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Mecânica geral

Eletrotécnica
Eletrotécnica

Mecânica Geral

Eletrotécnica

© SENAI-SP, 1990

Acordo de Cooperação Técnica Brasil - Alemanha

Ficha catalográfica
a
S47e SENAI – SP. Eletrotécnica . Por Dirceu Della Coletta. 2 ed.
São Paulo, 1990, 122p.
(Mecânica Geral, 10).

1. Mecânica Geral. I. COLETTA, Dirceu Della.


II. t. III. s.

621.1

(CDU, IBICIT, 1976)

SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial


Unidade de Gestão Corporativa SP
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SENAI
Eletrotécnica

Sumário

Conteúdos 05
Objetivos gerais 09
Fundamento da eletrotécnica 11
Resistência elétrica 33
Proteção entre os perigos da energia elétrica 57
Energia – Trabalho – Potência - Rendimento 69
Máquinas elétricas 79
Comandos elétricos 109
Conservação da energia 119

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Eletrotécnica

Conteúdos

Fundamentos da eletrotécnica 3 horas


• Introdução
• Átomo
• Eletrostática
• Tensão elétrica
• Formas de se produzir tensão elétrica
• Medida de tensão elétrica
• Corrente elétrica
• Intensidade da corrente - I
• Medida da intensidade da corrente
• Tipos de tensão e corrente
• Efeitos da corrente elétrica (calor - luz - campo magnético)

Resistência elétrica 6 horas


• Introdução
• Resistores
• Circuito elétrico
• Lei de Ohm
• Tipos de circuito elétrico
• Circuito série
• Circuito paralelo
• Circuito misto

Proteção contra os perigos da energia elétrica 3 horas


• Efeitos da corrente elétrica no corpo humano
• Medidas de proteção
• Proteção por isolamento
• Proteção por separação de circuitos
• Proteção por condutor de proteção
• Proteção dos circuitos - fusíveis e disjuntores

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Eletrotécnica

Energia - Trabalho - Potência – Rendimento 6 horas


• Energia
• Lei da conservação da energia
• Trabalho mecânico e trabalho elétrico
• Medida de trabalho elétrico
• Potência elétrica
• Rendimento

Máquinas elétricas 9 horas


• Gerador elementar
• Gerador da corrente alternada
• Sistema trifásico
• Ligação triângulo
• Ligação estrela
• Potência trifásica
• Transformadores
• Motores elétricos - tipos
• Princípio de funcionamento do motor C.C.
• Motor série, shunt e compound
• Inversão do sentido de rotação
• Princípio de funcionamento do motor C.A.
• Velocidade síncrona
• Escorregamento
• Conjugado
• Motor síncrono
• Motor de indução
• Motores monofásico
• Partida dos motores de indução monofásico

Comandos elétricos 6 horas


• Contator
• Relé bimetálico
• Diagrama de ligação
• Ligações de motores
• Comutação direta para inversão do sentido de rotação de motores trifásicos

6 SENAI
Eletrotécnica

Conservação da energia 2 horas


• Introdução
• Consumo
• Demanda
• Fator de carga
• Fator de potência - COS ϕ
• Tarifação

Teste 1 hora
Total 36 horas

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Eletrotécnica

Objetivos gerais

Ao final desta unidade o participante deverá:

Conhecer
Ser informado sobre:
• Conceitos básicos da eletrotécnica;
• Conceitos básicos do magnetismo;
• Utilização básica de instrumentos de medição elétrica;
• Tipos de motores elétricos.

Saber
Reproduzir conhecimentos sobre:
• Grandezas e unidades básicas mais utilizadas em eletricidade;
• Fórmulas, tais como, lei de Ohm, lei de Kirchhoff, trabalho e potência elétrica e
suas deduções em vários tipos de circuitos;
• Geração de corrente contínua e corrente alternada;
• Princípios da indução (eletromagnetismo) e sua aplicação em motores elétricos.

Ser capaz de
Aplicar conhecimentos para:
• Comprovar, através das experiências, fenômenos e leis fundamentais da
eletrotécnica;
• Calcular exercícios práticos aplicando leis fundamentais;
• Resolver problemas do dia - a - dia consultando tabelas e gráficos;
• Prevenir acidentes identificando falhas de isolamento e aterramento.

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Eletrotécnica

Fundamentos da
eletrotécnica

Objetivos

Ao final desta unidade o participante deverá:

Conhecer
Esta informado sobre:
• Definição de átomo;
• Diversos tipos de fontes de tensão elétrica;
• Símbolos de tensão e corrente.

Saber
Reproduzir conhecimentos sobre:
• Partículas de átomo e suas cargas elétricas;
• Lei de atração e repulsão das cargas elétricas;
• Princípio de geração de eletricidade nos diversos tipos de fontes de tensão elétrica;
• Tensão elétrica;
• Corrente elétrica;
• Efeitos calorífico, luminoso e magnético da corrente elétrica.

Ser capaz de
Aplicar conhecimentos para:
• Descrever as fontes de energia elétrica, citando exemplos práticos;
• Medir a tensão elétrica;
• Medir a intensidade da corrente elétrica;

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Eletrotécnica

Introdução

Há poucas décadas desenvolveram-se inúmeras possibilidades de aplicação da


energia elétrica, a qual age em todos os setores de nossa vida, seja no lar, na
indústria, no comércio, ou no trânsito.

Com o emprego da eletricidade em aparelhos, máquinas e equipamentos industriais,


trabalhos manuais e mentais foram facilitados ou mesmo substituídos.

Através da energia elétrica pode-se produzir luz, calor, ação magnética ou fenômenos
químicos.

As causas que concorrem para a produção destes efeitos serão compreendidas se


fizermos um estudo das partículas que compõem as várias substâncias encontradas
na natureza.

O átomo

É a menor partícula física em que se pode dividir um elemento.

O átomo é formado por inúmeras partículas, mas vamos estudar somente as que
interessam à eletrotécnica.

O átomo é formado por uma parte central fixa, chamada núcleo, que é constituído de
dois tipos de partículas, os prótons e os nêutrons.

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Eletrotécnica

Os prótons possuem carga elétrica positiva e os nêutrons são partículas eletricamente


neutras.

Em torno do núcleo dos átomos existem as órbitas, que são produzidas pelo giro de
partículas em alta velocidade chamadas elétrons.

O elétron possui carga elétrica negativa. O número de elétrons e prótons em um átomo


é igual.

Os elétrons das órbitas externas são chamados elétrons livres, pois têm uma certa
facilidade de se desprenderem de seus átomos.

Se a quantidade de elétrons for igual à quantidade de prótons, diz-se que este átomo
está eletricamente neutro. Se a quantidade de elétrons for diferente da de prótons, este
átomo é chamado de íon.

Havendo mais elétrons do que prótons, diz-se que este átomo está carregado
negativamente, e é chamado de ânion.

Havendo menos elétrons do que prótons, diz-se que este átomo está carregado
positivamente, e é chamado de cátion.

SENAI 13
Eletrotécnica

Eletrostática

Parte da física que estuda as propriedades e o comportamento das cargas elétricas em


repouso.

Um corpo poderá ficar eletrizado positiva ou negativamente através da ação de uma


força externa.

Quando um corpo receber um ou mais elétrons, diz-se que ele adquiriu carga elétrica
negativa; se, porém, um corpo ceder elétrons, ficará com falta de elétrons, adquirindo
carga elétrica positiva.

Corpos com cargas elétricas iguais se repelem e com cargas elétricas diferentes se
atraem.

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Eletrotécnica

Exemplos
1. Friccione um bastão de plástico em um pano e depois aproxime-o de pequenos
pedaços de papel.

Observe que o papel é atraído pelo bastão.

Isto acontece porque, ao friccionar o bastão de plástico no pano de lã, os elétrons da


última camada dos átomos do pano passam para o bastão. O bastão fica com mais
elétrons do que antes e, portanto, fica carregado negativamente.

Do mesmo modo, ao atritar um bastão de vidro com um pano de seda, os elétrons


passam do bastão para o pano. O bastão fica com menos elétrons do que antes e,
portanto, fica carregado positivamente.

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Eletrotécnica

Nos dois casos, quando aproximamos o bastão, que está eletricamente carregado, dos
pedaços de papel, que estão eletricamente neutros, a diferença de carga elétrica atrai
o papel.

2. Prenda um pedaço de fita veda-rosca em um suporte isolante, conforme a figura


seguinte. Passe as duas partes da fita separadamente entre os dedos.

Observe que as fitas se repelem , pois possuem a mesma carga elétrica.

Esta repulsão dura enquanto tiver um excesso de elétrons nas fitas. A descarga de
elétrons se faz pelo ar, que contém íons positivos e negativos. A carga negativa das
fitas atrai os íons positivos do ar, descarregando-se assim lentamente.

Poderemos acelerar este processo acendendo perto da fita um fósforo, pois a chama
contém íons em grande quantidade.

3. Aproxime dois corpos com cargas opostas bastante elevadas.

Observe que os elétrons poderão pular do corpo negativo para o positivo antes de eles
se tocarem. É a descarga por arco voltático.

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Eletrotécnica

As grandes descargas elétricas são chamadas raios e sua principal fonte é a própria
natureza. Quando as cargas elétricas atingem um valor muito elevado, os elétrons
saltam em forma de centelha (relâmpagos) para outras nuvens ou para a terra.

Para que haja uma proteção contra os raios, instala-se um pára - raio no ponto mais
alto de uma residência, indústria ou edifício.

As pequenas descargas elétricas são chamadas faíscas e aparecem sempre que haja
corpos em atrito. Todos os caminhões - tanque, que transportam combustível,
possuem na parte detrás uma corrente pendurada, que toca o solo, proporcionando a
descarga da eletricidade estática acumulada no tanque.

Tensão elétrica

Considerando dois corpos, um com excesso de elétrons e outro com falta de elétrons,
surgirá entre esses corpos um campo eletrostático que repelirá os elétrons do corpo
carregado negativamente e atrairá os elétrons para o corpo carregado positivamente.
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Eletrotécnica

Esta força ou pressão, que age nos elétrons, chama-se tensão elétrica ou potencial
elétrico. Seu símbolo é U e a unidade de medida, volt (V).

No entanto, esta não é a única possibilidade de se obter tensão elétrica. Por exemplo,
entre dois pontos, ambos com excesso de elétrons, aparece uma tensão elétrica,
devido à diferença de excesso de elétrons. Por isso, a tensão elétrica é também
chamada de diferença de potencial elétrico.

Para fazer medidas de potencial elétrico é necessário ter uma referência. Esse ponto

de referência é caracterizado pelo símbolo (terra).

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Eletrotécnica

O movimento de elétrons de um átomo para outro, causado pela tensão elétrica, é


estudado pela eletricidade dinâmica.

Formas de produzir tensão elétrica

Há vários procedimentos técnicos para produzir tensão elétrica.

Geração de tensão por atrito


Vista anteriormente no exemplo 1.

Geração de tensão por calor


Ao aquecer o ponto de contato entre dois metais diferentes, aparece uma pequena
tensão de alguns milivolts.

O valor da tensão depende da temperatura. Este fenômeno é utilizado para medir a


temperatura em fornos.

Geração de tensão por pressão


Quando um cristal é submetido à tração ou compressão, produz-se tensão elétrica
entre suas superfícies.

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Eletrotécnica

O valor desta tensão elétrica é proporcional à pressão exercida sobre as superfícies do


cristal.

Este fenômeno é utilizado em microfones de cristal, captadores de toca-discos, células


de carga para balanças, etc.

Geração de tensão por luz


A luz que incide sobre determinados materiais (silício, germânio, selênio) provoca uma
separação das cargas elétricas.

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Eletrotécnica

O valor desta tensão depende da intensidade da luz. Este fenômeno é aplicado em


fotômetros, para gerar energia elétrica em satélites artificiais, em calculadoras
eletrônicas, etc.

Geração de tensão por eletrólise


Submergindo duas placas de materiais diferentes em um líquido condutor (eletrólito),
as placas carregam-se eletricamente, isto é, produzem uma tensão elétrica. O valor da
tensão depende do material dos eletrodos.

Este fenômeno é utilizado em pilhas e baterias.

Experiência
Ponha em uma solução de ácido sulfúrico de baixa concentração uma placa de cobre e
outra de zinco.

Ligue um voltímetro entre essas placas.

Observe a tensão elétrica existente entre as duas placas.

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Eletrotécnica

Exemplo
A pilha seca compõe-se de um recipiente de zinco, que é a placa negativa; de um
bastão de carbono, servindo como placa positiva; e de uma solução pastosa de cloreto
de amônia, constituindo o eletrólito

A tensão de uma pilha seca depende da combinação dos dois materiais e geralmente
é de 1,5v.

Geração de tensão por magnetismo


Quando se movimenta um ímã próximo a uma bobina, produz-se uma tensão elétrica
na bobina, chamada tensão induzida.

Este é o método mais usual de produção de eletricidade em larga escala. É o princípio


de funcionamento dos geradores e dínamos.

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Eletrotécnica

Experiência
Use uma bobina de 600 espiras, um galvanômetro para AC (corrente alternada) e um
ímã permanente. Faça a ligação, conforme a figura abaixo e movimente o ímã dentro
da bobina.

Observe o deslocamento do ponteiro do galvanômetro nos dois sentidos.

Medida de tensão elétrica

A tensão elétrica entre dois pontos pode ser medida facilmente com o uso do
voltímetro adequado. Basta unir as pontas do voltímetro aos pontos em que se deseja
medir a tensão.

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Eletrotécnica

Corrente elétrica

Uma fonte de tensão separa as cargas elétricas até que haja um equilíbrio entre a
força separadora e a tensão elétrica, como, por exemplo, na célula galvânica da figura
seguinte, onde temos dois eletrodos, um de cobre e outro de zinco, mergulhados em
uma solução aquosa de ácido sulfúrico. Os átomos de zinco entrarão na solução como
cátions Zn++, deixando no eletrodo elétrons, até que se crie uma diferença de potencial,
entre os eletrodos, de 1,1 volt.

Ao se fechar a chave, os elétrons caminharão pelo fio, do eletrodo de zinco para o de


cobre. Isto faz diminuir a diferença de potencial entre os eletrodos e, com isto, mais
cátions zinco (Zn++) entrarão em solução para tentar recuperar o estado original
(diferença de potencial de 1,1 volt).

O eletrodo de cobre com excesso de elétrons atrai o cátion hidrogênio (H+), formando
neste eletrodo bolhas de gás hidrogênio (H2).

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Eletrotécnica

Pelo fio condutor circulam as cargas elétricas negativas (elétrons). No interior da fonte
circulam as cargas positivas (Zn++). Na prática, podemos considerar que as cargas
elétricas circulam no interior da fonte, formando um circuito fechado.

O movimento das cargas elétricas é a corrente elétrica.

No circuito elétrico, os elétrons se movem, no exterior da fonte de tensão, do pólo


negativo ( - ) para o positivo ( + ), e, no interior da fonte, do pólo positivo ( + ) para o
negativo ( - ). Este é o sentido real da corrente de elétrons.

Quando não se conheciam claramente os conceitos sobre átomos e o movimento das


cargas elétricas, adotou-se que o sentido do movimento das cargas elétricas no
exterior da fonte de tensão era do pólo positivo ( + ) para o negativo ( - ). Como muitos
efeitos da corrente elétrica não dependem do sentido de propagação, este sentido
continua sendo utilizado em eletrotécnica.

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Eletrotécnica

Intensidade da corrente elétrica - I

A intensidade da corrente elétrica é a quantidade de elétrons que circula por segundo


através da secção de um condutor.

A unidade de intensidade da corrente elétrica é o ampère.

Um ampère equivale à circulação de 6,25 X 1018 elétrons por segundo.

Medida de intensidade da corrente elétrica

Para medir a intensidade da corrente elétrica, deve-se interromper o circuito e


intercalar um aparelho de medida, o amperímetro.

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Eletrotécnica

Tipos de tensão e corrente

Para satisfazer as diferentes necessidades técnicas, desenvolveram-se dois tipos de


tensão:
• Tensão contínua (pilhas);
• Tensão alternada (fornecida pelas centrais elétricas em nossas casas).

Como a tensão é a causa da corrente elétrica, quando se aplica uma tensão contínua a
um circuito elétrico, circulará uma corrente contínua (C.C.). As cargas elétricas movem-
se em um só sentido.

Quando se aplica uma tensão alternada em um circuito elétrico, circulará uma corrente
alternada (C.A.). As cargas elétricas variam o seu sentido.

No Brasil, as centrais elétricas fornecem energia elétrica com freqüência de 60 Hertz


(60Hz), isto é, a tensão e a corrente variam o seu sentido 60 vezes em um segundo.

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Eletrotécnica

Efeitos da corrente elétrica

A corrente elétrica, ao circular por um condutor, pode provocar uma série de efeitos,
tais como:
• Efeito calorífico;
• Efeito luminoso;
• Efeito magnético.

Efeito calorífico
Ao produzir uma corrente de elétrons, estes chocam-se com os átomos da rede
cristalina do condutor, e também ocorrem atrações e repulsões mútuas. Como um
todo, os átomos absorvem energia e suas oscilações aumentam, o que se torna
perceptível com a elevação da temperatura.

Este efeito é utilizado nos aparelhos elétricos de aquecimento, como fornos,


soldadores, aquecedores, etc.

Efeito luminoso
Os átomos, ao absorverem energia proveniente do fluxo de elétrons, podem também
emitir luz. Este efeito é utilizado nas lâmpadas incandescentes e lâmpadas
fluorescentes

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Eletrotécnica

Efeito magnético
O movimento de cargas elétricas gera um campo magnético. O movimento dos
elétrons dentro dos átomos também gera um campo magnético e, desta forma, cada
átomo age como se fosse um pequeno ímã - que é chamado ímã elementar.

Alguns materiais, ao sofrerem a influência de um campo magnético externo, orientam


seus ímãs elementares, que ficam orientados mesmo depois que o campo magnético
externo deixa de existir - são os ímãs permanentes (figura seguinte). Outros materiais
orientam seus ímãs elementares enquanto existir o campo magnético externo, mas
depois eles voltam a se desordenar. E existem materiais que não é possível orientar
seus ímãs elementares.

O ímãs criam ao seu redor um campo magnético, que pode ser representado por
linhas de intensidade uniforme (linhas de campo). Os pontos onde as linhas entram ou
saem chamam-se pólos magnéticos.

SENAI 29
Eletrotécnica

Por convenção, as linhas de campo saem do pólo norte e entram no pólo sul.

Nos eletroímãs, o campo magnético é gerado pela corrente elétrica que atravessa o
condutor.

A figura abaixo mostra um fio condutor que atravessa perpendicularmente um plano.

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Eletrotécnica

Espalhando pó de ferro sobre o plano e ligando o fio a uma fonte de tensão, o pó de


ferro formará anéis concêntricos. O desenho formado representa as linhas de campo.

A figura a seguir mostra o sentido das linhas de campo, que é indicado pela bússola.

Uma bobina é constituída de muitas espiras. Os campos magnéticos de cada fio


somam-se no interior da bobina, dando um campo magnético global.

Colocando um núcleo de ferro na bobina, os ímãs elementares do ferro orientam-se e


sobrepõem-se ao campo da bobina, resultando em um esforço ao campo magnético.

SENAI 31
Eletrotécnica

Questionário - resumo

1 O que é íon, ânion e cátion?

2 O que acontece quando friccionamos um bastão de plástico com um pano de


seda?

3 O que é tensão elétrica? Qual é a sua unidade de medida?

4 Quais as formas de produzir tensão elétrica? Dê exemplos de aplicação.

5 Em um aparelho de consumo se quer medir a corrente e a tensão. Como se


chamam os aparelhos de medida e como são conectados ao circuito?
Desenhe um esquema com os aparelhos de medida conectados ao circuito e
indique o sentido convencional da corrente elétrica.

6 Qual é o tipo de tensão fornecida em nossas residências?

7 Quais os efeitos provocados pela corrente elétrica e como eles são aproveitados?

32 SENAI
Eletrotécnica

Resistência elétrica

Objetivos

Ao final desta unidade o participante deverá:

Conhecer
Estar informado sobre:
• Resistência elétrica de um material em função da área e do comprimento;
• Unidade e símbolo de resistência elétrica;
• Classificação dos materiais em função da condutibilidade elétrica.

Saber
Reproduzir conhecimentos sobre:
• Lei de Ohm;
• Associação de resistores em circuitos séries, paralelo e misto.

Ser capaz de
Aplicar conhecimentos para:
• Calcular exercícios práticos, determinando a tensão e a corrente elétrica;
• Medir a resistência elétrica.

Introdução

Para o estudo da resistência elétrica, os materiais são divididos em três categorias:


• Isolantes;
• Semicondutores;
• Condutores.

SENAI 33
Eletrotécnica

Isolantes
Materiais que oferecem grande dificuldade à passagem da corrente elétrica, não
permitindo que os elétrons se libertem facilmente dos seu átomos.

Esses materiais são utilizados para bloquear a passagem da corrente elétrica.

Entre os isolantes, temos louça, vidro, borracha, plástico, ebonite, fibra.

Condutores
Materiais que oferecem pouca dificuldade à passagem da corrente elétrica.

Esses materiais possuem elétrons livres em suas órbitas, facilmente removíveis.

Os metais são os melhores condutores de eletricidade; dentre eles, o cobre e o


alumínio são os mais usados.

O cobre tem tido maior aplicação porque, além de ser bom condutor, oferece boa
resistência mecânica, suas emendas apresentam baixa resistência elétrica e podem
ser facilmente soldadas.

O alumínio é um bom condutor e tem um peso específico mais baixo em relação ao


cobre, porém, nas emendas, requer uma solda especial. É muito usado nas linhas de
alta tensão.

Semi condutores
Materiais que têm propriedades intermediárias entre isolantes e condutores. O valor de
sua resistência elétrica pode variar consideravelmente mediante diversas influências,
como calor, luz, indução magnética, tensão, sentido da corrente elétrica.

Os semicondutores são empregados na produção de diodos retificadores, células


fotoelétricas, diodos piezoelétricos, etc.

São exemplos de semicondutores o selênio, o germânio, e o silício.

34 SENAI
Eletrotécnica

Resistores

Dispositivos especialmente construídos para oferecer maior resistência à passagem da


corrente elétrica. Como exemplo, podemos citar o fio de tungstênio, utilizado na
confecção de lâmpadas incandescentes; o fio de níquel-cromo, utilizado em chuveiros,
soldadores, ferro elétrico, fogão elétrico; o fio de constantã (CuNi), utilizado em fornos
e estufas.

Circuito elétrico

Um circuito elétrico é composto de fonte de tensão, condutores e receptor ou carga.

O receptor ou carga transforma a energia elétrica em outras formas de energia, como


calor, luz, energia mecânica, etc. Essa conversão de energia se faz mediante uma
oposição ao movimento dos elétrons, a que chamamos de resistência elétrica.

Resistência elétrica

Dificuldades que um condutor oferece à passagem da corrente elétrica e que depende:


• Do material;
• Do comprimento;
• Da secção.

SENAI 35
Eletrotécnica

O símbolo da resistência elétrica é a letra

Sua unidade de medida é o ohm (Ω).

Exemplo
R = 50Ω

Calcula-se a resistência elétrica através da seguinte fórmula:

δ."
R=
A

Onde:
R - resistência do condutor [Ω]
δ - resistividade específica

⎡ Ω . mm 2 ⎤
⎢ ⎥
⎣ m ⎦

Resistividade específica a 20º C Material


0,0219 ouro Au
0,0167 prata Ag
0,0178 cobre Cu
0,0278 alumínio Al
0,4902 constantã (CuNi)
66,6667 carbono C

" - comprimento do condutor [m]


A - área da secção do condutor [mm2]

Experiência 1
Exemplo
Calcular a resistência em Ω de um condutor de cobre.

" = 130mm
A = 0,1257mm2
0,0178Ω . mm 2
δ=
m

36 SENAI
Eletrotécnica

Solução
δ."
R=
A

0,0178Ω . mm 2
/ /m/ . 130m
/
R= 2
/
0,1257m m

R = 18,4Ω

Medição da resistência elétrica

O ohmímetro é o aparelho usado para medir a resistência elétrica.

Para ligá-lo, deve-se tomar a precaução de desligar a corrente elétrica do circuito, isto
porque o ohmímetro possui bateria própria para seu funcionamento.

Lei de Ohm

Em um circuito elétrico, se a resistência R permanece constante, a intensidade da


corrente I é proporcional à tensão U.

SENAI 37
Eletrotécnica

Experiência 2
Para demonstrar essa lei, podemos montar um circuito, como o da figura abaixo,
verificando que o valor da corrente aumenta proporcionalmente ao aumento da tensão.

U
Tensão U em V Intensidade I em A Resistência R = em Ω
I
2v 0,2A 10Ω
4v 0,4A 10Ω
8v 0,8A 10Ω

Para o cálculo das grandezas da lei de Ohm, colocamos os seus valores em um


triângulo.

As letras dispostas formam a palavra RUI, o que facilita a transformação das fórmulas
entre si.

U = R. I

U U
R= I=
I R

Unidades:
I em ampères [A]
U em volts [V]
R em ohms [Ω]

38 SENAI
Eletrotécnica

Exemplo
Aplicando uma tensão de U = 12V em uma resistência de R = 4Ω, qual é a intensidade
da corrente?

Solução
U 12V
I= I=
R 4Ω

I = 3A

Tipos de circuitos elétricos

Os circuitos elétricos, de um modo geral, dividem-se em três tipos.

Conforme suas ligações, podem ser:


• Série;
• Paralelo;
• Misto.

O funcionamento dos circuitos série, paralelo e misto, para corrente e tensão, é


definido pelas leis de Kirchhoff.

1a Lei de Kirchhoff
(Lei dos Nós)
A intensidade da corrente que chega a um ponto do circuito é igual à intensidade da
corrente que dele sai.

SENAI 39
Eletrotécnica

2a Lei de Kirchhoff
(Lei das Malhas)
A tensão total de uma malha é igual à soma das tensões parciais dessa malha.

Circuito série
É aquele em que seus elementos são ligados um após outro, sendo que um elemento
depende do outro, e todos os elementos constituem uma única malha elétrica.

Resistência total
Neste circuito a resistência total é a soma de todos os resistores.

Intensidade da corrente
A intensidade da corrente é igual em todos os resistores.

40 SENAI
Eletrotécnica

Tensão
A tensão total é igual à soma da tensão em cada resitor.

Exemplo
Calcular no circuito a resistência total Rt, a corrente I e as tensões parciais U1, U2 e U3.

Rt = R1 + R2 + R3
Rt = 25Ω + 50Ω + 35Ω

Rt = 110Ω

U 220v
I= I=
R 110Ω

I = 2A

U1 = R1 . I

U1 = 25 . 2

U1 = 50V

U2 = R2 . I
U2 = 50 . 2

U2 = 100V

SENAI 41
Eletrotécnica

U3 = R3 . I
U3 = 35 . 2

U3 = 70V

Ut = U1 + U2 + U3
Ut = 50V + 100V + 70V
Ut = 220V

Circuito paralelo
É aquele em que seus elementos são colocados um independente do outro.

Isto quer dizer que se um elemento qualquer deixar de funcionar não perturbará o
funcionamento dos demais.

Tensão
A tensão é igual em todos os resistores.

42 SENAI
Eletrotécnica

Intensidade da corrente
A intensidade da corrente total é igual à soma das correntes parciais.

Resistência total
A resistência total (Rt) é menor do que a resistência oferecida pelo menor resistor do
circuito.

Pode ser calculado pela fórmula:

1
Rt =
1/R 1 + 1/R 2 + 1/R 3

Exemplo

Calcular:
• A resistência total do circuito.

1
Rt =
1/10 + 1/20 + 1/60

SENAI 43
Eletrotécnica

1
Rt =
6 + 3 +1
60

1 1 60
Rt = = .
10/60 1 10

60
Rt =
10

Rt = 6Ω

• As correntes I1, I2, I3 e It (para o cálculo de I1, I2, I3 usamos a lei de Ohm).

U
I=
R

10V
I1 = I1 = 1A
10Ω

10V
I2 = I2 = 0,5A
20Ω

10V
I3 = I3 = 0,16A
60Ω

It = I1 + I2 + I3
It = 1A + 0,5A + 0,16A
It = 1,66A

Observação
Quando houver apenas dois resistores em paralelo, a fórmula para o cálculo da
resistência total poderá ser simplificada.

44 SENAI
Eletrotécnica

1
Rt =
1/R 1 + 1/R 2

1
Rt =
R 2 + R1
R1 . R 2

R 1 .R 2
Rt =
R1 + R 2

Exemplo

Calcular:
• A resistência Rt, a corrente It e as correntes I1 e I2.

R1 . R 2 30Ω . 60Ω
Rt = =
R1 + R 2 30Ω + 60Ω

Rt = 20Ω

U 12V
It = = = 0,6A
R 20Ω

U 12V
I1 = = = 0,4A
R1 30Ω

U 12V
I2 = = = 0,2A
R2 60Ω

SENAI 45
Eletrotécnica

Observação
Comparando a relação entre resistores e correntes.

R1 30Ω 1 I1 0,4 2
= = = =
R2 60Ω 2 I2 0,2 1

Nos circuitos em paralelo, as correntes são inversamente proporcionais às


resistências.

R1 I
= 2
R2 I1

Circuito misto
É aquele que é formado pela combinação dos dois tipos de circuitos estudados, sendo
parte em série e parte em paralelo.

Exemplo
No circuito devem ser calculados dos valores de R, U e I.

Determine os valores.
RI, RII, Rt, It, I4, I3, Uab, Ubc, I1 e I2.

46 SENAI
Eletrotécnica

Circuito parcial ( I )

R1 . R 2 20Ω . 60Ω
RI = =
R1 + R 2 20Ω + 60Ω

Circuito parcial ( II )

RII = RI + R3 = 15Ω + 25Ω

RII = 40Ω

Circuito parcial ( III )

R II . R 4 40Ω . 40Ω
RIII = =
R II + R 4 40Ω + 40Ω

RIII = 20Ω
RIII = Rt = 20Ω

SENAI 47
Eletrotécnica

Aplicando a lei de Ohm,

U
It =
Rt

20V
It =
20Ω

It = 1A

Observação
Para calcular a intensidade da corrente que passa por cada resistor, utilizamos os
circuitos parciais de baixo para cima e aplicamos a lei de Ohm.

Circuito parcial ( III )

20V 20V
III = I4 = =
40Ω 40Ω
III = I4 = 0,5A

A corrente III circula nos resistores R3 e RI, portanto, III = I1 = I3 = 0,5A.

Circuito parcial ( II )

Uab = RI . I
Uab = 15Ω . 0,5A
Uab = 7,5V

48 SENAI
Eletrotécnica

Ubc = R3 . I3
Ubc = 25Ω . 0,5A
Ubc = 12,5V

Uac = Uab + Ubc


Uac = 7,5V + 12,5V
Uac = 20V

Circuito parcial ( I )

7,5V
I1 = I1 = 0,375A
20Ω

7,5V
I2 = I 2 = 0,125A
60Ω

Experiência 1
• Objetivo: Demonstre que a resistência de um condutor depende do material do
comprimento da área da secção.

• Material: Fonte de tensão, voltímetro, amperímetro, suporte, hastes, fios, fio de


constantã φ 0,2 e 0,4mm, fio de ferro φ 0,2mm, fio de níquel φ 0,2mm.

• Execução: Monte um sistema como o da figura abaixo.

SENAI 49
Eletrotécnica

Use três fios de materiais diferentes (constantã, ferro, níquel), com o mesmo
comprimento e o mesmo diâmetro.

a. Fixe a tensão e meça a intensidade da corrente.


Calcule a resistência elétrica.

Material
Diâmetro (mm)
Tensão (V)
Corrente (A)
V
Resistência Ω =
A

Conclusão
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

b. Usando o fio de constantã de diâmetro 0,2mm, fixe a tensão. Varie o comprimento


do fio (x, 2x, 3x) e meça a intensidade da corrente.

Comprimento (m)
Tensão (V)
Corrente (A)
V
Resistência Ω =
A

Conclusão
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

50 SENAI
Eletrotécnica

c. Fixando tensão e comprimento, meça a intensidade da corrente dos fios de


constantã de 0,2 e 0,4mm de diâmetro.

Diâmetro (mm)
Área (mm2)
Tensão (V)
Corrente (A)
V
Resistência Ω =
A

Conclusão
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

Conclusão geral
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

Experiência 2
• Objetivo: Demonstre a lei de Ohm

• Material: Fonte de tensão, voltímetro, amperímetro, suporte, hastes, fio de


constantã 0,2mm de diâmetro

• Execução: Monte um sistema como o da figura da experiência anterior:


Experiência 1, terceiro item: Execução.

Use o fio de constantã φ 0,2mm.

SENAI 51
Eletrotécnica

a. Varie a tensão e meça a intensidade da corrente elétrica. Calcule a resistência


elétrica. Complete o gráfico tensão x corrente.

Fio de constantã comprimento ________m

V
Tensão (V) Corrente (A) Resistência Ω =
A

Conclusão
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

52 SENAI
Eletrotécnica

Observação
O aumento da temperatura do condutor altera a sua resistividade. Nos metais,
geralmente, é para mais.

O constantã (CuNi45Mn1) é um material pouco sensível à alteração da resistividade


com o aumento da temperatura.

Questionário - resumo

1. Uma resistência deve ter 18Ω. Qual o comprimento que deve ter o fio, se a
Ω . mm 2
resistência é feita de fio de constantã ( δ = 0,49 ), que tem uma secção
m
de 0,5mm2?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

2. Qual a intensidade da corrente elétrica que circula por uma resistência de 1,5KΩ,
quando se aplica uma tensão de 60V?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

3. Qual a resistência elétrica de um circuito em que, quando submetido a uma tensão


de 220V, circula uma corrente de 11 ampères?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

4. Qual é a máxima tensão que se pode aplicar a uma resistência R = 2,2kΩ, se a


intensidade da corrente máxima permitida é de I = 50mA?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

SENAI 53
Eletrotécnica

5. Calcule no circuito os valores de Rt, I, U1 e U2.

6. Calcule no circuito os valores de R2, U2 e I.

7. Para uma tensão U = 42V, quantas lâmpadas de 6V/0,1A devem ser ligadas em
série para que elas não se queimem?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

8. Calcule no circuito os valores de Rt, It, I1 e I2.

54 SENAI
Eletrotécnica

9. Calcule no circuito os valores de Rt, It, I1, I2 e I3.

10. Calcule no circuito os valores de Rt, I1, I2, I3, U1, U2 e U3.

SENAI 55
Eletrotécnica

Proteção contra os perigos


da energia elétrica

Objetivos

Ao final desta unidade o participante deverá:

Conhecer
Estar informado sobre:
• Efeitos da corrente elétrica no corpo humano.

Saber
Reproduzir conhecimentos sobre:
• Medidas de proteção contra choques elétricos.

Ser capaz de
Aplicar conhecimentos sobre:
• Evitar acidentes elétricos durante o trabalho.

Efeitos na corrente elétrica no corpo humano

O corpo humano é um condutor de eletricidade.

A passagem de eletricidade pelo corpo humano pode ser perigosa dependendo da


intensidade da corrente, do caminho por onde circula, do tempo de atuação e do tipo
de corrente elétrica.

Uma pessoa suporta, durante um curto período de tempo, até 40mA.

SENAI 57
Eletrotécnica

Com as mãos úmidas, sua resistência total é de aproximadamente 1300Ω. Para


circular está corrente é necessária uma tensão de:
U=R.I
U = 1300Ω . 0,040A
U = 52V

Em nível internacional, tensões superiores a 50V são consideradas perigosas.

Quadro: Efeitos da corrente elétrica


Ampère Efeito

0,005 pequenos estímulos nervosos


0,010 a 0,025 contrações musculares
aumento da pressão sangüínea, transtornos cardíaco
0,025 a 0,080
e respiratório, desmaios
corrente alternada pode provocar a morte por
0,080 a 5
contrações rápidas do coração (fibrilação)
acima de 5 queimaduras da pele e dos músculos, parada cardíaca

58 SENAI
Eletrotécnica

Observação
Os reparos dos equipamentos elétricos devem ser feitos por especialistas. As partes
do corpo expostas à tensão devem estar devidamente isoladas, e os equipamentos,
desligados por completo.

Medidas de proteção dos equipamentos

Medidas de proteção com condutor de proteção


O condutor de proteção (PE) identifica-se pelas cores verde e amarelo.

Conecta-se à carcaça da máquina um condutor neutro, que está ligado à terra. Esta
medida de proteção chama-se aterramento.

Se uma peça do aparelho entra em contato com o condutor por onde circula corrente,
produz-se uma corrente de curto - circuito. Isto faz romper o fusível e elimina o perigo.

A corrente de curto - circuito passa à terra pelo condutor de proteção.

SENAI 59
Eletrotécnica

Medidas de proteção sem condutor de protreção

Proteção por isolamento


Os aparelhos elétricos são envolvidos em materiais isolantes duradouros, isto é, muito
resistentes do ponto de vista mecânico.

Proteção por separação de circuitos


Conecta-se um transformador, com bobinas separadas e bem isoladas uma da outra,
entre a rede e o aparelho. Se o aparelho tem derivações, o circuito com a terra não é
fechado. Os transformadores de separação são simbolizados por 0 0.

Exemplos
• Você já deve ter levado choque ao tentar desligar um chuveiro .

60 SENAI
Eletrotécnica

Isto acontece porque a água que recebemos em nossas casas contém sais
dissolvidos, o que a torna condutora de eletricidade.

A resistência elétrica do chuveiro está mergulhada na água. Parte da corrente elétrica


passa pela água e circula pela carcaça do chuveiro e pelo encanamento de metal para
chegar à terra.

Quando uma pessoa coloca a mão no registro, funciona como uma resistência para a
corrente.

A intensidade da corrente será maior no caminho que oferecer menor resistência.

• Calcule a corrente que circulará pela pessoa nos casos A e B.

Caso A

Observação

A tensão entre fases é 220V e a tensão entre fase e neutro (ou terra) é 10V.

SENAI 61
Eletrotécnica

2000 . 1200
R23 =
2000 + 1200
R23 = 750Ω

R123 = 4250 + 750


R123 = 5000Ω

110V
I=
5000Ω
I1 = 0,022A

U1 = 4250 . 0,022
U1 = 93,5V

U2 = U - U1
U2 = 110 - 93,5
U2 = 16,5V

62 SENAI
Eletrotécnica

U2
I2 =
R2
16,5
I2 =
2000
I2 = 0,00825A

U2
I3 =
R3
16,5
I3 =
1200
I3 = 0,0137A

Caso B
Ligando um fio condutor, conforme a figura, diminui-se a resistência elétrica dos canos.

120 . 1200
R23 =
120 + 1200
R23 = 109Ω

SENAI 63
Eletrotécnica

R123 = 4250 + 109


R123 = 4350Ω
R123 = 4350Ω

110V
I=
4350Ω
I1 = 0,025A

U1 = 4250 . 0,025
U1 = 106,25V

U2 = U - U1
U2 = 110 - 106,25
U2 = 3,75V

U2
I2 =
R2
3,75
I2 =
120
I2 = 0,031A

U2
I3 =
R3

64 SENAI
Eletrotécnica

3,75
I3 =
1200

I3 = 0,0031A

Observação
Compare a corrente I3 do caso A e do caso B com o quadro Efeitos da corrente
elétrica.

Proteção dos circuitos

Todos os condutores, não ligados à terra, deverão ter dispositivos de proteção contra
sobrecarga, tais como fusíveis e disjuntores.

O condutor neutro, ligado à terra, não deverá conter nenhum dispositivo capaz de
causar interrupção da corrente elétrica.

A capacidade nominal do dispositivo de proteção do condutor deverá ser, no máximo,


igual ao limite de condução da corrente do condutor, como especificado na tabela
seguinte.

No caso dos circuitos que alimentam motores, a capacidade nominal do dispositivo de


proteção dos condutores poderá atingir de 150 a 300% da corrente nominal do motor.

Tabela: Limite de condução de corrente em fios de cobre isolados


Seção nominal (mm2)
0,75 1 1,5 2,5 4 6 10 16 25 35 50 70
Grupo 1 A
- 12 16 21 27 35 48 65 88 110 140 175
Grupo 2 A
13 16 20 27 36 47 65 87 115 143 178 220
Grupo 3 A
16 20 25 34 45 57 78 104 137 168 210 260

Grupo 1:
• Um ou vários condutores em eletroduto
Grupo 2:
• Cabo com vários condutores, por exemplo: 3 condutores.
Grupo 3
• Linhas com um só condutor, por exemplo: linhas aéreas ou em armários de
conexões.

SENAI 65
Eletrotécnica

Dois dos dispositivos mais usados na proteção dos circuitos são os fusíveis e os
disjuntores.

Fusíveis
Há vários modelos de fusíveis, de diversos fabricantes. Os mais usados em
instalações residenciais e comerciais são os do tipo rolha, cartucho e faca. Em
instalações industriais, de maior responsabilidade, são utilizados os do tipo Diazed ou
NH.

Disjuntores
Além dos fusíveis, utilizam-se também os disjuntores para interromper o circuito, em
caso de defeito.

Os disjuntores termomagnéticos possuem dois dispositivos de proteção: um térmico e


outro eletromagnético.

66 SENAI
Eletrotécnica

Se uma pequena sobrecarga atuar no circuito, durante um longo período, a corrente


que circula aquece o dispositivo bimetálico, que interromperá o circuito.

No caso de uma rápida elevação da corrente elétrica, o dispositivo eletromagnético


interromperá o circuito.

Questionário - resumo

1. Quais os efeitos que tem a corrente elétrica sobre o corpo humano?

SENAI 67
Eletrotécnica

2. Acima de qual tensão é considerada perigosa para o corpo humano? Por quê?

3. Quais são as medidas de proteção que devem ser tomadas nos equipamentos
elétricos?

4. Qual a finalidade do disjuntor e como atuam os seus dispositivos de proteção?

5. Por que não se deve mexer em aparelhos elétricos com o corpo molhado?

68 SENAI
Eletrotécnica

Energia - Trabalho
Potência - Rendimento

Objetivos

Ao final desta unidade o participante deverá:

Conhecer
Estar informado sobre:
• Unidades e símbolos de trabalho e potência:
• Definição de energia;
• Lei de conservação da energia.

Saber
Reproduzir conhecimentos sobre:
• Fórmulas para calcular trabalho e potência elétrica;
• Fórmulas para calcular o rendimento.

Ser capaz de
Aplicar conhecimentos para:
• Calcular exercícios práticos sobre potência, trabalho e preço de consumo.

Energia

Energia é a capacidade que um corpo tem de realizar trabalho.

Esta energia poderá estar em repouso ou em movimento.

Quando encontra-se em repouso, chama-se energia potencial, e quando está em


movimento, energia cinética.

SENAI 69
Eletrotécnica

A água armazenada em uma represa, a uma determinada altura h, constitui um


reservatório de energia potencial.

Quando está água desce pela tubulação, a energia potencial da água transforma-se
em movimento - energia cinética.

Esta energia cinética irá realizar trabalho ao movimentar a turbina (energia mecânica)
que está acoplada a um ímã, que, por sua vez, irá gerar energia elétrica.

Lei da conservação da energia

A energia nunca desaparece. Ela se transforma de um tipo em outro.

A energia elétrica pode transformar-se, novamente, em energia mecânica em um


motor elétrico que está acoplado a uma bomba que elevará a água para o reservatório.

Isto é possível, só que não conseguimos, elevar toda essa água de volta para o
reservatório, pois perderemos uma parte da energia para o meio.

70 SENAI
Eletrotécnica

Por exemplo, da energia elétrica que entrou no motor, uma parte transformou-se em
energia mecânica e outra parte, em energia térmica, que perdemos para o meio
ambiente.

Trabalho mecânico

Entende-se por trabalho mecânico (τ) o produto da força (F) pelo deslocamento (s)
percorrido pelo corpo, ocasionado pela ação da força F.

τ=F.s

Onde:
F - força em newton [N]
s - distância em metro [m]
τ - trabalho em joule [J]

Observação
τ → lê-se tau.

Trabalho elétrico

Realiza-se trabalho elétrico sempre que uma tensão elétrica U impulsiona uma
quantidade de cargas elétricas Q através de um condutor. Portanto, o trabalho elétrico
é proporcional à tensão U e à quantidade de carga elétrica transportada Q. A
quantidade de eletricidade Q é obtida pela intensidade da corrente I multiplicada pelo
tempo t que circula essa corrente.

τ=U.Q

τ=U.I.t

SENAI 71
Eletrotécnica

Onde:
U - tensão em volt [V]
I - intensidade da corrente em ampère [A]
t - tempo em segundo [s]
τ - trabalho em [V.A.s] = [W.s]

Observação
Ao produto de volt por ampère chamamos de watt [ W ]. A unidade de trabalho elétrico
é, portanto, watt por segundo [W.s]. A unidade de watt por segundo equivale à unidade
joule [J].

1 . V . A . s = 1 . W . s = 1J

Medida de trabalho elétrico


As empresas fornecedoras de energia elétrica cobram o consumo de energia, que é o
trabalho elétrico.

O valor do trabalho elétrico é determinado por um aparelho contador que mede a


tensão, a intensidade da corrente e o tempo, este com a ajuda de um disco giratório.

72 SENAI
Eletrotécnica

A constante de tempo marcada no contador indica quantas revoluções no disco


equivalem a 1KWh;

1KWh = 3,6 . 106Ws

pois, 1KW = 1000W → 1h = 3600s

Exemplo
Um aquecedor é ligado em 220V.
A corrente medida é I = 15A.

Calcule:
a) O trabalho elétrico após 8 horas de uso.

τ = V. I. t
τ = 220V . 15A . 8h
τ = 26400Wh

τ = 26,4KWh

SENAI 73
Eletrotécnica

b) O custo da energia elétrica do item a, sabendo que o custo de 1KWh é de


CR$1.200,00

preço
Custo = τ .
KWh

Cr$1.200,00
Custo = 26,4KWh .
KWh

Custo = Cr$31.680,00

Potência elétrica

A potência elétrica de um aparelho elétrico indica a sua capacidade de realizar


trabalho.

A potência indica a rapidez com que se realizará um trabalho.

O símbolo da potência P, e sua unidade é o watt [W].

A potência de 1 watt é alcançada quando o trabalho de 1 joule [J] é realizado em 1


segundo [s].

Trabalho
Potência =
tempo

τ
P=
t

Potência mecânica e potência elétrica são grandezas físicas da mesma classe.

Potência mecância Potência elétrica


τ F.s τ U . I. t
P= →P = P= = → P = U.I
t t t t

Unidades Unidades
N.m J
P em = =W P em V . A = W
s s

74 SENAI
Eletrotécnica

Rendimento

O rendimento é a relação entre a energia aproveitada e a energia fornecida.

Para transformar uma forma de energia em outra, sempre ocorrem perdas de energia
útil.

Por exemplo, em um motor elétrico ocorrem perdas caloríficas e magnéticas e,


também, perdas por atrito nos mancais.

τe Pe
n= ou n=
τn Pn

Onde:
τe ou Pe = trabalho ou potência efetiva
τn ou Pn = trabalho ou potência nominal

Observação
n → lê-se eta = rendimento

Exemplos
• A potência elétrica fornecida a um motor elétrico é de 1,5KW; entretanto, a potência
mecânica aproveitada é de 736W, Calcular o rendimento.

Pe 736W
n= →n =
Pn 1500W

n = 0,49

SENAI 75
Eletrotécnica

Isto significa que 49% da energia elétrica fornecida são transformados em potência
mecânica útil.

• Um aquecedor de potência P = 2000W aquece uma massa de água m = 3Kg.

Em um tempo t = 15 minutos (t = 900s) a temperatura da água sobe 80ºC (80K).

Calor específico da água c = 4 180W.s/Kg.K

Qual o rendimento do sistema?

Energia calorífica absorvida pela água

Q = m . c . Δt

W.s.
Q = 3Kg. 4180 . 80K
Kg.K
Q = 1.003 . 200 W.s
1,0032 . 10 6
Q=
3,6 . 10 6
Q = 0,28kWh

Energia elétrica consumida pelo aquecedor

τ = U . I . t; τ=P.t

τ = 200W. 900s
τ = 1800000W.s
1,8 . 10 6
τ=
3,6 . 10 6
τ = 0,5KWh

76 SENAI
Eletrotécnica

0,5KWh - 0,28KWh = 0,22KWh Perde-se 0,22KWh para aquecer o recipiente e


o ar.
Rendimento

0,28KWh
n= = 0,56 56% da energia elétrica foram utilizados,
0,50kwh
efetivamente, para aquecer a água.

Exercícios
1. A potência de um chuveiro é de 4000W e a tensão 220V.
Calcular:
• A intensidade da corrente.
• O custo do consumo de energia de 5 horas e 15 minutos, sabendo que 1KWh
custa Cr$1,40.
________________________________________________________________
________________________________________________________________

2. Um elevador leva uma carga de 2000Kg a uma altura de 30 metros em 50


segundos (g = 10m/s2).
• Qual é o trabalho realizado?
• Qual é a potência exigida?
________________________________________________________________
________________________________________________________________

Sabendo que o motor do elevador é de corrente contínua 220V e que um


amperímetro ligado ao motor indicou 90A, pergunta-se:
• Qual a potência do motor?
• Qual o rendimento do sistema?

SENAI 77
Eletrotécnica

3. Deve-se comprar um motor para um elevador de carga que elevará 1000Kg a 3


metros em 12 segundos. Dispomos de uma tensão contínua de 400V. O
rendimento do sistema será de 70% (g = 10m/s2).
• Qual a potência efetiva exigida?
• Que potência consumirá o motor da rede?
• Qual será a intensidade da corrente nos cabos?
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________

4. Um forno elétrico, cuja potência é de 6000 W, demora 5 minutos para aquecer uma
peça de aço de 5Kg de 20 para 420°C.

Calor específico do aço c = 470W.s/Kg.K

Calcular:
• O trabalho efetivo realizado para aquecer a peça (em KWh).
• O trabalho realizado pelo forno.
• O rendimento do sistema.
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________

Questionário - resumo

1. O que é energia?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

2. Qual a diferença entre trabalho e potência elétrica?


__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

3. Transforme:
7,2 . 106Ws = __________________KWh
14.400.000J = __________________KWh
5 KWh = _______________________Ws

4. Por que o rendimento é sempre menor do que 1?


__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

78 SENAI
Eletrotécnica

Máquinas elétricas

Objetivos

Ao final desta unidade o participante deverá:

Conhecer
Estar informado sobre:
• Geração de tensão e de corrente pelo processo de indução;
• Princípio de construção do transformador;
• Princípio de funcionamento dos motores de C.C. e C.A.

Saber
Reproduzir conhecimentos sobre:
• Gerador trifásico;
• Ligação triângulo;
• Ligação estrela;
• Potência trifásica;
• Transferência da energia da bobina primária para a secundária do transformador;
• Tipos de motores e suas características;
• Características dos motores de C.C. e C.A.

Ser capaz de
Aplicar conhecimentos para:
• Calcular a corrente e a tensão em um sistema trifásico;
• Calcular a potência, a tensão, a corrente e o número de espiras de um
transformador.

SENAI 79
Eletrotécnica

Gerador elementar

Máquina para transformar energia mecânica em elétrica, produzindo corrente contínua


ou alternada.

Qualquer variação do fluxo magnético no interior de uma espira condutora cria nesta
uma tensão induzida.

Experiência
Uma bobina, representada por uma espira condutora, gira em um campo magnético de
um ímã permanente, conforme a figura abaixo. Os extremos da espira estão unidos
através de dois anéis coletores a um amperímetro.

Observação
A agulha indicadora do amperímetro oscila ao redor de uma posição média, seguindo o
ritmo do movimento giratório.

Podemos deduzir que a tensão e a corrente variam em intensidade e em sentido.

80 SENAI
Eletrotécnica

Princípio da indução
A quantidade total de linhas do campo magnético chama-se fluxo magnético. Ao girar a
espira condutora no fluxo magnético, esta corta as linhas de campo e modifica o
número de linhas de campo (fluxo magnético) cortadas pela espira. Por isso, com
iguais ângulos de giro, é diferente o número de linhas de campo cortadas e há
variação do fluxo magnético, segundo a posição da espira.

Se a aspira condutora está perpendicular ao campo magnético, e a espira gira de A


para B, ela corta menos linhas de campo do que no giro B para C; essa variação do
fluxo magnético induz uma tensão na bobina.

SENAI 81
Eletrotécnica

Durante uma meia - volta da espira, o fluxo magnético, e com ele a tensão induzida,
varia de zero, passando um valor máximo e volta a zero.

Na segunda meia - volta, o sentido da tensão inverte. A tensão resultante denomina-


se, por isso, tensão alternada. O traçado da linha de tensão toma a forma de uma
curva senoidal (linha de onda).

O intervalo de uma linha senoidal entre valores repetidos chama-se período. O número
de períodos que ocorre em um segundo chama-se freqüência.

Formadores de corrente alternada

Os geradores constituem-se de uma parte giratória, o rotor, e de outra fixa, o estator.


As bobinas do rotor são alimentadas, através de anéis coletores, com corrente
contínua, que lhes permitem criar um campo magnético.

Se o rotor é movido por uma máquina motriz, como uma turbina, o campo magnético
giratório induz uma tensão nas bobinas fixas do estator.

82 SENAI
Eletrotécnica

O valor médio da tensão depende do número de revoluções, da intensidade do campo


magnético criado pelo rotor e do número de espiras do bobinado e do estator.

O gerador trifásico tem um bobinado fixo que se compõe de três bobinas distribuídas a
120° no estator, de modo que se criam três tensões alternadas (U1, V1, W 1) iguais e
defasadas no tempo, correspondendo, cada uma, a um terço do período.

O sistema de tensões ou correntes alternadas, assim criadas, chama-se tensão


alternada trifásica ou corrente trifásica.

SENAI 83
Eletrotécnica

Sistema trifásico

O sistema trifásico é formado pela associação de três sistemas monofásicos de


tensões V1, V2 e V3, que estão defasados 120° um em relação ao outro.

A ligação desses três sistemas pode ser feita de duas maneiras:


• Ligação triângulo;
• Ligação estrela.

Ligação triângulo
Essa ligação é feita conforme a figura abaixo.

Vf - tensão entre fases


If - corrente de fase
VL - tensão de linha
IL - corrente de linha

VL = Vf
IL = 3 . If

3 = 1,732

84 SENAI
Eletrotécnica

A tensão entre dois qualquer dos 3 fios chama-se tensão de linha (VL), que é a tensão
nominal do sistema trifásico. A corrente em cada fio de linha (IL) é a soma das
correntes das duas fases ligadas a esse fio, ou seja, IL = If1 + If2. Como as correntes
estão defasadas entre si, a soma deverá ser feita graficamente, como mostra a figura
abaixo.

Pode-se demonstrar que:

IL = 3 . If ou
IL = 1,732 . If

Exemplo
Um sistema trifásico é ligado em triângulo com tensão nominal de 220V e corrente
medida na linha de 10 ampères.

a) Qual a tensão de fase?


Vf = VL

Vf = 220V

SENAI 85
Eletrotécnica

b) Qual a corrente de fase?


IL = 1,732 . If
10
If =
1,732
If = 5,77A

Ligação estrela
Essa ligação é feita conforme a figura abaixo.

Às vezes, o sistema trifásico em estrela é a quatro fios ou com neutro, que é ligado ao
ponto comum das três fases.

Neste sistema, a corrente de linha (IL) é igual à corrente de fase (If).

A tensão entre dois fios quaisquer é a soma gráfica das tensões das duas fases.

VL = Vf1 + Vf2
VL = 3 . Vf

86 SENAI
Eletrotécnica

Demonstra-se que: VL = 3 . Vf ou

VL = 1,732 . Vf

Exemplo
Uma carga trifásica é composta de três cargas iguais. Cada carga é feita para ser
ligada a uma tensão de 220volts, absorvendo 6 ampères.

a) Qual é a tensão nominal do sistema trifásico que alimenta esta carga em suas
condições normais?
VL = 1,732 . 220V
VL = 380V

b) Qual é a corrente da linha?


IL = If
IL = 6A

Potência trifásica
A potência elétrica de uma fase absorvida da rede, no caso de resistência, é calculada,
para um sistema monofásico, pela fórmula:

P=U.I

SENAI 87
Eletrotécnica

No sistema trifásico, a potência em cada fase da carga será:

Pf = Vf . If

A potência total será a soma gráfica das potências das três fases, ou seja:

& &
P = 3Pf = 3 . V f . I f

Lembrando que, para as ligações:


• Triângulo
VL = Vf
IL = 3 If

• Estrela
VL = 3 . Vf
IL = If

Teremos, para qualquer caso:

P= 3 . Vf . If

Para cargas reativas, como é o caso dos motores de indução, ocorre uma defasagem
entre tensão e corrente, que deve ser levada em consideração. Essa defasagem é
medida pelo cosϕ, e a expressão da potência será:

P= 3 . V . I cosϕ

A unidade de potência é o watt [W]. Comumente, usamos o seu múltiplo, o quilowatt


[KW] = 1000W. Para unidade de potência de motores, também se usa o cavalo - vapor.

1 HP = 745,7W
1 cv = 735,5W

Onde:
Hp - horse power
cv - cavalo vapor

88 SENAI
Eletrotécnica

Transformadores

As hidrelétricas normalmente estão a uma distância muito grande das cidades. Para
transportar a energia elétrica de um ponto até outro, costuma-se elevar a tensão, pois,
desta forma, pode-se economizar energia nas linhas de transmissão e, depois, abaixar
esta tensão próximo ao consumidor, principalmente por segurança.

O aparelho que permite aumentar ou diminuir a tensão ou a corrente alternada é o


transformador.

SENAI 89
Eletrotécnica

O transformador é composto de chapas de ferro empilhadas e de duas bobinas: a


primária e a secundária.

Conectando a primária a uma fonte de tensão alternada, a corrente alternada gera um


campo magnético alternado nas chapas de ferro. Este campo magnético alternado
gera por sua vez uma tensão alternada induzida na bobina secundária.

A tensão e a corrente induzida na secundária estão relacionadas com o número de


espiras das bobinas, conforme a relação:

N1 U I
= 1= 2
N2 U2 I1

Onde:
N1 - número de espiras da primária
N2 - número de espiras da secundária
U1 - tensão na primária [V]
U2 - tensão na secundária [V]
I1 - corrente na primária [A]
I2 - corrente na secundária [A]

Exemplo
Um transformador possui uma bobina primária com N1 = 600 espiras e uma bobina
secundária com N2 = 300 espiras. Esse transformador está conectado a uma tensão U1
= 220 volts, recebendo uma corrente I1 = 5 ampères.

Calcular:
a) A tensão na secundária.

U1 N
= 1
U2 N2
N2
U2 = U1
N1
300
U2 = 220
600
U2 = 110V

90 SENAI
Eletrotécnica

b) A corrente na secundária.
I2 N
= 1
I1 N2
N1
I2 = . I1
N2
600
I2 = .5
300
I2 = 10A

Potência
Como a energia nunca é criada, é transformada de um tipo em outro, podemos
observar que a potência na primária é igual à potência na secundária, desprezando as
perdas.

P1 = P2
U1 . I1 = U2 . U2. I2

Exemplo
Usando os dados do exemplo anterior, temos:
P1 = P2
220V . 5A = 110V . 10A
1100W = 1100W

Motores elétricos

Os motores e os geradores são muitos semelhantes.

Diferem-se apenas na maneira de serem usados.

Um gerador transforma energia mecânica em energia elétrica e o motor transforma


energia elétrica em energia mecânica.

SENAI 91
Eletrotécnica

Tipos de motores
Os motores diferem-se pelo tipo de corrente que utilizam:
• Corrente contínua;
• Corrente alternada.

Corrente contínua C.C. Corrente alternada C.A.


• Motor série Trifásico:
• Motor shunt • Motor síncrono
• Motor compound • Motor assíncrono ou de indução
Monofásico:
• Motor de indução
• Motor série

Motores de corrente contínua


Motores que necessitam de uma fonte de corrente contínua, ou de um dispositivo que
converta a corrente alternada comum em contínua.

Podem funcionar com velocidade ajustável entre amplos limites e se prestam a


controles de grande flexibilidade e precisão. Por isso, seu uso é restrito a casos
especiais em que estas exigências compensam o custo elevado da instalação.

Motores de corrente alternada


Motores mais utilizados exatamente porque necessitam de corrente alternada, que é o
tipo de energia elétrica normalmente distribuída.

Os principais tipos são:


• Motor síncrono
Funciona com velocidade fixa; utilizado somente para grandes potências (devido ao
seu alto custo em tamanhos menores) ou quando se necessita de velocidade
invariável.

• Motor de indução
Funciona normalmente com velocidade constante, que varia ligeiramente com a
carga mecânica aplicada ao eixo; devido à sua grande simplicidade, robustez e
baixo custo é o motor mais utilizado.

92 SENAI
Eletrotécnica

Princípio de funcionamento de motores de corrente contínua - C.C.

Quando um fio, que é atravessado por uma corrente elétrica, encontra-se imerso em
um campo magnético, a interação do campo magnético do ímã e o campo magnético
produzido pela corrente elétrica gera uma força.

Isto acontece porque, de um lado do fio, o campo magnético é reforçado e do outro


lado é enfraquecido. Desta forma, o fio é expulso do campo magnético, pois as linhas
de campo tentam seguir o caminho mais curto de um pólo ao outro do ímã.

Podemos determinar o sentido do movimento do condutor aplicando uma regra prática,


chamada regra da mão esquerda.

SENAI 93
Eletrotécnica

Coloque a mão esquerda de maneira que as linhas do fluxo magnético entrem pela
palma da mão e as pontas dos dedos fiquem voltadas para o sentido convencional da
corrente no condutor (+ → - ). Desse modo, o polegar indicará o sentido do
deslocamento do condutor.

Substituindo o condutor reto por uma espira giratória, criam-se duas forças com um
efeito de momento de giro. A espira giratória pára na posição perpendicular às linhas
de campo. Mas, ao girar, o impulso leva a espira para além desse "ponto morto", e se
trocarmos o sentido da corrente na espira, através de um coletor, conseguiremos
repetir o processo de giro.

94 SENAI
Eletrotécnica

Desta forma, a bobina continua girando sem parar

SENAI 95
Eletrotécnica

A figura seguinte ilustra o aspecto construtivo do motor de corrente contínua.

96 SENAI
Eletrotécnica

Modelos de motores de C.C.

Motor série
O enrolamento de campo é ligado em série com o enrolamento da armadura, e a
intensidade do campo varia com as mudanças na corrente da armadura.

Quando sua velocidade é reduzida por uma carga, o motor série passa a desenvolver
maior torque. Seu torque de partida é maior do que os dos outros tipos de motores de
C.C.

Nunca deve funcionar sob a condição sem carga, pois a velocidade aumentará
perigosamente. É usado em guindastes, guinchos, ônibus e trens elétricos.

Motor shunt
O enrolamento de campo é ligado em paralelo com o da armadura, e a intensidade do
campo é independente da corrente da armadura. A velocidade do motor shunt varia
apenas ligeiramente com as alterações na carga, e o torque de partida é menor do que
os dos outros tipos de motores de C.C.

SENAI 97
Eletrotécnica

É utilizado quando se deseja uma velocidade constante para uma carga variável, e é
possível dar partida ao motor com uma carga muito leve ou sem carga.

Motor compound
Um enrolamento de campo é ligado em série com a armadura e outro em paralelo. As
características de velocidade e de carga podem ser alteradas ligando os dois campos
de modo que se somem ou se oponham.

Observação
O sentido de rotação de um motor de C.C. pode ser alterado com a inversão das
ligações do campo ou com a inversão das ligações da armadura, nunca de ambas ao
mesmo tempo.

98 SENAI
Eletrotécnica

Princípio de funcionamento dos motores de corrente alternada - C.A.

O princípio básico dos motores de corrente alternada é a criação de um campo


magnético rotativo que causa o giro do rotor do motor.

A figura abaixo mostra um motor trifásico alimentado por uma fonte de C.A. trifásica.
Os enrolamentos estão ligados em triângulo.

As duas bobinas de cada fase estão enroladas na mesma direção. O campo magnético
gerado por uma bobina depende da corrente que por ela circula no momento. Se a
corrente for nula, não há campo magnético.

Se a corrente for máxima, o campo será, também, máximo. Como as correntes nos
três enrolamentos estão defasadas 120°, os campos magnéticos terão a mesma
defasagem.

Os três campos individuais combinam-se em um único, para agir sobre o rotor.

Ao fim de um ciclo de C.A., o campo magnético terá girado 360°, ou uma rotação
completa.

A figura a seguir mostra a variação da corrente ao longo do tempo nas três fases (A -B
- C). As formas de onda podem representar tanto a corrente como os campos
magnéticos gerados por estas correntes.

SENAI 99
Eletrotécnica

Observe que no ponto 1 a onda C é positiva e a B, negativa. Isto significa que a


corrente flui em direções opostas nas fases B e C. É, desse modo, fixada a polaridade
dos respectivos campos magnéticos. Observe que B1 é um pólo norte e B um pólo sul;
C é um pólo norte e C1 um pólo sul. A fase A não tem campo magnético, por ser nula a
sua corrente. As linhas do campo magnético B e C dirigem-se aos pólos sul mais
próximos, respectivamente, C1 e B. Os campos magnéticos de B e C são da mesma
amplitude e o campo resultante terá a direção da figura.

No ponto 2, as correntes aplicadas variam, sendo iguais e opostas para as fases A e B,


e nula para a fase C. Pode-se verificar que o campo magnético girou 60°.

No ponto 3, a onde B tem valor zero, e o campo tornou a girar mais 60°.

Dos pontos 1 a 7 (correspondendo a um ciclo da C.A.), pode-se verificar que o campo


magnético fira 360°.

100 SENAI
Eletrotécnica

Velocidade síncrona

A velocidade de rotação do campo girante define a velocidade síncrona do motor. No


exemplo da figura da página anterior, consideramos um enrolamento com um par de
pólos, ou seja, um enrolamento de dois pólos. Como o campo percorre uma volta a
cada ciclo, sendo f a freqüência do sistema em ciclos por segundo (hertz), a sua
freqüência em rpm será:

n = 60 . f(rpm)

Os enrolamentos podem ser construídos com um número maior de pares de pólos, que
se distribuirão alternadamente (um norte e um sul) ao longo da periferia do núcleo
magnético. Como o campo girante percorre um par de pólos a cada ciclo e o
enrolamento tem pólos ou p/2 pares de pólos, o campo girante dará uma volta
completa a cada p/2 ciclos e sua velocidade será:

60 . f
ns =
p/2

120 . f
ns = (rpm)
p

Onde:
ns - rotações por minuto (rpm)
f - freqüência em ciclos por segundo (Hz)
p - número de pólos

Note que o número de pólos do motor terá que ser sempre par, para formar os pares
de pólos. Para as freqüências e polaridades usuais, as velocidades síncronas estão
indicadas na tabela.

Tabela: Velocidades síncronas


Número de pólos
2 4 6 8
Rotação síncrona por minuto ... 60hertz
3600 1800 1200 900
Rotação síncrona por minuto ... 50hertz
3000 1500 1000 750

SENAI 101
Eletrotécnica

Velocidade assíncrona - escorregamento

Se o motor gira a uma velocidade diferente da velocidade síncrona, ou seja, diferente


da velocidade do campo girante, o enrolamento do rotor corta as linhas de força
magnéticas do campo e, pelas leis do eletromagnetismo, circularão nele correntes
induzidas.

As correntes induzidas no rotor criarão seu próprio campo magnético, de polaridade


oposta à do campo girante. Como campos opostos se atraem e como o campo de
estator (campo girante) é rotativo, o rotor tende a acompanhar a rotação do campo
girante.

A diferença entre a velocidade do motor n e a velocidade síncrona ns chama-se


escorregamento s, que pode ser expresso em rpm, como fração da velocidade
síncrona ou como porcentagem desta:

s (rpm) = ns - n → ns - n → ns - n
s= s (%) = . 100
ns ns

Para um dado escorregamento s(%), a velocidade do motor será, portanto,

s(%)
n = ns . (1 - )
100

Conjugado

O conjugado, também chamado torque, momento ou binário, é a medida do esforço


necessário para girar um eixo. Como vimos no módulo de Ciências, para levantar um
peso P - por um sistema semelhante ao usado em poços de água - a força F aplilcada
à manivela depende do comprimento " da manivela.

Quanto maior for a manivela, menor será a força F necessária.

Se dobrarmos o tamanho " da manivela, a força F necessária será diminuída à


metade.

102 SENAI
Eletrotécnica

Exemplo

Como " = 0,4m (o dobro do raio do tambor), a força F aplicada para equilibrar o
sistema será a metade, ou seja, 250N. Assim, para medir o esforço necessário para
fazer girar o eixo não basta definir a força empregada, é preciso também dizer a que
distância do eixo a força é aplicada.

O esforço é medido pelo conjugado, que é o produto da força pela distância.

C=F. "

Onde:
C - conjugado
F - força
" - distância

Na figura 5.20, o conjugado vale:


C = 500N . 0,2m = 250N . 0,4m

C = 100Nm

SENAI 103
Eletrotécnica

O conjugado de um motor elétrico está relacionado com a rotação, pois, quando a


rotação diminui, o conjugado aumenta.

Curva do conjugado em função da rotação de um motor

Modelo de motores de C.A.

Os motores de corrente alternada dividem-se em trifásico e monofásico.

Motores trifásicos

Motor síncrono
Um motor síncrono usa um estator para gerar um campo magnético girante e um rotor
eletromagnético alimentado por C.C. O rotor é um ímã, que é atraído pelo campo
girante do estator. Esta atração exerce um torque sobre o rotor e faz com que ele gire
em sincronismo com o campo.

104 SENAI
Eletrotécnica

O motor síncrono não é auto - suficiente na partida e deve ser trazido próximo à
velocidade de síncrona antes de poder continuar girando com seus próprios recursos.

É utilizado para serviços que exigem velocidade constante ou onde se deseja corrigir o
fator de potência da rede elétrica.

Motor assíncrono ou de indução


Quando se aplica C.A. aos enrolamentos do estator, produz-se um campo magnético
rotativo. Este campo rotativo corta os condutores do rotor, neles induzindo corrente.

Esta corrente induzida gera um campo magnético de sentido contrário, que é atraído
pelo campo magnético girante.

O rotor do motor de indução não pode girar com a mesma velocidade do campo
magnético, pois, se a velocidade for a mesma, não haverá deslocamento relativo e, em
conseqüência, não haverá corrente induzida no rotor. Sem corrente induzida não se
cria um campo magnético contrário para ser atraído.

O rotor do motor a plena carga apresenta um escorregamento de 3 a 6% em relação à


velocidade de sincronismo do campo giratório e, por isso, é denominado também de
motor assíncrono.

O motor de indução é o motor de uso mais comum por causa de sua simplicidade,
construção robusta e baixo custo de fabricação. Estas vantagens provêm do fato de
ser o rotor isolado, que não necessita de conexões externas.

Motores monofásicos
Os motores monofásicos possuem apenas uma fase e são alimentados por uma C.A.
monofásica. São muito usados sempre que se quer um motor pequeno e pouca
potência. A principal vantagem é baixo custo para pequenas potências.

Eliminam também a necessidade de alimentação trifásica. Os motores monofásicas


são usados em equipamentos de comunicações, ventiladores, refrigeradores,
máquinas portáteis de furar, esmeris, etc.

Os motores monofásicos são divididos em dois grupos: motores série e motores de


indução.

SENAI 105
Eletrotécnica

Os motores série lembram os motores de C.C. porque possuem comutador e escovas.

Os motores de indução usam rotor do tipo gaiola, com um dispositivo especial para a
partida. Esse dispositivo especial é um enrolamento de partida adicionado ao estator.

Quando esse enrolamento de partida é usado de modo que a corrente no estator fique
defasada em relação à corrente no enrolamento principal, será produzido um campo
magnético girante e o rotor irá girar. Com o rotor na velocidade normal, o circuito do
enrolamento de partida pode ser desligado e o motor continua funcionando como um
motor monofásico.

106 SENAI
Eletrotécnica

Questionário - resumo

1. Sob que condições é induzida uma tensão em um condutor situado em um campo


magnético?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

2. Em um sistema trifásico, quanto valem a tensão de linha (VL) e a intensidade da


corrente de linha (IL) em relação à tensão e à corrente de fase (Vf e If), se a ligação
for:
a) Ligação triângulo;
b) Ligação estrela.
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

3. Qual a potência de um motor elétrico trifásico 220V/ 5A/ cosϕ = 0,6?


__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

4. Por que não se pode elevar nem reduzir uma tensão contínua com um
transformador?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

5. Qual será a intensidade da corrente que circula na primária de um transformador


par U1 = 220V, quando a tensão na secundária vale 6,3V e circula uma corrente de
5A?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

6. Como podemos determinar o sentido da força que atua em um condutor


atravessado por uma corrente elétrica e imerso em um campo magnético?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

7. Quais são os tipos de motores de corrente contínua?


__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

SENAI 107
Eletrotécnica

8. Quais são os tipos de motores de corrente alternada?


__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

9. Quais são os fatores que influem na rotação de um motor de corrente alternada?


__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

10. Por que o motor de indução é o mais utilizado?


__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

108 SENAI
Eletrotécnica

Comandos elétricos

Objetivos

Ao final desta unidade o participante deverá:

Conhecer
Estar informado sobre:
• Funcionamento do contator;
• Simbologia e numeração dos contatos.

Saber
Reproduzir conhecimentos sobre:
• Escolha do fusível adequado, com auxílio de tabela;
• Relé bimetálico;
• Contator.

Ser capaz de
Aplicar conhecimentos para:
• Interpretar um desenho de comando elétrico;
• Fazer as ligações de um motor trifásico.

Introdução

Chaves magnéticas, relés, fusíveis, botoeiras, chaves fim de curso, etc. são comandos
elétricos que permitem acionar equipamentos com maior segurança e precisão, e, se
necessário, a distância.

SENAI 109
Eletrotécnica

Os comandos elétricos podem ainda impedir o funcionamento se algum item do


equipamento - porta fechada, nível ou pressão do óleo, carga, etc. - não estiver de
acordo com o especificado.

A parte de comando do equipamento sempre trabalha com baixa tensão, por motivo de
segurança.

Contator

Dispositivo de manobra mecânica, acionado eletromagneticamente, que tem grande


durabilidade, permite elevado número de manobras por hora e pode ser comandado a
distância.

A figura abaixo ilustra os principais componentes de um contator e seu símbolo.

A bobina (a - b), quando alimentada por um circuito externo, forma um campo


magnético, que é concentrado no núcleo fixo e que atrai o núcleo móvel.

110 SENAI
Eletrotécnica

Nesse deslocamento, provoca o fechamento dos contatos normal aberto (NA) e abre
os contatos normal fechado (NF) .

Relé bimetálico

Protege os motores e outros aparelhos consumidores contra aquecimento demasiado


produzido por sobrecarga. Protege também os motores trifásicos de funcionamento
bifásico.

Por exemplo, se fundir em fusível, o motor continuará funcionando, mas ocorrerá uma
elevação da corrente das outras duas fases. Essa elevação da corrente provocará um
aquecimento do relé, interrompendo o circuito.

Princípio de funcionamento
Dois metais, com coeficientes de dilatação diferentes, são unidos. Quando este bimetal
é aquecido, pela elevação da corrente, curva-se , pois um metal dilata mais do que o
outro, abrindo o seu contato (95 - 96) e desligando a bobina do contator.

SENAI 111
Eletrotécnica

Diagrama de ligação

Os diagramas são desenhados não energizados e mecanicamente não acionados.


Quando um diagrama não for representado dentro desse princípio, nele devem ser
indicadas as alterações.

Diagrama multifilar completo

Na apresentação completa de todas as ligações não se tem uma visão exata da função
da instalação, dificultando, acima de tudo, a localização de uma eventual falha (defeito)
numa instalação de grande porte.

Por isso, o diagrama completo é dividido em dois:


• Diagrama do circuito principal.

112 SENAI
Eletrotécnica

Quadro: Composição do diagrama do circuito principal

Fusíveis de proteção do motor


(ver tabela Fusíveis recomendados para
motores trifásicos com rotor tipo gaiola).

Liga e desliga o motor, através de seus


contatos (1 e 2, 3 e 4, 5 e 6), quando a
sua bobina (a e b) é acionada, através do
circuito de comando.

Destinado a proteger o motor de sobre -


cargas ou falta de uma fase. Quando isto
ocorrer, ele atuará sobre o seu contato (95
- 96) que abrirá, desligando a bobina do
contator.

O condutor de proteção deve ser ligado à


carcaça do motor, ao quadro de comando
e às demais partes metálicas da
instalação para proteção contra choques
elétricos.

SENAI 113
Eletrotécnica

• Diagrama de circuito de comando.

Quadro: Composição do diagrama do circuito de comando

Fusíveis de proteção do circuito de


comando.

Contato NF do relé térmico

Botão pressor desliga

Ao ser pressionado, seu contato NF se


abre, interrompendo a circulação da
corrente. A seta indica que, cessando o
pressionamento, o contato retorna a sua
posição normal (fechada).

Botão pressor liga

Ao ser pressionado, seu contato NA se


fecha, permitindo a circulação da corrente
entre os pontos 3 e 4.

Contato auxiliar NA do contator K1

Fecha-se quando a bobina é energizada.

Bobina do contator K1.

114 SENAI
Eletrotécnica

Descrição de funcionamento do circuito de comando


Ao pressionarmos o botão b1, a corrente elétrica passa por eo, e2, bo, b1 e pela bobina
de k1. Ao ser acionada a bobina de K1, esta fecha os contatos 1 - 2, 3 - 4, e 5 - 6
ligando o motor. O contato auxiliar 13 - 14 que está ligado em paralelo com b1 fecha,
permitindo, dessa forma, a liberação do botão b1 (abre o contato 3 - 4).

Para que o circuito seja desligado, basta que pressionemos o botão bo, que
interromperá a corrente pela bobina de K1, desligando o motor.

Uma vez desligado K1, seu contato 13 - 14 se abre, e o circuito fica novamente
interrompido, mesmo que bo seja liberado e seu contato torne a se fechar.

O contato NF de e2 atua de forma análoga ao botão bo, interrompendo a ligação da


bobina de K1.

A importância desse circuito reside no fato de que ele necessita de uma nova
intervenção para ser religado, quando de um desligamento quer pelo botão de parada
bo, quer pelo relé térmico, ou quando da falta de energia.

Diagrama para inversão do sentido de rotação de motores trifásicos


Sua aplicação se dá em tornos, calandras, elevadores de carga, etc.

SENAI 115
Eletrotécnica

Descrição do funcionamento do circuito de comando


Estando o motor desligado, pressionado b1, contator K1 é energizado e mantém-se
ligado através de seu contato auxiliar 13 - 14 (em paralelo com b1) - contato de selo.

Ligando K1, seu contato NF 11 - 12 interrompe a ligação da bobina de K2, impedindo


seu acionamento

Para efetuar a reversão, desliga-se o contator K1 através de bo e liga-se K2 através de


b2.

Se inicialmente ligarmos K2, o raciocínio é análogo.

Ligações dos motores

Os motores elétricos possuem uma placa indicadora, colocada pelo fabricante.

116 SENAI
Eletrotécnica

Os motores trifásicos de origem americana, para 220/380 volts, podem ter os terminais
das bobinas identificados da seguinte maneira:
• Os terminais 1 - 2 - 3 são para ligação à linha; acrescentando 3 a cada um, temos o
outro terminal das bobinas do motor.
• Para ligação na tensão inferior (220V), usa-se a ligação triângulo e, para a tensão
superior (380V), a ligação estrela.

Partida de motores
Quase todas as concessionárias de fornecimento de energia elétrica permitem a
partida direta para motores até 5HP.

Acima dessa potência, usam-se dispositivos que diminuem a tensão aplicada aos
terminais dos motores e, desta maneira, limita-se a corrente de partida, que pode
chegar a até 10 vezes a corrente nominal.

Na tabela a seguir os fusíveis indicados para motores usando esses dispositivos estão
na coluna de partida lenta.

SENAI 117
Eletrotécnica

Tabela: Fusíveis recomendados para motores trifásicos com rotor tipo gaiola
Fusíveis Fusíveis Fusíveis
Potência nominal In In In
pd pl pd pl pd pl

(KW) (CV) (A) (A) (A) (A) (A) (A) (A) (A) (A)

0,25 0,34 1,4 4 2 0,8 2 - 0,7 2 -


0,37 0,5 2,1 4 2 1,2 4 2 1,0 4 2
0,55 0,75 2,7 4 4 1,6 4 2 1,4 4 2
0,75 1,0 2,4 6 4 2,0 4 4 1,7 4 4

1,1 1,5 5,0 6 6 2,6 4 4 2,2 4 4


1,5 2,0 6,0 16 10 3,5 6 4 3,0 6 4
2,2 3,0 8,7 20 16 5,0 10 6 4,4 10 6
3,0 4,0 11,5 20 16 6,6 16 10 5,8 10 6

4,0 5,4 14,7 25 20 8,5 20 16 7,6 16 10


5,5 7,5 19,8 36 25 11,5 25 20 9,9 20 10
7,5 10,0 26,5 50 36 15,5 36 25 13,3 25 16
11,0 15,0 39,0 63 50 22,5 36 36 19,5 36 20

15,0 20,0 52,0 80 63 30,0 50 36 26,0 50 25


18,5 25,0 62,0 100 80 36,0 63 50 32,0 63 36
22,0 30,0 74,0 100 80 43,0 63 50 37,0 63 36
30,0 40,0 98,0 125 100 57,0 80 63 50,0 80 50

220V 380V 440V

Observação
1. As intensidades de corrente nominais dadas são válidas para motores trifásicos de
1500rpm.
2. Os fusíveis indicados são do tipo lento previstos para:
• Partida direta: considerando a corrente de partida de aproximadamente 6.In e
tempo de partida 5 segundos no máximo.
• Partida lenta: considerando a corrente de partida de aproximadamente 2.In e
tempo de partida 15 segundos no máximo.
3. Para corrente de partida e/ou tempos de partida mais elevados, devem ser
previstos fusíveis de maior capacidade.

Nomenclatura
In - intensidade da corrente
pd - partida direta
pl - partida lenta

118 SENAI
Eletrotécnica

Conservação de energia

Objetivos

Ao final desta unidade o participante deverá:

Conhecer
Estar informado sobre:
• Conceitos de demanda, fator de carga e fator de potência;
• Como são cobradas as tarifas pelo consumo da energia elétrica.

Saber
Reproduzir conhecimentos sobre:
• Como utilizar a energia elétrica para melhorar o rendimento;
• Como diminuir o custo da energia elétrica.

Introdução

A conservação de energia, principalmente a conservação da energia elétrica, é hoje


extremamente necessária em função da gravidade da situação por que passa o setor
elétrico brasileiro.

O parque energético instalado está no seu limite máximo e investimentos da ordem de


US$6 bilhões/ ano nos próximos anos são necessários para a construção de novas
usinas hidrelétricas e para a ampliação das linhas de transmissão

Um melhor aproveitamento da energia elétrica ocasionará não só um benefício


individual mas também para toda a nação.

SENAI 119
Eletrotécnica

A finalidade desta unidade é promover o uso adequado da energia elétrica consumida,


é necessário conhecer alguns conceitos, tais como:
• Consumo de energia;
• Demanda;
• Fator de carga;
• Preço médio do KWh;
• Fator de potência;
• Tarifação da energia elétrica.

Consumo de energia

É a energia elétrica utilizada para realizar trabalho dentro de um período de tempo.

Unidade - quilowatt - hora [KWh]

Demanda

A companhia fornecedora de energia elétrica coloca à disposição de uma indústria


determinada cota de quilowatts para seu funcionamento. Para isso, é obrigada a
manter ligado equipamentos de elevada potência elétrica.

Entretanto, a indústria não utiliza sua cota de energia todo o tempo. Ela o faz em
determinados momentos, por exemplo, para o funcionamento de alguns equipamentos.

Demanda é a variação do consumo de energia elétrica em relação ao tempo.

Além do consumo, nas instalações industriais é medida também a demanda.

120 SENAI
Eletrotécnica

A medição da demanda é realizada da seguinte maneira:


• Divide-se o mês de 730h em 2920 intervalos de 15 minutos;
• Cada um dos 2920 intervalos apresenta uma demanda média;
• Escolhe-se a maior demanda média dos 2920 intervalos para ser cobrada.

Fator de carga - Fc

É um indicador adimensional que exprime o nível de qualidade do aproveitamento da


energia elétrica de uma instalação.

consumo (KWh)
Fc =
demanda (kW) . 730 (h)

Exemplo
• Maior demanda média dos 2920 intervalos = 384 KW

• Consumo = 73200KWh

73200
Fc = = 0,26
384. 730

Preço médio do KWh - Pmédio

Td
Pmédio = + Tc
Fc . 730

Onde:
Pmédio - preço médio do KWh
Td - tarifa de demanda
Tc - tarifa de consumo
Fc - fator de carga

Exemplos
• Calcular Pmédio
Td = Cr$ 857,30/ KW
Tc = Cr$ 7,13/ KWh
Fc = 0,26

SENAI 121
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857,30
Pmédio = + 7,13
0,26 . 730

Pmédio = Cr$ 11,64KWh

• Calcular Pmédio
Td = Cr$ 857,30/ KW
Tc = Cr$ 7,13/ KWh
Fc = 0,45

857,30
Pmédio = + 7,13
0,45 . 730

Pmédio = Cr$ 9,73/ KWh

Comparando os dois exemplos, observamos que quanto maior o Fc (fator de carga)


menor o custo do KWh (Pmédio).

Fator de potência - cos ϕ

A potência total possui duas componentes:


• Potência ativa: executa trabalho. Por exemplo, gira as máquinas
• Potência reativa: não executa trabalho. Produz uma tensão induzida contrária, que
aumenta a resistência elétrica da bobina.

A relação entre potência ativa e potência reativa é chamada de fator de potência (Fp)
ou de cos ϕ.

122 SENAI
Eletrotécnica

Se Fp for menor do que 0,85, paga-se uma multa.

A correção do Fp se faz com o uso de capacitor, que baixa a corrente no circuito,


conforme o exemplo na figura seguinte.

Tarifação da energia elétrica

A tarifação é binômia, isto é, leva em conta a parcela relativa ao consumo e a parcela


relativa à demanda.

SENAI 123
Eletrotécnica

O consumo é medido, e a demanda pode ser:


• Contratual - o valor é definido quando o usuário solicita ligação para a indústria.
• Registrada - obtida pela maior demanda média dos 2920 intervalos de 15 minutos
do mês (valor registrado no relógio).
• 85% da demanda máxima dos últimos 11 meses.

O faturamento é calculado sobre o maior dos três valores (tarifação, consumo,


demanda).

124 SENAI
Formação de Supervisores de Primeira Linha
Mecânica Geral

Tecnologia
46.25.23.408-8 Eletrotécnica