Você está na página 1de 31

Moçambique

Cabo Delgado,
Nampula, Niassa,
Zambézia e Sofala
Pemba, Caixa Postal, 260
0DSXWRGH0DUoRGH‡$12;;,‡1o‡3UHoR0W‡0RoDPELTXH E-mail: emclpemba@teledata.mz

3DVFRDO0RFXPELHPHQWUHYLVWDDR6$9$1$FRPHQWDDFWXDOFRQÁLWRFRPD5HQDPR

Ilec Vilanculos

Centrais
Centrais

Guebuza condena edis que se declaram


independentes da Frelimo Pág. 2
2 Savana 21-03-2014
TEMA DA SEMANA

Os cinco pilares de Nyusi para chegar à presidência


Por Argunaldo Nhampossa

O
candidato da Frelimo às No “Governo Nyusi”, de acordo com compromete-se a combater a moro-
eleições presidenciais de o próprio, não haverá espaço para sidade processual, combate cerrado
Outubro, Filipe Nyusi, regionalismo, tribalismo, racismo ou ao crime organizado, bem como ma-
apresentou no domingo tendências grupistas, pois “a cultura nutenção da segurança de pessoas e
passado os cinco pilares da sua go- moçambicana é uma só, que é a soma bens.
vernação, caso ganhe o escrutínio, das culturas que representam o povo”.
destacando a paz e a coesão entre os Comunicação social
moçambicanos como as principais Bem-estar Filipe Nyusi refere, na sua “cartilha”,
linhas de força do seu magistério. Para o candidato da Frelimo, a pro- que vai dar uma especial atenção aos
Nyusi, escolhido no início deste mês moção do bem-estar e a melhoria da órgãos de comunicação social, apos-
candidato do partido no poder às condição de vida dos moçambicanos tando na formação de jornalistas e
eleições presidenciais, que vão decor- dependem da criação de emprego acesso a melhores condições de tra-
rer em simultâneo com as legislativas, para todos, que será garantida através balho, isto porque a sua função de
deu a conhecer os principais eixos de mais investimentos e do desenvol- formar e informar é de capital impor-
do seu mandato, num encontro com vimento de políticas públicas orienta- tância na construção da sociedade.
militantes do seu partido, que incluía das para o crescimento e ajustamento Nyusi compromete-se a primar pela
dirigentes de órgãos autárquicos e do modelo económico à capacidade liberdade de imprensa, como forma
membros do Comité Central. laboral dos moçambicanos. de garantir a transparência do seu
O manifesto que o candidato do “ba- Por outro lado, aponta a melhoria governo.
tuque e da maçaroca” apresentou as- significativa da qualidade de ensi-
Armando Guebuza apresenta Filipe Nyusi como continuador dos seus projectos Nyusi apresentado a popu-
senta em cinco pilares básicos, nome- no, da vida dos professores, acesso a
adamente: consolidação da unidade melhores condições de saúde, ou seja lação
nacional, paz e coesão; promoção do qualidade de atendimento, assistência Inclusão da juventude canizar, edificar infra-estruturas ade- Esta segunda-feira, o candidato da
bem-estar e a melhoria da condição médica e medicamentosa, bem como Transformar os jovens como agentes quadas e afectar quadros qualificados Frelimo seguiu a caravana do presi-
de vida dos moçambicanos; elevar a valorização cada vez mais dos profis- de esperança e em beneficiários de e especializados. dente da república, Armando Gue-
inserção da juventude e da mulher na sionais deste sector. mudança constitui um dos impera- Essas intervenções permitirão, va- buza, para a Presidência Aberta e
vida económica e social activa; criar A estratégia de Filipe Nyusi pode tivos do manifesto que Filipe Nyusi ticina o ex-ministro da Defesa, o Inclusiva nas províncias de Niassa e
as condições essenciais para um de- ser vista no contexto da greve que os propõe aos eleitores moçambicanos. aumento dos níveis de produtivida- Cabo Delgado.
senvolvimento económico equilibra- profissionais de saúde realizaram pelo Nyusi diz que a sua candidatura é de de, desenvolvimento do sector agro- Em Lichinga, na província do Nias-
do e, por fim, a melhoria da qualidade sa, depois de Armando Guebuza ter
aumento salarial e melhoria das con- jovens para jovens, sendo, por isso, -industrial e redução da dependência
agradecido aquele povo pelo apoio
das instituições. dições de trabalho. que vai apostar em projectos para jo- alimentar.
prestado durante os 10 anos que es-
Para concretizar o pilar da consoli- Nas linhas programáticas que apre- vens e dirigidos por empreendedores No que toca aos recursos naturais, teve à frente dos destinos do país,
dação e da unidade nacional, paz e sentou, Filipe Nyusi também se de- desta camada social, tendo em consi- Filipe Nyusi diz que vai adoptar polí- apresentou Nyusi como o seu suces-
coesão entre moçambicanos, o candi- bruça sobre os transportes, numa deração a promoção da igualdade de ticas que os tornem em grande factor sor, que tratou de apresentar as linhas
dato dos “camaradas” compromete-se altura em que o sector vive um au- género. de união e não de desunião. gerais que vão guiar a sua governação
a pautar pelo espírito de humildade, têntico caos. Criar as condições essenciais para um O último ponto do projecto de go- e promessas de um futuro melhor
inclusão, solidariedade, tolerância e, Nessa perspectiva, o candidato pro- desenvolvimento económico equili- vernação do candidato da Frelimo caso saia vencedor das eleições.
sobretudo, o respeito mútuo. mete desenvolver um sistema de brado é a melhoria da qualidade das insti- A acção do candidato da Frelimo está
Pretende também promover um di- transporte urbano e inter-urbano O projecto de governação do candi- tuições, apontando-lhes a necessida- a ser mal vista por diversos segmen-
álogo eficaz para a manutenção da “justo” subsidiado pelo governo. dato da Frelimo apresenta a agricul- de de promoção de boas práticas de tos da sociedade, por estar a violar
paz, capitalizar cada vez mais a des- Outros destaques do aspirante à tura como um alicerce importante governação, com serviços públicos a lei eleitoral, que estabelece que a
centralização, capacitando, responsa- Ponta Vermelha vão para a habitação, para o alcance do desenvolvimento. mais céleres e eficazes na resposta às campanha eleitoral tem início qua-
bilizando, estimulando a cultura de segurança social e redistribuição de Nessa perspectiva, é, na óptima de inquietações do cidadão. renta e cinco dias antes da data das
prestação de contas e exigindo com riqueza, que deverá ser garantida pela Filipe Nyusi, necessário apostar na Neste pilar, o sector da Justiça está eleições e termina 48 horas antes do
rigor a transparência da coisa pública. receita pública. modernização do sector agrícola, me- no centro, uma vez que Filipe Nyusi dia da votação.

Guebuza condena edis que se declaram independentes da Frelimo


Por Argunaldo Nhampossa

O
presidente da República rar independentes da Frelimo e de desafios e dificuldades, cultivando que os municípios despendem para a sua imagem ou brandem material
e da Frelimo, Armando se quererem vangloriar por serem uma relação de confiança e colabora- tramitação dos expedientes. de propaganda com a sua fotografia”,
Guebuza, condenou no os melhores, sozinhos, são atitudes ção permanente”, disse. Guebuza pediu ainda uma maior exortou Guebuza.
passado domingo, ati- condenáveis que devem ser evitadas Guebuza apontou o desemprego, colaboração entre os edis com os co-
tudes de alguns presidentes dos a todo o custo durante todo o vosso saneamento do meio, corrupção, bu- mités locais da Frelimo, pois são sec- $RVGLVWUDtGRVHVXSHUÀFLDLV
conselhos municipais eleitos sob mandato,” alertou, tendo acrescen- rocratismo, a insuficiência das vias tores que muito fizeram para eleição Tal como tem sido hábito atribuir no-
chancela da Frelimo, que procuram tado: “já tivemos experiências do de acesso e degradação das existen- dos edis, pelo que há necessidade de mes aos que criticam o seu trabalho,
se declarar independentes desta género e não gostaríamos de as ver tes, como os principais desafios dos se prestar contas a eles. Armando Guebuza voltou à carga e
formação política, tomando outras repetidas”. Recorde-se que os pre- municípios, cujas soluções podem ser chamou de distraídos e superficiais
decisões que não estão em conso- sidentes dos municípios da Matola, encontradas através da promoção de Promover a imagem de Nyusi aqueles que diziam que a III Sessão
nância com as linhas de actuação Quelimane, Pemba e Cuamba foram parcerias público-privadas e criando O encontro de Guebuza com os di- do Comité Central da Frelimo ia
do partido. obrigados a renunciar pela direcção oportunidades de geração de empre- rigentes dos órgãos autárquicos ser- abrir profundas fissuras no partido,
do partido, num acto visto como de viu também para lançar as bases da devido ao debate em torno da entra-
go.
À margem da IX reunião nacional penalização por acharem que devem campanha eleitoral do candidato da da ou não de mais pré-candidatos.
Precisou ainda que os debates sobre
dos municípios, o partido Frelimo primeiro obediência aos eleitores e Frelimo, Filipe Nyusi, às eleições de “Os distraídos e superficiais pensa-
a gestão municipal não se devem cin-
reuniu no princípio desta semana, na depois ao partido. Outubro próximo. vam que a Frelimo já não tinha pés
gir somente aos vereadores, mas que
escola do partido na Matola, os diri- O Presidente da Frelimo falou da tra- para andar, quando ouviam ideias
envolvam também os próprios mu-
gentes dos órgãos autárquicos eleitos Vitória nos 49 municípios jectória de Filipe Nyusi, desde a sua diferentes sobre a vida partidária
nícipes que passariam a estar melhor
pela Frelimo, para um seminário de O presidente da Frelimo referiu que infância, desaguando nos seus feitos principalmente no tocante a entrada
foi graças ao trabalho partidário da informados sobre o trabalho daqueles até à sua eleição como candidato da de mais pré-candidatos. Os que in-
capacitação de dois dias.
O Presidente da Frelimo, Armando Frelimo que nas últimas eleições au- a quem elegeram para resolver os seus Frelimo. Depois disso, pediu o apoio terpretaram dessa maneira estavam
Guebuza, que dirigiu a cerimónia de tárquicas foram eleitos os 49 presi- problemas. incondicional de todos os edis à can- enganados, não conhecem a nossa
abertura, alertou aos edis para serem dentes dos conselhos municipais, dos Armando Guebuza recomendou aos didatura de Filipe Nyusi, para alcan- história, como povo e como partido”,
leais à Frelimo e ao povo que os ele- 53 que estavam em disputa. edis da Frelimo para que num prazo çar a tão desejada vitória retumbante. disse.
geu. Guebuza exortou também aos edis de três meses reportem ao Ministério “Em cada oportunidade que tive- Para Guebuza, a III sessão do Co-
Segundo Guebuza, os presidentes para trabalharem em parceria com o da Administração Estatal (MAE), rem, em cada interacção que esta- mité Central foi um exercício demo-
dos municípios ganhos pela Frelimo povo que os elegeu. “É preciso que se que, por sua vez, deverá encaminhar belecerem com os munícipes, com crático que tornou o partido Frelimo
devem ter sempre presente que estão dêem tempo para continuar a ouvir ao secretariado do Comité Central, as as organizações da sociedade civil, mais coeso como nunca, pois depois
umbilicalmente ligados à Frelimo e, a população, viver os seus desafios e metas alcançadas e as medidas toma- com personalidades influentes, e com de tantos debates todos afirmaram
por isso, devem manter uma relação com ela dialogar sempre, de forma das para o combate à corrupção e ao imprensa, falem da vida e obra do que Filipe Nyusi é um candidato
cordial de trabalho e de coordenação. franca e aberta, sobre o vosso traba- burocratismo, principalmente no que nosso candidato, o camarada Filipe consensual e vai contar com o apoio
“Tentativas de se quererem decla- lho, sobre os vossos planos, sucessos, toca a redução do tempo e recursos Nyusi. Enverguem a camiseta com de todos.
Savana 21-03-2014 3
TEMA DA SEMANA
PUBLICIDADE
4 Savana 21-03-2014
TEMA DA SEMANA

Municípios: a dependência que


teima em persistir
Por Raul Senda

O
processo de autarcização, tralização, a auto-estima, o espírito
em Moçambique, conti- patriótico, o sentido de cidadania, a
nua longe de atingir os solidariedade, a inclusão e a parti-
objectivos desejados e cipação, na firme convicção de que
que determinaram a sua criação em os municípios têm a missão de re-
1998. forçar a transparência, a cultura de
Quinze anos após a introdução da prestação de contas e a responsabi-
administração municipal, a esma- lização, e assegurar a participação
gadora maioria se não a totalidade dos munícipes na gestão da coisa
das 53 autarquias continua depen- pública municipal através de vários
dente do Governo central no que mecanismos que a lei já prevê.
concerne à sua sobrevivência. No entender de Namashulua, os ti-
Os municípios enfrentam sérios tulares dos órgãos autárquicos têm
problemas na colecta de receitas, no a obrigação de promover a parti-
saneamento básico, na manutenção cipação activa dos munícipes na
das vias de acesso, no ordenamento identificação dos problemas e bus-
urbano, na distribuição de água po- ca de soluções para o desenvolvi-
tável, erosão, transportes públicos, mento sócio-económico e cultural

Naíta Ussene
recolha de resíduos sólidos entre dos municípios, assegurando uma
outros serviços sociais básicos. harmonia entre a agenda de gover-
Em algumas situações, a realida- nação nacional e as necessidades e
2VPXQLFtSLRVFRQWLQXDPLQHÀFD]HVQDUHFROKDGHUHVtGXRVVyOLGRV
de mostra que as cidades e as vilas expectativas dos munícipes.
retrocederam na medida em que ponto definem o destino do muni- especial sobre questões de planifi- O Governo assegura aos municí- Desta forma serão perpetuados e
pouco ou quase nada foi feito para cípio bem como dos munícipes. cação e de ordenamento territorial, pios anualmente cerca de 45% das consolidados os alicerces da des-
garantir o bem-estar dos habitan- Apontou a questão de arrecadação bem como de gestão do solo urba- suas despesas. Estes financiamen- centralização e do desenvolvimen-
tes, e o que existia está em constan- de receitas, onde notou que apesar no. tos chegam aos municípios através to sustentável das autarquias locais,
te degradação. de se verificar um crescimento da Para o estadista moçambicano, não do Fundo de Compensação Au- e criado o bem-estar dos muníci-
Esta situação foi exteriorizada se- consciência dos munícipes sobre a faz sentido que só depois da edi- tárquica, Fundo de Investimento pes.
mana passada, em Maputo, durante necessidade de darem a sua con- ficação de infra-estruturas apareça de Iniciativa Autárquica, Fundo Namashulua falou na necessida-
os trabalhos da nona reunião na- tribuição para a implementação o município com bulldozers para de Estradas e através do fundo do de da contínua descentralização
cional dos municípios, um encon- dos planos municipais através do destruir. Programa Estratégico para a Re- da execução orçamental, do pros-
tro que juntou na mesma sala pre- pagamento dos impostos, há ne- “A pergunta que se coloca prende- dução da Pobreza. seguimento do alargamento da
sidentes dos Conselhos Municipais cessidade de melhoria da qualidade -se com a proactividade e papel da base tributária, do incremento da
e das Assembleias Municipais das de organização interna dos municí- inspecção, pois essas obras foram Autarcização na lupa de cobrança da receita do Estado, do
53 autarquias do país, deputados pios, gestão transparente e susten- sendo erguidas à luz do dia, perante Namashulua aperfeiçoamento da orçamentação
da Assembleia da República, mem- tável dessas receitas, incluindo um o olhar impávido e sereno das au- Por sua vez, a ministra da Admi- por programas bem como a priori-
bros do Conselho de Ministros, maior envolvimento dos próprios toridades municipais”, disse Gue- nistração Estatal, Carmelita Na- zação da afectação de recursos para
membros do Corpo Diplomático munícipes. buza para depois acrescentar que o mashulua, disse que o processo os sectores com maior impacto na
acreditado em Moçambique, go- O segundo desafio lançado por melhoramento dos assentamentos de descentralização, em particular redução da pobreza.
vernadores provinciais, administra- Guebuza prende-se com a recolha informais deve também ser visto a autarcização, vem conhecendo Sublinhou que, para o seu funcio-
dores distritais e representantes do e gestão de resíduos sólidos. neste prisma, bem assim a criação significativos progressos no que namento, as autarquias têm que ter
Estado nos municípios. Para o chefe de Estado, os resídu- de reservas do Estado que no futu- concerne à consolidação da organi- a participação dos munícipes que
No encontro de Maputo foi ain- os sólidos muitas vezes hipotecam ro evitem os encargos decorrentes zação e funcionamento das autar- devem estar comprometidos com
da possível constatar-se que os a beleza das nossas urbes e em da prática recorrente de reassenta- quias locais, e ao aprofundamento a melhoria de serviços públicos a
problemas dos municípios não se muitos casos são fonte de doenças, mentos e indemnizações. da democracia e se revela de grande prestar, coordenar com outras ins-
limitam apenas a questões finan- incluindo a malária e a cólera, que Garantiu que sob ponto de vista importância na vida social e econó- tituições públicas e privadas e exer-
ceiras, patrimoniais bem como das ciclicamente nos abalam, causando financeiro, o governo continuará a mica do país, por meio da partici- cerem cabalmente as tarefas que
infra-estruturas básicas. Estes alar- mortes evitáveis. realizar a alocação de fundos atra- pação dos munícipes na tomada de lhes estão adstritas.
gam-se aos recursos humanos. Na Por causa destes factores, segundo vés da Compensação Autárquica e decisões sobre os assuntos do seu Assim, as autarquias têm que pro-
maioria dos municípios, os funcio- o estadista, os cidadãos avaliam o de Investimentos, bem como aque- interesse. curar meios de se tornarem sus-
nários lá afectos não têm domínio desempenho dos seus dirigentes na les que são canalizados no âmbito Segundo a ministra, o objectivo do tentáveis através do aumento das
da legislação básica bem como das base da sua eficiência na recolha do Programa Estratégico de Redu- Governo, nesta altura em que se vai receitas, pelo alargamento da base
normas e procedimentos. destes resíduos sólidos. ção da Pobreza Urbana. no quarto mandato de autarcização, tributária, o aumento da eficácia do
Estas e outras dificuldades obriga- A questão de ordenamento territo- Recordar que quinze anos de- é continuar a fazer dos municípios sistema de cobrança de impostos e
ram o presidente da República, Ar- rial foi outro ponto abordado por pois, os orçamentos dos municí- o local onde se consolida a descen- taxas junto dos munícipes.
mando Guebuza, a chamar aten- Guebuza. pios continuam a de-
ção às presidências das edilidades Armando Guebuza disse que o in- pender grandemente
no sentido destas terem em conta vestimento público e privado que das transferências do
os desafios que têm pela frente e tem estado a ser feito em infra- Governo central. No
responder de forma favorável aos -estruturas, desde as de habitação presente ano, as trans-
munícipes. às de serviços, entre outras, exerce ferências do Governo
No entender de Armando Gue- uma pressão muito grande sobre as constituíram quase a
buza, a abordagem do desenvolvi- autoridades municipais. metade daquilo que
mento local, coloca o cidadão como Pelo que, o acolhimento des- serão os valores que os
primeiro e último beneficiário das tes investimentos exige uma municípios vão gastar.
acções desenvolvimentistas. planificação e gestão rigoro- Para o ano 2014, o Go-
Guebuza diz que o Governo cen- sa, sempre norteadas pelas nor- verno central através
tral está consciente dos desafios mas de ordenamento territorial. do Fundo de Com-
que os municípios enfrentam na Ainda neste capítulo, Guebuza dis- pensação Autárquica
implementação dos seus progra- se que os municípios devem prestar contribuiu com mais de
mas mas, de outro lado, há neces- particular atenção às questões do 1.8 biliões de meticais.
sidade do reforço das qualidades de melhoramento dos assentamentos Através do fundo de-
liderança com vista a servir devida- informais, à provisão de infra-es- nominado transferên-
mente o cidadão. truturas, à melhoria na qualidade cia do capital, o execu-
Ilec Vilanculos

Na sua locução, o PR convidou de prestação de serviços aos mu- tivo central contribuiu
os edis a reflectirem em torno de nícipes e à gestão do crescimento com mais de 2.4 bili-
três pontos essenciais que até certo Municípios longe de prover sistemas de transportes dignos aos cidadãos
dos centros urbanos, com enfoque ões de meticais.
Savana 21-03-2014 5
TEMA DA SEMANA

Inquilinos e direcção da Têxtil de Mocuba


trocam acusações
Por Aunício Silva, em Mocuba

N
a cidade de Mocuba, pro- e os inquilinos. Em Mocuba, o SAVANA ouviu mais e condomínios de luxo na cidade de pesam sobre a sua direcção.
víncia central da Zambézia, Outro projecto que também não an- de dez inquilinos, que pediram pro- Mocuba) e não investem na manuten- Explicou Muloga: “nós arrendamos
instalou-se um clima de dou é a instalação de uma fábrica de tecção das suas identidades por temer ção das casas e dos arruamentos. as casas por nossa iniciativa e não por
tensão entre a direcção da automóveis na fábrica Têxtil de Mo- eventuais represálias. Por outro lado, os inquilinos dizem iniciativa do governo (pertencem ao
então empresa Têxtil de Mocuba que cuba, numa operação que deveria du- Segundo contaram à nossa reporta- que as casas vão passar para o bene- Estado), como forma de rentabilizar
gere mais de 200 casas localizadas no rar aproximadamente três anos. gem, “foi-nos dito para deixarmos as fício do consórcio liderado pelos tai- e custear as despesas correntes. Nesse
chamado bairro das Moradias e os in- A iniciativa foi anunciada em Maio casas até Junho deste ano e não nos landeses que irá construir o Porto das arrendamento há um contrato que se
quilinos das mesmas. de 2011 pelo ministro da Indústria e apresentaram nenhum motivo”. águas profundas de Macuse. assina entre ambas as partes e uma das
Trata-se de casas construídas para Comércio, Armando Inroga. O gover- O grupo de inquilinos disse que uma Ussene Muloga, director da Têxtil de cláusulas diz que uma das partes pode
acomodar operários da fábrica Têxtil nante afirmou que o processo de re- comissão para dialogar com a direcção Mocuba, confirmou ao SAVANA o rescindir o contrato desde que comu-
de Mocuba, um gigante adormecido, conversão daquela antiga fábrica têxtil da empresa que gere as casas para per- trespasse no futuro próximo das casas nique com antecedência de 15 dias”.
construído no período pós-indepen- para acolher um complexo de monta- ceber a situação será criada em breve. para uma outra entidade, mas recusou Porém, segundo explicou o interlocu-
dência, um sonho de Samora Machel gem de viaturas da marca TATA já es- “Muitas famílias já vivem nessas casas revelar o nome da mesma. tor, “a nível de Maputo está a decorrer
de criar a maior indústria do ramo na tava em marcha e sobre a sustentabi- há mais de 20 anos, pelo que achamos
um processo segundo o qual, finali-
África Austral. lidade do empreendimento disse que que temos direitos sobre elas”, disse- Recibos ilegais zado o mesmo, os imóveis passarão
Logo depois da guerra dos 16 anos, “tudo indica que vai ser viável”. ram. Entendem os inquilinos que os re-
para uma outra estrutura. Nós fomos
que envolveu activistas da Resistência A questão daquela antiga fábrica têx- De acordo com os inquilinos, “pri- cibos comprovativos de pagamento
avisados que o processo está prestes a
Nacional Moçambicana (RENAMO) til foi ainda tema de debate durante meiro a direcção subiu as rendas emitidos pela direcção da empresa
chegar ao fim. No fim para dizer que
e Governo/Frelimo, várias tentativas o comício orientado pelo Presidente em mais de 60%. As casas que pa- Têxtil de Mocuba não comprovam
tal património passa para outras estru-
de revitalização do projecto foram le- da República, Armando Guebuza, na gávamos 2.150,00Mt passámos a igualmente que o senhorio cumpre as
sua Presidência Aberta e Inclusiva de pagar 3.150,00Mt e as que pagá- obrigações fiscais com o Estado, ou turas”.
vadas a cabo, mas sem sucessos.
2011 na Zambézia, por haver orde- vamos 3.150,00Mt agora pagamos seja, para eles “o Estado não colhe ga- “Esta informação já foi dada a todos
O último consórcio de que os mora-
nados em atraso e indemnizações por 5.150,00Mt”. nho com as rendas pagas”. os inquilinos que por necessidade su-
dores de Mocuba se recordam reunia
a Têxtil de Mocuba e investidores liquidar devido à rescisão unilateral Porém, de acordo com os denuncian- “São recibos que não comprovam que perior os contratos poderão vir a ser
egípcios, através de uma entidade de- dos contratos de trabalho pelo antigo tes, mesmo reconhecendo que há al- eles pagam alguma coisa nas finanças rescindidos dentro do primeiro se-
signada PEDICO, nome com o qual patronato. gum tempo que as rendas não são re- porque não têm NUIT e nem nada”, mestre deste ano. Esta é apenas uma
se tornou famosa a iniciativa. vistas em alta, não entendem o porquê disse um dos inquilinos. informação porque quando chegar a
Na verdade, os egípcios nunca che- Um grito de socorro da subida das mesmas sem aviso pré- vez vai se fazer um aviso de rescisão de
garam a avaliar pela positiva a via- Um grupo de moradores em Mocuba vio e revisão de contratos para o efeito. “Os imóveis vão passar contrato”, disse o nosso entrevistado,
bilidade do projecto, embora ainda contactou o SAVANA denunciando Aliado à subida desproporcional das para outra entidade” que sublinha igualmente que prova-
reúna algumas infra-estruturas como alegadas burlas por parte da empresa rendas, os inquilinos dizem que os O director da Têxtil de Mocuba, Us- velmente por esse motivo os inquili-
as mais de duzentas casas, cuja gestão e um aviso de entrega das casas até Ju- gestores usam o dinheiro para provei- sene Muloga, em entrevista ao SA- nos “estão preocupados e fomentam
opõe a direcção da Têxtil de Mocuba nho do corrente ano. to próprio (investimentos em pensões VANA refutou todas as acusações que mentiras”, frisou.
6 Savana 21-03-2014
SOCIEDADE

Presidente do município enfrenta o primeiro revés

Vendedores ambulantes de Maxixe queixam-se ao governador


Por: Eugénio Arão, em Maxixe

U
m grupo de vendedores o seu descontentamento face à me- Pedro”, precisou Artur Vicente, 29 fonte, numa clara tentativa de con- dos vereadores.
ambulantes concentrou- dida tomada pelas autoridades Mu- anos. ferir certificado de integridade ao A chegada do governador de
-se na tarde desta quarta- nicipais. Excessos dos vereadores executivo. Inhambane foi decisiva. Depois de
-feira no edifício sede do Logo após a chegada, Agostinho Fontes bem posicionadas no Con- Contudo, esta semana, vários esfor- um breve encontro com o staff da
Conselho Municipal da Maxixe, Trinta deparou-se com uma mol- selho Municipal da Maxixe fizeram ços visando ouvir a versão oficial do edilidade, foi emitida uma ordem
província de Inhambane, para pro- dura humana que protestava in- notar que algumas medidas toma- Conselho Municipal redundaram verbal para que os vendedores am-
testar contra a decisão da edilidade cansável e ruidosamente contra o das pelos vereadores são concretiza- em total fracasso. Os vereadores bulantes continuassem a vender
de os retirar dos passeios onde têm executivo local. das sem o aval do edil. “São alguns furtaram-se a esse direito alegan- livremente. Esta decisão, apesar de
desenvolvido as suas actividades co- Cânticos revolucionários e dísticos vereadores arrogantes e prepotentes do que “não podemos falar porque provisória, foi comemorada efusiva-
mercias. improvisados exteriorizavam o sen- que nos poderão manchar”, disse a o presidente não está cá”, disse um mente por parte dos visados.
Os ambulantes consideram injusta timento de revolta no seio dos ma-
a medida tomada pela edilidade, li- nifestantes.
derada pelo recém-eleito edil Simão “Não nos matem de fome. Também
Rafael e apresentaram o assunto ao somos pessoas. Polícia, chega de 0RoDPELTXHFRPGpÀFHRUoDPHQWDOGHHP
governador da província, Agostinho torturas”, lia-se nos cartazes. 
Trinta. Ao que apurámos, a edilidade con-

O
défice orçamental de Moçambique deve Instrumento de Apoio a Políticas (PSI), disse que
“Estamos a ser torturados. Os nos- sidera que aquela actividade é noci- aumentar para 9,5% este ano, depois o forte desempenho da economia do país é reflexo
sos produtos são confiscados pela va ao desenvolvimento harmonioso de em 2013 ter-se situado em 3%, de da actividade na exploração mineira, construção,
polícia municipal. Neste momento da urbe, daí a necessidade urgente acordo com um relatório divulgado pelo transportes e comunicações e nos serviços finan-
encontramo-nos à deriva num es- de retirá-los para outros locais. Fundo Monetário Internacional. ceiros.
paço improvisado”, denuncia um Assim, o município decidiu acanto- No documento, o FMI afirma que a economia de “Os riscos que se colocam a este cenário conti-
revendedor.   nar aqueles ambulantes num outro Moçambique deverá este ano crescer à taxa de 8%, nuam a ser moderados e estão relacionados prin-
Fátima Miguel Tinga, de 37 anos, local que julga reunir condições depois de em 2013 ter registado um aumento de cipalmente com o preço internacional das ma-
refere que mesmo depois da expul- para o exercício da actividade, loca- 7%, mas avisou que o défice orçamental é “insus- térias-primas e com as incertezas em termos de
são dos passeios onde comercializa- lizada ao largo da Avenida Amílcar tentável.” políticas num ano de eleições. A inflação média
vam os produtos, a edilidade conti- Cabral. A previsão de crescimento corresponde à do Ban- foi de 4,2 por cento em 2013, sendo provável que
nua a cobrar taxas diárias, que não Porém, este local não é do agrado co de Moçambique mas o FMI disse que o país se situe este ano no intervalo de médio prazo do
conseguem pagar, pois o negócio dos vendedores pois consideram terá de gastar mais dinheiro este ano a fim de ga- governo de 5-6%”, disse.
não está a fluir. que o movimento é fraco. “É um lu- rantir a realização de eleições presidenciais, pre- Doris Rossi, que falava em Maputo, afirmou ainda
Inconformados com a decisão, os gar que não reúne as mínimas con- vistas para 15 de Outubro próximo. que a inflação parece estar bem controlada, “mas
vendedores ambulantes intercepta- dições. Não há movimento. Quan- Na passada sexta-feira, Doris Rossi, chefe da equi- existem riscos associados a pressões inflacioná-
ram esta quarta-feira, o timoneiro do reclamamos, dizem que somos pa do FMI que recentemente visitou Moçambi- rias em países vizinhos, especialmente na África
da província de Inhambane, Agos- do MDM e outros dizem que esta- que para encontros com o governo tendo em vista do Sul, e a um orçamento em expansão crescente.
tinho Trinta, que se encontrava de mos a ser instrumentalizados pelos a conclusão da segunda avaliação ao abrigo do (macauhub)
visita a Maxixe, para manifestarem vereadores do edil cessante, Narciso
Savana 21-03-2014 7
PUBLICIDADE
SOCIEDADE
8 Savana 21-03-2014
,17(51$&,1$/

Ucrânia

A melhor forma de reconquistar a Crimeia é tornar-se numa


democracia próspera — com a ajuda do Ocidente

N
ão é a votação o que im- te absorver a Crimeia para o controlo A Ucrânia perderia qualquer guerra A opção menos má para Kiev é con- lações formais mais próximas e dis-
porta, mas sim a contagem, directo da Rússia; o seu parlamento com a Rússia, ao custo de muitas sentir a dor de que, por enquanto, a ponibilização de toda a assistência
disse uma vez o antigo dita- já está a preparar o caminho para esta vidas; não pode esperar que forças Crimeia é um caso perdido, em ma- técnica que Kiev vier a necessitar:
dor soviético, Joseph Stalin. anexação ilegal. Poderá optar por es- estrangeiras venham ao seu socorro. téria de facto, mas não de Direito. com efeito, um mini Plano Marshall.
No ilegítimo referendo a ser realiza- perar, deixando a Crimeia no sofri- As forças armadas ucranianas, parti- Isso significaria ter que negociar uma Com alguma sorte e tempo, o povo
do no dia 16 de Março na Crimeia, mento como um Estado sem futuro. cularmente aquelas que foram sitia- saída pacífica para aqueles soldados da Crimeia olhará para uma próspera
os homens encapuchados, empu- De qualquer das formas, ao invadir das e molestadas nas suas bases na ucranianos sitiados na Crimeia. E democracia a norte, da qual preten-
nhando espingardas Kalashnikov e o a Ucrânia, e reconhecer tanto o fal- Crimeia, têm procurado, por todos para os Tatars, uma minoria étnica derá fazer parte.
absurdamente elaborado boletim de so referendo como “o espantalho” os meios, evitar qualquer confronta- da Crimeia que se sente horrorizada Parte do problema de Putin é a estu-
voto poderão também ter um papel a (como Sergei Aksenov, o sinistro lí- ção. Devem manter esta postura de em ter que viver sob domínio russo dada assimetria das suas tácticas. De
desempenhar. der dos puxadores locais da Crimeia heroica contenção. (uma vez que foram antes deporta- forma entusiástica ele rebaixa-se até
Tal como a surrealista reivindicação é conhecido), ele já violou o Direito A segunda opção para os ucranianos dos em massa por Stalin), significaria ao nível de um bronco — insultan-
de Vladmir Putin de que as tropas de Internacional e subverteu a nova or- é agitarem e protestarem o melhor garantir qualquer protecção que a do líderes estrangeiros, molestando
elite que se apoderaram da península dem mundial pós-guerra fria. Os Es- que puderem, já que a isso têm pleno Ucrânia e os seus aliados conseguis- diplomatas, assassinando críticos,
são apenas alguns voluntários locais, tados Unidos já começaram a punir direito. Mas para melhor perceberem sem pôr à disposição. Depois disso, e, agora, invadindo um dos seus vi-
o referendo seria uma peça cómica, a Rússia pelas suas ofensas, através o que essa abordagem pode signi- as prioridades da Ucrânia deveriam zinhos e fazer de contas que não o
se não fosse — como a própria inva- do banimento de vistos de entrada ficar, eles devem olhar para o Mar concentrar-se em realizar eleições li- fez — sabendo perfeitamente que os
são — uma terrível realidade. e congelamento de bens. A resposta Negro. Duas regiões secessionistas vres naquela parte do território que líderes ocidentais não o irão copiar.
O resultado básico deste orquestrado ocidental deve ser ainda mais vigo- da Geórgia, nomeadamente a Os- continuar ainda sob sua jurisdição, Mas o Ocidente tem um instrumen-
plebiscito é previsível: uma decisão rosa, incluindo toda a nomenclatura setia do Sul e Abkhazia, foram du- instalar um governo nacional legí- to poderoso ao qual ele não se pode
fraudulenta para a sucessão da Cri- de Putin e empresas com ligações ao rante anos usadas pelo Kremlin para timo, revitalizar a economia e criar equiparar: um modelo de vida, base-
meia. Kremlin. desestabilizar aquele país (até que, instituições democráticas duráveis. ado em regras e liberdade, que toda
A questão para o Ocidente, e para Do seu lado, o governo interino da em 2008, a Rússia invadiu a Geórgia Plano Marshall para a Ucrânia a gente em todo o mundo cobiça.
as autoridades em Kiev, é como res- Ucrânia, que tomou o poder depois para as “proteger”). A fraca estrutura A outra tarefa do Ocidente — e a Tal inclui russos, muitos dos quais
ponder. A resposta tem duas partes do antigo presidente Viktor Yanuko- política da Geórgia tornou-se ainda melhor estratégia para recuperar a não podem esperar por mais tempo
distintas. O Ocidente deve ser vigo- vych ter-se refugiado na Rússia, tem mais envenenada pelas suas reivindi- Crimeia — é ajudar a Ucrânia. A para se escaparem do cada vez mais
roso na sua denúncia daquilo que é, três opções a fazer sobre a Crimeia. cações; toda a energia que deveria ter União Europeia já iniciou um pro- corrupto e repressivo autoritarismo
efectivamente, a ocupação do territó- Todas elas são desagradáveis — mas sido usada para a construção de um cesso de relaxamento das tarifas so- de Putin, e especialmente, ucrania-
rio de uma Ucrânia soberana — tan- não de modo uniforme. A primeira Estado viável foi desperdiçada. Se a bre produtos ucranianos: este é um nos, alguns do quais recentemente
to mais assim do que até aqui havia é lutar contra os Russos para manter Crimeia se tornar no foco da políti- bom começo, mas deve ir mais longe, tiveram que morrer nas ruas de Kiev
sido. Mas os próprios ucranianos de- a península. Isso seria uma catástro- ca interna da Ucrânia, o seu esforço e de forma rápida, com apoio finan- lutando por um melhor governo.
vem ter paciência. fe, mesmo se as novas autoridades de se tornar uma democracia inde- ceiro para evitar o colapso económi- Ajudar os ucranianos a alcançar esse
Como se pode esperar de um au- tivessem um mandato forte, e não pendente será consumido por senti- co e depois, em coordenação com objectivo é o caminho mais seguro
tocrata caprichoso, no poder há 14 estivessem já a lutar para afirmar o mentos nacionalistas e interferência o Fundo Monetário Internacional para resistir — e eventualmente re-
anos, o próximo passo de Putin é im- seu controlo sobre o resto do país, da Rússia. Este é provavelmente o (FMI), para reconstruir o Estado. verter — os crimes de Putin. (The
previsível. Poderá tentar formalmen- e impedir o seu colapso económico. resultado que Putin mais deseja. Isso só pode acontecer se houver re- Economist)
Savana 21-03-2014 9
PUBLICIDADE
10 Savana 21-03-2014
SOCIEDADE

Ligação ferroviária entre Angola e


Moçambique: Mito ou Realidade
são fundamentais infra-estruturas

A
ngola e Moçambique vão leste, outra ligação está a ser feita das principais fontes de rendimento um processo de reabilitação e mod-
ficar em breve ligados por com Moçambique. do  país, a partir do Porto do Lo- ernização do Caminho-de-Ferro de de qualidade em todos os domínios,
caminho-de-ferro, com Em 2012, o governo de Angola bito”.   Benguela (CFB) de 1344 quilómet- desde o sistema de circulação de
o recente anúncio pela anunciou a fusão das principais Estrategicamente, disse, o CFB foi ros de linhas ferroviárias que ligam pessoas e bens, passando pela base
Zâmbia do início de um grande empresas de caminho-de-ferro do afectado pela guerra em Angola, daí o porto do Lobito ao Luau. energética e indo até aos stocks de
projecto ferroviário. país, reconstruídas com as linhas de que a Zâmbia optou por usar out- Ao longo deste percurso, empresas capital humano.
“Quando o projecto estiver concluí- crédito da China, tendo em vista a ros portos, como os da Tanzânia e chinesas construíram ou reabilita-   “O objectivo da integração
do, a zona austral do continente vai venda parcial do seu capital a inves- da África do Sul, o que tem  sido ram 107 estações e 35 pontes, tendo económica regional é o incremento
passar a ter uma linha ferroviária a tidores privados. mais dispendioso para a importação o projecto das obras sido orçado em das trocas comerciais entre os países
ligar o Oceano Atlântico (Angola) A imprensa angolana apontara Ma- de produtos para o país, pelo que 180 mil milhões de kuanzas (1,3 participantes, acreditando-se ser o
devem  voltar a utilizar o porto an- livre comércio um factor de cresci-
ao Índico (Moçambique)”, disse nuel Hélder Viera Dias “Kopelipa”, mil milhões de euros). Angola de-
golano. mento económico (muitos estudos
uma fonte ligada ao projecto. Chefe da Casa Militar da Presidên- bate-se com a falta de locomotivas
“Nos anos 60, a Zâmbia tinha como demonstram a correlação entre a
Em Angola, a expectativa é que o cia da República, como sendo um com capacidade para o transporte
rota tradicional o Corredor do Lo-
projecto funcione como factor de dos interessados na compra da em- de minérios, ao qual se acrescem abertura das economias e o aumen-
bito e o rendimento proveniente
integração económica regional, presa Caminhos-de-Ferro de Ben- problemas de eletricidade ao longo to do PIB)”, sublinhou.
da venda do cobre permitiu o  de-
mas as autoridades angolanas con- guela. Segundo fontes angolanas, via. “A  lei constitucional angolana não
senvolvimento económico do país,
tinuam a demonstrar falta de von- antes do início da sua recuperação assim como da RD Congo, cujas Apesar do governo angolano recon- tem característica do direito comu-
tade política para o alcance desse em 2009, o governo sul-africano minas da região de Catanga benefi- hecer a importância estratégica do nitário, mas do direito internacional,
objectivo. havia manifestado interesse na ciavam também do referido corre- corredor do Lobito para integração dificultando a integração de Angola
Ângelo Kapwatcha, presidente do compra do CFB, mas que a proposta dor”.  regional, recusa a sua adesão à zona na SADC. O direito internacional
Fórum Regional Universitário em havia sido recusada, alegadamente   O Presidente zambiano, Michael do livre comércio na região austral baseia-se no interesse, ao passo que
Angola, disse que  Angola é o país devido a motivos de segurança. Sata, anunciou recentemente a do continente. Cidadãos de outros o direito comunitário no espírito de
que mais complica a integração na A Zâmbia pretende abrir um corre- disponibilização de 120 milhões países da comunidade queixam-se entreajuda”, disse Kapwatcha.
SADC. dor directo até ao Lobito, para de dólares (87 milhões de euros) à de encontrar grandes dificuldades Acrescentou: “em nenhum momen-
“É um país corrupto, onde a de- permitir que aquele país, sem saída empresa pública do sector para di- na obtenção de vistos de entrada to Angola fala da SADC na sua
mocracia não anda, que não respeita para o mar, importe produtos como namizar o processo de reabilitação para Angola. constituição. Primeiro Angola fala
os seus cidadãos e de outros países o petróleo, directamente de Angola. das linhas ferroviárias do país, inici- Segundo o economista angolano que só aceita a política internacion-
da região”, afirmou Kapwatcha. Em novembro de 2013, o   Secre- ado em Setembro de 2013. Aquela Alves da Rocha, a grande poten- al quando respeita a soberania in-
A notícia sobre o projecto fer- tário Executivo Adjunto da Co- verba faz parte do pacote global de cialidade da SADC talvez esteja terna isso significa que é o próprio
roviário zambiano tinha sido reto- munidade de Desenvolvimento da 750 milhões de dólares negociados na quantidade e diversidade de interesse. Depois afirma que temos
mada pelo jornal de Angola, um dos África Austral (SADC), o angolano em 2012. recursos naturais e capacidades de ter o respeito e não ingerência
principais órgãos de propaganda do João Samuel Caholo, destacou, em Do lado angolano, o comboio agro-florestais ainda por explorar nos assuntos internos. O primeiro
regime angolano. Salienta que a Lusaka, a importância do Corredor chega ao Luau, na fronteira com a e que podem aumentar o valor do pressuposto do direito comunitário
Zâmbia vai iniciar a construção de do Lobito para o desenvolvimento República Democrática do Congo, agregado regional. Mas para isso é a ingerência.”
uma linha ferroviária que vai ligar da região, em particular a Zâmbia e desde Dezembro de 2013, ao fim de
Chingola, no coração da antiga Congo-Kinshasa.    
província de Copperbelt, à fronteira   João Caholo justificou a sua
de Angola, onde se junta ao Camin- posição pelo facto do chamado Revisão da legislação sobre petróleos
ho-de-Ferro de Benguela (CFB). Corredor do Lobito, integrado pelo
A linha ferroviária vai ser con-
struída numa parceria entre os sul-
Caminho de Ferro de Benguela
(CFB) e o Porto de águas profun-
das do Lobito, ter  servido  muito
CIP denuncia secretismo do Governo
africanos da Grindrod e os zambi-
para o   crescimento e desenvolvi-

U
anos da Northwest Rail Company e m ano depois do Governo ter preparado bancos investidores, as empresas estão a pedir ao Go-
mento da economia zambiana após e aprovado a proposta de revisão da lei de verno que estabeleça as condições em que as instala-
tem duas fases: uma que se estende a sua independência.  
desde Chingola até às minas de petróleo sem realizar consultas públicas, o ções de produção de LNG serão construídas não sob
“Em 1967, altura em que me en- Centro de Integridade Pública (CIP) veio
Kansanshi, Lumwana e Kalumbila um contrato normal, mas com base numa legislação
contrava a estudar na Zâmbia, este esta semana queixar-se mais uma vez, do secretismo
(numa extensão de 290 quilómet- aprovada pelo Parlamento e que segundo as garantias
país já beneficiava da oportunidade governamental em torno da preparação do quadro le-
ros) e outra que vai ligar à linha de da Ministra dos Recursos Minerais, Esperança Bias,
oferecida pelo CFB para a  impor- gal para as instalações de liquefação de gás natural a
Benguela na fronteira da Zâmbia tação de produtos, assim como para a lei em alusão deverá ser aprovada ainda na presente
serem construídas no distrito de Palma, província de sessão do Parlamento que termina em Julho.
com Angola, perto de Jimbe.  Para exportação do cobre zambiano, uma Cabo Delgado. É daí que resulta a preocupação do CIP na medida
Segundo o CIP, tal como se verificou no ano passa-
em que o debate até agora limitou-se a um pequeno e
do, quando o Governo preparou e aprovou a proposta
restrito número de pessoas.
de revisão da lei dos petróleos sem ouvir a opinião da
Errata sociedade civil, neste momento está também, no secre-
tismo, a preparar a legislação que vai reger a liquefação
“Mais uma vez, estão a ser tomadas decisões de gran-
des consequências para esta e futuras gerações, sem
de gás em Palma. qualquer consulta pública”, lê-se no boletim do orga-
Por lapso do entrevistado, no quadro da matéria publicada na
Diz o CIP que o Governo ainda não informou ao nização.
edição 1053 do SAVANA, sob o título “Os delfins fiéis têm prazo
público sobre este processo, muito menos promover Para o CIP é importante que o Governo esclareça ao
de validade”, há referência que o estudo do Afrobarometer foi reali-
debate público sobre as grandes escolhas que o país público sobre o grau de participação da Empresa Mo-
zado no final do ano passado, mas na realidade foi realizado no final
terá que tomar. çambicana de Hidrocarbonetos (ENH) no projecto e
de 2012. No mesmo quadro há referência de que o estudo indicava
Continua a fonte referindo que a escala de investi- como será financiado, que mega-projectos irá o Go-
que 59% dos inquiridos nas zonas rurais e 69% nas zonas urbanas
mento para a construção de instalações de liquefação verno priorizar no próximo Plano Director do Gás,
disseram que votariam no candidato da Frelimo. Na verdade é o
de gás natural em Palma é gigantesca. As empresas que condições gerais estão a ser oferecidas nos acor-
inverso, uma vez que 69% nas zonas rurais e 59% nas zonas urbanas
que pretendem investir (Anadarko e ENI) precisam dos de venda de gás não vinculativos que a Anadarko
disseram que votariam num candidato da Frelimo. A análise subse-
de fazer empréstimos de dezenas de biliões de dólares. concluiu recentemente entre outros pontos até agora
quente mantém-se porque não foi influenciada por este erro. Assim, afim de aumentar a confiança dos potenciais nebulosos.
Savana 21-03-2014 11
PUBLICIDADE
12 Savana 21-03-2014
PUBLICIDADE
Savana 21-03-2014 13
PUBLICIDADE
14 Savana 21-03-2014 Savana 21-03-2014 15
NO CENTRO DO FURACÃO

Antigo PM em entrevista ao SAVANA

“É preciso muita paciência para gerir a paz”


Por Raul Senda

2EDODQoRID]VHQRÀP

O
O antigo Primeiro-Minis- tempo em que fui médico no activo, “O investimento para área da tou à normalidade. lo ou no mar deve ser entendido como Qual é o balanço que faz dos dois
tro moçambicano, Pascoal assim como Ministro de Saúde. Aliás, saúde é fraco” O Governo de que fez parte foi res- riqueza se já estiver nas nossas mãos. Uma das apostas da governação de mandatos de Armando Guebuza?
Mocumbi, como sempre desde jovem sempre tive interesse na Uma instituição de investigação ponsável pela liberalização do siste- Enquanto não acontecer, estaríamos a Armando Guebuza era combater a Que balanço posso fazer se ainda não
híper-diplomata, considera área da investigação e pesquisa. Já no muitas vezes não produz resultados ma de importação de medicamentos, falar de algo que não faz sentido. Se há pobreza. Porém, dados do Instituto acabou o mandato? Faz-se balanço
que é necessária muita paciência, cal- tempo do ensino secundário, denota- imediatos, mas o seu funcionamento bem como de libertação da saúde provas de que o Governo está a tratar Nacional de Estatística dizem que a depois do término de um ciclo e isso
ma e saber para a manutenção da paz va essa veia de investigação científica. acarreta muitos custos. A contribui- para o sector privado. Acha que o mal este ou aquele assunto é preciso pobreza continua a crescer. Interpre- ainda não aconteceu.
em Moçambique. Lembro-me de uma conversa com ção do Governo satisfaz as vossas país tem estrutura para fiscalizar apontar esses erros. ta isso como fracasso? Algumas figuras como Jorge Rebe-
Numa longa entrevista ao SAVANA, Samuel Dabula, uma pessoa muito necessidades? acções desses privados? Não houve Todos sabemos que no sítio tal há re- Acho que houve muitas contradições lo dizem que o presidente Guebuza
Mocumbi, que tomou uma posição especial para mim, quando uma vez Não diria que satisfaz, mas é ideal. precipitação? cursos naturais, mas é preciso esperar nessa aposta. Não vi esse inquérito, centrou parte da sua governação na
clara na greve dos médicos e nos perguntou-me ali no centro cultural Veja que a criação do CISM é resul- Conheci a Medimoc. Foi a empre- pela exploração e ver para onde é que mas se o INE concluiu isso é porque promoção de lambebostimo, culto de
atropelos cometidos pela Comisão N’tsindza, no Xipamanine, o que ia tado da vontade do Governo. Quer sa estabelecida para garantir que a vai o dinheiro, e daí questionarmos se é verdade. O INE é uma das institui-
importação de medicamentos fosse personalidade e era alérgico à crítica.
Política da Frelimo, sublinhou que fazer no futuro e eu respondi-lhe que no tempo em que estive no Governo o encaminhamento não for correcto. ções deste país que eu adoro. É das
criteriosa. Era importante saber que Sentiu isso?
ninguém mais quer guerra “neste queria continuar a estudar até à Uni- e muito antes de mim, nos tempos do Mas começamos a explorar o carvão. sérias que existem. Entendo que, em
instituição vai comprar medicamentos Não tenho argumentos para qualificar
país”, mas que para isso “é preciso versidade. Insistiu com a pergunta e eu Dr. Hélder Martins, entendia-se que Acha que há transparência nesse vez de desmentir resultados do INE, é
disse-lhe que queria ser investigador e para o país e daí estabelecer o controlo uma pessoa que não trabalhou comi-
utilizarmos todo o nosso saber para havia necessidade de se criar um cen- processo? preciso revisitar as políticas que traçá-
identificar as causas da instabilidade fazer pesquisa em tudo que estava li- tro de pesquisa em matérias de saúde. necessário. Sei que a Medimoc conti- go. Se tivesse feito parte da equipa
Sei que as empresas produzem car- mos e verificar se estão a ser executa-
e corrigi-las”. gado às ciências nucleares. Foi dessa forma que começamos a tra- nua a trabalhar com o Ministério da dele podia tecer alguns comentários.
vão e exportam. Quando exportam é das conforme o desejado ou não, por-
Dedica-se à pesquisa e investigação Saúde e está a fazer o seu papel. Po- …Mas numa entrevista que conce-
Solicitado a pronunciar-se sobre a balhar na Manhiça em 1996 e até hoje porque entrou dinheiro e essa empre- que os dados que o INE dá são fiáveis.
médica ou é cientista? rém, oiço com as pessoas, sobretudo deu ao jornal @Verdade num passa-
actual situação de instabilidade no o Centro nunca parou. sa tem obrigações fiscais no país. Não Quando Armando Guebuza chegou
quando visito as províncias, que não do recente disse que faltava humil-
país, aquele antigo governante é Tenho 72 anos de idade. Acho que Porém, o Centro ainda precisa de du- acredito que haja empresas que não ao poder diabolizou o seu Gover-
há este ou aquele medicamento no dade da parte do actual Governo.
peremptório: “Acho que em algum estou velho para ser cientista. Nem rabilidade e sustentação, e isso preci- pagam impostos. no chamando-o de “deixa-andar”.
hospital, que o stock disto ou daqui-
momento, as pessoas devem ter es- quero. Deixo isso para os mais novos. saria de um maior envolvimento do Fez parte do Governo que atribuiu Como é que interpretou essas clas- Desde criança sempre me disseram
lo acabou e ainda não se recebeu. Isso
tado ocupadas com coisas mais per- Apenas dou a minha contribuição para Estado. Estou feliz porque o CISM isenções fiscais aos mega-projectos. sificações? que tinha que ser modesto.
mostra que alguma coisa não está a
tinentes e se esqueceram de arranjar que haja cientistas moçambicanos no está sendo apoiado e está nas mãos de Eu penso que talvez tenha entendido E não sentiu essa modéstia da parte

Urgel Matula
andar. Hoje, questiona-se as suas contri-
espaço para o diálogo”. domínio da saúde, especialmente pes- uma fundação que tem como funda- mal. Sou da opinião de que é preci- do actual executivo?
Ouvi também que há muito roubo de buições para o tesouro público. Não
Debruçando-se sobre uma área de soas capazes de testar medicamentos dores a República de Moçambique, medicamentos nos hospitais. Isso é so deixar as pessoas realizarem bem Quando a pessoa não é simples, o con-
“Tivemos muita paciência e sobretudo calma na análise de assuntos para manter a paz”. acha que deviam contribuir mais?
que é profissional exímio, sublinha que vêm das grandes empresas farma- o Reino da Espanha e as instituições sintoma de que algo anda mal porque aquilo que tem como responsabilida- trário disso é arrogância.
Houve um período de graça que era
que o investimento na área da Saú- cêuticas, assim como os medicamen- de pesquisa desses dois Estados. Em animadas não vão ser dedicadas. Em Greve dos médicos pelo que não deviam reivindicar. as pessoas talvez pensam que rouban- de. Seja uma iniciativa pessoal, seja Com isso quer dizer que a actual es-
de investimentos em que as empre-
de em Moçambique é fraco, dando tos tradicionais que durante muito Moçambique temos a Universidade algum momento notamos que falta Como é que avaliou esse tipo de de- do medicamentos para vender vão trutura de governação do país é arro-
O Dr. Pascoal Mocumbi foi uma das sas não pagavam impostos. Mas isso institucional. Nós entendíamos que
“a impressão de que estamos a regre- tempo serviram para a nossa cura. Eduardo Mondlane e na Espanha a ânimo no seio do pessoal da saúde. clarações? melhorar seus salários. O que é mau.
pessoas que criticaram abertamen- foi por um período. Agora, creio que era preciso deixar as pessoas executar gante?
dir”. A título ilustrativo, Mocumbi Queremos que as plantas usadas pelos Universidade de Barcelona. Estamos Crescemos nos números, mas ainda Antes de mais é preciso analisar as Há necessidade de mudar o rumo das
te a forma como o Governo geriu a todos os projectos com que assinámos as suas ideias. Nunca se pode dizer que toda a estru-
diz que a contribuição financeira no nossos pais, avós e curandeiros como integrados numa rede reconhecida não temos a qualidade desejável. Aliás, causas que culminaram com a crise. coisas. A liberalização do sistema de
greve dos médicos. A greve chegou contratos já estão a pagar impostos. …E quando alguém aparece a dizer tura é problemática.
Centro de Investigação em Saúde da medicamentos sejam testadas e do- mundialmente. Por acaso acompanhei os contornos importação de medicamentos ou o
um exemplo muito simples que posso ao fim, mas o Governo iniciou uma Porquê optaram pelas isenções fis- que temos que combater isso? Estou a falar da direcção máxima do
Manhiça (CISM) vem mais do par- tadas de uma dose de conhecimento Qual é sua percepção sobre o investi- alargamento dos serviços de saúde
dar. Os médicos que eram formados campanha de caça às bruxas. Como da greve pela comunicação social e até cais? A experiência está a ajudar a ver quem partido.
ceiro Espanha do que do Governo científico. mento que é feito no sector da saúde para privados não constituem nenhum
um pouco depois da independência, é que olha para esse comportamento vi as caras das pessoas e notei que de Era preciso atrair investimentos. tem razão. Não sei...
moçambicano. Como é que contribui nesse proces- em Moçambique? problema. Desde que haja controlo de
quando chegassem a Portugal para aparentemente vingativo? facto havia insatisfação. Acredito que
so de formação de cientistas? O investimento para área da saúde é quem tem obrigação de fazer isso.
“Se a contribuição da Espanha ces- serem admitidos para trabalhar nos Sou signatário da carta de repúdio ao as pessoas que disseram isso estavam
Estou ligado ao Centro de Investiga- fraco. Não é suficiente.
sar, haverá sérias dificuldades de hospitais portugueses era preciso fazer comportamento do Governo perante descontroladas. Porém, esse tipo de
ção em Saúde da Manhiça (CISM), O que é que falta? ĕ SUHFLVR FDOPD H SRQGHUD-
manter o centro a funcionar”, diz
Mocumbi, um dos 83 médicos, in-
que é a razão da criação da Fundação
Manhiça pelo Governo. O Centro
É necessário incrementar a contribui-
ção financeira para o sector. Vou dar
uma prova e quase 100% dos moçam-
bicanos ganhavam autorização para
a greve dos médicos. As razões estão
todas lá e a carta foi dirigida às en-
pronunciamentos não são aconselhá-
veis para um gestor público. Um ges- ção para manter a paz “A minoria deve apoiar o candidato escolhido pela maioria”
cluindo dois outros antigos minis- tal. Comparado com outros países de tidades competentes. Depois da gre- tor deve ter paciência suficiente para Vinte anos depois do fim do conflito
foi criado em 1996 e porque passam o exemplo do caso do Centro que é

A
tros da Saúde, subscritores de uma língua oficial portuguesa, os moçam- poder enfrentar todo o tipo de adver- armado, os moçambicanos voltaram Frelimo escolheu o candidato para as pre- Frelimo, porque conseguimos sair de uma situação que
muitos anos, o Governo deu estatuto o local onde estou. A contribuição fi- ve, torna-me difícil falar porque não
carta aberta em claro apoio à greve bicanos apareciam sempre em pri- sidades. a viver um cenário de guerra. Na sua sidenciais de Outubro. Trata-se de uma para quem vê de fora parecia de uma crise tal que até
que lhe confira autonomia de pesqui- nanceira vem mais do nosso parceiro acompanhei o que aconteceu. Contu-
dos profissionais de saúde que para- meiro lugar. Hoje não sei se os novos do, é importante frisar que o descon- Mas quando o Dr. Mocumbi era óptica o que terá falhado já que, no figura que saiu dos três pré-candidatos in- havíamos de nos separar. Mas saímos mais fortes.
sa científica e é isso que estou a fazer. Espanha do que do Governo. Se a seu tempo de governação a paz foi dicados pela Comissão Política, e que no Com isso quer dizer que reconhece que o partido
lisou o sector no ano passado. Por orientação do Ministério da Saú- contribuição da Espanha cessar, ha- formados se forem fazer esses exames tentamento da parte da classe médica membro do Governo classificou a
Mocumbi, médico ginecologista de podem passar em massa. greve dos trabalhadores da Mozal sempre preservada? princípio criou muita polémica. Como é que enca- Frelimo passou por momentos turbulentos?
de, o foco da investigação do Centro é verá sérias dificuldades de manter o é bem visível. Tenho ouvido médicos
prestígio e um dos fundadores do Como cidadãos, como direcção temos rou a eleição de Filipe Nyusi? Foi uma situação delicada, mas soubemos através do
a vacina contra a malária. Queremos centro a funcionar. Comparando o sector da saúde dei- jovens e velhos a queixarem-se do fac- como sendo resultado da mão exter-
que procurar garantir que tenhamos O Comité Central é um órgão que tem a responsabili- diálogo chegar a um entendimento. Aliás, um pouco
movimento de libertação moçambi- evitar que as crianças continuem a Perante os factos que indicou, como xado pelo seu Governo com o actual, to de não terem conseguido alcançar na. Também estava descontrolado?
formas de ter paz e estabilidade no dade de escolher quem vai ser o candidato da Frelimo. antes da reunião da Matola, apareceu uma carta na co-
cano ainda vivo, fala também da bai- morrer de malária no país. é que avalia o sector da saúde em nota alguma mudança? o que esperavam. A queixarem-se do Nunca falei de mão externa na greve
nosso país. É preciso utilizarmos todo Nós analisámos e chegámos à conclusão, através da municação social, enviada ao Comité de Verificação,
xa qualidade dos serviços oferecidos O centro existe há 18 anos e estou Moçambique? Não posso responder, porque não fiz facto do Governo teimar em não hon- da Mozal. Disse que eles deviam pen-
o nosso saber para identificar as cau- votação, que este era o candidato da maioria e todos solicitando que se corrigisse algumas situações. Isso
pelo Sistema Nacional de Saúde e da muito satisfeito pelo progresso reali- O sector da saúde precisa de ser for- nenhum estudo nesse sentido. Para rar os seus compromissos. sar no seu futuro. Não deviam agir de
sas desta situação e corrigir. Ninguém nós devíamos apoiá-lo. É o candidato que a maioria não queria dizer que o partido estava dividido. O re-
falta de ânimo no seio dos profissio- zado. Hoje já temos reconhecimento talecido. Foi feito muito investimento avaliar uma coisa é preciso ter dados O Dr. é médico, embora não no ac- forma emocional. Dizia eu que eles mais quer a guerra neste país.
nais. Embora com algumas cautelas, e eu não os tenho. Contudo, posso di- tivo. Qual é o perigo que um médico estavam a procurar ter aquilo que ain- escolheu e eu também apoio esse candidato porque querimento queria chamar atenção às pessoas sobre
mundial pelo ensaio que foi feito so- desde que a independência chegou a Como é que vocês geriram essa paz?
Mocumbi não fugiu a temas sobre Moçambique. Fomos exemplo em zer categoricamente que algumas coi- pode representar quando trabalha da não era possível. Antes tinham que é candidato da Frelimo. Aqui não se trata de uma o que estava a acontecer, e o Comité de Verificação
bre a vacina contra a malária. Se esteve Tivemos muita paciência e sobretudo
o actual momento dentro da Freli- atento, no dia dos heróis moçambica- matéria referente ao acesso à saúde, e o sas não melhoraram. Por exemplo, o numa situação de descontentamen- trabalhar para depois alcançar os ob- questão pessoal ou familiar, é uma questão colectiva. deu razão aos autores da carta. Esse apelo foi tomado
calma na análise de assuntos. Sempre
mo, partido que ajudou a fundar, a nos, a Fundação Manhiça ou o CISM Governo, através dos seus investimen- Hospital Central de Maputo (HCM) to? jectivos desejados. Se a maioria escolheu aquele candidato, a outra mino- em conta pela direcção do partido e algumas situações
procuramos dialogar.
eleição de Filipe Nyusi, o candidato se quiserem, teve reconhecimento pú- tos, fez com que mesmo os que não ti- apresenta-se com muitas dificuldades. Certamente que quando a pessoa não Se estivesse no Governo teria deixa- A paciência, a calma e o diálogo fal- ria tem de apoiar porque é candidato de todos. foram corrigidas.
presidencial, e os controversos me- blico. Foi condecorada pelo trabalho vessem meios acedessem à assistência Tenho ouvido amigos, familiares e ou- está contente fica claro que não vai do que a crise dos médicos atingisse taram agora? Trabalhou durante muitos anos com Luísa Diogo. Algumas correntes defendem que depois do Con-
gaprojectos. Sobre a actual gover- que vem fazendo nos últimos anos em médica. É claro que isso continua, mas tras pessoas que vão para aquela uni- trabalhar devidamente. Agora cabe o ponto de saturação? Talvez tenham faltado. Acho que em Como é que se sentiu quando saiu como candidata gresso de Pemba, todos os órgãos decisórios da Fre-
nação, Pascoal Mocumbi, um dos matéria de investigação. não como dantes. Agora dá impressão dade sanitária e dizem que o HCM aos gestores do sector da saúde toma- Já não estou no Governo. Não gosto algum momento as pessoas devem ter vencida? limo foram constituídos segundo a vontade do Pres-
críticos da governação guebuziana, Quando é que teremos a vacina con- de que estamos a recuar. não está bem. Isso ouve-se em todo rem consciência desses perigos e criar muito da suposição se...se... estado ocupadas com coisas mais per- Ela pelo menos mostrou um sorriso. Gostei de vê-la idente Guebuza, de tal forma que na última sessão
diz que os balanços fazem-se no fim, tra malária totalmente pesquisada Estamos a recuar em que aspecto? o lado. Só não ouve quem não quer. estímulos que possam apaziguar esta Em 1990, quando era membro do tinentes e se esqueceram de arranjar com aquele sorriso. Ela mostrou que ser candidato do Comité Central ganhou o candidato da sua es-
uma clara crítica aos multiplicados na Manhiça? É só olhar como é que está hoje a Acho isso um grande retrocesso por- fúria. Governo, passou por uma situação espaço para o diálogo. Agora que as não significa que quando perde é para ficar aí a chorar. colha. Algum comentário à volta deste assunto?
spots publicitários sobre os feitos do O processo está quase no fim, e agora Faculdade de Medicina da Universi- que durante muito tempo aquele hos- Foi governante. Acha que o Gover- igual. Estou a falar das greves em ca- partes despertaram, todos vêem a ne- Conversei com ela, mostrou-se bem disposta e trans- Não acredito nisso porque cada membro do Comité
PR que passam na imprensa. só esperamos pela conclusão e a deci- dade Eduardo Mondlane. Quem está pital foi referência, e sempre foi o sím- no tem ou não capacidade de satisfa- deia da função pública, onde o Go- cessidade de termos a paz. mitiu o sentimento de que o partido é que saiu a gan- Central ou da Comissão Política tem responsabili-
são final que será tomada por aqueles a ensinar, o que fazem os estudantes bolo de esperança de muitos utentes. zer as exigências dos médicos? verno teve que recorrer à polícia para Nos últimos anos, o país tem-se ca- har. dades e devem levar a sério a sua responsabilidade.
Em 2003 deixou o cargo de Primei- que devem verificar se o nosso traba- quando terminam o curso, quem é que Afinal o seu Governo não traçava Estive no Governo e já não estou lá, repelir certas situações... racterizado pela descoberta de muita A quem apoiou? Alguns históricos do partido defendem que há gru-
ro-Ministro e partiu para a diáspora, lho foi perfeito ou não. São eles que os treina no terreno e como é feito esse projecto a médio e longo prazos? pelo que, não tenho factos. Só o actual Em 1990 era membro do Governo riqueza no subsolo. Porém, algumas Isso é segredo. Claro que mesmo que eu diga está claro pos na Frelimo. No seu entender há ou não há gru-
onde foi exercer funções de Alto Co- decidirão se a vacina pode ir ao merca- acompanhamento. Nessa altura não definiram aqui- Ministro da Saúde pode satisfazer a sim, mas era Ministro dos Negócios correntes como é o caso dos bispos que não vai mudar nada. O que interessa é que escol- pos?
missário da Entidade de Pesquisas do. Nós já apresentámos os resultados É verdade que crescemos em termos lo que deveria ser o perfil do HCM tua questão. Tinha que ter factos. Estrangeiros. Pelo que, não podia católicos dizem que a riqueza não hemos e ganhou aquele que teve a maioria de votos e Os estatutos da Frelimo permitem que eu chame bel-
Médicas (EDCTP). Depois regres- e já foram publicados em revistas clí- do número de hospitais, agentes de hoje? Aquando da greve dos médicos, um intervir directamente porque não re- beneficia a maioria dos moçambica- nós como membros da Frelimo vamos lhe dar todo o trano ou sicrano e juntos procuremos analisar uma
sou novamente ao país. O que faz nicas, mas para se lançar ao mercado é saúde e médicos, mas baixamos em As coisas estão lá, as instituições estão membro da direcção do Ministério presentava nenhum pelouro em crise. nos. Limita-se a uma minoria próxi- apoio necessário. situação. Isso acontece muitas vezes. Pessoalmente en-
Dr. Mocumbi neste momento? preciso verificar se de facto está pronta termos de qualidade de serviços ofe- lá. Vimos que há pessoas a trabalhar, da Saúde veio publicamente dizer Apanhava a informação através das ma das elites políticas. O que tem a Há quem diga que a Frelimo está em crise. Como é tendo como direito dos membros e não grupismo. Não
Estou no meu país a apoiar na área da para salvar vidas. Se de facto vai liber- recidos. há pessoas que também vão à procura que o Governo não pediu ninguém reuniões do Conselho de Ministros. comentar sobre isso? que avalia o actual estágio da Frelimo? conheço outro tipo de grupos se não aqueles que se
pesquisa médica. Estou a tirar provei- tar as crianças da malária. É disso que Outra situação é que podemos ter de assistência e encontram aquilo que para trabalhar. As pessoas é que pro- Sei que o Governo fez o seu papel Acho que há um mal-entendido no É um período interessante e valioso para a história da formam para resolver ou analisar uma certa situação.
to do que fui aprendendo ao longo do estamos à espera. pessoas qualificadas mas se não estão é possível ter. curam emprego naquelas condições, para apaziguar a situação e a vida vol- meio disso. Tudo o que está no subso-
16 Savana 21-03-2014
SOCIEDADE

0RQWDGRVQD0DWRODFRPRÀQDQFLDPHQWRGRV(8$HP86'PLOK}HV

Blindados são das NU e estão a


caminho do Mali
s blindados vistos a circu- para os refugiados do Mali deslo-

O lar na manhã desta terça-


-feira no município da
Matola e Maputo e que,
num instante, tornaram-se centro
conversa, curiosidades e especula-
cados pela crise.

Dissonância no governo em
torno do caso “blindados
das NU”
ção estão integrados num grupo O Comandante Geral da Polícia,
de meios militares integrados na Jorge Khálau, disse esta quarta-
missão de pacificação das Nações -feira, que a entrada daqueles
Unidas para a República do Mali. blindados no país não é do co-
O mediaFAX confirmou este da- nhecimento das autoridades mo-
do na tarde da terça-feira, junto çambicanas, pelo que é ilegal, in-
de uma fonte directamente ligada cluindo a fábrica que está a fazer
a este processo. A fonte explicou, a respectiva montagem.
por outro lado, que os meios cir- “Estamos a tomar medidas. A
culantes vistos, em número de 14, empresa não está legalmente re-
fazem parte de um lote de 100 gistada no país. Por isso, retive-
meios militares, entre blindados mos os blindados para tomarmos
e outros meios circulantes (mili- medidas. Nós não vamos permitir
tares) que estão em processo de que qualquer empresa entre no
montagem na Matola. Os carros país e faça montagem de blin-
blindados estão a ser monta- dados” – disparou Khálau, para
dos por uma empresa global, de depois dizer erradamente que a
origem americana, denominada empresa que estava a montar os grosseira em dirigentes seniores porto de Maputo. “As viaturas a empresa que está a montar os
DynCorp International, especia- blindados era de origem sul-afri- de um mesmo governo, o novo vêm da África do Sul e estão em blindados é clandestina, care-
lizada em aviação, segurança e cana. Disse, por outro lado, que ministro da Defesa, Agostinho trânsito, não que venham cum- ce de melhores esclarecimentos
inteligência. não sabia para onde os blindados Mondlane, disse a jornalistas, prir alguma missão aqui. Eles vão tendo em conta que os blindados
Assim, esclareceu a fonte, os blin- iam, mas, o que é certo, “é que eles numa outra cerimónia pública, apenas usar o nosso porto”, expli- (em peças) entraram no país com
dados vistos são parte da frota vão ter que voltar”. que “os blindados estão em trân- cou Agostinho Mondlane. indicações claras de que seriam
ainda em montagem na Matola Mostrando uma contradição sito e só estão aqui para usar o A tese de Khálau, segundo a qual montados no país. (mediafax)
e estavam a caminho do porto
de Maputo onde iriam iniciar
viagem para o território maliano,
onde a situação continua extre-
mamente tensa. A missão e todo o
processo de montagem dos carros
Hanlon até aceita campanha indirecta,
blindados no país (Moçambique)
está a ser coordenada e financiada
pelo governo dos Estados Unidos
mas condena o uso de bens do Estado
da América.
apresentação de Fi- bicanas emitiu, esta quarta-feira, Guebuza apresentar o candida- pela oposição, as autoridades
Segundo soubemos, os EUA
apoiam a missão das Nações Uni-
das para a Estabilização Integrada
Multidimensional no Mali (MI-
NUSMA) através de formação
e fornecimento de equipamen-
A lipe Nyusi por Ar-
mando Guebuza à
população de Li-
chinga, na província de Nias-
sa, como pessoa que vai dar
a sua opinião em torno da polé-
mica criada pela aparição pública
de Filipe Nyusi, na qualidade de
candidato presidencial da Frelimo,
em plenos comícios integrados na
to da Frelimo, Filipe Nyusi, em
reuniões públicas da Presidência
Aberta” – refere Joe Hanlon, para
depois se explicar nos seguintes
termos: “A Presidência Aberta é
da administração da justi-
ça procuram agir na hora,
sancionando ou procurando
sancionar os infractores. Ma-
nuel de Araújo, edil de Que-
continuidade ao seu projecto Presidência Aberta de Armando financiada pelo Estado e apresen- limane e Venâncio Mondla-
tos cruciais, tais como veículos e de desenvolvimento do país Guebuza. Num texto publicado no tar um candidato político em uma ne, candidato derrotado em
equipamento de comunicações está a alimentar calorosos de- boletim do processo eleitoral, Joe reunião do governo parece uma Maputo, foram advertidos
para as forças de paz africanas e bates. Hanlon até aceita e admite a pos- clara violação da lei”. no ano passado, quando as
policiais que participam na MI- Partidos políticos e organiza- sibilidade de a lei não vedar cam- Mais, “a lei eleitoral (8/2013, o suas acções foram interpre-
NUSMA. ções da sociedade civil estão a panha eleitoral indirecta dos can- Título III) também dispõe: “É ex- tadas como “pré-campanha
Nisto, o Departamento de Estado contestar esta acção alegan- didatos a determinado processo pressamente proibida a utilização eleitoral”. Venâncio Mon-
dos EUA concordou em comprar do uma clara violação da lei eleitoral, mas considera ser bastan- pelos partidos políticos, coligações dlane ainda tem um proces-
veículos blindados (APCs) para eleitoral que estabelece que te problemática a questão do uso de partidos políticos ou grupos de so criminal a correr contra si
exércitos de sete países da Áfri- a campanha eleitoral “tem de meios do Estado que parece ser cidadãos eleitores proponentes e nas instâncias judiciais.
ca Ocidental que estão a apoiar início quarenta e cinco dias incontestável na inclusão de Filipe demais candidaturas em campa- Mas, posicionamento e ati-
a MINUSMA e alocou mais de antes da data das eleições e Nyusi, na comitiva presidencial ac- nha eleitoral, de bens do Estado, tude contrária observa-se
USD173 milhões para fazê-lo.  termina 48 horas antes do dia tualmente em Presidência Aberta. autarquias locais, institutos autó- quando este comportamento
A companhia contratada pelo da votação”. “A única proibição na lei é: “nas nomos, empresas estatais, empre- for apresentado por candi-
Departamento de Estado dos Por outro lado, é que o candi- quarenta e oito horas que prece- sas públicas e sociedades de capi- datos ligados ao partido no
E.U.A., DynCorp International, dato da Frelimo integra a co- dem as eleições e no decurso das tais exclusiva ou maioritariamente poder, a Frelimo, tal como
foi adjudicada com um contrato mitiva da Presidência Aberta mesmas não é permitida qualquer públicas”. está a acontecer actualmente
para fornecer estes veículos blin- e Inclusiva às províncias de propaganda eleitoral.” Não há Uma das questões que em muitos com Filipe Nyusi. O uso de
dados, que estão montados em Niassa e Cabo Delgado, às proibição de “propaganda eleito- momentos se tem levantado quan- meios do Estado também foi
Moçambique. Estes veículos são custas do erário público, en- ral” antes dos 45 dias, o que seria do se aborda este tipo de questões questionado variadíssimas
peças essenciais de equipamento quanto ele vai exercer traba- uma manifesta violação da Cons- tem a ver com a forma como as vezes, mas, apesar de ser uma
para as nações da África Ociden- lho partidário. tituição” – aponta Hanlon, mos- autoridades de administração da prática recorrente, nenhum
tal envolvidos na missão de paz trando que não existe no momento justiça lidam com este tipo de ma- membro da Frelimo já foi
da ONU no Mali. No entanto, Joe Hanlon, co- anterior ao do início do processo térias. sancionado por usar meios
Segundo se sabe, desde 2012, os nhecido jornalista, analista eleitoral, uma proibição expressa. É que, se o comportamento que se do Estado em campanha
Estados Unidos providenciaram e conhecedor profundo de Entretanto, “há um ponto contro- afigura campanha eleitoral anteci- eleitoral.
mais de USD 200 milhões em questões eleitorais moçam- verso no que se refere a Armando pada estiver a ser protagonizado (Redacção)
assistência humanitária ao Mali e
Savana 21-03-2014 17
PUBLICIDADE

ANÚNCIO DE VAGA
Vaga: Director Executivo Interino do Centro Técnico para a Gestão de Ris- com o apoio directo do UN-Habitat, o Director Executivo Interino do DIM-
co de Desastres, Sustentabilidade e Resiliência Urbana para a África Aus- SUR irá liderar a implementação das actividades do DIMSUR, representar
tral (DIMSUR) o Centro em diferentes reuniões e fóruns em diferentes níveis, estabele-
cer e manter contacto com parceiros, apoiar os esforços de mobilização de
Local: Maputo, Moçambique fundos, facilitar o recrutamento dos demais membros do Secretariado do
DIMSUR, dentre outras tarefas.
Contexto
Os governos de Moçambique, Madagascar, Malawi e da União das Como- Requisitos
res, países vizinhos que sofrem de vulnerabilidades semelhantes aos desas- ‡ /LFHQFLDGR HP FLrQFLDV HQJHQKDULD SODQHDPHQWR RX RXWUD IRUPDomR
tres naturais, estabeleceram o Centro Técnico para a Gestão de Risco de académica relevante;
Desastres, Sustentabilidade e Resiliência Urbana para a África Austral ‡ $R PHQRV  DQRV GH H[SHULrQFLD GH WUDEDOKR QD ÉIULFD$XVWUDO FRP
(DIMSUR) em junho de 2013 com o intuito de fornecer assistência técnica conhecimento relevante de questões de redução de riscos, adaptação às
em Redução de Riscos de Desastres (RRD), Adaptação às Mudanças Climá- mudanças climáticas e resiliência urbana;
ticas (AMC) e resiliência urbana e difundir conhecimento para atender às ‡ %RDH[SHULrQFLDHPSURMHFWRVHJHVWmRGHHTXLSDV
necessidades dos Governos, em harmonia com o quadro mundial existente ‡ &RQKHFLPHQWRSURÀFLHQWHGHDRPHQRVGXDVGHQWUHDVOtQJXDVRÀFLDLV
de Ação de Hyogo (HFA) e as estratégias relacionadas da União Africano de trabalho do DIMSUR (Inglês, Português e Francês), e conhecimento
(UA), a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da intermediário das demais;
Comissão do Oceano Índico (COI), para reduzir a vulnerabilidade e cons- NB: Seguindo a recomendação dos Governos dos 4 países membros-fun-
truir a resiliência das comunidades aos desastres naturais e outros. dadores do DIMSUR, são preferidos candidatos de Madagascar, Malawi,
Com o intuito de facilitar o estabelecimento e operacionalização do Centro, Moçambique e União das Comores para esta posição.
os governos dos países envolvidos solicitaram o apoio do Programa das
Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (UN-Habitat) desde o Nota importante: O local de trabalho para a vaga será a cidade de Maputo
início do processo de criação do Centro. Assim, até a conclusão do processo FRPPLVV}HVUHJXODUHVD/LORQJZH 0DODZL $QWDQDQDULYR 0DGDJDVFDU 
de estabelecimento jurídico do DIMSUR, o UN-Habitat assume a posição 0RURQL 8QLmRGDV&RPRUHV *DERURQH6$'& %RWVZDQD HRXWURVSDtVHV
de Secretariado Interino do Centro, sendo todos os recrutamentos iniciais da África Austral. O período de contratação será de 12 meses, com possi-
feitos pelo Programa. Com vista a reforçar a equipe no estabelecimento do bilidade de extensão durante a fase interina em caso de boa performance.
DIMSUR, o UN-Habitat em Moçambique pretende recrutar: Os interessados deverão obter os Termos de Referência enviando o seu CV
em Inglês e Português e fornecendo detalhes sobre a experiência de tra-
Director Executivo Interino do Centro Técnico para a Gestão de Risco de balho, incluindo uma carta de motivação, para o correio eletrónico luis.
Desastres, Sustentabilidade e Resiliência Urbana para a África Austral lopes@unhabitat.org (c/c pasqualque.capizzi@unhabitat.org), ou através
(DIMSUR) do endereço físico da UN-Habitat, Rua Macombe Macossa 151 R/C, Som-
merschield, Tel-21492575 e Fax-21490666 Maputo.
Função: Sob a orientação geral do Conselho Executivo do DIMSUR (com- Prazo para submissão de candidaturas: 30 de Abril de 2014
posto pelos Directores Nacionais responsáveis pela RRD e AMC em cada
estado membro do DIMSUR, a Unidade de RRD da SADC, UN-Habitat, O UN-Habitat reserva-se ao direito de contactar apenas os candidatos
um representante da sociedade civil e um representante da academia) e pré-seleccionados.

Tel.: (00258) 21 48 27 00
Fax: (00258) 21 49 28 88
www.maputo.diplo.de

gͿQXQJV]HLWHQ
Montag-Freitag 09.00 Uhr– 12.00 Uhr

Bekanntmachung Stand: März 2014

für Deutsche zur Wahl zum Europäischen Parlament


$P0DLÀQGHWGLH:DKOGHU$EJHRUGQHWHQGHV(XURSlLVFKHQ3DU- auf einem Formblatt zu stellen; er soll bald nach dieser Bekanntma-
ODPHQWVDXVGHU%XQGHVUHSXEOLN'HXWVFKODQGVWDWW chung abgesandt werden.

'HXWVFKHGLHDX‰HUKDOEGHU%XQGHVUHSXEOLN'HXWVFKODQGOHEHQXQGLP (LQHP$QWUDJGHUHUVWDP0DLRGHUVSlWHUEHLGHU]XVWlQGLJHQ
%XQGHVJHELHWNHLQH:RKQXQJPHKULQQHKDEHQN|QQHQEHL9RUOLHJHQGHU *HPHLQGHEHK|UGH HLQJHKW NDQQ QLFKW PHKU HQWVSURFKHQ ZHUGHQ † 
VRQVWLJHQZDKOUHFKWOLFKHQ9RUDXVVHW]XQJHQDQGHU:DKOWHLOQHKPHQ Abs. 1 der Europawahlordnung).

)ULKUH:DKOWHLOQDKPHLVWXD9RUDXVVHW]XQJGDVVVLH $QWUDJVYRUGUXFNH )RUPEOlWWHU  VRZLH LQIRUPLHUHQGH 0HUNEOlWWHU VLQG


RQOLQH DXI GHU 6HLWH GHV %XQGHVZDKOOHLWHUV ZZZEXQGHVZDKOOHLWHUGH 
 DP :DKOWDJ VHLW PLQGHVWHQV GUHL 0RQDWHQ LQ GHQ EULJHQ 0LW- HUKlOWOLFK6LHN|QQHQDXFKEHL
JOLHGVWDDWHQGHU(XURSlLVFKHQ8QLRQHLQH:RKQXQJLQQHKDEHQRGHUVLFK  GHQGLSORPDWLVFKHQXQGEHUXIVNRQVXODULVFKHQ9HUWUHWXQJHQGHU%XQ-
PLQGHVWHQV VHLW GLHVHU =HLW GRUW JHZ|KQOLFK DXIKDOWHQ DXI GLH 'UHLPR- GHVUHSXEOLN'HXWVFKODQG
QDWVIULVWZLUGHLQXQPLWWHOEDUYRUDXVJHKHQGHU$XIHQWKDOWLQGHU%XQGHV- - dem Bundeswahlleiter, Statistisches Bundesamt, Zweigstelle Bonn,
UHSXEOLN'HXWVFKODQGDQJHUHFKQHW Postfach 170377, 53029 BONN, GERMANY
 GHQ .UHLV XQG 6WDGWZDKOOHLWHUQ LQ GHU %XQGHVUHSXEOLN 'HXWVFKODQG
oder angefordert werden.

1.2 entweder QDFK 9ROOHQGXQJ LKUHV  /HEHQVMDKUHV PLQGHVWHQV GUHL :HLWHUH$XVNQIWHHUWHLOHQGLH%RWVFKDIWHQXQGEHUXIVNRQVXODULVFKHQ9HU-
0RQDWH XQXQWHUEURFKHQ LQ GHU %XQGHVUHSXEOLN 'HXWVFKODQG   HLQH WUHWXQJHQGHU%XQGHVUHSXEOLN'HXWVFKODQG
:RKQXQJ LQQHJHKDEW RGHU VLFK VRQVW JHZ|KQOLFK DXIJHKDOWHQ KDEHQ
XQGGLHVHU$XIHQWKDOWQLFKWOlQJHUDOV-DKUH]XUFNOLHJWRGHUDXV Maputo, 19.03.2014
DQGHUHQ*UQGHQSHUV|QOLFKXQGXQPLWWHOEDU9HUWUDXWKHLWPLWGHQSR-
OLWLVFKHQ 9HUKlOWQLVVHQ LQ GHU %XQGHVUHSXEOLN 'HXWVFKODQG HUZRUEHQ Zu berücksichtigen ist auch eine frühere Wohnung oder ein früherer Aufenthalt in
KDEHQXQGYRQLKQHQEHWURͿHQVLQG dem in Artikel 3 des Einigungsvertrages genannten Gebiet (Brandenburg, Mecklen-
 LQ HLQ :lKOHUYHU]HLFKQLV LQ GHU %XQGHVUHSXEOLN 'HXWVFKODQG HLQJH- burg-Vorpommern, Sachsen, Sachsen-Anhalt und Thüringen zuzüglich des Gebiets
tragen sind. Diese Eintragung erfolgt nur auf Antrag. Der Antrag ist des früheren Berlin (Ost)).
18 Savana 21-03-2014
OPINIÃO

EDITORIAL Cartoon

Tudo a ganhar nas


negociações, e tudo
a perder na guerra
elo tom das declarações dos seus porta-vozes, é

P
O direito de um O direito do público
difícil acreditar que a Renamo se esteja a prepa- julgamento justo saber
rar para as eleições de 15 de Outubro e não para a
guerra, possivelmente motivado pela crença, entre
alguns dos seus dirigentes, de que é possível arrancar o
poder pela via das armas.

Em declarações à imprensa na segunda-feira, um quadro


superior da Renamo e membro do Conselho de Estado
por este partido, António Muchanga, ameaçou intensificar
ataques em todo o país, como resposta a alegadas acções
militares das forças do governo contra as suas posições.
A emissão deste tipo de pronunciamentos numa altura em
que o governo e a Renamo estão exactamente a discutir
as questões militares, incluindo a necessidade de desmo-
Moçambique: terra de
bilização dos homens armados do antigo movimento de
guerrilha, pode destinar-se a ganhar vantagens na mesa
das negociações, mas transmite um sinal bastante preocu-
oportunidades?
pante para cidadãos que acreditam que a actual interacção Por Gonçalo Mexia*
entre o governo e a Renamo é o único caminho para uma
estabilidade duradoura no país. emigração tem sido um importância deste passo poderá prestação de serviços.
De acordo com Muchanga, os comandantes da Renamo
estão a pressionar Afonso Dhlakama para os autorizar “a
responder às provocações em qualquer parte do território
nacional”.
Ora, quem assim fala não está a lançar um apelo para que
A fenómeno constante na
história de Portugal, va-
riando de ritmo ao sabor
da economia nacional. E se para al-
guns a emigração surge como uma
motivar uma adaptação mais lenta
e dispendiosa a um mercado com
uma identidade muito própria.
Por outro lado, não se deverá pen-
sar em Moçambique como uma
Partindo do pressuposto que a ope-
ração em Moçambique corre de
feição e que os lucros se tornam
numa realidade, ainda assim serão
encontradas algumas dificuldades
oportunidade, para muitos trata- terra de oportunidades em que no repatriamento de capitais, com a
haja racionalidade e se ponha fim, o mais rapidamente -se de uma necessidade, sendo este seremos pioneiros. Quem visita o retenção de quantias que muitas ve-
possível, à actual situação de paz-e-guerra em que o país princípio aplicável tanto às pessoas país rapidamente se apercebe que zes se revelam essenciais para o sa-
vive. Está à procura de elementos para justificar accões bé- como às empresas portuguesas. a concorrência é uma realidade na lutar funcionamento das empresas.
licas de grande vulto e à escala nacional. Condicionar a maior parte dos sectores, não só por E mesmo para aquelas empresas
mente dos militares da Renamo, num apelo ao limpar das parte de empresas moçambicanas que optam por não criar um esta-
Neste contexto, Moçambique tem
armas. mas também de empresas interna- belecimento estável em Moçambi-
surgido como um país a ter em
cionais já estabelecidas neste país, que, tentando assim contornar estas
Desde que a actual situação de conflito se instalou há qua- conta por aliar as evidentes se-
causando não só uma diminuição limitações (muitas vezes ao arrepio
se um ano, que a Renamo sempre contou com o apoio de melhanças culturais a um elevado
da legislação aplicável, que impõe
grande parte da opinião pública, dada a razoabilidade e crescimento económico. das margens mas também um au-
a obrigatoriedade de criar uma re-
justeza das suas reivindicações. Mas numa altura em que Mas sem colocar de parte o pa- mento do custo de vida num país
presentação permanente a quem
pel crucial da internacionalização onde, para dar um exemplo, a ofer-
o governo, com uma notável mudança de postura, tem de- pretenda exercer uma actividade
para o crescimento das empresas ta de habitação é bastante inferior
monstrado certa flexibilidade no tratamento dessas ma- por um período superior a um ano),
nacionais, importa refrear o ím- à procura.
térias, a Renamo precisa de ganhar consciência quanto às será aplicada uma retenção na fonte
peto daqueles que acreditam ser Já numa perspectiva estritamente
limitações da sua intransigência. aquando do pagamento das factu-
fácil crescer ao mesmo ritmo que jurídica, importa reter que não é
Para um bom observador, está claro que não é com as ar- ras por elas emitidas a sociedades
a economia Moçambicana. Assim, possível implementar uma opera-
moçambicanas, podendo o mon-
mas que restaram da guerra dos 16 anos que a Renamo diversos aspectos de ordem prática ção em Moçambique recorrendo tante desta retenção consumir por
tem estado a combater as forças governamentais. Não é mas também jurídica devem ser ti- apenas a mão-de-obra estrangeira. completo as margens comerciais da
possível que essas armas se tenham mantido em estado de dos em conta no momento em que A legislação moçambicana impõe empresa portuguesa e inviabilizar
conservação para serem úteis 20 anos depois. O mesmo se se decide avançar para Moçambi- um sistema de quotas para traba- toda a operação.
pode dizer das munições usadas. O que deixa a entender que. lhadores estrangeiros - cuja apli- Assim, importa ter presente que
que a Renamo tem estado a adquirir armas em qualquer Numa vertente prática, importa co- cação é rigorosamente verificada o mercado Moçambicano está a
sítio, provavelmente em preparação para uma guerra pro- meçar por realçar a importância de pelas autoridades competentes -, tornar-se cada vez mais maduro
encontrar um parceiro local. Mes- nos termos do qual a percentagem em termos de oferta de serviços,
longada, ou nos cálculos dos seus generais, de curta dura-
mo aquelas empresas que possuem de trabalhadores estrangeiros não sendo ainda essencial conhecer as
ção, com uma vitória imediata. poderá ultrapassar 10% nas pe-
um know-how bastante superior, diferenças deste ordenamento jurí-
Se esse cálculo existe, é bastante perigoso, e por isso deve em termos teóricos, aos concorren- quenas empresas, sendo aplicáveis dico antes de planear e avançar com
ser imediatamente desencorajado. Acreditamos que a Re- tes locais, deverão ter em conta que percentagens ainda mais reduzi- uma operação neste país.
namo (e todo o povo moçambicano em geral) tem tudo a poderá ser difícil aplicar esses co- das às empresas grandes e médias.
ganhar na mesa das negociações, e tudo a perder num tea- nhecimentos à prática sem a ajuda Fruto desta realidade, a aposta na *Associado na FCB&A
tro de guerra que parece ser o desejo da sua ala militarista. de alguém que conheça o modus formação de mão-de-obra local é o Departamento de Direito Societário e
operandi local. Não reconhecer a caminho mais rápido para uma boa Comercial

KOK NAM Editor: Machado da Graça, Fernando Lima,


Fax: +258 21302402 (Redacção)
Director Emérito Fernando Gonçalves António Cabrita, Carlos Serra,  3XEOLFLGDGHȫ'LUHFWR
* editorsav@mediacoop.co.mz Ivone Soares, Luís Guevane, João *
Conselho de Administração: Mosca, Paulo Mubalo (Desporto) e Delegação da Beira:
Isadora Ataíde Prédio Aruâ ngua, nº32 – 1ºandar, A
Fernando B de Lima, (Presidente) Editor Executivo: Telef: (+258) 825 847050821
e Naita Ussene Maquetização: A. S .M e *
Francisco Carmona Hermenegildo Timana savana@mediacoop.com.mz
* francisco.carmona@mediacoop.co.mz
Direcção, Redacção, Revisão: Gervásio Nhalicale (Redacção)
* admc@mediacoop.co.mz
Publicidade e Administração: Redacção: Fernando Manuel, Publicidade: Benvinda Tamele
(82 3282870) (Administração)
Av. Amílcar Cabral n°1049* CP 73 Raúl Senda, Abdul Sulemane e *
benvinda.tamele@mediacoop.co.mz
Registado sob número 007/RRA/DNI/93 Propriedade da Telefones: Argunaldo Nhampossa www.savana.co.mz
NUIT: 400109001 Distribuição: Miguel Bila
(+258) 21301737, 823171100 )RWRJUDÀD 1DLWD 8VVHQH (Editor) (82 4576190 / 84 0135281)
www.facebook.com/pages/
e Urgel Matula miguel.bila@mediacoop.co.mz
Maputo-República de Moçambique 84 3171100 Colaboradores Permanentes: (incluindo via e–mail PDF)
Savana 21-03-2014 19
OPINIÃO

Rádios Comunitárias com obrigações fiscais


na mesma proporção que as Comerciais
Por Naldo Chivite*
papel das rádios comu- tuto Nacional das Comunicações serem entendidas como meios de dade e vontade política por parte Contudo, o Fórum Mundial das

O nitárias no processo de
democratização em Mo-
çambique é reconhecido
pelo Governo muitas vezes em
plenos discursos, principalmente
(INCM) aos utilizadores do es-
pectro de frequências radioelétri-
cas, quer para o uso público quer
para o uso privado (Decreto nº
63/2004, de 29 de Dezembro).
comunicação que não são gerado-
ras de receitas, que subsistem com
base em pequenos apoios providos
das comunidades e de algumas
iniciativas a nível local.
dos órgãos do Governo em reme-
ter o Decreto nº 63/2004, de 29 de
Dezembro ao processo de revisão
e ajustado ao contexto operacional
das rádios comunitárias.
Rádios Comunitárias (AMARC)
exorta que as rádios comunitárias
devem ser “expressamente reco-
nhecidas como uma forma distinta
de media,” que sejam órgãos que
no que tange ao acesso à informa- Este dispositivo legal no seu Ar- Numa altura em que a proposta Aliás, as rádios comunitárias são se beneficiem dos procedimentos
ção a nível das comunidades locais. tigo 7, No 1, estabelece que a “taxa de lei de acesso à informação está cobradas pela exploração do es-
justos para a obtenção de licenças”.
Aliás, grande parte das instituições anual de utilização de espectro de reformada na Assembleia da Re- pectro radioelétrico um valor
Só desta forma, a rádio comunitá-
do Governo cooperam com as rá- frequências radioelétrica é aplica- pública, desde 2015, uma série de anual um valor que para quem co-
dios comunitárias na divulgação da a todos os serviços de radioco- medidas poderiam ser tomadas. nhece de perto as condições de so- ria pode cumprir a sua missão de
de informação para as comuni- municações, públicos ou privados Algumas delas passam pela neces- brevivência em que as rádios estão democratizar a sociedade.
dades localizadas em regiões mais incluindo os de rádio difusão So- sidade de regulamentar o sistema sujeitas facilmente percebe e con- Nesta ordem de pensamento, é
recônditas. nora e televisiva”. A disposição do público de radiodifusão, a fim de cebe que estes valores estão mui- importante que o Governo esteja
Artigo 5, No 3 do respectivo regu- se assegurar a complementaridade to acima das capacidades destes ciente que a radiodifusão comu-
As Rádios Comunitárias têm lamento outorga que “estão isentas dos sistemas estatal, privado e pú- meios de comunicação social. O nitária representa uma conquista
como objectivo promover o de- de pagamento de taxa anual de blico, por meio de reserva de mais não cumprimento de pagamento dos movimentos populares comu-
senvolvimento social, os direitos utilização do espectro de frequên- espectro especialmente para me- das respectivas taxas para além de nitários em relação ao acesso aos
humanos, a diversidade cultural e cias radioelétricas, as estações in- dias comunitárias. somarem multas avultadas, algu- meios de comunicação. Conclui-
linguística, a pluralidade de infor- dividuais e as redes de radiocomu- Moçambique tal como outros Es- mas sofrem ameaças vinculativas -se que essa comunicação, também
mações e opiniões, os valores de- nicações estabelecidas pelo estado tados devem seguir uma das reco- de encerramento imediato. chamada de popular, participativa
mocráticos entre outros aspectos para fins de defesa de segurança”. mendações da “Declaração sobre Porém, a justificação do Institu-
ou alternativa, tem como finali-
que contribuem para o desenvol- Decorrente da inexistência de a Diversidade na Radiodifusão”, to Nacional de Comunicações
dade o desenvolvimento de suas
vimento das comunidades onde definição jurídica de rádio comu- emitido em Dezembro de 2007 de Moçambique INCM sobre as
capacidades intelectuais, artísticas
elas estão inseridas. Estes meios nitária como rádio sem fins lu- pelo relator especial da ONU so- cobranças na mesma proporção,
de comunicação social são tidos crativos e, portanto, diferente das bre a Liberdade de Opinião e Ex- mesmo reconhecendo o carácter e de convívio social, além de apri-
como fundamentais na garantia do rádios comerciais pela sua origem pressão junto aos representantes não lucrativo e social das rádios morar suas actividades profissio-
direito à informação, estabelecido e natureza, sucede que este regula- da OSCE sobre a Liberdade de comunitárias, reside no facto de nais e melhorar sua condição de
no artigo número 3 da Lei 18/91, mento recai sobre as rádios comu- Imprensa e os relatores para a li- o mesmo não ter orçamento por existência. O papel principal das
lei de imprensa e 48 da Constitui- nitárias nos mesmos termos em berdade de expressão da OEA e da parte do estado para a cobrir as rádios comunitárias é transformar
ção da República. que recai sobre as rádios privadas, Comissão Africana dos Direitos despesas do seu funcionamento e os indivíduos de uma comunida-
O pagamento das obrigações fis- lucrativas, sendo por isso, de cus- Humanos e dos Povos CADHP. que dependem unicamente destas de em cidadãos participativos, que
cais destes meios de comunica- tos manifestamente incomportá- Estes documentos afirmaram que cobranças. busquem melhorar sua condição
ção continua a constituir um dos veis para todas elas. Igualmente, a “a radiodifusão comunitária deve É preciso o Governo lembrar que social, que tenham certo conhe-
grandes desafios e remete a uma inspecção do trabalho tem exigido estar expressamente reconhecida as rádios comunitárias operam cimento político e cultural e que
reflexão profunda, isto porque es- a apresentação de contratos e de nas variadas legislações com uma num espírito de voluntarismo e saiba lutar por seus direitos. Além
tão sujeitas a duras cobranças de provas de canalização dos fundos forma diferenciada de meios de os colaboradores não possuem sa- de apresentar também alternati-
taxas pela exploração do espectro de segurança social, eventualmen- comunicação social pelo seu ca- lários e torna-se desafiante a cada
vas, oportunidades e organização
radioelétrico sem que, no entanto, te cobrados aos “trabalhadores”, rácter não lucrativo. dia que passa manter a mesma
de um grupo, muitas vezes deixa-
as respectivas cobranças estejam que são, neste caso, voluntários. Não estando viradas para a ob- em pleno funcionamento. As pe-
No entender das rádios comuni- tenção de lucro; mas porém ne- quenas receitas que são irrisórias do de lado, ganhando assim, força
de acordo com a realidade e fun-
cionamento das mesmas. tárias, a necessidade de elas cum- cessitando de serem sustentáveis; servem unicamente para cobrir e identidade, levando esse grupo a
Em 2004, o Governo de Mo- prirem com pagamento das taxas sendo propriedade das comuni- pequenas despesas que garantem a exercer a conhecer o papel da cida-
çambique introduziu a cobrança anuais pela exploração do espectro dades locais, representadas quer sua sustentabilidade e estão muito dania e participar dela.
da Taxa Anual de Utilização de radioelétrico não é a questão. O por associações cívicas, quer por aquém dos valores que são cobra-
Espectro de Frequências – taxa cerne reside no facto de as taxas organizações religiosas pode se dos pela exploração do espectro *Oficial de Comunicação e Advoca-
cobrada anualmente pelo Insti- serem elevadíssimas e elas não depreender que não há sensibili- radioelétrico. cia do FORCOM

O lugar da Ucrânia
Por Bernardo Pires de Lima carlosserra_maputo@yahoo.com
http://www.oficinadesociologia.blogspot.com
o contrário do que se tem Por um lado, ela era de certa forma a hegemonia no mar Negro, cor-

A dito neste Ocidente às


apalpadelas com o futuro,
a situação na Ucrânia não
é o momento euro-americano mais
previsível, chegado o momento em
que a Rússia sentisse a sua posição
ameaçada de vez.
Nesta óptica, aquilo a que assis-
tar o acesso russo ao Mediterrâneo
através do Bósforo e sair em defesa
da minoria tártara da Crimeia; os
EUA tomarem a curto prazo o lu-
Sobre alas partidárias
lgumas hipóteses para Os defensores do múltiplo
368

crítico desde o fim da Guerra Fria.

A sangria nos Balcãs, os ataques de


11 de Setembro e a queda do Leh-
man Brothers foram as três grandes
feridas do Ocidente triunfalista, por
timos na Crimeia e em Kiev não
pode ser colocado no mesmo pata-
mar de importância geopolítica que
tiveram os três momentos indica-
dos. Mas, por outro, ela pode, em
caso extremo, forçar a ruptura com
gar da Rússia como exportador de
gás para a Europa; o Reino Unido
e a França desistirem de equilibrar
o poder da Alemanha; e assistirmos
a uma guerra entre grandes potên-
cias. Dir-me-ão que tudo isto é
A testar.

Os partidos políticos
têm três tipos de militantes: os
abúlicos, os defensores do uno e
exigem um social reorientado
de forma diferente da cartilha
conservadora. Para eles, um
partido é um conjunto de alas
criadoras.
os defensores do múltiplo. Um partido é tão mais rico
negar o “fim da história”, discutir a a ordem europeia pós-1989. Se isso possível. Sim, é possível, mas pouco Os abúlicos não falam, mas, quanto menos abúlicos tiver
inviolabilidade da “hiperpotência” acontecer - o que não é certo, nesta provável. chegado o momento decisional, e mais defensores do múltiplo
e a falibilidade dos alicerces da or- altura -, podemos então acrescentar Há mais racionalidade na acção aplaudem os mais convincentes promover. Nenhum partido so-
dem financeira. Quanto muito, a um quarto ponto e dizer que entrá- dos envolvidos na Ucrânia do que e populistas oradores. brevive, a longo prazo, congela-
Ucrânia é a continuação da guerra mos num pós-pós-Guerra Fria. julgamos e a interdependência eco- Os defensores do uno vitupe- do na rotina e na crença de que
na Geórgia por outros meios, com a A ruptura seria os EUA e os mem- nómica joga a favor da sensatez. No ram quem tem modelos de ges- todos devem pensar da mesma
diferença de que ainda não conhe- bros da UE cortarem relações dia em que ela se esfume, podemos tão social diferentes da cartilha maneira. A cissiparidade políti-
cemos o desfecho. económicas e diplomáticas com ver na crise da Ucrânia o momento conservadora. Para eles, só exis- ca é produto não da defesa do
Podemos olhar para a crise ucrania- a Rússia, isolando-a sem data de fundador de outra ordem. Até lá, te uma ala: a sua. múltiplo, mas da defesa do uno.
na com um misto de sentimentos. regresso; a Turquia retaliar contra não.
20 Savana 21-03-2014
OPINIÃO

Uma campanha suis generis


A TALHE DE FOICE Por Laurindo Saraiva
Por Machado da Graça
ng. Nyusi, se entras na “cena do Guebas”, por inexpe- Nyusi não ter sido ainda oficialmente registada por quem de

E riência, ou por “ingenuidade legal” podes involunta-


riamente, incorrer numa grave irregularidade eleitoral,
adverte o jurista e politólogo, Laurindo Saraiva

Com a proximidade das eleições é frequente que alguns candi-


direito.
Em virtude dessa e muitas outras dúvidas quanto à interpreta-
ção da lei que rege as condutas vedadas quanto a propaganda
eleitoral e à promoção pessoal em ano eleitoral, seria auspicio-
so de imediato, de um lado, um debate público (no Parlamen-
datos se alvorocem para que o público tome conhecimento da to) envolvendo todos os partidos políticos, doutro, uma ime-

Chapas sua candidatura e dos seus projectos de campanha, contudo,


é sabido e regulado por lei, que toda e qualquer manifestação
pública que tenha este objectivo, antes da considerada data de
abertura oficial para este propósito é considerada propaganda
diata intervenção da CNE enquanto órgão que zela por estas
questões, a declarar uma cessação imediata da participação na
“presidência aberta” do futuro/actual candidato da Frelimo às
próximas presidenciais, por vários motivos: Primeiro, porque
á um tema na vida funcionários, os condutores. extemporânea, resultando em crime eleitoral. os objectivos gerais da presente presidência aberta é fazer o

H quotidiana do nosso
país de que só rece-
bemos, normalmen-
te, metade das notícias.
Mas, aparentemente, nada
disso está a acontecer. Nunca
ouvi falar de um julgamen-
to de um caso deste tipo.
Muito menos de uma con-
Entretanto, o fenómeno da Presidência Aberta, levada aca-
bo pelo Presidente Guebuza, acompanhado pelo ex-Ministro
da Defesa, o Eng. Nyusi, que por sinal será o candidato da
Frelimo às Presidenciais nas próximas eleições, é susceptí-
vel de um debate sério sobre a violação de alguns preceitos
legais relacionados com essa matéria. Doutrinalmente, para
balanço das realizações no quadro da implementação do Pro-
grama Quinquenal do Governo, aprender e receber conselhos
da população e de quadros e agradecer às comunidades e go-
vernos locais pelo seu empenho na materialização da agenda
nacional de luta contra a pobreza. Conforme declarou o sr.
Edson Macuácua, não é prescindível para tal fim que o PR se
Trata-se dos chapas ou, mais denação. E, enquanto reinar os politólogos, acções de natureza política e publicitária que faça acompanhar do seu sucessor; Segundo, para evitar confu-
exactamente, dos acidentes este clima de impunidade, os buscam, de maneira directa ou indirecta, ainda que de for- são entre aquilo que consideramos gestão das actividades do
que envolvem chapas. condutores dos chapas vão ma “dissimulada”, influenciar na opinião dos eleitores acerca Estado, que são da incumbência do Presidente da República e
Com terrível frequência sur- fazendo e desfazendo, a seu de determinado pré-candidato são consideradas propaganda as actividades do partido, e por último para evitar embaraços
gem notícias desse tipo de eleitoral. Dentre outras, podemos enquadrar nelas os adesivos, e desconforto aos juízes eleitorais que se deverão pronunciar
bel prazer, provocando luto
acidentes, normalmente com cartazes, mensagens em rádios comunitárias ou via internet, sobre estas questões, e outros tipos de polémicas desnecessá-
e desgraça nas famílias dos que contenham, isolada ou conjuntamente, o nome, apelido, rias neste momento.
um elevado número de mor- seus clientes. iniciais do nome, símbolos, cores, mensagens ideológicas ou Por último, gostaria de conjugar a participação do eng. Nyu-
tos, logo ali, que vai crescen- Há poucos dias, na cidade de de promoção pessoal. si na “presidência aberta” e a recente experiência do processo
do com os feridos que per- Maputo, um acidente entre Nesta sequência, ainda que em modo não explícito, o facto eleitoral interno do Partido Frelimo para a escolha do seu
dem a vida nos hospitais. chapas provocou sete mor- do actual Presidente da República, se fazer acompanhar do candidato. Embora considerada, certamente e justamen-
Só que, regra geral (e não tos. seu antigo ministro da Defesa, no âmbito da sua Presidên- te pela maioria dos membros seniores do partido, justas, no
me recordo de nenhuma Será que também este fica- cia Aberta, faltando poucos meses para o início da campanha meu entender, existe espaço, academicamente falando, para as
excepção), o assunto morre eleitoral, e, como se não bastasse, tendo como a sua agenda considerar fraudulentas, enquanto violadoras de um princípio
rá assim? Que ninguém vai
aí. Nunca mais se ouve falar entre outros assuntos, a exortação à população para a sua ac- constitucional, o da paridade de tratamento entre os concor-
responder por essas preciosas tiva participação no processo eleitoral com vista ao fortaleci- rentes: uns tiveram três meses de campanha enquanto outros
dele. Não se fala de respon- vidas perdidas?
sabilidades, de julgamentos, mento do Estado de Direito Democrático, conforme explicou somente alguns minutos. Aqui existiu uma manifesta desi-
Mais difícil de detectar é a o porta-voz presidencial, o sr. Edson Macuácua, ao jornal gualdade de armas, o que me faz crer que não houve justiça.
de indemnizações, etc... responsabilidade da Polícia “notícias” do dia 18, pode ser enquadrável como propagan- Neste caso, tratando-se de eleições internas, conjugado com
E devia falar, se é que quere- de Trânsito, mas ela existe. da irregular. A simples presença física do futuro candidato, o facto do Comité Central, órgão soberano ter decidido não
mos acabar, de vez, com esta acompanhado ou não de menção às eleições de 2014, são ca- prestar atenção aos aspectos técnicos e formais, a polémica
Se um agente percebe que
tragédia. pazes de transmitir ao eleitorado, directa ou subliminarmente, teve uma outra direcção, a dos lobbies internos, influências do
o condutor está alcoolisado
Isto porque, na maioria dos a vinculação da pessoa ao pleito eleitoral. actual Presidente, que para mim, objectivamente, têm pouca
mas o deixa seguir, em troca
casos esses acidentes reves- No caso do eng. Nyusi, pode-se, até equacionar a questão importância e não são de relevância para o país. Mas, porque
de um “refresco”, esse agen-
tem aspectos criminais: con- da promoção pessoal: existe uma exposição pura e simples sempre deve existir um mas, existem outras questões que ad-
te está a ser cúmplice de um do postulante, cujo objectivo é torná-lo mais conhecido do vêm desse comportamento eleitoral “irregular”, que ganham
dução em estado de embria-
possível acidente grave mais público; divulgação transitória; ausência dos elementos que contornos de interesse nacional, sobretudo, pelo facto de ser
guês, excesso de velocidade,
adiante. Só que essa respon- caracterizam a propaganda eleitoral antecipada. Esse cenário a Frelimo um partido do Estado que vai governar o processo
quebra de prioridade e tantas
sabilidade é extremamente é conjugável com as características da promoção pessoal. eleitoral a trazer esse perigo, que o considero um perigo tam-
outras coisas. E, nessa medi-
difícil de detectar. Contudo, a minha reflexão é meramente académica e o que bém para a nossa democracia, ou seja, tratar candidatos com
da, os culpados do acidente, conta são as devidas interpretações dos nossos ilustríssimos um certo privilégio, e isso não pode, e nem deve acontecer
Já em relação aos condutores
e das mortes que ele provoca juízes eleitorais e promotores públicos que, certamente, po- num Estado de direito democrático.
têm nome, e devem ser legal- e aos donos dos chapas as
derão variar em muito em relação a essa vertente. Aliás, não Agrava o facto, disso ter sido, involuntariamente, promovido
mente responsabilizados. coisas são bem mais simples.
excluo, até, que possa existir uma linha de pensamento, que com a participação de quem deveria ser o garante do Estado, o
O mesmo se passa com os Só não se actua criminal- afaste a minha presunção e que sustente de não se tratar de próprio Presidente da República. Porque, involuntariamente,
proprietários dos chapas. Es- mente se não houver vonta- “fraude pré-eleitoral”, ou de capanha eleitoral antes do tempo, até prova em contrário, assiste-se a uma situação em que se
tes deveriam, igualmente, ser de política para isso. pelo simples facto da não existência oficial de candidatos de usam meios públicos do Estado.
responsabilizados criminal- outros partidos, coadjuvada à questão da candidatura do eng. Por tudo isto, acho que a CNE deve intervir!
mente pelos actos dos seus E, ao que parece, não há...

SACO AZUL Por Luís Guevane

Morosidade que mata


Renamo e o Governo entende- da tensão político-militar. Até parece que as Agora, finalmente entram em cena “os inter- “desrenamizar” a zona. Será que basta que

A ram-se relativamente ao pacote


eleitoral e já se notam os seus
efeitos na estrutura dos órgãos
eleitorais. Alcançou-se a tão discutida
paridade, em si estruturada numa par-
cedências em Maputo pretendem clarificar
quem está a ter maior protagonismo nesse
“braço de ferro” militar (despropositado e
atípico aos olhos do cidadão comum).
Em todo esse espectáculo que nos é dado
nacionais”. Tanta morosidade para mostrar
trabalho ou para passar a ideia de que “entre
nós nos entendemos”?
O pacote militar norteia-se pelo desarma-
mento, integração, entre outros pontos. A
um dos lados tenha razão para justificar
essa parte do teatro de matança? E é aqui
onde o cidadão volta a gritar: porquê não
metem lá os vossos filhos (lá no palco de
guerra)?
tidarização possível, fechando assim o a assistir há um maestro invisível mas per- questão do desarmamento é, por enquanto, Cá entre nós: é tanta a lentidão na reso-
referido imbróglio. A profissionalização ceptível que vai ganhando cada vez mais a mais crucial de todas. Como desarmar a lução desses vários pacotes que dá a en-
dos órgãos eleitorais ficou, por isso, re- protagonismo. Esse maestro é a morosida- Renamo numa altura em que se exacerba a tender que existe, de facto, uma intenção
metida às futuras gerações (se é que se de. Quer dizer: para se iniciar o diálogo foi desconfiança e a insegurança militar (com as deliberada de prolongar por mais tempo
pode exagerar). um problema. Quando se tornou realidade eleições já marcadas para Outubro)? Alega-
esta situação de não-paz. Cada dia que
regaram-no de sucessivos impasses. Nessa -se que as forças governamentais pretendem
passa e que a morosidade se afirma vai-
Do pacote eleitoral passemos ao pacote altura um batalhão pró-guerra defendeu, garantir a segurança das populações. Con-
-se duvidando, vai-se questionando, vai-
militar. Se por um lado a construção do sobretudo na imprensa pública, a ideia en- tudo, sabe-se que isso não passa de um sub-
-se criando insegurança relativamente ao
entendimento político entre a Renamo comendada de que não havia necessidade de terfúgio. As acusações têm sido mútuas: por
e o Governo no Centro de Conferên- pleito eleitoral marcado para Outubro.
observadores “nacionais” e muito menos de um lado o governo acusa a Renamo de ata-
cias Joaquim Chissano vai sendo uma “internacionais”. Resolver-se-ia o problema car as populações e forças governamentais Esperemos que efectivamente as eleições
realidade agradável para quase todos os angolanizando a solução e savimbizando e, por outro, a Renamo acusa o Governo de ocorram e que não apareça alguém a jus-
moçambicanos, por outro, tem sido bas- Dhlakama. Depois retomou-se o “diálogo” usar armas proibidas para “desgorongosar” o tificar o mérito da morosidade, dizendo:
tante aborrecido o exercício de elevação aceitando “observadores nacionais” e rejei- centro do país, eliminando as populações e marcamos Outubro como um mês prová-
da mortalidade como efeito e tradução tando categoricamente os “internacionais”. terra agricultável como efeito da tentativa de vel. A ver vamos.
Savana 21-03-2014 21
PUBLICIDADE
22 Savana 21-03-2014
DESPORTO

Bobole: o novo talismã do Desportivo de Maputo


Por Abílio Maolela (texto) e
Ilec Vilanculo (fotos)
azendo jus ao seu lema, um esse aspecto seja tomado em con-

F
Gestão positiva de Grispos
por todos, todos por um, o sideração para o bem da própria Bernardino Bernardo diz que Mi-
Grupo Desportivo de Ma- colectividade. chel Grispos “está a levar o Des-
puto reuniu-se, no último Para do Rosário, “a união não é portivo a bom porto, apesar das
sábado, na sua sede em Maputo, completa porque há pessoas que dificuldades que tem enfrentado,
com sócios e adeptos para discu- sabotam o trabalho, durante as as- principalmente tendo em conta
tir a vida do clube e apresentar os sembleias gerais, o que não é bom, que os sectores de basquetebol, na-
projectos em curso para os próxi- pois o clube é nosso e não de al- tação e outros não têm conseguido
mos anos. guns”. gerar receitas”.
Reginaldo Mangue diz que o Des- Reginaldo Mangue explica: “a
Num evento concorrido onde par- portivo de Maputo “está mais uni- gestão do Grispos merece nota
ticiparam mais de 150 adeptos, a do do que nunca, principalmente
positiva, apesar de não concordar
recuperação do património, a sus- depois da descida de divisão”, pois
tentação financeira, a construção muito com algumas formas de
fora da capital há muitos adeptos
do campo de futebol, a unificação contratação de jogadores, em que
preocupados com o clube.
da massa associativa e a apresenta- geralmente dura um a dois anos”, e
“Quando estivemos na Maxixe
ção dos novos parceiros do clube frisa: “o futuro Desportivo de Ma-
para a poule de apuramento ao
para esta época foram avançados puto depende do que a massa asso-
Moçambola, aquela cidade parou
como os principais desafios da co- ciativa é e não apenas da direcção”.
para nos receber. Portanto, isto de-
lectividade para este ano, confor- monstrou a união do clube”.
me o SAVANA apurou. Mas um “Somos favoritos a con-
Por sua vez, Michel Grispos ex- quista do título”
dado é certo: é em Bobole, Marra- plicou: “nós tivemos aqui cerca de
cuene, onde está a ser construído o O campeonato nacional arranca no
150 pessoas reunidas e sabemos próximo sábado, dia 22 de Março,
novo campo do Desportivo. que há clubes que realizam assem-
Para já, é ponto assente que o clu- em Pemba e o Desportivo de Ma-
bleias, geralmente, com menos de
be não está financeiramente bem e puto joga no domingo com o Têx-
50 sócios, o que significa que esta-
que a comunicação entre a direc- til de Púnguè.
mos unidos”.
ção e a massa associativa deve me- Michel Grispos assume o favori-
Portanto, a relação existente entre
lhorar de modo a haver mais coe- Michel Grispos, Presidente do Desportivo de Maputo tismo dizendo: “somos favoritos,
a direcção do clube e a massa asso-
são no clube tanto nos momentos pois também queremos conquistar
te na abordagem dos assuntos”, messa, mas sem datas fixas para a ciativa “é de cumplicidade porque
maus como nos bons. títulos a par das outras equipas do
como sendo o factor determinante somos todos Desportivo, apesar
sua inauguração”. moçambola, principalmente com o
para o sucesso do encontro. das diferenças que possam existir”.
plantel que temos”.
Nota positiva ao encontro Por sua vez, Michel Grispos, Pre- Na mesma convicção estão Hél-
Bernardino Bernardo, sócio e sidente do Grupo Desportivo de “Desportivo mais unido Sócios menos der e Reginaldo. O primeiro diz:
adepto do Desportivo de Mapu- Maputo, diz que o encontro foi que nunca” contribuintes “este ano vamos atacar o primeiro
to, disse que a reunião foi benéfica positivo, visto que tinha como Relativamente a este facto, Ber- Segundo Hélder do Rosário o pro- lugar”, tendo em conta a prestação
uma vez que permitiu que cada objectivos, primeiro alargar aos
um dos sócios se pudesse expres- sócios, adeptos e simpatizantes do
sar e ouvir aquilo que é a vida do clube, a “disseminação das infor-
clube. Explicou, em relação ao mações para outros estratos sociais
momento actual da colectividade: do Clube”. E em segundo lugar
“financeiramente não está bem, “dar a conhecer os quatro vectores
mas que tem o mérito de ter um do Desportivo para esta época, que
treinador mais pago do país”. são a recuperação do nosso patri-
Para Hélder do Rosário, “o encon- mónio; a sustentação financeira do
tro foi positivo” porque houve um clube; a construção do campo de
debate aberto entre a direcção e a futebol e a unificação da massa as-
massa associativa do clube. sociativa do clube”.
Do Rosário aponta como alguns
problemas do seu clube, o finan-
Campo de futebol na or-
ciamento, e que este problema dem do dia
se agrava devido ao facto do clu-
Apesar de ainda não ser público,
be não ter um campo de futebol,
Michel Gripos garantiu que até
o que acarreta custos para o seu
Maio a sua equipa realizará os jo-
aluguer.
gos do campeonato na sua casa.
Reginaldo Mangue diz que a reu-
O complexo do Grupo Desporti- Foi assim o encontro entre os sócios e a direcção do Desportivo
nião foi positiva porque não se
vo de Maputo, que está em cons-
lembra de um dia em que tenha nardino Bernardo esclareceu: “o blema financeiro do clube advém, da equipa na Taça de Honra.
trução, comportará, para além do
havido, em Moçambique, uma Desportivo está unido mais do que igualmente, do facto dos sócios Com uma opinião diferente está
campo de futebol, uma piscina, nunca, a despeito de haver uma Bernardino Bernardo que afirma:
reunião em que fossem convida- não cumprirem com as suas obri-
espaços verdes entre outros em- fragmentação entre a Direcção e “esta época não é para ganharmos
dos sócios e adeptos (sem quotas gações, que é o pagamento de quo-
em dia) para uma “conversa franca preendimentos. O mesmo está a massa associativa, concretamen- o título, mas, sim, para construir-
tas fixadas em 50 MT mensais.
e aberta sobre a vida do clube” e localizado em Bobole, distrito de te no que tange a comunicação”, mos uma equipa capaz de conquis-
No entender deste, “se os sócios
destaca a “humildade do presiden- Marracuene, província de Maputo, apelando, deste modo para que tá-los nas épocas seguintes”.
a cerca de 30 km da capital. contribuíssem para o desenvol-
Bernardino Bernardo avançou que vimento da sua equipa, pagando
o facto de ainda no decorrer deste quotas, os problemas teriam outra
ano o Desportivo poder vir a jogar dimensão”
no seu próprio campo é encoraja- Reginaldo Mangue diz que o Des-
dor. portivo de Maputo “ainda tem um
“Há uma promessa da existência longo caminho por percorrer, pois
de um espaço em Marracuene, e os sócios prometem cumprir com
que o mesmo está sendo constru- as suas obrigações, mas no fundo
ído e que a demora das obras de- não o fazem”.
veu-se ao facto de existir, no local, Já Michel Gripos foi cauteloso e
uma campa que devia ser retirada limitou-se a dizer: “a massa asso-
como mandam os costumes”. ciativa é muito interventiva e apa-
Reginaldo Mangue diz estar mui- rece nos campos em bom número,
Reginaldo Mangue to expectante, pois “há uma pro- Bernardino Bernardo mas talvez não no desejado”. Hélder do Rosário
Savana 21-03-2014 23
DESPORTO

A festa que faltava…!


Por Paulo Mubalo
maior festa desportiva partidas atípicas e de desfechos, à

A
Eis os jogos da primeira
nacional, o Moçambola, priori, imprevisíveis e, em alguns jornada
vai começar este fim-de- casos, simplesmente não recomen- Ferroviário de Nampula - Estrela
-semana com a abertura dáveis aos cardíacos. Vermelha da Beira;
oficial a acontecer na cidade de E se na hora de abertura as lágri- Desportivo de Maputo - Têxtil do
Pemba, província de Cabo Delga- mas não irão faltar, durante a prova Púnguè;
do, onde os locomotivas daquela serão tardes de verdadeira emoção Maxaquene - Ferroviário de Pem-
parcela do país, que ano passado e pura adrenalina e para os adeptos ba;
conseguiram carimbar o passaporte que consomem bebidas alcoólicas a Liga Muçulmana - Chibuto FC;
que lhes confere o regresso ao con- cerveja bem gelada vai servir de an- Ferroviário da Beira - Ferroviário
vívio dos grandes do nosso futebol, tídoto para esquecerem, momenta- de Maputo;
vão defrontar o Maxaquene, este neamente, a derrota da sua equipa Ferroviário de Quelimane - Costa
ano treinado por Chiquinho Con- predilecta, ou então para comemo- do Sol;
de. rarem a vitória; o amendoim bem HCB de Songo - Desportivo de
torrado vendido por dezenas de Nacala Está de regresso a festa de adultos!
Há muitas expectativas em redor donzelas e mamanas nos campos
do acontecimento, razão pela qual de futebol e que fazem desse negó-
espera-se uma avalanche de espec- cio uma forma lícita para aumenta-
tadores a presenciar o acto. rem os seus rendimentos também
Mas convenhamos que a expec- será outro ingrediente.
tativa vai para todas as províncias É claro que nas derradeiras jorna-
que este ano vão acolher a prova, das não faltarão os choros e gritos;
nomeadamente, Maputo-cidade os assobios e as batucadas; haverá
e província e Gaza, pela zona sul canções de alento; de alegria con-
(fica de fora a província de Inham- tagiante e festa rija. Dançar-se-á
bane depois que ano passado viu a valer, enfim, tudo num ambiente
o Vilankulo ficar despromovido); indiscritível: é assim a festa do Mo-
Sofala, Tete e Zambézia, pela zona çambola.
centro (fica de fora a província de Os que atingirem os seus objectivos
Manica, pois, o Textáfrica, que de estarão de parabéns, e os que não o
quando em vez tem dado arzinho conseguirem terão de reflectir me-
da sua graça, há algum tempo a esta lhor sobre as razões do fracasso.
parte que não consegue regressar ao Temos que dizer que é o início
Moçambola), e Nampula e Cabo de uma longa caminhada que ter-
Delgado, pela zona norte (fica de minará com o surgimento de um
fora a província de Niassa uma vez campeão, o qual nos vai representar
que o Futebol Clube de Lichinga, nas afrotaças do próximo ano.
única equipa que ja representou a Estamos cientes que o desafio é
província pela zona norte está em enorme para todos, a começar pe-
escombros). los jogadores que são obrigados a
Em termos concretos, estamos a valorizar o espectáculo, passando
falar do Desportivo, Ferroviário, pelos treinadores, que terão de tra-
Maxaquene, Costa do Sol e Liga balhar arduamente para continua-
Muçulmana (todos de Maputo) e rem a merecer confiança das suas
Chibuto FC (Gaza), pela zona sul; direcções, dos jornalistas que, como
Estrela Vermelha, Ferroviário e cães de caça vão farejando por todo
Têxtil do Púnguè (todos de Sofala), o lugar à busca de informações em
HCB (Tete) e Ferroviário tempo oportuno; dos polícias que
(Zambézia), pela zona centro; e terão a difícil tarefa de conferir se-
Ferroviário e Desportivo (Nampu- gurança não só aos artistas mas do
la) e Ferroviário (Cabo Delgado), público em geral.
pela zona norte. O futebol é realmente o ópio do
Na verdade, cerca de 180 jogadores povo, é a festa, é a cristalização
em representação de 14 clubes vão de elementos como solidariedade
dar corpo, durante 26 jornadas, a mecánica e orgánica, de convívio,
uma das maiores festas de futebol de troca de amizades e aprofun-
nacional, prova que tem na Liga damento de relações, de coesão, de
Desportiva Muçulmana de Ma- auto-estima, de sentido de respon-
puto e Ferroviário da Beira, o seu sabilidade, do querer, de ambição e
campeão e vice. de perseverança. Viva o futebol de
Serão dias de verdadeira festa, de adultos!

Jogos escolares polarizam atenções


nicia no próximo mês a fase para a outra fase.

I distrital dos jogos desportivos


escolares ao nível da cidade
de Maputo. O evento conta-
rá com a participação de todas as
escolas desta urbe, sendo que irá
De salientar que a governado-
ra da cidade de Maputo, Lucí-
lia Hama, disse, recentemente,
na abertura dos jogos escola-
res, edição - 2014 que um dos
movimentar as modalidades de maiores desafios de momento é
futebol de onze, futsal, andebol, combater a falsificação de ida-
atletismo, basquetebol, voleibol, des e preparar condignamente
ginástica, xadrez, papagaios, en- as selecções desta urbe tendo
tre outras especialidades. em vista o próximo festival na-
cional agendado para a provin-
Neste momento está a terminar, cial de Cabo Delgado.
ao nível das escolas, a fase inter- De referir que a cidade de Ma-
na ao que seguirão as inscrições puto é a actual campeã absoluta.
24 Savana 21-03-2014
CULTURA

Marrabenta lançada em livro CPC da Beira foi


Por Abdul Sulemane
o âmbito da semana da lei-
um desafio
N tura que se comemora, de
17 a 21 de Março, a Escola
Portuguesa de Moçambi-
que – Centro de Ensino e Língua
Portuguesa acolheu nesta quinta- O
Ministro da Cultura,
Armando Artur, dis-
se recentemente que
apesar de as obras da
ciação em equipamentos, entre
outras necessidades óbvias, para
que, efectivamente, além da
sua função institucional possa,
-feira, dia 20 de Março, a apresen- Casa Provincial de Cultura igualmente, servir a região cen-
tação da obra “A Marrabenta: Sua da Beira apenas terem termi- tro promovendo a diversidade
Evolução e Estilização 1950-2002”, nado além do tempo previsto, cultural”, explicou Armando
da autoria de Rui Laranjeira. o Governo está satisfeito pela Artur.
sua conclusão, pois é um patri- Depois de ter dito que o Go-
mónio que deve ser preservado, verno conseguiu vencer aquele
Esta iniciativa liderada pela Biblio-
dada a sua grandeza infra-es- que era o grande desafio, nome-
teca Escolar José Craveirinha visa
trutural a nível do país. adamente a reabilitação daque-
dinamizar actividades relacionadas
la instituição de artes, sustentou
com o livro e a leitura e conta com
O Ministro, que falava após a que dadas as condições infra-
a participação de escolas do sistema
visita às instalações, disse que -estruturais existentes a Casa
de ensino de Moçambique, Asso-
os fazedores da cultura e ar- Provincial de Cultura da Beira
ciação IVERCA e o Movimento
tistas da província de Sofala pode assumir um grande con-
Cívico “Formiga Juju” no âmbito dência nacional. O texto tem como que viu nascer este ritmo e tornar-
e não só estão agora mais que tributo a nível da região austral
do Protocolo de Cooperação entre propósito demonstrar como esta -se popular devido às condições
regozijados pela conclusão das de África.
os Governos de Portugal e de Mo- evoluíu e estilizou-se sem ignorar o oferecidas por esta urbe. Em finais
obras porque este afigura-se Debruçando-se sobre aquilo
çambique, nos domínios das biblio- seu contexto sócio-político. do Sec. XIX, Lourenco Marques
como o maior centro cultural que poderá ser a grande con-
tecas Escolares e da promoção da Neste processo, o enfoque recaiu transformou-se num importante
do país a nível de infra-estru- tribuição da Casa Provincial da
leitura. sobre as duas principais associações centro urbano em virtude da des-
turas. “O Governo vai conjugar Cultura da Beira no desenvol-
Lembrar que a semana finda esta de Africanos, A Associação Afri- coberta de importantes jazigos de esforços para que esta grande- vimento cultural, Armando Ar-
mesma obra foi lançada na Provín- cana (AA) e o Centro Associativo ouro na África do Sul e pelo esta- za patrimonial continue a ser tur informou que, por exemplo,
cia de Inhambane em duas sessões dos Negros (CAN), localizadas na belecimento dos caminhos de ferro preservada através da poten- as escolas nacionais de música,
bastante concorridas na Escola Su- cidade de Lourenço Marques, que que passaram a escoar a produção
perior de Hotelaria e Turismo de estiveram por detrás do movimento dança e artes visuais e
mineira sul-africana. Portanto, foi a
Inhambane e a Universidade Peda- de retorno às raízes, lideradas por ofícios poderão abrir de-
conjugação destes dois factores que
gógica da Maxixe, respectivamente. José Craveirinha e Samuel Dabula legações justamente na-
contribuíu para a explosão econó-
A presente obra é uma adaptação respectivamente. Pois, os Conjun- quele local.
mica e demográfica de Lourenço
da tese de licenciatura em história tos João Domingos, Harmonia e Esclareceu que a demo-
intitulada A Marrabenta: sua Evo- Marques.
Djambu estavam ali sediados e foi ra na conclusão da obra
lução e Estilização, 1950 – 2002. através destes agrupamentos que a Em suma, a ‘Marrabenta’ e os seus
iniciada em 2009 deveu-
A obra conta a história social da Marrabenta se tornou conhecida e principais actores foram profun- -se sobretudo ao facto de
‘Marrabenta’, género musical urba- popularizou-se. damente afectados pela realidade o empreendimento ter
no, que se popularizou ao longo da O foco deste estudo centra-se na política e sócio-cultural em que sido de grande dimensão,
década de 1960, em pleno período zona urbana e na cidade capital da evoluíram, de modo que teve que pelo que a sua conclusão
colonial, num contexto pouco favo- província ultramarina de Moçam- se adaptar e se transformar para significa que o Governo
rável à promoção da cultura Mo- bique, então Lourenço Marques. responder aos padrões políticos, venceu o desafio, tal que
çambicana e manteve-se popular Este enfoque é motivado pelo fac- culturais e estéticos exigidos nas di- isso também representou
até ao presente, apesar de momen- to de a ‘Marrabenta’ ser um géne- ferentes fases da sua evolução como grande encargo e esforço
tos de menor fulgor em períodos ro musical urbano e por Lourenço procurámos demonstrar ao longo financeiro, o que levou a
imediatamente a seguir a indepen- Marques se ter tornado a cidade da obra. que a reabilitação e am-
pliação das instalações
fossem feitas faseada-
mente. A.S
Seminários sobre Timbila, Pinturas Armando Artur, Ministro da Cultura

Rupestres e Ensino Artístico Artistas apelam à paz


casa da Cultura da capital em frente a despedir-se.

O
Instituto Superior de Ar-
tes e Cultura (ISArC) re-
alizou de 18 a 20 do mês
corrente três seminários
temáticos virados para a revitaliza-
A de Sofala acolheu recen-
temente a apresentação de
um bailado pela paz, numa
organização de um grupo de artistas
e coordenado pela Artiviva Moçam-
Entre os presentes na renovada sala
de espectáculos da Casa de Cultu-
ra da Beira estavam David Abílio,
antigo director da Companhia Na-
cional de Canto e Dança e Djalma
ção da Timbila, o uso pedagógico bique Network e Associação Nzem- Lourenço, director do Instituto Na-
de pinturas rupestres e divulgação be África. cional do Audiovisual e Cinema.
da pesquisa sobre o ensino das dis- Na opinião de ambos, o espectá-
ciplinas artísticas. O espectáculo iniciou cerca de uma culo foi maravilhoso, dada a inter-
hora mais tarde que a hora previs- pretação feita pelos artistas no pal-
ta e foi através do veterano músico co embora, segundo eles, o grupo
O primeiro seminário, que se reali-
José Mpunga Fino que os especta- ainda carece de muito trabalho de
zou no dia 18, nas suas instalações,
dores começaram a deliciar-se com base, sobretudo formação e ensaio.
sob o lema “Revitalização do Patri-
a música local tendo os acordes das “Foi uma grande alegria ter calha-
mónio da Timbila”, teve como ob-
duas canções da sua autoria mereci- do com este momento em que es-
jectivo consciencializar a sociedade do grandes aplausos. tamos na Beira e ter acontecido um
sobre o seu valor cultural, e discu- De seguida, um grupo de petizes bailado sobre a paz. Isso também
tir sobre o Plano de Acção então que fazia parte do bailado entrou demonstra quão preocupados estão
submetido à UNESCO no ano em nas Escolas Secundárias da Ma- co em Moçambique, com objectivo
dançando e interpretando uma co- os artistas pela manutenção da paz
que esta foi proclamada património tola”, um trabalho levado a cabo de chamar atenção ao extraordiná-
reografia simbolizando a necessida- no país. Este trabalho exige muita
cultural da humanidade e contou pelo Centro de Estudos e Recurso rio potencial deste património es-
condido, frequentemente em avan- de da preservação da paz. Tal como dedicação, perseverança e formação
com a participação especial do (CER) do ISArC. os músicos, os pequenos artistas fo- dos artistas. Notamos que o grupo
çado estado de degradação.
Mestre Venâncio Mbande e do Para encerrar o ciclo de palestras, ram vivamente aplaudidos. ainda deve trabalhar mais, porque
Com estes seminários, o ISArC
músico Cheny Wa Gune. na quinta-feira, 20, no espaço do espera estimular os investigadores Realmente o bailado foi bastante talento é que tem demais para além,
No segundo dia, quarta-feira, 19, Núcleo Nacional de Arte, foi a vez à pesquisa e busca de soluções al- impressionante, mas, segundo alguns obviamente, de apoio por parte de
foram divulgados e discutidos os da apresentação de uma exposição ternativas através de parcerias com espectadores, pecou por ter sido em todos e a técnica virá com trabalho”,
resultados da pesquisa sobre o sobre pinturas rupestres, seguida de outras instituições nacionais e in- tão pouco tempo, pois quando ainda finalizou David Abílio no final do
“Ensino das Disciplinas Artísticas discussão sobre o seu uso pedagógi- ternacionais. A.S se esperava mais o grupo apareceu espectáculo. A.S
Dobra por aqui
SUPLEMENTO HUMORÍSTICO DO SAVANA Nº 1054 ‡ DE MARÇO'(
2 Savana 21-03-2014 Savana 21-03-2014 3
SUPLEMENTO
Savana 21-03-2014 27
OPINIÃO

Abdul Sulemane (Texto)


Ilec Vilanculo (Fotos)

Promessas não cumpridas


uando fui solicitado para fazer o informal, logo avisaram-me para ter cuidado com

Q o que escrevia sobre os juízes. Quando questionei o motivo, o fotojornalista sénior


do SAVANA, Naita Ussene, recordou-me que uma vez o Fernando Manuel escre-
veu algo no Informal que o juiz conselheiro Sinai Natitima, antigo Procurador-
-geral, não gostou e processou o jornal. Agora nesta imagem onde vemos o Presidente
do Conselho Constitucional, Hermenegildo Gamito, a conversar com o juiz conselheiro
Sinai Natitima, recordei que um jornal gratuito escreveu sobre os juízes do nosso país. O
texto mostrava as regalias que esta estirpe usufrui. Pela forma como conversam, algo está
a preocupá-los.

Recentemente foi realizado o sorteio do Moçambola 2014. O nosso futebol vai andando,
mesmo com as dificuldades que encara. Muitas vezes ouvi que é preciso incrementar outros
aspectos no nosso futebol para que tenha a qualidade que todos almejamos. São desilusões
atrás de desilusões que os Mambas nos têm feito passar e outras coisas que denigrem o
nosso futebol. É preciso mudar esse cenário. Parece que o Alberto Simango Júnior, Pre-
sidente da Liga Moçambicana de Futebol, pressiona as mãos, enquanto fala. Demonstra
que algo tem de mudar. Fernando Sumbana, Ministro da Juventude e Desportos, escuta
atentamente e com o papel nas maos. Não quer perder tempo de fazer as suas anotações.
Esperamos que o nosso futebol nos faça desfrutar de muitas alegrias. Vamos arregaçar as
mangas e trabalhar.
Outros assuntos também preocupam os moçambicanos. Nos últimos tempos, a conversa
gira em torno dos recursos minerais. São várias coisas que ouvimos. Contudo, o povo ainda
não usufrui dos benefícios os recursos minerais. Ouvimos falar de reassentamentos mal
feitos e terminados, populações a reclamarem que não foram cumpridas as promessas feitas
aquando da sua retirada dos locais onde viviam. Nunca ouvi que um reassentamento foi
realizado com êxito. As populações sempre aparecem a reclamar. Algo não está certo. São
muitos assuntos em torno desta questão dos recursos minerais. Os economistas são muito
populares nesta época. São convidados para debruçar-se sobre este assunto. É como esta-
mos a ver, o diálogo entre os economistas, António Souto, do Banco Terra, que trabalhou
no Gabinfo e no jornal Notícias, com Ragendra de Sousa, que trabalhou na Mecanagro,
numa troca de impressões. Realmente o país precisa de muitas hipóteses de solução.
Uma das principais preocupações que o nosso país vive é o problema do transporte. Foram
várias as tentativas de se criar um sistema de transporte eficaz que vai de encontro com
as necessidades dos mais desfavorecidos. O transporte tem consumido a grande parte da
receita dos moçambicanos. Será que a conversa entre o jornalista Paul Fauvet e Gabriel
Muthisse, Ministro dos Transportes e Comunicações está à volta desta crise de transpor-
tes? Na sua pré-campanha, o candidato a presidência pelo partido Frelimo, Filipe Nyusi,
afirmou que uma das suas prioridades era a questão do transporte. Gostaria de estar vivo
para ver o que vai acontecer. Se alguma coisa vai mudar, e para melhor. Muitos que passa-
ram prometeram e não vimos algo de significativo. Parece que estamos num país em que a
promessa não cumprida é a palavra de ordem.
As mulheres estão a ganhar o seu espaço. Mesmo que seja aos poucos. Elas sempre mostra-
ram paciência. Sempre foram mais fortes. Os homens, durante muito tempo, procuraram
tirar o seu protagonismo. Chegou a altura de devolvermos o lugar que elas ocupam. Houve
um tempo que parecia que havia espaço para termos pela primeira vez uma presidente
mulher. Muitos acreditam que muitas coisas melhorariam porque elas têm mais sensibili-
dade em relação aos homens. Falando nisso, recordo-me de uma vez que vi um concerto
da cantora Miriam Makeba que ela contou que os homens pensam que dirigem. Vejam
por exemplo quando entramos num taxi. Como o homem está ao volante pensa que está a
dirigir-nos. Nós é que decidimos para onde ele tem de ir. Então quando vejo a actriz Ana
Magaia a conversar com a apresentadora Anabela Adrianopolos, esta última a rir de uma
forma descontrolada acredito que a Ana Magaia tenha dito que esses homens do nosso país
ainda não viram que quem pode governar melhor o país são as mulheres? Não aprendem
isso? Nunca aprenderam que ao lado de um grande homem está uma grande mulher? Essa
de que atrás de um grande homem está uma grande mulher já não serve. Eu prefiro dizer
que amo todas as mulheres porque nasci de uma delas. Força para todas as mulheres do
mundo.
‡
À HORA DO FECHO
www.savana.co.mz EF.BSÎPEFt"/099*t/o 1054

se
IMAGEM DA SEMANA

i z-
Foto Urgel Matula

...D
se
i z-
D
t " SVB RVF WBJ EP JOGBOUÈSJP BP DFOUSP EF BQJDVMUVSB OP
OPWP RVBSUFJSÍP OPCSF EB DJEBEF EB NBUPMB KÈ GPJ VNB
WÈMWVMBEFTFHVSBOÎBEFBDFTTPFTBÓEBEBRVFMFDPOEPNÓ-
OJP"UÏRVFDPNPSFDFOUFWB[JPEPQPEFSOPNVOJDÓQJP 
BMHVÏNTPCSFVNQPOUPEFMBEFNBSDPVVNUBMIÍPFyKÈ
FTUÈPQSÏEJPFNDPOTUSVÎÍPWBJQFMBBMUVSBEBKBOFMB2VF
UBMTFPKPWFNFEJMRVFNBMTFOUPVOBDBEFJSBGPJB5DIV-
NFOJEJ[FSËSBQB[JBEBRVFOJOHVÏNMIFTUJSBWBPDBNQP
EFGVUFCPM GPTTFQBSBMÈUBNCÏNEJ[FSBPTNPSBEPSFTRVF
OJOHVÏNMIFTUJSBBSVB FRVFTFPEPOPOÍPRVJTFSEFNP-
MJSBPCSBEFOUSPEFDJODPEJBT PNVOJDÓQJPPGBSÈQPSTVB
DPOUB EFMFPEPOPEBPCSB DMBSP


t +ÈRVFFTUBNPTBGBMBSEB.BUPMB DPNPÏRVFmDPVPBOUJ-


HPDBTPEBSVBRVFGPJWFOEJEBQFMPNVOJDÓQJPBPDPOEP-
NÓOJP4IFMZJOT7JMMBHF BJOEBEVSBOUFPNBOEBUPEF"SÍP
/IBODBMF  2VF TF TBJCB  B 1(3 MPDBM FTUFWF FOWPMWJEB
OPBTTVOUP NBTUVEPEFQPJTmDPVOPTJMÐODJP&NOPNF
EB USBOTQBSÐODJB OB HPWFSOBÎÍP NVOJDJQBM  SFJUFSBEB OB
TFNBOB QBTTBEB QFMP $IFGF EF &TUBEP  PT NPSBEPSFT
BDIBNTFOPEJSFJUPEFSFDFCFSFNFYQMJDBÎÜFT
Tribo de Mandela exige que Graça t 0ÞOJDPQBÓTBGSJDBOPCBOIBEPQPSEPJTPDFBOPTFTUÈFN
QÏEFHVFSSBDPNBEJUBEVSBEF,BHBNFOP3XBOEB/P
Machel seja tratada com respeito DFOUSP EB EJTQVUB FTUÈ B QFSTFHVJÎÍP RVF UFN TJEP GFJUB
DPOUSB PQPTJUPSFT EP SFHJNF RVF TF SFGVHJBSBN OP QSJ-
NFJSPQBÓT UFOEPKÈSFTVMUBEPOVNBTTBTTJOBUPFUFOUBUJWB
Por Ricardo Mudaukane SFDFOUFEFPVUSP"DPJTBFTUÈUÍPGFJBRVFKÈIÈUSPDBEF
WJÞWB EF /FMTPO .BOEF- MPOHF HSBÎBT Ë QSPOUB JOUFSWFOÎÍP NBUÏSJBTEBGBNÓMJB QFSTPOBTOPOHSBUBT'B[MFNCSBSVNPVUSPPQPTJUPSRVF

A MB  B NPÎBNCJDBOB (SB-
ÎB .BDIFM  SFDFCFV FTUB
TFNBOB NBJT VN BQPJP
DPMPTTBM OB TJODFSJEBEF EB TVB MF-
BMEBEF JODPOEJDJPOBM BP GBMFDJEP
EPT GVODJPOÈSJPT EB DBTB EF .BO-
EFMBFN)PVHIUPO POEFPFYFTUB-
EJTUBGBMFDFV
/PDPNVOJDBEPRVFFNJUJSBNFTUB
TFNBOB PT"CBɩFNCVJOTUBNPT
i&TUBNPT DPOTDJFOUFT EF RVF FMB
UFN EFEJDBEP FTUF QFSÓPEP BP MVUP
QFMBNPSUFEPTFVQSFDJPTPFTQPTPw 
BmSNBNPT"CBɩFNCV
1BSBPT"CBɩFNCV PUSBUBNFOUP
GPJBTTBTTJOBEP QFMBTNFTNBTSB[ÜFT NFTNPBRVJOPOPT-
TPTPMPQÈUSJP²NFTNPDBTPQBSBEJ[FSRVFEJQMPNBDJB
UFNMJNJUFT

t 'BMBOEP EF EJUBEVSBT:PXFSJ .VTFWFOJ  P UBM RVF SFDF-


NBSJEP GBNJMJBSFTEPGBMFDJEPMÓEFSQBSBTF EFTSFTQFJUPTPEFRVF(SBÎB.BDIFM
UFNTJEPWÓUJNBÏEFTPOSPTPQBSBB CFVUSFJOPNJMJUBSKVOUBNFOUFDPNPTOPTTPTHVFSSJMIFJ-
BCTUFSFN EF DPOEVUBT BHSFTTJWBT
"GBNÓMJBSFBM"CBɩFNCV BRVF DVMUVSBEBUSJCPBRVF/FMTPO.BO- SPTMJCFSUBEPSFT UBNCÏNFNTPMPQÈUSJP FTUÈOPQPEFSIÈ
DPOUSB(SBÎB.BDIFM GB[FOEPOP-
PÓDPOFEBMVUBBOUJBQBSUIFJEQFS- UBSRVFBNPÎBNCJDBOBFTUFWFTFN- EFMBQFSUFODJB RVBTFBOPT&QBSBEFTWJBSBTBUFOÎÜFTEPTEFUSBDUPSFT
UFODJB  QSPOVODJPVTF OFTUB UFSÎB- QSFBPMBEPEPQBUSJBSDB QSJODJQBM- i/LPTJLB[J /PTJ[XF (SBÎB .B- RVFFOUFOEFNRVFKÈÏUFNQPEFBSSVNBSBTCPUBTFDFEFS
GFJSB TPCSF BT RVF[ÓMJBT EB GBNÓMJB NFOUF OPT NPNFOUPT NBJT EVSPT DIFM DPOUJOVB B HVBSEJÍ EB GBNÓMJB MVHBSBPTPVUSPT UFWFRVFJOWFOUBSVNBOPWBMFJRVFÏVNB
.BOEFMB  FYPSUBOEP PT IFSEFJSPT EBTVBEPFOÎB .BOEFMBFPTNFNCSPTEBGBNÓMJB BVUÐOUJDBQFSTFHVJÎÍPDPOUSBPTOÍPIFUFSPTFYVBJT4FUP-
EF/FMTPO.BOEFMBQBSBTFBCTUF- i"NPSUFEF.BOEFMBOÍPUFSNJOB RVFOÍPBSFTQFJUBNEFWFNDPOUFS-
TFEFNBOUFSFTTBQPTUVSB QPSRVF
EPTPTTFSFTIVNBOPTTÍPGFJUPTËTFNFMIBOÎBEBJNBHFN
SFNEFBDÎÜFTEFJOUJNJEBÎÍPDPO- DPNPDPNQSPNJTTPRVFUJOIBQBSB EF%FVT DPNPÏRVFQPEFIBWFSTFSFTIVNBOPTRVFEFDJ-
ÏVNBEFTHSBÎBRVFNJOBPTOPTTPT
USB(SBÎB.BDIFM DPN .BDIFMw  JOEJDB B OPUB RVF B
DPTUVNFTw  JOEJDB B OPUB EF JN- EFNRVFPVUSPTTFSFTIVNBOPTOÍPEFWFNFYJTUJS
i" GBNÓMJB .BOEFMB OÍP QPEF TV- GBNÓMJBSFBMUSBEJDJPOBMEF.BOEFMB
QSFOTBEPT"CBɩFNCV
KFJUBS (SBÎB .BDIFM B MJOHVBHFN EJWVMHPV
1PVDP EFQPJT EB NPSUF EF /FMTPO t "CBUPUBFMFJUPSBMKÈDPNFÎPV FBPMIPTWJTUPT/ÍPÏRVF
BCVTJWBPVBNFBÎÈMBQBSBEFJYBSBT /P DPNVOJDBEP  Ï SFBMÎBEB B QSF-
.BOEFMB  B TVB BOUJHB NVMIFS F PKPWFN'JMJQF/ZVTJ RVFKÈOÍPÏNFNCSPEPHPWFSOP MÈ
DBTBTEF.BOEFMBFN)PVHIUPOPV TFOÎBJODBOTÈWFMEF(SBÎB.BDIFM NÍFEFEVBTEBTTVBTmMIBT 8JOOJF
FN 2VOVw  EJTTF  FN DPNVOJDBEP BPMBEPEPNBSJEPFPT"CBɩFN- DPOTFHVJVVNBCPMFJBOPOPWPKBDUPFYFDVUJWPEF"&( F
.BEJLJ[FMB.BOEFMB  RVBMJmDPV
EF JNQSFOTB  P QPSUBWP[ EPT "CB CV SFQVEJBN RVF TF UFOUF QÙS FN BT OPUÓDJBT EF SJYBT OB GBNÓMJB EP OPTDPNÓDJPTQÞCMJDPTBQSFUFYUPEB1SFTJEÐODJB"CFSUB MÈ
ɩFNCV %BMVEVNP.UJSBSB DJUB- DBVTBPBNQBSPRVFBNPÎBNCJDB- IJTUØSJDP MÓEFS DPNP iJOTJOVBÎÜFT WBJTFOEPBQSFTFOUBEPDPNPPGVUVSP1SFTJEFOUFEF.P-
EPQFMBJNQSFOTBTVMBGSJDBOB OB EFEJDPV BP FY1SFTJEFOUF TVM- NBMJDJPTBTw F iUÈDUJDBT BP FTUJMP EP ÎBNCJRVF²QPSJTTPRVF%IMBLBNBOÍPWPMUBSÈB.B-
1PVDP BOUFT EB NPSUF EF /FMTPO BGSJDBOP BQBSUIFJEw QVUPFORVBOUPOÍPUJWFSHBSBOUJBTTØMJEBTEFRVFB'SFMJ
.BOEFMB  BQBSFDFSBN OB JNQSFOTB i/ÍP EVWJEBNPT EB DPOUSJCVJÎÍP 4FHVOEPBJNQSFOTBTVMBGSJDBOB B FTUÈ QSFQBSBEB B BDFJUBS B OPÎÍP EF RVF FMB F P &TUBEP
OPUÓDJBTEBOEPDPOUBEBIPTUJMJEBEF EFMB OPT ÞMUJNPT BOPT EB WJEB EP TFHVJS Ë NPSUF EF .BOEFMB  B TVB
EBTmMIBTFOFUPTEPIJTUØSJDPMÓEFS ÓDPOFNVOEJBMw GSJTBBOPUBEFJN- NPÎBNCJDBOPTÍPEVBTDPJTBTDPNQMFUBNFOUFEJTUJOUBT
mMIB NBJT WFMIB  .BLB[JXF .BO-
FNSFMBÎÍPB(SBÎB.BDIFM UFOEP QSFOTB EFMB PSEFOPVBUSPDBEFDIBWFTOB  1JPSBJOEBÏBQBSFDFSVNBOBMJTUBEFNFJBUJHFMBBEJ[FS
FTTFT SFMBUPT TF BHVEJ[BEP BQØT P /BBVTÐODJBEF.BOEFMB EFUFSNJ- QSJODJQBMDBTBEBGBNÓMJBFN2VOV  RVF OBT TVBT 1SFTJEÐODJBT "CFSUBT  "&( GF[TF TFNQSF
TFVGBMFDJNFOUP OBPDPNVOJDBEP (SBÎB.BDIFMÏ JNQFEJOEPB FOUSBEB EF.BOEMIB  BDPNQBOIBSEFEJSJHFOUFTEFQBSUJEPTQPMÓUJDPTEBPQPTJ-
6NEPTOFUPTEF.BOEFMB /EBN- BNFNCSPDIBWFEBGBNÓMJBOVDMFBS POFUPRVF.BOEFMBFTDPMIFVQBSB ÎÍP
CB  UFSÈ DIFHBEP RVBTF B FTNVSSBS EPT.BOEFMBFFTQFSBTFRVFFMBBT- TVDFTTPS OB IJFSBSRVJB EP QPEFS
(SBÎB.BDIFM OÍPUFOEPJEPNBJT TVNBPTFVQBQFMEFJOnVÐODJBFN USBEJDJPOBM
Savana 21-03-2014
EVENTOS EVENTOS

EVENTOS
0DSXWRGH0DUoRGH‡$12;;,‡1o 1054

Fralaw inaugura novo escritório ministra da justiça em Moçambi- jovem, para que o legado dos mais
que, afirmou que em Moçambique experientes fique e se perspective
se assiste um movimento fraco de para o futuro. A mesma aproveitou
oportunidades, e que mesmo as- para deixar um desafio ao escritó-
sim ainda existe muito espaço a ser rio para que continue a crescer, e
explorado e ocupado “A presença que possa também explorar outras
deste escritório em Moçambique áreas novas, como é o caso da área
é sinal de uma abertura de oportu- do petróleo, gás natural, entre ou-
nidades para moçambicanos assim tros que são fracamente explora-
como para o empresariado inter- dos pelo direito.
nacional. Há que se pegar nestas Ainda no âmbito da inauguração
oportunidades, trabalhá-las e em- do seu novo escritório, a Fralaw e
penhar-se para o sucesso. Temos o seu parceiro português, Abreu
que chegar a uma fase do desen- Advogados, promoveram na últi-
volvimento em que o cliente tem ma terça-feira um seminário sobre
a resposta rápida e precisa das suas a “Competitividade da Economia
inquietações”. Ainda neste âmbi- de Moçambique e a Tributação
to, Levi agradeceu a oportunidade Internacional na Atracção de In-
que a Fralaw deu a jovens recém- vestimentos para o país”’, que reu-
-licenciados a poderem fazer par- niu especialistas nacionais e inter-
te desta família, afirmando que é nacionais nas áreas de Economia e
preciso passar e aproveitar a veia do Direito Fiscal. Edson Bernardo

onstituída em 2005, com em 1993, com um total de 265

C sua sede na capital Mo-


çambicana, a Ferreira Ro-
cha Advogados, Fralaw,
um dos mais dinâmicos escritórios
profissionais, no âmbito do seu
projecto de internacionalização,
Abreu International Legal Solu-
tions, está presente nos mercados
Austríacos dão ouro
de advogados, inaugurou na últi-
ma segunda-feira a sua mais nova
imagem. Com franco crescimento
ano após ano, e com uma equipa
de expressão portuguesa entre eles
Angola, Brasil, Macau, Moçambi-
que e Timor-Leste, e com pers-
pectiva de chegar a Cabo-verde
a Klaus Dieckmann
versátil, jovem, pronto a respon- governo austríaco, através da

O
brevemente. Em Moçambique
der aos seus clientes, bem como colabora activamente com a Fra- sua embaixada sedeada em
aos recentes desafios da sociedade law na prestação de serviços jurí- Pretória, atribuiu a “insígnia
moçambicana, a Fralaw investiu de ouro” ao empresário Klaus
dicos aos seus clientes, nacionais e
na sua imagem, disponibilizando Dieckman, que representa o país como
internacionais, com interesse em Cônsul Honorário há mais de 27 anos.
no mercado um novo escritório Moçambique em todas as áreas
totalmente dinâmico, fresco e mo- do Direito, com particular inci- Numa acolhedora cerimónia realizada
derno, o que representa a sua apos- dência nas áreas da energia, am- no “Zambi”, na baixa da cidade capi-
ta na formação de um ambiente e biente, infra-estruturas, recursos tal, o representante austríaco Martin
equipa vocacionada para o clien- naturais e financeiro/mercado de Gartner impôs a medalha a Dieck-
te, na busca de soluções jurídicas capitais. man, que já em 2000 tinha recebido
inovadoras. É com esta visão que Rodrigo Ferreira Rocha, sócio da a “insígnia de prata”. Dieckmann, que
a Fralaw em 2010 firmou parce- Fralaw e da Abreu Advogados, nasceu em Lourenço Marques (hoje
ria com a sociedade de advogados Maputo) em 1938, era um “compa-
disse na ocasião da inauguração do
independente, Abreu Advogados, nheiro de brincadeiras” do então ado-
novo escritório, que a realização e lescente Kok Nam, lá para os lados da
uma das três maiores sociedades o resultado de uma nova imagem
de advogados em Portugal, com Av. 5 de Outubro, ao Alto Maé. Klaus
moderna, e mais dinâmica, vinha tornou-se um próspero empresário no
sentido a dar uma maior abran-
responder àquilo que foi o pro- negócio dos agro-químicos, produtos
gência aos seus serviços e dispo-
gresso da Fralaw durante os anos veterinários e equipamentos médicos
nibilizar aos seus clientes serviços ligados à marca alemã Bayer e Kok
que se passaram. “O escritório teve
jurídicos, adaptados às suas neces- Nam (falecido em 2012), um renoma-
que crescer, ganhar novos con-
sidades estratégicas. Esta parceria do fotógrafo e o primeiro director do
tornos, honrando o nosso nome,
resultou da convergência de valo- jornal “Savana”.
res, filosofia e formas de actuação parcerias, assim como ao desen-
A relação de proximidade com Kok
de ambas as sociedades, trazendo volvimento que se vem assistindo Nam tornou Klaus Dieckman um
uma mais-valia à prestação de ser- ao longo dos últimos tempos em apoiante de primeira hora do projec-
viços jurídicos em Moçambique Moçambique e no mundo”, con- to mediacoop, sendo a Sogrep, a sua
e Portugal. O acordo aumentou a tinuando por afirmar: “esta nova empresa em Maputo, fornecedora de
capacidade de resposta dos dois imagem representa um bocado diversas componentes gráficas e tipo-
dos nossos colaboradores, que tem gráficas para o nosso jornal.
escritórios, através da partilha
trabalhado com ambição e per- Em momento de celebração, tal como
de conhecimentos da criação de muitos outros bons amigos com que
equipas multidisciplinares, permi- severança, e que acreditam neste
conta em Maputo, uma equipa da me-
tindo uma abordagem conjunta, projecto”. diacoop fez questão de estar presente
especializada e centrada nas ne- Presente também na inauguração na cerimónia de homenagem a Klaus
cessidades dos seus clientes. como representante da Justiça Dieckman.
A Abreu advogados, constituída Moçambicana, Benvinda Levi,
2 Savana 21-03-2014
EVENTOS EVENTOS

CLN vem dinamizar o Corredor de Nacala


Por Nélia Jamaldine
empresa Corredor Logís-

A
cialidades” disse Santana.
tico Integrado de Nacala Em outro desenvolvimento, o
S.A. (CLN) foi apre- Ministro dos transportes e Co-
sentada oficialmente, na municações, Gabriel Muthisse,
passada sexta-feira, em Maputo, fez notar que o Projecto Corredor
ao empresariado nacional como a
Nacala é um dos mais significati-
nova operadora ferroviária e por-
vos investimentos na infra-estru-
tuária do Corredor de Nacala.
tura em África, totalizando USD
A CLN nasceu de uma associa- 4.4 mil milhões a serem investidos
ção entre os Caminhos de Ferro e pela CLN na construção da linha
Portos de Moçambique (CFM) e férrea que parte de Moatize a Na-
da Vale com 20% e 80% respecti- cala-a-Velha, bem como, o porto
vamente visando criar uma alter- multiusuário de águas profundas
nativa para impulsionar, acelerar e em construção no distrito do mes-
dinamizar o escoamento do carvão mo nome.
proveniente da bacia carbonífera Todavia, 20 comboios diários es-
de Moatize, assim como no trans- tarão envolvidos na operação fer-
porte de carga geral. roviária de escoamento de Carvão
Entretanto, a concessionária dos num percurso de mais de 900 km,
CFM, numa fase inicial, conta com passando por Moçambique e Ma-
100 locomotivas dotadas dos mais lawi, sendo que este será o princi-
modernos sistemas em tecnologia,
pal eixo de escoamento do carvão
2700 vagões com a capacidade de
proveniente da bacia carbonífera
cerca de duas mil toneladas, uma
Caminhos de Ferro e Portos de Moçambique (CFM) e da Vale com 20% e 80% respectivamente de Tete. Por seu turno, o escoa-
oficina de material volante no por-
to de Nacala-a-Velha, assim como mento portuário será efectuado a
nária devido aos poucos recursos pois a meta da CLN é de ter 90 nos mercados mundiais como um
um leque experiente de maquinis- partir do Terminal Multiusuário
humanos especializados no ma- por cento dos seus recursos huma- sector promissor em franco cres- de Nacala-a-Velha para diversos
tas.
Segundo o Presidente do Conse- nuseio da maquinaria, estrangei- nos nacionais. cimento que em pouco tempo se países, este que tem capacidade de
lho de Administração da CLN, ros irão operar e ao mesmo tempo “A indústria de mineração de poderá afirmar e ser reconhecido exportar anualmente 18 milhões
Alfredo Santana, na fase embrio- capacitar a mão-de-obra nacional, Moçambique tem se destacado mundialmente pelas suas poten- de toneladas.

Cresce o número de balcões


Moza Banco
Por Nélia Jamaldine
resce para 26 o número de dem ser para que possam vincar a o Moza banco caminha para o seu

C balcões de atendimentos
ao cliente do Moza banco,
com abertura das Agências
JAT em Maputo assim como Jin-
dal em Moatize e de Cuamba nas
imagem de um Banco de referência
no país.
Ratilal acrescentou ainda que esta
entidade bancária traz aspirações
para 2018 de um serviço com mais
sexto ano de actividades ao serviço
do país, assim como reforçar e mo-
dernizar as infra-estruturas físicas
e tecnológicas para além da aposta
em acções de responsabilidade so-
Províncias de Tete e Niassa respec- qualidade, dinâmico e acessível tri- cial.
tivamente. plicando a rede de agências de re- Refira-se que o Moza Banco tem
talho pelos vários distritos de Mo- como accionistas o Grupo BES
Este feito aconteceu nesta quarta- çambique e unidades produtivas África Holding, e o Grupo Banco
-feira, como resposta ao desafio do sem perder o foco no Corporate e Espírito Santo para África, o que
crescimento económico no país, no Private de modo a atender e sa- o permite uma maior aceleração
traduzindo desta forma a dinâmica tisfazer as necessidades dos agentes no processo de expansão da rede,
da instituição. O Moza banco actu- económicos em operação no país. beneficiando-se do know-how e
almente está representado em todo Entretanto, está prevista para o especialização do Banco Espírito
o país, que para além do número de presente ano a abertura de mais Santo nas áreas de negócio Corpo-
balcões acima referidos conta tam- oito agências, numa altura em que rate, Private e Retalho.
bém com 39 unidades de negócio.
Segundo o Presidente do Conselho
de Administração do Moza Banco,
Prakash Ratilal, o período compre-
endido entre 2014 a 2018, a ins-
tituição financeira que preside irá
incorporar uma visão que a define,
distingue os objectivos a serem al-
cançados assim como o que preten-

Savana Eventos

Redacção
Edson Bernardo
Maquetização
Hermenegildo Timana
Comercial
Benvinda Tamele
Telefone
(+258) 823051790
Novo balcao com aspirações para 2018
Savana 21-03-2014
PUBLICIDADE
EVENTOS
EVENTOS
3
4 Savana 21-03-2014
EVENTOS EVENTOS

Pathfinder International no combate da uniões forçadas


Por Nélia Jamaldiene
Organização Não Go- mento, que implicações de saúde

A vernamental (ONG) vo-


cacionada em saúde re-
produtiva das mulheres,
homens e jovens nos países em
desenvolvimento, Pathfinder In-
pode trazer uma gravidez a uma
rapariga em fase de crescimento,
assim como todas as oportunida-
des profissionais que poderão ser
interrompidas quando deparadas
com tal situação.
ternational, promoveu na semana Participaram no referido debate
passada, em Maputo, uma palestra cerca de 50 jovens filiados ao Con-
sob o tema “Impacto das uniões selho Nacional da Juventude, as-
forçadas e prematuras em Moçam- sim como algumas associações da
bique”. sociedade civil que contribuem em
certa medida para que a juventude
Esta iniciativa surgiu no âmbito da seja protagonista e tenha acesso ao
visita de Purnima Mane de cinco exercício pleno dos seus direitos
dias a Moçambique, como forma sexuais e reprodutivos.
de perceber até que ponto e quais Contudo, dados divulgados du-
os mecanismos usados pela socie- rante o evento relacionados com a
dade civil na luta e possível erra- política e economia apontam Mo-
“Impacto das uniões forçadas e prematuras em Moçambique”. reune jovens de paises em via de desenvolvi çambique como um potencial actor
dicação dos casamentos forçados e mento no compromisso de fazer com que
prematuros no país. samentos forçados. “Ė verdade que nidades com a ajuda das organiza- Mane acrescentou ainda que é pre- as parcerias cheguem as comuni-
Segundo Mane, há muito que fazer tais mudanças não acontecem de ções da sociedade civil, Governo, ciso começar da base, explicando dades mais recônditas de modo a
para mudar este cenário, mudar as um dia para outro, deve haver uma escolas, órgãos de comunicação aos rapazes e raparigas todos os que programas de saúde sexual re-
normas sociais e implementar as sensibilização geral, monitorar e social, e sociedade no geral”, disse pros e contras de se assumir rela- produtiva nas mesmas funcionem
leis que proíbem as relações e ca- fazer a divulgação cívica nas comu- a boss da Pathfinder International. ções conjugais em fase de cresci- conforme o desejado.

ACDI VOCA impulsiona


agricultura de pequena escala
Por Nélia Jamaldine
rinta organizações de peque- “As mulheres serão as principais ao financiamento e ligações com o

T nos produtores de hortíco-


las dos Distritos de Boane,
Marracuene e Namaacha,
na Província de Maputo, irão be-
neficiar de mecanismos de subsis-
actrizes do Projecto, uma vez que
estas tendem a estar mais envolvi-
das na produção de hortícolas em
relação aos homens, mas enfrentam
vários constrangimentos”, enfati-
mercado, garantindo um impacto
positivo e duradoiro para os agri-
cultores de subsistência.
Numa fase inicial, o referido pro-
jecto vai fazer uma abordagem de
tência com vista a melhorar a seu zou Brazil.
cadeia de valor, focalizando-se nas
desempenho na produção agrícola, Por seu turno, o Presidente das As-
oportunidades voltadas para o mer-
através do Projecto LEAD. Trata- sociações de Produtores da Provín-
cado, em tornos das quais as comu-
-se de um projecto pertencente a cia de Maputo, Lino Nassone, enal-
ACDI VOCA, financiado pelo só- teceu a iniciativa por esta vir suprir nidades podem mobilizar-se para
cio maioritário da Fundição Mozal, alguns constrangimentos a que os gerar crescimento sustentável no
BHP Billiton - Billiton Sustaina- pequenos produtores estavam su- mercado de hortícolas. Entretanto,
ble Communities (BSC) e está or- jeitos devido ao baixo rendimento, foram focalizadas quatro cadeias de
çado em USD 8 milhões. uso limitado de tecnologias melho- valor nomeadamente batata reno,
radas, fracas ligações com os mer- alho, repolho e cenoura visto que
A BSC é uma organização ben- cados, elevadas perdas pós-colheita estas culturas têm um alto potencial
eficiante criada pela BHP Billiton e susceptibilidade a calamidades de mercado.
com objectivo de contribuir para naturais. No entanto, a ACDI/VOCA é uma
a melhoria da qualidade de vida Na sua intervenção, a Governado- organização internacional de ori-
através da conservação ambiental ra da Província de Maputo, Maria gem americana sem fins lucrativos,
e desenvolvimento de habilidades Elias Jonas, fez notar que o Pro- em actividades desde 1963 tendo já
e capacidade da comunidade para jecto LEAD é um novo marco no
trabalhado em 146 países, nas suas
gerir e superar mudanças efectivas. desenvolvimento da Província no
áreas de intervenção entre elas a de
O Projecto LEAD vai operar e seu todo e em particular nos dis-
criar oportunidades aos seus quatro tritos abrangidos pelo mesmo. Este agro-negócio, segurança alimentar,
mil e quinhentos membros sobre fará com que a sua abordagem se desenvolvimento de empresas, ser-
o tema “Meios de Vida, Empon- centre no fortalecimento dos ser- viços financeiros e desenvolvimento
deramento e Desenvolvimento”. viços locais de extensão, no acesso comunitário respectivamente.
Através desta os seus membros te-
rão uma formação através das Es-
colas na Machamba do Camponês
(EMCs) a partir de uma metodolo-
gia de aprendizagem participativa,
baseada na experiência e demons-
tração prática.
Segundo a Directora Geral da
ACDI VOCA em Washington,
Maura Brazil, o LEAD irá reduzir
a diferença de renda e garantir que
as mulheres beneficiem das activi-
dades do mesmo com igualdade ao
emponderar a mulher agricultora a
engajar-se nos mercados e desem-
penhar um papel de liderança den-
tro das organizações de produtores. Billiton Sustainable Communities (BSC) apadrinha pequenos produtores