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A Linha de Boiadeiros na Umbanda

Os espíritos que se manifestam na Umbanda na Linha dos Boiadeiros são aguerridos,


valorosos, sisudos, de poucas palavras, mas de muitas ações. Apresentam-se como
espíritos que encarnaram, em algum momento, como tocadores de boiada, vaqueiros,
pastoreadores etc. Os seus pontos cantados sempre aludem a bois e boiadas, a campos
e viagens, a ventanias e tempestades. O laço e o chicote são seus instrumentos
magísticos de trabalhos espirituais. Eventualmente usam colares de sementes ou de
pedras.

O arquétipo é forte, vigoroso, valente e destemido, impressionando os


desconhecedores desta linha de trabalho na Umbanda. Alguns desses espíritos até
revelam algumas coisas sobre seu passado e quase todos dizem que já foram Exus,
mas que foram elevados e agora incorporam como Boiadeiros para continuarem a
prestar a caridade e evoluírem ainda mais. Nesta Linha manifestam-se espíritos que
usam seus conhecimentos ocultos para auxiliar pessoas que estejam atravessando
momentos muito difíceis. São combativos, inclusive no corte de magias negativas,
porque conseguem promover “um choque” em nosso campo magnético e liberá-lo de
acúmulos negativos, obsessores etc. Esses exércitos de espíritos montados vigiam,
como soldados dedicados, tudo o que acontece nos campos de ação da Lei Maior e
sempre estão prontos e alertas para acudirem os necessitados.

Na Linha do Tempo, atuam sob a Regência de Mãe Oyá-Tempo e de Mãe Yansã,


combatendo as forças das trevas pela libertação e o reerguimento consciencial dos
espíritos que se negativaram, se desequilibraram e se perderam, recolhendo-os e os
encaminhando para o seu local de merecimento na Criação.

Ogum também sustenta essa linha de trabalho com seus mistérios, sendo assim
verdadeiros soldados em prontidão para ajudar os necessitados, que caíram nos
desequilíbrios, devaneios etc… Embora a Linha seja sustentada por esses Orixás
(Ogum, Oyá-Tempo e Yansã), cada Boiadeiro vem na Irradiação de um ou mais Orixás
que os regem especificamente, como acontece nas demais Linhas de Trabalho da
Umbanda.

Quando um Boiadeiro vibra o seu chicote, está recorrendo de forma magística e


religiosa à Divina Mãe Yansã, para movimentar e direcionar os espíritos estagnados no
erro e na desordem. É muito efetivo o seu trabalho contra os espíritos endurecidos
(“eguns”).
- Ogum é o senhor das demandas.

- Yansã é a senhora dos Eguns (Espíritos)

Oyá- Tempo (Logunan) é a senhora do Tempo cronológico

Também a Linha de Boiadeiros é uma linha transitória criada por Ogum e outros Orixás
para que todos os Exus de Umbanda, assim evoluam, e possam atuar um novo grau de
trabalhos espirituais no plano Divino dentro da Umbanda.

Esta linha, seja sustentada por esses Orixás (Ogum, Oyá-Tempo e Yansã), cada
Boiadeiro vem na Irradiação de um ou mais Orixás que os regem especificamente, como
acontece nas demais Linhas de Trabalho da Umbanda. Lembrando que os Boiadeiros,
não são só espíritos de ex- vaqueiros ou de ex-peões. Eles são grandes resgatadores
de espíritos rebelados contra a Lei Maior porque não aceitam os “cabrestos” criado pela
Lei Maior para educar os “cavalos e bois” chucros e arredios, difíceis de serem domados
e domesticados.

Significados de algumas palavras do vocabulário desses espíritos de Boiadeiros:

Cavalos = filhos de fé.

Boi = espírito acomodado.

Boiada = grande grupo de espíritos desgarrados reunidas por eles e reconduzidos


lentamente às suas sendas evolucionistas.

Laçar = recolher à força os espíritos rebelados.

Atolado = espíritos que afundaram nos lamaçais e regiões astrais pantanosas.

Açoitados pelos temporais = eguns caídos nos domínios de Yansã e do tempo.

Açoite ou chicote = instrumento mágico de Yansã feito de fios de crina ou de rabo de


cavalo.

Laço = instrumento do tempo e tem a ver com as ondas espiraladas de Yansã.

Bois afogados em rios = espíritos caídos nas águas profundas das paixões humanas.

Bois arrastados pelas correntezas = espíritos arrastados pelas correntezas turbulentas


da vida.
Bois que se embrenham nas matas e se perderam = espíritos que entraram de forma
errada nos domínios de Oxóssi.

Bois atolados em lamaçais = espíritos caídos nos domínios de Nanã Buruque

Bois perdidos nos pantanais = espíritos que abandonaram a segurança da razão e se


entregaram às incertezas das emoções.

Alguns nomes simbólicos em que essas entidades se apresentam nos Templos


Umbandistas:

Zé do Laço, Zé da Espora, Boiadeiro do Chapadão, Boiadeiro Venâncio, João Boiadeiro,


Zé das Campinas, Boiadeiro sete estrela, Boiadeiro do Lajedo, Boiadeiro Feiticeiro,
Boiadeiro do Ingá, Zé da Espora, Boiadeiro zé dos sete guizo…

SAUDAÇÃO = Saravá os Boiadeiros

Chetruá... Jetuá, Boiadeiro!

VELAS = Brancas, Amarelas e Azul escuro

(Fonte: “Arquétipos da Umbanda”, Rubens Saraceni, 2007, Madras Editora)

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