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CAPÍTULO V

GRAMADOS
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5.1. IMPLANTAÇÃO DE GRAMADOS


Nada menos que mil pés de grama convivem em cada metro quadrado de um
gramado. E, ao contrário de uma horta ou canteiro, onde o solo pode ser
revolvido, corrigido e enriquecido tantas vezes quantas forem necessárias, num
gramado, depois de fechado, dificilmente se tem novamente acesso a terra. Por
conseguinte, na maioria das vezes, as raízes das gramíneas terão de conviver
pelo resto da vida com o solo que lhe for destinado quando do plantio. De suma
importância para implantação de um gramado, o pH do solo é determinante para
o sucesso do mesmo. Um índice de pH entre 5,5 a 7,5 é considerado bom para a
maioria das gramíneas. Mas a verdade é que o ideal seria um índice entre 6,8 e
7,0. Ou seja, solos praticamente neutros. São seis os métodos de plantios de
gramíneas: semeadura, hidrossemeadura, mudas (plugs), touceiras, placas e
tapetes.

Ao se projetar a formação de um gramado, além de todos os serviços básicos de


preparo desolo, sistema de irrigação, etc.., a escolha da espécie e variedade da
grama é fundamental para o sucesso do projeto. A indicação da grama deve levar
em consideração os seguintes pontos: objetivo do gramado, condições climáticas,
condições locais e capacidade de manutenção.

Objetivo do gramado - De uma maneira geral, pode-se considerar que um


gramado poderá ter como principal objetivo a função paisagística ou a função
esportiva. Na função paisagística, que corresponde a grande maioria dos casos,
as gramas mais utilizadas são: Esmeralda (Zoysia japonica) e Santo Agostinho
(Stenotaphrum secundatum). A Esmeralda é responsável por aproximadamente
80% da comercialização das gramas cultivadas no país. A função esportiva é
desempenhada, principalmente, pelas gramas: Bermudas (Cynodon dactylon) e
Esmeralda, conforme se verá mais à frente. Quanto a Esmeralda, é importante
atentar para o fato de que no período de outono/inverno diminui sensivelmente
seu ritmo de crescimento, decrescendo drasticamente sua capacidade de
regeneração, o que para um campo de futebol em plena atividade, pode vir a
comprometer sua qualidade.

Condições climáticas - As condições climáticas da região irão contribuir para a


definição da espécie de grama a ser plantada. Na seqüência apresenta-se a
maior ou menor tolerância das espécies frente à temperatura e à seca. Tolerância
a temperaturas altas: Bermudas, Esmeralda, Santo Agostinho e São Carlos.
Tolerância a temperaturas baixas: São Carlos, Santo Agostinho, Bermudas e
Esmeralda. Tolerância a seca: Bermudas, Esmeralda, Santo Agostinho e São
Carlos.

Condições locais - Estas condições se referem a algumas particularidades do


local, tais como: sombreamento, águas salinas para irrigação, tipo de solo e
topografia. Seguem algumas informações que podem contribuir na escolha da
grama. Tolerância à sombra: Santo Agostinho, São Carlos, Bermudas e
Esmeralda. Tolerância à salinidade: Santo Agostinho, São Carlos, Bermudas e
Esmeralda. Com relação ao tipo de solos tem-se que a Esmeralda e Santo
Agostinho adaptam-se bem aos argilosos, arenosos e orgânicos; Bermudas
prefere solos orgânicos ou arenosos. A topografia foi citada em função da
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dificuldade de manutenção (poda). Quando necessário, deve-se escolher uma


espécie de baixa manutenção, como a Esmeralda, que é ideal também para
controle da erosão.

Capacidade de manutenção - Na escolha da grama, a estrutura disponível para


a manutenção é ponto extremamente importante, principalmente no que se refere
aos equipamentos de corte, pois as dimensões da área e a espécie de grama
escolhida têm que ser compatíveis com o equipamento de corte disponível.
Espécies mais susceptíveis ao ataque de pragas e doenças necessitam da
disponibilidade de equipamentos adequados para promover o combate.

Tabela 1 – ESPÉCIES DE GRAMÍNEAS PARA JARDINS


NOME
NOME COMUM CARACTERÍSTICAS
CIENTÍFICO
ü vigoroso desenvolvimento no
Batatais
verão
Paspalum ou
ü não tolera sombra
notatum Mato Grosso
ü resistente ao pisoteio
ü adapta-se bem a solos pobres
ü de lento crescimento
ü exigente em água
Wild zoysia ü macia para pisoteio
Esmeralda
ü recomendada para taludes,
pois tem um forte enraizamento
ü gosta de áreas sombreadas
AXONOPUS Curitibana ou São ü exigente em água
spp Carlos ü não tolera muito pisoteio
ü exigente em adubação
ü crescimento robusto
ü gosta de sombra
Steotaphum ü por gostar de solos salinos é
Santo Agostinho
scundatum recomendada para o litoral
ü não resiste a pragas
ü exigente em água e adubação

Figura 1 – FOTOGRAFIA DAS PRINCIPAIS ESPÉCIES DE GRAMAS


UTILIZADAS EM JARDINS.
Fonte: http://www.itograss.com.br/home.htm
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5.1.1. Formação de gramados por sementes


A principal vantagem deste método é o baixo custo, mas o problema é a pequena
variedade de sementes de gramas nobres no mercado brasileiro. Atualmente há
uma tendência de modificação desse quadro, mas, sobretudo devido à
importação sementes do que pelo desenvolvimento de espécies nacionais. Esse
processo tem sido mais usado em taludes de auto-estradas, por exemplo, onde é
feita via hidrossemeadura e, quase sempre, consorciando gramíneas com
leguminosas rasteiras, com vistas à formação de um manto verde de cobertura
vegetal que proteja estes taludes contra a erosão.

No semeio manual, a quantidade de sementes utilizada varia conforme a


variedade e o poder germinativo. A distribuição deve ser uniforme, e o preparo do
solo muito bem feito, com ênfase especial para a eliminação dos torrões. Após o
plantio, e até a completa germinação, é muito importante que seja mantida uma
boa freqüência de irrigação, bastante cuidadosa e feita com bocal de jato fino.
Uma forração do terreno com palha seca ou serragem, aliás, é altamente
recomendável após o plantio. Isso apressa a germinação por elevar a temperatura
e manter o solo úmido, além de fornecer proteção aos brotos contra chuvas
fortes; evita também o surgimento de ervas invasoras. A época ideal para o
plantio de grande parte das gramíneas é na primavera e verão, porém poderá ser
plantada o ano todo se as condições de tempo e temperatura forem favoráveis,
principalmente na região Norte/Nordeste do Brasil. As sementes germinam melhor
em temperaturas mais quentes desde que a área permaneça constantemente
úmida.

5.1.1.1. Semeadura sobre áreas descobertas1


ü Antes de semear, limpe a área completamente, removendo todo tipo de
entulho, incluindo pedras, galhos e matos existentes. Se o solo estiver muito
compactado, promova a sua descompactação com o uso de alguma ferramenta,
como o enxadão ou similar.
ü Se a área for muito infestada de mato, aplique sobre o terreno algum
produto específico para matar as plantas daninhas existentes. Siga corretamente
as instruções de uso do produto no que se refere à dosagem, carência e método
de aplicação.
ü Faça uma cobertura fina sobre todo o terreno utilizando-se de húmus de
minhoca, terra vegetal peneirada ou algum condicionador de solo, se possível
misturado com areia de granulometria média.
ü Nivele o terreno com um rastelo, fazendo com que a superfície fique lisa e
uniforme para receber as sementes.
ü Molhe a área nivelada e verifique se há formação de pontos de
encharcamento; tal procedimento e adotado para prevenir problemas futuros com
a drenagem do local. Recomenda-se que em locais mais encharcados se execute
a drenagem da área antes da semeadura.
ü Faça uma adubação inicial com fertilizante de formulação 15-30-8 ou
similar à base de 100 g/m2. Aplique também calcário dolomítico a uma razão de
25 kg/100m2.

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Informações fornecidas pela Divisão de Gramados da World Sports & Marketing.
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ü Faça a semeadura da área utilizando-se de um semeador ou


manualmente, distribuído uniformemente a semente sobre o terreno. aplique as
sementes de acordo com a tabela de medidas recomendadas pelo produtor da
mesma.
ü Após a semeadura aplique sobre todo o terreno uma cobertura fina com o
mesmo composto usado na cobertura inicial, tomando-se cuidado para não
soterrar as sementes. (0,5-1,0 cm). Certifique-se de que o terreno esteja bem
firme, a fim de assegurar que as sementes entrem em contato com o solo úmido.
ü É de suma importante e crucial para o sucesso da semeadura a presença
de água. Molhe constantemente para manter o solo úmido, mas evite excessos
para não formar poças ou encharcar a área. Molhe no mínimo duas vezes ao dia,
durante o período de germinação. Após esse período continue molhando uma ou
duas vezes por dia, dependendo da temperatura, até o gramado estar formado.
Em regiões muito secas, molhe o terreno o quanto necessário para manter o solo
úmido.
ü Depois de duas semanas procure por espaços ainda abertos e semeie
novamente, repetindo o processo.
ü Em um período de quatro a seis semanas é possível iniciar o processo de
adubação; comece por adubar a área com fertilizante de formulação 20-05-20 ou
similar. Entre três a quatro semanas execute o primeiro corte, e depois corte
regularmente mantendo o gramado na altura desejada; evite cortes muito
rasteiros.

5.1.1.2. PROCESSO DE CRESCIMENTO


Fazer um gramado bonito e vistoso pode levar algum tempo. Acompanhe abaixo
o que esperar durante o processo de plantio.
ü 1ª e 2ª semanas - Crescimento visual pode ser mínimo. As sementes,
porém, em sua maioria, já estão germinando e logo as primeiras folhas
aparecerão, se os procedimentos de plantio foram adotados corretamente.
ü 3ª e 4ª semanas - A grama começa a crescer, e com as adubações e
irrigações algumas plantas daninhas podem brotar. Controle manualmente ou
procure por algum produto químico seletivo que não afete a grama. Em seguida
prossiga com as adubações recomendas.

É normal que o gramado no início pareça muito fino ou ralo, porém com as
adubações e cortes freqüentes as folhas se entrelaçarão formando um denso,
verde e vistoso gramado.

5.1.2. Formação de gramados por


hidrossemeadura
A hidrossemeadura consiste no jateamento de sementes em misturas com
adubos minerais, massa orgânica e adesivos, utilizando a água como veículo.
Esse processo tem-se mostrado mais eficiente e prático apresentando as
seguintes vantagens: capacidade de cobrir áreas inacessíveis a outros meios de
semeadura (declives íngremes, por exemplo); rapidez e economia, permitindo a
formação de cobertura vegetal a custos significativamente baixos na implantação
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e manutenção do controle de erosões. As limitações do processo podem ser


assim resumidas: pode ser antieconômica, se não houver uma fonte de água para
abastecer o aparelho; para tratamento de terrenos áridos é necessária a
aplicação de cobertura morta após o lançamento da semente; a bomba centrífuga
do aparelho pode reduzir severamente a incidência de germinação, se for
prolongada a agitação da mistura e semente por mais de 30 minutos; o fertilizante
misturado com a semente e a água também pode prejudicar as bactérias
inoculantes, com relação a leguminosas, sobretudo se o pH da mistura for inferior
a cinco.

Figura 2 – APLICAÇÃO DA MISTURA DE HIDROSSEMEADURA


Fonte: http://www.conspizza.com.br/

Antes Depois

Figura 3 – HIDROSSEMEADURA EM TALUDE


Fonte: http://www.conspizza.com.br/

Figura 4 – HIDROSSEMEADURA EFETUADA NA FERRONORTE


Fonte: http://www.conspizza.com.br/
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5.1.2.1. Preparo da área a ser hidrossemeada


A primeira etapa do processo de hidrossemeadura é a análise das características
climáticas, topográficas, físicas e químicas do solo, tipo de vegetação nativa
existente e seus antecedentes históricos, e disponibilidade econômica. É
necessário que o solo a ser revestido seja analisado de maneira que se possa
saber quais os índices de acidez e quais suas carências químicas e orgânicas. O
solo a ser hidrossemeado deve ser preparado com a limpeza de todo e qualquer
material que prejudique o aspecto visual (pedras, tocos, e outros). Nas áreas
onde não é possível a mecanização, faz-se o preparo por meio de enxadas e
enxadões, riscando o terreno ou picotando-o, visando à formação de reentrâncias
que facilitem a fixação de sementes. Contudo, o preparo do solo nem sempre é
viável como, por exemplo, em taludes de inclinação acentuada. Neste caso a
hidrossemeadura é feita normalmente, ou seja, sem o preparo prévio do terreno.

5.1.2.2. Cobertura vegetal


Devido às precárias condições que normalmente apresentam os solos a serem
hidrossemeados, as espécies vegetais a serem utilizadas devem ser
caracterizadas por: agressividade; rusticidade; rápido desenvolvimento; fácil
propagação; fácil implantação; baixo custo de implantação; pouco exigentes nas
condições de solo; exigirem poucos cuidados de manutenção; adaptáveis ao
clima da região; fácil integração à paisagem; não prejudicarem as condições
biológicas existentes. Normalmente, utiliza-se uma mistura de gramíneas e
leguminosas. A inclusão de leguminosas perenes em misturas com gramíneas é
feita com a finalidade de provocar um revestimento permanente sobre as
superfícies sujeitas à erosão. A característica de fixação de nitrogênio pelas
leguminosas evita a readubação e provoca, com o correr do tempo, o
melhoramento das condições do solo, tornando-o apto a receber sementes
nativas da região. Desse modo a superfície readquire o aspecto que tinha
anteriormente.

5.1.2.3. Componentes da mistura


Com a finalidade de aumentar a capacidade de retenção de água no solo,
evitando assim um possível retardamento do crescimento nos períodos de seca
mais prolongada, costuma-se incluir na mistura uma certa quantidade de
vermiculita ou celulose obtida de resíduos de papel e papelão moídos num
desintegrador. Em solos de maiores inclinações e nos excessivamente arenosos
ou siltosos, a mistura adubo-semente recebe uma quantidade dosada de hidro-
asfalto com a finalidade de fixar melhor a mistura na superfície do solo. O
composto orgânico deve ser também utilizado na mistura, pois ele tem atuação
acentuada tanto sob o aspecto químico como sob o aspecto físico dos solos. No
que concerne ao combate à erosão, os principais benefícios obtidos com a
aplicação do composto orgânico num determinado terreno, são: facilitar a
drenagem; melhorar a estrutura (aglutinação de solos soltos); aumentar a
capacidade de absorver e reter água; favorecer o fenômeno da capilaridade.
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5.1.2.4. Aplicação do material


A aplicação correta se dá por intermédio de um conjunto chamado máquina
hidrossemeadeira. Seu aspecto externo é o de um caminhão-pipa, com as
seguintes diferenças: um eixo girador (agitador) em seu interior, com a finalidade
de homogeneizar a mistura; uma bomba rotativa de alta pressão, de 2.500 rpm, e
de rotor aberto, movido por motor a gasolina ou diesel. A aplicação é feita por
meio de mangueiras, atingindo alturas médias de 40 m. A carga da mistura deve
ser colocada na hidrossemeadeira, no local de aplicação, depois de verificar o
pleno funcionamento do motor. O tanque da hidrossemeadeira deve ser lavado
após cada dia de utilização. Em geral, é melhor iniciar a hidrossemeadura um
pouco antes do período chuvoso. Caso na época do plantio o regime
pluviométrico seja baixo a ponto de prejudicar a germinação das sementes
lançadas, deve-se iniciar uma irrigação que atinja pelo menos 10 centímetros de
profundidade do solo e perdure até que pelo menos 50% das sementes
germinem. Neste período pode-se verificar em quais locais, que porventura
existam falhas de aplicação e germinação, e efetuar a reconstituição.

5.1.2.5. Exemplos de misturas utilizadas em


hidrossemeadura
Exemplo (1)
è hidrossemeadura de 3.000 litros
è área média: 1.000 m2
capim gordura 6 kg
braquiária 4 kg
capim chorão 2 kg
festuca 2 kg
calopogônio 3 kg
esterco de galinha 150 kg
vermiculita 80 kg
celulose 40 kg
adubo mineral (6-30-6) 50 kg

Exemplo (2)
è hidrossemeadura de 5.000 litros
è área média: 1.500 m2
capim meloso 24 kg
capim chorão 3 kg
capim jaraguá 6 kg
sementes de leguminosa (guandu, labe-labe,
2 litros
mucuna preta, unha-de-gato)
hidro-asfalto 200 litros
sulfato de amônia 15 kg
cloreto de potássio 15 kg
superfosfato simples 30 kg
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5.1.3. Formação de gramados por placas e


tapetes
Este método de plantio é o mais rápido e prático que existe, embora seu custo
seja igualmente mais alto. No Brasil, placas de aproximadamente, 30 x 30 cm são
mais fáceis de se encontrar que os autênticos tapetes de grama. O risco é que, na
maioria das vezes, trata-se de placas retiradas de pastagens - quase sempre
infestadas de ervas daninhas - e não cultivadas propriamente para esta finalidade.
Os tapetes, ao contrário, são cultivados com técnicas especiais, que inclui até a
retirada deles do solo por meio de máquinas, de forma a terem espessuras iguais
e medidas padronizadas. São encontrados em diversos tamanhos, consoante
com a necessidade do cliente.

Para trabalhar com este método, o terreno deve ser deixado 3 a 5 centímetros
abaixo do nível final, e o solo levemente umedecido antes do plantio. Os tapetes,
ou placas são então estendidos, alternando-se as juntas para impedir erosão
durante as irrigações ou chuvas posteriores. Feito isso, recomenda-se que se
passe um rolo compactador ou um socador, procurando mantê-las niveladas;
preenche-se eventualmente as juntas com terra seca, para apressar o
fechamento, e irriga-se abundantemente o gramado por vários dias.

O plantio de placas em taludes de pequena inclinação não apresenta problema; é


o caso de talude com declive de 1:2 ou 2:3 ou com menos de 45º em terra
argilosa. Um meio prático de se calcular a capacidade de equilíbrio das placas em
talude é observar se uma camada de terra seca com 0,05 m de espessura pode
manter-se sem qualquer proteção. Não havendo equilíbrio temos que utilizar
meios de contenção mecânica do solo, como os descritos a seguir.

Grampeamento de placas - É o sistema mais usado e consiste em grampear


cada placa com um pequeno espeque (escora de madeira) de bambu ou madeira,
que, de preferência, deve ficar oculto entre as folhas da grama, em caráter
definitivo.

Colocação de prateleiras (estaleiros) ou tábuas - Havendo facilidade, podem


ser colocadas tábuas de 3 cm de largura ou mesmo bambus rachados em cutelo
sobre a face dos taludes, devidamente apoiadas em estacas fixas a ele. A
distância entre elas não pode ser muito grande devido ao peso a sustentar. As
tábuas são retiradas tão logo se fixem as placas no seu lugar definitivo.

Construção de degraus ou banquetas - Consiste este processo na construção


de degraus, ou mais propriamente de dentes, na face do talude, com 5 a 10 cm
de largura. No início não fica um serviço de boa aparência, mas com o tempo os
degraus tendem a desaparecer. Quase sempre há necessidade de uso dos
grampos.

Adubação de cobertura - Feita geralmente de 30 a 60 dias após o plantio com


fertilizante especifico, aplicando-se em media de 20 a 30 gramas por m2 com o
gramado seco, e irrigando generosamente logo após a aplicação.
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1- Para obter um traçado regular ao colocar as placas, 3 - Ao concluir o t rabalho, preencha com um pouco de
delimite o local com barbantes estendidos e presos a terra os espaços entre as placas. Isto fará com que
estacas. elas se soldem melhor.

4- O acabamento é feito aparando-se os limite s do


2 - Não coloque pedaços de placas nas bordas do
gramado. Para isso, coloque uma tábua na borda, suba
gramado, pois correm o risco de se despedaçarem. Se
sobre ela e remova com uma pá a grama que a
necessário, use-as apenas para os ajustes internos.
exceder.

Em áreas inclinadas, o plantio deve ser fe ito


em diagonal, de modo a evitar os efeitos da erosão.

Figura 5 – ESQUEMA DE IMPLANTAÇÃO DE GRAMADOS ATRAVÉS DE


PLACAS
FONTE: http://www.gramashimizu.com.br/htm/aplicacao.htm
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5.1.4. Formação de gramados por mudas


(plugs)
plugs)
Como este é um método de propagação vegetativa, permite a utilização de
gramas nobres, de adaptação testada e comprovada, a um custo relativamente
baixo. Os plugs, na verdade, são tufos de mudas enraizadas, na forma de uma
pirâmide invertida, vendidas em bandejas descartáveis, geralmente com 25 ou 64
unidades. As mudas, desenvolvidas especificamente para esta finalidade, pegam
com facilidade, requerendo apenas que não haja descuido com a irrigação. O
plantio de plugs (mudas) deve ser feito no espaçamento de aproximadamente
0,30 ou 0,40 m entre linhas por 0,30 ou 0,40 m entre plugs. Utilizam-se
aproximadamente 6 a 10 mudas por m2 de terreno. Para o plantio, abre-se covas
de tamanho ligeiramente superior ao torrão dos plugs. Colocam-se os plugs e
manualmente comprime-se o solo de modo a firma-los bem. Em seguida rega-se
abundantemente. As regas devem ser diárias até o pegamento (10 a 15 dias). De
qualquer modo, em circunstâncias normais, e sendo feito o plantio em época
adequada, em 3 ou 4 meses o gramado estará pronto, e com a vantagem de ter
custado cerca de um terço do que custaria se implantado por tapetes ou placas.
Depois do plantio por sementes, esse é o método mais barato de implantação de
um gramado.

Figura 6 - PLUGS (MUDAS) – BANDEJAS COM 25 E 64 UNIDADES


http://www.itograss.com.br/home.htm

5.1.5. Pisograma
Solução paisagística alternativa para áreas externas, o pisograma BetonPlus®
proporciona um piso permeável e drenante, além de proteger a grama de
esmagamento em locais de estacionamento de veículos. De fácil aplicação,
permite execução de modo rápido e eficiente.
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Figura 7 – ELEMENTO DO PISOGRAMA


Fonte: http://www.betonplus.com.br/

5.2. IMPLANTAÇÃO DE GRAMADOS


ESPORTIVOS
Nos países do primeiro mundo, há mais de 50 anos que especialistas vêm se
dedicando a obter gramados perfeitos para as práticas esportivas. Além de
pesquisarem os melhores tipos de solo, sistemas de drenagem e irrigação,
controle de pragas, doenças e ervas daninhas, máquinas e equipamentos,
especialmente desenvolvidos para esta finalidade, vêm evoluindo de maneira
extraordinária.

Na seqüência será feito um estudo detalhado de todos os componentes que


concorrem para que se tenha um campo esportivo da melhor qualidade, seja ele
campo de futebol, de golfe ou de tênis.

5.2.1. Espécies de gramas para campos


esportivos
Cynodon dactylon (Grama Bermuda) - A Grama Bermuda é originária do leste
da África e foi introduzida nos Estados Unidos, de onde se espalhou para o
mundo nas regiões tropicais e subtropicais. Nos Estados Unidos, esta grama
sofreu uma série de estudos e de modificações genéticas nos centros de
pesquisas e universidades, sendo aprimorada para o uso em gramados
esportivos. No Brasil, a Grama Bermuda foi introduzida primeiramente nos
campos de golfe e, atualmente, já é a principal grama para campos esportivos,
tanto no golfe quanto nos campos de futebol. As Bermudas também recebem
diferentes denominações populares, dependendo da região, como capim-de-
burro, grama-seda ou Grama São Paulo. Essa grama é atualmente considerada,
pelos especialistas da área, a melhor variedade para gramados e campos
esportivos. Ela se desenvolve em uma gama variada de solos, dos arenosos aos
argilosos e tolera solos com pH entre 5,5 a 7,5. São divididas em duas categorias:
as Bermudas cultivares e as Bermudas híbridas, cuja principal diferenciação é o
método de propagação, pois as Bermudas cultivares podem ser propagadas via
sementes e vegetativamente, enquanto que as híbridas só se propagam por meio
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vegetativo. Possui crescimento rasteiro através de estolões e rizomas, o que lhe


confere alta resistência ao pisoteio e ainda fornecendo uma correta textura e
densidade ao gramado. Apresenta coloração verde escura e textura de folha fina
e brilhante. A rapidez de germinação, sua fácil adaptabilidade às condições
climáticas do Brasil e sua resistência ao frio e seca, justificam o seu uso em todo
o território nacional.

Tabela 2 – CARACTERÍSTICAS DA GRAMA BERMUDA


Quantidade de Média de Média de Dias para
sementes/100 m2 pureza (%) germinação (%) germinação
1 a 3 kg 95 - 98 80 - 85 10 - 15
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/

Common bermudagrass (Bermuda comum) - A grama Bermuda Comum possui


folhas de textura médio-fina, com coloração verde escura e crescimento bem
agressivo, através de estolões e rizomas. As Gramas Bermudas são conhecidas
pela sua excelente capacidade de recuperação e resistência ao pisoteio. A época
ideal de plantio é durante os meses de setembro a fevereiro, mas dependendo do
local, pode ser plantada em qualquer época do ano. Importada dos EUA é
recomendada para plantios em grandes áreas, como industriais e estradas, jockey
clubes, campos de futebol, pólo e afins. Possui boa resistência a seca e com seu
crescimento rasteiro ajuda a formar uma ótima cobertura à área plantada.

Tabela 3 – CARACTERÍSTICAS DA GRAMA BERMUDA COMUM


Quantidade de Média de Média de Dias para
2
sementes/100 m pureza (%) germinação (%) germinação
1 a 3 kg 90 - 95 80 - 85 10 - 15
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/

Axonopus sp. (Grama São Carlos) e Paspalum notatum (Batatais) - Essas


duas gramas são originárias da América Central e do Sul e aparecem
naturalmente nos nossos campos nativos. Também são consideradas gramas de
ciclo de verão. Foram os primeiros gramados implantados para campos
esportivos no Brasil, e ainda são os que aparecem com maior freqüência nos
campos de futebol, localizados principalmente no interior. A Grama São Carlos e
a Grama Batatais possuem características semelhantes de textura como as folhas
grossas, pouco densas, de coloração verde clara, crescimento lento e ereto, fraca
recuperação, além da excessiva formação de pendões (inflorescência com
sementes). Em que pese esses pontos negativos, sua ampla distribuição nos
campos esportivos é facilmente explicada devido à facilidade de obtenção do
gramado a baixo custo e a baixa manutenção. Elas necessitam de poucos cortes
e pouca adubação, além de se adaptarem a solos pobres e inférteis. A principal
diferença entre as gramas está na folha: a Grama São Carlos apresenta folhas
mais grossas e com a ponta arredondada, enquanto a Grama Batatais apresenta
folhas um pouco mais finas e com a ponta da folha de forma triangular. A Grama
São Carlos tem maior resistência ao frio, tolera solos ácidos e sombreamento. A
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grama Batatais é mais resistente ao calor e a seca. As duas gramas são


propagadas vegetativamente ou via sementes. A Grama São Carlos é vendida no
mercado em tapetes de grama em escala de produção agrícola com colheita
mecanizada, enquanto que a Batatais é vendida em placas de grama
desuniforme, cortada manualmente através de enxadas em pastagens nativas.

Grama Zoysia - As espécies de grama Zoysia utilizadas para gramados são a


Zoysia japonica, Z. matrella e Z. tenufolia. Originárias da Ásia Oriental (China,
Japão e Filipinas), são adaptadas para regiões quentes e úmidas e regiões de
transição dos trópicos. No Brasil, a variedade de Zoysia mais difundida é a Grama
Esmeralda, que é uma grama híbrida, formada pelo cruzamento entre Z. japonica
e Z tenufolia. O sucesso de sua implantação se deve a características como:
folhas de textura média, coloração verde escura e um denso colchão, que
agradaram o público das áreas de jardinagem e também dos campos de futebol e
de golfe. No entanto, seu estabelecimento e crescimento são considerados lentos,
principalmente se comparado às Gramas Bermudas. As variedades de Zoysia
também são gramas de ciclo de verão, com crescimento intenso durante os
meses de setembro a abril. Seu crescimento ocorre através de estolões e rizomas
e formam uma superfície desuniforme, devido ao crescimento irregular que deixa
saliências na superfície do gramado ou montinhos, principalmente na Grama
Japonesa, e mais discretos na Esmeralda. As espécies de Zoysia são plantas
perenes, adaptadas para regiões de clima úmido e quente, algumas regiões semi-
áridas e outras regiões localizadas próximas aos trópicos. Adaptam-se a uma
gama variada de solos, porém crescem melhor em solos bem drenados, de
textura relativamente fina e com pH variando entre 6,0 e 7,0. Possuem boa
adaptação a solos salinos, desde que sejam bem drenados, crescendo muito
próximo das áreas litorâneas. Solos alagados prejudicam seu crescimento e
adaptação. As variedades de Zoysia possuem maior tolerância ao sombreamento
do que as Gramas Bermudas. A Grama Esmeralda possui baixa adaptação em
regiões muito frias porque sua recuperação durante a primavera é muito lenta,
sendo prejudicial em campos esportivos durante a fase de transição. Mesmo
resistente ao pisoteio, a Esmeralda vem gradativamente sendo substituída nos
campos esportivos pela Bermuda, principalmente nos campos de futebol. Isto se
dá devido à sua recuperação mais lenta após o inverno, e também após um
período longo de uso intenso do gramado, como acontece durante os torneios.

Lolium perenne (Ph. D. Perennial ryegrass) - A Ph. D. Perennial Ryegrass é


uma grama de folhas finas, de crescimento vertical e coloração verde intensa, se
desenvolvendo melhor em temperaturas mais amenas. É recomendada tanto para
semeadura em gramados já existentes, como para formação em áreas novas,
principalmente em áreas mais úmidas e sombreadas. Com uma insuperável
rapidez de germinação (5 a 7 dias) e desenvolvimento de raízes, é a opção ideal
para aqueles que querem ver seu gramado sempre verde e bonito. Por apresentar
uma grande resistência ao frio e pisoteio, pode ser utilizada em parques, praças,
área residencial e industrial, além de gramados esportivos, onde no processo de
overseeding2, já é um sucesso nos principais campos de futebol profissional no
Brasil. A Ph. D. Perennial Ryegrass é uma grama de folhas finas, de crescimento

2
Consiste na semeadura de sementes de inverno sobre o gramado já formado, durante os meses de abril a junho quando
a grama está entrando num processo de metabolismo mais lento.
15

vertical e coloração verde intensa, se desenvolvendo melhor em temperaturas


mais amenas. É recomendada tanto para semeadura em gramados já existentes,
como para formação em áreas novas, principalmente em áreas mais úmidas e
sombreadas. Apresenta rapidez de germinação (5 a 7 dias) e desenvolvimento de
raízes.

Tabela 4 – CARACTERÍSTICAS DA GRAMA BERMUDA PH. D. PERENNIAL


RYEGRASS
Quantidade de Média de Média de Dias para
sementes/100 m2 pureza (%) germinação (%) germinação
5 a 7 kg 95 - 98 90 - 98 5-8
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/

Poa trivialis (Sabre II) - Sabre é geralmente classificada como a melhor Poa
trivialis disponível no mercado hoje em dia. Sabre tornou-se conhecida por sua
insuperável habilidade de prosperar não somente em lugares úmidos e nebulosos
como, o Norte dos EUA, mas também no desempenho do gramado quando
utilizada em programas de overseeding no Sul dos EUA. No Brasil já é
amplamente utilizada nos processos de overseeding de greens, nos principais
campos de golfe. Sabre é principalmente procurada em programas de
ressemeadura no inverno devido a:
ü germinação em temperatura baixa de solo;
ü tolerância para corte baixo durante e após a germinação;
ü melhora a velocidade de rolamento da bola no green;
ü resistência a clorose por falta de ferro;
ü alta quantidade de sementes (997.903/kg), significando uma baixa taxa de
semeadura e, conseqüentemente, uma redução significativa do custo da
semeadura.

A compatibilidade da Sabre com outras gramas de inverno ajuda a fornecer


gramado por toda a temporada bem à frente das capacidades da Ryegrass
Perene, Creeping Bent Grass ou outras gramas de estações frias.

Tabela 5 – CARACTERÍSTICAS DA GRAMA SABRE II


Quantidade de Média de Média de Dias para
sementes/100 m2 pureza (%) germinação (%) germinação
4 a 6 kg 95 - 98 85 - 95 12 - 18
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/

Pennisetum clandestinum (Grama Kikuyu) - É uma grama nativa da região


Leste da África e é utilizada como gramado em algumas regiões do mundo.
Devido à textura médio-grossa, com rizomas e estolões bem vigorosos, forma um
gramado resistente, denso e com grande facilidade de formação de colchões. Em
contrapartida, em outros campos, é considerada uma planta daninha, de difícil
erradicação e que prejudica a qualidade de gramados formados de grama
Bermuda ou Zoysia. A coloração do Kikuyu é verde clara e ela possui uma
16

excelente tolerância à seca e calor. No Brasil, o Kikuyu não é comercializado via


propagação vegetativa para uso em gramados e as sementes são importadas.
Além disso, dificilmente observa-se um gramado natural só com o Kikuyu, mas
sim, com uma combinação de gramas como a São Carlos, Batatais ou mesmo as
Bermudas. O Kikuyu pode ser indicado para gramados esportivos graças à sua
excelente resistência, a tolerância ao pisoteio e à capacidade de regeneração.

5.2.2. Novas tendências de gramas


Paspalum vaginatum (Seashore Paspalum) - Essa nova grama, lançada nos
Estados Unidos, promete ser tendência de gramados para o século XXI,
principalmente com a dificuldade de se conseguir água de fontes boas. O
Seashore Paspalum é uma grama muito agressiva, bem resistente a doenças e
insetos, que requer quantidades pequenas de fertilizantes, e possui como
principal característica a tolerância de irrigação por uma série de fontes de água
(desde a água do mar até uma água reciclada de efluentes, que não prejudicam o
seu desenvolvimento). Essa grama vem sendo testada em diversos lugares, como
no Havaí, onde forma vários campos de golfe, que podem utilizar a água do mar
para irrigar os campos localizados em regiões litorâneas. Logicamente, essa
irrigação deve ser ministrada, mas a economia que se obtém é impressionante. É
bem possível que seja uma grande opção para campos na costa, principalmente
nos novos projetos do Nordeste brasileiro. A Seashore Paspalum possui
diferentes texturas de folhas e qualidades diversas como alta tolerância ao
pisoteio. Ela é recomendada para greens de golfe, tees, fairways e roughs, além
de campos esportivos de futebol, jardins, praças e áreas residenciais. Existem
atualmente quatro a cinco variedades principais que já estão sendo utilizadas no
exterior.

TifEagle - A TifEagle faz parte da terceira geração de variedades de grama


Bermuda, desenvolvida especialmente para greens, com folhas cada vez
menores e mais finas e internós mais curtos. A partir do ano de 1999, quando foi
implantada nos campos de golfe, a TifEagle demonstrou ser uma grama com
inúmeras vantagens para formar uma excelente superfície de jogo, com
características interessantes que aliam rápida recuperação de machucados, boa
tolerância ao frio, a seca e as doenças. Possui coloração verde escura e rápida
transição do overseeding no início da primavera.

TifSport - A TifSport é uma bermuda híbrida para campos esportivos. Se


comparada com a Tifway-419, a TifSport possui maior tolerância ao frio, maior
densidade, maior tolerância ao ataque de paquinhas, e suporta cortes mais
baixos. É uma grama desenvolvida e patenteada pela Universidade da Geórgia,
assim como a TifEagle e a Seashore Paspalum.

Riviera - A Riviera é uma nova geração de grama Bermuda cultivar, ou seja, que
se reproduz também via sementes. Com as novas tecnologias é possível
melhorar estas gramas para atingir cada vez mais as características das gramas
Bermudas híbridas, que são as de folhas de textura bem fina, coloração verde
escura, rápida recuperação, alta densidade e outras características desejadas
17

para campos esportivos, atingindo uma grama de excelente qualidade com um


custo muito inferior de implantação.

5.2.3. Gramas de inverno


Atualmente, com as novas técnicas de manutenção de campos esportivos, a
prática de overseeding tem sido cada vez mais difundida e utilizada pelos green-
kepeers. Por ocasião do inverno as gramas de ciclo de verão estão com seu
desenvolvimento mais lento e não se recuperam adequadamente. As gramas de
inverno convivem adequadamente com as gramas de verão e, por possuírem um
crescimento e desenvolvimento mais rápido e forte durante o período de outono-
inverno, fornecem condições ideais e de alta qualidade para a utilização dos
gramados durante esta fase. As gramas mais comuns para esta prática são a
Ryegrass Perene e a Poa trivialis (as características de ambas foram explanadas
anteriormente).

5.2.4. Implantação e manutenção de


campos de futebol
Gramados para a prática deste esporte devem, antes de qualquer coisa,
contemplar um trabalho de nivelamento do solo, promovendo-se caimentos
superficiais. Feito isso, deve-se dar início à marcação e execução do sistema de
drenagem subterrâneo, formado por tubos perfurados, pedra britada, Bidin (uma
manta sintética permeável) e areia grossa. A posição dos drenos deverá ser
determinada em função do ponto de escoamento do sistema. A adição da camada
de solo a ser explorada pela grama, deverá obedecer aos mesmos desníveis
determinados no solo primitivo. Estes desníveis superficiais contribuirão para
deslocar, em dias de chuva, o excesso de água das áreas de maior atividade para
as laterais do campo. Deve ser formada por um solo arenoso, com baixos níveis
de argila, e com matéria orgânica, que ajudará a reter a umidade e os nutrientes.
Naturalmente, antes do plantio, deve-se proceder a uma análise do solo, para
verificação das correções e adubações necessárias. O gramado de um campo de
futebol deve ser podado freqüentemente, e sempre com a lâmina da máquina
muito bem afiada e mantida na mesma altura. É assim que se consegue um
gramado denso e de cor uniforme. As medidas oficiais para um campo de futebol
situam-se na faixa de 64-75 m x 100-110 m.
18

Figura 8 – DESENHO ESQUEMÁTICO DO NIVELAMENTO DE UM CAMPO DE


FUTEBOL

5.2.4.1. Sistema de drenagem


Os gramados em geral, principalmente os gramados esportivos profissionais,
devem possuir um sistema de drenagem capaz de escoar os excessos de água
em um espaço de tempo suficiente para que não haja prejuízo tanto de sua
superfície como de sua zona radicular. Para isso é importante que se tenha um
sistema de drenagem eficiente, bem projetado, com materiais apropriados,
implantado por pessoal especializado e que atenda todas as necessidades.

Figura 9 – DESENHO ESQUEMÁTICO DO SISTEMA DE DRENAGEM (TIPO


ESPINHA DE PEIXE) DE UM CAMPO DE FUTEBOL
19

Figura 10 – “VALETADEIRA” ABRINDO VALETAS PARA COLOCAÇÃO DE


TUBOS DO SISTEMA DE DRENAGEM
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/

Figura 11 – VALETAS ABERTAS COM A "VALETADEIRA" PARA COLOCAÇÃO


DOS TUBOS DE DRENAGEM
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/
20

Figura 12 – IMPLANTAÇÃO DE SISTEMA DE DRENAGEM CONHECIDO COMO


ESPINHA DE PEIXE
Fonte: http://www.campanelli.com.br/cv.htm

Figura 13 – LINHA PRINCIPAL COM TUBULAÇÃO DE DRENAGEM DE 6” EM


PEAD - CENTRO DE TREINAMENTO DO SANTOS F.C.
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/
21

Figura 14 – IMPLANTAÇÃO DE UMA LINHA SECUNDÁRIA DO SISTEMA DE


DRENAGEM
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/

Figura 15 – TUBOS PERFURADOS CONECTADOS A LINHAS INTERNAS DO


CAMPO – SISTEMA DE DRENAGEM
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/
22

Figura 16 – TUBOS PERFURADOS CONECTADOS A LINHAS INTERNAS DO


CAMPO – SISTEMA DE DRENAGEM
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/

Figura 17 – VISTA GERAL DA IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE DRENAGEM


NO ESTÁDIO DA VILA BELMIRO EM SANTOS/SP
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/
23

Figura 18 – VISTA PARCIAL DA IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE DRENAGEM


DO ESTÁDIO DA VILA BELMIRO EM SANTOS/SP, INICIANDO-SE A
COLOCAÇÃO DA BASE PARA IMPLANTAÇÃO DO GRAMADO
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/

Figura 19 – VISTA GERAL DO ESTÁDIO DA VILA BELMIRO EM SANTOS/SP,


DEPOIS DE GRAMADO IMPLANTADO
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/

5.2.4.2. Nivelamento a laser


Após implantado o sistema de drenagem, necessário se faz a sistematização do
terreno para implantação do gramado. O nivelamento da base, ou o nivelamento
final do campo, é realizado com a utilização de um implemento de corte/aterro
acoplado ao trator e com monitoramento a laser, que executa um nivelamento
perfeito e respeitando-se ainda um caimento, à ser definido, do centro para as
laterais do campo.
24

Figura 20 - VISTA GERAL DA BASE PARA IMPLANTAÇÃO DO GRAMADO NO


ESTÁDIO DA VILA BELMIRO EM SANTOS/SP, FAZENDO-SE USO DO
NIVELAMENTO A LASER
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/

5.2.4.3. Sistema de irrigação


Os sistemas de irrigação devem atender aos requisitos básicos existentes hoje
que vão desde a programação de regas, sensores de chuva e aspersores
escamoteados, absolutamente imperceptíveis no gramado permitindo o
fornecimento de água nas quantidades certas e nas horas ideais à grama. O
sistema de irrigação de um campo de futebol deve ser, preferencialmente,
completamente subterrâneo, com aspersores emergentes (escamoteados), que
recolhem após o funcionamento; esses aspersores não interferem em outras
operações de manutenção, e o que é mais importante, na estética da paisagem.
Os aspersores emergentes com jato giratório são apropriados para áreas de
médio e grande porte. Seu alcance é de 5 a 15 metros, altura de emergência
variando de 5 a 30 cm, podendo atuar em círculo total ou parcial. Dentro deste
segmento existem produtos específicos para áreas esportivas como: campos de
futebol, campos de golfe, quadras de tênis, etc.

Gramados esportivos não devem ficar sujeitos à não ocorrência de chuvas. Um


sistema de irrigação é fundamental. O sistema mais utilizado para esta finalidade
é o da irrigação por aspersão, que tanto pode ser móvel quanto fixo. Qualquer
que seja o sistema adotado deve-se levar em conta o seguinte:
ü irrigações abundantes, mas realizadas a intervalos maiores de tempo,
estimulam o desenvolvimento de raízes mais profundas, que exploram um volume
de solo maior;
ü em contrapartida, irrigações freqüentes, mas que atingem apenas a camada
superficial do solo, por não estimularem o aprofundamento das raízes da grama,
acabam criando condições para a ocorrência de doenças e proliferação de ervas
daninhas;
25

ü principalmente no inverno, quando é comum a ocorrência de orvalho durante


a noite, a irrigação não deve ser feita à tardinha; a razão é que isso aumentará a
duração do período de umidade alta, criando condições ideais para o
desenvolvimento de fungos;
ü não procede a informação de que o gramado não deve ser irrigado nas
horas mais quentes do dia; na verdade, exatamente nessas horas é muito
adequado proceder a uma irrigação suave, como forma de baixar a temperatura e
refrescar as folhas da grama.

Figura 21 - SISTEMA DE IRRIGAÇÃO COMPLETAMENTE SUBTERRÂNEO,


COM ASPERSORES EMERGENTES (ESCAMOTEADOS)
Fonte: http://www.hidrosistemas.com/fr_jardim.htm

Figura 22 - SISTEMA DE IRRIGAÇÃO EMERGENTE DE TURBINA DO


ESTÁDIO DO MORUMBI/SP
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/

Figura 23 - DETALHE DE UM ASPERSOR EMERGENTE


Fonte: http://www.hidrosistemas.com/fr_jardim.htm
26

Esses aspersores foram projetados para


instalações de médias e grandes
dimensões, e adaptam-se
particularmente a terrenos esportivos e
parques públicos.
Características:
ü turbo emergente em aço
inoxidável
ü ajuste do arco sem água ou sem
funcionamento dês 30º até 345º para o
modelo TA-85-PC (setorial)
ü mecanismo de turbina lubrificado
por água
ü proteção de borracha
Dados técnicos:
ü alcance: 13,7 a 25,0 m
ü vazão: 2,11 a 8,99 m3/h
ü pressão: 2,8 a 6,9 bars
Dimensões:
ü altura emergente: 7,3 cm
ü altura do corpo: 29,2 cm
ü diâmetro exposto: 12,1 cm

Figura 24 - ASPERSOR EMERGENTE DE TURBINA – MODELO TA-803


Fonte: http://www.irricom.com.br/catalogos/catalog.pdf

3
Fabricado pela Rain Bird – catálogo 2002-2003.
27

Aplicações – Aspersor ideal para a irrigação de campos esportivos (futebol,


rúgbi, tênis) e espaços verdes amplos.
Características:
ü opção de tubo emergente em aço inoxidável
ü 2 modelos: círculo completo e setorial
ü parafuso interceptor de jato para redução do alcance em até 25%
ü vedante de limpeza, permite a sua instalação em níveis inferiores ao solo
Dados técnicos:
ü alcance: 11,6 a 19,8 m
ü pressão: 2,1 a 6,2 bars
ü vazão: 0,64 a 5,13 m3/h
ü trajetória do jato: 25º
Dimensões:
ü altura de elevação: 10,2 cm
ü altura do corpo: 21,6 cm
ü diâmetro visível: 5,1 cm

Figura 25 - ASPERSOR EMERGENTE DE TURBINA – SÉRIE FALCON 65044


Fonte: http://www.irricom.com.br/catalogos/catalog.pdf

4
Fabricado pela Rain Bird – catálogo 2002-2003.
28

5.2.4.4. Corantes
Embora os gramados listrados sejam produto de plantio de espécies diferentes de
gramíneas, isso não é o mais comum. Quase sempre, aqueles efeitos são obtidos
pela diferença na altura de corte em faixas alternadas do gramado, ou ao uso de
corantes. Quanto aos corantes, existem dois tipos básicos, com as seguintes
finalidades. O primeiro, chamado Turf Mark, é mais usado como indicador visual,
quando da aplicação de defensivos agrícolas. Ou seja: misturados a estes, vai
indicando, pela sua cor azul, as áreas que já foram pulverizadas. Mas são
utilizados também para criar efeitos decorativos em gramados, como por
exemplo, escudos de times de futebol. O segundo, chamado Greelawnger, é um
corante verde, usado no caso da grama sofrer algum tipo de queima, seja ela
devido ao excesso de frio, geadas, doenças, excesso de adubos ou defensivos. O
corante é aplicado sobre a grama queimada, cor de palha, e empresta a ela a cor
verde por um período relativamente longo, até que a grama se recupere
efetivamente. É com este produto que, variando-se as dosagens, mais
comumente se consegue o efeito dos gramados listrados.

Figura 26 - TURF MARK EM TABLETES, E UTIL IZADO COMO MARCADOR DE


DEFENSIVO AGRÍCOLA
Fonte: http://www.verdera.fi/body_turfmark.html
29

Figura 27 - USO DO CORANTE TURF MARK EM DIFERENTES DOSAGENS,


PERMITINDO TONALIDADES DE VERDE DIFERENCIADO SOBRE O
GRAMADO
Fonte: http://www.rigran.com.br/portugues/ornamentais/home_ornamentais.htm

Corante para gramado

ü Produto comercial: Grama


Verde®.
ü Dosagem: 1 litro rende de 200 a
500 m2.
ü Disponível em embalagem de 0,5
litro, 1,0 litro e 5,0 litros.
ü Corante líquido concentrado,
solúvel em água, para aplicar sobre a
grama descolorida ou amarelada; o
resultado é o aspecto natural e saudável
dos gramados de esportes, campos de
golfe, gramados comerciais, industriais
e residenciais.
ü Produto não tóxico.

Figura 28 – CORANTE PARA GRAMADO


Fonte: http://www.itograss.com.br/home.htm

5.2.4.5. Aeração e descompactação do solo


A compactação do solo e a necessidade de aeração ocorrem sempre em locais
de alta intensidade e repetido uso do gramado, sejam estes, locais públicos,
campos esportivos, ou até mesmo nos jardins. Todos os locais onde
freqüentemente as pessoas passam, formando caminhos usuais, ou nos campos
de futebol, pólo ou golfe, onde ocorre excesso de pisoteio, são áreas propícias
para a formação de uma camada compactada do solo. A compactação é um
processo físico onde ocorre a redução dos espaços de ar contidos no solo, o que
conseqüentemente irá reduzir a quantidade de oxigênio no mesmo e aumentar a
quantidade de água retida nestes locais. Além disso, os solos argilosos que
possuem um número menor e pequeno de espaços aéreos se compactam com
maior facilidade do que solos arenosos. As raízes da grama necessitam de
oxigênio como parte fundamental para seu crescimento. Este oxigênio
30

proveniente da atmosfera se move dentro do solo através dos microporos até as


raízes da planta. Quando o solo está compactado as partículas iniciais formam
uma camada impermeável diminuindo cada vez mais a entrada de oxigênio no
solo e a saída do gás carbônico, resultando, gradualmente, num gramado cada
vez mais fraco até que o solo não suporte mais nenhum crescimento de grama.
Sendo a compactação do solo o resultado de um processo físico, torna-se
necessária a realização de um outro processo físico para reduzir ou prevenir os
efeitos maléficos da compactação. Este processo denominado de aeração ou
descompactação do solo é um elemento importante na manutenção de gramados
e são consideradas duas atividades diferentes. A aeração consiste na retirada de
pequenas e cilíndricas partes do solo, abrindo pequenos orifícios no terreno, e
permitindo assim, maiores trocas gasosas (entrada de oxigênio e saída de gás
carbono) do solo com o meio. A descompactação consiste na ruptura da camada
compactada, através de pinos rígidos, que em movimentos de vai e vem dentro
do solo, quebram esta camada, abrindo fendas que permitirão a entrada de ar
novamente no solo. Ambas as atividades irão abrir e aumentar os canais aeríferos
do solo permitindo maior contato das raízes da grama com o oxigênio e permitir a
saída mais rápida do gás carbônico do solo para o meio. As principais vantagens
e funções da aeração e descompactação são: aumentar a infiltração de água no
perfil do solo, melhorar a eficiência da irrigação, melhorar a capacidade de
drenagem do terreno, aumentar o volume das trocas gasosas, estimular maior
crescimento de raízes, estolões e folhas da grama, aplicar em maiores
profundidades corretivos de solo, fertilizantes ou defensivos agrícolas melhorando
a resposta da grama à aplicação destes produtos, além de outros efeitos indiretos
que irão contribuir na renovação e saúde do gramado.

Atualmente, uma série de equipamentos especiais fazem o trabalho de aeração e


descompactação, sendo divididos em dois principais tipos: as unidades verticais
de perfuração que fazem, mecanicamente, a aeração do solo com os pinos ocos
e a descompactação com pinos rígidos, e as unidades circulares de perfuração,
que utilizam também lâminas de corte vertical, e deixam fissuras na superfície do
solo. Existem ainda no mercado outros tipos de aeradores que, através da injeção
de ar ou água sob pressão, abrem orifícios e fissuras na estrutura do solo,
promovendo sua aeração. A necessidade de aerar ou descompactar o solo é
fundamental num plano de manutenção de gramados esportivos, e a freqüência
com que deve ser feita varia, principalmente, em função da intensidade do uso, da
capacidade de infiltração de água, do tipo de solo e da espécie de grama.
Determinando-se estas características, traça-se o plano de freqüência de aeração
e descompactação, que pode variar de uma a duas aplicações por ano, ou até
antes de cada partida, como ocorre no gramado do Estádio Camp Nou, do F. C.
Barcelona. No entanto, um mau planejamento pode provocar problemas no
gramado, como, por exemplo, aumentar a infestação de plantas daninhas e
provocar uma compactação em camadas mais profundas do solo. No Brasil, as
práticas de furação dos gramados normalmente ocorrem nos períodos de chuva
da região, pois facilitam a penetração dos pinos das máquinas aeradoras no solo.
Durante este período de chuvas, a grama também está em pleno
desenvolvimento, facilitando a recuperação do gramado.
31

Em alguns casos, principalmente em greens de campos de golfe, a aeração serve


para formar o "berço" de semeadura para o processo de overseeding, por permitir
um maior contato das sementes com o solo. Algumas observações práticas
podem indicar se o solo está compactado, como a presença de algas na
superfície, a baixa infiltração da água, sistema radicular fraco e deficiente,
formação de poças no campo ou áreas extremamente secas. Ou ainda através da
análise física de amostras de solo, onde é possível observar as diferentes
camadas de solo, verificando onde há interrupção do crescimento radicular ou
mesmo identificar as camadas compactadas. Desta maneira, determina-se o tipo
de furação a ser realizada (aeração ou descompactação), os tipos de pinos, os
espaçamentos entre os pinos e a profundidade de penetração. Nas principais
máquinas os pinos são divididos em ocos ou rígidos, possuem diferentes
tamanhos que variam de 10 a 40 cm de comprimento e de 4 a 40 mm de
diâmetro. Uma das principais vantagens da aeração é a possibilidade da
aplicação de areia e outros materiais drenantes nos orifícios abertos no solo,
permitindo gradativamente a melhoria daqueles solos muito argilosos e de fácil
compactação. Apesar dos inúmeros benefícios promovidos pela aeração e
descompactação em gramados, esta ainda é uma atividade pouco conhecida no
Brasil. Porém, este cenário está mudando com a maior disponibilidade de
informações técnicas e a facilidade na locação ou compra destes equipamentos
em território nacional.

Aeradores – São Máquinas que aerificam gramados com vazadores sólidos ou


ocos, podendo atingir, em media, até 40 cm de profundidade, diminuindo a
compactação do solo, melhorando a drenagem e, conseqüentemente,
promovendo um maior desenvolvimento do sistema radicular, incrementando a
absorção de água e nutrientes.

Figura 29 - EQUIPAMENTO PARA FURAÇÃO E AERAÇÃO PROFUNDA DO


SOLO
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/
32

5.2.4.6. Corte e cortadores de grama


O corte da grama é uma das principais práticas de um gramado esportivo e,
portanto deve ser feito com máquina apropriada, de corte helicoidal, que corta a
grama sem danificar as folhas e uniformiza a superfície do gramado, evitando
pequenas saliências e permitindo a recuperação mais rápida do gramado. Para
uma manutenção adequada, o gramado esportivo é cortado 2 a 3 vezes por
semana durante os períodos quentes e chuvosos, e 1 a 2 vez por semana durante
o inverno. A altura de corte é variável de acordo com cada campo e preferência,
mas uma altura boa para campos de futebol varia entre 2,5 a 3,0 cm. Os cortes
são freqüentes porque estimulam o crescimento e desenvolvimento da grama,
aumentando a rapidez de recuperação do gramado. Um equipamento apropriado
de corte é aquele que coleta o material cortado, não deixando as folhas em
excesso no gramado.

A principal diferença entre o corte helicoidal e o corte com lâmina rotativa é que o
helicoidal realiza este corte de forma regular e uniforme, não esfacelando a
grama. O resultado é um gramado não "estressado", mais forte, com maior
densidade e com as folhas cortadas de forma precisa na sua altura, o que torna o
terreno regular. A maioria das máquinas disponíveis no mercado oferece uma
série de diferenciais, que influenciam diretamente no resultado final do trabalho
executado. É o caso dos pneus de baixa pressão, que não danificam o gramado
durante a operação de corte e nem compactam o solo. Há ainda os modelos
hidráulicos que permitem regular a altura de corte automaticamente, o que
dispensa o contato do operador ao sistema de lâminas, aumentando a segurança
e a qualidade do próprio corte.

A qualidade do corte depende também da quantidade de lâminas utilizadas no


maquinário durante a manutenção do gramado. A mais utilizada é a versão com
11 lâminas, que realiza um corte compacto. Há ainda as versões com oito e cinco
lâminas, que costumam exigir mais tempo na execução dos cortes, pois é normal
ter que repetir o corte. As lâminas de corte ficam suspensas geometricamente,
executando um corte limpo e que acompanha as ondulações do terreno. Pode-se
ainda realizar cortes verticais, desde que seja incluído um acessório adequado.
As lâminas desses maquinários devem ser afiadas somente com profissionais
especializados que disponham do equipamento adequado, caso contrário
poderão ser danificadas.

Existem diversos tipos de cortadores de grama. Desde os manuais, do tipo


carretel ou espiral, até os de facas rotatórias, elétricos ou a gasolina; sem falar
dos mais populares de todos, aqueles do tipo ceifadeira elétrica, que cortam a
grama através de um fio de nylon girando em alta velocidade. O modelo a ser
adotado depende, basicamente, da área do gramado e de quanto se dispõe para
gastar. Em todo o caso, num gramado de grandes dimensões, um cortador
pequeno demandaria muito tempo para realizar o trabalho, o que talvez seja
antiprodutivo. Do mesmo modo que não faria muito sentido ter um potente, e
quase sempre pesado cortador de grama, se o espaço onde ele tem de trabalhar
é restrito demais. Como regra geral, sugere-se o exposto no quadro abaixo.
33

Tabela 6 – ESPECIFICAÇÕES DE CORTADORES DE GRAMA DE ACORDO


COM A ÁREA
ÁREA TIPO E POTÊNCIA
Até 100 m² Manual ou ceifadeira elétrica
Até 1.000 m² Elétrico, com potência de 1/2 hp
Até 1.500 m² Elétrico, com potência de 1 hp
Elétrico, com potência de 1,5 hp ou à
Mais de 1.500 m²
gasolina

Modelo WM 350 (Trapp)

Figura 30 – CORTADORES DE GRAMA ELÉTRICO


Fonte: http://www.trapp.com.br/
34

Figura 31 – CORTADORES DE GRAMA A GASOLINA


Fonte: http://www.trapp.com.br/
35

Modelo: HM16R-2
Motor: Robin (Subaru) 2 tempos com 98 cc e 2 HP
Altura de corte: de 25 à 75 mm (opcional anilha que reduz o corte à 20 mm)
Largura de corte: 400 mm
Peso: 8,6 Kg
Cap. do tanque: ½l
Produção/hora: 700 m²/h
Consumo de
1l/h
combustível:
Indicados para gramados em geral, especialmente em áreas com taludes de alta
inclinação, beiradas de lagos, lugares estreitos, ilhas em avenidas de mão dupla,
refilamentos junto à calçadas.

Figura 31 – CORTADOR DE GRAMA FLUTUANTE


Fonte: http://www.greenext.net/produtos/maquinas/cortadores_flutuantes.asp

Figura 32 – MÁQUINA DE CORTAR GRAMA FABRICADO PELA TRAPP,


MODELO TRC 700
Fonte: http://www.trapp.com.br/
36

Figura 33 - CORTADOR DE GRAMA HELICOIDAL, A GASOLINA, MODELO


GREENSMASTER 1000
Fonte: http://www.greenext.net/produtos/maquinas/cortadores_helicoidais_toro_gr1000.asp

Figura 34 – CORTADOR DE GRAMA HELICOIDAL, A GASOLINA, MODELO


GREENSMASTER 3250-D
Fonte: http://www.greenext.net/produtos/maquinas/cortadores_helicoidais_toro_gr1000.asp
37

Figura 35 – VISTA FRONTAL DA MÁQUINA DE CORTAR GRAMA COM


SISTEMA HELICOIDAL
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/

Figura 36 – VISTA LATERAL DA MÁQUINA DE CORTAR GRAMA COM


SISTEMA HELICOIDAL
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/

A principal vantagem dos cortadores de grama a gasolina á e total mobilidade.


Com ele, pode-se ir a qualquer parte, sem ter de se preocupar com fios,
extensões e tomadas. O inconveniente fica por conta do preço, bem mais elevado
que o dos seus similares movidos à eletricidade. Um detalhe importante, e
freqüentemente desconsiderado, diz respeito à alternância dos padrões de corte
do gramado. É que, se a grama for aparada sempre na mesma direção, isso
acabará provocando uma compactação do solo em determinadas áreas. Portanto,
deve-se procurar alternar a direção dos cortes. Se, desta vez, cortou na direção
38

norte-sul, na próxima, faça o trabalho no sentido leste-oeste, e assim


sucessivamente.

5.2.4.7. Corte vertical


Corte vertical é uma prática utilizada quando se pretende rejuvenescer a grama e
eliminar o colchão indesejado, também chamado de thatch que é formado por
folhas e outros materiais em decomposição, que impede e dificulta a entrada de
luz e ar para dentro do solo, retardando a recuperação do gramado. O corte
vertical atua com lâminas horizontais (diferente, portanto do sistema helicoidal)
que penetram no solo, retirando material decomposto e estolões da grama,
liberando entradas de ar no solo e estimulando o crescimento de estolões novos
de grama. O corte vertical é recomendado de uma a duas vezes por ano, sendo
vital para o rejuvenescimento do gramado, pois retira o excesso de material inerte
e promove a formação de novos brotos.

Figura 37 – MÁQUINA DE CORTE VERTICAL (VISTA LATERAL)


Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/

5.2.4.8. Adubação
A adubação é uma prática essencial para a manutenção do gramado, seja ele de
áreas residenciais, industriais, parques ou campos esportivos. São as adubações
que vão tornar o gramado forte, com coloração verde escura, boa densidade de
folhas, maior resistência a diversos estresses como doenças, insetos e pisoteio, e
logicamente, permitirá um gramado mais vistoso e com rápida recuperação.
Existe no mercado adubo conhecido como Slow Release (liberação lenta) que
têm como principal vantagem a liberação de nutrientes (principalmente nitrogênio)
lentamente, através de temperatura e umidade do solo, tendo aproveitamento
total pela planta, deixando-a verde por um período mínimo de 3 meses e sem
risco de queimar o gramado na hora da aplicação.

Macronutrientes primários
Nitrogênio (N) - O nitrogênio é o elemento requerido em maiores quantidades
pela grama, por esta razão, é o elemento aplicado em maiores quantidades nos
programas de adubação para gramados. O nitrogênio participa de todas funções
vitais do desenvolvimento da grama, por isso está diretamente relacionado com o
crescimento da grama, no aumento do número de estolões e densidade de folhas,
no crescimento de raízes, na coloração e no potencial de recuperação.
39

Necessidade de Quantidade de N por mês de


Variedades de grama
nitrogênio crescimento* (g/100 m2)
Muito baixa 0 - 180 Batatais
Baixa 100 - 270 São Carlos, Festucas
Esmeralda, Zoysias,
Média 180 - 450 Ryegrass (Ph. D), Santo
Agostinho
Alta 230 - 680 Bermudas
* Meses de crescimento: setembro a março

Quadro 1 – VARIEDADES DE GRAMÍNEAS E NECESSIDADE DE


NITROGÊNIO.

Fósforo (P) - O fósforo é encontrado em todas as células vivas da grama, pois


participa das principais funções fisiológicas da planta. O fósforo é considerado o
elemento inicial do gramado, já que é responsável pela formação de raízes, tanto
que uma boa concentração de fósforo é importantíssima no início da formação do
gramado para formar um bom sistema radicular.

Potássio (K) - O potássio é o segundo elemento mais absorvido pela grama,


depois do nitrogênio. Embora ele não seja um constituinte das células vivas, ele
participa de uma série de sínteses no crescimento e desenvolvimento da grama.

Macronutrientes secundários
O cálcio está diretamente relacionado ao crescimento de raízes novas,
particularmente, dos pêlos radiculares, responsáveis por grande parte da
absorção dos nutrientes. O magnésio possui correlação direta com a
manutenção da coloração verde e no crescimento do gramado. A relação ideal
entre cálcio e magnésio dentro da planta é de 7-10:1. A importância do enxofre
está relacionada na composição de certos aminoácidos e proteínas, além de
ajudar a manter a coloração verde das folhas da grama.

Micronutrientes
Os micronutrientes são tão importantes quanto os macronutrientes, apesar de
serem necessários em pequenas quantidades. A maioria dos solos possui a
quantidade necessária dos micros para a grama na solução do solo,
principalmente porque são constituintes da matéria orgânica, porém as
deficiências de micronutrientes podem ocorrer em alguns solos, principalmente
aqueles formados por base de areia, como os campos esportivos. São eles o ferro
(Fe), o manganês (Mn), o zinco (Zn), o cobre (Cu), o molibdênio (Mo), o boro (B) e
o cloro (Cl).
40

Matéria orgânica
A matéria orgânica é importante, pois contém os microorganismos responsáveis
pela decomposição dos elementos formados por resíduos vegetais e na
transformação dos componentes minerais do solo em nutrientes solúveis para
serem absorvidos pelas plantas, além de melhorar as propriedades físicas do
solo. Os nutrientes contidos na matéria orgânica são liberados de forma gradual.

Plano de adubação
Com as informações acima sobre a importância de cada nutriente e sua relação
no solo e na grama, nosso próximo passo é descobrir as quantidades adequadas
que devem ser incorporadas no solo e no gramado a ser trabalhado. Para isto,
devemos realizar as chamadas análises de solo, onde podemos obter o
conhecimento necessário das características químicas do solo, sua fertilidade e
necessidade de nutrientes.

Vista lateral

Vista frontal
Figura 38 – ESPALHADOR DE ADUBOS (E SEMENTES)
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/

5.2.4.9. Topdress
Topdress são as coberturas do gramado com areia e material orgânico que
servem para proteção da grama, uniformização da superfície do campo,
recuperação e fortalecimento do gramado, além de fornecer nutrientes para a
grama e ajudar no micro-nivelamento. Estas coberturas são realizadas com areia
média lavada misturada com algum substrato orgânico e caso haja necessidade,
ocorre a incorporação de calcário na mistura. Recomenda-se sempre a utilização
de um substrato a base de turfa para evitar contaminação por plantas daninhas ou
doenças. Recomenda-se de 2 a 3 coberturas por ano no gramado.
41

Figura 39 - APLICADOR MECÂNICO DE ARRASTO DE TOPDRESS EM


ATIVIDADE
Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/

Figura 40 - APLICADOR MECÂNICO-MANUAL DE TOPDRESS


Fonte: http://www.agci.at/Sand/Sandreiniger/index.html

Figura 41 - MÁQUINA DE GRANDE PORTE APLICADORA DE TOPDRESS


Fonte: http://www.agci.at/Sand/Sandreiniger/index.html
42

5.2.4.10. Overseeding
Uma prática importante de manutenção e que vem sendo utilizada com maior
freqüência a cada ano no Brasil é o uso do overseeding, que consiste na
semeadura de sementes de inverno sobre o gramado já formado, durante os
meses de abril-junho quando a grama está entrando num processo de
metabolismo mais lento. A grama de inverno supre esta dormência, formando um
consórcio de gramas, mantendo assim, os gramados verdes, fortes e vistosos em
pleno inverno. No verão a grama de inverno começa a ter o seu crescimento
reduzido e a grama de verão volta a ter o crescimento normal pelo aumento da
temperatura e luz. Desta maneira, o overseeding permite que o campo esteja
sempre em condições de uso, principalmente durante este período crítico de
outono-inverno quando a grama de base está fraca e não se desenvolve. As
sementes de inverno utilizadas no processo são as espécies Ryegrass perenne e
Poa trivialis.

5.2.4.11. Replante de grama


O replantio de grama é uma prática realizada para recuperação das áreas falhas,
troca da grama ou planta invasora do local e também em áreas baixas ou de
depressões pode-se aproveitar para fazer estas correções. O replantio é
costumeiramente realizado com placas ou tapetes de grama da mesma espécie
que o restante do campo, a não ser que haja intenção da troca gradual da grama.
As placas ou tapetes de grama tem um "pegamento" (fixação) mais rápida, que
normalmente varia de 30 a 60 dias. Nos locais onde se realizam os replantios
deve-se retirar o solo antigo na altura das placas de grama, que varia entre 3 a 5
cm. Esta remoção é realizada com equipamento que retiram o solo na altura
desejada e também servem para retirar placas de grama, caso haja um viveiro no
local, facilitando o serviço de remoção e implantação das placas na altura
desejada. Após a remoção deve se revolver este solo para deixá-lo mais solto
facilitando o enraizamento e fazer uma correção e adubação destas áreas com
calcário e algum adubo fosfatado. Depois de plantadas as placas, plugs ou
sementes de grama realiza-se um leve topdress (cobertura) para o melhor e mais
rápido estabelecimento destes locais.

5.2.4.12. “Rolagem” do campo


O uso do rolo liso em gramados esportivos, ou rolagem do campo, também é
necessário para deixarmos a superfície do campo a mais suave e lisa possível,
tornando-a rápida e corrigindo os macros e micros nivelamentos. Sua importância
é maior ainda em áreas de aterro. A utilização do rolo será feita em uma direção
diferente cada vez que for realizada, ou seja, de gol a gol ou lateral a lateral. Em
algumas ocasiões pode se utilizar um rolo pequeno, de aproximadamente 500 kg,
puxado manualmente ou por um pequeno utilitário, ou então o uso do rolo
compactador mecânico, maior de 1.000 a 2.000 kg.
43

Figura 42 – ROLO LISO MANUAL


Fonte: http://www.gramadosesportivos.com.br/

5.2.4.13. Controle de plantas daninhas com


herbicidas seletivos em gramados esportivos
O uso de herbicidas em gramados esportivos e ornamentais é uma técnica de
manejo bastante difundido nos Estados Unidos e que começa a ser adotada em
nossos campos. Como todo produto agrícola, requer bastante cuidado quanto à
forma de aplicação. A seletividade destes produtos, na maioria das vezes, estará
relacionada às dosagens corretas de utilização.

Herbicidas seletivos são aqueles que controlam ou suprimem certas espécies


de plantas sem afetar outras seriamente. Esta seletividade deve-se,
principalmente, a diferenças morfológicas e fisiológicas entre a grama e as ervas
daninhas e ao modo de absorção e translocação. Já os herbicidas totais irão
controlar qualquer tecido que esteja fotossintetizando, sem seletividade, e são
usados para renovação de áreas, tratamentos localizados, ou para bordaduras.
Geralmente serão necessárias várias aplicações destes produtos, espaçadas de 2
a 4 semanas.

Quanto ao modo de translocação dentro da planta, podemos também classificar


os herbicidas em dois grandes grupos: sistêmicos e de contato. Os primeiros
são translocados no sistema vascular da planta (o mesmo que transloca a água e
nutrientes necessários para o desenvolvimento); agem de forma lenta,
requerendo de duas a três semanas para serem totalmente absorvidos. Já os
herbicidas de contato irão controlar apenas a porção de tecido fotossintetizante
que for pulverizada pelo produto (não translocam no sistema vascular ou
translocam muito pouco) e não são eficientes para eliminar plantas rizomatosas e
com tubérculos, pois exigem várias aplicações para controlar rebrotes. Por outro
lado mostram efeito na planta mais rapidamente.

De acordo com a época de aplicação, os herbicidas podem ser classificados em


produtos para pré-plantio, herbicidas pré-emergentes e pós-emergentes. Os
herbicidas usados antes de estabelecer o gramado visam controle total (não-
seletivo) das ervas-daninhas. Além dos herbicidas não-seletivos, enquadram-se
neste grupo os fumigantes de solo.

Herbicidas pré-emergentes devem ser aplicados no gramado já plantado e


antes da germinação das ervas daninhas. O produto irá formar uma barreira na
superfície do solo, controlando as plantas durante processo de germinação, mas
sem eficiência em ervas daninhas já germinadas. Irá promover de 60 a 75 dias de
44

controle (dependendo do produto, tipo de solo, umidade do solo, temperatura).


Gramados recém-plantados (por mudas, sementes ou leivas) têm baixa tolerância
à pré-emergentes, e as aplicações devem iniciar-se após algumas semanas. A
maioria dos pré-emergentes age como inibidor da mitose, impedindo a divisão
celular. Como os ápices das raízes da nova planta são os maiores pontos de
divisão celular, o herbicida precisa alcançar estas estruturas das ervas daninhas a
serem controladas, daí a necessidade de irrigar após a aplicação. A degradação
destes produtos ocorre entre 6 e 16 semanas de aplicação. Então, em áreas a
serem plantadas, é necessário cancelar aplicação de dois a quatro meses antes
do plantio.

Os herbicidas pós-emergentes são aplicados diretamente nas ervas daninhas já


germinadas e promovem pouco - ou quase nulo - efeito residual no solo.
Geralmente são necessárias aplicações repetidas para conseguir eficiência, o que
pode causar danos à grama (fitotoxidez). São eficientes para controlar gramíneas
perenes e folhas largas que escapam ao controle de pré-emergentes.

5.2.4.14. Manutenção do gramado no inverno


Com a chegada do outono-inverno, ocorre em nossos gramados uma diminuição
natural do seu crescimento, conseqüência direta do menor metabolismo realizado
por estas gramas mais utilizadas, como as Bermudas, as Zoysias (Esmeralda ou
Grama Japonesa), São Carlos, Batatais, entre outras menos conhecidas, todas
chamadas de gramas de verão. Esta denominação de gramas de verão ocorre
devido ao ciclo de crescimento destas gramas, que possuem ótima adaptação a
temperaturas altas, em torno de 25 °C a 35 °C, que ocorrem a partir do meio da
primavera e no verão. Ou seja, estas gramas consideradas de ciclo de verão
possuem crescimento e metabolismo alto com temperaturas altas e quando as
temperaturas começam a abaixar, estas gramas iniciam um processo que
podemos determinar de dormência. A dormência seria, portanto, um processo da
planta de diminuição do seu metabolismo por um determinado. período em que as
condições ideais de crescimento não são favoráveis. Com isto a grama passa a
acumular reservas de alimento, normalmente nas raízes, para serem utilizadas
durante o período favorável de crescimento.Entendemos melhor este
metabolismo da planta observando o gráfico ilustrativo. Percebemos facilmente o
maior crescimento da grama durante os meses de primavera-verão e o menor
crescimento durante os meses de outono-inverno, ao contrário da grama de
inverno. Entendendo este processo natural da grama durante este período de
outono-inverno, podemos elaborar as atividades que devem ser realizadas
anteriormente e durante este período para procurarmos manter o gramado, dentro
do possível, sempre bonito e vistoso.A primeira prática para ajudarmos o nosso
gramado no inverno inicia-se nos meses de março e abril com as adubações
potássicas. A partir destes meses devemos equilibrar as nossas fertilizações
aumentando consideravelmente o elemento potássio e diminuindo o nitrogênio. O
potássio participa ativamente da composição da membrana celular das plantas,
se relacionando diretamente com a proteção da grama. Ou seja, quanto maior a
quantidade de potássio, mais grossa e forte fica as paredes celulares das células
das gramas, ajudando na prevenção de ocorrência de doenças e insetos e
reduzindo o estresse da grama em relação ao pisoteio, seca e frio. Por causa
45

disto, o potássio tem função importantíssima durante este período. Em


contrapartida, o nitrogênio atua diretamente no crescimento das plantas. Como as
gramas não estarão crescendo ativamente, o nitrogênio não deve ser utilizado em
excesso neste período, pois pode enfraquecer as paredes celulares e diminuir a
resistência da grama ao aparecimento de doenças. O potássio pode ser aplicado
em quantidades altas, pois seu excesso não prejudica o gramado e também
devido a sua alta lixiviação (perda do nutriente no solo). As fontes mais comuns
utilizada para as fertilizações com potássio são o Cloreto de Potássio, depois se
segue o Nitrato de Potássio e o Salitre do Chile.Outra atividade importante e que
deve ser ministrada diferentemente durante o período de outono-inverno são os
cortes ou podas da grama. Como a grama está com o crescimento mais lento, a
sua freqüência de corte deve-se alterada, ou seja, gramados que eram cortados 8
vezes por mês podem ser cortados neste período de 6 a 4 vezes, ou gramados
cortados 1 vez por semana podem ser cortados a cada 10 dias. Além da
freqüência, a altura de corte do gramado deve ser elevada em 1 a 2 cm. Com isto,
o maior intervalo e a maior altura de corte deixarão a grama com mais folhas, e
conseqüentemente, maior massa verde para continuar realizando suas atividades
fotossintéticas e metabólicas de maneira adequada. Os cuidados com a irrigação
são outros fatores que devem ser bem administrados. Durante o outono-inverno a
grama não perde tanta água, por isso a sua reposição pode ser bem menor. Além
disso, um excesso de umidade no inverno pode favorecer a ocorrência de
doenças. Na região Sul do Brasil, o controle da umidade fica dificultado devido as
chuvas freqüentes do período, porém na região Sudeste, onde este é um período
de seca, torna-se mais fácil o manejo da irrigação. Portanto, a irrigação durante o
inverno deve ser ministrada em intervalos maiores, para evitar que a grama fique
seca, ou somente para tirar o sereno das folhas, que naturalmente ocorre neste
período. Possuir a irrigação no gramado durante o inverno é uma grande
vantagem, porque além de melhor administrar a água a ser irrigada no local, ela
pode salvar os gramados das geadas ocasionais. Uma prática de manutenção
para gramados mais elaborada durante o esse período é o uso de sementes de
inverno no processo de overseeding. Conforme visto anteriormente, as gramas de
inverno possuem seu ótimo crescimento durante o período onde as gramas de
verão estão deficientes. Portanto, o uso das sementes de inverno serve para
suprir as necessidades do gramado durante este período, mantendo-o em
condições sempre ideais, seja no verão ou no inverno. O consórcio das gramas
de verão (Bermudas e Esmeraldas) com as gramas de inverno são imperceptíveis
e a convivência entre as duas ocorre sem nenhum problema. Quando a grama de
verão retomar seu crescimento no meio da primavera, a grama de inverno já
estará sem forças e em mais algumas semanas ela desaparecerá totalmente. As
gramas de inverno ideais para serem realizadas neste processo são denominadas
de Ryegrass perene e Poa trivialis. A grama Ryegrass perene Ph.D. (Lolium
perenne) forma um gramado denso, de folhas de textura fina e coloração verde-
escura. Possui um estabelecimento muito rápido, com a germinação ocorrendo
em 5 a 7 dias e seu hábito de crescimento é considerado vertical, pois cresce
através de perfilhos. Uma das suas principais características é a sua excelente
resistência ao pisoteio e a boa adaptação a áreas sombreadas. A grama
Ryegrass perene é muito utilizada em jardins residenciais e campos esportivos. A
Poa trivialis Sabre II é muito utilizada para overseeding dos greens de campos de
golfe, graças a sua ótima tolerância a cortes baixos. Sua germinação ocorre em
46

torno de 10 a 12 dias e também possui hábito de crescimento por perfilhos.


Possui folhas finas e pequenas e coloração verde-clara. Seu uso nos greens de
golfe é recomendado, não somente para melhorar a grama de base, mas também
devido a sua excelente qualidade para uniformizar a superfície dos greens,
aumentando a velocidade da bolinha. Uma atividade já conhecida de todos e
muito utilizada ainda é a cobertura com terra no gramado durante o inverno. Na
teoria, esta cobertura serviria para proteger a grama do frio. Porém, este tipo de
prática só serve para deixar a grama estressada, pois é extremamente difícil sua
recuperação, além de sufocar a grama, infestar com plantas daninhas, desnivelar
a superfície do gramado e compactar toda a camada inicial do solo. A única
cobertura que se deve fazer no gramado são as coberturas com areia misturada a
substratos específicos que vem isentos de plantas daninhas. Estas coberturas
devem ser bem leves e nunca cobrir mais de um terço da folha da grama, para
que esta possa respirar e conseguir se recuperar rapidamente; elas são
importantes no gramado, mas suas funções não são só de proteção do frio, mas
sim de proteção dos brotos novos que estão nascendo, das sementes colocadas
no processo de overseeding, para uniformizar e regular a superfície do gramado
e, também, para enterrar os materiais em decomposição (folhas velhas) no solo,
melhorando assim, a aeração das raízes da grama. Estas práticas de
manutenção, se realizadas adequadamente, permitem que o gramado mantenha-
se em perfeitas condições durante o ano inteiro, evitando aquele gramado
amarelado e seco, comum de se observar durante o inverno nas regiões Sudeste
e Sul do Brasil.

Construção do Estádio do Mangueirão em Belém/PA


As fotos apresentadas na seqüência mostram o processo de implantação de
gramado esportivo junto ao estádio acima nominado.
47

Foto 1 - RETIRADA DA GRAMA E DO SOLO EXISTENTE

Foto 2 - ABERTURA DAS ESPINHAS DE PEIXE DO SISTEMA DE DRENAGEM


48

Foto 3 – ADIÇÃO DA CAMADA DE BRITA PARA FORMAÇÃO DO COLCHÃO


DRENANTE

Foto 4 – IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE IRRIGAÇÃO ANTES DO TOP SOIL


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Foto 5 – ADIÇÃO DA CAMADA DE AREIA PARA FORMAÇÃO DO TOP SOIL

Foto 6 – NIVELAMENTO AO FUNDO, TOP SOIL À DIREITA E PLANTIO DE


GRAMA À ESQUERDA
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Foto 7 – GRAMADO CONCLUÍDO

Foto 8 – GRAMADO CONCLUÍDO

Detalhes técnicos da construção do Estádio da Vila Belmiro –


Santos F.C.
51

A Vila Belmiro é um dos maiores templos do futebol brasileiro. No seu gramado


sempre desfilaram os grandes craques do mundo, com destaque para o eterno
Rei Pelé. Mesmo com toda a mística do estádio, o campo de jogo não estava a
sua altura. Há quatro anos o Santos investiu na reconstrução do gramado,
implantando a mais moderna tecnologia de drenagem e irrigação, tornando-o um
dos melhores do Brasil. A Vila mais famosa do mundo sofreu uma verdadeira
transformação no seu campo de jogo. Recentemente o gramado passou a ser
referência no cenário nacional e mundial, devido à utilização do que há de mais
moderno no mercado de drenagem, irrigação e de grama destinado à prática do
futebol. Desde então, todos os meios de comunicação, assim como atletas e
torcedores, têm enfatizado a qualidade do campo da Vila Belmiro, apesar de
poucos conhecerem quais são as etapas executadas, assim como os métodos
utilizados na sua manutenção atualmente. Apresentamos todos os detalhes do
projeto e sua execução de forma detalhada.

Passo inicial - A cidade de Santos apresenta uma peculiaridade importante: seu


lençol freático é muito alto, ou seja, normalmente quando se faz uma escavação
entre 60 cm e 100 cm (em média) encontra-se água, sendo que a altura varia
conforme a maré. Isto dificultava que o gramado da Vila Belmiro utilizasse
sistemas convencionais de drenagem. O fato fica mais claro quando chove muito
e a maré está alta, impedindo que a água que está sobre a superfície do campo
infiltre na terra. Para piorar a situação, o gramado da Vila estava em uma altura
muito baixa em relação às ruas que se localizam ao redor do estádio. Quando
estas ruas enchiam, a água invadia o gramado, alagando-o em boa parte.
Pensou-se em duas alternativas: suspender o campo (inviável, pois necessitaria
de outras obras estruturais, principalmente nas arquibancadas); buscar um
sistema de drenagem deferente, que evitasse o contato da água do lençol freático
com a água da chuva. Além disto, só seria preciso elevar em apenas alguns
centímetros o campo de jogo para que ele ficasse um pouco acima do nível da
rua. Outro fator evidente é que o campo da Vila era composto por terra com muita
argila, o que dificultava a infiltração da água no terreno e, conseqüentemente, a
capitação da água pelo sistema de drenagem convencional Os problemas no
gramado tornavam-se mais evidentes durante as partidas. Assim, a diretoria da
época buscou um sistema que resolvesse de forma definitiva o problema do
gramado, já que em todo final de temporada era necessário reformá-lo de forma
paliativa para o início da temporada seguinte. Os cuidados mais comuns eram o
replantio de grama nas áreas e execução de drenagem localizada nos pontos
considerados mais críticos (locais onde se detectou a formação de poças durante
o campeonato). Realizou-se então uma licitação pública em jornais da cidade de
Santos e de São Paulo, estabelecendo-se os critérios para que as empresas
pudessem se candidatar para a obra.

Projeto - Foi utilizado no campo da Vila Belmiro, pela primeira vez na América
Latina, o sistema PAT - "Prescription Athletic Turf" - conhecido como um dos
melhores e mais moderno sistemas para gramados esportivos devido à sua
revolucionária tecnologia de controle de água e da drenagem computadorizada,
que possibilitam um controle mais completo do gramado. O PAT é o primeiro
sistema computadorizado para gramados naturais e já havia sido instalado em
mais de 40 estádios no mundo todo. O sistema PAT fornece condições de
52

crescimento ideal da grama sob um constante gerenciamento da quantidade de


água disponível para o gramado. Totalmente computadorizado, este sistema
controla a quantidade de água dentro do campo automaticamente, ou seja,
durante a chuva ele é acionado e liga um complexo de bombas que retiram a
água do campo. Já no período de estiagem, quando o nível de água está abaixo
do desejado, o sistema aciona as bombas para sub-irrigar o campo. Os
componentes de controle do sistema eletrônico foram instalados em uma sala
especialmente construída no Estádio. O computador é conectado a um modem,
que pode ser acionado remotamente de qualquer lugar, possibilitando a agilidade
necessária na mudança, de acordo com as alterações climáticas ou modificações
em razão de problemas no gramado causados por algum fator não previsto;
eventos no gramado, pragas, etc. A capacidade de retirada de água do sistema é
de aproximadamente 400 mil litros de água por hora, acabando definitivamente
com o antigo problema de encharcamento, que prejudicava a prática de futebol
em dias de chuva.

Execução do projeto - As obras de reconstrução do campo foram iniciadas em


outubro de 1996. A primeira etapa foi remover a grama existente para as laterais,
dando condições para a formação da sub-base do campo e também para
possibilitar sua elevação. Este solo foi colocado ao pé do muro numa altura
aproximada de 33 cm, e numa área que permitisse que o sistema implantado
tivesse as dimensões de 107 m x 70 m. Ao pé do muro realizou-se uma drenagem
convencional com tubos perfurados de 4" e brita para escoamento da água que
não entrasse no sistema PAT. Como o sistema PAT utiliza capa de polietileno,
que não pode ser furada, foi necessário providenciar os encaixes para a trave.
Assim, era necessário definir o tamanho do campo antes de qualquer outra
providência. Como a Vila Belmiro tinha a medida de 106 m x 70 m, manteve-se o
encaixe para as traves nestas dimensões. A sub-base do campo foi executada
com equipamento de corte e aterro que realizou um nivelamento a laser perfeito,
com uma tolerância de aproximadamente 1 cm de altura de um canto a outro.

Detalhamento - Com a sub-base nivelada, foi esticada sobre ela uma capa de
polietileno, cobrindo toda a extensão do campo. A capa de polietileno, assim
como todos os outros materiais do projeto, inclusive a grama, foi importada dos
Estados Unidos e especialmente projetada para a utilização em gramados de alta
performance. Como era impossível cobrir todo o gramado com apenas uma capa
de polietileno, foi necessário unir várias capas. Obrigou-se então fazer a junção
destas capas, de forma precisa, evitando a infiltração de água ou perda de água
do sistema para o meio. A junção foi feita através de calor, criando uma vedação
impermeável à água, formando uma espécie de piscinão. Sobre a superfície do
plástico foram colocados os tubos de drenagens achatados, com largura em torno
de 30 cm, que possuem microporos por onde passa a água formando,
aproximadamente, 2.000 m de linha de descarga da água. O sistema formado
pelos tubos achatados conectou-se a 6 linhas de tubos cilíndricos de 6", que
conectam-se a um tubo de maior diâmetro (10") que, por fim, conecta-se ao
tanque reservatório, com capacidade para 40.000 l de água. Vale a pena ressaltar
que todas as conexões para encaixe dos tubos achatados com os tubos
cilíndricos de 6" foram feitas sob medida para o sistema PAT, e todas foram
devidamente coladas a uma chapa de polietileno dura, para proteção e segurança
53

das conexões e do próprio sistema a vácuo de bombeamento. A rede de tubos


achatados e cilíndricos, todos em PEAD (polietileno de alta densidade), tem por
finalidade transportar a água para o tanque reservatório. Com a ajuda de um
sistema de bombas a vácuo, o ar existente no tanque e no sistema é retirado com
grande pressão, aumentando a velocidade de entrada da água no tanque. Esta
água que chega ao tanque é bombeada diretamente para a captação de águas
pluviais da rua e, devido às bombas a vácuo e às bombas implantadas dentro do
tanque, o sistema tem a capacidade de drenar mais de 400.000 l de água por
hora do campo. O controle de água dentro do campo é gerenciado pelo
computador com base nas informações fornecidas por quatro sensores de
umidade localizados dentro do campo em pontos estratégicos. O computador
compara as informações colhidas no campo com os parâmetros pré-definidos
pelos responsáveis pela manutenção do campo, e opta por manter a água no
nível em que está, bombeá-la para dentro ou retirá-la do campo. No caso de
retirada de água, o computador analisará ainda se a retirada será feita por
gravidade, por uma bomba ou por duas. O sistema de irrigação foi implantado
junto com o sistema de drenagem, e é considerado um dos mais modernos por
possuir acionamento automático com várias opções de programação, sensor que
permite a paralisação do sistema em caso de chuva e tubulação e aspersores
embutidos no solo. Os sistemas de irrigação foram implantados de maneira que
não obstruíssem o sistema de drenagem e permitissem uma fácil manutenção do
sistema sem interferência no outro. Implantados os sistemas de drenagem e
irrigação, teve início a colocação dos, aproximadamente, 3.400 m3 de areia dentro
do campo, que formaram a base de areia de 33 cm de altura. Esta areia foi
criteriosamente selecionada em laboratório nos EUA, e atendeu todas as
necessidades do sistema. Para se chegar ao material ideal, foram analisadas em
torno de 10 amostras de areia da região do Vale do Ribeira. Após passar pelos
testes de granulometria, e ser selecionada para compor a base, a areia passou a
ser trazida e armazenada no Centro de Treinamento do Santos F.C., onde foi, por
uma nova exigência do laboratório de análises americano, cuidadosamente
peneirada. O transporte de areia do CT para a Vila e a colocação desta areia no
campo movimentou um número enorme de caminhões, máquinas pá-
carregadeiras, trator de esteira e uma Poclaim para que a colocação e o
espalhamento fossem feitos de maneira rápida e perfeita.

Manutenção do Gramado - Atualmente, o campo de futebol da Vila Belmiro


recebe manutenção diária com as técnicas e equipamentos mais modernos
existentes no mercado internacional. As técnicas utilizadas são os cortes do
gramado com equipamento helicoidal de três corpos, fertilizações quinzenais com
adubos especialmente formulados para as condições do gramado formado sobre
areia e aplicações de defensivos químicos, sempre que houver necessidade para
controle de doenças, insetos ou plantas daninhas. Realizam-se de duas ou três
aerações por ano com equipamento "Verti-drain" e várias coberturas com areia. O
overseeding de inverno é feito anualmente com sementes de Rye-grass perene.
São executados ainda dois cortes verticais por ano, um no verão e outro antes do
overseeding, tornando o gramado um dos mais modernos do Brasil, também em
relação às técnicas de manutenção utilizadas.
5.2.5. Implantação e manutenção de
campos de golfe
54

Origem - Palavra golfe provém do inglês golf que, por sua vez, vem do alemão
kolb, que significa taco. A origem desse esporte tem várias versões. Uma das
mais prováveis é que os escoceses o tenham criado por volta de 1400. Já em
1457, o parlamento escocês, por ordem do rei James II, proibia a prática do golfe,
por considerá-lo um divertimento que afetava os interesses do país, devido à
dedicação e ao tempo que o esporte exigia. Outras origens são conhecidas,
desde o jogo romano chamado paganica, praticado nos séculos XVII e XVIII, em
que se utilizava uma bola de couro e uma vara curva. Há ainda os que acreditam
que o golfe saiu do jeu de mail, antigo jogo francês que se assemelha ao golfe,
mas é praticado em espaços fechados. As regras do golfe, tal qual são
conhecidas hoje, foram definidas no século XVIII, no ano de 1744, na cidade de
Edimburgo, na Escócia. Consiste em sair de um local determinado, em campo
aberto, e embocar a bola no menor número de tacadas possíveis, em buracos
estrategicamente colocados em distância variada. O jogo normalmente é
disputado em percurso de 18 buracos, e, numa competição, quem totalizar o
menor número de tacadas ao término dos 18 buracos é o campeão.

No Brasil, o golfe chegou no final do Século XIX, quando engenheiros ingleses e


escoceses que construíam a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, a São Paulo
Railway, pediram - e convenceram - aos monges beneditinos que cedessem uma
parte do terreno do Mosteiro de São Bento para a construção do primeiro campo
de golfe brasileiro. Atualmente, este campo estaria localizado entre a Estação da
Luz e o Rio Tietê, na Cidade São Paulo. Em 1901, o campo teve que se mudar,
pois a cidade já se expandia. O golfe passou a ser praticado então numa região
próxima à Avenida Paulista e à Avenida Brigadeiro Luiz Antônio. A presença dos
britânicos era tão comum por aqueles lados que o local é conhecido até hoje
como o "Morro dos Ingleses". Foi nesta época que foi fundado o São Paulo
Country Club. O campo de golfe sofreu ainda mais duas mudanças de endereço,
sendo a primeira para o Jabaquara. Em 1915, o campo de golfe transfere-se para
a região de Santo Amaro, num terreno cedido definitivamente pela Light, empresa
de eletricidade de São Paulo na época, e passa a receber o nome de São Paulo
Golf Club. Foi no mesmo ano de 1915 que surgem os campos de Santana do
Livramento Golf Club, no Rio Grande do Sul, e o de São Vicente, em São Paulo.
No Rio de Janeiro, o golfe chega na década de vinte, com a inauguração do
Gávea Golf & Country Club, que se caracteriza por estar localizado entre as
montanhas e o mar, numa região valorizada da cidade. Na década de 30 o Rio de
Janeiro recebe mais um campo: o Itanhangá. Ainda na década de 30 são
construídos os campos do Porto Alegre Country Club, no Rio Grande do Sul, e o
Graciosa Country Club, no Paraná. Todos estes devem ser considerados os
campos pioneiros no Brasil.

Equipamentos - Para se jogar golfe é necessário possuir uma taqueira (sacola


com conjunto de 14 tacos), bolas e sapatos com solado de travas, para dar
firmeza no posicionamento e golpes do jogador. Opcionalmente, pode ser
utilizada uma luva para evitar que o taco escorregue nas mãos. As roupas devem
ser confortáveis para propiciar liberdade de movimentos. Modernamente, os tacos
são feitos de materiais leves como o carbono, mas mantêm a definição de tacos
de madeira (wood) e tacos de ferro (iron), materiais que remontam à origem do
esporte. Os tacos wood são utilizados para tacadas de longa distância e menor
55

precisão, enquanto os tacos iron são apropriados para jogadas de aproximação e


maior precisão. Há ainda os tacos especiais, como o sand, para tirar a bola de
bancas de areia; o pitch e o putter para embocar a bola na região do green.

O jogo - O golfe pode ser jogado individualmente ou em grupos de dois a quatro


jogadores, e tem como particularidade à ausência de um "adversário"
propriamente dito; o único adversário do golfista é o próprio campo, uma vez que
não há nada que ele possa fazer no sentido de dificultar o desempenho de outros
jogadores. O resultado depende de seu esforço individual e sorte, e cada golfista
luta para baixar a sua pontuação total no campo. Em competições oficiais, é
proibido um golfista falar com outros jogadores acerca do jogo. Já em jogos entre
amigos, é normal o golfista mais experiente dar "dicas" aos menos experientes.

Construir um campo de golfe não é tarefa das mais fáceis. A United States Golf
Association chegou à conclusão que a melhor forma de se construir um green5 é
seguindo as seguintes recomendações.
ü A forma do green deve ser moldada já no terreno primitivo, 50 centímetros
abaixo do nível final. Feito isso, o passo seguinte é a execução do sistema de
drenagem, no formato espinha de peixe, como mostra a figura 43.
ü Em seguida são colocadas camadas de brita zero, areia grossa e, finalmente,
a camada de topsoil6, onde a grama crescerá. As espécies de grama mais
indicadas para a formação de campos de golfe, no Brasil, são as Bermudas Tifton
328 e Tifton Dwarf, por tolerarem cortes baixos e freqüentes. O plantio é feito
através de mudas ou plugs, com as correções finais de nivelamento com areia. As
adubações precisam ser freqüentes, de forma a repor os nutrientes do solo, muito
mais exigidos neste caso, já que o green costuma se aparado até diariamente. A
altura do corte varia de acordo com as estações do ano, mas é sempre muito
baixa, devendo situar-se entre 3,5 e 6,0 milímetros.

5
E o campo de golfe propriamente dito, onde se pratica o esporte.
6
Mistura de areia e matéria orgânica que funciona como base para implantação do gramado.
56

Figura 44- REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DO SISTEMA DE DRENAGEM


(ESPINHA DE PEIXE) DE UM CAMPO DE GOLFE

Figura 45 – CORTE TRANSVERSAL DE UM SISTEMA DE DRENAGEM PARA


CAMPOS DE GOLFE

5.2.5.1. Terraplanagem
A terraplanagem é o primeiro passo na construção de um campo de golfe. É
através dela que o terreno é transformado e ganha os moldes desejados. A
terraplanagem deve ser feita a partir de um projeto realizado por um especialista.
Mesmo com base neste projeto, é necessário verificar as condições do terreno em
que o campo de golfe será executado e analisar as suas peculiaridades em
relação ao tipo de solo; isto influencia diretamente no tempo da construção do
campo. Se o terreno é formado por pedras ou se é extremamente acidentado,
57

demanda-se mais tempo e um trabalho maior. Se a superfície for mais fácil de


trabalhar, a construção flui mais rapidamente. Atualmente, um campo de 18
buracos pode ser construído em 20 meses em média. Um campo de nove
buracos leva uns 15 meses para ser totalmente finalizado.

5.2.5.2. Análise do solo


Um dos pontos essenciais para que a terraplanagem seja iniciada é a análise da
presença de água natural no local a ser construído. A água é essencial para que a
irrigação do campo possa ser feita de forma eficaz. Assim, mesmo que o projeto
determine a construção de um lago artificial, é essencial que o local tenha uma
fonte natural e uma certa abundância em água para cumprir todas as
necessidades que o campo exigir. Na verdade, a terraplanagem é a base para as
próximas etapas da construção do campo, pois uma terraplanagem malfeita
comprometerá totalmente o restante. Em compensação, uma terraplanagem
adequada garantirá o bom funcionamento do campo, principalmente em relação
às dificuldades e desafios do próprio campo quando pronto. A terraplanagem é a
parte responsável pela limpeza da área. Neste ponto o trabalho é realizado por
tratores, que fazem um trabalho bastante bruto. Retira-se do solo a primeira
camada de terra vegetal – sua espessura varia de acordo com a região, que é
armazenada e será utilizada posteriormente para a implantação da grama.

5.2.5.3. A implantação
Com o terreno limpo e preparado, começam a ser traçados e realizados os
shapes por um profissional especializado e treinado nesta função. Na
terraplanagem determina-se o movimento que o campo terá, ou seja, o design. A
construção de um campo de golfe é considerada uma arte, pois vários detalhes
devem ser respeitados e valorizados. “As raias de jogo precisam apresentar um
movimento interessante e têm que acompanhar a própria natureza que as cerca.
Aliás, todo o projeto deve integrar-se totalmente com a natureza. Inclusive, os
shapes podem ser construídos baseados em itens constantes naquele local,
como por exemplo, o formato de árvores ou de nuvens. A terraplanagem é uma
das etapas mais caras na implantação de um campo, pois muitas vezes é preciso
inclusive trocar boa parte do solo para que ele não ceda com o tempo. Os campos
que são construídos com uma boa terraplanagem permanecem por mais de 20
anos tendo apenas que receber a manutenção diária. A terraplanagem é feita por
partes e conjuntamente com as outras etapas da construção do campo. Isto se
faz necessário por causa da possibilidade de chuva. O resultado final é que
quando a terraplanagem é encerrada, em um curto prazo de tempo o campo
poderá ser utilizado, pois as demais etapas (drenagem, irrigação e implantação
da grama) acompanharam o andamento da obra. Ou seja: enquanto se faz a
terraplanagem do buraco 18, por exemplo, é totalmente compatível que estejam
sendo realizadas as demais etapas nos buracos próximos.
58

Figura 46 – O GRAMADO DOS CAMPOS DE GOLFE SÃO IMPLANTADOS A


PARTIR DE PLUGS
Fonte: http://www.itograss.com.br/home.htm

Figura 47 - SISTEMA DE IRRIGAÇÃO DO SÃO FERNANDO GOLF CLUBE –


CAMPO COM 18 BURACOS
Fonte: http://www.regatec.com.br/curri.htm
59

Alguns campos de golfe

Figura 48 – CAMPO DE GOLFE LOCALIZADO EM DAUFUSKIE ISLAND, SUL


DA CALIFÓRNIA, EUA
Fonte: http://golfandhome.com/community-profiles/index.htm?ghfid=pgatour.com

Figura 49 – CAMPO DE GOLFE DO GOLF AND COUNTRY CLUB,


LOCALIZADO EM SUPERSTITION, ARIZONA, EUA.
Fonte: http://golfandhome.com/community-profiles/superstition-mountain/index.htm
60

Figura 50 – CAMPO DE GOLFE DO HARBOUR RIDGE YACHT AND


COUNTRY, LOCALIZADO EM PALM CITY, FLORIDA, EUA
onte: http://golfandhome.com/community-profiles/harbour-ridge/index.htm

5.2.6. Implantação e manutenção de


quadras de tênis
tênis
Origem - Há muitas teorias para o surgimento do tênis, mas há um consenso de
que a França estabeleceu as bases reais do jogo com o surgimento do jeu de
paume (jogo da palma), no final do século XII e início do XIII. No tênis primitivo as
raquetes não eram empregadas. Os jogadores usavam as mãos nuas e depois
optaram por usar luvas. No século XIV, já havia jogadores que usavam um
utensílio de madeira em forma de pá, conhecido como battoir e que mais tarde
recebeu um cabo e também as cordas trançadas. Era o nascimento da raquete,
uma invenção italiana. Com o tempo, o tênis deixou de ser jogado com a bola
contra o muro, passando a ser praticado em um retângulo dividido ao meio por
uma corda. Surgiu, assim, o longue-paume, que permitia a participação de até
seis jogadores de cada lado. Mais tarde apareceu o court-paume, jogo similar,
disputado em recinto fechado, mas de técnica mais complexa e exigindo uma
superfície menor para sua prática. Muitos reis da França tinham no jeu de paume
sua principal diversão, chegando a ponto de o rei Luís XI decretar "que a bola de
tênis teria uma fabricação específica: com um couro especialmente escolhido,
contendo chumaço de lã comprimida, proibindo o enchimento com areia, giz, cal,
cinza, terra ou qualquer espécie de musgo". Para se ter uma idéia do crescimento
do esporte na França, o rei Luís XII (1498 a 1515) pediu a um francês de nome
Guy Forbert para codificar as primeiras regras e regulamentos e fez construir em
Órleans, cidade onde tinha o seu palácio, nada menos que 40 quadras. Em plena
"Guerra dos Cem Anos", o rei Carlos V condenou o jeu de paume, declarando que
"todo jogo que não contribua para o ofício das armas será eliminado". Com tal
proibição, lembrando que o jogo era praticado até aos domingos, pode-se deduzir
61

que o novo esporte alcançou uma grande popularidade na França. Com a


Revolução Francesa, as Guerras Napoleônicas, o esporte praticamente
desapareceu junto com a destruição das quadras. No século XIX, um jogador J.
Edmond Barre, que se sagrou campeão da França em 1829 e conservou o título
por 33 anos, até 1862.

O conceito de construção é bem parecido com o de um campo de golfe.


Primeiramente é feito um nivelamento preciso no solo base. Em seguida instala-
se o sistema de drenagem, também em espinha de peixe, com a colocação de
brita e tubos perfurados. A disposição das camadas segue o mesmo princípio.
Primeiro brita zero, depois areia grossa e, finalmente, a camada de topsoil, onde a
grama crescerá. Terminada a adição de todas as camadas, usa-se um rolo
pesado para adensamento do piso, quando as depressões deverão ser corrigidas
até que se obtenha um piso realmente bem nivelado. O plantio também é feito por
mudas ou plugs, e as espécies de grama mais indicadas são as mesmas:
Bermudas Tifton 328 e Tifton Dwarf. As medidas oficiais de uma quadra de tênis
são: 10,97 m x 23,79 m.

Figura 51 – MEDIDAS OFICIAIS DE UMA QUADRA DE TÊNIS


Fonte: http://www.mauromenezes.com.br/medidas_quadra.shtml
62

Figura 52 – SETORES DE UMA QUADRA DE TÊNIS


Fonte: http://www.mauromenezes.com.br/medidas_quadra.shtml

TIPO DE GRAND
DESCRIÇAO
QUADRA SLAM
Piso de terra batida, feito normalmente com cacos de
tijolos, telhas e argila que é a superfície mais lenta Roland
Saibro
em que o tênis é disputado. Em inglês, é chamado de Garros
clay.
Austrália
Lisonda Quadra dura, de bola rápida, para quem saca bem.
Open
Piso em que o tênis começou a ser jogado, hoje
restrito a Wimbledon e poucos torneios que o
Grama Wimbledon
antecedem. É a superfície mais irregular e rápida do
tênis.
Quadra mais rápida de todas, o qique da bola é muito
Rápida US Open
alto e rápido.
Quadro 2 – TIPOS DE QUADRA DE TÊNIS
Fonte: http://www.mauromenezes.com.br/medidas_quadra.shtml

5.2.7. Como proteger gramados esportivos


para realização de eventos
Conheça duas sugestões de produtos disponíveis no mercado nacional para
serem alugados e/ou adquiridos, e que podem ser utilizados em diferentes
situações, principalmente em eventos. Outra vantagem dos produtos
apresentados é que ambos podem ser utilizados em diferentes tipos de pisos,
com destaque para os gramados esportivos. É claro que a escolha deve envolver
vários fatores, como o custo/benefício.
63

Tablados - Os tablados são conhecidos há muitos anos pelos promotores de


eventos do Brasil. Fabricado em madeirite resistente de 15 mm de espessura,
conta com sarrafos na parte inferior deste madeirite, que servem como suporte
para o público. Os sarrafos precisam ser resistentes e têm espessura de 7 cm.
São apenas os sarrafos que entram em contato com a grama, diminuindo a área
de atrito entre esta e a madeira. A montagem dos tablados segue o sistema de
união, como um grande quebra-cabeça, até cobrir toda a superfície que necessita
ser protegida, sem utilizar pregos. Apenas as partes instaladas nos limites dos
locais a serem protegidos são chanfradas, criando um rebaixo e tornando o
acesso mais acessível ao público e seguro. Há casos em que estas partes
instaladas no limite são pregadas, por dentro do tablado - sendo que os pregos
não ficam aparentes -, aos tablados ao lado. Assim, dobra-se o peso dos
tablados, o que inviabiliza qualquer possibilidade de deslocamento do tablado. É
essencial afirmar que os tablados são unidos com precisão, sem qualquer espaço
entre eles. Isto faz com que os tablados não se movimentem e não sejam
facilmente arrancados, pois devido ao peso, é preciso várias pessoas para
levantá-los ou arrancá-los. Os tablados são antiderrapantes e sua instalação é
simplificada e é executada por profissionais especializados, que acompanham
todos os passos do processo de instalação e também durante o evento, para
possível manutenção. Cada metro quadrado do tablado instalado suporta em
torno de 1.000 quilos, sendo considerado pelas autoridades bastante seguro.
(Fonte: http://www.caprimar.com.br/).

Piso portátil de polipropileno - Importado dos Estados Unidos, o piso Easyfloor


é fabricado em polipropileno e é apresentado ao mercado como piso portátil para
eventos. Uma das suas principais características é que o Easyfloor tem na parte
de baixo pontaletes cruzados responsáveis pela sustentação quando instalado
sobre o gramado ou qualquer outra superfície indicada. A sua instalação é
baseada em sistema de encaixe das diversas partes, dispensando-se o uso de
pregos ou colas. Para se ter idéia, o sistema é o mesmo usado em brinquedos de
encaixe, tornando a sua instalação bem simples. Seu sistema de ranhuras
permite uma completa drenagem e ventilação, protegendo a grama. A razão é
que o sistema permite a ventilação, passagem do ar no gramado, evita o
superaquecimento, e favorece a drenagem e o escoamento de água. O piso é
antiderrapante e não propaga chamas. Para a instalação do Easyfloor é preciso
que a grama não esteja nem alta nem baixa, ou seja, o gramado deve estar com
um corte recente, essencial para proteger a raiz. Também não se pode cobrir o
gramado encharcado. É essencial que antes da instalação do piso portátil haja
uma consulta ao Engenheiro Agrônomo responsável pelo gramado, garantindo
assim as melhores condições para este gramado após a retirada do Easyfloor.
Disponível nas cores vermelho, verde e gelo, pode ser aplicado em gramados, na
realização de shows, eventos esportivos, convenções, exposições, grandes
tendas, festas, casamentos, eventos em praias, feiras, praças de alimentação,
passarelas e pistas de danças. Ideal para ser instalado sobre areia, terra, grama,
asfalto, cascalho, pedregulho e quadras esportivas. A capacidade do piso portátil
é de 10 toneladas por metro quadrado, desde que a carga seja distribuída.
64

Acessível a todos, não é verdade que os dois pisos apresentados são indicados
apenas para eventos maiores, como em estádios de futebol. Os tablados estão
disponíveis para eventos a partir de 100 metros quadrados, ou seja, um espaço
de 10 m x 10 m. O piso portátil também está disponível para eventos em áreas
consideradas pequenas. (Fonte: http://www.easyfloor.com.br/).

5.2.8. Gramados Sintéticos


Comumente a grama sintética e confeccionada com fios de fibra de polietileno e
prolipopileno com altura variando de 25 a 63 mm. Pode ser utilizada nos mais
diferentes campos esportivos (tênis, futebol de campo, futebol society, golfe,...).

Vantagens dos gramados sintéticos:


ü variedade de cores e cortes especiais;
ü podem ser aplicados em qualquer tipo de piso, inclusive materiais naturais,
pó de pedra, areia, saibro, concreto, parquet, asfalto, terra e outros;
ü fácil instalação;
ü menor custo de manutenção e pessoal;
ü maior número de jogos;
ü alta durabilidade quando expostas às intempéries;
ü superfícies não abrasivas, que evita lesões típicas de grama artificial;
ü pisos ajustáveis de acordo com a velocidade do jogo;
ü permite o uso de chuteiras;
ü aparência e textura iguais a grama natural;
ü durabilidade de 8 a 10 anos;
ü resistência e versatilidade.
65

Figura 53 – APRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE UM PERFIL DE GRAMADO


SINTÉTICO
Fonte: http://www.gramasintetica.com.br/index.php?go=estrutura
66

GRAMA SINTÉTICA GRAMA SINTÉTICA


CARACTERÍSTICAS SPORT GRASS SÉRIE GRAMA NATURAL
SÉRIE PREMIUM CONVENCIONAL
Sete dias por Sete dias por 3 a 4 horas por
NÚMERO DE JOGOS semana, 24 horas semana, 24 horas semana, no
por dia. por dia. máximo.
DESCANSO PARA
2 meses por ano
MANUTENÇÃO E Zero/Nulo Zero/Nulo
no mínimo.
REPLANTIO

Excepcional.
Aspecto idêntico a
Variável. Depende
um gramado Ótimo. Pouco
ASPECTO ESTÉTICO da manutenção, e
natural em perfeitas artificial.
época do ano.
condições. Estável
durante todo o ano.

Excepcional. Não Excepcional. Não


Boa. Baixo índice de
provoca lesões, provoca lesões,
absorção de
arranhões ou arranhões ou
impactos, podendo
QUALIDADE DE JOGOS esfoliamentos. Alto esfoliamentos.
melhorar com a
índice de absorção Alto índice de
utilização de Shock
de impactos. absorção de
Pad (opcional).
Idêntica a natural. impactos.

Branca de fábrica, Branca de fábrica,


Demarcação
perfeito para perfeito para
constante, sujeita
inclusão de inclusão de
LINHAS DO CAMPO a erros e com
merchandising merchandising
custo
permanente ou permanente ou
considerável.
temporário. temporário.

Excepcional. Em Excepcional. Em
movimentos movimentos
rápidos e bruscos rápidos e bruscos
TRAÇÃO (PISO SECO) evita o travamento Satisfatória evita o travamento
dos pés e suas dos pés e suas
conseqüentes conseqüentes
lesões. lesões.

Ótima. Permite uso


Limitada. Pede o
de chuteiras com Satisfatória. Não
uso de chuteiras
TRAÇÃO (PISO travas sem permite o uso de
com travas, o que
MOLHADO) provocar desgaste chuteiras com
causa o desgaste
prematuro do travas.
do gramado.
gramado.

MANUTENÇÃO Mínima ou nula Mínima ou nula Intensa


Regulável de
acordo com a
densidade utilizada Rápido. Não Regulável, de
VELOCIDADE DE
no sistema possibilita acordo com o
JOGOS
topdressing de alterações. corte do gramado.
absorção de
impactos.
67

Idem a um gramado Média a alta, de


ABRASIVIDADE natural em perfeitas acordo com o Baixa, quase nula.
condições. modelo utilizado.

Com manutenção
e baixa freqüência
DURABILIDADE Mínimo de 10 anos. Mínimo de 8 anos. de jogos, pode se
prolongar a pouco
mais de 2 anos.

Concreto, piso Concreto, piso


asfáltico, base asfáltico, base Terra não
PISO
graduada, terra graduada, terra compactada.
compactad.a compactada.
Quadro 3 – QUADRO COMPARATIVO ENTRE DOIS TIPOS DE GRAMA
SINTÉTICA E GRAMA NATURAL
Fonte: http://www.sportgrass.com.br/frames.html

REFERÊNCIA
MILANO, M.; DALCIN, E. Arborização de vias públicas. Rio de Janeiro: Light,
2000.
SAULLES, D. Manual completo de jardinería. Madrid: Blume, 1991.
SOARES, M. P. Verdes urbanos e rurais: orientação para arborização de cidades
e sítios campesinos. Porto Alegre: Cinco Continentes, 1998.
TITCHMARSH, A. Técnicas de jardinagem. Portugal: Publicações Europa-
Amércia, 1994.