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Simulação Computacional de Sistemas

Físicos “Simples”
Leonardo Silva Vieira Santos¹, Jorge Anderson Paiva Ramos²

1. Aluno de Iniciação Científica, UESB – DCET - Física. Email: leo.vieira96@gmail.com.


2. Professor Orientador, UESB – DCET. Email: jorge@uesb.edu.br.

• Introdução
O presente trabalho consiste no estudo teórico e computacional de sistemas Os resultados encontrados na simulação coincidem com os teóricos, como
físicos denominados simples. Tais sistemas são caracterizados por serem fáceis observa-se nos gráficos das figura 3 e 4.
de serem entendidos, do ponto de vista conceitual, porém difíceis, e por vezes
impossíveis, de serem resolvidos analiticamente. No presente trabalho, os
sistemas escolhidos foram: O modelo de Ising 1D e Ising 2D.
O modelo de Ising é um modelo magnético que consiste em uma rede N
dimensional de spins que podem assumir dois valores somente. O hamiltoniano
então levará em conta a contribuição energética devido interação de vizinhos
mais próximos e a um campo magnético externo. Para o ferromagnetismo o
hamiltoniano de Ising é
Figura 3: Ising 1D teórico/Simulado (Calor específico) Figura 4: Ising 1D teórico/Simulado (Susceptibilidade Magnética)

ℋ𝐼 = −𝐽 𝜎𝑖 𝜎𝑗 − H 𝜎𝑖 (1) Para Ising 2D, obteve-se as curvas para as grandezas: Calor específico,
<𝑖,𝑗> 𝑖
susceptibilidade magnética, cumulante de binder (quarta ordem) e magnetização. O
Em uma e duas dimensões, a rede podem ser imaginadas como nas figuras 1
valor usado para a temperatura crítica, obtido por Onsager, é (tomando 𝑘𝐵 = 1, e
e 2.
𝐽 = 1), 𝑇𝑐 ≈ 2,2691.

Figura 2: Rede de Spins Unidimensional

Figura 1: Rede de Spins bidimensional

• Objetivos
I. Estudo teórico dos modelos de Ising, em uma e duas dimensões. Figura 5: Calor específico (Ising 2D, H=0) Figura 6: Magnetização (Ising 2D, H=0)

II. Implementação computacional dos modelos estudados utilizando o método


de Monte Carlo.
III. Comparação dos resultados teóricos, no modelo de Ising 1D, com os valores
obtidos na simulação.
IV. Verificação da transição de fases no modelo de Ising 2D.
V. Obtenção do valor dos expoentes críticos usando o modelo de Ising 2D.
VI. Por fim, comparação de todos os resultados obtidos com os encontrados na
literatura

• Metodologia Figura 7: Calor Específico (Ising 2D, H=0) Figura 8: Cumulante de Binder de quarta ordem (Ising 2D, H=0)
Por meio das simulações, calculou-se o valor dos expoentes críticos e comparou-os
com os valores encontrados na literatura [5] (tabela 1).
Inicialmente, fez-se uma revisão bibliográfica acerca dos modelos estudados Tabela 1: Expoentes críticos
e do método de Monte Carlo. A partir desse estudo, implementou-se os códigos 𝜷 𝜸 𝟏
para os modelos em um computador pessoal, onde foi possível “minerar” os Expoente
𝝂 𝝂 𝝂
dados. Simulação 0.124 1.780 1.018
Para o modelo de Ising 1D fez-se uma simulação de Monte Carlo, usando o
Valor Exato 0.125 1.750 1.000
algoritmo de Metropolis, cuja finalidade principal era, além da familiarização
com o método, verificar que o mesmo funcionava.
Utilizou-se o método do histograma simples [4] na simulação do modelo de • Conclusão
Ising 2D, no qual, a partir do valor da temperatura crítica obtido analiticamente
de acordo [2] e [5], construiu-se o histograma para energia. Feito isso, calculou- Os resultados encontrados foram satisfatórios para ambos os modelos. As curvas
se as grandezas desejadas e, por último, fez-se uma comparação dos resultados dos valores gerados nas simulações de Monte Carlo coincidiram com os valores
encontrados com os conhecidos na literatura. teóricos ([2], [4] e [5]). Nas curvas do calor específico e da susceptibilidade magnética
observou-se o escalonamento do sistema na temperatura crítica. Por fim, os valores
encontrados para os expoentes críticos foram bons, dentro das precisões do trabalho.
• Resultados
Para o Modelo de Ising 1D, comparou-se os valores teóricos, obtidos • Referências
considerando o campo externo como nulo, com os obtidos na simulação.
[1] LANDAU, D. P.; e BINDER, K.. A Guide to Monte Carlo Simulations in Statistical Physics.
Comparou-se os valores para as grandezas: Calor específico e Susceptibilidade
Cambridge University Press, 2005.
magnética, sendo estas dadas pelas expressões
[2] SALINAS, S. R. A.. Introdução a Física Estatística. EDUSP, São Paulo, 1997.
[3] C. SCHERER. Métodos Computacionais da Física. Livraria da Física, São Paulo, 2005.
2𝐽2 −2 [4] SANTOS, M. L.. Simulação de Monte Carlo no modelo de ising na rede quadrada.
𝐶= 2
cosh (𝛽𝐽) (2)
kBT Dissertação de mestrado. UFMG, 2014.
[5] CASQUILHO, J. P.; TEIXEIRA, I. C. Introdução a Física Estatística. Editora Livraria da
𝜒 = 𝛽𝑒 8𝛽J (3) Física, São Paulo, 2012.
Agradeço a UESB e ao Prof. Dr. Jorge Anderson