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Direito Administrativo

Prof. Carlos André Policia Civil – SC

Direito Administrativo: Conceitos, Fontes e Princípios do Direito


Administrativo. Administração Pública: órgãos e agentes
públicos. Princípios Básicos da Administração Pública. Uso e
Abuso do Poder. Poderes Administrativos. Ato Administrativo:
conceito, classificação e invalidação. Contrato Administrativo:
princípios gerais, espécies e rescisão. Licitação. Serviços
Públicos: princípios gerais. Administração Direta e indireta.

Conceitos, Fontes e Princípios do Direito


Administrativo.

1. Conceito
Um dos ramos do Direito Público que rege a organização
e o exercício das atividades do Estado voltadas para a
satisfação de interesses públicos; 3. Princípios do Direito Administrativo
Segundo Hely Lopes Meyrelles:
1. Princípio da Supremacia do Interesse Público
“Conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem os sobre o Particular e da Indisponibilidade
órgãos, agentes e as atividades públicas tendentes a
realizar concreta, direta e imediatamente os fins Na maioria das vezes a Administração, para buscar de
desejados pelo Estado.” maneira eficaz seus interesses, necessita ainda de se
colocar em um patamar de superioridade em relação aos
Segundo Maria Sylvia Di Pietro:
particulares, numa relação de verticalidade, e para isto se
utiliza do princípio da supremacia, conjugado ao princípio
“Ramo do Direito Público que tem por objeto os órgãos,
da indisponibilidade, pois, tecnicamente, tal prerrogativa
agentes e pessoas jurídicas administrativas que integram
é irrenunciável, por não haver faculdade de atuação ou
a Administração Pública, a atividade jurídica não
não do Poder Público, mas sim “dever” de atuação.
contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para
a consecução de seus fins, de natureza política.”
Por tal princípio, sempre que houver conflito entre um
interesse individual e um interesse público coletivo, deve
prevalecer o interesse público. São as prerrogativas
conferidas à Administração Pública, porque esta atua por
conta de tal interesse.

Como exemplos podemos citar a existência legal de


cláusulas exorbitantes em favor da Administração, nos
contratos administrativos; as restrições ao direito de
greve dos agentes públicos; a encampação de serviços
concedidos pela Administração etc.

2. Princípios da Tutela e da Autotutela da


Administração Pública

Prerrogativa da Administração pela qual à esta cabe a


anulação dos atos ilegais e a revogação de atos válidos e
eficazes, quando considerados inconvenientes.
2. Fontes do Direito Administrativo A Administração possui a faculdade de rever os seus
Fonte do Direito significa a origem de uma norma jurídica,
atos, de forma a possibilitar a adequação destes à
a gênese de formação da ordem jurídica. Não existe,
realidade fática em que atua, e declarar nulos os efeitos
contudo, uniformidade na doutrina sobre esse tema.
dos atos eivados de vícios quanto à legalidade.
Segundo Hely Lopes Meirelles, seguindo a doutrina
tradicional administrativista, existem quatro fontes do
Direito Administrativo: a lei, a jurisprudência, a doutrina e O sistema de controle dos atos da Administração adotado
os costumes. no Brasil é o jurisdicional. Esse sistema possibilita, de

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forma inexorável, ao Judiciário, a revisão das decisões de corte, preenchidos os requisitos previstos no artigo 6º,
tomadas no âmbito da Administração, no tocante à sua § 3º, incisos I e II, da Lei n. 8.987/95, e da vedação
legalidade, É, portanto, denominado controle finalístico, expressa de corte de fornecimento em relação a tais
ou de legalidade. serviços, prevista no artigo 22 do Código de Defesa do
Consumidor.
À Administração, por conseguinte, cabe tanto a anulação
dos atos ilegais como a revogação de atos válidos e 5. Princípio da Motivação
eficazes, quando considerados inconvenientes ou
inoportunos aos fins buscados pela Administração. É a obrigação conferida ao administrador de motivar
todos os atos que edita, sejam gerais, sejam de efeitos
Essa forma de controle endógeno da Administração concretos.
denomina-se princípio da autotutela. Ao Poder Judiciário
cabe somente a anulação de atos reputados ilegais. O É considerado, entre os demais princípios, um dos mais
embasamento de tais condutas é pautado nas Súmulas importantes, uma vez que sem a motivação não há o
346 e 473 do Supremo Tribunal Federal. devido processo legal, pois a fundamentação surge como
meio interpretativo da decisão que levou à prática do ato
3. Princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade impugnado, sendo verdadeiro meio de viabilização do
controle da legalidade dos atos da Administração.
Os princípios acima surgem de idéias como a limitação
de direitos, preconizada por Renato Alessi, segundo o Motivar significa:
qual “todo direito pressupõe a noção de limite”, e da
proibição do excesso, usada como meio de interpretação - mencionar o dispositivo legal aplicável ao caso
de tais princípios por Hely Lopes Meirelles, pois visam a concreto;
evitar toda forma de intervenção ou restrição abusiva ou
desnecessária por parte da Administração Pública. - relacionar os fatos que concretamente levaram à
aplicação daquele dispositivo legal.
Com efeito, tal análise deve ser realizada utilizando-se
dos critérios e “valores atinentes ao homem médio”, de Em relação à necessidade de motivação dos atos
acordo com Lúcia Valle Figueiredo. administrativos vinculados (aqueles em que a lei aponta
um único comportamento possível) e dos atos
Na doutrina, prevalece a noção de que os princípios da discricionários (aqueles que a lei, dentro dos limites nela
razoabilidade e da proporcionalidade se entrelaçam e se previstos, aponta um ou mais comportamentos possíveis,
completam, ou seja, não são considerados de acordo com um juízo de conveniência e
separadamente. oportunidade), a doutrina é uníssona na determinação da
obrigatoriedade de motivação com relação aos atos
Assumem grande importância quando da atuação administrativos vinculados; todavia, diverge quanto à
administrativa por meio do poder de polícia, e em geral referida necessidade quanto aos atos discricionários.
na expedição de todos os atos de cunho discricionários.
Hely Lopes Meirelles entende que o ato discricionário,
4. Princípio da Continuidade dos Serviços Públicos editado sob os limites da Lei, confere ao administrador
uma margem de liberdade para fazer um juízo de
Em razão de ter o Estado assumido a prestação de conveniência e oportunidade, não sendo necessária a
determinados serviços, por considerar que estes são motivação. No entanto, se houver tal fundamentação, o
fundamentais à coletividade, mesmo os prestando de ato deverá condicionar-se a esta, em razão da
forma descentralizada ou ainda delegada, deve a necessidade de observância da Teoria dos Motivos
Administração, até por uma questão de coerência, Determinantes.
oferecê-los de forma contínua, ininterrupta.
O entendimento majoritário da doutrina, porém, é de que,
Pelo princípio da continuidade dos serviços públicos, o mesmo no ato discricionário, é necessária a motivação
Estado é obrigado a não interromper a prestação dos para que se saiba qual o caminho adotado pelo
serviços que disponibiliza. administrador. O eminente Professor Diógenes Gasparini,
com respaldo no art. 50 da Lei n. 9.784/98, aponta
Em relação à interrupção dos serviços, questão inclusive a superação de tais discussões doutrinárias,
interessante se levanta na aplicação da eficiência e pois o referido artigo exige a motivação para todos os
continuidade dos serviços prestados pela Administração atos nele elencados, compreendendo entre estes, tanto
em caso de inadimplência, havendo divergência os atos discricionários quanto os vinculados.
jurisprudencial e doutrinária a respeito da possibilidade
de corte de fornecimento dos serviços essenciais,
notadamente quanto à aplicação da possibilidade legal
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Princípios Básicos da Administração Pública. O princípio da eficiência, incluído pela EC nº 19/98,


representa a tendência de preocupação com a
L egalidade administração gerencial da administração pública, que
além de agir dentro da legalidade, da impessoalidade e
I mpessoalidade
da moralidade, deve adequar a utilização racional dos
M oralidade recursos para atender aos fins do interesse público,
P ublicidade alcançando o resultado adequado (eficiente).
E ficiência

Administração Pública: Órgãos Públicos


O princípio da Legalidade determina que a eficácia da
atividade administrativa está condicionada ao 1. Conceito:
atendimento da lei. “Enquanto na administração particular
é permitido fazer tudo que a lei não proíbe, na Celso Antônio Bandeira de Mello – “círculos de
administração pública só é permitido fazer o que a lei atribuições, os feixes individuais de poderes funcionais
expressamente autoriza”. repartidos no interior da personalidade estatal e
O princípio da Impessoalidade, uma espécie ou expressados através dos agentes neles providos”.
derivação do princípio da finalidade, significa
Conceito legal: art. 1º, § 2º, I da Lei 9784/99 – “unidade
imparcialidade da motivação e decorre da necessidade
de atuação integrante da estrutura da Administração
de que o administrador pratique o ato para seu fim legal:
direta e da estrutura da Administração indireta”.
o interesse público. Para tal torna-se necessário
estabelecer regras objetivas, que em todos os casos Órgão não tem personalidade jurídica, uma vez que
garantam unicamente o bom andamento do serviço. O integra a estrutura da Administração.
descumprimento deste princípio leva ao “desvio de
finalidade”. Este princípio também deve ser entendido Teoria do órgão: pessoa jurídica manifesta a sua vontade
para excluir a promoção pessoal de autoridades, o que por meio dos órgãos, de tal modo que quando os agentes
não quer dizer que o interesse público não possa que os compõem manifestam a sua vontade, é como se o
coincidir com o de particulares, como ocorre próprio Estado o fizesse. Idéia de imputação.
normalmente nos atos administrativos negociais. O que é
vedado é a prática de ato sem interesse público, visando
unicamente a satisfazer interesses particulares.
Administração Pública: Agentes Públicos
Já o princípio da Moralidade, também conhecido como
princípio da probidade, não trata da moral comum, mas
1. Classificação dos Agentes Públicos
da moral jurídica, um conjunto de regras de conduta.
Desta forma moralidade significa mais do que o simples
atendimento à legalidade, por isso estes conceitos não se A administração pública no Brasil age através de seus
confundem. Apesar de alguns autores não aceitarem a agentes. Agente Público é toda pessoa, vinculada ou não
validade objetiva deste princípio, por entenderem que seu ao Estado, que presta serviço ao mesmo, de forma
conceito é vago e impreciso, para efeitos de concursos, o permanente ou ocasional. É a parte humana do Estado. Eis
princípio é objetivo e válido inclusive como motivação abaixo os tipos de agentes públicos existentes em nosso
ordenamento jurídico, de acordo com a doutrina majoritária.
para anulação de atos administrativos.
O princípio da Publicidade determina a divulgação dos
1.1. Agentes Políticos
atos administrativos, que produzem efeitos jurídicos fora
dos órgãos que os emite, para conhecimento público em
São os que ocupam os cargos principais na estrutura
órgão da imprensa oficial. Nos municípios onde não haja
constitucional, em situação de representar a vontade
órgão oficial, considera-se publicidade a afixação do ato
política do Estado. São chamados, pelo art. 39 § 4º da
na sede da prefeitura ou da Câmara. Mas a lei pode
CF/88, de “membros de poder”. São os componentes do
limitar a publicidade dos atos sem que os torne nulos.
Governo nos seus primeiros os escalões, investidos em
Relembrando o princípio da impessoalidade, a
cargos, funções, mandatos ou comissões, por nomeação,
publicidade do ato não pode caracterizar promoção
eleição, designação ou delegação para o exercício de
pessoal do agente. Na esfera federal a publicidade oficial
atribuições constitucionais. Esses agentes atuam com
está vinculada à publicação no DOU, mas, em outras
plena liberdade funcional, desempenhando suas atribuições
esferas de poder, é possível considerar jornais,
com prerrogativas e responsabilidades próprias,
contratados especificamente para publicação de atos,
estabelecidas na Constituição e em leis especiais. Não são
como órgão oficial de publicação.
servidores ou empregados públicos, nem se sujeitam ao
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regime jurídico estabelecido pela Constituição Federal de 1.4. Agentes Credenciados


1988. Têm normas específicas para sua escolha,
investidura, conduta e processo por crimes funcionais e de São os que recebem a incumbência da Administração para
responsabilidade, que lhes são privativos. representá-la em determinado ato ou praticar certa
atividade específica, mediante remuneração do Poder
Nesta categoria encontram-se os Chefes do Executivo Público credenciante. Nesta categoria podemos elencar
(Presidente da República, Governadores e Prefeitos) e alguns dos peritos que atuam no poder judiciário mediante
seus auxiliares imediatos (Ministros e Secretários de credenciamento, bem como os tradutores juramentados.
Estado e de Município), os membros das Corporações
Legislativas (Senadores, Deputados e Vereadores), os É importante ressaltar que para fins penais, os
membros do Poder Judiciário (Magistrados em geral), os colaboradores particulares (honoríficos, delegados e
membros do Ministério Público (Procuradores da República credenciados) e os agentes políticos equiparam-se a
e da Justiça e os Promotores Públicos), os membros dos funcionários públicos (art. 327 do Código Penal).
Tribunais de Contas (Ministros, Auditores e Conselheiros), Equiparam-se também no que se refere à responsabilidade
os representantes diplomáticos e demais autoridades que por atos de improbidade administrativa (art. 2º da Lei
atuam com independência funcional no desempenho de 8.429/92).
atribuições governamentais, judiciais ou quase-judiciais,
estranhas ao quadro do servidor público.
1.5. Agentes Administrativos
1.2. Agentes Honoríficos

São os servidores e empregados públicos em geral, podem


São particulares que colaboram com o poder público ser civis ou militares, bem como temporários (interinos). A
voluntária ou compulsoriamente (pessoas que são Constituição Federal admite as seguintes modalidades:
requisitadas). Cidadãos convocados, designados ou servidores públicos de cargo efetivo (concursado),
nomeados para prestar, transitoriamente, determinados servidores públicos de cargo em comissão, empregados
serviços ao Estado, em razão de sua condição cívica, de públicos e os temporários. São todos aqueles que se
sua honorabilidade ou de sua notória capacidade vinculam ao Estado ou às suas entidades autárquicas e
profissional, mas sem qualquer vínculo empregatício ou fundacionais, ou ainda às empresas públicas e sociedades
estatutário e, normalmente sem remuneração. Tais serviços de economia mista por relações profissionais, sujeitos à
constituem o chamado múnus público, ou serviços públicos hierarquia funcional e ao regime jurídico da entidade estatal
relevantes, de que são exemplos a função de jurado, de a que servem.
mesário eleitoral, de comissário de menores, de presidente
ou membro de comissão de estudo ou de julgamento,
→ Servidores – Cargo Efetivo
conciliadores e juizes leigos dos Juizados Especiais e
→ Servidores – Cargo Comissionado
outros dessa natureza.
→ Empregados Públicos
→ Temporários (excepcional interesse público)
1.3. Agentes Delegados

Particulares que exercem atividade pública mediante poder


delegado pelo governo. São particulares que recebem a
incumbência da execução de determinada atividade, obra
ou serviço público e o realizam em nome próprio, por sua
conta e risco, mas segundo as normas do Estado e sob a
permanente fiscalização do delegante. Esses agentes não
são servidores públicos, nem honoríficos, nem
representantes do Estado. Todavia, constituem uma
categoria à parte de colaboradores do Poder Público.
Nessa categoria encontram-se os concessionários e
permissionários de obras e serviços públicos, os
serventuários de ofícios ou cartórios não estatizados, todos
os terceirizados, os leiloeiros, as demais pessoas que
recebem delegação para a prática de alguma atividade
estatal ou serviço de interesse coletivo.

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Poderes Administrativos destinam a tornar viáveis as tarefas administrativas. De


1
acordo com o autor Marcus Vinicius Correa Bittencourt ,
1. Conceitos Básicos de Poder e Dever “para que a administração pública possa tutelar
adequadamente os interesses coletivos, o regime jurídico
Visando atender o interesse público, a Administração é administrativo confere a ela determinadas prerrogativas
dotada de certos poderes, denominados poderes que se apresentam como poderes administrativos”.
administrativos, proporcionais aos encargos que lhes são Nascem com a Administração e se apresentam
atribuídos e que se constituem em seus verdadeiros diversificados segundo as exigências do serviço público,
instrumentos de trabalho para realização de suas tarefas, o interesse da coletividade e os objetivos a que se
razão porque são chamados de poderes instrumentais, e dirigem. Os tipos de poderes mais comuns na
se distinguem do poder político que é expresso em lei e administração pública são os abaixo listados:
imposto pela moral administrativa e pelo interesse da
coletividade. 2.1. Poder Vinculado

Além dos poderes que estudaremos a seguir, o É aquele que a lei confere à Administração Pública para
administrador público também atua com certos deveres a prática de ato de sua competência, determinando os
para com a comunidade e para com os indivíduos, no elementos e requisitos necessários à sua formalização.
sentido de que quem o detém está sempre na obrigação
de exercitá-lo. 2.2. Poder Discricionário

Dever de Eficiência: é o que se impõe a todo É aquele que a lei confere à Administração Pública, de
agente público de realizar suas atribuições com modo explícito ou implícito, para a prática de atos
presteza, perfeição e rendimento funcional. administrativos com liberdade na escolha de sua
conveniência (utilidade), oportunidade (ocasião) e
Dever de Agir: a administração, dentro de sua conteúdo.
competência, tem o dever de agir, sendo a
omissão considerada uma forma de abuso. Há
doutrinadores que conceituam este dever como
sendo um “poder-dever” de agir, uma vez que o
poder inerente da função pública deve
obrigatoriamente ser colocado em prática para
fazer valer os interesses públicos.

Dever de Probidade: dever de probidade


(honestidade) na conduta do administrador
público como elemento necessário à legitimidade
de seus atos.
2.3. Poder Hierárquico
Dever de Prestar Contas: é decorrência natural
da administração, como encargo de gestão de
É o que dispõe o Executivo para distribuir e escalonar as
bens e interesses alheios. A prestação de contas
funções de seus órgãos, ordenar e rever a atuação de
não se refere apenas ao dinheiro público e gestão
seus agentes, estabelecendo a relação de subordinação
financeira, mas a todos os atos de governo e de
entre os servidores do seu quadro de pessoal.
administração.
2.4. Poder Regulamentar

É o poder que de regulamentar atividades e serviços


2. Poderes do Estado
públicos através de decretos executivos que são atos
privativos dos chefes do poder executivo (presidente,
O Estado é dotado de poderes políticos, exercidos pelo
governador e prefeito).
Legislativo, pelo Judiciário e pelo Executivo, no
desempenho de suas funções constitucionais, e de
poderes administrativos, que surgem secundariamente
com a Administração e se efetivam de acordo com as 1
exigências do serviço público e com os interesses da BITTENCOURT, Marcos Vinicius Correa. Manual de
comunidade. São poderes dotados pela Administração Direito Administrativo. Belo Horizonte: Editora
Pública para bem atender ao interesse. São todos Fórum, 2005.
classificados como "poderes instrumentais" já que se

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2.5. Poder Disciplinar prestação de serviço a que por lei está obrigada, lesa o
patrimônio jurídico individual. É forma omissiva de abuso
É a faculdade de punir internamente as infrações de poder, quer o ato seja doloso ou culposo.”
funcionais dos servidores e demais pessoas sujeitas à
disciplina dos órgãos e serviços da Administração
Pública.
Entre nós, o abuso de poder tem merecido repúdio
2.6. Poder de Polícia sistemático da doutrina e da jurisprudência e, para seu
combate, o constituinte armou-nos com o remédio
É a faculdade de que dispõe a Administração Pública 2
heróico do mandado de segurança , cabível contra ato de
para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, qualquer autoridade, e assegurou a toda pessoa o direito
atividades e direitos individuais, em benefício da 3
de representação contra abuso de autoridade,
coletividade ou do próprio Estado. São espécies de poder complementando o sistema de proteção contra esses
de polícia: excessos de poder.

Poder de Polícia Administrativa: incide sobre os bens, O gênero abuso de poder ou abuso de autoridade,
direitos e atividades. É inerente e se difunde por toda a compreende três espécies bem caracterizadas: o
Administração Pública. excesso de poder, desvio de poder (ou desvio de
finalidade) e a omissão da administração (doutrina
Poder de Polícia Judiciária: é aquele que atua na moderna).
manutenção da ordem pública, agindo sobre as pessoas,
individualmente ou indiscriminadamente. É um poder 3.1. Excesso de Poder
privativo de determinados órgãos (Polícias Civis) ou
corporações (Polícias Militares). Ocorre quando a autoridade, ainda que competente para
praticar o ato, vai além do permitido, exorbitando o uso
de suas faculdades administrativas e, assim, excedendo
sua competência legal, invalida o ato, pois ninguém pode
agir em nome da Administração fora do que a lei lhe
permite.

3.2. Desvio de Finalidade

Também conhecido como “desvio de poder” verifica-se


quando a autoridade, embora atuando nos limites de sua
competência, pratica o ato por motivos ou com fins
diversos dos objetivados pela lei ou exigidos pelo
interesse público, tornando assim, uma violação
ideológica ou uma violação moral da lei. Ocorre, por
exemplo, quando a autoridade pública decreta uma
desapropriação alegando utilidade pública, mas visando
apenas favorecer um particular ou interesse pessoal ou,
3. Abuso de Poder
ainda, quando outorga uma permissão sem interesse
O abuso do poder ocorre quando a autoridade, embora coletivo. O ato praticado com desvio de finalidade, como
competente para praticar o ato, ultrapassa os limites de todo ato imoral ou ilícito, é consumado ou às escondidas
suas atribuições ou se desvia das finalidades ou se apresenta disfarçado como ato legal e de interesse
administrativas. O abuso do poder, como todo ato ilícito, público.
reveste as formas mais diversas, apresentando-se ora
3.3. Omissão da Administração
ostensivo, como a truculência, ora dissimulado, como o
estelionato, não raro encoberto na aparência ilusória dos
A omissão como abuso, decorre da inércia da
atos legais. Em qualquer desses aspectos – flagrante ou
Administração com base no principio do poder-dever de
disfarçado – o abuso do poder é sempre uma ilegalidade
agir. Retardando ato ou fato que deva praticar, é abuso
invalidadora do ato que o contém.
de poder, que enseja correção judicial e indenização ao
prejudicado.
O abuso do poder tanto pode revestir a forma comissiva
como a omissiva, porque ambas são capazes de afrontar
a lei e causar lesão a direito individual do administrado.
“A inércia da autoridade administrativa – diz Caio Tácito, 2
Art. 5.º, inc. LXIX da CF/88 e Lei n.º 1.533/51.
citado por Meirelles – deixando de executar determinada 3
Art. 5.º, XXXIV, “a” da CF/88.
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Atos Administrativos: a) Atos regidos pelo Direito Privado, como locação de


imóvel para uma repartição pública;
Conceito, classificação e Invalidação.
b) Atos materiais, como pavimentar uma rua, praticar
1. Conceito de Ato Administrativo: A Administração uma operação cirúrgica através de um médico
Pública realiza sua função executiva por meio de atos os funcionário, etc.
jurídicos que recebem a denominação especial de atos
administrativos. Tais atos, por sua natureza, conteúdo e c) Atos políticos ou atos de governo, em funções típicas
forma, diferenciam-se dos que emanam do Legislativo como tomar a iniciativa de uma lei, ofertar um indulto,
(leis) e do Judiciário (decisões judiciais), quando sancionar ou vetar uma lei, etc.
desempenham suas atribuições específicas de legislação
O ato administrativo típico, portanto, é sempre
e de jurisdição. Temos, assim, na atividade pública geral,
manifestado pela vontade da Administração no
três categorias de atos os inconfundíveis entre si: atos
desempenho de suas funções, o que o distingue de fato
legislativos, atos judiciais e atos administrativos.
administrativo.
A prática de atos administrativos cabe, em principio e
2. Fato Administrativo é toda a realização material da
normalmente, aos órgãos executivos, mas as autoridades
Administração em cumprimento de alguma decisão
judiciárias e as mesas legislativas também os praticam
administrativa, tal como a construção de uma estrada,
restritamente, quando ordenam seus próprios serviços,
ponte ou instalação de um serviço público, entre outros.
dispõem sobre seus servidores ou expedem instruções
Um fato administrativo vem sempre depois de um ato
sobre matéria de sua privativa competência. Esses atos
administrativo. O Fato Administrativo apenas exterioriza
são tipicamente administrativos, embora provindos de
materialmente o conteúdo do ato que lhe precedeu. O
órgãos judiciários ou de corporações legislativas, e, como
fato administrativo produz efeito jurídico no campo do
tais, se sujeitam a revogação ou a anulação no âmbito
direito administrativo. Caso o fato não produza efeitos
interno ou pelas vias judiciais, como os demais atos 4
jurídicos, ele é chamado de fato da administração .
administrativos do Executivo.
3. Requisitos necessários à sua formação:
Assim, ato administrativo é toda manifestação unilateral
competência, finalidade, forma, motivo e objeto.
de vontade da Administração Pública que, agindo nessa
qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar,
Competência é a condição primeira de sua validade.
transferir, modificar, extinguir e declarar direitos, ou impor
Nenhum ato - discricionário ou vinculado - pode ser
obrigações aos administrados ou a si própria. Condição
realizado validamente sem que o agente disponha de
primeira para o surgimento do ato administrativo é que a
poder legal para praticá-lo. Todo ato emanado de
Administração aja nessa qualidade, usando de sua
agente incompetente, ou realizado além do limite de
supremacia de Poder Público, visto que algumas vezes
que dispõe a autoridade incumbida de sua prática, é
nivela-se ao particular e o ato perde a característica
inválido, por lhe faltar um elemento básico de sua
administrativa, igualando-se ao ato jurídico privado. A
perfeição, qual seja, o poder jurídico para manifestar a
segunda, é que contenha manifestação de vontade apta
vontade da Administração.
a produzir efeitos jurídicos para os administrados, para a
própria Administração ou para seus servidores e a
Competência - Lei n.º 9.784/99
terceira, é que provenha de agente competente, com
finalidade pública e revestindo forma legal. Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos
órgãos administrativos a que foi atribuída como própria,
O conceito acima - segundo Hely Lopes Meirelles -
salvo os casos de delegação e avocação legalmente
restringe-se apenas ao ato administrativo unilateral, ou
admitidos.
seja, àquele que se forma com a vontade única da
Administração, e que é o ato administrativo típico. Há
ainda os atos administrativos bilaterais, constituídos
pelos Contratos Administrativos. Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se
não houver impedimento legal, delegar parte da sua
A rigor, todo ato praticado no exercício da função competência a outros órgãos ou titulares, ainda que estes
administrativa é ato da Administração. Todavia, não se não lhe sejam hierarquicamente
deve confundir quaisquer atos administrativos com atos
da Administração. Oswaldo Aranha Bandeira de Mello
ensina que a Administração pratica inúmeros atos que
não interessa considerá-los como atos administrativos e
que em resumo são: 4
DI PIETRO. Maria Sylvia Zanella. Direito
Administrativo. Editora Atlas: São Paulo, 2004. Pg. 183.
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subordinados, quando for conveniente, em razão de procedimentos especiais e forma legal para que se
circunstâncias de índole técnica, social, econômica, expresse validamente.
jurídica ou territorial.
Motivo ou causa é a situação de direito ou de fato
Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplica- que determina ou autoriza a realização do ato
se à delegação de competência dos órgãos colegiados administrativo. O motivo, como elemento integrante da
aos respectivos presidentes. perfeição do ato, pode vir expresso em lei, como pode
ser deixado ao critério do administrador. No primeiro
Art. 13. Não podem ser objeto de delegação: caso será um elemento vinculado e no segundo,
discricionário, quanto à sua existência e valoração. Da
I - a edição de atos de caráter normativo; diversidade das hipóteses ocorrentes resultará a
exigência ou a dispensa da motivação do ato.
II - a decisão de recursos administrativos;
Dentro deste requisito, há que se ressaltar a Teoria
III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou dos Motivos Determinantes (Gaston Jéze) que, de
autoridade. acordo com o doutrinador Alexandre de Moraes ,
5

“aplica-se a todos os atos administrativos, pois,


mesmo naqueles em que a lei não exija a
Art. 14. O ato de delegação e sua revogação deverão ser obrigatoriedade de motivação, se o agente optar por
publicados no meio oficial. motivá-los, não poderá alegar pressupostos de fato e
de direito inexistentes”.
§ 1° O ato de delegação especificará as matérias e
poderes transferidos, os limites da atuação do delegado, Esta teoria alimentada pela maioria dos doutrinadores
a duração e os objetivos da delegação e o recurso administrativistas brasileiros, afirma que os motivos
cabível, podendo conter ressalva de exercício da expostos pela administração que justificam a
atribuição delegada. realização de um determinado ato administrativo
associam-se à validade da mesma, de forma que se o
§ 2° O ato de delegação é revogável a qualquer tempo agente não estivesse obrigado a motivá-lo e mesmo
pela autoridade delegante. assim a motivação fosse feita, o pressuposto de fato e
de direito há que ser legítimo.
§ 3° As decisões adotadas por delegação devem
mencionar explicitamente esta qualidade e considerar-se- MOTIVAÇÃO - Lei n.º 9.784/99.
ão editadas pelo delegado.

Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados,


Art. 15. Será permitida, em caráter excepcional e por com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos,
motivos relevantes devidamente justificados, a avocação quando:
temporária de competência atribuída a órgão
hierarquicamente inferior. I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;

II - imponham ou agravem deveres, encargos ou


sanções;
Art. 16. Os órgãos e entidades administrativas divulgarão
publicamente os locais das respectivas sedes e, quando III - decidam processos administrativos de concurso ou
conveniente, a unidade fundacional competente em seleção pública;
matéria de interesse especial.
IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo
licitatório;

Finalidade é o objetivo de interesse público a atingir. V - decidam recursos administrativos;


Não se compreende ato administrativo sem fim
VI - decorram de reexame de ofício;
público.

Forma é o revestimento exteriorizador do ato


administrativo. Constitui requisito imprescindível à sua
perfeição. Enquanto a vontade dos particulares pode
5
manifestar-se livremente, a da Administração exige MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional
Administrativo. Editora Atlas: São Paulo, 2005. Pg. 131.
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VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a direta execução pela própria Administração,
questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e independentemente de ordem judicial.
relatórios oficiais;
5. Principais Classificações
VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou
convalidação de ato administrativo. Quanto aos seus destinatários, os atos administrativos
podem ser gerais ou individuais.
§ 1° A motivação deve ser explícita, clara e congruente,
podendo consistir em declaração de concordância com Atos administrativos gerais ou regulamentares são
aqueles expedidos sem destinatários determinados,
fundamentos de anteriores pareceres, informações,
alcançando todos os sujeitos que se encontrem na
decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte mesma situação de fato abrangida por seus preceitos.
integrante do ato.
Atos administrativos individuais ou especiais são
§ 2° Na solução de vários assuntos da mesma natureza, todos aqueles que se dirigem a destinatários certos,
pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os criando-lhes situação jurídica particular.
fundamentos das decisões, desde que não prejudique
direito ou garantia dos interessados. Quanto ao alcance, os atos administrativos podem ser
internos ou externos.
§ 3° A motivação das decisões de órgãos colegiados e
comissões ou de decisões orais constará da respectiva Atos administrativos internos são os destinados a
ata ou de termo escrito. produzir efeitos no recesso das repartições
administrativas.
Objeto é a criação, modificação ou comprovação de
Atos administrativos externos, ou, mais
situações jurídicas concernentes a pessoas, coisas ou
propriamente, de efeitos externos, são todos aqueles
atividades sujeitas à ação do Poder Público.
que alcançam os administrados, os contratantes e, em
4. Atributos: Os atos administrativos, como emanação certos casos, os próprios servidores, provendo sobre
do Poder Público, trazem em si certos atributos que os seus direitos, obrigações, negócios ou conduta
distinguem dos atos jurídicos privados e lhes emprestam perante a Administração. Tais atos, pela sua
características próprias e condições peculiares de destinação, só entram em vigor ou execução depois
atuação. Referimo-nos à presunção de legitimidade, a de divulgados pelo órgão oficial, dado o interesse do
imperatividade e a auto-executoriedade. público no seu conhecimento.

Os atos administrativos, qualquer que seja sua Quanto ao seu objeto, os atos administrativos podem ser
categoria ou espécie, nascem com a presunção de atos de império, de gestão e de expediente.
legitimidade, independentemente de norma legal que
Atos de império ou de autoridade são todos aqueles
a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da
que a Administração pratica usando de sua
legalidade da Administração. Enquanto não sobrevier
supremacia sobre o administrado ou servidor e lhes
o pronunciamento de nulidade, os atos administrativos
impõe obrigatório atendimento.
são tidos por válidos e operantes, quer para a
Administração, quer para os particulares sujeitos ou
Atos de gestão são os que a Administração pratica
beneficiários de seus efeitos.
sem usar de sua supremacia sobre os destinatários.
Tal ocorre nos atos puramente de administração dos
A imperatividade é o atributo do ato administrativo
bens e serviços públicos e nos negociais com os
que impõe a coercibilidade para seu cumprimento ou
particulares, que não exigem coerção sobre os
execução. Esse atributo não está presente em todos
interessados.
os atos, visto que alguns deles o dispensam, por
desnecessário à sua operatividade, uma vez que os
Atos administrativos de expediente são todos
efeitos jurídicos do ato dependem exclusivamente do
aqueles que se destinam a dar andamento aos
interesse do particular na sua utilização. Os atos,
processos e papéis que tramitam pelas repartições
porém, que consubstanciam um provimento ou uma
públicas, preparando-os para a decisão de mérito a
ordem administrativa (atos normativos, ordinatórios,
ser proferida pela autoridade competente. São atos de
punitivos) nascem sempre com imperatividade, ou
rotina interna.
seja, com a força impositiva própria do Poder Público.

A auto-executoriedade consiste na possibilidade que


certos atos os administrativos ensejam de imediata e

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Quanto ao seu regramento, os atos podem ser indicando os vícios que lhe dão origem. É virtual
vinculados ou discricionários. quando a invalidade decorre da infringência de
princípios específicos do Direito Público, reconhecidos
Atos vinculados ou regrados são aqueles para os por interpretação das normas concernentes ao ato.
quais a lei estabelece os requisitos e condições de Em qualquer destes casos, porém, o ato é ilegítimo ou
sua realização. Lei no sentido latu sensu. ilegal, mas produz efeitos válidos entre as partes
enquanto não for anulado, haja vista nascem com o
Atos discricionários são os que a Administração atributo da presunção de legitimidade. A nulidade
pode praticar com liberdade de escolha de seu deve ser reconhecida e proclamada pela
conteúdo, de seu destinatário, de sua conveniência, Administração ou pelo judiciário, não sendo permitido
de sua oportunidade e do modo de sua realização. ao particular negar exeqüibilidade ao ato
administrativo, ainda que nulo, enquanto não for
Quanto ao conteúdo, o ato administrativo pode ser
regularmente declarada sua invalidade, mas essa
constitutivo, extintivo, declaratório, alienativo, modificativo
declaração opera ex tunc, isto é, retroage as suas
ou abdicativo de direitos ou de situações.
origens e alcança todos os seus efeitos passados,
Ato constitutivo é o que cria uma nova situação presentes e futuros em relação às partes. Este ato é
jurídica individual para seus destinatários, em relação chamado de anulável haja vista a possibilidade de
à Administração. anulação ou convalidação do ato.

Ato extintivo ou desconstitutivo é o que põe termo a Ato nulo ou inexistente é o que apenas tem
situações jurídicas individuais, como a cassação de aparência de manifestação regular da Administração,
autorização, a encampação de serviço de utilidade mas não chega a se aperfeiçoar como ato
pública. administrativo. É o que ocorre, por exemplo, com o
"ato" praticado por um usurpador de função pública.
Ato declaratório é o que visa preservar direitos, Tais atos equiparam-se, em nosso Direito, aos atos
reconhecer situações preexistentes ou, mesmo, nulos, sendo assim, irrelevante e sem interesse
possibilitar seu exercício. prático a distinção entre nulidade e inexistência,
porque ambas conduzem ao mesmo resultado - a
Ato alienativo é o que opera a transferência de bens invalidade - e se subordinam às mesmas regras de
ou direitos de um titular a outro. Tais atos, em geral, invalidação. Ato inexistente ou ato nulo é ato ilegal e
dependem de autorização legislativa ao Executivo, imprestável, desde o seu nascedouro. Não produz
porque sua realização ultrapassa os poderes efeitos no mundo exterior.
ordinários de administração.
Quanto à exeqüibilidade, o ato administrativo pode ser
Ato modificativo é o que tem por fim alterar situações perfeito, imperfeito, pendente ou consumado.
preexistentes, sem suprimir direitos ou obrigações,
como ocorre com aqueles que alteram horários, Ato perfeito é aquele que reúne todos os elementos
percursos, locais de reunião e outras situações necessários à sua exeqüibilidade ou operatividade,
anteriores estabelecidas pela Administração. apresentando-se apto e disponível para produzir seus
regulares efeitos.
Ato abdicativo é aquele pelo qual o titular abre mão
de um direito. A peculiaridade desse ato é seu caráter Ato imperfeito é o que se apresenta incompleto na
incondicionável e irretratável. Desde que consumado, sua formação ou carente de um ato complementar
o ato é irreversível e imodificável, como são as para tornar-se exeqüível e operante.
renúncias de qualquer tipo.
Ato pendente é aquele que, embora perfeito, por
Quanto à eficácia, o ato administrativo pode ser válido, reunir todos os elementos os de sua formação, não
anulável ou inexistente. produz seus efeitos, por não verificado o termo ou a
condição de que depende sua exeqüibilidade ou
Ato válido é o que provem de autoridade competente operatividade. O ato pendente pressupõe sempre um
para praticá-lo e contém todos os requisitos ato perfeito, visto que antes de sua perfectibilidade
necessários à sua eficácia. não pode estar com efeitos suspensos.

Ato anulável é o que nasce afetado de vício (sanável Ato consumado é o que produziu todos os seus
ou insanável), por ausência ou defeito substancial em efeitos, tornando-se, por isso mesmo, irretratável ou
seus elementos constitutivos ou no procedimento imodificável por lhe faltar objeto.
formativo. A nulidade pode ser explícita ou virtual. É
explícita quando a lei a comina expressamente,
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6. Invalidação e Convalidação revogará o ato inconveniente para a administração


pública. É o que chamamos de efeito ex nunc.
A administração pode desfazer seus próprios atos por
considerações de mérito e de ilegalidade. Donde se dizer Invalidação pela Anulação é a declaração de invalidade
que a Administração controla seus próprios atos em toda de um ato administrativo ilegítimo e ilegal, feita pela
plenitude, isto é, sob os aspectos da oportunidade, própria Administração ou pelo Poder Judiciário. Baseia-
conveniência, justiça, conteúdo, forma, finalidade, se, portanto, em razões de legitimidade ou legalidade,
moralidade e legalidade. diversamente da revogação, que se funda em motivos de
conveniência ou de oportunidade e, por isso mesmo, é
ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO E CONVALIDAÇÃO - Lei privativa da Administração. Os efeitos da anulação dos
n.º 9.784/99. atos administrativos retroagem às suas origens,
invalidando as conseqüências passadas, presentes e
futuras do ato anulado. É importante ressaltar que este
ato gera efeitos no mundo jurídico, mas não cria
Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, situações jurídicas definitivas. É o efeito ex tunc.
quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los
por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados Invalidação pela Caducidade é a supressão de um ato
os direitos adquiridos. administrativo legítimo e eficaz por uma questão de
lapso temporal. Geralmente acontece de forma
automática. Podemos citar, por exemplo, a invalidação de
uma licença haja vista ter expirado o seu prazo de
Art. 54. O direito da Administração de anular os atos
validade. Tem efeito ex nunc.
administrativos de que decorram efeitos favoráveis para
os destinatários decai em cinco anos, contados da data Invalidação pela Cassação é a supressão de um ato
em que foram praticados, salvo comprovada má-fé. administrativo legítimo e eficaz por uso indevido ou seja,
desvio do objeto para qual o ato foi emitido. Podemos
§ 1° No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo
citar, por exemplo, a cassação de uma licença de
de decadência contar-se-á da percepção do primeiro
funcionamento, haja vista o detentor do documento não
pagamento.
cumpriu as regras estabelecidas pela administração
§ 2° Considera-se exercício do direito de anular qualquer pública. Tem efeito ex nunc
medida de autoridade administrativa que importe
Convalidação é a declaração de validade de um ato
impugnação à validade do ato.
administrativo ilegítimo e ilegal, feito pela própria
Administração com efeito EX TUNC. Esta atitude opera
dentro do poder discricionário da administração pública e
Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acontece quando o requisito de validade que lhe falta não
acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a é essencial para a validade do ato. É importante ressaltar
terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis que a convalidação é um ato administrativo. Ele não
poderão ser convalidados pela própria Administração. opera automaticamente, sendo necessário um ato para
formalmente convalidar outro ato. A Lei 9.784/99, em seu
Invalidação pela Revogação é a supressão de um ato artigo 55, fala em “defeito sanável”. De acordo com a
administrativo legítimo e eficaz, realizada pela maioria dos doutrinadores, estes requisitos sanáveis
Administração - e somente por ela - por não mais lhe seriam dois:
convir sua existência. Toda revogação pressupõe,
portanto, um ato legal e perfeito, mas inconveniente ao - A competência, quando o ato preenche os demais
interesse público. Se o ato for ilegal ou ilegítimo não requisitos de validade faltando-lhe apenas a
ensejará revogação, mas, sim, anulação. A revogação competência. Este vício pode ser sanado através de uma
funda-se no poder discricionário de que dispõe a ratificação por parte da autoridade competente.
Administração para rever sua atividade interna e
- A forma, quando esta não é essencial para a sua
encaminhá-la adequadamente à realização de seus fins
validade e o ato atingir o objetivo. Assim, a falta do
específicos. Essa faculdade revogadora é reconhecida e
requisito da forma poderá ser relevada pela
atribuída ao Poder Público, como implícita na função
administração.
administrativa. Os efeitos da revogação de um ato
administrativo não retroagem às suas origens. Isto
significa que a revogação só surte efeito a partir da sua
declaração através de outro ato administrativo que

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CONTRATOS ADMISNITRATIVOS 2.1.1. Formas distintas de se apresentar:

1.Definição a) Liberdade de contratar: É a faculdade de realizar


ou não determinado contrato; se refere a
Segundo Hely Lopes Meirelles, contrato é “todo acordo possibilidade de realizar ou não um negócio.
b) Liberdade contratual: É a possibilidade de
de vontades, firmado livremente pelas partes, para
estabelecer o conteúdo do contrato; importa na
criar obrigações e direitos recíprocos”. fixação das modalidades de sua realização.

Todo contrato obedece a dois princípios da Teoria da


Geral dos contratos: o princípio da lei entre as partes (lex 2.2. PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA
inter partes) - ou seja o contrato estabelece uma lei
entre as partes - e o princípio da observância do O sentido literal da linguagem não deve prevalecer sobre
pactuado (pacta sunt servanta). No decorrer do capítulo a intenção inferida da declaração de vontade das partes.
isso será melhor analisado.
Considera a ética e a boa conduta das partes, deste as
Faz-se necessário destacar que a expressão “Contratos tratativas até a execução completa das obrigações.
da Administração” é utilizada, latu sensu, para abranger
todos os contratos celebrados pela Administração Busca-se a proteção da confiança, exigindo-se que as
Pública, sob o regime de direito público, seja sob o partes atuem de acordo com os padrões usuais.
regime de direito privado.
A regra de boa-fé objetiva configura-se como cláusula
Costuma-se dizer que, nos contratos de direito privado, a geral.
Administração “quase” se nivela ao particular,
caracterizando-se a relação jurídica pelo traço da “quase” 2.3 PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE DOS
CONTRATOS (FORÇA OBRIGATÓRIA DOS
horizontalidade e que, nos contratos administrativos, a
Administração age como poder público, com todo o seu CONTRATOS)
poder de império sobre o particular, caracterizando-se a
Pacta sunt servanda: é o Princípio da Força Obrigatória,
relação jurídica pelo traço da verticalidade.
segundo o qual o contrato obriga as partes nos
O uso da expressão “quase” é indispensável para limites da lei.
ressaltar que a administração, como defensora do
É uma regra que versa sobre a vinculação das partes ao
interesse coletivo, nunca estará numa posição de total
contrato, como se norma legal fosse, tangenciando a
igualdade com o interesse particular.
imutabilidade. A expressão significa “os pactos devem
Definição de contrato administrativo? ser cumpridos”.

É o contrato que a administração pública, segundo o Na pacta sunt servanda o acordo de vontade faz lei entre
regime jurídico de direito público, celebra com pessoas as partes.
físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, visando a
Decorre desse princípio a intangibilidade do contrato.
consecução de fins públicos.
TEORIA DA IMPREVISÃO X CLÁUSULA REBUS SIC
Observações:
STANTIBUS
Os contratos administrativos regem-se pelas normas de
Concepção que defende a não exigência da
direito público e supletivamente pela teoria geral dos
impossibilidade da prestação para que o devedor se
contratos e pelas disposições de direito privado. (vide
libere do liame contratual, basta que, através de fatos
art.54 lei 8.666)
extraordinários e imprevisíveis, a prestação se torne
Sempre há necessidade prévia de licitação, salvo nos excessivamente onerosa para uma das partes, podendo
casos previstos em lei. a prejudicada pedir a rescisão do negócio. Corresponde,
sem dúvida, à cláusula rebus sic stantibus do direito
2. Princípios Gerais dos Contratos privado.

2.1. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE: Não é, pois, a simples elevação de preços em proporção
suportável, como álea própria do contrato, que rende
Liberdade das partes de estipular o que melhor lhes ensejo ao reajuste da remuneração contratual avençada
convier. inicialmente entre o particular e a Administração; só a
álea econômica extraordinária e extracontratual é que
autoriza a revisão do contrato"
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2.4. PRINCÍPIO DA RELATIVIDADE DOS CONTRATOS retribuído pelo pagamento de taxas de utilização a
cobrar directamente dos utentes.
A regra geral é que o contrato só ata aqueles que
dele participaram. 3.4. Concessão de uso privativo do domínio público:
é o contrato administrativo pelo qual a Administração
Seus efeitos não podem nem prejudicar, nem Pública faculta a um sujeito de Direito Privado a
aproveitar a terceiros. utilização económica exclusiva de uma parcela do
domínio público para fins de utilidade pública;
Este princípio não se aplica tão-somente às partes,
mas também em relação ao objeto. 3.5. Concessão de exploração de jogos de fortuna e
azar: é o contrato administrativo qual um particular
O contrato não produz efeito em relação a terceiros, a se encarrega de montar e explorar um casino de
não ser nos casos previstos em lei. jogo, sendo retribuído pelo lucro auferido das
receitas dos jogos;
2.5. PRINCÍPIO DA JUSTIÇA CONTRATUAL
3.6. Fornecimento contínuo: é o contrato administrativo
a) ONEROSIDADE EXCESSIVA: desequilíbrio por fato
pelo qual um particular se encarrega, durante um
superveniente e imprevisível
certo período, de entregar regulamente à
Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou Administração certos bens necessários ao
diferida, se a prestação de uma das partes se tornar funcionamento regular de um serviço público;
excessivamente onerosa, com extrema vantagem
3.7. Prestação de serviços: abrange dois tipos
para a outra, em virtude de acontecimentos
completamente diferentes um do outro: contrato de
extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor
transporte é o contrato administrativo pelo qual um
pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença
particular se encarrega de assegurar a deslocação
que a decretar retroagirão à data da citação.
entre lugares determinados de pessoas ou coisas a
Art. 479. A resolução poderá ser evitada, oferecendo- cargo da Administração; e o contrato de
se o réu a modificar eqüitativamente as condições do provimento, é o contrato administrativo pelo qual um
contrato. particular ingressa nos quadros permanente da
Administração Pública e se obriga a prestar-lhe a sua
2.6. PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL actividade profissional de acordo com o estatuto da
função pública.
Preponderância de interesses coletivos sobre
individuais, distribuição dos benefícios dos 4. Rescisão do Contrato Administrativo
contratos;
A lei 8.666/93 prevê , no artigo 79, três tipos de rescisão:
“Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em
razão e nos limites da função social do contrato.” A) Unilateral;

Emerge de princípios constitucionais, entre os quais B) Amigável;


o da dignidade da pessoa humana (artigo 1º, III da
C) Judicial.
Constituição Federal).
A amigável ou administrativa é quando há acordo das
3. Principais Espécies de Contratos Administrativos
partes e deverá ser precedida de autorização escrita e
3.1. Empreitada de obras públicas: é o contrato fundamentada da autoridade competente.
administrativo pelo qual um particular se encarrega de
A judicial é normalmente utilizada pelo contratado devido
executar uma obra pública, mediante retribuição a pagar
ao inadimplemento da Administração. Já a Administração
pela Administração;
não se utiliza desse meio, uma vez que ela pode utilizar o
3.2. Concessão de obras públicas: é o contrato poder de império e rescindir o contrato unilateralmente.
administrativo pelo qual um particular se encarrega
Há também a rescisão de pleno direito. Ela independe da
de executar e explorar uma obra pública, mediante
manifestação de vontade de qualquer das partes, diante
retribuição a obter directamente dos utentes, através
da só ocorrência de fato extintivo do contrato previsto em
do pagamento por estes de taxas de utilização;
lei, no regulamento ou no próprio texto de ajuste, tais
3.3. Concessão de serviços públicos: é o contrato como o falecimento do contratado, a dissolução da
administrativo pelo qual um particular se encarrega sociedade, a falência da empresa, a insolvência civil, etc.
de montar e explorar um serviço público, sendo
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Neste caso não há necessidade de um ato formal de própria lei e mencionar os demais citados pela melhor
rescisão, nem de decretação judicial. Será um ato doutrina.
meramente declaratório que retroagirá em seus efeitos à
data do evento rescisório. • A Lei n.º 8.666/93 estabelece:
o
Art. 3 A licitação destina-se a garantir a
LICITAÇÃO observância do princípio constitucional da
ISONOMIA e a selecionar a proposta mais
1. DEFINIÇÃO vantajosa para a Administração e será
Aproveitando o conceito do Mestre Hely que define: processada e julgada em estrita conformidade
“Licitação é o procedimento administrativo mediante com os princípios básicos: da legalidade, da
o qual a Administração Pública seleciona a proposta impessoalidade, da moralidade, da igualdade,
mais vantajosa para o contrato de seu interesse.”, da publicidade, da probidade administrativa, da
salientamos aspectos fundamentais desta definição: VINCULAÇÃO AO INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO, do
o
1 ) A Licitação é um procedimento administrativo – o JULGAMENTO OBJETIVO e dos que lhes são
procedimento licitatório – que se desenvolve numa correlatos.
sucessão ordenada de atos e fatos, que vinculam a
Administração e o licitante. Ex.: publicação do edital, Hely Lopes Meireles menciona mais princípios:
entrega da proposta, recursos, etc. procedimento formal, sigilo das propostas e adjudicação
o
2 ) A Licitação cabe a toda Administração pública – compulsória.
a
seja ela direta ou indireta (empresa pública ou sociedade Interessante é a colocação da Prof Maria Sylvia Di
de economia mista) não importando se pessoa de direito Pietro; “A própria licitação constitui um princípio a que se
público ou privado; vincula a Administração Pública. Ela é uma decorrência
o
3 ) O objetivo da Licitação é a escolha da proposta do princípio da indisponibilidade do interesse público e
mais vantajosa para a Administração efetivar o contrato. que se constitui em uma restrição à liberdade
administrativa na escolha do contratante.”. apesar de
2. abrangência fugir um pouco ao tema princípios da licitação, não deixa
A definição de quem deve submeter-se a de ser uma colocação válida e interessante.
realização de procedimento licitatório é incontestável:
4. Modalidades de licitação:
• A CF 88 com alteração promovida pela EC N.º19/98 I - concorrência;
estabelece: II - tomada de preços;
"Art. 37. A administração pública DIRETA E III - convite;
INDIRETA de qualquer dos Poderes da UNIÃO, IV - concurso;
DOS ESTADOS, DO DISTRITO FEDERAL E DOS V - leilão.
MUNICÍPIOS obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, Concorrência é a modalidade de licitação entre
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:" quaisquer interessados que, na fase inicial de habilitação
(...) preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de
XXI - ressalvados os casos especificados na qualificação exigidos no edital para execução de seu
legislação, as obras, serviços, compras e objeto.
alienações serão contratados mediante Tomada de preços é a modalidade de licitação entre
processo de licitação pública que assegure interessados devidamente cadastrados ou que
igualdade de condições a todos os atenderem a todas as condições exigidas para
concorrentes, com cláusulas que estabeleçam cadastramento até o terceiro dia anterior à data do
obrigações de pagamento, mantidas as recebimento das propostas, observada a necessária
condições efetivas da proposta, nos termos da qualificação.
lei, o qual somente permitirá as exigências de Convite é a modalidade de licitação entre interessados
qualificação técnica e econômica indispensáveis do ramo pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não,
à garantia do cumprimento das obrigações. escolhidos e convidados em número mínimo de 3 (três)
pela unidade administrativa, a qual afixará, em local
apropriado, cópia do instrumento convocatório e o
• A Lei n.º 8.666/93 estabelece: estenderá aos demais cadastrados na correspondente
o o
Art. 1 §1 Subordinam-se ao regime da Lei, especialidade que manifestarem seu interesse com
além dos órgãos da administração direta, os antecedência de até 24 (vinte e quatro) horas da
fundos especiais, as autarquias, as apresentação das propostas.
fundações públicas, as empresas públicas, Concurso é a modalidade de licitação entre quaisquer
as sociedades de economia mista e demais interessados para escolha de trabalho técnico, científico
entidades controladas direta ou indiretamente ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou
pela União, Estados, Distrito Federal e remuneração aos vencedores, conforme critérios
Municípios. constantes de edital publicado na imprensa oficial com
antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias.
3. princípios Leilão é a modalidade de licitação entre quaisquer
Não existe uniformidade na doutrina quanto a este interessados para a venda de bens móveis inservíveis
assunto. Preferimos citar os princípios constantes da para a administração ou de produtos legalmente

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apreendidos ou penhorados, ou para a alienação de bens e conveniência sócio-econômica, relativamente à


imóveis prevista no art. 19, a quem oferecer o maior escolha de outra forma de alienação;
lance, igual ou superior ao valor da avaliação. b) permuta, permitida exclusivamente entre órgãos ou
É vedada a criação de outras modalidades de entidades da Administração Pública;
licitação ou a combinação das referidas na lei. c) venda de ações, que poderão ser negociadas em
A concorrência é a modalidade de licitação cabível, bolsa, observada a legislação específica;
qualquer que seja o valor de seu objeto, tanto na d) venda de títulos, na forma da legislação pertinente;
compra ou alienação de bens imóveis, ressalvado o e) venda de bens produzidos ou comercializados por
disposto no art. 19, como nas concessões de direito órgãos ou entidades da Administração Pública, em
real de uso e nas licitações internacionais, admitindo- virtude de suas finalidades;
se neste último caso, observados os limites deste artigo, f) venda de materiais e equipamentos para outros
a tomada de preços, quando o órgão ou entidade órgãos ou entidades da Administração Pública, sem
dispuser de cadastro internacional de fornecedores ou o utilização previsível por quem deles dispõe.
convite, quando não houver fornecedor do bem ou
serviço no País. 6.2. Licitação dispensável
Nos casos em que couber convite, a Administração Este é o caso em que a Administração PODE dispensar a
poderá utilizar a tomada de preços e, em qualquer licitação, se assim lhe convier. A lei enumerou os casos
caso, a concorrência. específicos e exaustivos em que isto pode ocorrer.

5. Tipos de licitação I - para obras e serviços de engenharia de valor até 10%


Constituem tipos de licitação, exceto na modalidade (dez por cento) do limite previsto na alínea "a", do inciso I
concurso: do artigo anterior, desde que não se refiram a parcelas
I - a de menor preço - quando o critério de seleção da
de uma mesma obra ou serviço ou ainda para obras e
proposta mais vantajosa para a Administração determinar
que ser á vencedor o licitante que apresentar a proposta serviços da mesma natureza e no mesmo local que
de acordo com as especificações do edital ou convite e possam ser realizadas conjunta e concomitantemente;
ofertar o menor preço; II - para outros serviços e compras de valor até 10% (dez
II - a de melhor técnica; por cento) do limite previsto na alínea "a", do inciso II do
III - a de técnica e preço.
artigo anterior e para alienações, nos casos previstos
IV - a de maior lance ou oferta - nos casos de alienação
de bens ou concessão de direito real de uso. nesta Lei, desde que não se refiram a parcelas de um
mesmo serviço, compra ou alienação de maior vulto que
possa ser realizada de uma só vez;
6. hipóteses de não realização da Licitação III - nos casos de guerra ou grave perturbação da ordem;
IV - nos casos de emergência ou de calamidade pública,
6.1. Licitação dispensada. quando caracterizada urgência de atendimento de
No caso da licitação dispensada, a lei declarou que é situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a
dispensada a Licitação, não cabe à Administração a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e
discricionariedade de escolha entre realizar ou não outros bens, públicos ou particulares, e somente para os
realizar o procedimento. bens necessários ao atendimento da situação
emergencial ou calamitosa e para as parcelas de obras e
Para alienação de imóveis, dispensada nos seguintes
casos: serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de
a) dação em pagamento; 180 (cento e oitenta) dias consecutivos e ininterruptos,
b) doação, permitida exclusivamente para outro órgão contados da ocorrência da emergência ou calamidade,
ou entidade da Administração Pública, de qualquer vedada a prorrogação dos respectivos contratos;
esfera de governo;
V - quando não acudirem interessados à licitação anterior
c) permuta, por outro imóvel que atenda aos requisitos
constantes do inciso X do art. 24 desta Lei; e esta, justificadamente, não puder ser repetida sem
d) investidura; prejuízo para a Administração, mantidas, neste caso,
e) venda a outro órgão ou entidade da administração todas as condições preestabelecidas;
pública, de qualquer esfera de governo; VI - quando a União tiver que intervir no domínio
f) alienação, concessão de direito real de uso, locação
econômico para regular preços ou normalizar o
ou permissão de uso de bens imóveis construídos e
destinados ou efetivamente utilizados no âmbito de abastecimento;
programas habitacionais de interesse social, por VII - quando as propostas apresentadas consignarem
órgãos ou entidades da administração pública preços manifestamente superiores aos praticados no
especificamente criados para esse fim;
mercado nacional, ou forem incompatíveis com os
Para alienação de móveis, dispensada nos seguintes fixados pelos órgãos oficiais competentes, casos em que,
casos: observado o parágrafo único do art. 48 desta Lei e,
a) doação, permitida exclusivamente para fins e uso de persistindo a situação, será admitida a adjudicação direta
interesse social, após avaliação de sua oportunidade dos bens ou serviços, por valor não superior ao constante
do registro de preços, ou dos serviços;
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VIII - para a aquisição, por pessoa jurídica de direito XVIII - nas compras ou contratações de serviços para o
público interno, de bens produzidos ou serviços abastecimento de navios, embarcações, unidades aéreas
prestados por órgão ou entidade que integre a ou tropas e seus meios de deslocamento quando em
Administração Pública e que tenha sido criado para esse estada eventual de curta duração em portos, aeroportos
fim específico em data anterior à vigência desta Lei, ou localidades diferentes de suas sedes, por motivo de
desde que o preço contratado seja compatível com o movimentação operacional ou de adestramento, quando
praticado no mercado ; a exiguidade dos prazos legais puder comprometer a
IX - quando houver possibilidade de comprometimento da normalidade e os propósitos das operações e desde que
segurança nacional, nos casos estabelecidos em decreto seu valor não exceda ao limite previsto na alínea "a" do
do Presidente da República, ouvido o Conselho de incico II do art. 23 desta Lei:
Defesa Nacional; XIX - para as compras de material de uso pelas Forças
X - para a compra ou locação de imóvel destinado ao Armadas, com exceção de materiais de uso pessoal e
atendimento das finalidades precípuas da administração, administrativo, quando houver necessidade de manter a
cujas necessidades de instalação e localização padronização requerida pela estrutura de apoio logístico
condicionem a sua escolha, desde que o preço seja dos meios navais, aéreos e terrestres, mediante parecer
compatível com o valor de mercado, segundo avaliação de comissão instituída por decreto;
prévia; XX - na contratação de associação de portadores de
XI - na contratação de remanescente de obra, serviço ou deficiência física, sem fins lucrativos e de comprovada
fornecimento, em conseqüência de rescisão contratual, idoneidade, por órgãos ou entidades da Admininistração
desde que atendida a ordem de classificação da licitação Pública, para a prestação de serviços ou fornecimento de
anterior e aceitas as mesmas condições oferecidas pelo mão-de-obra, desde que o preço contratado seja
licitante vencedor, inclusive quanto ao preço, compatível com o praticado no mercado.
devidamente corrigido; XXI - Para a aquisição de bens destinados
XII - nas compras de hortifrutigranjeiros, pão e outros exclusivamente a pesquisa científica e tecnológica com
gêneros perecíveis, no tempo necessário para a recursos concedidos pela CAPES, FINEP, CNPq ou
realização dos processos licitatórios correspondentes, outras instituições de fomento a pesquisa credenciadas
realizadas diretamente com base no preço do dia; pelo CNPq para esse fim específico.
XIII - na contratação de instituição brasileira incumbida XXII - na contratação de fornecimento ou suprimento de
regimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino energia elétrica e gás natural com concessionário,
ou do desenvolvimento institucional, ou de instituição permissionário ou autorizado, segundo as normas da
dedicada à recuperação social do preso, desde que a legislação específica;
contratada detenha inquestionável reputação ético- XXIII - na contratação realizada por empresa pública ou
profissional e não tenha fins lucrativos; sociedade de economia mista com suas subsidiárias e
XIV - para a aquisição de bens ou serviços nos termos de controladas, para a aquisição ou alienação de bens,
acordo internacional específico aprovado pelo Congresso prestação ou obtenção de serviços, desde que o preço
Nacional, quando as condições ofertadas forem contratado seja compatível com o praticado no mercado.
manifestamente vantajosas para o Poder Público; XXIV - para a celebração de contratos de prestação de
XV - para a aquisição ou restauração de obras de arte e serviços com as organizações sociais, qualificadas no
objetos históricos, de autenticidade certificada, desde que âmbito das respectivas esferas de governo, para
compatíveis ou inerentes às finalidades do órgão ou atividades contempladas no contrato de gestão.
entidade. XXV - na contratação realizada por Instituição Científica e
XVI - para a impressão dos diários oficiais, de formulários Tecnológica - ICT ou por agência de fomento para a
padronizados de uso da administração, e de edições transferência de tecnologia e para o licenciamento de
técnicas oficiais, bem como para prestação de serviços direito de uso ou de exploração de criação protegida.
de informática a pessoa jurídica de direito público interno, XXVI – na celebração de contrato de programa
por órgãos ou entidades que integrem a Administração com ente da Federação ou com entidade de sua
Pública, criados para esse fim específico; administração indireta, para a prestação de serviços
XVII - para a aquisição de componentes ou peças de públicos de forma associada nos termos do autorizado
origem nacional ou estrangeira, necessários à em contrato de consórcio público ou em convênio de
manutenção de equipamentos durante o período de cooperação.
garantia técnica, junto ao fornecedor original desses XXVII - na contratação da coleta, processamento e
equipamentos, quando tal condição de exclusividade for comercialização de resíduos sólidos urbanos recicláveis
indispensável para a vigência da garantia; ou reutilizáveis, em áreas com sistema de coleta seletiva
de lixo, efetuados por associações ou cooperativas
formadas exclusivamente por pessoas físicas de baixa
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renda reconhecidas pelo poder público como catadores 7. Revogação e anulação da licitação
de materiais recicláveis, com o uso de equipamentos A autoridade competente para a aprovação do
compatíveis com as normas técnicas, ambientais e de procedimento somente poderá revogar a licitação por
razões de interesse público DECORRENTE DE FATO
saúde pública.
SUPERVENIENTE devidamente comprovado, pertinente e
XXVIII – para o fornecimento de bens e serviços, suficiente para justificar tal conduta, devendo anulá-la por
produzidos ou prestados no País, que envolvam, ilegalidade, de ofício ou por provocação de terceiros,
cumulativamente, alta complexidade tecnológica e defesa mediante parecer escrito e devidamente fundamentado.
nacional, mediante parecer de comissão especialmente A anulação do procedimento licitatório por motivo de
ilegalidade não gera obrigação de indenizar, mas a
designada pela autoridade máxima do órgão.
nulidade não exonera a Administração do dever de
XXIX – na aquisição de bens e contratação de serviços indenizar o contratado pelo que este houver executado
para atender aos contingentes militares das Forças até a data em que ela for declarada e por outros
Singulares brasileiras empregadas em operações de paz prejuízos regularmente comprovados, contanto que não
no exterior, necessariamente justificadas quanto ao preço lhe seja imputável, promovendo-se a responsabilidade de
quem lhe deu causa.
e à escolha do fornecedor ou executante e ratificadas
A nulidade do procedimento licitatório induz à do
pelo Comandante da Força. contrato.
XXX - na contratação de instituição ou organização, No caso de desfazimento do processo licitatório, fica
pública ou privada, com ou sem fins lucrativos, para a assegurado o contraditório e a ampla defesa.
prestação de serviços de assistência técnica e extensão
Serviços públicos
rural no âmbito do Programa Nacional de Assistência
Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e na
1. DEFINIÇÃO:
Reforma Agrária, instituído por lei federal.
Regime Jurídico dos Serviços Públicos compõe-se do
XXXI - nas contratações visando ao cumprimento do conjunto de normas e conceitos que regulam as relações
o o o o
disposto nos arts. 3 , 4 , 5 e 20 da Lei n 10.973, de 2 de jurídicas abrangidas
dezembro de 2004, observados os princípios gerais de É todo aquele prestado pelo Estado ou por seus
contratação dela constantes. delegados, sob norma e controle estatal, para satisfazer
necessidades essenciais ou conveniência da
Os percentuais referidos nos incisos I e II do caput deste coletividade;
artigo serão 20% (vinte por cento) para compras, obras e Não é a atividade em si que tipifica um serviço como
serviços contratados por consórcios públicos, sociedade público, pois uma atividade pode ser exercida por
de economia mista, empresa pública e por autarquia ou particular sem delegação com é o caso do ensino
fundação qualificadas, na forma da lei, como Agências particular;
Executivas. 2. CLASSIFICAÇÃO:
6.3. Licitação inexigível
É inexigível a licitação quando houver inviabilidade Serviço Público propriamente dito – necessários,
de competição, em especial: essenciais, não delegáveis, privativos, ex: polícia, saúde,
I - para aquisição de materiais, equipamentos, ou serviços pró comunidade
gêneros que só possam ser fornecidos por produtor, Serviço de utilidade Pública – convenientes,
empresa ou representante comercial exclusivo, vedada a delegáveis, ex: gás, energia
preferência de marca, devendo a comprovação de
exclusividade ser feita através de atestado fornecido pelo Serviços administrativos – necessidade interna da
órgão de registro do comércio do local em que se estrutura ex: imprensa oficial
realizaria a licitação ou a obra ou o serviço, pelo Serviços industriais – produzem renda para quem os
Sindicato, Federação ou Confederação Patronal, ou, presta, impróprios do Estado
ainda, pelas entidades equivalentes;
II - para a contratação de serviços técnicos enumerados Serviços próprios do Estado – relacionam-se
na Lei, de natureza singular, com profissionais ou intimamente com as atribuições do Poder público,
empresas de notória especialização, vedada a Administração usa de sua supremacia sobre os
inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação; administrados, prestados por órgãos ou entidades
III - para contratação de profissional de qualquer setor públicas, sem delegação a particulares. Geralmente
artístico, diretamente ou através de empresário exclusivo, gratuitos ou de baixa remuneração.
desde que consagrado pela crítica especializada ou pela Serviços impróprios do Estado – não afetam
opinião pública. substancialmente as necessidades da comunidade e por
isso são prestados pela administração ou por delegados,
mas remuneradamente

Serviço uti-singuli – utilização individual, mensurável,


se obrigatório remunerado por taxa, se facultativo
remunerado por tarifa
Serviço uti-universi – indivisíveis, remunerados por
imposto, visam atender à coletividade sem destinatário
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certo, não pode ser exigido por via cominatória ex: • A alteração unilateral do contrato de concessão é
asfaltamento admissível sempre, mas unicamente no tocante aos
requisitos do serviço e com a correlata revisão das
♦ A regulamentação e o controle do serviço público cláusulas econômicas afetadas.
caberão sempre ao Estado independe de o serviço • É dever do concedente fiscalizar o serviço concedido
ser delegado a 3os particulares. • Garantia do Concessionário - manutenção do
equilíbrio econômico financeiro;
3. PRINCÍPIOS DO SERVIÇO PÚBLICO: • Poderes da Administração Pública concedente -
fiscalizar, alterar e extinguir;
3.1. Princípio da permanência – impõe continuidade do
serviço; 4.2. Serviços permitidos
3.2. Princípio da generalidade – impõe serviço igual • Ato unilateral ou bilateral? discricionário, precário,
para todos; mas admite condições e prazos para execução;
3.3. Princípio da eficiência – exige atualização dos • Serviço permissionado é executado pelo
serviços; permissionário por sua conta e risco;
3.4. Princípio da modicidade - exige tarifas razoáveis; • Permissão não gera privilégio, nem assegura
3.5. Princípio da cortesia – traduz-se no bom exclusividade;
tratamento para o público; • Exige licitação;
3.6 Princípio da Regularidade - a execução não deverá
• Cobrança por tarifa;
apresentar variação apreciável das características
• A responsabilidade por danos causados a terceiros é
técnicas de sua prestação aos usuários.
do permissionário, mas subsidiariamente a
3.7 Princípio da Segurança - o serviço público não
administração pode ser responsabilizada pela culpa
pode colocar em risco a vida dos administrados, os
na escolha ou fiscalização do executor do serviço;
administrados não podem ter sua segurança
comprometida pelos serviços públicos. • Permissão é deferida intuito personae, não admite
3.8 Princípio da Atualidade - compreende a substituição do permissionário;
modernidade das técnicas, do equipamento e das • Embora formalizado por contrato administrativo, a
instalações e a sua conservação, bem como a melhoria e permissão não perde seu caráter de precariedade e
expansão do serviço revogabilidade por ato unilateral da Administração;
• A permissão pode ser unilateralmente revogada, a
qualquer tempo, pela Administração, sem que deva
pagar ao permissionário qualquer indenização,
exceto se se tratar de permissão condicionada;
• Os atos do permissionário, por revestirem-se de
certa autoridade transmitida pelo Poder Público, são
passíveis de mandado de segurança;

4.3 Serviços autorizados


• Ato unilateral, precário, discricionário, para atender a
interesses coletivos instáveis ou emergência
transitória;
• Remuneração do serviço é tarifada pela
administração;
• Sendo uma modalidade de delegação discricionária,
não exige licitação;
4. Serviços delegados a particulares • Os serviços autorizados não se beneficiam das
prerrogativas das atividades públicas;
4.1 Serviços concedidos • Seus executores não são agentes públicos, nem
• Concessão é contratual; praticam atos administrativos;
• Concessão exige autorização legislativa, • O serviço autorizado não é uma atividade pública
regulamentação por decreto e concorrência; típica mas convém que o poder público conheça e
• Contrato de concessão é ajuste bilateral, oneroso, credencie seus executores;
comutativo, intuito personae, com vantagens e • Normalmente não tem regulamentação específica;
encargos recíprocos • É intuito personae;
• Concessão não transfere a titularidade do serviço, • Na autorização predomina o interesse do particular
apenas a execução; autorizado;
• Concessão deve ser conferida em regra sem • Exs.: serviço de táxi, despachante, segurança
exclusividade particular;
• Remunerado por tarifa e não por taxas
• Concessão é sempre feita no interesse da
coletividade
• Toda concessão fica submetida a normas de
natureza regulamentar e contratual
• O poder de regulamentar as concessões é inerente e
indespojável do concedente
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BASE LEGAL DO REGIME JURÍDICO DOS SERVIÇOS ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA
PÚBLICOS:
I – A Administração Direta, que se constitui dos
Constituição federal serviços integrados na estrutura administrativa da
Art. 175. Presidência da República e dos Ministérios;
Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente
ou sob regime de concessão ou permissão, sempre II – A Administração Indireta, que compreende as
através de licitação, a prestação de serviços públicos.
seguintes categorias de entidades, dotadas de
Parágrafo único. A lei disporá sobre:
I - o regime das empresas concessionárias e personalidade jurídica própria:
permissionárias de serviços públicos, o caráter especial
de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as • Autarquias;
condições de caducidade, fiscalização e rescisão da • Empresas Públicas;
concessão ou permissão; • Sociedades de Economia Mista;
II - os direitos dos usuários; • Fundações Públicas.”
III - política tarifária;
IV - a obrigação de manter serviço adequado.

CF Art. 37
§ 3º A lei disciplinará as formas de participação do
usuário na administração pública direta e indireta,
regulando especialmente:
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços
públicos em geral, asseguradas a manutenção de
serviços de atendimento ao usuário e a avaliação
periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços;
(...)

CF Art. 37
§ 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de
direito privado prestadoras de serviços públicos
responderão pelos danos que seus agentes, nessa
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou 1. Autarquias
culpa.
Na estrutura da Administração, esta pode ser Direta ou
Indireta. Na primeira encontramos órgãos, que na esfera
CF Art. 197. Federal pode ser exemplificado pelos Ministérios. Já na
São de relevância pública as ações e serviços de segunda encontramos pessoas (entes), como exemplo as
saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da Autarquias. Daí extrái-se que Autarquias são Entes da
lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, Administração Pública Indireta, com personalidade
devendo sua execução ser feita diretamente ou através
jurídica e descentralizada do Poder Executivo.
de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de
direito privado.
Autarquia é a pessoa jurídica de direito público, o que
significa ter praticamente as mesmas prerrogativas e
CF Art. 9º sujeições da Administração direta; o seu regime jurídico
É assegurado o direito de greve, competindo aos pouco se diferencia do estabelecido para esta,
trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e aparecendo, perante terceiros, como a própria
sobre os interesses que devam por meio dele defender. Administração Pública; difere da União, Estados e
§ 1º - A lei definirá os serviços ou atividades Municípios – pessoas públicas políticas – por não ter
essenciais e disporá sobre o atendimento das
necessidades inadiáveis da comunidade. capacidade política, ou seja, o poder de criar o próprio
direito; é pessoa pública administrativa, porque tem
apenas o poder de auto-administração, nos limites
estabelecidos em lei.

Desta forma, temos que a autarquia é um tipo de


administração indireta e está diretamente relacionada à
Administração central, visto que não pode legislar em
relação a si, mas deve obedecer à legislação da
Administração à qual está submissa.
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É ainda importante destacar que as autarquias possuem Prerrogativas autárquicas


bens e receita próprios, assim, não se confundem com
bens de propriedade da Administração direta à qual estão As autarquias possuem algumas prerrogativas de direito
vinculadas. Igualmente, são responsáveis por seus publico, sendo elas:
próprios atos, não envolvendo a Administração central,
exceto no exercício da responsabilidade subsidiária. 1_ imunidade tributária: previsto no art. 150, § 2 º, da
CF, veda a instituição de impostos sobre o patrimônio, a
Na administração pública brasileira, uma autarquia é uma
renda e os serviços das autarquias, desde que
entidade auxiliar da administração pública estatal
vinculados as suas finalidades essenciais ou às que
autônoma e descentralizada. É um dos tipos de
delas decorram. Podemos, assim, dizer que a imunidade
entidades da administração indireta. Seu patrimônio e
para as autarquias tem natureza condicionada.
receita são próprios, porém, tutelados pelo Estado.

O Decreto-Lei nº 200 de 1967, no seu artigo 5º, inciso I, 2_ impenhorabilidade de seus bens e de suas rendas:
define autarquia como "Serviço autônomo criado por lei, não pode ser usado o instrumento coercitivo da penhora
com personalidade jurídica de direito público, patrimônio como garantia do credor.
e receita próprios, para executar atividades típicas da
Administração Pública, que requeiram para seu melhor 3_ imprescritibilidade de seus bem: caracterizando-se
funcionamento gestão administrativa e financeira como bens públicos, não podem ser eles adquiridos por
descentralizada". terceiros através de usucapião.

Principais características das autarquias: 4_ prescrição qüinqüenal: dividas e direitos em favor de


terceiros contra autarquias prescrevem em 5 anos.
1- Criação por lei; é exigência que vem desde o
Decreto-lei nº 6.016/43, repetindo-se no Decreto-lei nº
200/67 e constando agora do artigo 37, XIX, da 5_ créditos sujeitos à execução fiscal: os créditos
Constituição. autárquicos são inscritos como divida ativa e podem ser
cobrados pelo processo especial das execuções fiscais.
2- Personalidade jurídica publica; ela é titular de
direitos e obrigações próprios, distintos daqueles 6_ Prerrogativas processuais: As autarquias são
pertencentes ao ente que a instituiu: sendo publica, consideradas como fazenda publica razão pela qual nos
submete-se a regime jurídico de direito publico, quanto à processos em que é parte tem prazo em quádruplo
criação, extinção, poderes, prerrogativas, privilégios, para contestar e em dobro para recorrer (art. 188 do
sujeições. CPC) e estão sujeitos ao duplo grau de jurisdição.

3- Capacidade de auto- administração; não tem poder Exemplos de Autarquias


de criar o próprio direito, mas apenas a capacidade de se
auto-administrar a respeito das matérias especificas que
lhes foram destinadas pela pessoa pública política que
lhes deu vida. A outorga de patrimônio próprio é
necessária, sem a qual a capacidade de auto-
administração não existiria.

4- Especialização dos fins ou atividades; coloca a


autarquia entre as formas de descentralização
administrativa por serviços ou funcional, distinguindo-a da
descentralização territorial; o principio da especialização
impede de exercer atividades diversas daquelas para as
quais foram instituídas. 2. Fundações

5- Sujeição a controle ou tutela; é indispensável para Uma fundação é uma instituição caracterizada como
que a autarquia não se desvie de seus fins institucionais. pessoa jurídica composta pela organização de um
patrimônio mas que não tem proprietário, nem titular,
[carece de fontes?]
nem sócios .

É uma entidade de direito privado, constituída por ata


dotação patrimonial, intervivos e causamortes para

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determinada finalidade econômica não distributiva, PERSONALIDADE JURÍDICA


segundo novo entendimento internacional.
Sua personalidade é de Direito Privado e suas atividades
Podem existir Fundações Privadas, Fundações tem como fundamento os preceitos comerciais. É uma
Públicas de Direito Público e Fundações Públicas de empresa estatal, constituída, organizada e controlada
Direito Privado. pelo Poder Público. Ela possui natureza ambivalente,
pois pertence ao mesmo tempo ao domínio público e ao
Fundações são entidades sem fins lucrativos, geralmente domínio privado, sem se identificar completamente com
com a finalidade de serviços públicos nas áreas de um ou com outro. Essas empresas são voltadas para a
assistência social médica e hospitalar, educação e exploração de atividades econômicas ou para a
ensino, pesquisa e atividades culturais. A diferença entre prestação de serviços públicos. Elas não atuam
as Fundações Privadas e as Fundações Públicas, é que integralmente sob regência do Direito Privado, possuem
aquelas são organizadas por vontade de um particular a um regime jurídico determinado, pela natureza de seu
partir de um patrimônio privado, já a segunda são criadas objeto e de suas atividades. Submetem-se apenas as
pelo Poder Executivo mediante autorização em Lei normas do Direito Público quando a Constituição
Específica a partir do patrimônio público. Exemplos de determinar, ou quando tiver disposição legal especifica.
Fundações Privadas: Fundação Bradesco, Fundação Estão sujeitas as normas e princípios do Direito Público,
Ayrton Sena, Fundação Roberto Marinho. Exemplos de como no principio da continuidade dos serviços públicos.
Fundação Pública: Fundação Nacional do índio; IBGE -
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e Fundação Exemplos de Empresas Públicas
Nacional de Saúde.

Exemplos de Fundações

4. Sociedades de Economia Mista

Sociedade de economia mista é uma sociedade na


3. Empresas Públicas qual há colaboração entre o Estado e particulares, ambos
reunindo recursos para a realização de uma finalidade,
Empresas públicas são aquelas criadas por expressa
sempre de objetivo econômico.
autorização legal, se constituindo de capital
exclusivamente público, mas que se regem pelas normas A sociedade de economia mista é uma pessoa jurídica de
comerciais e vêm para que o Governo exerça atividades direito privado e não se beneficia de isenções fiscais ou
de caráter econômico ou execute serviços públicos, que de foro privilegiado.
o próprio Estado considere, ou que interesse à
coletividade. Vêm da Administração Pública Indireta e O Estado poderá ter uma participação majoritária ou
são de Direito Privado. Por serem empresas públicas minoritária; entretanto, mais da metade das ações com
regem-se pelos ditames do Estado, que as controla, direito a voto devem pertencer ao Estado.,
porém acompanham a dinâmica comercial vigente. Têm
muita semelhança com as sociedades de economia A sociedade de economia mista é uma sociedade
mista, mas não os são, já que as empresas públicas não anônima, e seus funcionários são regidos pela CLT.
admitem capital privado. Demonstram grande relevância Normalmente são efetivados na empresa depois de um
ao Estado, pois este pode exercer determinadas prazo. Freqüentemente têm suas ações negociadas em
atividades com uma maior maleabilidade, sem estar Bolsa de Valores como, por exemplo, o Banco do Brasil,
[1]
preso a tantos aspectos burocráticos. Petrobrás, Banco do Nordeste, e Eletrobrás.

Diferem-se das Empresas Públicas, eis que nestas o


capital é 100% público.

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Exemplos de Sociedades de Economia Mista Exemplos de Agências Reguladoras

5. Agências Executivas
Referências Bilbiográficas
Agência Executiva, conforme Di Pietro, é a “qualificação
dada à autarquia ou fundação que celebre contrato de
gestão com órgão da Administração Direta a que se acha 1. SILVA, de Plácido e. Vocabulário Jurídico. 15
ed. Rio de Janeiro: Forense
vinculada, para melhoria da eficiência e redução de
2. CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual
custos”. Visa melhorar a eficiência dessas entidades que de Direito Administrativo. 10. ed. Ver. Ampl. E
operam no setor de atividades exclusivas do Estado, ou atual. Rio de Janeiro: Lumen Juris
seja, aquele onde predominam atividades que por sua 3. PIETRO, Maria Sylvia Zanella Di. Direito
natureza não podem ser delegadas a instituições não Administrativo.
estatais (fiscalização, exercício do poder de polícia,
regulação, fomento, segurança interna, tributação etc)

Exemplos de Agências Executivas

6. Agências Reguladoras

Agência Reguladora, no sistema brasileiro, é entidade da


Administração indireta (autarquia em regime especial)
com função de regular matérias que lhe estão afetas.

Apenas a ANATEL e a ANP têm fundamento


constitucional (arts. 21, XI e 177, §2º, III).

Criadas como autarquias de regime especial, possuem


as mesmas normas constitucionais que estão submetidas
as autarquias e mais o regime especial definido nas
respectivas leis instituidoras.

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