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TIPOLOGIAS E GÊNEROS TEXTUAIS TIPOS TEXTUAIS GÊNEROS TEXTUAIS

Os tipos textuais são ca- Possuem função comuni-


racterizados por proprie- cativa e estão inseridos
Apresentação dades linguísticas, como em um contexto cultural.
vocabulário, relações lógi-
Nos últimos anos, as bancas organizadoras de concursos cas, tempos verbais, cons- Possuem um conjunto li-
públicos têm cobrado dos candidatos certas habilidades truções frasais etc. mitado de características,
e certas competências linguísticas decorrentes do contato que são determinadas de
com os mais variados tipos e gêneros de textos. São eles a narração, a ar- acordo com o estilo do au-
gumentação, a descrição, tor, conteúdo, composição
Este material aqui apresentado visa à aproximação do a injunção e a exposição. e função.
leitor com os conceitos mais importantes do universo da
tipologia textual e dos variados gêneros. Geralmente variam entre São infinitos os exemplos
4 e 9 tipos. de gêneros: receita culi-
Para tanto, manteremos nosso foco nas tipologias e nos nária, blog, e-mail, lista
gêneros mais comuns em provas de concursos. Com isso, de compras, bula de re-
criaremos um escopo mais apropriado de análise. médio, telefonema, carta
comercial, carta argumen-
As informações contidas aqui são apenas uma “ponte” tativa etc.1
entre o leitor e as primeiras compreensões a respeito do
assunto. Recomendamos, para uma apreensão mais pro-
funda dos conhecimentos relacionados, a leitura de obras Agora muitos podem se perguntar: por que é importante
de referência, que estão na composição da bibliografia saber a diferença entre tipos e gêneros textuais? Saber as
utilizada para a elaboração deste material. diferenças enumeradas no quadro acima é fundamental
para a correta distinção e a perfeita análise dos tipos e
Leiam tudo com muita atenção, resolvam os exercícios e gêneros textuais, pois as questões dos concursos exigem
muito bons estudos. essa competência em perguntas diretas e indiretas e,
Professor, Adeildo Júnior quando conhecemos cada um desses elementos, fica
muito mais fácil acertar as questões. Convém lembrar,
ainda, que as habilidades decorrentes do conhecimento
dessas diferenças afetam na qualidade da compreensão
TIPOLOGIA E GÊNERO: QUAL A DIFERENÇA?
e da interpretação dos textos a que se tem acesso, pois
Apesar de esses dois conceitos serem distintos, ainda há compreender ou interpretar um texto depende também do
muita confusão que se faz em relação a ambos. reconhecimento das estruturas textuais.

A habilidade de compreender e identificar gêneros textu-


ais é recorrente em concursos, com uma frequência cada
TIPOLOGIAS TEXTUAIS
vez maior. Há, no entanto, os chamados tipos textuais, os
quais são frequentemente confundidos com os gêneros. Como já sabemos, as tipologias textuais constituem cada
Isso tem induzido inúmeros candidatos a errarem suas uma um elemento textual maior, cujo alcance envolve ele-
análises e perderem suas questões. Vamos a partir de mentos textuais específicos, os gêneros textuais. É nítida
agora focar nas diferenças que existem entre esses dois a relação de hiperonímia e de hiponímia entre essas ex-
conceitos para não errarmos em qualquer prova de qual- pressões.
quer concurso.
Vamos agora nos ater aos quatro principais tipos textuais.
É possível afirmar que a tipologia textual está relacio- Vamos conhecê-los em seu aspecto conceitual, uma vez
nada com a maneira como um texto é apresentado e ca- que, sem o elemento conceitual claro, nenhuma outra
racterizado, levando em consideração determinados tra- análise terá fundamento.
ços linguísticos predominantes. Já o gênero textual exerce
funções sociais específicas, as quais são pressentidas e Tipo Narrativo
vivenciadas pelos usuários da língua. Para uma primeira Essa é a modalidade textual por meio da qual se conta a
distinção, observe o quadro abaixo: história de um fato ou de um episódio, que ocorreu num

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São muitos realmente os gêneros textuais, porém neste es-
tudo vamos abordar apenas os gêneros que comumente apare-
cem em provas de concursos.

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determinado tempo e lugar, envolvendo certo número de denotativa, com função de linguagem predominante-
personagens e contada por uma voz que participa ou não mente referencial. Predomina o tempo verbal presente e
dos acontecimentos. De modo geral, refere-se a seres, ob- empregado em primeira pessoa do plural ou em terceira
jetos e ações do mundo real. Há uma relação temporal de pessoa com o pronome “se”. Comumente aparece nas
anterioridade e posteridade. O tempo verbal predomi- provas de concursos. Pertencem a essa categoria textual
nante é o pretérito perfeito do modo indicativo. As narra- textos didáticos, resumos, testos científicos, textos enciclo-
ções nos cercam desde nossa infância, estão em nosso pédicos, notícias e reportagens etc.
cotidiano, seja na modalidade oral, seja escrita. Os gêne-
ros narrativos que mais aparecem em provas de concur- Dissertação-argumentativa
sos são a crônica, o conto e o romance (estes dois últimos Essa é, sem dúvida, a modalidade textual mais comum
em fragmentos). em provas de concursos. Um texto dissertativo-argumen-
tativo apresenta um ponto de vista (opinião, tese) de um
Tipo Descritivo
autor fundamentado em uma argumentação. Aqui, o texto
Essa é a modalidade de texto em que se faz um retrato vai além da explicação. Também persuade o leitor, ten-
por escrito de um lugar, de uma pessoa, um animal, um tando convencê-lo de algo. Caracteriza-se pela progres-
objeto, ou ainda de uma cena. A classe de palavras mais são lógica das ideias. Utiliza predominantemente lingua-
utilizada nessa produção é, sem dúvida, o adjetivo por gem denotativa, com função referencial e conativa imbri-
causa de sua função caracterizadora. O tempo verbal pre- cadas. Pertencem a essa modalidade textual o artigo de
dominante é o pretérito imperfeito do indicativo, porque opinião, o editorial, a resenha crítica etc.
permite localizar seres, objetos e ações no espaço. Numa
abordagem mais abstrata, pode-se inclusive descrever
sensações e emoções. Não há relação entre anterioridade
e posteridade. É um tipo textual que se agrega facilmente
à narração, à argumentação, à injunção e à exposição,
funcionando como excelente apoio semântico ou estraté-
gia argumentativa. Não é comum aparecer em provas de
concursos, mas, quando ocorre, aparece como fragmento
de texto narrativo maior.

Tipo Injuntivo ou Instrucional

Esse é o tipo textual por meio do qual se indica como rea-


lizar uma ação. Pela sua própria finalidade, utiliza uma
linguagem objetiva e simples. Os verbos aparecem, na A leitura inteligentemente conduzida aproxima o leitor das estruturas
maioria, empregados no modo imperativo, mas é possível textuais, dos tipos e dos gêneros.
notar também o uso do infinitivo e do futuro do presente, Em síntese, observe o quadro a seguir. Nele haverá infor-
do modo indicativo. Raramente ocorrem em provas de mações básicas sem as quais qualquer análise a posteri-
concursos. ori não se dará.
Tipo Dissertativo

O ato de dissertar envolve a ação de desenvolver ou ex-


plicar um assunto, é, enfim, discorrer sobre ele. Agora, de-
pendendo da intencionalidade do interlocutor, esse tipo
de subdivide em duas modalidades: a argumentativa e a
expositiva.

Dissertação-expositiva

Apresenta um saber já constituído e legitimado, ou


mesmo um saber teórico. Traz informações sobre assun-
tos variados, expõe, reflete, explica, avalia tudo, de modo
objetivo. Aqui, apenas se expõe a ideia, sem outra inten-
ção que não seja informar o leitor. Faz uso de linguagem

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Tipo textual Objetivo Ação temporal Ação pessoal Macroestrutura Exemplos
Convencer, nego- Tese, antítese, sín- Artigo de opinião e
Argumentativo Progressão lógica Argumentador
Disserta- ciar tese Editorial
tivo Informações factu- Reportagem e Notí-
Expositivo Informar, expor Progressão lógica Expositor
ais cia
Situação inicial,
Relato, Crônica,
Narrativo Relatar, narrar Dinâmica Narrador conflito, situação fi-
Conto
nal
Identificar, qualifi-
Descritivo Estática Observador Características Informe publicitário
car
Normas, regras, ins- Manual, Bula, Texto
Injuntivo Instruir, ensinar Estática Orientador
truções didático

GÊNEROS TEXTUAIS A opinião de um veículo, entretanto, não é


expressada exclusivamente nos editoriais, mas também
na forma como organiza os assuntos publicados, pela
qualidade e quantidade que atribui a cada um (no
O Artigo de Opinião
processo de Edição jornalística). Em casos em que as
É comum encontrar circulando nas rádios, nas TVs, nas próprias matérias do jornal são imbuídas de uma carga
redes sociais, nas revistas e jornais, temas polêmicos que opinativa forte, mas não chegam a ser separados como
exigem uma posição por parte dos ouvintes, espectadores editoriais, diz-se que é Jornalismo de Opinião.
ou leitores. Por isso, o autor geralmente apresenta seu
ponto de vista sobre o tema em questão através do gênero A Notícia
artigo de opinião.
Notícia é um gênero textual, a sua principal finalidade é
Nos gêneros dissertativos-argumentativos, o autor geral- deixar o leitor e expectador informados. A notícia é cons-
mente tem a intenção de convencer seus interlocutores e, tituída de: manchete, título auxiliar, lide e o texto em si.
para isso, apresenta opiniões fundamentadas em argu-
mentos, que consistem em cinco tipos: argumentos base- Ao estabelecermos familiaridade com o assunto em ques-
ados em provas concretas, argumentos baseados no raci- tão, este nos faz acreditar que sem nenhuma dúvida os
ocínio lógico, argumentos baseados no consenso, argu- gêneros se encontram presentes nas diversas situações
mentos baseados na competência linguística e argumen- que permeiam nosso cotidiano. Eis que estamos frente a
uma delas, pois comumente assistimos às notícias, sejam
tos de autoridade.
elas retratadas por jornais impressos, transmitidas ao
São consideradas provas concretas fatos (sociais ou his- vivo pelos meios de comunicação e até mesmo divulga-
tóricos), cifras, estatísticas, resultados de pesquisas, pe- das em meio eletrônico, razão pela qual integram os cha-
riódicos, publicações. mados gêneros do meio jornalístico.

O Editorial Em se tratando de suas características, torna-se relevante


mencionar que a notícia, assim como os demais gêneros,
Os editoriais são textos de um jornal em que o conteúdo possui uma finalidade proferida pelo discurso. Assim
expressa a opinião da empresa, da direção ou da equipe sendo, o objetivo principal que a ela se atribui é o de tão
de redação, sem a obrigação de se ater a nenhuma somente deixar o leitor/expectador informado acerca dos
imparcialidade ou objetividade. Geralmente, grandes fatos que norteiam a sociedade. Outro aspecto relevante
jornais reservam um espaço predeterminado para os é que o emissor (no caso, quem a transmite) mesmo sendo
editoriais em duas ou mais colunas logo nas primeiras alguém dotado de opiniões próprias, precisa manter-se
páginas internas. Os boxes (quadros) dos editoriais são imparcial o tempo todo – motivo pelo qual a objetividade
normalmente demarcados com uma borda ou tipologia representa um de seus traços peculiares, senão o princi-
diferente para marcar claramente que aquele texto é pal.
opinativo, e não informativo. Editoriais maiores e mais
analíticos são chamados de artigos de fundo. Pontuados alguns aspectos dignos de nota, resta-nos co-
nhecer a maneira pela qual a notícia se constitui, tendo
O profissional da redação encarregado de redigir em vista que também representa suas partes elementa-
os editoriais é chamado de editorialista. Na chamada res. Dessa forma, vejamos:
"grande imprensa", os editoriais são apócrifos — isto é,
nunca são assinados por ninguém em particular.

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* Manchete ou título principal – Com vistas a despertar o De acordo com essa divisão, a reportagem enquadra-se
interesse do receptor, apresenta-se de forma bastante evi- entre os textos do jornalismo opinativo, enquanto a notícia
dente, geralmente grafada (o) em letras garrafais ou até está entre os textos do jornalismo informativo;
mesmo numa dimensão maior que o restante do texto.
A notícia tem como objetivo principal narrar acontecimen-
* Título auxiliar – Como bem nos retrata o adjetivo “auxi- tos pontuais, ou seja, fatos do cotidiano; a reportagem ex-
liar” tem por objetivo acrescentar informações adicionais trapola os limites da notícia, pois não tem como única fi-
às já expressas pela manchete, tornando-a ainda mais nalidade noticiar algo;
atrativa.
Muitos teóricos da comunicação não estabelecem relação
* Lide (termo oriundo do inglês lead) – Este corresponde entre a notícia e a reportagem, pois veem esse segundo
ao primeiro parágrafo. Normalmente revela alguns ele- gênero como um gênero autônomo, isto é, desvinculado
mentos fundamentais que viabilizam o perfeito entendi- dos parâmetros que regem a notícia. Enquanto a notícia
mento do discurso, sempre procurando responder a per- informa sobre temas do momento, a reportagem trata de
guntas básicas, tais como: onde aconteceu o fato? Com um fenômeno social ou político, acontecimentos produzi-
quem? Como? Quando? Por quê? O que ocorreu? dos no espaço público e que são de interesse geral.

* Corpo ou texto da notícia – compreende o discurso pro- A reportagem apresenta elementos que não são encontra-
priamente dito, revelando de forma detalhada o fato ex- dos na notícia:
posto.
Emprego do discurso direto e do discurso indireto: Na no-
A Reportagem tícia, o discurso predominante é o indireto, enquanto na
reportagem os dois tipos de discurso mesclam-se para
A reportagem não possui uma estrutura rígida, mas geral- melhor construir os significados do texto;
mente costuma estabelecer conexões com o fato central,
anunciado no que chamamos de lead. A partir daí, desen- Polifonia: No gênero textual notícia, a única voz presente
volve-se a narrativa do fato principal, ampliada e com- é a do repórter. Na reportagem, é comum encontrarmos o
posta por meio de citações, trechos de entrevistas, depoi- recurso da polifonia, pois nesse gênero existem elementos
mentos, dados estatísticos, pequenos resumos, dentre ou- como entrevistas com testemunhas e/ou especialistas. Es-
tros recursos. É sempre iniciada por um título, como todo ses elementos permitem que o jornalista, ao apresentar
texto jornalístico. outras vozes no texto, isente-se da apresentação dos fa-
tos;
O objetivo de uma reportagem é apresentar ao leitor vá-
rias versões para um mesmo fato, informando-o, orien- A reportagem é assinada pelo repórter, a notícia, não.
tando-o e contribuindo para formar sua opinião. Isso acontece porque a reportagem é construída a partir
de um ângulo pessoal, com contornos narrativos bem
A linguagem utilizada nesse tipo de texto é objetiva, dinâ- marcados, enquanto a notícia é objetiva e imparcial;
mica e clara, ajustada ao padrão linguístico divulgado
nos meios de comunicação de massa, que se caracteriza Meios de divulgação: A reportagem é mais frequente em
como uma linguagem acessível a todos os públicos, mas revistas e em edições específicas de jornais (geralmente
pode variar de formal para mais informal dependendo do publicadas nas edições de finais de semana). Isso acon-
público a que se destina. Embora seja impessoal, às ve- tece porque o gênero textual reportagem apresenta uma
zes é possível perceber a opinião do repórter sobre os fa- estrutura textual mais complexa, fruto de uma investiga-
tos ou sua interpretação. ção minuciosa do jornalista.

Para se produzir uma boa reportagem, é fundamental que A Crônica


o repórter ouça todas as versões de um fato, a fim de que
a verdade apurada seja realmente a verdade que possa A crônica é uma forma textual no estilo de narração que
ser comprovada, não aquela que se imagina que é a ver- tem por base fatos que acontecem em nosso cotidiano.
dade. Por este motivo, é uma leitura agradável, pois o leitor in-
terage com os acontecimentos e por muitas vezes se iden-
OBSERVAÇÃO: diferenças entre os gêneros reportagem tifica com as ações tomadas pelas personagens.
e notícia
Você já deve ter lido algumas crônicas, pois estão presen-
Os gêneros textuais do universo jornalístico podem ser di- tes em jornais, revistas e livros. Além do mais, é uma lei-
vididos em dois grandes grupos: os gêneros do jornalismo tura que nos envolve, uma vez que utiliza a primeira pes-
opinativo e os gêneros do jornalismo informativo. soa e aproxima o autor de quem lê. Como se estivessem

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em uma conversa informal, o cronista tende a dialogar so- de parágrafos, as linhas gerais da história, a linguagem
bre fatos até mesmo íntimos com o leitor. empregada pelo autor. Enfim, pegamos o "tom" do texto.

O texto é curto e de linguagem simples, o que o torna Primeiros passos


ainda mais próximo de todo tipo de leitor e de pratica-
mente todas as faixas etárias. A sátira, a ironia, o uso da Podemos perguntar também: Quem é o autor do texto?
linguagem coloquial demonstrada na fala das persona- Seja na internet, numa enciclopédia ou mesmo nos livros
gens, a exposição dos sentimentos e a reflexão sobre o didáticos, é bom fazer uma pesquisa sobre o autor do
que se passa estão presentes nas crônicas. conto, conhecer um pouco sua biografia. É um autor con-
temporâneo ou mais antigo? É um autor brasileiro ou es-
Como exposto acima, há vários motivos que levam os lei- trangeiro?
tores a gostar das crônicas, mas e se você fosse escrever
uma, o que seria necessário? Vejamos de forma esque- O conto quase nunca é publicado isoladamente. Geral-
matizada as características da crônica: narração curta; mente ele faz parte de uma obra maior. Por exemplo, o
descreve fatos da vida cotidiana; pode ter caráter humo- conto "Uma Galinha", de Clarice Lispector, faz parte do
rístico, crítico, satírico e/ou irônico; possui personagens livro "Laços de Família".
comuns; segue um tempo cronológico determinado; uso
da oralidade na escrita e do coloquialismo na fala das Seguindo adiante
personagens; linguagem simples.
Depois dessas primeiras informações, podemos fazer
Portanto, se você não gosta ou sente dificuldades de ler, uma leitura mais atenta do conto: elucidar vocábulos e ex-
a crônica é uma dica interessante, pois possui todos os pressões desconhecidas, esclarecer alusões e referências
requisitos necessários para tornar a leitura um hábito contidas no texto. Também podemos pensar no título do
agradável. conto. Porque o autor escolheu este título? Este esforço de
compreensão qualifica - e muito - a leitura. Torna o leitor
Alguns cronistas (veteranos e mais recentes) são que mais mais sensível, mais esperto.
têm seus textos apresentados em provas de concursos são
Fernando Sabino, Rubem Braga, Luís Fernando Verís- O passo seguinte é fazer a análise do texto. No momento
simo, Carlos Heitor Cony, Carlos Drummond de Andrade, da análise o leitor tem contato com as estruturas da obra,
Fernando Ernesto Baggio, Lygia Fagundes Telles, Ma- com a sua composição, com a sua organização interna.
chado de Assis, Moacyr Scliar, Rubem Alves e Lya Luft. Para analisar o texto, é bom observar alguns aspectos da
sua composição. Algumas perguntas são muito importan-
O Conto tes: Quem? O que? Quando? Onde? Como?

O conto é uma obra de ficção, um texto ficcional. Cria um Formular as perguntas e obter as respostas ajuda a co-
universo de seres e acontecimentos de ficção, de fantasia nhecer o conto por dentro: Quais são os personagens prin-
ou imaginação. Como todos os textos de ficção, o conto cipais? O que acontece na história? Em que tempo e em
apresenta um narrador, personagens, ponto de vista e en- que lugar se passa a história narrada? E algo bem impor-
redo. tante: Quem narra? De que jeito? O narrador conta de
fora ou ele também é um dos personagens?
Classicamente, diz-se que o conto se define pela sua pe-
quena extensão. Mais curto que a novela ou o romance, o Depois dessa análise, fica mais fácil interpretar a obra. Já
conto tem uma estrutura fechada, desenvolve uma histó- temos uma base para comentar, comparar, atribuir valor,
ria e tem apenas um clímax. Num romance, a trama des- julgar. Nossa leitura está mais fundamentada. Fica mais
dobra-se em conflitos secundários, o que não acontece fácil responder à pergunta: O que você achou do conto?
com o conto. O conto é conciso.

Grande flexibilidade

Por outro lado, o conto é um gênero literário que apre-


senta uma grande flexibilidade, podendo se aproximar
Exercícios
da poesia e da crônica. Os historiadores afirmam que os
ancestrais do conto são o mito, a lenda, a parábola, o
conto de fadas e mesmo a anedota. 1) Qual a tipologia textual do trecho apresentado
abaixo?
Dona Julieta chamou os filhos mais novos para uma con-
O primeiro passo para a compreensão de um conto é fa-
versa séria. Era uma manhã de domingo, o dia estava
zer uma leitura corrida do texto, do começo ao fim. Atra-
claro e ensolarado. Pediu a eles que compreendessem a
vés dela verificamos a extensão do conto, a quantidade

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situação do pai, que não tinha no momento condição de
colocá-los em uma escola melhor. 7) Assinale a afirmativa errada.
a) dissertação subjetiva a) O texto dissertativo divide-se cm introdução, desenvol-
b) descrição vimento e conclusão.
c) narração com alguns traços descritivos b) O trecho seguinte não apresenta coesão textual: A não
d) dissertação objetiva com alguns traços descritivos ser que estudes, serás reprovado no concurso.
e) narração com alguns traços dissertativos c) O texto narrativo tem como base o fato.
d) Falta de coerência é o mesmo que falta de lógica.
2) Assinale o trecho com características dissertativas. e) Um texto pode ser narrativo e apresentar elementos
a) Era um homem alto, escuro, vestindo paletó cinza- descritivos.
claro.
b) Encontrei os dois amigos numa pracinha perto daqui. 8) Marque a afirmação correta em relação ao texto
c) Os ajudantes levaram a mesa para o palco. abaixo:
d) Nossa rua sempre foi escura, com muitas árvores nas “Senti tocar-me no ombro; era Lobo Neves. Encaramo-nos
duas calçadas. alguns instantes, mudos, inconsoláveis. Indaguei de Vir-
e) É importante manter o equilíbrio, pois só assim conse- gília, depois ficamos a conversar uma meia hora. No fim
guimos resolver os problemas. desse tempo, vieram trazer-lhe uma carta; ele leu-a, em-
palideceu muito e fechou-a com a mão trêmula”. (Ma-
3) Marque o texto com características narrativas. chado de Assis, in Memórias Póstumas de Brás Cubas)
a) O ideal é que todos colaborem. Caso contrário, o Brasil a) É texto dissertativo com alguns elementos descritivos.
continuará sem rumo. b) Não se trata de texto narrativo, pois não há persona-
b) Rodrigo e Juliana estavam na sala, quando ocorreu a gens.
explosão. c) É um texto descritivo, com alguns elementos narrativos.
c) Ela tem olhos azuis e cabelos louros. Não parece brasi- d) O texto não apresenta personagem-narrador.
leira. e) Trata-se de uma narração, sem nenhum traço disserta-
d) Minha casa tem dois andares. Os quartos ficam na tivo.
parte de cima.
e) A inteligência humana deve ser usada para o bem. 9) Assinale a alternativa que apresenta trecho com dis-
curso indireto livre.
4) Assinale a frase que não possui coesão textual. a) - Pegue o brinquedo, disse a mãe.
a) Ainda que gritassem, ninguém atenderia. b) O homem saiu tarde. Será que vou conseguir? Àquela
b) Parou cedo de estudar; está, pois, com dificuldades no hora seus familiares já estavam preocupados.
mercado de trabalho. c) Todos garantiram que fariam o melhor possível.
c) Não obstante ter domínio do inglês e do alemão, foi d) Ela indagou na recepção como deveria se vestir.
contratado imediatamente. e) Afirmou, de modo a não deixar dúvidas: - Já corrigi as
d) Mal cheguei, fui apresentado ao pesquisador. provas
e) Conquanto fale muito, jamais me perturbou.
10) (AFTN) Indique a opção que completa com coerência
5) Assinale o erro na mudança de discurso. e coesão o trecho abaixo (extraído do Manifesto dos “Pi-
a) - Fale mais alto, exigiu o professor. oneiros da Educação Nova”).
O professor exigiu que fale mais alto. Na hierarquia dos problemas nacionais, nenhum sobre-
b) Disse o funcionário: - Estou no banheiro. leva em importância e gravidade ao da educação. Nem
O funcionário disse que estava no banheiro. mesmo os de caráter econômico lhe podem disputar a pri-
c) - Lerei o estatuto, garantiu o associado. mazia nos planos de reconstrução nacional. Pois, se a
O associado garantiu que leria o estatuto. evolução orgânica do sistema cultural de um país de-
d O passageiro pediu que eu por favor o ajudasse. pende de suas condições econômicas,
- Ajude, por favor, pediu-me o passageiro. a) subordina-se o problema pedagógico à questão maior
e) O homem falou que estivera fora por mais de quinze da filosofia da educação e dos fins a que devem se propor
anos. as escolas em todos os níveis de ensino;
O homem falou: - Estive fora por mais de quinze anos. b) é impossível desenvolver as forças econômicas ou de
produção sem o preparo intensivo das forças naturais;
c) são elas as reais condutoras do processo histórico de
6) Assinale a afirmativa errada. arregimentação das forças de renovação nacional;
a) Na dissertação, o centro é a ideia. d) o entrelaçamento das reformas econômicas e educaci-
b) No discurso direto é empregado um verbo de elocução. onais constitui fator de somenos relevância para o soer-
c) Há três tipos de discurso: direto, indireto e indireto livre. guimento da cultura nacional;
d) O texto descritivo está centrado no objeto. e) às quais se associam os projetos de reorganização do
e) O personagem-narrador leva o verbo normalmente à sistema educacional com vistas à renovação cultural da
terceira pessoa. sociedade brasileira.

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d) Descritivo - Um homem estava contando que estava
TEXTO – A FLOR DO GEÓGRAFO indo pescar no rio Paraibuna e matou uma traíra tão
Dom Marcos Barbosa O.S.B. grande, que quase não coube dentro do barco. Aí o outro
falou: – Na minha fazenda tem um tacho tão grande que,
(...) “Voltara Desfontaines a São Paulo, onde havia es- quando alguém está mexendo o tacho e fala, do outro
tado anteriormente e morara algum tempo. Tendo contra- lado nem dá para escutar. Aí o pesquisador perguntou: –
tado um carro para levá-lo não sei onde, reconheceu, ao Mas pra que serve um tacho tão grande assim? O homem
passar, o sítio da sua antiga casa. respondeu: – É pra fritar a traíra que você pescou! (Antô-
Pediu ao chofer que parasse, saltou, foi redescobrir a fa- nio Henrique Weitzel)
chada que lhe sorriu entre as outras, e em cujas janelas e) Dissertativo - Só há dois minutos importantes no des-
viu aparecerem a mulher e as filhas ausentes, mais moça tino do homem: o minuto em que nasce e aquele em que
aquela, menos crescidas estas... Viu-se a si mesmo como morre. O resto são horas perdidas da vida. (Mário da
era, como fora, como havia sido. Até que, caindo em si – Silva Brito)
ou antes caindo de si – deu com o automóvel que largo
tempo o esperava. 13) Os segmentos abaixo correspondem a uma tipologia
Subiu depressa ao carro, bateu a porta, pediu ao cho- textual. Assinale o segmento que é uma DISSERTAÇÃO.
fer que corresse. Quando chegou, atrasado, ao término a) “Margarida tinha os olhos amendoados, uma pele de
da viagem e perguntou o preço, viu com surpresa que o pêssego e um ar de tranquilidade que chamava atenção
chofer pedia o mesmo que antes haviam combinado. de todos.”
– Mas (protestou Desfontaines) o senhor esteve parado b) “Era um dia abafadiço. A pobre cidade de São Luís do
muito tempo; não quero causar-lhe prejuízo! Maranhão parecia entorpecida pelo calor. Quase não se
E foi então que o chofer disse lentamente a sua frase, podia sair à rua: as pedras escaldavam; as vidraças e os
a sua flor: “Saudades não se pagam...” lampiões faiscavam ao sol como enormes diamantes.”
c) “Era um pajé velho, acocorado perto de uma choça, tira
11) Os parágrafos do texto acima exemplificam um baforadas de um longo e primitivo cachimbo, uma velha
modo de organização discursiva caracterizado como: gorda e suja dorme em uma desfiada rede de embira fina
a) argumentativo; b) informativo; ...”
c) expositivo; d) descritivo; d) “... as folhas das árvores nem se mexiam; as carroças
e) narrativo. de água passavam ruidosamente a todo instante, aba-
lando os prédios; e os aguadeiros, em manga de camisa
12) Assinale a alternativa correta quanto à classifica- e pernas arregaçadas, invadiam sem-cerimônia as casas
ção dos modos de organização discursiva predominan- para encher as banheiras e os potes”.
tes nos textos abaixo. e) “A inconsequência do motorista brasileiro está atin-
a) Descritivo - Uma vez, dois homens saíram na Semana gindo níveis intoleráveis. Em Santa Catarina, a situação
Santa para caçar tatu. Quando eles estavam cavando o não difere muito do restante do País, como se pode depre-
buraco, um tatu apareceu e falou pra eles: – Isso tudo é ender das últimas informações divulgadas pelo Departa-
vontade de comer carne? (Antônio Henrique Weitzel) mento de Trânsito, segundo as quais a embriaguez é a
b) Narrativo - A aventura pode ser louca, mas o aventu- causa de cerca de 90% das apreensões de Carteiras Na-
reiro tem de ser lúcido! (Chesterton) cionais de Habilitação no Estado...”
c) Dissertativo - De repente entrou aquele bruto crioulo.
Tinha quase dois metros de altura, era forte como um
touro, e caminhava no mais autêntico estilo de malandra-
gem carioca. Ladeado por duas mulheres imobilizadas
por uma chave-de-braço cada uma, caminhou calma-
mente até o centro da sala, enquanto as duas faziam o
maior banzé, sem que ele tomasse o menor conhecimento.
A que estava presa na canhota era meio puxada para o
sarará e chamava-o, com notável regularidade, de “vaga-
bundo”, “crioulo ordinário”, “home safado” e outros adje-
tivos da mesma qualidade. A que estava presa pelo lado
direito tinha chave de braço apertada pouquinha coisa
(devia ser mais presepeira) e, por isso, estava meio tom-
bada para a frente. Dava as suas impressões sobre o cri-
oulo com menos frequência, mas em compensação,
quando abria a boca, berrava mais alto que a sarará.
Sua reivindicação era sempre a mesma: “Me larga, seu
cachorro!” De tipo, era mulata e gordinha. (Stanislaw
Ponte Preta)

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FUNÇÕES DE LINGUAGEM Uso de vocativos;
Sugestionar, convidar ou apelar (daí o
Para a comunicação existir, é necessária a presença de seis fato- nome da função);
res fundamentais: o emissor, o receptor, a mensagem, o canal, o Os verbos costumam estar no imperativo
contexto e o código. Deve-se observar, porém, que, na comunica- (Compre! Faça!);
ção, nem sempre se priorizam esses seis itens com a mesma pro- Uso da 2ª ou 3ª pessoa (Você não pode
porção, pois, dependendo do objetivo proposto, da intenção co- perder! Ele vai melhorar seu desempe-
municativa, o autor enfatizará um dos elementos da comunicação. nho.
A função fática está centrada no canal.
Ao se expressar, há sempre uma intenção em mente. Seu principal propósito é testar se o ca-
Assim, diz-se que a linguagem tem diversas funções e cada uma nal que transmite a mensagem está fun-
delas corresponde a um elemento da comunicação. São seis es- cionando bem ou, então, simplesmente
sas funções, a saber: expressiva ou emotiva; conativa ou apela- iniciar uma comunicação, prolongá-la
tiva; poética; fática; metalinguística e referencial. ou verificá-la.
O objetivo dessa função é estabelecer
uma relação com o emissor, um contato
para verificar se a mensagem está
Função Fática sendo transmitida ou para dilatar a con-
versa.
Características
Centralizada no canal, tendo como obje-
tivo prolongar ou não o contato com o
receptor, ou testar a eficiência do canal;
Uso de interjeições;
Linguagem das falas telefônicas, sau-
dações e similares; Lugar comum, Sau-
dações, Comentários sobre o clima.
A função referencial foca o contexto da
mensagem, ou seja, todas as informa-
ções relacionadas àquilo que está sendo
abordado. Seu principal objetivo é trans-
Observe agora as sínteses apresentadas no quadro a se- mitir informações, por isso, a linguagem
guir: dos textos referenciais é objetiva e clara.
A função referencial ocorre principal-
É a centrada no emissor; a linguagem é mente em textos de cunho científico e jor-
subjetiva e há emprego da primeira pes- Função Referen- nalístico.
soa (verbos e pronomes). A interjeição é Características
cial ou Denota- Transmite uma informação objetiva;
típica dessa função que é usada com a
tiva Expõe dados da realidade de modo ob-
intenção de manifestar emoções e senti-
mentos. jetivo, não faz comentários, nem avalia-
Características ção;
Função Emotiva O texto apresenta-se na terceira pessoa
Evidência as emoções, sentimentos e
ou Expressiva pensamentos do sujeito que está se ex- do singular ou plural, pois transmite im-
pressando; pessoalidade;
Marcas que indicam individualidade, A linguagem é denotativa, ou seja, não
subjetividade; há possibilidades de outra interpretação
Uso excessivo de pronomes na primeira além da que está exposta.
pessoa do singular (eu, me, minha); A função poética foca-se na mensagem.
Presença de interjeições. O que importa nos textos poéticos é a
A função conativa foca-se no receptor, própria mensagem, ou seja, a formata-
ou seja, no indivíduo que recebe a men- ção poética daquilo que será dito. Por
sagem, tentando convencê-lo afazer isso, há um trabalho com o texto na esco-
algo. Ela é muito utilizada na publici- lha do vocabulário, nas rimas, na sonori-
dade, cujos anúncios e comerciais pro- dade, nos efeitos de sentido. Assim, o
curam levar o receptor a consumir um mais importante não é o conteúdo, a in-
Função Poética
produto ou uma ideia. Dessa maneira, é formação em si (o que se diz), mas sim
Função Cona- ou Conotativa COMO se diz, a forma do texto.
recorrente a presença de verbos no im-
tiva ou Apela- perativo (“faça", "compre”, “coma”, Características
tiva “use”, “experimente” etc.), que podem O objetivo do emissor é expressar seus
expressar: ordem, pedido, súplica, con- sentimentos através de textos que podem
selho etc. ser enfatizados por meio das formas das
palavras, da sonoridade, do ritmo, além
Características de elaborar novas possibilidades de
Influenciar, convencer o receptor de al- combinações dos signos linguísticos. É
guma coisa por meio de uma ordem;

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presente em textos literários, publicitá- está presente sempre que uma manifes-
rios e em letras de música. tação da linguagem reflete sobre ela pró-
Essa função da linguagem encontra-se, pria, portanto, é comum em dicionários,
de modo geral, em textos literários, livros didáticos, dentre outros textos.
como: poemas, romances, contos, crôni- Características
cas, letras de música... Outro gênero tex- É aquela centralizada no código, usando
tual que explora muito a função poética a linguagem para falar dela mesma. A
são as canções populares infantis. poesia que fala da poesia, da sua função
A função metalinguística é aquela que se e do poeta, um texto que comenta outro
foca no próprio código, ou seja, no instru- texto. Principalmente os dicionários são
mento utilizado para transmitir a mensa- repositórios de metalinguagem. Referên-
gem, seja ele verbal ou não verbal. cia ao próprio código, Poesia sobre poe-
Função Metalin- A metalinguagem existe, então, quando sia, Propaganda sobre propaganda...
guística um texto fala sobre o próprio texto, Assim podemos dizer que a linguagem
quando uma pintura reflete outra pin- não é aparente, ela depende de um con-
tura, quando um filme mostra imagens junto de fatores que permeiam os varia-
de outro filme, quando um poema fala dos grupos sociais que compomos em
sobre o fazer poético etc. Essa função nossa vida diária.

CORRELAÇÕES ENTRE AS FUNÇÕES DE LINGUAGEM E OS ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO

OBSERVAÇÃO:

Atenção: em um texto, pode haver mais de uma função da linguagem (poética, emotiva e metalinguística, por exem-
plo), mas de acordo com o objetivo, com a intenção comunicativa, uma das funções será predominante.
Na linguagem coloquial, ou seja, na linguagem diária, usamos as palavras conforme as situações que nos são apre-
sentadas. Por exemplo, quando alguém diz a frase “Isso é um castelo de areia”, pode atribuir a ela sentido denotativo
ou conotativo. Em sentido denotativo, é a construção feita na areia da praia em forma de castelo; em sentido conota-
tivo, ocorrência incerta, sem solidez.

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EXERCÍCIOS O texto abaixo será utilizado nas questões 3 e 4

TEXTO I TEXTO III


Mulher Assassinada
Vou lançar a teoria do poeta sórdido.
Policiais que faziam a ronda no centro da cidade encon- Poeta sórdido:
traram, na madrugada de ontem, perto da Praça da Sé, o Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.
corpo de uma mulher aparentando 30 anos de idade. Se- Vai um sujeito,
gundo depoimento de pessoas que trabalham em bares Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito
próximos, trata-se de uma prostituta conhecida como Poe bem engomada, e na primeira esquina passa um cami-
Nenê. Ela foi assassinada a golpes de faca. A polícia des- nhão, salpica-lhe o paletó ou a calça de uma nódoa de
carta a hipótese de assalto, pois sua bolsa, com a carteira lama:
de dinheiro, foi encontrada junto ao corpo. O caso está É a vida.
sendo investigado pelo delegado do 2º distrito policial. O poema deve ser como a nódoa no brim:
Jornal da Cidade, 10 set. 2004 Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero.
Sei que a poesia é também orvalho.
TEXTO II Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas, as
Pequena Crônica Policial virgens cem por cento e as amadas que envelhecem sem
maldade.
Jazia no chão, sem vida, Manuel Bandeira
E estava toda pintada!
Nem a morte lhe emprestava 03. As funções de linguagem predominante no Texto III
A sua grave beleza... são:
Com fria curiosidade, a) Poética e metalinguística.
Vinha gente a espiar-lhe a cara, b) Conativa e referencial.
As fundas marcas da idade, c) Referencial e emotiva.
Das canseiras, da bebida... d) Metalinguística e conativa.
[...] e) Emotiva e referencial.
Sem nada saber da vida,
De vícios ou de perigos, 04. As funções de linguagem predominantes no texto
Sem nada saber de nada... acima se justificam pelos seguintes fatores.
Com sua trança comprida, a) sentimentalismo e informatividade.
Os seus sonhos de menina, b) metadiscursividade e interpelação ao leitor.
Os seus sapatos antigos! c) informatividade e sentimentalismo.
Mário Quintana – Prosa & Verso d) interpelação ao leitor e informatividade.
e) criatividade linguística e metadiscursividade.
01. Os textos I e II trazem certa semelhança entre si. O que
há de semelhante nos textos acima? 05. Leia a estrofe abaixo:
a) A temática. "Oh! ter vinte anos sem gozar de leve
b) A organização da linguagem. A ventura de uma alma de donzela!
c) A forma de abordagem ao tema. E sem na vida ter sentido nunca
d) A intenção discursiva. Na suave atração de um róseo corpo
e) O posicionamento do narrador diante a matéria Meus olhos turvos se fechar de gozo!
narrada. Álvares de Azevedo

02. Que aspectos distinguem os textos I e II, a partir da A presença da interjeição, as exclamações e a 1ª pessoa
análise dos mesmos, considerando sua linguagem? gramatical identificam no texto a função da linguagem:
a) denotação – função referencial (texto II). a) Poética.
b) função poética – ênfase no assunto(texto II). b) Conativa.
c) criatividade linguística – função poética (texto II). c) Referencial.
d) ênfase na mensagem – função referencial (texto d) Metalinguística.
I). e) Emotiva.
e) texto jornalístico – Ênfase no leitor (texto I).
06. Leia o texto e assinale a alternativa correta:

A um passarinho
Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?

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Se foi por um verso c) "Amigo Americano é um filme que conta a história
Não sou mais poeta de um casal que vive feliz com o seu filho até o dia
Ando tão feliz! em que o marido suspeita estar sofrendo de cân-
Se é para uma prosa cer."
Não sou Anchieta d) "Se um dia você for embora
Nem venho de Assis Ria se teu coração pedir
Deixe-te de histórias Chore se teu coração mandar."
Some-te daqui. (Danilo Caymmi & Ana Terra)
Vinícius de Morais e) "Olá, como vai? Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo em pegar um lugar no fu-
Quanto à análise do texto acima, pode-se afirmar que: turo e você?
a) A facilidade com que se pode reconstruir o fato Tudo bem, eu vou indo em busca de um sono tran-
narrado e as informações precisas veiculadas quilo..."
pelo texto provam a não existência de elementos (Paulinho da Viola)
ficcionais; a função de linguagem predominante
é a referencial.
b) No quinto verso, o próprio autor esclarece que seu 09. Marque a opção que encerra uma frase cujos princi-
texto não tem caráter poético, o que lhe confere a pais focos da argumentação sejam, a um só tempo, o
função metalinguística da linguagem. emissor e a mensagem:
c) Apesar de escrito em versos, o texto acima não é a) "Volta, vem viver outra vez ao meu lado"
literário, porque, nos dois últimos versos, o autor (Lupiscínio Rodrigues)
diz claramente não querer contar histórias, neles, b) "Da primeira vez que me assassinaram,
ocorre a função apelativa ou conativa, própria da Perdi um jeito de sorrir que eu tinha"
linguagem de propaganda. (Mário Quintana)
d) Embora haja referência a dados concretos da re- c) "Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica, Mas
alidade circundante, o texto é literário, uma vez atravessa a noite, a madrugada, o dia Atravessou
que, a par de exemplos de função emotiva e co- minha vida, Virou só sentimento"
nativa, a criatividade linguística dá o tom do texto (Manuel Bandeira)
e confere a função poética como predominante. d) "Vaias e aplausos marcaram a passagem do pre-
e) No sétimo verso, o próprio autor esclarece que seu sidente Lula pelo Fórum Social Mundial, evento
texto não está escrito em prosa; é, portanto, um no qual costumava ser ovacionado" (O Globo - 28
texto não literário. de janeiro de 2005).
e) "Lembrando B. Russel: para todo problema com-
07. Leia o excerto abaixo extraído de uma suposta entre- plicado há uma solução simples, rápida, de baixo
vista com Riobaldo, de Grande sertão: veredas. custo e... errada" (Gilberto C. Leifert).
“Mire e veja o leitor e a leitora: se não houvesse Brasil,
não haveria ‘Grande sertão: veredas’, não haveria Rio- 10. Leia atentamente o texto abaixo:
baldo. Deviam ter pensado que pelo menos para isso ser- A biosfera, que reúne todos os ambientes onde se desen-
viu. E o resto é silêncio. Ou melhor, mais uma pergunta volvem os seres vivos, se divide em unidades menores
senhor Riobaldo. O que é silêncio? O senhor sabe o que chamadas ecossistemas, que podem ser uma floresta, um
o silêncio é? É a gente mesmo, demais”. deserto e até um lago. Um ecossistema tem múltiplos me-
Alberto Pompeu de Toledo, Veja. canismos que regulam o número de organismos dentro
dele, controlando sua reprodução, crescimento e migra-
Acima, predominam as seguintes funções da linguagem: ções.
a) Poética e fática. DUARTE, M. O guia dos curiosos. São Paulo:
b) Conativa e metalinguística. Companhia das Letras, 1995.
c) Referencial e expressiva.
d) Metalinguística e emotiva. Predomina no texto a função da linguagem
e) Emotiva e poética. a) referencial, porque o texto trata de noções e infor-
mações conceituais.
08. Assinale a alternativa que traz função fática: b) conativa, porque o texto procura orientar compor-
a) "O homem letrado e a criança eletrônica não mais tamentos do leitor.
têm linguagem comum." (Rose-Marie Muraro) c) poética, porque o texto chama a atenção para os
b) "O discurso comporta duas partes, pois necessari- recursos de linguagem.
amente importa indicar o assunto de que se trata, d) fática, porque o texto testa o funcionamento do ca-
e em seguida a demonstração. (...) A primeira des- nal de comunicação.
tas operações é a exposição; a segunda, a prova." e) emotiva, porque o autor expressa seu sentimento
(Aristóteles) em relação à ecologia.

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FIGURAS DE LINGUAGEM (aquelas que ligam orações ou termos coordenados, in-
dependentes) no encadeamento dos enunciados.
Como já sabemos, podemos manifestar a linguagem de
duas formas bem distintas: sob a ótica da denotação ou Ex.1: Ela me olhava, lavava, olhava novamente, espir-
sob a ótica da conotação. Esta última será explorada com rava, voltava a trabalhar (não apareceu conjunção al-
mais detalhes a partir de agora com o estudo dos elemen- guma para ligar as orações).
tos que configuram uma linguagem conotativa, isto é,
uma linguagem figurada: as figuras de linguagem. Va- Ex.2: Eu nunca tive glória, amores, dinheiro, perdão (não
mos concentrar este estudo nas figuras de linguagem apareceu conjunção alguma para ligar os termos que
mais importantes para efeito de concurso público. complementam o verbo ter).

FIGURAS DE CONSTRUÇÃO POLISSÍNDETO: é a repetição das conjunções coordena-


tivas (principalmente as aditivas E e NEM), com o fim de
ELIPSE: significa a omissão de algum termo ou palavra incutir no discurso a noção de movimento, rapidez e ritmo.
de um enunciado.
Ex.1: E onde não queres nada, nada falta, / E onde voas
Ex.1: Na sala, bons alunos. (Ocorreu a omissão do verbo bem alta eu sou o chão / E onde pisas no chão minha
há) alma salta / E ganha liberdade na amplidão. Caetano Ve-
loso. O quereres – foi repetida a conjunção coordenativa
Ex.2: Rico, podia fazer o que quisesse [omitiu-se a oração aditiva e).
inteira: (Porque era) rico, podia fazer o que quisesse].
Ex.2: Eu nunca tive glória, nem amores, nem dinheiro, nem
ZEUGMA: omissão de um termo que já apareceu antes. perdão (foi repetida a conjunção coordenativa aditiva
nem).
Ex.: O meu pai era paulista / Meu avô, pernambucano / O
meu bisavô, mineiro / Meu tataravô, baiano / Meu maestro ANACOLUTO: é a quebra da sequência sintática de uma
soberano” (Chico Buarque – Omissão de “era”) frase. É como se o escritor de repente decidisse mudar de
ideia, alterando a estrutura e o nexo sintáticos da oração.
PLEONASMO: é a reiteração, a repetição, o reforço de
uma ideia já expressa por alguma palavra, termo ou ex- Ex.1: O José, sinceramente parece que ele está ficando
pressão. louco (perceba que O José deveria ser sujeito de uma ora-
ção, mas ficou sem predicado, solto na frase; houve a
Ex.1: Vamos sair para fora. (se é sair, obviamente é para quebra da sequência sintática esperada).
fora).
Ex.2: Eu, poucas coisas me assustam.” Eu, parece-me que
Ex.2: Que tal subir lá em cima e tomar um bom vinho? (se os exames não serão fáceis.”
é subir, obviamente é para cima).
SILEPSE: concordância não com o que vem expresso, mas
Ex.3: "Eu nasci há dez mil anos atrás" (se é há, só pode ser com o que se entende, com o que está implícito. A silepse
atrás). pode ser:

Ex.4: A mim, você não me engana (o verbo enganar tem a) Silepse de gênero
dois complementos – a mim e me; eis um caso de objeto
pleonástico). Ex.: Vossa Excelência, senhor prefeito, está preocupado.

INVERSÃO: mudança da ordem natural de termos num c) Silepse de pessoa


enunciado, a fim de conferir-lhe especiais efeitos e refor-
ços de sentido. Ex.: Os brasileiros precisamos defender a Amazônia.

Ex.1: Sua mãe eu nunca conheci (a ordem natural seria ANÁFORA: a anáfora é a repetição de uma palavra em
Eu nunca conheci sua mãe). intervalos regulares, no início de versos ou frases.

Ex.2: Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / De um “Quando não tinha nada eu quis
povo heroico o brado retumbante, / E o sol da liberdade, Quando tudo era ausência esperei
em raios fúlgidos, / Brilhou no céu da pátria nesse ins- Quando tive frio tremi
tante. Quando tive coragem liguei

ASSÍNDETO: vem do grego, “syndeton”, que significa Quando chegou carta abri
conjunção. É a ausência de conjunções coordenativas Quando ouvi Prince dancei

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Quando o olho brilhou, entendi Ex.2: Meus parabéns pelo seu serviço. (considere-se que
Quando criei asas, voei o vigia tenha dormido e a empresa tenha sido completa-
mente esvaziada durante um assalto)
Quando me chamou eu vim
Quando dei por mim tava aqui HIPÉRBOLE: modo exagerado de exprimir uma ideia.
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei” Ex.1: “Queria gritar setecentas mil vezes”.
Como são lindos, como são lindos os burgueses / E os ja-
(Daniela Mercury- À primeira Vista) poneses / Mas tudo e muito mais.” (Caetano Veloso. Podre
poderes).

FIGURAS DE PENSAMENTO Ex.2: Estou morrendo de sede.

ANTÍTESE: é a aproximação de palavras ou expressões Ex.3: Você é a garota mais linda do mundo.
que exprimem ideias contrárias, adversas.
PROSOPOPEIA (OU PERSONIFICAÇÃO): é a atribuição
Ex.1: E Carlos, jovem de idade e velho de espírito, aproxi- de características humanas a seres não humanos.
mou-se.
Ex.1: O prédio sorria perante os trabalhadores (sorrir é
Ex.2: Amamos, vagamente surpreendidos / Pelo ardor uma atitude humana atribuída a um imóvel, uma edifica-
com que estávamos unidos / Nós que andávamos sempre ção).
separados. (Vinicius de Moraes)
Ex.2: Depois que o sol me cumprimentou, dirigi-me à cozi-
APÓSTROFE: é a interpelação inesperada de um ente nha (cumprimentar é uma atitude humana atribuída a um
real ou imaginário que se faz com a interrupção da se- astro).
quência do pensamento.
Ex.3: “A lua”, / Tal qual a dona de um bordel, / Pedia a
Ex: Senhor Deus dos desgraçados! cada estrela fria um brilho de aluguel. / E nuvens, / Lá no
Dizei-me vós, Senhor Deus! mata-borrão do céu / Chupavam manchas torturadas”
Se é loucura... se é verdade (João Bosco e Aldir Blanc. O bêbado e a equilibrista)
Tanto horror perante os céus?! (Navio Negreiro – Castro
Alves)
FIGURAS DE PALAVRAS
EUFEMISMO: é uma maneira de, por meio de palavras
mais polidas, tornar mais suave e sutil uma informação COMPARAÇÃO: estabelece uma equivalência explícita
de cunho desagradável e chocante. entre um comparante e um comparado, por meio de um
termo de comparação, que pode ser uma palavra ou locu-
Ex.1: Infelizmente ele se foi (em vez de “ele morreu”). ção.

Ex.2: A criança nasceu com problemas mentais (em vez Ex.1: Minha irmã é bondosa como um anjo (existe uma re-
de “A criança nasceu retardada.”) lação de qualificações entre a irmã e o anjo; houve, pois,
uma comparação, que se estabeleceu por meio do conec-
GRADAÇÃO: é a maneira ascendente ou descendente tivo como)
como as ideia podem ser organizadas na frase.
Ex.2: Age o neto tal qual os avós (existe uma semelhança
Ex.1: Jonas, inesperadamente, assustou-se. Depois, gri- de ações entre o neto e os avós; houve, pois, uma compa-
tou, aterrorizou-se e morreu (gradação ascendente, do ração, que se estabeleceu por meio do conectivo tal qual)
menor para o maior).
METÁFORA: é uma comparação implícita, ou seja, não
Ex.2: Ela é uma bandida, uma enganadora, uma sem-ver- possui o termo comparativo. Baseia-se numa associação
gonha (gradação descendente, do maior para o menor). de ideias subjetivas: uma palavra deixa o seu contexto
normal para fazer parte de outro contexto.
IRONIA: figura que consiste em dizer, com intenções sar-
cásticas e zombadoras, exatamente o contrário do que se Ex.1: Minha irmã é um anjo.
pensa, do que realmente se quer afirmar.
Existe uma relação de qualificações entre a irmã e o anjo;
Ex.1: Olá! Júlio. Como você está em forma. (considere-se como não houve um conectivo que estabelecesse a rela-
que Júlio seja um rapaz com mais de 130 quilos) ção comparativa, chama-se a essa comparação mental
de metáfora. A palavra anjo não está sendo utilizada em

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seu sentido original; foi tomada como uma qualificação. - O abstrato pelo concreto: A juventude de ontem não
Cabe ao receptor saber que a característica em comum pensa como a de antigamente (Os jovens de hoje...).
entre os dois seres é a bondade.
- O singular pelo plural: O paulista adora trabalhar (Os
Ex.2: Tenho que viajar muito. São os ossos do ofício. paulistas...).

Que características em comum têm o ato de viajar muito - A espécie ou classe pelo indivíduo: "Andai como filhos
e os ossos? É simples: viajar muito é uma das exigências, da luz", recomenda-nos o Apóstolo [referindo-se a São
uma das partes que compõem o trabalho do emissor Paulo, que foi um dos apóstolos (espécie, classe)].
dessa mensagem; os ossos são algumas das partes que
compõem os corpos de alguns seres vivos. Houve a trans- - O indivíduo pela espécie ou classe: Camila é, como diz
ferência do sentido de componente, algo necessário, da sua tia, uma Judas [Judas (indivíduo) foi o mais conhecido
palavra ossos para o ato de viajar. Cabe ao receptor de- traidor (espécie, classe) da história].
codificar essa transferência.
- A qualidade pela espécie: Os acadêmicos estão reuni-
Ex.3: “Veja bem, nosso caso É uma porta entreaberta” dos (em vez de os membros da academia...).
(Gonzaguinha. Grito de Alerta)
- A matéria pelo objeto: Você tem fogo (isqueiro)?
Ex.4: Meu pensamento é um rio subterrâneo. (Fernando
Pessoa) SINESTESIA: é a figura que proporciona a ilusão de mis-
tura de percepções, mistura de sentidos.
CATACRESE: é uma metáfora de uso corrente que, de tão
utilizada no dia a dia, não é mais identificada como me- Ex.1: Você gosta de cheiro-verde [como um cheiro (olfato)
táfora. Seu uso consiste em desviar uma palavra do seu pode ser verde (visão)].
sentido próprio para dar nome a alguma coisa que não
possui uma denominação específica: perna de cadeira, Ex.2: Que voz aveludada Renata tem [como um som (au-
batata da perna, braço do sofá. dição) pode ser aveludado (tato)].

METONÍMIA: é a utilização de uma palavra por outra. PERÍFRASE (OU ANTONOMÁSIA): emprego de palavra
ou expressão designativa da qualidade do ser, em vez do
Essas palavras mantêm-se relacionadas de várias for- nome do ser:
mas:
- O autor pela obra: Você já leu Camões (algum livro de Ex.1: O Poeta dos Escravos morreu na flor dos anos. (Cas-
Camões)? tro Alves)

- O efeito pela causa: O rapaz encomendou a própria Ex.2: O Salvador é que redimirá os homens. (Jesus Cristo)
morte (algo que causaria a sua própria morte).
Ex.3: O Rei do Futebol já fez mais de mil gols (Pelé – Ed-
- O instrumento pela pessoa que dele se utiliza: Júlio sem son Arantes do Nascimento).
dúvida é um excelente garfo (Júlio come muito; o garfo é
um dos instrumentos utilizados para comer). Ex.4: Ainda visitarei a cidade luz. (A cidade de Paris)

- O recipiente (continente) pelo conteúdo: Jonas já bebeu PARADOXO: é uma afirmação que subverte as ideias,
duas garrafas de uísque (ele bebeu, na verdade, o conte- apresentando fatos que mantêm relações incompatíveis
údo de duas garrafas de uísque); Os Estados Unidos as- entre si.
sistem ao espetáculo das eleições (as pessoas que moram Ex.: Amor é fogo que arde sem se ver
nos Estados Unidos assistem...) É ferida que dói e não se sente.

- O símbolo pela coisa significada: O povo aplaudiu as O paradoxo nos obriga a refletir. Procura ressaltar a afi-
medidas tomadas pela Coroa (a coroa, nessa acepção, é nidade entre ideias contraditórias ao provocar surpresa e
símbolo da monarquia, do rei). desestabilizar os clichês.

- O lugar pelo produto: Todos gostam de um bom madeira


(o vinho produzido na Ilha de Madeira). EXERCÍCIOS

- A parte pelo todo: Havia várias pernas se entreolhando 1. A palavra tráfico não dever ser confundida com tráfego,
no ônibus (na verdade, eram as pessoas, que têm as per- seu parônimo. Em que item a seguir o par de vocábulos é
nas, que se entreolhavam). exemplo de homonímia e não de paronímia?
a) estrato / extrato b) flagrante / fragrante

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c) eminente / iminente d) inflação / infração COLUNA A
e) cavaleiro / cavalheiro 1. Prosopopeia 2. Polissíndeto
3. Metonímia 4. Elipse
2. Assinale a alternativa correta, considerando que à di-
reita de cada palavra há um sinônimo. COLUNA B
a) emergir = vir à tona; imergir = mergulhar. ( ) Figura que se presta a substituir um nome por outro
b) emigrar = entrar (no país); imigrar = sair (do país). em virtude de haver entre eles algum relacionamento.
c) delatar = expandir; dilatar = denunciar. ( ) Figura que consiste no uso repetido da conjunção e.
d) deferir = diferenciar; diferir = conceder. ( ) Figura que consiste em se atribuírem qualidades ou
e) dispensa = cômodo; despensa = desobrigação. acontecimentos próprios do ser humano a personagens
não humanos.
3. Indique a letra na qual as palavras completam, corre- ( ) Figura que consiste na omissão de uma palavra ou
tamente, os espaços das frases abaixo. de uma expressão facilmente subentendida.
Quem possui deficiência auditiva não consegue______os
sons com nitidez. Hoje são muitos os governos que passa- Assinale a alternativa que apresenta a correlação COR-
ram a combater o ______ de entorpecentes com rigor. O RETA.
diretor do presídio ______ pesado castigo aos prisioneiros a) 1 – 2 – 3 – 4. b) 3 – 4 – 1 – 2.
revoltosos. c) 4 – 1 – 3 – 2. d) 4 – 3 – 2 – 1.
a) discriminar - tráfico - infligiu e) 3 – 2 – 1 – 4.
b) discriminar - tráfico - infringiu
c) descriminar - tráfego - infringiu 7. Leia o trecho da música Cata-vento e Girassol, de
d) descriminar - tráfego - infligiu Guinga e Aldir Blanc, e responda à questão seguinte.
e) descriminar - tráfico – infringiu “Meu cata-vento tem dentro o que há do lado de fora do
teu girassol. Entre o escancaro e o contido, eu te pedi sus-
4. No ______ do violoncelista ______ havia muitas pes- tenido e você riu bemol.”
soas, pois era uma ______ beneficente. A figura de linguagem predominante nesses versos é:
a) conserto - eminente - sessão a) antítese. b) comparação.
b) concerto - iminente - seção c) eufemismo. d) metáfora.
c) conserto - iminente - seção e) pleonasmo
d) concerto - eminente - sessão
8. Indique a alternativa em que o exemplo dado não cor-
5. Para nos comunicarmos com mais expressividade, uti- responde à figura de linguagem pedida:
lizamos os recursos conhecidos como figuras de lingua- a) Eufemismo: Com alma purificada, ele partiu para a
gem, que se divide em figuras de palavras, figuras de eternidade.
pensamento e figuras de sintaxe. Correlacione cada con- b) Metáfora: “Iracema, a virgem dos lábios de mel‘”
ceito de figura da coluna B com o seu exemplo de figura c) Prosopopeia: As ondas dom mar gritam e gemem ao
na coluna A. encontro das pedras.
COLUNA A d) Antítese: Guerra nas Estrelas é o maior filme de todos
1. “A vida é um barco a navegar em alto mar”. os tempos.
2. “Gosto de ler Machado de Assis e Clarice Lispector”. e) Metonímia: Ler Machado de Assis é conhecer um dos
3. “Já estudei esse assunto mais de um bilhão de vezes”. maiores nomes de nossa Literatura.

COLUNA B 9. Associe segundo o código:


( ) Trata-se de uma figura que exprime um exagero. (1) Metáfora (2) Comparação
( ) É uma figura que consiste em uma comparação con- (3) Metonímia (4) Catacrese
densada sem a presença dos conectivos, como tal como, (5) Antonomásia
assim como etc.
( ) Trata-se de uma figura que consiste em empregar uma ( ) Os alunos indisciplinados quebraram os braços de
palavra no sentido de outra, por haver uma relação de muitas carteiras.
sentido entre elas. ( ) “Conversamos de cousas várias, até que Tristão tocou
um pouco de Mozart.”
Assinale a alternativa que apresenta a correlação COR- ( ) Durante o solene jantar, Juquinha mostrou ser mesmo
RETA da coluna B, de cima para baixo. um bom garfo.
a) 2 – 3 – 1. b) 1 – 2 – 3. ( ) Na primavera da vida, reinam as ilusões.
c) 3 – 2 – 1. d) 2 – 1 – 3. ( ) “Teus olhos são negros, negros, / como as noites sem
e) 3 – 1 – 2. luar “
( ) Adoraria ter conhecido o Pai da Aviação.
6. Correlacione cada conceito de figura da coluna B com
o nome da figura na coluna A.

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