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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS


DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA
DISCIPLINA: GEOGRAFIA ECONÔMICA
DOCENTE: PhD. TATIANA SCHOR

BRUNO SARKIS VIDAL1


VICTOR GAMA DA ROCHA2

RELATÓRIO FINAL DAS FEIRAS E PRODUTOS FRESCOS EM MANAUS


Análise e Características do Pescado na Feira Interna do Bairro do
Coroado

Manaus – AM
2017
BRUNO SARKIS VIDAL
VICTOR GAMA DA ROCHA

RELATÓRIO FINAL DAS FEIRAS E PRODUTOS FRESCOS EM MANAUS

ANÁLISE E CARACTERÍSTICAS DO PESCADO NA FEIRA INTERNA DO


BAIRRO DO COROADO

Relatório final sobre “Feiras e


Abastecimento de Produtos Frescos em
Manaus”, apresentado a professora PhD.
Tatiana Schor da disciplina Geografia
Econômica, do curso de Geografia da
Universidade Federal do Amazonas, como
requisito parcial para obtenção da média
sem estral.

Manaus - AM
2017

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 4

OBJETIVOS ............................................................................................................................. 5

GERAL .................................................................................................................................. 5

ESPECÍFICOS ..................................................................................................................... 5

MATERIAIS E MÉTODOS ..................................................................................................... 5

CARACTERIZAÇÃO GERAL DA ÁREA DE ESTUDO.................................................... 6

ANÁLISE E CARACTERÍSTICAS DO PESCADO NA FEIRA INTERNA DO BAIRRO


DO COROADO ................................................................................................................................... 10

RESULTADOS E DISCURSÕES ....................................................................................... 15

PREFERÊNCIAS DO CONSUMIDOR EM RELAÇÃO AO PESCADO DA FEIRA


INTERNA DO BAIRRO DO COROADO .................................................................................... 15

CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................ 20

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................. 22

3
INTRODUÇÃO

O presente relatório, referente à disciplina Geografia Econômica, ministrada no


Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS) – Departamento de
Geografia (DEGEO), pela professora doutora Tatiana Schor, é o resultado parcial da
pesquisa de campo sobre as feiras e abastecimento de produtos frescos em
Manaus, realizada ao decorrer do período.
A primeira etapa da pesquisa consistiu no levantamento bibliográfico da história
do Bairro do Coroado e da Feira Interna do Coroado. A história do bairro é bem
consolidada por fatos, diferente da Feira Interna do Bairro, que não possui nenhuma
documentação.
As visitas na Feira Interna do Bairro do Coroado fizeram parte da segunda
etapa da pesquisa, os dias com os maiores picos de vendas foram selecionados,
ocorreram nos dias 07 e 11 de agosto, 26 e 28 de outubro e 6 de novembro de 2017,
além da feira, visitamos o Conselho de Desenvolvimento Comunitário do Coroado
(CDCC), pudemos observar a estrutura, organização e funcionamento da Feira
Interna do Coroado.
O produto escolhido para a pesquisa de campo foi o pescado. Em Manaus a
média de consumo do pescado é de 33,7 kg/pessoa/ano (GANDRA, 2010). Um
produto que é a base alimentar dos habitantes de Manaus, gera questionamentos,
nos afunilamos na venda do pescado na Feira Interna do Bairro do Coroado.
Procuramos entender a sua rede de influência nas redondezas da feira, a sua rota
de comércio e a divisão do trabalho envolvida no processo.
A rede, de modo geral, é técnica e política, “pelas pessoas, mensagens,
valores que a frequentam” e sua existência “é inseparável da questão do poder”
(SANTOS, 1999, p.215). A divisão territorial do trabalho atribui a alguns segmentos e
lugares um papel privilegiado na organização do espaço, seja funcional ou territorial,
dotando-os de maiores condições a especializações, visando à maior concentração
de capital, mensagens, valores, circulação de mercadorias e pessoas, possibilitando
novas divisões espaciais do trabalho. Como saldo, tem-se uma assimetria nas
relações, com aceleração do processo de alienação dos espaços e dos homens, do
qual um componente é a mobilidade das pessoas (SANTOS, 1999).
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Juntamente com o pescado, trabalhamos com a técnica da retirada das
espinhas, uma das principais utilidades na hora de se comer o pescado, com
entrevistas realizadas com os peixeiros, notamos como cada um aprendeu a técnica
e se ele repassa. Identificamos a preferência do consumidor em relação ao pescado
com espinha contra o sem espinha, do pescado tratado contra o pescado não
tratado, popularmente conhecido como “ticado”.

OBJETIVOS
GERAL
• Analisar e caracterizar o pescado na Feira Interna do Bairro do
Coroado

ESPECÍFICOS
• Fazer a rota do pescado
• Caracterizar a técnica da retirada das espinhas
• Entender a preferência do consumidor

MATERIAIS E MÉTODOS

Para a realização da pesquisa, o levantamento bibliográfico foi necessário, as


seguintes bases de dados foram pesquisadas: Scientific Electronic Library Online
(Scielo), Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFAM (TEDE) e os
periódicos CAPES.
Através da pesquisa com os consumidores e feirantes, pudemos notar a
preferência em relação a variedade do pescado, chegar na rede de influência do
pescado, quantificar os peixeiros que trabalham com a técnica da retirada da
espinha.
O Caderno de Campo foi de grande utilidade para esquematizar
cronologicamente o procedimento da pesquisa, nele estão contidas todas as
informações referentes a pesquisa, tais como: anotações, observações importantes,
entrevistas com os consumidores e peixeiros e procedimentos metodológicos. O
desenho da pesquisa nos possibilitou organizar a pesquisa em etapas. Os registros
5
de imagens digitais foram de fundamental importância, pois com as imagens
podemos ter um olhar mais clínico em respeito das condições da feira e dos
feirantes.
Utilizou-se os softwares Microsoft Excel 2016 para quantificar os dados e gerar
as tabelas e gráficos da pesquisa estatística aleatória simples. Google Earth Pro
para a geração da carta imagem da área da feira e o ArcMap 10.1 na produção do
mapa da rede de influência do pescado.

CARACTERIZAÇÃO GERAL DA ÁREA DE ESTUDO


O Coroado, segundo o Censo de 2010 do IBGE, possui superfície de 1.142.21
hectares sendo habitada por aproximadamente 51.354 pessoas (Figura 1). Teve sua
ocupação iniciada em 1971, nas terras da Universidade Federal do Amazonas -
UFAM que “servia para a produção de carvão aos pés dos buritizeiros. O bairro
recebeu este nome por inspiração da novela de grande sucesso da Rede Globo, nos
idos dos anos de 69/70, cujo título era Irmãos Coragem, história decorrida na fictícia
Vila dos Coroados”. Ao ter suas terras ocupadas, a Universidade tentou reavê-las
utilizando-se de força policial. Nesse momento, “surge um marceneiro, de nome
João Correia Barbosa, que finca suas estacas e declara que dali só sairia morto, tal
ato de bravura rendeu-lhe o apelido de João Coragem, nome do então protagonista
da novela” (Histórico do bairro do Coroado, 36 anos de luta, 2007).
É sabido que o surgimento do Coroado foi marcado por conflitos entre a
União, representada pela Universidade, com uma área de 6,7 milhões de hectares, e
os “invasores”. No entanto, pouco se sabe sobre os primeiros movimentos dos
ocupantes nessas terras: onde foi o primeiro foco da “invasão”, como a área se
apresentava e, principalmente, como os moradores construíram dia após dia o
bairro. (BARBOSA, 2009).
Segundo (OLIVEIRA, 2003) o contexto do surgimento do Coroado ocorre em
meio ao início da retomada econômica da capital amazonense pela Zona Franca
considerada como principal fator de crescimento econômico não apenas de Manaus,
mas do Amazonas como um todo. Expressa que sua implantação implicou na
centralização das atividades econômicas do Estado do Amazonas na capital
apresentando como consequência a ampliação da malha urbana da cidade
determinando o surgimento de contradições extremas.

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Figura 1: Área do Bairro do Coroado – Fonte: Google Earth Pro
Elaboração: Bruno Sarkis, novembro de 2017

O CDCC (Figura 2) é dirigido por um presidente eleito a cada dois anos, e


proporciona à comunidade serviços relacionados à educação com cursos
profissionalizantes, à saúde por meio de campanhas de vacinação, esporte por meio
do jiu-jítsu, futebol, vôlei e lazer. Em sua sede se realizam inúmeras festas que vão
desde a escolha da rainha gay do bairro até os ensaios da agremiação de samba
Mocidade do Coroado. (BARBOSA, 2009)

Figura 2: Sede do CDCC – Foto: Victor Gama, novembro de 2017.

O bairro do Coroado está dividido entre três setores (Figura 3) cada um deles
com anos de ocupação e desenvolvimento diferente.

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Figura 3: Feira Interna e a divisão em setores do bairro do coroado.
Elaboração: Bruno Sarkis, dezembro de 2017

A história da feira interna coincide com a história do bairro. O início da feira se


dá na Rua Ouro Preto, onde era uma feira itinerante com moradores locais que
também eram produtores. Em 1980 a SHAM, atual SUHAB (Superintendência

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Estadual de Habitação) procurou uma área para alocar os feirantes, a área escolhida
foi nas intermediações das Rua Amazonas, Alameda Amazonas e Avenida Beira
Mar, onde era uma ocupação com mais ou menos 30 famílias. Os moradores foram
indenizados e se deu o processo de construção dos primeiros boxes e corredores.
Enquanto a obra estava acontecendo, os feirantes foram alocados para a Rua Dom
Bosco.
As peculiaridades notadas na feira são bastante interessantes, ela não segue
nenhum regimento ou possui administração. É organizada e mantida pelos próprios
feirantes, que são proprietários dos seus boxes, ressaltando que o box é obtido
através da compra ou aluguel. Em casos de manutenção nos boxes ou nos telhados
dos corredores, o próprio feirante faz ou paga pela manutenção. Como é
propriedade privada, não recebe nenhum incentivo da prefeitura, aliás, nem é
considerada como feira legalizada, já que nos registros de terrenos da cidade, o
espaço é um “condomínio fechado”. Apesar de não existir horário de funcionamento,
por conta de o feirante decidir a sua jornada de trabalho, o horário de pico é de 09h
ás 11h30. Para segurança existe apenas o pagamento do vigia noturno, que cobra
20 reais pelos boxes pequenos, 30 reais pelos médios e 40 reais pelos boxes
grandes.
A área da feira (Figura 4) é de aproximadamente 5.706 metros quadrados, uma
área bem grande localizada no centro do Coroado, incluindo moradores de todas as
partes do bairro do Coroado 1, 2 e 3. Apesar da área ampla e estar localizada no
centro do bairro, há uma divergência entra a Prefeitura Municipal de Manaus e a
SUHAB. Ambas “jogam” a responsabilidade do local de um lado para outro.
Compactuando com o descaso e falta de infraestrutura adequada na feira.
É notório que a Feira Interna do Bairro do Coroado é bastante peculiar na sua
organização estrutural. Comparando com a Feira Municipal (Externa) do bairro, que
possui a lei municipal 123 que assegura os direitos, junto com o livro do feirante com
direitos e deveres. Possuindo planta, o horário de fixo, manutenção e limpeza
terceirizada através do pagamento de taxas para a administração, cadastro de
feirantes na secretaria, já que os feirantes são alocados de acordo com as vagas
disponíveis nas feiras registrada no sistema.

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Figura 4: Área da Feira Interna e suas respectivas divisões
Fonte: Google Earth Pro Elaboração: Bruno Sarkis, novembro de 2017

ANÁLISE E CARACTERÍSTICAS DO PESCADO NA FEIRA INTERNA DO


BAIRRO DO COROADO
Ao todo, são 14 boxes e 27 peixeiros que comercializam o pescado na feira, na
primeira parte da feira podemos encontrar 5 boxes do pescado, e 9 boxes na
segunda parte. (Figura 5). Um questionário sobre as técnicas de “ticagem” e retirada
das espinhas foram coletados de cada box. O tratamento do peixe é realizado por
todos os boxes, a técnica da ticagem é amplamente disseminada e repassada
hereditariamente, como afirma o Sr. José Antônio: “Ticar é a essência do peixeiro”.
Notamos que na primeira parte da feira, nenhum peixeiro utiliza a técnica da
retirada das espinhas. Já na segunda, o número é bem elevado, de 9 boxes, 8
utilizam a técnica da retirada das espinhas! Apesar das inúmeras quantidades de
cursos ofertados pela cidade, todos os peixeiros aprenderam na prática do cotidiano.
O Sr. João comenta sobre a dificuldade de aprender a técnica e dos prejuízos
causados pelos erros de principiante da retirada das espinhas. Geralmente, nos
primeiros dias, o filé sai completamente dilacerado.

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Figura 5: Croqui da organização da feira interna do Coroado.
Elaborado por: Bruno Sarkis, 2017

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A técnica (Figura 6) ensinada serve para todos os tipos de peixe de escamas,
mas, mais comum no uso com o Tambaqui (Colossoma macropomum) e da Matrinxã
(Brycon amazonicus). Tem a maneira correta de segurar a faca, encontrar e retirar
as espinhas do dorso, em forma de “y” e as da cauda do peixe.

Figura 6: Peixeiro João retirando a espinha do Tambaqui (Colossoma macropomum)


Foto: Bruno Sarkis, outubro de 2017.

Para quem gosta de comer o pescado, a espinha pode ser uma vilã, a técnica
da retirada tem um papel significativo nas diminuições dos números de acidentes
alimentares no bairro. Como afirma Ivo Calado, chefe do departamento de pesca e
aquicultura da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) em 2012, o valor do
pescado sobe após a retirada das espinhas, agrega-se valor: "Muita gente compra o
peixe com o preço entre R$ 10 e R$ 15 e termina vendendo a R$ 35”. (IDAM, 2015)
É importante ressaltar que há segregação de alguns boxes de venda do
pescado, por conta da forma de se entrar na feira, que é comprando ou alugando o
box. Notamos que na Rua Amazonas, limite externo e entrada da feira (Figura 7), há
apenas um box e três peixeiros, a banca é bem visível, tendo em vista que o fluxo de
pedestres e veículos é elevado, mas isso não garante boas vendas e preferência do
consumidor, pois na interna é onde a variedade de espécies, técnicas e preços são
maiores.

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Figura 7: Entrada da Feira pela Rua Amazonas – Foto: Bruno Sarkis, outubro de 2017.

Para analisarmos a rota do pescado, fizemos entrevista com 3 peixeiros


interessantes de serem analisados. Josias Mota, filho do Sr. Osias Mota, peixeiro
mais antigo da feira, tem cerca de 37 anos de feira. O box do Osias (Figura 8) tem o
veículo próprio para o pescado, a rota esquematizada do porto único de
desembarque, comercialização e distribuição de pescado (Panair) de Manaus até a
feira interna do bairro do coroado (Figura 9)

Figura 8: Box do Josias– Foto: Bruno Sarkis, outubro de 2017

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Pescador / Ribeirinho
Carregador com
colete enumerado
Despachante
Panair
(Terminal Pesqueiro)

Frete do
Osias

Desemsacador
10 reais o saco

Feira Interna do
Coroado

Figura 9: Organograma da Rota do Pescado Organizado por: Bruno Sarkis

Josias chega na feira com o carro lotado, então distribui para os boxes na qual
tem aliança, cobra 22 reais por cada saco distribuído, seria um monopólio do
pescado na feira? Analisando os dados, digamos que não, apesar que na teoria
parece que Josias controla a distribuição e comercialização do pescado em uma
tentativa de diminuir a concorrência. Os peixeiros que encomendam de Josias
escolhem o seu pescado diretamente no terminal pesqueiro, não havendo um
monopólio e concorrência fajuta. Além de que outros boxes e peixeiros possuem
veículos próprios, exemplo de Adriana (Figura 10), a principal concorrente de Josias,
tem duas caminhonetes de locomoção, mas não quis relatar a sua rota.

Figura 10: Box de Adriana, um dos mais procurados pelos consumidores 14


Foto: Bruno Sarkis, outubro de 2017
Antônio Cearense, um peixeiro da Feira 1 (Figura 11), chegou recentemente do
Ceará e vai diretamente para a Panair e paga pelo frete lá disponível, relatou que
tem pelo menos umas 5 a 6 pessoas envolvidas no processo, da pesca até a venda.
Detalhou os preços dos sacos que compra, 500 sacos de 80kg saem por 24 reais,
que 6 sacos de pescado dão em média 400kg.

Figura 11: Box do Sr. Antônio, recente na feira e com pouca clientela
Foto: Bruno Sarkis, outubro de 2017

RESULTADOS E DISCUSSÕES

PREFERÊNCIAS DO CONSUMIDOR EM RELAÇÃO AO PESCADO DA


FEIRA INTERNA DO BAIRRO DO COROADO

A pesquisa qualitativa e quantitativa para saber os detalhes da preferência dos


consumidores do pescado na Feira Interna do Coroado. A população entrevistada foi
de 104 pessoas. Na amostragem aleatória simples com erro amostral de 0,02% e
com grau de confiabilidade de 95%, utilizaremos 100 consumidores para produzir os
gráficos. (Tabela 1, 2 e 3)

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Tabela 1: Distribuição de Frequência da Relação “Espinha contra Sem Espinha”.
Fonte: Caderno de Campo, Questionários de Preferência p.23 Organização: Bruno Sarkis
CLASSES Espinha do Pescado Fi Fr %

1 Com Espinha 38 0,365 36,5

2 Sem Espinha 66 0,635 63,5

TOTAL 104 1 100,0

Tabela 2: Distribuição de Frequência da Relação “Ticado x Não-Ticado”.


Fonte: Caderno de Campo, Questionários de Preferência p.23 Organização: Bruno Sarkis

CLASSES Ticado Fi Fr %

1 Ticado 87 0,837 83,7

2 Não-Ticado 17 0,163 16,3

TOTAL 104 1 100,0

Tabela 2: Distribuição de Frequência da Relação “Ticado x Não-Ticado”.


Fonte: Caderno de Campo, Questionários de Preferência p.23 Organização: Bruno Sarkis
CLASSES Bairros Fi Fr %

1 Coroado 1 22 0,212 21,2

2 Coroado 2 34 0,327 32,7

3 Coroado 3 33 0,317 31,7

4 Outros Bairros 15 0,144 14,4

TOTAL 104 1 100,0

A preferência dos consumidores em relação ao pescado sem espinha x com


espinha (Figura 12) nos mostra aspectos socioeconômicos, sociais e mensuração da
preferência. A preferência do pescado sem espinha é de 63,5%, contra 36,5% do
com espinha.

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PORCENTAGEM DA PREFERÊNCIA DO CONSUMIDOR
DA FEIRA INTERNA DO BAIRRO DO COROADO EM
RELAÇÃO AO PESCADO COM ESPINHA X SEM ESPINHA

36,5 % Com Espinha


63,5 % Sem Espinha

Figura 12: porcentagem da preferência do consumidor da feira interna do bairro do coroado


em relação ao pescado com espinha x sem espinha.
Fonte: Questionário de preferência. Caderno de Campo.2017 Organização: Bruno Sarkis

A preferência dos consumidores que preferem o pescado ticado (Figura 13) é


de 83,7%, contra 16,3% do não ticado.

PREFERÊNCIA DO CONSUMIDOR DA FEIRA INTERNA DO BAIRRO DO


COROADO EM RELAÇÃO AO PESCADO TICADO X NÃO-TICADO

16,3 %
Ticado

Não-Ticado
83,7 %

Figura 13: porcentagem da preferência do consumidor da feira interna do bairro do


coroado em relação ao pescado ticado x não-ticado.
Fonte: Questionário de preferência. Caderno de Campo.2017 Organização: Bruno Sarkis

A rede de influência do pescado nas redondezas da feira nos mostra a


distribuição de vendas no bairro do Coroado e o alcance das vendas em bairros
adjacentes, tais como: Parque 10 de Novembro, Cidade Nova, Alvorada, São José e
Aleixo (Figura 14). Podemos ver a teoria das localidades centrais funcionando na
(Figura 16). Pois no centro comercial, as áreas mais próximas serão as mais
afetadas.

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PORCENTAGEM DA REDE DE INFLUÊNCIA NAS
REDONDEZAS DA FEIRA INTERNA DO BAIRRO DO
COROADO

14,4 %
21,2 %

31,7 %
32,7 %

Coroado 1 Coroado 2 Coroado 3 Outros Bairros

Figura 14: Bairros que mais consomem o pescado.


Fonte: Questionário de preferência. Caderno de Campo p.20; 2017
Organização: Bruno Sarkis, 2017

Outros Bairros

Coroado 1

Coroado 3

Coroado 2

Pescado na
Feira
Interna

Figura 16: Rede de influência do pescado na feira interna do bairro do coroado.


Fonte: Questionário de preferência. Caderno de Campo p.20; 2017
Organização: Bruno Sarkis, 2017

A distribuição dos bairros que frequentam a Feira Interna do Coroado em


Manaus é bem definida, de acordo com relatos de consumidores, muitos não
conheciam a feira e a sua qualidade. Como afirma Marcelo, morador do Parque 10:
“A variedade é grande, a qualidade também é enorme, sempre venho aqui nos finais
de semana”

18
Figura 17: Rede de influência do pescado na feira interna do bairro do
coroado. Fonte: Questionário de preferência. Caderno de Campo.2017
Organização: Bruno Sarkis

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CONSIDERAÇÕES FINAIS
O desenvolvimento da pesquisa de campo nos possibilitou uma análise
quantitativa e qualitativa, observamos características socioeconômicas, preferências
do consumidor do pescado na Feira Interna do Bairro do Coroado. Além disso, nos
permitiu aperfeiçoar técnicas estatísticas e de investigação.
Pudemos compreender a rota que o pescado faz desde o terminal pesqueiro
(Panair) até a venda na feira, identificamos a quantidade de pessoas que fazem
parte do processo e o aumento do valor da mercadoria pós processo, a circulação
desnecessária visando a maior concentração de capital.
A técnica da retirada da espinha do pescado pode parecer simples, mas há
uma complexidade, e só a prática cotidiana para chegar na destreza necessária que
a qualidade do serviço exige. Cursos são ofertados pelo governo e pelo setor
privado, a maior dificuldade da técnica é retirar as espinhas do dorso, onde
encontra-se as espinhas em “y”.
Ao analisar os dados de preferência dos consumidores em relação ao pescado
“sem espinha x com espinha” e do “ticado e não-ticado”, notamos que as pessoas
com faixa etária maiores preferem o pescado com espinha, como cita a Srª. Maria
Rosário: “Eu gosto de catar, sinto gosto em comer, sem espinha só sinto uma papa”.
A característica socioeconômica analisada é que nem todo dia se tem o dinheiro
para consumir o pescado sem espinha, já que ele é tem um acréscimo de 5 reais no
preço final após a técnica da retirada das espinhas. As mulheres são as principais
consumidoras do pescado sem espinha, tendo em vista que a maioria das mulheres
tem dupla jornada de trabalho, procuram a praticidade.
A rede de influência do pescado obedece a lógica da teoria das localidades
centrais, A teoria dos lugares centrais é uma teoria desenvolvida por Walter
Christäller para explicar a forma como os diferentes lugares se distribuem no
espaço. Segundo esta teoria, um lugar central (um centro urbano) fornece um
conjunto de bens e serviços a uma determinada área envolvente (área de influência
ou região complementar). Cada um destes lugares centrais pode ser classificado
hierarquicamente em função da quantidade e diversidade de bens e serviços que
fornecem à sua área de influência.

20
Segundo a teoria dos lugares centrais e partindo do princípio de que as
pessoas procuram o lugar central mais próximo para se abastecerem e que os
fornecedores seguem o princípio econômico de maximização do lucro, os lugares
centrais e as respectivas áreas de influência tendem a dispor-se no espaço segundo
uma malha hexagonal. Já que os bairros mais próximos da feira são os que mais
consomem o pescado. Notamos que também há os circuitos superior e inferior da
economia. No superior notamos a procura do capital intenso, o crédito bancário
institucional, o uso do cartão de crédito e débito. O inferior obedece como uma feira
qualquer, a rotatividade do dinheiro.
Após a nossa coleta de dados do consumidor, os peixeiros criaram placas
(Figura 14) para mostrar para população que realizam a técnica da retirarem das
espinhas.

Figura 14: Publicidade improvisada de um box pós pesquisa de campo na feira.


Foto: Bruno Sarkis, outubro de 2017

DEVOLUTIVA
A pesquisa na Feira Interna do Bairro do Coroado nos proporcionou aprofundar
conceitos abordados em sala de aula, aumentar nossas técnicas de pesquisa
metodológica, e é claro, conhecer o local de estudo, interagindo de maneira
harmoniosa com cada feirante, deixamos um banner com a história da feira, mapa
de localização e um croqui da organização estrutural. A documentação da feira é de

21
fundamental importância, tendo em vista que não há nenhum documento. A
devolutiva para a comunidade é gratificante!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Moradias Populares Em Manaus: Estudos No Bairro Do Coroado E Loteamento
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Disponível em: <http://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2012/11/curso-ensina-
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pescado em Careiro Castanho – Noticia do IDAM - Instituto de Desenvolvimento
Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas. 2015
Disponível em: <http://www.idam.am.gov.br/curso-pratico-de-retirada-de-espinha-
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Acesso em: 09/11/17 por Bruno Sarkis.

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Manaus. Montevideo, Uruguay: O mercado do pescado nas grandes cidades latino-
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22
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23