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Celibato sacerdotal: o bode expiatório

*Pe. Rodrigo Rios

Um tema recorrente na mídia é a abolição do celibato como uma solução para a crise
de vocações. Olhando para a realidade do Ocidente, especialmente em continentes como a
Europa, vê-se a diminuição do número de candidatos à vida consagrada. Além disso, após a
década de 60, houve um grande número de sacerdotes que abandonaram o ministério, e outros
que se envolveram em escândalos fazendo com que várias pessoas pensassem que os pontos
centrais da questão são as medidas disciplinares na Igreja que precisariam ser mudadas.
Contudo, seria realmente o celibato o grande vilão? Por trás de tudo isto está uma
relação clara com a sobrevalorização do sexo e isto pode ser entendido pelo constante apelo à
uma sexualidade irresponsável a que todos nós somos expostos diariamente.
Voltemos nosso foco para as 23 igrejas particulares que compõem a Igreja Católica de
rito oriental. Nelas o celibato para os sacerdotes é optativo, permitindo assim homens casados
serem ordenados padres. Vendo esse exemplo dentro da nossa própria Igreja, constata-se que
a questão do celibato facultativo para os clérigos não é uma novidade. Prosseguindo no
silogismo, surge a pergunta: existe crise de vocação na Igreja Católica oriental? Sim, existe.
Então, a partir dessa experiência milenar e olhando para dentro da nossa própria Igreja, refuta-
se a tese que um dos grandes problemas para a quantidade de padres é o celibato no rito
ocidental.
Então, quais seriam as causas da crise? Sistematizá-las de modo absoluto é impossível,
pois depende da realidade sócio, histórico-cultural de cada país. Contudo, é importante ressaltar
que em diversos países o número de vocações tem aumentado, principalmente aqueles da
África e da América Latina. Neste último continente, de acordo com o Departamento de
Vocações e Ministérios do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), por exemplo, o
número de padre aumentou mais de 10% nos últimos anos, tendo inclusive um crescimento
positivo da quantidade de seminaristas em países como Brasil, Honduras, Peru, Porto Rico e
Venezuela. Acredito que vale a pena refletir sobre as iniciativas destes países para que
estatísticas como estas possam ser vistas em outros lugares e boas notícias nós vejamos ali num
futuro próximo.

*É jornalista e sacerdote católico