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Administração Pública para AFRFB

Teoria e Questões Comentadas


Prof. Victório Amoedo – Aula AULA 0

AULA 00 – Aula Demonstrativa

Modelos Teóricos de Administração Pública: Patrimonialista; Burocrático e


Gerencial.

SUMÁRIO PÁGINA
Apresentação 01
Informações sobre o curso 02
Análise do último edital 04
Modelos Teóricos de Administração Pública 04
1. Conceitos Iniciais 05
2. Patrimonialismo 07
3. Burocracia 10
Questões propostas 25
Gabarito 34
Questões comentadas 35

Olá meus amigos!

Sejam bem vindos ao curso de Administração Pública para o concurso


de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil! Já escrevo esse curso
ciente do EDITAL ESAF AFRFB 2014!

É com imensa satisfação que passo a fazer parte da grande equipe de


professores do Concurseiro Fiscal, com ensino especializado e
completamente focado em concursos da área fiscal.

Nossa proposta terá o seguinte foco: a abordagem completa da


matéria no estilo da Banca examinadora ESAF.

No entanto, não vamos nos desviar dos elementos que devem nortear
o aprendizado eficaz: apresentação dos temas em uma sequência
didaticamente elaborada, com abordagem clara e objetiva, sem
arrodeios desnecessários, ainda mais nesse momento em que já
temos o Edital na praça!

Nessa linha, o nosso objetivo aqui é detalhar os itens do conteúdo


programático, de tal forma que você conheça profundamente a
matéria, chegue à prova com bastante segurança e o melhor, sem
perder tempo.

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Apresentação do Professor

Antes de começar o nosso curso gostaria de fazer uma breve


apresentação pessoal:

Sou graduado em Administração e concluí o Mestrado em Comércio


Exterior pela Universidade de Santigo de Compostela (ES). Trabalhei
em Empresas do setor privado como FORD e CVRD, além de
experiêcia internacional na Zara Logística (ES). Atualmente exerço o
cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil (2010). Já fui
aprovado em diversos concursos da área Fiscal e de Gestão, como
ATA (2009), ATRFB (2010) e EPPGG-MPOG (2009), de modo que
conheço muito bem as dificuldades e aflições por que passam os
sofridos concurseiros.
Espero dividir com você, meu amigo, a experiência adquirida ao longo
da minha preparação, pois sei exatamente o que se passa “do outro
lado”: as expectativas, as dificuldades e os sonhos.

Bom, feitas as apresentações iniciais, passemos ao detalhamento do


nosso curso.

Informações sobre o curso

1. Divisão das aulas


Nosso curso será ministrado ao longo de 7 aulas, incluindo esta aula
demonstrativa, de acordo com o cronograma abaixo:

AULA ASSUNTO DATA

Modelos Teóricos de Administração Pública:


Aula 00 ---
Patrimonialismo e Burocracia.

Organização do Estado e da administração


Pública; Modelos Teóricos de Administração
Aula 01 17/03
Pública: Gerencial; e Experiências de Reformas
administrativas.

O processo de Modernização da Administração


Aula 02 Pública; evolução dos modelos/paradigmas de 28/03
gestão: A Nova Gestão Pública.

Governabilidade, Governança e Accountability;


Aula 03 Governo eletrônico e Transparência; Qualidade 07/04
na administração Pública.

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Novas tecnologicas gerenciais e organizacionais e


Aula 04 14/04
sua aplicação na Administração Pública.

Orçamento público e os parâmetros da política


fiscal; Ciclo orçamentário; Orçamento e gestão
das organizações do setor público; características
básicas de sistemas orçamentários modernos:
Aula 05 estrutura programática, econômica e 21/04
organizacional para alocação de recursos
(classificações orçamentárias); mensuração de
desempenho e controle orçamentário;
Elaboração, Gestão e Avaliação Anual do PPA.

Controle da Administração Pública; Ética no


Aula 06 exercício da Função Pública; e Gestão Pública 30/04
Empreendedora.

2. Metodologia utilizada
A nossa metodologia será o desenvolvimento da teoria intercalado
com questões comentadas à medida que os temas forem sendo
apresentados, de modo a unir a teoria e a prática de prova, fazendo
que você tenha uma visão completa do assunto.
Isso ajuda muito na preparação, eis que o estudo somente da teoria
pode se tornar cansativo, com muitos detalhes e termos técnicos que
acabam por confundir o aluno.
No intuito de facilitar o aprendizado, as questões serão selecionadas
de modo que a teoria seja bem entendida após a sua resolução.
Durante a exposição da teoria, as questões apresentadas serão todas
comentadas. No final de cada aula, serão propostas outras questões,
para que você as resolva e proceda à correção pelo gabarito e revise
através dos comentários apresentados.
As questões utilizadas no nosso curso são de autoria da ESAF,
retiradas de provas de concursos anteriores e de cursos de formação
por ela ministrados.
Trabalharemos, ainda, a questão discursiva da prova de AFRFB
de 2010.

3. Suporte

Por fim, prezado aluno, informo que nosso estudo não se limita à
apresentação das aulas ao longo do curso. É mais do que natural que
você tenha dúvidas, mas elas não podem permanecer até o dia da

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prova, não é mesmo? Então, estarei sempre à disposição para


responder aos seus questionamentos através do fórum de cada aula.
Todos têm dúvidas. Errar é comum quando se está tentando
aprender. O que não pode acontecer é você guardar sua dúvida.
Conte comigo!
Nada será mais gratificante para mim do que receber um e-mail
trazendo a notícia da sua aprovação.

Análise do Edital e da Disciplina

Feitas as considerações sobre o conteúdo programático e a


distribuição das aulas, analisemos agora a importância da Disciplina
Administração Pública para o certame AFRFB 2014.
Nesse certame a matéria contará provavelmente com 5 questões de
peso 1 na prova objetiva, já que virá acompanhada de administração
Geral, não sendo objeto de questão discursiva. A disciplina pode
aparentar irrelevante do ponto de vista relativo, contudo, conheço
muitos concurseiros que já experimentaram a reprovação por causa
de um ponto ou a eliminação por conta do nçao atingimento dos
mínimos por prova!
Desse modo, todo ponto disponível é importante, não ignore nenhuma
matéria! Para ter certeza do que estou falando veja a pontuação dos
aprovados por disciplina, lá você verá que os aprovados foram bem
em todas as matérias, salvo raras exceções!
Quanto a nossa disciplina, sua dificuldade se dá na forma como a
Banca Examinadora explora as fontes. Não há uma obra específica
como a maioria das disciplinas, a ESAF explora diversos artigos de
Doutrinadores renomados na elaboração de suas questões.
Essas questões por vezes abordam conteúdos teóricos de tais
doutrinadores. Contudo, algumas questões costumam cobrar o
conhecimento de trechos literais de tais obras, que fora de contexto,
podem ter elevado nível de dificuldade.
Não se preocupe, trabalharemos detalhadamente questões da banca e
ao final desse curso você estará preparado para encarar o desafio!
Assim, analisados todos os itens que nortearão o nosso curso, vamos
ao que interessa!!!

Modelos teóricos de Administração Pública:

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1. Conceitos iniciais

De acordo com Maria Sylvia Zanella Di Pietro, o conceito de


administração pública divide-se em dois sentidos: 1) sentido objetivo,
material ou funcional e; 2) sentido subjetivo, formal ou orgânico.
"Em sentido objetivo, material ou funcional, a administração pública
pode ser definida como a atividade concreta e imediata que o Estado
desenvolve, sob regime jurídico de direito público, para a consecução
dos interesses coletivos.”
“Em sentido subjetivo, formal ou orgânico, pode-se definir
Administração Pública, como sendo o conjunto de órgãos e de
pessoas jurídicas aos quais a lei atribui o exercício da função
administrativa do Estado".
Ou seja, independente da sua origem, seja através de Lei ou por
conta da sua própria natureza, a administração pública seria a
atividade concreta que o Estado desenvolve, sob o regime jurídico de
direito público, para a consecução dos interesses coletivos. Ou seja,
estamos falando da gestão da coisa pública.
Dito isto, antes de abordarmos os modelos de administração pública é
importante que conheçamos os conceitos de poder, dominação e
disciplina desenvolvidos pelo pensador alemão Max Weber, vamos a
eles:
Poder para weber seria “toda probabilidade de impor a própria
vontade numa relação social, mesmo contra resistências, seja qual for
o fundamento dessa probabilidade.”
Dominação “é a probabilidade de encontrar obediência a uma
ordem de determinado conteúdo, entre determindas pessoas
indicáveis”.
Disciplina “é a probabilidade de encontrar obediência pronta,
automática e esquemática a uma ordem, entre uma pluralidade
indicável de pessoas, em virtude de atividades treinadas”.
Pode-se observar que há uma gradação entre os conceitos, enquanto
o poder impõe a vontade do seu detentor, a dominação envolve a
obediência, mesmo que limitada a um determinado grupo, já a última
seria uma probabilidade.
A dominação também foi descrita por Weber como “a possibilidade
de um determinado grupo se submeter a um determinado mandato”.
Ele também defendeu que existiam três tipos diferentes de
dominação, que se diferenciavam, principalmente, pelo seu

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fundamento legitimador (Pessoal ou Impessoal), sendo elas: Legal,


Tradicional e Carismática.
Nota-se, pelo raciocínio do autor, que o poder associado a algum dos
tipos de legitimação (Carismática, Tradicional e Racional-Legal)
resultaria em um dos três tipos de dominação que descreveremos
abaixo:
Dominação Carismática: Nessa forma de dominação os
dominados obedecem ao senhor em virtude do seu carisma, ou seja,
das suas qualidades excepcionais e extracotidianas que lhe conferem
poder de mando. Carisma, no sentido sociológico, deve ser
interpretado como dons próprios do indivíduo que o tornam
admirável. É importante saber que essa forma de dominação, apesar
de ter a capacidade de romper com as formas normais de dominação,
é bastante instável, e se não for substituída por uma dominação
tradicional ou Racional-Legal pode ser superada.
A ESAF já definiu a dominação carismática como:
“A dominação carismática baseia-se no poder que
emana do indivíduo, seja pelo conhecimento ou
feitos heróicos.”

Dominação Tradicional: Caracteriza-se pela crença na


santidade de quem dá a ordem e de suas ordenações, sua ordem
mais pura se dá pela autoridade patriarcal onde o senhor ordena e os
súditos obedecem. O ordenamento é fixado pela tradição, e sua
violação seria uma afronta à legitimidade da autoridade. Os servidores
são totalmente dependentes do senhor e ganham seus cargos por
privilégios ou concessões feitas pelo senhor, não há estatuto, o
senhor pode agir de acordo com suas vontades.
A ESAF já definiu a dominação tradicional como:
“A dominação tradicional baseia-se no poder que
emana do patriarca, do direito natural e das
relações pessoais entre senhor e subordinado.”

Dominação Racional-Legal: A obediência está fundamentada


na vigência e aceitação da validade intrínseca das normas. A ideia
principal da dominação legal é que deve existir um estatuto que pode
ou criar ou modificar normas, desde que esse processo seja legal e de
forma previamente estabelecida. Neste modelo de dominação, o
dominado obedece ao estatuto, e não à pessoa, independente do
pessoal, ele obedece ao dominante que esse possui a autoridade em
virtude de uma regra que lhe legitimou a ocupar este posto, ou seja,
ele só pode exercer a dominação dentro dos limites fixados no
estatuto. Desse modo, o poder é totalmente impessoal, se obedece à
regra fixada e não à vontade pessoal do governante. Como exemplo
da dominação legal podemos citar o Estado moderno ou uma empresa

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privada em que haja uma hierarquia organizada e regulamentada. A


forma mais pura de dominação legal é a burocracia.

A ESAF já definiu a dominação Racional-Legal como:


“A dominação racional-legal baseia-se no poder
que emana do estatuto estabelecido, regulando os
atos de quem ordena e de quem obedece às
ordens.”

Agora que já sabemos o significado de Poder, Legitimidade e


Dominação podemos começar a explicar os modelos de administração
pública patrimonialista, burocrático e gerencial.

2. Patrimonialismo

O patrimonialismo é um modelo de administração pública baseado na


dominação tradicional, na qual a vontade do senhor e os limites
impostos pela tradição definem os rumos dos governados. Esse modo
de administração tem como característica principal a confusão
patrimonial entre os bens do senhor e os bens públicos.
No patrimonialismo não há separação clara entre a “res pública” (Bens
Públicos) e a “res principis” (Bens do Príncipe), o soberano se utiliza
do patrimônio público como se seu fosse, apropriando-se dos recursos
coletados para seu próprio proveito, administrando-os de acordo com
sua vontade.
Com o passar do tempo o senhor patrimonial necessitou recrutar um
quadro administrativo para ajudá-lo a administrar o patrimônio real.
Tal corpo funcional não mantinha uma relação profissional com o
senhor, e sim uma relação de natureza pessoal, de submissão.
Conceitos como hierarquia, profissionalismo, salário em dinheiro e
estatuto não podem ser relacionados a esse modelo de administração,
lembrem-se disso!
No Patrimonialismo os “cargos” eram chamados de Prebendas ou
Sinecuras, ou ocupação rendosa e de pouco trabalho que, muitas
vezes, era transmitida hereditariamente. Esses “funcionários”
mantinham uma relação de proximidade com o senhor, tendo como
forma de sustento a alimentação à mesa do soberano; os
emolumentos (rendimentos provenientes dos bens do senhor); as

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terras funcionais; oportunidades apropriadas de rendas, taxas ou


impostos; além dos Feudos.
Esse é o conceito clássico de Patrimonialismo, contudo, o termo
começou a ser utilizado para caracterizar a corrupção e o
aproveitamento do patrimônio público em benefício próprio. Bresser
Pereira definiu patrimonialismo como sendo:

“A Característica que definia o governo


das sociedades pré-capitalistas e pré-
democráticas era a privatização do
Estado, ou a interpermeabilidade dos
patrimônios público e privado.
“Patrimonialismo” significa a
incapacidade ou a relutância de o príncipe
distinguir entre o patrimônio público e
seus bens privados. A Administração do
Estado pré-capitalista era uma
administração patrimonialista.”

O modelo patrimonialista, originalmente, predominou nos estados


absolutistas. Isso não significa que com o surgimento da burocracia e
do gerencialismo ele desapareceu, muito pelo contrário. No Brasil,
especificamente, práticas patrimonialistas persistem acontecendo até
os dias atuais, mesmo com todos os controles e pressões sociais
contra tais condutas. A ESAF já afirmou diversas vezes que o
patrimonialismo continua existindo em nossa administração pública,
conforme alternativa da prova SUSEP 2010:

d) de certa forma, patrimonialismo,


burocracia e gerencialismo convivem em
nossa administração contemporânea.

A afirmativa é verdadeira, realmente não se pode afirmar que o


patrimonialismo foi eliminado da administração pública brasileira, ele
continua persistindo. Toda vez que vivenciamos um escândalo
envolvendo ocupantes de cargos públicos temos uma prova viva e
atual de que esse modelo não faz parte do nosso passado.
Vejamos mais uma afirmativa recente sobre o tema retirada da prova
de Auditor-Fiscal da RFB 2010:

“b) o patrimonialismo pré-burocrático


ainda sobrevive, por meio das
evidências de nepotismo,
gerontocracia e designações para

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cargos públicos baseadas na lealdade


política.”

Já vimos que práticas patrimonialistas, como o nepotismo e o


fisiologismo, ainda persistem, tanto no modelo burocrático como no
gerencial, hodiernamente. A ESAF costuma cobrar esse
posicionamento em suas provas, não hesitem em afirmar que práticas
patrimonialistas continuam existindo.
Vejamos outra questão da ESAF sobre o patrimonialismo:
(ESAF – EPPGG 2008/MPOG)

Os tipos primários de dominação tradicional são os casos em


que falta um quadro administrativo pessoal do senhor. Quando
esse quadro administrativo pessoal do senhor surge, a
dominação tradicional tende ao patrimonialismo, a partir de
cujas características formulou-se o modelo de administração
patrimonialista. Examine os enunciados a seguir, sobre tal
modelo de administração, e marque a resposta correta

1 - O modelo de administração patrimonialista caracteriza-se


pela ausência de salários ou prebendas, vivendo os “servidores”
em camaradagem com o senhor a partir de meios obtidos de
fontes mecânicas.

2 - Entre as fontes de sustento dos “servidores” no modelo de


administração patrimonialista incluem-se tanto a apropriação
individual privada de bens e oportunidades quanto a
degeneração do direito a taxas não regulamentado.

3 - O modelo caracteriza-se pela ausência de uma clara


demarcação entre as esferas pública e privada e entre política e
administração; e pelo amplo espaço à arbitrariedade material e
vontade puramente pessoal do senhor.

4 - Os “servidores” não possuem formação profissional


especializada, mas, por serem selecionados segundo critérios
de dependência doméstica e pessoal, obedecem a formas
específicas de hierarquia patrimonial.

a) Estão corretos os enunciados 2, 3 e 4.


b) Estão corretos os enunciados 1, 2 e 3.
c) Estão corretos somente os enunciados 2 e 3.
d) Estão corretos somente os enunciados 1 e 3.
e) Todos os enunciados estão corretos.

Comentários

Vamos à análise das alternativas:

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A 1 é incorreta, weber afirma que no patrimonialismo


realmente existe a falta dos salários, contudo, as prebendas e
sinecuras são regras. Aprendemos que a “sinecura”, ou sem
cuidado, e a “prebenda”, ou ocupação rendosa e de pouco
trabalho, são práticas características do modelo patrimonial de
administração pública.
Vimos também que, segundo weber, o “servidor” patrimonial
obtém seu sustento através: da alimentação à mesa do senhor;
De emolumentos, na maioria das vezes em espécie,
provenientes de bens e dinheiros do senhor; De terras
funcionais; de oportunidades apropriadas de rendas, taxas ou
impostos; e de Feudos pertencentes ao senhor.
A 2 é correta, conforme o acima exposto.
A 3 é correta, é uma característica patrimonial, de um governo
sem organização ou racionalização típica do estado burocrático.
Assim, no patrimonialismo, a esfera pública se confunde com a
privada, ocorrendo uma verdadeira confusão patrimonial.
A 4 é incorreta, não se pode afirmar que no patrimonialismo
exista qualquer tipo de hierarquia, que é típica do modelo de
administração racional burocrático.
Gabarito: C.

Vejamos o conceito de Patrimonialismo do Bresser Pereira, autor do


Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (PDRAE), cobrado
pela ESAF:

“A característica que definia o governo


nas sociedades pré-capitalistas e pré-
democráticas era a privatização do
Estado, ou a interpermeabilidade dos
patrimônios público e privado.
“Patrimonialismo” significa a
incapacidade ou a relutância de o príncipe
distinguir entre o patrimônio público e os
seus bens privados. A administração do
Estado pré-capitalista era uma
administração patrimonialista.”

Com o surgimento do capitalismo industrial o papel do estado teve


que ser revisto. Práticas como nepotismo, a confusão patrimonial e a
fragilidade do direito de propriedade privada não eram mais
compatíveis com o Estado moderno, o que nos leva ao nosso próximo
ponto do edital, a Burocracia Weberiana.

3. Burocracia

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3.1 Conceito
A burocracia administrativa, ou “Governo de escritório”, desenvolveu-
se ao redor dos anos 1940, em função das mudanças
socioeconômicas ocorridas e em decorrência das necessidades
específicas dos Estados modernos do século XX.
Essa teoria administrativa, que teve em Max Weber seu maior
expoente, defendia que: “um homem pode ser pago para agir e se
comportar de certa maneira preestabelecida, a qual lhe deve ser
explicada, muito minuciosamente e, em hipótese alguma, permitindo
que suas emoções interfiram no seu desempenho. A Sociologia da
Burocracia propôs um modelo de organização e os administradores
não tardaram em tentar aplicá-lo na prática em suas empresas e na
administração pública”.
Segundo Weber:
“A administração puramente burocrática é a forma
mais racional de exercício de dominação, porque
nela se alcança tecnicamente o máximo de
rendimento em virtude de precisão, continuidade,
disciplina, rigor e confiabilidade – isto é,
calculabilidade tanto para o senhor quanto para os
demais interessados –, intensidade e
extensibilidade dos serviços e aplicabilidade
formalmente universal a todas as espécies de
tarefas.”

Esse modelo baseia-se na racionalidade, isto é, na adequação dos


meios aos objetivos (fins) pretendidos, a fim de garantir a máxima
eficiência possível no alcance das metas estabelecidas.
Além da Eficiência, a burocracia também promove a segurança nos
processos, por conta dos seus rígidos controles procedimentais, dado
o foco nos procedimentos característico. Veremos adiante a posição
do Bresser Pereira, importante doutrinador da Administração Pública
acerca do tema.
Atenção! A burocracia, no seu sentido puro, está sim associada ao
conceito de eficiência, já que defende a racionalidade como princípio
básico. Não confundam as disfunções da burocracia com o modelo em
si. Trataremos das disfunções mais adiante.

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Vejamos o posicionamento da ESAF acerca do assunto manifestado no


certame AFRFB 2010:

“a) o maior trunfo do gerencialismo foi


fazer com que o modelo burocrático
incorporasse valores de eficiência, eficácia
e competitividade.”

A afirmativa “A” está errada, Max Weber sempre relacionou a


burocracia à racionalidade (instrumental), adequação dos meios aos
fins, o que, em tal contexto, significa eficiência. Desse modo, não se
pode afirmar que o modelo gerencial incorporou ao burocrático o valor
da eficiência, uma vez que ele já o possuía. A competitividade
indubitavelmente, como veremos na próxima aula, foi introduzida pelo
modelo gerencial.
Vejamos a definição de burocracia do Bresser Pereira:

“Administração Pública Burocrática - Surge


na segunda metade do século XIX, na
época do Estado liberal, como forma de
combater a corrupção e o nepotismo
patrimonialista. Constituem princípios
orientadores do seu desenvolvimento a
profissionalização, a idéia de carreira, a
hierarquia funcional, a impessoalidade, o
formalismo, em síntese, o poder racional
legal. Os controles administrativos visando
evitar a corrupção e o nepotismo são
sempre a priori. Parte-se de uma
desconfiança prévia nos administradores
públicos e nos cidadãos que a eles dirigem
demandas. Por isso, são sempre
necessários controles rígidos dos
processos, como por exemplo na admissão
de pessoal, nas compras e no atendimento
a demandas.”

“Como já vimos, existem ainda hoje duas


formas de administração pública
relevantes: a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
BUROCRÁTICA e a ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA GERENCIAL. A primeira, embora
sofrendo do excesso de formalismo e da
ênfase no controle dos processos, tem
como vantagens a segurança e a
efetividade das decisões. Já a
administração pública gerencial
caracteriza-se fundamentalmente pela
eficiência dos serviços prestados a
milhares senão milhões de cidadãos.
Nestes termos, no núcleo estratégico, em

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que o essencial é a correção das decisões


tomadas e o princípio administrativo
fundamental é o da efetividade, entendido
como a capacidade de ver obedecidas e
implementadas com segurança as decisões
tomadas, é mais adequado que haja um
misto de administração pública burocrática
e gerencial.”

Algumas das características citadas pelo Bresser são “disfunções” do


modelo, assunto que veremos mais a diante, contudo, o forte controle
procedimental e a desconfiança prévia no administrador público são
características típicas da burocracia.
Weber identificou os três principais fatores que favoreceram o
desenvolvimento da burocracia:
• O desenvolvimento de uma economia monetária: Na
Burocracia, a moeda assume o lugar da
remuneração em espécie para os funcionários,
permitindo a centralização da autoridade e o
fortalecimento da administração burocrática;
• O crescimento quantitativo e qualitativo das tarefas
administrativas do Estado Moderno;
• A superioridade técnica – em termos de eficiência –
do tipo burocrático de administração: serviu como
uma força autônoma para impor sua prevalência.
Com o desenvolvimento de uma economia capitalista não havia mais
espaço para o “funcionalismo” amador do estado patrimonial. Os
trabalhadores profissionais agora eram remunerados com salários
pagos em pecúnia, tendo suas funções claramente delimitadas.
A complexidade das obrigações do Estado Capitalista não pode ser
comparada com o Estado que apenas garantia a segurança do modelo
patrimonial. Funções como proteção à propriedade privada, segurança
e justiça pertencem à esfera dos deveres do estado capitalista,
exigindo um modelo de administração capaz de atender às demandas
de uma sociedade mais complexa e interdependente.
Por conta da sua eficiência e racionalidade, a burocracia era, em tese,
único modelo de administração pública capaz de atender essas novas
necessidades, tornando-se mandatório nas economias capitalistas do
século XX.
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Vimos durante o curso que a Burocracia seria um modelo de


administração baseado na dominação Racional-Legal. Veremos, mais
adiante, que o gerencialismo aproveitou muitos conceitos da
burocracia, dentre eles a sua forma de dominação. Então como
podemos explicar essa afirmativa?

“(ESAF/EPPGG-MPOG/2009) Acerca do modelo de


administração pública gerencial, é correto afirmar que é
orientada, predominantemente, pelo poder racional-
legal.”

Pasmem, a ESAF considerou a afirmativa como incorreta. Não


considerem isso como uma “verdade absoluta”, a banca aqui forçou a
barra e adotou uma doutrina que não é dominante, tendo como
fundamento o artigo do Vasconcelos:
“No início deste artigo mostramos como a
autoridade racional-legal fornece o fundamento de
legitimidade da burocracia. No caso de um modelo
pós-burocrático, qual o fundamento de
legitimidade? A resposta mais plausível a esta
questão é que o modelo pós-burocrático se baseia
na recuperação da autoridade carismática e na sua
inserção limitada dentro de contextos burocráticos,
visando dinamizá-los. Esta hipótese explicaria por
que organizações puramente pós-burocráticas não
existem (por não ser possível construir
duravelmente organizações de grande porte
baseadas exclusivamente em padrões de
autoridade carismática).”

Então, para as organizações pós-burocraticas haveria, segundo a


banca, um predomínio da dominação carismática em detrimento da
típica dominação racional-legal quase sempre associada à burocracia.

3.2 Características da Burocracia.

A burocracia é caracterizada por ser um arranjo administrativo


racional, formal, impessoal e profissional, dirigido por

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administradores treinados que tendem a controlar cada vez mais


completamente suas tarefas.
A Racionalidade, como já citamos, está relacionada com a
adequação dos meios aos fins, visando encontrar a melhor forma para
se realizar uma tarefa, ou a mais eficiente.
A Formalidade está relacionada com a legitimação racional-legal da
burocracia, relativamente antética à legitimação tradicional do modelo
patrimonialista de administração pública.
Na burocracia os “servidores” obedecem ao estatuto (Lei), e não à
vontade puramente pessoal do senhor. Aqui os servidores têm seus
deveres e tarefas claramente definidos no Estatuto, que arrola
exaustivamente as regras e regulamentos que regem a organização e
sua relação com os clientes internos e externos. As relações
hierárquicas e da cadeia de comando estão claramente definidas, cada
um tem o seu papel.
A formalidade também está associada à necessidade da norma ser
escrita e ao caráter exaustivo das mesmas. As comunicações devem
ser feitas na forma escrita, assim como as petições dos clientes, para
que sejam processadas pela máquina burocrática e o cliente receba
sua resposta, produto ou serviço.
A Impessoalidade se relaciona com a vedação a que se submete o
“servidor” ou trabalhador de agir com qualquer tipo de discriminação,
seja ela positiva ou negativa. O burocrata deve atuar sem ódio nem
paixões, atendendo todos da mesma forma, não retardando atos que
o sujeito tem direito e nem criando obrigações que não as
estritamente necessárias e estabelecidas. Weber definiu a
impessoalidade como:

“A burocracia é mais plenamente


desenvolvida quando mais se desumaniza,
quanto mais completamente alcança as
características específicas que são
consideradas como virtudes: a eliminação
do amor, do ódio e de todos os elementos
pessoais, emocionais e irracionais, que
escapam ao cálculo.”

O Profissionalismo
Vimos que no patrimonialismo os “servidores” do senhor
ocupam suas posições em virtude de sua posição social ou do

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apadrinhamento ou relacionamento do servo para com o senhor. Aqui


não importa a competência, e sim a indicação. Veremos que a
burocracia é incompatível com esse tipo de prática.
O profissionalismo burocrático está relacionado com a
seleção e recrutamento impessoal de acordo com critérios de
competência e preparo. Nesse modelo não há espaço para
apadrinhamento, a necessidade de competências específicas ordenam
que o “servidor” possua as habilidades e atitudes necessárias para o
exercício da função, dominando o regulamento e agindo de acordo
com os estatutos.
Aqui, ao contrário do patrimonialismo, o trabalhador é um
administrador profissional, e essa é sua atividade principal, ao
contrário dos nobres ou demais estamentos sociais patrimonialistas.
O administrador profissional atua de forma imparcial,
obedecendo comandos estatutários claros, em nome de seu
empregador. Ele recebe seu salário em pecúnia, de acordo com o
contratado, obedecendo estritamente às ordens definidas pelo seu
superior hierárquico. Essa, deve ser estritamente obedecida nas
organizações burocráticas, sob pena de demissão.
Vejamos o profissionalismo segundo Weber:

“O tipo mais puro de dominação legal é


aquele que se exerce por meio de um
quadro administrativo burocrático.
Somente o dirigente da associação possui
sua posição de senhor, em virtude ou de
apropriação ou de eleição ou de designação
de sucessão. Mas competências senhoriais
são também competências legais. O
conjunto do quadro administrativo se
compõe, no tipo mais puro, de funcionários
individuais (monocracia em oposição à
colegialidade), os quais:”

• São pessoalmente livres; obedecem somente às obrigações


subjetivas de seu cargo;

• São nomeados, e não eleitos, numa hierarquia rigorosa dos


cargos;

• Têm competências funcionais fixas;

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• São contratados, sobre a base da livre seleção segundo critérios


racionais, como qualificação e títulos;

• São remunerados com salários fixos em dinheiro, na maioria dos


casos com direito a aposentadoria; em certas circunstâncias
(especialmente em empresas privadas), podem ser demitidos pelo
patrão, porém podem demitir-se por sua vez; seu salário está
escalonado, em primeiro lugar, segundo a posição hierárquica e,
além disso, segundo a responsabilidade do cargo e o princípio da
correspondência à posição social;

• Exercem o cargo como profissão única ou principal;

• Trabalham em separação absoluta dos meios administrativos e


sem apropriação do cargo;

• Estão submetidos a um rigoroso e homogêneo sistema de


disciplina e controle do serviço.

Nesse trecho Weber enumera as principais características que tornam


a burocracia um modelo de administração profissional. Recomendo
que vocês memorizem esses pontos e os relacionem com o
profissionalismo.
Vejamos uma questão da ESAF acerca da Burocracia:

ESAF APO/MPOG 2010

O século XX assistiu ao crescimento sem precedente dos aparelhos


burocráticos. Assinale a opção que não é correta acerca da
burocracia na perspectiva weberiana.

a) A burocracia é o tipo tecnicamente mais puro de poder legal.


b) O funcionalismo por turnos, por sorte e por escolha, a administração
parlamentar e por comissões e todas as espécies de corpos colegiais de
governo e administração não podem ser considerados um tipo legal, ainda
que a sua competência se baseie em regras estatutárias e o exercício do
direito governativo correspondente.
c) As cúpulas mais altas das associações políticas são ou “monarcas”
(governantes carismáticos por herança) ou “presidentes” eleitos pelo povo
(portanto, senhores carismáticos plebiscitários) ou eleitos por uma
corporação parlamentar, onde, em seguida, os seus membros ou, melhor, os
líderes, mais carismáticos ou mais notáveis dos seus partidos
predominantes, são os senhores efetivos.
d) A história da evolução do Estado moderno se identifica, em especial, com
a história do funcionalismo moderno e da empresa burocrática, tal como

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toda a evolução do moderno capitalismo avançado se identifica com a


crescente burocratização da empresa econômica.
e) Na época da emergência do Estado moderno, as corporações colegiais
contribuíram de modo muito essencial para o desenvolvimento da forma
legal de poder, e a elas deve o seu aparecimento, sobretudo o conceito de
“autoridade”.

Comentários

Essa questão foi retirada da obra do Weber, “Os três tipos puros do
poder legítimo.” Disponível em:
http://www.lusosofia.net/textos/weber_3_tipos_poder_morao.
pdf
Recomendo sua leitura, uma vez que é alta a probabilidade da ESAF
usá-lo novamente!
A alternativa “A” é verdadeira, já vimos que a burocracia é baseada
no poder legal:

“A burocracia é o tipo tecnicamente mais


puro de poder legal.”

A “B” é incorreta, sendo nosso gabarito. Não se pode afirmar que


organizações políticas não sejam legais, ou baseadas no estatuto. Elas
são sim legais, contudo, não são burocráticas, e sim políticas,
baseadas numa mescla de legitimação carismática e legal ou
estatutária. Vejamos o trecho que fundamenta essa conclusão:

“A burocracia não é o único tipo de poder


legal. O funcionalismo por turnos, por sorte
e por escolha, a administração parlamentar
e por comissões e todas as espécies de
corpos colegiais de governo e
administração que aqui se inscrevem, na
superposição de que sua competência se
baseia em regras estatutárias e o exercício
do direito governativo corresponde ao tipo
da administração legal.”

A alternativa “C” é verdadeira, apesar de não tratar da burocracia, e


sim das organizações políticas, a afirmativa descreve corretamente as
características da monarquia, do presidencialismo e do
parlamentarismo respectivamente:

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“As cúpulas mais altas das associações


políticas são ou “monarcas” (governantes
carismáticos por herança) ou “presidentes”
eleitos pelo povo (portanto, senhores
carismáticos plebiscitários) ou eleitos por
uma corporação parlamentar, onde, em
seguida, os novos membros ou, melhor, os
líderes, mais carismáticos ou mais
notáveis, dos seus partidos predominantes,
são os senhores efetivos. Também quase
em nenhum lado é, de fato, o corpo
administrativo puramente burocrático, mas
nas variadas formas, em partes notáveis,
em parte os representantes de interesses
costumam participar na administração.”

A “D” é correta, cópia do texto:

“Toda a história da evolução do Estado


moderno se identifica, em especial, com a
história do funcionalismo moderno e da
empresa burocrática (cf. adiante), tal como
toda a evolução do moderno capitalismo
avançado se identifica com a crescente
burocratização da empresa económica. A
participação das formas burocráticas do
governo aumenta em toda a parte.”

A “E” também foi retirada do texto:

Na época da emergência do Estado


moderno, as corporações colegiais
contribuíram de modo muito essencial para
o desenvolvimento da forma legal de
poder, e a elas deve o seu aparecimento
sobretudo o conceito de “autoridade”. Por
outro lado, o funcionalismo por eleição
desempenha um grande papel na pré-
história da moderna administração por
funcionários (e também hoje nas
democracias).

Gabarito B.
Recomendo a leitura do texto, é bem provável uma repetição do
trecho nos próximos certames!!

3.3 Disfunções da Burocracia.

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Quando se fala em burocracia automaticamente pensamos em suas


disfunções não é verdade? Em como o serviço público é lento, auto
referido, apegado a procedimentos e pouco eficiente. Já vimos que
isso não é tecnicamente burocracia, já que ela é um arranjo racional
que visa a eficiência dos processos, essas características são suas
disfunções, ou as consequências de sua má aplicação ou
entendimento, ou a sua inaptidão para responder às demandas da
sociedade contemporânea.
Vimos que a burocracia foi uma mudança paradigmática em relação
ao patrimonialismo. Sua racionalidade, impessoalidade,
profissionalismo e formalidade romperam fortemente com o
amadorismo dominante na administração pública patrimonial.
Contudo, com o passar do tempo, a burocracia, que parecia ser a
solução de todos os problemas, não conseguiu atender as
expectativas da sociedade moderna de entregar serviços públicos de
qualidade. O rigoroso apego às normas e sua despersonalização,
quase ignorando as perspectivas humanas das organizações, foram
revelando um modelo administrativo lento, apegado ao papelório,
com funcionários de mentalidade estreita e sem atitude, incapazes de
tomar decisões e assumir responsabilidades.
Estes problemas estão relacionados com a adoção da racionalidade
instrumental por esse modelo administrativo. Tal pensamento,
adotado por Weber, defende que se deve determinar o meio mais
adequado para se atingir um determinado fim, contudo, quando o
foco se desvia patologicamente para a hipertrofia dos meios, há um
esquecimento de qual é o fim a ação. Esse apego excessivo aos meios
é que potencializa as disfunções da burocracia.
A racionalidade instrumental está relacionada com a ética da
convicção, em contraposição com a ética da responsabilidade, ou
racionalidade substantiva. A primeira, defende que as decisões devem
ser tomadas com base em valores absolutos, que não podem ser
flexibilizados. Tomemos um exemplo, para os católicos a vida de um
feto é um valor absoluto, independentemente de qualquer
circunstância, o aborto é vedado.
Tal inflexibilidade está relacionada com a característica vinculada das
organizações burocráticas, ou seja, a burocracia atua de acordo com a
ética da convicção. Já a ética da responsabilidade, mais afeita aos

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políticos, pode sobrestar um valor, a exemplo da vida, em um


circunstância especial, como a legitima defesa. Tal ética flexibiliza
seus valores quando justificados por alguma razão.
Essa é a diferença básica entre os Orgãos de Estado (Vinculados, ética
da convicção) e os órgãos de governo, ou políticos, para os quais
predomina a ética da responsabilidade. Enquanto o primeiro executa
os meios, o segundo define os fins.
Uma outra disfunção burocrática ocorre quando ela se hipertrofia e
começa a usurpar competências políticas, ou seja, começa a definir os
fins. Uma vez que a burocracia é responsável por executar as leis,
definidas pelos legisladores, ela acaba cooptando a sociedade e
adquirindo relevante poder de manobra, já que é ela que presta os
serviços à mesma. No momento em que ela se utiliza desse poder
para influir na esfera política temos uma anomalia sistêmica
relevante.
Outra disfunção ocorre quando o fenômeno oposto ocorre, ou seja, a
política se apodera do aparato burocrático. Esse problema é tão grave
quando o outro, ao aparelhar o Estado esses políticos podem
perpetuar-se no poder, interferindo nas decisões de órgãos de Estado
em favor de seus interesses políticos.
Vejamos as principais disfunções burocráticas segundo a doutrina
utilizada pela ESAF:
• Internalização das Regras e apego aos
regulamentos: Ocorre quando as normas e
regulamentos burocráticos passam a ser mais
importantes que o objetivo do processo, ou seja, o
serviço público. A partir do momento em que o
processo passa a ser mais importante que o
resultado temos um problema.
• Excesso de formalismo: Quando uma organização
torna-se engessada e não consegue desempenhar
nenhuma função sem que algum formulário seja
preenchido. O controle é importante, contudo, o seu
excesso é prejudicial e pode travar uma
organização, nem tudo tem que ser por escrito.
• Resistência às Mudanças: O burocrata demora
tanto tempo para aprender os procedimentos
relacionados com o seu trabalho que simplesmente
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odeia a ideia de ter que mudar alguma coisa depois


que ele aprendeu. Essa resistência tende a
tornar a organização cada vez mais ineficiente, já
que há uma resistência às melhorias.
• Nível mínimo de desempenho: O respeito às
normas passa a ser tão importante que os
resultados perdem importância. Os trabalhadores
tendem a atingir um nível mínimo de desempenho,
que tende a se homogeneizar na organização,
acabando por reduzir a competição e o atingimento
de metas.
• Despersonalização do relacionamento: As
pessoas passam a perder importância, a formalidade
é tamanha que as comunicações são endereçadas
aos cargos, ignorando os seus ocupantes, reduzindo
a integração e a comunicação dentro e fora da
entidade.
• Categorização do processo decisório: As
decisões são tomadas sempre da mesma maneira,
ignorando as peculiaridades do caso concreto, e
pior, sempre de acordo com a hierarquia e longe da
execução, ou seja, pelo chefe que tem pouco acesso
aos problemas do cotidiano.
• Exibição de Sinais de Autoridade – Surge a
tendência á utilização intensa de símbolo de status
para demonstrar a posição hierárquica dos
funcionários, como uniforme, mesa etc.
• Dificuldade no Atendimento a Clientes e
Conflitos com o Público – O funcionário está
voltado para dentro da organização. Esta atuação
interiorizada para a organização o leva a criar
conflitos com os clientes da organização. Todos os
clientes são atendidos de forma padronizada, de
acordo com regulamentos e rotinas internos, fazem
com que o público se irrite com a pouca atenção e
descaso para com seus problemas particulares e
pessoais.
• Superconformidade às Rotinas e aos
Procedimentos – Com o tempo, as regras e rotinas
tornam-se sagradas para o funcionário. O impacto

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dessas exigências burocráticas sobre a pessoa


provoca profunda limitação em sua liberdade e
espontaneidade pessoal.

Além dessas disfunções apontadas acima, o Autor José Matias Pereira


enumerou outras que podem gerar alguma confusão, e já foram
cobradas em provas da FGV.
Segundo ele, seriam disfunções burocráticas associadas às nossas
influencias culturais:
“Destacam-se entre essas características os
aspectos que envolvem apego às regras, às
rotinas e ao poder, excessiva valorização da
hierarquia, centralização, corporativismo, forte
paternalismo nas relações funcionais,
desconsideração dos avanços conquistados,
descontinuidade administrativa, perda de
tecnologia e desconfiança generalizada.”

Lembrem-se que essas seriam características disfuncionais das


burocracias brasileiras, devido às influencias culturais típicas do nosso
serviço público.
O paternalismo e o corporativismo são típicos do modelo
patrimonialista, daí a necessidade de cuidado! Quando esses
conceitos forem associados às disfunções burocráticas da
administração pública brasileira ou ao conceito do autor eles estão
corretos, de outro modo, refere-se ao patrimonialismo.
Vejamos algumas disfunções burocráticas apontadas por Bresser
Pereira, Ministro do MARE do governo FHC:

“Por outro lado, o controle - a garantia do


poder do Estado - transforma-se na própria
razão de ser do funcionário. Em
consequência, o Estado volta-se para si
mesmo, perdendo a noção de sua missão
básica, que é servir à sociedade. A
qualidade fundamental da administração
pública burocrática é a efetividade no
controle dos abusos; seu defeito, a
ineficiência, a auto-referência, a
incapacidade de voltar-se para o serviço
aos cidadãos vistos como clientes. “

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Todos esses fatores citados que contribuíram para a crise da


burocracia são endógenos, contudo, outros colaboraram para a sua
derrocada, como veremos a seguir.
Vimos que a burocracia substituiu o patrimonialismo por ser um
modelo de administração muito superior. As praticas clientelistas,
nepotistas e arbitrárias do primeiro eram incompatíveis com o
capitalismo industrial, sendo a burocracia fundamental para o
desenvolvimento de uma economia moderna.
Com o passar do tempo, as sociedades foram se tornando mais
intolerantes às condições de trabalho desumanas impostas pelo
capitalismo industrial, até certo ponto comparáveis à condição de
trabalho escravo. A ameaça do comunismo e as pressões internas
resultaram numa redefinição do papel do Estado, de simples
garantidor da defesa, da justiça, da arrecadação e da propriedade,
para um grande prestador de serviços universais como saúde,
previdência, assistência e educação. Vejamos trecho do PDRAE sobre
o tema (Por esse defeito entenda-se disfunções burocráticas como
auto-referência, lentidão e controles excessivos):

“Esse defeito, entretanto, não se revelou


determinante na época do surgimento da
administração pública burocrática porque
os serviços do Estado eram muito
reduzidos. O Estado limitava-se a manter a
ordem e administrar a justiça, a garantir os
contratos e a propriedade.”

Com esse novo papel, o Estado moderno precisava de recursos e de


um aparato administrativo capaz de operacionalizar serviços para
atender às demandas sociais. Enquanto o mundo vivia um momento
de prosperidade foi possível manter os órgãos prestadores
funcionando, mesmo que à custa de um endividamento crescente,
contudo, sob uma dinâmica de frágil sustentabilidade.
Com a crise do petróleo, que teve início em 1970, o modelo de Estado
burocrático e assistencialista defendido pelo “Welfare State”, ou
Estado do Bem-Estar Social, entrou em crise. Além da falta de
recursos, os contribuintes mostraram-se descontentes com os
serviços públicos ofertados em relação aos tributos cobrados,
movimento denominado crise dos “tax payers”.

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Tais fatores agregados conduziram os países adeptos do “welfare


State” a uma crise fiscal, e, sobretudo, a uma crise do modelo
burocrático. Essa crise iniciou os debates em torno de novos modelos
de administração pública, nos levando ao assunto da próxima aula, o
Gerencialismo.
Até lá!

Questões propostas

Questão 01 - (ESAF) APO/MPOG 2010

O século XX assistiu ao crescimento sem precedente dos


aparelhos burocráticos. Assinale a opção que não é correta
acerca da burocracia na perspectiva weberiana.

a) A burocracia é o tipo tecnicamente mais puro de poder legal.


b) O funcionalismo por turnos, por sorte e por escolha, a
administração parlamentar e por comissões e todas as espécies de
corpos colegiais de governo e administração não podem ser
considerados um tipo legal, ainda que a sua competência se baseie
em regras estatutárias e o exercício do direito governativo
correspondente.
c) As cúpulas mais altas das associações políticas são ou “monarcas”
(governantes carismáticos por herança) ou “presidentes” eleitos pelo
povo (portanto, senhores carismáticos plebiscitários) ou eleitos por
uma corporação parlamentar, onde, em seguida, os seus membros
ou, melhor, os líderes, mais carismáticos ou mais notáveis dos seus
partidos predominantes, são os senhores efetivos.
d) A história da evolução do Estado moderno se identifica, em
especial, com a história do funcionalismo moderno e da empresa
burocrática, tal como toda a evolução do moderno capitalismo
avançado se identifica com a crescente burocratização da empresa
econômica.
e) Na época da emergência do Estado moderno, as corporações
colegiais contribuíram de modo muito essencial para o
desenvolvimento da forma legal de poder, e a elas deve o seu
aparecimento, sobretudo o conceito de “autoridade”.

Questão 02 – ESAF EPPGG/MPOG 2009

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Ao identificar três tipos puros de dominação legítima, Max


Weber afirmou que o tipo mais puro de dominação legal é
aquele que se exerce por meio de um quadro administrativo
burocrático. A seguir, são relacionadas algumas características
da administração burocrática weberiana. Identifique a opção
falsa.
a) A totalidade dos integrantes do quadro administrativo é composta
por funcionários escolhidos de forma impessoal.
b) Existe uma hierarquia administrativa rigorosa.
c) A remuneração é em dinheiro, com salários fixos e em geral com
direito a pensão.
d) As condições de trabalho são definidas mediante convenção
coletiva entre os funcionários e a administração.
e) Os funcionários estão submetidos a disciplina rigorosa e a
vigilância administrativa.

Questão 03 – (ESAF) ANA 2009

Como forma de organização baseada na racionalidade, a


burocracia acarreta algumas consequências não previstas.
Nesse contexto, nos casos em que, devido à rígida
hierarquização da autoridade, quem toma decisões é o
indivíduo de cargo mais alto na hierarquia, temos a seguinte
disfunção:

a) Categorização como base do processo decisório.


b) Despersonalização do relacionamento.
c) Exibição de sinais de autoridade.
d) Internalização das regras e exagerado apego aos regulamentos.
e) Superconformidade às rotinas e procedimentos.

Questão 04 – (ESAF) CGU 2008

Considerando a diferenciação conceitual para fins didáticos


dos modelos patrimonialista, burocrático e gerencial da
administração pública no Brasil, selecione a opção que
conceitua corretamente o modelo burocrático de gestão.

a) Estado centralizador, onipotente, intervencionista e espoliado por


uma elite que enriquece e garante privilégios por meio de exclusão da
maior parte da sociedade.
b) Estado centralizador, profissional e impessoal que busca a
incorporação de atores sociais emergentes e estabelece normas e
regras de funcionamento.

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c) Estado desconcentrado que privilegia a delegação de competências


para os municípios e foca o controle social de suas ações.
d) Estado coordenador de políticas públicas nas três esferas da
federação, visando à desburocratização dos processos
governamentais.
e) Estado descentralizado que tem como foco de suas ações o
contribuinte, que é visto como cliente dos serviços públicos.

Questão 05 – (ESAF) AFRFB 2009

Considerando os modelos teóricos de Administração pública, é


incorreto afirmar que, em nosso país:

a) O maior trunfo do gerencialismo foi fazer com que o modelo


burocrático incorporasse valores de eficiência, eficácia e
competitividade.
b) O patrimonialismo pré-burocrático ainda sobrevive, por meio das
evidências de nepotismo, gerontocracia e designações para cargos de
públicos baseadas na lealdade política.
c) A abordagem gerencial foi claramente inspirada na teoria
administrativa moderna, trazendo, para os administradores públicos,
a linguagem e as ferramentas do setor privado.
d) no núcleo estratégico do Estado, a prevalência do modelo
burocrático se justifica pela segurança que ele proporciona.
e) Tal como acontece com o modelo burocrático, o modelo gerencial
adotado também se preocupa com a função controle.

Questão 06 – ESAF APO 2010

Acerca dos modelos de gestão patrimonialista, burocrático e


gerencial, no contexto brasileiro, é correto afirmar:

a) Cada um deles constituiu-se, a seu tempo, em movimento


administrativo autônomo, imune a injunções políticas, econômicas e
culturais.
b) com a burocracia, o patrimonialismo inicia sua derrocada, sendo
finalmente extinto com a implantação do gerencialismo.
c) o caráter neo-liberal da burocracia é uma das principais causas da
sua falência.
d) fruto de nossa opção tardia pela forma republicana de governo, o
patrimonialismo é um fenômeno sem paralelo em outros países.
e) com o gerencialismo, a ordem administrativa se reestrutura,
porém sem abolir o patrimonialismo e a burocracia que, a seu modo e
com nova roupagem, continuam existindo.

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Questão 07 - (ESAF) EPPGG MPOG 2009

Acerca do modelo de administração pública gerencial, é


correto afirmar:

a) Admite o nepotismo como forma alternativa de captação de


recursos humanos.
b) sua principal diferença em relação à administração burocrática
reside na forma de controle, que deixa de se basear nos processos
para se concentrar nos resultados.
c) nega todos os princípios da administração pública patrimonialista e
da administração pública burocrática..
d) é orientada, predominantemente, pelo poder racional-legal.
e) caracteriza-se pela profissionalização, ideia de careira, hierarquia
funcional, impessoalidade e formalismo.

Questão 08 - (ESAF) AFRF/2002

Segundo Weber, há três formas de dominiação/legitimação do


poder. Assinale a reposta que identifica corretamente uma
dessas formas.

a) A dominação burocrática baseia-se no poder que emana do


patriarca, do direito natural e das relações pessoais entre senhor e
subordinado.
b) A dominação tradicional baseia-se no poder que emana do estatuto
estabelecido, regulando os atos de quem ordena e de quem obedece
às ordens.
c) A dominação carismática baseia-se no poder que emana do
indivíduo, seja pelo seu conhecimento ou feitos heróicos.
d) A dominação carismática baseia-se no poder que emana das
normas estabelecidas, podendo ser alteradas por uma nova
regulamentação.
e) A dominação tradicional baseia-se no poder que emana do
conhecimento e reconhecimento de atos heróicos, extinguindo-se com
o indivíduo.

Questão 09 – (ESAF) AFRFB 2012

Sobre o modelo de administração pública burocrática, é


correto afirmar que:

a) pensa a sociedade como um campo de conflito, cooperação e


incerteza, na qual os cidadãos defendem seus interesses e afirmam
suas posições ideológicas.

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b) assume que o modo mais seguro de evitar o nepotismo e a


corrupção é pelo controle rígido dos processos, com o controle de
procedimentos.
c) prega a descentralização, com delegação de poderes, atribuições e
responsabilidades para os escalões inferiores.
d) preza os princípios de confiança e descentralização da decisão,
exige formas flexíveis de gestão, horizontalização de estruturas e
descentralização de funções.
e) o administrador público prega o formalismo, o rigor técnico e
preocupa-se em oferecer serviços, e não em gerir programas.

Questão 10 – (ESAF) AFC STN 2013

A respeito das características da administração burocrática e


da administração gerencial, atribua “B” à assertiva que
descreva aspectos da administração burocrática e “G” à
assertiva que descreva aspectos da administração gerencial.
Ao final, assinale a opção que contenha a sequência correta

( ) O modo mais seguro de evitar o nepotismo e a corrupção é pelo


controle rígido dos processos, com o controle dos procedimentos.
( ) Pensa na sociedade como campo de conflito, cooperação e
incerteza no qual os cidadãos defendem seus interesses e afirmam
suas posições ideológicas
( ) Preocupa-se em oferecer serviços e não em gerir programas, visa
atender aos cidadãos.
( ) É autorreferente e se concentra no processo, em suas próprias
necessidades e perspectivas.

a) G, G, B, G
b) B, G, B, B
c) B, B, G, G
d) B, G, G, B
e) G, B, B, G

Questão 11 – (ESAF) EPPGG-MPOG 2008

Os tipos primários de dominação tradicional são os casos em


que falta um quadro administrativo pessoal do senhor. Quando
esse quadro administrativo puramente pessoal do senhor
surge, a dominação tradicional tende ao patrimonialismo, a
partir de cujas características formulou-se o modelo de
administração patrimonialista. Examine os enunciados a
seguir, sobre tal modelo de administração, e marque a
resposta correta.

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1. O modelo de administração patrimonialista caracteriza-se pela


ausência de salários ou prebendas, vivendo os “servidores” em
camaradagem com o senhor a partir de meios obtidos de fontes
mecânicas.
2. Entre as fontes de sustento dos “servidores” no modelo de
administração patrimonialista incluem-se tanto a apropriação
individual privada de bens e oportunidades quanto a degeneração do
direito a taxas não regulamentado.
3. O modelo caracteriza-se pela ausência de uma clara demarcação
entre as esferas pública e privada e entre política e administração; e
pelo amplo espaço à arbitrariedade material e vontade puramente
pessoal do senhor.
4. Os “servidores” não possuem formação profissional especializada,
mas, por serem selecionados segundo critérios de dependência
doméstica e pessoal, obedecem a formas específicas de hierarquia
patrimonial.

a) Estão corretos os enunciados 2, 3 e 4.


b) Estão corretos os enunciados 1, 2 e 3.
c) Estão corretos somente os enunciados 2 e 3.
d) Estão corretos somente os enunciados 1 e 3.
e) Todos os enunciados estão corretos.

Questão 12 – (ESAF) APO-MPOG 2008

O modelo de gestão pública burocrático, com base nos


postulados weberianos, é constituído de funcionários
individuais, cujas características não incluem:

a) liberdade pessoal e obediência estrita às obrigações objetivas do


seu cargo, estando submetidos a um sistema homogêneo de disciplina
e controle do serviço.
b) exercício do cargo como profissão única ou principal, com
perspectiva de carreira: progressão por tempo de serviço ou mérito,
ou ambas.
c) competências funcionais fixas em contrato e segundo qualificações
profissionais verificadas em provas e certificadas por diplomas.
d) apropriação dos poderes de mando inerentes ao cargo (exercício
da autoridade), mas não dos meios materiais de administração, nem
do próprio cargo.
e) nomeação, numa hierarquia rigorosa dos cargos, sendo
remunerados com salários fixos em dinheiro.

Questão 13 – (ESAF) ENAP 2006

Assinale a opção incorreta.

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a) No modelo patrimonialista de administração pública existe uma


interpermeabilidade dos patrimônios público e privado.
b) Um dos princípios do modelo burocrático de administração pública
é um sistema administrativo impessoal, formal e racional.
c) Um dos princípios do modelo patrimonialista de administração
pública é o acesso por concurso ao serviço público.
d) O modelo gerencial de administração pública tem como um dos
seus objetivos garantir a propriedade e o contrato.
e) O modelo burocrático de administração pública se baseia no
serviço público profissional.

Questão 14 – (ESAF) EPPGG-MPOG 2005

Com base no pensamento de Max Weber, julgue as sentenças


sobre a burocracia atribuindo (V) para a afirmativa verdadeira
e (F) para a afirmativa falsa, assinalando ao final a opção
correta.

( ) A constituição prévia de uma economia monetária é condição sine


qua non para o surgimento da organização burocrática.
( ) O Estado moderno depende completamente da organização
burocrática para continuar a existir.
( ) A burocracia é elemento exclusivo do Estado moderno capitalista,
não sendo verificável em outros momentos da história.
( ) O modelo burocrático é a única forma de organização apta a
desempenhar as tarefas necessárias para o bom funcionamento do
capitalismo.

a) V, F, F, V
b) V, V, F, F
c) F, F, V, V
d) F, V, F, V
e) F, F, F, V

Questão 15 – (ESAF) CGU 2004

Ao longo de sua história, a administração pública assume


formatos diferentes, sendo os mais característicos o
patrimonialista, o burocrático e o gerencial. Assinale a opção
que indica corretamente a descrição das características da
administração pública feita no texto a seguir.

“O governo caracteriza-se pela interpermeabilidade dos patrimônios


público e privado, o nepotismo e o clientelismo. A partir dos
processos de democratização, institui-se uma administração que usa,

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como instrumentos, os princípios de um serviço público profissional e


de um sistema administrativo impessoal, formal e racional.”

a) Patrimonialista e gerencial
b) Patrimonialista e burocrático
c) Burocrático e gerencial
d) Patrimonialista, burocrático e gerencial
e) Burocrático

Questão 16 – (ESAF) EPPGG-MPOG 2003

O século XIX marca o surgimento de uma administração


pública burocrática em substituição às formas patrimonialistas
de administrar o Estado. O chamado “patrimonialismo”
significa a incapacidade ou relutância do governante em
distinguir entre o patrimônio público e seus bens privados.
Assinale a opção que indica corretamente as características
da administração pública burocrática.

a) Serviço público profissional, flexibilidade organizacional e


nepotismo.
b) Serviço público profissional e um sistema administrativo fruto de
um arranjo político, formal e racional.
c) Serviço público profissional e um sistema administrativo impessoal,
formal e racional.
d) Serviço público fruto de um arranjo entre as forças políticas e um
sistema administrativo seletivo de acordo com os diversos grupos de
sustentação da base de governo.
e) Serviço público orientado para o consumidor, ênfase nos
resultados em detrimento dos métodos e flexibilidade organizacional.

Questão 17 – (ESAF) EPPGG-MPOG 2003

A administração burocrática clássica, baseada nos princípios


da administração do Exército prussiano, foi implantada nos
principais países europeus no final do século XIX. Ela foi
adotada porque era uma alternativa muito superior à
administração patrimonialista do Estado. Quais das seguintes
características básicas pertencem ao conceito de burocracia de
Weber?

I. Ligação entre os patrimônios público e privado.


II. Autoridade funcional baseada no estatuto.
III. Gestão voltada para resultados.

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IV. Caráter hierárquico das relações de trabalho.


V. Caráter impessoal das relações profissionais, sem ódios ou paixões.
VI. Critérios de mérito para atribuição de responsabilidades e
evolução na carreira.
VII. Autoridade derivada de normas racionais-legais.

Estão corretos apenas os itens:

a) III, VII
b) II, VI, VII
c) II, IV,V,VI, VII
d) II, III, VII
e) II , VI

Questão 18 – (ESAF) EPPGG-MPOG 2002

Segundo Weber, há três formas de dominação/legitimidade do


poder. Assinale a resposta que identifica corretamente uma
dessas formas.

a) A dominação burocrática baseia-se no poder que emana do


patriarca, do direito natural e das relações pessoais entre senhor e
subordinado.
b) A dominação tradicional baseia-se no poder que emana do estatuto
estabelecido, regulando os atos de quem ordena e de quem obedece
às ordens.
c) A dominação carismática baseia-se no poder que emana do
indivíduo seja pelo seu conhecimento ou feitos heroicos.
d) A dominação carismática baseia-se no poder que emana das
normas estabelecidas, podendo ser alteradas por uma nova
regulamentação.
e) A dominação tradicional baseia-se no poder que emana do
conhecimento e reconhecimento de atos heroicos, extinguindo-se com
o indivíduo.

Questão 19 – (ESAF) AFC 2002

Julgue as sentenças relativas às diferenças entre


administração patrimonial e administração burocrática.

I. A administração burocrática é impessoal no sentido de que há uma


separação entre o ocupante e o cargo.
II. Patrimonialismo baseia-se na salvaguarda do patrimônio público
em relação aos interesses privados.

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III. Clientelismo é uma prática patrimonial na medida em que implica


a apropriação privada do cargo.
IV. Caráter racional-legal está diretamente relacionado à ética da
convicção ou do valor absoluto.
V. Prebendas e sinecuras são formas patrimonialistas de ocupação.

A quantidade de itens corretos é igual a:

a) 1
b) 2
c) 3
d) 4
e) 5

Questão 20 – (ESAF) AFC 2001

Segundo Max Weber, a autoridade ou dominação baseia-se na


legitimidade que, por sua vez, pode ser de três tipos. Um
deles, a dominação legal de caráter racional, típica do Estado
contemporâneo, não apresenta a característica de:

a) impessoalidade das normas e de sua aplicação


b) hierarquia oficial
c) direito consuetudinário
d) exercício contínuo de funções segundo competências fixas
e) regras técnicas e normas aplicadas por profissionais especializados

Gabarito
01 02 03 04 05 06 07 08 09 10
B D A B A E B C B D
11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
C D C D B C C C C C

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Questões comentadas

Questão 01 - (ESAF) APO/MPOG 2010

O século XX assistiu ao crescimento sem precedente dos


aparelhos burocráticos. Assinale a opção que não é correta
acerca da burocracia na perspectiva weberiana.

a) A burocracia é o tipo tecnicamente mais puro de poder legal.


b) O funcionalismo por turnos, por sorte e por escolha, a
administração parlamentar e por comissões e todas as espécies de
corpos colegiais de governo e administração não podem ser
considerados um tipo legal, ainda que a sua competência se baseie
em regras estatutárias e o exercício do direito governativo
correspondente.
c) As cúpulas mais altas das associações políticas são ou “monarcas”
(governantes carismáticos por herança) ou “presidentes” eleitos pelo
povo (portanto, senhores carismáticos plebiscitários) ou eleitos por
uma corporação parlamentar, onde, em seguida, os seus membros
ou, melhor, os líderes, mais carismáticos ou mais notáveis dos seus
partidos predominantes, são os senhores efetivos.
d) A história da evolução do Estado moderno se identifica, em
especial, com a história do funcionalismo moderno e da empresa
burocrática, tal como toda a evolução do moderno capitalismo
avançado se identifica com a crescente burocratização da empresa
econômica.
e) Na época da emergência do Estado moderno, as corporações
colegiais contribuíram de modo muito essencial para o
desenvolvimento da forma legal de poder, e a elas deve o seu
aparecimento, sobretudo o conceito de “autoridade”.

Comentários

Essa questão já foi analisada durante o curso, segue seu comentário:


Conteúdo retirado da obra do Weber, “Os três tipos puros do poder
legítimo.” Disponível em:
http://www.lusosofia.net/textos/weber_3_tipos_poder_morao.
pdf

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Recomendo sua leitura, uma vez que é alta a probabilidade da ESAF


usá-lo novamente!
A alternativa “A” é verdadeira, já vimos que a burocracia é baseada
no poder legal:

“A burocracia é o tipo tecnicamente mais


puro de poder legal.”

A “B” é incorreta, sendo nosso gabarito. Não se pode afirmar que


organizações políticas não sejam legais, ou baseadas no estatuto. Elas
são sim legais, contudo, não são burocráticas, e sim políticas,
baseadas numa mescla de legitimação carismática e legal ou
estatutária. Vejamos o trecho que fundamenta essa conclusão:

“A burocracia não é o único tipo de poder


legal. O funcionalismo por turnos, por sorte
e por escolha, a administração parlamentar
e por comissões e todas as espécies de
corpos colegiais de governo e
administração que aqui se inscrevem, na
superposição de que sua competência se
baseia em regras estatutárias e o exercício
do direito governativo corresponde ao tipo
da administração legal.”

A alternativa “C” é verdadeira, apesar de não tratar da burocracia, e


sim das organizações políticas, a afirmativa descreve corretamente as
características da monarquia, do presidencialismo e do
parlamentarismo respectivamente:

“As cúpulas mais altas das associações


políticas são ou “monarcas” (governantes
carismáticos por herança) ou “presidentes”
eleitos pelo povo (portanto, senhores
carismáticos plebiscitários) ou eleitos por
uma corporação parlamentar, onde, em
seguida, os novos membros ou, melhor, os
líderes, mais carismáticos ou mais
notáveis, dos seus partidos predominantes,
são os senhores efetivos. Também quase
em nenhum lado é, de fato, o corpo
administrativo puramente burocrático, mas
nas variadas formas, em partes notáveis,
em parte os representantes de interesses
costumam participar na administração.”

A “D” é correta, cópia do texto:

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“Toda a história da evolução do Estado


moderno se identifica, em especial, com a
história do funcionalismo moderno e da
empresa burocrática (cf. adiante), tal como
toda a evolução do moderno capitalismo
avançado se identifica com a crescente
burocratização da empresa económica. A
participação das formas burocráticas do
governo aumenta em toda a parte.”

A “E” também foi retirada do texto:


Na época da emergência do Estado
moderno, as corporações colegiais
contribuíram de modo muito essencial para
o desenvolvimento da forma legal de
poder, e a elas deve o seu aparecimento
sobretudo o conceito de “autoridade”. Por
outro lado, o funcionalismo por eleição
desempenha um grande papel na pré-
história da moderna administração por
funcionários (e também hoje nas
democracias).

Gabarito: B

Questão 02 – ESAF EPPGG/MPOG 2009

Ao identificar três tipos puros de dominação legítima, Max


Weber afirmou que o tipo mais puro de dominação legal é
aquele que se exerce por meio de um quadro administrativo
burocrático. A seguir, são relacionadas algumas características
da administração burocrática weberiana. Identifique a opção
falsa.

a) A totalidade dos integrantes do quadro administrativo é composta


por funcionários escolhidos de forma impessoal.
b) Existe uma hierarquia administrativa rigorosa.
c) A remuneração é em dinheiro, com salários fixos e em geral com
direito a pensão.
d) As condições de trabalho são definidas mediante convenção
coletiva entre os funcionários e a administração.
e) Os funcionários estão submetidos a disciplina rigorosa e a
vigilância administrativa.

Comentários

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A questão procura a afirmativa que não pode ser associada à


burocracia.
A alternativa “A” está correta, já que a impessoalidade e o
profissionalismo são princípios burocráticos. Muitos alunos ficaram
com dúvida quanto à questão dos dirigentes nomeados para cargos de
confiança. Notem que esses, apesar de serem compatíveis com a
burocracia, não fazem parte do quadro administrativo, e sim do corpo
dirigente.
A “B” também está correta, já que a hierarquia é um conceito
associado à burocracia.
A “C” também está correta, já que a remuneração em pecúnia e a
pensão estão associados ao princípio do profissionalismo burocrático.
A “D” é falsa, uma vez que no modelo Weberiano a regulação das
relações de trabalho se dá por meio do ESTATUTO, e não de acordos
ou contratos.
A “E” está correta, o servidor deve respeitar o Estatuto ou poderá ser
penalizado.
Lembrem-se, os ocupantes dos cargos burocráticos:
• são pessoalmente livres; obedecem somente às obrigações
objetivas de seu cargo;
• são nomeados (e não eleitos) numa hierarquia rigorosa dos
cargos (à exceção dos cargos eletivos e políticos);
• têm competências funcionais fixas;
• em virtude de um contrato, portanto, (em princípio) sobre a
base de livre seleção segundo a qualificação profissional – no
caso mais racional: qualificação verificada mediante prova e
certificada por diploma;
• são remunerados com salários fixos em dinheiro, na maioria dos
casos com direito a aposentadoria; em certas circunstâncias
(especialmente em empresas privadas), podem ser demitidos
pelo patrão, porém, sempre podem se demitir, por sua vez; seu
salário está escalonado, em primeiro lugar, segundo a posição
na hierarquia e, além disso, segundo a responsabilidade do
cargo e o princípio da correspondência à posição social;
• exercem seu cargo como profissão única ou principal;
• têm a perspectiva de uma carreira: “progressão” por tempo de
serviço ou eficiência, ou ambas as coisas, dependendo dos
critérios dos superiores;

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• trabalham em separação absoluta dos meios administrativos e


sem apropriação do cargo;
• estão submetidos a um sistema rigoroso e homogêneo de
disciplina e controle do serviço.

Gabarito: D

Questão 03 – (ESAF) ANA 2009

Como forma de organização baseada na racionalidade, a


burocracia acarreta algumas consequências não previstas.
Nesse contexto, nos casos em que, devido à rígida
hierarquização da autoridade, quem toma decisões é o
indivíduo de cargo mais alto na hierarquia, temos a seguinte
disfunção:

a) Categorização como base do processo decisório.


b) Despersonalização do relacionamento.
c) Exibição de sinais de autoridade.
d) Internalização das regras e exagerado apego aos regulamentos.
e) Superconformidade às rotinas e procedimentos.

Comentários

A questão descreveu uma das disfunções burocráticas descritas por


Merton, a “Categorização como Base do Processo Decisorial”. Nesse
caso, quem toma as decisões em qualquer situação será aquele que
possui a mais elevada categoria hierárquica (CARGO),
independentemente de seu conhecimento ou domínio do assunto.
A alternativa “A” é o gabarito.
A “B” aborda outra disfunção proposta pelo autor, em casos extremos,
a impessoalidade acaba afastando o lado humano nas relações entre
servidores e cidadãos (FALSA).
A “C” se relaciona como a utilização de símbolos - como escudos,
broches ou uniformes – para demonstrar sua posição hierárquica
(FALSA).
A “D” se relaciona com a disfunção burocrática chamada
internalização das regras e apego aos regulamentos. Nesse caso, as
regras, que são meios, acabam se tornando fins da atuação dos
servidores (FALSA).

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A “E” se relaciona à superconformidade às rotinas e procedimentos.


Com o tempo, as regras e rotinas tornam-se sagradas para o
funcionário. O impacto dessas exigências burocráticas sobre a pessoa
provoca profunda limitação em sua liberdade e espontaneidade
pessoal.

Gabarito: A.

Questão 04 – (ESAF) CGU 2008

Considerando a diferenciação conceitual para fins didáticos


dos modelos patrimonialista, burocrático e gerencial da
administração pública no Brasil, selecione a opção que
conceitua corretamente o modelo burocrático de gestão.

a) Estado centralizador, onipotente, intervencionista e espoliado por


uma elite que enriquece e garante privilégios por meio de exclusão da
maior parte da sociedade.
b) Estado centralizador, profissional e impessoal que busca a
incorporação de atores sociais emergentes e estabelece normas e
regras de funcionamento.
c) Estado desconcentrado que privilegia a delegação de competências
para os municípios e foca o controle social de suas ações.
d) Estado coordenador de políticas públicas nas três esferas da
federação, visando à desburocratização dos processos
governamentais.
e) Estado descentralizado que tem como foco de suas ações o
contribuinte, que é visto como cliente dos serviços públicos.

Comentários

A alternativa “A” descreve um Estado Patrimonialista, no qual uma


Elite se apropria dos bens públicos, logo falsa. O onipotência, ou
poder ilimitado, a exagerada intervenção e exclusão da maioria em
favor das elites “apadrinhadas” pelo senhor são características típicas
do patrimonialismo.
A “B” é o gabarito, a centralização, o profissionalismo,
impessoalidade, racionalidade e formalismo são princípios
burocráticos. As regras ou estatutos realmente fazem parte do
modelo, que é caracterizado por essa dominação racional/legal, na
qual as pessoas acreditam que a Lei é a melhor maneira de regular as
relações humanas. Essa expressâo “incorporação de atores sociais
emergentes” pode confundir o candidato, mas está correta. A ideia é
que a burocracia, como modelo de administração impessoal que é,

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não exclui nenhum participante do sistema, visando a inclusão geral


sem qualquer tipo de tratamento diferenciado.
A “C” é falsa, conceitos domo descentralização, controle social e
delegação não podem ser relacionados diretamente à burocracia, e
sim com o gerencialismo, conforme veremos mais adiante.
A “D” é falsa, a desburocratização não é burocracia, concorda!
A “E” é falsa, descentralização e foco no cidadão não são
características burocráticas e sim gerenciais.

Gabarito: “B”.

Questão 05 – (ESAF) AFRFB 2009

Considerando os modelos teóricos de Administração pública, é


incorreto afirmar que, em nosso país:

a) O maior trunfo do gerencialismo foi fazer com que o modelo


burocrático incorporasse valores de eficiência, eficácia e
competitividade.
b) O patrimonialismo pré-burocrático ainda sobrevive, por meio das
evidências de nepotismo, gerontocracia e designações para cargos de
públicos baseadas na lealdade política.
c) A abordagem gerencial foi claramente inspirada na teoria
administrativa moderna, trazendo, para os administradores públicos,
a linguagem e as ferramentas do setor privado.
d) no núcleo estratégico do Estado, a prevalência do modelo
burocrático se justifica pela segurança que ele proporciona.
e) Tal como acontece com o modelo burocrático, o modelo gerencial
adotado também se preocupa com a função controle.

Comentários

A alternativa “A” é o gabarito da questão. Não se pode afirmar que o


“trunfo” ou característica especial do gerencialismo foi a incorporação
da eficiência. A burocracia, em sua origem, dentro do conceito de
racionalidade, já defendia a eficiência como seu grande trunfo. Por ser
um modelo racional, que estuda a melhor forma de realizar a tarefa, a
burocracia é, em tese, eficiente por natureza, o que deixa a afirmativa
falsa.
A “B” é correta, segundo Olavo Brasil o nosso país nunca abandonou o
patrimonialismo e a burocracia.

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A “C” também é verdadeira, veremos na próxima aula que o


gerencialismo trouxe para o setor público as ferramentas e técnicas
de administração do setor privado.
A “D” também é verdadeira. A afirmativa foi retirada do Plano diretor
da Reforma do Aparelho do Estado, de Autoria do Bresser Pereira. De
fato nesse setor do Estado a Burocracia é necessária pela segurança
que esse modelo de administração proporciona.
A “E” é verdadeira, tanto a burocracia como o gerencialismo se
preocupam com a função controle, contudo, enquanto a primeira foca
nos procedimentos o segundo foca nos resultados, dando mais
liberdade para o gestor alcançá-los.

Gabarito: “A”.

Questão 06 – ESAF APO 2010

Acerca dos modelos de gestão patrimonialista, burocrático e


gerencial, no contexto brasileiro, é correto afirmar:

a) Cada um deles constituiu-se, a seu tempo, em movimento


administrativo autônomo, imune a injunções políticas, econômicas e
culturais.
b) com a burocracia, o patrimonialismo inicia sua derrocada, sendo
finalmente extinto com a implantação do gerencialismo.
c) o caráter neo-liberal da burocracia é uma das principais causas da
sua falência.
d) fruto de nossa opção tardia pela forma republicana de governo, o
patrimonialismo é um fenômeno sem paralelo em outros países.
e) com o gerencialismo, a ordem administrativa se reestrutura,
porém sem abolir o patrimonialismo e a burocracia que, a seu modo e
com nova roupagem, continuam existindo.

Comentários

A alternativa “A” está errada, não se pode afirmar que os três


modelos se originaram autonomamente e foram imunes às injunções
políticas locais. Em cada país o processo de evolução administrativo
se deu de uma forma diferente.
A “B” também é falsa, o patrimonialismo não foi extinto na nossa
administração pública.
A “C” também é falsa, o neo-liberalismo é um conceito próximo ao
gerencialismo, e não à burocracia.

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A “D” também é falsa, a corrupção típica do patrimonialismo não é um


“privilégio” dos brasileiros.
A “E” é o gabarito. De fato, segundo o Olavo Brasil, no nosso país
convivem os três modelos de administração pública: Patrimonialismo,
Burocracia e Gerencialismo.

Gabarito: “E”.

Questão 07 - (ESAF) EPPGG MPOG 2009

Acerca do modelo de administração pública gerencial, é


correto afirmar:

a) Admite o nepotismo como forma alternativa de captação de


recursos humanos.
b) sua principal diferença em relação à administração burocrática
reside na forma de controle, que deixa de se basear nos processos
para se concentrar nos resultados.
c) nega todos os princípios da administração pública patrimonialista e
da administração pública burocrática..
d) é orientada, predominantemente, pelo poder racional-legal.
e) caracteriza-se pela profissionalização, ideia de careira, hierarquia
funcional, impessoalidade e formalismo.

Comentários

A “A” é falsa, nepotismo não é compativel com o gerencialismo.


A “B” é verdadeira, sendo o gabarito. De fato há uma mudança
relevante nos meios de controle, que passam dos procedimentos para
os resultados.
A “C” é falsa, o gerencialismo aproveita muitos pontos positivos da
burocracia, como o profissionalismo e a impessoalidade, flexibilizando
os controles rígidos de processos para dar mais efetividade à atuação
governamental.
A “D” é falsa, é a burocracial que se orienta no poder Racional/Legal.
A “E” está incorreta, todas as características citadas são típicas da
burocracia.

Gabarito: “B”.

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Questão 08 - (ESAF) AFRF/2002

Segundo Weber, há três formas de dominiação/legitimação do


poder. Assinale a reposta que identifica corretamente uma
dessas formas.

a) A dominação burocrática baseia-se no poder que emana do


patriarca, do direito natural e das relações pessoais entre senhor e
subordinado.
b) A dominação tradicional baseia-se no poder que emana do estatuto
estabelecido, regulando os atos de quem ordena e de quem obedece
às ordens.
c) A dominação carismática baseia-se no poder que emana do
indivíduo, seja pelo seu conhecimento ou feitos heróicos.
d) A dominação carismática baseia-se no poder que emana das
normas estabelecidas, podendo ser alteradas por uma nova
regulamentação.
e) A dominação tradicional baseia-se no poder que emana do
conhecimento e reconhecimento de atos heróicos, extinguindo-se com
o indivíduo.

Comentários

A alternativa “A” é falsa, é a Dominação tradicional que se baseia no


poder do patriarca ou do direito natural (ou dos
costumes/Consuetudinário).
A “B” está incorreta, é a dominação Racional-Legal que se baseia no
poder do Estatuto.
A “C” está correta e é o gabarito, é realmente a Dominação
carismática que se baseia no poder do indivíduo, seja pelos seus
feitos heroicos ou seu carisma pessoal.
A “D” está incorreta, é a burocrática que se baseia nas normas ou
estatuto.
A “E” está falsa, é a carismática que se baseia nas características
individuais do líder.

Gabarito: “C”.

Questão 09 – (ESAF) AFRFB 2012

Sobre o modelo de administração pública burocrática, é


correto afirmar que:

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a) pensa a sociedade como um campo de conflito, cooperação e


incerteza, na qual os cidadãos defendem seus interesses e afirmam
suas posições ideológicas.
b) assume que o modo mais seguro de evitar o nepotismo e a
corrupção é pelo controle rígido dos processos, com o controle de
procedimentos.
c) prega a descentralização, com delegação de poderes, atribuições e
responsabilidades para os escalões inferiores.
d) preza os princípios de confiança e descentralização da decisão,
exige formas flexíveis de gestão, horizontalização de estruturas e
descentralização de funções.
e) o administrador público prega o formalismo, o rigor técnico e
preocupa-se em oferecer serviços, e não em gerir programas.

Comentários

Questão retirada do texto “Uma reforma gerencial da Administração


Pública no Brasil”, do Bresser Pereira.
É o modelo Gerencial que pensa a sociedade como um campo de
conflito, cooperação e incerteza... Logo, afirmativa “A” falsa.
Mais amplamente, a administração pública
gerencial está baseada em uma concepção de
Estado e de sociedade democrática e plural,
enquanto que a administração pública burocrática
tem um vezo centralizador e autoritário. Afinal o
liberalismo do século XIX, no qual se moldou a
forma burocrática de administração pública, era
um regime político de transição do autoritarismo
para a democracia. Enquanto a administração
pública burocrática acredita em uma racionalidade
absoluta, que a burocracia está encarregada de
garantir, a administração pública gerencial pensa
na sociedade como um campo de conflito,
cooperação e incerteza, na qual cidadãos
defendem seus interesses e afirmam suas
posições ideológicas, que afinal se expressam na
administração pública. Nestes termos, o problema
não é o de alcançar a racionalidade perfeita, mas
de definir instituições e práticas administrativas
suficientemente abertas e transparentes de forma
a garantir que o interesse coletivo na produção de
bens públicos ou “quasi-publicos” pelo Estado seja
razoavelmente atendido.

A “B” é correta, sendo o gabarito. De fato, a administração


burocrática defendia que o controle rígido dos processos seria a única
forma de proteger o Estado das práticas corruptas.

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A “C” é incorreta, a burocracia é centralizadora.


A “D” é incorreta, a flexibilidade é típica do gerencialismo.
A “E” está incorreta, a preocupação é com o Estatuto e não os
resultados.

Gabarito: “B”.

Questão 10 – (ESAF) AFC STN 2013

A respeito das características da administração burocrática e


da administração gerencial, atribua “B” à assertiva que
descreva aspectos da administração burocrática e “G” à
assertiva que descreva aspectos da administração gerencial.
Ao final, assinale a opção que contenha a sequência correta

( ) O modo mais seguro de evitar o nepotismo e a corrupção é pelo


controle rígido dos processos, com o controle dos procedimentos.
( ) Pensa na sociedade como campo de conflito, cooperação e
incerteza no qual os cidadãos defendem seus interesses e afirmam
suas posições ideológicas
( ) Preocupa-se em oferecer serviços e não em gerir programas, visa
atender aos cidadãos.
( ) É autorreferente e se concentra no processo, em suas próprias
necessidades e perspectivas.

a) G, G, B, G
b) B, G, B, B
c) B, B, G, G
d) B, G, G, B
e) G, B, B, G

Comentários

Apesar de não termos estudado o modelo Gerencial já podemos


responder essa questão pois sabemos as características da
burocracia.
A afirmativa I foi um repeteco da alternativa “B” da questão anterior.
De fato, na burocracia há a premissa de que o rígido controle de
processos e procedimentos seria a única forma de proteger o
patrimônio público da corrupção e do nepotismo, de modo que
verdadeira a afirmativa. “B”.

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A Afirmativa II também foi copiada da prova de Auditor da Receita


Federal de 2012. De fato, conforme lição do Bresser, o Gerencialismo
pensa a sociedade como um campo de conflito, cooperação e
incerteza no qual os cidadãos defendem seus interesses e afirmam
suas posições ideológicas. Não há o que discutir, retirado literalmente
do texto do Bresser: “Uma reforma gerencial da Administração Pública
no Brasil”. “G”.
Quem tem foco no cidadão é o gerencialismo! A burocracia, conforme
estudamos, no campo do controle focaliza os procedimentos!
Afirmativa III é “G”!
A afirmativa IV é burocratica, “B”! Vimos que em relação às suas
disfunções ela seria autoreferida, ou seja foca em seus processos
internos esquecendo, por vezes, do seu real objetivo, que seria
atender de modo eficiente a população e acaba se perdendo em meio
aos inúmeros processos internos que seus regulamentos impõem.
Desse modo, ficamos com a sequencia B;G;G;B.
Gabarito “D”.

Questão 11 – (ESAF) EPPGG-MPOG 2008

Os tipos primários de dominação tradicional são os casos em que


falta um quadro administrativo pessoal do senhor. Quando esse
quadro administrativo puramente pessoal do senhor surge, a
dominação tradicional tende ao patrimonialismo, a partir de cujas
características formulou-se o modelo de administração
patrimonialista. Examine os enunciados a seguir, sobre tal modelo
de administração, e marque a resposta correta.

1. O modelo de administração patrimonialista caracteriza-se pela ausência


de salários ou prebendas, vivendo os “servidores” em camaradagem com o
senhor a partir de meios obtidos de fontes mecânicas.
2. Entre as fontes de sustento dos “servidores” no modelo de administração
patrimonialista incluem-se tanto a apropriação individual privada de bens e
oportunidades quanto a degeneração do direito a taxas não regulamentado.
3. O modelo caracteriza-se pela ausência de uma clara demarcação entre as
esferas pública e privada e entre política e administração; e pelo amplo
espaço à arbitrariedade material e vontade puramente pessoal do senhor.
4. Os “servidores” não possuem formação profissional especializada, mas,
por serem selecionados segundo critérios de dependência doméstica e
pessoal, obedecem a formas específicas de hierarquia patrimonial.

a) Estão corretos os enunciados 2, 3 e 4.


b) Estão corretos os enunciados 1, 2 e 3.
c) Estão corretos somente os enunciados 2 e 3.
d) Estão corretos somente os enunciados 1 e 3.
e) Todos os enunciados estão corretos.

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Comentários

A afirmativa 1 defende que não haveria Prebendas no modelo de


administração patrimonialista. Vimos que isso é falso! É justamente o
contrario, as prebendas e sinecuras (ocupações rendosas e de pouco
trabalho) são a regra, não havendo, de fato, a remuneração formal e
contratual dos salários. De fato os trabalhadores viviam em camaradagem
com o Senhor, obtendo suas “rendas” a partir de fontes mecânicas.
Segundo Weber não são características das relações de trabalho
patrimonialistas e sim burocráticas:
• A competência fixa segundo regras objetivas;
• A hierarquia racional fixa;
• A nomeação regulada por contrato livre e ascenso regulado;
• A formação profissional (como norma);
• (muitas vezes) o salário fixo e (ainda mais frequentemente) o
salário pago em dinheiro.
Lembrem-se, jamais associem as características acima com o
patrimonialismo. A transição entre o patrimonialismo e a burocracia
foi um movimento paradigmático, havendo real ruptura entre os
modelos.
Essas seriam as características das relações de trabalho
patrimonialistas:
• alimentação na mesa do senhor;
• emolumentos, na maioria das vezes em espécie, provenientes
de bens e dinheiros do senhor;
• terras funcionais;
• oportunidades apropriadas de rendas, taxas ou impostos;
• Feudos.
A afirmativa 2 comenta a “degeneração do direito de taxas não
regulamentado”. Isso significa que os “trabalhadores” do
patrimonialismo se apropriariam dos “tributos” pertencentes ao seu
senhor que foram coletados em seu nome. Pode-se perceber que a
afirmativa é correta, pois a principal característica desse modelo é a
confusão patrimonial, ou seja, a interpermeabilidade entre os
patrimônios público e privado.
A Afirmativa 3 também é correta, é a própria definição de
patrimonialismo, ou seja, a confusão patrimonial.
A afirmativa 4 ia bem até mencionar o termo “hierarquia”, tonando-se
falsa. De fato os “servidores” patrimoniais não possuem uma

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formação profissional especializada e são selecionados segundo


critérios de dependência doméstica e pessoais. Contudo, não se pode
afirmar que exista uma Hierarquia formal e institucionalizada na
organização patrimonial. Muitos alunos perguntam em sala de aula
que existe uma diferença hierárquica entre o senhor e os demais
membros da sociedade absolutista, e isso de fato procede. Contudo,
não podemos afirmar que formalmente exista uma hierarquia
institucionalizada e regulamentada nos estatutos dessa organização,
já que isso só passaria a existir com o advento do modelo de
administração burocrático.

Gabarito “C”.

Questão 12 – (ESAF) APO-MPOG 2008

O modelo de gestão pública burocrático, com base nos postulados


weberianos, é constituído de funcionários individuais, cujas
características não incluem:

a) liberdade pessoal e obediência estrita às obrigações objetivas do seu


cargo, estando submetidos a um sistema homogêneo de disciplina e controle
do serviço.
b) exercício do cargo como profissão única ou principal, com perspectiva de
carreira: progressão por tempo de serviço ou mérito, ou ambas.
c) competências funcionais fixas em contrato e segundo qualificações
profissionais verificadas em provas e certificadas por diplomas.
d) apropriação dos poderes de mando inerentes ao cargo (exercício da
autoridade), mas não dos meios materiais de administração, nem do próprio
cargo.
e) nomeação, numa hierarquia rigorosa dos cargos, sendo remunerados
com salários fixos em dinheiro.

Comentários

Conforme havíamos visto nessa aula, são características dos


trabalhadores burocráticos, segundo Weber:

• São pessoalmente livres; obedecem somente às obrigações


subjetivas de seu cargo;

• São nomeados, e não eleitos, numa hierarquia rigorosa dos


cargos;

• Têm competências funcionais fixas;

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• São contratados, sobre a base da livre seleção segundo critérios


racionais, como qualificação e títulos;

• São remunerados com salários fixos em dinheiro, na maioria


dos casos com direito a aposentadoria; em certas circunstâncias
(especialmente em empresas privadas), podem ser demitidos
pelo patrão, porém podem demitir-se por sua vez; seu salário
está escalonado, em primeiro lugar, segundo a posição
hierárquica e, além disso, segundo a responsabilidade do cargo
e o princípio da correspondência à posição social;

• Exercem o cargo como profissão única ou principal;

• Trabalham em separação absoluta dos meios administrativos e


sem apropriação do cargo;

• Estão submetidos a um rigoroso e homogêneo sistema de


disciplina e controle do serviço.

A alternativa “A” está falsa, pois apresenta característica burocrática.


Desse modo, o burocrata é pessoalmente livre e possui as obrigações
relacionadas ao cargo que ocupa, estando submetido ao controle e
normas da organização.
A “B” também é falsa, pois o burocrata, de acordo com o princípio do
profissionalismo, exerce seu cargo como ocupação principal, para o
qual foi preparado, havendo a perspectiva de carreira com a
consequente evolução ou progressão na mesma.
A “C” é falsa, o burocrata de fato exerce seu cargo em virtude de um
contrato, que dispõe acerca das suas obrigações e direitos. E suas
competências podem ser comprovadas através de exames e/ou de
títulos.
A “D” é a resposta da nossa questão, uma vez que o burocrata não
pode se apropriar das competências do cargo em proveito próprio, o
que entraria em choque com o princípio burocrático da
impessoalidade.
A “E” é falsa, pois o ocupante do cargo burocrático obtém sua
remuneração em dinheiro e ocupa uma posição regulada na hierarquia
da organização.

Gabarito “D”.

Questão 13 – (ESAF) ENAP 2006

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Assinale a opção incorreta.

a) No modelo patrimonialista de administração pública existe uma


interpermeabilidade dos patrimônios público e privado.
b) Um dos princípios do modelo burocrático de administração pública
é um sistema administrativo impessoal, formal e racional.
c) Um dos princípios do modelo patrimonialista de administração
pública é o acesso por concurso ao serviço público.
d) O modelo gerencial de administração pública tem como um dos
seus objetivos garantir a propriedade e o contrato.
e) O modelo burocrático de administração pública se baseia no
serviço público profissional.

Comentários

Essa questão foi retirada do texto do Bresser Pereira: “A


administração pública gerencial: estratégia e estrutura para um novo
Estado”, disponível em:

http://www.enap.gov.br/index.phpoption=com_docman&task=doc_vi
ew&gid=2751

A alternativa “A” é correta, vejamos o trecho do texto:


“A característica que definia o governo nas
sociedades pré-capitalistas e prédemocráticas era a
privatização do Estado, ou a interpermeabilidade
dos patrimônios público e privado.
‘Patrimonialismo’ significa a incapacidade ou a
relutância de o príncipe distinguir entre o
patrimônio público e seus bens privados. A
administração do Estado pré-capitalista era uma
administração patrimonialista.”

A “B” também é correta, vejamos:


“Burocracia é a instituição administrativa que usa
como instrumento para combater o nepotismo e a
corrupção — dois traços inerentes à administração
patrimonialista —, os princípios de um serviço
público profissional, e de um sistema
administrativo impessoal, formal, legal e racional.”

A “C” está incorreta e é o nosso gabarito. O concurso público é um


instrumento garantidor de impessoalidade na administração pública
típico do modelo de administração burocrático.

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A “D” foi considerado correto mas merece reparos. Não podemos


afirmar que a administração gerencial garante apenas a propriedade e
os contratos, essa característica é típica do modelo neoliberal e não
do gerencial. Vejamos a definição de neoliberalismo do Bresser:
“Aqui, o Estado não é visto como produtor — como
prega o burocratismo —, nem como simples
regulador que garanta os contratos e os direitos de
propriedade —, como reza o “credo” neoliberal —,
mas, além disto, como “financiador” ou
(“subsidiador”) dos serviços não-exclusivos.”

A “E” é verdadeira, vejamos:


“Burocracia é a instituição administrativa que usa
como instrumento para combater o nepotismo e a
corrupção — dois traços inerentes à administração
patrimonialista —, os princípios de um serviço
público profissional, e de um sistema
administrativo impessoal, formal, legal e racional.”

Gabarito “C”.

Questão 14 – (ESAF) EPPGG-MPOG 2005

Com base no pensamento de Max Weber, julgue as sentenças


sobre a burocracia atribuindo (V) para a afirmativa verdadeira
e (F) para a afirmativa falsa, assinalando ao final a opção
correta.

( ) A constituição prévia de uma economia monetária é condição sine


qua non para o surgimento da organização burocrática.
( ) O Estado moderno depende completamente da organização
burocrática para continuar a existir.
( ) A burocracia é elemento exclusivo do Estado moderno capitalista,
não sendo verificável em outros momentos da história.
( ) O modelo burocrático é a única forma de organização apta a
desempenhar as tarefas necessárias para o bom funcionamento do
capitalismo.

a) V, F, F, V
b) V, V, F, F
c) F, F, V, V
d) F, V, F, V
e) F, F, F, V

Comentários

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Notem que a questão se limita ao conceito de burocracia de Max


Weber!! Então, de acordo com Weber, analisemos as afirmativas:
A economia monetária não é uma condição indispensável para o
surgimento da burocracia. Weber afirmou que antes da economia
monetária típica do capitalismo industrial já havia instituições com
características burocráticas, como o Egito Antigo (com traços de
patrimonialismo), a igreja Católica Romana e na China nos tempos do
Hoang Ti até o presente.
Desse modo, I falsa.
A II é Verdadeira, apesar do exagero do “completamente”, uma vez
que, para Weber, não haveria como o moderno capitalismo industrial
prosperar sem a burocracia.
“É óbvio que o Estado Moderno depende
tecnicamente, com o decorrer do tempo, cada vez
mais, de uma base burocrática, e isto tanto mais
quanto maior é sua extensão, particularmente
quando é uma grande potência ou está a caminho
de sê-lo.”

Já vimos que a III é falsa, pois a exemplo da Igreja Católica, que


surgiu muito antes do capitalismo industrial, já havia organizações
com características típicas da burocracia.

A IV é verdadeira na visão do Weber, o fundamento vem do mesmo


trecho utilizado na II:
“É óbvio que o Estado Moderno depende
tecnicamente, com o decorrer do tempo, cada vez
mais, de uma base burocrática, e isto tanto mais
quanto maior é sua extensão, particularmente
quando é uma grande potência ou está a caminho
de sê-lo.”

Gabarito - “D”.

Questão 15 – (ESAF) CGU 2004

Ao longo de sua história, a administração pública assume


formatos diferentes, sendo os mais característicos o
patrimonialista, o burocrático e o gerencial. Assinale a opção
que indica corretamente a descrição das características da
administração pública feita no texto a seguir.

“O governo caracteriza-se pela interpermeabilidade dos patrimônios


público e privado, o nepotismo e o clientelismo. A partir dos

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processos de democratização, institui-se uma administração que usa,


como instrumentos, os princípios de um serviço público profissional e
de um sistema administrativo impessoal, formal e racional.”

a) Patrimonialista e gerencial
b) Patrimonialista e burocrático
c) Burocrático e gerencial
d) Patrimonialista, burocrático e gerencial
e) Burocrático

Comentários

De acordo com Bresser:

A característica que definia o governo nas


sociedades pré-capitalistas e prédemocráticas era a
privatização do Estado, ou a interpermeabilidade
dos patrimônios público e privado.
‘Patrimonialismo’ significa a incapacidade ou a
relutância de o príncipe distinguir entre o
patrimônio público e seus bens privados. A
administração do Estado pré-capitalista era uma
administração patrimonialista.

Burocracia é a instituição administrativa que usa


como instrumento para combater o nepotismo e a
corrupção — dois traços inerentes à administração
patrimonialista —, os princípios de um serviço
público profissional, e de um sistema
administrativo impessoal, formal, legal e racional.

Gabarito - “B”.

Questão 16 – (ESAF) EPPGG-MPOG 2003

O século XIX marca o surgimento de uma administração


pública burocrática em substituição às formas patrimonialistas
de administrar o Estado. O chamado “patrimonialismo”
significa a incapacidade ou relutância do governante em
distinguir entre o patrimônio público e seus bens privados.
Assinale a opção que indica corretamente as características
da administração pública burocrática.

a) Serviço público profissional, flexibilidade organizacional e


nepotismo.
b) Serviço público profissional e um sistema administrativo fruto de
um arranjo político, formal e racional.
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c) Serviço público profissional e um sistema administrativo impessoal,


formal e racional.
d) Serviço público fruto de um arranjo entre as forças políticas e um
sistema administrativo seletivo de acordo com os diversos grupos de
sustentação da base de governo.
e) Serviço público orientado para o consumidor, ênfase nos
resultados em detrimento dos métodos e flexibilidade organizacional.

Comentários

A questão tenta confundir o candidato ao descrever o conceito de


patrimonialismo e depois perguntar a afirmativa relacionada a
burocracia! Muito cuidado ao ler o enunciado das questões!!
Vejamos o conceito de Bresser de burocracia:
Burocracia é a instituição administrativa que usa
como instrumento para combater o nepotismo e a
corrupção — dois traços inerentes à administração
patrimonialista —, os princípios de um serviço
público profissional, e de um sistema
administrativo impessoal, formal, legal e racional.

A alternativa “A” é incorreta, flexibilidade organizacional é uma


característica gerencial, já o nepotismo patrimonialista.
A “B” também é incorreta, a burocracia é impessoal, logo não pode
ser fruto de um arranjo político.
A “C” subsume o conceito de burocracia do Bresser, correta portanto!
A “D” é incorreta pela mesma justificativa da “B”.
A “E” é incorreta, a orientação para o consumidor é típica do
gerencialismo, e não da burocracia, o mesmo ocorre com o foco nos
resultados e com a flexibilidade organizacional, típica da primeira.
Gabarito – “C”.

Questão 17 – (ESAF) EPPGG-MPOG 2003

A administração burocrática clássica, baseada nos princípios


da administração do Exército prussiano, foi implantada nos
principais países europeus no final do século XIX. Ela foi
adotada porque era uma alternativa muito superior à
administração patrimonialista do Estado. Quais das seguintes
características básicas pertencem ao conceito de burocracia de
Weber?

I. Ligação entre os patrimônios público e privado.


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II. Autoridade funcional baseada no estatuto.


III. Gestão voltada para resultados.
IV. Caráter hierárquico das relações de trabalho.
V. Caráter impessoal das relações profissionais, sem ódios ou paixões.
VI. Critérios de mérito para atribuição de responsabilidades e
evolução na carreira.
VII. Autoridade derivada de normas racionais-legais.

Estão corretos apenas os itens:

a) III, VII
b) II, VI, VII
c) II, IV,V,VI, VII
d) II, III, VII
e) II , VI

Comentários

Essa é a clássica questão burocracia x Gerencialismo da ESAF. Para


respondê-la precisamos diferenciar o que é típico da burocracia e o
que pertence ao gerencialismo. Sabemos que o último foi um
movimento que aproveitou muitos dos conceitos burocráticos,
flexibilizando alguns controles em nome de uma maior efetividade da
ação governamental. Desse modo, a questão busca os conceitos que
são típicos do modelo burocrático, mesmo que eles continuem
existindo no gerencialismo.
A afirmativa I é falsa, pois a interpermeabilidade entre os patrimônios
público e privado é uma característica típica do patrimonialismo.
A II é verdadeira, pois vimos que o burocrata possui seu poder
fundamentado no estatuto, e sua autoridade é funcional, e não
pessoal.
A III é falsa, pois a gestão voltada para os resultados é típica do
modelo gerencial, que muda o foco do controle dos procedimentos e
processos para os resultados.
A hierarquia é um conceito tipicamente burocrático, verdadeira
portanto a IV.
Não há dúvida que a impessoalidade é um conceito burocrático,
verdadeira a V.
Verdadeira a VI, afirmativa retirada do texto do Weber anteriormente
analisado.
E legitimação racional-legal, verdadeira também a VII.

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Gabarito – “C”.

Questão 18 – (ESAF) EPPGG-MPOG 2002

Segundo Weber, há três formas de dominação/legitimidade do


poder. Assinale a resposta que identifica corretamente uma
dessas formas.

a) A dominação burocrática baseia-se no poder que emana do


patriarca, do direito natural e das relações pessoais entre senhor e
subordinado.
b) A dominação tradicional baseia-se no poder que emana do estatuto
estabelecido, regulando os atos de quem ordena e de quem obedece
às ordens.
c) A dominação carismática baseia-se no poder que emana do
indivíduo seja pelo seu conhecimento ou feitos heroicos.
d) A dominação carismática baseia-se no poder que emana das
normas estabelecidas, podendo ser alteradas por uma nova
regulamentação.
e) A dominação tradicional baseia-se no poder que emana do
conhecimento e reconhecimento de atos heroicos, extinguindo-se com
o indivíduo.

Comentários

A “A” está incorreta, a dominação racional-legal se baseia no poder


que emana do Estatuto, e não do Patriarca.
A “B” está incorreta, a dominação tradicional baseia-se no poder que
emana do patriarca.
A “C” é o nosso gabarito, pois a dominação carismática baseia-se no
poder que emana do indivíduo, por conta dos seus conhecimentos ou
feitos.
A “D” é incorreta, a dominação carismática baseia-se no indivíduo e
não das normas ou estatutos como a racional-legal.
A “E” está incorreta, pois a dominação tradicional baseia-se no poder
do patriarca.

Gabarito – “C”.

Questão 19 – (ESAF) AFC 2002

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Julgue as sentenças relativas às diferenças entre


administração patrimonial e administração burocrática.

I. A administração burocrática é impessoal no sentido de que há uma


separação entre o ocupante e o cargo.
II. Patrimonialismo baseia-se na salvaguarda do patrimônio público
em relação aos interesses privados.
III. Clientelismo é uma prática patrimonial na medida em que implica
a apropriação privada do cargo.
IV. Caráter racional-legal está diretamente relacionado à ética da
convicção ou do valor absoluto.
V. Prebendas e sinecuras são formas patrimonialistas de ocupação.

A quantidade de itens corretos é igual a:

a) 1
b) 2
c) 3
d) 4
e) 5

Comentários

A afirmativa I está correta, a burocracia separa o cargo de seu


ocupante por conta do princípio da impessoalidade.
A afirmativa II está incorreta, o patrimonialismo não salvaguarda o
patrimônio público, ele o utiliza como se seu fosse.
A afirmativa III é correta, o clientelismo ocorre na forma de uma
troca, em que uma pessoa que detém um poder entrega um produto
ou serviço em troca do apoio político da pessoa que precisa desse
bem ou serviço. Por exemplo, ocorre quando os deputados enviam
recursos mediante emendas parlamentares para determinadas
localidades, em que eles têm sua base política.
A afirmativa IV é errada, o modelo racional-legal está ligado à ética
da responsabilidade, ou racionalidade instrumental. A ética da
convicção está associada a valores absolutos, inegociáveis, enquanto
que a da responsabilidade pode ceder em relação às suas posições
ideológicas quando for necessário e em nome do interesse público.
A afirmativa V é correta, vimos que no patrimonialismo existem as
prebendas e sinecuras. Logo três corretas.

Gabarito – “C”.
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Questão 20 – (ESAF) AFC 2001

Segundo Max Weber, a autoridade ou dominação baseia-se na


legitimidade que, por sua vez, pode ser de três tipos. Um
deles, a dominação legal de caráter racional, típica do Estado
contemporâneo, não apresenta a característica de:

a) impessoalidade das normas e de sua aplicação


b) hierarquia oficial
c) direito consuetudinário
d) exercício contínuo de funções segundo competências fixas
e) regras técnicas e normas aplicadas por profissionais especializados

Comentários

A única alternativa que não apresenta característica típica do Estado


contemporâneo (dominação racional-legal) é o Direito
Consuetudinário, ou direito dos costumes. Tal regramento esta
relacionado a um regime de dominação tradicional, e não recional-
legal como propõe a questão.

Gabarito – “C”.

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Caro aluno,
Com isso chegamos ao final da nossa aula demonstrativa.
Além de apresentar os conceitos iniciais da matéria, esta aula serve,
também, para dar uma ideia de como será o nosso curso.
Até a próxima aula, para mim será um prazer tê-lo conosco ao longo
do curso.
Um grande abraço e bons estudos!

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