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Intolerância Religiosa

Pe. Rodrigo Rios*

O tema deste ano do Enem foi sobre intolerância religiosa, no qual os diversos
estudantes do nosso país tiveram que emitir uma opinião sobre como ajudar a diminuirmos os
conflitos gerados baseados em vieses ideológicos. É difícil para determinados candidatos ao
ensino superior entenderem que muito daquilo que sabem e exprimem é uma reprodução do
dito por outrem, e principalmente, produzido pela mídia atual. Entendo até muitos serem
capazes de abordar a questão da intolerância, afinal, em um país em que vemos tantas
injustiças acontecendo cotidianamente, tolerar significa buscar justiça nas relações e todos nós
necessitamos disto, contudo, a tolerância religiosa tem sido atualmente mais via de discurso
do que prática, mais um conceito do que um exercício de dignidade.
Digo isso porque sou padre e presenciei diversas situações negativas nesta ambiência.
Acredito ser a Igreja Católica nos tempos hodiernos a mais tolerante no relacionamento com
as outras expressões religiosas, mesmo sendo ela tão perseguida. Vimos recentemente que o
Papa Francisco viajou à Suécia no momento em que se celebrava a reforma protestante. Sua
atitude foi bastante mal interpretada, pois chegaram a imaginar que o Sumo Pontífice estava
totalmente aberto ao que os luteranos pregam. Contudo, não é assim. Na Suécia ele se
encontrou com uma “bispa” e a tratou com muita delicadeza; ao retornar a Roma, falou que a
ordenação de mulheres ao sacerdócio na Igreja Católica é impossível, pois a questão já está
fechada. O que podemos intuir diante disso? Mesmo não concordando com os valores
propostos por outrem, devemos saber respeitar, dialogar e amar. O caminho da unidade não
significa igualdade, e é possível sim agirmos como irmãos mesmo quando se há pluralidade de
pensamentos.
Talvez o leitor não tenha conhecimento, mas estão matando mais cristãos nesses
últimos anos do que nos primeiros séculos da nossa era, na época da perseguição do Império
Romano. E o motivo de tanto sangue, tanta morte: a religião.
Acredito que devemos repensar nossas atitudes. A questão é mais que religiosa, é
ideológica. Meu irmão é pastor da Igreja Batista e nós somos muito unidos, pois há mais
pontos que nos aproximam do que afastam. Espero sim ver a tolerância reger as relações para
com os que são participantes de alguma religião, e anseio que isso não seja a exceção.

*É padre e jornalista