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Moçambique

Cabo Delgado,
Nampula, Niassa,
Zambézia e Sofala
Pemba, Caixa Postal, 260
Maputo, 27 de Setembro de 2013 • ANO XX • No 1029 • Preço: 30,00 Mt • Moçambique E-mail: emclpemba@teledata.mz

Barcos do SISE e ponte para a Katembe são algumas das megalomanias que minam as contas

Dívida de
Moçambique
em terreno
perigoso
A dívida pública de Moçambique entrou novamente em zona
arriscada e cifrava-se, em Março último, em USD5,7 biliões,
alertou o The Economist Intelligent Unit na sua análise sobre
a sustentabilidade da dívida moçambicana. Avisa que as
operações de dívida em que o país está envolvido acarretam
riscos de derrapagem no controlo dos compromissos
financeiros do país. Largamente criticados internamente
por alegada falta de transparência, o The Economist também
questiona as despesas faraónicas na ponte para Katembe e o
negócio de barcos da empresa do SISE. Sobre os barcos da
Ematum, Empresa Moçambicana de Atum, detida em 33%
pelo SISE, Manuel Chang, ministro das Finanças, diz que
o Estado entrou apenas como avalista junto das agências
financeiras internacionais (BNP Paribas e Credit Suisse) e
não há risco nenhum para o Orçamento do Estado (OE)

Julgamento dos raptos Pág. 4

Nini Satar citado em Tribunal


Naita Ussene

Pág. 2
2 Savana 27-09-2013
TEMA DA SEMANA

The economist alerta:

Dívida de Moçambique entra em terreno perigoso


-Frota da empresa do SISE e ponte para a Catembe são algumas das megalomanias
Por Ricardo Mudaukane

A
dívida pública de Mo- viabilizarmos a nossa estrada nacio-
çambique entrou nova- nal número zero, que é o mar. Isto é
mente em zona arriscada com vista a viabilizar a cabotagem
e cifrava-se, em Março e, dentro deste processo, buscar-
último, em USD5,7 biliões, alertou mos parcerias e financiamento para
o The Economist Intelligent Unit aquisição de navios e buscamos in-
na sua análise sobre a sustentabili- vestidores que estão interessados na
dade da dívida moçambicana. cabotagem ao longo da nossa costa”,
frisou Cuereneia. Esta operação
Na avaliação que faz do volume da está igualmente a ser questionada
dívida pública moçambicana, aque- em vários sectores de opinião em
la entidade, ligada à revista britâni- Moçambique.
ca The Economist, diz que o Fundo
Monetário Internacional (FMI) “O Governo é apenas um
avalizou Maputo a recorrer a alguns avalista”
empréstimos, mas avisa que as ope- Manuel Chang, ministro das Fi-
rações de dívida em que o país está nanças, disse que o Governo entrou
envolvido acarretam riscos de der- apenas como um avalista junto das
rapagem no controlo dos compro- agências financeiras e que toda a
missos financeiros de Moçambique. operação é da responsabilidade da
“A capacidade de pagamento da dí- Ematum.
vida pública de Moçambique está “Esta operação não tem nada a ver
sustentada pelas perspectivas de re- com o Orçamento de Estado. O
ceitas do carvão e gás natural. Mas Governo apadrinha por considerar
um rápido incremento dos emprés- que é importante. Não entramos
timos do Governo acarreta riscos, com nenhum valor, apenas avali-
especialmente tendo em conta o Projecto polémico da Construção da Ponte Maputo-Katembe analisado pelo The Economist
zamos junto de agências financei-
rápido crescimento da proporção ras internacionais”, frisou Chang,
de empréstimos em termos não mais curtos e taxas de juro mais O The Economist Intelligent Unit com uma maturidade de sete anos. momentos após a cerimónia central
concessionais e considerando que o elevados), bem como um serviço da adianta que nos próximos tempos Ao que apurámos, a emissão de alusiva ao dia das Forças Armadas
país demorará tempo a arrecadar as dívida mais elevado”, refere a análi- a dívida privada de Moçambique obrigações registou uma procura de Defesa de Moçambique oficial
receitas provenientes da riqueza dos se da sustentabilidade da dívida de vai posicionar-se como uma com- superior à oferta e pagará uma taxa das festividades alusivas.
recursos naturais”, indica a análise. Moçambique. ponente importante do volume da de juro de 8,5 por cento. Manuel Chang precisou que os bar-
O The Economist Intelligent Unit Segundo aquele organismo, em fi- dívida externa, uma vez que as com- As agências Standard and Poor’s cos são para a pesca, uma operação
lembra que um endividamento nais de 2012, a dívida interna repre- panhias do sector energético vão re- e Fitch Ratings atribuíram a Mo- que será levada a cabo pela Empresa
descontrolado deitaria por terra o sentava 5,9 por cento do PIB, uma correr a empréstimos, para financiar çambique uma notação de risco de Moçambicana de Atum (Ematum).
esforço de contenção da dívida que proporção ainda relativamente pe- a sua participação em projecto de “B+”, mas esta emissão de Obriga- “É para captura do atum, uma vez
Moçambique conseguiu, após ver quena, mas com um período de ma- produção energética, como no Gás ções de Tesouro para emissão de que há empresas que deixaram de
cancelada a maioria das suas obri- turação média de 2.3 anos e taxas de Natural Liquefeito. 500 milhões de dólares não recebeu o fazer e não podemos deixar que
gações financeiras com o estrangei- juro médias de 12,2 por cento. notação. esse bem nosso seja apenas retirado
ro, como resultado da iniciativa de Despesas faraónicas na por estrangeiros”, rematou Chang,
perdão da dívida a favor dos Países ponte e no negócio do SISE Guebuza na França acrescentando que os barcos são
China, Índia e Brasil, os uma mais-valia também para a pro-
Pobres Altamente Endividados novos senhores Apesar de reconhecer a necessida- A encomenda da Ematum prevê
(HIPC), impulsionada pelos prin- de de investimentos avultados em a construção de 24 traineiras, três tecção das zonas económicas.
Os períodos de maturação dos em-
cipais credores internacionais. infra-estruturas, nomeadamente barcos-patrulha de 32 metros e Recorde-se que em Julho passado,
préstimos externos não-concessio-
estradas e caminhos-de-ferro, bem outros três de 42 metros, precisou o então vice-ministro das Pescas,
“Moçambique reconstruiu rapida- nais são de 10.1 anos e as taxas de
como rede eléctrica e de telecomu- Iskandar Safa durante uma confe- Gabriel Muthisse, anunciou a exis-
mente o seu stock de recursos pú- juros são de 1,5 por cento, refere o
nicações, o The Economist mostra- rência de imprensa e na presença tência de um Plano Estratégico do
blicos, desde o alívio da dívida que documento.
-se preocupado com a falta de ren- de três ministros, incluindo Arnaud Desenvolvimento da Pescaria de
conseguiu no âmbito do HIPC e do “As características dos credores
tabilidade dos projectos receptores Montebourg, responsável pela re- Atum.
alívio multilateral da dívida”, indica também mudaram, uma vez que
do dinheiro da dívida. conversão industrial e defensor do Com o plano, segundo Muthisse,
o relatório. Moçambique se virou para credores
“Há a preocupação de que nem to- “Fabricado em França”. o Governo pretende aumentar os
Mais alarmante ainda, observa o The como China, Índia e Brasil, que es-
dos os projectos financiados pelo O Presidente da República, Ar- níveis de captura e de rendimento
Economist, é o facto de o dinheiro tão menos preocupados com a utili-
dinheiro da dívida contribuem para mando Guebuza, que participa na dos pescadores, por se ter constata-
que o Governo pede emprestado zação do dinheiro, mas que também
o crescimento e redução da pobre- 68ª sessão da Assembleia-Geral do que dos USD60 milhões prove-
não ser aparentemente canalizado oferecem condições de pagamento
za. Actualmente, os novos emprés- das Nações Unidas, vai, de segui- nientes da captura daquela espécie
para projectos economicamente pouco generosas”, lê-se no docu-
timos não são seleccionados através da, efectuar uma visita de Estado apenas um milhão de dólares é que
mais lucrativos, num contexto em mento.
de um processo definido envol- à França, entre os dias 27 e 28 de fica em Moçambique.
que o Governo depende de fontes A degradação do volume da dívi-
vendo a relação custo-benefício ou Actualmente, a pesca no Oceano
de receitas voláteis e incertas. da de Moçambique continuará em Setembro, onde visitará a região de
outros parâmetros do género. Essa Índico, que contribui com 24% das
Citando relatórios disponibiliza- espiral, citando as autoridades mo- Cherbourg.
capturas totais, é efectuada com
dos pelo Ministério das Finanças, çambicanas a referir que mais de 1,9 omissão resultou na aprovação de Os 300 milhões de euros envolvidos
base em acordos internacionais,
o organismo britânico assinala que biliões de dólares de dívida foram projectos polémicos, entre os quais na aquisição de barcos representam
onde Moçambique tem uma cota
o perfil da dívida de Moçambique aprovadas em 2012, dos quais 1,2 está o empréstimo de USD682 mi- mais do dobro do volume anual de
reservada, não sendo apenas desen-
tem vindo a deteriorar-se desde biliões de crédito não-concessional, lhões do EXIMBANK da China negócios das Construções Mecâni-
volvida em águas territoriais.
2012, tendo passado de cinco bi- incluindo um bilião da China. para a Construção da Ponte Mapu- cas da Normandia que, de acordo
liões, em finais de 2011, para 5,6 “No primeiro semestre de 2013, as to-Katembe”, anotou a entidade. com o proprietário dos estaleiros
biliões no ano seguinte e para 5,7 autoridades assinaram acordos de É também questionável a emissão navais, anualmente vende entre 50
biliões em Março do ano em curso. empréstimos externos orçados em de títulos para o financiamento da e 100 milhões de euros.
“Em termos relativos, a dívida pú- 326 milhões dólares. Recentemen- frota que será usada pela Ematum. Contrariamente ao governo fran-
blica total (interna e externa) subiu te, em Setembro de 2013, a no- Recentemente, a Ematum, a em- cês, em Moçambique há pouca
de 31 por cento do Produto Interno víssima Ematum lançou emissões presa de atum detida em 33 por abertura ao nível governamental
Bruto (PIB) em 2008 (logo após o de obrigações de tesouro de 500 cento pelos Serviços de Informa- para fornecer mais detalhes sobre a
corte da dívida) para 42 por cento milhões de dólares, para juros de ção e Segurança de Estado (SISE), controversa operação.
do PIB no ano passado. Ademais, o 8,5 por cento. Por outro lado, 1,5 contratou os bancos BNP Paribas e Sem entrar em pormenores, o mi-
Governo recorreu crescentemente biliões de dólares de empréstimos, Credit Suisse para montarem uma nistro da Planificação e Desenvol-
ao endividamento interno e a em- incluindo 600 milhões de dólares emissão obrigacionista de USD500 vimento, Aiuba Cuereneia, limitou-
préstimos externos não concessio- não-concessionais, serão contrac- milhões, que poderá ser incluída no -se apenas a confirmar a operação.
nais, que implicam um portfolio tualizados antes do final de 2013”, Índice de Obrigações dos Mercados “Há um trabalho que está sendo
da dívida (períodos de maturidade aponta o documento. Emergentes do banco J. P. Morgan, feito pelo Governo no sentido de Manuel Chang
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DA SEMANA
4 Savana 27-09-2013
TEMA DA SEMANA

Dominique: o réu que queria ser revendedor


do cimento de Nini Satar
Por Emídio Beúla
e estatura média, Domini- Satar de um crime de associação respondeu que era seu familiar”,

D que Mendes, 40 anos, foi o


sétimo réu a ser ouvido em
audiência do julgamento do
processo nº 16/2012/10ª (leva mais
um em anexo) que decorre desde a
para delinquir e outros cinco de
cárcere privado, mas no despacho
de não pronúncia o tribunal con-
trapõe que a acusação baseou-se no
simples facto de o nome do então
disse. Foi ao Saimo que Domini-
que manifestou interesse em ser re-
vendedor de cimento fornecido por
Nini, ao que aquele aconselhou-o
a contactar Danish Satar, na qua-
semana passada na 10ª secção cri- arguido ter sido mencionado por lidade de gestor do negócio. Saimo
minal do TJCM (Tribunal Judicial alguns arguidos como sendo man- ficou por entregar o contacto do
da Cidade de Maputo). É o segun- dante dos sequestros. réu Dominique ao Danish Satar,
do julgamento relacionado com os Dominique Mendes foi um dos actualmente foragido da Polícia
sequestros que se abatem sobre as réus a citar o nome de Nini Satar moçambicana. Mas ele só conse-
cidades de Maputo e Matola. O na instrução do processo, mas mais guiu falar com Nini no dia em que
primeiro foi no Tribunal Judicial da este foi levado ao Instituto Coração
tarde viria a refutar as suas pró-
Província de Maputo e a sentença por razões de saúde. “Recebi uma
prias declarações. Já em audiência
será proferida a 31 de Outubro. Até chamada de Danish e ele disse que
de julgamento, e respondendo à
aqui, Dominique foi o único dos estava com Nini e que podia falar
uma pergunta da representante do
com ele.” Já em conversa com Nini,

Urgel Matula
oito réus em julgamento que disse Ministério Público, Ana Sheila
conhecer Nini Satar, pessoa a quém Dominique recordou-lhe que co-
Marengula, ele disse conhecer Nini nheceram-se na BO e, de seguida,
pediu ser um dos revendedores do Satar, a partir da BO. avançou com a proposta de ser re-
cimento que fornecia. Dominique Mendes, acompanhado por um agente do GOE (Grupo de Operações
Especiais) vendedor do cimento de que aquele
Sobre o negócio de cimento era fornecedor. A proposta foi re-
É pela segunda vez que Domini- de Maputo. A suspeição policial do raptos, conforme consta dos autos.
Já em gozo de liberdade condicio- jeitada por Nini, Segundo contou
que, um encarregado de obras com seu envolvimento nos sequestros Ao tribunal, justificou que a “con-
nal, Dominique disse ter feito di- ao tribunal o réu Dominique.
declaração de 8ª classe feita, senta- viria a ser corroborada pelo Minis- fissão” não era autêntica, porquan-
Ana Marengula questionou ao réu
-se no mesmo banco dos réus da tério Público que o acusou de práti- to fê-la a mando da Polícia que o ligências no sentido de contactar
como teve “coragem” de abordar
10ª secção criminal do TJCM para ca de quatro crimes, nomeadamen- ameaçava de torturas. Nini, para este fornecer-lhe cimen-
Nini sobre o negócio de cimento, se
responder em juízo. Na primeira te associação para delinquir, roubo to para revender. Disse que foi em
os dois não eram amigos na cadeia.
vaga, ele era acusado de envolvi- qualificado, cércere privado e roubo Despronunciado, Nini é ci- finais de 2011, altura em que havia
Dominique não foi decisivo na res-
mento num homicídio voluntário, concorrendo com cárcere privado. tado em julgamento escassez de cimento nas cidades de posta, situação que consubstanciou
tendo sido condenado a 20 anos O tribunal, na pessoa do juiz da 10ª A audição do réu Dominique Maputo e Matola, segundo o réu. as suspeitas do Ministério Público.
de pena de prisão maior. Depois de secção criminal do TJCM, Adérito Mendes teve a particularidade de A partir da BO, Nini Satar fornecia Aliás, este órgão não se conforma
passar a metade da pena nas celas Malhope, pronunciou-o nos qua- ter sido a única em que o nome cimento a revendedores e Domini- com a decisão do tribunal de não
da BO, a putativa cadeia de máxima tros crimes. de Nini Satar foi trazido à colação. que queria ser um dos beneficiários, pronunciar Nini Satar nos crimes
segurança, Dominique beneficiou Em sede da audiência do julga- Momade Assif Abdul Satar, de seu segundo se extrai das declarações de que o acusava, pelo que já recor-
de liberdade condicional em 2008. mento, Dominique negou qualquer nome de registo, foi despronuncia- do próprio réu em sede do tribunal. reu da decisão. Adérito Malhope,
Quatro anos mais tarde, é de novo envolvimento nos sequestros e nos do no processo ora em julgamento, O primeiro contacto foi com Sai- juiz de direito que preside a 10ª sec-
recolhido para as celas, primeiro no demais crimes de que vai sendo pois entendeu o juiz Malhope que mo, um familiar directo de Nini e, ção criminal do TJCM, deverá ser o
Comando da FIR (Força de Inter- acusado, contrastando com a sua os elementos indiciários vertidos na descrição de Dominique, muito mesmo a avaliar a solicitação de li-
venção Rápida) e posteriormente confissão, em sede de instrução do nos autos careciam de sustentação. parecidos. “Aproximei a ele e per- berdade condicional a favor de Nini
no Comando da Polícia da Cidade processo, de participação em dois O Ministério Público acusou Nini guntei se conhecia Nini, ao que ele Satar, interposto pelos advogados.

CC diz que a competência é apenas dos magistrados e determina:

Agentes da PIC não podem emitir mandados de captura


Por Raul Senda
Conselho Constitucional A decisão do Conselho Constitu- à prisão preventiva, provoca uma deverá ser imediatamente retirado Com a aprovação das constituições

O (CC) acaba de produzir


um Acórdão que proíbe os
agentes da Polícia de In-
vestigação Criminal (PIC), direc-
tores, inspectores e subinspectores
cional vem em resposta ao Proces-
so n° 03/CC/2013 cujo pedido foi
submetido pela Liga Moçambicana
dos Direitos (LDH) onde para o
efeito reuniu cerca de duas mil assi-
disfunção da legislação penal em
relação à constituição e afecta a
previsibilidade do sistema judicial,
vista a discrepância entre o Supre-
mo e os tribunais de primeira ins-
do ordenado jurídico moçambica-
no.
Analisados os factos expostos pe-
los requerentes, o CC decidiu res-
ponder positivamente e declarou
de 1990 e de 2004, alguns artigos
do CPP deixaram de estar em con-
sonância com o quadro constitu-
cional em vigor em Moçambique.
Para além do artigo 293, a LDH
bem como outros oficiais da Po- naturas de cidadãos moçambicanos. tância. inconstitucionais as normas cons- solicitou a declaração de incons-
lícia com funções de comando de Na referida petição, a LDH solicita Na sua petição, a LDH pedia a de- tantes no referido artigo, proibin- titucionalidade do artigo 291 do
emitir mandados de captura ou or- junto ao CC a apreciação e decla- claração de inconstitucionalidade do os agentes da PIC outros ofi- CPP por negar caução aos crimes
denar, por escrito, a prisão preven- ração de inconstitucionalidade de dos números 1, 2 e 3 do artigo 293, ciais da Polícia de ordenar prisões, condenados com penas de prisão
tiva de cidadãos fora do flagrante quatro artigos contidos no Código na redacção dada pela Lei 2/93 de fora do flagrante delito, pelo facto maior, o artigo 308 que impõe a
delito. do Processo Penal (CPP) ora vi- 24 de Junho na medida em que, deste acto violar grosseiramente o culpa formada do arguido até à
gente em Moçambique. para além de violar a Constituição princípio de separação de poderes,
condenação ou absolvição e o ar-
No seu Acórdão n° 04/CC/2013 Os protestos relacionam-se com moçambicana choca com os prin- consagrado nos termos do artigo
tigo 311, que mantém incomuni-
de 17 de Setembro, o CC alarga as normas sobre prisão preventiva, cípios de Estado de Direito Social. 134 da Constituição, que atribui ao
a proibição aos administradores cável os presos antes do primeiro
agentes que as executam, proibição Referir que o artigo em alusão dá poder judiciário o direito de limitar
distritais, chefes de posto adminis- de os presos se comunicarem com poderes aos agentes da PIC e ou- interrogatório judicial.
liberdades dos cidadãos.
trativo, presidentes dos conselhos os seus advogados e a inconstitu- tros oficiais da Polícia, adminis- Sobre os pedidos em alusão, o CC
executivos ou de localidade. cionalidade das penas de prisão tradores distritais, presidentes dos Outros artigos também decidiu optar por via de in-
O Acórdão em alusão foi assina- maior visto que no seu entender conselhos executivos e chefes de Na petição apresentada ao CC, constitucionalidade por achar que
do por sete juízes conselheiros do estes artigos violam a Constituição postos Administrativos de ordenar a LDH diz que o sistema penal violam o princípio constitucional.
CC nomeadamente: Hermenegil- da República. prisão de cidadãos. moçambicano tem funcionado Assim, com a declaração de incons-
do Gamito, Domingos Cintura, No concernente a prisão preven- No entender da LDH, só a auto- principalmente sob a égide de nor- titucionalidade, os referidos artigos
Orlando da Graça, Lúcia Ribeiro, tiva, a LDH diz na sua argumen- ridade judicial tem competência mas herdadas do período colonial, deixam de ter efeitos práticos e
João Guenha, Manuel Franque e tação que o posicionamento dos legal para ordenar a prisão de cida- como é o caso do Código de Pro- automaticamente saem do ordena-
José Norberto Carrilho. tribunais revela recurso abusivo dãos pelo que, o artigo em alusão cesso Penal, aprovado em 1929. mento jurídico moçambicano.
Savana 27-09-2013 5
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DA SEMANA

No IV festival de militares

Guebuza apela população a condenar


discursos da Renamo
Por André Catueira, em Manica

O
Presidente da República, que têm ao seu dispor, para cumprir
Armando Guebuza, ape- suas missões”, disse Armando Gue-
lou à população, durante buza, defendendo o aumento da ca-
a abertura do IV festival pacidade do exército governamental,
desportivo e cultural das Forças Ar- em efectivo como em qualidade de
madas em Chimoio, província de intervenção, para a “defesa da sobe-
Manica, a condenar os discursos da rania” de Moçambique.
Renamo, que têm intenções de divi- As pesquisas desenvolvidas na bacia
dir o país e regredir os ganhos con- de Rovuma, em Cabo Delgado, norte
quistados com a paz.
de Moçambique, por várias empresas,
incluindo a norte-americana, Anada-
Num discurso de quase meia hora
rko, evidenciam a existência de valio-
feito para centenas de militares e 500
sas reservas de petróleo na região.
crianças convidadas para implemen-
tar uma coreografia que desenhava as “O anúncio de descobertas de signi-
palavras FADM e PAZ, o PR exor- ficativas reservas de hidrocarbonetos,
tou a população a condenar com vee- na bacia do Rovuma, impõe novos
Cerimónia da abertura do IV festival desportivo e cultural das Forças Armadas em Chimoio, província de Manica desafios para a agenda das nossas
mência os discursos da Renamo, cuja
“intenção é dividir Moçambique”. Forças Armadas de Defesa”, decla-
“Nós, os moçambicanos, não pode- enalteceu o apoio militar na assistên- tidamente foram “devolvidos” à sua
“As ameaças à paz devem ser a todos rou Armando Guebuza, anunciando
mos ser condicionados a interesses de cia a doentes nas unidades sanitárias sorte do portão principal, até que
os níveis condenadas com veemência que da “missão constitucional das
indivíduos ou grupos de indivíduos. de Chimoio e Vanduzi, além da sua houve uma intervenção superior.
por todos nós. A expectativa de di- pronta intervenção em tempo útil, FADM” vai constar a defesa dos hi-
A proposta de alteração de qualquer Em contacto com o SAVANA, uma
vidir o nosso povo, porque constitui para salvação de vidas humanas, nas drocarbonetos.
dispositivo de quadro geral vigente fonte da organização garantiu que o
uma ameaça à paz e à unidade nacio- últimas cheias registadas este ano. evento era público e não havia “or- “A nossa pátria é detentora de recur-
deve ser feita no contexto regido pela
nal, deve igualmente ser condenada”, O IV festival que decorreu sob lema dens específicas” para vedar qualquer sos naturais diversos, de infra-estru-
própria lei e ninguém tem o direito
sentenciou Armando Guebuza, em “consolidação da unidade nacional, pessoa, sem contudo colocar em cau- turas estratégicas, extensas fronteiras
de agir fora das normas que norteiam
alusão à “tensão” político-militar que do patriotismo e da paz”, contou com sa a segurança do recinto. terrestres e de águas jurisdicionais
um estado de direito e democrático
caracteriza a região centro de Mo- a participação de adidos de defesa que também abrigam muitas riquezas
como nosso”, rematou Guebuza, ar-
çambique. acreditados em Moçambique e ou- nossas e que precisam de ser preser-
rancando ruidosos aplausos da plateia Musculatura às FADM
Desde Outubro de 2012, período tros convidados de Tanzânia, Ango- vadas protegidas”, precisou Armando
maioritariamente preenchida por mi- O presidente moçambicano, Arman-
em que Afonso Dhlakama regres- la, Malawi e Zimbabwe, e englobou Guebuza, quando saudava as Forças
litares. do Guebuza, chamou as forças ar-
sou à Gorongosa, sua antiga base ginástica acrobática, massiva, para- Armadas pela celebração dos 49 anos
No seu discurso de abertura do IV madas a serem mais “pujantes”, para
central, num esforço para pressionar quedismo, gastronomia e exposição da luta de libertação de Moçambique.
Festival das Forças Armadas de De- proteger as descobertas de reservas
o Governo da Frelimo a negociar fotográfica e gráfica. Contudo, o Chefe do Estado,
fesa de Moçambique (FADM), que de hidrocarbonetos na bacia do Ro-
uma nova ordem, reina uma cer- também Comandante-Chefe das
decorreu entre os dias 21 e 25 de vuma, por “impor novos desafios” às
ta incerteza sobre o futuro do país Pente no FADM, reconheceu a qualidade
Setembro, no quartel de Chimoio, Forças de Defesa e Segurança.
que actualmente é caracterizado Várias pessoas, que pretendiam assis- técnico-militar das FADM, mas vin-
Manica, Armando Guebuza disse “A protecção dos nossos diversos re-
por uma tensão político-militar, so- tir a cerimónia de abertura do IV fes- cou a necessidade de se apostar numa
que os ganhos dos 21 anos de paz e cursos sublinha a necessidade de se
bretudo na região centro, palco de tival desportivo e cultura das FADM, contínua formação do exército, para
a “implementação da agenda de luta apostar nos homens e nas mulheres
confrontos entre as tropas governa- foram impedidas de aceder ao recinto responder com a velocidade às dinâ-
que devem à instituição militar, por-
mentais e guerrilheiros da Renamo. contra a pobreza”, estariam “tremi- do quartel, devido ao “pente fino” a que estes são os recursos estratégicos micas de desenvolvimento do país.
Analistas em Maputo são de opinião dos”, com as ameaças à paz. que estavam sujeitos na única entrada
que tal incerteza faz com que seja Os festivais, disse, foram lançados aberta para população.
cada vez mais ponderada a possibi- para “galvanizar as FADM para no- “Eu estive nos dois portões de aces-
lidade de não realização das eleições
autárquicas e gerais, como “plano”
vas batalhas”, como forma de celebrar
um Moçambique livre e independen-
so, mas estão a impedir a entrada ao
quartel para ver o presidente e o fes-
Merali deixa Moza Banco
para manter Armando Guebuza no te, além de desenvolver seu potencial tival. Não explicam a razão, só dizem

I
poder. artístico, cultural e económico. naete Merali acaba de deixar formalmente a Comissão Executiva
para ir noutro portão e já dei cinco
Depois do III festival, em 1983, a do Moza Banco, instituição bancária fundada em Junho de 2008.
O troço Save-Muxúnguè, centro de voltas e nada”, disse ao SAVANA,
situação geopolítica nacional e re- A saída de Merali foi confirmada através de um comunicado
Moçambique, é feito mediante escol- Estêvão Luís, um residente em Chi-
gional “ditou o realinhamento das distribuido pela administração do Moza Banco, que manifestou
ta militar, num percurso de 106 qui- moio.
prioridades das Forças Armadas, com o seu agradecimento pela colaboração do Presidente da Comissão
lómetros que chega a levar mais de “Não sei qual é o critério de entra-
impacto directo nos festivais culturais Executiva e reafirmou o seu compromisso em “conferir maior vigor
seis horas, o que está a acarretar pesa- da, mas vejo algumas pessoas que são
ao ciclo de crescimento virtuoso e sustentável que a instituição finan-
dos custos para a economia nacional. e desportivos, sendo que Chimoio admitidas e outras não. Estou identi-
ceira vem registando desde a sua fundação”.
O líder da Renamo, Afonso Dhlaka- acolhe deste modo a reactivação dos ficado, mas nem por isso me deixam
Ainda não foi avançado o nome do substituto de Merali, mas como o
ma, ameaçou dividir o país em pro- eventos, que deverão decorrer de dois passar, talvez por eu ter cabelo bran-
SAVANA anunciou, o cargo deverá ser exercido por Ibraimo Ibrahi-
víncias independentes, durante o em dois anos. co”, desabafou Carlos Samundimo,
mo, um conceituado quadro da área financeira, que dirigiu por cinco
Conselho Nacional do partido em O I e III festival decorreram em Ma- junto ao portão do quartel na N6.
anos a Comissão Executiva do Banco Comercial e de Investimentos
Satunjira, em Julho último, caso o go- puto, em Setembro de 1979 e 1983 Mesmo alguns jornalistas, que não
(BCI). Ao que o SAVANA apurou, o futuro de Inaete Merali deverá
verno continuasse “intransigente”, o respectivamente, e o II em Nampula conseguiram ser credenciados a tem-
passar por uma Seguradora.
que para o PR, uma “nação não pode em 1980 no mesmo mês. po, tiveram uma enorme ginástica
(Redacção)
ficar refém” à pressão, que considerou Entretanto, a governadora da pro- para aceder ao recinto do quartel no
de um grupo de indivíduos. víncia de Manica, Ana Comoane, dia 21 de Setembro, quando insis-
6 Savana 27-09-2013
SOCIEDADE

“Debate do Pacote eleitoral está encerrado”, José Pacheco


-Mas a Perdiz quer propor uma nova composição da CNE, onde a Frelimo tenha 50% dos membros e os restantes divididos
entre a Renamo e o MDM

Por Argunaldo Nhampossa


epois de um interregno Guebuza, visto em muitos sec- membros e os restantes seriam Anteriormente, a Renamo exigia a reunião dos peritos militares só

D de duas semanas, as de-


legações do governo e
da Renamo reuniram-se
esta semana, em Maputo, mas o
diálogo voltou a marcar passo.
tores como crucial para desa-
nunviar a actual tensão político-
-militar reinante no país.

Mas o chefe da delegação da


divididos entre a Renamo e o
MDM.
As nossas fontes afiançaram-
-nos que esta proposta faz parte
de um conjunto das que foram
uma CNE “designada em respei-
to ao princípio da paridade entre
a Renamo e a Frelimo, sem pre-
juízo do consenso alcançado en-
tre as bancadas da Frelimo e do
será possivel após a conclusão
do debate em torno da legislação
eleitoral. Os assuntos militares
fazem parte do segundo ponto
da agenda.
Renamo, Saimone Macuiana de- apresentadas em Satunjira pelo MDM”. Advogava que este mo- Recorde-se que semana passa-
O chefe da delegação do gover- fende que o primeiro ponto da Observatório eleitoral, Dom delo de “paridade” seja também da, a Renamo constituiu a sua
no, José Pacheco, afirmou que o agenda continua em aberto e o Dinis Sengulane e Lourenço do replicado a “todos os seus órgãos equipa de peritos que é compos-
debate em torno da legislação governo recusou nesta segunda- Rosário, duas personalidades que de apoio”, designadamente, Co- ta pelo Tenente general Ussufo
eleitoral está encerrado e não há -feira que a Renamo apresentas- fazem a ponte entre o líder da missões Provinciais de Eleições, Momade, Coronel José Manuel,
motivos para prosseguir com o se uma nova proposta de compo- Renamo e o Presidente da Repú- Distritais e de Cidade, com as Tenente coronel Mandava Me-
tema. sição dos órgãos eleitorais. blica. Os números apresentados necessárias adaptações. que, Major António Muzorewa,
Pacheco defende que as duas de- Ao que o SAVANA apurou, a para a nova composição da CNE Major Raimundo Dalho, Capi-
legações deviam iniciar com os Perdiz pretende propor uma são 11, 13 ou 15 membros, onde Militares são pretexto para tão Renato Matecule e o jurista
preprarativos do tão aguardado nova composição da Comissão o Presidente do órgão seria uma o ponto II Ezequiel Mondegusse.
encontro entre o líder da Re- Nacional de Eleições (CNE), figura de consenso entre os três No entanto, a delegação gover- Por sua vez a comitiva das FDS
namo e o Presidente Armando onde a Frelimo tenha 50% dos (Governo, Renamo e MDM). namental foi às negociações des- é composta pelo Major Gene-
ta segunda-feira acompanhada ral, Júlio Jane, chefe da mesma,
de peritos militares, uma atitude Primeiro Comissário da PRM,
vista pela Renamo como uma Xavier Tocoli, Primeira Adjunta
manobra para forçar a discusão Comissária da Polícia, Arsénia
do ponto que trata das Forças de Massingue, brigadeiro Freitas
Defesa e Segurança. Norte e Simão Macave, oficial
A delegação da Renamo diz que do Ministério do Interior.

Polícia e membros
MDM envolvem-se
em pancadaria
Por André Catueira, em Chimoio
Polícia Municipal e na cidade de Chimoio.

A os membros do Mo-
vimento Democráti-
co de Moçambique
(MDM) envolveram-se, nes-
ta quarta-feira, em violentos
Exibindo o convite emitido
para o partido, aquela militante
do partido do Galo assegurou
que o MDM não respondeu
com a mesma força porque não
confrontos na cidade de Chi-
moio, província de Manica, estavam para “causar distúr-
durante as cerimónias do 49º bios, porque simplesmente vie-
aniversário do desencadea- mos participar da cerimónia”.
mento da luta pela indepen- Entretanto, o comandante da
dência do país. Polícia camarária de Chimoio,
Edgar Rodrigues, recusou-se a
Os membros do MDM foram tecer qualquer comentário em
“brutalmente atacados” pela torno do incidente.
Polícia Municipal, quando os Contudo, uma fonte próxima à
mesmos hasteavam bandeiras
polícia municipal disse “o ata-
do partido na multidão que
assistia as cerimónias de “25 que resulta da quebra da pos-
de Setembro”, na praça dos tura” municipal, ao “içar ban-
heróis, tendo sido destruído deira em cerimónia pública do
um dos símbolos. Ninguém governo”.
ficou ferido. Após a violência, os membros
“Nós não estamos a enten- do MDM foram obrigados
der, estávamos na cerimónia pela Polícia da República de
como um dia dos moçambi- Moçambique (PRM) a se reti-
canos e, de repente, a polícia rar da praça, para “evitar distúr-
municipal começa a arrancar
bios” nas cerimónias centrais, a
as bandeiras e a vandalizar
os membros do MDM. Não nível nacional, orientadas pelo
entendemos porque nos estão ministro da Defesa Nacional,
a impedir de participar do Filipe Nyusi, na presença de
evento”, disse Winie Madrige, quadros das FADM e da go-
delegada política do MDM vernadora de Manica.
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8 Savana 27-09-2013
SOCIEDADE

Impostos caros e burocracia scal cara asxiam empresas


moçambicanas, diz estudo encomendado pela CTA
-No geral, empresas moçambicanas “levam” com 42 impostos e taxas por ano
Por Ricardo Mudaukane

O
s impostos são elevados em Moçambique, uma vez que os moçambicana reduz os níveis de postos que o empresariado moçam- mico e se os agentes económicos do
em Moçambique, mas operadores económicos devem pagar competitividade do empresariado bicano deve aguentar limitam a sua sector privado são parte fundamental
também é cara a burocra- a taxa de 32 por cento sobre os re- nacional e coloca-o atrás de outros capacidade de financiamento e a ex- do ambiente de negócios no país, re-
cia que deve ser suporta- sultados positivos obtidos, para além países, com taxas mais baixas e, con- pansão das suas actividades, refere- comenda-se que este e outros aspec-
da para o pagamento dos impostos, da primeira prestação do “pagamento sequentemente, mais amigas do in- -se no estudo. tos sejam objecto de estudos comple-
queixam-se empresas ouvidas no por conta”. vestimento. “Se, em Moçambique, se pretende mentares”, assinala o “Pagamento de
Estudo Pagamento de Impostos em A carga fiscal infligida à economia Os montantes exorbitantes de im- promover o desenvolvimento econó- Impostos em Moçambique”.
Moçambique, encomendado pela
Confederação das Associações Eco-
nómicas de Moçambique (CTA) e
financiado pela Agência dos Estados
Unidos da América para o Desen-
volvimento Internacional (USAID).

O estudo, que ouviu 85 pequenas,


médias e grandes empresas, destaca
que, “no total e de forma generali-
zada”, o número de pagamentos ou
declarações de impostos nacionais e
de taxas municipais a que as empre-
sas estão obrigadas numa base anual
é de 42.
A avaliação aponta o elevado mon-
tante de impostos exigido pelo Esta-
do moçambicano e o custo inerente
ao pagamento dos tributos como um
sufoco para os negócios.
“Das opiniões colhidas, a ideia geral
é de que o número de impostos que
as empresas têm que pagar anual-
mente não é propriamente o maior
problema, mas sim (1) as taxas ele-
vadas e (2) a complexidade dos pro-
cedimentos para o pagamento”, diz
o documento, logo no sumário exe-
cutivo.
Os entrevistados, segundo a avalia-
ção do ambiente fiscal em Moçam-
bique, reclamam do tempo excessivo
que devem despender para o paga-
mento do Imposto Simplificado para
Pequenos Contribuintes (ISPC),
apontando para as despesas em que
incorrem com a demora.
“Uma das recomendações produ-
zidas, por exemplo, é que a Autori-
dade Tributária (AT) crie postos de
cobrança específicos para os con-
tribuintes registados no regime do
ISPC. Note-se que nos últimos anos
a AT registou uma afluência signi-
ficativa de novos contribuintes no
regime do ISPC, contribuintes esses
que têm de usar os mesmos postos
de cobrança que os contribuintes
registados no regime ´contabilidade
organizada` e de ´sistema normal` do
IVA”, refere o Pagamento de Impos-
tos em Moçambique.
Nessa perspectiva, as empresas exor-
tam a AT para introduzir o paga-
mento electrónico dos impostos,
como forma de aliviar os custos re-
lacionados com o cumprimento das
obrigações fiscais.
“As empresas reconhecem que, por
parte da Autoridade Tributária mo-
çambicana, muito tem sido feito para
facilitar o processo de pagamento
dos impostos. No entanto, recomen-
dam que a AT, não apenas encontre
formas de facilitar os procedimentos,
criando mais postos e formando os
seus funcionários, como implemente
um sistema online de pagamentos,
como forma alternativa e opcional
para o pagamento dos impostos”, diz
o estudo.

O terrível Março
O documento aponta Março como
o mês mais hostil em termos fiscais
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INTERNACIONAL

IISS analisa estratégia global em Estocolmo

Encontro desilude intervencionistas na Siria


arl Bildt e Barth Eide, os lobistas e consultores de relações “Analisando o Futuro de África”,

C ministros dos exteriores


da Suécia e Noruega
estiveram juntos da de-
fesa da solução negociada Putin-
Obama para o processo sírio, na
externas das grandes empresas
multinacionais.
Sergei Ivanov, do gabinete de
Putin e Igor Yurgens, um antigo
conselheiro de Gorbatchov, re-
com enfoque especial dos desen-
volvimentos de Angola e Moçam-
bique. Lima passou em revista o
performance económico dos dois
países, as disputas pela hegemonia
sessão de gala que abriu em Esto- forçaram a posição russa sobre a de segurança na região entre An-
colmo a reunião anual de Análise Síria, deixando em ambiente de gola e a África do Sul e as ameaças
de Estratégias Globais do IISS frustração muitos dos “falcões” no Canal de Moçambique decor-
(Instituto Internacional de Esta- americanos, franceses e britânicos rentes da pirataria, do roubo de
dos Estratégicos) de Londres. presentes no encontro. recursos naturais, dos corredores
O encontro trouxe à capital sueca, Nas sessões à porta fechada, o de droga e do tráfico humano. A
Intervenção do MNE sueco, Carl Bildt, na sessão de abertura realizada no Grand
mais de 300 participantes, entre Hotel, onde também esteve o MNE da Noruega, Espen Barth Eide, ambos defen- jornalista Fernando Lima, con- reunião do IISS, em 2014, será re-
académicos, diplomatas, generais, dendo a não intervenção militar na Síria. vidado do IISS, falou no painel alizada em Oslo, Noruega.

África desperta para combater fuga de capitais


painel de alto nível sobre Thabo Mbeki que lidera o painel de modo a controlar este fenómeno. idades criminais e a fuga ao fisco. criar condições para a instalação

O a fuga ilícita de capitais


em África aponta que este
fenómeno manifesta-se
em três formas. Trata-se de cor-
rupção envolvendo figuras públi-
destas individualidades que es-
tiveram reunidas durante dois dias
na capital do país, com diversas
entidades, desde governamentais,
públicas, privadas e sociedade civil
A delegação não chegou de revelar
quais os níveis de fluxo de capitais
ilícitos no país, porque esse não é
um dos objectivos, mas sim perceber
a situação e produzir um relatório
Deste modo, apelaram ao governo
moçambicano para acelerar o passo
na adopção de instrumentos legais
para mitigação e controlo destes
actos maléficos, principalmente
de capacidade nacional para travar
o fenómeno. Assim, convida tam-
bém a sociedade civil para dar o seu
apoio na fiscalização de modo que
cas, actividades criminais e fuga para um processo de auscultação que será publicado próximo ano, nesta fase em que o país está a reg- as recomendações sejam cumpridas,
de capitais. Devido a esta prática, sobre os moldes que se manifestam no qual vão trazer um panorama istar o boom de recursos minerais. pois esta é que mais sofre os efeitos
estima-se que o continente perde os ilícitos financeiros disse que o geral e actualizado da manifestação O ex-estadista sul-africano con-
anualmente cerca de 50 bilhões de nefastos da pobreza.
governo moçambicano compro- deste fenómeno nos países africa- sidera que, geralmente, em países
dólares, um montante que constitui meteu-se a colaborar para a miti- nos e produzir as respectivas reco- onde se explora recursos como gás Mbeki destacou também que o
o dobro do necessário para com- gação deste mal. mendações. e petróleo têm aparecido investi- continente está a perder ilegal-
bater acções de pobreza no conti- Mbeki assegurou que o executivo Entretanto, referem que as prin- dores estrangeiros com o objectivo mente muitos recursos os quais
nente. moçambicano e sector privado ga- cipais formas de manifestação do de se aproveitarem das fraquezas necessita para combater a pobreza.
rantiram que estão a trabalhar no fluxo ilícito de capitais são a cor- legislativas para açambarcar as re-
O antigo presidente sul-africano, sentido de aprimorar a legislação rupção que envolve públicas, activ- ceitas. Aliás, antes de mais deve-se A.Nhampossa

Zâmbia aperta o Atentado no Quénia

Al-Shabab diz que matou 137 reféns


cerco à corrupção -Acusam o governo de Uhuru Kenyatta de ter usado “gás químico” para
acabar com o cerco ao centro comercial de Nairobi
Zâmbia começou a sector público onde campeia

A dar passos firmes na


luta contra a corrup-
ção, ao cancelar um
milionário contrato atribuído
de forma fraudulenta à em-
a corrupção, principalmente
quando se trata de atribuição
de contratos para o forneci-
mento de bens e serviços ao
Estado. O Governo zambi-
O
s islamistas da Al-
Shabab disseram esta
quarta-feira, através
da rede social Twitter,
que morreram 137 reféns den-
Al-Shabab (uma organização is-
lamista da Somália), ruiu na terça-
feira, o dia em que o Presidente
Kenyatta deu por encerrada a op-
eração militar contra os terroristas.
feira forma retirados “dezenas”
de corpos das ruínas do antigo
centro comercial de luxo e que
era o ponto de encontro dos
ocidentais (sobretudo diplo-
presa ZTE Corporation para ano colocou na sua agenda tro do centro comercial que Estes entraram no edifício atiran- matas) na capital queniana.
a implementação do projecto a luta contra a corrupção tomaram de assalto no sábado do granadas e disparando armas de Num discurso à nação, Keny-
Safe City, que visa a instalação devido ao seu impacto nega- passado em Nairobi, no Qué- assalto. Mataram, segundo os da- atta disse que cinco terroris-
de câmaras de vigilância nas tivo sobre os contribuintes, nia. dos oficias, 67 pessoas, mas Keny- tas foram mortos e 11 foram
ruas (CCTV) para melhorar a com a aprovação da Política atta disse que pode haver mais presos. O governo queniano
segurança na capital, Lusaka. Anti-corrupção em 2009. A “Para abater os mujahidines vítimas. fez saber, via comunicado, que
ZTE anda também em maus no centro comercial, o governo Continua por apurar quantas pes- os especialistas forenses e os
O Ministro dos Assuntos In- lençóis depois de Stephen queniano usou gás químico. soas estavam ainda dentro do cen- investigadores das forças de
ternos, Edgar Lungu, citado Lin, seu funcionário sénior Num acto de pura cobardia, as tro comercial como reféns dos ter- segurança estão a determinar
pelo jornal The Post, disse que ter sido acusado de ter re- forças quenianas dispararam roristas da Al-Shabab; o número a nacionalidade dos islamistas
o cancelamento do contrato de cebido em nome da firma projécteis contendo agentes de desaparecidos ronda o 60; há e não confirmou a informação
USD210 milhões celebrado USD35 milhões destinados químicos para dentro do edifí- 62 feridos. O assalto contra os ter- dada pela sua ministra do In-
com a ZTE surge na sequên- a um projecto universitário cio”, dizem os islamistas. roristas começou no domingo à terior, Amina Mohamed, que
cia de se ter descoberto que o na Guiné Nova Papua em “O Presidente Kenyatta e o noite e durou 80 horas, tendo saído disse que havia americanos
mesmo foi atribuído à com- 2010, projecto este inferme seu governo devem ser respon- fumo negro de dentro do edifício e uma britânica (Samantha
panhia de forma fraudulenta. de ilegalidades. A ZTE, ba- sabilizados por Westgate. Para durante toda a operação, possivel- Lewthwaite, a “viúva branca”)
O governante referiu que a seada na China, é uma rede encobrir os seus crimes, o gov- mente devido a incêndios provoca- entre os terroristas.
decisão foi tomada por se ter global provedora de soluções erno queniano provocou a der- dos pelos islamistas. “Não podemos confirmar es-
constatado que a atribuição e equipamento de telecomu- rocada do edifício, enterrando Esta querta-feira é o primeiro dos ses pormenores de momento”,
do mesmo fere as regras de nicações. Consta que a firma as provas e todos os reféns nos três dias de luto nacional decre- disse Kenyatta. O governo de
procurement de empreitadas com interesses em vários escombros”. tado por Kenyatta. Os bombeiros Londrers confirmou a prisão
públicas no seu país. A Zâm- mercados prepara a sua en- Uma parte do centro comercial estão a remover os escombros e o de uma pessoa de nacionali-
bia é citada como tendo um trada em Moçambique. Westgate, tomado de assalto diário queniano The Standard diz dade britânica em Nairobi mas
no sábado por uma milícia da que na noite de terça para quarta- não deu mais detalhes.
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NO CENTRO DO FURACÃO

O conito na produção de heróis em Moçambique


Por Carlos Serra
juntassem o conhecimento sobre as fizeram directamente a caminhada da de heróis, a Renamo, pedra angular ciente, o imaginário e o discursivo, as
Se o homem é a suas características, os gestores e os luta armada de libertação nacional, de uma guerra sangrenta de muitos representações sociais aqui em vista
candidatos a gestores da heroicidade mas cuja grandeza e cuja luta, como anos [3] que reclama ser a autora da são fortemente tributárias da forma
medida de todas as talvez se espantassem ao verificar a poeta um, como maestro outro, como democracia multipartidária em curso como os grupos políticos se inscre-
coisas, a política é a variedade de critérios populares para patriotas ambos, levaram a Frelimo a no país. veram na história do país e  nela ta-
estabelecer o perfil de heroicidade. dar-lhes o estatuto de heróis. Trata-se A Frelimo entende que apenas ela tuaram e tatuam os seus modelos, os
medida de todos os Poderia, até, acontecer que se tivesse do poeta José Craveirinha e do maes- está em condições de produzir os he- seus guias de referência, os seus he-
heróis. por heróis, espíritos de heróis. tro Justino Chemane. róis nacionais pois foi a criadora da róis epónimos, os seus valores, os seus
Um trabalho desse género permitiria, Existem pessoas que não estão nessa Nação, é a gestora natural do Estado, clichés, os seus prejuízos e os seus es-
também, que se soubesse um pouco Praça, cujo estatuto foi, certamente, tem a legitimidade absoluta da histó- tereótipos.
ria. A Frelimo entende que qualquer

1
. Introdução mais sobre as razões por que os jo- considerado menos relevante ou me- Os heróis moçambicanos não são,
Se, por destino dos bons vens, os estudantes e os mais velhos nos decisivo, mas que têm os seus no- produção fora desse perímetro é um portanto, livres de descansarem nas
deuses e dos bons espíritos, - afinal muitos de nós - pouco sabem mes em ruas e em praças provinciais atentado à história, à verdade. Por suas tumbas quando em jogo está a
os que governam Moçam- dos heróis oficiais, pouco se preocu- do país. isso impugna violentamente a ousa- sua reprodução ou a sua reactivação
bique e os que esperam governá-lo, pam com eles, pouco os sentem na dia da Renamo. política.
decidissem conjugadamente, com a alma. 4. A luta política na produ- Por sua vez, a Renamo, que disputa Eles são duramente produzidos e re-
alma magnética e dialéctica dos ir- Mas não é assim que as coisas se ção de heróis a gestão do Estado e se reclama da produzidos.
mãos gémeos, fazer um inquérito na- passam e se fazem, o mencionado A produção de heróis é, sempre ou criação da democracia nacional, en- Por consequência, não há heróis em
cional para conhecerem as percepções inquérito nacional não será realizado. quase sempre, um laborioso processo tende que tem também o direito de si, à partida. O que em vida foram
populares sobre heróis, sobre quem Regra geral, coisa de herói oficial é histórico de luta, de catalogação, de disseminar, de moçambicanizar os certas pessoas é o que queremos que
são esses heróis, sobre quem merece coisa de poder. Melhor: produto de etiquetagem, de defesa de lugares ad- seus heróis, de lhes dar um estatuto sejam, no molde das nossas exigên-
história e estátuas, sobre quem tem relações incessantes de poder, eixo de quiridos, de valores primeiros. paritário, de legitimidade nacional.
cias de virtude, proeminência e legi-
legitimidade popular, talvez se sur- uma intensa luta pelo monopólio da A esse propósito, lembrei-me de um Muito provavelmente, um partido
timidade.
preendessem com o surgimento de sua produção. livro fascinante, escrito por Norbert mais jovem, filho rebelde da Renamo,
A politização da alteridade, a heroi-
heróis que, por hipótese, teriam, por Elias em parceria com John Scotson, o Movimento Democrático de Mo-
cização ou a diabolização, são partes
exemplo, as seguintes cinco dimen- 2. O que é um herói? que, na versão inglesa, tem o título çambique, abrirá também, no futuro,
constituivas da forma como constru-
sões hierarquicamente organizadas: Um herói é alguém a quem, colectiva, “Os estabelecidos e os intrusos” e, na uma frente de heróis, tentando triun-
ímos a visibilidade de quem amamos
Heróis familiares ou de parentela inter-subjectivamente (excluo a aná- versão francesa, o título “Lógicas da viratizar a legitimidade na produção
ou odiamos.
alargada lise dos heróis pessoais), atribuímos exclusão”. nacional desse tipo de recursos polí-
O poli-heroísmo está definitivamen-
Heróis locais extra-familiares qualidades e práticas extraordinárias, Nesse livro, Elias e Scotson mostra- ticos.
te instalado e será sempre, por hipó-
Heróis distritais fora do comum, alguém que perdeu ram como, no fim dos anos 50 do sé- Temos, então, uma nova “guerra”,
desta vez não com metralhadoras, tese, monitorado pela luta política. 
Heróis provinciais, eventualmente digamos que as suas qualidades hu- culo passado, numa cidade inglesa de
mas com heróis, uma guerra pela pro- Se o homem é a medida de todas as
biprovinciais manas e se transformou numa espécie periferia, os aí chegados em primei-
dução e pelo controlo político desse coisas, a política é a medida de todos
Heróis oficiais de deus terreno, de deus profano. Para ro lugar produziam e reproduziam a
importante recurso de poder. os heróis.
Estatisticamente, os gestores e os enunciar um truísmo, um herói nunca exclusão social dos novos chegados,
candidatos a gestores da heroicidade existe a montante, mas a juzante das como os catalogavam, como os rejei- A atribuição em 2008 do nome de
[1] h t t p : / / z i m b a b w e e l e c t i o n .
oficial talvez viessem a descobrir e a nossas representações sociais. André Matsangaíssa à rotunda 2314,
tavam, como se esforçavam perma- com/2013/09/02/mugabe-being-
reconhecer que quanto mais saímos A morfologia da heroicidade é, na- situada no Bairro da Munhava, arre- -quarrelsome-mdc-t/; http://zim-
nentemente para assegurar os seus
dos círculos familiar, local e distrital, turalmente, vasta e variada. O herói dores da cidade da Beira – na altura babw eelection.com/2013/09/02/
privilégios, como segregavam o que,
mais difícil é conhecer e partilhar os não tem um centro temático ou uma municipalmente gerida pela Renamo mdc-members-will-never-be-buried-
no seu prefácio à obra, o sociólogo [4]
heróis oficiais, aqueles pan-heróis linha unívoca de pureza. -, é um exemplo claro de uma pri- -at-heroes-acre-says-mugabe/
francês Michel Wieviorka chamou
distantes e desconhecidos comemo- Os heróis são tantos quantas as nos- meira brecha aberta no monopólio [2] Elias, Norbert and Scotson, John
“racismo sem raça” [2]. L.,  Logiques de l’exclusion. Paris:
rados nos dias festivos, nos discursos, sas necessidades em guias, em re- frelimiano de gestão de heróis, é um
Tenho para mim que estamos peran- Fayard,1997.
na rádio, na televisão, nos comícios, ferenciais, em modelos de conduta, exemplo do prosseguimento da guer-
te uma excelente grelha teórica para [3] http://oficinadesociologia.blogspot.
etc. em juízes, em territórios de combate, Os heróis ocialmente conhecidos em Moçambique são aqueles que a Frelimo, através do Estado que gere desde 1975, decretou como tais. Na imagem destaca-se Samora Machel (primeiro em pé da esquerda para a
ra agora pelo controlo da toponímia.
analisarmos a produção política de com/2006/05/consequncias-da-guerra-
Se ao conhecimento dos heróis popu- em futuros. E, regra geral, consoante direita) e Eduardo Mondlane (segundo em pé da esquerda para a direita) A “Winston Parva”, a pequena cidade
heróis em Moçambique. -civil-em.html
larmente reconhecidos e legitimados a intensidade e a extensão das lutas do livro de Elias e Scotson, é, afinal, o [4] A gestão da cidade da Beira está a car-
entre grupos sociais ou nacionais. Os te. Um herói oficial dispõe, claro, de aos Zimbabweanos e não à ZANU- e unilateralmente produzidos e deci- Quem são os  heróis  oficialmente Com efeito, estamos hoje confron-
nosso pleno Moçambique. go de Deviz Simango desde 2003: nesse
impuros de uns são os puros de ou- um peso de irradiação formal bem -PF [1]. didos são os seus heróis e, portanto, conhecidos em Moçambique? Os tados com o fenómeno de termos a
ano eleito presidente do município con-
tros e vice-versa. maior do que aquele de que dispõe Quanto mais partidarizado for um menos possibilidades têm de ser po- heróis oficialmente conhecidos em gestão do panteão oficial de heróis 5. A política é a medida de to- correndo pela Renamo, repetiu a proeza
Heróis são seres que, com o tempo, um herói do bairro do Xiquelene em Estado, mais políticos e mais central pularmente aceites. Moçambique são aqueles que a Freli- - a cargo da Frelimo, ganhadora da dos os heróis em 2008 como independente, após ter
unificámos psicológica e socialmente Maputo, de um sindicato combativo, mo, através do Estado que gere desde independência nacional, gestora do Situadas na interface entre o indi- sidio expulso daquele partido. Em 2009
numa matriz comportamental única dos meandros do crime ou das matas 1975, decretou como tais. Estado -, disputada e posta em causa vidual e o colectivo, o racional e o fundou o Movimento Democrático de
e virtuosa, da qual eliminámos os de- de uma guerrilha. São heróis que operaram no interior por uma outra candidata à produção impulsional, o consciente e o incons- Moçambique.
feitos e, até, as qualidades humanas Mas isso não significa que o peso de um processo histórico: o da luta de
comezinhas. informal, não oficial, dos heróis, seja libertação nacional a partir de 1962.
Mais: em quem, muitas vezes, hiper- pequeno: um herói dos quarteirões Que operaram e que foram definidos
valorizámos um aspecto de conduta populares ou das sagas campesinas no interior de ideais, de virtudes e de
(que pode ser motivo de retrabalho de luta pode ser mais intensamente práticas produzidas pela liderança
permanente e de acréscimo) deixan- sentido e glorificado do que um herói hegemónica da Frelimo. Ideais, virtu-
do outros na penumbra. Estas as ra- seleccionado numa reunião fechada des e práticas que os produziram com
zões por que certos heróis podem ser do grupo dirigente de um partido e exclusão daqueles que foram conside-
iminentemente políticos ou comple- regularmente projectado nos órgãos rados traidores. São pessoas a quem
tamente políticos. de comunicação. o grupo dirigente da Frelimo atribuiu
Os heróis existem em todo o lado e virtudes extraordinárias em seu papel
desde sempre, não importa onde e 3. Heróis ociais de pais fundadores e de pais execu-
quando. Os heróis podem ser motivo de con- tores da gesta nacionalista e revolu-
Somos produtores  “naturais” de he- flito agudo entre grupos e partidos cionária, são pessoas que foram con-
róis, de hiper-eus nas diversas socia- na competição pelo monopólio da sideradas excepcionais na concepção
lizações pelas quais atravessamos a sua produção. Melhor escrito: são e na implementação dos programas
vida e a história. Os mais pequenos quase sempre. Por exemplo, recen- que permitiram que a independência
agrupamentos dispõem de heróis, de temente o presidente do Zimbabwe, nacional fosse alcançada. São heróis
guias, de modelos de conduta. Os he- Robert Mugabe, afirmou que jamais definidos no interior de uma luta
róis tanto podem habitar um lar, um os membros da oposição seriam con- política e militar contra opositores
grupo de famílias, uma rua, quanto templados na praça dos heróis nacio- estrangeiros e nacionais à frente de
uma prisão ou as matas da guerrilha, nais do seu país, apenas reservada aos libertação.
A atribuição em 2008 do nome de André Matsangaíssa (na imagem e sem camisa)
tanto podem estar mortos quanto vi- heróis do seu partido, a ZANU-PF. Os restos mortais desses heróis estão
à rotunda 2314, situada no Bairro da Munhava, arredores da cidade da Beira – na vos e, estando mortos, estarem vivos Um porta-voz do MDC-T, partido Uria Simango, um dos fundadores da Frelimo, foi extra-judicialmente executado pelo na cripta da Praça dos Heróis, cidade
altura gerida pela Renamo -, é um exemplo claro de uma primeira brecha aberta no na memória e na invocação cultual. na oposição, reagiu declarando que governo pós-independência de Samora Machel. A história ocial relegou o antigo de Maputo. Aí estão, também, os res- O poeta José Craveirinha (na imagem) e o Maetro Justino Chemane são duas pessoas que não zeram directamente a caminha-
monopólio frelimiano de gestão de heróis. Temos heróis de magnitude diferen- a praça nacional dos heróis pertencia vice-presidente da Frelimo para a condição de reaccionário tos mortais de duas pessoas que não da da luta armada de libertação nacional, mas cuja grandeza e cuja luta levaram a Frelimo a dar-lhes o estatuto de heróis.
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18 Savana 27-09-2013
OPINIÃO

EDITORIAL Cartoon

Fuga de capitais e o
benefício da dúvida
a semana passada, Moçambique recebeu uma delegação do

N Painel de Alto Nível Sobre o Fluxo Ilícito de Capitais em


África, chefiada pelo antigo Presidente da África do Sul,
Thabo Mbeki.

O Painel foi criado em Fevereiro de 2012 pela Comissão Económica


das Nações Unidas para África (ECA), em parceria com a União
Africana (UA). O seu objectivo é manter diálogo com os governos
africanos, tendo em vista encontrar mecanismos que contribuam para
estancar o fluxo de capitais que de forma ilícita são exportados dos
países africanos.
De acordo com estudos realizados, África perde anualmente mais de
Polícia sem bastão
50 biliões de dólares resultantes de exportações ilícitas de capitais,
facto que na óptica da UA e da ECA contribui para debilitar ainda
Por João Carlos Barradas*
mais as frágeis economias africanas.
ífio e canhestro na gestão da Armas Químicas” terão de concluir a
Para os promotores desta iniciativa, o fluxo ilícito de capitais é a prin-
cipal causa que trava o desenvolvimento do continente africano, sen-
do que só em 2012, os 50 biliões de dólares exportados ilegalmente
ultrapassam os 46.1 biliões de dólares que o continente recebeu na
forma de ajuda para o desenvolvimento.
P crise síria, Obama cedeu a mão
a Putin, descredibilizou as suas
ameaças de uso da força militar
e irremediavelmente deixa em aberto
um final de mandato que oscilará en-
destruição de equipamentos de pro-
dução e municiamento.
Presumindo que o novel subscritor da
Convenção Internacional que proí-
be a produção, armazenamento e uso
Aqui, Obama acaba
encurralado.
Se alegar incumprimento da parte
de Bashar al Assad terá de cumprir
a ameaça de ataque militar, que, ou
segue o pedido inicial entretanto sus-
O que é ainda mais caricato é que uma boa parte dos capitais expor- tre a tentação da intervenção muscu-
tados tem como destino os próprios países de onde África recebe a de armas químicas e seus percursores penso de autorização do Congresso, e
lada ou das tiradas ocas de cooperação (tratado que continua por convencer
maior parte da ajuda para o desenvolvimento. será de duração e impacto muito li-
multilateral. os governos de Angola, Sudão do Sul,
As exportações ilegais de capitais têm como principais veículos as mitado, ou assumirá um cunho mais
multinacionais que investem nos países menos desenvolvidos, e as- Egipto e Coreia do Norte) respeita destrutivo requerendo difícil negocia-
Implausível e impraticável o acordo
sumem a forma de transacções comerciais não documentadas, para os seus compromissos, até ao final do ção na Câmara de Representantes e
russo-americano para eliminação dos
além de dividendos sobre investimentos feitos em África em condi- primeiro semestre do próximo ano a Senado.
arsenais químicos da Síria evita uma
ções extremamente generosas. derrota política a Obama na altura em eliminação dos arsenais e instalações Nas Nações Unidas, os Estados Uni-
Embora neste último caso não se possa dizer taxativamente que se que tem de negociar questões orça- estará completa. dos terão de assegurar uma autoriza-
trate de exportações ilegais, há um conjunto de outras actividades ilí- mentais no Congresso e adia para data O plano é impraticável porque exige ção do Conselho de Segurança prati-
citas que contribuem para agravar a situação. Tais são os casos de so- incerta a impopular decisão de atacar a presença no terreno e liberdade de camente impossível de obter sem aval
bre-facturação nas importações, sub-facturação nas exportações, eva- militarmente o regime de Bashar al movimento de centenas de técnicos de Moscovo.
são fiscal, falsas declarações e outros actos de corrupção. Em outros Assad. e a cooperação das autoridades que, Os Estados Unidos não têm aliados
casos, dinheiro roubado por altos funcionários ao serviço do Estado O compromisso negociado por John de acordo com os dados e provas cir- ou clientes entres os protagonistas de
é depositado em bancos “seguros” em países do mundo desenvolvido Kerry e Sergei Lavrov é benéfico para cunstanciais tornadas públicas pelos uma guerra civil sem fim nem vence-
ou alguns dos cerca de 60 paraísos fiscais espalhados pelo mundo. Damasco e o seu aliado iraniano e peritos das Nações Unidas, utilizaram dores a curto prazo.
Noutros casos ainda, grandes multinacionais registam-se nos países revela a profunda relutância norte- armas químicas nos arredores de Da- Os fundamentalistas sunitas acabarão
de acolhimento fazendo constar como sua origem países onde se en- -americana em envolver-se directa- masco a 21 de Agosto. por prevalecer, sendo incerto o destino
contrem isentos de impostos. Deste modo, se nos países de acolhi- mente em novos conflitos militares no A dimensão dos arsenais de sarin, VX, da minoria alauíta fadada à irrelevân-
mento também beneficiam de incentivos fiscais (devido a políticas Médio Oriente. cia ou confinada a um mini-estado ét-
e gás mostarda é ainda desconhecida e
de incentivo ao investimento), tal significará que também não pagam A credibilidade da ameaça de uso da nico nas margens do Mediterrâneo e
nas condições de guerra civil dificílima
impostos nos países da sua verdadeira origem, o que lhes proporciona força por parte dos Estados Unidos é esta premissa que condiciona todos
de apurar com rigor.
lucros fabulosos. para impedir o Irão de obter armas os cálculos.
As técnicas ideais utilizadas para des-
Especialistas nesta matéria observam que embora o fluxo ilegal de atómicas sofreu um sério revés e os O arrastamento do conflito gera, no
truição de armas químicas implicam
capitais seja um fenómeno global, o seu impacto em África é “mo- estrategos e ideólogos de Teerão têm entanto, impoderáveis cada vez maio-
o recurso a incineração, separando
numental”, representando uma verdadeira ameaça à governação e caminho aberto para optar, se assim o res sobre as reacções que vai suscitan-
componentes tóxicos e invólucros me- do no Iraque, Líbano, Jordânia, Tur-
desenvolvimento económico nos países afectados. Alguns dos efeitos entenderem, por levar até ao extremo
limite um programa nuclear militar. tálicos, ou neutralização de elementos quia e Israel.
destes fluxos ilícitos de capitais são a drenagem das reservas cambiais
Salvo a realização de testes nucleares, tóxicos por hidrólise. As monarquias do Golfo e o Irão
dos países, fraca colecta de impostos, fuga de investidores e o aumen-
o Irão pode desenvolver sistemas de Estes processos delicados e morosos prosseguem a guerra por interpostos
to da pobreza.
operacionalização militar de armas obrigam ao uso de instalações especia- agentes e pouco confiáveis clientes,
Antes de Moçambique, a equipa de Mbeki esteve na Argélia, Congo-
-Kinshasa, Nigéria, Quénia, Tunísia e Zâmbia, não se podendo por atómicas sem risco de intervenção lizadas ou transporte seguro de gases num confronto agravado pela ausên-
isso pretender inferir que a sua deslocação ao país seja um sinal de norte-americano tendo a temer so- em condições estáveis para o exterior cia de mediação do Egipto onde os
que Moçambique é um dos países afectados. bretudo um ataque israelita que Wa- do país. generais, apoiados pela minoria copta
Mas repetidos apelos por parte de organizações da sociedade civil shington tenderá a conter. Métodos expeditos como o lançamen- e alguns sectores laicos tentam esma-
para que o governo mantenha uma relação de prudência com as vá- to de armas e produtos tóxicos ao mar, gar os “Irmãos Muçulmanos”.
rias multinacionais que exploram os nossos recursos naturais podem Assad, o cumpridor utilizado para destruir os arsenais na- Pífio e canhestro na gestão da crise
constituir um sinal claro de que Moçambique pode estar a perder É do interesse de al Assad cumprir zis, ou a queima em poços ao ar livre, síria, Obama cedeu a mão a Putin,
centenas de milhões de dólares como resultado de negócios mal fei- os termos do acordo que acatou, so- praticado após a queda de Saddam descredibilizou as suas ameaças de uso
tos. licitando no último fim-de-semana a Hussein, são inaceitáveis ao abrigo da da força militar e irremediavelmente
Em alguns casos, esses negócios poderão ter sido mal feitos devido adesão à “Convenção de Armas Quí- boa consciência ecológica. deixa em aberto um final de mandato
à falta de capacidade por parte das pessoas envolvidas, mas noutros micas”, e fornecer até sábado uma que oscilará entre a tentação da inter-
poderemos estar em presença de actividades criminosas deliberada- lista compreensiva dos arsenais, sua Obama, o incerto venção musculada ou das tiradas ocas
mente realizadas por indivíduos mascarados de governantes. localização, além de instalações para de cooperação multilateral.
A guerra civil em curso impedirá,
Quando a transparência na forma como os negócios do Estado são produção, pesquisa e desenvolvimento Nada que convença seja quem for em
de armas químicas. contudo, a prossecução do plano pro-
processados não faz parte do código de ética e de conduta do governo, terras habituadas à lei da força.
Até Novembro, a inspecção prelimi- piciando pretextos de todo o tipo a
infelizmente a melhor coisa que se pode fazer é dar o benefício da
nar dos locais indicados pelo governo qualquer das partes para denunciar o * Jornalista
dúvida.
sírio deve estar completa e os técnicos seu incumprimento quando politica- barradas.joaocarlos@gmail.com
da “Organização para a Proibição de mente conveniente. http://maneatsemper.blogspot.pt/

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Savana 27-09-2013 19
OPINIÃO

João Mosca

“Tou pidir”
ste texto pretende reflectir so- dia. Não viu o sinal vermelho, pergunta diga. Estamos juntos! vendo esforços junto da comunidade telefónica do parente de um dos não

E bre quanto e como se implan-


ta na sociedade moçambicana
(sobretudo centros urbanos),
múltiplos mecanismos de obtenção de
rendas, alcançando, de forma directa
o polícia. Sim, vi, responde o condu-
tor, estou com muita pressa, desculpe!
Como vamos fazer? Não sei, diga o
senhor polícia. A infracção é grave,
acrescenta. Sim, peço desculpa, ia com
Este patrão tem vários negócios e re-
solve abrir mais uma empresa. Pede
uma audiência, informando do assun-
to: um investimento de muitos milhões
de dólares. O chefe recebe-o e diz.
internacional para se “pidir” apoio. Al-
gumas embaixadas começam a anun-
ciar diferentes contribuições. Os bens
começam a chegar e o senhor patrão
começa a trabalhar fazendo cumprir a
seleccionados. Resultado, em vez de
um, contratou duas pessoas.
O enredo poderia continuar com mui-
tos episódios que se multiplicam dia-
riamente e fazem parte do quotidiano
ou indirecta, uma elevada percenta- pressa. Não, diga o senhor como vamos Fantástico, haverá todas as facilidades. promessa de eficácia para que os pro- da vida de uma parte significativa dos
gem dos cidadãos. Este texto apenas fazer! Bem então quanto é? Depois Este é um negócio importante para o dutos chegassem ao destino. moçambicanos. Na ocupação de vagas
refere às formas de obtenção de ren- de algum regateio, acerta-se o valor. combate à pobreza. Mas desculpe, re- No local da distribuição, é a vez do nas escolas, no conhecimento dos exa-
das de valor baixo. Não inclui o que se O polícia põe a mão um pouco para cebi um telefonema urgente. Podemos chefe local. Começa a saber-se da dis- mes e na atribuição de notas, nas filas
designa pela alta corrupção, comissões dentro da porta e recebe a “mola”. Bom conversar logo às 16:30 no bar do hotel tribuição privilegiada aos familiares dos centros de saúde para atendimento
de negócios de alto valor, especulação dia, não repita. Obrigado diz o condu- 22. Ok, lá estarei, responde o patrão. dos chefes locais. A população reage. pela “porta de cavalo”, na obtenção de
imobiliária e de recursos, negócios de tor já com o carro em andamento. Chegada a hora o patrão encontra-se Os chefes locais continuam na azá- licenças diversas, na caça furtiva, na
mercados futuros, entre outros. Entretanto, o patrão, quando estacio- no local. Passados 20 minutos recebe fama da distribuição sem esquecer as fiscalização de actividades económicas,
No estacionamento dos carros, em na o carro verifica que afinal, no local uma mensagem. Desculpe, estou aqui famílias, outros chefes, amigos e ca- na fuga aos impostos, etc.
muitas ruas e avenidas de Maputo onde deu 10 Meticais, teria ficado sem numa reunião, vou demorar um pou- maradas. Os responsáveis do Estado O que o autor pretende reflectir com
houve-se dizer, “patrão, vou guardar”. o espelho do lado esquerdo. co. Muito bem, aguardo, responde o agradecem por mais um momento de este texto? Primeiro, aos diferentes ní-
Um dia ouvi alguém retorquir: guardar O mesmo patrão dirigia-se a um ser- patrão. Passado algum tempo, chega o solidariedade internacional. Os órgãos veis da sociedade e de forma alargada,
o quê? Quem vem roubar? Não, patrão, viço do Estado para resolver alguma chefe num vistoso 4x4, com um ar todo de informação oficiais ressaltam que pelo menos nos centros urbanos prin-
aqui não roubam. Então guardar o quê, questão da sua empresa. Antes infor- apressado. Desculpe, vamos sentar um tudo correu bem, a situação está con- cipais, existem, por força das circuns-
se ninguém rouba? Não patrão “tou pi- mara-se, com outros patrões, sobre pouco ali no bar. A hora já vai adianta- trolada e as populações voltaram à vida tâncias, múltiplas formas expeditas de
dir” moeda, tenho fome! Ah, ... isso é como mais rapidamente solucionar o da e diz: não há problema, já conversei normal. obtenção de rendimentos irregulares,
outra coisa, tem fome pede dinheiro, assunto. Ia com a lição estudada. Che- com os meus colegas e confirma-se a O patrão tem de estar na onda dos prejudicando terceiros e o país. Mui-
não fala guardar. No fim. Quando re- ga ao local e pergunta pelo senhor X. prioridade do seu investimento. Mas negócios. Agora são os recursos natu- tos destes expedientes são tipificáveis
gressou, deu 10 Meticais ao jovem que Saiu, vem já. Está a vir. O patrão aguar- seria bom ter um sócio de entre os nos- rais. Mas dessa área nada sabe. O seu como corrupção, tanto para o corrup-
teria ficado a “guardar” o carro. da e passados cerca de trinta minutos, sos confiados, assim você estará mais dinheiro é destinado às actividades tor como para o corrupto.
Assim sobrevivem muitos jovens e volta a perguntar. O senhor X ainda tranquilo. Sim e quem será? Posso ser que sempre desenvolveu. Falando com Segundo, uma sociedade onde o de-
crianças em Maputo. Entre eles haverá não voltou. Não, está a vir. Ao fim de eu, 30% do capital e um valor de N um amigo, pergunta: “brada”, que tal senrasca, o esquema e as habilidades, a
seguramente organização. Inclusiva- algum tempo, chega o senhor X. Bom dólares à cabeça. Mas isso é muto, vai me conseguires uma licença mil hec- mentira, o disse que não disse, o cinis-
mente para se exporem pessoas com dia, bom dia. Tudo bem? Tudo! Diga. inviabilizar o investimento, retorquiu o tares para exploração mineira, numa mo, etc., prevalecem sobre os valores
deficiências para sensibilizar quem Venho pelo senhor Y que me indicou o patrão. Ok, ficamos em 20% e metade daquelas zonas muito ricas. O amigo do mérito, do esforço, da força de lei
passa, alguns, nos seus belos carros, seu nome. Ah sim, já sei. Um momen- à cabeça. Acertado. Até depois, despe- retorquiu. Eh pá, esse negócio é muito da palavra, então há injustiças sociais
onde, lá dentro, o ego do condutor to que vou buscar os papéis. Passado de-se o chefe apressado. Falamos. Sim, fechado, o acesso é difícil, está contro- e perdas de eficiência e de competiti-
se mantém insensível. A organização algum tempo, o patrão telefonou ao falamos para acertar como se realizam lado e só os grandes é que conseguem! vidade. E, mais grave, constrói-se uma
pode implicar a hierarquização dentro senhor X. Demora muito? Não, estou a estes valores. Valeu!!! O Senhor X, contactou depois outros sociedade de valores difusos, onde a
e entre grupos de jovens, que igual- aqui com o chefe para despachar. “Tou” No país, aconteceu uma grande cheia bradas e obteve respostas similares. O selvajaria comportamental conduz ao
mente possuem regras de distribuição no caminho já. Passado algum tempo num dos rios do sul. O patrão, muito Senhor X, “peixe ainda miúdo”, não desenrasca sem respeito por terceiros.
das “receitas” obtidas. chega o senhor X com os papéis e diz: ligado às esferas de decisão, fornecedor conseguiu desta vez, os seis objectivos.
Depois da conversa com o jovem da não foi fácil. Aquele chefe exige muito! de logísticas, vê nesta calamidade uma Porra pá, os gajos comem tudo!! *Por lamentável erro de paginação co-
rua, o mesmo patrão, andando nas ruas É muito exigente, pergunta o patrão? oportunidade de negócio. Dinheiro da Com o aumentar vertiginoso dos ne- metemos um lapso ao não colocar no pé
da cidade, é mandado parar por um Muito mesmo. Então como lhe posso comunidade internacional, emergên- gócios, o patrão ampliou as suas acti- de página que se seguia ao título NOVA
polícia, daqueles carinhosamente (ou agradecer? O senhor Y não informou? cia, fornecimento rápido, prioridade vidades e fez entrevistas a alguns can- ALIANÇA CONTRA A POBREZA –
não) conhecidos por “cinzentinhos”. Sim está aqui. Vamos ali conversar um em tudo, … enfim todas as condições didatos a um novo posto de trabalho. GRANDES PROJECTOS – TERRA
Estava “estrategicamente” colocado, pouco. O ali era apenas um local mais para se ganhar mais. Em contacto com Perguntava: nome e apelido, não vá ele - PRODUÇÃO ALIMENTAR - PE-
depois de um semáforo meio enco- resguardado para receber o envelope. os respectivos órgãos competentes do estar distraído com a presença de um QUENOS PRODUTORE - ESTADO
berto por uma árvore. Bom dia, bom Obrigado. Até depois. Quando quiser Estado, sabe que se estão desenvol- nome sonante. Qual o partido político e que era o seguinte:“Este texto foi editado
em que o jovem milita para evitar pes- online (www.omrmz.org) pelo Observa-
soas “não nossas” e de “não confiança”. tório do Meio Rural na série Destaque
Idade e morada. Local e instituição de Rural. Esta versão possui algumas alte-
formação para evitar alguma universi- rações, incluindo um ou outro parágrafo.
dade-chafarica. Feita a selecção, esco- Este texto não vincula o OMR.” Pelos
lheu um jovem a quem comunicou a eventuais transtornos causados as nossas
decisão. Porém recebeu uma chamada sinceras desculpas.

A terapia do bem
esde que eu comecei a com a esposa e levava cinco caixas de quarto, noite adentro, não chora

D trabalhar aos 14 anos de


idade para ajudar o sus-
tento da casa e custear
os meus estudos, e aos 16 anos
vinho e uma tonelada métrica de cer-
veja em ampolas.
Duas semanas depois, já não era um
carro, eram dois porque um deles ia
lágrimas de sangue sobre a sua
própria almofada.
Não me estou a pôr de parte,
no fundo não sou nenhum su-
carlosserra_maputo@yahoo.com
http://www.oficinadesociologia.blogspot.com

343

comecei a beber e aos 18 fui pela


primeira vez a um prostíbulo,
tenho aprendido muito na vida.
Uma das coisas que a vida me
com a filha para carregar carne e ar-
roz e em vez de cinco caixas de vinho
levava seis e em vez de se ter dançado
até às sete da tarde, dançou-se o dia e
per homem. Também tenho as
minhas fraquezas, também não
suporto as estórias que conto
mesmo na forma como escrevo.
Mechas
s mechas são mais do (são regra geral várias, reuni-

A
tem ensinado é que os homens a noite toda. Tenho o meu modelo de perfei-
com o tempo tornam-se muito Isto cansa mas não há como nos sa- ção. Sei que não vou atingi-lo que o sinete de um das por causa do ritual) passam
repetitivos, repete-se gestos, fra- farmos. Em toda a parte e em todas mas a minha luta é sempre di- corpo modificado  ao em revista a vida da família, da
ses, estórias, a maneira de olhar as circunstâncias as pessoas repetem- reccionada para essa meta. nível do couro cabelu- comunidade, do bairro, as suas
e o que se torna mais chato é que -se na forma como se riem como fa- Uma das estórias que gosto de do, do que uma janela para a
normalmente, quando se trata lam, como se olham, nas estórias que contar começa sempre assim: alegrias e as suas tristezas; vál-
alegria de um novo visual, do
de copos as estórias repetem-se contam e na imagem que constroem “quando Jesus Cristo nasceu eu vula de escape, porque a  “me-
que o exercício de uma estética
de forma invariável e demons- sobre si próprios ou na imagem que estava a sair da tropa. Então al- chação”  é um canal de afirma-
vibrante, do que um utensílio
tra-se claramente que de cada sobre si próprios querem transmitir guém pergunta quem é que esta- ção, de marcação identitária,
para a sedução.
vez que a pessoa conta a mesma ao próximo. va a sair da tropa”. frequentemente de protesto
estória tirando os nomes tudo O que mete pena é podermos reparar - Respondo “eu”. – Tu. São, também, por um lado, um
termómetro do social e uma contra a dominação masculina.
varia. que tudo isso não passa de simples - Eu sim. Duvidas?
Existe aquele homem que conta representação para não dizer hipo- - Não, não tenho nada que du- válvula de escape feminina. Em cada mecha anda uma his-
que em Setembro do ano passa- crisia. vidar, aliás, quem sou eu para Termómetro do social porque, tória, em cada história habita
do foi ao casamento do filho em Mas na verdade e cá entre nós, quem duvidar da tua palavra. nas longas horas que dura o uma alma, história e alma das
Nampula no seu caro próprio é que quando está na solidão no seu - E sinto-me bem arranjo do couro, as mulheres nossas raparigas.
20 Savana 27-09-2013
OPINIÃO

A TALHE DE FOICE EESPINHOS DA MICAIA


Por Machado da Graça Por Fernando Lima

Contas a sua permanente preocupação dias. E temos que 45x57 600 dá a quan-
Estradas
N de defender e justificar todas as
acções e omissões de quem lhe
paga, o Director da AIM, Gus-
tavo Mavie, resolveu, de máquina calcu-
ladora na mão, enfrentar todos aqueles
tia de US$2 592 000. E estou a dar de
bonus a província/cidade de Maputo,
apesar de as deslocações à ilha da Inha-
ca também serem feitas de heli.
Portanto, temos resultados bem diferen-
É
bom ouvir falar de novo em estrada de
raiz entre a Beira e a Machipanda.
Mesmo que venha acompanhada de por-
tagem.
As estradas em Moçambique, porém, têm de
sobretudo itinerários principais, que passem ao
lado de centros urbanos?
É de bradar aos céus, que depois das cheias de
2000, onde foi preciso fazer construção de raiz,
ter a N1 a passar bem no centro da cidade do
que afirmam que as excursões, políticas tes entre as contas do Gustavo Mavie e estar acompanhadas com outros debates com- Xai-Xai. Ou a reabilitação de fundo que deixou
e de propaganda, de Armando Guebu- as minhas. Pelas minhas, o custo deste plementares. a mesma N1 no meio da Manhiça e da Palmeira.
za, pelo país, vulgarmente conhecidas peregrinar são cinco vezes maiores do Será que quer o corredor da Beira, quer a N4 para Serão os comerciantes tão poderosos a ponto de
como Presidências Abertas, são uma que pelas dele. São, na minha modesta Ressano Garcia devem ser substitutos das linhas travarem um desvio de progresso e modernidade
loucura de esbanjamento dos dinheiros opinião, uma barbaridade de dinheiro. de caminho de ferro que gestores ineptos e ser- a bem dos citadinos destas urbes? Será que as
públicos. E não estamos a incluir aqui os custos viços comerciais ainda mais incompetentes man- crianças que vão à escola diariamente têm que
Fez as contas, à sua maneira, e publicou- de combustível para os helis nem os têm a funcionar a meio gás, para não usar a ex- inevitavelmente negociar o seu percurso com
-as no Notícias de 18 de Setembro. custos de alojamento para os seus tri- pressão “às moscas”, pois só os escribas incautos e monstros de oito rodados que fazem o circuito
a soldo da manipulação das empresas de imagem Norte-Sul. Não será uma boa oportunidade para
Segundo ele, “tendo consultado peritos”, pulantes.
e comunicação podem achar que tudo vai bem, o INAV equacionar uma redução drástica nos
apurou que os helis custam US$400 por Se acrescentarmos o preço de deslocar,
incluindo as novas miríades de caminhos de ferro atropelamentos que são, dramaticamente, 50%
hora, correspondendo isso a US$1600 alimentar e alojar, vários ministros, di-
entre o Botswana e a Ponto do Ouro. das mortes nas estradas moçambicanas.
por dia, na medida em que não voam rectores nacionais, e outros que tais, a Será que a via Machipanda e a via de Tete de- Claro que vão dizer que a Bela Vista morreu
mais de quatro horas por dia. E conclui factura sobe galopantemente. vem ser as rodovias de opção para o transporte desde que a estrada para Salamanga e a Ponta
que, por ano, não se gastarão mais de Tudo a sair do nosso bolso, apesar de, de combustíveis líquidos, quando ao lado corre do Ouro começou a passar ao largo. A questão
US$500 000. O que ele acha perfeita- em todo o lado, o cidadão Armando um oleoduto que, vezes sem conta pára por falta de fundo é que as urbes moçambicanas têm
mente aceitável... Guebuza realizar encontros de trabalho de liquidez do governo de Robert Mugabe, para, de ter dinâmicas próprias e não decorrentes de
Mas, pergunto eu, será assim que a em- partidário com as organizações locais entre outras coisas, pagar as contas dos carbu- conjunturas que, em última análise, contribuem
presa dona dos aparelhos faz as contas? do partido de que é Presidente. Parti- rantes bombados a partir da Beira? Claro que para menor qualidade de vida. No paupérrimo
Não creio que seja. do esse que, é óbvio, não contribui, nem para o Malawi, Zâmbia e RDC, tudo é mais debate (há mesmo debate?) do movimento da
Obviamente, para essa empresa, os helis com um tostão, para as despesas acima complicado com a Linha de Sena atrapalhada autarcização nacional, nunca me apercebi de um
estão a pagar desde o momento em que descritas. com o carvão de Moatize, mesmo que as cargas tal ponto na agenda dos paus mandados que são
saem das suas instalações até ao mo- Por tudo isto, a minha conclusão é to- sejam em sentido ascendente e pudessem virar escolhidos como candidatos.
mento em que voltam para lá. Por dia talmente contrária à do Gustavo Mavie: em Mutarara, revivendo finalmente o desusado Por último, e apenas toquei no que me parece
não pagam apenas as tais quatro horas Os custos são muito superiores aos, hi- ramal de Vila Nova da Fronteira (se calhar já ser o óbvio, há também o importante “lobby”
há um novo nome, mas eu ainda não o decorei). policial. Se as estradas nacionais forem afasta-
de voo, pagam as 24 horas em que es- potéticos, ganhos.
Certamente que o poderosíssimo “lobby” camio- das das cidades, vilas e povoações perde-se uma
tão fora, não podendo ser utilizados por E não estou a incluir aqui as viagens da
neiro se oporá com unhas e dentes a tais opções, parte do manancial de caça à multa, despoleta-
outros clientes. E, portanto, à taxa de Primeira Dama, igualmente por todo
mesmo com uma política desastrosa de tarifas, do com a verdadeira praga de sinalização ver-
US$400 por hora, cada aparelho custa, o país, e com comitivas enormes. Re- praticada sobretudo pelas autoridades moçam- tical para redução de velocidades – entre os 80
por dia, US$9600. O que, multiplicado centemente, em Cabo Delgado, cruzei- bicanas, por se acharem em posição leonina, e os 60 km/hora – que está em vigor desde a
pelos seis aparelhos que são normal- -me com uma coluna de 19 viaturas, mesmo que nos fóruns internacionais, haja um última reabilitação de fundo da espinha dorsal
mente utilizados, dá US$57 600. Por acompanhando a Dra. Maria da Luz, e clamor de condenações e cargas a fugir para ou- Maputo-Pemba.
dia. perguntei-me a que propósito tem ela tros destinos, nomeadamente no “business” dos As estradas sugerem problemáticas bem mais
Atendendo a que o país tem 10 provín- direito a um tal séquito. volumes em trânsito. complexas que apenas as comissões salivantes
cias e as Presidências Abertas duram, Coisas desta nossa Pérola do Índico, em Para além do debate estradas versus ferrovias, há e debaixo da mesa entre empreiteiros, funcio-
habitualmente, quatro a cinco dias por que as pérolas vão sempre para os mes- outras questões importantes a considerar. nários governamentais e agências financiado-
província, temos que, por ano, os helis mos, a carne das ostras para alguns e as Não será tempo de se considerarem estradas, ras.
são utilizados, em média, durante 45 cascas vazias para a esmagadora maioria.

SACO AZUL | Por Luís Guevane

Crime de corrupção
nquanto em Moçambique a cúpu- se mexe, o corrupto faz um estudo minucioso tomou a direcção de Chongqing, uma imen-

E
lestras são parte importante do processo
la vai dizendo que a corrupção está para perceber se o animal tende a acordar ou sa metrópole chinesa, conseguiu transformá- que nos pode levar à acção no combate ao
longe de ser combatida, noutros se está, na melhor das hipóteses, simplesmen- -la num pólo económico de peso. Reprimiu crime de corrupção. Deveriam focalizar
cantos do mundo, como por exem- te a mudar de posição para novos ressonares. as máfias, culminando com cerca de cinco mil um universo cada vez maior e ser um acto
plo na China, as autoridades mostram Na China, pelo que internacionalmente nos prisões. Este passado, e nem mesmo o facto de relativamente permanente. Dizer que elas
claramente que estão comprometidas em é dado a conhecer, as autoridades não estão a ter sido estrela no seu “partidão”, não impres- não combatem o fenómeno é sedimentar
combater esse crime. Internacionalmen- ressonar. Os porquinhos não estão a mamar, sionou a justiça chinesa que até lhe confiscou o “código do silêncio” nas mentes dos que
te vai passando a notícia fresquinha do aliás, os proeminentes que abraçam a corrup- todos os seus bens. buscam liberdade e autonomia nesse mes-
ex-dirigente chinês condenado à prisão ção têm estado a ser desmamados. Deste lado do Índico, onde se diz que no pri- mo processo de combate.
perpétua. Quanto desperdício intelectual O ex-dirigente do Partido Comunista Chinês meiro semestre de 2013 foram tramitados cer- Cá entre nós: quantos Bo Xilai temos
nas malhas da justiça! É que o corrup- (PCP), Bo Xilai, proeminente político popular ca de 395 processos-crime de corrupção, “para em Moçambique? Nenhum. Os nossos
to pensa de forma bastante elaborada. de 64 anos, ganhou a perpétua pela sua nota- boi dormir” e para a porca continuar a resso- Bo Xilai têm nomes próprios e o cidadão
Avalia os riscos da operação pretendida bilidade no mundo da corrupção, no desvio de nar, descobriu-se e anunciou-se publicamente conhece-os. Mas este é vítima da escra-
e o grau de abertura dos olhos das auto- fundos e no abuso de poder. Segundo se sabe, que as palestras com funcionários públicos (e vidão do “código do silêncio”! Quanta
autoridade e quanto comprometimento
ridades. Envolve no seu esquema o maior foi acusado de ter embolsado, em subornos, outros cidadãos) não combatem a corrupção. saudáveis existem no combate ao crime de
número de pseudo-corruptos para desfo- mais de 2.6 milhões de Euros, o equivalente Quem de direito continua a falar em medi- corrupção? Quantos entre os avantajados
car, desvirtuar e baralhar as investigações. a cerca de 3.5 milhões de Dólares. Dos fundos das punitivas severas contra os prevaricadores não ganharam notoriedade no mundo da
Põe a ressonar essas mesmas autoridades públicos mamou que se fartou. Mas, o bom do que se profissionalizaram na delapidação do corrupção, no desvio de fundos e no abuso
valendo-se do poder do dinheiro e do Bo Xilai é que ele até era carismático e am- dinheiro do Estado e que conhecem de cor de poder? Quem desmama a quem? Ini-
“código do silêncio.” Quando a porca bicioso no “bom sentido”. Vejam só: quando e salteado os discursos anticorrupção. As pa- ciar a pesquisa…
Savana 27-09-2013 21
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22 Savana 27-09-2013
DESPORTO

Afrobasquete: sim meninas, podemos!


Por P. Mubalo e Z. Massala
e a passagem da selecção ro de bilhetes relativamente menor destacarmos a presença incansável

S nacional de basquetebol do
nosso país para a segunda
fase do afrobasquete, com-
petição que vem sendo realizada
desde o passado dia 20 deste mês
quando comparado com os bilhetes
vendidos em competições de tama-
nha envergadura, tudo isto na pers-
pectiva de conferir mais segurança
aos presentes.
do histórico da Frelimo, o veterano
Marcelino dos Santos sempre dando
alento e crinho às jogadoras.
Outrossim, para além de ser uma
festa dos amantes da bola ao cesto,
na chamada catedral da nossa bola Nos aspectos organizativos tudo está o afrobasquete é uma ocasião rara
ao cesto, o pavilhão do Maxaquene, a correr normalmente: os bilhetes para se fazer amizades, ou então para
nunca foi posta em causa, manda a são vendidos nas bilheteiras do Pa- de se fazer negócio. Mamanas com
verdade reconhecer que as guerreiras vilhão do Desportivo, o que ajuda a colmans contendo no seu interior
de Nazir Salé estão a mostrar com descongestionar o público nos arre-
refrescos e cervejas , e velhos com
todo o tipo de argumentos possíveis dores do pavilhão do Maxaquene.
maços de cigarros nas mãos, crianças
que são verdadeiramente ases na O estacionamento de viaturas é que
com tigelas de amendoim, velhos e
modalidade. constitui uma verdadeira dor de
cabeça. É que no final das partidas jovens a guarnecerem viaturas, fa-
Jogam destemidas, descomplexadas, assiste-se a uma disputa entre as via- zem deste certame oportunidade
alegres, afoitas, transfiguradas, mas turas e o público, numa espécie de para ganharem dinheiro.
sobretudo com elevado sentido de salve-se quem puder. Mas fica registada para sempre
responsabilidade. Mas o afrobasquete é também um a iniciativa da Clarisse Machan-

Ilec Vilanculo
É de facto um regalo vê-las a evoluir. momento apropriado para os políti- guane de oferecer 500 bilhetes às
E estamos a falar de uma selecção cos fazerem as suas pré-campanhas. crianças para que possam assistir
que é um misto de atletas bastante Com efeito, é notória a presença de ao evento. Uma lição para os nos-
experientes e outras que tendo al- grupos ligados a partidos politicos sos dirigentes desportivos! Mas as
guns anos de basquete nas mãos ain- primeiras jornadas com números querer, ambição e sobretudo muita vestidos a rigor fazendo claque a fa- fotos do nosso colega da imagem
da têm muito a dar pela frente. estrondosos. A exemplo da vitória entrega. vor da selecção. Mas também há que são elucidativas
Na verdade, é bonito ver como elas frente ao Zimbabwe por 117 a 28 O público, o chamado sexto jogador,
enfrentam as adversidades, conti- ou mesmo diante do Egipto por esse tem marcado presença em peso
gências e dificuldades próprias de 105-53. No jogo da terceira jorna- no pavilhão do Maxaquene: são mu-
uma competição desta envergadura, da, nesta segunda-feira, Moçambi- lheres, jovens e crianças que não se
uma prova corporizada por um total que derrotou a Argélia, por 67-34 cansam de gritar, fazer ondas, can-
de 12 selecções ainda que, modéstia e na terça-feira foi a vez da Costa tar, assobiar, bater palmas, tudo em
à parte, algumas estejam a uns furos de Marfim perder por 56-41. Mas apoio à selecção.
abaixo quando comparadas com o na mágica noite desta quarta-feira, Mas convenhamos que a presença
potencial basquetebolístico moçam- Moçambique teve de suar para levar do público só se faz sentir mais nas
bicano. de vencida a poderosa selecção de partidas que envolvem a nossa se-
E nada vem do acaso, há trabalho no Senegal por 77-61. lecção, pois nas restantes tem sido
basquetebol feminino. muito fraca. Mas não restam dú-

Ilec Vilanculo
Mas que fique claro que não é tem- Sem vaidades vidas que na segunda fase as coisas
po de as nossas guerreiras emban- Contudo, as moçambicanas devem vão mudar para o melhor. E há que
deirarem em arco, não é altura de continuar a lutar, mas sem veleida- assinalar que a Federação Moçam-
relaxarem em função dos resultados des exageradas. Devem continuar bicana de Basquetebol tem posto
conseguidos, principalmente nas a lutar com garra, determinação, à disposição do público um núme-

Taekwondo em queda livre UP lança NIDAUP


taekwondo está em que- a Federação Moçambicana de Ta- locais não apoiam a modalidade do
para deficientes
O
portivas.
da livre no país e em cau-
sa está a falta de material
desportivo, equipamentos
informáticos e infra-estruturas des-
ekwondo funciona numa das esco-
las privadas, por não dispormos de
instalações próprias“.
E acrescentou: “Na altura os nossos
atletas que representam a selecção
Taekwondo, sendo que a única ins-
tituição que tem dado o apoio é o
Fundo de Promoção Desportiva.
Disse ainda que nos outros países
onde esta modalidade é praticada A
faculdade de Educação
Física e Desportos da Uni-
versidade Pedagógica, em
Maputo, lançou, há dias,
provas. A partir dos próximos tem-
pos o núcleo passará a efectuar as
provas nos locais ainda por indicar”,
afirmou.
treinavam no campo do Estrela os atletas recebem muito apoio do um núcleo de investigação em des- A atleta Maria Muchava foi quem
Em entrevista ao SAVANA, o di- Vermelha, mas a direcção daquele Governo ou dos empresários locais. porto adaptado para as pessoas com abriu as cortinas das provas como
deficiência. O mesmo tem por ob- forma de mostrar às outras pessoas
rector técnico da Federação Mo- recinto decidiu cancelar e como al- Enquanto isso, o treinador-adjunto
jectivo sensibilizar as comunidades com deficiência que elas são capa-
çambicana de Taekwondo, Moisés ternativa estamos a trabalhar numa daquela modalidade, Rogério Utui,
sobre a valorização das pessoas com zes de praticar desporto.
Mata, revelou que a falta de recinto escola privada. Nós gostaríamos disse que apesar das dificuldades deficiência. Questionado sobre como foi feita
para a realização das actividades da de ter uma infra-estrutura própria, impostas, os atletas têm brilhado a escolha dos atletas que partici-
agremiação não deixa de constituir mas infelizmente não estamos a em todas as competições realizadas Eduardo Machava, coordenador do param no lançamento do projecto,
calcanhar de Aquiles. conseguir arranjá-la“. dentro e fora do país. projecto do núcleo de investigação Machava disse: “todos os partici-
Aliás, num passado não muito dis- Explicou ainda que os empresários Zaqueu Massala em desporto adaptado “NIDAUP”, pantes foram seleccionados a partir
tante, as competições eram realiza- disse que no total participaram no dos bairros e na comunidade em
das no campo do Estrela Vermelha, evento 65 atletas com deficiência geral, por estudantes desta facul-
mas a direcção daquele clube deci- provenientes dos diferentes bairros, dade”.
diu retirar-lhes do local. dos quais oito com deficiência visu- Um dos focos do projecto é mostrar
Mata disse que enquanto a federa- al, 24 com deficiência física e men- às pessoas com deficiência a im-
ção de Taekwondo procura um es- tal e 33 com deficiência auditiva. portância do desporto. “Queremos
paço adequado para a realização das Na ocasião, foram exibidas algumas ajudar a desenvolver o desporto, a
provas de voleibol sentado, atletis- nossa ideia é criar condições e abrir
suas actividades, os atletas treinam
mo, lançamento de disco, nos esca- espaços para que as pessoas com
numa escola privada.
lões de 100, 200 e 400 metros. deficiência tenham oportunidade
Um outro problema é a falta de Segundo a fonte, o maior problema de praticá-lo. Nós sabemos que elas
divulgação desta modalidade. De neste momento é a falta de fundos são capazes de fazer parte de um
acordo com o director técnico, o para custear as despesas dos atletas, clube qualquer desde que estejam
Taekwondo é uma modalidade cujo transporte, lanche, água, material bem preparadas”.
material desportivo custa muito di- e local para a realização definitiva Acrescentou: “queremos que até aos
nheiro. das competições para os próximos próximos anos este projecto pos-
A nível da África Austral, o mate- tempos. sa abranger todas as capitais pro-
rial só pode ser adquirido na vizi- “Temos falta de espaço e do próprio vinciais e, para tal, contamos com
nha África do Sul e na Europa. material desportivo, a faculdade de apoio dos estudantes. Aliás, tam-
“Não tem sido fácil trabalharmos Educação Física e Desportos não bém está em andamento um pro-
por falta de meios e neste momento é local ideal para a realização das jecto idêntico na Zambézia“. Z.M
Moisés Mata (à esquerda) e Rogério Utui falando ao SAVANA
Savana 27-09-2013 23
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macronanceira na Universidade de Londres (SOAS), IMF-Institute, WB-Institute, e


Universidade Eduardo Mondlane. Esteve, em empréstimo do Banco Mundial, com o HIID
e CID da Kennedy School, Universidade de Harvard, 1997-2002, e apoiou a criação do
Integridade & Empreendedorismo Gabinete de Estudos do anterior MPF. Tem várias publicações em matérias económicas
CONVITE desde artigos, a notas e estudos, assim como 3 livros. Actualmente, é economista do
“A Contribuição Tributária da Indústria Extractiva na Economia Moçambicana Projecto SPEED (Support Program for Economic and Entreprise Development), um projecto
nanciado pelo USAID.
O Instituto de Directores de Moçambique organiza no próximo dia 03 de Outubro de 2013,
um Business Breakfast cujo tema será “A Contribuição Tributária da Indústria Extractiva na
O Instituto de Directores de Moçambique tem o prazer de convidar os membros e não
Economia Moçambicana ”.
membros, administradores executivos e não executivos, gestores em entidades públicas e
privadas, académicos, juristas e em especial aos Presidentes de Conselho de Administração
O Seminário sobre “A Contribuição Tributária da Indústria Extractiva na Economia
e Administradores Delegados/Directores Gerais, a participarem deste interessante debate.
Moçambicana, pretende estabelecer um alinhamento entre a necessidade de uma tributação
justa com as determinantes do mercado da indústria extractiva, colocando os impactos na Local: Indy Congress SPA.
economia da indústria extractiva para além da tributação. Data: 03 de Outubro de 2013, Quinta-feira.
Duração: 08h00 às 10h00.
Orador – António Serrão Franco – Economista, Support Program for Economic and Enterprise Preço: 550,00Mtn membros e 750,00Mtn não membros.
Development (SPEED).
NOTA: para participar terá de conrmar até ao nal do dia 02 de Outubro de 2013,
António Serrão Franco foi funcionário público em Moçambique de 1978 a 1992. Esteve no Quarta-feira, para o endereço abaixo. O número de vagas é limitado.
Fundo Monetário Internacional entre 1992 e 1994. No Banco Mundial (1994 a 2010) esteve
em posições de economista e gestão, e trabalhou com variados países africanos e asiáticos. Rua da Imprensa, número 256, R/C. Porta nr. 04, Prédio 33 Andares, Telefax: +258 (21)
Leccionou macroeconomia, economia internacional, modelos macroeconómicos e gestão 300596, Cell: +258 (84) 3890580. Email: iodmz@iodmz.com

A IREX é uma ONG internacional sem ns lucrativos que, através da SASOL PETROLEUM TEMANE
liderança e programas inovadores, promove uma duradoira mudança po- PROJECTO HABITACIONAL EM VILANCULO
sitiva a nível mundial. Nós criamos condições e possibilitamos indivíduos
e instituições locais a criar elementos-chave de uma sociedade vibrante: CONVITE
educação de qualidade, imprensa independente e comunidades fortes. Para PROCESSO DE PARTICIPAÇÃO PÚBLICA
reforçar estes sectores, o nosso programa de actividades também inclui a
resolução de conitos, tecnologias para o desenvolvimento, questões do
género e a juventude. A Sasol Petroleum Temane (SPT), uma subsidiária da empresa
Sasol Petroleum International (SPI), está a realizar o Processo de
FORMAÇÃO EM GESTÃO DA MÍDIA Avaliação de Impacto Ambiental, Social e na Saúde (AIASS) do
Segunda Edição Projecto Habitacional na Vila Municipal de Vilanculo.
Curso certicado pela Universidade de Rhodes No Âmbito do Processo de Participação Pública durante a fase
(África do Sul) de Avaliação de Impacto, a Consultec gostaria de convidar todas
SOLICITAÇÃO DE CANDIDATURAS as partes interessadas e afectadas a participarem nestas reuniões
públicas, com o objectivo de apresentar os resultados e recolher
O Programa Para Fortalecimento da Mídia em Moçam- os principais comentários e sugestões sobre o Relatório do Estu-
bique é nanciado pelo Governo dos Estados Unidos do Ambiental Simplicado (EAS) e o Projecto em si.
da América, através da sua Agência para o Desenvol- As reuniões propostas terão lugar nas seguintes datas:
vimento Internacional (USAID) e implementado pela
IREX. Em parceria com o Sol Plaatje Institute para Ges- Reunião Pública Reunião Comunitária
tão de Mídia, o programa vai realizar durante 5 dias, de Data: 01 de Outubro de 2013 Data: 02 de Outubro de 2013
6 à 10 de Novembro de 2013, das 8:30hrs às 17:00hrs, Hora: 09:00-12:00 Hora: 09:00-12: 00
uma formação para gestores emergentes no sector da Local: Centro de Conferências Local: Centro de
mídia em Moçambique. O Sol Plaatje Institute (http:// Conferências de Vilanculo
de Vilanculo
spi.ru.ac.za/) faz parte da Escola de Jornalismo e de Es-
tudos de Mídia da Universidade de Rhodes, na África Público-Alvo: Público-Alvo:
do Sul. Público em geral, institui- Residentes do Bairro 19 de
ções governamentais, sec- Outubro com interesses ou
O curso será realizado em Maputo para um total de 15
tor privado, ONGs, OBCs e potencialmente afectados
participantes e será ministrado e certicado pela Uni-
outros pelo projecto
versidade de Rhodes. A participação no curso é gratuita
e os custos de alimentação e de materiais de formação
estão cobertos. Os candidatos de fora de Maputo que
forem seleccionados poderão receber ajudas de custo O Relatório Preliminar do EAS estará disponível para consulta
para transporte e alimentação. pública a partir do dia 19 de Setembro, nos seguintes locais:
• Direcção Provincial para Coordenação da Acção Ambiental
O curso irá focar na aprendizagem activa e na aquisição (DPCA) de Inhambane;
de conhecimentos de gestão e técnicas essenciais que • Conselho Municipal de Vilanculo;
podem ser aplicadas imediatamente em empresas de • Administração do Distrito de Vilanculo;
mídia. • Escritório da Consultec em Maputo.
Para quaisquer questões e esclarecimentos, por favor contactar
Os interessados em concorrer deverão consultar os ter- a CONSULTEC, na pessoa da Sra. Cristina Almeida, através
mos de referência no website www.irex.org.mz e as can- do telefone 21491555, fax: 21491578 ou por e-mail, no endere-
didaturas deverão ser enviadas por email para mapu- ço CAlmeida@consultec.co.mz.
to@irex.org até o dia 30 de Setembro de 2013. Por favor
indicar no Assunto: Formação – Gestores emergentes
da mídia. Para mais informações, contacte a IREX pelo
mesmo endereço electrónico.
Savana 27-09-2013 23
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macronanceira na Universidade de Londres (SOAS), IMF-Institute, WB-Institute, e


Universidade Eduardo Mondlane. Esteve, em empréstimo do Banco Mundial, com o HIID
e CID da Kennedy School, Universidade de Harvard, 1997-2002, e apoiou a criação do
Integridade & Empreendedorismo Gabinete de Estudos do anterior MPF. Tem várias publicações em matérias económicas
CONVITE desde artigos, a notas e estudos, assim como 3 livros. Actualmente, é economista do
“A Contribuição Tributária da Indústria Extractiva na Economia Moçambicana Projecto SPEED (Support Program for Economic and Entreprise Development), um projecto
nanciado pelo USAID.
O Instituto de Directores de Moçambique organiza no próximo dia 03 de Outubro de 2013,
um Business Breakfast cujo tema será “A Contribuição Tributária da Indústria Extractiva na
O Instituto de Directores de Moçambique tem o prazer de convidar os membros e não
Economia Moçambicana ”.
membros, administradores executivos e não executivos, gestores em entidades públicas e
privadas, académicos, juristas e em especial aos Presidentes de Conselho de Administração
O Seminário sobre “A Contribuição Tributária da Indústria Extractiva na Economia
e Administradores Delegados/Directores Gerais, a participarem deste interessante debate.
Moçambicana, pretende estabelecer um alinhamento entre a necessidade de uma tributação
justa com as determinantes do mercado da indústria extractiva, colocando os impactos na Local: Indy Congress SPA.
economia da indústria extractiva para além da tributação. Data: 03 de Outubro de 2013, Quinta-feira.
Duração: 08h00 às 10h00.
Orador – António Serrão Franco – Economista, Support Program for Economic and Enterprise Preço: 550,00Mtn membros e 750,00Mtn não membros.
Development (SPEED).
NOTA: para participar terá de conrmar até ao nal do dia 02 de Outubro de 2013,
António Serrão Franco foi funcionário público em Moçambique de 1978 a 1992. Esteve no Quarta-feira, para o endereço abaixo. O número de vagas é limitado.
Fundo Monetário Internacional entre 1992 e 1994. No Banco Mundial (1994 a 2010) esteve
em posições de economista e gestão, e trabalhou com variados países africanos e asiáticos. Rua da Imprensa, número 256, R/C. Porta nr. 04, Prédio 33 Andares, Telefax: +258 (21)
Leccionou macroeconomia, economia internacional, modelos macroeconómicos e gestão 300596, Cell: +258 (84) 3890580. Email: iodmz@iodmz.com

A IREX é uma ONG internacional sem ns lucrativos que, através da SASOL PETROLEUM TEMANE
liderança e programas inovadores, promove uma duradoira mudança po- PROJECTO HABITACIONAL EM VILANCULO
sitiva a nível mundial. Nós criamos condições e possibilitamos indivíduos
e instituições locais a criar elementos-chave de uma sociedade vibrante: CONVITE
educação de qualidade, imprensa independente e comunidades fortes. Para PROCESSO DE PARTICIPAÇÃO PÚBLICA
reforçar estes sectores, o nosso programa de actividades também inclui a
resolução de conitos, tecnologias para o desenvolvimento, questões do
género e a juventude. A Sasol Petroleum Temane (SPT), uma subsidiária da empresa
Sasol Petroleum International (SPI), está a realizar o Processo de
FORMAÇÃO EM GESTÃO DA MÍDIA Avaliação de Impacto Ambiental, Social e na Saúde (AIASS) do
Segunda Edição Projecto Habitacional na Vila Municipal de Vilanculo.
Curso certicado pela Universidade de Rhodes No Âmbito do Processo de Participação Pública durante a fase
(África do Sul) de Avaliação de Impacto, a Consultec gostaria de convidar todas
SOLICITAÇÃO DE CANDIDATURAS as partes interessadas e afectadas a participarem nestas reuniões
públicas, com o objectivo de apresentar os resultados e recolher
O Programa Para Fortalecimento da Mídia em Moçam- os principais comentários e sugestões sobre o Relatório do Estu-
bique é nanciado pelo Governo dos Estados Unidos do Ambiental Simplicado (EAS) e o Projecto em si.
da América, através da sua Agência para o Desenvol- As reuniões propostas terão lugar nas seguintes datas:
vimento Internacional (USAID) e implementado pela
IREX. Em parceria com o Sol Plaatje Institute para Ges- Reunião Pública Reunião Comunitária
tão de Mídia, o programa vai realizar durante 5 dias, de Data: 01 de Outubro de 2013 Data: 02 de Outubro de 2013
6 à 10 de Novembro de 2013, das 8:30hrs às 17:00hrs, Hora: 09:00-12:00 Hora: 09:00-12: 00
uma formação para gestores emergentes no sector da Local: Centro de Conferências Local: Centro de
mídia em Moçambique. O Sol Plaatje Institute (http:// Conferências de Vilanculo
de Vilanculo
spi.ru.ac.za/) faz parte da Escola de Jornalismo e de Es-
tudos de Mídia da Universidade de Rhodes, na África Público-Alvo: Público-Alvo:
do Sul. Público em geral, institui- Residentes do Bairro 19 de
ções governamentais, sec- Outubro com interesses ou
O curso será realizado em Maputo para um total de 15
tor privado, ONGs, OBCs e potencialmente afectados
participantes e será ministrado e certicado pela Uni-
outros pelo projecto
versidade de Rhodes. A participação no curso é gratuita
e os custos de alimentação e de materiais de formação
estão cobertos. Os candidatos de fora de Maputo que
forem seleccionados poderão receber ajudas de custo O Relatório Preliminar do EAS estará disponível para consulta
para transporte e alimentação. pública a partir do dia 19 de Setembro, nos seguintes locais:
• Direcção Provincial para Coordenação da Acção Ambiental
O curso irá focar na aprendizagem activa e na aquisição (DPCA) de Inhambane;
de conhecimentos de gestão e técnicas essenciais que • Conselho Municipal de Vilanculo;
podem ser aplicadas imediatamente em empresas de • Administração do Distrito de Vilanculo;
mídia. • Escritório da Consultec em Maputo.
Para quaisquer questões e esclarecimentos, por favor contactar
Os interessados em concorrer deverão consultar os ter- a CONSULTEC, na pessoa da Sra. Cristina Almeida, através
mos de referência no website www.irex.org.mz e as can- do telefone 21491555, fax: 21491578 ou por e-mail, no endere-
didaturas deverão ser enviadas por email para mapu- ço CAlmeida@consultec.co.mz.
to@irex.org até o dia 30 de Setembro de 2013. Por favor
indicar no Assunto: Formação – Gestores emergentes
da mídia. Para mais informações, contacte a IREX pelo
mesmo endereço electrónico.
24 Savana 27-09-2013
CULTURA

Sukuma no Festival de Harare Jazz suíço no Franco


auditório do Centro como o clássico mais moderno.
Por Abdul Sulemane

O
músico Stewart Sukuma
participa esta sexta-feira,
27 de Setembro, no Festi-
val de Jazz de Harare, no
O Cultural Franco Mo-
çambicano acolhe, no
dia 3 de Outubro, as
19h00 o concerto da banda su-
íça Potage du Jour. No centro da
Christoph Baumann, um dos
músicos e compositores suíços
mais omnipresentes, tem firmes
raízes no jazz contemporâneo,
embora, por outro lado, compre-
Zimbabwe, num tributo ao ícone Nova Música Suíça encontra- enda profundamente os estilos
da música zimbabweana, Oliver -se o trio de improvisação suíço como a salsa e a nova música
Mtukudzi. Potage du Jour com a vocalista clássica. O Trio apresentará dois
Franziska Baumann, saxofonista números A[we]-struc[k]-ture
Oliver Mtukudzi que completou Jürg Solothurnmann e o pianis- e Sing You! la-re-ti do com-
no passado dia 22, 61 anos de vida, ta Christoph Baumann. O trio, positor e músico sul-africano
inciou o sua carreira musical no cujos sons ecléticos resultam da Pierre-Henri Wicomb, com
fusão de música clássica, jazz, quem o trio travou conhecimen-
ano de 1977, onde a partir do ano
salsa e electrónica ao vivo, su- to em 2011 durante a residência
seguinte, lançou vários albuns, dos
birá ao palco em Stellenbosch, cultural de Wicomb na Suíça, a
quais destaca-se “África” de 1980,
Joanesburgo, Maputo e Cidade qual contou com o apoio da Pro
relançado também no ano 2000, no do Cabo. A banda, constituída Helvetia.
mesmo ano em que foi lançado o nos finais de 1999, resulta das A[we]-struc[k]-ture é uma
“Neria”. Em 2004, foram lançadas sessões informais ao vivo em peça para conjunto e fita (faixa
duas colectâneas nomeadamemte Banda Nkhuvu e o músico Costa Neto vão actuar na cidade de Quelimane que os sons se fundem, se enca- electrónica pré-gravada), escrita
“Mtukudzi Collection 1991-1997” deiam, justapõem ou se opõem para diferentes configurações
e “Mtukudzi Collection 1984- Para além desta deslocação à ca- sions que vai decorrer de 6 a 9 de de modo a alargar os limites da musicais. Para o conjunto suíço
1991”. pital zimbabweana, o músico des- Outubro, onde vão juntar-se músi- produção musical e da interac- Ums `n` Jip, outro duo suíço
Stewart Sukuma vai neste Festival locar-se-á com a Banda Nkhuvu e cos de vários países africanos. ção. Toda essa invenção respira com o qual Wicomb colaborou
interpretar com Oliver Mtukudzi o o músico Costa Neto à cidade de Ainda no mês de Outubro, o au- através de actos vocais, cânticos, durante a sua estada na Suíça,
tema “Hear me Lord”, num evento Quelimane no próximo dia 3 de tor de “Xitchuqueta Marrabenta” ritmos pulsantes, cascatas de esta peça musical foi concebida
para onde estão tambem convida- Outubro, para uma actuação alusi- irá, junto com a banda Nkhuvu, sons, reverberações, clipes meló- estritamente para contralto e te-
dos músicos como Hugh Masekela, va ao dia da PAZ que se celebra a 4 representar Moçambique em Ma- dicos e sons não ortodoxos. nor. A segunda versão, reescrita
Judith Sephuma, Dudu Manhenga, de Outubro, seguindo-se uma ida a cau no Festival da CPLP, que vai   para obedecer à abordagem de
Steve Dyer, Albert Nyathi, Mary Cidade do Cabo, na África do Sul decorrer de 28 Outubro a 4 de Como vocalista Franziska Bau- livre improvisação do conjunto
Bell entre outros. para participar no City Hall Ses- Novembro. mann explora a voz humana Potage du Jour, é escrita mais
como um instrumento multifa- no estilo de ‘partitura aberta’,
cetado enquanto vai expandindo sem compassos ou notas espe-
as fronteiras tradicionais. Nas cíficas. Sing You! la-re-ti é uma
suas actuações, ela procura ex- peça musical para voz, saxofone,

Ministro da Cultura recebe plorar e inventar novas formas


de expressão vocal.
Jürg Solothurnmann absorve e
piano e faixa sonora composta
para o conjunto Potage du Jour.
Ao criar a peça, Wicomb gravou
transforma um estilo multifa- improvisações de voz de Fran-

Grupo de Teatro Lareira Artes cetado cujo leque se estende do


imaginário folclórico ao jazz e
a imagens de sons discursivos e
ziska Baumann, que em segui-
da manipulou de modo a obter
uma faixa pré-gravada. Tal como
encontro de saudação com ternacional de Teatro da Língua dois coveiros os actores Diaz San- pontilhistas. As diversas estéti- Wicomb explica, ‘a intenção é

O o Ministro da Cultura terá


lugar no Edifício Sede do
Ministério da Cultura, na
quinta-feira, dia 26 de Setembro,
com início às 14:00 horas, na sala
Portuguesa, realizado em Agosto
último na cidade Brasileira no Rio
de Janeiro, vai ser recebido pelo
Ministro da Cultura, Armando
Artur.
tana e Sérgio Mabombo, assim
como a actriz convidada do grupo,
Lucrécia Noronha, que fazia o pa-
pel de sobrevivente.
Este é o primeiro grupo moçam-
cas da canção presentes nas di-
ferentes culturas de todo o mun-
do servem-lhe de inspiração tal
permitir que os músicos impro-
visem em cima das suas próprias
improvisações”. AS

de reuniões. Lareira Artes ganhou o único pré- bicano a vencer o prémio Festlip.
mio do festival com a obra “Cinzas Nesta edição, para além de Mo-
O grupo moçambicano de Teatro Sobre as Mãos” do Escritor Fran- çambique participaram no festival
Lareira Artes, vencedor do prémio cês Laurent Gaudé, com encenação artistas de Angola, Cabo-verde,
Revelação do Festlip-Festival In- feita por Eliot Alex e no papel de Brasil, Guiné-Bissau, São Tomé e
Príncipe e Galiza.
Lareira Artes é um grupo moçam-

Umoja concentra bicano fundado pelos artistas Diaz


Santana e Sérgio Mabombo em fi-
nais de 2010 em Maputo e já conta
com várias participaçoes interna-

artes em Maputo
Trio suíço pretende gravar o seu disco próximo ano
cionais. A.S

mega evento que terá pia, Zimbabwe, Noruega, entre

O lugar entre os dias 1 a


3 de Novembro será
marcado por várias ma-
nifestações, com destaque para
outros países.
O mega evento será marcado
por várias manifestações, com
destaque para uma exposição
Semana da tradução no CCFM
Centro Cultural Franco- tradução é permitir que um texto pode influênciar a tradução?
uma exposição de arte designa-
da Umoja CFC 10 anos criando
juntos, além de espectáculos de
diferentes manifestações artísti-
cas.
de artes designada Umoja CFC
10 anos criando juntos, além de
espectáculos de diferentes ma-
nifestações artísticas.
Umoja Cultural Flying Carpet
O -Moçambicano realiza de
24 a 27 de Setembro a se-
mana da traduçço, caracte-
rizada por debates, conferências, ci-
nema e atelier de tradução. A nova
“fonte” seja ouvido e compreendido
por um receptor que não compar-
tilha o mesmo código, a noção de
“fidelidade ao original” é o ponto
de partida para qualquer trabalho
Inserindo-se no programa de de-
bate de idéias iniciado pelo Centro
Cultural Franco-Moçambicano,
esta semana da tradução, com par-
ticipantes lusófonos e francófonos,
O maior evento multicultural de é um evento cultural interna- mediateca do CCFM, inaugurada de tradução. O texto original deseja propõe uma reflexão geral sobre as
Maputo volta a juntar mais de cional que tem lugar em várias em Maio deste ano, está a compor então permanecer sobre o texto da práticas profissionais de tradução.
cinco países em Moçambique. O cidades do mundo. Em Mapu- um fundo bibliográfico de literatura autoridade, mas qual é o poder de Pesquisadores, tradutores e escri-
evento traz, nesta edição, várias to, o mesmo teve, ano passado, francófona traduzida em português, representação do texto traduzido? tores debaterão sobre as questões
manifestações artísticas e gran- uma audiência de cerca de cem e de literatura lusófona traduzida A intervenção da mão do tradutor acima, oferecendo aos estudantes a
des figuras das artes nacionais e mil pessoas. em português. Para acompanhar a pode permanecer neutra? Existe possibilidade de se interrogar sobre
internacionais. Este ano, o even- O festival Umoja é uma inicia- o seu futuro trabalho de tradutores.
composição desta bibliografia, pes- alguma interferência que perturbe
Essas e muitas outras questões serão
to será corporizado por música, tiva cujo objectivo é estimular quisadores, tradutores, escritores e o tradutor Lusófono na compre- analisadas durante três dias através
dança, artes visuais e circo, repre- a criatividade e troca de expe- estudantes analisarão, durante uma ensão que ele próprio pode atribuir de: Conferências, projecções de fil-
sentativos de África e Europa, riências entre artistas plásticos, semana, questões relacionadas à ao texto? Ao considerar a literatura mes (traduções cinematográficas de
juntando Moçambique, África bailarinos, músicos e escritores. problemática da tradução literária: como uma arte, como o tradutor romances), debates, atelier de tradu-
do Sul, Quénia, Tanzânia, Etió- A.S Se o objectivo principal de uma pode substituir o artista? O público ção. A.S
Dobra por aqui
SUPLEMENTO HUMORÍSTICO DO SAVANA Nº 1029 ‡27 DE SETEMBRO DE 2013
2 Savana 27-09-2013 Savana 27 -09-2013 3
SUPLEMENTO
Savana 27-09-2013 27
OPINIÃO

Fernando Manuel (texto)


Ilec Vilanculo (Fotos)
e Naita Ussene (fotos)

“Ora bolas”
e há uns tempos para cá perdi por completo a pista da Rosa Langa.

D Praticamente, desde que ela saiu da Rádio Moçambique para ir a um canal


de televisão desses muitos que andam por aqui que nunca mais nos vimos.
Não me posso atrever a dizer que ela é minha amiga. Na verdade, a relação que nós
temos não é propriamente de amizade.
Damo-nos bem, somos profissionalmente muito amigos e os nossos caminhos
cruzam-se muitas vezes nessas encruzilhadas de artes plásticas, de espectáculos
musicais, teatro, bons vinhos embora ela não beba, boa gente e boa conversa.
Ela é muito para frente.
Razão pela qual na rádio lhe deram alcunha de four by four. Ela vai a todas.
O seu estilo no palco como apresentadora ou humorista muitas vezes não vai de
acordo com o meu gosto.
Ela torna-se muito vulgar mas os gostos não se discutem e se ela faz aquilo por
gosto, tudo bem.
Recentemente lançou um livro sobre violência doméstica em Moçambique.
Aí está ela ao lado da Leonor Domingos, co-autora da obra.
Vamos ver o que isto vai dar.
Por falar em livros, vamos ver que leitura é que nos propõe o André Matola, jorna-
lista do domingo, no livro escrito sobre a pessoa de Salimo Abdula. Vamos esperar
que não seja como dito romano segundo o qual “depois de uma noite de choros e
gemidos a montanha pariu um rato”.
Salimo Abdula era até bem pouco tempo um ilustre desconhecido que está a subir
a vida por impulso na era do mano Guebas. Adivinhe porquê.
O que é que Sibindy, um político à paisana, pode ter a dizer ao conselheiro e
porta-voz do PR, Edson Macuácua. Tudo ou nada. Como se sabe, Sibindy tinha o
calibre de responsável da oposição construtiva como se a oposição tivesse que ser
necessariamente destrutiva.
Como diria o saudoso Domingos Arouca: “ora bolas”.
Há muita gente que pensa que os grandes nomes não têm família mas a verdade
é que têm.
Temos aqui uma foto em que a Luísa Diogo, ex. isto e ex. aquilo, está ao lado da
mãe. Comovente não é…
É possível que possamos discutir, mas o que é verdade e que foi dito é que “atrás
duma grande fortuna há um grande crime”. Sem falarmos de crimes, podemos
perguntar como perguntou o músico Eugénio Mucavele. “Alguma vez viste um
pastor solteiro?” Tudo isto para falar das grandes seitas religiosas e os líderes dessas
seitas. José Guerra, da Igreja Universal do Reino de Deus e Luís Maposse, pastor
da igreja Assembleia de Deus qualquer são o exemplo.
A propósito disso conta-se que uma vez no bairro de Maxaquene ao cair da noite,
enquanto o pastor pregava o seu sermão ao seu rebanho, maioritariamente consti-
tuído por mulheres como sempre, um adolescente irreverente espreitou pela janela
e disse lá pra dentro: “não acreditem nesse velho. O que ele quer é vosso dinheiro”.
O pastor fechou a bíblia e gritou para fora: “suca daqui sou fdp” e a missa acabou
assim .
À HORA DO FECHO
www.savana.co.mz 27 de Setembro de 2013 • ANO XX • No 1029

se
i z-
IMAGEM DA SEMANA

...D
se
i z-
D
• Agora que a tv dos milagres, o canal de maior audiência em Mo-
çambique, também já caiu na esfera da estratégia do homem que
fala no lugar do chefe, discute-se acaloradamente nos meios in-
telectuais urbanos, os tais círculos que dão as dores de cabeça ao
chefão, qual será o próximo jornal a cair na “estratégia da aranha”
? No “facebook” já andam premonições …

• Com o país de boca aberta sobre “barcos de pesca” para o SISE,


vem aí mais na manga, exactamente para tornar “mais legal” tal
dispositivo. O ministro da praça dos ferry-boats e o antigo pu-
tativo a presidente preparam-se para despacho conjunto sobre
o longo braço económico dos cinzentões da Daniel Napatima.
Mano Nyussi esfrega as mãos de contente com tantos brinquedos
a receber …

• A vida não está fácil para a malta do puto Daviz. Na terra da go-
vernadora candidata a phd, continua a caça às bandeiras do galo,
como se a festa do início da luta de libertação seja propriedade de
um só partido. Está cada vez próximo o ditado que diz que quem
com ferro mata … com ferro morre.

• E como as eleições estão à porta, lá foi tocada a cassete do em-


Casamento de Jorge Khalau, Comadante Geral da PRM pata nas assembleias municipais com edis da oposição. O jovem
machuabo que domina a técnica do agit-prop via sms, até foi cha-
mado de mal educado porque não alugou aparelhagem da perdiz
para a reunião da Câmara. Como vai ser com a perda de dezenas
e dezenas de mordomias para os funcionários da perdiz que não

Militar mata e foge na Maxixe •


se podem candidatar de novo? Vão pedir emprego ao galo?

Apesar de esforços explícitos de alguns escribas de reafirmar a


- Comando provincial da PRM no encalço de Cândido Macanza inocência do “menino das quantias irrisórias” nos lucrativos se-
questros, dificilmente será possível vender a imagem de preso
Por Eugénio Arão, na Maxixe puritano que a ele se tenta atribuir. A semana passada, um dos

O
Comando provincial da à morte”, disse um agente, que pediu de Suleimane Tajú), não terá encontra- oito “raptores” em julgamento cujo nome lembra o antigo boss do
PRM (Polícia da Repú- anonimato. do o produto furtado. “Lançou a culpa FMI disse que o “menino das quantias irrisórias” fornecia cimen-
blica de Moçambique) em para os dois jovens, nomeadamente o to a muitos revendedores na capital e seus arredores. Resta saber
Inhambane está no encalço
Combustível roubado na falecido e o Momad Abú. Este último se se tratava do cimento de construção ou de um produto mais
de Cândido Orlando Macanza, militar
retaguarda do crime quase que perdia a vida também devido pesado.
O incidente ocorreu na última sexta-
afecto ao Centro Oficinal da Maxixe ao espancamento”, precisou Massihun-
-feira e o corpo sem vida foi descoberto
suspeito de ter espancado, até à mor- de • Em sessões de audiência de julgamento é normal o juiz da causa
dias depois. No entanto, Massihunde
te, Suleimane Aly Tajú. O acto que indeferir, com ou sem mérito, um requerimento das partes, pelo
Tajú, irmão mais velho da vítima mor-
comoveu os munícipes da Maxixe e
tal, explicou ao SAVANA que Manito
Problemáticos militares! que causou estranheza a insinuação mediática segundo a qual a
desencadeou uma onda de contestação Esta não é a primeira vez que militares
como era carinhosamente tratado, per- representante do MP ficou humilhada com a objecção do seu pe-
popular contra a actuação de alguns afectos na cidade da Maxixe envolvem-
deu a vida na sequência dos espanca- dido ao tribunal para que este ordenasse a retirada da sala do ad-
membros das FADM (Forças Armadas -se em assassinatos. Num passado não
mentos a que foi submetido. vogado do, de novo, “menino das quantias irrisórias”. De irrisório,
de Defesa de Moçambique) ocorreu na muito distante, espancaram até à morte
No dia posterior ao espancamento, ex- o “menino” que sonha com uma liberdade condicional só pode ter
noite de sexta-feira da semana passada, um cidadão que em vida respondia pelo
plica Tajú, o militar agora foragido foi mesmo a alcunha.
no bairro Chambone 5, concretamente cognome de Chiquinho. A operação
deixar um refrigerante no quarto do
na residência do malogrado. Suleimane malogrado. decorreu no bairro Chambone 6.
Tajú foi a enterrar esta segunda-feira,  “Mas o meu irmão já tinha perdido a O caso foi largamente mediatizado de- • E por falar da liberdade condicional, as más línguas dizem, com
no cemitério muçulmano do municí- vida. Mesmo os vizinhos podem teste- vido à crueldade com que foi tratada a alguma preocupação, que o juiz da décima secção que despro-
pio da Maxixe, a capital económica de munhar”, assinalou. A fonte lamentou vítima.  “Temos colegas que são delin- nunciou o “menino das quantias irrisórias” é o mesmo que deverá
Inhambane. o sucedido pedindo que seja feita a quentes de difícil correção”, admitiu um decidir se dá ou não liberdade condicional. Parecem criadas as
justiça. oficial. balizas para a decisão que, a ser favorável, merecerá um contesta-
Neste momento, o membro das FADM Ao que o SAVANA apurou, o militar Ainda relacionado com a problemática mento dos homens que habitam o majestoso edifício da Vladimir
está em parte incerta, mas Delcir Mari- em causa teria furtado 40 litros de gaso- actuação dos militares, Júlio de Amaral,
Lenine. E com razão, diga-se…
quel, do Comando provincial da PRM lina pertencente a instituição ao Centro um docente de nível superior, também
disse que a corporação já está no encal- Ofinal da Maxixe. Naquele centro, lo- foi vítima de um espancamento que
ço do foragido. “Estamos à procura do o levou a perder sentidos. Na ocasião, • No seu discurso desta terça-feira, na Assembleia Geral das Na-
calizado no centro da cidade, as viaturas
militar envolvido. Ele deve responder ficou sem dinheiro, telefone e outros ções Unidas, o Presidente Guebuza disse que as 5ª eleições gerais
são abastecidas manualmente, pois as
pelos seus actos. A Polícia já canalizou bombas funcionam com grande defi- bens. Fernando Muzime, outro docen- em Moçambique serão em 2015. Como não se corrigiu, e quem
o expediente ao Ministério Público ciência. A situação facilita o desvio de te, teve a mesma sorte, mas os aconteci- também fala por ele não disse nada, ficámos a saber de algo que
para o devido procedimento criminal”, combustível por parte dos militares ali mentos deram-se em locais separados. está a ser cozinhado em segredo, e que só se tornou público inad-
precisou Delcir Mariquel, em breves afectos. Os militares envolvidos na agressão vertidamente, porque nem sempre se consegue reprimir o sub-
declarações ao SAVANA. Depois de subtrair ilicitamente os 40 física a Júlio Amaral foram julgados e -consciente.
Curiosamente, no processo número 77- litros de gasolina, Macanza foi escon- condenados pelo Tribunal Judicial da
013, Cândido Macanza é acusado de der o produto residência da vítima, que Cidade da Maxixe.
prática do crime de ofensas corporais vivia sozinha. Para além de agressões, são frequentes
Em voz baixa
voluntárias qualificadas. No entanto, “Isto aconteceu sem o consentimento relatos de violação sexual de mulhe- • O azar do Grupo Shoprite com a Inspecção das Actividades Eco-
algumas fontes próximas da corpora- do meu irmão”, descreve o mais velho res nos arredores do Centro Oficinal. nómicas com produtos fora do prazo parece da mesma dimensão
ção entendem que a melhor tipificação do perecido. Conta-se que durante a calada da noite, da sorte dos laboratórios de análises clínicas com reagentes fora
criminal seria homicídio voluntário Quando o militar retorna ao local onde alguns militares interpelam e abusam do prazo.
qualificado. “A vítima foi espancada até tinha deixado o combustível (residência mulheres que passam pelo local.
Savana 27-09-2013
EVENTOS EVENTOS

EVENTOS
Maputo, 27 de Setembro de 2013 • ANO XX • No 1029

Earl Klugh – O mágico da


Guitarra em Maputo
m 2006, a revista Modern um momento ímpar de suas vidas.

E Guitar considerou-o o Me-


lhor Guitarrista Acústico dos
tempos modernos, e recen-
temente, Earl Klugh apresentou-se
pela primeira vez em Moçambique,
O seu talento é indiscutível, assim o
confirmam os 13 prémios Grammy,
a venda de milhões de disco mun-
dialmente e os 23 dos 30 álbuns no
Top Ten Americano. Assim como
depois de cerca de 40 anos de car- também o público fã foi capaz de
reira. Actuar em Maputo, na última confirmar com a sua presença em
terça-feira, foi emprestar um pouco palco, que não deixou a desejar. Com
daqueles que foram os seus momen- uma guitarra na mão e fazendo-se
tos de inspiração e gloria, quando acompanhar por sua banda, Earl
viajou pelo mundo tocando gran- Klugh ofereceu aos moçambicanos a
de parte dos seus hits em smooth experiência dos cerca de 40 anos de
jazz/crossover jazz/jazz fusion, que carreira, com boa parte das músicas
acompanharam muitos dos fãs du- conhecidas e cantadas pelo público.
rante as suas vidas. O guitarrista que The New York Times afirmou uma
é bem conhecido por boa parte da vez aquando de um dos seus concer-
nata moçambicana não escondeu a tos em Nova York, Estados Unidos,
sua satisfação em estar em Moçam- que Earl Klugh “é um guitarrista

Urgel Matula
bique e saber que, depois de tantos com uma técnica impecável”, e as-
anos de carreira, ainda cria curiosi- sim foi a sua presença única no seu
dade nos fãs, e que é bastante pro- primeiro concerto em Moçambique.
curado em países que nem o próprio A oportunidade foi também apro-
imagina que tenha presença. priada para o saxofonista moçam-
O seu concerto, patrocinado pela bicano Timóteo Cuhle, que abriu o mais o entretenimento moçambica- dacom, disse na ocasião que o con- Dezembro próximo teremos um le-
rede de telefonia móvel Vodacom, show de Earl Klugh, com parte de no, com oferta de concertos alterna- certo fazia parte das comemorações que de concertos patrocinados pela
foi bastante concorrido por boa par- suas composições. tivos para grupos restritos que não dos 10 anos da Vodacom, assinala- Vodacom, onde vamos procurar sa-
te dos maputenses de classe média- Para a Vodacom, grande patrocina- encontram no país casas de jazz para dos recentemente e que “esta é uma tisfazer a todos os clientes com di-
-alta, que não se fizeram de rogados dora do evento, trazer Earl Klugh a satisfazer os seus ouvidos. Cláudia oportunidade para agradecermos ferentes atracções internacionais e
em estar presentes naquele que foi Moçambique é enriquecer cada vez Chirindza, em representação da Vo- os nossos milhões de clientes. Até nacionais”. Edson Bernardo

Standard Bank desafia jornalistas


ssociado aos 126 anos da lho Municipal.

A cidade de Maputo, a edição


2013 do Prémio Jornalismo
Económico Standard Bank
vai atribuir um total de 126 mil me-
ticais ao vencedor nas categorias de
Por seu turno, o Secretário Geral do
Sindicato Nacional de Jornalistas,
Eduardo Constantino, referiu que
a sua instituição reassumiu o com-
promisso desde o início desta inicia-
imprensa televisiva, radiofónica ou tiva, acreditando que este trará uma
impressa. mais-valia à classe jornalística de
modo a que possam abordar e elabo-
Trata-se de um concurso que irá dis- rar matérias económicas com mais
tinguir os melhores trabalhos sobre conhecimento e responsabilidade.
jornalismo económico, veiculados Num outro desenvolvimento, o Ad-
durante um ano nos diversos órgãos ministrador delegado do Standard
de comunicação social nacional. Bank, António Coutinho, desafiou
“O crescente interesse dos meios de os jornalistas mais experientes a se
comunicação social em abordar ma- especializarem ainda mais em maté-
térias, assuntos referentes a econo- rias económicas, pois a sua institui-
mia na imprensa escrita, televisiva ou ção pretende continuar a apoiar este
radiofónica, sem dúvidas resulta do projecto como forma de estimular
compromisso do profissional da área a curiosidade, pesquisa e gosto pela
que, tem assim uma ferramenta para economia no seu todo.
formular ou formar uma opinião so- Este prémio surgiu em 2012, numa
bre os acontecimentos económicos parceria entre o Standard Bank e o
do seu país”, disse semana passada o Conselho Municipal de Maputo. Os
edil de Maputo, David Simango, du- primeiros vencedores foram os jor-
Naita Ussene

rante o lançamento da II edição do nalistas Fernando Lima (SAVANA)


prémio de Jornalismo Económico e André Levy (Rádio Moçambique)
numa das salas de sessões do Conse- .Nelia Jamaldine
2 Savana 27-09-2013
EVENTOS
PUBLICIDADE
EVENTOS

MUNICÍPIO DE MAPUTO

CONSELHO MUNICIPAL
PELOURO DE EDUCAÇÃO, CULTURA E DESPORTO
DIRECÇÃO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, CULTURA E DESPORTO

REGULAMENTO DO PRÉMIO LITERÁRIO 10 DE NOVEMBRO

No intuito de desenvolver o gosto pela literatura e pela escrita, o tregues na sede da AEMO, em quatro exemplares, com trata-
Conselho Municipal de Maputo (CMM) e a Associação dos Escri- mento do texto em tamanho A4, a espaço simples e fonte 12, com
tores Moçambicanos (AEMO) instituem o “Prémio Literário 10 de um mínimo de 30 paginas e um máximo de 50, até ao dia 20 de
Novembro” homenageando deste modo o dia da Cidade de Maputo. Outubro do ano em curso.
O Prémio tem periodicidade anual, tendo sido a primeira edição em 2. No acto da entrega dos trabalhos, os autores receberão um com-
2005, de acordo com o memorando de entendimento celebrado en- provativo do depósito da obra.
tre o Conselho Municipal de Maputo e a Associação dos Escritores
Moçambicanos, que faz parte integrante do presente Regulamento, Artº8
que estabelece as normas reguladoras do Prémio Literário 10 de (Confidencialidade dos Concorrentes)
Novembro, conforme o articulado seguinte. Os concorrentes devem apresentarem-se ao concurso sob pseudó-
nimo, devendo juntar ao processo a sua identidade civil e morada,
Artº1 dentro de um envelope fechado e devidamente assinalado no exte-
(Definição) rior com a inscrição de “Prêmio Literário 10 de Novembro”, seguida
O Prémio Literário 10 de Novembro foi instituido em valor mone- do pseudónimo pessoal.
tário, atribuido a um escritor (a) vencedor (a), com o fito de incenti-
var e consolidar hábitos de leitura e de escrita, promover e valorizar Artº9
a literatura moçambicana. (Prazo)
O resultado do concurso será divulgado publicamente no dia 10 de
Artº2 Novembro, dia da Cidade de Maputo.
(Condições de Admissão)
Podem concorrer ao prémio, escritores nacionais com ou sem Artº10
livro(s) publicado(s), residentes na Cidade de Maputo. (Edição do título vencedor)
O CMM e a AEMO poderão editar a obra vencedora, por sua pró-
pria iniciativa, ou cedendo-a á alguma instituição interessada, me-
diante acordo, ou ao próprio autor, desde que salvaguardado o pres-
Artº3 tígio do prémio, pelo que não haverá lugar a vencedores ex-aequo.
(Publicidade do Concurso)
O anúncio do concurso de cada edição será feito através dos órgãos Artº11
de comunicação social. (Lançamento da Obra)
A obra a publicar, no âmbito deste prémio literário, será lançada no
Artº4 ano imediatamente posterior ao ano de concurso, em data coinci-
(Natureza dos trabalhos) dente com a celebração do Dia Mundial do Livro.
1. Os géneros literários elegíveis para efeitos do concurso são: a po-
esia e a prosa, em regime alternado anual. Artº12
2. A edição de 2013 é consagrada à prosa. (Constituição do Juri)
O Juri do “Prémio Literário 10 de Novembro” é composto por três
Artº5 personalidades de reconhecido mérito, dos quais dois indicados pela
(Qualidade) AEMO e um indicado pelo CMM.
1. São admitidos ao concurso, trabalhos e não publicados, escri-
tos em português e submetidos aos critérios técnico-literários de Art13
cada uma das edições. (Forma de Deliberação)
2. Serão liminarmente excluidos os que violarem no todo ou em O Juri delibera por maioria simples, e do resultado do concurso será
parte as normas do presente Regulamento. lavrada uma acta, mesmo que não seja apurado o vencedor por ma-
nifesta falta de qualidade literária dos trabalhos apreciados.
Artº6
(Valor Pecuniário) Artº14
(Recurso)
O Prémio Literário 10 de Novembro tem o valor monetário de Da decisão do juri não cabe recurso
100.000.00 MT (Cem mil meticais) e será entregue ao vencedor
em cerimónia pública, no dia 10 de Novembro de cada ano.

Artº7 Artº15
(Critérios da edição) (Entrada em Vigor)
1. Para a edição de 2011, os trabalhos concorrentes deverão ser en- O presente Regulamento entra imediatamente em vigor.
Savana 27-09-2013
EVENTOS EVENTOS 3

Governos distritais melhoram prestação de contas Samsung


s organizações da socieda- Aid, as órganizações da sociedade ram as mais destacadas, mas nem avaliar o nível de satisfação das líder de
A de civil consideram que os
governos distritas estão a
melhorar o nível de presta-
ção de contas com as comunidades.
Estas informações estão contidas
civil introduziram um programa
denominado democracia partici-
pativa, que visa essencilamente en-
volver as comunidades no processo
de planificação dos programas de
sempre mereciam a devida consi-
deração pelas autoridades locais.
De acordo com Langa, através de
acções de monitoria permanen-
te durante cinco anos foi possível
comunidades em relação a execu-
são das necessidades comunitárias,
tendo constatado que a maior parte
da população distrital estava satis-
feita.
Equipamento
num relatório sobre boa governa- desenvolvimento dos distritos. constatar que os governos dos 13 O relatório que será lançado dentro Médico
ção realizado nos últimos cinco Com recurso ao cartão de pontua- distritos reduziram drasticamente em breve, aponta que mesmo com
anos nas províncias de Cado Del- ção comunitária, foram levantadas o índice de práticas ilícitas, sendo esta evolução ainda há muitos de-
gado, Zambézia, Inhambane, Gaza as necessidades da comunidade que que os mesmos passaram a enver- safios pela frente para consolidação Samsung, anun-
e Maputo província, tendo abran-
gido um universo de 13 distritos.

De acordo com Clemence Langa,


director de programas da Actio
devem ser priorizadas no orçamen-
to distrital do ano seguinte ou nos
planos de investimento local.
O acesso aos serviços básicos de
saúde, água, educação e energia fo-
dar pelos métodos de trasparência
e prestação contas.
Apesar desta constatação, foi in-
troduzido o cartão do relatório do
cidadão que tem como objectivo
deste tipo de acções, mas grande
parte disto depende da alocação de
fundos por parte do governo cen-
tral. (A.N)
A ciou

expandir,
recente-
mente que vai

continente africano, os
seus serviços, na indús-
no

tria de equipamentos
médicos, através do pro-
jecto “Samsung Health
& Medical Equipment”,
que incorpora a radio-
grafia digital, diagnóstico
“in vitro” e ultra-som.

Com estes três produtos,


com capacidades digi-
tais que permitem que
os resultados possam ser
imediatamente transmi-
tidos para uma localiza-
ção específica, em qual-
quer parte do mundo, a
Samsung pretende dotar
os profissionais de saúde
com as ferramentas de
que necessitam, de modo
a oferecer aos doentes
o melhor atendimento
possível.
Este produto vai permi-
tir o diagnóstico rápido,
fácil e preciso, através de
tecnologias e produtos de
qualidade superior.
Ao expandir a sua pre-
sença para a indústria
de equipamentos médi-
cos, a Samsung pretende
tornar-se líder mundial
de tecnologia na área da
saúde, com suporte à vas-
ta experiência em elec-
trónica e Tecnologias de
Informação para uma ex-
periência melhor e mais
completa para benefício
dos médicos e pacientes.
“Esta expansão é extre-
mamente importante no
contexto africano, pois
vai permitir que as pes-
soas que vivem em áreas
remotas do continente
possam visitar uma clíni-
ca de telemedicina móvel
e obter as suas análises
médicas examinadas por
especialistas em qualquer
parte do mundo”, referiu
Cliff Do Carmo, repre-
sentante da Samsung em
Moçambique.
Este afirmou ainda que
com este investimento a
sua marca pretende
“oferecer tecnologia pre-
parada especificamente
de acordo com as neces-
sidades do continente
africano”.
4 Savana 27-09-2013
EVENTOS
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Savana 27-09-2013 5
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6 Savana 27-09-2013
EVENTOS EVENTOS

EMOSE abre a porta para novos GOLO premiada


investidores na África do Sul
Empresa Moçambicana

A de Seguros (EMOSE)
lançou desde o último
dia 23 do corrente mês
uma Oferta Pública de Venda
(OPV) de 10 por cento das suas
A
agência de publi-
cidade GOLO foi
premiada recente-
mente na Cidade do
Cabo, África do Sul, no mais
importante festival interna-
de criação da Agência mo-
çambicana GOLO, disse na
ocasião que esta premiação é
importante para sua agência,
assim como também para o
acções. A OPV é direccionada a país dado o elevado critério
cional de publicidade do con- de julgamento e a enorme
pessoas individuais e colectivas
tinente africano, Os Loerie competitividade do festi-
de direito moçambicano, que es-
Awards. A mesma, que foi a val em causa. “Participaram
tejam interessados em fazer parte
única agência moçambicana agências da África do Sul,
da maior e mais antiga compa-
a ser premiada, conquistou de toda a África e do Mé-
nhia de seguros em Moçambique. 10 por cento das acções da EMOSE em hasta pública
duas medalhas de bronze nas dio Oriente e esta premiação
que tiverem pelo menos mil ac- ra social da EMOSE, reduzindo categorias de “Campanha In- prestigia o nome de Mo-
Em conferência de imprensa na ções averbadas ao seu nome, ou a participação deste para 39 por tegrada” e “Televisão”. çambique e da criatividade
semana finda, a EMOSE anun- um grupo de accionistas que se cento. Ainda assim, o estado mo- Thiago Fonseca, Director moçambicana”, disse.
ciou que até 14 de Outubro terá agrupem de forma a completar çambicano continua o accionista
disponível no mercado nacional esse número. maioritário da EMOSE, tendo
um total de 15.700.000 acções O objecto desta Oferta Públi- o Instituto de Gestão de Partici-
ordinárias, correspondente a 10
por cento das suas acções. As
mesmas, que estão a venda pelo
preço unitário de 20 Meticais,
ca de Venda é a alienação de
15.700.000 acções ordinárias,
nominativas e escriturais, perten-
pações de Estado (IGEPE) um
total de 31 por cento das acções,
e a Cooperativa de Gestores Téc-
Millennium bim - O
centes ao estado moçambicano, nicos e Trabalhadores daquela
darão a oportunidade de voto nas
assembleias gerais aos titulares
que são parte dos 49 por cento
detidos pelo Estado na estrutu-
instituição (GETCOOP) com
20 por cento das acções. Edson
Bernardo
Melhor banco de
Moçambique
mCel assina acordo com FMB publicação internacio- financeiro e económico, contri-

Por: Zaqueu Massala


empresa de Telefonia
A nal EMEA Finance, que
anualmente desenvolve
estudos para identificar
buindo para o desenvolvimento
de Moçambique.
Comentando sobre a eleição

A móvel mCel rubricou


um acordo de entendi-
mento com a Federação
Moçambicana de Basquetebol
(FMB). O acordo entre aquelas
as melhores instituições a nível
mundial, acaba de considerar o
Millennium bim o “Melhor Ban-
co de Moçambique”. É pelo quin-
to ano consecutivo que este banco
é nomeado o Melhor Banco de
do Millennium bim, o CEO da
EMEA Finance, Chris Moore,
disse: “continuamos surpresos
com o extraordinário desempe-
nho do Millennium bim, nome-
adamente na liderança do sector
duas instituições tem por objecti-
Moçambique. Para o banco, esta bancário e na constante inovação
vo apoiar a selecção sénior Femi-
eleição enaltece o seu desempe- ao nível de produtos e serviços. O
nina durante o campeonato que
nho, dedicação e motivação do crescimento do Banco em activos,
decorre desde a última sexta-feira
na constante busca de excelência, depósitos e empréstimos é um
em Maputo.
mantendo a sua solidez e credibi- óbvio contributo para o desenvol-
Trata-se de 893 mil meticais em
lidade junto dos seus clientes. vimento e crescimento do país”.
dinheiro, 407 mil em meios de co-
Este acrescentou ainda: “aprecia-
municação, 49 celulares, modem
Com o seu conhecimento do mos o facto de o Millennium bim
E303, pacotes iniciais, 250 mil
mercado e sua estratégia de ex- continuar a reforçar o seu Tier 1,
meticais recargas, para os atletas
pansão, o Banco promove não só mantendo uma liquidez saudável
e os dirigentes e pessoas de apoio.
um constante aumento da taxa de como prevenção para momentos
Cláudio Chiche, administrador
bancarização em Moçambique menos bons. Nos dias que correm,
comercial da mCel, disse na oca-
como também a criação de novos inovação é a chave do sucesso e os
sião que a mCel disponibilizou
produtos e serviços em busca da produtos inovadores que o Mil-
cerca de um milhão e quatrocen-
total satisfação das necessidades lennium bim lança são condição
tos mil meticais para além de te-
dos seus clientes. O Millennium essencial para que se mantenha na
lefones celulares que vão ajudar na
bim estimula, desta forma, o de- liderança do mercado”.
comunicação durante o campeo-
nato. senvolvimento de todo o sector
mCel apoia FMB em valores monetátios e bens consumíveis
Com este apoio pretende-se ainda
massificar a modalidade desporti- encontrou de apoiar a selecção na- um orgulho apoiar a selecção mo-
va de basquetebol sénior feminino cional e ao mesmo tempo elevar o çambicana ”.
no nosso país. Aliás, tratando-se bom nome de Moçambique além Por seu turno, o presidente da
de uma competição de alto nível -fronteira, uma vez que o evento Federação Moçambicana de Bas-
há uma necessidade de apoiar a junta vários países da África Aus- quetebol, Francisco Mabjaia, diz
selecção nacional. tral. estar satisfeito com a iniciativa
De acordo com Cláudio Chiche, “O acordo que acabamos de rubri-
da companhia de telefonia móvel,
esta é uma das formas que a mCel, car com a federação moçambicana
uma vez que se trata de um evento
de basquetebol visa apoiar o cam-
peonato sénior feminino da nossa de grande nível.
Savana Eventos “É uma boa iniciativa para nós
selecção, tomando em conta que
Redacção este é um evento de grande nível qualquer ajuda é bem-vinda, e
Edson Bernardo que decorrer no continente afri- gostaríamos que tivéssemos mais
Maquetização cano. apoios das outras instituições pú-
Hermenegildo Timana Uma das nossas apostas é garantir blicas e privadas como forma de
Comercial a comunicação dos atletas, diri- garantir que este evento desporti-
Benvinda Tamele “Continuamos surpresos com o extraordinário desempenho do
gentes e do pessoal envolvido na vo corra da melhor forma, está de Millennium bim, nomeadamente na liderança do sector bancário e
Telefone
(+258) 823051790 organização deste evento, que jun- parabéns a mCel ”, referiu Mab- na constante inovação ao nível de produtos e serviços”, justicou a
ta cerca de 12 países, para nós é jaia. escolha o CEO da EMEA Finance,Chris Moore
Savana 27-09-2013
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EVENTOS EVENTOS 7

MCA – Moçambique MCA – Moçambique


Millennium Challenge Account Millennium Challenge Account

ADJUDICAÇÃO DE CONTRATOS - AVISO NR. 43 CONTRACT AWARD NOTICE - NO. 43

AGOSTO 2013 AUGUST, 2013


O Millennium Challenge Corporation (MCC), em representação do Governo The Millennium Challenge Corporation (MCC), on behalf of the United States Gov-
dos Estados Unidos, e o Ministério de Planicação e Desenvolvimento em rep- ernment, and The Ministry of Planning and Development (MPD), on behalf of the
resentação do Governo da República de Moçambique, acordaram num Millen- Government of Mozambique, have entered into a Millennium Challenge Compact
nium Challenge Compacto para dar assistência ao Millennium Challenge Ac- for Millennium Challenge Account assistance to help facilitate poverty reduction
count para ajudar à redução da pobreza através do crescimento económico em through economic growth in Mozambique (the “Compact”) in the amount of ap-
Moçambique (O Compacto) num montante de aproximadamente 507 Milhões proximately of USD 507 million (MCC Funding).
de Dólares Americanos (Financiamento MCC).
The objective of the proposed program is to reduce poverty through economic
O objectivo do programa é reduzir a pobreza através do crescimento económi- growth in four provinces of Mozambique (Niassa, Cabo Delgado, Nampula and
co em quatro províncias de Moçambique (Niassa, Cabo Delgado, Nampula e Zambézia) by focusing on certain investments in physical assets, policy reform,
Zambézia) com enfoque em investimentos relacionados com infra-estruturas, capacity building and institutional strengthening. The program contains 4 (four)
políticas de reforma, capacitação e fortalecimento institucional. O programa projects including the Water Supply and Sanitation Project, the Roads Project, the
é composto por 4 (quatro) projectos incluindo o Projecto de Fornecimento de Land Tenure Services Project, and the Farmer Income Support Project.
Água e Saneamento, Projecto de Estradas, Projecto sobre Posse de Terras, e o
Projecto de Apoio ao Rendimento do Agricultor. MCA-Mozambique announces the award of the following contracts for the period
of August, 2013:
O MCA-Moçambique anuncia a adjudicação dos seguintes contratos para o
mês de Agosto, 2013: Procurement Ref. Number: SH-MCA-MOZ-GOODS-26/LT/12-307
– ADDENDUM 1
Nr. de Ref. do Procurement: SH-MCA-MOZ-GOODS-26/LT/12-307 – Contract Nr: P441 – ADD 1
ADDENDUM 1 Project Name: LAND TENURE SERVICE
Contrato Nr. P441 – ADD 1 Method of Procurement: SHOPPING
Nome do Projecto: PROJECTO DE TERRAS Awarded To: OPTRON GEOMATICS (PTY) LTD
Método de Procurement: SHOPPING Price of Winning Bid: USD 15,930.00
Adjudicado a: OPTRON GEOMATICS (PTY) LTD Duration of Contract: UP TO 22ND SEPTEMBER, 2013
Valor de Adjudicação + IVA: USD 15,930.00 Name of the Contract: EXTENTION OF CONTRACT WITH ADDITIO
Duração do Contrato: ATÉ 22 DE SETEMBRO, 2013 NAL EQUIPMENT AND ADDITIONAL
Nome do Contrato: EXTENSÃO AO CONTRATO PARA SERVICES FOR CONTRACT P441 - SUPPLY
FORNECIMENTO DE ESTAÇÕES OF GNSS REFERENCE
GNSS PARA STATIONS FOR CENACARTA
A CENACARTA, COM EQUIPAMENTO Date of the Contract Signature: 29TH AUGUST, 2013
E SERVIÇOS ADICIONAIS
Data de Assinatura do Contrato: 29 DE AGOSTO, 2013 Procurement Ref. Number: SH-MCA-MOZ-GOODS-02/AIAS/13-314
Contract Nr: P454
Nr. de Ref. do Procurement: SH-MCA-MOZ-GOODS-02/AIAS/13-314 Project Name: WATER AND SANITATION
Contrato Nr: P454 Method of Procurement: SHOPPING
Nome do Projecto: ÁGUA E SANEAMENTO Awarded To: MOZCOMPUTERS, LDA
Método de Procurement: SHOPPING Price of Winning Bid + VAT: MZM 987,382.06
Adjudicado a: MOZCOMPUTERS, LDA Duration of Contract: 30 DAYS
Valor de Adjudicação + IVA: MZM 987,382.06 Name of the Contract: EQUIPMENT AND FURNITURE TO
Duração do Contrato: 30 DIAS STRENGTHEN EMUSA IN QUELIMANE
Nome do Contrato: EQUIPAMENTO E MOBILIARIO PARA O AND
FORTALECIMENTO DA EMUSA DOS NAMPULA MUNICIPALITIES
MUNICIPIOS DE QUELIMANE E NAM- Date of the Contract Signature: 31ST JULY, 2013
PULA
Data de Assinatura do Contrato: 31 DE JULHO, 2013 Procurement Ref. Number: SH-MCA-MOZ-GOODS-02/AIAS/13-314
Contract Nr: P459
Nr. de Ref. do Procurement: SH-MCA-MOZ-GOODS-02/AIAS/13-314 Project Name: WATER AND SANITATION
Contrato Nr: P459 Method of Procurement: SHOPPING
Nome do Projecto: ÁGUA E SANEAMENTO Awarded To: SOTUX - Sociedade de Comércio Internacional
Método de Procurement: SHOPPING de Bens e Serviços, Lda
Adjudicado a: SOTUX - Sociedade de Comércio Interna Price of Winning Bid + VAT: MZM 1,002,190.64
cional de Bens e Serviços, Lda Duration of Contract: 30 DAYS
Valor de Adjudicação + IVA: MZM 1,002,190.64 Name of the Contract: EQUIPMENT AND FURNITURE TO
Duração do Contrato: 30 DIAS STRENGTHEN EMUSA IN
Nome do Contrato: EQUIPAMENTO E MOBILIARIO PARA O QUELIMANE AND
FORTALECIMENTO DA EMUSA DOS NAMPULA MUNICIPALITIES
MUNICIPIOS DE QUELIMANE Date of the Contract Signature: 07TH AUGUST, 2013
E NAMPULA
Data de Assinatura do Contrato: 7 DE AGOSTO, 2013 Procurement Ref. Number: IC-MCA-MOZ-CONS-04/PA/13-319 B
Contract Nr: P458
Nr. de Ref. do Procurement: IC-MCA-MOZ-CONS-04/PA/13-319 B Project Name: PROGRAMME ADMINISTRATION
Contrato Nr. P458 Method of Procurement: INDIVIDUAL CONSULTANT
Nome do Projecto: ADMINISTRAÇÃO DO PROGRAMA Awarded To: ANA BERNARD DA COSTA
Método de Procurement: CONSULTORES INDIVIDUAIS
Adjudicado a: ANA BERNARD DA COSTA Duration of Contract: UP TO 22ND SEPTEMBER, 2013
Duração do Contrato: ATÉ 22 DE SETEMBRO, 2013 Name of the Contract: GENDER IMPACT STUDIES ON MCA PRO-
Nome do Contrato: ESTUDO SOBRE O IMPACTO NO JECTS
GÉNERO NOS PROJECTOS DO MCA Date of the Contract Signature: 25TH JULY, 2013
Data de Assinatura do Contrato: 25 DE JULHO, 2013
Nr. de Ref. do Procurement: SH-MCA-MOZ-GOODS-03/AIAS/13-321 Procurement Ref. Number: SH-MCA-MOZ-GOODS-03/AIAS/13-321
Contrato Nr: P456 Contract Nr: P456
Nome do Projecto: ÁGUA E SANEAMENTO Project Name: WATER AND SANITATION
Método de Procurement: SHOPPING Method of Procurement: SHOPPING
Adjudicado a: 5TH MARKETING EDITION, LDA Awarded To: 5TH MARKETING EDITION, LDA
Valor de Adjudicação + IVA: MZM 603,720.00 Price of Winning Bid + VAT: MZM 603,720.00
Duração do Contrato: 30 DIAS Duration of Contract: 30 DAYS
Nome do Contrato: MATERIAL PROMOCIONAL DE COMU Name of the Contract: ADVERTISEMENT, COMMUNICATION AND
NICAÇÃO E PUBLICIDADE PROMOTIONAL MATERIAL FOR AIAS
PARA A AIAS Date of the Contract Signature: 17TH JULY, 2013
Data de Assinatura do Contrato: 17 DE JULHO, 2013
8 Savana 27-09-2013
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