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Equalização

Creditos para Mário Farufyno, dono da comunidade Baixo Brasil


[...]

Desde os primórdios das gravações ficou evidente que era


necessário ter controle sobre o timbre das coisas que muitas vezes
era mal-reproduzidas pelos suportes. Para fazer isso se criaram
circuitos que filtravam (dando ganho ou corte a) determinadas
freqüências.

Existem diversos tipos de equalizadores, alguns cortam todo sinal


que passa acima ou abaixo de determinada freqüência (os
chamados High Cut e Low Cut), o botão de Tone (que significa
Timbre, não tonalidade como traduzem equivocadamente algumas
fabricas daqui) é um botão desse tipo.

Um outro tipo são os de Shelving, aonde podemos dar ganho ou


corte de quantos decibéis (dB) quisermos acima (High Shelf) ou
abaixo (Low Shelf) de determinada freqüência. Eles só têm dois
controles (freq e bosst/cut) e são os chamados Equalizadores
Paramétricos que são usados juntos com um ou mais Eqs de médias,
aonde vc pode determinar a freqüência (center frequency), ganho
ou corte (boost/cut) nela e o quanto que vai alterar de freqüências
vizinhas, o chamado width ou "Q".

Vejam bem, quando puxamos ou atenuamos uma dada freqüência,


sempre alteramos algumas freqüências vizinhas, então o "Q" estreita
ou larga esse espectro de atuação. Eles são, de longe, os Eqs mais
detalhados com que se pode trabalhar, digamos que vc quer matar
o "Hum" de 60Hz dum Fender...

Basta centrar em 60 ciclos, estreitar o "Q" ao máximo e ir cortando,


você vai tirar o "Hum" e preservar tudo abaixo e acima dele. É por
isso que esses são os Eqs mais usados em estúdio (mesmo por que
costumam ser mais complexos e caros).

O outro tipo bastante comum, mesmo por que é mais barato, é o


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Equalizador Gráfico nele você tem controles fixos para freqüência e


width e pode apenas dar ganho ou corte nessas freqüências. O nível
de detalhe que vc vai poder trabalhar vai depender então de
quantas "bandas" (7, 10, 20) ele dispõe para cobrir nosso espectro
auditivo, que vai de 20Hz até 22KHz.

O problema desse tipo de Eq é apenas que sempre uma banda


invade a vizinha e então ele não se presta muito a ações cirúrgicas,
pois se vc tira muito daqui vai ter que compensar nos vizinhos e se
vc não tomar cuidado pode criar desvios de fase no sinal do teu
instrumentos, o que complica a vida de quem for mixar vc (em
especial se for uma mix estéreo).

Mas de qualquer forma o perfil do som fica bem evidente pois ele
acaba descrevendo mesmo um gráfico do espectro sonoro. É um Eq
mais usado para corrigir excessos e deficiências duma sala (quando
tem sobra de graves ou existem agudos em excesso, por exemplo),
tanto em estúdio quanto em PA.

Podemos sempre contar com o Eq para esculpir o nosso timbre ou


para criar um efeito mais dramático, como num solo. O importante
apenas é ter o bom senso de saber que tudo em excesso é mal,
menos é sempre mais, se vc quiser mais clareza, na maior parte das
vezes será melhor cortar médio-grave do que por agudo, assim
como é sempre melhor tirar do que pôr e, se vc esta pondo ou
tirando muitos dBs de determinada freqüência é por que deve ter
tomado algum caminho errado lá no começo...

Muitos equipos tem Eq intermediários, os chamados semi-


paramétricos que, para economizar custos, simplificaram os circuitos
tirando algum dos controles como o "Q" ou o ajuste de "Center
Frequency".

Vou dar algumas faixas que são úteis para baixistas na hora de
buscar realizar a Equalização que procura. Lembrem que por mais
grave que seja a nota que toquemos, ela sempre tem uma porção
de freqüências mais altas que, apesar de menos audíveis, são
características do timbre do seu Baixo, são essas freqüências que
filtraremos para criar uma "assinatura tímbrica" própria, a coloração
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do seu instrumento.

Então é como cozinhar, misturar um pouco de cada coisa para


alcançar um dado resultado e, como na cozinha, às vezes
precisamos duma pitada de Sal pra adoçar o bolo. Dito isso:

As fundamentais, as notas que tocamos, estão abaixo de 120Hz (o


Lá solto é 55Hz), é o chamado grave. Essas freqüências produzem
aquele peso que vc mais sente do que ouve.

A gordura propriamente está, curiosamente, nos médio-graves. Na


verdade vc pode situá-los entre 120 e 300Hz, mas atenção aqui esta
o peso mas o embolo tb (na estreita faixa entre 270 e 300Hz), se
exagerar embola, se faltar fica sem peso.

Entre 600Hz e 2KHz esta a articulação das notas e, se vc puxar bem,


aquele som anasalado de fretless típico do Jaco. É uma freqüência
bem útil para vc ser ouvido em meio a uma mix densa, com muita
gente tocando, mas se exagerar o som fica meio que de radinho.

De 2 a 5KHz está o brilho e definição, aquele som estalado de quem


faz slap e é a região aonde a voz humana mais ressoa (2 a 3K), então
tem q ter bom senso para não encobrir os vocais.

Acima disso o som vai ficando cada vez mais ardido que os caras de
NüMetal tanto gostam mas nesse caso o cuidado deve ser que
daqui para cima estão também os barulhos de dedo, corda etc.

Pro meu gosto, acima de 12 KHz pinta mais é ruído e chiado de


captadores e vazamento de RF do cabo, mas também dar um
boostezinho aqui, as vezes justamente suaviza os barulhos de corda.

Prestem atenção a umas coisas ditas aqui, primeiro é que o timbre é


uma combinação de freqüências, então muitas vezes quando vc
quer obter um som mais pesado, vc deve trabalhar os médios, é o
papo da cozinha (da qual fazemos parte), as vezes usamos açúcar
para equilibrar um molho salgado de tomates, todas as freqüências
são úteis, cabe a nós saber como trabalhá-las...
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Segundo, nem todo ampli indica em que freqüência central seus


knobs atuam, então quando for equalizar tome cuidado com o
botão de "mid" que pode estar ajustado para a região do
peso/embolo até a do radinho/articulação. São nas médias que vc
pode acertar ou quebrar a cara, mesmo por que o "Q" delas é mais
aberto o que significa que muitas vezes puxamos ou atenuamos
mais do que queremos.

Nenhum ajuste vale em qualquer sala, mudou a sala, ou canto da


sala em que esta tocando, tem que refazer o ajuste fino das
freqüências.

Se vc estiver tocando sozinho e encontrar a sua regulagem, lembre


que quando a banda começar a tocar, algumas freqüências serão
encobertas e vc terá de compensá-las.

Essas freqüências que indiquei são como guias, vc deve procurar na


sua combinação baixo, captadores, cabo e ampli (sem falar na sala)
em quais freqüências pode-se obter aqueles resultados, isso não é
uma receita pronta, alguns baixos são naturalmente puxados para
essa ou aquela freqüência então use seu ouvido mais do que a uma
tabela para equalizar.