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Lusófona 2009/2010 Obrigações I – práticas

Aula nr 1 prática terça feira 6 de Outubro de 2009


Aula de apresentação

Contacto do prof

miguel_osorio@portugalmail.pt

A bibliografia é a indicada no programa do curso


Nos sumários irá sendo dada a bibliografia com a indicação das páginas da matéria

A destacar
- código civil anotado Vol I - de Pires de Lima e Antunes Varela

Aula Prática 20 de Outubro de 2009

Panorâmica geral da cadeira de obrigações

IMPORTANTE ler o código civil


( livro das obrigações ) para saber
onde estão as respostas legais.
Código civil dtº privado Ter em atenção que muitas
maioritariamente normas supletivas respostas são matéria que demos
em TGDC, por isso, convém fazer
Quando são colocadas questões umas revisões de TGDC

Partimos da parte geral e vamos à parte especial


Se não encontrarmos resposta, voltamos à parte geral

O livro II direito das obrigações é o maior do CC por alguma razão ( a nossa vida em
comunidade é repleta de relações, muitas delas com dignidade jurídica, que estão reguladas no
CC, no livro de obrigações)

FONTES

No emquadramento de um problema prático, devemos ter em atenção qual é a fonte, ou seja,


saber perante que tipo de relação estamos, pois cada fonte tem o seu regime !
Contrato ?
Pacto de preferência ?
Negócio unilateral ?
Gestão de negócios ?
Enriquecimento sem causa ?
Responsabilidade civil ?

Américo Magalhães 1
Lusófona 2009/2010 Obrigações I – práticas

MODALIDADES
Vão ser estudadas em detalhe no 2º semestre

Não vamos dar o título II, dos contratos em especial ( infelizmente )

Título I das obrigações em geral

Cap I Obrigações em geral

Quais os requistos da prestação debitória ?

Partimos da noção de obrigação, ( 397º noção de obrigação ),

398º nº2, conteúdo “Digno de protecção legal”, = licito, sério e razoável

Vamos ver quais os requisitos do objecto negocial, previstos no artº 280º, e completamos os
requisitos da prestação debitória

Determinável artº 400º


Possível e licita artº 401º

Então o fundamento normativo é o artº 397º + 398º + 400º + 401º

Prestação natural ?

Artº 402º

Cap II fontes da obrigações

Artº 405º, 408º, 409º, 417º, 428º

Artigos a lembrar
236º - sentido normal da declaração ( para casos de dívidas de interpretação )
767º nº1 regra da fungibilidade

Américo Magalhães 2
Lusófona 2009/2010 Obrigações I – práticas

Aula prática terça feira 3 de Novembro de 2009

Artº 236º CC – teoria da impressão do destinatáario, estando subjacente o princípio da Boa Fé.
Artº 397º CC – noção de obrigação
Artº 398º CC - conteúdo da prestação

Quando se fala em “ digno de protecção legal”, significa que deve ser licito, sério e razoável

Requisitos da prestação debitória ( que decorrem dos requisitos do objecto negocial, artº 280º )
Determinabilidade
Possibilidade fisica e legal
Licitude

Em obrigações temos que juntar os artºs


398º conteúdo da prestação
+ 400º determinação da prestação
+ 401º impossibilidade

Casos Práticos

Saber qual o tipo de prestação


De facto ou de coisa
Fungivel ou infungível
Duradoura ou fraccionada

Saber qual o tipo de obrigação - De meios ou de resultado

1. A obrigação assumida por um advogado de conseguir obter junto da Câmara Municipal


do Porto, uma licença de habitabilidade

2. A Obrigação assumida por um médico especialista qdo realizar determinada intervenção


cirúrgica
3. A obrigação que resulta para obrigado à preferência, dar referência ao titular ao
mesmo direito em caso de venda

4. A obrigação de um empreiteiro proceder à reparação de um muro

5. A obrigação de um vendedor de embalar a coisa vendida

6. A obrigação de um vendedore de máquina de lavaar louça informar o comprador do seu


modo de funcionamento

7. A obrigação de todos os condónimos contribuirem para os encaargos de conservação e


manutenção das paartes comuns do edifício

8. A obrigação do locador de não perturbar ou se abster de qualquer acto que impeça o


locatário do gozo de uma coisa da qual ele é proprietário
Américo Magalhães 3
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Resoluções

Para os caso 1 e 2

Como se responde
1º fazer o enquadramento do caso na matéria
2º dar noções das eventuais tipos que possam estar presentes
3º qualificar, justificando

Proposta ( ditada ) do Professor

Em ambos os casos estamos perante uma prestação de facto positiva e fungível e que se traduz numa
obrigação de meios. Poderá eventualmente suscitar-se a questão da infugibilidade relativa.
O facto pode consistir numa conduta positiva ou negativa
A prestação de facto poderá referir-se ao devedor ou a um terceiro ( artº 398º nº2 ).
Interesse digno de protecção legal
Quanto à prestação de coisa, pode traduzir-se em dar, prestar ou restituir, podendo ainda incidir sobre
coisas futuras ( artº 399 + artº 211º CC )

O advogado trata-se de uma prestação de facto de terceiro, na qual o devedor se obriga a conseguir a
cooperação ou a conseguir a prestação de um terceiro que é estranho à relação obrigacional.
A regra no n/ sistema jurídico é a fungibilidade ( artº 767º nº1 CC )

Infungibilidade natural – quando a prestação só pode ser realizada pela pessoa do devedor, uma vez
que o credor confiou na sua qualidade artistica, cientifica, etc
Infungibilidade convencional – quando a prestação é naturalmente fungivel, mas as partes estabelecem
a infugibilidade da prestação, por acordo.

Obrigação de meios – o objecto é o conjunto de diligências, empenho tecnico profissional, necessário ao


serviço daquele resultado. Caso o resultado não seja alcançado, o devedor aó é responsabilizado se não
agir com suficiente diligência ou sagacidade na sua actividade
Quando existam dúvidas na qualificação da obrigação de meios ou de resultado, recorremos ao disposto
no artº 236º CC. Preceito inspirado nos ditâmes da Boa Fé, e que consagra a teoria da Impressão do
destinatário

A obrigação que resulta para obrigado à preferência, dar referência ao titular ao mesmo
direito em caso de venda
R: Prestação de facto convencional, infungível

A obrigação de um empreiteiro proceder à reparação de um muro


R: prestação de fcato fungível. Regra da fungibilidade prevista no artº 756º

A obrigação de um vendedor de embalar a coisa vendida


R: Violação do dever lateral na obrigação complexa se era habitual e expectável embrulhar a coisa
vendida

Américo Magalhães 4
Lusófona 2009/2010 Obrigações I – práticas

A obrigação de um vendedor de máquina de lavar louça informar o comprador do seu modo de


funcionamento
R: violação do dever lateral de informação, mas deve ser visto a nível casuístico, pois o vendedor não é
obrigado a prestar todo o tipo de informação

A obrigação de todos os condónimos contribuirem para os encaargos de conservação e


manutenção das paartes comuns do edifício
R: obrigação autónoma dependente, que surge de uma prévia relação jurídica de natureza específica,
seja real, familizr ou sucessória

A obrigação do locador de não perturbar ou se abster de qualquer acto que impeça o locatário
do gozo de uma coisa da qual ele é proprietário
R: prestação de fcato de non facere ( negativa )
O proprietário/ locador tem sempre a faculdade de inspeccionar os seus bens locados, mas tem
que avisar previamente o locatário, e só em caso de recusa, pode proceder judicialmente

Caso pratico 9 ( 3 Nov)

A, no exercício da sua actividade comercial de compra e venda de viaturas automóveis e


acessórios, vendeu a B e este comprou-lhe um veículo automóvel pesado, pelo preço de 50000
euros, com reserva de propriedade a favor de A, vendedor, sendo o desembolso inicial de 5000
euros e o saldo restante dividido e, prestações iguais mensais e sucessivas, tituladas por letras
sacadas por A e aceites por B.
Sucede que B não pagou na data dos seus vencimentos, as 3ªs 7ª, 9ª, 13ª e 14ª prestações
Nesta conformidade, A pretende resolver o contrato e em consequência fazer suas as prestações
já efectuadas pelo comprador e a restituição da viatura automóvel vendida.

Quid iuris ?

Minha proposta de resolução (ver resolução do prof na aula de 17 /nov)

Trata-se de um contrato de compra e venda a prestações, sendo quanto ao tempo uma prestação
fraccionada, pois está fixado o valor do contrato, sendo pago em prestações, e esta classificação
tem importancia fundamental quanto ao regime a palicar em caso de incumprimento.

Vamos em 1º lugar ao regime especial dos contratos de venda a prestações, previsto no artº 934º
e ss. mas não foram pagas várias prestações, o que afasta o artº 934º CC, pois esta norma apenas
prevê o não pagamento de uma prestação.

Assim voltamos à parte geral das obrigações, e o Artº 781º, diz-nos que no caso de o não
pagamento de uma vencem todas.

Américo Magalhães 5
Lusófona 2009/2010 Obrigações I – práticas

O Credor tinha duas possibilidades ou a execução específica, que afastou, e é lógico porque o
Devedor já não pagara várias prestações e seria pouco provável que viesse a cumprir, ou resolver
o contrato, como prevê o artº 432º CC,

A resolução é comparado ao regime da nulidades e anulabilidades previsto no artº 289º, como


nos diz o artº 433º, e mas com a ressalva do disposto no artº 434º.

O nº1 do artº 434 diz-nos que a resolução tem efeitos retroactivos, o que implica que se repõe a
situação existente antes do contrato, e o mesmo é dizer que o devedor deve restituir o veículo.

Quanto às prestações, o nº 2 diz-nos que não abrange as prestações já efectuadas, mas apenas
para o caso de prestações continuadas, que seriam por exemplo contratos de venda de
fornecimento continuada de energia, gáz ou água, o que não é o caso, pois a venda a prestações
são fraccionadas

Por consequência o devedor tem que restituir o veículo ao credor e este tem que restituir as
prestações que recebeu do devedor.

O texto não refere a existência de uma clausula penal, conforme previsto no artº 810º, mas é
muito provável que exista neste tipo de contrato.

Mas no caso de não exitir clausula penal, o credor poderia ainda, para além da restituição do bem,
ao abrigo do artº 801º pedir uma indemnização por eventuais danos sofridos.

Aula prática terça feira 10 de Novembro de 2009

Resolução dos casos práticos


( tópicos de resolução já registados na aula prática anterior )

caso prático 10 ( 10/nov )

“ A e B, únicos sócios de uma sociedade por quotas, propuseram a C e D ceder-lhes a totalidade


das suas quotas, comprometendo-se ainda a granatir o financiamento durante os primeiros
tempos de exploração do estabelecimento e a fazer a entrega de documentação relativa à lista
de clientes e comprovação de créditos.
Com o evoluir das negociações C e D deixaram os seus empregos e passaram a dedicar-se em
exclusivo ao estabelecimento da firma, tendo inclusivamente adquirido diverso material
destinado à sociedade

Ulteriormente A e B recusarm a entregar a documentação bem coo a proceder ao fiannciamento


declarando, sem mais, que haviam desistido do negócio”

Poderão A e B ser resonsabilizados ? caso afirmativo em que termos ?

Américo Magalhães 6
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Minha proposta de resolução

Temos vários aspectos a ter em conta que retiramos da leitura do texto


1. estamos perante um caso de um contrato de compra e venda, negócio que não se concluiu.
2. Espelha uma fase prévia do negócio, a fase das negociações.
3. Os negociadores/ compradoresr, face às “garantias” dos negociadores / vendedores”
a. tiveram despesas relacionadas com o negócio
b. Abandonaram os seus empregos eventualmente perdendo regalias e os seus
ordenados durante esse tempo
c. Compraram material para a sociedade que pensavam vir a ser deles
Os indivíduos, estando legitimados com capacidade de exercício, são titulares de direitos
subjectivos, de acordo com o princípio da autonomia privada, de que decorre o principio da
liberdade contratual, são livres de os exercer ou não, nomeadamente de celebração ou não de
contratos, como consagrado no artº 405º CC.
O contrato de compra e não se tendo concluído o negócio estamos perante uma relação
obrigacional complexa sem deveres primários de prestação, que impõe certos deveres laterais ou
de conduta, que são deveres que não têm a ver directamente com a prestação, mas que têm por
fim a satisfação de todos os interesses que estão subjacentes à prestação obrigacional principal
Os deveres de prestação não se esgotam no momento da celebração do contrato, mas desde o
momento do 1º contacto que inicia a fase de negociação, mas nada obriga a que imperativamente
tenha que levar à conclusão do contrato. Devem é ser observados os deveres laterias de prestação
da realção obrigacional complexa
Ao desistir do negócio, a questão do financiamento e da prestação da informação já não é
relevante, pois só o seria se o negócio se viesse a concluir, estando em questão apenas a
expectativa frustrada criada nos negociadores/compradores, caso contrário seriam ainda violados
os deveres de cooperação e de informação.
O princípio da Boa Fé, objectiva, que respeita ao comportamentos observáveis, verificamos que
os negociadores/vendedores, sendo livres de não celebrar o negócio, não procederam contudo
com lealdade e correcção, que são comportamento observáveis que concretizam o princípio da
Boa Fé objectiva, e que são deveres laterais da relação obrigacional complexa
Assim A e B podem decidir não celebrar o contrato, mas ao não concluir o contrato, que sendo
uma relação obrigacional complexa, bastaria terem violado deveres laterais, para constituir
responsabilidade pré-contratual, caso não existisse consagrada no ordenamento a culpa na
formação de contratos consagrada no artº 227º CC
A culpa en contrahendo não se reflecte apenas quando há celebraçao de contrato, e que se venha
a mostrar claramente desvantajoso para o adquirente, ou que venha a ser inválido por culpa de
algum dos contraentes, mas também pela ruptura abrupta e injustificada das negociações, neste
caso principlamnte violando o dever de lealdade.
Por consequência, seja pela violação de deveres laterais da relação obrigacional complexa, seja
pela culpa na formação dos contratos, aos Srs A e B deve ser imputada responsabilidade
précontratual, e que por consequência tenham que reparar os danos provocados a C e D.
Assim, C e D poderiam ter sucesso numa acção judicial sustentando pela responsabilidade
précontratual, consequência da violação seja dos deveres laterais seja pela norma do artº 227º,
condenando o Srs A e B a pagar uma indemnização que de acordo com o artº 562º CC,
reconstituisse a situação que existiria se C e D não tivessem iniciado as negociações e que no
caso concreto seriam os eventuais perdas de benefícios decorrentes da perda do seu
autodespedimento dos empregos que tinham, dos salários, e do reembolso das comprar
efectuadas para a sociedade, neste caso onde actuaram como gestores de negócios nos termos do
artº 464º.

Américo Magalhães 7
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Notas de correcção
Responsabilidade pós contrato implicita artº 239º
Quando termina artº 253º nº2 Quando começa artº 227º

Aula prática Terça Feira, 17 de Novembro de 2009

Resolução do caso prático 9

A, no exercício da sua actividade comercial de compra e venda de viaturas automóveis e


acessórios, vendeu a B e este comprou-lhe um veículo automóvel pesado, pelo preço de 50000
euros, com reserva de propriedade a favor de A, vendedor, sendo o desembolso inicial de 5000
euros e o saldo restante dividido e, prestações iguais mensais e sucessivas, tituladas por letras
sacadas por A e aceites por B.
Sucede que B não pagou na data dos seus vencimentos, as 3ªs 7ª, 9ª, 13ª e 14ª prestações
Nesta conformidade, A pretende resolver o contrato e em consequência fazer suas as prestações
já efectuadas pelo comprador e a restituição da viatura automóvel vendida.

Quid iuris ?

Resolução ( ditada ) do Professor

Está em causa saber se o contrato de compra venda (CV) a prestações com reserva de
propriedade é ou não um contrato de execução continuada
No contrato de CV a prestações,, com reserva de propriedade, o negócio é realizado com
condições suspensiva quanto à transferência de propriedade
São contratos de execução continuada ou periódica, aqueles em que, tendo de ser feitos através
de prestações, cada uma delas tem uma contraprestação correspondente. Tais contratos
distinguem-se de prestação fraccionada, em que a prestação é só uma, mas deve ser feita por
partes

O referido contrato não dá origem às obrigações de facto negativa de não perturbaar o uso e
fruição do comprador, conduzindo tal obrigação a uma execução continuada. Neste tipo de
prestações, há como que uma certa autonomia de cada uma delas, dentro de um programa
contratual
No c aso concreto, não é um contratoo de execução continuada, à semelhança com o que sucede
com o arrendamento, em que as prestações a pagar pelo locatário ( inquilino ) se prolongam por
um período mais ou menos longo, e é obrigação do locador assegurar ao locatário o gozo da
coisa locada, pelo período de duração do contrato

A situação seria diferente, se além da resolução do contrato, o Sr “A”, havendo, no disposto do


artº 801º nº2 CC, tivesse requerido a indemnização resultante dos danos da utilização.
Muito embora o artº 433´mande aplicar, em princípio, à resolução do contrato, os efeitos
próprios da nulidade ou anulabilidade do negócio ( artº 289º ), entre os quais se não conta a
indemnização dos danos causados a quqlquer das partes, certo é uqe, naquele preceito, se
ressalva expressamente a existência de disposição especial

O argumento do Sr A, sustentado no artº 1133º CC, que relativamente ao comodato prescreve


expressamente que o comodante deve abster-se de actos que impeçam ou restrinjam o uso da
coisa pelo comodatário, mas não é obrigado a assegurar esse uso, não colhe neste caso, atente às
exigências da boa interpretação e aplicação da lei.
Américo Magalhães 8
Lusófona 2009/2010 Obrigações I – práticas

A execução continuada ou periódica, que conta patra a qualificação do contrato e à aplicação do


regime excepcional previsto naquela disposição legal, refere-se às prestações fundamentais que
caracterizam ou tipificam os contratos e não as prestações secundárias ou os deveres acessórios
de conduta, que integram a relação contratual.

No caso da CV a prestações co reserva de propriedade, as prestações dundamentais que


caracterizam o contrato são:
- a entrega da coisa ( que é uma prestação instantânea )
- e o pagamento fraccionado do preço ( que constitui uma prestação fraccionada ou
repartida )
Quando muito, a ressalva prevista no artº 434º nº2, poderia aproveitar à prestação continuada do
sr A ( facultar o uso da viatura ao comprador ), se este uso e fruição de veículo proviesse de tal
obrigação de prestação de carácter permanente, mas nunca aproveitaria às prestações realizadas
por conta do preço pelo comprador, porque essas prestações nem são continuas, nem sequer são
como vimos, periódicas.
Só assim não seria se as prestações pagas pelo comprador, por conta do preço estipulado,
pudessem ser consideradas como contraprestação do usuo continuada da viatura que o Sr A
tivesse proporcionado ao comprador. Mas a verdade é que no ânimo dos contraentes, as
prestações pagas pelo comprador tem tudo a ver com o preço estipulado no contrato, mas nada
tem a ver com o uso parcelado da viatura comprada.

Em conclusão
As prestações de peço a cargo do comprador, são sempre aos olhos classificativos da lei,
prestações fraccionadas ou repartidas, e nunca prestações periódicas ou continuadas, e muito
menos prestações continuadas ou ininteruptas.

Fim

Cláusulas de reserva de propriedade – atº 409º

É uma garantia que é aposta dentro do contrato, com o objectivo de:


Salvaguarda o incumprimento
Salvaguarda o risco de insolvência

A transferência de coisa dá-se por mero efeito do contrato ( esta é uma regar da ordem jurídica
portuguesa)

Classificação das prestações duradouras ( indicação do Prof Osório )

1 Duradouras própriamente ditas


a. Continuadas o cumprimento é ininterrupto
b. Com trato sucessivo ( Reiteradas ) prestações singulares sucessivas
i. Periódicas Ex: arrendamento
ii. Não periódicas ex: contrato de assistência

2. Fraccionadas – é uma única prestação, pois o montante global está previamente fixado,
independentemente do tempo que durar, o que é repartida é a própria prestação.

Américo Magalhães 9
Lusófona 2009/2010 Obrigações I – práticas

Caso prático 11 ( 17/nov)

Em janeiro de 2007, Margarida, conhecida autora de literatura light, cedeu à editora Lusófona
os direitos de autor, respeitantes aos livros a publicar nos 5 anos seguintes.
Entretanto, tendo sido contactada por outra editora de sector, acaba por celebrar com a editora
Católoca um contrato de cedência dos mesmos direitos em condições mais vantajosas.
Sentindo-se lesada, a editora Lusófona pretende reagir através de uma acção de indemnização
contra a editora católica.
Poderá a sua pretensão obter êxito ? Justifique legal e doutrinalmente

Porposta de resolução ( minha )

O que está em causa é o efeito externo das obrigações


Por regra, o negócio jurídico, i.e, o contrato, gera apenas efeitos obrigacionais e não reais, tem
apenas efeito inter-partes, gerando direitos e obrigações apenas entre os sujeitos do negócio
jurídico, e isto está consagrado no artº 406º nº2
No entanto, se um terceiro dolosamente violar as regras dos bons costumes, prejudicando o
titular do crédito, é responsabilizado, não pelo efeito externo da obrigação, mas pelo institudo do
abuso do direito.
Assim, a editora Lusófona, no pressuposto que a editora Católica que agiu dolosamente,
violando a regra dos Bons Costumes, neste caso, as regras da boa prática do comérico, pode
exigir-lhe responsabilidades ao abrigo da norma do artº 334º

Explicando

Os artigos 413º e 421º respondem à contrário ao efeito externo da obrigação, pois retira-se destas
normas que por via de regra não tem efeito externo, salvo se por convenção das partes.

ARTIGO 413º - Eficácia real da promessa


1. À promessa de transmissão ou constituição de direitos reais sobre bens imóveis, ou
móveis sujeitos a registo, podem as partes atribuir eficácia real, mediante declaração
expressa e inscrição no registo.
2. (…)
ARTIGO 421º- Eficácia real
1. O direito de preferência pode, por convenção das partes, gozar de eficácia real se,
respeitando a bens imóveis, ou a móveis sujeitos a registo, forem observados os requisitos
de forma e de publicidade exigidos no artigo 413º. (…)

O artº 495º nº3 é a única situação que o ordenamento prevê a eficácia do efeito externo da
obrigação, mas por razões obvias que a norma prevê. A pensão de alimentos.

ARTIGO 495º- Indemnização a terceiros em caso de morte ou lesão corporal)


3. Têm igualmente direito a indemnização os que podiam exigir alimentos ao lesado ou
aqueles a quem o lesado os prestava no cumprimento de uma obrigação natural.

ARTIGO 1306º «Numerus clausus»


1. (…)/2 senão nos casos previstos na lei; toda a restrição resultante de negócio jurídico,
que não esteja nestas condições, tem natureza obrigacional. (…)

Américo Magalhães
10
Lusófona 2009/2010 Obrigações I – práticas

Mas em certas circunstãncias, tem efeito externo; quando um terceiro, interfere dolosamente,
violando os Bons costumes, apenando ao instituto do Abuso do Direito

ARTIGO 334º- Abuso do direito


É ilegítimo o exercício de um direito, quando o titular exceda manifestamente os limites
1 2 3
impostos / pela boa fé, / pelos bons costumes ou / pelo fim social ou económico desse
direito.

O legislador aponta três critérios para saber quando há abuso do direito


1. Critério da Boa Fé
2. O exercício ultrapassa os bons costumes ( de domínio jurídico )
3. Critério do fim , ou seja, se está para além da função normal do exercício do direitos

Bons Costumes – é uma conduta perante a generalidade da comunidade

Boa Fé – uma conduta honesta, correcta leal, relativa, inter-partes.

NOTA: a Boa Fé nunca é justificação para a violação de obrigações face a terceiro, pois é uma
principio que actua na relação jurídica directa ( intersubjectiva ),só os Bons Costumes podem ser
invocados quando há intervenção de um terceiro directamente alheio ao negócio.
.

Resolução ( ditada) do prof ( na aula de 2009/nov/24)

Estamos perante a problemática do efeito externo das obrigações, segundo o qual o titular do
direito de crédito pode opôr o seu direito à outra parte, mas também a terceiros verificados que
estejam certos pressupostos.
Efeitos jurídicos desta doutrina: o terceiro é directamente responsável perante o credor
O nosso ordenamento jurídico afatsa esta doutrina, veja-se o artº 406º nº2, e ainda os artigoa 413º,
421º, 495º nº3, 794º, 2 1306º CC.
Existem casos em que se admite a responsabilização directa de terceiros perante o credor, com
fundamento no instituto juridico do abuso do direito, artº 334º
a) O terceiro dirige um ataque ao substracto do crédito, seja à pessoa do decedor, ou ao
objecto de crédito, inviabilzando assim, a realização da prestação pelo devedor.
b) O terceiro coopera com o devedor na violação do direito do credor
Nestas hipóteses, se o terceiro tiver conhecimento da relação de crédito e actua dolosamente, será
responsabilizado perante o credor
Recurso à figura do abuso de direito, assenta além do mais na valorização autónoma da conduta
do terceiro, ou seja, se a mesma é manifestamente sensorável à luz de considerações ético-
jurídicas
A liberdade de terceiros não fica afectada pelo que acima fica dito, na medida em que eles
podem celebras contratos com o devedor desde que respeitem as referidas exigências ético-
jurídicas ( bons costumes)

Em conclusão, a responsabilização de terceiro, advém da conduta dolosa que ele assumiu e não
do direito de credor que a eficácia em relação a terceiros em consequência da teoria do efeito
externo da obrigações.

Américo Magalhães
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Lusófona 2009/2010 Obrigações I – práticas

Aula prática terça Feira 24 de Novembro de 2009

caso prático 10 ( 10/nov )


“ A e B, únicos sócios de uma sociedade por quotas, propuseram a C e D ceder-lhes a totalidade
das suas quotas, comprometendo-se ainda a granatir o financiamento durante os primeiros
tempos de exploração do estabelecimento e a fazer a entrega de documentação relativa à lista
de clientes e comprovação de créditos.
Com o evoluir das negociações C e D deixaram os seus empregos e passaram a dedicar-se em
exclusivo ao estabelecimento da firma, tendo inclusivamente adquirido diverso material
destinado à sociedade
Ulteriormente A e B recusaram a entregar a documentação bem coo a proceder ao
fiannciamento declarando, sem mais, que haviam desistido do negócio”
Poderão A e B ser resonsabilizados ? caso afirmativo em que termos ?

Resolução ( tópicos ditados pelo Prof )

1. Relação obrigacional complexa


a. Explicar os deveres laterais

2. O que está em causa, a violação e dever de conduta que gera a obrigação de indemnizar,
nos termos do disposto no artº 227.

3. Para que haja responsabilidade pré-contratual é necesssári que existam verdadeiras


negociações, uma confiança razoável e objectivamente motivada, e uma obrigação de
informação , de lealdade e de cooepração, não concorrência, etc

4. Artº 253º nº2 + 227º


As negociações malogradas em regra não dão origem à obrigação de indemnização

5. Três grupos de casos em que a doutrina e a jurisprudência admite responsabilidade


précontratual ( ver o artigo do prof Sinde Monteiro )

6. Regime jurídico aplicado à responsabilidade précontratual,terá que ser aferido


casuisticamente,aplicando-se as regras da responsabilidade contratual, ou extra-contratual,
conforme estejam mais perto de um contrato ou mais perto de um delito

Verificar, pois tinha a ideia que a responsabilidade


7. O dano indemnizável na
negativa apenas obrigava a reposição da situação
responsabilidade civil pré-
anterior, cobrindo despesas realizadas, e não
contratual é um dano negativo, ou
abrangia os lucros cessantes, estes só abrangidos
dano da confiança., em que se
na responsabilidade contratual. Mas a esta questão,
engloba os danos emergentes e os colocada pelo Faria e corroborada por mim, o Porf foi
lucros cessantes perentório e confirmou que a resposnabilidade
précontratual abrangia os lucros cessantes
8. O garnde fundamento deste tipo de
responsabilidade civil, bem como
sa pós contratual, assenta num dos princípios do dtº privado, que é o da Boa Fé, em
sentido obejctivo
Américo Magalhães
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Lusófona 2009/2010 Obrigações I – práticas

Algumas notas

Boa fé objectiva
– é a única que interessa à relação jurídico obrigacional
- tem a ver com o comportamento ( observável) do sujeito, e que se concretiza na conduta
honesta, correcta e leal.

“entende-se que, durante as fases anteriores à celebração do contrato – quer dizer, na fase
negociatória e na fase decisória - , o comportamento dos contratantes terá de pautar-se pelos
cânones da lealdade e da probidade. De modo mais concreto: apontam-se aos negociadores
certos deveres recíprocos, como, por exemplo, o de comunicar à outra parte a causa da
invalidade do negócio, o de não adotar uma posição de reticência perante o erro em que esta
lavre, o de evitar a divergência entre a vontade e a declaração, o de abster de propostas de
contratos nulos por impossibilidade do objecto; e, ao lado de tais deveres, ainda em
determinados casos, o de contratar ou prosseguir as negociações iniciadas com vista à
celebração de um acto jurídico. O reconhecimento da responsabilidade pré-contratual reflecte a
preocupação do direito de proteger a confiança depositada por cada um dos contratantes nas
expectativas legítimas que o outro lhe crie durante as negociações, não só quanto à validade e
eficácia do negócio, mas também quanto à sua futura celebração (ALMEIDA COSTA)

Boa fé subjectiva
O sujeito pensa que está a actuar segundo as regras da boa fé,

Responsabilidade civil

Obrigacional ou contratual - Resulta do incumprimento de obrigações creditícias

Précontratual 227º, 334º


Contratual 798º
Pós contratual 239º (?? Verificar artigo )

Delitual

Extra contratual 483º

Responsabilidade subjectiva
Quando ela depende da existência de culpa do agente

Responsabilidade objectiva
O agente se constitui na obrigação de indemnizar independente de culpa

Américo Magalhães
13
Lusófona 2009/2010 Obrigações I – práticas

Caso 12

Entre a empresa A, fornecedor de Gás natural, e a empresa B, foi celebrado um contrato no


stermos do qual a 1ª se obrigou a proceder à instalação nas dependências da 2ª, de todo o
equipamento necessário à utilização daquela energia, bem como ao respectivo fornecimento-

Em vritude de deficiências da instalação, ocorreu uma explosão que causou avultados danos
patrimoniais na empresa B

Na acção de indemnização, proposta por B, a empresa A pretende que o litígio seja resolvido de
acordo com o disposto nas condições gerais de fornecimento de Gás natural ellaborado pela
Associação empresarial do sector, e constante do verso do documento que corporizava o
contrato.

a) Pronuncie-se sobre a pretensão de A


b) Nas referidas condições gerais, estava estitupaldo o seguinte:
a. A entidade fornecedora fica isenta de qualquer resposnabilidade por danos
provocados pel utilzação da energia

Pronuncie-se sobre o valor jurídico desta estipulação

c) Suponha que o MP pretende reagir contra determinadas cláusulas contidas nas referidas
condições gerais
Diga que mecanismo jurídico poderá recorrer caracterizando-o e explicitando a sua
função

Américo Magalhães
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