de fer partido entre fique o foro devoluto ao fenhorio. E fi
muitos, por fe naõ confundir a penfaõ cando por fua morte algum filho legitimo,
delle, fe tantos bens ficarem por morte neto, ou bifneto, varaó, deve effe foro
do defunto, que pofa o foro caber no ficar a elle; e bem afi á filha, ou neta, naõ
quinhaõ de cada hum dos herdeiros, par havendo filho varaó, pofio que feja mais
taõ-fe os bens do defunto entre os herdei moço,que a filha, ou neta. E onde houver
ros. E naõ ficando por morte do Foreiro filho, ou filha, naõ haverá o foro neto,
tantos bens, porque o foro pofa caber no nem neta, poíto que o neto feja filho de
quinhaõ de hum dos herdeiros, haja cada filho mais velho; e onde houver muitos
hum delles o foro, fe quizer, fatisfazendo filhos, ou filhas, fempre o mayor dos fi
aos outros o que razoadamente por parte lhos, ou a mayor das filhas, em falta dos
do foro lhe poderá acontecer, acordan filhos, haja o foro. E fe o prazo for com
Liv. IV. prado,
26 Livro quarto das Ordenaçoês, Tit. 36., e 37.
prado, ou o defunto tiver feito nelle bem tural, fe o tiver, ainda que feu pay foffe
feitorias, guardar-fe-ha ácerca dellas, e do Cavalleiro. E o filho efpurio naõ poderá
preço o que diremos no Titulo: De como haver o dito foro; falvo, fendo legitimado
Jehaó de fazer as partilhas. | por Nós, em tal fórma que poffa fucceder
3 E fe o Foreiro fazendo tetamento abinteftado, e naõ doutra maneira.
inftituir feus defcendentes,ou afcendentes, 5 E cada huma das pefoas, a que
fe terá a maneira acima dita, quando mor por algum dos modos acima declarados
reabintefiado, poíto que no dito teta vier o foro, ferá obrigada pagar a penfaó
mento deixe fua terça a outra pefoa, delle ao fenhorio, fegundo a fórma do
COI'ltratO.
que naõ feja defcendente, nem afcen >

dente. 6 E quanto aos prazos,que forem fei


4 E tudo i(to,que dizemos nos filhos, tos dos bens da Corôa do Reyno em pe{
e netos, por linha defcendente, haverá lu foas, guardar-fe-ha o que temos dito ne
gar, e fe guardará nos da linha afcendente; {te Titulo: Nos foros das pefoas parti
convêm a faber, pay, e mãy, e avós,quan culares.
do naõ houver alguns da linha defcen E tomando alguem hum foro para
dente; porque, em quanto houver defcen fi, e feus herdeiros, e fuccefores, por fua
dente,naõ haverá o foro afcendente.E naõ morte paffa o foro a todos feus herdeiros;
havendo defcendente legitimo por morte e guardar-fe-ha ácerca da partilha o que
do Foreiro, poíto que haja afcendente diremos no Titulo: De como fè haõ de
legitimo, haverá efe foro o feu filho na fazer as partilhas. |

T I T U L o XXXVII.
Das nomeaçoês, que fe fazem dos prazos, em que cafos fe podem revogar.
Omando alguma pefoa alguma aforada tinha, poíto que referve para fi o
herdade, vinha, cafa, olival, ou ufo, e fruto, já naõ poderá nomear outra
4 outra poffeffaõ de foro por vez a pefoa alguma; antes a pefoa, em
certa penfaõ para fi, e para certas pefoas, que afi for trafpaffada, poderá difpôr da
huma, que ele nomear, e que a nomeada dita coufa, fegundo diremos no Titulo
pofa nomear outra, e affi dahi em diante, feguinte.
fè em fua vida nomear alguma pefoa, a 2 E fe no contrato do foro principal
que venha o foro, e depois fizer outra mente feito entre o Senhorio, e o Foreiro,
nomeaçaõ delle a outra pefoa, e revogar lhe for dado poder,que pofa nomear huma
a primeira, mandamos que, fe no contrato pefoa, naõ fe fazendo no contrato men
do primeiro aforamento for dado poder çaõ de morte, depois que huma vez no
ao Foreiro, que pofa nomear alguma pef mear, naõ poderá mais revogar efa no
foa antes de fua morte,ou ao tempo della, meaçaõ, nem fazer outra, porque a pri
em cada hum detes cafos pofa fazer meira feja revogada; e ainda que a faça,
huma nomeaçaõ, e outra, e quantas lhe naõ valerá; porque por a primeira he ad
aprouver até o tempo de fua morte; e quirido direito ao nomeado (pofto que
della
pela derradeira feráõ as outras revogadas, já fer naõ feja fabedor), que lhe naõ póde
revogado. •

fem terem força, nem vigor,porque todos


os actos, que faõ ordenados para o tempo 3 E as ditas nomeaçoés naõ fe po
da morte, fe pódem mudar, e revogar até deráó provar por teftemunhas, quando
á morte. houver outra nomeaçaõ por efcriptura
1 Porêm,fe o que tinha poder de no publica; falvo, fe o nomeante fizer feu
mear até morte trafpafar em fua vida em te[tamento por palavra com as teftemu-"
outra pefoa a coufa aforada por titulo de nhas, que nofas Ordenaçoés requerem. E
dote, ou por qualquer outro, trafpaffando fe,fazendo affi o dito te{tamento, nomear,
na dita pefoa todo o Direito,que na coufa valerá a nomeaçaõ feita no dito tefta
&mCIltO
Das nomeaço5, quefefazem dos prazos, em que cafos &7c, 27
mento por palavra, poíto que haja outra nafcer, como muitas vezes fe cotuma
primeiro feita por efcriptura no cafo, onde em nofos Reynos fazer, bem poderá o
difemos que póde revogar a primeira no pay, ou mãy, qual derradeiro delles fal
meaçaõ, e fazer outra. E afi fe fe naõ lecer, nomear hum de feus filhos, ou fi
moftrar feita alguma nomeaçaõ por efcrí lhas, qual quizer; mas naõ poderá nomear
ptura publica, poderá o nomeado provar outra pefoa eftranha. E no dito cafo
por tres teftemunhas ao menos a nomea naõ tendo filhos, poderá nomear hum
çaõ, que difer fer feita; e valerá a tal no neto, ou neta, qual quizer, poíto que
meaçaõ. no contrato fe naõ faça mençaõ fenaõ
}
4 E bem affi no cafo, onde a nomea de filho. } |- *

gaõ feita huma vez naõ fe póde mais re 7 E em todo cafo, onde difemos que
vogar, fe o que ha de nomear fizer tefta o foreiro,a que he dado poder no contrato
mento, e nelle nomear, e depois revogar do aforamento,que pofa nomear alguma
o dito teflamento, ou for por Direito pefoa ao foro, que póde revogar a no
por qualquer modo havido por nenhum, meaçaõ já por elle feita, e fazer outra ;
fica a nomeaçaõ afi me{mo revogada, affi o poderá fazer aquelle,que por elle for
e poderá nomear outra vez; por quanto a nomeado, fe por virtude do primeiro con
nomeaçaõ feita no tetamento revogado, trato lhe he dado poder para nomear outra
ou havido por nenhū, he affi me{mo havida pefoa. E no cafo, em que o foreiro naõ
por nenhuma, como fe nunca foffe feita. póde revogar a nomeaçaõ, que já fez, afi
5 - Outro-fi, quando o que tem poder a naõ poderá revogar o que for nomeado
para nomear, nomear huma pefoa fim por elle.
plezmente, fem trafpaffar outro direito 8 E tudo que dito he, ácerca do
nella,e a pefoa nomeada fe finar primeiro, nomear, e poder revogar, ou naõ po
que o nomeante, poderá nomear outra der mais revogar, depois que huma vez
vez,pois o nomeado morreo primeiro,que nomear ; , e bem affi tudo o conteúdo
houveffe efeito a nomeaçaõ. nefte Titulo havará lugar naõ fómente,
6 E fendo o contrato de afforamento quando o poder de nomear foi dado em
feito para o que o toma, e para fua mu contrato, mas ainda, quando foi dado em
lher, e para hum filho, que d'antre elles te{tamento, ou ultima vontade.

* T I T U L O XXXVIII.
Do Foreiro, que alheou o foro com audioridade dofenhorio , ou fèm ella.
Foreiro, que traz herdade, cafa, ou dotar, naõ lhe pagará quarentena; e
vinha, ou outra poffefaõ afo todavia lho fará faber, para ver, fe tem
rada para fempre, ou para cer algum legitimo embargo. E efte requeri
tas pefoas, ou ao tempo certo de dez mento, que fe ha de fazer ao fenhorio, fe
annos, ou dahi para cima, naõ poderá quer a coufa pelo tanto, naõ fómente fe
vender, efcambar, dar, nem alhear a deve fazer na venda voluntária, que fe
coufa aforada, fem confentimento do fe fizer por vontade do Foreiro,mas tambem
nhorio. E querendo-a vender, ou efcam na neceffaria, que fe faz por mandado, e
bar,deve-o primeiro notificar ao fenhorio, auétoridade de Juítiça. E naõ querendo
e requere-lo, fe a quer tanto por tanto, o fenhorio declarar logo, fe a quer tanto
declarando-lhe o preço, ou coufa, que lhe portanto, ferá efperado trinta dias, do
daõ por ella; e querendo-a o fenhorio por dia, que for requerido: os quaes pafados,
o tanto, have-la-ha, e naõ outrem. E naõ e naõ declarando, fe a quer, entaõ a po
a querendo, entaõ deve fervendida á pe{ derá vender, ou efcambar, fem mais ef>
foa, que livremente pague o foro ao fe perar pela repofta, ou pagamento do pre
nhorio, fegundo fórma do contrato do ço; e pagará ao fenhorio a quarentena,
aforamento.E no cafo,que a quizer doar, ou o conteúdo em feu contrato; e decla
Liv. IV. D 2 rando
|

|
28 Livro quarto das Ordenaçoës, Tit. 38., e 39.
rando dentro nos trinta dias que a quer vida do que lha vendeo, ou nelle traf. *

pelo tanto, pagando-lhe logo o preço, pafou, poderá o que a houve por com
have-la-ha, fem nefte cafo haver quaren pra, ou trafpaffaçaõ, nomear outrem, a
tena. E naõ lhe pagando o preço dentro quem por fua morte fique a coufa afora
dos trinta dias, poíto que dentro delles da. E bem affi em fua vida a poderá ven
declare que a quer, o Foreiro a poderá der, e trafpaffar em outrem com licença
vender a quem quizer, fem embargo da do fenhorio em vida do primeiro foreiro;
dita declaraçaõ, •

e a pefoa, que a houver delle, em quanto


1.E fendo a venda, efcambo, doaçaõ, viver o primeiro emphyteuta, terá o lu
ou outra qualquer alheaçaõ, feita em ou gar, e direito na coufa aforada, que o
tra maneira, fem auctoridade do fenhorio, primeiro emphyteuta nella tinha, antes
ferá nenhuma, e de nenhum vigor; e o que a alheaffe; e falecido elle, começará
Foreiro por efe me{mo feito perderá todo o que pofuir a coufa, fer outra pefoa, de
o direito, que tiver na coufa aforada; e modo que, fe o que vendeo, ou alheou a
tudo ferá devoluto, e applicado ao fe coufa era primeira pefoa, em quanto ele
nhorio, fe o quizer. E naõ o querendo, viver fempre durará o direito da primeira
poderá demandar, e contranger o Fo pefoa,affi a quelle, que a delle houve, co
reiro, que haja á fua maõ, e torne a co mo a qualquer outro, que depois houver a
brar a coufa foreira, e lhe pague feu foro, coufa por qualquer titulo. E falecido o
confórme ao contrato. primeiro Foreiro, começará o que pofuir
2 E quando a coufa foreira for ven o foro, fer fegunda pefoa. E fe o que a
dida, efcambada, ou por outra maneira comprou, ou houve por outro titulo fal
alheada por auétoridade do fenhorio a ou lecer em vida do que a trafpafou nelle,
tra pefoa, fe foi aforada a efe, que a fem em fua vida, nem por fua morte dif>
alheou para elle, e certas pefoas, enten pôr della,ter-fe-ha na fuccefaõ a maneira,
der-fe-ha fempre fer primeira pefoa o que difemos no Titulo : Do que tomou
principal Foreiro, que vendeo, ou alheou alguma propriedade de foro parafi, e certas
o foro, em quanto ele viver. E morto pelfoas, vc. *

elle, começará fer fegunda pefoa,o que o 4 E ifto que dito he, fe guardará, e
houve por compra, efcambo, doaçaõ, ou haverá lugar, falvo, fe ao tempo, que o
por qualquer outro titulo. E depois delle foro for vendido,efcambado, ou por outra
paffará o foro a quem por direito perten maneira alheado, for entre as partes outra
cer, confórme ao contrato do aforaméto. coufa acordada com auétoridade do fe
3 E fe o que comprar coufa aforada, nhorio; porque entaõ fe cumprirá feu
ou a houver por outro titulo, falecer em acordo, e concerto.

T I T U L O XXIX.
Do Foreiro, que naõ pagou apenfaó em tempo devido. E como purgará a mora.
E o Foreiro,que recebeo do fenhorio continuos, e cumpridos, de bens profanos,
alguma pofefaõ de bens profanos poto que depois queira purgar a mora, e
por certo foro, ou penfaõ, ou quan tardança, em que foi por naõ pagar por
tidade de frutos, ou preço para fempre, todos os tres annos, offerecendo ao fe
ou para certas pefoas, ou por certo tem nhorio todo o foro, e penfoés devidas,naõ
po de dez annos, ou dahi para cima, naõ purgará por ifo a mora,nem ferá relevado
pagar o foro, ou penfaõ por tres annos do commifo, em que cahio, ainda que lhe
cumpridos, e continuos, perderá todo o o fenhorio receba as penfoés; falvo, fe ex
direito, que na coufa aforada tinha, para prefamente lhe aprouver de lhe aceitar a
o fenhorio, fe o quizer. dita purgaçaõ, e o relevar do commifo,
1 E cefando o Foreiro de pagar o em que affi cahio. •

foro, e penfaõ ao fenhorio por tres annos 2 E nas poffefoés Ecclefiafticas da


|- … das
Do Foreiro, que naõ pagou a penfaõ em tempo devido. &>'c. 29
das de foro a pefoas Ecclefiafticas, ou em Juízo; ou depois de citado, oferecem
leigas, naõ pagando o Foreiro a penfaõ, e do-as antes da lide conteftada. E com ra
foro ao fenhorio por dous annos cumpri zaõ he dada efta faculdade ao Foreiro dos
dos, e continuos, perderá logo todo o di bens Ecclefiaíticos de poder purgar a mo
reito, que na poffefaõ, e coufa aforada ra, e tardança, pois por mais breve tempo
tiver, para o fenhorio, fe a quizer haver. cahe em commifo,que o Foreiro dos bens
Porêm nefte cafo poderá o Foreiro pur rofanos. Pelo que mandamos que nos
gar a mora,em que foi de naõ pagar, ofe * Ecclefiafticos fe guarde o Direito
recendo ao fenhorio as penfoés devidas Canonico, e nos bens profanos o Direito
em qualquer tempo, antes que feja citado Civil, fegundo por Nós he declarado.

T I T U L O XL.
Que fe naõ aforem cafas fenaõ a dinheiro,
Andamos que nenhuma pefoa vinho, azeite, nem de outras coufas feme
pofa dar, nem tomar de foro lhantes, fómente a dinheiro. Poderáó po
em pefoas, ou em perpetuo, rêm pôr no dito foro quaefquer aves, que
ou por contrato de dez annos, ou dahi quizerem; e fazendo o contrario, havemos
para cima, cafas, nem chaõ, em que fe ha os taes contratos por nenhuns, e de ne
jaõ de fazer, por peníaõ, e foro de paõ, nhum efeito.

T I T U L O XLI.
Que os Foreiros dos bens da Corôa, Morgados, Capellas, ou Commendas, naõ dem
dinheiro, nem outra coufa aos fenhorios, por lhes aforarem, ou innovarem.
Efoa alguma, que trouxer terras tratos já feitos. E fazendo-fe o contrario,
da Corôa de nofos Reynos, e os o que receber o dinheiro pagará o que
Adminiftradores de Capellas, e 'affi recebeo, e mais outro tanto ; e o
Morgados, e Commendadores, de quaef> que dér o dinheiro por entrada, perca
quer Commendas que fejaõ, que tiverem o que afi dér, e mais pague de pena
poder para aforar os bens da Corôa, Ca outro tanto, quanto lhe for provado que
pellas, Morgados, ou Commendas, naõ deu, amétade para quem o accufar, e
poderáõ levar,nem levem dinheiro algum, a outra para os Captivos. E o contrato
nem outra coufa d'avantagem aos foreiros fique nenhum, e de nenhum vigor, e
por lhes fazerem os contratos de afora pelo me{mo feito fique devoluto ao fe
mento, ora feja in perpetuum, ora em cer nhorio, para o aforar de novo a quem
tas pefoas, ou por lhes innovar os con quizer.

T I T U L O XLII.
Que naõ fejaõ confirangidas pelfoas algumas a pelfoalmente morarem em .
algumas terras, ou cafaes.
Or quãto fomos informados, q em máraõ alguns cafaes, ou terras, poíto que
algumas partes de nofos Reynos, feus herdeiros naõ fofem, que por força
eraõ contrangidas muitas pef. fofem morar, e povoar ck terraS , C
foas, affi homens como mulheres, defcen cafaes pefoalmente; e fe naõ queriaõ hir,
dentes, ou tranfwerfaes daquelles, que to faziaõ que os prendefem, e fobrello
• lhe
davaó
3o | Livro quarto das Ordenaçoës, Tit. 42., e 43.
davaõ muita fadiga, e opprefaõ; e os tra zer que he afcripticio, e obrigado a pe{**
ziaõ em demandas.Pela qual razaõ muitas foalmente hir povoar o dito cafal, por
mulheres deixavaõ de cafar,por naõ acha defcender de femelhantes pefoas; por
rem quem as quizeffe, por dizerem que que queremos que em nofos Reynos
eraõ afcripticias, e obrigadas a povoarem, naõ haja femelhante genero de fervi
e morarem as ditas terras, e cafaes; e daó, fem embargo de quaefquer Leys,
porque a tal obrigaçaõ parece efpecie de e Ordenaçoês , que em contrario haja.
captiveiro, o qual he contra razaõ natu Porêm naõ tolhemos que fejaõ obri
Coll.
lllllll.
1: ral," mandamos que nenhuma pefoa feja gados a cumprir os contratos por elles
e feg. " contrangida a povoar, e morar cafal al feitos, ou por aquelles, cujos herdeiros
gum, ou terra pefoalmente, por di forem.

T I T U L O XLIII. Das S efinarias. \,

* . *•

…………………………” ~~
• * *
*

- L^ * * <rr (+ +--> Efmarias faõ propriamente as dadas devaõ dar, naõ fe daráõ. E fe as naõ alle
|
de terras, cafaes, ou pardieiros, que garem, ou as naõ provarem, ou naõ vie
foraõ, ou faõ de alguns fenhorios, rem á dita citaçaõ, affignem-lhes hum
e que já em outro tempo foraõ lavradas, anno (que he termo conveniente), para .
e aproveitadas, e agora o naõ faõ : as que as lavrem, ou aproveitem, e repairem
quaes terras, e os bens affi damnificados, os ditos bens, ou os vendaõ, emprazem,
e detruidos pódem, e devem fer dados ou arrendem, a quem os poffa aproveitar,
de Sefinarias pelos Sefmeiros, que para ou lavrar. E fe o naõ fizerem, pafado o
ifto forem ordenados. E a Nós fómente : dito amno, dem os Sefmeiros as ditas Sef
pertence dar os ditos Sefmeiros, e os pôr marias a quem as lavre, e aproveite. E
nos Lugares, onde houver terras, ou bens ifto haverá lugar, afinos bens de quaef;
de raiz, que de Sefmaria fe devaõ dar. E fe quer Grandes, e Fidalgos,como de outros
}

as terras, onde fe as Sefmarias houverem de qualquer condiçaõ que fejaõ.


de dar, forem foreiras, ou tributarias a 2 E naõ podendo os Sefmeiros faber
Nós, ou á Corôa de nofos Reynos, quer quaes faõ os Senhores das ditas terras, e
fe os fóros,e tributos arrecadem para Nós, bens, façaõ pregoar nos Lugares, onde os
quer para outrem, a que os tenhamos da bens eftiverem, como fe haõ de dar de
dos, cotumamos dar por Sefimeiros os Se{maria, declarando,onde eftaõ,e as con
nofos Almoxarifes dos Lugares, ou Al frontaçoês delles. E façaõ em effes Lu
moxarifados, onde os taes bens, ou terras gares, e em outros dous a elles mais co
eftaõ. marcaós, pôr Edictos de trinta dias, em
1 E os Sefimeiros, que taes terras, ou que fe contenha que aquelles, cujos os
bens de Sefimaria houverem de dar, faibaõbens forem, os venhaõ lavrar, e aprovei
primeiro, quaes faõ, ou foraõ os Senhores tar até hum anno, fenaõ que fe daráõ de
delles. E como o fouberem, façaõ-os citar Sefmaria. E fe alguns vierem, ouçaõ-nos
em pefoa,e fuas mulheres, affignando-lhes com os que as Sefmarias requerem,e façaõ
tempo conveniente, a que perante elles em tudo, como acima difemos, quando
venhaõ dizer que razaõ tem a fe naõ efpecialmente faõ citados. E fe pafado o
darem de Sefmaria as ditas terras, cafas, anno contado, depois que os trinta dias
ou pardieiros. E naõ abaftará para ifto : dos Edićtos forem acabados, naõ vierem,
ferem citados os emphyteutas, ou outros dem as Sefmarias.
pofuidores dos taes bens, mas todavia 3 E em qualquer cafo, que os Sef
fejaõ citados os fenhorios delles. Os quaes, meiros dem Sefimarias, affignem fempre
vindo á citaçaõ,ouçaõ-nos com as pefoas, tempo aos que as derem ao mais de cinco
que as Sefinarias requerem ; e fe taes cau annos, e dahi para baixo, fegundo a qua-.
fas allegarem, e provarem, porque as naõ. lidade das Sefmarias, que as lavrem, e,
aprovei

#
Das Sefinarias. 31
aproveitem fob certa pena, fegundo vi forem damnificados, mandamos aos Jui
rem que o cafo requer; a qual naõ paf zes que conftranjaõ aos Tutores, que os
fará de mil reis, e ferá para noffa Camara, aproveitem, pondo-lhes pena, que os pa
fe as terras forem tributarias, e os tributos garáõ por feus bens, fe forem dados de
fe arrecadarem para Nós; e fe para ou Se{maria, por os naõ aproveitarem. E fe.
trem fe arrecadarem, que tragaõ as terras forem bens de Capellas, Hofpitaes, Al
de noffa maõ, feráõ as penas para elles, bergarias, ou Confrarias, que já em algum
por fe melhor requererem. E fe as terras tempo foraõ aproveitados, e entaõ andem
forem ifentas, feráõ as penas para os Con damnificados, naõ os dem os Sefmeiros
celhos, onde eftiverem.E naõ lhe affignan de Sefmaria, mas contranjaõ com penas
do certo termo,a que as aproveitem, Nós os Adminiftradores, ou Mordomos, que
por efia Ordenaçaõ lhe havemos por afi os aproveitem, e tornem ao eftado, em
gnados cinco annos; e feráõ avifados os que efiavaõ, antes que fofem damnifica
Sefmeiros, que naõ dem mayores terras a dos, affignando-lhes tempo conveniente
huma pefoa de Sefimaria, que as que ra para ifo, e pondo-lhes penas.
zoadamente parecer que no dito tempo 7 E fe os Senhores dos bens, que fo
poderáõ aproveitar. rem pedidos de Sefimaria, andarem homi
4 E fe as pefoas, a que afi forem da ziados fóra do Reyno, feráó requeridas
das as Sefmarias, as naõ aproveitarem ao fuas mulheres; e dem-lhes tempo, a que
tempo, que lhes for affignado, ou no tem lho façaõ faber. E fe naõ vierem, nem
po, que neta Ordenaçaõ lhes affignamos, mandarem Procurador, dem Curador aos
quando exprefamente lhes naõ for afi bens; e affignem-lhes tempo de hum anno,
gnado, façaõ logo os Sefimeiros executar a que os aproveitem. E feitas etas dili
as penas, que lhes forem poítas; e dem as gencias, naõ os aproveitando, nem repai
terras, que naõ eftiverem aproveitadas, a rando no dito tempo, entaõ os dem de
outros,que as aproveitem, affignando-lhes Sefmaria a quem os aproveite.
tempo, e pondo-lhes a dita pena. E as que 8 E por quanto algumas pefoas dei
lhes acharem aproveitadas lhes deixaráõ xaõ perder feus olivaes, e colher mato,
com mais algum logradouro do que naõ por os naõ quererem adubar, nem roçar,
eftiver aproveitado, quanto lhes parecer e para lhos naõ pedirem de Sefmaria,efca
neceffario para as terras aproveitadas,que vaõ,ou cultivaõ algumas oliveiras, e naõ
lhes ficaõ. E as que naõ eftiverem apro querem roçar os matos; e outros, que
veitadas, daráõ, femfer citada a pefoa, a tem terras,para dar paõ, as deixaõ encher
que primeiro foraó dadas; porém aquelle, de grandes matos, e foveráes, e por lhos
a que primeiro foraõ dadas, fe tiver legiti naõ pedirem, lavraõ hum pedaço de terra,
mos embargos a fe darem,poderá requerer e deixaõ toda a outra; e alguns deixaó
fua juítiça; e os actos, que os Sefmeiros perder as vinhas, e tornar em pouzios, e
fizerem, fejaõ efcriptos por Taballiaõ, adubaõ humas poucas de cepas em hum
ou Efcrivaõ, que de Nós tenha para ifo cabo, e outras em outro, e allegaõ que
auétoridade; e nas Cartas de Sefmarias fe as aproveitaõ; mandamos que os donos
ponha fummariamente a fubfancia dos dos taes bens fejaõ requeridos, e lhes feja
ditos actos, para fe faber, fe foraõ dadas, affignado termo, a que adubem os ditos
como deviaõ. olivaes, e vinhas, e as terras lavrem, e
5 E fe depois que as Sefmarias forem femêem ás folhas, fegundo o cotume da
dadas, recrefcer contenda, fe faõ bem da terra. E fe o affi naõ fizerem, pafado o
das,ou naõ,fe eftiverem em terras foreiras, dito termo,as dem de Sefmaria.
ou tributarias a Nós, ou á Corôa de nof. 9 E fendo as terras, que forem pedi
fos Reynos, o conhecimento pertence das de Sefimaria, matos maninhos, ou ma
aos nofos Almoxarifes; e fe forem em tas, e bravios,que nunca foraõ lavrados, e
terras ifentas, pertence o conhecimento aproveitados, ou naõ ha memoria de ho
aos Juizes Ordinarios dos Lugares, onde mens, que o foffem, os quaes naõ foraõ
taes bens eftiverem. coutados, nem refervados pelos Reys,
6 E quanto aos bens dos Orfaõs, que que ante Nós foraõ,e pafáraõ geralmente
pelos
32 Livro quarto das Ordenaçoës, Tit. 43.
pelos Foraes com as outras terras aos Po outro direito naõ fejaõ nofas; nem ma
voadores dellas; mandamos que os Sef tos, nem matas, nem outros maninhos,
meiros,que forem requeridos, para as dar, que naõ foraõ coutados, nem refervados
as vaõ ver; e fe acharem que fe pódem pelos Reys, que antes Nós foraõ, que faõ
lavrar, e aproveitar, façaõ requerer o Pro dos Termos das Villas, e Lugares, para os
curador do Lugar, onde as terras etive haverem por feus, e as coutarem, e de
rem, que falle com os Vereadores, e di fenderem em proveito dos paftos, cria
gaõ, fe tem alguma razaõ, para fe taes çoés, e logramentos, que aos moradores
matos, pouzios, ou maninhos naõ darem dos ditos Lugares pertencem; e fe nelles
de Sefmaria,e ouçaõ efe Procurador com houver terra para lavoura, dar-fe-ha de
a pefoa,que os pedir. E fendo em terra Sefmaria,como acima temos determinado.
tributaria a Nós, ou a mofa Corôa, ouçaõ E fe foraõ dados a algumas pefoas em
o nofo Almoxarife, fe ele naõ for o Sef damno dos moradores dos Lugares, po
meiro; e fe acharem que as terras faõ de-lof-haõ demandar, fe entenderem que
taes, que, fendo rotas, e aproveitadas, ou tem direito para ifo. |

lavradas, e fêmeadas, daráõ paõ, vinho, 13 E por mais favor da lavoura geral
azeite, ou outros frutos, e que duraráõ mente mandamos que, onde quer que fe
em os dar a tempos, ou a folhas, ou em derem Sefimarias de quaefquer coufas, fe
cada hum anno, e que naõ faráõ grande as terras, onde eftiverem,forem ifentas, fe.
impedimento ao proveito geral dos mora dem as Sefmarias ifentas; e fe forem tri
dores nos patos dos gados, criaçoés, e lo butarias, com o tributo dellas fe dem, e
gramento da lenha, e madeira para fuas naõ lhe ponhaõ outro tributo. E pondo-fe
cafas, e lavouras, dem os ditos maninhos mais tributo, ou foro algum, havemos a
de Sefmaria; porque proveito commum, tal impofiçaõ por nenhuma, e de nenhum
e geralhe de todos haver na terra abaftan vigor; e as Sefimarias ficaráõ em fua força
ça de paó, e dos outros frutos. fem a tal obrigaçaõ de foro, ou tributo. E
1o. E achando que naõ faõ terras para mandamos que fe naõ pofaõ levar afi
dar paõ, nem outros frutos, ou que naõ os que já faõ póftos, como os que ao di
duraráõ em os dar, ou que dando-fe de ante fe puferem, fem embargo de poffe,
Semaria, fariaõ grande impedimento ao cotume,ou prefcripçaõ immemorial; por
commum proveito de todos, ou que em que nefte cafo havemos por reprovada, e
particular tolheriaõ o logramento, e ufo nenhuma a dita poffe, prefcripçaõ, e co
de alguns moradores, por os ditos matos ftume immemorial. •

maninhos, ou pouzios ferem taõ comar 14 E quanto he ás roças, que fe por


caõs a elles, que feria quafi impofivel temporadas pódem fazer nos matos, ou
poderem-os efcufar, naõ os dem de Sef maninhos dos Lugares, que naõ faló para
maria. E em todas as Sefmarias devem durar em lavoura por fraqueza da terra,
fempre refpeitar os que as houverem de onde eftaõ mais, que por hum anno,dous,
dar, que naõ feja mayor o damno, que al ou tres, os Juizes, Véreadores, e Procura
guns por caufa dellas pofaõ receber, que dor dos taes Lugares as vaõ ver; e fe a
o proveito da lavoura dellas. terra for tributaria, vá com elles o nofo
11 E fe alguns tiverem matos pro Almoxarife, e os que as taes terras pedi
prios, ou pouzios, que para os affenta rem. E fe acharem que, queimando-as,
mentos de fuas quintas, cafaes, ou terras rompendo, ou cortando os ditos matos,
faõ proveitofos, ou pertencentes, ou te ou arvores, ferá damno geral, ou a alguns
nhaõ delles algum proveito, ou logramen em particular no logramento, e criaçaõ,
to,pofio que nos Lugares, e Termos,onde que lhes pertence, ou que ferá mayor o
os taes matos, ou pouzios eftiverem, naõ damno, e torvaçaõ no pafcigo dos gados,
tenhaõ quintas, cafaes, nem outras ter pelas coimas, que fenas roças pódem
ras, naõ os dem de Sefmaria; e deixem fazer, que o proveito, que fe na lavoura
feus donos lograr-fe delles, pois faõ feus. por pouco tempo póde feguir, em taes
12 E mandamos que fe naõ dem cafos naõ dem as ditas terras para roças.
valles de ribeiras, que por Foraes, ou E achando que fe naõ fegue dellas damno,
dem
- Das Sefinarias. 33
dem lugar para pelos ditos tempos pode {tos,criaçoés,e logramento dos moradores
rem fazer as roças com o tributo da terra, dos Lugares, onde eftaõ; e naõ devem
fe for tributaria, ou fem tributo, fe for delles fer tirados, fenaõ para fe darem de
ifenta, e ifto em favor da lavoura. Tendo fefmaria para lavoura, quando for conhe
fempre refpeito ao dar das roças, que por cido que he mais proveito, que eftarem
pouco proveito particular, e de pouca em matos maninhos ; e ufem em fuas ju
dura, naõ fe faça damno geral aos mora rifdiçoés, e terras, como Nós nas nofas
dores dos Lugares, ou a algum delles em ufamos. E os Sefmeiros poderáõ dar os
particular. maninhos nos cafos, e maneira, que
15 E defendemos aos Prelados, Me por Nós he determinado que fe pofaõ
fres, Priores, Commendadores, Fidalgos, dar. Porêm naõ tolhemos ás ditas Igre
e quaefquer outras pefoas, que terras, ou jas, Ordens, e pefoas Ecclefiafticas,
jurifdiçaõ tiverem, que os cafaes, quintas, poderem ufar de qualquer titulo, e pro
e terras, que ficarem ermas, fe naõ forem va, que nefte cafo por Direito fe póde
fuas em particular por titulo, que dellas fazer.
tenhaõ, ou por titulo, que tenhaõ as Or 16 E naõ poderáó pôr nas Cartas de
dens,e Igrejas,e Mofteiros,as naõ tomem, fefimarias, quando as derem,que naõ apro
nem apropriem para fi, nem para as Or veitando as terras, ou matos ao tempo,
dens, Igrejas, ou Mofteiros, e as deixem que for limitado, fiquem á Ordem, Igreja,
dar os Sefmeiros de fe{maria, como Nós ou aos fobreditos fenhores dellas. E pon
em nofas terras fazemos. Nem tomem os do-fe as taes claufulas, as havemos por
maninhos, que por proprios titulos naõ nenhumas,e de nenhum vigor.Por quanto,
forem feus, ou das Ordens, e Igrejas; quando as terras naõ faõ aproveitadas aos
nem os occupem, por dizerem que faõ tempos nas Cartas limitados, ficaõ como
maninhos, e lhes pertencem; por quanto d'antes eraõ, para os Sefimeiros as pode
os taes maninhos faõ geralmente para pa rem tornar a dar.

T I T U L O XLIV.
Do contrato da fociedade, e companhia.
*
…<<<< ** ** Ontrato de companhia he o que feito entre algumas pefoas de todos os
*
" .
** **
|

duas pefoas, ou mais fazem en bens,que tiverem, logo o fenhorio, e poffe


tre fi, ajuntando todos os feus dos taes bens fe trafpaffará reciprocamète
bens,ou parte delles para melhor negocio, nos companheiros, femfer neceffaria al
e mayor ganho. E algumas vezes fe faz guma aprehenfaõ corporal, ou acto algum
até certo tempo, outras vezes fimplez porque fe alcance fenhorio, ou poffe de
mente, fem limitaçaõ delle; mas ainda que alguma coufa. E tudo o que qualquer dos
fe faça fem limitaçaõ de tempo,morrendo companheiros acquirir depois de feita a
qualquer dos companheiros, logo acabará tal companhia de todos os bens, por qual
o contrato da companhia, e naõ paffará a quer titulo que feja, fe communicará en
feus herdeiros, poíto que no contrato fe tre todos; e o dominio, e poffe delles fe
declare que paffe a elles, falvo, fe a com trafpaffará nos ditos companheiros.
panhia foffe de alguma renda noffa, ou da 2 E quando o contrato da companhia
Republica, que algumas pefoas houvef> naõ for de todos os bens, mas de parte
fem tomado juntamente; porque neftes delles, afi como de certo trato, ou nego
cafos, ainda que algum dos companheiros cio,aquillo fómente fe communicará entre
na renda falleça, paffará o tal arrenda os companheiros, que cada hum delles
mento a feus herdeiros pelo tempo, que houver por feu trabalho, ou induftria no
elle durar, fe affi foi no dito contrato deme{mo trato, ou negocio, e naõ aquillo
clarado, e o herdeiro he pefoa diligente,e que cada hum delles houver por outro
idonea para perfeverar na dita companhia. modo fóra da companhia por refpeito
1. Se o contrato de companhia for de fua pefoa, ou por beneficio particu
Liv. IV. -4 lar,
34 •
Livro quarto das Ordenaçoës, Tit. 44.
lar, que de alguem recebeo, afi como obrigado a dar parte aos mais das ditas
huma herança, ou legado, doaçaõ, ou coufas, e naõ das que depois de ter renun
outra coufa femelhante. ciada a dita companhia por nova caufa
3 E fazendo algumas pefoas contrato acquirir. •

de companhia em materia illicita, e repro 7 Da me{ma maneira naõ poderá hum


vada, afi como, em roubar, ou outra fe companheiro renunciar a companhia ,
melhante, o tal contrato ferá nullo, e de quando a tal renunciaçaõ for em prejuízo
nenhum efeito, e vigor. E fe algum com della, ou ainda durafe o tempo della. E
panheiro de companhia licita houver al em cada hum defes cafos ficará obrigado
gum ganho por via illicita, naõ poderá a compor aos companheiros a perda, que
pelos outros companheiros fer contran pela tal renunciaçaõ fe caufar; e commu
gido a dar-lhe parte delle. Porêm, fe elle nicar com elles qualquer ganho, que elle
a dér voluntariamente, e depois for con houver, ou a companhia pudera haver,
demnado por fentença a reflituir o que fe elle fe naõ afafára della; e o damno,
affi ganhou por meyo illicito, feráõ obri que fucceder, ficará fómente á conta do
gados os ditos companheiros a reflituir a companheiro,que fóra de tempo fez a dita
parte do ganho ilicito, que em fi tem. renunciaçao.
Porêm naõ feráó obrigados a pagar a 8 E pofio que, antes do tempo da
pena, em que o companheiro foffe con companhia fer acabado,nenhum dos com
demnado; falvo, fe foraõ fabedores que o panheiros fe pofa affaftar della, todavia
dito ganho fe houvéra por modo ilicito, em certos cafos o poderá fazer. Affi como
e com tudo quizeraõ haver fua parte fe algum dos companheiros for de condi
delle; porque em tal cafo pagaráõ as çaõ taõ a{pera, e forte, que com elle fe
ditas penas. naõ pofaõ avir. Ou fe o que fe afafia
4 O contrato de companhia fe desfaz da companhia alegar que he inviado por
por morte natural de qualquer dos com Nós, ou pela Republica a algum nego
panheiros. E ainda que fiquem outros al cio. Ou que lhe naõ he cumprida alguma
guns vivos, tambem quanto a elles aca condiçaõ, com a qual entrou na compa
bará o dito contrato; falvo, fe a principio nhia. Ou fe lhe foi tomada, ou embargada
fe acordafe entre todos que o tal con a coufa, em que a companhia he feita.
trato durafe entre os que vivos ficafem. 9 Naõ fe declarando no contrato da
5 E affi mais fe desfaz a companhia, companhia quanta parte do ganho, ou
quando algum dos companheiros a renun perda haverá cada hum dos companhei
ciar, dizendo aos outros por fi, ou por feu ros, entender-fe-ha que cada hum haverá
procurador, que naõ quer mais fer feu affi do ganho, como da perda iguaes par
companheiro; e ifo quando no contrato tes. Naõ tolhemos porêm que os com
da companhia fe naõ declarou o tempo, panheiros logo no tempo do contrato
que havia de durar. pofaõ repartir entre fi a perda, e o ganho
6 Porêm,quando o companheiro,que d'outra maneira; porque poderá muitas
renunciar a companhia, no dito cafo o fi vezes a induftria, e faber de algum delles
zer por manha, e engano, nem por ifo fer de mór valia, e proveito para a me{ma
ficará defobrigado da companhia: afi co companhia, que o cabedal, que os outros
mo ferá, quando em huma companhia de metterem; e affi ferá juíto, que efte tal
todos os bens hum dos companheiros fe tenha mais no ganho, e menos na perda:
afaftar della, por haver fó huma herança, naõ poderáõ porêm os companheiros pôr
ou legado, que lhe feja deixado, ou fe tal pacto, e condiçaõ, que hum compa
huma companhia feita entre muitos, para nheiro leve o ganho todo, e na perda
tomarem de renda huma coufa, algum naõ tenha parte; por quanto o tal concer
dos companheiros difeffe que naõ queria to, como efte,he illicito, e reprovado.
mais fer companheiro, com intento de 1o As dividas,que fe fizerem por ref>
tomar a renda fó para fi. E em cada hum peito da companhia, e fociedade, della
detes cafos, fem embargo da renuncia me{ma fe haõ de pagar, poíto que a efe
çaõ, cada hum detes companheiros ferá tempo feja já acabada. E da me{ma ma
neira
Do contrato da fociedade, e companhia. 35
neira fé ha de tirar da companhia a per o que algum dos companheiros gatou
da, e damno, que houve nas coufas della, fóra da companhia, ainda que foffe em
ou que aconteceo a qualquer dos compa algum acontecimento, que tiveffe origem
nheiros nas fuas coufas proprias por caufa por occafiaõ da companhia, naõ fe tirará,
da tal companhia: affi como, fe fendo nem pagará della: affi como, fe trazen
mandado hum delles a certo negocio, to do hum companheiro a feu cargo efcra
cante á companhia, o roubarem os la vos da companhia, foffe ferido por algum
droés no caminho, ou lhe matarem o ca delles, por lhe querer tolher que naõ fu
vallo,em que for, ou o efcravo, que levar. gife; porque em tal cafo o que gaftar
11 E pelo me{mo modo toda a def em fe curar, naõ o haverá pela compa
pefa, e gato, que fe fizer em beneficio da nhia, mas ficará por fua conta, e defpefa
companhia, feha de pagar della. Porêm, Particular. -

T I T U L O XLV.
Do que dá herdade a parceiro de meyas, ou a terço, ou quarto, ou a arrenda
~~~~ • • |- • por certa quantidade.

E alguma pefoa dér a outrem fua e condiçaõ do contrato da parceria, mas


vinha,ou herdade a lavrar de meyas, paffa em outra efpecie de contrato.
terço, ou quarto, ou como fe con 3 E em todo o cafo,onde o fenhor da
certarem, por tempo certo, que feja me vinha,ou herdade a dér de renda por certa
nos de dez annos, e durando o dito tempo quantidade de paõ, vinho, azeite, ou di
fe finar algum delles, o que vivo ficar, e nheiro, por muito, ou pouco tempo, fem
os herdeiros do defunto, naõ fejaõ obriga pre o contrato paffa aos herdeiros; porque
dos a manter, e cumprir o contrato; por he contrato de arrendamento diverfo do
que o contrato feito em efa fórma fegue contrato da parceria; e por tanto deve por
a natureza, e qualidade do contrato da outra maneira fer julgado.
parceria, e afi deve fer julgado de hum 4 E mandamos que todos os Lavra
como do outro. }
dores,que trouxerem herdades de parceria
1 Porêm, fe ao tempo da morte de a meyas, a terço, quarto, ou a certa outra
cada huma das partes principaes, o La quota, naõ tirem, nem levantem o paó da
vrador tiveffe já a herdade lavrada, a vi eira, até o primeiro fazerem faber ao fe
nha podada, ou feita alguma outra obra nhorio, ou a quem feu cargo tiver no Lu
de adubio, paffará o contrato aos herdei gar, ou Termo; e naõ fendo ahi,o tirem, e
ros por efe anno. E affi elles, como a méçaõ perante duas teftemunhas fem fuf
outra parte,que ficar viva,feráõ obrigados peita. E tirando-o doutra maneira, a terra
ao manter por efe anno fómente, que já ferá etimada por dous, ou tres homens
era começado de adubar, e mais naõ. bons juramentados; e do que etimarem,
2 E quando o fenhor da vinha, ou que a terra poderia dar, pagaráõ a parte,
herdade a défe de meyas,terço,ou quarto, que haviaõ de dar,em dobro para o fenho
por tempo de dez annos, ou mais, paffará rio, ou para o que lhe deu a terra a lavrar,
efe contrato aos herdeiros; porque tal fem mais por ifo lhe fer dado outra pena
contrato affi feito, naõ fegue a natureza, alguma crime, nem civel.

T IComoTo marido,Ue mulherLfaó meeiros


O em feusXLVI.
bens.
Odos os cafamentos feitos em partes outra coufa for acordada, e con
nofos Reynos, e Senhorios tratada; porque entaõ fe guardará o que
fe entendem ferem feitos por entre elles for contratado. |

Carta de amétade; falvo, quando entre as 1 E quando o marido, e mulher fo


Liv. IV. E 2 ICITA
36 Livro quarto das Ordenaçoês, Tit. 46, 47., e 4o.
rem cafados por palavras de prefente á bate para fe prefumir Matrimonio antre
porta da Igreja, ou por licença do Pre elles, porto que fe naõ próvem as palavras
lado fóra della, havendo copula carnal, de prefente.
feráõ meeiros em feus bens, e fazenda. 3 E acontecendo que o marido, ou
E poto que elles queiraõ provar, e pro a mulher venhaõ a fer condemnados por "
vem que foraõ recebidos por palavras de crime de herefia, porque feus bens fejaõ
prefente, e que tivéraõ copula, fenaõ pro confifcados, queremos que cómuniquem
varem que foraõ recebidos á porta da entre fi todos os bens, que tiverem ao
Igreja, ou fóra della com licença do Pre tempo do contrato do Matrimonio, e to
lado, naõ feráõ meeiros. dos os mais, que depois acquirirem, como
2 Outro-fi feráó meeiros, provando fe ambos fofem Catholicos. O que afi
que etivéraõ em cafateúda, e manteúda, havemos por bem, por fe efcufarem con
ou em cafa de feu pay, ou em outra, em luyos, e falfidades, que fe poderiáõ com
publica voz, e fama de marido, e mulher, metter fobre a prova dos bens, que cada
por tanto tempo, que fegundo Direito hum delles comfigo trouxer.

T I T U L O XLVII,
Coll, 1.
I]Ul111. Is Das Arras, e Camera cerrada."
C 2.

Uando alguns cafaó, naõ pelo 1 E fe o marido, que taes Arras pro
cotume, e Ley do Reyno, por metteo a fua mulher, tiver a efe tempo
que o marido, e mulher faõ filho, ou filhos legitimos, ou outros legi
meeiros, mas por contrato de timos defcendentes d'outra primeira mu
dote, e Arras, mandamos que pefoa lher, e for algum vivo ao tempo, que fe as
alguma, de qualquer eftado, e condiçaõ Arras vencerem, naõ poderá a fegunda
que feja, naõ pofa prometter, nem doar mulher haver da fazenda do marido (no
a fua mulher Camera cerrada; e promet cafo que deva haver as Arras promettidas)
tendo-lha, tal promefa, ou doaçaõ naõ mais, que o que montar na terça parte dos
valha; mas poderá cada hum em o con bens,q ao tempo do contrato dotal forem
trato dotal prometter, e dar a fua mulher do marido, que lhe prometteo as Arras,
a quantia, ou quantidade certa, que qui pofio q a quantia promettida por Arras no
zer, ou certos bens, affi como de raiz, ou contrato dotal feja mayor, q o que fe mon
certa coufa de fua fazenda, com tanto que tar na terça do marido. Por quanto no que
naõ paífe o tal promettimento, ou doaçaõ exceder a dita terça queremos que tal pro
de Arras da terça parte do que a mulher mefa, e obrigaçaõ de Arras naõ feja va
trouxer em feu dote. E fe mais for promet liofa,nem haja efeito algum;porque noffa
tido do que montar na terça parte do dote, tençaõ he que por tal obrigaçaõ de Arras
naõ valerá o tal promettimento na de os ditos filhos naõ fejaõ defraudados em
mafia, que mais for. maneira alguma de fuas legitimas.

T I T U L O XLVIII.
Que o marido naõ po/a vender, nem alhear bens fem outorga da mãlher.
Andamos que o marido naõ cafados por carta de métade, fegundo co
pofa vender, nem alhear bens ftume do Reyno, quer por dote, e Arras" }
• alguns de raiz fem procura o qual confentimento fe naõ poderá pro
çaõ, ou exprefo confentimento de fua var, fenaõ por efcriptura publica; e fa
mulher, nem bens,em que cada hum delles zendo o contrario, a venda, ou alheaçaõ
tenha o ufo, e fruto fómente, quer fejaõ feja nenhuma, e fem efeito algum. E
poíto

--~~~
~~
Que o marido naõ paja vender, nem alhear bens, fein 22'c. 37
pofio que fe alegue que a mulher confen confentimento de fua mulher para a de
tio, e outorgou na venda, ou alheamento manda; porque naõ lhe dando confenti
caladamente,tal outorga tacita naõ valma, mento, naõ a poderá ele por fi desfazer;
nem feja alguem admittido a alegar,falvo, falvo, feella foffe morta; porque entaõ
alegando outorga exprefa, e provan ferá neceffario confentimento dos her
do-a, porque muitas vezes as mulheres deiros da mulher; porque nelles eftá apro
por medo, ou reverencia dos maridos, var o contrato fe quizerem, por nelles
deixaõ caladamente pafar algumas cou paffar o direito, que a mulher tinha para
fas, naõ oufando de as contradizer, por fazer a tal demanda: por tanto o marido
receyo de alguns efcandalos,e perigos,que fó fem confentimento da mulher, ou de
lhes poderiaõ vir. Porêm naõ tolhemos ao feus herdeiros, naõ poderá fazer a dita
marido que pofa vender, ou renunciar demanda.
qualquer Oficio, que tiver, poíto que a 4 E em todo cafo, onde a mulher de
mulher naõ confinta. mandar a coufa vendida por feu marido,
I E vendendo, ou alheando o marido ou o marido fizer a demanda com confen
alguns bens de raiz fem exprefa outorga timento da mulher,fe o comprador reque
de fua mulher, poíto que para firmeza da rer,que lhe torne ella o preço,que deu por
venda, ou alheamento dê fiadores, ou pe a coufa, mandamos que, fe o preço, que
nhores, ou prometta alguma pena, todo o marido recebeo, foi convertido em pro
ferá nenhum, e de nenhum vigor. E obri veito della, afi como elle, ou por qual
gando-fe o marido a trazer outorga de quer maneira ela houve comminaçaõ do
fua mulher a certo tempo, e fob certa preço, a coufa affi vendida naõ lhe feja
pena, naõ pagará a pena, nem incorrerá entregue; falvo,tornando ella o preço,que
nella, poíto que a naõ traga; porque d'ou por a coufa foi dado, ainda que o compra
tra maneira efta Ley feria defraudada; dor foffe fabedor que o vendedor era cafá
porque tanto damno receberia a mulher, do ao tempo da venda; porque naõ feria
pagando-fe a pena,como valendo a venda coufa razoada, ter ella o proveito do pre
feita fem feu confentimento. ço, e levar a coufa inteiramente fem a
2 E querendo a mulher revogar a pagar.
venda, ou alheaçaõ de alguma poffefaõ, 5 E fe ella naõ tiver proveito do pre
ou bens de raiz, que por o marido fofe ço, naõ ferá obrigada ao tornar; e a coufa
feita fem feu exprefo confentimento, po lhe ferá todavia entregue. Porêm, fe o
de-lof-ha demandar em Juizo, e cobrar comprador naõ foube, nem teve juíta ra
efa pofefaõ, ou bens, havendo auctori zaõ para faber, que ao tempo da venda o
dade do marido para os poder demandar. vendedor era cafado, poderá pedir ao ven
E naõ lhe querendo o marido para ifo dedor o preço, que deu por a coufa com
dar feu confentimento, haja Carta noffa, prada. E naõ tendo por onde pague, feja
porque pofa fazer a demanda, e revogar prefo, até que pague, fem damno da mu
a venda, ou alheaçaõ fem auétoridade do lher, por a malicia, que commetteo, ven
marido. A qual Carta mandamos que lhe dendo coufa de raiz fem confentimento
feja dada, falvo fendo ella taõ defafifada, della; fendo porêm em todo cafo a coufa
que fe pudefe mover a ifo fem juíta ra entregue á mulher.
zaõ, nem foubefe governar a demanda. A 6 E no cafo, onde o comprador ao
qual auctoridade lhe poderáõ affi me{mo tempo da venda foube,ou teve juíta razaõ
dar os Juízes do Lugar,onde forem mora para faber que o vendedor era cafado, e
dores, pela maneira, que dito temos no naõ lhe pedio outorga da mulher para a
terceiro Livro, no Titulo: Que o marido venda, naõ lhe poderá pedir o preço, que
naõ po/a litigar em Juizo fobre bens de lhe deu por a coufa comprada; mas per
raiz, C'c. de-lo-ha, pois comprou a coufa de raiz
3 E fe o marido, ou feus herdeiros fêm outorga da mulher do que fabia fer"
affi me{mo por fi quizerem demandar a cafado, e tornar-lhe-ha ainda os frutos,
coufa, ou bens, afi vendidos, por a venda que houve defa coufa no tempo, que
fer nenhuma, pode-lo-ha fazer, havendo a teve, depois da compra feita, tirados
os cuítos
~~

}+

38 Livro quarto das Ordenaçoës, Tit. 48, 49., e 5o.


os cuítos, que fe fizerem por razaõ dos bens emprazados, ou arrendados, fe o
frutos. •

arrendamento for de dez annos, e dahi


7 E querendo o comprador cobrar para cima, e nos outros cafos declarados
algumas bemfeitorias neceffarias, ou pro no terceiro Livro, no Titulo: Que o ma
veitofas, que fez na coufa comprada no rido naõ po/a litigar em Juizo, vc. , , , ,
tempo,que efteve em pofe della,ferá obri 9 E tudo o que dito he, haverá lugar
gado compenfar os frutos,que houve della affi em as alheaçoés,que forem feitas por o
em todo cafo, ainda que os recebeffe an marido fem exprefo confentimêto da mu
tes da lide conteftada fobre a dita coufa. lher, antes do Matrimonio fer entre elles
8 E o que difemos nas alheaçoés dos por copula carnal confummado,como nas
bens de raiz, haverá tambem lugar nos q depois de fer confummado forem feitas.

T I T U L O XLIX.
Que nenhum Qfficial da Jufiiça, ou Fazenda receba depófito algum.
Efendemos a todos os Correge gedores, e Juizes, ou outros Oficiaes ,
}•*
dores, Juizes, Meirinhos, Al mandaó confignar dinheiro, ou outra cou
caides,Taballiaés, Efcrivaés de fa em maõ de algum homem bom, e de
nofos Reynos, e a todos os Oficiaes de pois lho pedem empretado, ou por outro
* E2 Juftiça, e da Fazenda, e da Governança algum modo, de maneira que o preço, ou
das Cidades, e Villas, de qualquer quali coufa depofitada, que naõ podiaõ receber
dade que fejaõ, poíto que de mayor con em confignaçaõ, vem-no depois a receber
diçaõ que os fobreditos, que naõ recebaõ da maõ daquelle, a que foi entregue como ,
por fi, nem por outrem, nem por modo a homem bom, e o convertem em feus
algum hajaõá fua maõ,ou poder dinheiro, , proprios ufos; querendo Nós a ifto pro
nem outra coufa, que por feu mandado, ver, mandamos que em efte cafo efe ho
ou doutro qualquer Oficial fe houver de mem bom, em cuja maõ foi confignado o
confignar, ou depofitar. E fazendo o con preço, ou qualquer outra coufa, naõ fe
trario, fejaõ privados dos Oficios,e nunca pofa efcufar, por dizer que o entregou ao
mais os hajaõ; e paguem em dobro outro tal Juiz, Corregedor, ou Oficial, mas
tanto, quanto receberem, amétade para feja obrigado a refponder por elle, e entre
quem os accufar, e a outra para noffa ga-lo, a quem com direito deva fer entre
Camara, e fejaõ degradados hum anno. gue. E naõ o entregando do dia, que lhe
para Africa. for mandado,a nove dias, feja prefo, e naõ,
1 E porque algumas vezes os Corre feja folto, até que o entregue.

T I T U L O L.
Do empre/timo, que fe chama mutuo.
…………………………”
** ,
Oda a pefoa, que empreta a dinheiro, trigo, vinho, ou azeite, ou
outra coufa alguma, que con outro legume.
fifte em numero, pefo, ou me 1 E efia coufa affi empreftada deve
dida, como dinheiro, vinho, azeite, trigo, tornar o devedor ao tempo, e prazo, que
ou qualquer outro legume, tanto que fe lhe for potto; e naõ fendo declarado tem
recebe a tal coufa empretada, fica a rifco po, cada vez que o acrédor lho pedir; e
daquelle, que a recebeo; porque pela en defe tempo fica conflituido em mora. O
trega ficou propria do que a recebeo, e qual fe naõ deve entender logo; porque
fica fempre obrigado a pagar o genero, feria vaõ,e fruftratorio,o beneficio,fe logo
que naõ podia perecer, que he outro tal fe houvefe de pedir o que fe empreta,
pelo
Do empreftimo , que Je chama mutuo. 39

pelo que fe daráõ ao devedor dez dias de direito de o pedir, aífi a feu pay \ como a
efpaço , como fe daõ ao q fe obrigar a pa- elle , pofto que os ditds filhos familias, a
gar alguma coufa,fem declaração de tem- que fe fez o dito empreftimo , fayaõ do
po, ou dilação, ou mais efpaço, fe ao Jul poder de feus pays por morte, cafamento,
gador parecer aífi fegundo a qualidade das ou emancipação1. E da meíma maneira fe
peífoas, tempo, e lugar. Mas fe a circum- naõ poderá pedir aos fiadores, que por elles
ílancia da coufa , ou do Lugar , onde fe ficarão.
havia de pagar, trouxeífe dilação, efperar- 3 Porem , fe o tal filho familias eíli
fe-ha que fe acabe , aífi como, fe hum em- ver em alguma loja de mercadorias , ou
preftaífe a outro em Liíboa cem cruzados tiver algum trato de confentimento , e
para lhos pagar em Braga , ainda que naõ mandado de feu pay , ou fem elle , ferá
diífeífe quando,dar-fe-ha tanto tempo,que obrigado a pagar o que fe lhe empreílarj
boamente poíTa hir a Braga, para lhos dar porque, fe por mandado de feu pay eftá
lá. E fe hum empreílaífe a outro trigo, ou no tal trato , fica o pay obrigado pelo em
vinho para lho pagar de fua herdade , en- preftimo, que ao dito filho fe fizer; e íê o
tender-fe-ha que efpere tanto,até que delia dito filho negociava fem mandado de feu
haja a primeira novidade. pay, ficará elle obrigado, até onde chegar
2 E por quanto de fe empreftar di o feu pecúlio , e mais nao.
nheiro aos mancebos filhos familias , fe dá 4 E quando o filho familias eftá em
azo ao converterem em ufos deshoneftos, parte alongada,e remota por caufa do eftu-
e occafiaõ de ferem viciofos , e fe pode do, ferá o pay obrigado a pagar o q fe em
prefumir que carregados de dividas,e aper preftar ao dito filho para os gaftos do eftu-
tados por ellas procurem a morte a feus do j nao fendo porém mais, q o que o pay
pays , ou lha defejem ; para fe ifto evitar, lhe coftumava dar.E o mefmo ferá no que
mandamos que o que empreftar a algum fe empreftar ao filho familias foldado, que
filho, que eíliver debaixo do poder de feu eíliver na guerra em parte remota, ou
pay, quer feja varaõ, quer fêmea, perca o que andar na Corte em noíTo ferviço.

TITULO LI.

Do (jue confejfa ter recebido alguma coufa , e depois o nega.

QUalquer peíToa, que confeífar <j teiida com as cuftas em trefdobro , pois
recebeo algum empreftimo, po malicipfamente litigou. E naõ lhe feja em
derá dizer, e allegar até feífenta Juízo recebida alguma outra razaõ , que
dias que o naõ recebeo. E pon haja mifter outra prova fora da efcriptura
do efta excepção antes dos feífenta dias , da dita confiífaõ , pois negou o que tinha
naõ feja conftrangido pagar o confeífado razaõ de faber , e lhe foi provado. E naõ
por elle. E pofto que ao tempo do con provando o credor , como lhe entregou o
trato diga que renuncia efta Ley , tal re- conteúdo na efcriptura, ferá conftrangido
nunciaçaõ feja nenhuma. E defendemos a entregar ao devedor a efcriptura da obri-
aos Taballiaés, e Efcrivaés,que taes obri ,gaçaõ, e faze-lo livre do que nella confef
gações houverem de fazer, que naõ efcre- fou$ falvo, fe na efcriptura da confiífaõ o
vaõ taes renunciaçoés ; e fazendo o con Taballiaõ dér fua fé, que em fua prefença,
trario , percaõ os Officios. e das teftemunhas o devedor h|Oi\ye, e
i Porem, fe o cré dor provar por Ta- recebeo em fi empreftado o confafTa^o
balliaõ,e teftemunhas,que prefentes foraõ por elle ; porque nefte cafo naõ ferá ne-
ao tempo do contrato , ou por algum ceíTario ao crédor dar outra prova alem
modo licito, que realmente, e com ertèito da efcriptura da confiífaõ , pofto que
entregou ao devedor o que por elle foi ainda durem os feífenta dias ; porque
confeífado , ferá o devedor conftrangido ,pois o Taballiaõ o affirma , deve inteira
a pagar a quantia em fua confiíTaÕ çori- mente fer dada fé a fua efcriptura com
as tefte-
4O Livro quarto das Ordenaçõês, Tit. 51., e 52.
as telemunhas, fem outra alguma prova. feita, pagar antes dos feffenta dias parte
2 E fe o que tal confifaõ fez fob ef. da divida, ou em algum outro modo re
perança do que havia de receber, o negar conhecer fua confifaõ fer verdadeira, naõ
antes dos feffenta dias, e pufer a dita ex poderá já mais pôr, nem allegar efta ex
cepçaõ fóra do Juizo ao feu crédor,dizen cepçaõ.
do que naõ recebeo coufa alguma do que Outro-fi, fe o devedor antes de fua
confefou,ou que naõ recebeo tanto como confifaõ era obrigado ao crédor por ra
confefou, poíto que em Juizo naõ feja zaõ de compra, ou aluguer, ou de injuria,
… demandado por feu crédor, protetando que lhe foffe julgada, ou por outro algum
o devedor, e declarando antes dos fe{ modo (e naõ por razaõ de empreftimo),
fenta dias, que naõ recebeo o por elle querendo o tal devedor fazer diffo obri
confefado, ficará perpetuada efa exce gaçaõ a feu crédor, confefou que recebeo
pçaõ,de maneira que nunca já mais o cré delle empretado o que da outra obriga
dor poderá com efeito contranger o de çaõ lhe devia, ceffará a excepçaõ dos fe[
vedor por tal confifaõ, nem feus herdei fenta dias, e naõ fe poderá em tempo al
ros, falvo provando primeiro que o deve gum allegar; porque efta Ley fómente ha
dor houve, e recebeo o conteúdo em fua lugar nos empreftimos, e confifoês fobre
elles feitas. •

confifaõ. E fendo o crédor fóra da terra,


ou efcondendo-fe, em maneira que naõ 6 E porto que efta excepçaõ fe deva
pofa facilmente fer achado, poderá o oppor antes dos feffenta dias ferem paffa
devedor fazer fua protetaçaõ perante o dos, fe o devedor, pafados elles, quizer
Juiz fómente. E façaõ todo efcrever, tomar em fi o cargo de provar que nunca
para depois naõ recrefcer duvida, e fe recebeo o que em fua confifaõ he con
poder aproveitar em todo o tempo da dita teúdo, em parte, ou em todo, fempre ferá
proteítaçaõ. recebido á tal prova, com tanto que o
E morrendo o devedor antes dos prove por efcriptura publica, nos cafos,
ditos feffenta dias, poderáõ feus herdeiros onde fegundo noffa Ordenaçaõ heme
alegar efia excepçaõ antes dos ditos fe[ cefaria.
fenta dias acabados; e ifto me{mo dize 7 E em todos os cafos, em que o cré
mos, fe morrer o crédor, e ficar vivo o dor ha de provar a confifaõ do devedor .
devedor; ou fe morrerem ambos,e ficarem fer verdadeira, pode-lo-ha provar por te
feus herdeiros. E pafados os feffenta dias, {temunhas, ou por qualquer outro modo;
naõ poderáõ os herdeiros (pofto que fejaõ porque, pois elle já tem por fi a efcriptura,
Menores) allegar tal excepçaõ. E affi co e ainda he contrangido a provar que a
mo eta excepçaõ pódem alegar os her confifaõ conteúda nella he verdadeira,
deiros do devedor, afi a pódem alegar com razaõ deve fer recebido a prova-la
feus fiadores. por qualquer modo de prova, que puder
4 E fe o devedor, depois da confifaõ dar.

T I T U L O LII."
Do que confefa o que lhe he deixado em feu juramento com alguma qualidade.
Andamos que em todo o con querem obrigar, poíto que a tal qualidade
trato, de qualquer qualidade feja feparada do que fe lhe demanda,
que feja, onde for deixado em aquelle, que jurou, feja crido em todo na
juramento da parte qualquer coufa, fobre dita qualidade, para naõ fer obrigado. Afi
como, fe hum homem demandaffe outro,
que for contenda, e a parte, que jurar, con
feffar que o que lhe he deixado em feu ju
que lhe empreftára dez cruzados, e por
ramento he verdade, e pufer alguma qua naõ ter prova, ou por a naõ querer dar,
lidade, que conclua naõ fer obrigado ao o deixaffe em feu juramento, e o deman
porque he demandado, ou ao porque o dado jurar que he verdade que lhos em
preftou,
3tt Do contrato de empre/timo que fe chama Commodato. 4I
} prefiou, mas que depois lhos pagou ; que lhos pagou, poíto que outra prova |
naõ ne{te cafo, e em outros taes ferá crido naõ dê, nem tenha. |- }

} ex- |- ……………………

fia T I T U L O LIII. \
ra

utia, Do contrato de empreñimo, que fe chama Commodato.


T

#
#
^ ~~~~
|-Z - Z
Commodato he huma concer fe fora fila. E naõ fómente fe lhe impu
faõ graciofa, que fe faz de al- tará o dolo, e culpa grande , mas ainda
beo , , // … guma coufa para certo ufo. E qualquer culpa leve, e levifima, afi pela
ig- * * * diz-fe graciofa, porque fefe fizeffe por coufa principal, como pelo acceforio. E
#|- | | "7º dinheiro feria aluguer, ou arrendamento. por tanto, fehum empreftafe huma egoa
al # , , Efe fofe por outra coura, que naõ fofe a outro, a qual comfigo levafe hum pol
# * dinheiro, ou para ufo naõ certo, feria ou dro, a me{ma obrigaçaõ terá na guarda do
{3
|Dre
tra efpecieCommadato,
chamado de contrato.porque
E porfetanto he poldro,
dá para que na da
3 . Porêm, fe egoa.
a coufa pereceffe por *".

>Va
commodo,
cebe a coufa.e proveito fómente
E efte ufo baftarádoque
quefeja
re- cafo fortúito,
modatario naõ oferá
a pagar obrigado
damno, falvo oquando
Com
#-
ter
tacito, e naõ exprefo,
guem empreftafe afi como:
hum Livro, para Se al-
o que no
afi dito
como,cafofefortúito
pediffe intervieffe
hum cavalloculpa fua;
empre
23 o pede o trafladar, entender-fe-ha que ftado para hir a huma certa romaria, e
} lho empreta pelo tempo,em que razoada- foffe á guerra;ou fahiffe aos touros,a onde
} mente o pofa fazer. lhe matafem o dito cavallo; ou fe foi em
O
1 E a diferença,que ha entre o Com mora de tornar a coufa empretada a feu
modato, e o mutuo, he, que no Commo tempo; ou entre as partes foi acordado
dato naõ paffa o fenhorio, nem a poffe da que o que recebeo a coufa empretada fi
coufa no que a recebe, e fómente fe lhe cafe obrigado aos cafos fortúitos.
concede o ufo della, para tornar a me{ma 4 E os cafos fortúitos entaõ efcufa
coufa. E por tanto o Commodato naõ fe ráõ ao que recebeo a coufa empreftada,
faz de coufas, que confiftem em numero, quando elle direitamente ufou della. Po
pefo, e medida, afi como dinheiro, vinho, rêm, fe hum empreftafe a outro huma
azeite, ou outras femelhantes, que com o baixella de prata para agafalhar alguns
ufo fe confomem, e fe naõ pódem tor hofpedes em fua cafa, e ele a levafe pelo
nar as me{mas em efpecie. Porêm, fe al mar, onde os Coffarios lha tomafem, ou
gumas coufas defas fe défem para fe naõ fe perdeo em naufragio, ou de qualquer
gaftarem, antes fe tornarem as me{mas, outra maneira, ficará obrigado a paga-la,
feria Commodato, afi como: Se huma pois por fua culpa fuccedeo o tal cafo.
pefoa empreftafe a outra algumas moe 5 E porque algumas vezes as coufas
das de ouro, ou prata, para algum appa empretadas fe perdem nas maõs dos men
rato de fefta, ou reprefentaçoês, e para fageiros,por que fe mandaó pedir, ou tor
lhe tornarem as me{mas moedas, acabadas naõ a feus donos, e vem em duvida a cujo
as feítas; pelo que,fe o tal dinheiro fe per rifco fe perdem, fe do que emprefiou, fe
defe por cafo algum fortúito em poder do que recebeo empretado, ordenamos
do Commodatario, naõ ferá obrigado a que, fe a coufa fe perder, ou damnar pela
paga-lo, como fora fefe lhe déra o tal di culpa do menfageiro, por que fe mandou
nheiro para o gaftar, e confumir, como pedir para trazer a dita coufa, correrá o
difemos no Titulo: Do mutuo." rifco aquelle, que mandou o menfageiro;
2 E porque efte contrato fe faz regu falvo, fe foi mandado fómente para lem
larmente em proveito do que recebe a brar que fe mandaffe, e naõ para a trazer.
coufa empreftada, e naõ do que a empre Porêm, fe o que recebeo a coufa empre
fla, fica obrigado aquelle, a que fe empre flada a tornou a mandar por quem quiz,
fla, guarda-la com toda a diligencia,como ficará á fua conta, e rifco, pois efcolheo
Liv. IV. máo
42 Livro quarto das Ordenaçoãs, Tit. 53., e 54.
náo men{ageiro; mas fe elle era tal, e gum ladraõ, ou outro máo homem, e lhe
taõ idoneo, que feu Amo fiava delle fe houve á maõ a coufa, que levava, perder
melhantes recados,e que fe naõ podia pre fe-ha por conta, e rifco do que a empre
fumir que commetteffe femelhante mal fiou; por quanto o tal cafo fe deve repu
dade, e foi enganado, e induzido por al tar por fortúito.

T I T Uempretada,
L ou alugada,
O ao tempo,
LIV.
Do que naõ entrega a coufaque he
obrigado; e do terceiro, que a embarga.
E algum homem recebeo d'outro al efe tempo o fenhor demandar a coufa
\\ guma coufa,que tinha como fenhor como coufa empretada, alugada, ou ar
della empretada, alugada, arrenda rendada, naõ lhe poderá dizer o a que afi
da , a tempo certo, ou em quanto aprou foi empretada, alugada, ou arrendada,
veffe ao fenhor della, e depois, fendo re que a coufa he fua,e que lhe pertence por
querido por elle, pafado o tempo recufar Direito por algum titulo. E poíto que al
de lha entregar, mettendo o feito em Jui legue tal razaõ, naõ lhe ferá recebida;
zo, até fer condemnado por Sentença de mas ferá em todo cafo obrigado de entre
finitiva, que paffe em coufa julgada, naõ gar a coufa ao fenhor della, de quem a
fómente entregará a coufa ao fenhor del recebeo, e depois que lha entregar, lha
la, mas álem difo lhe pagará a verdadeira poderá demandar.
eftimaçaõ da coufa, pela contumacia, que 4. Porêm, fe demandando o fenhor
commetteo, em que perfeverou, em lha da coufa áquelle, a quem a empretou,
naõ querer entregar até fer condemnado arrendou, ou alugou, vieffe algum ter
por fentença; a qual pena lhe poderá fer ceiro, que difefefer fua, e embargafe
demandada em todo o tempo, afi antes a entrega della, fazendo fobre ifo reque
da fentença, como depois della. Porêm, rimento á Juftiça, fe a coufa for movel,
fe o demandado,antes de efperar fentença, e o que a empretou, arrendou, ou alu
entregar a coufa com efeito, naõ ferá gou, for fufpeito por naõ ter bens de
condemnado na dita pena. raiz, que abaftem para pagamento della,
1 E fe o que recebeo a coufa empre ferá fequeftrada em maõ de homem fiel,
flada, alugada, ou arrendada, fez nella al e abonado, até que feja determinado a
gumas defpefas neceffarias, ou proveito quem pertence de Direito; e o terceiro
fas, poderá reter em fi a dita coufa, até ferá ouvido fobre o direito, que perten
que lhe feja paga a depefa, que nella fez. der ter nella, fummariamente, e fem eftre
: 2 E o que recebeo a coufa alugada, pito, nem figura de Juizo, fómente fa
ou arrendada do fenhor della por certo bida a verdade, por fe naõ dar lugar ás
tempo, e pagar o aluguer , e penfaõ della
malicias, que d'outra maneira facilmente
aos tempos conteúdos no contrato, po fe poderíaõ commetter, e fazer em tal
derá reter a coufa, até que todo o tempo cafo. E fendo efa coufa de raiz, fem
do aluguer, ou arrendamento feja aca embargo de tal queftaõ, e contenda mo
bado. • • |

vída pelo terceiro, ferá reflituida, e en


3 E fe o fenhor da coufa, etando em tregue ao que a empretou, alugou, ou
poffe della, a empretou de fua maõ a ou arrendou, e a pede como coufa empre
trem a tempo certo, ou em quanto lhe flada, alugada, ou arrendada. E depois
aprouver, ou a alugou, ou arrendou a que lhe for entregue, lha poderá deman
tempo certo, por certa penfaõ, fe pafado dar effe terceiro.

TITU
}
}

T I T U L O LV.
Que as terras da Corôa, e os afentamentos d' El-Rey, naõ pofiló fer
apenhados, nem obrigados. |

S Terras da Corôa do Reyno, mandado. E ainda que as ditas coufas naõ


que alguns tem de Nós de juro, pofaõ fer pelos fobreditos obrigadas,fica
e de herdade, ou em mercê, e ráõ porêm efes devedores obrigados a pa
os affentamentos,que de Nós tiverem por gar as dividas,por q as apenharée poderáõ
qualquer razaõ, naõ pódem fer apenha fer por ellas demandados;e fendo condem
dos, nem obrigados. E poíto que os que nados far-fe-ha execuçaõ nos outros feus
as taes coufas tiverem, as obriguem, ou bens,afi como nos bês de cada huma outra
apenhem, naõ valerá o tal apenhamento;pefoa do pôvo condemnada.E naõ tendo
Porque queremos q naõ pofaõ fer alhea outros bens, fe fará execuçaõ pelas rendas
das, nem apenhadas fem nofo epecial das fobreditas coufas,que de Nós tiverem:

Dos que apenhaõ feus bens com condiçaõ, que naõ pagando a certo dia,
Jique o penhor arrematado.
E algum devedor empenhar a feu lhidos pelas partes, convêm faber, por
crédor alguma coufa movel, ou de cada hum feu; e ficará arrematado ao cré
raiz, com condiçaõ, que naõ lhe pa dor por o preço, em que for eftimado.
gando a divida a dia certo, o penhor fique 1 E fe ao tempo do empenhamento
por ella vendido, e arrematado ao crédor; foffe acordado entre as partes que o
mandamos que tal convença feja ne penhor fofe arrematado ao crédor por
nhuma, e de nenhum efeito. Porêm, fe o o preço, que pelo crédor foffe etimado;
devedor dér alguma coufa fua em penhor mandamos que o empenhamento feito
a feu crédor, fob condiçaõ, que naõ lhe nefte modo naõ valha coufa alguma; por
pagando a tempo certo, fique o penhor que he grande prefumpçaõ que facil
arrematado pelo juíto preço, o tal apenha mente fe moverá a fazer a etimaçaõ naõ
mento afi feito valerá, e a convença ferá verdadeira, poíto que lhe para ifo feja
guardada. E em efte cafo o penhor ferá dado juramento. E por tanto naõ he ra
eftimado depois do tempo da paga por zaõ dar-mof-lhe azo para jurar o contrario
dous homens bons juramentados, e efco da verdade.

T I T U L O LVII.
Que ninguem tome pole de fita coufa, nem penhore, fem auétoridade de Jultiça.
Endo em algum contrato concorda nhora. E em outra maneira naõ poderá
do pelas partes que o crédor poffa o crédor fazer a penhora por fi me{mo
por fua auétoridade penhorar o de fem auctoridade da Juítiça, ainda que
vedor, naõ lhe pagando a divida a tempo no contrato lhe feja dado poder para por
certo, naõ o poderá por tal convença pe fi a fazer.
nhorar por fi, falvo achando o crédor o 1 Nem outro-fi poderá o crédor pe
penhor de todo defembargado, e fem al nhorar feu devedor, ainda que tenha fen
guma contradiçaõ, em maneira que fe tença contra elle; porque o penhorar fe
naõ pofa feguir rixa alguma fobre a pe deve fazer por auctoridade de Juftiça
Liv. IV. F 2 pelos
44 Livro quarto das Ordenaçoës, Tit. 57., e 58.
pelos Oficiaes para ifo deputados, falvo acima difemos no Titulo: Dos alugue
no cafo dos alugueres das cafas, como res das cafas. •

T I T U L O LVIII.
/*
Dos que tomaó forçojamente a polfe da coifa, que outrem po/fue.
- } ** * /* #~~~~
/ /**
/** 3 </** }
{ ** * E alguma pefoa forçar, ou efbulhar 2 Outro-fi, naõ incorreráõ nas ditas
outra da poffe d'alguma cafa, ou penas as pefoas, a que por Direito he ou
herdade, ou doutra pofefaõ, naõ torgado que pofaõ commetter força :
O 4º",} "fendo primeiro citado, e ouvido com fua affi como,fe hum for forçado da poffe dal
} :: ::

juftiça, o forçador perca o direito, que guma coufa, e a quizer logo por força
tiver na coufa forçada, de que efbulhou o recobrar, pode-lo-ha fazer. E quanto tem
pofuidor; o qual direito ferá acquirido, po fe entenderá efte logo, ficará em arbi
e applicado ao efbulhado, e lhe feja logo trio do Julgador, que fempre confiderará
reflituida a poffe della. E fe o forçador a qualidade da coufa,e o Lugar,onde eftá,
naõ tiver direito na coufa, em que fez a e das pefoas do forçador, e forçado; por
força, pagará ao forçado outro tanto, que,fendo a força feita por homem de pe
quanto a coufa valer, e mais todas as per quena condiçaõ a outro tal,entender-fe-ha
das, e damnos, que na força, ou por caufa efta palavra logo, antes que o forçador fe
della em qualquer modo receber. E poto occupe em outro acto feparado, e diverfo
que alegue que he fenhor da coufa, ou do da força. E fendo a força feita por Fi
lhe pertence ter nella algum direito, naõ dalgo, Cavalleiro, ou outra pefoa pode
lhe feja recebida tal razaõ, mas fem em rofa, em coufa de grande fubftancia, em
bargo della feja logo contrangido reti Lugar, onde o forçado naõ pofa taõ azi
tuila ao que a pofuia; e perca todo o nha ajuntar gente,com que pofa recobrar
direito, que nella tinha, pelo fazer por a coufa forçada, deve-fe entender a pala
fua propria força, e fem auctoridade de vra logo, que tenha o forçado efpaço, em
Juítiça. que convenientemente pofa chamar feus.
1 E ela pena de o forçador perder o parentes, e amigos para cobrar a dita cou
direito, que na coufa tinha, haverá lugar fa. Affi que tudo ifho ficará no arbitrio do
na força verdadeira; porque, fe foffe quafi Julgador; por quanto poderá ifto aconte
força, afi como fe algum occupafe a cer entre taes pefoas, e fobre tal coufa,
poffe de coufa vaga, que naõ foffe por em que baftaráõ para o que dito he dous,
outrem corporalmente pofuida, a qual ou tres dias, ou em que naõ baftaráõ dous
o forçador cuidava fer alheya, e depois 1T1CZGS, ***

achou que era fua, ferá o forçador rece 3 E fe alguem comprar alguma cou
bido a provar fummariamente como a fa, ou a houver por via de efcambo, ou
coufa he fua; e fè o provar até quatro dias doaçaõ, ou por outro titulo femelhante, e
peremptorios por efcriptura publica, ou na efcriptura do contrato lhe foi dado po
por teftemunhas, nos cafos, em que por der por aquelle, de quem houve a dita
nofas Ordenaçoés pódem fer recebidas, coufa para tomar, e haver a poffe della,
ferá relevado da dita pena, e de qualquer dimittindo de fi, e defamparando a dita
outra, que no cafo couber. Porêm, fem poffe, em taes cafos, e cada hum delles,
embargo de o afi provar, ferá o efbulhado o que houve a coufa poderá haver, e co
reflituido á fua poffe. E fendo reflituido, brar a poffe della, naõ achando quem lha
poderáõ litigar ordinariamente fobre a contradiga. E os Taballiaés fem outro
propriedade. E naõ provando dentro nos mandado de Juftiça lhe poderáõ dar in
quatro dias como era fua, perderá de todo {trumentos publicos, de como tomáraõ a
o direito, que na coufa tinha, fem lhe fer poffe, vendo primeiro as Cartas das com
dado nunca mais tempo para provar como pras, e efcambos, ou doaçoés feitas fobre
era fila. as ditas coufas, aos que quizerem tomar
• poffea
Dos que tomao forçosamente a pòjfe da coufa, que outrem pejfuet 4j

poífe delias ; e naô vendo elles as Cartas* 4 E fendo moftrado aos Taballiaés
ou algum juílo titulo> porque a coufa lhe titulo jufto , aífi como teftamento , codi-
pertença , naô lhes dem inftrumentos de cillo , ou carta de afforamento feita pelo
taes poíTes, que affi quizerem tomar , fem fènhorio da coufa , porque fe moftre per-
efpecial mandado , e autoridade de Jufti- tencer a*coufa á peífoa > que delia quer
ça. E fazendo-o em outro modo , pagaráo tomar poíTe , pofto que na efcriptura naô
á parte,a que pertencera perda, e damno* lhe feja dado poder para a tomar , naô
que fobre iíTo fe lhe recrefcer , e Nós lho deixaráô porem de dar inílrumento da tal
eftranharemos como áquelles , que pafíaô poíTe , ainda que fe tome fem auttoridadé
nofíbs Mandados. dejuftiça.

TITULO LIX.

Dos Fiadores.

O Fiador naô deve fer demandado ferri primeiro fer demandado o devedor.
em algum cafo, até que o prin* 2 E no cafo, onde os Fiadores renun-
cipal devedor feja primeiro de ciaflem expreíTamente efta Ley , dizen
mandado , e condemnado j e feita a ditá do que fem embargo delia queriaô fer
execução * no que fe naô puder haver pe demandados , é condemnados, fem o prin
los berts do principal , poderá fer deman cipal devedor fer primeiro demandado , e
dado o Fiador* È ido haverá lugar * quan condemnado , guardar-fe-ha o que entre
do o devedor principal for prefente na as partes for acordado;
Villa ,onde for morador , óu em íeu Ter 3 E quando fe obrigaííem,como Fia
mo. E fendo elle aufente da dita Villa , é dores, e principaes pagadores , ou como
feu Termo * poderá o Fiador fer deman principaes pagadores fómente , pofto qué
dado , e condemnado , fem o fer primeiro naô renunciem efta Ley * nem outra al
o principal devedor. E poderá o Fiador* guma , fempre poderáõ fer demandados*
fe quizer , haver efpaço para hir bufcar o primeiro que o principal devedor , pofto
devedor * é traze-lo ao Juizo , onde com que efteja prefente, e tenha por onde
Direito deve fer demandado. E trazen* pagar.
do-o , entaô deve fer feita a demanda 4 E fendo dous homens * Ou mais
contra elle, como fe fofle prefente. E náô Fiadores de hum, íè na fiança declararem
O trazendo , entaô poderá o Fiador fer de a parte* porque cada hum fe obriga , efta
mandado* e condemnado, fem o principal ferá cada hum obrigado a pagar , e neíTè
o fer primeiro. Porem, ainda que o princi mefmo modo , e maneira que fe obri
pal devedor feja prefente , fe elle for taô garem. E quando naô declararem à parte,
jpobre , que naô pofla pagar a divida > e o em que fe cada hum obriga , ficará cada
Juiz for diífo certificado , poderá o Fia hum obrigado inJòlidum , e o credor po*
dor fer demandado em aquella parte , a derá demandar qual elle quizer pelo to*
que os bens do devedor naô puderem do. O que mandamos' que fe cumpra,
bailar. fem embargo de por Direito commum o
1 E bem aífi , ainda que o principal contrario fer determinado j porque que
devedor feja prefente * e baílarite , e naô remos que as partes cumpraõ nefte cafo,
feja primeiro demandado , poderá fer de o que ficarem expreíTamente , ou o que
mandado o Fiador * quando negaíTe íêr faô obrigados , fem mais fer neceífaria
Fiador j porque , por aífi negar a verdade, renUnciaçaô d'algUma Ley , para cumpri
naô deve gozar do privilegio por Di rem o que dito he. È mandamos que ne
reito outorgado aos Fiadores* que he, que nhum Éfcrivaô, ou TabalIiaÔ ponha a tal
naô poíTaô fer demandados pelo credor , renunciaç-aõ > pois fica de nenhum eíFeito.

TITO-
56 Livro quarto das Ordenaçoës, Tit. 6o., e 61.

T I T U L O LX.
Coll. 1. Do homem cafado, que fia alguem fêm confentimento de fua mulher.”
Illlll. I.

E algum homem cafado ficar por rem por outro contrato dotal, de tudo o
fiador de qualquer pefoa fem ou que pelo dito contrato a ella pertencer,
torga de fua mulher, naõ poderá naõ valerá a dita fiança, nem fe fará exe
por tal fiança obrigar a métade dos bens, cuçaõ alguma. E ifo me{mo, ito que
que a ella pertencem. E fendo cafados dito he, fe naõ entenderá quando os ma
por dote, e arras, naõ poderá obrigar os ridos tomarem para fi nofas rendas, ou
bens, que por o contrato dotal pertencem outras quaefquer de outras pefoas, e
á parte de fua mulher. E ifto queremos derem á fiança feus bens; porque em tal
que naõ haja lugar affi indiftinctamente cafo, poíto que os taes arrendamentos
nas fianças,que forem feitas em nofas ren fejaõ feitos fem outorga das mulheres,
das; porque nellas valerá a fiança, que os todos os bens do marido, e mulher, afi
maridos fizerem fem outorga das mulhe moveis, como de raiz, faõ obrigados aos
res,em todos os bens moveis; e nos de raiz taes arrendamentos; falvo, fe no con
valerá quanto á metade dos maridos fó trato dotal, quando cafáraõ fóra do co
mente. E pela métade, que dos bens de ftume do Reyno, outra coufa for com
raiz pertencerá mulher, ou quando cafa tratádo.

T I T U L O LXI. "
Do beneficio do Senatus-Confilto Velleano, introduzido em favor das mulheres,
que ficaõ por fiadoras de outrem,
Or Direito he ordenado, havendo fiança, e obrigaçaõ, affi como qualquer
refpeito á fraqueza do entender homem, fem gozar do beneficio do Vel
das mulheres, que naõ pudefem leano. E ifto foi affi eftabelecido em fa
fiar, nem obrigar-fe por outra pefoa al vor da liberdade.
guma; e em cafo, que o fizeffem, fofem 2 Cafando alguma mulher, e promet
relevadas da tal obrigaçaõ por hum reme tendo ella, ou outrem por ella ao marido
dio chamado em Direito Velleano, o qual certo dote em cafamento, e dando por
foi efpecialmente introduzido em feu fa fiador alguma mulher, que fe obrigafe a
vor, por naõ ferem damnificadas,obrigan pagar o dote, ficará efa mulher, que affi
do-fe pelos feitos alheyos, que a elas naõ foi fiador, obrigada á dita fiadoria, fem
pertencefem. E poíto que ito affi geral gozar do beneficio do Velleano. E ifto foi
mente foffe eftabelecido em todas as obri eftabelecido em favor do Matrimonio no
gaçoés, que por outrem fizeffem, foraõ cafo,onde for licitamente feito, e fegundo
porêm exceptuados certos cafos, em que, a difpofiçaõ do Direito Canonico, para
fiando elas outrem, ou obrigando-fe por que effa mulher afi cafada naõ pudefe em
elle, ainda que feja coufa, que a elas naõ algum tempo fer achada fem dote.
pertença, naõ gozaráõ do dito beneficio 3. Efe alguma mulher enganofamente
do Velleano, os quaes faõ os feguintes: fiaffe outrem, por defraudar o crédor, afi
1. Primeiramente, fe alguma mulher como,veftindo-fe em veftidura de homem,
fe obrigafe por dinheiro, ou quantidade, por moftrar áquelle, a que fazia efa obri
que foffe promettida para a liberdade d'al gaçaõ,que era homem; ou feella fofe de
gum efcravo, afi como, fe hum homem mandada como herdeira de algum deve
prometteffe certo dinheiro, para remir al dor, e fendo certificada que naõ era fua
gum captivo, e alguma mulher fiaffe, ou herdeira difeffe que o era, obrigando-fe
fe obrigafe por aquelle, que tal obrigaçaõ por efa divida ao crédor, e depois difeffe
fizeffe, ferá efa mulher obrigada á tal que naõ era herdeira do devedor, chamam
• do-fe
Do beneficio do Senatus-Confulto Velleano, introduzido O1c. 47

do-fe ao beneficio do Velleano, porque fe podem gozar do. beneficio do Velleano,


obrigára pela coufa, que a ella naõ perten- fegundo acima temos declarado, pode-
cia , em taes cafos, e outros femelhantes, ráõ gozar do beneficio por Direito outor-
naõ poderá gozar do dito beneficio j por- gado aos fiadores, que fe por outrem
que enganofamente fez a obrigação com obrigaõ , para que naõ poflaõ por eíTa
tenção de defraudarão credor. obrigação Ter demandados, nem feita a
4 E fe alguma mulher fe obrigaíTe a execução em feus bens, até que primeiro
outrem por couTa,que a ella pertencia, fejaõ demandados, e condemnados , e
aífi como,fe ella compraíTe herança de al- executados os principaes devedores j por-
gum defunto , e fe obrigaíTe a algum cré- que naõ com menos razaõ o devem el-
dor do defunto, por alguma divida,em que las haver , que os homens , a que por
elle foíTe obrigado ; ou fe alguma mulher Direito geralmente foi outorgado , fe-
obrigada a algum Teu crédor, ao qual hou- gundo diííèmos no Titulo : Dos Fiadores.
Yeffe dado certo fiador, e ella depois fe 9 E poílo que alguma mulher nos
obrigaíTe áquelle Teu fiador,que a fiara,em cafos , em que pôde gozar do beneficio
outra tanta quantidade , como foíTe a da doVelleano,o renuncie expreíTamente em
primeira obrigação , em q a elle primeiro Juizo,ou fora delle,e que diga que he delle
iiára,ém eftes cafos,e outros femelhantes, certificada, e naõ quer delle ufar, naõ va-
naõ íê poderá chamar ao beneficio doVel- lha tal renunciaçaõ , e Tej a de nenhum
leano,nem gozará delle em algum tempo, eífeito , nem vigor. E fem embargo delia
.5 E fe alguma mulher fiaíTe outrem , poderá gozar do dito beneficio, aífi como
ou Te por elle obrigaíTe , e depois eíTa mu- gozára Te o naõ renunciara j porque por a
lher por morte daquelle , por que Te aííi meTma fraqueza,por que o Direito lhe quiz
obrigára, fícaíTe Tua herdeira em todo, ou dar o dito beneficio , por eíTa achamos
em parte, ficará ella entaõ obrigada á obri- que facilmente faõ movidas ao renunciar,
gaçaõ , e íiadoría , por aquella parte , em Porém , quando a mulher for encarregada
que aííi for herdeira > Tem gozar do dito da Tutoria de feu filho, ou neto, o poderá
beneficio do Velleano. renunciar, fegundo he conteúdo no Ti-
6 E Te alguma mulher fiaíTe outrem , tulo: Do Juiz dos Orfavs.
ou fe por elle obrigaíTe,e depois recebeíTe 10 E fe alguma mulher fiar a outrem,
delle a quantidade , ou coufa, por que o obrigando-fe por elle em coufa,que a ella
fiára , ou fe por elle obrigára , ferá ella naõ pertencia, e depois da dita obrigação,
obrigada a pagar eíTa coufa , ou quanti- paíTados dous annos,òutra vez novamente
dade, por que aííi fiou, ou fe obrigou, fem fe obrigar, ou muitas, mandamos que em
embargo do.dito beneficio do Velleano. todo o cafo goze do beneficio do Vel-
7 Porem nos cafos fobreditos,em q as leano, aífi como gozára , fe outra vez , ou
mulheres, fendo fiadores, ou obrigando- Te mais fe naõ obrigara. E bem aífi queremos
por outrem^pódem gozar do beneficio do que a mulher fe poífa chamar ao beneficio
-Velleano, fe ellas a eíTe tempo forem Me- doVelleano em todo o tempo,e gozar del-
ííores de vinte cinco annos, poderáõ gozar le,poílo q recebeíTe algum preço,ou qual-
do beneficio da reftituiçaõ outorgado aos quer outra couTa por fiar algué,ou Te obri-
Menores da dita idade, quando por noíTas gar por elle. O q aífi mandamos <\ fe cum-
Ordenaçoés,e por Direito o pódem haver. pra,poílo que neftes cafos outra coufa por
8 E nos cafos, onde as mulheres naõ Direito Commum Taja eílabelecido.

T I TULO LXII.

Das doaçoés , que hao de jer injinuadas.

TOdas as doações , aífi de bens Tua valia , Teráõ infinuadas , e approvadas


imóveis , como de raiz , como por Nós, ou por os DeTembargadorès do
de huns , e outros juntamente, Paço.E naõ fendo infinuadas,naõ valeráõj
que pairarem de trezentos cruzados, ou Talvo até a quantia de trezentos cruzados.-e
quanto
v • Ág, ),(*.*** 2.2773.

// ……………………… Qe 24 *7.2. }
L~~~ ****** "……………… ra, %%, em ir 47" e ag"
Livro quarto das Ordenaçoës, Tit. 62, e 63. *********
quanto ao mais que pafar da dita quantia tirar inquiriçaõ, em que primeiro ferá per
naõ valeráõ, nem teráõ vigor, como fe guntado o que fez a doaçaõ, fe a fez por
nunca fofem feitas. E ifto queremos que induzimento, arte, engano, medo, prifaõ,
haja lugar nas doaçoés feitas por varoés.ou outro algum conluyo;e fe he contente,
E as doaçoés feitas por mulheres, que vi que a doaçaõ por elle feita, feja por Nós
vaõ por fi, quer folteiras, quer viuvas, que confirmada,e approvada.E bem afi devem
paffarem de cento e cincoenta cruzados, fer perguntados alguns feus vizinhos, que
ou fua valia,que cada huma valer ao tem tenhaõ razaõ de faber como a doaçaõ foi
po que for feita, feráõ infinuadas; e a que feita. A qual inquiriçaõ vita por Nós, ou
o naõ for, valha fómente em quanto che pelos ditos Defembargadores,fe por ella fe
gar a quantia de cento, e cincoenta cruza moftrar q foi feita bem, e como devia, e q
dos; e no que paffar naõ valha, nem tenha aquelle que a fez he contente que feja por
efeito, como fe feita naõ foffe. Nós confirmada,fer-lhe-ha dada noffa Car
1 E a infinuaçaõ fe fará, mandando ta de confirmaçaõ, e d'outra maneira naõ.

T I T U L O LXIII.
Das doaçoés, e alforria, que fe podem revogar por caufa de ingratidaó.
S doaçoés puras,e fimplezmente fua má tençaõ deve fer havida por con
feitas fem alguma condiçaõ, ou fummada, fe para ifo fez tudo o que po
caufa paffada, prefente, ou fu de, e naõ ficou por elle vir a efeito. |

tura, tanto que faõ feitas por confenti 4. A quarta caufa he, quando o Do-x.,
mento dos que as fazem, e aceptaçaõ da natario por alguma maneira infidiou ácer-s: ~~~~
quelles a que faõ feitas, ou do Taballiaõ, ca de algum perigo, e damno da pefoa
ou pefoa, que por Direito em feu nome do Doador; affi como, fe elle por fi, ou
póde aceitar, logo faõ firmes, e perfeitas, por outrem lhe procuraffe a morte, ou
de maneira que em tempo algum naõ pó perigo de feu corpo, ou etado, poíto que
dem ferrevogadas. Porêm, fe aqueles a feu propofito naõ tiveffe efeito, como
que foraõ feitas, forem ingratos contra os fica dito no Paragrafo precedente.
que lhas fizéraó, com razaó pódem por 5. A quinta caufa he, quando o Do
eles as ditas doaçoes fer revogadas por natario prometteo ao Doador, por lhe fa
caufa de ingratidaó. E as caufas faõ as zer a doaçaõ, dar-lhe, ou cumprir-lhe al
feguintes: guma coufa, e o naõ fez, nem cumprio,
1 A primeira caufa he, fe o Dona como promette o.
tario diffe ao Doador, quer em fua pre 6 Se alguma mulher depois da morte |
fença, quer em fua aufencia,alguma grave de feu marido fizer doaçaõ a algum feu fi
injuria; afi como, felha difeffe em Juizo, lho,que delle tenha, e depois da doaçaõ fè
ou em publico perante alguns homens cafar com outro marido, fe depois effe fi
bons, de que o Doador recebeffe vergo lho for ingrato contra ella, poderá ella re
nha. E fe for duvida, fe a injuria affi feita vogar efa doaçaõ por cada huma defas =
he grave, ou naõ, fique em arbitrio do tres caufas de ingratidaó fómente. A pri-******
Julgador. meira, fe effe filho infidiou a vida de fua
2. A fegunda caufa he, fe o ferio com mãy. A fegunda,fe pôs as maõs irofamente
páo, pedra, ou ferro, ou pôs as maõs nella. A terceira,fe ordenou alguma coufa
nele irofamente com tençaõ de o injuriar, em perda de toda fua fazenda. E naõ po
e deshonrar. derá revogar efa mãy em outro cafo al
3 A terceira caufa he,fe o Donatario gum a doaçaõ feita a feu filho por outra
tratou negocio, ou ordenou coufa,por que caufa de ingratidaó; por quanto he pre
vieffe grande perda, e damno ao Doador fumpçaõ de Direito que,pois ella fe cafou
em fua fazenda, ainda que feu propofito com outro marido depois da doaçaõ feita,
naõ tiveffe real efeito; porque nefte cafo. facilmente a feu requerimento fe moveria
a revo
im?» *

*
4xx- an!

Das doações, e alforria, qüefe pódéinrevogar por caufa exc. 49


a revoga-la; e por tanto lhe foraõ coarcta deu ao liberto, por razaõ da ingratidaó
das as caufas de ingratidaó, por que pu contra elle commettida, ou naõ moveo
defe revogar a dita doaçaõ. | em fua vida demanda em Juizo para re
Se alguem forrar feu efcravo li vogar a doaçaõ,ou liberdade,naõ poderaõ
vrando-o de toda a fervidaó, e depois que depois de fua morte feus herdeiros fazer
for forro commetter contra quem o for tal revogaçaõ. E bem afi naõ poderá o
rou alguma ingratidaó pefoal em fua pre Doador revogar a doaçaõ ao herdeiro
fença, ou em aufencia, quer feja verbal, do Donatario por caufa da ingratidaó pelo
quer de feito, e real, poderá efe Patrono Donatario commettida, pois a naõ revo
revogar a liberdade,que deu a efe liberto, gou em vida do Donatario,que a commet
e reduzi-lo á fervidaó,em que antes efiava. teo. Porque ela faculdade de poder re
E bem affi por cada huma das outras cau vogar os beneficios por caufa de ingrati
fas de ingratidaó, por que o Doador póde daõ, fómente he outorgada áquelles, que
revogar a doaçaõ feita ao Donatario, co os beneficios déraõ, contra os que delles
mo diffemos acima. os recebêraõ, fem paffar aos herdeiros,
|

8 E bem affi, fendo o Patrono pofio nem contra os herdeiros de huma parte,
em captiveiro, e o liberto o naõ remir fen nem da outra. * * *

do pofante para ifo, ou eftando em ne 1o E poíto que na doaçaõ feita de


cefidade de fóme,o liberto lhe naõ foccor qualquer beneficio feja pota alguma clau
rer a ella, tendo fazenda por que o poffa fula, por que o Doador prometta naõ re
fazer, poderá o Patrono revogar a liber vogar a doaçaõ por caufa da ingratidaó,
dade ao liberto, como ingrato, e reduzi-lo tal claufula naõ valha coufa alguma;
á fervidaó,em que antes eftava. . e fem embargo della a doaçaõ poderá
}
9 E fe o Doador, de que acima falá fer revogada por caufa de ingratidaõ, fe
a 7, e mos, e o Patrono, que por fua vontade gundo temos declarado. Porque, fe tal
*/ }***
livrou o efcravo da fervidaó, em que era claufula valefe, provocaria os homens,
pofio, naõ revogou em fua vida a doaçaõ para facilmente cahirem em crime de in
feita ao Donatario, ou a liberdade, que gratidaó.

T I T U L O LXIV.
Da doaçaõ de bens moveis feita pelo marido fêm outorga da mulher.
Ara que os maridos naõ dem os e quinhaõ do dito marido, ou de feus her
bens moveis, ou dinheiro em pre deiros. Porêm ifto naõ haverá lugar nas
juizo de fuas mulheres, manda doaçoés remunaratorias, ou de efmolas,
mos que, fe os maridos derem, ou fizerem que o marido fizer,porque as poderá fazer
doaçaõ em fuas vidas d'alguns bens mo dos bens moveis fem confentimento de
veis, ou dinheiro a algumas pefoas fem fua mulher, falvo, fe as ditas doaçoés, ou
confentimento de fuas mulheres, que o efmolas forem immenfas; porque entaõ
que affi derem fe defconte, quando o Ma ficará feu direito refguardado á mulher,fe
trimonio entre elles for feparado,na parte, o tiver, para as desfazer.

T I T U L O LXV.
Da doaçaõ feita pelo marido á mulher, ou pela mulher ao marido.
> A

2 e 4º --Z >>>>> 2** ( ->»


E o marido fizer doaçaõ a fua mu dor revogar efa doaçaõ quando quizer. #- (*/ · 37
lher, ou a mulher a feu marido, de E poíto que a naõ revogue, fe o que a fez
J pois de recebidos, poíto que entre naõ tinha a efe tempo filho algum, e de
elles naõ intervieffe copula,poderá o Doa pois lhe yeyo a nafcer de entre ambos,
Liv. IV. |- fica
5o Livro quarto das Ordenaçõês, Tit. 65.º e 66.
fica logo efa doaçaõ revogada por o naf cipal, como terça, e reputada afi como
cimento do filho. E por tanto a coufa legado; porque na vida nunca valeo, e
doada fe partirá por falecimento de cada por morte foi confirmada. - * * *

hum delles entre os herdeiros do defunto, 2 E naõ ficando tanta herança do de


e o que vivo ficar. E affi fe fará, quando funto, por que os herdeiros pofaõ haver
a doaçaõ fofe feita antes que fofem cafa fua direita legitima fem a doaçaõ, ferá
dos, e depois por cafamento fofen feus desfalcado tanto da doaçaõ,e affi da terça
bens entre elles communicados, fegundo foldo a livra, até que a legitima feja pri
cotume do Reyno; porque em eftes ca meiro fupprida;e feito affio desfalcamêto,
fos, e outros femelhantes ferá a coufa fe alguma coufa ficar da terça, e da doa
doada trazida á partiçaõ com os herdeirosçaõ, o que fobejar da doaçaõ have-lo-ha o
do morto, afi como fôra, naõ fendo feita Donatario; e o que fobejar da terça ferá
a tal doaçaõ. , ,
diftribuido confórme ao teftamento.
1 E fe o marido fez doaçaõ a fua 3 E fe no cafo acima dito foffe a
mulher, ou ela a elle fendo cafados, e o doaçaõ feita em tal modo, que logo em
que a fez, morrer abinteftado fem herdei vida de ambos valeffe por Direito, afi
ros legitimos defeendentes, ou afcenden como, quando o que faz a doaçaõ, naõ he
tes, e fem até o tempo da morte revogar a por ella feito mais pobre, ou a quem he
doaçaõ, fica efa doaçaõ confirmada, em feita, naõ he por ella feito mais rico, ou
quanto naõ paffar a quantia, em que he em qualquer outro cafo,em que,tanto que
neceffaria nofa confirmaçaõ, como dif: a doaçaõ he feita por o marido á mulher,
femos no Titulo: Das doaçoes, que haõ de ou por ella a elle, logo he por Direito va
fer infinuadas por Nós. E ficando por fua liofa. E em tal cafo naõ podendo os her
morte herdeiro legitimo defcendente, ou deiros haver fua legitima toda pela heran
afcendente, poderá efe herdeiro revogar ça do defunto fem a terça, e doaçaõ, def
a doaçaõ, até haver cumpridamente fua falcar-fe-ha da terça fómente tanto, por
neceffaria legitima; e o mais que fobejar que a legitima feja de todo fupprida;e naõ
da doaçaõ,have-lo-ha efe Donatario.E fe baftando a terça para ifo, entaõ ferá def
o que fez a doaçaõ, fendo cafado, veyo a falcada da doaçaõ; e naõ fe fará desfalca
falecer com tetamento, em o qual man mento da doaçaõ, até que toda a terça
dou diftribuir fua terça em todo, ou em feja desfalcada; porque, pois a doaçaõ va
parte, fem revogar a doaçaõ, feráõ os feus leo em vida do que a fez,naõ fe desfalcará
herdeiros legitimos primeiro entregues de della para fupprimento da legitima, falvo
fua legitima, havendo refpeito aos bens, quando por toda fua herança, que por fua
que o defunto deu em fua vida, e aos que morte ficou, affi principal, como terça, de
ficáraõ por fua morte,de modo que a doa outra maneira fe naõ póde haver fuppri
gaõ feja contada com a herança afi prin mento da legitima. |

T I T U L o LXVI.
Da doaçaõ, ou venda feita por homem cafado a fita barragão.
E algum homem cafado dér a fua coufa, que ella affi demandar, e vencer,
barragãa alguma coufa movel, ou queremos que feja fua propria infalidum,
de raiz, ou a qualquer outra mulher, fem feu marido haver em ella parte; e que
com que tenha carnal afeiçaõ, fua mulher pofa fazer della tudo o que lhe aprouver,
poderá revogar, e haver para fi a coufa, affi, e taõ perfeitamente, como fenaõ
que affi foi dada; e mandamos que feja re foffe cafada. E tudo ifto, que temos dito
cebida em Juizo a demandar a dita coufa na doaçaõ feita pelo homem cafado a fua
fem auctoridade, e procuraçaõ do ma barragãa, haverá lugar na coufa, que por
rido, quer a efe tempo feja em poder ele a ella for vendida, ou apenhada, ou
do marido, quer apartada delle; e effa Por outro qualquer modo trafpafada; ou
|- - que
Da doaçaõ, ou venda feita por homem cafado a fua barragãá. 51
que a barragãa fugindo-lhe levaffe furta por morte,ou por qualquer outra maneira»
da, ou roubada; e em eftes cafos a mulher a poderá fazer do dia, que o tal aparta
a poderá demandar, e haver, fem por ella mento for feito,a quatro annos cumpridos:
pagar preço algum. Porque de prefumir e morrendo a mulher em vida do marido,
he, que a tal alheaçaõ foi feita conluyofa e ficando-lhe filhos, ou outros defcen
mente, por o marido defraudar fua mu dentes, ou afcendentes, elles poderáõ
lher. A qual demanda ella poderá fazer afi me{mo demandar a dita coufa até
em todo o tempo, que eftiver com o ma quatro annos contados do dia, que a mãy
rido fob feu poder; e fendo apartada delle morreo. |- |

T IT U L o Dos contratos ufurarios.


LXVII.
Enhuma pefoa,de qualquere{ta do com alguma mulher, e lhe naõ fofe
do, e condiçaõ que feja, dê, ou logo pago aquillo, que lhe affi fofe pro
receba dinheiro, prata, ouro,ou mettido,fendo-lhe apenhada alguma coufa
qualquer outra quantidade pefada, medí por ifo, com tal convença, que o que ca
da, ou contada a ufura, por que poffa ha faffe pudefe haver todos os frutos, e re
ver, ou dar alguma vantagem, afi por via novos da coufa apenhada, até lhe fer cum
de empre[timo, como de qualquer outro pridamente pago todo o principal ; em
contrato,de qualquer qualidade, natureza, efte cafo poderá elle haver os frutos, e re
e condiçaõ que feja, e de qualquer nome, novos da coufa apenhada em falvo, até
que pofa fer chamado. E o que o contra que feja pago do principal, que lhe foi
rio fizer, e houver de receber ganho al promettido em cafamento fem defcontar
gum do dito contrato, perca todo o prin do principal coufa alguma. E ifto haverá
cipal, que deu por haver o dito ganho, e a lugar, em quanto durar o cafamento, e
crefcença, fe a já tiver recebida ao tempo, o marido mantiver a mulher fegundo o
que por nofa parte for demandado,e tudo eftado, e ufança da terra; porque apar
em dobro para a Corôa de nofos Reynos; tado o Matrimonio por morte de cada
e mais ferá degradado dous annos para hum delles, ou por qualquer outra ma
Africa, e ifto pela primeira vez, que for neira, dahi em diante naõ poderá mais ha
comprehendído, e lhe for provado; e pela ver em falvo a renda da coufa apenhada
fegunda vez, lhe fejaõ dobradas todas as fem defcontar do principal. E em outra
ditas penas, affi civeis, como crimes; e maneira todo o ganho, que fe ahi levaffe
pela terceira vez,lhe fejaõ affi me{mo tref> fem defconto, feria ufura. •

dobradas as ditas penas. E o que houver 2 Efe fofe vendida alguma raiz por
de dar o dito ganho, perca outro tanto, certo preço, e no contrato da venda foffe
como foi o principal, que recebeo, e mais feita avença, que tornando o vendedor o
naô. E fe o devedor tiver já paga alguma preço ao comprador até certo tempo,
crefcença, fer-lhe-ha defcontada do que ou quando quizeffe, fofe a venda def.
havia de pagar, convêm faber, do outro feita, e tornada a coufa ao vendedor, po
tanto, como o principal, e tudo para a derá o comprador licitamente haver os
Corôa de nofos Reynos; a qual pena ha frutos, e rendas da raiz affi vendida, de
verá,cada vez que nifo for comprehendi pois que houver a polfe della, por virtude
do, e lhe for provado. da dita venda, em quanto naõ for a venda
1 Pofto que as ufuras fejaõ geral desfeita. E ifto haverá lugar, quando a
mente reprovadas, e defefas, em alguns raiz for vendida por preço razoado,pouco
cafos porêm, afi por Direito Canonico, mais,ou menos do juto preço.Porque,fe o
como Civel, he a ufura permettida, e li preço foffe muito pequeno, a pouquidade
cita, affi como, fe foffe por alguem pro delle com a dita avença fariaõ o contrato
mettido a hum homem algum dote,cafan fer ufurario, como mais declaradamente
Liv. IV. * G 2 difemos
52 Livro quarto das Ordenaçõês, Tit. 67.
difemos no Titulo: Da venda dos bens terem feus cambios nas Cidades, e Villas,
Q_>

de raiz, feita com condiçaõ, que tornan onde eftaõ.


do-fe, C'c. 6 E dando-fe primeiro alguma quan
3 Efe algum comprafe alguma raiz tidade menor, por receber ao depois
por preço certo, o qual logo pagaffe, e mayor, ainda que o que dá a menor quan
naõ foffe entregue da raiz comprada, ef tidade receba em fi todo o perigo, que por
perando de a receber logo, poderá em to qualquer maneira pofa acontecer de hum
do o tempo demandar ao vendedor todos Reyno, ou Lugar para outro,naõ deixará
os frutos, e renovos, e rendas que ele por ifo efe contrato ferufurario. E por
houve,ou q por fua culpa o comprador dei tanto defendemos, que fe naõ façaõ taes
xou de receber da raiz,que afi vendeo, de contratos; e quem os fizer incorrerá nas
que recebeo o preço,e lha naõ entregou.E penas de ufurario.
bem affi dizemos no comprador, que rece 7 Mandamos que as pefoas, que de
beo a coufa comprada, e naõ pagou o rem dinheiro a cambio,ou o pagarem, naõ
preço, por que a comprou; porque em façaõ diferença de o dar, ou pagar em
todo o tempo lhe poderá o vendedor de dinheiro de contado, ao dar, e pagar por
mandar o preço principal, e mais a juíta letras, ou livrança, levando mais intereffe
valia dos frutos, que recebeo, ou pudéra de dinheiro de contado, do que a tal tem
receber da dita raiz, depois que lha com po fe cambiava, e corria na Praça com
prou, e foi della entregue, e naõ pagou o mummente por livrança ; e o que o con
preço ao vendedor. trario fizer, e der dinheiro de contado a
4 E fe o que trouxer alguma pofef. mayor preço, do que correr, e valer na
faõ por certo foro, ou prazo d'algum fe Praça em livrança, perca o dinheiro; e a
nhorio, a apenhaffe ao dito fenhorio porpefoa,que o tomar, ou receber, ferá obri
divida alguma, fob tal condiçaõ, que o gado de o fazer a faber ás Juítiças do Lu
fenhorio houveffe em falvo os frutos, e gar, aonde o tal cafo acontecer,dentro de
rendas della, até fer pago da divida, em dez dias; e naõ o fazendo, incorrerá em
efte cafo poderá o fenhorio haver as ditas pena de perder outro tanto dinheiro,como
rendas, e renovos em falvo, até fer pago o que affi tomou,e recebeo. E o Corretor,
da divida, fem defcontar della coufa al que o tal cambio fizer, pagará por cada
#" ; porque, em quanto affi houver os vez cem cruzados: das quaes penas, feráõ
rutos, e rendas do dito foro, ou prazo, amétade para quem os accufar, e a outra
naõ haverá a penfaó,que lhe he devida em para os Captivos.
cada hum anno por virtude do contrato 8 Por quanto fomos informado que
do aforamento, ou emprazamento. E fen fe fazem muitos contratos illicitos entre
do feito femelhante apenhamento entre Mercadores, e outras pefoas, os quaes
outras pefoas, que naõ fejaõ o Foreiro, e por encubrirem as ufuras, vendem merca
o Senhor, tal contrato de apenhamento dorias, e coufas fiadas a pefoas neceffita
feito com claufula, que o crédor haja em das, que naõ faõ Mercadores, nem tratam
falvo as rendas, e frutos da coufa apenha tes, para nelles haverem de tratar, e ga
da, até fer pago de fua divida, ferá ufura nhar; e que os compradores lhas tornaõ
rio, e haveráó os contrahentes as penas de logo a dar, e vender, por muito menos, do
ufurarios conteúdas nefte Titulo. que as compraó, por lhes darem o dito di
5 Declaramos ferlicito ganho de di nheiro para fupprimento de fuas neceffi
nheiro, ou quantidade em todo o cafo de dades, ou as vendem a outros por muito
Coll. 1.
cambio de hum Reyno, ou Lugar para menos preço,do que as compraõ, por lhes
1111111. I.
outro:" e bem affi ferlicito,e verdadeiro o darem logo o dinheiro, de maneira que
cambio, quando logo fe dá mayor quan naõ fómente recebem damno no preço,
tidade em hum Lugar, por lhe darem, e em que as compraõ fiadas, mas ainda na
pagarem em outro Lugar mais pequena. venda dellas. E álem diffo ficaõ fuas pef.
Eito he affi permittido por Direito, pelas foas obrigadas a pagar o primeiro preço,
depefas,que os Mercadores efiantes, que por que lhe foraõ vendidas; e por naõ po
recebem a mayor quantia, fazem em man derem pagar nos tempos limitados em feus
COI) t[2=
Dos contratos ufurarios. 53
contratos, fazem outras novas obriga cadorias; fe o Taballiaõ naõ afirmar que
goês, confefando a divida com interef. vio contar, e receber o dinheiro á feitura
fes, e fazendo dos ditos intere{{es divida da efcriptura, perante as teftemunhas del
principal, de modo que de anno em anno, la, naõ poderáõ os ditos Mercadores pe
e de feira em feira, fe vaõ embaraçando los taes affignados, e efcripturas receber,
nas ditas dividas, e intereffes dellas; man nem haver o dito dinheiro, fem provarem
damos que nenhum Mercador,nem pefoa por teftemunhas dignas de fé, como real
outra venda mercadorias, e coufas fiadas, mente viraõ receber ás ditas pefoas o di
por fi, ou por outrem a pefoas, que noto nheiro conteúdo nos ditos affignados, e
efcripturas. •

riamente for fabido que nellas naõ haõ de


tratar, nem faça, nem ufe dos ditos con 9 E havendo alguns cafos, álem dos
tratos. E o que o contrario fizer, perca acima ditos, em que pofa haver duvida,
} por ifo a auçaõ, que por virtude do con fe faõ ufurarios, ou fe fe póde por Direito
trato podia ter,para demandar o preço das levar ufura, mandamos que fe guarde fo
ditas mercadorias ao comprador, ou a feu bre ifo o que for achado por Direito Ca
fiador. E o comprador, e feu fiador naõ nonico; porque, pois he coufa, que traz
ficaráõ obrigados a pagar coufa alguma, peccado, e cargo de confciencia, convêm
por razaõ dos taes contratos.E álem diffo, ácerca diffo feguirmos, e guardarmos
o que dér, ou vender as taes mercadorias o Direito Canonico, e determinaçoés da
por cada huma das ditas maneiras, ferá Santa Madre Igreja.
degradado por dous annos para Africa; e 1o E para que os que fizerem con
pagará cincoenta cruzados, amétade para tratos ufurarios poffaõ fer punidos, e
os Captivos, e a outra para quem o ac mais facilmente fe pofaõ provar, quere
cufar. E ifto naõ haverá lugar naquellas mos que, fe algum dos fobreditos, que
mercadorias, que cada hum houver mifter tal contrato fez, o defcubrir a Nós, ou
para fua cafajo que feverá pela qualidade a nofas Juítiças, antes que cada hum
das pefoas, e quantidade das mercadorias, delles por ifo feja accufado, ou antes
e pelo tempo, em que lhas venderem. E de por Nós fer feita mercê a alguma pef.
para prova dos taes contratos, e trafpaf foa, de lhe perdoarmos todas as penas
fas, baftará venderem-fe as ditas mercado defla Ordenaçaõ, e que naõ incorra em
rias, e coufas ás pefoas, que notoriamente pena alguma; com tanto que no tempo,
nellas naõ coftumaõ tratar, naõ fendo as que por Nós, ou por nofas Juítiças lhe
que houverem mifter para fua defpefa. E for affignado, próve fer o contrato ufu
fendo cafo, que por defraudar efta Ley, rario. E poíto que o naõ próve, a con
ou a prova, que por ella havemos por ba fifaõ, que de fi me{mo fez, dizendo que
fiante, fe façaõ affignados, ou efcripturas commettêra com a outra parte contraria
das dividas, confeffando as pefoas,que as o dito contrato, naõ lhe prejudicará. Po
fizerem, que recebéraõ as quantias dellas rêm a parte contraria lhe poderá deman
em dinheiro, fem tratarem das ditas mer dar fua injuria.

TITU L O LXVIII.
Que fe naõ façaõ contratos de

paó,a vinho,
Jenaõ dinheiro.azeite, e outros mantimentos,

Efendemos que nenhuma pef. feguem; falvo, fe ao tempo, que contrata


foa, de qualquer qualidade que rem, lhe entregar a outra coufa, que lhe
feja,naõ dê trigo,cevada,azeite, pelo dito mantimento dá, porque, naõ lha
vinho, nem outro qualquer mantimento, entregando logo, ou naõ a tendo de fua
por outra coufa, que aquella pefoa, com novidade, havemos o tal contrato por ne
que contratar, naõ tiver de fua colheita, nhum. E aquelle, que receber o dito man
pelos muitos inconvenientes, que difo fe timento, para por elle dar outra coufa,
• que
54 Livro quarto das Ordenaçõês, Tit. 68,69..., e 7o.
que naõ for dinheiro, ficará com o dito
deu o mantimento pelo dito partido, o
mantimento; e mais ficará defobrigado naõ poderá demandar por elle, nem por
de pagar, nem entregar coufa alguma fua valia. O que mandamos que fe cum
do que fe obrigou, nem fua valia; e pra, poíto que as partes renunciem efia
já mais em tempo algum o que lhe afi Ley. }

T I T U L O LXIX.
Que fe naõ façaõ arrendamentos de gados, ou colmeyas.
Or quanto fomos informados que certo tempo, e que, acabado o tempo, lhe
fe fazem muitos contratos por dem tantas cabeças mais das que lhe
que fe daó boys, e outro gado por déraó, ora a criaçaõ, ou gado, ou col
certos annos de renda, por certa penfaõ meyas, que lhe daó, vivaõ, ora morraõ,
em cada hum anno, ora os boys, ou gado ou cref;aõ, ou fè diminuaõ; e porque os
vivaõ, ou morraó no dito tempo, e al taes contratos faõ illicitos por Direito,
gumas vezes fe pôem nos contratos que, defendemos que fe naõ façaõ; e fazen
acabado o tempo do arrendamento, lhe do-fe, os havemos por nenhuns, e de
tornem os boys, ou gado, ou fua valia, nenhum efeito, e vigor. E quem os ditos
fe forem mortos; e outras vezes que, aca boys, gado, ou colmeyas, por cada hum
bado o tempo do arrendamento, lhe naõ dos ditos partidos dér, perca o gado, e
fejaõ mais obrigados tornar os ditos boys, colmeyas,que affi dér,fe ainda forem vivos
nem gado,e affi fe fazem outros contratos, ao tempo, que por ifo for demandado,
que daõ certas cabeças de gado, como amétade para quem o accufar, e outra
Vaccas, cabras, porcos, ou colmeyas, por para nofa Camara.

T I T U L O LXX.
Das penas convencionaes, e judiciaes, e intereyès, em que cafos fe pôdem levar
Spenas convencionaes, que por cipal, e mais naõ. E ifto, que dito he das
convença das partes forem pó penas convencionaes, haverá lugar nas
fias,e declaradas nos contratos, judiciaes póftas por alguns Juizes a al
naõ pódem fermóres, nem crefcer mais gumas partes,ou fiadores em algum cafo
Coll. I.
IlUITl. I.
que o principal.” E ifto naõ fómente ha 1 Sendo a pena convencional pofia, e
efeg; verá lugar, quando o devedor for obri promettida em contrato de empretimo,
gado dar, ou entregar bens de raiz, ou ou outro, em que o devedor fe obrigue
moveis, ou femoventes, afi como, efcra dar, e pagar certa quantidade de dinheiro,
vos, cavallo, ou outra coufa femelhante, ouro, prata, trigo, cevada, azeite, mel, ou
mas tambem quando for obrigado a al outras coufas femelhantes, que fe cotu
guma obra, ou feito,que prometteffe fazer maõ dar, e pagar por conto, pefo, me
a tempo certo; porque em tal cafo naõ a dida, poíto que o devedor naõ pague o
fazendo ao tempo, a que fe obrigou, deve principal ao tempo, a que fe obrigou, naõ
fer efimada a obra, que houvéra de fer fe poderá por ifo a pena levar, nem de
feita; e quanto for a etimaçaõ, tanto mandar; porque fe prefilme, as taes penas
poderá crefcer a pena, e mais naõ. E em ferem em eftes cafos promettidas em frau
ifto naõ fazemos diferença entre a pena, de das ufuras; e por tanto com fãa conf
que he pófta, e promettida por multipli ciencia fe naõ pódem levar, nem deman
caçaõ de dias, ou mezes, e a que he pó dar, e ito quer a pena feja juntamente
fa juntamente; porque em todo cafo fe pota, quer por multiplicaçaõ de dias, e
poderá levar até outro tanto,como o prin fómente poderáõ as pefoas,a que em eftes
cafos
Das penas convencionaes , e judiciaes, e interefes, tpc. 5 ?

cafos forem penas promettidas,demandar, çoés , . havidos, e por haver, naõ refervàn-
ehaverapera^,quereçebéraõ,ouintereffe, do delles parafi coufa alguma. Ou foífe
que perdéraõ , por lhes as pagas das ditas feito contrato fobre a herança de peííba
quantidades , e dividas principaes naõ fe- viva, porque aquelle,que naõ devia fer feu
rem feitas aos tempos limitados. E. por herdeiro, o feja fob certa pena ; porque
efta determinação , naõ he noíTa tenção* taes contratos faõ afli illicitos , e por Di-
revogar coufa alguma do que temos dito reito reprovados , que naõ podem por ju-
no Titulo : Dos contratos ujurarios. ramento fer confirmados. E por confe-
2 E quanto aos contratos de arrenda- guinte , as penas em elles póftasíè naõ>
mentos , ou alugueres, que fe fizerem por pó.dem pedir, nem demandar.
peíToas, que naõ coftumaõ tratar com feu 4 E fendo os contratos taes, que,
dinheiro, nem dar dinheiro á ganho , e pofto que fejaÕ contra o Direito y pódem
que arrendarem fuas rendas , ou pròprie- fer confirmados por juramento , poder-
dades a quaefquer peíToas , e puferem pe- fe-ha levar a pena entre os contrahentes
nas, naõ lhes pagando a certo tempo , as pofta, fe o contrato naõ for cumprido por
poderáõ levar , com tanto que fe naõ aquelle, que prometteo de o cumprir 5 afíí
levem mais, que o principal, ora fejaõ pó- como , fè folTe feito contrato entre dous,
ftas juntamente , ora por multiplicação ou mais , que efperavaõ fer herdeiros por
de dias. morte d'algum, que ainda feja vivo , que
3 Outro-íí, fe em algum contrato por fua morte algum delles -naõ herdaíTe
torpe for pofta pena , ou em outro , que em fua herança j ou fe algum delles fizer
fegundo razaõ natural naõ fe pôde cum- convença com aquelle, de cuja herança fe
prir, naõ fe pôde levar, nem demandar tal trata , porque naõ poíTa herdar nella , ou
pena. Nem quando o contrato for por ' em outro femelhante cafo , porque, ainda
Direito reprovado, de maneira que por que tal contrato em alguns cafos por Di-
juramento naõ poíTa fer confirmado j aííi reito naõ valha, pode-fe confirmar, íegun-
como, fe algum homem prometteíTe a ou- do Direito Canónico, por juramento, por
tro fob certa pena de o fazer herdeiro em naõ fer tao reprovado, como ós outros,de
parte, ou em todo , ou lhe fizeíTe doaçaõ que fe acima faz mençaõ. E por tanto
entre vivos fob certa pena de todos feus bem fe pode pedir, e levar a pena promet*
bens moveis , e de raiz , direitos , e au- tida em elle , fe íè naõ cumprir.

TITULO LXXI.

Dos contratosJtmulados.

COnfiderando Nós os muitos en- quer natureza,e condição que íèjaõ, fobre
ganos,cj fe feguem dos contratos quaefquer coufas moveis , ou de raiz, per-
íimulados, que algumas peíToas petuas, ou a certo tempo , que íímulados
fazem maliciofamente em prejuizo de feus fejaõ, em que digaõ, e declarem , ou con-t
credores , e de outras peíToas, e de noíTos feíTem fimuladamente alguma coufa, que
Direitos , e por defraudar noíTas Leys , e na verdade entre elles nos taes contratos
Ordenações, querendo niflb prover, man- naõ feja contratada, nem convinda. E fa
damos que peflba alguma , de qualquer zendo o contrario, queremos que, por eíTe
eftado,e condição que feja, naõ faça con- mefmo feito qualquer dos fobreditos con
trato algum firriulado , avença, convença, tratos , e convenças , e as efcripturas , e
efcambo, permudaçaõ, afloramentos, ren- Alvarás , e aftos de confiflbês feitos em
das, âpenhamentos, empreílimos, guardas, Juizo , e fóra delle , fejaõ nenhuns , e de
e depõfitòs, doações, promiíToés, eílipula- nenhum vigor , e lhes naõ feja dado au«»
çoés, obrigaçoés, nem ceíTaõ , e trafpaíTa- cloridade alguma. E álem difíb,cada huma
çaõ delias, cOnfiíToés feitas em Juizo, ou das partes contrahentes perca a coufa t
fóra delle , nem outros contratos, de qual- quantia, ou çftimaçaõ das coufas, quanti
dade
56 Livro quarto das Ordenaçoës, Tit. 71., 72., e 73.
dade, ou dinheiro dos bens moveis, e de faõ fer mais facilmente provadas, e os que
raiz declaradas fimuladamente nos ditos as fizerem, punidos, queremos que, fe al
contratos, e convenças, fegundo acima he um dos fobreditos, que affi fez a fimula
dito. Da qual quantia, e etimaçaõ, ferá çaõ, a defcobrir a Nós, ou a nofas Ju
huma terça parte para quem o accufar, e ftiças, antes que cada hum delles por ifo
a outra terça parte para nofa Camara, e feja accufado, ou antes de por Nós fer
a outra para as pefoas em cujo prejuízo feita mercê a alguma pefoa, de lhe per
for feita a fimulaçaõ. E fe naõ for feita doarmos todas as penas defla Ordenaçaõ,
em prejuízo de pefoa alguma, fómente e que naõ incorra em pena alguma. Com
em fraude de alguma Ley, ou nofa Or tanto que próve a dita fimulaçaõ ao tem
denaçaõ, ferá amétade da dita quantia, e po que lhe por Nós, ou as nofas Juítiças
eftimaçaõ, para quem o accufar, e a outra para ifo for affignado, e poíto que a naõ
para nofa Camara. E ferá degradado para próve, a fua confifaõ, que de fi mefimo
o Brafil por cinco annos, com pregaõ na fez, dizendo que fizéra a dita fimulaçaõ,
audiencia. E fe for Cavaleiro, e dahi para lhe naõ prejudicará. Poderá porêm a
cima, ferá degradado por feis annos para parte, de que affi difamou, demandar fua
Africa. injuria, e fer-lhe-ha julgada, fegundo a
2 E para que as taes fimulaçoés pof qualidade das pefoas.

T I T U L O LXXII.
Dos contratos defafforados.
E alguma pefoa em qualquer con damos que tal defaforamento naõ valha,
trato prometter dar, ou fazer al poto que logo affi a tal convença feja
guma coufa a tempo certo fob cer julgada por fentença. E que fem embargo
ta pena, e naõ a dando, fazendo, ou pa de tal contrato, e fentença, fe naõ faça
gando ao dito tempo, que logo feja feita execuçaõ por ella, até o condemnado fer
execuçaõ em feus bens, fem ele mais fer chamado, e ouvido com feu direito fobre
citado, nem ouvido com feu direito, man efa execuçaõ.

T I T U L O LXXIII.
Que fe naõ façaõ contratos, nem difratos com juramento promiyorio, ou boa fé.
Enhuma pefoa em todos nofos dellas perderá o que dava no contrato. E
Reynos, e Senhorios faça con fendo de ambas as partes fem dinheiro,
trato, obrigaçaõ, portura,aven cada huma das partes perderá tudo o que
ga, convença, promettimento, quitaçaõ, receber pelo tal contrato, ou convença.
nem outro algum difrato, afi por efcri O que fe entenderá no juramento pro
pto, como por palavra, em que ponha miforio fómente, e naõ no juramento af:
promettimento de boa fé, nem outro al fertorio, ou declaratorio.
gum juramento; e fazendo o contrario, 1 E fendo a convença, ou diftrato
mandamos que os taes contratos, con feito por Taballiaõ publico, ou Eferivaõ,
venças, ou diftratos naõ valhaõ; e a parte, pague outro tanto,como mandamos q ca
que o fizer, perderá todo o dinheiro, que da huma das partes contrahentes pague.E
no contrato dér, ou prometter, ou fobre fe ambas as partes contrahétes naõ houve
que entre eles for feita convença; e a ou rem de pagar por igual,pagará o Taballiaõ
tra parte perderá outro tanto, fendo o como o q menos houver de pagar, e mais
contrato de dinheiro fómente. E inter por effe me{mo feito perderá o Oficio; das
vindo de huma parte dinheiro, e da outra quaes penas as duas partes feráó para noffa
naõ, affi como nas compras, cada huma Camara, e a terça parte Para o accufador.
TITU
+

57

T IT U L O LXXIV.
cefaó de bens. •

Dos que fazem


Orque com o remedio de poder da cefaõ de bens, que afi tiver feita.
fazer cefaõ de bens,faziaõ os de 2 E fendo contente o crédor, contra
vedores malicias, e enganos em quem fe quer fazer a cefaõ, que o deve
prejuízo dos crédores, os quaes fe lhes naõ dor haja efpaço de cinco annos para pagar
podiaõ provar, querendo a ifto prover, a divida, fer-lhe-ha outorgado. O qual
mandamos que naõ pofa devedor algum efpaço pafado, fe o devedor naõ pagar,
fazer cefaõ de feus bens; e fe a fizer, feja ainda que queira dar lugar aos bens, já
de nenhum efeito, e invalida; falvo pro naõ poderá em prejuízo dos crédores,mas
vando que ao tempo, que contratou, ti ferá prefo,até que pague, fem embargo da
nha tanta fazenda fua,por que os crédores cefaõ, que queria fazer.
bem podiaõ etar feguros de feu paga 3 E fendo muitos crédores, e que
mento; e por lhe fobrevir algum cafo, rendo huns dar o dito efpaço ao devedor,
damno, ou perda fem culpa fua, por onde e os outros naõ, mas que todavia dé logo
fua fazenda foffe diminuida, ou perdida, lugar aos bens, ou feja prefo, eftará o Jul
naõ pode pagar. Ou fe o devedor logo gador por aquella parte,a que mais for de
no contrato da obrigaçaõ por qualquer vido; e effa confirmará. E ainda que de
maneira que for feito, declarou aos cré huma parte feja hum fó crédor, e doutra
dores que naõ tinha fazenda, ou que a fejaõ muitos, fe áquelle fófor mais devi
tinha obrigada a outras pefoas; porque do, que a todos os outros, effe fó prevale
em cada hum defes cafos poderá fazer cerá fobre os outros todos, de maneira que
cefaõ. E quando afi a fizer nos cafos, em fe naõ tenha repeito ao numero dos cré
que difemos que a póde fazer, fe, depois dores, mas fómente á fumma, e quanti
della feita, houver outros bens de novo, dade da divida. Porêm fendo o numero
ferá obrigado por elles á divida, com tanto dos crédores, e a fumma, e quantidade
que lhe fiquem tantos bens, com que ra das dividas toda igual,prevalecerá a parte,
zoadamente fe pofa manter fegundo feu que outorga fer dado o efpaço de cinco
eftado, e condiçaõ, em maneira que naõ annos, por fer mais piadofa. Se porêm
pereça de fome fegundo arbítrio de bom a menor parte dos crédores fentir que a
Juiz. concordia da mayor parte he fundada em
1 E o que dér lugar aos bens, decla algum evidente engano,ou malicia,poderá
ra-lof:ha todos por efcripto,feito e affigna proteítar; e fe guardará o que difemos,
do por fua maõ, fe fouber efcrever, e fe no Titulo:
aëtos, Quando
que fe fazem poderáó
fóra appellar dos
do Juizo. •

naõ fouber, mande-os efcrever a outrem,


e elle affigne o efcripto por fua maõ; ou 4 E no cafo, onde todos os crédores
mande fazer Inventario delles a hum Ta fe acordafem,que o devedor houvefe ef>
balliaõ publico, ou Efcrivaõ, que faça fé, paço de cinco annos para pagar todas as
de como declarou effes bens todos,que ao dividas, ferá ele obrigado aceita-lo, ainda
tal tempo tinha, no efcripto conteúdos, que naõ queira; porque efta eleiçaõ de
afirmando naõ ter mais : o qual Inven cinco annos, ou dar lugar aos bens he
tario ferá affignado pela parte. E afi de outorgada aos crédores; e pois elles ef>
clarará todas as dividas, que deve, e lhe colhem que o devedor haja o dito efpaço
devem,e as pefoas,a que elle declarar que de cinco annos, naõ o poderá recufar o
deve, feráõ citadas para a dita cefaõ; e o devedor. •

rol ferá aprefentado em Juizo ao Juiz, a 5 E em todo o cafo, onde o devedor


que o conhecimento pertencer, em modo quizer fazer cefaõ, e algum crédor re
que depois, fefe puder moftrar que elle a querer, que o prendaõ, ferá logo prefo.
effe tempo tinha outros bens, álem dos zer,
E fendo
ou prefo,
naõ. feliquidará, fe a póde fa
• • •

que declarou no efcripto, naõ pofagozar


Liv. IV. H « E todo
58 Livro quarto das Ordenaçoës, Tit. 74,75., e 76.
6 E todo o que quizer dar lugar aos remos
cadores,noque
Livro,quinto
quebrarem. Titulo: Dos Mer * •

bens, fará cefaó em Juizo, confeffando


todas as dividas, por que a faz, decla 8 E bem affi naõ poderáõ fazer cef.
rando, e motrando todos os bens, que a faõ de feus bens os que fe acoutarem nas
efe tempo tiver. E fómente lhe ficaráõ cafas dos Fidalgos nos Lugares,onde Nós
os veftidos, que a efe tempo tiver ve eftivermos em pefoa, e na Cidade de
ftidos, com tanto que naõ fejaõ de muito Lifboa; por naõ ferem demandados por
grande valia,por que alguns crédores pof fuas dividas,naõ acodindo ás citaçoes,que
faõ haver pagamento de fuas dividas. lhes por ifo forem feitas, fegundo mais
E fe for duvida, fe faõ de grande va largamente diremos no quinto Livro no
lia,
gador.ou naõ, ficará em arbitrio do Jul Titulo: Que os Fidalgos, e Prelados naõ
• |

acolhaõ malfeitores. -

7 E declaramos tudo ito, que dito 9 Nem poderá fazer cefaõ o que
he, naõ haver lugar, onde for quereládo alheou feus bens,depois de fer condemna
d'algum, ou lhe for provado, poíto que fe do, em prejuízo do vencedor, como dife
naõ queréle, que he bulraõ, e inliçador; mos no Titulo: Das execuçoés, que fefa
porque, ainda que fuas dividas defcendaõ zem geralmente pelas Sentenças.
de coufa civel, já efe civel he convertido 1o. Nem outro-fi poderáõ fazer cefaõ
em crime, pois he culpado de bulraõ; e nofos devedores por as dividas, que nos
por tanto lhe naõ valerá a cefaõ: nem deverem, como diffemos no Titulo: Dos
aos Mercadores,que quebrarem, como di que podem ferprefôs por dividas civeis.

T I T U L O LXXV.
Qando valerá a obrigaçaõ feita pelo que efá prefo.
Endo algum homem prefo fem man o contrato, como fe o fizeffe folto. E ifto
dado, nem auctoridade de Juftiça, e naõ haverá lugar no que for prefo fobre
poíto em carcere privado,naõ fe po fua homenagem em fua cafa,ou pela Villa;
derá obrigar ao que o prendeo, nem ao porq poderá contratar,como fe foffe folto.
que o mandou prender, nem a outra pef. 1 E em todo o cafo, onde o Senhor
foa alguma; e fe o fizer, naõ valha, nem de alguma jurifdiçaõ mandar nella pren
tenha efeito: e fendo prefo por auctori der alguem,naõ poderá o prefo,em quanto
dade de Juftiça em cadêa, ou Caftello, o for, fazer obrigaçaõ, nem contrato, que
fe ele quizer fazer obrigaçaõ,ou contrato feja em proveito do dito Senhor da jurif;
á pefoa,por cujo requerimento foi prefo, diçaõ; e fazendo-o, feja o contrato ne
o tal contrato, ou obrigaçaõ, naõ valerá; nhum, poíto que feja feito por auctori
falvo,fendo ahi prefente o Juiz,que o man dade de Juftiça.
dou prender, ou conhecer de feu feito: o 2 E todo o prefo poderá fazer obri
qual fe informará de fua prifaõ; e fè foi gaçaõ, e qualquer contrato com quem lhe
prefo jutamente; e fe com razaõ quer fa aprouver; e valerá,como valeria,fazendo-o
zer o contrato: e conforme a ifo lhe dará folto, com tanto que o naõ faça nos cafos
fua auctoridade,ou naõ,e dando-lha valerá defefos nefta Ordenaçaõ.

T I T U L O LXXVI.
Dos que podem fêr prefos por dividas civeis, ou crimes.
Or divida alguma civel privada, alguem fer prefo, antes de condemnado
defcendente de contrato, ou por fentença definitiva,que paffe em cou
quafi contrato,em que o devedor fa julgada, poíto que naõ tenha, por onde
naõ tenha commettida malicia, naõ deve pague, falvo,fendo fufpeito de fuga,como
*
difemos
Dos que pódemfer prefôs por dividas civeis, ou crimes. 59
difemos no terceiro Livro, Titulo : Do mandar prender, levando-o logo á prifaõ
Reo, que he obrigado a fatisdar em Juizo. publica; e requeira ao Juiz,que mande pôr
E o Julgador,que o contrario fizer, pague nelle boa guarda, contando-lhe a caufa,
dous mil reis, amétade para quem o ac por que o prendeo. E fe o retiver por mais
cufar, e a outra para os Captivos. de vinte quatro horas em outro lugar, fem
1 E fendo o devedor condemnado o levar á prifaõ do Concelho, incorrerá na
por fentença, que paffe em coufa julgada, pena dos que fazem carcere privado.
faça-fe execuçaõ em feus bens. E naõ lhe 4 E quando a divida for nofa, ainda
achando bens, que batem para a condem que defcenda de caufa civel, afi como de
naçaõ, feja prefo, e reteúdo na cadêa, até contrato, ou quafi contrato, poderá o de
que pague. Porêm, dando lugar aos bens vedor fer prefo, até que pague da cadêa;
na fórma, que por Direito deve,ferá folto, e nefte cafo naõ ferá folto, poíto que faça
como fe contêm no Titulo : Dos que fa cefaõ dos bens. E ifto fe naõ entenderá
zem cefaõ de bens. E fendo a divida até nos que deverem dizimas das Sentenças;
vinte mil reis, e o devedor houver feis porque eftes naõ feráõ prefos por ellas.
mezes, que eftá prefo na cadêa, ferá folto, 5 E fe a divida defcender de malefi
fem dar fiança. E fe dentro em hum anno cio, ou quafi maleficio, em que alguem
naõ pagar,tornará a fer prefo. E ganhando feja condemnado, deve indiftinctamente
| no dito anno alguma coufa, poderá o cré fer prefo, até que pague da cadêa. Por
dor fazer nella execuçaõ.
2 E fe o devedor prometter ao cré
tanto fe foffe alguma coufa pófta em guar
da, e depofito, e o Depofitario recufaffe
dor, pagar-lhe a certo tempo, e naõ lhe entrega-la ao Senhor fem juíta, e legitima
pagando, que feja prefo, até que pague; razaõ, ou ufaffe della fem vontade ex
fe naõ pagar ao tempo, que fe obrigou, prefa do Senhor, deve fer prefo, até que
deve fer prefo por mandado de Juítiça, da cadêa entregue a coufa, e pague o
fendo para ifo requerido, poíto q allegue, damno,que nella fez,por ufar della contra
e moftre que tem bens,por onde pague. vontade de feu dono. E naõ ferá folto,
3 E concertando-fe o crédor, e o de poíto que dê fiadores; nem poderá dar lu
vedor, que,naõ pagando a divida a tempo gar aos bens. E fendo delle querelado em
certo, o poffa o crédor por fua propria fórma devida, haverá a pena de bulraõ, e
auétoridade prender, tal convença naõ va enliçador. |

lha, nem poffa o crédor por virtude della 6. Porêm as mulheres naõ feráó pre
prender feu devedor; mas requeira a Ju fas por dividas civeis,poíto que fejaõ con
ftiça, a qual, vita a convença, o mande demnadas por fentença, falvo fendo mu
prender, porto que alegue, e próve que lheres folteiras publicas; porque etas taes
tem bens,por onde pague. Porêm,fe o cré poderáó fer prefas por dividas civeis,
dor achar feu devedor fugindo, ou que naõ fendo alugueres de veítidos, e joyas,
rendo fugir, por lhe naõ pagar, e naõ pu que alugaõ na Cidade de Liboa; por
der haver copia do Juiz para o mandar que pelos ditos alugueres naõ feráõ pre
prender, ele por fi o poderá prender, ou fas.

TITULO LXXVII.
Dos que podem fer recommendados na cadêa.
M todo o cafo, onde alguem for criptura. E naõ chegando a dita quantia,
prefo jutamente, quer por caufa deve fazer certo da divida por teftemu
civel, quer crime, poderá ferre nhas, até dous dias peremptoriamente. E
commendado na cadêa por qualquer di naõ motrando a divida por efcriptura, ou
vida, poíto que defcenda de feito civel, teftemunhas, naõ deve o prefo ferreteúdo
com tanto que o crédor moftre logo a na cadêa pelo dito embargo. Nem po
divida por efcriptura publica, quando a derá outro-fi ferreteúdo por pena de fan
quantia for tal, em que fe requeira a ef gue, ou de arrancamento. *

Liv. IV. H2 1 E em

=
óó Livro quarto das Ordenaçoês, Tit. 77., e 78. *

1 E em todo o cafo,q o devedor pofia cõmendado, ou dando lugar aos bens nos
ferrecõmédado na cadêa, pondo em Juizo cafos,em que póde fazer cefaõ, deve logo
penhores batantes á divida,porque for re fer folto, fe por al naõ for prefo.

TITULO LXXVIII.
Das Compenfaçoës. *

Ompenfaçaõ,quer dizer defcon femelhante modo de força, roubo, ou fur


to de huma divida a outra; e foi to; porque entaõ fe fará Compenfaçaõ de
introduzida com razaõ, e equi huma quantidade a outra, em quanto am
dade; porque mais razaõ he naõ pagar al bas concorrerem.
gum o que deve, fe lhe outro tanto he de 3 Nem haverá lugar, quando a al
vido, que paga-lo,e depois repeti-lo, como guma pefoa forem devidos alimentos,
coufa, que naõ era devida. E a Compen poíto que confiftaõ em quantidade, quer
façaõ ha lugar,afi na auçaõ real, como na por contrato, quer por teítamento, ou por
pefoal,com tanto que fe alegue de quan outro qualquer modo, porque a divida dos
tidade a quantidade. E quantidade quer alimentos he taõ favoravel, que naõ fofre
dizer, coufa, que confifte em conto, afi fer-lhe oppófia Compenfaçaõ de outra di
como he o dinheiro; ou em pefo, afi co vida, ainda que feja de quantidade.
mo cera; ou em medida, afi como azeite, 4 Outro-fi,naõ haverá lugar, quando
e outros femelhantes. E por tanto, fe hum a divida,de que fe faz Compenfaçaõ he in
homem he obrigado, e devedor a outro certa, e a divida principalmente deman
em certa quantidade de dinheiro, cera, dada he liquida, certa, e clára, por confif
azeite, ou doutras femelhantes coufas, o faõ da parte, ou por outra alguma próva
qual lhe he devedor em outro tanto, mais, a ella dada; porque nefte cafo naõ fe deve
ou menos, defconte-fe huma divida pela fazer Compenfaçaõ da divida da quanti
outra, em quanto ambas concorrerem ; e dade incerta,e naõ liquida, á que he certa;
em a mayoria fique falva a divida áquel falvo, fe o que allegar a Compenfaçaõ, fe
le, a que mais for devido. obrigar prova-la até nove dias perempto
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E fe algum demandar certa quanti riamente. E em outra maneira naõ lhe
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dade, que tenha dada em guarda, e depo ferá recebida a tal Compenfaçaõ.
fito, e o outro difer que o outro lhe deve 3 E bem affi, quando alguma divida
outra tanta por outro algum titulo, que de quantidade for devida a Nós, ou a al
naõ for femelhante, naõ haverá lugar a guma Cidade, ou Villa, naõ haverá lugar
Compenfaçaõ; mas ele ferá obrigado a a Compenfaçaõ, falvo nos cafos, que fe
lhe entregar tudo aquillo, que lhe deu em acharem por Direito, que fe póde pôr
guarda, e ficar-lhe-ha falvo todo o feu Compenfaçaõ á divida,que he devida a al
direito, ácerca do que lhe elle dever de guma Cidade, ou Villa. |

qualquer outra obrigaçaõ; porque o con 6 E fe em cada hum dos ditos cafos
trato da guarda, e depofito he de tal na efpeciaes , em que fe naõ recebe Com
tureza, que naõ admitte Compenfaçaõ al penfaçaõ,for oppófia Compenfaçaõ de al
guma de cafo, que naõ feja privilegiado gum outro cafo efpecial, far-fe-ha de hum
como elle. cafo a outro, afi como, fe foffe demanda
2 Em todo cafo de força, roubo, fur da quantidade pófta em guarda, e depo
to, ou qualquer outro femelhante,por que fito, que he cafo privilegiado, e foffe al
alguma quantidade alheya foffe a poder legada Compenfaçaõ de outra quantidade
d'algum por alguma arte de engano, naõ roubada,ou forçada; porque entaõ deve-fe
haverá lugar a Compenfaçaõ. Efe o dono fazer Compenfaçaõ de huma a outra. E
demandarefa quantidade, naõ fe lhe po o me{mo ferá em outros femelhantes ca
derá oppôr Compenfaçaõ de qualquer ou fos privilegiados. |

tra, em que elle feja obrigado por qual 7 Pofto que a Compenfaçaõ haja fó
quer titulo; falvo, fe elle for obrigado por mente lugar de quantidade a quantidade;
C Il{\ Q}
Das Compenfaçoês. 61
e naõ de huma efpecie a outra (a qual ef> embargo que pareça fer principalmente
pecie he a coufa, que fe naõ cotuma dar devida a dita efpecie; por quanto, fendo a
por conta, pefo, e medida, como he hum eftimaçaõ della efcolhida pelas partes, ou
cavallo, hum efcravo, hum Livro,e outras feita condemnaçaõ della, já a efpecie he.
coufas femelhantes), fe hum homem de convertida em quantidade.
veffe geralmente a outro hum efcravo,ou 3 E afi fe fará, quando certa efpecie
hum cavallo, naõ declarando mais hum foffe devida de huma parte a outra,affi co
que outro, em o qual cafo feria obrigado mo hum efcravo certo, e nomeado, caval
pagar-lhe hum efcravo, ou hum cavallo lo, ou Livro, e a dita certa efpecie naõ pu.
communal, que naõ foffe muito vil, nem defe fer havida, pelo que he devida a ver.
avantejado, ou fua verdadeira eftimaçaõ, dadeira eftimaçaõ della. E feita a eftima
concertando-fe as partes de fe pagar a dita çaõ, licitamente fe poderá a ella oppôr, e
etimaçaõ, ou fendo affi.julgado por fen fazer Compenfaçaõ d'outra tanta quanti
tença, bem fe poderá a ella oppôr, e fazer dade, ou mayor, ou mais pequena, em
Compenfaçaõ de outra quantidade, fem quanto huma concorrer com a outra.

T I T U L O LXXIX.
Das Preferipçoës.
E alguma pefoa for obrigada a ou 2 E fe aquelle, a que for a coufa, ou
tra em alguma certa coufa, ou quan quantidade devida,for menor de quatorze
tidade,por razaõ de algum contrato, annos, naõ correrá contra elle o dito tem
ou quafi contrato, poderá fer demandado po, até que tenha idade de quatorze an
até trinta annos, contados do dia,que effa nos cumpridos.E tanto que chegar a ella,
coufa, ou quantidade haja de fer paga, em correrá contra elle. E poíto que o dito
diante. E pafados os ditos trinta annos, tempo corra contra o mayor de quatorze
naõ poderá fer mais demandado por efa annos, e menor de vinte cinco , poderá
coufa, ou quantidade; por quanto por a ele pedir reflituiçaõ contra fua negligen
negligencia, que a parte teve de naõ de cia, que teve em naõ demandar dentro do
mandar em tanto tempo fua coufa, ou di dito tempo, até chegar a idade de vinte
vida, havemos por bem, que feja preferi cinco annos; com tanto que do tempo,
pta a auçaõ, que tinha para demandar. que ele chegar a idade de vinte cinco an
Porêm efia Ley, naõ haverá lugar nos de nos, até quatro annos cumpridos, em que
vedores, que tiverem má fé; porque eftes fará vinte nove annos, a peça, e impétre.
taes naõ poderáõ prefcrever por tempo al E pedida, e impetráda a reflituiçaõ, pe
gum, por fe naõ dar occafiaõ de peccar, derá haver,e cobrar toda fua divida, como
tendo o alheyo individamente. fe nunca o dito tempo de trinta annos
1 Poré,fe a dita prefcripçaõ foi interrõ correffe contra elle. •

pida por citaçaõ feita ao devedor fobre effa 3 E quanto aos bens obrigados a on
divida,ou por outro qualquer modo, porq trem em geral,ou em efpecial, fe#### O
por Direito deva fer interrõpida, começa que temos dito no Titulo: Quando a coufa
rá outra vez de novo correr o dito tempo. obrigada he vendida, ou alheããa.

T I T U L O LXXX.
Coll.i.
Dos Telamentos, e em que forma fè faráó.*
Uerendo alguma pefoa fazer Te e que fejaõ mayores de quatorze annos,
flamento aberto por Taballiaõ de maneira que com o Taballiaõ, que fi
publico, pode-lo-ha fazer, com zer o Tetamento,fejaõ feis Tetemunhas.
tanto que tenha cinco Tefte O qual Tetamento o Taballiaõ efere
munhas varoês livres, ou tidos por livres, verá nas Nótas; e ferá affignado pelas di
|- t38.
62 | Livro quarto das Ordenaçoës, Tit. 8o.
tas teítemunhas, e pelo Tetador, fe fou E fendo todas as folhas efcriptas, em ma
ber, e puder affignar; e naõ fabendo, ou neira que naõ pofa fazer o intrumento da
naõ podendo, affignará por elle huma das approvaçaõ, ou o começar a fazer em al
te(temunhas, a qual logo dirá ao pé do guma das folhas do Tetamento, entaõ
fignal, que affigna por mandado do Te porá em qualquer parte do Tetamento o
ftador, por ele naõ faber, ou naõ po feu fignal publico. E no intrumento, que
der affignar. E tal Teflamento ferá firme, fizer de approvaçaõ em outra folha, em
e valiofo. que efteja em volto, ou cofido o Tefta
1 E querendo o Teftador fazer Te mento, declarará, como nelle fica o feu
flamento cerrado, o poderá fazer deta fignal publico, por naõ ter folha limpa em
maneira. Depois que efcrever, ou mandar que começaffe o intrumento de approva
efcrever feu Tetamento, em que declare çaõ, de maneira que fe naõ pofa tirar o
fua vontade,o affignará,naõ fendo efcripto Te{tamento verdadeiro do inftrumento de
por fua maõ; porque, fendo efcripto por approvaçaõ, e metter outro falfamente
fua maõ, abafará, ainda que naõ feja por fabricado em feu lugar.E o Taballiaõ,que
ele affignado. E naõ fabendo affignar, ferá d'outra maneira fizer o intrumento de
affignado pela pefoa, que lho efcrever, e approvaçaõ, perderá o Oficio.
ferá cerrado, e cofido, e elle Teftador o · 3 Efe o Teflamento for feito pelo
entregará ao Taballiaõ perante cinco te Teftador, ou por outra pefoa privada, e
ftemunhas, varoês livres, ou havidos por naõ tiver infrumento publico de appro
taes, e mayores de quatorze annos; e per vaçaõ nas coftas, nem for feito por Ta
ante elas lhe perguntará o Taballiaõ,fe he balliaõ, effe Teftador, por cuja maõ for
aquelle o feu Teftamento, e fe o ha por feito, ou affignado o Tetamento, e bem
bom, firme, e valiofo; e dizendo que fi, affi qualquer outra pefoa, por cuja maõ
fará logo em prefença das teítemunhas o for feito, e affignado, feja havido em lu
intrumento da approvaçaõ nas coflas do ar de Taballiaõ, de maneira que com
proprio Tetamento, declarando como o effe Teftador, por cuja maõ for feito, ou
Teftador lho entregou, e o houve por feu, com a pefoa privada, que o fizer, ou af
bom, e firme: no qual intrumento de ap fignar, fejaõ feis teítemunhas: as quaes te
provaçaõ affignaráó todas as cinco tefte munhas affignaráõ no Teflamento, fendo
munhas, e o Teftador, fe fouber, ou pu primeiro lido perante ellas; e feráõ varoês
déraffignar. E naõ fabendo, ou naõ po mayores de quatorze annos, e livres; ou
dendo, affignará por elle huma das Tefte tidos por taes. E nefte cafo, quando for
munhas, declarando ao pé do figual, que feito pelo Teftador, ou por outra pefoa
affigna por mandado do Teftador, por elle privada fem inftrumento publico nas co
naõ faber, ou naõ poder affignar; e de ou fias, deve tal Teftamento fer publica do
tra maneira naõ ferá valiofo o Teflamen depois da morte do Teftador por aucto
to. E ifto fem embargo de qualquer co ridade de Juftiça, citando as partes, a
fume, que em contrario haja em algum que pertencer, fegundo fórma de Direito.
Lugar, ou Lugares: e o Taballiaõ, que fi 4 E poderá o Tetador ao tempo de
zer intrumento de approvaçaõ d'algum fua morte fazer Teflamento por palavra,
Te[tamento, ou codicillo, fem o fazer af ou ordenar de feus bens por alguma ma
fignar pelas teítemunhas nelle nomeadas, neira, naõ fazendo difo efcriptura al
e pelo Teftador, perderá o Oficio; e o in guma. E nefte cafo mandamos que va
frumento de approvaçaõ ferá nenhum. lha o Teftamento com feis teftemunhas;
2 E por fe evitarem as falfidades,que no qual numero feráõ contadas, afi as
fe poderiaõ fazer nos Teftamentos, man mulheres, como os homens, por fer feito
damos ao Taballiaõ, que o inftrumento de ao tempo da morte. Porêm, convalef>
approvaçaõ fizer, o faça, ou comece em cendo o Teftador da dita doença, o tal
parte d'alguma das folhas, em que al Teftamento ferá nullo, e de nenhum
guma parte do Tetamento feja efcripto. efeito,

TITU
63

T I T U L o LXXXI.
Das pe/oas, a que naõ he permittido fazer Teflamento.
Varaõ menor de quatorze an maõ,valerá o tal Teftamento. E naõ faben
nos,ou a femea menor de doze, do efcrever,fazendo o ditoTetamento por
naõ pódem fazer Tetamento, maõ d'outrem,valerá o talTeftamento,im
nem o furiofo. Porêm, fe naõ tiver o fu petrando primeiro para ifo noffa licença.
ror continuo, mas por luas, ou dilucidos 6 Item, qualquer pefoa, que por fen
intervallos, valerá o Teftamento, que fez, tença for condemnada á morte natural,
eftando quieto, e fóra do furor, conftando naõ póde fazer Teftamento; e fe o fizer,
difo claramente; como tambem valerá o naõ valerá coufa alguma. E poíto que em
Tetamento, que antes do furor tiver feito. qualquer tempo, antes da dita condemna
E ifto, que dizemos do furiofo, fe enten çaõ, o tenha feito, tanto que for condem
derá tambem no que nafceo mentecapto, nado, logo o tal Tetamento perde toda
ou que veyo a carecer de juizo por doen fua virtude, e he por Direito de nenhum
ça, ou qualquer outra maneira. vigor, afi como fe nunca foffe feito; por
1. E fe o que eftá em continuo furor que a condemnaçaõ o faz fervo da pena,
fem intervallo,e remifaõ alguma,fizer feu em que he condemnado; e por confe
Teftamento taõ ordenado, como o faria guinte he privado de todos os actos civeis,
hum homem de perfeito juizo, naõ valerá que requerem auctoridade do Direito Ci
por ifo o tal Teftamento. vil, afi como he o Tetamento. E pelo
2 E fe o que tem dilucidos interval confeguinte os bens dos taes condemna
los fizer feu Teftamento, e fe duvidar, fe dos vem a feus herdeiros, ou a Nós, fe
o fez efiando em feu perfeito juizo, de gundo nofas Ordenaçoés, e difeofiçaõ de
ve-fe confiderar a qualidade da difpofi Direito. Porêm, confiderando Nós ácerca
çaõ, e Tetamento; porque, fe o que nelle difto, por nos parecer coufa muito grave,
fè difpôem, he taõ razoado, e feito com e em alguma maneira contra a humanida
taõ boa ordem, como o fizéra hum ho de, porque a pena corporal por qualquer
mem de faõ juizo, deve-fe prefumir, e delicto que feja dada, he para a Juftiça fa
crer que no tempo, que o fez, etava em tisfactoria, e para o bem da alma naõ deve
feu perfeito juizo. E fendo feito em outro haver tanto lugar, que o que cada hum
modo, fe prefumirá o contrario. para falvaçaõ della, e remifaõ de fuas
; Item, naõ póde fazer Tetamento culpas ante noffo Senhor, póde fazer de
o filho familias, que he aquelle, que eftá feus bens, lhe feja em todo tolhido (pofto
debaixo do poder de feu pay; e ifto de que por affi fer á morte condemnado, por
qualquer idade q feja,poto que o pay lho fervo da pena deva fer havido), por efte
permitta, e confinta. Porêm dos bens ca refpeito, e principalmente pelo havermos
frenfes,ou quafi caftrêfes,poderá livremê por ferviço de Deos, e bem de muitas al
te diffôr,e fazer Teftamento,ainda q o pay mas, cujos corpos por Juftiça padecem,
lho naõ confinta, tendo idade legitima. queremos que quaefquer pefoas, que por
4 Item, o Herege, ou Apoftata naõ Juftiça houverem de padecer,pofaõ fazer
póde fazer Tetamento, nem o efcravo, feus Tetamentos, para em eles fómente
nem o Religiofo profeffo, nem o prodigo, tomarem fuas terças, e difpôrem dellas, di
a que he defefa, e tolhida a adminiftraçaõ ftribuindo-as em tirar captivos, cafar or
de feus bês,nem outros femelhãtes a eftes. faãs, fazer efmolas aos Hofpitaes, mandar
Item, naõ póde fazer Tetamento dizer Mifas,e para concerto,e refaziméto
o mudo, e furdo de nafcença; mas os que dos Moteiros, e Igrejas. E em outras al
ouvem, e falaõ com difficuldade poderáõ gumas coufas, e defpefas naõ poderáõ di
fazer Teflamento. E fe o que por algum {tribuir as ditas terças.Porêm,ito naõ ha
cafo, ou doença fe tornou mudo, e furdo, verá lugar nos q forem condemnados por
fouber efcrever,e fizer Teflamento por fua crime de herefia, traiçaõ, ou fodomia.
• • * TITU
ó Livro quarto das Ordenaçoês, Tit.82., e 83.

TI TUL O LXXXII.
Quando no tefiamento o pay naõ faz mençaõ do filho, ou o filho do pay, e dif>
pôem Jömente da terça.
E o pay, ou mãy fizerem te[tamento, rada;e que he legitima, e fuficiente para o
e fabendo que tem filhos, ou filhas, filho por ella poder fer desherdado: a qual
tomarem a terça de feus bens, e a provada; ficará o teftamento bom,e valio
deixarem a quem lhes aprouver,ou a man fo; e o herdeiro inftituido haverá effa he
darem diftribuir depois de fuas mortes, rança, que lhe foi deixada, fem outro em
como for fua vontade, poíto que no tefta bargo. E naõ provando ele a caufa da
mento naõ fejaõ os filhos exprefamente desherdaçaõ fer verdadeira, e legitima,
inftituídos, ou desherdados, mandamos ficará o tetamento nenhum, e haverá o
que tal te{tamento valha, e tenha efeito; filho toda a herança do pay, ou mãy, fe a
por quanto pois tomou a terça de feus quizer haver; porêm pagará os legados
bens no tetamento, e fabia que tinha fi conteúdos no teflamento pelo modo fo
lhos, parece que as duas partes quiz dei bredito.
xar aos filhos, e os intituio nellas, poíto 3 - Porêm,fe o pay,ou mãy ao tempo;
que dellas naõ faça exprefa mençaõ; e affi que fez tetamento tinha algum filho legi
devem fer havidos por intituidos herdei timo, e cren do que era morto, naõ fez
ros, como fe exprefamente o fofem em delle mençaõ no teflamento, mas diffôs,
favor do teflamento. • • •
e ordenou de todos feus bens, e fazenda,

1. E difpondo o pay, ou mãy em feu inftituindo outro herdeiro, em tal cafo, o


te{tamento de todos feus bens, e fazenda, te{tamento ferá nenhum , naõ fómente
naõ fazendo mençaõ de feu filho legitimo, quanto á intituiçaõ, mas tambem quanto
fabendo que o tinha, ou desherdando-o, aos legados nelle conteúdos.
naõ declarando a caufa legitima,por que o 4 E tudo o que acima dito he, quan
desherda, tal te[tamento he por Direito do o pay morre deixando filhos, haverá
nenhum, e de nenhum vigor, quanto á in lugar, quando faz tetamento, e morre
{tituiçaõ, ou desherdaçaõ nelle feita; mas fem filhos, e lhe ficaõ netos, ou outros
os legados conteúdos no dito tetamento defcendentes. E affi me{mo haverá lugar,
feráõ em todo cafo firmes, e valiofos, em quando o filho, ou neto, ou outro def
quanto abranger a terça do Teftador, affi, cendente falecer, e fizer teftamento em
e taõ cumpridamente, como fe o tefta cada huma das maneiras fobreditas, fem
mento foffe bom, e valiofo por Direito. deixar defcendentes, e tiver pay, mãy,
2 E declarando o pay, ou mãy em ou outros afcendentes. | }

feu teflamento a caufa, ou razaõ, por que Outro-fi, fe o pay , ou máy ao


desherda feu filho legitimo, fe o herdeiro tempo do tetamento naõ tinha filho le
inflituído no teflamento quizer haver a gitimo, e depois lhe fobreveyo, ou o
herança, que nelle lhe foi deixada, deve de tinha, e naõ era diffo fabedor, e he vivo
necefidade provar a caufa,e razaõ,por que ao tempo da morte do pay, ou mãy, affi o
o filho foi desherdado, fer verdadeira, fe te{tamento,como os legados nelle conteú
gundo no tetamento foi exprefa, e decla dos faõ nenhuns, e de nenhum vigor.

T I T U L O LXXXIII.
Dos tefiamentos dos Soldados, e pejoas, que morrem na guerra.
Elos trabalhos, e perigos da vida,a Direito muitos privilegios, principalmête
que os Soldados fe oferecem por na difpofiçaõ de fuas ultimas vontades. O
- a defenfaõ, e confervaçaõ da Re que neftes nofos Reynos muito mais deve
publica, com razaõ fe lhes concedem por haver lugar, por o muito ferviço, que a
DeOS
Dos tefiamentos dos Soldados, e pefoas, que morrem na guerra, 65,
Deös Noffo Senhor, e a Nós fazem nas couber. Porêm, fe os bens cafrenfes naõ
continuas guerras, que em muitas Provin baftafem para pagamento das dividas fei
cias de Afia, e Africa temos com os ini tas na guerra,ou os outros bens naõ cafren
migos da nofa Santa Fé Catholica. fes para pagamento das outras dividas, e
}

· 1 Portanto, poíto que por Direito o herdeiro de huns dos bens naõ quizeffe
e{teja introduzido que nenhum filho fa aceitar a herança,o outro herdeiro dos ou
milias pofa fazer tetamento, ainda que tros bens, que aceitar, ferá obrigado pagar
lho feu pay confinta; o filho famílias, que todas as dividas, ou deixar todos os bens
Soldado for, poderá livremente tetar dos aos crédores, para por elles fe pagarem.
bens caftrenfes, ou quafi cafrenfes. E ifto 5 Os Soldados, quando vaõ em fuas
fe entenderá daquelles Soldados, que tem Companhias para a guerra,ou eftaõ no Ar
legítima idade de quatorze annos para fa rayal, pódem fazer feu teflamento com
zer tetamento; porque fe algum menor duas teftemunhas fómente, homens, ou
de ######## foffe Soldado, ou ti
mulheres,por que fe próve,como lhe hou
veffe na milicia algum Oficio, ou digni viraõ o que difpuféraó, ou lho viraõ efere
dade, naõ poderia por ifo teftar. ver, com tanto, que as ditas teítemunhas
/* * :::: 2 : E fendo eftabelecido por mofas fejaõ chamadas para o tal acto. E eftando
*_
#=
/**
*
--22 e 3°e
*Ordenaçoes,que os condemnados á morte no conflicto da batalha,pódem fazer tefta
• •
<*

/* #2. e2/, mento de palavra, ou por efcripto, ainda


35. < < < <_> > > natural naõ pódem fazer teftamento, mais
// ** 3. que da terça parte de feus bens, que lhes que feja no chaõ com a efpada, ou nos ef>
permittimos para certas obras pias;fe hum cudos, ou nas efpadas com o fangue das
Soldado for condemnado á morte natural feridas, ou em qualquer outra coufa, com
por algum delićto, poderá fazer te{taméto tanto que fe próve com as ditas duas te
livremente de todos feus bens cafrenfes, ftemunhas,como os fizéraõ, ainda que naõ
como fe condemnado naõ fora, e com o fejaõ chamadas, mas fe achem a cafo ao
me{mo privilegio ácerca das folemnidades, fazer dos tetamentos.
que fe requerem para tetar, que antes da 6 E os teflamentos, que os Soldados
fentença tinha: o que fe entenderá,quando fizerem no exercito, ou conflicto da bata
o feu Capitaõ, ou o Juiz, que a fentença lha, confórme ao privilegio militar, naõ
dér,lhe refervar, e declarar nella que pofa tendo as folemnidades,que o Direito no te
diffôr de feus bens, e fazer teflamento.{tamento dos q naõ faõ Soldados requere,
3 Efe hum Soldado inftituife al naõ teráó vigor, mais que morrendo eles
guem por herdeiro em huma propriedade, na guerra, ou dentro de hum anno, depois
ou outra coufa, he vito morrer abintefta de ferem defpedidos della, fendo a defpe
do no reftante de fua fazenda, e fucceder dida honeta, e neceffaria, e naõ por erros,
lhe-haõ os que lhe houvéraó de fucceder ou culpas fuas. O qual anno naõ fe eften
fe naõ fizéra teflamento, por fer concedi derá aos nofos Oficiaes, que no exercito
do por privilegio aos Soldados, que pofaõ tem Oficios, aos quaes, durando a guerra,
morrer em parte com teftamento, e em mandarmos fuccefores nos cargos; por
parte abinteftado. que os taes naõ fe chamañ defpedidos.
|

. 4 , Efe o Soldado inflituir hum por 7 E fe algum Soldado,que pelo privi


herdeiro de feus bens catrenfes, e outros legio militar fez teflamento,e morreo den
dos bens,que naõ faõ cafrenfes,entender tro do anno da milicia, pôs alguma condi
fe-ha ferem duas heranças. E por tanto, as çaõ a feu herdeiro, que fe naõ cumprio
dividas,q fez o Soldado efiando na guerra, dentro do dito anno, fempre o tetamento
pagar-fe-haõ pelo herdeiro dos bens ca valerá, até fe a condiçaõ cumprir; ou fal
frenfes; e as dividas feitas fôra da guerra, tando a condiçaõ naõ valerá o tal tefta
pagará o herdeiro dos outros bens,que naõ mento.
faõ caftrenfes. E da me{ma maneira, fe fe 8 E do privilegio de tefiar concedi
devefe alguma coufa a hum Soldado por do aos Soldados, gozaráõ outro-fi quaef.
razaõ dos bens cafrenfes, e outra por ra quer pefoas, poíto que Soldados naõ
zaõ dos naõ cafrenfes, cada herdeiro co fejaõ, que no exercito fe acharem efiando
brará o que por repeito da fua herança lhe em terra de inimigos; mas os te[tamentos,
: : : :: Liv. IV. I que
66 Livro quarto das Órdenaçoes, Tit. 83., e 84.
que fizerem,naõ feráõ válidos, fenaõ mor lezas,e os moradores, e fronteiros dos Lu
rendo elles na batalha. gares de Africa, naõ gozaráõ do dito pri
9 E todos os tetamentos,que os Sol vilegio de tefiar,fem as folemnidades, que
dados fizerem fóra do exercito, ou expe o Direito requer; falvo, fe os Soldados dos
diçaõ,e conflicto da guerra em fuas cafas, ditos Prefidios, e Fortalezas eftiverem de
ou em outra parte,feráõ feitos com a folê cerco, ou em conflicto de batalha; porque
nidade,q o Direito requer nos tetamentos em taes cafos poderáó fazer feu tetamen
dos que naõ faõ Soldados. E por tanto, os to da maneira, que acima difemos, que o
que temos póftos em Prefidios, ou Forta pódem fazer os outros Soldados.

T I T U L O LXXXIV.
Dos que prohibem a algumas pefoas fazerem feus tejamentos, ou os com:
* |- Jtrangem a iyo.
& =
/ … ///< ** Andamos que toda a pefoa, ou engano, e a herança, quantidade, ou
que impedir a outra fazer te coufa, que no tal teftamento fe lhe hou
{tamento, ou outra qualquer véra de deixar, o que impedio fazer-fe o
ultima vontade por força, ou engano, que teítamento, lho pagará em dobro.E o dito
lhe faça por fi, ou por interpota pefoa, te{tamento naõ valerá em proveito dos
fendo herdeiro, que pertender fucceder que o tal medo, ou engano fizéraõ.
abintetado, feja havido por indigno; e 4 E o que dito he, ácerca dos que to
perca para nofa Corôa toda a parte, que lhem a outros fazer teítamentos, haverá
lhe cabia haver abintefiado, por faleci tambem lugar nos que contrangem a al
mento da pefoa, que affi foi forçada, ou guem com medo, força, ou ameaças, que
enganada. faça tetamento, e nelle o inftitúa por her
. 1 E impedir fazer o teflamento, he deiro, ou a quem elle quizer, ou lhe deixe
naõ fómente tolher ao Teftador a facul algum legado. Porêm, fe a mulher tiveffe
dade de livremente teftar, mas tambem feito tetamento, em que naõ deixaffe
defender ao Taballiaõ, ou a pefoa, que coufa alguma a feu marido, ou o marido
houver de efcrever o tetamento, que naõ em que outro-fi, naõ deixafe coufa al
entre a onde o Teftador eftá, ou as te guma a fua mulher por ofenfas,ou difcor
ítemunhas neceffarias, e chamadas para dias, que entre elles houveffe, e cada hum
o tal acto, ou fazer-lhe fobre ifo amea delles com palavras brandas applacaffe o
ças. | •

animo do outro, de maneira que vieffe a


2 E fe tendo huma pefoa feito já feu fazer outro fegundo tetamento, em que o
te[tamento o quizer revogar, e os herdei marido deixaffe a fua mulher a fazenda,ou
ros intituídos lho impedirem, o que já ti parte della, ou a mulher a feu marido, va
nha feito naõ valerá coufa alguma; por lerá o dito fegundo teflamento.
quanto oTetador teve vontade declarada E mandamos que, tanto que vierá
de o revogar, fe fe lhe naõ impedíra. E a noticia do Juiz da Terra, que ha alguma
herança fe applicará a nofa Corôa, como pefoa, que deixa de fazer tetamento por
deixada a pefoas indignas. medo de feus parentes, eftando doente,
3. Efe querendo alguma pefoa fazer ou lho impedem, ou de quaefquer outras
te[tamento, e deixar a outra por feu her pefoas, poíto que ninguem lho peça, nem
deiro, ou deixar-lhe algum legado, ou requeira, de feu Oficio, vá a cafa defe
tro terceiro lho tolhefe com força, medo, doente, ou impedido, e faça vir hum Ta
ou engano,provando aquelle, que houvéra balliaõ, e as teítemunhas neceffarias, corn |
de ferintituido, ou a que fe houvéra de zer
os quaes pofa o Tetador livremente fa
feu te{tamento. •

deixar o tal legado, a dita força, medo, **

TITU
",

67+

TITULO LXXXV.
Dos que naõ podem er telemunhas em Teflamentos.
Varaõ menor de quatorze an pois pelo erro cómum,em que todos com
nos naõ póde fer teítemunha elle eftavaó, era tido por livre. •

nos te{tamentos, nem a femea 1 Item, naõ póde fer teftemunha no


menor de doze, nos cafos,em que confór te[tamento o que nelle he nomeado por
me a Direito as femeas pódem fer tefte herdeiro; nem os filhos, que tem debaixo
munhas nos teflamentos; nem póde fer te de feu poder, nem o pay, fubcujo poder o
{temunha o furiofo, nem o mudo,e furdo, tal herdeiro eftá;nem os irmãos do herdei
nem o cego, nem o prodigo, a que he to roinflituído,fe todos efiaõ debaixo do po
lhida a adminifraçaõ de feus bens, nem o der de feu pay. Porêm, aquelles, a que fo
efcravo; mas fe ele fendo reputado por li rem deixados alguns legados,pódemferte
vre ao tempo do teftamento foffe nelle te ftemunhas no te[tamento, em que lhes fo
{temunha,e depois fe achaffe fer captivo, rem deixados.Eafio poderáó fer aquelles,
naõ deixará por ifo de valer o teítamento; que eftiverem debaixo de feu poder,

TITU L O LXXXVI.
Dos Codicillos.

Odicillo he huma difpofiçaõ de Taballiaõ, ou com o q o faz,ou com qual


ultima vontade fem inflituiçaõ quer outro,que o efcrever, fejaõ cinco te
de herdeiro. E por ifo fe chama {temunhas,com tanto que as teítemunhas
Codicillo, ou fédula por diminuiçaõ, que nomeadas no intrumento de approvaçaõ
quer dizer pequeno teflamento, quando affignem todas. • • . * }

huma pefoa difpôem d'alguma coufa,que - 2 E ifto,que dito he,haverá lugar nos
fe faça depois de fua morte,fem tratar nel Codicillos feitos nas Cidades,Villas,e Lu
le de direitamente inflituir, ou desherdar gares de grande povoaçaõ.Mas nos outros
a algum, como fe faz nos teflamentos. Lugares de taõ pequena povoaçaõ, em q
1 Os Codicillos ora fejaõ abertos, taõ facilmente fe naõ póde achar o dito
ou feitos por publico Taballiaõ, ou cerra-- numero de teftemunhas, quer o Codicillo
dos com inftrumentos de approvaçaõ nas feja aberto, quer cerrado, ou feito por pa
cotas, ou feitos, e affignados pelo Teíta lavra ao tempo da morte, valerá com tres
dor, ou por outra alguma pefoa privada, teftemunhas homens; ou mulheres.
bafta intervirem nelles quatro teftemunhas 3 E toda a pefoa,que por nofas Or
(quando fe fizerem)homens,ou mulheres, denaçoés, e Direito póde fazer te{taméto,
mayores de quatorze annos, livres,ou por póde fazer Codicillo.E a que naõ póde fa
taes reputados,em tal maneira que com o zer teflamento, naõ póde fazer Codicillo.

TITULO
Das fulflituiçoês
LXXXVII. dos herdeiros. }
=\

Ub{tituiçaõ he inflituiçaõ de herdei res tivefem mais facilmente quem acei *--><-.-><><><>
* 22,2%. ><>". 3 -2, e ## ~~~~
ro feita pelo Teftador em fegundo tafe fuas heranças. * >> >> > < << <
gráo. E póde fer huma de cinco,que … é”… * * *-*--* ----
em Direito fe chamaõ vulgar, reciproca, Subflituiçaõ vulgar.
pupillar,exemplar, compendiofa: as quaes 1 QUbtituiçaõ vulgar póde fazer
o Direito introduzio, para que os tefiado qualquer Teftador ao herdeiro,
Liv. IV. * * I2 que
68 Livro quarto das Ordenaçoês, Tit. 87.
que intituir; e por efia razaõ fe chama
vulgar, e commummente fe faz em efta Subflituiçaõ reciproca.
fórma: Infitúo a Pedro por meu herdeiro, e
Je naõ for meu herdeiro, Jeja meu herdeiro 5 Ub{tituiçaõ reciproca he a que
Paulo: as quaes palavras. Se Pedro naõ for S
comprehende,e contêm muitas
meu herdeiro: comprehendem dous cafos; fub{tituiçoês diferentes, por caufa das
por cada hum dos quaes póde acontecer pefoas, entre as quaes fe faz. E chama-fe
que o dito Pedro naõ feja herdeiro: o pri reciproca, porque nella muitos herdeiros
meiro, fe o naõ quizer fer: o fegundo, fe intituídos fe fubflitúem entre fi recipro
naõ puder; e por qualquer delles, q acon camente. A fórma della he, quando,depois
teça a Pedro herdeiro inftituido naõ fer de hum Teftador haver inflituido muitos
herdeiro, haverá lugar a fubtituiçaõ vul herdeiros em feu tetamento, accrefcenta
gar; e Paulo fubtituto haverá a herança etas palavras: Os quaes fub/litúo entre fi:
do Teftador. ou por outras femelhantes, ordena que
2 E quando o Tetador nomeadamé fuccedaó huns aos outros.
te declararhum cafo fó deftes dous na fub 6 E acontecendo que todos os her
Rituiçaõ vulgar, que fizer, afi como, fe deiros,que afihum Teftador inflituir,e re
difer: Se Pedro naó quizer fer meu herdei ciprocamente fubtituir, pafem da pupil
ro, feja meu herdeiro Paulo: e efte cafo no laridade, em tal cafo a fubflituiçaõ reci
meado naõ acontecer, fenaõ o outro, de q proca entre elles feita naõ ferá mais que
o Teftador naõ falou, afi como ferá,fe o vulgar. Porêm, fe eftes herdeiros inflitui
Pedro naõ puder fer herdeiro, tambem ao dos todos forem pupillos filhos do Tefla
tal cafo,que naõ foi exprefo na fubtitui dor,nefte cafo a fubftituiçaõ feita entre el
çaõ vulgar feitanefte modo, fe entenderá les reciprocamente inclue em fi a fubfti
à vontade do Teftador; e o fub{tituto vul tuiçaõ pupillar; de tal modo que,falecen
gar naquelle cafo, que o Tetador fómen do qualquer delles, depois de fer herdeiro
te efpecificou, tambem haverá a herança, dentro da idade pupillar, lhe fuccederá o
acontecendo
dor o outro cafo,de que oTefta outro filho, feu coherdeiro, porto que ao
naõ fez mençaõ. •

tal tempo efte fub{tituto naõ feja já pupil


3 Tanto que o herdeiro inftítuido a lo, mas mayor. E efta fub{tituiçaõ pupil
ceitar a herança,logo expirará a fubftitui lar, que fe inclue na reciproca, naõ fecha
çaõ vulgar. Porêm,fe efte herdeiro,que affi mará tacita, mas exprefa por palavras ge
aceitou a herança for menor de vinte, e 13CS.
cinco annos, ou filho famílias, inftituido
por feu pay Teftador, os quaes por parti Subflituiçaõ pupillar.
cular privilegio,que lhes he outorgado em
Direito, pódem mudar fua vontade, ácer 7 Ub{tituiçaõ pupillar he a que o
cada aceitaçaõ da herança, e ufando do • S pay faz a feu filho pupillo,que
tal privilegio fe afafarem da herança,que tem debaixo de feu poder,nefta fórma: Se
huma vez aceitáraõ, em tal cafo tornará meu filho Pedro fallecer dentro da pupillar
o fubtituto vulgar a haver a tal herança, idade, feja feu herdeiro Paulo. E porque da
de que já era excluido. fubfancia defta fubftituiçaõ he, que fe fa
4 E da me{ma maneira, fe o Soldado ça a pefoa,que efteja em poder do Tefta
fizer tetamento, e nelle fizer fubtituiçaõ dor, a naõ póde fazer a mãy a feu filho,
direita militar confórme ao privilegio,que nem o afcendente a feu defcendente; por
o Direito lhe concede,ainda que o herdei que,confórme a Ley do Reyno, os filhos,
ro por ele inftituido aceite a herança,nem e filhas pelo cafamento ficaõ fóra do po
por ifo deixará de haver lugar o fubtitu der de feus pays; e por confeguinte os ne
to,que pelo dito Soldado lhe foi dado;an tos,que do tal filho,ou filha nafcerem,naõ
tes vindo o tempo, ou acontecendo o ca ficaõ debaixo do poder de feus avós, ou
fo, em que a tal herança he deixada, ferá outros afcendentes por parte de feu pay;
a ella admittido. nem tambem fe poderá fazer ao filho
emancipado.
3 E para
Das fubflituiçoõs dos herdeiros. . 69
8 E para a fubflituiçaõ pupillarvaler, Subflituiçaõ exemplar.
he neceffario, que o pay faça primeiro feu
teflamento, e inftitúa herdeiro em feus II Ub{tituiçaõ exemplar he a
bens; porque naõ o fazendo, naõ valerá a S que hum afcendente faz a feu
fubflituiçaõ pupillar feita a feu filho. E defcendente, o qual naõ póde fazer tefta
naõ bafia inflituir herdeiro, mas requer mento por caufa de algum impedimento
fe que o dito herdeiro aceite a herança; natural, e perpetuo; afi como,fe foffe fu
porque naõ a aceitando,a fubtituiçaõ pu riofo, mentecapto, furdo, e mudo de naf
pillar, como parte do tetamento do pay, cimento. E chama-fe exemplar, porque fe
ficará fem efeito algum. faz a exéplo da pupillar neta fórma:Infti
|

9 E tanto que o filho varaó chegar a túo a meu filho,ou a meu neto Pedro por meu
quatorze annos, e a femea a doze, expira herdeiro, e fefallecer,durando o furor,que
a fubflituiçaõ pupillar, que feu pay lhe ti tem, feja feu herdeiro Paulo: o me{mo ferá
nha feita. E baftará entrar qualquer deftes de qualquer outro impedimento. E eta
filhos pupillos no derradeiro dia do anno, fubftituiçaõ póde tambem fazer a mãy,ou
em que fe acaba a pupillaridade, pofio qualquer outro afcendente por linha fe
que naõ feja de todo acabado. 1111111113! •

1o E da maneira, que o pay póde fa


zer teflamento, em que dê fub{titúto pu Subflituiçaõ compendiofa.
pillar a feu filho falecendo dentro da pu
Ub{tituiçaõ compendiofa he a
pillaridade, defa me{ma maneira póde
por elle fazer Codicillos pupillares, nos
I?
• S
que hum Teftador faz ao her
quaes ordene que falecendo o dito filho deiro, que intituio, quando quer que elle
dentro da tal idade,o herdeiro,que houver falecer. E chama-fe affi, porque debaixo
de fucceder abinteftado ao pupillo, falle de hum compendio de palavras, contêm
cendo elle dentro da pupillaridade, refi em fi muitas fubftituiçoés de diferente na
túa os bens do pupillo a alguma certa pef. tureza: a fórma,em que fe faz,he efta: In
foa. O qual herdeiro abintefiado do pu /titúo por meu herdeiro a Pedro;e quãáo quer
pillo retituirá a herança a quem feu pay que elle falecer, ou depois de fua morte, ou
mandou. por fua morte feja herdeiro Paulo.

T ITU L O LXXXVIII.
Das caufas, por que o pay, ou mãy podem defherdar feus filhos.
|- S caufas,por que os pays,ou mãys mettêraõ.E fe ao tempo da morte do pay,
|-


pódem desherdar os filhos, faõ ou mãy naõ houver outro filho, ou filha
as feguintes.
legitima, ou netos,ou defcendentes legiti
1 Se alguma filha, antes de ter vinte mos de cada hum delles, poderáõ elles, e
cinco annos, dormir com algum homem, cada hum delles fazer herdeira a filha,que
ou fe cafar fem mando de feu pay, ou de contra elles errou,como,e em quanta par
fua mãy, naõ tendo pay, por efe me{mo te lhes aprouver. Porque, pois a elles fó
feito ferá desherdada, e excluida de todos mente foi feita a injuria, com razaõ a pó
os bens, e fazenda do pay, ou mãy; porto dem perdoar, pois naõ ha outro filho, ou
que naõ feja por elles desherdada expref filha, ou neto, a quem nifo fe faça pre
famente. |

juizo.
2 E fe ao tempo da morte do pay,ou 3 Porêm, fe a filha cafafe com ho
mãy houver outros filhos legitimos, naõ mem, que notoriamente feja conhecido q
poderá o pay, ou mãy fazer herdeira a fi cafou melhor, e mais honradamente, do
lha,que affi errou,na legitima,que por Di que feu pay, e mãy a podiaõ cafar, naõ fi
reito lhe vinha, contra vontade dos filhos, ca desherdada,e excluida de todos os bens,
cu filhas legitimas, que o tal erro naõ có e fazenda, como acima dito he; mas fó
InCIlte:
7o Livro quarto das Ordenaçoês, Tit. 88.
mente o pay, ou mãy a poderáõ desher excluido de fua herança.E naõ morrendo,
dar, fe quizerem da amétade da legitima, pederáõ depois livremente desherdar efe
que lhe pertencia direitamente por morte filho, ou filha, que lho tolheo. |

de cada hum delles. E naõ a desherdando 14 E fe algum pay, ou mãy perdefe


exprefamente da dita amétade, pela dita o fifo natural, e o filho, ou filha, ou qual
caufa, haverá livremente fua legitima em quer outro feu devido, que á mingoa de
todo, como fe o cafamento fora por con feus defcendentes, ou afcendentes fua he
fentimento do pay, ou mãy. E ifto, quer rança pudefe herdarabintefiado,foffe ne
ao tempo da morte haja outro filho, ou fi gligente em o curar em fua enfermidade,
lha legitima, ou neto de cada hum delles, efte tal poderá fer desherdado defe pay,
quer naõ haja. ou mãy, ou avô, tornando elles a feu fifo,
4 E bem afi, poderá o pay, ou mãy e entendimento perfeito, em maneira que
desherdar feu filho, ou filha,fe irófamente pofaõ fazer feus teflamentos livremente.
Puferem as mãos a feu pay,ou a fua mãy. E morrendo elles abinteftados, ou com
5 Item, fe o doefiar de palavras gra te{tamento feito, antes que perdefem o
ves, e injuriofas, mayormente em lugar fifo,naõ haveráõ fua herança os herdeiros,
publico, onde o pay, ou mãy com razaõ que foraó remifos,e negligentes em ofer
fe envergonhem. E ficará em arbitrio do vir, e procurar fua faude; porque he de
Julgador, fe as taes palavras foraõ graves, prefumir que fe tornaõ a feu perfeito
ou leves. • • }
entendimento, naõ lhes deixáraõ fua he
6. Item,fe accufar crimemente o pay, rança, pela ingratidaó,que contra elles ti
ou a mãy,por algum crime,que naõ toque nhaõ commetido.
a nofo eftado. |

15 E perdendo algum homem, ou


7 Item, fe ufar de feiticeria, conver mulher feu fifo, e entendimento, e aquel
fando com feiticeiros. le,que fua herança houveffe de herdar, afi
8 Item, fe dér peçonha ao pay, ou por teflamento,como abinteftado,foffe re
mãy, ou tratar de lha dar, e naõ ficar por mifo, e negligente em o fervir, e curar de
elle fer-lhe dada, ou dér azo, favor, confe fua enfermidade, e algum efiranho lhe re
lho, ou confentimento a outrem ácinte querefe,que procurafe pela faude do def>
mente para lha dar. afifado, fenaó, que elle o ferviria,e procu
9 Item, fe por qualquer maneira por raria por ella, e effe,a que tal requerimen
fi, ou por outrem procurar fua morte. to foffe feito, fofe nifo remifo, e negli
1o Item, fe houve afeiçaõ, ou ajurí
gente, e o tal requerente fervife o defafi
tamento carnal com a mulher de feu pay, fado, e trabalhaffe por fua faude, quanto
ou com fua manceba, que comfigo tinha bem, e razoadamente pudefe, nefte cafo,
em cafa manteúda, governada;e o me{mo ele haverá a herança do defafifado por
dizemos na filha, que femelhante ajunta fua morte, morrendo elle fóra de feu en
mento tiver com o marido de fua mãy, ou tendimento; e o outro,que havia de haver
feu barragaõ,que a tivefe comfigo em ca a herança, ferá havido por ingrato, e co
fa manteúda. | mo tal ferá della excluido,
11 Item, fe deu informaçaõ famofa , 16 Outro-fi, fe o pay, ou mãy vie
do pay, ou mãy áJuftiça, pela qual recerem a fer captivos, e o filho, ou filha fo
bêraõ alguma deshonra na pefoa, ou dam rem negligentes em os remir do captivei
no em feus bens, e fazenda. ro, e efe pay, ou mãy for poíto em liber
12 Item, fe o pay,ou mãy foraõ pre dade fem ajuda do filho, ou filha, poderá
fos por divida, e o filho varaõ os naõ qui o pay, ou mãy affi remido do captiveiro
zer fiar para os tirar da cadêa, fendo abo desherda-los livremente. E fe o pay, ou
nado, e abaftante para os fiar, e livrar del mãy morrerem em captiveiro por culpa,
la, e fendo para ifo requerido. ou negligencia de feu filho, ou filha, efe
13 Item, fe tolhêraõ ao pay, ou mãy filho, ou filha affi negligente em os pôr
fazerem tetamento ás fuas vontades;por em liberdade, ferá excluído de toda fua
que nefte cafo morrendo o pay neffe tem herança, pela culpa, e negligencia, que
po fem tetamento,ferá efe filho, ou filha COIIII1O títCO. •

17 Item;
Das caufas,porque o pay, oumã), pódem desherdarfeus filhos: 71
17 Item, poderá o pay, ou mãy, que tem, e crê a Santa Madre Igreja.
forem Catholicos Chriftãos, desherdar 18 E tudo o que dito he ácerca do
livremente os filhos hereges, que per pay, ou mãy, haverá lugar no avô, e na
feitamente naõ crerem em nofa Santa avó, e nos outros afcendentes, afi da par
Fé Catholica, defViando-fe do que te do pay, como da mãy.

TITULO LXXXIX.
caufas, por que poderá o filho defherdar feupay, ou māy.
Das
|- Scafos,em que os filhos, e filhas lha, para a matar, ou a tirar de feu enten
pódem desherdar feus pays, e dimento, ou por outra maneira tratar de
mãys, faõ os feguintes. fua morte,ou fe a mãy fizer cada huma das
1 O primeiro, fe o pay, ou mãy, dér ditas coufas ao marido, pay do filho, ou
peçonha a feu filho, ou filha acintemente, filha. ***

ou por algum outro modo trataffe, e pro 5 O quinto cafo he,fe o filho,ou filha
curafe fua morte,efe filho,ou filha pode perdefe o entendimento natural, e o pay,
rá licitamente desherdar tal pay , ou mãy ou mãy naõ quizeffem curar delle, como
de toda fua herança. difemos no Titulo precedente : Do filho
2 O fegundo cafo he, fe o pay tiver negligente,em curar o pay,ou mãy em fe
ajuntamento carnal com a mulher de feu melhante cafo.
filho, ou com fua barragãa, que tenha, ou 6 O fexto he, fe o filho,ou filha foffe
tiveffe em algum tempo teúda por fua captivo,e o pay,ou mãy o naõ quizeffere
manceba, fabendo que o era. E bem affi, mir fendo poderofo, e bafiante para o fa
fe a mãy houver ajuntamento carnal com zer, fegundo mais compridamente temos
o marido, ou barragaõ de fua filha, que a dito no Titulo precedente:Do filho,ou fi
tiveffe em algum tempo teúda, e manteú lha,q naõ curou de remir feu pay,ou mãy.
da por manceba, fabendo que o era. 7 O Septimo he, fe o filho, ou filha
3 O terceiro cafo he,fe o pay,ou mãy foffe Catholico Chriftaõ, e o pay,ou mãy
defendeo, ou impedio a feu filho, ou filha fofem hereges. •

fazer tetamento livremente, e fegundo 3 E tudo o q dito he no pay, e mãy,


fua livre vontade, querendo-o fazer, no ca que pódem licitamente, nos cafos acima
fo, onde pudéra licitamente por Direito ditos,fer desherdados pelo filho, ou filha,
teftar. |
haverá afime{mo lugar no avô, e na avó,
4 O quarto cafo he, fe o pay dér pe que femelhante maldade houveffe com
gonha a fua mulher,mãy de feu filho,ou fi mettido ao neto, ou neta.

T EmIque cafosTpoderáU L O XC.


o irmaõ querelar o tefiamento do irmaõ.
Eralmente he por Direito per 1 - Quando o irmaõ Tefiador fizer
mittido ao irmaõ que em feu te herdeiro pefoa infame de infamia de Dí
~~ flamento pofa desherdar feu ir reito, ou de feito: affi como, fe o herdeiro
maõ, poíto que naõ declare caufa alguma, inflituido foffe reputado entre os bons por .
por que o desherde. E entende-fe fer vil, e torpe, e de máos cotumes, por fer
desherdado,ainda que delle naõ faça men bebado, taful, ou de outra femelhante tor
çaõ no teflamento. E naõ poderá o irmaõ peza. Porêm, fe o irmaõ desherdado fofe
desherdado contradizer, e fazer revogar o taõ torpe, vil, ou infame como o herdeiro
tetamento,em que affi for desherdado,fal intituido,naõ poderá ele cótradizer o te
vo em cada hum defes cafos,qfe feguem. famétodo irmaõ, em q afi for desherdado.
• ~~~~
2 E

72 **** Livro quarto das Ordenaçoãs, Tit. 9o, e 91. --~~~~


2 … E naõ poderá o irmaõ contradizer tida por cada huma deflas coufas. Se or
6 tetamento de feu irmaõ, em q for des denou por alguma maneira fua morte, ou
herdado, poíto que nelle feja intituída al lhe dormio com fua mulher, ou lhe fez
guma pefoa infame, fefe contra ele pro alguma accufaçaõ crime,ou lhe procurou
var que foi ingrato a feu irmaõ defunto, perda de todos feus bens, ou da mayor
parte delles. •

com tanto que a ingratidaó feja commet

T I T U L o XCI.
Como opay, e mã, ficcedem na herança do filho, e naõ o irmaõ.
Inando-fe o filho ou filha femte do primeiro Matrimonio, que por faleci
flamento em vida de feu pay, ou mento de fua mãy ficarem vivos, fem os
. mãy de ambos, o pay e mãy, ou filhos do fegundo Matrimonio em os di
qualquer delles,que vivo for ao tal tempo, tos bens poderem fucceder,nem haver nel
herdará todos feus bens, e fazenda, poto les parte alguma. E fe ao tempo do falle
que haja outros filhos irmaõs do defunto; cimento de fua mãy naõ ficárem filhos
porque o pay, e mãy excluem em todo os vivos do primeiro Matrimonio, pofio que
irmaõs do defunto de fua herança. fiquem netos, filhos de algum dos ditos fi
1 E falecendo o filho ou filha com lhos, naõ haverá lugar a difpofiçaõ defa
tetamento, e fendo em idade para com Ley. Porêm ficando filho ao tempo do
Direito o poder fazer,quer feja emancipa falecimento de fua mãy, e algum neto
do, quer efteja em poder de feu pay (nos d'outro filho já morto,o dito neto concor
cafos, em que o filho, que efá fob poder rerá na fucceffaõ do tio morto com o tio
de feu pay,póde fazer te[tamento) deve vivo; e fe o filho ou filha, que fe finou, de
neceffariamente deixar as duas partes de cuja fuccefaõ fe trata, fe finar com tefta
feus bens a feu pay, ou a fua mãy, fe os tí mento, guardar-fe-ha o Direito commum
verie da terça parte poderá ordenar como ne{te cafo. |

lhe aprouver Eito me{mo haverá lugar no E fendo a tal fazenda,em que afia
avô, e avó, e outros afcendentes; porque, dita mãy fucceder do filho, em bens mo
onde houver afcendentes, naõ herdará o veis, ou dinheiro, ferá a mãy obrigada dar
irmaõ. fiança a elles,de ficarem em falvo ao tem
/~) .
: 2 Porêm, fe o filho ou filha,que tiver po de fua morte, para o filho, ou filhos,a
4, 5, a − >> y …, …, bens,que houve do patrimonio, ou heran que haõ de vir. : : : :

<' . . (……………………/** 3% /** de feu pay,ou de avô da parte do pay, - 4 E o que dito he na mãy haverá afi
/*************fe finar abintetado fem defendentes » C me{mo lugar no pay, que fucceder ao fi
· ***: ~~~~ }
* fua mãy lhe fucceder nos ditos bens, e el lho ou filha, nos bens, que lhe vieraõ da
la fe cafar com outro marido,ou já ao tem fazenda da mãy, ou dos avôs da parte del
po,que fuccedeo era cafada,fe ella do pri la, fe elle fe cafar com outra mulher,e lhe
meiro marido tiver outro filho, ou filhos ficarem por fua morte filhos da primeira,
irmaõs do filho defunto, haverá fua mãy irmaõs do filho defunto, a que elle tiver
o ufo e fruto fómente dos ditos bens em fuccedido; porêm o pay naõ ferá obriga
fua vida: os quaes naõ poderá alhear,nem do dar fiança, poíto que a fazenda feja de
obrigar,nem haverá o fegundo marido par bens moveis, ou dinheiro. E naõ haverá
te da propriedade delles.E por falecimen lugar a difpofiçaõ defla Ley nos avôs, ou
to della os haveráõ livremente os filhos nas avós, que fegunda vez fe cafarem. :
|

TITU
73
T I T U L o XCII.
Como o filho do peaõ fuccede a feu pay.
E algum homem houver ajuntamen- de todos feus bens, como quizer. E falle
to com alguma mulher folteira, ou cendo fem tetamento, herdaráõ feus bens
tiver huma fó manceba, naõ haven os parentes mais chegados,e naõ os filhos
do entre elles parentefco, ou impedimen naturaes;porque os filhos naturaes naõ po.
to,por que naõ pofaõ ambos cafar,haven dem herdar abinteftado feus pays;falvo, fe
do de cada huma dellas filhos, os taes fi ao tempo, que nafcerem forem feus pays
lhos faõ havidos por naturaes. E fe o pay peoés, como dito here porto que o payte
for peaó, fucceder-lhe-haõ, e viráõá fua nha Ordens menores, naõ ferá por ifo ha
herança igualmente com os filhos legiti vido por Cavalleiro, quanto á efte cafo.
mos, fe o pay os tiver. E naõ havendo fi 2 E fe ao tempo,que os filhos nafce
lhos legitimos,herdaráõ os naturaes todos rem, o pay for peaõ, ainda que depois feja
os bens, e herança de feu pay, falvo a ter feito Cavalleiro, ou doutra mayor condi
ga,fe a o pay tomar,da qual poderá difpôr, çaõ, naõ perderáó por ifo os filhos natu
como lhe aprouver. E ifto me{mo haverá raes a fua herança,ou a parte,que lhes del
lugar no filho,que o homem folteiro peaõ la pertencer; mas have-la-haõ, affi como
houver d'alguma efcrava fua, ou alheya, deviaõ haver,fe o pay foffe ainda peaõ ao
fe por morte de feu pay ficar forro. tempo de feu falecimento.
1 Efe ao tempo,que os taes filhos naf 3 Porêm,fe o Cavalleiro,que tiver fi
cerem, o pay for Cavalleiro, ou Efcudei lhos naturaes, naõ tiver filhos alguns,nem
ro, ou de outra femelhante condiçaõ, que outros defcendentes legitimos,e tiver pay,
coftume andar a cavallo, naõ fendo o que ou mãy, ou outros afcendentes legitimos,
afi cofluma andar a cavallo Oficial me poderá em feu teflamento deixar toda fua
chanico, nem havido, e tratado por peaõ, terça, ou parte della aos filhos naturaes; e
naõ herdaráõ os taes filhos fua herança, naõ tendo defcendentes, nem afcendentes
nem entraráõ á partilha com os filhos le legitimos, poderá em feu teflamento dei
gitimos, nem com outros legitimos afcem xar toda fua fazenda aos filhos naturaes,
dentes. E naõ tendo o pay defcendentes, fe quizer, ou difpôr della em outra manei
nem afcendentes legitimos, poderá difpôr ra, como lhe aprouver.

T I T U L O XCIII.
Como os irmaõs de damnado coitu fuccedem huns a outros.
Uando algum filho de Clerigo, ceder a quaefquer outros parentes, e di
ou d'algum outro damnado ou vidos por parte de fua mãy conjunctos,
punível coitu, por nofas Orde affi que os irmaõs, e os outros dividos
naçoés,ou por Direito Cómum, ulteriores pofaõ entre fi fucceder abin
a que o pay ou mãy naõ póde fucceder, teftado, ainda que defcendaõ de damna
por affi fer nafcido de coitu damnado ou do e ilicito coitu por linha de mãy con
punivel, morrer abinteftado,fucceder-lhe junctos. E quanto á fuccefaõ daquelles,
ha,e o herdará feu irmaõ filho de fua mãy, que, poíto que fejaõ de illicito coitu, naõ
pofto que feja nafcido de illicito e dam he porêm damnado, nem punivel, como
nado coitu ou punivel, naõ havendo ou dito he, guardar-fe ha o que por nofas
tro impedimento, fenaõ por ferem pro Ordenaçoés,e Direito Commum he deter
duzidos de tal coitu. E afi poderáõ fuc

Liv. IV. K TITU


74 Livro quarto das Ordenaçõês, Tit. 94., e 95.

T I T U L O XCIV.
Como o marido, e mulher ficcedem huma outro.
Allecendo o homem cafado abin do, ela ferá fua univerfal herdeira. E pela
* tefiado, e naõ tendo parente até me{ma maneira ferá o marido herdeiro da
o decimo gráo, contado fegundo mulher,com q eftava em cafa mãteúda,co
o Direito Civil, que feus bens deva her mo marido com fua mulher,feella primeiro
dar, e ficando fua mulher viva, a qual jun falecer fem herdeiro até o dito decimo
tamète com elle efiava,e vivia em cafateú gráo. E neftes cafos naõ teráõ que fazer
da,e mãteúda,como mulher com feu mari em taes bens os nofos Almoxarifes.

T I T U L O XCV.
Como a mulherfica em polfe, e cabeça de cafal, por morte de feu marido.
Orto o marido, a mulher fica o marido houveffe, e pofuife em fua vi
em poffe, e cabeça de cafal, fe da; nem ifo me{mo o marido por morte
com ele ao tempo de fua mor da mulher,dos bens,que pelo mefmo modo
te vivia em cafa teúda, e manteúda, como a ella pertenceffem; falvo,fe cada hum dos
marido, e mulher; e de fua maõ receberáõ ditos bens fofem comprados pelo marido
os herdeiros do marido partilha de todos e mulher, ou por cada hum delles, fendo
os bens,que por morte do marido ficarem; cafados, ou nelles fizefem bemfeitorias,
e os legatarios os legados. Em tanto que, em modo, que o que vivo ficar haja de ha
fè alguns dos herdeiros, ou legatarios, ou ver parte da valia dos ditos bens, ou do
qualquer outra pefoa tomar poffe d'al preço, que cufláraõ, ou das bemfeitorias;
guma coufa da herança depois da morte porque entaõ o que vivo ficar, ficará em
do marido fem confentimento da mulher, poffe dos bens,até lhe fer dada a parte,que
ella fe póde chamar efbulhada,e fer-lhe-ha na valia, ou preço, ou bemfeitorias deve
reflituida;e pois que tanto que o cafamêto haver. E fe taes bens, ou terras, em que a
he confummado por copula, he a mu mulher, ou marido deve ficar em poffe,
lher feita meeira em todos os bens, que forem obrigados á mulher por o marido,
haõ ambos (como difemos no Titulo: ou ao marido por a mulher por confenti
Como o marido, e mulher), e o marido por mento, e auctoridade do Senhorio, o que
morte da mulher continúa a poffe velha, affi ficar vivo, efteja em poffe dos taes
que antes tinha, juíta razaõ he, que por bens, e naõ feja delles tirado, até a divida
morte do marido foffe provido a ella d'al fer paga, ou por Direito determinado que
gum remedio ácerca da poffe ; o qual re naõ deve ter a tal poffe.
medio he, ficar ella em poffe, e cabeça 2 E fe o que vivo ficar, difer, e alle
de cafal. gar alguma juíta razaõ, porque taes bens,
1 E todo o fobredito ha lugar nos ou terras, que do defunto forem, lhe per
bens communs, que haõ de fer partidos tencem, ou tem em ellas direito algum, e
entre a mulher, e os herdeiros do marido, as pefoas fofem taes, de que fe tema vi
ou entre o marido, e os herdeiros da mu rem a pelêjas, e arruidos, mandamos que
lher, e em outra maneira naõ; porque, fe os ditos bens, e terras fe ponhaõ em fe
o marido,e a mulher tivefem alguns bens quefiro, em maõ de pefoa fiel, e idonea,
da Corôa do Reyno, ou de morgado, ou que os tenha, até fer determinado por Di
de emprazamento, em que a mulher naõ reito a quem pertencem.
fofe nomeada, de maneira que naõ tivefe 3 E o que dito he, naõ haverá lugar
direito, ou outros femelhantes, entaõ naõ nos cafamentos feitos por Cartas de arras,
ficará a mulher em poffe de taes bens, que falvo em aquelles bens,em que por bem, e
virtude
como a mulherfica em polfe, e cabeça de cafal por morte 25'c. 7;
virtude do contrato, devem fermeeiros o monio, nos bens, que aquelle, que affi eră
marido, e mulher; porque em taes bens fi devedor, trouxe comfigo, ao tempo, que
cará em poffe, afi como, fe o cafamento cafou, e na fua métade dos bens, que de
foffe feito por Carta d'amétade. pois de cafados foraó acqueridos.
|

4 E declaramos que, poíto que os bês · 5 E fe algum homem accufaffe al-',


fejaõ communicados entre o marido, e guma mulher por adulterio, dizendo fer,
mulher, tanto que cafaõ fimplezmente, ou cafado com ella, ou a demandaffe por fua
por Carta d'amétade, fe ao tempo, que mulher em qualquer outro cafo, e ella o
cafaraó, cada hum delles tinha dividas, negaffe,e por o afi negar fofe livre,ou ab
que devefe a crédores, naõ ferá obrigado foluto da tal accufaçaõ, ou demanda, naõ,
o outro ás ditas dividas em tempo algum; poderá ella depois da morte do que a ac
nem fe fará execuçaõ nos bens, que trou cufou, ou demandou por mulher, pedir
xer em parte, nem em todo, em quanto o parte na fua fazenda como mulher, poíto,
Matrimonio entre elles durar: fómente fe que queira provar que o era ao tempo,
poderá fazer execuçaõ, durando o Matri que elle a accufou, ou demandou...
{

T I T U L o XCVI.
Como fe haõ de fazer as partilhas entre os herdeiros. ----
#

- Uando algum homem cafado, deve fer dada partilha o fizer citar perante … …e ……………………………
<> ~~~~ --> ……………… > >3,4°.
~~~~

ou fua mulher fe finar, deve o os Juizes, e requerer, que vá partir com: ~~


que ficar vivo dar partilha aos elle, e elle o recufar fazer, por fer algum
* * filhos do morto,fe os tiver,quer dos irmaõs, ou herdeiros fóra da terra, de ~~** * 22 ––………………
* *< < < < > * *
fejaõ filhos dantre ambos, quer da parte, maneira que o naõ poderiaõ achar taõ asi- /*** – z^>* // < ***
/**
# ^
do que finou, fe forem legitimos, ou taes nha, devem os Juizes hir, ou mandar ao * * *
que por nofas Ordenaçoés, ou Direito dito herdamento, ou lugar; e devem dar.
devaõ herdar feus bens. E naõ havendo ao que pede a partilha outra tamanha par--
ahi filhos, dará partiçaõ aos netos, ou ou te naquelle lugar, quanta por Direito lhe.
tros defcendentes do defunto, ou aos af pertencer; e elle a lavre, e aproveite,como
cendentes,fe defcendentes naõ tiver,quan quizer. E naõ ferá obrigado tornar á par-.
do os afcendêtes eftiverem em igual gráo. tilha os frutos,que della houver, quando o
E eftãdo os afcendentes em defigual gráo, aufente vier, e requerer partilha; mas fó--
herdará o afcendente mais chegado em mente tornará á partilha a parte do herda
gráo: affi como, fe (e finafe huma pefoa mento, que lhe foi entregue, fem outros
fem defcendentes, e tiveffe fua mãy viva, frutos. E tendo ele feito grandes bemfei
e feu avô, ou avoa pay, ou mãy de de feu torias, deve o que quer com elle vir á par
pay, em tal cafo fuccederá a mãy, e naõ o tilha, fazer outra tal bemfeitoria em outro
avô, ou avoa por parte de feu pay, e affi herdamento, ou campo de herança, fe o:
em femelhantes cafos. E naõ havendo her ahi houver, e entaõ devem partir; e naõ o
deiros defcendentes, ou afcendentes por havendo, pagará fua parte da defpefa, que
linha direita, dará o que vivo ficar parti em aquella coufa foi feita, e entaõ parti
gaõ a quem o morto mandar em feu te ráó. E efia me{ma maneira fe terá, quando
flamento. E falecendo fem te{tamento," algum dos irmaõs eftiver em captiveiro. :
a dará aos parentes mais chegados do de 2 Porêm, fe algum dos irmaõs, ou
funto, fegundo difpofiçaõ do Direito; e herdeiros naõ for na terra, e os outros pe
partirá com os herdeiros do defunto todos direm partilhas dos bens,que lhes pertence.
os bens, e coufas, que ambos haviaõ, afi herdar por falecimento do defunto, fe o
moveis, como raiz. * ', . •

aufente eftiver em lugar certo, e fabido,


- 1 E tendo o pay, ou mãy, ou qual onde bem pofa fer citado para vir, ou
quer pefoa algum herdamento,de que de mandar eftará partilha, o que tem, e eflá.
va dar partilha a outrem, fe a pefoa,a que em poífe dos bens, naõ lhes dará partilha,
………… - Liv. IV. K 2 delles
||=====

76 - . . . Livro quarto das Ordenaçoës, Tit. 96.


delles, até vir o aufente, ou fer citado, ou dade do Juiz,a que pertencer,e depois que
requerido para eftar com elles, por fi, ou tiverem partido, dará o Juiz partidor,que
por feu Procurador á partilha; porêm dar parta pelo menor com os outros irmaõs,
lhef-ha a fua parte dos renóvos, que em que forem de idade cumprida; e valerá a
efe meyo tempo, fe houverem dos ditos partilha affi feita.
bens; e terá em guarda o quinhaõ do au 7 Finando-fe o pay, fe ficar a mãy
fente, e dar-lho-ha, quando vier; e pagará viva, fendo cafados por Carta damétade,
cada hum primeiro feu quinhaõ das def e antes que tenha dado partilha da heran
pefas, que forem feitas na cultura dos her ça aos filhos, ou outros herdeiros do mari
damentos e adubios dos ditos bens. do, comprar, ou ganhar com os frutos, ou
E demandando algum outro parti dinheiro da herança alguma coufa, tendo
lha de herdamento, de que por Direito recebido os frutos, que aos filhos, ou ou
deva haver parte, fe o demandado lha naõ tros herdeiros pertenciaõ (quer os filhos
quizer dar, ou querendo elle dar partilha fejaõ dantre ambos, quer da parte do mor
a outro,a que a deva dar,elle a naõ quizer to), deve trazer tudo á partilha, quando
receber, fendo para ifo chamado a Juizo, lha demandarem, affi o que ficou por mor
onde quer que efteja; e fendo efperado o te do marido,como o que depois comprou,
tempo,que lhe for affignado,naõ querendo ou ganhou, antes de ter partido com os
ele vir,nem enviar por fi outrem,que efteja herdeiros do marido a herança, ou frutos
á partilha, entregaráõ ao que quer partir, della : e ito, quer fe ela cafe, quer naõ. E
feu quinhaõ do herdamento, ou bens em fe os filhos, ou herdeiros do marido antes
lugar da penhora. E naõ ferá obrigado quizerem partilha dos frutos, e renóvos
trazer á partiçaõ ao outro, que naõ quiz dos bens da herança, naõ haveráõ parte
partir os frutos e rendas, que dos ditos bês dos ganhos, e compras, que depois forem
houver em efe meyo tempo, até que ve feitas. E fe quizerem partilha dos ganhos,
nha partir. e das compras, naõ haveráõ partiçaõ dos
4. Efe algum efliver em pofe de her frutos, e renóvos, que depois vieraõ.
damentos, de que deva dar partilha, e os 3 E fe por morte da mulher ficar o
outros,que nelles tem quinhaõ,lhe deman marido vivo, e ficarem filhos da parte da
darem feu quinhaõ do paõ, e dos frutos, mulher fómente, ou outros feus herdeiros,
que colheo defes herdamentos, que lavra, fe filhos della naõ ficarem, ferá o marido
e pofue,deve-lhe dar outro tanto quinhaõ obrigado dar aos filhos de fua mulher, ou
dos frutos, quanto cada hum deve haver aos outros feus herdeiros partilha do que
nos herdamentos; e elles lhe devem dar comprar, ou ganhar com os frutos, ou di
cada hum feu quinhaõ da femente,que ahi nheiro da herança,em quanto lhes naõ dér
metteo, e das outras defpefas, que ahi ti partilha dos bens,ou dos frutos, e renóvos
ver feitas. |

delles. E durando-lhes fua parte dos fru


- 5 Tendo os herdeiros,ou companhei tos, e renóvos, naõ ferá obrigado dar-lhes
ros alguma coufa, que naõ pofaõ entre fi partilha das compras, e ganhos. A qual
partir fem damno,affi como efcravo, befa, efcolha ficará aos herdeiros do defunto. E
moinho, lagar,ou outra coufa femelhante, ficando por morte da mulher filhos dan
naõ a devem partir, mas devem-na vender tre ambos, guardar-fe-ha a difpofiçaõ do
a cada hum delles, ou a outro algum, qual Direito Commum.
mais quizerem, ou por feu aprazimento 9 Outro-fi, fe por morte do pay, ou
trocaráõ com outras coufas,fe as ahi hou mãy ficar algum de feus filhos, ou outro
ver. E fe fe naõ puderem por efta maneira feu herdeiro na poffe dos bens, e vierem
haver, arrenda-la-haõ, e partiráõ a renda outros feus irmaõs, ou herdeiros de fóra,
entre fi. e lhe pedirem partilha dos ditos bens, e
6 E fe por morte do pay, ou mãy fi herança, aquelle, que afi eftiver em poffe,
carem muitos filhos, e algum for menor haverá fua parte daquillo, que tiverem os
de vinte cinco annos, poderáõ os outros outros herdeiros, que vierem pedir a parti
irmaõs partir por fi, e por elle, com o lha, fendo coufas taes,que elles fejaõ obri
pay, ou mãy, que vivo ficar, com auctori gados traze-las á partilha, como acima
difemos.
Como fe haô de fazer as partilhas entre os herdeiros. 77
difemos. E os irmaõs, ou herdeiros, que cafos acima declarados; e naõ os fazendo,
affi vierem de fóra, naõ entraráõ na poffe fe lhes dará em culpas nas ditas refiden
dos ditos bens, que elle tiver para partir, cias. E os ditos foqueftros fe naõ levanta
mas de fóra lhe devem pedir partilha ráõ, poíto que as partes o requeiraó, com
delles. fe oferecerem a dar fiança. E fentindo-fe
1o Eftando algum em poffe dos bens alguma das partes aggravada de o Juiz
de feu pay, ou fua mãy por hum anno, naõ fazer os ditos foquetros, naõ poderá
ou mais, levando delles os frutos, e renó appellar; fómente poderá aggravar por in
vos, dará aos outros irmaõs, e herdeiros ftrumento, ou por petiçaõ.
partilha dos frutos, e renóvos,ou terá cada 14 Porêm o irmaõ, que naõ etá em
hum delles outro tanto tempo os ditos poffe da herança, póde requerer ao que
bens,quanto os elle teve, e entaõ partiráõ. eftiver em poffe della, que traga logo á
* 1.1 - E depois que algum começar dar partilha o que houve de feu pay, ou mãy,
partilha a feus irmaõs, ou a outros quaef pofto que a partilha feja entre elles come
quer, naõ a póde deter, que a naõ acabe çada, e naõ feja ainda acabada. E nefte
de todo,por razaõ de entrega de cafamen cafo naõ ferá o irmaõ,que eftiver em poffe,
to, nem de outra alguma coufa, nem fará tirado della.
fobre ifo demanda, até que a partilha feja 15 E o que difemos do irmaõ, que
acabada. E o que houver de dar partilha eftá em poffe da herança de feu pay, ou
começa-la-ha, ou no movel, ou na raiz, mãy, haverá lugar no marido, que por
qual mais quizer. |
morte da mulher tem em feu poder os
12 E começando alguma pefoa dar bens,que ambos haviaõ, e pofuiaõ em fua
partilha a feus filhos, ou irmaõs, ou quaef> vida. E bem afi na mulher, que por morte
quer outros herdeiros, naõ poderá dilatar, de feu marido ficou em poffe, e cabeça de
nem deter a dita partilha por duvidas al cafal, de cuja maõ os herdeiros ha6 de re
gumas,que depois mova.E fe a pefoa,que ceber a herança.
eftá em poífe da herança, antes de come 16 E fe os irmaõs começafem entre
gar a dar partilha,allegar algumas duvidas, fi partir a herança de feu pay, ou mãy, ou
fobre que deva haver demanda, ferá tira de qualquer outro defunto,que a elles per
da da pofe da herança, e bens; e os ditos tença, fêm algum delles efiar em poffe da
bens, e novidades delles fe foqueftraráõ, herança ao tempo,que começáraõ fazer a
até as duvidas fe acabarem. E naõ fe aca partilha, poderá cada hum delles alegar
bando as partilhas, e duvidas dellas den contra o outro" em todo o tempo (poto
tro de hum anno contado do dia da morte que a partilha naõ feja entre elles acabada)
do defunto, logo os bens, e heranças fe qualquer razaõ, que lhe com Direito per
foqueftraráõ;falvo confiando notoriamen tença, afi da entrega do cafamento, como
te que naõ fe acabáraõ as partilhas, e du de outra qualquer coufa; e ferá ouvido
vidas dellas dentro no dito anno por culpa com feu Direito, fem embargo de já a
do pofuidor, fenaõ dos outros herdeiros. partilha fer entre elles começada.
E o me{mo fe guardará, quando algum 17 Havendo filhos,que tenhaõ dotes,
dos herdeiros tiver em fi dote, ou coufa, fe fará partilha do liquido entre os outros
que deva trazer á collaçaõ, e difer que filhos, que naõ tiverem dotes; falvo, fe os
quer fer herdeiro, e mover alguma duvida dotados diferem que querem vir logo á
ácerca do que affi he obrigado trazer á partilha com feus dotes; porque entaõ fe
collaçaõ; porque logo o Juiz das partilhas fará a partilha direita entre todos. E ha
de feu Oficio foqueftrará o dito dote, ou vendo alguma fazenda de partilha, que
coufa, poíto que lhe naõ feja requerido naõ feja líquida, ou que efteja fóra do
pelas partes. Reyno,fe fará partilha da fazenda liquida,
* 1.3 E porque o Juiz dos Orfaõs, e que eftiver no Reyno: e affi como a fazen
mais Julgadores, que fazem partilhas te da,que naõ he liquida, ou que eftiver fóra
nhaõ cuidado de fazer os ditos foquefiros do Reyno fe for arrecadando, affi fe hirá
mandamos que em fuas refidencias fe per fazendo partilha della. E ifto fe entenderá,
gunte particularmente, fe os fizéraó nos quando todos forem moradores no Reyno;
* •

porque
78 Livro quarto das Ordenaç95, Tity6 |
porque, morando algum delles fóra do quizerem, desfazer por remedio da refi
Reyno, e tendo fazenda, que deva vir á tuiçaõ, que por nofas Ordenaçoés, e Di
partilha, naõ fe lhe dará partilha da que reito lhes he outorgado. }

eftiver no Reyno, fem primeiro fe fazer 22 E fendo a partilha acabada, fe


partilha da que eftiver fóra delle. metteráõ os herdeiros de poffe dos feus
18 E quando a partilha for de todo quinhoés confórme as Cartas de partilha,
feita, e acabada entre os irmaõs,ou outros que lhe forem pafadas, fem embargo de
herdeiros, fe for feita em fua prefença, e quaefquer embargos, com que as outras
de feu exprefo aprazimento e confenti partes a ifo venhaõ. Nem fe impedirá a
mento, por mandado da Juftiça,e por par dita poffe, e entrega, poíto que as ditas
, tidores, e for concordada, e affignada pelo partes appellem , ou aggravem das ditas
Juiz e partidores, ou quando as partes fi partilhas. |
__*

zerem partilha entre fi fem auctoridade de 23 E os aforamentos, perpetuos, que


Juftiça, tanto que por elles for acabada, e algumas pefoas tomaõ para fi, e feus her
o auto, que fe della fizer, for por elles afi deiros, e fuccefores,fempre fe haõ de par
gnado em efcriptura publica, ou actos tir por eftimaçaõ entre os filhos, ou her
publicos, em cada hum detes cafos naõ fe deiros do defunto, por cuja morte ficáraõ
poderá já mais a partilha desfazer, pofio os bens aforados. E porque os taes bens,
que alguma das partes a contradiga. Po fegundo a matureza dos fóros, naõ fè haõ
rêm, fe difer que foi nella enganado, álem de partir, e haõ de andar em huma fó pef>
da amétade do que jutamente lhe perten foa, mandamos que fe encabecem em
cia haver, e o afi provár, as partilhas ou hum dos herdeiros, em que fe todos, ou
tro-fi fe naõ desfaráõ; mas os outros her a mór parte delles concordarem, do dia,
deiros lhe comporáõ fómente a fua direita que fe o foreiro finar, até feis mezes. E o
parte. •

que affi os houver, pagará a eftimaçaõ aos


19 Poíto que a partilha feja feita, e outros herdeiros, a cada hum feu quinhaõ;
acabada, fe alguma das partes differ que e a penfaõ ao Senhorio fegundo a fórma
he errada, efeita,como naõ deve,e provár do contrato. E naõ fe acordando, fejaõ
que he aggravado, e damnificado em a obrigados vender os ditos bens aforados
fexta parte do que lhe direitamente per dentro de feis mezes,requerendo primeiro
tencia haver, a dita partiçaõ fe naõ revo o Senhorio, fe os quer tanto por tanto. E
gará, nem fará outra de novo, mas os ou o que comprar o dito foro pagará a pen
tros herdeiros lhe comporáõ outro-fi fua faõ ao Senhorio; e os herdeiros partiraõ
direita parte, com tanto que o que affi da entre fi o preço, que affi houverem da
partiçaõ fe queixa,a contradiga, e reclame venda, fegundo forem herdeiros. E pafa
até hum anno, contado do dia, que a par dos os feis mezes, fem o encabeçarem em
tilha fe acabou, perante o Juiz das parti algum delles, ou venderem, mandamos
lhas, ou perante outro qualquer Julgador, que o foro feja devoluto ao Senhorio, fe
etando em outra parte, tomando diffo in o ele quizer. ' ' ,
{trumento publico. | 24 E quando o marido, ou mulher,
2º E quando o herdeiro allegar que ou cada hum delles, fendo já cafados por
foi enganado na fexta parte, ou álem da Carta d'amétade, tomarem algum afo
amétade do que jutamente lhe pertencia ramento em perpetuo, por quaefquer pa
haver, como acima dito he, a fexta parte lavras, que no contrato forem póftas,feráõ
fe entenderá refpectivamente a todo o ambos meeiros no aforamento; e por
quinhaõ do herdeiro, que allegar o dito morte de cada hum delles fe partirá por
engano. etimaçaõ entre o que vivo ficar, e os her
21 E o que dito he, fe deve entender, deiros do que falecer, fegundo difemos
quando todos forem de perfeita idade;por no Paragrafo precedente. E fe antes que
que,fe alguns daquelles,entre os quaes for cada hum delles cafaffe, tiveffe o tal af,
feita a partilha, naõ forem de idade cum foramento em perpetuo, e depois cafaffe,
prida de vinte cinco annos, e fe acharem partir-fe-ha entre o que vivo ficar, e os
depois enganados nella, pode-la-haõ, fe herdeiros do defunto por efimaçaõ, fi
cando
Como fe haõ de fazer as partilhas entre os herdeiros. . 79
cando fempre o aforamento encabeçado Pufer, tomará por adjunto para o aju
no que o tinha, antes que cafafe, ou em dar a proceder, e para determinaçaõ das
cada hum de feus herdeiros. Porêm, fe no duvidas, outro Juiz dos Orfaõs da me{
contrato do aforamento, que foi feito,an ma Cidade, ao qual fe naõ poderá pôr
tes que cafaffe, for conteúdo que o afora fufpeiçaõ alguma; e nos outros Lugares
} mento he dado para aquelle, a que foi da do Reyno,quando for pófta fufpeiçaõ aos
do, e para feus filhos, ou para feus filhos, Juizes dos Orfaós, ou a outrosJulgado
e feus defcendentes, fem fazer mençaõ de res, a que algumas partilhas forem com
herdeiros, e fuccefores, ou de herdeiros, mettidas, ou as fizerem por razaõ de feus
ou fuccefores, naõ fe partirá o tal afora Officios, tomará cada hum delles por
mento, nem a eftimaçaõ delle por morte adjunto o Juiz de Fóra, fe o no Lugar
de cada hum delles entre o que vivo ficar, houver; e naõ o havendo, tomará hum
e os herdeiros do que falecer; mas ficará dos Juizes Ordinarios, que feja mais fem
precipuo com o que antes o tinha, ou feus fufpeita. E fendo o Juiz de Fóra junta
herdeiros. E quanto aos que cafarem por mente Juiz dos Orfaõs, tomará por ad
dote, e arras, guardar-fe-ha o que entre junto hum dos Véreadores do tal Lugar,
elles for acordado. que feja mais fem fufpeita: e huns e ou
25 E vindo alguma das partes com tros procederáõ nas ditas partilhas com os
fufpeiçaõ ao Juiz das partilhas, fendo na ditos adjuntos, até de todo fe acabarem,
Cidade de Lifboa, o Juiz dos Orfaõs, fem aos ditos adjuntos fe poder pôr fuf
ou outro Julgador, a que a fufpeiçaõ fe Peiçaõ alguma.

T I T U L O XCVII.
Das Collaçoãs.
} *
| * |

}
*
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E o pay, ou mãy, ou ambos junta partiráó a outra herança commummente ……………………………………… •

A </, /< *
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tamente derem alguma coufa mo com o pay, ou mãy, que for vivo; e de •
*
*
*

vel, ou de raiz a algum de feus fi pois que for morto o dito pay, ou mãy
lhos, quer em cafamento, quer em outra tornará aquelle, a que foi feita a doaçaõ,á
qualquer maneira, ferá obrigado tornar Collaçaõ a outra amétade, que ficou; e
tudo á Collaçaõ aos outros feus irmaõs, partirá outra vez igualmente com feus ir
depois da morte do pay, ou mãy,que fizé maõs.E o que dito he fe entenderá,quando
raõ a doaçaõ, com as novidades, que os o pay, e mãy cafáraõ por Carta d'améta
bens, que affi tiver em feu poder, e trou de, fegundo Ley do Reyno; mas quando
xer á Collaçaõ, renderem depois da mor o pay, e mãy foraõ cafados por dote, e
te dos doadores até o tempo das partilhas; arras, e dotáraõ os filhos, ou lhe fizéraõ
porque naõ os tendo em feu poder ao outra qualquer doaçaõ, fe guardará a dif.
tempo,que fe o pay, ou mãy finar,naõ ferá pofiçaõ do Direito Commum, ora dotaf
obrigado trazer as novidades á Collaçaõ: fem ambos, ou cada hum por fi.
e ifto, poíto que pelos irmaõs lhes naõ feja 2 E naõ tornaráõ á Collaçaõ o jantar,
requerido, fe ele quizer entrar com elles ou cêa, que o pay, ou mãy lhe déraõ em
á herança. E bem affi, trará á Collaçaõ os dias de fua voda.
tudo o que houver de feu pay, ou mãy, 3 E fe o filho, ou filha,a que for feita
ou o que delles procedefe, que fe chama doaçaõ por o pay, ou mãy, ou por ambos, .
em Direito Profecticio. afi em cafamento, como por qualquer
1 E falecendo fóméte o pay,ou may, outra maneira, naõ quizer por morte do
ficando o outro vivo, e havendo ahi ou pay, ou mãy, ou de ambos entrar com os
tros filhos, fe aquelle, a que foi feita a doa irmaõs á herança do pay, ou mãy, ou de
çaõ, quizer entrar á herança do que fe ambos, naõ ferá obrigado tornar a feus
finou, trará á Collaçaõ amétade do que irmaõs a coufa, que lhe foi dada; falvo, fe
lhe foi dado, e ele e os outros irmaõs a doaçaõ for taõ grande, que exceda a
legitima
8o . Livro quarto das Ordenaçoês. Tit. 97.
legitima dete filho ou filha, a que foi fei romaria, ou para fua cavallaria em quanto
ta, e mais a terça da herança de feu pay he folteiro, poíto que vá muitas vezes á
ou mãy, ou de ambos, fe ambos lhe fizé guerra, e poíto que, quando a clla foi, já
raõ a doaçaõ, por cuja caufa a legitima foffe Cavalleiro. Porêm, fe, depois que o
dos outros filhos fique em alguma parte filho for cafado,for águerra,e lhe feu pay,
diminuida, porque em tal cafo, fe á heran ou mãy derem qualquer coufa para lá ga
naõ quizer entrar, ferá obrigado refazer ftar, trará á Collaçaõ tudo o que lhe affi
aos irmaõs toda fua legitima, que,tirada a derem,falvo,fe ao tempo,que foi á guerra,
terça,lhes pertence haver dos bens do pay fendo cafado, ainda naõ era Cavaleiro;
ou mãy, ou de ambos, fe ambos fizeraõ a porque nefte cafo, poíto que feja cafado,
doaçaõ. E fe ele ainda naõ for entregue pois fe vai fazer Cavalleiro, havemos por
dos bens, ou quantidade de que lhe foi fei bem que naõ traga á Collaçaõ o que nifto
gaftar. • |

ta doaçaõ, naõ poderá demandar, nem ha


ver mais, que o que montar em fua legiti 8 Nem trará o filho á Collaçaõ o que
ma, e na terça do pay, ou mãy, que lhe lhe o pay, ou a mãy derem para falhir do
fizéraõ a tal doaçaõ. Porque fempre as captiveiro, ou do homezio, nem o que
terças do pay, e mãy, até onde abrange com ele gaftarem no Paço, quando era fol
rem,faõ obrigadas a refazer os cafamentos, teiro; porque, fe depois de cafado lhe foi
que promettem,e doaçoês, q fazem a feus dado,pofto que feja para o gaftar no Paço,
filhos, ainda que exprefamente naõ fof trará á Collaçaõ o que lhe affi for dado.
fem obrigadas, e poto que os defuntos E declaramos que Paço nefte cafo, fe
dellas ordenem outra coufa. entende fómente nos que comnofco vi
4 E declaramos que,para fe dizer que vem, ou com a Rainha, ou Princepe, ou
a doaçaõ he grande, e excede a legitima, cada hum de nofos filhos. |

e terça, fe ha de olhar a valia dos bens do 9 E ifto que dizemos, que o que for
que os deu, ou prometteo em cafamento, dado para cavallaria,ou Paço,fe naõ traga
ao tempo, que a fez, ou ao tempo de fua á Collaçaõ, fe entende, quando as coufas,
morte, qual efcolher o donatario. E efia que lhe affi forem dadas, faõ já gaftadas;
efcolha ferá fómente nas doaçoés dadas que fe ainda as tiver ao tempo da morte
em cafamento; porque nas outras doa de quem lhas deu, ferá obrigado traze-las
çoés, que fe fizerem aos filhos, fe olhará o á Collaçaõ, affi como as tiver. E poíto que
que os bens do doador valerem ao tempo as naõ tenha, fe lhe provarem que o que
de fua morte. lhe foi dado para cavallaria, o trouxe, e
5 E quando os filhos dotados decla vendeo, ou gatou no Reyno, ferá obri
rarem que naõ querem fer herdeiros, e os gado trazer á Collaçaõ o que difforecebeo,
dotes excederem fuas legitimas,e as terças ou o que valia ao tempo, que o trouxe.
dos doadores, e forem obrigados refazer 1o. E queremos que naõ tragaõ á Col
aos outros filhos fuas legitimas por inteiro, laçaõ os filhos, ou outros defcendentes;
o Juiz das partilhas poderá obrigar aos fi as mercês, que a elles,ou a feus pays e af
|lhos, que fe fahem com feus dotes, a com cendentes para elles fizermos, ou tenha
porem a feus irmaõs o que mais tiverem mos feitas,ou promettidas de cafamentos,
em fi, executivamente fem mais outro ou ajudas de cafamentos; porque quere
procefo. •

mos que fejaõ precipuas, e in folidum dos


6 E querendo o filho,a que foi feita a filhos, ou defcendentes para que os def
doaçaõ pelo pay ou mãy, ou entrar á fua embargarmos, e mandarmos pagar ; nem
herança, e trazer á partilha a dita doaçaõ, lhe fejaõ imputadas em fuas legitimas,po
pode-lo-ha fazer em todo cafo, ainda que fio que feja certo e manifefto, que por ref.
os irmaõs naõ queiraõ. peito, e contemplaçaõ dos pays, ou dos
· 7 E naõ trará o filho á Collaçaõ a feus outros afcendentes,e por feu requerimen
irmaõs o que lhe o pay, ou mãy derem to as taes doaçoés de cafamentos, ou aju
para aprender em efcólas, ou em eftudo, das dellas foraõ feitas aos filhos, ou a ou
ou a quem o enfimar a qualquer outro me tros defcendentes. E poderáõ com os ou
fler, nem o que lhe deu para hir a alguma tros herdeiros entrar á partilha dos bens, e
* * * * *

herança
},

Das Collaçoës. 81 |
herança do pay, ou mãy, e dos outros af dos, fique efcolha aos irmaõs, confiranger
cendentes. E queremos que os ditos ca ao dito feu irmaõ traze-los afi como eftaõ,
famentos, e mercês de ajuda para elles fe e mais a efimaçaõ do damno, ou que tra
regulem, como fe fofem bens quafi Ca ga o preço, que valiaõ ao tempo, que lhe
frenfes, e naõ tenhaõ natureza de bens foraõ dados. As quaes efcolhas,afi no cafo
Profecticios. E ifto que dito he haverá lu das bemfeitorias, como dos damnifica
gar, e fe guardará nos cafamentos,e ajudas mentos,haveráõ lugar fómente, quando as
para elles dadas, ou promettidas por Fi bemfeitorias, ou damnificamentos chega
dalgos, e outras quaefquer pefoas, que rem á quarta parte do preço, que os bens
naõ fejaõ afcendentes por linha direita da valiaõ ao tempo, que lhe foraõ dados.
quelles, a que os cafamétos,ou ajudas para 14 E fe aquelle, a que os bens foraõ
elles derem; porque nas doaçoés feitas pe dados em cafamento os naõ tiver, por os
los afcendentes
reito feguardará o que por Di ter vendidos, doados, ou alheados, ferá
for determinado. •

obrigado trazer á Collaçaõ o preço, que


11 Porêm, fe a vontade,e tençaõ dos valiaõ ao tempo,que lhe foraõ dados em
que as doaçoés e mercês fizerem, for que cafamento.
fe hajaõ de partir,e vir á Collaçaõ,deve-fe 15 E fe lhe foraõ dados em cafamen
declarar exprefamente nas doaçoes; por to bens moveis,e os ainda tiver,tra-lof-ha á
que o que declaradamente ácerca difto Collaçaõ no Eftado,em que ao tempo da
por os Doadores for dito, e ordenado ao partilha etiverem, quer lhe foífem dados
tempo,que as doaçoés fizerem, mandamos em preço certo, quer naõ. E naõ os tendo
que fe guarde. •
para os poder trazer, trará a eftimaçaõ do
12. E as coufas de juro, que alguns que valiaõ ao tempo,que lhe foraõ dados
de Nós trazem, ou em vida, e as tenças, em cafamento, ou outros bens moveis
que faõ em vida, ou em quanto for mofa taes como elles eraõ ao tempo, que lhos
mercê, que os pays,ou mãys, ou avós nos déraõ, qual elle mais quizer.
requerem, que em fuas vidas as ponhamos 16. E quando o filho,que efá com feu
em cada hum de feus filhos, ou netos, e pay, ou com fua mãy, ou com ambos, ga
por nos difo aprazer lhe mandamos fazer nhar alguma coufa por feu trabalho, quer
Cartas das ditas coufas em hum filho, ou antes de cafado, quer depois, ou lha Nós
neto, determinamos que, quando as taes dermos,ou qualquer outra pefoa,naõ ferá
coufas dermos a filho, filha, ou outro obrigado de a trazer á Collaçaõ aos outros
defcendente por confentimento do pay, feus irmaõs depois da morte de feu pay,
mãy, ou avô, que a dita tença, ou ou mãy, poíto que a demandem; falvo, fe'
coufa de Nós,ou da Corôa de nofos Rey o ganhou com os bens do pay,ou da mãy,
nos tinha, a dita coufa, ou tença, ou efti vivendo, e eftando com elles, e governan
maçaõ della naõ venha á Collaçaõ, nem do-fe com os bens delles: porque em efte
fe impute em fua legitima por morte do cafo o pay, ou mãy devem haver, e rece
que a foltou, ou trafpafou. ber tudo; e depois que morrer o pay, ou
13 E dando o pay,ou mãy a feu filho mãy, os irmaõs o partiráõ entre fi, depois
bens de raiz, fe os tiver, quer fejaõ dados que partirem com o que ficar vivo, e haja
em certo preço,quer naõ tra-lof-ha á Col cada hum fua parte. E ainda que o filho,fe
laçaõ a feus irmaõs, fe os tiver. Porêm, fe governe com os bens do pay,ou da mãy,fe
o dito filho tiver feito bemfeitorias nos com os bens delles o naõ ganhar, naõ ferá
ditos bens de raíz,depois que lhe affi foraõ obrigado a traze-lo á Collaçaõ.
dados, fique-lhe efcolha trazer á Collaçaõ 17 E fe o filho, que eftiver debaixo
os ditos bens affi como etaõ, com tanto do poder de feu pay, houver delle alguns |
que os irmaõs lhe paguem as bemfeitorias, bens, ou que delle procedefem, e efiando
que nelles tiver feitas; e fe antes quizer fob feu poder falecer o pay, trará á Col
trazer o preço, que valiaõ ao tempo, que laçaõ a feus irmaõs tudo aquillo, que afi
lhe foraõ dados, pode-lo-ha fazer. E fe houve de feu pay , e bem afi todos os ga
os bens eftíverem damnificados, tendo nhos,q dos ditos bês procedêraó,fe os hou.
repeito ao tempo, em que lhe foraõ da ve vivendo,e etandoL com o pay,18ou Emãy.
• ga
Liv. IV.
82 Livro quarto das Ordenaçoês, Tit. 97.
18 E ganhando o filho,que efliver fob tima ao dito neto pelos feus irmaõs,quan
poder de feu pay alguns bens em acto mi do fe finar o pay, ou mãy, a que affi foi
litar, ou em acto de Letras, poíto que o defcontado.
pay morra eftando o filho fob feu poder, 22 E por quanto muitas vezes acon
naõ trará os taes bens á Collaçaõ a feus tece que algumas pefoas compraõ al
irmaõs,porque todos efes bens, e ganhos, guns bens, que outros trazem emprazados
que delles procederem, faõ proprios defe em certas pefoas com auctoridade dos Se
filho, que os ganhou. nhorios, e os ditos compradores em fua
19 E fe o filho, eftando fob poder de vida, ou por feu falecimento nomeaõ ca
feu pay, ganhaffe alguns bens por outra da hum de feus filhos, e entre o dito no
alguma via, que fe chama em Direito Ad meado e os outros irmaõs, fe feguem du
venticia, haverá o filho a propriedade del vidas e contendas, fe trará o dito nomea
les, e o pay os ufos e frutos, em quanto odo á Collaçaõ, ou lhe feja imputado em
filho etiver fob feu poder; e tanto que fua legitima a valia do dito prazo, ou o
for emancipado, ou cafado, logo lhe feráõ dinheiro, que feu pay por elle deu, ou fe
entregues, para delles haver o fenhorio haverá o prazo precipuo fem os irmaõs
cumprido, como de fua coufa propria. E terem contra elle direito algum fobre elle.
fe o pay falecer, etando o filho fob feu Eito me{mo, alguns haõ por empraza
poder, haverá o filho todos effes bens, afi mento de certas pefoas alguns bens dam
como feus proprios; e naõ os trará á Col nificados, ou matos maninhos, e fazem
laçaõ a feus irmaõs, nem parte alguma em elles muitas bemfeitorias, e defpefas, e
delles. nomeaõ algum filho,e os outros requerem,
2o Se o avô fizer em fua vida doaçaõ que traga á Collaçaõ a valia do dito pra
de alguma coufa a feu neto, ou neta, fi zo, ou o que o pay nas bemfeitorias ga
lhos de feu filho, ou de fua filha, traze-la {tou: querendo Nós a ifto prover man
ha á Collaçaõ depois da morte de feu avô, damos que, fe o pay, ou mãy tiver algum
fe quizer entrará fua herança com feus emprazamento, que lhe feja feito em pef>
tios irmaõs de feu pay, ou mãy, filhos do foas, ou para elle, e para feus filhos, ou
dito feu avô, que lhe fez a doaçaõ,fe a efe para elle, e para fua mulher, e hum filho,
tempo o pay,ou mãy dos ditos netos vivo que dantre ambos nafcer, ou o que derra
naõ for. deiro delles nomear, e em fua vida o der
21 E fendo ainda ao tempo da morte em cafamento, ou por outro titulo a
do avô vivo o filho ou filha, pay ou cada hum de feus filhos, e o nomear ao
mãy do neto ou neta,a que foi feita a doa dito prazo, feja obrigado o dito filho ao
çaõ pelo avô, querendo o pay , ou mãy trazer á Collaçaõ, fe quizer herdar com
do neto, ou neta entrar á herança de feu feus irmaõs, ou lhe ferá imputado em feu
pay ou mãy, trará áCollaçaõ a feus ir quinhaõ a valia, e efimaçaõ do prazo,
maõs aquillo, que por feu pay ou mãy foi que valia ao tempo, que lhe foi dado. E
dado ao "cto ou neta, filho ou filha defe, fè o pay,que lho deu, for a derradeirape[
que quer entrar á herança de feu pay, ou foa, trará á Collaçaõ o que valia na vida
mãy com feu irmaõ,ou irmaõs. Porã, pois do pay, que lho deu. E naõ lhe fendo da
a doaçaõ foi feita pelo avô ao neto por do em vida do pay, ou mãy, mas nomean
contemplaçaõ de feu pay, ou mãy, fe do-o fómente ao prazo para depois de fua
efe pay, ou mãy quer entrar á herança do morte, naõ ferá obrigado trazer o prazo
avô com feu irmaõ, he juíto que traga á nem a valia delle á Collaçaõ, nem lhe ferá
Collaçaõ tudo aquillo, que por fua con imputado em fua legitima, nem defconta
templaçaõ foi dado pelo avô a feu filho, do della; falvo, fe foffe comprado, ou ac
ou filha, ainda que todos fejaõ vivos. E quirido do dinheiro, ou fazenda do pay,
naõ querendo o dito filho, ou neto entrar ou mãy, que o nomeou, ou poíto que naõ
á partilha,fe terá a maneira,que acima dif foffe comprado, tiveffe o nomeante feitas
femos. E tudo o que fe defcontar ao filho muitas bemfeitorias, e defpefas nelle; por
na fuccefaõ de feu pay, ou mãy pela doa que neftes cafos ferá o filho nomeado obri
çaõ, que fez a feu neto, fe contará na legi gado trazer á Collaçaõ, ou lhe ferá con
- |- tado
- Das Collaçoës.
tado em feu quinhaõ o preço, por que o faz a partilha; porque nefte cafo fe par
prazo foi comprado, ou o que valia ao tiráõ fómente, e viráó á Collaçaõ as bem
tempo que o houve, qual o filho nomeado feitorias, e o preço dellas, que de novo
mais quizer. E afi lhe ferá contado no fe fizéraõ. • |

cafo das bemfeitorias o preço, que o pra 24 E fe algum homem, fendo cafado
zo mais valer por razaõ dellas ao tempo, por Carta d'amétade,comprar alguns bens
que ele houver o prazo, ou o que cutá foreiros para fi, e certas pefoas, a que os
raõ as ditas bemfeitorias, qual ele mais taes bens por nomeaçaõ devaõ vir, fua
quizer. E ifto naõ fe entenderá em al mulher ferá meeira na valia do prazo, ou
gumas defpefas, e bemfeitorias pequenas, no preço,que os bens cultáraõ. E bem afi,
nem em algumas outras, que o nomeante quando o marido fizer nos bens foreiros
de necefidade, confórme a Direito, fem grandes depefas, e bemfeitorias, fegundo
outra convençaõ das partes, nem condi a declaraçaõ do Paragrafo: E por quanto :
çaõ pófta no contrato emphyteutico, he. quer effes bens houveffe por compra, quer
obrigado fazer. por outro qualquer titulo, ferá fua mu
, 23 Mandamos que, depois que huma lhermeeira na valia das ditas bemfeitorias.
vez fe fizer partilha do preço,ou das bem 25 E o filho, ou filhos, que o pay no
feitorias de alguma propriedade foreira mear, feráõ obrigados pagar á mulher do
em vidas, por fer comprada pelo defunto, nomeante, quer feja fua mãy, quer naõ, fe
ou ter nella feitas bemfeitorias, as quaes ella em a nomeaçaõ exprefamente naõ
fe avaliáraó, e partiraõ já na partilha, que outorgou a parte, que do preço do prazo,
huma vez fe fez dos bens do dito defunto, ou bemfeitorias lhe pertence,como acima
naõ tornem outra vez á Collaçaõ, nem fe temos dito. E ficando ella nomeada em tal
avaliem para a partilha, que fe fizer da prazo, ferá obrigada fatisfazer aos herdei
quelle,que houve a tal propriedade, e pa ros do marido a fua parte da valia delle,
ou o preço della, ou as bemfeitorias, que ou bemfeitorias, qual ela efcolher, pela
nella foraõ feitas; falvo, fe de novo hou maneira que em os filhos dito he. E efia
ver outras bemfeitorias feitas por aquelle, maneira, fe terá com o marido, quando o
que a houve, e de cujos bens agóra fe prazo for da mulher. •

T EmIque cafos
T naõU L o XCVIII.
|

poderá o pay haver o ufofruto dos bens do filho.


Pay naõ haverá o ufofruto ufofruto d'alguma coufa ao filho; porque
nos bens adventicios do filho, fegundo Direito,naõ fe póde de hum ufo
que eftá fob feu poder, nos ca fruto haver outro ufofruto.
fos feguintes. 5 O quinto cafo he, fe Nós dermos
, 1 O primeiro he, quão o alguma cou alguma coufa ao filho, quer movel, quer
fa for dada, ou deixada ao filho fob tal de raiz.
condiçaõ, que naõ haja o pay o ufofruto 6 Nem haverá outro-fi, ufofruto dos
della, nem outro algum proveito. bens dos filhos no cafo, em que naõ fizer
· 2 O fegundo, fe o pay renunciar o por morte da mãy delles Inventario den
ufofruto da coufa, e lhe aprouver de o tro de dous mezes do dia do falecimento
naõ haver. • |

della, como difemos no Livro primeiro,


3 O terceiro, fe for dada, e deixada no Titulo: Do Juiz dos Orfaós. Paragrafo:
alguma coufa a feu filho por outra pefoa, E mandamos. •

e o pay lhe denegar faculdade para haver 7 E em todos os outros cafos ge


a dita coufa afi doada, ou deixada, naõ ralmente haverá o pay o ufo, e fruto
lhe querendo confentir que a haja , e o fi nos bens adventicios do filho, que eftá
lho a houver fem feu confentimento. fob feu poder, como difemos no Titulo:
, 4 O quarto, fe for dado, e deixado o Das Collaçoés. . • = }
… Liv. IV. L 2 TITU
84 Livro quarto das Ordenaçoês, Tit. 99., e Ioo.

T I T U L o XCIX.
4.
Em que cafôs a may repetirá as defpefas, que fez com o filho.
| Afcendo algum filho de legiti até os tres annos; e toda a outra criaçaõ
} timo Matrimonio, em quanto fe fará á cuíta dos bens do filho; e naõ
durar o Matrimonio entre o tendo elle bens, faça-fe á cuíta da mãy,
marido, e a mulher, elles ambos o devem como mais largo difemos no Livro pri
criar ás fuas proprias depefas; e dar-lhe as meiro no Titulo : Do Juiz dos Orfaõs.
coufas,que lhe forem neceffarias fegundo 4 E tendo o filhobens,por que fe pof
feu eftado, e condiçaõ. E apartado o Ma fa bem criar, fe a mãy fizer em fua cria
trimonio por alguma razaõ fem faleci çaõ alguma defpefa álem da criaçaõ do
mento de cada hum delles, a mãy ferá leite, pode-la-ha cobrar dos bens do filho,
obrigada criar o filho até idade de tres an poíto que a faça fem proteítaçaõ de a co
nos de leite fómente, e o pay lhe fará a brar dos bens delle, pois que a fez como
outra defpefa neceffaria para fua criaçaõ. fua tutora, ou curadora. E ifto haverá
Porêm, fe a mãy for de qualidade, que tambem lugar em qualquer defpefa, que
com razaó naõ deva criar feu filho aos com elle fizer depois dos tres annos,fendo
peitos,o pay ferá obrigado ao mandar criar fua tutora, ou curadora.
á fua cuíta no tempo de tres annos, afi de E naõ fendo a mãy tutora, nem
leite, como de qualquer outra defpefa ne curadora do filho, nem tendo adminiftra
cefaria para fua criaçaõ. çaõ de feus bens, fe fizer alguma defpefa :
1 E fe o filho naõ for nafcido de legi ácerca dos bens do filho, porto que a faça
timo Matrimonio, quer feja natural, quer fem a dita proteítaçaõ pode-la-ha repetir,
efpurio, e de outra qualquer condiçaõ, a e cobrar pelos bens delle.
mãy ferá obrigada cria-lo de leite até tres 6 E fazêdo a mãy alguma defpefa com
annos; e toda a outra defpefa afi no dito a pefoa do filho,naõ fendo fua tutora,nem
tempo, como depois ferá feita á cuíta do curadora, nem fendo adminiftradora de
pay,como difemos no filho legitimo. E fe feus bens, fe a fizer fem proteítaçaõ de a
nos ditos tres annos a mãy fizer com o fi cobrar,e haver depois pelos bens do filho, a
lho alguma defpefa, que o pay he brigado naõ poderá mais repetir,porque, pois fem
fazer, poderá em todo cafo cobra-la,e ha proteítaçaõ a fez, prefume-fe que fua ten
ve-la do pay,pois que a ella fez em tempo, çaõ,e vontade foi faze-la de fua propria fa
que ele tinha efa obrigaçaõ. zenda, e naõ do filho; falvo fendo o filho
* 2 E em todo cafo,onde o pay for obri muito rico,e a mãy pobre,e a defpefa grã
gado pagar a criaçaõ do filho, fenaõ tiver de,por refpeito da qualidade da pefoa,e de
por onde o pofa fazer, pagar-fe-ha pelos feu Patrimonio. Porq nefte cafo a poderá
bens do filho. E naõ tendo o filho bens, repetir fem ter para ifo feito proteítaçaõ.
far-fe-ha á cuíta da mãy, em quanto o ella E fazêdo ela alguma defpefa com a pefoa
bem pudér fazer. do filho com protefaçaõ de a cobrar de
E morrendo o pay, fe a mãy for pois pelos bens do dito filho, podera tudo
tutora do filho, ou adminiftrar feus bens cobrar,e haver pelos bês delle,falvo a def
como tutora, ferá obrigada cria-lo de leite pefaq fizer,em o criar deleite até tres annos

T I T U L O C.
Coll, 1. Porque ordem fè fuccederá nos Morgados, e bens vinculados."
num. I.”
C 2.° / Or tirarmos as duvidas,que fe mo- culados,pofto que o filho mais velho fmor
… --
*
* ** * * *-*
- __*_*
- •
---
** **, *" +
*
vem em alguns cafos,fobre a fuc ra em vida de feu pay, ou do pofuidor do
"… >"</ <> < < < < * *
~ ~

~ ~ ~ ~) cefaõ dos Morgados, ordenamos Morgado, fe o tal filho mais velho deixar
*</ •

……………………………….” “ que na fuccefaó delles, e dos bens vin filho, ou neto, ou defcendentes legitimos,
- *

*
*,
* eftes
/**

• Porque ordemfefuccederá nos Morgados, e bens vinculados. 3; ~~~~

eftes taes defcendentes por fua ordem fe grande proveito a eftes Reynos, para que
preferiráõ ao filho fegundo. O que naõ nelles haja muitas cafas, e Morgados para
fómente haverá lugar na fuccefaõ do melhor defenfaõ, e confervaçaõ dos ditos
Morgado em refpeito dos afcendentes, Reynos, e nos poderem os pofuidores
mas tambem em repeito dos tranfverfaes, delles com mais facilidade fervir, e aos
fendo defcendentes do inftituidor, de ma Reys,que pelo tempo em diante nos fuc
neira que fempre o filho, e feus defcen cederem na Corôa defes Reynos. E que
dentes legitimos por fua ordem reprefen por tanto ajuntando-fe por via de cafa
tem a pelfoa de feu pay, poíto que o mento duas cafas, e Morgados de dife
dito pay naõ houveffe fuccedido no tal rentes inflituidores, e géraçoés em huma
Morgado. E fe os tranfverfaes naõ forem fó pefoa para nelles fucceder (como já
defcendentes do intituidor, fe guardará o algumas neftes Reynos por cafamento fe
que he difporto por Direito Commum. uníraó), ferá caufa de fe extinguir a me
1 E concorrendo na fuccefaõ dos moria dos que os fundáraõ, e inftituiraó, e
Morgados irmaõs varaõ, e femea, orde de naõ terem os irmaõs parentes, e cria
namos que fempre o irmaõ varaõ fucce dos,a quem fe acofiem, e de fe diminuirem
da no Morgado, e bens vinculados, e pre as cafas, e Morgados dos Grandes, e Fi
ceda a fua irmãa, poíto que feja mais ve dalgos, e Nobres: o que ferá em grande
lha. E o me{mo ferá nos outros parentes damno, e prejuízo do Reyno, e muito
em igual gráo mais chegado ao ultimo deferviço nofo; e vendo Nós os ditos
pofuidor; porque fempre o varaõ prece inconvenientes,e outros,que de fe unirem,
derá na fuccefaõ á femea, poíto que ella e ajuntarem as ditas cafas, e Morgados
feja mais velha. pódem recrefcer, querendo nifo prover
2 E nos Morgados,e bens vinculados, como Rey, e Senhor, a quem pertence
de qualquer qualidade que fejaõ, fucce olhar pela confervaçaõ dos Eftados, e
derá o parête mais chegado ao ultimo pof. Nobreza de nofos Vaffalos, defejando
fuidor, fendo do fangue do intituidor. que em nofos tempos as cafas, e Mor
3 E tudo o que acima dito he, fe en gados defles Reynos, e Senhorios fe con
tenderá, naõ declarando, ou difpondo o fervem, e augmentem, e que efteja fem
inflituidor em quaefquer dos ditos cafos previva a memoria, e nome dos inftitui
em outra maneira; porque o que elle or dores delles, e naõ fe confundaó, nem mi
denar, e diffufer fe cumprirá. {turem huns com outros. * *

4 Efta Ordenaçaõ fómente haverá 6 Ordenamos,e mandamos que,todas


lugar na fuccefaõ dos Morgados, e bens as vezes que fe ajuntarem por via de ca
vinculados patrimoniaes; e quanto á fuc famento duas cafas, e Morgados, dos
cefaõ das terras,e bens da Corôa, feguar. quaes hum renda cada anno quatro mil
dará o que difemos no Livro fegundo, cruzados,ou dahi para cima,o filho mayor,
no Titulo: Da maneira, que fe terá na que delle nafcer (o qual confórme as in
fuccefaó dos bens da Corôa. {tituiçoés dos ditos Morgados houvéra de
5 E porque a tençaõ dos Grandes, e fucceder em ambos) fucceda fómente em
Fidalgos,e pefoas Nobres de nofos Rey hum dos ditos Morgados, qual ele quizer
nos, e Senhorios, que inflitúem Morgados efcolher; e o filho fegundo fucceda em
de feus bens, e os vinculaõ, para andarem o outro Morgado, e cafa: eito fem em
em feus filhos, e defcendentes, confórme bargo de quaefquer claufulas,e condiçoés,
as claufulas das inftituiçoés, que fazem, e pelas quaes o filho mais velho feja cha
ordenaõ, he para confervaçaõ, e memoria mado pelos inftituidores, e fundadores a
de feu Nome, e accrefcentamento de feus ambos os Morgados, e fêm embargo ou
Eftados, Cafas, e Nobreza, e para que em tro-fi de quaefquer Leys, , e coftumes,
todo o tempo fe faiba a antiga linhagem, que houver, pelas quaes o filho mais ve
donde procedem, e os bons ferviços, que lho deva fucceder nos ditos dous Mor
fizéraõ aos Reys nofos predeceffores, gados, porque todas ellas, e quaefquer de
pelos quaes merecêraõ delles ferem hon nofo proprio motu, certa feiencia, poder
rados, e acere{centados; do que refulta Real, e Supremo, por eta Ley revoga
mOS,
{

86 Livro quarto das Ordenaçoës, Tit. 1oo.


mos, e havemos por revogadas, quanto algumas cafas, e Morgados, confórme as
para efeito de o dito filho mais velho naõ doaçoés, que para ifo tem, e póde vir em
haver de fucceder em ambas as ditas ca duvida,fe o filho fegundo fuccederá no tal
fas, e Morgados, ficando em tudo o mais Morgado, por fer de bens da Corôa, ha
as ditas Leys, coftumes, claufulas, e con vemos por bem e mandamos que o outro
diçoês póftas nas intituiçoés delles em fua filho pofa nelle fucceder, fendo tal em
força, e vigor. que concorraõ as qualidades, que confór
7 Eito haverá lugar, fendo o filho me a dita Ley mental, e Ordenaçaõ hou
fegundo capaz da fuccefaõ do tal Mor véra de ter para fucceder nos ditos bens,
gado, confórme a intituiçaõ delle; porque e Morgado, fefeu irmaõ por mais velho
fendo por algum cafo o dito filho fegundo o naõ precedêra; por quanto a fuccefaõ
incapaz, fuccederá outro irmaõ, fe o hou do Morgado defes bens da Corôa fe naõ
ver, fendo outro-fi capaz para nelle fuc diferio ao filho mais velho, em quanto
ceder. naõ efcolheo qual dos ditos Morgados
- 8 E naõ havendo irmaõ capaz, ou queria; e affi naõ he vito o outro filho
havendo hum fófilho, poderá o filho Pri fucceder a feu irmaõ nelles, mas imme
mogenito pofuir em fua vida ambos os diatamente a feu pay, confórme á doaçaõ,
Morgados, até delle por fua morte fica que dos ditos bens da Corôa tiver.
rem filhos, ou taes defcendentes,nos quaes 12 E ifto me{mo havemos por bem fe
poffa haver efeito a divifaõ, e feparaçaõ, guarde naquellas filhas,a que por Nós, ou
que das ditas duas cafas, e Morgados, por os Reys nofos antecefores, ou pelos
confórme a efia Ley mandamos que fe que depois de Nós vierem,for feita mercê
faça. que pofaõ fucceder nos bens da Corôa
9 E naõ ficando do dito Matrimonio fem embargo da Ley mental.
filho algum varaõ, e ficando huma, ou 13 E naõ podendo as ditas filhas fuc
mais filhas taes, que confórme a qualidade ceder nos taes bens da Corôa, por naõ ha
dos bens, e claufulas das intituiçoés, pó ver derrogaçaõ da Ley mental, havendo
dem fucceder nos ditos Morgados, o que filho varaõ, elle fuccederá em ambos os
dito he no modo, em que nos ditos Mor Morgados, e os pofuirá em fua vida, até
gados os filhos devem fucceder, haverá delle por fua morte ficarem filhos, ou taes |
lugar nas filhas. defcendentes, em os quaes pofa haver lu
1o Efe houver hum fófilho varaõ, gar a divifaõ, e feparaçaõ acima dita.
que haja de efcolher hum dos ditos Mor 14 E efta Ley queremos,e mandamos
gados, no outro fuccederá a filha,que hou fe entenda naõ fómente cafando as pefoas
ver, naõ fendo excluida pelas claufulas da defes Reynos, e Senhorios de Portugal
inflituiçaõ; e fendo chamada por ella em com outras naturaes delles, mas que tam
cafo,que naõ haja filho varaõ, poderá fuc bem haja lugar nas pefoas, que cafarem
ceder no outro Morgado. E em cafo, que fóra dos ditos Reynos com pefoas efiran
a dita filha feja excluída pelas claufulas da geiras, e naõ naturaes. Por maneira que
inflituiçaõ, o dito filho fó,que houver,fuc em nenhum tempo fe pofaõ ajuntar, nem
cederá em ambos os Morgados, e os pof ajuntem as ditas cafas, e Morgados defte
fuirá, como acima dito he no cafo,em que Reyno com os outros de outro Reyno
ha hum fófilho. •

fóra defte, fenaõ na fórma defta Ley.


11 E por quanto nefte Reyno ha al 15 E outro-fi mandamos, fe entenda
gumas pefoas dos Grandes, e Fidalgos naõ fómente nos filhos,e netos, mas tam
delle,que tem bens da Corôa por doaçoes, bem em todos os outros defcendentes, em
que de Nós,e dos Reys antepafados hou qualquer gráo que feja, e em todas as ou
véraõ, nos quaes confórme a Ley mental, tras pefoas, que por bem das intituiçoés
e Ordenaçaõ do fegundo Livro, Titulo dos taes Morgados, e doaçoés dos bens
trinta e cinco, naõ póde fucceder fenaõ o da Corôa nelles, e nos ditos Morgados
filho varaõ mayor, dos quaes fe fundáraõ pódem fucceder.

TITU
87

T I TU L O CI.
Em que cafos os ficcefores das Terras da Corôa Jeráó obrigados ás dividas
de feus antecefores.
Uando falecer alguma pefoa, rêm naõ ferá obrigado a pagar, fenaõ em
que tiver Terras da Corôa do quatro annos primeiros feguintes, conta
Reyno, e por fua morte fica dos do tempo,que o defunto faleceo,cada
rem dividas feitas em ferviço do anno hum quarto do que as terras rende
Reyno, ou d'El-Rey, ou em criar,e man rem nos ditos dous annos: o que fe repar
ter feus filhos, ou taes dividas forem detirá em cada hum dos quatro annos pelos
ferviço de criados, a que por nofas Orde crédores foldo a livra, havendo refpeito
naçoés era obrigado pagar feus ferviços, ao que for devido a cada hum, e naõ ao
ou cafamentos, aquelle, a que as ditas ter numero dos crédores. E naõ abaftando as
ras vierem,ora lhe venhaõ por as haver, e rendas, e frutos dos dous annos ás ditas
acquirir a pefoa, por cuja morte lhe ficá dividas, naõ ferá obrigado a pagar mais
raó, ora por as haver, e acquirir algum coufa alguma.
outro feu anteceffor, poíto que ele naõ 1. E todo o acima dito haverá lugar
queira aceitar a herança,nem ferherdeiro, nas dívidas, que ficáraõ por morte dos Ád
fe outros bens patrimoniaes naõ houver, minifradores dos Morgados. Porêm, fe o
que bafiem para pagamento das dividas, defunto, que deixou as dividas, for o In
todavia fique obrigado a pagar as dividas {tituidor do Morgado,guardar-fê-ha o que
da fobredita qualidade, até a quantia, que difemos no terceiro Livro, no Titulo :
as rendas, e frutos das ditas terras rende Comofe haõ de arrematar os bens, é rendas
rem dous annos primeiros feguintes. Po dos Morgados. |

T I T U L O CII.
Coll.r.
Dos Tutores, e Curadores, que fe daó aos Orfaôs." Illllll. I =
* |-
|- |

… e "………………» *
Juiz dos Orfaõs terá cuidado inimigo do Orfaó, ou pobre ao tempo do * * * ~~~~~

de dar Tutores,e Curadores a to falecimento do defunto; ou efcravo, ou ___*


** * * *
|-
>> > > >* ~~~~ •

}^_^ ** *
dos os Orfaõs, e Menores, que infame, ou Religiofo,ou impedido de al
••• |-
• ~~~ •

os naõ tiverem dentro de hum mez, do dia, gum outro impedimento perpetuo.E onde •
«… … … --* * * * * * *
-* "……………–
* * * *-*
"
* *
|

|-
{

que ficarem Orfaõs; aos quaes Tuto Tutor for dado em tetamento perfeito, e •~~~
|
, --* - -
|-
*
*

res, e Curadores fará entregar todos os folemne, naõ ferá dado ao Orfaõ, ou Me _____*
|-

<<<< ----+
|

bens moveis, e de raiz, e dinheiro dos di nor outro Tutor, ou Curador pelo Juiz; ** * * * * *

tos Orfaós, e Menores, por conto, e reca mas aquelle, que lhe foi dado em tefta
do, e inventario feito pelo Efcrivaõ de feu mento, o ferá em quanto o fizer bem, e
cargo, fob pena de privaçaõ do Oficio. como deve a proveito do Orfaó, ou Me
1. E para faber,como ha de dar os di nor,e naõ fizer coufa,por que deva fer tira
tos Tutores, e Curadores, primeiramente do da dita Tutoria, ou Curadoria. E eftes
fe informará, fe o pay, ou avô deixou em Tutores, ou Curadores dados em tefta
feu teflamento Tutor, ou Curador a feus mento pelas fobreditas pefoas, que por
filhos, ou netos; e fe era pefoa, que podia Direito os pódem dár, naõ feráó obriga
fazer teítamento; por quanto algumas pef. dos dar fiança alguma.
foas o naõ pódem fazer, como acima he 2 E fe algum pay em teflamento dei
dito. E faberá outro-fi, fe deixou por Tu xar Tutor, ou Curador a feu filho natural,
tor, ou Curador pefoa, que por Direito e naõ legitimo, ou a mãy deixaffe Tutor,
o póde fer, que naõ feja menor de vinte ou Curador em feu teftamento a feus fi
cinco annos, ou fandeu, ou prodigo, ou lhos, etas taes Tutorias, ou Curadori
devem

as
88 Livro quarto das Ordenaçoës, Tit. 102.
devem fer confirmadas pelo Juiz dos Or for dada por Tutora, ou Curadora de feus
faõs, fe vir que os taes Tutores, ou Cu filhos, ou netos, na maneira,que dito he,
radores faõ para ifo pertencentes. e fe cafar, e por ifo lhe for removida, e
3 E fe algum Orfaõ naõ tiver Tutor, tirada da Tutoria, e Curadoria, feella
ou Curador, que lhe fofe deixado em te depois viuvar, e quizer tornar a fer Tu
flamento, e tivermãy, ou avó, que vive tora, e Curadora dos ditos feus filhos > Oll
rem hone{tamente, e naõ forem já outra netos, naõ lhe ferá confentido.
vez cafadas, e quizerem ter as Tutorias, 5 E fe o Orfaõ, ou Menor naõ tiver
ou Curadorias de feus filhos, ou netos, Tutor, ou Curador dado em tetamento,
naõ confentirá o Juiz dos Orfaõs que ufem nem mãy, ou avó, que feja fua Tutora,ou
dellas, até perante elle fe obrigarem de Curadora, na maneira, que dito he, o pa
bem e fielmente adminitrarem os bens, e rente mais chegado, que tiver no Lugar,
pefoas de feus filhos, ou netos; e que ha ou feu Termo,onde eftaõ os bens do Or
vendo de cafar, antes que cafem, pediráõ faõ, ferá confirangido que feja feu Tutor,
que lhes fejaõ dadosTutores, ou Curado ou Curador. E fe tiver muitos parentes
res; aos quaes entregaráõ todos os bens, em igual gráo, o Juiz efcolherá o mais ido
que aos ditos Orfaõs pertencerem: para o neo, e pertencente para ifo, e o confiram
que renunciaráõ perante oJuiz o beneficio gerá ao fer. Porém,antes de lhe entregar o
da Ley do Velleano, a qual diz que ne dito Orfaó, ou Menor, e feus bens dará
nhuma mulher póde fer fiador, nem obri fiador abonado, que por elle fe obrigue
gar-fe por outrem, a qual Ley lhe ferá de que guardará, e aproveitará os bens do
clarada qual he o favor, que por ella lhes Orfaõ, e os frutos, e rendas delles. E álem
he dado. E afi renunciaráõ todos os ou difto o dito Tutor, ou Curador jurará de
tros Direitos, e privilegios introduzidos fazer todas as coufas, que forem em pro
em favor das mulheres. E que fem embar veito do Orfaõ, e guardar fielmente fua
go delles cumpriráõ tudo aquillo,a que affi pefoa, e bens. Porêm, fe o Tutor for abo
fe obrigarem. E efte acto, e renunciaçaõ, nado em tantos bens de raiz, por que o
e obrigaçaõ, efcreverá o Efcrivaõ no in Orfaõ razoadamente pofa ter fegurança
ventario dos bens dos ditos Orfaõs, e o de feus bens, e rendas delles, em quanto
Juiz o affignará de feu fignal, e o fará afi em poder do Tutor eftiverem, naõ ferá
gnar a tres teítemunhas pelo menos, que contrangido a dar fiança. E naõ fendo
feráó prefentes, das quaes huma fobfcre abonado, fe jurar aos Santos Euangelhos
verá, e dirá que affigna pela dita Tutora, que naõ tem, nem pode achar fiador, ten->
ou Curadora, que affi fe obrigou por lho do feita toda a diligencia em o bufcar, fe
ela rogar, quando ella naõ fouber efere o Juiz houver por verdadeira informaçaõ
ver. E tanto que o dito acto for feito lhe que ele he pefoa honeta, e digna de fé,
deixará ter os Orfaós, ou Menores,e feus e que bem rege, e governa fua pefoa, e
bens, em quanto o bem fizer, e fe naõ ca fazenda, de que razoadamente fe deva, e
far. E naõ tendo, nem po{fuindo bens de pofa fiar a pefoa, e bens do Orfaó, con
raiz as ditas mãys, ou avós dos Orfaõs, correndo todas eftas coufas, feja relevado
por que pofaõ cumprir a obrigaçaõ fobre da fiança; e feja confirangido a reger, e
dita, daráõ fiança baftante e fegura a toda adminiftrar a dita Tutoria. E em quanto
a fazenda dos ditos Orfaós, que lhe affi fi o Juiz achar parente do Orfaõ abonado
car em poder, a qual fiança o Juiz fará afi para fer Tutor,naõ confirangerá o que naõ
affignar, e efcrever nos inventarios com for abonado, ainda que feja parente mais
teftemunhas, como fe cotuma nas notas chegado em gráo,de maneira,que fómente
de femelhantes contratos; e fer-lhef-ha por falta do abonado feja confirangido o
dada fé como a efcriptura feita por Ta naõ abonado, em quanto for achado pa
balliaõ das Notas. E outras mulheres naõ rente do Orfaõ idoneo,e pertencente para
feráõ dadas por Tutoras, ou Curadoras, fer feu Tutor, naõ feja confirangido a ifo |
nem lhes ferá confentido que ufem de tal algum efiranho.
cargo, poíto que o queiraó fer. 6 E fe algum parente mais chegado
4 E fe alguma mulher fendo viuva fe e{cufar de fer Tutor, naõ #### OS
Cl1S
Dos Tutores, e Curadores, que fe daó aos Orfaõs. 89
bens do dito Orfaõ, fe morrer antes de çaõ. E faça o dito Juiz de tal maneira,
haver quatorze annos; fe for varaõ; e an que por fua culpa, ou negligencia os bens
tes de doze, fe for femea. E morrendo o dos Orfaõs naõ recebaõ damno; porque
Orfaõ depois da dita idade, naõ perderá todo o damno, e perda, que receberem,
o tal feu parente o direito, que tiver para pagará por feus bens.
herdar em feus bens, por afi fe efcufar da 9 E os Tutores,que,naõ fendo paren
Tutoria. tes, forem contrangidos, naõ feráõ obri
7 E naõ fe achando parente ao Orfaõ gados ter as ditas Tutorias contra fuas
para poder fer confirangido, o Juiz obri vontades mais que dous annos continuos,
gará hum homem bom do Lugar,que feja contados do dia,que começarem reger, e
abonado, difcreto, digno de fé, e perten adminifrar. E acabados os dous annos, o
cente para fer Tutor, e Curador do dito Tutor requererá logo aoJuiz dos Orfaõs,
Orfaõ, e para guardar, e adminifrar fua que dê outro Tutor ao Orfaõ. E o dito
pefoa, e bens,que o Orfaõ tiver nefe Lu Juiz confirangerá logo ao outro na ma
gar; ao qual fará entregar o dito Orfaó, e neira,que dito he; ao qual mandará entre
todos feus bens por efcripto. gar por efcripto todos os bens, e rendas
8 E tendo o Orfaõ alguns bens em do Orfaõ, confirangendo o Tutor, que de
outro Lugar fóra da jurifdiçaõ do dito antes foi, que lhos faça logo entregar real
Juiz, efte Juiz efcreverá com diligencia mente, e com efeito. E naõ fazendo a en
ao Juiz do Lugar, onde os ditos bens eti trega, do dia,que a conta for acabada, até
verem, dando-lhe declaradamente a infor
nove dias primeiros feguintes, feja logo
maçaõ do negocio, e requerendo-lhe da prefo,até que da cadêa com efeito pague,
nofa parte, que faça logo dar hum Cu e entregue ao Tutor novo tudo o que por
rador abonado a effes bens; e lhos faça conta for achado que deve ao Orfaõ. E
entregar por efcripto, fendo-lhe primeiro affi fe faça, cada vez que algum Tutor for
dado juramento, que os adminiftrará bem removido, ou dado outro de novo.
e fielmente; e dará conta delles, e dos fru 1o Efe algum Tutor, naõ fendo pa
tos,e rendas, que renderem, a todo tempo, rente do Orfaõ, quizer ter a Tutoria mais
que para ifo for requerido. E o dito Juiz tempo, que os ditos dous annos, achando
tenha cuidado de haver a repofta por ef. oJuiz que a adminiftrou bem o tempo paf
cripto do outro Juiz, a que tal recado en fado,e que he abonado para ifo,e que naõ
viar, e da obra, que por elle fez: o que to ha outra caufa, para lhe dever fer tirada,
do fe efcreverá no inventario dos bens dodeixar-lhe-ha ter a dita Tutoria,em quanto
dito Orfaó, para todo vir a boa arrecada o bem fizer, e bem parecer ao Juiz.

L O CIII.
Dos Curadores , que fe daó. aos prodigos, e mentecaptos.
Orque álem dos Curadores, que fazenda; e fe cumprir, o faça aprifoar, em
haõ de fer dados aos Menores de maneira que naõ pofa fazer mal a outrem.
|- vinte cinco annos, fe devem tam E fe, depois que lhe affi for encarregada a
bem dar Curadores aos defafifádos, e def> guarda do dito feu filho, ele fizer algum
memoriados, e aos prodigos, que mal ga mal, ou damno a outrem, na pefoa, ou
ftarem fuas fazendas; mandamos que,tan fazenda, o dito feu p