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O uso do software Google Earth no ensino de concepções cartográficas no

ensino de Geografia
Thierry Almeida 86533

A cartografia é a ciência da representação gráfica da superfície terrestre,


tendo como produto final o mapa, sendo assim, uma ciência que trata da
concepção, produção, utilização e estudo deste. Nela, as representações de área
podem ser acompanhadas de diversas informações, sejam eles símbolos, cores,
dentre outros tantos elementos. Sendo essencial para o ensino da Geografia,
tornou-se muito importante na educação contemporânea, tanto para as pessoas
atenderem às necessidades do seu cotidiano, quanto para estudarem o ambiente em
que vivem, mas suas potencialidades podem serem ainda exploradas e expandidas,
através da adoção de novos meios tecnológicos para o ensino da mesma.
Castells afirma que a revolução tecnológica concentrada nas tecnologias da
informação está remodelando a base material da sociedade em ritmo acelerado, e
essa revolução tecnológica também tem potencial para mudar a maneira como
certas disciplinas são ensinadas no ambiente escolar, como no caso, a cartografia,
rompendo com metodologias arcaicas da transmissão do conhecimento, ao dar
boas-vindas à essas mudanças.
Desenvolvido por uma empresa chamada Keyhole, Inc sob o nome de Earth
Viewer e adquirido pela empresa Google em 2004 e renomeado Google Earth no
ano seguinte, segundo a definição da Wikipédia, o Google Earth é um programa
de computador cuja função é apresentar um modelito tridimensional do globo
terrestre, construído a partir de mosaico de imagens de satélite obtidas de fontes
diversas, imagens aéreas (fotografadas de aeronaves) e GIS 3D, que pode ser usado
simplesmente como um gerador de mapas bidimensionais e imagens de satélite ou
como um simulador das diversas paisagens presentes no Planeta Terra,
possibilitando a identificação e observação de lugares, construções, cidades,
paisagens, entre outros elementos.
Com essa ferramenta em mãos, que faz a cartografia do planeta, agregando
imagens obtidas de várias fontes, incluindo imagens de satélite, fotografia aérea, e
sistemas de informação geográfica sobre um globo em 3D, novas possibilidades
de ensino surgem, dinamizando o aprendizado dos alunos ao romper com métodos
tradicionais como os livros didáticos e mapas impressos. Dentre as possibilidades,
se inclui a utilização da ferramenta zoom (aproximação) do programa, permitindo
abordar o conceito de escala, ao utilizar imagens de uma mesma área, em diferentes
níveis de zoom, demonstrando que os elementos da imagem se apresentam em
proporções diferentes. Também é possível manipular o globo e mostrar como se
dá a divisão do mesmo em meridianos e paralelos (latitude medida de 0º até 90º
N/S, e longitude de 0º a 180º L/O), a introdução do sistema UTM (Universal
Transversa de Mercator), onde o mundo é dividido em 60 fusos, onde cada um se
estende por 6º de longitude, movimento de rotação da Terra e divisão de fusos
horários, além da ferramenta régua capaz de extrair medidas reais em diversas
unidades.
Obviamente essas não são as únicas possibilidades metodológicas que o
programa possibilita se desenvolver, sendo ainda possível muita coisa, como
explorar os aspectos topográficos e geomorfológicos de dada área no espaço
geográfico através dos mapas que o programa disponibiliza, mas a criatividade e
capacitação do professor também é necessária para se desenvolver quaisquer que
sejam as metodologias desejadas.
Contudo, sabe-se que as escolas brasileiras, principalmente do interior do
país, carecem de infraestrutura e esse é um problema que precisa ser eficientemente
resolvido para que as novas tecnologias de informação possam ser incorporadas
nesses ambientes, uma vez que se necessita de laboratórios de informática com
computadores capazes de executarem o programa sem problemas, além de
conexão com a internet. Por experiência própria, durante meu período de educação
básica, apesar de haver um laboratório de informática em minha escola (pública),
ele nunca era utilizado, o que nunca me possibilitou aprender fora dos padrões
tradicionais ligados exclusivamente à sala de aula, o livro didático, e os muros da
escola (mesmo que os alunos fisicamente estejam em sala de aula, a experiência
se transcende de forma lúdica através do virtual, indo muito além de simples
figuras estáticas impressas).
Por um lado, a popularização e embaratecimento dos smartphones, que não
são nada mais que verdadeiros computadores de bolso, cada vez mais usados entre
os jovens, poderiam possibilitar a utilização dos mesmos na sala de aula,
substituindo a necessidade de computadores de mesa, uma vez que o software do
Google Earth também está disponível para aparelhos móveis, e é bem raro, numa
turma de jovens, encontrar alguém que não possua um (porém, estou ciente que
nem todos possuam esse privilégio), sendo necessário somente o acesso a internet.
Com a incorporação desse software e seu grande aporte de ferramentas de
informações geográficas na sala de aula, o aprendizado no ambiente escolar poderá
ser rejuvenescido, aumentando o interesse dos alunos no conteúdo aprendido
através da prática desligada aos muitas vezes tediosos e rígidos meios tradicionais,
e até mesmo estimular o desempenho do professor, uma vez ele poderá se afastar
um pouco do livro didático e evoluir em sua própria prática como docente.

Referências Bibliográficas
 Cartografia no Google Earth. Wikiversidade. Disponível em:
<https://pt.wikiversity.org/wiki/Cartografia_no_Google_Earth> acesso
em: 4 de dezembro de 2017.
 CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
v. 1.
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Wikimedia Foundation, 2017. Disponível em:
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 DO RÊGO, Eduardo Ernesto. SERAFIM, Maria Lúcia. UTILIZAÇÃO
DOS APLICATIVOS GOOGLE MAPS E GOOGLE EARTH NO
ENSINO DE GEOGRAFIA: MÚLTIPLAS POSSIBILIDADES.
 TANAN, Karla Christiane Ribeiro. DA SILVA, Gilcileide Rodrigues. O
USO DO GOOGLE EARTH E DO GOOGLE MAPS NAS AULAS DE
GEOGRAFIA, 2016.