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“HOJE, DEIXEI DE LER MINHA BÍBLIA”

Augustus Nicodemus Lopes

A pós a minha conversão em 1977 passei a dedicar diariamente


horas para a leitura da Bíblia e oração. Eu tnha um diário onde
anotava as minhas experiências espirituais todos os dias. Durante
alguns anos registrei nesse diário as minhas histórias de fracasso, vitórias,
frustrações e descobertas como cristão. Uma das lições que aprendi cedo,
e que fcou registrada no diário, foi que quando eu parava de ler a Bíblia,
meditar nela e orar a Deus, o pecado remanescente em meu coração
ganhava poder sobre minha vontade e sobre minhas decisões. Vez após vez
escrevi sobre esse fato. Não poucas vezes registrei a frase que é o ttulo
dessa mensagem. Quanto mais tempo eu passava sem ler a Bíblia e orar,
mais difcil era retomar a prátca diária e mais endurecido meu coração
fcava. Aiquela mentalidade espiritual tão necessária se perdia aos poucos.
Eu perdia o poder espiritual necessário para a santfcação. Por outro lado,
quando eu mantnha regularmente a disciplina da oração e leitura bíblica, o
deleite em Deus e a compreensão do mundo a partr das Escrituras
cresciam exponencialmente.
Hoje, tantos anos após aquelas experiências, mesmo sendo um
cristão maduro e experimentado, reconheço a veracidade daquela lição
aprendida no começo da minha cristã. Como pastor, aprendi essa verdade
de maneira ainda mais profunda. Pastores são muito tentados a
negligenciar a vida devocional pessoal. Primeiro, existem as muitas
demandas do ministério, que por vezes o levam a trabalhar manhã, tarde e
noite, todos os dias da semana. O mesmo pode ser dito de muitos dos
membros da igreja que não são pastores mas que são muito envolvidos em
seus trabalhos. Segundo, existe a tentação de substtuir o tempo
devocional pelo tempo de preparação de estudos e sermões. Mas,
simplesmente não é a mesma coisa. Ler comentários e livros de teologia
sistemátca não substtuem ler a Palavra e deixar que Deus fale através
dela. Terceiro, existe a tentação do pastor pensar que tem tudo sob
controle e que não precisa da graça e do poder de Deus para seu trabalho
pastoral. Ele jamais diria isso abertamente – mas é uma tentação muito
sutl e que o pastor acaba disfarçando pelo seu atvismo. O pastor que não
mantém uma vida regular de leitura bíblica e oração não terá uma
mentalidade espiritual e bíblica diante dos problemas e aconselhamentos
que tver de enfrentar. Também lhe faltará o fruto do Espírito e um caráter
cristão aprovado.
Pode ser que essas coisas não fquem claras para a Igreja onde ele
pastoreia. Pastores tendem a disfarçar o verdadeiro estado de seu coração
em público. Por isso, geralmente os efeitos começam em casa, no
relacionamento com a esposa e com os flhos, nas explosões de raiva e nas
decisões egoístas, na indiferença para com a esposa e flhos, no tempo
gasto diante da televisão ou das mídias sociais.
Pastores, façam da piedade pessoal diária uma das prioridades de
seu ministério. Igrejas, ajudem seus pastores nisso, orando por eles e
entendendo que o tempo que ele gasta diante da Bíblia e em oração faz
parte integral do seu trabalho como pastor. Para muitos membros de
igrejas, pastores só estão trabalhando se estverem visitando, pregando ou
aconselhando.
“Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois
velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam
isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros”
(Hb 13:17).

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