Você está na página 1de 27

Universidade de Brası́lia

Departamento de Matemática

Geometria
Lista de Exercı́cios - 1o /2017

1. Discuta quais são as possı́veis posições relativas de três planos.

2. Mostre que a relação de interposição se comporta da maneira correta, isto é, demonstre
que

(i) Se A − B − C e B − C − D então A − C − D e A − B − D;
(ii) Se A − B − D e B − C − D então A − B − C e A − C − D.

3. Dado um segmento AB, mostre que não existem pontos C ∈ AB e D ∈ AB tais que
C − A − D. Conclua que as extremidades A e B são unicamente determinadas pelo
segmento.

4. Cuidado para não assumir sem demonstração fatos que podem parecer óbvios.

a) Sejam A, B e C pontos em uma reta e A − C − B. Verifique que AC ∪ CB = AB


e AC ∩ CB = {C};
Ð→ Ð→ Ð→ Ð→
b) Sejam A e B pontos de uma reta r. Mostre que AB ∪ BA = r e AB ∩ BA = AB.

5. Sejam A, B e C três pontos não alinhados. Mostre que se D é um ponto do interior do


Ð→
ângulo ∠BAC então todos os pontos do raio AD, exceto A, estão no mesmo semiplano
←→
da reta AB em ABC.

6. Se uma figura, composta por mais de um ponto, é tal que a reta que une quaisquer
dois de seus pontos está contida nela, então

(i) ou ela é uma reta;


(ii) ou ela é um plano;
(iii) ou ela contém todos os pontos do espaço.

7. Mostre que a soma de segmentos é associativa, isto é, dados os segmentos AB, CD e
EF temos que
(AB + CD) + EF = AB + (CD + EF ).
Observe que aqui não falamos de segmentos congruentes, mas de segmentos iguais.

8. Mostre que a soma de segmentos é comutativa no sentido de congruência, isto é, mostre
que
AB + CD ∼ CD + AB.

9. Duas retas r e s são concorrentes e tem ponto comum O. Fora do plano determinado
por r e s tomamos um ponto P qualquer. Qual é a intersecção do plano definido por
r e P com o plano definido por s e P ?

10. Sejam r e s duas retas reversas, A um ponto de r e B um ponto de s. Qual é a


interseção do plano α, determinado por r e B, com o plano β, determinado por A e s?
11. Sejam r e s duas retas reversas. Sejam A e B pontos distintos de r e C e D pontos
distintos de s. Qual é a posição relativa das retas AC e BD?

12. Considere o triângulo △ABC e sejam D e E pontos tais que B − C − D e A − E − C.


←Ð→
Então existe um ponto F ∈ DE tal que A − F − B. Dica: Axioma de Pasch.

13. Considere o triângulo △ABC e sejam D e F pontos tais que B − C − D e A − F − B.


←Ð→
Então existe um ponto E ∈ DF tal que A − E − C e F − E − D.

14. (Teorema de Sylvester ) Mostre que dados n pontos não colineares em um plano existe
uma reta que contém exatamente dois desses pontos. Dica: Veja a demonstração
deste resultado no livro The Foundations of Geometry and the Non-Euclidean Plane
por George E. Martin, página 137.

15. Dado o ângulo ∠BAC mostre que todo ponto do segmento BC é um ponto do interior
de ∠BAC.

16. Se no triângulo △ABC vale que AB ∼ AC, então ∠ABC ∼ ∠ACB.


N.B. O resultado acima é a quinta proposição do livro I dos Elementos de Euclides;
é conhecido como pons asinorum ou ponte dos tolos. É controversa a origem desse
epı́teto, o mais provável é que seja devido ao diagrama usado por Euclides na sua
demonstração, muito semelhante ao desenho de uma ponte. O aluno diligente já está
ciente de que não precisará de nenhum tipo de diagrama para a sua demonstração; esse
resultado é uma consequência direta do axioma C.6.

17. Suponha que D é um ponto no interior do ângulo ∠BAC e E é um ponto no interior


do ângulo ∠DAC. Mostre que E também está no interior de ∠BAC.

18. Conclua a demonstração do teorema 34, isto é, mostre que se α, α′ , β, β ′ e γ são
ângulos dados, então vale o seguinte:

(i) Se α ∼ α′ , β ∼ β ′ e α < β, então α′ < β ′ ;


(ii) Se α < β e β < γ, então α < γ;
(iii) Apenas uma das seguintes alternativas ocorre: (a) α ∼ β, (b) β < α ou (c) α < β.

19. Prove a proposição 6 do livro I de Euclides: se o triângulo △ABC é tal que ∠ABC ∼
∠ACB, então △ABC é isósceles.

20. Conclua a demonstração da proposição 7 do livro I dos Elementos no caso considerado


por Euclides, isto é, mostre que se o ponto D está no interior do ângulo ∠BAC e
fora do triângulo △ABC, então B está no interior de ∠ACD e A está no interior de
∠BDC.
21. Dado o segmento AB, construa um triângulo isósceles com base AB.
Dica: Use o exercı́cio 19. e o teorema 24.

22. Nas proposições 9, 10 e 11 do livro I dos Elementos, Euclides utiliza a proposição 1,


que não pode ser demonstrada em um espaço de Hilbert sem o axioma E. Entretanto,
podemos adaptar as demonstrações de Euclides usando triângulos isósceles (exercı́cio
21.) no lugar de triângulos equiláteros (proposição 1). Assim o impasse lógico é supe-
rado e podemos dar uma demonstração satisfatória dessas proposições sem o auxı́lio
do axioma de intersecção. Como exemplo desse tipo de situação, prove a proposição
11 do livro I, isto é, mostre que dado um ponto em uma reta existe uma segunda reta
passando por esse ponto que é perpendicular à reta dada. A propósito, esse resultado
mostra que ângulos retos existem, o que não é claro.

23. Mostre que a) os cı́rculos mencionados no axioma de intersecção interceptam-se em


exatamente dois pontos; b) se uma reta contém um ponto do interior de um cı́rculo
ela intercepta o cı́rculo em exatamente dois pontos.

24. Demonstre o caso O − R − O′ do teorema 41.

25. (Axioma de Dedekind ) Poderı́amos acrescentar aos axiomas da Geometria Euclidiana


o seguinte postulado:

(D) Suponha que uma reta pode ser dividida em dois subconjuntos S e T de tal forma
que nenhum ponto de S está entre dois pontos de T e nenhum ponto de T está
entre dois pontos de S. Então existe um ponto P tal que para todo A ∈ S e para
todo B ∈ T apenas uma das seguintes opções ocorre: (i) P = A, (ii) P = B ou (iii)
A − P − B.

Este axioma é conhecido como axioma de Dedekind, em homenagem ao matemático


alemão Richard Dedekind (1831-1916), grande responsável pelo moderno tratamento
do conjunto dos números reais.

a) Mostre que o axioma de Dedekind implica o axioma de Arquimedes (A). Dica:


ÐÐ→
Dados dois segmentos AB e CD, seja T o conjunto de todos os pontos E ∈ CD
tais que existe não existe n ∈ N tal que n.AB > CE. Seja S o conjunto dos pontos
←Ð→
da reta CD que não estão em T . Agora aplique (D).
b) Mostre que o axioma de Dedekind implica o axioma de intersecção (E). Dica:
Consulte o livro Euclid’s Elements, T. L. Heath, Dover Publications INC.,
volume I, página 238.

26. Se três planos distintos interceptam-se, dois a dois, segundo três retas distintas, então
ou as retas interceptam-se em um único ponto ou são paralelas.

27. Se dois planos são paralelos a uma reta eles são paralelos entre si?

28. Suponha que os planos α, β e γ têm exatamente um ponto em comum. Existe uma
reta que seja paralela a esses três planos, simultaneamente?

29. Mostre que se três planos interceptam-se, dois a dois, segundo três retas distintas,
então essas retas têm um ponto comum ou são paralelas entre si.
30. Um resultado bastante utilizado para resolver problemas sobre geometria euclidiana
plana é conhecido como teorema do bicos e pode ser enunciado nos seguintes termos:
Se AB é paralelo a CD então a soma dos ângulos brancos é igual à soma dos ângulos
cinzas.

Figura 1: Teorema dos bicos.

Eis uma aplicação deste resultado: sabendo que AB é paralelo a CD, determine a
medida do ângulo x.

31. Demonstre as seguintes afirmações sobre reta e plano paralelos.

a) Se duas retas são paralelas então todo plano que é paralelo ou contém uma delas
é paralelo ou contém a outra;
b) Sejam α e r um plano e uma reta paralelos. Se por um ponto P ∈ α tomamos a
reta s tal que s ∥ r, então s está sobre α;
c) Se dois planos que interceptam-se são paralelos a uma mesma reta, então sua
intersecção é paralela à reta;
d) Se duas retas são paralelas, todo plano que intercepta uma das retas deverá in-
terceptar a outra;
e) Se r ∥ β e β ∥ α, então r ∥ α ou r está sobre α;
f) Se α ∥ β e β ∥ γ, então α ∥ γ;
g) Se os planos α e β são paralelos, então toda reta que intercepta α também inter-
cepta β;
h) Se α e β são planos paralelos, então todo plano que intercepta α intercepta também
o plano β e, além disso, as intersecções são retas paralelas entre si;
i) Sejam α e β planos paralelos. Se r e s são retas paralelas entre si e secantes a
esses planos, então os segmentos determinados por esses planos serão congruentes.

32. Mostre que se o ponto P não está sobre o plano α, então o segmento determinado por P
e pelo ponto onde a reta perpendicular a α passando por P intercepta o plano é menor
do que qualquer segmento determinado por uma outra reta secante a α passando por
P.

33. Prove o seguinte:

a) Se os planos α, β e γ são tais que α ∥ β e β ⊥ γ, então α ⊥ γ;


b) Se a reta r e o plano α são perpendiculares ao plano β, então r ∥ α.

34. Mostre que os planos bissetores dos quatro diedros formados por dois planos que se
interceptam são perpendiculares entre si.

35. (Semelhança LAL) Suponha △ABC e △A′ B ′ C ′ tais que ∠ABC ∼ ∠A′ B ′ C ′ e

[AB] [BC]
= .
[A B ] [B ′ C ′ ]
′ ′

Mostre que esses triângulos são semelhantes.


Dica: Se [AB] = [A′ B ′ ], então os triângulos serão congruentes por LAL. Se [AB] ≠
[A′ B ′ ], suponha que A′ B ′ > AB. Neste caso existe um ponto D ∈ A′ B ′ tal que A′ D ∼
AB. Tome uma reta paralela à AC passando por D. Se esta reta intercepta AB no
ponto E, verifique que △EBC é semelhante ao triângulo △A′ B ′ C ′ e congruente ao
triângulo △ABC.

36. Sejam Γ um cı́rculo e A e B dois pontos sobre Γ. Mostre que se C e D são dois outros
pontos de Γ no mesmo semiplano de AB, então ∠ACB ∼ ∠ADB.

37. Seja AB uma corda de um cı́rculo Γ. Dado um terceiro ponto C ∈ Γ, mostre que
∠ACB é reto se, e somente se, AB é um diâmetro de Γ.

38. (Quadrilátero cı́clico) Dizemos que um quadrilátero ◻ABCD é cı́clico se seus vértices
estão sobre um cı́rculo. Se C e D estão no mesmo semiplano de AB, mostre que
◻ABCD é cı́clico se, e somente se, ∠ACD ∼ ∠ADB.

39. Mostre que os ângulos opostos de um quadrilátero cı́clico são suplementares.


N.B. O resultado acima mostra que o produto [AB][AC] depende apenas de A. Esse
produto é chamado de potência do ponto A em relação à Γ.
Figura 2: α + β = 2 retos.

40. (Circuncentro) Dado o triângulo △ABC mostre que as retas perpendiculares que pas-
sam pelos pontos médios dos segmentos AB, BC e CA se interceptam em um ponto
equidistante de A, B e C. Este ponto é chamado de circuncentro de △ABC.

41. (Incentro) Mostre que as retas bissetrizes dos ângulos de um triângulo △ABC
se encontram em um ponto I. Verifique também que se D, E e F são os pés das
perpendiculares a partir de I em relação a cada um dos lados do triângulo, então
ID ∼ IE ∼ IF . Este ponto é chamado de incentro.
Dica: Reveja a demonstração do esquema de semelhança AAA nas notas de aula.

42. (Potência de um ponto) Seja A um ponto que está no exterior do circulo Γ. Se dois
raios de vértice A interceptam Γ nos pontos B, C e D, E, respectivamente, então

[AB][AC] = [AD][AE].

Figura 3: Potência do ponto A.

Dica: Verifique que os triângulos △ABE e △ADC são semelhantes.

43. Dado o triângulo △ABC, considere um segmento partindo de A que intercepta o lado
BC no ponto D. Mostre que ∠BAD ∼ ∠CAD se, e somente se,

[AB] [AC]
= .
[BD] [CD]

Dica: Considere a reta paralela a AD passando por C e seja E o ponto no qual esta
reta intercepta o prolongamento de AB. Use o teorema de Tales.
Figura 4: AD é bissetriz de ∠BAC se, e somente se, [AB]
[BC] = [AC].
[CD]

44. (Teorema de Menelau) Suponha que uma reta r intercepta os lados do triângulo △ABC
nos pontos D, E e F , prolongados, se necessário. Neste caso, mostre que
[AD] [BF ] [CE]
= 1.
[BD] [CF ] [AE]

Dica: Tomada a reta paralela à BC passando pelo ponto A, seja G o ponto de


intersecção desta reta com r (veja a figura abaixo). Verifique que △DBF ≂ △DAG
e △ECF ≂ △EAG. Escreva essas relações de semelhança e isole [AG] em cada uma
delas para obter o resultado

Figura 5: Teorema de Menelau.

45. (Teorema de Ceva) Seja P um ponto no interior do triângulo △ABC e sejam D, E e


Ð→ Ð→ Ð→
F os pontos em que os raios AP , BP e CP intersectam os lados do triângulo. Mostre
que
[AF ] [BD] [CE]
= 1.
[F B] [DC] [EA]

Figura 6: Teorema de Giovanni Ceva.


Dica: Use o teorema de Menelau.
46. Dado o triângulo △ABC considere o raio que parte de A e intercepta o segmento BC
no ponto D. Mostre que ∠BAD ∼ ∠DAC se, e somente se,

[AB] [AC]
= .
[BD] [CD]

Dica: Considere a reta paralela à AC passando por B e seja E o ponto onde essa reta
Ð→
intersepta o raio BA. Use o teorema de Tales.

47. Dado o triângulo △ABC, se M , N e O são os pontos médios de AB, BC e CA,


respectivamente, mostre que △AM O ∼ △M BN ∼ △ON C ∼ △M N O. Além disso,
mostre que qualquer um desses triângulos é semelhante a △ABC com coeficiente de
proporcionalidade igual a 2.

48. Em cada caso, mostre que os triângulos △ABC e △A′ B ′ C ′ são semelhantes com coe-
ficiente de proporcionalidade igual a 2.

(i) (2ALA) ∠ABC ∼ ∠A′ B ′ C ′ , ∠ACB ∼ ∠A′ C ′ B ′ e BC ∼ 2B ′ C ′ .


(ii) (2LAL) AB ∼ 2A′ B ′ , AC ∼ 2A′ C ′ e ∠BAC ∼ ∠B ′ A′ C ′ .
(iii) (2LLL) AB ∼ 2A′ B ′ , AC ∼ 2A′ C ′ e BC ∼ B ′ C ′ .

49. (Baricentro) As medianas do triângulo △ABC (segmentos de um vértice até o ponto


médio do lado oposto) se interceptam em um ponto G. Verifique ainda que se E é o
ponto médio do lado oposto ao vértice A, então AG ∼ 2GE. Este ponto é chamado de
baricentro de △ABC.

50. (Ortocentro) Mostre que as alturas de um triângulo △ABC se interceptam em um


ponto H. Este ponto é chamado de ortocentro de △ABC.

51. (Reta de Euler ) Dado um triângulo △ABC mostre que o seu baricentro, o seu circun-
centro e o seu ortocentro estão sobre um reta.

52. (Triângulo Órtico) Dado o triângulo △ABC, sejam P , Q e R os pés das suas alturas.
Mostre que as alturas de △ABC são as bissetrizes dos ângulos de △P QR.

53. (Teorema dos nove pontos) Mostre que os pontos médios dos lados de um triângulo,
os pés das suas alturas e os pontos médios dos segmentos ligando o seu ortocentro a
cada um dos seus vértices estão sobre um mesmo cı́rculo.

54. Em qualquer triângulo, mostre que o centro X do cı́rculo dos nove pontos (exercı́cio
53.) está sobre a reta de Euler (exercı́cio 51.) e é o ponto médio do segmento OC
ligando o ortocentro O ao circuncentro C.

55. Aqui vemos uma demonstração alternativa da existência do ortocentro usando propri-
edades de quadriláteros cı́clicos. Dado o triângulo △ABC se K e L se as alturas BM
←→
e CN se encontram em O, mostre que AO é perpendicular à reta AB.

56. (Trigonometria) Se △ABC é reto em A e a, b, c são as medidas dos lados opostos


aos ângulos em A, B, C, respectivamente, definimos o seno, o cosseno e a tangente de
θ = ∠ABC como

b c b
sen θ = , cos θ = e tan θ = .
a a c
a) Mostre que as definições de seno, cosseno e tangente não dependem do triângulo
em questão, apenas do ângulo θ.
b) Mostre que sen2 θ + cos2 θ = 1.

57. (Lei dos Cossenos) Seja △ABC um triângulo qualquer tal que os lados opostos aos
ângulos em A, B e C medem a, b e c, respectivamente. Se α = ∠BAC, mostre que

a2 = b2 + c2 − 2bc cos α.

Dica: Considere a altura a partir do vértice A, divida o triângulo em dois triângulos


retos e use o teorema de Pitágoras.

58. (Lei dos Senos) Em um triângulo qualquer △ABC, se α, β, γ são os ângulos em A,


B, C e a, b, c são as medidas los lados opostos a esses vértices, mostre que
sen α sen β sen γ
= = .
a b c

59. Dado K0 = Q ⊂ R, se k ∈ K0 é um elemento que não tem raiz quadrada em K0 , defina


o conjunto √
K1 = {a + b k ∈ R ∶ a ∈ K0 e b ∈ K0 }
Mostre que K1 é um subcorpo ordenado de R.
N.B. Se r ∈ K1 é um número que não possui raiz quadrada em K1 , podemos definir
um subcorpo K2 ⊂ K1 como

K2 = {a + b r ∈ R ∶ a ∈ K1 e b ∈ K1 }.

Continuando dessa forma podemos encontrar uma sequência de subcorpos

Q = K0 ⊂ K1 ⊂ K2 ⊂ ⋯ ⊂ Kn ⊂ R,

√ extensão do corpo Ki−1 e os elementos de Ki são da forma a + b s
em que Ki é uma
com s ∈ Ki−1 e s ∉ Ki−1 .

60. (Corpo de Hilbert) Seja Ω ⊂ R o conjunto de todos os números obtidos a partir √ de


Q ⊂ R por
√ sucessivas, porém finitas, aplicações das operações +, −, ⋅, ÷ e c ↦ 1 + c ,
2

em que 1 + c2 representa a raiz quadrada positiva de 1 + c2 . Mostre que Ω é um


subcorpo ordenado de R.
N.B. Este corpo é chamado de corpo de Hilbert, pois foi estudado pelo matemático
alemão na sua obra Grundlagen der Geometrie. O conjunto Ω2 = Ω × Ω é um modelo
para o plano de Hilbert (veja o exercı́cio 72.)
61. (Corpo de Euclides) Seja K ⊂ R o conjunto de todos os números obtidos a partir √ de
Q ⊂ R por sucessivas,
√ porém finitas, aplicações das operações +, −, ⋅, ÷ e c ↦ c, em
que c > 0 e c representa a raiz quadrada positiva de c. Mostre que K é um subcorpo
ordenado de R. Verifique que todo elemento de K está em Kn para algum n ∈ N, c.f.
exercı́cio 59..
N.B. Este corpo é chamado de corpo de Euclides, pois K2 = K × K é um modelo para
o plano de Euclides, isto é, um plano de Hilbert (veja o exercı́cio 72.) no qual vale
o axioma de intersecção de cı́rculos (E). É claro que Ω ⊂ K (veja√ o exercı́cio 60.).

Entretanto, é possı́vel demonstrar com um pouco de trabalho que 1 + 2 não é um
elemento de Ω; assim Ω < K.

62. Seja K um corpo ordenado e sejam A = (a1 , a2 ), B = (b1 , b2 ) elementos de K2 = K × K.


Mostre que (b1 − a1 )2 + (b2 − a2 )2 tem raiz quadrada em K se, e somente se, o corpo é
pitagórico, isto é, se para todo a ∈ K existe b ∈ K tal que b2 = 1 + a2 .
N.B. Neste caso, definimos a distância de A até B como a raiz quadrada positiva de
(b1 − a1 )2 + (b2 − a2 )2 e a denotamos por dAB . Em outras palavras

dAB = (b1 − a1 )2 + (b2 − a2 )2 .

63. Seja K um corpo ordenado euclidiano, isto é, suponha que todo número positivo de K
tem raiz quadrada em K. Dados A = (a1 , a2 ) ∈ K2 , B = (b1 , b2 ) ∈ K2 e c ∈ F defina

∣A∣ = a21 + a22 ;
cA = (ca1 , ca2 );
⟨A, B⟩ = a1 b1 + a2 b2 ;
A + B = (a1 + b1 , a2 + b2 ).

Mostre que valem as seguintes propriedades:

(i) ⟨A, A⟩ = ∣A∣2 ;


(ii) ⟨cA + B, C⟩ = c⟨A, C⟩ + ⟨B, C⟩;
(iii) ⟨A, B⟩ ⩽ ∣A∣.∣B∣;
(iv) ∣A + B∣ ⩽ ∣A∣ + ∣B∣.

N.B. A função ⟨ , ⟩ ∶ K × K → K é chamada de produto interno ou produto escalar de


K.

64. Se K é um corpo ordenado euclidiano, defina a função distância d ∶ K × K → K por


d(A, B) = dAB . Mostre que a função distância satisfaz as seguintes propriedades

(i) d(A, B) ⩾ 0 e d(A, B) = 0 se, e somente se, A = B;


(ii) d(A, B) = d(B, A)
(iii) Dados A, B e C em K2 temos que d(A, B) ⩽ d(A, C) + d(C, B).

Dica: Se A = (a1 , a2 ) e B = (b1 , b2 ), defina −B = (−b1 , −b2 ) e A − B = A + (−B) =


(a1 − b1 , a2 − b2 ). Agora observe que d(A, B) = ∣A − B∣ e use o exercı́cio 63..
N.B. As propriedades (i), (ii) e (iii) fazem de d uma métrica em K. O espaço K,
munido da função d, é chamado de espaço métrico.
65. Usando a definição de tangente dada em sala, verifique que se α e β são ângulos agudos
então
tan α + tan β
tan(α + β) = .
1 − tan α tan β
66. Seja K um corpo ordenado pitagórico e △ABC um triângulo em K2 reto em C. Se α
Ð→ Ð→
é o ângulo formado entre os raios AB e AC, mostre que

d(B, C)
tan α = .
d(A, C)

←→
Dica: Verifique o caso particular em que a reta AC é horizontal. Para o caso geral
use o exercı́cio 65..

67. Seja K um corpo ordenado euclidiano. Em K2 , verifique que um cı́rculo Γ e uma reta
r têm dois pontos em comum se, e somente se, r tem um ponto no interior de Γ.
Dica 1 : Se s é a reta perpendicular à r passando pelo centro C de Γ, considere o
segmento de s definido por C e P = r ∩ s. Mostre que podemos encontrar os pontos de
intersecção de Γ e r se, e somente se, a distância de C até P é menor do que o raio do
cı́rculo.
Dica 2 : Você pode considerar o caso em que r é uma reta vertical.

68. Se V é um espaço vetorial sobre um corpo K, então uma aplicação T ∶ V → V é uma


transformação linear se, dados v ∈ V , w ∈ V e a ∈ K temos que

T (v + w) = T (v) + T (w);
T (av) = aT (v).

Se K é um um corpo ordenado, podemos pensá-lo como um espaço vetorial sobre


ele mesmo. Neste caso, mostre que toda transformação linear K → K é dada por
T (x) = ax, para algum a ∈ K∗ . Conclua daı́ que se x < y < z, então T (x) < T (y) < T (z)
ou T (z) < T (y) < T (x).
Dica: Vale que a = T (1).

Os próximos três exercı́cios mostrarão que se K é um corpo ordenado pitagórico, exis-


tem isometrias suficientes em K2 = K × K para demonstrar o axioma LAL.

69. (Translação) Dado (a, b) ∈ K2 , considere a aplicação ϕ ∶ K2 → K2 definida por ϕ(x, y) =


(x − a, y − b), isto é, o ponto (x, y) é levado no ponto (x′ , y ′ ) = (x − a, y − b).

a) Mostre que ϕ é uma isometria de K2 ;


b) Mostre que dados os pontos A = (a1 , a2 ) e A′ = (a′1 , a′2 ) a isometria ϕ(x, y) =
(x − (a1 − a′1 ), y − (a2 − a′2 )) é tal que ϕ(A) = A′ .

Dica: Você deverá mostrar que ϕ é (i) injetiva, (ii) leva retas em retas, (iii) se A−B −C
então ϕ(A) − ϕ(B) − ϕ(C), (iv) dAB = dϕ(A)ϕ(B) e (v) dado um ângulo α temos que
tan α = tan ϕ(α).
N.B. A aplicação ϕ definida acima é chamada de translação por (a, b). Geometrica-
mente, tudo se passa como se tivéssemos deslocado os eixos coordenados paralelamente
até que a origem (0, 0) coincidisse com o ponto (a, b).
70. (Rotação) Considere a aplicação ρ ∶ K2 → K2 definida por ϕ(x, y) = (cx − sy, sx + cy),
em que s ∈ K e c ∈ K sao tais que s2 + c2 = 1. Isto significa que o ponto (x, y) é levado
no ponto de coordenadas
x′ = cx − sy
{ ′
y = sx + cy

a) Verifique que ρ é uma isometria de K2 ;


Dica: Verifique que σ ∶ K2 → K2 , definida por σ(x′ , y ′ ) = (cx′ + sy ′ , −sx′ + cy ′ ), é
a inversa de ρ. Isto significa que ρ é injetiva. Em seguida mostre que uma reta
de inclinação m é levada em uma reta de inclinação
cm + s
m′ = .
c − sm
A propriedade de interposição é preservada pois ρ é uma transformação linear.
Para mostrar que ρ preserva ângulos verifique que se os raios de inclinações m1 ,
m2 são levados por ρ nos raios de inclinações m′1 e m′2 , então suas tangentes são
iguais, isto é,
m1 − m2 m′ − m′
= 1 ′ 2′ .
1 + m1 m2 1 + m1 m2
Por fim, um cálculo elementar mostrará que dAB = dρ(A)ρ(B) .
N.B. Uma aplicação ρ como acima é chamada de rotação.
b) Dados três pontos não-colineares O, A e A′ , mostre que existe uma rotação tal
Ð→ ÐÐ→
que ρ(O) = O e o raio OA é levado no raio OA′ .
Dica: Considere o caso em que O = (0, 0) e sejam m e m′ as inclinações das retas
contendo A e A′ . Claramente ρ(O) = ρ(0, 0) = (0, 0) = O, logo o ponto O é fixado
Ð→ ÐÐ→
pela aplicação. Pelo que vimos no item a), se o raio OA é levado no raio OA′ ,
devemos encontrar s ∈ K e c ∈ K tais que
cm + s
m′ = .
c − sm
Resolvendo para s vem
m′ − m
s= c.
1 + m′ m
Agora utilize a relação s2 + c2 = 1 para encontrar s e c em função de k = m′ −m
1+m′ m . O
caso geral decorre do exercı́cio 69..

71. (Reflexão) Dada uma reta r, verifique que existe uma isometria ϕ ∶ K2 → K2 que fixa
todos os pontos de r e leva cada um dos semiplanos de r sobre o outro.
Dica: Mostre que a aplicação σ ∶ K2 → K2 , definida por σ(x, y) = (x, −y), é uma
isometria que fixa todos os elementos do eixo horizontal ` = {(x, y) ∈ K2 ∶ y = 0} e
leva cada um de seus semiplanos sobre o outro. Agora use os exercı́cios 69. e 70. para
verificar o caso geral
N.B. A aplicação ϕ construı́da acima é chamada de reflexão pela reta r.

72. Seja Π um plano de Euclides, isto é, um conjunto de pontos E, um conjunto de retas
R e conceitos primitivos de interposição, congruência de segmentos e congruência de
ângulos satisfazendo os axiomas de Hilbert e a propriedade de intersecção de cı́rculos
(E). Nestas condições, demonstre as seguintes propriedades:
a) Se ϕ ∶ E → E é uma isometria que fixa três pontos não-colineares A, B e C, então
ϕ é a identidade.
Dica: Dado X ∈ E, se a = dAX , b = dBX e c = dCX , considere o conjunto

C = {P ∈ E ∶ a = dAP , b = dBP e c = dCP }.

Mostre que C = {X} e conclua daı́, lembrando que ϕ preserva a relação de con-
gruência de segmentos, que ϕ(X) = X.
b) Se A, B e C são três pontos não-colineares e ϕ ∶ E → E e ψ ∶ E → E são duas
isometrias tais que ϕ(A) = ψ(A), ϕ(B) = ψ(B) e ϕ(C) = ψ(C), então ϕ = ψ.
c) Toda isometria de Π é a composição de, no máximo, três reflexões.
Dica: Suponha que três pontos não-colineares A, B e C são levados nos pontos
A′ , B ′ e C ′ . Verifique o resultado em cada um dos seguintes casos: (i) A = A′ ,
B = B ′ e C = C ′ , (ii) A = A′ , B = B ′ e C ≠ C ′ , (iii) A = A′ , B ≠ B ′ e C ≠ C ′ e (iv)
A ≠ A′ , B ≠ B ′ e C ≠ C ′ . O caso (i) segue do item a). Para verificar o caso (ii)
mostre que A e B estão sobre a reta perpendicular ao segmento CC ′ passando
pelo seu ponto médio, logo a isometria em questão é a reflexão por esta reta. Os
itens restantes são demonstrados de forma semelhante.

N.B. Em um espaço de Euclides é possı́vel mostrar que se uma isometria fixa qua-
tro pontos não-coplanares A, B, C e D, então ela é a identidade. Também podemos
mostrar que toda isometria é a composição de, no máximo, quatro reflexões. As de-
monstrações destes fatos são análogas às demonstrações dos itens acima.

73. Mostre que se um ângulo α é construı́vel com régua e compasso, então a corda subten-
dida por este ângulo em um cı́rculo de raio 1 também será construı́vel.
Dica: Lei dos cossenos. Faça um desenho!

74. Verifique que, dado um segmento unitário, podemos construir com régua e compasso
os polı́gonos regulares de três, quatro, cinco, seis e dez lados inscritos em um cı́rculo
de raio 1.

75. Seja x a medida do lado de um polı́gono regular de n lados inscrito em um cı́rculo de


raio 1. Mostre que se y é a medida do lado do polı́gono regular de 2n lados então vale

2 − y 2 = 4 − x2 .

Use este fato para calcular os comprimentos dos lados dos polı́gonos de 8, 16 e 32 lados.
N.B. Este exercı́cio mostra que se um polı́gono regular de n lados é construı́vel com
régua e compasso euclidianos, então o polı́gono regular de 2n lados também será cons-
truı́vel.

76. Explique geometricamente por que temos


√ √
√ √

π = lim 2 n−1
2− 2 + 2 + 2 + ⋯ 2,
n→+∞

em que o lado direito têm n − 1 raı́zes quadradas encaixadas.

77. Mostre que é possı́vel construir com régua e compasso euclidianos o polı́gono regular
de 15 lados.
N.B. Nos seus Elementos, Euclides mostra como construir polı́gonos regulares de 3,
4, 5, 6 e 15 lados. Com isso, a partir do que demonstramos no execı́cio 75., podemos
construir polı́gonos de 2n , 3.2n , 5.2n e 3.5.2n lados. Durante dois mil anos esses foram os
únicos polı́gonos construı́veis que conhecı́amos, até que em 1796, aos 19 anos, o alemão
Carl Friedrich Gauss mostrou que o polı́gono de 17 lados é construı́vel com régua e
compasso euclidianos. Hoje sabemos que se Fn = 22 + 1 é um número primo então o
n

polı́gono regular de Fn lados é construı́vel com régua e compasso. Para n = 0, 1, 2, 3, 4


temos que Fn = 3, 5, 17, 257, 65537 são primos, logo os polı́gonos com esses números de
lados são construı́veis. A propósito, os números Fn são conhecidos com números de
Fermat, pois foram estudados pelo matemático francês Pierre de Fermat. Por volta
de 1690, Fermat conjecturou que a fórmula 22 + 1 gerava apenas números primos,
n

entretanto, em 1792, o matemático suı́ço Leonhard Euler verificou que

F5 = 22 + 1 = 641 × 6700417.
5

Até o momento (junho de 2016) não se sabe se há outros números primos da forma
22 + 1. Sabe-se que Fn é composto para 5 ⩽ n ⩽ 23 e o caso F24 continua aberto.
n

Até hoje também não conhecemos nenhuma fórmula simples que gere apenas números
primos. A expressão
Gn = n2 − n + 41
gera números primos para n = 1, 2, . . . , 40, entretanto G41 = 412 que não é primo.
Analogamente, a fórmula
Hn = n2 − 79n + 1601
gera primos para n = 1, 2, . . . , 79, mas falha para n = 80.

78. Mostre que podemos fazer a quadratura de um polı́gono convexo com qualquer número
de lados.
Dica: Considere, por exemplo, o polı́gono ABCDEF . Prolongue o lado AF e consi-
←→
dere uma paralela à diagonal DF passando por E. Se esta paralela intercepta AF em
G, mostre que os polı́gonos ABCDEF e ABCDG têm a mesma área. Veja a figura 7.

Figura 7: Quadratura de um polı́gono.

79. Dado um ponto P e um plano α, definimos a projeção ortogonal de P sobre α


como o ponto P ′ onde a reta perpendicular a α passando por P intercepta esse plano.
A projeção ortogonal de uma figura é a projeção ortogonal de todos os pontos dessa
figura. Mostre que
a) Se duas retas oblı́quas em relação a um plano são paralelas entre si, então suas
projeções ortogonais são paralelas;
b) Se dois planos são paralelos e uma reta é oblı́qua em relação ao primeiro, então
ela será oblı́qua em relação ao segundo e as projeções ortogonais da reta em cada
um dos planos são paralelas entre si;

80. Mostre que uma condição necessária e suficiente para que um ângulo reto se projete
em um ângulo reto é que ao menos um de seus lados seja paralelo ao plano de projeção.

81. O ângulo entre um plano e uma reta oblı́qua a esse plano é definido como o
ângulo entre a reta e a sua projeção ortogonal sobre esse plano. Mostre que o ângulo
entre uma reta e um plano é menor do que o ângulo formado pela reta dada e qualquer
outra reta do plano.

82. Mostre que se duas retas são paralelas, então os ângulos entre essas retas e um plano
dado são congruentes.

83. Mostre que dadas duas retas reversas existe uma única reta perpendicular a ambas.

84. Sejam V A, V B e V C três segmentos perpendiculares entre si. Mostre que a projeção
ortogonal de V sobre o plano ABC é o ortocentro do triângulo ABC (o ortocentro
de um triângulo é o ponto de intersecção das semirretas que partem dos vértices do
triângulo e são perpendiculares aos lados opostos a eles).

85. Se dois planos α e β se interceptam, mostre que a reta do primeiro que faz o maior
ângulo com o segundo é perpendicular à reta de intersecção. Esse ângulo é definido
como o ângulo entre os planos α e β.

86. Mostre que a projeção ortogonal de um triângulo sobre um plano é uma figura com
área igual à área do triângulo projetado multiplicada pelo cosseno do ângulo entre os
planos de projeção e o plano que contém o triângulo.
Dica: Primeiramente considere o caso em que o triângulo tem um lado paralelo ao
plano de projeção. O caso geral pode ser resolvido a partir desse.

87. Dado um ponto de um plano, considere duas retas partindo desse ponto, uma per-
pendicular ao plano e outra oblı́qua a ele. Mostre que o ângulo formado por essas
semirretas é agudo se as semirretas estão do mesmo lado do plano ou obtuso, se as
semirretas estão em lados opostos.

88. Qual é o lugar geométrico dos pontos equidistantes de três pontos não-colineares?

89. Mostre que se duas regiões triangulares T e T ′ não são disjuntas, então T ∩ T ′ é uma
figura. Conclua que a intersecção de duas figuras que não são disjuntas é uma figura.

90. Mostre que se as regiões triangulares T e T ′ são tais que T ⊂ T ′ , então T ′ ∖ T é uma
figura. Conclua que se as figuras F e F ′ são tais que F ⊂ F ′ , esntão F ′ ∖ F é uma
figura.

91. Dadas duas regiões triangulares T e T ′ , mostre que T ∪ T ′ é uma figura. Conclua que
se F e F ′ são figuras, então F ∪ F ′ é uma figura.

92. Se F e F ′ são equicompostas, S e S ′ são equicompostas, F e S são disjuntas e F ′ e S ′


são disjuntas, mostre que F ∪ S e F ′ ∪ S ′ são equicompostas;
93. Dadas as figuras F e S em um plano de Hilbert K2 , existe um movimento rı́gido
ϕ∶ K2 → K2 tal que F e ϕ(S) são figuras disjuntas.

94. Mostre que figuras equicompostas têm a mesma área.

95. Suponha que F e S são figuras de mesma área, F = F1 ⊍ F2 em que F1 e F2 têm a


mesma área e S = S1 ⊍ S2 em que S1 e S2 têm a mesma área. Usando o axioma de de
Zolt, mostre que F1 e S1 têm a mesma área. Essa é a propriedade “metades de iguais
são iguais”, utilizada tacitamente por Euclides na sua teoria de área.
Dica: Dada uma figura F e fixado um segmento AB, usando a proposição I.44, mostre
que é possı́vel construir um retângulo que tem um lado igual a AB e a mesma área
que F.

96. Em um plano de Hilbert denotamos o conjunto de todas as figuras por F. Definimos


uma relação em F da seguinte forma: dizemos que F < S se existe uma figura F ′ ⊂ S
tal que (i) S ∖ F ′ tem interior não-vazio e (ii) F e F ′ têm a mesma área. Assumindo
o axioma de de Zolt, mostre que ‘<’ é uma relação e ordem em F. Mais precisamente,
você deve mostrar que

(i) Para toda F ∈ F tem-se que F ≮ F;


(ii) Se F ∈ F e S ∈ F não têm a mesma área, então exatamente uma das alternativas
deve ocorrer: F < S ou S < F;
(iii) Para todas F, S e T em F tem-se que F < S e S < T implica F < T .

Dica: Mesma do exercı́cio 95.

97. Estude todas as proposições sobre área do primeiro livro dos Elementos e veja quais
delas necessitam do axioma de De Zolt.

98. (Um corpo ordenado não-arquimediano) Dado o corpo dos números reais R, considere
o conjunto R(t) das frações racionais, isto é, o conjunto de todas as funções ϕ(t) = fg(t)
(t)
,
em que f ∶ R → R e g∶ R → R são polinômios em t e g não é o polinômio nulo; note que
a função ϕ está definida em R ∖ {t ∈ R ∶ g(t) = 0}.

(i) Verifique que, munido das operações usuais de soma e produto de funções, o
conjunto R(t) é um corpo;
(ii) Defina o subconjunto dos elementos positivos de R(t) como

P = {ϕ ∈ R(t) ∶ existe M ∈ R tal que ϕ(t) > 0 para todo t > M }).

Mostre que ϕ(t) = f (t)/g(t) ∈ P se, e somente se, o quociente dos termos de maior
grau de f e g é positivo em R.
(iii) Mostre que P induz uma ordem em R(t), isto é, mostre que (a) se ϕ e ψ são
elementos de P então ϕ + ψ e ϕψ são elementos de P e (b) dado ϕ ∈ R(t) temos
que exatamente uma das alternativas ocorre: ϕ ∈ P , −ϕ ∈ P ou ϕ = 0. Dica:
Para verificar (b) considere o número M > 0 tal que todas as raı́zes de f e g são
menores do que M e use o teorema do valor intermediário.
(iv) Mostre que t ∈ R(t) é tal que t > n para todo n ∈ N, ou seja, R(t) é um corpo
ordenado não-arquimediano. Dica: Você deve verificar que t − n > 0 em R(t),
isto é, que t − n ∈ P .
99. Mostre que se K é um corpo ordenado não-arquimediano, x é um elemento infinito de
K e y ∈ K é tal que x < y < 2x, então y também é um elemento infinito de K.

100. Em um plano de Hilbert com o axioma A, demonstre as proposições I.35 e I.37 no caso
mais amplo de dissecação.

101. a) Usando a dissecação da figura 8, prove o teorema de Pitágoras;

Figura 8: Uma demonstração do teorema de Pitágoras

b) A partir do mesmo diagrama, mostre que os quadrados de lados a e b equivalentes


por dissecação ao quadrado de lado c.

102. Exiba uma dissecação de um quadrado em três quadrados menores e congruentes.

103. Explique a dissecação de um triângulo equilátero em um quadrado sugerida na figura


9. Tente fazer sua própria dissecação do triângulo equilátero em um quadrado.

Figura 9: Dissecação de um triângulo equilátero em um quadrado.

104. (Fórmula de Herão 1 ) Dada a região triangular T = ABC em um plano de Euclides,


se [BC] = a e [CA] = b e [AB] = c, definimos o semiperı́metro de T como s = a+b+c
2 .
Mostre que √
α(T ) = s(s − a)(s − b)(s − c).
Dica: Use o seno para calcular a altura do triângulo e, posteriormente, sua área.
Eleve ao quadrado, use a identidade trigonométrica fundamental e, em seguida, a lei
dos cossenos.
1
Herão de Alexandria, ca 79 d.C.
105. Se a1 , a2 , . . . , an são números positivos, vale a desigualdade
√ a1 + a2 + ⋯ + an
n
a1 a2 ⋯an ⩽ .
n
Use esse fato para resolver o problema isoperimétrico para triângulos: entre todos os
triângulos de mesmo perı́metro, o que possui a maior área é o triângulo equilátero.

106. Se ABCD é um quadrilátero cı́clico de lados a, b, c e d, prove a fórmula de Bramagupta2



α(ABCD) = (s − a)(s − b)(s − c)(s − d),

em que s = a+b+c+d
2 .

107. Um quadrilátero ABCD é um trapézio se possui um par de lados opostos paralelos;


em particular, se esses lados são iguais ABCD é um paralelogramo. Realizando uma
dissecção do trapézio da figura abaixo, mostre que sua área é dada por x(z + y)/2.

108. Seja ABC um triângulo qualquer. Sejam ainda DE um segmento paralelo à base
BC e F ∈ DE um ponto qualquer. Se α é a função área euclidiana, mostre que
α(BDE) + α(CF E) ⩽ 14 α(ABC) e que vale a igualdade se, e somente se, D e E são
os pontos médios de AB e AC.

109. Explique como a figura 10 sugere uma demonstração dinâmica do teorema de Pitágoras,
que pode ser demonstrado como um filme em que o quadrado da hipotenusa3 é conti-
nuamente transformado na soma dos quadrados dos catetos4 .
2
Proeminente matemático e astrônomo hindu que viveu ca. 628. Seu principal trabalho foi Brahmasphuta-
sidd’hānta, tratado sobre astronomia de 21 capı́tulos dos quais os capı́tulos 12 e 18 abordavam diversos tópicos
em matemática.
3
A hipotenusa do triângulo retângulo é o lado que subtende seu ângulo reto; esse termo deriva da palavra
grega hyptenousēs, cujo significado é que subtende.
4
A palavra cateto deriva do vocábulo grego kathetos, que significa o que cai perpendicular. Esse termo foi
adotado pelos gregos porque tradicionalmente representa-se um triângulo retângulo com um de seus lados
menores na vertical.
Figura 10: Demonstração dinâmica do teorema de Pitágoras.

110. James Abram Garfield (1831-1881) foi o vigésimo presidente americano e durante seus
anos de escola demonstrou grande talento e habilidade matemáticas. Foi em 1876, en-
quanto ainda era um membro do parlamento americano e cinco anos antes de tornar-se
presidente, que James descobriu uma demonstração do teorema de Pitágoras. Ele
chegou à demonstração enquanto discutia sobre matemática com seus colegas de par-
lamento e sua solução foi posteriormente publicada no periódico New England Journal
of Education. O método de James baseia-se no cálculo da área do trapézio da figura
11 de duas formas distintas: primeiramente pela fórmula do exercı́cio 107. e, posteri-
ormente, como a soma das áreas de três triângulos retângulos nos quais ele pode ser
dividido.

Figura 11: O trapézio de James.

Explique a dissecção do trapézio de James e deduza daı́ a fórmula de Pitágoras c2 =


a2 + b 2 .

111. A trissetriz de um triedro V a1 a2 a3 é o conjunto dos pontos do espaço que são equi-
distantes das faces do triedro. Mostre que a trissetriz de um triedro é uma semirreta
de vértice V .
Dica: Considere a intersecção dos planos bissetores dos diedros do triedro.

112. Dados os pontos A e B mostre que o conjunto dos pontos do espaço tais que △ABP
é reto em P é dado por S(M, [AB]
2 )/{A, B}, em que M é o ponto médio do segmento
AB.

113. Seja S(O, r) uma esfera. Mostre que


←→
a) Uma reta r é tangente a S em P se, e somente se, r é perpendicular à OP ;
←→
b) Se T um ponto √ tal que [OT ] = d > r e P ∈ S é tal que T P é tangente à S em P ,
então [T P ] = d2 − r2 .
c) Se T é como no item acima, mostre que o conjunto
←→
{P ∈ S ∶ P T é tangente à S em P }
←→
é um cı́rculo tal que OT é a sua reta medial, isto é, a reta que passa pelo seu
centro e é perpendicular ao plano do cı́rculo.

114. Mostre que quatro pontos quaisquer que não pertencem a um mesmo plano estão sobre
a superfı́cie de uma esfera. Isso mostra que todos os vértices de um tetraedro então
sobre uma esfera.

115. Mostre que existem os os tetraedro, hexaedro, octaedro, dodecaedro e icosaedro regu-
lares e que todos os seus vértices estão sobre uma esfera.
N.B. Por isso, dizemos que os poliedros regulares são inscritos em uma esfera.

116. Em relação a uma pirâmide mostre o seguinte:

a) A projeção ortogonal do vértice de uma pirâmide reta com base regular coincide
com o centro da base;
b) Seccionando-se uma pirâmide por um plano paralelo ao plano da base e que não
passa pelo seu vértice obtemos uma segunda pirâmide com mesmo vértice e base
dada pela secção. Mostre que os anguloides dessas pirâmides são iguais e suas
faces laterais são semelhantes. Verifique a razão de semelhança é igual a razão de
suas alturas.

117. Mostre que em todo tetraedro vale que:

a) As retas mediais (perpendiculares ao centro das faces) concorrem em um único


ponto, equidistante de todos os vértices, chamado de circuncentro do tetraedro;
b) As trissetrizes (veja o exercı́cio 111.) dos anguloides do tetraedro se interceptam
em um único ponto, equidistante de todas as suas faces, chamado de incentro
do tetraedro.

118. Seja ABCD um tetraedro tal que [AB] = x, [CD] = y e [AC] = [AD] = [BC] = [BD] =
z. Se M e N são os pontos médios de AB e CD, respectivamente,
√ mostre que M N é
a perpendicular comum de AB e CD e que [M N ] = 2 4z − x − y .
1 2 2 2

119. Dado um tetraedro regular mostre que

a) As arestas opostas são perpendiculares;


b) A reta que une os pontos médios de duas arestas opostas é a perpendicular comum
entre elas.

120. Um tetraedro ABCD é dito trirretângulo em D se ∠ADB, ∠ADC e ∠BDC são retos.
Nesse caso, mostre que

a) O triângulo △ABC é acutângulo;


b) O pé da altura a partir do vértice D é o ortocentro do triângulo △ABC;
c) Se a = [AD], b = [BD]√ e c = [CD], então o tetraedro ABCD pode ser inscrito em
uma esfera de raio 12 a2 + b2 + c2 .
121. Um tetraedro ABCD é dito isósceles se possui lados opostos congruentes, isto é, se
AB ∼ CD, AD ∼ CB e AC ∼ BD. Mostre que
a) Um tetraedro ABCD e isósceles se, e somente se, a soma das faces de qualquer
um de seus anguloides é igual 2 ângulos retos;
b) Todas as faces de um tetraedro isósceles são acutângulos.
122. Dado um tetraedro isósceles ABCD de arestas a, b e c, mostre que ABCD está inscrito
em um paralelepı́pedo reto retângulo de dimensões
√ √ √
b 2 + c 2 − a2 a2 + c 2 − b 2 a2 + b 2 − c 2
, e .
2 2 2
123. Mostre que vale o seguinte:
a) As faces opostas de um paralelepı́pedo são congruentes e paralelas entre si;
b) As diagonais de um paralelepı́pedo são concorrentes em um ponto O que as divide
ao meio;
c) As diagonais de um paralelepı́pedo reto retângulo são congruentes.
124. Mostre que um paralelepı́pedo é inscritı́vel se, e somente se, é um paralelepı́pedo reto
retângulo.
125. Mostre que os pontos médios das arestas de um cubo indicados na figura 12 da página
21 pertencem ao mesmo plano.

Figura 12: Pontos médios das arestas de um cubo.

126. Mostre que a soma dos ângulos das faces de um poliedro convexo é 4r(V − 2), em que
V é o número de vértices do poliedro.
127. Calcule o número de faces, vértices e arestas de um poliedro convexo que possui em
cada vértice exatamente dois hexágonos regulares e um quadrados.
N.B. Esse poliedro é conhecido com octaedro truncado e é obtido a partir de um octa-
edro retirando-se apropriadamente pirâmides quadradas de cada um dos seus vértices.
Algumas espécies de abelhas guardam mel em reservatórios com esse formato. Esses
poliedros podem ser encaixados perfeitamente um ao outro para formar uma colmeia;
além disso entre todos os poliedros convexos empilháveis com mesma área superficial
esse é o poliedro que tem o maior volume.
R. F = 14 (F4 = 6, F6 = 8), V = 24 e A = 36.
128. Determine o número de vértices, arestas e faces de um poliedro convexo que tem em
cada vértice exatamente dois hexágonos e um pentágono regulares.
N.B. Esse poliedro é conhecido como icosaedro truncado. A bola de futebol usada na
copa de 70 seguia esse padrão.
R. F = 32 (F5 = 12, F6 = 20), V = 60 e A = 90.

Figura 13: O icosaedro truncado e o octaedro truncado.

129. Determine a distância entre duas faces opostas e o ângulo diedro de um octaedro.

130. Dado um tetraedro regular, mostre que se retiramos de cada um de seus vértices
um tetraedro com aresta igual a metade da aresta do tetraedro original obtemos um
octaedro regular. Conclua daı́ que o ângulo diedro do octaedro e o ângulo diedro do
tetraedro são suplementares.

131. Mostre que existe um hexaedro que tem todos os vértices sobre uma esfera e todos os
ângulos diedros iguais a um ângulo reto.

132. Mostre que se ligamos os centros das faces de octaedro regular obtemos um hexaedro
regular e, reciprocamente, se unimos os centros das faces de um hexaedro regular
obtemos um octaedro regular. Por esse motivo dizemos que o hexaedro e o octaedro
são sólidos duais.

133. Dado um poliedro P, se existe uma esfera que passa por todos os vértices de P, dizemos
que o poliedro é inscritı́vel e o centro da esfera é chamado de circuncentro de P.
Analogamente, se existe uma esfera no interior de P e tangente às suas faces, dizemos
que o poliedro é circunscritı́vel e o centro de tal esfera é o incentro de P. Em geral,
nada garante que um poliedro seja inscritı́vel ou circunscritı́vel. Prove que

a) Uma pirâmide é inscritı́vel se, e somente se, o polı́gono da base for inscritı́vel.
Neste caso, verifique ainda que tal esfera circunscrita é única;
Dica. Reveja a demonstração do exercı́cio 114.
b) Se uma pirâmide for circunscritı́vel, verifique que a esfera inscrita é única.
Dica. O exercı́cio consiste apenas em verificar que o centro da esfera inscrita é a
intersecção dos planos bissectores dos diedros formados pela base e faces laterais
da pirâmide.

134. Dada a esfera S(O, r) um fuso de abertura θ é definido como Fθ = S ∩ Dθ , em que


Dθ é o diedro que tem como vértice um diâmetro da esfera e ângulo plano de medida
θ. Mostre que
Área (Fθ ) = 2θr2 .
135. (Teorema de Girard ) Suponha A, B e C são pontos em uma esfera S(O, r) que não
estão todos sobre um mesmo grande cı́rculo. O triângulo esférico de vértices A,
B e C, denotado por △ABC, é definido como o conjunto de segmentos de grandes
cı́rculos AB, BC e CA. O ângulo interno no vértice A é definido como o ângulo plano
do diedro determinado pelos planos AOB e AOC; analogamente para os dois outros
vértices. Mostre que, se os ângulos internos de um triângulo esférico △ABC são α, β
e γ, então
Área(△ABC) = (α + β + γ − π)r2 .

Dica: Considere os pontos A′ , B ′ e C ′ , antı́podas de A, B e C, respectivamente. Note


que os triângulos esféricos △ABC e △A′ B ′ C ′ têm a mesma área; agora use o exercı́cio
134. depois de observar que

S = (Fα / △ ABC) ∪ (Fβ / △ ABC) ∪ (Fγ / △ ABC) ∪ (Fα′ / △ A′ B ′ C ′ )


∪ (Fβ′ / △ A′ B ′ C ′ ) ∪ (Fγ′ / △ A′ B ′ C ′ ) ∪ △ABC ∪ △A′ B ′ C ′

em que Fα′ , Fβ′ e Fγ′ são os fusos de abertura determinados pelo triângulo esférico
△A′ B ′ C ′ .

136. Mostre que o volume de um tronco de prisma triangular pode ser calculado como o
produto da área da sua seção reta pela média aritmética das suas arestas laterais.

137. Todo poliedro regular tem uma esfera circunscrita (que passa pelos seus vértices) e uma
esfera inscrita (que passa pelo centro das suas faces); essas esferas têm o mesmo centro.
Se R é o raio da esfera circunscrita, r o raio da esfera inscrita e ` é o comprimento da
aresta do poliedro mostre que

R2 = r2 + `4 csc ( πn )
2

em que n é o número de lados de cada face.

138. Mostre que o lado ` e o volume ν de um icosaedro regular inscrito em uma esfera de
raio R são dados por
√ √
50 − 10 5 5 √
`=R e ν = (3 + 5)`3
5 12

139. ∗∗Mostre que o lado ` e o volume ν de um dodecaedro regular inscrito em uma esfera
de raio R são dados por
√ √ 1 √
` = R 10 − 2 5 e ν = (15 + 7 5)`3
4

140. Se R é o raio da esfera circunscrita, r o raio da esfera inscrita e ` é o comprimento da


aresta do poliedro mostre que:

(i) no tetraedro regular temos r = 12 ` e R = 8 ` ;
6 2 3 2

(ii) no hexaedro regular temos r = 2 e R = 4` ;


` 2 3 2

(iii) no octaedro regular temos r = √`


6
e R2 = `2
2;
√ √ √
(iv) no dodecaedro regular temos r = 1
2
25+11 5
10 ` e R2 = 83 (3 + 5)`2 ;
√ √ √
(v) no icosaedro regular temos r = 3 3+ 15
12 ` e R2 = 81 (5 + 5)`2 .
Dica: Para calcular r use as fórmulas de volume de cada poliedro.
141. Se α é o ângulo diedro de um poliedro regular de aresta ` e r é o raio da esfera inscrita
nesse poliedro, mostre que

` 1 − cos α
r= ,
2 tan ( n ) 1 + cos α
π

em que n é o número de lados de cada face.


142. Use os exercı́cios 140. e 141. para mostrar que o ângulo diedro do tetraedro regular
satisfaz cos α = 13 . Se tiver tempo mostre também que os ângulos diedros do hexaedro, √
octaedro, dodecaedro

e icosaedro regulares satisfazem cos α = 0, cos α = − 1
3 , cos α = − 3
5

e cos α = − 55 , respectivamente.
143. Dado um paralelepı́pedo reto retângulo de dimensões a, b e c, calcule o volume do
octaedro cujos vértices são os centros das faces do paralelepı́pedo.
144. Se ABCD é uma tetraedro trirretângulo em D e [AD] = a, [BD] = b e [CD] = c,
mostre que o volume de ABCD é abc 6 . Em seguida mostre que a altura de ABCD em
abc
relação à base ABC é dada por 2 Área(ABC) .

145. Seja ABCD um tetraedro isósceles de arestas a, b e c. Mostre que


1 √
ν(ABCD) = √ (a2 + b2 − c2 )(a2 + c2 − b2 )(b2 + c2 − a2 ).
6 2
Dica: Use o exercı́cio 122. para calcular o volume de ABCD como a diferença do
volume do paralelepı́pedo associado e os volumes de quatro tetraedros trirretângulos
congruentes.
146. Se ABCD é um tetraedro de área total S e r é o raio da sua esfera inscrita, mostre
que
Sr
ν(ABCD) = .
3
Em seguida, utilize os exercı́cios 144. e 145. para mostrar que
a) Se ABCD é trirretângulo de arestas a, b e c, então,
abc
r=
ab + bc + ca + 2 Área(ABC)
b) Se ABCD é isósceles de arestas a, b e c, então
1 √
r= √ (a2 + b2 − c2 )(a2 + c2 − b2 )(b2 + c2 − a2 )
8 2 Área(ABC)
147. (Princı́pio de Cavalieri) O princı́pio de Cavalieri afirma que se dois sólidos têm a
mesma altura e se as secções determinadas pela intersecção desses sólidos com planos
paralelos ao plano da base têm áreas iguais, então os sólidos em questão têm o mesmo
volume. Pelo princı́pio de Cavalieri, por exemplo, duas pilhas construı́das como o
mesmo número de moedas têm o mesmo volume, não importando como estão organi-
zadas. O objetivo desse exercı́cio é determinar o volume da esfera a partir do princı́pio
de Cavalieri. Para isso, considere um cilindro de altura 2R cujas bases são cı́rculos
de raio R. Desse cilindro são retirados dois cones de altura r e bases iguais às bases
do cilindro, formando-se assim um sólido P. Considere ainda uma esfera S de raio R
apoiada sobre o plano da base do cilindro.
a) Verifique que as áreas da secção de P e S por planos paralelos ao plano da base
são iguais.
b) Supondo conhecidas as fórmulas para os volumes do cilindro e do cone, mostre
que o volume de S é 34 πR3 .

148. Mostre que o invariante de Dehn de um paralelepı́pedo reto retângulo é nulo.


149. Calcule o invariante de Dehn de um prisma triangular reto. E o prisma oblı́quo?
150. Calcule o invariante de Dehn da pirâmide triangular isósceles reta, isto é, uma pirâmide
OABC de vértice O tal que [AB] = [AC] = a e OA é perpendicular ao plano da base
△ABC. Suponha que θ = ∠BAC e α é o ângulo diedro de vértice BC.
151. Em 1844 o matemático alemão Carl Friedrich Gauss escreveu uma carta para Christian
Ludwig Gerling, seu ex aluno de doutorado, lamentando que o volume de uma pirâmide
somente podia ser calculado com o auxı́lio do método da exaustão. Em resposta à carta
de Gauss, Gerling ofereceu uma demonstração para o fato que toda pirâmide triangular
pode ser dissecada em doze pirâmides que são congruentes às suas reflexões. Siga os
passos abaixo para demonstrar o teorema de Gerling
a) Seja P = ABCD uma pirâmide triangular. Sabemos que essa pirâmide pode
ser inscrita em uma esfera (exercı́cio 114.). Desenhando planos passando pelas
arestas da pirâmide e pelo centro da esfera, mostre que P pode ser dissecada em
4 pirâmides triangulares P1 , P2 , P3 , e P4 cujos vértices O são equidistante dos
vértices das bases ABC, etc.
b) Seja P1 = OABC. Seja D o ponto onde a perpendicular a ABC, passando pelo
ponto O, intercepta esse plano. Mostre que D é equidistante de A, B e C. Em
seguida, tomando os planos que passam por OD e os vértices da base, mostre que
P1 pode ser dividida em três pirâmides triangulares isósceles retas P11 , P12 e P13 .
Por exemplo, P11 = OABD e OA ∼ OB, DA ∼ DB, OD ⊥ DA e OD ⊥ DB.
c) Mostre que a pirâmide triangular isósceles reta descrita acima é congruente a sua
reflexão.
d) Se P é a pirâmide original e P ′ a sua reflexão, mostre que P = ∑i,j Pij e P ′ =
∑i,j Pi,j

são duas decomposições em doze pedaços cada e Pij ∑ Pi,j

.
152. (Polı́gono inscrito versus polı́gono circunscrito) O objetivo deste exercı́cio é mostrar
que, dado um cı́rculo C, existem polı́gonos P e P ′ , inscrito e circunscrito em C respecti-
vamente, tais que α(C)−α(P ) e α(P ′ )−α(C) são menores que qualquer número positivo
prescrito. Tudo se passa em um plano euclidiano com o axioma de Arquimedes.
(i) Mostre que existe um polı́gono P inscrito em C tal que α(C) − α(P ) é menor do
que qualquer número positivo prescrito. Dica: Seja P1 qualquer polı́gono inscrito
em C; tomando o ponto médio do arco determinado por vértices consecutivos de
P1 , obtemos um novo polı́gono P2 cujo número de lados é o dobro de P1 . Se A e
B são vértices consecutivos de P1 e A′ é um vértice de P2 no arco AB, considere
o retângulo de base AB passando por A′ . Mostre que a área do triângulo ABA′
é a metade da área do retângulo e use a proposição I.X [primeira proposição das
notas de aula sobre o volume da pirâmide].
(ii) Mostre que, dado um cı́rculo C, podemos encontrar um polı́gono inscrito P e um
polı́gono circunscrito P ′ tais que α(P ′ ) − α(P ) é menor do que qualquer número
positivo prescrito. Dica: Comece com qualquer polı́gono inscrito P1 e qualquer
polı́gono circunscrito P1′ tais que os vértices de P1 são os pontos de tangência de
P1′ . Dobrando o número de lados de P1 como no item (i) obtemos novos polı́gonos
inscrito e circunscrito P2 e P2′ . Esse processo está indicado na figura abaixo

Agora utilize o exercı́cio 108. da página 18 e a proposição I.X dos Elementos para
provar o pedido.
(iii) Mostre que existe um polı́gono circunscrito P ′ , tal que α(P ′ ) − α(C) é menor que
qualquer número positivo prescrito. Dica: Utilize os itens (i) e (ii).

153. Mostre que a composição de duas reflexões em relação a duas retas paralelas entre si
é equivalente a uma translação na direção da reta perpendicular às retas dadas e de
magnitude igual a duas vezes a distância entre as retas. Suponha que o ponto A′ está
entre r e s (veja a figura 14 na páginas 27).

154. Dada uma reta M N e dois pontos A e B do mesmo lado dessa reta, encontre o ponto
X ∈ r tal que ∠AXM = ∠BXN (veja a figura 15 na página 27).

155. Mostre que duas figuras simétricas de uma mesma terceira figura em relação a pontos
diferentes são obtidas por uma translação.

156. Duas cidades A e B são separadas por um rio cujas margens assumimos que são retas
paralelas entre si (veja a figura 16 na página 27). Onde devemos construir uma ponte
M N , perpendicular às margens do rio, de maneira que a distância entre as duas cidades
seja a menor possı́vel?

157. Mostre que


Figura 14: Composição de duas reflexões.

Figura 15: Ângulos de incidência e reflexão.

Figura 16: Duas cidades separadas por um rio.

(i) A homotetia de uma reta produz uma reta paralela à reta dada;
(ii) A figura homotética a um plano é um plano paralelo ao plano dado;
(iii) Dois ângulos homotéticos são iguais entre si;
(iv) Dois triângulos homotéticos são semelhantes entres si;
(v) A figura homotética a um polı́gono é um polı́gono semelhante ao polı́gono original;
(vi) As homotetias de um plano e uma reta perpendiculares entre si são uma reta e
um plano perpendiculares entre si;
(vii) Triedros homotéticos são iguais.