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Comentários Judaicos do Novo Testamento David H.

Stern

As boas-novas sobre Yeshua, o Messias, contadas por

MATTITYAHU
1. 1- “Yeshua, o Messias”, é chamado de “Jesus Cristo” em outras versões em português,
como se o primeiro nome do homem fosse “Jesus” e seu sobrenome “Cristo”. Nenhum dos dois é o
caso. “Yeshua” é o nome de Jesus em hebraico e aramaico, os idiomas que ele falava; em seus 30 e
poucos anos na Terra as pessoas o chamavam de Yeshua. A palavra “Jesus” representa o esforço das
pessoas que falam português ao tentar pronunciar o nome do Messias como aparece nos
manuscritos gregos do Novo Testamento, “Iêsous” - iee-sus em grego moderno, talvez iai-sus no
antigo grego koinê, que substituiu o aramaico como o principal idioma do Oriente Próximo depois
das conquistas de Alexandre (331-323 a.E.C). Assim , a palavra “Iêsous” representa a tentativa das
pessoas que antigamente falavam grego de pronunciar “Yeshua”. Ao utilizar o hebraico “Yeshua”,
no entanto, chama atenção para o judaísmo do Messias.
(Sobre o nome “Yeshua” veja o versículo 21 e sua nota.)
O Messias. A palavra grega aqui é “Christos”, que tem o mesmo significado que a hebraica
“mashiach”, a saber, “ungido” ou “aquele sobre o qual foi derramado”. O significado de ser
conhecido como “O Ungido” é que tanto os reis quanto os kohanim (sacerdotes) eram investidos de
sua autoridade numa cerimônia de unção com óleo de oliva. Assim, inerente ao conceito de
“Messias” é a ideia de receber autoridade sacerdotal e real da parte de Deus.
A palavra grega “Christos” é usualmente traduzida para o português como “Cristo”. Em dois
versículos do Novo Testamento (Yohannan 1:41, 4:25) o texto grego era “Messias”, obviamente
como no português “Messias”, uma transliteração da palavra hebraica; ali usamos “Mashiach” (veja
Yohannan 1:4 e sua nota).
Esse Novo Testamento chama “Christos” de “Mashiach” em duas narrativas onde o seu significado
judaico específico está em destaque: em 16:15 e em 26:63 (e, esse critério para introduzir
“Mashiach” em outras passagens, como se pode ver em Atos 2:31, 36, 38. A desição do tradutor de
usar “Cristo”, “Messias” ou “Mashiach” depende do propósito de sua tradução. No final das contas,
vai depender de sua intuição ou de sua preferência pessoal.
Entretanto nessa obra frequentemente o termo Christos é traduzido como “Messias”; “Cristo” não
aparece nem sequer uma vez. Isso ocorre porque “Messias” tem significado na religião judaica, em
sua tradição e cultura; enquanto a palavra “Cristo” tem um tom estrangeiro e uma conotação
negativa devido à perseguição sofrida pelos judeus por pate daqueles que alegavam ser seus
seguidores. Além disso, a utilização da palavra “Messias” em mais de 380 vezes no texto desta obra
é uma lembrança contínua de que o Novo Testamento alega que Yeshua fez simplesmente o que foi
feito pelo Mashiach que o povo judeu tanto espera. A palavra em português “Cristo” não aponta o
cumprimento por Yeshua das esperenças judaicas e da profecia bíblica.

Filho de. A palavra hebraica “ben” (“filho”, “filho de”) é comumente usada em três diferentes
modos na Bíblia e no judaísmo:
(1) Tanto na bíblia quanto no judaísmo, um homem é normalmente identificado como um filho de
seu pai. Por exemplo, se o filho de Sam Levine, Joeseph Levine é chamado para ler um rolo da Torá
na sinagoga, ele será anunciado não como Joseph Levine, mas como Yosef ben Shmu’el (“Joseph,
filho de Samuel”).
(2) “Ben” também pode significar não o filho de fato, mas um descendente mais distante, comom
era o caso neste versículo: David e Avraham eram ancestrais distantes de Yeshua (também
versículos 8; Yoram não era o pai, mas o tataravô de Uziyahu).
(3) Em terceiro lugar, “ben” pode ser utilizado mais amplamente para significar “tendo as
características de”, e isso também se aplica aqui: Yeshua tinha as qualidades encontradas tanto em
Avraham quanto no rei David.
Filho de David. Avraham e David são destacados porque têm uma importância única na linhagem
do Messias. O termo “Filho de David” é, na verdade, um dos títulos do Messias, tendo como base
as profecias do Tanakh de que o Messias seria um descendente de David e se sentaria do trono de
David para sempre (para as referências do Tanakh, veja Atos 13:23 e sua nota). Enquanto “Filho de
David” não aparece como um título messiânico no Tanakh e é visto pela primeira vez como tal na
pseudoepígrafe Salmos de Salomão 17:23, 36, escrito no século 1 a.E.C, o Novo Testamento
registra o uso desse termo de quinze a vinte vezes, e ele tem sido continuamente utilizado no
judaísmo até os dias de hoje.

Filho de Avraham. Este termo é significado em pelo menos quatro maneiras:


(1) Tanto o rei David qaunto o rei Yeshua seguem seus ancestrais até o indivíduo escolhio por Deus
como o pai do povo judeu (Gênesis 12:1-3).
(2) Yeshua é a prometida “Semente de Avraham” (Gênesis 13:15, explicado por Gálatas 3:16).
(3) A identidade mística do Messias com o povo judeu (veja a nota para 2:15) aqui é sugerida. Uma
vez que todo judeu é um filho de Avraham (3:9).
(4) Yeshua também tem uma identidade mística com todos aqueles que acreditam nele, sejam judeus
ou gentios (Romanos 4:1, 11, 17-20; Gálatas 3:29).

1-16 – O Novo Testamento começa com a genealogia de Yeshua para mostrar que cumpre todas as
exigências estabelecidas pelo Tanakh com relação ao Messias – um descendente de Avraham
(Gênesis 22:18), Ya’akov (Números 24:17), Y’hudah (Gênesis 49:10), Yishai (Isaías 11), David (2
Samuel 7:13) e Z’rubavel (Haggai 2:22-23). Todos esses nomes aparecem nos versículos 1-16.
Essa genealogia lembra o padrão das suas similares no Tanakh (Gênesis 5, 10; 1 Crônicas 1-9 etc.).
A genealogia do Messias como registrado por Lucas é diferente da que aqui está; veja Lucas 3:23-
38 e sua nota.

3, 5, 6, 16 Tamar… Rachav… Rut… a esposa de Uriyah (Bat-she-va)… Miryam. Mulheres,


especialmente aquelas nascidas gentias, raramente eram incluídas nas genealogias bíblicas. As
primeiras quatro eram mulheres gentias a quem Deus havia honrado incluindo as entre os ancestrais
registrados de Yeshua, o Messias judeu – por meio de quem os gentios, as mulheres e os escravos
tinham a salvação igualmente com os judeus, os homens e os livres (veja Gálatias 3:28 e sua nota).
Sobre se essas mulheres se tornaram judias ou continuaram a ser gentias veja Atos 16:1 e sua nota.

16 Yosef, marido de Miryam, da qual nasceu Yeshua. A mudança de linguagem da ladainha “X


gerou Y” assinala que Yeshua não foi concebido de modo usual; outras passagens estabelecem que
o Espírito Santo de Deus desceu sobre Miryam, levando-a a engravidar sem união sexual
(versículos 18, 20; Lucas 1:27, 31, 34-38; veja também versículos 18-25 e suas notas, Lucas 3:23-
38 e suas notas).

Yeshua, chamado o Messias. Esta frase um tanto peculiar chama a atenção pelo fato de que a
genealogia leva até essa pessoa em particular chamada Yeshua, o Yeshua que era conhecido como o
Messias. Não existe nenhuma implicação de que ele não era o Messias; ele se chama de Messias
porque ele era e é.

18-25 Sobre a concepção e o nascimento de Yeshua compare com Lucas 1:26-38, 2:1-7; Yohannan
1:1-2:14